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Numero do processo: 13009.000081/2005-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2000
CONCOMITÂNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido.
MATÉRIA SUMULADA.
Aplica-se ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
Numero da decisão: 9101-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar 123/06, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2000 CONCOMITÂNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido. MATÉRIA SUMULADA. Aplica-se ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido. MATÉRIA SUMULADA. Aplicase ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar 123/06, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 00 81 /2 00 5- 22 Fl. 188DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Cuidase, na origem, de pedido de inclusão no Simples, apresentado pela ora recorrida com fundamento em decisão judicial proferida nos autos de mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato representativo da categoria patronal (processo n° 99.00094069, que tramitou na 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro). O pedido foi inicialmente indeferido pela Dicat/Derat/RJ, sob o entendimento de que o contribuinte não se encontrava abrangido pelos efeitos da decisão proferida no processo n° 99.00094069, que somente alcançaria os filiados do ente sindical no momento da impetração. Ofertada manifestação de inconformidade pelo contribuinte, o pedido de inclusão findou por , ser denegado pela DRJ/RJ, que se posicionou no sentido de que a sentença Proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, então, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, por entender que a ação coletiva intentada por sindicato da categoria beneficia todos os associados, independentemente da data da associação. Ademais, afirmouse que a atividade desenvolvida pelo contribuinte, ainda que fosse vedada ao Simples pela Lei n° 9.317/96, passou a ser admitida pela LC 123/06, que deve ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, II, b, do CTN. Seguiramse embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos quais se suscitou a existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, pois a questão acerca do alcance da sentença proferida no MSC n° 99.00094069 ainda se encontrava pendente de análise pelo TRF da 2 Região. Ao julgar referidos embargos, a c. Primeira Câmara, também por unanimidade de votos, decidiu acolhêlos, de modo (i) a excluir do acórdão anteriormente proferido o fundamento relativo aos efeitos de decisão judicial proferida em ação coletiva, (ii) a afastar a concomitância por entender que a Contribuinte em questão não estava amparada pela medida judicial proposta pelo Sindicato; e(iii) manter o provimento dado ao recurso voluntário do contribuinte com base na retroatividade benigna da LC 123/06, em decisão assim ementada: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 189 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DÚVIDA. A existência de dúvida acerca do conteúdo jurídico ou dos motivos que implicaram a parte dispositiva da decisão é fato bastante e suficiente para oposição de embargos de declaração. RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DE UM DOS FUNDAMENTOS. INALTERABILIDADE DO "DECISUM". Quando a decisão está fundada em duas razões distintas, ainda que uma seja retirada o decisum mantémse pela outra. SIMPLES. RETROATIVADADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS PENDENTES. O fato tem repercussão pretérita por força do caráter interpretativo daquelas normas jurídicas impeditivas, revogadas pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem a regra da retroatividade prevista no inciso I do artigo 106, do Código Tributário Nacional. A Lei Complementar n°. 123/2006 deve ser aplicada retroativamente por conta da interpretação mais benigna para inclusão das microempresas e empresas de pequeno porte no SIMPLES em face da atividade. EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de declaração, para ex uir do acordão n° 30134.417, o fundamento relativo aos efeitos da decisão judicial proferida na ação coletiva, em face da inexistência de trânsito em julgado, rerratificando o acórdão pelo fundamento da retroatividade benigna da LC n° 123/2006. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresenta recurso especial alegando que a decisão recorrida deu à lei federal interpretação divergente da Fl. 190DF CARF MF 4 que lhes deram outras Turmas relativamente à existência de concomitância pela impetração, por entidade de classe, de mandado de segurança coletivo, bem como sobre a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/06. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção do julgado a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo prudente o debate no que concerne à matéria concomitância. Sobre a matéria retroatividade da Lei Complemntar 123/06, não tenho reparos a fazer no despacho de admissibilidade, o qual utilizo como fundamento para conhecer do Recurso da Fazenda nesse ponto. Com relação à concomitância de discussões na seara judicial e administrativa, importante trazer à baila o quanto decidido pela DRJ e pela Turma a quo, no julgamento dos embargos da Fazenda Nacional. A DRJ assim se manifestou sobre o tema: Assim, em face de não ter a interessada trazido à colação prova de filiação à entidade impetrante da ação mandamental, ultrapasso a questão processual existente no presente processo e não considero a interessada como filiada do SINDELIVRE e concluo pela diversidade de objetos existente entre a presente lide administrativa e a ação mandamental, cuja segurança foi concedida através do mencionado "writ". Mais que isso, também pelo fato de a interessada ter se constituído em 22/08/2001 (fls. 48), ela não poderia estar abarcada pela sentença concessiva de tal direito, pelo menos até o desfazimento da controvérsia instaurada acerca do alcance da sentença e do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal, todos transitados em julgado. A Turma a quo, ao analisar a questão em sede de embargos da Fazenda, assim se manifesta: Em primeiro lugar é imprescindível a comprovação da identidade entre o autor da ação judicial e o recorrente no Processo Administrativo, o que neste caso não se verifica. Notese que não é possível atribuir a alguém a manifestação de renúncia sem que este alguém seja o agente do fato que o caracteriza. Ao recorrente não se comprova a ação ou intenção de renunciar a partir do Mandado de Segurança Coletivo do SINDELIVRE. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 190 5 Portanto, atribuir ao Recorrente a renuncia sem que seja parte diretamente arrolada no processo judicial é extrapolar os efeitos das relações jurídicas para afetar direitos de terceiros, o que é vedado pelo sistema jurídico vigente. A ação implica apenas autor e réu. Em segundo lugar, a declaração de renúncia requerida não foi acolhida nem mesmo pelo acórdão da DRJ que categoricamente entendeu não aplicável ao Recorrente a ação do SINDELIVRE, ou seja, se a própria administração entende que não se aplica ao caso a ação judicial, como esta poderia ser fundamento para declarar a concomitância e, com isso, não conhecer do Recurso Voluntário? Entendo que a matéria concomitância não foi reconhecida, não por discussão da tese de aplicação ou não no caso de mandado de segurança coletivo, mas sim da comprovação de estar a Contribuinte amparada pela medida ou não, pelo fato de não constar da lide quando de sua propositura. Entenderam as autoridades julgadoras que não houve essa comprovação de o Contribuinte em questão estar amparado pela medida judicial, logo afastaram a concomitância. A Fazenda, em seu Recurso, objetiva discutir a concomitância à luz de ação coletiva, vale dizer, se há ou não concomitância quando o direito está discutido em ação coletiva, da qual o contribuinte é parte. Nenhum dos acórdãos paradigmas trazidos pela Fazenda trata da concomitância na hipótese de ação coletiva, com associação do Contribuinte à entidade autora após o ingresso da ação. No primeiro paradigma (20400997), já no relatório do acórdão fica claro que o contribuinte já era associado quando da propositura da medida, nos seguintes termos: Segundo a fiscalização, o Sindicato dos Corretores de Seguros, Capitalização e Previdência (SincorSP), do qual é associada a impugnante, obteve liminar em mandado de segurança coletivo, em 27/07/1999, posteriormente confirmada em primeira instância, autorizando seus associados a continuar a recolher a contribuição de acordo com a LC n° 7, de 1970, sem os acréscimos previstos na Lei n°9.718, de 1998. Sendo assim, a contribuinte passou a não recolher nem declarar a Cofins até dezembro de 1999 e, a partir de janeiro de 2000, somente a declareiia A fiscalização, por entender que pelo fato de o mandado de segurança coletivo ter sido impetrado contra o Delegado da Receita Federal em São Paulo não atingir os atos do Delegado em da Receita Federal em Ribeirão Preto, lançou a Cofins até dezembro de 1999. Também no segundo acórdão paradigma (20218.975), não se discutiu o ponto de ser o contribuinte associado à entidade autora de ação coletiva após a propositura da medida. Discutiuse apenas a caracterização da concomitância quando entidade representativa ingressa com medida judicial em substituição aos associados, conforme se pode depreender das seguintes passagens do referido acórdão: Fl. 192DF CARF MF 6 O presente processo esteve em julgamento na sessão passada (março/2008), quando solicitei a sua retirada de pauta para melhor análise quanto ao fato de a Cofins sobre as atividades de facotoring estar em discussão no âmbito do Poder Judiciário através do Mandado de Segurança n2 1998.38.0078969, impetrado pelo Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de Minas Gerais — SINDISFAC. Naquela ocasião posicioneime no sentido de não conhecer do recurso, em face da opção pela via judicial, no que fui aparteado por alguns de meus pares pelo fato de tratarse de mandado de segurança coletivo, impetrado por sindicato da categoria não impedindo o conhecimento do recurso. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento sobre a substituição processual prevista no art. 82, III, da Constituição Federal, que assegura a ampla legitimidade ativa ad causam dos sindicatos para a intervenção no processo como substitutos das categorias que representam, conforme se depreende da ementa do acórdão do RE n 2 193.5031/SP, julgado em sessão plenária de 12 de junho de 2006, publicado no DJU de 24/08/2007 (rel. para o acórdão Min. Joaquim Barbosa), verbis: (...) Em face do exposto, mantenho meu posicionamento inicial no sentido de não conhecer em parte do recurso, em razão de estar configurado abandono da via administrativa. Nesse sentido vale ressaltar que, apesar de autônomas as instâncias, a dupla discussão fere o princípio da jurisdição una, estabelecido pelo art. 5 9, inciso XXXV, da CF/88, conforme bem apontam Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Anotado, 2 R ed., São Paulo: Dialética, 2004, pp. 207/208.): (...) "Não se pode admitir a discussão concomitante nas esferas administrativa e judicial também em face da possibilidade de adoção de decisões conflitantes, o que seria contrário ao ordenamento jurídico, em razão da insegurança que decorreria de tal situação. Diante de todo o exposto, entendo que são questões distintas as questões dos autos e as questões trazidas pela Fazenda Nacional nos acórdãos paradigmas. Desse modo, não conheço do Recurso quanto a matéria concomitância e conheço quanto a matéria retroatividade da Lei Complementar 123/06. Passo então à análise do mérito da causa. MÉRITO RETROATIVIDADE A decisão a quo teve como razão de decidir a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/06, com base no artigo 106, do CTN. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 191 7 Ocorre que este Tribunal, nos últimos tempos, firmou posição pela inaplicabilidade do artigo 106 à casos como o presente. A razão para tal é simples: a Lei 9.137/96 não definia ato como infração, ela simplesmente proibia que determinadas pessoas jurídicas que executassem determinadas atividades pudessem optar pelo SIMPLES nacional. O artigo 106, II, "a" do CTN trata apenas de legislação que trata da infração à legislação tributária, o que não se verifica no presente caso. Diante disso, foi editada a Súmula CARF 81, que possui a seguinte redação: Súmula CARF 81 É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Assim sendo, entendo que é o caso de se alterar a decisão recorrida. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 11968.000037/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/08/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO PROTOCOLIZADO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado após o término do prazo legal de trinta dias.
Numero da decisão: 3301-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/08/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO PROTOCOLIZADO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado após o término do prazo legal de trinta dias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado após o término do prazo legal de trinta dias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 00 37 /2 00 7- 19 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 134 2 "Do Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica Thot Comércio e Distribuição Ltda, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 115 toneladas do produto denominado “prémistura para pão, marca MULTIPLE”, classificandoo na subposição 1901.20.00, da NCM, próprio para “mistura e pastas para preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos”, ao invés do código 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. O suporte fático para tal reclassificação, pelo Fisco, teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 2024/20061, expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L. A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal) e não, conforme declarado pelo Contribuinte, premistura para elaboração de pão. Assim sendo, consigna a Autoridade Aduaneira que o novo produto identificado recebe classificação em outro capítulo da NCM, sob o código 1101.00.10 Farinha de Trigo, diversa daquela adotada na declaração de importação, com alíquota de 12% de Imposto de Importação. Ressaltase que o procedimento fiscal, que culminou com a constituição do presente crédito tributário, encontrase devidamente fundamentado e discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 06/08. No Demonstrativo de Apuração, de fl. 09, encontrase o cálculo do IPI apurado, assim como no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, de fl. 10, constatamse os valores de multa e juros (IPI). À fl. 11, dos autos, encontrase o Demonstrativo de Apuração da Multa do Controle Administrativo das Importações, enquanto que, na fl. 12, verificase o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar. Quanto às autuações relacionadas com a Cofinsimportação e o Pis/Pasep importação, e consectários legais, as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 14/16 e 18/20 explicitam a forma de apuração e os valores encontrados. Da Impugnação Devidamente cientificado, em 10/01/2007, fl. 01, comparece o sujeito passivo ao processo, para impugnar o lançamento, em 08/02/2007, às fl. 47/63, alegando, em síntese: 1) de início, vem a requerente apresentar defesa consolidada contra os autos de infração referentes à cobrança de Imposto de Importação, Multa por Classificação Incorreta, Multa por Falta de LI, PIS/PASEP Importação e COFINS Importação; 2) ataca a Norma de Execução Coana no 03 de 03 de agosto de 2006, que teria norteado a ação fiscal da qual decorrera o lançamento guerreado, alegando que dita norma retiraria do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária a competência para coletar amostras e examinar produtos alimentícios. Critica o fato de tal norma Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 135 3 estabelecer um único laboratório (vinculado à Alfândega de Santos) para realizar o exame de todos os produtos descritos como prémisturas de trigo. Questiona ainda o fato de tal norma não estabelecer prazos ou valores para a realização dos exames, e não determinar a entrega de amostra para fins de produção de contraprova. Faz crítica aos quesitos e exames indicados na referida norma, e a suposta ausência de fundamentação para tal escolha. Alega que, segundo informações repassadas pelo exportador, caso adotados “métodos de dosagem com alta resolução e alta eficiência, via HPLC”, seriam comprovadas as informações prestadas na declaração de importação e demais documentos que instruem o despacho. Aduz ter obtido liminar judicial para que suas mercadorias fossem liberadas do Pátio Alfandegário de Suape, com conseqüente coleta de amostras e realização dos exames; 3) Argúi a nulidade do auto de infração pelas razões a seguir expostas: O lançamento seria nulo pelo fato de não lhe terem sido fornecidas as contraprovas das amostras colhidas pela RFB. No particular, cita o DL 986 de 21/10/69 e conclui que tais contraprovas deveriam ter sido prontamente entregues à impugnante. Aduz que somente após a conclusão dos exames laboratoriais requeridos pela autoridade fiscal fora a impugnante notificada a solicitar, no prazo de 180 dias, a contraprova retida pela RFB. Reafirma que a competência para submeter produtos alimentícios a análise seria, nos termos do referido DL, do Ministério da Saúde; Seria igualmente nulo o lançamento em razão de a base de cálculo do PIS e da Cofins, instituída nos termos da Lei 10.865/2004, ser inconstitucional. Nesse ponto, argumenta que a EC 42/2003 previu como base de cálculo para contribuições incidentes sobre operações de importação o “valor aduaneiro dos produtos importados”, sendo portanto inconstitucional acrescer a tal montante o valor do ICMS e das próprias contribuições; 4) Requer a entrega das contraprovas e a realização de diligência. Ao final de sua peça impugnatória, o contribuinte solicita o fornecimento, em prazo razoável e condições de conservação, das contraprovas das amostras colhidas pela autoridade fiscal. É o que importa relatar." A DRJ em Recife julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 11 36.619, de 11/04/12, foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/08/2006 Farinha de Trigo Fortificada. A mercadoria “Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal)” classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/08/2006 Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Caracterização. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 136 4 Só se admite a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A competência do AuditorFiscal da RFB para verificar e identificar mercadorias, inclusive alimentos, no âmbito da conferência aduaneira não se confunde com a competência dos agentes do Ministério da Saúde. A disponibilização das amostras colhidas para produção de contraprovas, mesmo que após a conclusão da perícia requerida, garante o exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Acesso a Contraprovas. Prazo e Condições de Conservação. Perícia. Constatado que o sujeito passivo foi devidamente cientificado da disponibilidade, por prazo determinado, das amostras coletadas do bem importado, sendolhe franqueada a realização de contraprova e elaboração de laudo pericial, e que o interessado não adotou as medidas pertinentes, incabível a solicitação de complementação da instrução processual, mormente quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador . Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que novamente contesta a reclassificação fiscal, porém, desta feita, exclusivamente com base em Laudo Técnico, até então não apresentado. O processo foi pautado e esse colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução n° 3301000.588. Pairava dúvida acerca das datas de ciência da decisão da DRJ e protocolização do recurso voluntário. A diligência foi realizada e a Informação n° Informação nº 21/2018/SAATA/ALF/REC encontrase nos autos (fls. 128 e 129) e da qual extraio o seguinte trecho: "(. . .) Com efeito, resta evidente que a data de protocolo do recurso aposta pelo servidor Luiz Gustavo do CAC da DRF/REC é 21.02.2013, tendo o interessado sido cientificado em 26.12.2012, com prazo para recorrer escoado em 25.01.2013. (. . .)" É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 137 5 Nos termos da Informação n° Informação nº 21/2018/SAATA/ALF/REC (fls. 128 e 129), o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ em 26/12/12 e protocolizou o recurso voluntário em 21/02/13, isto é, após o término do prazo de trintas dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726383/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 83 /2 01 1- 78 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.018. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 17460.000411/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIVERGÊNCIAS. INEXISTÊNCIA. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA OU POR SOLIDARIEDADE. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA.
1. Os anexos "DAD - DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA - RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados, não subsistindo, igualmente, qualquer incorreção nas bases de cálculo das contribuições.
2. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95.
3. Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%.
4. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, e não contribuições devidas por responsabilidade ou solidariedade.
Numero da decisão: 2402-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DIVERGÊNCIAS. INEXISTÊNCIA. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA OU POR SOLIDARIEDADE. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. 1. Os anexos "DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados, não subsistindo, igualmente, qualquer incorreção nas bases de cálculo das contribuições. 2. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95. 3. Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%. 4. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, e não contribuições devidas por responsabilidade ou solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 04 11 /2 00 7- 65 Fl. 249DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 5.902.4386 em face do sujeito passivo acima denominado, para a constituição das seguintes contribuições devidas à seguridade social e das contribuições devidas a terceiros: (a) contribuições previdenciárias, parte patronal, inclusive o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados; (b) contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais; (c) contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (salárioeducação, INCRA, SESC, SEST, SENAT e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados; (d) contribuições previdenciárias e as destinadas ao SENAR do produtor rural pessoa física, incidentes sobre a comercialização da produção rural, devidas por subrogação. Os fatos geradores seriam os pagamentos de remunerações a segurados empregados e honorários a autônomos (médicos, joalheiros, chaveiros, fotógrafos, engenheiros, designers, advogados, fretistas, etc). O lançamento também seria atinente a diferenças de contribuições verificadas no confronto entre os fatos geradores declarados em guias e aqueles constatados no exame de folhas de pagamentos, recibos, notas fiscais de serviços, tendo sido, ainda, examinada a escrituração contábil. Tais pagamentos foram declarados em DIRF, código 0588 – Fl. 250DF CARF MF Processo nº 17460.000411/200765 Acórdão n.º 2402006.593 S2C4T2 Fl. 3 3 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício, sem a correspondente declaração em GFIP. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente em decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incide contribuição previdenciária sobre o saláriode contribuição dos segurados empregados correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros. Devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais a serviço da empresa. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. SUBROGAÇÃO. PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e é obrigada a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 e as destinadas ao SENAR, até o dia 2 de mês subseqüente ao da aquisição da produção rural. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRAZO DECADENCIAL APLICÁVEL. Às contribuições destinadas à Seguridade Social aplicase o decênio como prazo decadencial, previsto expressamente no art. 45, da Lei n° 8.212/1991. Intimada da decisão em 07 de fevereiro de 2008, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/03/2008, no qual reiterou os seguintes termos de sua impugnação: 1. na competência 04/99, o montante fora totalmente recolhido, inexistindo contribuição a pagar; 2. houve diversos equívocos no apontamento das bases de cálculo, notadamente nas competências 07/06 (R$ 16.457,50), 12/99 (R$ 8.163,25), 05/00 (R$ 8.163,25), 03/02 (12.131,68); 3. a alíquota aplicável era de 15%, e não de 20%; 4. a recorrente não tem responsabilidade solidária com o prestador de serviços na falta de recolhimento previdenciário; Fl. 251DF CARF MF 4 5. a falta de fiscalização no prestador de serviço implica cerceamento ao direito de defesa da recorrente; 6. defendeu a inexigibilidade do depósito prévio como condições de procedibilidade do recurso. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Vale esclarecer, apenas, que não será objeto de deliberação e julgamento por este colegiado a tese de inexigibilidade do depósito prévio como condição de procedibilidade do recurso, uma vez que se trata de questão já superada pelo STF (Súmula Vinculante nº 21) e sequer houve negativa de seguimento em sede administrativa. 2 Das divergências apontadas A recorrente afirma que, na competência 04/99, o montante fora totalmente recolhido, inexistindo contribuição a pagar. Todavia, os anexos "DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados. Na competência em questão (04/1999), tomese como exemplo o levantamento FP1 FOLHA DE PAGAMENTO: Como se vê no citado levantamento, o lançamento foi apenas pela diferença de contribuição, uma vez que considerados os "CRÉDITOS DIVERSOS". O sujeito passivo, em contrapartida, não demonstrou que, antes da notificação, teria sim efetuado o recolhimento do tributo suplementar apurado em sede de fiscalização. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 17460.000411/200765 Acórdão n.º 2402006.593 S2C4T2 Fl. 4 5 A recorrente ainda assevera que houve diversos equívocos no apontamento das bases de cálculo, notadamente nas competências 07/06 (R$ 16.457,50), 12/99 (R$ 8.163,25), 05/00 (R$ 8.163,25), 03/02 (12.131,68). Todavia, o sujeito passivo não demonstrou a existência dos citados equívocos. Muito pelo contrário, novamente se analisando o levantamento FP1, observa se que as bases de cálculo apuradas para essas competências tomaram em consideração os valores declarados pelo próprio sujeito passivo em GFIP. Exemplificativamente, vejase a competência 12/99: Logo, e como se vê, são improcedentes as alegações de divergências suscitadas pelo sujeito passivo, negandose provimento ao recurso neste ponto. 3 Da alíquota aplicável No entender da recorrente, a alíquota aplicável era de 15%, e não de 20%. Ela contesta, portanto, a alíquota de 20% aplicada em sede de lançamento em algumas competências. Equivocouse a recorrente. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; e Fl. 253DF CARF MF 6 Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%. Vejase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Essa majoração, como dito, passou a produzir efeitos em março de 2000, conforme previsão do art. 8º da Lei 9876. Vejase: Art. 8º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, quanto à majoração de contribuição e ao disposto no§ 4odo art. 30 da Lei no8.212, de 1991, com a redação dada por esta Lei, a partir do dia primeiro do mês seguinte ao nonagésimo dia daquela publicação, sendo mantida, até essa data, a obrigatoriedade dos recolhimentos praticados na forma da legislação anterior. [...] Brasília, 26 de novembro de 1999; [...] Como se vê no DAD, a fiscalização observou as alíquotas aplicáveis, devendo ser desprovido o recurso neste particular. 4 Da inexistência de responsabilidade Por fim, a contribuinte afirma que não tem responsabilidade solidária com o prestador de serviços na falta de recolhimento previdenciário e que a falta de fiscalização no prestador implica cerceamento ao seu direito de defesa. No entanto, à recorrente passou despercebida a circunstância de que ela não sofreu o lançamento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por contribuintes individuais na qualidade de responsável ou solidária. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, como já destacado no tópico anterior. Vejase, no mesmo sentido, o relatório fiscal e os diversos lançamentos que integram esta NFLD. Nesse contexto, é igualmente improcedente a assertiva de que a falta de fiscalização no prestador implicaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900545/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO POSTERIOR AO ENVIO DA DCTF. MULTA MORATÓRIA.
Em observância à decisão do STJ proferida no RESP nº 1.149.022, cujo entendimento vincula este Conselho conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, para fins de análise da configuração da denúncia espontânea, há de se verificar a data em que o tributo fora declarado pelo contribuinte em DCTF e a data do seu respectivo pagamento.
Uma vez constatado que o pagamento fora realizado posteriormente ao envio da declaração, há de ser afastada a denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3002-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO POSTERIOR AO ENVIO DA DCTF. MULTA MORATÓRIA. Em observância à decisão do STJ proferida no RESP nº 1.149.022, cujo entendimento vincula este Conselho conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, para fins de análise da configuração da denúncia espontânea, há de se verificar a data em que o tributo fora declarado pelo contribuinte em DCTF e a data do seu respectivo pagamento. Uma vez constatado que o pagamento fora realizado posteriormente ao envio da declaração, há de ser afastada a denúncia espontânea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO POSTERIOR AO ENVIO DA DCTF. MULTA MORATÓRIA. Em observância à decisão do STJ proferida no RESP nº 1.149.022, cujo entendimento vincula este Conselho conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, para fins de análise da configuração da denúncia espontânea, há de se verificar a data em que o tributo fora declarado pelo contribuinte em DCTF e a data do seu respectivo pagamento. Uma vez constatado que o pagamento fora realizado posteriormente ao envio da declaração, há de ser afastada a denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 05 45 /2 00 8- 23 Fl. 137DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 96 dos autos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Pelotas relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, na qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, alega a interessada que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco. Entende que a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. Pleiteia que seja reconhecido o efeito suspensivo ao crédito tributário declarado na DCOMP apresentada, tendo em vista a apresentação da presente manifestação de inconformidade. Por meio da sua manifestação de inconformidade (fl. 21 e seguintes), o contribuinte alegou ter pago R$ 16.612,50 em razão dos débitos tributários constituídos, e que, deste valor, a quantia de R$ 2.653,97 correspondia à multa de mora. Afirmou ser indevida a multa, visto que o pagamento fora realizado por meio de denúncia espontânea. Por isso, apresentou pedido de compensação do valor da multa, que teria sido pago indevidamente. Juntou os seguintes documentos: (i) recibo de entrega da DCTF (fl. 67); (ii) despacho decisório (fl. 51); (iii) PERDCOMP (fls. 53/63); (iv) DARF (fl. 65); iii) documentos de constituição da empresa (fls. 69/83). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDËNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP A apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação suspende a exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP. Solicitação indeferida. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 95/97) consignou que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, pois tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Assim, entendeu inexistir direito creditório passível de compensação. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11040.900545/200823 Acórdão n.º 3002000.370 S3C0T2 Fl. 138 3 O acórdão consignou, ainda, que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende o crédito tributário, e que a DCOMP constitui confissão de dívida, dispensando a lavratura de auto de infração. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/09/08 (vide AR à fl. 103 dos autos, no qual, embora tenha sido aposta como data da ciência o dia 16/09/06, verificase que houve claro erro, visto que a correspondência fora enviada no ano de 2008). E, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/10/08, Recurso Voluntário (fl. 105 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra o acórdão, alegando que o entendimento nele consignado estaria em dissonância com o entendimento deste Conselho sobre o assunto. Afirmou que a inclusão do valor da multa ofendeu o artigo 138 do CTN. Arguiu, ainda, não ter realizado o pagamento de modo parcelado, mas ter quitado integralmente seu valor, impossibilitando aplicação de multa sancionatória, a qual não poderia incidir nos casos de denúncia espontânea. Por fim, pediu a reforma da decisão para que seja declarada indevida a multa paga e, consequentemente, deferida a compensação pretendida. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se denota do exposto acima, a controvérsia posta na presente demanda gira em torno da configuração ou não da denúncia espontânea no caso vertente. Em sua manifestação de inconformidade, defendeu o contribuinte que "o fato da interessada ter efetuado o pagamento livremente, independentemente de qualquer notificação fiscal, equivale à denúncia espontânea, e, como tal, não cabe a incidência de multa". Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que não assistia razão ao contribuinte, com fulcro no seguinte fundamento: "Pacífico é o entendimento, tanto no contencioso administrativo como no Poder Judiciário, de que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco". Em seu Recurso Voluntário, então, o contribuinte volta a defender a configuração da denúncia espontânea no seu caso concreto. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise do caso. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Fl. 139DF CARF MF 4 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Sobre o assunto, assim se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em decisão submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, de observância obrigatória por parte deste Conselho por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11040.900545/200823 Acórdão n.º 3002000.370 S3C0T2 Fl. 139 5 Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Ou seja, para que se possa verificar a configuração ou não da denúncia espontânea no caso concreto sob análise, apresentase imprescindível saber a data em que a DCTF foi transmitida pelo contribuinte e a data em que o pagamento foi efetuado. Caso o pagamento tenha se dado anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal e ao envio da DCTF, ou concomitante a esta, resta configurada a denúncia espontânea. De outro norte, caso o pagamento tenha sido realizado após o envio da DCTF ou do início de qualquer procedimento de fiscalização, não há que se falar em denúncia espontânea. Nesse sentido, tem se pronunciado este Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. (Acórdão nº 1201002.230, de 11/06/2018). No caso dos presentes autos, verificase que o crédito alegado pelo contribuinte decorre do pagamento de multa que entende indevida, realizado em 15/08/2000 (vide DARF à fl. 65 dos autos), o qual indicava expressamente como valor do principal o importe de R$ 13.269,83, conforme declarado em DCTF (vide fl. 91 dos autos), e como valor da multa o montante de R$ 2.653,97. Verificase, ainda, que a DCTF havia sido transmitida desde 25/05/2000 (vide recibo de entrega à fl. 67 dos autos). Ou seja, o recolhimento fora realizado com atraso tanto em relação à data do seu vencimento originário, quanto em relação ao envio da DCTF (período de apuração de Fl. 141DF CARF MF 6 31/03/2000, vencimento em 14/04/2000, DCTF transmitida em 25/05/2000 e pagamento realizado em 15/08/2000). Nesse contexto, temse que o pagamento foi realizado posteriormente à entrega da DCTF, afastando, portanto, a configuração da denúncia espontânea (inteligência do RESP 1149022/SP). Logo, apresentase acertada conclusão da DRJ no sentido de que "valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea", "uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco". Mencionese, inclusive, que a decisão colacionada no julgado (AgRg no EREsp 804785/PR) encontra semelhança com a presente demanda, visto que também tratava de caso em que a DCTF havia sido transmitida previamente ao pagamento. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005637/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO.
A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.
PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.
O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento.
VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.
A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF.
A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 56 37 /2 00 7- 64 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 3 2 elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10120.005592/200728, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo administrativo fiscal, em face do acórdão julgado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tratase de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe, por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relacionado às contribuições destinadas à Seguridade Social referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída em obra. Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e 6°. Assim, o critério adotado pela Fiscalização para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra objeto da fiscalização. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, sendo julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos: Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 5 4 (i) Requer a nulidade do Acórdão Argumenta que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n.8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo Entende a contribuinte que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Aduz a contribuinte que uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram, no entender da contribuinte, rebatidas em impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente, já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. (iv) Princípio da imparcialidade Para a contribuinte resistiram, sob a complacência da DRJ de origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras NFLDs utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Questiona ela por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 6 5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador não observa, o princípio da imparcialidade. Sustenta que a junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: no relatório fiscal afirmam que evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação Sustenta a recorrente que o item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório. Argui a contribuinte que esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. Entende que a não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova Trata a contribuinte a previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 7 6 lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) Bis in idem A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". Para a contribuinte, a leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima e outros trechos do acórdão reocrrido, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF). Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas em NFLD's. A segunda Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 8 7 questão seria a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Sustenta que em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação". A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Destaca, ainda, que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos. Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada em NFLD's (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Aduz a contribuinte que a DRJ também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. Defende que as notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação. Argumenta ser absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requer a recorrente seja dado às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 9 8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Defende que não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em duplicidade. (xiii) Bitributação Argumenta a contribuinte que afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)". Para ela repetese o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Aduz que, ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Finaliza este tópico, argumentando que os levantamentos representados pelas NFLD somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem. (xiv) Perícia Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 10 9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Argumenta a contribuinte o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. A recorrente sustenta que o reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável Traz a contribuinte a alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra e está é a realidade dos fatos. Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório." Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10120.005592/200728, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Decadência das competências até junho/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado. Nesse sentido, a simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Rejeito a preliminar, portanto. 1.2 Perícia Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do processo administrativo tributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. 1.3 Das inconstitucionalidades Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 12 11 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. 1.4 Nulidade do lançamento O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Arezzo, matricula CET é 39.380.00370/70, correspondendo a 8.712,49 m². Registrouse que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela execução da obra da empresa notificada é de 84%, correspondendo a 7.318,49 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 13 12 contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005. Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 14 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD – Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS – Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 15 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. 1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. 2. Mérito 2.1 Contabilização por centro de custo A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os auditoresfiscais a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 16 15 Alega que, uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente foram rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Argumenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis". Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, razão pela qual mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. 2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais Insurgese, sob a complacência da DRJ, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 17 16 NFLD's utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem teria ocorrida, segundo a contribuinte, porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD's. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi consta nos autos planilha contendo detalhamento das notas fiscais os valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. 2.3 Ausência de motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto, teria sido somente citado no relatório. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 18 17 Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicandose de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a análise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços, bem como dos arquivos digitais. Não é difícil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. 2.4 Inversão do ônus da prova Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 19 18 Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, , muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. 2.5 Aplicação retroativa da legislação Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Inicialmente, a Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 20 19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecêlos. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. 2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é numerus clausus. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 21 20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD que se referem a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante. 2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 03/2005, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 22 21 2.8 Excesso de exação A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Diz que A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mãodeobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ de origem. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 23 22 precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. 2.9 Retificações Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a informação prestada aos autos. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas aos autos, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10120.005637/200764 Acórdão n.º 2202004.465 S2C2T2 Fl. 24 23 sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados em planilha elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002817/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/01/1991
CRÉDITO DE FINSOCIAL. CÁLCULO
Devem ser reconhecidos os créditos e homologadas as correspondentes compensações, até o limite do crédito calculado pela unidade de origem, uma vez que adotou os critérios determinados pela sentença judicial proferida em favor da recorrente.
Numero da decisão: 3301-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CÁLCULO Devem ser reconhecidos os créditos e homologadas as correspondentes compensações, até o limite do crédito calculado pela unidade de origem, uma vez que adotou os critérios determinados pela sentença judicial proferida em favor da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 28 17 /2 00 8- 18 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10665.002817/200818 Acórdão n.º 3301004.865 S3C3T1 Fl. 290 2 "A contribuinte aqui identificada transmitiu PER/Dcomp’s listados à fl. 03 e 184, nos quais informa que o crédito originase da Ação Judicial de nº 95.00001845, impetrada sob o argumento de ter sido pago Finsocial a maior, e transitada em julgado em 09/04/2003. A DRF Divinópolis não homologou as compensações (com exceção de duas homologadas tacitamente), em razão de haver a interessada executado judicialmente o crédito, e de não haver, mesmo após intimada, comprovado a desistência da execução, conforme Despacho Decisório de fls. 184/188. Irresignada com o indeferimento do seu pedido, do qual teve ciência em 30/09/2008 (fl. 194), a interessada apresenta manifestação de inconformidade em 30/10/2008 (conforme fl. 196), com as argumentações abaixo sintetizadas: discorda da não homologação de suas compensações, “visto que o crédito aproveitado restou devidamente reconhecido pelo Poder Judiciário”; “demonstrado direito ao crédito pleiteado, reputase absolutamente legítima a compensação promovida pela Contribuinte, devendo sua Declaração de Compensação ser prontamente homologada”; sob o título “Da prescrição e decadência”, afirma que “é cediço que o Finsocial era tributo sujeito a lançamento por homologação, segundo disposto no art. 142 do CTN. Assim, considerando o prazo de 05 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que sejam reconhecidos prescritos os valores abrangidos por este período, homologandose assim os respectivos valores, visto que se verificou a ocorrência da homologação tácita (art. 150, parágrafo 4º do CTN”. ao final, enfeixa o pedido dizendo que “espera que seja acatada a presente Manifestação de Inconformidade, para que reconheça as declarações de compensação, certo que os valores informados são aqueles já reconhecidos no Poder Judiciário ...”. Posteriormente à apresentação da Manifestação de Inconformidade, a interessada peticionou à Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 205/206), em 20/11/2009, informando que desistiu do processo judicial de execução de sentença (documento de fl. 207), “onde pleiteava a formalização do precatório judicial, conforme cópia da petição protocolada no dia 05/11/2009. Informa ainda que, assim que o processo judicial retornar à Seção Judiciária de Minas Gerais, a Requerente providenciará a certidão de inteiro teor, a fim de instruir o presente feito administrativo”. Conclui essa Petição com o seguinte parágrafo: “Desta feita, diante da desistência da execução de sentença, objeto de discussão do presente processo administrativo, a Requerente vem respeitosamente requerer que o presente processo administrativo seja remetido novamente à Delegacia da Receita Federal competente para os procedimentos de baixa e arquivo, visto que o presente processo administrativo perdeu o objeto” (grifei). Em razão disto, o processo foi encaminhado à DRF Divinópolis, conforme despacho de fl. 209. Em 30/09/2010 a interessada protocolou petição no âmbito da DRF Divinópolis, no sentido de “desistir expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos e, cumulativamente, renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam o processo em epígrafe” (fl. 212). Na mesma data, apresentou outra petição também à DRF na qual informa que “requereu equivocadamente o parcelamento do crédito referente ao processo em epígrafe”, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10665.002817/200818 Acórdão n.º 3301004.865 S3C3T1 Fl. 291 3 pleiteando, assim, “seja desconsiderado a solicitação de parcelamento correspondente ao processo em epígrafe” (fl. 211). Mais adiante, em 29/12/2011, apresenta nova petição à DRF (fls. 217/219) onde informa, entre outras coisas, que “em nenhum momento a empresa manifestou no sentido de desistir do processo administrativo, mas sim de prosseguir na execução judicial do crédito tributário, por ter optado em compensálo administrativamente”. Acrescenta que aderiu ao REFIS, incluindo por um lapso o crédito tributário ora em discussão no parcelamento, e a fim de cumprir o disposto na Portaria que o regia, desistiu da impugnação que havia apresentado. Aduz que, no mesmo dia 30/09/2010, esclareceu tal equívoco. A DRF se manifestou, em 26/01/2012, historiando o caso e encaminhando o processo à DRJ. Finalmente, em 29/06/2012, a interessada apresenta à DRJ a petição de fls. 224/225, fazendo anexar a Certidão de fls. 227/228 emitida pela Justiça Federal de 1º Grau – 10ª Vara. A DRJ/Belo Horizonte, por intermédio do Despacho nº 03, de 25 de setembro de 2012, de fls. 232/233, resolveu encaminhar o processo à Delegacia da Receita Federal em Divinópolis (MG) para que, em face da homologação da desistência da execução judicial, reapreciasse o pleito originário. Em sequência, a Delegacia da Receita Federal em Divinópolis (MG) emitiu o despacho de fls. 234/238, sem data, devolvendo o processo à DRJ/Belo Horizonte. É o relatório." A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente e o Acórdão n° 02042.029, de 11/01/13, foi assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/1989 a 31/01/1991 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada, sendo passíveis de compensação, até o limite do direito creditório, os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que protesta pelo reconhecimento "da coisa julgada em sua integralidade", pois teria cumprido a exigência estabelecida pela unidade de origem, consistente na desistência do processo judicial de execução judicial de crédito judicial e adotado os índices para atualização dos créditos de FINSOCIAL determinados pelo Poder Judiciário. É o relatório. Voto Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10665.002817/200818 Acórdão n.º 3301004.865 S3C3T1 Fl. 292 4 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de declarações de compensação (DCOMP), em que foi utilizado crédito de FINSOCIAL reconhecido judicialmente. Por meio do Despacho Decisório datado de 16/09/08 (fls. 184 a 188), a DRF consignou que, das treze PER/DCOMP transmitidas, duas se encontravam tacitamente homologadas (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96) e que as demais não seriam homologadas, porque estava em curso processo judicial de execução da sentença. Com efeito, a sentença reconheceu o crédito de FINSOCIAL e admitiu sua compensação com a COFINS, acrescidos de atualização monetária, calculadas pelos índices utilizados pela Fazenda Nacional na cobrança de seus créditos (fl. 279). Por fim, indicou o saldo do crédito (após as compensações consideradas homologadas), para fins de instrução do processo judicial de cobrança, informando que adotara como fatores de atualização os determinados pela Justiça. A recorrente tomou ciência da decisão em 30/09/08 (fl. 194) e apresentou manifestação de inconformidade. Além de dispor sobre o FINSOCIAL e o direito à compensação, pleiteou a homologação de todas as DCOMP, haja vista a decisão judicial favorável. A DRJ deu provimento parcial, determinando que fossem homologadas as compensações, dentro do limite dos créditos calculados pela DRF e apontados no despacho Decisório. No recurso voluntário, insurgiuse contra o valor dos créditos acatados pela DRJ. Aduziu que os valores foram reconhecidos pelo Judiciário e os índices de correção monetária que utilizou foram os também indicados na decisão judicial. Na primeira PER/DCOMP, transmitida em14/08/03, o crédito montava a R$ 327.851,65, enquanto que o calculado pelo Fisco e informado no Despacho Decisório (fl. 187) era de R$ 306.311,71. Da leitura das planilhas da DRF, não identifiquei critério que divergisse do determinado pelo Poder Judiciário. Adicionalmente, no recurso voluntário, a recorrente não apontou qual teria sido o erro cometido pela DRF. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10665.002817/200818 Acórdão n.º 3301004.865 S3C3T1 Fl. 293 5 Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909473/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve-se homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constatada a existência de crédito não utilizado, disponível nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devese homologar a compensação declarada. Eventual falha de sistema da Receita Federal no encontro de débito declarado e crédito por pagamento, não pode servir para penalizar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito suficiente à homologação da compensação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 73 /2 00 8- 25 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.909473/200825 Acórdão n.º 3401005.187 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu em parte o direito creditório, considerando parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 15/12/2003, transmitiu PER/DCOMP nº 07437.41454.151203.1.3.049467 declarando a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 12.211,44 do período de apuração 11/2003, com crédito de PIS/PASEP recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 02/2003, na data de 14/03/2003. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 12/08/2008 (eFls.2), pela não homologação da compensação declarada, argumentando que: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), requerendo a extinção do crédito tributário objeto da compensação sob análise, demonstrando e comprovando que há a disponibilidade do crédito utilizado: a) que realizou o pagamento via DARF (efls.49/50) de contribuição para o PIS/PASEP cód. 8109, no valor de R$ 12.363,71 na data de 14/03/2003 do Período de Apuração 28/02/2003; b) que na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora para o período 1º Trimestre/2003 (efls.54), declarando um débito apurado de PIS – Faturamento para o Período 02/2003 no valor de R$ 1.764,42; c) na data (07/11//2003), transmitiu Dcomp nº 12571.71028.071103.1.3.045022 vinculando o débito de valor R$ 1.764,42 com o crédito de R$ 12.363,71 o que seria desnecessário, bastando vincular o pagamento via DARF ao débito declarado; d) junta como prova, além da DCTF retificadora, demonstrativos contábeis (livro razão – efls.104 a 108) que Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.909473/200825 Acórdão n.º 3401005.187 S3C4T1 Fl. 4 3 atestam a procedência do crédito utilizado; e) pede considerações ao fato da recentíssima aprovação, à época, do programa na versão 1.1 da PER/DCOMP, através da IN SRF nº 360, de 24/09/2003, quando muitas dúvidas gravitaram em torno desse procedimento; f) tratandose de erro formal, pela desnecessária apresentação de PER/DCOMP nº 12571.71028.071103.1.3.04 5022, deve prevalecer o princípio da verdade material, como se depreende de diversos julgados do CARF e também, do Poder Judiciário. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade. Trata inicialmente, no voto, da compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, inciso II da Lei 5.172/1966 (CTN), mas somente com crédito líquido e certo do contribuinte (art.170CTN). Destacase da decisão de piso a seguinte parte: Entretanto, do exame das arguições trazidas pela interessada, e conforme pesquisa no sistema de interesse da RFB (SIEFWEB), fls. 171/174, verificase que o Despacho Decisório apresenta inconsistência, no que se refere à demonstração da utilização da importância correspondente ao DARF, como segue: Analisando a utilização do pagamento promovido através do DARF número de pagamento 3826016938, verificase que é pagamento sem alocações, ou seja, o saldo de crédito disponível, em valor originário, corresponde ao valor total do DARF, R$ 12.363,71 (data da arrecadação 14/03/2003). Verificase que o sistema bloqueou o valor de R$ 2.074,41, para a DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022, transmitida em 07/11/2003, para a qual houve a homologação total, encontrandose na situação “HOMOLOGAÇÃO TOTAL”, homologação concluída; No demonstrativo da utilização do crédito para a DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022 (fl. 173) temse que: Valor pleiteado = R$ 12.363,71 Saldo Disponível antes da utilização = R$ 12.363,71 Valor utilizado = R$ 2.074,31 Saldo disponível após utilização = R$ 10.289,40 (saldo em valor originário) Tal situação, por si só, indicava a existência de saldo remanescente, passível de aproveitamento em declarações supervenientes; Neste ponto, deve ser destacado que o Contribuinte, nos cálculos apresentados, não levou em conta que o débito declarado na DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022, com data de vencimento em 14/03/2003, deveria ser atualizado até a data de transmissão desta DCOMP (07/11/2003), com acréscimos dos juros e multa de mora; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.909473/200825 Acórdão n.º 3401005.187 S3C4T1 Fl. 5 4 É de se destacar que o entendimento passado no voto do acórdão recorrido, teve por base os artigos 28 e 38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, com a redação dada pela IN SRF nº 323/2003. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.190) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que: “... considerando que o crédito da Recorrente referese ao pagamento a maior e/ou indevido de PIS (PA 02/03), afigurase irregular os acréscimos a titulo de juros e multa ao débito declarado no PER/ DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022, uma vez que o crédito nasceu anteriormente ao débito compensado. Os juros indenizam a mora, enquanto a multa constitui penalidade pela mora. Mas, no caso vertente, não se encontrava a Recorrente em mora perante o Fisco, na medida em que os recursos destinados a extinção do débito já se encontravam na disponibilidade do Erário desde janeiro de 2003, quando foi efetivado o recolhimento do débito de PIS (PA 02/03), utilizado na compensação”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte buscou no presente processo, através da transmissão eletrônica PER/DCOMP nº 07437.41454.151203.1.3.049467 (efls.7), com data de 15 de dezembro de 2003, a compensação de débito de COFINS do período 11/2003, com crédito de PIS/PASEP do período 02/2003 (R$ 10.599,29) em razão do recolhimento a maior que o devido via DARF no valor de R$ 12.363,71. O Auditor Fiscal que elaborou o Despacho Decisório – Nº de Rastreamento: 781229183 (efls.2) foi parcial, quando atestou que a totalidade do DARF – R$ 12.363,71 foi utilizado no PER/DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022, sendo, inclusive, declarado inconsistente pela autoridade julgadora de primeiro grau. Com a Manifestação de Inconformidade e demais demonstrativos juntados aos autos, ficaram os fatos expostos da seguinte forma: a) houve a transmissão de DCTF original para o 1º Trimestre/2003, declarando valor devido de PIS (cód.8109) para o mês de fevereiro/2003 R$ 12.363,71 cujo pagamento se deu via DARF, no vencimento, na data de 14/03/2003; b) na data de 08/11/2003 apresentou DCTF retificadora alterando o valor devido de PIS do mesmo período para R$ 1.764,42; c) na data (07/11/2003), apresentou DCOMP nº 12571.71028.071103.1.3.045022 compensando o débito de R$ 1.764,42 com o valor do DARF de R$ 12.363,71; d) a diferença entre o valor do DARF (R$ 12.363,71) e o valor do débito de PIS de 02/2003, retificado (R$ 1.764,42) foi objeto da DCOMP 07437.41454.151203.1.3.049467, no valor de R$ 10.599,29 discutida no presente processo. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.909473/200825 Acórdão n.º 3401005.187 S3C4T1 Fl. 6 5 Existem duas questões fáticas que merecem ser evidenciadas: (i) da desnecessária apresentação de DCOMP para vincular o débito retificado com o DARF de pagamento (mesmo tributo para igual período de apuração); (ii) Falha no sistema da RFB de não fazer a vinculação automática do pagamento com o débito declarado, visto que a totalidade do valor pago permanecia disponível. Isso talvez justifique a preocupação do contribuinte de apontar em seu inconformismo, dúvidas da época, relacionadas a implantação do programa eletrônico – PER/DCOMP 1.1, através da IN SRF 360/2003. No acórdão recorrido ficou demonstrado que a totalidade do pagamento R$ 12.363,71 estava disponível, portanto, atende plenamente ao pleito da recorrente em ver extinto o débito de PIS para a competência 02/2003, no valor de R$ 1.764,42 como também, o débito de COFINS do período 11/2003, de que trata o presente processo. Se atentarmos para os demonstrativos juntados as efls. 262 a 264, disponibilizados pela RFCODAC – Demonstrativo Analítico de Compensação, o saldo remanescente de compensação neste processo corresponde exatamente ao valor da multa de 20% aplicada sobre o valor do débito do PIS do período 02/2003, recolhido na data 14/03/2003. Pode até ter gerado certa confusão nos sistemas eletrônicos da SRF com a apresentação de DCOMP para compensar um débito que já havia sido recolhido no seu próprio vencimento, mas se valer, o fisco, de um ato falho ou desnecessário do contribuinte para penalizálo, entendese ser totalmente improcedente. Partindose do pressuposto, art. 156, II do CTN, que a compensação extingue o crédito tributário e o art. 170 do mesmo diploma legal, que permite à autoridade administrativa autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vejo plenamente presente essa condição, pois a própria autoridade administrativa declarou a disponibilidade do crédito pelo pagamento via DARF. Houve nesse caso a extinção do crédito tributário pelo pagamento, anterior a mencionada compensação. Os procedimentos de atualização conforme demandado pelos artigos 28 e 38 da IN SRF nº 210/2002 e IN SRF nº 323/2003, utilizados no primeiro grau de julgamento para fazer incidir penalidade no processo de compensação, não se aplica ao caso presente, pois o pagamento realizado via DARF, que corresponde ao crédito do contribuinte, serviu para dar quitação do débito declarado de mesmo tributo e do mesmo período de apuração. A DCOMP 12571.71028.071103.1.3.045022 reflete exatamente esse fato, o que lhe retira os efeitos próprios de pedido de compensação tributária. Afastados os efeitos da Declaração de Compensação 12571.71028.071103.1.3.045022, resta suficiente o crédito, líquido e certo, a realização da compensação declarada na PER/DCOMP 07437.41454.151203.1.3.049467 que deu causa ao processo ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.909473/200825 Acórdão n.º 3401005.187 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.916345/2008-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade, intime a contribuinte para apresentar, mediante sua indicação oficial, acerca da documentação necessária para a comprovação da existência do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade, intime a contribuinte para apresentar, mediante sua indicação oficial, acerca da documentação necessária para a comprovação da existência do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 34 5/ 20 08 -3 8 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 65 2 Em sede de sua defesa, a recorrente alegou, ter sido indevido o recolhimento do Pis em referência, motivo pelo qual, manejou a compensação. Informa que não houve retificação da DCTF anteriormente à prolação do despacho decisório eletrônico. Menciona o artigo 74 da Lei 9430/96 e artigo 11 da Lei 11.637/02. DRJ/SP1 A manifestação foi julgada pela delegacia e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1642.034 6” Turma DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitaçao de débitos. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. O relatório da decisão de primeira instância, por bem representar a realidade dos eventos acontecidos, são transcritos a seguir: INGAI INCORPORADORA S/A, empresa acima identificada, apresentou Declaração de Compensação, na qual pleiteia a compensação de tributos devidos com suposto crédito de PIS. 2. Por intermédio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, a compensação não foi homologada, tendo em vista que o suposto pagamento indevido está totalmente alocado a débito do contribuinte. 3. Ciente desta decisão em 20/08/2008, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade de fls. 1 1/12, na qual alega em síntese: a Recolheu tributo em montante maior do que o devido, destarte solicitou a compensação deste pagamento indevido, porém não efetuou a retificação DCTF; b Ciente do equívoco cometido efetuou a retificação da DCTF em 21/08/2008; c Requer a homologação da compensação apresentada. Recurso Voluntário Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 66 3 Em sua defesa, a recorrente alega, em preliminar, a preclusão do dever de julgar, por parte da autoridade fazendária, irregularidade na decisão recorrida em razão da preterição do direito de produzir provas em seu favor. No mérito, após breve resumo do ocorrido, rebate as afirmações utilizadas como base do raciocínio jurídico, lastro do voto condutor, em especial, a capacidade probatória dos elementos trazidos aos autos. preclusão do dever de julgar A recorrente atribui à autoridade fazendária o dever de prolatar julgamento em conformidade com o artigo 49 da Lei 9.784/99, cujo teor fixa o prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual prazo, para que a Administração decida sobre o caso. da preterição do direito de produzir provas Neste tópico, a recorrente rebate o raciocínio exposto no voto condutor, para tentar legitimar os documentos utilizados para comprovar a ocorrência do pagamento a maior. Ainda, traz aos autos o entendimento no qual, se alguma informação faltava para a comprovação do alegado pelo contribuinte, a lei 9.784/99, em seus artigos 39 e 38, determinam a necessária manifestação oficial, no sentido de especificar quais informações são faltantes para a conclusão sobre assunto posto a seu crivo. No mérito, busca delinear que todas as informações necessárias estavam à disposição da autoridade fazendária, mediante as obrigações acessórias retificadoras e originais, enviadas eletronicamente ao ambiente virtual fazendário. Para tanto, acrescenta, à discussão, os parágrafos primeiro e segundo do artigo 38 da Lei 9.784/99. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento apenas parcialmente, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: em preliminar, a preclusão do dever de julgar, da preterição do direito de produzir provas; e, no mérito, a validade das provas acostadas e a existência do crédito. PRELIMINAR Em preliminar a recorrente introduziu elemento nova à sua argumentação inicial, inaugurada em sede de sua manifestação de inconformidade. Preclusão Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 67 4 Foi mencionado, em favor da recorrente, preliminar objetivando o cancelamento do Despacho Decisório em razão do prazo de 30 dias, para julgar. Isto com base na aplicação da lei 9.784/99, mais especificamente em seu artigo 49. Não assiste razão à requerente, uma vez que tal prazo não vem, na legislação, acompanhado de norma sancionatória. Segue ao entendimento, sobre a questão, já manifestada por este CARF: Acórdão nº 3402004.122 PAF. PRAZO PARA JULGAMENTO Não há na legislação tributária definição de penalidade pelo descumprimento do prazo e sabese que qualquer sanção deve estar prevista em Lei. E, cancelar o Auto de Infração por inobservância do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, seria, sem dúvida, uma sanção à Fazenda Pública. Ainda, compreendo que este tipo de norma, regraria, a seu turno, a possibilidade de ocorrência de prescrição intercorrente no processo administrativo, vedada pela súmula 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Decido Neste sentido, voto por conhecer desta parte do recurso mas nego provimento ao pedido de extinção do processo por decurso do prazo previsto na Lei 9.784/99. da preterição do direito de produzir provas Creio, neste aspecto, aposto no recurso voluntário pela recorrente, confundese com o mérito, e, por isso, será tratado conjuntamente. MÉRITO O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que gerouse, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior, terem sido alocados em Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 68 5 débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72 Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três pocionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidadeç Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS. Pois teria incluído, na base de cálculo do tributo, parcela de outra natureza, vez que adicionou aos valores ofertados à tributação, quantias tributas à alíquota zero. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 69 6 A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 70 7 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 71 8 Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 72 9 Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos Documentos efetivamente acostados Integra o rol de argumentos expressos no recurso voluntário, a informação de não ocorrência de retificação da DCTF antes da prolatação do referido despacho decisório, expressando que a mera retificação na DACON e na DIPJ, em seu entender, bastariam para comprovar a ocorrência do erro material. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 73 10 maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 74 11 A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.916345/200838 Resolução nº 3001000.117 S3C0T1 Fl. 75 12 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente a conversão deste processo em diligência, para: intimar a autoridade preparadora para que especifique, quais os documentos necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000153/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
INTEMPESTIVIDADE
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado intempestivamente.
Numero da decisão: 3301-004.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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