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Numero do processo: 10280.903728/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITOS DE COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 28 /2 01 2- 91 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.128. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002150/2001-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls.123/124, no valor de R$400.000,00. Segundo discriminado no pedido de fl. 123 que retificou o formulário de fl. 03, o crédito utilizado na compensação é de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996 e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 2º trimestre de 2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 02 15 0/ 20 01 -8 8 Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 3 2 Processo Protocolo Crédito Presumido utilizado na compensação (2° Trim/2001) 10320.001325/200130 27/07/2001 800.000,00 10320.002150/200188 27/11/2001 400.000,00 Total: 1.200.000,00 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.666, às fls. 608/625, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/ JFA/MG, em de 19/03/2010. Nesse contexto, seguiram se os encaminhamentos abaixo relatados. De início, a DRF/São Luis entendeu ser incompetente para a verificação da legitimidade dos créditos, em razão da obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido (fls. 31/34), remetendo o processo para a Derat/Rio de Janeiro. Por sua vez, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 37/44), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 123), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 160/167, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 173/183. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 4 3 Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de Diligência de fls. 226/227. Em resposta, a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 369/370, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 383/398. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 438/442, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 573. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificada da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 582/589. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nesse a solicitação de perícia técnica. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 0928.666, em 19/03/2010, às fls. 608/625. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 5 4 relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que a manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificada do acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 631/649, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 380100.894, de 01/09/2011, às fls. 356/3721. Por maioria de votos decidiu o colegiado: “reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito”. O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido no CARF. Os autos retornaram à DRJ/JFA/MG para novo julgamento. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0944.594, de 17/06/2013, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e reconheceu parcialmente o direito créditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 1) CONSUMO DE CRÉDITOS ANTERIORMENTE AO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, petições deferidas, formuladas nos processos 10320.001933/0056 e 10320.002036/0079, resultam no indeferimento do montante de direito creditório ora pleiteado, pois naqueles processos o crédito ora reconhecido foi totalmente consumido. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 6 5 A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no segundo trimestre de 2001, independentemente do resultado do processo 10320.001220/200695; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 7 6 em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento . (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1380DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.002592/2004-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. MULTA. POSSIBILIDADE.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do Decreto-Lei nº 37/66.
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo gestor da Unidade preparadora, trata-se de um instrumento de controle da administração. No presente caso, o gestor apenas assinou o MPF, não participou do julgamento do lançamento, o auto de infração contêm a correta descrição dos fatos e o devido enquadramento legal das infrações cometidas, estão revestidos da suficiente motivação para a sua eficácia.
Numero da decisão: 9303-007.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. MULTA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo gestor da Unidade preparadora, tratase de um instrumento de controle da administração. No presente caso, o gestor apenas assinou o MPF, não participou do julgamento do lançamento, o auto de infração contêm a correta descrição dos fatos e o devido enquadramento legal das infrações cometidas, estão revestidos da suficiente motivação para a sua eficácia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 25 92 /2 00 4- 61 Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.086 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3202000.675, de 19/03/2013, que possui a seguinte ementa, transcrita a seguir, nas partes que interessa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGADOR ASSINOU O MPF COMO INSPETOR DA ALFÂNDEGA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância quando a autoridade julgadora apenas assinou o MPF autorizando a fiscalização da empresa, sem ter participado da autuação nem dos atos praticados pela fiscalização tendentes à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE PARECER JURÍDICO JUNTADO APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO. No processo administrativo fiscal, a apreciação de qualquer documento juntado após apresentada a impugnação só é autorizada quando preenchida pelo menos uma das condições impostas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.087 3 de recurso de matéria não suscitada na instância a quo ou de alegações genéricas que não apontem expressamente a matéria contestada. (...) FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso, fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada, capitulada no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64. Preliminares de nulidade rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso parcialmente provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (...) A Fazenda Nacional, por seu Procurador, manifestouse pela não interposição de recurso especial de divergência (fl. 1.568). A Contribuinte foi cientificada do Acórdão do Recurso Voluntário em 04/06/2015 (fl. 1.793), e não apresentou qualquer manifestação. O Sujeito Passivo Solidário foi cientificado do Acórdão do Recurso Voluntário em 07/05/2015 (fl. 1.780) do qual interpôs recurso especial de divergência, em 21/05/2015 (fl.1.798). A divergência foi suscitada pelo sujeito passivo quanto às seguintes matérias: 1 Aplicação da penalidade prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64, que entende incorreta em razão da existência do registro de declaração de importação; 2 Direito à suscitar novos argumentos e jurisprudência em relação à matéria prequestionada; 3 Nulidade da decisão da DRJ em razão de impedimento de autoridade julgadora em razão de sua participação no julgamento e da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal e por falta de apreciação de parecer jurídico. Para comprovar o dissenso quanto à primeira matéria, foram colacionados como paradigmas no recurso, os Acórdãos nºs 30238.072 (fls. 1.852/1.883) e 3401002.685 (fls. 1.884/1.890), com cópias de inteiro teor extraída do sítio do CARF, quanto à segunda matéria, foi colacionado como paradigma no recurso, o Acórdão nº 1402001.214 (fls. 1.891/1.931), referente à terceira matéria, foram colacionados como paradigmas no recurso, dentre outros, os Acórdãos nºs 310100.361 (fls. 1.932/1.941) e 302 39.260 (fls. 1.942/1.977). Em seguida, o Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, em relação as seguintes matérias: (i) aplicação da penalidade prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64 (art. 463, I RIP/98) e (ii) nulidade da decisão da DRJ em razão de impedimento da autoridade julgadora, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 2029/2035. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.088 4 Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em manter na integra o despacho do presidente da seção, que deu seguimento parcial ao recurso interposto. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, quanto a validade da aplicação de multa correspondente ao valor comercial da mercadoria colocada a consumo, art. 83, I da lei 4502/64, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.236, de 13 de setembro de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Aplicação da multa de ofício Como bem relatado, tratase de auto de infração lavrado para se exigir a multa perpetrada às importações realizadas durante o ano de 2000, em decorrência da acusação de que o sujeito passivo entregou a consumo ou consumiu produtos de procedência estrangeira importados de forma fraudulenta, por violação ao art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º, do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto 2.637/98. O voto da relatora entendeu por dar provimento ao recurso especial, fundamentando seu entendimento com base no voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza proferido no acórdão nº 3202001.340, o qual transcreve em seu voto. Por sua vez, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza utilizou o voto da ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no Acórdão nº 3202000.586. Ocorre que nesse citado Acórdão, da Conselheira Irene, o fato gerador da infração deuse em 2004 e no presente processo estamos falando de fato gerador ocorrido em 2000. Tal informação faz uma grande diferença e, inequivocamente, as conclusões constantes do voto da Conselheira Irene não são aplicáveis às infrações Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.089 5 apuradas no anocalendário de 2000. Tanto é verdade, que o próprio Conselheiro Charles, reconhecendo o equívoco, votou agora contra o seu próprio entendimento exarado no citado acórdão. A Conselheira Irene, no Acórdão nº 3202000.586, concluiu que na data do fato gerador, 2004, apesar de ainda estar vigente o art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64, existia uma penalidade mais específica prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1455/76 com sua redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Abaixo transcrições do referido voto em que fica claro esse entendimento: Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima disto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. (destaquei) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. (...) Porém, no presente processo estamos lidando com fato gerador da infração de 2000, quando não havia uma penalidade mais específica para as situações em causa. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.090 6 A única infração prevista era a do art. 83, inc. I da Lei nº 4.502/64, a qual se amolda perfeitamente aos fatos relatados. Veja a sua redação: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; Agora, transcrevese a acusação fiscal retirada do auto de infração, fl. 8386, a qual demonstra a prática da infração cuja tipicidade, no meu entendimento, se encaixa no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64: As autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda (denominada a seguir como "TCE") e SDW Serviços Empresarias Ltda (referida aqui como "SDW) consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, foram cometidas pelas empresas auditadas, razão da lavratura deste Auto de Infração com fundamento, principalmente, no art. 83, inciso I, da Lei n°4.502/64, no art. 1º , alteração 2ª, do DecretoLei n°400/68regulamentado pelo art.463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), in verbis: (...) Por isso, ficam os autuados sujeitos ao pagamento de multa regulamentar de RS 94.734.141,08 (noventa e quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e quarenta e um reais e oito centavos), equivalentes ao valor da mercadoria constante do demonstrativo anexo, às fls.628/640. Neste caso, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas e provadas nesta peça são referentes às operações internacionais de comércio exterior ocorridas em 2000. (...) Além do mais todas as jurisprudências colacionadas no voto da relatora referemse a fatos geradores ocorridos após a vigência da Lei nº 10.637/2002. Nesse sentido, apenas para ilustrar, colaciono abaixo duas ementas em que houve a manutenção da multa prevista no art. 83, inc. I da Lei nº 4502/64 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.091 7 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso Especial do Procurador Provido.(Acórdão CSRF nº 9303003818, de 27/04/2016, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Processo nº 13971.000404/200408). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004, 2005 MULTA Lei 4.502/1964, artigo 83, inciso I. Deve ser mantida a multa correspondente ao valor comercial da mercadoria quem entrega a consumo mercadorias (1) importadas irregularmente, por ausência de prova da regular importação, e (2) que tenham entrado no estabelecimento desacompanhadas de nota fiscal, caracterizada a infração pelo emprego de notas falsas. Recurso Improvido. .(Acórdão nº 3301002119, de 26/11/2013, relatoria do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Processo nº 10830.720952/200890). Por fim, não tem razão a relatora ao defender a retroatividade da Lei 10.637/2002 com base no § 1º do art. 144 do CTN. Veja o que dispõe referido dispositivo: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (Destaquei) Óbvio que o dispositivo legal está referindose a retroatividade da Lei quando determina novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, está tratando de direito processual e não de direito material. As infrações tributárias e suas correspondentes penalidades é assunto correspondente a direito material não se aplicando a retroatividade pretendida. Abaixo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do alcance do § 1º do art. 144 do CTN: Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.092 8 TRIBUTÁRIO – NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL – APLICAÇÃO INTERTEMPORAL – UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 2. Não existe direito adquirido de impedir a fiscalização de negócios que ensejam fatos geradores de tributos, máxime porque, enquanto não existe o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1011596 SP 2007/02877312, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 17/04/2008, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/05/2008) (Destaquei) Por fim, deixo de enfrentar a ocorrência ou não da fraude na emissão das invoices, pois essa matéria, por equívoco da relatora, não foi levada à discussão e ao debate da turma julgadora. Como foram julgados dois processos da mesma pessoa jurídica na mesma sessão de julgamento, esqueceuse de destacar as matérias diferenciadas entre eles e o debate restringiuse à possibilidade ou não da aplicação da multa, que é o objeto desse voto vencedor". Quanto a nulidade por ter a autoridade julgadora participado do lançamento. Não é verdade. Ela somente assinou o Mandado de Procedimento Fiscal, como gestor da Unidade, ademais o procedimento realizado tratase de um instrumento de controle da administração, mas de fato não participou do lançamento. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os requisitos para lavratura do auto de infração, por sua vez, se encontram no art 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.093 9 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os itens III descrição do fato e IV disposição legal infringida e a penalidade aplicável, colacionados acima, formam a motivação do lançamento a partir da qual surge a obrigação tributária em concreto, possibilitando identificar os sujeitos e quantificar o crédito tributário. Na lição de Paulo de Barros Carvalho1: "Motivo ou pressuposto é a realização do "evento", do qual tem notícia o agente da Administração Não é ainda o "fato jurídico tributário" que vai surgir na forma de um enunciado lingüístico, integrado no conteúdo do ato. É aquele acontecimento do inundo que feriu a sensibilidade de um sujeito de direito e está a espera da linguagem própria que lhe dê foros de objetividade." Há que se diferenciar ainda o motivo do ato administrativo da motivação, que integra a "formalização" do ato. Nos dizeres de Fabiana Del Padre Tomé2, motivo é requisito extrínseco ou pressuposto do ato administrativo, ao passo que a motivação é requisito intrínseco ou elemento do referido ato: "Enquanto o motivo é pressuposto fático do ato, representado pela "ocorrência da vida real que _satisfaz a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese tributária", a motivação compõe o próprio ato administrativo, consistindo na descrição do motivo do ato, situada no antecedente da norma individual e concreta. Tratandose de ato de lançamento, o motivo é o evento tributário, ao passo que a motivação constitui o .fato jurídico correspondente O mesmo se verifica no ato de aplicação de penalidade: o motivo é o evento ilícito, sendo o fato da ilicitude introduzido no universo jurídico pela motivação." Sendo assim, entendo que não se configura nos autos as hipóteses que possam conduzir o auto de infração a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional CTN e dos arts. 9 e 10 do PAF. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Direito tributário liguagem e método 2 ed. São Paulo, Noeses, 2008, p. 432. 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Prova no direito tributário 2 ed São Paulo: Noeses, 2008, p. 289293 Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.094 10 (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2094DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727104/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 04 /2 01 4- 03 Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 3193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720142/2016-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Demonstrado que os rendimentos são oriundos de pensão, e que os laudos periciais são oficiais e atestam a doença no período compreendido, a contribuinte faz jus à isenção.
Numero da decisão: 2002-000.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. Demonstrado que os rendimentos são oriundos de pensão, e que os laudos periciais são oficiais e atestam a doença no período compreendido, a contribuinte faz jus à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 42 /2 01 6- 99 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10380.720142/201699 Acórdão n.º 2002000.297 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.37/40) contra decisão de primeira instância (fls.26/31), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte identificada nos autos foi lavrada Notificação de Lançamento sobre o Imposto de Renda da Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2012, exercício 2013, fls. 13/18, para formalização da exigência do imposto de renda pessoa física suplementar (2904) no valor de R$ 9.451,17, acrescido de multa de ofício no valor de R$ 7.088,37 e juros de mora calculados até 30/12/2015. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 15 referese a: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. 2. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 15. Inconformada, com a exigência, da qual foi cientificada por via postal, em 06/01/2016, a contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2016, fls. 02, alegando o que se segue: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10380.720142/201699 Acórdão n.º 2002000.297 S2C0T2 Fl. 4 3 A contribuinte anexou aos autos documentos de folhas 04/07. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS ISENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Conforme art. 111 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN, as regras de isenção devem ser interpretadas literalmente. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecido o imposto de renda retido na fonte informado na declaração, quando comprovada a sua retenção. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. Adicionalmente, em 08/12/2016, protocolou novo Recurso Voluntário (fls.88/95) e solicitação de sustentação oral (fl.96). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10380.720142/201699 Acórdão n.º 2002000.297 S2C0T2 Fl. 5 4 A contribuinte foi notificada em 07/06/2016 (fl.78); Recurso Voluntário protocolado em 25/05/2016 (fl.37), assinado por procurador legalmente constituído (fl.41). A r. decisão de origem, entendeu que a isenção do Imposto de Renda no caso presente, para ser reconhecida teria que preencher os seguintes requisitos: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. Diz ainda a r. decisão, “que no caso concreto, observase que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadorias pagas pelo Ministério da Fazenda e pelo Ministério da Saúde. Não foram anexados aos autos documentos comprobatórios de que tais rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão”. Assim não resta dessa forma, comprovado o primeiro requisito. Em sede de Recurso Voluntário, a recorrente junta aos autos o doc. de fl.42, cujo teor segue: “Declaração. Declaro para os devidos fins que Diana de Mesquita Siqueira, matrícula SIAPE nº 00108847, recebe Pensão da Lei 3373/78 combinada com a Lei 6782/80, da exservidora falecida Maria José de Mesquita Siqueira, matrícula SIAPE nº 0146473, desde 08.04.1986, data do óbito.” Assim desta forma, a recorrente faz prova suficiente, que é de fato e direito pensionista, ainda destaco que a r. decisão revisanda, que o valor lançado de R$ 22.258,24, lançado como Omissão de Rendimentos Recebidos do CNPJ: 00.394.544/021263 (Ministério da Saúde), foi devidamente declarado, merecendo reparo o feito fiscal. Pois bem, provada a origem dos rendimentos, passamos a analisar a doença da recorrente. Diz o Laudo Pericial de fl.4, elaborado pela Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda: “Tratase de solicitação para que seja configurado que a interessada era portadora de Neoplasia Maligna em 2008. Temos a informar que existe documento hábil às fls. 21 a 23 referindo ser a interessada na ocasião portadora de patologia elencada no CID X como C 50. Documento datado de 18.09.2008.” O Laudo Médico, acostado aos autos à fl.74, elaborado pelo SIASS, do Ministério da Fazenda, diz que: “O examinado não apresenta nenhuma das doenças especificadas no art 1º da Lei 11052/04, em atividade no momento. mais abaixo, no campo de Observação diz o seguinte: Observação: Neoplasia Maligna sem evidência de doença ativa no momento.” Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10380.720142/201699 Acórdão n.º 2002000.297 S2C0T2 Fl. 6 5 Nesta esteira de pensamento, entende este relator que no período de setembro de 2008 até junho de 2015, a recorrente fez jus a isenção. Como neste processo discutese o anocalendário 2012, a recorrente está amparada. Reformo a r. decisão. No que pertine a glosa do valor de R$ 18,94, esta deve ser mantida, pois percebo que há divergência entre o valor da DAA e da DIRF. Veja, sobre a fonte pagadora Ministério da Fazenda, na DAA o contribuinte aponta como IRRF o valor de R$ 1.253,82 (fl.8), enquanto que na DIRF de fl. 45 o valor de imposto retido na fonte é de R$ 1.234,88. Prevalece a DIRF. Mantenho a glosa. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000029/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 9/ 20 10 -8 6 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 12571.000029/201086 Resolução nº 3301000.746 S3C3T1 Fl. 164 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12571.000029/201086 Resolução nº 3301000.746 S3C3T1 Fl. 165 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10740.720032/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N° 46.
A coleta dos depoimentos de terceiros e demais provas e informações diversas, sem intimação prévia do contribuinte, não implica em ilegalidade do lançamento, isso porque o contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Nesse sentido, a Súmula CARF n° 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Não há falar-se em nulidade da decisão de primeira instância proferida por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
A multa de ofício qualificada aplicada sobre o valor não recolhido/inadimplido de PIS e COFINS decorre estritamente das prescrições do art. 44, I, §1° da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 71, I da Lei nº 4.502/1964. Por sua vez, a multa isolada sobre o valor de débitos indevidamente compensados é multa autônoma em relação a qualquer tributo exigido, cujo enquadramento legal é art. 18, caput e §2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. As materialidades das duas multas são distintas, a multa de ofício qualificada sanciona ao não recolhimento de PIS e COFINS, tendo como base de cálculo, necessariamente, os tributos não pagos, ao passo que a multa isolada apena a compensação não homologada em face da fraude comprovada.
Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N° 46. A coleta dos depoimentos de terceiros e demais provas e informações diversas, sem intimação prévia do contribuinte, não implica em ilegalidade do lançamento, isso porque o contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Nesse sentido, a Súmula CARF n° 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há falar-se em nulidade da decisão de primeira instância proferida por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. A multa de ofício qualificada aplicada sobre o valor não recolhido/inadimplido de PIS e COFINS decorre estritamente das prescrições do art. 44, I, §1° da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 71, I da Lei nº 4.502/1964. Por sua vez, a multa isolada sobre o valor de débitos indevidamente compensados é multa autônoma em relação a qualquer tributo exigido, cujo enquadramento legal é art. 18, caput e §2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. As materialidades das duas multas são distintas, a multa de ofício qualificada sanciona ao não recolhimento de PIS e COFINS, tendo como base de cálculo, necessariamente, os tributos não pagos, ao passo que a multa isolada apena a compensação não homologada em face da fraude comprovada. Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.522 1 2.521 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720032/201429 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301004.847 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria BIS IN IDEM NA APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N° 46. A coleta dos depoimentos de terceiros e demais provas e informações diversas, sem intimação prévia do contribuinte, não implica em ilegalidade do lançamento, isso porque o contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Nesse sentido, a Súmula CARF n° 46: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não há falarse em nulidade da decisão de primeira instância proferida por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. A multa de ofício qualificada aplicada sobre o valor não recolhido/inadimplido de PIS e COFINS decorre estritamente das prescrições do art. 44, I, §1° da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 71, I da Lei nº 4.502/1964. Por sua vez, a multa isolada sobre o valor de débitos indevidamente compensados é multa autônoma em relação a qualquer tributo exigido, cujo enquadramento legal é art. 18, caput e §2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. As materialidades das duas multas são distintas, a multa de ofício qualificada sanciona ao não recolhimento de PIS e COFINS, tendo como base de cálculo, necessariamente, os tributos não pagos, ao passo que a multa isolada apena a compensação não homologada em face da fraude comprovada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 32 /2 01 4- 29 Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.523 2 Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório O contribuinte interpôs Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3301 002.847, de 24 de fevereiro de 2016, efls. 24672483, desta 1ª Turma Ordinária, que negou provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, com decisão assim ementada: MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A multa isolada imposta em razão da compensação indevida possui previsão legal, não sendo possível o seu afastamento. O argumento do caráter confiscatório da multa encontra óbice na súmula n. 2 deste Conselho. MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. DISPOSITIVO LEGAL QUE IMPUNHA A PENALIDADE REVOGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Conforme determina o artigo 106, inciso II, "a" do Código Tributário Nacional, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento (parágrafo 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 revogado pela MP nº 656/2014) impõe o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.524 3 Recurso Voluntário Negado. Recurso de Ofício Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). Voto vencedor a cargo do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. Cito o relatório da decisão embargada para delimitação da controvérsia em sua origem: Tratase de auto de infração lavrado em face da empresa Nicchio Sobrinho Café S.A., por meio do qual foi imposta a cobrança de multas isoladas em razão do cometimento das seguintes infrações: (i) compensação indevida de valores em PER/DCOMP, mediante a utilização de créditos de COFINS apropriado sobre notas fiscais de empresas de fachada e/ou cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12); (ii) pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, hipótese enquadrada nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10 (multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando R$ 7.948.066,39). Destaquese que o presente auto de infração versa tão somente sobre as referidas multas isoladas, enquanto a cobrança da COFINS decorrente da glosa dos créditos integrais e da respectiva recomposição das bases de cálculo com base no crédito presumido (aquisições de pessoas jurídicas foram consideradas fraudulentas) encontrase consubstanciada em vários outros processos administrativos. (...) Em ambos os casos o Auto de Infração faz referência ao “Termo de Encerramento de Ação Fiscal nº 031537/2013” (fls. 1.896 a 2.073) no qual a fiscalização informa, em apertada síntese, que a interessada efetuou pedidos de ressarcimento e compensação de créditos de PIS e Cofins derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições, para todos os trimestres do ano de 2011. Em razão da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, foi apurada falta/insuficiência de recolhimento das contribuições o que ensejou o lançamento de ofício tratado no âmbito do processo administrativo nº 10740.720030/201430, já apreciado por esta DRJ. Houve ainda o indeferimento total dos pedidos de ressarcimento e das compensações vinculadas, com exceção do 3º trimestre, para o qual foi reconhecido parte do crédito pleiteado, tanto para o PIS quanto para a Cofins. Para análise dos pedidos de ressarcimento e compensação foram gerados processos específicos para cada tributo e trimestre em análise, também já apreciados por este colegiado. Cientificada em 16/05/2014 a interessada apresentou em 12/06/2014 a impugnação de folhas 2.092 a 2.188, na qual alega, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF nº 10740.720030/201430, em resumo, que: Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.525 4 ∙ se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; ∙ a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; ∙ o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; ∙ os elementos probatórios trazidos ao processo encaixamse no conceito de prova ilícita, pois a ação penal na qual se encontra vinculada (autos n. 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região; ∙ o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; ∙ as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; ∙ não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; ∙ as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; ∙ ao adquirir ‘café cru em grão’ o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; ∙ o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; ∙ a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; ∙ na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; ∙ o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6º do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; ∙ em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem “café cru em grão”; Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.526 5 ∙ a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1ª etapa, agora, fornecedora, vende “café cru em grão” beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; ∙ nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato não cooperativo; ∙ se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; ∙ a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; ∙ somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; ∙ se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; ∙ responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; ∙ a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; ∙ afigurase ilegal a aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos, pois o § 16° do art. 74 do Lei n. 9.430/94 estabelece como hipótese de aplicação da penalidade em questão o crédito "obtido", isto é, aquele pago, ressarcido em pecúnia ao contribuinte. Ocorre que, no caso dos autos, a Impugnante sequer foi ressarcida. A autoridade fazendária indeferiu os pedidos de ressarcimento. Nesse contexto, descabe a aplicação do § 16, do art. 74; ∙ pesam sobre o mesmo fato gerador (pedido de ressarcimento do valor de R$ 1.681.334,37) as elevadíssimas multas de 150% (cento e cinquenta por cento) e 100% (cem por cento), conforme esclarecido nos itens 01 e 02 do auto de infração em decomposição. Tratandose do mesmo fato gerador, a aplicação concomitante de 02 (multas) constitui hipótese de non bis in idem, vedada pelo ordenamento jurídico; ∙ não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do não confisco. Alegou o Embargante que houve omissão, por parte do relator do voto vencedor, quanto à questão da existência de bis in idem no lançamento da multa isolada de 150% sobre compensações não homologadas (efl. 2502); e omissão, por parte da relatora originária, no voto vencido, quanto à apreciação de alguns argumentos do recurso voluntário. Os embargos de declaração foram admitidos parcialmente, nos termos do Despacho de efls. 25182520: Relativamente à omissão apontada no voto vencedor, verifico que realmente o colegiado, por maioria de votos, negou Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.527 6 provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa isolada por compensação indevida no patamar de 150%, vencida a ilustre relatora, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No recurso voluntário, um dos argumentos para o afastamento dessa multa isolada foi a existência de bis in idem em relação à multa proporcional ao valor do imposto, também lançada no patamar de 150% , no processo principal (10740.720030/2014 30). Ocorre que o voto vencedor realmente não se manifestou quanto à alegação da existência do bis in idem, o que configura omissão passível de ser sanada por meio dos embargos declaratórios, a teor do art. 65 do RICARF. Relativamente às omissões no voto vencido, verificase que várias delas se referem às questões de mérito quanto à existência do crédito, e o voto vencido deixou transparecer que elas poderiam ter sido objeto de análise no processo principal. Entretanto, as omissões apontadas nos itens "a" e "b" acima, referentes às supostas nulidades, não foram objeto de apreciação no voto vencido. Dessa forma, o julgamento destes Embargos voltase a sanar as seguintes omissões: Alegações do recurso voluntário de: a) nulidade do acórdão recorrido por ausência de motivação, CF, art. 93, X e, b) evidente cerceamento de defesa e da nulidade do processo administrativo. Ilegalidade do r. acórdão recorrido. Supressão às garantias do contraditório e da ampla defesa. CF, art. 5°, inciso LIV e LV. Lei n° 9.784/99, art. 2°, X, art. 3°, III e art. 38. E, a existência ou não de bis in idem no lançamento da multa isolada de 150% sobre compensações não homologadas e o lançamento de multa de ofício qualificada. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Conheço dos presentes embargos de declaração, nos termos do despacho de admissibilidade. Passo a sua análise a seguir. Nulidade do acórdão recorrido por ausência de motivação, CF, art. 93, X Neste tópico do recurso voluntário, o Embargante alega que a decisão da DRJ é nula, pois não analisou os fundamentos delineados na impugnação no tocante à legalidade da cobrança de PIS/COFINS. Por isso, ausente a motivação. Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.528 7 A decisão de piso vinculou a matéria deste processo com outros processos, da seguinte forma: Todos os pontos levantados sobre as glosas de crédito, utilização indevida de crédito das contribuições ao PIS e COFINS e conduta dolosa da interessada já foram examinados par esta turma de julgamento tendo sido proferidos os Acórdãos nºs 12 68.667, 1268.666, 1269.294, 1269.083, 1268.668, 1268.669, 1269.084, 1269.085 17ª Turma da DRJ/RJO, exarados nos processos administrativos nºs 10783.904409/201313, 10783.904411/201392, 10783.904412/201337, 10783.904413/201381, 10783.904414/201326, 10783.904415/201371 e 10783.904416/201315, respectivamente, que mantiveram integralmente os Despachos Decisórios combatidos. Apreciase neste processo tão somente a imposição de multas isoladas em razão de compensação indevida efetuada em declaração apresentada com falsidade e constituição de multa isolada em razão de ressarcimento indevido pleiteado pelo sujeito passivo. Ressaltese que a cobrança de PIS e COFINS decorrentes da glosa dos créditos integrais e da respectiva recomposição das bases de cálculo com base no crédito presumido (aquisições de pessoas jurídicas foram consideradas fraudulentas) foi objeto de auto de infração controlado no processo n° 10740.720030/201430, já julgado pelo CARF: Acórdão n° 3402002.869, j. 26/01/2016 AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO COM PESSOA JURÍDICA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das contribuições sociais não cumulativas, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições de pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, aplicável às aquisições de pessoas físicas. Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.529 8 Por sua vez, o acórdão embagado manteve a cobrança de multa isolada em razão da compensação indevida de valores em PER/DCOMP, mediante a utilização de créditos de COFINS apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada e/ou cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas). Entendo não haver nulidade, pois desde a origem, a decisão do processo n° 10740.720030/201430 deve ser aplicada neste presente processo. Nesse sentido, a própria relatora do acórdão embargado apontou: Ou seja, restou julgado no referido processo que as compensações realizadas pelo contribuinte foram indevidas e que houve simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas, pelo que restaram mantidas as diferenças apuradas pela fiscalização, bem como a imposição da multa qualificada no percentual de 150%. Diante de tal julgamento, não cabe à presente Turma Ordinária, nesta oportunidade, analisar novamente esta matéria de fundo, limitandose à análise do cabimento da imposição da multa isolada aqui aplicada, em razão da compensação já definida como indevida. Ademais, o art. 59, II do Decreto n° 70.235/72 prescreve quanto à nulidade dos atos administrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e não cerceou o direito de defesa do contribuinte. Assim, afasto a preliminar de nulidade da decisão de piso. Cerceamento de defesa e da nulidade do processo administrativo. Ilegalidade do r. acórdão recorrido. Supressão às garantias do contraditório e da ampla defesa. CF, art. 5°, Inciso LIV e LV. Lei n° 9.784/99, art. 2°, X, art. 3°, III e art. 38 Sustenta o Embargante que os autos de infração são nulos, e consequentemente, todo o processo administrativo, em virtude de não lhe ter sido dada a oportunidade de influir na coleta dos depoimentos dos produtores, dos corretores de café etc. Ocorre que as provas colacionadas aos autos são provenientes das investigações originadas na operação fiscal Tempo de Colheita deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, e da operação Broca, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A empresa teve acesso a todos os depoimentos e documentos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.530 9 ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o recurso voluntário, nessas oportunidades demonstrou o seu amplo conhecimento dos fatos. A coleta dos depoimentos de terceiros e demais provas e informações diversas, sem intimação prévia do contribuinte, não implica em ilegalidade, isso porque o contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Nesse sentido, a Súmula CARF n° 46 dirime a questão: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Ademais, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, o que permitiu ao contribuinte identificar o fundamento da exigência fiscal. Por outro lado, também não vislumbro outras nulidades no auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, pois restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Desse modo, devem ser afastadas as alegações de nulidade, pois são retóricas, genéricas e desprovidas de qualquer elemento de prova. Bis in idem no lançamento da multa isolada de 150% sobre compensações não homologadas e o lançamento de multa de ofício qualificada As glosas dos créditos básicos de PIS e COFINS tiveram como fundamento a simulação de operações de compra de café de produtores rurais (pessoas físicas), mediante a utilização de pessoas jurídicas fictícias e/ ou criadas com o fim específico de simular as compras como se fossem destas, com vistas a gerar créditos das contribuições. A fiscalização demonstrou que as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais, em valores elevados, não tinham capacidade financeira nem espaços físicos que permitissem tais operações, sendo que a maioria delas eram inativas perante a Secretaria da Receita Federal. As notas fiscais, a documentação contábil, os depoimentos, todo o material anexado aos autos comprovam a operação simulada na compra do café, ou seja, foram colocadas fraudulentamente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do café, as empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e COFINS em sua integralidade. O acórdão n° 3402002.869, do processo n° 10740.720030/201430, reconheceu ter a autoridade fiscal demonstrado que as aquisições de pessoas jurídicas por parte Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.531 10 do contribuinte em nome das comprovadas empresas de fachada foram usadas para dissimular as reais aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), por isso foram glosados os créditos integrais de PIS (1,65%) e COFINS (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; pois o correto seria a apropriação dos créditos presumidos. Então, sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas, foi mantida a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados pelo contribuinte. Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a empresa tem direito ao respectivo crédito presumido, reconhecido pela fiscalização, uma vez que o café destinado à revenda é beneficiado, padronizado, preparado e separado por densidade dos grãos com redução dos tipos da classificação e posteriormente vendido para o mercado interno e externo. Por conseguinte, foi necessária e obrigatória a recomposição dos saldos dos créditos decorrentes das operações fiscalizadas, o que resultou no lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS. Logo, estáse diante de insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS. Sobre o saldo a recolher foi aplicada a multa de oficio qualificada. Isso porque ficou comprovada a participação do autuado no esquema de fraude com o objetivo de gerar créditos fictícios de PIS e Cofins, passíveis de desconto dos valores das contribuições apuradas sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento do saldo credor apurado no trimestre. Dito de outra forma, comprovado que as operações de compras de café que geraram os créditos aproveitados foram simuladas, glosamse os valores indevidamente creditados, exigindose de ofício as diferenças apuradas de tributo, decorrentes dessas glosas. E, o aproveitamento de créditos básicos, mediante a simulação de operações que não correspondem à realidade da transação comercial, inclusive, com compras de notas fiscais e/ ou emitidas com o fim específico de gerar os créditos fictícios, implica na qualificação dessa multa de ofício. A multa de ofício qualificada aplicada sobre o valor não recolhido/inadimplido de PIS e COFINS (digase novamente foi objeto do processo n° 10740.720030/201430) foi capitulada no art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430/1996, que assim dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei nº 4.502/1964, define fraude e conluio: Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.532 11 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Então, o acórdão do processo n° 10740.720030/201430 entendeu como caracterizados tanto a fraude como o conluio: a fraude ficou demonstrada na emissão de notas fiscais de empresas pseudoatacadistas criadas com o fim específico de gerar créditos fictícios de PIS e COFINS, na compra de notas fiscais e na simulação de operações de compras de café de produtores rurais, como se fossem de atacadistas. Já o conluio se deu pelo acerto entre as partes envolvidas, pois o esquema fraudulento deu ganhos a todos os envolvidos: a Nicchio Sobrinho Café se apropriou de créditos fictos, os pseudoatacadistas lucraram com a venda da nota fiscal e os corretores/corretoras ganharam comissão na corretagem. Por sua vez, a multa isolada sobre o valor de débitos indevidamente compensados foi de 150%. Dizse isolada, a multa autônoma em relação a qualquer tributo exigido. O enquadramento legal desta penalidade está art. 18, caput e § 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). O art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 prescreve: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301004.847 S3C3T1 Fl. 2.533 12 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Entendeu o acórdão embargado que restou configurada a fraude por parte do contribuinte na obtenção de créditos fictícios, por isso concluise pela procedência do lançamento da multa isolada no percentual aplicado. O princípio do non bis in idem é limite imposto à Administração Pública que veda a aplicação da segunda sanção ao sujeito passivo já apenado pela prática da mesma conduta. Entretanto, as materialidades das multas são totalmente diferentes. A multa de ofício qualificada sanciona ao não recolhimento de PIS e COFINS, tendo como base de cálculo, necessariamente, os tributos não pagos. Dessa forma, o PIS e a COFINS a pagar resultante da recomposição dos créditos a descontar foram lançados com a multa de ofício qualificada em razão da utilização de notas fiscais fraudadas. Ao passo que a multa isolada apena a compensação não homologada em face da fraude comprovada. Após o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES que reconheceu parte dos créditos pleiteados nos PER/DCOMPs, a fiscalização efetuou a conciliação do valor dos créditos apurados na auditoria com o valor dos débitos, objeto de pedido de compensação DCOMP, resultando em débitos indevidamente compensados (nãohomologados) sobre os quais a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% que trata o art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Em suma, entendo não se tratar de bis in idem, em virtude das duas multas sancionarem condutas diversas. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000284/2008-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 84 /2 00 8- 55 Fl. 232DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 206 a 217) em face do Acórdão nº 2403001.504, proferido na Sessão de 11 de julho de 2012 (fls. 194 a 205) e que deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao Fl. 233DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 3 3 contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O recurso visa rediscutir a retroatividade benigna das multas em razão da mudança legislativa introduzida pela MP/449 (cesta de multas). O Presidente da 4ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de Admissibilidade de efls. 219 a 222. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; que esta lei, ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, introduziu o art. 35 A pelo qual instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais, adotando a mesma sistemática da aplicada aos demais tributos; que à semelhança do que acontece com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento dos tributos devidos e não declarou na GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores, cumpre à Fiscalização aplica a multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a incidência da multa de mora deve ocorrer naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta a Fazenda Nacional que: “...no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei nº 8.212,...” E acrescenta à guisa de conclusão: Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Fl. 234DF CARF MF 4 Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Cientificado do Acórdão nº 2403001.504, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme se atestou no Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 219 a 222, o qual não merece reparos. Conheço, portanto do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata as alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 4 5 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 236DF CARF MF 6 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 5 7 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas anteriormente (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 238DF CARF MF 8 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 240DF CARF MF 10 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 241DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 7 11 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação Fl. 242DF CARF MF 12 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face ao exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14755.000145/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/05/2002
DRAWBACK NECESSIDADE DE PROVA DO CUMPRIMENTO DO REGIME
Para que seja considerado adimplido o Regime Aduaneiro Especial denominado Drawback é necessário que o contribuinte prove que a mercadoria foi exportada ou devidamente utilizada no processo produtivo.
DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação.
Numero da decisão: 3302-005.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório ao Registro de Exportação no momento previsto pela legislação. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará as razões da conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório ao Registro de Exportação no momento previsto pela legislação. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará as razões da conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 5. 00 01 45 /2 00 6- 96 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 3 2 Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de processo administrativo por meio do qual se exige da Recorrente valores relativos ao descumprimento de obrigações relativas ao Regime Aduaneiro Drawback. No caso concreto, à Recorrente é imputado o fato de não haver vinculado os registros de exportação por meio dos quais teria sido exportada a mercadoria industrializada com os produtos extrangeiros. Por bem redigir os fatos de forma sintética, transcrevese o relatório da DRJ. "Em desfavor da pessoa jurídica NORFIL S/A INDUSTRIA TÊXTIL, foi lavrado auto de infração no intuito de promover a cobrança de imposto de importação, juros de mora e multa de ofício que, somados, perfazem R$ 607.125,68. Conforme consignado em relatório de Auditoria Fiscal que é parte integrante do auto de infração, a autuada beneficiouse de regime de drawback, na modalidade suspensão e, segundo consignado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão responsável pela concessão do regime, teria inadimplido integralmente os compromissos assumidos, na medida em que deixara de comprovar a realização das exportações. Esclarece, ainda a mesma autoridade que a comprovação das exportações somente será admitida mediante a apresentação de registros de exportação que preencham as formalidades fixadas pela Portaria Secex nº 14, de 2004. Nesse sentido, observa que os Registros de Exportação (RE) apresentados pelo sujeito passivo em cumprimento à intimação recebida quando do início do procedimento fiscal descumpriram tais exigências, seja porque foram alvo de solicitação de retificação intempestiva, seja porque se encontravam vinculadas a outro tipo de operação. Aponta que, em consulta ao Sistema Integrado do Comércio Exterior Siscomex módulo Drawback Eletrônico, confirmouse que a Secex não considerara qualquer dos RE para efeito de cumprimento do regime, em face de que todos teriam sido enquadrados em operações diversas do Drawback. Após regular ciência pela via postal, comparece o sujeito passivo ao processo para, por meio de seu representante, arguir, em síntese, que: a) Obteve autorização para utilizar o regime de drawback, instituído pelo Decretolei nº 37/66, mediante o qual lhe foi Fl. 373DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 4 3 autorizado importar, com suspensão dos impostos incidentes, mil toneladas de plumas de algodão, desde que cumprisse o compromisso de exportar seiscentas e cinqüenta e duas toneladas de fio de algodão no prazo determinado, compromisso que cumprira fielmente; b) O auto de infração, apesar de reconhecer tal cumprimento, aponta o descumprimento de obrigação de natureza acessória, consistente na não atualização, no sistema Siscomex, das informações constantes do RE; c) O regime de Drawback é um incentivo à exportação e sob esse prisma deverá ser avaliado seu cumprimento. Assim sendo, uma vez demonstradas a industrialização e exportação assumidas, elementos essenciais, não haveria como descaracterizar o benefício em razão de aspectos formais; d) As alegadas irregularidades diriam respeito a ato normativo posterior às importações e exportações e, portanto, além de não se revelarem como lei em sentido formal, seriam inaplicáveis; e) A legislação tributária deve ser interpretada de forma sistemática e em observância aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, buscandose a adequação da lei à sua finalidade, no caso, a de garantir ao produtor e exportador os benefícios do regime. Cita jurisprudência do STF acerca da aplicação dos referidos princípios. É o Relatório" A DRJ do Recife negou provimento à Impugnação sob o argumento de que, em síntese, não caberia a ela, enquanto administração, deixar de cumprir as normas expedidas pelo legislador. "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/05/2002 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. CONDIÇÕES. A concessão do regime de Drawback na modalidade suspensão condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento. O descumprimento das obrigações pertinentes à averbação do Ato Concessório e à utilização do regime nos Registro de Exportação, implica a descaracterização do regime e a exigência dos tributos suspensos." Irresignada, a Recorrente insurgiuse contra o Acórdão proferido pela DRJ, apresentando Recurso Voluntário ao CARF, no qual alega que cumpriu o Regime, deixando tão somente de desvencilharse de algumas obrigações acessórias que, segundo ele, não interfeririam na relação tributária. O processo foi submetido ao CARF que, por meio da Resolução n. 3303 000.392 resolveu baixar o processo em diligência para que: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 5 4 a) solicite à SECEX, informações em relação ao ato concessório 20020056079, verificando os Registros de Exportação (RE), vinculados ao referido Ato concessório, independente da data de vinculação, e informando se as exportações neles registradas contemplam quantidade e qualidade de produtos equivalentes às obrigações assumidas pela recorrente; b) informe se as noticiadas retificações de vinculação foram efetuadas antes do inicio de qualquer ato fiscalizatório por parte da receita federal; e, c) traga aos autos outras informações que entenda relevantes ao deslinde da questão. Às fls. 353 foi juntado aos autos a manifestação lavrada pela Inspetoria da Receita Federal em Cabedelo que assim consigna: Escrevo em razão da diligência do Processo Administrativo Fiscal nº. 14755.000145/200696 relativo a empresa Norfil S/A Industrial Textil. A diligência foi realizada, obtendose por meio do Ofício nº. 489/2014/DECEX/SECEX, de 28/07/2014, a seguinte resposta: “1. (...) que na ótica desta SECEX, houve descumprimento total do compromisso consignado no Ato, uma vez que, à data do vencimento do Ato Concessório, 05/05/2003, não havia qualquer Registro de Exportação (RE) em condições de comprovar o cumprimento do mesmo.” “2. Reiteramos que a competência legalmente atribuída à SECEX na administração dos Atos Concessórios de Drawback Suspensão encerrase com a baixa dos referidos Atos, o que ocorreu, para o Ato em tela, em 01/08/2005, quando foi declarado seu inadimplemento total.” Posteriormente, às fls. 354 foi acostada aos autos a manifestação do Departamento de Operações de Comércio Exterior CoordenaçãoGeral de Exportação e Drawback, afirmando que, à ótica da SECEX houve descumprimento total do compromisso consignado no referido Ato, uma vez que, à data do vencimento do Ato Concessório, 05.05.2003, não havia qualquer registro de Exportação em condições de comprovar o cumprimento do mesmo. Finalmente, às fls. 358 há manifestação da Recorrente no sentido de que o processo fosse redistribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação e a matéria é de competência deste colegiado. O presente recurso gravita em torno da análise do cumprimento, ou não, por parte da Recorrente, das condições impostas quando da adesão ao regime aduaneiro especial. Tratavase da importação de plumas de algodão que seriam posteriormente reexportadas em forma de fios. Efetivamente, pela leitura dos autos foi possível constatar que o sujeito passivo deixou de vincular os registros de exportação por meio dos quais teria sido exportada a mercadoria supostamente produzida ao amparo do regime ao respectivo ato concessório e pretende que o fisco reconheça o adimplemento do regime, à vista da apresentação dos referidos registros de exportação. A exigência básica do referido Drawback é a de que a matéria prima seja importada e, no prazo de quatro anos, sejam exportada mercadoria na qual tal matéria prima tenha sido utilizada no processo produtivo. Para a demonstração de tais fatos são impostos deveres jurídicos instrumentais. A própria decisão que concluiu pela diligência o CARF (fls. 342 e seguintes) ressaltou que a jurisprudência deste colegiado admite a relativização da exigência dos deveres jurídicos instrumentais quando, em última análise, o objetivo do regime é satisfeito. " Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/03/1993 (...) DRAWBACK. SUSPENSÃO. ERRO PREENCHIMENTO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. O mero erro no preenchimento do registro de exportação não caracteriza desvinculação das exportações ao Ato Concessório. A exigência dos tributos deve, impreterivelmente, apoiarse em elementos materiais do descumprimento do compromisso de exportação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (Processo 10314.000.536/9950. Acórdão 3101001.043. Sessão de 16 de fevereiro de 2012. Relator Luiz Roberto Domingo). Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 12/08/1997, 25108/1997 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Comprovado o cumprimento integral do regime em diligência pela administração tributária, resta adimplido o compromisso de drawback assumido, a despeito do erro cometido pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 7 6 ACORDAM os membros da 2a Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Processo 10209.000.421/200228. Acórdão 3201000.990. Sessão de 23/05/2012. Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes.)" Contudo, no caso concreto a diligência foi efetuada no sentido de vincular os registros de exportação ao ato concessório, independente da data, bem como se as retificações foram realizadas antes de qualquer ato fiscalizatório. Às fls. 65 há demonstrativo de que a Recorrente exportou centenas de toneladas de fios de algodão, contudo tais informações não são suficientes para correlacionar a exportação à importação pois a Recorrente não se desincumbiu de trazer aos autos informações mais detalhadas acerca das operações da empresa, as quantidades que importou, a procedência, as quantidades que exportou e uma mínima correlação entre estas operações, correlações estas aptas a gerar indícios, mais ou menos robustos, de que as mercadorias exportadas corresponderiam às importações por ela realizadas. Como tratase de uma prova que deveria ter sido realizada pela Recorrente a partir de sua documentação operacional, entendese que deveria ter sido trazida aos autos quando da impugnação ou mesmo juntamente como Recurso Voluntário. Todavia, a maioria do colegiado acompanhou este relator pelas conclusões, entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório no registro de exportação no momento previsto na legislação. Assim, nos termos do §8º1 do artigo 63 do Anexo II do RICARF, passo a transcrever as razões adotadas pela maioria do colegiado: "Ressaltase que a vinculação do RE ao ato concessório para efeito de comprovação do adimplemento do compromisso é requisito essencial, conforme previsto na Portaria SECEX nº 4/1997, que assim dispunha em seu artigo 37, inserido dentro da item VII COMPROVAÇÃO: Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Do mesmo modo, o Comunicado DECEX nº 21/1997 dispunha em seu Capítulo V COMPROVAÇÕES: CAPÍTULO V COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 MODALIDADE SUSPENSÃO 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, os documentos utilizados na importação e na exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. 1 § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 8 7 [...] 19.3. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. No mesmo sentido a Portaria SECEX nº 14/2004: Seção III Modalidade Suspensão Art. 139. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. [...] Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. Salientase que, por se tratar de suspensão de crédito tributário que se resolve em isenção (ou isenção condicionada), os dispositivos legais sobre Drawbacksuspensão devem ser interpretados literalmente, a teor do artigo 1112 do CTN. Ademais, a vinculação do RE ao AC permite à autoridade aduaneira conhecer que se trata de uma exportação destinada à cumprir um regime de benefício fiscal isentivo, permitindo a adoção de medidas de controle aduaneiro adequadas, de modo a possibilitar eventual controle do emprego e destinação dos bens objeto do regime de Drawback. Ressalta se, ainda, que a falta de vinculação de um RE a um AC possibilita sua utilização em diversos atos, impossibilitando o controle aduaneiro efetivo. Neste sentido, citamse os Acórdão nº 9303000.544 e 9303004.139, proferido pela CSRF, cujas ementas seguem abaixo: Acórdão nº 9303000.544: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. DRAWBACKSUSPENSÃO. Registros de exportação não vinculados ao ato concessório não são aceitos pela Receita Federal do Brasil, para fins de comprovação do regime de drawback. 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 9 8 A vinculação de registros de exportação ao ato concessório após o início do procedimento fiscal, momento em que se encontra excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não pode ser considerada para fins de descaracterização de infrações já consumadas. Recurso Especial da Fazenda provido. Recurso Especial do Contribuinte negado. Acórdão nº 9303004.139: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. O excerto do voto vencedor elaborado neste último é esclarecedor, conforme a seguir: "A modalidade de drawback objeto da lide – drawback suspensão – como a própria denominação permite antever, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nesse diapasão, os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente àqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, exigido, em regra, em todas as modalidades de drawback. Com efeito, referido princípio está embasado, historicamente, nos artigos 314, 315 e 317 do Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/85 (aprovado pelo Decreto nº 91.030/85) – vigente à época dos fatos –, nos artigos 335, 336, 341, 342, 345, 346 e 349 do já revogado Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), assim como nos artigos 171, 383, 384, 389, 390, 393, 394 e 397 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759, de 05/02/2009). Fl. 379DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] A necessária observação do princípio da vinculação física traz como consequência a obrigatoriedade de serem adotadas medidas de controle de estoque compatíveis com a efetiva demonstração de que os insumos adquiridos no mercado externo foram realmente empregados nos produtos exportados sob a guarida do regime em apreço. Com efeito, o inciso II do art. 78 do DecretoLei n° 37/66, raiz legal do art. 314, inciso I, do RA/85, bem como do artigo 335, inciso I, do RA/2002, e do artigo 383, inciso I, do RA/2009, ao estabelecer que referida modalidade envolve a “suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada” (grifos nossos), exige que as mercadorias exportadas estejam acondicionadas, contenham ou tenham sido elaboradas com os insumos efetivamente importados para tal fim. E não poderia ser de outra forma, posto que a não utilização dos insumos importados nos produtos compromissados a exportar representaria desvio de finalidade do incentivo, com prejuízos para a Fazenda Pública e à livre concorrência nacional, retratada na aquisição de mercadorias do exterior, pelo beneficiário do incentivo, em condições bem mais favoráveis que a concorrência, pois sobre tais mercadorias não haveria a incidência normal de tributos sobre os bens importados. Exatamente por tais razões é que, no regime aduaneiro especial de drawback, deve ser observado o princípio da vinculação física. Sobre essa questão, o Parecer Normativo CST n° 126/72, ao se reportar ao art. 78, inciso II, do Decretolei n° 37/66, afirma, em seu item 10, que “[...] somente a mercadoria importada na modalidade constante do inciso II, do texto legal em referência [drawback suspensão], é que tem destinação específica, devendo ser exportada numa das formas previstas, sob pena de tornarem se exigíveis as obrigações tributárias anteriormente suspensas”. Ressaltese que o item 9 do parecer em tela, ao abordar a sistemática do drawback isenção, assevera que, na referida modalidade, “[...] a mercadoria é importada com isenção tributária em substituição a uma outra igualmente importada que, em quantidade e qualidade equivalente, foi utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado”. Posteriormente, o Parecer Normativo CST n° 12, de 12/03/1979 (DOU de 19/03/1979) – citado no voto recorrido como justificativa à flexibilização da vinculação física no drawback suspensão (fls. 327) –, embora tendo se reportado a outra matéria (hipóteses de isenção do II e do IPI para empresas fabricantes de produtos manufaturados que tiveram Programa Especial de Exportação nos termos do art. 1° do Decretolei n° 1.219, de 15/05/1972), abordou, justamente, a questão relativa à necessidade de observação da vinculação física, tanto no Fl. 380DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 11 10 drawback suspensão como no drawback isenção, conforme excertos do citado parecer, abaixo reproduzidos: " Defluise, assim, que a vinculação do RE ao ato concessório é requisito essencial e sua ausência impede a realização do controle aduaneiro apropriado, não havendo que se falar em cumprimento do compromisso de exportação." Por estas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.919493/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 3/ 20 12 -4 7 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 145DF CARF MF
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