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Numero do processo: 10120.723744/2012-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
Numero da decisão: 9303-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes os conselheiros Demes Brito e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 37 44 /2 01 2- 35 Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.283 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Ausentes os conselheiros Demes Brito e Andrada Márcio Canuto Natal. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Procuradoria , tempestivamente apresentado, em face de acórdão oriundo da Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara que interpretou o art. 8º, § 3º da Lei n.° 10.925/04 e considerou que o percentual ali previsto é determinado de acordo com os produtos fabricados e não com os insumos adquiridos, embora sobre estes incida. A decisão tem a seguinte ementa quanto à matéria: (...) COFINS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA DO CRÉDITO PRESUMIDO LEI Nº 10.925/04 (ART. 8º) Embora tendo como base de cálculo o valor dos insumos adquiridos, o crédito presumido (art. 8º da Lei nº 10.925/04) deferido às agroindústrias (inclusive cooperativas) que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, é determinado com base no redutor da alíquota incidente sobre a mercadoria produzida ou comercializada pelas referidas agroindústrias, conforme se trate de produtos de origem animal ou vegetal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial com entendimento manifestado pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Terceira Seção do CARF nas decisões (Acórdãos nº 330200.788 e nº 330201.916) cujas ementas transcreve no corpo de seu recurso e que dizem, respectivamente: Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.284 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8o, § 3o, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho exarado às fls. 1238. Não houve interposição de contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.285 4 Inicialmente cabe mencionar que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos os pressupostos de admissibilidade. A questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o Fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei n.º 10.925/04, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado, a Contribuinte entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída, e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Que no caso concreto, os créditos presumidos de 60% aplicamse aos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 da NBM. No caso dos presente autos, a empresa realmente deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM (carnes e miudezas, comestíveis). Desta maneira, não assiste razão à Recorrente, pois, o art. 33 da Lei n.º 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao art. 8° da Lei n.º 10.925/04, senão vejamos: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ............................................................................................ § 1º ................................................................................................. I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.286 5 § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O referido § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 possui a seguinte redação: § 3º O montante do crédito a que se referem ocapute o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) Portanto, o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Verificase também que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Assim, o legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do § 10 do art. 8º da Lei n.º 10.925/04, incluído pela Lei n.º 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10120.723744/201235 Acórdão n.º 9303004.352 CSRFT3 Fl. 1.287 6 cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei n.º 10.925/04, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, devese reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei n.º 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei n.º 10.637, de 2002, e no art. 2º da Lei n.º 10.833, de 2003. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Fl. 1294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.722574/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei.
Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador.
IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS.
Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial.
Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerá-los como custo na operação objeto do ganho de capital.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos rejeitar as seguintes preliminares (a.1) nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; (a.2) relacionadas ao mandado de procedimento fiscal e (a.3) ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação; (b) por unanimidade de votos, considerar definitiva a exclusão do responsável tributário Abengoa; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural; (e) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos valores relacionados ao ganho de capital; vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. Acompanhou o julgamento da Dra. Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53.665.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador. IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial. Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerá-los como custo na operação objeto do ganho de capital. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos rejeitar as seguintes preliminares (a.1) nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; (a.2) relacionadas ao mandado de procedimento fiscal e (a.3) ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação; (b) por unanimidade de votos, considerar definitiva a exclusão do responsável tributário Abengoa; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural; (e) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos valores relacionados ao ganho de capital; vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. Acompanhou o julgamento da Dra. Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53.665. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza.
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador. IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 74 /2 01 1- 87 Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial. Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerálos como custo na operação objeto do ganho de capital. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos rejeitar as seguintes preliminares (a.1) nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; (a.2) relacionadas ao mandado de procedimento fiscal e (a.3) ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação; (b) por unanimidade de votos, considerar definitiva a exclusão do responsável tributário Abengoa; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural; (e) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos valores relacionados ao ganho de capital; vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. Acompanhou o julgamento da Dra. Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53.665. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 16ª Turma da DRJ/SP1, nº 1653.151, constante em fls. 958/995: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 449 a 454, para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 33.073.510,48, acrescido de multa de ofício de R$ 24.805.132,86, além de juros de mora calculados até novembro de 2011. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.223 3 Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 451) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos da atividade rural, recebidos no ano calendário de 2007, no valor de R$ 20.907.841,29. Enquadramento legal: arts. 57 a 61, 71 e 83 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), art. 1o, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória n° 340/2006; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, auferidos em setembro de 2007, no valor de R$ 220.490.069,84. Enquadramento legal: art. 21 da Lei n° 8.981/1995; arts. 117, 118, 120, 121, § 2o, 122 a 125, 128, 129, 131, 132, 133, parágrafo único, 134, 136, 138 a 141 do RIR/1999; arts. 23 e 24 da Lei n° 9.250/1995; arts. 38 a 40 da Lei n° 11.196/2005. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 446 a 448, integrante do auto de infração, relata o que segue: em ação fiscal efetuada junto à pessoa jurídica Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda., da qual o autuado era sócio, foram apuradas, em relação ao contribuinte pessoa física, as seguintes irregularidades: omissão de receita da atividade rural e ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos, em condomínio com outras pessoas físicas, cujo percentual de participação do autuado era de 77% (setenta e sete por cento); os fatos e o embasamento jurídico que sustentam a imposição fiscal encontramse detalhados no Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal lavrado contra a referida empresa, que é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal; não houve necessidade de intimação prévia do contribuinte pessoa física, pois todos os elementos e esclarecimentos necessários à formação da convicção do Fisco quanto à existência das infrações foram colhidos durante a diligência fiscal na sociedade da qual era sócio e têm o contribuinte como signatário (contratos, aditivos e seus anexos); referidos elementos foram cotejados com as declarações de rendimentos (DIRPF) dos anoscalendário de 2006 e 2007, constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, e os elementos contábeis utilizados referemse a período em que o contribuinte era sócio da pessoa jurídica (então denominada) Sociedade Agrícola Dedini, e, portanto, são de seu prévio conhecimento; I Demonstrativo de individualização dos valores para o condômino I.1 Ganho de Capital (alienação de direitos) Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em dezembro de 2006 R$ 285.751.005,24 Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 dezembro de 2006 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em fevereiro de 2007 R$ 560.134,84 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em abril de 2007 RS 39.599,97 Total do Ganho de Capital auferido (quitado pelo cessionário em 09/2007) R$ 286.350.740,05 Valor que cabe ao Condômino Marcio Milan de Oliveira (77%) R$ 220.490.069,84 Imposto de Renda Devido sobre o Ganho de Capital no mês da quitação R$ 33.073.510,48 I.2 Receita da Atividade Rural (alienação de bens da atividade rural) Receita Total R$ 27.153.040,63 Valor que cabe ao Condômino Marcio Milan de Oliveira (77%) R$ 20.907.841,29 I.2.1 Recomposição do Resultado da Atividade Rural no ano calendário de 2007 MÊS RECEITA BRUTA MENSAL (R$) DESPESAS DE CUSTEIO/ INVESTIMENTO (R$) Janeiro 18.500,00 2.079.098,00 Fevereiro 679.535,00 1.301,00 Março 1.749.268,00 2.082.254,00 Abril 7.306.471,00 4.660.711,00 Maio 20.192,00 410.984,00 Junho 34.500,00 268.095,00 Julho 37.207,00 135.842,00 Agosto 761.059,00 479.089,00 *Setembro (Omissão) 20.910.322,29 193.917,00 Outubro 3.254.510,00 900.548,00 Novembro 10.000,00 169.321,00 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.224 5 Dezembro 56.969.347,00 42.987.729,00 TOTAL 91.750.911,29 54.368.894,00 * No mês de setembro o valor declarado foi de R$ 2.481,00. Foi acrescentado o valor da omissão de R$ 20.907.841,29 APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL (R$) Discriminação Valores (R$) Receita bruta total 91.750.911,29 Despesas de custeio e investimento 54.368.896,00 Resultado 1 37.382.015,00 Prejuízo de exercício anterior 188.632.816,00 Resultado após compensação do prejuízo 151.250.800,71 Opção pelo arbitramento sobre a receita bruta 18.350.182,26 RESULTADO TRIBUTÁVEL 151.250.800,71 INFORMAÇÕES PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE Prejuízo a compensar 151.250.800,71 Valor dos adiantamentos recebidos em 2007 por conta de venda para entrega futura 0,00 APURAÇÃO DO RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL Valor dos adiantamentos recebidos até 2006 referente a produtos entregues em 2007 1.009.248,06 RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL 36.372.767,23 nesse ponto, a exigência fiscal fica restrita à Redução do Prejuízo Compensável a partir do anocalendário de 2008, de R$ 172.158.656,00 para R$ 151.280.800,71; quanto à redução dos prejuízos a compensar, o contribuinte deverá efetuar os ajustes necessários em seus livros e documentos relativos à atividade rural; se dos ajustes resultar apuração de resultado tributável positivo nos anoscalendário a partir de 2008, o contribuinte deverá providenciar a retificação das Declarações de Rendimentos e recolher os eventuais novos valores devidos, com os acréscimos legais; Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 para possibilitar ao autuado o exercício de seu direito de ampla defesa, sãolhe fornecidas cópias dos documentos, contemporâneos aos fatos, e das respostas às intimações, relativamente à ação fiscal empreendida junto à pessoa jurídica da qual era sócio à época e que serviram de suporte às conclusões da fiscalização. No Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal acima referido, juntado às fls. 426/445, consignouse o que segue, em resumo: conforme relatado no Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal realizada junto à empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., denominada, à época dos fatos investigados, Sociedade Agrícola Dedini Ltda., os trabalhos fiscais prosseguiram com vistas à verificação da capitalização da sociedade por pessoas jurídicas do então Grupo Dedini Agro (Usinas de Açúcar e Álcool), com créditos detidos junto ao Consórcio de Pessoas Físicas, capitaneado por Márcio Milan de Oliveira, visando o preparo do grupo Dedini Agro para venda ao grupo espanhol Abengoa Bioenergia, ocorrida em 2007; as empresas do então Grupo Dedini Agro, hoje Grupo Abengoa, diretamente envolvidas nos fatos que serão relatados, são assim identificadas: a) Dedini Açúcar e Álcool Ltda., hoje denominada Abengoa Bioenergia São João Ltda., CNPJ n° 03.106.412/000107, doravante denominada DAA/ABSJ; b) Dedini S.A. Indústria e Comércio, hoje denominada Abengoa Bioenergia São Luiz S.A., CNPJ n° 56.617.244/000172, doravante denominada DIC/ABSL; c) Sociedade Agrícola Dedini Ltda., depois denominada Abengoa Bioenergia Agrícola Ltda. e hoje denominada Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, doravante denominada SAD/ABAG; d) Condomínio de Pessoas Físicas, doravante denominado MMO, constituídos pelos seguintes produtores rurais: Adriano Giannetti Dedini Ometto CPF n° 126.413.00826 (5%) Lucianna Dedini Ometto James CPF n° 110.139.13833 (4%) Márcio Milan de Oliveira CPF n° 081.113.55866 (77%) Mario Dedini Ometto CPF n° 015.953.85800 (12%) Wanda Maria Giannetti Dedini Ometo CPF n° 044.227.43864 (2%) referidas pessoas físicas eram, à época dos fatos, sócias na Sociedade Agrícola Dedini Ltda. (SAD), mantendo na pessoa jurídica o mesmo percentual de participação em MMO; Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.225 7 no curso do procedimento fiscal, a diligenciada informou que o aumento de capital na SAD/ABAG, ocorrido no anocalendário de 2007, de R$ 20.000,00 para R$ 270.867.075,00, tem suporte em ativos entregues pela DIC/ABSL e pela DAA/ABSJ, que passaram, então, a ser sócias da SAD/ABAG; os ativos utilizados na integralização de capital, segundo a diligenciada, estão representados por créditos detidos pelas investidoras junto a MMO, que era formado pelos, até então, únicos sócios da própria SAD, receptora do capital; a fiscalizada, que é sucessora por incorporação das subscritoras de capital, foi intimada a apresentar à fiscalização os seguintes documentos, elementos e esclarecimentos: 1) demonstrar a efetiva substância econômica dos créditos junto às pessoas físicas integrantes de MMO, que lhe foram entregues, detalhando, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a formação desses ativos nas subscritoras (incorporadas), descrevendo todos os detalhes do relacionamento dos condôminos com as credoras; 2) detalhar e demonstrar o destino final desses ativos e, em caso de realização dos créditos, comprovar o efetivo recebimento dos valores. a fiscalizada foi ainda intimada a demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem, a formação, operação por operação, a efetiva substância econômica e a real exigibilidade dos débitos para com MMO, constantes do passivo da SAD, atual Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, na data da sua baixa por compensação com créditos junto ao mesmo condomínio, recebidos em integralização de capital, de outras pessoas jurídicas; diante de tudo quanto se pôde constatar e das respostas da diligenciada (expedientes de fls. 06/18 e 22/31 e transcrições às págs. 03/08 do Termo, fls. 428/433), é possível chegar às seguintes conclusões: MMO foi constituído com o objetivo de explorar a atividade rural de produção de cana de açúcar, em terras próprias e/ou de terceiros (mediante contratos de parceria/arrendamento) e das próprias Usinas compradoras da cana produzida (DIC e DAA); grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural de MMO era custeada pelas Usinas (DIC e DAA) compradoras, com exclusividade, da cana produzida e era mantido um "contascorrentes" entre as Usinas e MMO; no encerramento desse relacionamento empresarial entre DIC, DAA e MMO, as Usinas eram credoras de MMO, em 31/12/2006, pelo valor de R$ 254.600.906,57; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 referido valor figurou, respeitados os percentuais de cada um, nas Fichas de Dívidas e Ônus Reais da Atividade Rural da DIRPF/2007 (ano calendário de 2006) dos condôminos; esse montante de crédito é que foi entregue pelas Usinas (DIC e DAA) em integralização de capital da SAD; embora os condôminos fossem sócios da SAD, receptora dos créditos, ficou acordado na Resolução n° 06 da 3a Alteração Contratual de 28/02/2007, registrada na JUCESP em 06/07/2007, que a integralização de capital pelos sócios ingressantes não alteraria o percentual de participação dos sócios anteriores (os próprios condôminos), que continuaram a deter na sociedade o mesmo percentual que detinham anteriormente ao aumento do capital social; a SAD realizou, no mesmo ano de 2007, os créditos ativados, mediante recebimento de bens e direitos do Condomínio, avaliados no montante de R$ 323.487.672,98 assim composto: a) R$ 286.350.739,85 referentes aos direitos consubstanciados nos contratos de parcerias agrícolas, cedidos por MMO à SAD, e b) R$ 37.136.933,13 referentes a bens e direitos que compunham o ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques de MMO; na essência, os negócios jurídicos tiveram como propósito a transferência de toda a atividade de MMO para a SAD, ou seja, a alienação para a SAD dos direitos que os condôminos detinham sobre os contratos das lavouras de cana e das benfeitorias/investimentos na atividade rural do Condomínio; o valor assim obtido foi, parcialmente, utilizado na liquidação integral de suas dívidas para com as Usinas, já na SAD, que as recebeu em subscrição de capital feita pelas Usinas, credoras originais; destacase aqui que a alienação dos direitos sobre os contratos de parceria nas lavouras de cana não se constituiu em venda de produtos rurais, pois o que se alienou foram os direitos sobre as safras futuras, em formação (ainda não eram produtos rurais), conforme cláusulas do Contrato de Cessão a seguir transcritas: 1 – O CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura desse instrumento, relacionados em seu ANEXO, que, rubricados pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão, nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1 . 1 – Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE para atendimento a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.226 9 não obstante, nas DIRPF/2008 (anocalendário de 2007), apresentadas pelas pessoas físicas integrantes de MMO, ainda figuravam, indevidamente, as dívidas para com a SAD, que já haviam sido liquidadas por compensação, diversamente dos bens e direitos da atividade rural, relativamente a MMO, que nelas não mais constavam; não consta nas DIRPF dos condôminos, nem em 2006, nem em 2007, o oferecimento à tributação da receita da atividade rural correspondente à alienação dos bens e direitos dessa atividade (considerados custos/despesas/investimento em anos anteriores) e não houve apuração e/ou pagamento do ganho de capital auferido com a alienação dos direitos dos contratos de parceria nas lavouras de cana; do valor dos bens e direitos alienados, constituem receita da atividade rural os valores relativos a ativo imobilizado e estoque de insumos e matérias intermediários listados nos Anexos I e V do Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, celebrado em 01 de dezembro de 2006 e aditado em 31 de dezembro de 2006 (Anexos I e II); 28 de fevereiro de 2007 (Anexos I e II) e 30 de abril de 2007 (Anexo I): a) Anexo I R$ 15.759.591,54 (01/12/2006) b) Anexo V R$ 2.843.060,97 (01/12/2006) c) Anexo I R$ 38.471,64 (31/12/2006) d) Anexo II R$ 1.283.739,30 (31/12/2006) e) Anexo I R$ 253.890,85 (28/02/2007) f) Anexo II R$ 261.321,23 (28/02/2007) g) Anexo I R$ 6.712.965.10 (30/04/2007) Total R$ 27.153.040,63 se lícito foi o planejamento tributário consistente em manter toda a estrutura "empresarial" do Condomínio (empregados, contabilidade, faturamento, almoxarifado, oficinas, etc.) na sede da SAD, com a consideração das receitas e custos/despesas/investimentos nas pessoas físicas dos sócios, beneficiandose, até 2007, do tratamento tributário diferenciado dado à exploração de atividade rural por pessoas físicas, o Condomínio deverá arcar com todas as consequências jurídicas advindas do seu encerramento, de fato, em 2007; somente assim procedendo é que é possível considerar válido o aumento de capital na Sociedade Agrícola Dedini, eis que os ativos recebidos das Usinas subscritoras (DIC e DAA) tinham sua substância econômica representada pelos créditos a receber das pessoas físicas fornecedoras de cana de açúcar; Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 a realização dos créditos teria se dado pelo recebimento de todos os bens e direitos do Condomínio, cuja avaliação foi, em sua maior parte, centrada nos contratos de parcerias agrícolas (lavouras de cana de açúcar mantida pelos próprios condôminos e/ou em parceria com terceiros); assim, na essência, os beneficiários finais foram os condôminos, pessoas físicas, que alienaram o negócio (lavouras de cana) para a pessoa jurídica, em troca das dívidas que tinham para com ela, sem prejuízo da responsabilidade solidária da pessoa jurídica que teve interesse comum nas situações que constituíram fato gerador do imposto de renda e, principalmente pelo fato de a SAD ter assumido todo o ativo e passivo do Condomínio, tornandose sucessora, de fato e de direito, nas atividades então exercidas por MMO, conforme se vai detalhar em termo próprio de atribuição de responsabilidade; as benfeitorias, despesas e investimentos na atividade rural foram decisivos para eliminação, até o ano de 2006, de resultados positivos da atividade rural de MMO (constantes prejuízos), portanto, a recuperação desses dispêndios, seja pela via da alienação dos bens, direitos e benfeitorias, seja pela eliminação das dívidas da atividade rural, são receitas tributáveis de MMO; da mesma forma, a atribuição de valor para a alienação dos direitos contidos nos contratos de parcerias agrícolas constitui valor de alienação de direitos, sujeito à apuração do ganho de capital; não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade; ainda que, remotamente, se pudesse cogitar que o valor atribuído aos direitos cedidos à SAD o foi apenas para viabilizar a baixa das dívidas da atividade, haveria acréscimo patrimonial sujeito à tributação pelo imposto de renda, pela eliminação das obrigações das pessoas físicas; no caso específico, não é cabível eventual alegação de que a baixa de dívida é fato jurídico cujo acréscimo patrimonial não representa ingresso de caixa para a pessoa física, pois a contrapartida das dívidas assumidas pelos condôminos representou despesa/custo/investimento na atividade rural, que reduziram o resultado tributável dos períodos de apuração; é preciso, no mínimo, reverter agora esses dispêndios recuperados pela via da alienação dos bens e direitos da atividade rural; o Contrato e seus aditivos previam pagamento do valor das alienações dos direitos e benfeitorias de forma parcelada ou a prazo futuro, a partir de 01/12/2006, entretanto, eram feitas compensações contábeis em contas correntes que somente foram concluídas em 09/2007 (conforme lançamentos contábeis transcritos nas págs. 18 e 19 do Termo, fls. 443/444); assim, considerase que as alienações das benfeitorias à SAD, ocorridas 2006 e 2007, foram efetivamente liquidadas no anocalendário de Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.227 11 2007, em face do regime legal de caixa deferido à atividade rural das pessoas físicas; quanto ao ganho de capital na alienação de direitos, auferidos em 2006 e 2007, por conta do recebimento a prazo ou futuro (regime de caixa), considerase, em benefício do contribuinte, que o oferecimento à tributação (tributação em separado e exclusiva) deveria se dar em setembro de 2007. Às fls. 457 a 463, anexouse o Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, do qual a empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda.), CNPJ n° 06.252.818/000188, foi cientificada em 23 de novembro de 2011 e que lhe atribuiu a responsabilidade tributária nos termos dos artigos 124, inciso I, e 133 do Código Tributário Nacional, com fundamento nas razões que seguem: a alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (SAD), em troca das dívidas que tinham para com duas outras pessoas jurídicas (DIC e DAA) que se tornaram sócias da SAD, a partir da entrega dos ativos financeiros, cujas substâncias econômicas eram os próprios débitos dos condôminos, denota, claramente, que a SAD participou ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, restando evidente o interesse jurídico comum; algumas filiais da SAD, abertas ainda no ano de 2006, tinham como endereço propriedades rurais onde MMO exercia suas atividades rurais (de acordo com o quadro constante do termo, fls. 459/460); conforme se pode constatar da Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", MMO possuía, em dezembro de 2006, 785 trabalhadores, dos quais 654 foram demitidos nesse mês (término da safra 2006/2007), restando 131 trabalhadores; esses trabalhadores remanescentes, de janeiro de 2007 a julho de 2007, com exceção de alguns poucos, provavelmente demitidos antes (informação que não constou da GFIP de MMO), foram sendo transferidos para a SAD; chama a atenção, e reforça o interesse comum da pessoa jurídica responsabilizada nas situações que constituíram os fatos geradores, o fato de que funcionários administrativos graduados que estavam registrados como empregados de MMO estão entre os últimos transferidos, sem demissão, para a então Sociedade Agrícola Dedini; entre esses funcionários transferidos de MMO para SAD está, por exemplo, a Dra. Luciana Scantamburlo Scatolin, advogada e procuradora do hoje Grupo Abengoa, que foi a pessoa encarregada de atender à fiscalização; há um outro fato inusitado que bem mostra a imbricação existente entre a SAD (responsabilizada) e MMO: o capitão do condomínio, com 77% Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 de participação, Márcio Milan de Oliveira, foi, em agosto de 2007, logo após a finalização da transferência das atividades exercidas por MMO para SAD, e quando já havia deixado a sociedade na pessoa jurídica, contratado como empregado da mesma SAD, tudo conforme a Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", antes referida; é sugestiva a matéria jornalística publicada quando de sua saída do atual Grupo Abengoa (transcrita no Termo, fl. 461); ainda que se pudesse argumentar que a situação antes exposta não configura a solidariedade referida no artigo 124 do CTN, a assunção de todo o ativo e passivo do condomínio pela pessoa jurídica configura a situação jurídica retratada no artigo 133 do Código Tributário Nacional; a aquisição da universalidade do patrimônio de MMO pela SAD provase pelos próprios contratos e seus aditivos anexos aos autos (conforme trechos transcritos no Termo, fl. 462); tanto os condôminos alienantes quanto a SAD continuaram a exercer as atividades agrícolas ligadas ao plantio de canadeaçúcar, como se pode verificar nas Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e na Consolidação do Contrato Social da SAD na 3a Alteração Contratual (JUCESP 251.972/070, Sessão de 06/07/2007). O contribuinte foi cientificado em 28/11/2011 (fl. 464) e, em 26/12/2011, por intermédio de procurador, apresentou a impugnação de fls. 475 a 511, acompanhada dos documentos de fls. 512 a 766. Após breve relato de fatos já descritos pela Fiscalização, alega a defesa o que segue, em síntese: com a formalização do "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, e Outras Avenças" (fls. 528 a 530), MMO passou a ser credor de SAD e, após a conclusão das duas operações societárias de aumento do capital de SAD, esta também passou a deter um crédito contra MMO; havia cláusula específica no contrato de cessão de direitos dispondo que a compensação entre esses créditos e débitos demandaria ciência e autorização expressa de ambas as partes envolvidas; embora os condôminos não tenham sido, em momento algum, informados ou cientificados, a SAD, já sob a administração do Grupo Abengoa e, portanto, não tendo mais nenhuma relação com o Impugnante, promoveu a baixa dos débitos de MMO, mediante liquidação por compensação, baixando, por conseguinte, os créditos detidos pelas pessoas físicas; pois é justamente nesse ponto que se fixou o Agente Fiscal para argumentar que os integrantes de MMO teriam auferido ganho de capital no momento em que teria se realizado o valor da cessão de direitos pela compensação unilateral realizada pela SAD; além do mais, a realização dos valores da cessão de ativos pela compensação unilateral de SAD teria desencadeado omissão de receita da Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.228 13 atividade rural, por força do artigo 61, § 1o, III, do RIR/1999, no que tange à cessão dos ativos e benfeitorias agrícolas, além de ganho de capital na cessão de direitos de MMO para SAD, na proporção da participação de cada comunheiro; o valor da cessão de ativos foi considerado como omissão de receita da atividade rural, tendo sido recomposto o resultado da atividade rural do Impugnante, ocasionando o lançamento de imposto suplementar; ocorre que o auto de infração está eivado de inconsistências formais que apontam para sua nulidade, citandose, de imediato, a ausência de comprovação de formalização da compensação dos créditos e débitos entre MMO e SAD, momento eleito pelo Agente Fiscal como gatilho da incidência tributária. a autuação foi concluída sem que houvesse qualquer intimação fiscal do Impugnante para esclarecimentos, o que também evidencia a nulidade do procedimento fiscal, o auto de infração jamais poderia considerar o valor da cessão de direitos do condomínio como ganho de capital da pessoa física comunheira, na medida em que tal montante tem natureza de receita da atividade rural e somente seria tributado com o efetivo recebimento dos valores, que, repitase, não poderiam ser objeto de compensação automática, nos termos que dispõe a legislação civil que rege o instituto da compensação, bem como em observância à expressa disposição contratual regulando as condições em que poderiam ser operacionalizadas compensações dos débitos e créditos recíprocos de SAD e MMO; ainda que ganho de capital fosse, o Agente Fiscal jamais poderia ter desconsiderado o custo de aquisição dos direitos cedidos, que neste caso, deveriam ser os investimentos e custeio para formação da lavoura; o Agente Fiscal fundamentou sua alegação tão somente na informação unilateral prestada pela SAD (já nessa época sob o controle societário do Grupo Abengoa e sem qualquer vínculo com o Impugnante), sem ter ao menos confirmado essa informação em documentos contábeis e financeiros e, mais do que isso, sem ter intimado o Impugnante para comprovação da liquidação mútua da dívida e do crédito por compensação; nem se diga que é o caso de presunção, uma vez que o fato de existência da compensação não admite esta espécie probatória que tampouco é legalmente autorizada para o caso; conforme balancetes de MMO e Declarações de Imposto de Renda do Impugnante, acostados à Impugnação, a quase totalidade dos créditos e débitos recíprocos entre SAD e MMO ainda permanecem devidamente registrados no ativo e no passivo, aguardando o vencimento de seu termo e o seu efetivo pagamento para que sejam tributados pelo regime de caixa; a violação da segurança jurídica e da transparência é notória em vários aspectos do procedimento fiscalizatório, em especial pelo fato de que toda Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 fiscalização foi conduzida sobre a pessoa jurídica SAD, sem qualquer ciência dos participantes de MMO; em que pese não haver instauração de contraditório na etapa de fiscalização, os procedimentos de fiscalização devem seguir requisitos mínimos para que a ação fiscal tenha atos cristalinos e de plena ciência do contribuinte, necessários a garantir o direito do contribuinte à segurança, à previsibilidade e principalmente, afastálo do arbítrio; tanto isso é verdade que o próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Termo de Início de Ação Fiscal devem ser previamente notificados ao Contribuinte, prevendo prazos e, principalmente, o direito do contribuinte de explicar sua situação fiscal antes de qualquer autuação; o MPF tem obrigatoriamente que conter o escopo e a extensão da fiscalização, conforme artigo 9o da Portaria da Receita Federal do Brasil n° 11.371/2007; tivesse o Agente Fiscal adotado a cautela de intimar os participantes de MMO, dentre eles o Impugnante, poderia ser adotada interpretação diversa daquela dada no termo de encerramento e até impedir a lavratura do auto; a falta de razoabilidade e a transgressão da segurança jurídica ficam evidentes quando se colacionam as datas de abertura do Mandado de Procedimento Fiscal para o Impugnante e a lavratura do auto de infração ora combatido, já que o MPF está datado de 21 de novembro de 2011, enquanto que o auto de infração foi lavrado apenas 2 (dois) dias depois, ou seja, em 23 de novembro de 2011; o Agente Fiscal apenas lavra o MPF para cumprimento de um requisito formal, sem satisfazer as funções e objetivos do documento, qual seja, dar transparência à atividade fiscal e garantir a segurança jurídica dos contribuintes, tendo como único propósito evitar o transcurso do prazo decadencial; os lançamentos foram efetuados nos anos de 2006 e 2007, partindo da premissa fiscal de que nessa época teriam se completado os requisitos legais para compensação de valores; no entanto, a compensação civil, na forma como regida pelos artigos 368 e seguintes do Código Civil, somente admite compensação de dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis; conforme se observa do instrumento de confissão de dívida entre MMO e DIC/DAA (fls. 622/626), a quitação se daria com a entrega de cana de açúcar de safra futura, ou seja, da safra de 2007/2008; assim, a dívida de MMO para com DIC/DAA, posteriormente passada à SAD, por conta das integralizações de capital, somente seria exigível a partir da safra de 2007/2008, ou seja, após a data eleita pelo Agente Fiscal como gatilho para tributação do ganho de capital; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.229 15 nos exatos termos do artigo 369 do CC, as dívidas jamais poderiam ter sido compensadas em 2006/2007, pois, nessa época, a dívida de MMO com as usinas, posteriormente repassada para indústria agrícola, não era exigível, eis que não vencida; a compensação dos valores, por expressa disposição legal (cláusula 2.4.1 do “Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças", fl. 548), dependia de prévio e formal consentimento dos participantes de MMO, sob pena de se tornar um ato inválido; a compensação jamais poderia terse operado de forma unilateral, como pretendeu o Agente Fiscal, primeiramente porque o Código Civil (art. 369) prevê, expressamente, a condição de exigível das dívidas, o que não ocorre no presente caso, e, em segundo plano, pela cláusula contratual de necessidade de prévio consentimento das partes, o que está de pleno acordo com o artigo 375 do Código Civil e com a teoria da autonomia da vontade das partes; nem se diga que é o caso de aplicação do artigo 123 do CTN e limitação das transações particulares, haja vista que os termos aditivos do contrato de cessão de direitos não pretendiam modificar a responsabilidade e a situação de sujeito passivo, mas apenas que o fato jurídico e particular da compensação, que poderia ou não desencadear uma tributação, somente ocorreria após cessadas as condições previamente acordadas; ainda que se olvidasse da não ocorrência da compensação no caso concreto, ainda assim careceria de melhor fundamentação o lançamento fiscal, uma vez que os valores recebidos por MMO em razão da cessão de direitos para SAD não poderiam ser considerados como ganho de capital, mas sim receita da atividade rural; os direitos sobre os contratos de parceria agrícola, transferidos por MMO para SAD, enquadramse na expressão "bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural", do artigo 61 do RIR/1999, do que decorre a conclusão de que os valores da contrapartida desta cessão têm natureza de receita bruta da atividade rural e assim deveriam ser tributados, caso considerese liquidados; a expressão "bens" da norma envolve não somente os bens corpóreos utilizados na atividade rural (tratores, utensílios de irrigação e plantio, etc), mas também os incorpóreos, tal como é o direito derivado de um contrato de parceria agrícola; a doutrina civil admitem que os bens intangíveis também são dotados de valor econômico e suscetíveis de apropriação; a legislação acerca da matéria entende que a renda da atividade rural abrange não só o fruto do trabalho, mas também o fruto do capital em situações específicas, tais como a venda de bens e direitos do ativo que são empregados exclusivamente na atividade rural; Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 a intenção do legislador jamais foi a de segregar produto do capital e produto do trabalho rural de forma tão simplória, tanto é que no inciso V do mesmo artigo 61, §1°, do RIR/1999, admitiuse, inclusive, que o montante referente à transferência de bens para integralização de capital também seria considerado receita da atividade rural; a Instrução Normativa n° 83/2001 considera como ganho da atividade rural os valores das vendas e cessões dos bens e direitos adquiridos como investimentos, bem como os valores atribuídos aos bens e direitos utilizados na exploração da atividade rural e que foram utilizados para fins de integralização de capital; de modo análogo, é possível tributar como receita decorrente da atividade rural o produto de um contrato firmado entre um Condomínio Rural e uma Sociedade Agrícola, que tem por objetivo, apenas e exclusivamente, transferir do primeiro para o segundo todas as lavouras já formadas a custa de pesados investimentos e que ainda estão em seu ciclo econômico de produção; a própria Receita Federal do Brasil já sedimentou o entendimento de que o valor decorrente da transferência comercial de um direito, como bem incorpóreo, deve ser tributado como receita da atividade rural, conforme Processo de Consulta n° 263/04, SRRF/8ª RF; no presente caso, o direito sobre os contratos de parceria tinha valor econômico considerável, o que pode ser verificado no laudo de avaliação (fls. 531 a 536); em que pese a denominação do contrato ser "cessão de direitos", a cessão na sua essência é sobre o fruto imediato e futuro da atividade agrícola e assim deve ser tributado; o valor cedido à SAD deve ser considerado como receita bruta da atividade rural, haja vista que a transferência, em seu substrato, foi do valor que seria percebido por MMO em futura exploração da atividade rural; a própria legislação tributária e o Regulamento do Imposto de Renda, ao tratarem da receita bruta da atividade rural, fazem menção a bens utilizados na exploração da atividade rural, abrangendo, portanto, tanto os bens corpóreos como os incorpóreos, como os direitos; apesar de o contrato celebrado entre SAD e MMO versar sobre uma cessão de direitos, a simples análise de sua essência e da lógica econômica e jurídica que o norteia, conforme demonstrado no Laudo de Avaliação que lhe serve de suporte, permite depreender que o seu real objeto é o ressarcimento de todos os investimentos que foram feitos ao longo dos anos por MMO, que gerariam frutos futuros, permitindo a percepção de renda diretamente vinculada à exploração da atividade rural; o próprio Agente Fiscal se contradiz ao atribuir a responsabilidade solidária à Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (atual denominação de SAD), ou, ao menos, reconhece tacitamente que se trata de receita bruta da atividade rural; Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.230 17 se a fiscalização imputa à SAD a responsabilidade solidária pela dívida tributária, nos termos do artigo 133 do CTN, automaticamente está presumindo que esta divida advém da atividade rural, uma vez que o marco para que a responsabilização ocorra é a continuidade da exploração dessa atividade; o auto de infração, ao tributar o Impugnante pelo ganho de capital em detrimento da tributação pela atividade rural, não só incorreu em erro grosseiro como acabou por onerar de forma gravosa uma atividade que é primordial para a economia pátria, tolhendo o Impugnante de deduzir suas despesas de custeio e investimento, quebrando toda a sistemática de incidência tributária da atividade rural; a formação de lavoura, economicamente mensurável, só foi possível mediante a aplicação de recursos financeiros, caracterizados por despesas de custeio e investimentos, custeadas pelas usinas DIC e SAD, conforme averiguado no instrumento particular de confissão de dívida (fls. 622 a 626); MMO sempre considerou a totalidade dos valores decorrentes da cessão de direitos e ativos para SAD como receita bruta da atividade rural, procedendo à tributação nos termos da Lei n° 8.023/1990 e demais normativos correlatos, computandose as despesas de custeio e investimento para formação da lavoura e a receita obtida no efetivo mês de pagamento ou recebimento, formando o resultado da atividade rural do condomínio e de cada comunheiro, na proporção de sua participação, considerandose, ainda, os prejuízos de anos anteriores; é importante verificar, nos balancetes de MMO e nas DIRPF (fls. 687 a 748, 750 a 753 e 759 a 766), que há reconhecimento dos valores que foram efetivamente liquidados pela SAD com autorização de MMO; a receita bruta total pelos balancetes aponta um montante de R$ 262.551.798,03 que, confrontado com o verificado pelo Agente Fiscal (R$ 313.503.780,68), monta a quantia de R$ 50.951.982,60 que já foi reconhecido nas DIRPF dos comunheiros, na proporção da sua participação; considerando os valores dos balancetes, DIRPF e, principalmente, as liquidações efetuadas pela SAD, foram criados alguns cenários diferentes, sendo que, em todos eles, há uma sensível redução de eventual valor que seria tributado; no primeiro cenário, foram considerados os saldos de prejuízos acumulados em 31/12/2010 e a premissa de que os créditos de MMO somente poderiam ser liquidados com expressa autorização deste, considerando assim os valores já liquidados e admitindo a hipótese de que o residual seria imediatamente tributável, ignorando a legislação que determina a aplicação de regime de caixa na atividade rural; Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 nesse cenário, encontraríamos um valor tributável de R$ 5.663.906,85, conforme a planilha discriminativa (fl. 749) e com base no balancete de 31/12/2010, que é muito inferior ao valor tributável do auto de infração, considerando, ainda a limitação de participação do Impugnante no condomínio; em um segundo cenário, partindo da premissa de que todos os valores relativos a cessão de direitos e ativos de MMO foram liquidados pela SAD ainda no ano de 2006, a análise dos balancetes e das DIRPF do condôminos acarretaria um valor tributável de R$ 6.139.619,77 para todo o condomínio, conforme demonstra a planilha elucidativa (fl. 754), considerando, ainda, a participação do Impugnante; na remota hipótese de serem descartadas todas as consistentes argumentações do Impugnante e ser considerado o valor da cessão de direitos como efetivamente liquidado e com natureza de ganho de capital, ainda assim estaríamos falando de auto de infração maculado por erro grosseiro e imprestável, haja vista que o Agente Fiscal desconsidera, por completo, o marco básico da tributação do ganho de capital, qual seja, o custo de aquisição; o custo de aquisição não poderia ser outro que não o valor total empregado na formação das lavouras, que são objeto dos contratos de parceria agrícola e que constituíam os direitos cedidos por MMO para SAD, montante esse que corresponde à soma das despesas de custeio e investimentos de MMO, subsidiadas pela DIC e pela SAD; a própria autoridade fiscal parece reconhecer que os valores objeto do contrato de cessão tinham por objetivo, também, possibilitar que MMO recuperasse os investimentos que foram feitos para a formação das lavouras cedidas e que ainda estavam em fase de exploração econômica (conforme se depreenderia da leitura do 4º parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 34 da impugnação, fl. 508); se esses investimentos não foram ainda recuperados, uma vez que a atividade rural de MMO, conforme ressalta a autoridade fiscal, sempre apurou prejuízos, careceria de lógica, razoabilidade e proporcionalidade a tributação da integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão celebrados com a SAD, sem qualquer atribuição de "custo de aquisição", nem que esse custo seja, ao menos, a parcela dos "prejuízos" controlados na DIRPF do Impugnante; se seria esse o mínimo que se poderia exigir, em uma situação onde o Condomínio alienante de seus direitos de exploração das safras já plantadas e em produção continuasse a exploração da atividade rural, quanto mais o seria em uma situação como a presente, onde o pressuposto utilizado para fundamentar a exigência fiscal foi, justamente, a suposta constatação do encerramento de fato das atividades do Condomínio; a forma utilizada para apuração do imposto de renda devido na presente situação não apenas é arbitrária e abusiva, mas também confiscatória, por implicar em nítida exigência de imposto sobre o Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.231 19 patrimônio e não sobre a renda, além de exigência de imposto de renda sobre a integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão de direitos, sem qualquer dedução dos elevados valores que foram aplicados para formação das lavouras em exploração, bem como, na manutenção ad eternum dos "prejuízos decorrentes da exploração da atividade rural" na DIRPF das pessoas físicas, dado o "encerramento de fato" das atividades rurais de MMO em 2007 (conforme constaria no 1o parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 35 da impugnação, fl. 509). Ao final, requer: a) o cancelamento do Auto de Infração, em face das alegadas nulidades e inconsistências formais do lançamento tributário; b) caso assim não se entenda, a improcedência do lançamento fiscal em função da invalidade do ato de compensação entre MMO e SAD, eleito como gatilho para incidência tributária; c) o reconhecimento do equivoco grosseiro da fiscalização, que teria entendido ser ganho de capital a receita proveniente de atividade rural, o que acarretaria, ao menos, a sensível redução do montante tributário, pela recomposição dos valores e consideração das despesas de custeios e investimento, bem como dos valores já tributados; d) se for considerado como ganho de capital o valor da cessão de direitos de MMO para SAD e, ainda, admitido que foi efetivada a liquidação por compensação, que seja reduzido o montante tributário em decorrência da necessidade de que seja atribuído como custo de aquisição o valor das despesas de custeios e investimento para formação das lavouras objeto de cessão, se não for o caso de cancelamento da autuação pelo aludido erro material. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial a juntada de novos documentos e a realização de prova pericial ou diligência, caso se entenda necessária sua realização para apuração dos valores dos investimentos efetuados na atividade rural pelo Impugnante. A pessoa jurídica apontada como responsável solidária, Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda., representada por procurador, conforme fls. 480 a 485 do Processo n° 13889.720028/201211, apenso ao presente, apresentou, em 23/12/2011, a impugnação de fls. 467 a 479 do referido processo, na qual alega o que segue, em resumo: segundo a Fiscalização, o interesse comum, previsto no artigo 124, inciso I, do CTN, teria se caracterizado na alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (Impugnante); dessa forma, teria a Impugnante participado ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias; Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 alega, ainda, a Fiscalização que a existência de filiais da Impugnante, nos mesmos endereços em que o Condomínio explorava a atividade rural, bem como a contratação de trabalhadores que haviam sido desligados anteriormente, também representaria o interesse comum capaz de atrair a responsabilidade solidária; o entendimento Fiscal desvirtua o conceito de interesse comum, exposto na norma do artigo 124, I, do CTN, pois o correto entendimento do preceito normativo aponta para o fato de que os responsáveis solidários estejam de um mesmo lado da relação jurídicotributária, o que implica dizer que, em uma operação de compra e venda, comprador e vendedor jamais podem ser solidariamente responsabilizados pela aplicação do inciso I do artigo 124 do CTN; o Fiscal confunde o interesse comum que possibilita a configuração da solidariedade com interesse econômico; a jurisprudência já afirmou que estas figuras jurídicas são amplamente distintas, especialmente para configuração de responsabilidade solidária (transcreve ementa de decisão judicial nas págs. 06 e 07 da impugnação, fls. 472 e 473 do processo apenso); o simples fato de todas as pessoas físicas integrantes do Condomínio terem sido sócias da Impugnante à época dos fatos não pode configurar, por si só, o interesse comum, capaz de atrair a responsabilidade subsidiária do artigo 124, I, do CTN; sob esse enfoque, o Superior Tribunal de Justiça afastou pretensões dessa natureza, em hipóteses de relação de natureza societária entre empresas (transcreve ementas de julgados nas págs. 07 e 08 da impugnação, fls. 473 e 474 do processo apenso); no presente caso, apesar de se tratar de um condomínio de pessoas físicas e uma empresa, podese fazer uma analogia dos fatos com a expressão “mesmo grupo econômico”; também em relação ao artigo 133 do CTN, não cabe a imputação de responsabilidade à Impugnante, já que tal preceito normativo visa evitar ações fraudulentas no sentido de que se constituam novos empreendimentos "limpos" e que não carreguem o fardo das dívidas tributárias do antigo estabelecimento à beira da quebra ou já insolvente; diante dessa premissa, a responsabilização da SAD não poderia ocorrer, de forma alguma, em caso em que se tributa o ganho de capital da pessoa física, pois essa tributação, na própria interpretação da fiscalização, não decorre da atividade do condomínio rural, mas sim de uma cessão de direitos alheia à atividade rural, da qual se apurou um ganho de capital; não há o mínimo nexo de casualidade entre o lançamento tributário de ganho de capital na alienação de bem de pessoa física e a responsabilidade solidária de pessoa; Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.232 21 jurídica que mantém a exploração de atividade agrícola da pessoa física autuada, pois não é este o descritivo da norma inserta no artigo 133 do CTN; ou o Fisco entende que é ganho de capital e promove a cobrança sobre as pessoas físicas integrantes do condomínio, ou se admite que se trata de atividade rural, oportunidade em que até poderia ser responsabilizada a SAD, mas que demandaria uma total correção dos valores, uma vez que, a teor das disposições legais sobre o assunto (Lei n° 8.023/90 e IN SRF n° 83/2001), a tributação da atividade rural de produtor pessoa física é demasiadamente menos onerosa daquela do ganho de capital; a solidariedade não pode ser presumida, de acordo com o artigo 265 do Código Civil, devendo resultar de lei, em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (julgado mencionado na pág. 12 da impugnação, fl. 478 do processo apenso). Protesta pelo aproveitamento das razões de mérito aduzidas nas defesas apresentadas pelas pessoas físicas integrantes do condomínio rural, a serem julgadas em conjunto com a impugnação ora em referência. Por fim, requer o cancelamento do Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, por entender não configurada a responsabilidade solidária da impugnante, e apresenta solicitação concernente a intimações a serem expedidas. O feito foi instruído com o documento de fls. 770 a 881, colhido no curso do procedimento fiscal que deu origem à autuação, e com consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fl. 882. Pelo Despacho de fls. 883 e 884, determinouse o retorno dos autos à Delegacia de origem, para a realização de diligência na SAD/ABAG, com vistas à adoção das seguintes providências: a) esclarecer a forma e a(s) data(s) de extinção da parte das obrigações da SAD/ABAG perante MMO, não liquidada mediante compensação; b) trazer aos autos a cópia da alteração do contrato social da SAD/ABAG, formalizada por ocasião da retirada do contribuinte em epígrafe do quadro societário. No expediente de fl. 918, a diligenciada afirma que “não houve extinção de obrigações em relação a MMO que não seja mediante compensação”. Anexa cópia do Instrumento Particular de 5ª Alteração do Contrato Social da SAD, fls. 919 a 935. O contribuinte foi intimado a apresentar os esclarecimentos e elementos acima referidos e a se manifestar sobre o resultado da diligência, tendo trazido aos autos razões já aduzidas por ocasião da impugnação (fls. 894 a 897 e 950 a 956), centradas na tese de invalidade das compensações de Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 dívidas recíprocas levadas a efeito pela SAD, porquanto teriam sido realizadas de forma unilateral. Decorreu in albis o prazo para a SAD/ABAG manifestarse sobre o resultado da diligência. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Evidenciada nos autos a quitação parcial do valor da cessão de direitos, mediante compensação de débitos recíprocos entre cedente e cessionária, exonerase o crédito tributário relativo à parcela cuja quitação não restou comprovada. Não há previsão legal para a tributação do valor correspondente à cessão de direitos sobre safras futuras como receita da atividade rural ou para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza. A apreciação de teses contra a constitucionalidade ou legalidade de leis ou atos normativos é privativa do Poder Judiciário. Não há custo a ser atribuído à operação, porquanto os dispêndios realizados com a cultura em formação foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Comprovada nos autos a quitação parcial do valor da alienação de bens utilizados na exploração da atividade rural, mediante compensação de débitos recíprocos entre alienante e adquirente, o valor omitido é inferior ao apurado pela fiscalização. Em consequência, alterase o saldo do prejuízo a compensar em anoscalendário subsequentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.233 23 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa que figura como adquirente nas operações que ensejaram o lançamento, por ser descabida a atribuição de responsabilidade solidária a pessoas que figuram em polos opostos da relação jurídica. A responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física. No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, haveria responsabilidade subsidiária da adquirente, caso houvesse imposto a ser exigido, porquanto o alienante prosseguiu na exploração da atividade. Entretanto, na situação dos autos, o procedimento fiscal resultou em redução do prejuízo a compensar em anoscalendário subsequentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1653.151 da 16ª Turma da DRJ/SP1 em 06/12/2013 (fl. 1.001 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 03/01/2014 (fls. 1.003/1.062 pdf), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. Tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34, I, do Decreto 70.325, de 6 de março de 1972, e de acordo com a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o processo foi encaminhado para este Egrégio Conselho. Em sessão realizada dia 25/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência Resolução 2301000.560 (fls. 1.107/1.130), pois fora constatado que a empresa Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda não havia sido intimada da decisão de primeira instância. Em 12/02/2016, às fls. 1.118, a contribuinte supracitada foi devidamente intimada. Em 11/03/2016, a empresa Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda. apresentou petição denominada de contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 1.200/1.215), basicamente discorrendo sobre a impossibilidade de ser responsabilizada solidariamente e postulando pela manutenção da decisão recorrida, negandose provimento ao recurso de ofício. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi Os recursos ora analisados, possuem os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merecem ser conhecidos. O auto de infração foi lavrado contra o recorrente com base em duas infrações: omissão de rendimentos da atividade rural e omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos pelo Condomínio Agrícola Márcio Milan de Oliveira e Outros (MMO), visto que este cedeu à SAD (Sociedade Agrícola Dedini) os seus ativos e os direitos sobre contratos de parceria agrícola. No final do ano de 2006, os integrantes do Condomínio Agrícola MMO transferiram os seus ativos e os direitos sobre as parcerias rurais à empresa Sociedade Agrícola Dedini (SAD), da qual eram sócios na mesma proporção da participação no condomínio. Desta forma, em 14 de novembro de 2006 foi celebrado o “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, e Outras Avenças”, por meio do qual o Condomínio MMO transferiu à SAD todos os direitos e obrigações dos contratos de parceria agrícolas. Foi elaborado um “Laudo de Avaliação da Cultura da Cana de Açúcar” que concluiu que o valor dos direitos de exploração das lavouras de cana de açúcar de propriedade do Condomínio MMO atingiria a quantia de R$ 280.157.514,64 (duzentos e oitenta milhões, cento e cinquenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta e quatro centavos). Em 1o de dezembro de 2006, através do “Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças”, o Condomínio MMO cedeu à SAD a titularidade dos seus ativos, constituídos por: (a) bens da conta de Ativo Imobilizado, (b) direitos a receber (adiantamentos a empregados, seguros), (c) direitos referentes aos projetos e desenvolvimento de logística e pesquisas relacionadas ao melhoramento genético da cana de açúcar; (d) direito relacionado aos adiantamentos a fornecedores; (e) estoque de insumos. Com efeito, antes de adentrar no mérito passo a analisar as preliminares arguidas pelo recorrente: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO RECORRENTE NA FASE DE FISCALIZAÇÃO Efetivamente resta inconteste que o recorrente não foi intimado na fase de fiscalização, uma vez que o próprio fiscal autuante afirma em fl. 446: “Os fatos e o embasamento jurídico que sustentam a imposição fiscal encontramse detalhados no “Termo de Verificação, encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal”, lavrado contra a pessoa jurídica da qual o autuado também era sócio. Referido Termo é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal e, conseqüentemente, do Auto de Infração lavrado. Não houve necessidade de expedição de Intimação prévia a contribuinte pessoas física, pois todos os elementos e Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.234 25 esclarecimentos necessários formação de convicção do fisco quanto à existência das infrações foram colhidos durante a diligência fiscal na sociedade da qual era sócio e tem o contribuinte como signatário (Contratos, Aditivos e seus Anexos). Referidos elementos foram cotejados com as suas Declarações de Rendimentos (DIRPF) dos anoscalendário de 2006 e 2007 constantes dos Bancos de Dados da Receita Federal do Brasil. Os elementos contábeis utilizados são de período em que o contribuinte era sócio da pessoa jurídica Sociedade Agrícola Dedini (SAD) e, portanto, são de seu prévio conhecimento.” O Termo de Verificação Fiscal de fls. 446/448 relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. Em sua defesa, o contribuinte revela ter conhecimento preciso da autuação que lhe foi imputada. Na esteira da Decisão a quo, na hipótese de revisão da declaração de ajuste anual, o lançamento poderá ser efetuado com base nos elementos de que dispuser a repartição, nos termos do artigo 835, § 2o, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto no 3.000/1999), in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). (...) § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, § 1o). O direito ao contraditório e à ampla defesa foram assegurados, nos termos do artigo 14 e seguintes do Decreto n° 70.235/1972, desde a impugnação, através de diligências determinadas pela DRJ, bem como no presente recurso. Ademais, nesse sentido cabe transcrever excertos das contrarrazões da PGFN ( fl. 1075): “Por outro lado, o contribuinte ainda busca embasar sua tese no art. 196 da Lei n° 5.172, de 19662, e no art. 7º do Decreto n° 70.235, de 19723. Todavia, os dispositivos citados pelo recorrente não prevêem a obrigatoriedade de intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos, ainda mais quando se considera que a autoridade fiscal já tem em seu poder todos os documentos que julgava necessários para realizar o lançamento. Implica dizer que, se a Fiscalização tinha conhecimento de todos os fatos que considerava suficientes para lançar o crédito tributário, não havia quaisquer esclarecimentos que o Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 contribuinte deveria fazer. Isso demonstra que a “intimação para prestar esclarecimentos” ato que o recorrente, repetidas vezes, salienta que deixou de ser praticado e que, por isso, o lançamento seria nulo mostravase absolutamente dispensável. Tratase de uma questão até mesmo lógica: por que deveria haver intimação do contribuinte se a autoridade fiscal havia formado sua convicção a respeito dos fatos e das infrações tributárias? Seguindo a mesma linha de raciocínio, perguntase: a racionalidade do procedimento de lançamento de créditos tributários realmente demanda que a autoridade fiscal realize um ato inócuo? Devese intimar os contribuinte para “esclarecer” algo que não precisa de esclarecimento?” Visto que a intimação do recorrente, na fase de fiscalização, comprovadamente, restou dispensável, rejeito a presente preliminar. NULIDADE – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No que tange à alegação de descumprimento das normas que estabelecem as regras de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tratase de instrumento que se destina ao planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos ao tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo até acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos praticados pelo Auditor, em conformidade com a jurisprudência pacífica da Câmera Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas seguem abaixo transcritas: MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como consequência a nulidade do ato. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105558, julgado em 04.12.2006) MPF FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR NULIDADE INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (Acórdão CSRF nº 40105189, julgado em 14.03.2005) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF nº 40106085, julgado em 11.11.2008) Por isso, rejeito esta preliminar. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.235 27 COMPENSAÇÃO – AUSÊNCIA DE PROVAS DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. O recorrente alega que “havia cláusula específica no contrato de cessão de direitos dispondo que a compensação entre esses créditos e débitos demandaria ciência e autorização expressa de ambas as partes envolvidas. ” Argumenta que a Fiscalização elegeu o momento da incidência tributária quando da compensação dos créditos e débitos existentes entre o condomínio de produtores rurais capitaneado pelo contribuinte (MMO), e a empresa Sociedade Agrícola Dedini Ltda., CNPJ 06.252.818/000188, atual Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (SAD ou SAD/ABAG), mediante registros contábeis efetuados nessa última. Neste item, transcrevo como fundamentos para julgar a questão, excertos das contrarrazões da PGFN de fls. 1.086/1.089: III.1 – Compensação realizada pela SAD/ABAG dos créditos detidos em face do condomínio MMO A questão relativa à compensação dos valores devidos pelo condomínio MMO com os créditos que este condomínio possuía em face da SAD/ABAG somente pode ser compreendida se analisarmos como eram as operações de produção e venda de canadeaçúcar. Notadamente, importante relembrar que os custos com a atividade agrícola desenvolvida por MMO eram subsidiados pelas usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Conforme descrito acima, o condomínio MMO firmava contratos de parceria agrícola, de modo a conseguir terras para realizar o plantio e cultivo de canade açúcar. Por sua vez, DIC/ABSL e DAA/ABSJ atuavam como agentes financiadores da atividade agrícola, se encarregando de oferecer os recursos financeiros solicitados por MMO. A contrapartida para as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ vinha na forma do compromisso, assumido por MMO, de entregar para as referidas usinas a produção de canadeaçúcar – sendo que essa obrigação era prevista no próprio contrato de parceria agrícola, estabelecido entre MMO e os proprietários das glebas rurais. Dentro desse contexto, o procedimento seguido pelas usinas e MMO era o seguinte: a cada mês, eram contabilizadas as despesas custeadas pela DIC/ABSL e pela DAA/ABSJ; por seu turno, o condomínio MMO reconhecia o valor da dívida e oferecia como garantia ao pagamento da mesma dívida as lavouras de canade açúcar, na forma de penhor agrícola. Para esclarecer melhor, vale a pena transcrever trecho de um “Instrumento de Confissão de Dívida”, por meio do qual o condomínio MMO (DEVEDOR) reconhecia seu débito com a DIC/ABSL (CREDORA): Considerando que o DEVEDOR é fornecedor de canadeaçúcar para a CREDORA, e que as operações entre as partes são registradas em conta corrente, nas quais são contemplados, além da entrega da matéria prima a crédito do DEVEDOR, empréstimos financeiros e despesas decorrentes de movimentação diversas, suportadas pela CREDORA a débito do primeiro, e cujo resultado líquido é apurado mês a mês; Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 1 – O DEVEDOR, (...) confessa dever à CREDORA a importância de R$ 9.926.626,29 (nove milhões, novecentos e vinte e seis mil, seiscentos e vinte e seis reais e vinte e nove centavos), referente ao saldo devedor da conta corrente a que se refere o considerando acima, apurado no mês de novembro de 2006, estando as movimentações devidamente contabilizadas nas contas correspondentes. 2 – Que em decorrência da dívida ora confessada, o DEVEDOR promete e obrigase a resgatála, mediante o fornecimento à CREDORA de 239.567 (duzentas e trinta e nove mil, quinhentas e sessenta e sete) toneladas de canadeaçúcar, cortada no campo, da seguinte forma 2.1 – Na safra agrícola 2008/2009, 239.567 toneladas de canadeaçúcar; 3 – Para garantia de pagamento da dívida confessada o DEVEDOR emite, neste ato, uma Nota Promissória, no valor de R$ 9.926.626,29 (nove milhões, novecentos e vinte e seis mil, seiscentos e vinte e seis reais e vinte e nove centavos), com vencimento à vista, a qual reconhece como líquida, certa e exigível, para todos os fins e efeitos de direito e deste contrato. Um dos motivos apresentados pelo recorrente como obstáculo à compensação é que as dívidas do condomínio MMO não estariam vencidas na época da compensação, requisito elencado no art. 369 do Código Civil de 2002, para que ocorra a compensação. A suposta inexigibilidade da dívida encontraria suporte na maneira do pagamento das dívidas contraídas por MMO, isto é, a quitação aconteceria apenas com a entrega da lavoura. É com base nisso que o contribuinte argumenta que as dívidas ainda não seriam exigíveis. Entretanto, essa interpretação dos fatos não encontra suporte se considerarmos o contexto das operações entre as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ e o condomínio MMO. Com efeito, basta lembrar que os recursos financeiros necessários para implementar o cultivo e produção de canadeaçúcar eram disponibilizados pelas usinas. Esses valores repassados ao condomínio MMO foram objeto de contrato de confissão de dívida, no qual o referido condomínio reconheceu a sua obrigação perante as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Implica dizer que as dívidas de MMO eram líquidas, certas e poderiam ser exigidas pelas usinas. Corrobora essa afirmação o conteúdo do documento acima transcrito – daí sua relevância –, visto que as notas promissórias emitidas por MMO representavam, sim, uma dívida líquida, certa e exigível – no caso, as dívidas com as usinas pelos financiamentos da lavoura de canadeaçúcar. Nesse ponto, convém salientar que, apesar de o Grupo ABENGOA ter apresentado somente um dos vários “Instrumento Particular de Contrato de Confissão de Dívida” firmados pelo condomínio MMO, não há motivos para duvidar que todos as confissões de dívida tenham seguido esse modelo. Com efeito, o representante do GRUPO ABENGOA deixou expresso que o documento apresentado serviria como exemplo, o que evidencia que não era necessário trazer todos os documentos de confissão de dívida, pois todos teriam o mesmo conteúdo. Por sua vez, também merece ser mencionado que o documento entregue à Fiscalização dizia respeito somente a uma dívida perante a DIC/ABSL. A partir disso, poderia ser levantado que essa realidade não se aplicaria aos créditos reconhecidos pelo condomínio MMO em favor da DAA/ABSJ. Nesse ponto, vale lembrar que se tratavam de operações envolvendo o mesmo grupo empresarial – na época, o GRUPO DEDINI –, razão pela qual mostrase perfeitamente válido assumir que a mesma sistemática observada em relação à DIC/ABSL encontravase nos documentos de confissão de dívida firmados com a DAA/ABSJ. Afinal, não faria nenhum sentido que as empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial – a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ –, situadas na mesma região, desempenhando a mesma Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.236 29 atividade empresarial resolvessem adotar formas distintas de negociar os termos dos contratos de parceria agrícola, estabelecidos com o condomínio MMO. Feitas essas considerações, resta evidente que as dívidas assumidas em favor da DIC/ABSL e da DAA/ABSJ possuíam os atributos de liquidez, certeza e exigibilidade – ao contrário do que foi afirmado pelo recorrente. Dessa maneira, se essas mesmas dívidas foram utilizadas para integralizar aumento de capital da SAD/ABAG, não haveria óbice legal para que fossem extintas por meio de compensação – quando a SAD/ABAG tornouse, ao mesmo tempo, credora e devedora do condomínio MMO. A segunda alegação do recorrente é no sentido de que a autoridade fiscal não teria comprovado a efetiva compensação dos débitos e créditos, tendo a Fiscalização se baseado em atos unilaterais praticados pela SAD/ABAG. De acordo com o recorrente, a SAD/ABAG teria descumprido os termos do contrato de cessão de direitos firmado entre esta pessoa jurídica e o condomínio MMO. Isso porque o citado contrato previa a possibilidade de compensação para a liquidação das dívidas de MMO, mas desde que o condomínio concordasse com essa operação. Não obstante, após o GRUPO ABENGOA ter se tornado controlador das pessoas jurídicas que compunha o GRUPO DEDINI – entre elas a SAD/ABAG, a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ – a SAD/ABAG teria realizado unilateralmente a compensação dos débitos e créditos relativos ao MMO. Novamente, o contribuinte apresenta os fatos de maneira descontextualizada. Em primeiro lugar, a comprovação de que houve compensação encontrase nos registros contábeis da SAD/ABAG, conforme destacado pela DRJ/SP1: Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. A tese do contribuinte é de que o condomínio MMO não teria autorizado expressamente a compensação. Para que se admita essa hipótese como verdadeira, Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 seria preciso imaginar que apenas a SAD/ABAG teria se beneficiado com a operação, enquanto o contribuinte aceitava passivamente sua situação desvantajosa. Ora, srs. Conselheiros, se a SAD/ABAG compensou indevidamente os crédito e débitos oriundos de suas operações com o condomínio MMO, a consequência é que os integrantes do condomínio não receberam os valores que lhe caberiam em virtude da cessão de direitos e bens, realizadas em novembro e dezembro de 2006. Com efeito, para a SAD/ABAG, suas dívidas com o condomínio MMO estavam liquidadas e não precisaria entregar mais nenhuma quantia aos integrantes do referido condomínio. Portanto, também rejeito esta preliminar. MÉRITO Cabe inicialmente analisar o Recurso de Ofício. Tendo em vista que a Autoridade Autuante, considerou que os fatos geradores, tanto da omissão de rendimentos da atividade rural, bem como do ganho de capital na alienação de bens e direitos, ocorreram com a compensação de créditos recíprocos. Do total constante do Auto de Infração de R$ 313.503.780,68 (R$286.350,740,05 Ganho de Capital e R$ 27.153.040,63 – Receita da Atividade Rural), restou comprovado que foram extintos por compensação de créditos recíprocos, o valor total de R$ 272.160.461,22, a quantia de R$ 242.804.084,27 referese a cessão de direitos (Ganho de Capital) e, a importância de R$ 29.356.376,95, a alienação de ativos, cujo valor tributável é de R$ 20.922.067,76 (Receita da Atividade Rural), conforme demonstrativo abaixo: Alienação de Ativos Mês Cessão de Direitos Total Tributável dez/06 402.322,62 41.008,09 26.834,66 jan/07 3.423.235,89 349.906,46 228.970,00 fev/07 403.153,46 41.955,35 27.454,53 mar/0 7 18.773.204,75 1.914.384,83 1.252.725,37 abr/07 1.133.032,88 116.350,78 76.137,03 mai/07 13.748.701,01 1.402.245,33 917.594.14 jun/07 6.153.625,44 1.872.061,48 1.837.423,02 jul/07 558.046,42 848.783,19 815.825,80 ago/07 439.465,16 45.656,55 29.876,50 set/07 159.077,58 17.077,10 11.174,83 out/07 1.582.909,78 1.358.456,38 1.280.735,73 nov/07 203.936,91 21.649,54 14.166,92 dez/07 6.547.069,95 668.194,77 437.249,88 jan/08 13.481.522,12 1.374.149,64 899.209,03 fev/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 mar/08 133.514.867,01 13.608.953,39 8.905.357,43 abr/08 30.555,03 208.531,15 203.735,65 mai/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 jun/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 jul/08 30.555,03 3.114,42 2.038,00 ago/08 363.943,69 37.096,19 24.274,82 set/08 83.556,11 8.516,74 5.573,14 out/08 1.068.971,94 1.269.563,11 1.210.891,48 nov/08 4.634,93 1.491,71 976,14 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.237 31 dez/08 14.634,93 1.491,71 976,14 jan/09 14.634.93 1.491,71 976,14 fev/09 14.634,93 1.491,71 976,14 mar/09 40.552.126,68 4.133.412,36 2.704.801,28 Total 242.804.084,27 29.356.376,95 20.922.067,76 Uma vez que o valor tributável relativo ao impugnante é de R$ 186.959.144,89, resultante da aplicação do percentual de participação no condomínio, de 77% (setenta e sete por cento), sobre o montante tributável, de R$ 242.804.084,27, remanesce a exigência do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos, de R$ 28.043.871,73. A alteração no Resultado da Atividade Rural, em virtude da redução do valor da omissão de rendimentos para R$ 16.109.992,17 (=R$ 20.922.067,76 x 77%) resta abaixo demonstrada: MÊS RECEITA BRUTA MENSAL (R$) DESPESAS DE CUSTEIO/ INVESTIMENT O R$ Janeiro 18.500,00 2.079.098,12 Fevereiro 679.535,07 1.301,84 Março 1.749.268,93 2.082.254,90 Abril 7.306.471,18 4.660.711,49 Maio 20.192,12 410.984,96 Junho 34.500,00 268.095,21 Julho 37.207,55 135.842,09 Agosto 761.059,92 479.089,21 Setembro (Omissão) 16.112.473,62 193.917,06 Outubro 3.254.510,41 900.548,78 Novembro 10.000,00 169.321,30 Dezembro 56.969.347,01 42.987.729,64 Total 86.953.065,81 54.368.894,60 * Valor declarado de R$ 2.481,45 + omissão de R$ 16.109.992,17. APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL (R$) Discriminação Valores (R$) Receita bruta total 86.953.065,81 Despesas de Custeio e Investimento 54.368.894,60 Resultado I 32.584.171,21 Prejuízo de exercício anterior 188.632.816,00 Resultado após compensação do prejuízo 156.048.644,79 Opção pelo arbitramento sobre a receita bruta 17.390.613,16 RESULTADO TRIBUTÁVEL 156.048.644,79 INFORMAÇÕES PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE Prejuízo a compensar 156.048.644,79 Valor dos adiantamentos recebidos em 2007 por conta de venda pra entrega futura 0,00 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 APURAÇÃO DO RESULTADO NÃOTRIBUTÁVEL Valor dos adiantamentos recebidos até 2006 referente a produtos entregues em 2007 1.009.248,06 RESULTADO NÃO TRIBUTÁVEL 31.574.923,15 Portanto, o valor do prejuízo a compensar a partir do ano calendário de 2008 fica alterado para R$ 156.048.644,79." Da análise dos autos, dentro da premissa utilizada pelo Auto de Infração que ambas as infrações ocorrem com as respectivas compensações, entendo que o Recurso de Ofício não merece provimento, não há reparos a serem realizados na decisão a quo, uma vez que a mesma realizou as alterações reduzindo os valores lançados até o montante dos respectivos valores efetivamente compensados. Ou seja: o Auto de Infração lançou o valor de R$ 313.503.780,68 (R$286.350,740,05 Ganho de Capital e R$ 27.153.040,63 – Receita da Atividade Rural), quando os valores extintos por compensação foram de R$ 272.160.461,22, sendo a quantia de R$ 242.804.084,27 referese a cessão de direitos (Ganho de Capital) e, a importância de R$ 29.356.376,95, a alienação de ativos, cujo valor tributável é de R$ 20.922.067,76 (Receita da Atividade Rural), portanto não merece reparos a Decisão. Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício. No que tange a Responsabilidade Tributária da Abengoa, sua exclusão resta definitiva pela Decisão a quo, nos termos constantes da respectiva ementa, abaixo transcrita: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa que figura como adquirente nas operações que ensejaram o lançamento, por ser descabida a atribuição de responsabilidade solidária a pessoas que figuram em polos opostos da relação jurídica. A responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Passo a analise do mérito da infração de omissão de rendimentos da atividade rural. Considerando que foram rejeitadas as preliminares, entendo que efetivamente ocorreu o fato gerador quanto à primeira infração, em consonância com a legislação de regência, abaixo transcrita: LEI 8.023, DE 12 DE ABRIL DE 1990: Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.238 33 Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. (grifei) DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999: Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; II o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 § 3º Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. § 4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. (grifei) Verificase assim que o parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento, alterando, por consequência, o momento do fato gerador. Embora o contrato de cessão e transferências dos ativos tenha ocorrido em 2006 e alguns de seus aditivos tenham ocorrido em 2007, o fato gerador se concretizou com as respectivas compensações, por ser uma forma de extinção das obrigações conforme art. 368 do Código Civil. Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. O Contrato de Cessão e transferência de Ativos (fls. 580 e seguintes) firmado em 01/12/2006 traz a venda do ativo imobilizado no anexo I, no valor de R$ 15.759.591,54, os adiantamentos a empregados, seguros, etc., no Anexo II, no valor de R$ 918.721,23, os projetos e desenvolvimento de logistica, pesquisa genética da canadeaçúcar no Anexo III, no valor de R$ 221.337,44, adiantamentos a fornecedores no Anexo IV, no valor de R$ 8.685.415,68, insumos, bens do almoxarifado, motomecanização, combustíveis e lubrificantes, Anexo V, no valor de R$ 2.843.060,97, perfazendo um total de R$ 28.428.126,86, com cláusula para pagamento em 42 parcelas mensais, com valores diversos sendo a primeira parcela em 01/12/2006 e a última 01/10/2011. O primeiro aditamento (fls. 593 e seguintes) foi firmado em 31/12/2006, no valor total de R$ 1.356.849,40, com prazo para pagamento em parcela única no dia 30/06/2007. O segundo aditamento (fls. 601 e seguintes) foi firmado em 28/02/2007, no valor total de R$ 515.212,08, com prazo para pagamento em parcela única no dia 30/06/2007. O terceiro aditamento (fls. 613 e seguintes) foi firmado em 30/04/2007, no valor total R$ 6.836.744,79, referente à contas a receber, não se tratando de receita da atividade rural. As compensações ocorreram no período de 01/03/2007 a 30/09/2007, conforme informado pela SAD/ABAG, no expediente de fls. 06 a 18, abaixo transcritas: Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.239 35 Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. Portanto, embora o auto de infração tenha presumido que a ocorrência do fato gerador se deu em momento único, qual seja, em 30/09/2007, verificase que tal presunção em nada prejudicou o contribuinte, pois se no caso houvesse apurado imposto a pagar, o índice de incidência da taxa SELIC seria menor, posto que as compensações iniciaram ainda em 01/03/2007. Logo, sendo incontroverso nos autos que a cessão e transferências dos ativos tributáveis tratamse de omissão de rendimentos da atividade rural, cujo fato gerador ocorre na data dos respectivos recebimentos, momento em que é considerada receita tributável pela legislação de regência, havendo comprovação do pagamento através da compensação, deve ser mantido o lançamento, observada as exclusões efetuadas pela decisão a quo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. No que tange ao ganho de capital, constatase várias ilegalidades no Auto de infração: Primeira ilegalidade – do Fato Gerador Sendo o lançamento, ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, nos termos do art. 142, do CTN, portanto a descrição adequada dos fatos constituise em requisito essencial à validade do lançamento. Além do disposto no art. 10, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, o art. 144 do CTN estabelece que o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador. Em outras palavras, há que se observar o critério material, temporal e espacial. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 Um dos requisitos indispensável à incidência do tributo é a existência de provas da ocorrência do fato gerador. Não há margem para que o Fisco presuma a existência de fatos geradores não previstos na norma tributária. Os fatos necessitam de enquadramento perfeito na norma para que surja a obrigação tributária. A presunção não pode ser utilizada para caracterização da ocorrência do fato gerador. O ganho de capital, sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, o cálculo e o pagamento do imposto deve ser efetuado em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, sendo que o fato gerador ocorre na data da realização do negócio jurídico, oportunidade em que o tributo é calculado como venda à vista e apenas o prazo para pagamento é postergado para momento futuro. Não se pode confundir critério temporal com prazo de pagamento do tributo. O primeiro integra a regra matriz e diz respeito ao surgimento da obrigação, ao passo que o segundo apenas estabelece prazos para pagamento, não guardando qualquer correspondência com o fato jurídico tributário. Conforme preceitua a legislação abaixo transcrita: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do imposto sobre a renda, com as seguintes alíquotas: [...] § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). Sendo que os contratos de cessão e seus respectivos adendos ocorreram nas seguintes datas e valores: Fls. 528/530 – Contrato Cessão de Direitos e Obrigações de 14/11/2006 – contratos de parceria de compra e venda de canadeaçúcar cuja avaliação fora realizada no valor de R$280.157.514,64, através de Laudo datado de 01/12/2006; Fls. 537/552 – 1º Termo Aditivo de 01/12/2006 – forma de pagamento; Fls. 556/563 – 2º Termo Aditivo de 31/12/2006 – estoque de tratos culturais, cana produção, cana em formação – R$5.593.490,60; Fls. 564/571 – 3º Termo de Aditivo de 28/02/2007 – lavoura de canade açúcar formada após 01/01/2007 –R$ 560.134,84; Fls. 572/579 – 4º Termo de Aditivo de 30/04/2007 – estoque cana produção – R$39.599,77. O fato gerador, em se tratando de ganho de capital, ocorreu nas datas dos respectivos contratos, mas limitouse o Fisco a presumir que tal fato gerador ocorreu com a compensação e presumiu que está se realizou em setembro de 2007, portanto não podia o Fisco presumir um fato gerador, não previsto na legislação de regência, aleatoriamente Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.240 37 fixando a ocorrência do fato gerador na data de 30/09/2007, sem amparo legal e nem nas provas dos autos. Frisase que o imposto de renda sobre ganho de capital, a tributação é definitiva e em separado dos demais rendimentos, devendo o imposto ser pago, via de regra, até o último dia útil do mês subsequente àquele em que o ganho houver sido percebido (art. 30, § 3o, inciso I da IN SRF 84/2001). Nas alienações a prazo, todavia, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, mas o pagamento será postergado para momento futuro, quando os recebimentos se efetivarem. Ou seja, o Legislador estabeleceu como critério temporal o momento da realização do negócio jurídico, dilatando o prazo para pagamento do tributo em tantas parcelas quanto forem acordadas contratualmente. Em relação ao critério temporal, transcrevo trecho extraído do Acórdão nº 92 00.809 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 10 de maio de 2010: Inicialmente, destaco que nas vendas a prazo, com ganho de capital, o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou do direito e o pagamento do imposto é diferido para a data do recebimento. A circunstância do artigo 21 da Lei n° 7.713, de 1988, prever pagamento do imposto em data posterior, como ocorre, por exemplo, na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, em que o fato gerador, decorrente dos rendimentos do trabalho, se dá em 31 de dezembro, com declaração entregue e imposto apurado no mês de abril do ano seguinte, não altera a data do fato gerador e nem muda o marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de venda em várias parcelas, temse o fato gerador no momento da alienação, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. A propósito dos fatos relacionados à venda a prazo, o artigo 140, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado por meio do Decreto n° 3.000, de 1999, assim dispõe: Art. 140 Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei n° 7 713, de 1988, artigo 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. (grifei) No caso dos autos, relativamente a este item, os fatos geradores ocorreram nas datas das respectivas alienações: canadeaçúcar, objeto do Contrato de Cessão firmado em 14/11/2006, no valor de R$280.157.514,64 (fls. 528/530); estoque de tratos culturais, cana produção e cana em formação, objeto do 2º Termo Aditivo firmado em 31/12/2006, no valor de Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 38 R$5.593.490,60 (fls. 556/563); lavoura de canadeaçúcar formada após 01/01/2007, objeto do 3º Termo de Aditivo firmado em 28/02/2007, no valor de R$ 560.134,84 (fls. 564/571); e, estoque cana produção, objeto do 4º Termo de Aditivo firmado em 30/04/2007, no valor de R$ 39.599,77 (fls. 572/579) Em relação ao ganho de capital, há de se observar que o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou do direito e o pagamento do imposto é diferido para a data do recebimento, ademais, a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Razão pela qual, o fato gerador, ocorre na data da alienação não se deslocando para o final do anocalendário. Constatase, dessa forma, que em relação ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações firmado em 14/11/2006, o lançamento ocorreu passados mais de cinco anos da data do fato gerador do Imposto sobre a Renda incidente sobre ganhos de capital, tendo em vista que o fato gerador ocorreu no momento da alienação (14/11/2006), cujo imposto deverá ser apurado como venda à vista e diferido o pagamento na proporção das parcelas recebidas em cada mês. Ainda que o Contribuinte seja obrigado a reportar tal ocorrência em sua declaração de rendimentos, é assente que tal não desvirtua o momento em que é devido o imposto, inclusive sujeito a cálculo em apartado. Neste sentido, colaciono excertos da ementa ao Acórdão da Câmara Superior nº 9202003.702, Processo 10850.002612/200179, julgado em 27/01/2016 de relatoria Do Ilustre Conselheiro Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/10/1996 a 30/04/1999 DECADÊNCIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL O ganho de capital sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, para cada operação de alienação contratada, devendo o cálculo e o pagamento do imposto serem efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês. Esse imposto está sujeito ao lançamento por homologação e havendo pagamento do imposto, ainda que parcial, o termo de início do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública exercer seu direito de revisálo e constituir o crédito, é a data da ocorrência do fato gerador. Inexistindo tal pagamento, o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. [...] Recurso especial provido em parte. (g.n.) Por esta conclusão, o lançamento relativamente ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações no valor de R$ R$280.157.514,64, está decaído, tendo em vista que a tributação sobre o ganho de capital é definitiva, ou seja, não se sujeita a ajuste na declaração e independe de prévio exame da autoridade administrativa, de modo que o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contando da ocorrência Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.241 39 do fato gerador e, a Lei estabeleceu como critério temporal o momento da realização do negócio jurídico. Assim, considerando que o contribuinte somente foi cientificado do lançamento em 28/11/2011 (fl. 464), em relação ao Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações (fls. 528/530), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Concluise que com base na primeira ilegalidade, que alterou, no Auto de Infração, a data do fato gerador, restaram lançadas parcelas decaídas referentes ao ganho de capital decorrente do Contrato de Cessão cujo o objeto é a alienação de contratos de parceria de compra e venda de canadeaçúcar, o qual foi firmado em 14/11/2006, no valor de R$ 280.157.514,64. Segunda ilegalidade – da Base de Cálculo Ocorre que, ao apurar o ganho de capital obtido pelo Condomínio, a Fiscalização entendeu que tais valores seriam maiores do que o efetivo valor objeto de compensação. No seu entender, o Condomínio teria apurado um ganho de capital da ordem de R$286.350.740,10. Ao cotejarmos a hipótese de incidência com a base de cálculo apurada verificamos incongruência entre os valores considerados pela Fiscalização como recebidos e aqueles utilizados na base de cálculo para apuração do tributo. Inclusive, em parte, restaram corrigidos pela Decisão a quo, alterando a base de cálculo do tributo. Os enunciados das normas individuais e concretas, abaixo transcritas, determinam que a base de cálculo do ganho de capital compreenderá a diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 134. Na apuração do ganho de capital de bens adquiridos por meio de arrendamento mercantil, será considerado custo de aquisição o valor residual do bem acrescido dos valores pagos a título de arrendamento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 24). 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Admitir que a venda da lavoura de canadeaçúcar seja na integra ganho de capital, deixando de considerar qualquer custo na sua aquisição, conforme consta no item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (fl. 435), que “não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 40 rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade”. Quando consta da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF Prejuízo Compensável a partir do anocalendário de 2008, de R$ 172.158.656,00, informado pelo relatório fiscal. É querer tributar não ganho de capital e sem prejuízos acumulados, pois os investimentos foram tratados como despesas da atividade rural e receita obtida como ganho de capital. Admitindose a tributação sobre ganho de capital, a fiscalização deveria ter realizado os abatimentos referentes aos gastos para formação das lavouras, pois a atribuição do custo zero de aquisição é a exceção à regra de acordo com o §4º, do art. 16, da Lei n.º 7.713/88. Portanto a segunda ilegalidade constante do Auto de Infração encontrase na apuração da base de cálculo, pois deixou de ser tributada apenas a diferença positiva determinada pela legislação que rege a matéria, passando a tributar, embutidos na base de cálculo apurada, os prejuízos acumulados. Terceira ilegalidade – Natureza da Receita A Administração Pública tem o dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à existência e conteúdo do fato jurídico. A tributação não poderá basearse em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Cabia a autoridade fiscal demonstrar de forma inequívoca o auferimento do ganho de capital. Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Dentro desta premissa, cabe transcrever, excertos, das conclusões finais elaboradas pela Autoridade Fiscal, nas quais restando consignadas as seguintes conclusões (fls. 433/434): [...] 1) O Condomínio de Pessoas Físicas, capitaneado por Márcio Milan de Oliveira (MMO), composto por ele e pelas demais pessoas físicas sócias da pessoa jurídica então denominada Sociedade Agrícola Dedini (SAD), foi constituído com o objetivo de explorar a atividade rural de produção de cana de açúcar, em terras próprias e ou de terceiros (mediante contratos de parceria/arrendamento) e das próprias Usinas compradoras da cana produzida (DIC e DAA); 2) Grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural do Condomínio era custeada pelas Usinas (DIC e DAA) compradoras, com exclusividade, da cana produzida. Mantinhase assim um “contas correntes” entre as Usinas e o Condomínio (MMO); [...] 5) A SAD realizou, no mesmo ano de 2007, os créditos ativados, mediante recebimento de bens e direitos do Condomínio, avaliados no montante de R$ 323.487.672,98 (trezentos e vinte e três milhões, quatrocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e noventa e oito centavos): 5.1) Esse montante estava assim composto: Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.242 41 a) R$ 286.350.739,85 referentes aos direitos relativos aos contratos de parcerias agrícolas, cedidos pela MMO à SAD; e b) R$ 37.136.933,13 referentes a bens e direitos que compunham o ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, de MMO. 6) Na essência, os negócios jurídicos tiveram como propósito a transferência de toda a atividade do Condomínio (MMO) para a Sociedade Agrícola Dedini (SAD). Em outras palavras, os condôminos alienaram para a SAD os direitos que detinham sobre os contratos das lavouras de cana e as benfeitorias/investimentos na atividade rural do Condomínio. O valor assim obtido foi, parcialmente, utilizado na liquidação integral de suas dívidas para com as Usinas, já na SAD, que as recebeu em subscrição de capital feita pelas Usinas, credoras originais; 6.1) Destacase aqui que a alienação dos direitos sobre os contratos de parceria nas lavouras de cana não se constituiu em venda de produtos rurais, pois o que se alienou foram os direitos sobre as safras futuras, em formação (ainda não eram produtos rurais). Tanto que, no Contrato de Cessão, a Cláusula “1” e “1.1”, estão assim redigidas: “1 O CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura desse instrumento, relacionados em seu ANEXO, que, rubricados pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão, nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1.1 — Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE para atendimento a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. ” Verificase nas conclusões supratranscritas, que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a atividade rural desenvolvida pelo Condomínio consistia na produção de cana de açúcar, ou seja, na lavoura de cana. No entanto, apesar de considerar que a lavoura canavieira é atividade rural, cujos investimentos foram alocados como despesas da atividade rural e utilizados para dedução do resultado da atividade rural, a Autoridade Fiscal entendeu que os valores obtidos com o negócio jurídico em questão caracterizarseia como cessão de diretos, sujeita à apuração do ganho de capital. Os contratos transferiram toda a atividade do Condomínio, isso significa que a SAD passou a ser detentora da atividade rural de produção de cana de açúcar desenvolvida pelo Condomínio, ou seja, foi transferida a lavoura de cana de açúcar. Analisandose o laudo acostado aos autos constatase que há apenas um equívoco na nomenclatura do contrato quando denomina de “safras futuras” porque em verdade o que foi vendido foi a lavoura de canadeaçúcar, visto que esta é composta de rizomas em diversos estágios de plantação, que podem tem vários anos, os quais serão responsáveis para as próximas colheitas. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 42 Da leitura do art. 61, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e da respostas às perguntas 499 e 522 do Perguntas e Respostas IRPF/2013, constatase que a receita da atividade rural é composta de conceito amplo em relação a respectiva atividade: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; II o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. § 3º Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. § 4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Perguntas e Respostas IRPF/2013 499 Considerase receita da atividade rural a cessão de direito à aquisição, por meio de consórcio, de bem destinado à atividade rural? Não, tributase como ganho de capital a transferência (cessão de direito à aquisição de bem) enquanto não recebido o bem. Entretanto, no caso de bem já contemplado, considerase receita da atividade rural o valor recebido pela cessão do próprio bem. (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62, §§ 5º e 6º; Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001, arts. 5º, e 17, §§ 2º e 3º) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.243 43 522 Quais são os gastos que podem ser considerados investimentos? De forma geral, considerase investimento a efetiva aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que vise ao desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da produtividade e seja realizado com: 1 benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; 2 aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários usados diretamente na atividade rural, utensílios e bens de duração superior a um ano e animais de trabalho, de produção e de engorda; 3 serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando a elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; 4 insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como: reprodutores, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; 5 atividades que visem especificamente à elevação socioeconômica do trabalhador rural, tais como: casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; 6 estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; 7 instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; 8 bolsas de estudo para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 4º, § 2º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62; Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001, art. 8º) Portanto, todos os bens e direitos que tenham relação com a atividade rural, à exceção da terra nua, têm sido considerados receita da atividade rural, quando da sua alienação, de modo que não resta dúvida que a receita da venda da lavoura de canadeaçúcar, configura se em receita da atividade rural. Constatase, aqui, a terceira ilegalidade por erro na classificação da natureza da Receita. Com fundamento nas três ilegalidades apontadas, voto no sentido de nulificar o lançamento, no que tange ao GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, por vício material, visto que o auto de infração não preenche os requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo. Acrescentase que no presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Ante o exposto voto no sentido de: Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 44 a) REJEITAR AS PRELIMINARES; b) EXCLUIR a Responsabilidade Tributária da Abengoa, por exclusão definitiva da Decisão a quo; b) NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário em relação a Omissão de Rendimentos da Atividade Rural; c) DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação à omissão de Ganhos de Capital, para declarar a nulidade do lançamento por vício material. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redatordesignado. Não obstante as ponderadas razões da Conselheira Relatora, a qual saúdo, peço vênia para dela divergir unicamente quanto aos valores relacionados ao ganho de capital, pelas razões expostas a seguir. Por primeiro, não há qualquer nulidade no lançamento. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.244 45 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio Não existindo, neste processo, ato ou termo lavrado por pessoa incompetente, nem despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do lançamento. Caso verificados erros nos aspectos materiais do fato gerador – o que não é o caso dos autos – não há falarem nulidade, mas em provimento do recurso voluntário, para conformar o lançamento aos ditames legais e/ou aos fatos imponíveis. Quanto ao que a Conselheira Relatora entende ser a primeira ilegalidade do auto de infração – a presunção, pelo Fisco, de fato gerador não previsto em lei, aleatoriamente fixando a ocorrência do fato gerador em 30/09/2007 – diferentemente, penso que foram estritamente observadas as datas dos fatos geradores aplicáveis ao caso. Isso porque a jurisprudência deste Carf se assentou no sentido de que nas vendas a prazo o fato gerador do imposto sobre a renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Ac. 9202003.820, 08 de março de 2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF GANHO DE CAPITAL VENDA DE IMÓVEL A PRAZO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO DE PARTE DO IMPOSTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Havendo comprovação nos autos da ocorrência do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar o art. 150, §4º do CTN, tomandose como termo inicial para o prazo decadencial a data da ocorrência dos fatos geradores. (Ac. 9202003.771, de 16 de fevereiro de 2016) Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 46 Para entender como ocorreu o ganho de capital, é importante entender o contexto das operações realizadas pelo recorrente. Para tanto, me utilizo do resumo efetuado pala PGFN (efls. 1070 a 1072), o qual, lido e conferido, assumo como meu: O contribuinte MARCIO MILAN DE OLIVEIRA e outras pessoas físicas formavam um condomínio, cujo objetivo era a exploração de atividades agrícolas voltada precipuamente para o cultivo de canadeaçúcar. Esse condomínio de pessoas físicas era denominado "MARCIO MILAN DE OLIVEIRA E OUTROS" (MMO) e explorava atividades agrícolas em propriedades rurais de terceiros, razão pela qual eram firmados entre o MMO e os terceiros contratos de parceria agrícola. A partir desses acordos de parceria, o MMO obtinha autorização para utilizar a terra e produzir canadeaçúcar, enquanto a contrapartida aos proprietários da terra consistia em uma parcela da produção. Portanto, na estrutura do negócio encontravamse, de um lado, MMO e os "parceiros proprietários". Por sua vez, havia ainda os interessados em adquirir a produção de canadeaçúcar, isto é, os compradores da safra, que figuravam nos contratos de parceria agrícola justamente na qualidade de "compradores" e se comprometiam a comprar toda a lavoura de canadeaçúcar produzida por MMO. No caso dos autos, sobressai a participação das Usinas DEDINI S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (DIC/ABSL) e da DEDINI AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. (DAA/ABSJ) atualmente integrantes do GRUPO ABENGOA como compradoras das lavouras de cana deaçúcar. Nesse ponto, importante ressaltar que as compradoras não se limitavam a adquirir a produção, mas também custeavam a maior parte dos gastos do condomínio MMO. Essa informação consta da resposta dada pelo GRUPO ABENGOA á intimação feita pela autoridade fiscal (fl. 07 e ss.), na qual afirma que os gastos incluíam por exemplo, pagamentos de fornecedores, tributos, folha de pagamento e financiamentos. "Além disso, a DIC/ABSL e DAA/ABSJ também recebiam montantes que deveriam ser pagos a MMO. Todas as movimentações eram relacionadas com o custeio agrícola de MMO. ". Portanto, temse que a DIC/ABSL e a DAA/ABSJ financiavam a atividade agrícola desenvolvida pelo MMO, enquanto este condomínio reconhecia as dívidas com aquelas usinas e oferecia como garantia ao pagamento da dívida a própria produção agrícola na forma de contratos de confissão de dívida e constituição de penhor agrícola. As operações funcionavam da seguinte forma: DIC/ABSL e DAA/ABSJ detinham créditos contra o condomínio MMO; por seu turno, MMO quitava suas dívidas com DIC/ABSL e DAA/ABSJ mediante a venda das lavouras de canadeaçúcar. Em 14 de novembro de 2006, iniciaramse operações envolvendo o condomínio MMO, a SOCIEDADE AGRÍCOLA DEDINI LTDA (SAD/ABAG) e as usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ. Naquela data, Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.245 47 o condomínio MMO resolveu transferir as atividades agrícolas que desempenhava para a pessoa jurídica SOCIEDADE AGRÍCOLA DEDINI LTDA (SAD/ABAG), na qual as pessoas que compunha o condomínio MMO detinham participação societária na mesma proporção que lhes cabia no citado condomínio. Assim, o contribuinte MARCIO MILAN DE OLIVEIRA, por exemplo, possuía 77% de participação no MMO e a mesma porcentagem de quotas representativas do capital social da SAD/ABAG. Para realizar a transferência das atividades agrícolas, foi estabelecido que MMO cederia os direitos que lhe pertenciam para a SAD/ABAG, direitos estes relativos aos contratos de parceria agrícola até então firmados pelo condomínio MMO. Em decorrência dessa cessão de direitos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 286.350.739,85, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições estipulados contratualmente. Por seu turno, em 1º de dezembro de 2006, o condomínio MMO transferiu bens e direitos que compunham seu ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, em favor da SAD/ABAG conforme relação de bens e direitos constante dos anexos do contrato e aditivos. Com essa operação, a SAD/ABAG passou a ter mais uma dívida com o condomínio MMO, dessa vez no valor R$37.136.933,13, a ser pago em parcelas. Além dessas cessões de direitos e de bens, houve operações realizadas pelas usinas DIC/ABSL e DAA/ABSJ, de um lado, e a SAD/ABAG, de outro. Nesse ponto, vale lembrar que o condomínio MMO contava com recursos financeiros disponibilizados pelas mencionadas usinas para custear suas atividades agrícolas. Dessa maneira, conforme exposto acima, a DIC/ABSL e DAA/ABSJ ficavam com direitos de crédito em face de MMO; em contrapartida, o condomínio MMO quitava suas dívidas mediante a entrega da produção de canadeaçúcar. Foram justamente esses direitos de crédito, detidos pela DIC/ABSL e DAA/ABSJ, que foram utilizados na integralização de aumento de capital da SAD/ABAG, ocorrido em 28 de fevereiro de 2007. O aumento de capital foi no montante de R$ 254.600.906.59, sendo que a DIC/ABSL foi responsável pela integralização de R$118.431.397,00, enquanto a DAA/ABSJ contribuiu com R$ 136.169.509,59. Igualmente, em 16 de julho de 2007, houve novo aumento de capital da SAD/ABAG, subscrito pela DIC/ABSL e integralizado mediante a entrega de outros créditos detidos em face de MMO, no valor de R$ 16.246.167,27. O resultado dessas operações foi o seguinte: • MMO possuía crédito no valor de R$ 323.487.672,98, em face de SAD/ABAG; Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 48 • SAD/ABAG possuía crédito no montante de R$ 270.847.073,86, em face de MMO; • DIC/ABSL e DAA/ABSJ trocaram direitos de crédito em face de MMO por participação societária na SAD/ABAG, tornandose sócios quotistas desta. Por fim, em 30 de setembro de 2007, a SAD/ABAG, já sob o controle do GRUPO ABENGOA, realizou a compensação dos créditos que detinha contra o condomínio MMO com os débitos que possuía em face do mesmo condomínio. No que diz respeito à dívida proveniente da cessão de direitos sobre contratos de parceria agrícola, de acordo com o entendimento da autoridade fiscal, a referida compensação significou ganho de capital para os integrantes do condomínio MMO, sendo que, no caso do autuado, esse ganho não foi oferecido à tributação. Além disso, a compensação efetivada por SAD/ABAG também extinguiu a dívida desta pessoa jurídica oriunda da cessão dos bens do ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques que pertenciam a MMO e foram transferidos para SAD/ABAG. Desse modo, a liquidação desta parcela do débito de SAD/ABAG proporcionou aos integrantes de MMO receita de atividade rural que, igualmente, deveria ter sido oferecida à tributação. Considerando que o recorrente não incluiu essas receitas de atividade rural na apuração do imposto de renda, a Fiscalização lançou o crédito tributário respectivo, sob a acusação de omissão de receitas tributáveis. (Grifouse.) Como ressaltado, em 30/09/2007 a SAD efetuou a compensação dos créditos que detinha contra o condomínio MMO com os débitos que possuía em face do mesmo condomínio. A referida compensação significou ganho de capital para os integrantes do condomínio MMO, sendo que, no caso do autuado, esse ganho não foi oferecido à tributação. Não há sentido em se afirmar que a operação foi concluída sem prévia extinção das obrigações entre integrantes do grupo alienante, uma vez que tal operação foi realizada a no contexto da reorganização societária do Grupo Dedini Agro, com vistas à sua venda para o Grupo Abengoa. A venda do Grupo Dedini Agro foi formalizada por “Contrato de Compra e Venda de Quotas” (efls. 770 a 881), celebrado em 04/08/2007. A SAD participa do contrato como interveniente e anuente. Restou estabelecida a data de 30/09/2007 como termo final para a conclusão do negócio (Cláusula II – Fechamento do contrato, subitem 2.1, efl. 808); tal data coincide com a data na qual se ultimou a extinção das obrigações recíprocas entre SAD e MMO, e, logo, com o auferimento, por seus integrantes, entre eles o recorrente, de ganho de capital não oferecido à tributação. Ou seja, a conclusão do negócio de compra e venda do Grupo Dedini, do qual não se tem notícia de qualquer contestação por qualquer das partes envolvidas é prova direta da compensação e, consequentemente, do ganho de capital. Gizo que a compensação foi devidamente contabilizada pela SAD, conforme ela próprio informa às fls. 06 a 18, conforme transcrição a seguir, e que constitui prova direta das operações: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.246 49 Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes – curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores – curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes –curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. Também penso que não ocorreu a apontada segunda ilegalidade do lançamento, consistente na apuração da base de cálculo, por não ter sido tributada, na apuração do ganho de capital, “apenas a diferença positiva determinada pela legislação que rege a matéria, passando a tributar, embutidos na base de cálculo apurada, os prejuízos acumulados”. Ocorre que o recorrente continuou a dedicarse à atividade rural, como se comprova à vista de suas declarações de ajuste anual (DAA) correspondentes aos anos calendário de 2008 a 2010 (efls. 709 a 748). A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza dáse na forma prevista no artigo 21 da Lei 8.981, de 1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1° O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2° Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 50 Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Correta, assim, a autoridade lançadora ao consignar no item 9 do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (efl. 435), que “não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade”. (Grifouse.) Igualmente, entendo que não existe a mencionada terceira ilegalidade, por erro na classificação da natureza da Receita, a qual teria ocorrido por nãop ter sido considerada como receita da atividade rural a receita da venda da lavoura da canadeaçúcar correspondente, ao que o laudo acostado aos denomina de “safras futuras”. A análise do “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e obrigações e outras Avenças" (efl. 81 e seguintes), que possui como partes o Condomínio MMO, na qualidade de cedente; a SAD, como cessionária; e a DIC, a título de interveniente anuente, esclarece ser o objeto do contrato os direitos sobre safra futura. Convém recordar mais uma vez o contexto no qual foi realizado o negócio jurídico e o que as partes buscavam quando resolveram efetivar referido negócio; para tanto, esclarece os “considerandos” previstos no “Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações”, os quais esclarecem que: (a) o condomínio MMO resolveu ceder as operações agrícolas para a SAD; (b) a relação entre MMO e a DIC (interveniente) implicava a venda de toda a safra de canadeaçúcar para a DIC, ao mesmo tempo em que o condomínio MMO assumia obrigações, ou seja, realizava penhores agrícolas para garantir suas dívidas com a DIC; e (c) a cessão objeto desse contrato partiu da premissa de que era possível transferir os contratos de parceria agrícola, visto que estes continham “cláusula expressa autorizando sua cessão a terceiros” (a cláusula 14 dos contratos de parceria agrícola) (efl. 82): CONSIDERANDO que os acima nomeados e qualificados parceiros que compõem o CEDENTE, resolveram transferir a totalidade de suas operações agrícolas para uma pessoa jurídica, passando a deter, nos mesmo percentuais de participação de cada um na parceria, a totalidade do capital social da CESSIONÁRIA; CONSIDERANDO que as INTERVENIENTES ANUENTES adquirem, a cada safra, a totalidade da produção de canade açúcar do CEDENTE, e que este, comumente, presta garantias em operações financeiras realizadas pelas mesmas, sob a forma de constituição de penhor agrícola sobre a referida produção; CONSIDERANDO que os contratos de parceria agrícola firmados pelo CEDENTE com os proprietários e/ou detentores a qualquer título de direitos de exploração de imóveis rurais, contêm cláusula expressa autorizando sua cessão a terceiros, independentemente de comparecimento dos mesmos nos respectivos instrumentos de cessão, z’desde que o CEDENTE garanta pagamento dos direitos deles decorrentes; O recorrente defende que tudo não passou de uma venda de lavouras de cana deaçúcar para a SAD, lavouras estas que pertenciam ao condomínio MMO. Para reforçar sua tese, cita a cláusula 5 do “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças”. Contudo, ao se analisar a citada cláusula contratual, notase que ela regula a definição do preço a ser pago pela cessionária – e não o objeto do negociado Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.247 51 entre a MMO e a SAD. Por outro lado, se a alegação do recorrente fosse verdadeira, teríamos que somente o resultado da atividade agrícola – correspondente, no caso, às lavouras de cana deaçúcar – teria sido transferida para a SAD. Entretanto, os termos do contrato acima transcrito são claros ao demonstrar que o objeto do negócio consistia na cessão dos contratos de parceria agrícola, de modo que todos direitos e obrigações assumidos pelos parceiros agrícolas seriam transferidos e se estabeleceriam novos parceiros, a saber, a SAD e os proprietários ou detentores de direitos de exploração dos imóveis rurais. Tal conclusão é confirmada pelo disposto nas seguintes cláusulas do “"Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações” (efl. 83): 1 O CEDENTE cede e transfere á CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura este instrumento, relacionadas em seu ANEXO, que, rubricado pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1.1 – Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE, para o atendimentos a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. 1.2 Os Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar que vierem a ser firmados após a data de assinatura deste instrumento, e até a data do encerramento dos fornecimentos da Safra 2006/2007, serão objeto de cessão pelo CEDENTE à CESSIONÁRIA, e serão devidamente relacionados no fornecimentos da Safra 2006/2007 supra referidos. 2 A CESSIONÁRIA declara conhecer todas as cláusulas e condições estabelecidas nos contratos ora cedidos, obrigandose ao integral cumprimento de todos os seus termos. 3 Assumindo os direitos e obrigações do CEDENTE a CESSIONÁRIA, observando o disposto na cláusula 4 deste pacto, obrigase a entregar às INTERVENIENTES ANUENTES toda a canadeaçúcar produzida nas áreas objeto dos contratos ora cedidos, promovendo, inclusive, a renovação das lavouras quando necessário, até seu cabal cumprimento. 4 A CESSIONÁRIA pelo presente instrumento e melhor forma de direito, obrigase a assumir e a dar cabal cumprimento a todas as garantias prestadas pelo CEDENTE nas operações financeiras realizadas pelas INTERVENIENTES ANUENTES, em conjunto ou isoladamente, mediante constituição de penhor agrícola sobre a produção de canadeaçúcar, na forma como disposto em cada contrato, os quais declara, para todos os fins e Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 52 efeitos de direito, conhecer integralmente e concordar expressamente com todos os seus termos e condições. A assunção das garantias ora formalizada estendese desde a data em que goram formalizadas, até a data do integral cumprimento de todas as obrigações garantidas junto aos credores. 4.1 A CESSIONÁRIA obrigase, ainda, à partir desta data, na condição de titular de todos os direitos e obrigações decorrentes dos contratos objeto desta cessão, relacionados no ANEXO, a prestar as garantias necessárias às operações financeiras que forem realizadas, em conjunto ou isoladamente, pelas INTERVENIENTES ANUENTES, firmando os respectivos contratos, e admitindo a constituição de penhor agrícola sobre a produção de canadeaçúcar nos volumes e valores que se fizerem necessários para sua regular implementação. (...) 7 Permanecem em vigor e inalteradas todas as demais cláusulas e condições dos Contrato relacionados no ANEXO, ora cedidos, que não tenham sido, expressa ou tacitamente, modificadas pela celebração deste instrumento, restando claro que, conforme previsto na cláusula 2 supra, o CEDENTE garante o cumprimento de todas as cláusulas e condições dispostas nos contratos de parceria agrícola relacionados no ANEXO do presente instrumento. (Grifouse.) No mesmo sentido o “Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças”, no qual figuram MMO (cedente), SAD (cessionária) e DICL e DAA (intervenientes anuentes) (efl. 112 e seguintes): CONSIDERANDO QUE: I) Na data de 14/11/06, as Partes firmaram o Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças ('Contrato') por meio do qual o CEDENTE cedeu e transferiu à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações decorrentes de parte dos Contratos de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar por ele celebrados com terceiros até 31/10/06 e que se encontram descritos no Anexo ao referido instrumento; CLÁUSULA I OBJETO DO CONTRATO 1.1 Pelo presente instrumento particular, o CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações decorrentes dos Contratos relacionados no anexo I, bem como dos Contratos relacionados no Anexo II que, rubricados pelas Partes, passam a fazer parte integrante e indissociável deste Aditivo. 1.1.1 Incluemse na presente cessão, todos os valores, garantias e obrigações derivadas dos direitos ora cedidos, ficando a CESSIONÁRIA, a partir deste momento, investida na qualidade de única e legítima titular de tais direitos. CLÁUSULA II PREÇOS E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 2301000.813 S2C3T1 Fl. 1.248 53 2.1 Pela presente cessão dos direitos relacionados aos Contratos relacionados no Anexo I e Anexo II, bem como pela cessão objeto do Contrato, a CESSIONÁRIA deverá pagar ao CEDENTE o montante total de R$ 280.157.514,64 (duzentos e oitenta milhões, cento e cinqüenta e sete mil, quinhentos e quatorze reais e sessenta e quatro centavos). (...) 2.4.1 A CESSIONÁRIA poderá, ainda, desde que mediante prévia expressa concordância do CEDENTE, quitar as parcelas relacionadas na Cláusula 2.2 acima por meio de compensação de valores a ela devidos pelo CEDENTE, nos termos do art. 368 do Código Civil. 2.5 Uma vez verificado o efetivo pagamento ou a compensação das importâncias descritas na Cláusula 2.2, o CEDENTE outorgará automaticamente à CESSIONÁRIA plena, rasa e geral quitação das parcelas recebidas, para nada mais reclamar, seja a que título, tempo ou modo for. (Grifouse.) Resta comprovado, assim, que o objeto da cessão era realmente os direitos e obrigações vinculados aos contratos de parceria agrícola, incluindo as safras futuras de cana deaçúcar. Porém, isso não transforma o objeto do contrato em compra e venda de lavouras de canadeaçúcar. A SAD (cessionária) passou a deter não somente o direito sobre as safras, mas também uma série de obrigações atinentes à atividade agrícola. O bem negociado foram os próprios contratos de parceria agrícola, cujo valor econômico estava atrelado às safras futuras de canadeaçúcar. Diante do exposto, voto, nesta questão do ganho de capital, de negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Júnior – redatordesignado. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10480.012396/2001-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA
Não há cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora de primeiro grau deixa de analisar a acusação de saldo credor de caixa, porque o contribuinte não questionou este ponto na impugnação.
Numero da decisão: 1401-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 23 96 /2 00 1- 25 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório Inicialmente, cumprenos avisar que as páginas indicadas terão por referência a numeração do processo eletrônico. Tratase de recurso voluntário tempestivo (fls. 392397) contra decisão da DRJ (fls. 368372), que considerou não impugnada parte da exigência fiscal. A referida exigência tratase de auto de infração de IRPJ e tributos decorrentes por omissão de receita presumida calcada em (i) omissão de compras e (ii) saldo credor de caixa. A decisão recorrida deu provimento à impugnação para afastar a exigência no tocante à acusação de omissão de compras, mas considerou não impugnada a outra parte. No recurso voluntário, a defesa aduz que: 1) Impugnou a questão do saldo credor de caixa, ainda que sem rigor tecnico; 2) Juntou, já por ocasião da impugnação, planilha demonstrativa da incorreção do lançamento e razão com a conta caixa; 3) Bastaria a análise dessa escrita para verificar que o lançamento relativamente ao saldo credor de caixa é indevido; 4) O Conselho sempre se manifestou que o julgamento deve adotar a verdade real; 5) A DRF, ao não decidir, cerceou o seu direito de defesa; 6) Por fim, pede a anulação da decisão recorrida para que outra seja proferida no seu lugar com o fim de se manifestar sobre a questão omitida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes De fato, a decisão recorrida aduziu expressamente que o contribuinte não impugnou a matéria atinente ao saldo credor de caixa. Abaixo, reproduzo trecho do voto condutor em que consta essa análise: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10480.012396/200125 Acórdão n.º 1401001.665 S1C4T1 Fl. 404 3 Pois bem, li na integralidade a peça impugnatória e, com efeito, lá não existe, nem sequer transversalmente qualquer referência à questão do saldo credor de caixa. Aliás, o recorrente aduz ter juntado, com a impugnação, uma planilha e o livro razão relativamente à conta caixa, o que demonstraria a improcedência da autuação e, sobretudo, a sua intenção de impugnar a exigência nesta parte. Nada obstante, não informa em quais páginas do processo esses documentos estão. Eu folheie os volumes e nada encontrei. Na verdade, só encontrei os documentos a que o contribuinte faz referência na impugnação. É que, na própria peça impugnatória, o contribuinte relaciona os documentos juntados, mas lá não constam os documentos que diz, agora no recurso voluntário, ter juntado naquela época. Abaixo, reproduzo o trecho da impugnação: A despeito do meu esforço para encontrar os documentos citados, isso não mudaria em nada a minha convicção e o desfecho do meu voto. Só fiz esse esforço, porque tais elementos poderiam ser relevantes para a convicção de outros conselheiros. De minha parte, já me manifestei noutros julgados que a simples juntada de papeis ao processo não caracteriza prova do que se pretende alegar. É necessário estabelecer a relação entre o alegado e os papeis juntados. Ora, se a simples juntada de papeis não corresponde à atividade de provar, menos ainda corresponderia à atividade de alegar. No processo administrativo, a verdade real é um dos vetores que conduzem os julgamentos, mas desde que o interessado tenha se insurgido especificamente contra a exigência tributária. Afinal, tributo é uma prestação de cunho patrimonial e, portanto, um direito disponível. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Sem a impugnação específica sobre a matéria atinente à acusação de saldo credor de caixa, agiu bem a autoridade julgadora de primeiro grau ao deixar de analisar a matéria e considerar o lançamento definitivo nesta parte. Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002939/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, na qual foi analisada sua argumentação e documentação apresentada na manifestação de inconformidade.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE.
Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados posteriormente pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõe-se o seu reconhecimento nessa medida.
Recurso Voluntário provido parcialmente
Numero da decisão: 3402-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas a título de aquisições de pessoas físicas para as quais foram comprovados os estornos ou que foram consideradas indevidas, no montante de R$ 34.931,18, em conformidade com a apuração posteriormente efetuada pela própria fiscalização em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, na qual foi analisada sua argumentação e documentação apresentada na manifestação de inconformidade. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados posteriormente pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõe-se o seu reconhecimento nessa medida. Recurso Voluntário provido parcialmente
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 696 1 695 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.002939/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.508 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2016 Matéria Ressarcimento Cofins Recorrente ABI BELEM & CIA. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, na qual foi analisada sua argumentação e documentação apresentada na manifestação de inconformidade. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados posteriormente pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõese o seu reconhecimento nessa medida. Recurso Voluntário provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas a título de aquisições de pessoas físicas para as quais foram comprovados os estornos ou que foram consideradas indevidas, no montante de R$ 34.931,18, em conformidade com a apuração posteriormente efetuada pela própria fiscalização em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 29 39 /2 00 8- 46 Fl. 696DF CARF MF 2 Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÃO. Quando o contribuinte adquire bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições nãocumulativas, por disposição legal expressa, não tem direito a crédito sobre tais aquisições, independentemente de suas vendas serem ou não tributadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A contribuinte transmitiu em 29/05/2008 PER/DCOMP com pedido de ressarcimento e compensações no montante de R$15.021,96, referente a créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa mercado interno, referentes ao 2º Trimestre de 2007. Mediante Despacho Decisório, a DRFJoinville não reconheceu o direito creditório postulado, em face das glosas dos seguintes créditos apurados pela contribuinte: (a) aquisições de pessoas físicas — R$ 85.118,77: a contribuinte computou créditos sobre aquisições de bens efetuadas junto a pessoas físicas, à revelia da vedação legal; (b) transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica R$899. 113,97: a interessada computou na base de cálculo dos créditos as operações de transferência de bens entre todos os seus estabelecimentos (matriz e filiais), classificandoas no CFOP x.152 (transferência para comercialização). Tais operações não podem ser consideradas para fins de apuração de Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10920.002939/200846 Acórdão n.º 3402003.508 S3C4T2 Fl. 697 3 créditos de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, sob pena de se criarem créditos pela simples movimentação seqüencial de bens — física e/ou documentalmente— entre os diversos estabelecimentos da pessoa jurídica, sendo permitido o crédito somente na aquisição do bem, quando da entrega pelo fornecedor ao comprador em um de seus estabelecimentos; (c) aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição —R$1.967.028,95: a contribuinte calculou créditos sobre aquisições, efetuadas junto a pessoas jurídicas, de arroz, feijão, farinha de mandioca, farinha de milho, fubá, canjica, quirera, sêmola de milho, grãos de cereais, frutas, hortícolas, queijos leite fluido, leite em pó, leite fermentado e sementes, ou seja, computou créditos sobre aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, ou como dito na legislação, não sujeitas ao pagamento das contribuições. Entendeu a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, utilizado pela contribuinte para justificar seu procedimento, não criou nova hipótese de crédito, mas somente permitiu a manutenção dos créditos regularmente apurados pelos contribuintes. No entanto, a contribuinte não tinha créditos a serem mantidos, uma vez que é expressamente vedado o cômputo de créditos relativos a aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, não incidência ou com suspensão. Na recomposição das bases de cálculos dos créditos após as glosas, verificou a fiscalização que o montante de créditos a que o contribuinte tinha direito era insuficiente não só para ressarcimento/compensação mas também para desconto da contribuição devida em relação às suas vendas, restando portanto saldo a pagar. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: No tópico denominado II.a. Manutenção de créditos de entrada — Alíquota Zero o sujeito passivo afirma que a autoridade fiscal equivocouse ao considerar vedada a tomada de crédito de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. Afirma que "tratase, sim, apenas da manutenção na base de cálculo dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos tributados com alíquota zero", nos termos do artigo 17 da Lei n° 11.033/2004. (...) No segundo tópico, II.b. Utilização de créditos de entrada Pessoa física, a contribuinte afirma que não realizou créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, como fundamentou a autoridade fiscal. Explica a contribuinte que estornou tais créditos, como demonstrado nas memórias de cálculo e relatórios, onde constam os dados de todas as notas fiscais de entrada — datas de entrada, número de notas fiscais, fornecedores (CPF) e valores —demonstrando que em nenhum momento foi aproveitado o crédito decorrente dessas aquisições. Por fim, no tópico denominado II.c Utilização de créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da mesma PJ, a contribuinte alega que não aproveitou créditos decorrentes das transferências entre estabelecimentos. Argumenta que, como se Fl. 698DF CARF MF 4 pode constatar nas memórias de cálculos em anexo, realizou o respectivo lançamento do débito no estabelecimento de origem dos valores de transferência. Esclarece que tal procedimento se justifica pelo controle interno da empresa e para apuração do ICMS, entretanto, como a apuração é centralizada no estabelecimento matriz o resultado é nulo. (...) A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A contribuinte não logrou comprovar sua alegação de que os valores, glosados pela autoridade fiscal, relativos à aquisições efetuadas junto a pessoas físicas, já haviam sido excluídos da base de cálculo dos créditos da não cumulatividade. Em relação aos documentos apresentados pela manifestante, não há correspondência entre os dados das notas fiscais de entrada relacionadas pela contribuinte (datas de entrada, número de notas fiscais, fornecedores e valores) e as notas fiscais cujos valores foram glosados pela autoridade fiscal. No Dacon a contribuinte deve informar o montante dos créditos e dos débitos das contribuições não cumulativas, e não somente o "saldo final". Ao incluir os "bens recebidos em transferência" no montante dos créditos informados no Dacon, tal valor não reflete a realidade das operações da contribuinte, para fins de apuração dos créditos da não cumulatividade, uma vez que somente é autorizado crédito na aquisição do bem quando da entrega pelo fornecedor ao comprador em um de seus estabelecimentos. De mais a mais, se tivesse razão em sua argumentação, a contribuinte não demonstra nem comprova nos autos que os valores glosados pela autoridade fiscal estão incluídos nos montantes informados nas planilhas de folhas 286, 313 e 338. Ressaltase, ainda, que os valores informados pela contribuinte nas citadas planilhas (folhas 286, 313 e 338) não correspondem exatamente aos respectivos valores informados no Dacon. Os incisos II dos parágrafos 2° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam expressamente que não dão direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Por conseguinte, as aquisições sujeitas à alíquota zero, de arroz, feijão, farinha de mandioca, farinha de milho, fubá, canjica, quirera, sêmola de milho, grãos de cereais, frutas, hortícolas, queijos, leite fluido, leite em pó, leite fermentado e sementes, de pessoa jurídica, não dão direito a crédito das contribuições não cumulativas. O artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004, quando se refere à manutenção dos créditos vinculados às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, está claramente mencionando os créditos relativos aos custos, encargos e despesas, que tenham antes sofrido tributação dessas contribuições. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância por via postal em 17/12/2010. Em 18/01/2011, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando as alegações da manifestação de inconformidade. Mediante a Resolução 3101000.240– 1ª Câmara / 1ª Turma, de 24 de maio de 2012, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: (...) Assim, a divergência está na forma como a Recorrente comprovou o estorno dos créditos referente a aquisição de pessoas físicas e nesse ponto não concordo com a decisão recorrida, se o demonstrativo apresentado pelo Recorrente não foi satisfatório isso não é o bastante para desconsiderálo e consequentemente exigir o imposto correspondente. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10920.002939/200846 Acórdão n.º 3402003.508 S3C4T2 Fl. 698 5 Portanto, nesse ponto, proponho a conversão do presente processo em diligência para que se faça esse cotejamento das informações de estorno dos créditos alegados pelo contribuinte com a glosa apontada pela fiscalização junto ao contribuinte e que esse último colabore ao máximo para a busca da verdade material dessa apuração. A segunda questão de mérito a enfrentar diz respeito a "Utilização de créditos decorrentes de transferências entre Estabelecimentos da mesma PJ". (...) O Recorrente, por sua vez rebate essa posição, mostrando que realizou o procedimento trazido no despacho decisório. O conceito está perfeito, se realizou credito no estabelecimento de destino, foi realizado o débito no estabelecimento de origem, sendo o resultado nulo e mantido a glosa dos créditos é necessário o estorno dos débitos lançados para não gerar arrecadação do tributo e foi o que não foi feito. Portanto, nesse ponto, também, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que demonstre a Recorrente que o crédito efetuado e glosado pela fiscalização produziu efeito nulo na apuração da contribuição, demonstrando os respectivo débitos nas transferências correspondentes. Realizada as diligências propostas, da sua conclusão deve ser dado ciência a Recorrente para que se desejar faça sua manifestação final, para depois retorne o processo para esse Conselho CARF para em conjunto com as demais questões seja proferido o seu julgamento. (...) A fiscalização da DRFJoinville proferiu despacho, no sentido de que, "considerando que as questões postas na diligência já foram minuciosamente analisadas por turma de julgamento da DRJ, constituída regimentalmente para tal fim, e que o contribuinte não apresentou nenhum fato ou prova novos em seu recurso voluntário, é de se concluir que o pedido formulado na diligência de que ora se trata já foi respondido e demonstrado suficientemente, não cabendo procederse a um novo levantamento, posto que já devidamente realizado pelo auditor fiscal em seu despacho decisório e pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis em seu acórdão". Tendo o então Colegiado considerado que teria havido recusa da fiscalização em efetuar as diligências efetuadas, converteu o julgamento novamente em diligência para as apurações solicitadas. Mediante a Informação Fiscal nº 059/2016, a DRFJoinville esclareceu, em síntese: (...) Da Utilização de Crédito das Transferências entre Estabelecimentos do Mesmo Contribuinte Fl. 700DF CARF MF 6 10. Em resposta, o contribuinte, em atendimento à demanda do Carf, procurou esmiuçar seus argumentos às fls. 623/646 e 650/653 para apreciação do Conselho. 11. Sobre o tema, é importante lembrar que, em se tratando da transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em caso idêntico, conforme relatado acima, (apenas se modificando da Cofins para o PIS, tratado no PAF 10920.002938/200800), assim decidiu o Carf (cópia do acórdão à fls. 589/595): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de glosa por parte do Fisco em procedimento de ressarcimento acumulado com compensação, a princípio o ônus da prova cabe ao contribuinte, deixando de fazêla cabe manter o indeferimento. No caso da tomada de crédito relativa à transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, logrou se desincumbir do “ônus da prova”, as planilhas elaboradas não são suficientes provar exclusão do cálculo do crédito. Créditos Referente a Aquisição de Pessoas Físicas (...) 17. Ou seja, do total glosado de R$ 85.118,77, teriam sido estornados ou indevidamente glosados (por se tratar de CNPJ) R$ 34.931,18. 18. Entendo, assim, que a glosa correta, em virtude do creditamento de aquisições de pessoas físicas, deveria ser de R$ 50.187,59. (...) Intimada a se manifestar em face da diligência, a contribuinte aduz, em síntese, que: A argumentação da fiscalização na diligência com base no processo nº 10920.002938/200800 mostrase equivocada, já que os processos tiveram trâmites diferentes, e neste não houve realização de diligência. Ademais, tal entendimento cerceou o direito de defesa da parte e descumpriu o determinado na Resolução nº 3101000.240. Extraise do demonstrativo elaborado pela contribuinte que as operações de entrada e saída em transferência tanto na matriz como em cada uma das filiais, para cada um dos meses fiscalizados, indicando que os créditos efetuados na entrada foram devidamente debitados na saída, em operação que teve resultado final nulo. A comprovação de esses CFOP's de saída em transferência foram computados na base de cálculo dos débitos, além de se encontrar amparada no demonstrativo, também reside na análise detalhada dos livros de apuração do ICMS dos meses fiscalizados, os quais mostram a entrada e saída de mercadoria no período fiscalizado, por CFOP's. Assim, somandose o valor contábil das operações referentes aos CFOP's de vendas e de saídas por transferências, é possível se constatar que o valor obtido coincide com a base de cálculo apresentada na planilha 17A do DACON. No que concerne às aquisições de pessoas físicas, o AuditorFiscal cometeu equívocos na planilha apresentada na Informação Fiscal nº 059/2016, eis que não levou em Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10920.002939/200846 Acórdão n.º 3402003.508 S3C4T2 Fl. 699 7 consideração os estornos realizados referentes às aquisições de Wigberto Hable. Ademais, caso de conclua por eventual deficiência na comprovação, requer que seja concedida nova oportunidade para juntada de novos esclarecimentos e documentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. II.a. Utilização de créditos de entrada Pessoa Física Alega a recorrente que não aproveitou crédito decorrente das aquisições de pessoas físicas, tendo estornado tais créditos. Em análise da documentação apresentada, concluiu a fiscalização na diligência que a recorrente conseguiu demonstrar que foram indevidamente glosados ou estornados o valor de R$34.931,18 do total glosado de R$85.118,77 a título de aquisições de pessoas físicas. Como se observa na Informação Fiscal, a fiscalização, em obediência ao princípio da verdade material, comparou a relação das notas fiscais glosadas (fls. 319/321) com os relatórios de estorno da contribuinte, no que resultou a exclusão das glosas dos estornos comprovados das aquisições de pessoas físicas (item 15) e das glosas indevidas que se tratavam de aquisições de pessoas jurídicas (item 16). Na sua manifestação em face da diligência, alega a recorrente que a fiscalização não teria levado em consideração os estornos realizados referentes às aquisições de Wigberto Hable, de CPF nº 00.068.290.446934, o que não corresponde à realidade, vez que a fiscalização no item 15. da Informação Fiscal, relacionou em tabela (fls. 668), conforme extrato abaixo, como estornos comprovados, todas as notas fiscais referentes às aquisições desta pessoa física que foram objeto de glosa pela fiscalização (planilha das fls. 319/321): Quanto ao pedido da recorrente para a apresentação de novas provas no caso de deficiência na comprovação, há de ser indeferido, vez que já preclusa a apresentação de provas nesta fase, nos termos do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, mormente quando já foi concedida oportunidade à recorrente na diligência de comprovar suas alegações. Neste momento processual o julgamento há de ser feito com as provas documentais já juntadas aos autos, salvo quando da contraposição entre elas surgirem dúvidas que necessitem ser esclarecidas pelo julgador, o que não é o caso. Fl. 702DF CARF MF 8 Assim, diante da ausência de apresentação, a cargo da recorrente, de elemento modificativo ou extintivo da Informação Fiscal, no que concerne às aquisições das pessoas físicas, deve ser mantida a apuração efetuada na diligência, no sentido de reverter somente as glosas especificadas nas tabelas dos itens 15 e 16, no valor de R$34.931,18. II.b. Utilização de créditos decorrentes de Transferência entre estabelecimentos da mesma PJ Foram glosados pela fiscalização os créditos da Cofins decorrentes de transferência entre estabelecimentos, sob os CFOP's x.152 (transferência para comercialização), eis que "tais operações não podem ser consideradas para fins de apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos, sob pena de se criarem créditos pela simples movimentação seqüencial de bens física e/ou documentalmente apenas entre os diversos estabelecimentos da pessoa jurídica, sendo permitido o crédito somente na aquisição do bem, que se dá no momento de sua entrega (tradição) pelo fornecedor ao comprador em algum de seus estabelecimentos". A contribuinte, por sua vez, alegou que não aproveitou esses créditos, pois, conforme se constataria nas memórias de cálculos que anexou, realizou o respectivo lançamento do débito no estabelecimento de origem dos valores de transferência, sendo que tal procedimento seria necessário pelo controle interno da empresa e para apuração do ICMS, entretanto, como a apuração seria centralizada no estabelecimento matriz, o resultado seria, a seu ver, nulo. Em análise dos argumentos e documentos da manifestante, entendeu a instância a quo que, não obstante o procedimento de controle interno da empresa, a contribuinte deveria ter informado no Dacon todos os créditos e débitos, e não somente o saldo, como fez, além do que, pelos documentos juntados, não restou comprovado que ela não aproveitou os créditos decorrentes das transferências. (...) Da análise dos autos verificase que a contribuinte tem razão ao afirmar que, nas planilhas por ela elaboradas, as folhas 286, 313 e 338, o efeito de incluir entre os créditos "bens recebidos em transferência" e na apuração dos débitos as "saídas em transferência" é nulo, quando se apura o "saldo final". Ocorre que no Dacon a contribuinte deve informar o montante dos créditos e dos débitos das contribuições nãocumulativas, e não somente o "saldo final". Ao incluir os "bens recebidos em transferência" no montante dos créditos informados no Dacon, tal valor não reflete a realidade das operações da contribuinte, para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade, uma vez que somente é autorizado crédito na aquisição do bem quando da entrega pelo fornecedor ao comprador em um de seus estabelecimentos. Neste caso, portanto, ainda que para controle interno da empresa, e para apuração do ICMS, a contribuinte deva incluir os "bens recebidos em transferência", deveria, para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade, ao informar os dados no Dacon, excluir, do montante de créditos apurados, o valor dos "bens recebidos em transferência". De mais a mais, se tivesse razão em sua argumentação, a contribuinte não demonstra nem comprova nos autos que os Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10920.002939/200846 Acórdão n.º 3402003.508 S3C4T2 Fl. 700 9 valores glosados pela autoridade fiscal estão incluídos nos montantes informados nas planilhas de folhas 286, 313 e 338. Ressaltase, ainda, que os valores informados pela contribuinte nas citadas planilhas (folhas 286, 313 e 338) não correspondem exatamente aos respectivos valores informados no Dacon. Vejamos um exemplo: no Dacon relativo ao mês de maio de 2007 a contribuinte informou como base de cálculo dos créditos o montante de R$4.460,295,27 (R$ 3,601.674,04 + R$ 858.621,23), à folha 17; na planilha este valor importou em R$4.493.194,11. (...)[destaques não são do original] No recurso voluntário, a contribuinte não se pronuncia sobre as divergências e restrições apuradas pelo julgador de primeira instância em relação à documentação e aos argumentos apresentados, tampouco apresenta documentação adicional para comprovação do alegado. Não obstante isso, nova oportunidade foi oferecida à contribuinte na diligência com a seguinte intimação, inclusive com prazo de atendimento prorrogado: TERMO DE INTIMAÇÃO Saort Nº 121/2015 (...) ELEMENTOS SOLICITADOS: 1Demonstração, de forma expressa e assinada por representante legal, de que o crédito efetuado e glosado pela fiscalização produziu efeito nulo na apuração das contribuições; 2Outros elementos que julgar necessário para o atendimento pleno da resolução, inclusive sobre o estorno dos créditos relativos à aquisição de pessoas físicas. (...) [destaques não são do original] No entanto, a recorrente não atendeu exatamente ao solicitado, tendo apenas apresentado cópias dos Livros de Registros de Entradas e de Saídas dos estabelecimentos e Dacons do período. Assim, entendeu a fiscalização na diligência, que não restou comprovada a alegação da recorrente de que o procedimento adotado em relação aos créditos de transferência produziria efeito nulo na apuração das contribuições, no que foi bastante pertinente a referência ao outro processo semelhante da interessada, de nº 10920.002938/200800, que tratou do mesmo procedimento adotado por ela para os créditos de transferência, acerca de que seria da recorrente o ônus da prova da suas alegações. Assim, não há que se falar em lesão ao princípio da verdade material ou a qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, a quem foi oferecida oportunidade adicional na diligência de comprovar suas alegações em contraposição à decisão recorrida e à glosa efetuada pela fiscalização, mas não o fez, não se olvidando de que seria dela o ônus probatório das suas alegações. Assim, diante da ausência de comprovação de qualquer elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a cargo da recorrente, nos termos do art. 16 do Fl. 704DF CARF MF 10 Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, deve ser mantida a decisão recorrida em relação aos créditos de transferência. II.c. Manutenção de créditos de entrada Alíquota Zero Não pode prosperar a pretensão da recorrente de se creditar em relação às aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, vez que expressamente vedadas pelo inciso II do §2º dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/20031. O art. 17 da Lei n° 11.033/2004, abaixo transcrito, também não socorre a recorrente. O que tal dispositivo tutela é que, não obstante as vendas (e não as aquisições) não estejam sujeitas ao pagamento das contribuições, esse fato, por si só, não impede que o vendedor mantenha os créditos das aquisições sujeitas ao pagamento das contribuições, entre as quais não se incluem as aquisições da recorrente sujeitas à alíquota zero. Obviamente que tal dispositivo não legitima a recorrente a obter créditos das contribuições vedados por outra norma legal, mas tão somente autoriza a manutenção daqueles já existentes. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas a título de aquisições de pessoas físicas para as quais foram comprovados os estornos ou que foram consideradas indevidas, no montante de R$ 34.931,18, em conformidade com a apuração posteriormente efetuada pela própria fiscalização em diligência. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 1 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10920.002939/200846 Acórdão n.º 3402003.508 S3C4T2 Fl. 701 11 Fl. 706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000309/2006-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. NÃO OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO.
Não há que se falar de aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo não teve a intenção de ocultar o fato gerador do tributo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. NÃO OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO. Não há que se falar de aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo não teve a intenção de ocultar o fato gerador do tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. NÃO OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO. Não há que se falar de aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo não teve a intenção de ocultar o fato gerador do tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 09 /2 00 6- 03 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000309/200603 Acórdão n.º 9303003.827 CSRFT3 Fl. 845 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 20313.612, de 02/12/2008, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 COFINS. MULTA QUALIFICADA. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DOLOSA. CABIMENTO. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa qualificada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados nos livros fiscais ou informados pelo próprio contribuinte. Recursos de oficio negado e voluntário não conhecido. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, contestando, em síntese, a desqualificação da multa de ofício de 150% para 75%, alegando que o ilícito foi cometido pelo contribuinte com evidente intuito de fraude. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante do Despacho nº 3400715, de 21/01/2010 (fls. 573/575). A contribuinte interpôs embargos de declaração, que não foram acolhidos por intermédio do Acórdão nº 3402001.836, de 18/07/2012 (fls. 788/791). A contribuinte apresentou Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento por meio dos Despachos nºs 340000.045 e 340000.045R, de 19 e 20/02/2014, respectivamente (fls. 832/836). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000309/200603 Acórdão n.º 9303003.827 CSRFT3 Fl. 846 3 A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, que foi reduzida, em instância inferior, ao valor ordinário de 75%, por não ter vislumbrado, o colegiado, hipótese de sonegação fiscal. Segundo o autor do procedimento, a fiscalizada compensou contabilmente débitos de PIS/Cofins com créditos da dívida pública e declarou débitos de PIS/Cofins com suspensão de exigibilidade, sem amparo de medida judicial. Com base nos livros fiscais e informações prestadas pelo contribuinte, reputados corretos, foi lavrado o Auto de Infração para cobrança dos valores declarados/recolhidos a menor. O contribuinte alega que a multa não é devida, pois o débito já estava declarado, muito menos poderia ter sido qualificada, porque o contribuinte escriturou em seus livros todo o seu faturamento, bem como declarou em DCTF a compensação efetuada, sem ocultar qualquer informação do Fisco, o que descaracteriza o intuito defraude. Além disso, caberia no caso a regra da interpretação benigna, na dúvida interpretase de modo mais favorável ao contribuinte. O fato está devidamente descrito. Porém não basta simplesmente que este colegiado decida se a reiteração de conduta de não prestar as devidas informações enseja a majoração da multa ora capitulada. Como já dito o fato é conhecido, temos de adentrar na intenção, ou melhor, na prova que houve a intenção de sonegação. O cerne da discussão passa a ser a presença, ou não, do intuito, do animus, de fraudar, de sonegar. O problema aqui passa a ser a questão da distribuição do ônus da prova. No presente caso, é de suma importância a correta análise das provas e a quem cabe o ônus de provar. Não é fácil provar a intenção de se praticar algum ato. Assim, quem pretende a prova desse tipo de conduta deve se cercar de provas cabais, pois prevalece o princípio da presunção da inocência, ou seja, quem alegar a intenção de outrem em praticar algum ato deve ter o ônus de provar que aquela conduta foi intencional e direcionada com o intuito de lesar, de fraudar. Porém, como há que se perquirir a intenção do agente, as provas deverão ser feitas com base nas condutas praticadas e a consequente presunção da intenção de lesar o Fisco. Há que se provar, em primeiro lugar, se a compensação indevida ou irregular suspensão de exigibilidade de crédito já nos leva à conclusão de que ocorreu o fato típico previsto em lei e que leva à autoridade a concluir que houve, de fato, sonegação fiscal, o que leva a autuação com multa de 150%. Todos os levantamentos feitos pela autoridade fiscal foram com base na escrita fiscal do contribuinte, em que pese ter havido declaração em DCTF a menor em alguns períodos. Entretanto, não há nos autos prova material de que o contribuinte tenha intentado dolosamente evitar ou diferir o seu pagamento da obrigação tributária principal. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000309/200603 Acórdão n.º 9303003.827 CSRFT3 Fl. 847 4 Esses dois fatos citados acima, a meu ver, elidem a cobrança da multa agravada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Neste caso, a comprovação de que houve o dolo é um ônus do sujeito ativo. Apesar de existir uma presunção total de legitimidade do ato exarado pela autoridade tributária, existe o dever de se demonstrar cabalmente todos os motivos que ensejaram à ocorrência do fato gerador e das hipóteses de aplicação de penalidade. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre da distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decai em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. A fiscalização fez uma análise e comprovação precisa dos fatos. Mas quanto à intenção, não se passou do campo das presunções, em que pese presunções também serem admitidas como meio de prova. De fato, o contribuinte não se furtou a apresentar a documentação necessária à identificação do fato imponível. Realmente, houve fatos que ensejassem à presunção de sonegação. Mas é necessário mais do que meras presunções. Aqui provas irrefutáveis são necessárias e é o Fisco que tem de produzilas. Até porque, se houvesse a inversão do ônus da prova, muita das vezes admitida no direito tributário, caberia ao contribuinte a necessidade de provas que não agiu com dolo ou máfé. Todos sabemos que a prova negativa é quase impossível de fazer e que, normalmente, o ônus da prova deve ser do fato positivo e não negativo. Neste caso, o ônus probatório é de quem alega. O Fisco é quem alegou que houve e clara intenção de fraude e assim deve provar. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001649/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
A divergência de interpretação da legislação apta a permitir o conhecimento de um recurso especial deve ser cotejada sempre em relação ao voto vencedor, quer do acórdão recorrido, quer do acórdão paradigma.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. A divergência de interpretação da legislação apta a permitir o conhecimento de um recurso especial deve ser cotejada sempre em relação ao voto vencedor, quer do acórdão recorrido, quer do acórdão paradigma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.037 1 2.036 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001649/200437 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.418 – 1ª Turma Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NOVARTIS BIOCIÊNCIAS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. A divergência de interpretação da legislação apta a permitir o conhecimento de um recurso especial deve ser cotejada sempre em relação ao voto vencedor, quer do acórdão recorrido, quer do acórdão paradigma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 49 /2 00 4- 37 Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.001649/200437 Acórdão n.º 9101002.418 CSRFT1 Fl. 2.038 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 956 e ss do volume 9 digitalizado, contra Acórdão nº 110200.501, de 3 de agosto de 2011 (fls. 939 e ss do volume 9 digitalizado) que, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pela interessada, cancelando a exigência fiscal nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL De acordo com o art. 18 da Lei 9.430/96, serão dedutíveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não pode, simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade esta diretamente subordinada a lei, vedar o uso do referido método. CSLL Lançamento Decorrente O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação aos Acórdãos nº 10516.711 e nº 10517.077, que receberam as seguintes ementas: Acórdão nº 10516.711 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO Por força do disposto no parágrafo 6° do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. Acórdão nº 10517.077 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO A inclusão dos custos com frete, seguro e imposto de importação na composição do custo não é faculdade do contribuinte importador que incorre em referidos gastos, mas obrigações decorrente do art. 18, parágrafo 6° da Lei n° 9.430/96. A IN n° 38/97 não possui o Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.001649/200437 Acórdão n.º 9101002.418 CSRFT1 Fl. 2.039 3 condão de afastar a obrigação disposta no art. 18, parágrafo 6° da Lei n° 9.430/96, pois com ela deve ser lida sistematicamente. A PFN aponta divergência jurisprudencial entre o Acórdão nº 110200.501 e os paradigmas indicados, no que respeita à legalidade da Instrução Normativa SRF nº 38/97, que teria esclarecido a vedação, feita pela lei, da utilização do método PRL para produtos importados de pessoas vinculadas utilizados como insumos na fabricação de outros produtos no Brasil. Esclarece a PFN, em apertada síntese, que o método utilizado pela contribuinte para calcular o preço de transferência não permite descobrir qual o custo da matéria‑ prima importada, uma vez que o método PRL, como disposto pela Lei nº 9.430/96, não prevê a possibilidade de dedução dos custos de produção para fins de apuração do preço de transferência, sendo certo que a pessoa jurídica possui outros custos de produção. Aponta que o método PRL, estipulado pela Lei nº 9.430/96, não previa a hipótese de a contribuinte agregar valor à matéria‑ prima importada, permitida posteriormente com a redação da Lei nº 9.959/2000, e que o custo de produção do produto vendido não foi segregado na apuração do preço de transferência dos insumos importados, e assim o preço restou distorcido, o que justifica a atuação do Fisco. Salienta que não foi a IN SRF nº 38/97 que impediu a utilização do PRL pela contribuinte e que essa limitação é inferida apenas com a leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96. A IN SRF nº 38/97 esclareceu algo que já se encontrava na Lei nº 9.430/96. Afirma que fiscalização apurou os preços de transferência com base nos dados existentes e cuja utilização era possível e que a adoção do método PIC encontra determinação na Lei nº 9.430/96. A contribuinte, por seu turno, não teria logrado apresentar nenhuma prova de que a fiscalização errou no reajuste dos preços de transferência. Por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido. Pelo Despacho de efls. 1.989/1.991, o Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, dá seguimento ao recurso, entendendo caracterizada a divergência jurisprudencial apontada, apenas em relação ao segundo paradigma indicado (Acórdão 105 16771). Cientificada, a contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 336/340). Em apertada sintese, alega que a Lei nº 9.430/96 não estabeleceu restrições à utilização de qualquer dos tres métodos de apuração do preço de transferência, e que a vedação imposta pela IN SRF 38/97 a torna ilegal. Pede, ao final, pela rejeição do Recurso Especial da PFN e pelo cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.001649/200437 Acórdão n.º 9101002.418 CSRFT1 Fl. 2.040 4 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo, porém, com a devida vênia, discordo de sua admissibilidade, por entender que a divergência argüida não se caracterizou. Com efeito, como reconheceu o Despacho de Admissibilidade do REsp da PFN, não se verificou similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma de nº 105 17.077, que tratou de apreciar, tão somente, a inclusão de custos com frete, seguro e imposto de importação na composição dos custos, matéria que não foi objeto do Recurso Especial. Assim tal acórdão não discutiu a legalidade na IN SRF nº 38/1997, no tocante à vedação de aplicação do método PRL 20 a insumos importados de empresas ligadas e utilizados na fabricação de outros bens no Brasil, como é o caso dos presentes autos. Contudo, a divergência invocada pela PFN, na comparação com o outro paradigma indicado, o Acórdão nº 10516.711, também não se estabelece. Esclareço. No Despacho de Admissibilidade do REsp da PFN afirmouse, no que respeita ao Acórdão nº 10516.711, que o tema foi discutido tendo o voto condutor tratado expressamente da matéria (e mantendo o que foi decidido, também expressamente, pela DRJ), e.g., trecho seguinte (fls. 37 do Ac.): (destaquei) Foi, então, transcrita, a seguinte parte do voto: Por despiciendo, rejeitase, aqui, maiores investigações acerca da acepção da palavra REVENDA. O que releva apontar é que, se o produto importado, ao invés de ser revendido, é incorporado, ainda que com a alegada pouca representatividade, ao produto final, obviamente tomase inaplicável o método que exige, para a sua utilização, os preços de revenda desse mesmo produto. Em que pese o respeito que se deva dar aos excertos alienígenas trazidos pela recorrente, o certo é que, no âmbito da legislação pátria, até o advento da Medida Provisória 1.924, de 1999, cujos efeitos só se deram a partir de 1° de janeiro de 2000, conforme o seu artigo 10, tratandose de bens aplicados à produção, o denominado método PRL era inaplicável.” O anocalendário de que trata o recorrido é 1999, o que faz ressaltar a contradição de entendimentos entre o recorrido e o paradigma apontado, em relação ao tema objeto do recurso, demonstrando claramente a alegada divergência. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.001649/200437 Acórdão n.º 9101002.418 CSRFT1 Fl. 2.041 5 Ocorre que esse trecho não é do voto condutor, mas do voto vencido, proferido pelo ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, relator original. Para melhor demonstrar o resultado da votação, transcrevo o seguinte trecho do acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por HOKKO DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA. ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação a tributação dos produtos, Cletodin e Kasumin, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Roberto Bekierman (Suplente Convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Irineu Bianchi que davam provimento: 2) por maioria de votos. DAR provimento em relação ao produto Flumizin, Vencido o Conselheiro Wilson Femandes Guimarães (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clovis Alves. Assim, no que toca ao produto Flumizin, de fato, o Conselheiro Relator consignou, em seu voto vencido, o trecho anteriormente transcrito do Despacho de Admissibilidade do REsp da PFN, que se encontra à fl. 37 do Acórdão nº 10516.711. Mas esse não foi o voto que prevaleceu naquele julgado. Com efeito, o voto condutor a respeito desse tema foi conduzido pelo relator do voto vencedor, Conselheiro José Clóvis Alves. No referido voto vencedor, que se inicia à fl. 47, a maioria do colegiado entendeu pela improcedência da exigência relativa à ausência de ajuste do lucro líquido da pessoa jurídica, do anocalendário 1999, como decorrência da aplicação do método PRL 20 ao produto Flumizin, como se comprova do preâmbulo do voto vencedor: A maioria da Câmara acompanhou o relator exceto quanto ao principio ativo Flumyzin 500, assim o presente voto vencedor se restringe ao entendimento da Câmara para afastar a tributação em relação ao produto citado. (*) destaques acrescidos. Assim, o voto vencido do Conselheiro Wilson, na parte relativa ao produto Fumizin (já que em relação aos outros produtos a discussão girava em torno da inclusão ou não dos valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação) foi no sentido defendido pela Fazenda de que antes da MP nº 1.924, cujos efeitos se deram a partir de 2000, não era possível aplicar o método PRL, enquanto o voto vencedor do Conselheiro José Clóvis exonerou o lançamento porque entendeu incorreto o procedimento fiscal que comparou importações realizadas em 1999 com outras feitas em 2001 (conforme fl. 48 do acórdão). E o referido voto condutor não deduziu conclusão divergente daquela consignada no acórdão recorrido. Antes, com ela foi convergente, como demonstra o trecho final do voto, à fl. 51 do decisum: A lei foi absolutamente clara, a média aritmética para efeito de apuração do preço comparado no caso da empresa utilizar o PRL ou o PIC deve ser o do período de apuração do imposto de Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.001649/200437 Acórdão n.º 9101002.418 CSRFT1 Fl. 2.042 6 renda, tendo tanto a IN como a fiscalização excedido ao limite da lei ao utilizar média de preços parâmetros de período futuro. Assim, acompanhando a maioria da câmara voto no sentido de afastar a tributação em relação ao produto FLUMYZIN 500. (*) destaquei Portanto, o referido paradigma, ao contrário de caracterizar divergência de interpretação, demonstra que o entendimento nele consignado foi coincidente com aquele proferido pelo colegiado a quo no presente caso. Voto, assim, por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 14/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por ATENA JORGE DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 08/09/20 16 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.723080/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PLANEJAMENTOS TRIBUTÁRIOS. OPONIBILIDADE AO FISCO.
Os planejamentos tributários são inoponíveis ao Fisco quando formados por negócios jurídicos de propósito preponderantemente marcado pela economia tributária.
SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Ocorrendo qualquer modalidade de simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRADORES.
Incabível a responsabilização solidária de administradores quando estes não praticam atos ilícitos, ou seja, a conduta infratora prevista no artigo 135 do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Incabível a responsabilização solidária por interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN quando não se verifica a confusão patrimonial de esferas pessoais típica desse conceito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PLANEJAMENTOS TRIBUTÁRIOS. DDL. REGRAS ANTIELISIVAS ESPECÍFICAS.
Há várias formas de se comprovar o mesmo fato e uma não exclui outra. A distribuição disfarçada de lucro nada mais é do que uma presunção legal de planejamento tributário ilícito. É uma forma, que não exclui outras, à disposição da autoridade fiscal para comprovar a ilicitude do negócio jurídico.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a decadência do PIS e Cofins até novembro de 2006 e em relação ao IRPJ e CSLL, AFASTAR a decadência, em segunda rodada de votação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto que acolhiam a decadência em maior extensão por aplicarem o art. 150, §4 do CTN. Em relação ao mérito, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso em relação aos lançamentos principais (Planejamento tributário), em uma primeira rodada de votação. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; II) Por unanimidade de votos, DAR provimento para excluir as responsabilidades de tributárias de todos os responsáveis tributários, em segunda rodada de votação; e III) Por unanimidade de votos, DAR provimento para DESQUALIFICAR A MULTA de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75%(setenta e cinco por cento), em segunda rodada de votação.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Operações com pessoa jurídica ligada. Multa qualificada. Responsabilidade tributária. Recorrente PARATI SA e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PLANEJAMENTOS TRIBUTÁRIOS. OPONIBILIDADE AO FISCO. Os planejamentos tributários são inoponíveis ao Fisco quando formados por negócios jurídicos de propósito preponderantemente marcado pela economia tributária. SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Ocorrendo qualquer modalidade de simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRADORES. Incabível a responsabilização solidária de administradores quando estes não praticam atos ilícitos, ou seja, a conduta infratora prevista no artigo 135 do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Incabível a responsabilização solidária por interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN quando não se verifica a confusão patrimonial de esferas pessoais típica desse conceito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 30 80 /2 01 2- 49 Fl. 6736DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.737 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PLANEJAMENTOS TRIBUTÁRIOS. DDL. REGRAS ANTIELISIVAS ESPECÍFICAS. Há várias formas de se comprovar o mesmo fato e uma não exclui outra. A distribuição disfarçada de lucro nada mais é do que uma presunção legal de planejamento tributário ilícito. É uma forma, que não exclui outras, à disposição da autoridade fiscal para comprovar a ilicitude do negócio jurídico. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a decadência do PIS e Cofins até novembro de 2006 e em relação ao IRPJ e CSLL, AFASTAR a decadência, em segunda rodada de votação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto que acolhiam a decadência em maior extensão por aplicarem o art. 150, §4 do CTN. Em relação ao mérito, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso em relação aos lançamentos principais (Planejamento tributário), em uma primeira rodada de votação. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; II) Por unanimidade de votos, DAR provimento para excluir as responsabilidades de tributárias de todos os responsáveis tributários, em segunda rodada de votação; e III) Por unanimidade de votos, DAR provimento para DESQUALIFICAR A MULTA de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75%(setenta e cinco por cento), em segunda rodada de votação. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 6737DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.738 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PARATI SA e OUTROS contra acórdão proferido pela DRJ/Salvador que concluiu pela procedência parcial das impugnações. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Santa MariaRS, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, totalizaram o valor de R$ 36.521.491,23. A autuação foi motivada pela desconsideração de operações praticadas com pessoa jurídica ligada. Houve, também, a imposição de multas qualificadas e a atribuição de responsabilidade tributária às seguintes pessoas: ANGELO FANTIN, MAURO FANTIN e RITMOS INVESTIMENTOS S/A. Por bem descrever os fatos, peço vênia para reproduzir o relatório das contrarrazões da Fazenda Nacional: Tratase de autos de infração lavrados para cobrança de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para o PIS, relativos aos anos de 2006, 2007 e 2008, além de multa qualificada e juros de mora. A autoridade lançadora constatou que a contribuinte valeuse de operações com pessoa ligada (Pádua Ltda), no intuito de evadirse da tributação. A realidade aponta para existência de apenas uma sociedade empresária, sendo a Pádua uma mera filial da Parati S/A. De acordo com a fiscalização, a Parati S/A utilizou a Pádua para: a) contratar serviços superfaturados de industrialização por encomenda; b) deslocar suas margens, que seriam tributadas pelo IRPJ com base no lucro real, para PÁDUA, tributada pela sistemática do lucro presumido (regime favorecido); c) levantar sucessivos e expressivos prejuízos nas vendas dos produtos industrializados por PÁDUA; d) reduzir, em decorrência, suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; e) maximizar, indevidamente, a apropriação de créditos da não cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep; f) permitir que PÁDUA, tributada em regime mais favorecido (lucro presumido), apurasse sucessivos e expressivos lucros contábeis; Fl. 6738DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.739 4 g) permitir que PÁDUA distribuísse lucros isentos de imposto aos sócios em valores que em muito superaram aqueles que serviram de base de cálculo do IRPJ e da CSLL; h) ato contínuo, garantir o reingresso, em seus domínios, da maioria dos recursos disponibilizados por PÁDUA aos sócios a título de aporte de capital na PARATI (os valores "devidos" e pagos pela PARATI à PÁDUA apenas circulavam na segunda, retornando à primeira, não havendo nenhuma aplicação/reinvestimento na PÁDUA). A fraude fiscal perpetrada garantiu à Parati S/A, somente no que tange ao triênio sob fiscalização, o ganho de R$ 13.602.648,11 (treze milhões, seiscentos e sessenta e dois mil, seiscentos e quarenta e oito reais e onze centavos), dos quais a parcela de R$ 1.532.938,66 decaiu. Como prova, a fiscalização aborda, detalhadamente, no relatório: quadro societário das empresas; regimes de tributação; atividades desenvolvidas e resultados auferidos por Pádua em comparação com os da Parati; valores praticados nas industrializações efetuadas por Pádua sob encomenda da Parati; prazos pactuados em contrato e os efetivamente praticados nos pagamentos da Parati à Pádua; aplicação dos lucros recebidos da Parati, destinação dos lucros distribuídos aos sócios (pagamento de dividendos aos sócios e consequente retorno dos valores à Parati); gerências financeira, comercial, de produção, de pessoal e contábil; resultados negativos da Parati na venda dos produtos industrializados por Pádua (refresco em pó). Na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, a fiscalização adotou as seguintes medidas: a) eliminou as receitas de vendas e de prestação de serviços formalmente havidas entre ambas; b) adicionou os valores referentes às deduções de vendas concernentes às operações entre matriz e filial (devoluções de vendas, Icms, PIS e Cofins); c) adicionou os custos envolvendo as operações comuns (o que representa, na apuração, glosas de custos); e d) somou os valores das demais rubricas do resultado de cada exercício. Como as aquisições de mercadorias e as tomadas de serviço entre ambas são registradas líquidas dos tributos recuperáveis, os custos foram glosados em suas devidas proporções. No tocante à base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, a fiscalização excluiu, das bases de cálculo das exações declaradas pela PARATI em Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), os valores mensais das vendas por esta efetuadas à PÁDUA. Por seu turno, adicionou, às bases de cálculo, as receitas de vendas da PÁDUA a terceiros. As contribuições dos meses de janeiro a novembro de 2006 não foram lançadas, face ao decurso do prazo decadencial. Em razão da fraude praticada, a multa de ofício foi qualificada, com base no artigo 44 da Lei n. 9.430/96. Os sócios Ângelo Fantin, Mauro Fantin e Ritmo Investimentos S/A foram incluídos no pólo passivo das obrigações tributárias, por solidariedade. Irresignados, os autuados apresentaram impugnações que, submetidas à DRJ de Salvador/BA, foram julgadas parcialmente procedentes, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Fl. 6739DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.740 5 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de fraude, conluio ou simulação o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PROVA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PRETENSÃO FISCAL No planejamento tributário cabe ao fisco provar que a operação não é aquela exposta pelo contribuinte ao mesmo tempo em que precisa provar suficientemente o novo enquadramento por ele sustentado. Se este duplo ônus da prova não for atendido, pretensão fiscal não procede. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa por encomenda e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica tios atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. LEGITIMIDADE O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — SUBVENÇÕES E DOAÇÕES FEITAS PELO PODER PÚBLICO As receitas decorrentes de subvenções e doações feitas pelo Poder Público integram o resultado tributável das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 6740DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.741 6 As subvenções para investimentos, que podem ser excluídas da apuração do lucro real, são aquelas que, recebidas do Poder Público, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. MULTA. QUALIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. SIMULAÇÃO. A multa deve ser qualificada quando comprovado que a ação do contribuinte se caracterizava como fraude, conluio ou simulação. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Ao final, a DRJ exonerou os seguintes valores: IRPJ, R$ 293.339,35 e CSLL, 105.602,16; bem como manteve a responsabilidade pessoal e solidária da sócia Ritmo Investimentos S/A apenas em relação aos fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, afastandoa sobre os fatos tributário ocorridos em 2006. Intimados, os autuados apresentaram recursos voluntários. A empresa Parati, alegou, em síntese: a) decadência: lançamento engloba o período 31/12/06 a 31/12/2008, sendo que a ciência do lançamento ocorreu em 19/12/12. Por se tratar de lançamento por homologação, aplicase a regra do artigo 150, § 4º, CTN, pelo que estão decaídos os fatos geradores de PIS e COFINS anteriores a dezembro de 2007, bem como IRPJ e CSLL do ano de 2006. b) histórico do grupo empresarial, no intuito de demonstrar que a Pádua é empresa independente e não foi criada com objetivo precípuo de ‘maximizar a fruição de benefícios fiscais’. Os eventos societários envolvendo a empresa Pádua Ltda são relevantes, visto que a fiscalização desconsiderou a existência dela, tratandoa como uma mera filial da recorrente; c) equivocada alegação de que a empresa Pádua Ltda é mera filial da empresa Parati: existem vários elementos e provas que atestam que a empresa Pádua existe e tem objetivos específicos, sendo irrelevante a identidade de sócios (o que, aliás, é comum quando se trata de grupo econômico). A Pádua, além do estabelecimento em Santa Maria, possui outras filiais, que foram ignoradas pela fiscalização. Apresenta diversos documentos para comprovar atividades realizadas pela própria Pádua. A Pádua tem objeto social próprio e atividades distintas da Parati. Por exemplo, a Parati nunca industrializou nem comercializou rações de animais, atividade desenvolvida pela Pádua, por meio da unidade em São Lourenço D’oeste. O fato de, em determinados períodos, parcela significativa do faturamento da Pádua decorrer da industrialização sob encomenda para Parati, não significa que as atividades e personalidade das empresas se confundem. Existem outras atividades realizadas com empresas que não têm nenhuma relação com a Parati. A jurisprudência do CARF é favorável a recorrente. Fl. 6741DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.742 7 d) conclusões que demonstram inocorrência de fraude: a formação do grupo societário objetiva melhor resultado, eficiência administrativa e organizacional, lucratividades e eficiência física. Por essas razões, em 1998 foi criada a empresa Pádua, estruturada para prestar atividade de industrialização por encomenda para Parati. As empresas Pádua e Parati foram constituídas em datas distintas, localização e patrimônio distintos, corpo de funcionários específicos. A identidade entre elas reside apenas na composição societária, o que é normal em grupo econômico. A Pádua, quando foi criada, adotava o lucro real como regime de apuração do IRPJ. Somente adotou o regime favorecido 4 anos depois, não existindo nenhum impedimento para que ela realizasse essa opção. É absurda a comparação entre o lucro das empresas Pádua e Parati, pois são distintas. Não há como afirmar que a empresa Pádua, constituída em 1998, tinha como objetivo maximizar a apropriação dos créditos de Pis e Cofins, pois a não cumulatividade somente entrou em vigor em 2002 e 2003. Quanto à alegação de preço superfaturado praticado na industrialização por encomenda, destacou o cenário global da economia, além de situações internas da empresa Pádua, que levaram a manutenção, por um determinado período, do preço acordado com a Parati na industrialização por encomenda, justificando, também, a redução em 2008. Sobre os pagamentos em atraso e não incidência de encargos decorrentes da mora, a recorrente esclarece que, comprovadamente, todas as obrigações foram adimplidas. Não é estranho que, em determinados pagamentos com atraso, não tenha ocorrido a exigência de encargos. A empresa Pádua pode optar por não apenar sua principal cliente. Quanto ao fato de os lucros e dividendos recebidos pelos sócios da empresa Pádua terem sido parcialmente reaplicados na Parati, explica que, como há identidade entre sócios e acionistas, nada mais natural que os lucros obtidos em uma empresa sejam implantados em outra do mesmo grupo. Não há qualquer ato ilícito no modo em que os sócios geriram os lucros recebidos da empresa Pádua. No tocante à existência de funcionários que prestam serviços às duas empresas, esclarece que solução de divergência da COSIT n. 23/13 admite rateio de custos e despesas comuns entre empresas. A Pádua possuía, em 2006, mais de 350 funcionários, sendo absolutamente razoável que alguns poucos da área administrativa possuam vínculo com ambas as empresas (Pádua e Parati). No que diz respeito à alegação do fiscal de suposto resultado negativo nas vendas dos refrescos em pó, afirmou não existir na sua contabilidade controle segregado para cada produto ou mercadoria. Contudo, a fiscalização, equivocadamente, realiza rateio de toda as despesas operacionais, de forma proporcional às receitas de vendas, sendo que, na prática, não existe essa proporcionalidade. A Parati tem importante rentabilidade com produtos industrializados pela Pádua, principalmente com o refresco em pó. Caso a Parati tivesse realmente a intenção de praticar evasão fiscal, a operação com a Pádua não se limitaria apenas ao refresco Trink (que corresponde a menos de 20% da receita da Parati), mas a vários outros produtos comercializados pela empresa. Fl. 6742DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.743 8 Quanto à diligência solicitada, está claro que a fiscalização não aceita o fato de a empresa não adotar controles gerenciais com rateio de despesas detalhados e específicos por produtos. No entanto, não existe na legislação qualquer dispositivo exigindo essa espécie de controle. Ademais, a empresa adota o critério do custo marginal, sendo que o rateio de despesas não é determinante nas decisões estratégicas. Pelo critério adotado, o refresco em pó está entre os cinco produtos vendidos pela Parati que tem maior rentabilidade. e) inexistência de simulação; f) ausência de previsão legal para a aplicação da metodologia utilizada pela fiscalização: as empresas Pádua e Parati são autônomas e independentes, razão pela qual é equivocado o procedimento de soma de resultados das empresas para apuração do IRPJ; g) ICMS e incentivo fiscal do Fundopem/RS: é ilegal a tributação de subvenção para investimento; h) ICMS – faturamento Pádua x Parati – terceiros: o fisco desconsiderou indevidamente o ICMS sobre as vendas que a Pádua efetivamente fez para terceiros, não o considerando como despesa dedutível na apuração do IRPJ e CSLL; i) das vendas da Pádua para terceiros: o critério utilizado pela fiscalização para encontrar o valor da receita das vendas para terceiros foi calcular a diferença entre a receita bruta de vendas informadas no DRE da Pádua e os ajustes efetuados na consolidação. No entanto, o correto é considerar o valor que consta nas notas fiscais de venda da Pádua para terceiros, o que já foi entregue para fiscalização; j) do programa de alimentação do trabalhador – PAT: ao reconstituir a base de cálculo do IRPJ, a fiscalização não considerou o total do incentivo admitido pela legislação fiscal. A aplicação do artigo 59 da Lei n. 9.069/95 depende de sentença penal condenatória; l) inaplicabilidade da multa qualificada; m) impossibilidade de exigir juros sobre a multa de ofício. Os responsáveis solidários Ritmo Investimentos S/A, Ângelo Fantin e Mauro Fantin alegaram, em síntese: a) decadência; b) ausência de provas do interesse comum que acarrete solidariedade aos recorrentes: para aplicação do artigo 124, I, CTN, a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um. No caso, a autoridade fiscal presume, sem comprovar, que os recorrentes seriam beneficiários de ganhos ilícitos da fraude praticada. Não há prova de participação direta no fato gerador da obrigação. Não se pode confundir interesse jurídico com meramente econômico. c) Inaplicabilidade do artigo 135, III, do CTN: a empresa Ritmo não pode ser responsabilizada pelo crédito tributário exigido da Parati, seja porque não praticou atos de gestão (que apenas podem ser exercidos por pessoas físicas), seja porque não agiu com violação à lei, contrato ou estatuto. Fl. 6743DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.744 9 d) Inaplicabilidade do artigo 135, III, do CTN, na esfera administrativa: a regra de se responsabilizar terceiro por crédito tributário é para proteger o Fisco do inadimplemento, motivo pelo qual somente será aplicado na fase de execução fiscal. e) Falta de provas acerca da suposta ocorrência de ilícitos tributários. Acrescentese ao relatório, a síntese das próprias alegações das contrarrazões da Fazenda Nacional: (a) a regra da decadência deve ser a do artigo 173, I, do CTN; (b.1) as operações realizadas pelo grupo empresarial devem ser desconsideradas pelo conjunto de provas reunidos pela fiscalização, quais sejam: o uso da PÁDUA como mera filial da PARATI; o quadro comparativo dos resultados auferidos; os valores praticados nas industrializações sob encomenda; a discrepância entre os prazos de pagamentos pactuados e os efetivamente praticados; a destinação dos lucros distribuídos aos sócios; a identidade de gerências financeira, comercial, de produção, de pessoal e contábil; os resultados negativos nas vendas de refresco em pó; (b.2) a recorrente não trouxe nenhum elemento capaz de alterar a acusação fiscal; (b.3) há precedentes do CARF desconsiderando operações semelhantes; (c) não há qualquer falha na metodologia do lançamento; (d) a recorrente não cumpriu os requisitos legais para a caracterização do benefício do ICMS/FUNDOPEM como subvenção para investimento; (e) a recorrente questiona a necessidade de adicionar os valores de ICMS/TERCEIROS, porém, tal ajuste já foi efetivado pela decsão recorrida; (f) o exercício do direito ao benefício fiscal do PAT é uma faculdade que compete ao seu titular, sendo descabida sua concessão de ofício para alcançar períodos pretéritos objeto de lançamento caracterizado por fraude; (g) está correta a atribuição das responsabilidades solidárias qualificadas nos artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN; (h) está correta a aplicação da multa qualificada justificada pela simulação; e (i) devese aplicar a jurisprudência do CARF que mantém a incidência da SELIC sobre as multas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. O caso evidencia a constatação, pela autoridade autuante, de um planejamento tributário não oponível ao Fisco. Sobre o assunto, considero importante fixar algumas premissas, mesmo que breves, para deixar claro como me situo nas discussões sobre o fenômeno dos planejamentos tributários. Fl. 6744DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.745 10 Sobre os planejamentos tributários: É cediço que esta Casa, até praticamente a virada do século passado, manteve uma posição bastante firme no sentido de que se as operações engendradas pelos contribuintes fossem conformadas com os trâmites formais previstos no direito privado a autoridade fiscal não poderia desconsiderálas para efeitos tributários. Somente em caso de simulação, o Fisco estaria autorizado a refutar os atos e negócios praticados com a finalidade de evitar ou reduzir a incidência tributária. Neste sentido, os seguintes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPJ – "TRADING COMPANY" – SIMULAÇÃO INEXISTENTE. A criação de empresa comercial exportadora, dada como boa pelas autoridades competentes, à luz do Decretolei nº 1.248/72, não pode, depois, ser considerada produto de simulação fraudenta, pelas autoridades tributárias, ao fundamento de que objetivava, simplesmente, evasão fiscal ilícita. (Acórdão CSRF/0101.101, de 27 de novembro de 1990) IRPJ INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Incomprovada a ocorrência de simulação na operação de incorporação de uma empresa superavitária por uma deficitária, podem os prejuízos desta serem compensados como os lucros daquela, no futuro, observado o prazo legal, posto não haver vedação legal. Recurso a que se nega provimento. (Acórdão CSRF/0101.756, de 17 de outubro de 1994) I.R.P.J. – SIMULAÇÃO NA INCORPORAÇÃO – Para que se possa materializar é indispensável que o ato praticado não pudesse ser realizado, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Se não existia impedimento para a realização da incorporação tal como realizada e o ato praticado não é de natureza diversa daquele que de fato aparenta, isto é, se de fato e de direito não ocorreu ato diverso da incorporação: não há como qualificarse a operação de simulada. Os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do ato praticado, portanto, se o ato praticado era lícito, as eventuais conseqüências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal e não de evasão ilícita. (Acórdão CSRF/0101.874, de 15 de maio de 1995) Marco Aurélio Greco, em sua obra de referência sobre o tema, denominou aquele período como a primeira fase do debate (liberdade, salvo simulação)1. Haveria uma liberdade absoluta na qual o contribuinte, desde que antes da ocorrência do fato gerador, poderia agir como bem entendesse para dispor de seus negócios. A exceção ficaria por conta das situações em que se constatasse a prática de ilícitos maculados pela simulação. Necessário anotar que o conceito de simulação que inspirou essa fase é aquele orientado pelo vício de vontade. Nesta visão, a simulação ocorre quando as partes em um negócio jurídico declaram algum aspecto que seja falso, portanto, uma vontade aparente ou 1 Cf. Marco Aurélio Greco, "Planejamento Tributário". São Paulo: Dialética, 2008, p. 126. Fl. 6745DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.746 11 simulada (simulação absoluta). Ou, em outra hipótese, quando as partes declaram algum aspecto que tem por objeto encobrir outro de natureza diversa, portanto, uma vontade aparente ou simulada que encobre uma vontade real ou dissimulada (simulação relativa ou dissimulação). A simulação teria a intenção de lesar o Fisco mediante o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. Esse modo de ver o fenômeno dos planejamentos tributários foi sustentado por uma doutrina ultraformalista que propugnava por ideias como a exigência da “tipicidade cerrada” nas regras formadoras das regrasmatriz de incidência tributária e o direito constitucional de os contribuintes evitarem o pagamento dos tributos. Todo planejamento tributário seria lícito enquanto não fosse veiculada norma específica antielisiva para combatê lo. Seria constituído de negócios jurídicos indiretos, nos quais ocorre uma mera incongruência entre a função econômicosocial típica do negócio e os objetivos concretos visados pelas partes2. Nada obstante a influência que tais ideias exerciam sobre a aplicação do direito tributário brasileiro, a verdade é que o quadro era outro no plano internacional, tanto no âmbito do direito tributário quanto no do direito privado. No contexto dos países da Europa Continental, para combater os planejamentos tributários tido como abusivos, criavamse normas gerais antielisivas consubstanciadas por conceitos abertos e abstratos, tais como: abuso de formas (Alemanha e Espanha), abuso de direito (França), fraude à lei (Holanda e Espanha) e ausência de razões econômicas (Itália, Portugal e Bélgica). Nos países anglosaxões, por sua vez, onde a ideia da preponderância da substância sobre a forma é inerente aos seus sistemas jurídicos, o efeito de economia tributária provocada pelo planejamento era suficiente para a requalificação jurídico tributária das operações. Com isso, igualmente surgiam conceitos para fixar os contornos dos precedentes judiciais, tais como: step transaction (Reino Unido), business purpose (EUA) e conduit companies (EUA)3. Com objetivos semelhantes, a própria organização supranacional europeia reforçava o trilho das cláusulas antiabusivas nas diretrizes tributárias emanadas pelo seu Conselho. Neste sentido, na diretiva sobre reorganizações societárias4, estipulouse que os EstadosMembros podem se recusar a aplicar ou podem retirar, no todo, ou em parte, os benefícios contidos na diretiva se for evidente que a reorganização societária tiver como principal objetivo, ou como um dos principais objetivos, a evasão ou a elisão fiscais. Essa previsão de abuso pode ser presumida se a reorganização societária não for executada por razões comerciais válidas como a reestruturação ou a racionalização das atividades societárias. Outrossim, na diretiva matrizfilial sobre dividendos intersocietários5, estipulouse que a diretiva não impede a aplicação das disposições nacionais ou convencionais necessárias para evitar a evasão ou a elisão. Nesse mesmo tom, o Tribunal de Justiça da União Europeia começava a consolidar sua jurisprudência contrária aos planejamentos tributários abusivos6. 2 Cf. Marciano Seabra de Godoi, "Dois Conceitos de Simulação e suas Conseqüências para os Limites da Elisão Fiscal". In: Valdir de Oliveira Rocha (Org.), Grandes Questões Atuais de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007, v. 11, pp. 272 a 298. 3 Cf. Marco Aurélio Greco... , pp. 374 a 390. 4 Cf. artigo 11º, 1, "a" da Diretiva nº 90/434/CEE. 5 Cf. artigo 1º, 2, da Diretiva nº 90/435/CEE. 6 Cf. Caso C28/95 ("Leur Bloem") e Caso C264/96 ("Imperial Chemical Industries ICI"). Fl. 6746DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.747 12 Além disso, era também marcante a preocupação com os abusos praticados por reorganizações societárias internacionais, as quais criavam empresas veículos que visavam ao aproveitamento de benefícios conferidos por acordos celebrados para evitar a bitributação, prática que ficou conhecida como treaty shopping. Surgiam, então, as cláusulas de “limitação de benefícios” para restringilos às empresas que comprovassem ter seu capital preponderantemente detido por residentes dos países signatários do acordo. Igualmente, o conceito de “beneficiário efetivo” (ou beneficial ownership), inicialmente concebido na lei inglesa antitruste, ganhou tamanha aprovação que passou a contar com a expressa previsão de sua inclusão nos textos dos artigos 10, 11 e 12 dos acordos celebrados com base na ConvençãoModelo da OCDE7. Acrescentese, ainda, os esforços especialmente direcionados contra as estruturas corporativas multinacionais que provocam a erosão da base tributária num mundo globalizado. Na medida em que se toma consciência da reduzida carga tributária relativa efetivamente suportada por essas corporações, surge a orientação de que os planejamentos tributários agressivos (aggressive tax planning) devam ser objeto de uma atenção sincronizada por parte das diferentes jurisdições nacionais. Nesse sentido, destacamse várias das ações que foram recentemente conduzidas pela OCDE, no âmbito do projeto Base Erosion and Profit Shifting BEPS, sob determinação de todos os países pertencentes ao chamado G208. Como se sabe, em 2001, sintonizada com a tendência internacional, a Lei Complementar nº 104 contemplou o nosso Ordenamento com a ideia das normas gerais antielisivas ao introduzir um § único no artigo 116 do CTN, verbis: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Para tal desiderato, elegeu o legislador a figura da “desconsideração” dos negócios jurídicos praticados com a finalidade da “dissimulação”. Ademais, condicionou tal providência à observância de “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. A eleição dos negócios jurídicos praticados com a finalidade da dissimulação remetia ao conceito da simulação relativa e, como já ressaltado, à noção preconcebida de que esses negócios jurídicos só poderiam ser desconsiderados caso fosse detectada a intenção de lesar o Fisco mediante o falseamento ou a manipulação de seus aspectos relevantes. Isso aliado ao fato de que os artigos 13 a 19 da superveniente Medida Provisória nº 66/2002 não foram convertidos em lei, os quais tinham a intenção de especificar os procedimentos para a desconsideração, levou a já referida doutrina ultraformalista a propugnar pela dispensabilidade e pela eficácia limitada da norma geral. Ou seja, malgrado todo o esforço legislativo, para os defensores da primeira fase do debate continuavase no mesmo patamar de antes. 7 Cf. 1986 OECD Report: Double Taxation Conventions an the Use of Conduit Companies. 8 Cf. 2013 OECD Report: Action Plan on Base Erosion and Profit Shifting. Fl. 6747DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.748 13 Em outro prisma, no âmbito do direito privado, a teoria das causas exercia sua influência na configuração dos requisitos de validade dos negócios jurídicos em países como a França, a Itália e a Espanha9. A causa ou propósito de um negócio jurídico distinguese das vontades das partes que o celebram. É que estas têm a ver com os motivos íntimos e pessoais que acionam cada sujeito de direito na realização do negócio, enquanto que a causa ou propósito é inerente à espécie do negócio jurídico tipificado no Ordenamento. Nesta linha de pensamento, Orlando Gomes, dentre os civilistas brasileiros o mais célebre defensor da inclusão da causa como requisito de validade dos negócios jurídicos, exemplificava que a prevenção de riscos é a causa inerente ao contrato de seguros10. Se numa situação específica ficar constatado que nunca houve risco a cobrir, a validade do contrato poderia ser questionada por lhe faltar o requisito da causa. A causa é, desta forma, o propósito, a razão de ser, a finalidade prática que se persegue com um determinado negócio jurídico. Com essa perspectiva, surge a possibilidade de que as partes utilizem uma estrutura negocial para atingir um resultado que não corresponda à causa típica do negócio posto em prática11. É o que ocorre quando, por exemplo, mediante um contrato de compra e venda objetivase efetuar uma doação. Igualmente, quando por intermédio de um contrato social constituise uma sociedade empresária com objeto distinto da causa empresarial, qual seja, em conformidade com os artigos 966 e 982 do Código Civil, o exercício de uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Nesses casos, dizse que há vício na causa do negócio jurídico. Aparece, então, o conceito de simulação orientado pelo vício da causa. Para Orlando Gomes, na simulação com essa perspectiva, a divergência entre o que querem as partes e o que declaram é produzida deliberadamente12. Aqui a causa real (ou dissimulada) prepondera sobre a causa negocial (ou simulada), mas não há falseamento ou manipulação de aspectos relevantes do negócio jurídico. Ocorre uma preponderância da causa prática sobre a causa típica do negócio jurídico prescrito na lei. O saudoso autor sustentava que a causa como requisito de validade dos negócios jurídicos era o instrumento de controle da autonomia privada com vistas à conformála às novas exigências sociais dos tempo modernos13. Marco Aurélio Greco chancela essa visão e argumenta que o conceito de simulação estampado no caput do artigo 167 do Código Civil (“É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou se válido for na substância e na forma”), ao contrário da noção imediata que diretamente lhe advém, segundo a qual seriam necessários dois negócios jurídicos (o simulado e o dissimulado) para a sua aplicação, pode comportar também a ideia de que bastaria para isso apenas um negócio jurídico único, real, mas simulado (com vício de causa). Como consequência, considerando que as nulidades podem ser alegadas por qualquer interessado (artigo 168) e que os negócios jurídicos nulos não são suscetíveis de confirmação, nem de convalescença pelo decurso do tempo (artigo 169), o Fisco pode, sem necessidade de prévia decretação de nulidade, invocálas para reputar as operações assim qualificadas como inoponíveis contra si14. 9 Cf. Marciano Seabra de Godoi ..., p. 287; e Luís Eduardo Schoueri, "Direito Tributário". São Paulo: Saraiva, 2010, pp. 161 a 163. 10 Cf. Orlando Gomes, "Introdução ao Direito Civil". Rio de Janeiro: Forense, 1993, p. 393. 11 Cf. Marciano Seabra de Godoi ..., p. 284. 12 Cf. Orlando Gomes ..., p. 440. 13 Ibidem, pp. 394 e 395. 14 Cf. Marco Aurélio Greco ..., pp. 265 a 273. Fl. 6748DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.749 14 Marciano Seabra de Godoi trata as duas visões da simulação de modo a existir um conceito restrito, em que os negócios jurídicos estão apenas maculados pelo vício da vontade (doutrina ultraformalista), e um conceito amplo, no qual adicionase o vício da causa. Ainda na época dos extintos Conselhos de Contribuintes, constatava este autor uma progressiva mudança na jurisprudência administrativa para dar guarida ao conceito amplo de simulação. Neste sentido, depois de reconfigurar o conceito amplo de simulação como “simulaçãoelusão” e o conceito restrito, como “simulaçãoevasão”, o citado autor concluía15: Na prática, o CCMF passou, portanto, a reconhecer três possibilidades (e não duas como insiste a visão tradicional da doutrina) de qualificação do planejamento tributário: elisão lícita e eficaz (Acórdão 10707.596), simulaçãodissimulação elusão (passível de desconsideração mesmo antes da LC 104 mas não com punição de multa agravada conclusão do Acórdão 10321.046) e simulaçãoevasão sonegação (passível de desconsideração e de punição com multa agravada conclusão do Acórdão 10194.771). Portanto, o que importa é perceber que a jurisprudência administrativa desta Casa mudou sua orientação no que diz respeito ao enfrentamento dos casos em que ocorrem os chamados planejamentos tributários. De uma postura permissiva unicamente focada na autonomia privada (liberdade, salvo simulação por vício de vontade), partiu para uma posição mais sintonizada com o plano internacional, na qual aquela autonomia é temperada pela análise objetiva do propósito preponderante dos negócios jurídicos engendrados (liberdade, salvo simulação por vício de vontade ou por vício de causa). Essa mudança teve efeito mesmo sem a edição da lei ordinária reclamada pela norma geral positivada pela Lei Complementar nº 104/01. Tudo foi feito com base na adesão ao conceito amplo de simulação e na possível reinterpretação jurisprudencial do conceito aberto prescrito no Código Civil. Com a mudança do status de “defeito do negócio jurídico”, no Código de 1916, o qual ensejava mera anulação e maiores questionamentos sobre a ação do Fisco, para o status de “hipótese de invalidade do negócio jurídico”, no Código de 2002, o qual enseja a nulidade e sua indubitável inoponibilidade ao Fisco, maior razão emergiu para a consolidação dessa construção jurisprudencial. Nada obstante a eficácia do reconfigurado conceito de simulação para o tratamento das situações concretas concernentes aos planejamentos tributários, a doutrina recorre a outros conceitos que poderiam também ser utilizados para o enfrentamento do tema. Neste sentido, falase na fraude à lei (frau legis) e no abuso de direito. A fraude à lei, a meu ver, pode também ser um eficaz instrumento para confrontar o assunto16. Sobretudo, quando se percebe que ela desfruta do mesmo status de “hipótese de invalidade do negócio jurídico” no novo Código Civil (artigo 166, VI). Por outro lado, o abuso de direito parte de pressupostos que me parecem insuperáveis diante da 15 Cf. Marciano Seabra de Godoi ..., pp. 288 a 290. 16 Cf. Marciano Seabra de Godoi, "A figura da fraude à lei tributária prevista no parágrafo único do art. 116 do CTN". Revista Dialética de Direito Tributário, nº 68, 2001, pp. 101 a 123; e "A figura da fraude à lei tributária na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal". Revista Dialética de Direito Tributário, nº 79, 2002, pp. 75 a 85. Fl. 6749DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.750 15 concepção filosófica que adoto para a teorização dos conflitos normativos17. Entretanto, este não é o espaço adequado para tais digressões. A exposição supra já é suficiente para os propósitos do presente voto. Das operações constatadas no presente processo: Delineado o fenômeno dos planejamentos tributários e minha adesão à tese de sua inoponibilidade ao Fisco quando formados por negócios jurídicos de propósito preponderantemente marcado pela economia tributária, afigurame, agora, oportuno investigar as operações constatadas no presente processo. Para isso, vale reprisar os principais aspectos do conjunto probatório reunido pela fiscalização e confrontálos com as alegações trazidas pelas recorrentes. Em seu relatório fiscal, a autoridade autuante afirma que a realidade denota a existência de apenas uma sociedade empresária. A PARATI SA (contribuinte) e a empresa PÁDUA LTDA possuem a mesma composição societária. Esta, materialmente, comportase como uma verdadeira filial sem autonomia e independência. Com isso, a contribuinte contrata serviços sobre encomenda superfaturados com a finalidade de deslocar a sua margem de lucro para aquela outra empresa tributálo no regime do lucro presumido. Nas vendas dos produtos industrializados pela PÁDUA, a contribuinte levanta sucessivos e expressivos prejuízos. A maioria dos recursos correspondentes aos lucros distribuídos pela PÁDUA meramente circula pelos sócios e é reinvestida na forma de aporte de capital na PARATI. Segue a fiscalização aduzindo que a empresa PÁDUA foi constituída em 1998 com o intuito de se beneficiar de incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Rio Grande do Sul no âmbito do programa "FUNDOPEM/RS". Até 2001, utilizou o regime de tributação pelo lucro real, em 2002, adotou o lucro arbitrado e, a partir de 2003, passou a utilizar o regime do lucro presumido. Por exercer atividades de industrialização por encomenda e comercialização (em menor expressão), beneficiase com a presunção de um lucro no percentual de 8%. A partir dessa configuração, constata a fiscalização, ocorre uma virada na apuração dos lucros de ambas as empresas, com a parcela mais significativa do lucro sendo alocada na empresa PÁDUA (fls. 3562 e 3563). Nesse contexto, a principal fonte de receita da PÁDUA seria a industrialização encomendada pela PARATI (com a relação entre essa receita e a receita total, nos anos de 2006, 2007 e 2008, respectivamente, nos seguintes níveis: 90,71%; 97,56% e 61,65% cf. fls. 3564). Mais especificamente, os refrescos em pó da marca "Trink" constituem a receita mais representativa. Por isso, a fiscalização empreende uma maior atenção com os valores praticados nessa transação. Depois de examinar alguns elementos obtidos durante o procedimento fiscal, argumenta que esses valores estavam tão superfaturados que, em março de 2008, foram consideravelmente reduzidos. Esse comportamento seria incompatível com o cenário inflacionado verificado no período entre dezembro de 2003 e março de 2008. O superfaturamento se confirma quando se observa que a receita de vendas do refresco "Trink", se isoladamente consideradas, não cobre os respectivos custos, despesas e encargos, gerando sucessivos prejuízos para a PARATI. Acrescenta que os pagamentos correspondentes às industrializações por encomenda frequentemente desobedecem aos prazos contratualmente estabelecidos sem a contrapartida de encargos financeiros. 17 Cf. Ricardo Marozzi Gregorio, "Preços de Transferência: Arm's Length e Praticabilidade". São Paulo: Quartier Latin, p. 225. Fl. 6750DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.751 16 A empresa autuada, em sua impugnação, rechaçou a alegação de que a PÁDUA fosse sua mera filial. Nesse sentido, anexou uma vasta quantidade de elementos que, no seu entender, comprova a independência daquela empresa (fls. 3795 a 4924). A instância a quo resolveu, então, determinar a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem, entre outras, adotasse as seguintes providências (fls. 5368): a) Intimar a Parati S/A para elaborar planilha com o custo de produção de todos os seus produtos e apresentar de forma segmentada todos os registros contábeis com alocação de custos diretos e indiretos, bem como os relatórios gerenciais que subsidiaram a decisão pela alocação dos custos indiretos em função do peso dos produtos, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008; b) Intimar a Pádua Ltda. para elaborar planilha juntamente com documentos e registros contábeis, demonstrando a formação dos preços praticados nos serviços de industrialização contratados pela Parati S/A, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008; c) Elaborar relatório conclusivo sobre a regularidade dos documentos apresentados, e sobre consistência na aplicação dos critérios de alocação de Custos Indiretos na Parati e sobre a formação dos preços praticados pela Pádua Ltda. nos serviços de industrialização por encomenda, contratados pela Parati S/A. A autoridade fiscal pareceu não ver muita utilidade nessas providências uma vez que, no relatório conclusivo da diligência, apesar de deixar claro o conteúdo das verificações conduzidas ainda no âmbito do procedimento de fiscalização, resignouse afirmando que: "De qualquer modo, prestigiouse a decisão da DRJ/Salvador e intimamos a PARATI (...)" (vide fls. 6116). Por fim, fez algumas considerações acerca dos elementos colhidos na diligência concluindo que (fls. 6126): À Fiscalização compete então, encerrar o assunto, relembrando apenas que os preços pactuados entre ambas a título de industrialização por encomenda em 2003 perduraram até meados de 2008, quando então foram consideravelmente reduzidos. A DRJ, nesse aspecto, deuse por satisfeita, promovendo uma análise detalhada dos elementos e alegações contidas no processo e considerando haver prova indiciária suficiente para sustentar a acusação de simulação fraudulenta. A contribuinte, no entanto, volta a insistir na independência funcional das empresas e a combater as ideias de simulação e fraude. Além disso, quanto à discussão dos preços superfaturados, alega contingências internas da empresa e o cenário global da economia. Acrescenta que não há na legislação a determinação de um critério de controle gerencial específico por produto. Refuta, ainda, os demais argumentos utilizados pela fiscalização (não Fl. 6751DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.752 17 incidência de encargos financeiros sobre os créditos em mora, reinvestimento dos lucros distribuídos aos sócios e existência de funcionários em comum). A Fazenda Nacional, por sua vez, enfatiza que o conjunto probatório, se considerado na sua totalidade, leva à procedência da autuação. Da qualificação das operações empreendidas: A partir da premissa firmada, qual seja, a inoponibilidade ao Fisco dos planejamentos formados por negócios jurídicos de propósito preponderantemente marcado pela economia tributária, e do conjunto probatório previamente analisado, já se pode tentar qualificar as operações empreendidas no presente processo. Há que se investigar, então, se os negócios jurídicos que consolidaram as operações empreendidas tiveram o propósito preponderante de diminuir as bases tributáveis do grupo econômico formado pelas empresas PARATI e PÁDUA. Em outras palavras, o planejamento tributário engendrado pode ser oponível ao fisco? Apesar de todo o esforço argumentativo construído pela fiscalização, não se pode qualificar os fatos nessa perspectiva. Como relatado, a empresa PÁDUA foi constituída muito antes do período em que se detectou a alegada economia tributária. Podese até invocar o benefício fiscal do ICMS do Estado do Rio Grande do Sul como um objetivo para a sua constituição, contudo esse não é o foco do presente problema. A questão é que a PÁDUA é uma empresa legalmente constituída e factualmente operativa. Não se pode refutar essa condição apenas porque possui identidade de pessoas com a empresa contribuinte em algumas funções administrativas. Longe, portanto, de se verificar aqui a existência de uma empresa veículo. O negócio jurídico que parece chamar mais a atenção no caso é o superfaturamento das operações de industrialização por encomenda. Com efeito, os preços praticados parecem ter sido bastante distantes daqueles que seriam razoáveis. Nesse sentido, a fiscalização faz uma série de considerações, inclusive de razões econômicas, para demonstrar que eles tiveram o objetivo preponderante de transferir o lucro da PARATI para a PÁDUA uma vez que esta poderia se valer de uma menor tributação ao optar pelo regime de tributação pelo lucro presumido. À reboque, outras vantagens puderam ser observadas no âmbito do aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS. Nada obstante, na conformidade do que foi apresentado, as ideias acerca da inoponibilidade dos planejamentos tributários marcados pela preponderância de um propósito associado à economia tributária foram maturadas num ambiente em que inexiste uma norma geral antielisiva eficaz (a eficácia da norma tributária editada com essa finalidade está a depender da edição de uma lei ordinária). Daí, toda a evolução jurisprudencial que se socorre nos institutos do direito civil. Ocorre que toda essa construção jurisprudencial só é válida quando não há uma regra antielisiva específica para tratar do assunto. Ora, o superfaturamento do preço praticado em operações realizadas entre pessoas ligadas tem tratamento próprio determinado no contexto das regras de distribuição disfarçada de lucro. No caso, a situação perfeitamente Fl. 6752DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.753 18 poderia se enquadrar no espectro dos artigos 464, VI, 466, § único, e 467, IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Confirase: Seção II Lucros Distribuídos Disfarçadamente Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (,,,) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. (grifei) (...) Pessoas Ligadas e Valor de Mercado Art. 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): (...) §1º Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §4º). §2º O valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §5º). §3º O valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §6º). §4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §7º). Fl. 6753DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.754 19 Distribuição a Sócio ou Acionista Controlador por Intermédio de Terceiros Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). (grifei) Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). (grifei) Subseção I Cômputo na Determinação do Lucro Real Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. (grifei) Art. 468. O disposto no artigo anterior aplicase aos lucros disfarçadamente distribuídos e não prejudica as normas de indedutibilidade estabelecidas neste Decreto. Nesse sentido, a própria fiscalização constatou que, no ano de 2006, o Sr. Mauro Fantin e, nos anos de 2007 e 2008, a empresa RITMO INVESTIMENTOS S/A eram diretamente controladores da pessoa jurídica autuada (cf. fls. 3562). Aquelas eram, portanto, pessoas ligadas que poderiam estar realizando negócio em condições de favorecimento (artigo 464, VI) por intermédio de outrem (a empresa PÁDUA) capaz de induzir a presunção de distribuição disfarçada de lucro (artigo 466). Por isso, as importâncias pagas a título de industrialização por encomenda não seriam dedutíveis na empresa autuada (artigo 467, V). Não se pode, destarte, recorrer a uma construção jurisprudencial tão cara à história do direito tributário brasileiro quando há uma regra antielisiva específica apropriada para tratar do tema. Ademais, as circunstâncias do caso me fazem refletir sobre a forma como os preços praticados nas operações de industrialização por encomenda (pelo menos naquele que seria o produto mais relevante no período fiscalizado, o refresco "Trink") foram questionados. Fl. 6754DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.755 20 É sabido que a avaliação dos preços praticados em operações realizadas entre empresas associadas no âmbito internacional deve ser conduzido na conformidade das regras conhecidas como "controle dos preços de transferência" (transfer pricing). Nesse cenário, impera a necessidade da comparação com operações realizadas entre empresas independentes (princípio arm's length). Guardadas as devidas proporções, é isso também que fazem as regras internas que presumem a existência de distribuição disfarçadas de lucros. Efetivamente, os parágrafos 1º a 4º do artigo 465 do RIR/99 (acima reproduzidos), ao cuidarem do "valor de mercado", acabam considerando como parâmetros aqueles que seriam considerados os preços arm's length das transações controladas. Ora, a fiscalização não fez nada disso. De fato, questionou os preços praticados (essencialmente na industrialização do refresco "Trink"). Contudo, não buscou saber qual seria o seu valor de mercado. Fez considerações de ordem econômica que, por si só, seriam incapazes de induzir a presunção de distribuição disfarçada de lucro. Haveria que se trazer para os autos os valores de mercado da industrialização contestada como exigem os parágrafos 1º a 4º do artigo 465. É verdade que essa prova é de difícil obtenção (por isso, a legislação brasileira, no âmbito internacional, preferiu recorrer a margens predeterminadas de lucro), mas, ainda assim, tem que ser produzida. Aqui, por outro lado, pretendeuse fazer considerações econômicas para descaracterizar a razoabilidade dos preços praticados. A finalidade, como se disse, foi evidenciar o propósito preponderante que motivou essas operações, qual seja, a economia tributária. A manipulação dos preços até poderia ser levada para esse lado caso não houvesse disciplina específica para o tratamento do caso. Quanto aos demais elementos apontados pela fiscalização como prova da "simulação fraudulenta" (falta de um critério de controle gerencial específico por produto, não incidência de encargos financeiros sobre os créditos em mora e reinvestimento dos lucros distribuídos aos sócios), mesmo que reunidos, restam incapazes de caracterizar negócio jurídico marcado por propósito preponderante de economia tributária. Por tal razão, considero maculada a totalidade dos lançamentos efetuados. Caem por terra, assim, as discussões acessórias que envolvem o processo, como a qualificação das multas, os prazos decadenciais e as responsabilidades tributárias atribuídas. Nada obstante, a maioria desta Turma, na sessão de julgamento realizada em 07/07/2016, discordou do entendimento acima proposto. Passo, assim, a externar minhas considerações acerca das referidas discussões acessórias. Das multas qualificadas: O argumento utilizado pela fiscalização e corroborado pela instância a quo para manter a qualificação das multas aplicadas reside na imputação de conduta dolosa ao planejamento tributário engendrado. Fl. 6755DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.756 21 Sem embargo, há que se recordar que a hipótese de qualificação da multa aplicada está contida no artigo 44, I, e seu § 1º, da Lei nº 9.430/9618, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os referidos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 são os que abaixo se reproduz: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 18 A redação originial desse dispositivo, abaixo transcrita, apesar de um pouco distinta, não altera o entendimento pronunciado na sequência. "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Fl. 6756DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.757 22 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Portanto, a qualificação (duplicação) da multa não decorre de nova infração. Ela surge quando a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração ou a declaração inexata estiver associada a uma das condutas típicas definidas como sonegação, fraude ou conluio. Tais condutas supõem a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo, no seu mais puro sentido penal. Nas palavras de Marco Aurélio Greco19: Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. A fraude penal não se confunde com a fraude à lei (ou fraude civil) acima invocada. Nesta última, o contribuinte enquadra sua conduta numa norma, mas vem o Fisco e o faz em outra. É um problema de qualificação jurídica. Por sua vez, a fraude penal, assim como a sonegação, são condutas típicas do direito penal também caracterizadas como crimes contra a ordem tributária (artigos 1º e 2º, I, da Lei nº 8.137/90). Tanto é que o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 ressalva a aplicação de outras penalidades criminais. Quanto à sonegação, não há dúvidas. Só se concretiza depois de ocorrido o fato gerador da obrigação tributária. Isso porque sua hipótese prevê uma conduta voltada para impedir ou retardar o “conhecimento”, pelo Fisco, “da ocorrência do fato gerador” ou “das condições pessoais de contribuinte”. A fraude, por outro lado, suscita mais dúvidas. A redação do artigo 72 da Lei nº 4.502/64 pode ser dividida em duas partes. Na primeira parte, temse as condutas de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. “Impedir ou retardar” é diferente de “não realizar”. Nos casos de planejamentos tributários, o contribuinte julga que sua conduta é alcançada por outro enquadramento legal e não pela hipótese do fato gerador. Como ensina Marco Aurélio Greco, essa parte do dispositivo legal tem sua aplicação restrita às situações em que “tiverem sido realizados atos que, substancialmente, representem o núcleo da definição do fato gerador, de modo que a sua ‘ocorrência’ seja mera etapa subsequente, e quase que inexorável, a introdução pelo contribuinte (ou outrem) de atos ou omissões que não permitam o aperfeiçoamento 19 Cf. Marco Aurélio Greco ..., p. 253. Fl. 6757DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.758 23 daquele fato gerador que iria ocorrer”. Afinal, só se impede ou se retarda algo que está em curso20. Na segunda parte, quando há alusão a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, novamente, temse condutas que só se concretizam depois que este tenha ocorrido. É que só se pode excluir ou modificar algo que já exista21. Há poucas linhas, firmouse que o conceito de simulação pode ser orientado pelo vício de vontade ou pelo vício de causa. São duas situações claramente distintas. Na simulação por vício de vontade, há o requisito do falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes declaram algum aspecto que seja falso, portanto, uma vontade aparente ou simulada (simulação absoluta), ou algum aspecto que tem por objeto encobrir outro de natureza diversa, portanto, uma vontade aparente ou simulada que encobre uma vontade real ou dissimulada (simulação relativa ou dissimulação). Tratase, com efeito, das hipóteses em que se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. Estamos fora do campo dos planejamentos tributários propriamente ditos. Por outro lado, na simulação por vício de causa, situações em que se verificam os planejamentos tributários inoponíveis ao Fisco, inexistem condutas maculadas pelo falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. No presente caso, a fiscalização sustenta a qualificação das multas com base na imputação de conduta dolosa ao planejamento tributário engendrado. Mas, não aponta qualquer falseamento ou manipulação de aspectos relevantes nessa situação. Nem mesmo a DRJ identificou problemas dessa natureza. Nada obstante, como já exposto, se isso não aconteceu, não posso concordar com a qualificação da conduta nas figuras da sonegação ou da fraude penais. O superfaturamento das operações de industrialização por encomenda está maculado pelo vício da causa. Mas daí não decorre que houve falsidade material na sua execução. Muito menos que houve conduta concretizada após a ocorrência do fato gerador (sonegação ou segunda parte da fraude) ou conduta concretizada no iter formativo do fato gerador (primeira parte da fraude). Por tais razões, afasto a qualificação das multas aplicadas. Dos Prazos Decadenciais: A instância a quo entendeu que o caso configura planejamento tributário de cunho doloso. Nesse sentido, considerou que os prazos decadenciais devem ser regidos pelo artigo 173, I, do CTN. A recorrente, no entanto, defende que não se trata de dolo e, por isso, devese aplicar a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. O artigo 150 do CTN assim disciplina a matéria: 20 Cf. Marco Aurélio Greco ..., p. 258. 21 Cf. Marco Aurélio Greco ..., p. 259. Fl. 6758DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.759 24 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Quando foi feita a análise dos planejamentos tributários considerados inoponíveis ao Fisco, esclareceuse que as operações engendradas revelavam vícios de causa. Como antes ressaltado, a simulação pode ser vista num conceito mais restrito, em que os negócios jurídicos estão apenas maculados pelo vício da vontade, ou num conceito mais amplo, no qual adicionase o vício da causa. Assim, mesmo que as condutas adotadas não possam ser consideradas dolosas, não deixam de evidenciar uma simulação. A ressalva contida no § 4º acima reproduzido é clara. Destarte, havendo simulação, o termo inicial do prazo decadencial está previsto na regra geral contida no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse termo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o termo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No presente caso, os tributos com fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2006 (PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2006) tinham como termo inicial a data de 01/01/2007. Como a ciência dos autos de infração foi efetivada em 19/12/2012, para eles, já havia transcorrido o prazo decadencial para que o Fisco efetuasse os lançamentos. Fl. 6759DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.760 25 Assim, há que se cancelar a autuação, apenas, no que toca ao PIS e à COFINS referentes aos meses de janeiro a novembro de 2016. Das Responsabilidades Tributárias Atribuídas: Cumpre observar que a autoridade fiscal, para atribuir as responsabilidades tributárias, invocou os artigos 124, I, e 135 do CTN. O artigo 135, III, do CTN dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, os diretores, gerentes ou representantes da empresa autuada, pelo fato de terem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei que resultaram na obrigação tributária objeto da autuação, são considerados responsáveis pelos créditos tributários lançados. Sem embargo, como já analisado, não houve prova suficiente para a comprovação de conduta dolosa. Neste sentido, não se pode atestar a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei capaz de caracterizar a responsabilidade tributária delineada no artigo 135, III, do CTN. Noutro prisma, o artigo 124, I, do CTN, prescreve: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; O interesse comum é um conceito indeterminado que exige construção jurisprudencial. De imediato, impõese a consagrada interpretação segundo a qual ocorre tal hipótese quando duas ou mais pessoas se instalam no mesmo lado da relação obrigacional escolhido pelo legislador para a configuração da sujeição passiva tributária (exemplo clássico dos coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU). Além disso, o STJ cristalizou o entendimento de que o fato de haver empresas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária (AgRg no REsp nº 1.102.894, AgRg no Ag nº Fl. 6760DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.761 26 1.055.860, REsp nº 834.044, REsp nº 1.001.450). Portanto, em situações semelhantes, há que se demonstrar algo mais do que a mera pertinência dentro do grupo econômico. Entendo que caracterizase também o interesse comum quando é constatada a existência de pessoas diretamente beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pelo contribuinte. No caso de pessoas jurídicas, normalmente essa situação vem acompanhada de uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. No caso de pessoas físicas, normalmente há a apropriação direta dos recursos da empresa contribuinte, marcada pela obtenção de empréstimos ou usufruto de bens desprovidos de maiores formalidades. Essas pessoas não possuem apenas o interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa contribuinte, como é o que ocorre, de regra, com qualquer pessoa que regularmente pertença ao quadro societário de uma empresa. Têm também o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro). Isso porque se beneficiam dessas situações jurídicas diretamente, dispensando a regular distribuição de lucros, por obra da confusão patrimonial estabelecida entre suas esferas pessoais e a da empresa contribuinte. Nada obstante, não há nos autos evidência de que possa ter havido a citada confusão patrimonial. As pessoas física e jurídica (sócios das empresas envolvidas no planejamento tributário) apontadas como responsáveis, segundo consta nos autos, receberam rendimentos distribuídos a partir dos lucros apurados na empresa PÁDUA e reinvestiram parte desses valores na PARATI. Tal situação não caracteriza o interesse comum acima referido. Neste contexto, entendo que devam ser afastadas as responsabilidade tributárias atribuídas. Dispositivo: Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários. Porém, como sou vencido nesse entendimento, proponho que se reconheça a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2006, afastandose, assim, o PIS e a COFINS de janeiro a novembro de 2006. No mérito, proponho o afastamento das multas qualificadas e que se afaste as responsabilidades tributárias atribuídas. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.762 27 Com a devida vênia ao ilustre relator, cujos votos tem sido proferidos com bastante acuidade prática e teórica e este não é exceção, não comungo do seu entendimento acerca do direito a ser aplicado à acusação do planejamento tributário não oponível à Fazenda. Em primeiro lugar, uma empresa não precisa ser efêmera para ser empregada como empresa veículo ou para viabilizar operações engendradas com o propósito de economizar ilicitamente tributos. A curta vida de uma empresa é um indício amiúde considerado para se caracterizar os planejamentos ilícitos. Todavia, a caracterização desse fato não é, por si só, apto para comprovar evasões fiscais; de igual sorte, a ausência desse fato também não é um dado capaz de qualificar como lícita toda e qualquer manipulação que vise economizar tributos. O que deve ser examinado é o conjunto de elementos; aliás, conjunto este que foi considerado suficiente pelo próprio relator para a afirmação fiscal de que houve manejo de preços entre partes relacionadas para ludibriar a tributação de vários tributos. Num primeiro momento, o relator parece considerar que não teria havido abuso. Assim abriu seu voto: Em outras palavras, o planejamento tributário engendrado pode ser oponível ao fisco? Apesar de todo o esforço argumentativo construído pela fiscalização, não se pode qualificar os fatos nessa perspectiva. Nada obstante, prosseguiu: O negócio jurídico que parece chamar mais a atenção no caso é o superfaturamento das operações de industrialização por encomenda. Com efeito, os preços praticados parecem ter sido bastante distantes daqueles que seriam razoáveis. Nesse sentido, a fiscalização faz uma série de considerações, inclusive de razões econômicas, para demonstrar que eles tiveram o objetivo preponderante de transferir o lucro da PARATI para a PÁDUA uma vez que esta poderia se valer de uma menor tributação ao optar pelo regime de tributação pelo lucro presumido. À reboque, outras vantagens puderam ser observadas no âmbito do aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS. Nada obstante, na conformidade do que foi apresentado, as ideias acerca da inoponibilidade dos planejamentos tributários marcados pela preponderância de um propósito associado à economia tributária foram maturadas num ambiente em que inexiste uma norma geral antielisiva eficaz (a eficácia da norma tributária editada com essa finalidade está a depender da edição de uma lei ordinária). Daí, toda a evolução jurisprudencial que se socorre nos institutos do direito civil. Ocorre que toda essa construção jurisprudencial só é válida quando não há uma regra antielisiva específica para tratar do assunto. Ora, o superfaturamento do preço praticado em operações realizadas entre pessoas ligadas tem tratamento próprio determinado no contexto das regras de distribuição disfarçada de lucro. Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401001.675 S1C4T1 Fl. 6.763 28 Ou seja, não divergiu quanto aos fatos apontados pela autoridade lançadora e ratificados pela autoridade julgadora de primeiro grau. Também não considerou o planejamento apto a licitamente reduzir a tributação das partes envolvidas. Apenas aduziu que a autoridade deveria ter feito a acusação por meio de uma norma específica para a espécie (Distribuição disfarçada de lucro) e não por meio das normas gerais antielisão. Ora, não estamos a tratar de regime de tributação, ou seja, da quantificação e da qualificação jurídica de um fato. Se fosse, se a autoridade fiscal tivesse aplicado uma alíquota diversa, se tivesse apurado uma base de cálculo qualitativa e quantitativamente diferente (lançar pelo lucro real no lugar do lucro presumido, por exemplo), aí sim o lançamento estaria equivocado. Contudo, a divergência do relator é quanto ao regime jurídico aplicado para a prova de um fato. Todavia, há várias formas de se comprovar o mesmo fato e uma não exclui outra. A distribuição disfarçada de lucro nada mais é do que uma presunção legal de um planejamento tributário ilícito. É uma forma, que não exclui outras, à disposição da autoridade fiscal para comprovar a ilicitude do negócio jurídico. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a essa questão. No mais, sigo o voto do ilustre relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 6763DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 31/08/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 10821.000041/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 21 .0 00 04 1/ 20 10 -7 6 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10821.000041/201076 Resolução nº 2401000.524 S2C4T1 Fl. 68 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1645.083 (fls. 40/42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos, devidamente comprovados. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2006/608451274744109, relativa ao anocalendário 2005, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada dedução indevida (fls. 4/9): (i) de despesas médicas, no valor de R$ 14.540,00; e (ii) com despesas de instrução, no importe de R$ 4.396,00. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 18/12/2009, às fls. 31, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimado pessoalmente, em 1º/10/2013, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 49, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 22/10/2013, em que alega os seguintes argumentos de defesa (fls. 53/55). Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10821.000041/201076 Resolução nº 2401000.524 S2C4T1 Fl. 69 3 (i) em preliminar, que estava incompleta a composição da turma de julgamento em primeira instância, com ausência da julgadora Regina Célia Setsuko Sakauie, o que impediria a decisão da turma; (ii) conforme solicitado pela fiscalização, apresentou os recibos e extratos bancários, nos quais aparecem as datas dos saques realizados em dinheiro. Entretanto, não se quer aceitar o fato de que os pagamentos foram realizados de maneira parcelada e em dinheiro aos profissionais de saúde, com emissão dos recibos somente após a conclusão do tratamento médico/odontológico; e (iii) ingressou com ação judicial contra a União, autuada sob o nº 00074982320124036301, para questionar a incidência da tributação sobre a parcela que recebe referente à complementação de aposentadoria do plano de previdência privada. É o relatório, no que interessa. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10821.000041/201076 Resolução nº 2401000.524 S2C4T1 Fl. 70 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 5. A respeito da comprovação das despesas médicas, afirma o recorrente tanto na impugnação quanto no recurso voluntário que apresentou prova do efetivo pagamento à fiscalização, mediante a juntada dos correspondentes extratos bancários. Nesse sentido, transcrevo excerto da sua impugnação (fls. 2): I Os Fatos 1. Com relação as despesas médicas (glosa do valor de R$ 14.540,00) no termo da intimação de 24/11/09, foi me pedido apresentar comprovação do efetivo pagamento, não me foi pedido os recibos médicos. Através da minha carta de 02 de dezembro de 09 registrada, anexei todos os extratos bancários e, informei que os pagamentos foram feitos em dinheiro parceladamente e ao termino de cada tratamento, foram sendo emitidos os respectivos recibos. Com boa vontade bastava verificar em cada extrato mensal os saques realizados em dinheiro. Pois repito os pagamentos foram feitos parceladamente em dinheiro e os recibos somente foram emitidos ao término de cada tratamento. (...) 6. A autoridade fiscal justificou a glosa da despesa médica conforme abaixo reproduzido (fls. 6): Glosa do valor de R$ 14.540,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação hábil. Tendo sido intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas informadas na DIRPF, em 24/11/2009, AR 30/11/2009, o contribuinte através de Correspondência Registrada enviou correspondência informando que os pagamentos foram feitos em dinheiro parceladamente e que ao término de cada tratamento, foram emitidos os respectivos recibos. Anexou cópias de extratos bancários sem identificar os saques aos quais referiamse os pagamentos, e não coincidiam em datas e valores com os recibos, não sendo probatórios das despesas. (GRIFOUSE) (...) 7. Por sua vez, a decisão de piso analisou os argumentos do impugnante, nesses termos (fls. 42): "(...) porém, como já dito na Notificação de Lançamento, o contribuinte juntou cópia dos extratos bancários sem identificar os saques aos quais referiamse os pagamentos e cujos valores e datas não coincidem com os recibos, não ocorrendo a prova solicitada e, como na impugnação, não traz nenhuma nova prova nem mais esclarecimentos, mantémse a glosa." (...) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10821.000041/201076 Resolução nº 2401000.524 S2C4T1 Fl. 71 5 8. Acontece que não localizei nos autos as cópias dos extratos bancários disponibilizados pelo contribuinte. Tornase inviável avaliar, portanto, se a documentação colacionada pelo contribuinte não é hábil para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, como decidiu a primeira instância. 9. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de a unidade preparadora da RFB realizar a juntada aos autos das cópias dos extratos bancários disponibilizados pelo contribuinte por ocasião do procedimento fiscal (fls. 6). 10. Após a providência do órgão da RFB, deverá ser oportunizado o contraditório ao recorrente, com posterior retorno dos autos para julgamento deste Colegiado. 11. Na eventualidade de a RFB não mais dispor das cópias dos extratos, deverá intimar o contribuinte para reapresentálas, quando o recorrente também deverá correlacionar os saques bancários com os pagamentos efetuados aos profissionais de saúde, vinculando datas e valores. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 37324.000642/2006-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial conhecido e negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 853 1 852 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 37324.000642/200660 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.443 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CORREIO POPULAR SOCIEDADE ANÔNIMA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial conhecido e negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 32 4. 00 06 42 /2 00 6- 60 Fl. 853DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de notificação fiscal de lançamento NFLD DEBCAD nº 35.774.6783, às efls. 04 a 82, cientificado à contribuinte em 14/12/2004 (efl. 616), com relatório fiscal às efls. 93 a 109. A notificação é referente a cota dos empregados e patronal, as relativas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT, até a competência de 06/1997, as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, a partir de 07/97 e às destinadas a terceiros, a partir da competência de 07/95. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram as remunerações pagas aos segurados registrados e não registrados, que a notificada considerou como autônomos e, no entanto, foram caracterizados pela fiscalização como segurados empregados por preencherem os requisitos do art. 12, inc. I, "a", da Lei 8.212/1991. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 6.031.177,84, consolidado na data de 18/11/2004, para o período de 01/1994 a 12/1998. A NFLD foi impugnada, às efls. 6627 a 640, em 28/12/2004. Já o Delegado da Receita federal do BrasilPrevidenciária em Campinas, por meio da DecisãoNotificação/DN nº 21.424.4/0244/2005 prolatada em 14/01/2005, às efls. 714 a 730, considerou o lançamento procedente em parte, retificandoo de ofício, por existência de duplicidades constatadas, reduzindoo para o valor de R$ 5.987.454,74, consolidado igualmente em 18/11/2004, e por isso recorrendo de ofício da decisão, com base no inc. I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Inconformada, em 18/01/2006, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 769 a 783. Em resumo os argumentos foram: i) a nulidade do lançamento tributário, bem como da decisão recorrida; ii) beneficiários dos pagamentos realizados pela Recorrente não possuem vinculo empregatício com esta, ao contrário do alegado pela fiscalização; iii) o enriquecimento ilícito do Fisco, por cobrar cm dobro as contribuições previdenciárias; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 37324.000642/200660 Acórdão n.º 9202004.443 CSRFT2 Fl. 854 3 iv) a decadência do direito de constituir o crédito previdenciário em debate. O Serviço de Contencioso Administrativo da Previdência Social apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, em 16/02/2004, às efls. 790 a 792. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 29/04/2010, resultando no acórdão 230101.4023, às efls. 799 a 803, que tem a seguinte ementa: DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NOCTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições providenciarias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação principal aplicase o art. 173, I, caso se refira a obrigação acessória cabível o artigo 150, §4°. Recurso Voluntário Provido Crédito Tribulário Exonerado O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 3a Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. (negritos do original) No voto, o relator, à efl. 802, adota contagem do prazo decadencial com base no § 4º do art. 150 da Lei 5.172 de 25/10/1966, CTN. RE da Procuradoria A Procuradora da Fazenda manejou recurso especial de divergência RE (efls. 808 a 818) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF no acórdão paradigma 240101.186, da 1ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A divergência se prenderia à decadência, que no recorrido entendeuse dever ser contada a decadência com base no § 4º do art. 150 do CTN, mesmo diante da inexistência de antecipação de pagamento ao tributo sob as rubricas devidas. No paradigma, utilizouse o inc. I do art. 173 e o parágrafo único do mesmo dispositivo, de maneira que o prazo fatal que, no caso concreto, ocorreria em 01/01/2004 ficou afastado pela ciência de medida preparatória indispensável ao lançamento, ou seja, o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, emitido em 21/03/2003 (efl. 86), sendo estendido para 21/03/2008. O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, lhe deu seguimento, por meio do despacho nº 2300143/2012, datado de 06/03/2012, às efls. 844 e 845. Fl. 855DF CARF MF 4 A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 230101.403, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2300143/2012, por meio do Comunicado 388/2012 SECAT/DRF/CPS (efl. 846), em 20/04/2012 (efl. 847), não tendo apresentado contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico, a propósito, que cingese o litígio aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150 §4º do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 856DF CARF MF Processo nº 37324.000642/200660 Acórdão n.º 9202004.443 CSRFT2 Fl. 855 5 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Fl. 857DF CARF MF 6 A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A polêmica, no caso em questão, em verdade, está na existência ou não de pagamento antecipado. Por sua vez, defende a Fazenda Nacional que, a decisão a quo, mesmo diante da inexistência de antecipação de pagamento do tributo sob as rubricas devidas, utilizouse do art. 150 do CTN e seu § 4º. A propósito, faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.(Grifei.) Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, deve haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). No relatório da notificação fiscal de lançamento, à efl. 105, quando este trata lançamento do crédito, está posto: No cálculo da contribuição da empresa foi lançada a diferença entre a contribuição apurada pela fiscalização devida sobre a remuneração dos autônomos considerados empregados e os valores recolhidos como contribuição sobre autônomos, como esta demonstrado no relatório: "Correio Popular S/A Relatório de Aproveitamento de Recolhimentos sobre Pro Fl. 858DF CARF MF Processo nº 37324.000642/200660 Acórdão n.º 9202004.443 CSRFT2 Fl. 856 7 Labore e Autônomos". A prioridade do aproveitamento dos recolhimentos é do levantamento referente a caracterização de segurado empregado. (Grifei.) Com isso, se pode observar à efl. 575, onde consta o relatório acima grifado que há contribuições recolhidas desde o mês 05/1996 até o mês 12/1998 e que o desconto dos referidos valores resultam nos valores lançados, conforme se observa comparando o Relatório de Apropriação de documentos apresentados RADA, às efls. 65 a 70. Por isso entendo que recolhimentos naqueles períodos houve. Em face da existência de pagamentos, ainda que parciais, no período autuado e, a partir do teor da Súmula CARF nº 99, entendo aplicável a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN. Considero não ser correto o entendimento exposto pela procuradoria, de que se aplicaria o art. 173, inc. I, com interrupção decorrente do parágrafo único do mesmo dispositivo. Não comungo de tal entendimento, por criar uma interrupção da decadência ao talante do agente fiscal, que chegando ao estabelecimento do contribuinte um dia antes da data fatal pode estendêla por cinco anos. Me parece ser de melhor inteligência a ideia de que o disposto no parágrafo único seja uma regra restritiva, de antecipação, e não interruptiva; se o fisco dá início a algum procedimento antes da data em que seria possível constituir o crédito tributário pelo lançamento, este passa a ser o dies a quo da contagem decadencial. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário com a devida ciência da contribuinte em 14/12/2004, a exigência fiscal resta fulminada pela decadência, haja vista que os fatos geradores ocorridos lançados se encontravam entre 02/1994 e 01/1999, os quais se encontram afastados pelo prazo decadencial inscrito no art. 150, §4o do CTN, impondo seja decretada a improcedência do feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, aplicandose a contagem do prazo decadencial na forma do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966, reconhecendose a decadência para todas as competências do lançamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 859DF CARF MF 8 Fl. 860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005877/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 594 1 593 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.005877/200831 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.086 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE NOVA PETRÓPOLIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 58 77 /2 00 8- 31 Fl. 594DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase o presente de lançamento de multa por apresentação de GFIP's, com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias, omitindo valores de contribuições previdenciárias devidas, sobre faturas de cooperativa de trabalho médico. A multa é de 100% do valor da contribuição devida, que deixou de ser recolhida por omissão de base de cálculo de contribuição na GFIP, por competência, limitada em função do número de segurados que prestam serviço à empresa, de acordo com o parágrafo 4° do art. 32 da lei 8.212/91. No regular curso do processo administrativo a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção deste Tribunal, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando que aplicase ao caso a retroatividade prevista no artigo 160, II, “c”, do CTN, devendo ser elaborado cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores lançados no AI (multa de 100%, com redução em função do número de segurados), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 9202005.086 CSRFT2 Fl. 595 3 obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. BASE DE CÁLCULO. Nos casos de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a apuração da base de cálculo para incidência da contribuição da empresa só deve ser aferida pela aplicação de percentuais estabelecidos nas normativas se não for possível distinguir o que seria mão de obra e o que seriam materiais e outras despesas. Havendo a possibilidade de verificação do valor da efetiva mão de obra empregada na prestação do serviço, não há que se falar em aplicação de percentuais sobre o valor da fatura para apuração da base de cálculo. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Nesse contexto, foi tempestivamente apresentado Recurso Especial pela Fazenda Nacional. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das Fl. 596DF CARF MF 4 penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Posteriormente, o Contribuinte apresentou petição (Fls. 556) requerendo que este colegiado reconheça a decisão proferida pelo STF no RE 595.838, que reconheceu a inconstitucionalidade das contribuições cobradas, que originaram a cobrança da multa em questão e declara a extinção do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Com relação à solicitação do contribuinte de reconhecimento da declaração de inconstitucionalidade e da extinção do presente crédito tributário, entendo que o debate é necessário. Entendo, com base no artigo 16, §4º, "b", do Decreto 70.235/72, que o reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição tratase de direito superveniente. Nesse contexto, deve ser recebida a petição do contribuinte. Contudo, nos presentes autos se discute outra matéria, a saber: aplicação da retroatividade benigna em relação à multa aplicada, de modo que não é possível prover seu apelo no presente caso. Importante salientar que caberá à autoridade responsável pela cobrança do crédito tributário respeitar a Portaria PGFN 502/2016 e NOTA PGFN/CRJ/Nº 604/2015. Nesse contexto, passo à análise do caso. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Caso vencido em relação ao conhecimento, passo à análise de mérito. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 9202005.086 CSRFT2 Fl. 596 5 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, Fl. 598DF CARF MF 6 acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 9202005.086 CSRFT2 Fl. 597 7 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Fl. 600DF CARF MF 8 Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 9202005.086 CSRFT2 Fl. 598 9 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 602DF CARF MF 10 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11020.005877/200831 Acórdão n.º 9202005.086 CSRFT2 Fl. 599 11 Importante destacar que no entendimento da maioria a petição interposta pelo contribuinte, requerendo a aplicação da decisão do STF ao presente caso sequer pode ser conhecida. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 604DF CARF MF
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