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Numero do processo: 11065.720471/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
FRAUDE E SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA.
Configura-se simulação e fraude quando os elementos probatórios indicam que duas ou mais sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades-fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples Nacional).
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS PELA EMPRESA PRINCIPAL.
Tendo a fiscalização atribuído a condição de Sujeito Passivo da relação jurídica tributária à empresa que originalmente era a encomendante dos produtos fabricados pelas pessoas jurídicas consideradas interpostas pessoas, as contribuições patronais previdenciárias, mesmo que recolhidas na sistemática do SIMPLES por estas últimas, devem ser aproveitadas quando do lançamento tributário. Inteligência da Súmula CARF 76.
PLR. EXIGÊNCIAS LEGAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2010. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados com comissão de empregados sem a comprovação da participação efetiva do sindicado da categoria.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% quando ficar constatada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se para esse fim de interpostas pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 2201-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário apresentado e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para determinar a compensação dos valores relativos à contribuição previdenciária pagos na sistemática do Simples Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 FRAUDE E SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configurase simulação e fraude quando os elementos probatórios indicam que duas ou mais sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividadesfins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples Nacional). SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS PELA EMPRESA PRINCIPAL. Tendo a fiscalização atribuído a condição de Sujeito Passivo da relação jurídica tributária à empresa que originalmente era a encomendante dos produtos fabricados pelas pessoas jurídicas consideradas interpostas pessoas, as contribuições patronais previdenciárias, mesmo que recolhidas na sistemática do SIMPLES por estas últimas, devem ser aproveitadas quando do lançamento tributário. Inteligência da Súmula CARF 76. PLR. EXIGÊNCIAS LEGAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2010. Não atendem as exigências dessa lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 04 71 /2 01 3- 22 Fl. 894DF CARF MF 2 acordos firmados com comissão de empregados sem a comprovação da participação efetiva do sindicado da categoria. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% quando ficar constatada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose para esse fim de interpostas pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário apresentado e, no mérito, darlhe provimento parcial para determinar a compensação dos valores relativos à contribuição previdenciária pagos na sistemática do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 1444.626 da 17ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo em face dos autos de infração que foram assim resumidos pela decisão recorrida: COMPROT DEBCAD OBJETO 11065.720471/201322 51.031.9238 Período de apuração: 01/2009 a 12/2010. Contribuições: a) do empregador sobre a remuneração de empregados; b) do empregador para financiamento do seguro de acidente do trabalho; c) da fonte pagadora sobre honorários de contribuintes individuais. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 895 3 51.031.9246 Período de apuração: 01/2009 a 12/2010. Contribuições para terceiros (outras entidades): salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. 51.031.9289 Período de apuração: 02/2009 a 12/2010. Contribuições do empregador sobre a remuneração de seus empregados a título de participação nos lucros e resultados. 51.031.9297 Período de apuração: 02/2009 a 12/2010. Contribuições para terceiros/outras entidades (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre a remuneração de empregados na forma de participação nos lucros e resultados. Adotase aqui o relatório dos fatos apresentado pela decisão de piso: Com base no Relatório Fiscal (fls. 61/80) e demais documentos que o acompanham (fls. 81/742) constatase a existência de duas outras “empresas” (Calçados HJSB Ltda1, CNPJ 06.992.384/000152 e Calçados HVE Ltda2, CNPJ 07.811.773/000105) que, no período fiscalizado, figuraram como prestadora de serviços de Calçados Miucha Ltda3; e, embora estivessem “constituídas regularmente”, “não eram, de fato, sociedades independentes”; teriam sido “utilizadas como interpostas pessoas para contratação de empregados da Calçados Miucha Ltda”. São os seguintes, em resumo, os fatos e as razões apresentadas pela Fiscalização, como fundamentos para a desconsideração da personalidade jurídica das “empresas” HJSB e HVE: 1. As três “empresas” atuam no mesmo segmento econômico (fabricação de calçados e artefatos de couro). 2. A existência de “forte vínculo familiar” entre os sócios das “empresas”. 3. “‘As prestadoras’ operavam em instalações da fiscalizada”. 4. Ambas as “empresas” “prestadoras de serviços” foram incorporadas pelo Contribuinte. 5. As “empresas” HJSB e HVE funcionavam em imóveis locados do próprio Contribuinte. 6. Formalização de contrato de locação depois da constituição das “empresas”. Além do mais, Não obstante ambos os contratos de locação (com a HJSB e HVE) terem cláusula de reajuste na menor periodicidade possível, não consta reajuste durante todo o período analisado pela Fiscalização (entre 2009 e 2010), ressalvandose que, naquele período a variação do índice de reajuste teria acumulado o 24%. 7. Ainda quanto à formalização dos contratos de locação, os locatários (HJSB e HVE) foram representados por Fabiane Ramisch, que era justamente empregada 1 Doravante desinada apenas "HJSB". 2 Doravante designada "HVE". 3 Doravante designada apenas "Contribuinte". Fl. 896DF CARF MF 4 administrativa do Contribuinte. A representação não se deu, como seria de se esperar, pelos próprios representantes legais das respectivas “empresas”, de cuja circunstância a Fiscalização extrai a conclusão de que os poderes de administração que formalmente eram deferidos aos sócios das respectivas “prestadoras de serviços”, eram, na realidade, exercidos pelos administradores do próprio Contribuinte. 8. A Fiscalização, ainda quanto às práticas decorrentes das locações, destaca que, não obstante constituir expressa obrigação dos locatários os pagamentos das contas de consumo de águia e de energia elétrica, era o Contribuinte quem arcava com tais despesas. 9. Com base nestes fatos, a Fiscalização conclui: Não resta dúvida, as empresas HJSB e HVE não passavam de empresas de fachada, funcionavam como meros departamentos/filiais da Calçados Miucha Ltda. A autonomia dessas empresas não passava de mera simulação, pois a fiscalizada era responsável por todas as referidas despesas. 10. A Fiscalização apresenta levantamentos (consolidados em planilhas integrantes do Relatório Fiscal) demonstrando que empregados das “prestadoras de serviços” passaram diretamente daquelas para o Contribuinte. 11. As “empresas” HJSB e HVE, não obstante manterem quadro significativo de empregados (respectivamente 80 e 120), não possuíam empregados em atividades administrativas, pois seus quadros eram inteiramente compostos por pessoal com atribuições compatíveis apenas com a atividade fim. 12. As “prestadoras de serviços” utilizavamse da estrutura administrativa e equipamentos do Contribuinte para transmitir suas GFIP (o contabilista do Contribuinte, Ernani Dirceo Koch), bem como não contabilizaram quaisquer despesas com outras pessoas jurídicas. 13. A empregada do Contribuinte, Fabiane Ramisch figurou também como representante legal da HJSB e da HVE nos contratos de locação firmados entre aquelas “empresas” e o Contribuinte, assim como figurou como representante legal nos Livros Diários, em relação ao que a Fiscalização ressalva: ... Ora, o fato de uma funcionária da administração da fiscalizada, sem qualquer vínculo empregatício com a Calçados HVE Ltda, a representar na celebração de um contrato com a empregadora, além de assinar demonstrações contábeis, demonstra que havia ingerência administrativa da fiscalizada sobre a HVE. 14. A Fiscalização inclui no Relatório Fiscal quadro elaborado a partir da Demonstração de Resultado do Exercício, com os seguintes resultados (fls. 68/369)s: HJSB – “Em 2009, 97% do custo de produtos vendidos teve origem em despesas de pessoal ... Em 2010 os números são ainda mais surpreendentes. Somente o Custo M O Total excedia em 2% a Receita Bruta de Vendas”. HVE – “No ano de 2009, 98% do Custo dos Produtos Vendidos era relativo a despesas com pessoal. Em 2010 a situação chegou ao extremo, as despesas com pessoal representaram 114% de toda a receita bruta da empresa, uma situação completamente insustentável ...”. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 896 5 15. As “prestadoras de serviços” tinham o Contribuinte como único cliente, além do mais, não havia nem mesmo contrato formal que estabelecesse as regras de prestação de serviços (fornecimento de mãodeobra) pelas “empresas” e dos respectivos pagamentos pelo Contribuinte, “... mesmo tendo movimentado mais de 4 milhões no período ...”, o que ocorria de forma “sincronizada”, conforme descreve a Fiscalização. 16. A Fiscalização levantou reclamatórias trabalhistas, das quais extraiu relatos de reclamantes, com descrições das práticas entre o Contribuinte e suas “prestadoras de serviços”, demonstrando que os trabalhos eram executados em comum, no mesmo local e sob a mesma supervisão. 17. A Fiscalização também destaca a existência de uma associação – Associação dos Funcionários Miucha – que era acessível por todos os empregados, inclusive àqueles ligados à HJSB e HVE, para demonstrar que, na realidade, não havia distinção entre eles, quanto ao empregador. 18. A Fiscalização também identificou pagamentos a empregados das três “empresas” – o Contribuinte, a HJSB e HVE – de valores a título de participação nos lucros e resultados. Entretanto, não obstante formal intimação, consta que o Contribuinte não apresentou os documentos que demonstrariam estarem presentes os requisitos legais (Leis 8.212/1991 e 10.101/2000), que afastariam a incidência de contribuições previdenciárias sobre os respectivos valores. 19. Quanto às multas aplicadas, a Fiscalização informa que as multas foram aplicadas, no caso das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos, com agravamento, segundo os critérios estabelecidos pela Lei 9.430 (artigo 44, parágrafo primeiro) e Lei 4.502/1964 (artigos 68 e 71). Entretanto, quanto às contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, esclarece que não houve a incidência do agravamento. 20. Esclarece, finalmente, que foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais a ser oportunamente encaminhada ao Ministério Público Federal, para as devidas providências legais. A ementa do Acórdão recorrido está assim redigida: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 JJuuíízzoo ddee ccoonnssttiittuucciioonnaalliiddaaddee.. DDeessccoonnssiiddeerraaççããoo ddaa ppeerrssoonnaalliiddaaddee jjuurrííddiiccaa.. MMuullttaa aaggrraavvaaddaa.. PPaarrttiicciippaaççããoo nnooss lluuccrrooss ee rreessuullttaaddooss.. SSiimmpplleess NNaacciioonnaall rreeccoollhhiimmeennttooss aattrraavvééss ddoo DDAASS iimmppoossssiibbiilliiddaaddee ddee ccoommppeennssaaççããoo.. PPrroodduuççããoo ddee pprroovvaass nnoo pprroocceessssoo aaddmmiinniissttrraattiivvoo rreeqquuiissiittooss lleeggaaiiss.. PPrroovvaa ppeerriicciiaall.. JJuuíízzoo ddee ccoonnssttiittuucciioonnaalliiddaaddee.. É vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação da lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. DDeessccoonnssiiddeerraaççããoo ddaa ppeerrssoonnaalliiddaaddee jjuurrííddiiccaa.. No processo de constituição do crédito tributário e determinação do sujeito passivo da obrigação tributária, cabe à autoridade Fl. 898DF CARF MF 6 administrativa tributante apurar e demonstrar, com fundamento inclusive no princípio da verdade material, o sujeito passivo da obrigação tributária a ser constituída. MMuullttaa aaggrraavvaaddaa.. Os acréscimos legais, inclusive a multa aplicada, com respectivo agravamento, têm arrimo na legislação indicada no anexo FLD. A Fiscalização, em relação às contribuições previdenciárias decorrentes da desconsideração da personalidade jurídica, aplicou a multa agravada, com base nos fundamentos legais que especificou, vinculandoos devidamente aos fatos e razões que deram ensejo ao agravamento. PPaarrttiicciippaaççããoo nnooss lluuccrrooss ee rreessuullttaaddooss.. Somente podem ser considerados como efetivos pagamentos a título de participação nos lucros e resultados aqueles realizados de acordo com as disposições legais específicas: inciso I do artigo 28 e letra “j” do parágrafo nono do mesmo artigo 28 da Lei n° 8.212/1991 e Lei n° 10.101/2000. SSiimmpplleess NNaacciioonnaall rreeccoollhhiimmeennttooss aattrraavvééss ddoo DDAASS iimmppoossssiibbiilliiddaaddee ddee ccoommppeennssaaççããoo.. Não podem ser, em princípio, compensados os valores recolhidos pelas empresas optantes do Simples Nacional através de DAS, nos termos da Instrução Normativa RFB 1.300/2012 e das Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional. PPrroodduuççããoo ddee pprroovvaass nnoo pprroocceessssoo aaddmmiinniissttrraattiivvoo rreeqquuiissiittooss lleeggaaiiss.. PPrroovvaa ppeerriicciiaall.. A produção de provas, no âmbito do processo administrativo fiscal, submetese às regras dos artigos 16 e seguintes do Decreto n° 70.235/1972. A prova pericial deve ser indeferida, quando não atendidos os requisitos legais e especialmente quando não são demonstradas as razões que as justifique. A empresa interessada tomou ciência do conteúdo dessa decisão em 21/10/2013 (fls 855) e apresentou seu recurso voluntário em 07/11/2013 (fls 857), tempestivamente, portanto, alegando, em síntese, que: A decisão recorrida é nula por não ter enfrentado pontos levantados pela defesa, o que violaria o contraditório e a ampla defesa; Se for mantido o lançamento, devem ser expurgadas parcelas julgadas indenizatórias pelo STJ, como as férias, salário maternidade, aviso prévio, auxílio doença, etc., Há erro na identificação do sujeito passivo, já que a recorrente não teve oportunidade de se defender em relação às terceiras empresas; Não há base legal para a desconsideração da personalidade jurídica e o Código Civil não pode suprir essa lacuna; Fl. 899DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 897 7 A industrialização por encomenda é um procedimento legal que não se configura como planejamento tributário; O caso em questão não se enquadra no conceito de abuso de forma, pois não houve cisão da empresa e os preços praticados foram regulares; Não há vedação a que pessoas da mesma família possuam empresas diferentes; O quadro societário e o endereço das empresas sempre foi distinto; A DRJ inovou ao mencionar a existência de caixa único e não há prova de sua existência; Não há qualquer irregularidade no fato das empresas terceirizadas locarem os prédios da recorrente; As terceirizadas efetivamente arcavam com os custos de água e luz, já que estes eram embutidos no preço cobrado da recorrente; A inexistência de previsão de reajuste não invalida o contrato de aluguel; A inexistência de estrutura administrativa e o fato de um mesmo computador ter enviado a GFIP de todas as empresas, um fato isolado, não é suporte para lançamento; Quando a DRJ menciona a desconsideração da personalidade jurídica está mudando o fundamento, já que o lançamento foi claro ao dispor que não estavam sendo desconsideradas as personalidades jurídicas; Se não há desconsideração da personalidade jurídica das terceiras empresas é necessário demonstrar o vínculo empregatício; Não restou evidenciado no relatório fiscal e na NFLD a existência dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício exigidos pela CLT, como a subordinação, a pessoalidade, a nãoeventualidade e a onerosidade; As reclamatórias trabalhistas não servem de suporte à tese levantada pela fiscalização e não foi juntada uma única decisão judicial que comprovasse o alegado pelos reclamantes e pela própria RFB; A fiscalização glosou os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados sob a alegação de que não haveria o aval do sindicato, contudo a recorrente teria apresentado o documento correto com esse aval; Se houve desconsideração das personalidades jurídicas das empresas deve ser autorizada a compensação dos valores que teriam sido pagos por estas, sob pena de locupletamento indevido da União; A decisão decorrida não analisou os argumentos da recorrente acerca da multa agravada; Fl. 900DF CARF MF 8 No presente caso não existiu qualquer uma das figuras passíveis de configurarem sonegação; Reitera o pedido de realização de perícia. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidade Alega a apelante que a decisão recorrida é nula por não ter enfrentado todos os pontos de defesa levantados. Não lhe assiste razão, entretanto. Em primeiro lugar, porque o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 898 9 Nesse caso, o julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Ademais, não se vislumbra a omissão apontada, eis que a decisão fundamentou suficientemente sua negativa em acatar os argumentos de defesa manejado pela empresa impugnante. Nesse sentido, a impossibilidade de se declarar a inconstitucionalidade de uma norma em vigor em sede administrativa consiste em argumento válido. Mérito No caso em questão, a fiscalização entendeu que a empresa recorrente Calçados Miucha Ltda. se utilizou de interpostas pessoas, Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda., para a contratação de trabalhadores para a sua atividade fim. O lançamento foi realizado com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP declaradas por essas empresas (Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda.) no período de janeiro de 2009 e dezembro de 2010, incluindo o décimoterceiro (fls 78). O primeiro argumento de mérito apresentado pela recorrente é o de que, sendo mantido o lançamento, dele devem ser expurgadas parcelas que o STJ já teria julgado como de natureza indenizatória e cita como exemplo as férias, salário maternidade, aviso prévio, auxílio doença, etc. Neste caso, há uma dificuldade insuperável na análise dessa linha de argumentação tal como ela foi adotada pela recorrente. Com efeito, pela dialética das provas, caberia à fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e da base de cálculo dos tributos, e ela o fez utilizando declarações apresentadas pelas próprias empresas. Caberia, então, ao sujeito passivo demonstrar situações que fossem modificativas, extintivas ou impeditivas do exercício do direito invocado pelo fisco, e quanto às supostas verbas de natureza indenizatória, ela não o fez. Alegar genericamente que essas verbas existem e compõem a base de cálculo sobre a qual se realiza a exigência fiscal não lhe socorre nesta fase recursal, cabialhe demonstrar esse fato, inclusive quantificandoo. Por isso, há de se concordar com a decisão de piso quando afirma: 3. Além do mais, são genéricas as considerações feitas na Impugnação acerca das rubricas cujas incidências de contribuições previdenciárias pretende arguir. Neste contexto, poderseia levar em consideração apenas e tão somente situações específicas, como o auxíliodoença pago pela Previdência Social ou auxíliotransporte, pago de acordo com a legislação própria. Entretanto, mesmo assim, nestes casos o Contribuinte deveria especificar e demonstrar não apenas em que exatas circunstâncias deramse os respectivos pagamentos, bem como indicar, por competência, por estabelecimento e por segurado, quais seriam exatamente os valores impugnados, além de demonstrar o cumprimento das demais formalidades legais pertinentes a cada uma das respectivas rubricas impugnadas. Fl. 902DF CARF MF 10 4. Assim, da forma como a Impugnação aborda a questão – genérica, sem vinculação de pessoas e valores – não é possível definir qual é a controvérsia a ser dirimida (ressalvada evidentemente a competência desta instância administrativa acerca de juízo de constitucionalidade). 5. Nestas circunstâncias, as argüições relativas à legalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre as rubricas mencionadas pela Impugnação deixam, pois, de ser consideradas. Alega também o recorrente que haveria erro na identificação do sujeito passivo e que não haveria base legal para a desconsideração da personalidade jurídica, não servindo o Código Civil para essa finalidade. No caso em análise, a fiscalização trouxe um conjunto robusto de informações demonstrando que as empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda., ambas optantes pelo Simples Nacional, não tinham qualquer autonomia operacional servindo apenas como empresas de fachada. Embora existissem formalmente, não existiam de fato. A utilização desse tipo de expediente não é novidade para a jurisprudência desse Conselho, conforme se pode observar no seguinte trecho do Acórdão nº 2403002.856: A partir da análise dos 16 itens colacionados acima, é de concluirse que se está diante da utilização de interpostas pessoas optantes pelo simples, à fim de a empresa evadirse do pagamento das contribuições previdenciárias (parte patronal). A utilização dessa manobra não é particularidade do presente caso, já foi julgado por esta turma, da mesma forma, nos autos do processo 11065.003161/201005, na sessão de 17 de outubro de 2012, que resultou na prolatação do acórdão 2403001.686, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 28/02/2010 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova. Recurso Voluntário Provido em Parte A prática dessa manobra é recorrente, tendo gerado, inclusive, estudo doutrinário exclusivo ao tema, de autoria da Conselheira Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 899 11 Ana Maria Bandeira, no Livro Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, São Paulo: MP Editora, 2012, p. 158/159, de coordenação do Conselheiro Elias Sampaio Freire e deste conselheiro redator deste voto, in verbis: “Quanto à utilização de interpostas pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES para concentrar a mão de obra necessária ao processo produtivo das empresas originárias, o lançamento da contribuição patronal se dá em face da conduta simulada que se verifica. (...) Escudada no princípio da verdade material e pelo poder dever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio, pois, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.” Por esses motivos, concluise que de fato houve simulação por parte da Recorrente, razão pela qual deve o lançamento ser mantido. Diferente do que defende a apelante, a simulação da existência de pessoa jurídica sem qualquer substrato econômico constitui conduta contrária ao ordenamento jurídico e, nessa hipótese, cumpre à administração tributária identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária e dele realizar a exigência, o que foi feito nesse processo. Por outro lado, tem razão a recorrente quando afirma que não é hipótese de desconsideração da personalidade jurídica do art. 50 do Código Civil. Nessa modalidade de desconsideração da personalidade jurídica, essa é afastada para que as exigências recaiam sobre seus sócios. Não é disso que trata o presente processo. Portanto, a utilização dessa expressão tal como feita pela decisão recorrida é inadequada e não corresponde ao que foi registrado no relatório fiscal, que trata do tema como utilização de interposta pessoa evidenciando o vínculo direto com a imputada. Tratase, como se afirmou acima, de conduta condizente com simulação, que é afastada para descortinarse o fato ocultado, que é a relação jurídica entre a empresa que realmente realiza uma atividade econômica e a mãodeobra aplicados nessa atividade (CTN art. 116, parágrafo único combinado com o art. 149 do mesmo estatuto). A recorrente procura explicar o expediente utilizado invocando a necessidade de terceirizar a produção para reduzir os custos. Quanto a esse aspecto, inicialmente devese registrar que, para haver terceirização, seria necessária a efetiva existência de um "terceiro". Para haver um terceiro, não Fl. 904DF CARF MF 12 basta documentos constitutivos, é necessário que esses documentos tenham substrato econômico. Além disso, à época dos fatos, a terceirização pretendida pela consulente consistira em prática contrária ao direito, conforme evidencia o Acórdão nº 2402004.495, de lavra da Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, no trecho que é a seguir transcrito: A questão de fundo reside em saber se existe vinculo de emprego entre a recorrente e os segurados empregados cujos contratos de trabalho foram originalmente formalizados com a empresa RKB Representações Ltda, e se a recorrente foi beneficiada pela prestação dos serviços autônomos de vendedores, cujos contratos foram formalizados perante a empresa RKB Representações Ltda. A recorrente afirma que a pessoa jurídica RKB foi constituída com o objetivo de terceirizar as atividades relativas à representação comercial e serviços telefônicos, afirmando, ainda, que a empresa RKB era quem realizava toda a operação de venda de telefone, e que aquela empresa efetivamente prestava esses serviços à recorrente. As situações tipo de terceirização lícita estão atualmente assentadas na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que são: a) a contratação de trabalho temporário, nas situações expressamente especificadas na Lei nº 6.019/74 (inciso I) e b) os serviços especializados ligados à atividademeio do tomador do serviço, desde que inexistente a subordinação jurídica (inciso III): Súmula TST n° 331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 900 13 obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Contrario sensu, é ilícita a terceirização das atividadesfins da empresa1. No caso, a pessoa jurídica RKB presta serviços à recorrente, que consistem na realização da atividade fim dessa última, que é a prestação de serviços telefônicos, venda de telefones e representação comercial. Notese que, nesse caso, a condição de empregados dos trabalhadores já está pressuposta, tanto que foram declarados pelas empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda. A natureza dessa relação jurídica já estava estabelecida, por isso, não havia necessidade da fiscalização laborar sobre os elementos caracterizadores do vínculo de emprego, como pretende a interessada. Esse vínculo já estava reconhecido e foi reforçado todas as vezes que a recorrente afirmou se tratar de terceirização da atividade empresarial. A despeito disso, não é demais lembrar que os empregados trabalhavam nas instalações da autuada, confeccionando produtos que seriam por ela vendidos e sendo remunerados por recursos provenientes dela. A recorrente traz ainda diversos argumentos calcados na inexistência de impedimento legal para situações específicas. Ou seja, divide a realidade em várias pequenas narrativas para afirmar que: a industrialização por encomenda é um procedimento legal; não há vedação a que pessoas da mesma família possuam empresas diferentes; não há qualquer irregularidade no fato das empresas terceirizadas locarem os prédios da recorrente; a inexistência de previsão de reajuste não invalida o contrato de aluguel, entre outros. Isoladamente consideradas, cada uma dessas afirmações é verdadeira. Entretanto, somadas essas narrativas, elas evidenciam uma situação contrária ao direito pois, quando analisadas em face do conjunto que integram, essas relações jurídicas se revelam vazias de significado na sua singularidade, eis que despidas de qualquer substrato econômico, mas completas de significado no seu conjunto, já que reveladores de atividade voltada a suprimir a ocorrência do fato gerador tributário em seus adequados contornos econômicojurídico. Nesse caso, passam a constituir indícios de conduta relevante do ponto de vista tributário e penal. Quanto ao valor probante dos indícios, extraio do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, no Acórdão nº 1401001.726, o que segue: Fl. 906DF CARF MF 14 Prova Indiciária É sabido que a evidência que se infere a partir de um único ou poucos indícios deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o aprofundamento das investigações. Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindose no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão). Alega também a empresa que os lançamentos fiscais deveriam incluir as empresas HJSB e HVE. Ocorre, entretanto, que, como revela o relatório fiscal, a fiscalização entende que essas empresas não existem de fato, aliado a isso, no plano jurídico, foram incorporadas pela recorrente. Sendo a recorrente a sucessora delas, não faria qualquer sentido a intimação pleiteada. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito ao suposto erro de identificação do sujeito passivo. Compensação dos valores pagos pelas pessoas jurídicas interpostas A recorrente pede que seja autorizada a compensação dos valores que teriam sido pagos pelas empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda., sob pena de locupletamento indevido da União. A decisão de piso indeferiu o pedido com base no art. 56, § 6º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, e orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional. Penso, entretanto, que nesse aspecto assiste razão à recorrente, e o faço com base nos argumentos que são muito bem expostos pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Acórdão nº 2201003.371, que adoto como razões de decidir: Observo na decisão de piso que embora a constituição do crédito tributário objeto do lançamento, que aqui se examina, tenha sido realizado em face da Plastcor do Brasil, os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples Nacional foram realizados por pessoas jurídicas distintas, no caso pela Plastcor Ind. e Com EPP, o que impede o aproveitamento. Em acréscimo, entende a primeira instância que, por se tratar de simulação, não cabe o aproveitamento dos valores recolhidos, pois na visão da turma 'a quo', o contribuinte estaria se beneficiando da próprio torpeza Não assiste razão à turma recorrida. As empresas optantes pelo Simples Nacional não estão sujeitas a uma incidência tributária diferenciada das demais empresas, ao reverso, são contribuintes de todos os tributos incidentes sobre os fatos geradores que praticavam em sua Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 901 15 atividade empresarial. De certo que sob outra forma de quantificação e recolhimento desses tributos A Lei Complementar nº 123, de 2006, regulou, em conformidade com o artigo 170 da Constituição Federal, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável as micro e pequenas empresas, relativo aos impostos e às contribuições que menciona. Nesse sentido, explicitam os artigos 12 e 13: " Art. 12. Fica instituído o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ; II Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1odeste artigo; III Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; IV Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, observado o disposto no inciso XII do § 1odeste artigo; V Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1odeste artigo; VI Contribuição Patronal Previdenciária CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5ºC do art. 18 desta Lei Complementar; VII Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS; VIII Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS." (destaques não constam do texto legal) Da simples leitura do artigo 13 da Lei Complementa nº 123, podemos concluir que a mesma não cria novos tributos, ao reverso, institui tratamento favorecido, simplificado e unificado para o recolhimento dos tributos nela especificados, dentre esses as contribuições previdenciárias. Confirmando essa conclusão, encontramos no artigo 18, a forma de repartição entre os diversos tributos dos valores recolhidos pela sistemática simplificada e unificada, dependendo do porte da empresa: " Art.18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3odeste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o." (negritos nossos) Fl. 908DF CARF MF 16 Tais anexos indicam, por faixa de receita bruta da empresa optante, a alíquota aplicável sobre sua receita e mais, o percentual de cada tributo na composição do percentual total da alíquota indicada para aquela faixa. Exemplifico com a primeira linha do Anexo I da Lei Complementar nº 123/06: ANEXO I DA LEI COMPLEMENTAR No 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006 (vigência: 01/01/2012) Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Comércio (.........) Assim, não se verifica óbice ao aproveitamento dos recolhimentos efetuados em razão da sistemática de apuração adotada. O percentual recolhido a título de contribuição previdenciária é determinado, permitido assim sua compensação com tributo de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos da lei de regência de cada espécie tributária. Quanto à possibilidade de compensação de valores pagos por outras pessoas jurídicas, embora concordemos com o Relator que, em regra, existe vedação legal a essa possibilidade, não nos parece que seja essa a hipótese para o caso concreto. A constituição do crédito foi motivada e fundamentada. O Relatório Fiscal (página 43 do processo digitalizado), contém os motivos e fundamentos que levaram a Autoridade Fiscal ao lançamento da forma como constituído. Até por expressa determinação do CTN, é ali que devemos encontrar nossas razões para verificar a legalidade do o ato administrativo constituidor do crédito tributário. Vejamos a transcrição que a decisão de piso faz do relatório fiscal. Logo de início, às folhas 529, a DRJ recorda: "O Relatório Fiscal traz fatos indiciários fartos, graves, precisos e convergentes, que evidenciam que a organização societária se deu somente no papel (forma) e que, no mundo fático, a nova empresa “surgida” após a cisão nunca existiu: sem instalações próprias, sem endereço, sem matéria prima, nem patrimônio, nem administração, nem quadro de funcionários... enfim, na prática, as duas empresas funcionam como se apenas uma empresa fosse. Senão vejamos, como exemplo, os seguintes fatos extraídos do conjunto probatório dos autos: Atividade econômica. (...) " (sublinhamos e negritamos) Após demonstrar a simulação existente, por meio da existência de uma pessoa jurídica de fachada, o Agente Fiscal passa a comprovar o que o vínculo de trabalho se forma entre a Plastcor do Brasil e as pessoas físicas que exercem o labor. Vejamos outro trecho do relatório fiscal (fls 55): "7. Evidente que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade nas localidades de suas sedes ou onde os serviços foram contratados respectivamente. Estamos diante de um só empreendimento econômico, cumprindo um único contrato de fornecimento firmado com a empresa "mãe" PL.ASTCOR, a qual fora fracionada com o objetivo de usufruir dos favores fiscais instituídos com o SIMPLES NACIONAL. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 902 17 7.1 A convivência empresarial ocorreu com a empresa "mãe" PLASTCOR DO .BRA.SI.L, fornecendo os meios necessários à realização das atividades da empresa "filhote" a P.LA.S..IJ.C.O.R...EPP, incluindo aí o fracionamento da atividade da empresa "mãe"; com as diversas matériasprimas: cedendo suas instalações; assumindo as despesas primárias inerentes à realização dos serviços, inclusive administrativas, (não há esses registros nos livros contábeis); com o flagrante caso listado no item 4.6.4 anterior, com o caso da "cesta básica"; com a constituição dos saldos insolúveis de "C/C" e "Adiantamento de Clientes", sem a realização dos serviços, ou seja, a mãodeobra foi realizada pela PLASTOR EPP, objetivando os benefícios fiscais com a substituição da quota patronal previdenciária, concedido pelo SIMPLES NACIONAL. 7.2 Pelo até então descrito, comprova a insofismável simbiose empresarial. 8. Não prospera eventual argumentação no sentido de "terceirização", sendo esta uma prática comum no mundo moderno em que se busca maior produtividade, diminuição de custos, respostas rápidas às mudanças no mercado, foco no seu negócio, descentralização de decisões entre outras vantagens. No presente caso, constatase apenas o objetivo da redução da carga tributária com o usufruto dos benefícios do SIMPLES NACIONAL, uma vez que "am.b.as....as.. empresas." (se assim podese dizer) foram administradas pelo mesmo empresário, restando apenas a "insofismável.simbiose.empresarial". 9. É aplicado o princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, passam oferecer. É lícito à Receita Federal do Brasil pesquisar a relação de trabalho para encontrar, na sua verdadeira configuração, a relação de emprego e cobrar a contribuição legalmente devida, pois a cogência das normas de ordem pública impede que se adote regime jurídico apenas formalmente, para frustrar os objetivos nelas perseguidos, quando a prática de relação jurídica de direito material indica tratarse de relação de emprego." (destaquei) Como bem delineado em preliminar pela Autoridade Lançadora, foi constituído vínculo direto entre os trabalhadores e o Sujeito Passivo, entendose que esse é o verdadeiro contribuinte, aquele que, de fato, incidiu nos fatos geradores de contribuição previdenciária. O fez de forma interposta, o que, por tudo que consta no Relatório Fiscal, ensejou o lançamento como realizado. Nesse sentido, explicita o Fisco, por meio de agente (fls 56): Diante de todo o exposto, restou provado o emprego de simulação na atuação da pessoa jurídica PLASTICOR INDÚSTEIA E COMÉRCIO LTDA EPP CNPJ 27.063.222/000109, revelandose o claro objetivo do sujeito passivo burlar a legislação previdenciária. Consequentemente . são . considerados . como . empregados . do . sujeito . passivo . todos . aqueles. trabalhadores formalmente registrados na pessoa jurídica "filhote" PLASTICOR EPP efetuando se o lançamento das contribuições previdenciárias sobre os fatos geradores apurados como citado no presente relatório e aplicar multa por descumprimento da obrigação acessória." (destaquei) Fl. 910DF CARF MF 18 As afirmações do Auditor Fiscal deixam patente que o lançamento tributário simplesmente desconsidera a existência da empresa interposta, em razão da comprovada prestação de serviços dos trabalhadores à Recorrente. Podese inferir que o Auditor Fiscal considerou os recolhimentos pagos pela empresa interposta, posto que não houve constituição de crédito relativo às contribuições retidas dos segurados. Na visão do Fisco, como realizado o lançamento, a contribuição retida deve ser aproveitada em razão do vínculo de trabalho ocorrido ter se formado entre a Recorrente e o trabalhador. Nesse sentido, não se pode deixar de aproveitar as contribuições patronais existentes, vez que foram vertidas, ao menos parcialmente, contribuições pelo sujeito passivo. Tal entendimento, na vertente do aproveitamento de valores recolhidos na sistemática do Simples, é pacífico neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ensejando a publicação da Súmula 76 do CARF, assim redigida: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Por todo o exposto, entendo caber razão ao Recorrente, e dou provimento nesta parte para determinar a exclusão dos valores pagos na sistemática do Simples Nacional, observando os percentuais estabelecidos em lei e aplicáveis ao caso concreto. Na situação em análise, o lançamento fiscal está igualmente baseado na superação da "situação de direito" para se apegar à "situação de fato" vivida pelas empresas. E essa situação de fato revela que quem suportou efetivamente o ônus decorrente da tributação foi a recorrente. Nesse caso, a autorização da compensação encontra respaldo também no princípio que veda atuação contraditória venire contra factum proprium medida moralizante que se aplica ao particular e também à administração pública. Portanto, nesta matéria dou provimento ao apelo da recorrente, para determinar a compensação dos valores relativos à contribuição previdenciária pagos na sistemática do Simples Nacional pelas empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda. no período autuado. Participação nos Lucros e Resultados A fiscalização glosou os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados pelas três empresas. Em relação às empresas HJSB e HVE, a glosa foi motivada pela informação prestada pela recorrente de que os acordos foram verbais. Com efeito, no documento juntado como Anexo XXXVII (fls 671) é informado que: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal número 1, do Mandato de Procedimento Fiscal número 10.1.07.002012 00810, da empresa Calçados HJSB Ltda, segue abaixo as informações solicitadas. Documentação relativa ao Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 903 19 Não existe documentação relativa à Participação nos lucros e resultados da empresa Calçados HJSB Ltda. A empresa estabelecia um acordo informal com seus empregados para recebimento de participação nos resultados. Em geral, esses acordos previam o pagamento de uma remuneração adicional, equivalente a uma remuneração mensal, se fossem atingidas as metas de produção. A mesma informação é prestada em relação ao PLR pago pela empresa Calçados HVE Ltda. (fls 673). Em relação ao PLR pago pela recorrente a seus empregados, a fiscalização alegou que a comissão de empregados não contou com a participação de um representante do sindicato, o que contraria o quanto contido na Lei nº 10.101, de 2000. Os Acordos de PLR foram juntados como anexo XXXIX a fls 677. Em sua impugnação, a recorrente juntou os mesmos documentos, contudo agora com um carimbo do "Sind. dos Trab. nas Ind de Calç. Comp. p/ Calç e Vest. de Três Coroas, acompanhado da assinatura de seu presidente (fls 800), com o que pretende ter corrigido a falha apontada pela fiscalização. Não lhe assiste razão, entretanto. A lei exige a participação do sindicado nas negociações, e esse carimbo não faz prova dessa participação. Quanto ao tema PLR, o entendimento que tem prosperado neste Conselho e ao qual me filio é de que se trata de uma isenção fiscal. Nesse caso, quem pretende dela se valer deve fazer prova de que atende aos requisitos legais para tanto. Desse ônus, não se desincumbiu a recorrente. Nego provimento ao recurso voluntário em relação à glosa dos valores pagos a título de PLR. Multa Agravada Em relação à multa agravada, destaco os seguintes trechos do relatório fiscal que lhe servem de fundamentação: Dessa maneira, tendo em vista todas as situações descritas no presente relatório, concluímos que a fiscalizada e as empresas HJSB e HVE não eram empresas independentes. Sua separação foi mera ficção. O risco da atividade econômica assumido pela HJSB e pela HVE se deu de forma artificial e com um claro objetivo, criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias patronais e destinadas às outras Entidades e Fundos, relativas à empresa Calçados Miucha Ltda. Uma vez estando os empregados registrados na HJSB e HVE, a fiscalizada usufruiu, irregularmente, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às micro e empresas de pequeno porte, SIMPLES NACIONAL. Simularam, também, a contratação de prestação de serviços de industrialização, em lugar dos serviços prestados pela própria Calçados Miucha Ltda. Com isso a Fl. 912DF CARF MF 20 fiscalizada usufruiu do benefício de créditos de PIS e de COFINS na contratação de serviços de pessoas jurídicas, visto que tal benefício não seria contemplado pela mãodeobra paga a pessoas físicas em sua folha de salários. (...) A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e as empresas prestadoras são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única empresa, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseqüência cabe a desconsideração dos atos jurídicos simulados devendo o correspondente tributo ser exigido. Comprovada a simulação através de acervo indiciário convergente, identificando a verdade dos fatos. (...) A multa aplicada foi de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei 11.488/07. (...) Conforme demonstrado exaustivamente ao longo deste relatório, resta comprovada que a intenção da Calçados Miucha Ltda, ao transferir parte de sua produção para as empresas interpostas Calçados HJSB Ltda e Calçados HVE Ltda, era impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos efetivos responsáveis pelos fatos geradores das obrigações tributárias, sonegando, dessa forma, contribuições previdenciárias patronais, contribuições sociais e contribuições de intervenção no domínio econômico. Cumpre ressaltar, ainda, que o conjunto de ações implementado pela fiscalizada descarta completamente a hipótese de erro material a essa conduta que se estende no tempo e que traz benefícios significativos e incontestes a quem dela faz uso. Exceto no que diz respeito ao PLR pago pela fiscalizada. Neste caso foi aplicada a multa de 75%. Daí se extrai que está perfeitamente configurada a prática de conduta compatível com sonegação fiscal, pois não se trata de mero não recolhimento ou não declaração dos valores devidos. A recorrente criou toda uma estrutura arficial para dissimular a ocorrência do fato gerador tributário. E esses atos exteriorizam a vontade condizente com a prática infracional, portanto, o dolo está suficientemente caracterizado. Nego provimento ao recurso voluntário em relação à multa agravada. Realização de perícia Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11065.720471/201322 Acórdão n.º 2201003.616 S2C2T1 Fl. 904 21 A perícia é meio de prova a ser manejada quando houver insuficiência de informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador e não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado. Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere qualquer dúvida passível de ser esclarecida através de perícia. Nego provimento ao pedido de realização de perícia. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a compensação dos valores relativos à contribuição previdenciária pagos na sistemática do Simples Nacional pelas empresas Calçados HJSB Ltda. e Calçados HVE Ltda. no período compreendido pelo auto de infração em análise. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 914DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000013/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2.091/2.115) interposto contra decisão da DRJBrasília (fls. 2.077/2.085) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve o crédito tributário relativo a IRRF lançado através do Auto de Infração (fls. 11/34) no valor de R$ 3.828.018,33, sendo R$ 1.479.746,06 de principal, R$ 1.593.571,87 de multa de ofício e R$ 754.700,40 de juros de mora; lavrado em decorrência da fiscalização autorizada pelos MPFs 01.1.01.002004002951 e 01.1.01.0020040029511, que apurou divergência entre os valores devidos a título de IRRF informados na DIRF, aqueles informados na DCTF e os RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 01 3/ 20 06 -1 9 Fl. 2384DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.208 2 recolhimentos efetuados via DARF, relativamente ao período de apuração compreendido entre 30/11/2000 a 04/12/2004. A fiscalização constatou as seguintes situações: i) IRRF pago e informado na DIRF, porém não declarado em DCTF; e ii) IRRF informado na DIRF, mas não pago, nem declarado em DCTF. Esta segunda situação motivou a formalização de representação fiscal para fins penais nos autos do processo administrativo etiquetado sob o n°. 14041.000014/2006 55, apensado. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.170/1.185), cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do acórdão proferido pela DRJ (fls. 2.079/2.083), adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: “ DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Inicialmente, a impugnante entende importante destacar um erro terminológico cometido no início da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração e que pode levar a autoridade julgadora a se confundir quando de seu exame, na medida em que a autuante, equivocadamente, se refere aos valores devidos como sendo base de cálculo, quando tais valores, de fato, já são o resultado da aplicação das alíquotas sobre as bases de cálculo, ou seja, já são os valores devidos, o que é facilmente identificado pelos números envolvidos, que podem ser cruzados com as informações expressas nas DCTF, DIRF, DARF e planilhas. DO COMPARATIVO DAS INFORMAÇÕES: DCTF X DIRF X SINAL A autuação, por sua vez, é fruto de uma série de equívocos que a AFRF analisar as declarações e os relatórios fiscais provenientes da própria Receita Federal e ainda é também resultado de conclusões confusas sobre os resultados dessas comparações. No mérito, não resta qualquer dúvida de que um exame de recolhimentos de IRRF deve ser baseado no cruzamento das informações obtidas na DCTF, na DIRF e, é claro, nos DARF (substituídos pelo SINAL, no caso concreto). Todavia, para que esse cruzamento de informações possa gerar conclusões proveitosas, é preciso conhecer a forma de funcionamento das referidas declarações. Vale dizer, é essencial entender como as informações estão dispostas nessas duas declarações para então extrair as conclusões desejadas. Foi exatamente neste ponto que a Fiscalização pecou. Por não ter entendido como as informações estão dispostas na DCTF e na DIRF, a Fiscalização forçou o cruzamento de informações relativas a determinados períodos que, por suas próprias naturezas, jamais seriam compatíveis, daí o exagero no apontamento do suposto débito. Como é notório, a DCTF é declaração pela qual é constituído o débito; é o instrumento de confissão de dívida. Desse modo, na DCTF os contribuintes devem indicar tributos federais que foram devidos mês a mês, conforme seus períodos de apuração (que podem ser diário, semanal, quinzenal, mensal etc) e como tais valores devidos foram liquidados (mediante recolhimentos e/ou compensações). Importante notar então que para a DCTF consideramse os períodos de apuração correspondentes a cada tributo. Por sua vez, a DIRF possui natureza informativa e seu preenchimento é feito por MES para cada tributo. Vale dizer, são essencialmente diferentes: enquanto na DCTF constam débitos por períodos de apuração (diário, semanal, quinzenal, mensal, etc.) na DIRF os débitos Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.209 3 são informados por mês. Assim, para se ter um cruzamento das informações contidas nestas duas declarações, é necessário considerar estas diferentes formas de elaboração. No presente caso, a AFRF não teve o cuidado de interpretar e comparar tais dados de forma consistente; simplesmente escolheu alguns meses ou semanas e comparou os valores das DCTF e da DIRF, sem eleger um critério objetivo de análise e sem preocuparse em verificar se aqueles valores expressos nas DIRF e DCTF em determinado mês se referiam ao mesmo "período de apuração". Há indícios de que a AFRF até tentou considerar o "período de apuração", conciliando as semanas iniciais e finais do mês, no que não foi bem sucedida. Por essa razão, seu exame e, por consequência, suas conclusões, restaram prejudicadas. Considerando que o lançamento de oficio abordou os IRRF sobre "Rendimento do Trabalho Assalariado" (código 0561), "Rendimento do Trabalho sem Vinculo Empregatício" (código 0588), "Remuneração Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas" (código 1708) e "Aluguéis e Royalties pagos apessoa física" (código 3208), é fundamental notar que seus respectivos fatos geradores são semanais. Dessa forma, normalmente na primeira semana (de um mês) existem também débitos relativos ao mês anterior (última semana). Assim, tomando como exemplo o código 0561, a fiscalização demonstra a seguinte situação em sua planilha: Período de Apuração DCTF DIRF SINAL Débito não informado na DCTF e não pago 01/08/2004 54.095,00 217.634,26 54.095,02 163.539,24 01/09/2004 160.591,60 163.780,34 160.591,60 3.188,24 Na realidade, o valor de R$ 54.095,02 se refere à 1ª semana de agosto de 2004 e o valor de R$ 160.591,60 citado como sendo referente à 1a semana de setembro de 2004 teve sua origem na retenção do IRFF da folha de pagamento de agosto de 2004, mais precisamente de 31/08/2004 e, portanto, está incluso na DIRF do mês de agosto de 2004, de modo que a comparação adequada deve ser: Período de Apuração DCTF DIRF SINAL Débito não informado na DCTF e não pago 01/08/2004 54.095,00 217.634,26 54.095,02 01/09/2004 160.591,60 163.780,34 160.591,60 TOTAL 214.686,60 217.634,26 214.686,62 2.947,64 O valor de R$ 160.591,60, pertencente à 1' semana de setembro de 2004 se refere a retenção da folha de pagamento de agosto de 2004, conforme citado acima e foi indevidamente utilizado para comparar com a DIRF de setembro de 2004. O valor do IRRF sobre a folha de pagamento de setembro de 2004 compõe a DIRF de setembro de 2004, porém Fl. 2386DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.210 4 faz parte da DCTF da Ia semana de outubro de 2004. Na realidade, a comparação correta deve ser: Período de Apuração DCTF DIRF SINAL Débito não informado na DCTF e não pago 01/10/2004 173.443,20 163.780,34 173.443,20 9.662,86 Como é possível verificar no exemplo acima, de um período especifico, um simples equívoco na alocação de valores na comparação da DIRF com a DCTF pode gerar um grande débito (R$ 163.539,24 + R$ 3.188,24) numa situação na qual, em verdade, há um crédito em favor da impugnante (R$ 2.947,64 9.662,86). Salvo raríssimas exceções, em que o contribuinte antecipa os recolhimentos do IRRF em determinados períodos, os valores mensais da DIRF e da DCTF nunca são iguais. Por essa razão, nos exames realizados pela AFRF os valores mês a mês das DIRF e das DCTF apresentam relevantes diferenças, como era de se esperar. Contudo, a grande falha da AFRF foi entender que todas essas diferenças eram débitos. A impugnante usa a. expressão "todas essas diferenças eram débitos" pois literalmente foi essa a conclusão da AFRF. Isso porque, podese constatar na planilha da AFRF, os valores mensais ora apresentavam diferenças que "pareciam" débitos (contingência), ora apresentavam diferenças que "pareciam" créditos fiscais. Todavia, a Fiscalização desconsiderou os períodos nos quais foram auferidos "créditos" e apontou apenas os meses cujas diferenças indicavam "débitos". As diferenças auferidas na comparação das DIRF com as DCTF, apontadas como débitos, não têm qualquer fundamento para sustentar um lançamento de oficio. Quando muito, tais diferenças poderiam ser utilizadas como referências para a conciliação das DIRF e DCTF dos meses anteriores e posteriores. Uma forma simples e objetiva de comprovar que a impugnante não tem os débitos de IRRF apontados pela AFRF é realizar exatamente a mesma comparação proposta pela Fiscalização, contudo de forma mais consistente, ou seja, comparando os valores anuais das DCTF, das DIRF e dos DARF. Tomando por base o período anual, eliminamos o efeito das inconsistências mensais (diferenças existentes nas primeiras e últimas semanas de cada mês), exceto quanto à primeira semana e à última semana do ano, cujos valores e fatos geradores continuam relacionados aos anos anteriores (DIRF) e aos anos posteriores (DCTF) respectivamente. A impugnante comparou os saldos anuais de suas DCTF, de suas DIRF e das guias DARF (anexo I) e as diferenças apresentadas foram imateriais em relação ao lançamento de ofício, diferenças essas que ainda não podem ser consideradas como débitos, pois podem ser apenas efeitos de ajustes das primeira e última semana de cada ano, em razão do que se verifica que o trabalho fiscal não tem consistência, nem serve de parâmetro para qualquer lançamento de oficio. DAS SUPOSTAS INFRAÇÓES APONTADAS Como ressaltado anteriormente, a metodologia de apuração das supostas infrações não tem qualquer fundamento, o que é razão suficiente para a insubsistência do auto Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.211 5 de infração. Além disso, a impugnante ainda vai apontar mais falhas conceituais especificas observada nos lançamentos realizados. Primeiro, conforme a própria AFRF definiu, foi considerada como infração os 'valores retidos, pagos e informados na DIRF porém não declarados na DCTF". Em outras palavras, valores recolhidos que não tinham correspondência com débitos confessados em DCTF. Essa definição é de um crédito fiscal em favor da impugnante, e não de um débito passível de lançamento de oficio. O que a AFRF supostamente teria encontrado é um recolhimento a maior de IRRF passível de compensação ou restituição. Esse raciocínio fica ainda mais nítido na análise da planilha "0561_IRRF_00 a 03 NÃO DECU elaborada pela própria AFRF. Na última coluna da direita, cujo título é "Valores objeto de retificação na DCTF (Vals não declarados mas pagos)", a AFRF transportou esses saldos de impostos supostamente recolhidos a maior (créditos em favor da impugnante) para o auto de infração, considerandoos como débitos e ainda lançando multa de 75% e juros. A inconsistências dos exames da AFRF são tão profundas que até mesmo dentro de sua "metodologia" de cálculo da infração os conceitos estão invertidos. Valores que deveriam ser tidos como "créditos" simplesmente são taxados de débitos sem qualquer preocupação com a lógica de raciocínio. Segundo, como é notório, a DCTF é a declaração pela qual é constituído o débito. É instrumento de confissão de dívida, enquanto que a DIRF tem o caráter meramente informativo e os valores nela declarados, por si só, não tem o condão de constituir débitos, como quis a Fiscalização. Tal entendimento também é mantido pelo Conselho de Contribuintes: “DCTF EFICÁCIA A DCTF constituise confissão de dívida e instrumento hábil para a cobrança de crédito tributário, inclusive quanto a valores vinculados a compensação considerada indevida. Recurso de oficio negado.” (Primeiro Conselho Ac. 108 08304) Eventuais saldos de tributos a recolher apontados pela DIRF deveriam ter sido interpretados como meros indícios de irregularidades. A partir desses indícios caberia uma análise mais atenta dessas diferenças de forma a verificar suas origens. Jamais tais diferenças poderiam ter sido consideradas como débitos passíveis de lançamento de oficio automáticos. Nesse ponto, é relevante destacar o que dispõe o caput do artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, em seu Capítulo II Constituição do Crédito Tributário, Seção I Lançamento. Nesse dispositivo o legislador deixou clara a forma que deve ser realizado o lançamento: "Art. 142 Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do Fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível" (grifo da impugnante) O que se observa no auto de infração é que a Fiscalização, ao realizar o lançamento do tributo, não verificou a ocorrência do fato gerador nem tampouco determinou a matéria tributável. A AFRF simplesmente entendeu que os valores dispostos nas DIRFs eram Fl. 2388DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.212 6 "débitos confessados" e nem sequer intimou a impugnante para explicar a razão de tais diferenças nas DCTF. Desse modo, a impugnante sequer teve a chance de analisar as diferenças apontadas pela AFRF e de tentar explicar as referidas diferenças apontadas no cruzamento das DIRF com as DCTF. Assim sendo, por força de uma metodologia equivocada de apuração das supostas infrações utilizada pela AFRF, foram encontradas diferenças absurdas, que não poderiam de forma alguma ter sido bases de lançamentos de ofício. Muito mais grave ainda se apresenta esta situação, pois a AFRF considerou que essas diferenças representam valores de que a impugnante teria se apropriado indevidamente, lançando multa agravada de 150%. DOS DOCUMENTOS JUNTADOS Para comprovar suas alegações, a impugnante entende que seja suficiente apenas as declarações, documentos e planilhas utilizados pela ARFR na lavratura do auto de infração. Todavia, para não deixar pairar qualquer dúvida, acrescenta mais alguns documentos que permitem a melhor visualização de suas razoes de defesa (anexo II). DO PEDIDO Em face do exposto, requer a nulidade do auto de infração ora combatido, com a consequente extinção do lançamento do crédito tributário e das penalidades a ele atreladas, ou que seja julgado totalmente improcedente, em razão dos fatos descritos pela impugnante, julgandose totalmente procedente a presente impugnação, protestando, ao fim, pela posterior produção de provas, especialmente juntada de documentos. DA DILIGÊNCIA Em vista dos elementos trazidos na impugnação, o julgamento foi convertido em diligência em 25/09/2006, conforme despacho à fl. 1.462, com o objetivo precípuo de esclarecer as divergências identificadas no confronto entre as DIRF e as DCTF. A diligência requerida foi iniciada em 06/12/2007, quando a interessada foi cientificada pessoalmente do Termo de Informação e Intimação Fiscal lavrado às fls. 1.498/1.499, informando o começo dos trabalhos, que se desenrolaram até 19/08/2009, data em que foi dada ciência pessoal à impugnante do teor do Relatório de Diligência Fiscal lavrado às fls. 2.072/2.073, reabrindo o prazo de trinta dias para que a interessada pudesse contestar seu conteúdo. Decorrido esse interregno sem a apresentação de qualquer manifestação da interessada, os autos retornaram a esta DRJ em 28/09/2009 (fl. 2.076).” A DRJBrasília julgou procedente em parte a Impugnação, mantendo em parte o crédito lançado, concluindo por: “a) manter o principal do lançamento dos débitos pagos e não confessados em DCTF, para constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional, alocando se, para sua extinção, os pagamentos espontâneos efetuados pelo sujeito passivo, afastada a multa de oficio de 75%;” e “b) manter integralmente o lançamento das parcelas não confessadas em DCTF nem pagas, com a imposição da penalidade de 150%.”, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/11/2000 a 04/12/2004 Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.213 7 DIFERENÇAS CONSTATADAS. COMPROVAÇÃO. Não conseguindo o sujeito comprovar, em fase de diligência fiscal, sua alegação de que as diferenças constatadas pela fiscalização seriam resultantes de divergência cronológica entre os períodos de apuração informados na DIRF e confessados em DCTF, mantêmse os valores do lançamento de oficio. VALORES PAGOS E NÃO DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. Em relação aos valores pagos e não confessados em DCTF, o lançamento de ofício se justifica para constituir o crédito tributário da Fazenda Nacional, que deve ser extinto com a alocação dos pagamentos efetuados, afastandose a multa de ofício. VALORES NÃO PAGOS NEM DECLARADOS EM DCTF. Em relação aos valores apurados que não foram objeto de pagamento espontâneo nem confissão em DCTF, deve ser mantido o lançamento de oficio, com imposição da multa qualificada. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificada da decisão de primeira instância em 29/03/2010 (fls. 2.085), a Recorrente interpôs tempestivamente, em 27/04/2010, Recurso Voluntário (fls. 2.091/2.115), nos seguintes termos: O auto de infração não merece ser mantido, visto que todos os valores de IRRF declarados nas DCTFs e DIRFs foram devidamente recolhidos e/ou compensados pela RECORRENTE, o que implica dizer que os supostos débitos considerados pela fiscalização decorreram de diversas falhas nos critérios de exame adotados pela fiscalização; As diferenças existentes entre a DIRF e a DCTF decorrem da divergência dos períodos de apuração compreendidos nas declarações. Tanto é assim que, ao considerar valores anuais das DCTFs, DIRFs e DARFs, se verifica que a Recorrente não possui os referidos débitos apontados pela fiscalização; ao contrário, os valores informados mostramse equivalentes; Os valores definidos como "retidos, pagos e informados na DIRF porém não declarados na DCTF" constituem na realidade um crédito fiscal em favor da Recorrente e não débito passível de lançamento de oficio; A DIRF possui caráter meramente informativo e os valores nela declarados não têm o condão de constituir débitos, de forma que eventuais saldos de imposto a recolher nela apontados deveriam ser interpretados como meros indícios de irregularidades e não como débitos passíveis de lançamento de oficio; A autuação decorreu de uma série de equívocos cometidos pela autoridade lançadora quando da análise das DCTFs e DIRFs da RECORRENTE e dos seus próprios relatórios fiscais contendo os DARFs pagos. Isso porque a DCTF considera os períodos de Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.214 8 apuração correspondentes a cada tributo, enquanto a DIRF considera o mês calendário. Com isso, as informações comparadas pela fiscalização no tocante ao IRF correspondem a diferentes períodos de apuração, o que justificaria as diferenças apresentadas pela DIRF e pela DCTF levantadas pelo fisco; A autoridade lançadora não manteve um critério de apuração coerente, o que resultou em conclusões confusas sobre o resultado dessas comparações e, consequentemente, na exigência de débitos que não condizem com a realidade; Além de não interpretar e comparar corretamente os dados da DCTF e da DIRF, a autoridade lançadora escolheu aleatoriamente alguns meses e semanas, comparando as duas declarações sem estabelecer um critério objetivo para sua análise; Nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa: Como destacou a autoridade julgadora, a Recorrente não apresentou qualquer réplica ao resultado da diligência pois, ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, seu silêncio não decorreu da concordância com a conclusão apurada pela fiscalização, mas sim pela ausência de documentos ou argumentos novos que pudessem ser trazidos aos autos, vez que já havia comprovado de forma consistente todos os seus argumentos que, contudo, foram ignorados pela fiscalização; Sendo assim, seu silêncio decorreu apenas da certeza e da segurança que tinha de seu direito, o qual esperava fosse analisado de forma razoável pela decisão de lª instância. Todavia isso não ocorreu, já que esta se limitou a alegar que o lançamento de tais valores era cabível e que este havia obedecido aos ditames do artigo 142 do CTN; A decisão recorrida não discorreu uma única palavra sobre o argumento suscitado pela Recorrente, quanto ao critério de comparação da DIRF e da DCT empregado pela autoridade lançadora, tampouco discorreu sobre a documentação apresentada com a impugnação e durante a diligência, como sucedeu com a petição protocolada em 23.01.2008 em resposta ao termo de Informação e Intimação Fiscal de 05.12.2007; Segundo a decisão, diante do silêncio da Recorrente em relação ao relatório de diligência, “não há reparos a considerar no levantamento efetuado pela autora do feito, no qual se sustenta o lançamento de oficio.”: Este foi precisamente o único comentário feito pela decisão quanto ao principal argumento suscitado pela Recorrente, que representou quase a totalidade de sua impugnação e depois ainda foi objeto de petição apresentada durante o procedimento de diligência. Logo, é correto afirmar que a decisão recorrida não observou os princípios da motivação e da fundamentação, essenciais às decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal; Tanto é assim que, pela leitura do artigo 31 do Decreto nº 70.235/71 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal) e dos artigos 2º, VII e 50, §1º, da Lei nº 9.748/99 (Lei Geral do Processo Administrativo), se constata a nulidade da decisão recorrida; A decisão recorrida limitouse a reproduzir o que fora afirmado pelo relatório de diligência, sem analisar, nem apreciar, argumentos e documentos apresentados. Agindo assim, deixou de observar o corolário maior do processo administrativo fiscal, que é a busca pela verdade material; A subtração do direito à apreciação de prova é tanto mais grave quando se está no campo do Direito Tributário. Por se tratar de seara dominada pelo princípio da estrita Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.215 9 legalidade, tendente à proteção da esfera privada dos possíveis excessos do poder público, em matéria de prova a investigação dos fatos está submetida ao princípio inquisitório e a sua valoração ao princípio da verdade material. Assim, configurado o cerceamento do direito de defesa, deve ser decretada anulação do ato administrativo, conforme entendimento do CARF; A decisão que se omite na apreciação de argumentos e provas trazidos ao processo pelo contribuinte é nula, por violar direito de defesa constitucionalmente assegurado ao cidadão, violação essa tanto mais grave quando perpetrada nos domínios do Direito Tributário, em que a busca da verdade material repudia qualquer forma de menosprezo ao acervo probatório; Do equívoco da fiscalização ao cruzar as informações da DIRF e DCTF: O auto de infração não merece prosperar, vez que os valores declarados nas DCTF e DIRF foram devidamente pagos ou compensados. Basta um exame mais minucioso do referido auto de infração para verificar que os supostos débitos de IRF apontados pela fiscalização decorreram de indevido cruzamento entre a DCTF e a DIRF, sem considerar os períodos de apuração dos tributos adotados por cada uma das declarações; Ao comparar a DCTF e a DIRF em base mensal, as autoridades desconsideraram que os períodos de apuração abrangidos por cada uma das referidas declarações não são idênticos. Ao cruzar informações constantes de declarações que abrangem períodos distintos, as autoridades naturalmente encontraram divergências de valores; tais divergências, contudo, não significam recolhimento a menor do imposto, ao contrário do que alegado pelas autoridades lançadora e julgadora; Enquanto na DCTF constam débitos dispostos por período de apuração, na DIRF os débitos são informados por mês, não importando o período de apuração; Grande parte dos valores recolhidos na primeira semana de cada mês correspondiam, na verdade, a fatos geradores ocorridos na última semana do mês anterior, pois o IR tinha apuração semanal e devia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente, o que explica a diferença de valores apurados pela autoridade lançadora entre a DCTF e a DIRF. Tivesse a autuação levado em consideração que para um cruzamento correto das informações contidas nestas duas declarações era necessário considerar as diferentes formas de sua elaboração e preenchimento, os dados apurados seriam consistentes e demonstrariam a inexistência de valores distintos entre ambas as declarações; A impossibilidade de conciliação entre os valores declarados na DCTF e na DIRF perdurou até o ano de 2006, quando passou a viger novo prazo de pagamento do IRF. O art. 70, I, "d", da Lei n° 11.196/05, alterou o prazo de vencimento do IRF decorrentes das operações relacionadas com o presente auto de infração (códigos 0561, 0588, 1708 e 3208) para o último dia do primeiro decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador. A exceção existente anteriormente pagamento do IRF no mês subsequente ao de sua operação passou a ser a regra. Dessa forma, atualmente a comparação entre a DCTF e a DIRF, ao menos com relação ao IRF relativo às operações objeto do presente auto de infração, não enseja divergências, como no passado, na medida em que os períodos comparados são iguais (período mensal). Assim, simples cruzamento das informações entre a DIRF e a DCTF, antes da vigência da Lei n° 11.196/05, ocasionava divergências entre as mesmas; Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.216 10 Sendo assim, a DIRF não permite visualizar abertamente os valores que, embora relativos a determinado mês, tenham sido pagos no mês subsequente. Por isso a fiscalização chegou às supostas divergências; A título de amostragem, tomase como exemplo o mês de Novembro de 2000: Verificase, portanto, que (i) um dos DARFs a que se referia à 1ª semana de novembro da DCTF tinha como período de apuração, na verdade, o mês de outubro e, por esta razão, fazia parte da DIRF de outubro, conforme se verifica da análise do SINAL elaborado pela Receita Federal e anexado aos autos às fls. 1.280 a 1.311 (anexo I da impugnação) e (ii) o valor referente à 1ª semana de dezembro teve sua origem na retenção do IRF da folha de pagamento do final do mês de novembro, e, portanto, compõe a DIRF do próprio mês de novembro; Dessa forma, para que os valores da DCTF e da DIRF referentes ao mês de novembro sejam equivalentes é necessário que: (i) o valor do DARE pago na lª semana de novembro seja excluído da DCTF do mês de novembro, uma vez que é referente ao IRRF do mês de outubro; e (ii) o valor do DARF pago na 1ª semana de dezembro (mas referente ao mês de novembro) seja adicionado à DCTF do mês de novembro; O Fisco desconsiderou (i) os pagamentos do 13° salário para fins da DIRF e (ii) os períodos nos quais foram auferidos créditos fiscais, apontando tãosomente os meses cujas diferenças indicavam débitos. As diferenças obtidas através do cruzamento das DIRF com as DCTF não autorizam o lançamento de oficio. Quando muito, tais diferenças poderiam ser utilizadas como referências para a conciliação das DIRF e DCTF dos meses anteriores e posteriores; O entendimento majoritário da RFB é de que a existência de equívocos na apuração dos valores da base de cálculo do imposto ou de dúvidas na apuração do imposto afastam a certeza do lançamento e acarretam o cancelamento obrigatório de tal exigência; Infração 1 — "valores retidos, pagos e informados na DIRF porém não declarados na DCTF (multa de oficio de 75%): Em que pese o acerto quanto à não imposição da multa, a decisão ora recorrida não pode prosperar na parte em que mantém a exigência do imposto, sustentando que em razão de a DCTF configurar confissão de dívida, uma vez que não haja dívida, confessada tornase necessário constituir o crédito tributário da fazenda, mediante lançamento de oficio. Conforme exposto no item 3.2, nenhum dos valores exigidos no presente auto de infração deixou de ser declarado em DCTF. O que ocorreu foi tãosomente um equívoco da autoridade lançadora que, ao confrontar os valores constantes da DCTF e da DIRF, desconsiderou que se tratam de declarações cujas informações se referem a diferentes períodos de apuração. Isso quer dizer que esta infração sequer foi cometida, razão pela qual deve ser excluída do presente auto de infração juntamente com a multa e os juros impostos; Infração 2 "valores retidos, não pagos e informados na DIRF porém não declarados na DCTF (multa de oficio de 150%): Eventuais saldos de tributos a recolher apontados pela DIRF deveriam ter sido interpretados como meros indícios de irregularidades, contra os quais caberia uma análise mais atenta das diferenças apuradas de forma a verificar suas origens. No entanto, não foi o que ocorreu. A autoridade lançadora se limitou a verificar as alegadas diferenças e imediatamente após procedeu à autuação, com a aplicação de multa agravada, sem que em nenhum momento lhe fosse questionada a origem de tais diferenças; Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.217 11 Ao realizar o lançamento do tributo, a autoridade fiscal não verificou a ocorrência do fato gerador, nem tampouco determinou a matéria tributável, mas simplesmente entendeu que os valores dispostos nas DIRFs eram "débitos confessados" e se absteve de intimar a Recorrente a explicar a razão de tais diferenças com as DCTFs. Nesse ponto, cometeu mais um equívoco, porque apenas a DCTF é instrumento hábil para a "confissão" de quaisquer débitos. A DIRF não tem esse condão. Os valores ali informados, quando muito, representam um indício de irregularidade, a ser apurada na fase de fiscalização; Em sua decisão, a autoridade julgadora partiu da premissa de que as diferenças de fato ocorreram, sem ao menos considerar os argumentos e documentos trazidos pela Recorrente aos autos. Nesse caso, a situação é ainda mais grave, haja vista que, após a impugnação, a Recorrente se manifestou durante a diligência para reforçar os argumentos já expostos e acrescentar nova documentação; nem mesmo assim a premissa na qual se baseou o auto de infração foi afastada; Conforme os artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, a multa qualificada somente poderia ser aplicada nos casos em que o contribuinte age com intuito evidente de fraude, sonegação ou conluio, o que absolutamente não ocorreu no presente caso; Como exposto exaustivamente no item 3.2 acima, em momento algum a Recorrente deixou de fornecer informações ao Fisco ou tentou impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto. Dessa forma, não restam dúvidas de que a multa ora aplicada, ainda mais no percentual de 150%, se mostra totalmente descabida e distante da realidade dos fatos, vez que sua aplicação se limita a situações em que se constata sonegação, fraude ou conluio por parte do contribuinte; Ao final, requereu o conhecimento e provimento do recurso para que seja anulado o auto de infração, cancelando o lançamento do imposto e as multas aplicadas. Alternativamente, requereu a anulação da decisão recorrida e que seja proferida nova decisão, com apreciação de todos os argumentos e provas constante dos autos, além do reconhecimento do pagamento e das compensações dos valores declarados nas DCTF e DIRF. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Folheando os autos, entendo que a DEFIS/Brasília não apreciou a higidez da conciliação e dos levantamentos e comparativos de valores declarados com os recolhidos elaborados pelo contribuinte às fls. 1.399/1.435 e 1.555/1.637, que podem eventualmente confirmar seu direito ou, caso não, contribuir para esclarecer por definitivo ponto até agora incontroverso nos autos. A Autoridade Preparadora apenas informou às fls. 2.126 que, quanto aos documentos do contribuinte acima mencionados: “2. (...) no entanto não ficou justificado as diferenças declaradas a menor nas DCTF dos valores devidos do IRRF, dos anos calendário 2000 a 2004, lançados no auto de infração às fis. 0000010 a 000034, em conformidade com as Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.218 12 planilhas que o acompanham e anexas às fis. 0000035 a 0000049. 3. Como as diferenças de valores apurados, no curso da ação fiscal permanecem não declarados nas DCTF proponho, na integra, a manutenção dos valores de IRRF lançados no auto de infração, anexo às fis. 0000010 a 0000049.” Assim, a autoridade terminou por não se manifestar tecnicamente sobre os aludidos documentos, deixando de realizar seu juízo de valor profissional sobre o quanto informado nestes, o que se faz relevante neste estágio. No que diz respeito ao direito do Contribuinte em ver apreciado o seu direito (ou não) de crédito independente de retificação da DCTF cabe tecer os seguintes comentários. Oartigo113,§ 2º,do CTN determina que a obrigação tributária acessória tem por objetivo as prestações nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Como é sabido, historicamente as obrigações acessórias traziam dados de tributos apurados e recolhidos, com seus períodos de apuração e datas de recolhimentos individuais, que para certos levantamentos ou confrontamentos, às vezes, não logravam colidir as informações a que se prestavam. O direito à confirmação ou otimização do crédito vinculado ao contribuinte não está condicionado à higidez das obrigações fiscais, em especial da DCTF e DIRF. Na apuração da liquidez e certeza do crédito relacionado ao contribuinte, é dever da Autoridade Tributária apreciar as provas trazidas por este, na busca da justiça e otimização fiscal. Assim, considerando eventuais diferenças de valores decorrentes da cronologia de cada tributo/crédito/pagamento registrados em cada declaração, o contribuinte tem direito subjetivo à busca da regularização da sua situação fiscal. Ou seja, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal impera o princípio daverdadematerial,queobrigaaautoridadeadministrativaaanalisarexaustivamente os fatosalegadospeloscontribuintes,solicitandoinclusivediligênciaseapresentaçõesdenovas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal, a existência de informação incontroversa em alguma obrigação acessória em nada altera o direito do contribuinte. Pelo exposto, entendo que a autoridade administrativa deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito,com base nos documentos existentes nos autos e outros mais que entender necessários, tendo por norte o princípio da verdade material. Isto posto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1 fundamentada nos documentos acostados às fls. 1.399/1.435 e 1.555/1.637, bem como em outros que entender pertinentes, verifique a procedência das informações neles trazidas, e as compare com os valores que formam aquele controverso nos autos, com a finalidade de se checar possível diferença entre estes; e Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 14041.000013/200619 Resolução nº 2201000.268 S2C2T1 Fl. 1.219 13 2 se manifeste de forma conclusiva sobre as constatações desta diligência, inclusive informando se as conclusões advindas são competentes para retificar ou extinguir o crédito tributário. 3 Ao final,deverá ser dada ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência, em homenagem ao princípio do contraditório e ampla defesa. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 2396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720806/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2401-004.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ISENÇÃO. Recorrente DILSON DE ARRUDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao anocalendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 06 /2 01 4- 81 Fl. 112DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF na qual foi ajustado o saldo do imposto a restituir (fls. 27/30), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 253.393,60, recebidos pelo titular da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, indevidamente considerados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia grave ou da condição de aposentado. Consta da descrição dos fatos que atestado simples não cumpre os requisitos para ser considerado laudo médico oficial idôneo, pois não contém elementos descritivos que fundamentaram o diagnóstico da moléstia e o número de registro no órgão público do profissional de saúde que emitiu o atestado. Em impugnação apresentada às fls. 2/7, o contribuinte alega, em síntese: · Que junta prova da aposentadoria e laudo médico que reconheceu a neoplasia maligna de próstata, com início em 27/4/07, que já tinha sido apresentada à malha. · Que o laudo foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde que é Serviço Oficial de Saúde do Município de Campo Grande/MS e que já foi aceito pela fonte pagadora que suspendeu o desconto a partir de janeiro de 2014. · Que o fato de ser simples não invalida o laudo, pois nele constam as informações necessárias com o diagnóstico da doença (neoplasia maligna da próstata), fornecido pelo órgão Municipal de Saúde, onde consta o CRM do médico que é funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. Diz juntar cópia do contracheque do médico que prova ser funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. A DRJ/JFA, no acórdão de fls. 57/61, julgou improcedente a impugnação, conforme trechos a seguir transcritos: Nos autos, há comprovação de que o contribuinte é aposentado, conforme documentos de fls. 14/15 da lavra do INSS, contudo o teor da descrição dos fatos não contesta que os rendimentos declarados sejam oriundos da aposentadoria. O questionamento da autoridade revisora, manifesto à fl. 23, consistiu em não identificar no atestado oferecido pelo interessado os requisitos necessários para que ele fosse considerado Laudo Médico Oficial,pois nele não estavam insculpidos os elementos descritivos que fundamentaram o diagnóstico da doença e o número de registro no órgão público do profissional emitente. O documento em foco consta à fl. 11 dos autos. O formulário tratase de “receituário exclusivo para rede municipal de saúde”, visando ao atendimento de beneficiários do SUS, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10140.720806/201481 Acórdão n.º 2401004.824 S2C4T1 Fl. 111 3 Secretaria Municipal de Saúde Pública da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Salvo algum erro de transcrição, porquanto a letra do emitente não se comporta inteiramente legível, o teor do “atestado” expressa que: “Atesto para fim de isenção de imposto de renda e demais regalias previstas em lei que o Sr. Dílson de Arruda está em tratamento de CID C61, patologia esta constatada em 25/04/07 conforme documentação em poder do interessado.” Há a assinatura do “Dr. José Rondon Severo – Dermatologista – CRM 338”, datada, aparentemente, como 28/11/13. Destarte, pretendeu o contribuinte que o laudo médico pericial, emitido por serviço médico oficial, determinado pelo art. 39, § 4º, do RIR/1999, fosse substituído por aquele atestado de fl. 11, o que, repisese, a Fiscalização não concordou e, ratifiquese, a mesma discordância revela este julgador. Mesmo se descartássemos o fato de que o formulário utilizado não reúne apanágio de um laudo médico pericial, nele não se vislumbra qualquer delegação da Prefeitura Municipal de Campo Grande/MS para que o médico a representasse como serviço médico oficial. Não há como nutrir alguma verossimilhança de que, formalmente, a aludida Prefeitura chancelasse aquele atestado como se um laudo oficial fosse. Noutro vértice, embora o contribuinte visasse estabelecer liame entre o médico e o ente Municipal, nada fora apresentado, sendo que, mesmo insuficiente nesse aspecto, sequer houve a anexação de suposto contracheque do citado médico. Cientificado do Acórdão em 11/8/14 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 67), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 4/9/14, fls. 69/72, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Diz discordar do excesso de formalismo, pois está provada a doença. Alega que agora junta aos autos cópia do contracheque do médico que prova ser ele funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde Pública Município de Campo Grande. Afirma juntar novamente o Laudo médico, laudo laboratorial, pesquisa do código CID C61 e prova de aposentadoria. Acrescenta que para ajudar na convicção do julgador e provar que a doença realmente existe desde 27/4/07, anexa laudo do médico urologista que o acompanha desde o início. Anexa também atestado do médico radioterapeuta com o qual faz tratamento radioterápico. Esclarece que em face da dúvida sobre o laudo, o contribuinte pediu ao INSS para submetêlo a perícia médica e o fornecimento do laudo para prova junto à Receita. O pedido resultou no processo nº 36750.000726/201411, estando aguardando a marcação da data Fl. 114DF CARF MF 4 da perícia. Em razão da demora, está pedindo também perícia em órgão oficial de saúde o Estado de Mato Grosso do Sul. Pede para apresentar posteriormente o resultado destas perícias e os laudos que delas resultar. Conclui que é aposentado recebendo proventos de previdência privada da PREVI, que é portador de neoplasia maligna da próstata desde 2007 e o laudo, mesmo simples, preenche os requisitos legais. Em documento apresentado posteriormente, juntado à fl. 97, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10140.720806/201481 Acórdão n.º 2401004.824 S2C4T1 Fl. 112 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença Fl. 116DF CARF MF 6 tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10140.720806/201481 Acórdão n.º 2401004.824 S2C4T1 Fl. 113 7 Dos documentos juntados aos autos, restou claro que o rendimento decorre de aposentadoria. Resta então analisar se o contribuinte é, comprovadamente, portador de moléstia grave. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação por entender que não foi apresentado laudo médico oficial. Contudo, após apresentação do recurso voluntário, foi juntado aos autos o documento de fl. 97, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, no qual consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. Diante do exposto, entendo que restou comprovado que o contribuinte recebe proventos de aposentadoria e é portador de moléstia grave relacionada em lei, requisito essencial para o gozo da isenção pleiteada. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, DANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003585/2004-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 17/05/2006
HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL.
Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração.
COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/05/2006 HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhecese o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 35 85 /2 00 4- 13 Fl. 328DF CARF MF 2 Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 10/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: “Na informação fiscal (fls. 116/118), que acompanha o despacho denegatorio, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do 1ºao 4º trimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo IV e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos já ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 616.605,72. Assim, no mês de julho de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados,”. (fls. 238 e seguintes) O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento nesta Turma de Julgamento, também de relatoria deste Relator. A DRJ/Ribeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 247263), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10840.003585/200413 Acórdão n.º 3302004.103 S3C3T2 Fl. 3 3 fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que, por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE EARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 274300, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. · Que a fiscalização se equivocou ao não reconhecer os créditos presumidos calculados sobre as perdas financeiras nas operações de HEDGE e que a sistemática de apuração dos referidos créditos, que foi adotada pela Recorrente, é a prevista na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Fl. 330DF CARF MF 4 A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2011 (fls.265) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2011 (fls. 274300) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Do que se extraí dos autos, trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa de julho de 2004, no valor de R$ 91.791,36, com débito de responsabilidade da Recorrente, sendo que os créditos utilizados pelo contribuinte relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge estão vinculados ao lançamento de ofício objeto do processo nº 15956.000314/200856. Os fundamentos fáticos e jurídicos defendidos pela Recorrente correspondem aos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos julgados no referido processo, cujo resultado deve ser refletido no julgamento deste processo administrativo. No processo nº 15956.000314/200856 de relatoria deste Relator, restou decidido no Acórdão de nº 3302004.107: (i) pela manutenção das glosas relativas aos créditos de Cofins apurados pela Recorrente sobre as despesas de frete e armazenagem, com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003; e (ii) pela reversão da glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge, conforme se verifica no trecho abaixo: III.1 Créditos sobre despesas de frete e armazenagem na exportação Segundo a fiscalização, há expressa vedação legal à apuração de créditos vinculados à receita de exportação, conforme artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, sendo que a empresa comercial exportadora não pode apurar créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referente a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação, a saber: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10840.003585/200413 Acórdão n.º 3302004.103 S3C3T2 Fl. 4 5 Já a Recorrente, alegou que mais do que comercial exportadora, é pessoa jurídica exportadora, o que lhe assegura o crédito nas aquisições vinculadas às suas receitas de exportação, conforme o art. 6º da Lei nº 10.833, notadamente os previstos no art. 3º, IX. Que os “serviços acessórios contratados pelo contribuinte no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou nãoincidência do imposto, ou seja, os respectivos prestadores são contribuinte da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas”, sendo que obstar tal crédito seria uma afronta à sistemática nãocumulativa. Alegou, ainda, que o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, no qual teria se baseado a autoridade fiscal para negar o direito ao crédito, vedou a apropriação de créditos nas aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições, ratificando o disposto no art. 3º, § 2º, II da mesma lei, “não se aplicando aos demais bens e serviços adquiridos com o pagamento de tais contribuições, os quais, ainda que ‘vinculados à receita de exportação’, não se confundem com a operação incentivada das comercias exportadoras de ‘venda com fim específico de exportação”. Pois bem. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente, não há como deixar de aplicar ao presente caso, ainda que sua consequência acarrete na quebra da não cumulatividade, a vedação expressa contida no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, que impede a utilização de créditos vinculados à receita de exportação. Isto porque, o §4º, do artigo 6º, da referida Lei, ao remeter seus efeitos ao §1º, daquele artigo, que por sua vez, o vincula ao artigo 3º, da citada norma, estendeu os efeitos da vedação, destinada a empresa comercial exportadora, a todas hipóteses de creditamento previstas nos incisos desse último artigo. Além disso, pela própria dicção do §4º, verificase que a intenção do legislação foi de restringir o direito ao crédito do PIS e da COFINS a todas despesas vinculadas à receita de exportação e, não apenas em relação as mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições. Neste sentido, transcrevo as ementas extraídas dos processos consulta nºs 354/09 e 69/12, da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF, 8ª e 4ª Região Fiscal, no sentido de vedar a apuração de créditos na forma do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003 sobre despesas vinculadas à exportação, a saber: EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. É vedado à empresa comercial exportadora apurar créditos da Cofins, na forma do disposto no art.3º, da Lei nº 10.833, de 2003, relativamente a despesas de frete, armazenagem, aluguel, energia elétrica, depreciação de maquinários, despesas com água e outras assemelhadas, por expressa disposição legal contida no art. 6º, §4º, do mesmo diploma. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARMAZENAGEM. Poderá ser descontado crédito relativo à Cofins calculado sobre a despesa com armazenagem de mercadoria a ser exportada, desde que não se trate de empresa comercial exportadora, que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, e atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, com alterações, arts.3º, IX, e 6º, §1º. Fl. 332DF CARF MF 6 No presente caso, a Recorrente, na qualidade de empresa comercial exportadora, adquiriu mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando, assim, por total imposição normativa, vedado o aproveitamento de crédito. Portanto, independentemente do fato de incidir a COFINS sobre as despesas de frete e armazenagem, fato é que a legislação veda a tomada de créditos quando referidas despesas estão vinculadas à exportação. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização que glosou os créditos apurados pela Recorrente com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003. III.2 Crédito Presumido: Operação de Hedge O relatório de diligência fiscal assim se pronunciou sobre o tema: "38. Quanto a segunda questão, verificar se a base de cálculo adotada pela interessada em relação às receitas financeiras foi o valor das variações ativas (utilizando como crédito as variações passivas) ou o resultado (diferença entre as variações ativas e passivas). 39. Analisando as planilhas ANEXO II e III doc. pág. (202 e 203) do processo 15956.000314/200856 a fiscalização utilizou como base a diferença entre a variação do ganho e da perda do hedge. Em decorrência dessa apuração, a fiscalização realizou glosas em decorrência dessa apuração sobre o valor líquido apurado. 40. E, conforme rege a legislação na época dos fatos fev/04 a dez/04 o artigo 84 da Lei 10.833/03, em sua redação original, permitiu às pessoas jurídicas não financeiras o desconto de créditos da COFINS calculados sobre as perdas apuradas nas operações de hedge, conforme transcrição abaixo: Art. 84. A pessoa jurídica nãofinanceira, sujeita à incidência não cumulativa da COFINS, que realizar operações de hedge em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, poderá apurar crédito calculado sobre o valor das perdas verificadas no mês, nessas operações, à alíquota de até 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito do disposto no caput, consideramse hedge as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O crédito presumido a que se refere o caput, no caso das operações de hedge realizadas no mercado de balcão, somente será admitido quando referidas operações forem registradas nos termos da legislação vigente. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o O disposto neste artigo fica limitado às operações que atendam às normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, que poderá observar, na caracterização das operações de hedge, critérios Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10840.003585/200413 Acórdão n.º 3302004.103 S3C3T2 Fl. 5 7 estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários.(Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) 41. Cabe, conforme §2º, do art.84 da Lei 10.833/03, a retificação dos valores glosados e acatar o valor do crédito presumido de hegde conforme planilha elaborada pela impugnante doc. pág. (1.1661.170) do processo 15956.000314/200856, especificamente a linha 22Outros Créditos a Descontar Crédito Presumido de Hedge. Por sua vez, a Recorrente concordou com a conclusão do relatório de diligência, conforme se verifica na manifestação carreada às fls. fls.2.1692.201, tornandose, assim, incontroverso o direito do contribuinte apurar e utilizar os créditos relativos as operações de Hedge, cujo montante apurado perfaz a quantia de R$ 273.082,03 (vide planilha carreada às fls. 1.171). Deste modo, a glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge deve ser totalmente revertida. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.720003/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014
IPI. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Não sido apresentada qualquer documentação embasadora do crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal. Com efeito, não basta a simples alegação de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal, a qual determinou o montante final exigido pelo auto de infração, devendo o contribuinte se desincumbir do ônus da prova de mostrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de seu direito, nos moldes do artigo 373, inciso II do Código de Processo Civil.
CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO.Não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Não sido apresentada qualquer documentação embasadora do crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal. Com efeito, não basta a simples alegação de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal, a qual determinou o montante final exigido pelo auto de infração, devendo o contribuinte se desincumbir do ônus da prova de mostrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de seu direito, nos moldes do artigo 373, inciso II do Código de Processo Civil. CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO.Não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 72 00 03 /2 01 6- 65 Fl. 347DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), acrescido de multa de oficio de 75%, além de juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento recorrido, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão n. 0960.387, exarado pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), in verbis: As razões do lançamento, que alcançou a soma de R$ 525.381,24, estão pormenorizadas no Termo de Verificação Fiscal, que assim vai em apertado resumo: “constatouse que muitos dos saldos de IPI a recolher apurados nos livros Registro de Apuração do IPI não foram declarados em DCTF ... Portanto, lançamos, de ofício, os saldos de IPI a recolher acima discriminados, os quais serão cobrados em processo administrativo de Auto de Infração. Observese que, com a única exceção de agosto de 2012, os débitos acima indicados também não foram pagos. Quanto a este mês, apesar de não haver sido o respectivo débito declarado em DCTF, o contribuinte efetivamente recolheu o saldo constante de sua escrituração. Entretanto, como não houve a concretização do autolançamento, por meio da inclusão do débito na mencionada Declaração, apesar de intimado e reintimado a retificála, cabe à autoridade tributária suprir a lacuna deixada pelo sujeito passivo, promovendo o lançamento de ofício deste montante. Falta de Escrituração do IPI Intimada, no item 6 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a justificar a diferença entre o total destacado de IPI nas notas fiscais de saídas no mês de agosto de 2013, no valor de R$ 115.048,52, e o efetivamente escriturado no RAIPI1 do mesmo mês, no importe de R$ 95.784,19, a empresa admitiu, em sua Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 334 3 resposta, ter "debitado erroneamente os valores apurados" nas notas fiscais indicadas na intimação, "devido a inconsistências de lançamentos em sistemas de informática". Desta forma, a diferença apurada, de R$ 19.264,33, será adicionada aos débitos do mês em referência na reconstituição da escrita, que será feita mais adiante, para fins de cobrança. Quanto à nota fiscal n° 005262, também houve admissão de equívoco pelo lançamento a menor, devido, desta vez, a "benefício de redução da base de cálculo do ICMS", o que teria levado o contribuinte a erro no cálculo do IPI, quando teria aplicado o mesmo raciocínio à base de cálculo do imposto federal. As diferenças apuradas, (...), deverão, por conseguinte, ser adicionadas aos débitos de IPI na reconstituição da escrita... Estorno de Créditos Básicos de IPI Material de Uso ou Consumo, Mercadoria Recebida em Demonstração e Nota Fiscal não Localizada 0 atual Regulamento do IPI, em seu artigo 226, inciso I, faculta ao contribuinte o crédito de IPI "do imposto relativo a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente ". Claro está, portanto, que em relação aos materiais destinados ao uso ou consumo ou recebidos em demonstração, por não serem diretamente utilizados na industrialização de produtos tributados, não é permitida a escrituração do IPI destacado nas notas fiscais de sua aquisição. Evidente também que, se a empresa não logra comprovar a aquisição de seus insumos, tornase impossibilitada de se creditar do imposto pelo qual alega ter sido onerada. Nos termos do art. 251 do RIPI/2010: "Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: 1 nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; (...) "Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte declarou não ter localizado a nota fiscal de entrada n° 002547 de 30/12/2003, reconhecendo que o IPI creditado deveria ter sido estornado de seus livros fiscais. Fl. 349DF CARF MF 4 Também admitiu ter se creditado indevidamente do imposto indicado na nota fiscal n° 343275, de 24/03/2012, cujos produtos destinaramse a uso e consumo, o mesmo ocorrendo para a nota fiscal de n° 20661, de 15/07/2013, mas cujos materiais foram recebidas para demonstração. ... A partir da reconstituição efetuada, gerouse o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DIFERENÇAS A COBRAR", constante do Auto de Infração, no qual se determinam, afinal, os valores outros a serem cobrados, diversos dos saldos devedores apurados espontaneamente nos livros fiscais. A insurgência deuse nos termos seguintes: Consoante já ressaltado alhures, o Auto de infração lavrado imputou à Impugnante o não recolhimento ou recolhimento a menor do IPI em virtude do pretenso creditamento indevido do imposto destacado nas notas fiscais de compra de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagens realizadas pela empresa. Todavia, a fiscalização autuante deixou de considerar grande parte dos créditos do imposto relativo ao IPI incidente na compra de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem incidentes nas compras realizadas pela Impugnante, inclusive nas aquisições realizadas de comerciantes atacadistas, o que, de acordo com a legislação vigente, não impede o direito ao creditamento. Da mesma forma, a fiscalização autuante deixou de considerar o creditamento relativo às devoluções de mercadorias realizadas pelos adquirentes dos produtos fabricados pela Impugnante, o que, a teor do disposto no §1° do artigo 163 do RIPI/02, tem o condão de anular os débitos do imposto devido na saída dos produtos devolvidos. DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DO IMPOSTO NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO AUTUANTE PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE A fiscalização autuante, ao lavrar o mencionado auto de infração, deixou de considerar grande parte dos créditos do imposto relativo às aquisições de MP, PI e ME| amesquinhando o princípio da não cumulatividade, consoante se passa a demonstrar. DA POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DAS AQUISIÇÕES REALIZADAS DOS COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS Consoante estabelecido acima, o contribuinte faz jus ao creditamento presumido do IPI nas aquisições realizadas de comerciantes atacadistas não contribuintes do imposto, mediante a aplicação da alíquota respectiva do IPI sobre cinquenta por Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 335 5 cento do valor da nota fiscal de compra, gerando, pois, ao adquirente, crédito presumido de 50% do valor do imposto. Do DIREITO AO CREDITAMENTO DOS VALORES RELATIVOS ÀS DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS Além disso, não foram considerados pela fiscalização os créditos do imposto relativo às devoluções dos produtos industrializados realizadas pelos adquirentes. Segundo estabelece o §1° do artigo 225 do RIPI, o contribuinte do imposto tem o direito de se creditar do IPI destacado nas notas fiscais de saídas dos produtos industrializados, quando os produtos forem devolvidos pelo adquirente, de forma a anular o débito do imposto devido quando da saída dos produtos. Do DIREITO AO CREDITAMENTO DA ENERGIA ELÉTRICA UTILIZADA NO PROCESSO PRODUTIVO Noutra senda, a fiscalização autuante deixou de considerar como créditos do imposto os valores relativos à energia elétrica, ainda que a mesma esteja classificada na Tabela do imposto como produto não tributado pelo IPI. Tal creditamento se mostra perfeitamente viável e em consonância com o princípio da não cumulatividade, eis que o direito ao abatimento é devido pelo simples fato de que o tributo possa, em tese, incidir sobre tais operações, sendo certo que o direito à compensação deve ser integral. MULTAS EXORBITÂNCIA DA COBRANÇA ...as multas aplicadas têm natureza nitidamente confijscatória, violando o Princípio do NãoConfisco, eis que gravam sobremaneira o patrimônio da Autora, devendo ser anuladas. Sobreveio então o citado Acórdão 0960.387, da 4ª Turma da DRJ/JFA, dando provimento parcial à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014 IPI. CRÉDITOS ALEGADOS E NÃO COMPROVADOS. ILEGITIMIDADE ARGUMENTATIVA. Os créditos alegados na impugnação devem ser devidamente comprovados por via documental sob pena de ilegitimidade por carência de lastro. NORMAS COMPLEMENTARES. MULTA CONFISCATÓRIA. DESCABIMENTO DE FORMAÇÃO DE JUÍZO PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. A discussão acerca do suposto aspecto confiscatório da multa aplicada nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 tem contornos de questionamento de validade de norma jurídica em Fl. 351DF CARF MF 6 pleno vigor, o que extrapola o perímetro de atuação do julgador administrativo. IPI. CONCEITO DE MATÉRIA PRIMA. ILEGITIMIDADE DE APROVEITAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 19, a energia elétrica não se amolda no conceito de matériaprima empregada no processo produtivo. IPI. SALDO DEVEDOR RECOLHIDO. FALTA DE DECLARAÇÃO NA DCTF. LANÇAMENTO INDEVIDO. Em se tratando de saldo devedor devidamente recolhido, não há de ser legítimo o lançamento de oficio por simples falta de declaração na DCTF. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 327/343, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 06/07/2016, conforme informação AR de fls. 325 e apresentou em 03/08/2016 o recurso voluntário de fls. 327/343, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, então dele tomo conhecimento. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pelo DRJ estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Permanece, assim, incólume o Acórdão a quo sobre a eliminação do montante de R$ 38.034,01, referente ao período de apuração de agosto/2012, haja vista que o valor em questão foi devidamente recolhido pela Recorrente. Passo à análise dos argumentos apresentados no recurso voluntário. 1. Sobre a existência de crédito de IPI não considerado pela autoridade lançadora A Recorrente brada pelo reconhecimento de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal (créditos básicos relativos à aquisição de MP, PI e ME; créditos presumidos nas aquisições de atacadistas não contribuintes e créditos decorrentes de devoluções de mercadorias), a qual determinou o montante final exigido pelo presente auto de infração. Ocorre que, como bem observou a decisão recorrida, nenhum único documento (notas fiscais, CFOPs, livros, descrição das operações etc) foram trazidos pela Recorrente aos autos para demonstrar o direito que pleiteia. Tal situação não foi alterada pela interposição do recurso voluntário, igualmente despido de qualquer tentativa probatória. A Recorrente, isto sim, apresenta apelo abstrato sobre o direito em tese, trazendo a baila os dizeres constitucionais sobre o princípio Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 336 7 da não cumulatividade do IPI, bem como citações doutrinárias sobre o tema. O direito em concreto, entretanto, permaneceu desamparado. Assim, lembrando que a autuação fiscal versa sobre a saída de produto sem lançamento do IPI, por falta de declaração do saldo devedor escriturado, pela falta de escrituração de débito lançado em Nota Fiscal e por crédito básico indevido, entendo que a Recorrente não foi capaz de suprir o ônus da prova que lhe incumbia para qualquer alteração do lançamento tributário. Com efeito, a Recorrente não logrou êxito, nesse processo, em provar fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, do art. 36, da Lei nº 9.784/99 e do artigo 373 do Código de Processo Civil. Percebase que tal entendimento não implica, como alega a Recorrente, em qualquer amesquinhamento do direito ao crédito decorrente do princípio da não cumulatividade do IPI, mas sim denota a impossibilidade de transposição do problema da falta de comprovação do direito creditório. Em abstrato, não há dúvida sobre o direito ao crédito, porém este deve ser demonstrado in concreto, o que não ocorreu no presente processo. Assim, não é possível concordar com a imprecisão do trabalho fiscal aventada pela Recorrente, devendo ser mantido o lançamento tributário nesse ponto. 2. Sobre o direito ao crédito pela aquisição de energia elétrica Outrossim, a Recorrente afirma que a Autoridade Fiscal deveria ter reconhecido o crédito de IPI decorrente da contratação de energia elétrica. Porém, não é possível concordar com tal alegação. Isto porque a energia elétrica não se enquadra no conceito de insumo para fins de creditamento do IPI, uma vez que não é matéria prima ou produto intermediário, não integrando o produto novo, tampouco sendo consumida em contato direto com o produto no processo de industrialização. Lembremos de onde advêm tais conclusões. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente Diante de muitas dúvidas e disputas, o alcance da expressão "consumidos no processo de industrialização", ela foi fixada no Parecer Normativo CST n° 65/79, nos seguintes termos: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos 'que embora não se integrando ao Fl. 353DF CARF MF 8 novo produto, forem consumidos no processo de industrialização.' (...) 10.2 A expressão 'consumidos...' há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Também o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, já dispunha que: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.”. Em outros termos “devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo,” como bem ressaltou o Conselheiro Ivan Allegretti no Acórdão 3403003.446. Especificamente quanto à energia elétrica, a jurisprudência desse Conselho vem caminhando no sentido proposto por esse voto, conforme se depreende das ementas a seguir colacionadas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002 Ementa: CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A energia elétrica não se subsume ao conceito de insumo esculpido no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. (Processo n. 13898.000652/200217, Acórdão 3402002.380) Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 337 9 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ISENTOS. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO. Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados pelo IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO. não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado (Número do Processo 15956.000128/200655, Acórdão 3102002.394) Inclusive, a despeito de não tratar especificamente do crédito básico de IPI, mas do presumido, entendo que se aplica ao caso o enunciado veiculado pela Súmula CARF n. 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. A aplicação do enunciado sumular decorre da própria lei, já que o parágrafo único do artigo 3º da Lei n° 9.363, de 1996,1 determina a utilização subsidiária da legislação do IPI com relação aos conceitos de produção, MP, PI e ME. 1 Art. 3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 355DF CARF MF 10 Assim, tendo em vista a necessidade de que o insumo esteja atrelado ao consumo do produto em função de ação direta em sua fabricação para que seja legítimo o crédito presumido de IPI, entendo que não merece reforma o acórdão recorrido quando não aceitou os créditos decorrentes da aquisição de energia elétrica no caso concreto. 3. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer da questão da confiscatoriedade da multa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.009833/2004-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EXCESSO DE DESTINAÇÃO DO IMPOSTO AO FINAM. DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, torna-se definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondo-se o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor.
Numero da decisão: 9101-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO. Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, tornase definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondose o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 33 /2 00 4- 41 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ, diante da constatação de imposto recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES, referente a fatos geradores ocorridos em 31/03/1999 e 30/06/1999. Conforme Relatório da Ação Fiscal (fl.7), mesmo após receber o extrato das aplicações em incentivos fiscais referente ao anocalendário 1999, em 23/09/2002, que informava ao Contribuinte da rejeição de sua opção, não houve apresentação do PERC no prazo estipulado pelo ADE 96/2002. Vale a transcrição dos seguintes trechos do referido relatório: [...] No anocalendário de 1999, a empresa aplicou recursos no FINAM mediante o recolhimento por meio Documento de Arrecadação (DARF), no código 1825 (extrato do Sistema SINAL de fl. 12). Através da entrega da DIPJ (fls. 14 a 117), relativa ao anocalendário de 1999, a contribuinte complementou sua opção no FINAM, conforme ficha 16 (fl. 46)[...]. Por meio do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais IRPJ/2000, anocalendário 1999, recebido em 23/09/2002 (fls. 119 a 121), a empresa teve sua opção rejeitada, visto que incidiu nas ocorrências 5 (Redução de valor por erro na apuração da base de cálculo) e 14 (contribuinte omisso de DIRF, DITR, e/ou DCTF' Lei 9.069/95). (Grifouse) De acordo com informação constante do processo n° 11080.009458/200430, doc. de fl. 04 (cópia anexada na fl. 122), não houve manifestação, por parte do interessado, referente ao citado Extrato no prazo legal que, no anocalendário de 1999, foi até o dia 28/02/2003, em consonância com o ADE/CORAT nº. 96, de 19/02/2002. (Grifouse) A impugnação proposta pelo Contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento a ele negou provimento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 EXCESSO DE DESTINAÇÃO DO IMPOSTO AO FINAM. DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 281 3 Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, tornase definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondose o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor. Recurso de Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. Sobre a demonstração da divergência alega que no Acórdão 1101.00 239, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, entendeu que o prazo para apresentação do PERC é o prazo quinquenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, não aplicando o prazo previsto no ADE 96/2002. Em suas razões, alega o Contribuinte que o ADE 96/2002 dispõe de forma diversa do CTN sobre os prazos de decadência e prescrição (arts. 168 e 173), de modo que tornase ato ilegal, por ferir a hierarquia normativa. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “O acórdão paradigma, ao analisar a entrega do PERC que foi indeferido pela autoridade administrativa por ter sido apresentado depois de esgotado o prazo estipulado no Ato Declaratório Executivo Corat nº 96/2002, entendeu que o prazo para a apresentação do PERC é de cinco anos contados da entrega da declaração de rendimentos, aplicando por analogia o prazo previsto no art. 168 do CTN para pleitear a restituição de indébito. O acórdão recorrido, por sua vez, ao examinar a mesma situação manteve o indeferimento do PERC, por ter sido apresentado depois de esgotado o prazo estipulado no Ato Declaratório Executivo Corat nº 96/2002.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Que o artigo 168 do CTN não incide no caso em tela pois trata de prazo para a restituição do pagamento indevido (referente ao tributo) e, na hipótese vertente, tratase de prazo para requerimentos de incentivos fiscais, mais especificamente, referentes às opções pelo FINAM, FINOR ou FUNRES; ü Que em contraposição à tese que defende a aplicação, por analogia, do prazo do art. 168 do CTN, como prazo para apresentação do Fl. 281DF CARF MF 4 PERC, o acórdão nº 180200.331 expõe as deficiências desse entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o Recurso Especial interposto. Como visto, a questão a ser aqui debatida resumese no prazo para apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido em incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES, conforme dispõe os artigos 592 e 593, do RIR/99, verbis: Art. 592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). Art. 593. O valor do imposto recolhido na forma dos arts. 454 e 455, mantidas as demais disposições sobre a matéria, integrará o cálculo dos incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES (Lei nº 8.541, de 1992, art. 11). Para tanto, as pessoas jurídicas poderão manifestar a opção na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente, a teor do artigo 601, do RIR/99: Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento. À época, inexistia legislação regulamentando o prazo para apresentação do PERC, tal qual ocorreu posteriormente com o Decreto nº 7.574/2011, artigo 126, §2º, que assim dispõe: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 282 5 § 2º O pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais deve ser apresentado, salvo prazo maior concedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: I no prazo de trinta dias, contados da ciência do extrato no qual as opções não aparecem formalizadas ou se apresentam com divergências (DecretoLei nº 1.752, de 1979, art. 3º; Decreto no 70.235, de 1972, art. 15); ou II até o dia 30 de setembro do segundo ano subsequente ao exercício financeiro a que corresponder a opção, no caso de não recebimento do extrato (DecretoLei no 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 15, § 5º, com redação dada pelo Decreto Lei no 1.752, de 1979, art. 1o). Contudo, a interpretação das regras existentes à época já levava à conclusão de que o procedimento era semelhante ao regulamentado no Decreto acima descrito. O §4º, do artigo 603 do RIR/99, determinava o prazo de 30 de setembro do terceiro ano subsequente ao anocalendário a que corresponder a opção para os contribuintes reclamarem os títulos pertinentes aos valores destinados aos Fundos; e o §5º, do mesmo artigo dispunha que Receita Federal, expediria, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento, nos seguintes termos: Art. 603. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada anocalendário, aos Fundos referidos no art. 595, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes (DecretoLei nº 1.376, de 1974, art. 15, e DecretoLei nº 1.752, de 31 de dezembro de 1979, art. 1º). (...) § 4º Reverterão para os fundos de investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a opção (DecretoLei nº 1.376, de 1974, art. 15, § 5º, e Decreto Lei nº 1.752, de 1979, art. 1º). (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento (DecretoLei nº 1.752, de 1979, art. 3º). A conclusão da interpretação sistemática dessas normas é no sentido de que não recebido o extrato o contribuinte possuía até o dia 30 de setembro do terceiro ano Fl. 283DF CARF MF 6 subsequente ao anocalendário da opção para reclamar seus títulos; recebido o extrato invalidando, total ou parcialmente a opção, o prazo seguiria o padrão para defesa em processo administrativo fiscal. Tanto é assim que no corpo dos referidos extratos já constava o referido prazo, conforme se pode ver do documento de folhas 154 dos presentes autos, cuja cópia parcial se colaciona abaixo: Para o anocalendário de 1999, entretanto, em função do ADE 96/2002 esse prazo foi estendido, mas, conforme o documento acima mencionado, esse novo prazo foi observado no presente caso. Importante aqui transcrever os termos do referido ADE: O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA em exercício, no uso de suas atribuições, declara: Art. 1º Os Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativos às opções pelo FINAM, FINOR ou FUNRES, manifestadas em relação ao imposto de renda devido no anocalendário de 1999, na forma do art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, poderão ser apresentados até 28 de fevereiro de 2003 à unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio fiscal da pessoa jurídica. Pois bem. Conforme as regras aqui mencionadas não se pode entender que não havia previsão normativa à época sobre o prazo de apresentação do PERC, como pretende o contribuinte. Logo, não há como se aplicar as regras que tratam do prazo para restituição/compensação de tributos, contidas no CTN para apresentação do PERC. Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 283 7 Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.006166/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para (i) considerar não alcançada pela decadência a competência 12/2000 e (ii) para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101. 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTA CATARINA TURISMO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 61 66 /2 00 7- 21 Fl. 161DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para (i) considerar não alcançada pela decadência a competência 12/2000 e (ii) para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI NFLD DEBCAD nº 37.002.6985, à efl. 02, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 07/08/2006 (efl. 53), com relatório fiscal às efls. 48 a 52. O lançamento visou à constituição de créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações de pessoas físicas, por serviços prestados à contribuinte, considerados pela fiscalização como segurados contribuintes individuais, correspondentes a parte da empresa, e as relativas a Terceiros (SEST e SENAT). O crédito lançado atingiu o montante de R$ 9.581,51, consolidado na data de 31/07/2006, para o período de apuração de 01/05/1999 a 30/09/2005. A NFLD foi impugnada, às efls. 54 a 60, em 17/08/2006. Já a Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis, na DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 20.4014/0518/2006, prolatada em 07/11/2006, às efls. 79 a 85, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/08/2007, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 88 a 96, argumentando, em síntese que: § seria inconstitucional a exigência de depósito recursal; § haveria decadência do direito de o fisco constituir o crédito que exigiu, pois em se aplicando o critério de contagem do art. 173, inciso I, do CTN, o prazo teria sido extinto em 21/12/2005; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 162 3 § haveria nulidade da notificação de lançamento por ter sido desrespeitado o prazo de fiscalização sem prorrogação em tempo hábil para sua execução. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento em 15/03/2011, resultando no acórdão 280300.535, às efls. 109 a 116, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. EXTRAPOLAMENTO DE PRAZO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos Fl. 163DF CARF MF 4 valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de declarar decadentes os créditos lançados com base em fatos geradores anteriores à 1º de janeiro de 2001, bem como que à multa moratória sobre os créditos constituídos e declarados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, e quanto aos créditos constituídos por ofício que deve ser aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa escalonada do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. Os Conselheiros Oséas Coimbra Junior e Eduardo de Oliveira divergiram quanto a aplicação da multa. Embargos de declaração da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão em 30/06/2011 (efl. 118), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração a ele, em 01/07/2011, à efl. 120. A Procuradora pleiteia a retificação da contagem do prazo decadencial do acórdão, pois ao ser nele adotado como fundamento da decadência de períodos lançados, o art. 173, inciso I do CTN, a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o fisco poderia proceder ao lançamento implicaria não existir decadência relativamente à competência de 12/2000. Apreciando os embargos, o Presidente da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, no despacho nº 280313, em 24/04/2012, às efls. 122 a 124, rejeitou tais embargos, entendendo que a Procuradoria não indicou, especificamente, obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado. RE da Fazenda Nacional Intimada, em 27/09/2012 (efl. 126), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs, às efls. 128 a 138, recurso especial de divergência RE ao citado acórdão, em 28/09/2012, entendendo que o aresto diverge de dois entendimentos firmados no CARF: a) no tocante à decadência, com efeito sobre a competência de 12/2000 e b) no tocante à aplicação da multa de forma mais benigna à contribuinte. a) Da decadência Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 163 5 Diverge o recorrido em não proceder à contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, especificamente em relação ao mês de dezembro de 2000, indo de encontro aos acórdãos paradigmas nº 240101.759 e nº 910100.901. b) Da multa Nessa seara, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei n° 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2° do art. 61). Por sua vez, acórdão paradigma nº 240100.120 apresenta o entendimento de que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n" 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Por fim, requer que o RE seja conhecido e provido para que seja reformado o acórdão seguindo os entendimentos esposados nos paradigmas. O RE da Procuradora foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300079/2013, datado de 07/03/201312, às efls. 139 a 144, entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante às duas divergências expostas, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 146) do acórdão nº 280300.535, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2300079/2013, em 24/04/2013. Ela apresentou contrarrazões ao RE, em 08/05/2013, às efls. 148 a 156, combatendo que deva o CARF se jungir ao decidido pelo STJ com base em determinação de Portaria do Ministério da Fazenda, que entende nula, e invocando cerceamento de defesa por alegado descumprimento do prazo previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Por fim, invoca a manutenção da exegese do relator do acórdão recorrido em matéria de decadência, bem como no tocante à retroatividade benigna na aplicação da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 165DF CARF MF 6 Inicialmente, cabe ressaltar que o argumento trazido pela contribuinte em contrarrazões, relativamente a suposto cerceamento de defesa por desrespeito ao prazo do § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 é matéria estranha ao RE aqui sob questionamento. Entendese que poderia a contribuinte ter interposto recurso Especial de Divergência a respeito dessa matéria, caso tivesse apresentado paradigmas que contrariassem o decidido com relação ao seu recurso voluntário, mas não é o que se encontra no documento de efls. 148 a 156, por isso tomado apenas como contrarrazões. Assim, serão analisadas as divergências pela ordem exposta no relatório acima. a) Da decadência A discussão sobre a decadência cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fazendo com que não tenha havido decadência relativamente ao período de apuração de dezembro de 2000. b) Da multa Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 164 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 167DF CARF MF 8 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 165 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 169DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 166 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 171DF CARF MF 12 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar o critério de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para: (a) considerar não decaído o direito de constituição do crédito tributário relativo aos fatos ocorridos em dezembro de 2000 e (b) para que haja a apuração da multa de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 167 13 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.007336/2010-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS.
A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços.
Numero da decisão: 9303-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto aos juro de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto aos juro de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 73 36 /2 01 0- 96 Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.961 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3301001.612, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que sejam excluídos das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins os valores das receitas de vales pedágios e das receitas de fretes de transportes de produtos destinados à exportação, efetivamente comprovadas, nos termos do art. 40 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, cabendo a autoridade administrativa competente, apurar novos valores para o PIS e Cofins, em virtude daquelas exclusões, acrescendolhes as cominações legais, juros de mora e multa de ofício, no percentual de 75,0%, sendo que os juros de mora sobre a multa de ofício somente são cabíveis depois de decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Curitiba que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro a novembro de 2009. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os efetivamente devidos, apurados com base nos documentos fiscais e contábeis da recorrente, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de cada um dos Autos de Infração e termo de verificação fiscal às fls. 262/267. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0631.754, datado de 18/05/2011, às fls. 478/487, sob as seguintes ementas: “IMUNIDADE. INTERPRETAÇÃO. Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.962 3 RECEITA DE PEDÁGIO. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da legislação de regência, somente os valores correspondentes aos valepedágios recebidos são excluídos da base de cálculo da Cofins. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. BASE DE CÁLCULO. Os valores que, computados como receita, foram repassados para outras pessoas jurídicas em razão da subcontratação de serviços (fretes), não podem ser excluídos do faturamento, constituindo, assim, base de cálculo da Cofins. PEDÁGIO. RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da legislação de regência, somente os valores correspondentes aos valepedágios recebidos são excluídos da base de cálculo do PIS. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. BASE DE CÁLCULO. Os valores que, computados como receita, foram repassados para outras pessoas jurídicas em razão da subcontratação de serviços (fretes), não podem ser excluídos do faturamento, constituindo, assim, base de cálculo do PIS. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal.” O acórdão de decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. VALES PEDÁGIO. EXCLUSÃO. As receitas de vales pedágio não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. FRETES DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. As receitas de fretes no transporte de produtos destinados à exportação gozam da suspensão da contribuição, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.963 4 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. VALES PEDÁGIO. As receitas de vales pedágio não integram a base de cálculo da contribuição para a Cofins. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. FRETES DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. As receitas de fretes no transporte de produtos destinados à exportação gozam da suspensão da contribuição, devendo ser excluídas da base de cálculo da Cofins. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de crédito tributário, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando a incidência de PIS e Cofins sobre receitas relativas a vale pedágio, bem como, a incidência dos juros sobre a multa de ofício a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento ao mês. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foram apontados como paradigmas, o Acórdãos nºs 2302002.054 e 910100.539. Em seguida, o recurso teve seguimento em razão de ter sido comprovada a divergência jurisprudência no sentido de que o acórdão recorrido decidiu que os juros sobre a multa de ofício incidem somente após 30 dias contados da decisão administrativa definitiva, enquanto o paradigma entende que os juros incidem sobre a multa de ofício a partir do 31º dia do lançamento, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 558/561. Nada obstante, do reexame de admissibilidade, o Presidente do Carf, decidiu por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto à matéria “2 – Termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, fls. 562/563. Por outro lado, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, requerendo que seja recebido e processado em face das divergências jurisprudenciais demonstradas, e ao final seja provido para reformar parcialmente a decisão recorrida para excluir do lançamento da Cofins e do Pis o valor de repasse do frete a terceiro subcontratado para a prestação do serviço Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.964 5 de transporte, e excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foram apontados como paradigmas, os Acórdãos nºs 910100.722 ( PIS e COFINS Juros sobre a multa de ofício) e 20177.020 (Pis e Cofins – Base de Cálculo – Exclusão das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de fretes). Em seguida, o recurso teve seguimento especialmente quanto a incidência ou não de juros sobre a multa de ofício, bem como, a inclusão ou não das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de frete, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls.623/625. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls.627/632. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese em relação ao termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, e a exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de fretes. Com efeito, quanto ao Recurso da Fazenda Nacional, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.126, de 07 de junho de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, versando sobre a mesma matéria, bem como, sobre o termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.965 6 por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verse á o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.966 7 Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.967 8 Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.968 9 enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Neste sentido, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Neste ponto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso da Contribuinte, esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, já se manifestou por meio do Acórdão nº 9303004.569, julgado em 8 de dezembro de 2016, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo Pôssas, pela impossibilidade de exclusão do PIS/COFINS na sub contratação de Frete, por se tratar da mesma matéria, adoto o referido acórdão como fundamento em minhas razões de decidir, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Negado Não cabe razão à recorrente no que se refere ao mérito do Especial no particular, porquanto a subcontratação de fretes não é hipótese de exclusão 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.969 10 da base de cálculo do PIS e da Cofins incidente sobre empresas cujo objeto social contenha "serviços de transportes de carga". A decisão recorrida assim pontifica sobre o tema: (...) Inicialmente, contesta o entendimento da DRJ no sentido de que a sua condição de "intermediária" é que seria fator determinante para a negativa do pleito; não, não o é, pois o que deve prevalecer neste caso são os dispositivos legais do PIS/Pasep e da Cofins que estabelecem a forma com que se dá a incidência de tais contribuições. E sob tal enfoque, entendo que a Recorrente não tem razão, visto que, a teor da redação que prevalecia à época dos fatos, qual seja a do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, "Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", mais o enunciado do § 2° do mesmo artigo, que tratava das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se vislumbra a situação ora em julgamento, não há nenhuma outra previsão para que sejam excluídos da base de cálculo os valores repassados a terceiros por conta da intermediação na prestação de serviços de fretes. A esse passo, vale referir que o Supremo Tribunal Federal, ao tempo em que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins também fixou entendimento no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose também aos valores decorrentes da soma de outras atividades empresariais: "O conceito de receita bruta sujeita a incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 71106, DJ de 151206). Fechando o raciocínio, vale admoestar que o faturamento como receita bruta oriunda das atividades empresariais, à luz da interpretação conferida pela nossa Corte Suprema, é a receita operacional. E como a recorrente tem como objeto social, dentre outros, o transporte rodoviário de cargas em geral, toda a receita oriunda do transportes de cargas, dada sua natureza nitidamente operacional, deve ser entregue para a tributação da COFINS e do PIS. Também foi objeto de apreciação, por parte do acórdão guerreado, a diferença entre a tributação do faturamento e a do lucro: (...) Também não pode aqui ser invocada a regra de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, visto que completamente diferente da do PIS/Pasep e da Cofins, ou seja, enquanto naquele o imposto incide sobre o lucro (receitas, diminuídas das despesas), neste, as contribuições incidem sobre a receita bruta, sem qualquer dedução, ou, pelo menos, da dedução a Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.970 11 que nos referimos neste processo. Assim, a prevalecer o entendimento da Recorrente, a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins restaria totalmente desfigurada, abrindo precedentes para que, por exemplo, o vendedor de mercadorias, retirasse do valor de suas vendas os valores entregues aos seus fornecedores, pelas compras; os prestadores de serviços, os valores dos custos operacionais de mão de obra etc. (...) Nesse diapasão, não há como albergar a tese trazida pela recorrente, de que os serviços de transportes pagos a ela por seus clientes, em função da prestação dos serviços por seus subcontratados, seriam comissões, e os valores recebidos não seriam faturamento dela. Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida não merece qualquer reparo e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2970DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000019/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 568 1 567 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19991.000019/201049 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.591 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2017 Assunto PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos Recorrente EXPORTADORA POÇOS DE CALDAS LTDA. (SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Tratamse de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativos do 1º trimestre de 2006. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 01 9/ 20 10 -4 9 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 569 2 com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.095, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 570 3 fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.380, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de PIS/Pasep referente ao 1º trimestre de 2006. A primeira questão diz respeito às glosas sobre aquisições de café dos fornecedores CERRADO EXPORT e JB BARONI, considerados inidôneos pela fiscalização, que afirmou estar a CERRADO inapta por se tratar de empresa omissa contumaz desde 01/07/2004, enquanto a J B BARONI foi considerada omissa contumaz desde 16/12/2004, data de abertura da empresa. A declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa assim considerada e não produzirá efeitos tributários perante terceiros, os quais assumem o ônus de provar o efetivo pagamento do preço respectivo e o efetivo recebimento dos bens ou da prestação de serviços, conforme disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, a seguir: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 571 4 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A regulamentação coube à RFB que dispôs sobre o assunto nas instruções normativas que tratam do CNPJ, sendo que as declarações de inaptidão foram efetuadas com base na in IN RFB nº 748/2007, conforme informado no despacho decisório: IN RFB nº 748/2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, DSPJ Inativa ou DSPJ Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; ou IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei; Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. [...]Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: [...]III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 572 5 a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. [...]§ 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Art. 49. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta que regularizar sua situação perante a RFB terá sua inscrição enquadrada na condição de ativa. Inferese que a declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos após a data de publicação do ADE ou após a data de ocorrência do fato, conforme o motivo que gerou a declaração, de acordo com o artigo 48 da IN RFB nº 748/2007, mas que tal presunção é relativa e comporta prova em contrário pelo beneficiário dos documentos, mediante a demonstração do efetivo pagamento do preço e do efetivo recebimento das mercadorias. Além disso, a empresa declarada inapta poderia regularizar sua situação e voltar à condição de ativa. Salientase que há algumas inconsistências fáticas no caso em concreto. A fiscalização afirmou que a CERRADO foi declarada inapta por ser omissa contumaz, de acordo com o artigo 48 da IN RFB 748/2007, com efeito a partir de 1º/07/2004. Porém, §3º do artigo 48 da IN dispunha que a inidoneidade de aplicaria aos documentos emitidos após a data de publicação do ADE, o que ocorreu após os fatos geradores (2006), uma vez que com base na IN RFB 748/2007. Além desta inconsistência, o próprio motivo da inaptidão está em desacordo com a informação constante no recurso voluntário, o qual mostra uma tela com inaptidão por inexistência de fato, diferentemente da informação constante no despacho decisório. Em consulta ao sítio da RFB, verificase que a CERRADO está declarada inapta desde 01/03/2010, por inexistência de fato. Em relação à J B BARONI, a inconsistência é similar, pois a acusação foi de ser omissa contumaz, com efeitos a partir de 16/12/2004, o que se mostra incompatível com o §3º do artigo 48 da IN RFB 748/2007, o qual determinava que os efeitos seriam a partir da data de publicação do ADE no caso de omissa contumaz. E tal ADE foi publicado posterior a 2006, pois com base na IN RFB 748/2007, como já se viu. Ainda no recurso voluntário, a J B BARONI se encontra como ativa em 20/12/2011, o que também não comprova a afirmação da recorrente de que a empresa nunca fora declarada inapta, pois pode ocorrer a declaração e posterior reativação como explicita o artigo 49 da referida instrução. Atualmente, esta empresa encontrase baixada por omissão contumaz, conforme tela do comprovante de inscrição extraída em 09/05/2017. Porém, frisese que não foram localizados os referidos ADEs nos autos para se confirmar o motivo e a data de publicação dos referidos. Assim, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem junte os ADEs de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 573 6 declaração de inaptidão mencionados no despacho decisório, identificando o motivo da declaração e a data de produção de efeitos, nos termos da IN RFB nº 748/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720084/2014-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Por os juros incidentes sobre a multa de ofício não comporem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestar-se sobre o assunto.
Numero da decisão: 1402-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a arguição de impedimento dos conselheiros fazendários e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por os juros incidentes sobre a multa de ofício não comporem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestarse sobre o assunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a arguição de impedimento dos conselheiros fazendários e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 84 /2 01 4- 88 Fl. 14665DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.663 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 14666DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.664 3 Relatório Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 02 a 16), do Programa de integração Social – PIS (fls. 33 a 38), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 28 a 32) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 17 a 27), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 54.384.939,81. A acusação trata de omissão de receita devido a constatação de manutenção de saldo credor da conta caixa. O lançamento foi feito por meio de recomposição da conta caixa, servindo como base de cálculo para a tributação da receita omitida, o maior valor do saldo credor da conta no ano de 2011. Os registro contábeis da Recorrente, relativos ao período de 01/01/2011 até 31/12/2011 foram obtidos junto ao SPEED. Para melhor compreensão, vejamos a parte que nos interessa do Relatório Fiscal que fundamentou o lançamento. Fl. 14667DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.665 4 Fl. 14668DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.666 5 Fl. 14669DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.667 6 Fl. 14670DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.668 7 Fl. 14671DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.669 8 Fl. 14672DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.670 9 Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente oferece impugnação (fls. 5.490/5.545), alegando, resumidamente, o seguinte: (para evitar teratologia, utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido). Uma vez que o lançamento teria se embasado em regra presuntiva, e por terem sido apresentados “todos os documentos que lastrearam as operações em questão”, ele não poderia prosperar. A técnica do arbitramento seria medida excepcional e deveria ser afastada “quando o contribuinte apresenta informações suficientes para identificação da realidade material”, o que teria ocorrido no caso em questão. Movimentações de saldo não poderiam ser utilizadas para “configuração da tipicidade imputada a Defendente”. O quadro das fls. 5.504 a 5534 demonstraria as “movimentações de Caixa com os registros agora contabilizados”, o que possibilitaria assim a Receita Federal “validar os movimentos ocorridos na Conta Caixa com a contabilidade nova”. O novo SPED, a ser apresentado, encontrarseia em tramitação na JUCEMAT. Fl. 14673DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.671 10 Haveria necessidade de diligências, o que se solicitou, formulandose os “quesitos” relacionados no terceiro parágrafo da fl. 5.536. A multa de 75% não poderia prevalecer, porquanto não teria havido omissão de receita e porque ela teria efeito confiscatório. A cobrança de juros sobre a multa de ofício seria indevida. Os tributos lançados teriam efeito confiscatório (fl. 5.542). “O auditor ao arbitrar um faturamento, o faz em evidente prejuízo ao contribuinte”. Ato contínuo, a DRJ proferiu o v. acórdão (fls.8558/8564) mantendo integralmente os AIs e negando provimento a impugnação da Recorrente. 4. Consoante a impugnação, o lançamento não poderia prosperar, “na medida que autuação foi embasada apenas na não escrituração contábil, de documentos existentes, logo a presunção relativa deve ser afastada quando da confrontação com a documentação das referidas operações e pela nova escrita”. 5. Não poderia o fisco se valer de “um arbitramento que ensejou lançamento de valores astronômicos, totalmente incompatíveis com a realidade deste Contribuinte, apenas com base em um erro formal, qual seja, a ausência de escrituração da empresa autuada.” 6. O fisco deveria terse pautado pela “realidade material”. Dado que houve a apresentação dos documentos relativos às saídas da conta caixa __ todos os documentos teriam sido postos à disposição da fiscalização __, não haveria por que “lançar mão de medida tão extrema que afronta diretamente os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade”. 7. Se a origem dos recursos que ingressaram na conta caixa está devidamente comprovada pelos registros contábeis, como restou consignado pela autuação, e existem documentos que atestariam a base de cálculo por suposta presunção de ‘omissão de receitas’”. 8. Teria sido apresentada “nova peça contábil, em substituição aos registros anteriores e incompletos, onde será possível a readequação quanto a realidade fática em vista aos documentos existentes e que até então não haviam sido escriturados”, que estaria em tramitação na JUCEMAT (fl. 7.555). 9. Em momento algum teria ocorrido omissão de receitas, “pois apenas movimentação de saldo não podem ser utilizadas para configuração da tipicidade imputada a defendente.” A contabilidade analisada pela fiscalização, “mesmo com os lançamentos que foram feitos de forma a corrigir o que fora apurado, não houve modificação na receita que é a base para Receita Federal do Brasil, inexistindo qualquer omissão propriamente dita.” 10. Todos os pagamentos não contabilizados estariam demonstrados na tabela das fls. 7.525 a 7.555. 11. Não há como acordar com a defesa. O inciso I do art. 281 do RIR, de 1999, fundamento da autuação, tratase de presunção relativa. Fl. 14674DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.672 11 Nesse tipo de regra, restando caracterizado o fato indiciário, temse como certa a ocorrência do fato indiciado; facultase entretanto ao sujeito passivo o direito de apresentar provas no sentido de infirmar a presunção. 12. Foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão: à vista da constatação de saldo credor de caixa (fato indiciário), que dimanou da recomposição da conta caixa, concluiuse pela omissão de receita (fato indiciado), e constituiuse o pertinente crédito por meio de lançamento __ atividade da qual a autoridade administrativa não se pode esquivar, dado que vinculada e obrigatória, consoante Parágrafo único do art. 142 do CTN1. 13. Nesse quadro, cai por terra de antemão a alegação de que não se poderia concluir pela omissão de receita apenas com base no saldo credor da conta caixa. 14. Pelo mesmo motivo, baldadas as alegações de que o valor do crédito seria incompatível com a realidade do contribuinte e de que se teria maculado os princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade __ a verberação de mácula a princípios constitucionais encerra com efeito a suscitação de inconstitucionalidade do dispositivo legal fundamento da autuação, matéria que não é da competência dessa instância julgadora. 15. Consignouse de fato no Termo de Verificação Fiscal o contribuinte apresentara documentos relativos aos pagamentos que ensejariam os lançamentos a crédito da conta caixa. Acontece, eles não foram escriturados, e, mesmo que o fossem, considerandose a manutenção dos demais lançamentos da conta caixa, persistiria o saldo credor apurado pela fiscalização. 16. Ou seja, o lançamento contábil dos pagamentos ensejaria lançamento a crédito da conta caixa e a débito de conta do passivo, resultando o mesmo efeito (no saldo) da glosa dos lançamentos a débito, efetuada pela fiscalização, na conta caixa. Insistase: mesmo que o contribuinte houvesse escriturado os pagamentos, persistiria o saldo credor. Na verdade, ao não se efetuar a escrituração dos pagamentos inflouse a conta caixa de sorte a manter o saldo da conta sempre devedor. 17. Em vão assim a copiosa argumentação acerca da “regularização da escrita contábil”. Em relação aos juros e a multa, forma mantidos nos termos dos AIs. Em seguida a Recorrente apresenta petições de fls. 8566/8615, juntando documentos e requerendo sua juntada extemporânea. Ato continuo, após ter sido devidamente intimada do v. acórdão fls. 8638, interpôs Recurso Voluntário de fls. 8652/8735 e junta novamente diversos documentos de fls. 9695/14655. No Recurso Voluntário a Recorrente repisa os mesmos argumentos da impugnação e inclui a alegação relativa a indevida inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Fl. 14675DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.673 12 Os documentos são: LALUR do exercício de 2011, com apuração trimestral. Speed do período de 2011. (fls. 8748/9694) Contrato de compra e venda de recarga de telefonia do serviço móvel pessoal prépago. Contrato de prestação de serviço de distribuiçãorecarga cartões. Extratos de conta corrente do Banco do Brasil Empresarial e do Bradesco S/A do período de 2011 até 2014. Após a distribuição do Recuso Voluntário, no dia 13/02/2017, a Recorrente aprestou petição aos autos, requerendo o impedimento dos Conselheiros Fazendários, devido a regra de remuneração pelo artigo 5 da MP 765/16, o bônus de eficiência e produtividade na atividade tributária e aduaneira. É o relatório. Fl. 14676DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.674 13 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, antes de se produzir o juízo de admissibilidade do recursal, deve ser analisado o pedido de impedimento dos Conselheiro Fazendários requerido pela Recorrente. Preliminar de impedimento dos Conselheiros da Fazenda, devido a regra de remuneração prevista no artigo quinto, da Medida Provisória 765/16, que instituiu o bônus de eficiência e de produtividade na atividade tributária e aduaneira: Foi juntado pela Recorrente, após a interposição do Recurso Voluntário, petição alegando o impedimento dos D. Conselheiros da Fazenda que compõe este C. Colegiado, devido a instituição do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, previsto no art. 42 do RICARF/MF. Contudo, prevaleceu nesta C. Turma o entendimento de que, após a edição da Portaria nº 01, de 18 de janeiro de 2017, subscrita pelo D. Presidente deste E. CARF dentro de sua competência e atribuições legais, que alterou o artigo 42 do Regimento deste E. Tribunal, a livre apreciação e julgamento pelos Il. Conselheiros desta arguição de impedimento, restou prejudicada. Tal portaria, que alterou o artigo 42 do RICARF/MF instituiu regra regimental e, por consequencia, dever de observância por este Colegiado do alcance dos impedimentos previstos no dispositivo, que determina expressamente a inocorrência de tal óbice jurisdicional dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, aqui concretamente suscitado. Assim, devido a regra regimental instituída pela Portaria 01/17 do Presidente deste E. Tribunal, que alterou dispositivo do RICARF/MF, incluindo expressamente a inexistência de óbice jurisdicional dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional em relação ao bonus de eficiência e produtividade, resta superada tal preliminar incidental, devendo prosseguir o julgamento do presente feito, por todos os julgadores que compõe o Colegiado, que se sentirem aptos para tanto. Admissibilidade recursal. Fl. 14677DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.675 14 O Recurso Voluntário é tempestivo, não contraria nenhuma súmula ou artigo do regimento ou da legislação em vigor, devendo ser admitido. Mérito. A infração trata de omissão de receita devido a manutenção de saldo credor na conta caixa. A Recorrente, apesar de demonstrar a destinação dos recursos, não fez a respectiva contabilização da saída dos respectivos valores da conta caixa. Deixando tais montantes a margem da escrituração e da fiscalização. Ou seja, ocorreram lançamentos a débito, com origem em bancos, que ingressaram no caixa da empresa através de cheques e transferências entre contas da própria Recorrente, sem o correspondente registro a crédito na referida conta. Vejamos o argumento do Agente Fiscal em relação a este ponto, para produzir o lançamento de oficio: Sendo assim, como não foram registrados os pagamentos em questão, restou caracterizada a infração de omissão de receita. A Recorrente, por sua vez, não apresentou documentos passíveis de elidir a acusação fiscal. Os documentos acostados aos autos pela Recorrente, tanto na impugnação, como no Recurso Voluntário, não serviram para afastar o principal ponto da acusação que é a efetiva contabilização da saída dos valores debitados em sua conta caixa, que ingressaram por meio de cheques e transferência de numerários entre suas próprias contas correntes. O v. acórdão recorrido definiu muito bem a infração praticada e não comprovada pela Recorrente: 11. Não há como acordar com a defesa. O inciso I do art. 281 do RIR, de 1999, fundamento da autuação, tratase de presunção Fl. 14678DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.676 15 relativa. Nesse tipo de regra, restando caracterizado o fato indiciário, temse como certa a ocorrência do fato indiciado; facultase entretanto ao sujeito passivo o direito de apresentar provas no sentido de infirmar a presunção. 12. Foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão: à vista da constatação de saldo credor de caixa (fato indiciário), que dimanou da recomposição da conta caixa, concluiuse pela omissão de receita (fato indiciado), e constituiuse o pertinente crédito por meio de lançamento __ atividade da qual a autoridade administrativa não se pode esquivar, dado que vinculada e obrigatória, consoante parágrafo único do art. 142 do CTN. 13. Nesse quadro, cai por terra de antemão a alegação de que não se poderia concluir pela omissão de receita apenas com base no saldo credor da conta caixa. 14. Pelo mesmo motivo, baldadas as alegações de que o valor do crédito seria incompatível com a realidade do contribuinte e de que se teria maculado os princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade __ a verberação de mácula a princípios constitucionais encerra com efeito a suscitação de inconstitucionalidade do dispositivo legal 15. Consignouse de fato no Termo de Verificação Fiscal o contribuinte apresentara documentos relativos aos pagamentos que ensejariam os lançamentos a crédito da conta caixa. Acontece, eles não foram escriturados, e, mesmo que o fossem, considerandose a manutenção dos demais lançamentos da conta caixa, persistiria o saldo credor apurado pela fiscalização. 16. Ou seja, o lançamento contábil dos pagamentos ensejaria lançamento a crédito da conta caixa e a débito de conta do passivo, resultando o mesmo efeito (no saldo) da glosa dos lançamentos a débito, efetuada pela fiscalização, na conta caixa. Insistase: mesmo que o contribuinte houvesse escriturado os pagamentos, persistiria o saldo credor. Na verdade, ao não se efetuar a escrituração dos pagamentos inflouse a conta caixa de sorte a manter o saldo da conta sempre devedor. 17. Em vão assim a copiosa argumentação acerca da “regularização da escrita contábil”. Sendo assim, entendo que restou caracterizado a infração de omissão de receita, permitindo a presunção da Fiscalização nos termos do inciso I do artigo 281 do RIR/99. O fato de a Recorrente ter, após a lavratura dos AIs, alterado sua contabilidade, no caso em epígrafe, entendo não ser suficiente para elidir a acusação, eis que a receita constatada como omissa, não foi tributada nos moldes da antiga escrituração contábil. Fl. 14679DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.677 16 Ademias, como a Recorrente não conseguiu apresentar provas para afastar a acusação, entendo que deve ser mantida em seus termos. Quanto a afirmação da Recorrente, de que a presunção de omissão de receita é relativa e que no presente caso foi utilizada de forma inadequada, entendo que também não merece prosperar, eis que a presunção de omissão de receita é expressamente autorizada pela legislação, no texto do art. 281 do RIR/99 e no do art. 40 da Lei 9.430/96, razão pela qual é improcedente a alegação de que a presunção neste caso é indevida. A presunção posta na lei e utilizada pela Autoridade Fiscal é juris tantum ou relativa, e pode ser elidida por prova em contrário, apresentada pela Recorrente. Quanto a alegação de que a técnica do arbitramento seria mediada excepcional e deveria ser afastada quando o contribuinte apresenta informações suficientes para a identificação da realidade material, bem como, a da afirmação de que as movimentações de saldo não poderiam ser utilizadas para configuração da tipicidade da infração da Recorrente, entendo que não merecerem prosperar, eis que a Fiscalização utilizou o método correto, previsto em lei para a recomposição da conta "caixa". O Agente Autuante, estornou os débitos e créditos referentes a pagamentos de valores que não transitaram na conta, ou que são receita de terceiros, lançando apenas os verdadeiros saldos credores de caixa. Vejamos o que foi feito no lançamento de ofício em epígrafe, conforme Fl. 14680DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.678 17 Assim, entendo que o método utilizado pela Fiscalização, para recompor a conta "caixa" com os maiores saldos credores encontrados, com o fito de determinar a receita omitida, está correta, devendo ser mantido. Em relação a multa e a cobrança de juros sobre a multa, entendo que não assiste razão a recorrente e colaciono os fundamentos do v. acórdão que passam a integra meu voto. Fl. 14681DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.679 18 Da multa, dos juros e do suposto efeito confiscatório dos tributos. 18. Consoante a impugnação, a multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicarseia apenas aos casos de “falta de declaração” e de “declaração inexata”, de modo que, concluiuse, “a multa aplicada no caso concreto, no percentual de 75%”, não poderia prevalecer, porquanto não teria havido omissão de receita e porque teria efeito confiscatório __ o que se contrapôs também quanto aos tributos. 19. A cobrança de juros sobre a multa seria indevida, pois que esta não se trataria de tributo. 20. Não há acordar com a defesa. O comando do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, alcança também os casos de falta de recolhimento ou de pagamento do imposto ou da contribuição. Como visto, pagamento de imposto, ante a constatação de saldo credor de caixa. 21. Quanto à verberação de suposto caráter confiscatório, que com efeito encerra suscitação de inconstitucionalidade dos dispositivos que fundamentam a exação, renovese esta instância não tem competência pra julgar inconstitucionalidade de lei. 22. Por fim, os juros sobre a multa só terão vez no momento da cobrança, não fazendo assim parte do litígio ora em questão. De maneira que não compete a esta instância, neste momento, apreciar o seu cabimento. 23. Por amor ao debate, registrese a exação encontra amparo no art.61 (caput), e § 3º, da Lei nº 9.430, de 19964. Em que pese a interpretação contrária da defesa, não há negar a multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, configurandose regular a incidência de juros a partir de seu vencimento. Erro na base de calculo do PIS/COFINS: Em relação ao erro na base de cálculo do PIS/COFINS, também entendo que não merece prosperar, eis que não existe qualquer registro, no caso em epígrafe, de que o ISS está incluído na base de cálculo do PIS/COFINS. Em segundo lugar, conforme Relatório Fiscal, o Agente Fiscal deduziu da base de cálculo os somatórios das ocorrências anteriores já tributadas. Por fim, o v. acórdão do Recurso Extraordinário que foi indicado pela Recorrente no recurso ora em análise, determinou a exclusão da base de cálculo das Fl. 14682DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.680 19 contribuições do IPI, quando destacado em separado na nota fiscal e de descontos incondicionais ou vendas canceladas. Não trata especificamente do ISS. Diligência e Perícia. Entendo que para o presente caso, a Fiscalização demonstrou perfeitamente a infração e apurou corretamente o crédito exigido por meio deste Auto de Infração, satisfazendo qualquer dúvida que os Julgadores poderiam ter. Assim, entendo ser desnecessária a realização de diligência ou de perícia para o presente caso. Tributação reflexa: A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto e por tudo que conta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego integral provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 14683DF CARF MF
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