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Numero do processo: 10845.720179/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO OU MÁ-FÉ. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 82, DA LEI FEDERAL 9.430/1996.
Não restando comprovada a má-fé do adquirente na aquisição de café por fornecedores tipos como inaptos ou fictícios pelas operações "Tempo de Colheita", "Robusta" e "Broca", não há como impedir o direito creditório pleiteado se o contribuinte demonstrou o atendimento aos requisitos do parágrafo único do artigo 82, da Lei Federal 9.430/1996.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA INDEVIDA. BENS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVA.
Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação.
TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. CRÉDITO ESCRITURAL PLEITEADO EM PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Inexiste previsão legal para a aplicação de Taxa SELIC para atualização de crédito das contribuições sociais decorrentes da apropriação extemporânea em sua escrita fiscal e durante o processo administrativo de homologação do pedido de ressarcimento. Trata-se de um crédito de natureza escritural não se aderindo à hipótese de pagamento a maior ou indevido de tributo.
Numero da decisão: 3401-004.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou suspeito, o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (em substituição a Robson José Bayerl, que se declarou suspeito) Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Relator Tiago Guerra Machado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO OU MÁFÉ. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 82, DA LEI FEDERAL 9.430/1996. Não restando comprovada a máfé do adquirente na aquisição de café por fornecedores tipos como inaptos ou fictícios pelas operações "Tempo de Colheita", "Robusta" e "Broca", não há como impedir o direito creditório pleiteado se o contribuinte demonstrou o atendimento aos requisitos do parágrafo único do artigo 82, da Lei Federal 9.430/1996. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA INDEVIDA. BENS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. CRÉDITO ESCRITURAL PLEITEADO EM PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Inexiste previsão legal para a aplicação de Taxa SELIC para atualização de crédito das contribuições sociais decorrentes da apropriação extemporânea em sua escrita fiscal e durante o processo administrativo de homologação do pedido de ressarcimento. Tratase de um crédito de natureza escritural não se aderindo à hipótese de pagamento a maior ou indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 79 /2 01 0- 17 Fl. 2364DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou suspeito, o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (em substituição a Robson José Bayerl, que se declarou suspeito) Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 375 e seguintes), contra decisão da DRJ/RPO, que manteve integralmente despacho decisório que negou o direito creditório pleiteado referente à COFINS relativa ao ano calendário de 2008. Do Pedido de Ressarcimento, do Mandado de Segurança impetrado para a RFB analisar o pedido e da Verificação Fiscal A Recorrente, exportadora de café, às fls. 5, pleiteou o ressarcimento de créditos de contribuição social (COFINS) oriundos da aquisição de café proveniente de produtores rurais, durante o 3º trimestre de 2008. Irresignada com a demora na análise do pleito creditório objeto desse processo administrativo e outros de mesma natureza, a Recorrente veio a impetrar Mandado de Segurança, com fulcro no artigo 24, da Lei Federal 11.457/2003, para que a Receita Federal do Brasil (RFB) se pronunciasse sobre o mesmo após 360 dias do envio da DCOMP. Intimada, a RFB instaurou procedimento de fiscalização para a avaliação do pedido de ressarcimento (fls. 11), resultando no Termo de Encerramento exarado às fls. 467. A presente ação fiscal iniciouse no dia 05 de maio de 2011, com o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal de mesma data através do qual o contribuinte foi intimado a apresentar os arquivos digitais contendo os elementos das notas fiscais que dão suporte ao crédito pleiteado nas mencionadas PERD/COMP conforme previsto na legislação referente a arquivos digitais a saber: Artigo 11 da Lei 8.218 de Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.364 3 29/08/91, Instrução Normativa SRF número 86 de 2001, Ato Declaratório Executivo COFIS 15/2001. Inicialmente, o contribuinte apresentou arquivos problemas de consistência, falta de anotação das observações e outros problemas, conforme relatado no Termo de Constatação de 30/05/2011. Somente no dia 17/06/2011 o contribuinte apresentou um arquivo digital com os requisitos previstos na legislação. A partir de então passouse a verificar, com base no arquivo digital fornecido, as notas fiscais. Ressaltese que o volume de notas fiscais do contribuinte é muito grande (São mais de dezoito mil notas 886 fornecedores, sendo que destes, 875 são pessoas jurídicas). A legislação de PIS e COFINS é extremamente complexa, cada uma das pessoas jurídicas pode vender seu produto com a incidência do PIS/COFINS, com isenção total ou ainda com suspensão das contribuições. Nos três casos há diferenças nos valores a serem creditados pelo contribuinte. Portanto, é imprescindível verificar cada uma das notas já que as mesmas contém uma observação que indica qual a forma de incidência das contribuições, ou seja: se houve a incidência, suspensão ou isenção das contribuições para o PIS e COFINS. (...) Na verificação efetuada nas milhares de notas fiscais constatouse que diversas apresentavam o PIS/COFINS suspensos, entretanto, no arquivo digital estava inserido a observação de que as mesmas não estavam com o PIS/COFINS suspensos. Ou seja, de acordo com o arquivo digital o contribuinte teria direito ao crédito integral da nota fiscal. (...) Concluímos que a análise da exatidão do arquivo digital demanda verificação adicional nas notas fiscais. Somente após esse passo de verificação das notas fiscais e eliminação dos erros no arquivo digital, é possível cotejar o arquivo com a posteriormente comparar com a DACON e PERD/COMP para verificar a certeza dos créditos ali postulados. Ora, não foi possível ultrapassar a primeira fase, qual seja verificação do arquivo digital porquanto o contribuinte ainda não apresentou um arquivo digital espelhando com exatidão o conteúdo das notas fiscais de aquisição de café. Notese que tal elemento é essencial e deveria ser feito antes de efetuar as PERD/COMP. Aguardando a apresentação do arquivo digital correto, os trabalhos de fiscalização continuaram com outras análises quais sejam: Comprovação de pagamento e entrega da mercadoria. Nesta análise, o contribuinte apresentou "comprovantes" de pagamentos emitidos pelo KSBC que não continham o CNPJ da empresa favorecida pelo pagamento. Ou seja: os comprovantes não servem para comprovar o pagamento efetuado porque não contém o principal dado de identificação para fins fiscais que é o CNPJ do favorecido. Intimado a apresentar os comprovantes corretos, o contribuinte apresentou no dia 22/09/2011 uma relação com 220 páginas referentes a todos os pagamentos efetuados através do HSBC, não só os pagamentos objeto da amostragem efetuada Fl. 2366DF CARF MF 4 pela fiscalização. Não houve tempo para cotejamento da relação com as notas fiscais. Quanto aos contratos e Confirmações de Negócio, documentos exigidos pela Fiscalização desde o inicio dos trabalhos, conforme Termo de Inicio de Ação Fiscal, não foram apresentados pelo contribuinte. Concluise, portanto, que por não contar com todos os documentos necessários e exigidos, sobretudo o arquivo digital que espelhe fielmente as notas fiscais de aquisição e PERD/COMP, foi impossível encerrar a primeira fase da aditoria [sic], apesar de estar tendo tratamento prioritário pela fiscalização. Por outro lado, não é possível conceder novos prazos para a apresentação da documentação já exigida porque a sentença exarada no Mandado de Segurança número 0000577.91.2011.4.03.6104, no dia 29 de junho de 2011, cópia em anexo, determina prazo de 90 (noventa) dias para apreciação dos pedidos retrocitados. Além disso, os auditoresfiscais ressaltaram que: (...) é conveniente destacar o fato sabido e amplamente divulgado por órgãos da imprensa, cópia em anexo, que existem problemas seríssimos referentes a fraudes na área de café. Ocorre que existe um grande número de empresas "noteiras” créditos de PIS/COFINS demanda diligências Por isso a necessidade de comprovação de outros elementos como contratos e abertas em nome de "laranjas” com a finalidade de gerar para os adquirentes do produto e a investigação desses fatos para apurar como se efetivaram as vendas, pagamento e entrega de mercadoria além de confirmação de compra exigidos desde o inicio dos trabalhos. Antes de conceder os créditos pleiteados, há que se verificar se os negócios ocorreram mesmo, se existem os fornecedores e outras investigações, por isso, após a apresentação de um arquivo digital que espelhe com exatidão os valores pleiteados nas PERD/COMP citados há que se verificar a comprovação da entrega do produto e o efetivo pagamento, além de outras diligências junto a intermediários e fornecedores para verificar em que condições ocorreram os negócios. Dos 875 fornecedores pessoas jurídicas, 91 NÃO ESTÃO ATIVOS, ou seja, ou são empresas INAPTAS, ou INATIVAS, ou SUSPENSAS. Tais fornecedores correspondem a 25% do crédito pleiteado. Além diso, mais de 50% dos fornecedores remanescentes não tiveram nenhum recolhimento de PIS e COFINS. Se não recolheram nada, como podem ter vendido o produto com a incidência da contribuição gerando direito a crédito para o contribuinte? Antes de se conceder os créditos pleiteados, há que se ter a certeza da existência e, em que condições se deram os negócios efetuados. Entretanto, essa fase de diligências é posterior ao batimento do arquivo digital com as notas fiscais e comprovação de pagamento e efetiva entrega da mercadoria, e, conforme relatado, são fatos ainda pendentes de verificação. Diante disso, e da impossibilidade de prosseguimento da auditoria por força da sentença exarada no Mandado de Segurança n. 0000577.91.2011.4.03.6104, que estabelece um prazo de 90 (noventa) dias para apreciação das PERD/COMP acima mencionadas, encerro a presente fiscalização sem uma conclusão a respeito da liquidez e certeza dos créditos postulados nas PERD/COMP 07439.19315.311008.1.1.083004, 22835.49313.051108.1.1087778, 25159.21118.051108.1.1.084361, 20018.70908.180609.1.1.088245, 34023.97509.311008.1.1.092154, 30597.65680.051108.1.1.099515, 30837.19569.051108.1.1.090278, 32669.69734.180609.1.1.090573. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.365 5 Do Despacho Decisório Diante da manifestação inconclusiva dos auditores fiscais a respeito da comprovação do crédito pleiteado, o Despacho Decisório (fls. 483) indeferiu o pedido de ressarcimento, nos termos abaixo: Assunto: Despacho Decisório emitido por força da sentença exarada no Mandado de Segurança nº 0000577.91.2011.4.03.6104, referente a ressarcimento de PIS/COFINS constante na PER/DCOMP 30837.19569.051108.1.1.090278. Ementa: Em cumprimento a ordem judicial exarada, e, não havendo prazo razoável para análise dos documentos comprobatórios do direito creditório solicitado o pedido é indeferido por falta de provas. Em suma, a SEORT limitouse a reproduzir nas razões de fato as conclusões (no caso, a ausência de) da verificação fiscal, de forma que, baseado no artigo 24, da Instrução Normativa SRF 460/2004, indeferiu na sua integralidade o crédito contestado pelo contribuinte. Da Manifestação de Inconformidade O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 489 e seguintes, requerendo a reapreciação e reanálise do pedido de ressarcimento pela Receita Federal, uma vez que “a SEFIS/DRF/SANTOS/SP deixou de concluir o procedimento de fiscalização após evoluir bastante, e tendo suspendido as atividades ao longo dos 90 (noventa) dias determinados em sentença, por conta de férias do servidor encarregado desta fiscalização. Alegase insuficiência do prazo determinado em sentença” e também porque “a análise do pedido de ressarcimento pressupõe análise conclusiva, e não meras atividades fiscalizatórias intermediárias.” Da reanálise pela RFB e do novo Despacho Decisório Em nova e extensa análise , a Receita Federal averiguou detalhadamente as notas fiscais e as transações que ensejaram o pedido de crédito extemporâneo pela Recorrente, aproveitando bastante o conhecimento obtido pelas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta”, realizadas em conjunto com a Polícia Federal e Ministério Público Federal. O resultado dessa nova fiscalização pode ser verificado entre as fls. 1409 e 1724. Perante os novos fatos, foi exarado novo despacho decisório às fls. 1733: Pedidos de Ressarcimento, combinados com Declarações de Compensação, envolvendo créditos do Pis/Pasep e da Cofins, apurados nos 4 trimestres de 2008, obtidos em decorrência de suas operações de exportação. Crédito parcialmente reconhecido Fl. 2368DF CARF MF 6 DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE RECONHECIDO Pedidos de Ressarcimento Deferidos Parcialmente e Compensações Homologadas até o Limite dos Créditos Deferidos (...) De acordo com as conclusões do Ilmo. Sr. AuditorFiscal, responsável pela ação fiscal, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza assegurados, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente, conforme muito bem detalhado no referido relatório. As irregularidades mencionadas foram investigadas e comprovadas, em decorrência de ações conjuntas da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal, denominadas "TEMPO DE COLHEITA", "BROCA",e "ROBUSTA". Tais operações tiveram por objetivo investigar diversos “ atacadistas” de café na Região Sudeste, pessoas jurídicas “laranjas”, constituídas apenas com o fito de encobrir os verdadeiros fornecedores do café, pessoas físicas, e burlar a administração tributária, pela produção de créditos integrais das contribuições do Pis e da Cofins, os quais, de outro modo seriam créditos presumidos, consistentes em 35% do crédito cheio As “empresas” envolvidas no esquema apresentam características semelhantes: ou seja, são inexistentes de fato, já que, a despeito dos montantes negociados do café e da receita gerada, seus estabelecimentos e empregados não condizem com os valores comercializados, não entregam as declarações exigidas pela RFB, tais como Dirpj, Dacon, ou Dctf, ou se apresentam/como inativas ou entregam as declarações com valores de receita quase zerados ou mesmo zerados. Além disso, não recolhem os’ tributos ou o fazem em montantes diminutos, totalmente em desconformidade com a magnitude do negócio realizado. Entre outros fatos e testemunhos, foi comprovado, que várias notas fiscais emitidas, o nome do verdadeiro produtor/vendedor era identificado tratandose de pessoa física. Como fartamente comprovado nas operações, desencadeadas, a contribuinte não só se utilizou do esquema, como também, tinha pleno conhecimento de seu funcionamento, participando e lucrando com as fraudes, das quais resultaram créditos indevidos, todos glosados, porém, diante da evidência de se tratar de venda de produto por pessoa física, o Ilmo. Sr. Auditor Fiscal, responsável pela conferência dos créditos e sua procedência, concedeulhe, nos casos efetivos, o crédito presumido, previsto no art. 15 da Lei n° 10.925/2004 (...) Além da restauração dos créditos decorrentes da máfé da contribuinte, foram glosados outros, obtidos pela compra de café de cooperativas, que se submetem a uma legislação especial, abaixo parcialmente transcrita (...) Assim sendo, diante do acima exposto, cm combinação com o resultado da ação fiscal, foram feitos os ajustes de ofício, de forma a conformar os créditos de Pis/Pasep e Cofins com as Leis n°s .10.637/2002 e 10.833/2003, remanescendo os seguintes valores de créditos nos quatro trimestres de 2008: Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.366 7 Da nova Manifestação de Inconformidade Em consequência do indeferimento parcial do pedido de ressarcimento, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 1749 e seguintes), que, em suma, (i) questionou o uso genérico das informações recolhidas durante as operações realizadas conjuntamente com a PF e MPF, e sua aplicação aos créditos da Recorrente sem, contudo, comprovar qualquer vínculo de máfé entre ela e as empresas objeto da investigação; (ii) defendeu que as irregularidades encontradas nessas ações não poderiam contaminar o direito ao crédito previsto em lei; (iii) ponderou que, se as entidades governamentais não foram eficazes em interromper as atividades das empresas tidas como inidôneas, mesmo após a descoberta de esquema fraudulento, porque exigir de outros contribuintes o zelo em desvendar quais os contribuintes que poderiam ou não realizar negócios lícitos? (iv) quanto ao crédito sobre cooperativas de café, afirma que a compra e venda de café está sujeita ao recolhimento do PIS e da Cofins sendo fato que as cooperativas e as vendas de café estão sujeitas ao recolhimento desse tributo ainda que permitida a exclusão da base de cálculo, Do Acórdão sobre a Manifestação de Inconformidade Proveio o acórdão a respeito da Manifestação de Inconformidade, emitido pela DRJ/ às fls. 2136 e seguintes, mantendo a decisão contida no último despacho proferido pela SEORT. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões do voto podem ser sumarizadas pelos excertos abaixo destacados: (a) Quanto ao direito ao crédito oriundo das transações com pessoas jurídicas irregulares, inidôneas, inativas e/ou interpostas: Tratase o presente, como visto, de Pedido de Ressarcimento de crédito que a contribuinte julga deter contra a Fazenda Pública. Ou seja, aqui não se trata de ação Fl. 2370DF CARF MF 8 positiva do Fisco no sentido de exigir tributação sob fato até então oculto dos registros oficiais da pessoa jurídica. Não há, na situação posta, nessa medida, a necessidade de que o Fisco traga aos autos elementos suficientemente robustos que convençam acerca da existência de algum fato gerador e da conseqüente legitimidade da eventual exigência formalizada. Não. O caso em foco foi iniciado com a pretensão de exercício de um direito por parte da contribuinte. De moto próprio a contribuinte protocolou pleito no qual invoca direito de crédito passível de lhe ser ressarcido pela Administração Tributária. Para fazer valer esse direito, é preciso que a autoridade fiscal a quem cabe o exame do pleito tenha segurança da liquidez e certeza do direito demandado para reconhecêlo legítimo. Colocada em xeque a legitimidade do crédito pleiteado, à autoridade cabe o indeferimento do pleito, ressalvado ao sujeito passivo a produção de elementos firmes que desfaçam a incerteza e venham a comprovar a robustez do direito negado. Compulsandose os autos, contudo, concluise que não só a Administração Fiscal pôs em dúvida a legitimidade do valor do ressarcimento invocado como foi além, comprovando a inexistência do direito em litígio (...) Em resumo, os elementos coletados pela auditoria no âmbito da operação Tempo de Colheita trazem provas robustas, agudas e irrefutáveis de que o mercado de compra de café estava contaminado pela interposição fraudulenta e artificial de intermediários pessoas jurídicas com o fim único e exclusivo de gerar créditos fictícios de PIS e Cofins na sistemática da não cumulatividade. (...) A denominada “Operação Broca” consistiu no aprofundamento das investigações iniciadas na operação “Tempo de Colheita”. Diversos documentos e arquivos foram apreendidos na operação, entre eles o arquivo digital armazenado em um “notebook” de propriedade da Outspan que estava em poder de seu diretor Fabrício Tristão. A análise de tal elemento resultou no “RELATÓRIO DE ANALISE DE MÍDIA APREENDIDA”. Do citado relatório da operação, a fiscalização da DRF em Santos extraiu alguns elementos que também permitem formar a convicção deste relator de que a Outspan e seus dirigentes estavam profundamente envolvidos no apontado esquema para geração de créditos fictícios de PIS e Cofins, mediante a interposição de falsos intermediários na cadeia de comercialização do café. (...) Ou seja, o Sr. Fabrício Tristão, gerente de compras da Oustpan, tinha pleno conhecimento do uso artificial de empresas de fachada no negócio de compra e venda de café. (...) Porém, avaliados todos os elementos trazidos à lume pelas operações Tempo de Colheita/Broca/Robusta, tomados isoladamente ou em conjunto apontam que essa precaução tomada pela empresa tinha apenas esse único objetivo: apresentar as consultas em sede de defesa administrativa ou judicial contra uma possível e agora real acusação de fraude, como de fato fez a contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.367 9 De tudo o que até agora ficou aqui exposto, podese entender como comprovada a existência de esquema ilícito no mercado de café com vistas à criação de créditos fictícios de PIS e Cofins e ainda mais importante, com todo o detalhamento do modo de operação da fraude. Além disso, impossível deixar de reconhecer que as provas levantadas no âmbito das citadas operações apontam a participação dolosa da empresa interessada nos presentes autos com vistas à citada geração artificial de créditos. (b) Sobre a possibilidade de apropriação de créditos nas transações com cooperativas de café (...) concluise que, na hipótese de exclusão das receitas em razão do repasse aos cooperados, não cabe a apuração de crédito não cumulativo pelo adquirente. Verificou a fiscalização que figuravam, entre as fornecedoras da interessada, diversas sociedades cooperativas. Esta foram intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo requerente. (...) Muito importante, é a análise procedida pela auditoria em relação às cooperativas fornecedoras da Outspan. As sociedades foram intimadas a informarem a natureza de suas operações com os associados e terceiros. Responderam ainda se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. As correspondentes respostas estão presentes no processo administrativo nº 15983.720081/2013471 Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela iniciada às fls. 21.180. Vejase pelas respostas que, de fato, algumas das cooperativas afirmam realizar cumulativamente as atividades de beneficiamento de café e nesses casos, as receitas de venda do café trabalhado sofrem a incidência de PIS e Cofins, vedada a suspensão da contribuição prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, a teor da exceção prevista no §1º, II daquele dispositivo às vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º. Assim, as saídas de café dessas cooperativas que fazem o blend, embora não passíveis de suspensão, tem suas receitas excluídas da base de cálculo por conta da autorização específica às cooperativas, sendo vedada a apuração de créditos pelo contribuinte adquirente. Outras porém, afirmam não realizar as atividades que levam à obtenção da mistura e que dão saídas com suspensão de PIS e de Cofins, em ambos os casos, não houve incidência das contribuições, quer pela exclusão de valores da base de cálculo das cooperativas, quer pela saída efetuada diretamente com suspensão. Nesse contexto, foi correta a conduta adotada pela autoridade fiscal que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente. Vale ressalvar que no caso das cooperativas de produção agropecuária a autoridade considerou a possibilidade de geração de créditos presumidos nos termos da legislação. Fl. 2372DF CARF MF 10 (c) Sobre a aplicação de Taxa SELIC sobre o crédito a ser ressarcido Postula a contribuinte, por fim, a necessidade de que os valores ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. No entanto, não há permissivo que autorize a incidência de juros de mora sobre quantias que serão destinadas ao contribuinte a título de ressarcimento, ao contrário do que ocorre no caso de restituição por pagamento indevido ou a maior, por exemplo. Pelo contrário, a legislação fiscal expressamente veda a dita incidência de juros de mora, como se vê em dispositivo presente na IN RFB nº 600, de 2005, repetido nas INs que se seguiram, nº 900, de 2008 e nº 1.300, de 2012. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 21852246, reprisando os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade e mais os seguintes: (a) Da Preliminar de “Ausência de fundamentação para a Descaracterização e Vícios de procedimento” (...) percebese claramente que a autoridade fiscal objetivou desqualificar as legítimas operações de aquisição de café efetuadas pela Recorrente, a fim de legitimar a cobrança realizada, sem, contudo, trazer qualquer prova concreta que vinculasse o contribuinte aos pretensos atos ilícitos por eia citados genericamente para uma ínfima quantidade de operações de compra do café. Neste caso, considerando que a exigência da autoridade fazendária decorre da desconsideração de operações lícitas e devidamente registradas contabilmente pela empresa, o enquadramento legal utilizado para amparar o procedimento adotado pela fiscalização não serve como fundamentação. Até mesmo porque, a desconsideração de negócios jurídicos somente teria guarida no parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional. Portanto, ao simplesmente desconsiderar os negócios jurídicos efetuados pela Outspan, não restam dúvidas de que o procedimento adotado peia fiscalização se subsume exatamente ao comportamento descrito no mencionado dispositivo legal. Todavia, mesmo que a desconsideração dos negócios jurídicos, nos moldes como efetuada pelo agente fazendário, pudesse estar tacitamente fundamentada no parágrafo único, do artigo 116, do CTN, é notório que sobre tal norma inexiste qualquer regulamentação até a presente data, pelo que a mesma não poderia gerar quaisquer efeitos sobre as operações indicadas no Termo de Verificação em comento. (...) Mesmo que se admitisse a aplicação do parágrafo único, do art. 116, do CTN, a desconsideração dos atos e negócios realizados com as pessoas jurídicas indicadas no Termo de Verificação deveria, obrigatoriamente, ser precedido de procedimento administrativo próprio e exclusivo para este fim. (...) Não obstante a ilegal descaracterização dos negócios jurídicos realizados pela Outspan, visto que tal procedimento fora adotado sem qualquer amparo legal, não Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.368 11 tendo sido sequer citado pela fiscalização eventual dispositivo de lei que possibilitasse a glosa dos legítimos créditos por ela apurados, fato é que, mesmo se admitida tal pretensa descaracterização, ainda assim esta se demonstrou de todo incipiente e descabida. (...) No entendimento da Fiscalização, referidas pessoas jurídicas intermediárias seriam empresas que não existiriam de fato, sendo que, supostamente, as empresas exportadoras de café adquiririam toda mercadoria diretamente de pessoas físicas, o que lhe garantiriam o crédito presumido de 35% do crédito integral de P!S e COFINS oriundo da operação e não o crédito integral de PIS e COFINS. Assim, para a suposta manutenção do crédito integral de PIS e COFINS, as empresas se utilizariam de empresas intermediárias de fachada, também chamadas de “noteíras”. Ainda, afirma a Fiscalização que as empresas exportadoras de café, que comprariam o café das pessoas jurídicas intermediárias, não só teriam pleno conhecimento do esquema de fraude em referência como teriam obrigado a criação dessas empresas intermediárias “noteiras”, e por isso, fariam parte desse esquema que tinha como único objetivo gerar crédito de PIS e COFINS em sua integralidade. Para comprovar a existência do suposto esquema de fraude no comércio do café, a Fiscalização cita trechos do relatório elaborado pela Polícia Federal nas operações Tempo de Colheita, Robusta e Broca. (...) Da análise do termo de verificação fiscal que possui quase 300 páginas salta aos olhos o fato de que o nome da Recorrente é citado em raríssimos trechos das operações federais utilizadas pela Fiscalização para comprovar o suposto esquema de fraude. Ainda, salta aos olhos o fato de que em nenhum momento a Recorrente foi indicada pelos investigados nas operações federais como mandante ou partícipe do esquema de fraude na cadeia do café. O que se observa é que a Fiscalização a todo custo tenta fazer crer que a Recorrente saberia e seria articuladora desse suposto esquema de fraude que teria como objetivo gerar crédito de PIS e COFINS, o que demonstraria a ausência de boafé da Recorrente. Ocorre que para comprovar a suposta participação da Recorrente no esquema de fraude a Fiscalização se utiliza de presunções, atitude essa vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Ora I. Julgadores, se mostra absurdo admitir que depoimentos com afirmações genéricas dos corretores de café e produtores rurais, possam ser utilizados como comprovação para o suposto entendimento da Fiscalização de que a Recorrente teria conhecimento e teria participado desse esquema. Não é demais lembrar que os corretores e os produtores de café também faziam parte da cadeia de produção do café e também estavam sendo investigados pela Polícia Federal. O que se observa também é que o nome da Recorrente apenas aparece nesses depoimentos quando da aquisição de café de 05 (cinco) fornecedores pessoas jurídicas, quais sejam, Colúmbia, WR da Sitva, Agrosanto, Celba e Trarbach. Ocorre que a Fiscalização, sem nenhum prova, glosa a integralidade do crédito de PIS e COFINS da Recorrente que adquiriu café de mais de 100 (cem) fornecedores diferentes, listados pela própria Fiscalização. Fl. 2374DF CARF MF 12 Isto é, a Fiscalização presume que todos os outros 95 (noventa e cinco) fornecedores pessoas jurídicas da Recorrente fariam parte desse esquema de fraude e teriam participação juntamente com a Recorrente. Ou seja, 95% dos fornecedores nada falaram sobre a Recorrente. Nada mais absurdo e que somente denota a fragilidade da acusação. (...) Ainda, da análise do termo de verificação fiscal verificase que a Fiscalização lista e cita os 100 (cem) principais fornecedores da Recorrente que supostamente seriam empresas “noteiras" criadas apenas com a finalidade da emissão de notas fiscais para geração do crédito de PIS e COFÍNS. Logo, tendo em vista que a Recorrente obrigava a criação dessas empresas de fachadas, como tenta fazer crer a Fiscalização, a única conclusão plausível seria que referidas empresas “noteiras” foram constituídas a partir do ano de 2005, ou seja, após o início das atividades da Recorrente. No entanto, da análise da situação cadastral dessas empresas fornecedoras perante o CNPJ, no qual consta a data de constituição das referidas empresas, percebese que dos 100 (cem) principais fornecedores listados pela Fiscalização, 76 (setenta e seis) foram constituídos anteríormente ao início das atividades da Recorrente no Brasil que apenas ocorreu no ano de 2005. Ou seja, 3/4 dos fornecedores da Recorrente foram constituídos anteríormente à sua chegada no Brasil. E esse fato l. Julgadores, sequer causa surpresa para a Recorrente, tendo em vista que a Recorrente nunca exigiu a criação de nenhuma empresa “noteira” com o objetivo de que fosse gerado crédito de PIS e COFINS para a sua atividade. (...) No presente caso, os créditos de PIS e COFINS glosados pela Fiscalização se referem ao ano de 2008. Nesse per íodo, a Recorrente não solicitou de imediato o ressarcimentos desses valores de PIS e COFINS a cada trimestre. Como a Recorrente tinha acabado de iniciar suas operações no Brasil e diante da complexidade das normas legais, a Recorrente sequer tinha conhecimento de que poderia solicitar o ressarcimento desse crédito de PIS e COFINS. Assim, apenas no ano de 2009, após a realização de uma auditoria interna, a Recorrente tomou conhecimento da possibilidade de apresentar pedido de ressarcimento dos referidos valores perante a Secretaria da Receita Federal. Diante desse fato, não se mostra correto afirmar que a Recorrente tenha criado todo um esquema de fraude que lha garantisse a integralidade do crédito do PIS e da COFINS no ano de 2008, e ao mesmo tempo solicitar o ressarcimento desse crédito mais de ano depois da sua geração. O direito de ressarcimento do crédito de PIS e COFINS ora glosado pela Fiscalização decorre do fato de que a Recorrente, de boafé, adquiriu café de pessoas jurídicas, fato esse que lhe garante o direito de crédito peta legislação. (...) (b) Do Direito ao Crédito na aquisição de café de cooperativas Conforme visto, em virtude da restrição constante no art. 9º, §1°, inciso II, da Lei n° 10.925, de 2004, não há suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nas receitas da venda de “café cru em grão” das Sociedades Cooperativas de produção que exercem atividade agroindustrial. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.369 13 Ou seja, a receita da venda de “café cru em grão” no mercado interno está sujeita à tributação das contribuições a alíquota de 9,25%. Neste caso, porém, o artigo 15 da MP 2.158/2001 prevê a possibilidade de “ajuste” na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da CORNS, permitindo a exclusão de valores decorrentes somente da prática de ato cooperativo, como por exemplo, as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização da produção do associado. (...) Para manter e seguir a linha de raciocínio da sistemática nãocumulativa, a sociedade cooperativa de produção, que exerce atividade agroindustrial, quando comercializar o produto “café cru em grão", no mercado interno, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, deve transferir o total do crédito fiscal básico da Contribuição para o P1S/PASEP e da COFINS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva. Cita acórdãos: CREDITO PIS/PASEP. NAO CUMULATIVIDADE A adquirente faz jus aos créditos das compras efetivamente comprovadas, independentemente das vendedoras não declararem a receita bruta ao fisco. A$ aquisições de insumos efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos como as das demais pessoas jurídicas. Se não comprovada a aquisição do bem para a revenda, o crédito correspondente não pode ser reconhecido. CREDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao credito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. (ACÓRDÃO Nº 09 24125 de 27 de Maio de 2009; 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora) NAO CUMULATIVIDADE Direito AO CRÉDITO AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. 1 As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins nãocumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2 A adquirente faz jus aos créditos das compras quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. (ACORDÃO Nº 0939301 de 29 de Fevereiro de 2012; 2ª Turma de Julgamento em Juiz de Fora) NAO CUMULATIVIDADE DIREITO AO CRÉDITO AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. 1 As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins naocumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2 A adquirente faz jus aos créditos das compras quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão ou de terem sido declarados a RFB, pelos vendedores as contribuições devidas nas operações. (ACORDÃO Nº 0939555 de 21 de Marco de 2012; 2ª Turma de Julgamento em Juiz de Fora) E conclui: Fl. 2376DF CARF MF 14 Diferentemente do entendimento manifestado no acórdão recorrido, o acórdão paradigma é claro em dizer que não existe razão para se glosar o crédito de aquisições feitas perante cooperativas que ao final do mês deduzem as contribuições para o PIS/COFINS como lhe faculta a lei. Não é o resultado da apuração do PiS/COFINS de cada cooperativa que legítima ou não o direito de crédito. O parágrafo 2o do artigo 3a das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02 não se aplica para a hipótese em debate. Esse tema há anos suscitou divergências e mal entendidos. Em 31 de março de 2014 restou pacificado o entendimento institucional da Receita Federal, conforme a anexa Resposta da Consulta formulada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – CECAFÉ, contrariando a glosa até aqui mantida. Com efeito, a Solução de Consulta n° 65 da COSIT, publicada no DOU de 31/03/2014, esclarece com muita propriedade o direito de crédito ordinário nas compras perante cooperativas. Esclarece que tais compras são normalmente tributadas, e que a apuração das cooperativas fazendo uso da faculdade de exclusão da base de cálculo, ao final do mês em que ocorreu o faturamento, em nada altera o direito de terceiros que com ela transacionam. Por fim, requer que seja dado provimento ao Recurso para que esse Tribunal: i. reconheça os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas e fornecedores que informaram suspensão indevida de tributação, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso; ii. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a “emprestar” o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial; iii. E, ainda, que autorize que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Preliminarmente, vale ressaltar, contudo, que, na esteira da formalização desse julgamento, o Presidente desse Colegiado veio a perceber que houvera equívoco na edição da Ata de Julgamento, de forma que os resultados de julgamento deste processo (de nº Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.370 15 10845.720179/201017/) e do processo 15987.000240/200971, julgados na mesma data, e do mesmo contribuinte, foram registrados de maneira trocada. A troca passou despercebida tanto por mim, relator, quanto pelo redator designado para o voto vencedor do outro processo, dado lapso temporal entre o julgamento e formalização dos respectivos julgados. Assim sendo, esse equívoco material será objeto de embargos inominados pela presidência da Turma, para propor que o resultado registrado em ata para o processo 15987.000240/200971 seja realocado ao presente processo (10845.720179/201017) e vice versa. Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade Não merece prosperar a alegação da Recorrente. As hipóteses de nulidade previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/1972, não guardam qualquer relação com os supostos vícios apontados no Recurso, não havendo possibilidade jurídica de nulidade do auto de infração. Na verdade, pareceme claro que a argumentação da Recorrente nesse ponto devem ser avaliadas na análise do mérito recursal. Portanto, nego provimento à preliminar de nulidade suscitada. Do Mérito No seu mérito, o recurso, em suma, versa sobre: (a) Da insuficiência probatória do Auto de Infração com relação ao aludido dolo da Recorrente na aquisição de café de "noteiras" (b) Do documento fiscal "inidôneo" e da possibilidade de creditamento (c) Do crédito presumido Passo a expor minhas considerações caso a caso. Fl. 2378DF CARF MF 16 Da insuficiência probatória do Auto de Infração com relação ao aludido dolo da Recorrente na aquisição de café de "noteiras" O termo de verificação fiscal "complementar" esmerouse em apontar um suposto vínculo da Recorrente com as fraudes apontadas pelas operações "Broca", "Tempo de Colheita" e "Robusta", priorizando explicar de que se tratavam tais investigações ao invés de buscar elementos de prova mais robustos. A decisão de primeiro grau acabou se baseando em tais elementos circunstanciais para firmar sua convicção. Contudo, como se depreende do relatório, o único fato que o auditorfiscal conseguiu apurar que pudesse criar uma conexão potencialmente espúria entre a Recorrente e as empresas envolvidas naquelas investigações – foi uma única conversa em meio eletrônico, obtida no âmbito daquelas operações, entre um dos administradores da Recorrente e um funcionário que poderia ser interpretada que o primeiro teria ciência de que um fornecedor específico não teria condições físicas de operar a compra e venda de café no estabelecimento emissor das notas. O meu entendimento é que os termos de verificação e a decisão ora recorrida trabalharam dentro desse arcabouço probatório meramente circunstancial, alastrou conclusões de parte da investigação à totalidade das operações da Recorrente (vide fls. 2.202, que a Recorrente lembra que “quando da análise da suposta participação da Recorrente no suposto esquema, o nome da Recorrente apenas aparece vinculado a 05 ( cinco) fornecedores nos depoimentos transcritos pela Fiscalização. Apenas desse fato já se mostra absurdo glosar a integralidade do crédito de PIS e da COFINS da Recorrente quando seu nome apenas aparece vinculado a apenas 05 ( cinco) fornecedores ditos inidôneos. Novamente a Fiscalização se utiliza de presunções para glosar a integralidade do cr édito de PIS e COFINS, ao fundamento de que a Recorrente teria envolvimento ilícito com todos os outros 95 (noventa e cinco) fornecedores.”) e não ponderou sobre algumas evidências de boafé trazidas pela Recorrente, quais sejam: a) A larga maioria dos fornecedores tidos como inidôneos e/ou fictícios não possuíam restrição de emissão de notas fiscais, irregularidades no CNPJ, etc.; b) A larga maioria dos fornecedores que estariam abrangidos pela investigação como empresas “noteiras” já existia antes mesmo do início das atividades da Recorrente no Brasil, o que não faria sentido se o principal argumento da Fazenda Nacional era que as “noteiras” teriam sido criadas única e exclusivamente para atender a demanda da Recorrente para viabilizar a tomada de créditos (vide fls. 2.199 e seguintes); c) O próprio pedido de ressarcimento extemporâneo da Recorrente, per si, poderia ser considerado uma evidência de que a compra dos grãos era o objeto negocial imediato da Recorrente, e que a possibilidade de se apropriar de créditos das contribuições, identificada a posteriori, não conjugaria em participar conscientemente (máfé, dolo) de um negócio jurídico simulado. Entendo, portanto, insubsistentes as razões inferidas e fatos imputados pela administração fazendária para consignar que a Recorrente teria agido em concurso com as Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.371 17 empresas envolvidas nas atividades fraudulentas a que se referem as operações “Robusta”, “Tempo de Colheita”, e “Broca”. Do documento fiscal "inidôneo" e da possibilidade de creditamento Por outro lado, diante da convicção firma pela fiscalização de que a totalidade dos documentos fiscais que ensejaram a apropriação de créditos pela Recorrente eram inidôneos, o despacho decisório, mantido pela decisão da DRJ, concluiu pela impossibilidade da apropriação dos créditos pela Recorrente. Esse aspecto, em função da conclusão do ponto anterior, merece melhor análise. O parágrafo único, do artigo 82, da Lei Federal 9.430/1996, oferece uma solução aos casos em que o adquirente de boafé, como restou minha conclusão, pode utilizar documentos fiscais inidôneos como prova de seu direito (no caso, do direito ao crédito das contribuições) se resta configurado e comprovado que: (a) Houve o recebimento dos bens, direitos e mercadorias e utilização dos serviços; E (b) Houve o efetivo pagamento pelo preço pactuado. Assim dispõe o texto legal: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Não há nos autos, qualquer ilação ou questionamento à falta de efetividade do pagamento e do recebimento físico dos lotes de café adquiridos, eis que tais comprovantes foram juntados ao presente processo pelo Recorrente quando solicitado, de modo que, não havendo questionamento à época, entendo tratarse de matéria incontroversa. Diante disso, não vejo óbice ao direito creditório pretendido pelo contribuinte, decorrente das aquisições de pessoas jurídicas tidas como inidôneas e afins, não restando dúvidas quanto aos demais fornecedores que a Fiscalização nem juntou provas de irregularidade, observadas as conclusões quanto ao próximo item de meu voto. Fl. 2380DF CARF MF 18 Do crédito de fornecedores via cooperativas O artigo 15 da MP n° 2.158/2001 regulamentou o funcionamento de cooperativas em geral, sem, contudo, afetar o direito de crédito de adquirentes de seus produtos. Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Como se depreende, a exclusão da base de cálculo afeta a apuração do PIS e da COFINS das cooperativas, como simples redução da base de cálculo, não se podendo tratar tal exclusão como isenção ou imunidade destas entidades, que ainda que reduzam o PIS e o COFINS a pagar. Nesse ínterim, vale ressaltar que a compra e venda de café é sujeita ao pagamento do PIS e da COFINS, sendo irrelevante que, no momento da apropriação de créditos decorrente de sua aquisição, o contribuinte da etapa anterior tenha recolhido ou não as contribuições sociais. Ainda, em vista da restrição imposto no parágrafo primeiro, do artigo 9º, da Lei Federal n° 10.925, de 2004, não há suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nas receitas da venda de “café cru em grão” das Sociedades Cooperativas de produção que exercem atividade agroindustrial, de modo que não faz sentido a premissa utilizada pela decisão ora recorrida de que a Recorrente teria limitado seu direito ao crédito pelo fato de as "aquisições que não sofreram tributação de PIS e Cofins na venda, já Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.372 19 que referentes a repasses de receitas provenientes de produtos que foram entregues por associados da cooperativa." Vejamos: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (...) § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. Ou seja, comungo do entendimento da Recorrente de que "a receita da venda de “café cru em grão” no mercado interno está sujeita à tributação das contribuições a alíquota de 9,25%. Neste caso, porém, o artigo 15 da MP 2.158/2001 prevê a possibilidade de “ajuste” na base de cálculo da Contribuição para o PIS /PASEP e da COFINS, permitindo a exclusão de valores decorrentes somente da prática de ato cooperativo, como por exemplo, as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização da produção do associado." Além disso, o Acórdão parece ter ignorado entendimento pela própria RFB quando da Solução de Consulta COSIT 65/2014, vejamos: Fl. 2382DF CARF MF 20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3º ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, art. 3º. Ainda o Parecer PGFN/CAT/n° 1425, de 2014, reconheceu o entendimento exprimido pelo contribuinte, de modo que o direito ao crédito deve ser garantido, ainda que isso leve a situações sui generis, vício que somente poderia ser solucionado mediante alteração legislativa e não através da atividade fiscalizatória. 58. Por outro lado, tal falha operacional, já admitida, também não justifica a criação de norma de proporcionalidade entre créditos do comprador e tributos aos quais o antecedente na cadeia comercial estava ou não sujeito, conforme solicita a 8ª Região Fiscal da RFB. Tal interpretação carece de base legal porque, reiteramos, não há previsão legal a exigir proporção entre tributo pago pelo vendedor e crédito gerado para o comprador no sistema da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. O inciso II do § 2º do art. 3º da Lei Nº 10.637, de 2002 e da Lei Nº 10.833, de 2003, não cuida de proporção, mas de relação de dependência no caso de os produtos ou serviços vendidos não estarem sujeitos ao pagamento dessas contribuições. Ou melhor, no caso de o valor de contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre esses produtos ou serviços resultar igual a zero. 59. Sabemos que a interpretação de qualquer dispositivo não pode levar a absurdos. Sabemos também que não há como obrigar cada adquirente de produtos a investigar se na etapa anterior houve ou não pagamento de PIS/PASEP e da COFINS para fins de garantir o seu direito ao creditamento. As circunstâncias que envolvem a possibilidade de creditamento tem que estar expressas na legislação sendo do conhecimento geral e não ligadas a particularidades de cada sujeito passivo. Nesse sentido, também merece serem mantidos os créditos oriundos da aquisição de produtos oriundos cooperativas. Glosas de Crédito nas compras de fornecedores com vícios formais na nota fiscal de venda De forma análoga que o item de que trata sobre o direito ao crédito decorrente de aquisições lastreadas em documentos tipos como inidôneos, vÊse que, diante do Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 10845.720179/201017 Acórdão n.º 3401004.242 S3C4T1 Fl. 2.373 21 artigo 82, da Lei Federal 9.430/1996, a comprovação do efetivo pagamento e da entrada das mercadorias, substituiria qualquer mácula documental diante do adquirente de boafé. Na presente situação, nem poderia se falar em hipótese de erro formal na emissão de nota fiscal pelo fornecedor (que teria informado estar sujeito à suspensão de PIS/COFINS). Em verdade, vale destacar que somente seriam considerados inidôneos, nos termos do Convenio S/N de 1970, os documentos fiscais que contivesse informações que não guardassem veracidade com a transação, sendo possível a correção de suas informações não essenciais para sua caracterização: Art. 7º Os documentos fiscais referidos nos incisos I a V do artigo anterior deverão ser extraídos por decalque a carbono ou em papel carbonado, devendo ser preenchidos a máquina ou manuscritos a tinta ou a lápistinta, devendo ainda os seus dizeres e indicações estar bem legíveis, em todas as vias. § 1º É considerado inidôneo para todos os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, o documento que: 1. omitir indicações; 2. não seja o legalmente exigido para a respectiva operação; 3. não guarde as exigências ou requisitos previstos neste Convênio; 4. contenha declarações inexatas, esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza. § 1ºA Fica permitida a utilização de carta de correção, para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com: I as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação; II a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário; III a data de emissão ou de saída. § 2º Relativamente aos documentos referidos é permitido: 1. o acréscimo de indicações necessárias ao controle de outros tributos federais e municipais, desde que atendidas as normas da legislação de cada tributo; 2. o acréscimo de indicações de interesse do emitente, que não lhes prejudiquem a clareza; 3. a supressão dos campos referentes ao controle do Imposto sobre Produtos Industrializados, no caso de utilização de documentos em operações não sujeitas a esse tributo, exceto o campo “VALOR TOTAL DO IPI”, do quadro “CÁLCULO DO IMPOSTO”, hipótese em que nada será anotado neste campo. Fl. 2384DF CARF MF 22 4. a alteração na disposição e no tamanho dos diversos campos, desde que não lhes prejudiquem a clareza e o objetivo. Diante disso, o mero erro formal que não descaracteriza documentalmente a operação realizada não pode ser causa de glosa de crédito. Sobre a aplicação da Taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido Por fim, inexiste previsão legal para a aplicação de Taxa SELIC para atualização de crédito das contribuições sociais decorrentes da apropriação extemporânea em sua escrita fiscal e durante o processo administrativo de homologação do pedido de ressarcimento. Tratase de um crédito de natureza escritural não se aderindo à hipótese de pagamento a maior ou indevido de tributo, casos em que se aplica Pelo exposto, conheço do recurso, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 2385DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007597/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte.
OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Consideram-se omitidos os rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de pensão alimentícia, que a contribuinte não logrou comprovar ter submetido à tributação na declaração de ajuste anual.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO.
Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive.
MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-005.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência correspondente à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Consideram-se omitidos os rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de pensão alimentícia, que a contribuinte não logrou comprovar ter submetido à tributação na declaração de ajuste anual. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência correspondente à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 75 97 /2 00 7- 65 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 Débora Fófano dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 68/79) interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ em Curitiba (PR) de fls. 55/62, a qual julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário formalizado no auto de infração - Imposto de Renda de Pessoa Física, lavrado em 2/7/2007 (fls. 24/34), decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2006, ano-calendário de 2005 (fls. 21/23). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo refere-se às infrações de: i) omissão de rendimentos de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 107.085,82, do qual foi deduzido da base de cálculo para efeito de apuração dos rendimentos tributáveis sujeitos ao lançamento de ofício o valor de RS 51.134,64, declarado como rendimento recebido de pessoa jurídica da fonte pagadora Ministério Público do Estado de Rondônia, com a apuração do imposto no valor de R$ 9.802,37; e ii) multas isoladas - falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no valor de R$ 11.932,16, conforme demonstrado no quadro abaixo (fl. 24): No auto de infração constam as seguintes descrições dos fatos e enquadramento legal (fl. 31/33): DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Imposto de Renda Pessoa Física Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNE- LEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Omissão de rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia. O comprovante de rendimentos de José do Espírito Santo Domingues Ribeiro referente à fonte pagadora Ministério Público do Estado de Rondônia (fl. O3) indica o pagamento de R$ 107.085,82 (103.257,07 + 3.828,75) a título de pensão alimentícia. Esse valor não está declarado como rendimentos recebidos de pessoa física na DIRPF do exercício de Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 2006 da contribuinte Ermilina Miranda Ribeiro, assim intimou-se ela a justificar a não inclusão desses valores nos rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual (fl. 04). Em atendimento à intimação foram apresentados os documentos de fls. 06 a 18. Para efeito de tributação mensal Na fl. O6 consta declaração dos valores mês a mês da pensão alimentícia que foram considerados para efeito de tributação mensal. Verificando-se a declaração de ajuste anual (fl. 21) constatou-se que foi declarado RS 51.134,64 da pensão como rendimento recebido de pessoa jurídica, tendo como fonte pagadora o Ministério Público do Estado de Rondônia. Este valor foi desconsiderado e deduzido da base de cálculo para efeito de apuração dos rendimentos tributáveis sujeitos ao lançamento de ofício. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa( % ) 31/01/2005 R$ 7.960,35 75,00 28/02/2005 R$ 10.183,76 75,00 31/03/2005 R$ 10.183,76 75,00 30/04/2005 R$ 11.659,48 75,00 31/05/2005 R$ 7.963,12 75,00 30/06/2005 R$ 7.963,12 75,00 31/07/2005 R$ 7.963,12 75,00 31/08/2005 R$ 7.963,12 75,00 30/09/2005 R$ 7.963,12 75,00 31/10/2005 R$ 7.963,12 75,00 30/11/2005 R$ 3.828,75 75,00 31/12/2005 R$ 7.527,88 75,00 31/12/2005 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1° a 3° e §§, e 8°, da Lei n°7.713/88; Arts. 1° a 4°, da Lei n°8.134/90; Arts. 54, 106, inciso II, 109 e 111 do RIR/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. 002 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNE-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê- leão por se tratar de rendimentos de pensão alimentícia, os quais se sujeitam ao recolhimento mensal de imposto de renda pessoa física. Data Valor Multa Isolada Multa(%) 31/01/2005 R$ 861,87 50,00 28/02/2005 R$ 1.167,59 50,00 31/03/2005 R$ 1.167,59 50,00 30/04/2005 R$ 1.370,50 50,00 31/05/2005 R$ 862,25 50,00 30/06/2005 R$ 862,25 50,00 31/07/2005 R$ 862,25 50,00 31/08/2005 R$ 862,25 50,00 Fl. 88DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 30/09/2005 R$ 862,25 50,00 31/10/2005 R$ 862,25 50,00 30/11/2005 R$ 862,25 50,00 31/12/2005 R$ 1.328,86 50,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106 inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Cientificada do lançamento por via postal em 6/7/2007, conforme cópia de AR de fl. 36, a contribuinte apresentou impugnação em 7/7/2007 (fls. 38/48), acompanhada de documentos (fls. 49/53), com os seguintes argumentos, conforme consta do relatório do acórdão recorrido (fls. 56/57): Relata os fatos atinentes à fase preparatória do lançamento, acentuando o seu espanto pela lavratura do auto de infração, diante das informações que havia prestado à autoridade fiscal. Preliminarmente, aduz a nulidade do lançamento porque aplica de forma incorreta o texto legal, desconsiderando os documentos apresentados, que confirmam decisão judicial que dispensa a retenção do imposto de renda, o que fere o princípio da verdade material; a autuação tem erro de tipificação e não guarda correlação com a norma jurídica; e possui motivação infundada, inexistindo “omissão por parte do contribuinte que apresentou os documentos solicitados à fiscalização e se prontificou a apresentar a decisão judicial a qual fundamentou a sua conduta Reafirma que a notificação fiscal é nula por “não descrever o dispositivo de Lei infringido e adequado para tipificar a conduta supostamente indevida do contribuinte, nele constando apenas disposição genérica de que a conduta do contribuinte não é permitida pela legislação e a penalidade imposta, em afronta ao principio constitucional da legalidade (art. 150, I, da CF/88), constituindo, em última análise, o cerceamento de defesa”. Cita a legislação e decisão administrativa, afirmando que a “tipificação incorreta ou a ausência de tipificação (que deve ser de acordo com a Lei), no auto de infração, inafastavelmente, traduz erro formal de lançamento, resultando em nulidade plena de todo o procedimento. Não se trata de erro material, que pode ser suprido pela própria descrição dos fatos, mas de erro formal, que, inequivocamente, constitui nulidade insanável Apoiada na doutrina, assevera que “os artigos mencionados na infringência não fazem referência aos fatos, inexistindo, assim, o elemento essencial para convalidar o auto de infração. Inexistente do mesmo modo qualquer prejuízo a fiscalização e a Fazenda uma vez que não foi identificada e' provada qualquer omissão do contribuinte, que efetuou sua declaração espontaneamente, sem qualquer ato de ofício por parte do fisco Arremata, sentenciando que o auto de infração deve ser declarado nulo, “considerando o erro formal do lançamento tendo em vista inexistir a tipicidade para a aplicação da penalidade. No mérito, alega que sua conduta está amparada em decisão judicial, onde o “Ministério Público e o Estado de Rondônia firmaram um acordo decidindo que essas verbas seriam pagas parceladamente. Tais verbas caracterizam-se como um ressarcimento pecuniário com teor reparatório. Logo, não constitui remuneração de capital, tendo natureza indenizatória, afastando por si só, a incidência do imposto de renda sobre a mencionada importância. Reiterando, essas parcelas recebidas tem caráter de reparação de dano material”. Fl. 89DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 Diz que a “fiscalização se ateve somente na declaração de rendimentos apresentadas pela impugnante, declaração essa sem discriminação sobre o que seria a pensão alimentícia e outros valores não tributáveis ou isentos. Não considerou, tão pouco (sic) deduziu os valores pagos a título de imposto de renda de 2005 (darf anexos)”, trazendo quadro demonstrativo. Aduz que é incabível a multa isolada exigida, pois “declarou sua renda como recebida de Pessoa Jurídica a qual indica o Ministério Público de Rondônia, CNPJ, etc, já que recebe diretamente em depósito em conta corrente do MP/R0, portanto não está obrigada ao recolhimento do carnê-leão Contesta a penalidade aplicada porque fere os princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva. Requer o acolhimento da preliminar de nulidade, a declaração de improcedência, no mérito, a descaracterização da multa, ajuntada de novos documentos, caso necessários, e que a intimação dos atos processuais sejam encaminhadas ao endereço do procurador. Quando da apreciação do caso, em sessão de 10 de fevereiro de 2010, a 4ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do acórdão nº 06-25.423 - 4ª Turma da DRJ/CTA, a seguir reproduzida (fls. 55/62): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, estando perfeitamente descritos os fatos, que se ajustam aos fundamentos legais apontados. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Consideram-se omitidos os rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes de pensão alimentícia, que a contribuinte não logrou comprovar ter submetido à tributação na declaração de ajuste anual. CARNÊ-LEÃO. IMPOSTO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Incide multa isolada sobre o imposto que deixou de ser recolhido, no prazo legal, a título de carnê-leão. MULTA DE OFÍCIO. OFENSAS A PRINCÍPIOS CONSTITUC1ONA1S. A multa de oficio de 75% está prevista em lei e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, a ela é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, assim como não podem ser objeto de análise as supostas ofensas a princípios constitucionais na esfera administrativa, em face da submissão desta ao princípio da legalidade, que é preponderante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada da decisão da DRJ, em 23/3/2010, conforme cópia do AR de fl. 67, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/4/2010 (fls. 68/79), acompanhado de documentos de fls. 80/84. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A lide em questão diz respeito à arguição da contribuinte de que não houve omissão de rendimentos de pensão alimentícia judicial uma vez que a parcela considerada omitida corresponde a verbas indenizatórias isentas de imposto de renda conforme decisão da justiça estadual. Observa-se que no recurso interposto a contribuinte reiterou os argumentos da impugnação. Da Preliminar de Nulidade A Recorrente alega a nulidade do auto de infração pelos seguintes motivos: i) aplicação incorreta do texto legal, pois a desconsideração dos documentos apresentados pela contribuinte fere o princípio da verdade material; ii) erro de tipificação; e iii) motivação infundada, visto a inexistência de omissão de rendimentos. As hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nos termos do referido dispositivo são tidos como nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto a autoridade lançadora demonstrou de forma clara e precisa os motivos pelos quais foi efetuado o lançamento, seguindo as prescrições contidas no artigo 142 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 91DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 Os requisitos de validade do auto de infração estão previstos no artigos 101 do Decreto nº 70.235 de 1972. O lançamento atendeu aos ditames legais, não se verificando a ocorrência de cerceamento de defesa, vez que a contribuinte conseguiu apresentar sua impugnação, além do fato da matéria estar sendo rediscutida através do presente recurso. Logo, é de se rejeitar a preliminar arguida. Do Mérito Da omissão de rendimentos de pensão alimentícia judicial De acordo com o auto de infração (fl. 31), no comprovante de rendimentos de José do Espírito Santo Domingues Ribeiro, emitido pela fonte pagadora Ministério Público do Estado de Rondônia, foi identificado pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 107.085,82, para a contribuinte Ermilina Miranda Ribeiro (fl. 4). Regularmente intimada a justificar a não inclusão desses valores em sua declaração de ajuste anual, apresentou documentos de fls. 7/19. Tendo em vista que a contribuinte declarou como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica da fonte pagadora Ministério Público do Estado de Rondônia o valor de R$ 51.134,64, tal valor foi deduzido da base de cálculo para efeito de apuração dos rendimentos tributáveis sujeitos ao lançamento. Como o auto de infração se refere a apenas a parcela omitida de R$ 55.951,18 (R$ 107.085,82 – R$ 51.134,64), motivo pelo qual não foi considerado o valor do imposto apurado na declaração de ajuste anual no valor de R$ 1.847,46. Em relação ao valor deixado de oferecer à tributação, a Recorrente alega que a sua conduta está amparada por decisão judicial em mandado de segurança perante o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. Diante dessa decisão o Ministério Público e o Estado de Rondônia firmaram um acordo decidindo que essas verbas seriam pagas parceladamente e que as mesmas teriam o caráter de reparação de danos materiais, caracterizando-se como um ressarcimento pecuniário com teor reparatório. A isenção é uma das formas de exclusão do crédito tributário prevista nos artigos 175 a 179 da Lei nº 5.172 de 1966 (CTN), razão pela qual deve ser interpretada literalmente, vedando-se a possibilidade a sua concessão por analogia ou interpretação extensiva, nos termos do artigo 111, inciso II do CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção;(grifos nossos) III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 1 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 92DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 No caso concreto, ao contrário do afirmado pela contribuinte, os beneficiários da aludida isenção amparada pela decisão judicial são apenas seus autores/partes da ação judicial. Os rendimentos isentos a que se referem a ação judicial, são apenas os recebidos pelo Sr. José do Espírito Santo Domingues Ribeiro. Tal isenção não abrange os valores da pensão alimentícia por ele pagos à ora Recorrente. Deve-se ressaltar que as decisões administrativas colacionadas não guardam analogia com a matéria em discussão (fls. 73/74). Deste modo não merece reparo o acórdão recorrido neste ponto. Da Multa Isolada A contribuinte alega que os rendimentos foram recebidos de pessoa jurídica, motivo pelo qual sobre eles não teria incidência da multa isolada. Todavia, tais rendimentos são relativos à pensão alimentícia repassados pelo Ministério Público do Estado de Rondônia, por intermédio de desconto na folha de pagamento do devedor da pensão alimentícia José do Espírito Santo Domingues Ribeiro, conforme documentos de fls. 08/18. Em relação à concomitância da multa de ofício e da multa isolada pela falta de antecipação do tributo em carnê-leão, utilizo-me, com a devida vênia, como razão de decidir o voto do ilustre Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo no Acórdão nº 2201-003.931, em sessão de 14 de setembro de 2017, nos seguintes termos: (...) É certo que, nos termos do art. 08 da lei 7.713/88, fica obrigado ao recolhimento mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física o contribuinte que receber rendimentos tributáveis de outra pessoa física. Tal recolhimento se dá a título de antecipação do devido no exercício. Assim dispõe a Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei n o 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, resta evidente que a falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado mediante lançamento de ofício está sujeita ao percentual de multa vinculada de 75%. Já a falta de recolhimento do valor mensal da antecipação a que está sujeita a pessoa física nos termos do art. 8º da Lei7.713/88, sujeita-se à multa exigida isoladamente no percentual de 50%. Frise-se, ainda que não tenha sido apurada imposto a pagar na declaração de ajuste. Fl. 93DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 Embora seja incomum, é possível que o valor a pagar no ajuste anual seja exatamente o mesmo que deixou de ser recolhido a título de carnê-leão, mas tal identidade estaria limitada aos números e não à base de incidência, pois a multa de 75% incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos a falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado mediante lançamento de ofício. Já a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento da antecipação devida quando se recebe rendimentos de pessoas físicas ou de fontes do exterior. Portanto, entendo que, ao contrário do que alega o contribuinte, não há dupla penalização sobre a mesma base de incidência. O que identifico são suas penalidades distintas. O que se tem, no caso do carnê-leão, é uma obrigação de antecipar o tributo de modo a prover recursos para manter o funcionamento da máquina estatal. Naturalmente, no ajuste anual, pode-se chegar à conclusão de que tais recolhimentos nem seriam necessários, importando em restituição total ou parcial do que foi recolhido durante o período, mas resta explícito que o legislador não se preocupou com o que ocorrerá no ajuste, ao afirmar que a penalidade isolada é devida ainda que não seja apurado imposto a pagar no final do exercício. Há quem defenda a inaplicabilidade da multa isolada pelo não recolhimento do carnê- leão de forma cumulativa com a multa de ofício, seja por acarretar bis in idem, seja por considerar a lógica da consumação penal, pela qual a infração mais grave abrange a menos grave que lhe seja preparatória ou subjacente. Para estes, tal multa isolada somente seria possível se aplicada no curso do ano calendário, antes de findo o exercício. Não obstante, não me filio a tal entendimento, em particular por entender o texto legal que prevê a multa isolada, ao estabelecer que esta seria devida mesmo se não fosse apurado imposto a pagar na declaração, já denota que o momento de seu lançamento pode sim ocorrer após o término do período de apuração. Acatar a compreensão de que tal exigência somente seria possível no curso do ano calendário seria, na prática, extirpar todo a força normativa do texto legal, já que, como regra, não há procedimento fiscal instaurado no curso do ano-calendário a que se refere. Ademais, se assim entendêssemos, estaríamos colocando em risco o interesse público que motivou a elaboração da norma, pois poderíamos chegar ao extremo de não fiscalizar dentro do ano e todos pararem de efetuar os recolhimentos mensais a título de antecipação, já que os resultados seriam exatamente os mesmos. Contudo, a despeito dos argumentos acima expostos, que guardam relação com a legislação atualmente em vigor e que serviu lastro para redução da penalidade no julgamento de 1ª instância, o fato é que o caso sobre o qual estamos debruçados remonta aos anos de 2001 e 2002, sendo, portanto, necessário rememorar os preceitos então vigentes da mesma lei 9.430/96, os quais foram utilizados na fundamentação da exigência de fl. 12. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de Fl. 94DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007597/2007-65 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Como se vê, a matéria sofreu profunda alteração em 2007, em particular com a edição da MP 351/2007 e da Lei 11.488/2007. No texto anterior, não havia duas penalidades. Apenas uma. Portanto, à época da ocorrência dos fatos geradores em discussão, 2003, a concomitância das penalidades isoladas e de ofício não encontrava lastro no texto então vigente do art. 44 da lei 9430/96, em razão de sua clara previsão de que as multas previstas no artigo seriam exigidas, no caso de não recolhimento do carnê-leão, isoladamente. Assim, temos as seguintes situações: 1) no caso de lançamento exclusivamente de multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão, independentemente do período a que se refere, deve-se aplicar a penalidade nova (50%), em homenagem à retroatividade benigna de que trata alínea "c", inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN); 2) no caso de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão concomitantemente com a exigência de ofício incidente sobre a diferença apurada de IRPF, deve-se excluir a penalidade isolada se o lançamento se refere a períodos de apuração até 2006, mantendo-se a exigência de ofício. Caso se refiram a períodos de apuração de 2007 e posteriores, é devida a manutenção concomitante das penalidades isoladas e de ofício. (grifos nossos) (...) Logo, no caso concreto, tendo em vista ser o período de apuração o ano- calendário de 2005, não é cabível a aplicação da penalidade isolada, mantendo-se a exigência de ofício. Da Multa de Ofício Nos casos de lançamento de ofício, como se configura a situação presente, as multas aplicadas são as previstas no artigo 44 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada em razão da sua natureza de confisco deve-se ressaltar que a autoridade julgadora de instância administrativa não tem competência para se manifestar acerca da constitucionalidade e legalidade das normas regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Além do mais a matéria encontra-se sumulada (súmula nº 2), a seguir reproduzida e, por conseguinte, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho Administrativo, nos termos do artigo 72 do RICARF. Assim dispõem a referida súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, o acórdão deve ser mantido, não merecendo reparo. Conclusão Diante do exposto, vota-se em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência correspondente à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720059/2013-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, pela apresentação de acórdãos paradigma em que, tendo sido enfrentada a mesma questão, os critérios jurídicos utilizados sejam diferentes.
Situação em que as diferenças entre as questões discutidas no acórdão recorrido não guardam similitude àquelas dos acórdãos paradigma, prejudicando a comprovação da divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.743
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, pela apresentação de acórdãos paradigma em que, tendo sido enfrentada a mesma questão, os critérios jurídicos utilizados sejam diferentes. Situação em que as diferenças entre as questões discutidas no acórdão recorrido não guardam similitude àquelas dos acórdãos paradigma, prejudicando a comprovação da divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 59 /2 01 3- 65 Fl. 4592DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, vigente à época, buscando a reforma do Acórdão nº 3302-004.629 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de julho de 2017, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto- lei nº 1.435, de 1975. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETO-LEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção Fl. 4593DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 do IPI, previsto no artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Após cientificada da decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração (e- fls. 4.151 a 4.162) alegando a existência dos vícios de omissão, obscuridade e contradição no julgado, alegando obscuridade quanto à afirmação de que o açúcar e o corante caramelo não podem ser enquadrados como matéria-prima e quanto à repercussão geral do RE 592.891. Além disso, apontou omissão com relação ao tratamento específico dos produtos da ZFM (Zona Franca de Manaus). Os embargos de declaração foram admitidos parcialmente, nos termos do despacho de admissibilidade de embargos (e-fls. 4.258 a 4.266), de 23 de outubro de 2017. Incluídos em pauta para julgamento, os aclaratórios foram acolhidos, sem efeitos infringentes, para excluir do voto as menções relativas à caracterização do açúcar e do corante caramelo como produtos intermediários como razão de decidir, bem como para excluir a menção à retirada de definitividade da decisão proferida no RE 212.484, conforme Acórdão n.º 3302-004.910 (e-fls. 4.267 a 4.271). Na sequência, não resignada em parte com o julgado, a Contribuinte AMBEV interpôs recurso especial (e-fls. 4.292 a 4.322) suscitando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: (a) descumprimento da diligência determinada no processo; (b) necessário tratamento diferenciado às empresas sediadas na Zona Franca de Manaus – Ilegitimidade da glosa de créditos de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus; (c) dos efeitos do reconhecimento do cumprimento do processo produtivo básico (PPB) e da utilização de matéria-prima agrícola/extrativa vegetal de origem regional pela SUFRAMA. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º (a) 1102-00.473; (b) 3801-0032.029 e (c) 9303-003.825 e 9303-002.293, respectivamente. O recurso especial foi admitido parcialmente, nos termos do despacho s/nº (e- fls. 4.500 a 4.506), de 09 de maio de 2018, proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial somente com relação à matéria “dos efeitos do reconhecimento do cumprimento do processo produtivo básico (PPB) e da utilização de matéria-prima agrícola/extrativa vegetal de origem regional pela SUFRAMA”. O prosseguimento parcial do apelo especial foi confirmado em sede de exame de agravo interposto pelo Contribuinte (e-fls. 4.517 a 4.521), consoante despacho de agravo s/nº (e-fls. 4.542 a 4.548), de 26 de julho de 2018. Por sua vez, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial do Sujeito Passivo (e-fls. 4.562 a 4.573), requerendo, preliminarmente, o seu não conhecimento e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Fl. 4594DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte AMBEV atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme se passa a demonstrar. Em sede de contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional suscita preliminar de inadmissibilidade do recurso especial por ausência de comprovação da divergência jurisprudencial, com o seguinte fundamento: "não há similitude fática entre os arestos confrontados, porquanto ambos os paradigmas analisaram se Secretaria da Receita Federal detém competência para constituir o crédito tributário na hipótese de descumprimento do processo produtivo básico, a par da manifestação da SUFRAMA, ao passo que o acórdão recorrido não olvidou que a recorrente seguiu as determinações dos atos da Suframa. Porém, foi mais além, porquanto asseverou que não se trata da hipótese prevista no regulamento e a isenção, foi indevidamente utilizada pelo fornecedor". Portanto, sustenta que não há similitude fática pois, embora o acórdão recorrido tenha tratado do atendimento às determinações da SUFRAMA, o pleito da Recorrida foi indeferido porque a isenção foi "indevidamente utilizada" pelo fornecedor. Entende-se que as diferenças fáticas não são suficientes para invalidar a existência da divergência jurisprudencial, pois tanto no acórdão recorrido quanto no paragonado a discussão de mérito dá-se em torno da competência da SUFRAMA para verificação do processo produtivo Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, foi proferido o despacho de admissibilidade: [...] 3) Dos efeitos do reconhecimento do cumprimento do processo produtivo básico (PPB) e da utilização de matéria prima agrícola/extrativa vegetal de origem regional pela SUFRAMA A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto-condutor do acórdão recorrido. Para comprovar o dissenso em relação à terceira matéria foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 9303-003.825 e 9303-002.293. Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Acórdão nº 9303-003.825 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 20/10/2004 Fl. 4595DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 POSSIBILIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO DA ETAPA PREVISTA NA LETRA “H’” DO ARTIGO 1° DA PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 185/93, PARA EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Não cabe restringir a possibilidade de terceirização à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus e com projeto aprovado pela SUFRAMA, para o gozo do benefício de isenção do IPI, quando a norma pertinente não o faz expressamente e o órgão responsável pela concessão do processo produtivo básico autorizou a terceirização da etapa “h” nesses termos. Recurso Especial do Procurador Negado” Acórdão nº 9303-002.293 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO DA ETAPA PREVISTA NA LETRA “H’” DO ARTIGO 1° DA PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 185/93, PARA EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Não cabe restringir a possibilidade de terceirização a empresa estabelecida na ZFM, para o gozo do benefício de isenção do IPI, quando a norma pertinente não o faz expressamente e quando, o órgão responsável pela concessão do processo produtivo básico autorizou a terceirização da etapa “h” para empresa localizada na ZFM. As etapas constantes da alíneas g, h e i do artigo 1° da Portaria Interministerial n° 185/93 devem ser realizadas dentro da ZFM, desde que a empresa tenha projeto aprovado pela SUFRAMA e desde que cumpra o processo produtivo básico. Recurso Especial do Procurador Negado” O acórdão recorrido afirma que a competência da SUFRAMA se limita a administração da ZFM e da Amazônia Ocidental e à aprovação de projetos de empresas que pretendam se instalar nessas regiões conforme art. 10 e 11 do Decreto-lei no 288/67. Afirma ainda que os art. 69, II e 175 do RIPI/2002 atribuem competência à SUFRAMA para aprovar determinados benefícios fiscais e administra-los sem excluir a competência da RFB para exercer suas competências legais. Diante destas afirmações, decidiu no sentido de que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos de isenção do IPI previsto no art. 6º do Decreto-lei no 1.435/75, qual seja, os Processos Produtivos Básicos (PPB). O primeiro acórdão paradigma decidiu que não cabe restringir a possibilidade de terceirização de empresa estabelecida na ZFM para ao gozo do benefício de isenção do IPI. Afirma em sentido diametralmente oposto ao recorrido quando afirma que a SUFRAMA tem competência para decidir se o Fl. 4596DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 contribuinte está ou não cumprindo o PPB e se faz jus à isenção fiscal do IPI, posição esta que deve ser acatada pela Secretaria da Receita Federal. O segundo acordão paradigma também decidiu que não cabe restringir a possibilidade de terceirização de empresa estabelecida na ZFM para ao gozo do benefício de isenção do IPI. Afirma ainda que a SUFRAMA autorizou a terceirização em questão, desde que a empresa tenha projeto aprovado e cumpra o PPB. O ponto central da questão cinge-se na possibilidade de terceirização da etapa de industrialização na qual foi amparada por aprovação do PPB pela SUFRAMA. Afirma também que, independentemente da discussão acerca da competência da Secretaria da Receita Federal representada por seus Auditores Fiscais com precedência sobre os demais órgãos administrativos, a aprovação do PPB por parte da SUFRAMA constitui condição para o gozo da isenção. Portanto, com essas considerações, conclui-se que em relação à terceira matéria a divergência jurisprudencial foi comprovada com a apresentação dos acórdãos paradigmas. [...] Diante do exposto, devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, deve ter prosseguimento o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator designado. Em que pesem a clareza e a objetividade do voto da Ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para dela discordar, quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Sujeito Passivo. Com efeito, trata-se da discussão de glosa de créditos de IPI, aproveitados pela recorrente, referentes à aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Pois bem, a decisão recorrida entendeu, entre outros pontos, que o Auditor- Fiscal teria competência para realizar a verificação dos requisitos de isenção e manutenção de crédito do IPI, por parte dos adquirentes, de que trata o art. 6° do Decreto-lei n° 1.435/1975, quais sejam: (i) emprego de matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização dos produtos e (ii) projetos aprovados pela SUFRAMA. No caso, em que pese ter reconhecido que a recorrente teria seguido os atos da SUFRAMA, o colegiado recorrido entendeu que o sujeito passivo não teria se enquadrado na hipótese prevista no art. 6° do Decreto-lei n° 1.435/1975, concluindo que o benefício teria sido Fl. 4597DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.743 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19311.720059/2013-65 aproveitado indevidamente, por conta dos insumos utilizados pelo fornecedor, e, portanto, a despeito dos atos da SUFRAMA, não haveria direito a crédito do IPI. Já, os acórdãos paradigma, 9303-002.293 e 9303-003.825, não foi essa a discussão enfrentada. Neles a discussão versou sobre a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para verificar o descumprimento do processo produtivo básico, ou seja, "o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto", independentemente do posicionamento da SUFRAMA quanto a seu cumprimento. Saliente-se que, no recorrido, não se discute o descumprimento do processo produtivo básico, mas sim o direito a crédito em face do insumo utilizado. Entretanto, os paradigmas não discutiram essa questão e, assim, entendo não ter sido comprovada a necessária divergência jurisprudencial. Portanto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4598DF CARF MF
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Numero do processo: 13608.000095/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS/PASEP. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO.
O direito de pleitear a restituição e a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, que tenha sido pleiteado depois de 9 de junho de 2005, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, de acordo com a Súmula CARF nº 91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-006.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS/PASEP. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. O direito de pleitear a restituição e a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, que tenha sido pleiteado depois de 9 de junho de 2005, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, de acordo com a Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. O direito de pleitear a restituição e a compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, que tenha sido pleiteado depois de 9 de junho de 2005, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, de acordo com a Súmula CARF nº 91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 163 a 172) interposto pelo Contribuinte, em 13 de maio de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-28.647 (fls. 156 a 159), de 17 de março de 2010, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 143 a 149) apresentada pelo Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 8. 00 00 95 /2 00 6- 78 Fl. 181DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.524 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13608.000095/2006-78 Com o intuito de elucidar o caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: - 10640720884/2009-8 inserido no presente processo. 117), - intimada É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen - Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-28.647 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual conheço. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 COMPENSAÇÃO. Não se homologa a compensação quando não comprovado o crédito objeto da Declaração de Compensação - DCOMP. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. O direito de pleitear a restituição e a compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Fl. 182DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.524 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13608.000095/2006-78 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A autoridade administrativa fiscal, bem como a DRJ, entenderam que em relação a decadência é de aplicação obrigatória o Ato Declaratório SRF nº 96/1999 e o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que estabelecem o prazo de 5 anos para o Contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, contado da data da extinção do crédito tributário. O Contribuinte sustenta em seu recurso que tem o direito de pleitear a restituição de tributo pago a maior ou indevidamente no prazo de 20 anos. Cito trechos para demonstrar essa posição: DA PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA 31- Partindo da premissa de que o caso em comento - - em que o Senado - - entre 01/92 e 12/92. - Decretos 2.445/88 e 2449/88. - Em virtude da inconstitucionalidade os pagamentos se tornaram indevidos e - - Civil de 2002 para definir qual o prazo prescricional a ser aplicado. (...) Fl. 183DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.524 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13608.000095/2006-78 - seja, vinte anos, contados da data em que foram efetuados os respectivos pagamentos. - - - - Em relação ao prazo decadencial de 5 anos ou da tese dos 10 anos (5+5 anos), está assim sumulado: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não assiste razão ao Contribuinte em seu pleito, visto que o pedido de restituição ocorreu na data de 19 de julho de 2006, portanto, em data posterior a 9 de junho de 2005, não alcançado assim pelo prazo prescricional de 10 anos (5+5) contado do fato gerador. Verifica-se também que os pagamentos se reportam ao período de 01/92 a 12/92 e que a apresentação do pedido de restituição ocorreu em 19 de julho de 2006. Percebe-se assim, que há um interstício superior a dez anos entre a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento e o pedido de restituição e compensação. Desta forma, de acordo com a Súmula CARF nº 91, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 184DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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Numero do processo: 11075.000465/2001-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação II
Data do fato gerador: 26/05/2000
NORMAS PROCESSUAIS INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
RECURSO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.105
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer
do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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E DISTRIB. DE PESCADOS SALMARE LTDA. Recorrida DRJ/SÃO PAULOSP Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 26/05/2000 NORMAS PROCESSUAIS INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). RECURSO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Vanessa Albuquerque, Luiz Roberto Domingo e Tarásio Campelo Borges (Presidente Substituto). Fl. 230DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0919.10037.YQZU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11075.000465/200101 Acórdão n.º 3101001.105 S3C1T1 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da decisão anteriormente proferida, que converteu o julgamento dos autos em diligência para intimação da empresa Granéis Transportes Ltda. Tratase Recurso Voluntário interposto somente pela autuada Salmare contra decisão da DRJFlorianopolis/SC que manteve o lançamento do Imposto de Importação juntamente com multa de oficio e juros de mora, em razão da não conclusão do trânsito aduaneiro solicitado pelo Contribuinte Granéis Transportes para as mercadorias importadas pela Recorrente Salmare. Cientificado do lançamento as autuadas Salmare (importadora) e a Granéis (transportadora) apresentaram impugnação, sendo decidido pela DRJFlorianópolis pela manutenção do lançamento, conforme decisão de fls. 145/151. A DRJ baseouse sua decisão no Ato Declaratório Interpretativo SRF ri° 12, de 31/03/2004 que dispõe sobre a descaracterização de roubo ou furto de mercadoria importada como evento de caso fortuito ou de força maior. Além disso, afirma que o furto como o roubo são riscos previsíveis, inerentes própria atividade exercida pela transportadora para as quais deve estar permanentemente acautelada e aparelhada, tornandoos evitáveis. Inconformado com a decisão do órgão julgador de primeira instância, a autuada Salmare tomou conhecimento em 05/07/2005, e interpôs o Recorrente Recurso Voluntário, em 05/08/2005 (fls.168/189). Notase , no entanto, que o segundo contribuinte Granéis Transportes não foi intimada. Assim, em homenagem ao principio do contraditório e da ampla defesa, e para evitarse a alegação futura de nulidade da acórdão prolatado, o julgamento deve ser CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA para que seja realizada a devida intimação da autuada Granéis Transportes no atual endereço constante no cadastro de contribuintes da Receita Federal para, querendo, apresentar Recurso Voluntário no prazo legal. Cumprida a diligência com a intimação da empresa Granéis Transportes Ltda. em 01/03/2010, e não havendo manifestação por parte da interessada, retornaram os autos ao CARF para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Daí, Fl. 231DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0919.10037.YQZU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11075.000465/200101 Acórdão n.º 3101001.105 S3C1T1 Fl. 3 3 concluíse, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 05/07/2005 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fls. 154), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 05/08/2005 (sextafeira), ou seja, no dia seguinte ao transcurso do prazo recursal, tendo em vista que o mês de julho possuí 31dias. Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por intempestivo. Luiz Roberto Domingo Fl. 232DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0919.10037.YQZU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIZ ROBERTO DOMINGO em 23/05/2012 14:08:38. Documento autenticado digitalmente por LUIZ ROBERTO DOMINGO em 23/05/2012. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 15/06/2012 e LUIZ ROBERTO DOMINGO em 23/05/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 17/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.0919.10037.YQZU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 930061E3BCB96180E0690DA027717A97365AF3F8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11075.000465/2001-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721895/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2011
LAPSO MANIFESTO.
Constante da decisão embargada percentual de multa de ofício que não corresponde à legislação, deve apenas ser corrigido o lapso manifesto para que se considere o percentual legal.
Numero da decisão: 1401-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dando-lhes provimento sem efeitos infringentes, apenas para sanar o lapso manifesto e retificar o percentual da multa remanescente, de ofício, a razão de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira De Sousa Mendonça (suplente convocada) e Carlos André Soares Nogueira. Ausente o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 LAPSO MANIFESTO. Constante da decisão embargada percentual de multa de ofício que não corresponde à legislação, deve apenas ser corrigido o lapso manifesto para que se considere o percentual legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dando-lhes provimento sem efeitos infringentes, apenas para sanar o lapso manifesto e retificar o percentual da multa remanescente, de ofício, a razão de 75%. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira De Sousa Mendonça (suplente convocada) e Carlos André Soares Nogueira. Ausente o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-16T16:22:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-16T16:22:08Z; Last-Modified: 2019-08-16T16:22:08Z; dcterms:modified: 2019-08-16T16:22:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-16T16:22:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-16T16:22:08Z; meta:save-date: 2019-08-16T16:22:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-16T16:22:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-16T16:22:08Z; created: 2019-08-16T16:22:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-16T16:22:08Z; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-16T16:22:08Z | Conteúdo => S1-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13116.721895/2014-78 Recurso Embargos Acórdão nº 1401-003.581 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE ANÁPOLIS - GO Interessado SULAMAR SUPERMERCADOS LTDA. (ANTIGA COMERCIAL DE ALIMENTOS BESERRA E MORAIS LTDA.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 LAPSO MANIFESTO. Constante da decisão embargada percentual de multa de ofício que não corresponde à legislação, deve apenas ser corrigido o lapso manifesto para que se considere o percentual legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dando-lhes provimento sem efeitos infringentes, apenas para sanar o lapso manifesto e retificar o percentual da multa remanescente, de ofício, a razão de 75%. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira De Sousa Mendonça (suplente convocada) e Carlos André Soares Nogueira. Ausente o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Relatório Por bem demonstrar o caso dos autos, reproduzo abaixo o relatório da admissibilidade dos embargos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 95 /2 01 4- 78 Fl. 809DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721895/2014-78 Trata-se de embargos (fls. 803 e seguintes) opostos pela unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 1401-002.741, de 25/07/2018, no qual o colegiado DEU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para tão-somente afastar o agravamento da multa de ofício.” A ementa encontra-se assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2010, 2011 SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96) MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).” Reproduz a embargante o excerto final do voto condutor do relator do acórdão embargado, no qual assim consta, verbis: Fl. 810DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721895/2014-78 “Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar a preliminar arguida de cerceamento de defesa e dar provimento ao recurso tão-somente para reduzir a multa agravada pela não apresentação de documentos fiscais aplicando-a à razão de 70%.” (grifei) Após observar que “nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 deve ser de 75% a multa aplicada em decorrência de lançamento de ofício”, a embargante encaminha o processo ao CARF para que “se assim entender necessário, reformar a decisão”. Passo à análise. Nos termos do quanto disposto no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos, ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado. Ainda, de acordo com o art. 66 do RICARF, os embargos também podem ser utilizados para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão. Nada obstante a embargante não tenha expressamente apontado nenhum dos dispositivos acima mencionados, é facilmente perceptível que a situação relatada pela embargante se enquadra na hipótese de erro material devido a evidente lapso manifesto, uma vez que é notória a inexistência, na legislação tributária pertinente ao caso dos autos, da multa de ofício de 70%, tal qual constou na parte final do voto do relator, acompanhado à unanimidade pelos demais conselheiros integrantes da turma. Tratando-se de embargos inominados, não há prazo específico para a sua apresentação, bastando apenas aferir a legitimidade processual de quem os propõe, requisito o qual, no caso, se encontra atendido. Ademais, nos termos do art 66 do RICARF, a correção do erro material apontado somente pode ser feita mediante a prolação de um novo acórdão. Pois bem, vieram os autos conclusos para julgamento para que fosse sanado o lapso manifestado apresentado pela unidade preparadora. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga, Relator. 1 – Admissibilidade O recurso foi admitido e deve ser sanado o erro apontado. 2 – Mérito Com efeito, o que se pretendia reduzir na decisão embargada era a multa agravada aplicada, nesse sentido, a multa que remanesceu foi apenas a de 75%, ou seja, a de ofício, e não de 70% como constante equivocadamente na decisão embargada. Fl. 811DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721895/2014-78 3 – Conclusão Nesse sentido, voto no sentido de retificar a decisão embargada, apenas para sanar o lapso manifesto e retificar o percentual da multa remanescente, de ofício, a razão de 75%. (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 812DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.721373/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. PROCESSOS APENSADOS. JULGAMENTO CONJUNTO. ART. 116 DECRETO N° 7.574/2011. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O julgamento conjunto e simultâneo de processos de análise de declaração de compensação e de lançamento da multa isolada correspondente que tramitam apensados, ainda que com o proferimento de dois acórdãos, não configura hipótese de nulidade por violação do art. 116 do Decreto n° 7.574/2011.
PIS/COFINS. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ART. 52 DA LEI Nº 10.833/2003. CRÉDITO EMBALAGEM. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos-embalagem apurados pelas pessoas jurídicas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da TIPI optantes pelo regime especial de apuração previsto no art. 52 da Lei n° 10.833/2003 não podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições da empresa como ocorre com as empresas comerciais nos termos do §4° do art. 51 da mesma lei.
MULTA ISOLADA. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 3401-006.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir a imposição da multa isolada.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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MULTA ISOLADA. PROCESSOS APENSADOS. JULGAMENTO CONJUNTO. ART. 116 DECRETO N° 7.574/2011. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O julgamento conjunto e simultâneo de processos de análise de declaração de compensação e de lançamento da multa isolada correspondente que tramitam apensados, ainda que com o proferimento de dois acórdãos, não configura hipótese de nulidade por violação do art. 116 do Decreto n° 7.574/2011. PIS/COFINS. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ART. 52 DA LEI Nº 10.833/2003. CRÉDITO EMBALAGEM. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS. IMPOSSIBILIDADE. Os créditosembalagem apurados pelas pessoas jurídicas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da TIPI optantes pelo regime especial de apuração previsto no art. 52 da Lei n° 10.833/2003 não podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições da empresa como ocorre com as empresas comerciais nos termos do §4° do art. 51 da mesma lei. MULTA ISOLADA. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir a imposição da multa isolada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 13 73 /2 01 3- 21 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Recursos Voluntários contra Acórdãos da DRJ, que decidiram pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e da Impugnação apresentadas, conforme ementas respectivamente abaixo transcritas: CRÉDITOS. EMBALAGENS. APROVEITAMENTO. É vedada a utilização do créditoembalagem por parte da empresas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da Tipi, em declarações de compensação com outros tributos e contribuições da empresa, diferente do que ocorre com as empresas comerciais, para as quais há a previsão legal. (...) MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício quando a compensação for considerada não homologada. Sendo apurada falsidade nas informações a multa será aplicada no percentual de 150%. Cientificada das referidas decisões, a empresa interpôs os respectivos Recursos Voluntários em que reproduziu os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade e da Impugnação, conforme segue. "a) Informa ter por objetivo social a fabricação de refrigerantes e o engarrafamento de água mineral, enquadrados no código 22.02 da TIPI, sendo que em 20.05.2004 efetuou a opção pelo regime especial de tributação de que trata o § 1º do art. 52 da Lei nº 10.833, de 2003, passando a sujeitarse às regras específicas desse sistema de tributação que, em linhas gerais, prevê o crédito de determinado valor, estipulado para cada unidade de embalagem adquirida e o débito pelo valor fixado no inciso I do art. 52, por litro de produto vendido; b) Cita soluções de consulta de regionais da Receita Federal, entendendo inexistirem dúvidas quanto ao seu direito; c) Defende a possibilidade legal da utilização dos créditos em compensações, julgando que a legislação colocou as indústrias de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 4 3 refrigerantes que optaram pelo Regime Especial da Lei 10.833/2003 na mesma condição das empresas que comercializam as embalagens, isto é, com a permissão do crédito pelas embalagens que adquirir; d) Quanto ao fato de estar situada em área de livre comércio, informa possuir projeto aprovado pela Suframa, o que lhe confere tratamento tributário diferenciado. Cita novas soluções de consulta; e) Acrescenta: “A produção da requerente é comercializada na Área de Livre Comércio de Boa Vista, na Zona Franca de Manaus e na República da Guiana. Nessa condição, temse uma significativa proporção de vendas equiparadas a exportação, com total isenção do PIS e da Cofins. As vendas dentro da Área de Livre Comércio, caso não prevaleça o regime especial (REFRI) PRATICADO, DEVEM RECEBER o tratamento incentivado assegurado no marco regulatório da Suframa, com a ressalva de que a responsabilidade do recolhimento dos tributos é do fornecedor, quando da venda para empresa estabelecida na ALC (Sol. De Consulta nº 414). Temse, assim que, na impensável hipótese de não aplicação do regime especial pelo qual optou a requerente (REFRI), não se poderá exigir tributo integral, como pretende a fiscalização, que negou a homologação pretendida. Há que ser procedido criterioso levantamento e consideradas as isenções, a alíquota zero ou as alíquotas incentivadas garantidas por lei, na conformidade do entendimento administrativo exposto nas Soluções de Consulta acima transcritas.” f) Em seguida, referese ao lançamento da multa isolada objeto do processo apensado, entendendo serem incabíveis por haver o mesmo agido de acordo com as normas e a interpretação da Receita Federal; g) Cita os princípios da igualdade (equiparação entre comerciantes e industriais) e boafé, para reforço do seu entendimento; h) Afirma que a segurança jurídica que deve nortear as relações entre a administração e os administrados também recomenda que as decisões definitivas proferidas no contencioso administrativo fiscal, especialmente as que se tornam reiteradas, sirvam de orientação a ser respeitada pelo contribuinte e pelo próprio fisco, o que não se vê neste caso; i) Transcreve jurisprudência que entende ir ao encontro do seu juízo; j) Aduz que na dúvida deverá ser aplicado o art. 112 do CTN; k) Ao final, requer a revisão dos atos administrativos." É o relatório. Voto Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 5 4 Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.621, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10245.720443/201413. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.621): "Da preliminar A Recorrente se socorre do art. 116 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, para pugnar pela nulidade absoluta dos julgados recorridos, sob a alegação de descumprimento da norma nele contida quanto ao necessário julgamento conjunto dos processos de homologação de compensação e de lançamento de multas àqueles correlatas, uma vez que a DRJ/BEL proferiu dois acórdãos, um no processo de nº 10245.720443/201413, referente à análise das declarações de compensação, e outro no processo de nº 10245.721222/201454, em que foi formalizado auto de infração para lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Para análise da matéria, vejase o disposto no art. 116 do Decreto nº 7.574/2011, que se refere especificamente aos processos de compensação: Art. 116. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere o Erro! A referência de hyperlink não é válida.as peças serão reunidas em um único processo, devendo as decisões respectivas às matérias litigadas serem objeto de um único acórdão ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.). (grifo nosso) O dispositivo transcrito, como ele mesmo indica, reproduz a norma contida no §3° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, in verbis: §3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (grifo nosso) Vejase ainda o disposto no art. 12 do mesmo decreto, que reproduz o art. 59 e ss. do Decreto nº 70.235/1972, dispondo sobre as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal: Art. 12. São nulos ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 6 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.). (grifo nosso) Do cotejamento das normas acima transcritas, podese verificar que a arguição de nulidade formulada pelo Recorrente não merece prosperar, senão vejamos. Não se vislumbra outra mens legis para o §3° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, ao determinar que as peças de defesa devam ser decididas simultaneamente, que não a preocupação em se evitar julgamentos contraditórios em relação à matérias intrinsicamente correlatas, em prejuízo à segurança jurídica. O art. 116 do Decreto nº 7.574/2011 certamente foi além do texto legal e, para assegurar tal desiderato, previu o proferimento da decisão mediante um acórdão apenas. Os processos em que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a compensação declarada e impugnou o auto de infração da multa correlata foram reunidos mediante apensação e tramitaram conjuntamente até o presente momento, inclusive por ocasião da decisão de primeira instância. Apegase o Recorrente ao fato de terem sido proferidos dois acórdãos, um em cada processo, mas releva o fato de terem tramitado em conjunto, de terem sido distribuídos ao mesmo relator e de terem sido submetidos a julgamento conjunto na mesma sessão de 02 de junho de 2016. O relatório de ambos os acórdãos, salvaguardadas pequenas particularidades, guarda inexorável identidade, revelando a análise conjunta da matéria. Tal contexto revela que houve análise e decisão simultâneas das peças apresentadas, como prevê a lei, ainda que formalmente constantes de dois acórdãos distintos, assegurandose o não proferimento de decisões contraditórias ou que, de algum modo, pusessem em risco a segurança jurídica da Recorrente. Ademais, não há que se cogitar de hipótese de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, posto que não lhe faltaram o pleno Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 7 6 conhecimento das razões de decidir e a oportunidade de recorrer das decisões proferidas. Assim, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não se verifica hipótese prevista de nulidade no processo administrativo fiscal, nem mesmo de irregularidade que importe prejuízo ao sujeito passivo, mas apego da Recorrente ao formalismo na tentativa de desconstituir as decisões contra as quais se insurge. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. Do mérito Anotase, de início, que aqui não se discute o direito creditório da Recorrente, posto que reconhecido, mas tão somente a possibilidade de vinculação dos seus créditos à declarações de compensação. A controvérsia posta nos autos reside, portanto, em se aferir a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS/PASEPembalagens previstos no §1º do art. 52 da Lei nº 10.833/2003 apurados no 3º trimestre de 2006 para compensação com débitos de outros tributos federais. A Recorrente é empresa que industrializa bebidas constantes do art. 49 da Lei nº 10.833/2003 e, para isto, adquire embalagens para seu envasamento. Como consta dos autos, a mesma era optante do regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP previsto no art. 52 da Lei nº 10.833/2003, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, desde 20 de maio de 2004. O regime permitia, nos termos do § 1o do mesmo art. 52, que a pessoa jurídica industrial optante poderia se creditar dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirisse, no período de apuração de registro do respectivo documento fiscal de aquisição. Vejamse os dispositivos correspondentes vigentes à época: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (...) Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens, pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores, destinadas ao envasamento dos produtos relacionados no art. 49 desta Lei, ficam sujeitas ao Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 8 7 recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: I lata de alumínio, classificada no código 7612.90.19 da Erro! A referência de hyperlink não é válida. e lata de aço, classificada no código 7310.21.10 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., por litro de capacidade nominal de envasamento: a) para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real); e b) para bebidas classificadas no código 2203 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real); II embalagens para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da Erro! A referência de hyperlink não é válida.: a) classificadas no código Erro! A referência de hyperlink não é válida. 3923.30.00: R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; b) préformas classificadas no Ex 01 do código de que trata a alínea a deste inciso, com faixa de gramatura: 1 até 30g (trinta gramas): R$ 0,0102 (cento e dois décimos de milésimo do real) e R$ 0,0470 (quarenta e sete milésimos do real; 2 acima de 30g (trinta gramas) até 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0255 (duzentos e cinqüenta e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1176 (um mil e cento e setenta e seis décimos de milésimo do real); 3 acima de 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0425 (quatrocentos e vinte e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1960 (cento e noventa e seis milésimos do real); III embalagens de vidro não retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; (...) §2° As receitas decorrentes da venda a pessoas jurídicas comerciais das embalagens referidas neste artigo ficam sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 9 8 na forma aqui disciplinada, independentemente da destinação das embalagens §3° A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no § 2° deste artigo poderá se creditar dos valores das contribuições estabelecidas neste artigo referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. § 4° Na hipótese de a pessoa jurídica comercial não conseguir utilizar o crédito referido no § 3o deste artigo até o final de cada trimestre do ano civil, poderá compensálo com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (...) § 1o A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (grifo nosso) A decisão recorrida entendeu, a meu ver acertadamente, pela impossibilidade de utilização dos créditos previstos no art. 52 (atribuível às empresas industriais que utilizam as embalagens referidas no art. 51, I a III como insumo) em compensações por ausência de previsão legal, o que restaria demonstrado pela autorização expressa concedida especificamente às empresas comerciais pelo §4º do art. 51. Confirase: 20. Entretanto, a legislação de regência não previa a possibilidade de utilização dos “créditosembalagens” em declarações de compensação, diferente do que ocorria com as empresas comerciais tratadas no citado art. 51 da mesma Lei 10.833, de 2003, para as quais havia essa previsão legal, abaixo transcrita: (...) 21. Tais créditos somente poderiam ser aproveitados no abatimento da contribuição devida pela empresa. Por esse motivo é que o programa Per/Dcomp somente permitia a utilização do “créditoembalagem” em compensações nos casos de empresas comerciais, tendo a manifestante a assim se Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 10 9 declarado quando da transmissão das declarações de compensação. A possibilidade de aproveitamento dos créditos de PIS/PASEP embalagens para fins de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal foi inserida pela Lei Erro! A referência de hyperlink não é válida. na Lei n° 10.833/2003, consubstanciandose no §4º do seu art. 51, norma que faz referência expressa às pessoas jurídicas comerciais que apurem créditos quando da aquisição de embalagens para fins de revenda. No regime especial de apuração e pagamento da contribuição para PIS/PASEP previsto no art. 52, por outro lado, não se permitiu às pessoas jurídicas industriais que apurassem crédito por ocasião da aquisição de embalagens para fins de envasamento da produção que o utilizassem para outros fins que não o abatimento dos débitos da própria contribuição, razão por que o programa gerador do PER/DCOMP não possuía campo em que se enquadrasse a situação jurídica da Recorrente, levandoa ao preenchimento do campo relativo às empresas comerciais quando assim não o era. Ante o exposto, voto por manter o indeferimento da compensação. Da multa aplicada A Recorrente foi autuada para exigência da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003 no patamar de 150% porque, no entender da autoridade fiscal, teria prestado informação falsa na declaração de compensação ao selecionar a opção de fundamento legal do crédito, única disponível no programa gerador de PER/DCOMP, referente ao §4º do art. 51 da Lei n° 10.833/2003, referente às empresas comerciais de embalagens, o que destoa de sua realidade fática. Foi ainda arrolado como responsável solidário o sócioadministrador nos termos do art. 135, III do CTN. Em sua defesa, a Recorrente concentra esforços na demonstração da possibilidade de apurar os créditos utilizados, o que aqui não se discute, pois a controvérsia repousa apenas sobre a possibilidade de compensação dos créditos apurados. Entretanto, à vista de tudo o que consta dos autos quanto às regras aplicáveis ao regime especial de apuração da contribuição para o PIS/PASEP pelo qual optou a Recorrente, entendo que a mera indicação do fundamento legal do crédito como sendo o §4º do art. 51 da Lei n° 10.833/2003 no programa gerador PER/DCOMP, quando esta era a única opção disponibilizada pelo mesmo em relação ao regime especial, por si só, não se revela suficiente demonstração do intuito fraudulento. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 11 10 A impossibilidade de compensação na hipótese em tela decorre da ausência de previsão legal. Não há norma que possa ser apontada de plano como aquela que a Recorrente teria pretendido especificamente burlar ou fraudar mediante prestação de falsa declaração com o fim de extinguir indevidamente crédito tributário. Tampouco se está diante do aproveitamento de créditos inexistentes, ao contrário. E mais, a impossibilidade de compensação não é a regra geral para as hipóteses de incidência nãocumulativa das contribuições em tela. Neste cenário, não reputo implementada a condição legal para a imposição da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, que é a comprovação cabal do intuito fraudulento, pois a autuação carece de elementos robustos neste sentido, limitandose a narrar os fatos e as prescrições legais pertinentes. Ante o exposto, voto pela improcedência do auto de infração. Da conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos Recursos Voluntários e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO aos mesmos para excluir a imposição da multa isolada." Importa registrar que nos autos ora em apreço, de igual maneira ao ocorrido no processo paradigma, o julgamento do processo principal (compensação) e do respectivo apenso (multa) ocorreu simultaneamente, de tal sorte que se aplica a este, a decisão proferida naquele. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER dos Recursos Voluntários e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO aos mesmos para excluir a imposição da multa isolada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.721373/201321 Acórdão n.º 3401006.633 S3C4T1 Fl. 12 11 Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.002156/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. GLOSA DE NOTAS FISCAIS.
Tendo em vista a não apresentação dos conhecimentos de transporte; a não identificação do transportador nas notas fiscais; a divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados nas notas fiscais; a inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; e a não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas, resta não comprovada a regularidade das operações amparadas pelas notas fiscais, as quais devem ser glosadas.
Numero da decisão: 3401-006.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator, Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e os Conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antônio Souza Soares - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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GLOSA DE NOTAS FISCAIS. Tendo em vista a não apresentação dos conhecimentos de transporte; a não identificação do transportador nas notas fiscais; a divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados nas notas fiscais; a inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; e a não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas, resta não comprovada a regularidade das operações amparadas pelas notas fiscais, as quais devem ser glosadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator, Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e os Conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Relator. (assinado digitalmente) Lazaro Antônio Souza Soares Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 21 56 /2 00 7- 30 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.357 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1.1. Trata o presente processo de ressarcimento de IPI, no valor de R$382.585,65, objetivando ressarcirse do saldo credor do IPI referente ao 3° trimestre de 2004 com suporte no artigo 11 da Lei n° 9779/99 e do crédito presumido de IPI relativo ao período de 1° trimestre de 2003 ao 4° trimestre de 2003, com fundamento na Lei 9363/96, conforme Declaração de Compensação n° 15774.84136.101204.1.3.017669, transmitida em 10/12/2004. 1.2. Após várias intimações, solicitações de prorrogação de prazo e resposta da Manifestante, a autoridade administrativa emitiu o PARECER SARAC/DRF/ITJ N° 146/2008, o qual propôs a glosa total das notas fiscais de emissão da Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda, CNPJ 65.727.711/000108 no valor total de crédito de IPI de R$363.729,60, proposta acatada conforme Despacho Decisório de fls. 836 (cuja ciência, a interessada obteve em 22/09/2008) ante a: 1.2.1. Não apresentação dos conhecimentos de transporte; 1.2.2. Não identificação do transportador nas Notas Fiscais; 1.2.3. Divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados na nota fiscal; 1.2.4. Inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; 1.2.5. Não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas. 1.3. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alega, em síntese: 1.3.1. Os pagamentos ao fornecedor foram feitos em espécie, ante a plena disponibilidade de caixa, conforme demonstrado por seu livro razão; 1.3.3. Ainda em períodos em que os pagamentos foram feitos por boleto bancário, a produção e consumo da Contribuinte se mantiveram; 1.3.4. A Emissão da Nota Fiscal, do Conhecimento de Transporte e a escolha de rotas de entrega é de responsabilidade da PETROPOLÍMEROS Distribuidora de Plásticos Ltda; Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.358 3 1.3.5. “As relações de entrada e saída das mercadorias” demonstram “a corelação (SIC) entre as compras efetuadas pela empresa, e as requisições de matéria prima”; 1.3.6. A fiscalização elide a compensação por presunções; 1.4. A fiscalização trouxe aos autos cópia do Relatório Interno de Fiscalização e Anexos pertinentes a Ação Fiscal 0920600/2009/0020 que “teve por objeto a verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da empresa ARTEPLAS ARTEFATOS DE PLÁSTICOS S/A, CNPJ n° 82.391.346/000178, (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dos períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007”. 1.5. A DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, negou provimento à Manifestação da Contribuinte, pois “no presente caso, ficou apurado neste (SIC) e nos processos administrativos de n°s 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/2007 97, 10909.002163/200731, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721, que: 1. todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006 não possuírem qualquer carimbo de fiscalização estadual de fronteiras; 2. que em todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, não existe indicação do transportador; somente a placa do veículo transportador; 3. que a maioria das placas de veículos informadas nas notas fiscais da empresa PETROPOLÍMEROS, referemse a veículos de passeio, caminhonetes, motocicletas, ônibus, enfim, veículos cujo transporte das mercadorias seriam de impossível realização. Algumas das placas indicadas nem mesmo estão cadastradas no órgão de trânsito; 4. que a grande maioria das notas fiscais da PETROPOLÍMEROS, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, não foram liquidadas utilizandose da rede bancária, como é a práxis do mercado; 5. que os argumentos trazidos pela Manifestante em sua manifestação de inconformidade são inverossímeis, sendo que, em um deles, deliberadamente, objetivou induzir a autoridade julgadora a acreditar em fato inexistente, acima relatado; 6. que nenhuma operação com a PETROPOLÍMEROS, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, teve o frete acobertado com conhecimento de transporte de carga”(grifos e sublinhados no original). 1.6. Irresignada, a Contribuinte pleiteia guarida a este Conselho, reiterando as teses da Manifestação de Inconformidade. 1.7. É o Relatório. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.359 4 Voto Vencido Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto 2.1. A Teoria da Substanciação é regra em matéria de processo no ordenamento jurídico pátrio. Portanto, mais do que simplesmente pleitear seu direito, deve o contribuinte demonstrar a causa de pedir de seu direito, na lição de TEODORO JUNIOR, demonstrar o fato gerador de seu direito. 2.2. Pois bem, in casu a Contribuinte pleiteia compensação de créditos de IPI de sua titularidade, logo cabe a ela trazer a lume elementos sensíveis que demonstrem o preenchimento de hipótese de norma abstrata; de outro modo, provas de que os créditos a compensar preenchem os requisitos legais. 2.3. O requisito legal para a compensação é a regular escrituração do crédito, i.e., a escrituração que preenche os requisitos legais e feita com base em documentos que lhe confira legitimidade: RIPI 2002 (Vigente à época) Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. IN SRF 460/2004 Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.360 5 Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...) § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. 2.4. É incontroverso que a escrituração fiscal da Contribuinte cumpre as normas de registro. O que se perscruta é a legitimidade (traduzido como respaldo fático ou força probante) dos documentos que embasam a escrituração. Neste ponto a fiscalização aponta inexistência de indicação de dados acerca do transportador nas Notas Fiscais, fato que as tornariam inidôneas, carentes de força probante. Entretanto, a mera ausência de descrição do transportador não afasta a capacidade probatória dos documentos fiscais: RIPI 2002 Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): I não satisfizerem as exigências das alíneas a até e, h, m, n, p, q, s, e t, do quadro "Emitente", de que trata o inciso I do art. 339 e das alíneas a até d, f, h, e i, do quadro "Destinatário/Remetente", de que trata o inciso II do mesmo artigo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); II não contiverem, dentre as indicações exigidas nas alíneas b, f até h, j, e l, do quadro "Dados do Produto", de que trata o inciso IV do art. 339, e nas alíneas e, i, e j, do quadro "Cálculo do Imposto", de que trata o inciso V do mesmo artigo, as necessárias à identificação e classificação do produto e ao cálculo do imposto devido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); III não contiverem, no campo "Informações Complementares" do quadro "Dados Adicionais", do inciso VII do art. 339, a indicação do preço de venda no varejo ou no atacado, quando o cálculo do imposto estiver ligado a este (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); ou IV não contiverem a declaração referida no inciso VIII do art. 341. 2.5. Ademais, as conclusões do Relatório da Ação Fiscal n° 0920600/2009/0020 reforçam a lisura da escrituração da Contribuinte: Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.361 6 2.5.1. As assinaturas e rubricas nas duplicatas corrigidas pela Contribuinte correspondem as dos sócios da PETROPOLÍMEROS, Flávio Augusto Vidigal (item 2.4 do Relatório); 2.5.2. Não há irregularidade na contabilização no livro Razão das Notas Fiscais referentes às compras da PETROPOLÍMEROS (item 2.5. do Relatório); 2.5.3. Os estoques da Contribuinte são compatíveis com os volumes descritos nas Notas Fiscais da PETROPOLÍMEROS (item 2.6. do Relatório); 2.5.4. A receita da PETROPOLÍMEROS declarada ao Fisco Paulista é compatível com os valores recebidos de sua maior cliente, a Contribuinte (item 2.8. do Relatório); 2.5.5. Foram efetuados lançamentos contra a PETROPOLÍMEROS por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não comprovados, depósitos em valores compatíveis aos declarado como pagos pela Contribuinte (item 2.8 do Relatório). 2.6. Justamente pelos motivos descritos é que concluiu a fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Itajaí que “de acordo com os fatos apurados através dos exames fiscais realizados nos livros e documentos apresentados pela FISCALIZADA e nos documentos e informações coletadas nas diligências fiscais, concluise que foram regulares e efetivas as operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a PETROPOLÍMEROS (...)” – conclusão referendada in totum. Dispositivo 3. Pelo exposto voto pela procedência do Recurso Voluntário com o reconhecimento integral dos créditos de IPI decorrentes das Notas Fiscais emitidas pela empresa PETROPOLÍMEROS Distribuidora De Plásticos Ltda. (assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.362 7 Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Redator Designado. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, ouso dele discordar em relação ao reconhecimento integral dos créditos de IPI. Com efeito, destaquese, inicialmente, que a alegação do Recorrente de que a maioria das transações comerciais são liquidadas em dinheiro e que tal prática constituíase em uso e costume comercial, sendo regra no mercado, não corresponde à verdade. Ainda que busque fundamentar a sua afirmação em pesquisa feita sobre meios de pagamento, e na tentativa, à época, de evitar a tributação pela CPMF, é notório o fato de que esse não é o comportamento empresarial usual. Muito pelo contrário, a esmagadora maioria das transações no meio empresarial ocorre através de movimentações bancárias, especialmente no montante que movimentou o Recorrente. O Recorrente, em 2005, agiu da mesma forma como agiu no ano de 2004, em relação à metodologia adotada em relação as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108. No Despacho Decisório contido no processo 10909.002158/200729, fl. 216, relativo ao 1° trimestre de 2005, está expresso que somente 3 (três) notas fiscais da Petropolímeros foram liquidadas por meio de pagamento de título, sendo que as demais 10 (dez) notas fiscais foram, em tese, liquidadas em dinheiro. Aliás, como bem identificado pela DRJ em seu Acórdão, a metodologia de liquidação das notas fiscais da Petropolímeros não se alterou nos anos de 2004, 2005 e 2006. Para a comprovação do alegado basta compulsar os processos de interesse da Manifestante, referenciados com os números 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/200797, 10909.002163/200731, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721. A DRJ, inclusive, para comprovar a falsidade da afirmação do Recorrente de que só realizou tais pagamentos em espécie no ano de 2004, citou trecho do processo de n° 10909.002158/200729, que discute o ressarcimento do IPI do 1° trimestre de 2005 onde, em sua Manifestação de Inconformidade, assim se pronunciou o Recorrente, à fl. 232: “No decorrer do tempo e passadas algumas dificuldades, o caixa da empresa já não dispunha do mesmo volume de cash que outrora lhe era costumeiro, momento em que foi tomada a decisão de arcar com as despesas advindas da movimentação bancária – qual seja, o recolhimento de CPMF referente a quaisquer movimentações financeiras – e passouse a efetuar os pagamentos da compra de mercadorias através de boletos bancários e/ou TED´s (transferência bancária), como também demonstram as notas fiscais datadas de 2006 ora anexadas”. O relator da DRJ afirmou também que verificou, nos processos acima referenciados, que em 2006 a maioria das notas fiscais da Petropolímeros não foram liquidadas Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.363 8 em rede bancária. Em seu entendimento, o Recorrente deliberadamente distorceu a verdade dos fatos. Prosseguindo, verifico também que a alegação do Recorrente de que não possui responsabilidade pelo transporte das mercadorias ou pelos termos inseridos nas notas fiscais não procede. Não é razoável supor que o Recorrente não confere suas notas fiscais, a ponto de não identificar que o veículo que entrega sua mercadoria não corresponde com aquele indicado no documento fiscal. Deveria o Recorrente ter observado que, ao longo dos anos de 2004 a 2006, muitas das mercadorias entregues em seu estabelecimento se fez através de motocicletas, veículos de passeio, ônibus e veículos incompatíveis com o transporte de cargas. As pesquisas no sistema Renavan, contidas nos processos de interesse do Recorrente, confirmam as alegações do Fisco. Observese, ainda, conforme apurado pela Fiscalização neste processo e nos de nº 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/200797, 10909.002163/200731, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721, que: 1. todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 não possuírem qualquer carimbo de fiscalização estadual de fronteiras; 2. em todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, não existe indicação do transportador; somente a placa do veículo transportador; 3. a maioria das placas de veículos informadas nas notas fiscais da empresa PETROPOLÍMEROS referese a veículos de passeio, caminhonetes, motocicletas, ônibus, enfim, veículos cujo transporte das mercadorias seriam de impossível realização. Algumas das placas indicadas sequer estão cadastradas no órgão de trânsito; 4. a grande maioria das notas fiscais da PETROPOLÍMEROS, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, não foi liquidada utilizandose da rede bancária, como é o usual do mercado; 5. os argumentos trazidos pelo Recorrente são inverossímeis, sendo que, em um deles, deliberadamente, objetivou induzir a autoridade julgadora a acreditar em fato inexistente, acima relatado. 6. nenhuma operação com a PETROPOLÍMEROS, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, teve o frete acobertado com conhecimento de transporte de carga. Além disso, pesquisa no sítio do sistema SINTEGRA, www.sintegra.gov.br, indica que a situação cadastral da empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, encontrase na condição de NÃO HABILITADA, por inaptidão, NÃO estando apta a realizar operações como contribuinte do ICMS, inclusive, gerar crédito do imposto estadual. Por fim, pesquisa no sistema mundial de buscas Google traz a informação de que a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ n° 65.727.711/000108, está em local incerto e não sabido, pairando sob a mesma prática de crime Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.364 9 pela emissão de duplicata sem causa, conforme texto abaixo, extraído da internet, endereço http://www.jusbrasil.com.br/diarios/25051611/djspeditaiseleiloes25022011pg126: Edital de citação de PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, nos autos do processo n° 1069/2007 PROCEDIMENTO SUMÁRIO requerido por POLIFILME INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA. JUSTIÇA GRATUITA O Dr. Douglas Iecco Ravacci, MM Juiz de Direito da Segunda Vara da Comarca de Carapicuíba Estado de São Paulo. FAZ SABER a todos que este edital virem, que se acha em andamento os autos da Ação PROCEDIMENTO SUMÁRIO requerida por POLIFILME INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA em face de PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, estando este em lugar incerto e não sabido, é expedido o presente EDITAL para a CITAÇÃO de PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA para os termos da ação proposta, bem como para apresentar defesa no prazo de 15 dias, sob pena de revelia, consignandose, ainda, que não contestada a ação, presumirse ão verdadeiros os fatos alegados pelo autor. Eis a síntese da inicial: A requerente foi notificada pelo Cartório de Protestos para pagar duplicatas sem nunca haver mantido relações comerciais com a empresa requerida. Alega ainda a autora que as duplicatas são frias. Requer portanto que a demanda seja julgada procedente para o fim de desconstituir os títulos nº 3818A e 3818B. As tentativas de citação restaram infrutíferas. E para que chegue aos seus conhecimentos e ignorância no futuro não possam alegar, é expedido o presente edital de citação, ficando o mesmo advertido para o prazo de contestação que será apresentado em audiência, bem como ficando advertido de que não contestada a presente ação, presumirseão aceitos como verdadeiros os fatos alegados na inicial, que será publicado e afixado em local próprio deste Fórum de Carapicuíba/SP, pelo prazo de 20 (vinte) dias. A partir deste extenso conjunto probatório, a DRJ concluiu pela inexistência das operações do Recorrente com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ N° 65.727.711/000108, a qual não apresentou prova ou argumentos suficientes para ilidir a pretensão fiscal. O que se verifica do Recurso Voluntário apresentado é que, mais uma vez, o Recorrente não consegue rebater as imputações que lhe são feitas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10909.002156/200730 Acórdão n.º 3401006.194 S3C4T1 Fl. 1.365 10 Fl. 1365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.013198/2004-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/02/1999
REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLIFICADO IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO.
A isenção do IPI sobre as mercadorias submetidas ao Regime Tributário Simplificado é condicionada à observância de requisitos, cujo cumprimento no caso concreto não pode ser presumido, especialmente tratando-se de extravio de mercadorias que não foram submetidas ao despacho aduaneiro de importação, razão suficiente para que sobre elas incida o Imposto sobre Produtos Industrializados.
Numero da decisão: 3302-007.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/1999 REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLIFICADO IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. A isenção do IPI sobre as mercadorias submetidas ao Regime Tributário Simplificado é condicionada à observância de requisitos, cujo cumprimento no caso concreto não pode ser presumido, especialmente tratando-se de extravio de mercadorias que não foram submetidas ao despacho aduaneiro de importação, razão suficiente para que sobre elas incida o Imposto sobre Produtos Industrializados.
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A isenção do IPI sobre as mercadorias submetidas ao Regime Tributário Simplificado é condicionada à observância de requisitos, cujo cumprimento no caso concreto não pode ser presumido, especialmente tratando-se de extravio de mercadorias que não foram submetidas ao despacho aduaneiro de importação, razão suficiente para que sobre elas incida o Imposto sobre Produtos Industrializados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório A lide gravita em torno do fato de que a Recorrente é empresa reconhecidamente dedicada ao transporte expresso de cargas, que foi autuada em virtude do suposto extravio 5 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 31 98 /2 00 4- 02 Fl. 587DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 (cinco) volumes de remessas expressas, que teriam chegado ao Brasil no período compreendido entre 08 de fevereiro de 1999 e 15 de outubro de 1999, e que teriam sido transportadas pela UPS. Neste momento, nesta instância administrativa não mais é possível discutir o fato de que a identificação do extravio ocorreu tão somente em 2004, tendo o Acórdão aplicado esta data como a do extravio, e não o da suposta entrada das mercadorias no território nacional, por presunção legal, sequer sendo possível a este Colegiado aferir eventual inconstitucionalidade da norma que criou esta ficção. O despacho de admissibilidade admitiu os embargos declaratórios tão somente no que diz respeito ao argumento da omissão no que tange à incidência do IPI sobre os produtos transportados pela sistemática de “Regime de Tributação Simplificada – RTS”, e é apenas sobre esta matéria que pode se circunscrever a análise por parte deste Colegiado. “Para que se volte à análise do que ficou decidido, é necessária a existência de omissão, obscuridade ou contradição no julgado e, no caso vertente, não se cogita de qualquer dos vícios supramencionados, mas, de mero inconformismo da parte, nada havendo a declarar ou suprir, esgotando-se, ainda aqui, toda e qualquer alegação com base nas matérias previstas legalmente para amparar este tipo de apelo, eis que, inexistente, in thesis, error in judicando, não havendo se falar de retificação alguma que necessita ser feita. Especificamente quanto às alegações de retroatividade de aplicação das leis, por serem posteriores aos fatos geradores, a decisão embargada deixou evidente que o fato gerador ocorreu quando do ato de lançamento e não das declarações, no caso de mercadorias extraviadas. As alegações acerca de ilegalidade e inconstitucionalidade foram afastadas expressamente por aplicação da Súmula CARF nº 2. E assim ocorreu com todos os tópicos abordados, à exceção do item 2.6.2 - Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI do recurso voluntário, no qual a embargante alegou que os bens eram isentos de IPI por se tratar de remessas transportadas pelas empresas de courier. Tal alegação consistia em subitem do tópico 2.6, que foi apreciado no tópico 3.3 da decisão embargada, cuja análise não abordou a alegação acima referida. Em relação a contradições alegadas, não vislumbro qualquer contradição na decisão embargada, na medida em que o aludido vício de intelecção deve ser interno, aquilatável entre as proposições manifestadas pelo juízo naquele mesmo julgado, e não eventual divergência entre os fundamentos da decisão e a opinião da parte sobre como o litígio deveria ter sido julgado, isto é, externo ao julgado. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RI-CARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito, parcialmente, os embargos interpostos, para que o colegiado se manifeste sobre o item 2.6.2 - IPI do recurso voluntário, concernente à alegação de isenção.” Esta é a matéria que pode ser abordada nos Embargos Declaratórios. É o Relatório. Fl. 588DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad, Relator. Os Embargos Declaratórios foram recebidos apenas no que diz respeito à omissão do julgado em relação à incidência do IPI sobre cargas que seriam isentas do referido tributo, que assim foi tratada pela Embargante. “E mais, também restou omisso o acórdão embargado no que se refere à isenção do IPI, em decorrência de os volumes em questão terem sido trazidos do exterior pela modalidade de “Remessas Expressas” (courrier), sujeitando-se, pois, ao “Regime de Tributação Simplificada – RTS”. De fato, a Portaria MF nº 156/99, no §3º do art. 1º, reconhece dita isenção determinando que: “Os bens submetidos a despacho aduaneiro com base no RTS estão isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados.”. Assim, o acórdão embargado incorreu em omissão também a este respeito, eis que não houve qualquer explicação ou fundamento a afastar a isenção do IPI. Observe-se que o acórdão proferido também não se atentou para o fato de que é incontroverso que os volumes em questão foram transportados sob o regime de “Remessas Expressas”, ensejando, pois a isenção decorrente do “Regime de Tributação Simplificada – RTS”. Ou seja, no caso em análise, seque há a necessidade de presunção da modalidade de transporte, justamente por se tratar de fato incontroverso. No entanto, em atenção ao princípio da eventualidade, ainda que se admita que não se trata de fato incontroverso, mostra-se configurada a contradição apontada, já que haveria de se presumir a isenção do IPI em decorrência do RTS, do mesmo modo que houve a presunção do fato gerador. E mais, com relação à incidência de PIS/PASEP e COFINS, o acórdão embargado foi omisso com relação à inaplicabilidade da Lei 10.865/2004, eis que, conforme alegado no recurso voluntário e na impugnação, esses tributos passaram a incidir sobre a importação a partir da publicação da Lei nº 10.865/2004. Desse modo, considerando que a carga em questão teria entrado em território nacional em 1999, por força do princípio da irretroatividade das leis tributárias e da verdade real, não há possibilidade jurídica de se aplicar a Lei de 2004 aos fatos ocorridos em 1.999. Também houve omissão no que se refere à alegação de que, mesmo que tivesse ocorrido extravio (fato esse que não ocorreu, frise-se), em razão dos princípios mencionados, não poderia a Lei nº 10.865/2004 e, principalmente, o seu art. 4º, inciso II, retroagir para prejudicar o contribuinte, fazendo incidir tributo com base de cálculo maior arbitrada de acordo com critérios instituídos no ano de 2004 para reger fatos geradores ocorridos no ano de 1.999.” Em seu Recurso Voluntário a Recorrente, ora Embargante aponta que à época da entrada das mercadorias no território nacional já havia isenção do IPI incidente do imposto sobre as mercadorias transportadas pelas empresas de Courier, a teor da Portaria MF n. 156/99. “E mais, também restou omisso o acórdão embargado no que se refere à isenção do IPI, em decorrência de os volumes em questão terem sido trazidos do exterior pela modalidade de “Remessas Expressas” (courrier), sujeitando-se, pois, ao “Regime de Tributação Simplificada – RTS”. Fl. 589DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 De fato, a Portaria MF nº 156/99, no §3º do art. 1º, reconhece dita isenção determinando que: “Os bens submetidos a despacho aduaneiro com base no RTS estão isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados.” Assim, o acórdão embargado incorreu em omissão também a este respeito, eis que não houve qualquer explicação ou fundamento a afastar a isenção do IPI. Observe-se que o acórdão proferido também não se atentou para o fato de que é incontroverso que os volumes em questão foram transportados sob o regime de “Remessas Expressas”, ensejando, pois a isenção decorrente do “Regime de Tributação Simplificada – RTS”. Ou seja, no caso em análise, seque há a necessidade de presunção da modalidade de transporte, justamente por se tratar de fato incontroverso. No entanto, em atenção ao princípio da eventualidade, ainda que se admita que não se trata de fato incontroverso, mostra-se configurada a contradição apontada, já que haveria de se presumir a isenção do IPI em decorrência do RTS, do mesmo modo que houve a presunção do fato gerador.” Em outras palavras, a Recorrente alega que como as mercadorias foram transportadas sob o regime de “remessas expressas”, ou courier, sujeitam-se ao Regime de Tributação Simplificada – RTS e que por esta razão automaticamente não sujeitam-se à incidência do IPI. Inicialmente nesta instância não cabe mais discussão acerca do extravio das mercadorias antes do despacho aduaneiro, razão suficiente a que este fato seja tratado como um paradigma, ou seja, de que em 29 de dezembro foi identificado um extravio de cinco volumes de mercadorias vindas do exterior, volumes estes de responsabilidade da Recorrente. O raciocínio da Recorrente foi elaborado a partir do seguinte raciocínio indutivo: Premissa 1 - todas as mercadorias objeto do presente processo foram transportadas segundo o RTS, Premissa 2 - nenhuma mercadoria transportada pelo RTS pode ser tributada pelo IPI. Conclusão – as mercadorias objeto do presente processo, eis que transportadas pelo RTS, não podem ser tributadas pelo IPI. Para que este raciocínio esteja correto, ambas as premissas devem ser verdadeiras, o que será aferido a partir de agora. Em relação à primeira premissa, é verdade que as mercadorias foram transportadas segundo o RTS. Em relação à segunda premissa, não é verdade que não incide IPI sobre todas as mercadorias transportadas pelo sistemática do RTS ou, em outras palavras, que todas as mercadorias tributadas pelo RTS são isentas do IPI. Neste sentido é de se observar a redação do Decreto Lei 1804 de 1980 Art. 1º Fica instituído o regime de tributação simplificada para a cobrança do imposto de importação incidente sobre bens contidos em remessas postais internacionais, observado o disposto no artigo 2º deste Decreto-lei. Fl. 590DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 § 1º Os bens compreendidos no regime previsto neste artigo ficam isentos do imposto sobre produtos industrializados. § 2º A tributação simplificada poderá efetuar-se pela classificação genérica dos bens em um ou mais grupos, aplicando-se alíquotas constantes ou progressivas em função do valor das remessas, não superiores a 400% (quatrocentos por cento). § 3º O regime de que trata este artigo somente se aplica a remessas de valor até US$100.00 (cem dólares norte-americanos), ou o equivalente em outras moedas. § 3° O regime de que trata este artigo somente se aplica a remessas de valor até quinhentos dólares norte-americanos, ou o equivalente em outras moedas. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) (Revogado pela Lei nº 9.001, de 1995) § 4º Poderão ser estabelecidos requisitos e condições para aplicação do disposto neste artigo. Art. 2º O Ministério da Fazenda, relativamente ao regime de que trata o art. 1º deste Decreto-Lei, estabelecerá a classificação genérica e fixará as alíquotas especiais a que se refere o § 2º do artigo 1º, bem como poderá: I - dispor sobre normas, métodos e padrões específicos de valoração aduaneira dos bens contidos em remessas postais internacionais; II - dispor sobre a isenção do imposto de importação dos bens contidos em remessas de valor até US$20.00 (vinte dólares norte-americanos), quando destinadas a pessoas físicas. II - dispor sobre a isenção do imposto de importação dos bens contidos em remessas de valor até cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em outras moedas, quando destinados a pessoas físicas. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo Único. O Ministério da Fazenda poderá, também, estender a aplicação do regime às encomendas aéreas internacionais transportadas com a emissão de conhecimento aéreo. Art. 3º O inciso XVI do artigo 105, do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "XVI - Fracionada em duas ou mais remessas postais ou encomendas aéreas internacionais visando a elidir, no todo ou em parte, o pagamento dos tributos aduaneiros ou quaisquer normas estabelecidas para o controle das importações ou, ainda, a beneficiar-se de regime de tributação simplificada". Art. 4º Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Como se verifica, o Regime Tributário Simplificado é instituído por Decreto Lei que não estabelece uma isenção absoluta dos produtos a ele submetidos, mas sim uma “isenção condicional”, sujeita ao cumprimento de requisitos. Estes requisitos são estabelecidos por normas complementares, na forma do artigo 100 do CTN. “Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 591DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art93 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art93 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9001.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art93 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0037.htm#art105xvi Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” No caso concreto os requisitos ensejadores da isenção do IPI encontram-se na Portaria 156 da RFB, de 24 de junho de 1999. “O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso de suas atribuições, considerando o disposto no Decreto-Lei Nº 1.804, de 3 de setembro de 1980, com as modificações introduzidas pelo art. 93 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e pela Lei Nº 9.001, de 16 de março de 1995, e tendo em vista o Decreto de delegação de competência, de 26 de dezembro de 1995, resolve: Art. 1º O regime de tributação simplificada - RTS, instituído pelo Decreto-Lei Nº 1.804, de 3 de setembro de 1980, poderá ser utilizado no despacho aduaneiro de importação de bens integrantes de remessa postal ou de encomenda aérea internacional no valor de até US$ 3,000.00 (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, destinada a pessoa física ou jurídica, mediante o pagamento do Imposto de Importação calculado com a aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento), independentemente da classificação tarifária dos bens que compõem a remessa ou encomenda. (...) § 1º Fica reduzida para 0% (zero por cento) a alíquota de que trata o caput incidente sobre os produtos acabados pertencentes às classes de medicamentos no valor limite de até US$ 10.000,00 (dez mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, importados por remessa postal ou encomenda aérea internacional, por pessoa física para uso próprio ou individual, desde que cumpridos todos os requisitos estabelecidos pelos órgãos de controle administrativo. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 72, de 03 de março de 2016) § 2º Os bens que integrem remessa postal internacional no valor de até US$ 50.00 (cinqüenta dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, serão desembaraçados com isenção do Imposto de Importação, desde que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas. § 3º Os bens submetidos a despacho aduaneiro com base no RTS estão isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Art. 2º A tributação simplificada de que trata esta Portaria terá por base o valor aduaneiro da totalidade dos bens que integrem a remessa postal ou a encomenda aérea internacional. § 1º O valor aduaneiro será o preço de aquisição dos bens, acrescido: Fl. 592DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71945#1606119 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71945#1606119 Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 I - da importância a ser paga pelo destinatário da remessa postal ou encomenda aérea internacional, conforme o caso: a) à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT pelo transporte da remessa postal internacional até o local de destino no País; b) à companhia aérea responsável pelo transporte da encomenda até o aeroporto alfandegado de descarga, onde são cumpridas as formalidades aduaneiras de entrada dos bens no País; ou c) à empresa prestadora de serviço de transporte expresso internacional e de entrega no local de destino no País, quando se tratar de encomenda expressa; e II - do valor do seguro a ser pago pelo destinatário, relativo ao transporte e entrega da remessa postal ou da encomenda internacional, nos termos do inciso anterior. § 2º Na ausência de documentação comprobatória do preço de aquisição dos bens ou quando a documentação apresentada contiver indícios de falsidade ou adulteração, este será determinado pela autoridade aduaneira com base em: I - preço de bens idênticos ou similares, originários ou procedentes do país de envio da remessa ou encomenda; ou II - valor constante de catálogo ou lista de preços emitida por estabelecimento comercial ou industrial, no exterior, ou por seu representante no País. Art. 3º O regime de tributação de que trata esta Portaria não se aplica a bebidas alcoólicas e a bens do capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM (fumo e produtos de tabacaria). Art. 4º Na hipótese de encomenda transportada por empresa de transporte internacional expresso, porta a porta, o RTS não se aplica a bens destinados a revenda ou importados com cobertura cambial. § 1º No caso de encomenda transportada por empresa de transporte expresso internacional não se aplica, ainda, o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 1º. § 1º No caso de encomenda expressa transportada por empresa de transporte expresso internacional não se aplica o disposto no § 2º do art. 1º. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 454, de 08 de julho de 2015) § 2º A restrição de que trata o caput deste artigo não alcança as encomendas transportadas por empresa que apresente a correspondente declaração de importação em meio eletrônico e efetue o pagamento do Imposto de Importação devido pelos respectivos destinatários observado, para esse efeito, o estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.” A transcrição das principais normas que regem o “Regime Tributário Simplificado - RTS” foi realizada para demonstrar que muito embora seja verdade que o referido regime estabelece uma regra geral de isenção de IPI das mercadorias importadas por esta sistemática, esta isenção não é absoluta, comportando, portanto exceções, especialmente em razão (i) do valor dos bens, (ii) da natureza dos bens, (iii) a destinação dos bens e (iv) a existência ou não de cobertura cambial, em todos os casos dependendo de despacho aduaneiro de importação. Fl. 593DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=66175#1550925 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=66175#1550925 Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 Neste sentido, merece destaque o fato de a remessa de um produto pelo “Regime Tributário Simplificado” não garante, de forma absoluta, que ele será isento do IPI, devendo cumprir os já mencionados requisitos normativos. Finalmente, e talvez o mais importante, é que na forma do artigo 1º da já mencionada Portaria 156 da RFB, de 24 de junho de 1999, o direito à isenção do IPI das mercadorias importadas por meio do “Regime Tributário Simplificado” somente surge quando do despacho aduaneiro de importação, o que não aconteceu no caso concreto. Desta forma, não se pode falar em direito ao “Regime Tributário Simplificado” antes do despacho aduaneiro de importação, mas tão somente de uma expectativa de direito, que somente se concretiza quando do despacho, se e somente se as mercadorias subsumirem-se às hipóteses que as normas autorizam a isenção. Tratando-se de extravio, não houve “despacho aduaneiro de importação”, muito menos verificação das mercadorias, verificação esta por meio da qual poderia ser conferida a sua natureza e, por consequência, a eventual adequação à norma isentiva. Assim, não é verdade que todas as mercadorias remetidas pelo “Regime Tributário Simplificado” são isentas do IPI. Em outras palavras, a Administração Pública não pode presumir que as mercadorias extraviadas eram isentas, por não ser lícito a ela presumir (i) o seu valor, (ii) a sua destinação, (iii) sua natureza e (iv) a existência ou não de cobertura cambial. Ainda que fosse possível presumir todos estes fatos, o “despacho aduaneiro de importação” é requisito essencial à fruição da isenção prevista no “Regime Tributário Simplificado”, e se aquele não ocorreu, eis que se tratam de mercadorias extraviadas, não é possível aplicar o “Regime Tributário Simplificado”. Conclusivamente, a isenção do IPI sobre as mercadorias submetidas ao Regime Tributário Simplificado é condicionado ao cumprimento de requisitos, cujo cumprimento não pode ser presumido, especialmente tratando-se de extravio de mercadorias que não foram submetidas ao despacho aduaneiro de importação, razão sobre elas deve incidir o Imposto sobre Produtos Industrializados. Finalmente, este entendimento já foi adotado, embora de forma mais superficial, nos autos do processo 10880.720182/2008-90, no qual, em 21 de maio de 2018 foi proferido o acórdão unânime n. 3302-005.426, no qual foi lavrada a seguinte ementa. PRESUNÇÃO DE ISENÇÃO DE PRODUTO IMPORTADO EXTRAVIADO. A Administração Pública não pode presumir que determinados produtos importados são isentos. Por estes motivos, voto no sentido de acolher os embargos para sanar a omissão sem, todavia, imprimir a ele efeitos infringentes. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 594DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.543 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013198/2004-02 Raphael Madeira Abad. Fl. 595DF CARF MF
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Numero do processo: 13899.001038/2005-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial se os acórdãos indicados para demonstrar a divergência acerca da legislação aplicável à contagem do prazo decadencial apresentam entendimentos convergentes.
Numero da decisão: 9101-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial se os acórdãos indicados para demonstrar a divergência acerca da legislação aplicável à contagem do prazo decadencial apresentam entendimentos convergentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN", e-fls. 808/813) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301-00.294 (e- fls. 767/773), na sessão de 08 de abril de 2010, no qual o Colegiado a quo afastou a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até setembro/2000. A decisão recorrida está assim ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 10 38 /2 00 5- 05 Fl. 823DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.325 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13899.001038/2005-05 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas às infrações que motivaram o lançamento fiscal, bem como tendo o sujeito passivo pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário, via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, que no caso das empresas que optam em apurar seus resultados em bases trimestrais, o prazo começa a contar-se a partir do primeiro dia seguinte do trimestre em questão, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. AUTORIA. COMPROVAÇÃO. Deve ser rejeitada a alegação de erro na identificação do sujeito passivo se as informações que constam dos autos, representativas de movimentações financeiras no exterior, juntamente com os demais elementos carreados aos autos pelo Fisco, são suficientes para criar convicção acerca da autoria das referidas movimentações financeiras e, conseqüentemente, da sujeição passiva tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o lucro apurados nos trimestres dos anos-calendário 2000 a 2002 a partir da constatação de remessas ao exterior em virtude da quebra de sigilo bancário de Beacon Hill Service Corporotion, as quais foram classificadas como receitas omitidas. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou procedentes os lançamentos (e-fls. 426/436). O Colegiado a quo, por sua vez, reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até setembro/2000 (e-fls. 767/773). Os autos do processo foram recebidos na PGFN em 10/08/2011 (e-fl. 735/736), mesma data de retorno dos autos ao CARF veiculando o recurso especial de e-fls. 737/739, no qual a Fazenda aponta divergência em razão de no Acórdão nº 302-38.565 ter sido aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN na ausência de pagamento nos períodos autuados. O recurso especial da PGFN foi admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 743/744, do qual se extrai: A recorrente argumenta em síntese que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma considera que inexistindo pagamento, o prazo decadencial se desloca para o previsto no inc. I do art. 173 do CTN, ou seja, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Indica como paradigma hábil ara sustentar a divergência o acórdão n° 302-38.565, da Segunda Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido em 29/03/2007, no julgamento do recurso contido no processo n° 13819.000008/99-34. [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verifica-se que o mesmo traz o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. Fl. 824DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.325 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13899.001038/2005-05 De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação considerar que o prazo decadencial flui a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN), salvo no caso de ocorrência de dolo fraude ou simulação, quando começaria a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (173, inc. I do CTN). Assim, desconsidera a falta de pagamento para efeito da definição da contagem do prazo decadencial, divergindo do acórdão paradigma. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelam- se divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. Cientificada em 25/01/2012 (e-fls. 749), a Contribuinte apresentou contrarrazões em 08/02/2012 (e-fls. 757/757) na qual afirma a concordância do acórdão recorrido com a jurisprudência administrativa e judicial, destacando inexistir omissão, dolo, simulação ou fraude nestes autos, que não tratam de hipótese de omissão de receitas, mas sim de questões técnicas, de interpretação, acerca do conceito de receita bruta e da aplicação do percentual de 8% (oito por cento) trimestralmente sobre esta base de cálculo (artigos 224 e 518 do RIR). Argumenta que o objeto da homologação não é o pagamento, mas sim a apuração do montante devido, asseverando ter cumprido todas as suas obrigações principais e acessórias, e destacando que no 2º trimestre do ano de 2000 não havia imposto a ser pago. A Contribuinte também interpôs recurso especial em 08/02/2012 (e-fls. 782/814) no qual arguiu divergências não admitidas no despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 817/820, confirmado em reexame datado de 12/11/2012, às fls. 821/822. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da PGFN - Admissibilidade O Colegiado a quo declarou a parcial decadência dos créditos tributários exigidos sob os seguintes fundamentos, assim expressos no voto do Conselheiro Relator, vencedor nesta parte: Quanto A análise da decadência relativa ao 1º, 2° e 3° trimestres do ano-calendário de 2000, entendo, com a devida vênia, que merece reforma a r. decisão recorrida que não acolheu a preliminar de decadência suscitada para o IRPJ e a CSLL, com fatos geradores ocorridos até setembro/2000. De fato, conforme se depreende dos autos, a Recorrente optou em tributar seus resultados com base no lucro presumido, e tendo ocorrido os fatos geradores dos referidos tributos nas datas de 31.03, 30.06 e 30.09, relativo ao ano-calendário de 2000, com o seu devido recolhimento, não resta dúvida que por ocasião do lançamento (07.12.2005), já havia decaído o direito de lançar referidos créditos, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, eis que ausente no lançamento a figura do dolo, da fraude ou da simulação, o que comportaria a qualificação da multa de 75% para 150%, e com isso, levaria a contagem do prazo decadencial na forma disposta no art. 173, I, do CTN, o que, diga-se de passagem, não é o caso, conforme se depreende do lançamento. Fl. 825DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.325 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13899.001038/2005-05 Quanto ao lançamento decorrente — CSLL - por possuir o mesmo fundamento fático da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação ao decorrente, em vista da intima relação de causa e efeito que os une. Sob a premissa de que a existência ou não de pagamento é fator decisivo quanto à aplicação do artigo 150, §4º do CTN ou do artigo 173, I do Código, a PGFN afirma divergência em face do paradigma nº 302-38.565, que condiciona a aplicação do art. 150, §4º do CTN à antecipação do pagamento. No exame de admissibilidade consignou-se que: Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verifica-se que o mesmo traz o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação considerar que o prazo decadencial flui a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN), salvo no caso de ocorrência de dolo fraude ou simulação, quando começaria a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (173, inc. I do CTN). Assim, desconsidera a falta de pagamento para efeito da definição da contagem do prazo decadencial, divergindo do acórdão paradigma. Contudo, em que pese a ementa do acórdão recorrido não reporte a necessidade de pagamento para aplicação do art. 150, §4º do CTN, o voto condutor do julgado, acima transcrito, menciona o devido recolhimento nos fatos geradores alcançados pela decadência declarada (1º, 2º e 3º trimestres de 2000). Neste sentido, vê-se às e-fls. 46/47 e 48/49 que a contribuinte informou, em DIPJ, débitos de IRPJ e CSLL a pagar em todos os trimestres do ano-calendário 2000, apurando-os na sistemática do lucro presumido. A autoridade fiscal, por sua vez, formalizou o lançamento respeitando a forma de tributação adotada pelo sujeito passivo, exigindo apenas os tributos em razão das diferenças apuradas em suas bases de cálculo (e-fls. 294/317), sem apontar eventual falta de recolhimento dos valores informados em DIPJ. A autoridade julgadora de 1ª instância, por sua vez, juntou às e-fls. 417 extratos dos pagamentos de IRPJ, mas a Julgadora Relatora restou vencida em seu entendimento de reconhecer a decadência das exigências de IRPJ do 1º e 3º trimestres de 2000, sob os seguintes fundamentos: In casu, verifica-se às fls. 08, que a contribuinte apresentou Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica – DIRPJ do Exercício de 2001 (ano-calendário 2000), em 19/06/2001, tendo optado pela tributação com base no Lucro Presumido. Todavia, apesar de haverem sido localizados os pagamentos relativos ao 1º e 3º trimestres de 2000 (extratos de pagamentos de fls. 325 e 327) não foi localizado qualquer pagamento relativo ao 2º trimestre de 2000 (extrato da DCTF de fls. 326). Desta feita, apenas os períodos de apuração relativos ao 1º e 3º trimestres se sujeitariam à regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. Desta forma, como o presente lançamento de IRPJ somente foi cientificado ao sujeito passivo em 07/12/2005, já estava decaído o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2000 (1º trimestre) e 30/09/2000 (3º trimestre), devendo remanescer a cobrança em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/06/2000 (2º trimestre) e 31/12/2000 (4º trimestre) e os relativos aos quatro trimestres de 2001 e 2002. Todavia, relevante destacar que o mesmo raciocínio não se aplica às Contribuições para a Seguridade Social – CSLL, Cofins e PIS, na medida em que o prazo decadencial Fl. 826DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.325 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13899.001038/2005-05 encontra-se definido em norma específica e vigente no atual ordenamento jurídico, qual seja, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe in verbis: [...] Na Turma de Julgamento de 1ª instância prevaleceu o entendimento de que na hipótese de omissão de receitas pela empresa, em que a contribuinte não teve qualquer intenção de externar a atividade por ela exercida naqueles fatos posteriormente detectados pela fiscalização, não há que se falar em homologação tácita no prazo de cinco anos prevista no §4º do art. 150 do CTN. Frente a esta divergência, a Contribuinte juntou a seu recurso voluntário cópia autenticada dos DARF de recolhimento do IRPJ e da CSLL do 1º ao 3º trimestres de 2000 (e-fls. 546/555), em valores correspondentes aos informados na DIPJ juntada pela autoridade lançadora e, no que tange ao IRPJ, confirmados nos sistemas informados de controle de pagamentos e de DCTF. Assim, o voto condutor do acórdão recorrido pautou-se neste contexto fático para aplicar o art. 150, §4º do CTN em razão da existência de pagamentos antecipados de IRPJ e CSLL do 1º ao 3º trimestres de 2000, dada a formalização do lançamento em debate em 07/12/2005. Este posicionamento, porém, em nada difere daquele adotado no paradigma nº 302-38.565 que, em face de lançamento de Contribuição ao Finsocial devida em fevereiro e março de 1992, formalizado em 1999, declarou sua decadência em 1997 frente à existência de pagamentos parciais. Se a pretensão da PGFN era reavivar o entendimento adotado por maioria na Turma Julgadora de 1ª instância, cumpria-lhe selecionar paradigma que afastasse a aplicação do art. 150, §4º do CTN quando, mesmo havendo pagamento parcial, a acusação fiscal correspondesse a omissão de receitas não externadas na atividade submetida à homologação fiscal. Assim, porque não demonstrado o dissídio jurisprudencial em face do paradigma indicado, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 827DF CARF MF
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