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Numero do processo: 10920.721982/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/01/2011
ADESÃO A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
Para o parcelamento de débitos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativo e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas em lei, sendo defeso ao julgador administrativo pronunciar-se sobre a constitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 2202-003.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 31/01/2011 ADESÃO A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. Para o parcelamento de débitos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativo e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas em lei, sendo defeso ao julgador administrativo pronunciar-se sobre a constitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. Para o parcelamento de débitos junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativo e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas em lei, sendo defeso ao julgador administrativo pronunciar se sobre a constitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 19 82 /2 01 1- 18 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 222 2 Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ, fl. 109 e ss.), complementandoo ao final: Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 51.010.2522, no qual se exige da contribuinte o valor de R$ 363.025,94, acrescido de juros e multa de mora de 20%, bem como multa isolada no percentual de 150%, no valor de R$ 544.538,91, cujo débito consolidado em 20/10/2011 corresponde a R$ 1.014.306,37, por força de compensação indevida de contribuição previdenciária, nas competências 10/2010 a 01/2011, conforme AI de fl. 3, Discriminativo do Débito (DD) de fls. 4 e 5 e Relatório Fiscal de fls. 8 a 20. Consta do Relatório Fiscal que a empresa vem declarando em GFIP compensações com supostos créditos, que não restaram comprovados. Consta que a empresa, intimada a comprovar regularidade das compensações, em resposta apresentou cópias de emendas de petição inicial nas ações judiciais 556547.2009.401.3400 (2009.34.00.0056188) e 2009.34.00.0341840, em trâmite na Seção Judiciária Federal do Distrito Federal), tendo por objeto a validade de títulos da dívida pública externa brasileira. Que os representantes da empresa tinham conhecimento de que não dispunham de decisão judicial a amparar o direito à compensação; que a legislação veda a compensação tributária com títulos de tal espécie. (...) Fala restar demonstrado que a empresa inseriu compensações indevidas em GFIP, cujos fatos demonstram que não correspondem à realidade, sendo cabível a multa isolada em dobro, conforme o § 10 do art. 89 da nº 8.212/91. Que apesar da disposição legal contrária ao procedimento da empresa, esta obteve vantagem econômica ilícita, compensando se de contribuições sem autorização legal, mantendo o órgão público em erro, em tese por este meio fraudulento. (...) O sujeito passivo apresentou impugnação por meio do procurador Sr. Paulo Roberto Brunetti, às fls. 60 a 73, e documentos anexos de fls. 74 a 105, discordando da conclusão da autoridade fiscal, que diz ser equivocada. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 223 3 (...) Tem que se trata de crédito líquido, certo e exigível, que consta no orçamento da União, não havendo que se falar em sentença de mérito a amparar o direito. Que portanto, é incabível a multa isolada de 150%, uma vez que são falsas as alegações da autoridade fiscal sobre a inexistência do crédito utilizado em conversão em renda, de que promoveu compensação ou de que foram prestadas declarações falsas. Por fim requereu o cancelamento do Auto de Infração. A DRJ em Florianópolis/SC, entendeu pela manutenção da exigência tributária, em resumo aduzindo que: a) não há previsão legal que ampare o procedimento adotado pela contribuinte. Os créditos passíveis de utilização para fins de extinção de crédito da Fazenda Pública, mediante compensação, são os de natureza tributária, e bem assim, administrados pela Receita Federal do Brasil. Não se trata de pagamento indevido feito pela contribuinte, mas de mecanismo de extinção de obrigação tributária, mediante uso indevido de suposto Título de Dívida Pública Externa. b) além de não estar amparado em qualquer decisão judicial determinando cumprimento por parte da Administração Tributária, o respeitável Juízo desta Circunscrição proferiu sentença de improcedência do pedido, reconhecendo a prescrição. c) a autoridade fiscal demonstrou o intuito perpetrado para a prática de evasão fiscal, forte na conduta de se aproveitar de suposto crédito judicial inexistente, consubstanciado em Título de Dívida Pública Externa, de natureza não tributária, sem permissão legal para tanto, avaliado em quantia exorbitante, tal como consta da peça judicial apresentada pela impugnante. d) pelo que narrou a autoridade lançadora em seu relatório, restou comprovada a inexistência de crédito tributário para uso em compensação, cuja informação prestada em GFIP se mostra não verdadeira. Portanto, os fatos demonstram a pertinência do lançamento da multa isolada de 150%. Cientificado dessa decisão em 12/08/2013, conforme Aviso de Recebimento na fl. 137, o contribuinte enviou pelos Correios recurso voluntário em 06/09/2013, recebido no CARF em 09/09/2013, conforme manifestação da Unidade preparadora, na folha 168. Em sede de recurso, que se encontra anexado nas folhas 148 e ss., argumenta em resumo que: 1 a apresentação do recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário e não se pode exigir depósito prévio para seguimento do mesmo; 2 o Auto de Infração é nulo, por cerceamento de defesa, pois não lhe foram oferecidos todos os elementos necessários à ampla defesa nem oportunizado depoimento junto à Unidade da Receita Federal em Itajaí/SC. Diz ainda que o Auto de Infração não cumpre os requisitos legais de forma, não estando esclarecida a origem do débito nem a forma de apuração e cálculo. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 224 4 3 Finaliza defendendo que a multa de ofício de 150% é descabida e tem efeito de confisco. Entende que deve ser aplicado o critério da razoabilidade. Na folha 178, existe um Despacho padronizado emitido pelo CARF, que determina o retorno dos autos à Unidade de origem, em face da "desistência de recurso efetuada pelo sujeito passivo em adesão ao PRORELIT, de que trata a Medida Provisória nº 685, de 2015". A Unidade da RFB não localizou adesão a tal programa e intimou o contribuinte a comprovála (fl. 183), não obtendo resposta. Retornou os autos ao CARF, com as informações da fl. 194/5. O contribuinte manifestouse na fl. 200, com protocolo em 10 de fevereiro de 2016, na Florianópolis/SC, explicando sobre a tempestividade e sobre a adesão ao REFIS, previsto na Lei nº 12.996/2014 e não ao PRORELIT. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) O artigo 2º da Lei nº 12.996, de 2014, reabriu o prazo para parcelamento de débitos administrados pela RFB, previsto na Lei nº 11.941, de 2009. Na fl. 200, o contribuinte, mediante seus representantes legais, em missiva protocolada na DRF/Florianópolis em 10 de fevereiro de 2016, diz que aderiu ao referido parcelamento, onde foram incluídos os valores referentes a este processo. Como cita o Recorrente, a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014, "dispõe sobre o pagamento e parcelamento de débitos junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que tratam o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014", e diz que: Art. 8º Para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa ou judicial, na forma desta Portaria Conjunta, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. (...) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 225 5 § 4º O pagamento à vista ou a inclusão nos parcelamentos de débitos que se encontram com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou de recurso administrativos implicará desistência tácita destes.(destaquei) Na folha 207 há um recibo de consolidação do parcelamento, via internet, em 24/09/2015, e na folha 209 há referência expressa a este processo administrativo. Assim, o contribuinte desiste de seu recurso e das razões nele expendidas, conforme relatado e compete à Unidade de origem verificar a regularidade dos débitos inscritos no parcelamento, conforme já destacado pela CSRF: Acórdão 9202004.474 – 2ª Turma, Sessão de 28 de setembro de 2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Verificado que a multa isolada não fora incluída no parcelamento especial e foi objeto de questionamento no recurso, passamos a dela tratar. No que tange a alegações de confisco e inconstitucionalidade, citese a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade da lei tributária Não há que se falar em aplicação do artigo 112 do CTN, porque não se demonstrou nenhuma hipótese nele prevista. Não há dúvida quanto a aplicação da multa, que tenha sido objetivamente apontada pelo contribuinte. Quanto a aplicação da razoabilidade como baliza para orientar o percentual de multa, no caso é preceito dirigido ao legislador e não aplicador, que deve estar vinculado à lei, no lançamento tributário. Dessa feita, VOTO por não conhecer do recurso voluntário, na parte que foi incluída em parcelamento e, na parte conhecida, relativa à multa de ofício, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 226 6 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000027/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito de terceiros em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
Numero da decisão: 1401-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito de terceiros em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito de terceiros em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 27 /2 01 0- 15 Fl. 217DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 218 3 Fl. 219DF CARF MF 4 Da análise pela DRJ//FOR, resultou a seguinte decisão: Cientificado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: 1) Que a aplicação da multa fere o direito de petição consagrado na constituição em razão de dificultar o acesso da empresa à discussão administrativa das compensações; 2) Que a penalidade atribuída funciona, na linha de entendimento à vedação ao direito de petição, como forma de inibir o exercício deste direito por parte das empresas; 3) Que, finalmente, o percentual da multa é incompatível com a situação econômica do país e da inflação, apresentando alguns precedentes judiciais neste sentido, notadamente relativos a multas de ICMS, requerendo ao final a redução da multa aplicada, se for o caso. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 219 5 É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator De início cumprese informar que o objeto da lide é a análise acerca da legalidade de imposição de multa isolada relativa aos débitos apresentados à compensação de forma tida irregular por basearse tal compensação em créditos de terceiros, no caso, relativos a ação de desapropriação de terceiros contra o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. A habilitação do referido crédito foi solicitada nos autos do processo nº 13819.001243/200777 e referido pedido foi indeferido por tratarse de créditos de terceiros e de tributo não administrado pela Receita Federal. Com base neste pedido de habilitação o contribuinte apresentou concomitantemente, declaração de compensação, por meio do processo nº 13819.001244/200711, no qual apresentou diversos débitos a serem compensados com os referidos créditos. Da análise da compensação resultou que foi considerada não declarada a compensação dos referidos débitos por tratarse da utilização de créditos de terceiros ou de tributos não administrados pela RFB. Em consequência da utilização de prática legalmente vedada, foi lavrado o auto de infração objeto deste processo decorrente da decisão que considerou não declarada a compensação baseada em crédito de terceiros. Do Objeto de Análise no Presente Processo e da Distinção das penalidades Fl. 221DF CARF MF 6 A análise deste processo prendese, apenas e tão somente, à verificação da regularidade do procedimento fiscal que não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Decl aração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Na cobrança dos débitos resultado de compensação não homologada estes se sujeitos à imposição de multa de mora, quando já confessados, ou ao lançamento de oficio do próprio crédito tributário, quando ainda não confessados. Ocorre, no entanto, que quando a compensação é considerada não declarada não estamos mais tratando do crédito tributário e sua cobrança, mas sim da infração cometida pela empresa ao violar dispositivos normativos que impediam a compensação de seus débitos com o crédito que foi manejado. Demonstrase essa diferença pela leitura das normas atinentes ao caso. Iniciamos pela MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pel o art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar co m a seguinte redação: “Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trint a) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º. Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazend a Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisó ria nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de mult a isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o cré dito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a práti ca das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de nov embro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidament e compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, confor me o caso. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 220 7 § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologa ção da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a q ue se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando, no presente caso, não admite um PER/DCOMP tem duas obrigações: A primeira, a de cobrar ou lançar os débitos não compensados conforme seja o caso; A segunda, determinar o lançamento de multa isolada no caso das compensações apresentadas pela empresa quando a compensação apresentada infringir qualquer das normas do art. 74, § 12º, da Lei nº 9.430/96, com alterações pela Lei nº 11.051/2004. Ao contrário do que entende o contribuinte em seu recurso, a cobrança dos débitos indevidamente compensados realizase com a simples aplicação da multa de mora, consoante o previsto no art. 61, da Lei nº 9.430/96. A imposição da multa isolada decorre do procedimento irregular de compensação e não dos débitos que foram extintos com a mesma, por isso a multa de mora aplicada ao pagamento dos débitos não pode em qualquer momento, confundirse com a multa isolada aplicada em punição ao irregular procedimento da empresa É certo na jurisprudência que não pode haver a incidência concomitante da multa de mora com a isolada sobre o tributo. Por isso é que, no presente momento, rebatendo as alegações apresentadas pela empresa quanto a este tópico, é necessário demonstrar que esta multa isolada decorrente da infringência de norma legal não guarda relação com o pagamento/lançamento dos débitos indevidamente compensados. Estes, apenas e tão somente, são utilizados como instrumento para calcular o valor da penalidade. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei n º 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do ab uso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que auto rizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integr a a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1º da Lei nº 9.43 0/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tribut ário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qu al seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, j á se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n º 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. (Excerto do Voto da Conselheira EDELI PEREIRA BESSA) Demostrase, assim, baseados nas lições acima apresentadas pela Conselheira EDELI PEREIRA BESSA , que não fugiu à aplicação do princípio da legalidade a imposição de multa isolada contra o contribuinte pelo fato de o mesmo ter utilizado em compensações, como Fl. 223DF CARF MF 8 forma de extinção dos créditos tributários, créditos de terceiros cuja utilização encontra vedação expressa na norma do art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430/96. Ao descumprimento a tal vedação pelos atos praticados pelo contribuinte decorreu a imposição de multa isolada em relação aos valores dos débitos indevidamente extintos por compensação vedada em Lei. Não há que se falar aqui na redução do direito de petição do contribuinte. Qualquer contribuinte que possua créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional continua com seus direitos resguardados. O que a Lei, com base nas alterações promovidas no art. 74, da Lei nº 9.430/96, foi elencar os casos em que não é possível a apresentação de declaração de compensação para excluir os casos em que, sabidamente, o crédito não é líquido ou certo ou exigível perante o fisco. Nessa seara de entendimento é que a norma que pune aos que desobedecem as vedações impostas, não é norma restritiva de direitos, mas apenas punitiva das condutas tipicamente vedadas pela legislador. Do Descabimento da Multa Pelo efeito Confiscatório e inibição do direito de petição Quanto ao questionamento do contribuinte acerca dos efeitos confiscatórios da Multa Isolada lançada, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. A consideração acerca de analisar se o percentual de aplicação de uma multa representa ou não efeitos confiscatórios descabe na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à alegação de efeitos confiscatórios não estão estes caracterizados, posto que o percentual aplicado no cálculo da multa de 150% sobre o valor dos créditos tributários objeto de compensação considerada não declarada, está estabelecido pelas normas do art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não podendo este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo. Quanto à inibição do direito de petição devemos destacar que aa vedação ao direito de utilizar os créditos em compensação decorre das normas da Lei número 9,430/96, onde estão listados os tipos de crédito que não podem suportar a apresentação de PER/DCOMP. Com relação a estes créditos o contribuinte sabe de antemão, que a administração tributária não os aceita e, mais ainda, tem o poder/dever de penalizar a conduta típica vedada. Por isso, não há infringência ao direito de petição, apenas há uma prévia vedação, da qual o contribuinte, devidamente ciente dos riscos, entende que deve assumilos. Isto é o que ocorreu e, por isso, ciente o contribuinte dos riscos de seus procedimento vedado, há de não se reconhecer seus argumentos quanto a este ponto. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 221 9 CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto, o VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter integralmente o lançamento realizado. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721580/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008
DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA.
Ante a regular intimação do interessado, o direito ao contraditório e à ampla defesa se perfaz com a possibilidade da apresentação de recuso voluntário, na forma estabelecida na legislação.
RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO.
Na ausência de recurso voluntário do sujeito passivo, deve o mesmo ser considerado revel, nos termos do art. 54, do Decreto nº 7.574, de 2011.
DILIGÊNCIA. LIVROS FISCAIS
Considera-se não formulado o pedido de diligência sem a apresentação de quesitos; e descabido pedido de diligência para exame de livros fiscais sem a documentação que lhes dê respaldo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
SÚMULA 435 STJ. REDIRECIONAMENTO EXECUÇÃO FISCAL.
Aplicável a Súmula nº 435 do STJ, de que a empresa foi dissolvida irregularmente, se a empresa não foi localizada no domicílio fiscal e se houve interposição fraudulenta de novos sócios, cuja inidoneidade não foi contestada com provas, pelos sócios-gerentes responsabilizados solidariamente.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. LAVRATURA. COMPETÊNCIA
Compete, privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI.
A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, e a interposição fraudulenta de pessoas com a admissão de sócios que não possuíam renda disponível para a aquisição das cotas a eles destinadas representam hipóteses de infração de lei, ensejam a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135, do CTN.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI NO EXERCÍCIO DA GERÊNCIA.
O sócio administrador é responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário apenas quando se comprova que o mesmo cometeu atos ilícitos no exercício da gerência da sociedade. Na falta de comprovação, deve ser afastada a responsabilidade pessoal solidária.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE.
O prosseguimento na cobrança de créditos tributários constituídos em nome da pessoa jurídica deve prosseguir, se esta não apresentou recurso voluntário tempestivo; contudo, tendo sido posteriormente lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de sócios administrados, suspendem a exigibilidade até a decisão administrativa definitiva, contestações por estes apresentadas, referentes ao mérito do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1201-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: a) não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/0001-10; b) não acatar a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; c) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.808-1; e d) negar provimento aos recursos voluntários dos demais responsáveis, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.558-80, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.538-58.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Ante a regular intimação do interessado, o direito ao contraditório e à ampla defesa se perfaz com a possibilidade da apresentação de recuso voluntário, na forma estabelecida na legislação. RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO. Na ausência de recurso voluntário do sujeito passivo, deve o mesmo ser considerado revel, nos termos do art. 54, do Decreto nº 7.574, de 2011. DILIGÊNCIA. LIVROS FISCAIS Considerase não formulado o pedido de diligência sem a apresentação de quesitos; e descabido pedido de diligência para exame de livros fiscais sem a documentação que lhes dê respaldo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 SÚMULA 435 STJ. REDIRECIONAMENTO EXECUÇÃO FISCAL. Aplicável a Súmula nº 435 do STJ, de que a empresa foi dissolvida irregularmente, se a empresa não foi localizada no domicílio fiscal e se houve interposição fraudulenta de novos sócios, cuja inidoneidade não foi contestada com provas, pelos sóciosgerentes responsabilizados solidariamente. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. LAVRATURA. COMPETÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 80 /2 01 1- 61 Fl. 4610DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 3 2 Compete, privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, e a interposição fraudulenta de pessoas com a admissão de sócios que não possuíam renda disponível para a aquisição das cotas a eles destinadas representam hipóteses de infração de lei, ensejam a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135, do CTN. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI NO EXERCÍCIO DA GERÊNCIA. O sócio administrador é responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário apenas quando se comprova que o mesmo cometeu atos ilícitos no exercício da gerência da sociedade. Na falta de comprovação, deve ser afastada a responsabilidade pessoal solidária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE. O prosseguimento na cobrança de créditos tributários constituídos em nome da pessoa jurídica deve prosseguir, se esta não apresentou recurso voluntário tempestivo; contudo, tendo sido posteriormente lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de sócios administrados, suspendem a exigibilidade até a decisão administrativa definitiva, contestações por estes apresentadas, referentes ao mérito do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: a) não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/000110; b) não acatar a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; c) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.8081; e d) negar provimento aos recursos voluntários dos demais responsáveis, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o processo de autos de infração, págs. 193/232, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$21.486.883,33 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$7.725.700,97, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora; e Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$1.431.020,90 e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$6.591.369,43, com fatos geradores mensais de 31/01/2007 a 31/12/2008, relativos à mesma infração; todos apenados com multa de ofício de 75% e juros de mora; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Constatação Fiscal de págs. 187/192. 2. Cientificado em 08/11/2011, o contribuinte interpôs impugnação tempestiva em 06/12/2011, págs. 236/239 e em 17/05/2012, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO, proferiu o Acórdão nº 1638.904, relativo à autuação impugnada, págs. 261/270, e considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário; cientificada via Edital nº 202/2014, pág. 287, porque a correspondência com Aviso de Recebimento AR, retornou com a anotação "Mudouse"; a Autuada não apresentou recurso voluntário, tendo sido os débitos encaminhados à inscrição na Dívida Ativa da União em 05/11/2012. 3. Depois deste julgamento e inscrição, foram emitidos Termos de Sujeição Passiva Solidária: a. págs. 406/409, cientificado em 21/12/2012, no nome de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC, que foi sócia da Autuada desde 27/09/2007, com 60% do capital social de R$200.000,00, até 26/04/2012; neste Termo, consta que a Autuada não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Jucesp e CNPJ: rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, que descreve, o que conduziu à presunção de "dissolução irregular da empresa", pois deixou de funcionar em seu domicílio fiscal e não comunicou mudança de endereço, o que, segundo súmula do Superior Tribunal de Justiça SRJ, legitima o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente; descreve também que os sócios admitidos em 26/04/2012, Adalberto Francisco da Silva, CPF 344.976.10802, domiciliado em Poços de Caldas/MG, com R$120.000,00 e Julio Cezar Lopes, CPF 074.155.89697, domiciliado em Machado/MG, com R$80.000,00, não possuíam declarações de imposto de renda pessoa física e tampouco renda disponível para aquisição das referidas cotas, identificados, portanto, como "laranjas"; outrossim, que cabe a responsabilização do sócio Abdul Latif Mourad Mourad, CPF 281.023.80810, com base nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, apresentou seus representantes legais à pág. 378, por meio dos quais apresentou impugnação de págs. 392/397, em 21/01/2013; b. págs. 400/403, no nome de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858, sócio administrador com participação de 40% do capital, de 10/08/2009 a 26/04/2012; entregue em 22/12/2012, no domícílio à rua Rosa Marchetti, 51, Limão, CEP Fl. 4612DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 5 4 02.550110, São Paulo/SP; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; Mohamad Ali Murad apresentou impugnação, págs. 4.236/4.256; c. págs. 412/415, no nome de José Bertoni CPF 868.474.14804, sócio administrador com participação de 46% do capital, de 31/05/2006 a 327/09/2007; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; d. págs. 418/421, no nome de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.80810, sócioadministrador com participação de 40% do capital, de 31/05/2006 a 10/08/2009; entregue em 21/12/2012; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; Abdul Latif Mourad Mourad apresentou impugnação, págs. 4.140/4.201; e. as impugnações foram consideradas tempestivas, pág. 4.282; José Bertoni não apresentou impugnação. 4. À pág. 4.291, despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, informando o ajuizamento de execução fiscal tãosomente contra a pessoa jurídica autuada, haja vista as impugnações tempestivas aos Termos de Sujeição Passiva Solidária, de Manoel Teixeira Dias, Mohamad Ali Murad e Abdul Latif Mourad Mourad. 5. Às págs. 4.300/4.324, em 28/01/2014, a Autuada informa mudança de endereço da Rua Rifaina, 527, para av. São Miguel, 5.053, Hermelino Matarazzo, CEP 03.871/100, São Paulo/SP e apresenta documentação, entre outros a alteração de contrato social com novos sócios e o novo endereço; está datada de 01/08/2013 e foi arquivada na Jucesp em 20/01/2014. 6. Em 25/09/2014, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO, proferiu o Acórdão nº 1661.680, págs. 4.326/4.358, relativo aos Termos de Responsabilidade Solidária impugnados: (...) por unanimidade de votos, acordam em: a) Considerar revel JOSÉ BERTONI, CPF 868.474.14804; b) Considerar improcedentes as impugnações apresentadas por MANUEL TEIXEIRA DIAS, CPF 076.411.55880 e MOHAMAD ALI MURAD, CPF 217.646.53858 mantendo a imputação da responsabilidade passiva solidária; c) Considerar procedente em parte a impugnação apresentada por ABDUL LATIF MOURAD MOURAD, CPF 281.023.80810, afastando a imputação da responsabilidade solidária, e mantendo os créditos tributários lançados. À Delegacia que jurisdiciona os domicílios fiscais dos interessados para: a) prosseguir a cobrança em face do interessado JOSÉ BERTONI e da pessoa jurídica EMPOL ALUMINUM DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO(ATUALMENTE DENOMINADA EMPOL COMÉRCIO DE PERFIS DE ALUMÍNIOLTDA.), atentandose para o fato de que a discussão administrativa com relação à pessoa jurídica está encerrada, tendo em vista o acórdão de nº 1638.904 proferido em 17/05/2012, em face do qual não foi interposto recurso voluntário. b) dar ciência desta decisão aos impugnantes MANUEL TEIXEIRA DIAS, MOHAMAD ALI MURAD e ABDUL LATIF Fl. 4613DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 6 5 MOURAD MOURAD, e demais providências de sua alçada, intimando apenas os dois primeiros a efetuar o pagamento do crédito tributário mantido no prazo de 30 dias da ciência, facultandolhes o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no mesmo prazo, de acordo com os artigos 68 e 73 do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, somente com relação à sujeição passiva solidária. 7. A DRJ/SPO, apresentou Recurso de Ofício. 8. Às págs. 4.364/4.366 e 4.368/4.370 encontramse as intimações dando ciência deste último Acórdão DRJ/SPO nº 1661.680 e respectivos Avisos de Recebimento por: Abdul Latif Mourad Mourad, em 05/02/2015; Manuel Teixeira Dias, em 05/02/2015; Mohamad Ali Murad, em 18/02/2015. 9. Em 13/02/2015, a Autuada apresentou Recurso Voluntário de págs. 4.379/4.422, destacando que tomou conhecimento do Acórdão DRJ/SPO apenas em 09/02/2015, em face da cientificação do exsócio Mohamed Ali Murad; a representante legal que elaborou o recurso foi constituída por Mohamad Ali Murad, pág. 4.375. 10. Requer que o CARF aprecie a tempestividade/perempção deste recurso voluntário e requer a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto não transitar em julgado decisão administrativa desfavorável à Recorrente; que notificações sejam enviadas aos seus representantes legais; em preliminar, que não houve notificação válida da decisão de 1ª instância, porque foi efetuada pelo correio, em 16/07/2012, no antigo endereço da recorrente, na rua Rifânia, 527, Vila Anglo Brasileira , São Paulo/SP CEP 05.029020 (docs. 01 a 03); mas que possui domicílio fiscal certo e conhecido, pois aquele endereço, págs 277/278, é diferente daquele que consta da 9ª Alteração de Contrato Social, datada de 12/07/2012, devidamente arquivada na Junta Comercial sob nº 333.822/134 (docs 05 a 09), consignando o endereço de Avenida Paula Ferreira, 603, Freguesia do Ó, CEP 02.915000, sendo que o contribuinte dispõe de 30 dias para comunicar a alteração (art. 30 do RIR de 1999); e a intimação via Edital se deu 5 (cinco) dias após a alteração do endereço, devendo ser considerada nula, retornando o processo ao status quo ante, sob pena de cerceamento de defesa, ofensa aos direitos do contraditório, ampla defesa e do duplo grau de jurisdição; no mérito afirma que os únicos documentos acostados são cópias que refletem a verdade e a realidade e registros contábeis: Balanços Patrimoniais 31/12/2007 e 31/12/2008, livros Razão que comprovam que o registro fiscal /contábil da conta Fornecedores e Empréstimos divergem dos fatos descritos pelo Fiscal autuante; que as DIPJ 2007 e 2008 não são suficientes para apuração de eventual obrigação tributária; requer, conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), pois a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados; por isso, tendo em vista os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad, requer o cancelamento dos autos. 11. Em 20/02/2015, págs. 4.427/4.443, Abdul Latif Mourad Mourad, tempestivamente, apresenta recurso voluntário, no qual discorda da sua responsabilização solidária nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, por ter sido sócio da Empol, que teria transferido cotas para "laranjas"; destaca que o Acórdão nº 1661.680 corretamente o excluiu da responsabilidade, dado que as irregularidades ocorreram após sua saída da empresa, não havendo prova de que tenham ocorrido quando exerceu gerência da sociedade; que apesar de ser o administrador à época do fato gerador, retirouse antes que ocorresse a dissolução irregular e sem que tivesse Fl. 4614DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 7 6 sido comprovado que sua saída foi fraudulenta; que não houve comprovação que tenha cometido atos ilícitos no exercício da gerência; à vista do recurso de ofício, reitera todas alegações que havia apresentado na impugnação; reclama do Arrolamento de Bens e Direitos lavrado contra si e que o impossibilita de realizar negócios e operações imobiliárias; requer que seja afastada sua responsabilização e cancelado o arrolamento, por isso, pede brevidade no julgamento, destacando que a Lei nº 11.457, de 2007, art. 24; estabeleceu um prazo máximo de 360 dias para a decisão administrativa. 12. Em 03/03/2015, págs. 4.445/4.484, Mohamad Ali Murad, tempestivamente, apresenta recurso voluntário, em que afirma que é nulo o Termo de Sujeição Passiva mantido ao fundamento de que a Empol teria sido dissolvida irregularmente, apenas porque não foi localizada em seu endereço, dado que está ativa, conforme o cadastro e a Alteração Contratual, sendo sua sede av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP; que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias e não pode ser responsabilizada pela morosidade da burocracia interna; o Termo de Responsabilidade Solidária com base no art. 59, I do Decreto nº 70.235, de 1972, é nulo, pois compete privativamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, nos casos da responsabilização pelos arts. 128 a 138, do CTN; a fiscalização utilizou indevidamente a solidariedade para estabelecer alguém responsável pelo tributo devido, mesmo quem não teve relação com o fato gerador; para responsabilizar com base no art. 135, do CTN, necessário comprovar atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, ou dissolução irregular da sociedade; indícios não são provas; o simples inadimplemento não caracteriza infração legal; que ingressou em 24/07/2009 e se retirou em 04/04/2012, a autuada continuou suas atividades e o recorrente desconhece quaisquer operações após sua saída, bem como antes do seu ingresso, que são os fatos em 2007 e 2008 autuados; que para desconsideração da pessoa jurídica deve haver prova concreta de que a finalidade foi desviada; as pessoas jurídicas detêm personalidade própria, distinta da dos sócios e o débito constituído em face da empresa, não é de responsabilidade dos sócios; os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad refletem a verdade e a realidade e registros contábeis: Balanços Patrimoniais 31/12/2007 e 31/12/2008, livros Razão que comprovam que o registro fiscal/contábil das contas Fornecedores e Empréstimos divergem dos fatos descritos pelo Fiscal autuante; que não há nos autos cópias das páginas dos Diário e Razão que fazem prova a favor do contribuinte, que as DIPJ 2007 e 2008 não são suficientes para apuração de eventual obrigação tributária; No resumo mensal dos Fornecedores e Empréstimos, constante do Auto de Infração, temos que no ano de 2007, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 7.852.018,80 e na Conta de Empréstimos de R$ 23.020.678,84, totalizando o valor de R$ 30.872.697,64. No ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 25.508.463,42 e na Conta de Empréstimos de R$ 30.347.385,71, totalizando o valor de R$ 55.855.849,13. Entretanto, esses valores estão equivocados e não condizem com a realidade. Ao compulsar os Balanços de 31/12/2007 (fls. 931/934 e fls. 1663 e 1696) e 2008 (fls. 2517/2520) dos autos do processo administrativo, temos que os valores reais são da Conta de Fornecedores em 31/12/2007 R$ 8.817.239,33 não havendo Conta de Empréstimos mas sim um valor referente à AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 23.020.678,84. Já no ano de 2008, o valor da Conta de Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 8 7 Fornecedores é de R$ 11.134.871,27, não havendo Conta de Empréstimos, mas sim um valor de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 53.368.065.55. 13. Requer, conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), pois a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados, requer o cancelamento dos autos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 14. Em 03/03/2015, págs. 4.486/4.518, Manoel Teixeira Dias, tempestivamente, apresenta recurso voluntário em que diz que foi incluído como sujeito passivo solidário, por ser à época administrador do sócio majoritário, o que é descabido pois o processo ainda está em fase de recurso ao CARF e a cobrança do crédito com exigibilidade suspensa; tampouco procede sua inclusão com base na Súmula 435 do STJ, de que houve a dissolução irregular da empresa, porque a mesma não se encontra mais no mesmo endereço; afirma que a empresa continua ativa, conforme CNPJ em 24/02/215 e Alteração Contratual, sendo a sede à av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP; que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias; a responsabilização com base no art. 135 do CTN só poderá ocorrer após esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributo do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial; para responsabilizar com base no art. 135, do CTN, necessário comprovar atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, ou dissolução irregular da sociedade; indícios não são provas; o simples inadimplemento não caracteriza infração legal; é nulo o Termo de Responsabilidade Solidária é nulo com base no art. 59, I do Decreto nº 70.235, de 1972, pois compete privativamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN; no que tange à autuação, apresenta os mesmos argumentos de Mohamad Ali Murad, já resumidos e requer diligências e cancelamento dos autos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 15. Em 10/03/2016, págs. 4.522/4.536, a Autuada requereu Certidão de Andamento (Objeto e Pé), ou, caso não haja a possibilidade de expedição do referido documento ou oficio, que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, objeto do processo administrativo 19515.721580/201161 face a interposição de recursos voluntários por EMPOL, Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, e do recurso de ofício da DRJ/SP1. 16. Em 29/03/2016, fora do prazo de trinta dias, apresentaram razões aditivas, págs. 4.551/4.563 e 4.568/4.577: a. Abdul Latif Mourad Mourad, por ter idade superior 60 (sessenta) anos, requer prioridade de julgamento do recurso de ofício; b. Mohamad Ali Murad, reiterando o teor do recurso voluntário. c. Em 04/04/2016, págs. 4.581/4.596, a Autuada apresentou razões aditivas, reiterando os pleitos de que o recurso voluntário que apresentou seja considerado tempestivo e de suspensão da exigibilidade do crédito tributário; no mérito, reitera os argumentos e requerimento de diligência Voto Fl. 4616DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheiro Eva Maria Los 1 Cientificação à Autuada, do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904. 17. O Acórdão DRJ/SPO nº 1661.380, foi proferido em 25/09/2014 e constatou: 19. Devese esclarecer, que inicialmente apenas a contribuinte EMPOL ALUMINUM DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (ATUALMENTE DENOMINADA EMPOL COMÉRCIO DE PERFIS DE ALUMÍNIO LTDA.) foi cientificada dos Autos de Infração, e interpôs impugnação (fls. 236/239) já analisada por esta Turma em 17/05/2012, quando proferiu o acórdão de nº 1638.904, no qual foram considerados procedentes os lançamentos e mantidos os créditos tributários (fls. 261/270). Após transcorrido o prazo para interposição de recurso ao ARF sem que houvesse manifestação da contribuinte, a PFN procedeu à inscrição de D.A.U. em 05/11/2012 (fls. 311/370). Desta forma, encontrase encerrada a discussão administrativa fiscal para este contribuinte, tendo em vista que o acórdão proferido por esta turma de julgamento, bem como os atos processuais posteriores foram pautados pela legalidade e devem ser considerados atos jurídicos perfeitos. (...) 24. Assim, a presente decisão trata apenas da análise das impugnações tempestivas apresentadas pelos interessados MANUEL TEIXEIRA DIAS, MOHAMAD ALI MURAD, e ABDUL LATIF MOURAD MOURAD, que tomo conhecimento. 18. Ao analisar o argumento de que a intimação do Acórdão DRJ/SPO nº 1638904 teria sido enviada para endereço já não atual, porque o contribuinte o havia alterado e teria informado à RFB no prazo de 30 (trinta) dias, analisa e conclui: 31. Ocorre, que ao verificar os documentos de fls. 276/287 referentes à intimação da contribuinte do resultado do julgamento proferido no acórdão de n° 1638.904, notase que seu endereço constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ (fl. 286) e citado pelo interessado não estava correto, pois como se lê no aviso de recebimento AR juntado à fl. 285, o documento enviado em 17/07/2012 à Rua Rifaina, n° 527, Vila Anglobrasileira, São Paulo, foi devolvido com a informação de "mudouse". A contribuinte foi então intimada por meio do Edital n° 202/2012, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972, "por encontrarse em lugar incerto e ignorado" (fl. 287). 32. Além disso, conforme informação da autoridade fiscal no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 372/374), no endereço citado constatouse uma pequena porta de correr, sendo um local pouco provável para a atividade da empresa, ou seja, o comércio atacadista de materiais de construção em geral (CNAE 46.796/99). Fl. 4617DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) Ainda, a IN RFB nº 1.183/2011 (D.O.U. 22/08/2011), vigente á época,determinava a responsabilidade da contribuinte em atualizar no CNPJ toda alteração cadastral ocorrida na empresa, até o último dia útil de mês subsequente à alteração: Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. § 1º No caso de alteração sujeita a registro, o prazo a que se refere o caput é contado a partir da data do registro da alteração no órgão competente. 35. Observase que apenas em 28/01/2014, data posterior à entrega da intimação acima citada, e também da apresentação da defesa apresentada pelo interessado, a contribuinte solicitou alteração cadastral, conforme fls. 4.300/4.323. 19. À pág. 287, Edital nº 202/2012, emitido "por encontrarse em lugar incerto e ignorado", cientificando a empresa em 08/08/2012. 20. Págs. 311/370, Termo de Inscrição de Dívida Ativa, em 05/11/2012 dos débitos em nome da Autuada, não contestados. 21. Às págs. 288/298, extrato do processo, em, 24/10/2011, constando o domicilio como Rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP CEP 05.029020. 22. À pág. 187/232, Termo de Constatação Fiscal e os autos de infração entregues à Empol Aluminium do Brasil Ind e Com Ltda, rua Rifaina, 503, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP, CEP 05.029020, 08/11/2011, mediante ciência pessoal à representante legal da empresa, Rosana Elizete da Silva Rodriguez Blanco, conforme procuração de pág. 233. 23. Às págs. 276/285, intimação, documentos de cobrança e Aviso de Recebimento AR, endereçados à rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP, CEP 05.029020, com anotação "Mudouse", datado de 17/07/2012; às págs. 286, extrato CNPJ da empresa, em 23/07/2012, onde consta o domicílio Rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP CEP 05.029020, mas a Ficha Cadastral Simplificada de págs. 4.424/4.425, anexada pela Autuada informa: a. 11/08/2011, endereço alterado para rua Rifaina, 503, Vila Pompéia, São Paulo/SO, CEP 05.029020; b. 12/09/2011, alterado para rua Rifaina, 527, Salão, Vila Pompéia, São Paulo/SP, CEP 05.029020; c. 20/01/2014, alterado para Av. São Miguel, 5053, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP, CEP 03.871100. 24. Mohamed Ali Murad anexou com seu recurso, doc 03, págs. 4.480/4.484, Alteração Contratual da Empol, já com os sócios Adalberto Francisco da Silva e Julio Cesar Lopes, alterando o endereço de rua Rifaina, 527, salão, Vila AngloBrasileira CEP 05.029020, São Fl. 4618DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 11 10 Paulo/SP, para Av. São Miguel, 5.053, Ermelino Matarazzo CEP 03.871100, São Paulo/SP, datada de 01/07/2013, porém registrada na Jucesp somente em 20/01/2014. 25. Às págs. 4.417/4.422, a 9ª Alteração Contratual, alterando o endereço da matriz para Av. Paula Ferreira, 603, Freguesia do Ó, CEP 02.915000, São Paulo/SP a peça está datada de 12/07/2012, que é o exato dia da tentativa de entrega da intimação pelo correio do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904; porém o registro foi em 28/08/2012, contudo, não consta da certidão retro citada; conforme determina a legislação, se o registro for efetivado em prazo superior ao de 30 (trinta) dias da data constante no documento, deve ser considerada como a data da alteração, a data do registro portanto, a mudança de endereço foi em 28/08/2012, estando correto o domicílio tributário constante da correspondência, Rua Rifaina, 527, etc, em 12/07/2012, portanto, haja vista a determinação legal, Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências: Art. 32. O registro compreende: (...) II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. (Grifouse.) 26. E ainda o Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 27. Evidenciase que descabe razão à Autuada não tendo sido localizada no domicílio fiscal, cabe a ciência via Edital e, completado prazo de 30 (trinta) dias, sem que tenha apresentado recurso, precluiu o prazo, tornandose revel, passandose à cobrança do débito não contestado. Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 12 11 2 Súmula nº 435 do STJ. 28. Como já ressaltado pela autoridade fiscal, a Súmula nº 435 do STJ pacificou o entendimento sobre a irregularidade de empresas que deixam de funcionar em seus domicílios tributários e não comunicam essa mudança aos órgãos competentes, conforme segue: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. 29. Tratase de presunção legal, o que inverte o ônus da prova; passa então, ser de responsabilidade do contribuinte, apresentar provas de que a empresa não foi dissolvida irregularmente. 30. Contudo, consta dos Termos de Sujeição Passiva Solidária que as pessoas que substituíram os sócios Pompano Beach Investmentes Group LLC, representada por Manuel Teixeira Dias, administrador, e Mohamad Ali Murad, sócio e administrador, em 26/04/2012, Adalberto Francisco da Silva, CPF 344.976.10802, domiciliado em Poços de Caldas/MG, com R$120.000,00 e Julio Cezar Lopes, CPF 074.155.89697, domiciliado em Machado/MG, com R$80.000,00, não possuíam declarações de imposto de renda pessoa física e tampouco renda disponível para aquisição das referidas cotas, identificados, portanto, como "laranjas". 31. Os responsáveis solidários impugnaram suas respectivas responsabilizações pelos débitos da Autuada, asseverando que a empresa continua ativa; as provas são o cadastro CNPJ em 24/02/215 e Alteração Contratual, sendo a sede à av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP e que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias: a. já se verificou a notificação do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904 à Empol foi enviada corretamente ao domicílio da autuada, que à data, não havia comunicado mudança de endereço e, conforme descrito, os responsáveis solidários impugnantes, apresentaram documentos diferentes: um que atesta que a mudança de endereço se deu em 28/08/2012 e não na data da tentativa de entrega constante do AR, como quer fazer crer o impugnante, e outro, de que foi em 20/01/2014! b. o cadastro CNPJ continua ativo, com o novo endereço, porém, a presunção da Súmula nº 435 do STJ, procede, dado que não foi localizada, quando da cientificação, no então domicílio fiscal, e porque os novos sócios foram qualificados como "laranjas" ao que os Responsáveis Solidários impugnantes não apresentaram qualquer prova em contrário, salvo alegações vazias. 32. Pelo exposto, cabe a responsabilização solidária dos sóciosgerentes, com base na Súmula nº 435 do STJ. Fl. 4620DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 13 12 3 Recursos voluntários. Recurso de ofício. 3.1 A AUTUADA. 33. Os fatos expostos confirmam que o recurso voluntário que esta apresentou é extemporâneo e dele não se toma conhecimento. 3.2 ABDUL LATIF MOURAD MOURAD CPF 281.02.80810. 34. A DRJ/SPO, cancelou a responsabilização e recorreu de ofício de sua decisão. 35. O interessado argumenta que, mesmo tendo sido sócioadministrador da autuada, de 31/05/2006 a 10/08/2009, sendo que a autuação se refere a infrações com fatos geradores em 2007 e 2008, não participou da interposição fraudulenta de pessoas, em 20/01/2014. 36. As infrações autuadas ocorreram em 2007 e 2008 e o Recorrente foi responsabilizado com base nos arts. 124 e 135 do CTN. 37. A DRJ/SPO concluiu que: No caso em tela, embora o crédito tributário se refira a período em que o interessado era administrador da sociedade, os atos ilícitos invocados pela autoridade fiscal a fim de justificar sua responsabilidade pessoal pelo crédito ocorreram após sua saída da sociedade. (...) Estas irregularidades ocorreram após a saída do interessado da sociedade, em 10/08/2009. Se houve algum ato ilícito praticado pelo impugnante durante o exercício de gerência, o mesmo não ficou demonstrado no Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado pela autoridade fiscal, tampouco nos documentos acostados aos autos. 38. Cabe concordar com a conclusão da DRJ, uma vez que, tendo se retirado da empresa em 10/08/2009, os novos sócios que ingressaram, Pompano Beach Investments Group LLC e Mohamad Ali Murad, assumiram responsabilidade pela empresa e eventuais pendências que houvesse; e a interposição de terceiros inidôneos, para que, por sua vez, assumissem a empresa e suas pendências, à essa altura evidenciadas pelos autos de infração devidamente cientificados, ocorreu depois da saída do Interessado, tendo sido autores dessa alteração societária: Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC, e Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858. 3.2.1 Arrolamento de Bens. Abdul Latif Mourad Mourad. 39. Determina a Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11 de maio de 2015: Art. 13. Havendo extinção de 1 (um) ou mais créditos tributários que motivaram o arrolamento antes de seu encaminhamento para inscrição em DAU, o titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, ou outra autoridade administrativa por delegação de competência, comunicará, no Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 14 13 prazo de 30 (trinta) dias, o fato ao órgão em que o arrolamento tenha sido registrado, nos termos do art. 10, para que sejam cancelados os registros pertinentes ao arrolamento, desde que se mantenham bens e direitos arrolados em valor suficiente para a satisfação do montante remanescente dos créditos tributários. 40. Como se vê, há normativa disciplinando o cancelamento do arrolamento, se a decisão administrativa definitiva cancelar a exigência em nome do interessado. 3.3 MANUEL TEIXEIRA DIAS, CPF 076.411.55880, REPRESENTANTE DA POMPANO BEACH INVESTMENTS VGROUP LLC, E MOHAMAD ALI MURAD CPF 216.646.53858. 3.3.1 Nulidade dos Termos. 41. Tem razão a DRJ/SPO, ao rechaçar o pleito de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, ao argumento de que a Autoridade Fiscal seria incompetente para lavrálos, porque caberia à PFN. 42. Eis que o CTN determina especificamente no art. 142 que compete, privativamente à Autoridade Fiscal/Administrativa a constitução do crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória. 43. Sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade que lavrou os Termos, competente para tal, descabe a nulidade com base no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. 3.3.2 Art. 135, III, do CTN. 44. Contestam a responsabilização pessoal pelos créditos tributário correspondentes à obrigação tributária praticada com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. 45. O Autuante baseouse na Súmula 435 do STJ, para direcionar a cobrança da exigência aos sócios administradores, pois estes buscaram eximirse da responsabilidade pela autuação, ao interpor como sócios pessoas sem poder aquisitivo para tal. 46. Tal transferência da empresa caracteriza fraude; o art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". 47. Eis que, no presente caso, Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, formalizaram as respectivas saídas da Autuada, colocando em seus lugares, pessoas de quem a cobrança do crédito tributário relativo ao lançamento de ofício, é inviável, por se tratarem de pessoas sem capacidade econômica para assumirem a sociedade. 48. E embora este fato tenha sido descrito pelo Autuante e cientificados Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, nenhuma prova em concreto, contestando a acusação fiscal foi apresentada pelos interessados. Fl. 4622DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 15 14 49. Por isso, procede a responsabilização de Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad. 3.3.3 Desconsideração da pessoa jurídica. 50. Não foi o caso, dado que esta foi devidamente cientificada, apresentou impugnação aos autos, que foi julgada, e o Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904 foilhe cientificado; porém a Empol não apresentou recurso voluntário tempestivamente, tornandose revel. 4 Mérito. 51. No mérito, os Responsáveis Solidários apresentaram os seguinte argumentos: a. Abdul Latif Mourad Mourad: que reitera todas alegações que havia apresentado na impugnação, na qual afirmou: "Os únicos documentos contábeis plausíveis, aos quais o impugnante teve acesso, são cópias que refletem a verdade e a realidade dos latos e registros contábeis, consistentes nos Balanços Patrimoniais de 31/12/2007 c 31/12/2008, bem como cópias dos Livros Razão que comprovam que no final dos exercícios dc 2007 e 2008 o registro fiscal/contábil da conta Fornecedores e da conta Empréstimos que originou a citada autuação, divergem dos fatos descritos pelo AFRF (ANEXO I LIVRO DIÁRIO CONTÁBIL, N° 0002 FLS. 0001 A 0482. dc 01/01/2007 a 31/12/2007. COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO II LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N 0002 FLS. 0001 A 0313, De 01/01/2007 à 30/06/2007, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO III LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N° 0003 FLS. 0001 A 0580, De 01/07/2007 à 31/12/2007, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO IV LIVRO DIÁRIO CONTÁBIL, N° 0003 FLS. 0001 A 0683, De 01/01/2008 à 31/12/2008, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO V LIVRO RAZÃO CONTÁBIL. N° 0004 FLS. 0001 A 0549, De 01/01/2008 à 30/06/2008, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO VI LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N° 0005 FLS. 0001 A 0596, Dc 01/07/2008 à 31/12/2008, COM TERMO DE ABERTURA F, ENCERRAMENTO.)" b. Manuel Teixeira Dias, representante da Pompano Beach Investments Vgroup LLC, e Mohamad Ali Murad: i. os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad refletem a verdade e a realidade e registros contábeis; ii. No resumo mensal dos Fornecedores e Empréstimos, constante do Auto de Infração, temos que no ano de 2007, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 7.852.018,80 e na Conta de Empréstimos de R$ 23.020.678,84, totalizando o valor de R$ 30.872.697,64. No ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 25.508.463,42 e na Conta de Empréstimos de R$ 30.347.385,71, totalizando o valor de R$ 55.855.849,13. Entretanto, esses valores estão equivocados e não Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 16 15 condizem com a realidade. Ao compulsar os Balanços de 31/12/2007 (fls. 931/934 e fls. 1663 e 1696) e 2008 (fls. 2.517/2.520) dos autos do processo administrativo, temos que os valores reais são da Conta de Fornecedores em 31/12/2007 R$ 8.817.239,33 não havendo Conta de Empréstimos mas sim um valor referente à AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 23.020.678,84. Já no ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores é de R$ 11.134.871,27, não havendo Conta de Empréstimos, mas sim um valor de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 53.368.065.55; iii. conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão). 52. DIPJ 2008/2007: a. pág. 55, Passivo Circulante Fornecedores 31/12/2007: 16.669.258,13 ( e não os R$ 8.817.239,33, alegados na impugnação; b. pág. 55, Passivo Circulante Financiamentos 31/12/2007: 0,00 c. pág. 55, Passivo Ex LP Financiamentos 31/12/2007: 0,00 53. DIPJ 2009/2008: a. pág. 109, Passivo Circulante Fornecedores 31/12/2008: 20.414.844,31 e não os R$ 11.134.871,27, alegados na impugnação; b. pág. 109, Passivo Circulante Financiamentos 31/12/2008: 0,00 c. pág. 109, Passivo Ex LP Financiamentos 31/12/2008: 0,00 54. Balancete de contas, 31/12/2007: a. pág. 120: Passivo Circulante Fornecedores: 16.669.258,13 b. pág. 121 Ex LP Empréstimos de Terceiros: 23.020.678,84 55. Balancete de contas, 31/12/2008: a. pág. 125: Passivo Circulante Fornecedores: 18.952.273,90 b. pág. 125 Ex LP Empréstimos de Terceiros: 53.388.064,55 56. Intimada a apresentar documentação sobre as duas contas: Fornecedores e Empréstimos de Terceiros, pág. 135; reintimada, pág. 136; reintimada, pág. 138. 57. Intimada a apresentar Livros Registro de Entradas, de 2007 e 2008, pág. 147; reintimada a apresentar documentação da conta Empréstimos de Terceiros, pág. 150; às págs. 142/154, Razão conta 22010105 Empréstimos de Terceiros, de 28/02/2007 a 31/12/2008: saldo 31/12/2007: 23.020.678,84; saldo 31/12/2008: 53.368.064,55 Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 17 16 58. Pág. 156: reintimada a apresentar documentação da conta Fornecedores; às págs. 158/183, Razão conta 21010101 FornecedoresPaís, de 17/01/2007 a 31/12/2008: 2007 (R$7.852.018,80) e 2008 (R$25.508.463,42). 59. Reintimada a apresentar documentação da conta Empréstimos de Terceiros, pág. 185. 60. Págs. 187/192, Termo de Constatação, de que a Empol não forneceu documentação suporte da movimentação das contas Fornecedores nos valores: 2007 (R$7.852.018,80) e 2008 (R$25.508.463,42) e de Empréstimos de Terceiros: 2007 (R$23.020.678,84), 2008 (R$30.347.385,71), o que a Fiscalização considera falta de comprovação, informando que a manutenção de obrigações de exigibilidade não comprovada conduz à presunção de omissão de receita; em seguida foram lavrados os autos de infração. 61. Na impugnação pela Empol de págs. 236/239, nenhum documento contábil foi anexado. 4.1 DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL ACOSTADA POR ABDUL LATIF MOURAD MOURAD. a. págs. 423/435 Diário Geral do mês Abril 2007; b. págs. 436/440 Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados de 01 a 04/2007; c. págs. 441/509 analogamente, Diário Geral e Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados dos meses maio/2007 (também às págs. 738/750), março/2007, abril/2007 de novo; d. págs. 510/559 Anexo I livro Diário Contábil do ano 2007, contendo os termos de abertura e encerramento e plano de contas, e Diário Geral dos meses janeiro a março 2007, este mais uma vez; e. págs. 751/939, Diário Geral e Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados dos meses junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2007; f. págs. 940/1.208 Anexo II livro Razão Contábil 01/01/2007 a 30/06/2007; g. págs. 1.209/1.836 Anexo III livro Razão Contábil 01/07/2007 a 31/12/2007; h. págs. 1.837/3.673, livros e registros contábeis análogos, referentes ao ano 2008. 4.2 DILIGÊNCIA. 62. Requerem diligência para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), a fim de constatar que os passivos têm outros valores e não há valores de obrigações de exigibilidade não comprovada, devendo os autos de infração ser cancelados. 63. O art. do RIR de 1999, determina: Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 18 17 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 64. No caso, os interessados anexaram escrituração contábil e absolutamente nenhum documento, em apoio aos dados nela contidos. 65. Ora, tratamse de duas contas apenas: Fornecedores e Financiamentos, sendo fácil aos litigantes digitalizar e apresentar as notas fiscais de entrada de mercadorias e comprovantes de pagamentos posteriores e os contratos de empréstimos tomados e comprovantes de pagamentos posteriores, atestando que tais passivos encontravamse em aberto, nas datas autuadas. 66. Verificase também discrepâncias entre as informações na contabilidade, nas impugnações e nas DIPJ, que não contribuem para dar credibilidade ás alegações. 67. O Decreto nº 70.235, de 1972, definiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 68. No presente caso, além de não terem sido atendidos os requisitos do inciso IV do art. 16, não se justificam diligências, apenas para examinar livros fiscais, desprovidos do suporte da documentação correspondente, essencial para validálos; eis que não qualquer indicação da existência dessa documentação, pois nenhuma foi acostada durante o período de fiscalização, apesar das numerosas intimações e prazos concedidos; e tampouco qualquer documento foi acostado nas impugnações ou recursos. Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 19 18 5 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário/prosseguimento na cobrança. 69. A autuada, Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, não recorreu do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904, tempestivamente; por isso, caracterizouse como revel, cabendo prosseguir na exigência dos débitos. 70. Contudo, ficou caracterizado que o controle societário da Empol foi transferido para pessoas sem capacidade econômica. 71. Consequentemente, foram constituídos responsáveis solidários, que apresentaram recursos voluntários, aos quais neste voto se negou provimento, o que tem consequência o prosseguimento na cobrança dos débitos dos responsáveis assim constituídos. 6 Conclusão Voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/000110; não acatar preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; negar o recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.8081; e negar provimento aos recursos voluntários dos demais, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858; determinar o prosseguimento na cobrança dos débitos. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 4627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907336/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 36 /2 00 9- 56 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001549/2006-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. COFINS. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO.Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, é de se entender que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com base na referida lei, corresponde ao faturamento. O que, por conseguinte, cabe afastar da tributação pela Cofins as receitas cambiais ativas.
E, no que tange especificamente às receitas cambiais ativas decorrentes de exportação, conforme decidido pelo STF, quando da apreciação do RE 627.815, devem ser afastadas tais receitas da incidência da Cofins, em respeito a regra de imunidade preceituada no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal.
Numero da decisão: 9303-005.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. COFINS. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO.Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, é de se entender que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com base na referida lei, corresponde ao faturamento. O que, por conseguinte, cabe afastar da tributação pela Cofins as receitas cambiais ativas. E, no que tange especificamente às receitas cambiais ativas decorrentes de exportação, conforme decidido pelo STF, quando da apreciação do RE 627.815, devem ser afastadas tais receitas da incidência da Cofins, em respeito a regra de imunidade preceituada no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.022 1 2.021 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.001549/200634 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.032 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COFINS E PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CESIBA COMERCIAL EXPORTADORA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. COFINS. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO.Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, é de se entender que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com base na referida lei, corresponde ao faturamento. O que, por conseguinte, cabe afastar da tributação pela Cofins as receitas cambiais ativas. E, no que tange especificamente às receitas cambiais ativas decorrentes de exportação, conforme decidido pelo STF, quando da apreciação do RE 627.815, devem ser afastadas tais receitas da incidência da Cofins, em respeito a regra de imunidade preceituada no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 49 /2 00 6- 34 Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.023 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 220200.085, de 06 de maio de 2009 (fls. 1645 a 1661 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do antigo CARF, decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência até 28/12/2001 e afastar o alargamento da base de cálculo, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2004 DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. 0 prazo decadencial para o lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o estabelecido no art. 150, § 40, do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103A da Constituição Federal. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.'s 7/70 e 70/91, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE's 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1° do Decreto 2.346/97. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.024 3 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A partir de janeiro de 2000 o legislador expressamente autorizou o reconhecimento das variações cambiais pelo regime de caixa, desde que adotado o mesmo critério para o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS. Tendo optado a empresa pela adoção do regime de competência em relação aos dois primeiros, fica igualmente obrigada a sua adoção quanto aos outros dois, pelo que deve ser oferecida à tributação a contrapartida do aumento do valor do ativo ou da redução do valor do passivo ocorrida entre duas demonstrações contábeis. Inexistindo forma alternativa de cálculo, não cabe, tampouco, falar em aplicação do princípio da prudência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Nos casos de lançamento de oficio para constituição do crédito tributário em razão de falta de recolhimento, deve ser aplicada a multa capitulada no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N°2 DO 2° CC. 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. NORMAS PROCESSUAIS. TAXA SELIC. Os encargos moratórios devem ser calculados em percentual equivalente à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, SELIC, como determinado por lei. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ACESSÓRIO QUE SEGUE 0 PRINCIPAL. Por serem acessórios que seguem o principal, neste caso, não devem ser exigidos no presente processo os juros de mora e a multa de oficio. Recurso negado. Recurso Provido em Parte. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em virtude de falta de recolhimento de Cofins e de PIS pelo Contribuinte no período de 01/01/2001 a 31/08/2004. O Contribuinte constituiu o crédito tributário a título de Cofins no valor de R$ 16.115.020,84 sendo R$6.498.106,29 de contribuição, R$4.743.334,96 de juros de mora e R$4.873.579,59 de multa proporcional à contribuição. Além disso, o Contribuinte constituiu o crédito tributário a título de PIS no valor de R$3.892.480,52, sendo R$1.584.121,82 de contribuição, R$1.120.267,45 de juros de mora e R$1.188.091,25 de multa proporcional à contribuição. Devidamente cientificado da autuação, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro II, que indeferiu o pleito. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.025 4 Irresignado com a decisão desfavorável, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O colegiado, por sua vez, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até 28/12/2001 e afastar o alargamento da base de cálculo. O contribuinte opôs embargos declaratórios (fls. 1698 a 1705), sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1826 e 1827. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1664 a 1682) em face do acórdão recorrido, alegando contrariedade à lei e divergência jurisprudencial. Tanto o recurso por contrariedade à lei, como por divergência, investem contra a parcela da decisão atinente a aplicação da jurisprudência do STF acerca do conceito de faturamento e a (in)constitucionalidade do art. 3°, § 1° da Lei n° 9.718/98, que redundou na exclusão das receitas de variação cambial da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. 0 recurso por contrariedade em questão se assenta na possibilidade de questionar decisão não unânime de Câmara, quando contraria a lei ou evidência de prova, Foram indicados como paradigma os acórdãos de números os acórdãos 20313.007 e 20312.357, reproduzidos por inteiro teor no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente conforme despacho de fls. 1688 a 1690, por ter entendido que não ficou comprovada a divergência jurisprudencial, dando seguimento apenas ao recurso especial por contrariedade à lei. No reexame de admissibilidade (fls. 1690) mantevese a decisão em dar seguimento parcial do recurso. Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.026 5 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1745 a 1756 postulando pelo não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional e para que se mantenha o cancelamento da cobranças dos débitos de PIS e Cofins sobre receitas decorrentes da variação cambial verficadas na vigência da Lei nº 9718/98. O Contribuinte, também apresentou Recurso Especial de Divergência (1874 a 1896), a divergência suscitada pelo contribuinte diz respeito à impossibilidade de cobrança de PIS e de Cofins sobre as receitas de variação cambial na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. Os acórdãos indicados como paradigma são respectivamente os de n° 202 19.557 e 3402002.457, reproduzidos por inteiro teor no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho de fls. 2000 a 2005, em razão de sua intempestividade. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria em discussão trata do alargamento da base de cálculo da contribuição (inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998) sobre as receitas financeiras (variação cambial ativa) do Contribuinte. Como já é do conhecimento deste Colegiado, o alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins estimado nesta sistemática foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quando da apreciação do Recurso Extraordinário REs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, não há que se falar em incidência da Cofins sobre quaisquer outras quantias que não correspondam aquelas decorrentes do faturamento das pessoas jurídicas. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.027 6 A respeito deste assunto, mais uma vez, peço licença para transcrever o brilhante voto da a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama que através do acórdão n.º 9303004.181 decidiu afastar a cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas de variação cambial em caso da empresa Perteco Mineração S/A, senão vejamos: "Para o deslinde dessa questão, primeiramente, cabe trazer que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, restando o conceito de "faturamento" definido como sendo a receita proveniente da atividade da empresa com a venda de mercadorias e pela prestação de serviço, e não mais a totalidade das receitas auferidas. Dessa forma, vêse que a partir da decisão do STF declarando inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, nos autos dos Recursos Extraordinários 390.840MG, 357.950/RS e 358.273/RS, não há que se falar em incidência da Cofins sobre quaisquer outras quantias que não correspondam aquelas decorrentes do faturamento das pessoas jurídicas. Frisese a ementa consignada por aquele Tribunal – RE 390.840MG (Grifos meus): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006) Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.028 7 Proveitoso também trazer o decidido pelo STF, reconhecendo a repercussão geral do tema, conforme ementa do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10.9.08, que teve como relator o Ministro Cezar Peluso: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006)(grifei).” Finalizando, refletese ainda o reconhecimento da “Repercussão Geral”: “Referida matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” conforme a seguir se transcreve: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes.Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.(grifei).” Sendo assim, com tal definição da base de cálculo do PIS e da Cofins de forma definitiva pelo STF, no que diz respeito à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, vêse que essa Conselheira deve respeitar o decidido pela Corte, em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores (Grifos meus):“Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.029 8 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...]” O que, por conseguinte, em se tratando de receita de variação cambial ativa, tenho que tal receita ora em discussão não corresponde ao sentido estrito de "faturamento". Ressaltase que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, tampouco trouxe que faturamento equivale a todas as receitas operacionais auferidas pelas empresas, pacificando o entendimento de que a receita as ser tributada pelas contribuições ao PIS e à Cofins deveria ser entendida como a receita de vendas de mercadorias e pela prestação de serviços. Enfatizando, é de se ater que o STF vem adotando o conceito restritivo de prestação de serviços, tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da "locação de bens móveis", entendendo que, para ser considerado "serviço", este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é "obrigação de fazer" e, para ser tributável, costumase exigir o critério "preço". O que, por óbvio, temse que a receita de variação cambial ativa não seria tributada pela Cofins, pois decorre da flutuação do dólar. É de se trazer ainda que a variação cambial ativa decorrente de operação de importação tampouco seria atrelada ao faturamento, eis que a empresa somente “fatura” quando vende uma mercadoria, e não quando compra (ou importa uma mercadoria). Dessa forma, pelo exposto acima, já resta afastar a tributação da Cofins da receita de variação cambial ativa. No que tange à natureza da receita de variação cambial ativa, argumentação exibida pela Fazenda Nacional de que a Lei 9.718/98 trouxe que tais variações possuem a natureza de Receita Financeira e, portanto, sofrem incidência de PIS e de Cofins, eis que a redação traz: “Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.030 9 aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Temse que tal natureza reforça ainda mais o afastamento da tributação pela Cofins sobre tal receita, pois as receitas financeiras não devem ser confundidas como “faturamento”, vez que não são decorrentes da prestação de serviço e da venda de mercadorias, mas sim de mera flutuação do dólar. Caso o legislador tenha elaborado o art. 9º da Lei 9.718/98 para se fazer incidir as contribuições sobre a variação cambial ativa, é de se verificar que, com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei, tal dispositivo perdeu a razão de sua existência, tendo em vista que com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo, a base de cálculo que abrangia todas as receitas, independentemente da forma como eram contabilizadas, passou a ser estritamente o “faturamento” da empresa. Sendo assim, entendo que não cabe invocar o art. 9º da Lei 9.718/98 para se forçar a incidência da Cofins sobre as variações cambiais ativas. Ademais, quanto às receitas de variação cambial decorrentes de exportação, é de se trazer ainda que o STF em recente julgado do Recurso Extraordinário 627.815, com repercussão geral reconhecida, decidiu que as receitas de exportação decorrentes de variação cambial não devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS. Para melhor elucidar o posicionamento do STF, peço licença para transcrever parte do acórdão consignado (Grifos meus): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 627.815 PARANÁ RELATORA :MIN. ROSA WEBER RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :INCEPA REVESTIMENTOS CERÂMICOS LTDA ADV.(A/S) :HENRIQUE GAEDE E OUTRO(A/S) EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.031 10 III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” – conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, em conhecer e negar provimento ao recurso extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Brasília, 23 de maio de 2013. Ministra Rosa WeberRelatora” O STF, nesse julgado, decidiu de forma definitiva que não há que se falar em se tributar pela Cofins a variação cambial positiva decorrente de operações de exportação. Por fim, conforme o Estatuto Social da Recorrida, o objeto social consiste em: (i) “adquirir (...) direitos de crédito”; e (ii) “exportar mercadorias (...) podendo, para tanto, firmar contratos de compra e venda de mercadorias com outras sociedades comerciais e captar recursos financeiros no mercado externo". Como se percebe as receitas de variação cambial apuradas pela Contribuinte têm natureza financeira (não operacional), segundo disposto expressamente pelo artigo 9º da própria da Lei 9.718/98. Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 18471.001549/200634 Acórdão n.º 9303005.032 CSRFT3 Fl. 2.032 11 Dessa forma, pelo exposto acima, já resta afastar a tributação da Cofins da receita de variação cambial ativa. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2032DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000375/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 75 /2 00 4- 11 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 227 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.617, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: " Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de novembro de 2004, apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 155.708,04. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 92/99), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburantes; créditos quanto à aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica e receita de variação cambial. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 56/80) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 61), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 84); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 85); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 86); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 87); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.82/83). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. 62/63 e 82/83) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 67.016,82, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls.100/101, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 121/138. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 228 3 Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento – variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 229 4 A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF julgou o recurso voluntário parcialmente procedente. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.617 (fls. 194 a 213) e dispositivo: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 230 5 No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 231 6 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator" Foram opostos embargos de declaração (fls. 223 a 227), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.617 (fls. 194 a 213), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 232 e 233), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS de novembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 232 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 223 a 227), em face do Acórdão n° 3801004.617 (fls. 190 a 206), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 232 e 233), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de novembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte apontou que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de bens. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância, com indicação das respectivas folhas dos autos em que se encontram, a saber: a) "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fls. 68 a 73). b) Nota fiscal n° 2.871 (fl. 75), referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda., datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 74), onde indica que o crédito de COFINS do mês de novembro de 2004, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente alegou que o Fisco ajustou as bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, porém não indicou os insumos que nelas teriam sido indevidamente computados. Discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades. E fez menção específica à imprescindibilidade dos custos com óleos e lubrificante, afirmando ter o Fisco afastadoos do conceito de insumos. Dispôs, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar, dando como exemplos a torre Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 233 8 de processamento de açúcar e caldeiras. E consigna que a glosa deveuse ao fato de não se tratar de bens que sofressem desgaste durante o processo produtivo. O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 207 e 208): "(. . .) uma vez que a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 208): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 58 a 80). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 81 a 87). E depareime com o seguinte: não houve as glosas dos valores de óleos e lubrificantes e depreciação da torre de processamento de massa apontadas pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) bens adquiridos de pessoas físicas e jurídicas agroindústria pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Com efeito, vale mencionar, inclusive, que a decisão embargada alterou o cálculo do referido rateio, de forma favorável ao contribuinte, promovendo a inclusão das variações cambiais como receita no mercado externo. Tratase de evidência de que o julgador de segunda instância revisou os cálculos da fiscalização. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foi computada nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13854.000375/200411 Acórdão n.º 3301003.914 S3C3T1 Fl. 234 9 divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Dos recurso voluntário (fls. 161 a 178) e acórdão embargado (fls. 223 a 227), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.617, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.001625/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas.
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 240 1 239 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.001625/200705 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.861 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente YARA ULBRICH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 16 25 /2 00 7- 05 Fl. 240DF CARF MF 2 Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 128/135), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2005, ano calendário de 2004, em que a declarante após intimada, não comprovou importâncias declaradas em sua DIRPF, restando glosados valores: 1) indevidamente declarados como isentos e não tributáveis por moléstia grave (por falta de comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda); 2) deduzidos a título de incentivo (por falta de previsão legal para a dedução); 3) deduzidos a título de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 11.866,25 (por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido da contribuinte). No atendimento à intimação a declarante apresentou informe de rendimentos financeiros emitido pela Canadá Life Previdência e Seguros S/A, referente a aplicação em VGBL (fls.155), que não se refere a previdência privada dedutível na DIRPF; 4) deduzidos a título de despesa com instrução (de dependente que não consta da declaração de ajuste anual); 5) de despesas médicas (que a contribuinte, após intimação, não apresentou os comprovantes dos gastos): · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Bezerra R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Fernando Henrique G. V. Santos R$ 2.660,00 · Suely Akemi Yanz R$ 410,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 9.528,00 · Unimed Taubaté R$ 954,56 A intimação fiscal para apresentação de documentos está às fls. 150 dos autos digitalizados e os documentos então disponibilizados se encontram às fls. 151/156. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 241 3 Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial (não contestada a dedução a título de incentivo) e juntados documentos (fls. 03/126). A parte não impugnada foi liquidada por pagamento. A DIRPF da contribuinte encontrase às fls. 137/140 dos autos. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 183/195, aceitando a comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave e a consequente inclusão dos rendimentos de aposentadoria como isentos/não tributáveis. As demais glosas foram mantidas sob os seguintes motivos: 1. Cláudia Mara Miranda que foi emitido apenas um recibo abrangendo todos os pagamentos do período de abril a dezembro de 2004; que a contribuinte indicou o número dos cheques que suportaram os pagamentos mas não apresentou a cópia dos cheques e que não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 2. Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém as informações mínimas exigidas pela legislação, pois não identificam para quem foi prestado o serviço, quem realizou o pagamento nem o endereço do profissional que prestou os serviços. A contribuinte identificou cheques que teriam sido utilizados para realizar os pagamentos a esta profissional mas não apresentou a cópia dos cheques e não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 3. Yara Marques S. Siqueira no recibo apresentado não consta o endereço da profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. Que o pagamento teria sido realizado em espécie mas o saque identificado em conta corrente bancária foi efetuado em 25/08/2004 e o recibo data de 30/08/2004, não havendo correspondência entre as datas e o odontograma anexado não está sequer assinado por profissional; 4. Xenofonte P. R. Mazzini no recibo apresentado não consta o endereço do profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. A contribuinte indicou o cheque que teria sido utilizado para realizar o pagamento mas não apresentou a cópia do cheque; 5. Centro Paulista de Laser Ltda notas apresentadas não indicam o tipo de serviço prestado, a atividade deste centro, no CNPJ está identificada na CNAE 86500 Atividades de profissionais da área de saúde não especificada, não sendo possível identificar tratarse de despesas médicas passíveis de dedução; 6. Volkswagen do Brasil Assistência Médica os documentos apresentados (informativos e agendamentos de pagamentos) não são Fl. 242DF CARF MF 4 hábeis para comprovar a realização de despesas com plano de saúde, cuja prova se dá através de demonstrativo oficial fornecido pelo próprio plano de saúde aos seus associados. O documento referente à Canadá Life Previdência e Seguros S/A não foi aceito para comprovar dedução realizada a título de previdência privada por não se referir a plano de previdência privada ou Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual), mas de aplicação financeira em VGBL. Cientificada dessa decisão por via postal em 21/09/2010 (A.R. de fls. 201), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2010 (fls. 205), insurgindose contra as glosas das deduções de previdência privada, desta feita se referindo a pagamentos à Brasilprev Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 6.600,00 e das despesas médicas referentes a: · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Siqueira R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 4.565,00 (pois a metade se refere a despesa do cônjuge). Em seu recurso, a contribuinte anexou documentos às fls. 207/221: 1. Informe de Rendimentos Financeiros da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, referente a pagamento de contribuição de previdência privada em 2004, para plano PGBL no valor de R$ 6.600,00 (fls. 207/209); 2. Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi), além do recibo já apresentado quando da impugnação, trouxe declaração da fisioterapeuta identificando a finalidade do atendimento prestado (fls. 211); 3. Cíntia Guedes Bellini, reapresenta os mesmos recibos trazidos na impugnação, nos quais não consta a identificação do responsável pelo pagamento/beneficiário do tratamento nem consta o endereço da profissional (fls. 212/214); 4. Yara Marques S. Siqueira, reapresenta o mesmo odontograma para fins de reembolso odontológico no valor de R$ 430,00, desacompanhado de recibo ou assinatura da profissional mas onde consta o endereço da profissional (fls. 215/216) e o mesmo recibo de R$ 750,00 não aceito pela DRJ por falta do endereço da profissional; 5. Xenofonte P. R. Mazzini, apresenta o mesmo recibo sem o endereço do profissional; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 242 5 6. Centro Paulista de Laser Ltda, apresenta as mesmas notas trazidas na impugnação; 7. Volkswagen do Brasil Assistência Médica, apresenta declaração com o discriminativo mensal dos valores pagos, totalizando R$ 9.130,00 e indicação de que os valores também se referem ao participante Luiz C Catalano companheiro. A demonstração dos valores incontroversos está às fls. 224. O processo foi distribuído à então 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Da Diligência Em sessão de 30/09/2011 aquele colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF de origem intimasse a Volkswagen do Brasil Assistência Médica a discriminar quais os valores pagos para o plano de saúde da recorrente e quais seriam para o plano de seu companheiro, considerando que o demonstrativo juntado ao recurso apresenta a soma dos valores mensais pagos pelos dois participantes no ano calendário de 2004. A resposta à intimação está às fls. 234, com a discriminação solicitada. Intimada a se manifestar sobre a diligência (fls. 235/236), a interessada não se pronunciou, retornando o processo ao CARF para julgamento. De acordo com o art. 6º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, as Turmas Ordinárias da 1ª Câmara das Seções de Julgamento foram extintas. Tendo em vista que o Conselheiro anterior não mais compõe o quadro de Conselheiros do CARF, o processo foi submetido a novo sorteio caindo para minha relatoria. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pela declarante, inclusive a plano de saúde e dedução de plano de previdência privada. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas Fl. 244DF CARF MF 6 desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Previdência Privada O documento apresentado, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, comprova a dedução de R$ 6.600,00 a título de previdência privada. Como a declarante deduziu 12% de seu rendimento bruto tributável a este título (R$ 11.866,25) e não apresentou provas do restante deduzido, poderá ser restabelecida a dedução de R$ 6.600,00. Despesas Médicas a) Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi) a princípio o recibo é a prova da despesa. O recibo apresentado contém todos os requisitos exigidos na legislação. Os pagamentos mensais realizados por meio dos cheques identificados e corroborados pela declaração da profissional são suficientes para aceitar a dedução e restabelecer a dedução no valor de R$ 4.500,00. Não há base legal para exigência em sede de julgamento administrativo, de solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico. Qualquer exigência neste sentido deveria partir da autoridade lançadora. b) Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém sequer a identificação da pessoa que realizou os pagamentos nem o endereço da profissional, não podendo ser aceitos para fins de dedução de despesas médicas na declaração de ajuste do IRPF por não atenderem os requisitos mínimos exigidos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. A legislação admite que na falta do recibo possa ser aceito o cheque nominativo utilizado para o pagamento. Vejamos o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(destaquei) A declarante não apresentou cópia do cheque nominativo do pagamento, portanto, mantémse a glosa de R$ 4.000,00 relativa a esta dedução. c) Yara Marques S. Siqueira a autoridade Julgadora de primeira instância não aceitou o recibo de R$ 750,00 por falta do endereço da profissional. Ocorre que no odontograma apresentado consta o endereço da dentista. Outro argumento da DRJ para não aceitar esta dedução foi no sentido de que a interessada teria realizado o pagamento em Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 243 7 dinheiro mas não comprova saque em conta corrente na mesma data do recibo. Entendo que a exigência de comprovação do efetivo pagamento deveria partir da autoridade lançadora e não da julgadora. De qualquer sorte, a contribuinte demonstrou ter realizado saque em conta bancária em 25/08/2004, no valor de R$ 750,00 e o recibo tem data de 30/08/2004, estando, a meu entender, comprovada a origem do dinheiro utilizado neste pagamento. Portanto, considerando que no conjunto probatório constante dos autos o endereço da profissional não restou omisso, deve ser restabelecida a dedução desta despesa no valor de R$ 750,00 e mantida a glosa do restante por falta de comprovação. d) Xenofonte P. R. Mazzini o recibo não traz o endereço do profissional, não podendo ser aceito por não atender os requisitos exigidos na legislação. Mantida a glosa de R$ 150,00. e) Centro Paulista de Laser Ltda mantémse a glosa pelas mesmas razões apontadas na decisão da DRJ. A interessado não apresenta nenhum elemento novo. f) Volkswagen do Brasil Assistência Médica face declaração emitida por esta empresa, deve ser restabelecida a dedução no valor de R$ 4.565,00 relativo a plano de saúde da própria declarante. Deste modo, com base na legislação, critérios e princípios expostos, há que se restabelecer as deduções: a) a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e b) a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00 (R$ 4.500,00 + R$ 750,00 + R$ 4.565,00). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.720083/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.364
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 08 3/ 20 10 -2 5 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 918 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 12/08/2010, em face da homologação parcial das compensações indicadas nos Per/Dcomp listados à fl. 748, transmitidos entre 14/02/2006 e 18/07/2007, conforme Despacho Decisório de 23/03/2010 (fls. 748/750), proferido, por delegação, pelo Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort da DRF em Santo André/SP e cientificado em 13/07/2010 (fls. 761/762). Segundo consta do aludido despacho decisório, após a implementação dos cálculos relativos à ação judicial nº 1999.61.00.0158250 (origem dos créditos indicados nos Per/Dcomp), apenas a parcela de R$ 59.740,43 (em valor de 21/11/2005), foi reconhecida (de um total pleiteado de R$ 2.856.521,19). Em decorrência, as compensações transmitidas pela contribuinte foram homologadas até esse montante. Na manifestação apresentada (fls. 774/782), a contribuinte, após relato dos fatos, afirma que a decisão questionada levou em consideração compensações realizadas antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Esclarece que tais compensações foram acompanhadas e controladas nos processos administrativos nºs 10880.009073/9901 e 13820.000329/200409, e que “tanto em um (compensação antes do trânsito) quanto em outro caso (compensação após a homologação de habilitação de crédito), a autoridade administrativa não homologou as compensações realizadas em sua integralidade.” A seguir discorre sobre a evolução legislativa e sobre a base de cálculo do PIS após a Constituição Federal de 1988. Conclui que tal base sempre foi o faturamento apurado no sexto mês anterior ao do respectivo fato gerador, sem a aplicação de correção monetária. No tópico seguinte, chama a atenção para a existência de equívocos nos cálculos que embasaram o despacho decisório. Afirma que a simples análise dos cálculos efetuados é suficiente para se constatar que foram cometidos equívocos já que “ao elaborar o cálculo do PIS nos moldes da LC nº 7/70 e nos moldes dos Decretos 2.445 e 2.449, o agente fiscal converteu os valores devidos em unidade BTN e UFIR, fato este que levou à indexação dos valores apurados como ‘PIS devido’, hipótese esta afastada na decisão judicial transitada em julgado.” Reafirma que a base de cálculo deve ser o faturamento ”cru” do 6º mês anterior ao fato gerador, não incidindo correção monetária sobre a mesma. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência. Questiona, na seqüência, a sistemática de cálculo adotada no procedimento fiscal. Salienta que nos demonstrativos elaborados pela fiscalização percebese que a base de cálculo informada “corresponde ao 5º mês anterior ao fato gerador, ao invés de se utilizar o valor correspondente ao 6º mês, conforme preceituado na LC nº 7/70.” Argumenta, ainda, que “o agente fiscal, ao elaborar seus cálculos utilizou como parâmetros os valores recolhidos nos decretos declarados inconstitucionais, o que resultou na redução dos créditos da ora requerente, o que não aconteceria se fossem utilizados como base para apuração os valores devidos pela LC nº 7/70.” Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 919 3 Informa que junto com sua manifestação está apresentando uma planilha com os valores que teriam sido indevidamente recolhidos bem como com a composição do crédito, índices de correção utilizados, compensações realizadas, abatimentos e saldo residual que foi objeto do pedido de habilitação. Entende que, a partir dessa documentação, será possível demonstrar que os valores apurados pelo agente fiscal encontramse equivocados. Ao final, requer o acolhimento de sua manifestação e a total homologação das compensações informadas. À fl. 773, Termo de Vista Processual (em face da extração de cópias realizada com a utilização de equipamento eletrônico) datado de 09/08/2010. É o relatório." A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 0651.635 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. SEMESTRALIDADE. Correto o despacho decisório que observou os termos da decisão judicial que transitou em julgado e que determinou a observância da semestralidade, sem correção monetária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, novamente, aponta erros nos cálculos do crédito tributário efetuado pela fiscalização, porém não os que constam na manifestação de inconformidade. Apresenta dois exemplos numéricos e comparativos as planilhas de cálculo foram apresentadas no Pedido de Habilitação de crédito e na Manifestação de Inconformidade : a) No primeiro exemplo, o valor pago a maior foi apurado mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70 era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 920 4 c) Caso seus argumentos não sejam suficientes, protesta pela realização de diligência. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 921 5 Voto O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De pronto, consigno que não considero como preclusos (art. 17 do Decreto n° 70.235/72) os argumentos aduzidos pela Recorrente no recurso voluntário, apesar de diferirem dos incluídos na manifestação de inconformidade. A Recorrente menciona critérios de cálculo adotados para fins de preparação das planilhas apresentadas por ocasião do Pedido de Habilitação de Crédito e também anexadas à manifestação de inconformidade. Assim, não se trata de argumentos novos, motivo pelo qual entendo que devemos apreciálos. Vamos à contenda. O contribuinte obteve decisão judicial favorável, que reconheceu indébitos derivados de pagamentos a maior de PIS, efetuados com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88. O crédito tributário referese aos anos de 1989 a 1995 e poderia ser compensado com parcelas vincendas daquela mesma contribuição, acrescido da inflação verificada entre a data do pagamento a maior e 31/12/95 e, a partir de então, de juros calculados com base na taxa Selic. Foi apresentado Pedido de Habilitação do Crédito, no montante de R$ 2.815.989,79, o qual foi deferido, em 21/11/05 (fls. 175 e 176). Nos anos de 2006 e 2007, foram apresentados diversos PER/DCOMPs. Da revisão dos cálculos dos créditos, o Fisco deferiu tão somente R$ 59.740,43 (Despacho Decisório, fls. 751 a 754), patamar até o qual foram homologadas as compensações. A DRJ ratificou a decisão da unidade de origem. No recurso voluntário contestou os cálculos do auditor fiscal. Apresentou dois exemplos numéricos e comparativos, que reproduzo abaixo: Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 922 6 E assim descreveu as diferenças entre os seus e os procedimentos adotados pela fiscalização: a) No primeiro exemplo, o Fisco teria apurado o valor pago a maior mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Se confirmado que a fiscalização cometeu tais equívocos, entre outros, identifico os seguintes possíveis impactos no cálculo do crédito tributário: a) Distorção na apuração do valor original do crédito apurado, pois o valor efetivamente pago (Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e o realmente devido (LC n° 7/70) teriam sido calculados sobre bases de cálculo distintas. b) As eventuais insuficiências ou superveniência derivadas do mencionado no item anterior produziriam efeitos nos cálculos da atualização monetária e dos juros Selic. Isto posto, como, sob o ponto de vista conceitual, os argumentos da Recorrente encontram respaldo da decisão judicial prolatada em seu favor e na LC n° 7/70, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que esta turma possa proferir decisão com absoluta convicção acerca do montante de crédito tributário a que o contribuinte tem direito. Para tanto, a unidade de origem deverá realizar as seguintes tarefas: a) Selecionar, para revisão, alguns créditos indicados nas planilhas encaminhadas pelo contribuinte juntamente com o Pedido de Habilitação de Crédito e a manifestação de inconformidade. b) Preparar planilha, em que figurem as seguintes informações: mês de competência da base de cálculo (sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador) e o respectivo valor; data da ocorrência do fato gerador; alíquota aplicável (0,75%); valor devido (conforme LC n° 7/70) e data do vencimento, conforme legislação aplicável; Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 923 7 valor efetivamente pago (conforme Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e data do pagamento; valor original do crédito; atualização monetária (resultado da aplicação de índices inflacionários entre a data do pagamento efetuado e 31/12/95); juros Selic, incidentes a partir de 01/01/96; valor do crédito atualizado; débito compensado; e saldo a transportar para o período seguinte, se aplicável. d) Os cálculos citados no item precedente devem ser efetuados de forma comparativa. e) Na hipótese de serem identificados erros nos cálculos revisados, a totalidade dos cálculos dos créditos deverá ser refeita para apuração de novo montante de créditos de PIS. f) Emissão de relatório conclusivo e abertura de prazo para manifestação do contribuinte. Cumpridas as tarefas acima listadas, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 923DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.002371/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES.
A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro - COANA n.º 06/2001 e Acórdão 301-31-002 deste Conselho.
MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA.
Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente.
Numero da decisão: 3201-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES. A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro COANA n.º 06/2001 e Acórdão 30131002 deste Conselho. MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA. Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 23 71 /2 00 2- 77 Fl. 392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recuso Voluntário de fls. 119 interposto em face de decisão de primeira instância de procedimento administrativo fiscal de âmbito Federal proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo DRJ/SP de fls. 103 que considerou integralmente procedente o lançamento do Imposto de Importação II e Multa Regulamentar decorrente de "Simples Divergência de Classificação de Mercadoria" (Auto de Infração fls. 02) com declaração inexata. Sendo costume desta Turma de julgamento a transcrição do Relatório das decisões de primeira instância, segue para apreciação: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/03/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 02/01881289, parametrizada no CANAL 'VERDE, Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de rádio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00, com incidência da alíquota de 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo Técnico Oficial No. 22/02, foi apurado que a classificação fiscal correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 8525.20.79, de acordo com a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, em cumprimento A. nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhiento do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38. Cientificado do auto de infração, pessoalmente„ em 19/03/2002 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tlempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 08/04/2002, de fls. 46 à 79, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Nenhum dos equipamentos tem a capacidade de operar separadamente ou tem funções independentes; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 341 3 • Através do Processo Administrativo 10882.01193/0092 a impugnante providenciou junto a Secretaria da Receita Federal formulação de consulta para o produto em questão, tendo por resposta do GNOM que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8525.20.71, publicada no Diário Oficial da União de 1/12/2000; • Posteriormente a COANA avocou o processo para si, decidindo que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, o que confere a segurança jurídica à impugnante; • A impugnante procedeu diversas importações do equipamento sempre elegendo como classificação fiscal esta posição; • 0 auto de infração em comento tem por impropriedade considerar que o transponder não faz parte do rádio detecção, pois isoladamente ele não desempenha o fenômeno da comunicação, sendo ele elemento do aparelho; • A adequada aplicação da nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85 indica que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, uma vez que a parte definida como transponder é exclusivamente concebida para o aparelho rádio detecção dessa posição; • A posição eleith pela fiscalização não pode prevalecer porque o equipamento importado não exerce função de radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão; • Em face do Ato Declaratório COSIT No. 10/97, inaplicável a multa de oficio; • Inaplicabilidade da taxa selic; Pugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório." Esta decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 103 foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2002 Despacho aduaneiro de Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de radio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00. 0 equipamento importado não é idêntico aquele que foi objeto da consulta. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado normatizadas pela Instrução Normativa No. 157/2002, insere o equipamento importado na posição NCM 8525. Fl. 394DF CARF MF 4 Incidência da multa por ausência de Licença de Importação e da Taxa Selic. Lançamento Procedente" Em maio de 2010 este Conselho conheceu o Recurso Voluntário e converteu o julgamento em diligência por meio de Resolução de fls. 165. Após o cumprimento da Resolução que determinou a juntada aos autos de cópia do Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092, manifestaramse o contribuinte em fls. 313 e a União em fls. 341. Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Diante da análise do autos verificase que o ponto central da lide entre o contribuinte e a União se resume à classificação do Transponder MD 5888 e trata da possibilidade deste, parte integrante de um produto principal, o Sistema de Detecção de Veículos, ser classificada de forma divergente do produto principal quando importada separadamente. Por conta desta premissa utilizada para o lançamento, a de que uma parte de um produto principal poderia ter classificação fiscal divergente deste, a lide atingiu este Conselho. O Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092 juntado aos autos é importante para a solução da lide, porque trouxe aos autos informações suficientes que demonstraram o entendimento da classificação do produto principal pela própria União, em conformidade com a classificação utilizada pelo contribuinte. De fato, tanto o produto/parte ora analisado, o Transponder MD 5888, quanto a Multileitora MD5850, parametrizados no canal verde, foram contemplados expressamente pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA em Solução de Divergência n.º 06/2001 de fls 288 dos autos. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 342 5 Em breve análise verificase que a classificação adotada pelo contribuinte no código NCM 8526.10.00 é decorrente do entendimento desta Solução de Divergência, conforme Ementa transcrita a seguir: "Assunto: Classificação de Mercadorias. Ementa: Reforma da Decisão Diana/SRRF/8' RF n.° 98, de 14 de novembro de 2000. Mercadoria. sistema de detecção de veiculos, por ondas de radio, operando na freqüência de 5,8 GHz, utilizando padrão DSCR, capaz de identificar automaticamente veículos contendo um Transponder, constituído por uma unidade transmissora receptora fixa, denominada Multileitora, modelo MD 5850, que se destina a identificação e registro dos veículos que passem pela sua zona de atuação, e Transponder, modelos 5888 R/W ou 5803 RJW, que também é um transmissorreceptor, porém portátil e instalado nos veículos, de fabricação da Micro Design ASA, classificase no código NCM 8526.10.00 Dispositivos Legais: RG1 1.a (texto da posição 8526) e 6.a (texto da subposição 8526.10), RGC1, Notas 4 e 5 da Seção XVI da NCM, aprovada pelo Decreto n° 2.376, de 12 de novembro de 1997, na sua versão atual." Tendo ciência de que a partir de iniciativas da própria União em conjunto com a Organização Mundial das Alfândegas, o Brasil aderiu à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias em 1986, assim como o Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador previa em seu Art. 100 que a interpretação do conteúdo das posições seriam feitas pelas Regras Gerais (RG), a fiscalização motivou o lançamento a partir destas regras para interpretação do sistema harmonizado: "001 SIMPLES DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA A empresa QFree America Latina submeteu a despacho para consumo, através da Declaração de Importação 02/01881289, parametrizada no canal verde, pelo SISCOMEX, mercadorias com a seguinte descrição: "MD5888 Transponder e seu software para detecção de veículos através de ondas de radio", e indicou o código NOM 8526.10.00 para a classificação tarifária com aliquota de 0% para o Imposto de Importação e 0% para o IPIvinculado. Com fundamento no artigo 36 da IN/SRF/69/96, foi determinada a abertura dos volumes referentes a Declaração de Importação acima, tendo em vista a possível indicação incorreta do código NCM. 0 representante legal da empresa, ciente do procedimento, alegou que a opção pelo código NCM declarado está amparada na Solução de Divergência No.06 de 05/07/2001 da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (COANA) da Secretaria da Receita Federal. 0 documento em questão determina que o sistema de detecção constituído por uma unidade transmissorareceptora Fl. 396DF CARF MF 6 fixa, denominada Multileitora MD5850 e o Transponder MD5888, classificase no código NCM 8526.10.00, sendo que a Multileitora se destina a identificação e registro dos veículos que passam pela sua zona de atuação e o Transponder é um transmissorreceptor portátil a ser instalado nos veículos. Em ato de conferência física das mercadorias verifiquei que a empresa adquiriu apenas o Transponder modelo 5888. Para dirimir as dúvidas quanto as características técnicas do Transponder, e sua capacidade de efetuar rádiodetecção desacompanhado da Multileitora, solicitei o Laudo Técnico No.22/2002. Após o exame das respostas aos quesitos constantes do mencionado Laudo Técnico, conclui que os Transponders, isoladamente, não são aparelhos de rádiodetecção, portanto não se enquadram no código NCM 8526.10.00, uma vez que a Solução de Divergência No.06 da COANA, anteriormente citada, indica tal código NCM para o sistema composto pela.Multileitora e pelo Transponder. Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ. Após estudo das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), conclui que o código NCM mais adequado para o Transponder, importado isoladamente, é 8525.20.79, pelos motivos a seguir: As mercadorias não podem ser classificadas como partes e pegas de um aparelho de rádiodetecção (8529.90.30) pois a Regra No.1 das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado determina que: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:" 0 texto da Posição 8525 é o seguinte: "Aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo incorporando um aparelho de recepção If A nota 2 das Notas da Seção XVI determina: "Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 8484, 8544, 8546 ou 8547) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos capítulos 84 ou 85 (exceto as Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 343 7 posições 8409, 8431, 8448, 8466, 8473, 8485, 8503, 8522, 8529, 8538 e 8548) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem;" As Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: "De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número I, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525 a 8528 (poSição 8529). Todavia, estas disposições não se aplicam as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 8485 e 8548). Os artefatos deste tipo seguem seu próprio regime em todos os casos, mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada." Face ao exposto verificase que os transponders, apesar de concebidos para serem utilizados como parte do sistema de rádiodetecção, quando importados isoladamente, são classificados na sua própria posição. Composição do código NON 8525.20.79: 8525: aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo com um aparelho de recepção incorporado 8525.20: aparelhos transmissores (emissores) com receptor incorporado 8525.20.7: outros transmissores (emissores) com receptor incorporado, de radiotelefonia ou radiotelegrafia digitais, de freqüência inferior a 15 GHZ." Conforme exposto acima, "as Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525". Ou seja, se a única hipótese de exceção para classificação de parte construída exclusivamente para um aparelho ou máquina, de forma isolada e separada, é quando o Fl. 398DF CARF MF 8 aparelho se encontra na posição 8525, tal raciocínio utilizado no lançamento não se aplica ao caso uma vez que não foi nem contestada a posição do aparelho, a 8526. Logo, a classificação do Transponder deve corresponder à classificação do Sistema de Detecção de Veículos e não à uma classificação isolada e separada. Não foi sequer levantada a hipótese de que o Transponder é um aparelho que funciona sem o sistema de detecção, assim como não há prova de que esse suposto "aparelho" é um transmissor com receptor incorporado de radio "telegrafia" ou rádio "telefonia" (características da posição de reclassificação). O verificado no Laudo e no próprio Auto de Infração, é que o Transponder transmite dados digitais através de ondas de rádio frequência: "Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ." Verificase que não há no lançamento e também não há na manifestação da União motivações conclusivas que permitam a reclassificação do produto/parte de forma independente do Sistema de Detecção de Veículos. Situação que é conflitante com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Por exemplo: utilizado como fundamento para o lançamento, o próprio Laudo Técnico Oficial de fls. 22 é contraditório nas alegações de "radio detecção" e realmente não foi suficiente para demonstrar que o Transponder MD 5888 teria utilização diversa, ao contrário, demonstrou a possibilidade de ser exclusivo e essencial ao Sistema de Detecção de Veículo da posição 8526. Por meio de provas juntadas pelo contribuinte em fls. 206 e seguintes, ficou claro que o Transponder é obsoleto isoladamente, o que mais uma vez confirma o alegado pelo contribuinte que, deliberadamente, comprovou em fls. 153 não atuar em qualquer outra atividade além do Sistema de Detecção de Veículos. Não se trata de uma linguagem de comunicação comum, como telefonia ou televisão, como fez crer a fiscalização, é claramente uma tecnologia nova e aproximada à tecnologia do radar, com aplicação específica, comunicação própria e única sem qualquer outra utilidade (fls. 257 e seguintes Laboratório de Antenas). A simples concepção do Sistema de Detecção de Veículos não permite a utilização de outras classificações comuns a outros produtos como telefonia, televisão, rádio de comunicação de embarcações, telefonia e demais referências utilizadas pela fiscalização para adotar da posição 8525, transcrita a seguir em comparação com a posição 8526 adotada pela mencionada decisão COANA e pelo contribuinte: "85.25 APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIOTELEFONIA, RADIOTELEGRAFIA, RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CAMERAS DE TELEVISÃO; CAMERAS DE VÍDEO Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 344 9 DE IMAGENS FIXAS E OUTRAS CAMERAS DE VÍDEO; CÂMERAS FOTOGRÁFICAS DIGITAIS. 8525.20Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado (...) 85.26 APARELHOS DE RADIODETECÇÃO E DE RADIOSSONDAGEM (RADAR), APARELHOS DE RADIONAVEGACÃO E APARELHOS DE RADIO TELECOMANDO." O Laudo afirmou que a mercadoria examinada não é capaz de efetuar a radiodetecção, sendo que somente a central fixa faria a radio detecção em fls. 22, mas em fls. 23 afirma que "o transponder realiza a transmissão de ondas de rádio frequência..." e "realiza comunicação bidirecional através de rádio frequência, ou seja, transmite e recebe...". Destes trechos podese concluir que ambos os aparelhos que formam o Sistema de Detecção de Veículos são responsáveis por detectar o veículo, por ondas de rádio, ou seja, rádio detecção. Ainda, em favor do contribuinte, em fls. 23 o Laudo explica: "Ao aproximarse da central de rádio detecção, o transponder que encontrase em estado de espera. recebe um sinal de rádio freqüência emitido pela central. solicitando ao transponder que emita sua identificação. Recebendo esse sinal, o transponder rapidamente transmite um sinal em resposta, enviando os dados que estão armazenados em sua memória (incluindo o seu código único de identificação). Ao receber esse sinal, a central de rádio detecção identificao e toma as providências necessárias de registro, abertura de barreiras, acionamento de cameras fotográficas. etc.. Em resumo, o principio de funcionamento do aparelho MD 5888 R/W baseiase na transmissão e recepção de mensagem de identificação digital através de ondas de RF." Por meio da análise do próprio Laudo que fundamentou o lançamento verificase que a mercadoria/parte é essencial e exclusiva ao produto principal "Sistema de Detecção de Veículos", assim como ficou clara a contradição da afirmação da "radiodetecção" ser qualidade exclusiva da central fixa, o que confirma a ausência de fundamentação legal ou técnica para a reclassificação do lançamento. Em breve análise das Regras Gerais para interpretação do sistema harmonizado, verificase que a classificação do Transponder é primeiro resolvida na Regra Geral n. 01, porque o texto contém a palavra radiodetecação. O simples fato de importar a mercadoria de forma separada não impede este Conselho de analisar as características desta diante de sua essencialidade, que por convergência com o disposto na Solução de Divergência n.º 06/2001 da COANA, adota a mesma classificação utilizada pela contribuinte como a correta, código NCM 8526.10.00. Fl. 400DF CARF MF 10 Além da mencionada decisão da COANA, que hora se utiliza como fundamento deste voto, é importante citar que este Conselho tem precedente no mesmo sentido, conforme Acórdão 30131002, proferido em nome deste mesmo contribuinte. Não havendo cobrança de diferença de tributos e multa, não há motivo para aplicação de juros. CONCLUSÃO Em face do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em sua integralidade, para exonerar toda a cobrança e considerar como correta a classificação do Transponder MD588 na posição NCM 8526.10.00. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720236/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A empresa recorrente foi autuada para cobrança de créditos de COFINS, no valor de R$ 13.155.009,67 e de PIS, no valor de R$ 2.856.021,85, referente ao ano de 2007. A autuação foi consubstanciada no fato de ter a pessoa jurídica auferido receitas de serviços de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 36 /2 01 3- 13 Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 11 2 industrialização por encomenda, sem, contudo, ter oferecido as mesmas, à tributação do PIS e da COFINS. A fiscalização constatou que o contribuinte prestou serviços de industrialização por encomenda para empresa relacionada, a Yamaha Motor da Amazônia Ltda., registrados nas notas fiscais de vendas, no código CFOP 5124 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, mas deixou de indicálos nas DACONS do anocalendário de 2007, como integrantes das bases de cálculo do PIS e da COFINS devidos no período. Entendeu a fiscalização que a conduta da empresa não estaria respaldada no art. 5°A, da Lei n° 10.637/2002, acrescido pela Lei n° 10.684/2003, com redação dada pela Lei n° 10.865/2004, que estipulou a incidência de alíquota zero no caso de receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoantes projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Para a autoridade, a industrialização por encomenda difere da industrialização acobertada pelo art. 5° A, da Lei n° 10.637/2002. A empresa levou a questão à apreciação do Poder Judiciário, por meio do processo judicial n. 7029414.2011.4.01.3400, e foi vencedora, motivo pelo qual foi reconhecida pela DRJ a concomitância entre o processo fiscal e o judicial, por isso a 3ª Turma da DRJ/BEL negou provimento à impugnação, acórdão nº 0125.443, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 JURISDIÇÃO UNA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal iniciativa fere a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una. Isso significa que as decisões judiciais são soberanas. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento. Decisão Judicial pode suspender a exigibilidade do crédito tributário, ou seja, a sua cobrança, porém não impede sua constituição pelo lançamento. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 12 3 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. PRINCIPAL. VALOR NÃO PAGO. Os juros de mora serão devidos sobre o valor do principal não pago, seja qual for o motivo determinante da falta, ex vi artigo 161 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. O lançamento para prevenir decadência é constituído quando a suspensão da exigibilidade, na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, ocorre antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo ao tributo lançado. Quando a suspensão ocorrer após o início do procedimento fiscalizatório, aplicase a multa de ofício. Impugnação Improcedente. A DRJ não conheceu a impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração, por reconhecer a concomitância. Todavia, a DRJ manteve a aplicação da multa e dos juros de mora, pois o §1º do artigo 63 da Lei 9.430/96 informa que a inaplicabilidade da multa de ofício destinase exclusivamente aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo e, no caso em comento, o mandado de procedimento fiscal é datado de 09/02/2011. Assim, como a contribuinte obteve antecipação dos efeitos da tutela em 25/01/2012, logo, após iniciado o procedimento fiscalizatório, a cobrança dessa penalidade tornase devida. Tendo em vista o resultado do julgamento na DRJ, foi determinado o desmembramento do processo n. 10283.720368/201264 (o principal da cobrança de PIS e COFINS), deste processo administrativo n. 10283.720236/201313 (multa de ofício e juros de mora). Confirase o teor do Termo de efl. 2387: O acórdão nº 0125.443 3ª Turma da DRJ/BEL não conheceu da impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração nº 10283.720368/2012 64, declarandoo definitivo na esfera administrativa e que tal parcela deverá ser cobrada imediatamente em autos apartados, desde que a coisa julgada no processo judicial n° 7029414.2011.4.01.3400 resulte de modo favorável à Fazenda Pública. Ao operacionalizar tal decisão no sistema SIEFProcessos, não foi possível o desmembramento do principal para autos apartados, uma vez que esse sistema só permite o desmembramento da multa vinculada, razão pela qual o interessado em epígrafe teve o referido auto de infração DESMEMBRADO para recepcionar o valor relativo à multa de ofício e aos juros de mora, parte esta conhecida do lançamento. A parte referente ao principal do crédito tributário, sub judice, permanecerá controlada no processo original, e será encaminhado à Equipe de Medidas Judiciais – EQJUDMED, Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 13 4 para acompanhamento da ação no processo judicial supracitado, e demais providências de sua alçada. Diante do exposto, abrimos a presente REPRESENTAÇÃO para recepcionar os valores relativos à multa de ofício e aos juros de mora, que passarão a ser controlados neste processo de nº 10283.720236/201313. Em seu recurso voluntário, a Recorrente insurgese contra o desmembramento deste processo daquele principal, com fundamento no art. 62 do Decreto 70.235/71, bem como contra a imposição de multa e juros, com fundamento nos art. 63 da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No caso em questão, houve sentença concedendo antecipação de tutela à contribuinte no processo judicial nº 7029414.2011.4.01.3400, nos seguintes termos: Tratase de ação ajuizada por YAMAHA MOTOR COMPONENTES DA AMAZÔNIA LTDA em face da UNIÃO (Fazenda Nacional), com pedido para que seja reconhecido o seu direito à isenção da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nas operações de venda de bens e serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e projetos aprovados pela SUFRAMA em especial para a Yamaha Motor da Amazônia Ltda. empresa do mesmo grupo. (...) 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para declarar que a alíquota zero fixada para a incidência da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social estabelecida no artigo 5°A da Lei n° 10.637/2002 abrange as receitas decorrentes de industrialização por encomenda de matériasprimas e produtos intermediários efetuadas na Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 14 5 Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais também ali instalados, encomendantes da industrialização por encomenda, tudo consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Concedo a antecipação dos efeitos da tutela na sentença para que quaisquer créditos tributários referentes a essas operações que tenham sido constituídos ou venham a ser constituídos pela Receita Federai fiquem com sua exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado do presente processo. Condeno a Fazenda Nacional no reembolso das custas processuais, bem como no pagamento de honorários advocatícios que arbitro, por equidade, com base no artigo 20, § 4º, do CPC, em RS 10.000,00 (dez mil reais). Sentença adstrita ao duplo grau de jurisdição obrigatório. Após vencido o prazo para recurso voluntário, com ou sem ele, remetamse os autos ao egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, a decisão de segunda instância, também favorável ao contribuinte, foi assim ementada: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ZONA FRANCA DE MANAUS. APLICAÇÃO DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTA PREVISTA NO ARTIGO 5ºA DA LEI Nº 10.637/2002. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.865/2004. DECRETO Nº 7.212/2010. IPI. 1. Acerca da prescrição do direito de pleitear repetição de indébito dos tributos lançados por homologação, ressalto que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em recente julgamento (RE 566.621/RS, Rel. Min. ELLEN GRACIE, trânsito em julgado em 17/11/2011, publicado em 27/02/2012), com aplicação do art. 543B, do CPC (repercussão geral), com eficácia vinculativa, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/2005, decidindo pela aplicação da prescrição quinquenal para a repetição de indébito, às ações ajuizadas a partir de 09 JUN 2005, que é o caso em apreço. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 15 6 2. Quanto à matéria de fundo, pretende a autora, sejalhe garantida, relativamente às contribuições sociais ao Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a aplicação do disposto no art. 5ºA, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, incluído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, nas operações de venda de bens/serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM). 3. A Fazenda Nacional apresentou irresignação às razões do requerimento apresentado pela autora, com fundamento na Solução de Consulta nº 12, de 12 de julho de 2011, editada por autoridade da 2ª Região Fiscal, na qual consta entendimento de aplicação da alíquota geral para a contribuição para o PIS e para a COFINS, mesmo nas situações de industrialização por encomenda, nos seguintes moldes: “(...) EMENTA: ZONA FRANCA DE MANAUS. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a 0 (zero) da alíquota da aplicase somente à receita bruta auferida com a venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus. Verificada a inexistência de tratamento fiscal específico, sobre as receitas decorrentes de serviços de industrialização por encomenda incide a alíquota geral definida na legislação, conforme o regime de tributação a que estiver sujeito o executor da encomenda. (...)”. 4. A Autora informa que no desenvolvimento de suas atividades aufere receita decorrente da venda no regime denominado “industrialização por encomenda”, buscando, em razão disso, conforme já noticiado, os benefícios decorrentes da aplicação do disposto no art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002, ressaltando que: “Em respeito às normas vigentes, apresentou projetos (doc. anexos) perante os órgãos competentes da Administração Pública, os quais foram aprovados como fazem prova cabal os adunados Laudos Constitutivos 150/2005, 151/2005, 196/2008, 197/2008, 198/2008, 199/2008 e 200/2008 (doc. anexos) e correlatos Atos Declaratórios Executivos 36/2006, 64/2006 e 56/2009 (doc. Anexos). Por conseguinte, confiando na segurança das condições econômicas apresentadas e aprovadas, a Autora procedeu a elevados investimentos destinados ao custeio operacional, máxime aquisição de bens para o imobilizado, máquinas, equipamentos, qualificação de operadores, entre outros de monta. (...)”. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 16 7 5. O Decreto nº 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI dedicou Seção específica para tratamento do regime fiscal no âmbito da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, em especial quanto à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados. Tal norma permite a identificação clara de que o processo de industrialização, por encomenda ou não, consiste preponderantemente em “Industrialização de Produtos”, demonstrando que o legislador não atribuiu distinção quanto à natureza da operação. 6. E, nesse sentido, a industrialização por encomenda também se enquadra na regra que o próprio art. 81 do citado decreto apontou, quanto à isenção do imposto relativamente aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, nos limites fixados pelo citado dispositivo, uma vez que não há indicação de ressalva pela norma de regência. Mesmo que a Fazenda Nacional defenda a inaplicabilidade do art. 5ºA em processo de industrialização por encomenda, sob a alegação de ausência de previsão legal, reconhecese que as ressalvas que o próprio o Decreto nº 7.212/2010 traz sobre a isenção a ser aplicada no processo de industrialização não alcançam tal processo. 7. Diante disso, verificase que o processo de industrialização por encomenda, nos moldes em que demonstrado nos autos, não difere do processo de industrialização defendido pela Fazenda Nacional, merecendo, desse modo, a aplicação das disposições do art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002. 8. Ademais, a operação de industrialização por encomenda alcança o mesmo objetivo do processo geral de industrialização, enquadrandose na redução à alíquota zero, levando em conta que a receita auferida, do mesmo modo, é decorrente da comercialização de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus em razão do emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, conforme literalmente trazido pelo artigo 5ºA em estudo. 9. Quanto à fixação dos honorários advocatícios deve atender aos princípios da razoabilidade e da equidade. Assim, levandose em conta as diretrizes adotadas pela Turma e os requisitos contidos no art. 20, § 4º, do CPC, Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 17 8 entendo razoável a fixação dos honorários conforme estabelecido pelo Juízo a quo. 10. Apelação e remessa oficial parcialmente providas, tão somente para aplicar o prazo prescricional quinquenal, de acordo com a nova orientação da Suprema Corte. Ressaltese que o referido processo judicial n. 0070294.14.2011.4.01.34/DF, transitou em julgado na data de 27/01/2015 em favor da empresa. Em decorrência disso, o processo administrativo principal n. 10283.720368/201264, vinculado ao presente processo (10283.720236/201313), foi arquivado pela Receita Federal com a extinção dos débitos tributários, nos termos do artigo 156, X, do CTN. A Recorrente comprovou o trânsito em julgado através da juntada dos seguintes documentos, que constam nas efls. 25812608: · Sentença nº 62/2012B5ª Vara Tipo A, de 25/01/2012 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Ementa/Acórdão/Relatório/Voto em Apelação/Reexame Necessário (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de Trânsito em Julgado em 27/01/2015 do Acórdão, lavrada em 13/02/2015 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de objeto e pé expedida pela Diretora da Divisão de Procedimentos Diversos da Coordenadoria de Recursos da Secretaria Judiciária do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF). Às efls. 25582563 consta o termo de encerramento do processo principal, nestes termos: Ante o exposto, nesta data, foram extintos os débitos objeto deste processo administrativo tendo como base jurídica o dispositivo legal do art. 156, X, do CTN, e, em ato contínuo encerrouse o presente processo administrativo. Tais feitos, comprovase ao visualizar o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Como não há mais nada a se fazer neste processo administrativo, proponho o arquivamento deste por 5 anos. Caso a Chefia concorde com tal arquivamento, deve assinar digitalmente o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Caso não concorde com o arquivamento do presente processo Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 18 9 administrativo, deve retornar este processo a esta EQMEJ, apontando em suas considerações as causas que criaram óbice ao arquivamento. Por conseguinte, considerando que: 1) A concomitância não é matéria controvertida nestes autos; 2) Este presente processo é fruto do desmembramento, restando nele apenas a cobrança dos valores relativos multa de ofício e aos juros de mora; 3) O processo administrativo principal n° 10283.720.368/201264 (a cobrança de PIS e COFINS) encontrase definitivamente encerrado; 4) Não subsistiu o auto de infração para o PIS e COFINS em face do provimento judicial definitivo em favor da Recorrente. Então, todas as penalidades e encargos moratórios do principal devem ser cancelados, com fundamento no referido artigo 156, X, do CTN. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2619DF CARF MF
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