Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.949415/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.949415/2008-34
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900049
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.446
nome_arquivo_s : Decisao_10880949415200834.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880949415200834_5900049.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7414027
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869089435648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.949415/200834 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.446 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente BRACOL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 15 /2 00 8- 34 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.085,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 6 5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.949415/200834 Acórdão n.º 3402005.446 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720621/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
Numero da decisão: 2402-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720621/2016-36
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900846
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.525
nome_arquivo_s : Decisao_16327720621201636.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 16327720621201636_5900846.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7419624
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869108310016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720621/201636 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.525 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. Recorrente BANCO VOTORANTIM SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 21 /2 01 6- 36 Fl. 730DF CARF MF 2 Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/JFA fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Das autuações Tratase de autos de infração de contribuições previdenciárias patronais, incluindo GILRAT, no valor total, com juros e multa, de R$61.062.490,62, e devidas a outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), no valor total de R$6.638.196,72 (fls. 285/300). Conforme Relatório Fiscal (fls. 301/331), as contribuições lançadas foram apuradas sobre os valores de "Participação nos Lucros e Resultados" (PLR) da empresa, pagos aos empregados nas competências 10/2011, 11/2011, 12/2011, 02/2012, 10/2012 e 11/2012, não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Os valores apurados pela fiscalização foram obtidos de planilhas de dados, fornecidas pela empresa, e confirmados em folhas de pagamento e na contabilidade. São citados, como fundamentos das autuações, os seguintes dispositivos: art. 7º, XI, da Constituição de 1988 (CRFB); art. 28, §9º, "j" da Lei nº 8.212, de 1991; art. 214, §9º, X, do Decreto nº 3.048, de 1999; art. 150, §6º, e art. 111, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); e a Lei nº 10.101, de 2000, a qual regula a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, e como incentivo à produtividade. Consta do Relatório Fiscal o que vem abaixo transcrito: 5. Da Participação nos Lucros ou Resultados... 5.11. Verificase, portanto, a necessidade de serem analisadas as condições em que essa verba é ajustada e paga, para que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à disciplina da Lei n° 10.101/2000 e assim possa ser excluída ou não da tributação. Vejamos então a situação em concreto. ... Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 3 3 5.13. Foram encontrados na contabilidade da empresa em epígrafe (...), pagamentos de verbas a título de PLR aos seus empregados. 5.14. Esses pagamentos, cujos montantes por beneficiário e rubrica são apontados na planilha de PLR apresentada pelo contribuinte em 10/08/2016, foram realizados com base nos subsequentes instrumentos de negociação conforme informação prestada pela empresa em 18/02/2016 por meio de planilhas com dados das rubricas: a) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 25/04/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; b) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 02/05/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; c) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 25/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012; d) Acordo Coletivo de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 29/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012; e) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2011, datada de 21/10/2011, com vigência retroativa no período de 01/09/2011 a 31/08/2012; e f) Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2012, datada de 02/10/2012, com vigência retroativa no período de 01/09/2012 a 31/08/2013. 5.15. Em virtude da existência de mais de um instrumento de negociação tratando sobre PLR para o mesmo período, foi necessário verificar quais instrumentos foram utilizados pelo contribuinte no pagamento da PLR aos seus empregados, bem como averiguar se houve compensação dos valores pagos com base em tais instrumentos. ... 5.19. Da leitura dos dispositivos transcritos acima, resta evidente que há valores pagos com base nas Convenções Coletivas (CCT) de PLR que não são compensados com quaisquer outros instrumentos, uma vez que a parcela adicional de PLR e sua antecipação são nãocompensáveis conforme estabelece a própria CCT. 5.20. Mesmo assim, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 03) para esclarecer se, na prática, ocorreu a Fl. 732DF CARF MF 4 compensação entre a Participação nos Lucros ou Resultados relativa às Convenções Coletivas e àquelas decorrentes dos Acordos Coletivos, tendo respondido, por intermédio de Carta, datada de 20/04/2016, entregue nessa mesma data, que: ... 5.21. Dessa forma, conforme esclarecimento prestado pela empresa, os valores de PLR pagos com base nos Acordos Coletivos não foram compensados com os valores pagos com base nas Convenções Coletivas. 5.22. Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos período, deve haver compensação entre eles. 5.23. A própria Lei n° 10.101/2000 prevê a existência de dois instrumentos e a compensação entre eles, in verbis (art. 3º): § 3° Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (grifos nossos) 5.24. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme Acórdão n° 240102.250 4a Câmara/1a Turma Ordinária, ipsis litteris: ... 5.25. A desobediência a esse quesito, por si só, é suficiente para que seja desconsiderado o comando constitucional de desvinculação da verba de PLR da remuneração. A Lei n° 10.101/2000 é clara e o pagamento de PLR com base em dois acordos concomitantemente encontrase em desacordo com seus preceitos, devendo incidir contribuição previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados. No entanto, como veremos, não foi apenas nesse quesito que a empresa contrariou a lei. 5.26. Continuando a análise dos instrumentos de negociação, verificase que as duas Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR, arroladas nas alíneas "e" e "f" do item 5.14, possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaboradas antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. 5.27. O mesmo raciocínio vale para os Acordos Coletivos de Trabalho que tratam da PLR, cujo conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreu já transcorridos quatro meses Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 4 5 do ano de 2011, com relação aos Acordos celebrados em 25/04/2011 e 02/05/2011. E pior, durante quase todo o ano de 2012, os empregados desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento de tal verba só foram estabelecidos posteriormente, em 25/10/2012 e 29/10/2012, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. 5.28. Isso nos leva a questionar como é possível o comprometimento dos funcionários com metas que só vão conhecer no quinto mês do ano ou no final do ano? No momento em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa, ou que sequer poderiam ser modificados por mais que se esforçassem os empregados. 5.29. Extraise da legislação pertinente que o pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Deve haver negociação entre as partes e a empresa concederá o pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta pré estabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. 5.30. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. 5.31. Desta feita, os instrumentos decorrentes das negociações devem ser formalizados antes do período/anobase de referência, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. Afinal, se assim não fosse, indagarseia sobre a utilidade e eficácia das regras contidas na legislação, não bastando, tão somente, a existência de um acordo/programa. 5.32. Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição estipulada, de forma clara e objetiva, em instrumentos de negociação celebrados previamente, seria admitir o desvirtuamento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador poderia instituir pagamentos mascarados com o rótulo de "participação nos lucros ou resultados", apenas para não ter natureza salarial e não pagar encargos sociais sobre tais pagamentos. ... Fl. 734DF CARF MF 6 5.34. Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos instrumentos arrolados no item 5.14, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica. 5.35. Corroborando tal entendimento, cabe destacar alguns posicionamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP) ao apreciar situações análogas. ... 5.36. Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Segunda Seção de Julgamento, conforme Acórdão n° 2401 02.250, da 4a Câmara, 1a Turma Ordinária, de 20 de janeiro de 2012, ipsis litteris... 5.37. A Lei n° 10.101/2000 determina, como já visto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Tais regras dizem respeito à possibilidade dos empregados conhecerem previamente, ou seja, por intermédio do acordo, os requisitos que devem ser por eles atendidos para se habilitarem ao recebimento da PLR, bem como o montante que receberão a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. Nesse quesito também foi desrespeitada a lei. Vejamos. 5.38. Os Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A de 25/04/2011 e de 02/05/2011 dispõem, em suas Cláusulas Terceiras, que as regras para pagamento da PLR bem como os respectivos critérios de aferição e cálculo encontramse dispostos nos Anexos I, II e III, que fazem parte dos respectivos Termos. Sendo a redação dos Anexos de tais acordos basicamente idênticos, transcrevemos aqui excertos dos Anexos I e III do Acordo datado de 25/04/2011. 5.39. O Anexo I do Acordo de PLR de 25/04/2011 dispõe, ipsis litteris: ... 5.40 Por sua vez, o Anexo III do Acordo de PLR trata da Avaliação de Desempenho. ... 5.41. Iniciando nossa análise pelo Anexo I, verificamos que sua Cláusula Terceira determina que o valor da PLR dos empregados elegíveis será obtido por meio de uma fórmula (VDF = (VRI / VRT) x VD). Um dos componentes dessa fórmula é o VRI Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 5 7 Valor Referencial Individual, o qual é obtido pela fórmula (VBIS x FGA), sendo VBIS o Valor Base Individual Semestral que corresponde a um valor referencial, de base semestral, atribuído a cada empregado. Estamos aqui, portanto, diante de um valor atribuído pela empresa a seus empregados de forma totalmente subjetiva e, assim, em desacordo com a legislação que proíbe a subjetividade de critérios. Não temos metas estabelecidas, mas sim um valor previamente definido pela empresa para cada empregado e desconhecido no acordo firmado. Não se sabe que parâmetros são utilizados na obtenção desse VBIS nem sequer como se apura e/ou calcula o mesmo, tratandose na verdade de um critério totalmente discricionário. 5.42. Ademais, constatamos também que da leitura do Anexo III é impossível identificar quais são as competências avaliadas dos empregados e de que forma ocorre tal avaliação. Quase tudo referente à avaliação de desempenho consta somente da intranet da empresa, não tendo sido comprovado que o processo de avaliação de desempenho foi realmente objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. 5.43. A empresa apresentou o Dicionário de Competências segundo o qual, o modelo de competências "traduz os valores, cultura e princípios da organização, considerando os comportamentos e as atitudes desejáveis para todos os colaboradores", no qual estão divididas em competências transversais, funcionais e de gestão, estas últimas só aplicáveis aos gestores. Da leitura do Dicionário em comento, observase que muitas das competências avaliadas são compostas de parâmetros subjetivos e outras nada mais são do que encargos regulares, rotineiros e ordinários dos empregados, ou seja, tarefas decorrentes do próprio contrato de trabalho, tais como: a) Conhecimento do Negócio Capacidade de compreender a Cadeia de Valor do negócio no qual está inserido e entender como a sua função pode gerar impacto e contribuir para o desenvolvimento organizacional, buscando a sustentabilidade do negócio; b) Atitude Empreendedora Capacidade de atuar de maneira pró ativa e positiva, transformando idéias em ações, desenvolvendo soluções criativas e agregando valor dentro dos princípios da organização; c) Relacionamento Interpessoal Capacidade de construir relacionamentos baseados em respeito mútuo e reciprocidade, levando em consideração objetivos e interesses do negócio; d) Capacidade Analítica Capacidade de explorar fatos, idéias e opiniões necessárias para analisar situações, resolver problemas ou tomar decisões; e) Eficácia Capacidade de cumprir as atividades de acordo com os padrões de qualidade exigidos, respeitando os prazos estabelecidos; Fl. 736DF CARF MF 8 f) Flexibilidade Capacidade de adaptarse e interagir com diferentes indivíduos ou grupos em situações variadas; g) Inovação Capacidade de expressar idéias inovadoras e tomar ações que gerem soluções de sucesso; h) Gestão de Riscos Capacidade de identificar e avaliar riscos (ganhos e perdas potenciais) para a área/ organização, analisando as oportunidades com foco na preservação do negócio e; i) Gestão de pessoas Capacidade de coordenar a equipe, liderando pelo exemplo de suas ações, emanando inspiração, energia e persistência e incentivando o aprendizado contínuo. 5.44. Não é possível determinar como serão aferidas tais competências, distanciandose, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Há inclusive uma competência Atitude Empreendedora relacionada à agregação de valor dentro dos princípios da organização, sem que haja qualquer definição de um valor de referência a partir do qual será considerada tal agregação. 5.45. Diante disso, novamente temos configurado o desrespeito pela empresa às normas que regem a distribuição de PLR, uma vez que não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas. 5.46. Trataremos agora dos dois Acordos Coletivos de Trabalho Programa Próprio de Participação nos Resultados celebrados em 2012. Por terem redação bastante semelhante e, em sua maioria, idêntica, serão transcritos abaixo apenas trechos do Acordo celebrado em 25/10/2012, in verbis: ... 5.50. O corpo do Acordo celebrado em 2012 trata apenas de questões gerais tais como, empregados elegíveis ao recebimento da participação, periodicidade do pagamento, antecipação e seu valor mínimo, entre outras. As metas estabelecidas individual ou coletivamente para os empregados constam apenas do Anexo I do Acordo em tela. 5.51. Vale destacar a Cláusula Sétima do texto em comento, que assegura, independentemente de qualquer fator e sem nenhuma relação com metas ou objetivos, o pagamento de um valor mínimo de R$ 800,00 (oitocentos reais) de PLR. Isso significa que o empregado elegível jamais deixa de receber valor referente à PLR, mesmo que conforme as regras do acordo (que não são claras nem objetivas como veremos posteriormente) não faça jus ao seu recebimento, comprovando não existir qualquer nexo entre o valor ganho a título de participação nos resultados e os resultados da empresa, o que afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 5.52 Se o empregado jamais deixa de receber valor referente à participação nos resultados, uma vez que existe um valor fixo mínimo, tratase tal verba na verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira, menos de PLR. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 6 9 5.53. Passando agora à análise do Anexo I do Acordo celebrado em 25/10/2012, verificase que sua Cláusula Primeira fala em indicadores mas não os define nem indica quais indicadores serão considerados. A leitura é muito confusa, há um trecho que diz: "(ii) os resultados aferidos de forma coletiva..., sendo que para as áreas corporativas não se aplica o parâmetro "resultado da unidade de negócios", conforme critérios da tabela n° 01..."; no entanto, a tabela n° 01 sequer possui informação referente a "resultado da unidade de negócios". 5.54. Tampouco são compreensíveis as tabelas apresentadas, não sendo possível saber quando são aplicáveis e em que condições. Não restam claras e de forma objetiva quais são as metas estabelecidas para os empregados. 5.55. Podemos aqui nos questionar, diante do texto acordado, qual o resultado esperado da empresa como um todo, de suas áreas específicas e de seus negócios, necessário para que sejam distribuídos os resultados? Qual o desempenho individual esperado para que esse mesmo benefício seja recebido por cada empregado? 5.56. Diante da inexistência de respostas às indagações acima, vemos que não é possível identificar no instrumento decorrente da negociação as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. Não é possível entender de que maneira é obtido o valor final pago de participação ao empregado, desobedecendo por consequência o estabelecido na Lei n° 10.101/2000. 5.57. Consta ainda do Anexo I que o processo da Avaliação de Desempenho é obtido da apuração de critérios quantitativos e qualitativos. No entanto, não explica em nenhum momento como serão aferidos e medidos tais critérios, nem de que forma os resultados obtidos se convertem em valor para o pagamento da participação aos empregados. 5.58. No caso dos critérios quantitativos sequer são mencionados quais parâmetros serão utilizados, não é possível avaliar se se tratam de critérios objetivos ou subjetivos, estes últimos vedados pela lei. Já no que se refere aos critérios qualitativos, da leitura das definições de cada competência avaliada, observamos que algumas possuem caráter subjetivo, como por exemplo "Espírito de Equipe" e outras nada mais são do que encargos regulares, rotineiros e ordinários dos empregados, ou seja, tarefas decorrentes do próprio contrato de trabalho, como "Foco no Cliente" e "Gestão de Pessoas". 5.59. Ora, a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1°, do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, Fl. 738DF CARF MF 10 sem depender de critérios subjetivos de avaliação e, ainda que existam critérios objetivos, estes devem necessariamente constar expressamente do instrumento de negociação, para garantir a segurança jurídica, principalmente para os empregados. 5.60. Lembramos que as decisões da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP), ao apreciar situações semelhantes ao presente feito, têm sido no mesmo sentido. Vejamos uma delas. ... 5.61. Sabemos que a legislação exige que dos instrumentos competentes para a negociação entre a empresa e seus empregados constem regras claras e objetivas, tanto substantivas, quanto adjetivas, as quais contenham critérios e condições. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. 5.62. Em suma, os pagamentos em estudo afastaramse do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a PLR não integre o salário de contribuição. 5.63. Em continuidade ao expendido, discorreremos acerca de um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema que é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal, que se aplica a todos os instrumentos de negociação da PLR adotados pela empresa, quais sejam, as Convenções Coletivas e os Acordos Coletivos de Trabalho, uma vez que a PLR é um instituto único, demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa ora autuada, como será explanado. 5.64. Além de todos os problemas até aqui relatados, pagamento de PLR com base em mais de um instrumento de negociação, retroatividade da vigência do acordo, metas não terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, há ainda aquele relacionado ao fato de ter a empresa efetuado pagamento de remunerações por meio de PLR. 5.65. Do exame das folhas de pagamento, há diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, excedia em dezenas de vezes o valor do saláriobase mensal do próprio empregado, como pode ser observado na coluna "Relação entre PLR e SalárioBase" do Demonstrativo PLR Paga por Beneficiário. Há situações em que o valor da PLR excede em mais de quarenta vezes o salário base do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura das convenções e dos acordos e dos seus Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 7 11 anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. 5.66. Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/ gratificação/ bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Além disso, vimos que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas. A verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". 5.67. É consenso que os profissionais do mercado financeiro, principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. Esse fato contraria claramente o caput do art. 3° da Lei n° 10.101/2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição. Mais um motivo que demonstra que as verbas a título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. 5.68. A própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo manifestouse dessa forma ao analisar igual tema, por meio do Acórdão 1616.051 12a turma da DRJ/SPOI, de 11 de janeiro de 2008, in verbis: ... 5.69. Importa registrar que a PLR é verba aleatória: é variável, não é fixa, não é garantida. O seu caráter condicional está relacionado ao cumprimento de metas, resultados ou limites diretamente ligados à ação dos empregados com vistas à integração destes na empresa por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. É instituída para que o empregado se anime a produzir mais. É paga sempre que o trabalhador coletivamente atingir um limite fixado pelo empregador, limite este que demonstra o reconhecimento de que, não só o empregador, mas que também o empregado colaborou para que se alcançasse o lucro ou resultado almejados. Fl. 740DF CARF MF 12 Este é o sentido da regra do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, o qual exige que, dos instrumentos de negociação, constem claras, não só as regras substantivas, como também as regras adjetivas. São nessas regras que encontraremos definidas as condições que, se implementadas, darão aos empregados o direito de participarem dos lucros ou resultados da empresa, bem como a forma como o processo se desenvolverá. 5.70. A participação nos lucros ou resultados é uma importante estratégia para garantir motivação e produtividade e, por conseguinte, lucro e melhoria das condições sociais. Daí a importância do cumprimento de todas as formalidades prescritas na lei. A empresa é livre para determinar sua política de pagamentos, ficando obrigada, no entanto, a se submeter às conseqüências legais que tal política possa vir a ter. E, caso não obedeça aos critérios legais, os pagamentos de PLR efetuados perdem as características de desoneração e, assim, entram no conceito de salário de contribuição, não estando dentre as exceções previstas no § 9°, do art. 28, da Lei n° 8.212/1991. Da ciência das autuações e da impugnação A ciência das autuações se deu em 12/09/16 (fls. 30/31). Em 11/10/2016, foi juntada a impugnação de fls. 334/380, abaixo relatada, em síntese. Inicialmente, o impugnante sintetiza os motivos das autuações: i. A existência de mais de um plano concomitantemente violaria o art. 3o, § 3o da Lei n° 10.101/00, o que implicaria a glosa de todos os valores pagos a título de PLR; ii. Os planos foram firmados após o início do período a que se refeririam os lucros distribuídos, o que implicaria a glosa de todos os valores pagos a título de PLR; e iii. Os planos não contêm metas claras e objetivas, o que desnaturaria os pagamentos a título de PLR, que, portanto, deveriam ser considerados como remuneração tributável pelas contribuições em questão. Discorre, em seguida, acerca de diversos tópicos, abaixo relatados, em síntese. O impugnante apresenta doutrina e decisões judiciais que tratam de "imunidade", afirmando que "as normas constitucionais que veiculam regras de imunidade devem ser sempre compreendidas com boa dose de elasticidade, de modo a lhes ser dada a interpretação mais ampla". Em relação à PLR, cita o art. 7º, XI, da CRFB, afirmando "tratar se de norma constitucional de eficácia plena, que independe de lei ordinária" e que "a desvinculação da prestação paga a título de participação à remuneração é preceito constitucional, que não pode ser aviltado ou limitado pela lei, sendo inteiramente despicienda sua regulamentação", citando doutrina e decisões judiciais. Conclui que, considerando o referido mandamento constitucional, há que se cancelarem as exigências de Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 8 13 contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, "sob o fundamento de suposto não cumprimento de legislação infraconstitucional". Entende que os acordos e convenções celebrados atendem ao desígnio constitucional, de melhoria das condições socioeconômicas dos empregados, pelo que, ao pagamento de PLR, deve ser estendida a imunidade. Ressalta que a fiscalização não conseguiu demonstrar que os valores de PLR se referem a salário indireto, sobre o qual deveriam incidir as contribuições previdenciárias. Argui que a auditoria partiu de uma premissa jurídica distinta daquela do impugnante, a de que o dispositivo constitucional é norma de eficácia limitada, sem mencionar o fundamento de tal entendimento. Discorre, em seguida, acerca "da regularidade quanto à existência de mais de um plano concomitantemente". Afirma que, pelo entendimento da fiscalização do disposto no §3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 20001, a existência de pagamentos com base em diferentes acordos desnatura a PLR, caso os referidos pagamentos não sejam compensados entre si. Diz que este entendimento não encontra respaldo na legislação, visto que a compensação de pagamentos realizados de acordo com planos próprios e aqueles oriundos de acordos ou convenções coletivas, prevista no citado dispositivo, é facultada ao contribuinte. Aduz que, "havendo previsão legal de possibilidade de compensação, é certo que a legislação assume a premissa de que é juridicamente possível a existência concomitante de um plano próprio e um plano fixado em negociação coletiva" e que "a existência de um plano próprio da empresa se coaduna com a finalidade de existência da PLR (...), para estimular seus empregados através de plano com regras mais próximas de sua realidade". Cita decisão do CARF, sobre a inexistência de óbice legal ao pagamento concomitante de PLR com base em plano próprio e convenção coletiva. Ressalta que este ponto da acusação somente pode se referir aos pagamentos efetuados em 2012, já que havia previsão de compensação nos planos próprios de PLR para 2011, segundo a própria fiscalização. Ainda assim, de acordo com a premissa fiscal, apenas os pagamentos menos benéficos poderiam ser objeto de lançamento, pois deveriam ser compensados com os mais benéficos. Quanto à data de assinatura dos planos, o impugnante afirma que o relatório fiscal não apresentou dispositivo específico da Lei nº 10.101, de 2000, que tenha sido violado e entende ser relevante Fl. 742DF CARF MF 14 que os instrumentos sejam celebrados, como o foram, antes dos pagamentos de PLR, e não antes do início do período ao qual os lucros se referem. Nesse sentido, cita decisões do CARF. Ainda, diz que a fiscalização parte da premissa de máfé, em relação aos casos em que a assinatura do instrumento não se dá antes do início do período de apuração. Nesse sentido, argui que essa premissa não pode ser alegada sem demonstração, pela fiscalização, de que o contribuinte se valeu de subterfúgios para afastar a incidência de contribuições sobre valores de remuneração. Afirma não proceder a alegação de que, em razão da data da assinatura dos planos de PLR, os empregados desconheceriam as metas e não se sentiriam motivados a melhorar seu desempenho, já que os referidos planos, de 2011 e 2012, repetem as redações e os critérios dos planos de 2010 e anteriores. Aponta também que os instrumentos estabelecidos para pagamento de PLR são amplamente discutidos e negociados com os trabalhadores, de forma que estes já têm, ao menos, uma noção do que será estipulado como critério. Destaca que a assinatura é um mero ato formal e cita decisão administrativa. Ressalta que, caso fosse correto o entendimento fiscal, ao menos as parcelas pagas após a assinatura dos planos estariam regulares, pelo que não deveriam ter sido consideradas no lançamento. Em seguida, o impugnante discorre acerca da "regularidade quanto às metas contidas nos planos", explicitando a "correta interpretação da Lei nº 10.101, de 2000." Afirma que o requisito essencial para a realização de pagamentos a título de PLR "reside na simples existência de lucros e resultados, mas não na aferição de específicas performances, de acordo com supostas metas, resultados e objetivos." Aduz que a Lei nº 10.101, de 2000, deixou grande liberdade de negociação das partes envolvidas, quanto às condições de existência dos pagamentos de PLR, conforme se depreende do seu art. 2º, restando claro a inexistência de obrigatoriedade do empregador para efetuar os referidos pagamentos, não havendo ainda determinação legal para a apresentação de metas, resultados e objetivos. Alega que a fiscalização poderia exigir tão somente a existência de regras claras e objetivas, o que foi atendido pelo contribuinte, e não metas e resultados específicos, conforme decisão do CARF, que cita. A seguir, o impugnante trata especificamente das regras estipuladas nos Acordos de PLR celebrados. Nesse sentido, afirma que grande parte dos pagamentos efetuados se referem a antecipações de PLR, pelo que não poderiam ser tributados. Assim, os pagamentos realizados de 10/2011 a 12/2011 se referem a antecipações da Convenção Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 9 15 Coletiva, firmada em 2011, e os pagamentos efetuados em 10/2012 e 11/2012 se referem a antecipações da Convenção Coletiva e Acordo de PLR, firmados em 2012. Exemplifica essa situação com a regra prevista em Convenção Coletiva de 2010. Argui que a fiscalização não pode exigir as contribuições previdenciárias em tela sem verificar se, ao final do ano, as metas foram alcançadas, o que demonstra a precariedade do lançamento. Cita decisão do CARF e pede o cancelamento das autuações. Por outro lado, para demonstrar "a legitimidade dos planos quanto à clareza e objetividade das metas" estabelecidas, o impugnante apresenta um exemplo de 2011 e um de 2012. Afirma, em seguida, que o fato de serem complexos os cálculos de PLR do impugnante não é motivo para se afirmar que os critérios estabelecidos não estão de acordo com a legislação em vigor. Diz ter havido, por parte da fiscalização, tão somente uma análise superficial de metas e a apresentação de uma relação de cláusulas que, pelo seu entendimento, levariam à desconsideração da PLR. Em relação à existência de previsão de pagamento de um valor mínimo aos empregados, afirma que tal não retira a natureza de PLR dos pagamentos, "até porque houve a distribuição de lucros e resultados nos períodos em discussão". Quanto à alegada violação de preceitos legais em razão da desproporcionalidade observada entre os valores de PLR e os salários pagos aos funcionários, frisa que, em primeiro lugar, a Lei nº 10.101, de 2000, não estabelece um teto para a PLR, podendo os pagamentos estarem à altura dos resultados obtidos pela empresa. Afirma ainda não haver concretude nas alegações fiscais, visto que foi citada uma hipótese genérica, em que o funcionário teria recebido valores desproporcionais. Nesse sentido, destaca ainda que a planilha utilizada pela fiscalização (fls. 180 a 284 dos autos) para proporcionalizar o salário e o PLR, considera apenas o "salário base", sem a gratificação de 55%, que integra a remuneração mensal fixa do bancário, nos termos da cláusula 11a da Convenção Coletiva de Trabalho 2011/2012 e da Consolidação das Leis do Trabalho. Apresenta, então, outra planilha com a remuneração dos colaboradores (Doc. 10), na qual observa não haver a desproporcionalidade alegada. O impugnante alega, em seguida, a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e cita decisões administrativas. Ao fim, requer o cancelamento dos autos de infração e seu arquivamento. Fl. 744DF CARF MF 16 A 5ª Turma da DRJ/JFA julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM LEI ESPECÍFICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. O pagamento de valores, a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, enseja a incidência da contribuição previdenciária. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 23/02/2017, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, e interpôs recurso voluntário em 22/03/2017, no qual basicamente reiterou os fundamentos de sua impugnação. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da norma de eficácia limitada Muito embora, em seu recurso voluntário, o sujeito passivo não tenha insistido na tese segundo a qual a norma constitucional seria autoaplicável, cabe ponderar que a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se conclui pela leitura do texto, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. A própria execução da norma constitucional e o estabelecimento dos requisitos necessários para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da regulamentação mediante lei. O STF e o STJ, a propósito, compartilham de igual entendimento, como se pode ver, respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp 95.339/PA. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 10 17 No plano infraconstitucional, a regulamentação atual está na Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, pois, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, devendo sim ser objeto de acordo mediante comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva. 3 Da data de assinatura dos planos Acusação comum aos programas próprios, aos acordos coletivos (ACTs) e às convenções coletivas de trabalho (CCTs) é que as suas assinaturas ocorreram no transcorrer do próprio período aquisitivo. Pois bem. Como já dito, a não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente. Diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade, mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido, não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação foi feita pela Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. Fl. 746DF CARF MF 18 É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. A data de assinatura corresponde, apenas, ao momento da formalização e de conveniência das várias partes envolvidas, tais como o banco, as entidades sindicais dos trabalhadores, as entidades sindicais dos empregadores, etc. Ademais, as metas e critérios para a concessão da participação nos lucros estabelecidas nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores, sobretudo porque foram se repetindo ao longo dos anos. A própria autoridade fiscal fez essa afirmação no relatório da autuação, ao tratar da alegada falta de clareza e objetividade das metas. Não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A lei prevê que a participação será objeto de negociação, e não que a formalização tenha que ocorrer previamente ao período de aquisição. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 11 19 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal." (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182) Deve ser abandonado, pois, o eventual rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o plano devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, cria, no entender deste relator, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não se está declarando qualquer inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a Fl. 748DF CARF MF 20 necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Esta 2ª Turma/4ª Câmara/2ª Seção do CARF também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Não pode passar despercebido, ainda, que as CCTs são firmadas por centenas de entidades, entre sindicatos, federações e confederações, sendo obviamente precedidas de acirradas e acaloradas negociações, como demonstram (i) as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e (ii) os fatos públicos e notórios anualmente noticiados na imprensa nacional. Outro ponto relevante a ser destacado é que, enquanto a remuneração é devida pela mera execução do contrato de trabalho, aí pouco ou nada importando os lucros ou resultados da empresa, a PLR deve ser considerada como um pacto acessório, por meio do qual se negociam, a par daquele contrato, questões relativas à produtividade, qualidade, lucratividade, metas, resultados, etc. Ou seja, a remuneração é devida em função do contrato laboral, enquanto que a participação é devida em decorrência de um contrato acessório, que não se constitui, por expressa disposição legal, em pagamento de remuneração. Tal contrato acessório, ademais, viabiliza a partipação do trabalhador em rubricas a que ele não teria direito, por serem decorrentes do capital do qual ele não é dono. Diante do exposto, concluise que o fato isolado de a formalização ter ocorrido no próprio período aquisitivo da PLR não desnatura os planos, devendo serem sopesados e analisados os demais requisitos legais e as circunstâncias e peculiaridades de cada plano. 4 Da concomitância entre os planos A primeira acusação fiscal é que havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos períodos, deveria haver compensação entre eles. O descumprimento desse requisito, por si só, ensejaria a autuação. A DRJ teve o mesmo entendimento, como se pode ver no seguinte excerto extraído do voto condutor do acórdão: Ainda, cabe destacar que não houve compensação de valores de PLR pagos com base nos Acordos Coletivos com aqueles pagos com base nas Convenções Coletivas, facultada pelo §3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, conforme explicitado no Relatório Fiscal, de forma que o pagamento de PLR foi mesmo efetuado pela empresa aos seus empregados com base em dois instrumentos distintos. Desatendido, portanto, o comando legal, o que enseja a incidência de contribuições previdenciárias sobre todos os valores pagos aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 12 21 Como se vê, ao contrário do que alega o recorrente, a DRJ não chegou a inovar neste ponto, pois a sua interpretação convergiu com a interpretação da autoridade administrativa. O próprio recorrente manifestouse pela necessidade de compensação entre os valores pagos com base em planos concomitantes. Realmente, o § 3º do art. 3º da Lei 10.101 preleciona que os pagamentos efetuados em decorrência de planos mantidos espontaneamente pela empresa poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções (vide abaixo). Quer dizer, a lei não somente não veda a concomitância entre os planos, como também a regulamenta: Art.3o A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. A autoridade lançadora manifestou entendimento semelhante, como se pode ver abaixo com destaques: 5.22. Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Acordo Coletivo. Todavia, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmos período, deve haver compensação entre eles. Ao contrário do que entende a autoridade autuante, entretanto, o descumprimento da regra de compensação não enseja a tributação de todos os valores pagos pela empresa com base nos planos concomitantes, mas apenas dos valores excedentes que não foram compensados. Também não se pode admitir, como quer o recorrente, que seja cancelada toda a autuação, pois ao não compensar os valores, o banco realmente descumpriu a legislação. 5 Da inexistência de regras claras e objetivas A fiscalização entendeu que os seguintes instrumentos não teriam regras claras e objetivas. Neste tocante, a fiscalização não tratou das CCTs: a) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 25/04/2011; Fl. 750DF CARF MF 22 b) Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Votorantim S/A, datado de 02/05/2011; c) Acordo Coletivo de Trabalho de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 25/10/2012; d) Acordo Coletivo de Trabalho de Participação nos Resultados Banco Votorantim S/A, datado de 29/10/2012. Primeiramente, vêse no Anexo I dos acordos de participação que o valor a ser distribuído aos empregados toma por parâmetro uma fórmula matemática bastante precisa, a qual leva em consideração determinadas variáveis de possível e objetiva mensuração. Veja se: O valor distribuído efetivamente ao funcionário, por sua vez, considera o valor global da distribuição, bem como as avaliações de desempenho individual do empregado. Vejase: Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 13 23 Em nenhuma dessas fórmulas observase qualquer cláusula, condição ou estipulação que retire a clareza e objetividade do plano. Pelo contrário, o plano é definido por fórmulas objetivas e mensuráveis, e as avaliações individuais dos funcionários, como demonstrado no recurso, foi devidamente empreendida com base em pesos e notas atribuídas a cada beneficiário. É importante observar, nesse tocante, que comportamentos podem sim ser aferidos de forma objetiva. Qualidades como eficácia, conhecimento do negócio, atitude, relacionamento interpessoal, etc, são mensuráveis para fins de avaliação de desempenho. Os famosos testes de avaliação do quoeficiente de inteligência, tais como a Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS Wechsler Adult Intelligence Scale) e a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC Wechsler Intelligence Scale for Children), consistem justamente numa bateria prédeterminadas de testes e subtestes para a avaliação clínica da capacidade intelectual dos indivíduos, dentro de parâmetros objetivos anteriormente definidos nas escalas. A par das escalas de avaliações cognitivas, também existem, exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades sociais, de dificuldades comportamentais, de sintomas de transtornos psiquiátricos e psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos, qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas1. Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise, a 1 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017. 2 https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA, acesso em 16 de outubro de 2017. Fl. 752DF CARF MF 24 exemplo das escalas acima mencionadas e da avaliação por competências. A eventual subjetividade do comportamento não exclui a objetividade de sua mensuração e avaliação, inclusive para efeito de fixação das regras da PLR. Isso equivaleria a ignorar a ampla experiência da psicologia comportamental e da neuropsicologia sobre o assunto, bem como a gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas. Da mesma forma, as regras dos planos de 2012 são claras e objetivas, as quais, segundo se depreende do recurso, tomaram em consideração inúmeros indicadores, entre os quais os resultados do banco e o desempenho individual do empregado. Vejase o exemplo trazido em sede de recurso: Como se vê, os planos eram complexos, mas nem por isso deixaram de ser compreensíveis, objetivos e mensuráveis. A recorrente, ademais, demonstrou como os montantes foram calculados, derruindo, pois, a acusação fiscal. Em nenhum momento ficou Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 14 25 comprovado, neste particular, que as regras e as avaliações eram arbitrárias a ponto de permitir a distribuição de valores outros, que não da participação nos lucros ou resultados. Inclusive, e a propósito, o pagamento de um valor fixo, mormente em montante de baixo valor, não desnatura o pagamento da participação, de forma que a fiscalização deveria ter demonstrado que teria havido o pagamento de parcela fixa, independentemente do auferimento de lucros ou resultados pela empresa, o que não ocorreu. 6 Da desproporcionalidade entre a PLR e os salários O agente autuante entendeu que montante dos valores pagos seriam desproporcionais em relação aos salários, o que implicaria o pagamento de premiação/gratificação/bonificação. Neste tocante, sem razão a autoridade administrativa. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. A contrario sensu, nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. O que a legislação determina é que a participação não pode substituir ou complementar a remuneração (art. 3º), mas a autoridade autuante não demonstrou que a recorrente estivesse pagando salários inferiores à média de mercado e complementandoos ou substituindoos por intermédio de lucros ou resultados. Quer dizer, não há qualquer demonstração nos autos de efetiva substituição de remuneração por participação. 7 Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A tese da recorrente, neste ponto, está equivocada. Conforme preleciona o art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Logo, os juros incidem sobre o crédito, fazendose necessário extrair o sentido e o alcance da referida expressão. Em seu art. 139, o Código preleciona que o crédito tributário decorre da obrigação principal, ao passo que no § 1º do art. 113 preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Portanto, sendo o crédito decorrente da obrigação principal, a qual também tem por objeto a penalidade pecuniária, e não apenas o tributo propriamente dito, é induvidoso que os juros também incidem sobre a multa de ofício. Essa interpretação, a par de sistemática, é igualmente lógica, na medida em que, a partir de um determinado momento, o contribuinte também está em mora quanto ao pagamento da sanção pecuniária, não se vislumbrando o porquê de não sofrer a incidência dos Fl. 754DF CARF MF 26 encargos moratórios sobre a referida rubrica. Pela pertinência, cumpre transcrever os dispositivos legais, na ordem suscitada neste voto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Não é por acaso que as Súmulas CARF nºs 4 e 5 aludem à incidência dos juros sobre débitos tributários e crédito tributário, respectivamente: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Destarte, os juros de mora são aplicáveis sobre a multa de ofício, na medida em que ela é integrante do crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ vêm decidindo dessa mesma forma. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (destacouse) Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 15 27 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados com base nos planos de participação nos lucros ou resultados, determinandose, contudo, a compensação de valores pagos com base nos Acordos Coletivos de Trabalho com aqueles pagos com base nas Convenções Coletivas de Trabalho. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. A divergência com relação ao posicionamento do Relator, naquilo que foi apreciado pelo colegiado e consubstanciado no tópico "da data da assinatura dos planos", reside na possibilidade, ou não, em se pactuar acordos para o pagamento de PLR em data anterior ao período aquisitivo ou período de apuração do resultado/lucro sobre os quais se darão os pagamentos. O tema não é novo neste colegiado, já tendo este Redator votado, em outros julgamentos, no sentido de acompanhar o entendimento adotado pelo Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que pode ser resumido pela ementa a seguir: PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. Acórdão 2402 006.068, de 03.04.2018. Ocorre que posteriormente aos julgamentos acima citados, tive a oportunidade de, pela primeira vez, analisar o tema em voga na condição de Relator, com a expectativa de sua inclusão (a do processo) em pauta já para as próximas sessões deste colegiado. Nessa oportunidade, analisando de forma detida a legislação, aliada à circunstância evidenciada naquele outro caso, vime impelido a rever meu posicionamento, como será a seguir colocado. Nossa Lei Maior de 1946, já previa em seu artigo 157, inciso IV, a participação do trabalhador nos lucros da empresa. Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem à melhoria da condição dos trabalhadores: (...) Fl. 756DF CARF MF 28 IV participação obrigatória e direta do trabalhador nos lucros da empresa, nos têrmos e pela forma que a lei determinar; O mesmo ocorreu com a EC 1/1969, que deu nova redação à CF/1967. Art. 165. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos têrmos da lei, visem à melhoria de sua condição social: (...) V integração na vida e no desenvolvimento da emprêsa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, segundo fôr estabelecido em lei; A atual Carta Política parece ter inovado ao trazer em seu texto a garantia de participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Confirase: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Notese da redação, que a expressão "ou resultados" encontrase grafada entre vírgulas e não posta de forma direta, tal como "....participação nos lucros ou resultados, desvinculada ....", o que me faz inferir que referida expressão tenha sido empregada como algo, de certa forma, similar ao lucro, mas não como um mero "resultado" qualquer. Por sua vez, a Exposição de Motivos da MP 794/943, que deu origem à Lei 10.101/2000, apresentou importante consideração sobre o valor a ser distribuído ao empregado. Confirase: Percebase que a intenção do legislador, é o que se deflui do texto encimado, foi a retribuição ao trabalhador pelo seu esforço que produziu a riqueza da sociedade. São repasses de ganhos de produtividade. Assim sendo, imagino ser justamente essa riqueza produzida que lastreará o pagamento ao trabalhador a esse título. 3 Diário do Congresso Nacional 19/1/1995, Página 295 http://legis.senado.leg.br/diarios/PublicacoesOficiais Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 16 29 Por sua vez, a possibilidade de exclusão desses valores do conceito de saláriodecontribuição, tem assento legal na alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; E com vistas a dar efetividade à previsão legal, editouse o que hoje se tem na Lei 10.101/2000, que traz em seu artigo 1º, o objetivo que se espera do instrumento, que aqui ouso a qualificar de "mediato". É dizer, temse por expectativa que haja a efetiva integração entre capital e o trabalho, bem como o incentivo à produtividade que, em última análise, tem o interesse público como beneficiário indireto, na forma do pretenso crescimento econômico do país. E visando esse desejo do legislador é que deve ser interpretada a norma. Vejamos, novamente, o que diz a parte final daquela Exposição de Motivos: Assim posto, penso que a participação nos LUCROS e/ou nos RESULTADOS deve estar associada necessariamente à apuração econômica e/ou financeira da empresa como um todo. O objetivo, esse aqui "imediato", seria sempre sua saúde financeira e/ou econômica, seja por meio do lucro (resultado econômico DRE e DVA), seja por meio do resultado (resultado financeiro DFC, por ex.), que será(serão) compartilhado(s) com o empregado em função de sua participação diferenciada. Com isso, fazse com que recaia sobre o empregado, de certa forma, parcela do risco da atividade empresarial; o que não se observa, por exemplo, quando lhe é pago o salário em função de seu contrato de trabalho. Havendo ou não lucro, havendo ou não resultado, o salário contratado é, a rigor, devido. A rigor, até mesmo em função do conflito histórico que se instalou entre aqueles que detém o capital e os que comparecem com o labor, o empregado, por vezes, sente se indiferente com a obtenção do lucro por parte do empregador ou mesmo com a melhoria em seus resultados, em que pese sua permanência no emprego depender diretamente desses fatores, quanto mais esforçarse para que haja um aumento desse lucro ou resultado. Com a possibilidade de ver compartilhada parcela desse lucro ou resultado, surge a expectativa de que os interesses, outrora díspares, passem a convergir, de forma que os empregados comecem a enxergar o lucro ou determinado resultado da empresa não mais como uma mera fonte para o pagamento do seu salário, mas como uma chance de experimentar uma das vertentes da verdadeira distribuição da renda; por sua vez, o empregador passaria a ver o trabalhador como um real parceiro em sua empreitada e não mais como um simples empregado que trabalha para sobreviver. Com isso, na essência, estariam contemplados, penso eu, o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho, objetivos mediatos da norma. Fl. 758DF CARF MF 30 Prosseguindo então, nos artigos 2º e 3º da Lei 10.101/2000 são postas as condições para que os pagamentos a titulo de PLR possam ser excluídos da base tributável das contribuições previdenciárias. Notese que enquanto o artigo 2º trata preponderantemente das negociações, aí incluídos os indispensáveis requisitos de ordem formal e os de ordem subjetiva, o 3º demonstra a preocupação do legislador de que tal instituto não seja utilizado de maneira desvirtuada pelo empregador e pelo trabalhador para, indevidamente, amparar pagamentos sem a incidência do tributo, estipulando, com isso, requisitos a serem observados. Vamos a elas: 1 Devem decorrer de uma negociação entre os envolvidos, por meio de um dos procedimentos a seguir, nos quais estejam garantidos o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho: 1.1 Comissão escolhida pelas partes, com a participação de um representante sindical de parte dos empregados; ou 1.2 Convenção (CCT) ou Acordo Coletivo (ACT). Perceba que o legislador, ao trazer para o processo negocial, representante do sindicato da categoria do empregado e determinar o arquivamento do instrumento de acordo na respectiva entidade sindical, procurou garantir que a negociação se desse, ao menos em tese, sob o regime da paridade de armas ou da igualdade material. Com o mesmo desiderato acima, ainda reconhecendo a hipossuficiência de uma das partes, cuidou de fazer constar que as regras deveriam ser claras e objetivas, tanto no que toca à fixação dos direitos substantivos, quanto às regras adjetivas. Disso decorre, por lógica e sob pena de sua inaplicabilidade, que deva haver, com relação a tais regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º da precitada lei. Posto de outra forma, independentemente do instrumento de acordo que se tenha, há que se contar, minimamente, com as seguintes disposições: 1 como chegar nas informações relativas ao cumprimento do acordado; 2 quando será paga a PLR (periodicidade da distribuição); 3 qual o período a que se refere (período de vigência); 4 quando será revisto, caso haja tal previsão; e 5 qual o valor a ser pago. Quanto a esses elementos, não se deve perder de vista, em especial quando se fala de "cumprimento do acordado", que se, por um lado, há o compartilhamento do lucro ou do resultado por quem detém o capital, por outro, há o plus que deve ser dado pelo trabalhador (ou a ele oportunizado/incentivado) para que dele se valha. É, reforçase, a idéia de incentivo à produtividade preconizada na lei. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 17 31 Ressaltase aqui, que se o objetivo imediato será sempre a saúde financeira e/ou econômica da empresa; as regras e os critérios para alcançálo devem ser definidos pela gestão empresarial. Não importa o meio, se por metas corporativas (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade. Ou por que não o próprio lucro em determinados casos, por exemplo ?), ou se por metas individuais/coletivas (quantidade de vendas de produtos, nº de atendimentos conclusivos, quantidade e valor de captação de investimentos, por exemplo), desde que se alinhem aos objetivos imediato e mediato da norma. Reforçando, os meios eleitos pelas partes precisam, ainda que de forma indireta, visar a saúde financeira/econômica da empresa, além de, minimamente, propiciar o estímulo à produtividade potencial ou efetivo. É dizer, é de se esperar da força de trabalhado uma participação diferenciada (mesmo potencial) seja individualmente falando, seja no conjunto com os demais trabalhadores que justifique esse pagamento desvinculado de sua remuneração. Nada obstante, há de se reconhecer que a depender do instrumento escolhido, a definição ou estabelecimento daquele algo a mais, sobretudo a nível individual, tornase cada vez mais impraticável, como por exemplo no caso das CCT, que reúnem por vezes uma quantidade expressiva de sindicatos, em determinada data base a depender da categoria envolvida, diferentemente do que se tem no caso dos ACT e dos acordos a partir de comissão, quando a possibilidade de estabelecimento de exigências a nível individual e/ou setorial/departamental se mostra, por vezes, bem mais viável sob o ponto de vista operacional e, ainda assim, a depender do porte da empresa. Não é por outra razão que aqueles dois incisos do § 1º acima citados, postos de maneira exemplificativa na lei, procuraram abordar situações em que o plus do empregado pudesse ser evidenciado de forma presumida (metas corporativas, v.g, índice de lucratividade) ou de forma coletiva ou individualizada (metas individuais ou coletivas). Se é bem verdade que aqueles índices afetos à empresa não dependem, exclusivamente, de um algo a mais por parte dos trabalhadores, mesmo que tomado em seu conjunto, do mesmo modo há de se reconhecer que tal participação revelase substancialmente importante na consecução do objetivo empresarial, sobretudo quando o empregado vislumbra que há a possibilidade de vir a receber parcela do lucro do empregador tão financeiramente expressiva, quanto maior for o seu lucro, a depender do que for acordado. Pondo dessa forma, pareceme evidente que o ânimo, comportamento, interesse, próatividade, o "correr atrás" do empregado deva ser outro, quando lhe oportunizado o compartilhamento de um valor, originalmente a ele não pertencente, mas que em alguma medida conta com seu esforço para sua obtenção; mais de uns, menos ou bem menos de outros é verdade, mas que inevitavelmente conta. Penso assim, que o incentivo à produtividade, ao menos presumidamente, estaria aí contemplado, ainda que, frisese, em função da inexistência de um liame concreto entre a conduta e resultado, referido esforço não possa ser especificamente dimensionado. Nessa linha, acordos que não contenham metas individuais ou mesmo coletivas, mas que suas regras/metas corporativas permitam ao empregado o recebimento de determinada parcela do lucro da empresa distribuído linear ou proporcionalmente ao seu salário alcançam, penso eu, o objetivo de, mesmo que presumidamente, incentivar a Fl. 760DF CARF MF 32 produtividade. Vejase, a "meta", nesse caso corporativa, seria a obtenção de lucro em determinada escala pela empresa, que seria distribuído, em termos absolutos e/ou relativos, a depender do seu atingimento e na forma do acordado. Com todo o respeito aos que disso divergem, o fato é que ao imaginar que a possibilidade de receber parte de um valor, que pode ser maior ou menor a depender de como se comportará o lucro ou resultado, não tem o condão de influenciar sequer minimamente o comportamento do trabalhador e, por isso, não haveria a necessidade de seu prévio conhecimento acerca do acordo, equivaleria, penso eu, a concederlhe aumento de remuneração a título de mera recomposição salarial. Cumpre ressaltar que se há a preocupação de o empregador, pressionado por reajuste salarial, pactuar acordos com a inserção de regras e metas/condições inatingíveis, prejudicando, de início, o trabalhador; há, pelo menos de se imaginar, a possibilidade de que tal instrumento seja utilizado como complementação da remuneração, prejudicando, de início, os cofres públicos e, reflexamente e mais a frente, o próprio trabalhador. Nesse rumo e admitindo como regra, para que se tenha, justificadamente satisfeita a conjugação "EXPECTATIVA DE ALGO A MAIS DO TRABALHADOR" x "PERCEPÇÃO DA PLR", tomandoa como causa e efeito, imperioso que o conhecimento das regras e metas (definitivamente postas) por aqueles que empreenderão esforços para sua consecução deva se dar previamente ao início do período de apuração do resultado, vale dizer, até à "linha de largada" ou antes do "início do jogo", sob pena de terse por desvirtuado o instituto. Percebase que a questão de fundo, no tema até aqui abordado, seria o alcance da expressão "pactuados previamente" utilizados pelo legislador quando se referiu textualmente ao "programa de metas, resultados e prazo". Teríamos, a partir daí, os seguintes questionamentos: 1 pactuados previamente a quê ? ao pagamento, à apuração do resultado, ao início do período de apuração ? 2 apenas quando as regras envolverem cumprimento de metas individuais ou coletivas é que se deve haver o pacto prévio ? 3 e quando não envolver o cumprimento de metas individuais ou coletivas o acordo pode ser pactuado após o período de apuração ? Pode ser celebrado após o início do período ? Para conduzir a uma definição, penso que devamos considerar, podese assim dizer, duas linhas temporais: uma representando a data de início e término do período de apuração, findo o qual o lucro ou resultado, caso houver, será compartilhado com os trabalhadores; outra representando o programa de metas, caso conste do acordo, aferíveis individual ou coletivamente (por equipe/departamento/setor, etc). Assim visualizado, impõese determinar em qual momento o posicionamento da data de celebração do acordo atenderia aos ditames legais, aí considerado o tão almejado incentivo à produtividade. O voto vencedor do acórdão 2402006.068, traz importante consideração sobre o tema, em especial ao abordar planos que em função do porte da empresa, data base da categoria e quantidade de partes revelamse produtos de uma complexa negociação. Confirase: Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 18 33 Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, revestindose de feição mais propriamente corporativa, deve ser relativizada a exigência mais acima frisada. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não obstante ter convergido com o redator à época e votado naquela linha em outras oportunidades, as considerações aqui tecidas fazemme dele divergir. Explico, em grande medida revisitando o acima fundamentado: Não vejo que, pelo fato de não haver um "liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários", os termos do negociado possam ser estabelecidos após o início do período de aferição. Compartilho com aquele I. Redator acerca da complexidade da elaboração de tais planos na forma como colocada e, em especial, quando envolvidas as circunstancias já aqui e lá reconhecidas. Da mesma forma, convirjo quanto à dificuldade, quiçá impossibilidade, de se relacionar diretamente a participação do empregado à percepção da verba, sobretudo naqueles planos onde o "ser funcionário" e a "obtenção de lucros" são as únicas condicionantes. Contudo, tenho que a inexistência de um liame minimamente concreto não seria motivo o suficiente para fosse afastado do empregado, o conhecimento das regras postas. Se há a impossibilidade ressalvase, nos planos com essa feição de atribuir ao empregado qualquer conduta concreta que possa ter diretamente influenciado no resultado do exercício, com maior propriedade não há como afirmar em qual mês teria havido aquela participação "decisiva". Se no primeiro, se no segundo ou no último mês do período de apuração. Daí entender que, nesses casos, com maior propriedade, o acordo deva ser ajustado antes do início do período de aferição. Nesse mesmo sentido, o pior cenário seria aquele em que os termos do acordado tivessem sido assentados após o período de apuração, quando então retiraria do empregado, ou melhor, não o oportunizaria o "algo a mais" em seu desempenho funcional, ainda que potencialmente falando, ainda que indeterminado quando isso se daria. Sobre esse aspecto, após algumas pesquisas, chamou a atenção deste Redator afirmativa posta em recurso de determinado recorrente, no sentido de que, em outra palavras, Fl. 762DF CARF MF 34 seria tradicional no diálogo com os sindicatos, que não se iniciam conversas sobre PLR antes de haver a previsão mais realista de um índice de reajuste da categoria. Ora, inferese, da assertiva acima, que a não celebração do acordo antes de o início do período de apuração não se dá, decisivamente, pela complexidade do assunto e/ou pela quantidade de agentes e interesses envolvidos (a rigor, não haveria impedimento a que se celebrasse o acordo em setembro, outubro, novembro ou dezembro de determinado ano, para recebimento de parcelas relativas aos lucros/resultados auferidos do ano seguinte), mas sim pela desvirtuada utilização do instrumento da PLR (que se dá, em regra, em instrumento em apartado) para viabilizar a complementação da remuneração do trabalhador, em descompasso com o que preceitua o caput do artigo 3º da Lei 10.101/2000. Exatamente neste ponto, impõese destacar que, diferentemente do sustentado por alguns, no sentido de que o recrudescimento na análise dos acordos no que toca à observância dos requisitos legais tente a inviabilizar o direito constitucional do trabalhador à percepção da PLR, penso que não deve ser esse o viés empregado, mas sim o da proteção do interesse público ao custeio da previdência. Percebase que esse direito constitucional já era levado à efeito antes mesmo da edição da MP 794/94, que deu origem à Lei 10.101/2000. Consignese sobre o tema, que o STF, no julgamento do RE 569.441, consolidou o entendimento de que há incidência de contribuições previdenciárias nas verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, antes de dezembro 1994. Assim concluindo, as indagações encimadas poderiam ser respondidas como seguem: Acordos que estipulam metas individuais ou em grupo: 1 pactuados previamente ao início do período de apuração, por força da literalidade do inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000. Acordos que não estipulam metas individuais ou em grupo 1 igualmente pactuados previamente ao início do período de apuração, pela inteligência do artigo 1º da Lei 10.101/200. Essa é a linha que vem sendo recentemente adotada na CSRF, consoante se extrai da ementa a seguir colacionada, com a qual passo a me alinhar: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202005.718, de 30.08.2017. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16327.720621/201636 Acórdão n.º 2402006.525 S2C4T2 Fl. 19 35 Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. Acórdão 9202006.218, de 28.11.2017. Ante o exposto e a considerar, como se extrai do voto condutor, que os acordos foram todos pactuados após o início do período de apuração/aferição do resultado, voto por NEGAR provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723109/2016-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10730.723109/2016-01
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918792
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.702
nome_arquivo_s : Decisao_10730723109201601.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 10730723109201601_5918792.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7475970
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869139767296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.723109/201601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.702 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IRPF: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RRA Recorrente NELIO GONCALVES SODRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 31 09 /2 01 6- 01 Fl. 127DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio da qual foi constatada suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, no valor de R$30.287,77. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que tratase de rendimentos recebidos acumuladamente e sujeitos a tributação exclusivamente na fonte conforme optou em sua Declaração de Ajuste Anual. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte deixa claro e comprova que declarou corretamente os rendimentos recebidos acumuladamente da fonte pagadora INSS com precatório pago pelo Banco do Brasil em julho de 2012. No entanto, sustenta a DRJ que o objeto do lançamento foi os rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal em janeiro de 2012, com retenção de imposto na fonte e informados em DIRF. Alega a DRJ que a notificação de lançamento deixa claro que estava lançando outros rendimentos, diversos do que o contribuinte ofereceu a tributação. Em sede de Recurso Voluntário, mais uma vez o contribuinte apresenta documentação clara e sustenta de forma objetiva que recebeu e ofereceu corretamente à tributação os rendimentos recebidos através do Banco do Brasil, oriundos de ação judicial contra o INSS. Desconhece o contribuinte o lançamento e o suposto recebimento pela Caixa, alegado pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de supostamente ter o contribuinte omitido rendimentos decorrentes da ação judicial federal informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$30.287,77, com IRRF no valor de R$908,63, recebidos em janeiro de 2012. O recorrente afirma e demonstra que recebeu rendimentos decorrentes de ação trabalhista totalizando R$36.151,07, sem retenção de imposto na fonte, e que teria pago honorários advocatícios no importe de R$10.845,31, e que esses rendimentos teriam sido corretamente informados como Rendimentos Recebidos Acumuladamente, e a fonte pagadora seria o INSS com precatório pago pelo Banco do Brasil em julho de 2012. A defesa traz aos autos documentos comprovando que esses valores estão corretos. Entretanto, esses rendimentos não foram contestados pela fiscalização. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10730.723109/201601 Acórdão n.º 2001000.702 S2C0T1 Fl. 3 3 O lançamento foi lavrado com base em rendimentos que teriam sido pagos pela Caixa Econômica Federal em janeiro de 2012, com retenção de imposto na fonte e informados em DIRF. A fiscalização teve acesso aos documentos apresentados pelo impugnante e deixou claro na notificação de lançamento que estava lançando outros rendimentos, diversos dos que o interessado ofereceu a tributação. A defesa não se manifestou acerca desses rendimentos. Através da análise minuciosa dos documentos acostados ao processo, entendo que não houve, por parte da fiscalização, uma comprovação clara de que o contribuinte teria recebido esse valor imputado a ele. Não apresentou a mencionada DIRF, muito menos qualquer extrato bancário ou ordem de pagamento em favor do contribuinte, para comprovar de que o mesmo omitiu de fato algum rendimento recebido. Pela análise dos autos, o que se verifica é que o contribuinte declarou corretamente todos os seus rendimentos recebidos. Apresenta provas claras para tal. No entanto, para que pudesse se defender de uma imputação de omissão, esta teria que ser evidenciada de forma fundamentada . Apenas vejo alegação pelas autoridades fiscais de que houve uma omissão, com base na DIRF apresentada pela Caixa, a qual nem consta nos autos. É dever da fiscalização fundamentas seus atos, notificar de forma clara e com base em elementos fáticos inequívocos. Não foi isso que ocorreu nos autos em análise. Não há nenhuma evidência de verificação mais detalhada ou minuciosa acerca do suposto rendimento recebido pela Caixa. Isso inviabiliza completamente a defesa por parte do contribuinte. Tivesse, ao menos, o fiscal solicitado ao contribuinte que apresentasse todos os seus extratos bancários, para que evidenciasse algum recebimento ou não, pela Caixa, já teria sido um pouco mais claro. Mas nem isso ocorreu. Apenas uma suposta alegação. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham Fl. 129DF CARF MF 4 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com base em tudo o quando exposto, tendo em vista a rasa demonstração e fundamentação das autoridades fiscais acerca do lançamento e suposto recebimento do valor pelo contribuinte, pago pela Caixa, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para, assim, descartar o lançamento fiscal efetuado pela autoridade competente. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário oriundo do lançamento fiscal em apreço. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003169/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE.
O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora.
DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO.
As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2402-006.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo.
(Assinado Digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE. O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO. As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.003169/2010-63
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5911957
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.499
nome_arquivo_s : Decisao_11065003169201063.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065003169201063_5911957.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo. (Assinado Digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7440787
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869190098944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2.472 1 2.471 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.003169/201063 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.499 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SIRLEI DIAS GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DAA. INFORMAÇÕES EQUIVOCADAS DA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF Nº 73. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE. O sogro ou sogra não pode ser informados como dependentes, na DIRPF do declarante, quando o cônjuge tenha apresentado declaração em separado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação de parte das despesas médicas glosadas, mediante apresentação de documentação idônea, impõe o restabelecimento das correspectivas glosas. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. DEDUÇÕES DO IMPOSTO APURADO. As deduções com contribuição de incentivo à cultura; bem como contribuição patronal paga à previdência social pelo empregador doméstico, estão sujeitas à comprovação, observados os requisitos e limites previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 69 /2 01 0- 63 Fl. 2472DF CARF MF 2 hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício incidente sobre os rendimentos declarados como ajuda de custo. (Assinado Digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.473 3 Relatório Temse Recurso Voluntário, fls. 2455/2468, voltado contra Acórdão de fls. 2438/2450, emanado da 19ª Turma da DRJ/RJ1, que, por maioria, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 300.581,64. Vale que se transcreva o relatório da r. Decisão guerreada, eis que muito bem delineia a causa até então. Confirase: "Tratase de ação fiscal levada a efeito no(a) contribuinte acima qualificado(a), que implicou a lavratura do Auto de Infração de fls. 228/241, acompanhado dos demonstrativos de fls. 242/246; relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendários 2005, 2006, 2007 e 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 650.483,27, sendo R$ 310.951,69, referentes ao imposto; R$ 233.213,75, à multa proporcional; e R$ 106.317,83, aos juros de mora (calculados até 11/2010). 2. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 230/241), o procedimento apurou crédito tributário decorrente das seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, relativo a fatos geradores descriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 49.893,60 75 31/12/2006 52.440,67 75 31/12/2007 54.372,94 75 31/12/2008 52.619,60 75 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL), DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 1.404,00 75 31/12/2006 1.516,32 75 31/12/2007 1.584,60 75 31/12/2008 1.655,88 75 Fl. 2474DF CARF MF 4 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL), DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 26.082,00 75 31/12/2006 23.137,70 75 31/12/2007 27.324,07 75 31/12/2008 11.461,45 75 DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO COM CONTRIBUIÇÃO DE INCENTIVO A CULTURA, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2005 600,00 75 31/12/2006 1.080,00 75 31/12/2007 120,00 75 31/12/2008 600,00 75 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, relativos a fatos geradores, consolidados mensalmente, seguem discriminados abaixo: [...] DEDUÇÃO INDEVIDA DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PAGA À PREVIDÊNCIA SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, relativos a fatos geradores discriminados abaixo: Fato Gerador Valor R$ Multa (%) 31/12/2006 534,00 75 31/12/2007 593,60 75 31/12/2008 634,80 75 O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Relatório de Ação Fiscal às fls. 247/256, acompanhado das planilhas de fls. 146/435, documentos integrantes do auto de infração, relevando destacar o que se segue: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.474 5 · A ação fiscal teve origem no MPF nº 0.1.07.002009 013431, tendo por objeto verificar as obrigações tributárias do sujeito passivo, no período de 2004 a 2008; · A infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, trata de verbas indevidamente classificadas como ajuda de custo, originárias da fonte pagadora COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SAO PAULO, CNPJ 88.332.580/000165, nos montantes de R$ 49.893,60, R$ 52.440,67, R$ 54.372,94 e R$ 52.619,60 durante os anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Verificouse que a fonte pagadora, após ser intimada pela fiscalização a comprovar o pagamento de ajuda de custo, retificou as DIRFs originalmente apresentadas, de modo a reclassificar tais rendimentos como tributáveis. Observese que a interessada, embora intimada, não comprovou que as verbas recebidas decorreriam de ajudada de custo. Observese que houve emissão de Notificação de Lançamento automática, em vista das DIRFs retificadoras, que foram canceladas em face da matéria estar sendo apurada na presente ação fiscal. · Foram glosadas as deduções com a dependente SOELLY IGNES PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005 a 2008, por se tratar de sogra da contribuinte; e o cônjuge ter apresentado DIRPF em separado, o que impede a dedução pleiteada; · Foram glosadas todas as despesas médicas informadas nas DIRPFs revisadas, no período de 2005 a 2008, pela omissão do sujeito passivo em atender à intimação que lhe fora dirigida, no curso da ação fiscal, com vistas à comprovação. Em acréscimo a fiscalização aduz que “Independente de intimação, alguns pagamentos informados pela contribuinte em suas DAA como deduções médicas já seriam retiradas de oficio, pela falta de previsão legal para sua utilização. São eles: Os valores informados como havendo sido pagos a JAMIL FRANCISCO MARQUES, CPF 528.943.98034, nos montantes de R$ 9.300,00 (no anocalendário 2005, A fl. 06), R$ 14.900,00 (no ano calendário 2006, 6 fl. 08) e R$ 10.000,00 (em 2007, A fl. 10), e MARCIO ADRIANO XAVIER COELHO, CPF 528.760.63034, nos totais de R$ 9.300,00 (no anocalendário 2005, à fl. 06) e R$ 12.000,00 (no anocalendário 2007, à fl. 10). Ambos os profissionais são técnicos em enfermagem, segundo informação da Assessoria Jurídica do CorenRS (fl. 150) e cópia da lista de classificados no concurso público n° 01/2009 da Prefeitura Munic. de Esteio (fl. 151v), foram funcionários da ULBRA, no período fiscalizado, e nem sequer declaram terem recebido Fl. 2476DF CARF MF 6 quaisquer valores provenientes de pessoas físicas (o que poderia, em tese, indicar que os pagamentos teriam sido efetuados pela fiscalizada)”. · Quanto à infração de DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO COM CONTRIBUIÇÃO DE INCENTIVO À CULTURA, o sujeito passivo foi intimado a comprovar os pagamentos informados nas DIRPFs revisadas, limitandose a afirmar que não teriam pleiteado dedução alguma a esse título, conforme corroboraria copias de DIRPFs entregues à fiscalização. · Quanto à infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, aduz que o sujeito passivo, em atendimento à intimação que lhe foi dirigida no curso da ação fiscal, apresentou extratos bancários incompletos, do Banco do Brasil, Santander, me Banrisul, bem como algumas faturas de cartões de crédito. Em conseqüência, foram expedidas Requisições de Informações Financeiras, implicando a obtenção dos documentos constantes doas Anexos III ao VI, de cuja análise implicou a identificação de créditos bancários, cuja comprovação de origem foi requerida ao sujeito passivo, consoante Termo de Intimação de fls. 148/173. Por ter sido constatado que algumas das contas bancárias possuíam cotitular, estes também foram intimados a comprovar a origem, conforme se segue: · Considerando que a interessada, e demais cotitulares das contas bancárias, omitiramse em justificar a origem dos depóstios, estes deram ensejo à formação válida da presunção de omissão de rendimentos, ao teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, observandose os seguintes critérios: “Observado o §6° do art. 42, foram, portanto, considerados RENDIMENTOS OMITIDOS os depósitos em contas bancárias constantes no ANEXO DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° F855 (fls. 114/125), os quais, à exceção dos efetuados nas contas mantidas no Banrisul e Santander (titulados unicamente pela contribuinte), foram imputados à fiscalizada na proporção de 1/3 para a conta n° 008350 (agência 2626 do Banco do Brasil), e 1/2 para as conta n° 080184 (agência 2626 do Banco do Brasil), n° 082940 (agência 2626 do Banco do Brasil) e n° 10787043 (agência Moinhos de Vento do extinto BankBoston)”. · Quanto à infração de DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PAGA À PREVIDÊNCIA SOCIAL PELO EMPREGADOR DOMÉSTICO, o sujeito passivo foi intimado a comprovar os pagamentos informados nas DIRPFs revisadas, limitandose a afirmar que teriam transitado por suas contas bancárias, não apresentando documento algum. Cientificado(a) da autuação em 08/12/2010 (vide despacho de fls. 262), a defesa protocolizou impugnação, às fls. 263 e Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.475 7 seguintes, por intermédio de procuradores, mandato às fls. 276, recepcionada em 06/01/2011. Em síntese, aduz o que se segue: · Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, aduz que a responsabilidade pela suposta classificação indevida como ajuda de custo é da fonte pagadora; e tinha suporte em supostos ressarcimentos de despesas realizadas pela impugnante na representação da entidade, também nas despesas de locomoção, as quais eram comprovadas com documentos entregues por ocasião do ressarcimento. Aduz que, embora intimada a apresentar tais documentos, a fonte pagadora permanece silente, limitandose a retificar as DIRFs apresentadas, de modo a não corresponder à verdade dos fatos. Aduz não ser devida a multa de ofício, vez que a conduta omissiva não poderia ser imputada à impugnante. · Quanto às glosas de deduções indevidas, apresenta documentos a título de comprovação. · Quanto à infração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, aduz que a presunção legal seria insuficiente para consubstanciar a identificação de riqueza tributável; referese à doutrina acerca das presunções e capacidade contribuitiva, para concluir que “em que pese não haver, como entendeu a auditoria fiscal, “a apresentação de documentação hábil e idônea”, de cada um dos créditos ocorridos na conta corrente, a comprovar a origem desses créditos, tal indicio não fundamenta a indicação "com razoável grau de certeza" da riqueza tributável, e isso por uma razão muito simples: os valores constatados pela auditoria fiscal como presumivelmente omissão de receita estão contemplados pelos valores declarados pela Impugnante como rendimentos nos respectivos anos calendários”. Aduz que, em 2005, o total do rendimento declarado foi de R$ 731.600,61, enquanto os rendimentos reputados omitidos foram de R$ 278.015,87, o que teria se sucedido nos demais períodos. Aduz que não se verificou, no período fiscalizado, variação patrimonial a justificar a omissão de receitas, o que estaria corroborado pelo fato de que os rendimentos declarados, no período de 2005 a 2008, foram superiores a R$ 1.600.000,00, enquanto a movimentação bancária supostamente omitida foi de cerca de R$ 800.000,00. Assim, conclui que a presunção milita em favor da impugnante, vez que a movimentação bancária é compatível com os rendimentos declarados." Em seu apelo, reprisa a recorrente os mesmos argumentos lançados em sua Impugnação (fls. 263/275), alterando apenas, ás fls. 2463, em que, face à parte não acatada pela r. decisão recorrida, permanecem as razões de inconformismo, alegando, portanto, que foram juntados os comprovantes de despesas médicas referentes aos anoscalendário 2005, Fl. 2478DF CARF MF 8 2006, 2007 e 2008, o que comprovariam o direito de não tributação da recorrente quanto a tais despesas, conforme art. 80 do Decreto 3000/99 RIR/99. No mais, foram revistos todos os pontos, requerendo, ao final, que seja acolhido o presente recurso para reforma do acórdão recorrido e devido cancelamento do débito fiscal perseguido. É o relatório. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.476 9 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO LANÇAMENTO REFERENTE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA. Neste tópico a Recorrente se insurge contra o lançamento realizado com base em divergências decorrentes de retificação das DIRFs 2006 e 2009, bem como aquele realizado sobre valores declarados como "ajuda de custo". Sustenta não haver omissão de rendimentos uma vez que apresentou suas declarações em conformidade com os informes de rendimento e contracheques recebidos, sendo induzida à erro pela finta pagadora, o que se comprova pelo fato da mesma, após o i. Agente fiscal ter requisitado informações quanto as operações, ter admitido o erro e apresentado DIRFs retificadoras, portanto, incabível a aplicação de multa de ofício. Analisando a questão, verificamos que restou incontroverso o fato de que, apesar de erroneamente classificado como não tributável, o rendimento foi integralmente declarado. Restou ainda incontroverso o fato de que a fonte pagadora prestou informações equivocadas, tanto o é que procedeu a retificação das DIRFs. Tais fatos contam do próprio Relatório Fiscal, decisão recorrida e são corroborados pelos documentos acostados aos autos pela fiscalização e para Recorrente. A Recorrente, na condição de empregada da COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO, CNPJ 88.332.580/000165, não tinha domínio ou ingerência sobre a forma com que as DIRFs eram apresentadas e, ainda que seja exigível saber que tais valores recebidos a título de ajuda de custo não preenchiam os requisitos legais para tal, é plausível a hipótese de ter prestado tais informações errôneas sob indução da fonte pagadora. Ante ao principio da boa fé objetiva negar a Recorrente o reconhecimento de tratarse de erro escusável demandaria, por parte da fiscalização, maior desenvolvimento investigativo no sentido de demonstrar que a mesma tinha algum domínio do fato ou má fé, o que não é o caso. Fl. 2480DF CARF MF 10 Nesse sentido, verificamos que o caso se amolda ao entendimento vinculante proferido pelo Conselho por meio da Súmula CARF nº 73. 1 Ante ao exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para afastar a imposição de multa de ofício. 3. DO LANÇAMENTO REFERENTE A DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA (DEDUÇÃO DEPENDENTE, DESPESAS MÉDICAS E INCENTIVO A CULTURA). A Recorrente apresenta pleito no sentido de afastar totalmente as glosas promovidas pelo i. Agente fiscal sobre as despesas médicas, dedução de dependente e incentivo a cultura. Basicamente renova os mesmos argumentos já adotados na impugnação, pleiteando revisão daquilo que não fora acatado pelo julgado recorrido. No que se refere glosa de deduções com a dependente SOELLY IGNES PUPERI GOMES, nos anos calendários de 2005 a 2008, declarada como pessoa incapaz, mas que, em realidade, é sogra da Recorrente não há o que se corrigir. O cônjuge da Recorrente apresentou sua DAA em separado, neste caso, por falta de previsão legal, não é possível manter a dedução em pleito. De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, o sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 19.645,32), nem estejam declarando em separado. Com relação aos comprovantes de incentivo a cultura constantes dos autos, todos aqueles considerados válidos foram aceitos pela DRJ. No que se refere as deduções relativas as despesas com empregados domésticos não merece qualquer ajuste o decisório, eis que somente é dedutível o valor, dentro dos limites legais, efetivamente recolhido à titulo de contribuição previdenciária de custeio (empregador), conforme o disposto na Lei nº 11.324/2006 c/c do inciso VII e § 3º do art. 12 da Lei nº 9.250, de 1995. O Recurso em realidade, centra maior atenção no restabelecimento das deduções relativas as despesas com hidroterapia prestados pelo estabelecimento Acquáticos, sustentando tratase de fisioterapia. Em consulta aos comprovantes de tal despesas [Fl. 325], embora seja factível tal alegação, eis que a fisioterapia adota tratamentos realizados na água, o comprovante em questão não se presta a tal prova. Nos termos da Resolução COFFITO 8/78, art. 54 e 119, é obrigatório o uso do número de inscrição pelo fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional nos seguintes casos: em carimbo, datilógrafo, impresso ou manuscrito imediatamente abaixo da assinatura, em todo documento firmado em razão do exercício profissional, e, em impresso, anúncio e placas ligados ao exercício profissional, como cartões de vista e receituários. 1 Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 11065.003169/201063 Acórdão n.º 2402006.499 S2C4T2 Fl. 2.477 11 Não consta no referido recibo qualquer referência a profissional fisioterapeuta, tão pouco a Recorrente apresentou qualquer prova complementar apta a sustentar tal pretensão. Isto posto voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 4. DO LANÇAMENTO REFERENTE A ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Quanto aos depósitos de origem não comprovada a DRJ votou por manter a integralidade do lançamento sendo essa a razão de insurreição da Recorrente. Neste tópico alega não haver omissão de rendimentos, pois os valores indicados como omitidos estariam contidos em suas declarações de rendimento. Analisando as DAAs dos exercícios 2005 a 2008 temos os seguintes valores declarados como rendimentos tributáveis: 2005 2006 2007 2008 Rend. Trabalho R$ 174.183,31 R$ 187.095,20 R$ 197.803,33 R$ 204.332,81 Rend. Isentos e não tributáveis R$ 451.064,15 R$ 517.948,03 R$ 151.383,58 R$ 64.024,05 Tributação Definitiva na fonte R$ 10.879,81 R$ 12.449,75 R$ 13.264,38 R$ 17.913,38 Em levantamento realizado por meio de requisições das informações bancárias da recorrente o i. agente fiscal apurou: 2005 2006 2007 2008 R$ 278.015,87 R$ 192.285,64 R$ 202.191,87 R$ 139.611,17 Ao contrario do alegado pela Recorrente os valores tido por omitidos são resultantes de analise promovida pelo i. Agente fiscal que, para realizar o lançamento, excluiu os seguintes valores: Valores depositados em conta relativos as distribuições de lucros e dividendos, conforme batimento com a contabilidade da empresa VINTE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA, CNPJ 05.374.396/000150, extinta em 17/08/2006, da qual a fiscalizada foi sócia (fl. 154); Registros cujo histórico continha as expressões "FOLHA PAGAMENTO", "PROVENTOS", "CHEQUE DEVOLVIDO" (e suas variações, TAIS COMO "DEVOLUÇÃO CHEQUES"), "CRED FGTS", "CRED INSS", "ESTORNO", "PGTO. FORNECEDOR", "CD13/RDB", "CDC", "EMPRÉSTIMO' (e assemelhados, tais COMO "OPER.CR."), "DEV.DOC.ELETRON.", "RESGATE", "SAQUE EM POUPANÇA"; Fl. 2482DF CARF MF 12 Assim, foram tomados por base de calculo apenas aquilo que excedeu ao declarado, sendo mantido pela DRJ aquilo que não restou comprovado, portanto, não merece prosperar a tese recursal. CONCLUSÃO Por todo exposto voto por conhecer do recurso para, no mérito, darlhe parcial provimento apenas quanto a exclusão da multa de ofício sobre rendimentos declarados como ajuda de custos, nos termos da súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 2483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003012/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF - OBRIGAÇÃO LEGAL - A multa pelo atraso na entrega da DCTF está disposta na Lei e por isso não deve ser afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.986
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Camara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF - OBRIGAÇÃO LEGAL - A multa pelo atraso na entrega da DCTF está disposta na Lei e por isso não deve ser afastada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.003012/2007-07
conteudo_id_s : 6060064
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.986
nome_arquivo_s : 130200986_19515003012200707_201209.PDF
nome_relator_s : LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515003012200707_6060064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Camara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
id : 7437855
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869201633280
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-04-22T18:16:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-04-22T18:16:00Z; Last-Modified: 2013-04-22T18:16:00Z; dcterms:modified: 2013-04-22T18:16:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:717d1726-35ca-4be0-a465-92f5e2dca90a; Last-Save-Date: 2013-04-22T18:16:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-04-22T18:16:00Z; meta:save-date: 2013-04-22T18:16:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-04-22T18:16:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-04-22T18:16:00Z; created: 2013-04-22T18:16:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2013-04-22T18:16:00Z; pdf:charsPerPage: 1184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-04-22T18:16:00Z | Conteúdo => SI-C3T2 11. 113 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.003012/2007-07 Recurso n° 923.897 Voluntário Acórdão n° 1302-00.986 — 3' Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria DCTF - MULTA PELO ATRASO Recorrente MADEPAR LAMINADOS S/A Recorrida Fazenda Nacional MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF - OBRIGAÇÃO LEGAL - A multa pelo atraso na entrega da DCTF está disposta na Lei e por isso não deve ser afastada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2 a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. rulz7TaLde Matosinho Machado Presidente ma'Moraes de Almeida Nogueira Junqueira at/ora EDITADO EM: joéija633. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Andrada Márcio Canuto Natal. Processo n° 19515.003012/2007-07 SI-C3T2 Acórchlo n.° 1302-00.986 Fl. 114 Relatório A autoridade fiscal efetuou em 08/10/2007 lançamento de multa por atraso na entrega das DCTF relativas ao 1 0. a 4°. trimestres de 2002, que só foram entregues pela Recorrente em 24/08/2007. A multa de R$ 1.025.581,68 foi lavrada em 20% dos tributos devidos e declarados. Citada em 10/10/2007 a interessada impugnou o lançamento em 12/11/2007, alegando que a obrigação de entrega da DCTF não foi criada por Lei, mas sim por ato do poder executivo. Considerando a reserva legal da matéria, tal exigência é ilegal, assim corno o é a aplicação de multa pelo atraso na entrega da DCTF. Por ferir o principio da legalidade, da indelegabilidade da competência tributária e da separação de poderes, a exigência tributária ora discutida é inconstitucional. Mais ainda, o lançamento da multa baseia-se na Lei 10.426/02, vigente a partir de 24 de abril de 2002, logo, tal multa não poderia retroagir para alcançar o atraso na entrega da DCTF do primeiro trimestre de 2002. Mais ainda, a impugnante não foi citada para apresentação da DCTF, o que permitiria a redução da multa conforme artigo 7, parágrafo 2, inciso II da mesma Lei. Por último, a multa exigida em percentual do tributo declarado é incompatível com o principio da individualização da pena, com o principio da capacidade contributiva, é desproporcional e pouco razoável, e é confiscatória. Assim, solicitou a interessada o cancelamento do lançamento fiscal. Em 09/08/2010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de são Paulo I (DRJ), julgando em parte procedente o lançamento fiscal. Entendeu a DRJ que a multa é devida, pois houve atraso na entrega da DCTF. A entrega da DCTF tem sua base legal no artigo 113 do Código Tributário Nacional. A multa é exigida pela Medida Provisória 16/01 convertida na Lei 10.426/02 e no mais a autoridade administrativa não é competente para apreciar questões de inconstitucionalidade da lei. Por outro lado, como a interessada apresentou a DCTF espontaneamente antes de tomar ciência do inicio de qualquer ação fiscal cabe reduzir a multa pela metade. Ciente da decisão em 16/02/2011, a recorrente apresentou sua defesa em 23/02/2011. Em seu recurso, a interessada reafirma as razões de sua impugnação e esclarece que o julgador administrativo não so pode como deve deliberar sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da lei, sob pena de supressão de instancia. Protesta pela falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa mantida pela DRJ na ordem de R$ 500 mil. Assim, pede a reforma da decisão de primeira instancia e o cancelamento e arquivamento do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora 0 recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Processo n° 19515.003012/2007-07 SI-C3T2 Acórddo n.° 1302-00.986 Fl. 115 Nos termos do Regimento deste Conselho, não nos cabe afastar a aplicação de Lei sobre o argumento de inconstitucionalidade. A DCTF consiste em obrigação acessória que tem base legal no artigo 113 do Código Tributário Nacional, podendo ser regulada pela autoridade administrativa. A multa pelo atraso na entrega da DCTF é sanção exigida pela Medida Provisória 16/01, convertida na Lei 10.426/02. Cabe a esta autoridade aplicar a lei. A entrega espontânea da DCTF logrou à contribuinte uma redução da multa de 20% para 10% do valor do tributo, ou seja, uma redução de 50% no valor da multa. 0 percentual, além de ser definido expressamente por Lei, parece-me razoável por isso não o enxergo como confiscatório. A sanção pelo atraso na entrega da DCTF cumpre um bem maior a ser preservado, pois é essencial para a proteção da arrecadação tributária por meio dos tributos por homologação e para a justiça social, privilegiando o bom contribuinte que entrega suas declarações em dia ao penalizar o atraso. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário. raes de Almeida Nogueira Junqueira
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720005/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA.
A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA.
Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA. A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11052.720005/2014-77
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918634
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.094
nome_arquivo_s : Decisao_11052720005201477.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA LUCIA MICELI
nome_arquivo_pdf_s : 11052720005201477_5918634.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7474123
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869205827584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.052 1 4.051 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.720005/201477 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.094 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS. Recorrente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA. A falta de comprovação da responsabilidade por sucessão torna a assunção de despesas de terceiros indedutíveis. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas não comprovadas no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 05 /2 01 4- 77 Fl. 4052DF CARF MF 2 Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, para cobrança dos seguintes créditos tributários relativos aos anos calendário de 2009 e 2010, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. Tributo Valor IRPJ R$ 12.170.511,42 CSLL R$ 4.381.384,11 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento decorre da glosa das seguintes despesas: 1) Despesas não comprovadas => mesmo intimada, a recorrente não apresentou documentação idônea para respaldar as despesas abaixo discriminadas: Item Data Conta Descrição Valor R$ 1 31/12/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 232.497,18 2 08/12/10 708502228DI DO COMIS VEND CLIENT EXCCIAS AUTO 267.426,97 3 30/11/09 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 203.892,99 4 31/10/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 199.390,47 5 28/02/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 195.903,88 6 29/12/10 701702123FA67 DO CARRETOS 26.354,65 7 03/11/10 705402123FA68 DO FRETE TRANSFERÊN CIA LUBRIFICANTE 19.076,13 TOTAL 1.144.542,27 Fundamentação Legal: artigos 251 e 264 do RIR/99 2) Despesas não necessárias => glosa de despesas com quitação de dois Autos de Infração de ICMS lavrados pelo Fisco do Estado do Rio de Janeiro contra a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo, CNPJ 33.337.122/000127, nos valores de R$ 12.384.307,18 e R$ 24.557.880,00, e ainda as despesas relativas ao pagamento de custas judiciais e de fianças bancárias decorrentes dos processos judiciais em questão, abaixo discriminados: Item Data Descrição Valor (R$) 1 28/09/09 DO BANCARIAS FIANCAS 1.120.874,98 2 31/03/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 3 27/04/10 TRIBUTOS PAGOS EM AUTO DE INFRAÇÃO 12.384.307,18 4 27/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 736.736,40 5 27/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 371.529,21 6 30/04/10 TRIBUTOS PAGOS EM AUTO DE INFRAÇÃO 24.557.880,00 7 30/04/10 DO SERV CONT AREA FISCAL 6.161.175,60 8 30/06/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 9 30/09/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 10 29/12/10 DO BANCARIAS FIANCAS 551.250,00 TOTAL 47.537.503,37 Após analisar as alterações societárias que ocorreram com a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo e demais empresas do grupo, o auditor fiscal concluiu que as despesas com os Autos de Infração de ICMS são completamente estranhas a recorrente, que Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.053 3 nunca praticou ou teve relação direta ou indireta com nenhum dos atos ali penalizados pelo fisco Estadual. Portanto, as despesas são indedutíveis por se caracterizarem como mera liberalidade, não se revestindo das características de necessárias, usuais ou normais para as transações ou operações da empresa. Ratifica essa conclusão a decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário, impedindo a recorrente de ser parte no processo judicial. Ademais, as autuações derivam de ato ilícito praticado pela empresa, sendo certo, que parte dos lançamentos tributários se refere à multa de ofício, com caráter punitivo pela prática de tal ato e, conforme vem sinalizando a RFB, tais penalidades seriam indedutíveis, pois não são necessárias a atividade da empresa. Fundamentação Legal: artigo 299 do RIR. A impugnação foi apresentada tempestivamente, e a autoridade julgadora a quo determinou diligência para que intimar a autuada a: 1) Comprovar que os autos de infração lavrados pelo fisco estadual dizem respeito exclusivamente à atividade de produção de lubrificantes explorada, depois da cisão, por Chevron Brasil Lubrificantes LTDA e; 2) Demonstrar que essas mesmas obrigações foram, de fato, transferidas para o patrimônio de Chevron Brasil Lubrificantes LTDA. O auditor fiscal que procedeu à diligência elaborou relatório de fls. 3395/3397, com as seguintes conclusões: Os autos de infração do ICMS não dizem respeito exclusivamente a produção de lubrificantes, vez que parte dos itens era mercadoria destinada à revenda, conforme relatório da autuação de infração. Ademais, não se pode afirmar que houve completa transferência da operação envolvendo lubrificantes, pois os imóveis onde se situavam os estabelecimentos autuados pelo ICMS não foram transferidos a AUTUADA. As obrigações relacionadas às autuações do ICMS não foram contabilmente transferidas à sociedade, como pode ser comprovado pelos Laudos de avaliação constantes das alterações contratuais analisadas e pelo Balanço apresentado. A autuada apresentou manifestação em face ao Relatório de Diligência, com as seguintes observações: em que pese os autos de infração do ICMS, cujas despesas foram objeto de glosa pela autuação combatida neste PAF, envolverem venda e revenda de lubrificantes, não desnatura o caráter operacional à impugnante da correspondente despesa, eis que, como visto, dentre suas atividades sociais, consta não apenas a fabricação, como também a comercialização de lubrificantes. os documentos anexados neste PAF comprovam à exaustão que todo negócio de lubrificantes passivos e ativos migraram da Chevron Brasil LTDA para a impugnante; e Fl. 4054DF CARF MF 4 as obrigações relacionadas aos débitos do ICMS relacionadas ao negócio de lubrificantes, por representarem passivos da referida atividade, foram sim transferidas da Chevron Brasil Ltda para a impugnante e o fato de não estarem segregadas/individualizadas nos registros contábeis em nada desdiz a afirmação, pois, como esclarecido, pela técnica contábil, apenas as contingências tributárias classificadas como perda provável é que devem estar provisionadas na contabilidade da empresa. Em sessão do dia 04 de setembro de 2017, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba prolatou Acórdão nº 0660.215, julgando procedente em parte a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MÁFÉ DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A sociedade empresária agiu de máfé no curso da ação fiscal subtraindo à Autoridade Fiscal a quo a oportunidade de apreciar documentos somente apresentados em sede de impugnação. DADOS VS. INFORMAÇÃO O fato de haver apresentado dados em profusão apresentados em resposta a diversas intimações expedidas pela Autoridade Fiscal não exonera a contribuinte de prestar informações, pois essas não se confundem com aqueles; a informações é o dado tratado segundo algum critério lógico e compartilhável, o que não se verificou no caso em tela. DESPESA ORGINADA DE LANÇAMENTO DE TRIBUTO ESTADUAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA VS. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO Documento trazido ao conhecimento pela impugnante demonstra que o vínculo por ela mantido com a sociedade sobre a qual recaiu originalmente o ICMS constituído pelo Estado do Rio de Janeiro era de responsabilidade solidariedade e não por sucessão. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DE PARTE DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS PELO FISCO ESTADUAL. A impugnante não se desincumbiu da obrigação de comprovar que os lançamentos constituídos pela Autoridade Fiscal Estadual diziam respeito à sua atividade precípua de produção e distribuição de lubrificantes. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Dada a determinação legal que não pode ser afastada por Autoridades Administrativa art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.054 5 1996 incidem juros à taxa Selic sobre as multas de ofício. Os débitos relativos às multas de ofício, quando não recolhidos no prazo legal, sujeitamse à incidência de juros de mora. A decisão de primeira instância, com relação à primeira infração, considerou comprovadas as seguintes despesas: Data Descrição Classificação trazida na impugnação Comprovado 08/12/2010 DO COMIS VEND CLIENT EXCCIAS AUTO Comissões de vendas 267.426,97 29/12/2010 DO CARRETOS Fretes 26.354,65 03/11/2010 DO FRETE TRANSFERÊN CIA LUBRIFICANTE Fretes 19.076,13 TOTAL 312.857,75 Com relação à segunda infração, despesas desnecessárias, foram consignadas as seguintes razões de decidir, que mantiveram o lançamento na totalidade: 1) As despesas se referem a três Autos de Infração de ICMS lançados pela Fiscalização do Rio de Janeiro em face a Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo, CNPJ 33.337.122/000127, conforme tabela seguir, onde constam os valores desembolsados: Auto de Infração Valor Corrigido (Princ. + Enc.) em R$ Motivo Data Ref. Imóvel Item do AI 01.05008901 Indiferente para o feito, porque os gastos relacionados a esse AI se resumem a fianças bancárias. Ausência de Recolhimento do ICMS por estornos de créditos de insumos usados na fabricação de lubrificantes 17/12/1997 R. Silésia 3501 Duque de Caxias RJ 01.0021772 12.384.307,18 + 371.529,21 Não retenção de ICMS sujeito à substituição tributária 24/11/1995 R. Pres. Antônio Carlos 325 Rio de Janeiro RJ 3 e 5 639674 24.577.880,00 + 736.736,40 Ausência de estorno do crédito na retirada da mercadoria industrializada 04/06/1992 Av. Rio de Janeiro 901 Rio de Janeiro RJ 6 e 4 639674 6.161.175,60 Honorários Advocatícios 7 2) Os itens 1, 2, 8, 9 e 10 se referem às fianças bancárias dos Autos de Infração nº 01.05008901 e 01.0021772, conforme tabela a seguir: Auto de Infração Fiança Processo Judicial Data Valor Item do AI 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 11/09/2009 492.916,66 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 11/09/2009 498.333,33 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 11/09/2009 64.458,33 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 11/09/2009 65.166,66 Total 1.120.874,98 1 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 29/03/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 29/03/2010 63.750,00 Total 551.250,00 2 Fl. 4056DF CARF MF 6 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 22/06/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 22/06/2010 63.750,00 Total 551.250,00 8 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 27/09/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 27/09/2010 63.750,00 Total 551.250,00 9 01.05008901 2.004.9146 2002.001.0957501 24/12/2010 487.500,00 01.0021772 2.008.4677 2003.021.0088352 24/12/2010 63.750,00 Total 551.250,00 10 3) Houve a análise de cada auto de infração de ICMS, da qual chegouse às seguintes conclusões: 3.1) Auto de Infração nº 01.05008901 Restaram comprovados que (1) o lançamento está relacionado à atividade da autuada, ou seja, fabricação e distribuição de lubrificantes, e (2) ela recebeu o imóvel situado à Rua Silésia nº 3501 Duque de Caxias em função da reorganização societária. Entretanto, consta Parecer proferido em 29/01/2014, pela ProcuradoriaGeral do Estado do Rio de JaneiroRJ, no qual é reconhecida a responsabilidade solidária da autuada, nos termos do artigo 121 do CTN. Neste sentido, ainda há decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário, negando que a autuada assumisse o pólo passivo da execução fiscal. Concluise, portanto, que os gastos não constituem despesas da autuada, porque não são necessários ou normais nos termos do artigo 299, §§ 1º e 2º do RIR/99, bem como, eventualmente, na qualidade de solidária, estes valores podem ser recuperados do contribuinte de fato e de direito. 3.2) Auto de Infração nº 01.0021772 A autuada não comprovou que a autuação é relativa à sua atividade de fabricação ou distribuição de lubrificantes, motivo pelo qual mantém a glosa. 3.3) Auto de Infração nº 639674 O mesmo motivo do lançamento anterior, além de apresentar diversos demonstrativo incapazes de associar o lançamento fiscal do ICMS aos registros contábeis com os respectivos documentos comprobatórios, sendo mantida a glosa. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 12/09/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Documento, fls. 3.898. O recurso voluntário foi apresentado em 11/10/2017, de fls. 3.901/3.972, com as seguintes alegações: Da descabida Acusação Imputada no Acórdão Recorrido. Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.055 7 refuta veementemente os dois primeiros itens da ementa da decisão, que acusa a recorrente de máfé, ao afirmar que não teria apresentado todos os documentos no curso da ação fiscal e alegar que teria anexado documentos em profusão sem a devida explicação. faz questão de firmar seu posicionamento de que sempre atuou de boafé e colaborou incessantemente com o bom andamento do presente caso, respondendo a todas as intimações que recebeu, bem como anexando documentação durante a ação fiscal, conforme fls. 39/1.781, além de apresentar em mídias digitais e emails, o que evidencia a existência de tratamento urbano e cordial entre os agentes fiscais da Receita Federal e os prepostos da recorrente. o único propósito para a inclusão dos dois primeiros itens na ementa da decisão recorrida é constranger o CARF na análise dos documentos carreados pela recorrente neste processo, os quais comprovam o desacerto dos autos de infração lavrados pelo Fisco. afirma que não agiu de máfé ou mesmo dificultou o trabalho da fiscalização, devendo essas descabidas e despropositadas alegações contidas no acórdão serem desconsideradas. Da glosa de despesas Não Necessárias. as despesas estão diretamente relacionados aos gastos incorridos pela recorrente envolvendo os Autos de Infração nº 01.05008901, 01.0021772 e 639674, todos lavrados pelo Fisco do Estado do Rio de Janeiro. a recorrente comprovou que assumiu e escriturou as despesas relacionadas aos aludidos autos de infração, porquanto eles estão relacionados ao negócio de lubrificantes que lhe foi transferido integralmente pela sociedade inscrita no CNP nº 33.337.122/000127, que à época se chamava Chevron Brasil LTDA. por esta razão, e como demonstrado, todos os direitos e obrigações envolvendo o negócio de lubrificantes passaram a ser responsabilidade exclusiva da ora recorrente, por força do artigo 133, inciso I do CTN, conforme atestam os instrumentos societários acostados no processo. a reorganização do Grupo Chevron se deu nas seguintes etapas: · a Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo, CNPJ. 33.337.122/000127, a partir de 2002, passou a se chamar Chevron Brasil LTDA. · em 2008, o Grupo Chevron iniciou processo de reorganização societária para segregar as atividades de (i) distribuição de combustíveis e (ii) fabricação de lubrificantes, pois pretendia se desfazer do primeiro (i). · a Chevron Brasil transferiu o negócio de lubrificantes para à recorrente Chevron Brasil Lubrificantes LTDA sociedade já constituída da qual a Chevron Brasil era acionista, de maneira Fl. 4058DF CARF MF 8 que a recorrente passou a se dedicar única e exclusivamente ao negócio de lubrificantes. · em decorrência da transferência do fundo de comércio relacionado ao negócio de lubrificantes da Chevron Brasil para a Chevron Lubrificantes, realizado através de Aumento de Capital, nos termos do artigo 1.081 do Código Civil, é certo que a recorrente passou a deter exclusivamente direitos e obrigações relacionadas estritamente ao negócio de distribuição de combustíveis. · a documentação apresentada é o bastante para evidenciar a transferência jurídica do negócio de lubrificantes (direitos e obrigações) da Chevron Brasil (outrora Texaco) para a recorrente, sendo certo que essa transferência implicou na transmissão dos ativos e passivos relacionados ao negócio de lubrificantes. sobre questionamentos levantados no relatório de diligência envolvendo dois estabelecimentos que tratavam do negócio de lubrificantes e que não teriam sido incorporados pela Chevron Lubrificantes na reorganização societária, a recorrente esclareceu que, efetivamente, sob o aspecto societário, tais estabelecimentos permaneceram com a Chevron Brasil por questões meramente burocráticas, mas esse fato, em nenhum momento, poderia indicar que as operações de lubrificantes não teriam sido integralmente assumidas pela recorrente. na reorganização societária, abriu nova filial no mesmo endereço da então filial localizada na Av. Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro RJ. com relação ao estabelecimento situado à Rua Presidente Antônio Carlos, 325, Campos Elíseos, Duque de Caxias, RJ, a recorrente esclareceu que optou por não reabri lo. com base nos documentos acostados, não restam dúvidas de que: (1) a Recorrente recebeu todos os ativos e passivos do negócio de lubrificantes então desenvolvidos pela Chevron Brasil;e (2) a Recorrente registrou em sua contabilidade os ativos e os passivos, inclusive aqueles relacionados às contingências tributárias, que lhe foram vertidos; desta forma, os Autos de Infração do ICMS são inequívocas despesas operacionais da recorrente e, como tal, passíveis de serem dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, pois, além de se referirem ao negócio de lubrificantes, encontravamse lançadas em seu registros contábeis. a recorrente demonstrou que todas as conclusões da diligência não prosperavam, visto que: • em que pese os autos de infração do ICMS envolverem venda e revenda de lubrificantes não desnatura o caráter operacional da correspondente despesa, eis que dentre suas atividades sociais consta a comercialização de lubrificantes; • os documentos comprovam que todo o negócio de lubrificantes passivos e ativos migraram da Chevron Brasil Ltda para a recorrente; Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.056 9 • as obrigações relacionadas aos débitos do ICMS relacionadas ao negócio de lubrificantes, por representarem passivos da referida atividade, foram transferidas da Chevron Brasil Ltda para a Recorrente e o fato de não estarem segregadas/individualizadas nos registros contábeis em nada desdiz a afirmação, pois, como esclarecido, pela técnica contábil, apenas contingências tributárias classificadas como perda provável é que devem estar provisionadas na contabilidade das empresas. o acórdão ora recorrido se apegou a questões formais para manter a glosa envolvendo o Auto de Infração n° 01.05008900 e não valorou corretamente o extenso conjunto fático probatório para manter as glosas dos Autos de Infração 01.0021772 e 639674. o acórdão recorrido confundiu institutos processuais de casos judiciais envolvendo a Ipiranga e a Chevron Lubrificantes, ora recorrente, para afirmar que a assunção das despesas envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 teria sido mera liberalidade sendo, pois, indedutíveis, já que, ao assumir o negócio de lubrificantes, a recorrente ostentaria apenas a condição de responsável frente ao crédito tributário, e não de contribuinte. no que se refere às despesas expendidas referentes aos Autos de Infração 01.0021772 e 639674, o acórdão ora recorrido manteve as glosas sob o argumento de que a recorrente não teria conseguido demonstrar que essas autuações estariam relacionadas ao negócio de lubrificantes por ela assumido. todos os documentos acostados pela recorrente conduzem à certeira conclusão de que os Autos de Infração nos. 01.0021772 e 639674 estão intrinsecamente ligados à atividade de lubrificantes. O Equívoco Incorrido pelo Acórdão ao Considerar Indedutíveis as despesas incorridas pela Recorrente envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 a decisão recorrida concorda que o aludido Auto de Infração está relacionado ao negócio de lubrificantes que foi assumido pela recorrente, mas que figura na condição de mera responsável, e não de contribuinte, não reconhecendo as despesas como dedutíveis. a decisão se baseia em documentos nos quais a recorrente vem solicitando o seu ingresso no pólo passivo de processos que cobram débitos tributários relacionados ao negócio de lubrificantes que lhe foram transferidos pela então Chevron Brasil. ao analisar o documento, o ProcuradorChefe da Procuradoria da Dívida Ativa do Rio de Janeiro atesta que a situação da recorrente se enquadra na hipótese do caput do artigo 133 do CTN, configurando a solidariedade entre as empresas Chevron Brasil (Ipiranga) e a recorrente. o parecer optou por incluir a recorrente no pólo passivo das cobranças com base na solidariedade, entretanto não especificou ou indicou, em nenhum momento, o fundamento legal para esse enquadramento e nem mesmo assentou qual empresa (Chevron Brasil ou Chevron Lubrificantes) ficaria na condição de contribuinte e na condição de responsável. aplicando a regra do artigo 133 do CTN, não há dúvidas que a recorrente responde integralmente pelos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquiridos, Fl. 4060DF CARF MF 10 devidos até a data do ato, assumindo a condição de contribuinte no lugar da Chevron Brasil (Ipiranga). ao realizar uma interpretação própria do parecer, o acórdão recorrido tirou conclusões totalmente equivocadas quanto à condição da Recorrente em relação ao débito oriundo do Auto de Infração n° 01.5008901. tampouco se sustenta a alusão feita à decisão proferida pelo Ministro Marco Aurélio nos autos do Recurso Extraordinário n° 199.147RJ, quando a recorrente foi admitida como assistente da Ipiranga, ao invés de substituíla naquele processo, pois o pedido feito buscava a aplicação de uma regra processual restrita que autoriza a substituição de uma parte por outra no curso da demanda. o Ministro Marco Aurélio se limitou a observar as regras processuais então vigentes para o julgamento daquele caso, não podendo haver confusão entre o instituto da sucessão empresarial com o pedido de substituição de partes no curso de uma ação judicial, pois são institutos divergentes e independentes, já que a primeira pode ser reconhecida administrativamente, de oficio. não se pode desvirtuar a boafé da recorrente em peticionar no referido Recurso Extraordinário requerendo a substituição processual ou seu ingresso como assistente da então Chevron Brasil (hoje, Ipiranga) para, diante do indeferimento, atestar que esta não ostentaria condição de contribuinte do crédito tributário discutido naquele caso. o Estado do Rio de Janeiro, naquele caso específico, discordou do pedido de substituição processual, eis que ainda não estaria seguro da plena responsabilidade da ora Recorrente pelos débitos tributários da então denominada Chevron Brasil Ltda., atual Ipiranga de Produtos de Petróleo S/A, pois sua venda para o Grupo Ultra havia acabado de se concretizar (março de 2009). já no parecer proferido em setembro de 2014, o ProcuradorChefe da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro, após uma análise mais acurada do assunto administrativamente, afirma que o enquadramento seria na hipótese prevista no artigo 133 do CTN. a menção no acórdão ora recorrido da decisão proferida pelo Ministro Marco Aurélio em meados de 2009 não pode servir como parâmetro para dizer que a recorrente não figura na condição de contribuinte de direito das dívidas tributárias envolvendo o negócio de lubrificantes, especialmente quando se nota que, naquele caso, a análise era essencialmente processual e que já há manifestação posterior da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro reconhecendo, com serenidade, o enquadramento dessas operações nas hipóteses prevista no caput do art. 133 do CTN. é a própria Recorrente, após a reorganização societária, que assume todos os ônus decorrentes do Auto de Infração no 01.05008900, pois, em sua relação com a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, não existem quaisquer dúvidas de que esses débitos são de inteira responsabilidade da Recorrente. a transferência do fundo de comércio de lubrificantes da então Chevron Brasil (atual Ipiranga) para a recorrente implicou na transferência e consequente sucessão, pela recorrente, de todos os direitos e obrigações no desempenho da referida atividade com lubrificantes, de maneira que a expressão "a qualquer título" presente no artigo 133 do Código Tributário Nacional engloba todo e qualquer tipo de aquisição ou transferência. Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.057 11 não se pode manter o entendimento de que as despesas incorridas envolvendo o Auto de Infração n° 01.5008901 tratarseiam de mera liberalidade da Recorrente, porquanto todos os inúmeros documentos acostados neste processo bem confirmam que a recorrente é, de fato, a contribuinte de direito do referido débito em sucessão à sociedade empresária inscrita no CNPJ sob o n° 33.337.122/000127, atualmente denominada Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, ex vi do art. 133, I, do CTN. Da Necessidade de Reforma do Acórdão ao Considerar Indedutiveis as Despesas Incorridas pela Recorrente envolvendo os Autos de Infração nºs. 01.0021772 e 639674 a decisão recorrida manteve as glosas das despesas lançadas envolvendo os Autos de Infração nº 01.0021772 e 639674, sob o fundamento de que não teria havido a demonstração de que tais autuações estejam exclusivamente relacionadas à atividade da recorrente. a DRJ deixou de se manifestar sobre diversos documentos que bem demonstram que há nítida vinculação entre essa cobranças e as atividades envolvendo o negócio de lubrificantes assumido pela recorrente. o Auto de Infração nº 01.0021772 foi lavrado em 1995 contra a então Texaco, objetivando cobrança de ICMS decorrente da suposta não retenção do referido tributo sobre as operações realizadas com lubrificantes, sendo possível identificar esse fato pela análise das Notas Fiscais que foram objeto de autuação. as referidas notas fiscais abarcam os anos de 1991, 1992, 1993 e 1994 todo o período autuado pelo Fisco Estadual e em todas elas é possível identificar claramente que envolvem operações com lubrificantes classificados na TIPI vigente à época com o código 2710.000202 referente à óleos lubrificantes embalados. é possível notar que a ora Recorrente apresentou a inicial da Execução Fiscal n° 2003.021.0088352 (CNJ n° 000872945.2003.8.19.0021) e a respectiva certidão de dívida ativa (fls. 2.230/2.232), em que o Estado do Rio de Janeiro buscou satisfazer o débito oriundo do aludido Auto de Infração, o qual foi inscrito na dívida ativa sob o n° 2003/000.634 8. no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro é possível confirmar o vínculo entre o débito exeqüendo e a supracitada Execução Fiscal, bem como a existência de Embargos à Execução, autuados sob o n° 2004.021.0004869 (CNJ n° 0000500 62.2004.8.19.0021). a recorrente quitou os débitos, sendo proferida sentença de extinção nos Embargos à Execução, no qual restou consignado tratarse de Embargos à Execução opostos por TEXACO BRASIL LTDA em face da Fazenda Estadual, alegando ser improcedente a cobrança de ICMS/Substituição tributária nas operações com graxas e lubrificantes destinadas a revendedores e atacadistas, por vedação expressa na Resolução SEF nº 1.724/90. os documentos comprovam que a recorrente incorreu em despesas relativas aos custos do pagamento da CDA nº 2003.000.6348 (Auto de Infração nº 01.0021772) e o fez por força da responsabilidade legal pelos direitos e obrigações da então Texaco Brasil, no que se refere ao negócio de lubrificantes que lhe fora transferido. Fl. 4062DF CARF MF 12 absoluta pertinência entre a autuação lavrada em 1995 contra a Texaco em razão do exercício da atividade relacionada ao fabrico de lubrificantes e o pagamento desses débitos pela Recorrente, que "herdou" por responsabilidade tributária os direitos e obrigações do negócio de lubrificantes antes detido pela Texaco/Chevron Brasil, ex vi do artigo 133, I, do Código Tributário Nacional. o Auto de Infração nº 639.674 também está relacionado ao negócio de lubrificantes, conforme atestam os documentos de fls. 2.242/2.515. as cópias da petição inicial e da sentença da Ação Anulatória n° 4.620, bem como a cópia da sentença dos Embargos à Execução n° 2.95.0076349, são claras quanto à natureza do débito em discussão, demonstrando que se refere a ICMS devido em decorrência da atividade relacionada a lubrificantes. a recorrente quitou integralmente o valor do débito consubstanciado na CDA nº 930139964975 (Auto de Infração nº 639674), bem como todos os consectários legais, por força da responsabilidade legal pelos direitos e obrigações da então Texaco/Chevron Brasil, no que se refere ao negócio de lubrificantes. daí a absoluta pertinência entre a autuação lavrada em 1992 contra a Texaco em razão do exercício da atividade relacionada ao fabrico de lubrificantes e o pagamento desses débitos efetuado pela Recorrente, que "herdou" por responsabilidade tributária os passivos decorrentes do negócio de lubrificantes da então Texaco/Chevron Brasil, ex vi do artigo 133, I, do Código Tributário Nacional. também foi obrigada ao pagamento de honorários de advocatícios por restar vencida nos autos dos Embargos à Execução nº 2.95.0076349 e nos autos da Ação Anulatória nº 4.620, no valor de R$ 6.161.175,60. por todo exposto acima, afigurase absolutamente correta e legal a dedução das despesas em questão pela Recorrente para fins de apuração do lucro real no ano de 2010, não havendo como se sustentar minimamente o fundamento levantado no acórdão ora recorrido de que não haveria provas de que essas autuações estariam vinculadas às atividades de lubrificantes. Da Glosa de Despesas Não Comprovadas a) do Item 1 despesa de reclassificação entre contas de despesa essa glosa de R$ 232.497,18 se relaciona a ajuste feito da seguinte contabilização em 31/12/2010, débito em conta de despesas diversas nº 725838 e crédito em conta de ativo OPEB nº 701270, diferença entre o valor atribuído ao citado ativo e o seu resultado. este valor não figurou como adição/exclusão para fins do cálculo do IRPJ e da CSLL, não tendo a Recorrente considerado tais despesas como dedutíveis. todas as informações estão no SPED, sendo que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material dos fatos, com solicitação de documentos que entender necessários. b) dos itens 3, 4 e 5 Royalties. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.058 13 as despesas indicadas nos itens 3, 4 e 5 da tabela trazida no início deste tópico correspondem a valores incorridos pela recorrente a título de reembolso de despesas para Chevron Products Company ("CPC"), relativos à cessão de direitos comerciais pela Nippon Oil Corporation ("Nippon") à recorrente. a Nippon, na qualidade de detentora de direitos comerciais para o fabrico e comercialização de lubrificantes com as especificidades determinadas pelas montadoras Honda e Yamaha, firma avenças com algumas empresas, a exemplo do Grupo Chevron, para que este produza e comercialize os lubrificantes a serem utilizados pela Honda e pela Yamaha em seus automóveis e motocicletas. ao ceder tal direito de produção dos lubrificantes ao grupo Chevron, a Nippon faz jus ao recebimento de royalties. no contrato firmado entre a Nippon e a CPC, a Nippon prestará serviços, com transferência de tecnologia, às empresas do Grupo Chevron e emitirá as respectivas faturas à CPC, para fins de facilitar o procedimento de cobrança, centralizandoas em um único devedor. em seguida, a CPC cobra da recorrente a parcela de despesa inerente às atividades da recorrente, que, por sua vez, efetua o reembolso da despesa incorrida, o que justifica os valores de R$199.390,47; R$195.903,88 e R$203.892,99, conforme invoices anexadas aos autos. falta razoabilidade à decisão recorrida ao não querer reconhecer a comprovação destas despesas pelo fato de não conter assinatura das partes no instrumento contratual, quando existem vários outros documentos que dão suporte ao acordo. evidenciado, portanto, o efetivo desembolso dos valores glosados pela fiscalização, e a vinculação entre a despesa e a atividade desempenhada pela Recorrente, tem se como manifestamente comprovada a efetividade e o caráter operacional da referida em questão, merecendo, pois, reforma o acórdão recorrido para que se afaste, outrossim, a glosa referente a estes itens. A Impossibilidade da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício destaca a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sem amparo na lei, mas sim em Portaria MF nº 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT). o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe a incidência de juros de mora apenas sobre débitos, e não sobre multas de ofício, não havendo margem para qualquer interpretação diversa. diante da ausência de base legal, a jurisprudência do CARF vem pacificando o entendimento de que as multas de ofício não são atualizáveis. Fl. 4064DF CARF MF 14 o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 é claro ao dispor sobre incidência de juros de mora sobre o valor da multa apenas quando se tratar de constituição de crédito tributário exclusivamente de multa ou juros. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim dele eu conheço. A lide a ser tratada se refere a glosa de despesas de duas naturezas: (1) despesas não necessárias e (2) despesas não comprovadas. Além disso, a recorrente contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Da glosa das despesas não necessárias. As despesas com os Autos de Infrações de ICMS nºs. 01.05008900, 01.0021772 e 639674, lavrados pelo fisco do Estado do Rio de Janeiro em face de Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo, CNPJ. 33.337.122/000127 (que mudou de nome para Chevron Brasil S.A, e depois para Ipiranga Produtos de Petróleo S.A), foram objeto de glosa por serem completamente estranhas a autuada, já que nunca praticou ou teve relação direta ou indireta com os atos penalizados. Concluiu a autoridade fiscal que estas despesas são indedutíveis, não se revestindo de necessárias, usuais ou normais para as transações da empresas, e sim ato de mera liberalidade. A autoridade fiscal ainda ressalta que as autuações derivam de ato ilícito, sendo certo que parte dos lançamentos tributários se refere à multa de ofício, com caráter punitivo, considerado indedutíveis pela Receita Federal do Brasil, pois não são necessárias à atividade da empresa. Já a principal tese de defesa seria que, com a reorganização societária do grupo, a Chevron Brasil Ltda (antiga Texaco Brasil S.A. Produtos de Petróleo) teria transferido para a recorrente a atividade de fabricação de lubrificante. Esclarece que, por meio de aumento de capital, com base no artigo 1.081 do Código Civil, o fundo de comércio relacionado ao negócio de lubrificantes passou a ser de titularidade da recorrente, com todos seus direitos e obrigações. Por conseguinte, a obrigação do pagamento dos Autos de Infração de ICMS passou a ser de responsabilidade da recorrente, por força do artigo 133, inciso I do CTN. Passo a julgar. Consta nos autos, às fls. 1912/1921, a 11º Alteração Contratual da Chevron Brasil Lubrificantes LTDA (recorrente), registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 29/08/2008, na qual é possível verificar que: => As sócias Chevron Brasil LTDA (ex Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo) e Chevron Latin America Marketing LLC aumentaram o capital social da Chevron Brasil Lubrificantes LTDA em mais R$ 21.478.317,22, passando de R$ 203.000,00 para R$ 22.681.317,22. Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.059 15 => A sócia quotista Chevron Brasil LTDA subscreveu a totalidade das novas quotas, mediante a conferência ao capital da sociedade, dos bens descritos e caracterizados no Laudo de Avaliação Patrimonial, datado de 31/07/2008, a saber: a) imóvel situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. b) todas as acessões, benfeitorias, acessórios, equipamentos e demais elementos ativos e passivos relacionados às atividades de fabricação de lubrificantes desenvolvidas no Imóvel e pormenorizados no Laudo de Avaliação ("Bens Acessórios"). O Laudo de Avaliação do dia 31/07/2008, acostado aos autos às fls. 3.460/3.462, juntamente com o Anexo de fls. 3.463/3.601, discriminam em detalhes todos os ativos que foram transferidos para a recorrente. Ocorreram outras duas alterações do contrato social da recorrente, todas ainda em 2008, onde o capital social foi aumentado com a conferência de imóveis da Chevron Brasil LTDA, todos situados no Estado de São Paulo. As alterações do contrato social estão acompanhadas dos respectivos Laudos de Avaliação a valor contábil dos equipamentos e imóveis que foram incorporados ao capital social da recorrente. Cumpre esclarecer que nenhum destes imóveis estão relacionados com os citados Autos de Infração de ICMS. Após essa reorganização societária, a Chevron Brasil LTDA foi alienada pelo Grupo Chevron ao Grupo Ultra (Ultra Participações S.A), controlador da Sociedade Brasileira de Participações (SBP), com a posterior alteração do seu nome para Ipiranga Produtos de Petróleo S.A. Em sua defesa, a recorrente afirma que essa documentação seria bastante para evidenciar a transferência jurídica do negócio de lubrificantes (direitos e obrigações) da Chevron Brasil LTDA (ex Texaco do Brasil S/A Produtos de Petróleo) para recorrente, não só dos ativos mas também dos passivos relacionados aos negócios de lubrificantes. Sob este argumento, entende que seria responsável pelas despesas relativas aos autos de infração de ICMS, motivo pelo qual deduziu a base tributável do IRPJ e CSLL. Colocadas as alterações societárias, cumpre analisar a aplicação no presente caso da responsabilidade por sucessão, prevista no artigo 133, inciso I do CTN, que assim determina: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Para que a responsabilidade por sucessão ocorra, é necessária a aquisição de fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, a qualquer título. Diz a doutrina que fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, deve ser entendido como a universalidade de Fl. 4066DF CARF MF 16 bens, que podem ser corpóreos ou incorpóreos e que viabilizam a atividade empresarial, nos termos do artigo 1.142 do Código Civil. Além disso, deve também o alienante cessar a exploração do comércio para que a responsabilidade pelos tributos sejam do adquirente. Neste ponto, temos que esclarecer alguns requisitos para que seja caracterizada a responsabilidade por sucessão nos termos do artigo 133, inciso I do CTN, tendo em vista as alegações de defesa da recorrente. Já foi definido que faz parte do fundo de comércio a universalidade dos bens afetados ao negócio de lubrificantes. Ou seja, seriam todos os imóveis da Chevron Brasil LTDA afetados para essa atividade específica, e que deveriam ser adquiridos pela recorrente, ainda que por meio de aumento de capital via conferência de bens. Cotejando as informações constantes nos autos, não é possível afirmar que este requisito foi cumprido. Muito pelo contrário. Como visto anteriormente, os lançamentos de ICMS, que decorrem da atividade com lubrificante, seja sua fabricação ou comercialização, ocorreram nos seguintes imóveis: Auto de Infração Motivo Data Ref. Imóvel 01.05008901 Ausência de Recolhimento do ICMS por estornos de créditos de insumos usados na fabricação de lubrificantes 17/12/1997 R. Silésia 3501 Duque de Caxias RJ 01.0021772 Não retenção de ICMS sujeito à substituição tributária 24/11/1995 R. Pres. Antônio Carlos 325 Rio de Janeiro RJ 639674 Ausência de estorno do crédito na retirada da mercadoria industrializada 04/06/1992 Av. Rio de Janeiro 901 Rio de Janeiro RJ Acerca deste quesito para caracterização da responsabilidade por sucessão, o auditor fiscal consignou no relatório de diligência que não se pode afirmar que houve completa transferência da operação envolvendo lubrificantes, pois os imóveis onde se situavam os estabelecimentos autuados pelo ICMS não foram transferidos a AUTUADA. De fato, apenas o imóvel situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, foi utilizado para o aumento do capital conforme a 11ª Alteração do Contrato Social, sendo transferida sua titularidade para a recorrente. Quanto aos demais imóveis, a recorrente alega que: 1) Os estabelecimentos foram encerrados pela Ipiranga Produtos de Petróleo S.A logo após assumir o negócio de distribuição de combustíveis pertencentes à Chevron Brasil LTDA, conforme documentos de fls. 3.442 e 3.444. Ocorre que esses documentos comprovam que: i) O estabelecimento situado a Avenida Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro, só teve baixa em 28/10/2010. ii) O estabelecimento situado R. Pres. Antônio Carlos 325, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, só teve baixa em 11/12/2014. Notase que os estabelecimentos foram encerrados após os pagamentos das despesas com os citados autos de infração, à exceção do pagamento da fiança bancária em 24/12/2010, no valor de R$ 551.250,00. Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.060 17 2) Que abriu nova filial precisamente no mesmo endereço da então filial localizada na Av. Rio de Janeiro, 901, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, nos termos da Ata da Deliberação de Diretoria realizada em 05/06/2008. De pronto, causa estranheza a existência de duas filias de empresas distintas no mesmo endereço, já que o encerramento deste imóvel só ocorreu em 28/10/2010. De toda forma, pelo Princípio da Identidade, elas não se confundem, não podendo ser fundamento para caracterização da responsabilidade por sucessão, como apregoa a recorrente. 3) Afirma que, quanto ao imóvel situado à Rua Presidente Antônio Carlos, nº 325, Campos Elíseos, Duque de Caxias, RJ, preferiu não reabrilo, visto que optou por manter um único estabelecimento para concentrar as atividades de depósito e armazenagem de lubrificantes. Mais uma vez é de se estranhar essa argumentação, pois a recorrente sequer tinha titularidade sobre o estabelecimento para decidir reabrir, e o estabelecimento, de titularidade da Ipiranga Produtos de Petróleo S.A. só teve baixa em 11/12/2014. Do exposto, a comprovação de que houve a transferência da universalidade dos bens, afetados nas atividades de lubrificantes, seja sua fabricação ou seu comércio, restou prejudicada. Consequentemente, a alegada responsabilidade por sucessão prevista no inciso I do artigo 133 do CTN, que justificaria a assunção das dívidas com os auto de infração de ICMS em questão, não está demonstrada. Esta constatação já é suficiente para concluir que as despesas com estes lançamentos foram, de fato, mera liberalidade. Continuando, a recorrente justifica a inexistência de registro contábil no Passivo dos valores devidos dos Autos de Infração de ICMS, conforme Laudos de Avaliação apresentados, alegando que teria observado o Pronunciamento Técnico CPC 25. Esclarece que, na época da transferência de todo o negócio de lubrificantes da Chevron Brasil LTDA para a recorrente, os Autos de Infração vinham sendo avaliados pelos advogados como perda possível, motivo pelo qual nenhum dos dois se encontrava provisionado na contabilidade da autuada. Sem adentrar no mérito da classificação das despesas como perda possível e a ausência de provisão nos assentamentos contábeis friso que os débitos estavam em execução fiscal desde 2002, com carta fiança firmada com Bradesco em 2008 destaco que, ainda regendo a alienação de uma pessoa jurídica, o artigo 1.146 do Código Civil determina que o adquirente responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que devidamente escriturados: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Ainda acerca desta questão, a recorrente traz aos autos demonstrações financeiras de 31/12/2008, nas quais afirma que já constavam passivos da atividade de lubrificantes que herdou da Chevron Brasil LTDA, no valor de R$ 28.121.627,00, valor que incluiria os citados Autos de Infração de ICMS/RJ. Fl. 4068DF CARF MF 18 Ocorre que, da leitura das Notas Explicativas do Demonstrativo Financeiro de 31 de dezembro de 2008 e 2007, fls. 3.816/3.817, consta que "As obrigações tributárias referemse, principalmente, à discussão quanto à adequada interpretação da Lei nº 1.423/89 ICMS, relativa a transações de venda e transferência de produtos interestaduais, no estado do Amazonas." (grifei) Mais uma vez, sua defesa não encontra respaldo na documentação apresentada. Ou seja, a ausência de qualquer registro contábil destes valores a pagar (conta de Passivo) na recorrente, quando da subscrição do capital com a conferência dos bens imóveis, não favorece a comprovação de que teria assumido a responsabilidade para o pagamento dos autos de infração da então subscritora Chevron Brasil S.A. Por fim, também não colabora com a tese da recorrente as decisões no âmbito das ações de execução. Como mencionado no Termo de Verificação Fiscal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 63.874/2009, no qual foi pleiteado admissão no processo em substituição a Chevron Brasil, a recorrente foi admitida apenas como assistente no processo de execução, restando consignado no voto do Ministro Marco Aurélio que, nos autos, não havia demonstração inequívoca de ter a requerente assumido a responsabilidade pelos débitos fiscais de Chevron Brasil LTDA. A recorrente tenta justificar a decisão do ministro no fato de que o Estado do Rio de Janeiro teria discordado do pedido de substituição processual, eis que não estaria seguro da plena responsabilidade da recorrente pelos débitos tributários da então denominada Chevron Brasil LTDA. Argumenta que a venda da Chevron Brasil LTDA para o Grupo Ultra havia acabado de se concretizar (março de 2009), de maneira que era pouco provável que o Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de credor do crédito tributário, concordasse imediatamente com a substituição processual sem antes realizar uma análise mais aprofundada da reorganização societária e capacidade financeira das empresas envolvidas. Não concordo com as alegações da recorrente. Os fatos que supostamente ensejariam a responsabilidade por sucessão da recorrente seriam os aumentos de capital com a transferência dos estabelecimentos afetados à atividade com o lubrificante, que ocorreram durante o anocalendário de 2008. A alienação da Chevron Brasil LTDA para o Grupo Ultra em nada afeta a demonstração da subsunção dos fatos ocorrido em 2008 ao disposto no artigo 133, inciso I do CTN. Registro que a decisão do Ministro Marco Aurélio ocorreu em 30 de maio de 2009. Entretanto, em que pese a decisão desfavorável, a recorrente efetuou os pagamentos relativos aos Autos de Infração de ICMS, objeto de glosa no presente lançamento, por conta e risco, no período de 28/09/2009 a 29/10/2010. A recorrente ainda cita decisão favorável a sua defesa, da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro prolatada em setembro/2014, que analisou o requerimento de reconhecimento de responsabilidade tributária, envolvendo os Autos de Infração de ICMS, nº 01.500890 (glosa das despesas com fiança bancária estabelecimento situado a Rua Silésia, nº 3501, Campos Elíseos) e nº 01.0018653. A recorrente traz o seguinte trecho da citada decisão: Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.061 19 Ocorre que a recorrente trouxe apenas parte da decisão que seria, aparentemente, mais favorável a sua tese. Entretanto, da leitura da decisão, acostada aos autos às fls. 2.942/2.949, a conclusão é que restou afastada a responsabilidade por sucessão, prevista no artigo 133 do CTN, como demonstrado a seguir: Ou seja, do parecer que fundamentou o Recurso Extraordinário, em 2009 até 2014, a Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro não se convenceu de que teria ocorrida a sucessão da responsabilidade, prevista no artigo 133 do CTN. Tanto que assim concluiu seu parecer: Sendo estas as considerações cabíveis, encaminho o presente à superior consideração rogando: a) autorização para, afastando a caracterização de sucessão, reconhecer a responsabilidade tributária solidária entre à requerente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA e sua sócia majoritária CHEVRON BRASIL LTDA pelos débitos consubstanciados nas CDAs nº 2002/0064539 e 2007/2761487, sem olvidar que, após a autorização, deverá esta Especializada promover as devidas anotações nas mencionadas CDAs, informando ao Procurador responsável pelas Execuções Fiscais para devida comunicação em juízo; Acatando a análise da Procuradoria da Dívida Ativa do Estado do Rio de Janeiro, a decisão foi de "autorizar o reconhecimento de responsabilidade tributária solidária entre a Requerente CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA e sua sócia majoritária CHEVRON BRASIL LTDA pelos débitos consubstanciados nas CDAs nº 2002/0064539 e 2007/2761487, cabendo à Procuradoria da Dívida Ativa promover as devidas anotações nas mencionadas CDAs. " Mais uma vez é importante destacar a cronologia dos fatos. A decisão autorizando o reconhecimento da responsabilidade solidária, reprisese, não por sucessão, só ocorreu em 25 de setembro de 2014, e tão somente para o Auto de Infração nº 01.500890, lavrado no único estabelecimento comercial que foi incorporado pela recorrente com o aumento de capital, situado na Rua Silésia, nº 3501, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Nestes termos, a conclusão do auditor fiscal é irretocável tanto no TVF quando no relatório de diligência, pois os pagamentos ocorridos entre 28/09/2009 a 29/10/2010, relativos às despesas glosadas, a recorrente os fez por mera liberalidade, em função de inexistência da responsabilidade por sucessão ou qualquer outro vínculo que a tornasse parte do pólo passivo da obrigação tributária estabelecida naqueles autos de infração. Logo, são despesas indedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99. Fl. 4070DF CARF MF 20 Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à infração da glosa das despesas não necessárias. Da glosa das despesas não comprovadas Analisaremos cada item desta infração, abaixo discriminados: Data Conta Descrição Valor R$ 1 31/12/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 232.497,18 3 30/11/09 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 203.892,99 4 31/10/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 199.390,47 5 28/02/10 725838070AD DO OUTRAS DIVERSAS 195.903,88 TOTAL 831.684,52 Item 1 Despesa de reclassificação entre contas de despesa, no valor de R$ 232.497,18. Acerca desta despesa, consta no TVF que, tendo em vista os documentos apresentados, indicariam se tratar de ajuste feito envolvendo vários anoscalendário, sem que tenha ocorrido qualquer explicação por parte da então fiscalizada. Em sua defesa, a recorrente confirma tratarse de ajuste contábil feito em 31/12/2010, com débito em conta de despesas diversas nº 725838 e crédito em conta de ativo OPEB nº 701270, que seria a diferença entre o valor atribuído ao citado ativo e o seu resultado. Alega que este ajuste não foi considerado como dedutível, não figurando, portanto, como adição/exclusão para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Aduz que caberia ao julgador a quo solicitar maiores informações ao agente fiscal sobre essa glosa, pois todas as informações relativas a esse assunto constam do SPED. Para demonstrar o valor ajustado, consta nos autos, às fls. 1.551, o demonstrativo a seguir, apresentado durante a ação fiscal: Da análise das informações prestadas pela recorrente, é possível constatar inconsistências. No recurso voluntário, esclarece que, para o acerto, fez lançamento à débito em conta de despesas diversas ( nº 725838), mas que não teria afetado na adição/exclusão para fins de apuração do IRPJ/CSLL. Não entendo como isso, contabilmente, seria possível, pois o lançamento a débito em conta de despesas (resultado) reduzirá o lucro líquido, devendo o Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 11052.720005/201477 Acórdão n.º 1302003.094 S1C3T2 Fl. 4.062 21 mesmo valor ser adicionado para anular seus efeitos, fato que a recorrente categoricamente negou ter feito. Por outro lado, esclarece que o ajuste ocorreu na conta de Ativo OPEB nº 701270. Entretanto, o demonstrativo apresentado durante a fiscalização aponta que a diferença envolveria as contas nº 273105 e 273106. Diante dos esclarecimentos inconsistente, concluo que a glosa da despesa no valor de R$ 232.497,18 deve ser mantida. Itens 3, 4 e 5 Royalties. Segundo a recorrente, as despesas de R$ 203.892,99, R$ 199.390,47 e R$ 195.903,88 seriam reembolsos pagos a empresa do grupo, Chevron Products Company, responsável pelo pagamento de royalties em virtude de contrato de cessão de direitos comerciais firmado com a Nippon Oil Comporation. Para comprovar sua defesa, apresentou o contrato original (2.520/2.539) e traduzido (2.787/2.899) firmado entre a Nippon Oil Comporation e a Chevron Products Company (CPC), bem como os invoices dos pagamentos. Consta no contrato, item B4. Concessão de Licença, subitem (ii) que o Licenciado não poderá sublicenciar a qualquer terceiro, inclusive suas filiais, qualquer direito de licença atribuída ao Licenciado nos termos deste instrumento, e não deve tentar ou esforçarse para conceder tal direito ou licença, sem a prévia autorização escrita do Licenciante. Nas definições dos termos usados no contrato, Artigo A, filial significa qualquer outra pessoa, direta ou indiretamente controladora ou controlada ou sob controle comum direito ou indireto com essa determinada pessoa, incluindo empresamatriz da tal pessoa especificada. Ou seja, os termos acordados no contrato firmado entre a Nippon e a CPC não permite qualquer sublicenciamento para terceiros, ainda que mesmo grupo. Logo, o reembolso das despesas com royalties, pagos a CPC, não tem qualquer respaldo. Não consta sequer, nos autos, um comunicado ou acordo entre a recorrente e a CPC neste sentido. Pelo exposto, concluo que a glosa destes valores deve ser mantida. A Impossibilidade da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio Por fim, a recorrente contesta a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Fl. 4072DF CARF MF 22 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. Logo, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 4073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.938966/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.938966/2009-53
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900046
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.443
nome_arquivo_s : Decisao_10880938966200953.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880938966200953_5900046.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7414024
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869215264768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.938966/200953 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.443 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente BRACOL HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 89 66 /2 00 9- 53 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.082,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 6 5 O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.938966/200953 Acórdão n.º 3402005.443 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008542/2002-96
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.008542/2002-96
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906335
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.167
nome_arquivo_s : Decisao_10880008542200296.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880008542200296_5906335.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7437545
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869234139136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 183 1 182 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.008542/200296 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.167 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria LUCRO REAL Recorrente ITAESBRA INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 0047440 às fls. 0919, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$151.265,09. Em relação ao 3º trimestre de 1997 consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800243171 o débito no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 85 42 /2 00 2- 96 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 184 2 R$133.134,66 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2917, apurado com base no lucro real. No que se refere ao 4º trimestre de 1997 consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800243198 o débito no valor de R$18.130,43 a título de multa de ofício isolada, código de receita 6378. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 27 e 32 DL 5844/43; ART 6 E PARS DL 1598/77; ARTS 25 E 36 (C/ALT ART 1 L 9065/95) L 8981/95 COMB C/ ARTS 27, 29 E 30 L 9249/95); ARTS 1 E 3 E PARS 1 E 2 (C/ALT ART 4 L 9430/96) E ART 25 E INCS (COMB C/ ART 1 L 9430/96) L 9249/95; ART 1 E PARS, ART 4, 5 e PARS 1, 2 E 4, ARTS 17, 58 e 60 L 9430/96. [...] FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA, conforme Anexo IV "DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR", em anexo. ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ARTS 43 E44 INCS I E II E PAR 1 INC II E PAR 2 L 9430/96. Consta no Despacho Decisório DERAT/SP nº 1296, de 19.09.2014, efls. 66 71: O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). 1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal à fl. 15. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 03 a 05, com seus argumentos de defesa. 3. Os demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 66 a 70 apresentam o resultado da análise do lançamento, sendo que o saldo remanescente apontado à fl. 70 prossegue para o julgamento da impugnação. 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 66 a 70. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 185 3 [...] RESUMO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LANÇADOS COM REVISÃO DO LANÇAMENTO [...] VALORES EM R$ DISCRIMINAÇÃO VALOR LANÇADO E IMPUGNADO VALOR IMPROCEDENTE SALDO REMANESCENTE Principal 49.582,76 44.018,33 5.564,43 Multa de Mora Vinculada 37.187,07 33.013,75 4.173,32 Multa de Mora Isolada 0,00 0,00 0,00 Juros de Mora Isolda 0,00 0,00 0,00 Multa de Ofício Isolada 18.130,43 0,00 18.130,43 TOTAL 104.900,26 77.032,08 27.868,18 Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 15ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1287.188, de 20.04.2017, efls. 8386: Ementa: PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovados o não pagamento ou o pagamento a menor de tributo, revelase cabível a exigência de ofício. AUDITORIA INTERNA. DCTF. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. Com a entrada em vigor da Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n. º 9.430/96, não há mais sustentação legal para a exigência da multa de ofício isolada. Inteligência do art. 106 do CTN, que determina a aplicação a ato pretérito não definitivamente julgado a lei que deixe de definilo como infração ou lhe comine penalidade menos severa. Impugnação Procedente em Parte [...] Notificada em 12.05.2017, efl. 90, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.06.2017, efls. 9395, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação a parte litigiosa, diz que: Na decisão recorrida, o douto julgador reconheceu parcialmente o recolhimento dos débitos, mas acatou o parecer, fls. 66/71, o qual apontou diferença existente ainda de R$ 5.564,43. A recorrente não pode se conforma com a r. decisão ora recorrida, vez que constam nos autos os comprovantes de todos os valores apontados no auto de infração. Assim, é logicamente impossível a existência de diferença quando há o cotejamento entre os valores apontados no auto de infração e os valores recolhidos por meio de DARFs. Explicando melhor, basta que o nobre relator faça o cotejo entre os valor informado no auto de infração e o valor recolhimento pela recorrente para que se tenha certeza do cumprimento da obrigação tributária, gerando divergência no encontro de contas devido ao fato de erro de preenchimento da DCTF do período, mas solucionado mediante o competente envelopamento. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 186 4 No que concerne ao pedido conclui que: Por estas razões de fato, a recorrente requer a reforma da decisão recorrida para reconhecer o pagamento integral dos valores apontados no auto de infração É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda da diferença em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 1997 no valor principal de R$5.564,43 apurado com base no lucro real. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 187 5 Instrução Normativa SRF No 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 14, art. 15 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Analisando a Planilha de Valores Alocados na Análise da Impugnação, fls. e 6670, temse que: PAGAMENTOS ALOCADOS NA ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO VALORES EM R$ CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO AI DADOS DO PAGAMENTO PA REC DT VENC VALOR NÚMERO RECEITA PA DT VENC DT ARREC VALOR PRINC/MULTA/JUROS VALOR UTILIZADO PRINC/M/J TIPO ALOCAÇÃO 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1569636698 0220 30/09/1997 31/10/1997 31/10/1997 16.527,59 16.527,59 MANUAL 0,00 0,00 0,00 0,00 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1597261758 0220 30/09/1997 28/11/1997 28/11/1997 16.527,59 16.527,59 MANUAL 0,00 0,00 165,28 01 07/1997 2917 31/10/1997 49.582,76 1619212318 0220 30/09/1997 29/12/1997 22/12/1997 16.527,59 10.963,15 MANUAL 0,00 0,00 667,71 0,00 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 188 6 Verificase que do total do pagamento no valor de R$17.195,29 de IRPJ nº 16192123188, receita nº 0220, recolhido em 22.12.1997 somente foi alocado para extinção do tributo do período de apuração de novembro de 1997 nos presentes autos o valor de R$10.963,15, conforme consta detalhado nos sistemas internos da RFB Consulta Dados de Pagamento, efls. 5960. Consta Acórdão da 15ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1287.188, de 20.04.2017, e fls. 8386, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): O trabalho da revisão fiscal identificou todos os recolhimentos de Darf que pudessem ser alocados aos débitos lançados. Desse trabalho resultou a confirmação da disponibilidade de parte dos pagamentos defendidos, precisamente R$ 44.018,33. A outra parte já estava alocada a débito estranho ao processo. Consultas efetuadas nos sistemas desta Secretaria permitem concluir que o resíduo de débito permanece sem adimplemento. Assim, fiandome no parecer da autoridade lançadora, entendo que o interessado não elidiu totalmente a imputação de falta de pagamento lançada nestes autos. Dessa forma, voto pela procedência desse débito remanescente de R$ 5.564,43, a ser acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios. Diversamente do que consta no recurso voluntário, da Recorrente está sendo exigido corretamente o IRPJ devido conforme Demonstrativo de Débito, efl. 88: AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM 14/5/2002 IRPJ DÉBITO Acésc Receita PA/EX Período Expr. Principal Multa Red. Legal Mon Vencimento Saldo Vencimento Valor Referencial Multa Saldo Multa 2917 03/1997 TRIMESTRAL REAL 31/10/1997 5.564,43 11/07/2002 5.564.43 75,00% 4.173,32 30% O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. No presente caso a Recorrente não comprova sua alegação. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.008542/200296 Acórdão n.º 1003000.167 S1C0T3 Fl. 189 7 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13737.000804/2007-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
Numero da decisão: 1003-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13737.000804/2007-21
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906326
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.158
nome_arquivo_s : Decisao_13737000804200721.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 13737000804200721_5906326.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7437536
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869242527744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13737.000804/200721 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.158 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente COOP. CRÉDITO RURAL DE RIO BONITO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 7. 00 08 04 /2 00 7- 21 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1220.603, de 22 de agosto de 2008, da 5ª Turma da DRJ/RJOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 04/12/2007, a Recorrente apresentou impugnação contra Auto de Infração fls. 10, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa ao 1º/trimestre/2005. A DRJ/ RJOI analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que a decisão da DRJ incorreu em erro, visto que se deveria levar em consideração o fato das declarações terem sido protocoladas independentemente de qualquer diligência fiscal e, por isso, deve vigorar a denúncia espontânea. (ii) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e, por conseguinte, o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias a destempo está abrigado pelo art. 138 do CTN, o qual esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea. (iii) por fim, requereu a anulação do auto de infração contestado. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 4 3 DA DECADÊNCIA A Recorrente defende em seu Recurso Voluntário que parte do valor lançado pela autoridade fiscal havia sido alcançado pela decadência e são, por conseqüência, indevidos. Em suas razões de recurso, a mesma contesta o fato da utilização do art. 173, I do CTN, defendendo ser a matéria regulada pelo art. 150, $ 4º do mesmo diploma legal. Para esclarecer a questão, fazse oportuno analisar as modalidades de lançamentos tributários, quais sejam: de ofício, por declaração e por homologação. Para a solução do presente litígio, vamos analisar apenas os lançamentos de ofício e por homologação. O lançamento de ofício é aquele no qual a autoridade administrativa, independente de existir qualquer tipo de autuação ou participação do sujeito passivo, verifica se está presente a ocorrência do fato gerador, ele mesmo determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo, identifica o sujeito passivo e, se este for o caso, sugere a aplicação da penalidade cabível. O lançamento por homologação, por sua vez, é quando o próprio sujeito passivo informa a existência do fato gerador, calcula o tributo e efetua o pagamento, sem que a autoridade administrativa tenha praticado qualquer ato. A essa caberá apenas verificar a correição do pagamento e efetuar o lançamento tributário. O fisco possui prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, fato que ocorre com a notificação do lançamento ao sujeito passivo da obrigação tributária. A contagem do prazo de decadência dependerá do tipo de lançamento tributário, isso porque o dies a quo para a contagem do prazo decadencial pode ser verificado nos artigos 173 e 150, $4º do CTN. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação obedecem a regra do art. 150, $4º do CTN, enquanto os tributos com lançamento de ofício sujeitamse à regra do art. 173, I do CTN. No caso dos presentes autos, não restam dúvidas que estamos diante de lançamento de ofício, visto que o ente público se valeu unicamente das informações armazenadas nos seus sistemas, não havendo a necessidade de qualquer informação por parte do sujeito passivo. A multa pelo atraso na DCTF se configura a partir da ausência de entrega da declaração até o último dia do prazo. A partir do dia seguinte a data final para entrega já incide a multa independente de qualquer informação por parte do sujeito passivo. Segundo o art. 173, I, do CTN o prazo começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte à prática do fato gerador, para a modalidade de lançamento de ofício (art. 149 do CTN). No caso dos presentes autos, a empresa praticou o fato gerador da aplicação da multa para o primeiro semestre do anocalendário de 2005. O prazo decadencial para a constituição do crédito começa a contar, então, a partir do dia 1º (primeiro) dia de janeiro do ano de 2006, exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O prazo decadencial tem seu termo final em 31/12/2011. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 5 4 Na hipótese de lavratura de auto de infração AI, podese afirmar que o crédito tributário estará constituído somente a partir do momento em que o sujeito passivo autuado toma ciência do referido AI, isto é, com a consumação do ato de lançamento pela sua notificação regular (CTN, art. 145). No presente caso, a data da ciência do AI foi 06/11/2007 (fls. 28), anterior, portanto, ao termo final da decadência. Isto posto, rejeito a arguição da decadência. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Quanto a análise da denúncia espontânea, a Recorrente declara ter cumprido espontaneamente a falta de apresentação da DCTF antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e defende que o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias está abrangido no art. 138 do CTN. Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar a existência de denúncia espontânea para o caso em análise. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. O STJ já se posicionou sobre o assunto e, em decisão unânime da 1ª Turma, o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Oportuno transcrever o partes do voto do relator, Min. José Delgado: A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadds. .. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Elas se impõem' como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13737.000804/200721 Acórdão n.º 1003000.158 S1C0T3 Fl. 6 5 administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Não obstante os fundamentos acima expostos, o CARF também já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da Súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Em suma, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Isto posto, voto por não acolher a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10148.001251/2008-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO.
Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2002-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campelo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10148.001251/2008-56
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904947
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.278
nome_arquivo_s : Decisao_10148001251200856.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10148001251200856_5904947.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campelo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7430811
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869264547840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 60 1 59 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10148.001251/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.278 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA HELENA RODRIGUES CUNHA SEPULVEDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios tem isentos do Imposto de Renda seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, do mês de emissão do laudo ou parecer que reconheça a moléstia, se esta for contraída após a concessão do benefício, ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campelo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 12 51 /2 00 8- 56 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 61 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 12/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2005. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$10.324,49 para R$2.584,90. A notificação consigna a omissão de rendimentos, recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores Militares de MG, no valor de R$54.005,45. Impugnação Cientificada à contribuinte em 6/8/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 19/8/2008, à fl. 2/18 dos autos, na qual a contribuinte alegou que os rendimentos seriam isentos por ser ela portadora de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que comprovaria a situação relatada. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 42/48): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do IRPF alcança as pensões e proventos de aposentadoria e reforma recebidos por pessoas portadoras de doença grave listada em lei, não se estendendo tal beneficio a casos de moléstia não contemplada na legislação tributária de regência. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/1/2009 (fl. 52), a contribuinte apresentou relatório médico de fl.54. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.36). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 62 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Da análise dos autos, constatase que, após a ciência da contribuinte da decisão a quo, consta tão somente a anexação ao presente do relatório médico de fl.54, sem a data de recebimento. Não obstante, constatase que o carimbo relativo à numeração de fls. do processo em papel demonstra que ao Aviso de Recebimento foi atribuída a numeração 26 e, em seguida, vem o relatório médico constando como fl.29. Depreendese que, por ocasião da digitalização do processo em papel, ocorreu um erro que acabou por não incluir parte do recurso da contribuinte. Não obstante, nesta sessão de julgamento, estão em julgamento outros três processos de interesse da contribuinte, também julgados em conjunto pela DRJ e para os quais a contribuinte apresentou recursos na mesma ocasião e de igual teor. Assim, entendo desnecessário remeter os autos à Unidade de origem para saneamento dos autos e informação quanto à ciência da recorrente, sendo de se utilizar os elementos dos outros três processos, de forma a não postergar ainda mais a decisão destes autos. Registrese que se trata de processo formalizado no ano de 2008 e que, dez anos depois, ainda não foi dada uma resposta ao pleito da contribuinte. Dessa forma, entendo que é de se considerar que o recurso foi apresentado tempestivamente e atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo seu conhecimento. Mérito A teor da legislação de regência, reproduzida na decisão de piso, para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, devem concorrer, concomitantemente, dois requisitos: a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, exigese que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 63 4 No caso, a decisão de piso considerou que nenhum dos dois requisitos foi atendido: A contribuinte não trouxe à colação documentação hábil capaz de comprovar a data de concessão de sua pensão ou aposentadoria, conforme for o caso. Tal fato, por si só, já seria suficiente para indeferir o pleito passivo. Como segunda condição acima mencionada, há que restar comprovado ser a contribuinte portadora de uma das doenças previstas no texto legal. Para tanto, trouxe a requerente o Relatório Médico fornecido por médico do Hospital Escola Universidade Federal do Triângulo Mineiro Uberaba MG, dando conta de que a Sra. Maria Helena Rodrigues Cunha Sepúlveda (ora notificada) "Encontrase em tratamento desde 1999 e portadora de doença de Alzheimer CID: G30.1 (doença não passível de cura)." Sem imiscuirse na validade de tal Relatório Médico para o fim pretendido pela peticionária, em face dos ditames do §4°, do art. 39, do RIR/99, temse que, efetivamente, o diagnóstico de Mal de Alzheimer, por si só, não gera direito à isenção de que trata o já mencionado art. 39, XXXIII, do RIR199, tendo em vista não constar expressamente dentre as doenças graves lá relacionadas. Entretanto, há de se alertar a existência de situações em que é atestada a presença de alienação mental, ainda que decorrente do Mal de Alzheimer, estando tal alienação presente na lista de doenças graves que dão direito à isenção do imposto, devendo este diagnóstico ser comprovado mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que, na espécie, também não ocorreu. (destaques acrescidos) Como já tratado neste voto, consta dos autos somente o relatório médico de fl.54, mas, nos outros três processos da contribuinte, foi apresentada declaração expedida pelo Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais, informando ser ela pensionista daquele instituto desde 17 de abril de 1991, conforme reprodução abaixo: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 64 5 Dessa feita, resta comprovado que os rendimentos decorrem de pensão. O Relatório Médico expedido pelo Hospital Escola da Universidade Federal do Triângulo Mineiro indica ser a contribuinte portadora de Doença de Alzheimer desde 1999 com alienação mental e que necessita de ajuda contínua para realizações de atividades da vida diária (fl.54). Filiome à corrente que considera que o mal de alzheimer é moléstia que se insere na expressão "alienação mental", estando, portanto, dentro do rol das moléstias previstas em lei, conforme inclusive indica o novo laudo juntado por ela. Nesse sentido, seguem ementas de julgados emanados do CARF e da CSRF: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 65 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL ISENÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1955. Nos casos de alienação mental é possível considerarse como laudo pericial emitido por serviço médico oficial o laudo do médico perito designado pelo Juízo no curso de ação judicial de interdição, desde que conste a data inicial da doença. Havendo nos autos laudos médicos confirmando de que o contribuinte é portador do chamado Mal de Alzheimer e que o quadro clínico apresentado caracteriza sua alienação mental, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992. (Acórdão nº 220201.708, de 14 de março de 2012) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão.. (Acórdão nº 9202005.441, de 23 de maio de 2017) Quanto à entidade emissora do laudo, tratase de hospital universitário e de ensino, pertencente a estrutura de pessoa jurídica de direito público e, portanto, dentro do conceito de serviço médico oficial. Assim, restando comprovado que a recorrente cumpriu os preceitos legais para a obtenção de isenção do IR sobre os rendimentos de sua pensão, é de se cancelar a omissão apontada na autuação. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10148.001251/200856 Acórdão n.º 2002000.278 S2C0T2 Fl. 66 7 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
