Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10768.005839/2005-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1803-001.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal - outros
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10768.005839/2005-39
conteudo_id_s : 5708272
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.031
nome_arquivo_s : Decisao_10768005839200539.pdf
nome_relator_s : Walter Adolfo Maresch
nome_arquivo_pdf_s : 10768005839200539_5708272.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 6704582
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946355470336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 64 1 63 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.005839/200539 Recurso nº 170.227 Voluntário Acórdão nº 180301.031 – 3ª Turma Especial Sessão de 04/10/2011 Matéria MULTA DCTF Recorrente RIO SUL LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa independentemente de prévia intimação da Administração Tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 73DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 65 2 Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório RIO SUL LINHAS AÉREAS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de Auto de Infração de fl. 14, por meio do qual foi exigido do interessado o crédito tributário de R$ 362.354,40, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao ano calendário de 2003. 2. O interessado, inconformado, impugnou a autuação, alegando em síntese que a multa imposta revestese de caráter confiscatório, ferindo o principio da capacidade contributiva e da proporcionalidade e razoabilidade.e, finalizando, diz que a denúncia espontânea afasta a responsabilidade por infrações. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 1217.949, de 22 de janeiro de 2008 (fls. 32/34), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO; OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DCTF. Multa por Atraso na Entrega da Declaração. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA POR ATRASO. DENUNCIA ESPONTÂNEA devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Ciente da decisão em 14/02/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 35v), apresentou o recurso voluntário em 07/03/2008 fls. 37/43, onde reitera integralmente os argumentos da inicial. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração de multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao 3º Trimestre de 2002, com vencimento em 14/02/2002 e entrega em 31/01/2003. Alega a recorrente em síntese: a) A insubsistência de multa pelo atraso na entrega de DCTF ante o instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do Código Tributário Nacional; b) O caráter confiscatório da multa aplicada considerando o princípio constitucional da não utilização de tributo com caráter de confisco aplicável também às penalidades. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme já restou assentado em diversos julgados desta turma e do CARF, o descumprimento de obrigação acessória formal relativa ao prazo de entrega de declarações, não está ao abrigo do instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do Código Tributário Nacional, estando o entendimento consolidado através de súmula, com a seguinte ementa: Súmula CARF nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Do mesmo modo, a análise de questões atinentes à constitucionalidade da lei tributária sobre o suposto efeito confiscatório da multa por atraso na entrega de declarações, encontram óbice em súmula do CARF, com seguinte ementa: Súmula CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O entendimento externado através de súmula do CARF é de observância obrigatória por parte deste colegiado julgador administrativo, conforme dispõe o art. 72 do Regimento Interno do CARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.005839/200539 Acórdão n.º 180301.031 S1TE03 Fl. 67 4 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 76DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906546/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.546
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10875.906546/2012-82
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5702070
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.546
nome_arquivo_s : Decisao_10875906546201282.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10875906546201282_5702070.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6691642
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946356518912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.906546/201282 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.546 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 46 /2 01 2- 82 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.791. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10875.906546/201282 Acórdão n.º 3302003.546 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720036/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011
EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO.
Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11829.720036/2012-38
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5679007
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.403
nome_arquivo_s : Decisao_11829720036201238.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11829720036201238_5679007.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6646716
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946368053248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720036/201238 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.403 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos que não logram demonstrar a alegada omissão na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos interpostos. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ao amparo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 36 /2 01 2- 38 Fl. 5254DF CARF MF 2 Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3401003.107, que possui a seguinte ementa e o seguinte dispositivo decisório: Processo n° 11829.720036/201238 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3401003.107 4a Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/02/2007 a 26/12/2011 REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. E de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. Independentemente do canal em que se efetivou o despacho aduaneiro, o resultado da revisão assim realizada não significa mudança de critério jurídico. Aplicase o artigo 146 do CTN apenas naquilo que a revisão divergir com relação ao anteriormente estabelecido por exigência formal da autoridade fiscal no despacho aduaneiro ou em revisão antecedente, e que tenha sido integrado definitivamente na declaração em análise. A revisão aduaneira não está limitada pelo disposto no artigo 149 do CTN. O artigo 54 do DL 37/1966 também autoriza a revisão dos lançamentos homologados. DESPACHO ADUANEIRO E CRITÉRIO JURÍDICO. Apenas a exigência feita pela autoridade fiscal durante o despacho e incorporada na Declaração prestada pelo contribuinte constitui critério jurídico para os fins da inteligência do artigo 146 do CTN, de modo a exigir o artigo 149 do CTN para condicionar a revisão aduaneira. O desembaraço feito sem exigência fiscal não formula critério jurídico limitador da revisão aduaneira nos termos do artigo 146 do CTN. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7° DA LEI N° 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". Em sintonia com aludida decisão a redação atual do dispositivo em comento estabelece, simplesmente, que a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINS Importação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) será "o valor aduaneiro"", redação a qual foi dada pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. MORA E PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. Apesar de não se tratar de uma mudança de critério jurídico, a posição firmada a partir da revisão aduaneira que nega a prática reiterada das autoridades do despacho, exercidas individualmente, configura a situação para a qual se deve invocar a aplicação da lei posta no parágrafo único do artigo 100 do CTN, a ser aplicada nos termos da competência estatuída pela lei do Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 3 3 processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235, de 1972) e estatuída na lei aduaneira (artigo 97 e 101 do DL 37/1966). PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. EXISTÊNCIA DE DEFINIÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO EM ATO DA ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA TRIBUTÁRIA. É de se afastar a penalidade quando a classificação fiscal determinada a partir de revisão aduaneira confrontar a adotada pelo importador que seria idêntica à classificação definida em ato da administração para o mesmo produto. Esta é a inteligência do Código Aduaneiro, onde se encontra lei (artigo 97 e 101 do Decretolei n. 37, de 1966) que prevê o afastamento das penalidades quando o importador tiver adotado em suas importações entendimento ou definição de classificação firmada pela administração aduaneira ou tributária, mesmo que o importador não seja o destinatário dessa manifestação da administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: (a) preliminar de nulidade por cerceamento de defesa negouse provimento, por unanimidade; (b) preliminar de decadência deuse provimento para excluir as Declarações de Importação DIs registradas anteriormente a 08/11/2007, por unanimidade, nos termos do voto, sendo que o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhou pelas conclusões; (c) inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS e COFINS deuse provimento, por unanimidade; (d) classificação fiscal negouse provimento, por unanimidade; (e) Revisão Aduaneira e a mudança de critério jurídico (aplicação do artigo 146 do CTN) deuse provimento parcial, por maioria, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, que dava provimento às declarações de importação parametrizadas para o canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento; (e) exclusão de penalidades e juros deuse provimento ao recurso, por unanimidade, nos termos do voto, e (f) suspensão do IPI no período posterior a março de 2009 negouse provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d' O1iveira,Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio, que convertiam em diligência para verificação do cumprimento dos requisitos. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco apresentará declaração de voto. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Trata o presente de Autos de Infração que constituíram e exigem Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISImportação, COFINSImportação, multa por lançamento de ofício (Lei n. 9.430/1996), multa regulamentar (administrativa aduaneira por erro de classificação MP 2.15835/2001) e juros de mora. A autoridade lançadora, em procedimento de revisão aduaneira, concluiu que houve recolhimento de tributos a menor que o devido, nas importações de "Painéis (display) de Cristal Líquido (LCD)" realizadas pela Recorrente nos anos de 2007 a 2011, em decorrência da utilização, pela Recorrente, na classificação dos produtos, da NCM 9013.80.10, quando, no entender da Fiscalização, deveria ter sido adotado a NCM 8517.70.99. Os Julgadores de 1º piso mantiveram integralmente a exigência fiscal. Fl. 5256DF CARF MF 4 Entretanto, os Julgadores de 2º piso divergiram dessas decisões. Primeiro reconheceram a decadência para excluir as Declarações de Importação DIs registradas anteriormente a 08/11/2007. Para as declarações de importação restantes, este colegiado entendeu correta a classificação posta pela autoridade fiscal e manteve a exigência dos tributos; entretanto, o Colegiado de 2º piso afastou as penalidades tributárias, as penalidades administrativas e os acréscimos legais. A Embargante, centrandose s.m.j. sobre penalidade administrativa aduaneira, afirma que o acórdão recorrido foi omisso quanto a ser a decadência matéria reservada a Lei Complementar, no caso a Lei n. 5.172/1966, especificamente o inciso I do seu artigo 173, uma vez que o voto condutor se fundamentou no artigo 139 do Decretolei n. 37/1966. A Embargante cita o Recurso Especial decidido pelo STJ sob a sagração do rito repetitivo (REsp 973.733/SC). Conclui que o acórdão descumpriu o § 2º do art. 62 e o artigo 72, ambos do Regimento Interno do CARF, e que, considerando o que dispõe o CTN, não se deu a decadência aludida pelo acórdão. O Exame de admissibilidade concluiu para submissão dos Embargos à sua apreciação em sessão regular de julgamento colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Os Embargos trazem a seguinte argumentação para apontar a suposta omissão no acórdão recorrido: O r. acórdão deu parcial provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de decadência da penalidade aduaneira. Diz a respeito a ementa do r. acórdão, verbis: PENALIDADES NA REVISÃO ADUANEIRA DE MUITAS IMPORTAÇÕES. AFASTAMENTO. EXISTÊNCIA DE DEFINIÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO EM ATO DA ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA TRIBUTÁRIA. É de se afastar a penalidade quando a classificação fiscal determinada a partir de revisão aduaneira confrontar a adotada pelo importador que seria idêntica à classificação definida em ato da administração para o mesmo produto. Esta é a inteligência do Código Aduaneiro, onde se encontra lei (artigo 97 e 101 do Decretolei n. 37, de 1966) que prevê o afastamento das penalidades quando o importador tiver adotado em suas importações entendimento ou definição de classificação firmada pela administração aduaneira ou tributária, mesmo que o importador não seja o destinatário dessa manifestação da administração." Fl. 5257DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 4 5 No que tange ao tributo, o colegiado entendeu aplicável as regras do Código Tributário Nacional. Portanto, considerando a ausência de pagamento, houve aplicação do dispositivo constante do art. 173, I, do CTN. No entanto, após discorrer acerca da decadência das multas aduaneiras e dos tributos lançados, o ilustre Relator, de forma bastante sucinta, considerou pertinente a utilização da regra relativa do art. 139 do Decreto lei 37/66 em relação à penalidade. Eis trecho do julgado: "Sobre a aplicação do artigo 139 do Decretolei n. 37, de 1966 Também creio que deve ser respeitado os limites postos pelo artigo 139 do DL 37/1066 para a constituição e exigência de penalidade. As regras de decadência dadas pelo CTN se referem a tributos, mas não às penalidades do direito aduaneiro. Por isso, proponho a este Colegiado que as multas administrativas referentes a infrações anteriores a 08 de novembro de 2007 considerando os cinco anos desde a ciência dos autos de infração devem ser desconstituídas por força desse dispositivo legal. Decretolei n. 37, de 1966: Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Conclusão sobre regras de prescrição e decadência Tendo em vistas as considerações postas aqui, neste tópico, proponho que sejam mantidas as exigências dos tributos das Declarações de Importação cujo registro tenha sido posterior a 08 de novembro de 2007 e as exigências das multas administrativas cuja infração tenha ocorrido após essa mesma data." O r. acórdão passou ao largo da seguinte questão: a decadência do crédito tributário é matéria reservada à Lei Complementar, o Código Tributário Nacional, atraindo a aplicação do disposto no CTN, art. 173, inciso I. Foi omisso, portanto, quanto a este ponto. Espancando qualquer dúvida sobre a questão, o e. STJ decidiu no recurso especial repetitivo, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS Fl. 5258DF CARF MF 6 PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)" Portanto, cabe concluir que a decadência tributária está sob a regência do CTN e não outra norma. Resta, pois, concluir que o r. acórdão descumpriu o RICARF, art. 62, § 2°, e art. 72. Ante ao exposto, cabe concluir que não decaiu o direito à imposição da multa. Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 5 7 De fato, no voto condutor, a argumentação que se apóia no artigo 139 do Decretolei n. 37/1966 deixou de prospectar no CTN e na jurisprudência eventuais regras e definições aplicáveis ao caso, concorrentemente àquele artigo. Para procurar esclarecer as razões postas pelo Conselheiro relator, peço licença para, de forma resumida, recuperálas. Primeiramente, o Acórdão questionado remeteu ao artigo 54 do Decretolei n. 37, de 1966, para designar o prazo máximo de cinco anos, contado da data do fato gerador, para que a Administração conclua o procedimento de revisão aduaneira. Os julgadores de 1º piso haviam afastado esse artigo 54 no entendimento de que a regra de decadência definida pelo CTN deveria prevalecer sobre o DL 37/1966 por ser aquele de posição hierárquica superior a este, aquele é Lei Complementar. O acórdão de 2º piso não acolheu esse entendimento, pois considerou: 1º) que a lei posta pelo artigo 54 do DL 37/1966 é mais específica do que as posta pelo CTN (que tratam de decadência) face ao procedimento administrativo de revisão aduaneira; 2º) aquela é posterior a esta; 3º) no encontro entre as duas fontes legais, primeiramente se deve verificar a regra do citado artigo 54, e em seguida a regra de decadência tributária; 4º) o CTN não suprime a validade e aplicação do artigo 54; 5º) na origem, a Lei n. 5.172, de 1966 e o DL 37/1966 devem ser vistas como possuindo a mesma dignidade no ordenamento jurídico, respeitando suas especificidades. As declarações de importação submetidas à revisão aduaneira foram registradas entre 05/02/2007 e 26/12/2011, e a contribuinte tomou ciência do relatório resultante dessa revisão aduaneira em 08 de novembro de 2012. A aplicação do prazo dado pelo artigo 54 do DL 37/1966 significa que a data de 08 de novembro de 2007 cinco anos antes seria o termo inicial para se concluir a revisão e dar ciência à contribuinte. Não seria necessário dar ciência deste resultado através de auto de infração, mas neste caso foi assim que essa ciência se deu. Na visão do relator, não se está discutindo decadência tributária, mas prazo para que um procedimento administrativo aduaneiro possa ser realizado e concluído. O Colegiado decidiu que esse prazo fundamentou a exclusão da parte do lançamento baseado nas declarações de importação anteriores a essa data limite. Além disso, em segundo lugar, quanto à decadência tributária, o acórdão recorrido também acolheu a tese de que, para o Imposto de Importação, deverseia aplicar a regra do inciso I do artigo 173 do CTN pois não houve recolhimento ou pagamento antecipado, mas que para os demais tributos, seria aplicável a regra do § 4º do artigo 150 do CTN, pela existência de recolhimento ou pagamento antecipado em cada um deles, nas importações validamente submetidas a revisão aduaneira. Em terceiro lugar, propriamente quanto às penalidades administrativas aduaneiras, o Conselheiro relator invocou o disposto no artigo 139 do Decretolei n. 37, de Fl. 5260DF CARF MF 8 1966, para ressaltar o prazo máximo de cinco anos, contado da ocorrência, para a autoridade fiscal lavrar as autuações e exigilas. Em quarto lugar, o Colegiado reconheceu que o caso se subsume às hipóteses dadas pelo parágrafo único do artigo 100 do CTN c/c com seu inciso III, e pelos artigos 97 e 101 do Decretolei n. 37/1966, o que implicou em afastar a exigência de penalidades e juros de mora. O Acórdão questionado apresentou essas quatro razões concorrentes para chegar a decisões tomadas naquela sessão. Os Embargos discutem que não teria havido decadência da multa administrativa, pois a matéria é reservada para Lei complementar e se deveria aplicar a regra da Lei n. 5.172/1966. E que o julgado do REsp 973.733/SC confirma essa visão. Respeitosamente, não consigo chegar a esta conclusão. A decisão recorrida foi clara ao expor que a coexistência da Lei n. 5.172, de 1966, com o Decretolei n. 37, de 1966, não se resume à argumentação de suposta superioridade hierárquica entre elas. Há que haver cuidadosa análise caso a caso para evitar simplificações que impliquem em descumprimento da inteligência da ordem jurídica. Preciso ressaltar que, no caso tratado neste processo, não estamos a apreciar situação em que se avente a existência de dolo, fraude ou simulação com propósito de prejudicar a Fazenda Nacional. A autoridade fiscal, em procedimento administrativo, decidiu que a classificação fiscal adequada seria diferente da adotada nas muitas importações desembaraçadas em anos passados, mas ela não imputou que teria havido dolo ou fraude. Também ressalto que a visão esposada pela decisão embargada é a de que há mais de uma regra de extinção do direito por decurso de prazo; e que esse tipo de regra não se restringe à tributária definida no CTN; e que a ocorrência desse tipo de extinção do direito se dá individualmente a cada direito em sua materialidade (por exemplo: para uma mesma declaração de importação, há a decadência do imposto de importação, que não inclui a decadência do IPI, que não inclui a extinção do direito de constituir e exigir multa administrativa). No caso, a regra do artigo 54 do DL 37, de 1966, foi considerada específica para os procedimentos aduaneiros de revisão. Este prazo de cinco anos tem natureza administrativa e é exclusiva para revisão aduaneira, enquanto as regras da decadência são gerais para o crédito tributário. Apenas por hipótese, pareceme possível que a autoridade fiscal tivesse dado ciência do resultado de revisão aduaneira dentro do prazo de cinco anos, mas que essa data limite não fosse coincidente com o prazo da decadência tributária. Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 11829.720036/201238 Acórdão n.º 3401003.403 S3C4T1 Fl. 6 9 De fato, o acórdão recorrido não pontuou que a exigência fiscal não havia acusado ter havido fraude, dolo ou simulação. Esse acórdão adotou a regra do § 4º do art. 150 do CTN para o IPI, para o PIS Importação e para o COFINS Importação, por ter havido pagamento antecipado. E adotou a regra do inciso I do artigo 173 do CTN para o Imposto de Importação. Mas, em adição, o voto condutor firmou que não haveria como exigir tributo por que o próprio procedimento de revisão aduaneira não poderia ser considerado válido para as DI registradas antes de 08/11/2007. A exigência dos tributos tem sua fonte nesse procedimento administrativo. Invalidado esse procedimento, faltaria materialidade para se fundamentar a exigência tributária. Essas considerações me parecem necessárias. Mas esse não é exatamente o foco dos Embargos. Voltemos para o que foi questionado: a multa administrativa. E preciso resublinhar que não estamos a tratar de situação em que haja acusação de fraude, dolo ou simulação. A penalidade administrativa (multa por erro na classificação) foi afastada pelos seguintes motivos: 1º) para as declarações de importação anteriores a 08/11/2007 por que elas foram excluídas por força do artigo 54 do DL 37/1966, tendo em vista se tratar de revisão aduaneira, pelas razões já posta naquele acórdão e neste voto; 2º) para as declarações de importação anteriores a 08/11/2007 por que elas foram excluídas por força do artigo 139 do DL 37/1966, tendo em vista se tratar de multa administrativa aduaneira, pelas razões já posta naquele acórdão (e não se tratar de situação com fraude, dolo ou simulação); 3º) para todas as declarações de importação, inclusive as posteriores a 08/11/2007, por força dos artigos 97 e 101 do DL 37/1966, tendo em vista a situação se referir a divergência a respeito de classificação fiscal, e no período aludido ter havido decisão administrativa com adoção de NCM diferente da proposta pela autoridade na revisão aduaneira. 4º) para todas as declarações de importação, inclusive as posteriores a 08/11/2007, por força do inciso III e parágrafo único do artigo 100 do CTN, tendo em vista se tratar de revisão aduaneira que afasta despachos aduaneiros que representam prática reiterada da autoridade fiscal. A regra do artigo 139 do DL 37/1966 informa que não se pode constituir e exigir penalidade depois do decurso do prazo de cinco anos a contar da data da infração. Em minha interpretação, essa regra tem como pressuposto que não houve fraude, dolo ou Fl. 5262DF CARF MF 10 simulação. Caso contrário, o dies a quo seria outro que não a data da infração, mais o primeiro dia do exercício seguinte. O Acórdão recorrido esposou a visão de que a regra do artigo 139 do DL 37/1966, com o prazo contando a partir da data da infração, é válida, não sendo necessário combinála com a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Essa decisão deve ser considerada correta, pois não havia imputação de dolo, fraude ou simulação. Por isso, não procede a alegação dos Embargos que de que deveria prevalecer a regra do CTN, inclusive por ser ela lei de hierarquia superior. Do mesmo modo, como vimos na apreciação e nas considerações feitas neste voto e no Acórdão recorrido, não procede a alegação dos Embargos que a decadência é matéria reservada ao CTN. Ademais, em meu entendimento, não houve a omissão citada nos Embargos, pois não seria o caso de trazer a regra do inciso I do artigo 173 do CTN, pois não houve dolo, fraude ou simulação. A regra de um prazo para a exigência da penalidade administrativa não pode se confundir com a regra de um prazo para a exigência tributária estrito senso, mesmo que elas se apóiem na mesma lei. Não estamos a analisar penalidade tributária, mas penalidade de natureza estritamente administrativa. Também não se aplicaria ao caso a decisão do REsp 973.733/SC, pois ela define a regra do inciso I do art. 173 do CTN aos casos em que tenha havido dolo, fraude ou simulação. Mas este não é o caso. Essa decisão também não pretende que a regra de prazo para penalidade de natureza tributária se imponha à regra de prazo para penalidade de natureza estritamente administrativa. Logo, não procede ainda a acusação dos Embargos de que o Acórdão recorrido desobedeceu o § 2º do art.62 e do art. 72 do Regulamento do CARF. E acrescento que, pelas razões aqui expostas, também não houve desatenção com relação à Súmula CARF n. 72, bem como à Súmula CARF n. 101. Proponho, então, a este Colegiado, conhecidos os Embargos, não lhe seja dado provimento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 5263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910502/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.910502/2012-91
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5701383
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.675
nome_arquivo_s : Decisao_10480910502201291.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10480910502201291_5701383.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6690342
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946386927616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.910502/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.675 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2005 a 30/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 02 /2 01 2- 91 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.551. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10480.910502/201291 Acórdão n.º 3302003.675 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722355/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS.
Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravam-se com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõe-se reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretando-se a improcedência do lançamento sob análise.
Numero da decisão: 2401-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para alterar o resultado do julgamento, que passa a ser "conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS. Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravam-se com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõe-se reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretando-se a improcedência do lançamento sob análise.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.722355/2011-42
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5714516
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.724
nome_arquivo_s : Decisao_19515722355201142.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515722355201142_5714516.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para alterar o resultado do julgamento, que passa a ser "conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6730644
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946398461952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722355/201142 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.724 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante SÃO PAULO TRANSPORTE S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS EXEQUÍVEIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA VIA TUTELA ANTECIPADA E CERTIDÕES POSITIVAS COM EFEITO DE NEGATIVA. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA DAS GLOSAS PROCEDIDAS. Uma vez demonstrado que os débitos lavrados em face da contribuinte encontravamse com a exigibilidade suspensa, seja diante da concessão de antecipação de tutela em processo judicial próprio, bem como por da emissão de certidões positivas com efeito de negativa relativas ao período das compensações realizadas, impõese reconhecer a regularidade do procedimento adotado pela empresa, rechaçando, assim, as glosas procedidas pela fiscalização, decretandose a improcedência do lançamento sob análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 55 /2 01 1- 42 Fl. 365DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para alterar o resultado do julgamento, que passa a ser "conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SÃO PAULO TRANSPORTE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado autuação por infração ao artigo 32 (Obrigação Acessória), inciso IV da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, de 10/12/97 e redação da Medida Provisória n.º 449, de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 14/08/2014, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401003.660, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIPS SEM A INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA.CABIMENTO. Em conformidade com o art. 32 da Lei 8.212/91, deve o contribuinte apresentar GFIP´s com informações de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Em deixando de fazê lo, é cabível a aplicação da multa objeto do presente Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado." Irresignada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, à efl. 328/331, com fulcro no artigo 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude da omissão a seguir exposta. Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender que não analisou a alegação da ocorrência de erro material cometido pela própria recorrente em sua impugnação, quando transcreveu a decisão antecipatória de tutela proferida nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648 e, por equívoco, não constou a NFLD 35.345.6217. Afirma que diante de tal equívoco, essa NFLD não fora considerada com a sua exigibilidade suspensa, situação que autorizaria a compensação glosada pelo Fisco. Ademais, aponta outra omissão, agora em razão do acórdão ter deixado de analisar a sua alegação no sentido de que possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. Vejamos trechos dos Embargos: “[...] No entanto, o acórdão deixou de se pronunciar quanto a dois aspectos fundamentais do Recurso Voluntário. O primeiro Fl. 367DF CARF MF 4 deles diz respeito à ocorrência de erro material da Recorrente na transcrição da decisão antecipatória da tutela quando da elaboração da impugnação, na qual, inadvertidamente, deixou de constar a NFLD 35.345.6217. (g.n.) Como se nota da transcrição correta da decisão, é inegável que, à época da compensação, a NFLD n° 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa por força de tutela antecipada nos autos do processo n° 2003.61.00.00356482, concedida em 09/02/2004 e confirmada por sentença proferida em 16/04/2009. Vejamos:(...) Tal fato foi suscitado às fls. 977/980 do recurso voluntário, mas a autoridade julgadora não tomou conhecimento das razões expendidas, suficientes para demonstrar cabalmente que a NFLD n° 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa por ocasião da compensação, não configurando, assim, violação ao art. 193, II, da IN SRP n° 3/2005. (...) O segundo aspecto não avaliado pelo acórdão recorrido diz respeito ao fato de que durante todo o período das compensações (01/2006 a 12/2007) a Recorrente fez jus à emissão de certidão positiva com efeitos de negativa, emitida nos termos do art. 206 do Código Tributário Nacional e art. 538 da IN/RFB n° 100/2003, documento que tem os mesmos efeitos da certidão negativa de débitos (fls. 974/977 do recurso voluntário). Certidão emitida em 14/11/2006, com validade até 13/05/2007 (fls. 916). Certidão emitida em 18/05/2007, com validade até 14/11/2007 (fls. 917). O acórdão baseouse na suposta condição de exigibilidade das NFLDs n° 03.593.9672 e 03.594.0174 sem considerar que durante o período em que realizadas as compensações a Recorrente estava em situação regular perante o Fisco Federal. Portanto, não se pode admitir a glosa com base em suposta violação ao art. 193, II, da IN SRP n° 3/2005. [...]” Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito das omissões suscitadas, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, esta entendeu por bem acolher o pleito da Contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear as omissões apontadas, nos termos do Despacho de efls. 360/364. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovadas as omissões apontadas pela contribuinte, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, constatase que, de fato, o Acórdão guerreado não enfrentou a questão relativa à data efetiva da suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, bem como a matéria pertinente à alegação de que o contribuinte possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. E mais, os pontos encimados são de suma importância para julgamento da lide, não constando do bojo do Acórdão guerreado referidas menções, restando corroborada, portanto, a tese da embargante no sentido da omissão incorrida no julgado. Nesse sentido, procedem os Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludidas omissões sejam devidamente saneadas. Uma vez acolhidos os Embargos de Declaração, impõese analisar, novamente, a improcedência da glosa de compensação argüida em sede de recurso voluntário e rejeitada pelo julgado recorrido, mormente com o fito de se verificar a existência ou não da suspensão da exigibilidade e a existência da certidão. Conforme verificamos no Recurso Voluntário, quanto a suspensão da exigibilidade, o contribuinte aduz: “[...] Resta apenas controvertida a data da efetiva suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, o que, para a autoridade recorrida, teria ocorrido somente a partir da prolação da sentença (16/04/2009) e não na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004), portanto, posteriormente ao período em que realizou as compensações, o que provaria a suposta situação irregular da Recorrente e a conseqüente infringência ao artigo 193, II da Instrução Normativa MPS/SRP n°. 3, de 14/07/05. A posição firmada pela autoridade julgadora está baseada em erro material. Confirase. O débito Debcad 35.345.6217 estava com a exigibilidade suspensa desde 09/02/2004, quando foi publicada a decisão que concedeu antecipação da tutela na ação anulatória, conforme se depreende da íntegra da decisão (Doc. 08), cuja cópia já foi juntada na Impugnação e que ora se anexa novamente às razões do presente recurso, assim como do que consta da correta Fl. 369DF CARF MF 6 transcrição, do seu dispositivo: (...)Como se vê, a NFLD no 35.345.6217 foi expressamente mencionada na decisão antecipatória da tutela, proferida em 09/02/2004. Acontece que a autoridade de primeira instância está se valendo de um erro da Recorrente, cometido quando da sua Impugnação ao Auto de infração que ao transcrever o dispositivo da decisão que concedeu antecipação de tutela, inadvertidamente, deixou de transcrevera NFLD 35.345.6217, que estava mencionada na decisão. [...]” (Recurso Voluntário) Por sua vez, o conteúdo do Acórdão embargado encaminhou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, tendo em vista que, a época do pedido de compensação, o contribuinte encontravase em débito com a previdência social, ou seja, os créditos previdenciárias sob análise não se encontravam com a exigibilidade suspensa. Entretanto, não houve qualquer manifestação referente ao erro material apontado no recurso voluntário, senão vejamos: “[...] Inicialmente, no que se refere aos débitos objeto das NFLD´s DEBCAD 35.211.3537 e DEBCAD 35.345.6268, o v. acórdão de primeira instância já reconheceu que os mesmos estavam com exigibilidade suspensa à época da compensação, diante da concessão de tutela antecipada nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648, de modo que tais DEBCAD´s não poderiam ser considerados como óbice à compensação efetuada. Sobre o assunto aponto que a recorrente defende que da mesma forma, diante da decisão proferida na ação deveria ser considerada suspensa a exigibilidade do DEBCAD n. 35.345.6217. Sem razão no entanto. Fato é que referido DEBCAD (35.345.6217) também era objeto de contestação na ação judicial supra mencionada, mas, no entanto, a suspensão de sua exigibilidade somente veio a ser reconhecida pela justiça quando proferida a sentença de mérito, na data de 28/07/2009, e não quando proferida a decisão que antecipou a tutela e suspendeu a exigibilidade dos DEBCAD´s 35.345.6268 e 35.211.3537. Dessa forma a suspensão da exigibilidade do DEBCAD 35.345.6217 somente se deu em período posterior à compensação efetuada e glosada nos autos do presente processo, de modo que, à época da compensação efetuada, este, de fato, encontravase ativo, o que por si só, já enseja óbice à compensação ora sob análise. [...]” Percebese, então, que o Acórdão embargado não enfrentou a questão relativa à data efetiva da suspensão da exigibilidade do Debcad 35.345.6217, o que, para o Fisco, teria ocorrido somente a partir da prolação da sentença (16/04/2009) e não na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004). Isso ocorreu, segundo o contribuinte, em razão de um erro material na transcrição da decisão da concessão de tutela antecipada proferida nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648. Diante dos fatos narrados, passamos a análise da documentação acostada aos autos, de onde se extrai que o contribuinte sempre defendeu que referidos créditos previdenciários estavam com a exigibilidade suspensa por força da tutela antecipada proferida no processo n° 2003.61.00.0035648. Porém, ao transcrever essa assertiva na impugnação, se equivocou quanto ao número do Debcad, ocorrendo em erro material. Destarte, conforme se depreende do despacho às fls...., a antecipação de tutela para suspensão da exigibilidade dos Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19515.722355/201142 Acórdão n.º 2401004.724 S2C4T1 Fl. 5 7 débitos lançados em face da contribuinte contemplou tanto o Debcad n° 35.211.3537, quanto as NFLD n° 35.345.6217 e 35.345.6268, vejamos: Como se observa, resta claro que a tutela antecipada abarcou o Debcad (NFLD) n° 35.345.6217. Assim, quanto a questão relativa à data efetiva da suspensão de sua exigibilidade, ficou claro que se deu na ocasião da concessão da antecipação da tutela (09/02/2004), saneando assim a primeira omissão sobre a não manifestação do erro material apontado no recurso voluntário. Não bastasse isso, o Acórdão embargado também não enfrentou a matéria concernente à alegação de que o contribuinte possuía, à época das compensações, certidões positivas com efeito de negativas válidas. Essa questão fora apontada no recurso voluntário da seguinte maneira: “[...] 2. Da situação regular dos débitos apontados no Auto de Infração como pendentes – Debcad’s 03.593.9672 e 03.594.0174 A constatação da precariedade desses débitos, prescritos há quase 50 anos e sem qualquer materialização processual, não poderia ser, como não foi, causa de impedimento para a expedição da CPDEN. Pelo mesmo motivo, não poderia ser causa de impedimento para a compensação dos pagamentos indevidos das contribuições previdenciárias declaradas inconstitucionais. (...)Nesse ponto, mostrase também inadmissível que as certidões positivas com efeito de negativa juntada aos autos, emitidas durante o período em que a recorrente procedeu as compensações, não sirvam como meio de prova hábil a demonstrar a situação regular da Recorrente. [...]” Consoante se infere dos documentos acostados ao processo, a contribuinte possuía, no período em que procedeu as compensações, as Certidões Positivas com Efeito de Negativa, às efls .... Dessa forma, não procede o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que a contribuinte estava em débito com a previdência quando das compensações, tendo em vista que aludidas certidões positivas com efeito de negativa comprovam que, apesar de constar débitos em face da empresa, estes estavam suspensos, razão, inclusive, da natureza das certidões emitidas. Não fosse assim, inexistiria motivo para se expedir certidão positiva com efeito de negativa. Em outras palavras, a própria conclusão de tal Fl. 371DF CARF MF 8 certidão (com efeito de negativa) se presta a demonstrar os seus efeitos quanto a existência de créditos tributários, mas não passíveis de execução (exeqüíveis) , ou melhor, suspensos. Partindo das premissas acima delineadas, tendo a fiscalizada comprovado a suspensão da exigibilidade dos Debcad n° 35.211.3537 e as NFLD n° 35.345.6217 e 35.345.6268, bem como a existência de Certidão Positiva com Efeitos Negativos para os períodos em que se procederam as compensações, impõese acolher sua pretensão de maneira a rechaçar as glosas procedidas pela fiscalização. Notase dos fundamentos exarados pelo Relator do Acórdão guerreado, que fora negado provimento ao recurso voluntário por não considerar como suspensa a exigibilidade da totalidade dos lançamentos retromencionados mediante a tutela antecipada e, bem assim, não analisando a existência de certidões positivas com efeito de negativas, questões que foram omitidas do bojo do voto condutor do decisum guerreado, as quais, uma vez analisadas, saneando as omissões, demonstram a insubsistência do lançamento. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS OPOSTOS PELA CONTRIBUINTE COM EFEITOS INFRINGENTES, para sanear as omissões apontadas, alterando o resultado do julgamento levado a efeito no Acórdão nº 2401 003.659, de maneira a CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900948/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10730.900948/2009-12
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700345
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.466
nome_arquivo_s : Decisao_10730900948200912.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10730900948200912_5700345.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6688604
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946429919232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.900948/200912 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.466 – 3ª Turma Sessão de 7 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 48 /2 00 9- 12 Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 3 2 Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403003.480, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em síntese, o colegiado a quo entendeu que o preço predeterminado constante de contrato não perde sua natureza pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária com base no IGPM. Insatisfeita com a decisão acima apontada a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, os seguintes argumentos: · Pela própria definição e composição do IGPM, fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”; · O reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei 9.069/95, cabendo ao sujeito passivo trazer laudo técnico que demonstrasse os custos que ela tem, os insumos utilizados, bem como memoriais de reajustes dos preços desses bens; · Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a consequência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.452, de Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 4 3 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10730.900910/200940, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.452), quanto à admissibilidade do recurso e quanto o mérito. Voto Vencido Deixase de transcrever a íntegra do voto vencido apresentado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, por ter sido apresentado no Acórdão 9303004.452 (processo paradigma). Transcrevese, tãosomente, a parte relativa à admissibilidade do recurso, que foi acatada pelo Colegiado por unanimidade, e, no mérito, fragmentos do voto vencido, que resumem o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram por negar provimento ao recurso da Fazenda: "O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 509 511 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época, eis que o confronto das decisões comprova a divergência. O acórdão recorrido decidiu que a correção dos valores de contratos pelo IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, do que resultou manter a contribuinte no regime cumulativo das contribuições. E os arestos indicados se direcionam em sentido contrário. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado, nos termos do inciso art. 27, § 1º, inciso II, da Lei 9.069/95, pois, conforme alega a Fazenda Nacional, caso não reflita a variação dos custos e insumos, o sujeito passivo deveria observar a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não restará mais caracterizado o preço predeterminado. (...) Ademais, cabe trazer ainda que o sujeito passivo apresentou Ofício 1431/2006 – SFF/Aneel – afirmando que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesse processo “visam exatamente refletir as variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 5 4 gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado." Quanto ao voto vencedor transcrevese sua íntegra, pois traz o entendimento que prevaleceu no Acórdão 9303004.452 (paradigma), e que deve ser adotado na solução deste litígio: Voto Vencedor "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301 002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplica se a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 6 5 Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 7 6 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 8 7 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matérias primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 9 8 custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 10 9 A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 11 10 O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 9303004.466 CSRFT3 Fl. 12 11 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720970/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE.
Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA.
Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios deve-se efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios deve-se efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11030.720970/2014-06
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5703321
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.656
nome_arquivo_s : Decisao_11030720970201406.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO DE LACERDA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 11030720970201406_5703321.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6693947
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946435162112
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-29T02:18:50Z; Last-Modified: 2017-03-29T02:18:50Z; dcterms:modified: 2017-03-29T02:18:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:23f04ac7-8c6b-46c2-bcc4-9f8a8a004fb3; Last-Save-Date: 2017-03-29T02:18:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-29T02:18:50Z; meta:save-date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-29T02:18:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-29T02:18:50Z; created: 2017-03-29T02:18:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-03-29T02:18:50Z; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-29T02:18:50Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 434 1 433 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.720970/201406 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.656 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS Recorrente MAURÍCIO DAL AGNOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios devese efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 09 70 /2 01 4- 06 Fl. 467DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 435 3 Relatório Do Auto de Infração: (efls. 3 a 17) A autoridade fiscal constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Brasil Telecom S/A (atual Oi S/A), decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Tratase de honorários advocatícios, recebidos durante os anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, por meio de interposta pessoa jurídica. O imposto apurado de R$12.031.250,00 foi exigido com a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Do Termo de Verificação Fiscal: (efls. 18 a 43) A autoridade fiscal justificou o lançamento da seguinte forma: O contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando como interposta pessoa a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda., com o objetivo de ocultar rendimentos do trabalho, sujeitos à incidência do imposto sobre a renda. Obteve informações do escritório Campos & Advogados Associados S/C, prestador de serviços e representante da Brasil Telecom, nos exatos termos descritos no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a seguir transcritos: "[...], Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e _ na intermediação: de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr. Maurício Dal Agnol e para empresas por ele indicadas;[...]" A autoridade fiscal registra sua conclusão no Termo de Verificação Fiscal às efls. 38 a 43, destacando que: "59. [...] é indubitável que o contribuinte, Sr. Maurício Dal Agnol, recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., R$43.750.000,00, correspondentes a honorários advocatícios contratuais previstos na cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre eles em 21/10/2009, os quais lhe foram pagos: 59.1. em 02 (duas) parcelas de R$8.750.000,00 nos meses de novembro e dezembro de 2009 (conforme parágrafo segundo da cláusula terceira deste documento e mediante TEDs feitos pela Brasil Telecom S.A./Oi S.A. para a "ANACA" e Fl. 469DF CARF MF 4 59.2. em 06 (seis) parcelas de R$4.375.000,00 nos meses de julho, agosto, setembro e outubro de 2010 e fevereiro e março de 2011 (conforme Primeiro Aditivo ao "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", de 04/07/2010, e por meio de cheques nominais à "ANACA" assinados por Campos & Advogados Associados S/C). [...] 63. As verificações fiscais efetuadas conduzem, com retidão e certeza, a estas constatações (parágrafos 59 e 62), com base nas quais se conclui que nos anoscalendário 2009 a 2011 o contribuinte, na condição de pessoa física no exercício autônomo da advocacia, omitiu, por intermédio da pessoa jurídica ANACA Análises de Cadastros Ltda., vultosos rendimentos tributáveis recebidos da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício." No caso da aplicação da multa qualificada de 150%, a fundamentação foi realizada nos seguintes termos, efls. 26 e 42, a saber: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos à incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal , expressa o nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física. [...] 84. Durante todo o período analisado o contribuinte, com a participação da Brasil Telecom S.A. / Oi S.A. (a qual aceitou efetuar, irregularmente, o pagamento dos honorários advocatícios devidos a ele para a pessoa jurídica "ANACA", em parte diretamente e em parte por meio do escritório de advocacia diligenciado Campos & Advogados Associados S/C), fez uso indevido da personalidade jurídica da ANACA Análises de Cadastros Ltda., visando a extrair relevantes rendimentos recebidos da Brasil Telecom S.A./Oi S.A., oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício, do âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física e a sonegar, pois, este tributo, alterando, para isto, elemento pessoal (sujeito passivo) da obrigação tributária. 85. Está claro que este ilícito direcionamento dos rendimentos obtidos pela pessoa física para a pessoa jurídica ocorreu com a flagrante e injurídica intenção de reduzir o tributo devido. 86. Houve, para tanto, emissão de nota fiscal inidônea em face de inexistente prestação de serviços de análises de cadastros. 87. Tal expediente configura conluio destinado ao alcance de sonegação e de fraude, na acepção legal acima transcrita: em coparticipação, o contribuinte objetivou impedir ou retardar o Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 436 5 conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais a que estava sujeito (como contribuinte), com práticas tendentes à modificação da característica material essencial dos fatos geradores da obrigação principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido. 88. Portanto, para o IRPF lançado de ofício aplicouse a multa de ofício no percentual de 150%." Da Impugnação: (efls. 326 a 345) Em preliminar, suscita ilegitimidade passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetuados pela mesma, na forma como estipulado em contrato. Cita jurisprudência do STJ representada pelo acórdão relativo ao REsp 309.913SC, de 02/05/2002. Quanto ao mérito, aduz que os valores líquidos recebidos não são honorários advocatícios e que foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Acrescenta ainda que: (grifos do Contribuinte) "O Fato do contrato ter sido celebrado em nome de pessoa física não desvirtua a natureza jurídica de prestação de serviços advocatícios pelos sócios da mesma, conforme demonstram cópias anexas de petições com participações dos sócios em atos processuais." Anexa petições judiciais às efls. 329 a 345. Ao final da peça impugnatória requer: a) que seja declarada a nulidade do auto de infração, constatada a ilegitimidade passiva; ou b) que seja reconhecida a nulidade do auto de infração lavrado contra a pessoa física do impugnante, uma vez que as receitas, contratualmente pactuadas, foram recebidas e devidamente contabilizadas pela pessoa jurídica. Do acórdão de impugnação: (efls. 350 a 355) A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre indeferiu a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão 1052.039, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA RETER NÃO AFASTA O DEVER DO CONTRIBUINTE DE OFERECER RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de Fl. 471DF CARF MF 6 renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. A emissão de notas fiscais por empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, não altera a identificação do advogado, contratado e prestador dos serviços, mesmo com utilização de terceiros, sendo ele o beneficiário desses rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." O excerto do voto condutor do acórdão de impugnação, transcrito na sequência, demonstra que ocorreu a interposição de pessoa jurídica para o recebimento de honorários advocatícios que seriam, na realidade, rendimentos da pessoa física do impugnante, afastando assim a alegação de ilegitimidade passiva, a saber: (efl. 354) "O contribuinte adquiriu a empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda – Anaca – para receber honorários advocatícios seus. Os contratos eram em nome do contribuinte. A empresa não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Assim, a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. A apresentação, agora na impugnação, de contratos (participação de sócios) não altera a caracterização dos rendimentos como sendo do contribuinte, pois a participação, utilização de outros profissionais ocorre também com os advogados que exercem pessoalmente (como pessoa física) a advocacia." A autoridade julgadora reproduziu trechos do Relatório Fiscal para justificar a autuação na pessoa física com a utilização de interposta pessoa, assim como para manter a aplicação de multa qualificada, a conferir: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu, da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos a incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal —,expressa o Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 437 7 nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física." O i. relator concluiu assim pela rejeição da preliminar e pela improcedência da impugnação, no que foi seguido, de forma unânime, pelo Colegiado. Do Recurso Voluntário: (efls. 361 a 372) Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário, alegando em síntese: (grifos do Contribuinte) O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação. [...] Segundo Resp. 309.913 SC, [...] O substituto tributário do imposto de renda de pessoa física responde pelo pagamento do tributo caso não tenha feito a retenção na fonte e o recolhimento devido". [...] Desta forma, anexase comprovante de notificações da pessoa jurídica da Brasil Telecom, devedora da obrigação tributária, e requerse a impugnação do presente auto de infração e julgada procedente para determinar: a) A nulidade TOTAL do auto de infração por ser o mesmo parte ilegítima passiva, e b) A nulidade TOTAL do auto de infração por todos os valores terem sido recebidos e contabilizados pela pessoa jurídica." É o relatório. Fl. 473DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário efls. 361 a 372. Assim, o recurso é tempestivo e dele conheço. 2. DO MÉRITO: O Recorrente alega ilegitimidade passiva, uma vez que os pagamentos foram realizados pela Brasil Telecom para a pessoa jurídica ANACA Análise de cadastros Ltda., conforme acordado em contrato onde foi estipulado que a Brasil Telecom seria a responsável pelo pagamento dos tributos devidos. Assim, considera que: (efl. 361) "O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação." Aponta a cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças'', de 21 /10/2009, que deixa claro a obrigação assumida pela Brasil Telecom quanto aos impostos, a saber: (efls.85 a 89) "TERCEIRA: a BRT pagará, ainda, em favor de MD, RS 50.000.000.00 (cinqüenta milhões de reais), livres de impostos, a título de honorários advocatícios. a serem levantados dos depósitos em garantia feitos nos processos listados em anexo (Anexo I). sem qualquer dedução ou compensação com as parcelas anteriores. Salvo o adiantamento do parágrafo segundo." Naturalmente o Recorrente se baseia, para justificar seu entendimento de que não lhe cabe responsabilidade sobre o imposto incidente sobre o pagamento, na expressão "livre de impostos" inserida na cláusula terceira acima transcrita. Ou, ainda ao que foi pactuado entre o Recorrente e a BRT no "Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", juntado às efls. 90 e 91, conforme a cláusula Segunda, reproduzida a seguir: Entretanto, a autoridade fiscal apurou, por meio de diligência, que os valores eram devidos ao Recorrente pela prestação de serviços de advocacia à Brasil Telecom S/A e que foram pagos a empresas por ele indicadas. Essa informação foi fornecida pela Campos & Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 438 9 Advogados Associados, efls. 48 e 50, conforme registrou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a saber: Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e na intermediação de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom SA, atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr Mauricio Dal Agnol e para empresas por ele indicadas; 7.2. estes pagamentos corresponderam aos valores devidos aos autores dos processos judiciais nos quais a Brasil Telecom SA, atual Oi S.A., ocupava o pólo passivo e aos honorários sucumbenciais devidos ao contribuinte, que era advogado destes autores; Do que foi exposto, constato que não procede a alegação do Recorrente quanto à sua ilegitimidade passiva, primeiro porque os acordos pactuados entre particulares, sobre questões de responsabilidade tributária, não submetem a Fazenda Nacional e, segundo porque está comprovado que os pagamentos foram realizados ao Recorrente por serviços de advocacia e depositados, sob sua autorização na empresa ANACA Análise de cadastros Ltda. A ANACA, segundo os registros cadastrais no CNPJ, é oriunda da empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda que, até o exercício de 2009, encontravase inativa e, com as alterações realizadas em seu quadro societário para a entrada dos novos sócios: Maurício Dal Agnol e Pablo Pacheco dos Santos. A fiscalização constatou que a ANACA não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Foi emitida a Nota fiscal de número 001, efl. 104, no valor de R$47.165.664,55 para a Brasil Telecom e os respectivos termos de quitação assinados pelo Recorrente. Ratifico a conclusão das autoridades autuante e julgadoras da instância de piso, que a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. Neste ponto, insiste a defesa em afirmar que nunca houve ocultação de recebimento de valores, pois todos foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Afirma, ainda que além da obrigação tributária por parte da fonte pagadora ter sido estabelecida em contrato, dita obrigação também decorre da própria legislação que a caracteriza como responsável por substituição tributária, mesmo não sendo contribuinte e responsável direto pelo fato gerador. Cita jurisprudência do STJ representada pelo julgado proveniente do REsp 309.913 de 02/05/2002. Não assiste razão ao Recorrente. Isto porque, como afirmado pelo i. relator do acórdão de impugnação, a responsabilidade do contribuinte de oferecer os rendimentos na declaração de ajuste anual não é afastada pelo fato de não haver retenção na fonte. Esse entendimento além de estar exposto Fl. 475DF CARF MF 10 no Parecer normativo da RFB, PN nº 1, de 2002, citado no acórdão de impugnação, recebeu tratamento de súmula neste CARF a súmula nº12 que prescreve: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Noutro giro, considero relevante ressaltar que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e alterações posteriores estabelece, entre outros pontos que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF", a conferir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 439 11 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Não é o caso do julgado citado pelo Recorrente. Ainda, em relação às normas regimentais, destaco que as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme disposto no seu art. 72, a saber: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721714/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10825.721714/2015-08
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5677633
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.636
nome_arquivo_s : Decisao_10825721714201508.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
nome_arquivo_pdf_s : 10825721714201508_5677633.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6644967
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946439356416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 109 1 108 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721714/201508 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.636 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2017 Matéria IRPF intempestividade Recorrente ODAIR PIZANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 17 14 /2 01 5- 08 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 110 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 14/18), relativa ao exercício 2013, anocalendário 2012, por omissão de rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de R$ 28.738,76; e do Município de Agudos, no valor de R$ 25.820,85. Previamente, a Solicitação de Retificação de Lançamento foi analisada e indeferida pela autoridade fiscal, conforme documentos de fls. 23/61. Na impugnação (fls. 02/03) o contribuinte, trouxe os documentos de fls. 04/10 e alegou, em síntese, que os rendimentos são provenientes de "pensão" por contribuição por tempo de serviço recebidos do INSS e de complementação, decorrente de lei municipal, recebida da Prefeitura Municipal de Agudos, onde trabalhou por 37 anos; e que são rendimentos não tributáveis, uma vez que é portador de cardiopatia grave desde 07/02/2012, conforme laudos emitidos pelo hospital estadual e médico perito do INSS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação (fls. 65/73), sob o fundamento de que, embora tenha sido comprovado que os rendimentos são oriundos de aposentadoria, houve uma imprecisão na data de início da doença, se em junho/2012 (indicada em laudo particular) ou se em 07/02/2012 (indicada no parecer técnico do médico perito do INSS), bem como faltou informação sobre a necessidade de controle da doença e prazo de validade do laudo no parecer do INSS. Foi interposto o recurso voluntário de fls. 89/98, acompanhado dos documentos de fls. 99/105 e assinado por procurador da inventariante (contribuinte falecido em 03/10/2015), no qual alega, em síntese: (i) a legitimidade da inventariante; (ii) que os rendimentos são de aposentadoria, conforme comprovantes anexos; (iii) e que houve incoerência na decisão da DRJ ao não aceitar o laudo particular, por não ser oficial, e depois o considerar válido para justificar a imprecisão nas datas de início da doença; (iv) que o parecer do INSS atesta a doença prevista na Lei isentiva; (v) que a doença é de extrema gravidade, tanto que o levou à óbito, e não é passível de controle; (vi) que peregrinou por diversos médicos da rede pública e não obteve êxito para conseguir um laudo com as informações necessárias, mas que o laudo do INSS atesta o direito à isenção pleiteada, e que a falta de alguns requisitos não pode indeferir um direito claro; (vii) que conforme jurisprudência do STJ, mesmo havendo divergências entre laudos deve ser concedido o direito ao cidadão. Pede, por fim, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 111 3 De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pelo interessado. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. (Grifouse) Nos termos do referido Decreto 70.235/1972, a contagem dos prazos é feita da seguinte forma: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em tela, o contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ, ora recorrido, mediante a Intimação SACAT/471/2015 (fls. 74/75), em 11/12/2015, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) dos Correios às fls. 76/77. Portanto, considerando a regra de contagem prevista no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, e que a ciência ocorreu em uma sextafeira, o interessado teria até o dia 12/01/2016 para apresentar o recurso. Contudo, o recurso voluntário foi interposto somente em 14/01/2016, (conforme protocolo às fls. 89), quando já esgotado o prazo legal de trinta dias, estabelecido no art. 33, acima transcrito. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 112 4 Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901950/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1402-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402-001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar - sem anulação do anterior - com apreciação do mérito do pedido, retomando-se o rito processual a partir daí.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.901950/2008-71
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5714018
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.434
nome_arquivo_s : Decisao_13603901950200871.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13603901950200871_5714018.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402-001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar - sem anulação do anterior - com apreciação do mérito do pedido, retomando-se o rito processual a partir daí. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6727870
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946442502144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 144 1 143 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.901950/200871 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402002.434 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2017 Matéria Restituição/Compensação Embargante CNH LATIN AMERICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar sem anulação do anterior com apreciação do mérito do pedido, retomandose o rito processual a partir daí. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 19 50 /2 00 8- 71 Fl. 196DF CARF MF 2 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 145 3 Relatório A interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402 001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Em despacho regimental foi reconhecida a procedência dos argumentos, eis que o entendimento exarado na decisão recorrida quanto à impossibilidade de restituição ou compensação de valores recolhidos a maior a título de estimativa pela ausência de previsão legal contraria o Enunciado da Súmula CARF nº 84. É o relatório Fl. 198DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme exposto no relatório, a interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Está correta a interessada, conforme despacho de admissibilidade. O referido despacho atesta a aplicabilidade da Súmula ao presente caso, nos seguintes termos: [...] Cabe apenas verificar se a decisão foi prolatada antes ou depois da Súmula ser editada. Isso porque, para efeito de embargos de declaração, entendo que a Súmula não poderia ser oponível a decisões prolatadas anteriormente a ela. No caso, a Súmula fui publicada no DO na edição de 14/12/2012 e o acórdão recorrido foi prolatado em 09/04/2013. Portanto, quando do julgamento do processo a Súmula já estava vigente e deveria ter sido aplicada. [...] Do exposto, voto pelo encaminhamento dos autos à Unidade Local a fim de que seja prolatado Despacho Decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido inclusive, se for o caso, intimação à interessada para que apresente os elementos de prova do direito ao credito pleiteado e desde que esse valor não tenha sido utilizado na apuração do resultado do período. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 146 5 Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000124/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF.
Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12898.000124/2008-82
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5702133
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.626
nome_arquivo_s : Decisao_12898000124200882.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 12898000124200882_5702133.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6691705
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946452987904
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-22T19:23:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-22T19:23:02Z; Last-Modified: 2017-03-22T19:23:02Z; dcterms:modified: 2017-03-22T19:23:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b3701e78-7508-45c7-b1c2-f6783101338a; Last-Save-Date: 2017-03-22T19:23:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-22T19:23:02Z; meta:save-date: 2017-03-22T19:23:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-22T19:23:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-22T19:23:02Z; created: 2017-03-22T19:23:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-03-22T19:23:02Z; pdf:charsPerPage: 1027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-22T19:23:02Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000124/200882 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.626 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ERIC DAVY BELLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 24 /2 00 8- 82 Fl. 379DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, no valor total de R$256.099,07 (duzentos e cinquenta e seis mil, noventa e nove reais e sete centavos), sendo: Imposto R$124.319,94 Juros de Mora (calculados até 28/11/2008) R$38.539,18 Multa Proporcional (passível de redução) R$93.239,95 A descrição dos fatos encontrase detalhada no Relatório Fiscal e o enquadramento legal, no Auto de Infração, versando sobre as seguintes infrações: "001 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no mês de julho de 2005, no valor de R$472.378,70, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens" No que se refere a atualização monetária e as penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Cientificado do Auto de Infração em 23/12/2008, o Contribuinte apresentou, em 15/01/2009, a impugnação de fls. 205/206, instruída somente com procuração e com o auto de infração e seus anexos, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Explica que o acréscimo patrimonial é proveniente do efetivo recebimento de lucros distribuídos pela empresa Gasoil Serviços Ltda, na qualidade de um de seus sócios. Reclama que a Autoridade Fiscal limitouse a expedir intimações para a referida empresa pelo correio e, não obtendo respostas, procedeu a autuação sem qualquer respaldo legal. Aduz que, no caso, a empresa Gasoil deveria necessariamente ter sido fiscalizada. Defende que os lucros recebidos nos meses de maio e junho, nos valores de R$570.000,00 e R$71.000,00, respectivamente, são mais que suficientes para justificar o acréscimo patrimonial no valor de R$472.378,70, apurado no mês de julho. Conclui sua impugnação requerendo que seja aberta fiscalização na firma Gasoil Serviços Ltda e verificada contabilmente "a efetiva inexistência da Distribuição de Lucros" e "incomprovada", seja relevada a autuação por insubsistente. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 381DF CARF MF 4 Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os acréscimos patrimoniais não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, bem como pelos tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, cobrandose o imposto com o acréscimo da multa de oficio e juros de mora, calculados sobre a omissão apurada. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A alegação de recebimento de valores a titulo de distribuição de lucros não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 31/10/2012, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 251 e segs., em 31/10/2012, o recurso voluntário repisando os argumentos trazidos a baila em sede de sua impugnação, já acima mencionados. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 31/10/2012, interpôs recurso voluntário no mesmo dia 31/10/2012. Ressaltase que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse de agir e a legitimidade para tanto. O Recorrente alega que demonstrou cabalmente que o acréscimo patrimonial ora em análise fora resultado de distribuição de lucros perpetrada pela pessoa jurídica que contada co sua participação societária, a GASOIL Serviços Ltda, e participação essa correspondente a 66,67% de suas quotas, conforme declaração em sua DIRPF ano base 2005. Ocorre, contudo, que essa matéria não poderá ser conhecida por esta Corte Administrativa (CARF), uma vez que o Recorrente abdicou, tacitamente, de debatêla na esfera administrativa ao ingressar com ação judicial perante à Justiça Federal do Rio de Janeiro, processo nº 004716032.2012.4.02.5101 (2012.51.01.0471601). Observase que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo o atributo da coisa julgada formal e material. E, como a coisa julgada material opera efeitos dentro e fora do processo em que é produzida, isso tornará o conteúdo da decisão judicial imutável, estendendo os seus efeitos para este processo administrativo. Nesse sentido, esta Corte Administrativa (pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial., processo nº 2012.51.01.0471601, a natureza dos rendimentos recebidos em 2005 da empresa GASOIL Serviços Ltda, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte. Cumpre registrar que o pedido formulado na ação judicial pela Recorrente foi julgado procedente em 1ª Instância, em sede de tutela antecipada, conforme respectiva sentença acostada aos autos (fls. 377 a 379) e mandado de tutela antecipada (fls. 385 a 387). Fl. 383DF CARF MF 6 Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial, processo nº 2012.51.01.0471601, sobre as mesmas questões postuladas na peça recursal administrativa, tornase inviável o seu conhecimento por esta Corte, por falta de interesse de agir. Voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
