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Numero do processo: 10183.006125/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
RECURSO DE OFÍCIO.
Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2201-000.679
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA
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Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/08) para exigir crédito tributário de ITR, no montante de R$ 3.810.110,91, dos quais R$ 1.610.427,71 referemse a imposto, R$ 1.207.820,78 a multa de ofício de 75% e R$ 991.862,42 a juros de mora calculados até novembro de 2007, originado da exigência de complemento de pagamento de imposto sobre a propriedade territorial rural, no exercício de 2003. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.02) que acompanhou o auto de infração, foi glosado parte do valor relativo a área de utilização limitada, foi diminuído de 79,0 para 3,6, o grau de utilização, bem como foi elevado o valor total do imóvel de R$13.000.000,00 para R$17.275.000,00. Na descrição dos fatos e enquadramento legal o lançamento está assim justificado: 1. Do Procedimento Fiscal Serão consideradas nesta Fiscalização em conjunto as informações das DITRs dos dois imóveis rurais contínuos pertencente a um mesmo proprietário, RIRE 19325398 e 57329800. O lançamento será realizado no NIRF 57329800, imóvel de maior área. 2. Da Valoração da Terra Nua VTN: Foi aceito o valor estipulado em laudo apresentado pelo contribuinte de R$11.145.000,00 para o VTN do exercício de 2003, alterandose os valores declarados em DITR. 3. Da. Área de Reserva Legal: Não foi comprovada a averbação da reserva legal em cartório de registro de imóveis, à margem da matricula do imóvel, conforme art. 10, § 1o, inciso II, letra ’a’ da Lei 9393/96, e art. 16, §8°, da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1o da Lei 7803/89), em data anterior ao do fato gerador do ITR, conforme art. 12, §1o, do Decreto 4.382/02. Nas matrículas de n°12967 e 12966, consta averbação, datada de 27/09/2004, mencionando a existência de Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, firmado entre a ex proprietária e o IBAMA, em 27/03/2000, informando que foi gravada utilização limitada de 78% de suas respectivas áreas. Entretanto, não é mencionado quando foi realizada a averbação nas matriculas originárias e nem, tão pouco, foram apresentadas pelo contribuinte as matrículas anteriores para verificação, dessa forma não ficou comprovado se há averbação antes da ocorrência do fato gerador do exercício de 2003, 1° de janeiro de 2003. As datas de averbações não alcançam o exercício de 2003, com fato gerador em 1° de janeiro de 2003. Ficou comprovada apenas 5.526,3 ha averbadas antes do fato gerador de 2003, das matriculas 6279 e 11853.” Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.006125/200781 Acórdão n.º 220100.679 S2C2T1 Fl. 2 3 DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls.155/171), acompanhada dos documentos de fls.172/198, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: • É empresa cumpridora de suas obrigações contratuais e fiscais,, sempre preocupada com a manutenção da fauna e flora do ambiente natural do pantanal matogrossense, por isso limitou o uso das áreas do imóvel, gravandoas como de preservação permanente e reserva legal, perante o Cartório de Registro de Imóveis nas matrículas de n° 12.966, com área de 31.701,6 ha, 12.967, com área de 33.914,8 ha, 11.853, com área de 85,0 ha e matricula 6.279, com área de 7.000,0 ha, representadas pelos Nirfs 5.732.9808 e 1.932.5398; • Desde 2000 apresenta Ato Declaratório Ambiental — ADA do lhama para consignar e ratificar nesse órgão sua intenção de preservação das áreas, conforme já havia • assinado anteriormente Termo de Responsabilidade de florestas em 1996; • A fiscalização, no procedimento de verificação fiscal, não acolheu os argumentos apresentados, glosando a área de reserva legal e alterando o valor da terra mia com base no valor informado no laudo; • Não discute a unificação das áreas do imóvel para formar a área maior, mas o procedimento da fiscalização em desconsiderar o recolhimento relativo ao blirf n° 1.932.5398, porque as informações ali prestadas são corretas e verdadeiras; • O fato das declarações terem sido apresentadas em separado, não retira a validade do recolhimento feito para o Nirf 1.932.5398, bastando somente apropriação do !valor à retificação feita de oficio; 1 • Concorda com o procedimento fiscal na alteração do valor da terra nua com base nos valores estipulados no laudo de avaliação, efetuado por profissional habilitado para o exercícios de 2003, em R$ 11.145.000,00; • Junta aos autos, cópias das matrículas do imóvel que comprovam que afr reserva legal foi averbada anteriormente ao fato gerador do ITR do exercício de 2003; • Os laudos anexados no processo demonstram que a exploração do imóvel limitase a 2.405,08 hectares declarados como passíveis de utilização e reconhecidos pela fiscalização da Receita Federal; • Administração Pública tributária, na forma dos preceitos legais, somente pode agir segundo a lei, não podendo se afastar da motivação legal ou um suporte fálico que lhe der sustentação; • A manutenção do lançamento sob o fundamento de fato e de direito aduzidos, constitui ofensa constitucional ao princípio do Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 contraditório, pois houve recusa de elemento material probatório sem qualquer justificativa e/ou motivação expressas em lei; • Transcreveu ementas de vários julgados do Conselho de Contribuintes para justificar que os proprietários rurais não são obrigados a apresentar ADA; • Tendo em vista as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes • e em respeito aos princípios de legalidade, da verdade material, da tipicidade, da ampla defesa, do contraditório e da moralidade administrativa, requer que seja considerado o valor apurado na declaração relativa ao nirf 1.932.5398, como dedução no valor apurado no lançamento referente ao Nirfs 5.732.9800 e reconhecimento da isenção da área de reserva legal declarada. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n° 0418.723, de 25 de setembro de 2009, fls.244/250, em decisão assim ementada: “Da Nulidade do Lançamento. Cerceamento do Direito de Defesa. Tendo o contribuinte compreendido as infrações que lhe foram imputadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, dentro do prazo legal, não há que se falar em nulidade do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF, Decreto n°70.235/1972. Princípios Constitucionais. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar argüições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. Área de Reserva Legal. Tributação. Impõese afastar a tributação do ITR sobre a área de utilização limitada/reserva legal devidamente comprovada nos autos mediante documentos hábeis e idôneos. Matéria não Impugnada Valor da Terra Nua (VTN) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.006125/200781 Acórdão n.º 220100.679 S2C2T1 Fl. 3 5 DO RECURSO DE OFÍCIO Contra referida decisão foi interposto Recurso de Ofício a esta corte. Não há Recurso Voluntário O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 262 (última). É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso de Oficio preenche as condições de admissibilidade, já considerando inclusive, o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, fixado pela Portaria MF nº 03/2008, por ter a decisão de primeira instância reduzido o crédito tributário de R$ 3.810.110,91 para 19.596,29 (fls.258), deve portanto, ser conhecido. Ao analisar a Área de Utilização Limitada a decisão de primeira instancia, assim concluiu: “Da análise efetuada nas matriculas que compõem a área do imóvel anexadas ao processo, constam as averbações da reserva legal, existente no imóvel, anteriormente ao fato gerador do ITR de 2003, comprovando, assim o valor declarado pela contribuinte.” Nenhum reparo a fazer nas conclusões do acórdão supracitado. Foram acolhidas as provas apresentadas, como laudos, ADA e averbação nas matrículas dos imóveis. Tratase, portanto, nessa parte, de questão de prova, a qual devidamente produzida pelo contribuinte, deve ser acolhida. Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, NEGO PROVIMENTO ao recurso de oficio. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720516/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
EMBARGOS INOMINADOS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO.
Existindo erros materiais na decisão recorrida, apontados em embargos inominados nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão.
Numero da decisão: 1302-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos inominados e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 EMBARGOS INOMINADOS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO. Existindo erros materiais na decisão recorrida, apontados em embargos inominados nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 EMBARGOS INOMINADOS. ERROS MATERIAIS. SANEAMENTO. Existindo erros materiais na decisão recorrida, apontados em embargos inominados nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos inominados e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 16 /2 01 1- 43 Fl. 2654DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.163 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720516/2011-43 Trata-se Embargos opostos pela contribuinte em face ao Acórdão nº 1302-003.718 (fls. 2532/2563), prolatado na sessão de 16 de julho de 2019, por meio do qual o Colegiado da 2º Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção assim decidiu: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às exigências de PIS/Cofins sobre diferenças cobradas por compensações não formalizadas e sobre as receitas de uso de rede elétrica de Itaipu; por maioria de votos em negar provimento quanto a exigência de PIS/Cofins sobre valores excluídos relativos a quotas de Reserva Global de Reversão - RGR, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que dava provimento nesta parte; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso sobre a exigência de PIS/Cofins sobre a receita proveniente de reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Breno do Carmo Moreira Vieira, que davam parcial provimento ao reconhecimento como receitas financeiras e propunham a realização de diligência para sua quantificação; e, por unanimidade em negar provimento quanto a exigência de multa de ofício e juros Selic. O conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira votou apenas a última matéria, uma vez que as demais já haviam sido votadas na sessão de junho de 2018, com a participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo. Os embargos apontavam (i) contradição e obscuridade, (ii) omissão e (iii) erros decorrentes de lapso manifesto. Após análise pelo Sr. Presidente desta Turma Julgadora, os embargos foram parcialmente admitidos por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 2.643/2.653, na forma de Embargos Inominados, para correção dos erros decorrentes de lapso manifesto, nos seguintes pontos: a) Quanto à proclamação do resultado – data de participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo b) Quanto à data da primeira sessão em que o processo foi levado a julgamento pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli, Relatora. A admissibilidade dos Embargos de Declaração já foi analisado, sendo admitido parcialmente. Assim deles eu conheço apenas na parte admitida. Passo a analisar os erros de lapso manifesto, apontados pelos embargos. a) Quanto à proclamação do resultado – data de participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo Fl. 2655DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.163 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720516/2011-43 Aduz a embargante que a participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo ocorreu em junho de 2019 e não em junho de 2018, como consignado na proclamação do resultado do acórdão. De fato, é claro o erro manifesto no Acórdão, pois a participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo ocorreu na sessão de junho de 2019, quando então o presente processo foi pautado para julgamento por esta conselheira, sendo decidido diversas matérias, restando apenas a exigência de PIS/Cofins sobre a receita proveniente de reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza, que foi objeto de pedido de vista. Esta informação é ratificada pela Ata da sessão do mês de junho/2019: MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª TURMA ORDINÁRIA DA 3ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO Aos doze dias do mês de junho do ano de dois mil e dezenove, às nove horas, Setor Comercial Sul, Quadra 01, Bloco J, Edifício Alvorada, Brasília, Distrito Federal, reuniram-se os membros da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, estando presentes os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. (...) Relator(a): MARIA LUCIA MICELI Processo: 16682.720516/2011-43 Recorrente: FURNAS-CENTRAIS ELETRICAS S.A. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Decisão: Vista para o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, convertida em vista coletiva. Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigências de PIS/Cofins sobre diferenças cobradas por compensações não formalizadas e sobre as receitas de uso de rede elétrica de Itaipu; por maioria de votos em negar provimento quanto a exigência de PIS/Cofins sobre valores excluídos relativos a quotas de Reserva Global de Reversão - RGR, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que dava provimento nesta parte. Na sequência a relatora votou por negar provimento ao recurso sobre a exigência de PIS/Cofins sobre a receita proveniente de reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo acompanhou a relatora. Neste ponto houve o pedido de vista, sendo interrompido o julgamento. Fizeram sustentação oral pela contribuinte, o advogado Dr. Cristiano Augusto Ganz Viotti de Azevedo - OAB/DF nº 2036-A, e pela Fazenda Nacional, o Procurador Paulo Roberto Riscado Junior. Fl. 2656DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.163 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720516/2011-43 Logo, cabe a correção do pronunciado do Acórdão, para que conste a participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo na sessão de junho de 2019, devendo o Acórdão ser retificado nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às exigências de PIS/Cofins sobre diferenças cobradas por compensações não formalizadas e sobre as receitas de uso de rede elétrica de Itaipu; por maioria de votos em negar provimento quanto a exigência de PIS/Cofins sobre valores excluídos relativos a quotas de Reserva Global de Reversão - RGR, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, que dava provimento nesta parte; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso sobre a exigência de PIS/Cofins sobre a receita proveniente de reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Breno do Carmo Moreira Vieira, que davam parcial provimento ao reconhecimento como receitas financeiras e propunham a realização de diligência para sua quantificação; e, por unanimidade em negar provimento quanto a exigência de multa de ofício e juros Selic. O conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira votou apenas a última matéria, uma vez que as demais já haviam sido votadas na sessão de junho de 2019, com a participação do conselheiro suplente Marcelo José Luz de Macedo. b) Quanto à data da primeira sessão em que o processo foi levado a julgamento pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção Outro erro lapso manifesto está inserido no relatório, no qual esta conselheira, ao apontar os principais eventos ocorridos no curso deste processo administrativo, se equivocou com relação à data de prolação da Resolução nº 1302-000.469, nos seguintes termos: Na primeira oportunidade que o processo foi levado a julgamento por este colegiado, a Turma acatou a proposta do relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, por meio da Resolução nº 1302-000.469, da sessão de 21 de março de 2007, de converter em diligência para que fosse providenciado o direcionamento do PAF nº 16682.720517/2011-98 para sua relatoria, em razão da conexão entre os lançamentos. Mais uma vez assiste razão à embargante. A Resolução nº 1302-000.469 foi emitida em 21 de março de 2017, conforme se observa às fls. 2.492/2.507, devendo o relatório ser retificado para a correção deste equívoco: Na primeira oportunidade que o processo foi levado a julgamento por este colegiado, a Turma acatou a proposta do relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, por meio da Resolução nº 1302-000.469, da sessão de 21 de março de 2017, de converter em diligência para que fosse providenciado o direcionamento do PAF nº 16682.720517/2011-98 para sua relatoria, em razão da conexão entre os lançamentos. Fl. 2657DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.163 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720516/2011-43 CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer e acolher os embargos inominados opostos pelo contribuinte, sem efeitos infringentes, para corrigir os erros materiais apontados, retificando o Acórdão e o Relatório, nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Fl. 2658DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.000355/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. REGIME DA CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO.
Conforme posicionamento do STF no julgamento da constitucionalidade do § 1º do art 3º da Lei nº 9.718/98 (o que inclusive levou à sua revogação), a receita bruta restringe-se ao produto das vendas de bens e serviços e demais receitas típicas da atividade empresarial. O Crédito Presumido de IPI na exportação, das Leis nos 9.363/96 e 10.276/2001, para ressarcimento PIS/Cofins incidentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva, é um incentivo fiscal, não podendo, assim, ser considerado receita desta natureza, pelo que não está sujeito à incidência da Contribuição para a Cofins apurada no regime da cumulatividade.
Numero da decisão: 3302-007.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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REGIME DA CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Conforme posicionamento do STF no julgamento da constitucionalidade do § 1º do art 3º da Lei nº 9.718/98 (o que inclusive levou à sua revogação), a receita bruta restringe-se ao produto das vendas de bens e serviços e demais receitas típicas da atividade empresarial. O Crédito Presumido de IPI na exportação, das Leis nos 9.363/96 e 10.276/2001, para ressarcimento PIS/Cofins incidentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva, é um incentivo fiscal, não podendo, assim, ser considerado receita desta natureza, pelo que não está sujeito à incidência da Contribuição para a Cofins apurada no regime da cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Auto de Infração relativo à COFINS, fls. 04-17, pelo qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 34.271,48, sendo R$ 15.338,63 de valor principal. Referido lançamento decorreu da diferença apurada entre os valores declarados, e os escriturados àquele título, consoante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 20-22. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 03 55 /2 00 5- 59 Fl. 433DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.773 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000355/2005-59 Na impugnação, fls. 344-345, foram aduzidos argumentos de defesa, transcritos por excertos, consoante o articulado abaixo: DA PRELIMINAR [..] concluímos que as diferenças apuradas referem a Base de Cálculo do PIS e COFINS sobre outras receitas as quais esclarecemos: Primeira Situação: Em 26/04/2002 recolhemos/compensamos as referidas contribuições do período de setembro de 1999 até março de 2002, pois neste período estávamos sobre o amparo do Mandado de Segurança de n° 1999.38.00.033199-1. Em 26/03/2002 foi publicado o acórdão onde a Egrégia 4ª turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, deu provimento ao Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, para declarar a Constitucionalidade da Lei 9.718-98. Como a segurança havia sido parcialmente concedida em 1ª instância nos encontrávamos no direito de realizar o recolhimento da Cofins e do Pis só sobre o Faturamento. Uma vez revogada a segurança pelo tribunal em 26/03/2002, tínhamos 30 dias contados da publicação do acórdão para fazer o recolhimento/ compensação. Assim o fizemos em 26/04/2002 conforme demonstrativo e documentos anexo Doc. 01. Segunda Situação: No entendimento dos auditores, embasada na IN n° 307 de 14/03/2003, o Crédito Presumido do IPI, deve ser considerada outras receitas operacionais, portanto compor a Base de Calculo para efeito do Pis e COFINS. Entendemos que o Crédito Presumido é uma Recuperação de Custo e não outras Receitas Operacionais, [..]. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a) Os Recolhimentos/Compensações, não observados pelos auditores, referentes ao PIS e COFINS sobre outras Receitas, em 26/04/2002. b) O conceito de Crédito Presumido do IPI como Receita Operacional. A Segunda Turma da DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 09-21.512, de 12 de novembro de 2008, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000 DECADÊNCIA. Não tendo havido dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para lançamento relativo à COFINS é de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, em razão da publicação da súmula vinculante n° 8 do STF e do disposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/01/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A partir de 1° de fevereiro de 1999, os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, caracterizam-se como receitas operacionais e, não tendo Fl. 434DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.773 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000355/2005-59 sido expressamente contemplado pelas hipóteses de exclusão e isenção, integram a base de cálculo da contribuição. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DECLARADO E O VALOR PAGO. Apurada pelo fisco divergência entre os valores escriturados e declarados/pagos, mantém-se a exigência da diferença, com os acréscimos legais, máxime uma vez que a contribuinte não logrou elidir o feito fiscal. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: i) Os valores de crédito presumido de IPI não constituem receita da pessoa jurídica; (ii) Caso considerados receita, não é receita operacional; (iii) A Recorrente possui decisão judicial que a autoriza a recolher a Contribuição ao PIS e a Cofins tendo por base de cálculo seu faturamento ou receita bruta, entendidos estes tão-somente como o produto da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Termina petição requerendo que a decisão recorrida seja reformada para fins de determinar improcedente o lançamento tributário. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. A lide diz respeito exclusivamente sobre a possibilidade de inclusão dos valores recebidos a título de crédito presumido de IPI na base de cálculo da Cofins apurada no regime da cumulatividade. Segue trecho do recurso voluntário que atesta a afirmação, verbis: A Recorrente foi autuada sob alegação de que teria declarado valores de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS menores que os escriturados. E isto porque teria apurado o montante declarado excluindo-se da base de cálculo do tributo o valor referente ao crédito presumido de IPI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora julgou parcialmente procedente a impugnação para acatar a alegação de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 09/05/2000, e manter a autuação 90 que se referia à exclusão, empreendida pela então impugnante, dos valores referentes ao crédito de IPI da base de cálculo da COFINS. Antes de enfrentar o mérito, cabe registrar que tenho por hábito adotar as decisões da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando a composição titular proferir por unanimidade de votos a decisão. Essa atitude visa dar fim às lides que já possuem decisões pacificadas naquele Colegiado. Na minha visão, proferir uma decisão contrária a da CSRF teria apenas o condão de procrastinar o fim do processo, movimentando a máquina estatal sem nenhuma utilidade. Ressalto, por fim, que essa posição serve para os precedentes persuasivos, pois os vinculantes tem sua utilização obrigatória. Fl. 435DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.773 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000355/2005-59 Regressando a lide, verifico que o Acórdão nº 9303-004.745, decidiu por unanimidade de votos que o crédito presumido do IPI, previsto nas Leis nºs 9.636/96 e 10.276/2001, não faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins apurados no regime da cumulatividade. Reproduzo o voto condutor do acórdão e utilizo suas razões de decidir como se minhas fossem, verbis: No mérito, a discussão restringe-se a se o Crédito Presumido de IPI na exportação, das Leis nos 9.363/96 e 10.276/2001, (i) enquadra-se no conceito de receita e (ii) em caso positivo, se comporia ou não a base de cálculo da Contribuição PIS/Pasep cumulativa. O § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, que promoveu o chamado “alargamento” da base de cálculo PIS/Cofins cumulativas, foi revogado pela Lei nº 11.941/2009 (com vigência a partir de 28/05/2009), mas restou ainda saber quais as receitas que o STF entendeu seriam tributáveis quando declarou a sua inconstitucionalidade, já havendo, após inúmeras discussões ao longo destes anos, um consenso no sentido de que de que seriam as operacionais, “típicas” da atividade da empresa (com as alterações no art. 12 do Decreto-lei nº 1.958/77 promovidas pela Lei nº 12.973/2014, ficou expresso que a receita bruta não é somente o produto da venda de bens e serviços, incluindo outras “receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica”), O Crédito Presumido de IPI foi criado com o objetivo de desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia produtiva distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação. Trata-se de um benefício ou de um incentivo fiscal ?? Uns dizem que são sinônimos, outros que o primeiro é gênero e o segundo espécie. Para mim, existe efetivamente uma sutil diferença: exemplo de benefício seria não cobrar a Cofins de Instituições Beneficentes de Assistência Social, e de incentivo conceder um crédito presumido de ICMS para que uma indústria venha a se instalar em seu Estado ou de IPI para que as montadoras de automóveis invistam mais em tecnologia. Ao meu ver, é uma conjunção de ambos: incrementa a exportação, por tornar as empresas mais competitivas (benefício), e leva a que mais empresas que tem o intuito de exportar aqui invistam (incentivo). De toda forma, o reflexo positivo atinge o País, e isto é que se buscou com a sua introdução, conforme já dito. Digressões à parte, o que importa na análise do que nos foi trazido à apreciação, é que se trata um valor, concedido à empresa por liberalidade do Estado (portanto, não proveniente de aporte de recursos dos proprietários da entidade), que se integra positivamente ao seu patrimônio, provocando um aumento no seu ativo, sem contrapartida no passivo, tendo, assim, o Crédito Presumido de IPI na exportação, natureza de receita. Mas poderia esta receita ser considerada como “da atividade” da empresa, a ponto de se configurar como tributável no regime da cumulatividade ?? Defende a PGFN que seria uma receita “típica das empresas exportadoras”. Não há esta relação. O Crédito Presumido é concedido para qualquer produtor que realize exportações para o exterior de mercadorias nacionais industrializadas com a utilização de insumos que sofreram a incidência de PIS/Cofins ao longo da cadeia produtiva. Algumas, por mais que exportem, nem têm direito ao Crédito Presumido de IPI, como as fabricantes de produtos “NT”, e, por outro lado, pode uma empresa gozar do benefício fazendo apenas exportações eventuais (uma só, em um exemplo extremo, seria bastante), ou seja, não necessariamente deve ser esta a sua atividade ou deve ela Fl. 436DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.773 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13656.000355/2005-59 ser objeto principal da pessoa jurídica, pelo que não vejo que possa integrar a base de cálculo da contribuição cumulativa. Forte nestes argumentos dou provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 437DF CARF MF
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Numero do processo: 35435.004149/2006-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2003
CONTRARRAZÕES INTEMPESTIVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de contrarrazões apresentadas intempestivamente.
LANÇAMENTO. RETENÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍCIO. NATUREZA FORMAL.
Uma vez reconhecida a existência de vício, em razão de questões relacionadas à descrição dos fatos que deram azo à autuação, deve o vício ser caracterizado como de natureza formal.
Numero da decisão: 9202-008.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões apresentadas intempestivamente. LANÇAMENTO. RETENÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍCIO. NATUREZA FORMAL. Uma vez reconhecida a existência de vício, em razão de questões relacionadas à descrição dos fatos que deram azo à autuação, deve o vício ser caracterizado como de natureza formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 43 5. 00 41 49 /2 00 6- 36 Fl. 249DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.403 - CSRF/2ª Turma Processo nº 35435.004149/2006-36 Relatório Trata-se de Auto de Infração (Debcad n° 35.375.513-3) em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias. Em sessão plenária de 26/01/2010 foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2301-01.019 (fls. 189/196), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/06/2002 a 31/07/2003 LANÇAMENTO FISCAL. RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO. NULIDADE. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal;- dispôs em- seu art.- 2° que a Administração- Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação. O relatório fiscal é peça importante e necessária para a validação do lançamento, pois objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. O resultado do julgamento foi registrado nos seguintes termos: ACORDAM os membros da 3º Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vicio material – Vencido(a) o(a) Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que votou pela nulidade do lançamento por vicio formal. O representante da Fazenda Nacional foi cientificado da decisão em 09/06/2011 (fl. 197) e apresentou, no dia 10/06/2011 (fl. 199), o Recurso Especial de fls. 200/211, no intuito de rediscutir a matéria “natureza do vício – vício formal x vício material”. Como paradigma apresentou-se o Acórdãos nº 206-00.589, cuja ementa transcreve-se a seguir: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENC1ÁRIA. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO -LEGAL. VICIO FORMAL INSANÁVEL. Na notificação fiscal de lançamento de débito – NFLD – deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na lavratura da NFLD acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. A inobservância dessas regras é vicio insanável, configurando a sua nulidade. Processo anulado. Fl. 250DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.403 - CSRF/2ª Turma Processo nº 35435.004149/2006-36 Aduz a Fazenda Nacional que os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e art. 37 da Lei nº 8.212/1991 tratam de questões formais, pois determinam como o ato administrativo do lançamento deve exteriorizar-se. Tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório. Assim, à luz da doutrina colacionada, defende a Fazenda Nacional que um lançamento tributário é anulado por vicio formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. Argumenta que o vicio de que o Colegiado a quo entendeu padecer lançamento não pode ser considerado como de natureza material, pois, se assim fosse, estar-se-ia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu – o que seria inadmissível. Aduz que a jurisprudência do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 ou no art. 142 do CTN consideraram que se tratava de nulidade por vicio de forma, sendo correto dizer que referido vício pode ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei n° 9.784/1999. A convalidação, segundo consta da peça recursal, é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, somente determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vicio de incompetência; b) preterição do direito de defesa. Por fim, requer a PGFN que seu recurso seja conhecido e provido para que se reconheça que o vício apontado na decisão recorrida como de natureza formal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, nos termos do despacho nº 2300- 358/2012, datado de 28/05/2012 (fls. 226/227). Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 19/11/2012 (fl. 235), o Sujeito Passivo, em 22/11/2013 (fl. 248) apresentou Contrarrazões ao apelo fazendário, no qual contesta as razões recursais e pugna pela manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho - Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. No que se refere às Contrarrazões do Contribuinte, o art. 69 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da manifestação, estabelecia ser de 15 (quinze) dias o prazo para sua apresentação. Contudo, consoante destacado na parte final do relatório, referidas Contrarrazões somente foram carreadas aos autos mais de 1 (um) ano após a ciência da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, não havendo como conhecê-las. Fl. 251DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.403 - CSRF/2ª Turma Processo nº 35435.004149/2006-36 De outra parte, a decisão recorrida anulou o Auto de Infração por entender que esse padecia de vício material em virtude de motivação deficiente no lançamento. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que o vício apontado na decisão recorrida refere-se à falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e, por essa razão, é de índole meramente formal. Extrai-se do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (fl. 8), que além do presente Auto de Infração, motivado pelo descumprimento de obrigação acessória por ter o Contribuinte deixado de informa fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a ação fiscal resultou ainda em 2 (dois) outros lançamentos de obrigações principais em razão do não recolhimento dos tributos devidos. Esses lançamentos constam da NFLD nº 35.375.510-9 e NFLD nº 35.375.511-7. Os relatórios fiscais das obrigações principais, dos quais o Contribuinte teve conhecimento conjuntamente com a presente autuação por descumprimento de obrigações acessórias, informam que as autuações foram motivados pelo fato de a empresa declara-se como integrante do Simples em relação a período em que sequer havia feito a opção pelo regime de tributação favorecido instituído pela Lei nº 9.317/1996. Aliás, referida informação encontra-se consignada no documento de fl. 39. Em virtude disso, não tendo sido informadas em GFIP os fatos geradores das obrigações principais, o Auto de Infração de obrigações acessórias ora examinado foi motivado nos seguintes termos (vide Relatório Fiscal da Infração de fl. 8): 1. Ao FISCALIZAR A EMPRESA ora autuada, costatou-se que as remunerações pagas aos segurados discriminadas nos Resumos gerais das Folhas de Pagamento de SALÁRIOS DEVIDAMENTE APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE A ESTA FISCALIZAÇÃO QUE INTEGRAM O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO ARTIGO 28 DA LEI 8212 91 NÃO FORAM DECLARADAS FELO CONTRIBUINTE – GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP Além disso, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 10) faz referência expressa aos dispositivos legais e regulamentares que deram azo à autuação, além de demonstrar de forma absolutamente clara a sistemática de cálculo da penalidade. Vejamos: 1. A multa a ser aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição no declarada, conforme previsto no alt. 284, II, do Regulamento da Previd8ncia Social (RPS) , aprovado pelo Dec. 3.048199, e art. 32, IV, da Lei 8.212/91. limitada aos valores constantes da tabela do artigo 32, IV, §4º, da Lei 8.212/91 COMP. Valor Salário Contribuição não Informado em GFIP Valor EVENTOS Discriminado nos Resumos Gerais de Folha de Pagamento de Salários Contribuição não Declarada(23%) Multa Aplicada em função do limite 06/2002 532,00 532,00 122,36 122,36 07/2002 868,00 868,00 199,64 199,64 08/2002 3040,50 3040,50 699,32 699,32 09/2002 3733,15 3733,15 858,63 858,63 10/2002 5027,40 5027,40 1156,30 1156,30 11/2002 6744,30 6744,30 1551.18 1551,18 Fl. 252DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.403 - CSRF/2ª Turma Processo nº 35435.004149/2006-36 12/2002 10425,57 10425,57 2397,88 2397,88 VALOR TOTAL DA MULTA APLICADA 6985,31 Observe que as informações contidas nos autos denotam a inexistência de qualquer tipo de vício relacionado à motivação do lançamento, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa ou ao contraditório. Certamente por essa razão o Contribuinte, seja em sede de impugnação ou de recurso voluntário, não tenha feito questionamento algum a esse respeito. Essas questões foram suscitadas, de ofício, na decisão a quo. Tanto é assim que o argumento de defesa do Sujeito Passivo reporta-se tão-somente a requerimento apresentado junto Receita Federal no qual solicita sua inclusão retroativa no Simples e ao fato de não haver decisão definitiva acerca desse pedido. Em vista das considerações feitas acima, entendo que o crédito tributário foi lavrado em observância ao disposto no art. 142 do CTN e que não restaram infringidos quaisquer dispositivos da Lei nº 9.784/1999, do Decreto nº 70.235/1972 ou da Lei nº 8.212/1991, isto é, o lançamento não padece de vício de qualquer espécie. Entretanto, a lide restringe-se à discussão quanto a natureza do vicio que maculou o lançamento, se formal ou material, não cabendo ao julgador administrativo extrapolar os seus limites. Desse modo, partindo do pressuposto de que o ato do lançamento está contaminado por vício de nulidade, considero ser esse de índole formal. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento; e não conheço das Contrarrazões do Sujeito Passivo. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720058/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 04/08/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 02/12/2011, 01/02/2012, 07/02/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. RICARF art.62
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Data do fato gerador: 04/08/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 02/12/2011, 01/02/2012, 07/02/2012
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
Diante dos fatos apurados, restou comprovado que, na realidade, as importações analisadas se deram na modalidade por encomenda com ocultação dolosa do real interessado, sendo corretamente aplicada a multa por conversão da pena de perdimento prescrita no Decreto-Lei nº 1.455/1976, artigo 23, V e §§ 1º e 3º.
Numero da decisão: 3402-007.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Márcio Robson Costa (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. RICARF art.62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) Data do fato gerador: 04/08/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 02/12/2011, 01/02/2012, 07/02/2012 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Diante dos fatos apurados, restou comprovado que, na realidade, as importações analisadas se deram na modalidade por encomenda com ocultação dolosa do real interessado, sendo corretamente aplicada a multa por conversão da pena de perdimento prescrita no Decreto-Lei nº 1.455/1976, artigo 23, V e §§ 1º e 3º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Márcio Robson Costa (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 58 /2 01 3- 09 Fl. 1234DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de lançamento no valor de R$ 206.645,42 (duzentos e seis mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e quarenta e dois centavos), relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante interposição fraudulenta em operações de comércio exterior. Foi interposta impugnação. Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 1116). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. Ato contínuo, a DRJ-FLORIANÓPOLIS (SC) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 04/08/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 02/12/2011, 01/02/2012, 07/02/2012 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, é considerada dano ao erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Fl. 1235DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Impugnação quanto a acusação de ter praticado as importações por meio de interposição fraudulenta. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. A acusação fiscal se refere à ocorrência de dano ao erário com a aplicação da pena de perdimento de mercadoria que, por ter sido consumida ou não ter sido localizada, foi convertida em multa em valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da identificação de que nas DIs nºs 11/1455714-7, 11/1589409-0, 11/2083350-9, 11/2284218-1, 12/0195918-9 e 12/0234847-7, a empresa XIAOQIN QIU - ME seria a real adquirente dessas importações ocorridas na modalidade por encomenda, ao invés de “por conta e ordem própria, como declarou a empresa OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAME, que figurou na importação como importador ostensivo, nos termos dos inciso V, art.23, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ...................................................................................... § 3º A pena prevista no § 1º converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Em diligência realizada nas empresas envolvidas, a Fiscalização encontrou fortes indícios de que a empresa OKSN BRASIL teria sido utilizada como interposta pessoa para realizar importações de diversos produtos, nas DIs citadas, em descumprimento das exigências da legislação aduaneira. Decorrente dos fatos apurados, a Fiscalização lavrou contra a XIAOQIN QIU o presente auto de infração de multa aduaneira em substituição a pena de perdimento contra o contribuinte e, decorrente dos mesmos fatos, também foi lavrado o auto de infração nº 10074.721681/2012-85 contra a empresa OKSN BRASIL por "cessão de nome a terceiro". Fl. 1236DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Por oportuno, faz-se breve exposição sobre as principais características das modalidades de importação envolvidas e da ocorrência interposição fraudulenta de terceiros para melhor compreensão das matéria em debate. A “importação por conta própria” é a mais tradicional modalidade de importação. Nesse caso, a empresa importadora atua diretamente, sem intermediários (e simultaneamente) como importadora, realiza as tratativas da compra, fecha o câmbio em nome próprio com recursos próprios, paga os tributos e utiliza a mercadoria ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Ou seja, a empresa importadora assume nessa modalidade todos os riscos logísticos da importação. A operação de "importação por conta e ordem de terceiros" é aquela em que uma pessoa jurídica promove (o importador) em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra (adquirente), em razão de contrato previamente firmado para terceirizar as atividades envolvidas na importação. Esta empresa atua como prestadora de serviços, já que a operação é realizada com recursos provenientes da adquirente, que é responsável, inclusive, pelo fechamento do câmbio. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos arts. 86 e 87 da IN SRF nº247/2002 e ADI nº07/2002, os quais apresentam os seguintes procedimentos e requisitos para a sua caracterização: - deve ser firmado contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente,específico para a importação por conta e ordem; - não pode haver aquisição da propriedade das mercadorias pela importadora, o que se caracterizaria pela ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) conste como adquirente no contrato de câmbio; b) conste como adquirente na fatura internacional (invoice); c) emita NF de entrada/saída a título de compra ou venda; ou d) contabilize em estoque a entrada/saída da mercadoria importada como compra ou venda; - os registros contábeis e fiscais da importadora devem evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; - a NF de remessa da importadora deve ser emitida pelo mesmo valor constante da NF de entrada, acrescida dos tributos incidentes na importação; e - deve ser adiantado à importadora todo o numerário necessário para o pagamento dos tributos aduaneiros e das demais despesas. A importação “por encomenda” é aquela em que a empresa importadora adquire mercadorias com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação a fim de revendê-las, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou a operação pactuadas (art.2º, § 1º, I, da IN SRF nº634/06). Cabe ao importador fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir as mercadorias, providenciar a sua nacionalização e revender ao encomendante. Outra característica importante dessa modalidade é que o importador contratado deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação. Por sua vez, o encomendante também deve possuir capacidade econômica para adquirir no mercado interno as mercadorias do importador contratado. Fl. 1237DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Aspecto comum as modalidades de importação é a obrigação do importador informar previamente ao exportador no exterior no sentido de este fazer constar na fatura comercial a indicação do nome do próprio exportador e da empresa que será a real adquirente da mercadoria importada (importação por conta própria ou importação por conta e ordem de terceiros ou importação por encomenda), conforme prevê os incisos I e II do artigo 557 do Decreto nº 6.759/2009. Quando os envolvidos na importação subvertem essa obrigação, fazendo inserir nas declarações importações informações falsas quanto aos reais adquirentes da mercadoria e a consequente burla aos controles aduaneiros, tal conduta faz surgir a figura delituosa de Dano ao Erário, tipificada pelo art.23, V, do Decreto nº1.455/76. Como se sabe, a legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2 o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3 o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. Depreende-se, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: presumida.e comprovada. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decreto-lei nº 1.455/1976, configura-se a interposição fraudulenta e aplica-se o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Fl. 1238DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 A presunção legal em questão se caracteriza como relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada, por sua vez, cabe à Fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplica-se a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decreto-lei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decreto-lei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambas elementares, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do Fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficientes para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. No caso concreto, a Fiscalização apurou que, embora a empresa OKSN BRASIL tivesse sido identificada nas Declarações de Importações como a adquirente na modalidade " por conta própria", na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando o real adquirente, que, no caso, foi a empresa XIAOQIN QIU. Com efeito, o caso ora analisado trata de acusação de interposição fraudulenta provada, uma vez que nas diligências efetuadas pela Fiscalização apuraram-se diversos fatos e provas que levaram a conclusão de que as operações entre a OKSN BRASIL e a XIAOQIN QIU foram simuladas, com o objetivo de burlar os controles aduaneiros. Feitas essas considerações iniciais para melhor compreensão da lide, passa-se a analisar as pretensões da Recorrente em suas argumentações de preliminares e mérito. Preliminares Invalidade de lavratura de AI feito em desacordo com MPF Alega a Recorrente que é imperioso o reconhecimento da nulidade deste lançamento, no qual se operou exigência não prevista no MPF, não estando, por isso, a atuação fiscal legitimada com instrumento hábil para se efetuar a fiscalização. Ressalta, ainda, que a autoridade fiscal teve divesas possibilidades de regulamente formalizar o início do procedimento fiscal, autorizando fiscalização dos tributos de Imposto de Importação, como, por exemplo, apresentando um novo MPF com as retificações necessárias. Fl. 1239DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Não procede a argumentação da Recorrente, pois, conforme consignado no acórdão recorrido, existe nos autos Mandado de Procedimento Fiscal que lastreou a fiscalização, albergando tanto o objeto da fiscalização, como o período a ser fiscalizado: Além disso, como é cediço, o MPF- Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo, que tem como função precípua a transparência na fase investigatória do processo administrativo fiscal e, em assim sendo, eventuais vícios em seu procedimento não maculam o ato administrativo do lançamento tributário, por não se incluir em qualquer hipótese de nulidade prevista no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Rejeita-se, portanto, a preliminar arguida. Da impossibilidade de auto único. Da ofensa às disposições do art.9º, §1º do Decreto nº70.235/72 Neste tópico, argumenta a Recorrente que, de acordo com o Dec. nº70.235/72, há que se argumentar a nulidade dos autos de infração que cobram as multas do valor aduaneiro em razão da conversão das penas de perdimento, pois estes foram lavrados contra a empresa OKSN, não diretamente contra a Recorrente, constando o seu nome como responsáveis solidário. Fl. 1240DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Naqueles casos, há a necessidade de autos de infração distintos para cada contribuinte, conforme artigo 9º, §1º, do dec. nº70.235/72. Com efeito, tais autos devem ser cancelados por falha procedimental, o que por certo vai atingir a presente autuação. A despeito da argumentação da Recorrente, não se observa qualquer erro procedimental realizado pelo Auditor na presente autuação. Conforme já restou consignado, o presente processo trata de lançamento de multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria em substituição a pena de perdimento, aplicada contra a Recorrente (XIAOQIN QIU) por ter se mantido oculta nas operações de importações auditadas da empresa OKSN BRASIL, que atuou nessas operações por interposição fraudulenta. Contra essa última empresa foi lavrado o auto de infração com a multa de “cessão de nome”, como afirmado anteriormente. Portanto, no presente caso, a Recorrente se encontra na posição de sujeito passivo contribuinte e não como responsável solidário, como afirmado. Dessa forma, encontrando-se o lançamento com a correta identificação do sujeito passivo, afasta-se a preliminar arguida. Da impossibilidade de autuação em multa de perdimento e conjuntamente por suposta ocultação do real adquirente em revisão aduaneira Segundo a Recorrente, o atual auto de infração foi lavrado em sede de revisão aduaneira de importações de mercadorias realizadas no período entre 2011 e 2012. Nesse sentido, cumpre esclarecer que a revisão aduaneira tem por finalidade apurar a regularidade no pagamento de tributos e demais gravames, e não aplicar pena de perdimento de mercadoria já desembaraçada e comercializada no país, Tendo em vista o correto recolhimento dos tributos no despacho de importação, não cabe procedimento de revisão aduaneira para imputar pena de perdimento, posteriormente convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. Observa-se que tal temática não foi suscitada em sede de impugnação, não podendo mais ser analisada nesta instância administrativa por não se constituir em matéria de ordem pública, tendo, por isso, ocorrido a preclusão, de acordo com o art.17 do Decreto nº70.235/72. Desse modo, não se conhece desse tema por ocorrência de preclusão. Da inexistência de procedimento precedente para a apuração de dano ao erário e de verificação da hipótese de conversão da pena de perdimento em multa Por fim, em preliminares, afirma a Recorrente que não há como decretar o perdimento de mercadoria já comercializada, pois a conversão do perdimento em multa somente é admitida no caso de mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida, o que não seria o caso ora discutido, pois foi objeto de revenda. Ainda afirma que, no presente caso, a mercadoria foi desembaraçada e comercializada no país, não sendo o caso de mercadoria extraviada ou perdida (“não localizada”), nem mesmo de mercadoria que pereceu, evaporou, desapareceu ou foi roubada (“consumida”), o que impede a aplicação da penalidade, em razão do princípio da estrita legalidade. Da mesma forma que o item anterior, observa-se que tal temática não foi suscitada em sede de impugnação, não podendo mais ser analisada nesta instância administrativa por não se constituir em matérias de ordem pública, tendo, por isso, ocorrido a preclusão, de acordo com o art.17 do Decreto nº70.235/72. Fl. 1241DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Desse modo, não se conhece desse tema por ocorrência de preclusão. Mérito No mérito, a Recorrente sustenta a sua defesa principalmente na alegação de que a Fiscalização se baseou em meras presunções que não provam a infração lançada. A fim de infirmar as tais presunções, afirma que no Conselho de Contribuintes (atual CARF) lançamentos com meros indícios, significando aqueles fracos, inaptos a gerarem presunções dotadas de gravidade, precisão e coerência, não sustentam legitimamente uma autuação fiscal. Segundo argumenta, o dolo e a má fé devem ser provados, não simplesmente presumidos com base em fracos indícios levantados pela Fiscalização, quando a Recorrente apenas cumpriu os ditames do ordenamento jurídico vigente, não tendo nada a ocultar das autoridades competentes, como se comprova pelas informações prestadas, pelos documentos apresentados e, principalmente, pelo histórico de operações dessa empresa. Portanto, incabível a alegação (presunção) de fraude ou simulação nas operações realizadas pela Recorrente, empresa séria e cumpridora de suas obrigações junto à administração. Pois bem, conforme se constata, a interposição aqui discutida é a comprovada, aquela na qual cabe à Fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação, mediante fraude ou simulação. A matéria fática envolvida no caso e o modus operandis das empresas acusadas foram objeto de análise detalhada realizada pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, no acórdão, nº 3401003.312, da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por ocasião do julgamento do Recurso da OKSN BRASIL no processo nº10074.721681/2012-85 de autuação de multa aduaneira por “cessão de nome”, no qual negou-se provimento ao recurso por unanimidade. Abaixo. reproduzo parcialmente trecho do acórdão e adoto as suas razões de decidir no presento voto: O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há pouca discordância fática, no presente processo. Tanto a OKSN quanto a fiscalização são uníssonos em afirmar que a empresa, de capital social da ordem de milhares de reais (R$ 100.000,00), importou mercadorias e movimentou recursos, no período fiscalizado, nos seguintes montantes: Também é incontroversa a afirmação de que a OKSN opera em instalações que não permitem armazenagem de mercadoria, e não tem representantes comerciais nem funcionários (exceto uma secretária), e suas contas de energia elétrica e luz estão em nome da empresa que a representa nos despachos aduaneiros (AAS), que operava antes, no imóvel. Fl. 1242DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 É igualmente incontroverso que as entradas de numerário na conta corrente da empresa, contabilizadas como “Recebimento de Clientes”, ocorrem sem identificação de cliente ou nota fiscal. E, por fim, a OKSN não apresenta controvérsias em relação à planilha confeccionada pela fiscalização que indica quem seriam os clientes que estavam a adquirir as mercadorias que importava, no mesmo dia do desembaraço aduaneiro, ou, no máximo, três dias depois. As divergências surgem na explicação de tal situação, unissonamente reconhecida. A fiscalização afirma (fls. 9602/9603) que: A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, comprovam que as mesmas são pra revenda a encomendante predeterminado. Sob os dois primeiros aspectos, levando-se em conta a gama de produtos importados, bem como a grande quantidade de cada um deles, não seria razoável crer que, após cada desembaraço, a OKSN encontrasse aqui no mercado interno, por mero acaso e coincidência, uma só empresa interessada em exatamente toda a carga desembaraçada. Seria concordar que a fiscalizada fosse capaz de saber perfeitamente em quantidades e sortimento a exata demanda dos seus clientes. Haveríamos de supor, ainda, que o Sr. Lin Haiping, já que não existem vendedores nem outros funcionários na OKSN, após desembaraçar todos os milhares de itens de cada DI, apregoasse, não se sabe por que meios, que intenciona vendê-los no mercado interno. Aí, então, aparece, milagrosamente, como por exemplo na última DI analisada, uma Joana do Florêncio Presentes Ltda., em São Paulo, interessada em adquirir em lotes exatos toda a carga desembaraçada (...) Se a OKSN estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda dos bens, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma algum tempo. Mesmo considerando que em algumas operações a data da nota fiscal de venda não seja exatamente a mesma do desembaraço, o intervalo é de no máximo dois ou três dias, período no qual é igualmente impossível supor que a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos. Enfim, é esse o “modus operandi” da OKSN e exatamente nesses moldes são todas as 341 operações autuadas na presente fiscalização. Isso pode ser visualizado nas planilhas constantes dos documentos 22 a 26, que contêm todas as operações dos anos de 2008 a 2012. Entretanto, frise-se que as planilhas se propõem apenas a fornecer uma melhor visualização. Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontram-se nas fls. 2630 a 9559. A empresa, sem discordar dos fatos, da ausência de representantes comerciais, e dos lapsos de tempo, afirma que não só é possível vender as mercadorias em lotes entre o embarque no exterior (data que deve ser tomada em conta, ao invés do desembaraço) e a revenda, no país, como que é exatamente isso que aconteceu nas 341 DI (fls. 9734/9736), revelando-se inconformada com a não aceitação, pela DRJ e pelo fisco, da rapidez com que as vendas são feitas: Fl. 1243DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Assim, alega a recorrente que seu homem de negócio acertou as demandas de mercado nas 341 importações que efetuou, não sendo nenhuma delas por encomenda, e que vendia lotes fechados após o embarque da mercadoria, no exterior, como faz a própria RFB. Não nos parece, no entanto, que se revista de um mínimo de plausibilidade tal afirmação, diga-se, absolutamente desprovida de qualquer amparo probatório (contatos com compradores, data e horário de realização de "leilões/ofertas" etc.). E, para levar adiante a comparação, à título esclarecedor, a RFB, ao vender seus "lotes" em leilão (pelos quais nada pagou, pois apreendeu as mercadorias a serem leiloadas), publica seu conteúdo com razoável antecedência, os deixa à mostra na repartição, tudo com a mais ampla publicidade (inclusive na internet), e, ainda assim, frequentemente, se vê às voltas com mercadorias que acabam não sendo vendidas, por falta de comprador. Ao se admitir a linha argumentativa da empresa, tais encalhes de mercadoria provavelmente se deveriam à inexistência de homens de negócio na RFB, que, mesmo dispondo de ampla publicidade e sequer desejando lucro, não alcançariam a eficiência da recorrente e de seu único negociador. No caso em análise, o fisco, após verificar o fluxo financeiro da empresa, e mapeá-lo, percebeu aportes diversos não identificados que tornaram claro que a empresa não detinha, por si, recursos para financiar as importações declaradas como próprias. Tratavam-se, assim, de operações de terceiros. Isso resta provado pela simples impossibilidade de a empresa revelar objetivamente a origem e a disponibilidade dos valores empregados na operação (associada à presunção estabelecida no do art. 23, § 2o do Decreto-Lei nº 1.455/1976). Mas a fiscalização seguiu adiante em seus trabalhos, buscando evidenciar de que forma as operações de venda se relacionavam às declarações de importação da OKSN, percebendo, com cruzamento de informações, que a cada importação correspondia uma venda integral a diferentes compradores, conforme planilhas de fls. Fl. 1244DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 2174 a 2629. E colacionou ainda exemplos, retirados das planilhas, às fls. 9600 a 9602. Tomemos um deles (fl. 9600), no qual a OKSN importou (DI no 12/00976993) exatamente 200 pastas de notebook, 5000 minilanternas, e 52.100 fones de ouvido, de 7 modelos diferentes, sendo tais itens integralmente vendidos na data do desembaraço da mercadoria à "CH Comércio de Presentes LTDAEPP", conforme nota fiscal no 794. Ou outro, relacionado á fl. 9601: A conclusão da fiscalização é, a nosso ver, substancialmente coerente: a empresa, ao importar as mercadorias, já tinha em mãos as quantidades certas e os pedidos dos clientes. Poderia a fiscalização ter seguido ainda adiante, com circularização às empresas compradoras, como demanda a recorrente em suas peças de defesa? Claro que sim. Poderia também a fiscalização ter intimado a empresa a apresentar trocas de correspondência que ensejaram os pedidos das empresas adquirentes, nas 341 importações? A resposta é igualmente positiva. Mas, precisava a fiscalização ter seguido um desses caminhos (ou até ambos)? Não, se já estivessem reunidos elementos aptos à formação de convicção do autuante, e à demonstração objetiva da situação ao julgador. E entendemos estar devidamente efetuada tal demonstração, nos autos. Atenta contra a lógica e a razoabilidade (e contra a própria capacidade intelectual deste tribunal administrativo) crer, por exemplo, que a mercadoria importada na DI no 11/0716336-8 (fl. 9602) teria sido adquirida sem qualquer perspectiva de venda: Da mesma forma, atenta contra os mesmos atributos crer que todas as 341 importações tenham sido, cada qual delas, vendidas integralmente mediante nota fiscal a determinada empresa, sempre em, no máximo, três dias do desembaraço aduaneiro, e sem perspectiva de estocagem, e sem equipe de vendas. E quem presta informações que atentam contra a própria lógica ou razoabilidade tem o dever de trazer consistentes argumentos, calcados em documentos, não na simples alegação de "eficiência", ou de visão de "homem de negócios". Nessa seara, até se aceitaria, por irrazoável que fosse, a argumentação da recorrente, se acompanhada de um mínimo de amparo documental. Mas nenhum Fl. 1245DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 esforço faz a recorrente nesse sentido. Da mesma forma, nenhum esforço faz a defesa para contrapor objetivamente a conclusão fiscal, demonstrando, em contraposição ao fluxo financeiro delineado pela fiscalização, exatamente quem efetuou cada depósito em sua conta-corrente, financiando as operações de importação. Com os elementos acostados nos autos, que vinculam objetiva e detalhadamente cada uma das 341 importações efetuadas pela recorrente a notas fiscais de venda integral de múltiplas mercadorias, quase que forma imediata, no mercado interno, aliado à depósitos na conta-corrente indicados como "recebimento de clientes", mas não identificados (tudo isso incontroverso), entendemos reunidas as condições para que se vislumbre nos autos um caso clássico de interposição fraudulenta comprovada, estando a OKSN, em verdade, a acobertar os reais adquirentes das mercadorias importadas. E tal conduta é tipificada no artigo 23, V do Decreto-Lei nº 1.455/1976, em contraposição à interposição fraudulenta presumida (fruto da presunção estabelecida no artigo 23, § 2o do Decreto-Lei nº 1.455/1976, e que seria aplicável ao presente caso se tivesse a fiscalização se contentado com a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência, tendo em vista a não identificação dos depósitos em conta corrente indicados como "recebimento de fornecedores", e parado por aí seus trabalhos). Conforme se percebe, ao contrário do afirmado pela Recorrente em sua defesa, a Fiscalização não se baseou em mera presunção para realizar o lançamento, mas sim em um conjunto abundante de provas e indícios que foram detalhados pelo Auditor Fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, no qual foram demonstrados aspectos relevantes quanto: i) a falta de capacidade operacional e financeira para realizar as operações da OKSN; ii) que os mesmos lotes de mercadorias importadas eram vendidos integralmente em curto espaço de tempo do desembarque, a um único cliente; e iii) as entradas de numerário na conta corrente da empresa, contabilizadas como “Recebimentos de Clientes”, ocorrem sem identificação de cliente ou nota fiscal. Nesse cenário, estando devidamente provado nos autos que as mercadorias importadas por meio das DIs anteriormente listadas tiveram como destinatário predeterminado, a empresa XIAOQIN QIU foi corretamente identificada como a real adquirente das mercadorias. Ademais, quanto a tese da impossibilidade de se aplicar a pena de perdimento convertida em multa em razão da derrogação ocorrida desde a Lei nº11.488/07, não tem razão a Recorrente em sua argumentação, pois ambas as multas coexistem. A aplicação da multa prevista (“cessão de nome”) no referido dispositivo legal trata daquela situação particular de quem atuou como pessoa interposta, cedendo seu nome para um terceiro acobertado nas importações, diferente da multa objeto dos autos que tem aplicação contra o real adquirente das importações. Nesse mesmo sentido, a súmula CARF nº155, a seguir reproduzida: Súmula nº155 A multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não se confunde com a pena de perdimento do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o que afasta a aplicação da retroatividade benigna definida no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Desta feita, a aplicação da penalidade de "cessão de nome" prevista no art. 33 da Lei nº11.488/2007 tem aplicação apenas nos casos de interposição fraudulenta comprovada, isto porque a lei cita em seu texto o "acobertamento de seus reais intervenientes" e é aplicada contra aquele que cedeu o seu nome para viabilizar as importações: Fl. 1246DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (negrito nosso) Resta claro, assim, que o citado dispositivo trata de situação distinta da aqui discutida nos autos, sendo certo, também, que ambos os dispositivos regulamentadores das multas citadas se encontram em plena vigência. A Recorrente afirma, ainda, em sua defesa, que para a caracterização da infração objeto do processo ora analisado, necessário se faz demonstrar a ocorrência de efetivo dano ao erário. Nesse sentido, diz que na autuação não se indicou qual ou quais valores nas importacões já repisadas apresentaram diferença. Assim, não tendo havido comprovação de dano em concreto ao erário, imperioso é o reconhecimento da nulidade do procedimento fiscal. Não cabe razão à Recorrente, uma vez que a verificação da suficiência no recolhimentos dos tributos incidentes sobre a importação não consta no tipo infracional previsto no art. 23, do Decreto Lei nº1.455/1976 como determinante para estabelecer se houve dano ao erário. É posição predominante nas turmas colegiadas do CARF que o dano ao erário decorre da própria lei. Comprovadas as condutas que compõe o tipo, está caracterizada a ocorrência de dano ao erário. Assim, não há necessidade de se discutir a existência ou não de dano ao erário porque a própria lei define que existe dano ao erário se os elementos apurados se enquadram no tipo infracional. Esse entendimento também foi defendido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em voto proferido no acórdão nº3401003.892, in verbis: É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideram-se dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente, pode-se afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do Decreto Lei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967): “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”, como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): 17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais. Fl. 1247DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decreto lei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Assim, ocultar sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação de comércio exterior, mediante fraude ou simulação (como aqui já exposto, sendo irrelevante se a importação foi “por conta própria” ou “por encomenda”, ou, ainda, se houve subtração de tributos) é infração aduaneira (por violar normas de controle aduaneiro, que extrapolam o viés tributário), sendo inclusive objeto de responsabilização de acordo com a legislação aduaneira. Essa matéria também já se encontra sumulada pelo CARF, in verbis: Súmula nº160 A aplicação da multa substitutiva do perdimento a que se refere o § 3º do art. 23 do DL 1.455/1976 independe da comprovação de prejuízo ao recolhimento de tributos ou contribuições. No tocante às questões constitucionais suscitadas pelo contribuinte, a exemplo da desproporcionalidade da multa aplicada, essas matérias estão na competência de julgamento do Poder Judiciário, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º. Nesse sentido, o Regimento Interno do CARF também veda o afastamento de lei com fundamento na inconstitucionalidade nos julgamentos deste Colegiado, exceto nos casos previstos, conforme transcrito a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B ou 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (negrito nosso) Fl. 1248DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-007.091 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11762.720058/2013-09 Por fim, argui da necessidade se dar ciência à Recorrente dos termos defensivos eventualmente apresentados pela empresa OKSN para o exercício de sua plena defesa, sob pena de nulidade do cerceamento de defesa. Essa solicitação da recorrente não encontra abrigo nas normas que disciplinam o processo administrativo fiscal. Além disso, sequer a empresa OKSN é parte no presente processo, o que impede qualquer manifestação legítima nesses autos. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 1249DF CARF MF
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Numero do processo: 13889.000254/2003-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. COMPENSAÇÃO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. CTN, ART. 146.
Não se vislumbra mudança no critério jurídico se a unidade de origem, na primeira decisão proferida nos autos, identifica situação apontada pela decisão recorrida. Embora não conste expressamente o artigo do Código Civil que trata de simulação, resta clara a dúvida levantada nesta primeira decisão quanto à legitimidade da cisão, seguida de incorporação, ocorrida no mesmo ano em que a Instrução Normativa foi editada, referindo-se à restrição expressa à compensação de crédito de terceiro.
Assim, não há relevante alteração no critério jurídico, da forma que seria vedada pelo artigo 146, do CTN.
Numero da decisão: 9101-004.609
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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COMPENSAÇÃO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. CTN, ART. 146. Não se vislumbra mudança no critério jurídico se a unidade de origem, na primeira decisão proferida nos autos, identifica situação apontada pela decisão recorrida. Embora não conste expressamente o artigo do Código Civil que trata de simulação, resta clara a dúvida levantada nesta primeira decisão quanto à legitimidade da cisão, seguida de incorporação, ocorrida “no mesmo ano em que a Instrução Normativa foi editada”, referindo-se à restrição expressa à compensação de crédito de terceiro. Assim, não há relevante alteração no critério jurídico, da forma que seria vedada pelo artigo 146, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa- Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 00 02 54 /2 00 3- 82 Fl. 329DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de processo originado por pedido de restituição, seguido de PERDCOMPs, apresentados pela Companhia Muller de Bebidas identificando como crédito o saldo negativo de IRPJ do ano de 1999 decorrente da cisão parcial da Vale do Xingu S/A Pecuária Agricultura e Comércio, seguida da incorporação da parcela cindida pela requerente. A Delegacia da Receita Federal de Limeira decidiu por indeferir o crédito pelas razões seguintes (fls. 136): De acordo com o art. 219, inciso II da Lei n.° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a incorporação, fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades é causa de extinção da pessoa jurídica. No caso em tela houve uma cisão, assim entendida a operação pela qual a sociedade transfere todo ou somente uma parcela do seu patrimônio para uma ou mais sociedades constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a sociedade cindida, se houver a versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se a versão for parcial (art. 229, da Lei n.° 6.404/76 com as alterações da Lei n.° 9.457/97). Estando extinta a pessoa jurídica por incorporação ou cisão total, os bens e direitos transferidos para a sociedade que recepcionou o patrimônio transferido passam a compor o patrimônio de outra empresa. Neste caso, o direito à compensação é transferido para a sucessora. Porém, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 2000. a cisão do patrimônio líquido da empresa Vale do Xingu S/A Pecuária, Agricultura e Comércio - CNP.I 03.474.335/0001-30 foi apenas parcial (11.21). Dessa forma, subsistiu a pessoa jurídica cindida - Vale do Xingu S/A Pecuária, Agricultura e Comércio Ltda e o contribuinte acima identificado, como terceiro, não poderia utilizar esse crédito para compensar seus débitos em vista do que dispõe a Instrução Normativa SRF n.° 41. de 07 de abril de 2000: Art. 1º. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal com créditos de terceiros. (...) Coincidentemente, o evento de cisão seguida de incorporação ocorreu no mesmo ano em que essa Instrução Normativa foi editada, porém foi posterior a sua edição, mas salta aos olhos o fato de que o patrimônio vertido referiu-se apenas a créditos existentes perante a Receita Federal do Brasil. Ressalte-se que essa vedação continua em vigor até hoje por força do art. 40 da Instrução Normativa SRF n.° 460, de 18 de outubro de 2004. Além disso, de acordo com o art. 123 do Código Tributário Nacional, o fato do eventual crédito contra a Receita Federal do Brasil ter sido transferido por meio de cisão parcial não legitima o contribuinte acima identificado a requerer a restituição/compensação, pois as convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito Fl. 330DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 passivo das obrigações tributárias correspondentes. Se não valem para o pagamento do tributo também não servem para sua restituição/compensação. Assim, a compensação pretendida pelo contribuinte não pode ser validada por infringir o disposto na Instrução Normativa n.° 41/2000, vigente à época dos fatos, aceitando-se, no entanto, o cancelamento da declaração de compensação 09426.77108.090104.1.3.02- 4046 por inexistência de crédito em favor do contribuinte. CONCLUSÃO Havendo vedação para a utilização de eventual crédito de terceiro, submeto ao Sr. Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária a proposta de indeferimento do pedido dc restituição dc II. 1. a NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada neste processo e o deferimento do pedido de cancelamento da declaração de compensação 09426.77108.090104.1.3.02-4046. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 144), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto por manter a decisão da DRF (fls. 182): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA-IRPJ Ano-calendário: 1999 CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1999 ILEGALIDADE DAS LEIS E DOS ATOS NORMATIVOS TRIBUTÁRIOS. A discussão sobre legalidade das leis e dos atos normativos tributários é matéria reservada ao Poder Judiciário. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos tributários. Extrai-se do inteiro teor da decisão da DRJ: Como se pode notar, quem tem direito à restituição de pagamento indevido ou maior que o devido é o sujeito passivo. E o sujeito passivo é quem realizou o pagamento, consoante definição do caput do artigo 121 do mesmo CTN. No caso presente, quem realizou os pagamentos a título de imposto de renda e sofreu a retenção foi a empresa Vale do Xingu Pecuária, Agricultura e Comércio Ltda, CNPJ: 03.474.335/0001-30, fl. 04, que após cisão parcial foi absorvida em parte pela Companhia Muller de Bebidas. Desta forma, a empresa Companhia Muller de Bebidas não tem direito à restituição dos pagamentos e retenções pleiteados neste processo administrativo. Cabe esclarecer que o fato de o crédito tributário solicitado ter sido transferido por meio de cisão parcial da empresa que pagou e sofreu as retenções para o requerente não legitima este último a requerer a restituição, pois as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, conforme determina o artigo 123 do CTN. Se as convenções particulares não valem para o pagamento do tributo, também não podem valer para a sua restituição e compensação. Neste sentido, assim estabelecia o artigo 1º da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 41, de 07 de abril de 2000: (...) Portanto, confirmam-se os termos do Despacho Decisório de fls. 123/126 em relação à impossibilidade da compensação pleiteada, relativamente ao saldo negativo de IRPJ, Fl. 331DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 ano-calendário de 1999, da empresa Vale do Xingu Pecuária, Agricultura e Comércio Ltda, CNPJ: 03.474.335/0001-30, no valor de R$ 4.821,53. (...) O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 193), decidido a 1ª Turma Especial do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes por negar-lhe provimento (acórdão 191- 00.090), destacando-se ementa do acórdão: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE TERCEIROS. VEDAÇÃO. ATO SIMULADO. Não gera efeitos, no campo tributário, ata de cisão e incorporação cujo objeto precípuo é a transferência de créditos entre empresas coligadas por flagrante violação à legislação tributária que veda essa operação tributária. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 234), que foram rejeitados (fls. 255). Sendo intimado em 09/06/2011 (fls. 260), o contribuinte interpôs recurso especial em 22/06/211 (fls. 261, volume 2, pdf 48). No recurso qual alega divergência na interpretação a respeito (i) da modificação de critério jurídico de lançamento, identificando o acórdão paradigma nº 107-06.982 e 3803-00.317 e (ii) sobre a inexistência de simulação, com paradigma nº 3803-00.317. O recurso especial foi admitido quanto à primeira matéria (fls. 320): Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor, verifica-se que seu entendimento é expresso no sentido de que é vedado à Autoridade Julgadora adotar fundamento para sua decisão diverso daquele invocado pelo Julgador a quo ou, ainda, pela Autoridade Administrativa. De outra parte, o acórdão recorrido não adotou essa linha. De seu exame, fica evidenciado que a primeira instância indeferiu a solicitação do contribuinte baseada na impossibilidade de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, mesmo diante da cisão parcial e incorporação havidas. A existência de simulação não foi ventilada. Já o acórdão recorrido reconheceu, em tese, a possibilidade de uso para compensação dos créditos recebidos por incorporação, mas indeferiu o pedido por afirmar, no caso concreto, a presença de simulação nos atos societários apresentados. O fundamento para o indeferimento foi, portanto, diverso daquele que embasou a decisão de primeira instância. Em reexame, foi mantida a negativa parcial de seguimento ao recurso pelo então Presidente da CSRF (fls. 320). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 323), no mérito, pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. Em sustentação oral, a procuradora do contribuinte suscita que não havia previsão regimental para apresentação de agravo, embora tenha indicado paradigma idêntico ao caso dos autos a respeito da simulação. Assim, não teve oportunidade para se manifestar a respeito da negativa de seguimento quanto à segunda matéria. É o Relatório. Fl. 332DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte quanto à primeira matéria. Passo à análise do mérito. Consigno que o contribuinte não foi intimado para agravo pois, à ocasião do despacho que não admitiu a segunda matéria do seu recurso, vigia RICARF sem previsão de agravo. Assim, não vislumbro qualquer irregularidade no procedimento. Mérito O acórdão recorrido julgou o tema da forma seguinte, conforme voto da Redatora (Conselheira Ana de Barros Fernandes), que prevaleceu pelas conclusões: Entendo que o incorporador subroga todos os direitos e deveres que lhe foram transferidos no ato da incorporação, tratando-se de cisão parcial ou total. Passa, consoante dispõe o artigo 132 do Código Tributário Nacional - CTN, anteriormente reproduzido, a ser o sujeito passivo das obrigações tributárias contraídas pela incorporada, bem como titular dos direitos em seu lugar. Vale ressaltar que quando a incorporação se opera de forma total a pessoa jurídica incorporada é extinta. Quando se opera de forma parcial, por cisão da incorporada, a parte cindida é incorporada e sofre os efeitos ex tunc, ou seja, se operam desde então, como se aquele patrimônio - dívidas e direitos — já fossem da incorporadora. Por essa razão, não posso comungar com o raciocínio esposado pelo n. colega julgador. No entanto, ao analisar o Pedido de Restituição juntado às fls. 01 do presente, as Declarações de Compensação juntadas às fls. 91 a 96, 110 a 112, e os documentos que constam dos autos, fica evidenciado, de forma inequívoca que a incorporação realizada teve como objetivo precípuo, senão único, o de transferir créditos tributários à pretensa incorporadora, pela incorporada, empresas coligadas. Ocorre que já se encontrava em vigor a vedação normativa de cessão de créditos para terceiros, o que faz o nexo causal entre o ato de incorporação e a transferência dos créditos, ouso dizer, de forma totalmente simulada, juridicamente tratando. A cisão da empresa "Vale do Xingu S/A Pecuária, Agricultura e Comércio", datada de 31/12/2000, se efetivou em 14/02/2001, conforme comprova o registro da Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (fls. 26). Em abril de 2000, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 41, vedando a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, transcreva-se: (...) A Ata da Assembléia Geral Extraordinária - AGE juntada às fls. 11 a 19 nos noticia que a cisão foi imediatamente seguida pela incorporação da parcela cindida em favor da recorrente, "Cia Müller de Bebidas", e que a parcela patrimonial vertida é composta dos seguintes direitos: IRRF a compensar, IRPJ a compensar, CSLL a compensar, Pis a compensar, Cofins a compensar e o crédito proveniente de mútuo entre ambas empresas (fls. 16). Ora, o ato de incorporação e protocolo e justificação de cisão parcial são cristalinos no que respeita à verdadeira intenção das empresas, a-despeito do alegado em defesa: que a cisão da empresa parcialmente incorporada teve um propósito negocial, além do aspecto fiscal. Não é esse o fato comprovado nos autos. Fl. 333DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 Entendo que houve uma manobra por parte das empresas para burlar a vedação da transferência de créditos entre terceiros. Todavia, a simulação jurídica embora revestida de todas as formalidades extrínsecas do ato não pode surtir efeitos contra a legislação tributária, que se vincula aos fatos em si praticados, privilegiando a verdade material dos fatos. (...) Em assim sendo, no campo tributário, não se admitem os efeitos produzidos pela cisão com relação à transferências dos créditos acima discriminados, entre as empresas "Vale do Xingu" e "Cia Muller", por flagrante violação à legislação tributária vigente à época Por fundamentação diversa do conselheiro relator, voto no sentido de não homologar a compensação pleiteada pela recorrente e indeferir o pedido de restituição de fl. 01, acompanhando integralmente o acórdão n° 14-15.444 da Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP. (grifo original) Lembro que já constava da decisão da Delegacia da Receita Federal de Limeira o quanto segue: Estando extinta a pessoa jurídica por incorporação ou cisão total, os bens e direitos transferidos para a sociedade que recepcionou o patrimônio transferido passam a compor o patrimônio de outra empresa. Neste caso, o direito à compensação é transferido para a sucessora. Porém, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 2000. a cisão do patrimônio líquido da empresa Vale do Xingu S/A Pecuária, Agricultura e Comércio - CNP.I 03.474.335/0001-30 foi apenas parcial (11.21). Dessa forma, subsistiu a pessoa jurídica cindida - Vale do Xingu S/A Pecuária, Agricultura e Comércio Ltda e o contribuinte acima identificado, como terceiro, não poderia utilizar esse crédito para compensar seus débitos em vista do que dispõe a Instrução Normativa SRF n.° 41. de 07 de abril de 2000: Art. 1º. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal com créditos de terceiros. (...) Coincidentemente, o evento de cisão seguida de incorporação ocorreu no mesmo ano em que essa Instrução Normativa foi editada, porém foi posterior a sua edição, mas salta aos olhos o fato de que o patrimônio vertido referiu-se apenas a créditos existentes perante a Receita Federal do Brasil. Ressalte-se que essa vedação continua em vigor até hoje por força do art. 40 da Instrução Normativa SRF n.° 460, de 18 de outubro de 2004. Além disso, de acordo com o art. 123 do Código Tributário Nacional, o fato do eventual crédito contra a Receita Federal do Brasil ter sido transferido por meio de cisão parcial não legitima o contribuinte acima identificado a requerer a restituição/compensação, pois as convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Se não valem para o pagamento do tributo também não servem para sua restituição/compensação. Assim, a compensação pretendida pelo contribuinte não pode ser validada por infringir o disposto na Instrução Normativa n.° 41/2000, vigente à época dos fatos, aceitando-se, no entanto, o cancelamento da declaração de compensação 09426.77108.090104.1.3.02- 4046 por inexistência de crédito em favor do contribuinte. (grifamos) A despeito de não constar expressamente o artigo do Código Civil que trata de simulação, resta clara a dúvida levantada – nesta primeira decisão - quanto à legitimidade da cisão, seguida de incorporação, ocorrida “no mesmo ano em que a Instrução Normativa foi editada”, referindo-se à restrição expressa à compensação de crédito de terceiro. Fl. 334DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.609 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13889.000254/2003-82 Assim, não vislumbro relevante alteração no critério jurídico – da forma que seria vedada pelo artigo 146, do CTN - , razão pela qual nego provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido. Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909150/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 26/04/2004
RESTITUIÇÃO. IRRF. ROYALTIES. PDTI.
Demonstrado nos autos pela recorrente que teria o direito - no caso, faltava a Portaria MCT com vigência no período em questão - cabe o seu direito pleiteado.
Numero da decisão: 1402-004.162
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.909138/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IRRF. ROYALTIES. PDTI. Demonstrado nos autos pela recorrente que teria o direito - no caso, faltava a Portaria MCT com vigência no período em questão - cabe o seu direito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.909138/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 91 50 /2 01 2- 11 Fl. 151DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 1402-004151, de 17 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto - SP, que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Do Pleito de Restituição: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra indeferimento do pedido eletrônico de restituição (PER), transmitido em 2008, que pleiteou restituição de IRRF sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia. A Delegacia da Receita Federal, por meio de despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do pagamento indicado ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação. Da Manifestação de Inconformidade: A agora recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. Em função de contratos firmados com empresa estrangeira, remete ao exterior determinados valores a título de royalties e outras licenças. Em função dessa remessa ao exterior, ao longo do tempo a recorrente efetuava a retenção e recolhimento de IRRF nos termos da legislação de regência; 2. No período em discussão nestes autos a recorrente usufruía dos benefícios fiscais previstos na Lei 8.661, de 1993, regulamentado pelo Decreto 949 de 1993, art. 13, inciso V, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI), cumprindo as obrigações pertinentes a este. Dessa forma a recorrente obteve por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia a aprovação das Portarias nº 200 , de 18/06/1997 e a de nº 803, de 20/09/2000; 3. A Lei 9.532, de 1997, art. 2º, alterou apenas os percentuais do benefício fiscal, originalmente de 50%, para 30% entre 1998 e 2003, 20% entre 2004 e 2008 e 10% entre 2009 e 2013. 4. No regular desenvolvimento de suas atividades a recorrente celebrou três contratos de licenciamento de uso de marcas visando a exploração destas na produção e comercialização de seus produtos no país: 4.1. Licença para uso da marca “Logotipo 3M”; 4.2. Licença para marca “The Power Brand Trademarks”; 4.3. Licença para “Outras Marcas”. Fl. 152DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 5. Salienta que foi por meio da Portaria nº 803, de 20/09/2000, que foi concedido o benefício fiscal previsto no Decreto 949/1993, art. 13, V, referente a crédito de 50% do IR retido na fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; 6. Tais contratos foram devidamente averbados junto ao INPI e são completamente independentes entre si, pois tem como objeto o licenciamento de marcas distintas; 7. Ao longo dos anos a recorrente sempre possuiu direito a crédito de IRRF sobre as remessas ao exterior a título de royalties, na forma da legislação vigente. Observa que os critérios e condições para o contribuinte usufruir o crédito de IRRF permaneceram inalterados. 8. Á época, a única forma possível de aproveitamento do crédito de IRRF encontrava-se prevista no art. 41, § 2º, da IN/SRF nº 267, de 2002, que deixava expresso que os créditos de IRRF seriam objeto de pedido de restituição. Foi neste contexto que a requerente apresentou o referido PER/DCOMP; 9. Analisou a Portaria MF n.º 426/2011, ressaltando que embora não seja aplicável ao pedido, uma vez que o processo trata de créditos de período anterior à sua edição, todas as condições estabelecidas na portaria estão atendidas no caso concreto e que este fato evidencia o direito aos créditos pleiteados; 10. Além de não avaliar o contexto fático e jurídico do caso, o Despacho Decisório fez uma interpretação restritiva do art. 165 do CTN; 11. Outra questão relevante é que o Ato Normativo do INPI nº 135, de 15/04/1997, estabelece que o INPI averbará ou registrará conforme o caso os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas...). Por conseguinte, a legislação vigente determina que os contratos de licença de marca são contratos de transferência de tecnologia; 12. A requerente juntou aos autos os contratos devidamente averbados junto ao INPI que ensejaram o recolhimento de IRRF e diante da documentação acostada, afirmou ser incontestável seu direito aos créditos pleiteados, protestando pela realização de diligências para produção de provas caso os julgadores entendam que os documentos acostados aos autos não sejam suficientes. 13. Concluindo, a requerente argumenta que: 13.1. Tem direito ao benefício de crédito de IRRF previsto no PDTI, concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia por meio das Portarias nº 200/1997 e 803/2000. 13.2. Efetuou regularmente o recolhimento de IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior; 13.3. Os contratos que ensejaram o aproveitamento de créditos de IRRF foram devidamente averbados no INPI e importam transferência de tecnologia; 13.4. A recorrente realizou dispêndios em projetos de pesquisa no Brasil em montante correspondente ao dobro do benefício auferido; Fl. 153DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 13.5. A recorrente prestou as informações relativas ao seu projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; 13.6. A recorrente possui direito ao crédito de IRRF previsto no art. 4º, inciso V da Lei n.º 8.661/1993; 13.7. O art. 4º da Lei nº 8.661/1993 só veio a ser revogado com a edição da Lei n.º 11.196/2005, posterior ao período de discussão nestes autos; 13.8. A IN/SRF n.º 267/2002 expressamente previu que os contribuintes deveriam pleitear seus créditos de acordo com as normas aplicáveis à restituição de tributos; 13.9. Os créditos de IRRF tem previsão legal para serem restituídos em moeda corrente; 13.10. O único procedimento aplicável a fim de evitar a prescrição do direito aos créditos é a utilização do pedido de restituição via programa PER/DCOMP (IN n.º 600/2005 e 900/2008), como de fato fez a recorrente. 14. Posto isso a recorrente requer seja conhecida e provida a presente manifestação, ainda que seja necessária a baixa do processo em diligência para produção de perícia. 15. Para fins de perícia, a recorrente indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. 16. Consignou também na manifestação de inconformidade os dados bancários da empresa recorrente para fins de restituição. Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ, após analisar a legislação alegada pela recorrente, entendeu que haveria objeção do pedido, por conta da Portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 200, de 18 de junho de 1997, que aprova o PDTI de titularidade da empresa 3M do Brasil Ltda e concede a dedução até o limite de oito por cento do IR devido, previsto no inciso I do art. 13 do Decreto n o 949, de 1993, supra citado. Este benefício fiscal é diferente daquele previsto no inciso V que é o verdadeiro fundamento do pedido de restituição. Há que se observar ainda que a referida portaria estabelece em seu art. 2º um prazo de fruição de 60 meses, ou seja, cinco anos contados de 18 de junho de 1997: “Art. 2º O prazo para a fruição o incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se por sessenta meses.” Por conseguinte, o prazo para a fruição do incentivo já estava expirado desde 18 de junho de 2002 e não poderia ser aplicado a fato gerador posterior. Na sequência, a Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000, estendeu à empresa 3M do Brasil Ltda. o incentivo fiscal previsto no inciso V do art. 13 do Decreto n.º 949/1993. Esta portaria é a que de fato atestaria que a empresa está habilitada ao benefício de que trata o pedido de restituição em análise, não fosse novamente pelo detalhe do prazo de fruição estabelecido no art. 2º desta mesma portaria: Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000 Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se até 18 de junho de 2002. Fl. 154DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 Ou seja, o benefício foi encerrado em 18 de junho de 2002. Não foram anexados aos autos outro ato autorizativo do Ministério da Ciência e Tecnologia prorrogando o prazo de fruição deste benefício. Diante disso, a decisão recorrida entendeu, unicamente, que tal questão do ato autorizativo não compreender o período do IRRF pleiteado, para denegar o pedido da agora recorrente. Do Recurso Voluntário: Apresentando a sua peça recursal, a recorrente apresenta em anexo cópia da Portaria MCT nº 203, de 30/04/2003, que aprovou novo PDTI da ora recorrente e concedeu o benefício de crédito de parte do IRRF incidente na remessa de royalties ao exterior. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1402-004151, de 17 de outubro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo, e atende os demais requisitos regimentais para sua admissibilidade, pelo o que o conheço. Como já relatado, o presente processo de manifestação de inconformidade contra indeferimento do pedido eletrônico de restituição (PER), transmitido em 2008, que pleiteou restituição de IRRF sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia. Após a manifestação de inconformidade, a decisão da DRJ exclusivamente que a então apresentada Portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 200, de 18 de junho de 1997, que aprova o PDTI de titularidade da recorrente e concede a dedução até o limite de oito por cento do IR devido, previsto no inciso I do art. 13 do Decreto n o 949, de 1993, estaria já com seu prazo de 60 meses da emissão expirado, não tendo mais efeitos para obter o benefício e restituição pretendida do valor de IRRF em questão nos autos. Contudo, foi apresentada na sua peça recursal menção e anexo cópia da Portaria MCT nº 203, de 30/04/2003, que aprovou novo PDTI da ora recorrente e concedeu o benefício de crédito de parte do IRRF incidente na remessa de royalties ao exterior, vigente até o dia 30/04/2008. Assim, tal Portaria abrangeria o período do pagamento de royalties em questão nos autos, acarretando-lhe o benefício pleiteado. Como a decisão da DRJ e a análise da legislação pertinente da matéria exigem, expressamente, a existência de um ato autorizativo vigente no período a que se refere o pedido de restituição em análise, não há mais óbices ao pleito da recorrente. Assim, a recorrente tem o direito à restituição do valor equivalente a 20% do IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior, referente a data do pagamento indicado no pedido de restituição dos autos. Igualmente, como alegado, cabe a aplicação de juros equivalentes à taxa Selic sobre o direito creditório pleiteado. Destarte, pelo todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário da recorrente. Fl. 156DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.162 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.909150/2012-11 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004702/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-16T19:09:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-16T19:09:15Z; Last-Modified: 2019-12-16T19:09:15Z; dcterms:modified: 2019-12-16T19:09:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-16T19:09:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-16T19:09:15Z; meta:save-date: 2019-12-16T19:09:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-16T19:09:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-16T19:09:15Z; created: 2019-12-16T19:09:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-12-16T19:09:15Z; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-16T19:09:15Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 617 1 616 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004702/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.831 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2019 Matéria IRPF Recorrente VIRGINIA MARIA DA COSTA GARCIA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 02 /2 01 0- 71 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 618 2 Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto de decisão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, anocalendário 2005, em face da apuração das seguintes infrações: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; e omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006 Pessoa Física, anocalendário de 2005. O valor original do crédito tributário lançado perfaz R$ 1.208.468,44, assim composto: R$ 536.953,90 de imposto, R$ 268.799,12 de juros de mora (calculados até 30/11/2010) e R$ 402.715,42 de multa proporcional (passível de redução). Relata o auditor no Termo de Constatação Fiscal que a contribuinte deixou de informar como rendimento tributável na sua Declaração de Ajuste Anual Simplificada o resgate de previdência privada ocorrido no mês de março de 2005, no valor de R$ 77.390,16, com retenção de imposto de renda na fonte de R$ 11.608,52, conforme DIRF da fonte pagadora Itaú Vida e Previdência S/A. O auditor expõe que, sendo a contribuinte em epígrafe a titular do plano de previdência privada, é na sua Declaração de Ajuste Anual que o referido valor de resgate deve ser informado e tributado, observandose, naturalmente, a dedução do imposto que já foi retido pela fonte pagadora. No que concerne aos depósitos bancários, a fiscalização indica que a contribuinte manteve, no ano calendário 2005, conta conjunta com o cônjuge Luis Cláudio Garcia de Souza, CPF 316.230.18749, no Banco Itaú S/A, agência 3765, conta corrente n° 002179, sendo que os bens comuns foram informados na declaração do cônjuge em vista das declarações de ajuste anual terem sido entregues em separado. Os créditos na referida conta bancária foram relacionados um a um, tendo sido a contribuinte, bem como o seu cônjuge, em fiscalização apartada, intimada a comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos em conta corrente, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 01 (fls. 46/47). De acordo com o auditor, a interessada apresentou extratos bancários e de aplicações financeiras que esclareceram parte das transferências de recursos que haviam sido relacionadas como créditos em conta corrente a serem justificados. O quadro constante do item 2.16 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 99/100) discrimina os somatórios mensais dos créditos não justificados durante o procedimento fiscal. Notificada do lançamento, a recorrente apresentou impugnação tempestivamente, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/RJ1, em decisão assim ementada: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 619 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Será efetuado o lançamento de ofício quando o contribuinte omitir rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificada dessa decisão aos 21/08/14 (fls. 182), a recorrente apresentou recurso voluntário aos 19/09/14 (fls. 190 ss.), no qual alega, em síntese: sobre o artigo 42 da Lei 9.430/96, fundamentação legal apresentada para o AI, defende que este dispositivo não pode ser entendido como uma inversão pura e simples do ônus da prova de ocorrência do fato gerador do IRPF, o que eximiria a autoridade fiscal de demonstrar objetivamente os indícios de que, de fato, a contribuinte auferiu renda tributável pelo IRPF; afirma que ainda que se considere a presunção relativa constante do artigo 42 da Lei 9.430/96, o lançamento de IRPF fundamentado nessa presunção dependeria de comprovação por parte das autoridades fiscais de que os valores creditados em conta de depósito representaram acréscimo patrimonial para a contribuinte. Diz que no presente caso, o TCF se limitou a reproduzir os lançamentos efetuados na conta bancária e a afirmar serem tais créditos tributáveis. Acrescenta que não há comprovação do efetivo acréscimo patrimonial auferido pela impugnante e, conseqüentemente, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda; que uma parcela significativa do lançamento consiste em devolução de valores entregues em Adiantamento para Futuros Aumentos de Capital – AFAC pelo cônjuge da impugnante à PLC Participações Ltda. anteriormente ao ano calendário 2005, conforme tabela apresentada na defesa (fls. 115/116). Aduz que, de acordo com o Razão Analítico da empresa, a 01/01/2005 havia um saldo de R$ 1.622.370,10 registrado na conta 2.1.1.02.005 – LCGS – AFAC referente aos adiantamentos efetuados pelo cônjuge da impugnante, valor este informado em sua DIRPF do ano calendário 2004. Sustenta, contudo, que durante o ano calendário 2005, uma parcela desse AFAC foi devolvida ao seu cônjuge mediante crédito em sua conta conjunta, como pode ser comprovado pelo Razão Analítico da empresa e pelo extrato da conta corrente mantida pela PLC Participações junto ao Banco Itaú Personnalité; Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 620 4 que os créditos de R$ 442.990,01, aos 11/07/2005, R$ 78.244,22, aos 27/07/2005 e R$ 1.356.298,92, a 01/08/2005, referemse a alienações de quotas de fundos de investimento efetuadas pela impugnante, conforme comprovam as Ordens de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora de Bolsa de Valores emitidas pelo Banco Bradesco, as quais somente foram obtidas após a lavratura do AI. Ressalta que, conforme demonstram as Declarações de Inexistência de Imposto Devido pelo Alienante na Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora de Bolsa de Valores, não houve ganho de capital tributável nessas operações; e que o depósito de R$ 150.000,00 consiste em devolução de valores transferidos pelo cônjuge da impugnante à PLC Participações Ltda em razão de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital – AFAC; No que se refere à omissão de rendimentos decorrentes de resgate de previdência privada, no valor de R$ 77.390,16, reconhece que, de fato, deixou de incluir o referido montante entre seus rendimentos. No entanto, alega que o próprio TCF reconhece que este valor já havia sido tributado na fonte. Por fim, requer seja dado provimento ao recurso para reformar a parte desfavorável da decisão recorrida, com o cancelamento integral do auto de infração. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e preenche os demais requisitos de admissibilidae, pelo que deve ser conhecido. Inicialmente, anotese que a contribuinte Virginia Maria da Costa Garcia de Souza foi notificada do AI lavrado contra ela aos 11/11/11 (fls. 112/113) e apresentou impugnação tempestivamente, aos 13/12/11. No entanto, conforme comprova a certidão de óbito de fls. 230, a sra. Virgína faleceu aos 26/12/12 (antes, portanto, do julgamento de sua impugnação pela DRJ/RJ1, que ocorreu aos 12/08/14 fls. 180 ss.), tendo sido nomeado inventariante de seus bens o sr. Luiz Cláudio Garcia de Souza, seu cônjuge (fls. 223). Assim, nos termos do art. 131, III do CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 621 5 Desse modo, o espólio, em cujo nome foi interposto o presente recurso voluntário, é a parte legítima, nos termos da lei, para sua interposição. Da não ocorrência do fato gerador do IRPF art. 42 da Lei nº 9.430/96 Neste ponto, o recurso voluntário defende, em síntese, os seguintes pontos: que o art. 42 da Lei 9.430/96, fundamentação legal apresentada para o AI, não pode ser entendido como uma inversão pura e simples do ônus da prova de ocorrência do fato gerador do IRPF, o que eximiria a autoridade fiscal de demonstrar objetivamente os indícios de que, de fato, o contribuinte auferiu renda tributável pelo IRPF; que ainda que se considere a presunção relativa constante do mencionado dispositivo legal, o lançamento de IRPF fundamentado nessa presunção dependeria de comprovação por parte das autoridades fiscais de que os valores creditados em conta de depósito representaram acréscimo patrimonial para o contribuinte. A esse respeito, entendemos que não lhe assiste razão, data maxima venia. Com efeito, diferentemente do que alega a recorrente, o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse ônus é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, assim, de uma presunção legal, relativa, que pode ser afastada por prova em contrário cujo ônus compete, no caso, à recorrente. Conforme esclarece a doutrina, "A presunção é uma operação mental por meio da qual o juiz, partindo da convicção a respeito da existência de um determinado fato secundário, infere com razoável probabilidade que o fato primário ocorreu. (...) "As presunções legais, por sua vez, decorrem de lei. É o legislador que, a priori, estabelece a correlação entre os fato, dispondo que, diante da comprovação de determinado fato [no caso, a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea], é razoável supor a ocorrência de outro [a existência de renda não submetida à tributação]". 1 Na lição de ninguém menos do que Pontes de Miranda, "A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a 1 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lucia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. PRIMEIROS COMENTÁRIOS AO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ARTITO POR ARTIGO. São Paulo: RT, 2015, p. 374. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 622 6 indução, que a lei contém, pode ser elidida, in concreto e in hypothesi. Se ao legislador parece que a probabilidade contrária ao que se presume é extremamente pequena, ou que as discussões sobre provas seriam desaconselhadas, concebeas ele como presunções inelidíveis, irrefragáveis: temse por notório o que pode ser falso.2 A disposição contida no art. 42, assim, é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatarem afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita pelo contribuinte de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do dispositivo em questão, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na 2 PONTES de Miranda, F. C. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, t. IV. Rio de Janeiro: Forense, 1974, , p. 235/236. 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 623 7 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Nesse sentido, também é o entendimento deste tribunal administrativo, manifestado no enunciado de nº 26 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante: Enunciado CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Destacamos) A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma de presunção, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. De acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si sós, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Dito de outro modo, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é decorrente de resgate de aplicações financeira, como afirma a recorrente, ou de recebimento de prólabore e lucros etc. No entando, se não o fizer, incidirá o consequente normativo da presunção, com a constituição do crédito tributário dela decorrente. Ressaltese que o Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, conforme se constata do precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 624 8 que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Desse modo, não tem razão a recorrente em sua irresignação. Da comprovação dos valores despositados Com relação aos depósitos questionados, considerando que a respeito deles a recorrente apresenta os mesmos esclarecimentos constantes de sua impugnação, sem acrescentar nenhum elemento novo que seja hábil a justificar a reforma da decisão recorrida, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, como razões de decidir, os seguintes trechos da decisão de primeira instância, para que façam parte integrante deste voto: (...) A contribuinte alega inicialmente que os depósitos indicados em uma tabela de sua impugnação (fls. 115/116) consistem em devolução pra seu cônjuge, Luis Cláudio Garcia de Souza, de Adiantamento para Futuros Aumentos de Capital – AFAC efetuado pelo mesmo anteriormente ao ano calendário 2005 à empresa PLC Participações Ltda, da qual é sócio. Notese que tal argumento já havia sido apresentado durante a ação fiscal, conforme se extrai do item 2.6 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 98), cabendo reproduzir neste voto algumas observações expostas pelo auditor: “2.7 No que se refere à devolução de AFAC, a simples apresentação de escrituração contábil, desacompanhada de documentação probante, não é suficiente para comprovar a origem dos recursos; 2.8 Necessário se faz não somente a comprovação da devolução do AFAC, mas a própria formação do AFAC com demonstração cabal de que os recursos saíram, no momento da constituição do AFAC, da conta corrente do sócio, pessoa física, e se destinaram à conta corrente da empresa, com coincidência de data e valor, e que pela não concretização do pretendido aumento de capital, os recursos retornam para a sua origem, qual seja, a conta corrente do sócio;” Diante da alegação da contribuinte, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n° 02 (fls. 75/76), no qual solicita a comprovação da constituição do AFAC mediante apresentação dos documentos ali discriminados. No entanto, verificase que, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 625 9 apesar das diversas Reintimações realizadas (fls. 85/88), a interessada apresentou apenas parte do que foi solicitado (extrato bancário da PLC Participações Ltda acompanhado de cópia de seu Razão Analítico – fls. 77/84), como consta dos itens 2.11 a 2.13 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 99). Ressaltese que o auditor indica claramente no item 2.12 que a documentação trazida pela interessada não foi suficiente para a finalidade pretendida: “Para ficar evidenciado que a origem é decorrente de devolução de AFAC necessário se faz que se prove a constituição do AFAC, o que não ocorreu em solicitação feita por esta fiscalização;”. Não obstante, a impugnante contesta o lançamento juntando à sua defesa apenas a Declaração de Ajuste Anual exercício 2005 de seu cônjuge (fls. 134/137) e extratos bancários e partes do Razão Analítico da PLC Participações Ltda já apreciados durante a ação fiscal (fls. 139/144), permanecendo pendente a demonstração cabal de que os recursos saíram da conta corrente do sócio no momento da constituição do AFAC e se destinaram à conta corrente da empresa, com coincidência de data e valor, conforme item 2.8 do Termo de Constatação Fiscal acima reproduzido. Também não se pode extrair dos documentos acostados a comprovação de que o crédito de R$ 526.488,90 efetuado em 25/02/2005 (depósito em dinheiro) foi realmente proveniente da PLC Participações Ltda. Equivocase a contribuinte ao entender que o simples fato de os valores recebidos estarem devidamente escriturados na contabilidade da empresa é suficiente para afastar a presunção de omissão de receitas. Ao contrário do que defende, o registro do AFAC no Razão Analítico da PLC Participações Ltda analisado de maneira isolada não comprova a sua constituição e a alegada devolução de parte desse valor para o cônjuge da contribuinte. Para consistirem em provas hábeis, os registros contábeis e as declarações devem estar acompanhados dos documentos que lhes deram lastro. (...) Já o argumento de que o depósito de R$ 38.597,58 efetuado em 29/09/2006 referese à venda pela impugnante de debêntures da Goldfarb Realty S.A. não pode ser comprovado apenas com a cópia do Livro de Registro de Debêntures Nominativas da empresa anexado à defesa (fls. 172/174), tendo em vista que esse documento não possui sequer a indicação do suposto valor pago à contribuinte a esse título. A autuada alega ainda que o depósito de R$ 150.000,00 em 03/04/2007 consiste em devolução de valores transferidos por seu cônjuge à PLC Participações Ltda em razão de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital – AFAC. Vale mencionar que durante a ação fiscal o auditor já havia solicitado, através do Termo de Intimação Fiscal n° 02 (fls. 63/64) e das diversas reintimações ao disposto nesse Termo (fls. 66/69), a comprovação da constituição do AFAC mediante apresentação dos documentos ali discriminados. Para esse fim, Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 626 10 caberia à interessada demonstrar através de extratos bancários com coincidência de data e valor a saída dos recursos da pessoa física no momento da constituição do AFAC e a entrada dos mesmos na pessoa jurídica, conforme exposto no Termo de Intimação Fiscal n° 02 e posteriores reintimações. Devese esclarecer que são improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pela impugnante, uma vez que essas decisões, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, somente se aplicam sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Também não pode ser acatada por esta julgadora a alegação de que os créditos de R$ 442.990,01 em 11/07/2005, R$ 78.244,22 em 27/07/2005 e R$ 1.356.298,92 em 01/08/2005 referemse a alienações de quotas de fundos de investimento efetuadas pela impugnante sem a ocorrência de ganho de capital tributável. Notese que as Ordens de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora de Bolsa de Valores juntadas à defesa (fls. 146, 148 e 150) coincidem em datas e valores com os depósitos em comento, mas não possuem qualquer assinatura ou carimbo do Banco Bradesco indicando que a liquidação financeira dessas operações, ou seja, a transferência dos valores de alienação indicados nos documentos, foi devidamente efetuada entre as partes. Observe se, ainda, que para a realização dessas operações é obrigatória a apresentação do comprovante de recolhimento do imposto de renda ou declaração de inexistência do mesmo, conforme disposto no rodapé das Ordens de Transferência. No entanto, as Declaração de Inexistência de Imposto Devido pelo Alienante na Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora de Bolsa de Valores assinadas pelo sujeito passivo (fls. 147, 149 e 151) desacompanhadas de outros elementos de prova não são suficientes para demonstrar que, de fato, não houve ganho de capital nas supostas alienações. Tais declarações são de inteira responsabilidade da alienante e servem apenas para que as Ordens de Transferência sejam executadas pela instituição financeira, cabendo o recolhimento do imposto aplicável caso não seja comprovada a inexistência de ganho de capital tributável conforme afirmado. (...) Da Omissão de Rendimentos No que concerne ao resgate de previdência privada de R$ 77.390,16 com retenção de imposto de renda de R$ 11.608,52, a contribuinte reconhece que, por lapso, deixou de incluilo entre os seus rendimentos. No entanto, alega que o montante já havia sido tributado na fonte, conforme exposto no próprio Termo de Constatação Fiscal. Inicialmente, devese esclarecer que todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19515.004702/201071 Acórdão n.º 2402007.831 S2C4T2 Fl. 627 11 tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, devem integrar a base de cálculo do ajuste anual independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual, nos termos do art. 83, I, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. A retenção de imposto de renda efetuada pela fonte pagadora não exime o contribuinte da responsabilidade de oferecer à tributação os rendimentos dela recebidos. Apenas com a Declaração de Ajuste Anual o imposto se torna definitivo, podendo a autoridade administrativa aceitar os dados fornecidos pelo declarante ou, com base neles, exigir eventual diferença de tributo. Cumpre salientar que a Lei nº 8.134/90, ao atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda à medida que os rendimentos são percebidos, determinou que a apuração definitiva do tributo fosse efetuada na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Tratase de fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos e com responsabilidades bem definidas. Em um primeiro momento ocorre a retenção e o recolhimento do imposto de renda, que é de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora. O tributo é calculado mensalmente à medida que os rendimentos são percebidos e consiste em mera antecipação do imposto efetivamente devido pelo contribuinte. Em um segundo momento procedese ao acerto definitivo do imposto, apurado anualmente na declaração de ajuste sob inteira responsabilidade do beneficiário dos rendimentos. Dessa forma, o valor recebido pela autuada a título de resgate de previdência privada deveria ter sido informado em sua Declaração de Ajuste Anual cumulativamente com os outros rendimentos tributáveis, cabendo a compensação do imposto devido apurado com o imposto de renda retido pela fonte pagadora. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720275/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2014
BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A inconstitucionalidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE n° 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res n°s 357.950-9/RS, 390.840-5/MG, 358.273-9/RS e 346.084-6/PR.
Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica.
BONIFICAÇÕES. PAGAS PELOS FORNCEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa.
DESCONTOS COMERCIAIS PRE-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO.
Repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018. Aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, trata-se de insumo.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Além disso, deve ser considerado tratar-se de frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei n.° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-007.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter às glosas referentes aos fretes na transferência de produtos acabados. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que excluíam da base de cálculo das exações os valores referentes às bonificações/descontos.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2014 BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. CONCEITO DE FATURAMENTO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A inconstitucionalidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE n° 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res n°s 357.950-9/RS, 390.840-5/MG, 358.273-9/RS e 346.084-6/PR. Portanto, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica. BONIFICAÇÕES. PAGAS PELOS FORNCEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. DESCONTOS COMERCIAIS PRE-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 75 /2 01 5- 50 Fl. 3400DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018. Aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, trata-se de insumo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Além disso, deve ser considerado tratar-se de frete na “operação de venda”, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei n.° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter às glosas referentes aos fretes na transferência de produtos acabados. Vencidos os conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que excluíam da base de cálculo das exações os valores referentes às bonificações/descontos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente’ (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Impugnação. Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins no valor total de RS 164.894.148,35 (fls. 987/998) e PIS/Pasep no valor total de RS 35.609.344,83 (fls. 1.000/1.011), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 951/985; A empresa apresentou impugnação de fls. 29.380/29.427, na qual alega, em síntese, que: DIREITO: a) Descontos e abatimentos obtidos junto a fornecedores: Presunção não comprovada de que decorreram de contraprestação de serviços disponibilizados aos fornecedores; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Desnecessidade de pronunciamento das nulidades apontadas no presente tópico, em caso de decisão favorável no mérito; Fl. 3401DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 MÉRITO: Inexistência de fundamento legal a sustentar o lançamento tributário; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores: Comprovação dos registros contábeis como redutores do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda; Descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores: Natureza jurídica de receitas e de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; - Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D- Fiscalização, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais; Caracterização como etapa da operação de venda e insumo; Da legitimidade dos créditos declarados na Linha 21 "Outros Créditos a Descontar" das Fichas 06A e 16A e do procedimento de apropriação extemporânea; Erro na quantificação do valor exigido: duplicidade de glosa procedida em relação ao período de apuração de dezembro/2012; Da impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício; É o breve relatório. Em 02 de fevereiro de 2017, através do Acórdão de Impugnação n° 09-61.607, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para reduzir as contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela constante do voto do relator e manter os demais valores lançados nos autos de infração. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 10 de junho de 2019, às e-folhas 3.329. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 05 de julho de 2019, e- folhas 3.332, de e-folhas 3.333 à 3.389. Foi alegado: Das Nulidades: 0 Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Mérito: Fl. 3402DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Da improcedência da glosa relativa aos descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Natureza jurídica de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais: Caracterização como etapa da operação de venda do insumo. PEDIDO Ante o exposto, pede e espera a ora Recorrente seja recebido e acolhido in totum o presente Recurso Voluntário, para ser reformado parcialmente o V. Acórdão recorrido, reconhecendo-se a nulidade apontada na parte preliminar dessa peça recursal e, no mérito, a total procedência dos pedidos ora deduzidos. Requer-se, outrossim, a apresentação de suas razões recursais em sustentação oral a ser realizada perante esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 10 de junho de 2019, às e-folhas 3.329. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 05 de julho de 2019, e- folhas 3.332. O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 3403DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Da Controvérsia. Foi alegado o seguinte ponto no Recurso Voluntário: Das Nulidades: Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação; Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior; Mérito: Da improcedência da glosa relativa aos descontos e abatimentos concedidos como bonificações pelos fornecedores; Evidenciação nos registros contábeis como redutor do custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda - Normas contábeis brasileiras; Natureza jurídica de redutores de custos que não tipificam receitas para fins tributários; Definição jurídica de receita para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Redutores de custos que não tipificam receitas para fins de incidência pelas contribuições ao PIS e à COFINS; Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre taxas administrativas de cartões de crédito e débito; Da legitimidade dos créditos apropriados sobre fretes contratados para transferência de mercadorias entre estabelecimentos comerciais: Caracterização como etapa da operação de venda do insumo. Passa-se à análise. Do Recurso de Ofício Do Acórdão de Impugnação: Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir as contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela constante do voto do relator e manter os demais valores lançados nos autos de infração. (...) Submeta-se à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Tópico constante das folhas 12 do Acórdão de Impugnação: Fl. 3404DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 DO ALEGADO ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO VALOR EXIGIDO: DUPLICIDADE DE GLOSA PROCEDIDA EM RELAÇÃO AO PERÍODO DE APURAÇÃO DE DEZEMBRO/2012 (ABRIL/2012) Confrontando os dados dos itens 72/73 - “Saldo de Crédito de Meses Anteriores” e 74/76 - “Outros Créditos a Descontar” do TVF com os que compõem a coluna “Descontos DACON” do item 86 do mesmo TVF, constatamos que os valores de R$ 87.100,13 (PIS/Pasep) e R$ 615.191,35 (Cofins) referentes ao no mês de abril/2012 foram indevidamente excluídos da base de cálculo dos créditos, devendo, portanto, serem nela reincluidos com a conseqüente dedução do valor lançado da contribuição. No tocante à alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Dispositivo do Acórdão de Impugnação: Considerando a dedução do valor lançado das contribuições no mês de abril/2012 apurada neste voto, de R$ 87.100,13 (PIS/Pasep) e R$ 615.191,35 (Cofins), os valores mantidos no referido mês passam a ser os seguintes: Pelo exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, pela redução das contribuições lançadas no mês de abril/2012 aos valores relacionados na tabela acima e pela manutenção dos demais valores lançados nos autos de infração. E-folhas 993: COFINS EXIGIDA R$ 3.285.728,38 E-folhas 1006: PIS EXIGIDO R$ 666.887,65 Cofins Pis Exigido: 3.285.728,38 666.887,78 Mantido: 2.670.537,03 - 579.787,65 - ========== ========= 615.191,35 + 87.100,13 = 702.291,48 Mesmo considerando o reflexo nos juros de mora, o valor não atinge o limite de alçada de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Portanto, deixa-se de apreciar o Recurso de Ofício. - Ausência de análise das provas produzidas em sede de impugnação. Fl. 3405DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 É alegado nos itens 16 a 24 do Recurso Voluntário: Extrai-se da leitura do TVF (fls. 951 a 986) que a D. Fiscalização concluiu que os descontos e abatimentos obtidos pela Recorrente em negociações com os fornecedores, os quais foram registrados a crédito do resultado do exercício, como redutor do custo das mercadorias vendidas, na conta contábil # 321201 "Compras de Mercadorias Nacionais", representaram receitas omitidas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS nos meses de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Para se chegar a tal conclusão, a D. Fiscalização faz digressão sobre a concentração do mercado varejista alimentício, enfatizando que as grandes redes varejistas do país, tal como a Recorrente, correntemente impõem a concessão de descontos aos fornecedores, sob o pretexto de que seus produtos serão expostos em locais privilegiados do mercado ou terão visibilidade destacada em folhetos e publicidade e propaganda. (...) Pela narrativa da D. Fiscalização, a Recorrente, por fazer parte de um grupo multinacional do varejo alimentício: (a) impõe impiedosamente aos seus fornecedores a obtenção de descontos; e (b) Os fabricantes, fragilizados em função da dura concorrência que enfrentam, não teriam grande poder de negociação frente aos citados conglomerados multinacionais; de modo que (c) a exigência da concessão de bonificações na forma de descontos é prática corrente nesse mercado. A partir dessa premissa (só e somente dessa premissa), que não está lastreada em nenhuma prova documental acostada aos autos, não passando de pura ilação pessoal da D. Fiscalização, é que, então, nos parágrafos 96 e 97 do TVF, reproduzidos a seguir, concluiu-se que os descontos e abatimentos obtidos pela Recorrente em negociações com seus fornecedores teriam natureza de desconto comercial, representado "verdadeira contraprestação por serviços disponibilizados aos fornecedores, como aqueles relativos à exposição e propaganda": (...) Com o devido respeito, Caros Julgadores, a Recorrente não pode se conformar com as alegações fiscais. Em primeiro lugar, porque os ditos fabricantes fragilizados, que respondem pela boa parte dos descontos obtidos pela Recorrente, fazem parte de conglomerados tão grandes ou mesmo maiores que o Grupo Pão de Açúcar. Para ter-se uma noção, vide as informações do quadro abaixo, relativas a fornecedores habituais, extraídas de meios oficiais e públicos: (...) Destacar esse fato é importante porque a D. Fiscalização ignora que a dinâmica comercial do varejo alimentício é complexa, pois envolve, ao contrário do que supõe, forças equivalentes, que não podem ser desprezadas na tentativa de induzir a um pensamento pautado em impressões pessoais, sem qualquer respaldo em evidências concretas. Em segundo, porque a alegação de que descontos e abatimentos obtidos junto a fornecedores teriam natureza de desconto comercial, em decorrência de contraprestação de serviços, é, absurdamente, contraditória. O Acórdão de Impugnação assim se posicionou sobre o assunto: (...) a nulidade de um auto de infração somente se daria em caso de ter sido lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso sob exame, os autos de infração foram lavrados por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade com competência legal para fazê-lo e não há que se falar em preterição do direito de defesa pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua impugnação, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n. 2 70.235/72, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de Fl. 3406DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 apresentar na peça, todos os seus argumentos e comprovantes contrários à autuação, verifica-se que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Irretocável a posição do Acórdão de Impugnação advertindo que os casos de nulidade previstos no artigo 58 do Decreto 70.235/72: auto de infração lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à alegação em si, se confunde com o mérito e com ele será analisada. - Saldo de Créditos de Meses Anteriores: Presunção infundada de que tais créditos teriam natureza de pagamento indevido ou a maior. É alegado nos itens 52 a 58 do Recurso Voluntário: Não obstante a rejeição das nulidades apresentadas pela Recorrente em sua Impugnação, fato é que a glosa de créditos informados na Linha 01 "Saldo de Créditos de Meses Anteriores" da Ficha 14 dos DACONs do período de julho a dezembro de 2011, fora realizada com base na presunção de que se tratava de compensação por pagamento indevido ou a maior. De fato, concluiu a D. Fiscalização que "a despeito de haver ou não pagamento indevido e a possibilidade de compensação, a DACON não se presta a tal pretensão. O instrumento legal e hábil para tanto é o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), com informação em DCTF, conforme estabelecido na IN RFB 900/2008 e alterações posteriores" (TVF, item 72). Contudo, a decisão proferida pela Segunda Turma da DRJ/JFA merece ser reformada, reconhecendo-se a nulidade da glosa realizada pela D. Fiscalização, conforme se passará a demonstrar. Para melhor compreensão dos fatos, a Recorrente informa que, no processo de atendimento à Fiscalização, apresentou o demonstrativo resumo intitulado "01 - Resumo PIS COFINS S ST GPA.xIxs" (fl. 948) e memória de apuração das bases de cálculo do PIS e COFINS do ano-calendário de 2011, denominada "04. Apuração PIS_COFINS 2011" (fl. 949). A partir da análise da memória denominada "04. Apuração PIS_COFINS 2011" (fl. 949), identificou valores nos meses de julho a dezembro, que estavam ali referidos em linha intitulada "Outras Compensações", do que inferiu, precipitadamente, que essa constatação, somada ao fato de os créditos terem sido lançados na Linha 01 "Saldo de Créditos de Meses Anteriores" da Ficha 14, que a Recorrente havia utilizado meio indevido para compensação dos créditos, pois tal deveria ocorrer mediante entrega de PER/DCOMP. Ocorre que, ao contrário do que sustenta a D. Fiscalização, não se trata de compensação por pagamento indevido ou a maior, mas de apropriação de créditos calculados sobre o valor do ICMS-ST, apropriados tempestivamente nos períodos de apuração (julho a dezembro de 2011) em que efetivamente ocorreu a aquisição dos bens para revenda. Vale observar que, no presente caso, a D. Fiscalização nem sequer adentrou no mérito quanto à origem do crédito, nem quanto ao direito a sua apropriação, mas tão somente a forma como tal dedução foi realizada, presumindo tratar-se de compensação de pagamento indevido ou a maior, o que, comprovadamente, não ocorreu, o que, por si só, já é suficiente para a decretação da improcedência do lançamento. Em conexão com o quanto já foi exaustivamente arguido no capítulo anterior, a autoridade administrativa deve agir sempre de acordo e nos limites estabelecidos pela lei. Portanto, a presunção somente pode ser aplicada pelo agente fiscal quando houver previsão legal autorizando sua aplicação, ou, ainda, quando presente elementos indiciários concretos (não presumidos). Adequado o posicionamento da fiscalização de que a matéria aventada deve ter como instrumento legal e hábil o Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Fl. 3407DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Declaração de Compensação (PER/DCOMP), com informação em DCTF, conforme estabelecido na IN RFB 900/2008 e alterações posteriores. - No mérito Como ponto de partida, colaciono a ementa de julgado do leading case RE n° 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3°DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Grifo e negrito nossos) (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15-08-2006 PP-00025 EMENT VOL-02242-03 PP-00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214-215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) (...) Fl. 3408DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Por oportuno, confiram-se parágrafos do TVF: A concentração do mercado varejista de alimentos ocorrida já de algum tempo fragilizou a situação dos fornecedores em suas negociações ante aos grandes grupos que dominam o varejo. Estes últimos, em vista do poder que a concentração lhes concede, impõem àqueles crescentes exigências. A concessão de bonificações, mormente na forma de descontos, é exigência corrente imposta pelas grandes redes varejistas, como é o caso da fiscalizada, que se originou justamente da associação de duas grandes redes, a Sendas S/A e o Grupo Pão de Açúcar - GPA, concentrando ainda mais o varejo de alimentos no Estado do Rio de Janeiro e amplificando o poder de negociação junto a seus fornecedores. A imposição dos descontos decorre, mais das vezes, tão-somente do fato da rede de supermercados comercializar produto de determinada marca. Também, a exposição de produtos em locais privilegiados do mercado, a visibilidade em folhetos e propagandas diversas, dentre outras práticas, dão ensejo à negociação de descontos. Consta no Termo de Verificação Fiscal que "a concessão de bonificações, mormente na forma de descontos, é exigência corrente imposta pelas grandes redes varejistas, como é o caso da fiscalizada, que se originou justamente da associação de duas grandes redes, a Sendas S/A e o Grupo Pão de Açúcar GPA, concentrando ainda mais o varejo de alimentos no Estado do Rio de Janeiro e amplificando o poder de negociação junto a seus fornecedores". Às e-folhas 47, o Termo de Verificação Fiscal conclui assim o assunto: Como o desconto em comento não é dado na nota fiscal, sendo contabilizado em momento posterior a sua emissão e, portanto, à venda em si, o mesmo não constitui desconto incondicional. Este, na verdade, integra o preço da mercadoria e por isso mesmo consta do documento fiscal. Também não é desconto condicional, visto que não depende de evento futuro e incerto, a exemplo do desconto por pagamento antecipado, de natureza financeira, uma vez que obtido a partir de uma disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação de mesma natureza. Trata-se, pois, de desconto de natureza comercial negociado antecipadamente a sua efetivação e que, em muitos casos, representa verdadeira contraprestação por serviços disponibilizados aos fornecedores, como aqueles relativos à exposição e propaganda, já citados. Conclui-se. assim, que os alegados descontos têm a natureza de receita e, como tal, estão sujeitos à tributação do PIS e da COFINS. (Grifo e negrito nossos) Transcrevo excertos do Voto Condutor da DRJ/Recife, em um Processo do BOMPREÇO (n° 10480.722794/2015-59, decisão mantida no CARF - Acórdão n° 3401- 004.011, de 28/09/2017) e reproduzido no Acórdão n° 9303-008.247 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adoto como razões de decidir: 19. Discute-se aqui se seria ou não receita da adquirente a concessão de bonificações na forma de descontos pelos fornecedores da tradicional rede de supermercados BOMPREÇO, com um poder de compra indiscutível, ainda mais depois de ter sido adquirida pela gigante WAL-MART, uma das maiores empresas do mundo. Fl. 3409DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 20. A exigência da concessão destas bonificações, notadamente dadas na forma de descontos ..., é prática cada vez mais corrente adotada pelas grandes redes varejistas, conhecida como cobrança de “pedágio” / “rapel”. 20.1. Isto é de conhecimento geral (não se inova com fatos de domínio público). Com uma rápida pesquisa na Internet encontram-se vários artigos a respeito, como os que obtive através do GOOGLE, um deles publicado na revista EXAME, na Edição n° 0768 - que inclusive foi matéria de capa e outro publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 18/01/2004 ..., ambos intitulados “A Ditadura do Varejo” O simples fato de o supermercado passar a adquirir os produtos de determinada marca pode ensejar (e, em regra, enseja) a exigência deste desconto, caracterizando-se aí o verdadeiro “pedágio”. Os exemplos talvez mais conhecidos de “parcerias” são a exposição dos produtos em locais privilegiados, as promoções e as propagandas, a realização de eventos (até, há poucos anos atrás, desfiles de blocos carnavalescos), a presença de funcionários dos fornecedores repondo e organizando as mercadorias, mas há outros que não são visíveis, como o chamado “enxoval de novas lojas”, que consiste em bonificações para o custeio da abertura de novos pontos de venda, todos eles figurando, de uma ou de outra forma, nos "Acordos Comerciais" que são a nossa melhor fonte de análise da natureza dos mesmos ... Não é arriscado dizer que hoje o setor de compras é mais importante para os grandes varejistas que o setor de vendas. O preço de venda é pautado pela concorrência. As vantagens obtidas nas compras é que fazem a grande diferença. Colocado este panorama, vamos à discussão sobre a inclusão ou não destas bonificações, via descontos, na base de cálculo das contribuições. A Constituição Federal de 1988 previa, em seu art. 195, I, a competência tributária da União para instituir uma contribuição para a seguridade social sobre o faturamento, competência esta que foi alargada pela Emenda Constitucional n° 20/98, para englobar “a receita ou o faturamento” - tudo combinado, no caso da Contribuição para o PIS, com o art. 239. Certamente não foi por um motivo sem maior importância que esta mudança foi implementada, já que demandou uma Emenda à Constituição Federal. Quis o constituinte derivado que as contribuições em tela - as quais, em conjunto, têm enorme peso na arrecadação federal e são de importância capital para a saúde, previdência e assistência social - tivessem o maior campo de incidência possível (obviamente respeitados outros princípios constitucionais, dentro de uma interpretação sistemática), abrangendo todos os ingressos na pessoa jurídica que se subsumissem ao conceito de receita, e não só o faturamento, definido, basicamente, como venda de bens e serviços. Mesmo não sendo a doutrina fonte do Direito, são bastante razoáveis alguns dos argumentos vazados nas citações trazidas na Impugnação. Receitas são, efetivamente, acréscimos ao patrimônio. Mas o patrimônio pode ser tanto acrescido pelo aumento do ativo, sem contrapartida no passivo, como pela redução do passivo, sem contrapartida no ativo. Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia (in Manual de Contabilidade, Editora Impetus, Rio de Janeiro, 2003) ensinam que receitas: São os ingressos de elementos para o ativo, sejam de disponibilidades ou de direitos, geralmente correspondentes a um esforço produtivo da empresa, ou ainda de redução de obrigações com terceiros. Provocam o aumento da situação líquida. Exemplo 1: A empresa vende mercadorias à vista para um cliente. Com isso, haverá uma entrada de dinheiro no caixa da empresa, que corresponde a um bem (dinheiro). Há, então, um aumento no ativo que teve como origem uma receita gerada pela venda de um produto ou mercadoria. É o que chamamos de receita de vendas. Fl. 3410DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Exemplo 2: A empresa recebe um perdão de uma dívida com um fornecedor. Neste caso, haverá uma redução do passivo exigível (obrigações com terceiros), oriunda do perdão da dívida. Também é considerada uma receita. 23.2. Então, pouco importa se a receita é auferida em decorrência de um pagamento feito por um cliente ou de um desconto dado por um fornecedor. Ainda sobre o conceito de receita, não vejo que exista um “conceitofiscal”, apartado do econômico, pois a lei não diz que este conceito abrange todos os ingressos classificados como tal na contabilidade, independentemente da sua natureza. O avesso é que é verdadeiro: o que impera, para a identificação da matéria tributável, é a natureza do ingresso, independentemente da denominação utilizada na sua contabilização. E os Auditores-Fiscais em nenhum momento dizem que incluíram lançamentos na base de cálculo somente porque eles estão contabilizados no grupo das receitas; fizeram-no porque entenderam que têm natureza de receitas. (...) De todo modo, desprezando a forma, o que interessa à solução da lide é se as rubricas incluídas na base de cálculo pelos autuantes têm ou não natureza de receita. A discussão versa muito sobre a dicotomia desconto “incondicional” x desconto “condicional”. O desconto incondicional deve constar da Nota Fiscal e o desconto condicional depende da implementação de uma condição futura e incerta. In casu, nenhuma destas condições se verifica. Que natureza, então, teriam estes descontos ?? Pelos contratos, acompanhados da forma de contabilização e pagamento (que, repito, são nossa fonte primeira e mais rica de análise), vê-se que não se trata, na realidade, de um só desconto, ou seja, de um só “tipo”. Mas uma coisa é absolutamente inconteste (ainda que não tivéssemos os contratos): condicional, nenhum deles é. O contribuinte repisa por diversas vezes que já sabe exatamente quanto vai ter de desconto se comprar da Empresa X, pois isto já está acertado previamemte: em contrato. Se o período de vigência do contrato, por exemplo, é o ano de 20YZ e a soma dos descontos nele previstos é de 10 %, o BOMPREÇO sabe que qualquer compra que fizer àquele fornecedor naquele ano (seja uma, seja dez, seja mil, não há número de pedidos estabelecido) terá este desconto, tanto é que, de imediato, assim que a mercadoria entra, já registra o valor líquido como o efetivo custo, lançando parcelas do desconto, por “tipo”, em rubricas próprias. Perfeitamente caracterizado, então, está que a concessão do desconto independe de qualquer evento, futuro e incerto. Afasta-se desde logo também a alegação, ainda que a título de eventualidade, de que seriam descontos financeiros, ou seja, admitindo-se que fossem receitas, seriam receitas financeiras (sujeitas, à época, à alíquota zero). Sendo elas decorrentes de um desconto, a existência de um condicionante lhe é intrínseca, como ocorre no tradicionalíssimo desconto pelo pagamento antecipado - é posterior à venda e não há certeza de que ele ocorra. Ao contrário do que muitos pensam, o desconto puramente comercial obtido não é receita financeira. Receita financeira é aquela decorrente de algum investimento financeiro. Pode ser uma aplicação em um fundo de investimentos, um empréstimo (mútuo) ou um pagamento antecipado. Tudo é decorrente da disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação (lato sensu) financeira. Nos restaria, então, somente uma opção: os descontos seriam incondicionais. Assim, deveriam constar da Nota Fiscal. O desconto incondicional é expressamente excluído da base de cálculo das contribuições (devidas pelo fornecedor), mas nem precisaria o legislador fazê-lo, pois Fl. 3411DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 desconto concedido incondicionalmente, na realidade, não é desconto: é preço e, como tal, tem que constar da Nota Fiscal e não pode depender de evento posterior à emissão do documento. A IN/SRF n° 51/78, efetivamente, definiu descontos incondicionais da seguinte forma: 4.2 - Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota.fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. E, conjecturando, não consigo ver razão plausível para a existência desta figura nas relações comerciais, a não ser na época dos .famigerados congelamentos de preços, em que alguns vendedores colocavam na Nota Fiscal um preço bem superior ao realmente praticado, com um desconto - muitas vezes absurdo -, para poder depois, disfarçadamente, promover um reajuste (esta inclusive foi uma das razões que levou à combatida inclusão na base de cálculo do IPI dos descontos incondicionais, pela Lei n° 7.798/89). O argumento utilizado pela Impugnante de que não figura, ainda que incondicional, o desconto na Nota Fiscal, para que os outros fornecedores não tomem conhecimento das condições dadas aos seu concorrentes, para fins comerciais, não deixa de ser plausível (ainda que esta prática não garanta que estas informações não “vazem”, pois muita gente que hoje trabalha - amanhã não trabalha mais - no BOMPREÇO e no seu fornecedor têm acesso a estas informações, inclusive por outros meios, como os próprios Contratos). Mas, para fins tributários, a mercadoria está sendo vendida pelo valor líquido, e, “maquiado” na forma de desconto, está o ganho previamente obtido em contratos comerciais, nos percentuais que o fornecedor aceita “contribuir”. Não há sentido em se falar em redução do custo de aquisição se o desconto não estiver na Nota Fiscal. Uma coisa está umbilicalmente ligada à outra. É o que diz a Solução de Consulta Cosit n° 34, de 21/11/2013, que tem por uma das bases a já citada IN/SRF n° 51/78: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redatoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos: esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei n° 8.981, de 1995, art. 31; Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF n° 51, de 1978, item 4.2. Como são operacionalizados os descontos em discussão? Exemplificando (creio que, já à exaustão), a Nota Fiscal do fornecedor é emitida pelo valor “cheio”, de RS 10.000,00, mas o BOMPREÇO já sabe que pagará somente RS 8.000,00, pois teria pactuado previamente, em contrato, a concessão, pelo vendedor, de uma bonificação, a um ou demais títulos, na forma de um desconto total de 20 %. A diferença, de RS 2.000,00, é contabilizada, de imediato (assim que a mercadoria é recebida) em uma ou mais contas do grupo das receitas. Fl. 3412DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 O desconto então não é dado na Nota Fiscal. Não preenche, portanto, um dos requisitos básicos para que seja considerado incondicional. Para o fornecedor seria mais vantajoso emitir a Nota Fiscal pelo valor líquido, pois aí o desconto de RS 2.000,00 não comporia a base de cálculo das contribuições (por ele devidas). Por outro lado, o custo resulta menor para o adquirente quando o desconto não consta da Nota Fiscal e o creditamento PIS/Cofins, quando cabível, se dá pelo valor “cheio” (RS 10.000,00), prática confirmada pela Fiscalização e demonstrada e comprovada pelo próprio contribuinte, no conjunto documental que trouxe extemporaneamente. Quer então o BOMPREÇO “o melhor dos mundos”: que os valores recebidos através de descontos não sejam tributados (no adquirente, pois no fornecedor o são), mas que os mesmos gerem créditos - repiso, quando cabível, em função da mercadoria adquirida - das mesmas contribuições. E como são contabilizados estes descontos ?? Se fosse mera redução do custo de aquisição, qual a razão de distribuir este desconto em diversas contas, a grande maioria de receitas ?? A resposta está nos Contratos. Lá vemos que, na realidade, o desconto é composto de diversas parcelas, com características bastante específicas. Tratemos aqui das que interessam ao caso concreto. (Grifo e negrito nossos) Assim, as verbas em pauta são indubitavelmente receitas da recorrente, posto que: é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento, como estabelece o citado doutrinador; e não de desconto, como quer fazer crer a recorrente; a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. Não se trata de presunção.Os valores em pauta estão relacionados a custos, a despesas; o que é também característica de receita: para se gerar receita a empresa há de incorrer em custos de aquisição, produção, etc. E tal natureza lhe cabe, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil", como determina o art. 1° das Lei n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. - Aplicação de alíquota zero, caso acolhida a linha sustentada pela D. DRJ, pois restaria caracterizada "receita" financeira. É alegado nos itens 108 e 110 do Recurso Voluntário: Se, por hipótese, for aceita a premissa firmada pela D. Fiscalização, de que os descontos e abatimentos obtidos em negociações com os fornecedores têm a natureza de receitas, o fato é que, mesmo nesse cenário (aceito apenas para fins de argumentação), a exigência fiscal também não se sustenta. Isto porque, se a contrapartida do lançamento contábil de redução do passivo não fosse a crédito de estoque em face de sua natureza de ajuste de preços (como prescreve, repita-se, o CPC n e 16), então ela necessariamente deveria ser lançada a título de receita financeira. Em outras palavras, registrando-se uma redução no passivo, especificamente no saldo da dívida com fornecedores, ter-se-ia, pela natureza de desconto, uma receita financeira. Fl. 3413DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Os descontos financeiros, por definição (“Introdução à Contabilidade”, São Paulo: Ed. Atlas, 2003, p. 159), decorrem do pagamento antecipado de um título ou em função do cumprimento de prazo estipulado pelo fornecedor. Ou seja, os descontos condicionais (também ditos descontos financeiros) são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo. Esses descontos configuram receita financeira para o comprador e despesa financeira para o vendedor, em consonância com os arts. 373 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Já os descontos analisados neste processo nada têm de financeiros; estes são decorrentes dos mais diversos motivos, como o crescimento de vendas, facilidades de logística, atividades de marketing, comemoração de aniversários de lojas, inauguração de lojas, etc. Nada relacionado a uma antecipação do pagamento. O raciocínio "por exclusão" da recorrente, mostra-se raso. Na verdade, o que se demonstra é que, se as verbas em questão não se enquadram em qualquer das únicas duas categorias de desconto, classificação trazida pela recorrente, é porque não são descontos. Por fim, arrolo decisões recentes do CARF, as quais vão no mesmo sentido do presente voto, trazendo além das emendas, trechos da fundamentação do voto vencedor da decisão da Câmara Superior: CONTAS CREDORAS. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. As contas credoras que indicam ingresso de valores relacionados a bonificações e descontos, que não figuram em notas fiscais, e revelam caráter contraprestacional, não encontram guarida legal para exclusão da base de cálculo da COFINS. (CARF, 3° Seção, 4° Câmara, 1° Turma Ordinária, Ac. 3401-003.443, de 28/03/2017, redator designado Conselheiro Rosaldo Trevisan). COFINS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações de caráter contraprestacional (reposição de mercadorias, publicidade, posicionamento de produtos em lojas, reembolso por distribuição, etc.) ou de cunho comercial (garantia de margens de lucros, abertura de novas lojas, reformas, etc.) recebidas dos fornecedores, ainda que descritas em contrato como descontos, sujeitam-se à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS. (CARF, 3° Seção, 4° Câmara, 1° Turma Ordinária, Ac. 3401-003.419, de 28/03/2017, redator designado Conselheiro André Henrique Lemos). PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. VALORES RECEBIDOS EM CONTRAPRESTAÇÃO REGISTRADOS CONTABILMENTE COMO DESCONTOS. INCIDÊNCIA. Comprovado que os ingressos registrados em contas contábeis intituladas de descontos são, em verdade, provenientes de serviços prestados pelo autuado incidem as contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DOAÇÕES. Fl. 3414DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Mercadorias entregues sem vinculação a operação de compra e venda configuram doação, e não bonificações em mercadorias, sendo regmlarmente tributadas pelas contribuições não-cumulativas. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3° Turma, Ac. 9303-003.515, de 15/03/2017, redator designado Conselheiro Júlio César Alves Ramos). Portanto, nesse ponto, nego provimento ao recurso voluntário. - Das taxas administrativas de cartões. O Acórdão de Impugnação assim tratou o assunto, às folhas 09 daquele documento: Entendo que mesmo com a nova definição do conceito de insumos estabelecida pelo STJ, as taxas administrativas de cartões de crédito e débito não se configuram como insumos. Como já se disse, a análise deve se feita considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Como a própria empresa esclarece em sua peça de defesa, ela "é pessoa jurídica de direito privado e, na data da ocorrência dos supostos fatos geradores objeto do presente processo, possuía como principal objeto social a comercialização de produtos manufaturados, semimanufaturados ou 'in natura', nacionais ou estrangeiros, de todo e qualquer gênero e espécie, natureza ou qualidade". Ora, o uso de cartão de crédito e/ou débito nas operações de venda da manifestante não é imprescindível para que essas vendas se efetuem. Ou seja, a empresa pode efetuar suas vendas sem a utilização desses cartões. O objetivo de utilizá-los é tão somente o interesse da empresa em aumentar o volume de suas vendas. Assim, entendo que as taxas pagas pela empresa para usar cartões de crédito/débito não podem gerar o crédito pretendido. O fato é que o setor varejista não produz bem e também não presta serviços. Logo, a atividade exercida é incompatível com o conceito de insumo para as Contribuições referentes ao PIS e da COFINS. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF04 Nº 4006, DE 20 DE FEVEREIRO DE 2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMO. INEXISTÊNCIA. Para fins de apuração de créditos da Cofins, não há insumos na atividade de venda a varejo. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 100, DE 9 DE ABRIL DE 2015. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, II; e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018. - Créditos sobre fretes. transferência de produtos acabados. Fl. 3415DF CARF MF https://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/cofins/ Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais o o entendimento pela possibilidade de aproveitamento do crédito de PIS não- cumulativos decorrentes das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou-se sobre o tema, firmando entendimento no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa por se constituir como parte da "operação de venda". Nesse sentido, é o Acórdão n.° 9303008.099, de relatoria da Nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1° da Lei n.° 9.784/1999, in verbis: Quanto à primeira discussão, vê-se que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frise- se a ementa do acórdão 9303005.156: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3°, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3°, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação ” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130,9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3°, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 - pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Fl. 3416DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-007.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720275/2015-50 Reverto aqui meu entendimento para se adequar ao esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Revertida a glosa. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento parcial ao recurso do contribuinte para reverter a seguinte glosa: sobre fretes na transferência de produtos acabados. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 3417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.914870/2009-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11.
O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho.
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE
Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada.
Numero da decisão: 1002-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente em relação à matéria discutida no julgamento de primeiro grau, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Ailton Neves da Silva- Presidente.
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11. O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada.
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INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARFNº11. O artigo 40 da LEF tem aplicação restrita ao processo de execução fiscal, sendo incabível a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, e é o que expressa a sumula 11 deste conselho. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria exposada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente em relação à matéria discutida no julgamento de primeiro grau, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento. Ailton Neves da Silva- Presidente. Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 48 70 /2 00 9- 84 Fl. 121DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento do recurso administrativo na primeira instância administrativa, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação -DCOMPs, por meio das quais compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito postulado, no valor de R$ 26.437,53, corresponderia ao saldo negativo do imposto apurado em 31/12/2004. 2. Através do Despacho Decisório de fls. 30/32, a Delegacia da Receita Federal -DRF em Salvador reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 13.467,05, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 38/40), alegando, em síntese, que sofreu retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, conforme comprovantes que anexa, pelo que requer o aproveitamento desses créditos. Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, conforme acórdão n. 11-48.932 (e-fl. 65), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção em seu nome. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 122DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Entenderam os julgadores de primeiro grau que a recorrente teria informado como parcela de crédito as retenções na fonte no montante de R$ 43.659,15, tendo sido glosado pela fiscalização apenas o valor de R$ 352,42: Como se verifica nos autos, a interessada indicou nas DCOMPs, como parcela integrante do saldo negativo, retenções na fonte no valor de R$ 43.659,15. A DRF/Salvador confirmou parcialmente as retenções na fonte, no valor de R$ 43.306,73, glosando o valor de R$ 352,42. Como o imposto devido fora de R$ 29.839,68, resultou apurado um saldo negativo no importe de R$ 13.467,05. 6. Em sua manifestação de inconformidade, alega o sujeito passivo que sofreu retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, requerendo então seu aproveitamento. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 78), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Alega descumprimento do disposto no artigo 24 da lei 1.457/2007, o qual prevê o prazo de 360 dias para que a autoridade profira decisão sobre petições, defesas ou recursos administrativos: 4.2.5 Destarte, não apresentada a solução ao pedido no prazo legal, nem sendo ele prorrogado justificadamente, deve ser reputado o Fisco em mora, legitimando-se assim, a não imposição de correção dos valores supostamente sem reconhecimento ou juros moratórios após o período de 365 dias do protocolo do manifesto de inconformidade, como meio de repartir o ônus do tempo no processo administrativo Alega também a ocorrência da prescrição intercorrente: O não reconhecimento dos pedidos de compensação do contribuinte, através do processo ora debatido, e da falta de celeridade no julgamento do manifesto de inconformidade, ultrapassando o prazo de 365 dias e o prazo de mais de 3 (três) anos, demonstram claramente a inércia da administração pública violando claramente o princípio da eficiência previsto na Constituição Federal. Quanto ao mérito, apresenta uma tabela (e-fls. 84) com uma relação de pagamentos de estimativa que afirma ter realizado no período, afirmando que a RFB não teria considerado estes valores supostamente pagos de estimativa. Ao final, requer o reconhecimento da preliminar de prescrição intercorrente, e no mérito, o provimento do Recurso Voluntário com base nos documentos juntados (guias de recolhimento de estimativas) É o relatório do necessário. Fl. 123DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo pois: 1. A ciência do Acórdão ocorreu em 23/01/2015 conforme e-fls. 70/71; 2. Seu Recurso Voluntário foi protocolado no dia 24/02/2015 conforme e- fls. 78 Ademais, atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço parcialmente. Da Preliminar de Prescrição Intercorrente Em que pese o fato de que a alegação de prescrição intercorrente ter sido suscitada apenas em sede de Recurso Voluntário, o que caracterizaria a sua preclusão, há que se lembrar que o tema da prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, nos termo do artigo 193 do Código Civil. Portanto, conheço do recurso quanto a este ponto e passo à sua análise. Com relação à pretensão de anular o lançamento por ter havido prescrição intercorrente, não há de se lograr êxito. A Súmula CARF nº 11 ("Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.") é clara em negar a existência desse instituto no âmbito administrativo. Aliás, tal instituto está previsto na Lei de Execução Fiscal (LEF, Lei Federal 6.830/1980), em seu artigo 40, tendo aplicação somente em âmbito judicial e para os créditos tributários já constituídos na via administrativa, não podendo subsistir a tese de aproveitar subsidiariamente sua aplicação ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido, não merecendo prosperar a tese levantada pelo Recorrente, nego provimento à preliminar de prescrição suscitada. Fl. 124DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Da inovação de argumentos em segunda instância Compulsando os autos, percebe-se de imediato que foi abordado no Recurso Voluntário os temas: 1. Prescrição intercorrente; 2. Descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007; 3. Pagamentos de estimativas que não teriam sido considerados pela fiscalização e, 4. Retenções na fonte de IRRF de código 1708 (R$ 43.092,90) A alegação de prescrição intercorrente foi conhecida e analisada no tópico anterior em respeito ao artigo 193 do CC. O tema da retenção na fonte de IRRF de código de receita 1708 foi objeto de impugnação da recorrente na sua Manifestação de inconformidade, tendo sido conhecido e julgado pela DRJ. Deste modo, considero natural que este ponto seja conhecido e apreciado por este Conselho, pois foi objeto de análise no julgamento de primeiro grau. No entanto, mesma sorte não deve ter as alegações 3 e 4 acima, pois verificamos que a recorrente não suscitou, nem indiretamente, as questões relacionadas ao suposto descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007 e nem aos agora alegados recolhimentos de estimativas. Na sua Manifestação de inconformidade, de e-fls. 38/39, a recorrente alega exclusivamente que seu crédito decorre de retenções na fonte no valor de R$ 43.092,90, como se pode verificar no excerto abaixo: “II. PRELIMINAR O NÚCLEO DE PATOLOGIA CLINICA LTDA, prestou serviços caracterizadamente de natureza profissional, devido a esse fato sofreu retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 43.092,90 (quarenta e três mil noventa e dois reais e noventa centavos),cujo valor a referida empresa fez a compensação através da PERD/COMP n° 38673.26061.061005.1.3.02-8832, uma vez que o Núcleo de Patologia era beneficiado desses créditos, e a responsabilidade pela informação na DIRF e recolhimento do imposto era da fonte pagadora dos serviços. II. 2 - MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Em virtude dos fatos e da prova material apresentada em anexo, com a prestação do presente esclarecimento, baseado no direito que a empresa possuía os créditos tributários a compensar, concernente às retenções sofridas, conforme se evidencia no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica ano-calendário 2004, vem solicitar o Fl. 125DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 aproveitamento dos referidos créditos na PERD/COMP em epígrafe, validando desta forma os créditos utilizados e desconsiderando qualquer passivo tributário, concernente a esta Declaração de Compensação.” Ademais, verifica-se que a recorrente foi intimada no dia 15/03/2007, conforme se vê às e-fls. 28/29, pois a fiscalização da RFB constatou que “A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ”. Tendo sido solicitado na mesma intimação que a recorrente retifique a DIPJ ou a PER/DCOMP, inclusive quanto às informações referentes às estimativas: “Em relação ao crédito demonstrado, solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Quanto aos débitos por estimativa, solicita-se retificar a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação.” (grifei) Verifica-se que as estimativas não constam declaradas na DIPJ, que é a declaração de apuração do IRPJ. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário quanto as alegações de descumprimento do artigo 24 da lei 11.457/2007 e nem aos agora alegados recolhimentos de estimativas, deixando de apreciar as referidas matérias inovadas, inclusive, para evitar supressão de instância. Portanto, só será passível de avaliação da arguição referente à retenção na fonte de código 1708 (R$ 43.092,90). Ressalto, pois, que a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 126DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada o recurso administrativo, contendo as matérias que delimitam a lide administrativa, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303-004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301-002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402-004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). DAS RETENÇÕES NA FONTE – 1708 O crédito de saldo de negativo de IRPJ do ano-calendário está informado no PER/DCOMP 38673.26061.061005.1.3.02-8832, exclusivamente composto pelas retenções na fonte de IRRF de código de receita 1708 (e-fls. 4) no valor total de R$ 43.659,15 (R$ 43.445,32 + R$ 213,83): Fl. 127DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 A fiscalização da RFB reconheceu o montante retido no valor de R$ 43.306,73 (e- fls. 30). A retenção 2 acima foi plenamente reconhecida, enquanto que a retenção 1 foi reconhecido o valor de R$ 43.092,90 (e-fls. 31): A recorrente, desde a sua manifestação e inconformidade, confirma que a retenção realizada pelo CNPJ 15.166.416/0001-51 foi feita no valor de R$ 43.092,90, exatamente o mesmo valor reconhecido pela Fiscalização da RFB. O extrato da DIRF de e-fls. 47 demonstra, na sua segunda linha que a recorrente (Núcleo de Patologia Clinica Ltda) teve retido o valor de R$ 43.092,90. Portanto, nada há o que corrigir na acórdão recorrido se tese de defesa da recorrente apresenta valores exatamente idênticos aos reconhecidos no despacho decisório combatido. DISPOSITIVO Diante de todo o exposto, voto para, rejeitando a preliminar suscitada, por dar conhecimento parcial ao Recurso Voluntário, conhecendo exclusivamente a matéria discutida no julgamento de primeiro grau, na parte conhecida, negar-lhe provimento. É como voto Rafael Zedral - relator Fl. 128DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-000.893 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.914870/2009-84 Fl. 129DF CARF MF
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