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Numero do processo: 11080.910660/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.636
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 60 /2 01 6- 40 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910660/201640 Acórdão n.º 3402006.636 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.729114/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO.
Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores dos pagamentos realizados em ação judicial, nesse caso desde que albergadas por depósito no montante integral.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DA RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA AÇÃO ONDE FORAM REALIZADOS INTEGRALMENTE OS DEPÓSITOS JUDICIAIS. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA.
Embora o pedido de renúncia ao direito em que se fundava ação que questionava exigência de pagamento de adicional de IRPJ tenha ocorrido após formulado o PER/DCOMP, os débitos questionados foram integralmente depositados judicialmente, em conta única do Tesouro.
Negar que tais depósitos componham o saldo negativo pleiteado, é impor ao contribuinte um ônus financeiro em dobro. Ademais, negar tal reconhecimento seria obrigar o contribuinte a ajuizar nova demanda contra o Fisco, o que fere o interesse da Administração Pública.
Numero da decisão: 1401-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores dos pagamentos realizados em ação judicial, nesse caso desde que albergadas por depósito no montante integral. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DA RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA AÇÃO ONDE FORAM REALIZADOS INTEGRALMENTE OS DEPÓSITOS JUDICIAIS. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. Embora o pedido de renúncia ao direito em que se fundava ação que questionava exigência de pagamento de adicional de IRPJ tenha ocorrido após formulado o PER/DCOMP, os débitos questionados foram integralmente depositados judicialmente, em conta única do Tesouro. Negar que tais depósitos componham o saldo negativo pleiteado, é impor ao contribuinte um ônus financeiro em dobro. Ademais, negar tal reconhecimento seria obrigar o contribuinte a ajuizar nova demanda contra o Fisco, o que fere o interesse da Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 91 14 /2 01 1- 26 Fl. 411DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acordão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba – PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte por não homologar o pedido de compensação de débitos com crédito oriundo do Saldo Negativo de IRPJ, Ano Calendário 2004, no montante de R$ 3.251.257,89. Por sua vez, a Manifestação de Inconformidade fora apresentada “nos autos da Declaração de Compensação nº 31238.87257.090611.1.7.02-1048, transmitida em 09/06/2011, que indica como crédito o saldo negativo de IRPJ - 2362, referente do Exercício 2005 - 01/01/2004 a 31/12/2004, no valor de R$ 3.251.257,89, com o qual o contribuinte pretende compensar os débitos de IRPJ - 2362, entre fevereiro de 2005 e janeiro de 2007”. A Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, em 30/06/2011, proferiu o Despacho Decisório (DD) manual, onde decidiu pela homologação das DCOMPS 13303.57066.060505.1.3.02-1920 e 40875.98801.100206.1.3.02-4872, tendo em vista o decurso de prazo previsto no parágrafo 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96, e pela não homologação das declarações de compensação 31238.87257.090611.1.7.02-1048, 16446.06563.200706.1.3.02- 9290, 34759.91723.200706.1.3.02-3155, 7017.71547.140207.1.3.02-8584, uma vez que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP não são suficientes para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Cientificada da autuação, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade em 11/08/2011 às fls. 139/143, trazendo em seu bojo as seguintes razões: Em 21/03/2005, apresentou “a PER/DCOMP n° 22625.56936.210305.1.3.02- 9207, a qual sofreu algumas retificações até se tornar a PER/DCOMP n° 31238.87257.090611.1.7.02-1048, na qual indicou a existência do mencionado saldo negativo de IRPJ”. Entende “que as conclusões que embasaram a não homologação das compensações em comento não merecem prosperar”. “No que tange aos valores depositados nos autos da Ação Judicial n° 2000.51.01.015009-0, em trâmite perante a 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, onde se discutia a legalidade/inconstitucionalidade da cobrança do adicional do IRPJ, requer, sejam aproveitados para fins de dedução do imposto a pagar no período, cujo valor é de R$ 4.762.138,88, sob pena de causar enriquecimento ilícito do Poder Público em detrimento do patrimônio particular, que é protegido constitucionalmente pelo artigo 5º, XXIII e LIV, da CRFB/88, além de afrontar os princípios da legalidade, moralidade e eficiência”. Fl. 412DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 Ademais, “que o artigo 151, I, do CTN dispõe sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em casos de depósitos judiciais, de modo que, enquanto existente o depósito judicial, tem-se a impossibilidade de se considerar o valor apurado como efetivamente devido”. E, na hipótese de decisão judicial contrária (a qual já ocorreu), bastará a conversão dos valores dos depósitos judiciais em comento em renda da União, pois se já não foram estão em via de serem convertidos. Com efeito, “não havendo dúvidas sobre a correta apuração do Saldo Negativo de IRPJ apurado no Ano-Calendário de 2004, verifica-se a plena existência de créditos em seu favor suficientes para homologar integralmente as compensações declaradas através das compensações em comento”. Quanto “ao pedido, se necessário ao deslinde das questões trazidas, protesta pela realização de todos os meios de provas admitidos, em especial, pela perícia contábil, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72”. Por fim, “pleiteia, que as intimações relacionadas ao presente feito sejam endereçadas aos patronos da interessada”. Ressalta-se que a contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade não questionou especificamente o não reconhecimento dos supostos recolhimentos do IRRF nos valores de: (i) R$ 131,00 pela CEF; (ii) R$ 161.018,12 pelo MTE, (iii) R$ 977,66 pelo Citibank, totalizando R$ 162.126,78. Assim, tal matéria não foi impugnada especificamente. O Acórdão ora recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPOSIÇÃO. SALDO NEGATIVO. DÉBITO NÃO DEFINITIVAMENTE EXTINTO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O crédito solicitado em compensação e proveniente de saldo negativo apurado em período anterior, deve se revestir dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pela legislação tributária, além de estar totalmente disponível no momento da transmissão da respectiva declaração, o que não se verifica quando em suas parcelas de composição constar débito(s) com exigibilidade suspensa, em razão de depósito judicial. DÉBITOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE MULTA E JUROS DE MORA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Fl. 413DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETENÇÃO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A utilização do IRRF na formação do crédito pretendido condiciona-se à comprovação da retenção por meio do correspondente comprovante de rendimento (condição que pode ser suprida pela confirmação da retenção em DIRF da fonte pagadora). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DESNECESSIDADE. É legítimo o despacho decisório proferido com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, conforme entendimento da Turma Julgadora que “restou demonstrado que o saldo negativo apurado pela interessada no exercício de 2005, ano-calendário 2004, no valor de R$ 3.251.257,89, não goza dos pressupostos de liquidez e certeza nos termos do artigo 170 da Lei nº 5.172/1966(Código Tributário Nacional)”. Nesse sentido, entenderam que “não há como conceder os mesmos efeitos de pagamento, ao débito garantido por depósito judicial, retirando, dessa forma, a condição determinada pela norma (art. 170 A do CTN combinado com art. 74 da Lei n° 9.430/96) de liquidez e certeza do crédito para fins de sua utilização em compensação”. Às fls. 301dos autos a interessada apresenta Recurso Voluntário, trazendo em sue bojo as seguintes razões: a) DO CORRETO TRATAMENTO A SER DADO AO DEPÓSITO JUDICIAL DO ADICIONAL DO IRPJ PARA FINS DE COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO: Afirma que “a rigor, em que pese a assertiva da r. decisão em comento, no sentido de que o art. 170-A do CTN e o art. 74 da Lei ri9 9.430/96 vedam a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial e que apenas pode se referir a pagamentos de tributos realizados a maior, o fato é que tais dispositivos em nada prejudicam a procedência do direito ora defendido. Isso porque, a Recorrente não está buscando compensar tributos que foram objeto de depósito judicial, tampouco implementar compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial”. b) A CONSIDERAÇÃO DO DÉBITO DO ADICIONAL DO IRPJ E DOS RESPECTIVOS VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE: Diz que “em se tratando de discussão referente ao adicional do IRPJ, é Fl. 414DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 importante deixar claro que os efeitos dos depósitos judiciais realizados pelos contribuintes são distintos daqueles ordinariamente considerados em relação aos demais tributos. Isso porque, quando estamos diante de tributos, que constituem despesas dedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda, essa despesa apenas se materializa efetivamente quando o contribuinte perde a ação judicial e tem a respectiva conversão do depósito em renda. É que, a rigor, no momento em que o depósito é realizado, o contribuinte não teve um dispêndio definitivo e aquele respectivo valor, inclusive, segue sendo passível de ser incluído em seus controles contábeis” (...) Diz que uma vez realizado o depósito judicial do adicional do Imposto de Renda, só há duas possibilidades possíveis: ou haverá a sua conversão em pagamento (situação em que a apuração originária tornar-se-á definitiva); ou haverá sua devolução ao contribuinte (situação em que a apuração originária passa a desconsiderar tanto o valor do débito do adicional, quanto o valor do respectivo depósito/pagamento). Em relação a este último cenário, não há, em absoluto, qualquer efeito fiscal e/ou financeiro relevante, eis que o valor do tributo apurado como devido (ou o valor do saldo negativo) permanecerá o mesmo”. c) Aduz que “neste sentido, o depósito judicial também deve ser interpretado à luz da Lei n. 9.703/98, que é expressa no sentido de que os depósitos judiciais serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade”. E que “os depósitos judiciais detêm natureza de pagamento e, por obvio, gozam de certeza e liquidez, que lhe é conferida expressamente pela Lei n. 9.703/98. Logo, não podem as autoridades contrariar a legislação, sob pena de ilegalidade. Ora, se o montante se encontra "depositado" e à disposição Tesouro Nacional desde sempre, como pode não ser líquido e certo?”. d) DOS EFEITOS DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — A DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE E A CONSEQÜENTE NECESSIDADE DE, IGUALMENTE, SE DESCONSIDERAR O RESPECTIVO DÉBITO DO ADICIONAL DE IRPJ: Diz que “houve equívoco, pois, se os depósitos judiciais da obrigação não podem ser considerados na apuração do resultado do período, constitui uma consequência lógica também desconsiderar os valores da própria obrigação, sob pena de causar enriquecimento ilícito do Poder Público em detrimento do patrimônio particular, que é protegido constitucionalmente pelo artigo 52, XXIII e LIV, da CRF8/88, além de afrontar os princípios da legalidade, moralidade e eficiência”. e) Assim, “a apuração do IRPJ 2004 deveria ser feita normalmente sem considerar o Adicional, uma vez que este estaria com a sua exigibilidade suspensa. Neste cenário, caso a Recorrente saísse vencedora na Ação Judicial onde efetuou os depósitos, bastaria levantá-los e nada mais precisaria ser feito em relação ao ano de 2004 e seus respectivos efeitos. Da mesma forma, na hipótese de decisão judicial contrária (a qual já Fl. 415DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 ocorreu), bastará a conversão em renda da União dos respectivos valores e pronto - nada mais a fazer”. f) DO VALOR DE IRRF NÃO RECONHECIDO: Aduz que “conforme fls. 39 dos presentes autos, a própria Receita Federal do Brasil tomou conhecimento que tais valores não serviram para compor o saldo negativo do ano-calendário de 2003 na medida em que, no momento da transmissão da sua DIPJ/2004, a Recorrente não tinha conhecimento sobre tais retenções. Portanto, considerando que tais valores não foram utilizados no ano-calendário de 2003, não há qualquer dúvida que ele pode ser utilizado no ano seguinte (ano-calendário de 2004), momento em que tomou conhecimento da referida retenção” Ademais, aduz que oportunamente promoveria a juntada das provas correspondentes. g) DA PROVA PERICIAL: Diz que “não há dúvidas sobre a correta apuração do Saldo Negativo de IRPJ apurado no Ano-Calendário de 2004 pela Recorrente, onde se verificou a plena existência de créditos em seu favor suficientes para homologar integralmente as compensações declaradas através das compensações em comento. Nada obstante, admitindo-se a remota hipótese desse Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entender pela necessidade de realização de perícia contábil, desde já e nos termos do artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, requer seja determinada a baixa dos autos para realização de diligência contábil voltada à comprovação da veracidade das informações”. h) Requereu o provimento do Recurso Voluntário de modo a restar homologada a compensação declarada através da PER/DCOMP em referência e, consequentemente, extinguir os respectivos créditos tributários ora exigidos. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva - Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade por isto dele conheço. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte por não homologar o pedido de compensação de débitos com crédito oriundo do Saldo Negativo de IRPJ, Ano Calendário 2004, no montante de R$ 3.251.257,89. Fl. 416DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 A Manifestação de Inconformidade fora apresentada “nos autos da Declaração de Compensação nº 31238.87257.090611.1.7.02-1048, transmitida em 09/06/2011, que indica como crédito o saldo negativo de IRPJ - 2362, referente do Exercício 2005 - 01/01/2004 a 31/12/2004, no valor de R$ 3.251.257,89, com o qual o contribuinte pretende compensar os débitos de IRPJ - 2362, entre fevereiro de 2005 e janeiro de 2007”. A Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, em 30/06/2011, proferiu o Despacho Decisório (DD) manual, onde decidiu pela homologação das DCOMPS 13303.57066.060505.1.3.02-1920 e 40875.98801.100206.1.3.02-4872, tendo em vista o decurso de prazo previsto no parágrafo 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96, e pela não homologação das declarações de compensação 31238.87257.090611.1.7.02-1048, 16446.06563.200706.1.3.02- 9290, 34759.91723.200706.1.3.02-3155, 7017.71547.140207.1.3.02-8584, uma vez que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP não são suficientes para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Basicamente, o não reconhecimento do saldo negativo decorreu do fato de a DRF: (i) o não reconhecimento dos supostos recolhimentos do IRRF nos valores de: a) R$ 131,00 pela CEF; b) R$ 161.018,12 pelo MTE, c) R$ 977,66 pelo Citibank, totalizando R$ 162.126,78; (ii) não considerar na formação do saldo negativo de estimativas mensais objeto de depósito judiciais, realizados nos autos da Ação Declaratória n° 2000.51.01.015009-0, que posteriormente foram convertidos em renda da União, nos estritos termos do artigo 10 da Lei n° 11.941/2009. Inicialmente, quanto à análise do direito creditório, passo a apreciar o primeiro fundamento para o seu não reconhecimento. Como relatado, o contribuinte não questionou em sua Manifestação de Inconformidade de forma específica o não reconhecimento do IRRF acima referido. Desta forma, a matéria resta preclusa e seu julgamento é definitivo. Mesmo assim, em sede de Recurso o contribuinte questiona de forma superficial tal matéria (preclusa pelas razões acima), sugerindo a juntada posterior de provas, o que também não o fez. Assim, restando preclusa tal matéria, não conheço do Recurso Voluntário neste ponto. Passo então à análise do outro fundamento de não reconhecimento do saldo negativo objeto do presente processo, qual seja, não considerar na formação do saldo negativo de IRPJ objeto de depósito judiciais, realizados nos autos da Ação Declaratória n° 2000.51.01.015009-0, que posteriormente foram convertidos em renda da União, nos estritos termos do artigo 10 da Lei n° 11.941/2009. Basicamente, a DRJ funda sua decisão em 03 pontos: (i) ausência de certeza e liquidez do crédito (art. 170 A do CTN); (ii) renúncia ao direito em que se funda a ação em data posterior ao presente PER/DCOMP; (iii) ausência de confirmação, até a data de julgamento, da efetiva conversão em renda. Fl. 417DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 Entendo assistir razão ao Recorrente. O fato é que, caso negado o saldo negativo pleiteado, e tendo sido os depósitos judiciais convertidos em renda para o Tesouro, haveria uma dupla cobrança do contribuinte. Indeferir a restituição do saldo negativo apurado levando em consideração os depósitos judiciais e, ao mesmo tempo, converter tais depósitos que já estavam na conta única do Tesouro em renda (como efetivamente ocorreu), tem como conseqüência exigir do contribuinte o mesmo crédito duas vezes. A negativa do cômputo dos depósitos no saldo negativo apurado no ano causaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco já tem tal recurso em sua conte (e posteriormente converteu-o em renda), também ora impede a sua utilização na composição do saldo negativo. Me parece que a lógica da restrição prevista no art. 170 A do CTN é outra, qual seja, evitar a utilização de um crédito que se busca reconhecimento judicialmente, antes do trânsito em julgado. O caso concreto é, ao meu ver, absolutamente distinto. Isto porque, não buscou a Recorrente o reconhecimento de um crédito, mas sim questionou uma obrigação tributária exigível (pagamento do Adicional do Imposto de Renda previsto nas Leis nºs 8.541/92 e 9.249/95), efetuando o depósito judicial integral, nas datas de vencimento legal. Desta forma, a Fazenda já tem a certeza que, caso perdedora na ação, os valores em discussão serão recebidos. No caso particular, ainda existe mais um ponto a ser analisado, os valores depositados judicialmente eram repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional desde o prazo de recolhimento dos tributos, nos termos do artigo 1º, §2º da Lei nº 9.703/98. Ademais, o fato de o Recorrente apenas ter renunciado da ação judicial no ano de 2010, após a apresentação da presente PER/DCOMP, por si só não pode ser fundamento para negar o reconhecimento do SN pleiteado. Primeiro porque os valores foram integralmente depositados na conta do Tesouro. Segundo porque quando da emissão do despacho decisório, a renúncia à ação já teria ocorrido, e portanto, não mais haveria qualquer incerteza quando ao crédito. Ressalte-se que tais posições possuem precedentes neste CARF. A título de exemplo, esta mesma Seção já reconheceu, em caso similar, a consideração na composição do SN dos valores depositados em juízo, conforme se extrai da ementa do Acórdão 1402002.307 de Relatoria do Cons. Leonardo Couto, cuja decisão foi unânime: Fl. 418DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores das estimativas quitadas mediante pagamento ou compensação e ainda aquelas objeto de ação judicial, nesse último caso desde que albergadas por depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 18.007.711,59; em valores originais, homologando-se as compensações pleiteadas, ainda remanescentes, até esse limite. (Acórdão 1402002.307 - 15/09/2016). Ou ainda, relevante citar precedente do CARF reconhecendo o direito creditório do contribuinte quando, após o pedido de compensação, sobreveio decisão judicial de mérito reconhecendo o direito alegado. É o precedente do Acórdão 3402005.025 de 22/03/2018, também proferido por unanimidade: (...) COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170A DO CTN. Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado. Assim é que, concordando com a decisão acima referida, admitir como válido o pedido formulado pelo contribuinte, apesar de possível contraposição à literalidade da regra extraída do art. 170A do CTN, prestigia todos aqueles valores jurídicos tutelados pelas próprias regras que aparentemente "fundamentariam" tal rejeição. Em especial, a segurança jurídica. Fl. 419DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.497 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.729114/2011-26 Isto porque, ao se negar o direito do contribuinte com base em tal fundamento, além de acarretar em uma dupla exigência do mesmo crédito (que desde os depósitos já estavam em conta do Tesouro) e, em última análise, forçá-lo a buscar seu direito pela via judicial, o que está em descompasso com um dos objetos da existência do processo administrativo fiscal, evitar a judicialização de demandas tributárias. No presente caso, não considerar os referidos depósitos judiciais, que já estão em posse do tesouro, na composição do SN pleiteado seria, ao mesmo tempo, reconhecer o direito do contribuinte de requerer novo pedido de restituição, o que implicaria em novas demandas, administrativas e/ou judiciais, que resultará no reconhecimento do direito do contribuinte. Assim, face a tudo o quanto exposto, também entendo assistir razão ao contribuinte e oriento o meu voto no sentido de acolher as suas alegações Recursais, e reconhecer que os valores depositados judicialmente devem ser considerados na composição do saldo negativo pleiteado. Restam prejudicadas as razões de mérito subsidiárias. Em resumo, concluo meu voto dando provimento ao Recurso Voluntário, homologando parcialmente a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720031/2016-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não é inquinada de nulidade a decisão que adota, parcial ou integralmente, excertos de outras decisões ou o relatório da acusação fiscal, se, comprovadamente, foram apreciados pelos julgadores todos os fatos, argumentos e provas trazidos aos autos.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011,2012
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. Inteligência da Súmula CARF nº116.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 - art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 - não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma.
A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados.
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1402-003.905
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.ii) rejeitar a arguição de decadência do direito de questionar a formação do ágio; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do questionamento sobre o ágio por ausência de base legal; i.iv) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio na apuração do IRPJ e da CSLL, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IMPROCEDÊNCIA. Não é inquinada de nulidade a decisão que adota, parcial ou integralmente, excertos de outras decisões ou o relatório da acusação fiscal, se, comprovadamente, foram apreciados pelos julgadores todos os fatos, argumentos e provas trazidos aos autos. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011,2012 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. Inteligência da Súmula CARF nº116. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 31 /2 01 6- 41 Fl. 7080DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.081 2 sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; i.ii) rejeitar a arguição de decadência do direito de questionar a formação do ágio; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do questionamento sobre o ágio por ausência de base legal; i.iv) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio na apuração do IRPJ e da CSLL, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 7081DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.082 3 Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 7082DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.083 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 19 de janeiro de 2017 (fls. 6779/6817)1, que julgou improcedente a impugnação ofertada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 24/79), estas foram as infrações cometidas pela contribuinte: “1. Preliminarmente cabe informar que as infrações que serão tratadas mais adiante neste Termo de Verificação já foram abordadas na fiscalização realizada no mesmo contribuinte em relação aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, as quais originaram Autos de Infração que foram objeto do processo administrativo 10600.720.035/201386, cuja decisão da primeira instância administrativa foi proferida em 08/08/2014 através do Acórdão 1452.723 5ª Turma da DRJ/RPO, a qual manteve integralmente o lançamento realizado. 2. Assim, em 30/12/2014 foi emitido o MPF – Fiscalização nº 2014007988 com vistas à fiscalização da empresa em epigrafe, nos anoscalendário de 2011 e 2012 com relação ao IRPJ. 3. Nos anoscalendário de 2011 e 2012 a fiscalizada adotou como forma de tributação e apuração o Lucro Real Anual com estimativas mensais baseadas em balanços de suspensão/redução. (...) 52. Destarte, não há como se admitir, na apuração do resultado fiscal do contribuinte, deduções decorrentes de parcelas de “ágio tributário“ artificiosamente gestado entre pessoas jurídicas residentes, direta ou indiretamente ligadas; ou mesmo entre empresas independentes; se revelado que a parte (sujeito passivo) que dele se aproveita, o fez sob circunstâncias e atos que ignoram a essência desse instituto, ou exorbitam os seus limites frente ao normativo estabelecido, cujas condições foram exaustivamente detalhadas nos itens precedentes. 53. Passamos agora a analisar, individualizadamente, as diversas reorganizações societárias efetuadas pela fiscalizada que acabaram gerando diversos ágios, cujas amortizações não estão sendo por ela adicionadas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Ágio na CST 54. Através do Termo de Início de Fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar histórico e memorial do processo de reorganização societária envolvendo diversas sociedades, dentre elas, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) – CNPJ 27.251.974/000102. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 7083DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.084 5 55. De toda documentação apresentada durante a fiscalização verificamos que a empresa Arcelor Aços Planos do Brasil S.A (AAPB – CNPJ07.157.394/000106) tinha um ágio contabilizado no anocalendário de 2004 relativo à aquisição de investimento realizado na CST. 56. Em 31/03/2005 a AAPB é cindida totalmente sendo que a empresa FEEBAS Participações Ltda. recebe parte do acervo cindido que continha o ágio na CST. Na mesma data a FEEBAS altera sua razão social para Arcelor Aços do Brasil Ltda. (AAB– CNPJ 07.157.304/000106). 57. Em setembro de 2005, em virtude da incorporação da AAB pela Arcelor Brasil S.A –CNPJ – 24.315.012/000173 houve a transferência do saldo a amortizar do ágio da AAB para a Arcelor Brasil S.A. 58. Em 31 de Agosto de 2007 em virtude da incorporação da Arcelor Brasil S.A – CNPJ –24.315.012/000173 pela Belgo Siderurgia S.A. – CNPJ – 17.469.701/000177 (atual fiscalizada ArcelorMittal Brasil S.A CNPJ – 17.469.701/000177) houve a transferência do saldo a amortizar do ágio da Arcelor Brasil S.A para a Belgo Siderurgia S.A. (atual fiscalizada ArcelorMittal Brasil S.A CNPJ – 17.469.701/0001 77). 59. Em 01 de setembro de 2008 em virtude de cisão parcial da CST com versão da parcela cindida do Patrimônio Líquido para a ArcelorMittal Brasil S.A, 95% do saldo do ágio da CST a amortizar foi transferido para o ativo diferido da Arcelor Mittal Brasil S.A– conta contábil 1370005. 60. A partir dessa data, 01/09/2008, a ArcelorMittal Brasil S.A passou a deduzir fiscalmente as despesas com amortização de ágio decorrentes do outrora investimento na CST, uma vez que a incorporação do acervo cindido da CST havia ocorrido. 61. Também foram objeto do Termo de Início, a apresentação dos protocolos e Justificação de todas as operações de incorporação realizadas pela empresa acompanhadas de cópias das AGE, bem como dos Laudos de Avaliação do Patrimônio Líquido (contábil e a mercado) de todas as sociedades incorporadas. (...) 65. Considerando que essa mesma infração foi verificada na fiscalização anteriormente efetuada na empresa, conforme descrito no item 1 deste Termo de Verificação e tendo em vista que o contribuinte concordou com o lançamento anteriormente efetuado e que o documento que comprovaria a rentabilidade futura do ágio ainda não foi localizado pela empresa, conforme expressamente informado pelo contribuinte em sua resposta em 03/03/2015, entendemos ser desnecessário efetuar nova intimação para a fiscalizada apresentar esse documento que reiteradas vezes já foi afirmado como não existente até o presente momento. 66. Portanto, o que esta fiscalização constatou é que não existe um documento que possa comprovar o fundamento econômico do ágio com base na rentabilidade futura da CST. Não há um Laudo e nem sequer qualquer outro documento que possa demonstrar o fundamento econômico do ágio contabilizado. 67. Além disso, não houve a comprovação do pagamento do ágio originalmente contabilizado na Arcelor Aços Planos do Brasil S.A (AAPB – CNPJ 07.157.394/0001 06), assim como não foram comprovados os cálculos relativos Fl. 7084DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.085 6 ao valor patrimonial do investimento e o correspondente ágio apurado em relação ao valor da aquisição. 68. A falta dessa documentação probante impede que a amortização do ágio seja dedutível na apuração do Lucro Real. 69. É elemento essencial para que a amortização do ágio seja dedutível que exista toda documentação probante pertinente nos termos do Art.20, §3o. do DL 1598/77, ou seja, é necessário que haja uma demonstração que o contribuinte tenha arquivado como comprovante da escrituração do ágio, incluindo eventuais relatórios e/ou laudos de avaliação elaborados comprovando e demonstrando os fundamentos do ágio, bem como os comprovantes de pagamento e ainda uma demonstração de como foi apurado o valor do ágio contabilizado. 70. Na ausência desses requisitos essenciais todos os efeitos fiscais produzidos pela amortização do ágio não podem prosperar, vale dizer, o ágio amortizado é indedutível na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 71. O contribuinte ainda informa que a partir de 01/01/2009 o ágio não é mais amortizado de acordo com as novas normas contábeis (normas de convergência ao IFRS). Dessa forma, o ágio amortizado na conta contábil a débito:3402001 e a crédito:1331106 foi retificado na conta contábil a débito: 1331105 e a crédito da conta 3402033. E prossegue informando que os lançamentos contábeis relativos à amortização do ágio foram realizados através dos ajustes ao RTT, conforme pode ser constatado no LALUR dos anos de 2011 e 2012. 72. O valor relativo à amortização do ágio da CST que reduziu indevidamente o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL nos anoscalendário (2011 e 2012) está sujeito ao lançamento e perfez a quantia de R$7.363.908,35 em cada ano. (...) Ágio na Arcelor Brasil S/A 74. Para que se compreenda a forma como surgiu o ágio decorrente da aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A o qual foi deduzido fiscalmente nos anos calendário objeto dessa ação fiscal é necessário descrever o histórico dos fatos relativos à fusão no exterior entre as empresas Arcelor (Luxemburgo) e Mittal Steel (Holanda) com os correspondentes reflexos no Brasil. As repercussões do referido evento no exterior foram avaliadas pela CVM que considerou ter havido alienação indireta do controle da Arcelor Brasil S/A, a qual, anteriormente àquela fusão, era controlada pela Arcelor que detinha cerca de 67% de suas ações. 75. Assim, por decisão da CVM, a Mittal Steel Company N.V. foi obrigada a realizar uma OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO DE AÇÕES (OPA) DE EMISSÃO DA ARCELOR BRASIL S.A. para que o direito dos acionistas minoritários fosse preservado, tudo conforme Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e artigo 254A da Lei 6.404/76. 76. A Arcelor S/A (“Arcelor”) e a Mittal Steel Company N.V. (“Mittal”) eram as duas maiores empresas no setor mundial de aços, detendo juntas 10% da produção mundial de aço. A Arcelor tinha sede em Luxemburgo, contava com ações listadas em bolsas de diversos países e seu controle era disperso em mercado. A Mittal tinha sede na Holanda, possuía ações listadas em bolsas de diversos países e seu controle era retido nas mãos da família Mittal, de origem indiana. Fl. 7085DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.086 7 77. Em junho de 2006, através de uma Oferta de Permuta bemsucedida, lançada pela Mittal em favor dos acionistas da Arcelor, as duas empresas formam a gigante “ArcelorMittal”. 78. No Brasil, a Arcelor era a controladora da Arcelor Brasil S/A (“Arcelor Brasil”), com sede na cidade de Belo Horizonte e ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. 79. Em razão da Oferta de Permuta realizada com sucesso na Europa, ocorreu a alienação de controle indireto da Arcelor Brasil e conforme decisão da CVM baseada na Lei das S/A (art. 254A) e no Estatuto Social da Arcelor Brasil (arts. 8 a 10) foi exigido da Mittal Steel Company N.V. uma Oferta Pública para Aquisição de Ações dos demais acionistas minoritários da Arcelor Brasil S/A. (...) 194. No presente caso a investidora original no exterior MSCNV detinha ações da Arcelor Brasil S/A adquiridas via OPA, as quais foram transferidas via integralização de capital e venda para sua subsidiária integral MSBP. Além disso houve uma integralização de capital em dinheiro na MSBP pela MSCNV. Após a deflagração das diversas etapas da operação estruturada, as ações da Arcelor Brasil S/A anteriormente transferidas pela MSCNV à MSBP acabaram no patrimônio da própria Arcelor Brasil S/A que, como contrapartida, emitiu novas ações e na mesma quantidade para a MSCNV. Ou seja, ao final da operação o investimento original efetuado pela MSCNV (investidora original) na Arcelor Brasil S/A (investida) permaneceu subsistindo no patrimônio daquela não havendo que se falar então em incorporação da investidora original pela investida ou da investida pela investidora original. Assim, além de todos os outros vícios já demonstrados e discorridos no presente Termo, constatase que o requisito essencial de haver a incorporação da investida pela investidora original ou vice versa nos termos preconizados pela legislação tributária, em especial o artigo 7º. da Lei 9.532/97 não foi satisfeito, o que também impede a dedutibilidade fiscal do ágio amortizado. 195. Nas condições apresentadas e descritas nos itens precedentes deste Termo, em especial os itens 15 a 37, 47 a 52 e 74 a 194, e com fundamento no art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, art. 10 da Lei nº 9.718, de 1998, art. 25 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 (com a redação dada pelo art. 1º, inciso III do DecretoLei nº 1.730, de 1979), artigo 6°, §2°, alínea “a” do DecretoLei 1.598/77, artigos 146, 147, 247, 249, inciso I, 385, 386 e 391 do RIR/99 e art. 111 do CTN, não há como aceitar a amortização do ágio das ações da Arcelor Brasil S/A como dedutível e, como resultado, todos os valores que a fiscalizada deixou de adicionar na apuração do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL relativos à amortização desse ágio serão lançados por essa fiscalização nos seguintes valores (conforme planilhas e demonstrativos da própria fiscalizada): 2011 R$460.979.418,01 2012 R$460.979.418,01 Composição dos valores dos ágios em função das operações que os originaram – Vícios Adicionais Fl. 7086DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.087 8 196. A fiscalizada apresentou planilha demonstrando a composição de todo o ágio apurado na aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A pela Mittal Steel Brasil Participações S/A que, em suma, foram os seguintes: a) R$4.147.292.208,47 em junho de 2007, decorrente de aquisições via OPA; b) R$148.467.443,05 em julho de 2007, decorrente de aquisições no mercado de balcão; c) R$339.138.066,90 em julho de 2007, decorrente de contrato de compra e venda de ações da Arcelor Brasil S/A adquiridas por Mittal Steel Company N.V. na opção de pagamento misto – ARCE11L, o qual foi celebrado em 31/07/2007 entre Mittal Steel Company N.V. e Mittal Steel Brasil Participações S/A.; d) R$2.039.002.326,30 em julho de 2007, decorrente de aumento de capital da Mittal Steel Brasil Participações S/A com ações da Arcelor Brasil S/A adquiridas pela Mittal Steel Company N.V. na opção de pagamento misto – ARCE11L; e) R$99.141.918,66 em agosto de 2007, decorrentes de aquisições residuais posteriores realizadas fora do leilão e após o fechamento de capital na Bolsa de Valores. 197. A soma dos valores de ágio acima mencionados perfaz a quantia de R$6.773.041.963,39, cuja totalidade do valor amortizado nos anoscalendário sob fiscalização foi considerada não dedutível na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, de acordo com a toda a fundamentação retro exposta. 198. Não obstante, cabe ressaltar aqui, que as parcelas “c” e “d” acima, contém vícios ainda maiores dos que os já tratados, o que somente corrobora todo o planejamento tributário abusivo realizado. Vejamos: a) A parcela “c” acima contempla o ágio contabilizado na Mittal Steel Brasil Participações S/A., cujo objeto era a Arcelor Brasil S/A, através da venda das ações da Arcelor Brasil S/A efetuada pela Mittal Steel Company N.V. para a sua subsidiária integral, Mittal Steel Brasil Participações S/A., ações essas que haviam sido adquiridas anteriormente (em 04 de junho de 2006) via OPA pela empresa do exterior Mittal Steel Company N.V. b) Já a parcela “d” acima contempla o ágio contabilizado na Mittal Steel Brasil Participações S/A., cujo objeto era a Arcelor Brasil S/A, através do aumento de capital efetuado pela Mittal Steel Company N.V. em sua subsidiária integral, Mittal Steel Brasil Participações S/A., ações essas que haviam sido adquiridas anteriormente (em 04 de junho de 2006) via OPA pela empresa do exterior Mittal Steel Company N.V. 199. Portanto, a parcela do ágio no valor de R$2.039.002.326,30 escriturado na Mittal Steel Brasil Participações S/A proveio exatamente do aumento e integralização de capital feito pela Mittal Steel Company N.V. através da entrega de 64.962.982 ações da Arcelor Brasil S/A anteriormente adquiridas pela MSCNV via OPA. O restante das ações da Arcelor Brasil S/A adquiridas pela Mittal Steel Company N.V. via OPA, ou seja, 10.805.000 foram vendidas pela Mittal Steel Company N.V. para a Mittal Steel Brasil Participações S/A, a qual recebeu o investimento e o escriturou com ágio no valor de R$ 339.138.066,90. 200. Não obstante todo o ágio já ter sido fulminado por essa fiscalização, conforme descrito anteriormente até o item 195 deste Termo, essas duas parcelas Fl. 7087DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.088 9 dos ágios (R$339.138.066,90 e R$2.039.002.326,30 ) escriturados na MSBP revelam ainda vícios adicionais, uma vez que no momento em que o investimento (ações da Arcelor Brasil S/A) é contabilizado com ágio na MSBP, a situação fática é de que as ações da Arcelor Brasil S/A já não pertenciam mais aos minoritários, mas sim já estavam escrituradas em uma empresa do grupo (MSCNV) no exterior e, portanto, com a referida integralização e/ou venda das ações para a MSBP estamos diante do caso clássico de ágio interno, uma vez que todas as três empresas envolvidas na operação (MSCNV, MSBP e Arcelor Brasil S/A) pertenciam ao mesmo grupo e as ações da Arcelor Brasil S/A integralizadas ou vendidas já não pertenciam mais aos acionistas minoritários, mas sim a uma empresa do grupo (MSCNV). Não há uma geração de riqueza nova quando a Mittal Steel Company N.V. integraliza capital em sua subsidiária integral (MSBP) com ações da Arcelor Brasil S/A. 201. Essas duas situações representam não os ágios que eventualmente (e dependendo da legislação da Holanda) a Mittal Steel Company N.V. contabilizou no exterior por ocasião da aquisição via OPA das ações da Arcelor Brasil S/A, mas sim um novo ágio criado em sua subsidiária integral (empresa veículo, casca, elemento de passagem e mero extensão do caixa) com as próprias ações da Arcelor Brasil S/A (empresa que já era controlada do grupo ArcelorMittal mundial) e que acabaria na própria Arcelor Brasil S/A quando da incorporação reversa, onde a Arcelor Brasil S/A termina incorporando a Mittal Steel Brasil Participações S/A e começa a deduzir fiscalmente os ágios criados sobre si mesma. 202. A aquisição de ações da Arcelor Brasil S/A pela Mittal Steel Company N.V., via OPA, ocorreu em 04/06/2007 e após, em 31/07/2007, esta aumenta capital e integraliza essas ações na Mittal Steel Brasil Participações S/A, que as recebe e contabiliza o investimento com ágio. O ágio que se encontrava no exterior, agora encontrase no Brasil, através de um aumento de capital na MSBP pela MSCNV. Na MSBP esse é um novo ágio surgido intragrupo dentro de um cenário fático onde MSCNV controla integralmente MSBP e onde MSCNV, MSBP e Arcelor Brasil S/A fazem parte do grupo mundial ArcelorMittal formado em 2006, conforme já detalhado no tópico do histórico das empresas deste Termo de Verificação. 203. A legislação sobre esse benefício fiscal da dedutibilidade do ágio não tem o escopo de incentivar a fusão de grupos mundiais através da criação efêmera de empresa veículo (casca e mera extensão do caixa da empresa no exterior) que contabiliza vultoso ágio sobre ações de empresa que já era controlada pelo próprio grupo. 204. É o caso clássico do ágio de si mesmo, cuja dedutibilidade fiscal não pode ser aceita por essa fiscalização. Tratase de um sobrepreço que não tem uma terceira parte independente envolvida, mas sim uma subsidiária integral. Não há uma geração de riqueza nova quando a Mittal Steel Company N.V. integraliza capital em sua subsidiária integral (MSBP) com ações da Arcelor Brasil S/A. O que há é apenas uma troca de papéis entre entidades que fazem parte de um mesmo grupo, ainda mais quando se verifica que ao final da incorporação o que restará à Mittal Steel Company N.V. serão as próprias ações da Arcelor Brasil S/A anteriormente cedidas à MSBP e que por ocasião do evento de incorporação acaba gerando a obrigação da relação de troca de ações entre Arcelor Brasil S/A x MSBP e, como a MSCNV é a controladora integral da MSBP, a MSCNV termina por receber ações da Arcelor Brasil S/A decorrente da relação de troca no evento de incorporação da MSBP pela Arcelor Brasil S/A. Fl. 7088DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.089 10 (...) Ágio amortizado antes da Incorporação e exclusão direta na apuração do Lucro Real 206. Como se não bastassem todos os vícios encontrados e discorridos até o momento por essa fiscalização, ainda com relação ao ágio da Arcelor Brasil S/A, identificamos que a fiscalizada excluiu diretamente na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2011 e 2012 o valor de R$ 14.872.515,96 com a seguinte rubrica: “Realização de ágio ações MSBP x Arcelor Brasil”. Tais valores são referentes à realização de ágio de parcelas amortizadas antes da incorporação. 207. Ora, referidas exclusões não podem ser aceitas por essa fiscalização por todas as razões e vícios nas operações que deram origem à formação do ágio, as quais já foram anteriormente descritas e detalhadas neste Termo de Verificação. 208. Além disso, ainda que todos os requisitos para o gozo do benefício fiscal estivessem presentes, essa parcela excluída diretamente na apuração do Lucro Real de 2011 e 2012 devem ser glosadas, pois tratase de parcela de ágio já amortizado antes da incorporação e o artigo 386, inciso III do RIR/99 nesse ponto é cristalino quando assevera que o ágio passível de dedutibilidade é somente aquele decorrente de amortizações ocorridas posteriormente ao evento de incorporação, fusão ou cisão nos balanços correspondentes à apuração do Lucro Real levantados após os eventos mencionados. 209. O direito à dedutibilidade do ágio amortizado nasce somente após o evento de incorporação, fusão ou cisão. Não tem sentido algum querer obter qualquer benefício fiscal para as parcelas de ágio já amortizadas anteriormente ao evento de incorporação, fusão ou cisão. O ágio amortizado anteriormente aos eventos citados é totalmente indedutível nos termos do artigo 391 do RIR/99. O controle na parte B do LALUR dos valores adicionados anteriormente à incorporação tem como objetivo a determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Como após os eventos de incorporação, fusão ou cisão, investidor e investida se confundem, não há mais como referido valor anteriormente adicionado ser aproveitado devendo ser simplesmente baixado. 210. O benefício fiscal da dedutibilidade da amortização do ágio nasce com os eventos de incorporação, fusão ou cisão e somente os ágios amortizados a partir do nascimento do direito é que são passíveis de não serem adicionados ao Lucro Real, tudo conforme artigos 391 e 386, inciso III do RIR/99 reproduzidos abaixo: (...) 212. Sendo assim, pelas razões acima expostas e não havendo previsão legal para essas exclusões efetuadas pelo contribuinte em seu LALUR, procedemos à glosa das referidas exclusões realizadas pela fiscalizada no valor de R$14.872.515,96, na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2011 e 2012. CSLL – Apuração Reflexa 213. As infrações apuradas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica geram reflexo na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, nos termos da Lei nº 7.689/88, combinado com o art. 57 da Lei n° 8.981/95 e art. 28 da Lei nº 9.430/96”. Fl. 7089DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.090 11 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a lavratura dos AI (fls. 2/23), a contribuinte interpôs extensa impugnação cujos tópicos foram assim resumidos pela interessada: Com os seguintes argumentos conclusivos (fls. 4173/4176): “271. Por todas as razões de fato e de direito expostas na presente Impugnação e abaixo sumarizadas, requer a Impugnante dignemse V.Sas, a determinar o cancelamento integral do Auto de Infração, a fim de que sejam desconstituídas as exigências formuladas em razão da indevida glosa de despesas com Ágio Arcelor: (i) em primeiro lugar, considerando que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, portanto, ao prazo decadencial de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (artigo 150, §4° do CTN), devese reconhecer que o termo final para a revisão de fatos ocorridos em Fl. 7090DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.091 12 2007, tais como aqueles que resultaram no registro do Ágio Arcelor, deuse em 2012; (ii) como a Impugnante foi cientificada do Auto de Infração apenas em abril de 2016, deve ser reconhecida a impossibilidade de revisão e consequente exigência de ajustes às bases do IRPJ e da CSLL relativamente à formação o Ágio Arcelor (2007), pelos efeitos da decadência; (iii) ainda em caráter preliminar, pleiteiase a integral nulidade do Auto de Infração por ausência de fundamentação legal e por estar fundamentado em regras de caráter genérico, a despeito de existirem dispositivos específicos autorizando o registro e a amortização do ágio, cuja violação não foi demonstrada pela Autoridade Fiscal; (iv) de fato, não há competência para o fisco, à luz do art. 187 do Código Civil, para desconsiderar o negócio jurídico com base no abuso de direito, para reformulálo em termos presumidamente adequados à incidência da lei tributária; ao furtarse do dever legal de fundamentar as infrações apontadas ou fundamentálas em regras genéricas, sem conexão direta com os fatos discutidos, a autoridade lançadora incorreu em verdadeiro vício de motivação; (v) relativamente ao mérito do caso, cumpre enfatizar que a contextualização dos fatos demonstram, de forma inequívoca, a existência de propósito negocial para a constituição da Mittal BR, já que foi o modo mais adequado, sob o ponto de vista operacional, para a realização da OPA brasileira de forma a não criar empecilhos ou impactos diretos no processo de fusão amplo, complexo e transanacional de que resultou a formação do grupo ArcelorMittal no exterior; (vi) ademais, em relação à suposta qualificação de abuso de direito, cumpre enfatizar que, tratandose a amortização do ágio prevista na Lei n° 9.532/97 de um direito expressamente previsto e desejado pelo legislador tributário, não pode ele ser tratado sob a ótica de um odioso "planejamento fiscal", de abuso ou excesso ou, ainda, de uma prática artificiosa; (vii) no caso concreto, na medida em que não há qualquer elemento que indique que as partes, por qualquer meio, se furtaram aos efeitos jurídicos dos negócios praticados, tendo obedecido todos os dispositivos legais a eles aplicáveis, é certo que o lançamento da OPA pela Mittal BR e o registro do Ágio Arcerlor não podem ser questionados, não havendo que se falar em imposição tributária por eventual modificação superveniente de sua natureza pelas autoridades fiscais (desconsideração de atos jurídicos); (viii) a estrutura utilizada pela OPA discutida no Auto de Infração não padece de qualquer vício, na medida em que há absoluta correspondência entre sua causa objetiva e sua causa típica, uma vez que o propósito que justificou a constituição da Mittal BR, isto é, o lançamento da OPA, foi inteiramente concretizado; (ix) é absolutamente ilegal a pretensão da Autoridade Fiscal no sentido de desqualificar a existência da Mittal BR, suscitando inúmeras vezes a figura da "empresa veículo", quando, na realidade, não existe sequer definição legal sobre esse conceito; com efeito, caso fosse feita uma simples análise de todos os atos negociais em seu conjunto, isto é, "como se fossem várias cenas do Fl. 7091DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.092 13 mesmo filme", restaria demonstrada que a existência da Mittal BR não foi motivada única e exclusivamente pela amortização fiscal do Ágio Arcelor; (x) é absolutamente improcedente também a linha de argumentação sugerida pela Autoridade Fiscal no sentido de que, na realização da OPA, as ações da Impugnante teriam, na realidade, sido adquiridas por sua controladora estrangeira (Mittal NV); afinal, o fato de os recursos utilizados para esse fim terem sido obtidos via aumento de capital ou empréstimo concedido por empresas do grupo econômico ao qual a Mittal BR pertencia não altera a realidade juridicamente refletida nos documentos da transação, os quais formalizam a aquisição das ações da Arcelor BR, de fato e de direito, pela própria Mittal BR; (xi)com efeito, a legitimidade da fruição do benefício fiscal pela Impugnante está integralmente suportada pela jurisprudência das cortes administrativas, vastamente citada ao longo da presente Impugnação; ademais, na remota hipótese de subsistir o argumento da Autoridade Fiscal, no sentido de que a Mittal NV seria a verdadeira adquirente, a amortização fiscal do "ágio transferido" à entidade brasileira (no caso, da Mittal NV à Mittal BR) estaria, da mesma forma, assegurada, já que inexiste vedação legal à referida transferência; (xii) a análise dos requisitos legais para a amortização fiscal do Ágio Arcelor, à luz da jurisprudência do CARF, também indica o estrito cumprimento das diretrizes da Lei n° 9.532/97, uma vez que (a) houve o efetivo pagamento do custo total de aquisição, (b) a operação se deu entre partes independentes e (c) há lisura na avaliação da empresa adquirida (respaldada por laudo de avaliação); (xiii) em relação à possibilidade de dedução fiscal do saldo do Ágio Arcelor que teria sido amortizado contabilmente antes do evento societário que ensejou a dedução fiscal (incorporação), restou demonstrado que a amortização fiscal do ágio é um benefício fiscal e, portanto, não deve ser atrelada ao tratamento contábil; com efeito, a correta interpretação da legislação, reiteradamente confirmada pelas cortes administrativas, é no sentido de compreender o conceito de ágio como autônomo e sujeito a regramento específico por parte da legislação tributária, vinculação direta e necessária aos critérios contábeis; (xiv) finalmente, em relação aos efeitos da amortização fiscal do Ágio Arcelor, inexiste disposição legal que impeça a dedutibilidade do referido ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estenda a esta contribuição às disposições relativas ao IRPJ. 272. A Impugnante protesta ainda pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar os fatos ora questionados, bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 6779/6817) Submetida a lide à apreciação da 3ª Turma da DRJ/RPO, o voto condutor, depois de, i) alertar que a impugnante deixava de rebater as acusações relativas ao ágio havido na Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), recompondo as bases de cálculo do IRPJ e CSLL para os períodos pertinentes, e, ii) realçar que “o presente litígio é decorrente da autuação Fl. 7092DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.093 14 tratada no processo 10600.720035/201386, cuja decisão da primeira instância administrativa foi proferida em 08/08/2014 nesta DRJ, mediante Acórdão 1452.723” (Ac. DRJ – fls. 6790), prolatou decisão negando provimento integral à impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ/CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL em períodos de apuração anteriores, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito dos mesmos elementos probantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Pela pertinência de que se reveste, cabe reproduzir a ementa do Acórdão DRJ/RPO nº 1452.723, relativo ao Processo nº 10600.720035/201386, da mesma contribuinte e com os mesmos elementos fáticos e de direito, apenas com mudança dos períodos autuados, para melhor compreensão do tema: AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE.LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN) ou do fato gerador (art. 150, §4o. do CTN), conforme o caso. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Constado que autoridade fiscal descreveu a saciedade os fatos que considerou infração à legislação tributária, bem assim apontou precisamente as normas legais infringidas, não há que se falar em nulidades. Na hipótese de se entender que tais fatos e normas levam a outra interpretação, cabe ao julgador cancelar a exigência, situação que não se verificou no presente processo. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE ÁGIO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, Fl. 7093DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.094 15 após, deve haverá incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado, mormente quando se trata de tentativa de internação do ágio por adquirente estrangeiro. CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTILIBILIDADE. A partir da vigência da Lei 8.981 de 1995, aplicase à CSLL as mesmas regras de dedutibilidade de custos e despesas do IRPJ. (...) ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs extensa peça recursal (fls. 6829/6902) na qual rebate as conclusões da decisão recorrida e, quanto às acusações, basicamente repisa o aduzido em 1º Grau. De outra banda, a PGFN veio aos autos e acostou contrarrazões (fls. 6985/7028). Sequencialmente, a contribuinte alinhavou petição (fls. 7033/7045) na qual pediu a aplicação imediata à matéria discutida nos autos do artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 – LINDB. Na oportunidade do julgamento, em 12 de junho de 2018, este Relator entendeu (e o Colegiado acompanhou por unanimidade) que a PGFN, parte nos autos, deveria ter ciência da petição supra e sobre ela se manifestar, já que apresentada após o oferecimento de contrarrazões pela Fazenda Pública. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência (Resolução nº 1402 000.662), tendo, a PGFN se manifestado (fls. 7065/7076) no sentido de refutar integralmente o aduzido e requerido pela recorrente. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 7094DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.095 16 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 08/02/2017 – fls. 6826 – protocolização da peça recursal em 10/03/2017 – fls. 6828), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls. 6904/6905) e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Há preliminares. A primeira delas (RV – fls. 6836): Argumenta a recorrente que o acórdão recorrido “limitouse a replicar a decisão da C. 5ª Turma da DRJ/RPO nos autos do processo administrativo nº 10600.720035/201386” [de interesse da mesma contribuinte e tratando dos mesmos fatos], e que, por isso, teria incorrido em violação ao artigo 31, do PAF, por não apreciar todas as razões de defesa suscitadas; mais, que teriam sido cometidas “diversas negligências”, feitas menções a empresas que não fazem parte do grupo da recorrente e utilizados argumentos não apresentados no TVF. Ainda, que “mencionados erros mostram o total descaso em relação à análise da matéria, bem como a postura parcial e preconcebida da DRJ” (RV fls. 6837). Para finalizar aduzindo estarse diante de cerceamento de defesa por supressão de instância. Discordo do ponto de vista da recorrente, por três aspectos. Em primeiro lugar porque tanto a decisão ora recorrida quanto a utilizada pelo relator deste processo em 1ª Instância são pertinentes ao mesmo sujeito passivo, no caso, a recorrente. Depois porque, muito mais que isso, relacionamse aos mesmíssimos fatos e com a mesma conotação de direito, ou seja, aproveitamento de despesas com ágio, alterandose tão somente – e nada mais – os períodos (no processo de 2013 são tratados os anoscalendário de 2008 a 2010 e neste 2011 e 2012), de modo ser indubitável que os argumentos expendidos no processo inicialmente julgado de 2013 tenham aplicação plena ao de 2016, salvo fatos supervenientes extraordinários, que não parecem existir. Em terceiro lugar, não se perca de vista, ao julgador não é defeso restringir sua análise da lide aos pontos que entende relevantes e pertinentes à formação de sua convicção, não sendo obrigado a responder a todas as alegações das partes, desde que entregue a prestação jurisdicional exigida, com a análise das principais teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa, entendimento há muito tempo cristalizado nos Tribunais Superiores, a exemplo do que já decidiu o STJ no EDcl na AR3788 PE 2007/01440842, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 02/03/2011, posição confirmada, inclusive, após a edição do Novo Código de Processo Civil. Fl. 7095DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.096 17 Em suma, embora possa não ser usual, o fato de a decisão exarada adotar trechos, excertos ou mesmo amplamente o teor do TVF ou de outro acórdão que tenham os mesmos aspectos fáticos e jurídicos não inquina o Acórdão exarado de nulidade, desde que as razões de decidir se baseiem no rol de informações, argumentos e documentos presentes nos autos, posição que tem suporte inclusive em legislação subsidiária do processo administrativo fiscal (artigo 50, § 1º, da Lei 9.784/1999). Até porque, assim fosse, milhares de decisões padeceriam do mesmo efeito anulatório, posto ser absolutamente corriqueiro e habitual que Acórdãos e votos adotem e sustentemse em outras decisões, outros acórdãos e outros pareceres e relatórios. Na verdade, o que importa é que o julgador tenha se debruçado sobre as provas e documentos e exare a sua decisão que pode ser – ou não – de sua lavra pessoal ou repetindo texto que tenha entendido cabível e inerente ao caso tratado. Assim, a Turma Julgadora de 1ª Instância, por sua Relatoria, exarou sua decisão embasada em acórdão anterior relativo ao mesmo sujeito passivo e contendo os mesmos fatos, não significando, com isso – como aponta a recorrente – qualquer negligência ou postura parcial ou preconcebida. Em outras palavras, por entender que o voto do acórdão precedente comungava com seu pensamento, o relator de 1º Piso o adotou como suas razões de decidir. E, convenhamos, que diferença faria se, ao invés de reconhecer, explícita e transparentemente, que, “uma vez que a matéria em litígio, "AGIO ARCELOR", já foi julgada nesta DRJ, tendo sido confirmada a glosa, e não tendo sido ainda julgada no CARF, resta aqui adotar os fundamentos do acórdão 1452.723, a seguir transcritos” (Ac. DRJ – fls. 6791), o I. Relator de 1º Grau tivesse escrito, de sua própria lavra, um texto diferente no vocabulário, mas idêntico no conteúdo? Certamente nenhuma. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida por supressão de instância. Passo à segunda (RV – fls. 6838): Já sobre a segunda, decadência “do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária efetuada”, razão não cabe à recorrente. Sabidamente, os reflexos desta “reestruturação societária”, no âmbito dos lançamentos aqui analisados, só têm relevância a partir do momento em que haja reflexos tributários em função deste procedimento organizacional, no caso, nos anoscalendário de 2011 e 2012. Digase, somente se pode falar em contagem do prazo decadencial após a ocorrência dos fatos geradores, não importando a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Nessa linha, inequívoco que o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício Fl. 7096DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.097 18 seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN, jamais do momento da “reorganização societária”, ato formal e de cunho societário, civil e comercial e que não traz, neste primeiro momento, qualquer reflexo na área fiscal. Em linguagem diferente, se a recorrente procedesse à dita “reorganização societária” que alega e tivesse apurado “ágio”, mantendoo em seu ativo, não o amortizando, não teria ocorrido o fato gerador ou infração à legislação tributária, de modo que não haveria que se falar em lançamento, consequentemente não haveria “prazo decadencial a fluir”. No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados. Antes disso, não deflui qualquer prazo decadencial em relação ao direito do Fisco verificar a regularidade do lançamento por homologação realizado pelo Sujeito Passivo. Assim, ao examinar a dedução do ágio, incumbe ao Fisco aferir por completo as operações (não os fatos geradores) que lhe dariam suporte, ainda que ocorridas há mais de cinco anos da data em que o lançamento vier a ser efetuado. Digase, as mutações patrimoniais verificadas na contabilidade do sujeito passivo somente têm interesse fiscal e podem ser objeto de verificação pelo Fisco a partir do momento em que produzam efeitos nos resultados tributáveis apurados pelo sujeito passivo, como ocorre, por exemplo, na depreciação dos bens adquiridos para o ativo permanente. Somente após o registro das quotas de depreciação como despesas tem o Fisco o interesse na verificação de sua regularidade, independente da data em que tal bem tenha sido adquirido. Em suma, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Como se está diante de fatos geradores ocorridos em 2011 e 2012 e os lançamentos foram cientificados à contribuinte em 25/04/2016, não há que se falar em decadência, ressaltandose que a recorrente adota o regime de apuração anual. Precedentes deste Colegiado e desta 2º Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul mostram remansosa jurisprudência, dentre eles o Ac. nº 1302002.152, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do Fl. 7097DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.098 19 exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Além disso, há Súmula tratando da matéria Súmula CARF nº 116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Desse modo, por se tratar de tema objeto de Súmula e, portanto, de observância obrigatória pelos Conselheiros (art. 45, VI, do RICARF), descabe acolher o pleito da recorrente. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de mérito relativa à decadência. Terceira preliminar (RV – fls. 6841): Aduz a Recorrente que “após a cuidadosa leitura do TVF, o que o leitor conclui é que não há qualquer indicação sobre quais foram os dispositivos violados pela Recorrente de modo a ensejar eventual infração ou impossibilidade de aproveitamento fiscal do Ágio Arcelor, uma vez que todos os requisitos legais foram devidamente cumpridos”. Peleja em equívoco a recorrente. Na verdade, a “cuidadosa leitura do TVF” permite concluir exatamente ao reverso do entendimento da recorrente, ou seja, mostra que o trabalho fiscal detalhou longamente todas as operações e fundamentos que levaram à glosa do ágio apurado na Arcelor permitindo definir estarse diante de um quadro em que o real adquirente da Arcelor Brasil foi a Mittal Steel Company N.V., empresa domiciliada nos Países Baixos (Holanda). Exprimase, a descrição dos fatos e suas implicações jurídicas evidenciam que a autoridade considerou abusivas as operações societárias, encetadas com finalidade exclusivamente tributária e que tiveram por objetivo a internação de um ágio oriundo do exterior, com vistas à sua amortização no Brasil. A fiscalização classificou a operação como abuso de direito, conduta vedada pelo artigo 187 do Código Civil, considerando que contrariaram a legislação tributária regente da matéria, como se pode depreender do trecho a seguir transcrito (destaques do original – TVF – fls. 55/58): “130. Portanto, resta claramente demonstrado que a real adquirente e aquela que efetivamente suportou o ônus pela aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A era uma empresa do exterior com sede na Holanda, a Mittal Steel Company N.V. 131. Foi a Mittal Steel Company N.V. quem realmente procedeu à operação de compra das ações da Arcelor Brasil S/A através da OPA e quem realmente suportou o ônus pelas ações adquiridas, seja através da opção de pagamento misto, seja pela opção do pagamento em dinheiro. A ofertante na OPA é a empresa Fl. 7098DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.099 20 do exterior Mittal Steel Company N.V. e não a Mittal Steel Brasil Participações S/A. Essa informação está expressamente consignada no edital da OPA e essa constatação é irrefutável. 132. O fato de a Mittal Steel Company N.V. ter criado (em curto espaço de tempo) sua subsidiária integral Mittal Steel Brasil Participações S/A para que essa última efetivamente efetuasse o pagamento no Brasil de parte das ações da Arcelor Brasil S/A em nada altera a substância da operação que revela que uma empresa fora do Brasil é quem realmente estava adquirindo as ações da Arcelor Brasil S/A. 133. No presente caso o que se verifica é que Mittal Steel Brasil Participações S/A é mera extensão do caixa da Mittal Steel Company N.V. (Holanda) que foi quem verdadeiramente suportou o ônus da operação e quem expressamente é a Ofertante da OPA realizada no Brasil. A Mittal Steel Brasil Participações S/A, como extensão do caixa da Mittal Steel Company N.V. (Holanda), apenas efetuou os pagamentos relativos a compra das ações com ágio. 134. A assunção de o ônus ser da MSCNV é também manifesta no Laudo de Avaliação da Arcelor Brasil S/A elaborado pela Goldman Sachs, pois quem arcou com o pagamento de US$4 milhões pelo Laudo e quem o solicitou foi a Mittal Steel Company N.V., e não a Mittal Steel Brasil Participações S/A, tudo conforme sumário e página 7 do referido Laudo de Avaliação elaborado pela Goldman Sachs. 135. Cabe ressaltar aqui que foi esse Laudo de Avaliação da Goldman Sachs é que integrou a OPA cumprindo assim as determinações do artigo 8 da Instrução CVM 361/02. (...) 138. A criação de empresa veículo efêmera, desprovida de realidade fática (que normalmente se verifica nas atividades empresariais) para funcionar deliberadamente como mero caixa de empresa do exterior contraria a finalidade econômica da atividade nos termos em que é descrita no artigo 966 do atual Código Civil. Logo, semelhante ato, por si só, caracteriza abuso de direito. (...) 140. A criação da MSBP (empresa veículo efêmera, desprovida de realidade fática, sem qualquer funcionário e mero caixa da MSCNV) consistiu numa operação sem fins econômicos, mas montada apenas para tentar reduzir a carga tributária via amortização de ágio contabilizado na empresa veículo. 141. As circunstâncias materiais do fato gerador devem ser levadas em consideração na determinação de sua ocorrência em todos os seus aspectos e dimensões, isto é, aspecto material, espacial, temporal, subjetivo e valorativo. Esse é o caso do IRPJ, quanto ao qual tanto o sujeito passivo, quanto a autoridade fiscal, deverão apurar os fatos e as circunstâncias concretas para efeito de determinar a qualificação e as consequências jurídicas previstas em lei. 142. E ainda que se trate de situação jurídica, os atos formais a ela associados também se referem a situações, ou descrevem circunstâncias ou condições, que devem corresponder a fenômenos ou eventos efetivamente observados. Se não houver essa correspondência entre a declaração dos fatos e a realidade observada, sobretudo quando a divergência é intencional e não tiver outro Fl. 7099DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.100 21 propósito senão o de reduzir indevidamente a incidência tributária, é lícito às autoridades mais uma vez desconsiderar as declarações inverídicas e conferir ao ato jurídico os efeitos que eles teriam caso as declarações constantes nos atos formais correspondessem à realidade. 143. A criação de subsidiária integral (Mittal Steel Brasil Participações S/A) poucos meses antes da OPA somente para servir como veículo de aquisição de ações com ágio que, em verdade, foi suportado por empresa no exterior, não tem amparo legal e carregava em si o abuso da forma como meio de se obter benefício fiscal de maneira abusiva. 144. A posterior extinção da empresa veículo em momento subsequente (cerca de três meses após sua criação) à aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A somente corrobora o único intuito do abuso da forma como meio de obter benefício através da amortização fiscal do ágio. 145. Além disso, cabe ressaltar que a integralização do vultoso capital social da Mittal Steel Brasil Participações S/A ocorreu momentos antes da aquisição das ações via OPA e que referida integralização ocorreu através de remessas internacionais provenientes da controladora integral Mittal Steel Company N.V. demonstrando mais uma vez quem foi verdadeiramente quem suportou o ônus do pagamento do ágio na operação de aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A através da OPA. 146. A Mittal Steel Brasil Participações S/A é apenas uma empresa veículo utilizada para carrear os recursos externos da Mittal Steel Company N.V. a serem utilizados na compra das ações da Arcelor Brasil S/A. Quem em verdade suporta o ônus do pagamento das ações é a MSCNV, seja pelos recursos aportados via integralização de aumento de capital na MSBP, seja pela cessão de suas próprias ações e mais uma quantia em dinheiro desembolsada na aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A na opção de pagamento misto ARCE11L da OPA, as quais foram posteriormente vendidas e integralizadas na MSBP pela MSCNV. 147. Este fato demonstra que a verdadeira adquirente que efetivamente suportou o ônus foi uma empresa do exterior e não uma pessoa jurídica nacional. Tendo em vista que somente as pessoas jurídicas nacionais poderiam gozar do benefício fiscal do ágio ao adquirirem participação societária em outra pessoa jurídica, também nacional, conforme exaustivamente exposto no tópico deste Termo de Verificação “Da Dedutibilidade Fiscal do Ágio: Contexto Histórico e Requisitos Essenciais”, concluise que o ágio em comento não é dedutível na apuração do Lucro Real da fiscalizada. 148. Além disso, considerar a MSBP (empresa veículo, casca, sem qualquer funcionário e mera extensão do caixa da MSCNV) como a real adquirente é dissociar o fato pretendido do fato formalizado. 149. No presente caso em relação às aquisições realizadas pela MSBP, via OPA, a desconformidade se apresenta a partir do momento em que não é a MSCNV quem formalmente adquire as ações da Arcelor Brasil S/A, apesar de ser ela a Ofertante da OPA, mas a empresa veículo meramente de papel MSBP. 150. O objetivo real da operação era que a MSCNV, e não a MSBP, adquirisse as ações da Arcelor Brasil S/A e assim cumprisse as determinações da CVM, bem como realizasse o desejo da MSCNV de fechar o capital da Arcelor Brasil S/A. Fl. 7100DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.101 22 151. A interposição de uma empresa veículo, casca, sem qualquer funcionário e caracterizada como mero caixa da subsidiária integral revela os traços da dissociação entre o objeto perquirido (aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A pela MSCNV) e a forma externada”. Ou seja, as matérias fática e jurídica foram descritas de forma minuciosa e detalhadas ao extremo pela Autoridade Fiscal, ensejando ampla possibilidade de defesa, o que elimina qualquer alusão sobre eventual nulidade. Mais a mais, não se olvide, no processo administrativo tributário o sujeito passivo (contribuinte ou responsável solidário) defendese dos fatos que lhe são imputados e não necessariamente da capitulação legal da infração. Se os fatos imputados estão devidamente narrados ou descritos no auto de infração e anexos e no Termo de Verificação Fiscal, como ocorre no presente caso, permitindo que o interessado deles se defendesse, eventual capitulação legal equivocada, insuficiente ou deficiente não tem o condão inquinar de nulidade o feito fiscal. Nesse sentido, até mesmo em relação ao ato de lançamento, esta a posição do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF: ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL NULIDADE O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa.” (Acórdão nº 10312.119/92, Primeiro Conselho de Contribuintes). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). Fl. 7101DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.102 23 Também nessa linha o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Afasto, pois, esta terceira e última preliminar. SOBRE A APLICAÇÃO DO ARTIGO 24, DA LINDB Sustenta a recorrente ser aplicável, de imediato, à matéria discutida nos autos, o artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 – LINDB. O tema já se consolidou neste Colegiado no sentido de rejeitar os pedidos que foram formulados nesta linha. De fato, como bem pontuado pela PGFN em sua manifestação (fls. 7065/7076): “ O artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal; O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; Tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; A Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN”. Fl. 7102DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.103 24 Pelos motivos expostos, aqui adotados, entendo que os efeitos pretendidos pela recorrente em relação à aplicação do artigo 24, da Lei nº 13.655/20 não têm o contorno que a contribuinte quis imprimir, por isso rejeito o pedido. Passo ao mérito. MÉRITO Consoante contextualizado nos autos, as infrações atribuídas à autuada, descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), podem ser assim sintetizadas: i) Ágio da Companhia Siderúrgica de Tubarão ("CST") Ausência de documentação para comprovar a fundamentação do ágio registrado na aquisição de ações da CST, pela Aços Planos Brasil Ltda., em operação anterior a 2004, ensejando violação às diretrizes legais que condicionam a amortização fiscal do ágio na aquisição de participações societárias ("Ágio CST"); e, ii) Ágio da Arcelor Brasil S.A. ("Arcelor BR") Glosa de deduções fiscais, no tocante aos ágios pagos pela Mittal Steel Brasil Participações S.A. ("Mittal BR") na aquisição de ações da recorrente, em operações realizadas ao longo do ano de 2007, no contexto da fusão dos grupos Arcelor e Mittal Steel e em função da oferta pública de aquisição de ações da Arcelor BR ("OPA"), bem como a dedução fiscal supostamente indevida da parcela do ágio amortizada contabilmente antes do evento societário que ensejou as referidas deduções ("Ágio Arcelor")." Como já relatado preambularmente neste voto, fazendo referência à decisão a quo, no que toca às alegações relacionadas ao Ágio CST, a recorrente não contestou em 1º Piso as acusações fiscais, assumindo recompor as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL dos períodos relacionados a esta imputação, de modo que a lide circunscrevese ao item “ii” acima (Ágio Arcelor). Não é novidade que o tema “ágio” tem freqüentado assiduamente as sessões de julgamento do Colegiado Administrativo em suas Turmas Ordinárias e na CSRF, fruto das ações fiscais desenvolvidas ao longo dos últimos anos pela fiscalização fazendária federal. Também não são desconhecidos os longos debates travados quando dos julgamentos dos processos que envolvem a matéria, claramente ainda não pacificada jurisprudencialmente, embora já existam fortes indicativos que sinalizem para uma linha decisória que tende a se consolidar nas diversas Turmas, especialmente quando presentes na formação do ágio as chamadas “empresas veículos”. Como sabido, o ágio surge na aquisição de participação societária que deva, por imposição legal, ser avaliada pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor de patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida em sociedade coligada ou controlada. O registro de seu custo de aquisição encontrase disciplinado no art. 385 do RIR/1999. Todavia, o tratamento tributário do ágio é outro, quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. É este o tratamento fiscal que a autuada alega Fl. 7103DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.104 25 possuir, já que os artigos 7° da Lei n° 9.532/97, e 386 do RIR/99 permitem a dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL com a amortização do ágio. Cabe, portanto, verificar em que situação essa dedutibilidade da amortização do ágio terá cabimento, sendo, necessário, determinar quem o legislador buscou atingir. Dispõe o art. 386 do RIR/99, o qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997, que, quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em consequência de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o artigo 385 do RIR/99, e o fundamento econômico desse ágio for a previsão dos resultados de exercícios futuros da sociedade adquirida, é possível desde então a dedução ou tributação da amortização do correspondente ágio ou deságio na apuração do IRPJ e da CSLL. O contexto do ágio e de sua amortização no país disciplinase pelos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III – poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV – deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho Fl. 7104DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.105 26 ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, observada a redação vigente à época: Art 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e, Fl. 7105DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.106 27 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Portanto, à luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Em outras palavras, a permissão legal para a amortização do ágio de rentabilidade futura como despesa dedutível se refere: i) ao ágio que compôs o preço (custo) pago pela aquisição de um investimento, e, ii) a extinção do investimento ou empresa investidora em decorrência de reorganização societária de incorporação, fusão ou cisão, em que houver investimento de uma em outra, devido a absorção do patrimônio da incorporada, fusionada ou cindida. Assim, para gozar da dedutibilidade preconizada no artigo 386 do RIR/99, não basta a simples incorporação da pessoa jurídica. Entre as condições e requisitos previstos, é necessário que haja a absorção de investimento. Cenário perspicazmente sintetizado pelo Prof. Ricardo Mariz de Oliveira (in “Fundamentos do Imposto de Renda” – pgs. 763 e seguintes): A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Fl. 7106DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.107 28 Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. (...) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei nº. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão, devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei nº 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela Fl. 7107DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.108 29 investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto nas leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio Fl. 7108DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.109 30 onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1) conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (destaques acrescidos). Reafirmese, inequívoco que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, a premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade seja possível é que ocorra a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, a teor do disposto no artigo 386, e seu inciso III, do RIR/99. Neste eito, a amortização do ágio nos moldes pretendidos pela recorrente seria então exceção, que, concretamente, referese a casos de transformações societárias Fl. 7109DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.110 31 envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos, impondo, i) a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição, ii) ou, mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Feitas estas colocações de cunho doutrinário, conceitual e legislativo, pode se voltar ao caso em análise. Concretamente, o que se tem nos autos é a seguinte situação fática, rigorosa e detalhadamente exposta no TVF (fls. 24/79) e em momento algum contestado (neste aspecto) pela defesa da recorrente: “Ágio na Arcelor Brasil S/A 74. Para que se compreenda a forma como surgiu o ágio decorrente da aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A o qual foi deduzido fiscalmente nos anoscalendário objeto dessa ação fiscal é necessário descrever o histórico dos fatos relativos à fusão no exterior entre as empresas Arcelor (Luxemburgo) e Mittal Steel (Holanda) com os correspondentes reflexos no Brasil. As repercussões do referido evento no exterior foram avaliadas pela CVM que considerou ter havido alienação indireta do controle da Arcelor Brasil S/A, a qual, anteriormente àquela fusão, era controlada pela Arcelor que detinha cerca de 67% de suas ações. 75. Assim, por decisão da CVM, a Mittal Steel Company N.V. foi obrigada a realizar uma OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO DE AÇÕES (OPA) DE EMISSÃO DA ARCELOR BRASIL S.A. para que o direito dos acionistas minoritários fosse preservado, tudo conforme Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e artigo 254A da Lei 6.404/76. 76. A Arcelor S/A (“Arcelor”) e a Mittal Steel Company N.V. (“Mittal”) eram as duas maiores empresas no setor mundial de aços, detendo juntas 10% da produção mundial de aço. A Arcelor tinha sede em Luxemburgo, contava com ações listadas em bolsas de diversos países e seu controle era disperso em mercado. A Mittal tinha sede na Holanda, possuía ações listadas em bolsas de diversos países e seu controle era retido nas mãos da família Mittal, de origem indiana. 77. Em junho de 2006, através de uma Oferta de Permuta bemsucedida, lançada pela Mittal em favor dos acionistas da Arcelor, as duas empresas formam a gigante “ArcelorMittal”. 78. No Brasil, a Arcelor era a controladora da Arcelor Brasil S/A (“Arcelor Brasil”), com sede na cidade de Belo Horizonte e ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. 79. Em razão da Oferta de Permuta realizada com sucesso na Europa, ocorreu a alienação de controle indireto da Arcelor Brasil e conforme decisão da CVM baseada na Lei das S/A (art. 254A) e no Estatuto Social da Arcelor Brasil (arts. 8 a 10) foi exigido da Mittal Steel Company N.V. uma Oferta Pública para Aquisição de Ações dos demais acionistas minoritários da Arcelor Brasil S/A. Oferta de Permuta de Ações da Arcelor feita por Mittal Steel Company N.V. Fl. 7110DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.111 32 80. A aquisição de ações de emissão da Arcelor que deu origem a esta Oferta de permuta foi acordada por meio do Memorando de Entendimentos ("MOU") celebrado em 25 de junho de 2006 pela Arcelor, pela Ofertante Mittal Steel Company N.V., pelo Sr. Lakshmi Mittal e a Sra. Usha Mittal, por meio do qual as partes do MOU concordaram em alterar os termos da Oferta de Permuta apresentada pela Ofertante aos acionistas da Arcelor em 18 de maio de 2006. 81. De acordo com a Oferta de Permuta, a Ofertante ofereceu uma permuta de ações da Arcelor, detidas por acionistas da Arcelor e investidores por: a) Ações da Mittal Steel e pagamento em dinheiro; b) Ações da Mittal Steel, ou c) Pagamento em dinheiro. 82. Adicionalmente, a Ofertante ofereceu uma permuta de títulos e valores mobiliários conversíveis em ações da Arcelor (OCEANEs) por Ações da Mittal Steel e dinheiro. Do valor total pago pelas ações da Arcelor pela Mittal Steel, 69,6% foi na forma de Ações da Mittal Steel e 30,4% foi em dinheiro. 83. A partir de 20 de novembro de 2006, como consequência da Oferta de Permuta (incluindo o período de oferta subsequente desta, e o procedimento de oferta obrigatória conforme as leis de Luxemburgo) e da conversão dos OCEANES da Arcelor, a Ofertante detinha 630.608.385 ações da Arcelor, representando 94.04% do capital social da Arcelor. Os acionistas da Arcelor e os detentores de OCEANEs da Arcelor tornaramse acionistas diretos da Ofertante. Em 30 de setembro de 2006, a Arcelor detinha ações representando aproximadamente 67% do capital social da Arcelor Brasil (excluídas as ações em tesouraria). 84. Em 25 de setembro de 2006, a CVM emitiu uma decisão final segundo a qual, para fins do Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e de acordo com o artigo 254A da Lei 6.404/76, as operações contempladas no âmbito da Oferta de Permuta geraram uma obrigação para que a Mittal Steel Company N.V. apresentasse oferta pública decorrente de alienação de controle para a aquisição de todas as ações detidas por acionistas minoritários da Arcelor Brasil S/A. Informações sobre a Mittal Steel Company N.V. (MSCNV) e histórico 85. A Mittal Steel Company N.V. era constituída de acordo com as leis da Holanda e localizavase em Hofplein 20, 3032, AC, Roterdã, Holanda, tendo como seu principal objeto, entre outros, a participação societária em outras sociedades. 86. Em 1° de agosto de 2006, após a finalização com êxito do período inicial da Oferta de Permuta, a Mittal Steel adquiriu a maioria do capital social da Arcelor. De acordo Memorando de Entendimentos ("MOU"), celebrado em 25 de junho de 2006, a Mittal Steel e a Arcelor estavam em processo de incorporação da Mittal Steel pela Arcelor para formar a Arcelor Mittal, uma companhia de Luxemburgo. 87. No MOU o Conselho de Administração da Arcelor recomendava a oferta da Mittal Steel para a Arcelor e, entre outras questões, as partes concordaram sobre certos assuntos acerca da governança corporativa para o grupo societário em formação. Em particular, o MOU incluía certos mecanismos especiais de governança para promover a integração da Mittal Steel e da Arcelor durante um Fl. 7111DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.112 33 período inicial transitório de 3 anos iniciado em 1° de agosto de 2006 88. A Mittal Steel e a Arcelor concordaram em mudar e unificar suas respectivas estruturas de governança corporativa e regras até que a Mittal Steel estivesse incorporada com a Arcelor de acordo com o MOU, seguindose que a entidade subsistente seria a matriz do grupo e renomeada para "ArcelorMittal" estando organizada sob as leis de Luxemburgo. 89. A Mittal Steel era a maior e mais global produtora de aço do mundo. Em 2006, a Mittal Steel aumentou seu tamanho significantemente ao adquirir a Arcelor, que, à época da aquisição, era a segunda maior produtora de aço do mundo por volume de produção. 90. As Ações da Mittal Steel estavam sujeitas à jurisdição holandesa. Informações sobre a Arcelor Brasil S/A (Arcelor Brasil) e histórico 91. A sede social da Arcelor Brasil S/A – CNPJ 24.315.012/000173 era na Avenida Carandaí, n° 1.115, 20° a 26° andares, no Município de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais e seu principal objeto social era o estabelecimento e a operação de indústrias e empreendimentos nos setores siderúrgico e metalúrgico, no Brasil e no exterior, e o investimento em outras sociedades que operassem os mesmos setores ou atividades complementares, tais como a produção, compra e venda de energia e outros insumos das atividades siderúrgicas e metalúrgicas. 92. A Arcelor Brasil S/A era controlada pelo grupo Arcelor, o qual originouse da fusão ocorrida em fevereiro de 2002 das seguintes companhias de aço: Aceralia (Espanha), Arbed (Luxemburgo) e Usinor (França). 93. Arcelor Brasil S/A era a nova denominação social da Companhia Siderúrgica BelgoMineira (CSBM), a partir de 21 de dezembro de 2005. Arcelor Brasil era uma sociedade de capital aberto com suas ações listadas na BOVESPA. Em 31 de março de 2005, a Arcelor Brasil (então CSBM) efetuou uma reorganização societária, com a transferência, para a controladora Belgo Siderurgia, de seus ativos operacionais e investimentos, exceto Guilman Amorim, Belgo Mineira Participação e Belgo Mineira Engenharia. Desde então, a Arcelor Brasil estava estruturada como uma detentora de participações societárias (holding). Como resultado do processo de reorganização societária do grupo Arcelor no Brasil, divulgado por meio de fato relevante publicado em 28 de junho de 2005 e em seguida aprovado nas Assembleias Gerais Extraordinárias de 28 e 30 de setembro de 2005, a Arcelor Brasil tornouse a proprietária da totalidade do capital social da Companhia Siderúrgica de Tubarão e Vega do Sul. 94. Com a fusão ocorrida entre o grupo Arcelor e o grupo Mittal, em 2006, a Arcelor Brasil S/A passou a fazer parte do maior conglomerado siderúrgico do mundo. (...) Informações sobre a Mittal Steel Brasil Participações S/A (MSBP) e histórico 98. A Mittal Steel Brasil Participações S/A (MSBP) – CNPJ: 08.489.812/000154 (subsidiária integral da Mittal Steel Company N.V.) foi a empresa veículo utilizada pelo grupo mundial ArcelorMittal para servir como elemento de passagem para que o ágio decorrente da aquisição das ações da Fl. 7112DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.113 34 Arcelor Brasil S/A acabasse na própria Arcelor Brasil após a incorporação da efêmera veículo MSBP por aquela. 99. O papel desempenhado pela controladora Mittal Steel Company N.V. foi o de suportar o ônus decorrente da aquisição das ações via OPA através da integralização de capital da MSBP via transferência de recursos internacionais, combinado com novos aumentos de capital posteriores integralizados com ações da Arcelor Brasil S/A (estas adquiridas também via OPA), bem como através de contrato de compra e venda de ações da Arcelor Brasil S/A (adquiridas também via OPA) realizado entre a controladora Mittal Steel Company N.V. e sua subsidiária integral Mittal Steel Brasil Participações S/A. 100. O capital social da empresa que era de R$500,00 passa para R$1.000.000,00 em junho de 2007 e de acordo com a AGE de 01/06/20007 é aprovado um novo aumento do capital social. 101. Conforme item 5.1 da AGE de 31/07/2007, 1.526.308.000 ações da MSBP foram totalmente subscritas e integralizadas pela Mittal Steel Company N.V. mediante remessa de recursos do exterior através de contratos de câmbio celebrados entre junho e julho de 2007 que perfizeram a quantia de R$1.526.308.000,00. 102. Na data da AGE de 31/07/2007, novo aumento de capital no valor de R$3.387.231.726,24 (3.642.184.652 novas ações) foi aprovado e a Mittal Steel Company N.V. subscreveu e integralizou todo o valor mediante a entrega de 64.962.982 ações da Arcelor Brasil S/A, anteriormente adquiridas por ela MSCNV em 04/06/2007 (via OPA). 103. Adicionalmente, na mesma data de 31/07/2007, controladora (MSCNV) e controlada (MSBP) celebram contrato de compra e venda no qual a MSCNV vende para sua controlada MSBP, 10.805.000 ações da Arcelor Brasil S/A pela quantia de R$563.382.986,36. 104. Dessa forma, a MSBP registra as ações da Arcelor Brasil S/A adquiridas de sua controladora MSCNV (seja via aumento de capital, seja pelo contrato de compra e venda) com ágio. 105. Além disso, a MSBP tomou vultosos empréstimos (mais de R$5 bilhões) de outra empresa do grupo ArcelorMittal, a Arcelor Investment S.A, a título de pagamentos antecipados de exportação em total dissonância com o objeto social da MSBP. Referidos valores foram também utilizados para a compra das ações da Arcelor Brasil S/A e, com a incorporação da veículo MSBP pela Arcelor Brasil S/A, a obrigação de quitação dos vultosos empréstimos utilizados para a compra das ações da Arcelor Brasil S/A recaiu sobre a própria. Em suma, a Arcelor Brasil S/A ficou responsável por pagar os empréstimos utilizados na compra de suas próprias ações. 106. No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica consta a informação que a data da abertura da empresa MSBP foi 30/11/2006. E essa data não é casual, pois em 25 de setembro de 2006, a CVM emitiu uma decisão final segundo a qual, para fins do Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e de acordo com o artigo 254A da Lei 6.404/76, as operações contempladas no âmbito da Oferta de Permuta geraram uma obrigação para que a Mittal Steel Company N.V. apresentasse oferta pública decorrente de alienação de controle para a aquisição de todas as ações detidas por acionistas minoritários da Arcelor Brasil S/A, vale Fl. 7113DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.114 35 dizer, já sabendo em 25 de setembro de 2006 que seria compelida a realizar uma OPA, a MSCNV tratou de providenciar a criação de uma empresa no País para que a mesma fosse o veículo do ágio dedutível almejado mediante planejamento tributário abusivo. 107. A MSBP nasce em 30/11/2006, sob as condições citadas acima, apresentando DIPJ do anocalendário de 2006 como inativa, tendo movimentações próximas a zero nos meses de janeiro a maio de 2007 (conforme DIPJ) antes de haver o vultoso aporte de capital externo de sua controladora Mittal Steel Company N.V. realizado nos meses de junho e julho de 2007, para nesses mesmos meses de junho e julho, e complementarmente em agosto de 2007, efetuar a aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A e, depois de cumprido seu papel formal, ser incorporada logo em 28 de agosto de 2007, pela própria Arcelor Brasil S/A, no modelo conhecido como incorporação às avessas ou reversa. Três dias após, ou seja, no dia 31/08/2007 Arcelor Brasil S/A é incorporada pela ArcelorMittal Brasil S/A (antiga Belgo Siderurgia). 108. Importante ressaltar que a incorporação da MSBP pela Arcelor Brasil S/A implicou no cancelamento de 206.681.012 ações ordinárias desta que eram de titularidade daquela. Como consequência, novas ações da Arcelor Brasil S/A (em mesmo número, espécie e classe) foram emitidas e atribuídas à única acionista da MSBP, ou seja, a MSCNV. Este fato é expresso nos itens 4.5 e 4.6 da AGE de 20/08/2007 da Arcelor Brasil S/A. Como o total de ações da Arcelor Brasil S/A passou a ser de 646.074.278 ações (item 4.7 da AGE) temos que a participação da MSCNV na Arcelor Brasil S/A ficou em 31,99% que foi exatamente o valor das ações adquiridas via OPA e no mercado secundário para o fechamento de capital da Arcelor Brasil S/A demonstrando assim a verdadeira natureza do negócio, qual seja, a efetiva aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A pela MSCNV. 109. A composição societária da empresa, conforme declarado na DIPJ do anocalendário de 2007, era a seguinte: Mittal Steel Company N.V. (Holanda) – 99,97% Carlo Panunzi – 0,01% José Armando de Figueiredo Campos – 0,01% e Marcos Afonso Maia – 0,01% 110. O Sr. Marcos Afonso Maia é o representante legal da Mittal Steel Brasil Participações S/A, ao mesmo tempo em que exerce função na Arcelor Brasil S/A onde utilizava o endereço eletrônico marcos.maia@arcelor.com.br., conforme pode ser verificado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2007. 111. Em documentos enviados ao Banco Santander (relativo à conta da MSBP), a mesma pessoa, o Sr. Marcos Afonso Maia, autoriza também os pagamentos das compras de ações da Arcelor Brasil pela MSBP em documentos com o logo da ArcelorMittal e cujo local de envio mencionado no próprio corpo daqueles documentos é a própria Arcelor Brasil S/A. Estes fatos apenas demonstram e corroboram que as três empresas (Arcelor, MSBP e MSCNV) pertencem ao mesmo grupo mundialmente conhecido como ArcelorMittal e que as operações realizadas através da empresa veículo MSBP apenas e tão somente existiram para tentar validar o benefício fiscal da amortização do ágio. Fl. 7114DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.115 36 112. Além disso, emails enviados pelo Banco Santander para endereços eletrônicos como @arcelor.com, mittalsteel.com e @arcelormittal.com, relativos aos valores necessários para efetuar o pagamento referente à aquisição de ações da Arcelor Brasil S/A no mercado de balcão, revelam que os destinatários das informações eram as empresas do exterior Arcelor, MittalSteel e ArcelorMittal indicando mais uma vez que MSBP era mera passagem, mero veículo. 113. Outro dado de extrema relevância para demonstrar que a MSBP era mero invólucro: os itens 13 e 14 da ficha 58A da DIPJ do anocalendário de 2007, ND1450574, atestam que o número de empregados no início de 2007 e ao final do período (20/08/2007 em virtude da DIPJ ser referente ao evento especial de incorporação) é igual a zero! Exatamente isso “0” (zero), nenhum, ou seja, uma empresa na qual não há sequer um único funcionário para desempenhar qualquer tipo de função. Aceitar que tal ente seja considerada uma pessoa jurídica exercendo atividades empresariais é aceitar o absurdo. Mais adiante descrevemos a lição de Marco Aurélio Greco quando afirma que a criação de uma empresa tem sentido na medida em que corresponda “a vestimenta jurídica de um determinado empreendimento econômico ou profissional”. 114. A comprovação de que a MSBP nunca teve nenhum funcionário pode também ser constatada pelo sistema da RFB GFIPWEB. OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO DE AÇÕES DE EMISSÃO DA ARCELOR BRASIL S.A. (OPA). 115. O preâmbulo da OPA dispunha que a Mittal Steel Company N.V. submetia aos acionistas da ARCELOR BRASIL S.A. ("Arcelor Brasil"), companhia aberta, oferta pública ("Oferta") para a aquisição de até a totalidade das ações ordinárias de emissão da Arcelor Brasil ("Ações") conforme as regras estabelecidas pela Instrução da Comissão de Valores Mobiliários ("CVM") n°. 361, datada de 5 de março de 2002. 116. Conforme anteriormente mencionado, a OPA ocorreu em virtude de decisão da CVM de 25 de setembro de 2006, com base no Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e artigo 254A da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em razão da oferta de permuta ("Oferta de Permuta") efetuada pela Mittal Steel Company N.V. para a aquisição de ações da Arcelor S.A., sociedade de capital aberto com sede em Luxemburgo ("Arcelor"). A OPA seguiu os procedimentos aplicáveis a ofertas públicas para transferência de controle acionário de companhias abertas previstos na Instrução CVM n° 361/02. 117. Além disso, a Ofertante da OPA (Mittal Steel Company N.V.) também realizava a mesma com o objetivo de cancelamento do registro de companhia aberta mantido pela Arcelor Brasil junto à CVM. O cancelamento do registro da Arcelor Brasil como companhia aberta somente seria obtido se os acionistas titulares das Ações que aceitassem a Oferta representassem mais de 2/3 das Ações em Circulação para Cancelamento de Registro, fato que acabou se confirmando em 19 de junho de 2007. 118. A conclusão da OPA darseia através de um leilão ("Leilão") na Bolsa de Valores de São Paulo ("BOVESPA"). 119. A Oferta encerrouse em 4 de junho de 2007, data em que ocorreu o primeiro Leilão ("Data do Leilão"). 120. Cancelado o registro de companhia aberta mantido pela Arcelor Brasil perante a CVM, as Ações não mais seriam negociadas na BOVESPA, porém, Fl. 7115DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.116 37 durante os 3 meses seguintes ao Leilão, ou seja, de 5 de junho de 2007 a 4 de setembro de 2007, qualquer acionista que desejasse vender suas Ações para a Ofertante (Mittal Steel Company N.V.) poderia apresentar um pedido para tal efeito. A Ofertante (Mittal Steel Company N.V.) adquiriria tais Ações e pagaria aos respectivos titulares o mesmo valor pago na Data de Liquidação da Opção de Pagamento em Dinheiro, em Reais, corrigido pela TR. 121. A Ofertante (Mittal Steel Company N.V.) realizou a Oferta a um preço equivalente a 100% do valor por ação da Arcelor Brasil indiretamente pago no âmbito da Oferta de Permuta, para fins do Artigo 10 do Estatuto Social da Arcelor Brasil e do artigo 254A da Lei das Sociedades por Ações. Em conformidade com o artigo 29, § 6º, da Instrução CVM n° 361/02, a Ofertante declarou que, considerando o preço pago pela Ofertante pelas ações e OCEANEs da Arcelor na Oferta de Permuta, o valor indiretamente pago pela Ofertante por ação da Arcelor Brasil seria o equivalente a Eur. 13,7165. 122. Conforme definido no Laudo de Avaliação elaborado pela Goldman Sachs International e Goldman Sachs Representações Ltda, referido na Seção 7.2. da OPA, o Preço de Oferta foi superior ao preço justo da Arcelor Brasil, conforme determinado de acordo com o valor econômico da Arcelor Brasil baseado na análise de fluxo de caixa descontado. 123. Portanto, o Preço da Oferta na OPA foi superior ao valor econômico das Ações calculado de acordo com a metodologia de fluxo de caixa descontado, que foi considerado o preço justo das Ações requerido pelo Artigo 4, § 4 o, da Lei das Sociedades por Ações, conforme demonstrado no Laudo de Avaliação elaborado pela Goldman Sachs International e Goldman Sachs Representações Ltda. 124. A metodologia de fluxo de caixa descontado resultou em uma faixa de valores entre R$ 35,97 e R$ 39,69 por Ação da Arcelor Brasil. A Goldman Sachs expôs seu entendimento de que o valor econômico da Arcelor Brasil calculado conforme o fluxo de caixa descontado da Arcelor Brasil constituía a metodologia mais adequada para determinar o preço justo para as Ações. 125. O pagamento do preço de aquisição das Ações da Arcelor Brasil S/A colocadas à venda no Leilão darseia de uma das seguintes formas: a) Opção de Pagamento Misto (código ARCE11L) pagamento em ações ordinárias classe A de emissão da Mittal Steel ("Ações da Mittal Steel" representando 69,6% do Preço da Oferta) e em dinheiro (30,4%do Preço da Oferta), em Reais ou b) Opção de Pagamento em Dinheiro (ARCE3L) pagamento exclusivamente em dinheiro, em Reais. 126. Os acionistas que escolhessem a Opção de Pagamento Misto receberiam, para cada Ação da Arcelor Brasil S/A colocada à venda no Leilão, (a) 0,3568 Ações da Mittal Steel e (b) R$ 11,70 em dinheiro. 127. Os acionistas que escolhessem a Opção de Pagamento em Dinheiro receberiam, por cada Ação da Arcelor Brasil S/A colocada à venda no Leilão, uma quantia em Reais correspondente à soma dos seguintes valores: (a) valor correspondente a 0,3568 Ações da Mittal Steel e (b) R$ 11,70 em dinheiro, sujeito à atualização pela TR até a Data da Liquidação do Pagamento em Dinheiro. Fl. 7116DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.117 38 128. Ainda, de acordo com o item 1.4.2 (ii) do Edital da OPA, a liquidação financeira da Opção de Pagamento em Dinheiro seria realizada pela Ofertante (Mittal Steel Company N.V.) no Brasil, observados os procedimentos de liquidação pelo módulo bruto da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia ("CBLC"). 129. E de acordo com o item 4.4.2 do Edital da OPA, as obrigações de liquidação da Ofertante Mittal Steel Company N.V. estabelecidas no Edital seriam cumpridas diretamente pela Ofertante ou por meio de entidade integrante de seu grupo econômico e, em qualquer caso, a Ofertante permaneceria integralmente responsável e garantiria o cumprimento de todas as obrigações a ela atribuídas relativas à Oferta e estabelecidas no Edital. 130. Portanto, resta claramente demonstrado que a real adquirente e aquela que efetivamente suportou o ônus pela aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A era uma empresa do exterior com sede na Holanda, a Mittal Steel Company N.V. 131. Foi a Mittal Steel Company N.V. quem realmente procedeu à operação de compra das ações da Arcelor Brasil S/A através da OPA e quem realmente suportou o ônus pelas ações adquiridas, seja através da opção de pagamento misto, seja pela opção do pagamento em dinheiro. A ofertante na OPA é a empresa do exterior Mittal Steel Company N.V. e não a Mittal Steel Brasil Participações S/A. Essa informação está expressamente consignada no edital da OPA e essa constatação é irrefutável. 132. O fato de a Mittal Steel Company N.V. ter criado (em curto espaço de tempo) sua subsidiária integral Mittal Steel Brasil Participações S/A para que essa última efetivamente efetuasse o pagamento no Brasil de parte das ações da Arcelor Brasil S/A em nada altera a substância da operação que revela que uma empresa fora do Brasil é quem realmente estava adquirindo as ações da Arcelor Brasil S/A. 133. No presente caso o que se verifica é que Mittal Steel Brasil Participações S/A é mera extensão do caixa da Mittal Steel Company N.V. (Holanda) que foi quem verdadeiramente suportou o ônus da operação e quem expressamente é a Ofertante da OPA realizada no Brasil. A Mittal Steel Brasil Participações S/A, como extensão do caixa da Mittal Steel Company N.V. (Holanda), apenas efetuou os pagamentos relativos a compra das ações com ágio. 134. A assunção de o ônus ser da MSCNV é também manifesta no Laudo de Avaliação da Arcelor Brasil S/A elaborado pela Goldman Sachs, pois quem arcou com o pagamento de US$4 milhões pelo Laudo e quem o solicitou foi a Mittal Steel Company N.V., e não a Mittal Steel Brasil Participações S/A, tudo conforme sumário e página 7 do referido Laudo de Avaliação elaborado pela Goldman Sachs. 135. Cabe ressaltar aqui que foi esse Laudo de Avaliação da Goldman Sachs é que integrou a OPA cumprindo assim as determinações do artigo 8 da Instrução CVM 361/02. (...) 140. A criação da MSBP (empresa veículo efêmera, desprovida de realidade fática, sem qualquer funcionário e mero caixa da MSCNV) consistiu numa operação sem fins econômicos, mas montada apenas para tentar reduzir a carga tributária via amortização de ágio contabilizado na empresa veículo. Fl. 7117DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.118 39 (...) 143. A criação de subsidiária integral (Mittal Steel Brasil Participações S/A) poucos meses antes da OPA somente para servir como veículo de aquisição de ações com ágio que, em verdade, foi suportado por empresa no exterior, não tem amparo legal e carregava em si o abuso da forma como meio de se obter benefício fiscal de maneira abusiva. 144. A posterior extinção da empresa veículo em momento subsequente (cerca de três meses após sua criação) à aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A somente corrobora o único intuito do abuso da forma como meio de obter benefício através da amortização fiscal do ágio. 145. Além disso, cabe ressaltar que a integralização do vultoso capital social da Mittal Steel Brasil Participações S/A ocorreu momentos antes da aquisição das ações via OPA e que referida integralização ocorreu através de remessas internacionais provenientes da controladora integral Mittal Steel Company N.V. demonstrando mais uma vez quem foi verdadeiramente quem suportou o ônus do pagamento do ágio na operação de aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A através da OPA. 146. A Mittal Steel Brasil Participações S/A é apenas uma empresa veículo utilizada para carrear os recursos externos da Mittal Steel Company N.V. a serem utilizados na compra das ações da Arcelor Brasil S/A. Quem em verdade suporta o ônus do pagamento das ações é a MSCNV, seja pelos recursos aportados via integralização de aumento de capital na MSBP, seja pela cessão de suas próprias ações e mais uma quantia em dinheiro desembolsada na aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A na opção de pagamento misto ARCE11L da OPA, as quais foram posteriormente vendidas e integralizadas na MSBP pela MSCNV. 147. Este fato demonstra que a verdadeira adquirente que efetivamente suportou o ônus foi uma empresa do exterior e não uma pessoa jurídica nacional. Tendo em vista que somente as pessoas jurídicas nacionais poderiam gozar do benefício fiscal do ágio ao adquirirem participação societária em outra pessoa jurídica, também nacional, conforme exaustivamente exposto no tópico deste Termo de Verificação “Da Dedutibilidade Fiscal do Ágio: Contexto Histórico e Requisitos Essenciais”, concluise que o ágio em comento não é dedutível na apuração do Lucro Real da fiscalizada. 148. Além disso, considerar a MSBP (empresa veículo, casca, sem qualquer funcionário e mera extensão do caixa da MSCNV) como a real adquirente é dissociar o fato pretendido do fato formalizado. 149. No presente caso em relação às aquisições realizadas pela MSBP, via OPA, a desconformidade se apresenta a partir do momento em que não é a MSCNV quem formalmente adquire as ações da Arcelor Brasil S/A, apesar de ser ela a Ofertante da OPA, mas a empresa veículo meramente de papel MSBP. 150. O objetivo real da operação era que a MSCNV, e não a MSBP, adquirisse as ações da Arcelor Brasil S/A e assim cumprisse as determinações da CVM, bem como realizasse o desejo da MSCNV de fechar o capital da Arcelor Brasil S/A. 151. A interposição de uma empresa veículo, casca, sem qualquer funcionário e caracterizada como mero caixa da subsidiária integral revela os traços da dissociação entre o objeto perquirido (aquisição das ações da Arcelor Brasil S/A pela MSCNV) e a forma externada. Fl. 7118DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.119 40 152. Guiados pelo fundamento econômico de rentabilidade futura e voltados essencialmente à obtenção de economia fiscal forçosa, os “negócios” de tal natureza apresentamse, quase sempre, sob um mesmo invólucro, qual seja: um pacote contendo a inserção (entre a operação negocial e os agentes efetivos) de entidades efêmeras desprovidas de existência fática (sem rastro de exercício fático de objeto societário, autonomia administrativa, ou plano de negócios), acompanhada de atos societários sequenciais formalizados em diminuto espaço de tempo sem que estejam estes vinculados à uma legítima motivação econômica ou propósito negocial. 153. E é exatamente o que foi constatado no caso concreto, onde a inserção da empresa veículo Mittal Steel Brasil Participações S/A configura mera forma interposta, verdadeira casca efêmera servindo de ponte entre o capital externo da Mittal Steel Company N.V. para carrear o ágio para dentro da Arcelor Brasil S/A no evento de incorporação da veículo que, apenas e tão somente, foi criada e extinta para esse fim”. Para concluir o relato fático: “156. Portanto, mais uma vez, resta comprovado que a criação da Mittal Steel Brasil Participações S/A teve como único intuito a obtenção de vantagem tributária ao ser o mero veículo para trazer um ágio efetivamente suportado por empresa não domiciliada no País (Mittal Steel Company N.V.). (...) 158. Revelouse mais tarde, por ocasião da incorporação da MSBP pela Arcelor Brasil S/A, que as ações da Arcelor Brasil S/A detidas pela MSCNV, e integralizadas na MSBP, acabaram retornando ao seu patrimônio, na medida em que na relação de troca de ações realizada entre Arcelor Brasil S/A e MSBP, a MSCNV , como controladora integral da MSBP, acabou por receber ações da Arcelor Brasil S/A, ou seja, a MSCNV transfere ações da Arcelor com ágio, em um primeiro momento, para logo em seguida (após a incorporação da MSBP pela Arcelor Brasil S/A) receber também ações da Arcelor, ou seja, os efeitos dos atos praticados retornaram à situação original, porém com uma diferença marcante: o ágio vultoso agora transferido e, na visão da fiscalizada, pronto para ser amortizado. (...) 169. Portanto, o benefício fiscal da dedutibilidade do ágio somente é aplicável quando o evento de incorporação ocorrer entre duas empresas que sejam domiciliadas no Brasil. Permitir o benefício fiscal da amortização do ágio em operações de incorporação, envolvendo pelo menos um não residente, está completamente fora do escopo da norma. Essa é a essência da norma. Irrelevante se as operações ocorreram formalmente entre empresas domiciliadas no País através da criação efêmera de empresa veículo, especialmente quando a mesma é extinta em evento encadeado e subseqüente de incorporação.Cabe aqui ressaltar que o artigo 111 do CTN estabelece que a legislação tributária que disponha sobre benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, vale dizer, as sociedades não residentes não tem amparo para gozar do benefício fiscal da amortização do ágio.O benefício fiscal não contempla a hipótese do presente caso no qual houve aquisição de ações com ágio via OPA pela ofertante Mittal Steel Company N.V., Fl. 7119DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.120 41 pois tratase de empresa domiciliada no exterior e, portanto, fora do escopo da norma que dispunha sobre o benefício. 170. Constatada que a verdadeira essência da operação ocorreu entre um não residente e uma empresa nacional resta apenas a essa fiscalização considerar que o ágio da Arcelor Brasil S/A não é dedutível, pois, em essência, foi fruto da aquisição de suas próprias ações por empresa domiciliada no exterior (Mittal Steel Company N.V.) onde a efêmera veículo Mittal Steel Brasil Participações S/A atuou apenas como elemento formal e extensão do caixa da Mittal Steel Company N.V. para tentar conferir ao ágio carreado uma eventual legitimidade que efetivamente não foi confirmada. 171. Repitase, o ágio foi suportado por Mittal Steel Company N.V. empresa sediada na Holanda. Querer trazer esse ágio para o Brasil seria como internalizar um ágio contabilizado no exterior. E desde já, para efeitos fiscais, repelese a casca criada para tentar suportar o ônus da operação através da criação da Mittal Steel Brasil Participações S/A”. Pois bem, excetuados casos pontuais, desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge”– acórdão nº 1402001.460), com a redação do voto vencedor do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, esta turma, com outra composição e por voto de qualidade, passou a adotar o posicionamento de que, independentemente do desenho das operações e dos eventuais propósitos negociais, na utilização de empresas veículo, não havendo extinção do investimento adquirido com ágio mediante confusão patrimonial entre investida e investidora, não há que se falar em dedutibilidade do ágio. Naquela situação, como nesta, houve indiscutível utilização de empresa veículo – nesse ponto não há contestação , restando ver, i) em que ela afetou a operação no que tange aos reflexos tributários e, ii) por quê foi criada e utilizada. A resposta, muito mais que no formalismo dos contratos e convenções firmados entre as partes envolvidas ou seus registros nos órgãos pertinentes, deve ser buscada no contexto em que inserida a empresa veículo e sua participação, mesmo porque, nas discussões sobre planejamento tributário, o foco não se situa na compreensão da hipótese de incidência da norma tributária, mas, sobretudo, na qualificação dos fatos jurídicos, linha preconizada no Estatuto Civil ("nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem”). Pareceme claro que os autos mostram que a empresa estrangeira Mittal Steel Company N.V., sediada na Holanda, foi quem EFETIVAMENTE SUPORTOU O ÁGIO, ou seja, quem acreditou no investimento, quem despendeu recursos, suportou o ônus, arcou com o encargo. Não a empresa constituída formalmente sob a legislação brasileira, Mittal Steel Brasil Participações S/A, com todas as características de “empresa veículo” (breve existência, ausência de atividade econômica, recebimento do exterior dos recursos utilizados na compra), neste caso, com todas as características de sociedade criada com o único intuito de permitir a transferência da mais valia patrimonial, no caso, o ágio, como bem mostra a sequência cronológica dos fatos estampada nos autos. Cenário que se fecha quando se constata que, como a real empresa investidora (a Mittal Steel Company N.V., domiciliada no exterior, com sede na Holanda) e a investida (Arcelor Brasil) continuaram a existir após as operações, a constituição da empresa Fl. 7120DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.121 42 veículo no país foi a única forma de internação do ágio, com o intuito de viabilizar sua dedutibilidade fiscal. Certo que a recorrente contrapõese ferozmente a estas conclusões, sustentando que não houve transferência de nenhum ágio pago no exterior, mas sim o registro de um ágio por uma empresa brasileira, e que cumpriu todos os requisitos legais para a sua amortização e dedução. Afirma também que, caso se entenda que houve transferência de ágio, não há vedação legal a essa possibilidade, e que todas as operações tiveram propósito negocial. Ora, em que pese a escorreita dissertação e a elogiável concatenação lógica dos argumentos feita pela recorrente, penso que os fatos reais demonstram ao inverso do discorrido em sua peça recursal. De fato, a complexa operação engendrada não pode ser tomada esparsamente, mas como um todo e, neste contexto, os recursos aportados pela Mittal holandesa a favor da Mittal Brasil para consecução dos objetivos propostos – adquirir o controle da Arcelor – só podem levar à conclusão da indedutibilidade do ágio, mais não fosse, pelo simples fato de se tratar de ágio suportado REALMENTE por empresa localizado no exterior, ainda que, formalmente, o negócio tenha sido levado a efeito por empresa no Brasil (empresa veículo). Há mais, porém, a levar a este desenlace: a não existência da exigida “confusão patrimonial” entre investida e investidora. Para se atender a legislação de regência, mais que uma comprovada aquisição de uma empresa por outra, para que o ágio seja dedutível é necessária a confusão patrimonial e a perda do investimento adquirido. Em outro dizer, “é imprescindível que a “mais valia” contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. O real investidor, portanto, deve se confundir com o seu investimento. Em outras palavras, no caso de uma incorporação, para que o ágio registrado possa ter a sua amortização deduzida nos termos do artigo 386 do RIR/99, deve a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento incorporar esse investimento, ou ser incorporada por ele. O ágio deve, portanto, ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa” (cf. contrarrazões da PGFN – fls. 7015). Em resumo, o ágio registrado pela MITTAL BR, na verdade, decorre da aquisição da ARCELOR BRASIL pela MITTAL NV. Tal “mais valia”, portanto, foi efetivamente paga pela MITTAL NV (Holanda), e não pela MITTAL BR. Dessa forma, em face do fato incontroverso que o ágio foi efetivamente suportado pela MITTAL NV, percebese que a real investidora é esta empresa, sendo a ARCELOR BRASIL a investida. E aí cabe a pergunta: onde e em quê a presença da MITTAL BR (empresa veículo, constituída formalmente sob as leis brasileiras) se fez necessária neste conjunto de operações societárias? A resposta, ainda que contra o entendimento da recorrente, é uma só: permitir que o ágio pudesse ser, fiscalmente, aproveitado pela Arcelor. Fl. 7121DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.122 43 Só isso. E nem se torna necessário realizar maiores digressões para se chegar a esta realidade, bastando ver que a Mittal Brasil não tinha qualquer atividade operacional, teve vidas efêmera, etc, etc, clássico exemplo de empresa veículo, e, mais que tudo, NÃO TINHA RECURSOS PRÓPRIOS para bancar a compra, socorrendose da Mittal Holanda, que lhe disponibilizou o dinheiro necessário para que pudesse adimplir o negócio. Em outras palavras, se não tinha atividade, se sua existência era de curta duração e se não tinha recursos, por que sua presença dentro do perímetro das operações? A resposta, uníssona: só para que o ágio pudesse ser utilizado pela Arcelor o que, no fundo, certamente, se tornou um ponto bastante relevante nas negociações entre as partes, posto que o Estado Brasileiro acabaria por financiar, via redução de tributos, grande parte do negócio. Concluindo, como o ágio não pode ser utilizado por empresa localizada fora do Brasil, criouse todo um mecanismo – altamente complexo – que levou, por vias transversas, a que a recorrente, no final de toda a engenharia montada, viesse dele (ágio) a se aproveitar, beneficiandose de expressivo ganho tributário o qual, inclusive e sem nenhuma sombra de dúvidas, como dito acima, deve ter sido levado em consideração quando dos estudos para aquisição e preço final do investimento. No caso aqui tratado, a acusação fiscal foi incisiva: a real adquirente da Arcelor Brasil foi a empresa empresa a Mittal Steel Company N.V., domiciliada no exterior, com sede na Holanda. Todas as operações societárias, embora formalmente válidas, foram realizadas visando também a internação do ágio e viabilizar sua amortização. Em face do ora exposto, restam claras as razões que atestam a indedutibilidade do ágio amortizado pela ARCELORMITTAL BRASIL. Em primeiro lugar, como tal “mais valia” foi assumida no exterior, não há como reconhecer a sua dedutibilidade de acordo com as leis brasileiras. Em segundo, ainda que fosse possível realizar essa análise, o ágio deduzido não observa requisito primeiro e fundamental à dedutibilidade, qual seja, não existe confusão patrimonial entre a real investidora e as investidas. Pelo exposto, o trabalho fiscal se robustece e leva à manutenção da decisão recorrida. Finalmente, acerca da dedução do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação, a norma a ser obedecida é a do art. 391 do RIR/998, ou seja, somente pode servir para a apuração de ganho ou perda de capital no momento da alienação ou liquidação do investimento. Em outro dizer, não se cogita de realizar dedução fiscal do saldo de ágio amortizado antes da incorporação, sempre lembrando se estar analisando os fatos à luz da legislação tributária e não societária ou contábil. Isso significa que – contabilmente – nada impede, melhor ainda, é imperativo que os contribuintes realizem os lançamentos contábeis que tecnicamente devem realizar e que não necessariamente têm reflexo na área fiscal. Fl. 7122DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.123 44 Nesse eito, o ágio amortizado contabilmente recebe uma disciplina da legislação totalmente distinta daquela prevista nos art. 385 de 386 do RIR/99. Por essa razão, não pode ser admitido o aproveitamento do saldo de ágio amortizado contabilmente antes da operação de cisão, fusão ou incorporação – como pretende a contribuinte. Tema já tratado neste Colegiado Administrativo Tributário Federal de 2º Grau, como se vê no excerto do voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, hoje nesta Turma como sua presidente e, então, na 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul (Ac. 1102001.104): “A amortização de ágio, porém, não observa estas regras sucessórias simples acerca de valores com dedução/tributação diferida. A adição das amortizações decorre da determinação legal de que elas somente sejam consideradas dedutíveis no momento da alienação do investimento. Desta forma, se a sucessão decorre desta alienação do investimento, a adição mencionada não surge no LALUR da sucessora como elemento para exclusão futura. Ela é liquidada no momento da alienação do investimento. Assim, a exclusão do ágio poderia ser admitida no resultado tributável da MSJ Comercial Ltda se provado que a baixa do investimento no momento da incorporação gerou ganho de capital em razão da redução do valor patrimonial do investimento pela amortização contábil do ágio antes da liquidação do investimento. Todavia, a autoridade lançadora descreve que, por ocasião da incorporação, o ágio até então amortizado, no valor de R$ 7.415.787,78, aumenta o saldo da conta “Ágio sobre investimentos” (nº 105110). Demonstra, ainda, que este valor foi contabilizado a crédito na conta “Ágio s/ Invest. MSJ – Amortizado” (nº 105.115). Ocorre que ambas as contas são utilizadas para determinação do resultado da incorporação, anulandose e ensejando a apuração de crédito em favor da controladora, com conseqüente aumento de capital equivalente a R$ 27.735.046,26. Estas operações permitem inferir que, por ocasião da incorporação, a contribuinte reverteu os efeitos em contas patrimoniais da amortização do ágio até então contabilizada, possivelmente para que o valor integral do ágio criado nas operações intragrupo fosse transferido à sucessora para amortização após a incorporação. Assim, não há evidências de que a amortização do ágio antes da incorporação tenha gerado ganho de capital na MSJ Comercial Ltda, a ser ajustado pela exclusão do ágio cuja amortização antes fora adicionada. De toda sorte, ainda que esta demonstração existisse, a amortização seria dedutível no último período de apuração da MSJ Comercial Ltda, em razão de sua extinção por incorporação”. Acórdão assim ementado: Fl. 7123DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.124 45 INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. EXTINÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Não há previsão legal para o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente quando da extinção da participação societária em virtude de fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra. Nesses casos, o ágio já amortizado contabilmente, e registrado no LALUR, não pode mais ser aproveitado, devendo ser simplesmente baixado. Assim, ágio amortizado anteriormente à incorporação não pode ser aproveitado pela contribuinte, visto que não há autorização legal para que realize a dedução fiscal pretendida. Caso prevaleça a tese da contribuinte, terseá um desrespeito às normas expressas da legislação tributária, o que não pode ser admitido. Por essas razões, deve ser mantida a glosa efetivada pela autoridade fiscal. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca da dedutibilidade dos valores da base de cálculo da CSLL, melhor sorte não merece a irresignação da recorrente. De fato, como sabido, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que, dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido que é, também, a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Mesmo considerando que as despesas no presente caso possam ter natureza não operacional, cabe lembrar que a sua indedutibilidade da base de cálculo da Contribuição Social nasce do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial, visto que esta impõe que o ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Fl. 7124DF CARF MF Processo nº 10600.720031/201641 Acórdão n.º 1402003.905 S1C4T2 Fl. 7.125 46 Ora, segundo o Princípio da Entidade, um dispêndio produzido de forma equivocada não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de despesas inexistentes implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar, também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e também da CSLL. Como consequência, dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício, digase, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990. Mais a mais, o art. 13, da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, pela vinculação e nexo entre as glosas efetuadas para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL e pelas demais razões expostas, igualmente encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à CSLL. Concluindo, voto no sentido de i) REJEITAR as preliminares de, i.i) nulidade por supressão de instância; i.ii) decadência, e, i.iii) nulidade por ausência de base legal; ii) AFASTAR a aplicação do artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 (LINDB) ao PAF; e, iii) no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos presentes nos autos de infração (fls. 2/23). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 7125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912441/2016-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.021
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T17:56:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-24T17:56:29Z; Last-Modified: 2019-07-24T17:56:29Z; dcterms:modified: 2019-07-24T17:56:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T17:56:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T17:56:29Z; meta:save-date: 2019-07-24T17:56:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T17:56:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-24T17:56:29Z; created: 2019-07-24T17:56:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-24T17:56:29Z; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T17:56:29Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.912441/2016-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.021 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente MAGAZINE MODA VIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 41 /2 01 6- 18 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.021 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912441/2016-18 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.021 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912441/2016-18 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.021 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912441/2016-18 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.021 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912441/2016-18 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.021 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912441/2016-18 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904689/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
Numero da decisão: 3402-006.596
Decisão: .
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
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decisao_txt : . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado. . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 46 89 /2 01 2- 48 Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que procedeu com a retificação dos DACONs e das DCTFs, tendo apresentado ainda os documentos contábeis que respaldariam as retificações. Sustenta, subsidiariamente, a impossibilidade de utilização da SELIC para atualização dos valores devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.593, de 21de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904686/201212. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.593): "Com efeito, pela leitura da Manifestação de Inconformidade (e fls. 3/6) e da r. decisão recorrida, possível confirmar que não foram aventados em primeira instância argumentos subsidiários pela empresa. Com efeito, aquela defesa administrativa se pautou a desenvolver a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo e o erro material no preenchimento da PER/DCOMP, Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 4 3 afastando a exigência de multa e juros em razão da necessidade de se homologar a compensação pleiteada. Como indicado no relatório da r. decisão recorrida, ao tratar especificamente dos argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade: "Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que ocorreu erro material no procedimento de compensação realizado. Informa que deveria enviar um PerDcomp solicitando o total do crédito pago a maior e gerar um débito na mesma declaração de valor inferior e informar o número do PerDcomp enviado anteriormente. Entretanto, enviou um PerDcomp solicitando crédito parcial, gerou débito de valor igual ao crédito e gerou uma nova declaração com novo número de PerDcomp solicitando crédito parcial referente ao pagamento a maior da mesma guia já enviada anteriormente. Portanto, seu erro foi enviar duas declarações solicitando o crédito duas vezes para uma só guia. Acrescenta que não consegue enviar declaração retificadora, pois o sistema não permite a retificação para processo que já foi objeto de decisão administrativa. Para comprovar suas alegações, apresenta planilha de apuração da Cofins e PIS. Requer a reavaliação do Despacho Decisório." (e fl. 33) Desta forma, a Recorrente não instaurou discussão administrativa neste processo quanto ao tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117). Com isso, esta matéria trazida no Recurso Voluntário, por não ter sido trazida em sede de Manifestação de Inconformidade, restou preclusa na forma do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. E, não se tratando de matéria passível de ser conhecida de ofício por este colegiado, por não constar do rol do art. 342 do CPC/20152, aplicável de forma subsidiária ao presente processo, dela não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." 2 "Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição." Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 5 4 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Nesse sentido, não tomo conhecimento do tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117), passando à análise do mérito quanto à validade do crédito pleiteado. I DO CRÉDITO PLEITEADO Atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente não consegue demonstrar, com clareza, a origem e validade do crédito pleiteado. Primeiramente, essencial novamente3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de restituição, ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19724. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 6 5 composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, não se vislumbra um fundamento fático ou jurídico concreto trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, em sua Manifestação de Inconformidade, a empresa afirma que seu crédito teria origem em vendas de sucata (CFOP 5.102) e vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus (CFOP 6.109), tendo cometido erro no preenchimento do PER/DCOMP que impediria a visualização do crédito. Para respaldar sua alegação, acosta aos autos planilhas com uma relação de notas fiscais envolvidas nestas operações: Planilha "Relação pagamentos indevido PIS/COFINS Sucata ano 2010" efl. 08 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 7 6 Planilha "Valores de Crédito Pagamento indevido Zona Franca" efl. 09 Contudo, observase que em qualquer momento nestes autos foi apresentado sequer um levantamento exemplificativo das referidas notas fiscais que respaldariam o crédito. Acrescese que a empresa não esclarece o que seriam essas operações e quais as razões jurídicas para gerarem créditos, além de não demonstrar como esses valores teriam refletido em sua apuração do PIS do período. Ainda que a apuração do PIS seja centralizada, a simples análise da planilha não demonstra qual estabelecimento da empresa teria realizado as operações que supostamente dariam direito a crédito e quais os fundamentos jurídicos que respaldariam o crédito. Em seu Recurso Voluntário, a empresa apresentou um livro auxiliar de apuração do PIS e da COFINS de distintos períodos, acompanhados de declarações DCTF e DACON retificadoras. Contudo, esses documentos não confirmam a validade do crédito pleiteado pelo contribuinte, não servindo sequer como indício de sua existência. Atentandose primeiramente para os livros contábeis de apuração do PIS do período envolvido no presente pedido (março/2010 efls. 509/510), observase que (i) as operações identificadas com o CFOP 5.102, incorridas apenas no estabelecimento matriz (R$ 474.410,58) alcançaram montante inferior àquele identificado na planilha apresentada originariamente pela empresa (R$ 513.674,58); (ii) os valores correspondentes às operações identificadas com o CFOP 6.109 (R$ 122.779,70) superam o valor identificado na planilha de composição do crédito apresentado pela empresa na manifestação de inconformidade (R$ 35.289,74): Apuração matriz (CNPJ 07.770.721/000120 efl. 509) Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 8 7 Apuração filial (CNPJ 07.770.721/000200 efl. 510) Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 9 8 Vislumbrase, portanto, que este livro de apuração do PIS apresentado pelo contribuinte não confirma os dados do crédito informado nas planilhas anexadas à manifestação de inconformidade, não sendo possível confirmar com clareza a efetiva origem do crédito. Acrescese que o livro de apuração de PIS anexado aos autos alcança um valor devido de PIS que distingue daquele que foi declarado no DACON e na DCTF retificadores apresentados. Com efeito, considerando os valores indicados no resumo final dos livros, alcançase um montante de PIS a pagar de R$ 39.410,53 considerando o saldo credor apurado pela matriz (R$ 81.007,04) e o saldo devedor apurado na filial (R$ 120.417,57). Contudo, no DACON e na DCTF retificadoras apresentadas no Recurso Voluntário, a empresa indica um valor de PIS devido distinto, inicialmente de R$ 38.998,20 (DCTF transmitida em 19/07/2013 efl. 172 e DACON transmitido em 18/07/2013 e fl. 434) e depois de R$ 38.108,31 (DACON transmitido em 19/07/2013 efl. 431). Ademais, em qualquer momento o contribuinte esclarece a razão pela qual este valor diferente daquele originariamente declarado em seu DACON e em sua DCTF (de R$ 40.217,66). Assim, nos presentes autos a Recorrente traz um conjunto de provas contraditórias, que além de não identificarem um valor único de PIS devido no período, não corroboram as alegações trazidas pela Recorrente de existência de pagamento indevido. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 10 9 Não é possível confirmar sequer qual apuração está correta, aquela originariamente apresentada pelo contribuinte, aquela apresentada nos livros de apuração contábeis ou aquela apresentada por meio de retificadoras posteriores. As planilhas, livros e DACON e DCTF retificadores, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Uma vez que os documentos apresentados não trazem um indício do crédito entendido como devido pelo sujeito, não trazendo uma aproximação uníssona quanto à apuração do PIS devido no período e quanto ao crédito que seria eventualmente passível de compensação, entendo ser prescindível a realização de diligência no presente caso. Inclusive, como visto, os documentos apresentados não respaldam o valor trazido no DACON e na DCTF retificadores, como exigido por este Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034: "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo5], estabelece que: 5 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 11 10 Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 12 11 Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 13 12 Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente trouxe elementos de prova contraditórios, que não infirmam a existência de crédito no presente caso. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. II DISPOSITIVO Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13603.904689/201248 Acórdão n.º 3402006.596 S3C4T2 Fl. 14 13 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 563DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903573/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem a) com base nos correspondentes dados contidos nos arquivos da RFB, confirme que as cópias das notas fiscais de venda anexadas ao recurso voluntário (fls. 87 a 640) correspondem às efetivamente emitidas no mês de junho de 2007 e as concilie com o demonstrativo de notas fiscais de venda (fls. 641 a 650); b) concilie os somatórios das notas fiscais de venda e valores devidos da COFINS indicados no demonstrativo de notas fiscais de vendas com os DACON e DCTF originais e retificadores e guia de recolhimento; c) a partir das descrições dos produtos contidas nas notas fiscais de venda e das autorizações do Ministério da Agricultura, confirme que os produtos vendidos poderiam ser enquadrados no rol de bebidas lácteas e então gozar do benefício da alíquota zero previsto no inciso XI do art. 1° da Lei n° 10.925/04; d) prepare demonstrativo, contendo as vendas de produtos lácteos realizadas entre os dias 15/06/07 e 30/06/07, e aplique a alíquota da COFINS sobre o somatório, para que então seja conhecido o valor pago a maior, passível de compensação; e e) emita relatório conclusivo, dê ciência ao contribuinte e abra prazo de 30 dias para manifestação.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem a) com base nos correspondentes dados contidos nos arquivos da RFB, confirme que as cópias das notas fiscais de venda anexadas ao recurso voluntário (fls. 87 a 640) correspondem às efetivamente emitidas no mês de junho de 2007 e as concilie com o demonstrativo de notas fiscais de venda (fls. 641 a 650); b) concilie os somatórios das notas fiscais de venda e valores devidos da COFINS indicados no demonstrativo de notas fiscais de vendas com os DACON e DCTF originais e retificadores e guia de recolhimento; c) a partir das descrições dos produtos contidas nas notas fiscais de venda e das autorizações do Ministério da Agricultura, confirme que os produtos vendidos poderiam ser enquadrados no rol de bebidas lácteas e então gozar do benefício da alíquota zero previsto no inciso XI do art. 1° da Lei n° 10.925/04; d) prepare demonstrativo, contendo as vendas de produtos lácteos realizadas entre os dias 15/06/07 e 30/06/07, e aplique a alíquota da COFINS sobre o somatório, para que então seja conhecido o valor pago a maior, passível de compensação; e e) emita relatório conclusivo, dê ciência ao contribuinte e abra prazo de 30 dias para manifestação. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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C. MELO & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem a) com base nos correspondentes dados contidos nos arquivos da RFB, confirme que as cópias das notas fiscais de venda anexadas ao recurso voluntário (fls. 87 a 640) correspondem às efetivamente emitidas no mês de junho de 2007 e as concilie com o demonstrativo de notas fiscais de venda (fls. 641 a 650); b) concilie os somatórios das notas fiscais de venda e valores devidos da COFINS indicados no demonstrativo de notas fiscais de vendas com os DACON e DCTF originais e retificadores e guia de recolhimento; c) a partir das descrições dos produtos contidas nas notas fiscais de venda e das autorizações do Ministério da Agricultura, confirme que os produtos vendidos poderiam ser enquadrados no rol de bebidas lácteas e então gozar do benefício da alíquota zero previsto no inciso XI do art. 1° da Lei n° 10.925/04; d) prepare demonstrativo, contendo as vendas de produtos lácteos realizadas entre os dias 15/06/07 e 30/06/07, e aplique a alíquota da COFINS sobre o somatório, para que então seja conhecido o valor pago a maior, passível de compensação; e e) emita relatório conclusivo, dê ciência ao contribuinte e abra prazo de 30 dias para manifestação. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 03 57 3/ 20 12 -9 3 Fl. 697DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 698 ___________ Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF Belém, em 05/11/2012 (Rastreamento nº 040117285), que não homologou a compensação declarada por meio da Dcomp nº 40962.52284.290711.1.3.04-0749, devido à inexistência do direito creditório pretendido de R$ 40.181,34, uma vez que o pagamento de COFINS (código 2172), no valor de R$ 40.181,34, do período de 30/06/2007, efetuado em 20/07/2007, tido como a maior ou indevido, estava integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte para esse período. Cientificada do Despacho Decisório, em 26/11/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde expõe que apurou e recolheu mensalmente valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, no período compreendido de 06/2007 a 03/2010, utilizando esses pagamentos para compensação com débitos próprios. Mas, com o despacho de não homologação da compensação, se deu conta que não havia sido retificada a DCTF, estando o débito da contribuição confessado, ainda que indevido, bem como o valor informado no Dacon. Constatada essa irregularidade, diz que retificou a DCTF e o Dacon. Em relação a seu direito, aduz que o art. 32 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, alterando os arts. 1º e 8º da Lei nº 10.925, de 2004, inseriu os produtos “leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos...”, que são por ela produzidos, no rol dos produtos com alíquota zero da contribuição ao PIS e à Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno. Acredita, assim, que a não homologação por parte da autoridade fiscal se deu apenas em virtude de inconsistências formais, mas uma vez sendo elas sanadas, com a retificação da DCTF, não há mais impedimento para fruição do direito ao crédito compensado. É o relatório." Em 28/09/16, a DRJ em Curitiba (PR) julgou a manifestação de incoformidade improcedente e o Acórdão n° 06-55.654 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/07/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10280.903573/2012-93 Resolução nº 3301-001.101 S3-C3T1 Fl. 699 3 A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e traz novos documentos, dos quais destaco: notas fiscais de venda do mês de junho de 2007; demonstrativo de vendas e correspondentes valores devidos de COFINS do mês de junho de 2007, cujos totais de receita e de COFINS devidos estão conciliados com DCTF e DACON originais e retificadores e PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A discussão gira em torno da comprovação da legitimidade do direito creditório (pagamento a maior da COFINS de junho de 2007) que instruiu o Pedido de Compensação (PER/DCOMP) não homologado pela RFB (Despacho Decisório, fl. 7). A recorrente teria recolhido a COFINS de junho de 2007 por valor maior do que o devido, por não ter observado que a alíquota da contribuição incidente sobre as bebidas lácteas que comercializava havia sido reduzida a zero pelo art. 32 da Lei n° 11.488/07, que alterou a redação do inciso XI art. 1° da Lei n° 10.925/04, a saber: "Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (. . .) XI - leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (. . .)" Na manifestação de inconformidade, a recorrente trouxe os seguintes documentos (fls. 15 e 16): i) Despacho Decisório/Processo de Cobrança; ii) Recibo de Entrega e DACON Retificador do 1° semestre de 2007; iii) DCOMP; e iv) Recibo de entrega e DCTF Retificadora do 1° semestre 2007. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10280.903573/2012-93 Resolução nº 3301-001.101 S3-C3T1 Fl. 700 4 O conteúdo foi considerado insuficiente pela DRJ, que ratificou o Despacho Decisório. No recurso voluntário, complementou o conjunto probatório com o seguinte: i) notas fiscais de venda do mês de junho de 2007; ii) demonstrativo das notas fiscais que compõem a base de cálculo da COFINS; iii) DACON; iv) DARF; e v) autorizações do Ministério da Agricultura para a Produção/Fabricação apenas de bebidas lácteas. Passo ao exame da contenda. Inicio, consignando que, em homenagem ao "Princípio da Verdade Material", fundado no "Princípio Constitucional da Legalidade", supero a preclusão do direito de carrear provas documentais aos autos (§ 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72) e conheço dos documentos anexados ao recurso voluntário. De uma forma geral, verifica-se que as alegações da recorrente encontram respaldo na documentação acostada nos autos e na legislação aplicável, exceto quanto ao seguinte aspecto: a redução a zero da alíquota entrou em vigor em 15/06/07, de acordo com o art. 41 da Lei n° 11.488/07. Desta forma, os eventuais recolhimentos a maior apenas se verificaram nas vendas realizadas a partir de então. Sobre a documentação juntada pela recorrente, verifiquei que o somatório das vendas e dos valores devidos da COFINS conferem com os indicados nos DACON e DCTF originais e retificadores. E conciliei algumas notas fiscais com o demonstrativo de notas fiscais de venda e não encontrei divergências. Com efeito, o relator da decisão de piso reconheceu que havia evidências acerca da existência do direito, não o acatando, todavia, em razão de não ter sido comprovado que todas as vendas de junho de 2007 eram de bebidas lácteas, o que a recorrente procurou sanar, por meio da juntada das notas fiscais de venda e das que alegou serem as únicas autorizações para fabricação de produtos. Abaixo, trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fls. 74 e 75): "(. . .) No presente caso, como alegado pela contribuinte, é fato que o art. 32 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, incluiu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, nos seguintes termos: (. . .) Mas também é fato que, de acordo com a Consolidação de Contrato Social apresentada, em sua Cláusula 3ª, a empresa tem como objetivo social: “FABRICAÇÃO DE LATICÍNIOS; FABRICAÇÃO DE SUCOS DE FRUTAS (REFRESCOS DE FRUTAS); COMÉRCIO ATACADISTA DE LATICÍNIOS (IOGURTE); E FABRICAÇÃO DE SORVETES E OUTROS GELADOS COMESTÍVEIS”. Assim, apesar dos indícios trazidos pela interessada em relação ao pagamento a maior da contribuição, particularmente em relação à alteração legislativa, não restou demonstrado que toda ou qual parte de sua receita decorreria da venda de produtos sujeitos à alíquota zero. Isso porque, além dos produtos relacionados aos itens XI a XIII, acima transcritos, a empresa também desenvolve em sua atividade a fabricação e o comércio de outros produtos, que não os derivados lácteos. É preciso, portanto, para acatar a liquidez do crédito pretendido, a comprovação inequívoca do erro cometido Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10280.903573/2012-93 Resolução nº 3301-001.101 S3-C3T1 Fl. 701 5 quando da declaração do débito na DCTF originalmente apresentada, mediante a apresentação da escrituração contábil-fiscal, bem como de documentos que demonstrem que, de fato, o pagamento realizado foi indevido. (. . .)" Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem realize o seguinte: a) com base nos correspondentes dados contidos nos arquivos da RFB, confirme que as cópias das notas fiscais de venda anexadas ao recurso voluntário (fls. 87 a 640) correspondem às efetivamente emitidas no mês de junho de 2007 e as concilie com o demonstrativo de notas fiscais de venda (fls. 641 a 650); b) concilie os somatórios das notas fiscais de venda e valores devidos da COFINS indicados no demonstrativo de notas fiscais de vendas com os DACON e DCTF originais e retificadores e guia de recolhimento; c) a partir das descrições dos produtos contidas nas notas fiscais de venda e das autorizações do Ministério da Agricultura, confirme que os produtos vendidos poderiam ser enquadrados no rol de bebidas lácteas e então gozar do benefício da alíquota zero previsto no inciso XI do art. 1° da Lei n° 10.925/04; d) prepare demonstrativo, contendo as vendas de produtos lácteos realizadas entre os dias 15/06/07 e 30/06/07, e aplique a alíquota da COFINS sobre o somatório, para que então seja conhecido o valor pago a maior, passível de compensação; e e) emita relatório conclusivo, dê ciência ao contribuinte e abra prazo de 30 dias para manifestação. Cumpridas as etapas, os autos devem retornar conclusos ao CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720355/2017-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Trata o presente de Auto de Infração de fls. 02/09, lavrado contra o contribuinte para exigir, com relação a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2013, R$ 12.984.184,57 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 6.348.853,44 de juros de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 35 5/ 20 17 -9 0 Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 870 2 mora calculados até novembro de 2017 e R$ 9.738.138,38 de multa proporcional ao valor do imposto, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 29.071.176,39. De acordo com o que consta do referido Auto de Infração, o lançamento foi efetuado por ter sido constatado que o autuado "deu saída a produto(s) tributado(s), sem lançamento do imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro na alíquota do imposto". A PIRELLI fabricou e/ou importou pneus das linhas CHRONO e SCORPION para utilização em vans, pick ups, utilitários, carga leve e SUVs. Os pneus foram classificados pela recorrente na posição NCM 4011.20.90 – Outros (Dos tipos usados em ônibus ou caminhões) com a aplicação das Regras Interpretativas 3a e 4 e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”), tributados pelo IPI à alíquota de 2%, conforme disposições da Tabela de Incidência do IPI (“TIPI”) anexa ao Decreto nº 7.212/10. Segundo seu entendimento tais Regras determinam a adoção de posição mais específica e, na ausência de descrição específica, adotase o código que descreva produto mais semelhante. No curso do procedimento de auditoria, concluiu a autoridade fiscal que a classificação adotada pela PIRELLI foi equivocadamente efetuada na NCM 4011.20.90 infringindo a 1ª Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), com desrespeito ao princípio da seletividade característico do IPI. A Fiscalização entendeu que a classificação fiscal adotada pela Recorrente estaria equivocado e deveriam ser adotados (1) o NCM “40.11.99.90 – Outros” para as vans para transporte de carga ou de passageiros, pickups e utilitários e (2) o NCM “40.11.10.00 – Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida)” para as SUVs. Os fundamentos da reclassificação estão descritos no Relatório Fiscal. Inicialmente a Fiscalização cuidou de apontar a correta aplicação das Regras de interpretação do Sistema Harmonizado para afastar a classificação de todos os pneus no código 4011.20.90, utilizados em ônibus e caminhões, pois não se destinam a veículos dessa natureza, como segue: 6.2 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS De antemão devese destacar que a principal regra para a classificação é a RGI/SH nº1, ou seja, a classificação deve orientarse pelos textos das posições, subposições e das Notas de Seção e de Capítulo. As regras seguintes apenas são aplicáveis desde que as suas aplicações não rendam ensejo a classificação que contrarie o texto das posições, das subposições e das Notas das Seções, dos Subcapítulos, das Posições e das Subposições. (...) Ora, o texto da Posição 4011 se refere a “Pneumáticos novos, de borracha” e o texto da Subposição 4011.20, consigna “Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”. Logo, incabível a classificação de pneus outros que não dos tipos utilizados em ônibus e caminhões Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 871 3 em quaisquer dos subitens da subposição 4011.20, sequer mediante esforço interpretativo a partir das Regras 3a e 4 (...) pois, repiso, a aplicação das demais regras não pode ofender o texto da posição nem da subposição. O argumento que o contribuinte empreendeu – de que não apenas os pneus usados em ônibus e caminhões, mas também de características similares, diante da expressão “tipos” da subposição 4011.20 , não tem qualquer sentido, pois, na realidade, a expressão é sinônimo de “modelos”. (...) Saliento, que a resistência e durabilidade do pneu não é, de acordo com a lógica do sistema harmonizado, elemento de definição da classificação fiscal do produto, delineada pelo veículo em que ele é utilizado. Daí porque não teve essa autoridade fiscal como escapar de definir a classificação fiscal dos veículos em que os pneumáticos são comumente empregados. Descartada a possibilidade de classificação na subposição 4011.20 (Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões) – e, sendo incontroversa a possibilidade de enquadramento nas subposições (...) – apenas restaram, para classificar os pneus analisados, as posições 4011.10 (Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) e 4011.99.90 (Outros). A seguir, a Fiscalização abordou a classificação dos pneus segundo o tipo de veículo: vans, para transporte de passageiros (microônibus) ou cargas (furgões); 6.2.1 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA VANS As Vans são veículos que podem ser usados para transportar passageiros ou cargas – sendo, nesta hipótese, conhecida como furgões. As vans para passageiros disponíveis no mercado nacional – em alguns casos referidas como microônibus, mas nunca como ônibus – possuem, em sua quase totalidade, capacidade de 09 a 19 passageiros, podendo assim, totalizar, com o motorista, até 20 ocupantes; logo, como os veículos com capacidade para 10 ou mais pessoas devem ser classificados na posição 8702, da TIPI, concluise que os pneus destinados as vans que realizam transporte de passageiros não podem ser classificados na subposição 4011.10, referente, segundo seu texto, a pneumáticos utilizados em veículos classificados na posição 8703. (...) (...) De modo semelhante, como as vans para transporte de cargas (furgões) se classificam no Ex 01 dos desdobramentos das subposições de nível 8704.21, seus pneus não podem ser classificados na subposição 4011.10. (...) Dessa forma, por exclusão, os pneumáticos utilizados em vans – tanto de passageiros quanto de cargas – devem ser classificados no código 4011.99.90 “Outros”. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 872 4 6.2.2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS Da mesma forma que as vans para transporte de cargas, as Pickups e Utilitários classificamse no Ex01 dos desdobramentos da subposição 8704.21. Assim, os pneus destinados a esses veículos não podem ser classificados na subposição 4011.10, reservada a pneus para automóveis de passageiros (posição 8703) e, assim, como não se tratam de ônibus nem de caminhões, para estes veículos apenas restou, por exclusão, o enquadramento no código 4011.99.90 “Outros” . 6.2.3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS PARA SUV Os veículos conhecidos por SUV (Sport Utility Vehicle) são veículos mistos, que se destinam ao transporte de passageiros, mas apresentam uma capacidade de carga superior aos demais automóveis. A NESH da posição 8703 da TIPI (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto "station wagons" e os automóveis de corrida) define que: “Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias.” Como se vê, para fins de Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 8703 (vide quadro 5 abaixo). Assim, os pneumáticos destinados a esses veículos devem ser classificados no código 4011.10.00 (...) 6.2.4 CLASSIFICAÇÃO DOS PNEUS UTILIZADOS SIMULTANEAMENTE EM PICKUP E SUV Em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 01, a empresa PIRELLI informou que alguns tipos de pneus eram de uso simultâneo em Pickups e SUVs. Dessa forma, tais pneus poderiam ser classificados na NCM 4011.10.00 ou na NCM 4011.99.90. Essa possibilidade de dupla classificação não se coaduna com a diretriz do Sistema Harmonizado (SH) a qual cada produto deve ter um único código inequívoco. A fim de obter maiores esclarecimentos, no dia 30/10/2017 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 4, solicitando que a empresa indicasse em qual veículo cada pneumático era predominantemente utilizado. No dia 06/11/2017 a PIRELLI continuou a informar o duplo uso em Pickup e em SUV. Para alguns apenas informou “Changeover”. (...) Como não podíamos utilizar a Regra Geral nº 01 para resolver tal questão, utilizamos as Regras Gerais seguintes de forma sucessiva, que se adequassem ao caso. Para sanear essa aparente duplicidade de classificação, utilizamos a Regra Geral 3a do SH, que determina: Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 873 5 (...)3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas.(...) Assim, essa fiscalização, para pneumáticos indicados como utilizados em Pick ups e em SUVs foram classificados na NCM 4011.10.00, classificação para pneus utilizados em SUV (Sport Utility Vehicle) , veículos mistos , por ser a mais específica. A classificação dos pneus utilizados em Pickups (NCM 4011.99.90 –Outros) é a mais genérica de todas e utilizada por exclusão de todos os outros códigos da posição 4011, conforme explicado acima. 6.2.5 CLASSIFICAÇÃO DOS PNEUS 175/65R14C90T CHRONO e 185/75R16C104R CHRONO Conforme resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 01, a PIRELLI fez remissão aos processos 11065.722023/201525 e 10830721798/201764 para consulta dos argumentos e informações já debatidas naqueles procedimentos fiscais, também relativos a classificação de pneus. Após análise detalhada das respostas dadas às outras fiscalizações, observouse que consta na página 471 do processo 11065.722023/201525, como resposta ao Termo de Início de Fiscalização, no Anexo I, a classificação dos pneus 175/65R14C90T CHRONO e 185/75R16C104R CHRONO, (...) (...) Para o pneu 175/65R14C90T CHRONO ora a empresa classifica apenas como utilizado em Pickup, ora classifica como utilizado em Pickup e em Van. Para o pneu 185/75R16C104R CHRONO obtivemos 3 respostas diferentes. Para o processo 11065.722023/2015 25, a empresa indicou que tal pneu não era utilizado no Brasil. No processo 10830721798/201764, já indica os veículos nos quais são utilizados e classifica tal pneu como utilizado em VAN. Por fim, na atual fiscalização, indica duplo uso para tais pneus (VAN/Pickup) e não exemplifica em quais veículos seriam utilizados. Ora, se uma empresa do porte da PIRELLI não sabe dizer em qual veículo um pneu é utilizado ou se responde de forma tão divergente, é de suspeitar se a empresa não estaria agindo para dificultar o trabalho da Receita Federal do Brasil na busca da correta classificação de tais pneumáticos e para ulterior determinação da alíquota do IPI incidente na saída do produto do estabelecimento. Como forma de harmonizar tal divergência, essa autoridade fiscal fará a classificação do pneu 175/65R14C90T CHRONO como utilizado em Pickup, conforme vem sendo o entendimento das outras fiscalizações. E para o pneu 185/75R16C104R CHRONO, como utilizado em VAN, também seguindo o uniforme entendimento da Receita Federal até aqui. 6.2.6 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS E PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE NA TRIBUTAÇÃO Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 874 6 Relembro que o IPI é seletivo em função da essencialidade do produto. Nisto, não seria razoável adotar uma linha de interpretação para a classificação fiscal de produtos da qual resulte a tributação de pneus para veículos como SUV, Vans, Pickup e utilitários (que são veículos tributados às alíquotas de 8% e 10% “Ex 01 dos NCMs 8704.21.10, 8704.21.20, 8704.21.30 e 8704.21.90) a uma mesma alíquota que os pneus para caminhões, veículos em regra submetidos à alíquota de 5% (Ex 01 dos NCMs 8704.31.10, 8704.31.20, 8704.31.30 e 8704.31.90) e para ônibus, sobre os quais pode até recair alíquota zero (Ex 02 do NCM 8702.90.90). Seriam os pneus usados por SUV, vans, pickup e utilitários mais essenciais que os veículos em si? Não me parece razoável entender dessa forma; mas, se o legislador, eventualmente, tivesse este pensamento, deveria fazer constar isto expressamente na norma aplicável. É totalmente inconcebível que esforços interpretativos possam ensejar o maltrato ao princípio da seletividade. 6.2.7 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS IMPORTADOS E OCORRÊNCIAS ADUANEIRAS DA EMPRESA PIRELLI Para uma visão mais ampla da divergência de classificação utilizada pela empresa e a determinada pela Receita Federal, essa autoridade tributária fez pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil e constatou que desde 2010 também a Aduana tem feito a reclassificação dos pneus importados com NCM 4011.20.90 para NCM 4011.10.00 ou para NCM 4011.99.90, conforme os casos que serão a seguir narrados. (...) Dessa forma, se vê que também na área aduaneira o entendimento da correta classificação é uniforme com a classificação adotada pelos Auditoresfiscais que fiscalizam o tributo interno IPI, ou seja, pneus que não são utilizados em ônibus e não são utilizados em caminhões NÃO PODEM SER CLASSIFICADOS NA NCM 4011.20.90. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação na qual suscitou, em síntese: nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do procedimento de fiscalização (a Fiscalização considerou as marcas e os modelos dos veículos em vez de considerar as características técnicas dos pneus; a Fiscalização desconsiderou as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, imprescindíveis para a classificação fiscal de mercadorias e desconsiderou as informações prestadas pela Recorrente ao longo do procedimento de investigação, sem ter apresentado sequer um fundamento para tanto); o código NCM adotado pela Recorrente para classificar os pneus está correto, em conformidade com as regras de interpretação 3a e 4 do Sistema Harmonizado (similaridade com os pneus descritos no NCM 4011.20.90, pela maior durabilidade e resistência dos pneus) e de acordo com a classificação técnica validada pelo INMETRO; a reclassificação fiscal proposta pela Fiscalização é ilegítima e deve ser afastada, pois contraria a classificação exigida e validada pelo INMETRO e também as regras internacionais de interpretação do Sistema Harmonizado; indevida alteração do critério jurídico de lançamento, na medida em que para os produtos importados, a classificação fiscal adotada pela Recorrente foi confirmada quando do desembaraço e agora, nesse segundo momento, estão sendo contestadas; Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 875 7 a própria RFB confirmou a legitimidade do procedimento de classificação adotado pela Recorrente, tendo em vista a expedição da Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª Região) vinculada à própria Recorrente; a necessidade de cancelamento da autuação em relação aos produtos objeto de saídas para a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, visto que sujeitas às regras de isenção e, por fim excesso na constituição do crédito tributário, a saber: (i) a indevida exigência de IPI na revenda de produtos importados; (ii) a ilegítima exigência de multa e juros; e, (iii) a incorreta aplicação de juros sobre multa. Como afirmado linhas acima, a Recorrente fez a juntada do laudo técnico pericial, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – “INT”, no qual os engenheiros, após análise das características dos pneus para utilitários, vans, SUVs e pickup objeto da autuação concluiram que os pneus das linhas Chrono e Scorpion para vans, pick ups, utilitários, carga leve e SUVs – são semelhantes aos pneus dos tipos usados em ônibus ou caminhões, pois possuem características técnicas que os distanciam dos pneus utilizados em veículos leves e os aproxima daqueles pneus utilizados em veículos de transporte de cargas (do “tipo” caminhões/caminhonetas) e de transporte de passageiros (do “tipo” ônibus, vans e micro ônibus). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1159.648, sessão de 25/04/2018, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pickup e para utilitários se classificam no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenha características de veículo de uso misto, classificamse no código 4011.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, sendo que a classificação fiscal não é assim considerada. A competência administrativa para considerar correta, em caso concreto, a classificação fiscal de produto específico pertence às autoridades fiscais do quadro da RFB. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO IMPORTADO. REVENDA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 876 8 Na revenda no território nacional, incide o imposto sobre o produto importado, mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização. ISENÇÃO. REQUISITOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Descabe lançamento de ofício do imposto quando não demonstrado o descumprimento dos requisitos materiais para gozo de isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO IMPORTADO. RECLASSIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. É possível a reclassificação fiscal de produto importado após a conclusão do despacho aduaneiro e a correspondente formalização dos tributos devidos no mercado interno. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONSULTA SOBRE PRODUTO ESPECÍFICO. EFEITOS SOBRE PRODUTOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A consulta sobre classificação fiscal de determinado produto específico não tem efeitos em relação a produtos distintos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão foi nos seguintes termos: A Delegacia de Julgamento adotou no voto os fundamentos do Acórdão proferido no processo nº 11065.722023/201525, que versa fatos semelhantes da mesma contribuinte, para não acatar as alegações da impugnante, dando razão às razões à Fiscalização quanto à classificação fiscal empreendida. Argumentou que, de fato, van, pickup, utilitário e SUV não são ônibus nem caminhões. Em relação à diferenciação entre vans para transporte de passageiros e ônibus, bem esclareceu a autoridade fiscal que “a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus, cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus (...)”. A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9 m³. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus”. Quanto às vans destinadas ao transporte de cargas (furgões), pickup e utilitários, também comungo do entendimento da autoridade fiscal, que a requerente não consegue infirmar, de que “a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/ utilitários é expressa na Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 877 9 Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”. As NESH da posição 8704 discriminam dois tipos de veículos ali classificáveis: os caminhões e os chamados “veículos polivalentes” e dá, como exemplo destes veículos, justamente os furgões, as pickup e certos veículos utilitários esportivos – o que evidencia a diferenciação, para fins do SH, entre estes veículos polivalentes e os caminhões. Para fins de Nomenclatura do SH, os veículos SUV, que têm função mista (transporte de passageiros e maior capacidade de carga), devem ser considerados mistos. A conclusão acima não resta prejudicada nas hipóteses em que a SUV tenha características de “light truck” quando atendidas as condições da NESH da Posição 8703. Verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV. Resta claro que o Hummer é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. Os pneus objeto da fiscalização foram certificados na Categoria 3, o que vem apenas reforçar que não se tratam de pneumáticos usados por ônibus e caminhões, que devem ser certificados em Categoria distinta. Quanto à pretensão da aplicação ao caso do conteúdo da SC, a DRJ refutou pois que o objeto daquela consulta eram pneus utilizados indistintamente em caminhões, ônibus e demais veículos comerciais, ao passo que no presente autos não são usados por caminhões nem por ônibus, razão pela qual é totalmente inaplicável o entendimento da enfocada Decisão. Em relação à alegação de impossibilidade de alteração da classificação fiscal após despacho aduaneiro assentou que revela impertinente o entendimento de que o desembaraço aduaneiro e a liberação da mercadoria importaria a homologação do pagamento realizado em relação à mercadoria importada. Com fundamento na decisão do STJ julgada no rito dos recursos repetitivos forma afastadas os argumentos da contribuinte quanto à impossibilidade de exigência de IPI sobre produtos importados que não foram submetidos, no território nacional, a processo de industrialização. Por fim, mantevese a incidência de juros e multa de mora e a cobrança de juros sobre a multa e apenas exonerou a exigência do IPI em relação aos produtos nacionais ou nacionalizados entrados na ALCMS pois cumpridos os requisitos para fruição da isenção de que trata os arts. 116 e 117 do RIPI/2010. Em resumo, a decisão de 1ª instância: (i) não tomou conhecimento do questionamento de juros sobre multa de ofício; (ii) indeferiu o pedido de realização de perícia; (iii) rejeitou a preliminar de nulidade da autuação; (iv) exonerou a parcela do crédito tributário correspondente ao lançamento das saídas de produtos com alíquota zero para a ALCMS; e (v) manteve a reclassificação laborada Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 878 10 pela fiscalização por considerar que nenhum dos pneus fabricados ou importados destinavam se à utilização em caminhões ou ônibus. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando os mesmos argumentos versados em impugnação e contesta os fundamentos da decisão recorrida que manteve a reclassificação que constou da autuação fiscal. Expôs seus argumentos e pedidos manifestados nos tópicos: 1. Preliminares: 1.1 Nulidade da decisão recorrida, por ausência de fundamentação; 1.2. Nulidade da decisão recorrida, em razão da desconsideração do laudo juntado e o indeferimento imotivado da prova pericial; 1.3. Nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, porque se basearam nas propriedades dos veículos e não dos pneus e ignoraram as regras do sistema harmonizado; 1.4. Nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do processo de investigação fiscal, por violação ao artigo 142, CTN. 2. Mérito: 2.1. Considerações acerca das Regras Gerais para a classificação fiscal, do sistema Harmonizado. das Regras Gerais de Interpretação; 2.2. As características técnicas dos pneus, a nomenclatura internacional utilizada e a classificação fiscal 2.3. A natureza e categoria dos pneus objeto da autuação e o entendimento do INMETRO e da ALAPA 2.4. A classificação defendida pela recorrente quanto aos pneus destinados a vans/microônibus, pickups (caminhonetes), SUV e utilitários; 2.5 A Solução de Consulta nº 348/1997 da 8ª Região Fiscal; 2.6 Alteração do critério jurídico adotado em despachos aduaneiros; 2.7. Ilegitimidade da cobrança de IPI na saída de produtos objeto de importação; 2.8. Ilegitimidade da cobrança de juros e de multa (artigo 100 CTN); 2.9. Ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre multa. Finaliza seu recurso com os Pedidos, nos seguintes termos: Diante de tudo o quanto exposto acima, requerse que o presente Recurso Voluntário seja provido para que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se digne a anular a r. decisão recorrida, considerando todos os fundamentos trazidos no ITEM IV. 562. Ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, requerse a reforma da r. decisão recorrida, conforme argumentos expostos nos ITENS V.l a V.5 acima, para determinar o cancelamento integral da autuação. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 879 11 563. Subsidiariamente, requerse o reconhecimento do excesso da constituição do crédito tributário, conforme argumentos apresentados nos ITENS V.6 e V.7 acima, determinandose, ao menos, a redução do montante exigido. 564. A Recorrente protesta pela sustentação oral do presente recurso, nos termos do Regimento Interno do E. CARF, requerendo seja previamente intimada nas pessoas dos seus representantes legais a seguir relacionados: RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS, OAB/SP n° 76.649, MARCO ANTÔNIO GOMES BEHRNDT, OAB/SP n° 173.362, e DANIELLA ZAGARI GONÇALVES, OAB/SP n° 116.343, respectivamente, com escritório localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3144, 11° andar. São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator A primeira e principal matéria a ser enfrentada trata da classificação fiscal de pneus fabricados e/ou importados pela recorrente e destinados ao uso nos veículos mencionados. Fundamentos da classificação da PIRELLI: Nos autos constam que os pneus objeto da autuação são, conforme informação da PIRELLI, utilizados em veículos que se prestam a transporte de cargas e passageiros identificados como vans/microônibus, pickup, utilitários e SUVs. A recorrente classificou seus pneus no mesmo código tarifário daqueles utilizados em ônibus e caminhões NCM/Tipi 4011.20.90 e tomou por base a classificação indicada na Solução de Consulta nº 348/97, em que foi a própria consulente. Em verdade, a PIRELLI não afirma que os veículos em que serão utilizados seus pneus são ônibus e caminhões, apenas advoga a mesma classificação dos pneus utilizados nesses veículos com fundamento nas características (construção e capacidade de carga) que os aproxima de ônibus/caminhões e os afasta dos códigos destinados à veículos de passeio. Postula/Entende a recorrente que a inexistência de uma classificação específica que descreva expressamente a utilização dos pneus em vans/microônibus, pickup, utilitários e SUVs a fez aplicar as Regras "3a" e "4" da RGI, segundo o critério de semelhança dos pneus desses veículos com os de ônibus/caminhões. Fundamentos da classificação do Fisco: A fiscalização entende que somente os pneus exclusivamente utilizados em ônibus ou caminhões podem ser classificados no código pretendido pela recorrente 4011.20, Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 880 12 que consigna os pneus "Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões". Assim, assevera que qualquer outro pneu sem tal destinação terá classificação fiscal diferente da 4011.20. A aplicação das RGI "3a" e "4" são contrárias à RGI "1" o que impossibilita suas utilizações. Aduz que o argumento que o contribuinte empreendeu – de que não apenas os pneus usados em ônibus e caminhões, mas também de características similares, diante da expressão “tipos” da subposição 4011.20 , não tem qualquer sentido, pois, na realidade, a expressão é sinônimo de “modelos”. Salienta, que a resistência e durabilidade do pneu não é, de acordo com a lógica do sistema harmonizado, elemento de definição da classificação fiscal do produto, delineada pelo veículo em que ele é utilizado. Daí porque não teve essa autoridade fiscal como escapar de definir a classificação fiscal dos veículos em que os pneumáticos são comumente empregados. Conclui que, descartada a possibilidade de classificação na subposição 4011.20 (Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões) – e, sendo incontroversa a possibilidade de enquadramento nas subposições – apenas restaram, para classificar os pneus analisados, as posições 4011.10 (Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) e 4011.99.90 (Outros). Pois bem, cumpre colacionar os textos e códigos da classificação tarifária dos pneumáticos: 40.11 Pneumáticos novos, de borracha 4011.10.00 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.30 Dos tipos utilizados em veículos aéreos 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.93.00 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm 4011.94 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm 4011.99 Outros Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 881 13 4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”) 4011.99.90 Outros Os textos das posições, notas de Seção ou Capitulo não fazem qualquer referência a informações ou características técnicas de construção, formato da banda de rodagem (exceto para a posição 4011.6) e capacidade de cargas, como as apontadas em Laudo ou Manual para determinar a classificação de pneus. Sequer há notas explicativas do Sistema Harmonizado contemplem as classificações dos pneus. Depreendese que os textos das posições 4011 remetem a aplicação do pneus a determinadas categorias de veículos, a saber: caminhões e ônibus, automóveis, aeronaves, motocicletas, bicicletas, to tipo "espinha de peixe", máquinas agrícolas e, residualmente, outros. Firmado na premissa de que o Sistema Harmonizado (SH) não traz o código tarifário específico para pneus de vans/furgões, microônibus, pickup (caminhonetes), utilitários (camionetas) e SUVs impende verificar se conforme as disposições do próprio SH, além das normas técnicas que dispõem acerca de veículos e da legislação da Receita Federal, tais veículos podem ou não ser considerados caminhões/ônibus. A dificuldade se impõe quando se constata que o SH não define tais veículos de forma a diferenciálos de caminhões ou ônibus. Esta Turma analisou a classificação dos pneus utilizados em alguns desses veículos, utilizados no transporte de carga, em duas oportunidades1, com a manifestação de seus Conselheiros, por unanimidade de votos, que furgões/vans e caminhonetes incluemse na espécie de caminhões, conforme a adoção dos fundamentos do voto condutor no acórdão DRJ/Florianópolis/SC nº 730.385/2013, da lavra do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, cujos excertos reproduzo no que interessa à classificação dos veículos abordados neste tópico: "Dos trechos reproduzidos da posição 8704 podemos deduzir que a exceção tarifária “Ex 01 De camionetas, furgões, “pickups” e semelhantes” está inserida apenas na subposição composta 8704.21, que comporta os veículos automotores destinados ao transporte de mercadorias, concebidos com motor de pistão, de ignição por compressão (diesel ou semidiesel), de peso em carga máxima inferior a 5 toneladas, evidenciando também que os veículos denominados merceologicamente como camionetas, furgões, “pickups” e similares são uma espécie de caminhão cuja carga máxima em peso não pode superar 5 toneladas. Ademais, as Nesh dessa posição igualmente determinam que a classificação desses tipos de veículos é determinada em função de algumas características que indicam ser concebidos para o transporte de mercadorias e não de pessoas, especialmente quando se trata de informar a classificação daqueles veículos cuja carga em peso bruto é inferior a 5 toneladas, o que nos permite concluir que nessa categoria de veículos automotores estão compreendidos os conhecidos também como polivalentes, ou seja, os furgões, picapes e até certos utilitários esportivos. 1 Acórdãos nºs 3201002.874, de 26/06/2017 e 3201004.254, de 26/09/2018. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 882 14 Demais disso, corroborando com as Nesh, o material técnico que especifica os veículos que utilizam os pneus em apreço cabe destacar as seguintes características básicas: possuem componentes mecânicos, carroçaria com capacidade de carga superior a 1.500 kg e são compatíveis com o transporte de mercadorias em curtas, médias e longas distâncias." [...] Não bastasse o acima colacionado, a norma TB 152/1978 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), alterada para NBR 6067 após registro no IMETRO, Somente para pontuar, [...] convém observar também que a transcrita norma técnica não exige carroçaria do tipo plataforma nem separação dessa carroçaria da cabina do condutor para que se considere um determinado veículo como sendo um “caminhão”, destacando, em especial, sua capacidade de transporte de carga. A Administração Tributária também já se manifestou quando dispôs sobre o conceito de caminhão chassi e de caminhão monobloco. É o que evidencia a Instrução Normativa SRF nº 237/2002 (DOU 06.11.2002), vejamos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no § 2º, inciso I, do art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, resolve: Art. 1º Para fins do disposto no § 2º, inciso I, do art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, entendese: I caminhões chassi, como os veículos de capacidade de carga útil igual ou superior a 1.800 kg, classificados na posição 87.04 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, providos de chassi com motor e de cabina justaposta ao compartimento de carga; II caminhões monobloco, como os veículos de capacidade de carga útil igual ou superior a 1.500 kg, classificados na posição 87.04 da TIPI, com cabina e compartimento de carga inseparáveis, constituindo um corpo único, tal como projetado e concebido; III carga útil, como o peso da carga máxima prevista para o veículo, considerado o peso do condutor, do passageiro e do reservatório de combustível cheio. (...). Diante do entendimento exarado acima, entendo necessário identificar os veículos para transporte de cargas a que se destinam os pneumáticos submetidos à análise de classificação tarifária, com os parâmetros que se extraem dos incisos do art. 1º da IN SRF 237/2002. Dessa forma, a solução é a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a apresentar, em relação aos veículos de transporte de carga (ainda que não prioritariamente), quadro/planilha de correlação entre o pneumático e o(s) Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 19311.720355/201790 Resolução nº 3201002.103 S3C2T1 Fl. 883 15 veículo(s) a(aos) que(quais) se destina com as características técnicas (do veículo) que permita aferir o atendimento às especificações do inciso I ou II do art. 1º da IN SRF nº237/2002, comprovandose com documento (catálogo ou equivalente) do fabricante do veículo. Ressaltase dispensável, para efeitos da proposta de diligência, a análise em relação aos veículos microônibus uma vez que não contemplados nas definições da referida Instrução Normativa. Conclusão Diante do exposto, voto para que o julgamento do presente processo seja convertido em diligência com a remessa dos autos à Unidade de Origem para as seguintes providências, em relação aos pneumáticos utilizados em veículos de carga: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, podendo a autoridade fiscal acrescentar solicitações de informações ou elementos que julgar pertinentes ou relevantes à solução da lide, a: 1.1 Elaborar quadro/planilha que correlacione os pneumáticos submetidos à reclassificação fiscal com os veículos a que se destinam, e estes (veículos) sejam identificados com as especificações técnicas do fabricante, observando as definições de que tratam os incisos I e II do art. 1º da IN SRF nº 237/2002; 1.2 Apresentar documentação técnica demonstrando objetivamente as informações consignadas no quadro/planilha a ser elaborado; 2. Elabore relatório conclusivo quanto ao atendimento da intimação; 3. Dê ciência ao contribuinte e a oportunidade para se manifestar no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias. Encerrada a instrução processual, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1081DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910658/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.634
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 58 /2 01 6- 71 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910658/201671 Acórdão n.º 3402006.634 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900006/2009-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratando-se de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9303-008.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratandose de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 00 06 /2 00 9- 77 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10680.900006/200977 Acórdão n.º 9303008.456 CSRFT3 Fl. 582 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 532 a 541), contra o Acórdão 3403002.013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 519 a 526), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 FORMULÁRIO. PER/DCOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DCOMP cuja autoria é negada, concluise que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 555 a 565), o contribuinte, em apertada síntese, suscita a nulidade do Acórdão recorrido, por “infringência aos princípios da ampla defesa de da verdade material – indeferimento de perícia” e alega, afirmando que existem de indícios suficientes para acolher suas alegações, “a inexistência da autoria das PER/DCOMP's, que por sua vez, fez gerar o crédito tributário indevidamente, vez que anteriormente a Empresa já havia declarado o montante correto através da DCTF's original (e não retificadora, pois também de origem contestada)”. Argumenta que, “se apresentou DCTF's, inclusive a ponto de realizar pagamentos parciais dos tributos declarados, qual seria o motivo aparente que justificasse tal conduta da Empresa, ao emitir DCTF's retificadoras e PER/DCOMP's para compensar crédito inexistentes ?”, o que “passa pelo crivo da prova pericial, que não contábil, mas técnica em segurança de software, para dizer quem realmente efetuou declarações em nome da Recorrente”. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 567 a 579) pedindo, em caráter preliminar, o não conhecimento do recurso, pois "o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório". É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto ao conhecimento, entendo que assiste razão à PGFN. Não é esta Corte uma 3ª instância de julgamento (a tratar de discussões de fato), competindo a ela, conforme art. 67 do Anexo II do RICARF, exclusivamente “julgar recurso especial interposto Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10680.900006/200977 Acórdão n.º 9303008.456 CSRFT3 Fl. 583 3 contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Neste caso, tanto a DRJ quanto a Turma a quo, mais que embasaram, em detalhes, a negativa do pedido de perícia, por ser totalmente descabida, enquanto o primeiro Acórdão paradigma (fls. 539) fala em indeferimento “sem a devida motivação” e o segundo (fls. 540), além de versar sobre recusa de apreciação conjunta de processos, é absolutamente genérico, fixandose tãosomente no fato de o contribuinte ter formulado os quesitos e indicado o perito de sua confiança (como se isto, por si só, fosse suficiente). São situações fáticas distintas, que impedem qualquer cotejo analítico. À vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007282/2004-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA.
Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE DOCUMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face de depósitos de origem não comprovada se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei. O exercício da atividade rural não exclui a possibilidade de omissão de rendimentos de outras atividades ou negócios não declarados. Sendo, a presunção, relativa, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, fazer prova da origem dos depósitos.
Numero da decisão: 2301-006.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da matéria alheia à lide, e, na parte conhecida, rejeitar a alegação de decadência e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE DOCUMENTOS. ATIVIDADE RURAL. A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face de depósitos de origem não comprovada se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei. O exercício da atividade rural não exclui a possibilidade de omissão de rendimentos de outras atividades ou negócios não declarados. Sendo, a presunção, relativa, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, fazer prova da origem dos depósitos.
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Carf nº 38). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 82 /2 00 4- 99 Fl. 266DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.241 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007282/2004-99 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE DOCUMENTOS. ATIVIDADE RURAL. A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face de depósitos de origem não comprovada se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei. O exercício da atividade rural não exclui a possibilidade de omissão de rendimentos de outras atividades ou negócios não declarados. Sendo, a presunção, relativa, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, fazer prova da origem dos depósitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da matéria alheia à lide, e, na parte conhecida, rejeitar a alegação de decadência e NEGAR-LHE PROVIMENTO. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do ano-calendário de 1999, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Impugnado o lançamento (e-fls. 177 a 214), a impugnação foi considerada improcedente (e-fls. 221 a 232). Foi interposto recurso voluntário em que se alegou: a)a decadência; b)que os depósitos bancários, isoladamente, não podem ser caracterizados como rendimentos e não constituem fato gerador do Imposto de Renda, cabendo ao Fisco comprovar o consumo da renda; c)que a Autoridade Fiscal reconhece serem, os recursos, oriundos de atividade rural, descabendo, pois, a presunção de rendimentos por depósitos não comprovados; Fl. 267DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.241 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007282/2004-99 d)que, mantido o lançamento, deverá ser aplicada a modalidade de tributação de rendimentos da atividade rural, tributando-se somente 20% dos depósitos; e)que, alternativamente, deveria ser excluídos da base de cálculo os valores declarados. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não conheço, entretanto, da alegação de exclusão dos valores por ele incluídos na Declaração de Ajuste Anual da omissão porque, como bem observado pelo colegiado a quo, esses valores já foram excluídos pela Autoridade Lançadora e, portanto, não estão na lide. Preliminares e prejudiciais de mérito Decadência O período mais antigo a que se refere ao ano-calendário de 1999 e a ciência do interessado ocorreu em 16/12/2004 (e-fl. 174). Em se tratando de Imposto de Renda de Pessoa Física apurado na Declaração de Ajuste Anual, esta turma tem entendido 1 que se aplica a regra matriz da decadência tributária que está no art. 173 do CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. Dado que o fato gerador foi 31/12/1999, o lançamento somente poderia efetuado a partir de 01/01/2000; portanto, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 01/01/2001 e o prazo para a constituição do crédito tributário findou em 31/12/2005. Quanto à data de ocorrência do fato gerador, ao contrário do que afirmou o recorrente, não ocorreu em cada mês, mas no último dia do ano-calendário, como dispõe a Súmula Carf nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Rejeito, pois, a alegação de decadência. Mérito Dos fatos geradores do imposto de renda, da presunção de omissão de rendimentos e da prova do consumo da renda 1 Precedentes: acórdão nºs 2301-005.936, 2301-005.764 e 2301-005.375. Fl. 268DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.241 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007282/2004-99 Quanto à alegação de que os depósitos bancários não constituiriam fato gerador do Imposto de Renda, não assiste razão ao recorrente. A lei, especificamente o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 2 , considerou omissão de rendimentos os depósitos bancários de origem não comprovada. Trata-se de presunção legal relativa, que somente poderia ser afastada mediante prova em contrário do contribuinte, que, intimado, em nenhum momento apresentou comprovante da origem dos depósitos, apenas alegou que se tratariam de recursos obtidos em atividade rural. Além disso, para caracterizar a omissão de rendimentos, basta ao Fisco comprovar a existência de depósitos inexplicados na conta bancária do contribuinte, a Súmula Carf nº 26 3 é inconteste ao determinar que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto às alegações de que caberia ao Fisco comprovar o consumo da renda, invoco a Súmula Carf nº 26: Súmula Carf nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Da alegação de que os recursos provieram da atividade rural Quanto à alegação de que a recorrente é produtora rural e, portanto, todos os seus rendimentos eventualmente omitidos deveriam ser considerados como oriundos dessa atividade, não assiste razão ao recorrente. O § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece que, em se tratando de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Não há previsão legal para que os rendimentos considerados omitidos em face da não comprovação dos depósitos judiciais venham a ser tributados de forma diversa. Além disso, o exercício de atividade rural não exclui a possibilidade de obtenção de rendimentos de outra fonte. Destaque-se, também, que, nos termos do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente no caso de depósitos cujas origens foram comprovadas é que se aplicam as normas de tributação específicas; ou seja, para os depósitos não comprovados, aplica-se a regra de tributação geral, que se dá na declaração de ajuste anual. Conclusão 2 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 3 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 269DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.241 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007282/2004-99 Voto por conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da matéria alheia à lide, e, na parte conhecida, rejeitar a alegação de decadência e NEGAR-LHE PROVIMENTO. João Maurício Vital - Relator Fl. 270DF CARF MF
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