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Numero do processo: 19740.000006/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIPJ.RETIFICAÇÃO.
A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade.
JUROS PRODUZIDOS POR NTNA3.
DEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis do IRPJ os juros produzidos por NTNA3
destinados a troca por Par Bonds.
COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL.
PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às
entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo.
Numero da decisão: 1302-000.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que dava provimento ao recurso em relação à dedutibilidade dos juros das NTN, e sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade. JUROS PRODUZIDOS POR NTNA3. DEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis do IRPJ os juros produzidos por NTNA3 destinados a troca por Par Bonds. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que dava provimento ao recurso em relação à dedutibilidade dos juros das NTN, e sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 252 2 (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da DRJ/RJO, relativamente aos fatos até aquele momento ocorridos. Trata o presente processo de Auto de Infração, relativo ao anocalendário de 2004, lavrado no âmbito da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro Deinf/RJ, por meio do qual está sendo exigido do interessado, acima identificado, o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 90/94), no valor de R$ 65.084.433,24, acrescidos da multa de ofício de 75% e demais encargos moratórios. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse narrados no auto de infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 78/89, dos quais o interessado recebeu cópias e tomou ciência. Em suma, a fiscalização procedeu sua atividade na instituição financeira em tela, que se encontra em regime de Liquidação Extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil Bacen, e constatando a inobservância do limite de compensação de prejuízos fiscais, determinado na lei, em 30% dos saldos anteriores, apurou a compensação indevida e lavrou o auto de infração correspondente. A fiscalização relata ter verificado que o interessado havia feito uma consulta à SRF, questionando se estaria dispensada de obedecer ao limite legal de 30% na compensação do prejuízo fiscal acumulado, pelo fato de se encontrar em Liquidação Extrajudicial. Mesmo obtendo resposta negativa à sua consulta, o interessado procedeu à compensação integral dos seus prejuízos fiscais de períodos anteriores, com o lucro líquido do anocalendário de 2004, em desobediência à legislação tributária. A fiscalização constatou, ainda, que o interessado efetuou exclusão do lucro líquido decorrente de juros produzidos Notas do Tesouro Nacional NTN do tipo A3, de que é detentor, devido a sua interpretação de que a isenção legal aplicarseia aos juros correspondentes a estes títulos, não se restringindo aos juros do tipo NTN Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 253 3 A1. A fiscalização considerou que o interessado aproveitouse de exclusão indevida e procedeu à glosa do respectivo valor. Além disso, a fiscalização verificou divergências entre os valores declarados na sua DIPJ/2005 e no Lalur, tendo em vista o interessado ter apresentado uma retificação naquela declaração, na qual levou em conta uma alteração de entendimento determinada pelo Bacen quanto à forma de remuneração dos empréstimos do Proer de que era detentor. Como conseqüência deste ajuste, houve uma exclusão indevida da base de cálculo do lucro real do anocalendário de 2004. Neste caso, a fiscalização negou a possibilidade de o interessado retificar a sua declaração para aumentar o seu prejuízo fiscal acumulado, tornandoo maior que o declarado originalmente, pois considerou que não houve erro no preenchimento da declaração original, que na época em que foi feita obedeceu aos critérios então vigentes, não sendo permitida a retificação para aumentar prejuízos fiscais compensáveis. O interessado inconformado com o auto de infração apresentou em 13 de fevereiro de 2008, a impugnação de fis. 110/136, na qual alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização afastou a possibilidade de excluir do lucro real, mediante declaração retificadora do anocalendário de 2004, os valores referentes aos juros advindos das Notas do Tesouro Nacional NTNA3, entendendo que a isenção outorgada pela MP n° 2.096/1988, convertida na Lei n° 10.179/2001, seria aplicável somente aos juros produzidos pelas NTN Al. O regulamento do Imposto de Renda autoriza a exclusão do lucro líquido, na apuração do lucro real, dos juros produzidos pela Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para a troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, artigo 250, parágrafo único, alínea "c". A fiscalização sustenta a exclusão dos juros das NTN A3, invocando a aplicação do artigo 777, do RIR/1999 e do parágrafo 1o, do artigo 7o do Decreto n° 3.540/2000, de que somente as NTN, registradas no Bacen, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement” teriam direito à isenção prevista pela MP n° 2.096/1998, convertida na Lei n° 10.179/2001. A fiscalização se omitiu em aplicar ao caso o disposto no artigo 250 do RIR/1999, o qual reconhece a exclusão, da base de cálculo do IRPJ, dos juros advindos das NTN A3, já que esta modalidade de título público é utilizada em operações de troca por título da dívida pública externa ("Par Bonds"), atendendo ao comando normativo do artigo 250 do RIR/1999. A fiscalização desconsiderou também "outras exclusões" decorrentes de ajustes dos créditos Proer, os quais têm natureza de encargos sobre empréstimos efetuados em função de taxas pactuadas originalmente nos contratos (empréstimos Proer), quando a empresa ainda estava sob o Regime de Administração Temporária (RAET) e adotou a aplicação da Taxa Referencial TR como indexador, por entender aplicável ao seu caso. Todavia, o Bacen na qualidade de gestor entendeu que este procedimento não estaria em conformidade com o artigo 26 do DecretoLei n° 7.661/1945 (antiga Lei de Falências e Concordatas) e com o artigo 24 da Lei n° 11.101/2005 (nova Lei de Falências e Concordatas) e enviou um comunicado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 254 4 determinando a implementação dos ajustes dos créditos Proer com base em novo índice por ele estabelecido. Seguindo a orientação do Bacen e visando a providenciar a adequação das informações prestadas à SRFB de modo a refletir a real situação patrimonial, procedeu a retificação de suas DIPJ, nos correspondentes anoscalendário a que se referiam, buscando prestar a real informação da renda em cada períodobase de apuração dos tributos. A fiscalização entendeu que a motivação apresentada não seria suficiente para justificar a retificação da declaração, já que não se qualificaria como erro passível de retificação, em atenção ao artigo 147 do CTN. Ocorre que tal entendimento é equivocado, já que a própria fiscalização reconheceu que as alterações promovidas foram motivadas por mudança de entendimento por conta do órgão regulador, o Bacen, da contabilização dos créditos contra as instituições em liquidação. Importante ressaltar que a Lei n° 6.404/1976 trata do assunto no seu artigo 186, § 1o e dá amparo ao seu procedimento; e que as informações prestadas à SRFB observaram o artigo 150 do CTN, o qual permite ao contribuinte a apuração do tributo e informar ao fisco o procedimento realizado de forma antecipada (fl. 117). Mas, tendo em vista mudanças de procedimento contábil determinada pelo Bacen, verificouse a necessidade de retificar as informações prestadas ao fisco, o que fez corretamente, modificando a apuração originária das bases de cálculo dos tributos. O fiscal ao impor a aplicação do artigo 147 do CTN, esquecese que a possibilidade de modificação de critério de lançamento é aplicável somente ao Fisco, já que este não pode fundamentar eventual modificação em erro de direito (mudança na interpretação da norma legal), mas no caso a questão é diversa, já que o contribuinte tem o direito de proceder à retificação de suas informações quando estas não se amoldam com a realidade fática e jurídica. A jurisprudência administrativa em torno do assunto é favorável à retificação da declaração de rendimento, antes do lançamento de ofício (cita diversas ementas fls. 118/119). No caso em tela estamos tratando de critério de apuração aplicado de forma errada, gerando saldo menor de prejuízo fiscal e ferindo a regra dos artigos 43 e 44 do CTN conceito legal de renda/lucro. A fiscalização em nenhum momento questionou o aspecto material da exclusão do lucro, mas apenas o aspecto formal a impossibilidade de retificação das informações. O fiscal não contesta o direito à exclusão das despesas com obrigações dos contratos de empréstimos Proer, mas inviabiliza o acerto do valor do tributo, questionando a forma aplicada declaração retificadora. O lançamento tributário deve se submeter ao princípio da verdade material, o qual determina que a fiscalização busque a verdade dos fatos e a correta aplicação do direito. Por força deste princípio a fiscalização deverá reconhecer até mesmo de ofício como legítima a forma de retificação por ele implementada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 255 5 A questão em tela não envolve a discussão da existência de erro de fato ou de direito, mas a possibilidade de ele poder ajustar suas bases fiscais, por meio de declaração retificadora, para que haja uma incidência fiscal justa e uniforme, em respeito à lei societária e à legislação tributária (artigo 832, do RIR/1999; c/c artigos 43 e 44 do CTN). O limite legal à compensação integral de seus prejuízos fiscais violaria preceitos constitucionais e da legislação complementar, dentre os quais o conceito de lucro da pessoa jurídica como acréscimo patrimonial, o conceito de prejuízo como perda patrimonial e o conceito de lucro consagrado no direito privado, em desconformidade ainda com o art, 110 do CTN. Com o advento da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, as entidades submetidas ao regime de Liquidação Extrajudicial e de Falência passaram a sujeitar se às mesmas normas de incidência tributária aplicáveis àquelas pessoas jurídicas em situação regular, ficando, portanto, sujeitas ao recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, caso venham a apurar base de cálculo positiva desses tributos. Todavia, as empresas em fase de Liquidação que tiverem que observar o limite de compensação de 30% do prejuízo fiscal, por força da Lei n° 8.981/1995, tais empresas estarão gravadas pelo IRPJ e pela CSLL, em virtude de uma base de cálculo que não representa efetivamente um acréscimo patrimonial. Desta forma, estarão sendo violados preceitos constitucionais e da legislação complementar em clara afronta ao conceito de lucro como acréscimo patrimonial e de prejuízo com perda patrimonial; o conceito de renda e lucro, constantes do CTN e da Constituição de 1988 e consagrado na doutrina. A compensação integral dos prejuízos não é um favor fiscal do legislador, não pode ser manipulado, condicionado, restringido, como na hipótese em tela, em que não se permite a compensação integral dos seus prejuízos com lucros futuros, no seu caso impossível, já que as suas atividades estão encerradas e sem nenhuma perspectiva de obtenção de lucro. O presente regime jurídico consagra uma restrição injustificável, por desnaturar o conceito de acréscimo patrimonial, por alterar a natureza jurídica do prejuízo e por ignorar os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição, para delimitar o poder de tributar. Apesar de a lei n° 8.981/1995 não contemplar situaçõeslimite, como é o caso das empresas em extinção, o seu caso, o objetivo do legislador é limitar a compensação de prejuízos para as empresas em atividade normal, para as quais presumese a capacidade de absorver prejuízos com a continuidade de seus negócios. Uma empresa em Liquidação Extrajudicial não tem perspectiva de continuidade e ao se aplicar pura e simplesmente o artigo 42 da lei n° 8.981/1995, sem levar em conta sua situação especial, o obriga a pagar tributo indevidamente, pois se esta tributando uma "nãorenda", eis que os prejuízos gerados no passado, por não poderem ser compensados no decorrer do processo de liquidação serão "jogados fora". Este fato, por si só, nos levaria a concluir que o dispositivo legal mencionado não deveria ser interpretado de forma restrita, pois nos casos de situaçãolimite, a compensação de prejuízos pode e deve ser feita integralmente Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 256 6 (100%), sob pena de se descapitalizar ainda mais a empresa e fraudar a ordem de preferência dos credores (em especial os credores trabalhistas) da massa falida. Neste caso, cabe uma interpretação mais ampla da norma, ou seja, nas situações especiais estaria implícita a autorização, já que não houve proibição expressa, buscandose atingir o objetivo da norma, a vontade do legislador. O limite de compensação de 30% dos prejuízos fiscais, para as empresas que se encontram em processo de extinção, viola os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Para ilustrar a sua alegação cita doutrina e jurisprudência, das quais transcreve excertos. A cobrança de juros de mora e multa de ofício é indevida, pois a lei n° 6.024/1974, que rege os atos de intervenção e Liquidação Extrajudicial de instituições financeiras, resguardou a igualdade entre os credores para a satisfação dos seus créditos. Caso sejam aplicados a multa de ofício e os juros de mora, os credores vão suportar o ônus, o que afronta o princípio basilar da execução coletiva, aplicável ao presente caso. O artigo 18 da lei n° 6.024/1974 prevê, com a decretação da Liquidação Extrajudicial, a fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo, não reclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. O processo de Liquidação Extrajudicial destinase a operacionalizar o pagamento e a distribuição dos créditos aos credores. Todavia, a quitação do suposto débito ocorre no momento da intervenção e decretação da Liquidação Extrajudicial e, em conseqüência, deixa de existir a mora que incidia sobre o débito, já o crédito vencido ou vincendo extinguese com o oferecimento do patrimônio do devedor aos credores, tomandose uma massa liquidanda. Diante deste dispositivo legal, não poderão ser cobrados, no curso da Liquidação Extrajudicial, quaisquer valores a título de juros de mora e penas pecuniárias. Por todo o exposto, requer que seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação, a fim de reconhecer a inexistência de crédito fiscal reclamado, determinandose o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ/RJO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar o lançamento procedente em parte, para considerar devida a exigência de crédito tributário de IRPJ (fls.9094) no valor de R$ 888.194,83, acrescido de multa de 75% e demais encargos moratórios, e considerar também devida e obrigatória a aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado para calcular a compensação da base negativa de CSLL acumulada. O voto condutor do acórdão prolatado, em estreito resumo, se fundamenta nas seguintes conclusões: • A retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é correta. Não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 257 7 • Relativamente aos juros produzidos pela NTNA3, considerouos tributáveis, porque destinadas a troca por “Par Bond”, nos termos do Decreto nº 3.540/2.000, diferentemente dos juros produzidos pelas NTNA1, destinadas a troca por “BIB – Brazil Investment Bonds”. Tal diferenciação, combinada com o art. 111, II, do CTN que determina que a legislação tributária que preveja outorga de isenção deva ser interpretada literalmente, determina que as NTNA3 sejam consideradas tributáveis. • A aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado à compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL está prescrita pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95 e pelo Art. 15 da Lei nº 9.065/95. A extensão dos efeitos de tal norma às entidades em liquidação extrajudicial é realizada pelo art.60 da Lei nº 9.430/96. Assim, deixa de analisar argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de tais leis, matéria reservada ao Poder Judiciário. Impossível, também, aplicar interpretação mais benéfica a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial, permitindo compensação integral, por inexistência de previsão legal. • Não se aplica ao caso o art. 18 da Lei nº 6024/74, que dispõe sobre os efeitos da decretação da liquidação extrajudicial. A aplicação de juros Selic é determinada pelos art. 5º e 61 da Lei nº 9.430/96. O presidente da 1ª Turma recorreu de ofício, tendo em vista a exoneração ser superior a R$ 1.000.000,00 conforme art. 1º da Portaria MF nº 3, de 04 de janeiro de 2008. Irresignado, o recorrente também interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: • O art. 250 do RIR/99 expressamente determina exclusão dos juros produzidos por NTN emitidas para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no BCB. As NTN A3 são títulos públicos emitidos nos termos do §2º do art. 7º do Decreto nº 3.540/2000 para troca por títulos da dívida externa denominados Par Bonds, devendo ser aplicado, ao contrário do enquadramento da questão no art. 777 do RIR/99, feito pela fiscalização. Há violação ao art. 142 do CTN pela inobservância da estrita vinculação à lei. • A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do CTN), o conceito de lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da CF/88 e no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. Viola, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro. • A Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda, veicula entendimento de que descabe multa punitiva após a decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira, nos termos da Lei nº 6.024/74. Junta acórdão da DRJ/RJO que a aplicou. Também não cabe cobrança de juros moratórios contra a massa (art. 18, Lei nº 6.024/74). Além disso, restou definido que os juros são aplicados nos termos da Lei nº 8.212/91 (que aplica a TRD), enquanto que se verifica que foram aplicados juros SELIC. Requer, por fim, o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 258 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário foi recebido como tempestivo, e, portanto, dele também conheço. Inicialmente, passo a analisar a matéria objeto do recurso de ofício. (a) Retificação da declaração com base em determinação do Bacen que implicou valorização dos créditos do Proer A fiscalização concluiu indevida a retificação da declaração do recorrente porque, segundo entendeu, não ficou demonstrado o erro necessário para legitimála, nos termos do art. 147 do CTN. Entende que o erro deva ser algo grosseiro, não bastando para caracterizálo a produção de valores incorretos devido à falta de informação que sobrevenha ulteriormente, para garantir a precisão do recálculo. A retificação de que se trata resultou no aumento da parcela a ser excluída do lucro real, ocasionada por ulterior determinação do BACEN que resultou na valorização dos créditos do PROER. Notase que o litígio se restringe à admissibilidade do envio de declaração retificadora, vez que a autoridade fiscal não questionou o mérito da retificação que levou à exclusão procedida naquela declaração retificadora. O acórdão da DRJ considerou improcedente a exação porquanto entendeu que a retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é acertada, já que não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Adiciono a tais argumentos, com os quais concordo, que a autuação baseada no art. 147 é anacrônica, e não se aplica ao caso, considerandose que o referido artigo se destina aos lançamentos por declaração, situação que não se verifica no caso do IRPJ e da CSLL, em que a contribuição do contribuinte é máxima, devendo apurar referidos tributos, lançálos devidamente na contabilidade, efetuar e prestar a declaração de rendimentos e a DCTF, e os recolher no prazo legal, aguardando mera homologação, tácita ou expressa. Tais nuances são facilmente detectáveis na simples leitura do referido dispositivo (art. 147), senão vejamos: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 259 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Verificase de pronto que tais dispositivos não são aplicáveis ao caso, porquanto o lançamento não é efetuado pela autoridade administrativa, que se limita a, no máximo, homologálo, e nem essa retifica de ofício a declaração prestada pelo sujeito passivo, como o fazia nos tempos em que o lançamento se dava por declaração, quando a declaração era submetida ao seu exame antes do seu protocolo. Assim, descabe cogitar do direito do sujeito passivo de retificar sua declaração na hipótese de lançamento por homologação, especialmente aquela ocorrida antes do início de procedimento fiscal, ou da homologação expressa, caso esta venha a existir. Passo à análise das matérias levantadas no recurso voluntário. (b) Dedutibilidade dos juros produzidos por NTNA3. Entende a recorrente que sua situação de exclusão é tratada de forma cristalina no art. 250 do RIR/99, e não do art. 777 do mesmo diploma, como o fez a fiscalização. Alega, ainda, que a decisão recorrida tão somente se prestou a repetir a fundamentação legal trazida na autuação fiscal, furtandose à análise sistemática de apuração do lucro real, especificamente no que tange à possibilidade de exclusão dos juros originados a partir dos títulos NTNA3, que se encontra disciplinada no art. 250 do RIR/99. Segundo assevera, a redação do art.250 autoriza expressamente a exclusão do lucro líquido para a formação do lucro real dos juros produzidos pelas NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil. Vejamos o que dizem os citados art. 250 e 777 do RIR, então invocados, respectivamente, pela recorrente e fiscalização. Art. 250, parágrafo único, “c”, RIR/99 Art.777, V, RIR/99 Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): Art. 777. Não estão sujeitos ao imposto de que trata este Título (Lei nº 8.313, de 1991, art.14, Lei nº 8.668, de 25 de junho de 1993, art. 16, e Lei nº 8.981, de 1995, arts. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 260 10 Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: 68, 72, § 8º, e 73, § 2º): c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo Decreto Lei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4º); V os juros produzidos pelos Bônus da Dívida Externa Brasileira e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 25 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 1999, art. 4º); Então vejamos: a questão versa sobre exclusão de juros da base de cálculo do IRPJ. Os juros de que se trata são aqueles produzidos, no caso presente, pelos títulos da recorrente, denominados Notas do Tesouro Nacional do tipo NTNA3, cuja dedução foi glosada pela fiscalização por ter entendido que tais notas se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”, aos quais entende restrita a isenção. Uma vez que a razão exposta pela fiscalização para não acolher a exclusão dos juros dos títulos foi o destino das notas (as NTNA3 se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”) mereceu o ataque da recorrente porque o texto do art. 250, parágrafo único, “c”, não reproduz expressamente aquele do art.777,V, especialmente, porque não menciona que a permuta tenha sido feita pelo "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, exatamente no ponto tocado pela fiscalização para efetuar a glosa. Todavia, verificase ao final dos dispositivos que fazem menção à mesma base legal (Lei nº 7.777, de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 1999, art. 4º). Cabe aqui ressaltar que a Medida Provisória nº 1.76364, de 1999 foi diversas vezes reeditada, e, por fim, convertida na Lei nº10.179/2001, em vigor à época dos fatos. O referido art. 4º não experimentou qualquer modificação na conversão. Para clarificar ainda mais o ponto em que reside a divergência, vejamolos: Lei nº 7.777/89 Art. 7º Os BTN poderão ser emitidos, ainda, para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, assegurado ao possuidor o direito de optar pelo resgate na forma do § 3º do art. 5º. Art. 8º Ficam isentos do Imposto de Renda os juros produzidos pelos BTN, emitidos na forma do artigo anterior, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Lei nº 10.179/2001 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 261 11 Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; Art. 4o São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1o desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Ora, bem se vê, da análise da base legal dos artigos do RIR precitados, que embora não esteja expressamente escrito no art. 250, parágrafo único, “c”, é óbvio que a permuta a que alude o dispositivo é aquela feita por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1998, como se verifica da análise do art.4º da Lei nº 10.179/2001, porque, de acordo com o dispositivo legal, os juros isentos são aqueles produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III de seu art. 1º, que trata exatamente das NTN emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Assim, embora postule a recorrente que a matéria não está devidamente fundamentada, nos termos do art. 142 do CTN, porque seu direito é garantido pelo art.250, parágrafo único, “c”, que disciplina de forma diversa do art.777, V (adotado pela fiscalização), vêse claramente que ambos disciplinam a mesma matéria de forma harmônica, ao contrário do que alega. Não há, portanto, fundamento na alegação de que ao fundamentar no art.777, V, tratou – no que tange ao direito à exclusão dos juros produzidos pelas tais NTNA3 do IR – a autoridade fiscal diferentemente o tema da forma que seria feita por meio do emprego do art.250, parágrafo único, “c”. A fiscalização glosou a exclusão dos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional do tipo NTNA3 porque entendeu que tais notas se destinam a troca por “Par Bonds” e não por “Brazil Investment Bonds”, aos quais é concedida a isenção. A defesa da recorrente argúi que o art. 250, parágrafo único, “c”, garantelhe o direito à exclusão dos juros do lucro real. Demais disso, aduz que as NTNA3 são títulos públicos emitidos nos termos do §2º do art. 7º do Decreto nº 3.540/2000 para troca por títulos da dívida externa denominados “Par Bonds”. Quanto à dedutibilidade dos títulos NTNA3, ressalto, a princípio, que de acordo com o art. 1º, III, e 4º da Lei nº 10.179/2001, a isenção se restringe às NTN emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 262 12 Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: III troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira, de emissão do Tesouro Nacional, que foram objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988; Art. 4o São isentos do Imposto sobre a Renda os juros produzidos pelas NTN emitidas na forma do inciso III do art. 1o desta Lei, bem como os referentes aos bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil para os fins previstos no art. 8o do DecretoLei no 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.105, de 24 de janeiro de 1984. Contudo, conforme analisado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, os títulos NTN (definidos no art. 6º do Decreto nº 3.540/2001) foram divididos em dez classes (dentre elas a classe “A”). Resta saber se as NTNA3 de posse da recorrente foram: a) emitidas para troca por Bônus da Dívida Externa Brasileira; b) emitidos pelo Tesouro Nacional; c) que os Bônus da Dívida Externa a serem substituídos tenha sido objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, por meio do "Brazil Investment Bond Exchange Agreement", de 22 de setembro de 1988. Isto porque, no mesmo diploma legal, que consolida a legislação em vigor sobre a matéria, são definidos diversos outros títulos, sendo que o que caracteriza um título como NTN, nos termos do art.2º, III, da Lei, é o fato de ser destinada a, preferencialmente, financiamento de médio e longo prazo, senão se veja: Art. 2o Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: I Letras do Tesouro Nacional LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II Letras Financeiras do Tesouro LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos.(grifo meu) O Decreto nº 3.540/2000 veio estabelecer as características dos títulos brasileiros. Nos art.6º e 7º define como podem ser emitidas, respectivamente as NTN, e as NTNA. Art. 6o As Notas do Tesouro Nacional NTN poderão ser emitidas em dez séries distintas: NTN Série A NTNA; NTN Série C NTNC; NTN Série D NTND; NTN Série F – NTNF; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 263 13 NTN Série H NTNH; NTN Série I NTNI; NTN Série M NTNM; NTN Série P NTNP; NTN Série R NTNR; e NTN Série U NTNU. Art. 7o A NTNA, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", de acordo com o inciso III do art. 1o da Medida Provisória no 1.97480/2000, e pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira, e para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L – NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "MultiYear Deposit Facility Agreement – MYDFA", conforme disposto no art. 6o da Medida Provisória no 1.98019, de 1º de junho de 2000, será emitida em dez subséries distintas: NTNA1, NTNA2, NTNA3, NTNA4, NTNA5, NTNA6, NTNA7, NTNA8, NTNA9 e NTNA10.(grifos meus) Da redação do art. 7º notase que a NTNA, destinase a ser utilizada em três situações: nas operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB, de acordo com o inciso III do art. 1º da Lei no 10.179, de 2001; pelos demais títulos emitidos em decorrência de acordos de reestruturação da dívida externa brasileira; para fins de substituição das Notas do Tesouro Nacional Série L NTNL, existentes junto ao Banco Central do Brasil, até o limite da obrigação decorrente do "Multi Year Deposit Facility Agreement MYDFA", conforme disposto no art. 6º da Medida Provisória nº 1.980/2000 (que foi reeditada várias vezes, estando em vigor a MP 2.17936, de 28 de agosto de 2001). Os parágrafos do art. 7º do Decreto regulam, a seguir, as diversas espécies de NTNA criadas pelo art. 7º, começando pelas NTNA1 (§1º), destinadas a operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB. Vejamolo. § 1o A NTNA1, a ser utilizada nas operações de troca por "Brazil Investment Bonds BIB", terá as seguintes características: I prazo: até dezesseis anos, observado o cronograma remanescente de vencimento do BIB utilizado na operação de troca; II taxa de juros: seis por cento ao ano, calculada sobre o valor nominal atualizado; III forma de colocação: direta, em favor do interessado, podendo ser ao par, com ágio ou deságio; IV modalidade: nominativa e negociável; V valor nominal: múltiplo de R$ 1.000,00 (mil reais); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 264 14 VI atualização do valor nominal: pela variação da cotação de venda do dólar dos Estados Unidos da América no mercado de câmbio de taxas livres, divulgada pelo Banco Central do Brasil, sendo consideradas as taxas médias do dia útil imediatamente anterior às datas da emissão e do vencimento do título; VII pagamento de juros: todo dia quinze dos meses de março e setembro, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber; VIII resgate do principal: nas mesmas condições observadas para o pagamento do BIB que originou a operação de troca, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber. Ora, por exclusão, os demais parágrafos, ao não se referirem aos Brazil Investment Bonds BIB, obviamente traçam os contornos das demais modalidades de NTNA que não se destinam a operações de troca por Brazil Investment Bonds BIB, como é o caso do §2º, que trata das NTNA3 – objeto do caso presente destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Par Bonds.Vejamolo, para bem efetuar o cotejo. § 3o A NTNA3, a ser utilizada nas operações de troca por "Par Bond", terá as seguintes características: I prazo: até vinte e sete anos, observado o cronograma remanescente de vencimento do "Par Bond" utilizado na operação de troca; II taxa de juros, calculada sobre o valor nominal atualizado, da seguinte forma: a) até 14 de abril de 1998: cinco inteiros e vinte e cinco centésimos por cento ao ano; b) de 15 de abril de 1998 a 14 de abril de 1999: cinco inteiros e cinco décimos por cento ao ano; c) de 15 de abril de 1999 a 14 de abril de 2000: cinco inteiros e setenta e cinco centésimos por cento ao ano; d) de 15 de abril de 2000 até o vencimento: seis por cento ao ano; III forma de colocação: direta, em favor do interessado, podendo ser ao par, com ágio ou deságio; IV modalidade: nominativa e negociável; V valor nominal: múltiplo de R$ 1.000,00 (mil reais); VI atualização do valor nominal: pela variação da cotação de venda do dólar dos Estados Unidos da América no mercado de câmbio de taxas livres, divulgada pelo Banco Central do Brasil, sendo consideradas as taxas médias do dia útil imediatamente anterior às datas da emissão e do vencimento do título; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 265 15 VII pagamento de juros: todo dia quinze dos meses de abril e outubro, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber; VIII resgate do principal: nas mesmas condições observadas para o pagamento do "Par Bond" que originou a operação de troca, com ajuste no primeiro período de fluência, quando couber. O mesmo raciocínio vale também para o §3º, que trata das NTNA4, destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Discount Bonds, com ainda do §4º, que trata das NTNA5, destinadas a serem utilizadas em operações de troca por Front Loaded Interest Reduction Bond FLIRB, etc. Para melhor elucidação de que sejam os Bônus da Dívida Externa Brasileira denominados Brazil Investment Bonds – BIB, trago à colação o texto abaixo, obtido no sítio do Tesouro Nacional (nacionalhttp://www.tesouro.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/div_r_bib.pdf): Diante da crise que se instalou no mercado financeiro internacional a partir de 1982, o Brasil passou a renegociar sua dívida externa com os credores privados. Neste sentido, ao logo dos anos 80, diversas etapas de renegociação foram realizados com os credores, que resultaram em acordos temporários buscando solução para a escassez de dívisas e equacionamento das linhas de crédito, de forma a assegurar a recuperação da capacidade de pagamento do País. Pela primeira vez, desde o início do processo de renegociação da dívida externa, introduziuse, a partir de 1987, a idéia de securitização, que envolveu a troca de dívida contratual por bônus com prazos longos de vencimento e taxas de juros de acordo com a capacidade de pagamento do país. O Plano Brasileiro de Financiamento de 1988 (de estrutura mais complexa e maior abrangência em relação aos acordos anteriores), cuja vigência teve início em outubro do mesmo ano, apresentou as seguintes características: • ingresso de recursos a título de "dinheiro novo"; • reescalonamento das obrigações de médio e longo prazos; • manutenção das linhas de crédito comercial e interbancário; e • conversão voluntária de dívida contratual em bônus, denominado Brazil Investment Bond (BIB ou Exit Bond). grifo meu Posteriormente, com a posse do Presidente Fernando Collor de Mello o Brasil retomou, em outubro de 1990, as negociações com os credores externos, das quais resultou o acordo para regularização de juros devidos e não pagos entre 1989/90, que culminou na emissão do título denominado IDU (Interest Due Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 266 16 and Unpaid). Pelos termos do acordo, os bônus seriam emitidos após o cumprimento de algumas condições prévias, entre as quais a assinatura do acordo de reestruturação do total da dívida de médio e longo prazos do setor público brasileiro (efetivado em julho de 1992). Desta forma, numa segunda etapa de negociações, iniciada em 1991, o Brasil e os credores privados formalizaram em julho de 1992 o acordo de princípios sobre a reestruturação da dívida externa de médio e longo prazos, enquadrandose com algumas inovações importantes nas linhas gerais do chamado Plano Brady. O referido acordo promoveu a troca, em abril de 1994, de praticamente toda a dívida de responsabilidade do setor público por uma combinação de sete bônus de emissão da República, que constituiram os chamados Brady Bonds Brasileiros (Discount Bond, Par Bond, FrontLoaded Interest Reduction Bond FLIRB, FrontLoaded Interest Reduction with Capitalization Bond "C" Bond, Debt Conversion Bond, New Money Bond e Eligible Bond EI). As principais características que marcaram o referido acordo foram: (grifos meus) • a União passou a ser devedora de todos os novos instrumentos emitidos em troca da dívida antiga, em substituição ao Banco Central do Brasil; • possibilidade de realização de operações diversas com intuito de atribuir flexibilidade à administração do passivo, como recompra de títulos no mercado (debt buyback), pré pagamentos e operações de troca dos títulos emitidos por novos títulos distintos (debtfordebt exchanges); • garantia de principal e/ou parcelas dos cupons de juros para três dos sete bônus emitidos: Par Bond, Discount Bond e FLIRB; • mecanismo de entrega escalonada das garantias, a partir da emissão de títulos transitórios (Phasein Bonds), com a constituição de uma garantia de principal e o restante em até quatro prestações sucessivas, o que foi cumprido pelo Brasil em 15.10.95, antecipando a entrega da última prestação em seis meses. Da análise do texto se constata que os Brazil Investment Bonds foram criados no Plano Brasileiro de Financiamento de 1988 e se destinavam a conversão voluntária de dívida contratual em bônus, de forma a securitizar a dívida brasileira. Por outro lado, os Par Bonds foram criados no Plano Brady, em 1994, com a finalidade de promover a troca, em abril de 1994, de praticamente toda a dívida de responsabilidade do setor público por uma combinação de sete bônus de emissão da República. Neste ponto, verificase que as NTNA3, ao se destinarem a troca por Par Bonds, não podem ser equiparadas às NTNA1, destinadas a troca por Brazil Investment Bonds, exatamente porque o Par Bond integra a relação dos Brady Bonds Brasileiros, criados no Plano Brady para da dívida de responsabilidade do setor público. Não há como confundilos. Não há, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 267 17 ademais, dispositivo posterior que tenha estendido às NTN emitidas para troca por Brady Bonds os benefícios garantidos àquelas emitidas para troca por Brazil Investment Bonds. Desta forma, é correta a glosa da exclusão, porque as NTNA3 não estão alcançadas pela isenção. (c) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL Alegação de violação ao conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do CTN), e o previsto no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. O direito a compensar prejuízos passados (lançados nas rubricas de prejuízo fiscal e bases negativas de CSLL) implica, a meu ver, ingerência de períodos anteriores de apuração no corrente período. Tal ingerência, concedida pelo legislador, e amparada pelo princípio contábil da continuidade, deve ser interpretada de forma restrita, na forma e nos casos expressamente contemplados. A regra geral, estampada no art. 43 do CTN, ao determinar que o fato gerador seja constituído pela aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, nada diz sobre o período a ser considerado para averiguação do acréscimo patrimonial. Esta tarefa coube à legislação específica do imposto, que o concebe, na atualidade, como anual ou trimestral, para as pessoas jurídicas, recebendo a influência de parcela do prejuízo de períodos anteriores, limitada a 30% do resultado atual. Por outro lado, o conceito de lucro e prejuízo utilizados no direito privado não foram maculados pela legislação do IR, posto que esta tomou o cuidado de qualificar o lucro que constitui a base de cálculo do IR, denominandoo Lucro Real, daquele que melhor serve para informar os acionistas sobre a saúde financeira da empresa, denominado lucro líquido do exercício, nos termos da Lei nº 6.404/76. O Poder Judiciário já decidiu sobre a questão, havendo, primeiramente decisões favoráveis à limitação no STJ EREsp nº 429.730 (1ª Seção, 04/2005), AgRg no REsp nº 776.036 (1ª Turma, 04/2007), REsp nº 576.286 (2ª Turma, 10/2006), REsp nº 462.204 (2ª Turma, 08/2006), entre outros, e posteriormente, o STF pacificou a questão no julgado do RE nº 344.994, cujo julgamento estava suspenso desde 11/11/04, em virtude de pedido de vista da Ministra Ellen Gracie. O RE foi interposto contra acórdão do TRF da 4ª Região, que reconhecera a validade da limitação estabelecida nos artigos 42 e 58 da Medida Provisória nº 812/94, posteriormente convertida na Lei nº 8.981/95. Ao retomar o julgamento, o plenário decidiu que a compensação de prejuízos apurados em exercícios anteriores, prevista na lei mencionada, traduzse em benefício fiscal, e, por esse motivo, restringese às condições fixadas em lei, e, além disso, considerou constitucionais os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95. Assim, não vejo qualquer afronta ao art. 43 do CTN e ao conceito de lucro e prejuízo, conforme utilizados no direito privado, a limitação de 30% à compensação de prejuízos passados. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 268 18 O fato de estar a recorrente em situação de liquidação extrajudicial não altera tal análise, posto que após a vigência do art.60 da Lei nº 9.430/96, tais entidades passaram a submeterse expressamente às normas gerais sobre tributos e contribuições das demais pessoas jurídicas, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. (d) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da cf/88, violando, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro Relativamente às alegações sobre violação à Constituição, especialmente aos art. 153, III, e 145, §1º, da CF/88, vale dizer que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo de qualquer instância afastar aplicação de lei por motivo de inconstitucionalidade. A Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória pelos membros do CARF, também veda a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária no âmbito deste Órgão, senão se veja: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deixo de apreciar tais questões, dado o limite de cognição que limita o julgamento administrativo. (e) Aplicação de juros de mora e multa de ofício após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei nº 6.024/74 Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda O art. 18, “d”, da Lei nº 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo. Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei nº 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de ofício de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000006/200815 Acórdão n.º 130200.596 S1C3T2 Fl. 269 19 Isto posto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 19DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929439/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp.
Numero da decisão: 1402-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 94 39 /2 00 9- 58 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que por ocasião do ajuste do exercício, a recorrente apurou prejuízo, sendo que deste modo todas as antecipações efetuadas se transformaram em crédito passível de restituição, e até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, não haveria vedação da compensação das estimativas com quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse que os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor da recorrente, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Tais valores deveriam compor o saldo negativo, o que demandaria uma comprovação própria. Eventual pagamento indevido ou a maior de estimativa, mesmo que comprovado, à época dos fatos, na regência da IN SRF nº 460/2004, deveria reduzir o tributo a pagar ou para compor o seu saldo negativo, não podendo ser aproveitado diretamente e por si só pelo contribuinte. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as estimativas poderão, em caso de saldo negativo, a partir da entrega da declaração de Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 4 3 rendimentos, compensados com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF, nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. No seu entender, as antecipações ocorridas ao longo do anocalendário de 2003, às quais não se confirmaram por conta do prejuízo apurado no ajuste, podem ser objeto de restituição, e compensação com qualquer tributo administrado pela SRF, ao menos até a vigência da MP 449/2008, que vedou a compensação de estimativas. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.458, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.909357/2009 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.458): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente ao preencher o PER/Dcomp, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 5 4 Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão a quo considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, pois apesar de ser sido pagos como estimativas, não se confirmaram quando apurou prejuízo, o que lha dá o direito à restituição. Adiciona que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois há regência legal para sua postura. Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito, apesar de não explicitar tal situação nos autos. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do ano calendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, demonstra que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, pois apurou prejuízos fiscais, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no ano calendário de 2003, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.929439/200958 Acórdão n.º 1402003.470 S1C4T2 Fl. 6 5 seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo, como tenta imputar na apresentação do seu PER/Dcomp. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento do PER/Dcomp, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito, não logrando demonstrar diferente. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909837/2011-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 37 /2 01 1- 49 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.490, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909837/201149 Acórdão n.º 9303007.202 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.906257/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1802-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 19647.006048/2006-58 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão que convertia o julgamento em diligência para verificar o saldo negativo do IRPJ em relação ao ano calendário de 2005.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 19647.006048/200658 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão que convertia o julgamento em diligência para verificar o saldo negativo do IRPJ em relação ao ano calendário de 2005. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Em 31/03/2005, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 7.330.112,65 – Principal Código de receita – 2362 – IRPJ – OB L RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 06 25 7/ 20 09 -1 1 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 3 2 REAL DEMAIS EST MENSAL, período de apuração 28/02/2005, fls. 39 e 62. Em 18/04/2006, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA FEV/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 7.086.215,03, com créditos vinculados (pagamento) no mesmo valor, fls. 66 e 67. Em 10/11/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 16336.79645.101106.1.3.040673,objeto da lide do presente processo, utilizando o valor original de R$ 243.897,61 do pagamento Código de Receita Código de receita – 2362 – IRPJ – valor R$ 7.330.112,65, citado acima, para compensação do débito no valor original de R$ 308.652,43, correspondente ao Códigos de Receita 583601 – COFINS – Não cumulativa, período de apuração out/2006 , fls. 04 a 07. Em 10/12/2007, a empresa transmitiu DCTF MENSAL RETIFICADORA JAN/2005 – com Débito Apurado IRPJ – 236201no valor de R$ 2.546.578,55, com créditos vinculados (outras compensações) no mesmo valor, fls. 63 e 64. Em 25/03/2009, a DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico,com ciência em 02/04/2009, fls. 08, 09 e 12, não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, citada acima, com os enquadramentos legais “ Art. 165 e 170 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN), Art. 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de1996 e o Art. 10 da IN SRF nº 600 de 2005.”. Em 18/12/2008, foi exarado Acórdão nº 1124.933 – 4ª Turma da DRJ/Recife,onde foi mantida a decisão de Homologar Parcialmente a compensação, contida no Processo nº19647.006048/200658, até o limite reconhecido no valor original de R$1.120.665,93 ( valor corrigido até a data da compensação – 01/02/2007 – R$ 1.147.337,78 ) , fls. 69 a 73. 2. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, fls. 16 a 33, alegando, em síntese, que : 2.1. “No caso concreto, a Inconformada pagou no período de fevereiro de 2005, IRPJ Estimativa no valor de R$ 7.330.112,65 (doc. 03). Todavia, naquele período isolado a Inconformada apurou IRPJ de estimativa (calculado de acordo com balancetes de suspensão ou redução) no valor de R$ 7.086.215,03 (doc. 04). Houve, portanto, um pagamento a maior do tributo devido, o que nasce o direito da Inconformada em ser restituída da parcela paga indevidamente no valor de R$ 243.897,62. Diante desse quadro, e considerando o teor da legislação aplicável restituição, a Inconformada enviou, por meio eletrônico, a declaração de compensação, aproveitando parte daquele crédito para quitar parcelas vincendas de COFINS (doc. 05). Não obstante para sua surpresa, a compensação referida não foi homologada tendo em vista que, no entender das autoridades fiscais, o valor recolhido indevidamente de IRPJ Estimativa deveria ser Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 4 3 considerado como fazendo parte da estimativa mensal para dedução na apuração da IRPJ a pagar no ajuste anual. A Inconformada tratou o valor pago de R$ 7.330.112,65 de duas formas: a primeira, R$ 7.086.215,03 como sendo o valor da estimativa mensal de fevereiro de 2005 e que compôs o saldo negativo de IRPJ daquele ano; e, segundo, os R$ 243.897,62 como pagamento indevido ou a maior que o devido.” DO PEDIDO: 2.2. “Ante o exposto, pede a Inconformada seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade para o fim de reformar o Despacho Decisório DRF RECIFE, proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Recife, para o fim de reconhecer integralmente os créditos (pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de fevereiro de 2005) havidos pela Inconformada no valor de R$ 243.897,62; e, homologar a compensação enviada eletronicamente através da DCOMP n°. 16336.79645.101106.1.3.040673.” “Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável Suplicante, na forma do art. 112 do CTN. Em tempo, protesta e requer a juntada posterior de provas, bem como sejam realizadas eventuais perícias ou diligências que esse órgão julgador entender necessárias, tudo para se formar o convencimento e proferir a decisão que mais se adequar a verdade material dos fatos. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife /PE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1138.707, de 12 de novembro de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Cientificada da mencionada decisão em 09/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2012, no qual alega a nulidade do Acórdão n°. 1138.707 ora combatido, pois alegou fatos novos na fundamentação e motivação para justificar a não homologação, implicando no cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Reitera que em 31/03/2005, pagou DARF de R$ 7.330.112,65 relativo ao IRPJ estimativa do período de apuração fevereiro do ano calendário 2005, e, posteriormente, enviou DCTF mensal retificadora informando que em verdade o débito apurado foi R$ 7.086.215,03, portanto, a diferença de R$ 243.897,62 (entre os valores acima) representa imposto pago indevidamente, podendo ser compensado como o fez mediante o PERDCOMP nº 16336.79645.101106.1.3.040673. Lembra que a DRF/Recife decidiu pela não homologação com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa n°. 600, de 2005, que limitava a compensação do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Porém, a IN 600/2005 foi revogada pela IN n°. 900, de 30 de dezembro de 2008, cujos efeitos produzidos foram extunc. Aduz que a DRJ, inovando na lide, julga improcedente a Manifestação de Inconformidade porque, segundo ela, para a estimativa de IRPJ de janeiro de 2005, esta foi recolhida a menor por conta da homologação parcial da compensação efetuada pela Recorrente e que está sendo discutida em outro processo administrativo (19647.006048/200658). Ressalta que nada disso constava do Despacho Decisório da Receita Federal do Brasil, razão pela qual REQUER a nulidade da decisão da DRJ. Argúi que no anocalendário de 2005 a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 8.623.481,79 e o débito que a DRJ afirma que a Recorrente possui de IRPJ de janeiro de 2005 monta R$ 1.568.333,65. Dessa forma, nestes casos, as estimativas não recolhidas, não são cobradas, pois, a Lei 9.430/96 determina que seja cobrado multa isolada de 50% do valor da estimativa não recolhida. A Recorrente reitera as alegações contidas também na Manifestação de Inconformidade, e, finalmente requer provimento ao Recurso Voluntário, para que seja determinada a homologação do direito creditório a favor da Recorrente nos termos do pedido de compensação, “posto que da maneira como foi proferido, o Despacho Decisório contraria Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 6 5 as provas carreadas aos autos, a legislação fiscal e, principalmente, a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF”. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 16336.79645.101106.1.3.040673 (fls. 01/05), transmitido em 10/11/2006, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 2362, no valor de R$ 243.897,62 (DARF: R$ 7.330.112,65, período de apuração: 28/02/2005, Arrecadação: 31/03/2005), com débito de Cofins Não cumulativa (PERÍODO DE APURAÇÃO: Out/ 2006 e VENCIMENTO: 14/11/2006, valor: R$ 308.652,43). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.07, emitido em 25/03/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, pelo que não homologou o PER/DCOMP mencionado e determinou a cobrança do débito especificado (COFINS, cód. 5856, per. apur. 10/2006, vr. R$ 308.652,43). O litígio decorre do Acórdão nº 1138.707, de 12 de novembro de 2012 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/RS) que mesmo não se pronunciando expressamente sobre o artigo 10 da IN SRF nº 600 de 2005 para afastar os fundamentos expendidos no Despacho Decisório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, restringindo o julgamento ao fato de haver ou não o crédito pleiteado e se esse crédito é passível de compensação, conforme indicação efetuada pelo contribuinte no PER/DCOMP e em respeito ao artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. A DRJ concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/DCOMP nº 16336.79645.101106.1.3.040673, em virtude de o crédito não ser líquido e certo, pois, considerou que em 18/12/2008, foi exarado Acórdão nº 1124.933 – 4ª Turma da DRJ/Recife, onde foi mantida a decisão de Homologar Parcialmente a compensação, contida no Processo nº 19647.006048/200658, até o limite reconhecido no valor original de R$1.120.665,93 ( valor corrigido até a data da compensação – 01/02/2007 – R$ 1.147.337,78 ) , fls. 69 a 73. Disse que, a Decisão proferida no referido Acórdão 1124.933, só poderia ter sido utilizado como outras compensações para o Débito Apurado IRPJ – 236201 no valor de R$ 2.546.578,55, período de apuração 31/01/2005, informado na DCTF do mesmo período, o Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 7 6 valor atualizado de R$ 1.147.337,78 até a data do pedido de compensação (01/02/07) e não o crédito vinculado no mesmo valor do débito, restando saldo devedor original de R$ 1.787.606,78 a ser pago no referido mês. A conclusão do Acórdão recorrido é a seguinte: Alocandose o Direito Creditório Reconhecido no valor de R$ 1.147.337,78 e a diferença no valor de R$ 243.897,62 ( R$ 7.330.112,65 – R$ 7.086.215,03 ) referente ao IRPJ pago por estimativa referente ao período de apuração fev/05, ao débito apurado de R$ 2.546.578,55 citado acima, restaria um saldo a pagar no valor original de R$ 1.568.333,65, período de apuração jan/2005, data vencimento 28/02/05, conforme Demonstrativos do Sistema Sicalc da Receita Federal do Brasil às fls. 74 a 77. Assim, procede o Despacho Decisório, pois, o pagamento efetuado pela contribuinte a título do IRPJ estimativa, devendo ser utilizado para amortização do débito do mês que deveria ser composto adicionando se o saldo devedor do mês anterior R$ 1.787.606,78 = R$ 1.568.333,65 (valor após amortizações do Direito Creditório Reconhecido atualizado R$ 1.147.337,78) + R$ 219.273,15 ( valor do principal amortizado pelo saldo do pagamento referente ao período de apuração mês de fev/05 – R$ 243.897,62 ), não mais se encontrava disponível para ser utilizado em compensação, pois, para ser objeto de compensação o pagamento deve ser indevido ou em valor maior que o devido. ... Diante da inexistência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 citado acima, não há como acatar a compensação pleiteada na PER/DCOMP em lide. Como cediço, o artigo 35 da Lei nº 8981/95, com a nova redação dada pela Lei nº 9.065/95, dispõe que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No presente caso, o balanço ou balancete de suspensão ou redução do imposto terá que compreender o período entre 1º de janeiro e a data de apuração do lucro: 28/02/2005, razão pela qual para se verificar o suposto pagamento indevido relativo ao IRPJ por estimativa de fevereiro de 2005, deve ser verificado o valor acumulado do IRPJ de 01/01/2005 28/02/2005. Eis a razão de a DRJ atrelar o crédito do IRPJ por estimativa (Fevereiro/2005) do presente processo, ao IRPJ pago por compensação relativo ao mês de Janeiro de 2005, tratado no Processo nº 19647.006048/200658 que se encontra com Recurso Voluntário pendente de julgamento nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como visto, a estimativa de janeiro/2005 que supostamente compõe o IRPJ apurado de Fevereiro/2005 do qual resulta suposto pagamento indevido, usado como crédito Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10480.906257/200911 Resolução nº 1802000.569 S1TE02 Fl. 8 7 nos presentes autos para compensar débito de COFINSNão cumulativo de outubro/2006, depende do resultado do julgamento do processo administrativo nº 19647.006048/200658. De sorte que, acaso julgado procedente o Recurso Voluntário no mencionado processo influirá substancialmente o julgamento do presente processo. Ou seja, a decisão do presente processo depende da decisão daquele outro. É certo que não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal mas a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam juntados ao processo nº 19647.006048/200658 para a análise subseqüente por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720508/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. CONFIRMAÇÃO QUE O RENDIMENTO FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO
A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título.
A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento, situação a qual restou confirmada no presente caso.
Numero da decisão: 1302-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. CONFIRMAÇÃO QUE O RENDIMENTO FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento, situação a qual restou confirmada no presente caso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. CONFIRMAÇÃO QUE O RENDIMENTO FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento, situação a qual restou confirmada no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 08 /2 01 3- 16 Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 844 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª instância, que negou provimento a Impugnação interposta pela recorrente, a qual foi autuada por insuficiência de recolhimento do ajuste do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do ano calendário 2008 (código de arrecadação 2390), nos termos do artigo 841, IV, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Para a devida síntese do processo, adoto o relatório da decisão da DRJ/SPO, litteris: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 845 3 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 846 4 Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 847 5 Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 848 6 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 849 7 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 850 8 Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 851 9 A 8ª Turma Julgadora da DRJ São Paulo (SP) ao apreciar a impugnação do contribuinte, entendeu por sua improcedência. Vejamos a ementa a seguir transcrita (fls. 664/676): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento. IRPJ.ESTIMATIVA NÃO PAGA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Impõese a aplicação da multa no percentual de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do imposto de renda mensal calculado sobre base estimada (IRPJ Estimativa) que deixar de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente. Cabe trazer a baila trechos da decisão da DRJ, litteris: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 852 10 (...) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 853 11 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 854 12 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 855 13 Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 856 14 Cientificada da decisão (fls.682/703), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 682/703 suscitando o seguinte: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 857 15 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 858 16 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 859 17 Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 860 18 Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 861 19 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 862 20 (...) Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 863 21 Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 864 22 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 865 23 (...) Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 866 24 Na sessão de março de 2017, este colegiado resolveu por converter o julgamento em diligência, objetivando maiores esclarecimentos acerca da existência (ou não) de retenção de R$ 658.847,70 à título de IRRF, sobre R$ 4.392.318,02 pago pela Cia. Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191) ao Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no AnoCalendário de 2008 por esta, hoje sucedida pela Recorrente (vide fls. 775/803 dos autos). A unidade preparadora após a análise dos autos e intimações dirigidas a recorrente, produziu relatório de diligência conclusivo (fls. 819/828). O contribuinte manifestouse acerca do relatório de diligência às fls. 836/839. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Como se pode inferir do relatado acima, o cerne da controvérsia reside na (i) existência (ou não) de retenção de R$ 658.847,70 à título de IRRF, sobre R$ 4.392.318,02 pago pela Cia. Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191) ao Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do (ii) oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no AnoCalendário de 2008 por esta, hoje sucedida pela Recorrente. A DRJ bem constatou que a DIRF constante na fl. 660, de fato, confirma que a instituição financeira Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A recebeu, no ano Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 867 25 calendário de 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido IRRF de R$ 658.847,70 sobre esta cifra. No entanto, aquele órgão julgador reconhece que, em suas declarações, o contribuinte não informa nenhum valor à título de juros sobre capital próprio (JCP), o que confere razão ao lançamento. Aqui, faço um breve registro do motivo da autuação que, segundo a própria decisão recorrida é o seguinte: Fica claro, portanto, que o lançamento de ofício se deu em função da insuficiência de recolhimento de IRPJ, que gerou um total de R$ 535.105,18 de diferença entre o imposto recolhido e o efetivamente devido. Com efeito, à época da impugnação, o contribuinte afirmou que, apesar de não ter informado em linha própria de sua DIPJ do anocalendário 2008 da receita proveniente de juros sobre capital próprio, o valor de R$ 4.392.318,02, que teria sido pago à título de JCP, e de onde proviria o pagamento antecipado do IRRF, estaria contido no valor de R$ 12.450.675,20 informado na linha 47 (Outras receitas operacionais) da Ficha 06B da DIPJ 2009. Para comprovar suas alegações, anexou aos autos deste processo o Balancete Patrimonial Analítico (doc. 10 – fls. 581/612) e a DRE Analítica (doc. 11 fls. 613), em que podem ser facilmente constatadas todas as receitas que compõem os R$ 12.450.675,20. Da análise dessa documentação a primeira instância administrativa constatou o seguinte, litteris: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 868 26 “9.4. No documento 09 apresentado com a impugnação (“Balancete Patrimonial analítico – ref. Dezembro/2008”), à fl. 586, consta a conta 188450060047473000742988 – IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A COMP – DECORRENTES DE ANTECIPAÇÕES – IRRF S/ TJLP – EXERC. ATUAL, na qual foi debitado o valor de R$ 658.847,70. No mesmo documento, às fls. 603/604, consta a conta 719990090052515565251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP, na qual foi creditado o valor de R$ 4.392.317,02. 9.5. O documento extraído do sistema DIRF, à fl. 644, atesta que a “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, pagou à instituição Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A, CNPJ nº 61.230.165/000144, a título de Juros sobre Capital Próprio, no anocalendário de 2008, o valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido na fonte o imposto no valor de R$ 658.847,70. 9.6. À fl. 617, no Doc. 11“Composição DRF – analítico” consta a composição da Conta “Outras Receitas Operacionais” informada na linha 47 da Ficha 06B da DIPJ 2009 da instituição BCI Sudameris, estando inserido no valor de R$ 12.450.675,20, o valor de R$ 4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, conforme excerto do documento abaixo: Do trecho acima, notadamente do item 9.5, onde fazse menção ao documento extraído do sistema DIRF (onde há erro na indicação da fl. 644, uma vez que o documento descrito se reporta à fl. 660), notase que a DRJ não contesta a retenção do imposto, pelo contrário, faz menção à DIRF (fl. 660) que comprova a referida antecipação. Ademais, o órgão julgador ainda traz à baila o §1º, do art. 668 do RIR/99, que autoriza o reconhecimento do IRRF sobre JCP como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 869 27 Assim, resta claro que, quanto à existência de retenção na fonte sobre o valor recebido à título de JCP, em decorrência da ausência de contestação, a primeira instância administrativa aceitou como existente a referida retenção na fonte. À partir disso, a DRJ passou à análise da efetividade do oferecimento à tributação da receita correspondente aos juros sobre capital próprio, conforme trecho do item 9.7, seguinte: “9.7. Cumpre pois verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação, apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris:” • 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS, no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71930006 0054194 000000000 – RECUPERAÇÃO CUSTAS JUDICIAIS DCL, no valor de R$ 64.648,53: o saldo dessa conta é de R$ 37.803,33 no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603); • 71930006 0082259 000000000 – RECUP. ENC. DESP. –PRECATÓRIOS FISCAI, no valor de R$ 779.964,14: encontrada a conta e o valor no Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000703346 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 4.281,92: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0050474 000763219 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – INVEST. AVAIB. FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 000759711 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 353.534,76: o saldo dessa conta (OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS – SUDAOUT. RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 870 28 176.948,75, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 585251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP: o saldo dessa conta é de R$ 4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604 (vide parágrafo 9.4 do voto); • 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de 3.762,43: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0081969 000764556 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de R$ 649.037,23, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764557 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 2.614.185,07: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.290.994,44, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764558 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.664.901,62: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 73920007 0080199 000000000 – RENDAS DE ALUGUEISIMÓVEIS RETOMADOS no valor de R$ 480.000,00 – o saldo dessa conta que pertence ao sub grupo de Receitas não Operacionais é de R$ 240.000,00, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604. 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 871 29 9.9. Portanto, os dados alegados e documentos contábeis apresentados por se encontrarem inconsistentes entre si não demonstram de maneira inequívoca que, na linha 47 da Ficha 6A da DIPJ, está inserida a receita de juros sobre capital próprio recebida no ano calendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191.” (grifos aditados) Pois bem. Os documentos contábeis reputados inconsistentes pela DRJ, são: a Composição da DRE Analítica e o Balancete referente a Dezembro do ano calendário 2008. Quanto a isso, alega a recorrente que, por ter desviado o foco sobre o real problema da autuação (que era a desconsideração indevida do crédito de IRRF sobre receitas de JCP devidamente tributadas), a DRJ equivocouse ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (que é composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), cujos valores das receitas auferidas pela Recorrente estão devidamente registradas na Linha 47 da Ficha 6B da DIPJ e oferecidos à tributação. Isto porque, segundo a Recorrente, o procedimento que adota é o de efetuar o levantamento de balancete semestralmente, sendo que, para demonstração de tal procedimento, anexou aos autos, juntamente com o Recurso Voluntário, o balancete analítico de 30/06/2008, 31/12/2008. Em sua peça, há excerto do referido documento, abaixo reproduzido: Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 872 30 Notase, do cotejo entre este balancete analítico e as constatações ínsitas no item 9.7 do Acórdão da DRJ (fls. 673/674), que as contas 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS; 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS; 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, cuja DRJ registrou “não ter encontrado a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico de fls. 603/604”, são exatamente as contas que no Balancete de dez/08 (Balancete analisado pela DRJ) encontravamse “zeradas”. Tal fato confere força ao argumento da Recorrente de que a DRJ equivocou se ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), de forma a merecerem uma análise detida da veracidade das informações ali prestadas. Nada obstante, a Recorrente ainda alega que, mesmo que os valores fossem totalmente divergentes (e a quantia de JCP não fosse coincidente), a DRJ não poderia decidir da forma como o fez, pois a DRJ não tem competência para modificar o lançamento tributário. A esse respeito, é oportuno reforçarse que o lançamento se deu por insuficiência de recolhimento do ajuste do IRPJ do anocalendário 2008, reconhecido pela própria Recorrente que, por meio de sua Impugnação e reiterado em seu Recurso Voluntário, afirma tratarse de erro de fato no preenchimento da DIPJ. Ora, todo o procedimento de fiscalização e constituição do crédito tributário decorreu de uma insuficiência de recolhimento de IRPJ, devidamente instruída e inclusive reconhecida pela Recorrente que, em sua defesa, alega ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 873 31 Em virtude de tais fatos, esta turma decidiu por converter o julgamento em diligência objetivando maiores esclarecimentos sobre as questões postas a apreciação deste colegiado. Baixado os autos a unidade de origem, foi elaborado excelente relatório de diligência, digase de passagem, que passo a transcrever (vide fls. 819/828). “(...) 3 Da Diligência 3. 1 Das Intimações O BANCO SANTANDER (BRASIL) S. A. (sucessor por incorporação do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S. A.) foi intimado a apresentar as informações requeridas no item 1 (transcrito em Do Objeto da Diligência acima), no Termo de Início de Diligência Fiscal, entregue em 25/06/2017, que se encontra às fls. 806/807. A resposta ao citado termo se encontra às fls. 808. Vale destacar que os documentos comprobatórios entregues pelo contribuinte se encontram na pasta "Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável Anexo à Resposta ao Termo de Início de Diligência". Houve uma segunda intimação, em 17/08/2017, em que foram solicitados os balancetes analíticos de junho e de dezembro de 2008 do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S. A. E, por fim, uma terceira intimação feita em 05/09/2017 para solicitar os mesmos balancetes, de junho e de dezembro de 2008, mas, agora, com um nível maior de detalhamento das contas que os balancetes entregues anteriormente não apresentavam. Vale confessar que os balancetes de junho e de dezembro de 2008 já se encontravam nos autos às fls. 719/769, de forma que as intimações feitas em 17/08/2017 e em 05/09/2017 eram despiciendas. 3. 1 Da Análise das Solicitações da Diligência 3. 1.1 Das Preliminares Preliminarmente, é necessário fazer algumas observações acerca do Acórdão de Impugnação às fls. 664/676, a fim de se esclarecer o que acredito ser o cerne das controvérsias que, a partir de então, se estabeleceram nos autos deste processo. Para tal, peço a vênia para reproduzir um longo trecho do citado acórdão. "9.6. À fl. 617, no Doc. 11 "Composição DRF analítico" consta a composição da Conta "Outras Receitas Operacionais" informada na linha 47 da Ficha 06B da DIPJ 2009 da instituição BCI Sudameris, estando inserido no valor de R$ 12.450.675,20, o valor de R$ 4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de 'Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil', CNPJ no 61.784.278/000191, conforme excerto do documento abaixo: 047 Outras Receitas Operacionais 71930006 0052386 000730596 RECUP. Encargos e Despesas produtos 623,83 C 12.450.673,20 C Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 874 32 71930006 0054194 000000000 Recuperação custas judicias DCL 64.648,53 71930006 0082259 000000000 Outras Rendas Operacionais 779.964,14 71999009 0050474 000703346 Outras Rendas Operacionais 4.281,92 71999009 0050474 000704377 Outras Rendas Operacionais 1.096,99 71999009 00504 74 000763219 Outras Rendas Operacionais 611.339,22 71999009 00525150 00759711 Outras Rendas Operacionais 353.634,76 71999009 0052215 565251071 Outras Rendas Operacionais 4.392.318,02 71999009 0055310 582652013 Receitas de correções de Selic 3.762,43 71999009 0081969 000764556 Atualizações de depósitos judiciais 1.479.916,67 71999009 0081969 000764557 Atualizações de depósitos judiciais 2.614.185,07 71999009 0081989 000764558 Atualizações de depósitos judiciais 1.664.901,62 73920007 0080199 000000000 Atualizações de depósitos judiciais 480.000,00 9.7. Cumpre, pois, verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação, apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris: · 71930006 0052386 000730596 RECUP ENCARGOS E DESPESAS PRODUTOS, no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71930006 0054194 000000000 RECUPERAÇÃO CUSTAS JUDICIAIS DCL, no valor de R$ 64.648,53: o saldo dessa conta é de R$ 37.803,33 no Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 875 33 Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71930006 0082259 000000000 RECUP. ENC. DESP. PRECOTÓRIOS FISCAIS, no valor de R$ 779.964,14: encontrada a conta e o valor no Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71999009 0050474 0000703346 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 4.281,92: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71999009 0050474 0000704377 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71999009 0050474 000763219 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais INVEST. AVAIB. FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604; · 71999009 0052215 000759711 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 353.534,76: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais SUDAOUT.RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ 176.948,75, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604; · 71999009 0052215 585251071 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP: o saldo dessa conta é de R$ 4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604 (vide parágrafo 9.4 do voto); · 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de 3.762,43: não encontrada a conta, nem cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71999009 0081969 000764556 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de R$ 649.037,23, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; · 71999009 0081969 000764557 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 2.614.185,07: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; · 71999009 0081969 000764558 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 1.664.901,62: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à 604; · 73920007 0080199 000000000 RENDAS DE ALUGUEISIMÓVEIS RETOMADOS no valor de R$ 480.000,00 o saldo dessa conta que pertence ao subgrupo de receitas não operacionais é de R$ 240.000,00, Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 876 34 conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre o capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: Contas Alegado (fls.617) Balancete (fls.603/604) 71930006 0052386 000730596 623,83 0,00 71930006 0054194 000000000 64.648,53 37.803,33 71930006 0082259 000000000 779.964,14 779.964,14 71999009 0050474 000703346 4.281,92 531,08 71999009 0050474 000704377 1.096,99 0,00 71999009 0050474 000763219 611.339,22 78.375,62 71999009 0052215 565251071 4.392.318,02 4.392.318,02 71999009 0055310 582652013 3.762,43 0,00 71999009 0081969 000764556 1.479.916,67 649.037,23 71999009 0081969 2.614.185,07 1.290.994,44 Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 877 35 000764557 71999009 0081969 000764558 1.664.901,62 1.196.595,63 73920007 0080199 000000000 480.000,00 240.000,00 TOTAIS 12.097.038,44 8.665.619,49 9.9. Portanto, os dados alegados e documentos contábeis apresentados por se encontrarem inconsistentes entre si não demonstram de maneira inequívoca que, na linha 47 da Ficha 06A da DIPJ, está inserida a receita de juros sobre capital próprio recebida no anocalendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil, CNPJ no 61.784.278/000191." A leitura do trecho acima transcrito leva à conclusão que o Julgador de Primeira Instância identificou inconsistência entre os fatos alegados e a contabilidade do contribuinte. No entanto, o que houve, na realidade, foi um equívoco do Julgador que, na análise que fez da contabilidade apresentada pelo contribuinte, deixou de considerar que as instituições financeiras, por serem obrigadas pelo Banco Central do Brasil a adotar o COSIF (Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional), realizam dois balanços anuais: o primeiro em junho e o segundo em dezembro. Assim, as inconsistências apontadas pelo Julgador de Primeira Instância no item 9.7 do Acórdão de Impugnação ficam todas sanadas quando se somam os valores das contas de receitas listadas do Balancete Analítico de Junho (que se encontra às fls. 719/744) aos respectivos valores do Balancete Analítico de Dezembro (que foi o único considerado pelo Julgador), conforme demonstrado no quadro a seguir. Vale destacar que os valores da coluna "Total Anual" do quadro abaixo são iguais aos valores presentes na coluna "Alegado (fls. 617)" do quadro apresentado no item 9.7 do Acórdão de Impugnação. QUADRO I Conta Balancete de Junho Balancete de Dezembro Total Anual 71930006 0052386 623,83 0,00 623,83 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 878 36 000730596 71930006 0054194 000000000 26.845,20 37.803,33 64.648,53 71930006 0082259 000000000 0,00 779.964,14 779.964,14 71999009 0050474 000703346 3.750,84 531,08 4.281.92 71999009 0050474 000704377 1.096,99 0,00 1.096,99 71999009 0050474 000763219 532.963,60 78.375,62 611.339,22 71999009 0052215 565251071 0,00 4.392.318,02 4.392.318,0 2 71999009 0055310 582652013 3.762,43 0,00 3.762,43 71999009 0081969 000764556 830.881,44 649.037,23 1.479.918,6 7 71999009 0081969 000764557 1.323.190,63 1.290.994,44 2.614.185,0 7 71999009 0081969 000764558 468.305,99 1.196.595,63 1.664.901,6 2 73920007 0080199 000000000 240.000,00 240.000,00 480.000,00 TOTAIS 3.431.420,95 8.665.619,49 12.097.040, 44 Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 879 37 Ressaltese que o contribuinte só apresentou o Balancete Analítico de Junho de 2008 entre os documentos anexados ao Recurso Voluntário (Pasta: Planilha de Cálculo), o que pode ter induzido o Julgador de Primeira Instância ao equívoco. Portanto, a afirmação, feita no item 9.8 do Acórdão de Impugnação pelo Julgador de Primeira Instância (abaixo reproduzida), de que haveria inconsistência entre o valor informado na Linha 47 da Ficha 06A da DIPJ/2009 e os dados informados nos balancetes, não procede. 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre o capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: 3. 1.2— Da Primeira Solicitação A primeira solicitação da diligência foi reproduzida a seguir: "1. Intimar o contribuinte a decompor, analiticamente, o valor da receita de R$ 12.450.675,20 informada na Linha 47 da Ficha 68 da DIPJ já anexada aos autos destacando os valores que compõem a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008; Como já dito no item 3.1, o contribuinte foi intimado, nos exatos termos solicitados pelo Julgador de segunda instância, a apresentar: I. Decomposição analítica do valor da receita de R$ 12.450.675,20, informada na Linha 47 da Ficha 068, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao anocalendário 2008 (exercício 2009), destacando os valores que compõem a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008. A resposta encontrase na pasta "Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Anexo II à resposta ao Termo de Início de Diligência". Para responder a primeira parte da solicitação (decomposição analítica da Linha 47 da Ficha 06B da DIPJ/2009) o contribuinte apresentou a planilha reproduzida abaixo: Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 880 38 E, na mesma planilha, apresentou as razões das contas referenciadas no quadro acima. Quanto à segunda parte da solicitação "o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008" , o contribuinte apresentou apenas cópia do DARF (2) do Imposto Retido na Fonte IRRF (código de arrecadação 5706 Juros sobre o Capital Próprio), no valor de R$ 658.847,70, cujo contribuinte (aquele que pagou o DARF) é a Companhia de Crédito, Financiamento e Investimento RCI Brasil (CNPJ 61.784.278/000191). No entanto, o Julgador de primeira instância já reconhecera que tal valor de IRRF retido corresponde ao pagamento de juros sobre capital próprio ao Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A pela Companhia de Crédito, Financiamento e Investimento RCI Brasil, conforme transcrito a seguir. "9.1. Pesquisa ao sistema Dirf acostada à fl. 660, confirma que a instituição financeira Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A recebeu, no anocalendário 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido IRRF de R$ 658.847,70." 3. 1.3 Da Segunda Solicitação A segunda solicitação da diligência foi feita nos seguintes termos: "2. Verificar se o balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008 (fls. 719/769) é válido. Ou seja, as informações ali contidas descrevem a realidade dos fatos ocorridos conforme relatado pelo contribuinte e escriturado na contabilidade;" Preliminarmente, acredito ser necessária uma pequena retificação na solicitação feita pelo Julgador de Segunda Instância. No lugar de "verificar se o balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008 ... é valido" (grifei) melhor seria dizer "verificar se os balancetes analíticos de 30/06/2008 e 31/12/2008 são válidos". Isto porque, conforme já mencionado anteriormente, as instituições financeiras, obrigadas que são às normas do COSIF, fazem balanços semestrais. Portanto, no caso em tela, só faz sentido referirse aos balanços de 30/06/2008 e 31/12/2008. Assim, levandose em consideração a observação feita, verificamos que os valores das contas de receita que compõem a Linha 47, da Ficha 06A , da DIPJ/2009 correspondem à soma dos respectivos valores constantes nos balancetes de junho e de dezembro de 2008 (vide QUADRO I do item 3.1.1). E, por sua vez, os valores constantes nos balancetes de junho e de dezembro de 2008 correspondem aos valores escriturados nas respectivas razões que se encontram na planilha entregue em resposta ao Termo de Início de Diligência, já mencionada anteriormente. 3. 1.4 Da Terceira Solicitação Por tudo o que foi dito no item anterior, já foi respondida a terceira solicitação da diligência, abaixo reproduzida: "3. Caso o quesito acima possua resposta positiva, responder: Existe Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 881 39 divergência entre os valores declarados na Ficha 6, Linha 47 da Composição da DRE de 2008 (fl. 617) e os valores declarados no Balancete analítico de 30/06/2008 a 31/2/2008? ” Ou seja, não existe divergência entre os valores declarados na Linha 47, da Ficha 06A, da DIPJ/2009 e a soma dos valores dos balancetes analíticos de 30/06/2008 e de 31/12/2008. 3. 1.5 Da Quarta Solicitação E, por fim, a quarta solicitação determina que: 4. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das indagações acima suscitadas, confirmando ou não ao final, se no valor de R$ 12.450.675,20 está contido a quantia de R$ 4.392.318,02, e que tal montante (R$ 12.450.675,20) foi efetivamente oferecido à tributação." Por todo o exposto, é possível confirmar que a quantia de R$ 4.392.318,02 está contida no montante de R$ 12.450.675,20 e foi oferecida à tributação na DIPJ/2009. (Grifei) Como se pode observar, o relatório de diligência confirmou o que foi suscitado pelo recorrente desde sua impugnação, isto é, inexiste crédito tributário a ser exigido e por decorrência lógica, base tributável para exigência da multa isolada por falta de recolhimento da base estimada. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 882 40 Fl. 882DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900706/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
RELATÓRIO.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-04T01:25:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-04T01:25:53Z; Last-Modified: 2018-10-04T01:25:53Z; dcterms:modified: 2018-10-04T01:25:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ca40bba0-995c-492b-b17b-60a91fe458a2; Last-Save-Date: 2018-10-04T01:25:53Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-04T01:25:53Z; meta:save-date: 2018-10-04T01:25:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-04T01:25:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-04T01:25:53Z; created: 2018-10-04T01:25:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2018-10-04T01:25:53Z; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-04T01:25:53Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900706/200808 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.085 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 10 de julho de 2018 Assunto COFINS DCOMP COMPENSAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO. Por bem resumir os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls.343/344), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 00 70 6/ 20 08 -0 8 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69),fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito nãohomologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(..) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: R$ 360.388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido R$ 352.174,01), R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido R$ 432.306,09), R$ 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido R$ 416.573,69), R$ 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido R$ 445.424,77), R$ 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido R$ 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido R$ 560.500,02), gerando saldos credores de R$ 8.214,12, R$ 9.567,36, R$ 5.421,76, R$ 5.305,84, R$ 1.019,76 e R$ 1.971,19, respectivamente. (.)"\T\I\I 2 DF CARF MF Fl. 342 Documento de 221 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0618.11501.CKI5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 10166.900706/200808 DRJ/BSA Acórdão n.° 0330.127 Fls(. 87 ' Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de R$ 8.956,83 — compensação efetuada utilizando o crédito de R$ 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (R$ 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. A pretensão do recorrente foi indeferida pelo v. acórdão recorrida (fls. 344/346), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 342), verbis. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Intimado da decisão em 07.05.2009 (fls. 349/349), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 06.06.2009 (fls. 350), ilustrado com farta documentação composta por procuração ao advogado, estatuto social e alterações, despachos decisórios diversos, recibos de entrega de DCOMP, entre outros (fls. 353/442), com os seguintes fundamentos (fls. 351/352), verbis. 1. Trata este auto de lançamento por homologação, no qual a autoridade fiscal entendeu que a recorrente, ao promover a compensação do valor da COFINS pago a maior referente ao mês de março de 2003, teria se utilizado de crédito inexistente, no valor principal de R$ 9.567,36. 2. O crédito, todavia, existiu; com efeito, na DCTF apresentada pela Recorrente referente ao mês de março de 2003, foi declarado, por estimativa, uma vez que ainda não era conhecida a base de cálculo definitiva, o débito apurado da COFINS no valor de R$ 441.873,45, conforme DARF anexo; no entanto, quando da revisão dos registros contábeis, foi constatada a diferença do imposto devido naquele mês, no montante acima indicado de R$ 9.567,36 cujo valor correto e definitivamente apurado foi de R$ 432.306,06. 3. Constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 9.567,36 que, atualizado até o mês de março de 2004, atingiu o valor de R$ 11.199,55, a Recorrente promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP (cópia anexa), enviada em 11/03/2004, aproveitando este crédito para a liquidação complementar da COFINS referente aos meses de setembro de 2003, no valor • de R$ 7.294,68, e de dezembro de 2003, no valor de R$ 1.662,15, totalizando R$ 8.956,83, e considerando os acréscimos legais constantes do PER/DCOMP, resulta na compensação do total do crédito atualizado de R$ 11.199,55. 4. A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que "o contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos", acrescentando ainda que "apresentar apenas cópia da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 5 4 da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de desconstituir o que foi constituído pelo Despacho Decisório". 5. Data vênia, tal entendimento não se sustenta; a Recorrente se preocupou, para demonstrar o seu direito, em elaborar planilha de cál culo,contendo analiticamente os valores do tributo, por entender que, na atual sistemática de comunicação entre o contribuinte e o fisco, sempre por meio eletrônico, a PER/DCOMP, documento instituído pela própria RF'B, contém as informações necessárias para a autoridade fiscal examine a regularidade do procedimento do contribuinte; a planilha anexada, portanto, teve o propósito de melhor esclarecer o fato, quanto a DIPJ esta teve como objetivo demonstrar a base de cálculo e ratificar a escrituração dos registros contábeis da Recorrente. 6. Em homenagem, todavia, aos princípios da boa fé e da vedação do enriquecimento sem causa, que com certeza ocorrerá se for mantida a decisão de P instância, obrigando a Recorrente a pagar o que não deve, ou a abrir mão de crédito cuja restituição lhe é garantida pela lei, anexase a estas razões a DCTF RETIFICADORA do período em que foi demonstrado o crédito, verificandose, na página anexa, o valor correto da COFINS devido referente ao mês de março de 2003 e declarado na DCTF do 1° trimestre de 2003, que é de R$ 432.306,09 e o pagamento, conforme DARF também anexo, no valor total de R$ 441.873,45, de cuja diferença resulta o valor de R$ 9.567,36. 7. Anexase, também, a folha do balancete do mês de março de 2003, com o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo da COFINS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do imposto informado na DCTF retificadora. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido este recurso, com a reforma 010 da decisão impugnada, julgandose consequentemente procedente o pedido da Recorrente. Já neste Colegiado, foi negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, em sessão de 28 de outubro de 2010, através do Acórdão 380300.9493ª Turma Especial, com a relatoria do Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 346/349), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 345), verbis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 6 5 Referido acórdão foi objeto de Embargos Declaratórios do recorrente (fls. 459/464), acolhidos através do Acórdão nº 380302.749, da 3ª Turma Especial, proferido em 24.04.2012 (fls. 459/464), e assim ementado (fls. 497), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos. Direito Creditório Não Reconhecido Em 17.08.2012, o recorrente ingressa com novos Embargos Declaratórios (fls. 526/534), ilustrado com farta documentação (fls. 535/575), alegando OMISSÃO pelos fundamentos que aponta, e requerendo (i) análise consistente na documentação apresentada para provar suas alegações; (ii) sanar contradição quanto a existência de documento assinado pelo seu contabilista atestando a fidedignidade do Balancete de Verificação extraído do Livro Razão; (iii) esclarecimento porque os documentos exibidos não foram aceitos pelo colegiado para comprovar a liquidez e certeza do seu direito, como alegado no v. Acórdão, para que seja dado provimento ao seu RV; e/ou, sucessivamente, caso se entenda que não cabe a esse colegiado a análise pormenorizada da documentação, requerse seja o julgamento convertido em Diligência para que a Unidade preparadora aprecie tal documentação (fl. 534). Em 21.09.2012, foi proferido o Despacho nº 3803000.154, em 21.09.2012, pelo Presidente da 3ªTE/3ª Seção, negando seguimento aos Embargos (fls. 602/605), que assim finalizou, verbis. Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 7 6 Inexiste vício a sanar na decisão embargada. Conclusão Com essas considerações e sem mais delongas, nego seguimento aos presentes embargos. Nos termos do § 3º do art. 65 do RICARF, este despacho é irrecorrível. Intimese o embargante do seu teor. Notificado da decisão em 05.10.2012 (fls. 609/610), ingressou o contribuinte com RECURSO ESPECIAL em 11.10.2012 (fls. 616/629), encaminhado ao CARF em 01.11.2012 (fls. 639), objeto de despacho de comprovação da divergência jurisprudencial em 27.03.2015 (fls. 643/644), recebido por despacho do Presidente da 3ª Seção (fls. 645); seguindose contrarrazões da Fazenda Nacional opinando pelo não conhecimento (fl. 649/10); com julgamento na CSRF através do Acórdão 9303005.065 3ª T, de 16.05.2017 (fls. 654/664) que lhe deu provimento, para determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido. O Relator do recurso na CSRF, embora vencido quanto ao conhecimento prevalecendo o Voto Vencedor da Conselheira Vanessa Marini Cecconello como Redatora designada assim concluiu o seu voto quanto ao mérito (fls. 659), verbis. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 8 7 Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3ºIII, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede que em sede de Recurso voluntário. É como voto. É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recorrente foi intimado da decisão da DRJ/BSA em 07 de maio de 2009 (fls. 348/349) e ingressou com Recurso Voluntário em 05 de junho de 2009 (fls. 350/493), dentro do prazo legal, representado por advogado habilitado e o apelo encontrase revestido das demais formalidades legais e processuais, pelo que dele tomo conhecimento. Para uma completa e adequada compreensão dos demais Conselheiros, mister se faz um pequeno resumo dos fatos debatidos nas 684 páginas deste longo processo, na dicção do bem elaborado Relatório do v. Acórdão recorrido, proferido pela DRJ/BSA, em 30 de março de 2009 (fls. 348/349), verbis. Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de RS 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69), fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 |e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito não homologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(...) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: RS 360388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido RS 352.174,01), RS 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido RS 432.306,09), RS 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido RS 416.573,69), RS 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido RS 445.424,77), RS 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido RS 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 9 8 (valor devido RS 560.500,02), gerando saldos credores de RS 8.214,12, RS 9.567,36, RS 5.421,76, RS 5.305,84, RS 1.019,76 e RS 1.971,19, respectivamente. (...)"Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de RS 8.956,83 compensação efetuada utilizando o crédito de RS 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (RS 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. DF CARF MF Fl. 444 Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0618.11509.KKEH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Como relatado, ao pedido do contribuinte foi negado provimento pelos julgadores da 2ª Turma da DRJ/BSA ao fundamento de que o contribuinte não logrou demonstrar documentalmente a liquidez e certeza de suas alegações. Merece transcrição parte essencial dos fundamentos do r. acórdão recorrido (fls. 345), verbis. Conforme Luiz Henrique Barros de Arruda (apud Processo Administrativo.Fiscal, pág. 21), prova por definição, "é a demonstração de existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta". Nesse sentido, jurisprudência da 1ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispõe ser inadmissível a simples alegação do erro no preenchimento da DCTF, de forma quer os dados informados reputamse verdadeiros até prova em contrário: DCTF ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO AUSÊNCIA DE PROVA os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso. 1º CC. / 4a Câmara / ACORDÃO 10420.645 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. Além disso, nos termos da IN n° 127, de 1998, a DIPJ é mera declaração informativa, de modo que não vale como confissão de dívida e nem é utilizada pela União para instrumentalizar a inscrição em dívida ativa. Tal papel, a partir de 1999, cabe à DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 10 9 tributário, conforme dispõem a IN n° 128, de 1998, e o Decretolei n° 2.124, de 1984, art. 5°, §1°. No voto condutor do Acórdão que negou provimento ao recurso na 3ª Turma Especial, 3ª Seção de Julgamento já neste Conselho (fls. 448/449), após reproduzir parte do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BSA, assim concluiu o ilustre Relator, Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 449), verbis. No caso em análise, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte aponta para a possibilidade da contribuinte ter efetuado pagamento a maior através do DARF de R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido de R$ 432.306,09), o que levaria a existência de um suposto crédito no montante R$ 9.567,36 em favor da Impugnante. Esse montante teria sido totalmente utilizado para pagamento complementar da Cofins dos meses de setembro de 2003 (R$ 7.294,68) e dezembro de 2003 (R$ 1.662,15), acrescido dos respectivos acréscimos legais. Encontramse . anexadas . ao processo: • cópia da DIPJ 2004 com dados do cálculo da contribuição para a Cofins referentes a março de 2003 (fl. 81), que demonstra que a contribuição para a Cofins apurada no período, após as deduções, foi de R$ 432.306,09; • cópia da DCTF do 10 trimestre de 2003 (fls. 82/84), que demonstra a existência de um débito apurado no valor de R$ 441.873,45, referente ao mês de março de 2003, que se encontra vinculado a um pagamento efetuado por meio de DARF de mesmo valor; • planilha elaborada pela própria contribuinte (fl. 80) demonstrando as alegações feitas. No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 11 10 sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). Entendo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), criado para suceder o 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes, é composto pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelas 1ª, 2ª e 3ª Seções de Julgamento e por suas respectivas Câmaras,Turmas Ordinárias e Extraordinárias, como se depreende da leitura do art. 15 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 15. A presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, das respectivas turmas e do Pleno será exercida pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinterecorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 12 11 o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma (fls. 654/664). (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938359/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 59 /2 01 1- 80 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000113/2009-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 584 1 583 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10976.000113/200988 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.787 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria IRPJ MULTA QUALIFICADA Recorrente KNUX INDUSTRIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 13 /2 00 9- 88 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 585 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 581/595) interposto pela KNUX INDUSTRIAL LTDA ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1402001.484 (efls. 513/526), da sessão de 5 de novembro de 2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder o limite legal, oferecerá os valores excedentes à tributação, no restante daquele ano, ainda na sistemática do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. SONEGAÇÃO. DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. por parte da autoridade fazendária. A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 04/70) tipificou duas infrações: (1) omissão de receitas receitas não escrituradas, com qualificação da multa de ofício de 150%; e (2) insuficiência no recolhimento. A decisão de primeira instância (efls. 479/488) julgou a impugnação (efls. 354/369) improcedente. Foi interposto recurso voluntário (efls. 501/511) pela Contribuinte, cujo provimento foi negado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. A Contribuinte interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%). Apresentou o paradigma CSRF/0105.483 para demonstrar a divergência. Discorre que a suposta omissão de receitas por si só não enseja a qualificação da multa de ofício, e que a empresa manteve a devida escrituração fiscal e informou os valores supostamente omitidos ao Fisco por meio de DCTFs, demonstrado boafé. Requer pelo provimento do recurso especial. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 570/572) deu seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 574/579). Aduz que a recorrente apresentou em suas declarações valores de receitas de vendas muito inferiores ao registrados na escrituração contábil, caracterizando conduta consciente e voluntária com claro escopo de pagar menos imposto. E, diante do evidente intuito doloso de sonegar, em ações reiteradas, cabe ser mantida a multa qualificada. Requer que seja negado provimento ao recurso. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 586 3 É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 570/572, para conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício deuse em razão de conduta reiterada da Contribuinte, que no decorrer de todo o anocalendário declarou receitas em valor substancialmente inferior ao auferido em suas atividades operacionais. A decisão de primeira instância (DRJ) elaborou demonstrativo, que ilustra com bastante nitidez a situação: Mostramse precisas as observações da decisão recorrida: Ora, uma mera omissão de receita advém ou da aplicação de uma presunção legal, ou ainda de erro. Nesse último caso, a declaração ou recolhimento a menor de tributo advém, por Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 587 4 exemplo, da ausência de inclusão de algumas notas fiscais em seus livros fiscais, de erro de transcrição no valor declarado, ou qualquer ato fato similar. No caso dos autos, a meu ver, a autoridade fiscal logrou comprovar que o contribuinte efetivamente não cometeu mero equívoco, tanto que o Recorrente efetivamente sabia o valor da receita mensal auferida, uma vez que os valores corretos de receita bruta eram consignados mensalmente em seus livros fiscais. Vêse, assim, que o Recorrente, ao calcular mensalmente o valor de Simples Federal devido para fins de recolhimento, utilizouse como base de cálculo, em todos os meses do período sob exame, de valor muito inferior ao da receita bruta auferida e escriturada. E vejase que no ano seguinte, ao transmitir a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, instrumento que implica confissão de dívida, o contribuinte confirmou sua atitude dolosa, ao informar à RFB montante de receita bruta que guardasse proporção com os valores de Simples recolhidos durante o anocalendário de 2005. Ora, evidentemente não estamos diante de erro. O fato de o contribuinte emitir notas fiscais e escriturar seus livros de acordo com essas, não pode, por si só, afastar o caráter doloso de tentar impedir, em parte, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Entendo ocorrer exatamente o contrário, pois o contribuinte mostrouse organizado e competente para escriturar seus livros mensalmente. Portanto, concluo que não se trata de erro, mas sim de atitude dolosa por parte da Recorrente ao omitir do conhecimento da RFB, de modo reiterado a maior parte da receita bruta escriturada. (Grifos originais) Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 588 5 Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Cabe, portanto, ser mantida a qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 588DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721231/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento.
Numero da decisão: 1401-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 31 /2 01 2- 19 Fl. 403DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 404 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 12042.712 15 ª Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade ante a inexistência de saldo negativo do imposto e consequentemente do direito creditório pleiteado. A interessada apresentou os PER/DCOMPs de nºs 40470.27582.210809.1.7.026012 e 18239.37337.211212.1.2.024155, em que se compensa crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ com débitos de responsabilidade da interessada e se pleiteia restituição, respectivamente. O crédito informado referese a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2007. Através do Despacho Decisório das fls. 76/85, a DRF de origem (DEMAC RJ) não reconheceu o direito creditório e, de consequente, não homologou a compensação e negou a restituição, porquanto, em decorrência do tratamento manual da DCOMP de nº 40470.27582.210809.1.7.026012, verificouse a inexistência de saldo negativo do imposto no referido ano. Apresentouse manifestação de inconformidade (fls. 93 a 114), contrapondo se, em síntese, que o Despacho Decisório deveria ser reformado, uma vez que o direito creditório seria inconteste e encontrarseia amparado em provas e ainda que não fosse reconhecido o crédito pleiteado, “o débito de estimativa de IRPJ compensado, objeto do processo digital nº 16682.721232/201219”, não poderia ser exigido, em respeito aos artigos 15, 16 e 49, da Instrução Normativa da SRF nº 93/97 e Súmula CARF nº 82. Sobreveio acórdão DRJ, que indeferiu as diligências solicitadas pela recorrente, por entendêlas desnecessárias ao deslinde da causa e no mérito julgar improcedente a manifestação de inconformidade embora localizados erros na apuração do lançamento, nos seguintes termos: 14. Com efeito, no cálculo do imposto, houve os referidos erros de digitação em desfavor do fisco (vide nota 2). Nada obstante, não há acordar com a apuração efetuada pelo contribuinte (tabela da fl. 96), porquanto o montante do IR retido está incorreto, dado que não restou comprovado na sua totalidade. 15. Não há anuir com a alegação do item 8, porquanto tratase, de antemão, de pedido de retificação de DCOMP __ ou seja, estáse pedindo que se considere na apuração do imposto valores de IRRF que não foram informados no PER/DCOMP3 com demonstrativo de crédito4 __, o que escapa à competência desta instância julgadora. 16. De mais a mais, sequer se demonstrou as respectivas receitas foram oferecidas à tributação. A regra do inciso art. 231 do RIR, de 1999, é clara: para que o IRRF devidamente retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura lucro real, mister se faz que a receita correspondente tenha sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, tenha sido computada na determinação do lucro real no respectivo anocalendário. 17. De igual forma, não compete às delegacias de julgamento manifestarse acerca da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada (vide nota 5). Fl. 405DF CARF MF 4 18. É de reconhecer todavia não houve questionamento, ou seja, não foram levadas em conta, por parte da fiscalização, algumas parcelas do IRRF declaradas na ficha 54 da DIPJ (fls. 243 a 251) e demonstradas no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito7; mas não coincidentes com as descritas na tabela da fl.100. Do cotejo do quadro das fls. 83 e 84 com as parcelas descritas no referido PER/DCOMP, temse as que não foram consideradas são as seguintes (várias parcelas da tabela da fl. 100 foram consideradas no Despacho): 19. Dentre essas estão suportadas por DIRF apenas os valores R$ 3.831.414,38 e R$ 198.899,86 (vide fls. 220 e 233), de modo que deveriam ter sido considerados na apuração do imposto. Refazendose a apuração, temse que, mesmo assim, ainda se apura imposto a pagar: 20. Quanto à alegação relativa ao IRRF no valor de R$ 11.300,167,13, que se glosou do montante de R$14.682.819,78, não lhe cabe anuência, porquanto o fato de o imposto não “ter sido aproveitado” no ano calendário de 2006, ano em que de fato houve a retenção, conforme demonstrado no Despacho Decisório, não confere a prerrogativa de “aproveitálo” em outro período. 21. Como dito alhures, o IRRF deve ser considerado na apuração do imposto quando se oferece a respectiva receita. O fato entretanto de não se reconhecer determinada receita no período em que foi efetivamente auferida não implica seja pertinente considerálo (o IRRF) no período em que se oferece a receita (à tributação) de forma extemporânea. 22. Por fim, negase o pedido de perícia, porquanto o expediente, ante o exposto, é prescindível à solução da lide. 23. Assim, ante a inexistência de saldo negativo do imposto e, de consequente, do direito creditório pleiteado, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. Contra essa decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário para o fim de decretar a nulidade da Decisão da DRJ ou decidindo a favor do contribuinte (art. 59 do Decreto 70.235/72, reconhecendo integralmente o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 405 5 peliteado, homologandose a compensação declarada, bem como deferindo o pedido de restituição realizado, ou subsidiariamente, caso os documentos acostados não sejam suficientes para comprovar o saldo negativo de IRPJ 2007, seja realizada diligência para esclarecer os ponto duvidosos, ou cancelado o processo de cobrança, por se tratar de cobrança após o encerramento do ano calendário. É o relatório do essencial. Fl. 407DF CARF MF 6 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade. De início, a Recorrente levanta preliminar de cerceamento de defesa, em razão do indeferimento da diligência pleiteada na impugnação, com o objetivo de confirmar o saldo negativo do período. A fundamentação do indeferimento do pleito da Recorrente se deu justamente em razão da falta de comprovação quanto a liquidez e certeza do crédito por ela pretendido, tendo ela pleiteado diligência justamente para produzir tal prova, contudo, verificase que os documentos apresentados foram analisados não só pela delegacia de origem, como pela DRJ e bem justificaram a revisão dos valores de apuração que, tendo ao final demonstrado a inexistência de saldo negativo para o período em questão. Por isso, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa em razão da inexistência de prejuízo à Recorrente pela negativa da efetivação da diligência solicitada. Mérito. Notase que o único débito a ser compensado com o crédito ora litigado referese a estimativa de IRPJ do mês de maio de 2008, conforme PERDDECOMP n. 404070.27582.210809.1.7.026012. Ao passo que o crédito glosado no valor de R$ 11.000.000,00 referese ao exercício 2006 e não ao de 2007, assim não é possível a utilização de retenção na fonte efetivada em um exercício para utilização na composição de saldo negativo do ano seguinte. Tal impossibilidade decorre das normas que regulamentam a apuração do lucro real e que determinam que do valor do imposto apurado poderão ser deduzidos os valores relativos às retenções na fonte incidentes sobre as receitas do mesmo período de apuração. Assim, o contribuinte, relativamente à parcela relativa à retenção do ano de 2006, deveria retificar a declaração relativa àquele exercício e nela utilizar os valores retidos. Não entendo ser possível fazêlo neste momento, assistindo razão a DRJ quando aduz que quanto à alegação relativa ao IRRF no valor de R$ 11.300,167,13, que se glosou do montante de R$14.682.819,78, não lhe cabe anuência, porquanto o fato de o imposto não “ter sido aproveitado” no ano calendário de 2006, ano em que de fato houve a retenção, conforme demonstrado no Despacho Decisório, não confere a prerrogativa de “aproveitálo” em outro período. Como já dito, o IRRF deve ser considerado na apuração do imposto quando se oferece a respectiva receita. O fato entretanto de não se reconhecer determinada receita no período em que foi efetivamente auferida não implica seja pertinente considerálo (o IRRF) no período em que se oferece a receita (à tributação) de forma extemporânea. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 406 7 Quanto aos demais valores objeto de análise pela DRJ, discordo do recurso voluntário apresentado de que os valores estariam devidamente comprovados. Não o restaram desta forma. A sua argumentação de que ocorreram apenas pequenos erros de preenchimento não pode prosperar no presente caso. Conforme considerado pela Turma durante as discussões e após pedido de vista realizado pelo Conselheiro Abel, tratase de empresa de grande porte que possui assessoria jurídica e contábil de renome com ampla possibilidade de adequadamente fazer demonstrar seu direito. Notese, ainda, que o recorrente foi intimado antes mesmo da prolação do despacho decisório no sentido de demonstrar as inconsistências verificadas na análise automática do PER/DCOMP. Os documentos apresentados foram analisados não só pela delegacia de origem, como pela DRJ e bem justificaram a revisão dos valores de apuração que, ao final, restaram por demonstrar a inexistência de saldo negativo para o período em questão. Por isso entendo por negar provimento ao recurso. Chama atenção ao pedido alternativo da Recorrente no sentido de aplicação da Súmula CARF nº 82, segundo a qual: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Todavia, em relação ao pedido alternativo de que em caso de não aceitação do recurso que se determinasse o cancelamento do débito de estimativa de IRPJ compensado em razão da aplicação da súmula 82 do CARF, novamente não assiste razão ao contribuinte. No presente caso não há lançamento de ofício aplicável. O débito por estimativa de IRPJ referese ao período de apuração de maio/2008 e foi CONFESSADO pelo contribuinte por meio do PER/DCOMP na forma do art. 74 e seguintes, da Lei nº 9.430/96. Ora a confissão realizada pelo contribuinte acerca do débito compensado com os créditos pretendidos no processo dispensa realização de lançamento da estimativa devida. Assim, inexistente o crédito pleiteado, tornase devido o débito indevidamente compensado. Por isso é incabível a aplicação de súmula que trata de lançamento de estimativa ao caso. Mais ainda, a estimativa compensada no presente processo e cujo não homologação resultará em sua cobrança pode e deve ter sido objeto de utilização por parte do contribuinte na dedução dos valores devidos de IRPJ do anocalendário 2008. Assim, acaso esta turma decidisse pelo cancelamento do referido débito a empresa poderia se beneficiar duplamente: primeiro por não ser obrigada a pagar o débito cuja compensação não foi homologada, segundo, por utilizar o referido valor da redução do IRPJ a pagar do ano de 2008. Por isso, quanto a este pleito também não assiste razão ao contribuinte. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 409DF CARF MF 8 Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.001229/93-57
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO FISCAL- Por haver nos autos, equívoco intransponível maculando o disposto no inciso LV do Artigo 5º da CF/88 que garante ao processo administrativo o contraditório e a ampla defesa, deve ser mantido o Acórdão recorrido.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.066
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , •- • ON P A RODRIGUES S Erlf,Rer.....„--- \ \\\ pRE -00-_,...7-0, E . --„.,. FRANCISCÓ IVIAURÍêCI RABELC) ; - -EBUQ RQUE SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 11 DEZ 2001 - -....., Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, ANA PAULA TOMAZZETTI URROZ (Suplente Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 Convocada) e OTACíLIO DANTAS CARTAXO. Ausente o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. 2 , Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 Recurso n° : RD/202-0.335 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Às fls. 143, Acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho, acolhendo a unanimidade, preliminar de nulidade da Decisão de primeiro grau, porque comportando proferição de outra na boa e devida forma, em razão de haver desprezado os fundamentos da exigência fiscal, considerando decorrente processo que é autônomo. Às fls. 149/150 a Fazenda Nacional interpõe Recurso de Divergência, com base no fato de glie O Acórdão da Oitava Câmara tendo acatado razões aditivas (fls. 126/137) ao Recurso Voluntário desconsiderou o princípio do prequestionamento. Traz como Acórdão paradigma o de n. 101-90.453 de 14.11.96, confirmando a preclusão quanto novos argumentos são trazidos à fase recursal. Alega ainda que o Acórdão combatido não traz os fundamentos que levaram os julgadores em segundo grau, a conhecer de tais razões aditivas, ficando implícito que o eminente Relator pretendeu estender à espécie as justificativas alinhadas no processo referente a exigência do IRPJ. Às fls. 151/153 Razões da Fazenda Nacional reafirmando em preliminar, não ser lícito conhecer de razões aditivas ao Recurso Voluntário porque, além de terem sido oferecidas intempestivamente, contêm matéria não prequestionada tanto na Impugnação qua to no Recurso e ainda que mesmo i havendo permissivo no Regimento Interno pra apresentação pelo Recorrente de novos documentos e esclarecimentos enqua ‘ t\ o processo estiver como o Relator,g\,, isto não ocorreu, uma vez que tais razões adNas chegaram aos autos quando o \\ \‘ __ processo já estava inscrito em pauta de sessão. -,.. ...- 3 ._.,.,...-' Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 No mérito afirma que a defesa da Autuada foi específica porque levantou nulidades, suscitou pontos que considerou relevantes e silenciou quanto a outros, não podendo ser considerado o fecho da peça impugnatória vez que totalmente abrangente, como eficaz contra todos os pontos da acusação fiscal. Diz ainda que a Decisão de segundo grau interpreta com rigidez extrema o direito de defesa. Às fls. 162/163, Despacho n. 108-0.008/98, alegando que a despeito de a Decisão haver sido proferida pela Oitava Câmara, a mesma não tem competência para examinar recursos interpostos em processos fiscais de exigência do FINSOCIAL/FATURAMENTO, quando originária de processo autônomo, como é o caso e encaminha o processo ao Segundo Conselho. Às fls. 143, Despacho n. 202-0.268 admitindo o Recurso interposto e encaminhando-o à Repartição de origem para ciência do sujeito passivo com relação a admissibilidade do Recurso. Às fls. 176/178, Contra —Razões de Recurso alegando que a Contribuinte foi autuada juntamente com todas as suas coligadas, em Ação Fiscal, tendo sido lavrados seis autos de infração para cada uma delas, sendo o espaço de trinta dias insuficiente para enfrentá-los, anexando documentos e produzindo provas contradizendo trinta e seis acusações. Com base nesse argumento e na Portaria Ministerial n. 260/95 (fls. 177) é que produziu razões suplementares ao Recurso. Alega ainda que a Decisão recorrida não podia ignorar a preliminar invocada sob\ena de levar-se adiante decisão nula, não prestando quaisquer efeitos legais e pr:Ôpugna pela manutenção do Acórdão recorrido. \ \ É o relatórià;; • 4 Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 VOTO N Conselheiro — Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. _ Quanto a preliminar argüida, trato de saber se -ã"s razões aditivas farpeadas pelo Recurso de Divergência com alegações de serem extemporâneas e irregulares, estavam de alguma forma contidas na Impugnação e no Recurso Voluntário, ou não, e se o Acórdão combatido centrou-se, exclusivamente, nessas mesmas razões aditivas ou ainda, se as mesmas foram entregues antes de publicada a pauta de julgamento. Quanto a protocolização das razões aditivas, verifico que foi efetivada em 24.10.96, data em que o processo não se encontrava incluído em pauta de Sessão que realizou-se em 12.11.96, o que não se choca com o Regimento Interno — artigo 17, § 50 . Quanto a estarem contidas na Impugnação de fls. 34/62, que inaugura a fase litigiosa para todos os tributos objeto da Ação Fiscal, constato presente argüição preliminar de nulidade, segundo o entendimento de que na forma da autuação, os espaços destinados à numeração das páginas e dos autos, e bem como, as referências aos documentos que consubstanciaram a autuação, estão em branco, o que cerceia, além de ameaçar a validade do procedimento fiscal, a elaboração das defesas da lmpugnante. Quanto ao Recurso de fls. 72/110, reitera a retificação do Auto de Infração, com base nas mesmas razões da peça impugnatória, em sede preliminar. As razões aditivas propugnam pela inconstituciona\li ade da legislação que ampara o FINSOCIAL e pela nulidade do Auto de lnfraç o, por obscuridade na base de cálculo que constituiu o crédito tributário, porque em 5 Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 esclarecimentos da forma como foi calculada a exigência e pela nulidade da Decisão Singular, uma vez que, a mesma entende ser este processo reflexivo, quando não existe registro de qualquer remessa a fatos ou razões que tenham originado um processo matriz e, finalmente, combate a TRD. Diz, sem dúvidas, tratar-se de processo autônomo porque claramente aponta a falta de recolhimento da Contribuição. Assim sendo, voto pela rejeição da preliminar, por entender impossível a constatação de que as razões aditivas contaminaram a Decisão da Câmara. No mérito, o Voto do Ilustre Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, inquestionavelmente, centra-Se no preciso fato de que o Julgador de Primeira Instância considerou este processo como reflexo e, admitiu o pleito da Recorrente no que diz respeito à nulidade da Decisão. Nesse passo, reconheço impossível afirmar que a Decisão guerreada foi induzida pelas razões aditivas, posto que, no transcorrer da formação dos autos, ficou pacificado não se tratar de processo reflexo, tanto que nas Razões do Recurso de Divergência nada é mencionado a respeito. Assim, dotado como de fato é, o presente, das peculiaridades de processo autônomo, e tendo o Julgador Singular optado pelo entendimento de que é reflexivo, voto pela imprestabilidade da Decisão Monocrática, que não enfrentou as razões de Impugnação, acarretando cerceamento ao direito de defesa da Contribuinte, com ferimento ao dispos no inciso LV do Artigo 5° da Carta Política?\ de 1988, mantendo na integralidade o órdão recorrido. 7 i- \ / Sala das Sessões,,115 de oútubro de .001, 1. , . , . A j FRANGIS-CO MAURICIO RAB°P,I, DE A. : UQUERQUE SILVA. 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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