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Numero do processo: 13646.000183/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda.
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS.
A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3301-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à decadência do direito de constituir o crédito e à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição à Cofins em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.1.1. Abastecimento e tratamento de água 2.1.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.2. Glosa de encargos de depreciação do centro de custos - MIN - Mineração: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto aos itens 1, 7, 8 e 33 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que dava provimento também quanto aos itens 15, 16 e 32, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 3, 4, 5, 13, 14, 15, 16, 28, 30, 32, 34 e 36. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à decadência do direito de constituir o crédito e à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição à Cofins em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.1.1. Abastecimento e tratamento de água 2.1.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.2. Glosa de encargos de depreciação do centro de custos MIN Mineração: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 01 83 /2 00 4- 51 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 612 2 votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto aos itens 1, 7, 8 e 33 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que dava provimento também quanto aos itens 15, 16 e 32, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 3, 4, 5, 13, 14, 15, 16, 28, 30, 32, 34 e 36. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 335 a 366) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0924.168 (fls. 323 a 331), de 28 de maio de 2009, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que julgou, por unanimidade de votos, no sentido de indeferir a solicitação do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase o presente das Declaração de Compensação de débitos, no valor total de R$2.034.095,41, com crédito da Cofins — regime não cumulativo, relativo ao 1° trimestre de 2004, abaixo relacionados: Processos Administrativos Data Débito PA Vencimento Valor 13646.000183/2004 29/06/2004 24841 05/2004 30/05/2004 861.753,35 13646.000184/2004 29/06/2004 23621 05/2004 30/06/2004 149.390,24 13646.000188/2004 29/06/2004 23621 05/2004 30/06/2004 1.022.951,82 Ao presente processo (13646.000183/200451) foram apensados os demais processos relacionados na tabela acima, para análise em conjunto uma vez que se Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 613 3 referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito da Cofins do 1º trimestre de 2004 resultou o Relatório Fiscal Final, do qual se extrai: foram glosados créditos, referente aos meses de fevereiro e março de 2004, apurados sobre os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos que não são utilizados na fabricação dos produtos destinados venda, conforme demonstra o centro de custos em que o contribuinte os alocou ou a sua destinação; a fiscalização ajustou a base de cálculo da Cofins, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS, no montante de R$3.064.354,15. A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, (fls. 209/215); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 226/249), na qual alega que: a) não procedem os ajustes da base de cálculo da Cotins relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, haja vista que se referem a períodos já alcançados pela decadência (§4° do art. 150 do CTN); b) a fiscalização não pode, em pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, modificar a base de cálculo da Cofins sem formalizar lançamento de oficio; c) equivocase a fiscalização ao glosar os créditos da Cofins calculados sobre depreciação de máquinas e equipamentos porque: i) não poderia processar os minérios, recebidos em estado bruto, para transformálo nos produtos finais por ela vendidos, sem utilização da água nas diversas etapas do seu processo produtivo, ii) seus equipamentos industriais não operam com o nível de tensão em que a energia é entregue pela concessionária, iii) a diretriz das Instruções Normativas n° 247 e n° 404, não encontra amparo legal, iv) todos os itens do ativo imobilizado alocados em centro de custos produtivos são imprescindíveis à fabricação dos produtos destinados à venda; d) não podem compor a base de cálculo da contribuição os ingressos recebidos em contrapartida à cessão de créditos do ICMS. Ao final protesta a requerente por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e ajuntada de documentos. É o breve relatório. Diante do relatório acima posto, o acórdão recorrido contemplou a seguinte redação em sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS Compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a Cofins. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 614 4 A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO COFINS. COMPENSAÇÃO: Não existe amparo legal para a utilização em compensação, de créditos apurados em relação a insumos vinculados à receita referente a vendas no mercado interno, mesmo para as empresas que exportam parte de seus produtos. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e de realização de perícia. Solicitação Indeferida Haja vista a decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade no acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 14 de julho de 2009, requerendo o que se segue (fls. 366): Desse modo, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, deve o v. acórdão recorrido ser modificado –“in totum”, determinandose o cancelamento das glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS, bem como a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS da base de cálculo dessa exação, e, por consequência, deve ser restaurado o saldo dos referidos créditos apurados pela recorrente (...). Em Resolução nº 3102000.218 (fls. 435 a 438), da 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 27 de junho de 2012, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Essa citada resolução tem o seguinte teor: Com efeito, há, a meu ver, dúvida acerca do montante da depreciação de bens do ativo imobilizado que poderia ser computada como despesa. Em primeiro lugar, a recorrente insurgese contra as glosas da depreciação de bens empregados na geração de energia e no tratamento da água. Segundo o Fisco, em face da ausência de meios que identificassem quanto da energia elétrica e da água tratada seriam empregados no processo produtivo e da possibilidade de se utilizar esses recursos em outras atividades que não guardariam relação com esse processo, caberia glosar integralmente a depreciação computada. Penso que, em princípio, essa análise merece ser mais aprofundada. Me parece razoável admitir que a atividade industrial da recorrente é a responsável pelo consumo da maior parte da energia elétrica e da água tratada. Entretanto, sem que se proceda ao devido rateio, essa percepção fica prejudicada. Por outro lado, há uma lista de bens que o Fisco considerou desvinculados do processo produtivo e para os quais a recorrente insiste na vinculação. Tais itens encontram.se enumerados no item 3.3 do Relatório Fiscal que dá suporte ao despacho decisório. A dificuldade é que não restou suficientemente claro quais seriam os critérios que definiriam a vinculação ou não ao processo. Nessa linha, tomo emprestadas as conclusões da Resolução 3101000.188, da 1ª Turma Ordinária desta Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF e converto o julgamento do recurso em diligência para que a unidade da Secretaria da Receita Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 615 5 Federal do Brasil de Jurisdição junte aos autos o resultado da diligência determinada com base em tal resolução. Juntados tais elementos ao processo, deve ser conferido o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, em seguida, com ou sem manifestação, devolvidos os autos a este Colegiado. Em atendimento à Resolução e ao Termo de Diligência Fiscal, de 4 de setembro de 2013, o Contribuinte apresenta o Laudo de Funcionalidade (fls. 445 a 586), em 20 de dezembro de 2013, em que descreve cada etapa do processo produtivo em análise nos autos. Com a entrega do Laudo de Funcionalidade por parte do Contribuinte, a Autoridade Fiscal produz o Relatório de Diligência (fls. 587 A 590) com o intuito de atender e suprir as dúvidas levantadas pela Resolução 3101000188 do CAR. A conclusão é a seguinte (fls. 590): Os bens do centro de custo AGU – Abastecimento de Água – não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais. Os bens do centro de custo ENE – Energia Elétrica – Distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa – essas são suas funções. Eles não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Os bens que constam da tabela do item 9, com exceção dos dois de números 8 e 33, não se desgastaram ou danificaram na fabricação dos produtos. São necessários para viabilizar as atividades de qualquer empresa. Não foram adquiridos para a fabricar os produtos da Contribuinte. Contudo, o conjunto de placas externas, adquirido para revestir forno elétrico, e o conjunto de sobressalentes, para o agitador do tanque, números 8 e 33, respectivamente, da tabela, são bens que se desgastaram ou danificaram no processo produtivo e, portanto, o crédito sobre eles deve ser admitido. Quanto aos serviços ou despesas que constam da referida tabela do item 9, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admite crédito sobre suas cotas de depreciação. O Contribuinte, discordando das conclusões, apresentou manifestação (fls. 593 a 605) em relação ao Relatório de Diligência em 10 de junho de 2014. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 335 a 366) interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0924.168 (fls. 323 a 331), de 28 de maio de 2009, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada, preliminarmente, 1) a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário e a possibilidade de aumentar a Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 616 6 base de cálculo da contribuição em pedidos de restituição ou compensação, no mérito, 2) sobre o que se considera insumo no processo produtivo realizado nas atividades econômicas do Contribuinte, e, 3) se os ingressos financeiros decorrentes da cessão de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição. Assim, as compensações foram homologadas parcialmente em razão de glosas dos créditos apurados na Cofins. 1. Quanto à decadência do direito de constituir o crédito e à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição à Cofins em pedidos de restituição ou compensação Alega o Contribuinte a decadência do direito da Autoridade Fiscal de constituir o crédito tributário e a impossibilidade de se alterar a base de cálculo de incidência da contribuição, no caso específico majorandoa, em pedidos de ressarcimento ou de declaração de compensação de créditos da contribuição do PIS. Fato ocorrido em razão do entendimento do fisco de que determinadas receitas deveriam ser computadas pelo Contribuinte e, no caso, não foram. Neste sentido o Contribuinte sustenta no Recurso Voluntário da impossibilidade do referido aumento da base de cálculo nestes termos (fls. 340 a 342): A recorrente não ignora que, em doutrina, existe muita discussão acerca da correta interpretação do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, não havendo, entre os estudiosos do direito, consenso sobre o que é homologado, após o decurso do prazo qüinqüenal nele previsto. Todavia, o entendimento dominante na jurisprudência administrativa é de que, decorrido o prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador, é homologada a atividade do sujeito passivo, e não o pagamento por ventura realizado. Tanto isso é verdade que, em sessão realizada em 15.12.2008, o Conselho Pleno proferiu julgamento sobre essa questão, tendo decidido que a realização do pagamento pelo sujeito passivo, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não é relevante para fins de determinar o termo inicial do prazo de decadência, devendo ser sempre observada a regra do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Ora, se o pagamento antecipado não é relevante para fins da contagem do prazo previsto nesse dispositivo legal, inferese que a homologação aludida neste dispositivo diz respeito à atividade do sujeito passivo. Por conseguinte, a fiscalização possui o prazo de cinco anos, da ocorrência do fato gerador, para verificar se o sujeito passivo cumpriu corretamente a sua obrigação tributária, apurando adequadamente a respectiva base de cálculo, aplicando sobre ela a correspondente alíquota e, se for o caso, efetuando o recolhimento do tributo devido. Decorrido esse prazo o lançamento considerase homologado, não mais podendo ser alterado pela autoridade fiscal. Da análise do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, concluise que, ao contrário do que alegam as d. autoridades julgadoras "a quo", após o decurso do prazo decadencial previsto neste dispositivo legal, as atividades do sujeito passivo para a apuração de seus resultados estão homologadas, não mais podendo ser alteradas. Essa afirmação ganha corpo quando o dispositivo legal em comento é interpretado em conjunto com o inciso V e o parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 617 7 Nacional, que regula as hipóteses em que o lançamento deve ser feito e/ou revisto de oficio, que possui a seguinte redação: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V — quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte. (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento se pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." (grifos do recorrente) Como se vê, o inciso V do art. 149 do Código Tributário Nacional, dirigido expressamente à hipótese do lançamento por homologação, prescreve que é cabível a revisão de oficio desse lançamento quando restar comprovada a omissão e/ou inexatidão do sujeito passivo. Contudo, nesse caso, a revisão do lançamento deve ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública de formalizar o lançamento de oficio, ou seja, antes do prazo qüinqüenal contado da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A interpretação sistemática das regras do Código Tributário Nacional conduz à inarredável conclusão de que a fiscalização pode e deve rever a atividade do sujeito passivo, denominada de lançamento por homologação, dentro do prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Porém, se ela permanecer inerte nos cinco anos seguintes à data da ocorrência do fato gerador, a atividade exercida pelo sujeito passivo considerase homologada, isto é, reconhecida como legítima. Nesse contexto, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, após o transcurso do prazo de decadência do direito de o Fisco efetuar e/ou revisar de oficio o lançamento, tomarseá imutável a apuração dos resultados pelo sujeito passivo, que não mais poderão ser alterados pela fiscalização. (...) Destarte, não procedem os ajustes da base de cálculo da COFINS relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, haja vista que se referem a períodos que já estavam decaídos. No acórdão ora recorrido a decisão se dá no sentido da possibilidade de majoração da base de cálculo da contribuição em análise, acarretando a inclusão de receitas que deixaram de ser consideradas pelo Contribuinte na restituição ou compensação de créditos referentes à Cofins, conforme se verifica no trecho a seguir do voto (fls. 326 a 327): Inicialmente registrese que o Despacho Decisório em questão tão somente analisou as Declarações de Compensação apresentadas pela empresa, sendo que nele não foi efetuado lançamento tributário algum. O requisito central para a compensação no âmbito tributário sempre foi a existência de um crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, é o que determina o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou já Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 618 8 estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,) do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Tratandose de pleito em que a interessada solicita créditos para utilização na compensação de seus débitos, cabe à autoridade fiscal homologar ou não a compensação realizada, para tanto tem obrigação de apurar o valor exato do crédito e a sua disponibilidade, bem como a correção do encontro de contas entre débitos e créditos. Tal procedimento não caracteriza lançamento de oficio. Para verificar a legitimidade do crédito e a exatidão da compensação realizada (homologação), a Administração dispõe do prazo previsto no parágrafo 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que assim determina: • § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n°10.833, de 2003) Registrese então que as Declarações de Compensação em tela foram entregues em 29/06/2004. Em razão do parágrafo 5°, acima transcrito, a autoridade administrativa teria o prazo até 29 de junho de 2009 para proceder a homologação ou não das compensações declaradas. Como a interessada teve ciência do Despacho Decisório, que homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido, em 27/03/2009, não se operou a homologação tácita das compensações tratadas no presente processo. Cumpre salientar, por oportuno, que, na sistemática da não cumulatividade, que no caso da Cofins, foi instituída pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, há o encontro entre o valor devido da contribuição e o crédito a descontar, sendo que somente o saldo devedor da contribuição é objeto de confissão de divida por meio da declaração competente, ou de lançamento de ofício, nos termos da legislação de regência. No presente caso, a fiscalização constatou erro na apuração do crédito da Cofins, que se deu em virtude da exclusão indevida na base de cálculo da citada exação, pela contribuinte, de valores relativos à cessão para terceiros de crédito de ICMS. A recomposição da base de cálculo originou uma diferença a maior nos valores devidos da Cofins, de fevereiro e março de 2004, nos importes de R$52.896,00 e R$122.310,91, respectivamente. Havendo sobra de crédito a descontar na forma do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, nos valores de R$10.402,00 (fevereiro/04) e R$31.996,19 (março/04), tais diferenças foram amortizadas, remanescendo débito da Cofins. Para a parcela da Cofins deduzida dos créditos a descontar não cabe formalização de exigência tributária, contudo, é diferente o tratamento a ser dado à parcela do débito remanescente após a dedução, para a qual houve, inclusive, proposta de lançamento de oficio (fls. 208). Ademais, à exceção da retificação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, em razão do disposto no artigo 5°, §5° da Lei n° 7.689/88 e no artigo 57 da Lei 8.981/95, não havia, até a edição da MP 449, de 3 de dezembro de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009). Previsão para lavratura de auto de infração sem exigência de crédito tributário, o que veio a ocorrer com a inclusão, pela citada MP, do §4° ao art. 9° do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 619 9 Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fisco aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória n°449, de 2008) § 42 O disposto no caput aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Medida Provisória n°449. de 2008) Descabe na presente situação, em face do acima exposto, falar em lançamento de oficio, tampouco na decadência do direito de efetuálo. Em contrário ao entendimento do Contribuinte, entendo que no caso em análise, como as Declarações de Compensação foram entregues em 29/06/2004 e teve ciência em 27/03/2009 do Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações, não ocorreu a homologação tácita das compensações pleiteadas. Percebese também que a fiscalização procedeu os ajustes nas Declarações de Compensação, e, diante dos equívocos realizou o lançamento de ofício em relação a parcela do débito remanescente após a dedução por intermédio do auto de infração processo 10972.000033/200962 (fls. 397). Por entender correta a decisão da DRJ/JFA, sem entrar no mérito dos ajustes procedidos pela autoridade fiscal acerca à cessão de créditos de ICMS, nego provimento ao Recurso Voluntário no que tange a este ponto. 2. Quanto às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição Insta observar por primeiro que há, na legislação pátria, a divisão entre tributos cumulativos e nãocumulativos. Inicialmente a não cumulatividade aplicavase apenas ao IPI e ICMS, conforme determinação constitucional constante nos artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, I, e posteriormente passou a abranger também o PIS/PASEP e a Cofins, normatizado por meio das Leis nº 10.637 de 2002 (PIS/PASEP), 10.833 de 2003 (Cofins) e 10.865 de 2004 (PIS/PASEP e CofinsImportação). Considerando como critério as fases do processo produtivo ou do ciclo comercial, e a incidência dos tributos sobre uma ou mais, podese, no caso destes últimos classificálos em cumulativos e não cumulativos. Tratase de uma classificação quanto à técnica de aplicação dos tributos multifásicos. Tributo cumulativo ou também denominado em cascata é aquele que incide em várias fases de circulação do bem sem, contudo, deduzirse o valor que já incidiu nas Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 620 10 anteriores, isto é, não é permitida a dedução do tributo suportado no decorrer da atividade produtiva/comercial. Já o tributo não cumulativo é aquele que incide em várias fases do processo produtivo apenas sobre o valor que naquela se agregou, significa isto que se pode também gravar todo o valor acumulado do bem, desde que se desconte, se deduza, o valor que gravou as fases anteriores. A questão central nesta discussão reside na caracterização do que será considerado insumo na cadeia produtiva, possibilitando com isso a dedução ou não dos tributos suportados a montante nas fases anteriores do sistema produtivo. A legislação é extremamente restritiva na caracterização do insumo para crédito no caso do IPI e é ampla quando se trata do IRPJ. Quanto a aplicação à Cofins as normas e a doutrina entendem que a aplicação deve se dar de forma intermediária entre os dois extremos citados, ou seja, mais abrangente que o conceito aplicado ao IPI e menos amplo que aquele aplicado ao IRPJ. Cito aqui trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, que bem elucida a questão: (...) A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 621 11 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] Com isso, entendese que há de se aplicar o princípio da essencialidade para a caracterização do bem ou serviço como insumo, ou seja, deve ser levado em conta se tais produtos utilizados como base do creditamento das contribuições são essenciais para a produção daqueles bens em questão, com o intuito de atender o disposto na legislação pertinente sobre a não cumulatividade. Posto isso como referencial para compreender o litígio em questão passo a decidir sobre os pontos controversos acerca das glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição. 2.1 Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.1.1. Abastecimento e tratamento de água O Relatório de Diligência apresentado pela Receita Federal do Brasil (fls. 587 a 590) indica que os bens referentes a esta questão não foram utilizados na produção de forma específica, “mas no bombeamento e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais” (fl. 590). (Grifouse). Por sua vez o Contribuinte argumenta no sentido de que os equipamentos utilizados no tratamento e bombeamento de água, assim como o abastecimento, são imprescindíveis para sua atividade produtiva, inclusive cita procedimentos em que a água se faz essencial para a produção, conforme se verifica no trecho da Manifestação ao Relatório de Diligência feito pelo Contribuinte (fls. 599): É importante dizer que, no processo produtivo do nióbio, a água é elemento fundamental, na medida em que serve de “veículo” do minério de uma fase a outra do processo produtivo. Aqui importa destacar em caráter especial o parágrafo 64 do laudo elaborado pela requerente, o qual se transcreve aqui nas partes necessárias: “Nesse sentido, observese que, na concentração, o processo de flotação ocorre essencialmente em meio aquoso, sendo as partículas de pirocloro expostas a Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 622 12 reagentes químicos e coletadas em bolhas de ar dentro deste meio. Os processos que se valem de fornos utilizam água para resfriamento e granulação de materiais e escória. Por sua vez, a produção de óxidos de nióbio, dada a pureza do material, necessita de água desmineralizada para o seu processo, justificando os ativos relacionados à desmineralização da água.” Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade deste insumo, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na Cofins não cumulativa, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. 2.1.2. Subestação Energia Elétrica O Relatório de Diligência (fls. 587 a 590) entende que os bens do centro de custo ENE – Energia Elétrica – não devem ser considerados insumos no sistema produtivo do Contribuinte, conforme se verifica no seguinte trecho do Relatório de Diligência: Os bens do centro de custo ENE – Energia Elétrica – distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades suprem de energia elétrica toda a empresa – essas são suas funções. Eles não atual na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Portanto, a administração fiscal, por entender que o desgaste desses bens não decorre do processo produtivo, nega ao Contribuinte o direito de creditamento da depreciação destes equipamentos e serviços no que se refere à Cofins. Já a posição do Contribuinte é diversa e desta forma argumenta às fls. 600: (...) Diante da informação constante do laudo elaborado pela requerente sobre o rateio de energia elétrica entre suas diferentes unidades no sentido de que 99% da energia é consumida nos processos produtivos, o Relatório de Diligência afirmou que tal percentual seria “parcial e insustentável, pois os fatos demonstram que várias unidades que constam do Anexo III não tem qualquer relação com o processo produtivo”. A requerente não conseguiu identificar quais centros de custo foram considerados pela fiscalização como desvinculados do processo produtivo. É que a afirmação das autoridades fiscais, neste particular, foi vaga, lacônica, não tendo havido, no Relatório de Diligência, análise de cada unidade produtiva e informação sobre quais unidades, ao ver dos agentes fiscais, não possuíram qualquer relação com o processo produtivo. Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 623 13 processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. 2.2. Glosa dos encargos de depreciação do centro de custos MIN – Mineração O Acórdão ora recorrido entende que os equipamentos do centro de custo MIN – Mineração – não podem ser considerados insumos utilizados no sistema produtivo do Contribuinte, como se observa no trecho retirado do voto do referido Acórdão: Do mesmo modo, as máquinas e equipamentos alocadas no centro de custo MIN — Mineração, não são utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Isso porque, conforme registrado no Relatório Fiscal Final (fls. 192, item 3.2), e confirmado pela interessada, as máquinas e equipamentos desse centro de custos, apesar de adquiridas pela interessada, foram cedidas a outra empresa, nas atividades de quem são empregadas. Por sua vez o Contribuinte em seu Recurso Voluntário aduz que tal entendimento é equivocado e alega o que se segue (fls. 348 e 349): Sustentam a fiscalização e as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa que os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos, registrados no ativo imobilizado da recorrente, que foram por ela "cedidos" à Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá — COMIPA, não devem compor o cálculo do crédito da COFINS, pois, em seu entender, esses bens não seriam utilizados na fabricação de seus produtos. O raciocínio desenvolvido pela fiscalização, confirmado pela DRJ, está equivocado, visto que desconsidera o acordo firmado entre essas duas companhias, constante na escritura pública de constituição da COMIPA, cuja cópia foi anexada aos autos na manifestação de inconformidade. Conforme se verifica pela análise desse documento, em 28.9.1972, a COMIPA foi constituída pela recorrente e pela Companhia Agrícola de Minas Gerais — CAMIG (atual Companhia de Desenvolvimento Económico de Minas Gerais — CODEMIG), com o objetivo de melhor aproveitar a lavra do pirocloro e de outros minerais de Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 624 14 colômbio, existentes em minas, cujo direito de concessão foi conferido pelo Poder Público àquelas companhias. Por força daquele acordo, todo o minério extraído pela COMIPA deve ser vendido à recorrente, de modo que ela possa atender à demanda do mercado. Em contrapartida, a recorrente comprometeuse a adquirir as máquinas e os equipamentos necessários à extração mineral, e alugálos àquela sociedade. Confirase: "(...) E, perante as mesmas testemunhas, pelas partes me foi dito que se achavam justas e contratadas, mediante as seguintes cláusulas e condições: (...) 13ª) que a CBMM se obriga a locar à Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá o seguinte equipamento de mineração atualmente empregado na lavra das minas a serem exploradas pela sociedade ora constituída: (...); que a CBMM cobrará como aluguel desse equipamento a importância correspondente a 2% (dois por cento) ao mês sobre o valor original do custo de aquisição desses equipamentos, corrigido monetariamente de acordo com os índices de correção do ativo imobilizado; (...)" (grifos da recorrente) Verificase, portanto, que as máquinas e equipamentos, alocados no centro de custos MIN Mineração, são alugados pela recorrente à COMIPA, a fim de permitir que essa companhia realize a extração dos minérios a ela fornecido, que são as matérias primas de seus produtos. Desse modo, ao contrário do que alegam a fiscalização e a r. decisão recorrida, os custos das máquinas e dos equipamentos, que foram adquiridos pela recorrente e, posteriormente, tocados à COMIPA, além de relacionados à sua atividade produtiva, enquadramse no conceito de insumo, na medida em que integram o custo da matériaprima consumida em seu processo produtivo. Este ponto do Recurso Voluntário do Contribuinte não foi objeto da conversão do julgamento em diligência e, portanto, será julgado com base nos termos estabelecidos neste voto para a caracterização ou não dos equipamentos do referido centro de custo como insumos sob o critério de sua essencialidade, observando que tais equipamentos foram locados a empresa COMIPA. Em que pese que os equipamentos alocados nos centros de custos MIN – Mineração encontramse cedidos à Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá – COMIPA, resta demonstrado pelo Contribuinte nos autos, que todo o minério extraído pela COMIPA deve ser vendido a recorrente e que esta deve fornecer os equipamentos necessários. Assim, pelo fato inconteste do aluguel dos equipamentos desse centro de custo a outra empresa e que esta fornece produtos essenciais ao sistema produtivo na fabricação de produto destinado a venda pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no que tange aos encargos de depreciação do centro de custos MIN – Mineração. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 625 15 O Relatório de Diligência apresentado elencou 38 itens (fl. 589 e 590), enumerados de 1 a 36, que estão instalados nas plantas industriais e que são considerados pelo Contribuinte como bens utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Para melhor precisar a glosa efetuada de depreciação de outros itens do ativo imobilizado vejase a tabela abaixo: Nº Bens Utilização/finalidade 1 Abafador de ruído. Equipamento de proteção coletiva contra ruído. 2 Alarme audiovisual para telefone. Alerta para chamadas telefônicas. 3 Aparelho de ar condicionado, ar condicionado, conjunto de ar condicionado, condicionador de ar. Utilizados para resfriar o ambiente, protegendo pessoas, equipamentos ou ambos. 4 Aparelho kit ar condicionado caminhão volvo. Instalado em caminhão guindaste que atua em montagens industriais. 5 Ar condicionado automotivo. Instalado em caminhão utilizado no transporte de rejeitos. Armários. São utilizados para: guardar pertences pessoais do empregados, manuais, relatórios, ferramentas, acomodar monitores, computadores, etc. 6 Aspirador de pó. Promover a limpeza do forno. Caminhonetes Mitsubishi. Usadas no transporte de materiais e equipamentos, inclusive no transporte de amostras para análise. 7 Chuveiro lava olho de emergência. Equipamento de segurança exigido pelas normas de proteção acidentárias. 8 Conjunto de placas externas. Utilizadas no revestimento externo do forno elétrico. 9 Conjunto de som com cornetas. Aparelho de comunicação utilizado na unidade. 10 Despesas de desembaraço aduaneiro. Despensas incorridas na importação. 11 Equipamento eletromecânico para portão. Abrir portão para passagem de ponte rolante transportando materiais. 12 Instalação sistema som ambiente. Despesas com a instalação de sistema de som para comunicação entre os operadores da unidade. 13 Interligação da mina via fibra ótica. Despesas com serviços de interligação da mina com as plantas industriais. 14 Interligação em fibra ótica. Despesas de interligação em fibra ótica. 15 Mão de obra de montagem e partida. Despesas de serviços aplicados ao robô que atua no acondicionamento de produtos. 16 Mão de obra p/ colocação do robô em operação. Despesas de serviços aplicados ao robô que atua no acondicionamento de produtos. 17 Mesas, escrivaninhas. Usadas nas tarefas rotineiras, algumas servem para reuniões e outras sustentam computadores ou monitores utilizados nas tarefas. 18 Microsoft Windows NT 4.0. Sistema operacional instalado em computador da Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 626 16 unidade. 19 Módulo scanner p/ comunicação. Faz com que o controlador lógico programável acione equipamentos sem necessidade de ação humana. 20 Persianas verticais em alumínio. Persianas utilizadas em janelas de salas da unidade. 21 Poltronas, cadeiras. Usadas pelos trabalhadores e visitantes das seções. 22 Rádios fixos e portáteis. Viabiliza a comunicação entre os operadores. 23 Rádio RS 450. Utilizado no controle remoto da ponte rolante. 24 Refrigerador cor bege 320 Litros. Conservar alimentos e sucos dos trabalhadores da unidade. 25 Relógio de ponto. Registra a jornada de trabalho na unidade. 26 Repetidora de rádio comunicação com rádios. Aparelhos de comunicação entre os operadores da unidade. 27 Varredeira Hako Jonas. Usada na varrição de grandes áreas das plantas. 28 Ventilador Transportável. Usado para resfriar produtos e equipamento. 29 Lavoura Wap. Utilizada para lavar pisos, equipamentos, instalações. 30 Condic centrais tipo selfcontained. Controla a temperatura de painéis elétricos. 31 Transceptor portátil. Aparelho de comunicação utilizado na unidade. 32 Detector portátil de coresponder. Detectar gás no ambiente. 33 Conjunto de sobressalentes. Peças sobressalentes para o agitador do tanque. 34 Motosserra. Cortar eletrodos utilizados na unidade. 35 Conjunto de emissor de som para limpeza. Equipamento sonoro utilizado para limpeza dos filtros de manga. 36 Instalações p/ captação de água de chuva. Instalações destinadas a captar água de chuva depositada em barragens. Dos itens relacionados na tabela acima a Autoridade Fiscal reconheceu o item 8 e 33, conjunto de placas externas e conjuntos sobressalentes, utilizadas no revestimento externo do forno elétrico e como peças sobressalentes para o agitador do tanque, respectivamente, como bens que se desgastam ou danificamse no processo produtivo, reconhecendo, assim, que sobre estes o crédito deve ser admitido. O Contribuinte requer, em sua Manifestação ao Relatório de Diligência (fls. 593 a 605), em especial, alguns itens como a inclusão do abafador de ruído, aparelhos de ar condicionado, armários, chuveiro lava olho de emergência e ventilador transportável. Considerando todos os 38 itens relacionados pela Autoridade Fiscal, a avaliação feita por esta e o requerido pelo Contribuinte, entendo que os itens: 1 – abafador de ruído (equipamento de proteção coletiva contra ruído); 7 – chuveiro lava olho de emergência (equipamento de segurança exigido pelas normas de proteção acidentárias); 8 – conjunto de placas externas (utilizadas no revestimento externo do forno elétrico); 33 – conjunto de sobressalentes (peças sobressalentes para o agitador do tanque), são bens necessários para viabilizar as atividades produtivas do contribuinte. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 627 17 Portanto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso do Contribuinte no que tange aos itens 1; 7; 8 e 33 do Relatório de Diligência admitindo crédito sobre as suas cotas de depreciação. 3. A cessão de créditos do ICMS A decisão ora recorrida entende que a cessão do crédito referente ao ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições, conforme se demonstra nesse trecho do voto do referido Acórdão (fls. 330 e 331): Relativamente à cessão de créditos de ICMS, o artigo 1° da Lei 10.833/2003, que trata da incidência nãocumulativa da Cofins, e o mesmo artigo da Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep nãocumulativo, estabelecem, de forma clara, o fato gerador dessas contribuições, qual seja, "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". (...) No caso, a cessão de direitos de ICMS, que o contribuinte adquire no momento da compra de um bem ou direito, é uma nova operação jurídica/contábil com este direito do contribuinte, gerando uma nova receita, que pode ou não gerar lucro. Em se tratando de receita, auferida com a cessão de créditos de ICMS admitida pela legislação estadual, cumpre analisar o cabimento ou não de sua tributação pelo PIS/Pasep e pela COFINS. A operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a Unidade da Federação, o do cedido. Conforme o disposto nas Leis n° 9.718, de 1998, n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS nãocumulativo) e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência não cumulativa da Cotins), estas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constatase que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Já ao tratar das hipóteses de exclusão da base de cálculo, a norma foi bastante seletiva, restringindoas a um pequeno rol, numerus clausus. Observase que o negócio jurídico ora analisado não se enquadrava em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação pertinente. Tanto é assim que a hipótese de exclusão da base de cálculo da Cofins relativamente a receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1° do art. 25 da Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996 somente passou a existir a partir da edição da MP 451, de 15 de dezembro de 2008, que incluiu o inciso VI ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.833/2003. Destacase quanto aos efeitos da citada MP sobre a matéria, seu art. 22, que assim dispõe: Art. 22. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 628 18 produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2009, em relação ao disposto: (...) b) no art. 8°, relativamente ao inciso VII do § 3°do art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2003 c) no art. 9°, relativamente ao inciso VI do §3° do art. 1°, e ao art. 58J, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) (sem grifo no original). Por sua vez, o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário, citando jurisprudência do próprio CARF, que os valores decorrentes de cessão de créditos do ICMS não podem ser considerados sob o conceito de receita passível de tributação pelo PIS, conforme se verifica no seguinte trecho retirado do Recurso ora em análise (fls. 354): Na manifestação de inconformidade, restou demonstrado que, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, a recorrente efetuou, nos termos da legislação do ICMS do Estado de Minas Gerais, a cessão de seus créditos desse imposto a terceiros sem ágio ou com deságio. Confiramse; a título meramente exemplificativo, os documentos anexos à sua manifestação de inconformidade. Ao verificar a apuração da COFINS, relativa àqueles meses, a fiscalização constatou que a recorrente emitiu "notas fiscais faturas, relativas à transferência de crédito acumulado de ICMS", sem que fossem os correspondentes valores incluídos na base de cálculo dessa contribuição social. Partindo da premissa de que não há previsão legal expressa de que os valores recebidos pela recorrente nessas operações podem ser excluídos da apuração da contribuição em foco, os Srs. AFRFB adicionaram tais montantes à sua base de cálculo. Como se vê, a fiscalização e as d. autoridades julgadoras “a quo” entendem que os ingressos decorrentes das cessões de créditos do ICMS representam receitas tributáveis e, não havendo norma legal que afaste a incidência da COFINS nesses casos, os respectivos valores devem ser computados em sua base de cálculo. Mas, o raciocínio por elas desenvolvido está equivocado, na medida em que, em momento algum, aprofundaram o exame da natureza jurídica da contraprestação da cessão de créditos de ICMS, verificando se ela se amolda ao conceito de receita. Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 414): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, cabe considerar a decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que ficou assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO Fl. 628DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 629 19 PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 630 20 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A decisão proferida no RE 606.107/RS, de relatoria de Rosa Weber, em sede de repercussão geral, implica no respeito ao disposto no RICARF desta forma: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e afastar da base de cálculo da contribuição o produto oriundo da cessão de créditos do ICMS. Conclusão Observada a legislação e a jurisprudência aplicáveis ao caso, o laudo técnico trazido aos autos na diligência realizada, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 630DF CARF MF Processo nº 13646.000183/200451 Acórdão n.º 3301003.214 S3C3T1 Fl. 631 21 Fl. 631DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.900426/2008-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/05/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distintas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2017
Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ADMISSIBILIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIMED TRÊS RIOS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/05/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distintas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 04 26 /2 00 8- 90 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório A Fazenda Nacional insurgese contra acórdão prolatado pela Segunda Turma da Quarta Câmara que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Como se vê, o sujeito passivo tivera rejeitada Declaração de compensação regularmente formalizada porque o valor que fora apontado como originando recolhimento a maior estava vinculado, em DCTF anteriormente entregue, a débito de mesmo valor. Ainda que essa DCTF houvesse sido retificada antes do julgamento pela DRJ, esta entendeu indevida a compensação porque ela, a retificação, fora feita após a ciência do despacho decisório que inicialmente denegara a compensação. Em suma, o órgão julgador de primeiro grau entendeu requisito à compensação que houvesse um pagamento a maior reconhecido em DCTF antes, ao menos, da análise da compensação (e quiçá da própria entrega da DComp). Esse entendimento foi rejeitado pela segunda instância, que considerou desnecessária qualquer retificação antes ou depois desde que provado o recolhimento a maior. Como paradigma para a comprovação da divergência, a Fazenda Nacional aponta acórdão da Terceira Câmara, cuja ementa consignou: exigência contida em auto de infração. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Para fazer jus à compensação, deve o contribuinte observar todas as exigências previstas na legislação de regência, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas. No caso, a interessada, de forma direta e sem observar os requisitos legais — pedido de restituição, seguido de pedido ou declaração de compensação — considerou quitados débitos do PIS/Pasep mediante seu confronto com créditos originados da figura, digase, de passagem, já não mais vigente em nosso ordenamento jurídico, do "CréditoPrêmio de IPI. Vale o registro de que a Fazenda Nacional fez constar em seu recurso a íntegra da ementa e fez, ainda que sucintamente, o confronto analítico requerido pelo RICARF, nesses termos (destaque meu): A fim de configurar plenamente a divergência de entendimentos entre as Câmaras, é preciso registrar que o acórdão paradigma Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10735.900426/200890 Acórdão n.º 9303004.606 CSRFT3 Fl. 3 3 firmou o entendimento de que, para fins de apuração do direito creditório é necessário que o contribuinte observe os requisitos previstos na legislação de regência que autoriza a compensação, enquanto o acórdão recorrido, não obstante ter constatado o descumprimento dos requisitos legais pelo contribuinte, autorizou a compensação pleiteada. Para concluir, após transcrever trecho do acórdão paradigma: Ressaltese que o objeto central do processo é o pedido de homologação da compensação pleiteada, e, neste quesito, tanto o acórdão guerreado quanto o paradigma versam sobre o mesmo assunto. Patente, portanto, a divergência jurisprudencial. Diante de tal afirmação, imprescindível transcrever, desde logo, trecho da decisão combatida, até como desagravo ao seu relator, o dr. Walber José da Silva, com toda justiça um dos nossos mais renomados membros: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e, portanto, merece ser conhecido. Como relatado, a cooperativa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. A DRF verificou que o valor do pagamento (Darf) informados pela recorrente fora integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e não restou provado a existência de pagamento indevido. Por seu turno, no recurso voluntário, a empresa recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e junta prova do valor da Cofins devida no mês de setembro de 2003. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. A DRF indeferiu o pedido da recorrente porque o pagamento informado fora integralmente utilizado no débito informado na DCTF original e a DRJ indeferiu a manifestação de Fl. 80DF CARF MF 4 inconformidade porque a recorrente não trouxe prova de que efetuara pagamento indevido. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição. Prossegue o dr Walbre na demonstração criteriosa do que afirma acima, isot é, que não impedimento legal nem mesmo normativo à realização da compensação sem prévia retificação da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator. Apesar do louvável esforço da representação fazendária, entendo que não restou comprovada a divergência necessária ao conhecimento de seu recurso, o que espero tenha ficado claro pela transcrição feita no Relatório. Com efeito, diversos os fatos, pois a decisão que a Fazenda procura caracterizar como comprobatória da divergência examinou declaração de compensação que envolvia direito creditório relativo ao crédito prêmio de IPI e concluiu estar tal compensação vedada por Lei. De se ver: Enfim, há que se observar a necessidade de autorização legal e de cumprimento, por parte da interessada, de todos os requisitos e condições legalmente impostos, editados em razão da eficiência da arrecadação. Por isso, merece atenção especial a questão acerca das peculiaridades do instituto da compensação quando o mesmo é regido pelo Direito Tributário, principalmente com relação à necessidade da existência de lei específica autorizadora de sua realização, prevendo os casos, as condições e as garantias em que a compensação deva ocorrer. Neste ponto, cabe destacar a autonomia que possui o ente tributante na determinação dos critérios segundo os quais os créditos do contribuinte podem ou não ser compensados. A referida autonomia tem por fundamento a competência impositiva constitucional do ente tributante, que a exerce de acordo com a oportunidade e conveniência da política fiscal, ou seja, objetivando tornála mais eficiente, de modo a que seja implementado o ideal de justiça fiscal. Ou seja, para fazer jus à compensação, deve o contribuinte observar todas as exigências previstas na legislação de regência, sob pena de, a bem do princípio, da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10735.900426/200890 Acórdão n.º 9303004.606 CSRFT3 Fl. 4 5 Registro que o trecho acima consta do próprio recurso, inclusive o destaque, e, como se vê, em nenhum momento se discute a necessidade de prévia retificação de DCTF. Lá o motivo foi a natureza do direito creditório, que se entendeu não abrangido pela legislação que cuida da figura. Já neste processo, nenhum óbice foi oposto por conta da natureza do direito creditório em si, seja pela DRF que prolatou o despacho decisório, seja pela DRJ que o ratificou. Em outras palavras, aquelas instâncias consideraram haver um requisito legal para a formalização do pedido que a instância recorrida entendeu não haver, qual seja, a retificação prévia de DCTF. Nesses termos, a meu ver, a divergência com a decisão trazida como paradigma somente se materializaria se a decisão recorrida houvesse deferido compensação com créditoprêmio de IPI, por entender que não havia óbice legal a isso. Para a decisão que aqui foi proferida, a paradigmática teria de ter enfrentado compensação sem prévia retificação de DCTF e mantido o mesmo entendimento aqui esposado pela DRJ. Por fim, não vejo como concordar com a conclusão do recurso expressa no trecho transcrito no relatório: a decisão recorrida não "constatou o descumprimento de requisito legal" e mesmo assim aceitou a compensação, até porque, se o fizesse, estariam os conselheiros votando contra a lei. Quem o quer constatado é a representação da Fazenda Nacional, por isso, cabia a ela trazer paradigma que ratificasse esse entendimento. Com essas considerações, é o meu voto pelo não conhecimento do recurso. Júlio César Alves Ramos Relator. Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000425/2006-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido em relação ao lançamento principal ou matriz de IRPJ aos lançamentos ditos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS.
Numero da decisão: 1803-001.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. Fl. 678 DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/2006-73 Acórdão n.º 1803-01.380 S1-TE03 Fl. 669
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido em relação ao lançamento principal ou matriz de IRPJ aos lançamentos ditos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 669 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório TRANSVIVO TRANSPORTES DE CARGAS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FORTALEZA (CE), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Reflexos (fls. 04/49), para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total R$ 598.396,05, inclusive encargos legais, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 03). Relata o autuante que, nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR/99, foi procedido o arbitramento do lucro, nos períodos de 09/2002, 12/2002, 03/003, 06/2003, 09/2003, 12/2003, tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação, deixou de apresentálos. Os lançamentos formalizados nos autos de infração do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL tiveram por suporte fático omissão de receitas caracterizada por depósitos e créditos realizados em contas bancárias mantidas pela empresa em instituições financeiras cuja origem dos recursos não foi comprovada e insuficiência de recolhimentos, tendo em vista, que relativamente à receita escriturada no livro Caixa dos períodos sob fiscalização, a empresa apresentou Declaração Simplificada, efetuou os recolhimentos por essa sistemática de tributação, quando não poderia têla adotada. Em relação à omissão de receitas caracterizada por depósitos e créditos realizados em contas bancárias mantidas pela empresa cuja origem dos recursos não foi comprovada, a fiscalização procedeu à qualificação da multa de oficio, nos termos do art. 957, inciso II, do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), tendo em vista que a contribuinte reiteradamente não inseriu em sua escrituração, como também não declarou em DCTF os vultosos depósitos/créditos bancários efetuados em sua conta corrente durante os anos de 2002 e 2003, retardando o conhecimento à autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, incidindo na situação prevista no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 670 3 Foi, ainda, agravada a multa aplicada, nos termos do art. 959 e inciso I, c/c incisos I e II do art. 957 do RIR199, em virtude de a empresa fiscalizada ter protelado a entrega dos livros e documentos solicitados e, quando o fez, foi verificado que o livro Caixa dos períodos em questão não contemplavam a movimentação financeira efetuada em instituições bancárias, como também não houve apresentação da respectiva documentação, sendo lavrado Auto de Embaraço à Fiscalização. A falta de atendimento às intimações pela contribuinte trouxe atraso e prejuízos à fiscalização, haja vista que os documentos e informações solicitados são imprescindíveis ao andamento dos trabalhos, sendo necessária à expedição de Requisição de Movimentação Financeira — RMF para obtenção das informações da fiscalizada junto às instituições financeiras, além de que não puderam ser apuradas todas as informações tendentes à verificação de suas receitas e seus dispêndios, impossibilitando a apuração pela sistemática do Lucro Real. A fiscalizada deixou, ainda, de atender a intimação lavrada em 08/01/2006 para a apresentação da escrituração contábil elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais. Inconformada com as exigências das quais tomou ciência pessoal em 13/12/2006, a contribuinte, interpôs impugnação (fls. 569/582) subscrita por seu representante legal (Instrumento de Procuração de fl. 583), remetida via postal em 12/01/2007 (fls. 584), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo elencados: a empresa desde 23/08/2002, data de sua abertura, fez opção pelo regime do Simples, efetuando seus recolhimentos por meio de DARF com código de receita 6106, do qual foi excluída por meio do processo n° 15983.000134/200685, e, por não concordar com essa exclusão, entrou com a competente defesa administrativa, estando referido processo na situação de aguardando julgamento na DRJ/SPOISP, sendo incontroverso que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, conforme mandamento do art. 151, III, do CTN; estando o processo de exclusão do Simples aguardando julgamento na DRJ/SPO, com sua exigibilidade suspensa, haja vista que o Ato Declaratório de Exclusão somente produz efeitos quando se torna definitivo, resta evidente que qualquer autuação fiscal tendente a mudar esta situação é nula de pleno direito, pois ofende os mais comezinhos princípios constitucionais, como o da segurança jurídica e o da legalidade; aduz não prosperar a autuação decorrente de omissão de receitas (depósitos bancários não contabilizados), ao argumento de que após o advento do CTN, que consagrou o princípio da reserva legal na atividade de lançamento, as exigências tributárias somente poderão ser formuladas por meio de provas seguras, que a fiscalização tem o dever de apresentálas, e não mediante simples ilações; Fl. 680DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 671 4 esse é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dos juristas Aires Ferdinando e Cléber Giardino e do Ministro Carlos Mário da Silva Velloso, observando este que se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, vale dizer, esses depósitos não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência de correlação natural exigida na instituição desses artificio legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte; portanto, para que se legitime a lavratura do auto de infração é necessário que a autoridade fiscalizadora aprofunde as investigações e colha outros elementos de prova, sob pena de invalidação do auto de infração, em outras palavras, o lançamento lastreado simplesmente em depósitos bancários não é válido; alega ser improcedente a majoração e agravamento das multas aplicadas, pois pagar tributos é uma obrigação, entretanto é direito do contribuinte pagálos de acordo com os princípios constitucionais e essencialmente com justiça, não podendo a represália pelo nãopagamento dos tributos ultrapassar os limites dos direitos fundamentais do contribuinte; assim, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada ao arbítrio da autoridade fiscal, mas somente em caso de comprovação pelo Fisco do intuito sonegador, do evidente intuito de fraude, poderá a fiscalização impor sanções qualificadas; presumese a boa fé e a inocência do contribuinte até prova em contrário, conforme entendimento dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda explicitado em ementas de julgados trazidos à colação; jamais poderá o Fisco, sem fazer prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas, mesmo porque tal procedimento contraria o disposto no art. 112 do CTN. Diante do exposto, requer a contribuinte que a presente autuação seja declarada nula de pleno direito, por se encontrar em julgamento o Ato declaratório de Exclusão do Simples, e porque embasada somente em depósitos bancários, bem como o afastamento da multa agravada e qualificada, por não ter a Autoridade Fiscal comprovado o dolo por parte da empresa impugnante, pois esta demonstrou o atendimento às solicitações efetuadas, mesmo que insatisfatórias em parte, demonstrando sua boafé. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 672 5 A DRJ FORTALEZA (CE), através do acórdão nº 0814.322, de 24 de outubro de 2008 (fls. 614/627), julgou procedente em parte o lançamento (redução das multas de ofício ao patamar de 75%), ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO A ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa, a falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e documentos comprobatórios de registros contábeis justificam o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, reduzse a multa qualificada de 150% para o percentual normal de 75%. MULTA AGRAVADA. Uma das hipóteses de agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio consiste na falta de atendimento de intimação pelo sujeito passivo para prestar esclarecimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 673 6 Ciente da decisão em 18/12/2008, conforme Termo de Vista e Ciência (fl. 650), apresentou o recurso voluntário em 16/01/2009 fls. 651/658, onde reitera parcialmente os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anos calendários 2002 e 2003, lavrados em virtude da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados e arbitramento do lucro em virtude da inexistência de escrituração na forma da legislação comercial e fiscal. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade dos autos de infração em virtude da existência de processo conexo (15983.000134/200685) no qual se discute a indevida exclusão do SIMPLES FEDERAL; b) A impossibilidade de se utilizar depósitos bancários como fato gerador do imposto de renda ou qualquer outro tributo federal; A decisão de primeira instância não merece reforma. Com efeito, a simples existência de processo conexo no qual se discute o mérito da exclusão do SIMPLES FEDERAL não é causa de nulidade do lançamento, mas apenas recomenda em nome da segurança jurídica quando muito o julgamento conjunto ou antecipado da exclusão da sistemática de recolhimento simplificado. Conforme se constata do Ato Declaratório de Exclusão (fl. 499) a recorrente foi excluída da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), em virtude da constatação de prática reiterada de infração à legislação tributária. Mencionado Ato de exclusão foi objeto de discussão nos processos 15983.000134/200685 e 15979.000079/200692 tendo sido indeferida a pretensão da contribuinte e tornandose definitiva a decisão por preclusão, conforme documentos de fls. 610/612, estando ambos processos arquivados no arquivo geral da SAMF SP. Destarte, impertinentes as alegações para aguardar o término dos processos que apreciavam a exclusão do SIMPLES FEDERAL pois já contém decisão definitiva em desfavor da recorrente. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000425/200673 Acórdão n.º 180301.380 S1TE03 Fl. 674 7 Rejeito, portanto a preliminar de nulidade dos autos de infração. Melhor sorte não colhe a recorrente com relação ao lançamento por depósitos bancários sem origem comprovada. Conforme a muito bem lançada decisão de primeira instância, o lançamento decorrente da constatação de depósitos bancários sem origem comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96), impõe apenas a exigência de intimação prévia do contribuinte para justificar os depósitos, prescindindo assim de outras provas, conforme atesta a Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. As decisões administrativas e judiciais aviadas pela recorrente referemse aos lançamentos com base na legislação tributária anterior à vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não servindo como paradigma ao presente caso. Cumprindo a autoridade fiscal o “iter” preconizado no art. 42 da Lei nº 9.430/96 e não obtendo resposta satisfatória para a origem dos recursos depositados resta satisfeita a presunção legal que erige como base imponível para mensurar a receita auferida, o montante dos depósitos bancários sem origem. Constatase, outrossim, conforme Termo de Constatação (fls. 501/511) que foi aceita parte da comprovação apresentada pela contribuinte, elidindo a presunção legal estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa e efeito também em relação aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11516.004392/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em rejeitar, por maioria de votos, diligência proposta pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. E por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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SISTEMA DE CLIMATIZAÇÃO, VENTILAÇÃO E REFRIGERAÇÃO PARA INCUBATÓRIO. A classificação fiscal relativa a produto industrializado, assim denominado: “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, com base nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.15) e 6 (texto das subposições 8415.8 e 8415.82), RGC/NCM 1 (texto dos itens 8415.82.10 e 8415.82.90) e elementos da Notas Explicativas do SHNESH, o enquadramento na TIPI deve ser no código 8415.82.90. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em rejeitar, por maioria de votos, diligência proposta pelo Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. E por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 43 92 /2 00 9- 39 Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 615 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 381/384, para exigir R$ 5.796.870,07 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora calculados até 31/07/2099 e multa proporcional ao valor do imposto (75%), em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota, em relação a sistemas de climatização para as incubadoras. Consoante a descrição dos fatos de fl. 382, que remete ao Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização de fls. 374/380, a fiscalizada promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”, cuja alíquota de IPI está reduzido a zero, quando o correto seria na posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”, com a alíquota de 20%. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 392/402, instruída com os documentos de fls. 403/407, alegando, em síntese, que: a) O ato fiscal referese “às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras”, assim, devese aplicar o Parecer Normativo CST nº 446/71, DOU 18/08/71, bem como o Parecer Normativo CST nº 57/71, DOU 12/08/71, que trata de instalação de arcondicionado, na qual concluem que estas “montagens” não seriam tributáveis; b) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), sobre a posição 8415, traz que a posição 8415 trata de produtos praticamente prontos os quais, quando muito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 616 3 necessitam apenas dos serviços de colocação. Esta posição é para equipamentos abaixo de 30.000 frigorias/hora, que são de pequeno porte, como condicionadores de parede ou tipo splits (8415.10) ou ainda ar condicionado para automóveis (8415.20), etc; c) O produto produzido pela empresa é complexo, ou seja, são instalações frigoríficas industriais de grande porte, visando a geração de riqueza, e que possuem alíquotas reduzidas, para propiciar ao produtor melhores condições de concorrência frente ao mercado global; d) A impugnante produz, como parte de seu produto, “câmara” com paredes isoladas termicamente (isopainéis) providas de equipamentos de condicionamento térmico, as quais possuem volumes superiores a 30 m³. Este parâmetro de volume veio a atender justamente as instalações frigoríficas industriais de grande porte onde os equipamentos “não podem ser reunidos em cormo único nem montados sobre base comum”. e) Os resfriadores de líquido utilizados nessas instalações, por um ciclo contínuo de operações, fornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0ºC) por absorção do calor latente, o que resulta na evaporação de um gás. Salienta ainda que esta é a nova tendência de instalações de climatização e refrigeração para câmaras frigoríficas. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração, pois o produto “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, não se enquadra na classificação 8415.82.90, e que seja reconhecido o direito aos créditos lançados e a respectiva compensação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO n° 1433.274, de 12/04/2011, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Neste processo foi apreciada a classificação fiscal relativa a produto industrializado pela impugnante, assim denominado: “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”. Com fundamento nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.15) e 6 (texto das subposições 8415.8 e 8415.82), RGC/NCM 1 (texto dos itens 8415.82.10 e 8415.82.90) e subsídios Nesh, aprovada pelo Decreto nº 435, de 1992, atualizada pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, seu enquadramento na TIPI deve ser no código 8415.82.90. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 617 4 Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento considerou o lançamento procedente, com as seguintes conclusões: Nesse ponto, convém ressaltar que o Auto de Infração das fls. 381/384 e o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização das fls. 374/380 estão devidamente motivados, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso, e, repetindo, estão corretos, razão pela qual o lançamento de ofício deve ser mantido, passando os seus fundamentos a fazer parte integrante deste voto, em face da expressa autorização do § 1o do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável subsidiariamente a este processo, por força do disposto no art. 69 do mesmo diploma legal. Assim sendo, correto é o procedimento fiscal que exigiu da interessada o Imposto sobre Produtos Industrializados, decorrente da diferença de alíquota por erro de classificação fiscal. Por todo o exposto, voto por julgar improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário nos termos em que foi constituído. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A ação fiscal teve como origem os pedidos de ressarcimento de créditos de IPI pleiteados através de pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER), e abrangeu o período de abril/ 2007 a dezembro/2008, havendo constatado as irregularidades mencionadas, conforme o Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 618 5 Demonstrativo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que culminou na falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota, em relação às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras. De acordo com a descrição dos fatos do Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização, a empresa promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”, cuja alíquota de IPI está reduzido a zero, e a fiscalização indica a posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”, com a alíquota de 20%. O litígio resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto na posição 8418 (importador) ou 8415 (fiscalização). A recorrente tem como objeto social, projeto, execução de obras, reformas, ampliações, instalações, manutenção, gerenciamento, assistência técnica em equipamentos e serviços nas áreas de infraestrutura para telecomunicações, climatização, energia e edificações conforme contrato social. Bem como, responde o que são incubatórios, em demanda pela fiscalização: "unidades industriais para a produção de pintinhos ou peruzinhos e irão compor a cadeia produtiva de carnes de frango/ peru e derivados. Nestas unidades são levados os ovos que inicialmente serão alojados nas câmaras de estocagem, e posteriormente incubados em máquinas apropriadas para a produção em larga escala. Após os ovos eclodirem as aves serão removidas das máquinas, vacinadas e estocadas nas câmaras de pintinhos/peruzinhos até serem enviadas aos aviários para o desenvolvimento e posterior abate.” Entende a fiscalização, portanto, que o produto classificase no código 8415.82.90 e a recorrente classifica no código 8418.69.99 com benefício da EX 04. A recorrente, quando da fiscalização, informou não possuir consulta administrativa e apresentou o "Memorial Técnico", onde explica que se trata de "Instalação frigorífica industrial, formada por elementos não reunidos em corpo único nem montadas sobre base comum, possuindo uma ou mais câmaras frigoríficas com capacidade superior a 30m3". Definiu como "câmara" cada sala a ser climatizado. Preliminarmente, argumenta a recorrente que o procedimento fiscal referese “às montagens de sistemas de climatização para as incubadoras”, assim, devese aplicar o Parecer Normativo CST nº 446/71, DOU 18/08/71, bem como o Parecer Normativo CST nº 57/71, DOU 12/08/71, que trata de instalação de arcondicionado, concluindo, pois, que estas “montagens” não seriam tributáveis. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 619 6 Transcrevendo excertos do Parecer Normativo CST nº 446/71 e Parecer Normativo CST nº 57/71, referenciados, a seguir: “Parecer Normativo CST nº 446/71 Instalação de ar condicionado. Canalização pela qual o ar é insuflado pela unidade condicionadora para os recintos a que se destina ("duto"): a simples colocacão no local para onde é levada já pronta não constitui montagem e nem industrialização...” “Parecer Normativo CST nº 57/71 13. Cumpre notar ainda que, nos casos em que há necessidade da confecção de canalizações, de ferro, aço ou cofre, à maneira dos canos e comumente chamados de “dutos”, com o objetivo de transportar o ar manipulado pelo grupo para local ou área diferente daquela onde é produzido – com respeito à classificação desses “dutos”, sejam eles cilíndricos, ovóides ou quadrados, há que observarse que os mesmos, pela sua natureza, são obras ou manufaturas de construção, melhor identificada e ligada ao prédio, ao edifício, à área construída e ao solo, tais como as canalizações usuais de gás, água, energia elétrica, etc. Este entendimento lógico exclui a hipótese de serem estes “dutos” tomados como partes de máquinas e equipamentos.” Percebese que com os fatos apresentados, incluída a argumentação da mesma, a empresa executa instalações de “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório” com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18º a 30º. Portanto, como bem conclui a decisão a quo, inclusive, quando ressalta: Em suma, não estamos diante de uma industrialização que se restringe a confecção e instalação de “dutos”, assim, não há semelhança do caso concreto com os apresentados nos pareceres apontados pela impugnante. Assim sendo, de pronto, não há que se falar em nulidade no Auto de Infração pela não aplicação dos Pareceres referidos acima, os mesmos não se prestam ao caso específico. Por todo o exposto, descabe a alegação que a parte que pretende determinado efeito jurídico deve comprovar a existência dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração e estão em desacordo com o art. 142 do CTN. Quanto à necessidade da lavratura do auto de infração, temse que a constituição do crédito tributário depende do lançamento e de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, surgida a obrigação tributária, nasce também para a Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 620 7 Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Inicialmente, sabese que o Sistema Harmonizado configurase com uma estrutura lógica e legal, composta de 97 capítulos, ordenados em 21 Seções, por sua vez, compostos por subdivisões em três níveis hierárquicos para enquadramento das mercadorias, representados por 6 dígitos: posição de 1º nível (4 dígitos), subposição simples e de 2º nível, respectivamente representados por 1 dígito cada, além da subposição composta, de 3º nível, também representada por um dígito. Além dos seis dígitos do SH (posição, subposição simples e subposição composta), no âmbito do direito interno, são acrescidos dois dígitos de identificação, itens e subitens, na NCM/SH, de maneira que os seis primeiros números, cuja base é o Sistema Harmonizado, serão iguais em todos os países do mundo que ratificaram a convenção internacional, ao passo que o 7º e 8º dígitos, são próprios da codificação tarifária interna. Por outro lado, há robusto instrumental subsidiário para auxiliar o intérprete, como as NESH Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, produzidas pela Organização Mundial das Alfândegas e que trazem elementos de esclarecimento da significação das posições subposições, das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições, veiculadas no direito interno por meio de instruções normativas da Receita Federal do Brasil. Passando ao mérito da classificação fiscal dos produtos caracterizados como “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório ”. Como relatado, a empresa promoveu a saída dos referidos sistemas adotando a classificação fiscal no código 8418.69.99, com benefício da EX 04 – “Instalações frigoríficas industriais, formadas por elementos não reunidos em corpo único nem montados sobre base comum, com câmara frigorífica de capacidade superior a 30m³”. Já a classificação considerada como correta pela fiscalização seria na posição 8415 – “Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, subposição 8415.82.90 – “Outros”. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação (RGI): “1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 621 8 OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. (...) 6. A CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NAS SUBPOSIÇÕES DE UMA MESMA POSIÇÃO É DETERMINADA, PARA EFEITOS LEGAIS, PELOS TEXTOS DESSAS SUBPOSIÇÕES E DAS NOTAS DE SUPOSIÇÃO RESPECTIVAS, ASSIM COMO, MUTATIS MUTANDIS, PELAS REGRAS PRECEDENTES, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS SUBPOSIÇÕES DO MESMO NÍVEL. PARA OS FINS DA PRESENTE REGRA, AS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO SÃO TAMBÉM APLICÁVEIS, SALVO DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO.” Então, os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que praticamente determinam a classificação fiscal de um produto. As outras regras (de 2 a 5 ) somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. A empresa executa instalações de “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório” com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18º a 30º. Por sua vez, a posição 8415, do Capítulo 84 (Reatores Nucleares, Caldeiras, Máquinas, Aparelhos e Instrumentos Mecânicos, e suas partes), descreve em seu texto o seguinte: “8415 – Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente” As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH – da Seção XVI) da referida posição esclarecem que: “Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém as vezes elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 622 9 algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de arcondicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de splitsystems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo splitsystem não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 623 10 Em alguns casos, o desumidificador utiliza as propriedades higroscópicas de produtos absorventes. Pertencem a esta posição, por exemplo, as bombas de calor reversíveis concebidas para executar, por um sistema único munido de válvula de inversão do ciclo térmico, a dupla função de aquecimento e refrigeração dos locais. No ciclo de refrigeração, a válvula de inversão envia o vapor quente sob alta pressão para a unidade exterior onde o calor liberado por condensação é dissipado no ambiente enquanto o líquido refrigerante comprimido circula em um evaporador interior onde ele é vaporizado, absorve calor e resfria o ar que um ventilador faz circular no local. No ciclo de aquecimento, a mudança de posição da válvula de inversão do ciclo térmico provoca uma inversão do escoamento do líquido refrigerante de tal sorte que o calor é liberado no local. As máquinas e aparelhos de arcondicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio. São geralmente providos de filtros nos quais o ar se liberta das poeiras ao atravessar uma ou mais camadas de matérias filtrantes freqüentemente umedecidas de óleo (têxteis, lã de vidro, palha de ferro, palha de cobre, chapas de metal distendido, etc.). Podem também ser equipados de dispositivos para regular a temperatura ou a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). São igualmente compreendidos aqui os aparelhos para equipar câmaras frias constituídos por um evaporador de resfriamento e um ventilador motorizado acondicionados em um mesmo invólucro e as unidades de aquecimento e/ou de refrigeração de um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*)], constituídos por um compressor, um condensador e um motor, montados em um receptáculo situado no exterior do compartimento de mercadorias, bem como um ventilador e um evaporador montados num receptáculo situado no interior deste compartimento. Todavia, excluemse da presente posição as unidades de refrigeração constituídas por um grupo frigorífico concebido para produzir frio com objetivo de manter, em um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*), por exemplo] uma temperatura determinada bastante inferior a 0°C, e providas de um dispositivo de aquecimento cuja finalidade é elevar a temperatura do ambiente, dentro de um limite determinado, quando a temperatura exterior for muito baixa. Estes aparelhos classificamse na posição 84.18, como máquinas e aparelhos para produção de frio, sendo a função de aquecimento acessória em relação à função essencial destes Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 624 11 aparelhos, que é a de produzir frio para conservar produtos perecíveis durante o transporte.” Além disso, as Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI estabelecem: “3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (negritei) Conforme já relatado, o produto da empresa, “sistema de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, tem como função principal modificar a temperatura e a umidade do ar criando ambiente ideal para produção de pintos. No curso da fiscalização, também verificouse que para o caso em discussão: a) apresentam ventiladores para distribuir o ar para as salas a serem climatizadas; b) possui dispositivos próprios para o controle da umidade do ar, mantendoo dentro de limites estipulados; c) apresenta um dispositivo de resfriamento de ar, no caso por água; d) não produzem temperaturas muito baixas, mas dentro do necessário para manter as condições de temperatura e umidades ideais para cada recinto; e) não se destinam a conservação de alimentos ou produtos. Fixada a posição, 8415, prosseguese a classificação conforme quadro abaixo: 8415 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente” 8415.10 Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo “split system” (sistema com elementos separados) 8415.20 Do tipo dos utilizados para o conforto dos passageiros nos veículos automóveis 8415.8 Outros 8415.81 Com dispositivos de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis) 8415.82 Outros, com dispositivos de refrigeração 8415.82.10 Com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora 8415.82.90 Outros Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 625 12 8415.83 Sem dispositivo de refrigeração 8415.90 Partes Tratandose de sistemas em que o ar é resfriado em um ambiente e através de condutos são levados a outros ambientes a outros ambientes a refrigerar, a classificação fiscal deve ser realizada na subposição 8415.82.90, tendo em vista a capacidade de resfriamento acima de 30.000 frigorias/hora. São sistemas com fins de modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar. Portanto, as NESH da posição 8415 e das Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI evidenciam a classificação 8415.82.90, para os “sistemas de climatização, ventilação e refrigeração para incubatório”, objeto do presente litígio. Essa posição tem funções de umidificação e desumidificação do ar, bem como contempla diversas máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente e não apenas ar condicionadores, tipo split, tampouco ar condicionador para veículos. Segundo a NESH, como já comentado, compreeendem: Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Por outro giro, o texto da posição 8418, dispõe: ("FREEZERS") E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA A PRODUÇÃO DE FRIO, COM EQUIPAMENTO ELÉTRICO OU OUTRO; BOMBAS DE CALOR, EXCLUÍDAS AS MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO DA POSIÇÃO 8415 A nota explicativasNESH da posição 8418 esclarece que: REFRIGERADORES, CONGELADORES (”FREEZERS') E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA PRODUÇÃO DE FRIO Os materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio de que trata esta posição compreendem geralmente máquinas ou instalações que, por um ciclo contínuo de operações, ƒornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0°C ou inferior), por absorção do calor latente que resulta da evaporação de um gás previamente liquefeito (amoníaco, hidrocarbonetos halogenados, por exemplo) ou de um líquido volátil, ou ainda, mais simplesmente, Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 626 13 da evaporação da água, principalmente em certos aparelhos de uso naval.”(negritei) Esclareçase que a posição 8418 diz respeito às máquinas e aparelhos para produção de frios destinados para refrigerar produtos, a baixa temperatura, permitindo inclusive congelamento (próxima de 0o C ou inferior), geralmente utilizados para conservar produtos alimentícios. E estão expressamente excluídas da referida posição, as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415. De acordo com os contratos analisados, os memoriais apresentados, a empresa executa as instalações de "sistema de climatização para incubatório" com fornecimento de equipamentos e materiais cuja finalidade é a de garantir as condições de temperatura, umidade e renovação de ar específicas para cada ambiente do incubatório de aves, que segundo os contratos são compostos de várias salas (de ovos, de préincubação, de incubação, de nascimentos, de vacinação, de pintos, de coleta e sexagem, preparação de vacinas), onde as temperaturas previstas variam de 18° a 30°, ou seja, temperatura resfria e também aquece, mas não chega a temperaturas muito baixas (até congelar). Ainda, de acordo com os contratos, o sistema de refrigeração é efetuado através da utilização de resfriador de líquido que produz água gelada que alimenta os "fan coil" (da sala de ovos) e CTA (centrais de tratamento de ar) para refrigeração das salas de incubação e nascedouros. A posição 8415 contempla, como comentado acima, a função de aquecimento que não é uma função acessória, bem como abarca temperatura entre 18° a 30°, enquanto a 8418 tem a característica de refrigerar produtos a baixa temperatura. Dessa maneira, os sistemas de climatização para as agroindústrias do tipo instalados pela empresa que tem a função de climatizar ambientes não pode ser enquadrado na posição 8418. Esclareçase ainda, que as instalações frigoríficas industriais devem comportar uma câmara frigorífica. Entendese como câmara frigorífica, um compartimento isolado termicamente e dotados de dispositivos para resfriamento a fim de permitir a conservação por longo tempo de produtos perecíveis, especialmente os alimentícios. Não se trata, pois, de um ambiente ou sala refrigerado qualquer, logo, concluise que tais sistemas, pela função que desempenha devem ser classificados na posição 8415. Destarte, os produtos da posição 8418 são para temperatura muito baixas e até negativas, os produtos do litígio climatiza entre 18 a 30 graus, ou seja, também aquece, além do mais, mesmo que o "EX" fosse da posição 8418 não se enquadraria no texto do EX, pois, esse EX inclui câmara frigorífica e a empresa não fornece a câmara frigorífica. A posição 8415 contempla a função de aquecimento que não é uma função acessória e por todos os motivos, concluise por esta posição, tendo em vista as regras gerais de classificação fiscal (1 e 6) e as NESH. E por fim, não se aplica o art. 112 do CTN, como ventilado por algum dos meus pares, já que inexistem quaisquer dúvidas quanto à capitulação legal do fato ou a às outras matérias listadas nos incisos do referido artigo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 627 14 MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Após leitura do bem fundamentado voto da Relatora, pedi vista dos autos para melhor análise da questão, conforme aspectos apresentados em Tribuna e nas razões recursais. Em face do cuidadoso exame empreendido, chego à conclusão diversa daquela exposta pelo voto vencedor. Concluo que, dentre as classificações fiscais adotadas, seja pelo contribuinte, seja pela Fiscalização, nenhuma delas se adequa à complexa descrição técnica existente nos autos. Tampouco identifico a existência de uma terceira classificação possível. Não obstante, é necessário que alguma classificações prevaleça para fins fiscais. Nesse sentido, entendo ser aplicável a Regra Geral de Interpretação nº 3, c, do Sistema Harmonizado: 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11516.004392/200939 Acórdão n.º 3201002.591 S3C2T1 Fl. 628 15 último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Assim, tenho que, na hipótese, aplicável a classificação fiscal adotada pelo Contribuinte, por se encontrar esta em último lugar dentre as possíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.722217/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO.
Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos restabelece parcialmente a dedução de despesas médicas efetuadas pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos restabelece parcialmente a dedução de despesas médicas efetuadas pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 22 17 /2 01 5- 96 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 91 2 AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, emitida em 15/06/2015, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2013, onde foi considerada indevida a dedução de R$ 15.785,58, a título de despesas médicas, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento em 19/06/2015 (fl. 11), o contribuinte apresentou, em 13/07/2015, a impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em suma, que o valor glosado se refere à despesas do próprio declarante e que apresenta documentação comprobatória de suas alegações. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte por entender devida a dedução do montante de R$ 12.660,86, valor correspondente à soma de 10 parcelas pagas durante o anocalendário de 2013, conforme cálculo presente à fl. 75, vale ressaltar que não foram consideradas as parcelas dos meses julho e agosto, pois o impugnante não juntou aos autos prova de pagamento dos referidos meses. Cientificado do acórdão da DRJ em 15/12/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/12/2015, alegando, em síntese, que: O fisco, ao realizar o cálculo do montante devido, não levou em consideração a incidência do IOF de 2,38%. Às fl.82, o impugnante apresentou novo cálculo levando em consideração o imposto acima aduzido, resultando no montante de R$ 12.962,98. Por fim, requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 92 3 Das Deduções de Despesas Médicas É de bom grado reproduzir a legislação atinente à dedução de despesas médicas. Nesse sentido aduz o artigo 80, do Decreto 3.000/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. A decisão de piso não merece reparo. Em sua fundamentação consta expressamente que, não obstante constar como sacado uma pessoa jurídica, os documentos carreados aos autos demonstram que os pagamentos foram suportados pelo próprio recorrente através de débito em sua conta corrente. Acrescenta que, ainda que não se possa individualizar os pagamentos, restou provado que o recorrente assumiu o ônus financeiro. Diferentemente do alegado no instrumento recursal, os pagamentos foram considerados pelo seu montante total, já incluindo a parcela referente ao IOF, quando existente. Assim, deve ser mantida in totum a decisão recorrida, a qual restabeleceu a dedução da quantia de R$ 12.660,86, relativa ao pagamento do plano de saúde que teve o recorrente como um dos beneficiários. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13819.722217/201596 Acórdão n.º 2201003.401 S2C2T1 Fl. 93 4 Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912282/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.951
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912282/201212 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.951 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 28 2/ 20 12 -1 2 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912282/201212 Resolução nº 3402000.951 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000879/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 87 9/ 20 10 -1 8 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, considerando o lapso manifesto no acórdão 2401004.129 (fls. 54/58), proferido no processo em epígrafe. O processo trata de infração à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso I, c/c o artigo 225, inciso l e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, como discriminado no Relatório Fiscal da Infração, fls.07/12. Durante procedimento de auditoria junto à empresa TENACE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e após análise da documentação apresentada, a fiscalização concluiu que a empresa autuada utilizava os empregados das empresas MARCOS AURÉLIO RODRIGUES DE SOUZA e ALUMARES COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO LTDA, conforme descrito detalhadamente no relatório fiscal do Auto de Infração de Obrigações Principais DEBCAD n° 37.251.112O (Processo n°10.665.000876/201076). Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl.13, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea ‘a’, e o valor da multa aplicável corresponde a RS 1.410,79 (valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 350 de 30/12/2009, vigente à época da autuação). A ação fiscal teve inicio com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de fls. 14/15. A interessada foi cientificada em 24/06/2010 e apresentou impugnação em 26/07/2010 (fls. 22/27), na qual alega, em suma, que não há previsão de qualquer penalidade para infração prevista no AI. Aduz que a multa exigida foi arbitrada pelos agentes fiscais e que ninguém é obrigada a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Em 27/10/2010 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (BH) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos. Impugnação Improcedente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido” Inconformada, em 22/12/2010 a empresa autuada interpôs recurso voluntário (fls. 45/50), cujas razões de inconformidade repisam as mesmas alegações contidas em sua peça impugnatória. Ao analisar o recurso (fls.54/58), em 16/02/2016 a egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária negou provimento ao inconformismo e manteve a decisão de primeira instância nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. INTIMAÇÃO FISCAL. DESATENDIMENTO. O descumprimento de atendimento de obrigação acessória, consistente na exibição de escrita contábil, sujeita o infrator Recorrente à penalidade administrativa de multa, a ser calculada na forma da legislação vigente, na Lei n º8.212/91, ART. 32, inciso I, c/c art. 225,inciso I e §9º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº3.048 de 06/05/1999. Recurso Voluntário Negado.” Devidamente cientificada em 24/06/16 (fl.60), a embargada interpôs Recurso Especial (fls.62/67), tempestivamente, em 08/07/2016. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis apresentou embargos de declaração com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, onde alega que no presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida em que, trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo contribuinte por meio de expresso pedido de desistência ou mesmo pelo Fisco. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Primeiramente, deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do RICARF, não existe prazo para correção de erro manifesto, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Conforme constam dos autos, cuidase de infração à Lei n° 8.212/1991, artigo 32, inciso I, c/c o artigo 225, inciso l e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. A interessada foi cientificada em 24/06/2010 e apresentou impugnação em 26/07/2010 (fls. 22/27). Em 27/09/2010, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (BH) manteve o crédito tributário (Acórdão nº 0229.227 de fls.39/41). Inconformada, em 20/12/2010 a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário (fls. 45/50), e, ao analisar o referido recurso, em 16/02/2016 esta egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária negou lhe provimento e manteve incólume a decisão de primeira instância (fls.54/58). Ocorre que, posteriormente ao julgamento, às fl.61 foi juntada tela do sistema SICOB informando sobre parcelamento de débito em 01/12/2014, contudo, não é possível verificar se referido parcelamento referese especificamente ao crédito tributário ora em debate. Diante desse cenário, para que não remanesçam dúvidas acerca do referido pedido, bem como se esse referese ao crédito tributário sub examine, converto o julgamento em diligência, para solicitar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, junte aos autos o pedido de parcelamento específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada a Embargada TENACE INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI, para que se manifeste sobre os termos do referido parcelamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para determinar à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis juntar aos autos o pedido de parcelamento do contribuinte, específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada a Embargada TENACE INDUSTRIA E Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10665.000879/201018 Resolução nº 2401000.554 S2C4T1 Fl. 6 5 COMERCIO EIRELI, para que se manifeste, no prazo de 15 (quinze) dias sobre os termos do referido parcelamento nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720015/2011-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 00 15 /2 01 1- 45 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 9202004.811 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906400/2009-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.906400/200938 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.616 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ATP TECNOLOGIA E PRODUTOS S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.867, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 64 00 /2 00 9- 38 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10166.906400/200938 Acórdão n.º 9101002.616 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 250DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916327/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.950
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 27 /2 01 1- 21 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 70DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 72DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 74DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 76DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 3402003.950 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
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