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Numero do processo: 11080.004828/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. VOTO FUNDAMENTADO. APRECIAÇÃO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o voto que desenvolve profunda fundamentação para justificar o porquê da imprestabilidade das provas apresentadas, e, ainda assim, as analisa e conclui não serem suficientes para infirmar o lançamento.
Numero da decisão: 1301-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel (Relator), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por anular a decisão de primeira instância. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: Nelso Kichel
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. VOTO FUNDAMENTADO. APRECIAÇÃO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o voto que desenvolve profunda fundamentação para justificar o porquê da imprestabilidade das provas apresentadas, e, ainda assim, as analisa e conclui não serem suficientes para infirmar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel (Relator), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por anular a decisão de primeira instância. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 48 28 /2 00 7- 95 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 951 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 951DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 952 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 651/673) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 890/905) que julgou a Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal. Quanto aos fatos, consta do autos: que, em 20/07/2007, a fiscalização da DRF/Porto Alegre lavrou autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL e IRRF), anoscalendário 2004, 2005 e 2006, regime de apuração do lucro real anual (efls. 212/253), ao imputar as seguintes infrações: 1 Autos de Infração do IRPJ e da CSLL(efls. 212/230): (...) 001 PAGAMENTOS SEM CAUSA (Obs: glosa despesa/custo indedutível) Valor apurado conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2004 1.101,39 75% 31/12/2004 82.112,04 75% 31/12/2004 513.773,82 75% 31/12/2004 60.059,23 75% 31/12/2004 156.592,00 75% 31/12/2004 214.254,00 75% 31/12/2004 344.070,54 75% 31/12/2004 4.688,14 75% 31/12/2004 263.636,40 75% 31/12/2004 93.336,20 75% 31/12/2004 90.873,41 75% 31/12/2004 200,00 75% 31/12/2004 221.154,88 75% 31/12/2004 22.076,18 75% 31/12/2004 166.866,88 75% 31/12/2004 24.623,83 75% 31/12/2004 178.603,20 75% 31/12/2004 218.289,60 75% 31/12/2005 174.622,08 75% 31/12/2005 271.281,66 75% Fl. 952DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 953 4 31/12/2005 347.797,00 75% 31/12/2005 2.078,89 75% 31/12/2006 1.000,00 75% 31/12/2006 1.700,00 75% ENQUADRAMENTQ LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99. 002 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO Do LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício, conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2004 3.732.014,79 75% ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 250, inciso I, do RIR/99. Art. 70, parágrafo 3°, inciso II, da lei 9.430/96. (...) 2 Auto de Infração do IRRF: (c/multa proporcional 75%) (efls. 231/240): (...) 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS /PAGAMENTOS SEM CAUSA Valor apurado conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. (...) Relatório de Atividade Fiscal (efls. 255/274): Fl. 953DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 954 5 (...) 5.1.1 Dos valores creditados/pagamentos efetuados sem identificação dos beneficiários De acordo com os fatos relatados neste relatório, esta fiscalização considera que os valores creditados pela incentive House, mediante os cartões FLEXCARD e TOP PREMIUN CARD, adquiridos pela Agrofel, os quais foram apropriados como despesas com publicidade e propaganda, onde não consta a identificação dos beneficiários, estão sujeitos à aplicação do art. 674, do RIR/99: (...). Abaixo demonstramos o cálculo do reajustamento da base de calculo, conforme determina o art. 725 do Decreto n° 3000/99 (RIR/99): (...) Ex: Valor tributável = valor reajustado: pagamento a terceiros R$ 1.101,39/0,65 = R$ 1.694,45 com imputação de multa de ofício de 75%. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 955 6 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art . 674 do RIR/99 . (...) 3 Auto de Infração Multas Isoladas de 150% (qualificadas) e Juros Isolados: (efls. 241/253): Obs: sobre valores pagos, creditados a beneficiários identificados, porém sem retenção do IRRF pela fonte pagadora dos rendimentos (ausência de recolhimento). (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DO IRRF Multa devida pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF após o prazo fixado, conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. (...) Relatório de Atividade Fiscal (efls. 255/274): (...) 5.1.2 Dos valores creditados aos beneficiários pessoas físicas Em resposta à intimação fiscal onde foram apresentadas as planilhas contendo os dados fornecidos pela incentive House (relação contendo identificação e CPF dos beneficiários, assim como data e valor do prêmio), o contribuinte declara que "Os Fl. 955DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 956 7 valores constantes das planilhas desta intimação não foram objeto de tributação de imposto de renda pela Agrofel". Considerando que a Agrofel não reteve nem recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os valores creditados às pessoas físicas beneficiárias dos cartões/bônus disponibilizados pela Agrofel nos anos 2004 a 2006, e que o prazo para entrega das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF daqueles anos já expirou, esta fiscalização está efetuando o lançamento da multa por não retenção ou recolhimento do tributo, conforme preceitua o art. 44 da Lei 9.430/96, (...). (...) IRRF. (...). NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE (...) 5.1.2.1. Da multa qualificada O art. 957, Inc. II, Regulamento do Imposto de RendaDecreto n° 3000/99 (RIR/99) (...): Art. 957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ni' 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.426, 2002, art. 9º). (...) Considerando que a Agrofel tinha conhecimento dos beneficiários dos valores recebidos mediante a utilização dos cartões, disponibilizados pela Incentive House e que 94% dos beneficiários são/foram funcionários da Aqrofel, o que caracteriza pagamento de salário ou gratificação, e que ocultou a natureza dos pagamentos inserindo os valores em conta de despesa com publicidade e propaganda, conforme já demonstrado neste relatório, esta fiscalização considera a necessidade de aplicação da multa de 150% com relação aos valores de IRRF sobre os valores recebidos pela disponibilização dos cartões/prêmios às pessoas físicas, os quais deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte. (...) Fl. 956DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 957 8 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 958 9 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 9° da Lei n° 10.426/2002: Art.9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 002 JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA (IRRF) (...) (...) que integra os autos de infração o Relatório de Atividade Fiscal (efls. 255/333); que o crédito tributário lançado de ofício, na data dos autos de infração, perfaz o montante de R$ 9.303.162,77, assim especificado: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até Multa de Ofício (R$) Multa Isolada (R$) Juros Isolados (R$) Total (R$) Fl. 958DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 959 10 29/06/2007) (R$) IRPJ 1.597.081,62 577.983,83 1.197.811,21 3.372.876,66 IRRF 621.234,01 41.553,16 662.787,17 IRRF 1.860.272,17 797.787,15 1.395.204,03 4.053.263,35 CSLL 574.949,38 208.074,18 431.212,03 1.212.235,59 Total 9.303.162,77 Ciente do lançamento fiscal em 23/07/2007, por meio do Contador (conforme assinatura aposta no anverso dos próprios Autos de Infração), apresentou Impugnação em 22/08/2007 (efls. 712/730), cujas razões, em síntese, são as seguintes: (...) Fl. 959DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 960 11 (...) Fl. 960DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 961 12 (...) Fl. 961DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 962 13 (...) Na sessão de 29/11/2017, a 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre julgou a Impugnação improcedente, ao manter integralmente o lançamento fiscal, conforme Acórdão (e fls. 890/905) cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) AssUNTO: IMPOST0 SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. CSLL. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADO Se ao longo de todo o procedimento fiscal o contribuinte, expressa e reiteradamente, afirma a ocorrência de determinado fato e repisa a impossibilidade de identificar os beneficiários dos pagamentos, o que conduziu ao lançamento nos moldes efetuado, inadmissível aceitar, em sede de impugnação, a contradição dessas insistentes afirmações, especialmente quando evidenciado a conduta dolosa do contribuinte. São princípios do Direito Pátrio a proibição do comportamento contraditório e a vedação de beneficio pela própria torpeza. IRPJ. CSLL. INDENIZAÇÃO POR DISTRATO COMERCIAL. As multas e outras vantagens, por rescisão de contrato, ainda que a titulo de indenização, sujeitamse à incidência do imposto, sendo incabível sua exclusão do lucro real. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude e havendo previsão legal à época do fato gerador, cabível a majoração da multa isolada aplicada sobre o valor do imposto não retido. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 963 14 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de diligência para a busca de provas em favor do contribuinte. Lançamento Procedente (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto do relator. (...) Ciente desse decisum em 29/01/2008 por via postal AR (efl. 912), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 28/02/2008 (efls. 651/674), pugnando pela reforma da decisão recorrida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Das razões para anulação e/ou reforma da decisão recorrida: a) DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: que postulou a realização de diligência fiscal, junto aos beneficiários apontados na Impugnação como os destinatários dos valores enquadrados no Auto de Infração, como pagos para beneficiários não determinado e que fosse apurado o efetivo recebimento dos cartões de premiação e respectivos montantes; que é garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório inclusive previsão infraconstitucional na Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n. 9.784/99) “(a) o direito a que toda a prova, desde que pertinente, seja produzida. ainda que pela própria Administração [requisição de informações etc.); (b) o direito a que a produção da prova seja efetuada antes que se profira decisão sobre o mérito da questão; e (c) o direito de controlar a produção da prova feita pela Administração.” que é incontestável que, no caso concreto, a instância de origem haveria de realizar a diligência postulada, abrindo prazo, ademais, para que a Recorrente se manifestasse sobre as conclusões alcançadas; Fl. 963DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 964 15 que, todavia, sob os fundamentos de que a relação apresentada pela impugnante “contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta”(fls. 1.201), bem como que não cabe “a determinação de diligência para a busca de prova em favor do contribuinte” (fls. 1l89), foi indeferida a diligência postulada, o que configura flagrante cerceamento de defesa; que, demonstra a necessidade da diligência, o fato de que, a fls. 1.201, é questionada na decisão recorrida a validade da relação de beneficiários apresentada em sede de impugnação. Ora, ainda que essa relação seja praticamente idêntica aquela que ensejou a aplicação de multa pela não retenção em se tratando de beneficiários identificados pela Fiscalização (relação que acompanha o Auto de Infração), é incontestável que, suscitadas dúvidas sobre a autenticidade da lista, deveriam ser ouvidos (bastaria uma intimação para prestação de informações) os beneficiários apontados. Beneficiários, digase de passagem, que assinaram recibos atestando o recebimento dos cartões de premiação, conforme prova também juntada com a impugnação. b) DOS PAGAMENTOS PARA BENEFICIÁRIOS NÃO DETERMINADOS AUTO DE INFRAÇÃO IRRF: que, em sede de impugnação, trouxe ao processo a relação de todos os beneficiários dos pagamentos apontados, no Autos de Infração como efetivados para beneficiários não determinados; que, diante de uma prova que, inequivocamente, aponta para a improcedência do lançamento, os julgadores a quo decidiram pela manutenção integral dos Autos de Infração, sob o argumento de que o direito pátrio “veda a proibição de comportamento contraditório”, bem como o “beneficio pela própria torpeza”; que a decisão recorrida representa a própria negação da instância administrativa do processo tributário como fase de apuração de verdade material; que a decisão recorrida manteve o lançamento ainda que as situações de fato que ensejaram a sua lavratura tenham sido todas elididas pela prova juntada aos autos, quando da Impugnação; que, diante de beneficiários determinados expressamente pela prova juntada com a impugnação, como pode ser a Recorrente obrigada a responder por um tributo incidente sobre pagamentos para beneficiários não determinados? que, ora, não é outro senão o momento da impugnação o apropriado para que o contribuinte produza a prova suficiente e necessária para a improcedência do Auto de Infração contra si lavrado; que a presunção de liquidez e certeza do crédito tributário somente existe após o encerramento da instância administrativa de discussão. Justamente conforme prescreve o art. 204 do Código Tributário Nacional, que afirma que o crédito tributário somente se toma líquido e certo com a sua inscrição em dívida ativa; Fl. 964DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 965 16 que não pode a decisão recorrida imputar à Recorrente uma obrigação de alcançar toda e qualquer prova no curso da fiscalização, até porque muitos documentos acabam por se tomar disponíveis quando já lavrado o Auto de Infração; que não se pode alegar que está a Recorrente a beneficiarse de eventual torpeza, já que a não retenção do imposto de renda nos pagamentos aos beneficiários identificados na impugnação a sujeita à multa, conforme prescreve o Parecer Normativo SRF 01/2002; que não pode persistir, todavia, é a exigência de um imposto em contradição absoluta com os elementos de fato constantes do processo. Quando o Relatório da Ação Fiscal refere que os cartões de premiação eram utilizados para uma “possível sonegação de tributos”, não há dúvidas que essa “sonegação” somente pode se dar na pessoa física beneficiária dos rendimentos e que não os declara na respectiva declaração de renda. Jamais por parte da Recorrente, na condição de fonte pagadora; que requer a recorrente a reforma da decisão recorrida no tocante ao Auto de Infração IRRF; c) DO AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E CSLL: c1) Glosa da dedução do IRPJ e CSLL pagamentos sem causa (glosa de despesa): que, segundo o Fisco, os valores foram pagos, transferidos, para a Incentive House relacionados com beneficiários não determinados são despesa sem causa, desnecessárias; que a recorrente alega: está em jogo é a legalidade da tributação e o princípio da verdade material; que, na medida em que comprovados os beneficiários dos rendimentos bem como a condição desses de funcionários da recorrente e terceiros que lhe prestam serviços, certo é que os pagamentos a tais beneficiários preenchem as condições de dedutubilidade do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda; que no próprio Relatório da Ação Fiscal é referido: em relação aos pagamentos identificados, ao tempo da lavratura dos Autos de Infração, nenhum deles foi glosado, já que como remuneração a empregados e terceiros, seja a título de salário ou de premiação pelo cumprimento de metas atingidas (o que é o caso), enquadrase no conceito de despesa usual e necessária para fins de apuração do IRPJ e CSLL; que não é por demais repetir que aproximadamente 100% dos beneficiários identificados na prova juntada com a impugnação já constam do rol de anexos do Relatório de Ação Fiscal, onde estão descritos como empregados da recorrente ou terceiros que lhe prestam serviços sem vínculo empregatício, o que ratifica que os cartões estavam vinculados à manutenção e desenvolvimento das atividades da empresa; Fl. 965DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 966 17 que, portanto, a prova de que os beneficiários dos pagamentos apontados no AI como procedidos para beneficiários não determinados são funcionários da recorrente e terceiros que lhe prestam serviços, afirma a improcedência da glosa praticada no ato fiscal, o que demanda, neste ponto, o provimento do presente recurso. c2) Glosa da exclusão Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real: exclusões indevidas: que para o Fisco os valores não adicionados às bases do IRPJ e CSLL indenização paga pela empresa Monsanto são tributáveis na forma do art. 70, § 3°, II, da Lei n. 9.430/96; que a recorrente alega ter recebido indenização da empresa Monsanto por força de distrato comercial e que excluiu valor respectivo das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Afirma que assim procedeu com base no entendimento consolidado na jurisprudência de que as indenizações não se constituem em acréscimo patrimonial. Portanto, não podem ensejar a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro; que a fl. 19 do Relatório da Ação Fiscal é referido que o valor excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL pela recorrente foi somente aquele apurado pela sua Auditoria Externa como indenização, ou seja, ainda que a Monsanto tenha lhe indenizado em mais de R$ 6.000,000,00, apenas o valor de R$ 3.372.014,79 não foi adicionado ao lucro real; que é uma presunção tanto é que estabelecida no próprio instrumento de distrato que a recorrente teria (e teve) prejuízos concretos em face da rescisão do contrato, já que se trata a Monsanto da uma das maiores produtoras de defensivos agrícolas do mundo, e esse é o produto responsável por mais de 50% da receita bruta da Agrofel, que realizou diversos investimentos para montar uma estrutura de lojas e funcionários para atender a demanda por produtos da Monsanto; que, isto posto, deve ser reformada a decisão recorrida para afastar a exigência fiscal. d) IRRF Pagamentos a beneficiários não identificados: que o Fisco lançou auto de infração do IRRF sobre os valores pagos para a Incentive House relacionados com beneficiários não determinados; que, entretanto, nas razões da impugnação, ainda na primeira instância de julgamento, juntou documentos aos autos que comprovariam que os pagamentos, na verdade, foram efetuados a beneficiários identificados (seu funcionários); que, assim, as infrações imputadas do IRPJ e da CSLL glosa de despesas pagamentos sem causa e Auto de Infração do IRRF pagamentos a beneficiários não identificados não devem prosperar, pois tratase de pagamentos a beneficiários identificados (seus funcionários e prestadores de serviços). Fl. 966DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 967 18 e) DA MULTA E DOS JUROS ISOLADOS: que, neste tópico, alega a recorrente: não havia cominação legal de multa qualificada para os anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Por fim, a recorrente pediu: a necessidade de anulação e/ou reforma da decisão recorrida; que as razões para anulação decorrem do cerceamento de defesa perpetrado pela negativa de produção de prova fundamental ao deslinde das controvérsias instauradas na própria decisão recorrida, que contestou a validade da lista dos beneficiários dos rendimentos trazida aos autos pela recorrente. Ainda que, repitase, essa lista seja idêntica aquela que acompanha o AI IRRF e que discrimina os beneficiários determinados na Fiscalização; que as razões para a reforma da decisão decorrem do fato de que a recorrente trouxe aos autos, em sede de impugnação, a prova de todos os beneficiários apontados no AI como não determinados, e que se tratam de empregados e terceiros que lhe prestam serviços; que não pode subsistir AI que exige da recorrente imposto sobre pagamentos para beneficiários indeterminados quando esses beneficiários foram determinados no processo. Da mesma forma, a condição de empregados dos beneficiários valida a dedução dos valores pagos no cálculo do IRPJ e CSLL, já que preenchidas as condições do art. 299 do RIR. Por oportuno, cabe repetir que os princípios da verdade material e da legalidade tributária exigem que os tributos e penalidades pecuniárias sejam constituídos a partir das reais circunstâncias de fatos ocorridas e apuradas no curso do processo; que, sobre a exigência do IRPJ e CSLL sobre indenização recebida pela recorrente da empresa Monsanto, deve prevalecer o entendimento, consolidado na jurisprudência, de que as indenizações não podem ser tributadas por tais tributos, uma vez que não se constituem em acréscimo patrimonial; que, ante o exposto, requer a recorrente a anulação da decisão recorrida por cerceamento de defesa, para o efeito de que o processo retorne à instância a quo e seja produzida a diligência requerida em sede de impugnação; que, superada a questão da anulação o que se admite para fins de argumentação requer o provimento deste Recurso Voluntário para o efeito de que, reformandose a decisão atacada, seja reconhecida a improcedência dos Autos de Infração que compõem o presente processo. É o relatório. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 968 19 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, o Fisco quanto aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006: 1) Lavrou autos de infração do IRPJ e da CSLL para exigência de crédito tributário, ao imputar as seguintes infrações: a) glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%; b) exclusão indevida do lucro real indenização recebida por distrato de contrato de representação comercial, com multa de 75% 2) Lavrou auto de infração do IRRF: exigência do IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%; 3) Lavrou autos de infração do IRRF multas isoladas e juros isolados, por falta de retenção e recolhimento do IRRF acerca dos beneficiários identificados dos pagamentos de salário ou gratificação (funcionários e terceiros), com multa qualificada de 150% (dissimulação dos pagamentos em conta de despesa com publicidade e propaganda). A decisão a quo manteve o lançamento fiscal na sua integralidade. Irresignado o sujeito passivo, nesta instância recursal ordinária do CARF, demanda a reforma da decisão recorrida, argumentando: a) preliminarmente, suscitou nulidade da decisão a quo que não apreciara adequadamente as provas juntadas aos autos quando da Impugnação e rejeitara o pedido de conversão do julgamento em diligência, e que isso teria implicado prejuízo à defesa, ou seja, cerceamento do direito de defesa e do contraditório, garantias constitucionais; Fl. 968DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 969 20 b) quanto aos autos de infração do IRPJ, CSLL e IRRF pediu a improcedência da exigência fiscal, pois: b.1) já na primeira instância de julgamento, quando da apresentação da Impugnação, juntara aos autos planilhas com valores e nomes dos beneficiários dos pagamentos cujos valores coincidem os com os valores tributáveis das infrações imputadas: (i) glosas de despesas pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados; e, (ii) IRRF sobre pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados; b.2) em relação à infração imputada exclusão indevida do valor a título de indenização por distrato do contrato de representação comercial da Monsanto incabível sua tributação pelo IRPJ e CSLL; c) no que concerne à infração IRRF Multas Isoladas e Juros Isolados, sua discordância é com relação à qualificadora; que seria incabível sua exigência, pois nos anos calendário 2004, 2005 e 2006 não havia cominação legal de penalidade nesse patamar. Identificados os pontos controvertidos, primeiro passo a enfrentar a preliminar suscitada de nulidade da decisão a quo. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO. FALTA DE ANÁLISE DAS PROVAS JUNTADAS QUANDO DA IMPUGNAÇÃO. VÍCIO CONFIGURADO. PRELIMINAR ACOLHIDA. O sujeito passivo, nas razões do recurso (efls. 651/665), suscitou preliminar de nulidade da decisão a quo, in verbis: (...) II DAS RAZÕES PARA ANULAÇÃO E/OU REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA (A) DO CERCEAMENTO DE DEFESA 1. Consoante referido inicialmente, a Recorrente postulou a realização de diligência para o efeito de que, junto aos beneficiários apontados na impugnação como os destinatários dos valores enquadrados, no AI, como pagos para beneficiários não determinados, fosse apurado o efetivo recebimento dos cartões de premiação e respectivos montantes. (...) Fl. 969DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 970 21 4. Com efeito, é incontestável que, no caso concreto, a instância de origem haveria de realizar a diligência postulada, abrindo prazo, ademais, para que a Recorrente se manifestasse sobre as conclusões alcançadas. 5. Todavia, sob os fundamentos de que a relação apresentada pela impugnante “contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta”(fls. 1.201), bem como que não cabe “a determinação de diligência para a busca de prova em favor do contribuinte” (fls. 1l89), foi indeferida a diligência postulada, o que conforma flagrante cerceamento de defesa. 6. Ora, eventuais dificuldades operacionais (muito discutíveis, por sinal) para a realização da diligência não têm o condão de afastar o dever inarredável da instância administrativa fiscal de apurar a verdade material dos fatos para o efeito de constituição do crédito tributário. 7. Por outro lado, a assertiva de fls. 1.189 de que não cabe “a determinação de diligência para a busca de provas em favor do contribuinte” é, data vênia, uma verdadeira aberração jurídica, um atentado aos mais comezinhos princípios gerais de direito e às garantias fundamentais expressas na Constituição Federal vigente. É uma consideração tão infeliz que, sozinha, deveria conduzir à anulação da decisão recorrida. 8. Superadas, entretanto, essas equivocidades jurídicas, o que deve ser ressaltado é que a prova postulada é de grande relevância para o deslinde das controvérsias instauradas no processo. 9. Demonstra cabalmente a necessidade da diligência, o fato de que, a fls. 1.201, é questionada na decisão recorrida a validade da relação de beneficiários apresentada em sede de impugnação. Ora, ainda que essa relação seja praticamente idêntica aquela que ensejou a aplicação de multa pela não retenção em se tratando de beneficiários identificados pela Fiscalização (relação que acompanha o Auto de Infração), é incontestável que, suscitadas dúvidas sobre a autenticidade da lista, deveriam ser ouvidos (bastaria uma intimação para prestação de informações) os beneficiários apontados. Beneficiários, digase de passagem, que assinaram recibos atestando o recebimento dos cartões de premiação, conforme prova também juntada com a impugnação. 10. Repisase: na medida em que suscitada pelo próprio julgador divergência sobre prova constante dos autos, não é dado ao mesmo recusar a produção de prova suficiente a dirimir a controvérsia por ele instaurada. Ao contrário, a instância julgadora, por iniciativa própria, deveria executar todas as providências próprias que se mostrassem aptas a concorrer para o adequado esclarecimento das questões em debate. (...) Fl. 970DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 971 22 12. Pelo exposto, deve ser anulada a decisão recorrida por cerceamento de defesa, para efeito de que o processo retome a origem e se realize a diligência postulada pela Recorrente em sede de impugnação. (B) Dos PAGAMENTOS PARA BENEFICIÁRIOS NÃO DETERMINADOS AUTO DE INFRAÇÃO IRRF 1. A Recorrente, em sede de impugnação, trouxe ao processo a relação de todos os beneficiários dos pagamentos apontados, no Autos de Infração, como efetivados para beneficiários não determinados. 2. E diante de uma prova que, inequivocamente, aponta para a improcedência do lançamento, os r. julgadores a quo decidiram pela manutenção integral dos Autos de Infração, sob o argumento de que o direito pátrio “veda a proibição de comportamento contraditório”, bem como o “beneficio pela própria torpeza”. (...) 10. Diante de beneficiários determinados expressamente pela prova juntada com a impugnação, como pode ser a Recorrente obrigada a responder por um tributo incidente sobre pagamentos para beneficiários não determinados? ll. Por outro lado, equivocada também é a argumentação de que a Recorrente não poderia produzir, em sede de impugnação, prova que não alcançou no curso do procedimento de fiscalização. 12. Ora, não é outro senão o momento da impugnação o apropriado para que o contribuinte produza a prova suficiente e necessária para a improcedência do Auto de Infração contra si lavrado. (...). 13. Igualmente, é princípio de nosso direito positivo que ninguém pode ser compelido a produzir prova contra si mesmo, com o que não pode a decisão recorrida imputar à Recorrente uma obrigação de alcançar toda e qualquer prova no curso da fiscalização, até porque muitos documentos acabam por se tomar disponíveis quando já lavrado o Auto de Infração. 14. Por fim, não se pode alegar que está a Recorrente a beneficiarse de eventual torpeza, já que a não retenção do imposto de renda nos pagamentos aos beneficiários identificados na impugnação a sujeita à multa, conforme prescreve o Parecer Normativo SRF 01/2002. 15. O que não pode persistir, todavia, é a exigência de um imposto em contradição absoluta com os elementos de fato constantes do processo. Quando o Relatório da Ação Fiscal refere que os cartões de premiação eram utilizados para uma “possível sonegação de tributos”, não há dúvidas que essa “sonegação” somente pode se dar na pessoa física beneficiária Fl. 971DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 972 23 dos rendimentos e que não os declara na respectiva declaração de renda. Jamais por parte da Recorrente, na condição de fonte pagadora. (...) A decisão recorrida rejeitou o pedido de diligência com base no voto condutor do Relator cuja fundamentação, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) Cartões Flexcard e Premium Card (...) Pois bem. No caso em exame, em relação às operações com os cartões de premiação efetuadas pela impugnante foram registrados, contabilmente, apenas os pagamentos realizados para a Incentive House, em conta de “Publicidade e Propaganda”. (...) Em 02/10/2006 a impugnante foi intimada a apresentar “relação dos beneficiários dos cartões e bônus oferecidos pela INCENTIVE HOUSE, informando nome, CPF, e cargo/função que ocupa na empresa fiscalizada”, bem assim “a relação dos benefícios concedidos individualmente para cada beneficiário, com data do pagamento/crédito e valor do beneficio” (Í1. 329). A resposta da impugnante, apresentada em 05/10/2006, foi vazada nos seguintes termos (destaquei): Conforme já respondido, em 18 de setembro de 2006, em outra intimação no curso deste Mandado de Procedimento Fiscal 10l01002006000599, a contratação da Incentive House pela Agrofel tem como objetivo o desenvolvimento de programas de marketing, a ser desenvolvido mediante premiações distribuídas, especialmente aos clientes através de cartões e voucher. (...) O único controle que Agrofel possui da operação é o do valor global da mesma [..]. (...) Na mesma data, a autoridade intimou a administradora dos cartões (Incentive House) para declarar a existência de controle que permitissem identificar os beneficiários dos pagamentos mediante cartões, bônus prêmios e sorteios, e, se positivo, apresentar a relação dos benefícios concedidos (fl. 539). Em resposta, a Incentive House apresentou relação com a Fl. 972DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 973 24 identificação de alguns beneficiários, informando ainda que nos casos em que a identificação estava incompleta pois os dados não haviam sido disponibilizados pela impugnante (fl. 544). (...) Em 15/03/07 foi expedida nova intimação fiscal para a impugnante requerendo que, em relação aos beneficiários identificados pela Incentive House e integrantes do quadro de funcionários da empresa, fosse informado se os bônus foram objeto de tributação na fonte. A impugnante informou que os valores não foram objeto de tributação (fl. 431). Importante notar a intimação de 16/01/07, que_requer a apresentação, pela impugnante, da relação de pessoas físicas que pertenceram ao quadro de funcionários da empresa nos anoscalendário de 2004 e 2005. Pois bem. Entre a primeira intimação e o término da ação fiscal, o contribuinte teve três claras oportunidades de, respondendo ao intimado pela autoridade, esclarecer a natureza e nominar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões Flexcard e Premium Card. A autoridade administrativa, louve se, foi pródiga em ofertar oportunidades para que os esclarecimentos fossem promovidos, e em especial a identificação dos beneficiários dos cartões. Entretanto, a impugnante veementemente alegou não poder identificar os beneficiários dos pagamentos, sempre sustentado a tese da destinação dos cartões para seus clientes, chegando a afirmar não dispor de controle para este fim, senão unicamente o registro dos valores globais das operações. (...) Diante da omissão da impugnante de nominar os beneficiários dos pagamentos e por força do art. 142 do Código Tributário Nacional, não restou alternativa à autoridade senão exigir os impostos e contribuições decorrentes, o que mereceu a concordância da impugnante (fl. 1039). (...) Surpreendentemente, e em manifesta contradição às várias afirmações feitas ao longo do procedimento fiscal, eis que a impugnante apresenta, agora, não só informação de que os cartões de premiação foram destinados para seus funcionários, mas também extensas relações onde indica, com riqueza de detalhes, os supostos beneficiários dos pagamentos (fl. 1041). Bastaram, assim, apenas vinte e seis dias para a impugnante providenciar o que não fez em onze meses de fiscalização, não só “lembrando” que os pagamentos foram destinados para funcionários da empresa (e não para clientes como em várias oportunidades afirmou), mas também localizando o controle que incisivamente negou existir, de modo a identificar os Fl. 973DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 974 25 beneficiários dos pagamentos por intermédio dos cartões de premiação. Salta aos olhos que as informações negadas no curso do procedimento fiscal repitase, reiteradamente sempre estiveram à disposição da impugnante. Já não fosse implausível que uma empresa do porte da impugnante, que se submete a auditorias externas, desconhecesse o destino de mais de 3,5 milhões de reais, a rápida apresentação das mesmas informações em tão exíguo prazo e com a riqueza de detalhes que contém, quando lhe convém cancelar o lançamento, expõe o dolo com que agiu a impugnante. Os próprios documentos agora apresentados (por exemplo, fls. 1089, 1091, 1103, 1108, 1112, 1119, 1123, 1131, 1135), datados em 18/10/O4, 20/07/04, 13/09/04, 07/10/04, 16/11/04, 29/09/04, 14/05/O4, 12/04/04, 08/03/04 respectivamente, demonstram que as informações sempre estiveram ao alcance da impugnante, sendo intencionalmente negadas à agente fiscal, não só subtraindose ao dever de prestar informações inscrito no art. 7° da Lei n° 2.354, de 1954 (e que a doutrina chama de “dever de colaboração na instrução do procedimento”), mas também conduzindo, conscientemente, ao lançamento ora recorrido. (...) Fica evidente que, desde a contratação dos serviços da Incentive House, a impugnante sempre soube qual a destinação que seria dada aos cartões: para funcionários da empresa. No entanto, insistiu na tese de distribuição dos cartões para clientes, escancarando que a impugnante não apenas deixou de colaborar com a instrução processual, mas, deliberadamente conduziu a fiscalização para um lançamento que, agora, pretende cancelar, apresentando os elementos que negou no curso do procedimento fiscal. Entendo que a conduta acintosa da impugnante não merece acolhida. (...) A doutrina e a jurisprudência alçaram à condição de princípios gerais do Direito duas máximas que remontam ao direito medieval: a proibição do comportamento contraditório (nemo potest venire contra factum próprio) e a vedação de beneficio pela própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans). (...) Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza López, ao examinarem o princípio da moralidade aplicado ao processo administrativo fiscal, defendem que a atuação da Administração deva se pautar segundo a boafé, que estaria consubstanciado no comportamento leal e honesto, sem surpresas, ardis e Fl. 974DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 975 26 armaadilhas (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2” Edição, Dialética, 2004). Na mesma obra, encontramos lição de Maria Zanella Di Pietro, defendendo que não só o comportamento da Administração, mas também do administrado, devem ser pautados, além da lei, pelo princípio da moralidade administrativa, que pressupõe o respeito à moral, aos bons costumes, aos princípios da justiça e da equidade e à idéia comum de honestidade. Também citado, Egon Bockmann enumera, dentre outras, as seguintes condutas que derivam do princípio da boafé: interdição do excesso de prerrogativas legítimas, proibição da conduta contraditória, dissonante da anteriormente assumida e a qual havia se adaptado a outra parte e proibição ao retardamento desleal, dentre outras. (...) No caso vertente constatase que, para além de furtarse ao dever legal de prestar esclarecimentos e de comprovar os pagamentos efetuados como requerido pela autoridade, a impugnante atuou ativamente para defender nunca é demais lembrar, reiteradamente que os pagamentos destinavamse aos seus clientes, insistindo que não tinha como identificar os beneficiários em face da ausência de outro controle além dos valores globais. E foi unicamente desta insistente falta de identificação que resultou o lançamento ora guerreado. Logo, aceitar os argumentos da impugnante convalidaria o beneficio pela torpeza, hipótese reprimida pelo ordenamento jurídico e pela nossa Corte Maior. Entendo que também se afigura a chamada preclusão lógica, manifestada pela perda da faculdade de praticar ato processual pela prática de outro com ele incompatível (Código de Processo Civil Comentado, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, Revista dos Tribunais, 3" Ed., p. 483). (...) Dito isto, desde já entendo ser incabível a pretensão de cancelamento da exigência, efetuada com correção pela autoridade administrativa frente aos elementos (ou, melhor, à falta deles) apresentados pelo próprio contribuinte. Porém, ainda que se pudesse validar a conduta da impugnante, a identificação dos beneficiários efetuada em sede de impugnação é, no mínimo, precária. Além de não atingir a totalidade dos pagamentos efetuados, os elementos probatórios do alegado restringemse a simples relações com nomes e dados de pessoas físicas. Em relação aos Premium Card distribuídos em 2005 se trouxe ao processo apenas relações que seriam os recibos de entrega dos cartões, nas quais nem mesmo se informa o valor pago a Fl. 975DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 976 27 cada beneficiário. A precariedade dos elementos probatórios parece ser reconhecida até mesmo pela impugnante que sugere verificação adicional por este Colegiado mediante realização de diligência junto aos beneficiários, requerendo expressamente a realização desta para “confirmar se receberam, nos exercícios de 2004 e 2005, cartões de premiação por parte da impugnante, bem como se confirmam ou não suas assinaturas nos recibos juntados". Pedido impertinente, posto que a obrigação de comprovar integralmente o alegado é ônus da impugnante, a teor do art. 16, incisos III e § 4° do Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, era (e é) seu dever manter toda a documentação comprobatória das suas operações em boa guarda (art. 264 do RIR/99), não só para eximirse da exigência do imposto na fonte, mas também para permitir a aferição da normalidade e usualidade das despesas pagas, sem as quais não se pode admitir sua dedutibilidade na apuração do lucro real. (...) Ademais, apenas primeira relação contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta, suficiente para negar o pedido nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, ainda que fosse possível ignorar a conduta dolosa da impugnante aqui narrada, não vejo nas relações dos supostos beneficiários ora apresentadas comprovação suficiente do alegado, especialmente considerando que estão em franca contradição com tudo o que disse a impugnante ao longo do procedimento fiscal. Deste modo, não merece reproche a exação examinada. (...) Não há dúvida da conduta reprovável do sujeito passivo, durante o procedimento de fiscalização, de negar aos agentes do Fisco a existência das provas, ao informar, de forma reiterada, que os pagamentos efetuados via Cartões Flexcard e Premium Card eram destinados a clientes, programa de marketing e propaganda, e que não se destinaram para seus funcionários e que não teria como identificar esses pagamentos efetuados a clientes, pois só tinha o valor global gasto ou pago no programa. Entretanto, os fatos apurados pela Fiscalização desmentem, categoricamente, o sujeito passivo. Consta do TVF, em resumo: que a Incentive House, CNPJ: 00.416.126/000141, foi intimada a informar como se operacionalizava a disponibilidade para a AGROFEL AGRO COMERCIAL LTDA dos cartões FLEXCARD, PREMIUM CARD e PRESENTE PERFEITO, assim como os bônus TOP PREMIUM e TOP PREMIUN TRAVEL, e a apresentar declaração sobre a existência ou Fl. 976DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 977 28 não de controles que permitam identificar os beneficiários dos pagamentos (cartões, bônus, prêmios, sorteios, etc.) relacionados com o contrato estabelecido com a AGROFEL; que, em resposta, a Incentive House apresentou relação contendo identificação de nomes e CPF dos beneficiários, bem como valor do prêmio e data do crédito, porém a relação era parcial, ou seja, incompleta. E ainda acrescentou: ”...a Incentive House detém, quando disponibilizado pelo cliente. as informações referentes ao nome e CPF dos beneficiários. Em tal relação. verificamse casos em que não possuem tais dados, posto que não nos foram disponibilizados. Nesse sentido, informamos que tais números e anotações foram indicados pelo cliente e que a incentive House não possui os dados necessários para prestar tais esclarecimentos" que, como visto, é a Aqrofel quem disponibilizava as informações para a Incentive House, fornecendo relação de nomes e CPF dos beneficiários dos cartões/prêmios, sendo que, quando não há tal informação, decorre do fato da Agrofel não ter disponibilizado; que todas as notas fiscais emitidas pela Incentive House, durante os anos de 2004 a 2006, para a Agrofel Agro Comercial, foram emitidas para o CNPJ 03.415.2220/0001 63, endereço Rua Coronel Bordini, 48, em Porto Alegre/RS. No campo “encargo de responsabilidade do cliente" consta a descrição de "programa de estímulo ao aumento de produtividade" e o valor do encargo; já no campo “descrição dos serviços", conta “prestação de serviços". que da escrituração contábil da Agrofel consta: (...) Os valores declarados pela Incentive House como disponibilizados para a Agrofel no ano de 2004 encontramse contabilizados nas contas do Livro Razão: "Títulos a pagar”, 2.1.2.01.01, “Publicidade e propaganda", 3.1.2.09.01 e “Despesas com promoções”, 3.1.2.09.02. No ano de 2005, os valores declarados pela Incentive House foram contabilizados pela Agrofel na conta “Títulos a pagar", 2.1.2.01.01, e “Publicidade e propaganda", 3.1.2.09.01. Quanto ao ano de 2006 verificamos que o contribuinte entregou cópia do Livro Razão, conta 2102.01.01, com os valores apropriados até 10/06/2006. Ao analisarmos o extrato do conta corrente apresentado, assim como a conta 3.0102.09.01 Publicidade e Propaganda, verificamos que foram apropriadas despesas com a Incentive House até 16/11/2006. (...) que a operacionalização do programa ocorria assim: a Agrofel num primeiro momento fazia o pedido de premiação indicando ou não os premiados, produto de premiação e valores a serem creditados nos cartões ou impressos nos vouchers, posteriormente, a Incentive House emitia a nota fiscal de serviços, destacando em separado o valor dos prêmios e o valor de sua comissão pelos serviços prestados de intermediação, para então serem entregues os Fl. 977DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 978 29 cartões FLEXCARD, PREMIUM CARD E PRESENTE PERFEITO e/ou vouchers TOP PREMIUM e TOP PREMIUM TRAVEL ao cliente. O que ocorria, na verdade, era um repasse de valores, pois quem fazia os pagamentos era a própria Aqrofel, a qual se utilizava da intermediação da Incentive House em função da utilização dos cartões/prêmios; que a Fiscalização intimara a Agrofel Agro Comercial a manifestarse, por mais de uma oportunidade, sobre a identificação dos beneficiários dos cartões/prêmios oferecidos pela Incentive House. Em suas respostas, a Aqrofel sempre declarou não possuir os dados solicitados; que a Fiscalização fez a confrontação da listagem das pessoas/físicas beneficiárias dos cartões/bônus apresentada pela Incentive House com a listagem das pessoas físicas que pertenceram ao quadro de funcionários da Agrofel, matriz e filiais, durante os anos calendário 2004 a 2006, onde consta nome, CPF e função que ocupou dentro da empresa, listagem essa apresentada pela Agrofel; que das 194 pessoas físicas (englobando os três anos relacionados) beneficiárias dos cartões/prêmios: 182 pessoas físicas são/foram funcionários da Aqrofel naquele período (94% do total), contradizendo completamente o declarado pelo contribuinte de que “...a contratação da Incentive House pela Agrofel teria como objetivo o desenvolvimento de programas de marketinq, a ser desenvolvido mediante premiações distribuídas, especialmente aos clientes, através de cartões e vouchers"; que, segundo a Fiscalização, a Agrofel tinha e tem conhecimento dos beneficiários e dos valores disponibilizados a cada um dos beneficiários, mas não apresentou a documentação que permitisse sua identificação, pois, certamente, haveria a descaracterização das despesas como publicidade e propaganda; Dos valores creditados/pagamentos efetuados sem identificação dos beneficiários: que os valores creditados pela Incentive House, mediante os cartões FLEXCARD e TOP PREMIUN CARD, adquiridos pela Agrofel, os quais foram apropriados como despesas com publicidade e propaganda, onde não consta a identificação dos beneficiários, foram imputadas as seguintes infrações: a) auto de infração IRRF Pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados (art. 674, do RIR/99); b) auto de infração do IRPJ e CSLL Glosa de despesa pagamento sem causa e ou beneficiários não identificados. Dos valores creditados aos beneficiários pessoas físicas: que, atinente aos dados da planilhas fornecidas pela Incentive House (relação contendo identificação e CPF dos beneficiários, assim como data e valor do prêmio), a contribuinte, intimada pelo Fisco, declarou que: "Os valores constantes das planilhas desta intimação não foram objeto de tributação de imposto de renda pela Agrofel". que a Agrofel não reteve nem recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os valores creditados às pessoas físicas beneficiárias dos cartões/bônus disponibilizados pela Agrofel nos anos 2004 a 2006, e que o prazo para entrega das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF daqueles anos já Fl. 978DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 979 30 expirou, então a Fiscalização efetuou o lançamento da multa isolada e juros isolados, por não retenção ou recolhimento do tributo, conforme preceitua o art. 44 da Lei 9.430/96, e Lei 10.426/2002, art. 9º. Como demonstrado, o sujeito passivo, durante o procedimento de Fiscalização, não forneceu dado algum acerca de valores creditados nos cartões FLEXCARD e TOP PREMIUN CARD. As três infrações imputadas pelo Fisco, já mencionadas acima, decorreram das informações apresentadas pela Incentive House, cujos valores pagos no programa estão assim resumidos: Quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o sujeito passivo, finalmente, apresentou, juntou aos autos, documentos que comprovariam que os valores informados na tabela acima (dados fornecidos pela Incentive House) coluna BENEF NÃO IDENTIFICADO na verdade seriam pagamentos com causa, cujos beneficiários estariam devidamente identificados e, então, pediu a improcedência das infrações glosa de despesas pagamentos sem causa (autos de infração do IRPJ e da CSLL) e do IRRF pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados, ou seja: a) auto de infração IRRF Pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados (art. 674, do RIR/99); b) auto de infração do IRPJ e CSLL Glosa de despesa pagamentos sem causa/beneficiários não indentificados. Entretanto, a decisão a quo: Fl. 979DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 980 31 a) não analisou, com profundidade, as provas juntadas aos autos pelo sujeito passivo, entendendo que teria ocorrido a preclusão lógica, manifestada pela perda da faculdade de produzir provas nos autos, quando da Impugnação, por ter praticado antes outro ato com aquele incompatível e que a ninguém é dado beneficiarse da própria torpeza; b) em analise, perfunctória, ant passant, consignou: que o sujeito passivo apresentou na Impugnação, poucos dias após encerramento da fiscalização, não só informação de que os cartões de premiação foram destinados para seus funcionários (informação sonegada à fiscalização), mas também extensas relações onde indica, com riqueza de detalhes, os supostos beneficiários dos pagamentos (fl. 1041); que ainda que se pudesse validar a conduta da impugnante, a identificação dos beneficiários efetuada em sede de Impugnação é, no mínimo, precária. Além de não atingir a totalidade dos pagamentos efetuados, os elementos probatórios do alegado restringemse a simples relações com nomes e dados de pessoas físicas; que em relação aos Premium Card distribuídos em 2005 trouxe ao processo apenas relações que seriam os recibos de entrega dos cartões, nas quais nem mesmo se informa o valor pago a cada beneficiário. A precariedade dos elementos probatórios parece ser reconhecida até mesmo pela impugnante que sugere verificação adicional pela primeira instância, mediante realização de diligência junto aos beneficiários, requerendo expressamente a realização da diligência para “confirmar se receberam, nos exercícios de 2004 e 2005, cartões de premiação por parte da impugnante, bem como se confirmam ou não suas assinaturas nos recibos juntados"; que o pedido de diligência é impertinente, posto que a obrigação de comprovar integralmente o alegado é ônus da impugnante, a teor do art. 16, incisos III e § 4° do Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, era (e é) seu dever manter toda a documentação comprobatória das suas operações em boa guarda (art. 264 do RIR/99), não só para eximirse da exigência do imposto na fonte, mas também para permitir a aferição da normalidade e usualidade das despesas pagas, sem as quais não se pode admitir sua dedutibilidade na apuração do lucro real; que, ademais, apenas a primeira relação contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta, suficiente para negar o pedido nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972; que, assim, ainda que fosse possível ignorar a conduta dolosa da impugnante aqui narrada, não vejo nas relações dos supostos beneficiários ora apresentadas comprovação suficiente do alegado, especialmente considerando que estão em franca contradição com tudo o que disse a impugnante ao longo do procedimento fiscal. Ora, sem delongas, a decisão recorrida possui vício insanável que a mácula de nulidade. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 981 32 Entendo que deve ser declarada nula, por cerceamento do direito de defesa, por violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, a decisão recorrida. Reconheço que a conduta do sujeito passivo, no curso a fiscalização, foi de fato, deverás, reprovável, condenável. Poderia ter sido autuado também por embaraço à fiscalização, dentre outras tantas medidas previstas na legislação de regência. Mas, vencida essa fase do procedimento de fiscalização (fase préprocessual), que tem natureza inquisitorial realizada no interesse exclusivo do Fisco, sobreveio o lançamento fiscal (acusação formal imputação de fato infração tributária) e ciência da imputação fiscal. Com a apresentação da Impugnação e juntadas das provas, instaurouse a fase litigiosa, dando início à fase processual. O devido processo legal é banhado pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais. Não há que se falar ou aventar em ocorrência de preclusão de faculdade processual de produzir prova no processo, pelo fato da empresa fiscalizada, na fase de fiscalização (fase inquisitorial) não ter cooperado com a fiscalização na colheita de provas quanto aos fatos investigados. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (CF, art. 5º, LV). As provas juntadas aos autos quando da Impugnação, por conseguinte, devem ser analisadas, apreciadas, e fundamentada sua rejeição pela decisão a quo, pois foram juntadas aos autos tempestivamente. Se são insuficientes ou geram dúvidas para formação da convicção acerca do mérito da lide, é prudente a conversão do julgamento em diligência para dirimir as dúvidas, oportunizar a reabertura de prazo ao sujeito passivo, para que ele complemente as provas, desincumbase do seu ônus probatório. Pois, é ônus do sujeito passivo provar, comprovar, suas alegações acerca de fatos modificativos, impeditivo e/ou extintivos do direito constitutivo do Fisco de lançar e exigir tributos (Código de Processo Civil Lei 13.105/2015, art. 373, II). Pois é. Nesta instância recursal, não ha como julgar o mérito da lide, quando a produção de provas fora refutada pela primeira instância sem observar as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, cuja fundamentação ou argumentação baseouse em ato incompatível do sujeito passivo na fase préprocessual (fase inquisitória de interesse exclusivo do Fisco, colheita de provas), que teria ocorrido preclusão lógica e ainda, se assim não fosse (entendimento diverso), se estaria privilegiando o sujeito passivo a beneficiar se da própria torpeza, pois na fase de fiscalização informara, reiteradamente, ao Fisco a inexistência de provas. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 982 33 Ora, não se pode afastar garantias constitucionais do devido processo legal aos acusados. O processo administrativo é método de composição de lides, com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. O sujeito passivo tem o direito de julgamento da lide com as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Não se pode coarctar o seu direito de defesa na fase processual, por não ter colaborado com a Fiscalização na colheita de provas na fase inquisitorial, préprocessual (fase de interesse exclusivo do Fisco na colheita de provas da suspeita de existência de infração tributária). O sujeito passivo não pode sofrer prejuízo jurídico na sua defesa, na fase processual, por omissão ou falta de colaboração com a Fiscalização na fase préprocessual de colheita de provas pelo Fisco (fase inquisitorial). Não há que se invocar preclusão lógica do direito de ampla defesa e do contraditório na fase processual por ato incompatível do sujeito passivo na fase inquisitorial. Aplicação do princípio nemo tenetur se detegere. Os precedentes do CARF, também, são pela nulidade da decisão que implicar preterição do direito de defesa. ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS. É nulo o acórdão que deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada. (Acórdão nº 1302 003.427–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, sessão de 19/03/2019, Relator FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2013, 2014 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. CERCEAMENTO DO DIREITO DEDEFESA. A decisão administrativa deve se manifestar acerca dos fundamentos aduzidos pelo contribuinte, apresentando fundamentação suficiente, notadamente quando se tratar de aspecto capaz de alterar a conclusão obtida. A ausência de análise de argumentos e documentos trazidos aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar as matérias suscitadas e provas trazidas na impugnação. (Acórdão nº 1301003.283–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 14/08/2018, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2012,2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS. É nulo o acórdão que, Fl. 982DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 983 34 expressamente, deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada. (Acórdão nº 1302 002.868–3ª Câmara/2ª Turma Ordinária , sessão de 14/06/2008, Relator Flávio Machado Vilhena Dias). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2013, 2014 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, haja vista a existência de impugnações apresentadas tempestivamente que não tiveram seus argumentos enfrentados no momento processual devido.(art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).(Acórdão nº 1401003.118–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 19/02/2019, Relatora Luciana oshihara Arcangelo Zanin). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2012 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR A COLHIDA. É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa, uma vez constatado que certas alegações e/ou documentos apresentados pela Contribuinte não foram devidamente apreciados pela autoridade a quo. (Acórdão nº 1401003.029–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 22/11/2018, Relator Cláudio de Andrade Camerano). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2010 NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nulo o acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em primeira instância, impondo anulação do aresto recorrido, e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão,sob pena de supressão de instância. (Acórdão nº 1201002.641–2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 18/10/2018, Relator Paulo Cezar Fernandes de Aguiar). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2011,2012 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindose expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte.(Acórdão nº 1301003.356–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 18/09/2018, Relator Carlos Augusto Daniel Neto). Por tudo que foi exposto, voto para anular a decisão a quo por cerceamento do direito de defesa e determinar o retorno dos autos à Turma de origem da DRJ/Porto Alegre para que seja proferida nova decisão, asseguradas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 984 35 É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 984DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 985 36 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em que pesem os argumentos do i. Conselheiro Relator, ouso discordar do seu entendimento sobre a nulidade da decisão de primeira instância. A decisão de primeira instância está absolutamente muito bem fundamentada sobre o porquê de não ter analisado as provas apresentadas pelo contribuinte em sede de impugnação: teria ocorrido preclusão lógica, não podendo o contribuinte se beneficiar de sua própria torpeza ao não apresentar documentos durante o procedimento fiscal e, por outro lado, apresentar informações incorretas sobre a causa dos pagamentos realizados à Incentive House, levando o lançamento a ser realizado com base em supostos pagamentos sem causa, para, após a lavratura dos autos de infração com exigência de IRRF (e não de multa por falta de retenção de IRFonte no pagamento aos beneficiários que o contribuinte, desde o início, sabia quais eram mas não forneceu tais informações), anexar aos autos a prova antes sonegada ao Fisco ao fim de eximir por completo de qualquer exigência em relação àqueles fatos. Vejase a profundidade dos argumentos do voto condutor do aresto de primeira instância: Cartões Flexcard e Premium Card A grosso modo, as operações com cartões de premiação funcionam da seguinte forma: a) o contribuinte indica para a administradora dos cartões o valor a ser creditado para cada cartão, que pode ser nominal ou não; b) a impugnante distribui os cartões para pessoas físicas, a seu critério; c) a pessoa física que recebe os cartões pode gastar o valor a ele associado em compras nas redes conveniadas ou mesmo sacando em espécie os valores, na rede bancária autorizada; d) a impugnante pode solicitar novos créditos para os cartões já distribuídos. Pois bem. No caso em exame, em relação às operações com os cartões de premiação efetuadas pela impugnante foram registrados, contabilmente, apenas os pagamentos realizados para a Incentive House, em conta e “Publicidade e Propaganda”. Não houve registro da distribuição dos cartões para os seus beneficiários finais. Esmiuçando os registros contábeis a autoridade administrativa constatou que os pagamentos contabilizados se destinavam, em sua quase totalidade, para gerar créditos em cartões de bônus (os chamados Flexcard e Premium Card), os quais Fl. 985DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 986 37 eram, por seu turno, distribuídos a terceiros pela impugnante. Apenas pequena parcela destinavase, de fato, à Incentive Houve, por conta de comissões pelos serviços prestados. Sobre o assunto, em 13/09/2006 a autoridade inquiriu a impugnante nos seguintes termos (fl. 172): Informar, por escrito, detalhadamente, como eram utilizados, pela AGROFEL, os cartões de bônus oferecidos pela INCENTIVE HOUSE (FLEXCARD, PREMIUM CARD, PRESENTE PERFEITO, TOP PREMIUM E TOP PREMIUM TRAVEL); Em resposta, a impugnante informou, em 18/09/2006, que (fl. 181 – grifos meus): A Agrofel colocava a disposição de seus clientes e em suas lojas as mercadorias que revende e contratou a empresa INCENTIVE HOUSE S/A conforme contrato celebrado em anexo, para elaborar programas de marketing conforme prevê o referido contrato [...] Cada campanha tinha um objetivo especial de incentivo aos clientes para estes receberem propostas da Agrofel como sendo mais atrativas, e um objetivo de aumento da produtividade da empresa nos negócios com os respectivos clientes. Isto ocorria através de um tipo de premiação onde eram distribuídos aos clientes vouchers e cartões, os quais poderiam ser trocados por mercadorias, viagens ou dinheiro nas redes conveniadas. Os respectivos vouchers e cartões eram emitidos ao portador, e eram distribuídos aos clientes [...] Em 02/10/2006 a impugnante foi intimada a apresentar “relação dos beneficiários dos cartões e bônus oferecidos pela INCENTIVE HOUSE, informando nome, CPF, e cargo/função que ocupa na empresa fiscalizada”, bem assim “a relação dos benefícios concedidos individualmente para cada beneficiário, com data do pagamento/crédito e valor do benefício” (fl. 329). A resposta da impugnante, apresentada em 05/10/2006, foi vazada nos seguintes termos (destaquei): Conforme já respondido, em 18 de setembro de 2006, em outra intimação no curso deste Mandado de Procedimento Fiscal 10101002006000599, a contratação da Incentive House pela Agrofel tem como objetivo o desenvolvimento de programas de marketing, a ser desenvolvido mediante premiações distribuídas, especialmente aos clientes, através de cartões e voucher. Sendo assim, a Agrofel não dispõe dos dados solicitados na presente intimação, devendo frisar, entretanto, que os programas eram desenvolvidos com os clientes de cada uma das filiais [...] O único controle que Agrofel possui da operação é o do valor global da mesma [..] Em 16/10/2006 a impugnante foi novamente intimada a prestar esclarecimentos, em especial (fl. 356 – os grifos são do original): Fl. 986DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 987 38 2. Considerando que houve a identificação do Sr. ERNANI CARNETTI, de Rodeio Bonito/RS (promoção AGROFEL realizada na Expodireto/2004: “Uma semana TOP em Porto Seguro”), identificar os demais beneficiários de cartões, prêmios e bônus concedidos pela AGROFEL mediante a utilização dos cartões FLEXCARD, PREMIUM CARD, PRESENTE PERFEITO, e dos bônus TOP PREMIUM E TOP PREMIUM TRAVEL; 3. O contribuinte informa que em sua resposta que ...”a contratação da INCENTIVE HOUSE pela AGROFEL tem como objetivo o desenvolvimento do programa de marketing, a ser desenvolvido mediante premiações distribuídas , especialmente aos clientes, através de cartões e vouchers”. Com relação aos não clientes da AGROFEL, identificálos, informando nome e CPF, e individualizar os valores pagos a eles; Assim respondeu a impugnante em 16/10/2006 (fl. 363 – destaques meus): A Agrofel não dispõe dessas informações, pois era a Incentive House que fazia toda a gestão e organização das atividades de premiação aos clientes para o qual era contratada. No caso do Sr. Ernani Carnetti, a sua identificação foi possível pela natureza da promoção, que se tratava de um sorteio que foi realizado nos estandes de empresas parceiras da Agrofel. [...] Como colocado na própria pergunta, a quase integralidade das promoções eram promovidas com os clientes, conforme ficará claro na resposta a seguir. Sobre as promoções realizadas com não clientes, a Agrofel não dispõe dos dados solicitados, já que todas as promoções e premiações eram geridas pela Incentive House. Na mesma data, a autoridade intimou a administradora dos cartões (Incentive House) para declarar a existência de controle que permitissem identificar os beneficiários dos pagamentos mediante cartões, bônus prêmios e sorteios, e, se positivo, apresentar a relação dos benefícios concedidos (fl. 539). Em resposta, a Incentive House apresentou relação com a identificação de alguns beneficiários, informando ainda que nos casos em que a identificação estava incompleta pois os dados não haviam sido disponibilizados pela impugnante (fl. 544). Em 16/01/07 a Incentive Houve, complementando os esclarecimentos, informou que “a Incentive House detém, quando disponibilizado pelo cliente, as informações referentes ao nome e CPF dos beneficiários. Em tal relação, verificamse casos que não possuem tais dados, posto que não nos foram disponibilizados.” (fl. 609, destaquei) Em 15/03/07 foi expedida nova intimação fiscal para a impugnante requerendo que, em relação aos beneficiários identificados pela Incentive House e integrantes do quadro de funcionários da empresa, fosse informado se os bônus foram objeto de tributação na fonte. A impugnante informou que os valores não foram objeto de tributação (fl. 431). Fl. 987DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 988 39 Importante notar a intimação de 16/01/07, que requer a apresentação, pela impugnante, da relação de pessoas físicas que pertenceram ao quadro de funcionários da empresa nos anoscalendário de 2004 e 2005. Pois bem. Entre a primeira intimação e o término da ação fiscal, o contribuinte teve três claras oportunidades de, respondendo ao intimado pela autoridade, esclarecer a natureza e nominar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões Flexcard e Premium Card. A autoridade administrativa, louvese, foi pródiga em ofertar oportunidades para que os esclarecimentos fossem promovidos, e em especial a identificação dos beneficiários dos cartões. Entretanto, a impugnante veementemente alegou não poder identificar os beneficiários dos pagamentos, sempre sustentado a tese da destinação dos cartões para seus clientes, chegando a afirmar não dispor de controle para este fim, senão unicamente o registro dos valores globais das operações. Diante da omissão da impugnante de nominar os beneficiários dos pagamentos e por força do art. 142 do Código Tributário Nacional, não restou alternativa à autoridade senão exigir os impostos e contribuições decorrentes, o que mereceu a concordância da impugnante (fl. 1039): 4. Analisando, por sua vez, a questão posta na perspectiva dos documentos que a Fiscalização dispunha ao tempo da lavratura do Auto de Infração, concluise que o seu agir não poder ser diferente prima facie. Surpreendentemente, e em manifesta contradição às várias afirmações feitas ao longo do procedimento fiscal, eis que a impugnante apresenta, agora, não só informação de que os cartões de premiação foram destinados para seus funcionários, mas também extensas relações onde indica, com riqueza de detalhes, os supostos beneficiários dos pagamentos (fl. 1041). Bastaram, assim, apenas vinte e seis dias para a impugnante providenciar o que não fez em onze meses de fiscalização, não só “lembrando” que os pagamentos foram destinados para funcionários da empresa (e não para clientes como em várias oportunidades afirmou), mas também localizando o controle que incisivamente negou existir, de modo a identificar os beneficiários dos pagamentos por intermédio dos cartões de premiação. Salta aos olhos que as informações negadas no curso do procedimento fiscal – repitase, reiteradamente sempre estiveram à disposição da impugnante. Já não fosse implausível que uma empresa do porte da impugnante, que se submete a auditorias externas, desconhecesse o destino de mais de 3,5 milhões de reais, a rápida apresentação das mesmas informações em tão exíguo prazo e com a riqueza de detalhes que contém, quando lhe convém cancelar o lançamento, expõe o dolo com que agiu a impugnante. Os próprios documentos agora apresentados (por exemplo, fls. 1089, 1091, 1103, 1108, 1112, 1119, 1123, 1131, 1135), datados em 18/10/04, 20/07/04, 13/09/04, 07/10/04, 16/11/04, 29/09/04, 14/05/04, 12/04/04, 08/03/04 respectivamente, demonstram que as informações sempre estiveram ao alcance da impugnante, sendo intencionalmente negadas à agente fiscal, não só subtraindose ao dever de prestar informações inscrito no art. 7º da Lei nº 2.354, de 1954 (e que a doutrina chama de “dever de colaboração na instrução do procedimento”), mas também conduzindo, conscientemente, ao lançamento ora recorrido. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 989 40 Reforça esta conclusão a constatação, no contrato de prestação de serviços firmado pela impugnante com a Incentive House (fl. 174 a 180), que o interlocutor da impugnante junto aquela empresa, Alexandre Fortes, foi ali identificado como pertencente ao setor de “RH”. Notese, que na autorização de prepostos e interlocutores foi indicado a funcionária da impugnante Andréia Luiz dos Santos, ocupante do cargo “Analista de RH JR.”, de departamento “RECURSOS HUMANOS”. Conferindo a relação de funcionários apresentada pela empresa (fl. 378 a 391) o primeiro consta como “GERENTE REC. HUMANOS”. Ora, se o contrato já era administrado, desde sua assinatura, pela área de Recursos Humanos da empresa, como poderia a impugnante se confundir e afirmar repetidamente a destinação dos pagamentos para clientes ? Fica evidente que, desde a contratação dos serviços da Incentive House, a impugnante sempre soube qual a destinação que seria dada aos cartões: para funcionários da empresa. No entanto, insistiu na tese de distribuição dos cartões para clientes, escancarando que a impugnante não apenas deixou de colaborar com a instrução processual, mas, deliberadamente conduziu a fiscalização para um lançamento que, agora, pretende cancelar, apresentando os elementos que negou no curso do procedimento fiscal. Entendo que a conduta acintosa da impugnante não merece acolhida. Se é inequívoco que o lembrado Princípio da Verdade Material informa o processo administrativo fiscal, não se pode olvidar que outros princípios também norteiam o Direito Processual, e são aplicados ao processo fiscal. O princípio da lealdade processual que, na dicção de Ada Pellegrini Grinover (in Princípios Gerais do Direito Processual, 20ª edição, p. 71) determina que “é reprovável que as partes se sirvam dele [do processo] faltando ao dever de verdade, agindo deslealmente....”, encontra disposição literal na Lei que regulou o processo administrativo federal, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal (art. 4º, inciso II, Lei nº 9.784, de 1999). A doutrina e a jurisprudência alçaram à condição de princípios gerais do Direito duas máximas que remontam ao direito medieval: a proibição do comportamento contraditório (nemo potest venire contra factum próprio) e a vedação de benefício pela própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans). O primeiro obsta que, como no caso vertente, alguém possa contradizer o próprio comportamento, causando prejuízo pela sua mudança e com a frustração da expectativa por ele gerada (Direito Civil Teoria Geral, Lumen Júris, 5ª Edição, 2006, p. 484). A proibição, que encontra fundamento jurídico na boafé objetiva e na cláusula constitucional de solidariedade, veda o exercício de uma conduta que, aparentemente lícita, contrarie uma conduta adotada anteriormente, com prejuízo para os que acreditaram na conduta inicial. Proíbese, assim, o comportamento que, com aparência de licitude, contrarie a boafé (Leandro Schereiber, in A proibição de Comportamento Contraditório, 2ª Edição, Renovar, 2007). Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza López, ao examinarem o princípio da moralidade aplicado ao processo administrativo fiscal, defendem que a atuação da Administração deva se pautar segundo a boafé, que estaria consubstanciado no comportamento leal e honesto, sem surpresas, ardis e armadilhas (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª Edição, Dialética, 2004). Na mesma obra, encontramos lição de Maria Zanella Di Pietro, defendendo que não só o comportamento da Administração, mas também do administrado, devem ser pautados, além da lei, pelo princípio da moralidade administrativa, que Fl. 989DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 990 41 pressupõe o respeito à moral, aos bons costumes, aos princípios da justiça e da equidade e à idéia comum de honestidade. Também citado, Egon Bockmann enumera, dentre outras, as seguintes condutas que derivam do princípio da boafé: interdição do excesso de prerrogativas legítimas, proibição da conduta contraditória, dissonante da anteriormente assumida e a qual havia se adaptado a outra parte e proibição ao retardamento desleal, dentre outras. Forçoso concluir, da lição de tão renomados autores, que a atuação pautada na boafé, no comportamento honesto e leal, sem contradição, não se restringe à Administração Pública, mas também deve ser observada pelos contribuintes. Nessa linha, entendo que o processo administrativo fiscal não pode recepcionar o comportamento contraditório, ainda que praticado mediante condutas legítimas. Por outro lado, a evidente intencionalidade da conduta da impugnante nos remete ao segundo princípio limitador: a vedação de benefício pela própria torpeza. Para Schereiber (opus cit.) este princípio diferenciase do primeiro por reprimir a torpeza, o dolo, a malícia da conduta inicial. Já para Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, Malheiros, 1994, p. 27) a aplicação do preceito nem mesmo requer a presença de dolo ou culpa, lecionando que a lei não reconhece o interesse de quem tenha dado causa à irregularidade. Verte desses ensinamentos que o processo não pode validar que a prática de irregularidades que, posteriormente, possam beneficiar quem as tenha praticado. Nessa linha de entendimento transcrevo, por bastante elucidativo, excerto do voto do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Aldir Passarinho proferido no Recurso Extraordinário nº 102.0491 (os grifos não constam do original): Ao final, também não poderia deixarse de endossar o fundamento do v. acórdão quanto à falta de legítimo interesse moral da autora, ora recorrente para a demanda. Deixou ela de apresentar as certidões previdenciárias que considera necessárias para a realização do empréstimo. A obrigação era sua – a admitirse justificável a exigência – e pelo descumprimento de tal requisito pretende a invalidade dos títulos que embasam a anterior ação – a de execução. À hipótese aplicase, assim, com propriedade, o antigo adágio segundo o qual a ninguém é dado beneficiarse com a própria torpeza. E, na verdade, a prevalecer a tese defendida pela recorrente, seria o caso de examinarse, então, se não teriam eles, os seus responsáveis, incursionado pela área do direito penal. A vedação do benefício pela própria torpeza também tem encontrado eco em manifestações mais recentes de nossa Corte Suprema: Voto do relator, Ministro Eros Grau, em Agravo no Mandado de Segurança 24.4992: 16. Por outro lado, os próprios agravantes deram causa à nulidade do procedimento que ora vêm impugnar, em acintosa ofensa ao princípio de que ninguém pode alegar a própria torpeza [nemo auditur propriam turpitudinem allegans]. Voto do relator, Ministra Ellen Gracie, no Hábeas Corpus 82.9333: Fl. 990DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 991 42 Dado o quadro apresentado, inferese que o sucesso da intimação decorreu de possível deslize do réu na sua tentativa de se furtar ao alcance dos agentes da justiça, aliada à obstinada insistência empreendida pelo oficial. Assim, em última análise, alega o impetrante suposta nulidade cuja causa estaria na conduta do próprio paciente, o que, antes de mais nada, contraria o princípio geral do direito segundo o qual não se pode alegar, em seu benefício, nulidade advinda de sua própria torpeza. Voto do relator, Ministro Néri da Silveira, no Hábeas Corpus 74.2882: Bem anotou, nessa linha, a ProcuradoriaGeral da República, às fls. 54/55: “Ora, princípio basilar do direito processual – o princípio da lealdade – reza que a parte não poderá invocar a nulidade que produziu ou para a qual concorreu ou participou de qualquer forma (art. 565 do CPP). É a regra segundo a qual ninguém pode alegar a própria torpeza em seu benefício ...” No caso vertente constatase que, para além de furtarse ao do dever legal de prestar esclarecimentos e de comprovar os pagamentos efetuados como requerido pela autoridade, a impugnante atuou ativamente para defender nunca é demais lembrar, reiteradamente que os pagamentos destinavamse aos seus clientes, insistindo que tinha como identificar os beneficiários em face da ausência de outro controle além dos valores globais. E foi unicamente desta insistente falta de identificação que resultou o lançamento ora guerreado. Logo, aceitar os argumentos da impugnante convalidaria o benefício pela torpeza, hipótese reprimida pelo ordenamento jurídico e pela nossa Corte Maior. Entendo que também se afigura a chamada preclusão lógica, manifestada pela perda da faculdade de praticar ato processual pela prática de outro com ele incompatível (Código de Processo Civil Comentado, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, Revista dos Tribunais, 3ª Ed., p. 483). Confirase, nesse sentido, decisão do Poder Judiciário que, além de reforçar o conceito, trabalha ocorrência idêntica a aqui narrada: PRECLUSÃO LÓGICA – Preclusão lógica, segundo a melhor doutrina, "decorre da incompatibilidade entre o ato praticado e outro, que se quereria praticar também" (Egas Dirceu Moniz de Aragão). Assim, não pode a parte comparecer no processo e reconhecer determinado fato, por lhe parecer conveniente no momento, e, após, mudando as circunstâncias, passar a sustentar exatamente o oposto do que havia dito antes, haja vista a preclusão decorrente da manifestação anterior. (TRT 23ª R. – AP 0539/2000 – (Ac. 1429/2000) – TP – Rel. Juiz Roberto Benatar – J. 13.06.2000) A incompatibilidade dos atos processuais praticados pela impugnante é mais do que evidente: Informações prestadas Data Ato Natureza dos beneficiários Identificação 18/09/06 Resposta à intimação fiscal Clientes Silente 05/10/06 Resposta à intimação fiscal especialmente aos clientes alega não dispor das informações Fl. 991DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 992 43 com clientes alega não dispor das informações 16/10/06 Resposta à intimação fiscal Com não clientes alega não dispor dos dados solicitados 22/07/07 Impugnação funcionários a empresa apresenta relações com nomes dos supostos beneficiários Ademais, a preclusão visa evitar o retorno do processo para uma fase anterior, o que aconteceria se albergada a tese da impugnante. Confirase, nessa linha, decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 802.416, cujo voto do Ministro Humberto Martins transcrevo em parte: A jurisprudência do STJ vem ao socorro da recorrente, uma vez que já está aqui pontuado que preclui a oportunidade para a realização da prova pericial quando a parte que a requereu, embora devidamente intimada, não realiza o depósito prévio dos respectivos honorários. Vale lembrar que o processo é um caminhar para frente, daí existindo o sistema da preclusão (lógica, consumativa e temporal), às vezes até mesmo dirigida ao magistrado (pro judicato), a fim de que a marcha processual não reste tumultuada. Há muito os Conselhos de Contribuintes têm apreciado comportamentos da espécie, mormente nos casos de arbitramento de lucros, tendo se consolidado a tese da inexistência de lançamento condicional. Não se aceita, por exemplo, que o contribuinte, regulamente intimado, deixe de apresentar os elementos obrigatórios e necessários para apuração do lucro real para, imediatamente após o lançamento, apresentálos a pretexto de cancelar a exigência. Vejamos: IRPJ ANO CALENDÁRIO 1997– LUCRO ARBITRADO – SUJEITO PASSIVO REGULARMENTE INTIMADO DEIXA DE APRESENTAR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO – ARBITRAMENTO CONDICIONAL – INEXISTÊNCIA – Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao Fisco, após reiteradas intimações, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, comprobatórios do regime de tributação conforme as regras do lucro real (art. 47, inciso III da Lei nº 8.981/1995. O Regime de arbitramento é incondicional. A eventual disponibilização da documentação cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. (Acórdão 101094411, 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda) IRPJ ARBITRAMENTO A falta de escrituração contábil enseja o arbitramento do lucro, mesmo que esta escrituração seja efetuada em data posterior ao lançamento, vez que inexiste o arbitramento condicional. (Acórdão 10704852, 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda) ARBITRAMENTO – APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao Fl. 992DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 993 44 contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. (Acórdão 10806053, 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda) Para bem ilustrar o entendimento do Conselho de Contribuintes, trago, desse último acórdão, excerto do voto do relator: A intimação para apresentação dos livros ou de sua reconstituição deuse em julho de 1997. O auto de infração foi lavrado em novembro de 1997, 11 meses após o alegado roubo e mais de três meses após a intimação vestibular. Neste meio tempo, solicitou ainda a ora recorrente prazo de 30 dias para a reconstituição. Não se pode conceber, portanto, que o Fisco deveria ter aguardado tempo ainda maior para efetivar sua exigência, e, pior ainda, que após o lançamento, pudesse a contribuinte aí sim, apresentar toda a sua escrituração, invalidando o feito. Se não há intimações absurdas e prazos exíguos, não há cerceamento de defesa. O lançamento efetuado não pode ser condicional, por isso mantenho o arbitramento. Além disso, ao final do voto sobre o tema, o voto condutor do julgado analisa os documentos apresentados. Vejase: Dito isto, desde já entendo ser incabível a pretensão de cancelamento da exigência, efetuada com correção pela autoridade administrativa frente aos elementos (ou, melhor, à falta deles) apresentados pelo próprio contribuinte. Porém, ainda que se pudesse validar a conduta da impugnante, a identificação dos beneficiários efetuada em sede de impugnação é, no mínimo, precária. Além de não atingir a totalidade dos pagamentos efetuados, os elementos probatórios do alegado restringemse a simples relações com nomes e dados de pessoas físicas. Em relação aos Premium Card distribuídos em 2005 se trouxe ao processo apenas relações que seriam os recibos de entrega dos cartões, nas quais nem mesmo se informa o valor pago a cada beneficiário. A precariedade dos elementos probatórios parece ser reconhecida até mesmo pela impugnante que sugere verificação adicional por este Colegiado mediante realização de diligência junto aos beneficiários, requerendo expressamente a realização desta para “confirmar se receberam, nos exercícios de 2004 e 2005, cartões de premiação por parte da impugnante, bem como se confirmam ou não suas assinaturas nos recibos juntados” Pedido impertinente, posto que a obrigação de comprovar integralmente o alegado é ônus da impugnante, a teor do art. 16, incisos III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, era (e é) seu dever manter toda a documentação comprobatória das suas operações em boa guarda (art. 264 do RIR/99), não só para eximirse da exigência do imposto na fonte, mas também para permitir a aferição da normalidade e usualidade das despesas pagas, sem as quais não se pode admitir sua dedutibilidade na apuração do lucro Fl. 993DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 994 45 real. Confirase, neste sentido, julgados do Conselho de Contribuintes, com destaques meus: PAF PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. (Acórdão 10421032, Sessão de 13/09/2005) NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de perícia ou diligência de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte.(Acórdão 10420167, sessão de 16/09/2004) IRPJCSLL. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS É condição primeira para dedutibilidade de qualquer despesa sua efetiva comprovação. (Acórdão 10193.518, sessão de 25/07/2001) LUCRO REAL – DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Para que as despesas operacionais sejam consideradas dedutíveis há necessidade da comprovação de sua necessidade. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. A falta de comprovação da operação ou sua causa de pagamentos registrados no Livro Caixa, com documentação hábil e idônea, implica na aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº 8.981/95. (Acórdão 10108593, sessão de 25/05/2006) Ademais, apenas primeira relação contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta, suficiente para negar o pedido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, ainda que fosse possível ignorar a conduta dolosa da impugnante aqui narrada, não vejo nas relações dos supostos beneficiários ora apresentadas comprovação suficiente do alegado, especialmente considerando que estão em franca contradição com tudo o que disse a impugnante ao longo do procedimento fiscal. Deste modo, não merece reproche a exação examinada. Assim sendo, certa ou errada a decisão de primeira instância, não se pode tachála de nula após profunda fundamentação do voto condutor para justificar o porquê da imprestabilidade das provas apresentadas, ainda mais quando, prosseguindo em seu exame, o colegiado conclui não serem suficientes para infirmar o lançamento. Por essas razões, encaminho meu voto em sentido diverso ao do relator, devendo o julgamento do recurso voluntário prosseguir neste colegiado. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301003.837 S1C3T1 Fl. 995 46 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720515/2016-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-29T15:05:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-29T15:05:20Z; Last-Modified: 2019-08-29T15:05:20Z; dcterms:modified: 2019-08-29T15:05:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-29T15:05:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-29T15:05:20Z; meta:save-date: 2019-08-29T15:05:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-29T15:05:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-29T15:05:20Z; created: 2019-08-29T15:05:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-08-29T15:05:20Z; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-29T15:05:20Z | Conteúdo => 0 S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10508.720515/2016-48 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-002.246 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Assunto DRAWBACK Recorrente BARRY CALLEBAUT BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 16-078.012, proferido pela 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo (SP), que assim relatou o feito: Trata-se de auto de infração, lavrado contra a empresa BARRY CALLEBAUT BRASIL INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 33.163.908/0001-75, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 28.888.778,23 ( Vinte e oito milhões, oitocentos e oitenta e oito mil, setecentos e setenta e oito reais e vinte e três centavos), onde foram lançados os tributos Imposto de Importação (II), o PIS,a COFINS e o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante suspensos, e respectivas multa de ofício e juros de mora, devido ao descumprimento do Regime de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 51 5/ 20 16 -4 8 Fl. 1460DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 Drawback, referente aos atos concessórios 20080122880, 20090011643, 20100001157, 20090030877 e 20090060792. Foram lançados os seguintes créditos (*) Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante O Auto de Infração O auto de infração em tela, aborda a fiscalização realizada sobre o regime de Drawback, concedido pelo SECEX à empresa DELFI CACAU BRASIL LTDA, CNPJ 05.750.853/0001-64, que foi incorporada pela impugnante. Todos os motivos que levaram à lavratura do auto de infração estão descritos no Relatório de Verificação Fiscal (RVF) que inicia-se à fl. 955 deste PAF, Em síntese, a fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração, abordou . o processo produtivo da impugnante para o processamento do cacau importado. Foram fiscalizados os seus controles de estoque de amêndoas de cacau e produtos acabados, além de seus controles de produção. Basicamente, são quatro produtos do cacau que a empresa comercializa: o líquor, a manteiga de cacau, a torta de cacau e o pó de cacau, que servem de matéria prima para fabricação do chocolate. Processo Produtivo do Cacau As amêndoas de cacau depois de descascadas e trituradas, passam por um moinho que as desintegram e dá origem a uma massa homogênea e pastosa, que se transforma no Líquor, que depois de prensado se divide em dois produtos: o primeiro, a Manteiga de cacau, o segundo, a Torta de cacau. Posteriormente, continuando o processo a torta se transforma no Pó de cacau. O fator de conversão de amêndoas de cacau em Líquor é em torno de 80 a 84%, com 16 a 20% de perda. Significa dizer que cada 1000 Kg de cacau em amêndoas se transforma, em média, em 800 a 840 Kg de Líquor, com 160 a 200 Kg de perda. Quanto à Torta, podemos dizer que depois de prensado, 51a 57% do Líquor resulta na Torta de cacau e 43 a 49% resulta em Manteiga de cacau. E depois, 100 % de Torta se transforma em Pó de cacau. Devido a diferenças existentes entre as amêndoas de cacau, que variam conforme a origem e o método de produção agrícola, principalmente nas características físicas, químicas e organolépticas, como umidade, acidez, dureza, cor, sabor e teor de gordura, a impugnante mantém controles rígidos e segregação de seus insumos (separados por origem e lotes), e de seus produtos manufaturados. Esses controles segregam os variados tipos de Líquor de cacau, de torta de cacau, de Pó, de Manteiga de cacau, e de amêndoas de cacau conforme a origem. Fiscalização realizada Fl. 1461DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 As fiscalização realizada sobre a impugnante neste processo e no processo 10508. 720558/2014-61, procurou o conhecimento do sistema produtivo da impugnante e das reais quantidades de amêndoas de cacau importadas e nacionais, aplicadas na fabricação de cada produto importado. Em diversas exigências fiscais foi solicitado o Livro de Registro de Produção e Controle de Estoque, que a impugnante não apresentou. Este livro possibilitaria se corretamente inscrito, a verificação dos dados de produção diários necessários para a vinculação do produto importado no produto exportado. Em substituição ao livro citado, a impugnante apresentou planilhas onde a informação dos dados era mensal, impossibilitando assim a correlação entre os produtos importados (amêndoas de cacau) e os derivados de cacaus exportados. Sobre a documentação apresentada à fiscalização, existe a seguinte conclusão no Termo de Verificação Física (fl. 986) Conforme já mencionado, o conjunto de documentos fornecidos à fiscalização não são suficientes para comprovar a composição dos produtos manufaturados. E, como já relatado, a média de consumo mensal é insuficiente para demonstrar a composição exata do produto manufaturado, visto que, o blend pode mudar dentro do mês em curso. Sobre a referida conclusão, cabe lembrar que o “blend” mencionado é a mistura de amêndoas importadas e nacionais. Como as amêndoas são diferentes em várias características como umidade, acidez, dureza, cor, sabor e teor de gordura, os lotes formados por elas também são, o que faz que para se obter um determinado produto, em função dos lotes existentes, a fórmula do blend variará constantemente. A variação será desta forma em percentual e em peso. Uma vez que não foi possível à fiscalização verificar a adimplência do regime nos Atos Concessórios mencionados e tendo os mesmos sidos baixados no DECEX, assim concluiu a Fiscalização: Não obstante a exportação pelo beneficiário de produtos manufaturados em quantidades equivalentes às estabelecidas nos Atos Concessórios em comento, dentro dos prazos acordados, constatou-se o descumprimento de um dos requisitos estabelecidos para fruição do benefício, qual seja, aquele que determina a "utilização integral dos produtos importados ao amparo deste regime especial na industrialização de produtos destinados à exportação". Restou demonstrado que a fiscalizada substituiu indevidamente insumo importado com benefício, com insumo nacional, infringindo o Princípio da Vinculação Física, no momento em que foi dado saída para exportação dos produtos manufaturados com misturas de insumos importados e nacionais. E quando a empresa deu saída para o mercado interno do produto manufaturado, ela também comete infração por ter destinado o insumo importado com o benefício para o mercado interno sem o devido pagamento dos tributos suspensos, caracterizando assim, Dano ao Erário. Ressalto que no momento de concessão do benefício, a empresa entrega Laudo ao SECEX se comprometendo a utilizar 100% do cacau importado nos produtos exportados, e se estabelecem as quantidades exatas de insumos importados que terão direito ao benefício, e as quantidades de produtos manufaturados, com a totalidade dos insumos importados com o benefício, a serem exportadas. E no momento da baixa, o Sistema Siscomex realiza a comprovação automaticamente, verificando unicamente se os valores e quantidades constantes do compromisso assumido são idênticos ao realizado pela empresa na forma regulamentar. Portanto a simples baixa realizada automaticamente pelo sistema não é suficiente para atestar que a empresa atendeu às condições e requisitos relativos à aplicação do regime. E a fiscalização da Receita Federal do Brasil é o instrumento que atesta ou não, se a beneficiária exportou produtos manufaturados contendo a totalidade dos insumos importados com o benefício, que como relatado exaustivamente neste termo, a fiscalizada não os exportou. Fl. 1462DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 E por fim a fiscalizada também não atendeu os requisitos de controles necessários para usufruir do Drawback Suspensão, visto que não apresentou os controles necessários de registro de produção e estoque, ou outros controles, nem logrou êxito em comprovar de forma inequívoca a utilização dos insumos importados com incentivo, no produto exportado, e desta forma, perde o direito, por completo, de usufruir o benefício do Drawback Suspenção [sic] (artigo 179 CTN). A falta de apresentação dos controles e registros exigidos pela legislação fragiliza sobremaneira o controle aduaneiro sobre as mercadorias importadas nesse Regime especial, desvirtuando tal incentivo à exportação. Ademais, esses requisitos são essenciais para a aplicação do benefício, que deverão observar os Princípios Constitucionais da Isonomia (art. 150, II), da Livre Concorrência (art. 170,IV), além do efetivo Controle Aduaneiro (art.237). (.........) Constatado o inadimplemento do Benefício Drawback Suspensão, conforme demonstrado, a fiscalizada perde o direito a usufruir do benefício em questão, e toda importação beneficiada pelo regime será enquadrada em regime de importação comum, com incidência de todos os tributos suspensos no momento da importação, com os devidos acréscimos legais. Do auto de infração a impugnante tomou ciência em 07/12/2016 e apresentou impugnação tempestiva em 06/01/2017. A Impugnação A impugnação inicia-se nas alegações preliminares, onde é defendido que a autuação não deve prosperar, devendo ao auto de infração ser declarado nulo uma vez que: - O auto de infração foi lavrado sem o respaldo de provas, sendo fruto de meros indícios. Alega a impugnante que à época da fiscalização, foi apresentada vasta documentação para demonstrar o total cumprimento do Regime de Drawback, contudo a fiscalização desconsiderou estes documentos com a justificativa que os controles apresentados foram insuficientes para aferir a produção e verificar a vinculação física do produto importado via drawback no produto exportado; - Não há certeza do auto lavrado, uma vez que a fiscalização declarou no Termo de Verificação Fiscal que “não pôde apurar a composição individual de cada produto industrializado” Diante disto, questiona a impugnante, “como poderia a d. Fiscalização afirmar que parte dos insumos importados teria sido utilizada em produção voltada ao mercado interno e, consequentemente, gerado dano ao erário devido à suposta falta de recolhimento dos tributos anteriormente suspenso; - O fisco não comprovou a ocorrência dos fatos motivadores da exigência fiscal, conforme exigido no artigo 142 do CTN; Quem alega deve provar, cabendo o ônus da prova à fiscalização; Sem as provas, o fisco fere o princípio da legalidade previsto no (art. 5o, II, e 150,1), da Constituição Federal; - O fisco não demonstrou buscar a apuração da verdade material; -A fiscalização, ao se basear em dados de visita realizada em procedimento de fiscalização anterior (processo 10508. 720558/2014-61), utilizou dados incorretos, que retratam uma outra realidade que não é a mesma dos tempos de produção fiscalizado no presente processo. - Os Atos Concessórios foram devidamente baixados e homologados pelo SECEX – órgão competente Sobre o tema a impugnante alega que pela interpretação do artigo 2o da Portaria MEFP n°. 594, de 25.08.1992, caberia à RFB fiscalizar o inadimplemento Fl. 1463DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 do regime de drawback, somente após a RFB receber esta informação da SECEX. Como não houve esta comunicação da SECEX, que considerou o regime adimplido, não poderia a RFB imputar seu inadimplemento da forma como o fez por meio da lavratura do auto de infração. - Houve o efetivo cumprimento das Condições do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, devendo por isso ser reconhecido o benefício concedido. Sobre o tema alega que a Delfi, “empresa incorporada pela impugnante, importou a quantidade e a matéria-prima a que havia se comprometido perante a SECEX, que ingressou em solo nacional devidamente acobertadas pelas DIs e exportou os produtos na quantidade e prazos a que havia se comprometido, e que o tema é incontroverso, pois a própria RFB reconhece que a empresa exportou as quantidades que constam do ato concessório, e enquanto vigente o regime, a Delfi cumpriu todas as obrigações que lhe foram impostas, comunicando tal cumprimento a quem de direto”. - A vinculação física entre produto importado e exportado exigida no drawback, é aquela prevista no artigo 75 do Decreto Lei n° 37/66, que apenas determina a necessidade de "identificação" desses insumos por meio da vinculação do número dos Atos Concessórios em cada DI e RE, procedimento que foi realizado pela Delfi. Sobre o tema alega ainda que “diante das referidas previsões normativas, observa-se que não é necessária a comprovação documental de que o insumo importado foi efetivamente consumido naquele produto exportado, bastando, para fins de cumprimento dos requisitos do Regime de Drawback, que a mesma quantidade de matéria-prima que foi importada seja empregada no produto exportado, nos termos do compromisso assumido nos Atos Concessórios” - Inaplicabilidade do Princípio da Vinculação Física É ilegal o princípio da vinculação física exigido pela RFB, pois carece de base legal. Cita o Decreto Lei 37/66, os Decretos 4543/2002 e 6759/2009, e o Ato Declaratório COSIT no. 20/96. Vita [sic] também jurisprudência do STJ e do CARF. - Deve ser observado no caso, o princípio da fungibilidade ou equivalência Sobre o tema menciona que - o artigo17 da Lei 11.174/2008 com nova redação dada pela Lei 12350/2010 estabelece que "os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo." - a aplicabilidade ao princípio da fungibilidade ou da equivalência aos casos de drawback por si só afastam de plano a necessidade de observância do princípio da vinculação física, conforme se observa em acórdãos do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, apresentados na impugnação às fls. 1084 e 1085 deste PAF (impugnação). - o artigo 5o da a Portaria Conjunta RFB/SECEX n° 1.618/2014 que incluiu o art. 5°-A na Portaria Conjunta RFB/Secex n° 467/2010, que disciplinou o que são mercadorias fungíveis, é questionável, pois criou exigências extras àquelas determinadas pela própria Lei, o que não se pode admitir. Cita o confronto com o Princípio da Hierarquia das normas. - As amêndoas de cacau importada e nacionais são fungíveis. Sobre as diferentes classificações das amêndoas, alega a impugnante que” o que define a classificação de uma amêndoa não é a sua origem e sim o conjunto dos vários critérios de qualidade verificados no momento da compra, que determinam as características orgânicas e Fl. 1464DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 fisiológicas das amêndoas, já que se trata de produto in natura." E, portanto, como afirmado, uma mesma origem "pode ter lotes com diferentes características, bem como duas origens diferentes podem ter as mesmas características, ou seja, os mesmos valores de umidade, mofo, resíduo, formato, etc”, e que "Qualquer amêndoa tem a função de produzir o derivado de cacau pretendido (líquor, manteiga e pó), bastando realizar os ajustes adequados a aquele lote ou lotes de amêndoa para se obter o produto final pretendido”. Concluí que diante das análises efetuadas sintetizadas no parágrafo anterior, a utilização de amêndoas de cacau no processo produtivo da Delfi, obedeceu o disposto na Portaria Conjunta RFB/SECEX NO 1618 -A aplicação dos controles seria uma camisa de força fiscal, que condenaria o regime de drawback ao fracasso e cita o ADE COSIT (CGST N° 20, DE 17 DE MAIO DE 1996 ), que reconhece o princípio da fungibilidade. Sobre o tema alega que “... a legislação relativa ao Drawback-Suspensão, diferentemente do que faz entender a d. Fiscalização, não exige os controles por ele apontados, muito menos dispõe acerca da necessidade de que haja vinculação física efetiva entre o insumo importado ou, em outras palavras, que a mesma matéria-prima importada seja efetivamente consumida/empregada no bem a exportar, ainda mais em se tratando de bem fungível, bastando que sejam observados o prazo, quantidade e valores determinados no AC do regime.” - Impossibilidade de se exigir o pagamento do AFRMM- Alega que uma vez devidamente demonstrado na impugnação que houve o cumprimento do Regime de Drawback em comento, além do cancelamento da exigência relativa ao II, PIS/PASEP e COFINS importação, também a acusação relativa à falta de pagamento do AFRMM deve ser afastada em sua integralidade (Lei n.°10.893/2004 e Instrução Normativa n.° 1.471/2014). . Impossibilidade de desconsideração dos controles apresentados à época da fiscalização - Regularidade dos registros mantidos e ausência de dano ao erário Sobre o tema cita a impugnante que , diferentemente do que aduz a d. Fiscalização, tanto a Delfi, quanto a Impugnante foram bastante diligentes e apresentaram todos os documentos exigidos pela legislação e que lhe foram solicitados, não havendo que se falar em insuficiência ou irregularidade da documentação apresentada, tampouco na ocorrência de dano ao erário. Que os relatórios "Master Plan" e "JO", que permitiriam a rastreabilidade do produto importado, assim como conhecer a composição do produto exportado, e segundo a fiscalização não foram apresentados, mesmo tendo sido solicitados no Termo de Intimação no. 4, tratam-se de meros controles internos, que periodicamente são destruídos. Logo tendo sido destruídos, não foram apresentados quando da resposta ao referido termo de intimação. Os controles apresentados à época da fiscalização consistiram em controle alternativo previsto na legislação, que cumpriram o objetivo nela previsto (apuração do estoque), ao contrário do entendimento da Fiscalização, de que "tais documentos seriam insuficientes para demonstrar o compromisso assumido." Que o artigo 466 do RIPI/10 assim como o artigo 388 do RIPI/2002 previam a possibilidade de um controle substitutivo, conforme realizado no presente caso, não havendo que se falar em irregularidade dos controles mantidos pela Impugnante. Sobre o inadimplemento do regime, fundamentado na falta de registros diários de produção, a impugnante alega que: Ademais, considerando as razões expostas no tópico acima, não há como corroborar com a conclusão da d. Fiscalização quando afirma que não foi possível identificar "com Fl. 1465DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 clareza todos os produtos exportados e o dia exato de sua produção, inclusive especificando com exatidão, e de forma inequívoca a composição do produto exportado, e também a identificação do excedente de produção que foi destinado ao mercado interno com o insumo importado, e principalmente a quantidade do insumo importado que retornou ao exterior, via exportação de produto manufaturado', e que por isso os controles apresentados seriam inidôneos e o Regime de Drawback seria considerado inadimplido. Isto porque, o que se exige é a manutenção de controle de produção e a exportação de produtos indicados nos Atos Concessórios com amêndoas equivalentes e estes requisitos foram devidamente demonstrados por meio dos controles apresentados. Alega que no caso se houvesse o descumprimento alegado pela fiscalização quanto a apresentação de parte dos controles internos de forma diversa daquela exigida pela fiscalização, não caberia a desqualificação de toda documentação apresentada, cabendo ao caso por tratar-se de um dever instrumental, a punição pelo seu descumprimento, mas não a presunção de ocorrência ou inocorrência de uma obrigação tributária ensejadora de pagamento do tributo em si. Diante disso, não se pode admitir que o suposto descumprimento da obrigação acessória já seria bastante em si para justificar a exigência dos créditos tributários. - Impossibilidade da Aplicação de Multa de Ofício sobre os fatos geradores ocorridos antes da incorporação da Delfi. A multa de ofício lançada nos autos não poderá ser mantida, na medida em que o sujeito que cometeu o suposto ato infracional ora questionado não foi a Impugnante. Cita para fundamentar sua alegação o Artigo 132 do CTN, que segundo ela estabelece com clareza que a sucessora é responsável somente pelos tributos, sendo a multa possível de ser cobrada somente se lançada antes da sucessão, hipótese em que a multa é parte integrante do passivo da empresa. Afasta também a aplicação da Súmula no 47 do CARF, porque quando dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, as empresas eram concorrentes, passando a ter o mesmo controle a partir de 2013. - Ilegalidade de Cobrança de Juros sobre a multa. Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre as multas de ofício lançadas, por absoluta ausência de previsão legal. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DRAWBACK SUSPENSÃO. APLICAÇÃO. COMPETÊNCIAS DA RFB/MF VERSUS SECEX/MDIC. Compete a RFB/MF a aplicação e a fiscalização do regime aduaneiro especial de drawback-suspensão. À Secex/MDIC, na qualidade de órgão responsável pelo controle administrativo do regime, compete sua concessão, mediante emissão de respectivo ato concessório e eventual(is) aditivo(s). Dessa maneira, os comprovantes de exportação enviado a Secex pela própria beneficiária são insuficientes, por si só, para demonstrar de forma inequívoca o cumprimento do regime. Fl. 1466DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 DRAWBACK SUSPENSÃO. ÔNUS DA PROVA DO ADIMPLEMENTO DO REGIME. É ônus da beneficiaria comprovar o adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback-suspensão, demonstrando cabalmente a efetiva exportação do insumo importado com suspensão dos tributos que regularmente incidiriam se não fosse concedido o incentivo fiscal, atendidas as demais condições estabelecidas no ato concessório. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. FUNGIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se configure o aperfeiçoamento do regime aduaneiro especial de drawback- suspensão, se faz necessária efetiva comprovação da estrita vinculação física entre o insumo importado com benefício fiscal e o produto exportado. Para que se possa atribuir eficácia à pretendida fungibilidade entre o insumo importado ao amparo deste regime suspensivo e o produto manufaturado destinado à exportação, é determinante, para além do cumprimento do ordenamento jurídico vigente à época, comprovar a similaridade em quantidade e qualidade entre estes, bem como a compatibilidade de sua utilização com o ciclo produtivo da mercadoria exportada, pois do contrário não há como considerar adimplido o compromisso assumido em ato concessório, sob pena de desnaturar a própria essência do regime. COEXISTÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA VINCULAÇÃO FÍSICA COM O DA FUNGIBILIDADE. Não há de se entender no regime aduaneiro de drawback, o princípio da equivalência/fungibilidade, como excludente do princípio da vinculação física, e sim como complementar, sendo para cada ato concessório, as quantidades de bens fungíveis/equivalentes utilizadas no processo produtivo, complementares às quantidades dos produtos importados, portanto, igual a quantidade dos produtos importados não utilizados na produção dos produtos finais a serem exportados. Decorre deste, entendimento, que para os bens equivalentes/fungíveis são necessários os mesmos controles contábeis utilizados para comprovar a vinculação física dos produtos importados e exportados; DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório e na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback-suspensão enseja a exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação dos respectivos insumos estrangeiros, acrescidos dos demais encargos legais. LIVROS DE CONTROLE DE PRODUÇÃO E ESTOQUE NO DRAWBACK A existência de controles alternativos ao Livro de Registro de Produção e Controle de estoques não desobriga a impugnante de demonstrar ao fisco sua perfeita apuração do estoque permanente, cujo pressuposto é o controle, operação a operação, da movimentação dos produtos em seu estabelecimento, ocasião em que evidenciará individualmente cada produto, por espécie, marca, tipo e modelo; MULTA APLICADA ANTES DA SUCESSÃO É APLICÁVEL À SUCESSORA Dos artigos 129, 139 e 113 do CTN, depreende-se que a multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do não-pagamento do tributo na época do vencimento". Fl. 1467DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário basicamente com os mesmos argumentos da Impugnação, já detalhadamente descritos no relatório elaborado pela DRJ e aqui transcrito. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Conforme se verifica pelo Termo de Verificação Fiscal, o presente Auto de Infração decorre de continuação de procedimentos anteriores realizados nos autos do Processo nº 10508.720558/2014-61. Ambas as autuações, portanto, decorrente de um mesmo trabalho fiscal, com a verificação dos mesmos fatos e documentos. Referido processo já foi distribuído neste CARF sob a relatoria do Conselheiro Walker Araújo, da 2ª Turma da 3ª Câmara desta 3ª Seção e foi levado à pauta de julgamento do dia 30/10/208, oportunidade na qual os julgadores concluíram pela conversão do feito em diligência. Muito embora não reste dúvida se trataram de processos conexos, a reunião dos feitos não é mais possível, uma vez que, como dito, o Processo nº 10508.720558/2014-61 já teve seu julgamento iniciado até mesmo antes do sorteio do presente feito a esta Relatora. Não obstante, é medida de segurança jurídica que ambos os feitos guardem identidade de instrução, de modo a permitir a adequada e justa cognição dos fatos. No caso, aquela Turma julgadora deliberou, como dito, pela conversão do feito em diligência, amparando- se, especialmente, nas diversas manifestações fiscais no sentido de que a Recorrente possui rígido sistema de controles de estoque e sua utilização. Ou seja, ainda que não tenha apresentado livros de controle de produção e estoque no drawback, todo o contexto fático dos autos permite extrair dois fatos incontroversos: (i) que Recorrente “mantém controles rígidos e segregação de seus insumos (separados por origem e lotes)”, e (ii) restou comprovada “a exportação pelo beneficiário de produtos manufaturados em quantidades equivalentes às estabelecidas nos Atos Concessórios em comento, dentro dos prazos acordados”. Logo, o que se depura dos fatos é que a Recorrente detêm meios alternativos suficientes para a comprovação das exportações assumidas nos atos concessórios de drawback. A questão nos parece ser relativa à forma de apresentação de tais informações durante a Fiscalização. Pelo exposto, voto por determinar, nos presentes autos, que seja realizada diligência fiscal nos mesmos moldes daquela solicitada no processo 10508.720558/2014-61: Fl. 1468DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 III.2 Da necessidade de diligência. Em que pese inexistir pedido de perícia/diligência por parte da Recorrente, este Relator entende primeiramente que, revela-se de todo dispensável a realização de prova pericial, porque, sabidamente, a produção desse tipo de prova somente se revela necessária quando a especificidade ou a complexidade da matéria a ser examinada demanda a participação de pessoas especializadas no assunto. Dada essa peculiaridade, a realização desse tipo de prova somente se justifica se presente a necessidade de conhecimento técnicos ou científicos sobre o objeto a ser examinado, o que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela, posto que se trata da análise de um mero sistema de controle de estoque, que a recorrente alegou possuir e que a autoridade fiscal confirmou a sua existência, segundo exposto nos excertos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, que seguem transcritos: Diante dos fatos, CONSTATAMOS no curso da visita, os fatos abaixo relacionados: 1. A referida empresa mantém controles e registros em separado do estoque de amêndoas de cacau importada sob o regime aduaneiro de crawback, bem como de todas as matérias primas empregadas na industrialização e também de todos os produtos acabados. 2. Quanto aos produtos acabados é possível afirmar com certeza que a empresa possui controles eficazes para identificar a alocação que foi feita, com exatidão, em cada produto produzido. 3. Todo produto produzido recebe um código de produto, e um código de lote de produção, e ainda é emitido um JO (Ordem de Trabalho), que contém o nº do lote, data de produção e o código do produto, que no depósito de produtos terminados é feita a conferência com a alocação feita pela qualidade. 4. A empresa possui 10 códigos para diversos tipos de Líquor de Cacau que produz, 45 código para as Torta de Cacau, 10 códigos de Pó de Cacau, 5 códigos de Manteiga de Cacau e 5 Códigos para as amêndoas de cacau (Indonêsia, Bahia, Pará, Costa do Marfim e Bahia Certificado Rainforest Alliance). 5. Que apesar da empresa afirmar que suas linhas de produção são absolutamente separadas, sem qualquer mistura de matéria prima, dando a entender que não há possibilidade de mistura de cacau de origem importada com cacau de origem nacional, verificamos porém o empacotamento de Pó de Cacau AC 500011, com 65,6% de cacau importado e 34.4% de cacau nacional. Os mixer de pós podem misturar Tortas de Cacau de diversas origens e tipos (45 tipos de Torta). Como relatado acima, verificamos a existência de 5 (cinco) tipos de receitas para blend (mistura de cacau), torta de cacau nacional misturada com torta importada, com composição de misturas de 5%, 20%, 65% e 70% de cacau importado em relação ao total do produto. 6. As amêndoas de cacau apresentam diferenças de qualidade, e a empresa às classificam, separando as em Fino, Tipo I, Tipo II, Tipo III e desclassificado (Tipo IV). 7. Semanalmente é emitido o relatório Master Plan, onde é apresentado o relatório de industrialização do mês em curso, com descrição de todos os produtos industrializados, com tipo, código e quantidade, e ainda sua composição, se com amêndoa de cacau Bahia (II), Indonêsia (C) ou Costa do Marfim (F), inclusive com a composição em termos percentuais, se puro ou misturada. Cabe ainda esclarecer que as constatações resumidas nos excertos transcritos foram obtidas pela autoridade fiscal durante visita ao estabelecimento fabril da recorrente, para fim de conhecer o seu processo produtivo, conforme se denota nas informações apresentadas no TVF. Fl. 1469DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3201-002.246 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720515/2016-48 A autoridade fiscal ainda relatou que, durante a referida visita, constatou que a recorrente possuía um sistema de controle rígido de separação das matérias primas por origem e por classificação de tipos (qualidade), inclusive quanto às características orgânicas (físicas) decorrentes de origem e de qualidade, o que provava que as amêndoas de cacau de diversas origens e classificação não eram equivalentes nem fungíveis, (item 25 fls. 1.420): De outra parte, embora intimada a apresentar os Livros Registro de Controle de Produção e Estoque do período fiscalizado, a recorrente limitou-se a apresentar planilhas e relatórios, que, segundo a fiscalização, não atendia ao que fora por ela solicitado, principalmente, por não conter os lançamentos operação por operação, nem as totalizações diárias, e deste modo não refletia a realidade fabril da fiscalizada, o que o tornava imprestável para averiguar o cumprimento do requisito da vinculação física entre matéria-prima importada e produto exportado. De outra parte, no recurso em apreço, a Recorrente alegou que: (i) a quantidade e valor de insumos importados pelo qual se comprometeu foram cumpridos; (ii) o prazo para importação dos insumos foi cumprido; (iii) a quantidade e valor de cada um dos produtos exportados foram cumpridos; e (iv) o prazo para realização das exportações foi cumprido; (v) todos os atos concessórios foram baixados pela SECEX após verificação de seu total cumprimento; e (vi) todos os documentos fornecidos à fiscalização confirmam o procedimento adotado pela Recorrente. Embora a legislação não tenha especificado um sistema controle específico de vinculação física, para fim de comprovação do requisito da vinculação física, certamente, a recorrente deveria dispor de um sistema de controle de estoque que possibilitasse a fiscalização confirmar o cumprimento do referido requisito. E no caso em tela, a própria fiscalização informou que a recorrente dispunha de um sistema de controle de estoque que permitia a “rastreabilidade das amêndoas de cacau por origem (nacionais ou importadas) e que, no curso do procedimento fiscal, os dados do referido sistema lhe foram fornecidos. Por todo o exposto, vota-se pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização da unidade da Receita Federal de origem, proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados, intimando, para tanto, a Recorrente para apresentar, em meio magnético e de acordo com as especificações da fiscalização, os elementos necessários para a realização da referida apuração, que deverá ser atendido dentro do prazo estabelecido. Após, a fiscalização deverá elaborar relatório fiscal conclusivo e cientificar a recorrente de todo o trabalho realizado para, se desejar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias), manifestar-se a respeito. Enfim, com ou sem manifestação da recorrente, os autos deverão retornar a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. Acrescento, ao solicitado, que, quanto à “prestabilidade” das informações apresentadas, na hipótese de a Fiscalização entender que estas não são suficientes para a comprovação necessária, que apresente sua justificativa a este colegiado. Por fim, anoto, quanto ao prazo para que a Contribuinte apresente as informações solicitadas, que este deve ser de 30 (trinta dias), prorrogáveis por igual período. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1470DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.001179/2008-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
ORGANISMOS INTERNACIONAIS. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR TÉCNICO A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRATADO NO BRASIL. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, ao julgar o Recurso Especial nº 1.306.393 DF em acórdão submetido à sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD. Os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica estão ao abrigo da norma isentiva do Imposto de Renda. O Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas.
Numero da decisão: 2002-001.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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RENDIMENTOS RECEBIDOS POR TÉCNICO A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRATADO NO BRASIL. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, ao julgar o Recurso Especial nº 1.306.393 DF em acórdão submetido à sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD. Os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica estão ao abrigo da norma isentiva do Imposto de Renda. O Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 11 79 /2 00 8- 49 Fl. 60DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.302 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001179/2008-49 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 11/15) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (e-fls. 22/24), onde se apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física e do Exterior. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (e-fls. 09). Inconformado, apresentou Impugnação (e-fls. 02/08) cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 31/40): Preliminarmente, por meio de transcrição dos artigos 43 e 45 do Código Tributário Nacional - CTN, sustenta que a responsabilidade pelo pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física é da fonte pagadora (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU), independente de constar no contrato de trabalho que a obrigação pela retenção do IRPF seria do contratado. Por conseguinte, os valores recebidos são líquidos. Ainda de forma preliminar, solicita a exclusão dos juros de mora e das multas em observância ao parágrafo único do art. 100 do CTN, pois acredita que se aplicam ao seu caso os Pareceres Normativos n"s. 17, de 06/04/1979 e 03, de 28/08/1996. Tais Pareceres feitos em atendimento a consultas do PNUD esclarecem que não são abrangidos pela isenção os funcionários recrutados no local e que sejam remunerados à taxa horária. Situação diversa tem o contribuinte, posto que trabalhava de forma permanente para o Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU. Relata que foi contratado pelo Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, a fim de trabalhar com horário pré-estabelecido, sob subordinação hierárquica, em labor não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. De acordo com o previsto em convenções e acordos internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de isenção de Imposto de Renda em virtude de trabalhar para Organismo Internacional, mas, apesar de haver informado na Declaração de Imposto de Renda que gozava de isenção, foi surpreendido com o lançamento. A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 27.784, de 1950, dispõe no artigo V que os funcionários da ONU serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 52.288, de 1963, que no art. 6º declara que os funcionários dos Organismos Internacionais gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Defende, então, a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, por força do disposto no art. 5º, §2º da Constituição Federal e nos artigos 96 e 98 do CTN e a aplicação das Convenções indistintamente aos funcionários estrangeiros ou nacionais dos Organismos Internacionais. Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer CST nº 717, de 06/04/1979 e nas perguntas 172 e 176 do Manual Imposto de Renda Pessoa Física - Perguntas e Respostas/1995, transcritos. Colaciona, também, excertos jurisprudenciais favoráveis à sua tese. Fl. 61DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.302 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001179/2008-49 Por fim, solicita a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento e a conseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado. O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/BSA em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 Ementas MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera-se não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitam-se à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Cientificado do acórdão de primeira instância em 24/10/2008 (e-fls. 44), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 05/11/2008 (e-fls. 46/58) onde, em síntese, reitera seus argumentos acerca da isenção dos rendimentos recebidos em decorrência de seu contrato com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a omissão de rendimentos recebidos do exterior no valor de R$ 53.250,46 informados em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais - Derc (e-fls. 13). O Colegiado a quo entendeu que os rendimentos em questão não gozavam de isenção do Imposto de Renda por falta de previsão legal, haja vista que o interessado residia no país e não era servidor e sim técnico contratado pela UNESCO/ONU. Impõe-se observar nesse ponto que a UNESCO é uma Agência Especializada da Organização das Nações Unidas - ONU, conforme disposto no art 1º do Decreto nº 52.288/63. No que tange à isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos pelos técnicos contratados no país a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas, o Superior Tribunal de Justiça - STJ, ao julgar o Recurso Especial nº 1.306.393/DF, proferiu acórdão submetido ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. Fl. 62DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.302 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001179/2008-49 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. O STJ definiu que a isenção do Imposto de Renda se aplica tanto aos funcionários da ONU quanto aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica". De acordo com a ementa acima reproduzida, a isenção alcança também os peritos contratados pelas Agências Especializadas da ONU. A qualidade de perito, segundo se extrai do voto condutor da referida decisão, "deriva de um contrato temporário com período pré-fixado ou por empreita a ser realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria)", abrangendo, portanto, a situação que aqui se aprecia. Cumpre ressaltar que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do CPC devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015. Assim, considerando o entendimento do STJ de que os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço das Agências Especializadas da ONU, com vínculo contratual, são isentos do Imposto de Renda, e tendo em vista que a Súmula CARF nº 39 no sentido contrário foi revogada pela Portaria CARF nº 3 de 09/01/2018, não merece prevalecer a omissão de rendimentos em litígio. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 63DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.302 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.001179/2008-49 Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003011/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes.
Numero da decisão: 9303-009.130
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de créditos de contribuição não cumulativa, que não foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 11 /2 00 9- 10 Fl. 242DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.130 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003011/2009-10 Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, onde argumenta, em suma: materiais de embalagem são indispensáveis ao acondicionamento do produto para manter suas características, papel de seda, fita cantoneira e outros são insumos na produção da maçã ; despesa com condomínio tem a mesma natureza da despesa com aluguel; não existe lei que determine a aplicação do conceito do IPI ao crédito de PIS/Cofins. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3301-004.492, que lhe deu provimento parcial, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens. Recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão de recurso voluntário a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou nos acórdãos paradigmas nº 3101-00.759 e nº 9303-005.531, os quais não admitem que embalagens de transporte seja tomadas por insumos, em oposição ao recorrido que assim o admite. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em despacho de admissibilidade, no qual deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.126, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.003010/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.126): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Em regra, não há que admitir a inclusão de embalagens de transporte dos produtos para a venda como insumo, por isso não dariam direito ao crédito. Porém, no caso, como o produto é alimentício, as referidas embalagens são necessárias para manter as Fl. 243DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.130 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003011/2009-10 características do produto. Isso bem compreendeu a i. Conselheira Maria Alencar Câmara Simões, relatora do acórdão recorrido, na matéria em que foi vencedora, e por isso adoto os argumentos expendidos em seu voto, cujos excertos peço vênia para reproduzir: 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papel-seda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens apresentando-se essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verifica-se que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: (...) Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens Fl. 244DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.130 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003011/2009-10 A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papel-seda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorpora-se ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. Dessarte, para o caso concreto, devem os gastos com embalagens serem utilizados na apuração dos créditos de Cofins, como insumos, e por isso os fretes dessa embalagens também fazem jus ao crédito. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido.” (Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000305/2007-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-007.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 05 /2 00 7- 57 Fl. 105DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 37.108.5470, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Além da sanção aqui referida, a ação fiscal originou o lançamento de obrigação principal, Debcad nº 37.108.5420, discutida no Processo nº 15983.000300/200724. Nesse processo, o Recurso Voluntário foi parcialmente provido, Acórdão nº 2402002.209, de 27/10/2011, em razão de o Colegiado Ordinário reconhecer que havia operadose a decadência em relação às competências até 05/2002. Com relação ao presente processo temse que, em sessão plenária de 17/0774/2013 foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.262 (fls. 74/81), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontrase parcialmente decadente. GFIP. LEI 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória 449 de 2008, convertida na Lei 11.941/2009. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CERCEAMENTO DE DEFESA. Relatório fiscal contendo descrição do fato, disposição legal infringida, penalidade aplicada e discriminação do cálculo do valor da multa, garante o direito de defesa do autuado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15983.000305/200757 Acórdão n.º 9202007.957 CSRFT2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 01/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I do CTN, e aplicar a multa prevista no art. 32A, inciso I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. O processo foi encaminhado à PGFN em 23/04/2013 (Despacho de fls. 82) e, em 25/04/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 83/91 (Despacho de Encaminhamento de fl. 92), fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria “aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009”. Apresentase como paradigmas o acórdão nº 240100.127, cuja ementa, no que concerne à matéria em debate, transcrevese a seguir: Ementa: (...) (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. Como forma de demonstrar a divergência a Fazenda Nacional transcreve os seguintes trechos do acórdão trazido a cotejo: Entretanto, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida provisória nº 449/2008. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionada a GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: (...) Entretanto, a MP 449/2008, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: Art. 35A – Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 Fl. 107DF CARF MF 4 da Lei 9.430, de 1996. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;’ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citada. A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da mesma Lei, acrescido pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o despacho datado de 18/05/2015 (fls. 93/98). Sem contrarrazões. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O lançamento decorre de Auto de Infração em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme já restou esclarecido no relatório, no mesmo procedimento fiscal foi efetuado o lançamento das obrigações principais correspondentes, exigindo multa de ofício por descumprimento de tais obrigações. A solução do litígio passa pelo exame da alínea “a” do inciso II do referido art. 106, que dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15983.000305/200757 Acórdão n.º 9202007.957 CSRFT2 Fl. 4 5 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifouse) Convém registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição com vistas à aplicação da retroatividade benigna, não basta verificar a denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais ou limites. É necessário que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, não são cabíveis quando realizado o lançamento de ofício, conjuntamente com a autuação pela não informação de fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, conforme juízo extraído do Acórdão nº 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação anterior à Medida Provisória n° 449/2008 determinava, para a situação em que ocorresse o recolhimento a menor do tributo e a falta de declaração dos valores sujeitos à incidência de contribuições em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas no inciso II dos art. 35 e do § 5º do art. 32 da Lei n° 8.212/1991. Com a superveniência da nova norma, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), previuse somente a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Por conseguinte, para adequada observância da retroatividade benigna insculpida na alínea “c” do art. 106 do CTN, mostrase necessário comparar o somatório das multas previstas no inciso II do art. 35 e no § 5º do art. 32 da Lei n° 8.212/1991, na redação Fl. 109DF CARF MF 6 anterior à MP 449/2008, e a multa prevista no art. 35A da mesma lei, acrescentado pela Medida Provisória referida. As conclusões expostas acima, estão em linha com o entendimento consolidado no âmbito do CARF, muito bem resumido nos excertos do Acórdão nº 9202004.499, de 29/09/2016, transcritos a seguir: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15983.000305/200757 Acórdão n.º 9202007.957 CSRFT2 Fl. 5 7 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 111DF CARF MF 8 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse sentido, para fatos geradores ocorridos até a publicação da Medida Provisória 449, 04/12/2008, uma vez concluído o julgamento na esfera administrativa, a autoridade responsável pela execução do acórdão, deverá observar as disposições contidas na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, que está em perfeita consonância com a jurisprudência administrativa. Confirase os procedimentos indicados na referida portaria: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15983.000305/200757 Acórdão n.º 9202007.957 CSRFT2 Fl. 6 9 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 113DF CARF MF 10 De se ressaltar que, com a superveniência da Súmula CARF nº 119/2018 e a atribuição de efeito vinculante a esse enunciado pela Portaria do Ministério da Economia nº 129, de 1º de abril de 2019, o entendimento aqui esposado passou a ser de observância obrigatória por toda a Administração Tributária Federal. Abaixo o inteiro teor da Súmula: Súmula Vinculante CARF nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.722538/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem oficie o órgão ambiental estadual (Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Instituto Florestal), ou o seu sucessor, para requisitar informações complementares sobre a Declaração constante nos autos, emitida em 01/09/1988, pelo referido órgão, esclarecendo se a área remanescente (os 1.625,4 hectares, do imóvel localizado no Município de Biritiba Mirim, registrado no cadastro INCRA 638.030.007.099-9, contíguo ao Parque Estadual Serra do Mar, registrado no 2.º Cartório de Registro de Imóveis de Mogi das Cruzes/SP sob n.º 9.113 e no 1.º Cartório de Registro de Imóveis de Santos/SP sob n.º 9.938) já foi, ou não, demarcada e se ela é, ou não, toda de preservação permanente ou se há áreas possíveis de utilização e qual a extensão das áreas utilizáveis e/ou de preservação. Após a conclusão da diligência, deve ser facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-20T15:55:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-20T15:55:59Z; Last-Modified: 2019-09-20T15:55:59Z; dcterms:modified: 2019-09-20T15:55:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-20T15:55:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-20T15:55:59Z; meta:save-date: 2019-09-20T15:55:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-20T15:55:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-20T15:55:59Z; created: 2019-09-20T15:55:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-09-20T15:55:59Z; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-20T15:55:59Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13884.722538/2012-64 Recurso Voluntário Resolução nº 2202-000.878 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Recorrente AGRO PASTORIL E MINERAÇÃO PIRAMBEIRAS LTDA. - ME Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem oficie o órgão ambiental estadual (Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Instituto Florestal), ou o seu sucessor, para requisitar informações complementares sobre a “Declaração” constante nos autos, emitida em 01/09/1988, pelo referido órgão, esclarecendo se a área remanescente (os 1.625,4 hectares, do imóvel localizado no Município de Biritiba Mirim, registrado no cadastro INCRA 638.030.007.099-9, contíguo ao Parque Estadual Serra do Mar, registrado no 2.º Cartório de Registro de Imóveis de Mogi das Cruzes/SP sob n.º 9.113 e no 1.º Cartório de Registro de Imóveis de Santos/SP sob n.º 9.938) já foi, ou não, demarcada e se ela é, ou não, toda de preservação permanente ou se há áreas possíveis de utilização e qual a extensão das áreas utilizáveis e/ou de preservação. Após a conclusão da diligência, deve ser facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário, com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .7 22 53 8/ 20 12 -6 4 Fl. 360DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2008 DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para ser excluída da área tributável do ITR, exige-se que essa área ambiental, glosada pela autoridade fiscal, seja objeto de Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, além de ter o respectivo laudo técnico. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se matéria não impugnada o arbitramento do VTN para o ITR/2008, com base no SIPT/RFB, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da ação fiscal e lançamento A verificação originou-se a partir da ação fiscal, em trabalhos de malha, proveniente de revisão interna da DITR do sujeito passivo. O contribuinte preliminarmente intimado a apresentar comprovação da área isenta declarada em sua DITR (Área de Preservação Permanente – APP, na extensão de 1.625,4 hectares), bem como a justificar o valor do VTN declarado, através de laudo técnico de conformidade com as normas da ABNT, NBR 14.653-3 com fundamentação e grau de precisão II, não fez juntar aos autos qualquer documentação relativa ao VTN e para a APP não apresentou o ADA referente ao exercício solicitado, exibindo-o de exercício posterior e, ainda assim, este foi emitido após a intimação do início da fiscalização. De toda sorte, ainda no que se refere à APP, o contribuinte fez juntar aos autos: (i) Decreto Estadual de Criação do Parque Estadual da Serra do Mar (Estado de São Paulo); (ii) Declaração da Coordenadoria da Pesquisa de Recursos Naturais do Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, datada de 01/09/1988, que declara, em resumo, que o imóvel do contribuinte encontra-se com cerca de 80% abrangido pelo Parque Estadual da Serra do Mar e que os outros 20% também se encontram sob regime de preservação permanente, visto não ter ainda sido procedido à demarcação dos limites daquele Parque, de modo que toda a área do imóvel (8.127,3 hectares) é coberta por vegetação natural sob o regime de preservação permanente, nela sendo vedada qualquer atividade que implique na supressão total ou parcial de seus recursos naturais; (iii) documentação de processo judicial transitado em julgado tratando da “desapropriação indireta” de 80% da área do imóvel por força da criação do Parque Estadual Serra do Mar; (iv) Laudo Técnico Agronômico, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), falando sobre a existência das áreas restritas de proteção ambiental por força do Decreto Estadual de Criação do Parque Estadual da Serra do Mar (Estado de São Paulo). As circunstâncias do lançamento, relativo ao exercício em comento, referente ao ITR, estão sumariados no relatório do acórdão objeto da irresignação, bem como nas peças que compõe o lançamento fiscal. Fl. 361DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 O lançamento teve por base a desconsideração do VTN declarado pelo sujeito passivo, arbitrando-o com base no VTN médio por aptidão agrícola, via consulta ao SIPT da RFB, tendo por origem informações da Secretaria Estadual de Agricultura, observando-se o município onde localizado o imóvel e o respectivo exercício. Houve o consequente aumento do VTN, apurando imposto suplementar, conforme demonstrativo anexado nos autos. O lançamento, também, teve por base reduzir para zero a APP indicada (1.625,4 hectares) por falta do requerimento tempestivo do ADA, resultando em aumento do ITR. A descrição dos fatos, o enquadramento legal e o demonstrativo de apuração do imposto devido e da multa de ofício e juros de mora estão plenamente colacionados. Procedido com a notificação do lançamento, o sujeito passivo foi cientificado para apresentar impugnação dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento de sua jurisdição. Questão de direito controvertida: Impugnação ao lançamento A lide origina-se com a impugnação, controvertendo-se apenas quanto à APP, inexistindo contestação quanto ao VTN arbitrado. Na defesa, em suma, discorre-se sobre a possibilidade de serem apresentados documentos alternativos ao ADA e, de toda sorte, registra que possui o ato declaratório ambiental de outros exercícios. Do Acórdão de Impugnação: Decisão DRJ A tese de defesa não foi acolhida pela primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foi consignado que o ADA é obrigatório para validar a exclusão da APP da área tributável do ITR. Registrou-se, outrossim, que o ADA apresentado era de exercício posterior e emitido após o início da ação fiscal. Concluiu a decisão hostilizada que é imprescindível que a área de preservação permanente seja reconhecida mediante ato do IBAMA ou, no mínimo, que seja comprovada a protocolização tempestiva do ADA. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário o sujeito passivo reitera os termos da impugnação, pretendendo o cancelamento do lançamento com reforma da decisão vergastada. Manteve-se o não debate do VTN, tratando-se apenas da APP. Do sorteio eletrônico e multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito Conforme disciplinado no Regimento Interno do CARF (RICARF), o processo foi sorteado eletronicamente tendo sido organizado em lote formado por multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito (lote de recurso repetitivo), sendo definido como paradigma o recurso mais representativo da controvérsia. Por último, por ocasião da sessão de julgamento, foram apresentados memoriais pelo sujeito passivo, reiterando-se os termos do recurso voluntário e apresentando acórdãos. Fl. 362DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 É o que importa relatar. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, quando constituído, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Dos Processos em Julgamento Desde logo, consigno que nesta sessão de julgamento estão sendo apreciados outros recursos voluntários, na sistemática dos recursos repetitivos, versando sobre a mesma temática (fundamento em idêntica questão de direito), sendo o lote de recurso repetitivo integrado pelos seguintes Processos Administrativos Fiscais ns.º: (i) 13884.722538/2012-64 (Paradigma); (ii) 13884.722539/2012-17; e (iii) 13884.722540/2012-33. Da necessidade de realização de Diligência Inicialmente, pondero que a área total do imóvel é de 8.127,3 hectares, inclusive conforme certidão de matrícula do cartório de imóveis, porém a DITR apresentou como área total 1.625,4 hectares e, ao mesmo tempo, indicou-a integralmente como APP. Importante anotar que a fiscalização não se pronuncia sobre a referida diferença. Essa diferença, decerto, deve-se ao fato de constar informações nos autos de que 80% da área foi objeto de desapropriação indireta por sentença transitada em julgado. Ora, 20% de 8.127,3 hectares são exatamente 1.625,4 hectares (área declarada na DITR como área total do imóvel, indicando-se igual quantitativo como APP). Importante anotar, outrossim, que o contribuinte alega que todo o imóvel (8.127,3 hectares) ainda está registrado no seu nome no fólio real por conta do não recebimento do precatório correspondente. Essa informação não é contestada pela fiscalização, tampouco abordada pela decisão de piso. Dito isto, antes de avançar para a análise das demais questões, após meu escrutínio, com base na moldura fático-probatória que decantou no caderno processual, entendo por bem apresentar voto de Resolução, haja vista ser necessário efetivar-se diligência, isto Fl. 363DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 porque, a despeito das teses contrapostas que exigem ou que dispensam o ADA, este Colegiado, mesmo para a vertente mais conservadora que tem o referido documento como obrigatório, aceita acatar, como meio alternativo ao ADA, para fins de reconhecimento de área de preservação permanente, eventual documento oficial de entidade ambiental estadual que ateste áreas de proteção ambiental. Deveras, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos Acórdãos ns.º 9202-002.250 e 9202-001.933 externou esse entendimento, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) A apresentação tempestiva do ADA não é condição para o aproveitamento da isenção garantida por lei, mormente quando são trazidos aos autos documentos comprobatórios, tais como Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal firmado com o IBAMA, devidamente averbado à margem da matricula do imóvel, laudo técnico de avaliação, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica e laudo de vistoria do IBAMA. Recurso especial provido em parte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas - IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado. De igual modo, este Colegiado, no Acórdão n.º 2202-005.030, datado de 12/03/2019, da lavra do Insigne Conselheiro Rorildo Barbosa Correia, decidiu: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses após a entrega da DITR/2004. Fl. 364DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Laudo Técnico de Vistoria emitido pelo IBAMA. Neste diapasão, importante lembrar que o sujeito passivo apresentou o seguinte rol de documentos nos autos: (i) Decreto Estadual de Criação do Parque Estadual da Serra do Mar (Estado de São Paulo); (ii) Declaração da Coordenadoria da Pesquisa de Recursos Naturais do Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, datada de 01/09/1988, que declara, em resumo, que o imóvel do contribuinte encontra-se com cerca de 80% abrangido pelo Parque Estadual da Serra do Mar e que os outros 20% também se encontram sob regime de preservação permanente, visto não ter ainda sido procedido à demarcação dos limites daquele Parque, de modo que toda a área do imóvel (8.127,3 hectares) é coberta por vegetação natural sob o regime de preservação permanente, nela sendo vedada qualquer atividade que implique na supressão total ou parcial de seus recursos naturais; (iii) documentação de processo judicial transitado em julgado tratando da “desapropriação indireta” de 80% da área do imóvel por força da criação do Parque Estadual Serra do Mar; (iv) Laudo Técnico Agronômico, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), falando sobre a existência das áreas restritas de proteção ambiental por força do Decreto Estadual de Criação do Parque Estadual da Serra do Mar (Estado de São Paulo). Especialmente, vale destacar a “Declaração” da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo: Fl. 365DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 Vê-se que o suporte probatório colacionado pelo contribuinte é diversificado, no entanto, como a Declaração da Coordenadoria da Pesquisa de Recursos Naturais do Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo data de 01/09/1988, bem como considerando que as peças do processo judicial não deixam claro a situação da área remanescente (1.625,4 hectares) dando a entender que possuem limitações, mas sem precisar quais seriam e a extensão destas limitações, penso ser importante diligenciar junto ao órgão ambiental estatual, ou ao seu sucessor, para indagar a atual situação da área remanescente (os 1.625,4 hectares). Ora, estamos em 2019 e a referida declaração data de 1988, de modo que já se vão 31 anos, demais disto aquele documento consignou que os 20% (os 1.625,4 hectares) se encontram sob regime de preservação permanente por ainda não ter sido procedido à demarcação dos limites daquele Parque, então fica a dúvida: Será que passados mais de 30 (trinta) anos a demarcação já não foi realizada? Efetivada a demarcação, a área remanescente de 1.625,4 hectares é toda ela verdadeiramente área de preservação permanente ou há áreas possíveis de utilização? Vê-se, neste contexto, que a diligência é importante para solução da lide. Ademais, dentro da sistemática processual administrativa fiscal, as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva e, em outro prisma, deve- se buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade a resolução do litígio. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas, principalmente, postas no Decreto n.º 70.235, de 1972, na Lei n.º 9.430, de 1996 e no Decreto n.º 7.574, de 2011, mas também tem regência complementar pela Lei n.º 9.784, de 1999, assim como pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria e o dever de agir da Administração Pública conforme a boa-fé objetiva, pautando-se na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. Sendo assim, proponho diligenciar os autos no sentido de que a unidade de origem oficie o órgão ambiental estatual (Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Instituto Florestal), ou o seu sucessor, para requisitar informações complementares sobre a “Declaração” constante nos autos, emitida em 01/09/1988, pelo referido órgão, esclarecendo se a área remanescente (os 1.625,4 hectares, do imóvel localizado no Município de Biritiba Mirim, registrado no cadastro INCRA 638.030.007.099-9, contíguo ao Parque Estadual Serra do Mar, registrado no 2.º Cartório de Registro de Imóveis de Mogi das Cruzes/SP sob n.º 9.113 e no 1.º Cartório de Registro de Imóveis de Santos/SP sob n.º 9.938) já foi, ou não, demarcada e se ela é, ou não, toda de preservação permanente ou se há áreas possíveis de utilização e qual a extensão das áreas utilizáveis e/ou de preservação. Eis minha proposta de diligência. Procedimentos a serem efetivados na efetivação da Diligência: Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem oficie o órgão ambiental estatual (Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Fl. 366DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 2202-000.878 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13884.722538/2012-64 São Paulo, Instituto Florestal), ou o seu sucessor, para requisitar informações complementares sobre a “Declaração” constante nos autos, emitida em 01/09/1988, pelo referido órgão, esclarecendo se a área remanescente (os 1.625,4 hectares, do imóvel localizado no Município de Biritiba Mirim, registrado no cadastro INCRA 638.030.007.099-9, contíguo ao Parque Estadual Serra do Mar, registrado no 2.º Cartório de Registro de Imóveis de Mogi das Cruzes/SP sob n.º 9.113 e no 1.º Cartório de Registro de Imóveis de Santos/SP sob n.º 9.938) já foi, ou não, demarcada e se ela é, ou não, toda de preservação permanente ou se há áreas possíveis de utilização e qual a extensão das áreas utilizáveis e/ou de preservação. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Fiscal Conclusivo, demais disto, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado destas conclusões, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Posteriormente, retornem-se os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É o meu Voto de Resolução. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.901586/2009-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-009.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. Recurso especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10384.901586/200964 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303009.229 – 3ª Turma Sessão de 18 de julho de 2019 Matéria PER/DCOMP RETIFICADORA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO ANTOINE LAVOISIER DE ENSINO EIRELI EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 15 86 /2 00 9- 64 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 55/74), admitido pelo despacho de fls. 76/77. Insurgese contra o Acórdão 3301001.856 (fls. 49/53), de 22/05/2013, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em suma, entende a recorrente que não pode ser permitida a entrega de PER/DCOMP retificadora após o despacho decisório, acostando 2 paradigmas que vão ao encontro de sua tese. O de nºs. 10517143, de 13/08/2008, e o 1803001.157, assim ementados, respectivamente: Acórdão de nº 10517143 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003 LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. Nº Acórdão 180300.157 ... PRECLUSÃO. NOVOS DOCUMENTOS. Conforme disposto no art. 16, § 4° do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos expressos no dispositivo, devendo a requerente comprovar estar abrigada em uma das exceções.” Aduz a Fazenda que os paradigmas atestam que não pode ser retificada a DCOMP após despacho decisório no sentido de se inovar no pedido de compensação pela Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 4 3 indicação de crédito distinto do inicialmente apontado. Entende que não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária no momento oportuno, ou seja, até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, sob a pecha de tratarse de erro material, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de análise pela DRF responsável pela análise do pleito. E conclui que a "declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer após a ciência do despacho decisório não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito". Enfim, alega que por analogia deve ser aplicado o art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72, precluindo o direito de produção de provas após a impugnação. Pede, ao final, o provimento do recurso para restabelecer in totum a decisão de primeira instância. Cientificado, o contribuinte não ofertou contrarrazões É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. A jurisprudência desta Turma é uníssona no sentido de que a mera entrega de DCTF retificadora em pedido de restituição, desacompanhada de provas do efetivo indébito, não é, por si só, suficiente para comprovação do crédito. Vejase a ementa do Acórdão 9303 005.708, de 19/10/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Contudo, no caso em comento, embora a retificadora tenha sido apresentada após o despacho decisório, o relator encontrou nos autos provas a indicar o direito creditório do contribuinte, desta forma convalidando a DCTF retificadora, e, constatada a certeza e liquidez do crédito, reconheceu o direito creditório. Entendo que o aresto recorrido perfilhou o entendimento desta Turma, pois consignou que a simples entrega da DCTF retificadora não é suficiente para reconhecer o crédito desde que desacompanhada de outros elementos de prova a dar convicção ao julgador Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 5 4 da existência daquele. Vejase a motivação do recorrido, de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal: Está demonstrado nos autos que efetivamente o contribuinte está sujeito ao regime cumulativo na apuração da Cofins. Verificase na cláusula segunda do Contrato Social da recorrente que o objeto da sociedade é “ensino de Préescolar e Primeiro grau”. Conforme art. 10, inc. XIV da Lei 10833/2003, abaixo parcialmente transcrito, não se aplicam as regras do regime não cumulativo de apuração da Cofins às receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Art. 10 – Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: .... XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Está também demonstrado nos autos que o valor de R$ 12.688,40 recolhido por meio de DARF, com código 2172, referente ao período de apuração de outubro/2004 foi calculado de acordo com as regras da não cumulatividade a qual prevê a aplicação da alíquota de 7,6%. A análise do espelho da DIPJ, fl. 30, aliada aos dados colhidos da conta Cofins a pagar do Livro Razão, cópia às fls. 15/16 do processo apensado de nº 10384.721016/201298, não deixa margem de dúvida quanto a este fato. Veja que para outubro/2004 o contribuinte apurou débito da Cofins no valor de R$ 13.279,16 e compensou créditos no valor de R$ 590,76 resultando em contribuição a pagar no valor de R$ 12.688,40. Portanto está comprovado nos autos que o contribuinte deveria recolher a título de Cofins relativo ao fato gerador de outubro/2004, o valor de R$ 5.241,77. Considerando que o valor pago foi de R$ 12.688,40, então o valor da diferença, R$ 7.446,63, configurase como valor pago a maior ou indevidamente e é justamente este o valor indicado como crédito no PER/DCOMP. ... O simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 6 5 liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. O que vimos decidindo nesta C. Turma é que o ônus da prova em relação ao erro de preenchimento de DCTF é todo do contribuinte, devendo ele, na primeira oportunidade em que se manifestar nos autos fazer prova nesse sentido, sob pena de preclusão, aí sim! Isso porque a manifestação de inconformidade, in casu, é análoga à impugnação no rito do Decreto 70.235/72, momento da preclusão temporal, em atendimento ao princípio da concentração, da eventualidade, da produção probatória. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório em se tratando de PER/DCOMP1, mas, porém, ela, a retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar o alegado indébito ou outro equívoco em seu preenchimento. Vejase, a propósito, decisão unânime no Acórdão 9303 006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo,a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. No sentido ora esposado, decidimos em situação análoga, à unanimidade, em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão 9303008.139, de 21/02/2019. 1 Nesse sentido, Acórdão 9303006.977, de 13/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, em que a recorrente igualmente era parte: DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Demonstrado e provado que a DCTF retificadora não comprovou o indébito reclamado pelo contribuinte, ou seja, a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mantémse a não homologação da Dcomp. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, entendo que deva ser mantido o aresto recorrido em toda sua extensão. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10384.901586/200964 Acórdão n.º 9303009.229 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.723988/2016-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.237
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. O colegiado a quo entendeu que o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal a título de incentivo fiscal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo do PIS não cumulativo. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: o crédito pleiteado teria como origem o pagamento a maior de PIS e COFINS, considerando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS concedidos pelo PRODEPE – Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco – Lei Estadual nº 11.675/1999, que teria sido erroneamente adicionados nas bases de cálculo das contribuições. Alegou que tais valores seriam redutores de custo, e que não poderiam ser classificados como receitas, pela inexistência de um acréscimo patrimonial. Ainda apresenta jurisprudência administrativa e judicial. É o relatório. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 23 98 8/ 20 16 -6 8 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3402-002.235, de 22 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.723922/2016-78. Portanto, transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402-002.235): “A questão trazida a julgamento refere-se à incidência da contribuição sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS (crédito presumido), recebidos do Governo do Estado de Pernambuco, no programa denominado “Prodepe” (Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco), instituído pela Lei Estadual nº 11.675/1999, regulamentado pelo Decreto nº 26.920/2004 (atividade industrial) e pelo Decreto nº 30.456/2007 (centrais de distribuição). A questão não é nova neste Conselho, tanto nas turmas baixas, quanto na Câmara Superior. O i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no voto vencedor do Acórdão nº 9303-007.622, da 3ª Turma da CSRF, sessão de 20 de novembro de 2018, fez a seguinte reconstrução história dos conceitos de subvenção para custeio e para investimento e seu tratamento fiscal ao longo do tempo, especialmente para o período que vai até o ano de 2007 (período que interessa ao presente julgamento), que transcrevo a seguir: “Até 2007, período da vigência da redação original do art. 183 da Lei das S/A, encontrava-se disposto em seu § 1º, que deveriam ser classificados como reservas de capital as doações e subvenções recebidas para investimento. A seguir, para fins de esclarecimento, encontra-se reproduzido o referido dispositivo: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. ... (grifos na transcrição) A característica da Reserva de Capital é a de ser composta por valores oriundos da contribuição de proprietários ou outros interessados no resultado da companhia, sem característica de exigibilidade, ou seja, a título definitivo. À época, a Lei das S/A entendeu que subvenções para investimento enquadrar-se-iam nessa categoria, por serem contribuições do Poder Público para a atividade da companhia, o que é de interesse para o Estado. Por outro lado, diferente era o conceito de subvenção para custeio, composta por contribuições do Estado cujos valores eram utilizados para fazer frente aos custos da atividade e, assim, poderiam influir nos lucros da companhia, que poderia ser distribuído aos proprietários. Fl. 177DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 Nesse sentido, é importante referir que o valor registrado como reserva de capital não pode ser distribuído aos proprietários, sob pena de perder sua natureza, nos termos do art. 200 da Lei das S/A, até hoje vigente na redação original, conforme a seguir reproduzido: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I – absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); ... Assim, vemos que uma subvenção para investimento era reconhecida diretamente como reserva de capital, sem transitar pelo resultado, conforme lançamento contábil a seguir: O lançamento contábil acima e a respectiva legislação antes referida deixam claro que a subvenção para investimento reconhecida como reserva de capital não caracteriza nem receita nem faturamento. Portanto, não integra a base de cálculo da Cofins ou da Contribuição para o PIS/Pasep, nem na sistemática cumulativa, nem na sistemática não- cumulativa. Ora, na sistemática cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelo faturamento, nos termos da redação original dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 1999, aplicáveis aos fatos geradores ocorridos no período em análise, a seguir reproduzidos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não compunha o faturamento e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Da mesma forma, na sistemática não-cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelas receitas, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, ambos reproduzidos a seguir, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise: Lei n° 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei n° 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifos na transcrição) Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não caracterizava receita e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática não-cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 Diferente é o tratamento dado às subvenções que não se enquadravam no conceito de subvenção para investimento, no período. Tais subvenções, denominadas subvenções para custeio eram reconhecidas no resultado das companhias e, compondo o a receita de subvenção para custeio lucro, não tinham qualquer restrição em relação a sua distribuição aos proprietários. O lançamento correspondente a essas subvenções para custeio era o seguinte: O lançamento acima deixa claro que, em que pese não caracterizar faturamento, ela se enquadra no conceito de receita e, assim: - não compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; - porém compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática não-cumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto.” Destaca-se, também, algumas alterações legislativas posteriores, que constam do referido acórdão: “Em 28 de dezembro de 2007, a Lei das S/A foi alterada pela Lei n° 11.638, de 2007, e a nova redação teve vigência a partir de 1º de janeiro de 2008. Entre os vários itens alterados, encontra-se o tratamento contábil dado às subvenções para investimento, que antes eram classificadas como reserva de capital e que passaram a ser classificadas como receita, compondo o resultado. [...] Em face dessa nova realidade jurídica, para fins societários, a legislação preocupou-se em dar um tratamento fiscal adequando. Assim, foi instituído o RTT Regime Tributário de Transição, pela Lei n° 11.941, de 2009. Pois bem, o tratamento fiscal dado às subvenções para investimento, especificamente no tocante à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, encontra-se nos arts. 18 e 21 da Lei nº 11.941, de 2009, a seguir reproduzidos, na redação então vigente e aplicável aos fatos geradores ocorridos no período em análise (lembrando que à opção do sujeito passivo, a Lei n° 11.941, de 2009, pode ser aplicada retroativamente, desde 2008): Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do Decreto-Lei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo§ 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976,no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3odeste artigo. Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. ... Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência)(Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e [...] Com o advento da Lei n° 12.973, de 2014, para fatos geradores a partir de 2015, temos um tratamento similar àquele dado às subvenções para investimento durante a vigência do RTT, qual seja, a subvenção para investimento, desde seu valor tenha sido destinado para formação da Reserva de Lucros de Incentivos Fiscais, não estaria sujeita a compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. [...] Adicionalmente, para conferir tratamento compatível em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, os art. 54 e 55 da Lei n° 12.973, de 2014, alteraram, respectivamente o art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e o art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003: Lei n° 10.637, de 2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Lei n° 10.833, de 2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX – de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)” Entretanto, a questão deve ser analisada considerando os efeitos do art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei. Fl. 180DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: [...] § 4º. Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.(Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º. O disposto no § 4odeste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Portanto, claro está que todos os incentivos relativos ao ICMS sejam considerados como subvenções para investimento, entendimento este que se aplica aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados, como é o presente caso. Ocorre que tal entendimento (configuração do crédito presumido de ICMS como sendo subvenção para investimento e a não incidência das contribuições sobre tais valores) estão sujeitos à condição imposta pela lei: que os valores sejam registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76. Dessa forma, torna-se obrigatório identificarmos se os valores em questão foram registrados em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76, e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores, para fins de sua configuração como subvenções para investimento e sua consequente exclusão da base de cálculo da contribuição. Diante do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; (ii) verifique foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; (iii) considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 181DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3402-002.237 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13888.723988/2016-68 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: i. identifique se os valores em questão foram contabilizados como reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404/76; ii. verifique se foram dados destinos diversos àqueles previstos no inciso I do artigo 30 da Lei n° 12.973/2014: (I) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (II) aumento do capital social; iii. considerando o disposto no art. 9º da Lei Complementar n° 160/2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei, analise o direito creditório do contribuinte, e manifeste-se sobre o mérito do pedido de compensação em questão, apresentando um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013705/00-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. TAXA SELIC.
Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-000.192
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jean Cleuter Siomões Mendonça.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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Numero do processo: 15922.000270/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/2004
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
DECADÊNCIA. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. ART. 173, I DO CTN. SÚMULA CARF Nº 106.
Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INOCORRÊNCIA DE RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. SÚMULA CARF N° 88.
A simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos "Relatório de Vínculos" não implica em responsabilidade pessoal - sujeição passiva - de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, inteligência da Súmula Carf n° 88.
Numero da decisão: 2401-006.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado até a competência 11/1998.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa. e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. DECADÊNCIA. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. ART. 173, I DO CTN. SÚMULA CARF Nº 106. Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INOCORRÊNCIA DE RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. SÚMULA CARF N° 88. A simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos "Relatório de Vínculos" não implica em responsabilidade pessoal - sujeição passiva - de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, inteligência da Súmula Carf n° 88.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-20T18:21:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-20T18:21:52Z; Last-Modified: 2019-08-20T18:21:52Z; dcterms:modified: 2019-08-20T18:21:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-20T18:21:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-20T18:21:52Z; meta:save-date: 2019-08-20T18:21:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-20T18:21:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-20T18:21:52Z; created: 2019-08-20T18:21:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-08-20T18:21:52Z; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-20T18:21:52Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15922.000270/2008-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.818 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2019 Recorrente CLUBE DE REGATAS BANDEIRANTES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. DECADÊNCIA. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. ART. 173, I DO CTN. SÚMULA CARF Nº 106. Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INOCORRÊNCIA DE RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. SÚMULA CARF N° 88. A simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos "Relatório de Vínculos" não implica em responsabilidade pessoal - sujeição passiva - de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, inteligência da Súmula Carf n° 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 02 70 /2 00 8- 51 Fl. 455DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado até a competência 11/1998. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa. e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório CLUBE DE REGATAS BANDEIRANTES, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da Decisão-Notificação n° 21.426.4/0133/2005 da antiga Secretaria da Receita Previdenciária, às e- fls. 287/294, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias arrecadadas das remunerações dos segurados empregados e não repassadas ao INSS, conforme Relatório Fiscal, às fls. 154/156 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no DEBCAD n° 35.654.380-3. Conforme consta do Relatório Fiscal: 1-Este Relatório é integrante da NFLD-Notificação Fiscal de Lançamento de Débito , de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de Novembro de 1997 a Fevereiro de 2004, am-ecadadas pela Associação mediante desconto na remuneração de seus empregados e não devidamente repassadas ao INSS nas épocas próprias, conforme determinação legal. Referidos recolhimentos não restaram comprovados durante a ação fiscal. Dai a origem da presente NFLD. 2- A situação acima descrita, em tese, configura a prática de crime previsto no Art. 168-A do Decreto-Lei n°2.848, de 07 de dezembro de 1940 — Código Penal, com a redação dada pela Lei n°9.983, de 14 de julho de 2000 e Art. 95, "d", da Lei 8.212/91,motivo pelo qual sera objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação autoridade competente para as providencias cabíveis. 3- Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de débito ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados, sendo Fl. 456DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 que os descontos foram verificados através das Folhas de Pagamento do período. São os papéis de trabalho (ou levantamentos) "FP" (Folha de Pagamento até 13/98; FPG (Folha de Pagamento Período GFIP — 01/99 a ...); "FO" (Folha de Pagamento Obra — até 13/98); "FOG" (Folha de Pagamento Obra — Período GFIP — 01/99 a ...). 4- Os salários de contribuição das contribuições apuradas, suas bases de calculo e aliquotas aplicadas encontram-se demonstrados no Discriminativo Analítico de Débito —DAD; no Discriminativo Sintético do Débito — DSD e no Relatório de Lançamentos — RL, todos integrantes desta NFLD e emitidos pelo programa SAFIS — Sistema de Auditoria Fiscal. 0 Relatório de Lançamentos inclui todas as competências do período, mesmo as sem débito constatado nesta ação fiscal, pois não confronta Fatos Geradores com Guias recolhidas. (...) 9-Além desta NFLD foram também lavrados nesta ação fiscal as NFLDs 35.654.381-1 (Remunerações conforme Folhas de Pagamento e Contribuintes Individuais a partir de 04/2003); 35.654.382-0 (Remunerações adicionais de empregados); 35.654.383-8 (valores da cesta básica concedida aos funcionários sem a devida adesão ao PAT — Plano de Alimentação do Trabalhador); 35.654.384-6 (remuneração de autônomos/contribuintes individuais a partir de 01/99 — Período GFIP); 35.654.385-4 (Solidariedade até 01/1999 - nos serviços de construção civil e serviços de segurança prestados por pessoas jurídicas — e Retenção a partir de 02/1999); 35.707.221-9 (pessoas fisicas na construção civil caracterizadas como empregados) e os Autos de Infração n°35.707.222-7 (por omissão de remuneração em GFIP); 35.727.223-5 (por não apresentação de documentos); 35.707.224-3 or apresentação de documentos elaborados sem a observância das normas Iprevistas na legislação) e 35.707.225-1 (por apresentar Livro Diário sem registro no end() competente), sendo que a cada um deles, sendo o caso, deverá corresponder uma defesa. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. À e-fl. 286, consta a informação de que a empresa recolheu parcialmente o débito em 18.01.2005 (já apropriado no Sicob) dos seguintes levantamentos e competências: a) Lev 001 - FO - Período 11/97; b) Lev. 002 - FOG - Período 02/2002 à 09/2002 e 02/2004; e c) Lev. 004 - FPG - Período 06/2002 à 10/2002. Por sua vez, a antiga Secretaria da Receita Previdenciaria entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à e-fl. 311/331, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, afirmando ser incabível a vínculação dos presidentes como co-responsáveis tributários. Insurge-se acerca da ilegalidade da inclusão de juros moratórios com base da Taxa Selic. Pugna pela decretação da "prescrição" nos moldes dos artigos 156 e 174 do CTN. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornando-o sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 457DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA DECADÊNCIA A recorrente pugna que seja decretada a prescrição de parte do período objeto do lançamento. Não obstante a alegação de prescrição, na realidade o que devemos contemplar é a decadência. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 458DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. No presente caso, despiciendas maiores elucubrações acerca da matéria, no tocante a contagem do prazo decadencial, caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados , deve ser aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 106: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/12/2004, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da autuação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 11/1998, inclusive, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO DO ANEXO "RELAÇÃO DE VÍNCULOS" Afirma ser indevida a inclusão de pessoas físicas (Presidentes) no pólo passivo da presente obrigação. Sem razão a recorrente!! Isto porque, a matéria objeto de julgamento nesta assentada refere-se à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. Fl. 459DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas a responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer outra pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo “CORESP”, inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado contra a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da autuação, são os sócios, tão somente co- responsáveis pelos créditos constituídos, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. Aliás, a jurisprudência deste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF n° 88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue: Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria, mormente em razão das Súmulas do CARF vincularem seus julgadores, não prosperando, portanto, a pretensão da contribuinte. TAXA SELIC Quanto aos juros infirmar ser induvidoso que a espécie de juros adotada pelo Ordenamento Jurídico Tributário é a dos juros moratórios, visto que constituem uma indenização pelo retardamento no cumprimento da obrigação. Através da leitura simples e objetiva do art. 161, § 1 ° do Código Tributário Nacional, pode-se auferir que o legislador pátrio definiu de forma explícita e imutável o valor do percentual anual a ser cobrado a título de taxa de juros, sendo inadmissível a exigência , por qualquer outro instrumento legal, de taxas de juros superiores a doze por cento ao ano. Portanto, em obediência ao ordenamento jurídico que disciplina as taxas de juros incidentes sobre o crédito tributário não pago à época do vencimento, é ilegal a utilização de taxa que represente juros compensatórios e que exceda o limite máximo fixado pelo CTN (art. 161, § 1°) e pela CF (art. 192, § 3°) qual seja, 12% ao ano. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada Fl. 460DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.818 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15922.000270/2008-51 até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...] Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. Além do que a aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIO para decretar a decadência dos fatos geradores ocorridos até 11/1998 (inclusive) e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 461DF CARF MF
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