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Numero do processo: 18471.001248/2006-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 GLOSA DE CUSTOS. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. São indedutíveis os custos utilizados em duplicidade como despesas gerais, não logrando o contribuinte outrossim, comprovar os dispêndios com documentos hábeis e idôneos de acordo com as normas da legislação fiscal e comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME POR AMOSTRAGEM. Não enseja nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, o exame por amostragem da escrituração e respectiva documentação que a embasou, mormente se a infração e respectivos documentos estão perfeitamente descritos e identificados no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1803-000.915
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA DE CUSTOS. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. São indedutíveis os custos utilizados em duplicidade como despesas gerais, não logrando o contribuinte outrossim, comprovar os dispêndios com documentos hábeis e idôneos de acordo com as normas da legislação fiscal e comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME POR AMOSTRAGEM. Não enseja nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, o exame por amostragem da escrituração e respectiva documentação que a embasou, mormente se a infração e respectivos documentos estão perfeitamente descritos e identificados no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. Fl. 1437DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.413 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor da Silva Maizman. Relatório PINAMAK COML. DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O presente processo trata de autos de infração lavrados pela Defic Rio de Janeiro (fls. 458/482), em que os períodos de apuração coincidiram com os quatro trimestres do ano calendário 2002. Conforme demonstrativos nas fls. 2, 465, 470, 475 e 482 o crédito tributário do processo compreende R$ 74.733,34 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); R$ 2.759,10 de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); R$ 31.941,01 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); e R$\6.796,55 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), bem como multa de oficio de 75% e encargos moratórios. 1.1. O enquadramento legal é citado às fls. 459, 462 e 465 (IRPJ); 467 e 470 (PIS); 478 e 482 (CSLL); 473 e 475 (Cofins). 1.2. Na DIPJ 2003, fl. 4, houve tributação pelo lucro real e apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. 2. As autuações de IRPJ e das contribuições foram motivadas por omissão de receita decorrente da não contabilização de depósitos bancários. 2.1. Conforme Termo de Intimação de fls. 104/105, após considerar as transferências entre contas, a fiscalização apurou um montante em depósitos bancários superior à receita bruta declarada para o anocalendário de 2002. Intimado a esclarecer a diferença, o interessado informou, fl. 106, que se tratava de transferências entre contas de mesma titularidade. Como as transferências já tinham sido descontadas, a alegação não foi aceita, sendo a diferença tributada como omissão de receita. Os demonstrativos encontramse às fls. 337/345. 3. Os lançamentos de Imposto de Renda e CSLL também de fundamentaram em glosa de custos nãocomprovados e de despesas operacionais não necessárias: Fl. 1438DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.414 3 3.1. Custos nãocomprovados. Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVCF), fls. 455/456, o contribuinte foi intimado a comprovar R$ 185.958,33 em custos escriturados no Livro de Entradas do ISS, fls. 229/231. O interessado apresentou documentos que registravam um valor total de R$ 177.651,65. Destes, R$ 90.105,55 não foram aceitos, pelos motivos registrados no último parágrafo da fl. 455: "alguns dos documentos apresentados não foram aceitos pela fiscalização, por diversas razões ou porque o documento apresentado é apenas um boleto bancário, sem a nota fiscal que esclareça a natureza do gasto, ou pelo fato de o documento já ter sido apresentado quando da análise das despesas operacionais, ou ainda porque o recibo apresentado não informa o serviço prestado pela pessoa física que o assina". 3.1.1. As razões de glosa foram especificadas por documento no demonstrativo de fls. 346/348. A apuração dos R$ 108.811,34, que foram considerados como custo não comprovados, encontra se nas planilhas da fl. 456. 3.2. Despesas nãonecessárias. Foram consideradas como não necessárias à operação da empresa, as despesas descritas nas fl. 452/453: despesas particulares dos sócios; despesas com refeições dos sócios; despesas de supermercado que não caracterizam compras para refeições de empregados, pelo tipo e quantidade de produtos adquiridos; despesas com veículos que não constavam do ativo permanente da empresa; despesas diversas na cidade de Teresópolis, como, por exemplo, diárias em hotel fazenda. 4. O interessado tomou ciência dos autos de infração em 06/11/2006, fls. 458, 466, 472 e 476, e, em 06/12/2006, apresentou impugnação, fls. 492/524, e documentos, fls. 525/1324, alegando, em síntese, que: 4.1. A fiscalização teve acesso, tempestivamente, a toda a documentação que o interessado anexa para fundamentar suas alegações (1° § dos itens II, III e IV da impugnação; fl. 513, 516 e 517; Anexos I, II e III, capeados pelas fls. 533, 612 e 1.128); 4.2. Sobre o procedimento de fiscalização: "A própria Sra. Auditora reconhece não ter tido tempo hábil para a análise, já que informa ter feito sua verificação por amostragem" (fl. 513)”; 4.3. Sobre as despesas consideradas não necessárias (Item II da impugnação): a) O CD para programa motivacional, do fornecedor Finac, foi adquirido por R$ 29,80, e não por R$ 2.980,00, como considerou a fiscalização (fl. 514); b) A despesa de R$ 811,11 no Hotel Fazenda Carrapeta refere se a hospedagem em eventos e reuniões que não devem acontecer na filial de Macaé (fls. 514 e 534; docs. fls. 537;538 e 545); Fl. 1439DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.415 4 c) Fornecedor De Plá: material fotográfico e revelações contendo registros de fatos necessários e/ou pertinentes à atividade da impugnante (fl. 514); d) Fornecedor Hotel Brasília: gastos com hospedagem de funcionários que , trabalham no diaadia da filial Macaé (fls. 514/515); e) Fornecedor Ad Lima: Bar em frente à empresa. Faturamento mensal de despesas de alimentação e fornecimento da água para a matriz, com relatórios comprobatórios (fl. 515); f) A quase totalidade das despesas com alimentação/refeição foram despendidas com clientes e com funcionários em trânsito. A fiscalização não admitiu a Nota Fiscal do Porção Rios referente a confraternização de fim de ano dos funcionários da matriz (fl. 515); g) Despesas com veículos pertencem à impugnante e/ou eram utilizados em suas atividades. Apresenta declarações e documentos que identificam os veículos e os postos de gasolina que emitiram Notas Fiscais em nome da impugnante. Apresenta também "Relatórios de Controle" (fl. 515/516 e docs. de fls. 602/605); h) A veículo Saveiro, placa LBG 2632, pertencente à impugnante, tem multas que totalizam R$ 1.254,34, e foi classificado como "não identificado" pela fiscalização (516 e docs. de fls. 606/611); 4.4. Sobre os custo que a fiscalização considerou como não comprovados (Item III da impugnação): a) Está anexando (Anexo II, fl. 612/1.127) toda a documentação que foi, apresentada à fiscalização, e que comprovam totalmente os custos. A documentação inclui planilhas e contratos de prestação de serviços, nos quais resta claro que tudo tem a ver com a atividade fim da impugnante; b) A planilha, fls. 613/615, baseiase no demonstrativo de custos não comprovados, fls. 346/348. Os documentos apresentados como comprovantes de custos incorridos em janeiro de 2002 encontramse nas fls. 702/705; os de fevereiro, nas fls. 706/715; e assim por diante até os de dezembro, que estão nas fls. 865/876. Há também copias de contratos de prestação de serviços; 4.5. Sobre os depósitos bancários (Item IV da impugnação, fls. 517/518, e Anexo III, fls. 1.128/1.313): “após análise minuciosa dos anexos constantes do Auto de Infração do IRPJ que ora estamos a defender, cruzando todos os depósitos bancários, assim como outros lançamentos, os quais, ver observações que fizemos em ‘vermelho’, apresentam valores divergentes aos constantes nos correspondentes extratos bancários. Fl. 1440DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.416 5 E, é claro, para comprovar estamos apresentando (.) PLANILHA que elaboramos e, ainda, apresentando, Caso a caso, todos os extratos e/ou comprovantes bancários pertinentes (VER ANEXO III)" (fls. 517/518); 4.5.1. O interessado apresenta, no Anexo III, fl. 1.129, uma planilha em que sintetiza quais correções devem ser feitas. 4.6. Dos pedidos (Item VII da impugnação) a) Pede o deferimento da impugnação, julgandose como improcedente, na totalidade o auto de infração; b) Pede ainda que seja declarada a nulidade e improcedência de todas as verificações fiscais contidas no Auto de Infração (fl. 523). 5. Em 08/10/2008, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse juntado aos autos o demonstrativo das despesas operacionais glosadas, em que constassem valor, data e descrição (fl. 1.350). Tal diligência se fez necessária porque não foi localizado o demonstrativo mencionado no último parágrafo da fl. 453. 5.1. Intimado, fl. 1.352, o interessado apresentou os demonstrativos de fls. 1.362/1.380. 5.2. No relatório da fl. 1.381, consta a informação de que os demonstrativos de "despesas objeto de glosa" e das "despesas que a fiscalização classificou como não necessária encontramse às fls. 1.362/1.370 e 1.370/1.380 respectivamente. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 1223.762, de 16 de abril de 2009 (fls. 1.383/1.390), julgou parcialmente procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. VICIO DE MOTIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE MOTIVO DE FATO.E DE DIREITO. CUSTOS OU DESPESAS NÃO NECESSÁRIOS ENQUADRADOS COMO NÃO COMPROVADOS. É improcedente a parcela do lançamento para a qual há divergência entre o motivo de fato e o de direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DESPESAS NÃONECESSÁRIAS. Exonerase o interessado, quando a fiscalização não apresenta demonstrativo individualizado das despesas glosadas. Fl. 1441DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.417 6 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. DIFERENÇA ENTRE O TOTAL DOS DEPÓSITOS E A RECEITA BRUTA DECLARADA. Por falta de previsão legal, exonerase o interessado que, sem ter sido intimado a comprovar a origem dos depósitos, foi autuado por omissão de receita com base na diferença entre o total dos depósitos bancários e a receita bruta declarada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DESPESAS NÃONECESSÁRIAS. Exonerase o interessado, quando a fiscalização não apresenta demonstrativo individualizado das despesas glosadas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins devem receber o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Ciente da decisão em 03/06/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1.395.v), apresentou o recurso voluntário em 01/07/2009 fls. 1.396/1.408, onde pugna que o lançamento deve ser cancelado por cerceamento de defesa considerando que o procedimento fiscal foi realizado por amostragem. É o relatório. Fl. 1442DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.418 7 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração IRPJ e CSLL contendo crédito tributário remanescente de lançamento de ofício relativo aos 4 (quatro) trimestres do ano calendário 2002, tendo sido mantida pela decisão de primeira instância exclusivamente a matéria relativa a glosa de custos indedutíveis. Alega a recorrente em síntese: a) Que deve ser integralmente cancelada a exigência remanescente em virtude do notório cerceamento de defesa tendo em vista que o procedimento fiscal foi realizado por amostragem; b) Que “em virtude da análise por amostragem, impossibilitada ficou a Recorrente de comprovar, ou mesmo tirar as supostas dúvidas, havidas por parte da fiscalização em relação aos recolhimentos tributários e os gastos e despesas contabilizadas”. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa da bem lançada decisão de primeira instância (fls. 1.383/1.390), foram afastadas as matérias tributárias relativas a omissão de receitas por depósitos bancários e despesas não necessárias, face as notórias incompatibilidades de método e fundamentação legal. Permaneceu apenas a matéria relativa aos custos indedutíveis e mesmo com relação a esta, aperfeiçoou a primeira instância o lançamento, afastando as parcelas relativas a deficiente e incompatível fundamentação legal. Tenho que a utilização do método por amostragem para o exame da escrituração contábil e da documentação é ferramenta utilizada em todos os trabalhos de auditoria fiscal e contábil, não havendo nenhum óbice na sua utilização por parte da fiscalização. Constatase outrossim, que a infração relativa aos custos indedutíveis foi devidamente descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 455/457), tendo os documentos glosados constado de forma detalhada na planilha às fls. 346/348, juntamente com os motivos de sua recusa para justificar adequadamente os custos computados para redução do lucro líquido do ano calendário 2002. Verificase de plano que grande parte dos documentos recusados o foram por terem sido computados em duplicidade – uma como despesa (apresentados à fiscalização) e outra como custo – sem qualquer razão ou justificativa. Fl. 1443DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 18471.001248/200619 Acórdão n.º 180300.915 S1TE03 Fl. 1.419 8 Os demais documentos recusados tem como principal razão a falta de descrição da natureza do serviço prestado (tratase de prestação de serviços prestados por pessoas físicas), impedindo a análise da sua necessidade, usualidade e normalidade para as operações da empresa. Tenho que o precário estado da escrituração contábil informado pela autoridade fiscal que realizou o procedimento fiscal, contribuiu sobremaneira para as dificuldades a que alude a recorrente mas que não justificam a cômoda alegação de cerceamento de defesa. Não procurou a recorrente apresentar qualquer justificativa ou contestação à acusação formulada pela fiscalização, seja em relação a utilização em duplicidade dos dispêndios seja em relação aos documentos que não evidenciam corretamente a natureza da operação e sua necessidade e normalidade para as atividades da recorrente. Sendo assim, se há alguma causa para a deficiente defesa apresentada no recurso voluntário esta não pode ser imputada ao método adotado pela fiscalização para a realização da auditoria contábil e fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 1444DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 06/06/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000060/2007-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição o u obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF.
Numero da decisão: 1803-001.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Rejeitamse os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Tratase de embargos de declaração formulados pela contribuinte (fls. 130/135), apontando ter havido obscuridade no voto condutor contido no Acórdão 180300938 (fls. 118/123), de 28/06/2011, desta turma de julgamento. Sustenta a embargante que: “ Que o acórdão reconheceu como correta a alíquota aplicada no auto de infração de 12% enquanto o art. 19 da Lei nº 9.249/95 determina que a alíquota da CSLL é de 8% acrescida de mais um por cento.” O acórdão recorrido encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. Conforme disposição expressa do art. 20 da Lei nº 9.249/95, o coeficiente de presunção para apuração da base de cálculo da CSLL é de 12% da receita bruta, exceto para as empresas prestadoras de serviços referidas no inciso III do § 1o do art. 15 do mesmo diploma legal, cujo percentual corresponde a 32%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. DCTF RETIFICADORA. Conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000060/200764 Acórdão n.º 1803001.165 S1TE03 Fl. 140 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Sustenta a embargante ter havido obscuridade no acórdão quando afirma que a alíquota que deve ser aplicada é de 12% enquanto o disposto no art. 19 da Lei nº 9.249/95 preconiza a alíquota de 8%. Analisando os autos, constato que não assiste razão à embargante pelos seguintes motivos: a) O acórdão embargado consignou que a alíquota para apuração da base de cálculo da CSLL no ano calendário é de 12% conforme determina o art. 20 da Lei nº 9.249/95; b) A embargante confunde obviamente a alíquota para apuração da base de cálculo presumida da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com a alíquota para apuração da CSLL que efetivamente no período objeto do lançamento é de 9% (nove por cento). Como o acórdão aplicou corretamente a norma aplicável e havendo evidente equívoco de entendimento por parte da embargante que confunde a alíquota para apuração da base de cálculo com a alíquota para apuração da contribuição, não ocorre qualquer obscuridade no acórdão objeto dos embargos. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916028/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 28 /2 00 9- 09 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10783.916028/200909 Acórdão n.º 3402003.896 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720669/2007-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2007
MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO.
SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES.
Aplica-se a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratando-se apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA.
Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES. Aplica-se a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratando-se apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA. Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 154 1 153 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720669/200788 Recurso nº 505.342 Voluntário Acórdão nº 1803001.135 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. SIGILO DAS TELECOMUNICAÇÕES. Aplicase a multa regulamentar por falta de atendimento de intimação regularmente efetuada, sendo inoponíveis as alegações de sigilo de telecomunicações tratandose apenas dos dados dos contribuintes usuários e remetentes das informações transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA CONTROLADORA. Não se acolhem as alegações de ilegitimidade passiva quando a contribuinte assume para si a responsabilidade pelos atos de gestão de suas controladas e coligadas, negando a prestação de informações sem qualquer alegação adicional de que não teria prestado os serviços sobre os quais se funda a intimação da autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 155 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ JUIZ DE FORA (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de auto de infração formalizado em 06/09/2007 em nome da contribuinte acima identificada para aplicação de multa regulamentar de valor fixo de R$ 2.694,79, em razão do não atendimento a intimação fiscal, nos prazos marcados, visando o fornecimento de informações e/ou esclarecimentos solicitados. No "Relatório de Procedimento Fiscal", as fls. 07/10, o autuante descreve todo o procedimento fiscal, a seguir sintetizado. No referido termo informa a autoridade fiscal que a empresa autuada foi intimada em 01/06/07 a informar os usuários que transmitiram informações via Internet para a SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL por meio dos Endereços IP's, nas datas c horários descritos no quadro de fls. 07. A intimação teve como base legal o art. 57, inciso II, alínea "a'', da Lei 4.117/62 e o art. 928, do Decreto n° 3.000/99. Em resposta, a contribuinte informou que as informações somente seriam enviadas por ordem judicial. Em 12/07/2007 foi fixado novo prazo de cinco dias para atendimento intimação, sob pena de lavratura de auto de infração para cobrança de multa regulamentar e Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Em 29/08/2007 a empresa enviou nova resposta na qual discorria novamente sobre a "violação das comunicações telefônicas". A vista desses fatos e com fundamento nos arts. 927, 928 e 968 do RIR11999 aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, a fiscalização procedeu a lavratura do auto de infração para Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 156 3 aplicar a multa máxima prevista no artigo 968 do Decreto n° 3.000/99. Também foi efetuada a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme o processo n° 10768720.670/200711. Inconformada com a exigência fiscal da qual tomou ciência em 12/09/2007, fl. 33, a contribuinte interpôs no dia 21 do mesmo mês, por meio de seus procuradores. a impugnação de fls. 34/47, acompanhada de cópia de documentos (fls. 48/86), apresentando as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: a) que demonstrando total cooperação com a autoridade fiscal apresentou, em 11/06/2007, resposta na qual explicitava os motivos que a impediam de cumprir os exatos termos da intimação; b) assim, foi atendida a intimação fiscal e prestados os devidos esclarecimentos e informações, sendo completamente imotivada a lavratura do auto de infração; c) no presente caso resta evidente a ilegitimidade passiva para atender as intimações, tendo em vista não ser a impugnante empresa que explora serviços de telecomunicações e atividades necessárias ou úteis a execução desses serviços; d) a sua própria denominação (Tele Norte Leste Participações S.A.) atesta constituir sua atividade precípua participar em outras sociedades, e não explorar serviços de telecomunicações; e) as informações solicitadas pelas autoridades fazendárias somente poderiam ser obtidas junto aos provedores de internet e empresas prestadoras de telecomunicações; A impossibilidade de quebra de registro de informações e cadastro de usuários de serviços de telecomunicações sem ordem judicial. Finaliza requerendo que o auto de infração seja integralmente cancelado. A DRJ JUIZ DE FORA (MG), através do acórdão nº 0919.042, de 13 de março de 2008 (fls. 91/97), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2007 INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SIGILO TELEFÔNICO. Limitandose a inviolabilidade das comunicações telefônicas à proibição de sua interceptação, sem ordem judicial, informações sobre os usuários que transmitiram informações via internet para a Receita Federal do Brasil devem ser prestadas A Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 157 4 autoridade fazendária, quando requeridas, sob pena de aplicação de multa regulamentar. Ciente da decisão em 27/05/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 98v), apresentou o recurso voluntário em 24/06/2008 fls. 100/114, onde reitera os argumentos da inicial de ilegitimidade passiva e impossibilidade de fornecimento de dados abrangidos pelo sigilo das telecomunicações. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 158 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa regulamentar por não atendimento de intimação fiscal, aplicada em seu valor máximo face a reiteração da negativa em prestar as informações solicitadas. As informações requeridas pela Secretaria da Receita Federal se referem aos usuários que transmitiram declarações através da internet (rede mundial de computadores) conforme os IP´s, datas e horários indicados nas intimações. Alega a recorrente em síntese: a) A sua ilegitimidade passiva na aplicação da multa regulamentar pois tem como atividade consoante seu estatuto social a participação em outras empresas e não serviços de telecomunicações que seriam realizados por empresas controladas e coligadas; b) A impossibilidade de prestar informações abrangidas pelo sigilo das telecomunicações conforme disposto no art. 5º, XII sem a competente autorização judicial. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente com relação a argüição de ilegitimidade passiva tenho que a atividade constante do seu estatuto social não impediria que a mesma realizasse qualquer atividade de telecomunicações. Afirma a recorrente que por ser apenas empresa com atividade de participação em outras empresas e controladora de empresas de telecomunicações, não poderia ser compelida a prestar informações sobre clientes e usuários destes serviços. Tal argüição em momento algum foi oposto às autoridades fiscais que efetuaram as intimações, limitandose a recorrente apenas a repetir as alegações de estarem as informações acobertadas pelo sigilo das telecomunicações. Não se pode admitir outrossim, que se trate de produzir prova negativa ou “diabólica” como quer fazer crer a recorrente em uma de suas alegações. Tenho que a prova a ser produzida seria relativamente simples ao comprovar através das receitas auferidas ou indicando qual das suas coligadas ou controladas teria prestado o serviço, mas preferiu a contribuinte simplesmente a negativa geral ao acesso das informações requeridas. Outrossim, ocorre nestes casos a aplicação da teoria da encampação em que a pessoa jurídica controladora detentora de maiores poderes de gestão, assume para si a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10768.720669/200788 Acórdão n.º 1803001.135 S1TE03 Fl. 159 6 responsabilidade pelos atos da controlada tendo em conseqüência legitimidade para figurar como sujeito passivo na aplicação da penalidade aplicada pela Secretaria da Receita Federal. No que se refere as alegações de possibilidade de atendimento das solicitações somente mediante autorização judicial entendo que tampouco merecem acolhida. Com efeito, conforme já apontava a autoridade fiscal ao realizar as intimações, não tem amparo legal negar a prestação de informações com alegações de quebra de sigilo das telecomunicações, quando se trata apenas de identificação do usuário que efetuou o envio das declarações à própria Secretaria da Receita Federal destinatária final das informações enviadas. Neste contexto, apresentamse despidas de razoabilidade as alegações da recorrente pois além de não se tratar de qualquer quebra ou interceptação de telecomunicações, a requisição das informações além de estar amparada legalmente é realizada pelo destinatário das informações ou que se apresenta um verdadeiro absurdo. Neste sentido, as intimações emanadas da autoridade fiscal já ressaltavam, citando o art. Artigo 57, inciso II, alínea a", da Lei 4.117/62: (verbis) "Art. 57 — Não constitui violação de telecomunicação: II — o conhecimento dado: a) ao destinatário da telecomunicação ou a seu representante legal". Rejeito assim, as alegações de que as informações requeridas se encontravam resguardadas pelo sigilo das telecomunicações delineado no art. 5º, inciso XII da Carta da República, justificando a negativa em prestar as informações requisitadas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13804.002923/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.582
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente DOW BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de pedido de restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 29 23 /2 00 8- 58 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório indeferindo a restituição pleiteada, sob o fundamento de que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 16040.598. Em síntese, a DRJ manteve o entendimento de que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13804.002923/200858 Acórdão n.º 3302003.582 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.003721/2009-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 37 21 /2 00 9- 24 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11516.003721/200924 Acórdão n.º 9202004.899 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721070/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes.
Numero da decisão: 2201-003.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas médicas constantes do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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COMPROVAÇÃO. Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas médicas constantes do voto do Relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 99 85 .7 21 07 0/ 20 13 -1 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 RENATO TURATTO FILHO RENATO TURATTO FILHO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 90DF CARF MF 2 Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 2010/924863547262824, fl. 35 a 43, relativa ao exercício de 2010, ano-calendário de 2009. O crédito tributário lançado decorre das conclusões da Autoridade Fiscal que, ao analisar os documentos apresentados em atendimento a intimação regular, os quais encontram-se arquivados no dossiê de Malha Fiscal nº 10010.018938/0213-61, promoveu as seguintes alterações na declaração apresentada pelo contribuinte, em 04 de novembro de 2013: a) Glosa de R$ 2.600,00 indevidamente deduzido a título de Contribuição à Previdência Privada, por não ter sido comprovada; b) Glosa da R$ 1.730,40 indevidamente deduzido a título de dependente, já que não restou comprovado que Renata dos Santos Turatto, filha maior de 21 anos, estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou profissional; c) Glosa de despesas médicas declaradas, conforme quadro abaixo, das quais, os valores, os valores relativos Renata foram glosados por ter sido excluída da relação de dependência, os demais valores foram glosados por falta de apresentação de comprovantes háveis. Item Prestador do serviço valor Deneficiário 1 Qualicorp Administradora de bens 6.252,06 Renato Turatto 2 Qualicorp Administradora de bens 3.267,54 Tatiana dos Santos Turatto 3 Qualicorp Administradora de bens 3.292,17 Renata dos SantosTuratto 4 Qualicorp Administradora de bens 6.136,14 Edisnéia dos Santos Turatto 5 CDC Clínica Odontológica Soar 255,00 Renata dos SantosTuratto 6 Ivonete Garcia (2.520 - 838,65)) 1.681,35 Renata dos SantosTuratto d) Glosa de IRRF no valor de R$ 50,87, que teria sido objeto de retenção pelo INSS. Inconformado com o lançamento, cuja ciência ocorreu em 14 de novembro de 2011 (fl. 34, ), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 2, na qual expressou sua discordância exclusivamente em relação a parte das glosas efetuadas a título de despesas médicas (concordando com as demais infrações e com a glosa das despesas médicas destacas na planilha acima, itens 3 e 5). No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 21ª Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, pelas razões a seguir resumidas, fl. 53/57: Da despesas de R$ 1.681,35, fl. 56 Na Notificação de Lançamento foi especificado que o valor de R$ 1.681,35 de fato pertencem à Renata dos Santos Turatto (cuja dependência foi excluída e não contestada pelo Contribuinte) e não à Tatiana dos Santos Turatto. O Contribuinte apenas apresentou o documento Demonstrativo de Reembolso da Sul América Seguro Saúde S/A, fls. 16/17 cuja despesa totaliza R$ 2.100,00, com reembolso de R$ 748,80, sendo especificado o nome de Tatiana Dos Santos Turatto. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 19985.721070/2013-10 Acórdão n.º 2201-003.544 S2-C2T1 Fl. 91 3 Os valores constantes nos Demonstrativo não estão de acordo com aqueles informados na Declaração de Ajuste Anual. apresentou as seguintes conclusões: Das despesas com a Qualicorp, fl. 56/57 Quanto aos valores informados para Qualicorp Administradora de Benefícios, CNPJ 07.658.098/0001-18, estes foram glosados por motivo de falta de comprovação através de documentos hábeis, como boletos de pagamentos quitados ou outras comprovações de pagamentos. O Contribuinte apresentou o documento de fls. 15 onde consta informação de que os valores foram pagos ao Acess Clube de Benefícios Ltda, CNPJ 07.658.098/0001-18, referente a contrato coletivo firmado com a Sul América Seguro Saúde S/A, em convênio com o Sindicato dos Engenheiro no Estado de São Paulo. Em análise ao Demonstrativo apresentado constata-se que não é possível identificar o órgão que emitiu o referido documento, uma vez que não consta especificação do órgão expedidor. Ciente do Acórdão da DRJ em 19 de março de 2013, fl. 61, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 65, cujo conteúdo será tratado no decorrer do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Sobre as deduções a titulo de despesas médicas, oportuno destacar o que dispõe o art. 80 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda): “Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250/95, art. 8º, II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250/95, art. 8º, §2º): (...) II – restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 92DF CARF MF 4 III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Das despesas médicas incorridas pela dependente Tatiana dos Santos Turatto (R$ 1.681,35, item 6 da planilha supra) O recorrente alega que os valores foram indevidamente considerados como gastos com Renata dos Santos Turatto, filha não mais considerada como dependente, mas que, na verdade, são relativos à dependente Tatiana dos Santos Turatto, afirmando erro apenas no momento de discriminar o prestador de serviço, já que o correto seria R$ 2.100,00 em favor da profissional Ivonete Garcia e R$ 420,00 com a Cliínica Landi & Lemos S/A. Em fl. 26 consta a declaração de despesas junto á profissional Ivonete Garcia para a dependente Tatiana dos Santos Turatto, no valor de R$ 2.520,00, com parcela reembolsada de R$ 838,65, o que monta o valor dedutível de R$ 1.681,35. Analisando os documentos de fl. 70/72, verifica-se a correção das alegações do contribuinte, devendo, portanto, ser restabelecido o valor em tela. Das despesas médicas incorridas pelo Recorrente Neste item o contribuinte faz considerações sobre a despesa junto à Clínica Landi & Lemos S/A, no valor de R$ 420,00, com parcela reembolsada de R$ 89,85, que monta um valor dedutível de R$ 330,15. Sustenta que tal valor foi declarado, por equívoco, como sendo pago a profissional Ivonete Garcia e solicita que a mesma seja considerada. Em fl. 26 consta a dedução de tal despesas declarada pelo contribuinte em nome da profissional Ivonete Garcia e em fl. 74 a mesma resta comprovada, só que, de fato, tendo como beneficiária do pagamento a Clínica Landi & Lemos S/A. Não obstante, conforme se verifica na planilha supra, não houve glosa de tal montante, o que demonstra que, mesmo com o equívoco da informação, o contribuinte já se beneficiou da dedução. Das despesas odontológicas incorridas pela dependente Tatiana dos Santos Turatto O contribuinte contesta a negativa da DRJ em considerar a despesa objeto da nota fiscal nº 12.470, emitida pela Clínica Odontológica Soares, anexo 3, fl. 75. Em fl. 26, consta a dedução de R$ 370,00 pagos à Clinica Odontológica Soares, relativa a despesas com a dependente Tatiana dos Santos Turatto. Consta, ainda, a dedução de R$ 255,00 relativa a despesas com a dependente desconsiderada Renata dos Santos Turatto. Os R$ 370,00 relativos à dependente Tatiana foram acatados, em parte por conta da nota fiscal 12.470, juntada ao dossiê de Malha Fiscal nº 10010.018938/0213-61. O que foi glosado, e que contou com a concordância do recorrente, conforme se depreende da planilha supra, foi o valor de R$ 255,00 relativo à Renata, que decorre do somatório das notas fiscais emitidas pela mesma empresa de nº 12.468 e 12.237, juntadas em fl. 23 e 24 do citado dossiê. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19985.721070/2013-10 Acórdão n.º 2201-003.544 S2-C2T1 Fl. 92 5 Das despesas incorridas com o plano de assistência médica Acess Clube de Benefícios Ltda (atual Qualicorp Administradora de Benefícios) O recorrente contesta a decisão da DRJ que não acatou as despesas junto ao plano de saúde em tela por falta de comprovação, juntando os documentos objeto do anexo 4, fl. 76/85. Dentre os documentos apresentados, vale destaque para o de fl. 76, que é o mesmo já juntado anteriormente, fl. 15, e que levou a sua desconsideração pela DRJ, já que não permitia identificar o órgão expedidor. Nesta nova juntada de documentos, o contribuinte apresenta cópia do seu verso, que já permite identificar o emissor, bem assim os extratos bancários onde podem ser verificados os respectivos débitos mensais. Assim, entendo adequadamente comprovada a dedução tratada neste item, devendo ser restabelecido o montante de R$ 15.655,74, relativo aos valores de despesas efetuadas com o titular e com as dependentes Edisnéia dos Santos Turatto e Tatiana dos Santos Turato (R$ 6.252,06, R$ 6.136,14 e R$ 3.267,54). Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para restabelecer os valores das despesas médicas constantes da planilha abaixo: Item Prestador do serviço valor Beneficiário 1 Qualicorp Administradora de bens 6.252,06 Renato Turatto 2 Qualicorp Administradora de bens 3.267,54 Tatiana dos Santos Turatto 4 Qualicorp Administradora de bens 6.136,14 Edisnéia dos Santos Turatto 6 Ivonete Garcia (2.520 - 838,65)) 1.681,35 Renata dos SantosTuratto Total 17.337,09 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901760/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório. Tratase de PER/DCOMP nº 13768.11896.150307.1.7.020117, transmitido em 15/03/2007, no qual a contribuinte acima identificada, indicou crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2005, exercício 2006, para compensar débitos de sua responsabilidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 76 0/ 20 10 -9 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 3 2 Para melhor entender o pleito transcrevo a seguir, parte do relatório da decisão recorrida, fls.116/127, pertinente ao assunto: (...) Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 863114010, de 19 de maio de 2010, nos seguintes termos: 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do Imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 543.500,92 92.670,81 555.578,22 1.191.749,95 CONFIRMADAS 417.260,11 92.670,81 257.549,93 767.480,85 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 843.476,42. Valor na DIPJ: R$ 843.476,42 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.191.749,95 IRPJ devido: R$ 348.273,53 Valor do saldo negativo disponíveis (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 419.207,32 O crédito reconhecido foi Insuficiente para compensar Integralmente os débitos Informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP:13768.11896.150307.1.7.020117 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 34678.88823.050706.1.7.028186 30362.68618.050706.1.7.027304 23025.73024.050706.1.7.022073 Ciente em 31 de maio de 2010 (fl. 112), a interessada apresentou, em 29 de junho de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 17, assim resumida: [...] o CNPJ autuado pertence a uma empresa que possuía sede no Estado de São Paulo ("CIMAF CABOS S/A). Ocorre que, em AGE, Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 4 3 realizada no dia 02/04/2007, os acionistas da então CIMAF CABOS S/A aprovaram a sua incorporação pela Belgo Bekaert Arames S/A [...]. ISTO POSTO, deve ser anulada a autuação pelo vício formal de não qualificar corretamente o sujeito passivo, nos exatos termos dos arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72. Ad argumentandum, caso assim não se entenda, deve ser tomada a Belgo Bekaert Arames Ltda. como sujeito passivo do presente [...]. [...] As decisões que não homologam compensações, proferidas exclusivamente por meio dos chamados despachos decisórios eletrônicos [...] aviltam as prerrogativas e a competência da autoridade fiscal [, que se transformaria] em mero autômato, despachante e processador de dados eletrônicos [...]. [...] Desse modo, como pode o contribuinte cumprir os requisitos contidos no inciso III, se não lhe foram ditos os motivos que levaram a autoridade administrativa a desconsiderar o seu crédito. Logo, o direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 [...]. [...] Isto posto, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo Fisco, do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir no presente processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o despacho decisório. [...]5.1. IRPJ Retido na Fonte. Em relação ao IRRF, antes de tudo ressaltese que a requerente utilizou um total de R$ 525.507,28 para compor o saldo negativo. Este montante não foi confirmado pela Receita Federal: CNPJ da Fte Pagadora Cód de Receita Vr IRRF Vr Confirmado Vr Não Confirmado Justificativa 33.000.167/008862 6147 291.092,05 87.844,88 103.247,17 IRF prova parcial 60.746.948/000112 3426 234.415,23 229.415,23 5.000,00 IRF outro CNPJ Total 525.507,28 417.260,11 108.247,17 Diante de tal fato, a requerente apresenta em anexo os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, CNPJ 33.000.167/000101 (doc. 07). Estes rendimentos foram pagos à requerente mediante a indicação de seu CNPJ da matriz (R$ 187.844,88 confirmados pela RFB) e também do CNPJ de sua filial (R$ 97.046,10 não confirmados). Todavia, como já se percebe, essa diferença apontada no despacho decisório corresponde às retenções ocorridas em pagamentos realizados por órgãos públicos direcionados ao CNPJ Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 5 4 03.591.717/000224 e devidamente informados em DIPJ e na PER/Dcomp. Todavia, este CNPJ corresponde a uma filial da empresa, conforme demonstrado abaixo: [...] Logo, não pode o despacho decisório indeferir a compensação do IRPJ retido na fonte para pagamentos realizados à filial. Conforme dispõe o art. 15 da Lei 9.779/99, tanto a DCTF quanto a DIPJ deverão ser apresentadas de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz: [...] 5.2. Desconsideração dos valores pagos recolhidos pela Requerente. Em relação às estimativas pagas mediante DARF, pouco precisa ser dito. A Fiscalização confirmou apenas a existência do recolhimento efetuado no valor de R$ 92.670,81, e simplesmente ignorou o DARF no valor de R$ 107.830,15 recolhido em 24/06/2006 referente à estimativa de janeiro de 2005 (doc. 08 DARF). Na verdade, tudo leva a crer que o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005 somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp. Todavia, é certo que um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pago tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: [...] No presente caso, a Requerente, tendo apurado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. Entretanto, ao preencher o PER/DComp, a Requerente deixou de indicar o DARF com que quitou a estimativa de janeiro, impossibilitando a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não faz decair seu direito material ao crédito. [...] Na composição do saldo negativo de 2006 (AC 2005), a requerente quitou parte das estimativas de janeiro e fevereiro mediante apresentação de duas PER/DComp: Período de apuração N° do Processo / Nº da DCOMP Estimat.comp.DCOMP Vr confirmado Vr n/confirmado jan/05 16232.50805.070706.1.7.024902 257.549,93 257.549,93 0,00 fev/05 24629.08130.070706.1.3.022750 208.191,78 257.549,93 298.028,29 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 6 5 Total 465.741,71 515.099,86 298.028,29 O que se percebe é que a PER/DComp utilizada para quitar a estimativa de fevereiro foi indevidamente desconsiderada. É que, de todo modo, o pagamento da estimativa é uma mera antecipação dos valores devidos a título de IR e CSLL que serão apurados no final do períodobase e, havendo saldo negativo, a empresa tem o direito de compensálo. No momento em que a Receita Federal exige que na PER/DComp sejam declarados todos os créditos que constituíram o saldo negativo, obviamente a intenção é que as informações da DIPJ e da DCTF sejam refletidas no pedido de compensação. Sendo assim, identificada qualquer divergência entre as declarações, deverá ser levado em consideração aquela que representar a realidade fática. (...) A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo à interessada direito creditório suplementar igual a R$ 103.247,17 (cento e três mil, duzentos e quarenta e sete reais e dezessete centavos) em relação ao IRF que compõe o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2005, em comento. O Acórdão nº 0261.946, 4ª Turma da DRJ/BHE, de 30/10/2014, acima mencionado, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por este Órgão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 22/12/2014 (Aviso de Recebimento AR), fl.128, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 20/01/2015, fls.130/144, conforme Termo de Análise de Juntada datado de 22/01/2015, fls.183/184. Inicialmente, a Recorrente argúi nulidade da intimação do acórdão da DRJ sob o fundamento de que, o mesmo "incorre em patente irregularidade pela ausência dos anexos que contenham as informações sobre o valor decotado, bem como os respectivos DARFs atualizados dos débitos que foram mantidos pela DRJ". Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 7 6 Diz que, não teve acesso ao extrato dos valores discutidos e dos valores decotados pela decisão DRJ, e nem mesmo recebeu os DARFs contendo os valores atualizados, impedindo a Recorrente de verificar se os valores excluídos foram liquidados de forma correta. Afirma que, dessa forma, a Recorrente permanece sem saber exatamente quanto que lhe está sendo efetivamente exigido pela Receita Federal, não podendo sequer recorrer destes valores com segurança por falta do extrato detalhando do montante decotado. Sob o título: 4. DO DIREITO: DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO a Recorrente argúi o seguinte, em síntese: Toda a questão que envolve o presente despacho decisório cingese à apuração do IRPJ durante o ano de 2005, e à constituição do saldo negativo de 2006 (anocalendário 2005). Como já mencionado, a DRJ manteve a não homologação da compensação em razão do não reconhecimento parcial das parcelas que compuseram o crédito, formadas pelo IRPJ retido na fonte, pelos pagamentos realizados via DARF e pelas estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. A Recorrente alega que para se chegar ao saldo negativo de R$ 843.476,42 a empresa necessariamente apurou um recolhimento total de R$1.191.749,95 dividido entre retenções na fonte, DARFs e estimativas compensadas. Contudo, de forma equivocada, a fiscalização não confirmou a totalidade desses valores. Aduz que: Em relação às estimativas pagas mediante DARF, constatase que a Fiscalização confirmou já no despacho decisório a existência do recolhimento efetuado no valor de R$ 92.670,81, e ignorou o DARF no valor de R$ 107.830,15 recolhido em 24/06/2006 referente à estimativa de janeiro de 2005 (doc. 05 DARF). Conforme indicado na manifestação de inconformidade, o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005 somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp. Todavia, um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. Sob o título: 5.2. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES a Recorrente argúi o seguinte, em síntese: Na composição do saldo negativo de 2006 (AC 2005), a requerente quitou parte das estimativas de janeiro e fevereiro mediante apresentação de duas PER/DComps: Período de apuração N° do Processo / Nº da DCOMP Estimat.comp.DCOMP Vr confirmado Vr n/confirmado jan/05 16232.50805.070706.1.7.024902 257.549,93 257.549,93 0,00 fev/05 24629.08130.070706.1.3.022750 208.191,78 0,00 208.191,78 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 8 7 Total 465.741,71 257.549,93 208.191,78 A Recorrente ressalta que o PER/DCOMP utilizado para quitar a estimativa de fevereiro foi indevidamente desconsiderado. Observa que o acórdão afirma que a estimativa desconsiderada é referente ao mês de janeiro, contudo tal afirmativa não coincide com a DCTF da Requerente e o Detalhamento do crédito emitido pela RFB para as compensações em análise. Diz que o valor não confirmado de R$ 208.191,78 foi parcialmente homologado pela RFB (foi homologado o montante de R$ 125,748,79 conforme doc. 06 Detalhamento da Compensação). Assim sendo, apurouse a diferença de R$ 82.442,99 a qual foi paga mediante DARF em anexo (doc. 07). Conclui que, merece reforma a decisão da DRJ no sentido de considerar as compensações de estimativas que foram glosadas pelo fisco, reconhecendo todo o crédito de R$ 208.191,78 oriundo da estimativa de fevereiro, permitindo assim que estas componham o saldo negativo em análise. Finalmente, a Recorrente resume que os valores não reconhecidos no acórdão n° 0261.496 pela DRJ, como parte do saldo negativo de IRPJ da Recorrente referente ao período de apuração do Exercício 2006 (anocalendário 2005), são os seguintes: (todos em R$): IRRF:5.000,00, Pagamentos DARF:107.830,15 e Compensação de estimativa: 208.191,78, Soma das parcelas: Saldo Negativo: 321.021,93. A Recorrente observa que, a partir da análise da DIPJ/2006, quanto às estimativas a recolher, os únicos meses em que se verificou saldo de IRPJ a pagar foram janeiro e fevereiro, haja vista que os outros meses do ano de 2005 apresentaram saldo negativo, sem necessidade de pagamento ou compensação. Afirma que, quanto ao mês de JANEIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 365.380,09, conforme declarado em DCTF, quitado do seguinte modo: DARF:107.830,15 e Compensações: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de 257.549,93 (inteiramente homologado pela RFB no despacho decisório), e, quanto ao mês de FEVEREIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 300.862,58, conforme declarado em DCTF, quitado com pagamento de R$ 92.670,81 mediante DARF (inteiramente homologado pelo despacho decisório) e Compensação: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de R$ 208.191,78 (parcialmente homologado pela RFB (R$ 125.748,79 conforme doc. 06, Detalhamento da Compensação). Assim sendo,(208.191,78 125.748,79) apurouse a diferença de R$ 82.442,99, paga mediante DARF em anexo (doc. 07.). A Recorrente ressalta que a mesma DComp em que foi declarado o valor de R$ 208.191,78, seguido da homologação de R$ 125,748,79 e do pagamento via DARF de R$ 82.442,99, foi também usada para quitar outros débitos do Exercício 2006 (que não é objeto do presente PTA), os quais, após a nãohomologação pela RFB foram pagos mediante DARF (doc. 08 Detalhamento da Compensação e DARFs). Finalmente requer, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de declarar a nulidade do despacho decisório assim como a nulidade da intimação, e, no mérito, homologar integralmente as compensações realizadas Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 9 8 por meio das PER/Dcomps n°13768.11896.150307.1.7.020117,34678.88823.050706.1.7.02 8186. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Inicialmente, a Recorrente argúi nulidade da intimação do acórdão da DRJ sob o fundamento de que, o mesmo "incorre em patente irregularidade pela ausência dos anexos que contenham as informações sobre o valor decotado, bem como os respectivos DARFs atualizados dos débitos que foram mantidos pela DRJ". Diz que, não teve acesso ao extrato dos valores discutidos e dos valores decotados pela decisão DRJ, e nem mesmo recebeu os DARFs contendo os valores atualizados, impedindo a Recorrente de verificar se os valores excluídos foram liquidados de forma correta. Afirma que, dessa forma, a Recorrente permanece sem saber exatamente quanto que lhe está sendo efetivamente exigido pela Receita Federal, não podendo sequer recorrer destes valores com segurança por falta do extrato detalhando do montante decotado. Sobre a compensação dos créditos/débitos declarados pelo contribuinte, a Instrução Normativa da RFB nº 1300, de 20/11/2012 que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: Art. 43. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1ºA compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2ºHavendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3ºAplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6ºda Lei nº8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Art. 44. O sujeito passivo será cientificado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de não homologação. ... Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 10 9 Portanto, havendo a DRJ reconhecido parcialmente o direito creditório, os débitos serão compensados no limite do direito creditório reconhecido, e, por consequência, os débitos exigidos são aqueles declarados pelo contribuinte que restarem não compensados cujo crédito fora insuficiente para sua compensação, inclusive, objeto do recurso voluntário. A decisão de primeira instância administrativa não incorreu no vício de nulidade, por preterição do direito de defesa, conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 PAF, eis que ela após a análise dos argumentos constantes da peça de defesa, demonstra qual o direito creditório que entendeu passível de deferimento para compensar parcialmente os débitos do contribuinte demonstrados pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 863114010, de 19 de maio de 2010 plenamente conhecido pela Recorrente em sua DCOMP (fl.109). Preliminar rejeitada. No mérito, conforme relatado, o despacho decisório eletrônico, expedido pela autoridade competente reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no Per/Dcomp nº 13768.11896.150307.1.7.020117, no total de R$ 419.207,32, relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, portanto, HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP:13768.11896.150307.1.7.020117, e, NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 34678.88823.050706.1.7.028186 30362.68618.050706.1.7.027304 23025.73024.050706.1.7.022073. No despacho decisório constam os seguintes fundamentos. 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do Imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 543.500,92 92.670,81 555.578,22 1.191.749,95 CONFIRMADAS 417.260,11 92.670,81 257.549,93 767.480,85 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 843.476,42. Valor na DIPJ: R$ 843.476,42 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.191.749,95 IRPJ devido: R$ 348.273,53 Valor do saldo negativo disponíveis (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 11 10 Valor do saldo negativo disponível: R$ 419.207,32 Ciente do despacho decisório em 31 de maio de 2010 (fl. 112), a interessada apresentou, em 29 de junho de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 17, que fora julgada procedente em parte pela DRJ de Belo Horizonte/MG, reconhecendo à interessada direito creditório suplementar igual a R$ 103.247,17, em relação ao IRF que compõe o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2005, em comento. Portanto, resta mantida a glosa do IRF no valor de R$ 22.993,64 ( IRF/ PERDCOMP: 543.500,92 CONFIRMADAS: 417.260,11 + 103.247,17), e contra tal reconhecimento a Recorrente não se insurge. Em síntese, a Recorrente alega que, o saldo negativo deve ser composto considerandose as estimativas quitadas em relação aos meses de janeiro e fevereiro/2005, a saber : Jan/05 DARF 107.830,15 COMPENSAÇÕES 257.549,63 TOTAL 365.380,08 Fev/05 DARF 92.670,81 COMPENSAÇÕES 208.191,78 TOTAL 300.862,59 De acordo com o despacho decisório, em relação às mencionadas estimativas, verificouse o seguinte em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2005: a) Jan/05, não se constatou estimativas pagas mediante DARF, porém foram confirmadas as compensações no valor de R$ 257.549,93; e, b) Fev/05, constatouse estimativas pagas mediante DARF, no valor de R$ 92.670,81, e, não se constatou estimativas quitadas por compensação no valor de R$ 208.191,78. Desse modo, em relação às mencionadas estimativas, para a composição do saldo negativo de 2005, não foi reconhecido o pagamento (Jan/05 DARF107.830,15), tampouco a quitação (Fev/05 COMPENSAÇÕES 208.191,78). Eis a lide. A Recorrente alega que, conforme indicado na manifestação de inconformidade, o DARF de R$ 107.830,15 referente à estimativa de janeiro de 2005, somente não foi confirmado pela Fiscalização porque ele não foi indicado na ficha de demonstração da composição do crédito no PER/DComp, mas fora recolhido em 24/06/2006 (doc. 05 DARF), e, que, um mero erro de preenchimento no PER/DComp não pode ser capaz de elidir o direito do contribuinte à utilização do seu crédito. Afirma que, no tocante ao mês de JANEIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 365.380,09, conforme declarado em DCTF, quitado do seguinte modo: DARF:107.830,15 (doc.05) e Compensações: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de 257.549,93 (inteiramente homologado pela RFB no despacho decisório), e, quanto ao mês de FEVEREIRO apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 300.862,58, conforme declarado em DCTF, quitado com pagamento de R$ 92.670,81 mediante DARF (inteiramente homologado pelo despacho decisório) e Compensação: com valores referentes a saldo negativo de períodos anteriores no montante de R$ 208.191,78 (parcialmente homologado pela RFB (R$ 125.748,79 conforme doc. 06, Detalhamento da Compensação). Assim sendo,(208.191,78 125.748,79) apurouse a diferença de R$ 82.442,99, paga mediante DARF em anexo (doc. 07). Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 12 11 De fato, a Recorrente juntou aos autos cópia dos documentos: DARF:107.830,15, código:2362(doc.05), Detalhamento de Compensação (doc.06) com aparente compensação do valor de R$ 125.748,79 e DARF código 2362 (doc. 07) no valor de R$ 82.442,99, o que, em tese, justifica o valor de estimativas quitadas relativas aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, seja por pagamento ou compensações, no montante de R$ 666.242,37(Compensações:(257.549,63 + 125.748,79) + Pagamentos: (92.670,81 +107.830,15 + 82.442,99). A DRJ em decisão de primeira instância conclui que o argumento da interessada implica uma retificação da referida DCOMP após a manifestação da Repartição de origem, por meio do Despacho Decisório nº 868487469, de 2010, de sorte que, o pleito deve ser denegado, em face do que reza o artigo 88 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, como segue: Art. 88 . O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Entendo que o dispositivo não se aplica ao caso, haja vista que o pleito da Recorrente permanece relativo ao saldo negativo de 2005, que, simplesmente pretende demonstrar e comprovar o montante já pleiteado em seu PER/DCOMP original, ainda que tenha havido erro na informação das parcelas de composição do referido saldo negativo. O processo consubstanciase no método de compor a lide, de sorte que não se pode, no presente caso, simplesmente negar o pleito do contribuinte, no âmbito do contraditório, sem que a autoridade administrativa Delegacia da Receita Federal do Brasil de Osasco/SP informe se dos documentos juntados pelo contribuinte DARF:107.830,15 , código:2362(doc.05), Compensação do valor de R$ 125.748,79 (doc.06) e DARF, código 2362 no valor de R$ 82.442,99 (doc. 07), os valores foram utilizados para quitar as estimativas referentes aos meses de janeiro e/ou fevereiro de 2005. E ainda, demonstrar sua utilização na composição do saldo negativo ou a pagar de IRPJ em 31/12/2005. A diligência se faz necessária para que não haja exigência ou restituição indevida de crédito tributário Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Osasco/SP, para informar qual o valor do IRPJ estimativa relativo aos meses de janeiro e fevereiro/2005, se foram quitados por pagamento e/ou compensação e sua utilização na composição do IRPJ apurado em 31/12/2005. Elaborado o relatório fiscal de praxe, dar ciência ao recorrente para sua manifestação, se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10882.901760/201091 Resolução nº 1201000.240 S1C2T1 Fl. 13 12 Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000966/2002-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente FRIGOPAL COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 09 66 /2 00 2- 29 Fl. 556DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 20181.596, de 07/11/2008, proferido pela 1ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 DESPACHO DECISÓRIO EXARADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE. É nulo o despacho decisório exarado por autoridade incompetente, em face da comprovada alteração de domicilio fiscal do contribuinte, ainda que não tenha sido expressamente anulado por despacho posterior da autoridade competente e decida a matéria de forma mais prejudicial ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso voluntário negado.” No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI dos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0202.260 e 20174.245. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 538/540. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões ao recurso especial (fl. 542). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11060.000966/200229 Acórdão n.º 9303004.707 CSRFT3 Fl. 557 3 É que, conforme noticia a Informação Fiscal de fls. 490/494, a Recorrente ingressou em juízo (depois de apresentado o recurso especial), pleiteando a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, das aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas, matéria que, como restou consignou no relatório, constitui o objeto do recurso especial ora em exame. Na esfera judicial, também discute a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. Nesse contexto, é de se aplicar a Súmula CARF nº 1, segundo a qual “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Ante o exposto, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial, não conheço do recurso especial apresentado pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 558DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.724285/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Inaplicável a isenção do imposto de renda quando a data constante do laudo pericial for posterior ao ano-calendário objeto da glosa.
Numero da decisão: 2202-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Inaplicável a isenção do imposto de renda quando a data constante do laudo pericial for posterior ao ano-calendário objeto da glosa.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Inaplicável a isenção do imposto de renda quando a data constante do laudo pericial for posterior ao anocalendário objeto da glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 42 85 /2 01 4- 91 Fl. 83DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA): Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 06/10), referente ao exercício 2010, anocalendário 2009. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: (...) O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2010, anocalendário 2009. Fonte Pagadora: Instituto Nacional de Seguro Social (CNPJ: 29.979.036/000140). Valor: R$ 23.020,24. IRRF: 0,00. O contribuinte apresentou impugnação em 10/11/2014 (fls. 02), alegando que os rendimentos recebidos são isentos por se tratar de proventos e aposentadoria reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Afirma que o laudo pericial retroativo do INSS, bem como relatório cirúrgico comprova que o contribuinte é aposentado e portador de cardiopatia grave, sendo e do imposto. Ressalta que já pagou o imposto ora contestado. Acrescenta que apresentou retificadora como parte do procedimento para restituição dos valores. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Impugnação por entender que no laudo emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS consta que o contribuinte é portador da patologia classificada pela CID 10 I20 (angina pectoris) a qual não é caracterizada, necessariamente, como cardiopatia grave. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, o beneficiário dos rendimentos deverá comprovar que os rendimentos recebidos são oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma e, ainda, ser portador de moléstia grave mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10730.724285/201491 Acórdão n.º 2202003.792 S2C2T2 Fl. 84 3 Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 48), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 58/63, no qual alega que "não pode a autoridade fiscal fazer com que sua decisão desconsidere a manifestação do perito encarregado pelo INSS da avaliação, visto ser esse profissional com conhecimento especializado e, esperase, altamente capacitado para tarefa em questão. Ressalta ainda que o laudo deixa clara a data de início da moléstia (03/11/2008) e que o anocalendário 2009 estaria abrangido pela isenção. É o relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade , motivo pelo qual, dele conheço. Como já exposto no relatório, a DRJ negou provimento à Impugnação do contribuinte sob o seguinte fundamento: O contribuinte também anexa Laudo emitido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (fls. 14). No citado laudo consta que o contribuinte é portador de patologia classificada pela CID10 I20, desde 03//11/2008, não fazendo qualquer menção, no entanto, como afirmando pelo contribuinte em sua defesa, em cardiopatia grave. O CID 10 I20 é de angina pectoris que não é necessariamente caracterizado como cardiopatia grave, precisando, para isso, de outros diagnósticos que não vieram descritos no laudo. Dessa forma, não existindo nos autos laudo médico oficial confirmando ser o contribuinte portador de moléstia grave listada no inciso XXXIII do art. 39 do decreto 3000/99 acima descrito, é de se manter a omissão.(grifamos) O Laudo médico emitido pelo INSS às fls 14 traz as seguintes informações: Informamos, para fazer prova junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o Sr. Paulo Roberto Cardoso de Souza, RG nº 811446772, expedido pelo IFP, CPF 35832843720, residente a Rua 37, nº 2948, Itaipu, Niterói, RJ, titular do benefício previdenciário nº 42/1311131970, comprovou através da documentação médica apresentada e anexada ao procedimento administrativo em epígrafe ser portador de patologia classificada pela CID 10 I20 desde 03/11/2008, enquadrandose na Lei nº 7.713 de 22/12/1988, Art. 6º, inciso XIV, referendada pela Lei nº 9.250 de 26/12/1995, enquadrandose na Lei nº 7713 de 22/12/1988,Artigo 6º, inciso XIV, referendada pela Lei nº 9.250 de 26/12/1995, Artigo 30, Fl. 85DF CARF MF 4 Parágrafo 2 e Lei nº 11052, Artigo 1º de 29/12/2004 e Lei 11.052 de 29 de dezembro de 2004 desde 03/05/2013. (grifamos) A respeito do termo inicial da isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, dispõe em seu artigo 5º, § 2º: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2º A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifamos) Dessa forma, ao contrário do que alega a DRJ o laudo pericial atesta que a doença foi contraída em 03/11/2008 e que foi identificada como moléstia grave apta a gozar da isenção do imposto de renda pessoa física a partir de 03/05/2013. Sendo assim, o laudo atesta a existência da doença desde 11/2008, a qual se transformou em cardiopatia grave a partir de 03/05/2013. Como a glosa referese ao anocalendário de 2009, não estaria contemplada pela isenção Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
