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Numero do processo: 10166.722082/2016-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Somente são dedutíveis as despesas efetuadas que tenham como beneficiário o contribuinte ou seus dependentes.
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score : 1.0
Numero do processo: 11634.000207/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
CIDE-ROYALTIES. REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO.
Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior.
Numero da decisão: 9303-007.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 CIDE-ROYALTIES. REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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REMESSA. EXTERIOR. PAGAMENTO. SOFTWARE. USO. LICENÇA. INCIDÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO. Inexiste amparo legal para se excluir da base de cálculo da CIDE o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados e/ ou remetidos a residentes/domiciliados no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 07 /2 00 9- 91 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 745 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3102002.141, de 25 de fevereiro de 2014, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso de voluntário, nos termos das ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador quando não houver transferência de tecnologia, determinada pela Lei 11.452/07, não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a regra entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2006. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 746 3 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSSUP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, requerendo a sua reforma a fim de que seja reconhecida a não incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, alegando, em síntese, a inocorrência do fato gerador da contribuição pelo fato de não ter havido transferência de tecnologia pelos fornecedores; alegou ainda a indevida inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na base de cálculo da contribuição por falta de amparo legal. Por meio do despacho do Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 697e/700e, o recurso do contribuinte foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção da decisão recorrida, alegando, em síntese, que, no presente caso, a contribuição é devida nos termos dos arts. 1 e 2º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000, sem a necessidade de transferência de tecnologia pelos fornecedores, citando a Solução de Consulta Cosit nº (DOU de 18/5/2006) e a decisão do TRF da 3ª Região, na Apelação nº 2002.61.00.0252771/SP, bem como jurisprudência administrativa; quanto à inclusão do IRRF, na base de cálculo da contribuição, alega que está de acordo com o disposto no art. 2º da Lei nº 10.168/2000, tendo em vista que esse dispositivo define como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos, a titulo de royalties ou da contraprestação de serviços, o que implica considerar o valor bruto. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, em parte, ou seja, da matéria que não foi objeto de ação judicial. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 747 4 A matérias em litígio abrangem (i) a incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte e (ii) a inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição. Do exame dos autos, verificase que a CIDE, objeto do lançamento em discussão, foi também objeto de ação judicial MS 2004.51.01.0040563, inclusive, o crédito tributário foi constituído sem o lançamento da respectiva multa de ofício, conforme se verifica do auto de infração às fls. 317e, do Termo de Verificação Fiscal às fls. 313e. Também, o contribuinte, na impugnação às fls. 330e/331e, bem como no recurso voluntário às fls. 462e, reconheceu que a matéria tributada foi objeto daquela ação judicial, inclusive, informa que efetuou depósitos judiciais dos valores lançados e exigidos. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo CARF por meio da Súmula nº 01, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, por força no disposto no art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, obrigatoriamente, aplicase esta súmula ao presente caso. Também, em face do disposto no art. 72, daquela portaria, o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido, quanto à incidência da CIDE, objeto do lançamento em discussão. Remanesce todavia, a análise e julgamento da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, matéria que não foi objeto da referida ação judicial A CIDE foi criada e regulamentada pela Lei nº 10.168/2000 que assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 748 5 bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...). § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001." Ao contrário do entendimento do contribuinte, a base de cálculo da CIDE, segundo o § 3º do art. 2º, da Lei nº 10.168, de 2000, citado e transcrito acima, é o valor pago, creditado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. Do exame das normas legais que tratam desta contribuição, não encontramos quaisquer dispositivos que determinam e/ ou permitam a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. Também este é o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) externado por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº de 13 de outubro de 2004, que assim dispõe: “Art. 1º As disposições do Regulamento de Melbourne, trazidas pelo Tratado de Melbourne, celebrado em 09 de dezembro de 1988, não foram legitimamente incorporadas ao Direito Brasileiro, não tendo eficácia no País no tocante ao Imposto sobre a Renda e à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidentes sobre as remessas efetuadas por empresas de telecomunicações pela prestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no País, ou em chamadas de longa distância nacional, em circunstâncias em que haja a utilização de redes de propriedade de não domiciliadas no Brasil. Art. 2º É devido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, à alíquota de 15%, e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), à alíquota de 10%, sobre o total dos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos às empresas de telecomunicações domiciliadas no exterior, a título de pagamento pela contraprestação de serviços técnicos realizados em chamadas de longa distância internacional, iniciadas no Brasil, ou a chamadas de longa distância nacional, em que haja a utilização de redes de propriedade de empresas congêneres, domiciliadas no exterior. Art. 3º A base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da Cide, incidentes nas hipóteses previstas no art. 2º, é o valor total da operação, ainda que não sejam as remessas integralmente enviadas ao exterior, e não apenas o saldo líquido resultante de encontro de contas envolvendo débitos e créditos entre o tomador e o prestador dos serviços. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 749 6 Art. 4º Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços técnicos de telecomunicações que sejam pagos, creditados, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados em países com os quais o Brasil mantenha tratados para evitar a dupla tributação (regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro) estão sujeitos ao tratamento específico neles constantes.” Ressaltamos ainda que, por meio da Solução de Divergência nº 17, a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) da RFB, solucionou a divergência até então existente sobre esta questão, assim decidindo: “BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF.” Dessa forma, independentemente de quem assumiu a responsabilidade pela retenção/pagamento do IRRF, a base de cálculo da CIDE é o valor bruto pago e/ ou creditado ao residente/domiciliado no exterior. À luz do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte, quanto à incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de royalties sobre licença de uso de software, serviços de manutenção, atualização e suporte, matéria objeto de ação judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11634.000207/200991 Acórdão n.º 9303007.067 CSRFT3 Fl. 750 7 Fl. 775DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925302/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 02 /2 01 6- 18 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.508. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.925302/201618 Acórdão n.º 3301004.927 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736682/2011-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES.
Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado.
Numero da decisão: 9202-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202-005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES. Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202-005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. ARGUMENTOS EM CONTRARRAZÕES. Os Embargos constituem remédio recursal cabível nos casos em que o acórdão não se manifesta sobre ponto que tenha sido argüido oportunamente pelas partes. Na hipótese, os argumentos contrários ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, oferecidos pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, não foram devidamente enfrentados, o que demanda a integração do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202 005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 82 /2 01 1- 83 Fl. 1346DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar omissão, face ao acórdão 9202005.708, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Contribuinte apresentou a impugnação, contudo, a 13ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 347/360, julgou totalmente procedente o lançamento. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 363/386, e, às fls. 595/609, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial contra o Acórdão do CARF, às fls. 614 a 625, no sentido de que prevalecesse o entendimento de que deveria ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009. Igualmente o Contribuinte apresentou Recurso Especial, às fls. 640/663, para que restasse reanalisado o entendimento sobre exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. Às fl. 1019/1042, o Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da União. No Acórdão nº 9202005.708, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, 29/08/2017, às fls. 1075/1096, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 1107/1118, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de que, embora mencionada no relatório, a preliminar arguida em sede de contrarrazões não foi enfrentada pelo voto vencido acerca do conhecimento do apelo da União. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 10 3 Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 1341/1345, retornando os autos para novo julgamento. Os citados itens, que no entender do Contribuinte não teriam sido enfrentados, têm o seguinte conteúdo: "2.1. Como visto no presente caso, o ACÓRDÃO RECORRIDO analisou autos de infração em que foram exigidas (i) multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com base no que dispunha o art. 35 da Lei no 8.212/ 91, com a redação dada pela Lei nº 9.816/99, e (ii) multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), com fundamento no que dispunha o art. 32, IV, §5º, da Lei nº 8.212/9L, com a redação dada pela Lei nº 9.528/91. 2.2. Em face do disposto no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, segundo o qual a 1ei aplicase a ato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa, o ACÓRDÃO RECORRIDO concluiu que ambas as multas devem ser recalculadas da seguinte forma: (i) no que diz respeito a multa moratória exigida pelos AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, ela deve ficar limitada ao percentual de 20%, nos termos do art. 35 da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, 9.430/96, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/96; (ii) no que diz respeito a multa isolada exigida pelo AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, ela deve ser comparada e reduzida (se mais ben6fica) conforme o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei no 11.941/09. 2.3. PeIa leitura do recurso especial da Fazenda Nacional, verificase que e1a apenas se insurgiu, de forma clara e específica, contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que determinou que a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória fosse recalculada, se mais benéfica, nos termos do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. 2.4. Isso porque a Fazenda Nacional sequer menciona em seu recurso especial o art. 61 da Lei nº 9.430/96 que, combinado com o art. 35 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, prevê que a multa de natureza moratória deve ficar limitada ao percentual de 20%. 2.5. Notese, ainda, que: (i) o fundamento suscitado pelo recurso especial fazendário foi o de que o ordenamento jurídico pátrio rechaçaria a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, pelo que o art. 32A da Lei no 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, não poderia ser aplicado ao caso concreto, já que o descumprimento de obrigação acessória, quando acompanhado do descumprimento de obrigação principal, teria passado a ser punido pelo art. 35A da Lei nº 8,212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, que remete a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/00; e Fl. 1348DF CARF MF 4 (ii) todos os Acórdãos citados no recurso especial fazendário (quais sejam, Acórdãos nos 20601.782, 240100.127, 2402002.070, 2401 02.206, 2401 001.625 e 240101.552, sendo os dois primeiros coligidos como paradigmas) envolviam autos de infração em que se exigia multa isolada por omissão de informação em GFIP (obrigação acessória). 2.6. Portanto, o art. 61 da Lei específica contra a parte do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora exigida nos autos de infração nos 31 .342.7328 e 37 .342.7336 ao percentual de 20% (descumprimento de obrigação principal) e apenas cita Acórdãos do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes (CC) que envolviam o julgamento de auto de infração exigindo multa pelo descumprimento de obrigação acessória (GFIP), forçosa é a conclusão de que aquela parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO se tornou definitiva. 2.7. Mas, ainda que prevaleça o entendimento de que a Fazenda Nacional também recorreu da parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, o que se admite apenas para fins de argumentação, essa suposta parte do recurso especial não poderia ser admitida. 2.8. A época em que interposto o recurso especial fazendário, vigia o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 22 .06.2009 , que assim dispunha: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF". 2.9. O pressuposto para o conhecimento do recurso especial fazendário é a apresentação de acórdão proferido por outra Câmara, Turmas de Câmara ou pela própria CSRF que tenha dado ao mesmo dispositivo legal, interpretação contrária àquela conferida pelo ACÓRDÃO RECORRIDO. 2.10. Como visto acima, nos Acórdãos nos 20601.782 e 2401001.127, coligidos como paradigmas pela Fazenda Nacional., discutiuse, apenas autos de infração lavrados para exigir multa solada por descumprimento de obrigação acessória (omissão de informações em GFIP), com fundamento no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica nos seguintes trechos de seus relatórios e votos: (...) 2.11. Portanto, verificase que os Acórdãos coligidos como paradigmas nºs 20601.782 e 2401001 .127 não envolviam o julgamento de autos de infração exigindo multa de mora pelo descumprimento de obrigação principal, com fundamento no art. 35 da Lei no 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.876/99), tratase, repitase, autos de infração lavrados para exigir multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 9.528/97) . Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 11 5 2.12. Logo, ainda que se vislumbrasse do recurso fazendário, instauração de litígio contra a parcela do ACÓRDÃO RECORRIDO que limitou a multa de mora ao percentual de 20%, essa suposta e fictícia parcela do recurso não poderia ser admitida, por falta de demonstração de específica divergência jurisprudencial. 2.13. Registrese, neste particular, que a RECORRIDA tem conhecimento de que há divergência jurisprudencial específica sobre a matéria (limite do percentual da multa de mora nos casos envolvendo julgamento de auto de infração de obrigação principal, mas o fato é que nenhum desses precedentes foi citado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, não podendo esse fato ser ignorado em eventual exame de admissibilidade dessa suposta parcela do recurso especial". (destaques no original). O Embargante acrescentou, ainda, que “2ª Turma da CSRF parece ter reformado a parte do Acórdão nº 2301003.752 que limitou a multa de mora exigida pelos AUTOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ao percentual de 20%, já que afirmou que ‘a multa de mora prevista no art. 67 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de oficio’, em que pese o fato de essa matéria não ter sido objeto do recurso especial fazendário e, portanto, ter se tornado definitiva na esfera administrativa”. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o presente processo de três Autos de Infração: 37.342.7328; 31.342.7336 e 37.342.7344, relativos a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), efetuados pelo Contribuinte aos seus empregados, nos meses de fevereiro e agosto de 2007, em desconformidade com o art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2000, por não participação do sindicato nas negociações do respectivo Acordo de PLR. O Acórdão embargado deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte visa correção de omissão quanto às preliminares arguidas em sede de Contrarrazões ao Recurso Especial do Contribuinte. Assiste razão o embargante quanto a omissão apontada. Embora a relatora tenha se referido ao conhecimento o fez de modo demasiadamente sucinto. Contudo no que se refere as questões recursais que discutem tese jurídica tenho seguido o entendimento de que pequenas divergências são meramente acidentais e não Fl. 1350DF CARF MF 6 possuem o condão de elidir a divergência jurisprudencial entre o que foi provido na Turma ordinária e o que foi concedido pelo acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, adoto as razões do exame de admissibilidade: Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que em relação a infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal aplicável é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Aplicando aos DEBCAD relativos aos AIOP a multa prevista na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Em posicionamento diametralmente oposto, a então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção consideraram ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido. Assim, considero a informação prestada suficiente para corrigir a omissão apontada, contudo esta não altera o conteúdo material do voto e de seu dispositivo. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 9202005.708, de 29/08/2017, sem efeitos infringentes, mantendose inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202006.962 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 1352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726882/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
PLATAFORMAS. NATUREZA DE EMBARCAÇÕES
As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015.
REMESSA AO EXTERIOR. IRRF. ALÍQUOTA ZERO. CONTRATO COMPLEXO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS COM AFRETAMENTO.
É zero a alíquota de IRRF sobre remessa paga pagamento do afretamento de embarcações, quanto autorizado pela autoridade competente. O afretamento é a contratação de embarcação para transporte. O contrato de prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos, ainda que haja o emprego de equipamentos náuticos ou embarcações científicas, não caracteriza afretamento por não ter por objeto o transporte de pessoas ou cargas.
REMESSA AO EXTERIOR. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PAGAMENTO POR SERVIÇOS CIENTÍFICOS PRESTADOS. ROYALTIES. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Os pagamentos pelo uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico caracteriza royalties, nos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos celebrada entre o Brasil e a França. A Convenção autoriza a incidência do IRRF sobre o pagamento de royalties. Não há dupla tributação quando o valor do imposto retido no Brasil pode ser compensado com o imposto devido na França.
Numero da decisão: 2301-005.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), o qual reajustou seu voto proferido na sessão de 07/2018 para dar provimento ao recurso voluntário, Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(assinado digitalmente)
João Belinni Júnior- Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009 PLATAFORMAS. NATUREZA DE EMBARCAÇÕES As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. REMESSA AO EXTERIOR. IRRF. ALÍQUOTA ZERO. CONTRATO COMPLEXO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS COM AFRETAMENTO. É zero a alíquota de IRRF sobre remessa paga pagamento do afretamento de embarcações, quanto autorizado pela autoridade competente. O afretamento é a contratação de embarcação para transporte. O contrato de prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos, ainda que haja o emprego de equipamentos náuticos ou embarcações científicas, não caracteriza afretamento por não ter por objeto o transporte de pessoas ou cargas. REMESSA AO EXTERIOR. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PAGAMENTO POR SERVIÇOS CIENTÍFICOS PRESTADOS. ROYALTIES. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os pagamentos pelo uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico caracteriza royalties, nos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos celebrada entre o Brasil e a França. A Convenção autoriza a incidência do IRRF sobre o pagamento de royalties. Não há dupla tributação quando o valor do imposto retido no Brasil pode ser compensado com o imposto devido na França.
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NATUREZA DE EMBARCAÇÕES As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. REMESSA AO EXTERIOR. IRRF. ALÍQUOTA ZERO. CONTRATO COMPLEXO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS COM AFRETAMENTO. É zero a alíquota de IRRF sobre remessa paga pagamento do afretamento de embarcações, quanto autorizado pela autoridade competente. O afretamento é a contratação de embarcação para transporte. O contrato de prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos, ainda que haja o emprego de equipamentos náuticos ou embarcações científicas, não caracteriza afretamento por não ter por objeto o transporte de pessoas ou cargas. REMESSA AO EXTERIOR. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PAGAMENTO POR SERVIÇOS CIENTÍFICOS PRESTADOS. ROYALTIES. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os pagamentos pelo uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico caracteriza royalties, nos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos celebrada entre o Brasil e a França. A Convenção autoriza a incidência do IRRF sobre o pagamento de royalties. Não há dupla tributação quando o valor do imposto retido no Brasil pode ser compensado com o imposto devido na França. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 68 82 /2 01 3- 90 Fl. 1841DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), o qual reajustou seu voto proferido na sessão de 07/2018 para dar provimento ao recurso voluntário, Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) João Belinni Júnior Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado visando a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo ao ano calendário de 2009, incidente sobre remessa de valores ao exterior. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1036/1.047 verificouse que: A autuada celebrou 3 (três) contratos distintos com a empresa CGC Veritas Services S. A., sediada na França, sendo esta “Contratada” para a Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Prospecção Sísmica Marítima, com delimitação de área para exploração e determinação de embarcação a ser utilizada. Estes contratos estão vinculados a outros firmados com a Petrobrás, no qual a obrigação da autuada é de fornecer dados sísmicos 3D e 2D, na modalidade não exclusiva, relativos às mesmas áreas, e com utilização das mesmas plataformas. A autuada efetuou diversas remessas ao exterior para a empresa CGC Veritas Services S.A. relativas a afretamento, mas que se referiam aos contratos já mencionados. A autoridade fiscal concluiu que os citados contratos não tratam de afretamento, mas sim Contratos de Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Levantamento de Dados Sísmicos, sem transferência de tecnologia. O afretamento das embarcações é necessária para a execução dos serviços contratados, mas as mesmas foram transferidas pelo fretador ao afretador aparelhadas, Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.530 3 equipadas, tripuladas, e com todas as condições de navegabilidade e de uso para levantamentos dos dados sísmicos, ficando patente que o contrato é de prestação de serviços. Intimada a apresentar Autorização fornecida pela ANTAQ para afretamento de embarcações estrangeiras, necessária para obter a alíquota zero referente ao imposto de renda retido na fonte, conforme determina a Lei nº 9.481/97, a autuada afirma que não cumpre esta obrigação por força do art. 1º, §único, inciso V da Lei nº 9.432/97 a autuada ainda informou que faz jus ao benefício fiscal, considerando o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/97. O fiscal autuante concluiu, da leitura dos artigos 9 e 10 da Lei nº 9.432/97, que a autorização era desnecessária no caso de embarcação para pesquisa sísmica. Por outro lado, o artigo 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pelo art. 20 da Lei nº 9.532/97, reduziu a alíquota para zero do IRRF somente quando a embarcação tenha sido aprovada pelas autoridades competentes, no caso, a ANTAQ. A autoridade ainda afirma que, considerando a legislação, a alíquota zero se destina a serviços de transportes – marítimo, fluvial e aéreo, não se destinando a pesquisa sísmica. Também esclarece que o objetivo do benefício fiscal é desonerar do IRRF as remessas que atendam às necessidades das exportações brasileiras, em harmonia com a política de incentivo às exportações. Assim, considerando que o contrato trata de prestação de serviços, adicionado ao fato de que a embarcação se destina à pesquisa sísmica, a autoridade fiscal concluiu que a autuada é contribuinte do IRRF. Os valores pagos foram contabilizados na conta “Locações Meios Explorações”, sem qualquer desmembramento de qual parcela seria do afretamento e qual seria da prestação do serviço, corroborando para a natureza jurídica do contrato ser de Prestação de Serviços. Logo, o lançamento visa a constituição do crédito tributário do IRRF, com a aplicação da alíquota de 15% sobre as remessas ao exterior, com base no artigos 682, 685, inciso II, alínea “a”, 785, todos do RIR/99. A autuada apresentou sua impugnação em 19/08/2013, fls. 1.074/1.088, com as seguintes alegações: Que no regular desempenho de suas atividades, contratou a CGC Veritas Services S.A., empresa estabelecida na França, para afretamento de embarcações e prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima, sendo certo que remeteu numerário ao exterior para pagamento. Aduz que o objeto dos contratos celebrados com a CGC Veritas S.A. é complexo, sendo parte afretamento de embarcação e parte serviços técnicos especializados (knowhow da tripulação que opera a embarcação para verificação da coleta de dados sísmicos). Fl. 1843DF CARF MF 4 Reconhece que incide CIDE e IRRF sobre a cota financeira relativa aos serviços técnicos, e não na parcela referente ao afretamento da embarcação, sendo que o modelo do contrato permite a exata configuração do quantum é relativo a cada uma das atividades avençadas. Afirma que recolheu os tributos devidos sobre as remessas ao exterior em razão da realização dos serviços técnicos. Que não recolheu os tributos relativos a remessas ao exterior remunerando afretamento por não serem devidos. Diz constar nos contratos a cláusula quinta com a discriminação dos valores para o afretamento e para a prestação dos serviços, estes representando em torno de 20% do valor total. Que em todo contrato de afretamento de embarcação existe um elemento de serviços, por ser necessária a contratação da tripulação especializada na operação, mas fato este que não desconfigura a natureza de afretamento de embarcação, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Tratase de contrato com custo altíssimo, pois as embarcações, atracadas em território estrangeiro, devem se deslocar para a localidade de pesquisa, existindo poucas embarcações com equipamentos capazes de realizar pesquisas em águas profundas. O objeto social da autuada não se confunde com o objeto dos contratos firmados com a CGC Veritas Services S.A., que são somente parte das atividades. Sustenta que em qualquer ramo da economia é necessária a contratação de terceiros, para prestação de serviços ou fornecimento de insumos, correspondendo a custo do negócio. Que o custo do afretamento prepondera ao custo da prestação de serviços, sendo certo que recolheu IRRF sobre a parcela referente à prestação dos serviços, e indevidamente, pois a prestadora de serviços está amparada pela Convenção para Evitar Dupla Tributação. O auditor fiscal partiu de premissa equivocada de que não poderia firmar contratos de afretamento posto que fugiria do seu objeto social. Que nos termos do artigo 691, inciso I do RIR/99, a alíquota do IRRF é zero sobre rendimentos de residentes e domiciliados no exterior relativos a despesas de afretamento de embarcações marítimas. Esclarece que são apenas duas condições para que se aplique a alíquota zero: (1) receita de afretamento de embarcação marítima e (2) que tenham sido aprovadas por autoridades competentes. Que o conceito de embarcação deve ser considerado como tudo aquilo suscetível de locomover em água e ter capacidade de transportar pessoas ou coisas, definição que se alinha com a Lei nº 9.537/97, artigo 2º. Em que pese que a Lei nº 9.532/97 tenha adotado definição de embarcação com redação diferente daquela do projeto original, o seu conteúdo não difere da definição acima, não havendo qualquer restrição quanto à finalidade de transporte ou outra. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.531 5 As embarcações objetos dos contratos atendem à definição acima, fazendo jus ao benefício fiscal e não cabe ao julgador impor uma limitação à regra da lei quando esta não dispõe desta forma, ferindo o Princípio da Legalidade. Cita Acórdão de julgamento da DRJ, confirmado pelo CARF ao negar provimento ao recurso de ofício. Cita também entendimento em processo de consulta da 9ª Região da SRF. Argumenta que o auditor fiscal justifica o lançamento afirmando que o afretamento das embarcações em voga não estariam enquadrado no artigo 691 do RIR/99, pois a operação não precisa de aprovação da autoridade competente, no caso a ANTAQ. No entanto, estes requisitos não são aplicáveis às embarcações de pesquisa, fato reconhecido pela própria autoridade fiscal. Que ainda assim, a fiscalização se apegou à aprovação das autoridades competentes para negar a fruição do benefício. Defende que não há razões para a negativa do gozo do benefício da redução da alíquota do IRRF para zero, sobretudo porque não se está diante de uma regra absoluta, que, destarte, deve ser harmonizada com a legislação tributária. Trouxe documentos de autoridade competentes permitindo a navegação das embarcações, e realização das atividades de pesquisa, motivo pelo qual tem direito à fruição do benefício da alíquota zero. Que ainda partindo da premissa que os contratos seriam de prestação de serviços, também não caberia a cobrança do IRRF, pois o destinatário é empresa francesa, país com o qual o Brasil mantém em vigor tratado para evitar a dupla tributação. Assim, conforme artigo VII do Acordo Internacional existente entre Brasil e França, os lucros de uma empresa francesa só podem ser tributados na França. Afirma que mantendose o lançamento ocorrerá pagamento em duplicidade do mesmo rendimento auferido pela empresa estrangeira no Brasil e na França, o que deve ser rechaçado de plano, vez que estes rendimentos compõem o lucro da empresa francesa. Defende que, conforme doutrina de Alberto Xavier, estes rendimentos são classificados no artigo 7º da Convenção da OCDE (lucro), e não o artigo 21 (outros rendimentos). Que é incoerente tributar na fonte os valores recebidos por empresas francesas e ao mesmo tempo em que se reconhece que o lucro só é tributado na França, devendo ser aplicado o artigo 7º do tratado. Cita doutrina e ementa de julgado do STJ e TRF da 1ª Região. Requer o cancelamento da autuação tendo em vista que (1) cuida o contrato de afretamento de embarcação, onde não há incidência por força do artigo 691 do RIR/99 e (2) ainda considerando contrato de prestação de serviços, não há incidência do imposto de renda, por força da Convenção Brasil e França. Fl. 1845DF CARF MF 6 A DRJ julgou procedente o lançamento através do Acórdão 1262.150 5ª Turma da DRJ/RJ1, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NATUREZA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO IRRF. CABIMENTO. Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática. Dos fatos apontados nos autos, restou comprovado tratarse de contrato de prestação de serviços, no qual o afretamento da embarcação é o meio necessário para execução do objeto acordado. A existência de cláusula contratual com preços discriminados para o afretamento e o serviço não descaracteriza a natureza de prestação de serviços. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO PARA PESQUISAS. RETENÇÃO DO IRRF. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de usufruir a aplicação da alíquota zero na determinação do imposto de renda retido na fonte, é necessário que a finalidade da embarcação seja o transporte de cargas e pessoas. Embora as embarcações se locomovam na água, a atividade para a qual foram concebidas, no presente caso, é a de prospecção sísmica marítima para fins de pesquisa, com incidência do IRRF sobre as remessas ao exterior com alíquota de 15%. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO INAPLICABILIDADE PARA PAGAMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse à tributação do imposto de renda, de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem como que nas Convenções para Eliminar a Dupla Tributação da Renda das quais o Brasil é signatário esses rendimentos classificamse no artigo Rendimentos não Expressamente Mencionados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a autuada apresentou recurso a este conselho reiterando todas as alegações contidas na impugnação. É o Relatório Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.532 7 Voto Vencido Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre esclarecer que, quando do início do presente julgamento, na Sessão de 05 de julho de 2018, onde cheguei a ler o voto na íntegra, tinha o entendimento de que a autuação estaria correta e cheguei a declarar o voto pelo não provimento do recurso. Em razão das sustentações orais do Patrono da Recorrente, bem como da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, aos quais eu elogio pelo brilhantismo de seus argumentos, e ainda, pelas discussões abertas pelos conselheiros, que culminou com o pedido de vistas, acabei por realizar maiores estudos acerca do caso em concreto, fazendo com que tivesse uma nova conclusão para o presente caso, a qual peço vênia para trazer ao conhecimento deste colegiado. Do que se depreende dos autos, tratase de contratações em que a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos foi bipartida em dois “subcontratos”, um de afretamento e outro de serviços, envolvendo empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente. A maior parte do preço (em média 80%) é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior (20%) é atribuída aos serviços, sobre os quais a recorrente alega ter recolhido o IRRF correspondente. A recorrente advoga no sentido de que o objeto dos contratos celebrados com CGG Veritas S.A. sã complexos, sendo parte afretamento de embarcação e parte serviços técnicos especializados, não cabendo à fiscalização se imiscuir nessa qualificação. Aduz que se há uma parte que deve prevalecer sobre outra, o afretamento prevaleceria sobre os serviços, em face dos seus custos elevados. Já a fiscalização esclareceu que a autuada CGG do Brasil Participações Ltda celebrou três contratos distintos com a empresa CGG Veritas Services S/A, sendo esta contratada para a prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. A cláusula primeira de todos os contratos descreve o objeto da seguinte forma: o presente contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, com seus próprios recursos de pessoal, materiais e equipamentos de serviços técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D) na Plataforma Continental Brasileira, estimado em (...). Tais contratos são distintos apenas quanto à área de exploração e aos blocos do território brasileiro. Na mesma época, a Petrobrás firmou com a autuada (CGG do Brasil) contratos para aquisição de licenças de uso de dados sísmicos 3D e 2D, não exclusivos, em Fl. 1847DF CARF MF 8 áreas que são coincidentes com aquelas constantes dos contratos firmados entre a CGG do Brasil e CGG Veritas Services. Temos então que um contrato está vinculado ao outro. Para CGG do Brasil fornecer à Petrobrás os dados sísmicos objeto do contrato de licenciamento, necessita da empresa estrangeira do grupo, CGG Veritas Services, que tem o knowhow e equipamento para realizar a atividade. São comuns autuações onde a Petrobrás celebra contrato de prestação de serviço (de pesquisa sísmica, prospecção, perfuração, etc) com empresa brasileira, a qual recebe sua remuneração no mercado interno. A fiscalização tem considerando que o afretamento faz parte da prestação de serviços, e cominado tributação de IRRF e CIDE sobre a operação. Contudo, entendo caber razão à recorrente. Em caso bastante semelhante ao ora apreciado, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção, em 05/12/2017 proferiu o Acórdão 2401005.149 , dando razão ao contribuinte. Os fatos e fundamentos são tão similares ao caso em apreço que peço vênia para transcrever trechos do relatório e do voto que me convenceram a acompanhar o mesmo entendimento. Iniciemos com a Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano/calendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. EXAME DE DOCUMENTOS A arguição de nulidade do lançamento em relação aos contratos de prestação de serviço que não foram solicitados e nem examinados em sua profundidade pelo Auditor Fiscal diz respeito à questão de prova da verificação da ocorrência do fato gerador do IRRF. Referida matéria deve ser reservada ao exame do mérito de demanda. O lançamento foi fundamentado e o Fiscal delimitou a base de incidência tributária. Se existem inconsistências relevantes, elas serão analisadas por ocasião da apreciação do mérito. PLATAFORMAS. NATUREZA DE EMBARCAÇÕES As plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. COLIGAÇÃO DE CONTRATOS. BIPARTIÇÃO ARTIFICIAL. IRRF.ALÍQUOTA ZERO DAS REMESSAS A EMPRESAS ESTRANGEIRAS A TÍTULO DE AFRETAMENTO A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.533 9 e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97 com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Insubsistência da motivação do lançamento. TRIBUTAÇÃO DAS REMESSAS FEITAS A PARAISOS FISCAIS Correta a exigência do IRRF à alíquota de 25% no caso dos pagamentos a residentes em paraísos fiscais, conforme art. 8º da Lei nº 9.779/99. Agora transcrevo uma parte do relatório que se amolda perfeitamente à questão sob análise neste processo: (...) " 1. O objetivo do processo é apurar a possível incidência do imposto de renda retido na fonte sobre os pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás; 2. A autuada esclareceu que a maior parte da remuneração destes serviços se refere a afretamento e é destinada ao exterior, fazendo jus ao benefício da alíquota de IRRF reduzida a zero conforme previsto no artigo 691 do RIR/99; 3. Assevera que o artigo 8º, da Lei n° 9.779/99, determina a aplicação da alíquota de 25% quando o beneficiário da remuneração destes serviços for residente em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida; 4. O Ato Declaratório SRF n° 08, de 29/01/1999, esclarecia que a aplicação da alíquota zero só caberia para os contratos firmados até 31/12/1998, tendo sido esse Ato expressamente revogado pela IN SRF n° 252/2002; 5. O benefício da alíquota zero seria vinculado a quatro requisitos cumulativos: a. O pagamento tem que ser de frete, afretamentos, aluguéis e arrendamentos; b. O bem locado tem que ser necessariamente embarcação estrangeira ou aeronave; c. A operação tem que ser regular e autorizada por autoridade competente; d. O domicílio do beneficiário não pode ser em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida; Fl. 1849DF CARF MF 10 6. O artigo 2º, inciso V da Lei nº 9.537/97, define embarcação como sendo qualquer construção, inclusive plataformas flutuantes, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de locomoção na água, transportando pessoas ou cargas; 7. Cita autuação anterior em que restou consignado que as plataformas não se enquadram no conceito de embarcação e por isso não se beneficiam da alíquota zero prevista no artigo 1° da Lei n° 9.481/97; 8. Destaca que em outros lançamentos ocorreram situações onde foram firmados dois contratos, constando a PETROBRAS como contratante, sendo um de prestação de serviços com empresa brasileira (autuada naqueles lançamentos), e outro de afretamento com empresa estrangeira controladora da primeira. Do total desses contratos eram atribuídos o percentual de 90% ao contrato de afretamento e 10 % ao contrato de prestação de serviços. Entretanto, constatouse que o pagamento relativo à prestação de serviços era insuficiente para cobrir os custos destes, fazendo com que a controladora estrangeira retornasse à empresa nacional parte dos valores recebidos a título de afretamento sob a forma de aporte. Esses repasses foram tributados por se entender que tais pagamentos feitos à empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam remuneração pela prestação de serviços; 9. Foram solicitados detalhes das remessas ao exterior englobadas na Ficha 32 linhas 50 (Operações com o Exterior Importações não especificadas) e os contratos relativos aos afretamentos pagos a empresas estrangeiras, no ano/calendário 2008, informados na Ficha 32 da DIPJ; 10. Da análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços concluiuse que afretamento é parte secundária, integrante e inseparável dos serviços contratados; 11. Foram efetuados 3.119 pagamentos a 243 beneficiários, referentes ao afretamento de 567 unidades, no montante de cerca de nove bilhões de reais no ano de 2008, sem retenção de IRRF e sem recolhimento da CIDE; 12. Diante do volume dos pagamentos foram selecionados os beneficiários do quadro abaixo e intimada a autuada para apresentar os contratos de afretamento com os seus respectivos anexos e aditivos, bem como cópia dos invoices e Relatórios/Boletins de Medição; 13. Afirma que devido ao diminuto prazo disponível para conclusão do trabalho, o histórico de pedidos de prorrogação de prazo e ao risco de decadência de créditos tributários, optouse por não demandar os contratos de prestação de serviços vinculados ao segundo lote de afretamentos informados. 14. O simples teor dos contratos, apresentados no segundo lote, já seria suficiente para demonstrar que o modelo de contratação era semelhante ao do primeiro lote; 15. Após análise dos documentos, confirmouse que as contratações de prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, onde de um lado estava a PETROBRAS, como contratante, e do outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, atuando em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária; 16. O percentual maior do preço é pago pelo afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.534 11 CIDE, e o percentual pago pelos serviços no Brasil, tributado na fonte, encontrase em um patamar bem inferior ao do afretamento; 17. Quanto à repartição formal dos contratos, não há que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados; 18. Mesmo nos casos onde há somente pagamento de afretamento (ALASKAN STAR SS39, FALCON STAR SS45) o IRRF, no percentual de 25%, ainda seria devido uma vez que a empresa beneficiária está sediada em paraíso fiscal/país com tributação favorecida; 19. Assevera que as características dos contratos de afretamento e de prestação de serviços de cada unidade operacional apresentam vínculos que comprovam não serem eles autônomos e conclui que a autuada infringiu a legislação tributária quando efetuou pagamentos de afretamento ao exterior sem fazer a retenção do IRRF. 20. Em todos os casos analisados as empresas estrangeira e nacional pertenciam ao mesmo grupo econômico e desempenharam, de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo ambas um único objetivo que era a prestação de serviços para a autuada; 21. Na apuração do IRRF, foi observado o disposto no artigo 725 do RIR/99, com o reajustamento da base de cálculo. 22. A BASE LEGAL para lançamento do IRRF foram os artigos 682, inciso I; 685, inciso II, alínea “a” e 708 do RIR/99. 23. Restou demonstrado que os serviços contratados pela autuada, perante os quinze beneficiários selecionados, correspondem à definição de "serviços técnicos", sujeito à incidência do IRRF com alíquota de 15%, e da CIDE com alíquota de 10%, com exceção dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IR RF à alíquota de 25%, por força do artigo 8° da Lei n° 9.779/99, chegando no seguinte resultado: (...)" Como visto acima, tratase de situação que se amolda perfeitamente ao caso que ora se julga. Desnecessário transcrever as razões recursais daquele processo, passamos a parte do voto que nos interessa: "(...) Da decisão recorrida e a natureza de embarcação das plataformas Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal, conquanto a autoridade fiscal tenha se referido à tese de que as plataformas não são embarcações e, portanto, não estariam albergadas pela redução da alíquota zero de IRF positivada no art. 691 do RIR/99, o fez, dentro do contexto da análise de outros procedimentos fiscais anteriores que não chegaram a examinar as características dos contratos firmados para a obtenção das unidades (fls. 15.229/15.231). Fl. 1851DF CARF MF 12 A motivação inserida na acusação fiscal ora em exame, diz respeito à análise da artificialidade da bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços para justificar a tributação das remessas de valores para pagamento de afretamentos a empresas do exterior, além da caracterização de que os valores pagos decorreram da realização de serviços técnicos. Inobstante o conceito de embarcação não ter sido a motivação para o lançamento, a decisão de piso incluiu como fundamento jurídico adicional a tese de que a plataforma não seria embarcação para o fim de usufruir o benefício previsto no art. 691 do RIR/99. No entanto, o argumento principal adotado na decisão da DRJ para manter a procedência do Auto de Infração foi a contratação artificialmente bipartida em dois contratos. O Recurso Voluntário traz em seu bojo, nas fls. 16.051/16.082 vários conceitos de “embarcação”; disserta acerca da natureza das plataformas que sempre foram denominadas de embarcação e estão submetidas às regras a elas aplicáveis, tais como, registro de propriedade sob determinada bandeira com nome e nacionalidade, classificação, certificados de borda livre, linha de carga, tonelagem e segurança de equipamentorádio, apólice de seguro casco. Assevera sobre as características técnicas; destaca a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, do Supremo Tribunal Federal no RE 76.133/RJ, além da nomenclatura comum do Mercosul, das normas de Direito Marítimo, das manifestações administrativas da RFB, e legislação tributária que conferem às plataformas o tratamento de embarcações. Em face das razões recursais acerca do tema destacado, necessário se faz a análise da matéria em questão. Com efeito, a Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, ao dispor sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional, estabeleceu em seu art. 2º o conceito de embarcação nos seguintes termos: Art. 1° A segurança da navegação, nas águas sob jurisdição nacional, regese por esta Lei. § 1° As embarcações brasileiras, exceto as de guerra, os tripulantes, os profissionais nãotripulantes e os passageiros nelas embarcados, ainda que fora das águas sob jurisdição nacional, continuam sujeitos ao previsto nesta Lei, respeitada, em águas estrangeiras, a soberania do Estado costeiro. § 2° As embarcações estrangeiras e as aeronaves na superfície das águas sob jurisdição nacional estão sujeitas, no que couber, ao previsto nesta Lei. Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas;(Grifamos). Cumpre destacar que o inciso XIV do mesmo diploma legal define plataforma nos seguintes termos: Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.535 13 XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; (Grifamos). Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 1341077/RJ, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 09/04/2013, (DJe 16/04/2013), ao tratar da isenção do IPI de que trata a Lei nº 8.032/90, conferiu às plataformas marítimas a natureza de embarcação quando determinou que, “em se tratando de legislação especial, sua revogação não impede que as partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações, ainda que plataformas petrolíferas, gozem da isenção genérica prevista no art. 2°, inciso II, alínea "j", e o art. 3° da Lei n° 8.032/90, como disciplina geral”. Ademais, o Código Tributário Nacional determina que a definição, conceitos e formas de institutos típicos de direito privado não podem ser alterados pela lei tributária: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Assim, cumpre deixar claro que as plataformas (fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações, tanto que esta natureza foi conferida aos navios sonda na Solução de Consulta COSIT nº 225/2014 e às plataformas semissubmerssíveis na Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, ao analisar o tratamento legal para o IRRF sobre os valores remetidos ao exterior. Da coligação de contratos – Bipartição artificial – exigência do IRRF De acordo com a acusação fiscal, os contratos de afretamento e de prestação de serviços devem ser considerados como únicos e correspondentes à prestação de serviços técnicos de pesquisa e exploração de petróleo e gás. A bipartição dos contratos pela Recorrente deuse unicamente com o intuito de evitar a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as remessas efetuadas às empresas sediadas no exterior. As empresas atuavam de forma conjunta, solidária e contínua, prestando serviços técnicos, embora sob a forma de contratos segredados formalmente, porém, eram de fato vinculados e sem independência, o que demonstra que não havia afretamento autônomo. O motivo pelo qual a fiscalização chegou a essa conclusão e considerou todos os valores pagos como prestação de serviços técnicos foi o fato das empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, tendo como única intenção, segundo a fiscalização, firmar contrato de prestação de serviços com menor impacto tributário. Em análise aos contratos (fls.15.257/15.335) afirma constar do contrato de afretamento determinação de que Fl. 1853DF CARF MF 14 este deve ser executado simultaneamente com o contrato de prestação de serviços, havendo estreita vinculação entre eles de modo a não ter uma existência autônoma. Ao estabelecer a base legal para o lançamento de ofício (item 6, fls. 15.336/15.341), a fiscalização destacou que a regra geral para a tributação do IRRF sobre valores pagos, creditados, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior é estabelecida pelo art. 685, inciso II do RIR/1999, com alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Porém, tratandose de serviços técnicos o Regulamento prevê o regramento no dispositivo do art. 708, com alíquota de 15% (quinze por cento). Indica que o conceito de serviço técnico pode ser extraído da IN SRF nº 252, de 3 de dezembro de 2002, para concluir que os serviços contratados pela Petrobras correspondem à definição de “serviços técnicos” e sujeitamse à incidência do IRRF à alíquota de 15% (quinze por cento), com exceção aos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), por força do art. 8º da Lei nº 9.779/99. Pois bem. Inicialmente, ante a desconsideração por parte da fiscalização da natureza dos contratos de afretamento, há de se fazer uma análise do fato conhecido e comprovadamente existente (pagamentos em favor de empresas estrangeiras a título de afretamento de plataformas) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (pagamentos a empresas estrangeiras por prestação de serviços técnicos). Deve ser verificado se os parâmetros adotados pela fiscalização configuram indícios para a artificialidade dos contratos, sua descaracterização e a absorção dos afretamentos pelos contratos de prestação de serviços. Conforme se constata do TVF, a razão para que a fiscalização entendesse que existia uma artificialidade nos contratos de afretamento e os considerasse como de prestação de serviço técnico foi a coligação dos contratos de afretamentos com os de prestação de serviços por empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e o percentual adotado nos contratos relativos ao afretamento. A acusação fiscal constatou que os contratos firmados pela Petrobras para obtenção de unidade de pesquisa e exploração de petróleo/gás, inseremse em uma estrutura complexa de contratos interligados envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, no entanto entendeu ser artificial a relação percentual entre o custo do afretamento e dos serviços adotados. Em razões recursais, a Recorrente disserta acerca da normalidade negocial da contratação simultânea de empresas vinculadas para o afretamento de embarcação destinada à prospecção e exploração de petróleo e para a prestação dos serviços relativos à referida exploração, de forma a proporcionar com maior grau de segurança e garantia do fornecimento concomitante dos dois objetos contratuais, na medida em que a execução dos serviços sem plataforma seria impossível e o fornecimento da embarcação sem a execução dos serviços seria inútil. Notoriamente, os contratos que ensejaram a exigência fiscal ora em debate foram firmados pela Petrobras através de contratos distintos, porém coligados, pela própria natureza e complexidade do negócio e dos objetos contratuais. O fato da pessoa jurídica que faz o afretamento pertencer ao mesmo grupo econômico da pessoa jurídica que faz a prestação de serviços não caracteriza, por si só, simulação ou abuso de direito, pela própria liberdade de contratar, conforme disciplinado no Código Civil: Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.536 15 Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Nesse diapasão, os chamados contratos coligados são dependentes entre si, embora preservem sua autonomia. Segundo Maria Helena Diniz: Na coligação, as figuras contratuais unirseão em torno de relação negocial própria, sem perderem, contudo, sua autonomia, visto que se regem pelas normas alusivas ao seu tipo.1. Na definição de Orlando Gomes: Os contratos coligados são queridos pelas partes contratantes como um todo. Um depende do outro de tal modo que cada qual, isoladamente, seria desinteressante. Mas não se fundem. Conservam a individualidade própria, por isso se distinguindo dos contratos mistos. 2. Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. (...) A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e Fl. 1855DF CARF MF 16 não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) § 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (navios sonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência § 7ºPara efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 8ºo O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) (Grifamos). Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.537 17 serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal ressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. Vejamos: SC COSIT nº 225/2014 Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte Ementa:AFRETAMENTO DE NAVIOS SONDA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS PARA O EXTERIOR 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referido navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente, que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Fl. 1857DF CARF MF 18 Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. Com base no exposto, concluise: 22. A presente Solução de Consulta não convalida nem invalida nenhuma das afirmativas da consulente, pois isso importa em análise de matéria probatória, incompatível com o instituto da consulta. Com efeito, as soluções de consulta não se prestam a verificar a exatidão dos fatos apresentados pelo interessado, uma vez que elas se limitam a interpretar a aplicação da legislação tributária a tais fatos, partindo da premissa de que eles estão corretos e vinculando sua eficácia à conformidade entre fatos narrados e realidade. 23. As empresas são livres para administrar os seus negócios e para contratar da forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta, pois tem como limite a observância das leis. 24. Respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estando sujeito à alíquota zero do IRRF. (Grifamos). Já sob a égide das alterações introduzidas pela Lei nº 13.043/2014, foi exarada a Solução de Consulta nº 12, de 9 de fevereiro de 2015 que trata da alíquota zero de IRRF sobre os valores remetidos ao exterior a título de afretamento de plataformas semissubmerssíveis, conforme se destaca a seguir: SC COSIT nº 12/2015 ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS SEMISSUBMERSSÍVEIS POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS PARA O EXTERIOR 18. O centro da questão é, portanto, se plataformas semissubmersíveis seriam embarcações para fins de enquadramento na alíquota zero de IRRF de que trata a I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, base legal do inciso I do art. 691 do RIR/1999, e, se for o caso, qual seria o limite da parcela relativa ao contrato de afretamento do valor global do contrato, já que há execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, no s plataformas. 19. Nesse contexto, mediante consulta a internet ao sítio www.portalmaritimo.com, constatase que plataformas semissubmersíveis são espécies do gênero plataformas flutuantes Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.538 19 que abrangem também os naviossonda, podendo em alguns casos navegar. Além disso, ambas as plataformas flutuantes são dotadas de equipamentos tipo sonda para perfuração e produção em águas profundas. 21. Assim, entendese que o legislador pátrio, ao limitar a oitenta por cento a parcela do contrato de afretamento, no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços, em relação ao do valor global do contrato, que envolver simultaneamente a de prestação de serviço de operação dessas embarcações, reconheceu a aplicabilidade da alíquota zero de IRRF para as plataformas semissubmersíveis, tendo em vista que se enquadram na definição de embarcação dotada de sistema tipo sonda. Conclusão 23. Com base no exposto, concluise que plataformas semissubmersíveis estão incluídas no disposto no inciso II do §2º do art. 1º da art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, alterado pela Lei nº 13.043, de 2014. 24. Assim, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmersível está sujeito à alíquota zero do IRRF, conforme disposto no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, base legal do inciso I do art. 691 do RIR/1999. A parcela relativa ao contrato de afretamento, por sua vez, estará limitada à 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. (Grifamos). Mais uma vez a Administração reafirma a legitimidade na bipartição dos contratos, o que corrobora a razoabilidade da forma contratual no tipo específico da atividade objeto da demanda e a indevida descaracterização dos contratos de afretamento. Além da clara insuficiência da configuração do fato gerador da forma como inserida na acusação fiscal, até mesmo por força da existência de contratos distintos e perfeitamente hígidos, necessário se faz ainda trazer à reflexão a distinção da natureza dos contratos. Enquanto que o afretamento tem por objeto uma obrigação de dar, o contrato de prestação de serviços tem por objeto uma obrigação de fazer. Também nesse ponto encontra se configurada a naturalidade na distinção contratual. Importante nesse ponto trazer à colação entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Reclamação 14.290, quando do voto da Ministra Relatora Rosa Weber, traz em destaque os debates ocorridos para a aprovação da Súmula Vinculante nº 31 relativa ao ISS sobre locação de bens móveis, em que se discutiu a distinção da incidência tributária quando ocorre a locação de serviços juntamente com a prestação de serviços, em firmando entendimento de que a cobrança de forma conjunta não desnatura a distinção entre os contratos Vejamos: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO […] Veja bem: Fl. 1859DF CARF MF 20 estamos afirmando que é inconstitucional quando incide sobre locação de móveis, mas só quando é dissociada da operação de serviço. Quando for associada, cabe imposto? Não. Então, a referência a dissociada é desnecessária, porque, quando associada, também não incide.[sic] (Fls. 324). Embora a Corte tenha optado por suprimir a expressão quando dissociada da prestação de serviço do texto da súmula, essa supressão foi motivada pela presunção de que ela seria redundante, pois serviria apenas para reforçar o óbvio: o tributo incide sobre a prestação de serviços, independentemente dos esforços para escamoteálo em contratos de locação. Nesse sentido são os seguintes trechos dos debates, omitidos das razões de agravo regimental: O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Eu não vejo prejuízo na supressão dessa expressão. A minha preocupação foi em relação àquelas situações em que a prestação de serviço vem escamoteada sob a forma de locação. Por exemplo: locação de maquinário, e vem o seu operador. Nessa hipótese, muito comum. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então, esse caso aí é a prestação de serviço típica, não é a locação de móvel como tal. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Pois é, mas a prestação é escamoteada aí. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sim, mas a pergunta é a seguinte: existem, neste caso, locação de móvel e prestação de serviço, ou existem ambas ? O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Tem as duas coisas, mas o que aparece é só a locação de móveis. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Então a locação de móvel não tem incidência, mas a prestação de serviço tem. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA Mas, como eu disse, não vejo essas questões periféricas que podem surgir aí, podem ser resolvidas em reclamação e em outros procedimentos. Não vejo nenhum problema. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é exatamente que se raciocine nestes termos: quando associadas, elas ficam sujeitas a imposto? Não ficam. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA O que o Ministro Peluso aponta é sério. Nós temos que dar uma redação que não gere dúvida, porque, poder resolver por reclamação, é, de início, já acentuarmos que poderá haver dúvida. O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA – Que haverá reclamação, não tenho a menor dúvida. Reclamação virou a panaceia. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA Então, eu acho que, se Vossa Excelência, que propôs, atentando inclusive aos precedentes, entender que realmente a proposta do Ministro Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.539 21 Peluso cobre aquilo que discutimos e que foi consolidado como a matéria solucionada pelo Tribunal, melhor que se dê adesão à proposta e se elimine a parte final. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE E RELATOR) Portanto: É inconstitucional a incidência do Imposto Sobre Serviço de qualquer natureza sobre operações de locação de bens móveis. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, com isso ficamos fiéis ao que assentado pela Corte, já que, quando da formalização do leading case , não houve o exame da matéria quanto à conjugação "locação de bem móvel e serviço". Devese esperar, portanto, reiterados pronunciamentos do Tribunal sobre possível controvérsia, envolvida a junção, para posteriormente editarse um verbete (grifei). Aliás, a própria sequência da frase pinçada pelo agravante, mas ausente de sua transcrição, revela o alcance do precedente: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO [...]Veja bem: estamos afirmando que é inconstitucional quando incide sobre locação de móveis, mas só quando é dissociada da operação de serviço. Quando for associada, cabe imposto? Não. Então, a referência a dissociada é desnecessária, porque, quando associada, também não incide. Quando há contrato de locação de móveis e, ao mesmo tempo, prestação de serviço, a locação de móveis continua não suportando o imposto; o serviço, sim. Se não tiver nenhuma ligação com prestação de serviço, também continua não suportando; não há incidência. Noutras palavras, o dissociada aí realmente é inútil e pode gerar dúvida. E, quando for associada, está sujeita ao imposto sobre prestação de serviço? A meu ver, com o devido respeito, não há prejuízo algum ao sentido das inúmeras decisões, se for cortada a expressão final "dissociada da prestação de serviço". É inconstitucional a incidência sobre locação de móveis, só. Portanto, o que o agravante poderia ter discutido, mas não o fez, é a necessidade de adequação da base de cálculo do ISS para refletir apenas o vulto econômico da prestação de serviços, sem a parcela de retribuição relativa à locação de bem móvel. Em sentido diverso, com base em uma única fala tirada de contexto, incompleta, o agravante busca estender uma orientação evidentemente inaplicável ao caso. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.” (ARE 656709 AgR, 2ª Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 14/02/2012). (Grifamos). No caso em exame, o contrato de afretamento não poderia ter sido tratado como um contrato único de prestação de serviços. O que a fiscalização poderia ter feito, mas Fl. 1861DF CARF MF 22 não o fez, seria o arbitramento da base de cálculo, nos termos do art. 148 do CTN, para refletir apenas o vulto econômico da prestação de serviços, sem a parcela relativa ao valor do afretamento No entanto, por entender que poderia existir potencialmente a realização do fato gerador, resolveu aferir a base tributável sobre a totalidade dos valores, sem a efetiva constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Conforme bem destaca a Recorrente à fl. 16.019, as embarcações em causa – navios, navios sonda e plataformas – em razão da complexidade técnica são bens de vultoso valor e essencial ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, representam a maior parcela do valor contratado. Nesse contexto, se cabível a unificação, seria mais lógico e coerente que o afretamento abarcasse a prestação de serviços do que o contrário como pretendeu o Fisco. Quando muito, o que caberia, caso a fiscalização tivesse comprovado atribuição irreal de preços aos contratos – o que no caso sequer se cogitou – seria eventual glosa de excesso de custo de afretamento ou tributação de parte como serviço, nada justificando ou autorizando a desqualificação do contrato de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e com isso tributálo integralmente como tal. Falta à acusação fiscal elementos de prova que ratifiquem as razões que a levaram para fundamentar a tese de que todos os valores pagos de afretamento são, na verdade, prestação de serviços, afastando a alíquota zero do IRRF, conforme determinação contida no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (....) Como visto acima, tratase de situação semelhante à tratada nos presentes autos, razão pela qual adoto integralmente o entendimento daquele colegiado como razão para manifestar meu voto. Da Aplicação do Tratado para evitar Bitributação celebrado entre Brasil e França Ainda que seja superada a questão da natureza jurídica de afretamento para o contrato celebrado pela Recorrente, passamos a análise da aplicação doTratado para evitar Bitributação celebrado entre Brasil e França. O artigo VII do Tratado dispõe que "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente". Vale destacar também que o Ato Declaratório Cosit n. 1/00, que foi fundamento para a autuação fiscal, possuía caráter interpretativo e foi revogado expressamente pelo Ato Declaratório Interpretativo n. 05/14, que já refletia o entendimento da PGFN manifestado no Parecer PGFN/CAT n. 2363/13. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.540 23 Feitas estas considerações e por tudo mais que dos autos constam, Voto no Sentido de Conhecer do Recurso para Darlhe Provimento julgando improcedente a autuação. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro João Maurício Vital, Redator Designado. Atrevome a discordar do relator nos dois pontos determinantes para o deslinde da controvérsia: a alíquota aplicável e o enquadramento das remessas ao exterior aos termos da Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, concluída entre o Brasil e a França em Brasília, a 10 de setembro de 1971, e aprovada pelo Decreto Legislativo nº 87, de 27 de novembro de 1971, que adiante será referida apenas por Convenção. 1 Da alíquota aplicável A recorrente sustentou a aplicação da alíquota zero de IRRF às remessas em face dos contratos por ela celebrados com empresa estrangeira, na parte dos pagamentos referentes ao afretamento. Afirmou que, por ser um contrato complexo, com distintos valores atribuídos aos serviços e ao afretamento, a tributação deveria, também, ser segmentada conforme cada um desses componentes dos contratos. Pois bem, eu não entendo assim. A Lei nº 556, de 25 de junho de 1850 Código Comercial (CCom), é o principal diploma a regular o Direito Marítimo pátrio. Essa lei, do tempo do Império, foi resultante de séculos de experiência naval e, por essa razão, seus dispositivos e conceitos são até hoje bem mantidos e observados. É ali que estão as principais definições concernentes ao uso de embarcações e à navegação marítima em nossas águas. Obviamente, também no CCom está o conceito de afretamento, prática milenar entre os comerciantes. A simples leitura dos arts. 566 a 569 e 590 a 628 deixa cristalino que o afretamento é atividade de contratação de embarcação estrangeira para o transporte. A Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, também dispõe sobre a atividade de afretamento e, como não poderia ser diferente, a relaciona com o transporte marítimo: Art. 8º A empresa brasileira de navegação poderá afretar embarcações brasileiras e estrangeiras por viagem, por tempo e a casco nu. Art. 9º O afretamento de embarcação estrangeira por viagem ou por tempo, para operar na navegação interior de percurso nacional ou no transporte de mercadorias na navegação de cabotagem ou nas navegações de apoio portuário e marítimo, Fl. 1863DF CARF MF 24 bem como a casco nu na navegação de apoio portuário, depende de autorização do órgão competente e só poderá ocorrer nos seguintes casos: I quando verificada inexistência ou indisponibilidade de embarcação de bandeira brasileira do tipo e porte adequados para o transporte ou apoio pretendido; II quando verificado interesse público, devidamente justificado; III quando em substituição a embarcações em construção no País, em estaleiro brasileiro, com contrato em eficácia, enquanto durar a construção, por período máximo de trinta e seis meses, até o limite: a) da tonelagem de porte bruto contratada, para embarcações de carga; b) da arqueação bruta contratada, para embarcações destinadas ao apoio. No sítio do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) na internet há uma clara definição de o que é afretamento1: Afretamento – Ato ou efeito de alugar (contratar o uso de) uma embarcação mercante para transporte de carga ou de passageiros. O conceito de afretamento como atividade relacionada ao transporte também está claro na definição de SILVA2: AFRETAMENTO. Como tal se designa o contrato pelo qual, mediante um preço ou aluguel ajustado (frete), um dos contratantes, proprietário de um navio ou qualquer embarcação(fretador), concede ou aluga a outro contratante (afretador) o uso parcial ou total do navio ou da embarcação, para transporte de mercadorias ou de outros objetos. Também se diz fretamento, nome aliás mais vulgarmente empregado, e o instrumento, em que semelhante contrato se formula, recebe a denominação de cartapartida ou carta de fretamento. Bem se vê que o afretamento é a contratação de embarcação para transporte. Todavia, basta ler os contratos juntados aos autos (efl. 80 a 91) para se perceber que não se referem ao afretamento de embarcação, mas à execução de um serviço especializado em que a contratada empregou seus próprios equipamentos e profissionais. Veja o que consta da cláusula 1.1 de um dos contratos (efl. 80): 1.1. O presente CONTRATO tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, com seus próprios recursos de pessoal, materiais e equipamentos técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D na Plataforma Continental Brasileira, estimado em 6.681,0 Km2, distribuídos em linhas primárias, conforme programas 1 http://www.syndarma.org.br/glossario.php 2 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Priscila Pereira Vasques Gomes – 31. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2014. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.541 25 especificados no programa a ser entregue nos Blocos BMFZ6; BMPAMA8 e BMBAR5. (Sem grifo no original.) Não houve um contrato de afretamento celebrado entre a recorrente e a prestadora de serviços, houve um contrato de prestação de serviços de levantamento sísmico no qual a contratada assumiu os riscos e custos para levar a cabo o objeto. Ou seja, a recorrente não assumiu qualquer risco inerente a afretamento, foi tudo suportado pela contratada que, obviamente, integrou ao preço dos serviços todos os custos inerentes. Pareceme que a distinção do preço contratado nas rubricas "afretamento" e "serviços" não passou de uma tentativa de dar, a uma parcela vultosa do preço, um tratamento tributário privilegiado. Os fatos geradores ocorreram em 2009. Ainda que tenha havido alterações em 2014 e 2017, vigorava, na ocasião, a seguinte redação da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que a recorrente invoca em seu socorro: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; ......................................................................................................... § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) O CTN consagra a aplicação, ao lançamento, a lei vigente quando do fato gerador, mesmo que tenha sido posteriormente modificada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, o disposto no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, não se aplica ao caso porque foi introduzido após a ocorrência dos fatos geradores. Somente em 2014, com o advento da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ratificado em 2017, com a Lei nº 13.586, de 28 de dezembro de 2017, que, para efeitos tributários, admitiuse a repartição do objeto contratual e o tratamento fiscal distinto a cada parte. Fl. 1865DF CARF MF 26 Portanto, os valores remetidos estavam sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 15%, como consta do auto de infração. 2 Da aplicação da Convenção Fixado o entendimento de que o contrato não é de afretamento, mas de prestação de serviços, resta analisar a que título os pagamentos contratados foram transferidos do Brasil para o fornecedor no estrangeiro. Aqui, coaduno com a afirmação do relator de que se aplica o disposto na Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, concluída entre o Brasil e a França em Brasília, a 10 de setembro de 1971, e aprovada pelo Decreto Legislativo nº 87, de 27 de novembro de 1971, que adiante será referida apenas por Convenção. Pois bem, segundo o relator, o pagamento dos serviços prestados pela empresa estrangeira se enquadraria na definição de lucro de empresas, nos termos do Artigo VII da Convenção. Neste ponto, divirjo. A Convenção estabelece, no Artigo III, item 2, que as definições que não estejam nela contidas terão o significado que lhe atribuir a legislação do Estado Contratante3. Ora, a Convenção não traz clara definição de lucro das empresas, razão pela qual o conceito deve derivar do que a legislação pátria estabelece (e não da convençãomodelo da OCDE, como alegou a recorrente). E esse conceito está no art. 191, combinado com os arts. 187, 189 e 190, todos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. O lucro pode ser definido, de forma simplificada, como sendo o resultado positivo aferido a partir do confronto entre as receitas, as despesas e os custos. Portanto, os valores remetidos ao exterior para remunerar os serviços prestados nos termos contratados somente poderiam ser considerados como lucro se houvessem sido precedidos de apuração do resultado da operação, nos termos do art. 187, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976. Desse modo, não podem ser aplicadas as disposições do Artigo VII da Convenção às remessas de que tratam os autos, já que lucro não são, senão o pagamento pelos serviços contratados. Por outro lado, a Convenção estabelece o peculiar conceito de royalties a ser observado pelos Estados Contratantes. Esse conceito está no Artigo XII, item 3, e inclui, dentre outras modalidades de remunerações, os pagamentos pelo uso ou pela concessão do uso de equipamento industrial, comercial ou científico e por informações concernentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Como bem asseverado pelo relator e pela recorrente, o objeto do contrato é a execução de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. Com efeito, ao analisar as cláusulas contratuais (efls. 80 a 91) observase que a contratante, empresa brasileira, contratou a empresa estrangeira para fazer levantamentos geofísicos e lhe fornecer, sob o manto do sigilo, os dados e informações obtidos. Para isso, a contatada usaria seus próprios equipamentos científicos e pessoal especializado. Esse objeto contratual subsumese exatamente ao conceito de royalties descrito no Artigo XII, item 3, da Convenção. 3 2. Para aplicação da Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão não definida de outro modo terá, a não ser que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado Contratante relativa aos impostos que são objeto da Convenção. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.542 27 Ora, a própria Convenção assegura a tributação de royalties pelo Estado Contratante até o limite de 15%, exatamente a alíquota aplicada no lançamento em análise: 1. Os "royalties" provenientes de um Estado Contratante e pagos a uma residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses "royalties" poderão ser tributados no Estado Contratante de que provêm, e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder: a) 10% (dez por cento) do montante bruto dos "royalties" pagos, seja pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou científica, seja pelo uso ou pela concessão do uso de filmes cinematográficos, de filmes ou de gravações de televisão ou de radiodifusão produzidos por um residente de um dos Estados Contratantes; b) 25% (vinte e cinco por cento) do montante bruto dos "royalties" pagos pelo uso de uma marca de fábrica ou de comércio; c) 15% (quinze por cento) nos demais casos. (Sem grifo no original.) Ademais, não há que se falar em dupla tributação, como asseverou a recorrente, porque a própria Convenção prevê, no item 2, alínea c, do Artigo XXII, que o imposto pago no Brasil seja creditado na França: c) no que concerne aos rendimentos indicados nos Artigos X, XI, XII, XIII, XIV, XVI e XVII sobre os quais tenha incidido o imposto brasileiro em conformidade com as disposições de tais artigos, a França concederá aos seus residentes que recebem tais rendimentos de fonte brasileira um crédito tributário correspondente ao imposto pago no Brasil, no limite do imposto francês referente a esses mesmos rendimentos; (Sem grifo no original.) Portanto, percebo que a tributação levada a efeito no presente processo não exorbitou ou contrariou o que consta da Convenção. Conclusões Voto, pois, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Declaração de Voto Fl. 1867DF CARF MF 28 Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com a devida vênia ao voto vencedor, entendo que no presente caso deve ser aplicado o artigo 7º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, de modo que deve inexistir retenção fonte sobre os pagamentos feitos pela Recorrente à pessoa jurídica francesa prestadora de serviço. A celebração de convenções para evitar a bitributação da renda tem por objetivo delimitar a competência tributária entre dois países para relações econômicas transfronteiriças, evitando, com isso, o fenômeno da bitributação jurídica. Com relação às convenções para evitar a bitributação da renda, Luís Eduardo Schoueri assevera que: “Dada a inexistência de um princípio, oriundo do direito internacional, que vede a bitributação, passam os Estados a adotar medidas visando a afastála ou a mitigar os seus efeitos. (...) Ao lado das medidas unilaterais contra a bitributação, estão os acordos de bitributação: instrumentos de que se valem os Estados para, por meio de concessões mútuas, evitar o mitigar os efeitos da bitributação” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Notas sobre os Tratados Internacionais sobre a Tributação. In: AMARAL, Antônio Carlos Rodrigues do. Tratados Internacionais na Ordem Jurídica Brasileira. São Paulo: Lex, 2005. p. 200) Dessa forma, as convenções explicitam essas concessões mútuas feitas entre os Estados contratantes para delimitar as suas respectivas competências com a finalidade de se evitar ou mitigar a bitributação. Considerando que a celebração de tais convenções exige uma negociação entre diferentes países, verificase que os países têm preferido adotar como ponta de partida para a celebração de tais acordos alguns modelos de convenção, sobretudo as Convenções Modelo da OCDE e da ONU. Cumpre destacar que o Brasil tem adotado a Convenção Modelo da OCDE como parâmetro para a celebração de seus acordos para evitar a bitributação da renda. A Convenção Modelo da OCDE estabelece artigos específicos dispondo sobre o tratamento tributário a ser reservado para determinadas modalidades de renda (que estariam potencial sujeitas à bitributação) de acordo com a natureza de tais receitas. No caso específico da Convenção celebrada entre o Brasil e a França, verificase que há artigos específicos para: (i) rendimentos dos bens imobiliários (artigo 6º); (ii) lucros das empresas (artigo 7º); (iii) lucros de navegação marítima e aérea (artigo 8º); (iv) dividendos (artigo 10); (v) juros (artigo 11); (vi) royalties (artigo 12); (vii) ganhos de capital (artigo 13); (viii) rendimentos de profissões independentes (artigo 14); (ix) rendimentos de profissões dependentes (artigo 15); (x) remunerações de direção (artigo 16); (xi) rendimentos de artistas e desportistas (artigo 17); (xii) pensões (artigo 18); (xiii) remunerações públicas (artigo 19); e (xiv) rendimentos de estudantes (artigo 20). No tocante especificamente ao artigo 7º das Convenções Modelo para evitar bitributação, Sergio André Rocha destaca que: Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.543 29 “Os artigos 7º das Convenções Modelo da OCDE e da ONU estabelecem a regra geral de que a renda ativa derivada do exercício direto de atividades econômicas no país da fonte – sem a intervenção de um estabelecimento permanente , por um residente de outro Estado contratante, somente será tributada neste último. (...) As quatro principais categorias de rendimentos que se encontram sob o escopo do artigo 7º sãos as seguintes: (i) aluguel; (ii) prestação de serviços empresariais; (iii) seguro e resseguro, e (iv) venda de mercadorias. (ROCHA, Sergio Andre. Política Fiscal Internacional Brasileira. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017. pp. 50 54) Dessa forma, o artigo 7º dispõe que a renda ativa derivada do exercício direto de atividades econômicas no país da fonte, sem que haja um estabelecimento permanente, somente será tributada no país de residência. Tal artigo possui uma lógica na medida em que é muito difícil ao país da fonte determinar o lucro do não residente, de modo que a tributação na fonte implica a tributação da receita bruta do não residente e não de sua renda. Ao passarmos para o artigo 7º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação, verificase que não deve haver tributação da renda pelo Estado da Fonte a menos que exista um estabelecimento permanente: ARTIGO VII Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade desse modo, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente os lucros que este obteria se constituísse uma empresa distinta e separada que exercesse atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionasse com absoluta independência com a empresa da qual é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a realização dos fins perseguidos por esse estabelecimento Fl. 1869DF CARF MF 30 permanente, incluindo as despesas de direção e os gastos gerais de administração igualmente realizados. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento permanente pelo simples fato de esse estabelecimento permanente comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. Vale ressaltar que o conceito de estabelecimento permanente é encontrado no artigo 5º da Convenção celebrada entre o Brasil e a França para Evitar a Dupla Tributação ARTIGO V Estabelecimento permanente 1. Para efeitos da presente Convenção, a expressão "estabelecimento permanente" significa uma instalação fixa de negócio em que a empresa exerça toda ou parte de sua atividade. 2. A expressão "estabelecimento permanente" compreende especialmente: a) uma sede de direção; b) uma sucursal; c) um escritório; d) uma fábrica; e) uma oficina; f) uma mina, uma pedreira ou qualquer outro local de extração de recursos naturais; g) um canteiro de construção ou de montagem cuja duração exceda seis meses. (...) 7. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado (quer seja através de um estabelecimento permanente, quer de outro modo) não é, por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente da outra. Como se vê, no caso concreto, no caso concreto não há que se falar em estabelecimento permanente da sociedade francesa (CGG Veritas Services S.A.) no Brasil, empresa que foi contratada para realizar o afretamento de embarcações (sendo que a operação das embarcações era feita por funcionários da empresa francesa) e prestação de serviços Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.544 31 técnicos especializados de prospecção sísmica marítima (também realizada por funcionários da empresa francesa). Ao comentar o artigo 7º das Convenções Modelo da OCDE, Alberto Xavier assinala que: “A regra geral constante do art. 7º do Modelo OCDE é a de que o direito de tributar os lucros das empresas é objeto de atribuição exclusiva ao Estado de que tais empresas são residentes. São, pois, “estabelecimentos permanentes”, para efeito dos tratados, as sucursaisagências ou filiais destituídas de personalidade jurídica própria. O Estado da fonte é excepcionalmente autorizado a tributar os resultados das atividades que se exercem no seu território com certa intensidade, corporizada na instalação de um estabelecimento estável. (XAVIER, Alberto Direito Tributário Internacional do Brasil 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. pp. 625650) Diante da inexistência de estabelecimento permanente da empresa francesa no Brasil, temos um caso de total aplicação do artigo 7º da Convenção, visto que somente o Estado da Residência possui condições de saber, inclusive, se aquela atividade de afretamento de embarcações e de prestação de serviços gerará lucro ou não. Ao contrário do que foi levantado durante os debates da sessão de julgamento, não há que se falar que a Recorrente (CGG do Brasil Participações Ltda) seja um estabelecimento permanente da empresa francesa. Muito pelo contrário, a Recorrente é uma pessoa jurídica constituída no Brasil, controlada sim pela empresa francesa, mas é uma empresa independente, não sendo uma filial ou sucursal da francesa. Ademais, vale lembrar que a Recorrente, como pessoa jurídica brasileira, é contribuinte dos tributos brasileiros (dentre os quais o IRPJ), recolhendo devidamente os tributos sobre suas atividades, receitas e lucros, bem como a pessoa jurídica brasileira foi constituída como uma decorrência de uma exigência legal regulatória para fins de contratação junto a Petrobras. Também cumpre salientar que o Brasil, ao celebrar convenções para evitar bitributação, visa estimular as relações econômicas entre empresas brasileiras e estrangeiras, eliminando ou mitigando a bitributação, no entanto, a Administração Tributária acaba por restringir a aplicação das referidas convenções ao estabelecer unilateralmente entendimentos restritivos, sobretudo com relação ao artigo 7º das convenções. Nesse sentido, cumpre lembrar que o presente lançamento tributário teve por fundamento o Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00, que trazia entendimento altamente restritivo com relação à aplicação do artigo 7º das Convenções, praticamente o tornando letra morta, o que implica até uma certa má fé do Estado Brasileiro, que celebra um acordo bilateral e depois emite interpretação unilateral que tira totalmente os efeitos do dispositivo que havia celebrado no âmbito de uma convenção internacional. Muito mais honesto e transparente, seria se o Estado Brasileiro denunciasse a Convenção para evitar a Bitributação se ela não concorda Fl. 1871DF CARF MF 32 com os seus termos do que apenas tirar a eficácia de um dispositivo da convenção por meio de uma interpretação unilateral demonstrada por ato infralegal. Ademais, o referido Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00 foi revogado expressamente pelo Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14. Sobre o histórico de interpretação do artigo 7º das convenções para evitar bitributação celebrados pelo Brasil, Alberto Xavier assinala que o tratamento dos serviços pelos tratados contra dupla tributação teve quatro diferentes fases: (i) primeira fase, em que a Administração Fiscal admitiu espontaneamente a aplicação do artigo 7º dos tratados; (ii) segunda fase, de rejeição da aplicação do artigo 7º dos tratados, submetendo os serviços em geral à classificação residual de “outros rendimentos”, sujeitos nos tratados brasileiros; (iii) terceira fase, em que o Superior Tribunal de Justiça se pronunciou no sentido de aplicabilidade do artigo 7º, com a consequente exclusão da retenção na fonte quanto aos serviços em geral; (iv) quarta fase, em que há uma tentativa por meio de atos administrativos de trazer definições unilaterais de serviços técnicos e de assistência técnica, que esvaziariam o teor do artigo 7º dos tratados (XAVIER, Alberto Direito Tributário Internacional do Brasil 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. p. 643). A primeira fase diz respeito exatamente ao momento em que as convenções foram celebradas, no qual verificavase o interesse brasileiro em desenvolver as relações econômicas bilaterais, mitigando ou eliminando situações potenciais de bitributação. A segunda fase, a qual alude Alberto Xavier, representa o período em que o Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00 foi aplicado, em que pese ele contrariasse todo o contexto de celebração das convenções internacionais. A terceira fase, a qual Alberto Xavier alude, se fundamenta em decisão do Superior Tribunal de Justiça, que afastou totalmente a aplicação do Ato Declaratório Executivo Cosit n. 1/00. Em 17/05/2012, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial n.1161467 / RS, que decidiu pela aplicação do artigo 7º de Convenções para Evitar Bitributação da Renda celebradas pelo Brasil, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO. BRASILALEMANHA E BRASILCANADÁ. ARTS. VII E XXI. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA. PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBUTAR, NA FONTE, A REMESSA DE RENDIMENTOS. CONCEITO DE "LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA" NO ART. VII DAS DUAS CONVENÇÕES. EQUIVALÊNCIA A "LUCRO OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO. 1. A autora, ora recorrida, contratou empresas estrangeiras para a prestação de serviços a serem realizados no exterior sem transferência de tecnologia. Em face do que dispõe o art. VII das Convenções BrasilAlemanha e BrasilCanadá, segundo o qual "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade em Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.545 33 outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado", deixou de recolher o imposto de renda na fonte. 2. Em razão do não recolhimento, foi autuada pela Receita Federal à consideração de que a renda enviada ao exterior como contraprestação por serviços prestados não se enquadra no conceito de "lucro da empresa estrangeira", previsto no art. VII das duas Convenções, pois o lucro perfectibilizase, apenas, ao fim do exercício financeiro, após as adições e deduções determinadas pela legislação de regência. Assim, concluiu que a renda deveria ser tributada no Brasil o que impunha à tomadora dos serviços a sua retenção na fonte , já que se trataria de rendimento não expressamente mencionado nas duas Convenções, nos termos do art. XXI, verbis: "Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante provenientes do outro Estado Contratante e não tratados nos artigos precedentes da presente Convenção são tributáveis nesse outro Estado". 3. Segundo os arts. VII e XXI das Convenções contra a Bitributação celebrados entre BrasilAlemanha e BrasilCanadá, os rendimentos não expressamente mencionados na Convenção serão tributáveis no Estado de onde se originam. Já os expressamente mencionados, dentre eles o "lucro da empresa estrangeira", serão tributáveis no Estado de destino, onde domiciliado aquele que recebe a renda. 4. O termo "lucro da empresa estrangeira", contido no art. VII das duas Convenções, não se limita ao "lucro real", do contrário, não haveria materialidade possível sobre a qual incidir o dispositivo, porque todo e qualquer pagamento ou remuneração remetido ao estrangeiro está e estará sempre sujeito a adições e subtrações ao longo do exercício financeiro. 5. A tributação do rendimento somente no Estado de destino permite que lá sejam realizados os ajustes necessários à apuração do lucro efetivamente tributável. Caso se admita a retenção antecipada – e portanto, definitiva do tributo na fonte pagadora, como pretende a Fazenda Nacional, serão inviáveis os referidos ajustes, afastandose a possibilidade de compensação se apurado lucro real negativo no final do exercício financeiro. 6. Portanto, "lucro da empresa estrangeira" deve ser interpretado não como "lucro real", mas como "lucro operacional", previsto nos arts. 6º, 11 e 12 do Decretolei n.º 1.598/77 como "o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica", ai incluído, obviamente, o rendimento pago como contrapartida de serviços prestados. 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. Fl. 1873DF CARF MF 34 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. Ocorre uma "revogação funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que torna as normas internas relativamente inaplicáveis àquelas situações previstas no tratado internacional, envolvendo determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas, mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Estados contratantes. 10. No caso, o art. VII das Convenções BrasilAlemanha e Brasil Canadá deve prevalecer sobre a regra inserta no art. 7º da Lei 9.779/99, já que a norma internacional é especial e se aplica, exclusivamente, para evitar a bitributação entre o Brasil e os dois outros países signatários. Às demais relações jurídicas não abarcadas pelas Convenções, aplicase, integralmente e sem ressalvas, a norma interna, que determina a tributação pela fonte pagadora a ser realizada no Brasil. 11. Recurso especial não provido. A decisão do STJ deixa claro que a Convenção para Evitar Bitributação deve ser aplicada, quer seja porque a ela prevalece sobre lei interna, conforme artigo 98 do Código Tributário Nacional, quer seja porque ela retira a eficácia da legislação tributária interna até que ela seja denunciada, tal qual explicita Klaus Vogel com sua alusão à convenção internacional como máscara que é sobreposta sobre a legislação interna, impedindo que a parte da legislação interna coberta por tal máscara irradie efeitos jurídicos. Dessa forma, não resta dúvida da aplicação do artigo 7º da Convenção. A quarta fase, a qual alude Alberto Xavier, decorre da edição do Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14, que determina que o tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto no respectivo Acordo ou Convenção no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil. Em que pese, mais uma vez, a potencial ilegalidade e até má fé (na medida em que faz tábula rasa da convenção bilateralmente pactuada) na interpretação das convenções brasileiras por tal Ato Declaratório. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.546 35 Ocorre que, ainda que em alguns acordos exista uma previsão específica em protocolo de que serviços técnicos serão tratados como royalties, cumpre destacar que inexiste tal previsão no Protocolo Específico da Convenção celebrada entre Brasil e França. Assim, leciona Sérgio André Rocha: Em relação à prestação de serviços técnicos, a maioria dos tratados brasileiros tem uma previsão específica em seus protocolos, estabelecendo que tais serviços serão tratados como royalties. A exceção fica por conta dos tratados com a Áustria, a Finlândia, a França, o Japão e a Suécia. (ROCHA, Sergio André. Política Fiscal Internacional Brasileira. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2017. pp. 50 54) Assim, ainda que seja adotado o disposto no Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14, verificase que a potencial requalificação dos serviços técnicos para royalties somente poderia acontecer quando o protocolo da Convenção para evitar Bitributação contiver previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica recebam igual tratamento. Ocorre que não há tal previsão no protocolo da Convenção celebrada entre Brasil e França, o que também é confirmado inclusive na supramencionada lição doutrinária de Sérgio André Rocha. Ante o exposto, entendo que o artigo 7º da Convenção para Evitar Bitributação celebrada entre Brasil e França é plenamente aplicável ao caso concreto, de modo que não deveria haver a incidência de IRRF nos pagamentos feitos pela Recorrente à empresa francesa. No âmbito dos debates da sessão de julgamento, foi discutida a potencial requalificação de pagamento de serviços (lucros das empresas) para royalties, inclusive com a menção de haveria um fornecimento de know how. Ora verificase que a legislação brasileira de propriedade industrial exige que contratos que tenham transferência de tecnologia tenham registro no INPI, de modo que não merece prosperar tal argumentação. É muito estranho que a Convenção para evitar Bitributação, que é um ato que limita a competência tributária de dois países, seja utilizada para ampliar competência tributária, o que ocorreria se tais pagamentos de serviço fossem enquadrados como royalties. Por fim, ainda que o referido artigo 7º não fosse aplicável, entendo também que o contrato celebrado entre a Recorrente e a empresa francesa é um contrato complexo que envolve tanto o afretamento da embarcação quanto os serviços técnicos. Dessa forma, considerar todo o objeto do contrato como prestação de serviços é muito arbitrário, pois não condiz com a realidade econômica. Como contrato complexo, o objeto do contrato deve ser desmembrado (vale lembrar que houve tributação do IRRF com relação a parcela originalmente classificada pela Recorrente como prestação de serviços), de modo que claramente não deveria haver IRRF sobre os pagamentos a título de afretamento de embarcação, uma vez que há previsão de alíquota zero para os pagamentos destinados às embarcações. A própria DRJ reconhece isso ao dizer que “fica impossível à autoridade fiscal determinar qual a parte seria a remuneração tão somente da locação da embarcação”. Ora tal afirmação só confirma que diante da constatação de o contrato é complexo, optouse por Fl. 1875DF CARF MF 36 consideralo todo como prestação de serviço, que curiosamente é a qualificação que permite uma tributação mais gravosa. No meu ponto de vista, se a fiscalização entender que a mensuração da receita relativa a cada objeto (afretamento e prestação de serviço) está equivocada, caberia à ela comprovar que a mensuração está inadequada, demonstrando que houve fraude, dolo ou simulação com relação à mensuração. No caso concreto, inexistiu sequer tentativa de mensurar o que seria o montante mais usual a ser precificado como afretamento, muito um apontamento adequado e preciso da irregularidade que seria capaz de geral tal requalificação dos pagamentos. Ademais, cumpre mencionar que a Lei n. 13.043/14 alterou o artigo 1º, §2º, da Lei n. 9.481/97, que passou a ter a seguinte redação: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (Produção de efeito) Assim, o dispositivo legal atualmente em vigor prevê expressamente que existe execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e contrato de prestação de serviço, o que somente corrobora uma realidade econômica que não está sendo observada se todo o objeto do contrato for considerado como prestação de serviço. Como decorrência de tal previsão legal, mostrase uma situação usual e normal a execução simultânea de afretamento de embarcação e prestação de serviço relacionado com a exploração e produção de petróleo e gás natural. Diante do exposto, entendo que não se aplica a tributação do IRRF sobre os pagamentos feitos pela Recorrente para a empresa francesa, uma vez que deve ser aplicado o artigo 7º da Convenção celebrada entre Brasil e França para evitar a Bitributação da Renda; e Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 12448.726882/201390 Acórdão n.º 2301005.520 S2C3T1 Fl. 1.547 37 ainda que fosse superada tal questão, entendo que o contrato celebrado pela Recorrente é um contrato complexo, de modo que há claramente afretamento de embarcação, sendo que a remuneração por tal afretamento não deveria ser tributada pelo IRRF, o que é confirmado até pelo atual texto do artigo 1º, §2º, da Lei n. 9.481/97. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1877DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900312/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada.
Numero da decisão: 1302-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Tendo sido apurado em acurada diligência saldo negativo suficiente para a compensação pleiteada, esta deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou DComp eletrônica 16717.72732.301003.1.3.048349 pleiteando a compensação de crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ com débito de estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 2003, no valor de R$2.237,01. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 03 12 /2 00 6- 79 Fl. 183DF CARF MF 2 Despacho Decisório (DD) de 16 de junho de 2008 não homologou a compensação, uma vez que o DARF estava totalmente dedicado a pagamentos de tributos federais. Em manifestação de inconformidade a Empresa detalha confusão entre os valores considerados no DD e invoca o princípio da verdade material, pelo que a DRJ emite acórdão indeferindo a solicitação, com as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2001 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código . Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/03/2001 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Constatada confusão e para evitar decisão inconsistente, esta Turma Ordinária emitiu a Resolução nº 130000.072, em 23 de fevereiro de 2011, convertendo o julgamento em diligência, de seguinte teor: Nessa medida, vejo a necessidade de converter o julgamento em diligência, em conjunto com os demais processos com matéria interligada (no total, Processos no. 10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) para que a autoridade preparadora, por favor, execute as seguintes providências. 1 – Levante os pedidos de compensação efetuados pelo contribuinte e também os processos em que se discutem pedidos de compensação relacionados ao saldo de IRPJ pago a maior de 2001 e também aqueles relacionados ao pagamento indevido de IRPJ em 31032001. 2 – Levante o Processo 10825900.311/200624, o correspondente extrato COMPROT, o pedido de compensação em discussão nesse processo, a decisão DRJ e se houver a decisão deste Conselho. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10825.900312/200679 Acórdão n.º 1302003.125 S1C3T2 Fl. 184 3 3 – Verifique em que medida o saldo de 24.557,48 de IRPJ pago a maior conforme apurado na DIPJ/02 para 31122001 foi objeto de compensação pelo contribuinte, esclarecendo as seguintes informações. 3.1. Qual foi o valor compensado e a data da compensação, o número do PER/DCOMP e do Processo Administrativo se houver. 3.2. A evolução do saldo de IRPJ a compensar com o abatimento das compensações efetuadas conforme 3.1., evidenciando qual é à data da análise o atual saldo em aberto a compensar de IRPJ pago a maior no ano de 2001. Analisar e incluir também os pedidos de compensação relacionados a recolhimento indevido no mês calendário de fevereiro de 2001. 4 Confronte as compensações analisadas nos itens 1, 2 e 3 com aquelas elencadas na tabela supra deste voto e conclua o relatório de diligência, tecendo os esclarecimentos que julgar necessário. 5 Cientifique o contribuinte do resultado dos trabalhos relativos aos itens 1 a 4, abrindo prazo para manifestação formal escrita. 6 Decorrido o prazo para manifestação, anexe a manifestação do contribuinte ao processo em conjunto com os demais documentos e encaminhe o processo novamente a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão, em conjunto com os demais processos de matéria interligada (10825900.309/200655, 10825900.312/200679 e 10825900.315/200655) e, se ainda não houver decisão do Conselho, processo 10825900.311/200624). Em resumo: COMPENSAÇÃO – IRPJ Saldo Negativo x IRPJ Recolhimento Indevido – Está claro que o contribuinte recolheu IRPJ indevidamente em 31032001 e é necessário verificar as compensações que realizou com esse pagamento e o saldo de IRPJ pago a maior no anocalendário de 2001 para verificar a existência do crédito compensado. Realizada a diligência, a autoridade responsável apresentou Informação Fiscal concluindo pela existência, após todas as considerações, de saldo de direito creditório no montante de R$3.537,02, o que seria suficiente para as seguintes compensações, litteratim: Se efetuados os procedimentos de compensação desses débitos com o saldo remanescente apurado na presente diligência, o crédito remanescente de R$ 3.537,02, seria suficiente para compensar os débitos dos processos 10825.900309/200655 e 10825.900312/200679, restando um saldo de R$ 1.609,63 para o processo 10825.900315/200611, conforme abaixo demonstrado: O saldo do direito creditório de R$ 1.609,63, aplicada a selic até a data da declaração de compensação de 30/10/2003, seria suficiente para compensar parte do débito controlado no processo 10825.900315/200611, referente à declaração de compensação nº 06492.73776.290604.1.7.046688, conforme: Fl. 185DF CARF MF 4 Sendo assim, restaria um saldo devedor de R$ 3.290,20 do débito declarado na dcomp nº 06492.73776.290604.1.7.046688 e controlado no processo 10825.900315/200611. Regularmente intimada do resultado da diligência, a Recorrente quedou inerte. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A autoridade administrativa responsável pela realização da diligência, após acurado trabalho, constatou a existência de saldo negativo suficiente para a homologação das DComps 35446.74409.301003.1.3.040654 e 16717.72732.301003.1.3.048349, cujos débitos são de R$374,02 e 2.237,01, respectivamente, e homologação parcial da DComp 06492.73776.290604.1.7.046688, restando um saldo a pagar de R$ 3.290,20. Não havendo oposição ao trabalho fiscal, acolho as razões da Informação Fiscal de folhas 167/174, reconhecendo o direito creditório no valor de R$3.260,93 e homologo a compensação pleiteada neste processo, DComp 16717.72732.301003.1.3.048349. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000098/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
MULTA ISOLADA. CRÉDITO INDEVIDO OU INDEFERIDO UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.
Enseja o lançamento da multa isolada de ofício nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a crédito-prêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decreto-lei nº 491, de 5 de março de 1969.
RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA.
Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificada como conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva.
Numero da decisão: 3401-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITO INDEVIDO OU INDEFERIDO UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a crédito-prêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decreto-lei nº 491, de 5 de março de 1969. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificada como conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 298 1 297 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.000098/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.345 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente COTIA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA. CRÉDITO INDEVIDO OU INDEFERIDO UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificada como conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 00 98 /2 00 9- 71 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 299 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do auto de infração, que visa formalizar cobrança da multa isolada de 75% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 decorrente de compensação efetuada indevidamente, utilizando créditoprêmio de IPI, conforme se constatou no Processo nº 11543.003943/0074, no valor histórico de R$ 243.486,30. 2. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumentou, em síntese: (i) as compensações que deram origem à autuação foram efetuadas nos meses de julho a dezembro de 2004. É a legislação vigente àquela época que deve nortear a atividade do lançamento, em razão do contido no art. 144, caput, do CTN; (ii) o dispositivo legal que fundamenta a autuação admitia a imposição de multa isolada, apenas nos casos em que o crédito ou o débito não fossem passíveis de compensação por expressa disposição legal, em que o crédito fosse de natureza nãotributária e, quando fosse caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. O rol é taxativo, em razão da referência ao termo “unicamente”, afastando, assim, qualquer interpretação ampliativa. Na situação em exame, nenhum dos requisitos encontrase presente; (iii) não se trata de caso envolvendo crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal. Primeiro, porque a compensação foi autorizada judicialmente; segundo, porque, a par de toda a controvérsia ligada à subsistência do créditoprêmio e à validade ou não das compensações dele decorrentes, apenas em 29/12/2004 sobreveio a Lei n° 11.501, de 2004, que inseriu o parágrafo 12 no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, para vedar expressamente a compensação com créditos apurados na forma do Decretolei n° 491, de 1969; (iv) em que pesem as discussões doutrinárias quanto à natureza do crédito prêmio, tratase de tema que tem relevância apenas quanto a alguns aspectos, tais como prescrição, correção monetária e juros aplicáveis. Quanto à utilização do créditoprêmio na compensação com o IPI e, em havendo saldo, com outros tributos federais, havia previsão no próprio Decretolei n° 491, de 1969 (art. 1º, §2°), o que afasta qualquer possibilidade de se aplicar, ao caso, a vedação prevista na redação original do caput do art. 18, da Lei n° 10.833/03; (v) quanto à ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, em nenhum momento o auto de infração aponta quaisquer dessas figuras em causa, até porque a multa aplicável seria aquela agravada, de 150%, e não os 75% lançados pela fiscalização. Em todos os casos, de qualquer forma, exigese, para sua configuração, o elemento doloso; (vi) embora a legislação faça referência a “tributo”, temse por certo a restrição de aplicação por analogia ou interpretação extensiva da penalidade “isolada”, seja porque as multas tributárias igualmente estão sujeitas aos mesmos princípios que regem a obrigação tributária, seja porque a obrigação acessória, em especial nos casos em que é constituída isoladamente, “convertese em obrigação principal”, conforme dicção do art. 113, § 3°, do CTN; (vii) nos termos da atual redação legal, o lançamento da multa de ofício de que trata o art. 90 da MP n° 2.15835 somente é cabível quando se comprove falsidade da declaração prestada pelo contribuinte. A compensação efetuada não envolve qualquer falsidade – as declarações são legítimas e o indeferimento da compensação deveuse a outros motivos. Tem aplicação ao caso, quando menos, o princípio da retroatividade previsto no art. 106, II, “a”, do CTN; (viii) a liminar e a sentença concedidas no Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 300 3 writ impetrado pela matriz asseguraram, expressamente, a cessão de créditos a terceiros, ao determinar a aplicação da disciplina prevista na IN SRF n° 21, de 1997. O acórdão proferido pelo TRF2ª Região, por seu turno, manteve na íntegra a sentença proferida; (ix) a própria decisão administrativa quanto ao pedido de ressarcimento, citada no auto de infração pela autoridade lançadora, reconhece a legitimidade da cessão de créditos a terceiros, em razão da medida judicial vigente, muito embora tenha entendido que a compensação seria indevida por falta de saldo a ser transferido; e (x) foi interposta manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa proferida no processo n° 11543.003943/0074, referente ao pedido de ressarcimento originário, efetuado pelo estabelecimento matriz. É sabido que os recursos interpostos em matéria tributária, quando previstos legalmente, têm efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III, do CTN, motivo pelo qual, antes do julgamento da manifestação de inconformidade, não há como se imputar insuficiência dos créditos compensados. 3. Em 08/05/2012, a 8ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1437.543, situado às fls. 259 a 267, de relatoria do AuditorFiscal Celso Toshio Sakamoto, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. É cabível a imposição de multa de ofício isolada nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificadora de conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte, intimada da decisão em 08/09/2012 pelo decurso de prazo da disponibilização arquivos por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos correspondentes na Caixa Postal no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), passíveis de consulta por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 269, interpôs, em 08/10/2012, em conformidade com o carimbo aposto pela unidade, situado à fl. 273, recurso voluntário, situado às fls. 273 a 281 no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 301 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. A contribuinte efetuou compensações amparada por decisão judicial não transitada em julgado obtida no Mandado de Segurança nº 2001.50.01.0018128, que tramita na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória/ES referentes a débitos de IPI da filial da contribuinte, e, do outro lado, créditosprêmio do IPI contabilizados pelo estabelecimento matriz, localizado em Vitória/ES. A inflição da multa isolada teve por fundamento, em primeiro lugar, que a decisão judicial proferida não alcança o estabelecimento da filial (CNPJ 72.891.955/001916, situada em Itajaí/SC) e, mesmo que alcançasse o estabelecimento, não haveria saldo suficiente de créditos para cobrir os seus débitos. 7. A inflição da multa de ofício é, portanto, irreprochável diante de tal quadro fático, não havendo que se falar, no caso em apreço, de retroatividade benigna. 8. Isto porque a exação aplicada é aquela prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, conforme preceitua o § 2º do art.18 da Lei n° 10.833/2003, também em sua redação original, de vez que, por aplicação do princípio tempus regit actum, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e se rege pela lei então vigente, ainda que posteriormente alterada (art. 144, caput, do CTN). No caso de sanção com conteúdo penal, há de se analisar, por evidente, se a legislação superveniente é mais benigna, o que justificaria de pronto a sua retroatividade em virtude da aplicação da alínea 'a' do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. No entanto, ao se analisar o caso concreto, o que se verifica é que, mesmo após as sucessivas alterações da redação da Lei nº 10.833/2003, em momento algum deixou de se caracterizar como infração a utilização do créditoprêmio de IPI. Como aponta com irreprochável clareza a decisão recorrida, "(...) o impedimento existia antes e continua existindo atualmente". Assim, não merece provimento o recurso voluntário neste particular. 9. Por outro lado, uma vez verificada com hialina clareza a compensação com créditoprêmio de IPI como indevida, há de se concordar com a decisão recorrida no sentido de que a fundamentação legal para a imposição da multa isolada está capitulada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em sua redação original, vez que as compensações que originaram a autuação foram efetuadas nos meses de julho a dezembro de 2004. Assim, afirma com correção a decisão a quo: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 302 5 Assiste razão à impugnante ao rechaçar as hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal ou de prática de sonegação, fraude ou conluio. Frisese que o afastamento da primeira hipótese não se dá por conta da ação judicial, mas porque a utilização do crédito prêmio foi incluída como expressa vedação legal somente na Lei nº 11.501, de 29 de dezembro de 2004, posteriormente à ocorrência das compensações em questão. Contudo, enganase a impugnante quanto à natureza do créditoprêmio. Neste ponto, há que se aquiescer com o entendimento da fiscalização. É que, a partir de 1981, houve mudanças radicais na forma de utilização do benefício. Uma delas, com a publicação da Portaria MF nº 89, de 8 de abril de 1981, foi que passou a ser pago sempre em dinheiro, direto na conta da empresa no Banco do Brasil, ficando totalmente desvinculado da escrita fiscal do IPI, ao contrário do que poderia sugerir a denominação, que continuou sendo mantida como “créditoprêmio de IPI”. De então, o referido crédito assumiu a feição de crédito financeiro. A vedação da escrituração do créditoprêmio em livros fiscais decorreu da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de maio de 1969, pelo art. 5º do Decretolei nº 1.722, de 3 de dezembro de 1979. Decretolei nº 491, de 1969: Art. 1º. (...) § 1º Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre produtos industrializados sobre as operações no mercado interno. § 2º Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais, ou aproveitado nas formas indicadas por regulamento. Decretolei nº 1.722, de 1979: Art.5º. Este DecretoLei entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1980, data em que ficarão revogados os parágrafos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, o § 3º, do art.1º do DecretoLei nº 1.456, de 7 de abril de 1976, e demais disposições em contrário. Portanto, está bastante claro que o créditoprêmio de IPI, há muito, não tem natureza tributária, pela conjugação da revogação dos dispositivos do Decretolei nº 491, de 1969, transcritos acima, com a norma proibitiva do crédito na escrita fiscal, da Portaria MF nº 89, de 1981. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 303 6 Portaria MF nº 89, de 1981: I – O valor do estímulo fiscal de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, será creditado a favor do beneficiário, em estabelecimento bancário. (...) I.2 – Fica vedada a escrituração do estímulo fiscal a que se refere este item em livros previstos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Observese que a compensação com utilização de crédito prêmio de IPI, há bom tempo, é considerada indevida. Ato Declaratório do Senhor Secretário da Receita Federal, publicado em 01/04/1999, cuidou de explicitar o entendimento: Ato Declaratório SRF nº 31, de 30 de março de 1999: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, declara que não se enquadra nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação, previstas na Instrução Normativa SRF n° 021, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 073, de 15 de setembro de 1997, o “créditoprêmio” instituído pelo Decretolei No 491, de 1969. As sucessivas instruções normativas tratando de compensação, todas com lastro no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, seguiram o mesmo entendimento, tendo em vista que o créditoprêmio não é crédito de natureza tributária e não é administrado pela Receita Federal desde 1981. Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997: Art. 1º Os pedidos de restituição, de ressarcimento e de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. (grifouse) Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 304 7 ou contribuições sob administração da SRF. (grifou se) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (grifouse) (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) VI – o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; Com o advento da Lei nº 10.833, de 2003, tipificouse a infração – o crédito ser de natureza não tributária – como passível de multa de ofício. Tida a compensação com créditoprêmio de IPI como indevida, concretizouse a hipótese prevista na lei. 10. De fato, encaminhavase este aplicador no sentido de propor a suspensão do presente feito, em virtude de nele vislumbrar a existência de prejudicialidade externa, vez que, como se sabe, eventual decisão favorável à manifestação de inconformidade tratada no Processo nº 11543.003943/0074, julgando procedentes as compensações consideradas indevidas inicialmente, descaracterizariam de plano o fato gerador da multa. Contudo, conforme aponta a decisão recorrida à fl. 267, a contribuinte desistiu do recurso voluntário interposto contra a decisão de primeira instância daquele processo para se aproveitar dos benefícios da Lei nº 11.941/2009, e da Medida Provisória nº 470/2009, operandose, portanto, o instituto da confissão e, logo, afastado o óbice preliminar ao prosseguimento do presente feito, devendo, portanto, ser negado provimento ao pleito recursal de acordo com as razões acima vertidas. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 305 8 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 305DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910744/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/02/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 44 /2 00 8- 95 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.905, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720151/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DAA. COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL.
Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual - DAA.
VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014.
Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida.
Numero da decisão: 2201-004.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DAA. COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual - DAA. VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014. Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual DAA. VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014. Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 51 /2 01 4- 71 Fl. 144DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase da análise de recurso de ofício em face do Acórdão nº 0959.690, da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 134/140), pelo qual foi dado provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual foi exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de suposta compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF na declaração de ajuste anual. O contribuinte informou em sua declaração, na ficha de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, valor decorrente de ação judicial movida contra o Governo do Estado do Paraná, bem como a quantia que teria sido retida no levantamento do precatório. A fiscalização entendeu não haver comprovação do recolhimento do IRRF, razão pela qual glosou a compensação pretendida. Em sede de impugnação, foi juntada a Guia de Recolhimento do Estado do Paraná acompanhada do comprovante bancário (fl. 125), além de certificação da retenção fornecida pelo Poder Judiciário (fl. 119). A DRJ deu provimento à impugnação, por entender comprovada a alegada retenção e recolhimento do imposto de renda, e recorreu de ofício em razão do valor exonerado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme foi relatado, a autuação foi motivada pela ausência de comprovação da retenção e recolhimento do IRRF, omissão que foi suprida satisfatoriamente pela documentação juntada na impugnação. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto a esse aspecto. Pela redação do Acórdão, vêse que a celeuma que dividiu os julgadores de primeira instância diz respeito à revisão de ofício da declaração, uma vez que o contribuinte teria declarado os rendimentos recebidos de forma equivocada no ficha RRA, o que afetaria o valor a ser restituído. Quanto a essa questão, manifesto minha concordância com o voto vencedor, no sentido de que essa matéria não integra o contencioso deste processo e deve ser avaliada pela unidade de origem, de forma a evitar restituição em valor superior ao devido. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11624.720151/201471 Acórdão n.º 2201004.709 S2C2T1 Fl. 145 3 Nesse sentido, extraise do PN Cosit nº 8, de 2014: Não ocorre preclusão administrativa para fins de aferir o valor correto do crédito pleiteado pelo contribuinte, em fase de execução de julgado favorável a este, o qual não contenha manifestação sobre o aspecto quantitativo, quer seja por ser esta fase o momento processual oportuno, quer seja pelo princípio da indisponibilidade do interesse público. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso de ofício e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920082/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 11 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10880.920082/200942 RReeccuurrssoo nnºº 1 Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.858 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 16 de agosto de 2018 MMaattéérriiaa IRPJ RReeccoorrrreennttee CASTEGGIO CONSTRUTORA LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 82 /2 00 9- 42 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 6.271,48 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 07829.66244.090506.1.3.040004, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 8.361,97, código 2089, recolhido em 31/07/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 127DF CARF MF
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