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Numero do processo: 10283.721415/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ARBITRAMENTO. VÍCIOS NA ESCRITA. REGISTROS CONTÁBEIS QUE MATERIALMENTE PERMITIAM DETERMINAR O LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAR O LUCRO. É incabível o arbitramento do lucro quando a autoridade fiscal dispõe de todos os elementos necessários para determinar o lucro real. A existência de vício formal na escrita contábil, seja no Livro Diário ou Razão, não se constitui, por si só, em causa para desconsiderar a escrita e tampouco arbitrar o lucro b nos casos em que o contribuinte demonstra os meios pelos quais apurou o lucro real. Caso a autoridade fiscal entenda que deve ser glosadas determinados custos ou incluir receita na base de cálculo, nada impede que assim proceda.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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VÍCIOS NA ESCRITA. REGISTROS CONTÁBEIS QUE MATERIALMENTE PERMITIAM DETERMINAR O LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAR O LUCRO. É incabível o arbitramento do lucro quando a autoridade fiscal dispõe de todos os elementos necessários para determinar o lucro real. A existência de vício formal na escrita contábil, seja no Livro Diário ou Razão, não se constitui, por si só, em causa para desconsiderar a escrita e tampouco arbitrar o lucro b nos casos em que o contribuinte demonstra os meios pelos quais apurou o lucro real. Caso a autoridade fiscal entenda que deve ser glosadas determinados custos ou incluir receita na base de cálculo, nada impede que assim proceda. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 15 /2 00 9- 91 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10283.721415/200991 Acórdão n.º 1402001.291 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CIDADE TRANSPORTES LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Auto de Infração apurou Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e tributos reflexos, referentes ao anocalendário de 2006. A fiscalização apurou “não declaração de receitas de prestação de serviços escrituradas”. A fiscalização considerou que o Livro Diário não obedecia à forma prescrita em lei, não podendo ser utilizado para apuração do Lucro Real. Somente o Livro razão foi considerado no trabalho fiscal. A impugnante apresentou DCTF’s, sem débitos, na forma de apuração do Lucro Real Trimestral e DIPJ, também sem débitos, na forma de apuração do Lucro Presumido. A fiscalização apurou os tributos através da sistemática do Lucro Presumido. A impugnante argumenta que não fez a opção pela apuração dos tributos pelo lucro presumido, à vista não ter efetivado a ação prevista no § 1º do art. 26 da Lei 9430/96, a saber: recolhimento de tributos nos códigos de receita referentes ao Lucro Presumido. A impugnante afirma que colocou, sim, à disposição da fiscalização, os seus Livros Fiscais, e que a desqualificação de seus livros levou à distorção na apuração do crédito tributário que era devido. A impugnante afirma que a tributação devida seria a regra geral de apuração pelo Lucro Real, sendo equivocada desqualificação de seu Livro Diário, assim como a apuração pelo Lucro Presumido. Argumenta, também, a incompetência do AFRFB autuante, pois não houvera as prorrogações necessárias ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Ao final, solicita diligências para confirmar: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10283.721415/200991 Acórdão n.º 1402001.291 S1C4T2 Fl. 0 3 a) a necessidade de apuração pelo Lucro Real; b) a inexistência de opção de apuração pelo Lucro Presumido; c) constatar a regularidade dos Livros Fiscais, e seja reconhecida a incompetência do AFRFB que lavrou os autos de infração, considerando estes improcedentes, e que o auto seja apurado pelo Lucro Real. d) seja reconhecida a incompetência do AFRFB que lavrou os autos de infração, considerando estes improcedentes, e e) que o auto seja apurado pelo Lucro Real A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. PRORROGAÇÃO. Não há que se falar em invalidade de MPF quando todas as prorrogações ocorreram dentro da forma prevista na legislação. APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. LUCRO REAL. A apuração pelo Lucro Real Trimestral é a regra geral de tributação, só podendo ser alternada por outra dentro das formas previstas em lei. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. FORMAS DE OPÇÃO. A apuração pelo Lucro Presumido é opção, que só será válida se permitida ao contribuinte e consumada dentro da forma prevista na legislação. BASE DE CÁLCULO DE TRIBUTO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. SEGURANÇA JURÍDICA. A forma de apuração de tributos deve ser interpretada de maneira literal como forma de segurança jurídica aos contribuintes. DCTF. NATUREZA JURÍDICA. A DCTF tem natureza jurídica de confissão de dívida não só pelos valores de tributos declarados, mas também pela forma de apuração dos tributos informados. LUCRO REAL. LIVRO DIÁRIO. LIVRO RAZÃO. A apresentação do Livro Diário, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma mais completa e desejável, não pode justificar a desqualificação da contabilidade para apuração do Lucro Real se os documentos que serviram de base para os lançamentos contábeis estão em boa ordem, e o Livro Razão está devidamente escriturado. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10283.721415/200991 Acórdão n.º 1402001.291 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Tratase de recurso de ofício que merece ser conhecido em face de decisão recorrida ter afastado crédito em valor superior a um milhão de reais. O recurso de ofício mantémse por seus próprios fundamentos. Segundo o acórdão recorrido, a fiscalização desconsiderou a tributação com base no lucro real, opção do contribuinte e efetuou o lançamento com base no lucro presumido em face do Livro Diário não conter todas as formalidades extrínsecas. A decisão recorrida está alicerçada na tese de que, tendo o contribuinte manifestado intenção de tributação com base no lucro real, não cabe a exigência com base no lucro presumido pelo simples fato de ausência de registro do Livro Diário, quando o contribuinte logra comprovar que possui escrituração contendo elementos necessários à apuração de base de cálculo pelo lucro real. No caso, conforme consta do acórdão recorrido, não havendo irregularidade no Livro Razão e a irregularidade do Livro Diário limitandose à falta de requisito extrínseco, (registro na Junta Comercial, o que foi realizado posteriormente), não cabia a tributação com base no lucro presumido. Após fazer referência aos artigos 251, 257, 258, do Regulamento do Imposto de Renda, o acórdão recorrido louvase da obra “Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática, atualizado até 10/01/2010, de autor Hiromi, Higuhi, 35ª edição, IR Publicações Ltda, às pgs 96 e 97, destacando como precedentes, dentre outros, os acórdãos 1055.030/1990; 59 10310.805; 10807.265, cujas ementas, na parte que interessa, seguem transcritas, com grifos no original: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS A simples falta de autenticação dos Livros Diários não e elemento bastante para a prática do procedimento. (acórdão 1055.030/1990, 1º Conselho de Contribuintes, publicado no D.O.U em 22.02.1991). ARBITRAMENTO DE LUCRO Incabível tal medida excepcional pela ausência de registro do livro Diário quando o contribuinte logra comprovar que possui escrituração contendo elementos necessários ã apuração de base de cálculo pelo lucro real (Acórdão 59 10310.805, Sessão de 12 de novembro de 1990). IRPJ — ARBITRAMENTO — FALTA DO LIVRO DIÁRIO — POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO PELO LIVRO RAZÃO — arbitramento deve ser aplicado apenas na hipótese da fiscalização não conseguir promover seus trabalhos, em razão da ausência de livros ou escrituração. Se o contribuinte mantém o Livro Razão devidamente escriturado e a documentação correspondente, é possível ao Agente Fiscal da Receita Federal efetuar a fiscalização da apuração do Lucro Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10283.721415/200991 Acórdão n.º 1402001.291 S1C4T2 Fl. 0 5 Real. Recurso de oficio negado. (acórdão n° : 10807.265, Sessão de 29 de janeiro de 2003). Na sessão de 29 de setembro de 2001, quando do julgamento do processo nº 10680.009726/200815, que resultou no acórdão nº 140200.728, destaquei textualmente: O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. No caso dos autos os registros contábeis da autuada permitiam determinar o lucro real. Contudo, caso a autoridade fiscal entendesse que deveria ser glosado despesas ou incluído receitas na base de cálculo, nada impediria que o fizesse. O que não podia ser feito era arbitrar o lucro, sem que essa fosse a opção do contribuinte. Repito, o arbitramento do lucro só é cabível nos casos em que a contabilidade do sujeito passivo não oferecer os elementos necessários à tributação com base no lucro real. Ainda, no que diz respeito aos limites quanto ao arbitramento do lucro, a título de notícia de julgado acerca do assunto, por ser pertinente ao caso concreto, destaco os itens 4, 5 e 6 da ementa do RESP 834.051/RS, tendo como relator o Ministro José Delgado, que assim dispõe: EMENTA: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ARBITRAMENTO DO LUCRO EM FACE DE IRREGULARIDADES. REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA FISCAL DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO PARA O LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE DO ARBITRAMENTO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DOS SÓCIOS. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. NÃOCONHECIMENTO QUANTO AO ART. 535 DO CPC. 1.... 4. O aresto recorrido merece total manutenção, tendo emitido o irretocável pronunciamento de que o arbitramento não constitui uma modalidade de lançamento, mas uma técnica, um critério substitutivo que a legislação permite, excepcionalmente, quando o contribuinte não cumpre os seus deveres de manter a contabilidade em ordem e em dia, e de apresentar as declarações obrigatórias por lei, não tendo caráter punitivo. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10283.721415/200991 Acórdão n.º 1402001.291 S1C4T2 Fl. 0 6 5. No presente caso, segundo as provas analisadas nas instâncias ordinárias, a empresa fiscalizada, ao promover a regularização da escrita contábil e apurar o montante tributável de acordo com as determinações do Regulamento do Imposto de Renda, reconheceu o equívoco e forneceu os elementos de investigação que tornariam possível a descoberta da verdade material, ainda na fase de impugnação do lançamento. 6. A legislação tributária permite o arbitramento do lucro somente quando a escrituração contábil se apresenta inútil para os fins de apuração do lucro real. ... ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001615/2002-42
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/05/1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Na Declaração de Ajuste Anual (fls. 7 a 11) consta valor de imposto retido na fonte pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso, por se tratar de fato gerador referente ao ganho de capital apurado na alienação de bens, que ocorreu em 31/05/1997, o termo final deu-se em dia 30/05/2002.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 22/07/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o referido crédito tributário.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz, que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/05/1997 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Na Declaração de Ajuste Anual (fls. 7 a 11) consta valor de imposto retido na fonte pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso, por se tratar de fato gerador referente ao ganho de capital apurado na alienação de bens, que ocorreu em 31/05/1997, o termo final deu-se em dia 30/05/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 22/07/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o referido crédito tributário. Recurso Extraordinário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz, que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Na Declaração de Ajuste Anual (fls. 7 a 11) consta valor de imposto retido na fonte pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso, por se tratar de fato gerador referente ao ganho de capital apurado na alienação de bens, que ocorreu em 31/05/1997, o termo final deuse em dia 30/05/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 22/07/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o referido crédito tributário. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 15 /2 00 2- 42 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz, que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.001615/200242 Acórdão n.º 9900000.841 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 04 00.997, proferido pela 4ª Turma da CSRF em 04/08/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “IRPF – DECADÊNCIA – GANHOS DE CAPITAL. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos de ganhos de capital, ocorre no mês da sua percepção. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, §4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso negado.” Em seu recurso, a recorrente afirma que a decisão recorrida diverge do paradigma que apresenta, no que diz respeito ao prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação. Segue abaixo a ementa do Acórdão n.º CSRF/0103.103: “IRPJ – LANÇAMENTO EX OFFICIO – PRAZO DECADENCIAL – Tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido.” Cita entendimento firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Explica que nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante “lançamento por homologação” (caso típico da omissão de rendimentos), o paradigma entendeu que não haveria atividade do contribuinte a homologar. Argumenta que não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, devendo a autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. Observa que o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, e sim no art. 173, ambos do CTN. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 078Pleno, foi dado seguimento ao pedido em análise. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.001615/200242 Acórdão n.º 9900000.841 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Na Declaração de Ajuste Anual (fls. 7 a 11) consta valor de imposto retido na fonte pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso, por se tratar de fato gerador referente ao ganho de capital apurado na alienação de bens, que ocorreu em 31/05/1997, o termo final deuse em dia 30/05/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 22/07/2002, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.001615/200242 Acórdão n.º 9900000.841 CSRFPL Fl. 5 7 data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o referido crédito tributário. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14751.002348/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
SERVIDOR NÃO EFETIVO - REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
O servidor sem comprovação de vínculo estatutário deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: SERVIDOR NÃO EFETIVO - REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL O servidor sem comprovação de vínculo estatutário deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 23 48 /2 00 8- 19 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 . Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 12/11/2008, de contribuições previdenciárias patronal e relativas ao seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração do segurado Francisco Evangelista de Freitas Jr., no período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o relatório fiscal de fls. 15/21, o crédito foi lavrado em nome da titular do cartório e referese ao segurado empregado não inscrito no Regime Geral de Previdência SocialRGPS pela tabeliã, por entendêlo estatutário filiado ao Regime Próprio de Previdência (RPPS). Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 61/66, julgou o lançamento procedente. Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que apresentou recurso sem o arrolamento de bens, por ter sido declarado inconstitucional; b) que quando da impugnação juntou Certidão exarada pelo Juízo da 7ª Vara Cível da Comarca de João Pessoa responsável pelos registros públicos onde consta que o Sr. Francisco foi nomeado em 07/01/1988 como escrevente do 6º Tabelionato de Notas e 2º Ofício do Registro de Imóveis e de 1ª Vara de Família e de 09/04/1997 até agora o servidor foi nomeado como 2º oficial substituto do cartório, por ato homologatório do Juízo de Direito da vara de Registro Público; c) que o servidor não firmou expressa modificação do seu regime jurídico, continuando a ser estatutário; d) que junta o termo de posse do segurado junto ao Estado da Paraíba em 01/1988; que o termo é legal; e) que o signatário da certidão é analista judiciário da 7ª Vara Cível da capital, Vara de Registro Público. Requer o provimento do recurso e a reforma da decisão para declarar insubsistente o auto de infração. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.002348/200819 Acórdão n.º 2302002.129 S2C3T2 Fl. 83 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O lançamento referese às contribuições incidentes sobre a remuneração do segurado empregado Francisco Evangelista de Freitas Júnior. De acordo com o que consta dos autos, não há comprovação de que o referido segurado seja servidor titular de cargo efetivo abrigado por Regime Próprio de Previdência Social. A recorrente juntou, por ora da impugnação, cópia não autenticada de certidão às fls. 58, fornecida pela 7ª Vara Cível da Comarca de João Pessoa/PB, onde consta que o segurado foi nomeado em 07/01/1988, como escrevente do 6º Tabelionato de Notas e 2º Ofício do Registro de Imóveis e de 1ª Vara de Família e que de 09/04/1997 até agora, foi nomeado como 2º oficial substituto do cartório, por ato homologatório do Juízo de Direito da Vara de Registro Público, fls. 57. Entretanto, não consta dos autos o termo de posse do segurado no cargo, qual a natureza do vínculo existente, tampouco há a comprovação de que o mesmo contribua para Regime Próprio de Previdência Social. Nas folhas de pagamento anexadas às fls.29/37, não há qualquer desconto para a previdência social, de forma que a recorrente não comprovou suas alegações de que o servidor é estatutário, contribuindo para regime próprio, com a simples juntada da certidão de fls. 58. Embora tenha alegado no recurso, não houve a juntada do termo de posse do segurado. Ainda, o relatório fiscal aduz que quando indagada sobre a situação do segurado, cujas remunerações, são o objeto da autuação, a autuada respondeu que o mesmo prestava serviços sem qualquer vinculação ao Estado. Posteriormente nas peças de defesa e recurso se pronunciou pela existência de vinculação a regime próprio, mas não trouxe qualquer elemento de prova quanto à questão. Com respeito à Lei n.º 8.935/94, é de se ver os escreventes e auxiliares que possuíam investidura estatutária, em novembro de 1994, data da publicação da lei, poderiam ser contratados segundo a legislação trabalhista, desde que fizessem opção expressa por este regime. A partir da lei, novas admissões pelo regime estatutário estariam vedadas, conforme se depreende da leitura dos seguintes artigos: Art. 20. Os notários e os oficiais de registro poderão, para o desempenho de suas Junções, contratar escreventes, dentre eles escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com remuneração livremente ajustada e sob o regime da legislação do trabalho. (...) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. (...) Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § Io Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2o Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Portanto, como não constam dos autos elementos suficientes para que se tenha o segurado Francisco Evangelista de Freitas Júnior, como servidor estatutário vinculado a Regime Próprio de Previdência Social e, como pelo exercício de atividade remunerada o mesmo encontrase, obrigatoriamente, vinculado ao Regime Geral de Previdência Social RGPS como segurado empregado, está correto levantamento. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10540.720185/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa tem a obrigação de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestem serviço.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa tem a obrigação de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestem serviço. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 85 /2 01 0- 07 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 180 2 Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal lavrado em face de MUNICIPIO DE CONDEÚBA PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 1.609.911,73 (um milhão, seiscentos e nove mil, novecentos e onze reais e setenta e três centavos), referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados (pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário), não declaradas em GFIP, resultando em diferenças entre o valor total dos custos com o pessoal, inferido dos dados do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, e o total de remuneração informado pela empresa nos resumos mensais das folhas de pagamento, conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 29/40. O contribuinte tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 28/07/2010, apresentando impugnação tempestiva. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão de fls. 155/161, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO AOS SEGURADOS EMPREGADOS. EXIGÊNCIA. NÃORECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviço. O arraso total ou parcial no recolhimento das contribuições acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 181 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs, no dia 26/05/2010, o Recurso Voluntário de fls. 161/170, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Alega que, equivocadamente, foram listados como contribuintes individuais todos os servidores do Município de Condeúba, incluindo os prestadores de serviço admitidos através do contrato administrativo, que na condição de servidores, não estão sujeitos à contribuição previdenciária, não podendo, assim, constar na folha de pagamento ou na GFIP. 2) Aduz que, também de maneira errônea, a auditorafiscal autuante relacionou no lançamento, na qualidade de segurados empregados, médicos contratados com base na Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de 1993, para o Programa Federal de Saúde Familiar, cuja verba é Federal, e os referidos trabalhadores, contribuintes autônomos, de forma a causar as diferenças de contribuições apuradas no presente AI. 3) Confirma que as Leis 9.711/98 e 11.933/09 alteraram significativamente as formas de recolhimento das contribuições previdenciárias sob controle do INSS, passando, inclusive, a prever a retenção nas hipóteses de cessão de mãodeobra, conforme o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação da citada Lei 9.711, de 1988. 4) Aduz que apesar das mencionadas alterações, está havendo, inoportunamente, através de veículos normativos, uma inclusão no rol de empresas prestadoras de serviço por cessão de mão de obra, de empresas prestadoras de serviço não identificadas com as hipóteses do § 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, o que se depreende claramente com a leitura do § 2º do art. 219 do RPS. 5) Defende que tal inclusão é inconstitucional, de acordo com entendimento jurisprudencial firmado em decisões emitidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª e 4ª região. 6) Requer a total improcedência do AI nº 37.296.4877. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 182 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do mérito Dos segurados obrigatórios Alega a recorrente que o auto de infração em comento inseriu contribuições decorrentes de remunerações pagas a prestadores de serviço admitidos pelo Município através de contrato administrativo, na medida em que os considerou indevidamente empregados daquele órgão. Aduz, ainda, que os valores pagos a tais prestadores não deveriam sofrer a incidência da contribuição social. Ocorre que tais alegações não merecem prosperar. Independentemente da natureza do vínculo, qualquer pessoa física que receba remuneração por serviços prestados é segurado obrigatório da Previdência Social, devendo o valor recebido sofrer a incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, I da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...). II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Por sua vez, a Lei nº 8.212/1991, no seu art. 12, arrola os segurados obrigatórios da Previdência Social, nele enquadrando todos aqueles que recebem remuneração como contraprestação por serviços prestados, excetuados apenas os vinculados ao Regime Próprio da Previdência Social. Deste modo, não tem o fiscal que perquirir acerca da natureza da relação jurídica firmada entre os prestadores de serviços e o Município para enquadrálo como segurado obrigatório da Previdência Social, se o simples fato de receber remuneração já o Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 183 5 coloca naquela condição e impõe, por conseguinte, o recolhimento da contribuição previdenciária respectiva. A empresa, e as entidades a ela equiparadas, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que lhe prestem serviços, nos termos do art. 30, I, “b”, “c” da Lei nº 8.212/1991, com novel redação dada pela Lei nº 8.620/1993, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: b)recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; c) recolher as contribuições de que tratam os incisos I e II do art. 23, na forma e prazos definidos pela legislação tributária federal vigente; Deste modo, resta evidenciada a obrigação do Município de recolher a contribuição incidente sobre a remuneração paga a todos aqueles que lhe prestem serviço, sendo descabido qualquer argumento que pretenda afastar a obrigação tributária baseada na natureza do vínculo existente entre estes e o Recorrente. Da cessão de mãodeobra A ora recorrente alega que se encontram incluídas, no Auto de Infração, contribuições provenientes da retenção de 11%, nas hipóteses de cessão de mãodeobra, conforme o art. 31, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998. Aduz também que, no entanto, está havendo uma inclusão, por veículos normativos impróprios, de empresas prestadoras de serviço não identificadas com as hipóteses do §4º do art. 31 da Lei n° 8.212/1991, no rol de empresas prestadoras de serviço por cessão de mãodeobra. Ocorre que, em nenhum momento, a autuação faz referência ao instituto da cessão de mãodeobra. Compulsando os autos, verificase que toda a autuação relacionase com a contribuição devida pelo Município em razão do pagamento a pessoas físicas que lhe prestem serviço, não fazendo menção à pessoas jurídicas, tampouco através de cessão de mãodeobra. Assim, tornase absolutamente descabida a alegação formulada pelo Recorrente. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo Município de Condeúba, contribuinte em questão, da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 184 6 Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 185 7 Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 186 8 Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 187 9 Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720185/201007 Acórdão n.º 2301003.033 S2C3T1 Fl. 188 10 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10280.004253/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
De se acolher para saneá-las, a omissão e a obscuridade, caracterizadas na falta de demonstração da existência de relação entre o julgado do STJ que fundamentou a decisão e os fatos ora em julgamento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CARACTERIZAÇÃO DA OPOSIÇÃO ESTATAL. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito escritural, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Aplicação do art. 62-A do Regimento do Carf, em face de decisão definitiva proferida em sede de recurso repetitivo pelo STJ.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3401-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, dando-se-lhes efeitos infringentes, rerratificando o acórdão de modo que o provimento do Recurso Voluntário passe a ser total, em vez de parcial como constara.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori., Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. De se acolher para saneálas, a omissão e a obscuridade, caracterizadas na falta de demonstração da existência de relação entre o julgado do STJ que fundamentou a decisão e os fatos ora em julgamento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CARACTERIZAÇÃO DA OPOSIÇÃO ESTATAL. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito escritural, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Aplicação do art. 62A do Regimento do Carf, em face de decisão definitiva proferida em sede de recurso repetitivo pelo STJ. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, dandoselhes efeitos infringentes, rerratificando o acórdão de modo que o provimento do Recurso Voluntário passe a ser total, em vez de parcial como constara. Júlio César Alves Ramos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 42 53 /2 00 6- 19 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori., Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 3401001.970 S3C4T1 Fl. 704 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.788, de 25 de abril de 2012, de minha relatoria, na parte em que reconhecêramos à interessada o direito de aplicar a taxa Selic sobre valor do Crédito Presumido de IPI [Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996] relativo ao 4º trimestre de 2000, a partir da data de protocolização de seu Pedido de Ressarcimento. Eis como foi redigida a parte do voto ora embargado: Taxa Selic A outra questão, não menos relevante, é a que trata do cabimento ou não da atualização monetária do crédito mediante a aplicação da taxa Selic. Não obstante minha divergência sobre o entendimento do STJ, que já se manifestou sobre a matéria em sede, inclusive, de recurso repetitivo, com trânsito em julgado1, devo curvarme diante das determinações constantes do Regimento do Carf, notadamente as do artigo 62A, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 2010, segundo as quais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A ementa do referido julgado é abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 1 REsp nº 1035847/RS, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” De se reconhecer, portanto, a utilização da taxa Selic para atualização do crédito reconhecido, tem como termo de início a data em que protocolado o pedido. Para a Embargante, porém, verbis: [...] O acórdão embargado é omisso, pois não aponta os fundamentos (fáticos) que assemelham o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo para aqui proclamar o mesmo entendimento. Noutros termos, o acórdão carece de fundamentação (vício da omissão) quando deixa de apontar o ato de oposição estatal. Diante das provas acostadas nos autos fica claro que não restou configurada a oposição constante de ato estatal a que alude o julgado do STJ. Nesse diapasão: DespachoDecisório de fls. 410; manifestação de inconformidade de fls. 416; decisão de primeira instancia de fls. 464 e recurso voluntário. Resta evidente que o Fisco apenas seguiu os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido do contribuinte, excluindo aqueles produtos que não se enquadravam no conceito de insumo. Logo, não se pode simplesmente extrair, na esteira do que dispõe o art. 62A do RICARF, excertos de recursos especiais julgados sob o rito do art. 543C do CPC, sem analisar se se tratam de situações semelhantes, apenas para aplicar o mesmo entendimento. Aqui, cabe socorrerse da correta teleologia do julgado proferido pelo STJ: somente no caso de oposição constante de ato estatal, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do principio da nãocumulatividade, teria o condão de descaracterizar a natureza do referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Somente esse fato teria o condão de afastar o óbice de que não incide correção monetária sobre os créditos por ausência de previsão legal. Como o acórdão embargado, em nenhum momento deixou claro no que restou caracterizada a oposição estatal, uma vez que os créditos sobre os quais o interessado deseja fazer incidir a Taxa Selic foram concedidos pelo Fisco, tãologo efetuados os ritos procedimentais próprios referentes ao pedido de ressarcimento/declaração de compensação, fica claro o vicio da omissão. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 3401001.970 S3C4T1 Fl. 705 5 Diante de todo o exposto acima, e, considerando que o acórdão embargado socorreuse de decisões embasadas cm premissas fáticas diversas do presente feito, conforme acima alinhavado, resta claro que o decisum carece de fundamentação, estando assim presente o vicio da omissão ensejar o conhecimento e provimento dos presentes aclaratórios. Revelase, portanto, a necessidade de se aclarar o decisum sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consetânca com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial c/ou execução do julgado. (grifos meus) No essencial, é o Relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator Os embargos devem ser admitidos, pois, de fato, a omissão e obscuridade estão presentes no voto, haja vista que a simples reprodução da ementa do julgado do STJ, por si só e sem que se estabeleça de forma clara a sua relação com os fatos contidos neste processo, não pode ser tida como a fundamentação válida a ser adotada como razão de aqui se decidir. Da argumentação trazida pela Embargante pinço dois parágrafos para justificar os grifos que neles apus quando de sua reprodução no Relatório. O primeiro deles: Resta evidente que o Fisco apenas seguiu os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido do contribuinte, excluindo aqueles produtos que não se enquadravam no conceito de insumo. Com a devida vênia, a Embargante se enganou, visto não ter havido houve nenhuma exclusão. O indeferimento foi de todo o crédito pleiteado e não foi motivado por desenquadramento de produtos no conceito de insumos; antes, pelo fato de a fiscalização não ter identificado a atividade de industrialização. Coloco agora em relevo o segundo parágrafo: Como o acórdão embargado, em nenhum momento deixou claro no que restou caracterizada a oposição estatal, uma vez que os créditos sobre os quais o interessado deseja fazer incidir a Taxa Selic foram concedidos pelo Fisco, tãologo efetuados os ritos procedimentais próprios referentes ao pedido de ressarcimento/declaração de compensação, fica claro o vicio da omissão. Não obstante o vício da omissão tenha se configurado, isso não se deu na forma em que apregoada pela ora embargante. O pleito inicial da interessada se dera por meio de PER/Dcomp na qual, referindose ao 3º trimestre de 2000, solicitara o reconhecimento do Crédito Presumido de IPI no valor de R$ 118.475,71. Na referida solicitação não constara nenhum cálculo alusivo à atualização monetária. A autoridade administrativa, porém, não reconhecera a existência do referido direito postulado por entender que a interessada não realizara a atividade de industrialização dos produtos exportados, e, desta forma, não vislumbrara o atendimento das condições impostas pela Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996, para fins de fruição do incentivo. É o que se conclui do Despacho Decisório de fls. 410/413. A interessada, por sua vez, ao contestar referida decisão por meio de Manifestação de Inconformidade, aproveitara para inserir um pedido adicional, qual seja, o de Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 3401001.970 S3C4T1 Fl. 706 7 ver “reconhecido o direito à atualização monetária do crédito do contribuinte, desde o momento da efetivação do direito até sua efetiva compensação ou ressarcimento”. Abro aqui parênteses para esclarecer que, por “momento da efetivação do direito”, quis a interessada referirse à data da protocolização de seu pedido. É o que depreendo da leitura dos dois parágrafos iniciais que constam da Manifestação de Inconformidade, à fl. 443, verbis: Efetivamente, não há como negar ao contribuinte o direito à atualização monetária do Crédito uma vez que protocolado o pedido não pode ele ser prejudicado pela inércia da administração pública. Assim sendo, o valor do Crédito a que fazia jus foi corroído pela inflação entre a data da sua formalização e o seu deferimento por motivo alheio à sua vontade. Por fim, a DRJ, como aqui se viu, indeferiu totalmente os termos da Manifestação de Inconformidade, inclusive quanto aos juros reclamados. Vêse, a partir desses esclarecimentos adicionais, que os créditos solicitados não foram concedidos, o que, à evidência, caracteriza a oposição de ato estatal. E é por conta dessa constatação que restou evidenciada a omissão e/ou obscuridade no acórdão ora embargado, isto é, não há nele qualquer menção capaz de remeter o leitor àquela situação fática objeto do julgamento do STJ que se tomara como “fundamento” do voto. Ao saneamento, pois. Viuse no presente caso que a “oposição constante de ato estatal” a que alude a ementa do julgado do STJ, caracterizouse quando da prolação do Despacho Decisório denegatório da totalidade do pleito da interessada, entendimento que se manteve com a decisão da DRJ, o que acarretou a “demora no reconhecimento do direito pleiteado”, o qual, somente agora, por meio deste Acórdão, isto é, transcorridos quase seis anos do primeiro ato estatal de oposição, é que se está reconhecendo. A semelhança entre os dois casos [este processo e o julgado do STJ], providencialmente reclamada pela Embargante, resta, portanto, demonstrada, de modo que os vícios apontados não mais existem. De se manter, pois, o voto no sentido de reconhecer o direito à atualização monetária do crédito reconhecido, esta calculada desde a data da entrega do pedido até o mês de seu aproveitamento mediante compensação. Contradição suscitada de oficio Aproveito o ensejo destes embargos para, de ofício, promover ao saneamento de outra incorreção no acórdão, contida na parte dispositiva do Acórdão. Ou seja, tendo sido atendido também o pedido da interessada quanto à atualização monetária, o provimento ao seu recurso há de ser tomado como total e não parcial Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 como ali constou. Aliás, na sua “Conclusão”, o acórdão estipulara: “Em face do exposto, afasto as prejudiciais de nulidade e dou provimento ao recurso.” Conclusão Pelo exposto, voto pelo acolhimentos dos presentes embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional para sanar a omissão e obscuridades neles apontadas, o que se dá ao deixar evidenciada a relação existente entre os fatos deste processo e o julgado do STJ no qual se fundou a decisão, de sorte que o resultado do julgamento, também levando em conta o saneamento de oficio ora promovido, passa a ser pelo provimento total ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13706.003039/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Núbia Matos Moura – Redatora designada Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 06 .0 03 03 9/ 20 08 -4 9 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13706.003039/200849 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2102000.068 S2C1T2 Fl. 86 2 Relatório Tratase de recurso contra a notificação de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2007 (fls. 11/16), na qual se apurou omissão de receitas de duas fontes pagadoras, constante em Dirf, e se glosou o imposto de renda retido na fonte declarada no ajuste e não informada em Dirf. O crédito tributário lançado importa em R$ 16.023,58 (dezesseis mil, vinte e três reais e cinquenta e oito centavos) – código 2904, acrescido de multa de ofício de 75%, R$ 4.270,03 (quatro mil, duzentos e setenta reais e três centavos) – código 0211. Ambos sofrem incidência de juros de mora. A contribuinte, por meio de procurador habilitado, concorda com a omissão dos rendimentos declarados pelas fontes pagadoras Fundação dos Economiários Federais (Funcef) e Moreno Joalheiros Ltda., no montante total de R$ 61.553,39 (sessenta e um mil, quinhentos e cinquenta e três reais e trinta e nove centavos), mas contesta a glosa da retenção na fonte, no valor de R$ 17.433,04 (dezessete mil quatrocentos e trinta e três reais e quatro centavos), referente aos aluguéis recebidos da pessoa jurídica Copa Corpo Clube Ltda. A impugnante junta os recibos mensais (fls. 22/32) relativos ao pagamento do aluguel do imóvel, e argumenta que: a) é indevida a glosa da compensação do imposto de renda retido na fonte, uma vez que o valor declarado foi efetivamente retido pela pessoa jurídica Copa Corpo Clube Ltda., conforme comprovam recibos mensais, que configuram presunção de legalidade do ato, demonstrando claramente a responsabilidade da locatária em repassar os valores recebidos à Fazenda Pública, sob pena, inclusive, de incorrer em crime de apropriação indébita; e b) todo rendimento decorrente da locação de imóvel, por pessoa física a jurídica, deve necessariamente ser tributado na fonte, conforme determina o art. 631 do Regulamento do Imposto de Renda, recaindo, desse modo, a responsabilidade pelo recolhimento do tributo exclusivamente sobre a pessoa jurídica Copa Corpo Clube Ltda., que efetuou a retenção. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por meio do Acórdão nº 1330.724 (fls. 44/46), considerou improcedente a impugnação, pois a interessada não comprovou a efetiva retenção do imposto de renda. A contribuinte, cientificada da decisão em 23 de maio de 2011, interpôs recurso voluntário no dia 22 do mês subsequente, representado por procuração. Na sua petição alega que: a) já sofreu a retenção na fonte dos rendimentos recebidos da pessoa jurídica Copa Corpo Clube Ltda., portanto, qualquer pagamento adicional configuraria bis in idem; b) os aluguéis foram recebidos pelo valor líquido, descontado o imposto de renda na fonte retidos pelo locatário, devendo a responsabilidade pelo recolhimento do tributo, independentemente entrega da Dirf, recair exclusivamente sobre a pessoa jurídica, que efetuou as retenções devidas a título de IRRF, mas não repassou esses valores à Fazenda Pública; c) o STJ já firmou entendimento de que o contribuinte não precisa comprovar a efetiva retenção quando esta obrigação for derivada de lei; e Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13706.003039/200849 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2102000.068 S2C1T2 Fl. 87 3 d) a retenção está prevista no art. 631 do Regulamento de Imposto de Renda; Por fim, requer que o recurso voluntário seja provido, anulandose o lançamento e as penalidades consequentes. O colegiado suscitou a hipótese da necessidade de conversão do julgamento em diligência, com o retorno dos autos a unidade de origem para complementação das informações fiscais. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13706.003039/200849 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2102000.068 S2C1T2 Fl. 88 4 Voto Vencido Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Em função da questão levantada pelo colegiado, quanto ao pedido de diligência para complementar as informações fiscais que subsidiariam a análise do processo, passo a apreciar a sua necessidade. Compulsando os autos, vêse que a exigência fiscal teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade fiscal lançou os rendimentos omitidos e glosou a retenção do imposto retido na fonte referente aos valores pagos pela pessoa jurídica Copa Corpo Clube Ltda. A requerente concordou com lançamento no que se refere à omissão. Assim, o recurso voluntário interposto restringese glosa da fonte. Em relação a isso, observase que não foi apresentada a Dirf pela fonte pagadora, tampouco há qualquer registro de recolhimento do imposto retido. Os valores referentes aos pagamentos e retenções do IRRF constam apenas na Declaração de Ajuste Anual e nos recibos emitidos pela requerente. A recorrente reafirma que recebeu os valores do locatário Copa Corpo Clube Ltda. já descontado o imposto de renda na fonte. Para provar a alegação, junta aos autos o Contrato de Locação do Imóvel (fls. 16/ 20) e os recibos que emitiu no período de 10 de fevereiro a 10 de dezembro de 2006. Tanto no contrato de locação como nos recibos dos aluguéis há expressa menção ao desconto relativo ao IRRF. A defesa da recorrente fundamentase na alegação de que o fisco não pode imputarlhe responsabilidade pelo não repasse do imposto aos cofres públicos pela pessoa jurídica, e sim, que essa responsabilidade deveria recair exclusivamente sobre a locatária. O Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999), no art. 631, prevê estarem sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620 do mesmo diploma, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II). No art. 717, o mesmo ato regulamentar, fundamentado nos artigos 99 e 100 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943 e no artigo 7º, § 1º, da Lei n.º 7.713, de 1988, determina que compete à fonte pagadora reter o imposto na fonte, salvo disposição em contrário. A fonte pagadora é obrigada ao recolhimento do imposto, mesmo que não o tenha retido (Decreto n.º 3.000, de 1999, artigo 722, caput, cuja matriz legal é o artigo 103 do DecretoLei n.º5.844, de 1943). Diante disso, podese afirmar que a fonte pagadora pessoa jurídica tem o dever de descontar o imposto quando paga a renda ou provento. Ao contribuinte, o direito de receber o informe de rendimento e retenção e compensar o imposto retido na fonte com o imposto a pagar na declaração de ajuste anual, ou receber a restituição, se for o caso. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13706.003039/200849 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2102000.068 S2C1T2 Fl. 89 5 Portanto, entendo que há nos autos elementos suficientes para apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte e voto em negar a conversão do julgamento em diligência. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Discordo do ilustre relator quando afirma que existem nos autos elementos suficientes para a apreciação do recurso. Veja que a contribuinte, autuada, prontamente concordou com as infrações a ela imputadas de omissão de rendimentos e em assim sendo não vejo razão para se insurgisse quanto à glosa do imposto de renda retido na fonte, se realmente não houvesse ocorrido a retenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aluguel recebidos de Copa Corpo Clube Ltda. É fato que para comprovar a realização da retenção a contribuinte trouxe apenas recibos por ela assinados, deixando de apresentar o competente Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela fonte pagadora. Contudo, como bem disse o relator, cabe a pessoa jurídica que paga rendimentos a pessoas físicas proceder a competente retenção do imposto, de sorte que não se vislumbra nos autos qualquer fato que indique que a retenção não tenha de fato ocorrido como afirma a defesa. De outra banda, observase que a contribuinte ofereceu espontaneamente à tributação os rendimentos de aluguel recebidos de Copa Corpo Clube Ltda, sendo, portanto, razoável admitirse que de fato tenha ocorrido a retenção do imposto de renda. Nestes termos, entendo que não existem nos autos os elementos necessários para a apreciação da lide, fazendose necessária a realização de diligência junto a fonte pagadora Copa Corpo Clube Ltda, para que a autoridade fiscal verifique se os pagamentos de aluguéis devidos à contribuinte foram feitos com a competente retenção do imposto de renda e, em caso afirmativo, que se indique os valores efetivamente retidos dos rendimentos. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos em que proposto acima. (ASSINADO DIGITALMENTE) Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003965/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 28/02/2007
ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO.
Devidamente comprovada a ocorrência de erro material na escrituração do débito lançado, e de sua regular compensação declarada em PER/DCOMP, consoante prova acostada aos autos com a Impugnação, devem ser excluídos do lançamento os valores indevidos, em respeito ao princípio da verdade material.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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COMPROVAÇÃO. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material na escrituração do débito lançado, e de sua regular compensação declarada em PER/DCOMP, consoante prova acostada aos autos com a Impugnação, devem ser excluídos do lançamento os valores indevidos, em respeito ao princípio da verdade material. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 65 /2 00 8- 48 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.003965/200848 Acórdão n.º 3302001.806 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa MITUTOYO SUL AMERICANA LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativa aos períodos de apuração de 31/12/2006, 28/02/2007 E 30/04/2007, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou à RFB valores menores do que os apurados com base na sua escrita contábil. Ciente do auto de infração, concordou com o lançamento dos períodos de apuração de dezembro de 2006 e de abril de 2007, contestando o de fevereiro de 2007 sob a alegação de que o referido débito fora objeto de compensação devidamente declarada e que houve erro na sua contabilização. A DRJ em Salvador julgou improcedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1530.241, de 28/03/2012, cuja ementa apresenta o seguinte teor: IPI. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. Uma vez constatado erro na escrituração do livro Razão, e restando comprovado que o débito apurado já se encontrava confessado em DCTF e Per/Dcomp, tornase incabível a exigência do referido crédito tributário Desta decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício ao CARF. Os autos subiram para julgamento do recurso de ofício e foram a mim distribuídos, para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso de ofício atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI apurado nos períodos de apuração de dezembro de 2006, fevereiro de 2007 e abril de 2007. Os débitos de dezembro de 2006 e abril de 2007 foram reconhecidos e pagos pela Recorrente, não restando litígio sobre os mesmos. Com relação ao débito do período de apuração de fevereiro de 2007, a decisão recorrida assim se manifestou: Fl. 556DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.003965/200848 Acórdão n.º 3302001.806 S3C3T2 Fl. 4 3 Em relação ao débito remanescente a autuada alega que, em fevereiro de 2007, contabilizou valores do IPI incorretamente. Afirma que a divergência apurada corresponde a compensação efetuada mediante Per/Dcomp de janeiro/2007 e contabilizada no Razão em março de 2007. Da análise dos documentos acostados ao processo e consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, verificamos que a divergência apurada pela fiscalização em fevereiro/2007 corresponde ao débito do IPI informado no Per/Dcomp 05365.54315.150207.1.3.01.1945, posteriormente retificado pelo Per/Dcomp 17188.59755.120410.1.7.010700, fls. 356 a 541, sem alterar o valor do débito compensado, cujo valor foi contabilizado em março de 2007, conforme cópia do Razão à fl. 266. Verificamos também que na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de janeiro de 2007, esse débito, no valor de R$ 630.907,02, já estava vinculado à referida Dcomp, conforme extratos às fls. 542/544. Assim, constatado o erro de fato por parte da interessada quando da contabilização no Razão do débito em comento, e considerando que o referido débito já se encontrava confessado em DCTF, fls. 542/544, e no Per/Dcomp de fls. 356/541, devese excluir o crédito tributário, referente ao período de apuração de fevereiro de 2007, no valor R$ 630.907,02. Diante da constatação de erro de fato na forma de contabilizar o débito objeto do lançamento, sem que isto tenha representado atraso na sua liquidação, não resta outra alternativa senão ratificar as disposições da decisão recorrida. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720422/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/08/2001
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REMESSA PARA O EXTERIOR.
Não havendo nos autos, provas de que a remessa para o exterior tenha sido realizada pela contribuinte, correta a decisão de primeira instância que deu provimento à impugnação.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não tendo sido comprovada a apresentação de anexo juntamente com a impugnação, e tendo o acórdão recorrido apreciado a decadência, por considerá-la matéria de ordem pública, ainda que não impugnada, com discriminação dos valores de crédito tributário que foram exonerados e dos mantidos, rejeita-se a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por inexistência de qualquer vício.
Numero da decisão: 1102-000.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva Santos de Lima Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperamann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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INCONFORMIDADE COM O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ADMISSIBILIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. Regendose o Processo Administrativo Fiscal pelo formalismo moderado, devese recepcionar petição apresentada contra o decidido no acórdão de primeira instância, como recurso voluntário, ainda que haja erro na identificação do destinatário da petição. PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não tendo sido comprovada a apresentação de anexo juntamente com a impugnação, e tendo o acórdão recorrido apreciado a decadência, por considerála matéria de ordem pública, ainda que não impugnada, com discriminação dos valores de crédito tributário que foram exonerados e dos mantidos, rejeitase a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por inexistência de qualquer vício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PAGAMENTO. Tratandose de lançamento por homologação, correta a decisão de primeira instância que na apreciação de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir tributos, exonerou os de fatos geradores anteriores a cinco anos da ciência do lançamento, para os quais houve a comprovação de recolhimento de algum valor, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/08/2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 22 /2 00 6- 23 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 3 2 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REMESSA PARA O EXTERIOR. Não havendo nos autos, provas de que a remessa para o exterior tenha sido realizada pela contribuinte, correta a decisão de primeira instância que deu provimento à impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperamann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão que considerou procedente em parte a impugnação. Os autos de infração referemse a lançamentos do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS, Cofins e IRRF, que foram cientificados à contribuinte em 21/12/2006, em razão das seguintes infrações: a) omissão de receitas caracterizada por depósitos e outros créditos bancários, não escriturados em sua contabilidade, cuja origem dos recursos não foi comprovada; b) falta de recolhimento de imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa/operação não comprovada: a contribuinte consta como ordenante em operação de remessa de numerário para o exterior, no montante de U$ 93.164,00, em 23/08/2001, de via Beacon Hill, conforme Laudos de Exames Econômicos Financeiros, nº 1243004INC, juntamente com representação fiscal 259/05; a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar livros fiscais e contábeis, mas nada foi apresentado para comprovar as operações que se deram a crédito da conta SUNTRUST SERVICE CORPORATION ORLANDO FL 32809 e a débito da conta CB FINANCIAL. A contribuinte impugnou o lançamento, em 12/01/2007, com os seguintes argumentos: a) o fato gerador ocorrido no mês de agosto do anocalendário de 2001 já estava decaído quando da ciência do lançamento; b) ausência de prova da remessa de recursos para o exterior, pois o fato de apenas constar o nome da impugnante em ordem de remessa, sem a existência de qualquer assinatura ou autorização por parte da empresa, não autorizaria a afirmar que a contribuinte remeteu recursos para o exterior; afirma que jamais enviou qualquer recurso para o exterior; inexistência de testemunhos, fotos, gravações, mas somente ordem de pagamento onde não consta qualquer assinatura; cabe ao fisco o ônus da prova. Em 05/02/2007 foi apresentado aditivo à impugnação: a) decadência para os fatos geradores ocorridos nos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2000 e março, junto e setembro de 2001; b) a Receita Federal acessou os dados bancários, protegidos por sigilo constitucional, sem autorização judicial: A LC 105/2001 é inconstitucional e ademais, não pode retroagir situações anteriores; c) devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório: não teve acesso em tempo suficiente e em condições satisfatórias para contradizer as argumentações produzidas pela Receita Federal, estando patente, a violação dos princípios jurídicos constitucionais: não teve acesso aos extratos bancários que foram obtidos diretamente das instituições financeiras; Fl. 566DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 5 4 d) o crédito tributário da contribuição para o PIS e Cofins não é líquido e não é certo: somente com a edição das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, é que a União poderia exigir o pagamento dessas contribuições com base na receita bruta e ainda assim, observando se o prazo nonagesimal; no período entre 01 de fevereiro de 2009 a 31 de março de 2003 (PIS) e entre 01 de fevereiro de 2009 a 31 de março de 2004, a União não poderia lançar essas contribuições com base na receita bruta; e) arbitramento do lucro: a jurisprudência somente tem admitido o arbitramento do lucro nos casos de falhas formais ou de conteúdo que a tornem totalmente imprestável a justificar os resultados por ela demonstrados; f) erros formais: erro no levantamento dos valores extraídos dos extratos bancários: inclusão de transferências de mesma titularidade, cheques em custódia, etc; g) nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa: configurase obstrução do direito a ampla defesa quando a fiscalização embaraça, dificulta e obstaculiza o entendimento da suposta infração. Em 12.07.2007, a contribuinte apresentou outro aditivo à impugnação, com as seguintes alegações: a) nulidade do auto de infração por vício formal: erro no levantamento de valores tributáveis de forma a dificultar o entendimento na formatação da defesa, ante a falta de critérios claros na feitura do auto de infração; o mpf está eivado de vícios, sem a observância da Portaria SRF 3.007/2001; a falta de ciência da prorrogação do mpf na forma determinada pelo § 2º do art. 13 da Portaria SRF 3007/2001, ofende, fere e golpeia os princípios da moralidade administrativa e da legalidade; b) omissão de receita com base em extrato bancário – ilegalidade; c) multa de ofício: confisco, proporcionalidade, razoabilidade, capacidade contributiva; A Turma Julgadora não conheceu dos novos argumentos e provas trazidos nos aditivos, por serem intempestivos, na forma do art. 15 do Decreto 70.235/72, e não justificarem sua extemporaneidade, na forma do art. 16, §4º, do mesmo Decreto. Apreciou a preliminar de decadência por ser questão de ordem pública. Consignou que a contribuinte efetuou no prazo previsto em lei, recolhimento do IRPJ do 1º e 3º trimestre do anocalendário de 2001 e da CSLL do 1º, 3º e 4º trimestres do mesmo ano; e pela regra expressa no § 4º do art. 150, do CTN, e que o crédito tributário foi constituído pelo regime do lucro arbitrado, cujo fato gerador é trimestral, o lançamento de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos no 1º, 3º e 4º trimestres de 2001, poderiam ter sido efetuados a partir de 04/2001, 10/2001 e 01/2002, e tendo o lançamento sido cientificado em 21/12/2006, considerou caracterizada a ocorrência de extinção do crédito tributário por decadência para o IRPJ e CSLL para o 1º e 3º trimestres. Para o 2º trimestre, por não havido pagamento e para o 4º trimestre, concluiu que o direito da Fazenda Nacional exigir o IRPJ e CSLL não estava decaído. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 6 5 Para o IRRF, cujo fato gerador ocorreu em 23/08/2001, em que não se constatou pagamentos, aplicou a regra do inciso I, do art. 173 do CTN. Para a contribuição para o PIS e Cofins apurou pelos sistemas da Receita Federal recolhimentos para os meses de março e de julho a dezembro, razão pela qual concluiu que o prazo decadencial quando da ciência do lançamento já havia sido alcançado para os fatos geradores de março e julho a novembro de 2001, de ambas as contribuições. Em relação ao mérito, considerou não impugnada a matéria relativa à infração de omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não contabilizados. Sobre a falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento sem causa ou de operação não comprovada, o acórdão recorrido concluiu pela improcedência do respectivo lançamento. Manteve o IRPJ e CSLL do 2º e 4º trimestres do anocalendário de 2001, janeiro, fevereiro, abril, maio, junho e dezembro da contribuição para o PIS e da COFINS. A autoridade administrativa transferiu os valores mantidos para o processo nº 10283.720035/201154, e em 16/01/2012 apensou esse processo aos presentes autos. A ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 10/02/2011, e em 25.02.2011, apresentou petição dirigida ao Chefe do Serviço de Arrecadação da Unidade de origem, na qual argumenta o seguinte: a) apresentou tempestivamente impugnação em 12/01/2007, e junto com essa peça foi apresentado o anexo à impugnação contendo os valores a decair; b) no acórdão 0120.120, não consta referência ao julgado sobre os valores objeto da decadência; c) se a decisão não acoberta os pleitos da impugnante, resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa; d) ademais, os valores cobrados na carta de cobrança estão todos impugnados no auto de infração, bem como no anexo, onde fora demonstrado que os valores haviam decaído antes da cobrança do auto de infração. Solicita que se suspenda os valores objeto da cobrança, face ao acórdão 01 20.120, não ter acobertado na sua totalidade os pleitos da impugnante aduzidos em sua peça inicial, de 12/01/2007. A contribuinte apresentou um documento, sem data, que tem como título “anexo a impugnação dos valores a decair”, que aborda a decadência e sua aplicação a casos onde se presume omissão de receitas, no qual conclui que a totalidade dos débitos fiscais lançados, oriundos da aplicação da presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 já estava extinta, não podendo ser alvo de autuação, por terem decaído antes da lavratura dos autos de infração. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima A contribuinte foi autuada em 21/12/2006, com exigência de IRPJ e contribuições sociais decorrentes, em razão de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados em sua contabilidade, cuja origem dos recursos não foi comprovada, e com exigência do imposto de renda na fonte sobre operação sem causa/operação não comprovada. Tempestivamente apresentou impugnação contra o lançamento do imposto de renda na fonte. Após o vencimento do prazo para a interposição de impugnação apresentou aditivos onde discute a decadência, a inconstitucionalidade da LC 105/2001 e impossibilidade de retroagir, a ofensa ao devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório porque não teria tido tempo suficiente para contradizer as argumentações da fiscalização, e que não teve acesso aos extratos bancários que foram obtidos diretamente das instituições financeiras. Também discute as exigências da contribuição para o PIS e COFINS, o arbitramento do lucro, erros formais no levantamento de valores extraídos dos extratos, nulidade por cerceamento do direito de defesa porque a fiscalização teria dificultado o entendimento da suposta infração, mandado de procedimento fiscal eivado de vícios, falta de ciência de sua renovação, a ilegalidade na exigência relacionada com a infração de omissão de receita com base em extrato bancário. Discute ainda a aplicação da multa de ofício. A Turma Julgadora do acórdão de primeira instância não conheceu dos aditivos posto que foram apresentados após o vencimento do prazo para a apresentação da impugnação. Apreciou apenas os argumentos contidos na impugnação tempestiva e analisou também a decadência da totalidade do crédito tributário exigido, por ser matéria de ordem pública. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Em relação à decadência, para os fatos geradores do IRPJ, CSLL do quarto trimestre de 2001 e para os fatos geradores de dezembro de 2001, da contribuição para o PIS e COFINS, independentemente de ter havido ou não pagamento, concluiu que o prazo não decaiu, e para os fatos geradores do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS, COFINS e IRRF, para os quais não houve pagamento, para a contagem do prazo decadencial foi aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN; assim o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, iniciouse em 01/01/2002, não tendo decaído o direito do fisco constituir o crédito tributário. Concluiu que o prazo decadencial do IRPJ e CSLL dos fatos geradores do primeiro e terceiro trimestres de 2001 e da contribuição para o PIS e COFINS dos fatos geradores de março e junho a novembro do mesmo ano, encontravamse decaídos quando da Fl. 569DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 8 7 ciência do lançamento que ocorreu em 21/12/2006, por ter havido pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. A Turma Julgadora elaborou demonstrativos onde explicita os valores lançado, exonerado e mantido por tributo, e campo onde esclarece se a exoneração se deu por decadência, por análise de mérito ou se a matéria não foi impugnada. Em relação às exonerações por decadência, concluise que a decisão da Turma Julgadora está correta, uma vez que somente foram exonerados os valores de tributos relativos a fatos geradores que ocorreram cinco anos antes da ciência do lançamento e para os quais tenha havido algum valor a título de recolhimento dos tributos, nos termos do art. 150, §4º do CTN. A seguir se apreciará o recurso de ofício em relação ao valor exonerado, a título de imposto de renda na fonte. A contribuinte foi intimada em 10/08/2006, por meio do termo de início de fiscalização, a informar se houve no anocalendário remessas de divisas para o exterior, indicando a fonte dos recursos, o destinatário e a finalidade. Em 13/12/2006 foi reintimada a apresentar todos os livros, documentos e comprovantes solicitados por meio do termo de início de fiscalização, não tendo apresentado qualquer comprovação, segundo a autoridade fiscal. A infração foi descrita como falta de recolhimento desse imposto sobre pagamentos sem causa/operação não comprovada, por ter a autoridade fiscal concluído que a contribuinte consta como ordenante em operação de remessa de numerário para o exterior, em 23.08.2001, via Beacon Hill, conforme Laudos de Exames Econômico Financeiros, 124304 INC, juntamente com a representação fiscal nº 259/05, cujas operações se deram a crédito da conta SUNTRUST SERVICE CORPORATION ORLANDO FL 32809 e a débito da conta CB FINANCIAL. A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar livros fiscais e contábeis, mas nada foi apresentado para comprovar as operações. A recorrente alegou que não existe prova da remessa de recursos para o exterior, pois apenas consta o seu nome em ordem de remessa, sem a existência de qualquer assinatura ou autorização por parte da empresa, e que a mesma não teria enviado qualquer recurso para o exterior. Entendeu a Turma Julgadora pela improcedência do lançamento, com base na seguinte fundamentação, a qual transcrevese do voto condutor do acórdão recorrido: Manuseando os autos, constatase, revendo entendimento anterior, que dos documentos de fls. 155/199 não se pode concluir com razoável grau de certeza que o contribuinte tenha efetuado tais remessas financeiras, se não consta assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se comprovou que houve depósito em contacorrente do sujeito passivo. Conforme Descrição dos Fatos, o Fisco entendeu que o fiscalizado foi REMETENTE de dólares americanos transferidos para instituições financeiras situadas em Nova YorkEUA, utilizando se de créditos nas subcontas denominadas administrada pela BEACON HILL SERVICE CORPORATION BHSC. Esses documentos são, presumivelmente, cópias simples de cópias de supostas remessas de divisas para o exterior. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 9 8 Vale ressaltar que sequer constam dos autos as cópias das ordens de pagamentos atribuídas ao contribuinte. Os valores identificados supostamente tiveram o contribuinte como remetente. Ocorre que tais documentos não possuem qualquer assinatura do contribuinte, sendo impossível determinar a participação do sujeito passivo nessas operações. A partir desses elementos, entendo que a negação de remessa alegada pelo impugnante é plausível, pois os titulares das sub contas poderiam identificar da maneira que quisessem os remetentes e beneficiários dos valores movimentados pelo SUNTRUST SERVICE CORPORATION ORLANDO FL 32809 e tendo a debito a conta CB FINANCIAL especialmente porque os recursos movimentados teriam origem ilícita, via remessas efetuadas pelo Banestado. S. A. Os indícios de que o impugnante tenha sido o efetivo remetente dos pagamentos não são suficientes para a comprovação indubitável da ocorrência do fato jurídico tributário. O mais seguro, no meu entender, é que esses indícios se configurassem em marco inicial para uma investigação mais profunda. Os princípios da legalidade estrita e da segurança jurídica não podem ser mitigados para se manter lançamentos efetuados sem a devida sustentação probatória, em função do disposto no artigo 142 do CTN e do artigo 9o, caput, do Decreto n° 70.235/1972, determinando que o auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário. A evidência que se infere a partir de um indício deve ser aceita com a devida cautela, isto é, a constatação de um indício é apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, o julgador vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos tentando, dessa maneira, reconstruir o passado de forma segura. É verdade que nunca se terá certeza absoluta sobre a ocorrência de determinado fato gerador. Isso porque seria necessário que a Administração Fazendária fiscalizasse "in loco" e no exato momento da ocorrência de tal fato jurídico, com câmeras filmadoras e demais equipamentos, o que tornaria o custo da fiscalização superior ao crédito tributário envolvido. Mas, de outro lado, não se pode correr o risco de penalizar o contribuinte, sem que se tenha um elevado grau de probabilidade no sentido do acontecimento do fato tributário. Assim, a Administração Tributária deve seguir a máxima da legalidade estrita, mesmo que isso eventualmente acarrete o êxito de algum sonegador. A contrapartida será a garantia de cidadania ao contribuinte, que não ficará sujeito a uma execução fiscal injusta ou —pior a responder criminalmente por um ato que não cometeu. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 10 9 Isto posto, voto no sentido de julgar improcedente o lançamento para esta infração. Portanto, a Turma Julgadora entendeu que não se pode concluir com razoável grau de certeza que a contribuinte tenha efetuado a remessa para o exterior, dada a insuficiência de provas de que a remessa tenha sido realizada pela contribuinte, e que sequer constam dos autos as ordens de pagamento atribuídas ao sujeito passivo. Não localizei nos autos, nem mesmo os Laudos de Exames Econômicos Financeiros, nº 124304INC e a representação fiscal nº 259/05, citados na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 150/154). Consequentemente, não há como discordar da conclusão da Turma Julgadora. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Devese apreciar, inicialmente, se de fato a contribuinte apresentou recurso voluntário. Isto porque, a contribuinte apresentou petição dirigida ao Chefe do Serviço de Arrecadação da Unidade de origem, onde argumenta que junto com a impugnação de 12/01/2007, foi apresentado anexo contendo os valores que teriam decaído antes da ciência do auto de infração, e que no acórdão da Turma Julgadora 0120120, não constaria os valores objeto da decadência, e que se a decisão não acobertou seus pleitos, estaria caracterizado o cerceamento do direito de defesa, e ainda, que os valores cobrados na carta de cobrança estariam todos impugnados, em razão da argumentação de decadência. Juntamente com essa petição, a contribuinte apresentou um documento sem data, que tem como título “anexo a impugnação dos valores a decair”, onde conclui que a totalidade dos débitos fiscais lançados, oriundos da aplicação da presunção do art. 42 da lei 9.430/96 estaria extinta, antes da lavratura dos autos de infração. Verificase que a autoridade administrativa, havia desmembrado o crédito tributário considerado como não impugnado para o processo nº 10283.720035/201154, e com a apresentação dessa petição, apensou este processo a estes autos. Apesar da petição estar dirigida ao Chefe do Serviço de Arrecadação, não há como não admitila como recurso voluntário, pois, o Processo Administrativo Fiscal é regido pelo formalismo moderado, assim, o erro na identificação do destinatário da petição, não descaracteriza sua inconformidade com o decidido pela Turma Julgadora e nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 dias seguintes à ciência da decisão. Essa petição foi apresentada dentro do prazo para a interposição de recurso voluntário, assim deve referida petição ser recebida como recurso voluntário. Concluise que o recurso voluntário atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720422/200623 Acórdão n.º 1102000.832 S1C1T2 Fl. 11 10 Em relação à argumentação de que juntamente com a impugnação de 12/01/2007, foi apresentado anexo contendo os valores que teriam decaído, e que não restaria crédito tributário algum, pois todos os fatos geradores teriam sido atingidos pela decadência, verificase que esse documento não consta dos autos, e nem mesmo a sua impugnação, tempestiva, faz referência a qualquer anexo, ou seja, a recorrente não apresentou qualquer prova de que tenha apresentado esse anexo juntamente com a impugnação. Entretanto, a Turma Julgadora, por entender que a matéria relacionada com a decadência é de ordem pública, ainda que não impugnada (exceto para o imposto de renda na fonte, cuja decadência expressamente foi impugnada) aprecioua em relação a todo o crédito tributário constituído, tendo inclusive discriminado os valores de crédito tributário que foram exonerados em razão de decadência do direito da Fazenda Nacional os exigir, mantendo parte do crédito tributário, que está devidamente identificado no voto condutor do acórdão recorrido. A decisão de primeiro grau proferida não contém qualquer vício. Rejeitase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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8059846
# Numero do processo: 19515.004553/2003-11
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPE
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO
ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL - É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações
financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
DADOS DA CPMF - INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e
critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do
fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN).
AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCARIA EM NOME PRÓPRIO - LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna licito o lançamento sobre o próprio titular da conta.
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o
auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua
lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados
em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de
1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ,falta insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, 1, da Lei n° 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1º de abril
de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC nº 4).
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.386
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NELSON MALLMAN
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPE Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF - INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCARIA EM NOME PRÓPRIO - LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna licito o lançamento sobre o próprio titular da conta. AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ,falta insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, 1, da Lei n° 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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# Numero do processo: 19515.000289/2003-46
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESLTNÇÃO LEGAL.
Desde 10 de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os
valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado,
não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações.
JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4)
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.612
Decisão: Acordam os me aros do olegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESLTNÇÃO LEGAL. Desde 10 de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4) Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
numero_processo_s : 19515.000289/2003-46
conteudo_id_s : 6093860
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
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nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Acordam os me aros do olegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
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