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Numero do processo: 19515.721803/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ato Cooperativo. Prestação de Serviços a Terceiros.
A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo.
COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL.
A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO.
É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admite-se exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, súmula da Advocacia-Geral da União ou parecer do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República.
SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO.
Afasta-se a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon.
Ro Negado e RV Negado.
Numero da decisão: 3302-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO. É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO. Afastase a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 03 /2 01 1- 91 Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. 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Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO. Afastase a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon. Ro Negado e RV Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.014 3 Relatório Tratamse de Recurso de Ofício interposto pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP1) em face de exoneração parcial do crédito tributário em razão da desqualificação da Multa de ofício, em conformidade com o art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, c/c a Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, e de Recurso Voluntário em face do Acórdão DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1, prolatado na Sessão de19 de abril de 2012, na parte em que foi mantido o lançamento. Na origem, cuidase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta de recolhimento, nos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2007, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 3614/3625) e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 3628/3639). A numeração de referência é sempre a da versão digital do processo. Para melhor entendimento dos fatos, transcrevese a seguir trecho do relatório do Acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “O autuante, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 3603/3610), fundamentou o lançamento de ofício no fato de a contribuinte não ter recolhido a Cofins e o PIS/Pasep decorrentes das receitas obtidas com a prestação de transporte público, nem tampouco informado os valores devidos em DCTF Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais, tendo ela apresentado o Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais em branco. Durante o procedimento fiscal o auditor fiscal intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos, tendo ela informado que não havia efetuado recolhimentos a título de Cofins e PIS/Pasep porque não teriam sido auferidas receitas tributáveis, já que não haviam sido realizadas operações referentes a atos não cooperativos. Por essa razão, o autuante assim argumentou no citado Termo de Constatação Fiscal: ‘O ato cooperativo foi regulamentado pela Lei n° 5.764 de 16 de dezembro de 1971 e de acordo com o seu artigo 79 são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Excepcionando essa regra, essa própria lei permitiu a pratica de atos não cooperativos, os quais encontramse elencados nos seus artigos 85, 86 e 88, destacandose aqui a hipótese do artigo 86 a seguir reproduzido: (...) Todavia, os seus artigos 87 e 111 determinaram que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas com essas operações constituem renda tributável e que deveriam ser contabilizados em separado de forma a permitir o cálculo para a incidência dos tributos. Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (...) Extraise que a prestação de serviço de transporte público de passageiros à Secretaria Municipal de Transportes da prefeitura de São Paulo (entidade pública não associada) sob regime de permissão são atos não cooperativos e, neste sentido, as receitas correspondentes sujeitamse à tributação na forma dos artigos 87 e 111. A despeito da denominação adotada pelas partes para essas receitas (...) e da classificação contábil atribuída pelo contribuinte para o seu registro, temse que encontramse no conceito de receita bruta definido pelo artigo 279 do RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (...). (...) Importante aqui ressaltar que com a edição da Medida Provisória n° 1.8586 de 29 de junho de 1999 e suas reedições (atual MP n° 2.158 35/2001), todas as receitas auferidas pelas cooperativas, inclusive as decorrentes de atos cooperativos, passaram a se sujeitar a incidência da COFINS, tendo em vista a revogação do inciso I do artigo 6° da Lei Complementar n° 70 de dezembro de 1991 pelo seu artigo 23, inciso II, letra "a", (artigo 93 da atual Medida Provisória n° 2.15835/2001. Ficaram isentas da COFINS somente as entidades e as operações nominalmente citadas no seu artigo 13 e 14 (...), aqui não incluída as atividades cooperativas. (...) Em relação ao PIS, com a não inclusão das cooperativas no rol das empresas sujeitas ao recolhimento com base na folha de salários estabelecida pelo retro transcrito artigo 13 [da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001], restou que tais entidades, igualmente passaram como regra a ser contribuintes na modalidade faturamento. Essas regras passaram a surtir efeitos a partir do mês de novembro/99, conforme o Ato Declaratório SRF n° 088 de 17 de dezembro de 1999. Com a introdução da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, o inciso X do artigo 8°da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e inciso VI do artigo 10 da Lei n° 10.833 de 29 de dezembro de 2003, estabeleceram que as cooperativas em geral, excetuadas as cooperativas agropecuárias e de consumo, continuariam sujeitas a apuração dessas contribuições segundo as regras anteriores, ou seja, na apuração cumulativa da Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.8586/1999 e suas reedições, até a Medida Provisória n° 2.15835/2001, regra consolidada nos artigos 1°, inciso I, artigo 2° e artigo 33 da IN SRF n° 635/2006. (...) Assim sendo, não procede a tese aventada pelo contribuinte de "que não foram auferidas receitas tributáveis pelas referidas contribuições" porquanto "não foram realizadas operações referentes a atos não cooperativos", visto que, conforme restou aqui demonstrado, a quase totalidade das receitas auferidas provieram de serviços prestados a não associados (Secretaria Municipal de Transportes da prefeitura de São Paulo) na forma do artigo 86 da Lei 5.764/71. Ademais, conforme vimos, a partir de novembro de 1999 todas as receitas auferidas pelas cooperativas, de atos cooperativos ou não, Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.015 5 passaram a se sujeitar a incidência do PIS e COFINS sobre o faturamento.’ A seguir o auditor fiscal fundamenta a qualificação da multa de ofício nos seguintes termos: ‘A DCTF e o DACON, demonstrativos nos quais o contribuinte deixou de informar os valores devidos do PIS e da COFINS, além de possuir natureza declaratória, são os principais instrumentos de controle da Receita Federal do Brasil que, por intermédio das informações nelas prestadas, possibilita a análise do crédito tributário e a cobrança executiva dos valores ali declarados e não recolhidos na forma e no prazo regulamentar. Conforme vimos, esses demonstrativos foram apresentados omitindose os valores devidos dessas contribuições, induzindo a administração tributária à conclusão equivocada da inexistência de débitos a recolher das referidas contribuições. Esses fatos (omissão de informações e falta de recolhimento) inserem se, em tese, no crime tipificado no inciso I do artigo 1°da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 c/c o inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502/64 (...), sujeitandose, portanto, nos termos do parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, à aplicação da multa qualificada, sem prejuízo da representação fiscal para fins penais determinada pelo artigo 1° da Portaria RFB n° 2.439 de 21 de dezembro de 2010 e artigo 47 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011: (...).’ Cientificada dos autos de infração em 25/11/2011, a contribuinte apresentou impugnações em 20/12/2011 (fls. 3651/3708 e 3772/3818), nas quais alega: ● a definição, o conceito e o desenho legal da natureza jurídica das cooperativas no Brasil é dado pela Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. A Constituição Federal, em seu art. 5°, inciso XVIII, dá formato constitucional a esse diploma legal ao exigir que a criação de cooperativas devam atender à forma da lei. A referida lei, assim constitucionalizada, excluiu da incidência tributária todos os atos cooperativos; ● a ordem constitucional deixou claro que a cooperativa é uma sociedade civil, de natureza econômica, sem fins lucrativos e amplamente tutelada; ● qualidade de cooperativa prestadora de serviços, seus associados prestam serviços de transporte público de passageiros à Secretaria Municipal de Transportes da PMSP, vale dizer, na cooperativa de serviços, ASSOCIADOS SÃO OS PRESTADORES DE SERVIÇOS, de modo que, quaisquer valores recebidos pela cooperativa de trabalho pelos serviços prestados por seus associados (cooperados), AINDA QUE ESSES SERVIÇOS SEJAM PRESTADOS PARA PESSOAS NÃO ASSOCIADAS, É ATO COOPERATIVO, UMA VEZ QUE OS SERVIÇOS FORAM PRESTADOS INTEGRALMENTE PELOS COOPERADOS; Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 ● seguir o entendimento do Ilmo. Fiscal, seria o mesmo que obrigar que todos os usuários de transporte público, juntamente com o tomador dos serviços de transporte, fossem associados à cooperativa; ● pelo entendimento do fiscal autuante, seria impossível a existência de uma cooperativa de transporte público, uma vez que os serviços somente poderiam ser prestados a outros cooperados, tornandose assim inviável a existência de cooperativa de transporte público, senão sujeitas à tributação; ● além da própria prestação de serviços de transporte público pelos cooperados, também são atos cooperativos típicos todas as atividades desenvolvidas pela Transcooper, ora impugnante, tais como: a operação e coordenação da programação de linhas de transportes de passageiros, a realização de cursos de capacitação profissional aos cooperados, proporcionar através de convênios serviços sociais, prestar serviços de interesse dos cooperados, entre outras atividades típicas da cooperativa; ● para caracterizar o ato cooperativo, o prestador de serviços é que deve ser obrigatoriamente o associado à cooperativa e não o usuário ou contratante do serviço. O entendimento contrário a este, teria apenas o condão de fulminar completamente à própria razão de existir uma cooperativa de serviços, pois, seria delimitado de forma ilegal a quem a cooperativa e seus cooperados poderiam prestar serviços, sendo que estes deveriam ser prestados somente entre seus associados, tornandose inviável à própria finalidade da cooperativa, uma vez que, a necessidade de prestação de serviços a terceiros não associados é que levou à criação da cooperativa, que, somente repassa os valores recebidos do tomador de serviços aos cooperados que são os prestadores de serviços, em total alusão à própria natureza jurídica da cooperativa; ● a primeira particularidade que desponta da leitura dos arts. 4° e 7° da Lei n° 5.764, de 1971, é o fato das cooperativas, especialmente as de trabalho, prestarem serviços diretamente aos seus associados, proporcionandolhes condições de organização e planejamento comum do trabalho, o qual é colocado à disposição dos usuários em geral. Assim, ao se associarem à autuada, os cooperados colocam sua atividade profissional à disposição da coletividade, verdadeira destinatária dos serviços de transporte realizados. Neste contexto, a autuada serve de mero instrumento a viabilizar a contratação global da atividade dos seus sócios,relacionando o trabalho destes em conjunto aos usuários dos seus serviços, de sorte que esse trabalho não perca sua individualidade e autonomia; ● na prática dos atos inerentes à sua finalidade, as cooperativas agem em nome dos seus sócios, diferentes das demais pessoas jurídicas, nas quais os sócios é que agem em nome da sociedade. A impugnante, pois, é mera mandatária (uma efetiva secretária) de seus associados, posto que a atividade que exerce é de proveito comum; Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.016 7 ● basta uma simples leitura do Estatuto Social da autuada, especificamente do que diz respeito ao "CAPITULO II DO OBJETO ", para perceber que todas as suas atividades, sem distinção ou exceção de qualquer natureza são voltadas para o trabalho cooperativo em prol dos cooperados que nela são associados; ● os valores recebidos pelas cooperativas de serviços por serviços prestados por seus associados, ainda que às pessoas nãoassociadas, como é o caso em exame, indubitavelmente, é ato cooperativo, não devendo ser, portanto, tributados; ● a idéia fundamental para a caracterização do ato cooperativo é a presença do cooperado em uma das "pontas" do negócio; ● delimitada a abrangência do ato cooperativo, importa ressaltar, neste ponto das razões, que a prática destes atos produzirá valores que não estão na disponibilidade da cooperativa, ora autuada, simplesmente porque não lhe pertencem! Tais valores, num primeiro momento, podem parecer receitas próprias, impressão que logo se dissipa, quando constatamos que, na verdade, são repassadas integralmente aos sócioscooperados, na proporção de suas produções, assim as despesas também o são, em forma de rateio; ● a cooperativa, ora impugnante, não recebe qualquer remuneração pelos serviços prestados pelos cooperados, simplesmente repassando os valores recebidos da PMSP, em razão da permissão para a prestação de serviços de transporte público; ● o produto resultante da prática de atos cooperativos atosfim e/ou atosmeio não configura faturamento tão pouco receita, para fins de incidência da Cofins; ● sendo uma sociedade cooperativa de transporte de pessoas e cargas devidamente regulamentada, em conformidade com a Lei n° 5.764, de 1971, goza de isenção da Cofins, segundo o art. 6°, inciso I e II, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Essa isenção está vigente, pois somente lei de patamar superior ou de mesmo nível poderia revogála; ● o ato cooperativo só pode receber tratamento tributário por meio de lei complementar, consoante art. 146, inciso III, alínea c, da Constituição Federal. O que foi feito pela Lei Complementar n° 70, de 1991; ● é inegável que estamos diante de um típico caso de não incidência tributária, uma vez que a impugnante não auferiu receita e a natureza jurídica dos atos praticados entre ela (Transcooper) e seus associados é estritamente de Ato Cooperativo, não passível de tributação, na forma da lei; ● não tem cabimento a arguição fiscal da existência de crime contra a ordem tributária, pois não foram informados valores devidos nas declarações simplesmente porque não há incidência Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 tributária de Cofins e PIS/Pasep sobre as atividades da impugnante; ● não há que se falar em enquadramento de crime contra a ordem tributária, uma vez que não houve conduta dolosa por parte da impugnante, que simplesmente valeuse da legislação aplicável e mantémse em perfeita regularidade perante o fisco federal; ● a afirmativa lançada no relatório fiscal é completamente descabida e equivocada, uma vez que, a título de argumentação, ainda que fosse devido qualquer valor aos cofres públicos, não há a constituição definitiva do crédito tributário e, portanto, em sede de conclusão do trabalho fiscal, não há que se falar em valores efetivamente devidos ao fisco e, muito menos, que houve qualquer cometimento de crime contra a ordem tributária por parte da impugnante; ● o caráter estritamente remuneratório da taxa SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar o capital alheio, não se prestando para indenização objetivada nos juros moratórios (...). Nem se alegue, por outro lado, que a cobrança da taxa SELIC estaria autorizada legalmente Lei n° 9.065/95 com fulcro no artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, e que isto seria suficiente para legitimar sua incidência no caso concreto. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que uma lei ordinária não pode, mesmo querendo, alterar a natureza das coisas, dandolhes contornos totalmente estranhos (e até opostos!) apenas para os legítimos fins da tributação. É precisamente o que proíbe o artigo 110 do Código Tributário Nacional (...). ● a Lei n° 9.065/95 não encontra fundamento no artigo 161, § 1°, do CTN, porque este dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita natureza moratória, e não remuneratória; ● dado que a Lei n° 9.065, de 1995, conferiu natureza remuneratória aos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, resta concluir que só podem ser adotados os juros previstos no art. 161, § 1°, do CTN, ou seja, a taxa de um por cento ao mês; ● há de se ressaltar que, com a adoção da taxa Selic, os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês, sem que a respectiva norma sobre a matéria tivesse definido qual o percentual a ser cobrado; ● quando se trata de imputação de multa com caráter punitivo, nos moldes em que o fora no caso em tela, mister se faz que reste demonstrado não meros indícios de conduta dolosa ou fraudulenta pelo contribuinte, mas sim que haja a prova in concreto dessa conduta, o que não é de fato o caso em apreço, uma vez que, o pagamento do tributo não foi efetuado simplesmente porque a impugnante não é sujeito passivo do mesmo; ● a multa aplicada tem nítido efeito confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.017 9 Em apoio a seus argumentos, a impugnante cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, com entendimento de não estarem os atos cooperativos sujeitos à incidência da Cofins. Ao final requer que todas as intimações sejam efetuadas em nome de seus patronos.” A DRJ São Paulo, por meio do Acórdão DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1, prolatado na Sessão de19 de abril de 2012 deu provimento parcial à impugnação, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Não comprovado nos autos a ocorrência dolosa de omissão de informações em DCTF e em Dacon, descabe a aplicação da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Não comprovado nos autos a ocorrência dolosa de omissão de informações em DCTF e em Dacon, descabe a aplicação da multa de ofício qualificada. Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado em 24/07/2012 do resultado do julgamento de sua impugnação (AR de –efl. 3918), a contribuinte, irresignada com a decisão que manteve parcialmente o lançamento, apresenta em 22/08/2012, recurso voluntário (PIS/PASEP efls 3924 a 3961 e COFINS – efls 3962 a 4009), no qual, utilizandose dos mesmos argumentos da peça impugnatória, questiona: 1) a interpretação dada pelos autuante e a autoridade julgadora acerca do conceito de atos cooperativos, 2) a inconstitucionalidade das leis ordinárias que alteraram a isenção dos atos cooperativos prevista na LC 70/91, 3) a abrangência do faturamento em face das atividades de cooperativas, 4) o descabimento de crime contra a ordem tributária, 5) a aplicação da Taxa SELIC Ao final efetua o seu pedido: “... REQUER SEJA CONHECIDO E PROVIDO O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, REFORMANDOSE O ACÓRDÃO RECORRIDO PARA O FIM DE DECLARAR A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL E CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO EM EPÍGRAFE, COM O ARQUIVAMENTO DO MESMO.” Na forma regimental, o processo foi distribuído a essa relatora. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso de Ofício foi interposto em face do crédito tributário exonerado pela Autoridade julgadora de 1ª Instância Administrativa exceder o limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 e, portanto, deve ser objeto de análise deste colegiado. O Recurso Voluntário, por sua vez, é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O cerne do litígio é a definição da correta base de cálculo do PIS e da Cofins, mais especificamente, no que se refere à incidência das contribuições sobre os serviços de transporte de passageiros pagos por terceiros à cooperativa e prestados por meio de seus cooperados. A Transcooper Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste (antiga Transcooper Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste), foi constituída em 11 de agosto de 1997, através da Assembléia Geral de Constituição de 11 de agosto de 1997, registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo sob n° 1377, tendo por objeto a defesa e a prestação de Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.018 11 serviços à seus associados (artigo 2o do estatuto social com as alterações posteriores, consolidado em 19112010). Sendo permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município de São Paulo (Termos de Permissão n° 692/03, 693/03 e 695/03), atuou como prestadora de serviço público de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, a qual se constituiu como a sua atividade principal e sua principal fonte geradora de recursos. As autoridades de lançamento e de julgamento de 1ª instância administrativa entenderam devidas as contribuições do PIS E COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes dessa atividade baseadas em duas fundamentações: 1) os serviços de transportes de passageiros decorrentes dos contratos firmados com a Secretaria Municipal de São Paulo não constituem atos cooperativos e 2) a legislação em vigor no período fiscalizado exigia a incidência das contribuições sobre as receitas das cooperativas, em face da revogação da isenção anteriormente existente. Por sua vez, a contribuinte defende que: 1) tais serviços constituem atos cooperativos; 2) os atos cooperativos não são atos comerciais e, portanto, não geram receitas, ocorrendo a não incidência; 3) a inconstitucionalidade das normas que revogaram a isenção prevista em Lei complementar. Registrese, de início, que essa matéria encontrase sob Regime de Repercussão Geral reconhecida nos autos do Recurso Extraordinário nº 598.0855/RJ. Inobstante haja ou não sobrestamento de outros recursos especiais na esfera judicial, tal fato não mais influencia o julgamento da mesma matéria no CARF, haja vista a alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Também, cabe ressaltar que o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, é procedimento, regra geral, vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. Desta forma, mister se faz analisar o histórico da legislação tributária atinente às Cooperativas, para ressaltar a legislação tributária em vigor na época dos fatos, cujo cumprimento é devido, salvo nas hipóteses imediatamente acima mencionados, o que não ocorreu. DO DIREITO A Constituição Federal de 1988, em seu art. 146, III, “c” estabeleceu: “"Art. 146 Cabe à lei complementar: Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas". O tratamento diferenciado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Mas, inobstante tal previsão constitucional, até o momento não foi inserido no ordenamento jurídico lei complementar com esta finalidade específica. Na esfera tributária federal existem, porém, leis que tratam da tributação das sociedades cooperativas, consoante se destacará adiante. Neste sentido, por pertinente, transcrevo trecho do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro proferido no Acórdão nº 3102001.432, de 24 de abril de 2012: “Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República.Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 3631. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) 1 http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo363.htm Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.019 13 A transcrição do excerto demonstra que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica.” Vejamos, então, uma síntese da legislação. De início, havia a isenção da COFINS concedida às sociedades cooperativas pela LC nº 70, de .1991, art. 6º: “Art. 6° São isentas da contribuição: 1 as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades;” Sabese que a isenção é forma de exclusão do crédito tributário (CTN, art. 175). Logo, para que se aplique, antes há de ter ocorrido a hipótese de incidência genericamente disciplinada na lei. Tratandose de Cofins, temse que, sob a égide da Lei Complementar n° 70/91, a hipótese de incidência da contribuição é a obtenção de receitas provenientes da venda de mercadorias ou serviços. Há de ocorrer, pois, uma venda para que se possa pensar em incidência, e depois, somente depois, em excluir o crédito tributário daí surgido. Disso resulta que a disposição do art. 6º, inciso I da Lei Complementar n° 70/91 implicitamente está a considerar que as cooperativas, em seus atos cooperativos, praticam, sim, vendas. Não obstante, tal isenção foi revogada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, art.23, II. e suas reedições posteriores, até finalmente constar do art. 93, II, a, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: "Art. 93. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991;". Relativamente ao PIS/PASEP, na vigência da Lei n° 9.715, de 1998, as cooperativas estavam sujeitas ao recolhimento com base na folha de salários, mas deviam pagar também a contribuição com base no faturamento do mês em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados: Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 “Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; II pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações, com base na folha de salários; (...) § 1°As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados.” Posteriormente, a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou substancialmente toda a sistemática do PIS/Pasep, mas foi a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, que trouxe em seu art. 13 lista das pessoas jurídicas sujeitas ao PIS/Pasep com base na folha de salários, nela não incluídas as cooperativas. Essa medida provisória, em seu art. 23, inciso II, revogou expressamente o inciso II do art. 2° da Lei n° 9.715, de 1998. Com isso as cooperativas, como regra, passaram a ser contribuintes do PIS/Pasep na modalidade de faturamento, como previsto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Como bem ressalvou o acórdão ora recorrido, “em 17/11/1999 foi editado o Ato Declaratório n° 88, no qual o Secretário da Receita Federal declarava que o PIS/Pasep e a Cofins seriam apurados em conformidade com a Medida Provisória n° 1.8587, de 1999, a partir do mês de novembro de 1999...” Apesar da instituição da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS por meio das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, as sociedades cooperativas continuaram na sistemática cumulativa de pagamentos destes tributos, na forma do art. 8º, X, da primeira Lei, e do art. 10, VI, da segunda2, estando, portanto, submetidas à Lei nº 9.718/98, que, em seu art. 2º, define a base de cálculo destas exações como o faturamento auferido pela pessoa jurídica. “Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. 2 Lei nº 10.637/2002 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) X as sociedades cooperativas; ( Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 ) Lei nº 10.833/2003 Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). (...) VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.020 15 Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Assim, as cooperativas ficaram sujeitas à incidência do PIS e COFINS sobre a sua receita bruta, inclusive as decorrentes dos atos cooperativos, com as deduções legalmente previstas. O art. 15, da Medida Provisória (MP) nº 1.858/99, reeditada até a MP nº 2.15835/2001 que trata sobre as exclusões da base de cálculo do PIS e Cofins para as sociedades cooperativas foi assim redigido: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos”. Há ainda a previsão de novas exclusões por meio da Lei n° 10.676, de 22/05/2003, conversão da Medida Provisória n° 101, de 30/12/2002, que repetiu o texto do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 (Regulamento do PIS/Pasep e Cofins) e deixou expresso que a nova exclusão alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26/10/99, ou, vale dizer, desde novembro de 1999. Observese a redação da Lei n° 10.676/2003: “Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.858 10, de 26 de outubro de 1999.” Como se vê, não há´previsão para a exclusão de possíveis valores repassados aos associados em decorrência da prestação de serviços de transportes de passageiros. Não obstante a conclusão acima, tendo em vista as alegações da recorrente atinentes aos atos cooperativos, passase a efetuar análise, a partir da legislação vigente,do entendimento acerca do que seja uma cooperativa e o ato cooperativo. Para este mister, transcrevo a seguir partes pertinentes do voto, cujos fundamentos aqui tomo emprestados, de autoria do julgador de 1ª Instância Administrativa, Márcio André Moreira Brito, condutor do julgado proferido no Acórdão nº 1141.485, de 25 de junho de 2013: “57. A Lei nº 5.764, de 16/12/1971, recepcionada pela Carta Política de 1988, define a Política Nacional de Cooperativismo e assim dispõe em seu art. 3º sobre o contrato de sociedade cooperativa: ‘Art. 3º. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro’ (g.n.). 58. A ausência de objetivo de lucro é um dos traços mais marcantes das cooperativas. Os associados, estes sim, direta ou indiretamente, visam a auferir alguma vantagem pessoal, sobretudo pecuniária, que será, ou não, tributada conforme a legislação aplicável. No entanto, a cooperativa ela em si não objetiva lucro. 59. O intuito das cooperativas, na forma do art. 4º, caput, da Lei Cooperativista (que a seguir parcialmente transcrevo) é prestar serviços aos associados: ‘Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...)’ (g.n.) 60. Conquanto não objetivem lucrar, evidentemente a cooperativa deve receber remuneração mensal de seus associados, conforme definido no seu Estatuto Social, para financiar os custos e as despesas incorridas na prestação dos serviços aos associados. Havendo sobras (excesso das remunerações em relação aos gastos operacionais), elas, ressalvada distinta previsão estatutária, devem retornar aos cooperados, proporcionalmente às operações por cada um realizadas perante a sociedade e havendo perdas (insuficiência das remunerações), estas, depois de amortizadas por valores acaso disponíveis nos Fundos Obrigatórios, serão rateadas entre os cooperados (arts. 4º, VII, art. 21, IV, e art. 44, II, todos da Lei nº 5.764/71). 61. Outro traço das cooperativas é que elas são constituídas intuito personae (art. 4º, IV, da Lei nº 5.764/71), ou seja, em Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.021 17 atenção às pessoas dos cooperados, que, simultaneamente, são “donos” e usuários da cooperativa (Princípio da Dupla Qualidade). 62. Já o ato cooperativo é assim definido pelo art. 79, da Lei Cooperativista: ‘Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria’ (g.n.) 63. Como se vê, a lei brasileira atualmente vigente impõe ao ato cooperativo dois requisitos: (i) um subjetivo: dele deve participar, de um lado, uma cooperativa e, do outro, seu (s) associado (s) ou outra (s) cooperativa (s); e (ii) e outro objetivo: ele deve ser voltado para a consecução dos objetivos sociais da cooperativa. 64. Há países cuja legislação, de modo análogo à brasileira, só tem por cooperativos os atos praticados entre as cooperativas ou entre estas e seus associados. Exemplo é a Colômbia, como se vê no art. 7º, da Lei nº 79/88 daquele País, abaixo transcrito na redação original e livremente traduzida para o português: ‘Art.7º ... serán actos cooperativos los realizados entre si por las cooperativas o entre estas y sus propios associados, en desarrolo de su objeto social.’ ‘Art. 7º Serão atos cooperativos os realizados entre si pelas cooperativas ou entre estas e seus próprios associados, no desenvolvimento de seu objeto social’ 65. O modelo acima, contudo, não é universal. 66. Realmente, existem países em que a lei, dentro de certas situações que especifica, estende a noção de atos cooperativos àqueles praticados pela cooperativa com terceiros. É o caso da Argentina, como patenteia o art. 4º, da Lei Portenha nº 20.377, de 02/03/1973, a seguir vazado no vernáculo original e em português livremente traduzido: ‘Acto cooperativo ARTICULO 4. Son actos cooperativos los realizados entre las cooperativas y sus asociados y por aquéllas entre sí en el cumplimiento del objeto social y la consecución de los fines institucionales. También lo son, respecto de las cooperativas, los actos jurídicos que con idéntica finalidad realicen con otras personas. ‘Art. 4º. São atos cooperativos realizados entre as cooperativas e seus associados e por aquelas entre si, em cumprimento do objetivo social e da consecução dos fins institucionais. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 18 Também o são, a respeito das cooperativas, os atos jurídicos que, com idêntica finalidade, realizarem com outras pessoas’. 67. No Brasil, tramita no Congresso Nacional o PLP nº 198/2007, ainda não aprovado, que pretende estender a concepção de ato cooperativo, para alcançar, nos termos abaixo, os atos praticados pela cooperativa com terceiros por conta dos cooperados3: ‘Art. 2º Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus sócios, entre estes e aquelas ou entre cooperativas associadas, bem como os atos externos, quando vinculados às atividades dos sócios e por conta destes, em cumprimento ao objeto social e a finalidade da sociedade cooperativa.’ (g.n.) 68. Está claro, inclusive em suas justificativas (das quais extraio os fragmentos abaixo), que o PLP nº 198/2007 inova a definição de ato cooperativo constante do art. 79, da Lei nº 5.764/71: ‘Pertine uma proposta de se inovar, denominando alguns atos de mercado como também, de certo modo, cooperativos. Esta pertinência advém da conveniência em se enfatizar a unidade e o nexo das operações econômicas da cooperativa, entendidas essas como cadeias de atos que se iniciam com um ato bilateral cooperativo, tal como reconhece a doutrina e está consagrada na redação original do art. 79 da Lei 5.764/71, mas se projeta para o ambiente externo, de mercado, para efetivação de uma vantagem patrimonial, receita ou faturamento direto para o seu sócio . Essa inovação conceitual então se presta exatamente para designar que esses atos de mercado, quando circunscritos a uma operação da cooperativa, na qual está participante o seu sócio na dupla condição de dono e usuário, são praticados por conta deste.(...)’ (sublinhouse). 69. Em resumo: o conceito de ato cooperativo não é universal e deve ser buscado na legislação de cada País e, no caso do Brasil, a legislação ora vigente apenas reconhece como cooperativos os atos ‘praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si’ (art. 79, da Lei nº 5.764/71). 70. Inobstante, a lei brasileira não veda que a cooperativa negocie com não associados. Ao contrário, o art. 86, caput, da Lei nº 5.764/71, faculta que a cooperativa forneça “bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei”. Todavia, estes negócios com não associados não são atos cooperativos e devem ser tributados normalmente, aos moldes dos arts. 87 e 111, desta Lei, in verbis: “Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do ‘Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social’ e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. 3 O PLP 198/2007 ora está apensado ao PLP 271/2005, no qual foi designado Relator, na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), o Deputado Federal Luiz Carlos Hauly, que apresentou substituto, que, embora reposicione e altere a redação das supraditas disposições, não lhe faz substanciais alterações Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.022 19 (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (g.n.) Feitas as considerações gerais acima, passase à análise do caso vertente: A autuada é uma Sociedade Cooperativa de Transportes de Passageiros e Cargas e de seu Estatuto(anexado à efls. 08 a 37) podese extrair o seu Objeto(Art. 2º) – que, registrese, está em conformidade com as regras estabelecidas nos arts 4° e 7° da Lei n° 5.764, de 19714 e as atividades que pode praticar para o alcance de seu objeto(Art.3º): “Art. 2° A TRANSCOOPER tem por objeto a defesa e a prestação de serviços a seus Associados. Art. 3° para consecução do seu objeto, a TRANSCOOPER poderá: a) contratar serviços junto a pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, para seus Cooperados, em condições e preços convenientes; b) representar os Cooperados perante pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, obtendo linhas de financiamento, ou outros assuntos de interesse, em benefício dos Cooperados; c) fornecer aos Cooperados assistência, apoio logístico e outros meios que se fizerem necessários para melhor execução de seu trabalho, de maneira absoluta, excluindose toda e qualquer atividade exercida por Prepostos ou Auxiliares do Cooperado, não havendo qualquer relação empregatícia destes com a TRANSCOOPER; d) organizar o trabalho de modo a bem aproveitar a capacidade dos Cooperados, distribuindoos conforme suas aptidões e interesses coletivos; e) realizar em benefício de Cooperados interessados ou por interesse dos Tomadores de Serviço, Seguro de Vida Coletivo, Acidente de Trabalho e Acidentes Pessoais; f) proporcionar, através de convênio com pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, serviços jurídicos e sociais, ou outros de interesse dos Cooperados; g) realizar cursos de capacitação cooperativista, profissional ou outros de interesse dos Cooperados; 4 Art. 4° As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) Art. 7° As cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados. (destaques acrescidos) Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 20 h) propor ações coletivas em defesa dos interesses dos Cooperados, inclusive mandado de segurança coletivo; i) prestar serviços de interesse dos Cooperados a pessoas Físicas ou Jurídicas j) estabelecer condições para prestar serviços sociais aos Cooperados, seus Familiares, Funcionários e suas Famílias; k) estabelecer condições para a construção e manutenção da sede própria da TRANSCOOPER e de suas eventuais Filiais; l) criação e manutenção de creche ou outra atividade social, a ser definida posteriormente em reunião da Diretoria Executiva, visando benefícios para os Cooperados, seus Familiares, os Funcionários e seus Familiares, além da Comunidade em Geral da Região em que estiver sediada a TRANSCOOPER; m) atuar no transporte de passageiros, quer seja nas jurisdições Municipais, Intermunicipais, Estaduais, Interestaduais ou Federais, compreendendo Transportes: Coletivo Urbano, Comunitário, Translado, Fretamento, Turismo, Executivos, Transporte Escolar, de Carga, misto de Cargas e Passageiros, outros de interesse da sociedade que, neste último caso, deverá constar de Ata de Reunião do Conselho de Administração que o autorizou; n) criar e manter Filiais, através da deliberação do Conselho de Administração, com ou sem estrutura de garagem, para guarda dos veículos, incluindo abastecimento e manutenção, de diversas formas, dos aludidos veículos, além de todo serviço necessário para cumprimento do presente Estatuto; o) manter a maior equidade possível entre todos os Cooperados; p) operar e coordenar a programação de linhas de transporte de passageiros de sua responsabilidade que lhe sejam conferidas a qualquer título; q) a TRANSCOOPER, para cumprimento dos objetivos anteriormente descritos, poderá comercializar bens de consumo, duráveis ou não, exclusivamente para seus Cooperados, acrescendo um valor que se destinará à sua manutenção e de suas Filiais, bem como celebrar Contratos para a comercialização de bens que se destinarão, exclusivamente aos Cooperados; r) os eventuais percentuais acrescidos ao valor de custo, obtidos na comercialização, por se tratar de ato cooperativo, deverão ser destinados à reserva legal e/ou distribuídos entre os cooperados de cada exercício; s) permitir a concessão de aval, carta de fiança, anuência, ou outro instrumento que o exija, até o limite a ser estabelecido em instrução normativa que é parte integrante do regimento interno da TRANSCOOPER; t) negociar com toda e qualquer instituição, inclusive bancária, as mais amplas formas comerciais para obter vantagem para a sociedade como um todo.” Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.023 21 Das atividades previstas no art. 3º do seu Estatuto, acima transcrito, verifica se que especificamente aquela contida na letra “m” não se destina à seus associados, mas, sim, à terceiros, consoante previsto no art. 86, caput, da Lei nº 5.764/71, que, como já acima ressaltado, faculta que a cooperativa forneça “bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei”. De acordo com a previsão estatutária contida na letra “m” do Art. 3º, na condição de permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município São Paulo (Termos de Permissão n° 692/03, 693/03 e 695/03), atuou como prestadora de serviço publico de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, a qual se constituiu como sua atividade principal e sua principal fonte geradora de recursos. Ora, a Prefeitura Municipal de São Paulo é terceiro, que na situação, não detém a característica de cooperado. Assim, o contrato de Transporte de Passageiros firmado com terceiro, no caso a Prefeitura Municipal de São Paulo, não constitui ato cooperativo, por não preencher o requisito do art. 79, da Lei nº 5.764/71, que, merece ser repisado, apenas admite como cooperativos os atos “praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si”.Desta forma, mesmo na época em que existia a isenção da Cofins para os atos cooperativos, tal isenção não alcançava o resultado dessa prestação de serviços à terceiros, o qual deveria ser normalmente tributadas as receitas decorrentes deste ato, aos moldes dos arts. 87 e 111, da Lei nº 5.764/71. E, com mais razão a tributação hoje, tendo em vista a revogação da isenção da COFINS, consoante já acima tratada. Na mesma diretriz a decisão no RESP nº 487.854/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, DJ de 23/08/2004: ‘TRIBUTÁRIO ISS COOPERATIVA MÉDICA ATO COOPERADO ISENÇÃO. 1. As cooperativas podem praticar atos cooperados, ao coordenar e planejar o trabalho de seus associados, os quais recebem pelo trabalho realizado, com isenção de tributos, nos termos da Lei 5.764/71, artigo 79. 2. Diferentemente, podem as cooperativas na captação de clientes firmarem com este ato negocial, vendendo planos de saúde, recebendo dos terceiros importância pelo serviço realizado, sem isenção alguma porque de ato cooperado não se trata. 3. Hipótese dos autos em que a cooperativa age intermediando os serviços de seus próprios associados, os médicos, reunidos em prol de um trabalho comum, exercendo verdadeiro ato cooperativo. 4. Recurso especial improvido”. (g.n.) Portanto, legítima a inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, das receitas acima mencionadas. TAXA SELIC Deve, também, ser rechaçada a argüição da ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros moratórios. A taxa de juros remuneratórios de créditos tributários pagos fora dos prazos legais de vencimento foi determinada pelo artigo 13 da Lei n° 9.065/95. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Por outro lado, essa é matéria já sumulada no CARF, por meio da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: “Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. DO RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista as fundamentações acima posta para a manutenção da tributação do PIS e COFINS sobre as receitas advindas de atos com terceiros, passase à análise do recurso de ofício, necessário em face da exoneração do Crédito Tributário acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Tal exoneração deuse em decorrência do entendimento da Autoridade Administrativa de 1ª Instância de que a multa de Ofício não poderia ser a Multa qualificada, na ordem de 150%, por não existir nos autos a comprovação de dolo, motivo pelo o qual a reduziu para o patamar de 75%. Neste aspecto, não merece reparo a decisão que a reduziu para 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fl. 3609), o autuante, diante da omissão de informações na DCTF e no Dacon e sob o fundamento de que tal atitude teria induzido a administração tributária à conclusão equivocada da inexistência de débitos a recolher de PIS/Pasep e de Cofins, entendeu tratarse o fato do caso previsto no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, uma das hipóteses previstas no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para a duplicação da multa de ofício: “Lei n° 4.502, de 1964 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;” “Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.024 23 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)”. Não obstante a omissão de dados na DCTF e no Dacon tenha o efeito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, fazse necessário, para aplicação da multa de 150%, a comprovação de que essa omissão tenha sido dolosa, subsumindose, então, à hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, por ser o dolo elemento essencial da hipótese. Entrementes não consta nos autos nenhuma prova da ocorrência do dolo.Sequer o autuante fez menção a este elemento. Apenas concluiu que a omissão, por si só, se enquadraria na hipótese do inciso I do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Como bem ressaltou o julgador a quo, devese reconhecer que a questão da tributação das sociedades cooperativas, em razão das mudanças na legislação, da diversidade de tipos de cooperativas e das formas adotadas pelas cooperativas, tornouse há tempos de complexa natureza, encontrandose hoje, seja na doutrina, seja na jurisprudência, exemplos de posições antagônicas, muitas delas com entendimento semelhante ao exposto pela impugnante. Portanto, é completamente compreensível que a omissão da contribuinte tenha decorrido efetivamente de um entendimento que para a mesma seria o correto, tal qual justificou na sua resposta à intimação fiscal, no decorrer da fiscalização, acerca da não tributação do PIS e COFINS nas receitas decorrentes dos serviços prestados à Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município São Paulo. O dolo poderseá restar configurada em caso de reincidência da recorrente, em matéria similar, depois de devidamente transitada em julgado decisão administrativa a ela desfavorável . Desta forma, não sendo possível concluir pela ocorrência de dolo unicamente com base nos fatos descritos e, não havendo provas nos autos de ação dolosa, devese mesmo afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%, conforme previsto no inciso I do Art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, mantendo, desta forma, o decidido no Acórdão nº DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto no sentido de Negar Provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário e, por decorrência, manter integralmente o crédito tributário nos termos proferido no Acórdão ora recorrido. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 24 Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920013/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 2 2 Relatório TSN TRANSMISSORA SUDESTE NORDESTE S.A. com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que indeferiu seu pleito. Versa este processo sobre compensações identificadas pelo PER/DCOMP com demonstrativo de crédito nº 07726.41203.140605.1.3.035077. Através do Despacho Decisório nº 796759222 (fl. 8), não foram homologadas as compensações declaradas. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/29. Nesta peça, alega, em síntese, que os PER/DCOMP contêm erros materiais, como expõe. Encerra solicitando o cancelamento dos PER/DCOMP A decisão recorrida traz a seguinte ementa e voto condutor Ementa: COMPENSAÇÃO. Matéria nova não integra a lide. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Voto (...) No Despacho Decisório, a DERAT ressalva que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado. Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega que os PER/DCOMP contêm erros materiais, como expõe demonstra não ter apurado saldo negativo. Solicita o cancelamento dos PER/DCOMP. As alterações pretendidas não podem ser entendidas como mero erro de preenchimento. O interessado introduz matéria nova e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN nº 600/2005). Eventual pedido de retificação ou cancelamento do PER/DCOMP não pode ser apreciado neste momento processual, no qual já foi denegada a compensação. Tal análise não se insere no rol de competências das Delegacias de Julgamento. O Despacho Decisório deve ser mantido, por não terem sido elididos os fatos nele apontados. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de DCOMP não homologada em face da inexistência do direito creditório. Em seu recurso voluntário, a contribuinte repisa as alegações no sentido de que incorreu em erros no preenchimento da DCOMP e que o credito seria de outra natureza. Alem disso afirma que já quitou os débitos que teriam sido compensados. Vejamos a transcrição de parte das alegações recursais. 8. E de fácil percepção que a decisão de primeira instância administrativa ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório n° 796759222, exala impropriedade e injuridicidade, conforme se verá: 9. De fato, nos dias 14 e 15 de junho de 2005, a Recorrente solicitou, mediante utilização do programa eletrônico PER/DCOMP, a compensação de crédito tributário relativo ao "Saldo Negativo de CSLL" referente ao anocalendário de 2003, exercício 2004, com débitos de CSLL (código 248401) apurados nos meses de . julho (R$ 145.070,09), agosto (R$ 19.832,09), áetembro (R$ . 20.694,64), outubro (R$ 23.851,57) e novembro (R$ 21.723,46) todos do ano calendário de 2004, conforme demonstrados nos PER/DCOMP's n°s:07726.41203.140605.1.3.035077, . 18577.37190.1.40605.1.3.037902, 09685.48955.140605.1.3.038530, 15446.82026.150605.1.3.036101, e 04851.44077.150605.1 ..3.030308. 10.Acontece que os PER/DCOMP's acima citados foram transmitidos equivocada e desnecessariamente. Todos deveriam ter sido cancelados por serern. totalmente inutil Ocorre que os erros cometidos nas informações procedidas nas Declarações só foram percebidos pela Recorrente após, a não homologação da compensação o que, a rigor, a impediu de fazer as devidas correções (retificações/cancelamentos). 11.0 primeiro erro diz respeito ao direito creditório neles informado, qUal não se refere a saldo negativo de CSLL dõ anocalendário. de 2003; exercício de 2004.. Até porque a Recorrente não apurot.i .. "Saldo Negativó de CSLL" em nenhum dos trimestres do .anocalendário de 2003, conforme demonstrado na DIPJ/2004, más tão somente efetuou pagamento a maior da contribuição. 12. Em verdade, o que ocorreu foi que, equivocadamente, a Requerente entendeu que deveria formalizar, via preenchimento dos PER/DCOMPs, a utilização da dedução do valor da CSLLFonte que foi retida pelas suas fontes pagadoras nos meses julho a novembro de 2004 da CSLL devida nos referidos meses. Mas, por ter sido, equivocadamente, considerado no PERDCOMP como saldo negativo da CSLL, para a composição do crédito foram relacionadas as fontes retentoras (entidades públicas federais) que efetuaram a retenção da CSLL .em relação aos pagamentos ocorridos nos meses janeiro a novembro •de 2004. 14.Vejase nos demonstrativos abaixo que o valor do crédito informado nosPER/DCOMP's em questão corresponde ao mesmo valor da CSLL retida na. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 4 fonte informada na linha 10, da ficha .16, da DIPJ/2005 (ressalvado os meses de julho e outubro de 2004): (...) 15. Pelo que se vê, o que de fato ocorreu foi que, .equivocadamente, a Recorrente entendeu que deveria formalizar, via preenchimento de PER/DCOMPs, a dedução da CSLUFonte que foi retida do valor da CSLL devida no mês da sua própria retenção, fato esse que ocorreu nos meses de. julho a novembro de 2004. 16. Portanto, como a Recorrente utilizou.— como dedução os valores que foram retidos na fonte de CSLI: no período de janeiro a novembro de 2004 do próprio ano calendário de 2004, conforme demonstrado na ficha 16, da DIPJ/2005, é patente que a formalização do pedido de compensação foi feita erroneamente pela Requerente e, por óbvio, como se encontra impedida de efetuar o cancelamento das mesmas — haja vista o. despacho denegatário da compensação — requereu tal procedimento de oficio, de maneira a regularizar a situação. 17. 0 segundo motivo que justifica a apresentação indevida e desnecessária dosPER/DCOMP's sob foco e corrobora a necessidade de cancelamento de Oficio de tais declarações, referese ao adimplemento de toda a dívida da CSLL apurada nos meses de julho a novembro de 2004. 18.Na ocasião em que foram apresentadas A RFB as compensações ora em questão, apenas restavam a Pagar os valores de R$ 124.121,06 (CSLL Jul/04) e R$ 2.594,27 (CSLL Out/04), que foram, posteriormente, pagos (em 04.12.2008); com .os.devidos encargos moratórios, conforme Comprovam. os DARF's anexados a Manifestação de Inconformidade, cujos números dos documentos são 08 e 14. 19.Acontece que a AUtoridade Julgadora ao julgar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, objeto :do processo de crédito n° 15374 920.013/200891, entendeu que as razões expostas naquela peça de defesa, que dizem respeito a erros de preenchimento dos PER/DCOMID, significava a introdução :de *matêria nova e que, assim, não poderia ser Conhecidanaquele momento processual. 20.0ra, não se trata de matéria nova trazida à Manifestação de Inconformidade. As alegações nela contida retratam a realidade dos fatos. A ora Recorrente reconheceu que por erro de interpretação da legislação tributária apresentou os PER/DCOMP's sob foco A RFB e, ainda, pagou integralmente o débito. Portanto, não haveria outra alegação que não a de reconhecer 6 erro e requerer de oficio o cancelamento das PER/DCOMP's em testilha. (...) IV DO PEDIDO 26. Por todo o exposto, a Recorrente requer a V.Sas. que se dignem conhecer e dar provimento ao presente Recurso para declarar a insubsistência o Despacho Decisório no 796759222, para que não produza quaisquer efeitos, por ser medida de inteira JUSTIÇA! 27. Outrossim, protesta por. todos os meios de prova; inclusive diligência ou perícia para que seja constatada a verdade dos fatos .ora retratados e• homologada a compensação, posto que imotivada e decisão denegatória de Primeira Instância Administrativa. Pois bem, da análise do acima transcrito resta claro que não cabe mesmo razão ao recorrente quanto ao pleito para cancelar o despacho decisório, isso porque, as Fl. 182DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 5 alterações das DCOMP pleiteadas não se constituem em correção de erros, na verdade se trata de um novo pleito. Não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido em julgamentos anteriores desse colegiado, pois, o crédito originalmente apontado inexiste. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). A pretensão do contribuinte equivale a um novo pedido de compensação. Esse procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Quanto as demais questões, entendo que os fundamentos do despacho decisório da DRF de origem e da decisão de 1a. instância igualmente não merece reparos. Outrossim, cumpre a Unidade de origem verificar as alegações do contribuinte no sentido de que o débito já estaria quitado, evitando assim cobrança em duplicidade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 183DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723862/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDA-SE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD - 51.001.488-7 (SENAR - FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDA-SE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 867 1 866 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723862/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.319 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO e CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL e SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT/ADICIONAL e TERCEIROS e AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente NUTRIBEL NUTRIÇÃO BETIM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDASE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD 51.001.4887 (SENAR FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 38 62 /2 01 2- 17 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 868 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 869 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4879, que objetiva o lançamento da contribuição devida a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4887, que objetiva o lançamento da contribuição devida a outras entidades e fundos terceiros, decorrente da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, bem como de contribuinte individuais – transportadores autônomos, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4895, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, SAT/RAT e Rural, bem assim o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.49097, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária – cota patronal decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuintes individuais, SAT/RAT, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, e, por fim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.001.4747 CFL.34, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 432 a 441, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 574 e 575. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/12/2012, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infração – AI, de fls. 387; 388; 398; 410 e 421. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, remetida via postal, envelope de remessa, as fls, 770, postado, em 16/01/2013, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 771 a 783, estando acompanhada dos documentos, de fls. 784 a 811. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0245.641 8ª, Turma DRJ/BHE, em 25/06/2013, fls. 813 a 825. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/07/2013, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 835. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 836 a 844, recebida, em 05/08/2013, conforme carimbo, as fls. 836, acompanhado dos documentos, de fls. 845 a 864, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 870 4 Mérito. · DEBCAD – 51.001.4895 (FUNRURAL) · que o RICARF no artigo 62A determina a aplicação da decisões definitivas de mérito do STF e STJ, no rito dos artigo 543B e 543C sejam reproduzidas nos julgamentos dessa casa; · que a contribuição rural por subrogação foi declarada inconstitucional pelo pleno do STF RE 3363.852 e depois com reconhecimento de repercussão geral no RE 596.177RS, assim sendo requerse o cancelamento do AI; · que o CARF em recentíssima decisão não publica decidiu a favor da tese de recorrente, não havendo fundamentos a viabilizar a cobrança, assim os autos devem ser anulados; · DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR FUNRURAL) · que a contribuição para o SENAR apesar de não julgada no STF não pode prosperar, pois exigido da adquirente da produção rural por sub rogação, estando tal contribuição fundada no art. 1º, da Lei 8.315/91 e Lei 9.528/97 com a redação da Lei 10.256/2001, sendo a contribuição do empregador pessoa física; · que a responsabilidade foi imputada ao adquirente por Decreto o que viola o artigo 128, do CTN, tendo o TRF5 na APELREEX 00114298310104058100, assim decidido, não havendo como manter tal exigência no presente auto; · DEBCAD – 51.001.4909 (PATRONAL – FOLHA DE SALÁRIOS) – 51.001.4879 (TERCEIROS – FOLHA DE SALÁRIOS · que a recorrente no período da autuação cadastrava os transportadores na folha de salários, visando controlar o pagamento do frete, assim quem era cadastrado em janeiro permanecia no sistema para as demais competências ainda que não realizasse novos fretes; · que o arquivo Manad importava a folha considerando todos os transportadores empregados e assim a recorrente para enviar a GFIP tinha que corrigir manualmente, podendo isso ser verificado pela análise da contabilidade, que está disponível para tal, sendo que desde a impugnação a recorrente faz esse pedido; · DEBCAD – 51.001.4747 (MULTA) · que canceladas as autuações precedentes, não mais existirá divergência de informações, demonstrando a insubsistência desse lançamento; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 871 5 · Dos pedidos e requerimentos: a) requer provimento ao recurso para cancelar integralmente todos os DEBCAD’S integrantes do PAF. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 865. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 866. É o Relatório. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 872 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. DEBCAD 51.001.4895 (FUNRURAL) No caso tratado nesses autos, o artigo 62A, do RICARF não se aplica e a razão é simples, os RE’s 363.852 e 596.177 trazidos a coleção pela recorrente não se aplicam ao caso em análise, pois o fundamento jurídico deste lançamento, não foi o texto legal declarado inconstitucional nos julgados citados. Podese verificar da leitura do Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 419 e 420 nas rubricas 213.11 – CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE PRODUÇÃO RURAL) e 305 CONTRIBUIÇÃO (SEGURADO ESPECIAL) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO RURAL, são os que a seguir transcrevo, parcialmente. 213.11 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE PRODUÇÃO RURAL) Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) parágrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01); Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, parágrafos 4., 5., e 7. e art. 216, III e IV e parágrafo 5. 305 CONTRIBUIÇÃO (SEGURADO ESPECIAL) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO RURAL Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com a redação posterior dada pela Lei n. 10.256, de 10.07.2001, II (com a redação dada pela Lei n. 9.528, de 10.12.97) e parágrafos 3. e 4. (acrescentados pela Lei n. 8.540, de 22.12.92); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, II, parágrafos 4., 5. e 7., art. 216, III,IV e parágrafo 5. Além disso, a subrogação do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91 na redação dada pelo artigo 1º, da Lei 8.540/92 , não consta como fundamento do lançamento. A obrigação do recolhimento pela adquirente está consubstanciado no artigo 30, III, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.488/2007 e 11.933/2009 é isso que consta da rubrica 801 – PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO – PRODUTOR RURAL, conforme consta abaixo. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 873 7 801 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO PRODUTOR RURAL 801.12 Competências : 01/2009 a 12/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, III (com alteração da Lei n. 9.528, de 10.12.97, da MP n. 351, de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488, de 15.06.07 e redação dada pela MP n. 447, de 17.11.08, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, III, IV, VI e VII. A decisão do CARF que o contribuinte cita para aparar sua tese, não pode ser conformada com a situação dos autos, pois é uma mera notícia de jornal em uma entrevista de terceiro e não consta os dados da decisão, mas se na linha das judiciais citadas, também, não teria aplicação. DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR – FUNRURAL) Demonstrada a insubsistência das alegações em relação a contribuição social propriamente dita, tendo a contribuição para o SENAR o mesmo fato gerador, a mesma base de cálculo e estando sua alíquota definida em lei é devida a contribuição. Todavia, no tocante a responsabilidade tributária por substituição atribuída ao adquirente da produção rural em decorrência do Decreto 790/93 assiste razão ao contribuinte, pois lei, jurisprudência e doutrina são uníssonos ao dizerem que só a própria lei pode atribuir tal responsabilidade a terceiros, observese os ensinamentos. Lei 5.172/66 – artigo 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Doutrina. Somente a lei pode atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa que não o contribuinte,... 1 Juirisprudência. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ART. 25, I E II, DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 363.852/MG. EC 20/98. CONSTITUCIONALIDADE A PARTIR DA LEI 10.256/2001. ADQUIRENTE DA PRODUÇÃO RURAL. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA PLEITEAR A REPETIÇÃO. PRECEDENTE DO STJ. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INEXIGIBILIDADADE. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE LEI EM SENTIDO FORMAL. 1. Sentença que julgou parcialmente 1 Fabretti, Láudio Carmargo. CODIGO TRIBUTÁRUA NACIONAL Comentado. 4ª Edição. Editora Atlas. 2003 São Paulo.pág. 161. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 874 8 procedente o pedido para declarar a nulidade de lançamentos efetuados contra a Autora, na qualidade de substituta tributária da contribuição social prevista no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91, cujos fatos gerados sejam anteriores a outubro/2001, em face da inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o resultado da comercialização da produção do produtor rural, pessoa física, até o advento da Lei 10.256/2001. 2. Consoante entendimento pacificado no col. STJ, o adquirente da produção rural não tem legitimidade ativa para pleitear a repetição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91, mas apenas para discutir a legalidade dessa exação (REsp nº 654.038/RS, 1ª Turma, Rel. Min. LUIZ FUX. DJU 17/10/2005). 3. Levandose em conta que o direito de anular o ato de lançamento tributário deve ser exercido pelo contribuinte no prazo qüinqüenal previsto no Decreto nº 20.910/32, impõese o reconhecimento da prescrição da pretensão anulatória dos créditos cujo prazo entre a data de notificação do lançamento e o ajuizamento da ação seja superior a cinco anos, ressalvados aqueles objeto de impugnação administrativa, quando o lustro prescricional começa a correr a partir da intimação da decisão irrecorrível proferida no procedimento fiscal. Apelo da Fazenda Nacional e remessa oficial providas, nesse ponto. 4. O STF, no julgamento do RE 363.852/MG (Min. Marco Aurélio, Pleno, DJ 23.04.2010), declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, 25 e 30 da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, e instituiu a cobrança da contribuição previdenciária sobre o resultado da comercialização da produção agropecuária do produtor rural, pessoa física, com empregados. 5. Legitimação da contribuição a partir da edição da Lei 10.256/2001, editada posteriormente à edição da EC 20/98, que alterou o art. 195, I, "b" da Constituição, estabelecendo como base de incidência não só o faturamento ou lucro, mas também a receita. 6. A partir da Lei 10.256/2001, já respaldada na EC 20/98 que alterou o art. 195 da CF/88 e incluiu a "receita" no rol de fontes de custeio da seguridade social , ao contrário das antecessoras (Leis 8.540/92 e 9.528/97), surgidas na redação original do art. 195, e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica então vigente, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física, porquanto permaneceram válidos em relação aos segurados especiais. 7. No que se refere à contribuição para o SENAR (Serviço Nacional de Formação Profissional Rural), prevista no art. 6º da Lei 9.528/97, embora se afaste o reconhecimento da inconstitucionalidade seguindo orientação do STF e de nossas Cortes Regionais como, no caso em tela, não existe lei em sentido formal que preveja a substituição tributária, não poderia a exação ser cobrada do adquirente da produção rural com fundamento no Decreto 566/92, sob pena de afronta aos arts. 121, parágrafo único, II e 128, ambos do CTN. 8. Recurso da Autora provido, em parte, para declarar a inexigibilidade da cobrança da contribuição ao SENAR, em face da inexistência de lei formal que preveja a referida substituição tributária, com o reconhecimento da nulidade dos Fl. 874DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 875 9 lançamentos efetuados contra a Autora a esse título, respeitada a ocorrência da prescrição da pretensão anulatória. 9. Apelações e remessa ex officio parcialmente providas. (APELREEX 00055743520104058000, Desembargador Federal Francisco Wildo, TRF5 Segunda Turma, DJE Data::29/03/2012 Página::479.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO MATERIAL E OMISSÃO. OCORRÊNCIA. 1. São cabíveis embargos de declaração quando o julgado apresentar omissão, obscuridade ou contradição. Inteligência do art. 535, I e II, do CPC. 2. Presença de erro material no aresto no sentido de reconhecer que a interposição do agravo de instrumento deuse pela empresa ASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e não pelo SENAR. 3. Omissão no tocante à inexistência de lei que estabeleça como substituto tributário o adquirente de produto rural. 4. "No que se refere à contribuição para o SENAR (Serviço Nacional de Formação Profissional Rural), embora se afaste o reconhecimento da inconstitucionalidade seguindo orientação do STF e de nossas Cortes Regionais como, no caso em tela, não existe lei em sentido formal que preveja a substituição tributária, não poderia a exação ser cobrada do adquirente da produção rural com fundamento no Decreto 566/92, sob pena de afronta aos arts. 121, parágrafo único, II e 128, ambos do CTN." Precedente deste Regional (AGTR 111309/AL). 5. Embargos conhecidos e providos, sem efeitos infringentes. (EDAG 0012382972010405000002, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::13/09/2011 Página::137.) (os destaque nos acórdãos são meus). Assim, entendo que a rubrica não deve permanecer. DEBCAD – 51.001.4909 (PATRONAL – FOLHA DE SALÁRIOS) – 51.001.4879 (TERCEIROS – FOLHA DE SALÁRIOS A argumentação aqui trazida é a mesma posta no primeiro grau e a DRJ em seu Acórdão realizou minuciosa verificação, onde constatou a improcedência das alegações, bem como a ausência de comprovação destas, razão pela qual adotamos aqueles esclarecimentos e os transcrevemos. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 876 10 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 877 11 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 878 12 Os esclarecimentos acima deixam claro a regularidade da situação e que as alegações não se sustentam. DEBCAD – 51.001.4747 (MULTA). Mantidas todas as exações lançadas nos autos não há razão para exclusão da multa. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 879 13 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, exceto a relativa a substituição tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR – FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10166.728270/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. ART. 6º DA PORTARIA RFB.
O Delegado da Receita Federal do Brasil é competente para emitir o Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que, por força do art. 2º do Decreto 3.724/2001 e do art. 6º da Portaria RFB 3.014/2011, é autoridade incumbida de instituir e dirigir os atos de procedimento de fiscalização.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. REPLEG.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM.
As gueltas são consideradas salário de contribuição, integrando, portanto, a remuneração dos funcionários.
Há provas deficientes nos autos, visto que não comprovam a movimentação real das remunerações em análise. Diante disso, faz-se necessário auferir a base de cálculo em conformidade com a orientação do art. 33, §§1º,2º,3ºda Lei 8.212/91. Sendo assim, como a apuração da base de cálculo são distintas, não ocorre bis in idem.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIRO SETOR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO.
As contribuições devidas à Seguridade Social e as destinadas a terceiros (SESI, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
É perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. ART. 6º DA PORTARIA RFB. O Delegado da Receita Federal do Brasil é competente para emitir o Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que, por força do art. 2º do Decreto 3.724/2001 e do art. 6º da Portaria RFB 3.014/2011, é autoridade incumbida de instituir e dirigir os atos de procedimento de fiscalização. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. REPLEG. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. As gueltas são consideradas salário de contribuição, integrando, portanto, a remuneração dos funcionários. Há provas deficientes nos autos, visto que não comprovam a movimentação real das remunerações em análise. Diante disso, fazse necessário auferir a base de cálculo em conformidade com a orientação do art. 33, §§1º,2º,3ºda Lei 8.212/91. Sendo assim, como a apuração da base de cálculo são distintas, não ocorre bis in idem. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIRO SETOR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO. As contribuições devidas à Seguridade Social e as destinadas a terceiros (SESI, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 82 70 /2 01 1- 19 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.062 2 É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. É perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.063 3 Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.064 4 Relatório Tratase de crédito tributário, consolidado em 21/11/2011, tendo como período do lançamento as competências entre 01/2007 a 12/2008, por intermédio dos seguintes Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal: AIOP DEBCAD nº 37.322.0456, referente às contribuições previdenciárias da parte patronal devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa RAT, do AIOP DEBCAD nº 37.322.0464, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social pelos segurados empregados; e do AIOP DEBCAD nº 37.322.0472, referente às contribuições devidas aos terceiros, tendo como base de cálculo a verba remuneratória denominada “guelta”, paga, devida ou creditada aos seus segurados empregados.. Segundo o Relatório Fiscal, havendo indícios claros de pagamento de verba remuneratória a promotores à título de incentivo de vendas, observadas durante a realização de procedimento fiscal na AMERICEL S/A. Nesse sentido, a empresa ora Recorrente não comprovou a inclusão dos valores recebidos como gueltas, ou incentivo de vendas, ao salário de contribuição de seus empregados, nem tampouco comprovou a declaração em GFIP, com o respectivo recolhimento dos valores de contribuição previdenciária devidos incidentes sobre os mesmos. Ressalta ainda o auditor fiscal, que as folhas de pagamento apresentadas em formato digital, com dados omissos e inexatos impossibilitou a correta verificação da remuneração dos seus segurados. Em razão da apresentação de documentos pelo Recorrente ter ocorrido de maneira precária e deficiente , e que sua contabilidade não registra fidedignamente a remuneração dos seus empregados, foram consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores integrais apurados como pagamento pelas empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, de valores relativos a incentivo de vendas/gueltas, constantes em notas fiscais, notas de débito, na contabilidade, sendo essa aferição indireta perfeitamente respaldada, no art. 33m parágrafos 1, 2, 3 e 6, da lei 8.212/91. Apresentadas impugnações individualizadas pelo contribuinte, o lançamento foi mantido pela decisão recorrida, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD nº 37.322.0456 (PATRONAL) 37.322.0464 (SEGURADOS) 37.322.0472 (TERCEIROS) GUELTA. NATUREZA JURÍDICA DE COMISSÃO. INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.065 5 Integram os salários não só as importâncias pagas diretamente pelo empregador, mas também aquelas que o empregado vier a receber em razão da execução do seu Contrato de Trabalho, com o fim de incrementar suas vendas. SEGURADO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. AFERIÇÃO INDIRETA. SALÁRIO DECONTRIBUUIÇÃO Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ÔNUS PROBATÓRIO O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei nº 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS São devidas pela empresa e equiparadas às contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Segundo a Portaria Conjunta PGFN/RFB n º14, de 2009, a análise do valor das multas para verificação e Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.066 6 aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) Nulidade absoluta do mandado de procedimento fiscal, já que este foi emitido por autoridade incompetente, violando o disposto no art. 6° da portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011 e demais dispositivos legais. b) Nulidade do lançamento pela ausência de intimação dos cotitulares das contas bancárias para comprovar a origem dos depósitos recebidos, ofendendo o disposto na súmula 29 do CARF. c) A apuração dos tributos foi realizada sem a observância dos valores já pagos pela empresa, assim, tomouse como base de cálculo valores sobre os quais já houve incidência e recolhimento de contribuições previdenciárias. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.067 7 Voto Vencido Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Preliminarmente Da Nulidade Absoluta do Mandado de Procedimento Fiscal A Recorrente alega ser nula a atuação por vício formal atinente à competência para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que a autoridade que emitiu o MPF seria incompetente para este ato, conforme a dicção do art. 6º da Portaria da RFB 3.014/2011. Ocorre que sendo o procedimento de fiscalização instituído mediante ato da RFB, através do Delegado da RFB (artigo 2 do Decreto 3.724/2001 e artigo 6 da Portaria RFB 3.014/2011), e executada pelos AuditoresFiscais, é patente que o DRFB possui atribuições emitir o Mandado do Procedimento Fiscal , já que se trata da autoridade incumbida de determinar e dirigir os atos praticados. Logo, improcedente essa preliminar da Recorrente. Do Mérito Os três AIOP apresentam a mesma base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária, qual seja o pagamento por terceiros de incentivos de vendas/gueltas aos seus segurados empregados. O sujeito passivo pretexta a existência de bitributação, visto que o auditor ao investigar as presentes contribuições previdenciárias, adotou como base de cálculo valores outrora incididos e recolhidos. No entanto, ao arrazoar tais fatos não produz provas suficientes para que se possa atendêlos. Analisando a origem do instituto da Guelta , concedida em via de regra, aos empregado vencedores, esse instituto é oriundo da palavra “Geld” – oriundo da língua germânica, essa palavra é precedida da prenome “wechsel” – sendo filiada ao tronco da palavra “wechselgeld”. Na Alemanha o mercado farmacêutico a fim de incentiva a venda de suas medicações, nos anos de 60, bonificava os balconistas, com uma comissão, pela quantidade de remédio vendido . Observese que essa pratica acontecia entre o laboratório farmacêutico e colaborador de uma determinada farmácia. Com a evolução do tempo e o dinamismo da sociedade contemporânea, o instituto da Guelta, até hoje utilizado é visto como quantias pagas pelos fornecedores do empregador aos empregados deste e visam fomentar a venda dos produtos de fabricação daqueles, porém essa quantia integra ou não a remuneração do trabalhador financiado? Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.068 8 Partindose do pressuposto desse instituto decorrem da prestação dos serviços realizados pelo empregado, no curso da jornada, em função da existência do próprio contrato de trabalho, devendo sob esse prisma ser analisado a sua natureza salarial. Em concisa analise, sem querer esgotar a matéria, a doutrina e a jurisprudência trabalhista, majoritariamente, entendem que essa verba por ser paga por terceiros não lhe retira a natureza jurídica salarial, vez que essa verba está ligada, diretamente, ao trabalho. Incidindo assim o art. 457 da CLT, fazendo parte da remuneração do trabalhador para quaisquer efeitos. Trazemos a baila os seguintes julgados: Gueltas Natureza jurídicaSumula 354 do TST Aplicação analógicaGueltas são valores pagos habitualmente aos empregados de determinada empresa pelos fabricantes dos produtos por ela vendidos. Conquanto se tratem de valores pagos por terceiros, assim como também os são as gorjetas, as “gueltas” revestemse de natureza salarial, pois decorrem da prestação dos serviços realizados pelo empregado, no curso da jornada, em função da existência do próprio contrato de trabalho. Assim devem integrar o acervo remuneratório do ombreiro, por aplicação análoga da Súmula 354 do TST. ( TRT17ª Região RO 5800011.2011.5.17.0001 Rel. Des. Jailson Pereira da Silva – Dje 28.05.2012 pág. 77. (grifo nosso). Gueltas Integração As gueltas são pagas pela venda de produtos e constituem um incentivo ao desempenho do empregado, o que traz, sem dúvidas, benefícios ao empregador. Possuem natureza contraprestativa, devendo refletir nas demais parcelas. (TRT – 03ª R. – RO 179981.2010.5.03.0014 Rel. Des. Rogerio Valle Ferreira – Dje 19.03.2012 pág. 296). Recurso de Revista – Gueltas Integração na Base de cálculo de parcelas salariais – O entendimento desta Corte é de que às gueltas atribuise a mesma natureza dada às gorjetas. Assim, nos termos da Súmula nº 354 do TST, as gorjetas integram a remuneração do empregado, não servido, contudo, de base de cálculo para as parcelas de aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado (RR 214/200713403 00.0). Recurso de Revista a que se dá provimento parcial, para excluir as gueltas da base de cálculo do avisoprévio e repouso semanal remunerado. (TST –RR 819/20050200400.2 – Rel. Min. Kátia Magalhães Arruda – Dje 19.04.2011 –pág. 984). Recurso de Revista – Gueldas Integração à remuneração – Natureza Jurídica a decisão regional está em consonância com o entendimento consolidado no âmbito desta Corte, no sentido de que a parcela gueltas, paga habitualmente, ainda que por terceiros, fornecedores da Reclamada, possui natureza Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.069 9 salarial, uma vez que conferida habitualidade à empregada como incentivo à melhoria das vendas, o que atrai de forma indiscutível, melhores ganhos ao empregador, devendo compor a remuneração da Autora para todos os efeitos legais pertinentes. Recurso de Revista não conhecido... (TST – RR 52/200702103 00.5 Rel. Min. Márcio Eurico Vitral Amaro – Dje 19.12.2011, pág 2984). Nesta senda, no tocante a integralização das gueltas à remuneração do trabalhador, compreendese que estas são consideradas salário de contribuição, conforme a dicção do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91, uma vez que possui natureza jurídica de comissão e a remuneração auferida pelos funcionários da MDF Móveis Ltda., durante o mês, foram destinados para retribuir o trabalho realizado. Desta forma, mantémse o posicionamento do Auditor Fiscal. Com relação a não observância do Auditor no que se refere aos documentos comprobatórios anexados aos autos (notas de débito, notas fiscais de serviços e autorizações de pagamento), percebese que o crédito em análise foi autuado devido às provas deficientes acostadas pela Recorrente, haja vista que não é devidamente registrado, pela contabilidade, o movimento real das remunerações em comento, sendo perfeitamente aplicável o instituto da aferição indireta. Posto isto, em concordância com o Relatório Fiscal, entendese como a forma mais coerente para auferir a base calculo a adoção dos valores integrais apurados como pagamento, realizados pelas empresas AMERICEL S/A e 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A, de valores relativos a incentivos de vendas (gueldas), segundo consta nas provas apresentadas. Ao fazer isso, a fiscalização estará agindo com afinidade ao disposto no art. 33, §§ 1º, 2º, 3º da Lei 8.212/91. Diante do exposto, não podese falar em bis in idem, pois a apuração das bases de cálculos são distintas e nítido o caráter remuneratório dessas verbas. Das Alegações de Inconstitucionalidade e Ilegalidade sobre as contribuições para o Terceiro Setor. Em relação ao AIOP DEBCAD 37.322.0472, que trata das contribuições destinadas a Terceiros, temos várias alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade dessas contribuições (INCRA, SESI e SEBRAE), reafirmo que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Desta feita, no que diz respeito à contribuição devida a Terceiros, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.070 10 CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOS LEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA 1 Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às fls. 32/55 dos autos, nº 2º Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988 Sujeitase a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC. Confirase a jurisprudência deste eg. Tribunal: AMS 2000.33.00.000789 8/BA, 8ª Turma, Rel.: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 2512008, p. 319) e AMS 1999.38.00.0410304/MG, 7ª Turma, Rel.: Desembargador Federal Catão Alves, DJ de 1342007, p. 76). 2 A exigência do recolhimento das contribuições sociais para o SESC e o SENAC, de natureza jurídica social, encontrase amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CF/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória nº 1.89813/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. 9º, ao fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade. 3 Desnecessária a referibilidade, relação e vinculação entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar, sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio Ou não Ou de serem prestadoras de serviços Ou não. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.0260118/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.0398970/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202). *** CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE 1 Pacificouse no E. Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o SESC/SENAC é devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp nº 431.347/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, D.J. de 25.11.2002 e REsp nº 587.415/ SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.071 11 D.J. de 03.5.2004). 2 No julgamento do RE nº 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o SEBRAE. 3 Apelação improvida. (TRF1ª R. AC 2005.33.00.0178953/BA 7ª T Rel. Des. Fed. Catão Alves DJe 06.03.2009 p. 140) A contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, como já explanado alhures, é constitucional, e não se restringe às micro e pequenas empresas. Assim, todas as empresas sujeitas ao pagamento das contribuições ao SESC, SENAC, SESI e SENAI, estão também obrigadas ao pagamento da contribuição ao SEBRAE. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decreto lei nº 8.621/46, 3º do Decretolei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.072 12 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) *** TRIBUTÁRIO ADICIONAL AO SEBRAE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EXIGIBILIDADE 1 A Contribuição para o SEBRAE (§ 3º, do art. 8º, da Lei nº 8.029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa). Agravo regimental improvido. (STJ AgRgREsp 1.042.041 (2008/00618479) 2ª T Rel. Min. Humberto Martins DJe 25.05.2009 p. 1412) *** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90 PRECEDENTE 2 A contribuição do sebrae é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AgRgRE 520.8150 Rel. Min. Eros Grau DJe 09.05.2008 p. 154) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO SEBRAE LEGALIDADE PRECEDENTES I Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido. (STF AIAgR 596552 MG 1ª T. Rel. Min. Ricardo Lewandowski J. 06.11.2007) *** Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.073 13 TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Tendo em vista a jurisprudência acima colacionada, resta cabalmente comprovada a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, bem como mostrase inegável o fato da referida obrigação não restringirse apenas às micro e pequenas empresas. No que concerne às contribuições para o SESI, estas possuem natureza jurídica de contribuição social de interesse de categorias. Consignase que são contribuintes do SESI as empresas que se enquadram no seguinte dispositivo legal: DecretoLei nº 9.403, de 25/6/1946 Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para realização de seus fins. (...) § 1º A contribuição referida neste artigo será de dois por cento (2%) sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados. O montante da remuneração que servirá de base ao pagamento de contribuição será aquele sobre o qual deva ser estabelecida a contribuição de previdência devida ao Instituto de Previdência ou caixa de aposentadoria e pensões a que o contribuinte esteja filiado. Lei nº. 5.107, de 13/9/1966 Art. 24. Fica reduzida para 1,5% (um e meio por cento) a contribuição devida pelas empresas ao Serviço Social do Comércio e Serviço Social da Indústria e dispensadas estas entidades da subscrição compulsória a que alude o art. 21 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 196. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.074 14 Sendo assim, é perfeitamente aplicável a contribuição para o SESI, tendo em vista que a Recorrente possui estabelecimento industrial. Outrossim, argúise também a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária destinada ao INCRA, sob a justificativa de que a cobrança estaria a comprometer o princípio contributivo regente do sistema previdenciário constitucional, tendo em vista a empresa matriz da Recorrente estar situadas em área de perímetro urbano. Mantidas as ressalvas já articuladas acima, em que se delineou os limites cognitivos traçados para a atuação desta instância administrativa, devese observar, a par da questão constitucional, que o E. STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do ERESP nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11/71, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212/91. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do INCRA não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao INCRA para a realização da reforma agrária. Vale trazer à colação a ementa deste julgamento: “TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei n. 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 770451/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 11.06.2007 p. 258)” Reconsiderada a natureza da mencionada contribuição, também restou assentado no âmbito do E. STJ o entendimento de que as contribuições vertidas ao INCRA e ao Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.075 15 FUNRURAL são perfeitamente exigíveis de empresas urbanas, o que se colhe da leitura da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA. EMPRESA URBANA. LEGALIDADE DA COBRANÇA. ENTENDIMENTO DO STF. PRINCÍPIO DA SOLIDARIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. Configurada, à época, divergência entre o acórdão embargado (que entende exigível a Contribuição de empresa urbana para o FUNRURAL e o INCRA) e o acórdão paradigma (que preconiza a não exigência das Contribuições em casos análogos), aplicase o entendimento da Primeira Seção, no sentido da decisão recorrida. 2. "É legítimo o recolhimento da contribuição previdenciária para custeio do FUNRURAL e do INCRA por empresas urbanas, já que a lei não exige a vinculação da empresa a atividades rurais." (ERESP 412.923/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 09/08/2004). 3. Embargos de Divergência não providos. (EREsp 177661/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203)” Portanto, em obséquio à autoridade da interpretação consolidada no âmbito da Corte de pacificação da legislação infraconstitucional, devem ser afastadas as postulações da Recorrente que pleiteiam a desconstituição dos lançamentos referentes à contribuição destinada aos Terceiros. Da Aplicação das Penalidades A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do referido art. 35 (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.076 16 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.077 17 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.078 18 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.079 19 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.080 20 apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, em relação aos DEBCADs 37.322.0456, 322.0464, 37.322.0472 apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos no período do lançamento, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 até a competência 11/2008, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, bem como para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas tal qual previsão na Súmula 88 do CARF. . Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.081 21 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.082 22 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.083 23 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.084 24 II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.085 25 §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.322.0456, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.086 26 previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.087 27 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.088 28 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.089 29 critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.090 30 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.091 31 Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.092 32 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar,in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 2302002.794 S2C3T2 Fl. 1.093 33 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13749.001424/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 14 24 /2 00 9- 36 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a.Turma da DRJ/CGE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física n. 2009/665599449425920. fl.23, resultante de lançamento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2009, anocalendário 2008, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 12,183,88, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALOR EM REAIS Imposto de renda pessoa física – suplementar – sujeito a multa de ofício 2904 6.754,19 Multa de ofício – passível de redução 5.065,64 Juros de Mora – calculados a´t 31.07.2009 364,05 Imposto de renda pessoa física 0211 Multa de Mora – não passível de redução Juros de Mora – calculados ate´30.11.2009 Valor do crédito tributário apurado 12.183,88 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos (.....) Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 23.309,34, recebido (s) pelo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 62 3 titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s), relacionada (s) abaixo: CNPJ/CPF NOME DA FONTE PAGADORA RENDIMENTO DECLARADO RENDIMENTO OMITIDO IRRF RETIDO IRRF DECLARADO IRRF S/OMISSO 86717469000161 04421884715 DOGRARIA BARRAFARMA LTDA 54.407,98 23.309,34 OO OO OO Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 3.696,00 indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação,ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado: Seq CPF/CNPJ NOME/NOME EMPRESARIAL CÓD. DECLARADO REEMBOLSADO ALTERA 01 01205558756 ANA PAULA PELLICCIONE REIS 010 2.591,00 02 19122462449 LUIZ GONZAGA FERNANDES DA SILVA 010 530,00 03 37007696791 MAURICIO CHVEID 010 300,00 04 60922168001077 ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DESANTA 020 275,00 OS RECIBOS EMITIDOS POR ANA PAULA P REIS E MAURICIO CHVEID NÃO IDENTIFICAM O USUÁRIO DOS SERVIÇOS. OS RECIBOS EMITIDOS POR LUIZ GONZAGA NÃO IDENTIFICAM O USUÁRIO DOS SERVIÇOS NEM O BENEFICIÁRIO DO PAGAMENTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO APRESENTOU NOTA FISCAL DE SERVIÇOS EM NOME DO HOSPITAL SÃO JOSE NO VALOR DE R$ 275,00. O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento por edtal em 03/12/2009, conforme consta da f.35. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, em 23/12/2009, através da qual o interessado, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: i) alega que, do aluguel recebido de Drogaria Barrafarma Ltda recebeu o valor líquido de R$ 54.407,98, após desdcontado o valor de R$ Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 63 4 13.419,77 de Imposto de Renda Retido na Fonte e de R$ 4.834,03 pagos a título de pagamento à administradora de imóveis, conforme contratos de administração que junta; ii) apresenta os documentos necessários para comprovar as despesas médicas glosadas, exceto a nota fiscal para substituir o recibo de R$ 275,00, do Hospital São José Ltda, visto que este não se dispôs a emitir a referida nota, por se referir a exercício anterior. Por fim requer o cancelamento de débito reclamado. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de (fls.43/50), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa F ísica IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS As despesas no recebimento de aluguéis podem ser deduzidas do valor destes, para fins dc tributação, quando correspondentes à previsão legal e adequadamente comprovadas. Despesas médicas Podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto as despesas médicas comprovadas por documentos idôneos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança posto que não suspensa a exigibilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 09.08.2011(fl.53), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 31.08.2011, às (fls.54). Em sua defesa, argumentou em síntese o seguinte: ● Alega que declarou os rendimentos líquidos recebidos da Drogaria Barrafarma Ltda no valor de R$ 54.407,98. ● Apresentou os documentos necessário para comprovar as despesas médicas, com exceção do recibo do Hospital São José Ltda. ● Ao final pede o cancelamento do débito reclamado. É o Relatório Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13749.001424/200936 Acórdão n.º 2801003.467 S2TE01 Fl. 64 5 Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese omissão de rendimentos no valor de R$ 23.309,34 e na glosa da dedução de despesas médicas referente ao profissional Luiz Gonzaga Fernandes da Silva no valor de R$ 530,00, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O Recorrente declarou na Declaração Anual de Ajuste/2009 os rendimentos recebidos da fonte pagadora Drogaria Barrafarma Ltda, no valor de R$ 54.407,98. Na DIMOB apresentada pela fonte pagadora (fl.47numeração digital) o rendimento recebido líquido foi de R$ 67.827,75, deduzido a taxa de Administração no valor de R$ 4.834,03, portanto, comprovado a omissão de rendimentos no valor de R$ 13.419,77. O recorrente alega em sede de recurso que a fonte pagadora lhe induziu ao erro ao informar os rendimentos recebidos na sua DIPF, entretanto, não trouxe aos autos prova do alegado. Com relação à despesa médica referente ao profissional Luiz Gonzaga Fernandes da Silva no valor de R$ 530,00, o recibo apresentado de (fl.32), não atende os requisitos formais do art. Art.8º, Lei 9.250/95. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10835.002687/2002-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Aplicação da Súmula CARF n° 15 e do entendimento do STJ, contido no REsp n° 1.127.713/SP (Rel. Min. Hermann Benjamin), julgado no rito dos recursos repetitivos. Observância do art. 62-A, do RI-CARF.
PIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO.
Estando o lançamento de ofício calcado na insuficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando atestado em diligência solicitada pelo órgão de julgamento que haviam os créditos utilizados, em face da aplicabilidade da semestralidade do PIS, deve ser cancelada a exigência nos termos da diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Aplicação da Súmula CARF n° 15 e do entendimento do STJ, contido no REsp n° 1.127.713/SP (Rel. Min. Hermann Benjamin), julgado no rito dos recursos repetitivos. Observância do art. 62A, do RI CARF. PIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. Estando o lançamento de ofício calcado na insuficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando atestado em diligência solicitada pelo órgão de julgamento que haviam os créditos utilizados, em face da aplicabilidade da semestralidade do PIS, deve ser cancelada a exigência nos termos da diligência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 26 87 /2 00 2- 29 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 446 3 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório já efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento: “A empresa autuada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, exigindolhe contribuição de R$ 16.996,46, multa de ofício de R$ 12.747,20 e juros de mora de R$ 8.931,30, perfazendo o total de R$ 38.674,96. O enquadramento legal encontrase a fls. 197 e 198. Segundo a fiscalização, a contribuinte, autorizada por sentença judicial, compensou créditos da contribuição ao PIS, referentes à diferença entre os valores pagos com base nos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1998, declarados inconstitucionais, e os calculados de acordo com a Lei Complementar (LC) nº 7, de 1970, com débitos do próprio PIS no período acima. Entretanto, como a fiscalização não considerou a base de cálculo do sexto mês anterior, e sim a do próprio mês, apurou saldo devedor para o período, glosando a compensação efetuada e lançando de ofício a contribuição. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que obteve judicialmente o direito de utilizar a LC nº 7, de 1970, bem assim de compensar os valores pagos a maior com a própria contribuição ao PIS, e que, de acordo com essa lei, a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme decisões administrativas e judiciais que cita. Requereu também perícia técnica para comprovar as alegações.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 10.240, de 9 de dezembro de 2005, julgando procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SEMESTRALIDADE. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Lançamento Procedente.” Aduz de que há a determinação de que a contribuição seja calculada pela Lei Complementar nº 7/70, mas que devem ser atendidas as legislações que alteraram o prazo de recolhimento do PIS. Assim sendo, entendeu a DRJ que a Fiscalização deve considerar, em seus cálculos, o faturamento do próprio mês do fato gerador, e não o referente ao sexto mês anterior. Considera, ainda, desnecessária a diligência proposta e que uma perícia não se faz necessária, pois que esta somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Por fim, votou pela procedência do lançamento. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 12/04/2006, conforme AR de fl. 346 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 347/362) em 28/04/2006, requerendo, em breve síntese, que seja reconhecida a semestralidade do PIS, ou seja, que a base de cálculo seja baseada no faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, nos termos do art. 6º, parágrafo único, da LC 7/70, para que decida pela improcedência do lançamento discutido. DA DILIGÊNCIA Em apertada síntese, aduz que a Fiscalização não observou a semestralidade da contribuição, ao proceder a glosa dos créditos que ensejaram o lançamento em discussão. Assim, entendeu por bem baixar o processo em diligência, para que a autoridade preparadora refizesse as planilhas da contribuição devida. Pede, ainda, que a Fiscalização elabore um Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 447 5 relatório de diligência, consignando eventuais discrepâncias entre valores e, se for o caso, elaborando planilha de cálculo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 444 (quatrocentos e quarenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, pelo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos dá conta de que o lançamento objetivou constituir crédito tributário em face de entender como indevida a compensação levada a efeito pelo contribuinte, do que gerou insuficiência de recolhimentos, ante à conclusão da Fiscalização de que a sentença judicial, ao reconhecer a inconstitucionalidade das contribuições ao PIS, conforme os Decretos n°s. 2.445 e 2.449/88, levaria à aplicabilidade da Lei Complementar n° 07/70 mas que deveria ser observado o faturamento do próprio mês do fato gerador, em face do que, constituiu o crédito tributário por entender não haver créditos suficientes. No entanto, a questão da semestralidade restou definitivamente pacificada após a edição da Súmula nº 11, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 do então denominado Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido consolidada pela Portaria Carf nº 106, de 21/12/2009, como a Súmula CARF nº 15, cujo enunciado é, in verbis: “A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei complementar nº 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. Do mesmo modo, demonstrando ser de direito calcular o crédito do contribuinte levandose em conta a “Semestralidade do PIS”, convém ressaltar que a matéria foi pacificada inclusive em sede de Recurso Repetitivo no STJ, do que torna obrigatória sua observância pelos julgadores deste Conselho, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno desta Casa. Vejamos a Ementa do repetitivo, assim vasada: “TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. O art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas à base de cálculo do tributo, que, sob o regime da mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.” (STJ – 1ª Seção – REsp n° 1.127.713/SP – Rel. Min. Herman Benjamin, j. 09/10/2010 – Dje 13/09/2010) No que se refere à diferença entre os valores recolhidos com base nos inconstitucionais Decretos n°s. 2.445 e 2.449/88, e os devidos nos termos da Lei Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10835.002687/200229 Acórdão n.º 3402002.365 S3C4T2 Fl. 448 7 Complementar n° 07/70, para que se possa concluir pela existência ou não dos créditos utilizados pela Recorrente, no caso em análise esse cotejo e cálculos já foi realizado, em atenção à Diligência designada pela então 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução confeccionada pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, então relator destes autos. A referida Diligência chegou às seguintes conclusões: “a) conforme planilha de fl. 137, a pretensão da interessada recai sobre valores recolhidos a maior/indevidamente de PIS correspondentes aos períodos de apuração novembro/1992 a dezembro/1995; b) adotamos como base de cálculo o faturamento apurado pela fiscalização na planilha de fls. 141/142, correspondendo ao faturamento do sexto mês imediatamente anterior ao período de apuração, conforme planilhas de fls. 375/378; c) os pagamento correspondentes aos períodos de apuração novembro/1992 a dezembro/1995, recolhidos entre 01/12/1992 a 10/01/1996, constam do extrato de fls. 365/367 e 379/380; d) após as alocações/vinculações dos pagamentos ao débitos apurados com base na semestralidade (fls. 381/404), apurouse os saldos de pagamentos de fls. 405/406; e) utilizando referidos saldos para compensação dos débitos apurados no auto de infração tratado neste processo, verificase que são suficientes para sua extinção (fls. 407/425)” Assim, a Autoridade Preparadora expressamente afirmou que ao se aplicar a semestralidade do PIS, não mais remanescem os valores objeto do lançamento tributário, de modo que, com embasamento na diligência efetuada, deve ser exonerada a exigência consubstanciada no lançamento sob análise. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal, nos termos da conclusão da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722473/2008-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte EMILIO SALOMAO PINTO RESEDA, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$175.177,46, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 47 3/ 20 08 -0 5 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 130 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 131 3 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 85/123, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 132 4 imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 133 5 sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722473/200805 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.126 S2C2T1 Fl. 134 6 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720236/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadra-se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadra-se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 292 1 291 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720236/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.591 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria Cofins Recorrente ARTARATROP INDUSTRIAL COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DCTF RETIFICADORA. VALORES DEVIDOS ZERADOS. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos, de forma reiterada e com caracterização de pleno conhecimento da conduta e suas conseqüências, enquadrase na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e conseqüentemente, na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 36 /2 01 3- 17 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 293 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. . Relatório Tratase de Auto de Infração decorrente de revisão interna de Dacon, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009, resultando na constituição de crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 209/216), no montante total de R$ 3.679.980,36, referente aos períodos de apuração janeiro/2009 a dezembro/2009. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 205/208), o auditor fiscal fundamentou a lavratura do auto de infração no fato de a contribuinte ter entregado, em 17/11/2011, DCTFs retificadoras dos 1º e 2º semestres do anocalendário 2009 zerando os valores declarados de Cofins. O autuante disse ainda que os valores informados nas outras retificadoras entregues em 22/11/2012, no curso da ação fiscal, não seriam considerados como declarados e lançados, de acordo com o art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, mas que essas informações seriam utilizadas na ação fiscal, para o cálculo do valor devido, no qual foram considerados os maiores valores informados de débitos da Cofins nos Dacons e nas DCTFs entregues sob ação fiscal. O auditor fiscal qualificou a multa de ofício aplicada, em conformidade com o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com o seguinte fundamento: O contribuinte em 17/11/2011 apresentou DCTF’s retificadoras zerando todos os débitos anteriormente declarados. Intimado o contribuinte informou que tais declarações, SEM CONHECIMENTO DA EMPRESA, haviam sido substituídas por outras sem declararse os créditos tributários (débitos do contribuinte). O contribuinte alega que terceiros retificou as suas DCTF’s. A transmissão da DCTF só é possível mediante o uso de certificado emitido por Autoridade Certificadora integrante da Infraestrutura de chaves Pública Brasileira – ICP Brasil, que não tenha sido revogado e que ainda esteja dentro de seu prazo de validade. Para a transmissão da DCTF, o contribuinte poderá optar pela utilização do Certificado Digital emitido em nome da Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 294 3 pessoa jurídica, em nome do responsável pela pessoa jurídica ou em nome de procurador habilitado no Cadastro de Procurações da RFB, que está disponível na página da RFB na Internet. Além disso é necessário fornecer o número de recibo da DCTF a ser retificada. Portanto, a referida alegação não é plausível, porque retificação das referidas DCTF’s só é possível com o consentimento do contribuinte. A guarda do certificado e da DCTF a ser retificada é responsabilidade do contribuinte. As DCTF’s entregues em 22/11/2012, no curso da presente ação fiscal, não terão os valores informados como declarados e lançados, de acordo com art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72. Entretanto estas informações serão utilizadas na presente ação fiscal. As DCTF’s retificadoras entregues em 17/11/2011 com os débitos da COFINS zerados caracteriza a ação dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos valores devidos de COFINS nos meses do ano calendário 2009. Ao final, o autuante informa que, diante dos fatos relatados que configuram crime contra a ordem tributária, definido pelo art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi feita a representação fiscal para fins penais por meio do processo administrativo nº 19515.720237/201361. Cientificada do auto de infração em 28/02/2013 (fl. 218), a contribuinte apresentou impugnação em 27/03/2013 (fls. 222/235), na qual alega que: * na época própria, havia cumprido todas as obrigações acessórias da Cofins, o que incluía a entrega de Dacons e DCTFs em absoluta conformidade umas com as outras. Tal como manifestado na resposta ao Termo de Intimação nº 001, até então não tinha ciência de que DCTFs retificadoras haviam sido indevidamente transmitidas em seu nome, contrariando as informações anteriores e corretamente lançadas em Dacons. Percebendo tal incongruência, cuidou de imediatamente gerar novas DCTFs retificadoras em 22/11/2012, a fim de sanar o problema; * a multa imposta resulta da duplicação do percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, não é o caso de aplicação dessa multa, mesmo que não fosse duplicada. Com efeito, esse dispositivo é destinado apenas para as situações em que ocorra lançamento de ofício e, não obstante estarmos diante de auto de infração, o fato é que não houve lançamento de ofício, pois, segundo confissão do próprio agente público, considerouse para a ação fiscal os débitos da Cofins lançados nos Dacons e nas DCTFs entregues durante a ação fiscal. Ou seja, não foi a autoridade administrativa que, observando os critérios trazidos pelo art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, procedeu à constituição Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 295 4 do crédito tributário. A fiscalização cuidou simplesmente de aceitar a apuração do tributo informada pela própria contribuinte em Dacons e DCTFs, consistindo a atividade administrativa em mera homologação expressa do lançamento, nos termos do art. 150 do CTN; * a pretensão de encarar o ato administrativo em questão como lançamento de ofício não encontra guarida em nenhuma das hipóteses previstas pelo art. 149 do CTN; * mesmo que a fiscalização queira entender que já havia se perdido o benefício da espontaneidade quando da entrega das DCTFs retificadoras, não pode entender que houve falta de declaração do valor do tributo devido. A perda da espontaneidade neste caso pode, quando muito, ocasionar as sanções impostas pelo art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002; * a irregularidade na entrega da DCTF é passível de punição com outra penalidade, isto é, a multa moratória, consoante o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, devendo também ser trazido à baila o art. 112 do CTN; * qualquer DCTF retificadora deve ser acompanhada da retificação do respectivo Dacon ou da respectiva DIPJ, inclusive por expressa disposição do art. 9º, § 6º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010. E a teor do art. 9ºA desse mesmo normativo, as DCTFs retificadoras que zeraram indevidamente as operações não poderiam produzir efeitos. Assim, as que sempre valeram foram as precedentes, entregues em absoluta conformidade com os Dacons, não procedendo, pois, a aplicação da multa de 150%; * as indigitadas DCTFs zeradas não podem ser tidas como ação dolosa para retardar o conhecimento da autoridade fazendária, já que tal meio seria absolutamente imprestável para tal fim. Isso porque haveria divergência entre elas e os respectivos Dacons, que permitiam à autoridade fiscal não só que tivesse conhecimento da ocorrência do fato gerador, da base de cálculo e da efetiva apuração do tributo, como também notasse, como de fato notou, a incongruência com as DCTFs que indevidamente zeraram tais informações. Vale dizer que o termo de verificação fiscal originouse de procedimento de revisão interna do Dacon; * fosse o intento de sonegar, a retificação deveria ter se operado em todas as obrigações acessórias; * o contexto fático implica em necessária descaracterização do propósito de sonegar, tendo em vista que houve apresentação de DCTFs corretas antes e depois em consonância com os Dacons, que sempre espelharam a realidade contábil, não havendo razão para se duplicar o percentual da multa. No final, a contribuinte requer a reparação do auto de infração para que a multa seja apenas a moratória e aquela prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, ou, caso não seja esse o Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 296 5 entendimento, que a multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não seja qualificada, ou que, mantendo o auto de infração como lançado, a manifestação seja expressa sobre cada um dos pontos tratados em sua impugnação, como forma de viabilizar a ampla defesa de seus direitos perante o Poder Judiciário.” A Sexta Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1652.465, no qual decidiuse pela improcedência da impugnação e pela manutenção integral do lançamento, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Lançamento de Ofício. Divergência entre DCTF e Dacon/ Recolhimentos. Constatadas diferenças entre os valores informados em Dacon e os confessados em DCTF ou recolhidos, devem ser formalizados de ofício os correspondentes créditos tributários. DCTF retificadora. Valores devidos zerados. Multa qualificada. A apresentação de DCTF retificadora zerando os valores que são devidos enquadrase na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e consequentemente na hipótese de qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Descaracterização do pretenso lançamento de ofício: o auto de infração em comento não caracteriza lançamento de ofício nos termos do art. 149, pelo fato de o auditor ter se valido das informações prestadas na DCTF retificadora e que isto configuraria homologação expressa do lançamento, nos termos do art. 150 do CTN; 2. Perda da espontaneidade na entrega da DCTF: a perda acarretaria apenas a aplicação da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 ou a multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Não seria caso de aplicação da multa prevista no art. 44 do mesmo diploma legal, pois não haveria falta de declaração ou declaração inexata, já que a fiscalização utilizouse das próprias declarações da recorrente; 3. Aplicação do artigo 112 do CTN; 4. Desconsideração das DCTF´s retificadoras, apresentadas zeradas em 17/11/2011; 5. Inocorrência da sonegação fiscal. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 297 6 Ao final, pede que a multa a ser aplicada seja apenas a moratória e a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, ou, eventualmente, a não duplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O auto de infração foi lavrado em virtude da falta de recolhimento/declaração de Cofins, tendo como indício a diferença verificada entre os Dacon´s entregues e as DCTF/DARF´s conhecidos. A recorrente se insurge apenas contra a multa de ofício aplicada no percentual de cento e cinqüenta por cento (150%), não havendo lide sobre o tributo lançado, nem sobre os juros de mora. A multa foi fundamentada no §1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, entendendo a fiscalização ter ocorrido a conduta de sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Inicialmente, a recorrente argumenta que a multa aplicada não deveria ser a do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois o ato administrativo em julgamento não seria lançamento de ofício, em razão de ter a autoridade fiscal utilizado os valores informados em DCTF, considerando a atividade exercida pela autoridade fiscal como homologação expressa do lançamento, nos termos do artigo 150 do CTN e que o ato realizado não encontraria guarida no art. 149 do CTN. Sem razão a recorrente. A autoridade fiscal considerou como incontroversos o maior dentre os valores informados pela própria recorrente no Dacon e na retificação das DCTF efetuada em 22/11/2012, no curso da ação fiscal iniciada em 12/11/2012, nas quais são informados valores muito próximos dos Dacon´s outrora entregues. O fato de utilizar os valores informados como verdadeiros é apenas um reflexo da convicção do auditor acerca da veracidade das informações prestadas pela recorrente. A utilização destes valores no auto de infração não caracteriza homologação expressa do lançamento. De fato, o procedimento de fiscalização não se confunde com a homologação expressa do lançamento previsto no art. 150 do CTN, que se opera em relação aos pagamentos antecipados dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que, no presente caso, simplesmente nunca ocorreria, pois que não foram identificados quaisquer pagamentos referentes aos períodos lançados. Frisese que o lançamento aqui efetuado foi, justamente, o de ofício, de acordo com as disposições do art. 149, incisos V e VII do CTN. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 298 7 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; ... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação A inexistência de pagamentos, bem como a ausência de débitos declarados, acarretam a omissão e inexatidão a que se refere o inciso V do art. 149. Quanto ao dolo ou fraude, verseá adiante. Seguindo em seus argumentos, a recorrente alega que a perda da espontaneidade não acarretaria a desconsideração das DCTF retificadoras, não havendo a falta de declaração dos tributos, mas ocasionaria as multas previstas no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. Salientase que não há dúvidas quanto à perda da espontaneidade, nos termos do art. 7º1 do Decreto 70.235, de 1972. O início da ação fiscal ocorreu em 12/11/2012 e as DCTF´s retificadoras, com valores corretos, foram entregues em 22/11/2012. Voltando ao art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 299 8 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas A multa a que se refere o art. 7º acima transcrito resulta da inobservância das regras para cumprimento da obrigação acessória consistente na entrega de DCTF. São penalidades resultantes da inobservância das condições estipuladas pela administração tributária para cumprimento da obrigação acessória. Visam coibir o descumprimento da obrigação acessória, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme preceito do artigo 113, §2º do CTN. Pontuese que estas penalidades não foram exigidas no presente auto de infração. Por sua vez, a multa referida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculase à inobservância da obrigação principal, relativa à falta de pagamento ou recolhimento. Vincula se ao tributo exigido no lançamento de ofício, sendo, portanto, a situação verificada nos presentes autos e expressamente definida no art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Também não é caso de aplicação da multa moratória prevista no caput do art. 612 da Lei nº 9430, pois que incidente sobre os débitos decorrentes de tributos não pagos nos 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 300 9 prazos de vencimento estabelecidos na legislação, mas apurado espontaneamente pelo contribuinte e não em lançamento de ofício, exceto na hipótese estabelecida no art. 473 do mesmo diploma. O fato em comento subsumese exatamente na hipótese o artigo 44 acima, não sendo aplicável , outrossim, o artigo 112 do CTN. Ainda relativamente às DCTF´s retificadoras entregues em 17/11/2011, a recorrente afirma que devem ser obrigatoriamente desconsideradas, em razão da não retificação dos Dacon´s, conforme previsão do art. 9º e 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, abaixo transcritos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. ... § 6 º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 3 Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 301 10 I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) I enquanto pendentes de análise; e ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) II não homologadas. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012) A DCTF retificadora possui a mesma natureza da original e não produzirá efeitos nas hipóteses previstas no §2º, incisos I e II e a partir de 14/03/2012, também na hipótese prevista no §4º do art. 9ºA, incluído pela IN RFB nº 1.258, de 2012. Não há qualquer prova nos autos de que as retificadoras entregues em 17/11/2011 se enquadrariam nas situações elencadas nos incisos I ou II do §2º do art. 9 ou do §4º do art. 9ºA, o qual nem havia sido instituído quando apresentadas. Portanto, as retificadoras entregues em 17/11/2011 devem produzir efeitos, possuindo a mesma natureza das originais. Por fim, alega que estas retificadoras “zerando” os débitos não podem ser tidas como dolosa para retardar o conhecimento da autoridade fazendária, pois a entrega dos Dacon´s possibilitaria o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ciência da base de cálculo e efetiva apuração do tributo, como, de fato, ocorreu, já que a fiscalização originouse de procedimento interno de revisão do Dacon. O intuito de sonegar deveria ter se operado em todas as obrigações acessórias. Alega, ainda, que a apresentação das DCTF originais e as retificadoras em 22/11/2012, em consonância com os Dacon´s, espelhando a realidade contábil, descaracterizam o propósito de sonegar. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 302 11 O auditor fundamentou a aplicação da multa qualificada no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por seu turno, o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, assim definiu a sonegação: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A recorrente inicia suas razões, item IV da peça recursal, afirmando que houve entrega indevida de DCTF´s retificadoras em nome da recorrente. Constatase, entretanto, que para a entrega das retificadoras é necessária a informação do número do recibo da declaração que se quer retificar, conforme fls. 21 a 24 da numeração digital, cuja guarda é, obviamente, responsabilidade da recorrente. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a recorrente não traz qualquer indício ou prova que possa infirmar a autoria da entrega das retificadoras em 17/11/2011. Firmado isto, devese perquirir se o fato se subsume à norma do art. 71 acima referido, ou seja, se está caracterizada a ação dolosa e se houve impedimento ou retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais da recorrente, conforme descrito nos incisos I e II do art. 71. O dolo se refere à ao elemento subjetivo da conduta, seu elemento psicológico. No dizer de Fernando Capez4: 4 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, vol. 1: parte geral. 10º ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva. 2006. p.198. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 303 12 “Conceito de dolo: é a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal. Mais amplamente, é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta” Elementos do dolo: consciência (conhecimento do fato que constitui a ação típica) e vontade (elemento volitivo de realizar esse fato.” No caso, a constatação da ação dolosa reside no conhecimento das informações verdadeiras sobre a Cofins devida (caracterizada pela escrituração correta de seus valores e sobretudo pela entrega dos Dacon´s, o que infirma qualquer alegação de desconhecimento dos corretos valores devidos) e na conduta reiterada de alterar as informações de valores devidos para “zero”, por doze meses seguidos, afastando, assim, qualquer argumento de mero erro na retificação das declarações. A segunda parte definidora da conduta consiste em elemento finalístico, ou seja, a ação praticada deve impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária quanto à ocorrência do fato gerador. Verificase que ao retificar as DCTF´s para valores zerados, a recorrente suprime o conhecimento da existência de débitos e sua conseqüente cobrança, revelando ter pleno conhecimento que a conduta praticada atingiria seu fim. De fato, a recorrente obrigou a Administração Fazendária a agir para constituir créditos que deveriam estar constituídos pelo cumprimento da obrigação acessória, a qual foi alterada, intencionalmente, com o objetivo de retardar este conhecimento e, conseqüentemente, sua cobrança. No caso presente, a conduta se revela ainda mais grave que a simples omissão de entrega (também punível se caracterizado o dolo), pois que houve alteração para zero de valores informados anteriormente, acarretando a necessidade de refazimento de verificações internas das informações e, conseqüente, reduzindo a eficiência exigida constitucionalmente da administração pública. Salientase que a imposição da multa qualificada visa coibir as condutas dolosas, diferenciandoas do mero erro ou da interpretação divergente. Não se deve perder de vista que o Dacon é um demonstrativo que não possui a natureza de confissão de dívida e sua entrega não supre o dever de informar os débitos em DCTF, cuja cumprimento escorreito evitaria o agir desnecessário da Administração. Se o contribuinte provoca deliberadamente este agir, implicando o retardamento do conhecimento da existência do tributo devido e, conseqüente, da cobrança do tributo, deve sua conduta ser coibida pela qualificação da multa aplicada no lançamento de ofício. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.720236/201317 Acórdão n.º 3302002.591 S3C3T2 Fl. 304 13 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11050.001004/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/11/2003
PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA.
Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/11/2003 PEREMPÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS O TRIGÉSIMO DIA. OCORRÊNCIA. Em razão da perempção, não se toma conhecimento de recurso voluntário apresentado após o trigésimo dia, contado a partir da ciência da decisão de primeiro grau. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 04 /2 00 5- 59 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 395 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por RENNER TEXTIL LTDA contra Acórdão nº 0717.947, de 30 de outubro de 2009 (de fls. 332 a 333), proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação apresentada e declarar a definitividade do lançamento na esfera administrativa, cujo crédito tributário deverá permanecer suspenso enquanto houver medida judicial que assim determine. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a operação de importação de mercadoria cujo enquadramento tarifário constitui a matéria principal do presente litígio, bem como da ação ordinária nº 2004.71.01.0000080, de cuja sentença resultou a antecipação dos efeitos da tutela requerida pela autora. Em impugnação tempestiva, a autuada sustenta a nulidade da peça acusatória frente à suspensão da exigibilidade da exação ora litigada, garantida por medida judicial; frente a insuficiência na descrição dos fatos; frente à não especificação do método de cálculo empregado no demonstrativo do imposto. Sustenta também o enquadramento tarifário da mercadoria conforme o indicado na Declaração de Importação. É o relatório.” A DRJ não conheceu da impugnação apresentada pela contribuinte, suspendendo o crédito tributário enquanto houver medida judicial que assim determine em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/11/2003 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional importa renúncia ao julgamento em instância administrativa dos lançamentos que tenham por objeto a mesma matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Cientificado do referido acórdão em 3 de dezembro de 2009 (fl. 349), a interessada apresentou recurso voluntário em 5 de fevereiro de 2010 (fls. 357 a 369), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 396 3 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora O presente Recurso Voluntário trata de matéria da competência deste Colegiado, porém, previamente ao seu conhecimento, devo analisar os demais requisitos de admissibilidade, dedicando especial atenção para o requisito da tempestividade da sua apresentação. Tal assunto encontrase disciplinado nos arts. 5º e 33 do PAF. O primeiro preceito legal trata da forma de contagem do prazo, enquanto que o segundo fixa o prazo de 30 (trinta) para apresentação do recurso voluntário, nos termos a seguir transcrito: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Logo, se vencido no julgamento de primeira instância, da parte que lhe foi desfavorável, ao Autuado é facultado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a oportunidade de apresentar recurso voluntário ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que substituiu os extintos Conselhos de Contribuintes. Expirado esse prazo, sem a apresentação ou apresentação a destempo do citado recurso, configurada estará a preclusão do direito de recorrer e, em consequência, a decisão de primeiro grau tornarseá definitiva na esfera administrativa, nos termos do inciso I do art. 42 do PAF. No presente caso, consta dos autos que, em 3 de dezembro de 2009, a interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ, mas somente apresentou recurso voluntário em 5 de fevereiro de 2010. Assim, em consonância com os critérios de contagem do prazo recursal fixados no preceito legal anteriormente transcrito, temse que já havia decorrido o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do Recurso Voluntário. Dessa forma, fica cabalmente demonstrada a intempestividade e, por conseguinte, a perempção do presente Recurso, impedindo a sua admissibilidade e, por decorrência, o seu conhecimento. Com base no exposto, NÃO CONHEÇO do presente Recurso Voluntário Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11050.001004/200559 Acórdão n.º 3202001.162 S3C2T2 Fl. 397 4 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 19515.004312/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.447
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Visto, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 170 1 169 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004312/200967 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.447 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de maio de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 2/ 20 09 -6 7 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004312/200967 Resolução nº 2402000.447 S2C4T2 Fl. 171 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7849, por ter a recorrente apresentado GFIP´s com a omissão de segurados empregados a seu serviço. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004312/200967 Resolução nº 2402000.447 S2C4T2 Fl. 172 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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