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Numero do processo: 16327.720407/2012-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA.
A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou vice-versa (§ 6º, II, do citado dispositivo).
Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação ao ágio, não conhecendo das matérias da preclusão ou decadência e da ilegalidade da cobrança. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou vice-versa (§ 6º, II, do citado dispositivo). Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO CONTRA MATÉRIA SUMULADA. NÃO CABIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INVESTIMENTO NÃO EXTINTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. A possibilidade excepcional de amortização do ágio pago, veiculada pelo caput do art. 386 e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida ou viceversa (§ 6º, II, do citado dispositivo). Quando não ocorre a extinção do investimento nem tampouco a confusão patrimonial entre a investidora e a investida originais o ágio é indedutível e não permite sua transferência a terceiros estranhos à operação que o ensejou. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A utilização de empresa veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade desta sociedade e das operações em que tomou parte, notadamente quando há transferência do ágio a terceiros. Não produzem o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo as operações que envolvam a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 07 /2 01 2- 56 Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.439 2 transferência do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando praticadas sem finalidade negocial ou societária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por compartilharem o mesmo suporte fático e matéria tributável, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação ao ágio, não conhecendo das matérias da preclusão ou decadência e da ilegalidade da cobrança. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.440 3 Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais do contribuinte em epígrafe e da Fazenda Nacional interpostos em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.772 (fls. 937 e segs.), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 26 de agosto de 2014, que decidiu, por maioria de votos, em votação final, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e de CSLL, cumulados com juros, multa de ofício e multa isolada, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, apurados em decorrência da glosa de despesas de amortização de ágio gerado na aquisição do Banco do Estado do Ceará S/A (“Banco BEC”), pelo Banco Bradesco S/A, e posteriormente transferido para a Contribuinte autuada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, em leilão realizado em 21/12/2005, o Banco Bradesco adquiriu da União o controle acionário do Banco BEC, mediante a compra de 82.459.053 ações, representativas de 89,71% do seu capital social, pelo valor total de R$ 700.000.000,00. Posteriormente, em 31/01/2006, adquiriu mais 44.982 ações pelo preço de R$ 381.854,98 e, em 22/05/2006, por meio de Oferta Pública de Ações, adquiriu 9.433.507 ações ON e 109.721 ações PN, pelo valor total de R$ 75.866.737,17. Relata a fiscalização que ao final dessas aquisições o Banco Bradesco possuía 99,54% das ações do Banco BEC. Acrescenta que o Banco Bradesco desembolsou um valor total de R$ 787.066.762,23 com as compras das ações, cujo valor patrimonial era de R$ 85.385.961,27, de modo que foi apurado ágio no valor de R$ 668.034.512,70. Os detalhes da operação foram assim descritos pela decisão recorrida: Em 14/09/2006, o Banco Bradesco adquiriu cotas da empresa Oregon Holding Ltda. (“Oregon” CNPJ 65.691.818/000143) detidas pela União Participações, que se retirou da sociedade. Nesta mesma data, foi deliberado o aumento do capital social da Oregon de R$ 6.000,00 para R$ 2.985.387.129,00, mediante a emissão de 2.985.381.129 cotas de valor nominal de R$ 1,00 cada uma, subscritas e integralizadas pelo sócio Banco Bradesco, mediante a conferência (i) de 92.469.496 ações nominativas escriturais, sem valor nominal, de emissão do Banco BEC, avaliadas pelo valor contábil em 31/08/2006 ao preço de R$ 896.317.064,00, e (ii) de 11.248.493.707 ações ordinárias nominativas escriturais, sem valor nominal, de emissão do Banco Mercantil de São Paulo S/A, avaliadas pelo valor contábil em 31/08/2006, ao preço de R$ 2.089.064.065,00. Assim, o investimento no Banco BEC passou a ser detido pela Oregon. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.441 4 Ressalta a fiscalização que, embora a Oregon tivesse sido constituída em fevereiro de 1993, as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil não demonstram que a empresa tivesse qualquer atividade operacional expressiva ou funcionários contratados até a data do referido aumento de capital. Em 22/09/2006, a Contribuinte autuada incorporou a totalidade das ações da Oregon, que passou a ser sua subsidiária integral. Em 29/09/2006, incorporou a Oregon, passando a ser a detentora do investimento no Banco BEC com o respectivo ágio. Em 30/11/2006, a Contribuinte autuada incorporou o Banco BEC, passando a amortizar o ágio com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, tendo deduzido o montante de R$ 107.937.672,43 durante o anocalendário de 2007. Sustenta a fiscalização que as condições estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não estavam presentes no processo de reorganização societária em análise. Argumenta que a operação negocial que deu ensejo ao surgimento do ágio foi a aquisição do Banco BEC pelo Banco Bradesco e que a regra especial somente poderia ter sido aplicada se a absorção patrimonial tivesse ocorrido entre eles. Acrescenta que, não há previsão legal que autorize o aproveitamento desse benefício fiscal por pessoas jurídicas outras que não tenham sido agentes do negócio jurídico de aquisição da participação societária. Aduz também, que não há previsão legal para amortização de ágio relativo a um investimento adquirido apenas indiretamente ao final de um processo de planejamento tributário. Assim, conclui a fiscalização que a dedução de despesas relativas a amortização de ágio efetuada pela Contribuinte não atende aos requisitos previstos nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, devendo tais despesas, no total de R$ 107.937.672,43 em 2007, serem adicionadas de ofício ao lucro líquido para a determinação das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL. Ao apurar a matéria tributável relativa ao anocalendário de 2007, a fiscalização utilizou os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, não restando valores a serem compensados no anocalendário de 2008. Dessa forma, lavra autos de infração por excesso de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, relativamente ao ano calendário de 2008. A fiscalização relata, ainda, que a Contribuinte declarou, na DIPJ 2009, compensação de prejuízos de períodos anteriores no montante de R$ 27.229.433,95 e compensação de bases negativas de CSLL de períodos anteriores no valor de R$ 27.176.947,75. Diante disso, efetua o lançamento de IRPJ, no valor de R$ 6.807.358,49, e de CSLL, no montante de R$ 3.576.424,06, relativamente ao anocalendário de 2008. Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.442 5 Por fim, a fiscalização informa que a Contribuinte, durante o anocalendário de 2007, apurou as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL com base em balancetes de suspensão/redução, tendo deduzido as despesas relativas à amortização de ágio, consideradas indedutíveis na ação fiscal em comento. Com isso, efetua o lançamento das multas isoladas calculadas sobre as estimativas mensais não recolhidas, conforme previsto no art. 44, II, “b”, da Lei nº. 9.430/96. Com a ciência dos autos de infração o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que: Já teria ocorrido a preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a origem do ágio, visto que sua origem foi em 2005 e 2006, mais de cinco anos antes da ciência dos autos de infração, que ocorreu em 25/04/2012; A forma jurídica utilizada pelo Grupo Bradesco para a aquisição do Banco BEC foi a mais direta, correta e adequada para atingir seu objetivo final; O valor de R$ 668.034.512,70 de ágio pago pelo Banco Bradesco na aquisição de ações do Banco BEC, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, não foi discutido pela fiscalização, pois o que se questionou foi apenas a amortização do ágio por outra empresa; Não seria viável a incorporação do Banco BEC pelo Banco Bradesco, por força de riscos regulatórios, administrativos e fiscais. Se realizada, tal incorporação colocaria em risco a própria operação do Banco Bradesco, face à dificuldade de obtenção de certidões negativas, além de riscos decorrentes de contingências existentes na empresa adquirida; Para o aproveitamento fiscal do ágio pago na aquisição do Banco BEC foi realizada sua transferência para a Autuada, que o adquiriu pelo mesmo valor pago pelo Banco Bradesco, líquido das amortizações realizadas até aquele momento; As operações foram realizadas de acordo com a legislação vigente e tiveram verdadeiro propósito negocial; O Grupo Bradesco não poderia ter participado do leilão do Banco BEC por meio da Autuada, visto que ela não possuía as condições patrimoniais exigidas pelo edital; A participação da Oregon foi necessária para recepcionar as ações do Banco BEC adquiridas pelo Banco Bradesco dentro dos ditames legais. O aumento de capital em uma instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio de incorporação de reservas e de reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado, não havendo previsão legal para a integralização de capital mediante a conferência de ações; A Autuada ressalta que agiu de forma legítima, cumprindo todos os requisitos legais na aquisição do Banco BEC, com o Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.443 6 consequente aproveitamento fiscal do ágio. As transferências de ágio realizadas no presente caso foram legítimas, estando amparadas pela legislação de regência e pela jurisprudência administrativa; O ágio pago com base em expectativa de rentabilidade futura está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, devendo acompanhar o investimento que lhe é subjacente, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram. A transferência de ágio é admitida na jurisprudência do CARF; Não houve qualquer economia tributária indevida. O ágio poderia ser amortizado pelo Banco Bradesco, caso o mesmo tivesse incorporado o Banco BEC. A amortização do ágio atendeu plenamente ao disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº. 9.532/97. A reorganização societária em comento sequer pode ser considerada como planejamento tributário, pois se trata de mera fruição de um tratamento fiscal previsto em lei. Ad argumentandum, deve ser cancelado o auto de infração relativo à CSLL por absoluta ausência de previsão legal para a adição das despesas em comento à base de cálculo da CSLL; As autuações relativas ao anocalendário de 2008 são mera decorrência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2007. Assim, caso sejam canceladas as autuações referentes à glosa de despesas com amortização de ágio, devem ser restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL utilizados pela fiscalização e, consequentemente, canceladas as autuações relativas ao anocalendário de 2008; Não pode prosperar a exigência das multas isoladas, haja vista a (i) impossibilidade de cobrança da multa isolada após o encerramento do anobase; (ii) impossibilidade de cumulação de multa isolada com multa de ofício; (iii) a decadência da multa isolada referente a períodos até 31/03/2007; e (iv) equívoco na apuração da base de cálculo da multa isolada. Deve ser cancelada a exigência de juros de mora sobre as multas de ofício por falta de previsão legal. A 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 indeferiu a preliminar de decadência do ágio e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação, em função do equívoco cometido pela fiscalização na apuração da base de cálculo da multa isolada, que deveria ter considerado as compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL de períodos anteriores. Inconformado com a parte da decisão que lhe foi desfavorável, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação, e a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.444 7 O processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, mantendo as demais autuações, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTIMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice versa (§6º, II). Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a transferência do ágio. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.445 8 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Considerandose que a amortização de ágio realizada em descompasso com a lei acaba por reduzir o lucro líquido do período de apuração, ponto de partida para apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, tais valores devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão e apresentou recurso especial (fls. 1.003), no qual defende a incidência da multa isolada, por entender, entre outros argumentos, que a nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, não deixa margem para dúvidas quanto à existência de motivações jurídicas diversas e bases diferenciadas para esta exação em relação à multa de ofício. O recurso especial fazendário foi admitido pelo despacho de fls. 1.025, do Presidente da 4a Câmara, que deu seguimento à matéria recorrida: possibilidade de aplicação simultânea das multas isoladas e de ofício. O contribuinte, com a ciência do acórdão, opôs embargos (fls. 1.054), sob o argumento de que a decisão padeceria de contradições e omissões, que foram parcialmente admitidos, conforme despacho de fls. 1.152: Desse modo, entendo que os embargos devem ser parcialmente admitidos, nos seguintes termos: a) inexistentes as omissões e as contradições apontadas, não admitir os embargos, uma vez que improcedentes as alegações da embargante, em relação: a1) às pretensas contradições referentes: Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.446 9 ao resultado de julgamento e o relatado no voto vencedor do acórdão embargado; ao relatório adotado pelo voto vencedor e seu fundamento; à inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível pela Fiscalização; a2) às supostas omissões referentes: à fundamentação adotada no acórdão embargado; à análise de situações específicas pertinentes ao caso presente; à legislação específica relativa à CSLL para as adições à base de cálculo; b) admitir os embargos, uma vez que procedentes as alegações da embargante, em relação à omissão quanto à análise do mérito do Recurso de Ofício. O contribuinte também apresentou contrarrazões ao recurso fazendário (fls. 1.154), para defender a exclusão da multa isolada, nos termos já decididos pela turma a quo. Os embargos opostos pelo contribuinte foram julgados pelo acórdão 1402 002.211, de 08 de junho de 2016, que acolheu uma das alegações de omissão e proferiu decisão suplementar, para apreciar o recurso de ofício e negarlhe provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÃO. Constatado que o acórdão foi omisso, prolatase nova decisão a fim de suprir a lacuna apontada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. BASE DE CÁLCULO. BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Na apuração da estimativa mensal, com base em balancetes de suspensão/redução, sobre a qual incide multa isolada, devem ser compensados, nos limites previstos em lei, os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL apurados em períodos anteriores. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.447 10 Cientificado da decisão em sede de embargos o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 1.346 e seguintes), no qual formula diversos argumentos para o cancelamento das autuações. O recurso especial do contribuinte foi objeto de exame de admissibilidade (fls. 2.253 e seguintes), que analisou as 13 (treze) divergências suscitadas, a saber: I. Nulidade parcial do acórdão recorrido; II. Indevida alteração do critério jurídico no acórdão recorrido; III. Preclusão/Decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio; IV. Validade da transferência do ágio; V. "Extinção do Investimento" nos casos de transferência do ágio; VI. Legalidade das operações nos termos da legislação/opção legal; VII. Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; VIII. Validade do propósito negocial em decorrência da motivação Fiscal; IX. Existência de propósito negocial em face da demonstração de motivo extrafiscal; X. Existência de propósito negocial em face das diversas estruturas possíveis para o aproveitamento fiscal do ágio; XI. Validade da suposta "empresa veículo"; XII. Inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; XIII. Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Da análise empreendida e confirmada pelo Presidente da 4a Câmara conclui se que foi dado seguimento parcial ao recurso especial, no que tange às seguintes matérias: Preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio (item iii); Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio (item v); Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial (item vii); Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal (item viii); Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.448 11 Validade da suposta "empresa veículo" (item xi); Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa (item xiii). Contra o referido despacho o contribuinte apresentou agravo (fls. 2.294), com o intuito de obter seguimento para as matérias em que não se constatou o dissídio jurisprudencial. O pedido formulado em sede de agravo foi apreciado e parcialmente acolhido pelo despacho de fls. 2.370 e seguintes, da Presidência do CARF, que entendeu pelo seguimento da matéria "Validade da transferência do ágio", mas apenas em face do paradigma nº 1201001.364. Para as demais matérias suscitadas, o referido despacho rejeitou o agravo e manteve a posição anteriormente adotada, no sentido de negarlhes seguimento. Por fim, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2.402) ao recurso especial admitido, para rebater alguns dos argumentos formulados pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Recurso especial apresentado pelo Contribuinte Conhecimento O recurso especial do contribuinte, inicialmente, foi admitido de forma parcial, por meio do despacho de fls. 2.253 e seguintes, que reconheceu divergência jurisprudencial apenas quanto a 6 (seis) das matérias indicadas: Preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio; Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio; Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal; Validade da suposta "empresa veículo"; Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou agravo, com o objetivo de que também fosse dado seguimento às demais matérias questionadas no recurso especial. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.449 12 A presidência do CARF rejeitou em grande parte o pedido formulado em sede de agravo e manteve, neste ponto, a posição do despacho de admissibilidade, mas reconheceu divergência de entendimento em relação ao acórdão paradigma nº 1201001.364, no que tange à matéria "validade da transferência do ágio". Verificase que a Fazenda Nacional, em contrarrazões, não questiona o seguimento das matérias admitidas, mas apenas o mérito das alegações formuladas, razão pela voto pelo seu conhecimento, por entender que foram preenchidos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do RICARF. Nesse contexto, ratifico o teor do despacho de admissibilidade de fls. 2.253 e também a decisão prolatada em sede de agravo, para conhecer do recurso especial apresentado pelo contribuinte quanto às seguintes matérias: Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio; Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial; Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal; Validade da transferência do ágio; Validade da suposta "empresa veículo"; Ocorre que o mesmo não se aplica em relação às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", que restaram assim consignadas na decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.450 13 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Em relação a essas matérias foram aprovadas súmulas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, na reunião de 3 de setembro de 2018, com textos que traduzem os mesmos fundamentos da decisão recorrida, respectivamente: Súmula CARF nº 116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Para fins de conhecimento recursal, deve ser observado o disposto no art. 67 do Anexo II do RICARF, que, dentre outros requisitos, dispõe: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (grifouse) Diante disso, conheço parcialmente do recurso especial do contribuinte, exceto quanto às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", ora sumuladas. Mérito A apreciação das matérias relacionadas ao mérito questão da amortização do ágio refletirá a estruturação adotada no recurso do contribuinte e no despacho de admissibilidade do recurso, com registro de observações pertinentes em cada tópico. a) Validade da transferência do ágio Neste ponto, aduz a Recorrente que as operações discutidas nos autos foram implementadas nos exatos termos da legislação de regência. Contudo, teria prevalecido no acórdão questionado a equivocada interpretação de que a transferência do ágio não encontra abrigo no ordenamento, razão pela qual o correspondente efeito fiscal não foi admitido. Defende a interessada, com base nos paradigmas indicados, que inexiste óbice para que um grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, com o correspondente aproveitamento do benefício fiscal em outra entidade de sua estrutura societária. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.451 14 No caso dos autos, o debate trata da amortização do ágio originalmente gerado na aquisição do BEC pelo Banco Bradesco, com posterior transferência para a Recorrente. Embora não se discuta nos autos a natureza e a existência desse ágio, a decisão recorrida entendeu pela sua indedutibilidade, nos seguintes termos: De fato, não se discute nos autos a existência do ágio registrado pelo Bradesco em razão da aquisição de participação societária no Banco BEC e posteriormente transferido à Recorrente, via empresa veículo, que passou a amortizálo. A questão controvertida reside no direito à amortização do ágio pela Recorrente, pois se o próprio Banco Bradesco tivesse incorporado o Banco BEC não haveria dúvida quanto ao enquadramento da operação no art. 7º da Lei nº 9.532/97. (...) Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, alterou seu posicionamento. Fixouse o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação/extinção de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquele caso a hipótese ainda tratava da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. No presente caso, para seu deslinde, bastaria analisar o elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado: investida e investidora passaram a ser uma única pessoa jurídica? Não há dúvidas que tal reestruturação jamais ocorreu. De acordo com o racional desenvolvido pelo voto condutor, o fato de investidora e investida jamais terem se tornado uma única entidade afasta, de plano, a possibilidade de amortização do ágio e, por via de consequência, qualquer aproveitamento mediante transferência a terceiros. Com efeito, a matéria em debate encontrase disciplinada nos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.452 15 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.453 16 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.454 17 líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. No caso dos autos constatase, na esteira da decisão recorrida, que não houve a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, como estabelece o caput do art. 386, e seu inciso III, do RIR/99: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior. (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. A matéria tem sido objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior, com entendimento contrário à tese da Recorrente, a exemplo de recente decisão, formalizada pelo acórdão nº 9101003.466, de 7 de março de 2018, que analisou caso semelhante ao do presente processo e cuja ementa, na parte que nos interessa, consignou: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. No mesmo sentido decidiu a turma no também recente acórdão nº 9101 003.468, de 7 de março de 2018, no qual foi negada a possibilidade de transferência do ágio, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.455 18 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. Do mesmo modo, no presente caso, na medida em que não houve a necessária reorganização necessária, nem tampouco a confusão patrimonial e a correspondente extinção do investimento, inexiste qualquer reparo a fazer na decisão recorrida, que é convergente com a jurisprudência firmada no âmbito desta Câmara Superior, razão pela qual não há como acolher a pretensão da recorrente. b) Extinção do investimento nos casos de transferência do ágio Embora o despacho de admissibilidade tenha reconhecido este e os demais argumentos como "matéria divergente", pareceme claro que aqui há relação direta e intrínseca com o tópico anterior, posto que a análise das operações não deve ficar restrita a apenas um dos aspectos jurídicos suscitados. Por força da natural interconexão e relação de causa e efeito entre os argumentos (até porque transferência do ágio/extinção do investimento/confusão patrimonial/ utilização de empresa veículo são conceitos indissociáveis no presente caso) devo acrescentar algumas ideias às considerações já efetuadas no tópico anterior. Como visto, a decisão recorrida entendeu, entre outros motivos, que a inocorrência de extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida (ou viceversa), ofende a previsão do art. 386, III do RIR e impossibilita o aproveitamento do ágio por terceiros estranhos à operação original. Nesse contexto, o voto condutor, reproduzindo jurisprudência assentada na turma a quo, assinalou que: Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.456 19 ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: (...) Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento serem necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, a de que o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Assim sendo, com base em tal entendimento, entendo que já seria possível negarse provimento ao recurso em tal ponto, haja vista jamais ter existido a extinção do investimento via incorporação, ainda que reversa, entre Banco Bradesco e Banco BEC. (grifouse) O entendimento esposado encontra ressonância na melhor doutrina acerca da matéria. Ricardo Mariz de Oliveira, por exemplo, apresenta a racionalidade e os requisitos das normas relativas ao ágio nas passagens seguintes, extraídas das p. 763 e ss. da obra “Fundamentos do Imposto de Renda”: A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.457 20 (...) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão , devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.458 21 Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.459 22 recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1)conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (grifouse) Destarte, o escopo implícito na lei, ao estabelecer a condição de realização de incorporação, fusão ou cisão, é unir o ágio e os lucros a que ele se refira, numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Isso representa o cerne da exigência condicional da dedução do ágio e se manifesta através do requisito da absorção de um patrimônio pelo outro, o que não se verifica no caso dos autos. Assim, firme na premissa supra mencionada e na interpretação conferida aos dispositivos legais entendo que, diante da não extinção do investimento por incorporação não há como acolher o argumento da interessada, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida. c) Validade da suposta "empresa veículo" De acordo com os dispositivos legais já citados nos tópicos anteriores temos que a necessidade de incorporação da investida pela investidora (ou mesmo quando isso ocorre de maneira inversa) exige que a investidora seja aquela que participou da operação original, vale dizer, deve ser a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou o valor do ágio e assumiu os riscos do negócio com base na expectativa de rentabilidade futura. Daí decorre a impropriedade no uso das chamadas "empresasveículo", notadamente quanto não se comprova sua absoluta necessidade na operação (por força, por exemplo, de normas regulatórias específicas e incontornáveis). Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.460 23 O voto condutor do acórdão recorrido descreveu as operações praticadas e entendeu pela impossibilidade de utilização de empresa veículo na espécie, nos seguintes termos: Outro ponto merece ainda análise: a utilização de empresa veículo para transferência de tal ágio. No presente caso, Banco Bradesco adquiriu ações do Banco BEC em duas situações distintas (no período próximo a cinco meses entre as duas aquisições). Cerca de quatro meses depois, adquiriu quotas da Oregon, pessoa jurídica sem qualquer atividade operacional, conforme bem retratado pela autoridade fiscal autuante. Ato contínuo, deliberouse o aumento de capital em Oregon, subscrito pelo próprio Banco Bradesco e integralizado mediante conferência das ações do Banco BEC avaliadas a valor contábil. Nesse passo, transferiuse o ágio de Bradesco para Oregon. Após 08 (oito) dias, deuse o passo final para transferência do ágio: (i) a Recorrente realizou a incorporação de ações de Oregon, que, a partir de então, passou a ser sua subsidiária integral; (ii) uma semana depois, a Recorrente incorporou Oregon, tornandose detentora do investimento no Banco BEC com o respectivo ágio, passando a amortizálo. A meu ver, resta evidente a utilização de empresa veículo para transferência do ágio. (...) A respeito dos demais argumentos entabulados pela Recorrente sobre o sigilo da proposta e sua falta de capacidade financeira para participar do leilão, sobre a impossibilidade de conferência de bens em instituições financeiras, a necessidade de segregação do investimento em Oregon a fim de afastar riscos administrativos e, por fim, que os mesmos efeitos tributários seriam verificados em diversas outras operações, não me sensibilizam, porque o negócio levado a efeito, efetivamente, foi a aquisição do investimento realizado por Bradesco em Banco BEC. E, como não houve extinção do investimento por meio incorporação, fusão e cisão entre tais empresas, não lhe socorre o direito de amortização do ágio, devendo o mesmo compor o custo do investimento para eventual apuração de ganho de capital em eventual futura alienação do investimento. A amortização somente seria possível se houvesse a efetiva incorporação do Banco BEC por Bradesco (ou, por hipótese, viceversa). Em resumo: inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. À luz dos fatos narrados nos autos, a amortização promovida pela Recorrente não atendeu ao disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 nem tampouco aos critérios Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.461 24 fixados pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999, posto que o investimento realizado pelo Bradesco no BEC não foi extinto mediante reorganização societária (incorporação, fusão ou cisão) entre estas pessoas. O entendimento aqui esposado é consistente com a jurisprudência desta Câmara, razão pela qual também não há como acolher a pretensão da Recorrente quanto a este tópico. Citese, a título de exemplo, a decisão proferida no acórdão nº 9101003.371, de 17 de janeiro de 2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. d) Impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial Neste ponto, aduz a Recorrente que a posição adotada pelo acórdão combatido contraria jurisprudência deste CARF, no sentido de que podem ser admitidas para fins fiscais operações societárias baseadas em motivação extratributária (propósito negocial). Defende que não há previsão legal no ordenamento que respalde tal exigência, o que a tornaria "apenas uma teoria sem amparo no direito positivo". O voto condutor do acórdão recorrido fez uma profunda análise da questão, que pela robustez dos argumentos merece ser reproduzida, ainda que parcialmente: A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, talvez nunca alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.462 25 dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. (...) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”. (...) O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhe se o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.463 26 (...) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. (...) Salientase que sem a utilização das denominadas “empresas veículo” não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se as “empresas veículos” efetivamente operavam, ou se suas existências foram efêmeras. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada. Nos termos do racional e da doutrina propostos pelo voto condutor concluise que o intérprete deve atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. O cotejo entre a operação inicial que ensejou o ágio, entre o Bradesco e o BEC, e as operações posteriores, que permitiram a transferência deste para a Recorrente, permite concluir pela sua indedutibilidade. Entendo que, no caso dos autos, a partir da decisão inicial sobre a aquisição dos ativos, procedeuse de forma a evitar ou mitigar os efeitos tributários decorrentes da operação. Vislumbro, na espécie, a figura do abuso de direito veiculada pelo artigo 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.464 27 Entendo que a figura realmente se enquadra na hipótese dos autos, de sorte que a reorganização societária, mediante o emprego de empresaveículo, teve como único propósito a obtenção de vantagem fiscal. Ressaltese que Marco Aurélio Greco, na já clássica obra Planejamento Tributário, 3a edição, fls. 210 e 211, cuida especificamente da figura do abuso de direito em relação às possibilidades de autoorganização: Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito de autoorganização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. Aqui reside um ponto importante. Independente da validade jurídica do ato e do direito de organização das sociedades, a questão diz respeito, essencialmente, à oponibilidade das condutas em relação ao Fisco, notadamente quando o seu único objetivo é o de obter vantagens tributárias. Recordese que em relação ao ágio a regra geral é de indedutibilidade e que as situações em que a amortização como despesas é possível exigem perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias, o que efetivamente não ocorreu no caso sob análise. Aliás, o próprio Marco Aurélio reconhece, na sequência do parágrafo acima reproduzido, que depois do Código Civil de 2002 o abuso de direito não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, mas hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para que se tenha um efetivo planejamento tributário. Não cabe, portanto, acolher os argumentos da Recorrente. e) Validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal Neste tópico, que é mero desdobramento do anterior (logo, não configura "matéria divergente", mas apenas argumento de reforço formulado pela Recorrente), a interessada repisa que no caso dos autos havia propósito negocial, consubstanciado na aquisição de uma importante instituição financeira no Estado do Ceará, como forma de expandir as atividades do Grupo Bradesco na região. Ressaltese que, como já demonstrado, adoto a posição do voto condutor recorrido no sentido de que descabe à fiscalização decidir quais os caminhos que devem ser seguidos pelos empresários, que possuem larga margem de manobra na condução lícita dos seus negócios. O que não se admite é a oponibilidade dessas operações contra o interesse fazendário, que tem por expectativa o recolhimento dos tributos decorrentes da atividade econômica dos contribuintes. Já restou comprovado, ao longo deste voto, que a artificialidade da operação decorreu da transferência do ágio para terceiro não envolvido no negócio original. Tal fato, por Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.465 28 si só, fulmina o argumento da Recorrente, posto que não foram atendidos os preceitos legais previstos para a espécie (confusão patrimonial, identidade entre as partes e extinção do investimento, entre outros já mencionados). Assim, além de não ter sido efetivamente indicado pela Recorrente nenhum óbice regulatório à incorporação direta ou reversa entre as partes originais, os supostos motivos alegados não me parecem conferir propósito negocial à operação. De acordo com o entendimento esposado pela decisão recorrida e também neste voto, penso que o propósito negocial efetivamente integra o rol de requisitos para a admissibilidade, com efeitos tributários, das operações promovidas pelo contribuinte. E, na esteira desse raciocínio, os argumentos formulados pela interessada (quebra do sigilo da proposta, falta de capacidade financeira para participar do leilão e impossibilidade de conferência de bens em instituições financeiras) são questões empresariais, que dizem respeito unicamente à forma de concretizar o negócio, do modo desejado pelo contribuinte. Embora tenha liberdade de planejar suas atividades da maneira que julgar conveniente, o resultado artificialmente produzido pelas operações não é oponível ao interesse público nem atende aos preceitos legais. Na medida em que livremente optou por entabular seus negócios da forma demonstrada nos autos, simplesmente não há como admitir a dedutibilidade do ágio, cabendo lhe apenas, como bem destacado pelo acórdão recorrido, compor o custo do investimento para eventual apuração de ganho de capital numa futura alienação. Por fim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional Conhecimento Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido adotou o princípio da consunção para afastar a incidência da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas em conjunto com a multa de ofício. No intuito de demonstrar a divergência desse entendimento em relação à posição adotada em outros julgados do CARF a Fazenda Nacional indicou dois paradigmas. A matéria foi objeto do despacho de admissibilidade de fls. 1.025, que deu seguimento ao recurso. O contribuinte, em contrarrazões (fls. 1.154), formula duas alegações: a) que o despacho de admissibilidade é nulo, por afronta ao disposto no artigo 68, § 1º, do RICARF; b) pelo não cabimento do recurso especial, por tratar de matéria objeto de súmula. Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.466 29 Em relação à preliminar, aduz o contribuinte que o despacho de admissibilidade seria nulo pelo fato de a análise ter sido empreendida por conselheiro e não pelo presidente da câmara, que apenas anuiu. A análise do referido despacho nos leva a concluir que inexiste qualquer vício de competência quanto ao ato praticado. Sem prejuízo do disposto no mencionado artigo 68, § 1º, do RICARF, que atribui ao presidente de câmara a competência para a admissibilidade de recurso especial, verificase que este encargo foi plenamente exercido pela citada autoridade, como evidencia a simples transcrição do seguinte excerto: Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, verificase que o recurso especial deve ser admitido, haja vista que restou demonstrada a divergência jurisprudencial. Em assim sucedendo, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva De acordo. Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial da PGFN. A Secretaria da 4ª Câmara/1ª Sejul deverá encaminhar o presente processo para a Unidade de origem para ciência ao sujeito passivo do Acórdão, do recurso especial da PGFN, e deste despacho assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Ressaltese que esse despacho é definitivo, em conformidade com o art. 69 do Anexo II do RICARF. Ao final, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente 4ª Câmara/1ª Sejul (grifouse) A leitura do trecho transcrito evidencia que não há qualquer vício de competência na decisão exarada, até porque a colaboradora do CARF, designada por Portaria Conjunta do Presidente do CARF e do Secretário da Receita Federal, analisou os fatos e propôs seguimento ao recurso fazendário. Por seu turno, o presidente da 4a Câmara acolheu os fundamentos da análise empreendida e decidiu pelo seguimento, no pleno exercício de sua competência regimental. Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.467 30 É da natureza dos atos administrativos que um servidor promova a análise dos fatos e da matéria jurídica e proponha ao seu superior hierárquico a adoção de determinada posição. Isso ocorre em todos os órgãos da administração pública. Ressaltese que não se cuida, na espécie, sequer de delegação de competência (que efetivamente não existe), posto que a decisão do ato administrativo foi exarada exclusivamente pela autoridade prevista no RICARF, sendo manifestamente improcedente a argumentação do contribuinte. Assim, resta evidente que existe qualquer nulidade no despacho questionado. Superada a preliminar, cabenos apreciar o conhecimento do recurso especial. Como visto, a Fazenda Nacional apontou divergência jurisprudencial em relação à matéria "concomitância da multa isolada com a multa de ofício" e indicou dois paradigmas. O primeiro acórdão (nº 1101001.057 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) trata de questão semelhante à do presente caso, assim ementada: Ano calendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. No caso do paradigma, que cuida dos mesmos anoscalendário aqui discutidos, o voto condutor analisou as alterações legislativas promovidas pela Lei nº 11.488/2007 e conclui pela possibilidade de cumulação entre as multas isoladas e a multa de ofício (verbis): Concluise daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Evidenciase assim, pela disposição legal, a possibilidade da imposição das duas multas: a multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata e a de 50%, isolada, sobre a falta de recolhimento mensais por estimativa. (destaques do recorrente) Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.468 31 O segundo paradigma, da lavra da Segunda Turma Especial da Primeira Seção do CARF (acórdão nº 1802001.592) e também relativo ao anocalendário de 2007, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha sido apurado” prejuízo fiscal no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 3. Os balancetes de suspensão/redução são cumulativos. Nesse caso, havendo diminuição no resultado em períodos subseqüentes, a falta de estimativa apurada em mês posterior é mero reflexo da falta de estimativa apurada até o mês anterior. A penalidade aplicada para o mês anterior afasta a penalidade para o mês subseqüente. 4. A estimativa mensal, quando apurada em balancetes de suspensão/redução, também pode ser reduzida pela compensação de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL de período anterior. Na oportunidade, o voto condutor analisou a legislação em face do princípio da consunção e concluiu que este não se aplica em matéria tributária, sem prejuízo de, no caso concreto, as multas serem totalmente distintas: Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.469 32 prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, havendo falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, é perfeitamente cabível a aplicação da multa isolada em pauta. Pelo exposto, constato que os dois paradigmas indicados demonstram efetivo dissídio jurisprudencial, razão pela qual voto por ratificar o despacho de admissibilidade para conhecer do recurso fazendário. Mérito No que respeita ao mérito, a questão é bastante conhecida e tem sido apreciada reiteradas vezes neste Colegiado. Este Colegiado tem decidido, a exemplo de outras turmas do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Nesse sentido extraise a inteligência da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do art. 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, 15 de junho de 2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula CARF nº 105, que conferiu, à luz do art. 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 16327.720407/201256 Acórdão n.º 9101003.871 CSRFT1 Fl. 2.470 33 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do art. 44, posto que relativas aos anoscalendário de 2007 e 2008, entendo como jurídica e obrigatória a aplicação concomitante das infrações nele previstas, vez que as multas são completamente distintas e autônomas. Sobre o recurso de ofício, cabe registrar que houve decisão em embargos através do acórdão 1402002211, em sessão de 8 de junho de 2016, em que acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para suprir omissão no acórdão 1402001.772, e proferir decisão complementar com apreciação do recurso de ofício negandolhe provimento. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso fazendário. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial do contribuinte, exceto quanto às matérias "preclusão ou decadência da possibilidade do fisco questionar a origem do ágio" e "ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa", e, quanto ao mérito, voto por negarlhe provimento, e, ainda, conheço do recurso fazendário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2470DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002541/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 41 /2 00 9- 05 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.987, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23 e maio de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 4 3 O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e (d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 5 4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.318, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.318): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 9 8 Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 10 9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 11 10 (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.318. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 13 12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 9303007.322 CSRFT3 Fl. 14 13 que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 4) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724501/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 50 1/ 20 10 -9 1 Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de CSLL (fls. 02/12), no valor global de R$8.436.367,24. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão indevida ao lucro líquido antes da CSLL sobre o lucro, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos; e (iv) insuficiência de saldo de bases negativas. Segundo o auditor fiscal: “Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de Fortaleza CE, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, note se que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119,No evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100.Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119.” Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação em face do lançamento, em 23/11/2010, com espeque nas seguintes argumentações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômico financeira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 4 3 Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 5 4 A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio ano base de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionando os ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGNANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 6 5 efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimando a de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparando se o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômico fiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 7 6 BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos soma se ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confira se os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no Decreto Lei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecer lhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 8 7 prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do Decreto Lei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do Decreto Lei .° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicam se, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 9 8 Acórdão DRJ/FOR Em 14/06/2011, a 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou os lançamentos procedentes, recusando o pedido de perícia contábil relativamente à glosa de exclusão de provisões. Recurso Voluntário A Recorrente interpôs o recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. As questões a serem dirimidas podem ser divididas em: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) inobservância do limite de 30% na compensação de base de cálculo negativa de CSLL; e (iii) exclusão indevida de pagamento do PAES. Questão de Ordem A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 10 9 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 11 10 as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 12 11 Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 37 , da CF/88 e do artigo 2º , da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada É de conhecimento geral que o tema relacionado à possibilidade de prejuízo fiscal da pessoa jurídica incorporada ser compensada sem observância da chamada "trava de 30%" sempre foi muito controvertido neste Conselho e no Poder Judiciário ,tendo havido período em que claramente este Conselho formou linha majoritária no sentido de permitir o afastamento da mencionada trava nesta situação. Neste ponto, destaco o artigo 20 da LINDB: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 13 12 Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. Indo além, destaco que igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, está o disposto no artigo 24, da LINDB, que proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único e artigo 146, do CTN. Confirase: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 14 13 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (grifos nossos) Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB gira em torno das expressões "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". No presente caso, a ora Recorrente compensou Base de Cálculo Negativa de CSLL de empresa extinta por incorporação sem observar a chamada trava de 30%. Neste sentido, invoca a Recorrente a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa que permitia tal compensação sem observância sem a trava de 30% era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE TERCEIROS. Não são de terceiros os débitos de uma mesma pessoa jurídica apenas com estabelecimentos diversos conforme separação determinada no regulamento do IPI. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção à regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. João Carlos de Lima Júnior, Ac. nº 10195.872, julgado em 09.11.2006) Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 15 14 IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. IRPJ APURAÇÃO DE ADICIONAL §5° DO ART. 67 DA LEI 8981/95 DEDUÇÃO DE RENDIMENTOS FINANCEIROS CÁLCULO DO CONTRIBUINTE Ao apurar o adicional no ano de 1995, devese levar em consideração a dedução prevista no 9 5º do art. 67 da Lei 8981/95. Se examinados os livros do contribuinte sem qualquer questionamento sobre a classificação dos rendimentos financeiros, os cálculos devem seguir a escrituração, em respeito ao art. 9º do Decretolei 1598/77. Recurso parcialmente provido. (CARF, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. José Henrique Longo, Ac. nº 10807.456, julgado em 02.07.2003) NORMAS PROCESSUAIS ARGÜiÇÃO DE NULIDADE Não é nula a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de matéria submetida ao Poder Judiciário, IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJuízos. LIMITE LEGAl. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, n.9 balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. [...] Recurso provido em parte. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. Sandra Maria Faroni, Ac. n2 10807.456, julgado em 15.03.2004) Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1201000.606 S1C2T1 Fl. 16 15 Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. Conclusão Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos sejam remetidos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável à possibilidade de compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de empresa incorporada sem observância da trava de 30% em casos semelhantes ao presente. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721997/2013-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
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score : 1.0
Numero do processo: 13881.720022/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO
A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 00 22 /2 01 7- 10 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0442.513 (fls. 32/36): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial após 28/07/2010 estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, cabendo ao contribuinte comprovar a quantidade de meses a que tais rendimentos se referem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 12/20), emitida contra o Contribuinte, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 55.742,56, relativo ao exercício 2013, referente à Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, recebidos através da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 242.811,71. Na apuração do imposto de renda devido foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 10.274,12. Houve também lançamento de Multa de Ofício de 75%, passível de redução, no valor de R$ 41.806,92, e Juros de Mora, calculados até 31/01/2017, no valor de R$ 23.863,38, dando um Crédito Tributário Apurado no montante de R$ 121.412,86. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14/15): 1. A Base de Cálculo, conforme documentos apresentados foi de R$ 242.811,72, correspondente ao rendimento total recebido, no valor de R$ 342.470,67, descontados os honorários pagos ao Advogado, no valor de R$ 99.658,96; 2. O Contribuinte não apresentou, conforme solicitado, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, com Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 4 3 comprovação do número de meses, razão pela qual foi considerando 1 mês. O Contribuinte protocolou em 06/02/2017 sua Impugnação de fl. 03, instruída com os documentos nas fls. 04 a 10, onde afirma que não houve omissão de rendimentos em razão de que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de decisão judicial. Assevera que os valores recebidos são relativos a 110 meses, conforme planilha anexada à Impugnação, tendo optado pela tributação RRAExclusivo na Fonte, com resultado em imposto a restituir. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CGE que, através do Acórdão nº 0442.513, em 12/04/2017, votou no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, ante a ausência de comprovação das alegações. Em 19/04/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 40) e, em 12/05/2017, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 43 a 45, instruída com os documentos nas fls. 46 a 111. Em seu RV faz um breve resumo dos fatos para em seguida alegar que os valores recebidos se referem a Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, decorrente de decisão judicial no Processo nº 000160487.1999.403.6118 (Doc. 02 – fls. 55/109), sujeitos à tributação exclusiva na fonte segundo dicção do art. 12A, caput, e seu § 1º, da Lei 7.713/88. Alega também que os rendimentos recebidos deverão ser tributados exclusivamente na fonte, considerando o período de 110 meses, conforme planilha elaborada pelo INSS, constante do processo. Por fim, informa que a diferença destacada pela autoridade julgadora de 1ª instância, entre o montante apurado na planilha do INSS (R$ 336.170,15) e o valor liberado (R$ 342.470,67), se deve à atualização monetária ocorrida entre o período da apuração (08/2010) até a liberação dos valores (05/2012). Conclui seu RV requerendo que o mesmo seja acolhido para fim de cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 5 4 Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata o presente processo administrativo da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar em virtude de revisão de Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2012, por não ter o contribuinte comprovado a quantidade de meses a que se referiam os rendimentos recebidos acumuladamente. Segundo a DRJ, não obstante o contribuinte ter apresentado planilhas de fls. 6 a 9, não seria possível precisar os cálculos se referiam à liquidação da sentença, além do que, na planilha foi apurado o montante de R$ 336.170,15, enquanto que o valor liberado para o contribuinte foi de R$ 342.470,67. Assim, entendeu que restou ausente a comprovação do número de meses a que se referiam os rendimentos. Pois bem. A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, conforme assevera o art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Transcrevo: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Compulsando os autos, constatase que a planilha juntada às fls. 6/9 corresponde aos cálculos de liquidação da sentença, consoante documentos complementares adunados às fls. 55/111, dentre os quais destaco o de fls. 97/102. Resta claro que a diferença entre o montante apurado na planilha e o valor liberado para o contribuinte, verificado pela autoridade julgadora de primeira instância, decorreu da incidência das atualizações até a liberação do recurso em favor do contribuinte. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 6 5 Conforme o cálculo apresentado pela Advocacia Geral da União (fl. 98) e a planilha de fls. 99/102, a quantidade de meses a ser considerada para efeito de cálculo do Imposto de Renda é de 110 meses, considerando o período de 03/1999 a 08/2007, conforme informado pelo contribuinte em sua declaração (fl. 4). Assim, resta comprovada a quantidade de meses correspondente ao período constante na planilha de fls. 03/1999 a 08/2007, razão porque afasto a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para que o cálculo do Imposto de Renda seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908547/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 47 /2 01 1- 69 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.472. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.377, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 6 5 o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 7 6 indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Concordo plenamente com a conclusão da diligência. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 8 7 As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 9 8 mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720143/2016-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção.
Numero da decisão: 2002-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção.
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MOLÉSTIA GRAVE. Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 43 /2 01 6- 33 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.60/66) contra decisão de primeira instância (fls.43/47), que julgou improcedente do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Em desfavor da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento nº 2014594731536437102 (fls. 16/20), relativamente ao anocalendário de 2013, na qual foi apurado crédito tributário de R$ 7.349,68, conforme demonstrativo abaixo: (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fl. 16) As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 17/18, foram: (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fls. 17/18) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 4 3 Das alterações restou modificado de saldo de imposto a restituir declarado pelo contribuinte no valor de 467,83, para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 3.802,34. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 06/01/2016, fl. 21, a contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2016, fl. 02, com as seguintes alegações: “(...) (Imagens copiadas da impugnação em fl. 02) Foi anexado aos autos os documentos de fls. 04/40. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Não comprovada a efetiva retenção do valor declarado, cumpre manterse a glosa de imposto de renda retido na fonte descrita na notificação de lançamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 5 4 Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. Solicita ainda, sustentação oral (fl.103). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 10/11/2016 (fl.53); Recurso Voluntário protocolado em 08/12/2016 (fl.60), assinado por procurador legalmente constituído (fl.57 e fl.98). A r. decisão de origem, entendeu que a isenção do Imposto de Renda no caso presente, para ser reconhecida teria que preencher os seguintes requisitos: que os rendimentos percebidos pelo portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria ou reforma; que a moléstia grave, contraída antes ou após a aposentadoria ou reforma seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Finca convencimento, no seguinte entendimento, que “de acordo com a legislação de regência, as doenças passíveis de controle devem ter o prazo de validade fixado no laudo pericial”. Destaco que a r. decisão “a quo”, não se pronunciou a respeito da origem dos rendimentos recebidos pela recorrente. À fl.4 dos autos, a recorrente apresenta um Laudo Pericial Oficial, que tem o seguinte dizer: “Tratase de solicitação para que seja configurado que a interessada era portadora de Neoplasia Maligna em 2008. Temos a informar que existe documento hábil às fls.21 a 23 referindo ser a interessada na ocasião portadora de patologia elencada no CID X como C 50. Documento datado de 18.09.2008.” Já à fl.76, se encontra um outro Laudo Pericial Oficial, onde foi feita uma avaliação para fins de isenção do Imposto de Renda sobre pensão, que tem o seguinte relato: “O examinado não apresenta nenhuma das doenças especificadas no art. 1º da Lei 11052/04, em atividade no momento.” mais abaixo, no campo de Observação diz o seguinte: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 6 5 “Neoplasia maligna sem evidência de doença ativa no momento.” Este Laudo é datado do dia 17 de junho de 2015. Pois bem, temos dois laudos oficiais, um em que diz que a recorrente em 18/09/2008 era portadora de moléstia grave prevista em Lei, o outro laudo de 17/07/2015, afirma que a moléstia grave está sem evidência de doença ativa no momento. Entre os dois laudos existe um hiato de tempo, onde não se sabe se a recorrente tinha ou não moléstia, assim sendo, na dúvida entende este relator, que o benefício deve ser concedido à recorrente. O que se discute nestes autos é exatamente este espaço de tempo, portanto razão assiste à recorrente. No que pertine a glosa do valor de R$ 97,51, esta deve ser mantida, pois percebo que há divergência entre o valor da DAA e da DIRF. Veja, sobre a fonte pagadora Ministério da Fazenda, na DAA o contribuinte aponta como IRRF o valor de R$ 1.278,88 (fl.8), enquanto que na DIRF de fl. 99 o valor de imposto retido na fonte é de R$ 1.181,37. Prevalece a DIRF. Mantenho a glosa. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900420/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 20 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.712, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 6 5 cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 7 6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 8 7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001928/2005-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.
No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciando-se o dolo na sua conduta.
Numero da decisão: 9303-007.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciandose o dolo na sua conduta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 28 /2 00 5- 52 Fl. 472DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 340200.673, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa, consignando a seguinte ementa: “Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PIS/COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA EXASPERADA. 150% A multa de ofício de 150 % a que se referia o então vigente inciso II do art. 44 da lei 9.430/96, pressupõe evidente intuito de fraude. Para a exasperação da multa de ofício base (75%) o agente do Fisco tem que motivála de forma circunstanciada, articulando especificamente acerca Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 473 3 do dolo da empresa autuada, bem como apontando a que norma da lei 4.502/64 (art. 71, ou art. 72 ou art. 73) o agir doloso da empresa se subsume.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão · Restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada de prestar declarações falsas ao Fisco, o que revela o evidente intuito fraudulento ou mesmo se subsume no conceito de sonegação dolosa, de forma a ensejar a incidência da multa qualificada; · Vêse o intuito de fraude ou mesmo a sonegação dolosa quando o autuado adota a prática de declarar ao Fisco Federal um código FPAS que sabia não ser verdadeiro; · O dever fixado pelo art. 71 da Lei 4.502/64 é plenamente compatível com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário. Em Despacho às fls. 435 a 438, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios definidos no art. 67 da Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, concordo com o exame de admissibilidade presente em Despacho. Quanto ao mérito, considerando os fatos, entendo que a decisão do colegiado a quo deve ser mantida. Para melhor elucida, peço licença para transcrever o Fl. 474DF CARF MF 4 voto do redator designado – o nobre conselheiro Jorge Lock Freire. Não obstante, em respeito ao conselheiro, importante a priori trazer os seguintes dizeres de seu voto “Assim, o voto a seguir proferido, espelha o entendimento externado por ocasião do julgamento original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a matéria.” Eis o restante do voto – na parte que interessa: “Contudo, quanto à majoração da multa, é de ser revista. O enquadramento legal daquela deuse nos seguintes termos (fl. 113): 150,00 % Art. 86, § 1º, Lei nº 7.450/85; art. 2° da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. E a motivação da peça fiscal, sequer, firmada no auto de infração, foi nos seguintes termos: A fiscalizada tem reiteradamente entregue DCTFs, à Receita Federal, sem os valores do PIS devido e/ou incorretas. Desta forma a multa será agravada para 150 % conforme art. 86 parágrafo 1°,da Lei n° 7. 450/85 e art. 44 inciso II da Lei nº 9.430/96. De seu turno, a legislação a que se reporta o Fisco, tinha, à época, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento de tributo ou contribuição: II de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tratandose de penalidade que pressupõe evidente intuito de fraude, o Fisco, tendo em vista a majoração de seu percentual em 100%, alem da possibilidade que se abre para um processo de cunho criminal advindo da representação fiscal para fins criminais, como in casu, tem o dever de motivar especificamente a ação dolosa do contribuinte. Ademais, deve o Fisco apontar em qual dos artigo da Lei 4.502 incide o dolo do contribuinte, especificamente, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 474 5 9.430/96, e de forma circunstanciada, de modo a propiciar ao sujeito passivo o devido direito de defesa. Sequer a autora do lançamento apontou em qual norma da Lei 4.502 se aplicaria a circunstância majorante para fins de exasperação da multa. Talvez tentando sanar esta grave omissão, foi que a r. decisão, inovando em relação à peça fiscal, averbou que "o que caracteriza a ação dolosa definida como sonegação pelo art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, fundamento para a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996". Assim, tendo em vista a indevida motivação para dobrar o percentual da multa de ofício, o que requer pela lei a prova do "evidente intuito de fraude", foi indevido o agravamento da multa. Diante do exposto, voto no sentido de afastar o agravamento da multa aplicada, retornando a mesma, em consequência, para seu patamar básico ( 75% setenta e cinco por cento).” Ora, a multa de 150% objeto da discussão foi trazida pelo art. 44, inciso I, § 1º, da Lei 9.430/96 traz que "o percentual da multa de que trata o inciso I (75%) será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.". E o art. 71, I, da Lei 4.502/64 (grifos meus): “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” No caso vertente, realmente não houve motivação por parte da autoridade fiscal que pudesse conferir ou presumir o evidente intuito de fraude. Vêse ainda pelas declarações acostadas aos autos que a empresa não apresentou valor devido de Pis e Cofins, Fl. 476DF CARF MF 6 pois entendeu que havia constituído crédito de PIS e Cofins capaz de liquidar o débito apurado e declarado. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao sempre elucidativo voto da Ilustre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado entendeu por divergir de suas conclusões pelas razões consignadas no voto que fui designada para redigir. Consoante bem relatado, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial buscando a reforma do Acórdão n.º 340200.673 (efls. 414 a 417), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o agravamento da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), retornando ao patamar básico de 75% (setenta e cinco por cento). Entendeu a Turma a quo que a entrega reiterada de DCTF´s à Receita Federal, sem a declaração dos valores do PIS devidos e/ou incorretas, não configurava evidente intuito de fraude, estando apto a exasperar a multa de lançamento de ofício. Por sua vez, a Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial quanto à caracterização da prática reiterada de conduta omissiva do Sujeito Passivo, consistente na apresentação de sucessivas declarações falsas, como circunstância qualificativa da infração a ensejar o agravamento da penalidade. No julgamento do recurso especial, a maioria do Colegiado entendeu assistir razão à recorrente. Portanto, a discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de qualificação da multa de ofício nos casos de conduta reiterada de omissão de receitas e divergências entre os valores declarados e aqueles escriturados. A multa para o lançamento de ofício será majorada para 150% (cento e cinquenta por cento) nas hipóteses de evidente intuito de fraude, conforme disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com redação vigente à época dos fatos geradores (anos de 2001 a 2004) nos seguintes termos: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 475 7 Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de ofício será aplicada multa sobre a totalidade ou diferença do imposto, no montante de 75% (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Assim, a multa de 150% terá aplicação sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. No caso dos autos, a infração foi assim descrita no Termo de Verificação Fiscal (efls. 101 a 102): [...] A DOS FATOS: 1 Intimada em 06/06/05 (fls. 42 a 46) a justificar as seguintes diferenças do PIS apuradas entre os valores escriturados nos livros DIÁRIO (fls. 61 a 91) e as DCTFs (fls. 51 a 60) no período de julho/02 a dezembro/04 a empresa não se manifestou: Fl. 478DF CARF MF 8 PA PIS CONF. DIÁRIO R$ PIS DCTF R$ DIFERENÇA APURADA R$ JUL/02 2.348,50 2.348,50 AGO/02 2.074,95 2.074,95 JAN/03 2.728,42 1.305,21 1.423,21 FEV/03 2.258,15 1.550,52 707,63 MAR/03 3.355,62 1.672,90 1.682,72 ABR/03 8.914,65 3.769,16 5.145,49 JUN/03 4.708,85 2.384,60 2.324,25 JUL/03 4.780,79 2.359,92 2.420,87 AGO/03 3.937,62 2.058,46 1.879,16 SET/03 4.771,82 2.364,93 2.406,89 OUT/03 8.436,53 3.688,81 4.747,72 NOV/03 2.941,86 1.381,45 1.560,41 DEZ/03 4.444,99 2.099,68 2.345,31 ABR/04 2.236,32 2.236,32 MAI/04 1.031,30 1.031,30 JUN/04 3.168,80 3.168,80 JUL/04 1.885,18 1.885,18 AGO/04 2.142,92 2.142,92 SET/04 4.103,52 4.103,52 OUT/04 2.299,98 2.299,98 NOV/04 2.558,99 2.558,99 DEZ/04 3.149,29 3.149,29 2 Será lavrado auto de infração do PIS para o lançamento dos créditos tributários referentes às diferenças do PIS apuradas conforme item I. A fiscalizada tem reiteradamente entregue DCTFs, à Receita Federal, sem os vaIores do PIS devido e/ou incorretas. Desta forma a multa será agravada para 150% conforme art. 86 parágrafo 1°, da Lei n° 7.450/85 e art. 44 inciso II da Lei nº 9.43/96. [...] Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 476 9 No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças. Evidenciase o dolo na sua conduta. É fato que a simples declaração reiterada de valores a menor, por si só, não seria suficiente para evidenciar o intuito de fraude do Contribuinte. No entanto, no caso em apreço, chegouse à conclusão diversa em razão da não apresentação de razões plausíveis para as diferenças de valores de PIS existentes entre o livro diário e a DCTF, caracterizandose a relação causal entre a conduta da empresa e o efeito de não pagar os débitos de PIS ou pagar valores a menor que o efetivamente devido. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 480DF CARF MF
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Numero do processo: 11831.000174/2003-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior.
DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF.
O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestar-se quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.
Numero da decisão: 1002-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior. DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestar-se quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior. DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestarse quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 01 74 /2 00 3- 67 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 435 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR) mediante o Acórdão n.º 1519.895, de 08/07/2009 (efls. 355 a 362). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrever alguns de seus trechos, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Pedido de Restituição relativo ao imposto de renda retido na fonte IRRF, dos anoscalendário de 1998 a 2001, apresentado em 10/01/2003, pela interessada ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A, e de Declarações Eletrônicas de Compensação, indicando o crédito no mesmo valor e natureza do pedido de restituição, transmitidas pela própria ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A (empresa incorporada) e pela empresa incorporadora ODBINV S/A. Os débitos a serem compensados são de responsabilidade da ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A, CNPJ n° 02.404.361/000129; OSI PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 02.899.988/000106, e da empresa ODBINV S/A, CNPJ n° 15.105.588/000115, incorporadora das duas pessoas jurídicas anteriormente citadas (fls. 45 e 46), conforme demonstrativo integrante do despacho decisório ora questionado: [...] Os fundamentos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação são aqui transcritos parcialmente: (...) Desta forma, a despeito do Pedido de Restituição (fl. 01) requerer a restituição de IRRF relativo aos anoscalendário de 1998 a 2001, considerarseá o crédito pleiteado como saldo negativo de IRPJ a fim de permitir a apreciação do pleito do contribuinte. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 436 3 (...) No entanto, não se verifica apuração de saldo negativo de IRPJ referente aos exercícios de 1999 e 2000, anoscalendário de 1998 e 1999, respectivamente, conforme extratos de consulta da Ficha 13 da DIPJ1999 (fl. 153) e da DIPJ2000 (fl. 142). Evidenciase, entretanto, apuração de saldo negativo de IRPJ relativo aos exercícios de 2001 e 2002, anoscalendário de 2000 e 2001, conforme extratos de consulta da Ficha 13 da DIPJ2001 (f1. 124) e da DIPJ2002 (f1. 133), nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957.765,17, respectivamente. Em ambos os anoscalendário não houve apuração de imposto de renda sobre o lucro real, bem como pagamento de estimativas, constituindo se em saldo negativo tão somente o IRRF dos períodos, discriminados na Ficha 43 da DIPJ2001 (fl. 168) e da DIPJ 2002 (fl. 167) e transcritos nas Tabelas 2 e 3, respectivamente, comprovados pelas DIRF (fls. 164 e 166) e pelos comprovantes de rendimentos apresentados em resposta à Intimação SEORT/DRF/SDR n° 195/2008 (fls. 181 a 183). Constatase também que os respectivos rendimentos compuseram os resultados dos períodos conforme Ficha 06A da DIPJ2001 (fl. 135) e da DIPJ2002 (fl. 126). Em face do exposto, confirmase saldo negativo de IRPJ relativo aos anos calendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957. 765,17, respectivamente, mas não se confirma saldo negativo de IRPJ relativo aos anoscalendário de 1998 e 1999. DECISÃO Nos termos do relatório e fundamentação acima e no uso de competência delegada pela Portaria DRF/SDR n° 26, de 22/05/2007, DOU de 25/05/2007, decido: a) deferir parcialmente o Pedido de Restituição, considerado de crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo aos exercícios de 2001 e 2002, anoscalendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957. 765,1 7; b) homologar parcialmente as compensações objeto das Declarações Eletrônicas de Compensação apreciadas no presente processo, conforme Tabela 4. (...) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 437 4 Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às fls. 242 a 254, alegou que, por um lapso, deixou de informar na linha 13 das Fichas das DIPJ os valores do imposto de renda na fonte que se constituíam em antecipação do imposto devido, contudo, não pode ser penalizada por esse equívoco, haja vista a possibilidade de comprovação da efetiva apuração de saldos negativos de IRPJ nos anoscalendário de 1998 e 1999, nos valores originais de R$439.533,36 e R$4.367,21, respectivamente, apresentando demonstrativo que evidencia as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos recebidos em cada um dos meses dos anosbase em apreço (doc. 03 e doc. 06) devidamente acompanhados dos informes de rendimentos e respectivas páginas do Livro Razão nas quais tais retenções foram contabilizadas (doc.04 e doc. 07), documentos que evidenciam seu real montante. Destaca que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram regularmente oferecidas à tributação, em atenção ao determinado no art. 2°, § 4°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. Assim, conclui o sujeito passivo, diante da comprovação de que agiu em estrita conformidade com os ditames da legislação de regência, em face dos procedimentos contábeis e fiscais adotados e, tendo em vista, ainda, que não foi apurado imposto de renda a pagar nos anos base de 1998 e 1999, concluise que todos os valores retidos pelas fontes pagadoras devem ser revertidos em crédito a favor da Requerente, ficando evidente, desse modo, a existência de saldo negativo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999, nos valores originais de R$439.533,36 e R$4.367,21, decorrentes de retenções do imposto de rena retido na fonte. [...] Em comparação com o Despacho Decisório de efls. 212 a 218, a 2.ª Turma da DRJ/SDR reconheceu uma parcela adicional de crédito em favor do impugnante, a partir do exame do comprovantes anuais de rendimentos e retenção de IRRF, dos demonstrativos e das cópias dos registros contábeis juntados aos autos pelo recorrente. Tais valores suplementares são R$ 413.387,48 referentes a IRRF por pagamento de juros sobre o capital próprio, e R$ 7.797,45 referentes a IRRF sobre receitas de serviços, quanto ao ano calendário 1998, cujas respectivas receitas levadas à tributação foram comprovadas nos valores R$ 2.755.916,50 e R$ 583.933,07. Relativamente ao anobase 1999, o IRRF adicional admitido foi de R$ 527,99, adstrito a receita de serviços cuja tributação fora comprovada, no valor de R$ 35.199,66. Discordando da decisão de piso, o sujeito passivo manejou recurso voluntário (efls. 381 a 393) sustentando a alegação de que todas as receitas correspondentes ao valores de IRRF não admitidos como dedutíveis do imposto de renda a pagar haviam sido tributadas, e que houve erro do setor responsável pela imputação do crédito reconhecido ao elaborar o Extrato do Processo, na manutenção do saldo devedor de R$ 94.645,42, quando deveria subsistir apenas o débito no valor de R$ 84.351,40. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 438 5 O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. Cumpre iniciar destacando que quando se trata de direito creditório pleiteado pelo contribuinte é deste o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito alegado, ao contrário da situação construída a partir de lançamento de ofício (auto de infração), quando o ônus probatório da irregularidade tributária praticada cabe ao Auditor Fiscal. Especificamente em se tratando de IRRF — um dos elementos que pode compor o saldo negativo de IRPJ, que por sua vez constitui pagamento indevido ou a maior —, é dever do contribuinte fazer prova de que a receita relativa ao IR retido na fonte foi somada ao resultado do período de apuração. Vejamse os dispositivos legais a seguir: Lei n.º 9.430/96: (...) Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) (grifei). Lei n.º 5.869/73 (CPC, vigente à época do envio da DCOMP): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 439 6 O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. O recurso voluntário se socorre dizendo que as receitas foram escrituradas, na forma dos registros no Livro Diário (efls. 316, 317, 319, 320, 322, 323, 325, 326, 328 e 330), e registros contábeis de seu Livro Razão (efls. 332 a 336) apresentados. Ressalta que não é necessário que a receita seja escriturada individualizadamente, ligada a cada fonte pagadora, e que as receitas que teriam sido oferecidas à tributação encontramse constatadas nas rubricas de receitas que aponta, dada a suficiência de saldo que estas apresentam. Não tem procedência o argumento do recorrente, mormente quando seu teor visa à inversão do ônus de fazer prova da existência e liquidez do crédito pleiteado. Daí se revelar inoportuna a afirmação de que "não pode o órgão fazendário impor à Recorrente que contabilize as receitas “desta” ou “daquela forma”, posto que cada empresa é quem decide, ao seu arbítrio, as especificidades da escrituração dos seus Livros, desde que respeitadas as formalidades e os requisitos legalmente exigidos." De fato, não pode a administração preceituar tal procedimento. Porém, não é o órgão administrativo que está a exigir um formato específico para que o contribuinte escriture seus livros, somente requer, com base no seu poderdever de apuração da certeza e liquidez do crédito, que sejam apresentados elementos de convencimento satisfatórios. É evidente que o sujeito passivo pode, dentro dos parâmetros legais, desenvolver como quiser sua escrita contábil e fiscal, contudo, uma vez que é de seu interesse, deve também expor seus registros contábeis de maneira que suas alegações sejam identificáveis, comprováveis. Exemplo: É muito comum nos exames contábeis a utilização do termo "explodir a conta", quando é necessário que os componentes de determinado(s) lançamento(s) ou de determinado(s) saldo(s) sejam explicitados, para isso fazendose o uso muitas vezes de consultas a instrumentos/elementos adicionais, tais como notas ficais, depósitos bancários, cheques, demonstrativos etc. Tal procedimento exemplificado encontra maior aplicação na contabilidade gerencial, e demonstra que existem providências extracontábeis que revelam, tanto a importância de seu eventual implemento para a averiguação da certeza dos fatos contábeis, quanto a ausência de caráter absoluto com relação à autossuficiência dos registros/lançamentos contábeis, os quais muitas das vezes não se revestem da suficiente autonomia em face de outros elementos que os venham consubstanciar. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 440 7 O que se apresenta no recurso voluntário é, de fato, a pretensão de que a administração tributária admita que basta que uma conta de receitas tenha saldo maior que a receita informada por determinada fonte pagadora através de DIRF, ao final do período de apuração, para que esteja confirmado que a receita respectiva foi levada à tributação. E isso não pode ser tido como a regra a ser seguida, desprezandose os demais instrumentos de prova e elementos de confirmação existentes. É claro que a receita da qual pretende o recorrente se valer do IRRF pode perfeitamente não estar inserida naquele montante, mesmo o saldo da receita apócrifa apresentandose em valor suficiente para contêla. Ali pode(m) ter sido considerada(s) outra(s) receita(s) alheia(s) àquela da qual se pretende o proveito do IRRF. É dizer, não há certeza de que as receitas foram computadas na apuração do lucro real do período, pois o fato de haver saldo escriturado em conta genérica e transposição deste saldo para a DIPJ, sem demais providências capazes de confirmar se aquelas são as que compõem efetivamente este saldo, não afasta a hipótese de que outras receitas construíram o referido saldo contábil, e não teria sido considerada a receita da qual se utilizou o recorrente para deduzir o IR devido no ano ou compor o saldo negativo de IRPJ. O recurso voluntário mostra que o recorrente, em lugar de esmiuçar a demonstração daquilo que afirma já apontado nas cópias de livros e balancetes que juntou ao tempo da manifestação de inconformidade, pôsse a contestar os critérios para a conclusão da DRJ pela falta de comprovação do crédito. E poderia têlo feito (a comprovação), o recorrente, através inclusive do método exemplificado mais acima, decompondo suas contas de receitas e correlacionando a notas fiscais, contratos, cheques, depósitos, demonstrativos etc, mas não o fez. A falta de comprovação do oferecimento à tributação alcança as receitas de serviços e financeiras dos anos 1998 e 1999, nos valores R$ 18.648,43 e R$ 2.755,69, totalizando R$ 22.187,65. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente5. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Este órgão consolidou entendimento no mesmo sentido do entendimento acima. Diz a Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 441 8 (grifei) Em se tratando de matéria sumulada, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n.º 343/2015): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Com relação, agora, à alegação de que houve erro cometido pelo setor responsável pela imputação do crédito, transcrevemos abaixo fragmentos de interesse, extraídos do recurso voluntário, verbis: [...] [...] é imperioso que se promova a retificação do saldo devedor apurado pela Receita Federal do Brasil, após a decisão de primeira instância. 3.2. Isto porque, da análise do demonstrativo de cálculos anexo (doc. 03), é possível inferir que o setor responsável por fazer a imputação do crédito reconhecido às compensações já declaradas, por um lapso, não computou os valores corretamente, o que implicou na manutenção de um saldo devedor de R$94.645,42, conforme extrato do processo obtido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil em Salvador (doc. 02), quando, na verdade, subsiste, hoje, um débito de apenas R$ 84.351,40. 3.3. Sendo assim, nos controles da Receita Federal do Brasil, hoje, subsiste um saldo a pagar pela Recorrente maior do que o que ela efetivamente deveria se se mantivesse a decisão ora recorrida. 3.4. Deste modo, na hipótese de restarem superados os argumentos expendidos no item precedente, não há que se esperar desse D. Conselho outra medida senão a determinação da baixa dos autos, para que o órgão fazendário competente retifique o erro incorrido quando da imputação do direito creditório reconhecido aos débitos cujas compensações já tinham sido declaradas através de PER/DCOMP'S vinculadas ao presente processo. [...] Duas são as razões que asseguram a improcedência do pedido relativamente a este item: a) a matéria discutida nestes autos restringese ao direito creditório, o que limita a lide aos aspectos correspondentes ao mencionado crédito, e b) além de não ter sido encontrado nos autos o citado "doc. 03", o recorrente sugere ter havido erro mas sequer traz demonstração que o identifique ou explicação de como se produziu tal erro. A reclamação cujo objeto seja o cálculo dos débitos compensados deve ser dirigida à unidade da RFB que administra o sujeito passivo. Logo, não há como entender reformável a decisão que não identificou conjunto probatório que pudesse amparar a certeza e a liquidez da parcela do crédito em análise, pleiteado, se isso era necessário, inclusive por imposição legal. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 442 9 Por todas as razões elencadas, considerando a falta de comprovação qualitativa e quantitativa do oferecimento à tributação das receitas cujo IRRF pretende o recorrente deduzir do IR dos anos calendário 1998 e 1999, não assiste razão ao recorrente e meu voto é para que a decisão recorrida seja integralmente mantida com relação ao reconhecimento adicional da composição dos saldos negativos dos anos calendário 1998 e 1999, apenas nos valores respectivos de R$ 421.366,93 e R$ 527,99, totalizando R$ 421.712,92. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, devendo ser preservada a decisão da DRJ/SDR (efls. 355 a 362), confirmandose os saldos negativos logo acima citados, para IRPJ, devendo as compensações declaradas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 442DF CARF MF
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