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Numero do processo: 14489.000237/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 02 37 /2 00 8- 25 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 500 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1228.484 10ª Turma da DRJ/RJ1 (efls.454/458), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração DEBCAD 37.121.7903 lavrado em 29/11/2007 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 369.280,17. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 15/16), a interessada deixou de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Impugnante, no período de 02/2003 a 12/2004, inclusive 13° salário, conforme planilhas anexas às 17/416; Tais omissões constituem infração ao artigo 32, inciso IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, § 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (Redação alterada pelo Decreto n° 4.729/2003) e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 142, de 11/04/2007, publicada no DOU de 12/04/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa restaram configuradas as circunstâncias agravantes da reincidência genérica e específica, prevista no artigo 290, V, do RPS, porém a ocorrência de agravantes, na presente autuação, não produz efeitos no valor da multa. Não ficou demonstrada a ocorrência de circunstância atenuante. Apresentada impugnação às fls. 426/430, em que a ora recorrente alega: Que requer o sobrestamento do exame desse ato, até que se apreciem as defesas interpostas contras as NFLDs37.121.7938, 37.132.2650 e 37.132.2669, eis que o conhecimento da presente depende necessariamente de verificações das existências de fatos delituosos reclamadas nas NFLD apontadas; Que não procede a peça acusatória pelo fato de não haver obrigação de inclusão em GFIP de verbas consideradas como indevidas pela impugnante; Fl. 500DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 501 3 Requer, por fim, a insubsistência do auto de infração, por não estar legitimada a pretensão do fisco em elementos que venham a sustentar a autuação, protesta pela juntada de documentos. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: Descumprimento de obrigação acessória. Constitui infração a omissão, em GFIP, de fatos geradores das contribuições previdenciárias. Retroatividade de norma benigna. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do inteiro teor do acórdão da DRJ em 01/03/2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls.465/468), tempestivamente, em 29/03/2011, alegando, em síntese, que: O presente processo encontrase intrinsecamente ligado a outras duas NFLD, sendo conexos; portanto, deve ficar sobrestado aguardando o julgamento dos Autos de Infração principais. Deverá ser observada a nova legislação no tocante a aplicação da penalidade. Falta comprovação material do ilícito fiscal praticado pela autuada que ensejasse a exação reclamada, constante da peça acusatória. Há que ser tornado insubsistente o auto de infração que ora se ataca, para declarar sem efeito a multa formal pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco em elementos que venham a sustentar a autuação. Por fim, requer a improcedência do auto de infração na forma acima pleiteada. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 501DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 502 4 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Inicias De início, impende ressaltar que o presente processo está apensado aos dois outros, correspondentes ao descumprimento da obrigação principal, os quais já foram julgados por este Colegiado na presente sessão, tendo como resultado o não provimento do recurso voluntário, com a manutenção do lançamento. Dessa forma, perdeu o objeto o pedido de sobrestamento do presente processo manifestado pela recorrente. Do mérito Em sua razões recursais alega a recorrente que falta a comprovação material do ilícito constante do Relatório Fiscal. Todavia, restaram sobejamente demonstrados todos os fatos geradores omitidos em GFIP. As planilhas e relatórios anexados evidenciam com riqueza de detalhes o descumprimento da obrigação acessória em tela. Verificase nesses documentos os valores omitidos, competência por competência, e a origem dos pagamentos que deixaram de ser declarados, como remuneração a empregados e segurados contribuintes individuais. Não restou dúvida de que a recorrente deixou de registrar em GFIP a totalidade da remuneração pagas ao seus trabalhadores e contribuintes individuais o que constitui infração ao art. 32, IV, § 5o da Lei nº 8.212, de 24.07.91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99. De acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores a multa aplicada pela infração praticada foi de R$ 369.280,17, que corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no art. 32 da Lei nº 8.212/91, calculada de acordo com a planilha abaixo: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 503 5 Cabe, ainda, verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que o fatos gerador da obrigação acessória é a informação em GFIP de todas as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e a contribuintes individuais. Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente Auto de Infração, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. Da Retroatividade da Legislação mais Benéfica É incontroverso o fato de que uma nova legislação alterou a forma de cálculo da multa cominada para o descumprimento da presente obrigação acessória. Nesses termos, dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 14489.000237/200825 Acórdão n.º 2201003.557 S2C2T1 Fl. 504 6 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, aplicamse ao Auto de Infração em tela. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico à contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, concedendose à recorrente a benesse legal. Todavia, agiu com acerto a decisão recorrida ao considerar que o cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data do pagamento do crédito tributário, comparandose a legislação vigente à época da infração, com os novos contornos de aplicação da multa estabelecidos pela Lei n°11.941/2009. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para no mério em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade preparadora, quando do pagamento do valor do lançamento, aplique as disposições do artigo 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 504DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722677/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tendo em vista as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornou-se desnecessária a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Nesse contexto, tendo em vista a perda do objeto do processo, também perde seu objeto o Recurso Voluntário, que não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2202-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que acolheu a preliminar e declarou a nulidade do acórdão da decisão de primeira instância. Foi designado o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que acolheu a preliminar e declarou a nulidade do acórdão da decisão de primeira instância. Foi designado o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada).
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INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo em vista as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornouse desnecessária a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Nesse contexto, tendo em vista a perda do objeto do processo, também perde seu objeto o Recurso Voluntário, que não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que acolheu a preliminar e declarou a nulidade do acórdão da decisão de primeira instância. Foi designado o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 77 /2 00 9- 18 Fl. 644DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.722677/200918, em face do acórdão nº 0343.443, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação (defesa) apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Trata o presente processo de Informação Fiscal, que tem por objeto o cancelamento da isenção previdenciária da cota patronal, em desfavor da INSTITUIÇÃO ADVENTISTA CENTRAL BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL IACBEAS, por descumprimento do art. 55, inciso II, da Lei n. 8.212/91, c/c art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, bem como o art. 2º, §3º da Lei n. 11.457/07. Segundo a referida Informação Fiscal, a IACBEAS é constituída numa associação beneficente de assistência social de fins filantrópicos, assistenciais, educacionais e culturais, que, embora jurídica e administrativamente autônoma, é uma entidade mantida pela União Centro Oeste Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Relata o Auditor Fiscal que a IACBEAS não possuía, no período fiscalizado, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, válido e regularmente emitido. Que, da análise da documentação solicitada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, datado de 24/09/2009 e Termo de Intimação Fiscal n.º 01, de 13/10/2009, verificou que a entidade apresentou, intempestivamente, o pedido de renovação de seu Certificado, válido para o triênio 2003/2006. A renovação do Certificado foi requerida em 24/10/2007, e, na forma do art. 37 da Medida Provisória n. 446, de 07/11/2008, foi o Certificado renovado pelo CNAS, mediante publicação da Resolução n. 07, com validade deferida a partir de 24/10/2007. Dessa forma, mesmo tendo o CNAS deferido o Certificado, não tem validade para continuação da isenção previdenciária, pois foi requerido após o período de vigência do certificado anterior, Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 645 3 numa clara infração à legislação de regência (Art. 1°, § 2° e §3º do Decreto 2.536/98), que prevê que a validade do CEAS somente se dará a partir do termo final do prazo de validade do certificado anterior se a renovação for requerida tempestivamente, ou seja, até o último dia de sua validade. De outra forma, a renovação não deveria retroagir, fazendo com que sua validade se dê somente a partir da publicação do ato que a deferir, como se fosse novo pedido de concessão. Assim, a IACBEAS descumpriu o requisito contido no art. 55, inciso II, da Lei n. 8.212/91, tendo em vista que, a partir do dia 01/01/2007, não possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido, não fazendo jus à isenção das contribuições previdenciárias, também, a partir dessa data. DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 97/111, com as seguintes alegações, em apertada síntese: Alega a Impugnante que não houve de sua parte qualquer infringência à legislação que trata da obtenção da isenção das contribuições previdenciárias e que, em momento algum, foi apontado, no procedimento fiscal, o dispositivo legal que teria sido violado, que pudesse ensejar o cancelamento do Ato Declaratório que concedeu a isenção; Prossegue argumentando que a circunstância que denotou a Informação Fiscal foi a intempestividade do pedido de renovação do CEAS, para o período subsequente de 2007/2010; Que a intempestividade no pedido de renovação do CEAS não pode ser motivo para o cancelamento do Ato Declaratório, pelo simples fato de não estar elencado nos dispositivos legais que cuidam de normatizar a matéria; Prova disso foi a concessão da renovação do CEAS à defendente pelo Conselho Nacional de Assistência Social, a partir de 24.10.2007, momento em que apresentou seu pedido de renovação, fato que ocorreu, lamentavelmente, por mera falha administrativa; Ressalta que, em todos os órgãos governamentais, a entidade adventista está perfeitamente regular em relação à sua filantropia e que, no período de 31/12/2006 a 24/10/2007, não deixou de exercer na plenitude ou se descuidou de suas obrigações em relação às atividades beneficentes, assistenciais, educacionais, culturais e filantrópicas, como vem fazendo desde 26 de janeiro de 1921, quando recebeu o seu Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e que vem sendo renovado desde então; Cita o Parecer/CJ n. 2.575, cuja ementa dispõe que “A simples intempestividade do pedido de renovação do CEBAS não é causa Fl. 646DF CARF MF 4 para seu indeferimento de pronto. Inteligência do art. 3º do Decreto n. 3.536, de 1998”. Que, com a aprovação do citado parecer pelo Ministro do MPAS, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS editou a Resolução n. 155/02, regulamentando, entre outros assuntos, os efeitos da renovação do CEAS, a partir da data de seu efetivo pedido, mesmo que tenha ocorrido intempestivamente; Requer, ao final, a aceitação de sua defesa, para desconsiderar o pedido de cancelamento do Ato Decisório da Concessão de Isenção da entidade defendente; seja considerado o período de 31/12/2006 a 24/10/2007 como de efetivo cumprimento das obrigações em relação às atividades beneficentes ou, alternativamente, no caso de indeferimento do item “b”, seja concedida a possibilidade de parcelamento do valor devido, na forma da legislação de regência. A 5ª. Turma da DRJ/BSB entendeu pela improcedência da impugnação (defesa) apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em fls. 623/640, , onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como alega em preliminar que a decisão da DRJ é nula, pois deveria ter sido o processo julgado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Primeiramente, quanto a preliminar invocada que a decisão da é nula, sustenta a contribuinte que a DRJ de origem não seria competente para julgar a condição isentiva, mas sim que caberia a Delegacia da Receita Federal do Brasil. Estabelece a Lei 12.101/09 que: Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 646 5 infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (grifouse) Na época estava vigente a Portaria MF nº 587/2010 (Revogada pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), que assim disciplinava a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ: Art. 229. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifouse) Por sua vez, nos termos da Portaria MF nº 587/2000, competia as Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF: Fl. 648DF CARF MF 6 Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; [...] (grifouse) Ainda, destaco que quando a contribuinte foi intimada da Informação Fiscal, foi lhe deferido prazo para "apresentar diretamente à autoridade fiscal representante as alegações e provas que entender necessárias, conforme o art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99)''. Também consta no referido documento que "a presente Informação Fiscal será então encaminhada à autoridade hierarquicamente superior, em conformidade com o disposto no art. 206 § 8ª, inciso II, do RPS (Decreto 3.048/99) e no art. 305, § 1º da IN SRP 03/2005 para decisão". O art. 206 do Decreto 3.048/99 foi revogado posteriormente pelo Decreto nº 7.237, de 20 de Julho de 2010, todavia assim constava a redação deste: § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: [...] II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; Quanto a Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 mencionada na Informação Fiscal, assim disciplina os artigos 305 e 306: Seção II Cancelamento da Isenção Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 647 7 Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Art. 306. A chefia do Serviço/Seção de Arrecadação ou de Análise da DRP, decidindo pela manutenção da isenção, recorrerá de ofício à autoridade administrativa imediatamente superior, nos termos da alínea “b” do inciso II do art. 366 do RPS. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Em razão da revogação do artigo 206, assim constou no Decreto 7.237/2010 quanto as disposições transitórias, conforme art. 45 da referida legislação: Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 650DF CARF MF 8 (grifouse) Ainda, trata a Lei nº 9.430/96 sobre o assunto, com a seguinte redação: Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 648 9 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (Revogado pela Lei nº 13.165, de 2015) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Deste modo, verificase que carece o presente processo de decisão de autoridade competente que tenha analisado o suspensão da isenção, decisão esta que competia a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF. Logo, havendo o julgamento da DRJ sem o prévio julgamento pela autoridade competente (no caso, da DRF), da defesa apresentada pela contribuinte quanto a Informação Fiscal, temse que há supressão de instância no presente processo. Assim, impossível analisar o mérito dos demais processos a este conexo sem violação ao devido processo legal. Face a isto, compreendo que deve ser acolhida a preliminar de nulidade da decisão, declarandose nulo o acórdão recorrido, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte. Por consequência, em razão da conexão existente entre este e os processos de nº 10166.722593/201018, 10166.722596/201043 e 10166.722597/201098, devem ser estes todos apreciados em julgamento simultâneo. Tal compreensão decorre do disposto no §9º do art. 32 da Lei nº 9.430/96, o qual prevê julgamento simultâneo destes processos: "Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente". Portanto, após a DRF apreciar a defesa da contribuinte de fls. 97/111 e, na hipótese de ela ser improcedente (no todo ou em parte) contra esta decisão seja apresentada impugnação àa DRJ, deverá ocorrer julgamento simultâneo deste processo com os demais acima relacionados (nºs 10166.722593/201018, 10166.722596/201043 e 10166.722597/2010 98). Assim, os processos conexos devem ficar sobrestados na DRJ de origem até que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem demonstre que deu ciência à contribuinte do resultado do julgamento, realizado por ela (DRF), da defesa de fls. 97/111, devendo a DRJ Fl. 652DF CARF MF 10 após o decurso do prazo da contribuinte para impugnar, pautar o 4 (quatro) processos para julgamento simultâneo. Salientase que a presente decisão acarretará em nulidade dos acórdãos da DRJ dos processos conexos, pois impossível eles serem analisados simultaneamente, face a supressão de instância em um deles. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar e declarar a nulidade do acórdão da DRJ/BSB ora recorrido, determinandose que os autos sejam remetidos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que a autoridade competente realize o julgamento da defesa da contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado Em que pese o bem fundamento voto do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação à admissibilidade do Recurso Voluntário, uma vez que houve perda do seu objeto por mudança superveniente da legislação. Para chegar a essa conclusão, convém realizar um breve levantamento cronológico dos fatos: · A Informação Fiscal IF (fls. 3/10) foi lavrada em 10/11/2009, sendo cientificada à Contribuinte em 11/10/2009 (fl. 10). · Foi apresentada defesa (fls. 97/106) à IF em 25/11/2009;. · Em 30/11/2009 foi publicada a Lei nº 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e estabeleceu o seguinte: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.722677/200918 Acórdão n.º 2202003.439 S2C2T2 Fl. 649 11 devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. · Em 21/11/2010 foi publicado o Decreto nº 7.237/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, e determinou o seguinte: Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...) Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Importa registrar que esse Decreto foi revogado pelo Decreto nº 8.242/2014 que, entretanto, manteve os mesmos comandos em seus arts. 48 e 50. · O processo foi então encaminhado para a Divisão de Fiscalização da DRF, com o propósito de atender aos comandos supratranscritos (fl. 604). Nesse contexto, o presente processo foi apensado ao processo nº 10166.722596/201043 em 11/05/2011 (fl. 512). Este outro processo, que tem por objeto o AI DEBCAD nº 37.246.7844, consolidado em 23/11/2010, é onde se discute a efetiva existência de crédito tributário. · Somente em 07/06/2011, após a alteração da legislação e a lavratura do auto de infração, é que foi proferido o acórdão nº 03.43.443 (fls. 613/619), da DRJ/BSB, ora recorrido. Fl. 654DF CARF MF 12 · Enfim, cientificada, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário em 18/07/2011 (fls. 623/640). Em outras palavras, o processo ora sob julgamento versa sobre uma Informação Fiscal que objetivava a isenção da Contribuinte. Adequada a sua lavratura à época. Contudo, com a mudança da legislação, e tendo em vista a regra insculpida no art. 144, §1º, do CTN, tornouse despicienda a sua feitura, posto que os fatos que justificam a constituição de crédito tributário devem vir descritos no próprio Auto de Infração. O que é mais, a Contribuinte foi cientificada e apresentou a sua defesa no âmbito do processo nº 10166.722596/201043, ao qual está apensando o presente processo, e que inclusive também está em julgamento nessa Turma. Enfim, tendo em vista tudo quanto afirmado acima, entendo que a Informação Fiscal perdeu seu objeto, uma vez que a análise do cancelamento da isenção deve ser feita diretamente nos Autos de Infração. Consequentemente, também perdeu seu objeto o Recurso Voluntário que busca combatêla. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por perda do objeto. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado Fl. 655DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.720071/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi, que propunham o julgamento do processo, no estado em que se encontra.
Rosaldo Trevisan Presidente
Fenelon Moscoso de Almeida Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi, que propunham o julgamento do processo, no estado em que se encontra. Rosaldo Trevisan – Presidente Fenelon Moscoso de Almeida – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 07 1/ 20 15 -1 3 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.382 2 Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 20/01/2015 (fls.1 1276/ 1287) e cientificados em 21/01/2015 (TERMO à fl. 1290/1291) para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS nãocumulativas e acréscimos legais, no período de 01/2010 a 12/2010, no valor original de R$26.725.493,59, por insuficiências de recolhimentos, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (fls. 1260/1275), em apertada síntese, decorrentes de glosas de créditos: extemporâneos de aquisições realizadas entre 03/2005 e 03/2007, por ausência de apuração, nas DACON dos respectivos períodos de apurações originais; e de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, por ausência de provas, da aquisição e ativação, quando as notas fiscais e livros contábeis não foram apresentadas, ou indicavam que eram usados. Quanto às glosas de créditos extemporâneos, a acusação fiscal consubstanciase em ter constatado, in verbis: "No curso da fiscalização, analisandose os DACON do ano de 2010 enviadas [Dacon], verificouse que o contribuinte descontou nos meses de janeiro a dezembro de 2010, além dos créditos do próprio período de apuração, créditos de PIS/PASEP e COFINS de 2005 a março de 2007, conforme é demonstrado no quadro abaixo: (...) Todavia, analisandose os DACON desses mesmos meses, ou seja, março de 2005 a março de 2007 [Dacon] verificouse que nestes não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados no próprio mês, ou no máximo, no mês subseqüente, conforme pode ser observado no quadro a seguir: (...) Diante do exposto, o contribuinte foi intimado, através do item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 2, a apresentar justificativa para o desconto, nos DACON de 2010, de créditos de períodos anteriores, que não foram declarados nos DACON dos respectivos períodos de apuração (...) Em resposta a esse item da intimação, após duas solicitações de prorrogação de prazo [...], o contribuinte apresentou informação com 26 páginas, além documentos anexos [...], na qual, em síntese, esse assevera que: i) Os créditos intimados pela fiscalização eram, de fato, extemporâneos, e se referiam ao período de março de 2005 a março de 2007; ii) Os créditos eram referentes a: aquisição de bens utilizados como insumos, despesas com combustíveis e lubrificantes, manutenção de máquinas, aquisição de serviços de terceiros, e aquisição de imobilizado iii) O contribuinte não retificou os DACON dos respectivos de apuração para inserção desses créditos apurados a posteriori; [...] Assim, para utilização dos valores de créditos apurados a posteriori, o contribuinte deveria retificar os DACON dos períodos de apuração 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.383 3 desses créditos, ou seja, o contribuinte deveria ter retificado os DACON do período de março de 2005 a março de 2007. [...] Por último, o contribuinte alegou, em sua resposta, que o direito ao crédito das contribuições não nasce da retificação dos DACON e que o descumprimento de obrigações acessórias não poderia ter implicação nas obrigações principais Cabe aclarar que atividade de fiscalização é vinculada à legislação tributária (...)" Quanto às glosas de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, a acusação fiscal afirma, in verbis: "Desse modo, por não ter apresentado os documentos fiscais que serviram de base para apropriação de créditos das contribuições com base nos encargos de depreciação, esses créditos também foram glosados pela fiscalização. Ainda efetuando a analise dos documentos apresentados, a fiscalização verificou que algumas das notas fiscais apresentadas se referiam a aquisição de bens usados (...). Ocorre que a Instrução Normativa SRF n° 457/2004, em eu artigo 1°, §3°, II abaixo transcrito, veda a apropriação de créditos de depreciação no caso de aquisição bens usados." (grifei) A empresa apresenta a Impugnação em 18/02/2015 (fls. 1295/1308), no mérito alega, quanto a glosas de créditos extemporâneos, ser permitido tomar créditos de períodos anteriores consoante o §4º, do artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002 e §4º, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003, bastando respeitar o prazo decadencial; que nada na legislação permite inferir obrigatoriedade de retificação do DACON; que o art. 10, da IN/RFB nº 1.015/10, apenas assegura a retificabilidade dos DACON, não condicionando o aproveitamento futuro de créditos à prévia retificação do demonstrativo; que a legislação não institui a obrigatoriedade de retificação das declarações da época para o reconhecimento dos créditos respectivos; que a autuação foi motivada na tese de que os DACON da época haviam de ser retificados; que não há que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que amparase na teoria dos motivos determinantes, estando a administração fazendária proibida de alterar as razões de um ato; alega, ainda, quanto as glosas de créditos de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, que o conhecimento de transporte é documento indiciário absolutamente idôneo da efetiva aquisição dos bens; que exigir unicamente a nota fiscal como prova apta da aquisição é formalismo excessivo e sem fundamento; que não há na Lei nº 10.833/03 nenhuma restrição de creditamento na aquisição de bens usados; por fim alega a inaplicabilidade do juros de mora sobre a multa de ofício, entendendo que para os art. 161, do CTN, e art. 61, da Lei nº 9.430/96, os juros moratórios incidem somente sobre o valor da obrigação tributária principal; requer o cancelamento integral da autuação; e, subsidiariamente, o afastamento, ao menos, dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de primeira instância, proferida em 29/01/2016 (fls. 1319/1347) foi pela procedência integral do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACONs. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.384 4 Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição ao Pis/Pasep, os DACONs referentes aos períodos originários dos créditos deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser glosados os créditos decorrentes de encargos de depreciação quando não apresentada a nota fiscal de aquisição e a correspondente ativação do bem no ativo imobilizado da empresa. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BEM USADO. A aquisição de bens usados não dá direito a utilização de créditos de encargos de depreciação na apuração do PIS nãocumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACONs. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Cofins, os DACONs referentes aos períodos originários dos créditos deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser glosados os créditos decorrentes de encargos de depreciação quando não apresentada a nota fiscal de aquisição e a correspondente ativação do bem no ativo imobilizado da empresa. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BEM USADO. A aquisição de bens usados não dá direito a utilização de créditos de encargos de depreciação na apuração da COFINS nãocumulativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. CONSERVAÇÃO. O contribuinte dever conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. ATIVIDADE VINCULADA. Os Auditores da Receita Federal do Brasil exercem atividade plenamente vinculada à legislação vigente no ordenamento jurídico nacional, estando aí incluídos os atos legais editados pela Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.385 5 Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 1356), em 10/02/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1357/1373, em 11/02/2016, reproduzindo os argumentos da impugnação anteriormente interposta. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Autos de Infração, lavrados para a constituição de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativas, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, por insuficiências de recolhimentos, no período de janeiro a dezembro de 2010, decorrentes de glosas de créditos extemporâneos (§ 4º, do artigo 3º) e créditos de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (inciso III, do § 1º, do artigo 3º). Mérito CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1260/1275), referida autuação deveuse ao fato de o contribuinte ter descontado nos meses de janeiro a dezembro de 2010, além dos créditos do próprio período de apuração, créditos extemporâneos de março de 2005 a março de 2007; analisandose os DACON desses mesmos meses, verificouse que não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados no próprio mês, ou no máximo, no mês subseqüente; não tendo sido os créditos de períodos anteriores, declarados nos DACON dos respectivos períodos de apuração, nem tendo o contribuinte os retificado para inserção desses créditos apurados a posteriori; em conseqüência, a totalidade dos créditos extemporâneos foi glosado. Alega a contribuinte que a autuação foi motivada na tese de que os DACON da época haviam de ser retificados; que nada na legislação permite inferir obrigatoriedade de retificação dos DACON; que não há que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que amparase na teoria dos motivos determinantes, estando a administração fazendária proibida de alterar as razões de um ato. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.386 6 Ao contrário do alegado, muito mais do que a simples obrigatoriedade de retificação dos DACON, o fundamento fático do lançamento, em verdade, encontrase na ausência de apuração e demonstração apropriada dos valores dos créditos. Ao constatar que, nos DACON dos períodos dos créditos extemporâneos, março de 2005 a março de 2007, não havia saldo de créditos a descontar, vez que os totais dos créditos apurados foram descontados, e não havendo retificação, no prazo prescricional/decadencial, desses DACON para inserção desses créditos apurados a posteriori, concluiu existir um impedimento formal (necessidade de apuração e demonstração dos valores dos créditos, por meio da retificação das declarações dos períodos das competências dos créditos), com possíveis efeitos materiais (decadência do direito e/ou prescrição do exercício do direito), ao reconhecimento dos créditos extemporâneos, no caso, direito manifestado como exercido, por meio da transmissão dos DACON de 2010, sendo os créditos mais antigos: março de 2005, lançados na declaração do primeiro trimestre de 2010. Em regra, os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos (§4º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003), é necessário que reste configurado o não aproveitamento em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou demonstração e prova inequívoca da sua não utilização prévia, evitandose o aproveitamento indevido ou em duplicidade. As retificações, como destaca a acusação fiscal, trazem diversas conseqüências tributárias, no sentido de regularizar a apuração do crédito e tornálo inequívoco. Assim, como a apuração dos créditos depende, em regra, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que a análise da existência e da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração do crédito. Os permissivos legais ao creditamento extemporâneo, não implicam em que despesas e gastos incorridos em outros períodos possam ser aleatoriamente trazidos a compor a base de cálculo de créditos apurados em períodos posteriores; falase em créditos extemporâneos, não em apropriação extemporânea de despesas, gastos e custos; permitese que créditos extemporâneos, já oportunamente apurados e não descontados no mês de competência da apuração, possam sêlo nos meses subseqüentes. Tais considerações poderiam levar à conclusão de que só seria possível aproveitar o saldo de créditos extemporâneos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. Inevitável, portanto, seria a necessidade de apuração e demonstração dos valores dos saldos de créditos, por meio da retificação das declarações dos respectivos períodos, emergindo impedimentos ao aproveitamento dos valores, quando vencidos os lapsos temporais para retificações, como no presente caso. Porém, não é essa a dicção da lei. Não se fala em saldo de crédito não aproveitado. Somente, crédito não aproveitado em determinado mês. Seria desnecessária a previsão legal de créditos extemporâneos (§ 4º, do art. 3º), caso esta implicasse em simples direito à reapuração dos saldos dos períodos originais, direito este já inerente à apuração, respeitados os prazos decadenciais/prescricionais, existindo, para isso a previsão da apuração de crédito regular, dos itens adquiridos, incorridos e devolvidos no mês (§ 1º, do art. 3º). Desnecessário, portanto, seria a retificação das declarações dos períodos originais dos créditos, inserindo as despesas e gastos identificados a posteriori, gerando saldo de créditos extemporâneos, únicos, no rigor fiscal, passíveis de aproveitamento em meses subseqüentes. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.387 7 De outro lado, caso vencidos os possíveis impedimentos formais (retificações de declarações) e materiais (decadência do direito e/ou prescrição do exercício do direito), em nada obstada está a determinação da inquirição da perfeita higidez dos créditos glosados, desde que respeitados os limites legais do § 4º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003: O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Nada à mais, como pretende a acusação fiscal, que seja necessária uma apuração formal nos DACON do período dos créditos extemporâneos; nada à menos, como pretende a defesa, amparandose na teoria dos motivos determinantes, que não haveria que se inquirir da higidez dos créditos glosados por quaisquer outras razões; que não a necessidade de retificação dos DACON, ao arrepio das leis de regência, que só admitem utilização de crédito não aproveitado em determinado mês. Há que se analisar, portanto, se os alegados créditos extemporâneos, de março de 2005 a março de 2007, existem e não foram aproveitados em determinado mês, quais sejam, todos os meses, desde às suas competências originais de apurações, até suas efetivas utilizações, comprovandose que não esteja havendo aproveitamento em duplicidade. Nesse mesmo sentido, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão n.º 9303003.477, de 25/02/2016, em trecho do voto vencedor: "Nessas considerações, aparentemente, omitiuse a autorização contida no § 4º do art. 3º de ambas as leis: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". E como nada mais há como fundamentação, ficamos sem saber se, no entender da autoridade autuante, o contribuinte simplesmente perde o crédito eventualmente não aproveitado no mês correto, ou se, para aproveitá lo, estaria obrigado a algum procedimento especial. Tal distinção também está ausente na decisão de primeiro grau, que apenas acrescenta haver uma "vedação legal à apropriação de créditos extemporâneos", sem indicar, no entanto, qual seria o dispositivo legal que a ampara. Entendo que o dispositivo legal que acima mencionei, ao contrário, constitui autorização expressa ao aproveitamento de créditos em mês distinto daquele a que as despesas se referem, cumprindo apenas à SRF explicitar os procedimentos a serem cumpridos pelos contribuintes em tal caso. Para tal fim, não me parece relevante distinguir entre a situação em que o contribuinte efetivamente inclui todas as despesas a que tem direito no mês em que incorridas, mas, por qualquer razão, não consegue aproveitar o crédito em sua totalidade, daquela em que, também por qualquer motivo, não inclui no mês correto todas as despesas nele incorridas. O que é fundamental, me parece, é a comprovação de que, num caso como no outro, não esteja havendo aproveitamento em duplicidade." (grifei/sublinhei) Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN, prescrição que nem mesmo tem seu curso iniciado, antes do final do processo administrativo de exigência. Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10805.720071/201513 Resolução nº 3401001.134 S3C4T1 Fl. 1.388 8 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Com essas considerações, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de apuração do crédito tido como extemporâneo, de março de 2005 a março de 2007, e verificação de sua eventual utilização em outros períodos, a partir dos meses de suas competências originais e posteriores, até suas efetivas utilizações, comprovandose que não esteja havendo aproveitamento em duplicidade. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721679/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 21 67 9/ 20 11 -6 5 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 12448.721679/201165 Resolução nº 2401000.563 S2C4T1 Fl. 59 2 RELATÓRIO Da declaração de ajuste do exercício 2008: (efls. 12 a 16) O Contribuinte informou em sua declaração de ajuste, modelo simplificado, não ter recebido rendimentos tributáveis durante o anocalendário 2007. Entretanto, informou ter recebido R$228.200,36 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva (exceto 13º salário) e R$146.285,73 como demais rendimentos isentos e não tributáveis, com saldo zero de imposto a pagar ou a restituir. Da Notificação de Lançamento: (efls. 5 a 8) Foi constatada a omissão de rendimentos, recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 159.332,67, com imposto retido na fonte de R$6.828,54. A descrição dos fatos que consta da Notificação à efl. 6: "Omissão de rendimentos tributáveis de ação judicial, conforme a DIRF. OBS. O contribuinte apresentou os recibos de honorários dos advogados e o laudo pericial médico, isento desde 02/02/2005 e ação judicial é de nov.89." Da Impugnação: (efls. 2 e 3) Na impugnação, a esposa do contribuinte, Sra. Marisa de Freitas Morais, apresentou as certidões de óbito do contribuinte e a de seu casamento em regime de comunhão de bens. "[...], considerando que o contribuinte era isento do imposto de renda quando do recebimento dos rendimentos em função de decisão judicial, solicito que o presente lançamento de ofício seja considerado improcedente, com o consequente arquivamento do processo." Do Acórdão de Impugnação: (efls. 21 a 24) A 19ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por meio do acórdão nº 1256.711, considerou improcedente a impugnação, uma vez não foi comprovado pela impugnante de que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, como exigem as leis instituidoras da isenção, suporte para o disposto no artigo 39, inciso XXXIII, § 5º, do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99. Do Recurso Voluntário: (efls. 42 e 43) Cientificada em 05/05/2014, a inventariante e viúva do contribuinte interpôs, em 26/05/2014, recurso voluntário com os fundamentos que são relacionados, resumidamente, a seguir: a) a ação judicial referese a equiparação salarial devida aos militares no período de 06/10/1988 a 09/01/1989; b) o contribuinte foi reformado por Decreto de 27/03/1947, nos termos do DecretoLei nº 3.940, de 1941, com as vantagens instituídas pelo DecretoLei 8.795, de 1946, e Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12448.721679/201165 Resolução nº 2401000.563 S2C4T1 Fl. 60 3 tem isenção dos seus proventos reconhecida pelo art. 39, inciso XXXV do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99; c) Pede que o lançamento seja cancelado, pois o rendimento recebido pelo declarante referese a reajuste dos rendimentos de sua reforma, ocorrida com base no Decreto Lei nº 8.795, de 1946. É o Relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 12448.721679/201165 Resolução nº 2401000.563 S2C4T1 Fl. 61 4 VOTO Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Verifico a necessidade da diligência face ao que consta da peça recursal à efl. 43, em trecho que transcrevo na sequência: Entre os documentos anexados não constam o decreto da reforma nem mesmo a sua numeração e a data de sua publicação, que possibilitasse pesquisa nos sítios de legislação. Após o recurso voluntário encontramse, juntados aos autos, somente duas certidões: a de óbito e a de casamento do declarante. Por outro lado a autoridade julgadora negou provimento à impugnação afirmando que: "Além de o contribuinte não ter juntado a documentação comprobatória da moléstia grave, não verifico, nos autos, qualquer documento que comprove que tais rendimentos se refiram à aposentadoria ou pensão." Entretanto, verifico que na Notificação de lançamento consta registrado que: "Omissão de rendimentos tributáveis de ação judicial, conforme a DIRF. OBS. O contribuinte apresentou os recibos de honorários dos advogados e o laudo pericial médico, isento desde 02/02/2005 e ação judicial é de nov.89." Assim, para esclarecer e comprovar que se trata de proventos de reforma, recebidos no anocalendário de 2007, diretamente pelo declarante, solicito que os autos sejam encaminhados à Unidade preparadora para que seja providenciada a intimação à Representante para apresentar os documentos que comprovem a reforma do declarante, identificando, com precisão, o Decreto de reforma do militar, como afirmado na peça recursal. Após essa providência, os autos devem retornar ao CARF para continuidade do julgamento. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001049/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/08/2008, 01/12/2008
DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI N° 11.457/07 NÃO ACARRETA NULIDADE DO LANÇAMENTO
O descumprimento do prazo de 360 dias para o julgamento de processos administrativos, previsto no art. 24 da Lei n° 11.457/07, não acarreta em nulidade do lançamento tributário, o que ocorreria tão somente se estivesse presente ao menos uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICÁVEL AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF N° 11
A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF n° 11.
Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a não-apreciação de alegações apresentadas no recurso, porém, no mérito, negar-lhe provimento.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/08/2008, 01/12/2008 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI N° 11.457/07 NÃO ACARRETA NULIDADE DO LANÇAMENTO O descumprimento do prazo de 360 dias para o julgamento de processos administrativos, previsto no art. 24 da Lei n° 11.457/07, não acarreta em nulidade do lançamento tributário, o que ocorreria tão somente se estivesse presente ao menos uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICÁVEL AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF N° 11 A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF n° 11. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/08/2008, 01/12/2008 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI N° 11.457/07 NÃO ACARRETA NULIDADE DO LANÇAMENTO O descumprimento do prazo de 360 dias para o julgamento de processos administrativos, previsto no art. 24 da Lei n° 11.457/07, não acarreta em nulidade do lançamento tributário, o que ocorreria tão somente se estivesse presente ao menos uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICÁVEL AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF N° 11 A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF n° 11. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a nãoapreciação de alegações apresentadas no recurso, porém, no mérito, negarlhe provimento. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 49 /2 00 9- 57 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 11 2 Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 156 a 158), fundado no art. 65 do Anexo II da Portaria n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF), opostos em face do Acórdão de nº 3803005.559, de 26 de fevereiro de 2014, da 3ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O processo versa sobre a lavratura de auto de infração (fls. 3 a 15) para cobrança de multa regulamentar de R$ 35.000,00, prevista na alínea "e" do art. 107 do Decreto lei n° 37/66, em razão de atraso no provimento de informações acerca da desconsolidação de carga, previsto no art. 17 da IN n° 800/07. Com efeito, a DRJ em Florianópolis/SC, por meio do Acórdão n° 0729.185, de 06/06/12, reduziu o valor da multa para R$ 10.000,00. O Acórdão embargado foi assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/08/2008, 01/12/2008 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA.SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." Consta nos embargos de declaração (fls. 156 a 158) que o acórdão embargado teria deixado de apreciar as seguintes alegações apresentadas no recurso voluntário (fls 97 a 110), incorrendo em omissão e, assim, justificando a interposição dos embargos (art.65 do RICARF): Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 13 4 Nas fls. 191 2 192, encontrase o despacho, por meio do qual o Presidente 3ª TE/3ª Seção/CARF admitiu os embargos, reconhecendo, entretanto, tão somente a ocorrência das omissões indicadas nas letras "a" e "c" do excerto acima transcrito. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira De acordo com o despacho de admissibilidade (fls. 191 e 192), a 3ª TE/3ª Seção/CARF deixou de apreciar as alegações contidas nos itens 04 ao 20 e 22 ao 25 do recurso voluntário (fls. 97 a 110) e assim sumarizadas nas letras "a" e "c" do item 3 dos embargos de declaração (fl. 189): "a) a arguição de nulidade do lançamento fiscal, em razão da inobservância do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei 11.457/2007 para julgamento do recurso voluntário apresentado pela embargante (itens 04 a 12 do recurso voluntário); (. . .) c) a arguição de prescrição intercorrente, devidamente fundamentada nos itens 22 a 25 do recurso voluntário;" Da leitura do recurso voluntário e do Acórdão nº 3803005.559, verificase que realmente ocorreram as omissões indicadas no despacho. Assim sendo, nos termos do art. 65 do RICARF, tomo conhecimento dos presentes embargos de declaração, para que esta turma aprecie alegações contidas no excerto dos embargos de declaração acima reproduzido. Passemos ao exame das alegações da embargante. A embargante alega que protocolizou a impugnação ao auto de infração no dia 01/06/09 (fl. 55) e que esta foi julgada tão somente na sessão do dia 06/06/12 (fl. 83), descumprimendo, assim, o prazo de 360 dias estabelecido pelo art. 24 da Lei n° 11.457/07, a saber: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. § 1o (VETADO) § 2o (VETADO)" Em razão do descumprimento do citado prazo legal para julgamento da impugnação, pleiteia que o lançamento seja declarado nulo. Robustece sua alegação, recorrendo ao princípio da eficiência processual, albergado no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal, e à manifestação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede dos EDcl no AgRg no REsp 1090242/SC, de cuja ementa extraio os trechos destacados pela embargante: "(. . .) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 15 6 " 3. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (. . .) 7. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 8. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)." Adicionalmente, também como consequência do interregno de tempo entre a data da apresentação da impugnação e seu julgamento, requer o cancelamento do auto de infração, com o arquivamento do processo, em virtude da ocorrência da "prescrição intercorrente" (§ 1° do art. 1° da Lei n° 9.873/99), a saber: "Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (. . .)" (g.n.) Não assiste razão à embargante. Não obstante o fato de reconhecer que o art. 24 da Lei n° 11.457/07 deve ser obrigatoriamente observado, no âmbito do processo administrativo fiscal, entendo que seu descumprimento não tem o condão de eivar de nulidade o lançamento tributário. Para tanto, haveria que se identificar algum dos vícios contidos no art. 59 do decreto n° 70.235/72, a saber: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Neste sentido, encontramse os Acórdãos n° 2202003.404 (12/05/16), cuja ementa está abaixo reproduzida, 1801002.315 (04/03/15), 1301001.697 (23/10/14) e 2102003.031 (17/07/14): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11050.001049/200957 Acórdão n.º 3301003.247 S3C3T1 Fl. 16 7 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ARTIGO 24 DA LEI Nº 11.457, DE 2007. INOCORRÊNCIA. O conteúdo do dispositivo é programático, não fixando o artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, quais seriam as conseqüências objetivas de sua inobservância. Assim, não impõe à Administração Pública a perda de seu poderdever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n° 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo administrativo fiscal federal, que, em seu artigo 59, estabelece taxativamente as hipóteses de nulidade do ato administrativo concernente." Também não procede a alegação de que o processo deveria ser arquivado, pela incidência da prescrição intercorrente, pelo disposto na Súmula CARF n° 11: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." Com base no acima exposto, nego provimento às alegações contidas nas letras "a" e "c"do item 3 dos embargos de declaração. CONCLUSÃO De todo exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a nãoapreciação das alegações apresentadas no recurso voluntário e indicadas nas letras "a" e "c" do item 3 dos embargos de declaração (fl. 157), acima reproduzidas, porém, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a cobrança da multa regulamentar prevista no inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37/66, no montante de R$ 10.000,00, estabelecida pelo Acórdão n° 3803005.559. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000829/2001-20
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO.
Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abre-se oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum.
O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo.
O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005.
No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciando-se na ocorrência do fato gerador.
Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 16/11/2001.
Numero da decisão: 9900-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abre-se oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciando-se na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 16/11/2001.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992, 1993 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EFEITOS INFRINGENTES. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTOS E DECISÃO. PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Identificada contradição entre os fundamentos e da decisão, abrese oportunidade de oposição de embargos declaratórios, cujo acolhimento pode acarretar a alteração do decisum. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo decadencial/prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciandose na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão seria pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 16/11/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 08 29 /2 00 1- 20 Fl. 572DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela União em face do Acórdão nº 9100000.368, proferido pelo Pleno da CSRF, em sessão de 28/08/2012, onde, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela União, reconhecendo que o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de indébito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, continua observando a tese dos “cinco mais cinco”, conforme decisão abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992, 1993 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13746.000829/200120 Acórdão n.º 9900000.985 CSRFPL Fl. 573 3 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos ermos do voto do Relator. O caso analisado foi a realização pedido de restituição do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), dos períodos de apuração 1990 a 1992 (ver DARF’s às fls. 05 a 09), protocolado em 16/11/2001. O fundamento do pedido foi a declaração da inconstitucionalidade do artigo 35, da lei 7.713, pelo STF no RE 172.058/SC. No entendimento da Turma provedora da decisão embargada, a tese comumente denominada “cinco mais cinco”, que vigorou no âmbito do STJ anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de observância obrigatória deste Tribunal, em decorrência do julgamento do RESP 1.002.932/SP pelo referido Tribunal, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no artigo 543C, do antigo CPC. Nesse contexto, foi negado provimento ao Recurso Extraordinário da União, sob a seguinte alegação: “Na presente situação, resta claro, que a requerente protocolou Pedido de Restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, datado de 16/11/2001, onde declarou os possíveis indébitos tributários, relativo aos anos calendário de 1991, 1992 e 1993.” Em sede de Embargos de Declaração a União alega haver contradição na decisão na medida em que o pedido de restituição foi formulado em 16/11/2001, e nele o contribuinte pretende reaver valores recolhidos a título de ILL, dos períodos de apuração de 1990 a 1993. Alega a União que aplicandose a tese adotada pela Turma a quo e pelo próprio Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, estariam alcançados pela decadência os fatos geradores Fl. 574DF CARF MF 4 ocorridos antes de 16/11/1991. Logo, inviável a restituição do pagamento referente ao período de apuração de 1990, cujo recolhimento ocorreu em 29/04/1991. Diante disso a União pede o recebimento e o provimento dos Embargos, para sanar o vício apontado. Na análise de admissibilidade dos embargos, o Presidente da 1ª Câmara e da ª Sessão do CARF asseverou que: “De fato, tem razão a Fazenda Nacional, já que o acórdão ora embargado apenas se pronunciou quanto à prescrição do pedido de restituição em relação aos anos em que foi recolhido, correspondente aos anos de 1991, 1992 e 1993 e não quanto aos fatos geradores em relação aos quais é pleiteada a repetição de indébito, ocorridos entre os períodosbase de 1990 a 1992, levando a uma conclusão equivocada no decisório embargado, implicando a contradição alegada. Evidenciase, portanto, o cabimento dos embargos, em virtude existência de contradição no acórdão embargado.” É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Conforme entendimento do Poder Judiciário em relação à comumente chamada tese dos "cinco mais cinco", nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda possui prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo (prazo decadencial). No silencio da fazenda, ocorre a homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário em referido período. Já o prazo para o contribuinte exercer seu direito de pleitear a restituição dos tributos indevidamente pagos é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, de acordo com o artigo 168, I, do CTN. Portanto, no caso de tributos cujo lançamento ocorre pela modalidade homologação, no silencio do fisco no prazo de 05 anos contados do fato gerador, operase a extinção do crédito, fazendo nascer para o contribuinte o direito à pleitear a restituição de eventual valor pago indevidamente. Isso até a Lei complementar 118/05. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13746.000829/200120 Acórdão n.º 9900000.985 CSRFPL Fl. 574 5 O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do novo prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. No julgamento da decisão ora Embargada a Turma se manifestou com base no julgamento do STJ retro mencionado. Logo, a contagem do prazo decadencial/prescricional deveria seguir o entendimento ali exposto, iniciandose na ocorrência do fato gerador. Entretanto, seguindo essa linha de entendimento a conclusão deveria ser pelo parcial provimento, para reconhecer a prescrição do direito do contribuinte em relação ao período de apuração 1990, tendo em vista que o protocolo do pedido de restituição ocorreu apenas em 16/11/2001. Assim sendo, voto por DAR provimento aos Embargos, reconhecendo a prescrição do direito do contribuinte de pedir a restituição em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 16/11/1991, ou seja, em relação à restituição do pagamento realizado em 29/04/2001, que se refere ao período de apuração de 1990, mantendose a determinação de retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001433/2004-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .0 01 43 3/ 20 04 -4 5 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório NILTON ARAGÃO DE ARAÚJO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 220.822.202 49, com domicílio fiscal na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia, à Rua 19, n.º 07 – Casa Bairro Vila Eletronorte, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Velho RO, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 106/115, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 118/126. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 14/12/2004, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 69/74), com ciência pessoal, em 31/01/2005 (fl. 69), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 88.771,61 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2000 e 2001, correspondentes aos anoscalendário de 1999 e 2000, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2000 e 2001, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Omissão de Rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de Precatório Judicial. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3° da Lei n°8.134, de 1990; art. 21 da Lei n° 9.532, de 1997; art. 43 e 56 do RIR, de 1999; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; 2 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF: O contribuinte classificou indevidamente, como Rendimentos Sujeitos a Tributação Exclusiva, na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de Precatório Judicial. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; art. 21 da Lei n° 9.532, de 1997; arts. 39; 43 e 56 do RIR, de 1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório Fiscal, datado de 14/12/2004 (fls. 61/63), entre outros, os seguintes aspectos: que foram verificadas as informações do contribuinte, Sr. NILTON ARAGÃO ARAÚJO, CPF n° 220.822.20249, referentes aos valores recebidos em pecúnia e, a priori não declarados, constantes no Processo n. 698/91 que tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Porto Velho. A presente fiscalização foi motivada por Determinação Externa proveniente da Advocacia Geral da União — AGU, conforme oficio 569/GAB/PU/RO/AGU. que se observa neste processo trabalhista, o pagamento foi realizado através de precatórios trabalhistas depositados em 5 (cinco) parcelas nos anos de 1999 e 2000. Entretanto, o IRRF somente foi recolhido sobre os três primeiros levantamentos, restando aos exeqüentes Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 4 3 efetuarem os recolhimentos sobre os dois levantamentos restantes e, conforme constatado na fiscalização, somente foi efetuado um único pagamento (DARF), sendo este efetuado a menor em relação ao IR devido. Na resposta a intimação e nas páginas n°1032 a 1034 e 1039 e 1040 do citado Processo Trabalhista, e confirmando a afirmativa anterior, o contribuinte apresentou documento que afirma ter efetuado o cálculo do valor a recolher com base nas alíquotas e legislação vigente à época que deveriam ter sido efetuados os pagamentos e, conforme a lei, o cálculo correto deve ser efetuado com base na data da efetiva ocorrência do fato gerador que coincide com o recebimento do rendimento que ocorreu nos anoscalendário de 1999 e 2000 (art. 144 do CTN, art. 38, parágrafo único e art. 640 do RIR/99 e Decisão 7ª RF 219/99). que, conforme documento constante nesta fiscalização, a Procuradoria da União no Estado de Rondônia requereu, ad cautela, que fosse intimada a Receita Federal para auxiliar no cálculo do IRRF do processo, porém este mesmo pedido foi indeferido, no dia 22/09/1999, pela Exma. Sra. Juíza do Trabalho Ana Carla dos Reis que, neste mesmo despacho, indicou que os exeqüentes ficariam encarregados de elaborar os cálculos dos encargos tributários devidos. Este fato somente confirma que os cálculos de recolhimento foram efetuados de forma inexata pelos responsáveis; que o cálculo exato do valor devido, considerando as deduções legais pleiteadas e comprovadas pelo contribuinte consta neste processo. O contribuinte também informou que no cálculo do Imposto devido foi descontado o valor de 20% relativos a despesas administrativas, porém, não forneceu nenhuma documentação que comprovasse a respectiva despesa, sendo a mesma desconsiderada no cálculo do tributo devido. No processo Trabalhista consta na folha n°1325 Ofício da segunda Vara Cível da Comarca de Vilhena que requer a retenção de 8,5% sobre os créditos do Sr. Nilton, sendo este valor R$ 22.775,32 ano de 1999 e R$ 8.526,78 para o ano 2000 os quais foram deduzidos da Base de cálculo do Imposto de Renda. que no ano calendário de 1999 o contribuinte informou, indevidamente, na sua DIRPF 2000 como Rendimento Sujeito a Tributação Exclusiva os valores recebidos através do precatório, no montante der R$ 159.157,51 sendo este, Autuado como Classificação Indevida, e a diferença restante, de R$ 8.770,21, Autuada como Omissão de Rendimentos. Na DIRPF 2001, ano base 2000, não consta nenhum valor recebido como Precatório Judicial, sendo então, todo o valor recebido neste exercício, R$ 65.780,68; considerado como Omissão de Rendimentos. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 25/02/2005, a sua peça impugnatória de fls.77/84, instruído pelos documentos de fls. 85/104, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que no caso em tela, quem efetuou o depósito dos valores relativos aos créditos do Impugnante e dos demais litisconsortes ativos da ação trabalhista, foi o antigo DNER, embora os Servidores, Policiais Rodoviários Federais, não estivessem mais vinculados àquela autarquia, mas à administração direta da União; que durante o debate, relativo ao recolhimento do IR, nos autos da execução, na 1ª Vara do Trabalho de Porto Velho, foi exposto que o recolhimento seria feito pelas alíquotas relativas a cada competência quando da aquisição do direito suprimido pela União, e não pela alíquota vigente na data do pagamento; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 5 4 que um dos Advogados (a) da União que atuava no processo concordou com a forma de cálculo e recolhimento do IR que incidiria sobre os valores a serem recebidos pelos autores da ação; que tendo a União, por um de seus representantes anuído com a forma de recolhimento, pelas alíquotas relativas a cada competência quando da aquisição do direito suprimido pela União, qualquer exigência, a título de supostas diferenças de IR, está preclusa; que cumpre esclarecer que os valores recebidos pelo Impugnante, no processo judicial em questão, referem a direitos suprimidos nos anos de 1987 a 1993, quando vigiam alíquotas diferentes das que vigiam na época em que foram pagos, nos anos de 1999 e 2000; que os fatos são de uma clareza solar, não pode a União Federal, por sua preposta Receita Federal, exigir que indivíduos que tiveram seus direitos suprimidos quando vigiam uma alíquota de IR, vir exigir, quando esses indivíduos obtêm esses direitos, perante o judiciário, anos depois, alíquotas maiores; que todos os Litisconsortes da ação judicial em questão recolheram e comprovaram nos autos, o recolhimento do Imposto de Renda devido, conforme já comprovado, na presente ação fiscal. que importa destacar que o imposto devido foi calculado tomandose por base o montante do crédito que foi pago nas duas parcelas deduzidos 20% de honorários advocatícios e 20% relativos a despesas administrativas havidas com contadores e peritos para realização de cálculos devido a inúmeras impugnações aos cálculos apresentadas pela União federal, além de outras despesas com assessoria técnica; que o ínclito Auditor Fiscal, que analisou as informações prestadas pelo ora Impugnante, não deduziu, para fins de cálculo do imposto devido o valor dispendido pelos litisconsortes do processo, no montante de 20% (vinte por cento) relativo à despesa, prevista no Inciso III do dispositivo legal supratranscrito; que entre o ajuizamento da ação em 1990 e o último recebimento em 2000, transcorreramse 10 (dez) anos, período no qual, dezenas de cálculos foram efetuados, desde a incorporação, das verbas deferidas na sentença, aos salários dos litisconsortes da ação, até o final recebimento, cálculos, recálculos e conferencias de cálculos foram efetuadas; que além das despesas com cálculos efetuadas despesas com serviços administrativos para compilações das fichas financeiras dos Litisconsortes, fichas financeiras essas que não estavam disponíveis no sistema de informática, além de outros documentos que não eram de acesso Imediato; que assim sendo e, não havendo exigência legal para comprovação dessas despesas, deve as mesmas ser deduzidas do montante sobre o qual incide os cálculos do IR. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 6 5 que o contribuinte obteve a disponibilidade econômica ou jurídica do produto de seu trabalho em 1999 e 2000. Desta feita, os fatos geradores do imposto de renda ocorreram em 31 de dezembro de 1999 e em 31 de dezembro de 2000; que os rendimentos recebidos pela contribuinte são oriundos do trabalho com vínculo empregatício, submetendose, portanto, ao regime de retenção na fonte como forma de antecipação do valor do imposto de renda que será apurado na Declaração de Ajuste Anual; que nesse regime, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual; que ocorre que o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Estado de Rondônia — SINDPRF/RO, encaminhou ao contribuinte, em 25.03.2000 (fl. 93), prestação de contas orientando que os valores recebidos na ação judicial ora em análise fossem declarados como "Rendimento Sujeito à Tributação Exclusiva"; que a orientação prestada pelo SINDPRF/RO foi equivocada. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial, deveria, sim, ser efetuada a retenção na fonte. Tal retenção deve ser considerada como uma antecipação do valor de imposto devido quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual. A regra é o regime de retenção por antecipação do imposto que será apurado posteriormente pelo contribuinte. O regime de retenção exclusiva é exceção, e deve ser expressamente previsto em lei; que em todos os casos acima, há expressa previsão legal submetendo tais rendimentos ao regime de tributação exclusiva na fonte, o que não ocorre no caso de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. Razão pela qual os mesmos devem ser informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, compensandose o valor que foi retido na fonte quando do recebimento dos rendimentos; que o valor retido na fonte apenas será compensado com o valor de imposto apurado no fim do anocalendário do recebimento dos rendimentos. Não se está discutindo, neste processo, se o imposto de renda foi ou não retido no valor correto. O contribuinte foi autuado por não informar em Declaração de Ajuste Anual, a titulo de rendimentos tributáveis, o montante recebido, não apurando, portanto, o valor de imposto realmente devido no ano calendário; que também não assiste, neste ponto, razão ao contribuinte. Primeiro porque o cálculo efetuado no processo referiase ao imposto de renda retido na fonte, que é mera antecipação do imposto de renda que deveria ter sido apurado na Declaração de Ajuste Anual e que está sendo cobrado neste auto de infração. Segundo porque a Advocacia Geral da União não possui competência para manifestarse sobre tributo, conforme, inclusive, reconhecimento da própria ProcuradoraChefe da União em Rondônia (fl. 26); que não há dúvidas de que é possível a dedução das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos. Entretanto, também é evidente que tais despesas devem estar respaldadas através de documentos hábeis a comproválas. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 7 6 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 RENDIMENTOS DO TRABALHO. AÇÃO JUDICIAL. VALORES ACUMULADOS. AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE. As diferenças salariais recebidas acumuladamente mediante ação judicial submetemse ao ajuste anual. AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos são passíveis de serem deduzidas. Obrigatória, entretanto, a comprovação das mencionadas despesas mediante documentação hábil. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 29/03/2007, conforme Termo constante a fl. 130, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (27/04/2007), o recurso voluntário de fls. 118/126, com instrução de documentos adicionais fls. 127/129, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 61/63 do Relatório fiscal os seguintes excertos: Foram verificadas as informações do contribuinte, Sr. NILTON ARAGÃO ARAÚJO, CPF n° 220.822.20249, referentes aos valores recebidos em pecúnia e, a priori não declarados, constantes no Processo n. 698/91 que tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Porto Velho. A presente fiscalização foi motivada por Determinação Externa proveniente da Advocacia Geral da União — AGU, conforme oficio 569/GAB/PU/RO/AGU. Se observa neste processo trabalhista, o pagamento foi realizado através de precatórios trabalhistas depositados em 5 (cinco) parcelas nos anos de 1999 e 2000. Entretanto, o IRRF somente foi recolhido sobre os três primeiros levantamentos, restando aos exeqüentes efetuarem os recolhimentos sobre os dois levantamentos restantes e, conforme constatado na fiscalização, somente foi efetuado um único pagamento (DARF), sendo este efetuado a menor em relação ao IR devido. Na resposta a intimação e nas páginas n°1032 a 1034 e 1039 e 1040 do citado Processo Trabalhista, e confirmando a afirmativa anterior, o contribuinte apresentou documento que afirma ter efetuado o cálculo do valor a recolher com base nas alíquotas e legislação vigente à época que deveriam ter sido efetuados os pagamentos e, conforme a lei, o cálculo correto deve ser efetuado com base na data da efetiva ocorrência do fato gerador que coincide com o recebimento do rendimento que ocorreu nos anoscalendário de 1999 e 2000 (art. 144 do CTN, art. 38, art 38 parágrafo único e art. 640 do RIR/99 e Decisão 7 a RF 219/99). Conforme documento constante nesta fiscalização, a Procuradoria da União no Estado de Rondônia requereu, ad cautela, que fosse intimada a Receita Federal para auxiliar no cálculo do IRRF do processo, porém este mesmo pedido foi indeferido, no dia 22/09/1999, pela Exma. Sra. Juíza do Trabalho Ana Carla dos Reis que, neste mesmo despacho, indicou que os exeqüentes ficariam encarregados de elaborar os cálculos dos encargos tributários devidos. Este fato somente confirma que os cálculos de recolhimento foram efetuados de forma inexata pelos responsáveis. Com visto, resta claro da análise dos autos, que se trata de ação trabalhista, cujo resultado foi o pagamento de rendimentos acumulados. Assim sendo, a discussão sobre o recebimento de rendimentos acumulados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10240.001433/200445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.319 S2C2T2 Fl. 9 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Após breve análise no conteúdo da acusação fiscal resta claro, nos autos de que a exigência fiscal teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual. Ou seja, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista, conforme descrito em Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, parte integrante deste auto. Infração capitulada nos artigos 1º ao 3º e §§, da Lei nº 7.713, 1988; artigos 1º ao 3º, da Lei nº 8.134, de 1990 e artigo 21 da Lei 9.532, de 1997. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme os recursos extraordinários 614232 e 614406. A vista disso, seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912321/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.985
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 32 1/ 20 12 -8 1 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912321/201281 Resolução nº 3402000.985 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912321/201281 Resolução nº 3402000.985 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912321/201281 Resolução nº 3402000.985 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900733/2015-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 73 3/ 20 15 -9 8 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 538 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 387 a 533), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (fls. 363 a 371) que negou provimento à Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 362) do Contribuinte. O presente processo versa sobre compensação pretendida pela ora Recorrente, por meio de apresentação de DCOMPs, que visam utilizar crédito oriundo de suposto saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2012, para saldar diversos débitos da mesma natureza. Mais especificamente, a DCOMP nº 02853.59852.260313.1.3.031514 foi homologada parcialmente e a DCOMP 19979.35642.141113.3.034267 não foi homologada pelo r. Despacho Decisório nº de Rastreamento 098663465 (fls. 102 a 106), sob argumento de que o crédito lá exprimido era insuficiente, de acordo com cruzamento de seus dados com os de outras declarações da própria Recorrente. Diante disso, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 362), demonstrando estar correto o montante do saldo negativo informado na DCOMP, que a divergência tem origem nos efeitos de medida judicial, concedida em modalidade liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0078376, que suspendeu a exigência da CSLL pela nova alíquota de 15%, garantindo ao Contribuinte o cálculo e recolhimento pelo coeficiente anteriormente vigente, de 9%. Assim, seu crédito seria percebido na diferença positiva do valor das estimativas recolhidas e o valor efetivamente devido no ajuste anual (discrepância de 6% da base de cálculo). Esclarece a Recorrente ainda que os valores com exigibilidade suspensa não foram incluídos na ficha 17 da DIPJ, tendo em vista a ausência de linha para constar tal informação, o que gerou o conflito de informações que fundamenta o r. Despacho Decisório, mas posteriormente foi declarado em DCTF, acostando ambas declarações. Também explica que tais valores, abrangidos pela suspensão da media liminar, foram posteriormente quitados por meio de DARF e utilização de prejuízo fiscal, tendo desistido da Ação para adesão ao parcelamento trazido pela Lei nº 12.996/2014, que reabriu a Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 539 3 possibilidade de adesão ao REFIS, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Junta cópia de despacho do Processo Administrativo nº 16327.720568/201410, instaurado para fins de controle dos débitos debatido no Mandado de Segurança, constando lá a sua extinção. Encaminhados os autos à DRJ do Rio de Janeiro, foi prolatado o v. Acórdão (fls. 363 a 371), negando provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada, entendendo que, pela ausência da efetiva comprovação de quitação de tal valor pelo Programa de Parcelamento, bem como, por não ter consulta efetuada ao sistema interno da RFB apontado a inclusão de débitos daquele tributo, do mesmo período, naquela anistia, não ficou provado, de forma liquida e certa, o crédito pretendido. Em face de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 387 a 533), ora sob apreço, alegando a nulidade da decisão recorrida, por ser contraditória e repisando suas alegações anteriores, trazendo excertos de julgados deste E. CARF e cópia de pareceres jurídicos sobre a matéria debatida. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 540 4 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Inicialmente, em sede preliminar, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão, em razão de suposto cerceamento de defesa, causado por contradições nele contidas. Nesse sentido, afirma que as razão de decidir se coadunam com a tese defendida em sua Manifestação de Inconformidade, contudo, ao concluir, negalhe provimento. Também afirma que o v. Acórdão deixa de analisar toda a documentação acostada, a qual, faria, então, prova cabal do seu direito, não se sustentando a posição adotada na decisão de que careceria o crédito de comprovação. Nesse ponto, não assiste razão à Recorrente. Ainda que, de fato, quando consta no v. Acórdão que é possível concluir que apenas a estimativa paga pode compor o saldo negativo do período, a mera constatação de procedência, teórica e acadêmica, da fundamentação trazida pelo Contribuinte não basta para conferirlhe qualquer direito, principalmente na esfera administrativa processual, onde fatos e provas devem ser mais prestigiados. O argumento para a denegação do crédito naquele decisum foi a ausência de provas de recolhimento dos valores, antes suspensos por medida liminar, pelo PAEX, reforçado pelo fato destes não constarem na relação de débitos incluídos naquele programa. Ainda, as provas foram devidamente analisadas, mas consideradas insuficientes, fato esse que não dá ensejo a qualquer vício ou defeito jurisdicional. Em relação ao mérito, como se verifica do relatório, o objeto desta contenda é bem claro e delimitado, residindo a atual controvérsia na prova de quitação de parcela da CSLL do anocalendário de 2012, após a desistência do Mandado de Segurança. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 541 5 As cópias da petição inicial e da decisão que concedeu a medida liminar pleiteada, acostadas nos apelos apresentados, mostram que o diferencial de alíquotas de CSLL (resultantes em 6%) não foram objetos de depósitos judiciais, decorrendo a suspensão exclusivamente da decisão judicial, nos termos do art. 151, inciso V, do Código Tributário Nacional. Assim, independentemente da prevalência ou não de tal medida no decorrer do processo judicial, a partir do momento em que houve sua desistência, a quitação daqueles débitos ficou pendente. Contudo, a razão da desistência da Ação, como explica a Recorrente, teria sido a adesão ao Programa de Parcelamento originalmente instituído pela Lei nº 11.941/09, que exige tal renúncia, tendo sido, dessa forma, liquidada tal pendência fiscal (que viria a compor seu saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2012). Existe posição jurisprudencial deste E. CARF que reconhece o direito ao crédito do Contribuinte, originário de débitos de estimativas, objeto de inclusão em Programas de Parcelamento, como ilustra o Acórdão nº 1201.001.379, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria da I. Conselheira Ester Marques Lins de Sousa e voto vencedor do I. Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, publicado em 27/06/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp. (...) O pano de fundo do mérito aqui discutido é a possibilidade de considerar, para fins de composição do saldo negativo do período, os valores das estimativas não recolhidas dentro do próprio período, mas através de parcelamento cuja liquidação fora posterior ao seu encerramento e à própria DCOMP. O entendimento da DRJ e da conselheira relatora vai no sentido de que somente os valores efetivamente recolhidos até a data de envio da DCOMP poderia ser utilizada, vez que não há que se falar em restituição daquilo que não fora pago. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 542 6 Devo discordar deste entendimento. Isso porque, a inclusão do débito de estimativa em processo de parcelamento comporta confissão irrevogável e irretratável do contribuinte. Este dispositivo é comum a qualquer programa de parcelamento. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo de parcelamento e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Confrontando tal entendimento com o caso aqui apresentando, temos que a Recorrente traz documentação que indica ter ocorrido a adesão àquela anistia, como cópia de petição dirigida ao Juízo do Mandado de Segurança, desistindo do pleito e já juntando DARF com o suposto recolhimento do valor debatido naquela lide forense (fls. 88 a 95). Contudo, aqueles DARFs não possuem qualquer elemento que estabeleça uma conexão entre o credito tributário ali tratado (igualmente objeto desse Processo Administrativo), como numeração processual, período de apuração ou demonstração de identidade de valor (além de estarem consideravelmente ilegíveis): Outra documentação que prova a adesão da empresa ao Programa de Parcelamento, é uma tela de consulta de consolidação de optante (fl. 128). Todavia, apesar do código da receita aponta "CSLL Lançamento de Ofício", os seus vencimentos são diferentes daqueles dos débitos aqui analisados: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 543 7 Interessante notar que tais documentos certamente provam a adesão da Recorrente à anistia, mas não bastam para estabelecer, com mínima certeza e precisão, que o diferencial de alíquota de 6%, suspenso por decisão liminar ao final do anocalendário de 2012, fez parte do montante incluído na liquidação. Ainda, os despachos do Processo Administrativo nº 16327720.568/201410, instaurado apenas para controlar os tributos abarcados pela decisão antecipatória do Judiciário, mencionam somente que houve pagamento de estimativa em valor superior ao devido no ajuste e que, por tal, não houve crédito tributário a constituir (fls. 127), sem qualquer contexto ou informação adicional, constando que teria sido extinto por revisão do lançamento: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.900733/201598 Resolução nº 1402000.419 S1C4T2 Fl. 544 8 Ocorre que tal expediente é bastante sui generis e de fato, tendo em vista estar o Contribuinte acobertado pela decisão liminar no momento do ajuste anual, as estimativas mostraramse superiores naquele anocalendário. Naturalmente, aquele processo perde a razão de ser pela desistência do feito judicial, mas não é mencionado a efetiva quitação de seu objeto (por parcelamento ou não), muito embora seja tal documento forte e robusto indicativo da existência do direito da Recorrente ao crédito. Dessa forma, diferentemente da conclusão obtida no v. Acórdão recorrido, a ausência de precisão documental, na forma e circunstância como se apresenta, não seria tamanha a ponto de obstar o pleito creditório da Recorrente, principalmente quando o fato, cuja comprovação ainda mostrase um tanto obscura (inclusão de débitos em Programa de Parcelamento), deve ser acompanhado e registrado pela Administração Tributária federal, a qual, facilmente, pode fornecer informações para o fundamentado desfecho dessa demanda administrativa. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização apure se os débitos referentes ao diferencial de alíquota, objeto desse processo administrativo, gerado pela vigência da medida liminar conferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0078376 e controlados pelo Processo Administrativo nº 16327.720568/201410, foram efetivamente incluídos e quitados pelo Programa de Parcelamento reaberto pela Lei nº 12.996/2014, analisando a documentação acostada nos autos, principalmente os comprovantes de recolhimento. Deverá ser produzido relatório formal com tais informações e fundamentação de sua conclusão, dandose ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916317/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.941
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 17 /2 01 1- 95 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 3402003.941 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 73DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 3402003.941 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 75DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 3402003.941 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 77DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 3402003.941 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 79DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 3402003.941 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 81DF CARF MF
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