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Numero do processo: 12155.000477/2007-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2002
GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/1991
Numero da decisão: 9202-008.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício. Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/1991 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 5. 00 04 77 /2 00 7- 95 Fl. 375DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 306/326, contra o acórdão nº 2403002.180, proferido na sessão do dia 18 de julho de 2013 pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2002 NÃO COMPROVAÇÃO DE CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA AUTUAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal. MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso voluntário Provido Como descrito pela Câmara a quo: Tratase de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização contra a empresa identificada, de acordo com as fls. iniciais e 02 do presente, em razão de a mesma ter infringido o Art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212191 e alterações posteriores, que prevê como infração o fato de a empresa, apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 0112001 a 0812002, 2. No Relatório Fiscal Complementar às fls. 60/70, os Auditores Fiscais informam que houve divergência entre os valores constantes das folhas de pagamento apresentadas e os valores declarados em GFIP. Detectaram que a GFIP não espelhava a realidade da folha, uma vez que não houve a inclusão de um Fl. 376DF CARF MF Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 9202008.068 CSRFT2 Fl. 376 3 grupo de segurados empregados, e sim acertos por ocasião das rescisões. Inconformada com a decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial de efls. 306/326, visando rediscutir a responsabilidade solidária das empresas que integram grupo econômico. Apresenta como paradigma o acórdão nº 2803001.075: Acórdão n.º 2803001.075 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/08/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias decorrentes da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Por certo, se existe compartilhamento na utilização da mão de obra de segurados, certamente, haverá compartilhamento nas obrigações das contribuições previdenciárias. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional destaca: i) que o instituto “grupo econômico”, possui definição no Direito Privado. Logo, se pode extrair o efeito tributário pretendido pelo art. 30, IX da Lei n 8.212/1991, que é o seguinte: configurado o grupo econômico, haverá responsabilidade solidária no tocante às obrigações tributárias (pagamento contribuições previdenciárias). Fl. 377DF CARF MF 4 ii) que o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/1991, que cuida da responsabilidade solidária das empresas de um grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social, refere‑ se a uma solidariedade prevista em lei, logo não depende de demonstração de qualquer interesse comum. Conforme despacho de efls. 329/332, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Mediante análise dos autos, verificase a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, com fundamento no RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, anexo II, artigos 67 e seguintes, dou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimados, conforme documentos juntados aos autos, os Contribuintes não apresentaram Contrarrazões. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme exame de admissibilidade de efls. 329/332. A Fazenda Nacional visa rediscutir a responsabilidade solidária das empresas que integram grupo econômico. O presente tema já é bem conhecido dessa E. CSRF, que já se posicionou em diversos casos, sendo necessário verificar se a fiscalização apresentou fatos e provas que caracterize o grupo econômico entre as empresas autuadas. Destaco as efls. 64/69, que apresentam as seguintes informações: A Empresa Frigorífico Paragominas S/A, atuando no mercado de compra, abate e industrialização de bovinos e derivados há quase 20 anos com esta denominação social, em Ação Fiscal por Auditores Fiscais da Previdência Social, como já exposto acima, demonstrando uma grande complexidade de operações voltadas para o mesmo objetiva, envolvendo diversas empresas, e por consequência diversas pessoas. Inicialmente, na ação fiscal, tivemos muitas informações evasivas e desencontradas através dos Sr. José Reinaldo e João Xavier, do departamento de pessoal e contabilidade, respectivamente, fatos no mínimo estranhos já que estes são os responsáveis por todas empresas que envolvem o Grupo, que denominaremos de Fl. 378DF CARF MF Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 9202008.068 CSRFT2 Fl. 377 5 "Grupo Uliana", destacando o sobrenome o Diretor Presidente do Frigorífico Paragominas S/A Darcy Dalberto Uliana, o qual também não pareceu num primeiro momento convincente em suas explicações quanto a operacionalidade do frigorífico. Como se não bastasse as explicações evasivas, não apresentaram toda a documentação solicitada, redigindose a dizem que a mesma teria sido extraviada, o que nos levou a procurar outros; meios com intuito de apurar as contribuições previdenciárias devidas, inclusive a recorrer a diversos (órgãos públicos, tais como, Caixa Econômica Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda, Ministério da Agricultura, Secretaria da Agricultura, Juntas de Conciliação e Julgamentos, onde, em todos estes órgãos, os servidores demonstravam conhecedores desta empresa como realmente um grande grupo de empresas e pessoas voltadas para o mesmo objetivo. Considerando que parte das contribuições previdenciárias trata se de aquisição de produtos nas, compras de bovinos, bubalinos e suínos, e que, conforme já foi exposto anteriormente, solicitam os a alguns destes órgãos subsídios com o intuito de chegarmos ao número real de abate destes animais, fezse necessário também iniciarmos ações fiscais nas empresas ligadas ao frigorífico, as quais serão abordadas neste relatório a fim de demonstrarmos o "Grupo Uliana" como um grupo econômico e solidariamente responsáveis para com as contribuições previdenciárias. a) Frigorifico Guzerá Ltda. empresa constituída em 06/1994, tendo como um dos sócios o Sr. Antonio Alcides Lisboa Gentil, também sócio do Frigarífico Simental Ltda. pertencente ao Grupo, exempregado do FRIPAGO ‑ Frigorífico Paragominas S/A, DD Uliana Comercial Ltda. e Oba Org. Brasileira de Alimentos, também empresas do ʺ Grupo Ulianaʺ . Salientamos também que o Sr. Antonio Alcides outorgou a Fabíola Rita de Moura em 04/2000 uma procuração, também empregada não registrada do ʺ Grupo Ulianaʺ . O F. Guzerá Ltda. também está sob ação fiscal, aparentemente paralisada em suas atividades e o Sr. Alcides gerencia a unidade fiigorífica em Santa Isabel do Pará/PA, do Frigorifico Centauro ltda. (Sr. Darcy Dalberto como sócio gerente) através da empresa Frigorífico Simental Ltda Nas Juntas de Conciliação do Trabalho, em Santa Izabel e Paragominas, há diversos processos trabalhistas, ambas sendo reclamadas pelo mesmo autor. Inclusive em 1997 houve uma transferência dos segurados empregados do Guzerá para o Fripago, onde este assumiu o passivo trabalhista do Guzerá. O Sr. Antonio Alcides já fez parte do quadro societário da empresa Dʹ Amazônia Ind. e Com. Ltda. juntamente com Sr. Darcy Dalberto Uliana, sendo esta também partícipe do Grupo. Outro sócio do Frig. Guzerá Ltda., Sr. Antonio Carlos da Silva, foi empregado do Frigorifico Paragominas S/A, atualmente empregado da Empresa Brasileira Ind. e Com. Ltda., empresa do Grupo Uliana, também em ação fiscal. Fl. 379DF CARF MF 6 b) Frigorifico Simental Ltda. ‑ Empresa constituída em 12/1996, sócios: Antonio Alcides Lisboa Gentil, já citado item 21 e Antonio José Alves. Mostramos aos anos, 04 (quatro) procurações procurações outorgadas pelo Sr. Antonio Alcides para Landulfo Brito Filho (duas), Sócio da Empresa Brasilieira Ind. E Com. Ltda, Antonio Glauber Gomes de Moura, empregado do Frigorífico Paragominas S/A e para Joana Dʹ Arc Seabra Carmona, Izabel Uliana e Fabíola Rita de Moura (novamente a Fabíola) todos ligados ao Fripago. O Frigorífico Simental atua dentro da unidade figorífica desde o início das atividades sem contar com nenhum segurado empregado, compras de gado e venda de produtos industrializados, tanto em Paragominas como em Santa Izabel do Pará, conforme demonstrado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.525.710‑ 6, resultado também de ação fiscal, usando todo o contingente do Fripago e de seus colaboradores. c) Frigorífico Centauro Ltda. ‑ Sócios: Darcy Dalberto Uliana e Walace Roberto Peterdi Uliana ‑ Presidente e Vice do Frigorífico Paragominas S/A, unidade frigorífica em Santa Izabel do Pará, que acolhe da mesma forma que a unidade frigorífica em Paragominas todas as empresas ligadas ao Grupo Uliana, sem empregados, usando o contingente de todo o grupo. Também muito citado como Litisconsorte passivo em diversos processos trabalhistas na JCJ de Santa Izabel do Pará, juntamente com o Frigorífico Guzerá Itda. e Fripago. (...) Empresa responsável pela compra de gado e comercialização de carne, ou seja, gerencia do início ao fim, hoje composto pelos sócios Adilson Sandre Uliana, responde pela compra e controle do abate e Dulcimar Maria Uliana, responsável pela gerência financeira, a qual atendeu os auditores, e da mesma forma, não apresentando documentos financeiros‑ contábeis. Vemos pelo quadro societários, onde consta os srs. Darcy Dalberto Uliana, Walace Roberto Peterdi Uliana, Antonio Alcides Lisboa Gentil, todos já citados em empresas anteriores, bem como outros ex‑ empregados do Fripago. Também referindo‑ se ao capital social da empresa, R$ 100.000,00, considerando que a empresa se diz detentora da compra dos animais e venda da carne, com um abate em torno de 7.000 cabeças de gado, sendo o preço mínimo hoje por cabeça R$ 350,00, resultaria uma operação de mais de R$ 2.500.000,00/mês, sendo que houve recusa da entrega da contabilidade/caixa/financeiro, o que não nos deixa dúvida quanto a participação desta empresa dentro do ʺ Grupo Ulianaʺ . Também, referindo‑ se a processos trabalhistas, sendo arrolada como sucessora do Fripago, bem como diversos segurados empregados passaram a fazer parte da mesma, assumindo o passivo trabalhista as destes. Também, atua dentro das dependências do Fripago em Ananindeua/PA, possuindo o mesmo Contador e Encarregado do Pessoal que as demais empresas, usando critérios idênticos das demais, ou seja, não prestando adequadamente todas as informações contábeis e financeiras solicitadas pelos auditores fiscais. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 9202008.068 CSRFT2 Fl. 378 7 9. Isto posto, usando conceito de Grupo Econômico, ʹ Um grupo como conjunto ou sociedades juridicamente independentes, submetidas à unidade de direçãoʹ , (Prof. Magano ‑ Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho – S.Paulo, ed. Revistas dos Tribunais, 1979, pg. 305), sendo que, todas as empresas anteriormente citadas, estão sujeitas a mesma administração contábil, mesmo departamento de pessoal e jurídico, , como vistos diversos processos trabalhistas, os mesmos defensores, os mesmos prepostos para as diferentes empresas, com a mesma linha de atendimento aos auditores, a não apresentação de documentos contábeis e financeiros, usando artifícios como a opção do SIMPLES ‑ Sistema de Tributação para diminuir o ônus tributário, porém sem respaldar‑ se no mínimo ‑ espelhar a realidade financeira da empresa. Também, a realidade da comercialização de produtos rurais, sendo que há na Secretaria da Fazenda do Estado do Pará e no Ministério da Agriculta um controle ʹ in locoʺ desta operação, seria irreal se não apurássemos desta forma um conjunto de fatos tão semelhantes e peculiares ao ʺ Grupo Econômico” respondendo assim, solidariamente entre si. Assim, destaco o voto da Ilma. Conselheira Ana Paula Fernandes, referente ao acórdão nº 9202007.496, proferido na sessão do dia 30 de janeiro de 2019, que utilizo como fundamento para o presente caso: Para tratar da caracterização de grupo econômico é importante conjugar conceitos do direito do trabalho com a norma previdenciária tributária. No direito do trabalho há um conceito de especifico de “Grupo Econômico Empresarial”. O artigo 2º, § 2º da CLT determina: “Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada um das subordinadas”. Desse conceito se extrai que, para que se configure grupo econômico, basta que uma ou mais empresas se encontrem subordinadas a outra que as dirige, controla, ou administra (“sob a direção, controle ou administração de outra”). Esse tipo de ligação é conhecida como “grupo econômico de subordinação”. O objetivo da norma é assegurar aos empregados de uma determinada empresa, o direito de exigir suas pretensões, não apenas de sua empregadora direta, mas também de outra empresa do mesmo grupo econômico. Contudo, as relações empresariais são dinâmicas e seus conceitos evoluíram. E o conceito de grupo econômico foi flexibilizado pela jurisprudência da Justiça do Trabalho, que incorporou um mais amplo do que o constante na lei. Surgiu o Fl. 381DF CARF MF 8 chamado “grupo econômico por coordenação”, cuja caracterização independe do controle e fiscalização por uma empresa líder. As empresas atuam no mesmo plano, sem subordinação. Vale dizer, não precisa existir um vínculo societário ou verticalizado, basta haver uma relação de cooperação, uma convergência de interesses. No âmbito previdenciário/tributário o entendimento para caracterização do grupo econômico de fato não é diferente. As ações de exigência de contribuições previdenciárias, adotam o mesmo conceito da jurisprudência trabalhista para definir grupo econômico, para fins de responsabilidade solidária de empresas pelo cumprimento das obrigações previdenciárias, o que se observa da leitura da IN RFB 971/2009 (bem como a Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que a antecedeu) adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista. Os artigos 494 e 495 da referida IN RFB estabelecem: “Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. “Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência”. (...) Observase, contudo, que a Turma Ordinária desconsiderou a existência de grupo econômico de fato, ponto sob o qual se insurge a Fazenda Nacional. Embora alegação do Contribuinte de que para caracterização de grupo econômico estes teriam que ter caracterizado através de atividade conjunta o fato gerador da obrigação tributária este não é o disposto na lei. Assim mesmo que a jurisprudência do STJ já tenha se manifestado neste sentido conforme apontado pelo Contribuinte, no ARE 429923/SP 2013, não se trata de decisão oponível a todos (advinda de recurso julgado no sistema de repetitivos), de modo que a aplicação do dispositivo legal deve prevalecer. Embora a decisão recorrida tenha entendido que, para caracterização do grupo econômico, deveria haver uma comprovação expressa com apontamentos específicos. Em sentido diverso, os paradigmas entenderam configurado o grupo econômico a partir da constatação de sua existência mediante análise dos documentos juntados aos autos, com a consequente responsabilidade solidária de todas as empresas dele integrantes. Tratamse, portanto, de critérios jurídicos diversos para configuração do grupo econômico, interpretando e Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 9202008.068 CSRFT2 Fl. 379 9 aplicando de forma mais rigorosa ou mais flexível o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN). Contudo alguns argumentos esposados no acórdão recorrido não merecem prosperar isso por que importa salientar que o acórdão recorrido apontou para o fato de que era dever do auditor fiscal no auto de infração apontar para relação formal do grupo econômico comprovando sua subordinação e unicidade de comando. Aponto aqui meu entendimento diverso esclarecendo que a legislação previdenciária é mais gravosa do que a tributária no que se atine a responsabilidade solidária especificamente porque protege a sociedade através do custeio do caixa da seguridade social, de modo que o grupo de fato pode ser reconhecido, mesmo que formalmente não haja documentos apontados no auto de infração. Não há que se falar em fragilidade do auto de infração na indicação do grupo econômico, isso por que ele era público e notório. O auto de infração foi elaborado dentro da legalidade, os autos de obrigação solidária foram devidamente lavrados, tendo sido permitido as partes o contrário e a ampla defesa. A Fazenda Nacional aponta para o fato de que a simples aplicação literal do art. 30, IX, da Lei 8.212/91 (lei especial que pode ser interpretada fora do alcance do art. 124 do CTN), já seria suficiente para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas com a Seguridade Social. Diante de todo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. Patrícia da Silva Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.003291/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CFL 68. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. MULTA APLICADA MANTIDA.
Mantém-se o lançamento de multa CFL 68 devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes.
Constitui infração a obrigação acessória apresentar o sujeito passivo GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Em se tratando de Auto de Infração por falta de declaração em GFIP, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I, do CTN.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CÁLCULO DO VALOR DA INFRAÇÃO. APRECIAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CARÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Retroatividade benigna da multa nos termos da Lei 11.941/2009 já apreciada em Primeira Instância Administrativa, onde foi determinada então a manutenção parcial de Auto de Infração lavrado pela apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com informações incorretas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Numero da decisão: 2202-005.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles declarou-se suspeito, sendo substituído pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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E OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CFL 68. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. MULTA APLICADA MANTIDA. Mantém-se o lançamento de multa CFL 68 devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes. Constitui infração a obrigação acessória apresentar o sujeito passivo GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de Auto de Infração por falta de declaração em GFIP, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CÁLCULO DO VALOR DA INFRAÇÃO. APRECIAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CARÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Retroatividade benigna da multa nos termos da Lei 11.941/2009 já apreciada em Primeira Instância Administrativa, onde foi determinada então a manutenção parcial de Auto de Infração lavrado pela apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com informações incorretas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 32 91 /2 00 7- 38 Fl. 1000DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles declarou-se suspeito, sendo substituído pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 960/980), interposto contra o Acórdão n o. 15- 21.147 da 7 a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR (e-fls. 948/957), que por unanimidade de votos considerou procedente em parte impugnação interposta contra Auto de Infração de código de fundamentação legal - CFL 68, lavrado pela apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, remanescendo o valor de R$ 96.368,32. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/SDR, transcrito em sua essência, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: O presente Auto de Infração foi lavrado em razão da empresa autuada ter entregue GFIP com omissão de fato gerador de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 02/2007, infringindo, assim, o art. 32, inciso IV, e §5°, da Lei n° 8.212/91. Os fatos apurados pela fiscalização que permitiram constatar que a DIBAL deixou de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, estão discriminados nos seguintes levantamentos: CIN (Contribuintes Individuais); CPA (Contribuintes Individuais Pastas Apreendidas); DPS (Despesas Particulares Sócios); FRN (Fretes não declarados em GFIP); FPA (Fretes Pastas Apreendidas); PLI — Pró-labore Indireto;RCA — Representantes Comerciais Autônomos; RC — Rescisões Complementares; REF —Refeições; VEM — Valores extras Matriz; VE3 — Valores extras Loja 3; VE4 — Valores extras Loja 4; RPA — Refeições Pastas Apreendidas; DVN- Despesas Viagens não Comprovadas;FPN — Folha de Pagamento não declarada em GFIP; ACE — Aferição Caracterização empregado; AEN — Aferição Empregados não registrados; ESR — Empregados sem Registro;PED — Pagamentos Empregados DIBAL e PLG (Pró-labore em GFIP — declaradas após início da ação fiscal). As relações de segurados e remunerações não declaradas em GFIP são partes integrantes das Notificações Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 37.124.768- 3, 37.124.769-1, 37.124.770-5 e 37.124.771-3, lavradas em razão de tais pagamentos serem caracterizados como fatos geradores de contribuições previdenciárias. A não inclusão de segurados ou remunerações nas folhas de pagamento e na GFIP caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337-A do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983/2000 e art. 95 da Lei 8.212/91, razão pela qual esta Auditora Fiscal da Previdência Social — AFPS, em Fl. 1001DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 cumprimento de suas atribuições funcionais, emitiu representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista no art.284, inciso II, do Decreto 3.048/99, no montante de R$ 147.813,72 (cento e quarenta e sete mil, oitocentos e treze reais e setenta e dois centavos), considerando o valor reajustado pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007. (...) A empresa Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda foi cientificada do presente lançamento, em razão de pertencer a grupo econômico de fato com a empresa Cerealista Castro Ltda, em 29/10/2007, conforme AR à fl. 436. A empresa Nova Colina Administrações de Bens Patrimoniais Ltda foi cientificada via Edital, à fl. 437 em razão de pertencer a grupo econômico de fato com as empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda e Cerealista Castro Ltda. A empresa Cerealista Castro Ltda foi cientificada do presente lançamento em 15/10/2007, conforme AR à fl. 94, tendo sido cientificada novamente em 29/10/2007, conforme AR à fl. 435, onde consta a informação de que ela pertence a grupo econômico de fato. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CEREALISTA CASTRO LTDA. A empresa Cerealista Castro Ltda apresentou impugnação em 13/11/2007, às fls. 443/454, alegando, em síntese, que: PRELIMINAR: DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Entende a Impugnante que os supostos créditos levantados pela fiscalização, anteriores a outubro de 2002 , não podem ser constituídos, uma vez que fulminados pelo instituto jurídico da decadência. As contribuições previdenciárias correspondem à modalidade de lançamento por homologação, não se aplicando o art. 45 da Lei 8.212/91, incidindo o §4°, do art. 150, do CTN. O artigo 45 da lei 8.212/91 é inconstitucional. DO EXCESSO NA IMPUTAÇÃO DA MULTA. As multas decorrentes de tal abuso apresentam valores nitidamente confiscatórios, uma vez que são plenamente sanáveis onde não configuram em prejuízos ao erário. É facultado ao julgador o poder, diante do fato concreto, de reduzir a multa excessiva aplicada pelo Fisco. (...). 3. O Voto da 7 a. Turma, no sentido de procedência parcial da Impugnação, é transcrito a seguir, também em sua essência: Voto: (...). DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. (...) Destarte, aplicam-se às contribuições sociais as regras de decadência e prescrição da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela Constituição Federal com força de lei complementar. As contribuições sociais previdenciárias são lançadas por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. As contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos também é tributo lançado por homologação. Fl. 1002DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 (...) Assim, a depender do pagamento ou não pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício de contribuições sociais é de 5 (cinco) anos, contados nos termos do artigo 150, §4°, ou do artigo 173, do Código Tributário Nacional (CTN). (...) deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, para fins de contagem do prazo de decadência em relação às obrigações acessórias. O presente Auto de Infração (AI) foi lavrado em 09/10/2007, tendo sido dada ciência ao contribuinte em 15/10/2007 (fl. 94), e se refere ao período de 01/1999 a 02/2007, estando, portanto, parcialmente fulminado pela decadência, já que transcorreram mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado em relação ao período de 01/1999 a 12/2001. Entretanto, não ocorreu a decadência em relação ao período 01/2002 a 02/2007. No presente auto de infração cada competência corresponde a uma ocorrência. Assim, a multa aplicada no presente auto de infração será alterada, excluindo as competências 01/1999 a 12/2001, alcançadas pela decadência, e mantidas as competências 01/2002 a 02/2007, conforme tabela abaixo: (tabela de fls. 953/955) Assim, a presente multa deve ser retificada de R$ 147.813,72 (cento e quarenta e sete mil, oitocentos e treze reais e setenta e dois centavos) para R$ 96.368,32 (noventa e seis mil trezentos e sessenta e oito reais e trinta e dois centavos). CONFISCO. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa aplicada, cumpre registrar que esta multa foi aplicada de acordo com o artigo 284, inciso II, do Decreto 3.048/99. A auditora fiscal autuante apenas seguiu a determinação da legislação previdenciária, não tendo havido nenhum excesso. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. (...) Ademais, a alegação de confisco é matéria impertinente na via administrativa, (...cabe ao Auditor Fiscal cumpri-Ia, já que exerce atividade administrativa plenamente vinculada.. ILEGITIMIDADE DE PARTE - GRUPO ECONÔMICO. Apesar de não haver defesas nestes autos das empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (DIBAL) e Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda, e não ter sido alegado pela empresa Cerealista Castro Ltda, por dever de ofício, deve ser analisada a legalidade da configuração do grupo econômico de fato neste lançamento. Com efeito, não pode haver responsabilidade solidária de grupo econômico em créditos decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (Auto de Infração de Obrigação Acessória). Respalda este entendimento o Código Tributário Nacional (art. 122) e a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 (art. 179). (...). Assim, com fulcro no ato normativo acima referido, depreende-se que o responsável solidário, integrante de grupo econômico, responderia somente pelas obrigações previdenciárias principais. As obrigações previdenciárias acessórias não estariam acolhidas por tal fundamentação. Por conseguinte, deverá ser afastada a responsabilidade solidária das empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (DIBAL) e Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda por ilegitimidade de parte, devendo ser desconsideradas as remessas postais feitas das Informações Fiscais — Ciência Débito — Grupo Econômico Fl. 1003DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 de Fato e ainda que seja considerada como não escrita a expressão "E OUTROS" constante da folha de rosto deste Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA). Registre-se que tal exclusão não afeta a exigibilidade da autuação em relação à empresa Cerealista Castro Ltda. Lei 11 .941, de 2009. Aplicação da legislação mais benéfica No que diz respeito à multa aplicada, embora a impugnação não verse sobre o tema, em razão da alteração da legislação no tocante às multas de mora em decorrência de lançamento de oficio, efetuada pela Medida Provisória (MPV) n° 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), comparando-se a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. Nos casos de falta de declaração e falta de recolhimento, a Medida Provisória n° 449 alterou a regra de imposição das multas de mora por lançamento de oficio, anteriormente prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e por falta de declaração, anteriormente prevista no § 5° do art. 32 da mesma Lei, submetendo o lançamento de oficio à capitulação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que versa sobre a multa de 75%, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, e de seu agravamento, quando couber. Ocorre que a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instancia, não há como se calcular a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte. Esta é uma interpretação literal do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento. Portanto, somente neste momento o percentual da multa de mora estará definido. Assim, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), no momento do pagamento do débito pelo contribuinte, considerando todos os processos conexos. Em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, rejeito parcialmente as alegações suscitadas na peça de Impugnação, votando no sentido da PROCEDÊNCIA PARCIAL do presente crédito tributário em relação à empresa Cerealista Castro Ltda, consubstanciado no AI n° 37.124.778-0, em razão da decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento referente ao período de 01/1999 a 12/2001, remanescendo o valor de R$ 96.368,32 (noventa e seis mil trezentos e sessenta e oito reais e trinta e dois centavos). (...). Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu recurso, basicamente repisando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, os quais são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - apresenta apertada síntese dos fatos ocorridos; - insiste na decadência dos valores lavrados relativos ao período anterior a outubro de 2002, com base na Súmula Vinculante n o 08 do STF e no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional - CTN, e na alegação de ter efetuado pagamentos antecipados; Fl. 1004DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 - sustenta que consta no auto a data de lavratura em 25/07/2008, com período fiscalizado de janeiro a dezembro de 2003 e ocorrência da extinção do crédito tributário referente ao período anteriores a julho de 2003; - defende a aplicação da legislação mais benéfica, com base na alteração sofrida no art. 32, inciso IV da Lei n°. 8.212, pela Medida Provisória 449/2008, e no artigo 106 do CTN; - repisa ainda que a multa moratória apresenta valores confiscatórios, devendo ser aplicada a relativa vedação constitucional prevista no inciso IV do art. 150; e - apresenta extensas jurisprudência e doutrina para fundamentar seus argumentos. 5. Seu pedido final é para que o auto de infração seja julgado nulo por decadência, ou que seja revista a aplicação da multa pela aplicação da legislação mais benéfica, ou seja declarada inexistente a obrigação tributária por estar caracterizado o confisco. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 9. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, as decisões administrativas e as notáveis citações doutrinárias levantadas pelo recorrente não são normas complementares, como as tratadas pelo art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras administrativas. 10. Para compreensão dos fatos ensejadores da lavratura do presente AIOA será de valia o destaque dos seguintes parágrafos do relatório fiscal de e-fls 14/38. 1.1.2. Os fatos apurados pela fiscalização, onde ficou comprovada a omissão de declaração relativa à remuneração dos contribuintes individuais, valores extras pagos a empregados, fornecimento de refeições sem inscrição da • empresa no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, pagamentos a empregados da Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (outra empresa do Grupo Econômico) por serviços prestados e valores pagos a empregados sem o devido registro, (...) 1.4.2. As relações de segurados e remunerações não declaradas em GFIP são partes integrantes das Notificações Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD's n° 37.124.768- Fl. 1005DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 3, 37.124.769-1, 37.124.770-5 e 37.124.771-3, lavradas em razão de tais pagamentos serem caracterizados como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Os relatórios fiscais anexos às NFLD's descrevem, de forma pormenorizada, as circunstâncias que ensejaram o lançamento. (...) 11. Portanto, destaquem-se os pormenores essenciais de cada NFLD referenciada, sendo que apenas as duas primeiras possuem impugnação e recurso e estão em processos digitais. 12. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.124.768-3 está presente no Processo Administrativo 10530.003398/2007-86, onde foi exarado o Acórdão de Recurso Voluntário 2803-002.722, de 18/09/2013, o qual negou provimento a recurso voluntário interposto contra decisão de DRJ, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados declarados em GFIP (SAT e salário família) e que concluiu pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a Notificação lavrada em razão da decadência parcial reconhecida para o período 01/1999 a 13/2003. 13. Já a NFLD 37.124.769-1 consta no processo 10530.003643/2007-55, onde encontra-se o Acórdão 2803-002.861, de 20/11/2013, o qual negou provimento ao recurso contra a Decisão da DRJ que foi pela procedência parcial do lançamento, em razão da decadência das competências 01/1999 a 10/2002. O lançamento referiu-se a contribuições sociais previdenciárias dos segurados e contribuições patronais, incidentes sobre as remunerações dos empregados que trabalharam sem o devido registro tempestivo. 14. Por fim, as NFLD 37.124.770-5 e 37.124.771-3, não contestadas, presentes em processos meio papel, foram baixadas por liquidação respectivamente em 23/10/2009 e 06/10/2009. Não se encontram em processos digitalizados e controlados pelo sistema e-processo. Ou seja, todas as NFLD referenciadas no Relatório Fiscal ou foram liquidadas pela contribuinte, ou mantidas por Decisão Colegiada de Segunda Instância. 15. Embora a interessada persista no argumento de que as competências lançadas deveriam respeitar o legislado no artigo 150, §4º, do CTN, o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória - AIOA, justamente por tratar-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, tem sua decadência regida pela regra geral que encontra-se no artigo 173, I do mesmo diploma legal, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] 16. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no acima citado art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. 17. Perfeitas as razões de decidir da DRJ/SDR em relação à decadência, que colaciono abaixo: (...) Fl. 1006DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 O presente Auto de Infração (AI) foi lavrado em 09/10/2007, tendo sido dada ciência ao contribuinte em 15/10/2007 (fl. 94), e se refere ao período de 01/1999 a 02/2007, estando, portanto, parcialmente fulminado pela decadência, já que transcorreram mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado em relação ao período de 01/1999 a 12/2001. Entretanto, não ocorreu a decadência em relação ao período 01/2002 a 02/2007. No presente auto de infração cada competência corresponde a uma ocorrência. Assim, a multa aplicada no presente auto de infração será alterada, excluindo as competências 01/1999 a 12/2001, alcançadas pela decadência, e mantidas as competências 01/2002 a 02/2007, (...) 18. Totalmente descabidas e impertinentes as afirmações da interessada que a lavratura do presente ocorreu em 25/07/2008, com período fiscalizado de janeiro a dezembro de 2003 e com decadência dos período anteriores a julho de 2003. Tais informações não são pertinentes ao presente AIOA. Conforme AI de e-fls. 02 o mesmo foi lavrado em 09/10/2007, cf. relatório fiscal de e-fls. 14 e ss. a infração refere-se a 01/1999 a 02/2007, e cf. Aviso de Recebimento de e-fls. 190 a ciência da autuação deu-se em 15/10/2007. 19. Afastados portanto os argumentos de decadência apresentados pela contribuinte. 20. Quanto ao pedido de aplicação de legislação mais benéfica, observe-se que tal pretensão já foi atendida pela DRJ, embora não presente no dispositivo exarado pela Instância a quo. A análise e as conclusões da DRJ encontram-se claramente expressas no corpo de seu Acórdão, conforme colacionado a seguir: (...) Lei 11 .941, de 2009. Aplicação da legislação mais benéfica No que diz respeito à multa aplicada, embora a impugnação não verse sobre o tema, em razão da alteração da legislação no tocante às multas de mora em decorrência de lançamento de oficio, efetuada pela Medida Provisória (MPV) n° 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), comparando-se a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. Nos casos de falta de declaração e falta de recolhimento, a Medida Provisória n° 449 alterou a regra de imposição das multas de mora por lançamento de oficio, anteriormente prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e por falta de declaração, anteriormente prevista no § 5° do art. 32 da mesma Lei, submetendo o lançamento de oficio à capitulação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que versa sobre a multa de 75%, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, e de seu agravamento, quando couber. Ocorre que a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, é definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instancia, não há como se calcular a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte. Esta é uma interpretação literal do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento. Portanto, somente neste momento o percentual da multa de mora estará definido. Assim, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), no momento do pagamento do débito pelo Fl. 1007DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.295 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003291/2007-38 contribuinte, considerando todos os processos conexos. (grifos não presentes no original) (...) 21. Neste momento, evidenciada está portanto a carência de interesse recursal do quesito. 22. Já quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, a Recorrente alega que haveria desproporcionalidade, que a mesma seria confiscatória e inconstitucional. Mas tal alegação não compete a este foro discutir, uma vez que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado pela Auditora autuante, já que a mesma foi aplicada de acordo com o artigo 284, inciso II, do Decreto 3.048/99, apenas seguindo a determinação da legislação previdenciária, não tendo havido nenhum excesso. 23. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, possa ser questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. 24. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. 25. Ademais, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. A alegação de confisco é portanto matéria impertinente na via administrativa. 26. Uma vez que não ocorre decadência na autuação além da já constatada pela DRJ e que não está caracterizado o confisco, não vislumbro razões para reforma do Acórdão a quo, devendo permanecer subsistente o Auto de Infração lavrado na forma como apreciado pela Delegacia de Julgamento. Conclusão 27. Isso posto, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 1008DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720464/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.213
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS, vinculado a declaração de compensação, que não restou integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, defendendo direito a percepção da integralidade dos créditos pleiteados. Discorre sobre o conceito de insumos e defende reversão das glosas efetuadas, essencialmente por entender que todos integram seu processo produtivo. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão nº 14-075.399. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 20 46 4/ 20 10 -1 4 Fl. 8242DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.213 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720464/2010-14 Irresignada com o não reconhecimento integral de seu pedido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário reforçando os argumentos da manifestação de inconformidade e contestando, de forma específica, a decisão de primeira instância, glosa por glosa. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.197, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.720433/2010-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.197):. “Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio de encontro à posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. Entre outros dispositivos legais, o Art. 16.º, §6.º e o Art. 29.º do Decreto 70.235/72, Art. 2.º caput, inciso XII e Art. 38.º e 64.º da Lei 9.784/99 e Art. 112.º, 113.º, 142.º e 149.º do CTN permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, vota-se no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a Fl. 8243DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.213 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720464/2010-14 interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que : - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Fl. 8244DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.213 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720464/2010-14 Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 8245DF CARF MF
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Numero do processo: 13974.000022/2005-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
PIS/PASEP. RECEITA FINANCEIRA. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA.
Somente a partir da Lei 10.637/02, que trouxe a sistemática do PIS não cumulativo, a base de cálculo foi ampliada novamente, abarcando não somente a receita bruta da venda de bens e serviços, mas também todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.
Nada obstante, a partir de 2.8.2004, mediante Decreto 5.164/2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições. O disposto não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, estas até 31.03.2005.
E, a partir de 1.4.2005, nos termos do Decreto 5.442/2005, a redução da alíquota zero do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras passou a abranger as receitas decorrentes das operações realizadas para fins de hedge.
Numero da decisão: 9303-009.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RECEITA FINANCEIRA. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. Somente a partir da Lei 10.637/02, que trouxe a sistemática do PIS não cumulativo, a base de cálculo foi ampliada novamente, abarcando não somente a receita bruta da venda de bens e serviços, mas também todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Nada obstante, a partir de 2.8.2004, mediante Decreto 5.164/2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições. O disposto não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, estas até 31.03.2005. E, a partir de 1.4.2005, nos termos do Decreto 5.442/2005, a redução da alíquota zero do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras passou a abranger as receitas decorrentes das operações realizadas para fins de hedge. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 22 /2 00 5- 27 Fl. 2120DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 201-81.567, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: Por unanimidade de votos, deu-se provimento para: Considerar decaídos os períodos de apuração até fevereiro de 2000; e Excluir a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras comprovadas, no período regulado pela Lei n° 9.718, de 1998, e sobre a receita financeira a partir de agosto de 2004; e Pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, Fl. 2121DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004,30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 3 1/12/2004, INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal, suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 2122DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais." (Súmula n2 3 do 22 Conselho de Contribuintes). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004 PIS CUMULATIVO. BASE DE CALCULO. LEI NI' 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. PIS NÃO-CUMULATIVO. ESTOQUE PREEXISTENTE. DIREITO DE CRÉDITO. PARCELAMENTO E ALIQUOTA. Para efeito de determinação do credito referente a estoque existente em 01/12/2002, a alíquota aplicável é a de 0,65%; o credito, assim determinado, será utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas. PIS NÃO-CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a credito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos à venda. PIS NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CALCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. REDUÇÃO DE ALIQUOTA A ZERO. A base de cálculo do PIS é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo-se as receitas decorrentes de operações realizadas no mercado financeiro. Fl. 2123DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que, entre outros, excluiu a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras comprovadas por diligência, no período regulado pela Lei 9.718/98 e sobre a receita financeira a partir de agosto de 2004. Em Despacho às fls. 39 a 42, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Foi dada ciência ao recurso, sem apresentação e contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecê-lo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho. Ora, o acórdão recorrido decidiu inaplicável o PIS sobre as receitas decorrentes de aplicação financeira; enquanto, o aresto indicado como paradigma fez incidir o PIS sobre receitas de mesmas naturezas. Em relação à essa discussão, tem-se que o plenário do STF entendeu inconstitucional a alteração na base de cálculo do PIS e da Cofins quando da apreciação do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98 através do REs 357950, 390840, 358273 e 346084. Foi consignada quando da apreciação do RE 357950, em sede de repercussão geral, o que segue: Fl. 2124DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Tanto é assim, que a Lei 11.941/09 por meio do art. 79 revogou o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98 – restando claro que a base de cálculo das contribuições é a receita bruta (receita da prestação de serviço ou venda de mercadorias) da pessoa jurídica, e não mais a totalidade das receitas auferidas. A partir da Lei 10.637/02 – que trouxe a sistemática do PIS não cumulativo, a base de cálculo foi ampliada novamente, abarcando a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica Nada obstante, a partir de 2.8.2004, mediante Decreto 5.164/2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas Fl. 2125DF CARF MF http://www.portaltributario.com.br/legislacao/decreto5164.htm Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.267 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13974.000022/2005-27 pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativo das referidas contribuições. O disposto não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge, estas até 31.3.2005. E, a partir de 1.4.2005, nos termos do Decreto 5.442/2005, a redução da alíquota zero do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras passaram a abranger as receitas decorrentes das operações realizadas para fins de hedge. Sendo assim, manifesto minha concordância com o decidido pelo colegiado a quo quando determinou a exclusão da incidência do PIS sobre as receitas financeiras comprovadas, no período regulado pela Lei 9.718/1998, e sobre a receita financeira a partir de agosto de 2004. O que, por conseguinte, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2126DF CARF MF http://www.portaltributario.com.br/legislacao/decreto5442.htm
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914275/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
Numero da decisão: 3402-006.821
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação efetivada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: alega, em síntese, que a composição dos valores apontados como crédito referia-se a compensações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 42 75 /2 01 0- 06 Fl. 108DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.821 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.914275/2010-06 efetuadas, não se tratando de pagamentos efetuados por DARF, sendo suficiente o valor passível de compensação na PER/DCOMP em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.814, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.690896/2009-47. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.814): “A questão trazida a julgamento centra-se na comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Constata-se que o valor apontado como crédito na PERDCOMP em questão seria um pagamento através do DARF, que não foi localizado pela unidade de origem nos sistemas da RFB, razão pela qual não foi homologada a compensação pleiteada. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário a Requerente alega que a composição do valor apontado como crédito não seria um pagamento efetuado através de DARF, mas de compensações efetuadas através de diversas PERDCOMPs, cujos débitos foram retificados. Entretanto, não apresenta qualquer elemento probatório, lastreado em sua escrita contábil e fiscal, para corroborar seu pretenso direito. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No presente caso, a Recorrente afirma que teria apurado créditos de PIS/COFINS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza de seu alegado crédito é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a Fl. 109DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.821 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.914275/2010-06 diminuição do valor do débito correspondente ao período de apuração em questão. Se os valores se referiam a compensações efetuadas indevidamente ou a maior, caberia à parte que alega apresentar documentos contábeis e fiscais para demonstrar o recolhimento/compensação efetuada a maior, com a recomposição da base de cálculo do tributo objeto da retificação. A Recorrente não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito apontado, mas somente a informação que tal valor seria um saldo de outras PERDCOMPs, cujos valores seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão recorrida ter apontado a insuficiência de sua alegação e a irregularidade no procedimento. Mesmo considerando uma possível flexibilidade na admissão de provas após a impugnação/manifestação de inconformidade, não foram apresentadas provas suficientes para demonstrar o alegado erro cometido, e o lastro contábil/fiscal que poderia comprovar a retificação da declaração que teria gerado o saldo a compensar. Portanto, não tendo sido em nenhum momento comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901548/2011-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITO APURADO EM SUFICIÊNCIA
Comprovado nos autos, em face do retorno da diligência determinada, a existência de saldo credor de IPI em suficiência para a realização da compensação requerida, merece reconhecimento o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3001-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITO APURADO EM SUFICIÊNCIA Comprovado nos autos, em face do retorno da diligência determinada, a existência de saldo credor de IPI em suficiência para a realização da compensação requerida, merece reconhecimento o crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITO APURADO EM SUFICIÊNCIA Comprovado nos autos, em face do retorno da diligência determinada, a existência de saldo credor de IPI em suficiência para a realização da compensação requerida, merece reconhecimento o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Refere-se o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento indevido ou a maior, a título de IPI, com débitos relativos ao IRPJ. Por economia processual e por bem sintetizar a realidade dos fatos, reproduzo o Relatório da decisão de piso: "Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de fl. 18 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 115.529,69, referente ao 1º trimestre de 2008, reconheceu a parcela de R$ 90.409,33 e, conseqüentemente, homologou as compensações vinculadas ao presente processo até o limite do crédito deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 15 48 /2 01 1- 58 Fl. 166DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.877 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.901548/2011-58 Conforme o Despacho Decisório Eletrônico, o pleito foi parcialmente indeferido pela autoridade administrativa, em razão de: a) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; b) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. O detalhamento da apuração do saldo credor ressarcível encontra-se às fls. 20/21. O crédito de IPI considerado indevido está demonstrado na “Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos – Créditos por Entradas no Período” com o seguinte motivo da irregularidade: “estabelecimento emitente da nota fiscal não cadastrado no CNPJ”, valor do IPI glosado de R$ 1.732,71. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/17 e documentos anexos, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual fez as seguintes considerações: “Não obstante, a r. decisão recorrida merece ser reformada, pelos seguintes motivos: • para a fiscalização exigir o crédito tributário em questão seria necessário a lavratura de Auto de Infração e tal não foi feito; • há erro material de digitação cometido pela Requerente em digitação de CNPJ de uma nota fiscal de entrada, o qual pode ser sanado sem prejuízo material para o Fisco • não há inidoneidade nos documentos fiscais glosados, há simples erro de digitação (erro material); • é ilegítima a glosa, por parte da SAORT, dos créditos de IPI da Contribuinte que se referem à valores prescritos referente a saldo de crédito presumido do 1 o trimestre de 2001 (R$ 4.418,55); 2°trimestre de 2002 (R$ 18.933,33) e 1 o trimestre de 2003 (R$ 35,77) totalizando R$23.387,65 que estavam no saldo anterior do Registro de Apuração do IPI , tendo em vista que tais créditos prescritos não foram utilizados pela Requerente no PER/DCOMP 31377.84845.290708.1.3.01-1401; • Nos processos 13.639.000116/2001-83 (1o trimestre 2001), 13639000464/2002-31 (2 o trimestre 2002) e PERDCOMP 07540.10246.290704.1.5.01-5491 (1 o trimestre de 2003) os créditos baixados pela Contribuinte constavam em aberto no Saldo do Registro de Apuração do IPI. Quando promovemos o Pedido de Ressarcimento de IPI no 1o trimestre de 2008 a Contribuinte tomou o cuidado de estorna-los por estarem prescritos, utilizando apenas o saldo do 1o trimestre de 2008.” Ao final, solicitou que seja anulada a decisão proferida no Despacho Decisório tendo em vista todas as ilegalidades e irregularidades apontadas na sua formulação, e que seja homologado integralmente o pedido de compensação requerido.” Analisando o que consta dos autos, o colegiado de primeira instância considerou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade formalizada, revertendo a glosa decorrente do alegado erro de preenchimento e mantendo as demais, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PER/DCOMP. GLOSA DE CRÉDITOS. ERRO DE PREENCHIMENTO. Fl. 167DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.877 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.901548/2011-58 Comprovado o equívoco no preenchimento do número do CNPJ do estabelecimento que emitiu a nota fiscal com o destaque do IPI, é de se reconhecer o direito creditório. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. O direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCOMP. A Declaração de Compensação representa uma confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência de crédito tributário da União, afastando-se, pois, a necessidade de haver constituição e exação do crédito por meio de lavratura de auto de infração. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Sendo plenamente demonstrados os motivos da glosa em planilhas de apuração, não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte”. Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 107 a 117), no qual apresentou suas razões para reformar a decisão de primeira instância, alegando, em síntese, que: (i) teria demonstrado em manifestação de inconformidade que o saldo de créditos de IPI relativo ao 1 o trimestre de 2008 seria mais do que suficiente para realização integral da compensação do débito de IRPJ relativo ao mês de junho de 2008, declarada no Per/Dcomp n o 31377.84845.290708.1.3.01-1401; (ii) teria partido do saldo credor acumulado no 4o trimestre de 2007, procedendo aos ajustes nos finais dos períodos de janeiro, fevereiro e março de 2008, estornando créditos prescritos em montante de R$ 23.387,65, chegando ao final do 1 o trimestre de 2008 com saldo de R$ 116.016,76, conforme exato constante em seu RAIPI/2008; e (iii) a fiscalização não teria considerado o saldo credor do período anterior (4.º trimestre de 2007), no valor de R$ 124.729,23, razão pela qual não teria apurado corretamente o saldo credor no final do 1 o trimestre de 2008, de sorte que tais cálculos devem ser refeitos. Encaminhados os autos a este Conselho para análise do Recurso Voluntário interposto, e tendo sido este submetido à apreciação desta c. Turma em 12/04/2018, resolveram os membros do colegiado, por meio da 3001-000.082 (doc. fls. 144 a 158), converter o julgamento em diligência à unidade de origem, “para que a autoridade proceda à análise dos documentos acostados aos autos, quais sejam: nota fiscal 051.291; DI 08/03425273 e Livro de Apuração do IPI de Janeiro a Março de 2008. Ainda, caso persista o entendimento sobre a ausência de provas sobre a legitimidade dos créditos, que especifique, mediante intimação ao contribuinte, quais os documentos necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a Fl. 168DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.877 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.901548/2011-58 apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação”. A unidade de origem, Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora – MG, manifestou-se por meio do Despacho DRF/JFA/SAORT n o 017/2018, (doc. fls. 161 a 162), chegando à conclusão de as informações trazidas pela recorrente em sede de Recurso Voluntário se mostram condizentes com dos documentos anexados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 1 . Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito Cuida-se no presente processo de lide instaurada em decorrência do questionamento feito pelo sujeito passivo acerca de reconhecimento parcial de direito creditório, após análise do direito creditório apontado em solicitação de compensação de créditos decorrentes de ressarcimento de IPI. A unidade local reconheceu apenas parcialmente o direito ao crédito pleiteado em decorrência da constatação de que o crédito reconhecido seria insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. 1 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 169DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.877 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.901548/2011-58 O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação”. No caso em análise, o contribuinte apresentou PER/DCOMP visando à compensação de débitos de IRPJ, apontando como origem dos créditos o saldo credor de IPI apurados em 2008, sendo indevidas as glosas realizadas pela fiscalização. Em juízo de primeira instância, o contribuinte teve o seu direito apenas parcialmente reconhecido pelos julgadores de piso em decorrência do entendimento de que, “o direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito”. Não obstante, em informação fiscal decorrente de solicitação de diligência formulada por este colegiado, a DRF/Juiz de Fora – MG manifestou-se no sentido de que as informações trazidas pela recorrente se mostraram condizentes com dos documentos anexados ao processo, nos seguintes termos: “4. Compulsando o Livro de Apuração do IPI à fl. 25, verificamos que o contribuinte escriturou neste documento fiscal um saldo credor de período anterior acumulado até o 4º trimestre de 2007 de R$ 124.729,23. Este saldo escriturado foi também declarado na Declaração de Informações Economico Fiscias da Pessoa Jurídica (DIPJ) de 2009 à fl. 160. Neste sentido, partindo deste saldo, e computando os débitos e créditos, chega-se a um saldo apurado em março/2008 de R$ 116.015,76, conforme declarado em DIPJ de fl. 160 e escriturado no Livro de Apuração de IPI à fl. 38. 5. O valor declarado no PER nº 27274.96633.230708.1.1.01-8557 de R$ 116.015,76 é o somatário do saldo credor de período anterior acumulado até 4º trimestre de 2007 (valor R$ 124.729,23) com os ajustes realizados de credito e débito dos períodos de janeiro a março de 2008, concorde a DIPJ de fls. 160 e o escriturado no Livro de Apuração de IPI às fls. 24/38”. Isto posto, restando demonstrado pela unidade local que o valor declarado no PER/DCOMP n o 27274.96633.230708.1.1.01-8557 de R$ 116.015,76 corresponde ao saldo credor acumulado do período anterior, com os ajustes realizados de credito e débito dos períodos Fl. 170DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.877 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.901548/2011-58 de janeiro a março de 2008, há de se reconhecer o respectivo direito creditório do sujeito passivo. Conclusões Diante do exposto, VOTO por conhecer do Recurso Voluntário interposto para, no mérito, dar-lhe provimento, reconhecendo-se o direito ao crédito no valor de R$ 116.015,76 e homologando-se a compensação formalizada através da PER/DCOMP n o 31377.84845.290708.1.3.01-1401, no limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.670949/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 42) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente manifestação de inconformidade contra decisão emitida por despacho decisório que denegou pedido de restituição de pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 70 94 9/ 20 09 -1 1 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.670949/200911 Resolução nº 2402000.765 S2C4T2 Fl. 60 2 indevido de IRPF, no valor de R$ 997.105,61 (acrescidos de juros, multa de ofício), referente a recolhimento efetuado em 28.01.2009, via DARF, código de receita 4600, incidente sobre ganho de capital em venda de participação societária. Conforme relatório da decisão recorrida (fls 32), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade com as seguintes informações: a) o pedido de restituição referese ao imposto sobre ganho de capital auferido quando da alienação de sua participação societária na empresa Rapidão Cometa Logística e Transportes S/A, CNPJ 10.970.887/000102; b) almeja o reconhecimento da não incidência prescrita no art. 4o, d, do Decretolei n° 1.510,27 de dezembro de 1976; c) o preceito hospedado no referido art. 4o, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976, ao prever a hipótese de não incidência do Imposto de Renda sobre a venda de ações subscritas há mais de cinco anos, espraiou efeitos normativos válidos, de forma a ingressar no patrimônio jurídico do contribuinte o direito à não incidência do tributo, quando atendidos os pressupostos prescritos na norma; d) subscritas as ações em 1978, já em 1983 passou a ter direito adquirido em relação à não incidência do Imposto de Renda sobre a venda de tal participação societária; e) Nesse enredo, admitir que a revogação determinada na Lei n° 7713/88 alcance a situação jurídica que se consolidou no ano de 1983 por força de norma então plenamente válida e eficaz (Decretolei n° 1.510, de 1976), consiste em negar vigência ao art. 5°, XXXVI da Constituição Federal, permitindose retroação dos efeitos jurídicos da norma; f) o que interessa para caracterizar o direito adquirido é a concretização fática da hipótese normativa prescrita pela legislação correlata, sendo desnecessário o fato de haver exercido ou não o direito sob o manto da vigência da norma que concebeu o beneficio; g) cita jurisprudência administrativa sobre a matéria. Ao analisar o caso, em 07.07.2010 (fls 32), entendeu a autoridade de piso que não havia razão nas alegações do contribuinte, decidindo pela improcedência de sua Inconformidade, conforme exposto nas seguintes ementas da decisão recorrida: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre ganhos de capital, apurados em decorrência de alienação de participação societária ocorrida após 01/01/1989, tendo em vista a expressa revogação do Decretolei que concedia a isenção. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.670949/200911 Resolução nº 2402000.765 S2C4T2 Fl. 61 3 Antes da efetiva alienação da participação societária, não é possível se falar em direito à isenção a ser exercido e muito menos em direito adquirido à isenção. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.| Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reforçando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, para pedir o deferimento de seu pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da diligencia de ofício Analisando os autos, verificase que o contribuinte não fez prova da aquisição da participação societária sob a vigência do art. 4o, alínea "d" do DecretoLei n° 1.510, de 1976, cujo ganho de capital sobre a sua alienação o recorrente alega isenção. Art 4oNão incidirá o imposto de que trata o artigo Io: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. (Grifouse) Assim, com fulcro no disposto no art. 18 do decreto 70.235/72, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a auditoria realize os seguintes procedimentos e preste os seguintes esclarecimentos, julgados fundamentais ao deslinde do caso em apreço: 1) Intimar o recorrente a comprovar, num prazo improrrogável de 30 dias, mediante a apresentação de documentação idônea e relatório circunstanciado (no qual esclareça como se deram os fatos) a aquisição e alienação da participação societária, cujo ganho de capital obtido alega isenção de IRPF; 2) após o prazo, manifestarse a auditoria sobre a legitimidade dos eventuais documentos juntados e quanto à efetiva demonstração da aquisição da participação, inclusive quanto às datas dos fatos envolvidos; 3) Intimar novamente o recorrente, concedendolhe 30 dias de prazo para, querendo, manifestarse sobre os esclarecimentos prestados pela auditoria; Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.670949/200911 Resolução nº 2402000.765 S2C4T2 Fl. 62 4 4) Após isso, retornar os autos à apreciação deste Conselho. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720919/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto no 70.235/1972 (na redação dada pela Lei no 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO.
Os comandos do art. 17 da Lei no 11.033/2004 e do art. 16 da Lei no 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CRÉDITO. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
É incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei no 10.833/2003) a correção, pela Taxa SELIC, de créditos da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP.
Numero da decisão: 3401-006.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRECLUSÃO. Não se pode conhecer da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto n o 70.235/1972 (na redação dada pela Lei n o 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n o 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO. Os comandos do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CRÉDITO. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. É incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei no 10.833/2003) a correção, pela Taxa SELIC, de créditos da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 19 /2 01 3- 78 Fl. 235DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720919/2013-78 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição (PER) / Declaração de Compensação (DCOMP), referente a créditos de Contribuição para o PIS/COFINS não cumulativa. A decisão de primeira instância proferida pela DRJ foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, acordando-se que: (a) a insurgência é apenas contra parte do despacho decisório, havendo preclusão em relação aos temas não discutidos na manifestação de inconformidade; (b) não deve ser acolhido o pedido de perícia, pois não há elementos técnicos a serem esclarecidos, nem provas que não pudessem ser produzidas pelas partes; (c) não houve revogação nem expressa nem tácita do art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004, pois as normas legais posteriores (art. 17 da Lei n o 11.033/2004, e art. 16 da Lei n o 11.116/2005) têm comandos de diferente significado, não havendo contrariedade entre elas, o que também endossa com Soluções de Consulta (n o 50/2017 e n o 326/2017); (d) a instância administrativa não detém competência para exame de constitucionalidade, nem para afastamento de norma vigente, como a Instrução Normativa RFB n o 1.157/2011); e (e) não se autoriza a juntada posterior de documentos, em respeito aos §§ 4 o e 5 o do art. 16 do Decreto n o 70.235/1972, na redação dada pela Lei n o 9.532/1997. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário, argumentando, basicamente, que: (a) no recálculo do índice de rateio, a fiscalização usou critério de rateio sem amparo legal, e desprezou as receitas isentas, alíquota zero e sem incidência, relativas à revenda de mercadorias, e, além disso, não computou no somatório das “Receitas Não Tributadas”, as receitas suspensas, decorrentes da venda de suínos para abate, enquanto que a recorrente levou em consideração a totalidade dos ingressos e receitas auferidas, isto é, as receitas decorrentes de revenda de mercadorias e a receita relativa à venda de produtos de fabricação própria (apresentando demonstrativos na peça recursal); (b) não está a pretender o crédito sobre aquisições de mercadorias para revenda beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou sem incidência, pois discute apenas a possibilidade de incluir as receitas decorrentes de revenda de mercadorias suspensas, isentas, alíquota zero ou sem incidência na composição do montante “Não Tributadas Mercado Interno”, para o fim específico de determinar o índice de ressarcimento dos créditos acumulados (créditos preexistentes), consoante previsão contida no art. 16 da Lei no 11.116/2005; (c) no tocante as vendas suspensas de suínos e de leite in natura, também não há motivo para deixar-se de computá-las no somatório das receitas “não tributadas”, para o fim específico de determinar o índice de ressarcimento dos créditos acumulados (créditos preexistentes), conforme autorização contida no art. 16 da Lei n o 11.116/2005; (d) a autoridade fiscal pretende fundamentar a sua tese de que não cabe o ressarcimento de créditos acumulados, registre-se, “preexistentes”, sobre mercadorias para revenda, já que não há glosa dos valores calculados pelo contribuinte e, sim, realocação dos Fl. 236DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720919/2013-78 valores informados na Linha 01 do Dacon, para o campo “Tributado Mercado Interno”, fundamentação que não se coaduna com a glosa efetuada; (e) a recorrente jamais tomou crédito sobre aquisições de mercadorias para revenda sujeitas à alíquota zero, isentas, sujeitas à incidência monofásica ou com suspensão do pagamento das contribuições; e (f) o crédito deve ser atualizado pela Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro ROSALDO TREVISAN, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.841, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10925.720277/2010-64. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.841): “Percebe-se nitidamente, no entanto, já de início, que o recurso voluntário é absolutamente inovador em relação à manifestação de inconformidade. Ao que parece, as glosas não foram bem compreendidas pela defesa na peça recursal inaugural, que se limitou a discutir eventual derrogação do art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004 pelo teor do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005, matéria bem enfrentada no julgamento de piso. Em seu recurso voluntário, percebendo que a razão das glosas se devia mormente a critério de rateio e não à negativa de créditos da não-cumulatividade, parece a empresa desejar interpor uma “nova manifestação de inconformidade”, o que não encontra guarida no Decreto n o 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal. Repare-se que o tema protagonista do recurso voluntário (“critério de rateio”) sequer figurou na manifestação de inconformidade, e não trata de questão de ordem pública, que demandasse a manifestação deste tribunal administrativo. Não se pode conhecer, assim, da matéria trazida à tona pela defesa somente em sede de recurso voluntário, por disposição expressa do art. 17 do Decreto n o 70.235/1972 (na redação dada pela Lei n o 9.532/1997), alastrado às manifestações de inconformidade pelo art. 74, § 11 da Lei n o 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n o 10.833/2003: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Ou seja, os únicos temas que restam a debate no presente contencioso, e podem ser conhecidos e julgados por este tribunal administrativo são aqueles enfrentados pela DRJ, sob pena de supressão de instância. Tivesse a DRJ dado azo a alguma discussão nova no processo, surgida da análise do despacho decisório ou dos argumentos de defesa, até se poderia, em nome da verdade material, aprofundar o tema, buscando identificar de que forma afeta as razões de indeferimento do crédito demandado. Fl. 237DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720919/2013-78 No entanto, no caso em análise, parece ter acontecido simples inércia da recorrente, que somente lembrou de discutir os principais temas referentes às glosas em sede recursal. Este colegiado, no entanto, não tem competência para análise inaugural de recurso em relação a despacho decisório, nem para enviar, no atual estágio, o tema à instância de piso, pois já escoado o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Assim, não conheço das alegações inauguradas em sede de recurso voluntário, relativas a critério de rateio, sequer levadas à primeira instância administrativa. Os temas debatidos na instância de piso ecoam na ementa da decisão da DRJ: REVOGAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não há revogação de um dispositivo legal quando, sobre esse, não ocorreu revogação tácita, tampouco revogação expressa. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, tornando-se tal matéria incontroversa no âmbito administrativo. Aliás, a DRJ, logo ao início, reconhece a preclusão para as glosas em relação a produtos farmacêuticos. O argumento de defesa no sentido de que teria havido derrogação da vedação estabelecida no art. 8 o , § 4 o , da Lei n o 10.925/2004 pelo disposto no art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e no art. 16 da Lei n o 11.116/2005, já foi enfrentado por este colegiado, que decidiu, unanimemente, em processo de minha relatoria, que: “AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei n o 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei n o 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei n o 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3 o , I, “b”, combinados com os artigos 1 o , § 2 o , III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória n o 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei n o 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão n o 3401- 003.517, sessão de 25.abr.2017) Ainda que o precedente trate de situação distinta, importa salientar que o colegiado entendeu unanimemente que os comandos do art. 17 da Lei n o 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n o 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. E o segundo argumento levado à instância de piso, de que seria ilegal o comando do § 1 o do art. 3 o da Instrução Normativa RFB n o 1.157/2011, sequer é reiterado expressamente no recurso voluntário. Ademais, o conteúdo da referida norma infralegal não se opõe a seu fundamento legal. Sobre a demanda por correção pela Taxa SELIC, cabe destacar que é incabível, por expressa disposição legal (art. 13 da Lei n o 10.833/2003, c/c art. 15, VI da mesma lei). Pelo exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento.” Fl. 238DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.720919/2013-78 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978979/2012-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado.
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DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 79 /2 01 2- 61 Fl. 1258DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 Relatório Trata-se de recurso especial (e-fls. 1225/1231) interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"), em face do Acórdão nº 1401-002.092 (e-fls. 1218/1223), da sessão de 21 de setembro de 2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário da BUNGE FERTILIZANTES S/A ("Contribuinte"). Assim foi ementada a decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Os presentes autos versam sobre reconhecimento de direito creditório, apresentado por meio da PER/DCOMP visando aproveitar saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2007. Segue relato da decisão recorrida sobre a fase contenciosa: Em 05/11/2012, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 14) não homologando as compensações informadas em DCOMP. A não homologação das compensações deu-se pelos motivos expostos a seguir: • Não foi confirmada as estimativas compensadas com saldo negativo de exercícios anteriores (total informado de R$ 10.217.922,36); • Das compensações (demais estimativas compensadas) efetuadas pela contribuinte apenas foram confirmadas R$ 2.102.058,10 de um total informado de R$ 65.071.098,89. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 14/11/2012 (fl. 16) e dela recorreu a esta DRJ em 17/12/2012 (fls. 20/38). Apreciada a Manifestação de Inconformidade, manteve-se a não homologação das compensações, em razão de não confirmação das estimativas compensadas com saldo negativo de exercícios anteriores (total informado de R$ 10.217.922,36) e também pelo reconhecimento parcial das compensações (demais estimativas compensadas) efetuadas pela contribuinte, R$ 2.102.058,10 de um total informado de R$ 65.071.098,89. Fl. 1259DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 Inconformada, interpôs recurso voluntário onde argui: (i) no caso de não homologação das compensações das estimativas que compuseram os saldos negativos ora discutidos, as mesmas seguirão seu curso normal de cobrança nos respectivos processos administrativos e, sendo assim, glosá-las do ajuste anual acarretaria indevido “bis in idem”; (ii) impossibilidade de cobrança dos débitos ora compensados e não homologados, relativos às estimativas de períodos subsequentes, visto que já encerrado o respectivo exercício e igualmente serão glosados do ajuste anual as quais pertencem; (iii) a legislação não proíbe a compensação das estimativas e não condiciona sua dedutibilidade, no ajuste anual, à homologação do encontro de contas. Foi dado provimento ao recurso voluntário. A PGFN interpôs recurso especial, no qual aduz que estimativas mensais que foram objeto de compensação não homologada não podem integrar o saldo negativo. Foram apresentados os paradigmas nº 1301-001.532 e 1801-00.108. Sustenta que o PER/DCOMP tem caráter condicional, e os débitos nele informados não gozam de certeza e liquidez, nos termos do art. 170 do CTN. Requer pelo conhecimento e provimento do recurso. Despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 1235/1237 deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (e-fls. 1244/1254), no qual aduz, preliminarmente, que o acórdão recorrido amparou-se em entendimento sumular (Súmulas nº 82 e 84 do CARF), sendo vedado no RICARF (Anexo II, art. 67, § 3º) a interposição de recurso especial em face de decisão proferida com fundamento em súmula do CARF. Ainda, que o paradigma não se prestaria a demonstrar a divergência jurisprudencial, em face da superveniência das Súmulas nº 82 e 84 do CARF. Requer pela negativa do provimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Trata-se de recurso especial da PGFN, no qual se pretende devolver para discussão a matéria “possibilidade de estimativas mensais que foram objeto de compensação não homologada integrar o saldo negativo”. Cabem considerações sobre a admissibilidade do recurso. A princípio, devem ser afastadas as alegações da Contribuinte a respeito da aplicação das Súmulas nº 82 e 84 ao caso concreto. Primeiro, porque foram aduzidas em obiter dictum pela relatora da decisão recorrida: Ademais, consolidando este entendimento, temos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Grifei) Fl. 1260DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 Segundo, porque tratam de situações jurídicas que não tem repercussão nos presentes autos. A Súmula CARF nº 82 (Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas) trata de situação relativa ao lançamento de ofício efetuado pela autoridade fiscal com fulcro no art. 142 e 149 do CTN. O caso em tela trata da verificação de liquidez e certeza do direito creditório, para fins de aproveitamento de extinção de débito por meio de compensação tributária, com base nos arts. 156, inc. II e 170 do CTN e do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por sua vez a Súmula CARF nº 84 (Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação) predica que, caso comprovada ocorrência de pagamento indevido ou a maior na quitação de estimativa mensal, caracteriza-se a formação de crédito líquido e certo apto a ser utilizado para extinção de débito tributário por meio de compensação. O que se quer dizer, no caso, é que não se faz necessário aguardar a apuração do saldo negativo ao final do ano- calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador do lucro real anual, para se aproveitar do indébito relativo a recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal, e sim, pode-se considerar como crédito líquido e certo o valor recolhido de maneira indevida ou a maior de estimativa mensal. Não há nenhuma correlação com os presentes autos, vez que em nenhum momento se fala que, caso a extinção da estimativa mensal ocorra por meio de compensação, o valor eventualmente quitado de maneira indevida ou a maior poderia automaticamente ser aproveitado como direito creditório. Afasto, portanto, as arguições relativas à aplicação das súmulas. Passo ao exame da divergência jurisprudencial. Sobre os paradigmas, Acórdãos nº 1301-001.532 e 1801-00.108, foram proferidos em arcabouço jurídico distinto dos presentes autos. Inclusive ambos já foram apreciados pelo presente Colegiado, nos recentes Acórdãos nº 9101-004.032 e 9101-003.958 (paradigma nº 1301-001.532) e nº 9101-004.037 e 9101-004.038 (paradigma nº 1801-00.108). Os paradigmas trataram de apreciar compensações encaminhadas antes da vigência da MP nº 135, de 2003, que trouxe várias inovações para a matéria de compensação tributária, dentre as quais, além de aplicar o rito previsto no PAF para apreciação de litígios administrativos de reconhecimento do direito creditório e impor à Administração o prazo de cinco anos para homologação, a atribuição de confissão de dívida para os débitos objeto de compensação em PER/DCOMP: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei) Assim, nas situações tratadas pelos paradigmas, os débitos informados na declaração de compensação não tinham efeito de confissão de dívida, o que conduzia a entendimento de que as estimativas mensais objeto de extinção por meio de compensação não Fl. 1261DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 poderiam ser consideradas como crédito líquido e certo enquanto não fosse homologado o direito creditório. Por outro lado, a decisão recorrida trata de declarações de compensação encaminhadas em período posterior à MP nº 135, de 2003, momento no qual os débitos informados já tinham o atributo de confissão de dívida. Assim, caberia discussão se os débitos confessados na PER/DCOMP já poderiam ser considerados créditos líquidos e certos, e, por consequência, se as estimativas mensais objeto de compensação poderiam compor a apuração do resultado do exercício ao final do ano-calendário que, caso negativo, concretizaria o saldo negativo. Ocorre que tal debate não foi empreendido pelos Colegiados que proferiram as decisões paradigmas, vez que não se falava em confissão de dívida para os débitos analisados. Transcrevo excerto dos votos recorrido e dos paradigmas, para demonstrar a diferença do contexto jurídico. Primeiro, a decisão recorrida: Contudo, tal entendimento não prospera, posto que, a partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja não homologada. O despacho decisório pretende exigir a estimativa quitada por compensação que compôs o referido saldo negativo se encontra em discussão em outros processos administrativos, ainda que já encerrado o respectivo ano-calendário, o que não se pode admitir, conforme pacífica jurisprudência do próprio CARF. Neste sentido, fora proferido em 23 de novembro de 2016, Acórdão recebeu o nº 9101- 002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que esclarece: Acórdão nº 9101-002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Grifei) Segue excerto do paradigma nº 1301-001.532: Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano- calendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001. (grifamos) Fl. 1262DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 (...) A querela se dá em torno de dois pontos específicos. (...) O segundo aspecto do recurso refere-se à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecê-lo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder (...) Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença refere-se à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. (Grifei) Terceiro, segue excerto do paradigma nº 1801-00.108: A empresa em epígrafe interpôs, eletronicamente, Pedido de Restituição e Compensação de Tributos Federais - Per / Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07. O crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03, relativa ao ano- calendário de 2002 (apuração anual). A autoridade competente a apreciar a Per/Dcomp exarou o Despacho Decisório de fls. 77 a 80, não homologando-a, porque o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos supostos recolhimentos das estimativas mensais no ano, não restou confirmado como existente. Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTF — fls. 29/39: - as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril-parcial estão vinculadas a outra Dcomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ, ano 2001, (processo n" 11020.000426/2005-64), cuja compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo negativo do ano de 2002; - o valor remanescente da estimativa IRPJ relativa ao mês de abril está vinculado a processo judicial (2000..04.01.081033-0) - a estimativa 1RPJ de maio está paga; - as demais (jun/jul/ago/set/out/nov/dez) foram vinculadas a outro processo judicial (87.0000544 4); estas compensações em DCTF, formalizadas no processo administrativo nu 11020.000037/2003-77, não podiam ter sido realizadas, pois o crédito estava sub judies.; os débitos (das estimativas) foram objeto de autuação fiscal formalizada no processo administrativo n° 11020.00307912003-60, estando suspenso por medida judicial; os valores não podem compor o saldo negativo do 1RPJ, 2002. (...) Falta à contribuinte, no caso em tela, para ver seu direito atendido, condição sitie qua non para exercê-lo. Necessariamente deveria ter aguardado a decisão definitiva dos processos administrativos nºs 11020.000037/2003-77 e 11020.000426/2005-64 para requerer Fl. 1263DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.268 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10880.978979/2012-61 qualquer medida de direito em relação aos créditos objetos destes processos. A meu ver, muito menos poderia ter informado em DCTF que os valores devidos a título de IRPJ estimados foram quitados com compensações ainda não homologadas. (...) (Grifei) Como pode se observar, a decisão recorrida foi proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas, o que impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1264DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000660/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL À DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Numero da decisão: 2401-006.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL À DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL À DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 60 /2 00 5- 22 Fl. 449DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 Relatório Contra Rafael de Souza Fernandes, CPF 082.854.527-86, foi lavrado oAuto de Infração às fls. 129 a 135, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002, 2003, 2004, anos-calendário 2001, 2002, 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 164.023,60, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até abril de 2005. Consoante Termo de Verificação e Fluxo Financeiro, parte integrante do Auto de Infração em análise, fls. 123 a 128, o lançamento decorre de ter sido verificado acréscimo patrimonial a descoberto, consta na Declaração do interessado, relativa ao ano-calendário 2003, empréstimo recebido da empresa na qual é sócio, Fundiligas Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 04.170.685/0001-75, no valor de R$ 250.000,00. Em resposta ao Termo de Intimação, de 01 de abril de 2005, o contribuinte consigna que recebeu o montante em apenas uma parcela sacada em espécie diretamente do caixa da empresa, mas não apresenta nenhum documento que comprovasse a efetividade da operação. Ainda em conformidade com o Termo de Verificação e Fluxo Financeiro, em junho de 2001, o contribuinte adquiriu um prédio situado na Avenida Heitor Beltrão pelo valor de R$ 130.000,00, não informado em sua Declaração e que foge completamente da sua capacidade econômica. Tal aplicação ocasionou um fluxo financeiro negativo no ano-calendário 2001. O contribuinte também adquiriu o apartamento 102 situado na Avenida Sernambetida, número 4600, bloco 8, conhecido como condomínio Waterways Residencial pelo valor de R$ 499.740,58, tendo sido pago na data da escritura R$ 153.862,94 como sinal e o restante na forma discriminada na escritura pública. Lançados estes valores no fluxo financeiro do contribuinte, juntamente com o valor repactuado de saldo devedor e os correspondentes pagamentos, apurou-se, nos anos-calendário 2002 e 2003, fluxo negativo. Devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou Impugnação às fls. 316, A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 02-26.215 da 5ª Turma da DRJ/BHE, às fls.271/284, julgando parcialmente procedente o lançamento. Recorde-se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002,2003,2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimentos brutos sujeitos ao imposto de renda as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não-tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurados por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte .A DRJ confrontando a forma de pagamento constante na escritura de promessa de compra e venda no seu item 4.3 com os valores mensais que teriam sido quitados pelo contribuinte conforme discriminados nos documentos de fls. 214 a 218, verifica-se que nem todas as parcelas acordadas na escritura constam nas planilhas elaboradas pela Brascan Fl. 450DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 Imobiliária Incorporações. Não se vislumbra, por exemplo, a quitação do valor de R$ 41.840,00 através de duas parcelas anuais, a primeira com vencimento em 02/09/2000. A venda faz referência a várias outras despesas cujo ônus o contribuinte assume, como IPTU e despesas com paisagismo (itens 4.7 e 7.1.10) e também que as parcelas acordadas sofrerão atualização monetária. E como não há uma estreita correlação entre forma de pagamento constante na escritura com os valores mensais discriminados nas planilhas, infere-se que estes valores poderiam conter outras despesas além daquelas correspondentes à liquidação das parcelas acordadas no item 4.3 da escritura. Assim, há inconsistências nas declarações anexadas para comprovar os valores que foram pagos que resultaram na amortização de R$ 153.862,94 do preço de venda atualizado do imóvel localizado no condomínio Water Ways Residencial. Tais declarações, desacompanhadas de documentos que elucidam a forma como ocorreu a liquidação das parcelas acordadas e de provas do efetivo pagamento, não têm o poder probante pretendido pelo contribuinte. Desta forma, não há como acatar as informações prestadas nas declarações de fls. 214 a 217. Registre-se ainda que não foram anexados aos autos documentos que comprovassem que a progenitora do contribuinte tivesse arcado com o pagamento de parcelas referentes a compra do imóvel localizado no condomínio Water Ways Residencial. Por outro lado, acata-se que a parcela no valor de R$ 28.576,00 foi quitada no ano-calendário de 1999, haja vista a escritura pública especificar que esta foi paga no ato, como sinal e princípio de pagamento, por meio do cheque GU957807, banco 341, agência 0406. Desta forma, necessário se faz alterar o valor de R$ 153.862.94 lançado como aplicação no fluxo financeiro referente ao ano-calendário 2002, fl. 127, para R$ 125.286,94. Feito isto, apura-se variação patrimonial a descoberto referente ao exercício 2003 no valor total de R$ 181.683,53. Nesse cenário, a DRJ votou por considerar procedente em parte a impugnação para exigir: - imposto suplementar no valor de R$ 32.233,92 (trinta e dois mil, duzentos e trinta e três reais e noventa e dois centavos), sobre o qual incidem multa de ofício e juros de mora, relativo ao exercício 2002; - imposto suplementar no valor de R$ 49.962,97 (quarenta e nove mil, novecentos e sessenta e dois reais e noventa e sete centavos), sobre o qual incidem multa de ofício e juros de mora, relativo ao exercício 2003; - imposto suplementar no valor de R$ 73.967,76 (setenta e três mil, novecentos e sessenta e sete reais e setenta e seis centavos), sobre o qual incidem multa de oficio e juros de mora, relativo ao exercício 2004; Devidamente intimado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 271/284), sustentando o que segue: Exercício 2002 - foi anexada aos autos a escritura de compra do imóvel situado na avenida Heitor Beltrão, n° 18, mas não a escritura de venda lavrada no mesmo mês e ano de compra; Fl. 451DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 - deve ser destacado que o contribuinte tinha na ocasião apenas 20 anos de idade, era estudante e não dispunha de nenhuma renda, exceto pensão alimentícia paga pelo seu progenitor. - Sérgio Roberto Veiga, companheiro da mãe do contribuinte ora autuado no ano de 2001, resolveu adquirir para sua moradia o prédio mencionado, oficializando a compra em nome de Rafael de Souza para possível doação; - para tanto, emprestou ao contribuinte o valor de R$ 137.944,29, o suficiente para a aquisição do imóvel em dinheiro pelo valor de R$ 130.000,00, mais o pagamento do ITBI e demais despesas cartorárias; - passados treze dias, por entendimento entre as partes, Sérgio Roberto Veiga desistiu de promover a doação e resolveu transferir o imóvel para o seu próprio nome, pelo mesmo valor da aquisição anterior, ou seja, R$ 130.000,00, ocasião em que fora dada quitação ao empréstimo concedido no valor de R$ 137.944,29; - não houve, portanto, nenhum desembolso do contribuinte autuado, não havendo, por conseqüência, nenhum patrimônio a descoberto no decorrer do ano-calendário 2001; - logo não prospera a reclamação fiscal de omissão de rendimentos durante o ano- calendário de 2001, devendo ser excluída a importância R$ 137.944,29 na rubrica aplicações no mês de junho do demonstrativo da variação patrimonial, fluxo de caixa mensal de 2001; Exercício 2003 - em relação ao imóvel situado no condomínio Water Ways Residencial, tem-se que na escritura citada não consta, como dito pela fiscalização, que tenha sido pago de sinal o valor de R$ 153.862,94; - o imóvel em evidência foi adquirido em nome do autuado em 30/09/1999, conforme escritura de promessa de compra e venda celebrada no 10° Serviço Notarial/RJ, tendo sido pago em 1999 o valor de R$ 65.336,62, em 2000 o valor de R$ 40.177,85, em 2001 o valor de R$ 62.512,82 e, entre janeiro e março de 2002, o valor de R$ 33.444,28; - em face do exposto, deve ser excluída, do fluxo de caixa mensal, a importância de R$ 153.862,94; - Joaquim Dias Fernandes, pai do autuado, ao se divorciar de Sônia de Souza Fernandes, promoveu no ano-calendário de 1999 transferência patrimonial a favor da sua ex- esposa na importância de R$ 230.000,00 e pagou, a título de pensão alimentícia, a importância de R$ 63.320,00, conforme Declaração de Ajuste Anual; - a mãe do autuado resolveu adquirir para o filho o imóvel em questão, inclusive se responsabilizando pela operação como fiadora; - o autuado não dispunha de nenhuma renda, exceto a pensão do seu progenitor; - todas as parcelas de pagamento desse imóvel, até o ano de 2002, foram, nna realidade, honrados total ou parcialmente pela Sra. Sônia de Souza Fernandes em favor do seu filho; Exercício 2004 - o impugnante, já na qualidade de sócio da empresa Fundiligas Indústria e Comércio Ltda, solicitou autorização para que a sociedade lhe emprestasse em 31/05/2003 a Fl. 452DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 importância de R$ 250.000,00 até 31/01/2005, oficializando a operação através de contrato de mútuo; - o autuado retirou como adiantamento, na forma de vale em caixa, o valor de R$ 70.000, 00 em 03/01/2003; - em face dos diversos pagamentos a serem feitos, o impugnante retirou R$ 180.000,00 em espécie e mais um vale de caixa de sua responsabilidade; - a saída de R$ 250.000,00, a título de empréstimo, está devidamente consignada na conta caixa; - assim, o fluxo de caixa mensal do ano de 2003 deverá consignar como origem de recursos a importância de R$ 70.000,00 em 03/01/2003 e de R$ 180.000,00 em maio de 2003; Ao final, requer o cancelamento do presente Auto de Infração. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto O Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 1. DO MÉRITO O Auto de Infração em pauta decorre de ter sido verificada, durante o procedimento fiscal, omissão de rendimentos devido à ocorrência de variação patrimonial nos anos-calendário 2001, 2002 e 2003, não respaldado por rendimentos tributáveis, isentos e não- tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva declarados. Conforme informado pela fiscalização, o recorrente adquiriu um prédio situado na Avenida Heitor Beltrão pelo valor de R$ 130.000,00 em junho de 2001, não informado em sua Declaração, que ocasionou um fluxo financeiro negativo no ano-calendário 2001. Tem-se ainda que o recorrente adquiriu o apartamento 102 situado na Avenida Sernambetida, número4600, bloco 8, conhecido como condomínio Waterways Residencial, no valor de R$ 499.740,58, tendo sido pago na data da escritura pública o valor de R$ 153.862,94 como sinal e o restante na forma discriminada na citada escritura. Fl. 453DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 Lançados estes valores no fluxo financeiro do contribuinte, juntamente com o valor repactuado de saldo devedor e os correspondentes pagamentos, apurou-se, nos anos- calendário 2002 e 2003, fluxo negativo. Como é cediço, os acréscimos patrimoniais são tributáveis quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não-tributáveis declarados ou, ainda, por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, ou objeto de tributação definitiva, a teor das disposições legais a seguir: Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988: (...) Art. 3"- O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § Io- Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n ° 8.134. de 27 de dezembro de 1990: (...) Art. 3o- O imposto de renda na fonte, de que tratam os artigos 7o e 12 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incidirá sobre os valores efetivamente pagos em cada mês. Lei n° 8.021. de 12 de abril de 1990: (...) Art. 6o O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á Arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não Fl. 454DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Verifica-se, da leitura dos dispositivos acima transcritos, que a própria lei definiu que a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível caracteriza omissão de receita ou de rendimentos. Deste modo, trata-se de verdadeira presunção legal de omissão. O art. 6o da Lei n° 8.021, de 1990, autoriza o lançamento de renda presumida, mediante a utilização de sinais exteriores de riqueza, assim denominada a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Já o § I o do art. 3 o da Lei n° 7.713, de 1988, presume que decorra de rendimentos tributáveis omitidos o acréscimo patrimonial da pessoa física não justificado pelos rendimentos declarados. Da conjunção dos dois dispositivos, conclui-se que é hábil para lastrear o arbitramento de renda omitida qualquer soma de dinheiro despendida. Note-se que, cabe ao sujeito passivo a produção de provas em contrário, no sentido de ilidir a presunção formada. Provada pelo fisco a aquisição de bens ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte provar os fatos modificativos ou extintivos de seu patrimônio, ou seja, justificar o acréscimo patrimonial com rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, ou rendimentos tributáveis apontados em sua Declaração de Ajuste Anual. O acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do imposto de renda como proventos de qualquer natureza, pelo simples fato de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. O que se concluiu é que, a diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo fisco. Todavia, a presunção contida no dispositivo citado não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Note-se que essa prova deve ser feita pelo contribuinte, uma vez que a legislação define o descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. Para justificar a compra do prédio situado na avenida Heitor Beltrão, n° 18, em junho de 2001 no valor de R$ 130.000,00, sustenta o contribuinte que Sérgio Roberto Veiga, então companheiro da sua mãe, resolveu adquirir para sua moradia o prédio mencionado, oficializando a compra em seu nome para possível doação. Desta forma, lhe emprestou R$ 137.944,29, valor suficiente para a aquisição do imóvel em dinheiro e para o pagamento das despesas cartorárias. Passados treze dias, porém, por entendimento entre as partes, Sérgio Roberto Veiga desistiu de promover a doação e resolveu transferir o imóvel para o seu próprio nome, pelo mesmo valor da aquisição anterior, ocasião em que fora dada quitação ao empréstimo. Ocorre que não foram acostadas aos autos provas que comprovassem a realização do mencionado empréstimo. Poderiam ter sido apresentados documentos, como, por exemplo, extratos bancários em nome de Sérgio Roberto Veiga referentes ao mês de maio/junho de 2001 Fl. 455DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 que discriminassem saque/cheque no valor de R$ 137.944,29 ou aproximado, de modo a respaldar as argumentações oferecidas. Impende salientar que a alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, somente seria acatada se acompanhada de provas inequívocas da efetiva ocorrência da operação, mediante a comprovação da transferência de numerário envolvida, o que não ocorreu. Nessa esteira de entendimento, mantenho a exigência referente à variação de patrimônio a descoberto no ano-calendário 2001. Em suas razões recursais o Recorrente novamente sustenta que deve ser considerado no fluxo financeiro do ano de 2003 o valor de R$ 250.000,00 auferido da empresa Fundiligas Indústria e Comércio Ltda, da qual é sócio, a título de empréstimo, em duas parcelas, sendo a primeira no valor de R$ 70.000,00 recebida em janeiro e a segunda no valor de R$ 180.000,00, recebida em espécie em maio, sendo o vencimento do valor de R$ 250.000,00, sem juros, em 31/01/2005. Objetivando demonstrar o alegado, junta aos autos o contrato de mútuo, cópia do Termo de Abertura, assim como o Termo de Encerramento do Livro Diário de 2003, o plano de contas, cópia da folha do Razão com o lançamento da operação, cópia do Razão da conta empréstimo e cópia da Declaração de IRPJ. Porém, em nenhum momento, o contribuinte junta documentação que demonstre a efetiva realização do mencionado empréstimo. Consigne-se que o contrato de mútuo realizado às fls. 223, não está revestido das formalidades necessárias para ser considerado como prova hábil e idônea a lastrear a operação que se pretende. Já n que se refere à aquisição do imóvel localizado no condomínio Water Ways Residencial, o contribuinte insurge-se contra o lançamento do valor de R$ 153.862,94 no fluxo financeiro referente ao ano-calendário 2002, fl. 127, como aplicação. Compulsando os autos, verifica-se que a fiscalização considerou que o citado valor refere-se à parcela de entrada para a aquisição do citado imóvel, tendo sido integralmente pago por ocasião da escritura. Como bem salientado pela instância de piso, a escritura, fls. 42 a 72, lavrada em 29/07/2002, no seu Capítulo IV - "Da Compra e Venda", dispôs que o preço do imóvel ajustado para compra e venda perfez R$ 414.216,00, mas que o preço atualizado desde a data da celebração da escritura de promessa de compra e venda até a presente data totaliza R$ 499.740,58, tendo sido pago R$ 153.862,94, sendo o valor restante, no caso, R$ 345.877,64, objeto do financiamento adiante pactuado. Já o Capitulo V - "Do financiamento imobiliário" da mencionada escritura estabelece a forma de pagamento da parte financiada. Confrontando a documentação juntada pelo recorrente em sua defesa, e a forma de pagamento constante na escritura de promessa de compra e venda no seu item 4.3 com os valores mensais que teriam sido quitados pelo contribuinte conforme discriminados nos documentos de fls. 214 a 218, verifica-se que nem todas as parcelas acordadas na escritura constam nas planilhas elaboradas pela Brascan Imobiliária Incorporações. Não se vislumbra, por exemplo, a quitação do valor de R$ 41.840,00 através de duas parcelas anuais, a primeira com vencimento em 02/09/2000. Fl. 456DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 A transação foi minudentemente esclarecida pela DRJ, onde se concluiu que nas planilhas elaboradas pela Brascan Imobiliária Incorporações só constam o valor total pago (principal e juros) em cada mês. Assim, não é possível verificar nestas planilhas se todas as parcelas acordadas no valor de R$ 2.253,25 foram liquidadas na forma de pagamento disposta. Ainda, a escritura de promessa de compra e venda faz referência a várias outras despesas cujo ônus o contribuinte assume, como IPTU e despesas com paisagismo (itens 4.7 e 7.1.10) e também que as parcelas acordadas sofrerão atualização monetária. E como não há uma estreita correlação entre forma de pagamento constante na escritura com os valores mensais discriminados nas planilhas, infere-se que estes valores poderiam conter outras despesas além daquelas correspondentes à liquidação das parcelas acordadas no item 4.3 da escritura. Também merece destaque o fato de a declaração emitida pela Brascan Imobiliária Incorporações, relativa ao ano-calendário de 2002, fl. 217, não identificar o responsável pelas informações prestadas. Assim, há inconsistências nas declarações anexadas para comprovar os valores que foram pagos que resultaram na amortização de R$ 153.862,94 do preço de venda atualizado do imóvel localizado no condomínio Water Ways Residencial. Tais declarações, desacompanhadas de documentos que elucidam a forma como ocorreu a liquidação das parcelas acordadas e de provas do efetivo pagamento, não têm o poder probante pretendido pelo contribuinte. Desta forma, não há como acatar as informações prestadas nas declarações de fls. 214 a 217. Registre-se ainda que não foram anexados aos autos documentos que comprovassem que a genitora do contribuinte tivesse arcado com o pagamento de parcelas referentes a compra do imóvel localizado no condomínio Water Ways Residencial. Assim mantenho incólume a decisão de primeira instância. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER DO RECURSO e no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 457DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-006.849 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000660/2005-22 Fl. 458DF CARF MF
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