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Numero do processo: 10384.003869/2003-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR - BENFEITORIAS - COMPROVAÇÃO.
A legislação que rege o ITR não estabeleceu a forma de comprovação das benfeitorias existentes no imóvel, não havendo a obrigatoriedade de o contribuinte apresentar laudo que siga as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, especialmente, no que diz respeito a NBR 14.653-3, item 11, como pretende a Fazenda Nacional. No caso, o laudo técnico apresentado pelo sujeito passivo e acolhido pela decisão recorrida foi elaborado por engenheiro agrônomo, está acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ART e é convincente com relação a seu conteúdo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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A legislação que rege o ITR não estabeleceu a forma de comprovação das benfeitorias existentes no imóvel, não havendo a obrigatoriedade de o contribuinte apresentar laudo que siga as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, especialmente, no que diz respeito a NBR 14.653 3, item 11, como pretende a Fazenda Nacional. No caso, o laudo técnico apresentado pelo sujeito passivo e acolhido pela decisão recorrida foi elaborado por engenheiro agrônomo, está acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica ART e é convincente com relação a seu conteúdo. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 38 69 /2 00 3- 53 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10384.003869/200353 Acórdão n.º 9202002.679 CSRFT2 Fl. 90 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Ursulino Veloso de Sousa Martins foi lavrado o auto de infração de fls. 0308, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo ocupadas com benfeitorias, relativamente ao imóvel denominado Santo Antônio, situado no município de Aroazes (PI). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 05): Na declaração ITR 1999 (fl 11) apresentada pelo contribuinte Ursulino Veloso Martins, referente ao imóvel Santo Antônio, NIRF: 2.982.8244, os quadros 09 e 10 do DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR estão preenchidos incorretamente. O contribuinte foi intimado a comprovar a área ocupada com benfeitorias e a distribuição da área utilizada do imóvel, conforme fls 12. Devido a não apresentação da documentação solicitada, glosamos essas áreas e recalculamos o imposto devido apurado na declaração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 2931). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, após a realização de diligência, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 220200.798, que se encontra às fls. 7071, cuja ementa é a seguinte: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10384.003869/200353 Acórdão n.º 9202002.679 CSRFT2 Fl. 91 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 Ementa: CONSTRUÇÕES, INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS – Devidamente comprovado através de provas, documentos e laudo de avaliação há que se admitir a exclusão da base de calculo do ITR das áreas de construções, instalações e benfeitorias. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 17/02/2011 (fls. 72), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 7576, acompanhado do documento de fls. 77, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão 220200.798, sustentou que o "Relatório de Avaliação de Benfeitorias" juntado pelo contribuinte serviria para provar a existência das alegadas benfeitorias, mesmo não tendo sido elaborado com base nas normas da ABNT; b) Por outro lado, a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 20306.266, entendeu que para serem válidos como prova, os laudos apresentados devem ser revestidos de formalidades e exigências técnicas mínimas, entre as quais a observância das normas da ABNT; c) Não deve ser acatada a pretensão do contribuinte porque o teor do documento trazido aos autos, Relatório de Avaliação de Benfeitorias de fls. 65/67, elaborado pelo engenheiro agrônomo Juraci Pedreira Jericó Filho, não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue as normas da ABNT; d) De fato, o Relatório de fls. 65/67 é por demais sucinto, não obedecendo ao solicitado no item "a" da Resolução 30301.455 (fls. 55), pois não atendeu aos requisitos estabelecidos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, especialmente, no que diz respeito a NBR 14.6533, item 11; e) Assim, no presente caso é preciso reconhecer que o Relatório de Avaliação de Benfeitorias de fls. 65/67 não atende aos requisitos essenciais das normas da ABNT, motivo pelo qual não há nada que desconstitua o lançamento; f) Requer o conhecimento e o provimento do presente Recurso Especial para que seja reformada a decisão recorrida. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.254 (fls. 7882), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 8588, onde defendeu, a título de preliminar, a impossibilidade de conhecimento do recurso, pois a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10384.003869/200353 Acórdão n.º 9202002.679 CSRFT2 Fl. 92 4 pretensão fazendária envolveria exclusivamente um pedido de reexame de provas. Quanto ao mérito, pugnou, basicamente, pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para acatar a área ocupada com benfeitorias identificada no laudo de fls. 6567. A recorrente insurgiuse contra tal entendimento sob a alegação de que o laudo apresentado pelo sujeito passivo não está de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, especialmente, no que diz respeito a NBR 14.6533, item 11, indicando como paradigma o acórdão n° 20306.266. Eis a matéria em litígio. Inicialmente, devo rejeitar a preliminar suscitada pelo autuado em sede de contrarrazões, na medida em que a questão trazida pela recorrente é exclusivamente de direito, qual seja, o laudo que comprova a existência de benfeitorias deve ou não estar sujeito às normas da ABNT? Esta a pergunta que precisa ser respondida neste julgamento, não envolvendo, sob hipótese nenhuma, reexame de prova. Passo, então, a apreciar o mérito da controvérsia. De acordo com o artigo 10, § 1°, inciso I, alínea “a” e inciso IV, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; (...) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10384.003869/200353 Acórdão n.º 9202002.679 CSRFT2 Fl. 93 5 IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; Portanto, o valor das benfeitorias reduz o Valor da Terra Nua – VTN do imóvel, sendo que a área ocupada com benfeitorias diminui a área aproveitável do imóvel, o que reflete no grau de utilização da propriedade. No voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do Conselheiro Pedro Anan Junior, está consignado que (fls. 71): Versa o litígio, conforme relatado, acerca do cálculo da área aproveitável do imóvel rural perante as razões do contribuinte que pretende dela excluir as áreas ocupadas com benfeitorias. Nada obstante, o relatório de vistoria e avaliação oferecido em grau de recurso não havia a indicação das áreas (em hectares) ocupadas pelas alegadas benfeitorias. No intuito de sanar essa dúvida o julgamento foi convertido em diligência, sendo o recorrente intimado para apresentar através de laudo tais informações. A diligência proposta foi cumprida e foi juntado laudo com as informações solicitadas, bem como foi apresentado conclusão por parte da autoridade lançadora. (...) Podemos verificar que no presente caso, o que se discute é se o Recorrente poderia ou não valerse dessa exclusão permitida pela legislação do ITR. Intimado a fazer tal prova, o mesmo apresentou laudo de avaliação que as autoridades lançadora e julgadora entenderam não serem suficientes para demonstrar tal direito. Entendo que no caso em concreto o Recorrente faz jus a tal exclusão uma vez que demonstrou através de provas, no caso laudo de avaliação assinado por profissional técnico habilitado, que tais benfeitorias existem, portanto seriam passíveis de serem excluídas da base de cálculo do ITR. No caso caberia as autoridades lançadora e julgadora fazer prova contrária, ou seja apresentar documentos ou laudo que demonstrem que tais benfeitorias não existem, não simplesmente alegar que o laudo não seguem requisitos da ABNT. Nesse sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. No laudo de fls. 6567, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Juraci Pedreira Jericó Filho, inscrito no CREAPI sob n° 1305D, que se fez acompanhar da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica ART, consta o seguinte: Esse trabalho tem como objetivo levantar todas as benfeitorias existentes nos imóveis Santo Antônio, município de Aroazes — Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10384.003869/200353 Acórdão n.º 9202002.679 CSRFT2 Fl. 94 6 PI, para efeito de retificação de declaração de Imposto Territorial Rural — ITR, junto à Secretaria da Receita Federal. (...) 1Localização das Benfeitorias: As benfeitorias levantadas em campo foram localizadas através de equipamento tipo GPS de navegação, modelo GARMIN — GPS man 76 S e sobreposta em imagem de satélite GOOGLE EARTH. 2Descrição das Benfeitorias: As benfeitorias foram descritas e avaliadas conforme seu tamanho, tipo de construção, e estado de conservação. 3O levantamento das benfeitorias teve como base as tabelas de valores que são utilizadas nas avaliações de imóveis rurais do Programa de Crédito Fundiário, do Governo do Estado. Em tal laudo as benfeitorias estão individualmente descritas, com seus valores e com as áreas que ocupam. Salvo melhor juízo, a legislação (lei, decreto, instrução normativa, etc.) que regula o ITR não exige que a comprovação das benfeitorias se dê por intermédio de laudo que siga os padrões da ABNT. Ademais, no caso, penso que o trabalho realizado pelo Engenheiro Agrônomo Juraci Pedreira Jericó Filho é convincente. Nesse sentido, entendo que decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003521/2008-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Uma vez apuradas as diferenças a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, tais como folha de pagamento, GPS e GFIP, e não constatada qualquer irregularidade, desnecessária a realização de diligência para apuração dos valores devidos.
GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DAS DIFERENÇAS ENTRE OS FATOS GERADORES DECLARADOS E DOS VALORES RECOLHIDOS.
Informações prestadas em GFIP constituem-se termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referente ao período de 01/2000 a 08/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Uma vez apuradas as diferenças a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, tais como folha de pagamento, GPS e GFIP, e não constatada qualquer irregularidade, desnecessária a realização de diligência para apuração dos valores devidos. GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DAS DIFERENÇAS ENTRE OS FATOS GERADORES DECLARADOS E DOS VALORES RECOLHIDOS. Informações prestadas em GFIP constituem-se termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referente ao período de 01/2000 a 08/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
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DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Uma vez apuradas as diferenças a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, tais como folha de pagamento, GPS e GFIP, e não constatada qualquer irregularidade, desnecessária a realização de diligência para apuração dos valores devidos. GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DAS DIFERENÇAS ENTRE OS FATOS GERADORES DECLARADOS E DOS VALORES RECOLHIDOS. Informações prestadas em GFIP constituemse termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 35 21 /2 00 8- 54 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referente ao período de 01/2000 a 08/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.003521/200854 Acórdão n.º 2403001.949 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Fl. 04) em que se pretende o recolhimento de crédito previdenciário relativo às contribuições devidas pela Recorrente à Seguridade Social, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas a terceiros: INCRA e SEBRAE, para o código 0066 (com convênio), e Salário Educação, INCRA, SENAI SESI E SEBRAE, para o código 0079 (sem convênio), conforme Relatório Fiscal de fls. 83/85. As referidas obrigações encontramse previstas nos artigos 22, inciso I e II e artigo 94 da Lei n° 8.212191, nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b" da citada Lei. A constituição do aludido crédito previdenciário se deu através da apuração das diferenças obtidas a partir do confronto entre as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações declaradas nas GFIP’s e os valores recolhidos pela empresa, ora Recorrente, relativos ao período compreendido entre 02/2000 e 12/2001. O lançamento atingiu o montante de R$ 35.227,17 (trinta e cinco mil e duzentos e vinte e sete reais e dezessete centavos), consolidado em 09/08/2006 e notificado em 11/08/2006, conforme comprovante de recebimento do A.R. constante na fl. 121. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 127/137. DA DECISÃO DA SRP Após analisar os argumentos da então Impugnante, a extinta Secretaria da Receita Previdenciária prolatou a Decisão n. 4.401.410023/2007, fls. 301/306, que manteve, em todos os seus termos a autuação fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP. Sobre a remuneração que a empresa paga ou credita aos segurados a seu serviço incidem contribuições sociais, nos termos do parágrafo único do art. 11 da Lei n.° 8.212/91. Devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados de que trata o art. 22, inciso 1 e 11, bem como as contribuições destinadas a Terceiros, esculpidas no art. 94, da Lei n.° 8.212191. Na hipótese do não recolhimento, as informações prestadas na GFIP se constituirão em confissão de dívida, conforme § 1. 0 do art. 225 do RPS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 313/325, onde pretende a reforma do julgado, alegando, em suma, os seguintes argumentos: 1. A decadência dos créditos previdenciários relativos ao período compreendido entre 02/2000 e 04/2001, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que a Constituição Federal, em seus artigos 145 e seguintes, atribui inequívoca natureza tributária à contribuição previdenciária, de modo que a aludida exação deve estar submetida aos ditames constitucionais relativos à prescrição e decadência, matérias que devem ser definidas exclusivamente por Lei Complementar, razão pela qual pretende a Recorrente afastar a incidência do art. 45, da Lei n º. 8.212/91, devido ao seu caráter ordinário. 2. A constatação de diversos equívocos na apuração do crédito constituído, decorrente de uma análise pouco acurada da documentação apresentada pela Recorrente, ora culminando em valores, a título de base de cálculo, muito superiores ao real, contrariando a folha de pagamento, ora na ausência de dedução do montante relativo à saláriofamília. Para tanto, acosta aos autos do presente processo administrativo planilhas contendo valores extraídos das folhas de pagamento e das GPS (Guias da Previdência Social). Requer, ao final, seja reconhecida a decadência dos créditos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/2000 e 04/2001, bem como seja realizada diligência fiscal revisora, a fim de que, sanados os equívocos cometidos, seja declarado improcedente o lançamento sob análise. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.003521/200854 Acórdão n.º 2403001.949 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 343 da numeração digital, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, constante nas fls. 7/20, verifico que houve pagamento em todas as competências restando pendentes apenas pequenas diferenças, comprovando, deste modo, que houve antecipação no pagamento, mesmo que parcial, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração abrangeu as competências 01/2000 a 12/2001, inclusive o 13º salário. A lavratura da autuação se deu em 09/08/2006 (fl. 04) e a notificação ocorreu em 06/09/2006 (fl. 121). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação às competências compreendidas entre o período de 01/2000 a 08/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. MÉRITO Com relação à alegação de constatação de diversos equívocos perpetrados pelo fiscal na apuração do crédito constituído temse que assiste razão á fiscalização e à DRJ. Para provar o alegado, a recorrente acosta aos autos do processo administrativo planilhas contendo valores extraídos das folhas de pagamento e das GPS – Guias da Previdência Social, no entanto, é silente quanto aos valores declarados em GFIP. A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP . Desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.003521/200854 Acórdão n.º 2403001.949 S2C4T3 Fl. 5 7 Nelas deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, e, principalmente, para o presente caso, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. Já a Guia da Previdência Social (GPS) é o documento hábil para o recolhimento das contribuições sociais a ser utilizada pela empresa, contribuinte individual, facultativo, empregador doméstico e segurado especial. Portanto, os fatos geradores informados em GFIP constituem confissão de dívida, sendo pacífico o entendimento, neste sentido, da jurisprudência deste conselho, conforme se pode ilustrar de trecho de ementa do acórdão abaixo: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE POR MEIO DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. GFIP CONFISSÃO DIVIDA. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. Documentos fornecidos pela própria empresa não caracterizam cerceamento de defesa. Informações prestadas em GFIP constituemse termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. (CARF. Segunda Seção, Processo 35166.000243/200633, Recurso Voluntário n. 153.158, Acórdão 240200.896 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 09 de junho de 2010) Logo, uma vez declarados os valores em GFIP, estes constituem confissão, que poderia ser ilidida através de documentação hábil, que, no entanto, não ocorreu. Dentre os erros alegados está a ausência de dedução do cálculo das contribuições os montantes relativos ao saláriofamília. Porém, para tal desiderato, também seria necessário prova idônea desses repasses, o beneficiário ao qual o beneficio se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária o que não ocorreu, in casu. A presente conclusão também está pacificada nesta seção, conforme se depreende dos julgados abaixo. SALÁRIO FAMÍLIA GLOSA A empresa é obrigada a apresentar os documentos relativos ao SalárioFamília. A não apresentação da documentação prevista na legislação implica na glosa das deduções efetuadas pela empresa a esse título. (CARF. Segunda Seção. Processo n. 19563.000084/200719, Recurso Voluntário n. 255.959, Acórdão 230101.369 3 Câmara/ 1 Turma Ordinária, Sessão de 28 de abril de 2010.) **************************************************** Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o beneficio se destina, bem como Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária.A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir o lançamento. (CARF. Segunda Seção. Processo n. 11522.000923/200773, Recurso Voluntário n. 155.961, Acórdão 240100.768 4 Câmara/ 1 Turma Ordinária, Sessão de 29 de outubro de 2009) Pelos mesmos motivos acima expostos, desnecessária a realização de diligência conforme requerido pelo recorrente, uma vez que as diferenças foram apuradas a partir das informações prestadas pelo contribuinte, estando regulares. Também, destaquese que o pedido não foi realizado na forma do art. 16 do Decreto 70.235, insubsistente portanto a matéria ventilada. Portanto, não há reparos a serem feitos no tocante a autuação para exigibilidade das diferenças declaradas em GFIP e dos valores efetivamente recolhidos. DA MULTA APLICADA Conforme se verifica da fl. 75 dos Fundamentos Legais de Débito, no que toca a multa, foi ela aplicada com base no art. 35, I, II e III, variando de 8% até 100% do valor devido à depender do momento do pagamento pelo sujeito passivo. O primeiro para aquele realizado no mês do vencimento e o último no caso de ajuizamento de execução fiscal, mesmo que tivesse havido pedido de parcelamento. No entanto, em obediência ao princípio da retroatividade benigna, deve a multa ser recalculada pelos seguintes fundamento. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 18050.003521/200854 Acórdão n.º 2403001.949 S2C4T3 Fl. 6 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência referente ao período de 01/2000 a 08/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13896.001552/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo após 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob o regime do art. 543-A do CPC, no RE nº 566.621.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo após 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob o regime do art. 543A do CPC, no RE nº 566.621. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 15 52 /2 00 7- 24 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de restituição formulado em 15/10/2007 (fl. 2), relativo à COFINS, que teria sido recolhida indevidamente com a inclusão do ICMS na base de cálculo, nos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1997 a janeiro de 2001. Com lastro no Parecer SAORT e despacho decisório 466/2008 (fls. 260 a 264), a autoridade administrativa indeferiu o pleito sob as seguintes justificativas: 1) decadência do direito à restituição dos créditos relativos às competências de outubro de 1997 a janeiro de 2001, pois o pedido de restituição foi formalizado somente em 15/10/2007 (art. 168 c/c art. 156, I, do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da LC nº 118/2005); b) falta de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que o prazo de decadência do pedido de restituição é de 10 anos, conforme pacífica jurisprudência do STJ. No mérito, sustentou a ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, pois o tributo estadual não se incorpora ao patrimônio do contribuinte. O contribuinte do ICMS age como mero depositário de valores, não se tratando de montantes que vêm a incrementar o seu patrimônio. Por meio do Acórdão 37.519, de 04 de abril de 2013, a 7ª turma da DRJ Campinas indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL Ora, consta que o Contribuinte ingressou com seu pedido em 15/10/07, encontrandose, portanto, não apenas submetido à regra do artigo 168 do CTN, mas também sob a égide da Lei Complementar 118/05. Ocorrência de prescrição. JUÍZOS DE LEGALIDADECONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA Não há previsão legal que exclua o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/COFINS. É expressamente vedado à Autoridade Administrativa afastar, sob pretexto de inconstitucionalidade, a legislação que define a base de cálculo das contribuições. EXISTÊNCIA DE PROCESSOS JUDICIAIS PENDENTES DE DECISÃO A existência de processos judiciais pendentes de decisão final e definitiva, dos quais, aliás, o Contribuinte nem mesmo é parte, não legitimam o deferimento do Pedido, por falta de cumprimento dos requisitos legais pertinentes. RECEITA BRUTA ICMS Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13896.001552/200724 Acórdão n.º 3403002.296 S3C4T3 Fl. 4 3 É insofismável que o ICMS compõe o preço da mercadoria, configurando um dos elementos da receita bruta de vendas (é "calculado por dentro", isto é, representa ele mesmo um dos componentes de sua própria base de cálculo). CRÉDITO RESTITUÍVEL – PROVA Cabe ao Requerente o ônus de demonstrar inequivocamente a efetiva existência do direito pleiteado, pois o ônus da prova compete a quem o alega, ou, neste caso, a quem pleiteia a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente (...)” Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 05/06/2012 (fl. 298), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/06/2012 (fl. 300), alegando, em síntese que: 1) O prazo de decadência é de dez anos porque os pagamentos indevidos foram efetuados antes de 09 de junho de 2005, data em que passou a ter eficácia a Lei Complementar nº 118/2005, conforme o RESP 1.002.932/SP, submetido à sistemática do art. 543C do CPC; 2) Não se pode alegar que ocorreu a decadência (ou a prescrição) em razão de o STF, no RE 566.621, ter decidido que o prazo de cinco anos da LC nº 118/2005 teria aplicação às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, enquanto que a presente demanda fora ajuizada em 2007. Isto porque o STF reconheceu que a LC nº 118/05 não era meramente interpretativa, tendo modificado entendimento consagrado na jurisprudência do STJ. Não sendo interpretativa, não poderia aplicarse a fatos pretéritos, o que motivou o reconhecimento de que, até o início da sua vigência (09/06/2005), aplicarse ia a prescrição decenal até então reconhecida pacificamente pelo STJ. Muito embora o precedente do STF se refira a “ações ajuizadas” até 09/06/2005, o entendimento também tem aplicação aos pleitos administrativos igualmente formulados antes da referida data, uma vez que não haveria motivo razoável – e o contrário implicaria violação à isonomia – para punir o contribuinte que, antes do ingresso no Poder Judiciário, optou, como a Recorrente, pela restituição administrativa do indébito; 3) No mérito, sustentou a ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, em razão do imposto estadual não se integrar ao patrimônio do contribuinte, tratandose de tributo que, por sua característica, é destacado na nota fiscal de venda e, ato contínuo, repassado ao Estado. O ICMS integra o preço dos produtos, mas não é receita do vendedor. A legislação atinente à contribuição, mesmo após a EC nº 20/98, estabelece como base de cálculo a “receita auferida” pela pessoa jurídica (art. 1º da Lei nº 10.637/02, quanto ao PIS e art. 1º da Lei nº 10.833/03, quanto à COFINS), não se enquadrando em tal expressão montantes que, por força de disposição legal expressa, pertencem exclusivamente a terceiros, no caso o Estado. Por outro lado, não existe nenhuma previsão legal que determine a inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS e COFINS. Assim, não se trata de declarar a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, mas, apenas, de cumprir a própria legislação em vigor (“receita auferida”) e interpretála conforme a constituição; 4) Quanto à alegação de que não teria sido possível apenas com as informações oferecidas pelo pedido de restituição, estabelecer a certeza e a liquidez do crédito, ela não tem a menor condição de prosperar. Isto porque a planilha juntada aos autos demonstra a Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 diferença entre os valores pagos a título de COFINS, considerando a base “cheia” (com a inclusão do ICMS) e aquela que seria correta (sem a inclusão do imposto). Na seqüência foram juntados os comprovantes de recolhimento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão do prazo de decadência do direito dos contribuintes solicitarem a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação trilhou um caminho tortuoso. Atualmente esta questão está pacificada em razão do advento do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. Em pesquisa efetuada na página de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13896.001552/200724 Acórdão n.º 3403002.296 S3C4T3 Fl. 5 5 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso dos autos, verificase que o pedido de restituição foi protocolado em 15/10/2007, o que significa que está prescrito o direito de a recorrente requerer a restituição do indébito relativo a todos os períodos de apuração abarcados por este processo. Uma das alegações do contribuinte foi no sentido de que não se pode aplicar a decisão do STF aos pagamentos indevidos efetuados antes do advento da Lei Complementar nº 118/2005. Acontece que, como já foi dito antes, este colegiado está vinculado ao que foi decidido no RE nº 566.621 e nesse julgado o STF determinou que o novo prazo de cinco anos somente deve ser aplicado às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. E isto foi decidido dessa maneira, porque o STF estava decidindo sobre a prescrição do direito de requerer o indébito e não sobre o direito material ao indébito. Assim, ao contrário do que entendeu a recorrente, o “fato pretérito” considerado pelo STF foi a data de ajuizamento das ações (ou dos pedidos administrativos) e não a data em que o pagamento indevido foi efetuado. A recorrente, no fundo, está contestando o acórdão do STF, pois utilizou a data do pagamento indevido como critério para estabelecer qual a regra de prescrição aplicável. Mas o STF tomou o critério “data de ajuizamento da ação”, pois estava decidindo sobre prazo Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 de prescrição. O art. 62A do RICARF impede que este colegiado altere o critério utilizado pelo STF. A interpretação contida no RE 566.621 deve ser estendida aos demais casos concretos da forma como constou naquela decisão. Desse modo, quem ajuizou ações ou formalizou pedidos administrativos antes de 09/06/2005 tem direito à contagem do prazo pela regra dos dez anos, quem rompeu seu estado de inércia a partir dessa data está sujeito ao novo prazo de prescrição de cinco anos instituído pela Lei Complementar nº 118/2005. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10980.723628/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. MULTA E JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE PELA FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DEVIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO.
A contagem do prazo decadencial da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em razão da falta de retenção do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação submete-se à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES DE MÚTUO PACTUADOS COM A PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
A falta de comprovação da efetividade das operações de mútuos pactuados entre a empresa e seu sócio, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei no 8.981, de 1995.
Para que a hipótese de incidência se materialize é necessário que a fiscalização demonstre a existência do pagamento e que não seja comprovada a operação ou causa deste pagamento.
FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA E JUROS DE MORA ISOLADOS PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE.
Descabe a aplicação da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente quanto os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 2202-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Dra. Rafaela Vialle Strobel, OAB nº 28371.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Dra. Rafaela Vialle Strobel, OAB nº 28371. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. MULTA E JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE PELA FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DEVIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. A contagem do prazo decadencial da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em razão da falta de retenção do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES DE MÚTUO PACTUADOS COM A PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. A falta de comprovação da efetividade das operações de mútuos pactuados entre a empresa e seu sócio, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei no 8.981, de 1995. Para que a hipótese de incidência se materialize é necessário que a fiscalização demonstre a existência do pagamento e que não seja comprovada a operação ou causa deste pagamento. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA E JUROS DE MORA ISOLADOS PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Descabe a aplicação da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente quanto os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 28 /2 01 0- 24 Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.009 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a Dra. Rafaela Vialle Strobel, OAB nº 28371. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.010 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1795 a 1802, integrado pelos demonstrativos de fls. 1790 a 1794, pelo qual se exige a Multa Isolada no valor de R$9.853.627,11, referente à falta de retenção do IRPF e juros de mora isolados, relativo a rendimentos pagos no anoscalendário 2005, 2006 e 2007. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1782 a 1789, no qual o autuante relata que: 2 MOTIVOS ENSEJADORES DA ABERTURA DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No curso da fiscalização desenvolvida na pessoa física de NEWTON BONIN, CPF n° 361.319.03972, referentes aos anos calendários de 2005 e 2006, verificou se que a referida pessoa física foi beneficiária de diversos pagamentos efetuados, nos meses de 01/2005 a 12/2006, pela empresa LOGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ n° 06.222.722/000177. Constatouse, ainda, que a fonte pagadora não efetuou a retenção e nem o recolhimento dos Imposto de Renda devido sobre tais pagamentos realizados. [...] 3.1 PAGAMENTOS EFETUADOS A NEWTON BONIN, CPF N° 361.319.03972 Na ação fiscal desenvolvida na pessoa física de NEWTON BONIN, CPF no 361.319.03972, constatouse a partir de documentos apresentados pelo beneficiário e pela fonte pagadora, mediante solicitação específica, que a pessoa jurídica efetuou a pessoa física diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas com benefícios e vantagens concedidas, tais como pagamento de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade do contribuinte fiscalizado e do cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes a atividade rural do beneficiário, dentre outros pagamentos que foram contabilizados na conta do grupo 1020301 1985 Empréstimos a Pessoas Ligadas Conta:1020301003 211 Newton Bonin, constantes nos razões, diários e documentos anexos (fls. 42 a 454, 670 a 928, 1743 a 1766). Tais pagamentos efetuados pela pessoa jurídica foram confirmados tanto pela fonte pagadora como pelo Sr. Newton Bonin, como sendo este o real beneficiário de todos os pagamentos efetuados a sua pessoa física e a terceiros por sua conta e ordem contabilizados na conta de empréstimos a pessoas ligadas nos anos calendários de 2005 e 2006 conforme documentos anexos nas folhas (fls. 655 a 664, 1767 e 1768), declaração recebimento cheques (fl. 519 e 1767), pagamentos inerentes a atividade rural do Sr. Newton Bonin realizada em sua propriedade localizada no município de Umuarama (fl. 518, 519 e 1742). Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.011 4 Apesar de tais valores estarem contabilizados na conta contábil de Empréstimos, representam vantagens individuais concedidas pela pessoa jurídica em retribuição a serviços prestados e integram a remuneração do beneficiário como remuneração indireta, razão pela qual foram computados no montante mensal tributável. 3.2 MULTA E JUROS PELA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF Diante do exposto, em virtude de tais pagamentos se caracterizarem como remuneração indireta, cujo procedimento para apuração do IRRF está disposto no art. 622 do Decreto n° 3.000 , de 1999 : [...] Assim sendo, tendo em vista que, sobre os valores pagos não houve a retenção e nem tão pouco o recolhimento pela fonte pagadora do imposto de renda devido, a responsabilidade pelo mesmo passou a ser do beneficiário, uma vez que tal fato foi constatado após a entrega da declaração de ajuste anual do ano calendário correspondente, nos termos do disposto no Parecer Normativo n° 1, de 24/09/2002, estando a fonte pagadora sujeita ao lançamento de multa e juros isolados calculados sobre o imposto não retido. Acerca do assunto, assim dispõe o art. 722 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999): [...] Por sua vez, o art. 725 do RIR/99 determina que: [...] Deste modo, seguindo os ditames legais foi efetuado o reajustamento da importância paga ao beneficiário, conforme demonstrado nas planilhas anexas nas folhas no 1772 a 1778 e 1780. [...] DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1812 a 1851, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 1910): No dia 20/10/2010 o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 1812/1851, que traz o seguinte conteúdo: a) Argúi preliminar de decadência para os valores compreendidos entre janeiro a agosto de 2005, já que advoga ser os juros e a multa mera decorrência do imposto de renda pessoa física, que por seu turno é regido pelo artigo 150, § 4°, do CTN. Assim, tendo a ciência do lançamento se dado em 20/09/2010, e o prazo da homologação ser de 5(cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, todo o período anterior aos 5 (cinco) anos da data da ciência estaria decaído. b) No mérito, conclui que a Fiscalização teria entendido que os pagamentos realizados para NEWTON foram à título de benefícios Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.012 5 indiretos, e neste conceito apenas pagamentos de despesas particulares estão abrigados, além do que deve haver serviços efetivamente prestados pelo beneficiário à empresa. Somase a isso, que os pagamentos devem se caracterizar como renda para o recebedor, ou seja, é imprescindível que ocorra uma transferência definitiva dos valores para o beneficiário. Entende o impugnante que os pagamentos realizados para NEWTON não reúnem tais características, já que não há prova nos autos da efetiva prestação de serviços por parte de NEWTON à LOGIKA; apenas parte dos pagamentos poderia ser classificada como destinados a despesas particulares; e além do que eles foram realizados no bojo de um contrato de mútuo. Assim, não havendo pagamento de renda ou rendimentos, mas sim de valores à título de mútuo, não há incidência de imposto de renda. Não havendo hipótese de incidência não há dever de retenção. c) Ainda, no mérito, argumenta que a Fiscalização teria desconsiderado o contrato de mútuo que alega existir, o que implica na aplicação do parágrafo único, do artigo 116 do CTN, sendo que referido artigo dependeria de lei ordinária para sua aplicação, a qual não existe; então, a autoridade autuante não poderia desconsiderar regulares negócios jurídicos de mútuo. d) Ao final, pede que os valores que não se caracterizem como pagamento de despesas particulares da pessoa física beneficiária sejam excluídos da base de cálculo do lançamento; que seja acatada a preliminar de decadência; e que suas razões de mérito sejam julgadas procedentes, para desconstituir o crédito tributário total ou parcialmente. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0630.878 (fls. 1907 a 1916), de 24/03/2011, assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. JUROS DE MORA ISOLADOS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NÃO RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IRRF. O prazo de decadência para lançamento de juros de mora isolados e multa de ofício isolada, pela não retenção e recolhimento de IRRF pela fonte pagadora, é de cinco (5) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento dos referidos consectários poderia ter sido realizado, nos casos em que não houve antecipação de nenhum recolhimento à título do imposto, pois não havendo pagamento antecipado a homologar, não há que se cogitar na aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. MATÉRIA DE MÉRITO. ANTERIOR JULGAMENTO EM TURMA ESPECIALIZADA DA DRJ. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.013 6 Tendo em vista a competência, por matéria, das Turmas que compõem as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme disciplinado no Anexo II da Portaria RFB n° 1.269, de 2 de junho de 2010, e estando já enfrentada, julgada e mantida, por Turma Especializada, a matéria que constituiu a base para calculo dos juros de mora isolados e da multa de ofício isolada lançados posteriormente, é de se desprover os mesmos argumentos, já preteritamente expendidos e refutados, atacando a constituição do Crédito Tributário, referente a base para cálculo do lançamento das parcelas isoladas. NORMA ANTIELISIVA. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional tem por escopo criar uma possibilidade de descaracterizar negócios lícitos a fim de submetêlos à tributação. Portanto, o disposto no artigo não inclui atos e negócios jurídicos viciados, em função da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que sempre puderam ser desconsiderados, tendo em vista o que dispõe o art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 07/04/2011 (vide AR de fl. 1923), a contribuinte apresentou, em 06/05/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 1924 a 1981, no qual, após breve relato dos fatos, reitera basicamente os termos de sua impugnação e aduz os argumentos a seguir sintetizados. 1. A contribuinte alega que a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, uma vez que não teria havido qualquer recolhimento do imposto de renda a título de antecipação e, portanto, aplicarseia a regra prevista no art. 173 do Código Tributário Nacional. Defendente que o que determina o lançamento por homologação é o regime jurídico a que está sujeito o tributo e não o fato de ter havido ou não pagamento antecipado. Argumenta que a simplicidade dos fundamentos apresentados pelo julgador a quo demonstra que importantes aspectos e dispositivos legais, além da jurisprudência, não foram abordados. 2. Em relação a omissão de rendimentos que deu origem a multa e juros exigidos no presente lançamento, a recorrente argumenta que a decisão proferida pela autoridade de primeira instância alterou o fundamento contido no auto de infração. Afirma que de acordo com o auto de infração tratarse de remuneração decorrente de trabalho sem vínculo empregatício e com vínculo empregatício, enquanto o acórdão guerreado entendeu tratarse de rendimento bruto passível de tributação, pois bastaria haver disponibilidade financeira ou jurídica da renda, sob qualquer denominação. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 24/10/2011, veio digitalizado até à fl. 19831. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.014 7 O processo foi colocado em pauta na seção de junho de 2012 e, em face do pedido de adiantamento de julgamento formulado pela recorrente, o julgamento foi transferido para o mês de julho de 2012, conforme despacho do Sr. Presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 1984). Às fls. 1985 a 1992, encontrase anexado aditamento ao recurso voluntário, no qual a contribuinte apresenta, como razões complementares, os argumentos a seguir resumidos: 1. com o advento da Lei no 11.488, de 2007 (resultado da conversão da Medida Provisória no 351, de 2007, o artigo 9o da Lei no 10.426, de 2002 passou a prever apenas a aplicação da multa a que se refere o inciso I, do artigo 44, da Lei no 9.430/96, juntamente com o imposto e, portanto, não há mais autorização legal para a exigência de multa de oficio isolada pela falta de retenção. 2. não existe dispositivo legal que possa fundamentar a exigência dos juros de mora no presente lançamento. Na sessão plenária de 19/06/2012, o presente processo retirado de pauta, decidindo o Colegiado pelo redimensionamento do julgamento, determinadose que os autos fossem encaminhados ao Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, relator do processo relativo ao IRPF, já julgado pela Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Sessão, conforme consignado no despacho de fls. 1993 a 1995. No referido despacho, esta Relatora esclareceu que: Os rendimentos que deram origem ao lançamento da Multa Isolada e dos Juros Isolados foram tributados na pessoa física do beneficiário dos recursos, o Sr. Newton Bonin, conforme Auto de Infração constante do processo no 10980.723625/201091, julgado pela Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Sessão Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 12/03/2012, cujo relator foi o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Como se vê, o presente lançamento baseiase nos mesmos elementos de prova do lançamento do IRPF, apurados no curso da mesma ação fiscal, e, portanto, trata se de procedimentos conexos. De acordo com o art. 49, §7o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), os processos “[...] conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” Por meio do despacho do Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ªCâmara da 2ª Seção do CARF (fls. 1996 e 1997), os autos foram devolvidos à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção, para as providências necessárias ao seu encaminhamento ao Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, relator do processo relativo ao IRPF. Discordando do encaminhamento dado, a Sra. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção, por entender que “Embora haja relação entre os dois processos, a meu ver não há Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.015 8 qualquer óbice ao julgamento do presente recurso por Conselheiro diverso daquele que proferiu a decisão no recurso da pessoa física.” e por se tratar de solicitação de redirecionamento de recurso para Turma Ordinária de outra Câmara, submeteu a questão à consideração do Sr. Presidente da 2ª Seção do CARF (fl. 1998), que determinou que fosse dado seguimento ao regular julgamento do recurso pelo colegiado e relator originalmente sorteados (fl. 2007). Dessa forma, retornaram os autos a esta Conselheira para julgamento, vindo digitalizados até a fl. 2007. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.016 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de Multa Isolada e Juros Isolados exigidos pela falta de retenção do IRRF incidente sobre rendimentos pagos à pessoa física sujeitos à tributação no ajuste anual. 1 Decadência A recorrente defende que parte do lançamento (fatos geradores ocorridos nos meses de 31/01/2005 a 31/08/2005) teria sido alcançado pelos efeitos da decadência, aplicandose o disposto no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que o lançamento decorreria da falta de pagamento do Imposto de Renda devido a título de antecipação. Não obstante a contribuinte alegue que o acórdão recorrido não teria argumentos fundamentais no seu entender, verdade é que o julgador expôs com clareza seus motivos para não acolher as razões do contribuinte, concluindo que o pagamento era o fator determinante para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 50 do CTN, estando a decisão a quo em verdadeira consonância com o disposto no art. 31 do Decreto no 70.235, de 1972. O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pela defesa, porém simples contrariedade com a motivação esposada no acórdão guerreado, não constitui qualquer vício material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, até porque o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pelo art. 29, do Decreto no 70.235, de 1972. Para o deslinde da questão, fazse necessário transcrever o art. 150, §4o, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.017 10 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Depreendese, assim, que um tributo sujeito ao lançamento por homologação é aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do artigo acima reproduzido, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Como se percebe, o dispositivo legal mencionado pelo contribuinte destinase exclusivamente a lançamentos de tributos por homologação, os quais, por definição, são apurados e pagos por iniciativa do próprio contribuinte, não se confundindo com as multas e juros exigidos isoladamente cujo lançamento é privativo da autoridade administrativa, razão pela qual a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Nosso entendimento é corroborado por vários precedentes deste Tribunal, citandose como exemplo, alguns julgados que decidiram sobre o prazo decadência da multa isolada: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVAS. Por não se enquadrar na hipótese de tributo sujeito à homologação, o lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas obedece à regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. (Acórdão no 1202 000.656, de 23/11/2011). MULTA ISOLADA. A contagem da decadência do direito da Fazenda de constituir a multa isolada é feita do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seu lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), ainda que reduzida ao percentual de 20%, por força da retroatividade benigna. (Acórdão no 1302000.742, de 19/10/2011). CSLL MULTA ISOLADA – DECADÊNCIA – A multa isolada é constituída mediante lançamento de ofício, razão pela qual, aplicandose o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, pacificado em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. (Acórdão no 9101001.200, de 18/10/2011). Concluise, assim, que o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuados. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.018 11 No caso dos autos, tratase de multa e juros isolados em que o fato gerador é a falta de retenção do IRRF e, portanto, o lançamento só poderia ser formalizado pela autoridade fiscal depois do pagamento dos rendimentos. Considerando que o pagamento mais remoto ocorreu no anocalendário 2005, o prazo decadencial começou a fluir em 01.01.2006, logo o crédito tributário poderia ser constituído até 01.01.2011, o que faz com que o presente lançamento, cientificado que foi ao contribuinte em 20/09/2010 (fl. 1803), tenha sido efetuado tempestivamente. Nestes termos, se mesmo em relação ao mais antigo dos períodos não há vício relativo à decadência, por óbvio que em relação aos períodos posteriores também não há irregularidades. 2 Natureza dos rendimentos e da forma de tributação Conforme relatado pela fiscalização, foi constado que a contribuinte efetuou diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas em favor de seu sócio (pagamento de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade do sócio e do cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes a atividade rural do sócio etc), contabilizados como Empréstimos a Pessoas Ligadas. Esses valores foram confirmados tanto pela fonte pagadora como pelo Sr. Newton Bonin, sócio e o beneficiário das transferências e pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Embora tais valores tenham sido contabilizados na conta de empréstimos, a fiscalização concluiu que se tratavam de vantagens individuais concedidas pela pessoa jurídica em retribuição a serviços prestados e integram a remuneração do beneficiário como remuneração indireta, razão pela qual foram computados no montante mensal tributável. Os argumentos relacionados à natureza dos rendimentos que teriam originado o lançamento da Multa Isolada e dos Juros Isolados pela não retenção do IRRF já foram exaustivamente apreciados, nos autos do processo no 10980.723625/201091, em nome do beneficiário dos recursos, o Sr. Newton Bonin, pela Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Sessão Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 12/03/2012, cujo relator foi o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que, acompanhado pelos demais membros daquele Colegiado, decidiram ser “correto o entendimento da autoridade fiscal que considerou os mútuos não comprovados, das empresas Logika e Bonyplus, em prol do recorrente, os quais se subsumem ao conceito de renda, devendo sofrer a incidência do imposto de renda.” (folha 11 do Acórdão no 210201.857, de 12/03/2012). Sem que se entre no mérito da comprovação ou não do mútuo pactuado entre a contribuinte e seu sócio, Sr. Newton Bonin, entendo que houve erro na capitulação legal da omissão de rendimentos imputada a pessoa física e, conseqüentemente, na forma de tributação adotada. Explicase. A fiscalização comprovou a existência diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas realizadas pela contribuinte em favor de seu sócio, cujos valores teriam sido contabilizados como empréstimos. Uma vez que a contribuinte não logrou comprovar o empréstimo realizado com seu sócio, a fiscalização concluiu que se tratava de Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.019 12 vantagens individuais concedidas pela pessoa jurídica em retribuição a serviços prestados e integram a remuneração do beneficiário como remuneração indireta, razão pela qual foram computados no montante mensal tributável, com fulcro no art. 622 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, cuja matriz legal é o art. 74 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que dispõe (grifos nossos): Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. 1o A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. 2o A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Ainda que se considere correto o enquadramento como remuneração indireta, tais rendimentos, por força do §2o acima transcrito, são tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Na verdade, tratandose empréstimos realizados entre a contribuinte e seu sócio, contabilizados pela pessoa jurídica para os quais não houve a comprovação das operações, deverseia, aplicar o art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.020 13 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2o , do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2o Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3o O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O dispositivo acima transcrito é bastante claro no sentido de que, “os pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa” sujeitamse a tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. Assim, cumprido o ônus atribuído à Fazenda Pública, que é o identificar os pagamentos efetuados pela contribuinte, cabendo a ela (contribuinte) o encargo de comprovar a operação que deu causa a esses pagamentos. No caso, as transferências e pagamentos foram confirmados tanto pela fonte pagadora como pelo Sr. Newton Bonin, sócio e o beneficiário, sem que fosse comprovada a causa das operações, e, portanto tais valores estavam sujeitos a tributação exclusivamente na fonte, não podendo ser incluídos na base de cálculo do ajuste anual da pessoa física (beneficiário dos recursos). Concluise assim, que deveria ter sido exigido da fonte pagadora (contribuinte) o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. Conseqüentemente, não há se falar em falta de retenção do imposto de renda devido a título de antecipação do imposto devido no ajuste anual e, portanto, não cabe a exigência da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente no presente lançamento. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas pela recorrente e, no mérito, DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.723628/201024 Acórdão n.º 2202002.298 S2C2T2 Fl. 2.021 14 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 10/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15374.913231/2008-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 32 31 /2 00 8- 70 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA SA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 11849.07197.190804.1.3.040723, visando à extinção de débito(s) de PIS e Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 7.829,26. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781156605 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado explicou que o indébito originouse da falta de creditamento dos custos dos apartamentos construídos para venda, autorizado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, mas não computados na apuração do pagamento do PIS do PA 01/01/2003 a 31/01/2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF retificada. A 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13040.276, de 8 de março de 2012, fls. 45 a 48, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ2. O arrazoado de fls. 53 a 64, após protesto de tempestividade e resumo dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material. Discorre sobre o referido princípio, cita e transcreve ementas de julgados administrativos, tudo para amparar a juntada de novas provas na fase recursal do procedimento. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913231/200870 Acórdão n.º 3403002.294 S3C4T3 Fl. 355 3 Na continuação, repete a gênese do indébito, que diz ser referente aos custos vinculados à unidade imobiliária, construída ou em construção incorridos no período de apuração na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, àqueles decorrentes de energia elétrica e água consumida em seus estabelecimentos, bem como da mão de obra utilizada na confecção dos bens produzidos, consoante planilha de apuração proporcional de custos, elaborada a partir dos documentos que diz acostar à peça recursal: a) Cópia da nota fiscal da concessionária de energia elétrica; b) Cópia da nota fiscal da concessionária de fornecimento de água; c) Cópia Folha de pagamento do mês; d) Cópia de Notas Fiscais dos bens e serviços utilizados referentes à atividade da empresa, e; e) Cópia do Livro de Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros – REMAS, autenticado pela Secretaria Municipal da Fazenda Município do Rio de Janeiro. Discorre sobre a não cumulatividade da contribuição social. Oferece cálculos. Entendendo estar cabalmente comprovado o direito creditório, requer que se julgue improcedente o despacho decisório da DERAT/RIO, homologando a compensação declarada, em homenagem ao princípio da verdade material que deve informar a atuação do Fisco. Subsidiariamente ao pedido acima, que se baixe o feito em diligência, a fim de que AFRFB autuante, que indeferiu a homologação, proceda à análise dos documentos apresentados no recurso voluntário, assim como permita o oferecimento de esclarecimentos e/documentos, com abertura em contraditório. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, mormente aqueles que constituem início de prova ora apresentados em atenção ao princípio da verdade material. Por fim, solicita que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado ao patrono da causa, no endereço que transcreve. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 53 a 64 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13040.276, de 8 de março de 2012. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito Compulsando os autos, constatei que a DCTF retificadora foi transmitida em 29/09/2008 (cf. fl. 16), antes da ciência do DDE nº 781156605, em 26/02/2009 (ciência editalícia, fls. 32 a 38). Nada obstante, a decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação por falta de prova do indébito. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913231/200870 Acórdão n.º 3403002.294 S3C4T3 Fl. 356 5 Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11080.724978/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES.
A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente NORTE GÁS COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE GÁS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 49 78 /2 01 0- 14 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 374 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.251.9776, lavrado em 22/10/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições de terceiros incidentes sobre remunerações, no período de 01/2006 a 12/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 128.387,47, fls. 01. A autoridade fiscal apontou que a recorrente declarou em GFIP ser optante pelo SIMPLES, mas sua inscrição não foi localizada. Assim, as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total da folha de pagamentos seriam devidas e, conseqüentemente, a GFIP não teria sido apresentada com informações de todos os fatos geradores. Após tomar ciência pessoal da autuação em 09/11/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 311/312, na qual apenas questiona o valor da multa e dos juros, afirmando que a informação quanto ao SIMPLES deveuse a um equívoco da sua contabilidade. Informa que não agiu de máfé. A 6ª Turma da DRJ/Porto Alegre no Acórdão de fls. 321/325, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/05/2012, fls. 338. A DRJ consignou que a análise quanto à multa mais benéfica, segundo planilha que juntou, será feita no momento do pagamento. O recurso voluntário, apresentado em 06/06/2012, fls. 340/349, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Defende que não foi cientificada de sua exclusão do SIMPLES, o que resultaria na necessidade de o presente processo ser enviado para a Primeira Seção do CARF em vista da competência daquele órgão. Faz considerações sobre o regime tributário do SIMPLES, insistindo que nunca foi notificada de sua exclusão do regime, apesar de ter feito os pagamentos por meio de tal modalidade. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Opção pelo SIMPLES. Necessidade de ato formal. A recorrente alega ser optante pelo SIMPLES, pois teria feito os pagamentos com base em tal modalidade e, segundo ela, preencheria os requisitos para tanto. Porém, a opção pelo SIMPLES exige a interessada submeta formalmente ao fisco sua opção de modo que este faça a análise do preenchimento dos requisitos previstos na legislação, podendo resultar em indeferimento do pedido. A Lei 9.317/96, vigente até 30 de junho de 2007, assim prescrevia: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Art. 8º A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 375 5 § 3º Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1º de janeiro daquele ano. § 4º O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5º As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratarse de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. § 6 o O indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972 . ( Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) Assim, não bastava a mera realização de pagamentos, pois legislação exigia o cumprimento de algumas formalidades. Como a recorrente apenas alegou que fez os pagamentos com base no SIMPLES, mas não demonstrou ter feito, formalmente, a opção, restam insubsistentes seus argumentos sobre seu direito à tal sistemática. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 376 7 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 377 9 Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 378 11 seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 379 13 homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 09/11/2010, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2004. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, no presente caso não temos fatos geradores nesse período, o que fasta qualquer efeito da decadência. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 380 15 demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 381 17 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a, até 11/2008, nas competências Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11080.724978/201014 Acórdão n.º 2301003.364 S2C3T1 Fl. 382 19 nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 12268.000159/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
ATO CANCELATÓRIO DA ISENÇÃO JULGADO IMPROCEDENTE NO PAF 35183.004286/2007-61. TRÂNSITO EM JULGADO. PERDA DE OBJETO DO PRESENTE LANÇAMENTO.
Com a perda da isenção, passam a ser devidas, desde a data fixada no ato cancelatório, as contribuições a cargo da Entidade incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e destinadas aos Terceiros.
Ocorre que em 20.08.2009 o recurso então protocolado pela Associação Paranaense de Cultura no PAF 35183.004286/2007-61 foi provido. Nestes termos, sendo julgado indevido o cancelamento da isenção, deve ser extinto o crédito tributário pretendido na presente ação fiscal.
Numero da decisão: 2302-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Ausência momentânea do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 ATO CANCELATÓRIO DA ISENÇÃO JULGADO IMPROCEDENTE NO PAF 35183.004286/2007-61. TRÂNSITO EM JULGADO. PERDA DE OBJETO DO PRESENTE LANÇAMENTO. Com a perda da isenção, passam a ser devidas, desde a data fixada no ato cancelatório, as contribuições a cargo da Entidade incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e destinadas aos Terceiros. Ocorre que em 20.08.2009 o recurso então protocolado pela Associação Paranaense de Cultura no PAF 35183.004286/2007-61 foi provido. Nestes termos, sendo julgado indevido o cancelamento da isenção, deve ser extinto o crédito tributário pretendido na presente ação fiscal.
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TRÂNSITO EM JULGADO. PERDA DE OBJETO DO PRESENTE LANÇAMENTO. Com a perda da isenção, passam a ser devidas, desde a data fixada no ato cancelatório, as contribuições a cargo da Entidade incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e destinadas aos Terceiros. Ocorre que em 20.08.2009 o recurso então protocolado pela Associação Paranaense de Cultura no PAF 35183.004286/200761 foi provido. Nestes termos, sendo julgado indevido o cancelamento da isenção, deve ser extinto o crédito tributário pretendido na presente ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 59 /2 00 9- 19 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Ausência momentânea do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, DEBCAD nº 37.200.5950 lavrado contra a Associação Paranaense de Cultura, para a cobrança das contribuições Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 12268.000159/200919 Acórdão n.º 2302002.428 S2C3T2 Fl. 215 3 previdenciárias destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, no período de 02/2004 a 12/2004. No relatório da notificação fiscal de lançamento de débito (DEBCAD nº 37.200.5950) – fls. 289/292, afirmou o agente fazendário que esta ação foi motivada pelo PAF nº 35183.004286/2007 61, no qual o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições destinadas a Terceiros. Esclareceu, ainda, que além desta autuação, foram lavrados o AI nº 37.192.7552 relativo a contribuições patronais no período de 02/2004 a 12/2004 e o AI nº 37.200.5977 relativo à infração cometida pela não entrega de documentos. A ação foi precedida de Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 117/118), Termo de Intimação Fiscal – TIF (fls. 119/132) e Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF (fl. 133). Cientificada da autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 158/266), tempestivamente, alegando: a) Como preliminar, nulidade do auto de infração em decorrência da inobservância do devido processo legal, falta de motivação do ato administrativo e abuso de poder; b) Impossibilidade de lançamento e encargos moratórios; c) Da ofensa ao princípio da tipicidade hipótese que não se ajusta à fundamentação legal do ato cancelatório por se tratar de imunidade tributária e não de isenção imunidade tributária que se sujeita somente à suspensão; d) Da condição de entidade beneficente de assistência social reconhecida judicialmente por decisão transitada em julgado, sem contestação da União federal e do INSS inviabilidade da retensão fiscal para além da simples suspensão do débito da autuação social da Associação Paranaense de Cultura; e) Da suposta afronta ao artigo 14, inciso II, do Código Tributário Nacional alegada aplicação de recursos pela entidade fora de seus objetivos institucionais equívoco flagrante da fundamentação aplicação integral dos recursos nos objetivos institucionais da Associação Paranaense de Cultura; f) Da suposta afronta ao artigo 14, inciso I, do Código Tributário Nacional alegada distribuição de patrimônio e rendas pela Associação equívoco flagrante da fundamentação; g) Impossibilidade de cobrança da contribuição ao SalárioEducação; h) Impossibilidade de cobrança da contribuição ao INCRA; i) Impossibilidade de cobrança da contribuição ao SESC/SEBRAE; j) Conclusão: da necessária razoabilidade que deve pautar os atos administrativos; k) Ao final, pleiteou a nulidade da autuação e o apensamento do PAF nº 35183.004286/200761. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 Encaminhados os autos à Delegacia Regional, foi julgada improcedente a impugnação (fls. 295/303). Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 307/330). Mais adiante, às fls. 373/374, anexou petição requerendo a distribuição do recurso voluntário para pronto julgamento. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 12268.000159/200919 Acórdão n.º 2302002.428 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O recurso é tempestivo, por isso, passo à análise das questões suscitadas. A matéria ventilada no recurso traz como tema principal a discussão travada nos autos do PAF nº 35183.004286/200761 cujo processo diz respeito ao ATO CANCELATÓRIO DA ISENÇÃO. Ciente que o resultado da decisão ali proferida influencia sobremaneira o julgamento deste, reputo de extrema importância a explanação da problemática. De acordo com o relatório da decisão proferida no PAF nº 35183.004286/200761, foi cancelado o benefício a que fazia jus a Associação Paranaense de Cultura em decorrência da previsão contida no art. 195, §7°, da Constituição Federal ante a inobservância do art. 14, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Cientificada do ato, apresentou impugnação. Julgada improcedente, interpôs recurso voluntário. Durante a fase de julgamento do PAF nº 35183.004286/200761 entendeu a autoridade fiscal que sendo sua atividade vinculada e obrigatória, conforme art. 37 da Lei nº 8.212/91 c/c rt. 142 do CTN, uma vez expedido o ato cancelatório da isenção, ainda que sub judice, deveria exigir do sujeito passivo o recolhimento das contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/91: "Lei 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento." "Código Tributário Nacional Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Todavia, analisando o trâmite processual do PAF nº 35183.004286/200761 (ato cancelatório), verifiquei que em 20.08.2009 os membros da 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade, deram provimento ao recurso voluntário, considerando indevido o ato cancelatório e, por conseguinte, reconhecendo o direito da Associação Paranaense de Cultura ao gozo do benefício estabelecido no art. 195, §7º da CF (Acórdão nº 230100.560). Sendo assim, se o fundamento da cobrança teve como origem o mencionado ato cancelatório, a partir do momento que este foi julgado indevido por decisão do órgão competente (diga se: unânime), reputando válido o gozo do benefício, inquestionável o direito que assiste à Associação Paranaense de Cultura de não ser obrigada a pagar o montante exigido no presente lançamento. Vale registrar que a Fazenda Nacional foi intimada do julgado (certidão de inimação – fls. 342 – de 17/11/2009) e não manifestou interesse em recorrer. Por fim, não menos importante, acrescente o fato de que na época da interposição do recurso voluntário no processo onde PAF nº 35183.004286/200761 (ato cancelatório), estava em vigor a IN SRF nº 03/2005 cujo teor normativo insculpido no art. 305, §7º atribuía ao recurso efeito suspensivo de modo a impedir a propagação dos efeitos do ato cancelatório enquanto não julgado, vejamos: "IN SRF 03/2005: Art. 305 . A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS." Neste contexto, ainda que, por remota hipótese, o acórdão nº 230100.560 não tenha transitado em julgado (o que se admite apenas por cautela), de acordo com o art. 305, §7º da IN SRF nº 03/2005, com a interposição do recurso pelo contribuinte, o ato cancelatório não poderia propagar efeito algum. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para darlhe total provimento, alterando a decisão da DRJ e, por conseguinte, extingur o crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de Abril de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 12268.000159/200919 Acórdão n.º 2302002.428 S2C3T2 Fl. 217 7 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 13433.900744/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado.
Numero da decisão: 3102-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. OBRIGATORIEDADE. A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 07 44 /2 00 9- 24 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 11/4/2006, em que informada a compensação de parte do crédito proveniente do pagamento indevido da Cofins do mês de setembro de 2005, no valor de R$ 12.956,39, com débito da Cofins do mês de agosto de 2004. Em face da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, porque, embora localizado na base dados da Administração tributária, o suposto pagamento indevido fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de setembro de 2005, conforme explicitado no Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 01. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a receita auferida no respectivo período de apuração era decorrente da venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, que, a partir de 30 de dezembro de 2004, passou a ser beneficiada com a alíquota zero da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasepl, nos termos do art. 1º, X, combinado com o art. 3º, I, ambos do Decreto nº 5.630, de 22 de dezembro de 2005. Informou ainda que, após a ciência do referido Despacho Decisório, a DCTF do período fora retificada e os valores dos débitos indevidos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep foram zerados. Diante da precariedade da instrução processual, a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), converteu o julgamento em diligência, para que a interessada fosse intimada “a comprovar se – e em que medida – as vendas realizadas nos períodos de interesse foram dos produtos enquadrados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de2005”. Apesar de regularmente cientificada, a interessada não atendeu à intimação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Recife/PE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que de que a retificação da DCTF e a alegação de pagamento indevido, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900744/200924 Acórdão n.º 3102001.822 S3C1T2 Fl. 21 3 desacompanhada de prova documental adequada, não permitiam a confirmação da existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Em 29/5/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 26/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 52/54, em que reafirmou o argumento suscitado na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que, apesar de reconhecido pela Relatora do processo originário que a atividade econômica da recorrente enquadravase no CNAE 1051100 (Preparação do leite), a Turma de Julgamento de primeiro grau julgara improcedente da Manifestação de Inconformidade, contrariando a norma do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No recurso em apreço, alegou a recorrente que o valor do crédito utilizado era decorrente de parte do pagamento do débito indevido da Cofins do mês setembro de 2005, calculado sobre a totalidade da receita de venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, contemplada com a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Alegou ainda a recorrente que, como sua atividade econômica enquadravase no CNAE 1051100 Preparação do leite, consequentemente, as receitas obtidas eram decorrentes da venda dos produtos discriminados no inciso X do art. 1º do citado Decreto. Não procede a alegação da recorrente. O CNAE declarado no CNPJ informa, de forma genérica, qual a atividade econômica desenvolvida pela respectiva pessoa jurídica. Por essa limitação, é evidente que o referido Código não prova que a receita obtida pela recorrente seja proveniente, exclusivamente, da venda dos produtos especificados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Para fim de comprovação do tipo de produto vendido, induvidosamente, os elementos probatórios adequados são as notas fiscais de venda, acompanhadas dos livros fiscais e contábeis exigidos pela legislação. Sem a apresentação da referida documentação, resta inviabilizada a verificação do tipo de produto vendido pela recorrente, bem como a confirmação se a receita auferida pela recorrente enquadrase na hipótese de tributação favorecida, prevista no inciso X do art. 1º do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 2005. Da mesma forma, sem a comprovação da modalidade de receita, também resta não comprovada a origem do direito creditório alegado e impossibilitada a homologação da compensação declarada, haja vista que, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a realização do procedimento de compensação, Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 de iniciativa do sujeito passivo, depende da comprovação da existência de crédito certo e líquido, passível de restituição ou ressarcimento, na data da realização do procedimento, que se formaliza com a entrega da DComp. Tratase de requisito obrigatório que, na esfera administrativa, deve ser provado pelo sujeito passivo titular do crédito e autor do procedimento de compensação, em duas oportunidades: (i) quando demandado pela autoridade fiscal, previamente a decisão sobre a legalidade do procedimento compensatório, nos termos do art. 74 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012; ou (ii) após a decisão denegatória da homologação da compensação, no âmbito contencioso administrativo, inaugurado com a manifestação da inconformidade, prevista no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, conforme consignado no citado Despacho Decisório, o procedimento de compensação não foi homologado porque o crédito informado não existia, porque tinha sido integralmente utilizado no pagamento de débito da própria recorrente. Assim, uma vez declinado que o motivo da não homologação da compensação era inexistência do crédito, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a recorrente tinha o ônus/dever de coligir aos autos os elementos de prova adequados a demonstração da existência do direito creditório infirmado, mediante apresentação de provas inequívocas de que o pagamento realizado fora indevido, conforme alegado, o que não feito. É oportuno ressaltar ainda que a simples retificação da DCTF, especialmente, após a ciência do Despacho Decisório, como no caso em apreço, apenas comprova a retificação do débito, mas não constitui elemento de prova suficiente de que o pagamento informado era indevido. Em situação desse jaez, além da retificação da DCTF, o titular do direito creditório tem ônus de provar que o pagamento realizado referese a tributo indevido ou a maior que o devido, conforme determina o art. 165 do CTN. Tratase de condição necessária para fim de repetição do indébito tributário, que deve ser demonstrada com documentos e livros fiscais e contábeis revestidos das formalidades legais. Diante dessa omissão, previamente ao julgamento da controvérsia, a Turma de Julgamento de primeiro grau converteu o julgamento em diligência e, assim, ofertou uma nova oportunidade para que a recorrente provasse a existência do crédito compensado. No entanto, embora devidamente intimada e ciente da necessidade de provar a origem do indébito alegado, a recorrente não atendeu a intimação nem apresentou qualquer justificativa para a não apresentação das provas solicitadas. Da mesma forma, também nesta fase recursal, a recorrente não apresentou qualquer prova que confirmasse que a receita por ela auferida estava sujeita a alíquota zero da Cofins. Ao assim proceder, a recorrente deve arcar com as consequências jurídicas da sua deliberada e intencional omissão, o que implica manutenção da decisão não homologatória da compensação em razão da falta de comprovação da existência do crédito compensado. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900744/200924 Acórdão n.º 3102001.822 S3C1T2 Fl. 22 5 No âmbito processual, o ônus/dever de provar os fatos cabe a quem os alega. Tratase de regramento que deve ser observado tanto no processo administrativo, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, quanto no processo judicial, conforme estatui o art. 333, I, do CPC. A consequência jurídica do não exercício desse ônus/dever é a falta de comprovação do suposto direito alegado. Nesse sentido, no âmbito do processo de compensação, não é suficiente a mera alegação, em tese, de um direito abstrato a um suposto crédito. Além disso, é imprescindível que haja prova inequívoca da existência concreta desse direito, mediante demonstração cabal dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, conforme exige o art. 170 do CTN. A recorrente alegou, mas não comprovou que o débito da Cofins pago era indevido. No caso, a simples alegação de que as receitas auferidas estavam sujeitas a alíquota zero, desacompanhado de qualquer elemento probatório idôneo desse fato, obviamente, não representa condição suficiente para fim de demonstrar que houve pagamento indevido e, em decorrência, a existência do crédito compensado, portanto, deve ser mantida a decisão não homologatória da compensação declarada. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10935.005024/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA
REMUNERAÇÃO – CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo
empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades,
provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de
trabalho.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO INCIDÊNCIA
O valor referente ao seguro de vida em grupo, pago em desacordo com o
estabelecido no Decreto 3.048/99, integra o salário de contribuição.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do
pagamento da contribuição, aplica-se
o prazo previsto no § 4º do art. 150 do
CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato
gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação.
Considera-se antecipação de pagamento o recolhimento de contribuição
incidente sobre qualquer verba remuneratória
No caso dos autos incide o artigo 150, § 4º do CTN no cômputo da
decadência, executando-se para o lançamento correspondente à contribuição
de cooperativas.
COOPERATIVAS–
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços
que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Em relação à decadência, por maioria
de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, para todos os levantamentos com exceção da contribuição de cooperativas de trabalho, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN para todo o período. Com relação ao levantamento sobre a contribuição de cooperativas, por voto de qualidade, em aplicar o artigo 173, I do CTN, vencidos os
conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores. Apresentará voto vencedor o conselheiro Adriano Gonzáles Silvério. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Gabriel Placha, OAB 30255.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO INDIRETA REMUNERAÇÃO – CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. SEGURO DE VIDA EM GRUPO INCIDÊNCIA O valor referente ao seguro de vida em grupo, pago em desacordo com o estabelecido no Decreto 3.048/99, integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Considera-se antecipação de pagamento o recolhimento de contribuição incidente sobre qualquer verba remuneratória No caso dos autos incide o artigo 150, § 4º do CTN no cômputo da decadência, executando-se para o lançamento correspondente à contribuição de cooperativas. COOPERATIVAS– A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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SEGURO DE VIDA EM GRUPO INCIDÊNCIA O valor referente ao seguro de vida em grupo, pago em desacordo com o estabelecido no Decreto 3.048/99, integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Considerase antecipação de pagamento o recolhimento de contribuição incidente sobre qualquer verba remuneratória. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 No caso dos autos incide o artigo 150, § 4º do CTN no cômputo da decadência, executandose para o lançamento correspondente à contribuição de cooperativas. COOPERATIVAS– A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, para todos os levantamentos com exceção da contribuição de cooperativas de trabalho, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN para todo o período. Com relação ao levantamento sobre a contribuição de cooperativas, por voto de qualidade, em aplicar o artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores. Apresentará voto vencedor o conselheiro Adriano Gonzáles Silvério. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Gabriel Placha, OAB 30255. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fls. 06 a 16) que o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento realizado pela empresa a: a) segurados empregados, a título de Alimentação, sem inscrição no PAT, e seguro de vida em grupo, sem previsão em acordo/convenção coletiva de trabalho; b) segurados contribuintes individuais, membros dos conselhos de administração e fiscal e c) cooperativa de trabalho que prestou serviços à empresa por meio de seus cooperados. A empresa notificada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0616213 da 7a Turma da DRJ/CTA, (fls. 580 a 585), julgou o lançamento procedente. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 601 e seguintes) alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. No mérito, tenta demonstrar que não incide contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de utilidades concedidas pelo empregador aos empregados. Cita o inc. V, § 2°, do art. 458 da CLT, para reforçar o entendimento de que as despesas com contrato de seguro de vida estipulado pela empresa em favor de seus empregados não tem qualquer cunho contraprestativo do serviço prestado, não podendo, então, ser considerado como salário. Sustenta que o art. 28, § 9°, letra "p", da Lei 8.212/01, veda a possibilidade de integração desse benefício ao salário contribuição, pois, além de não representar ganho habitual, não traz qualquer acréscimo patrimonial ao trabalhador, não constituindo, pois, hipótese de incidência de contribuição social patronal. Reitera que a exação lançada em face da remuneração paga aos conselheiros, não caracteriza hipótese material para incidência de contribuição previdenciária. Insurgese contra a base de cálculo utilizada pela fiscalização para apurar a contribuição incidente sobre o valor dos serviços prestados por cooperativa de trabalho, argumentando que os valores despendidos pela recorrente relativos às despesas com viagens, estadias e alimentação dos cooperados prestadores do serviço não integram o salário de contribuição, conforme o disposto nos arts. 152 e 289, da IN SRP 003/05. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Entende que é obvio que todas as despesas que não tenham qualquer ligação com a prestação de serviço efetuada pela cooperativa de trabalho, tais como viagens, estadias, e alimentação dos cooperados, não podem agregarse à base de cálculo, pois não fazem parte do aspecto material da hipótese de incidência da contribuição social, pois sua natureza jurídica é nitidamente indenizatória. Colaciona jurisprudência do TRF 4 para concluir que os reembolsos de despesas com alimentação, hospedagem e transporte devidamente comprovados não pode servir como base de cálculo de qualquer contribuição previdenciária, do SAT e dos Terceiros, já que todas possuem, como hipótese de incidência, a folha de salários ou outros pagamentos em razão de rendimentos do trabalho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, a fiscalização deixa claro que se trata de contribuição incidente sobre verbas que a recorrente não considerava como base de cálculo da contribuição Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 4 7 previdenciária, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A NFLD foi consolidada em 17/09/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 25/09/2007. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/1997 a 11/2001. Para a competência 12/2001, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Assim, restaram decaídos, independente da regra do CTN a ser aplicada, em sua integralidade, o débito lançado por meio dos levantamentos AL1, AL2, ALM, RCO e RC1, que, por esse motivo, não serão objeto de análise por esta Conselheira. Restaram, portanto, para análise, os seguintes levantamentos e competências: SEG, de 12/2001 a 11/2006 e CCT, de 12/2001 a 02/2004. Nesse sentido, acato parcialmente a preliminar de decadência. No mérito, a recorrente traz argumentos tentando demonstrar que os pagamentos feitos pela Recorrente a titulo de Seguro de Vida a seus empregados, e despesas de viagens aos cooperados que lhe prestaram serviços por meio de cooperativa de trabalho jamais poderiam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Já a fiscalização alega que os dispêndios da recorrente com o Seguro de Vida de seus empregados e os valores pagos pela prestação de serviços de cooperativa por intermédio de seus cooperados integram o salário de contribuição. Impõe, portanto, verificar se as verbas em comento possuem natureza salarial. LEVANTAMENTO SEG SEGURO DE VIDA EM GRUPO Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 A recorrente traz argumentos tentando demonstrar que os gastos realizados com prêmio de seguro de vida em grupo disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes não constituem remuneração, não podendo, dessa maneira, integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois, além de não possuírem caráter contraprestativo, não representam ganho habitual e nem trazem qualquer acréscimo patrimonial ao trabalhador. Contudo, entendo que a exigência fiscal encontra amparo legal no inciso I, do art. 28 do referido diploma legal, que estabelece que o conceito de salário de contribuição é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) A regra geral é que, se a utilidade é necessária para executar o serviço, ou se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário, tratase tãosomente de instrumento de trabalho. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio, então integrará o salário para todos os efeitos legais. Verificase que as despesas efetuadas pela empresa com o Seguro de Vida de seus empregados se originaram em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, não devendo, portanto, serem excluídas da base de cálculo da contribuição. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, entendo que a parcela paga a título de prêmio de seguro de vida representa uma vantagem econômica para o trabalhador e integrava o saláriodecontribuição até 28/11/99. Com o Decreto 3.265, de 30/11/99, o prêmio de seguro de vida em grupo passou a figurar no rol das rubricas não integrantes do saláriodecontribuição, desde que atenda ao preceito legal, ou seja, esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, que são as condições para afastar a incidência de contribuição previdenciária. A condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar os valores pagos a título de Seguro de Vida da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Portanto, no caso presente, como o seguro de vida não foi previsto em acordo coletivo, a parte do prêmio paga pela empresa à seguradora representa uma vantagem econômica para o trabalhador e integra o saláriodecontribuição, já que não se inclui na hipótese de isenção da Lei 8.212/91, regulamentada pelo Decreto 3.048/91. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 5 9 Corrobora nesse sentido os pareceres da Consultoria Jurídica do MPS, cujas ementas transcrevo a seguir: PARECER/CJ Nº 2.118/2000 : NFLD nº 171.275/91 INTERESSADO: INDÚSTRIA FREIOS KNORR LTDA. ASSUNTO: Crédito Previdenciário. Seguro de Vida em Grupo. EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA. 1. O pagamento do seguro de vida em grupo corresponde à parcela salário, que, por seu turno, posicionase no gênero remuneração. 2. A legislação previdenciária não excetua o pagamento do seguro de vida em grupo como parcela não integrante do cálculo a cargo da empresa. Precedentes, Pareceres/CJ Nºs 850/97 e 1.733/99. PARECER/CJ Nº 2.057/2000 REFERÊNCIA: NFLD nº 31.698.1060 INTERESSADO: ARTHUR ANDERSEN S/C. ASSUNTO: Crédito Previdenciário. Seguro de Vida em Grupo. EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURO DE VIDA. 1. O pagamento do seguro de vida em grupo corresponde à parcela salário, que, por seu turno, posicionase no gênero remuneração. 2. A legislação previdenciária não excetua o pagamento do seguro de vida em grupo como parcela não integrante do cálculo a cargo da empresa. Precedentes, Pareceres/CJ nºs 824/97, 850/97 e 1.733/99. PARECER/CJ Nº 2.114/2000 REFERÊNCIA: NFLD nº 32.464.2083 (CRPS nº 1.430/96). INTERESSADA: TEC TOY INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS S.A. ASSUNTO: Crédito Previdenciário Seguro de Vida em Grupo. EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO E DO TRABALHO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. SALÁRIO UTILIDADE. O prêmio do seguro de vida dos empregados custeado pela empresa é salário utilidade, sendo, portanto, parcela integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da empresa. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Precedentes: Pareceres/CJ nº 850/97 e 1.733/99. Parecer pelo conhecimento da avocatória, para reformar o acórdão nº 1.948/97 proferido pela 8ª Câmara de Julgamento do CRPS. Com relação aos argumentos de ausência de habitualidade, entendo que não estamos diante de um pagamento eventual, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. No caso sob análise, não há dúvida de que o pagamento realizado pela empresa a título de Seguro de Vida em Grupo, em favor de seus empregados, revestese de habitualidade, já que é de conhecimento de todos os empregados que, no caso da ocorrência do “evento mórbido” previsto no contrato de seguro farão jus ao recebimento do valor ajustado. Assim, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado se ocorrer o evento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de os valores percebidos pelos segurados empregados, no caso de se concretizar o evento previsto na apólice de seguro, não serem rotineiros, e essa expectativa perdura até o final do vínculo empregatício. Essa expectativa criada, o costume e a certeza do pagamento gera a habitualidade e afasta por completo a eventualidade. A ampla divulgação da concessão do benefício e de suas condições faz com que integre o contrato de trabalho dos empregados, pois tratase de um pagamento ajustado com condição (ocorrência do sinistro) préfixada. Ou seja, a cada ocorrência do sinistro será concedido o benefício, desde de que existente o vínculo trabalhista. Portanto, o valor efetivamente pago pela autuada relativo a prêmio de seguro de vida em grupo integra o salário de contribuição e a pretensão da recorrente de se excluir os referidos valores da base de cálculo da contribuição previdenciária carece de amparo legal. A recorrente alega, ainda, que o inc. V, § 2°, do art. 458 da CLT, expressamente retira as despesas do seguro de vida em grupo do rol de elementos que podem ser incorporados ao trabalho, motivo pelo qual entende que é vedado à administração querer incluir tais parcelas na base de cálculo da contribuição previdenciária. Contudo, a doutrina há muito já consagrou a autonomia científica do Direito Previdenciário em face do Direito do Trabalho. O conceito de saláriodecontribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), “O conceito previdenciário de saláriodecontribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições”. Em relação ao argumento de que merece destaque a mais recente redação do art. 458, § 2o, V, da CLT, atribuída pela Lei 10.243/01, que expressamente exclui do conceito de salário “o seguro de vida e de acidentes pessoais”, cumpre observar que o art. 12, da CLT determina que “Os preceitos concernentes ao regime de seguro social são objeto de lei especial”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 6 11 A Lei 8.212/91 é a lei especial que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio. O art. 458, § 2o, V, da CLT, com a redação dada pela Lei 10.243/01 não revogou os arts. 28, § 9o, da Lei 8.212/91. Dessa forma, não pode ser declarado insubsistente o lançamento em relação aos fatos geradores posteriores ao advento da Lei 10.243/01, ou seja, a partir de 06/2001, pois, conforme disposto no art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil, “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Cumpre esclarecer que a incompatibilidade de normas pertencente a um mesmo ordenamento jurídico e com mesmo âmbito de validade se denomina antinomia e, tradicionalmente, os critérios para solucionar a antinomia são três, o cronológico, o hierárquico e o da especialidade. O da especialidade ocorre entre duas normas, uma geral e uma especial, prevalecendo a específica apenas na parte da lei geral que é incompatível com a especial. Portanto entendo que a revogação ou modificação de lei geral por especial ou de especial por geral não pode ser tácita, havendo de ser expressa do tipo "revogase o artigo tal, parágrafo tal da lei tal", o que não ocorreu quando da edição da Lei 10.243/01, que deu nova redação ao art. 458, da CLT. LEVANTAMENTO CCT Esse levantamento referese à contribuição a cargo da empresa, prevista no inciso IV, do artigo 22, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 9.876/99, incidente sobre os abatimentos que foram efetuados pela recorrente na base de cálculo (pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho COOPROSERV), em desacordo com o art. 289, da Instrução Normativa SRP n° 003/2005. Constatase que a recorrente não negou que tenha tomado serviços de cooperados por intermédio de cooperativas e deixado de efetuar o recolhimento da contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas pelas prestadoras. Apenas insurgese contra a base de cálculo de 100% do valor do documento fiscal emitido pela cooperativa, adotada pela fiscalização, pois entende que os valores despendidos pela recorrente relativos às despesas com viagens, estadias e alimentação dos cooperados prestadores do serviço não integram o salário de contribuição, conforme o disposto nos arts. 152 e 289, da IN SRP 003/05, por possuírem natureza jurídica nitidamente indenizatória. . Vejamos o que dispõe esses dispositivos utilizados pela recorrente para amparar seu entendimento. O art. 152, da IN 03/2005 estabelece que: Art. 152. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Parágrafo único. A fiscalização da SRP poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. Constatase que a recorrente não comprovou, nos autos, que a contratada fornecia alimentação de acordo com o PAT, e nem o valetransporte em observância à legislação própria, conforme determinação contida no referido artigo. E, conforme ela mesmo conclui em sua peça recursal, à fl. 620, essas despesas só não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária quando devidamente comprovadas, o que não ocorreu nos presentes autos. Os documentos de fls. a 569/570 tratam apenas de comunicados, emitidos pela cooperativa prestadora, informando o valor das despesas com o transporte, com base em quilometragem rodada, sem guardar nenhuma relação com o vale transporte de que trata o art. 152, transcrito acima. O art. 289 da IN 03, citado pela recorrente, trata também de fornecimento de material ou utilização de equipamento próprio, o que não é o caso em tela. E sendo o lançamento um ato vinculado, o agente fiscal, ao constatar que a empresa notificada contratou serviços de cooperativas de trabalho e não recolheu toda a contribuição devida, incidente sobre o valor total contido na nota fiscal, lavrou a competente NFLD, em observância aos normativos legais que tratam da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARHE PROVIMENTO PARCIAL, para acolher parcialmente a preliminar de decadência e excluir do lançamento os valores correspondentes ao período de 01/1997 a 11/2001, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado No tocante à decadência ouso discordar do voto da Ilustre Conselheira Relatora que, a par de aplicar a Súmula Vinculante nº 08, do Augusto Supremo Tribunal Federal, entendeu, na hipótese, que o prazo decadencial deveria ser aquele inserido no artigo 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 7 13 Em suma, discutese no presente caso se ocorreu ou não o fato gerador da contribuição previdenciária quando do pagamento dos valores acima citados. Sabese que, em regra, o aspecto material da regramatriz de incidência é formado por um verbo mais o complemento. Assim vemos no IPTU “ser proprietário de imóvel urbano” , no Imposto de Renda – “auferir renda”, sendo que o mesmo acontece no caso das contribuições previdenciárias que, na hipótese desses autos é, em síntese, “pagar remuneração”. Determina o artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cabe ao contribuinte o dever de pagar antecipadamente o tributo, sem prévio exame por parte da autoridade pública. Essa, por sua vez, cientificada dessa atividade do contribuinte terá o prazo de 5 (cinco) anos para homologálo ou não. No caso dos autos, a autoridade fiscal, no pleno exercício de suas funções de verificar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, apurou, segundo seu entendimento, que a recorrente ao “pagar remuneração” teria cumprido parcialmente com a obrigação principal, ou, em outras palavras, quitou parcialmente o tributo correspondente a esse fato gerador, uma vez que não incluiu, na base de cálculo, as parcelas acima transcritas. Houve, portanto, na ótica do fisco, pagamento antecipado da contribuição previdenciária, porém parcialmente. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos como a autoridade fiscal apurou que havia diferenças de contribuições previdenciárias que não foram recolhidas apenas em relação aos valores lançados, não há dúvidas de que deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10935.005024/200742 Acórdão n.º 230101.747 S2C3T1 Fl. 8 15 Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1997 a novembro de 2006 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 25 de setembro de 2007, verificase que está decaído o período de janeiro de 1997 a agosto de 2002, com exceção da contribuição de cooperativas de trabalho, para o qual se aplica o artigo 173, inciso I, nos termos do voto da Ilustre Conselheira Relatora. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 15DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/02 /2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERI O, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 12448.901009/2010-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
CITAÇÃO POR EDITAL.
Quando restar improfícua a citação por via postal, tem validade jurídica, subsidiariamente, a citação do sujeito passivo efetuada para se defender por edital afixado nas dependências da unidade da RFB franqueada ao público que o jurisdicione, tendo em vista o princípio do devido processo legal.
Numero da decisão: 1801-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para proferir nova decisão, analisando o mérito do litígio. Vencida a Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez, que negava o provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Quando restar improfícua a citação por via postal, tem validade jurídica, subsidiariamente, a citação do sujeito passivo efetuada para se defender por edital afixado nas dependências da unidade da RFB franqueada ao público que o jurisdicione, tendo em vista o princípio do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para proferir nova decisão, analisando o mérito do litígio. Vencida a Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez, que negava o provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 10 09 /2 01 0- 40 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 12448.901009/201040 Acórdão n.º 1801001.472 S1TE01 Fl. 129 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJO I que, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas nos autos. Por meio de DCOMPs transmitidas em 22/08/2006, 13/07/2004, e 28/01/2005 pugnou a interessada pelo reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, no valor de R$1.953.519,23, para ser utilizado na compensação de débitos próprios apontados nas referidas DCOMPs. De acordo com o que consta dos autos, a Demac/RJ homologou parcialmente as compensações declaradas (fl. 36), visto que das retenções na fonte informadas na declaração de IRPJ (R$ 1.953.519,23) só teria sido confirmado o montante de R$1.855.320,93. Irresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 56/63, em 3/12/2010, considerada intempestiva. No voto proferido a Turma Julgadora assim se justificou: 5 O interessado foi inicialmente cientificado do despacho decisório em 14/6/2010, conforme aviso de recebimento – AR de fl. 97. Posteriormente, por ainda não ter retornado o AR, o interessado foi novamente cientificado por meio do edital de fls. 42 e 48. Apesar da elaboração do edital, a primeira cientificação foi válida. Assim, visto que a manifestação de inconformidade foi apresentada em 3/12/2010 (fl. 56), notase a intempestividade do recurso, pois ultrapassou o prazo de 30 dias estabelecido no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 que rege o processo administrativo fiscal, em relação à primeira e válida cientificação. 6 Portanto, sendo intempestiva, não se toma conhecimento da manifestação de inconformidade. Notificada da decisão, em 14/07/2011, apresentou, a interessada, em 12/08/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa, em preliminares, invoca a nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. instância por violação aos princípios que regem o ato administrativo e por cerceamento do direito de defesa, por não ter sido apreciada a manifestação de inconformidade apresentada. Alega que em situações análogas, o Conselho de Contribuintes teria admitido a data da notificação mais favorável ao contribuinte, já que à época dos fatos o AR com a intimação postal encontravase extraviado. Nesse contexto, sua juntada posterior, teria impedido a interessada de conhecer devidamente do feito. E que a decisão que não aprecia os argumentos de defesa é nula, por cerceamento do direito de defesa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 12448.901009/201040 Acórdão n.º 1801001.472 S1TE01 Fl. 130 3 Fez sustentação oral pela recorrente, Dra. Georgeana Leal de Macedo Rezende, OAB/RJ nº 111.642. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Mas não deve ser conhecido. A questão que se discute nos autos é a tempestividade, ou não, da manifestação de inconformidade apresentada. Nesse contexto é fato que a interessada foi cientificada do Despacho Decisório da DEMAC, por via postal, com Aviso de Recebimento, em 14/06/2010 (fl.96). Ainda que tenha sido posteriormente intimada novamente, por Edital, sabia, a interessada, da existência e do teor do Despacho Decisório, que foi comprovadamente recebido em 14/06/2010. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: ... II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou ... Portanto, somente quando resultar improfícuo a intimação pessoal ou por via postal é que será feita a intimação por edital. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 12448.901009/201040 Acórdão n.º 1801001.472 S1TE01 Fl. 131 4 No presente caso a intimação postal não resultou improfícua, tanto que há provas nos autos de ter a recorrente recepcionado a correspondência encaminhada ao seu domicilio fiscal – AR recebido em 14/06/2010 (fl.96). Assim, a manifestação de inconformidade apresentada em 31/10/2010 é intempestiva. Nessas condições não instaurou o contencioso administrativo fiscal, razão pela qual as razões de defesa apresentadas contra o despacho decisório não podem ser conhecidas e apreciadas por este órgão colegiado. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, em vista da inexistência de litígio regularmente instaurado. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Voto Vencedor Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada. A matéria objeto desse Voto Vencedor restringese ao exame da tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, fls. 3641 que analisou os Per/Dcomp, fls. 0235. Analisando a situação fática temse que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório, fls. 3641, em 14.06.2010, fl. 97. Verificase que até 20.10.2010 a RFB não tinha produzido a prova referente ao aviso de recebimento para ser juntado aos autos, que é a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em conformidade como princípio do devido processo legal e do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, restando improfícuo o meio adotado de citação por via postal da Recorrente, subsidiariamente ela foi intimada validamente pela RFB por meio do Edital nº 3010, de 2013 da DRF/RJO I afixado nas dependências da unidade da RFB franqueada ao público que a jurisdiciona em 14.06.2010, fls. 4248. Nesse sentido ela considerase intimada para se defender em 04.11.2010, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 14 de novembro de 2002. No momento em que a Administração Pública adotou como válido o meio subsidiário a citação por meio de edital, entendeu que a citação por via postal anteriormente realizada não se aperfeiçoou propriamente como citação válida, tampouco fez nascer a relação jurídica que vincula a Recorrente à decisão contida no Despacho Decisório, fls. 3641. A legislação processual determina que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 03.12.2010, fls. 5664, suscitando a tempestividade como preliminar (ADN Cosit nº 15, de 12 de julho de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 12448.901009/201040 Acórdão n.º 1801001.472 S1TE01 Fl. 132 5 1996), ou seja, dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias a contar da intimação por edital. Por essa razão, a peça de defesa considerase apresentada tempestivamente (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). O fato, por si só, de o aviso de recebimento ter sido juntado aos autos no dia 20.05. 2011, fl. 97, ou seja, muito posterior à afixação do Edital nº 3010, de 2013 da DRF/RJO I nas dependências da unidade da RFB em 14.06.2010, fls. 4248, não torna o ato administrativo do edital sem efeito jurídico, como consta na decisão de primeira instância de julgamento. Esse fato, aliás, comprova que a Administração Pública refez seu ato de notificação, e por conseguinte afastou a validade jurídica da citação por via postal anteriormente efetuada, o que torna a citação subsidiária por edital, para todos os efeitos legais, existente, válida e eficaz. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para proferir nova decisão, analisando o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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