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Numero do processo: 19740.720183/2009-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE.
O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular.
APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS.
A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO.
A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submete-se a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sede de contrarrazões e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular. APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submete-se a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do ano-calendário.
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolidase coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular. APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 83 /2 00 9- 94 Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 879 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sede de contrarrazões e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 748/755) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.271 (efls. 748/755), pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 08/08/2013, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso voluntário. Resumo Processual Foram lançados os autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 395/413) conforme Termo de Verificação Fiscal de efls. 371/394. Após apreciar a impugnação (efls. 417/436) apresentada pela Contribuinte, a primeira instância (DRJ) julgou a impugnação procedente em parte. Em razão do crédito tributário exonerado foi efetuada remessa necessária. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A turma ordinária do CARF negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a imputação da multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006. Ambas as partes foram cientificadas da decisão. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 748/755), tratando da matéria de multa isolada, admitido por despacho Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 880 3 de exame de admissibilidade (efls. 757/760). A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 825/829). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 768/783), cujo seguimento foi negado pelo despacho de exame de admissibilidade (efls. 856/857). A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 417 e segs.). A impugnação foi julgada procedente em parte pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, nos termos do Acórdão nº 12.408, de 31/01/2011, (efls. 617 e segs.), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. É absolutamente regular que mais do que um auto de infração sejam originados de um mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO EM DECORRÊNCIA DE MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS DE CAIXA PARA COMPETÊNCIA NO ANOCALENDÁRIO SEGUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DA MUDANÇA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Relativamente a títulos cujos rendimentos estão vinculados à variação cambial, é improcedente o lançamento de variação cambial ativa ao final do anocalendário em que as variações cambiais vinham sendo oferecidas à tributação pelo regime de caixa e em que não houve resgate dos títulos, se não ficar provado que no anocalendário seguinte passaram a sêlo pelo regime de competência, ainda mais quando os elementos constantes dos autos apontam no sentido de que o contribuinte continuou no regime de caixa. REVERSÃO DE PROVISÕES DE DESPESAS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS DE PIS E COFINS. Se num determinado anocalendário são feitas reversões das provisões efetuadas em anos anteriores de despesas de PIS e Cofins dedutíveis, em decorrência de decisão judicial que considerou não mais exigíveis as obrigações correspondentes a essas despesas, os valores dessas reversões são tributáveis, exceto a parte dessas despesas que foi considerada indedutível por força de glosa efetuada pelo Fisco. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 881 4 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE AO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO DA RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO LEVANDO EM DEVIDA CONSIDERAÇÃO O IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Verificado que na contabilização dos juros sobre o capital próprio o contribuinte investidor deixou de registrar a receita correspondente ao imposto de renda retido na fonte pela empresa investida, lançase a receita omitida, sendo que na apuração do imposto a pagar levase na devida consideração o imposto retido. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO DO CONTRIBUINTE PAGO A TERCEIROS. Os juros sobre o capital próprio que, de direito, são do contribuinte investidor, devido a sua posição acionária na empresa investida, devem ser contabilizados como receita do contribuinte, independentemente de terem sido pagos a terceiros. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECONHECIMENTO DA RECEITA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio devem ser reconhecidos pelo contribuinte investidor como receita em contrapartida de direitos a receber, observado o regime de competência, isto é, quando os juros forem creditados (disponibilidade jurídica), o qual é o mesmo momento em que a empresa investida os registra como despesa em contrapartida de obrigações a pagar. POSTERGAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Primeiramente verificase se a postergação do oferecimento à tributação de receitas de juros sobre o capital próprio causou ou não indevida redução do lucro real, e, em conseqüência, apura se ou não o imposto que deixou de ser cobrado. Após, apurase o efeito da postergação do imposto que foi pago, cobrandose o imposto calculado em decorrência da aplicação do método da imputação proporcional. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Na falta de recolhimento de estimativas, deve ser aplicada a multa isolada de 50% sobre os valores de estimativas não recolhidas, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% NÃO SE CONFIGURA COMO CONFISCO. A aplicação da multa de 75% não se configura como confisco, eis que prevista em artigo de Lei regularmente inserido no ordenamento jurídico e dele não afastada, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 882 5 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. Os juros de mora com base na taxa SELIC encontram previsão legal em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das mesmas, pelo seu dever de agir vinculadamente a elas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em regra, aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito, tomandose o cuidado de verificar as exceções à regra geral. Em razão do crédito tributário exonerado ter ultrapassado o limite de alçada, foi efetuada remessa necessária. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 677/688), apreciado pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 08/08/2013, que, no Acórdão nº 1301001.271 (efls. 748/755), decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a imputação de multa isolada de IRPJ e CSLL por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECURSO DE OFÍCIO. VARIAÇÃO CAMBIAL. RESULTADO NEGATIVO. Restando verificado nos autos que entre a data da aquisição dos títulos analisados e a sua respectiva liquidação, a variação cambal correspondente indicaria resultado negativo, não se há falar em eventual descumprimento de obrigação tributária pela contribuinte. Mantendose o regime de tributação da contribuinte pelo regime de competência, indevida se apresenta a glosa efetivada. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. MULTA ISOLADA. NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 883 6 A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ/CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido. MULTA DE OFÍCIO. ABUSIVIDADE DO PERCENTUAL DE 75%. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 748/755), no qual aponta a divergência entre a decisão recorrida, que afastou a imputação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal por ter sido lançada após o encerramento do anocalendário, e decisão paradigma que entendeu não haver óbice para que o lançamento fiscal em questão pudesse ser realizado em momento posterior a 31 de dezembro do ano calendário objeto de apuração. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 757/760 deu seguimento ao recurso. Em contrarrazões (efls. 825/829), a Contribuinte faz arguição de nulidade, de cerceamento do direito de defesa, discorrendo que, apesar de ter sido intimada, e a intimação ter feito referência de que estariam sido enviadas cópias das razões do recurso especial da PGFN, tal fato não teria ocorrido, o que prejudicou a análise das razões do recurso, razão pela qual requer diligência para determinar a inclusão, nos atos da intimação, da cópia integral do recurso especial. Aduz ainda que no caso se aplicaria o disposto da Súmula nº 283 do STF, porque a Fazenda Nacional recorreu apenas em uma das matérias em que foi sucumbente, quando deveria ter recorrido de todas as outras matérias no qual obteve resultado desfavorável (variação cambial e reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins). Enfim, protesta pela aplicação da Súmula CARF nº 105, vez que o acórdão paradigma foi proferido em momento anterior à edição do entendimento sumular, e aduz que a nulidade da intimação não necessitaria ser declarada caso o mérito seja decidido a favor da parte, conforme art. 249, § 2º do CPC/73. Também foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 768/783), cujo seguimento foi negado, em caráter definitivo, por despacho de exame de admissibilidade (efls. 856/857), por falta de apresentação de paradigma. É o relatório. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 884 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Preliminarmente, suscita a Contribuinte pela apreciação de duas preliminares. Primeiro, pela ocorrência de cerceamento de defesa e segundo aduzindo pretensa omissão da PGFN na interposição do recurso especial, e também pela aplicação de entendimento sumular. Ocorre que a apreciação de preliminares, de ofício, antes de efetuado o exame de admissibilidade do recurso especial não é possível. Nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), o recurso especial deve, inicialmente, demonstrar divergência jurisprudencial na interpretação da legislação tributária, mediante apresentação de acórdão(s) paradigma(s). Em cotejo com a decisão recorrida, realizase o exame de admissibilidade. Apenas se superado o exame de admissibilidade, passase à apreciação do mérito e eventual apreciação de nulidade ou entendimento sumular. O art. 1034 do Código de Processo Civil dispõe com clareza: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolvese ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. (grifei) Na realidade, conforme a abalizada doutrina de NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY 1, o dispositivo vem consagrar a súmula do STF nº 456 (O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie) e o Regimento Interno do STJ, art. 257 (No julgamento do recurso especial, verificarseá, preliminarmente, se o recurso é cabível. Decidida a preliminar pela negativa, a Turma não conhecerá do recurso; se pela afirmativa, julgará a causa, aplicando o direito à espécie). Passandose pela primeira etapa, o exame de admissibilidade, a etapa seguinte, apreciação do mérito, demanda a aplicação do direito. Ou seja, não fica o julgador limitado estritamente aos fundamentos aduzidos pelas partes. Pelo contrário, tem liberdade para aplicar o direito ao caso concreto, o que lhe permite, inclusive, decidir pela nulidade caso identifique situação prevista pela legislação. Ou seja, eventual apreciação de nulidade ou apreciação de aplicação de entendimento sumular só poderá ser realizada caso exame de admissibilidade seja superado nos termos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF. 1 JÚNIOR, Nelson Nery. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 2173. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 885 8 Nesse sentido, passo ao exame de admissibilidade. Entendo que os acórdãos paradigma apresentam com clareza divergência em relação à decisão recorrida. Transcrevo excerto do voto recorrido: Após o encerramento do respectivo período de apuração, não mais se há falar em obrigação tributária de antecipações, mas sim de apuração do respectivo montante efetivamente devido, sendo, portanto, indevida a exigência do seu pagamento e, também, das respectivas penalidades daí decorrentes, verificandose, a esse respeito, inclusive, os seguintes arestos colhidos da jurisprudência deste Conselho: (...) Nesses termos, entendo indevida a aplicação da multa isolada sobre o nãorecolhimento das estimativas após o encerramento do anocalendário, somente sendo devida, nesses casos, a aplicação da correspondente multa de ofício, não se havendo falar, destarte, em cumulação de ambas as penalidades, devendo, em relação a esse ponto, especificamente, ser acolhido o recurso voluntário apontado. (grifei) Observase que o fundamento basilar é a impossibilidade de imputação da multa isolada sobre o não recolhimento das estimativas mensais após o encerramento do ano calendário. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 140100.107 apresenta ementa clara dispondo sobre interpretação da legislação tributária de maneira divergente, no sentido de ser possível o lançamento em debate após o encerramento do anocalendário: IRPJ – CSLL – MULTA ISOLADA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. (Grifei) Atendidos, portanto, os requisitos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF, razão pela qual conheço o recurso especial da PGFN. Passo para a próxima etapa do exame recursal. Conforme já dito, como foi superada a admissibilidade, tornase possível apreciar as preliminares suscitadas pela Contribuinte. Primeiro, reclama pela ocorrência de cerceamento de defesa. Relata que, ao ter recebido intimação da unidade preparadora, dando ciência da decisão recorrida e do recurso interposto pela PGFN, houve menção no documento de que estariam em anexo as cópias da decisão e do recurso. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 886 9 Contudo, ao contrário do aduzido, não constou, na intimação, a cópia do recurso, o que lhe impossibilitou de ter acesso ao conteúdo das razões apresentadas pela PGFN. Nesse sentido, sua defesa teria sido prejudicada, inclusive pelo fato de que, apesar de poder requisitar o acesso à cópia do recurso junto à Receita Federal, tratase de procedimento que demanda um tempo para ser atendido, enquanto que o prazo de quinze dias para apresentação de contrarrazões não sofre interrupção. Nesse contexto, requer pela realização de diligência, para se determinar a inclusão, nos atos da intimação, da cópia integral do recurso especial da PGFN. Não assiste razão à Contribuinte. Analisando os documentos do processo, não ocorreu nenhuma desobediência ao rito previsto pelo Decreto nº 7.547, de 2011, que regulamenta o processo administrativo tributário. No caso, foi feita a intimação por via postal, e consta a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (efls. 764): Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); (...) Art.11. Considerase feita a intimação: (...) II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); (...) Não há reparos ao procedimento da unidade preparadora. Sobre a menção da cópia do recurso, vale transcrever excerto do termo de intimação (efls. 762): Seguem em anexo, para ciência, cópia do Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que deu provimento parcial ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício, e cópia do recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional. Ainda que se pudesse considerar que a cópia do recurso não estivesse entre os documentos entregues, poderia a Contribuinte ter apresentado contrarrazões no prazo de quinze dias e, posteriormente, após ter acesso ao inteiro teor do recurso, apresentar petição complementar, esclarecendo o motivo. O direito de peticionar tem amparo no art. 5º, inciso XXXIV, "a", da Constituição Federal 2. 2 XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 887 10 Faculdade que não foi exercida desde o dia que tomou ciência da intimação, em 22 de junho de 2015. Ora, mais de um ano e seis meses se passaram, prazo mais do que suficiente para que se pudesse obter as cópias do recurso especial da PGFN e se pudesse apresentar uma petição dispondo sobre considerações complementares, se fosse o caso. O brocardo jurídico "o direito não socorre aos que dormem" aplicase como uma luva ao presente caso. Afasto, portanto, a preliminar arguida. Segundo, manifestase a Contribuinte em contrarrazões no sentido de que a PGFN deveria ter manifestado, no seu recurso, insatisfação em relação a todas as matérias que lhe foram desfavoráveis na decisão proferida pela turma a quo. E, no caso, a PGFN interpôs recurso pedindo apenas pelo restabelecimento da multa isolada, quando deveria também ter apresentado protesto em relação a outras duas matérias variação cambial e reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins), razão pela qual se aplicaria o disposto na Súmula nº 283 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Sobre o assunto, primeiro há que se esclarecer que entendimento sumular proferido pelo STF (desde que não vinculante) não vincula o CARF (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF). Ademais, a súmula do STF trata da necessidade de se impugnar os fundamentos principais de uma determinada matéria. Ou seja, se o recurso, diante de uma decisão que apresenta, em relação a uma matéria, dois fundamentos principais, e discorre apenas sobre um deles, deverá ser não conhecido. Vale transcrever a jurisprudência sobre o assunto disponibilizada no sítio do STF: (...) 2. A ausência de impugnação específica de um dos fundamentos nodais do acórdão recorrido enseja o não conhecimento do recurso extraordinário, incidindo, o enunciado da Súmula n. 283 do STF, verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. 3. É que configura princípio básico da disciplina dos recursos o dever que tem o recorrente de impugnar as razões da decisão atacada, por isso que deixando de fazêlo, resta ausente o requisito de admissibilidade consistente na regularidade formal, o que à luz da Súmula n. 283/STF, conduz ao nãoconhecimento do recurso interposto. 4. Os princípios da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, da motivação das decisões judiciais, bem como os limites da coisa julgada, quando a verificação de sua ofensa dependa do reexame prévio de normas infraconstitucionais, revelam ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que, por si só, não desafia a abertura da instância extraordinária. Precedentes. 5. Agravo regimental a que se nega provimento." (AI 846446 AgR, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgamento em 13.9.2011, DJe de 27.9.2011). a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 888 11 Confundese a Contribuinte, ao entender que matéria e fundamento são a mesma coisa. No presente caso, são matérias autônomas a (1) variação cambial, (2) reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins e (3) multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. E tem a parte, com base nos princípios basilares do direito processual (art. 5º, inciso LV da Lei Maior), optar por apresentar recurso ou por não apresentar recurso. E, apresentando recurso, devolver a discussão de todas as matérias no qual foi sucumbente, ou devolver a discussão para o juízo ad quem de apenas uma matéria que considerou julgada insatisfatoriamente pelo juízo a quo. Afasto, portanto, a preliminar arguida pela Contribuinte. Enfim, protesta em contrarrazões pela aplicação da Súmula CARF nº 105 ao caso concreto: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. De fato, cabe apreciar a aplicação do entendimento sumular, vez que os lançamentos fiscais referemse aos anoscalendário de 2005 e 2006. Conforme sítio do CARF, os acórdãos paradigmas que fundamentam a redação sumular são os de nº 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; e 1803001.263, de 10/04/2012. Da leitura dos paradigmas, resta evidente que, além de tratarem de autuações relativas a fatos geradores anteriores ao anocalendário de 2007, quando foi alterada a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007), dispõem sobre situação em que se entende haver concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício. Vale transcrever a premissa expressa por um dos paradigmas (Acórdão nº 110200.748, efls. 1253 e segs. dos autos do processo nº 13884.003309/200518): No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. (grifei) Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 889 12 Isso porque se entendeu que a multa isolada e multa de ofício compartilhariam uma mesma materialidade, cognição do qual não compartilho, mas me rendo diante da interpretação vinculante da súmula em debate. A situação é aquela quando a Fiscalização identifica a infração tributária principal e faz uma nova apuração anual da base de cálculo que será objeto de lançamento de ofício do IRPJ ou da CSLL. E, ao refazer a apuração da base de cálculo, também faz ajustes na apuração mensal a título de suspensão/redução dos balancetes, e, caso se identifique tributo a pagar, apurase a base tributável de imposto por estimativa que deveria ser recolhido, a partir do qual se aplica o percentual para se calcular a multa isolada. Ocorre que a presente autuação não trata dessa situação. O lançamento fiscal resultado das infrações tributárias principais, (1) tributação da variação cambial ativa; (2) reversão de provisões para pagamentos a efetuar PIS e Cofins; (3) receita de juros sobre capital próprio recebido e não reconhecido no resultado do exercício e (4) inobservância do regime de competência no registro contábil de determinadas receitas de juros sobre capital próprio, que tomou como base valores não oferecidos à tributação pela Contribuinte, foi acompanhado apenas da multa de ofício. Por sua vez, o lançamento fiscal de multa isolada tomou como base de cálculo os valores já informados pela Contribuinte, no decorrer da ação fiscal, que não foram objeto de nova apuração da base de cálculo para determinação da autuação principal. Vale transcrever o que diz a autuação fiscal: Em atendimento ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 008, o contribuinte justificou as diferenças apontadas nas bases de cálculo dos pagamentos mensais do IRPJ e CSLL, afirmando que efetivamente utilizou o regime de estimativa para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005. Afirmou também que houve um equívoco de informação no preenchimento da DIPJ 2006 (anocalendário de 2005), pois assinalou que o quadro que indica "base em balanço ou balancete de suspensão ou redução", quando deveria ter sido indicado o quadro de "estimativa com base na receita bruta e acréscimos"), (fl. 115). Enfatizamos que a resposta relato o ano de 2004, contudo o que ocorreu foi um erro de digitação, pois a Intimação e as bases de cálculo das estimativas fornecidas pelo contribuinte referemse ao anocalendário de 2005. O contribuinte forneceu as planilhas relativas às bases de cálculo usadas para recolhimento das estimativas mensais do anocalendário de 2005 e novembro e dezembro de 2006, (fls. 122/126). Comparamos as planilhas relativas às bases de cálculo fornecidas pelo contribuinte com os valores lançados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, código receita IRPJ 231901 e CSLL 246901 dos anos calendário de 2005 e 2006, (fls. 185/196) e identificamos as seguintes divergências que resultaram no lançamento da multa de ofício isolada (...). Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 890 13 Observase, com clareza, que a base de cálculo da multa isolada tomou como base resultados informados pela Contribuinte em momento anterior à nova apuração da base de cálculo efetuada pela Fiscalização ao efetuar os lançamentos de ofício. E a multa foi aplicada sobre a diferença entre o valor informado pela Contribuinte e o valor confessado em DCTF, precisamente a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, valores apurados antes dos ajustes efetuados pela autoridade autuante para determinar a base de cálculo dos lançamentos de ofício das infrações tributárias (1) tributação da variação cambial ativa; (2) reversão de provisões para pagamentos a efetuar PIS e Cofins; (3) receita de juros sobre capital próprio recebido e não reconhecido no resultado do exercício e (4) inobservância do regime de competência no registro contábil de determinadas receitas de juros sobre capital próprio. Evidente, portanto, que a base de cálculo da multa isolada, com base em valores informados e que não foram objeto do lançamento fiscal principal, não tem relação com a base de cálculo dos valores que não foram declarados e, por isso, foram objeto do lançamento fiscal principal. O esquema gráfico a seguir ilustra a diferença: Portanto, a autuação relativa a multa isolada tratada nos presentes autos encontrase fora do escopo tratado pela Súmula CARF nº 105: Objeto da Autuação Objeto da Autuação Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Valores Declarados e que não foram objeto de lançamento fiscal do principal Incidência da Penalidade Incidência da Penalidade Multa de Ofício Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal Autuação Fiscal Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal e Multa de Ofício Premissa dos acórdãos paradigmas da Súmula nº 105 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 891 14 Nesse sentido, afasto a aplicação da Súmula CARF nº 105. Passo ao exame do mérito do recurso especial. Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a Objeto da Autuação Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Valores Declarados e que não foram objeto de lançamento fiscal do principal Incidência da Penalidade Multa de Ofício Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal Escopo da Súmula Autuação Fiscal Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 892 15 aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 893 16 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada. No caso concreto, diante do cotejo efetuado pela autoridade fiscal, no qual restou comprovado que foram confessados em DCTF apenas parte do valor informado a título de estimativa mensal, a diferença foi objeto do lançamento fiscal. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 894 17 Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.913660/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 36 60 /2 00 9- 96 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 406 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 03046.120 (fls. 161 a 164), de 24 de novembro de 2011, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo a negativa em homologar a compensação requerida por entender que não há crédito a ser pleiteado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Cuidam os autos de Dcomp, débito próprio de Cofins, março/2007, com crédito de pagamento a maior também da Cofins, referente a janeiro/2007. Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Informou o valor da Cofins referente a janeiro/2007, quando preencheu a DCTF original, em valor superior ao devido, R$ 143.153,96, quando o correto é R$ 113.116,29; Retificou a DCTF, embora após o recebimento do Despacho Decisório; O parágrafo 2º do art. 147 do CTN autoriza a retificação de ofício, caso a autoridade administrativa não reconheça a retificadora apresentada. Assim, em homenagem aos princípios da legalidade e da verdade material, vez que demonstrado a existência de pagamento a maior, requer a homologação integral da compensação. Tendo em vista a negativa do referido Acórdão o Contribuinte apresentou, em 10 de maio de 2012, Recurso Voluntário (fls. 170176) visando o reconhecimento do crédito alegado e a homologação integral da compensação realizada. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 28 de maio de 2014, converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 3102000.314 (fls. 187 a 189). O Contribuinte, por sua vez, apresentou Manifestação ao Termo de Diligência (fls. 316 a 319), em 21 de março de 2016, argumentando que foram anexados documentos que confirmarão o solicitado em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 170 a 176), de 10 de maio de 2012, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 03046.120, de 24 de novembro de 2011, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 407 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 Compensação – Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Observase nos autos do processo que o Contribuinte pleiteou compensação de crédito por pagamento a maior relativamente a COFINS, por ter havido, segundo ele, erro de preenchimento da DCTF. O Contribuinte alega que houve a retificação da DCTF, em 11 de novembro de 2009, para que fosse corrigido o suposto erro. Porém o Acórdão ora recorrido trouxe entendimento diverso àquele que manifestara o Contribuinte. Nos seguintes termos (fls. 162 a 164): A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Como se vê na síntese do relatório, a contribuinte argumenta que tem crédito de pagamento a maior de Cofins, porque o valor devido daquela contribuição é menor do que recolheu e que informou isso em DCTF retificadora. Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Examinandose os autos, verificase que a Decomp não foi homologada porque o pagamento relacionado foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na Dcomp. Na manifestação de inconformidade a contribuinte se restringe a afirmar que retificou a DCTF, sem nada juntar aos autos que comprove aquele valor apurado em DCTF retificadora. Assim, como a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos, a compensação declarada pelo sujeito passivo não pode ser homologada, porque o crédito referente a pagamento a maior não está comprovado e, portanto, não existe. Nesse sentido, o artigo 170 do CTN assevera que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo, “in verbis”: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 408 4 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Negritei). Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar No tocante à retificação de declarações de imposto e contribuições, alguns pontos merecem ser destacados: “Ad argumentandum”, sendo a Declaração de Imposto de Renda instrumento de apuração e afirmação do valor devido do crédito tributário, a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único). Neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp, a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, a comprovar o crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública, não há como reconhecer o crédito reclamado e, em consequência, homologar a declaração de compensação. Ademais, a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Vejase, “in verbis”, a legislação que trata da retificação de declaração, CTN147: O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Finalmente, cabe registrar que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341 /2011, “verbis”: São deveres do julgador: I ao IV omissis; e V – observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 409 5 Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter a decisão de não homologação da compensação declarada. Inconformado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 170 a 176) para que seja reformada a referida Decisão da 4º Turma da DRJ/BSB, argumentando que de fato existe crédito a ser compensado, conforme trecho do referido recurso (fl. 172): 2.2. Todavia, cabe destacar, o crédito de fato existe conforme documentos colacionados aos autos, nos quais identifica pagamento de DARF no valor original total de R$ 143.153,96, juntamente com a DCTF Retificadora que apurou COFINS no valor de R$ 113.116,29, apurandose o saldo utilizado na compensação no valor de R$ 30.037,67 para quitação do débito da Contribuinte. Houve ainda, no citado recurso, a juntada de DACON que, segundo o Contribuinte, “reforça a comprovação do valor da COFINS apurada (R$ 113.116,29)” (fl. 174). Por sua vez a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, ao analisar o Recurso Voluntário interposto, converteu o julgamento do processo em diligência, por meio da Resolução nº 3102000.314 (fls. 187 a 189), de 28 de maio de 2014, contendo o voto o seguinte teor: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de COFINS em virtude de ter declarado, equivocadamente, valor a maior do que o devido em DCTF. Para demonstrar o seu direito, instrui sua Manifestação de Inconformidade com o DARF indevidamente recolhido, planilha de “demonstrativa” do crédito COFINS que aponta o valor do crédito e a sua utilização para compensação da COFINS do mês seguinte, bem como DCTF’s originais e retificadoras. A autoridade recorrida entendeu que, independentemente retificação das DCTF’s após o despacho decisório, o direito creditório não pode ser chancelado pela ausência de provas efetivas do indébito Neste ponto, entendo que não assiste razão a autoridade recorrida. Em primeiro lugar, resta evidente que a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Ademais, a lide estava centrada na vinculação do crédito a débitos confessados em DCTF. Dentro desse limite, a impugnação preencheu todos os requisitos legais e enfrentou todos os argumentos utilizados para negativa do direito de crédito. Assim, a exigência de demonstração efetiva do erro que levou ao surgimento do indébito é matéria superveniente, enfrentada pela recorrente no recurso voluntário com a apresentação de documentos para justificar o indébito que podem e devem ser analisadas por este colegiado nos termos do art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72. Superada essa questão, analisando os documentos trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário verifico que no mês de janeiro de 2007, a recorrente declarou COFINS superior a apurada, como demonstra a DACON juntada aos autos. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Neste contexto, verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do tributo, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 410 6 MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se a Recorrente efetivamente procedeu ao recolhimentos da COFINS a maior no mês de janeiro de 2007, bem como se o referido valor é suficiente para homologar a compensação declarada. Nesse sentido foi apresentado Relatório de Diligência (fls. 297 a 308), em 15 de fevereiro de 2016, contendo o seguinte teor no resumo da análise documental: 42. O exame dos documentos relacionados nos parágrafos anteriores (itens 1 a 6) encontrase sintetizado no seguinte quadro: 43. Assim, tendo em vista a confirmação do montante de R$ 19.166,67, demonstrado no parágrafo anterior, aceito como sendo o total da despesa de aluguel comprovada, referente a janeiro de 2007, temse a seguinte recomposição do cálculo do crédito da Cofins: Ficha Linha Rubrica R$ Origem do valor 16A 2 Bens Utilizados como Insumos 76.924,83 DACON 16A 3 Serviços Utilizados como Insumos 40.260,70 DACON 16A 4 Despesas de Energia Elétrica 145.944,75 DACON 16A 5 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica 19.166,67 DILIGÊNCIA Item Documentos Avaliação Despesa de aluguel admitida (Jan/2007) 1 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ARMAZÉM GRANELEIRO E EQUIPAMENTOS DE ENTREPOSTO DE RECEPÇÃO DE GRAOS E ADITIVOS Endereço do imóvel não especificado 0,00 2 CONTRATO DE SUBLOCAÇÃO DE ARMAZÉM GERAL Comprovado e contabilizado 19.166,67 3 DISTRATO DE CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ARMAZÉM GRANELEIRO Ausência do contrato 0,00 4 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL COM ADITAMENTO Endereço e município do imóvel não especificados 0,00 5 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL Endereço e município do imóvel não especificados 0,00 6 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL Não vigente em janeiro/2007 0,00 TOTAL 19.166,67 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 411 7 16A 8 Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil 4.117,45 DACON 16A 9 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Encargos de Depreciação) 5.566,84 DACON 16A 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Valor de Aquisição) 4.401,56 DACON 16A 12 Devoluções de Vendas Sujeitas à Alíq. de 7,6% 3.552,16 DACON BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO 299.934,96 DILIGÊNCIA CRÉDITO 7,60% 22.795,06 DILIGÊNCIA 44. A seguir a demonstração da apuração da Cofins devida (após o desconto do crédito calculado no parágrafo anterior) e o confronto com o respectivo pagamento: Id. Rubrica R$ A TOTAL DA COFINS APURADA NO DACON (Ficha 17A, Linha 03, Coluna Contribuição – fl. 134 175.184,14 B CRÉDITO CALCULADO NA DILIGÊNCIA (Quadro: Recomposição do Crédito da Cofins – Diligência) 22.795,06 C COFINS DEVIDA [(A) (B)] 152.389,08 D PAGAMENTO EM 16/02/2007 (Cópia autenticada do DARF – fl. 40) 143.153,96 45. Por fim, como se pode ver não há crédito de pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, na verdade, o pagamento em tela (R$ 143.153,96) foi insuficiente para quitar o débito da Cofins devida, apurada em diligência (R$ 152.389,08). Portanto, o Relatório de Diligência trazido aos autos entende que não houve pagamento a maior de COFINS por parte do Contribuinte referente a janeiro de 2007 e conclui (fls. 308): Diante do exposto, em atenção aos questionamentos constantes na Resolução nº 3102000.314 (fls. 187/189), informo que não houve recolhimento a maior da COFINS no mês de janeiro de 2007 e, consequentemente, não existe crédito para homologar a compensação declarada na DCOMP nº 30626.66755.190407.1.3.04 0836. O Contribuinte, por sua vez, apresentou tempestivamente, em 21 de março de 2016, Manifestação ao Termo de Diligência (fls. 316 a 319), visando comprovar a existência do alegado crédito a ser compensado. Nesse manifesto cabe citar alguns trechos para melhor ilustrar o objeto da controvérsia: 1.Conforme exarado no item 1 do r. Relatório, o AFRFB constatou em diligência que “De acordo com o contrato fornecido (...) é impossível identificar o imóvel (...). Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 412 8 2. Todavia, tal afirmação se trata de um descuido da contribuinte ao redigir o contrato de locação (doc 01), pois o endereço do imóvel objeto da locação e o legítimo proprietário se encontram na qualificação da locadora, ou seja, na primeira página do contrato, motivo pelo qual não acharam necessário repetir tal informação na “Cláusula Primeira: Objeto” (...). 4. Com relação ao ítem 3 do r. Relatório, o AFRB constatou em diligência que “Embora o contribuinte tenha apresentado o RELATÓRIO DE APROPRIAÇÕES – Aluguel (fl. 240), não forneceu o objeto do distrato (...). Todavia, a contribuinte não conseguiu localizar o contrato de locação do imóvel, por se trata de documento muito antigo. 5. Conforme exarados nos itens 4 e 5 do Relatório em tela, o AFRFB afirma ser impossível identificar os imóveis apesar do detalhamento e das características, pois não constam os endereços e os proprietários dos mesmos. No entanto, tal afirmação se trata de um descuido da contribuinte ao redigir os contratos de locação (doc. 02), pois o endereço dos imóveis objeto da locação e os legítimos proprietários se encontram na qualificação da locadora, ou seja, na primeira página do contrato (...). 6. Com relação ao item 6. Do r. Relatório, o AFRB constatou em diligência que “Tendo em vista que não consta documento algum que expressamente manifeste a intenção de continuidade do contrato, não há evidência de que o contrato tenha sido prorrogado para data posterior a 31/12/2006”. 7. Dessa forma, seguem em anexo (doc. 03) “ADITIVO CONTRATUAL” que consta no item 2.1. que a “locação celebrada tem vigência prorrogada até o dia 31 de dezembro de 2007” (...). (grifouse). Assim, considerando o Relatório de Diligência e a Manifestação do Contribuinte ao referido relatório com a juntada dos documentos passo a decidir. Quanto aos itens 1, 4 e 5 do Relatório de Diligência, por entender que se tratam de erros formais o não preenchimento adequado dos contratos, e por ser possível a identificação dos imóveis e das partes envolvidas na primeira página dos contratos, voto, em nome da verdade material pelo provimento ao recurso no que tange a estes itens. Na mesma direção dáse provimento ao recurso quanto ao item 6 do Relatório de Diligência pela comprovação do alegado pelo Contribuinte quando da juntada do aditivo contratual (doc. 03). No que se refere ao item 3, a simples alegação por parte do contribuinte de que "não conseguiu localizar o contrato de locação do imóvel, por se tratar de documento muito antigo ", não é satisfatória e não faz prova do direito alegado. Neste item voto por manter a decisão ora recorrida. Em conclusão: De acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, negando provimento quanto ao item 3 do Relatório de Diligência e dando provimento aos itens 1, 2 (comprovado pela diligência), 4, 5 e 6 do Relatório, necessitando, com essa decisão, que sejam recalculados os valores para apurar se há pagamento devido ou a maior. Valcir Gassen Relator Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 413 9 Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934539/2009-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.546
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.934539/200984 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.546 – 3ª Turma Sessão de 7 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 45 39 /2 00 9- 84 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.914, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 693DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000967/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 SIGILO BANCÁRIO. OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRO. Não são oponíveis à legítima competência fiscalizadora, alegações de sigilo bancário mormente tratar-se de pessoa jurídica que tem obrigação legal de registrar e apresentar todos os elementos de suas operações e apresentou sem resistência a maior parte dos extratos bancários da atividade. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. NULIDADES. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 08, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF n° 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 SIGILO BANCÁRIO. OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRO. Não são oponíveis à legítima competência fiscalizadora, alegações de sigilo bancário mormente tratarse de pessoa jurídica que tem obrigação legal de registrar e apresentar todos os elementos de suas operações e apresentou sem resistência a maior parte dos extratos bancários da atividade. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. NULIDADES. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 08, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF n° 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 325 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório CARGO JAGUAR TRANSPORTES E SERVIÇOS RODOVIÁRIOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de autos de infração lavrados em decorrência de ação fiscal direta, exigindo da contribuinte o crédito tributário no valor de R$ 916.015,34 (novecentos e dezesseis mil, quinze reais e trinta e quatro centavos), referentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Real CSLL e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS. No TERMO DE CONSTATAÇÃO estão relatados os fatos apurados, assim resumidos (fls. 57 a 65): Das informações obtidas sob o amparo do art. 11, § 2º da Lei n° 9.311, de 1996, foi constatado que a empresa fiscalizada movimentou recursos financeiros durante o ano de 2004 oriundos de créditos efetuados em suas contas correntes bancárias mantidas nas seguintes instituições: Banco Rural S/A, conta corrente 060001877; Banco Bradesco S/A, conta corrente 3891; HSBC Bank Brasil S/A, conta corrente 19021991090; União de Bancos Brasileiros S/A, contas correntes 2032676 e 2085070. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 326 3 Por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 18/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar os extratos das contas bancárias e, tendo em vista o não atendimento, a intimação foi reiterada em 23/03/2008. Diante da apresentação de parte, somente, dos extratos referentes às contas correntes mantidas no Banco Rural e no Unibanco, houve requisição de tais documentos junto às instituições bancárias, nos termos do inciso I do art. 33, da Lei n° 9.430, de 1996, com base nos arts. 2° e 3% inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001. A fiscalizada recebeu cópia dos documentos, que integram o volume Anexo I. A empresa foi também intimada a apresentar sua escrituração contábil ou livro Caixa, em 18/02/2008 e 17/03/2008, mas não atendeu à intimação. Intimada, ainda, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas correntes durante, o ano de 2004 (fls. 43 a 54), recursos esses que totalizaram R$ 4.541.398,85, não houve resposta. A fiscalizada informou, para o ano de 2004, receitas no montante de R$ 70.853,12, na DIPJ, e nas DCTF constam apenas informações relativas aos 3° e 4° trimestres. Os recolhimentos efetuados para o período referemse às receitas informadas na DIPJ, mas não há recolhimentos de IRPJ e CSLL referentes aos 1° e 2° trimestres. Não comprovada a origem dos créditos verificados em suas contas incompatíveis com as receitas declaradas na DIPJ e nas DCTF, caracterizase a omissão de receitas, em virtude da disponibilidade de recursos não declarados. Os valores declarados não podem ser considerados contidos nos valores apurados pelas movimentações bancárias, tendo em vista que a fiscalizada não comprovou a origem dos recursos creditados em suas contas correntes e não apresentou sua escrituração contábil, inviabilizando a correlação entre tais valores. Os valores mensais extraídos dos documentos de fls. 43 a 54, creditados: • Janeiro R$ 70.837,78 • Fevereiro R$102.357,31 • Março R$159.261,48 • Abril R$203.882,48 • Maio R$219.428,10 • Junho R$255.083,03 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 327 4 • Julho R$ 345.623,53 • Agosto R$ 485.174,02 • Setembro R$ 516.511,40 • Outubro R$ 657.505,14 • Novembro R$ 610.083,15 • Dezembro R$ 915.651,43 Embora tenha optado pela sistemática do Lucro Presumido, a fiscalizada não atendeu ao preconizado no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, de 1999 (Decreto n ° 3.000, de 1999), ficando sujeita à apuração do lucro pelo arbitramento, nos termos do art. 530 do RIR, em especial o inciso III. A multa aplicada é majorada tendo em vista que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos, retardando o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964). A acentuada diferença entre os créditos bancários de origem não comprovada e as receitas declaradas caracteriza, em tese, omissão intencional de receitas. A existência de créditos bancários sem que haja a respectiva apresentação à tributação caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, definido no art. 1° da Lei nª 8.137, de 1990, razão pela qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o n° 15983.000968/200852. Foram lavrados autos de infração exigindo os seguintes créditos tributários (em R$): IRPJ (fls. 02 a 08): (…); PIS (fls. 09 a 16): (...); COFINS (fls. 17 a 24): (...); CSLL (fls. 25 a 31): (…). Tendo tomado ciência dos autos de infração em 29/09/2008, a contribuinte protocolizou, em 28/10/2008 (processo n° 12670.001821/200815, anexado) a impugnação, anexada às fls. 192 a 207, subscrita por seu procurador (fls. 210 a 217), com as alegações resumidas a seguir. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 328 5 Preliminarmente: Afirma que o ato exarado pelo agente fiscal, que não é contador habilitado regularmente inscrito no CRC, não pode subsistir, cabendo sua anulação. Como evidência da incapacidade jurídica do agente, seu trabalho não teria eficácia administrativafiscal nem validade jurídica, entendimento já adotado pelo Supremo Tribunal Federal (RTJ 75/524 e 105/1.118). Entende que o auto de infração baseouse em documentação obtida por meios ilegítimos, por não ter havido autorização judicial para a quebra do sigilo bancário da contribuinte, a teor do disposto no art. 1% caput, da Lei n° 9.296, de 1996. Transcreve ementas e trechos de decisões judiciais. grifamos Acrescenta que nem teve oportunidade de acesso a tal documentação, caracterizando, novamente, cerceamento de defesa. Não pôde verificar os documentos bancários e, portanto, não os reconhece como válidos. Alega que o lançamento chocase com o princípio constitucional da legalidade estrita, ou tipicidade fechada, que a suposta omissão de rendimentos não poderia ser considerada renda, tributável pelo imposto previsto no art. 153 da Constituição Federal, cujo fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, mormente se for considerado que a receita líquida tributável tem de considerar as deduções e abatimentos a que faz jus. A impugnante diz que não se pode erigir em fato gerador do imposto o mero desatendimento a intimações para apresentação de extratos bancários, nem lançar tributo com base em sinais exteriores de riqueza, cuja aferição depende de critérios subjetivos, não descritos tipicamente em lugar algum. Afirma que o próprio Auto remete ao § 2° do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê aumento em 50% da multa no caso de sujeito passivo que desatende a intimações para prestar informações, e não, arbitramento unilateral sobre valores que não representam a renda líquida. Complementa que não se pode erigir em fato gerador o mero trânsito de valores por contas de titularidade do contribuinte, com base em desatendimento a intimação. Menciona que o Mandado de Procedimento Fiscal havia expirado quando da lavratura do auto de infração, porquanto, emitido em 18/02/2008, teria validade de 120 dias, e a autuação ocorreu em 29/09/2008, o que seria mais um motivo para a anulação pretendida. No mérito: Por iniciativa própria, tendo em vista erros e descontroles na contabilidade, denunciou o estouro de suas receitas, requereu a sua exclusão do SIMPLES e o arbitramento dos valores devidos. Houve, assim denúncia espontânea, não havendo que se falar em cobrança de multa e configuração de dolo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 329 6 O arbitramento fiscal com base nos extratos bancários não é fato gerador de imposto de renda; depósito não é sinônimo de renda, que seria, de forma simplista, receitas menos despesas. O lançamento não considerou os débitos havidos nas contas correntes cujos créditos pretende tributar. Transcreve Resolução sumulada no IX Simpósio Nacional de Direito Tributário sobre Presunções no Direito Tributário e ementa de decisão do Superior Tribunal de Justiça proferida no Recurso Especial n° 71.974/SP, a Súmula 182 do extinto TFR, e observa que o próprio Poder Executivo promulgou o Decretolei n° 2.471, de 01/09/1988, que em seu art. 9º prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que se basearam valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Ao final requer que o inteiro teor da decisão seja comunicado à impugnante, no endereço de seu advogado subscritor da impugnação. Encontrase apensado ao presente o processo de Representação Fiscal para Fins Penais, n° 15983.000968/200852. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1620.472, de 18 de fevereiro de 2009 (fls. 263/277), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto á instituição financeira, se a contribuinte, regularmente intimada, não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. A falta de escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou do livro Caixa, para os optantes pela tributação pelo lucro presumido, enseja o arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração lavrado por servidor competente, com preenchimento dos requisitos exigidos nas normas do Processo Administrativo Tributário, não é nulo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao lançamento principal aplicase, naquilo em que for cabível, aos lançamentos decorrentes, de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 330 7 contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ciente da decisão em 09/03/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 282), apresentou o recurso voluntário em 25/03/2009 fls. 283, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício em virtude do qual foram lavrados os autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pela constatação de omissão de receitas por depósitos bancários sem origem e arbitramento do lucro do ano calendário 2004. Alega o recorrente em síntese: a) inabilitação técnica do agente fiscal; b) ausência de suporte procedimental ao auto de infração – “não houve a indispensável e necessária autorização judicial para quebra do sigilo bancário a teor do disposto no art. 1º, caput, da Lei 9.296/96”, sendo ilegal e ilegítima a requisição dos extratos bancários por parte da autoridade administrativa; c) ilegalidade e inconstitucionalidade do lucro arbitrado, pois o lançamento chocase com o principio constitucional da legalidade estrita, ou tipicidade fechada (CF 88, art. 150, I) e ausência de disponibilidade econômica e jurídica de renda cfe. art. 153 da CF; d) O prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; e) Que não houve dolo pois a própria contribuinte denunciou sua exclusão do SIMPLES e houve denúncia espontânea, não havendo que se falar em cobrança de multa; f) Ilegalidade de presumirse depósito bancário como renda para fins, de enriquecimento ilícito; A decisão de primeira instância não merece reforma. Com efeito, as diversas alegações da recorrente foram devidamente rebatidas na bem lançada decisão de primeira instância, ao qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 331 8 Com relação a incompetência do Auditor Fiscal da Receita Federal para proceder ao exame da escrituração e efetuar o lançamento dos tributos devidos, incide a Súmula CARF nº 08: Súmula CARF n° 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. No que tange a supostas irregularidades no Mandado do Procedimento Fiscal (MPF) já deixou patente a decisão de primeira instância que o mesmo representa mero documento de controle da atividade administrativa, não tendo o condão de inquinar de nulidade o procedimento fiscal. No que se refere a suposta falta de suporte procedimental é de se ver que ao contrário do que afirma a recorrente, houve concordância e entrega parcial dos extratos bancários, evidenciando não ter havido resistência ou discordância no acesso da autoridade fiscal a movimentação bancária. O fato de que a autoridade fiscal tenha complementado as informações fornecidas mediante requisição de outros extratos (HSBC e Bradesco) não desnatura o fato de que a própria contribuinte forneceu os extratos e não opôs qualquer óbice a sua utilização pela autoridade fiscal. Por outro lado, considerando que as pessoas jurídicas devem obrigatoriamente registrar todas as suas operações e também corroborar a sua escrituração com todos os documentos que podem ser examinados pela autoridade fiscal competente, não tem sentido invocar supostos direitos e garantias em detrimento da legítima competência das autoridades fiscais. Em resumo, as pessoas jurídicas não podem licitamente rejeitar o exame de sua escrituração e a apresentação de todos os documentos que obrigatoriamente devem compor a sua escrituração contábil e fiscal. Por derradeiro, totalmente inaplicáveis as disposições da Lei nº 9.296/96, que trata do sigilo das comunicações telefônicas não tendo relação com o sigilo bancário que é regulado nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. Por outro turno, após o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não há nenhum óbice em quantificar a omissão de receitas com base nos depósitos/créditos bancários não sendo necessária qualquer comprovação de gastos ou dispêndios, conforme dicção da Súmula CARF nº 26: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com relação a supostas inconstitucionalidades acerca da requisição dos extratos bancários por parte da autoridade administrativa competente, esta seguiu rigorosamente os ditames prescritos pelas normas processuais tributárias contidas na Lei Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000967/200816 Acórdão n.º 180301.381 S1TE03 Fl. 332 9 Complementar nº 105/2001, sendo incompetente o CARF apreciar quaisquer alegações neste sentido, conforme preconiza a Súmula CARF nº 02: Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por derradeiro, verificase verdadeiro devaneio afirmar que houve qualquer denúncia espontânea, sendo correta a multa qualificada de 150%, aplicada com base no art. 71 da Lei 4.502/64, onde a magnitude da omissão (R$ 4.541.398,85) ante as receitas declaradas (R$ 70.813,12) e a absoluta ausência de registro das operações, acompanhada da habitualidade ao longo do ano calendário 2004, retiram o caráter de eventualidade ou acidentalidade no procedimento da contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa e efeito, também em relação aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001413/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL.
Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 3302-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL. Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 13 /2 00 3- 10 Fl. 1198DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração, opostos pela Fazenda Nacional, que afirma haver contradição no acórdão embargado com fundamento na existência de erro material. Do despacho de admissibilidade, fls. 1195/1196, extraise síntese que aclara os fatos: A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória, por haver erro material no acórdão, e o referido erro tornar contraditória a proclamação do resultado. Para melhor visualizar a extensão do provimento transcrevo abaixo excertos do Embargo de Declaração: 1. Temse acórdão da r. Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 583), em sede de recurso voluntário, em que foi reconhecida a decadência do lançamento de PIS/Pasep na forma do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. 2. A ementa do julgamento, seguida do dispositivo, proclamam: " PIS. DECADÊNCIA. O prazo para constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a homologação finda 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador." (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em I) dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. 3. O período apurado é de janeiro a dezembro de 1998. 4. Examinando o teor do acórdão, observase que o voto vencido é no sentido de reconhecer a decadência de janeiro a abril de 1998. A decisão foi tomada por maioria de votos porque os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, José Antonio Francisco e Adriana Gomes Rego entenderam que não houve decadência. 5. O voto vencedor acompanhou a mesma orientação do voto vencido no que diz respeito à decadência (jan/abr 1998). Entretanto, e possivelmente por mero equivoco da ilustre Conselheira designada para redigir o voto vencedor, consta ali a orientação de reconhecer a decadência relativa "aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a marco de 1996". 6. Com a devida vênia, entende a Fazenda Nacional que o acórdão ora recorrido padece, na parte da proclamação do resultado do julgamento, de erro material. 7. Notem, d. julgadores, que o referido erro material, torna contraditória a proclamação do resultado. (...) É o relatório. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.001413/200310 Acórdão n.º 3302003.714 S3C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 1194, pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Contradição Erro material A Fazenda Pública aponta erro material, o que leva a contradição entre a fundamentação do acórdão e a proclamação do resultado no que concerne à decadência. Ao analisar o referido acórdão, assiste razão a Embargante. Às fls. 1176, relator Antonio Mario de Abreu Pinto, vencido no que concerne ao juros de mora, mas vencedor no que atine à decadência, decidiu, in verbis: Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar: a) a exclusão do credito tributário relativo aos meses de apuração de janeiro a abril de 1998, ante a decadência operada; e Do voto vencedor em relação aos juros de mora, relatora Josefa Maria Coelho Marques, fls. 1178, extraise que: No mais, acompanho o ilustre ConselheiroRelator. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. E da proclamação do resultado, temse que, fls. 1170: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação as fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, Antonio Carlos Atulim e Jose Antonio Francisco, que não reconheciam a decadência; e II) em negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto (Relator), Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluiam os juros de mora. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte. Fl. 1200DF CARF MF 4 Diante do visível erro material, devese retificar tanto o voto da conselheira Josefa Maria Coelho Marques, quanto a proclamação do resultado. Nesse sentido, onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1998. Tanto em relação ao voto da conselheira, quanto na proclamação do resultado. 3. Conclusão Por todo o exposto, acolhemse os presentes embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a março de 1998. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 1201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001717/2005-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA.
A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso.
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-001.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário
de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000, nos termos do
relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 DECADÊNCIA. PRECEITO DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. RECURSO. MATÉRIA PRECLUSA. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 259DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 227 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 228 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 155): Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 124.120,30, em virtude da constatação de omissão de receitas, caracterizada pela apuração de saldo credor de caixa no anocalendário 2000. Cientificada da exigência em 06/06/2005 (AR à fl. 82), a empresa autuada, por seu procurador, apresentou a impugnação de fls. 84/115 em 01/07/2005, na qual alega, em síntese, o que segue: “Preliminarmente, cabe repudiar a aplicação da penalidade baseada em valores levantados por amostragem, o que evidencia ‘presunção’, que não pode embasar a autuação fiscal”. Nesse sentido, colaciona jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes que corrobora a sua tese. No mérito, inicialmente discorre sobre a legislação que trata da incidência da Cofins, alegando a sua inconstitucionalidade, por ferir diversos dispositivos e princípios inseridos na Carta Maior de 1988, entre os quais destaca: ofensa ao art. 246, que trata das limitações à edição de medidas provisórias; extensão indevida do conceito de receita bruta, ao instituir a contribuição sobre o faturamento; violação ao art. 150, IV, que veda o confisco; e ofensa ao princípio da isonomia, ao prever tratamento diferenciado para contribuintes em situações idênticas, como é o caso da Cofins nãocumulativa. No que tange à multa de ofício, alega que o percentual é abusivo e destoa dos valores normalmente cobrados a título de mora, o que caracteriza o confisco. Alega, também, que a cobrança de juros pela taxa Selic é ilegal e inconstitucional, pois foi criada por circulares do Bacen, embute correção monetária, juros remuneratórios e compensatórios, e já foi condenada pelo Superior Tribunal de Justiça. Colaciona jurisprudência judicial e excertos doutrinários que iriam ao encontro de sua tese. Ao final, aduz que os tribunais administrativos não podem se furtar a reconhecer a ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas que não se coadunam com a Constituição Federal, solicitando sejam considerados improcedentes os lançamentos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 153 e 154): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 261DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 229 4 Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Regular é a presunção de omissão de receitas a partir de indícios que denotam a manutenção de recursos à margem da contabilidade, inexistindo qualquer prejuízo à exigência se os fatos foram claramente expostos e as consequências tributárias estão regularmente previstas na legislação. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incidem juros de mora equivalentes à Selic, em relação aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio é devida no lançamento ex officio, em face de infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, não constituindo tributo, mas tratandose de penalidade pecuniária prevista em lei; o percentual de aplicação é previsto na legislação de regência, e é incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o dispositivo constitucional à espécie dos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 13/10/2008 (fls. 165verso), a tempo, em 12/11/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 206 a 220, instruído com os documentos de fls. 221 e 222, nele argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, houve lançamentos relativos a fatos geradores de janeiro de 2000 a junho do mesmo ano; Fl. 262DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 230 5 b) que, no entanto, o Auto de Infração somente foi lavrado em 06/06/2005, como consta no aviso de recebimento em fls. 82 do presente processo; c) que, assim, operouse, quanto a esses fatos geradores, o fenômeno da homologação tácita; d) que isso se opera não só em relação à Cofins e ao Pis, cuja apuração é mensal, mas também relativamente ao IRPJ e à CSLL, tendo em vista a antecipação do imposto operada no ano de 2000; e) que, assim, quanto a todos os créditos derivados de fatos geradores ocorridos até 6 de junho de 2000 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), é de se reconhecer a homologação tácita e a consequente decadência do direito do Fisco de lançálos, o que desde já se requer; f) que, no mérito, se outros elementos comprovarem que a empresa tinha recursos evidentemente disponíveis para os gastos suportados, incluindo a diferença de caixa, a presunção de omissão de receitas é ilidida; g) que a documentação constante dos autos (fluxo financeiro) faz prova irrefutável da disponibilidade de recursos em caixa para as aplicações feitas; h) que a sobra de recursos disponíveis para aplicação supera em muito os saldos credores indicados na conta caixa, tornando estes últimos quase que irrelevantes; i) que a documentação constante dos próprios autos ilide a presunção de omissão de receita, pois comprova cabalmente que a Recorrente declarou ter disponível muito mais recursos que aqueles aplicados, ainda que se somem os saldos credores da conta “caixa”; j) que, ao lado da conta contábil “caixa”, existe também a conta “bancos”, que deve ser considerada em conjunto; k) que a existência de um saldo bancário superior ao saldo negativo em caixa denota a existência de recursos suficientes para justificar a utilização daqueles valores; l) que, comprovado que a conta “bancos” suporta o suposto estouro de caixa, é necessário que isso seja levado em consideração; m) que a fiscalização, em vez de considerar somente o maior valor lançado como saldo credor de caixa no ano, fez operações matemáticas que resultaram no lançamento de um saldo credor maior que o ápice apontado no ano de 2000 (R$ 529.358,37, em outubro); n) que, assim, a rigor, apenas outubro de 2000 poderia ser considerado; o) que, no entanto, tendo em vista a decadência dos saldos existentes até junho do mesmo ano, a fiscalização deveria apenas diminuir de outubro o Fl. 263DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 231 6 saldo credor de R$ 153.385,00 (cento e cinquenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais) ocorrido em junho, lançando apenas a diferença encontrada; e p) que, se no decorrer do julgamento do presente Recurso Voluntário, for proferida ou emitida Resolução do Senado Federal ou qualquer outro ato que venha a reconhecer, erga omnes, a inconstitucionalidade da exigência de Pis e Cofins sobre receitas não operacionais, requerse, desde já, que sejam excluídos do lançamento efetivado pela fiscalização os valores correspondentes, incidentes sobre receitas da Recorrente que não resultem do comércio de artefatos de vidro, já que este constitui o objeto social da Recorrente. Em mesa para julgamento. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 232 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência 4. A decadência é um preceito de ordem pública, que independe, para sua constatação, de a parte interessada apontála na Impugnação ou no Recurso. 5. Observase, de início, que, para o exercício de 2001, a opção de forma de tributação da Recorrente foi pelo Lucro Presumido (fls. 7), o qual possui fatos geradores trimestrais. Também se verifica, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) respectiva, a apuração de impostos e contribuições a pagar (fls. 9 a 24), exceto no tocante ao Pis e à Cofins do mês de janeiro de 2000 (fls. 13 e 19). 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 265DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 233 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 8. Por conseguinte, devem ser considerados decadentes o primeiro trimestre do anocalendário de 2000, para o IRPJ e a CSLL, e os meses de fevereiro a maio de 2000, para o Pis e a Cofins. Mérito 9. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 234 9 10. Na Impugnação apresentada (fls. 84 a 115), tratouse exclusivamente dos seguintes tópicos: “MULTA, TAXA SELIC, INCONSTITUCIONALIDADE DA COFINS e A POSSIBILIDADE DE SE ANALISAR INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO” (fls. 85) e, ainda, a “aplicação da penalidade baseada em valores levantados por AMOSTRAGEM” (fls. 86). 11. Nesse sentido, o seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 156): Observese, de pronto, que, mais uma vez, o impugnante não traz qualquer prova da origem dos recursos que suportariam os pagamentos contabilizados no anocalendário 2000, subsistindo a conclusão de que eles, na parte em que superam os recursos de caixa disponíveis, provêm de receitas omitidas, o que gerou os saldos credores de caixa apurados pela fiscalização. Aliás, o contribuinte acaba por, indiretamente, admitir a existência de omissão de receitas, na medida em que se limita a questionar, timidamente, a presunção utilizada, sem nada opor quanto aos fatos indiciários apontados pela Fiscalização. 12. De todo modo, o alegado fato de a sobra de recursos disponíveis para aplicação (fluxo financeiro) superar, em muito, os saldos credores indicados na conta caixa, não tem qualquer relevância, já que, lá, se trabalha com saldos de contas a receber, saldos bancários, valores de empréstimos e de aplicações financeiras, entre outros itens, e, aqui, apenas com a movimentação do caixa. 13. Não obstante o acima exposto, constatase a existência de erro na apuração do saldo credor de caixa (fls. 60), como segue: Mês Saldo Credor Mat. tribut. mensal Mat. tribut. trimestral janeiro 17.670,78 17.670,78 fevereiro 31.261,00 13.590,22 março 43.964,11 12.703,11 43.964,11 abril 11.810,26 maio 124.475,83 112.665,57 junho 153.803,00 29.327,17 141.992,74 julho 158.385,87 4.582,87 agosto 488.697,27 330.311,40 setembro 329.643,52 334.894,27 outubro 529.358,37 199.714,85 novembro 319.354,44 dezembro 199.714,85 720.565,97 720.565,97 14. Conforme se verifica acima, o total tributado (R$ 720.565,97) supera, em muito, o valor do maior saldo credor de caixa do período (R$ 529.358,37), o qual seria um método alternativo de apuração dessa omissão de receita. 15. Retificandose referido levantamento, temse a seguinte planilha (as diferenças estão em negrito): Fl. 267DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.001717/200510 Acórdão n.º 180301.026 S1TE03 Fl. 235 10 Mês Saldo Credor Mat. tribut. mensal Mat. tribut. trimestral janeiro 17.670,78 17.670,78 fevereiro 31.261,00 13.590,22 março 43.964,11 12.703,11 43.964,11 abril 11.810,26 maio 124.475,83 80.511,72 junho 153.803,00 29.327,17 109.838,89 julho 158.385,87 4.582,87 agosto 488.697,27 330.311,40 setembro 329.643,52 334.894,27 outubro 529.358,37 40.661,10 novembro 319.354,44 dezembro 40.661,10 529.358,37 529.358,37 Demais exigências 16. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para: 1) reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao primeiro trimestre do anocalendário de 2000; e do PIS e da COFINS, referentes aos meses de fevereiro a maio de 2000; 2) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 32.153,85, no segundo trimestre, e R$ 159.053,75 no quarto trimestre; 3) excluir da tributação do PIS e da COFINS o montante de R$ 159.053,75, no mês de outubro de 2000. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 268DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.002641/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
DILIGÊNCIA. RETORNO.DESNECESSIDADE.
Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO.
Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO.
A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL.
Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindo-se a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), vencidos também os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de pró-labore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabela que consta do voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributá-los como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votou no mérito, por não estar presente a esta sessão, tendo proferido seu voto, quanto à preliminar, na sessão de 20/01/2017.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado, na sessão de 20/01/2017).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DILIGÊNCIA. RETORNO.DESNECESSIDADE. Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência. PEDIDO DE PERÍCIA. Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO. A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindo-se a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), vencidos também os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de pró-labore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabela que consta do voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributá-los como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votou no mérito, por não estar presente a esta sessão, tendo proferido seu voto, quanto à preliminar, na sessão de 20/01/2017. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado, na sessão de 20/01/2017).
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RETORNO.DESNECESSIDADE. Considerando que a Auditora Fiscal já proveu os autos de informações suficientes para a análise do caso e tomada de decisão, desnecessária nova conversão do julgamento em diligência. PEDIDO DE PERÍCIA. Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 41 /2 00 4- 69 Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.877 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS DE VALORES EM CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Se comprovado pelo contribuinte que houve transferência de mesma titularidade, deve o valor do depósito bancário decorrente desta transferência ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RETORNO DE VALOR A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. Se comprovado pelo contribuinte que houve retorno de valor a titulo de empréstimo, sem ônus, deve o valor do depósito bancário ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AVISO DE CRÉDITO NÃO CARACTERIZA DE DEPÓSITO. A informação constante em extrato bancário denominada "aviso de crédito" não pode ser compreendida como depósito bancário, devendo este valor ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCERIA AGRÍCOLA. RECLASSIFICAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. Comprovado que os depósitos bancários são decorrentes de contrato de parceria agrícola, devem ser considerados estes como rendimentos provenientes de atividade rural, reduzindose a base de cálculo do IRPF para 20%, em relação aos rendimentos omitidos. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.878 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), vencidos também os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de prólabore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabela que consta do voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributálos como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) não votou no mérito, por não estar presente a esta sessão, tendo proferido seu voto, quanto à preliminar, na sessão de 20/01/2017. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado, na sessão de 20/01/2017). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.002641/200469, em face do acórdão da DRJ de origem, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Cons. Antonio Lopo Martinez, quando da Resolução nº 2202000.584, de 16 de julho de 2014, que assim os relatou: "Em desfavor da contribuinte, WILSON DISSENHA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física dos anos calendário 1999 a 2001 que resultou num crédito tributário no montante de R$ 49.094.154,78, sendo R$ 20.720.832,40 de Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.879 4 imposto, R$ 15.540.624,28 de multa de ofício, R$ 12.832.698,10 de juros de mora calculados até 29/10/2004, fls. 1116/1124. A fiscalização teve início em 09/02/04, fl. 07, com o Termo de Início de Fiscalização de fls. 04/05 no qual o fiscalizado foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios relativos às suas declarações dos anoscalendário 1999 a 2001 no prazo de vinte dias. A autoridade fiscalizadora encerrou os trabalhos em 30/11/2004, após várias intimações ao contribuinte e às instituições financeiras, com o Termo de Verificação e Ação Fiscal de fls. 1102/1115. No mesmo dia, foi lavrado o auto de infração de fls. 1116/1124 do qual o contribuinte foi cientificado em 30/11/2004, fls. 1128. O Auto de Infração apurou omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada com os fatos geradores de fls 1121/1123, todos com aplicação da multa de ofício de 75%. O contribuinte apresentou sua impugnação, em 17/12/2004, fls. 1131/1160, com os argumentos que passamos a relatar, em síntese, na ordem na qual foram insertos no documento de defesa. Inicia referindose ao princípio da legalidade tributária e concluindo que o contribuinte está vinculado à obediência da lei e nunca da força como é o caso de apurar tributo por meio de mera presunção, sendo que esta seria incapaz de ensejar a exigência de qualquer crédito tributário. Teria empenhado todos os esforços no sentido de obter cópias dos extratos bancários e de aferir toda a movimentação financeira neles constantes antes de submetêlos à apreciação fiscal. Com isso, pretendia expurgar as meras transferências de numerário entre as diferentes contas em seu nome. Nesse sentido, junta planilhas que demonstrariam que o montante da movimentação financeira seria de R$ 26.928.000,71 e não de R$ 75.348.481,44 como alegou a autoridade fiscal. Ressalta que mesmo quanto a esse valor não concorda com o lançamento pelos argumentos que seguem. Os depósitos bancários indicam uma movimentação financeira inflada, uma vez que valores depositados e depois sacados poderão, posteriormente, retornar para o mesmo contribuinte. Exatamente isso teria ocorrido quando da devolução de empréstimos para as empresas das quais o impugnante é acionista. Argumenta que o fisco, ao exigir comprovação dos depósitos, ignora o fato de as pessoas físicas não estarem obrigadas a manter contabilidade regular como no caso das pessoas jurídicas. A utilização de mera presunção para embasar o lançamento, estaria ferindo a lei, conforme doutrina e jurisprudência que colaciona. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.880 5 Seria, no seu entender, vedada presunção de tão desabusado te/or/quanto o que foi utilizado pela fiscalização. Estaria sendo exigido do contribuinte a produção de prova negativa que é, como se sabe, extremamente tormentosa. Junta jurisprudência sobre o ônus da prova do poder tributante e conclui, baseado nessas premissas, que o fisco deve valerse de autorização judicial para utilizar informações obtidas das instituições financeiras. Segue, então, com jurisprudência sobre o sigilo bancário para afirmar que nem mesmo sob a égide da LC 105/2001 podese admitir a quebra do sigilo bancário pelo fisco. Destaca que os atos autorizados ao Fisco pela LC 105/2001 não são atos administrativos discricionários constitucionalmente admissíveis por ofenderem direitos e garantias individuais. Depois de argumentar com a inafastabilidade do controle jurisdicional para os atos relativos à quebra de sigilo bancário, conclui que os extratos bancários são inócuos para a aferição da renda não declarada e que contrariam a lei. O lançamento estaria em desacordo com o art. 43 do CTN, uma vez que depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Multa de ofício A multa de ofício aplicada não seria razoável e proporcional conforme já vem decidindo o STF e o STJ. Taxa Selic Insurgese contra a aplicação da Taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. No seu entendimento, o art. 161 do CTN não ampara a aplicação de tal taxa como juros de mora devido ao fato da Taxa Selic ter caráter remuneratório. 12%. mora. Cita, também, o art. 192, §3° da Constituição que limita a cobrança de juros em Assim, protesta pela aplicação do percentual máximo de 1% como juros de Prova pericial e novos documentos; Requer, ao final, a produção de prova pericial e juntada de novos documentos. A DRJ julga a impugnação procedente a impugnação, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.881 6 PEDIDO DE PERÍCIA Não cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, deve ser desconsiderado o pedido de perícia eventualmente feito, conforme art. 16, § 1o do Decreto 70.235/72. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1 o da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titulada conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil/e/idônea, a origem dos recursos creditados em surf conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.882 7 Intimado em 06/09/2006, o sujeito passivo irresignado interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento foi apresentado o arrolamento de bens exigidos pelo artigo 33, §§ 2o e 3o , do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, com as alterações da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Na petição o recorrente apresenta considerações de defesa que, em apertada síntese, são a seguir expendidas: I nulidade da decisão de primeira instância que, ao invés de simplesmente indeferir as provas requeridas deveria ter permitido a ampla instrução probatória e a realização de perícia, e por não ter analisado todas as razões de defesa, deixando de se manifestar quanto à inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001; II nulidade do auto de infração, por ter sido quebrado o sigilo sem prévia autorização do Poder Judiciário; III impropriedade do auto de infração, vez que, a movimentação bancária jamais se traduziria em receita para justificar o lançamento; IV considerados os valores declarados como tributáveis acrescidos/diminuídos das variações patrimoniais ocorridas ano a ano, justificam a origem dos depósitos pelos respectivos montantes aferidos, bem como os valores efetivamente transferidos entre contas do mesmo titular, indicariam valores muito menores que os levantados pelo fisco; V ademais, em se tratando de depósitos efetuados em contas bancárias, se for ignorado o destino dado aos recursos retirados através de cheques, estarseá esquecendo que esses valores, depois de colocados em circulação, para as mais diversas finalidades, podem retomar à disponibilidade do titular da conta e, assim, serem novamente depositados, o que deixa claro que o caminho adotado pelo fisco é equivocado, por ensejar a repetição de valores de uma única origem, mas em momentos distintos; VI as declarações de rendimentos por ele apresentadas demonstram a absoluta regularidade da sua situação econômica, onde as variações patrimoniais se mostram compatíveis com a receita aferida, não revelando qualquer sinal exterior de riqueza que justifique a presunção da renda; VII a multa aplicada ao lançamento não é razoável e não guarda proporcionalidade com a infração; VIII a utilização da taxa de juros remuneratórios como sendo taxa de juros moratórios viola o disposto no artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional. Os membros da sexta câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveram, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.883 8 aprecie a documentação extemporaneamente juntada ao recurso voluntário (fls. 1.267 a 3.122) e identifique: 1) os depósitos bancários oriundos de transferências entre contas de mesma titularidade; 2) os rendimentos provenientes de pro labore que transitaram pelas contas de depósitos, informando se estes foram ofertados à tributação; 3) as receitas da atividade rural que transitaram pelas contas depósitos, informando se estas foram ofertadas à tributação; 4) os rendimentos decorrentes de empréstimos efetuados pelo recorrente (acionista) à empresa Madepar, informando se os juros foram ofertados à tributação. A autoridade autuante deve apreciar a eventual documentação remanescente, tomando todas as diligências necessárias para a identificação da matéria tributável constante nestes autos. Por fim, deve produzir relatório circunstanciado dos trabalhos aqui determinados, assinando prazo de 30 dias para que o recorrente se manifeste sobre o resultado da diligência. A autoridade fiscalizadora realiza a diligência e apresenta as fls.3214 a 3227, o relatório de diligência onde entende que o lançamento formalizado deve ser considerado procedente. O recorrente apresenta suas contrarazões às fls. 3228 a 3238, aos argumentos esboçados no termo de verificação fiscal. Alerta principalmente que a autoridade fiscal não teria realizado a diligência solicitada, e teria se limitado a emitir a sua opinião sobre os pontos abordados." A Resolução nº 2202000.584, de 16 de julho de 2014, contou com o seguinte voto: " O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente com o seu recurso apresentou mais de 2000 folhas nas quais almeja demonstrar uma parte dos depósitos bancário, entende que estaria demonstrando aquilo que foi requisitado para autoridade fiscalizadora. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em decisão por maioria de votos solicitou a realização de diligência buscando que a autoridade lançadora aprecie o documentos anexados e emita parecer circunstanciado e conclusivo, formulando alguma questões específicas. A diligência foi realizada e o relatório de referido procedimento é apresentado às fls. 3214 a 3227, onde a autoridade responde, no seu entender, a cada uma das questões formuladas pela autoridade fiscal. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.884 9 O recorrente entende que as questões formuladas pela sexta câmara não foram respondidas a contento pois o recorrente não teria identificado precisamente os itens solicitados pela resolução proposta pela Sexta Câmara. A partir daí através de sua argumentação das fls. 3230 a 3238, faz a sua leitura da provas e como os elementos presentes nos autos seriam suficientes para demonstrar a origem dos depósitos bancários. Entretanto, a sua argumentação não faz referência individualizada aos documentos (e suas folhas) presentes nos autos, indica que os mesmo estariam presente entre a vasta documentação acostada mas não os explicita, o que dificulta de maneira certa e incontestável a sua apreciação, dado o montante de documentos presentes nos autos, trazidos pelo próprio recorrente. Não há como se negar que em se tratando de lançamento baseado em depósitos bancários, é função do contribuinte demonstrar a origem, não cabendo ao fisco o dever de produzir prova ao favor do deste. Cabe ao recorrente, produzir a prova convincente e idônea, individualizada de cada depósito. Em suma, para evitar argumentos de cerceamento de direito de defesa, entendo que o recorrente poderá ter seus argumentos reapreciados, entretanto cabe a ele provar o que alega, com documentos que respaldem de modo individualizado cada um dos depósitos que foram objeto do lançamento. Diante dos fatos, e tendo em vista a documentação acostada quando da interposição do recurso (quase 2000 folhas), bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha/quadros no prazo de 20 (dias) explicativa que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto." (grifos originais) Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.885 10 O Relatório Fiscal, às fls. 3.364/3.366, é no seguinte sentido: É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.886 11 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Consoante se verifica, o julgamento foi convertido em diligência, para que seja procedido o seguinte: "1) Intimar o contribuinte a elaborar uma planilha/quadros no prazo de 20 (dias) explicativa que correlacione os documentos que anexou aos autos, e os argumentos suscitados no recurso, com os depósitos bancários que estão sendo objeto do lançamento, discriminando argumentos com folhas e razões para exclusão. A origem dos depósitos bancários devem ser demonstrados individualizadamente, sendo essa uma competência do recorrente. O prazo poderá ser prorrogado pela autoridade fiscal, caso se justifique. 2) Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." (grifouse) Contudo, a AuditoraFiscal, no Relatório Fiscal, entendeu por: "(...) nesta fase processual impõese somente examinar as cópias dos documentos anexados pelo recorrente aos autos em 23/04/2007 (após a decisão de primeira instância) juntamente com os argumentos constantes da planilha apresentada e, esclarecese que o presente trabalho atevese ao exame individual da argumentação, com base nas planilhas elaboradas pelo Autor do Feito, inclusive, com relação aos cheques devolvidos e estornos de valores, que integram o Auto de Infração (Processo físico fls. 936 a 1.124). Ressaltando que a análise conclusiva não será objeto deste procedimento fiscal de diligência a teor da definição estabelecida no art. 3ºII da Portaria RFB nº 1.687/2014". Portanto, temos que a diligência não foi realizada, pois, além de não terem sido analisados todos os documentos relacionados e prestados, deixouse de ser apresentado pela autoridade preparadora o parecer conclusivo requisitado. Ante o exposto, voto no sentido de ser convertido novamente em diligência para que a repartição de origem tome a seguinte providência: 1. Que a autoridade fiscal se manifeste, em parecer conclusivo, sobre a planilha/quadros elaborados, documentos relacionados e esclarecimentos prestados, sobre a possível comprovação dos depósitos questionados, dandose vista a recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo. 2. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.887 12 Sendo vencido quanto a conversão de diligência, passo a análise das preliminares suscitadas pelo contribuinte, bem como dos pedidos quanto ao mérito do recurso voluntário (fls. 1233/1266 do arquivo PDF). 1 Preliminares 1.1 Das provas, perícia e da falta de análise de razões de defesa A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Por fim, quanto a preliminar de que houve falta de análise de razões de defesa, verifico que também não procede. Há na verdade inconformismo do recorrente com o julgamento de sua impugnação, que foi contrária aos seus pedidos. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte. 2 Mérito Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário e anexados aos autos em diligências posteriores determinadas por este Conselho, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. 1. Sigilo bancário Alega o Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.888 13 informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, não merece provimento o recurso da contribuinte quanto a este ponto. 2. Alegações de inconstitucionalidade Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 3. Depósitos bancários A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.889 14 calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Entendo que o contribuinte demonstrou, de forma individualizada, a origem de parte de seus depósitos, consoante quadro abaixo: Ano 1999: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 03/08/1999 R$ 59.443,92 3275 189 Crédito para pagamento de empréstimo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 29/10/1999 R$ 42.600,00 3275 192 Crédito para pagamento de empréstimo Unibanco, ag. 0393, Conta 115.7873 04/01/1999 R$ 1.000.000,00 3275 1306/1309 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/05/1999 R$ 7.000,00 3283 1327/1330 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 20/09/1999 R$ 5.000,00 3284 1331/1336 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 23/09/1999 R$ 5.000,00 3284 1331/1336 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 16/11/1999 R$ 60.000,00 3284 1337/1339 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 00002 10/12/1999 R$ 30.000,00 3285 1340/1343 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/01/1999 R$ 800.000,00 3285 1356/1361 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/01/1999 R$ 150.000,00 3285 1362/1364 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 21/01/1999 R$ 50.000,00 3286 1365/1367 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 17/02/1999 R$ 130.000,00 3287 1368/1370 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/03/1999 R$ 40.000,00 3288 1371/1373 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/03/1999 R$ 100.000,00 3288 1374/1376 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/03/1999 R$ 50.000,00 3288 1377/1380 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 22/03/1999 R$ 50.000,00 3289 1380/1381 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/04/1999 R$ 30.000,00 3290 1382/1384 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 14/04/1999 R$ 50.000,00 3290 1385/1388 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/04/1999 R$ 20.000,00 3290 1385/1388 Transferência mesma titularidade Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.890 15 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 05/05/1999 R$ 40.000,00 3291 1369/1392 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/05/1999 R$ 25.000,00 3291 1392/1395 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/05/1999 R$ 50.000,00 3291 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 01/06/1999 R$ 25.000,00 3292 1396/1399 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 02/06/1999 R$ 30.000,00 3292 1396/1399 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 07/07/1999 R$ 2.800,00 3294 2818 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 27/06/1999 R$ 50.000,00 3297 1400/1403 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 31/08/1999 R$ 200.000,00 3297 1400/1403 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/09/1999 R$ 50.000,00 3297 1404/1406 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/09/1999 R$ 100.000,00 3298 1406/1409 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 19/10/1999 R$510.000,00 3299 1410/1414 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 29/10/1999 R$ 230.000,00 3300 1415/1419 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/11/1999 R$ 125.000,00 3300 1420/1428 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 04/11/1999 R$ 50.000,00 3300 1425/1429 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/11/1999 R$ 100.000,00 3301 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 12/11/1999 R$ 87.000,00 3301 1429/1434 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/11/1999 R$ 270.000,00 3301 1434/1438 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 17/11/1999 R$ 60.000,00 3301 1429/1441 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 18/11/1999 R$ 10.000,00 3301 1442/1445 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 24/11/1999 R$ 205.000,00 3301 2820 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 26/11/1999 R$ 120.000,00 3302 1445/1448 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 26/11/1999 R$ 18.500,00 3302 2821 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 30/11/1999 R$ 148.500,00 3302 1448/1453 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 01/12/1999 R$ 17.000,00 3302 2822 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 03/12/1999 R$ 65.000,00 3302 1453/1458 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 06/12/1999 R$ 25.000,00 3302 1458/1461 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 07/12/1999 R$ 60.000,00 3303 2924 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 08/12/1999 R$ 12.500,00 3303 2825 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 09/12/1999 R$ 25.500,00 3303 2826 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 15.000,00 3303 1462/1465 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 60.000,00 3303 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 10/12/1999 R$ 30.000,00 3303 2901/2902 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, 13/12/1999 R$ 68.500,00 3303 2827 Recebimento de Empréstimo pago por Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.891 16 conta 32.5112. Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 14/12/1999 R$ 119.000,00 3303 1466/1470 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 15/12/1999 R$ 8.000,00 3303 2829 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112. 16/12/1999 R$ 90.500,00 3303 1470/1476 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 04/01/1999 R$ 10.047,59 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/02/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/03/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 05/04/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 03/05/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/06/1999 R$ 10.052,80 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/07/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 02/08/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/09/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/10/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 03/11/1999 R$ 10.055,23 3304 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 24/11/1999 R$ 10.000,00 3304 1350/1353 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 01/12/1999 R$ 10.055,23 3305 2543/2585 Recebimento de prólabore pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120. 22/12/1999 R$ 15.000,00 3305 691 Transferência mesma titularidade Ano 2000: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 01/08/2000 R$ 62.000,00 3306 204 Não é depósito. É "aviso de crédito". Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 02/08/2000 R$ 62.000,00 3306 1898/1901 Transferência mesma titularidade Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 31/10/2000 R$ 40.000,00 3306 1902/1904 Transferência mesma titularidade Unibanco, ag. 0393, conta 115.7873 05/01/2000 R$ 585.000,00 3306 1907/1910 Transferência mesma titularidade Unibanco, ag. 0393, conta 115.7873 16/02/2000 R$ 400.000,00 3306 1911/1912 Transferência mesma titularidade Safra, ag. 03000, conta 018.7173 05/01/2000 R$ 850.000,00 3310 1914/1915 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 06/01/2000 R$ 10.000,00 3315 1922/1924 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/01/2000 R$ 10.000,00 3315 1925/1927 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 11/01/2000 R$ 30.000,00 3315 1928/1929 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 10/11/2000 R$ 13.000,00 3316 1930/1932 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 06/12/2000 R$ 18.000,00 3316 1933/1935 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 03/01/2000 R$ 15.000,00 3316 1478/1482 Transferência mesma titularidade Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.892 17 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/01/2000 R$ 67.500,00 3316 1483/1487 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/01/2000 R$ 38.000,00 3316 1969/1971 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/01/2000 R$ 23.000,00 3316 1488/1490 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/01/2000 R$ 44.000,00 3316 1972/1974 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/01/2000 R$ 34.000,00 3316 1975/1977 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/01/2000 R$ 15.000,00 3317 1978/1980 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/01/2000 R$ 30.000,00 3317 1981/1983 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/01/2000 R$ 87.000,00 3317 1491/1495 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/01/2000 R$ 10.000,00 3317 1984/1986 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/01/2000 R$ 9.000,00 3317 1987/1989 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/01/2000 R$ 120.000,00 3317 1498/1500 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01.02.2000 R$ 12.000,00 3317 1990/1992 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/02/2000 R$ 79.000,00 3317 e 3318 1993/1995 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/02/2000 R$ 135.000,00 3318 1501/1505 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/02/2000 R$ 147.000,00 3318 1506/1510 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/02/2000 R$ 40.000,00 3318 1996/1998 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/02/2000 R$ 36.000,00 3318 1999/2001 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/02/2000 R$ 130.000,00 3318 1511/1515 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/02/2000 R$ 28.000,00 3318 2002/2004 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/02/2000 R$ 118.500,00 3319 1516/1520 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/02/2000 R$ 11.000,00 3319 2005/2008 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/02/2000 R$ 15.000,00 3319 2005/2008 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/02/2000 R$ 75.000,00 3319 1521/1525 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/02/2000 R$ 12.000,00 3319 2009/2011 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/03/2000 R$ 30.000,00 3319 1526/1527 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/03/2000 R$ 54.000,00 3319 2012/2013 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/03/2000 R$ 40.000,00 3319 1528/1530 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/03/2000 R$ 15.000,00 3319 2014/2016 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/03/2000 R$ 112.000,00 3319 1531/1535 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/03/2000 R$ 46.000,00 3320 1536/1540 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/03/2000 R$ 67.000,000 3320 1541/1554 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/03/2000 R$ 73.000,00 3320 2017/2019 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.893 18 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/03/2000 R$ 79.000,00 3320 1547/1551 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/03/2000 R$ 44.000,00 3320 2020/2022 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/03/2000 R$ 84.000,00 3320 1552/1558 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/03/2000 R$ 28.000,00 3320 2023/2025 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/03/2000 R$ 69.000,00 3320 1559/1563 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/03/2000 R$ 30.000,00 3321 1564/1566 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/03/2000 R$ 71.000,00 3321 1567/1569 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/03/2000 R$ 30.000,00 3321 2028/2030 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/03/2000 R$ 50.000,00 3321 1570/1575 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/03/2000 R$ 285.000,00 3321 1576/1580 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/04/2000 R$ 60.000,00 3321 2031/2033 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/04/2000 R$ 128.000,00 3321 1581/1585 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/04/2000 R$ 43.000,00 3322 1588/1590 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/04/2000 R$ 133.000,00 3322 1591/1595 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/04/2000 R$ 88.000,00 3322 1596/1600 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/04/2000 R$ 140.000,00 3323 1600/1604 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/04/2000 R$ 113.000,00 3323 1605/1608 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/05/2000 R$ 50.000,00 3323 1609/1610 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/05/2000 R$ 406.000,00 3324 1611/1615 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/05/2000 R$ 285.000,00 3324 1616/1620 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/05/2000 R$ 360.000,00 3325 1621/1626 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2000 R$ 126.000,00 3326 1627/1629 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2000 R$ 81.000,00 3326 1630/1632 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/06/2000 R$ 97.000,00 3326 1633/1637 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/06/2000 R$ 30.000,00 3326 1638/1640 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/06/2000 R$ 230.000,00 3326 1641/1643 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/06/2000 R$ 83.000,00 3326 1644/1648 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/06/2000 R$ 101.000,00 3326 1649/1653 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/06/2000 R$ 12.750,00 3327 2034/2036 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar S/A Indústria e Comércio Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/06/2000 R$ 141.000,00 3327 1654/1658 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/07/2000 R$ 116.000,00 3327 1659/1663 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/07/2000 R$ 40.000,00 3328 1663/1666 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 10/07/2000 R$ 45.000,00 3328 1667/1671 Transferência mesma titularidade Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.894 19 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/07/2000 R$ 345.000,00 3328 1672/1673 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/07/2000 R$ 50.000,00 3328 1674/1678 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/07/2000 R$ 50.000,00 3328 1948/1950 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/07/2000 R$ 21.000,00 3328 1679/1683 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/07/2000 R$ 8.000,00 3328 1684/1687 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2000 R$ 10.000,00 3328 1684/1687 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2000 R$ 13.000,00 3328 1689/1691 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/07/2000 R$ 100.000,00 3328 1692/1694 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2000 R$ 22.000,00 3329 1695/1697 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2000 R$ 59.000,00 3329 1698/1700 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 27/07/2000 R$ 41.000,00 3329 1701/1705 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/08/2000 R$ 153.000,00 3329 1706/1710 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/08/2000 R$ 91.000,00 3329 1711/1713 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 31.000,00 3330 1715/1716 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 31.000,00 3330 1717/1719 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/08/2000 R$ 200.000,00 3330 1951/1953 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2000 R$ 19.000,00 3330 1720/1722 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2000 R$ 84.000,00 3330 1723/1725 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/08/2000 R$ 42.000,00 3330 1726/1728 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 21/08/2000 R$ 27.000,00 3330 1729/1731 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/08/2000 R$ 123.000,00 3330 1732/1735 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/08/2000 R$ 76.000,00 3331 1736/1738 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/08/2000 R$ 30.000,00 3331 1739/1741 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/09/2000 R$ 38.000,00 3331 1742/1744 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/09/2000 R$ 68.000,00 3331 1745/1747 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/09/2000 R$ 69.000,00 3331 1748/1750 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/09/2000 R$ 58.000,00 3331 1751/1753 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/09/2000 R$ 115.000,00 3331 e 3332 1754/1758 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/09/2000 R$ 63.700,00 3332 1761/1763 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/09/2000 R$ 46.500,00 3332 1764/1766 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/09/2000 R$ 80.600,00 3332 1767/1769 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/09/2000 R$ 87.000,00 3332 1770/1772 Transferência mesma titularidade Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.895 20 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/10/2000 R$ 85.700,00 3333 1773/1775 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 05/10/2000 R$ 140.000,00 3333 1776/1778 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/10/2000 R$ 61.000,00 3334 1778/1781 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/10/2000 R$ 38.000,00 3334 1782/1784 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/10/2000 R$ 223.800,00 3334 1786/1789 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 24/10/2000 R$ 111.700,00 3334 1790/1794 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/10/2000 R$ 45.500,00 3334 1795/1797 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 30/10/2000 R$ 50.200,00 3335 1798/1800 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/10/2000 R$ 10.000,00 3335 1801/1803 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/10/2000 R$ 97.000,00 3335 1804/1808 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/11/2000 R$ 184.200,00 3335 1908/1813 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/11/2000 R$ 71.700,00 3335 1814/1818 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/11/2000 R$ 73.20000 3336 1819/1823 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/11/2000 R$ 199.000,00 3336 1824/1830 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/11/2000 R$ 227.900,00 3336 1831/1835 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/12/2000 R$ 48.000,00 3336 1836/1840 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 39.300,00 3337 1841/1846 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 200.000,00 3337 3076 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 04/12/2000 R$ 200.000,00 3337 3076 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 06/12/2000 R$ 75.500,00 3337 1847/1849 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/12/2000 R$ 30.000,00 3337 1850/1855 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 11/12/2000 R$ 50.000,00 3337 1954/1956 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 12/12/2000 R$ 295.000,00 3337 1856/1862 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/12/2000 R$ 10.000,00 3337 1663/1865 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/12/2000 R$ 100.000,00 3337 3077 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/12/2000 R$ 20.000,00 3337 1866/1870 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 14/12/2000 R$ 50.000,00 3337 1957/1959 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/12/2000 R$ 16.000,00 3338 1871/1873 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/12/2000 R$ 30.000,00 3338 1960/1962 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/12/2000 R$ 17.500,00 3338 1874/1878 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/12/2000 R$ 150.000,00 3338 3078 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 19/12/2000 R$ 70.100,00 3338 1879/1882 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 20/12/2000 R$ 150.000,00 3338 3079 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.896 21 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/12/2000 R$ 21.200,00 3337 1883/1886 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/12/2000 R$ 80.000,00 3337 1887/1891 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 205.000,00 3337 1892/1896 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 145.000,00 3337 1963/1965 Recebimento de Empréstimo pago por Madepar Laminados S/A Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/12/2000 R$ 400.000,00 3337 3080 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/01/2000 R$ 10.055,24 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/02/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/03/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/04/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 10/04/2000 R$ 10.000,00 3339 1937/1940 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/05/2000 R$ 10.062,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/06/2000 R$ 12.382.14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 16/06/2000 R$ 10.000,00 3339 2506/2546 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 03/07/2000 R$ 12.382.14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/08/2000 R$ 4.772,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/08/2000 R$ 7.610,00 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/09/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 02/10/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/11/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 01/12/2000 R$ 12.382,14 3339 2506/2546 Recebimento de prólabore SP conta 70038519 42004 05/07/2000 R$ 300.000,00 3340 3035/3038 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982 SP conta 70038519 42004 06/07/2000 R$ 465.000,00 3340 3039/3042 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 18/07/2000 R$ 400.000,00 3340 3043/3045 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 02/08/2000 R$ 200.000,00 3340 3046/3049 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 07/08/2000 R$ 20.000,00 3340 3050/3053 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 23/08/2000 R$ 300.000,00 3340 3054/3057 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 13/09/2000 R$ 50.000,00 3340 3058/3061 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 21/09/2000 R$ 600.000,00 3340 3062/3064 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 28/09/2000 R$ 200.000,00 3340 3065/3068 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 02/10/2000 R$ 50.000,00 3340 3069/3072 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) SP conta 70038519 42004 30/10/2000 R$ 40.000,00 3340 3073/3075 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.897 22 Ano 2001: Banco Data Valor Fls. planilha Fls. comprovação Motivo Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 01/08/2001 R$ 61.000,00 3341 3000 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Banco do Brasil, ag. 2077, conta 50911 30/10/2001 R$ 78.500,00 3341 3005 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Itaú, ag. 0668, conta 000029 09/01/2001 R$ 10.000,00 3347 2494/2496 Transferência mesma titularidade Itaú, ag. 0668, conta 000029 08/03/2001 R$ 7.000,00 3347 2497/2497 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 15.900,00 3348 2039/2041 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 1.000.000,00 3348 2042/2043 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/01/2001 R$ 220.000,00 3348 2044/2048 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 15/01/2001 R$ 43.000,00 3349 2049/2051 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/01/2001 R$ 198.000,00 3349 2052/2056 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 23/01/2001 R$ 161.400,00 3349 2057/2061 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/01/2001 R$ 92.700,00 3349 2062/2056 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/01/2001 R$ 83.900,00 3350 2067/2069 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 09/02/2001 R$ 24.000,00 3350 2503/2505 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/05/2001 R$ 128.400,00 3355 2208/2212 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/06/2001 R$ 234.300,00 3356 2213/2219 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/06/2001 R$ 54.200,00 3356 2220/2222 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/06/2001 R$ 307.900,00 3356 2223/2225 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 22/06/2001 R$ 43.900,00 3356 2226/2228 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/06/2001 R$ 86.200,00 3356 2229/2232 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/06/2001 R$ 65.000,00 3356 2233/2239 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 28/06/2001 R$ 300.000,00 3356 2998 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 29/06/2001 R$ 90.200,00 3356 e 3357 2240/2244 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/07/2001 R$ 38.000,00 3357 2245/2249 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 06/07/2001 R$ 11400,00 3357 2250/2252 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 10/07/2001 R$ 55.600,00 3357 2253/2255 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/07/2001 R$ 77.400,00 3357 2256/2260 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 17/07/2001 R$ 70.000,00 3357 2261/2263 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 18/07/2001 R$ 32.700,00 3357 2263/2266 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 20/07/2001 R$ 68.000,00 3357 2267/2269 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 25/07/2001 R$ 58.500,00 3357 2270/2272 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, 27/07/2001 R$ 90.800,00 3358 2273/2277 Transferência mesma titularidade Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.898 23 conta 32.5112 Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 31/07/2001 R$ 68.200,00 3358 2278/2282 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/08/2001 R$ 76.400,00 3358 2283/2285 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 08/08/2001 R$ 38.500,00 3358 2286/2288 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 13/08/2001 R$ 104.100,00 3358 2289/2293 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 16/08/2001 R$ 48.500,00 3358 2294/2296 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/10/2001 R$ 50.000,00 3359 3003 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 26/10/2001 R$ 80.000,00 3360 667 CPMF Bradesco, ag. 32638, conta 32.5120 06/11/2001 R$ 40.500,00 3360 2370/2372 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/01/2001 R$ 12.382,14 3361 2452/2454 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/02/2001 R$ 12.385,75 3361 2455/2457 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/02/2001 R$ 23.520,19 3332 2458/2459 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/03/2001 R$ 12.385,75 3362 2459/2461 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/04/2001 R$ 12.385,75 3362 2462/2464 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/05/2001 R$ 12.385,75 3362 2465/2467 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/06/2001 R$ 12.385,75 3362 2468/2470 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 02/07/2001 R$ 13.260,78 3362 2471/2473 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/08/2001 R$ 13.260,78 3362 2474/2476 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/09/2001 R$ 13.260,78 3362 2477/2479 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/10/2001 R$ 13.260,78 3362 2480/2482 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/11/2001 R$ 13.260,78 3362 2483/2485 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 01/08/2001 R$ 10.000,00 3362 2486/2487 Transferência mesma titularidade Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 03/12/2001 R$ 13.260,78 3362 2488/2490 Recebimento de prólabore Bradesco, ag. 32638, conta 32.5112 07/12/2001 R$ 40.000,00 3362 2491/2492 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 03/01/2001 R$ 400.000,00 3362 2420/2423 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 11/01/2001 R$ 1740.000,00 3362 2424/2425 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 12/01/2001 R$ 400.000,00 3362 2426/2431 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/01/2001 R$ 80.000,00 3362 2986 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/01/2001 R$ 110.000,00 3362 2432/2433 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 01/02/2001 R$ 60.000,00 3362 2987 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.899 24 Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 07/02/2001 R$ 300.000,00 3362 2989 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/02/2001 R$ 140.000,00 3362 2434/2437 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 21/02/2001 R$ 150.000,00 3362 2989 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 13/03/2001 R$ 150.000,00 3362 2990 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/03/2001 R$ 150.000,00 3362 2991 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 23/03/2001 R$ 10.000,00 3362 2992 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 10/04/2001 R$ 50.000,00 3363 2993 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 20/04/2001 R$ 270.000,00 3363 2994 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 27/04/2001 R$ 100.000,00 3363 2995 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/05/2001 R$ 200.000,00 3363 2996 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 17/05/2001 R$ 40380,75 3363 2438/2439 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 28/05/2001 R$ 200.000,00 3363 2997 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 16/07/2001 R$ 20.000,00 3363 2999 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 14/08/2001 R$ 180.000,00 3363 3001 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 03/09/2001 R$ 30.000,00 3363 3002 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 05/10/2001 R$ 164.575,00 3363 2440/2443 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 10/10/2001 R$ 200.000,00 3363 3004 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 30/10/2001 R$ 80.000,00 3363 2444/2447 Transferência mesma titularidade Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 01/11/2001 R$ 430.000,00 3363 3006 Parceria Agrícola (fls. 2979/2982) Sudameris, ag. Centro SP, conta 70038519 42004 07/12/2001 R$ 88.160,00 3363 2448/2450 Transferência mesma titularidade Deste modo, verificase que foram relacionados depósitos pelos seguintes motivos: Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.900 25 a) "Transferência de mesma titularidade". Por se tratar de transferência entre contas bancárias de mesmo titular, ou ainda, quando há comprovação de que houve resgate e posterior depósito pelo próprio contribuinte, não se verifica que há acréscimo patrimonial, logo, não há incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "transferência de mesma titularidade" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. b) "Crédito para pagamento de empréstimo". O referido crédito não possui origem comprovada, somente a sua finalidade que foi (pagamento de empréstimo), logo há incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "Crédito para pagamento de empréstimo" devem ser mantidos da relação de omissão rendimentos. c) "Recebimento de Empréstimo pago". O recebimento de valor, a título de devolução de empréstimo, não caracteriza hipótese de incidência de imposto de renda. Portanto, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "recebimento de Empréstimo pago" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. d) "Recebimento de prólabore". O valor recebido a título de prólabore foram já oferecidos à tributação. Logo, os depósitos acima relacionados que estão identificados como "Recebimento de prólabore" devem ser excluídos da relação de omissão rendimentos. e) "CPMF". Não verifiquei fundamento para excluir da relação de omissão rendimentos o valor de R$ 80.000,00, depositados na conta bancária nº 32.5112, agência 32638, banco Bradesco, identificado como "CPMF". Portanto, o depósito acima relacionado que está identificado como "CPMF" deve ser mantido da relação de omissão rendimentos. f) "aviso de crédito". O valor creditado na conta corrente nº 50911, agência 2077, do Banco do Brasil, no valor de R$ 62.000,00, em 01/08/2000 não é deposito bancário, mas tão somente "aviso de crédito". Ainda, destaco que o valor foi efetivamente creditado na conta bancária do contribuinte no dia seguinte (02/08/2000). Logo, não pode ser mantido na relação de omissão rendimentos, devendo ser excluído desta, portanto. g) "Parceria Agrícola". Nos termos do art 4º do Estatuto da Terra, parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). É o caso dos autos, consoante se verifica pelo contrato de fls. fls. 2979/2982. Deste modo, entendo por necessário reclassificar estes rendimentos como advindos da parceria agrícola em questão, ou seja, como provenientes da atividade rural, a qual possui uma tributação mais benéfica ao contribuinte. Assim, tendo o contribuinte demonstrado parcialmente o seu direito, merece acolhimento em parte o seu pedido. 4. Multa de 75% Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.901 26 A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Além disso, conforme já referido nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, não merece provimento o recurso do contribuinte quanto a este ponto. 5. Taxa Selic Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. 6. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos os depósitos identificados como "transferência de mesma titularidade", "Recebimento de prólabore", "Recebimento de Empréstimo pago" e "aviso de crédito", conforme tabelas que constam no voto; e b) reclassificar os valores identificados como "parceria agrícola", para tributálos como provenientes da atividade rural, à razão de 20% da receita bruta. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço vênia ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir de sua proposta inicial de nova conversão do julgamento em diligência. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.902 27 Disse o Voto do Relator que: Portanto, temos que a diligência não foi realizada, pois, além de não terem sido analisados todos os documentos relacionados e prestados, deixouse de ser apresentado pela autoridade preparadora o parecer conclusivo requisitado. Ante o exposto, voto no sentido de ser convertido novamente em diligência para que a repartição de origem tome a seguinte providência (...) Observo que o Relatório Fiscal que consta das fls. 3364 e ss. menciona que este processo já fora convertido em diligência em duas ocasiões anteriores: na Resolução nº 10601.453, onde foram prestadas informações pela Autoridade Fiscal, e na Resolução nº 2202000.584, que seria o objeto dessa nova discussão que aqui se desenvolve acerca da necessidade ou não de retorno, para complemento. Pareceme que a divergência surge muito mais em razão dos termos utilizados pela Auditora Fiscal em seu relatório que, propriamente, sobre a real falta de informações necessárias ao julgamento da lide. Isso porque, conforme está lá descrito, o Recorrente fora intimado a apresentar planilha ou quadro explicativo correlacionando documentos e depósitos (item 1 da diligência) e após a apresentação de tal documentação (fls. 3275 a 3363), a Auditora realizou um "exame preliminar" e percebeu "operações pouco comuns a pessoas físicas". Foi sobre essa constatação que ela se referiu ao dizer que: "no entanto, nessa fase processual impõese somente examinar as cópias dos documentos anexadas pelo recorrente aos autos em 23/04/2008, após a decisão de primeira instância...". Entendo que a Auditora não estava se recusando a cumprir a diligência ou cerceandoa, mas exatamente limitandose a ela, ou seja, aos documentos que foram anexados pelo contribuinte após o julgamento de primeira instância, porque aqueles que já constavam dos autos naquela ocasião já haviam sido considerados pela autoridade julgadora competente. Um segundo ponto é sobre a afirmação de que "ressaltando que a análise conclusiva não será objeto deste procedimento fiscal de diligência a teor da definição estabelecida no artigo 3º, II da Portaria RFB nº 1.687/2014". O dispositivo citado esclarece que por "procedimento de diligência" entendese "as ações que tenham por objeto a coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual." Assim, a dita "análise conclusiva" caberia ao Julgador e não ao executor da diligência. No caso, entretanto, tratouse de mero dissenso literal, porque o que se observa de fato é que foram elaboradas "Planilhas de Verificação documentação x argumentação" (fl. 3543), por ano calendário, onde, individualizadamente, a Auditora Fiscal indica o depósito bancário, a folha dos autos, os documentos que foram apresentados pelo contribuinte e as suas "verificações", ou seja, a sua manifestação sobre a pertinência entre o depósito e a justificativa apresentada pelo contribuinte. À guisa de exemplo, a Auditora diz, na folha 3545 que: "Não existe coincidência de datas entre o saque e o depósito, ou seja, o saque para a "suposta" transferência foi em 30/12/99 e o depósito efetuado em 05/01/2000" . Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 19515.002641/200469 Acórdão n.º 2202003.693 S2C2T2 Fl. 3.903 28 Assim, manifestouse "conclusivamente" sobre cada depósito. O que não fez, de fato, foi dizer qual o montante deveria ser excluído da autuação e qual montante deveria ser mantido, o que deve ser feito aqui neste julgamento. Sendo assim, VOTO por rejeitar a proposta de conversão do julgamento em nova diligência e para que se prossiga na análise dos autos, com as informações disponíveis. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 3903DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000286/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 86 /2 00 7- 70 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 9202004.741 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695796/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 96 /2 00 9- 15 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.864. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.695796/200915 Acórdão n.º 3301003.400 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721329/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
DESÁGIO. REALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
O deságio na aquisição de um investimento será controlado no LALUR, até a realização do investimento, quando será determinado do ganho ou perda de capital que integrará o lucro real.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2008
GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO
Os ganhos de capital auferidos no período compõem a base de cálculo da contribuição
Numero da decisão: 1201-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fizeram sustentação oral o Dr. Ian Muniz, OAB 33.973/RJ, pela Recorrente e o Dr. Rodrigo Burgos, pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 DESÁGIO. REALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. O deságio na aquisição de um investimento será controlado no LALUR, até a realização do investimento, quando será determinado do ganho ou perda de capital que integrará o lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO Os ganhos de capital auferidos no período compõem a base de cálculo da contribuição
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REALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. O deságio na aquisição de um investimento será controlado no LALUR, até a realização do investimento, quando será determinado do ganho ou perda de capital que integrará o lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO Os ganhos de capital auferidos no período compõem a base de cálculo da contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fizeram sustentação oral o Dr. Ian Muniz, OAB 33.973/RJ, pela Recorrente e o Dr. Rodrigo Burgos, pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 13 29 /2 01 3- 87 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 3 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$6.075.816,90, devido à infração 001 Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real. Exclusões Indevidas, com fato gerador em 31/12/2008; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$2.195.934,08, relativa às mesmas infrações; ambas exigências apenadas com multa de 75%, págs. 3/17; às págs. 375/701, Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas da CSLL. Termo de Verificação de Infração Fiscal de págs. 18/26. 2. O contribuinte apresentou impugnação que, em sessão no dia 22 de maio de 2014. a DRJ em Ribeirão Preto/SP, no Acórdão 1450.385, por unanimidade de votos, julgou improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. É incabível a exclusão, na apuração do lucro real, do ganho de capital que não foi computado no resultado do período. 3. Cientificado em 20/11/2014, pág. 790, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 791/800, em 19/12/2014, tempestivo, acompanhado dos documentos de págs. 801/827, resumido a seguir. 4. Relata que adquiriu, em 20/09/1994, a totalidade das ações do capital social da Floryl Florestadora YPE S/A (doravante Floryl), por R$6.155.198,66. Entretanto, o patrimônio líquido da Floryl à época da aquisição era de R$44.404.676,6; e nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, a Recorrente, na qualidade de investidora, contabilizou um deságio no montante de R$38.249.478,02; tal deságio foi objeto de correção monetária e outros ajustes, conforme legislação vigente à época, resultando no valor de R$50.527.202,00 em 31/12/1999; e nos anos seguintes amortizou o referido deságio conforme o art. 25 deste Decreto, tratando a receita como não tributável; e conforme art. 391 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), lançou os valores amortizados na Parte B do LALUR, que se encerraram em 2008. 5. Decreto Lei n° 1.598/77, tratou a receita decorrente como não tributável. Em consequência, nos termos do art. 391 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), lançou os valores amortizados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). O Termo de Verificação Fiscal contém tabela que registra com exatidão as amortizações do referido deságio ao longo dos anos, processo esse que se encerrou em 2008 (ano objeto de fiscalização que resultou no auto de infração ora impugnado). Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Em 29 de fevereiro de 2008, a Recorrente, na condição de titular de praticamente 100% das ações de emissão da Floryl, deliberou em assembléia geral extraordinária uma redução do capital social da Floryl no valor de R$ 43.000.000,00, por julgálo excessivo (art. 173 da Lei n°6.404/76 LSA). A redução de capital representou o cancelamento de 69,4% das ações representativas do capital social da Floryl. 7. Em 29/02/2008, a Recorrente, na condição de titular de praticamente 100% das ações de emissão da Floryl, deliberou em assembléia geral extraordinária uma redução do capital social da Floryl no valor de R$43.000.000,00, por julgálo excessivo (art. 173 da Lei n° 6.404/76 LSA). A redução de capital representou o cancelamento de 69,4% das ações representativas do capital social da Floryl. 8. Em razão da referida redução de capital, a Floryl transferiu para a ora Recorrente, a título de restituição de capital, os seguintes ativos: Descrição R$ Investimento na Jatobá Administração de Imóveis Ltda JAI 18.871.919,54 Investimento na Big River Melons Ltda. Big River 17.408.406,45 Dinheiro 6.719.674,01 Total 43.000.000,00 9. Os ativos acima descritos, objeto da restituição de capital, foram avaliados pela Floryl pelo seu valor de mercado, nos termos do art. 22 da Lei n° 9.249, de 1995, conforme Laudo de Avaliação elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda. 10. Em razão de a redução de capital representar uma realização do seu investimento na Floryl, a Recorrente apurou o ganho de capital de R$ 35.065.878, nos termos do art. 418 e seguintes do RIR/99, que foi excluído na Parte A do LALUR, em razão do disposto no art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249, de 1995, que dispõe que a diferença entre o valor de mercado e o contábil do investimento na investidora não será computada na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. 11. Discorda da autuação fiscal e sustenta que a exclusão do seu lucro real em 2008 se corresponde à hipótese de exclusão prevista no art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249, de 1995. 12. Diz que, em resumo o voto da Decisão DRJ sustenta que como "a contribuinte não incluiu o ganho de capital na apuração do lucro líquido", nos termos do art. 250 do RIR/99, a exclusão tomada em consonância com o § 4o do art. 22 da Lei n° 9.249, de 1995 seria indevida e argumenta que o ganho de capital foi computado no resultado do período. 13. Que a DIPJ 2009 (período base de 2008) contém dois lançamentos na Ficha 06A (Demonstração do Resultado PJ em Geral) que merecem relevo: Linha na DIPJ R$ 25. Amortização de Deságio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL 15.558.522,65 51. Receitas Alien. Bens Direitos Invest., Imob. e Intangível 26.474.738,12 Total 42.033.260,77 14. Destaca que o valor de R$ 42.033.260,77 constitui basicamente ágio amortizado em 2008, referente ao seu investimento na Floril, reconhecido na Demonstração de Resultados nas Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 5 4 Demonstrações Financeiras deste ano (Doc. 02), cuja nota explicativa 04C demonstra o que segue: Descrição R$ Deságio Amortizado Floryl (Nota 5 "b") 38.148.037,64 Deságio Amortizado Jatobá Administração de Imóveis (Nota 5 "c") 2.709.468,05 Deságio Amortizado Big River Melons (Nota 5 "c") 1.175.755,08 Total 42.033.260,77 15. E demonstra que o ganho de capital foi devidamente computado e depois ajustado conforme art. 22, § 4º da Lei nº 9.249, de 1995: Descrição R$ Receita Computada na DRE (Amortização de Deságio da Floryl) 38.148.037,64 Exclusão (cfe. art. 391 do RIR/99, do deságio da Floryl (38.148.037,64) Adição (Ganho de capital efe. redução de capital da Floryl em 69,4%, computado conforme Art. 426 do RIR/99, demonstrativo abaixo) 35.065.878,19 Exclusão (conforme art. 22, § 4o, da Lei n° 9.249/95) (35.065.878,19) Impacto na base de cálculo do IRPJ/CSLL 0,00 16. Explica que o deságio total de R$50.527.202,00 apurado em 31/12/1999, foi amortizado no total de R$12.379.165,12 nos anos seguintes, o que resultou na receita de amortização do deságio de R$38.148.037,64, em 2008, valor este que, nos termos do art. 381 do RIR de 1999, deveria ser excluído; mas, devido à redução a 69,4% do capital na investida Floryl, foi apurado o ganho de capital: Descrição R$ 1 Investimento na Floryl (PL) 61.987.507,97 II Deságio amortizado em 2008 (38.148.037,64) III Deságio amortizado em anos anteriores (12.379.164,36) IV Valor Contábil (art. 426 do RIR/99) 11.460.305,97 V Percentual realizado do Investimento 69,4% VI Custo de Investimento Realizado 7.934.121,81 VII Valor realizado do investimento (redução de capital) 43.000.000,00 VIII Custo do investimento realizado (efe. art. 33 do DL 1.598) (7.934.121,81) IX Ganho de Capital realizado 35.065.878,19 X Valor excluído nos termos do § 4: do art. 22 da Lei 9.249 (*) (35.065.878,19) XI Resultado tributável 0 (*) Cfe. Linha 68 da Ficha 09 A da DIPJ 17. A Recorrente, nos termos do art. 22, §4, da Lei n. 9.249, de 1995, excluiu a quantia de R$35.065.878,19, que por coincidência contábil, equivale exatamente ao valor do ganho de capital tributado mediante uma adição. 18. O voto do relator afirma que inexiste previsão legal no art. 250 do RIR, de 1999 para proceder a tal exclusão e tem razão, eis que a exclusão se deu não em função do referido dispositivo legal, mas do próprio art. 22, §4, da Lei n. 9.249 95, que expressamente a autoriza. Em suma, o único raciocínio que suportou a decisão, no sentido de que o ganho de capital deveria ter sido graficamente registrado na DRE na sua totalidade, para que pudesse prevalecer o que disposto no art. 250 do RIR 99, não procede, eis que é contabilmente impossível registrar o ganho de capital graficamente na conta de Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 6 5 resultado do próprio período, quando a própria legislação do imposto de renda prevê que o custo contábil leve em consideração o ágio ou deságio já amortizado em exercícios anteriores. Segundo, a exclusão levada a efeito pela Recorrente tem sim suporte legal, que é o próprio § 4o do art. 22 da Lei n. 9.249. 19. Requer o cancelamento da autuação e alternativamente, caso a autuação venha a ser julgada procedente quanto ao mérito, o que a ora Recorrente admite apenas por amor ao argumento, a decisão deverá ser aplicável tão somente no que tange ao IRPJ, devendo o auto de infração ser considerado improcedente no que diz respeito à CSLL; requer sustentação oral, quando do julgamento. 20. A União, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, págs. 833/842, na qual descreve a autuação, decisão DRJ e argumentos da litigante que resume: Verificase, na impugnação, que a impugnante não contesta a adição do deságio realizado em razão da redução de capital da FLORYL. Apenas contesta a glosa feita pelo autuante, do valor de R$ 35.065.878,19, que havia sido excluído na apuração do lucro real. Afirma que a autuação deixa de aplicar o disposto na Lei n° 9.249/95, art. 22, § 4o. 21. E aponta que a contribuinte, conforme DIPJ anocalendário 2008, não tributou o referido ganho de capital e, segundo o art. 250 do RIR, de 1999, somente poderão ser excluídos do lucro líquido, na determinação do lucro real, os valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com aquele Decreto, não sejam computados no lucro real. Como a contribuinte não incluiu o ganho de capital na apuração do lucro líquido, não se pode excluílo na apuração do lucro real. Não se discute que as receitas provenientes da amortização do deságio não foram como não devem ser computadas na apuração do lucro real quando de seus registros, com fundamento no art. 391 do RIR/99. Ambas as partes também concordam que, com a redução de capital da ordem de 69,4%, houve a realização parcial do investimento, tornando, assim, devida a apuração do ganho de capital correspondente, considerando a aquisição do investimento realizada com deságio, nos termos do que determina o art. 426 do RIR/99. O objeto de discórdia é apenas e tão somente a exclusão desse mesmo ganho de capital apurado na redução de capital quando da apuração do lucro real do anocalendário 2008. (...) Ocorre que, ao tempo em que ofereceu à tributação o ganho de capital incidente sobre a realização do investimento, a recorrente entendeu fazer jus a uma exclusão correspondente à diferença entre o valor contábil da FLORYL e seu valor de mercado, supostamente amparada pelo § 4o do art. 22 da Lei 9.249/95. E tal exclusão é que se configura completamente descabida, fruto de confusão feita pela recorrente. (...) (...) o dispositivo em comento trata da devolução de bens da investida que, registrados nesta pelo valor contábil, sejam devolvidos ao sócio ou titular pelo valor de mercado. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 7 6 Nesta hipótese, conforme o § 1o supra, a diferença será considerada ganho de capital da investida, sendo nela tributado como tal. Por esta razão, o § 4o diz que esse valor não deverá ser novamente computado na base de cálculo do IRPJ e CSLL do investidor, sócio ou titular. Tratase de hipótese de tributação completamente distinta e autônoma daquela de que cuidam os artigos 385, 391 e 426 do RIR/99. Como bem observado pela decisão de piso, a recorrente ofereceu à tributação, conforme mencionado acima, apenas o ganho de capital auferido em 1994 correspondente ao deságio amortizado e excluído da apuração do lucro real, o qual foi diferido com base no artigo 385, do RIR/99 e cuja tributação passou a ser devida com a realização do investimento, conforme artigos 391 e 426 do RIR/99. Todavia, ela jamais ofereceu à tributação o ganho de capital a que se refere o artigo 22 acima transcrito, referente à diferença entre o valor contábil do investimento e o valor de mercado da participação devolvida, cujo fato gerador ocorre em 2008, o qual não se confunde com o ganho de capital consistente no deságio, cujo fato gerador ocorreu em 1994. Assim, uma vez que a contribuinte já deixou de computar na base do IRPJ e da CSLL a diferença de que trata o artigo 22, não há que se falar na exclusão desse valor na apuração do lucro real. A exclusão seria devida se a recorrente, além de ter realizado a adição referente à realização do investimento adquirido com deságio (a qual é devida em razão dos artigos 391 e 426), tivesse feito nova adição correspondente à diferença entre o valor de mercado dos bens devolvidos na redução de capital e seu valor contábil, o que não aconteceu. Percebese que, segundo o raciocínio da recorrente, a adição ao lucro real fundada no art. 426 do RIR/99 ensejaria como "contrapartida" a exclusão levada a efeito com suposto esteio no art. 22 da Lei 9.249/95. Equivocase redondamente. A adição com base no art. 426 tem função de reverter os efeitos do diferimento do ganho de capital fundado no art. 385, cujo fato gerador ocorreu em 1994 quando da aquisição do investimento com deságio. Tal ganho de capital diferido passou a ser efetivamente devido com a liquidação parcial do investimento e não tem qualquer relação com o artigo 22. Com relação ao pedido subsidiário, de que eventual decisão pela manutenção do crédito tributário seja aplicada apenas em relação ao IRPJ, mas não em relação à CSLL, cumpre afirmar que o mesmo não se encontra fundamentado e nem tampouco consta da impugnação, tendo sido ventilado de maneira inaugural em sede de recurso voluntário, razão pela qual não deve ser conhecido. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 8 7 22. A Recorrente adquiriu em 20/09/1994, 100% da Floryl Florestadora Ype S/A, por valor inferior ao que o Patrimônio Líquido da Ype estava contabilizado, caracterizandose a diferença como deságio, cujo valor atualizado pela UFIR em 31/12/1995, valia R$50.527.202,00 (o art. 6º da Lei nº 9.249, de 1995, determinou que: Art. 6º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão corrigidos monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodosbase posteriores. Parágrafo único. A correção dos valores referidos neste artigo será efetuada tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996.) 23. A amortização deste deságio foi contabilizada como Receita Não Operacional, Amortização Deságio, e excluída na apuração do Lucro Real, no LALUR, não incidindo tributação pelo IRPJ, nem CSLL, o que é autorizado pelo art. 391 do RIR de 1999: Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). 24. A amortização assim contabilizada montou R$38.148.036,88 em 31/12/2008 (quadro pág. 22). 25. A tributação incidirá na alienação, liquidação, baixa do ativo, conforme art. 425 do RIR de 1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; 26. Em 29/02/2008, a investida Floryl reduziu o capital social em 69,4% e devolveu este valor do investimento à Recorrente R$43.000.000,00, pág. 23. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 9 8 27. Este momento caracterizou a realização do deságio, no valor de R$35.065.878,19 e a apuração do ganho de capital tributável, conforme o art. 426 do RIR R$50.527.202,00 (Valor do deságio em 31/12/1995) x 69,4% (proporção realizada) = R$35.065.878,20 28. A Recorrente argumenta que o art. 22, §4, da Lei n. 9.249, de 1995, a autorizou a excluir no LALUR, este valor de ganho de capital: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. § 2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. 29. No caso, o valor de R$35.065.878,19 é o valor contábil da parcela do deságio realizada, deságio este que se originou da aquisição em 1994, da participação na Floryl, por valor inferior ao de mercado, não se aplicando o § 4º supra. 30. Em síntese, o valor contábil era superior ao valor pelo qual adquiriu (certamente devido à avaliação de mercado), portanto, adquiriu por valor abaixo do mercado; ao receber de volta a parcela de 69,4%, ocorreu a realização do investimento adquirido com deságio, e sobre a proporção realizada deste se aplica a tributação por ganho de capital. 31. A PFN, conforme consta do relatório, caracterizou bem que a Recorrente confunde os dispositivos. 32. A contabilização da amortização do deságio como receita não operacional tem finalidades gerenciais; a exclusão desta amortização no LALUR ocorre porque a tributação é Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 10 9 diferida até o momento da realização desta receita; ocorrida a realização da receita de deságio em 2008, caracterizase o fato gerador. 33. No que tange ao pleito para que não ocorra a incidência da CSLL, descabe, pois a legislação é clara, conforme art. 225 do RIR de 1999, e Lei nº 7.689, de 1988, art. 2º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28. Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). 34. fonte: http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/tributos/CSLL: Apuração Anual da CSLL, com Recolhimentos Mensais sobre a Base de Cálculo Estimada A pessoa jurídica que apurar anualmente o imposto sobre a renda com base no lucro real também deve apurar a CSLL anualmente com base no resultado ajustado, em 31 de dezembro de cada ano. (...) Base de Cálculo Pessoas Jurídicas de Natureza Comercial, Industrial ou de Prestação de Serviços A base de cálculo da CSLL, em cada mês, será determinada pela soma: (...) 3) dos ganhos de capital, das demais receitas e dos resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade, no mês em que forem auferidos, inclusive: 35. Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. 36. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. 37. Pelo exposto, o ganho de capital deve compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Relator Conselheira Eva Maria Los Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10540.721329/201387 Acórdão n.º 1201001.596 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 862DF CARF MF
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