Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.729871/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.729871/2013-13
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5706496
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.461
nome_arquivo_s : Decisao_11080729871201313.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080729871201313_5706496.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6700830
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947354763264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729871/201313 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201000.461 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 71 /2 01 3- 13 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.927, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.729871/201313 Acórdão n.º 3201000.461 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002738/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplica-se a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14751.002738/2009-70
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5691898
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.614
nome_arquivo_s : Decisao_14751002738200970.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 14751002738200970_5691898.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6669316
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947358957568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.111 1 1.110 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.002738/200970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.614 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente JOÃO PESSOA SECRETARIA DE FINANCAS SEFIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não se acolhe o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa que tratou de todos os pedidos deduzidos na impugnação. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Aplicase a glosa de compensação quando não comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 27 38 /2 00 9- 70 Fl. 1126DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário oriundo de glosa de compensações de contribuições previdenciárias realizadas em GFIP Guia de Recolhimento do Findo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social pelo sujeito passivo, nas competências 02/2009 a 04/2009 e 07/2009 a 09/2009. O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 11/20) informa que o Órgão Público Municipal efetuou compensações de importâncias cujos créditos não foram comprovados uma vez que não configurado recolhimento indevido ou a maior que o devido a título de: a) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Vereadores, cujos pagamentos teriam sido realizados no período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 136/138), compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/2009. Compensações glosadas em função dos recolhimentos e respectivas GFIPs terem sido realizados no CNPJ da Câmara de Vereadores, não podendo ser compensados no CNPJ da Secretaria de Finanças do Município; b) contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandato eletivo Prefeito e vicePrefeito, relativos ao período de 02/1998 a 09/2004 (planilha de fls. 139/146) compensadas nas competências 02/2009, 03/2009 e 04/009. Compensações relativas ao período de 02/1998 a 12/2003 foram glosadas pois estaria alcançado pela prescrição e as relativas ao período de 01/2004 a 09/2004 foram glosadas pois as remunerações do Prefeito e do vivePrefeito não foram declaradas nas respectivas GFIPs e não houve comprovação de recolhimento a maior que o devido; c) contribuições que o sujeito passivo alegou trataremse de valores sobre parcelas indenizatórias pagas a segurados, compensadas nas competências 07/2009, 08/2009 e 09/2009 e glosadas porque o órgão autuado, não comprovou por meio de documentação hábil e idônea, as remunerações e rubricas pagas, os nomes dos segurados envolvidos, as contribuições recolhidas indevidamente, as competências envolvidas nem as datas dos recolhimentos. A Edilidade impugnou o lançamento, conforme síntese constante no relatório do Acórdão nº 1142.238 da 7ª Turma da DRJ do Recife (PE), de fls. 1060/1066, que reproduzo: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.112 3 I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; IV) prescrição decenal do direito compensatório; V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. Ao final, pede a nulidade do presente AI. Solicitada por meio do Despacho nº 978/2010, f.. 247, diligência para apuração da existência de parcelamentos quantos aos valores ora compensados e para verificação das alegadas correções nas GFIP. Em resposta, fls. 369 a 373, a Fiscalização acrescenta que: 5)os parcelamentos promovidos pelo contribuinte, LDC de números 35.920.7944 e 35.920.7936, tratam das competências de 06/2001 a 06/2005 e de 06/2001 a 11/2004, respectivamente; 6)considerando a decadência de compensar o período 02/98 a 12/2003, apenas verificamos o mérito das compensações para o período de 01 a 09/2004; 7)o contribuinte não atendeu à intimação de exibição da memória de cálculo dos valores parcelados, limitandose a apresentar o FORCED (fls. 252 a 261), com os valores finais; 8)conforme se extrai do quadro de f. 370, não há correspondência entre os valores parcelados e a diferença GFIP X GPS ao tempo da operação: as GFIP de 03 a 08/2009 possuem valores inferiores aos parcelados e as GFIP 02 e 09/2009 estão muito abaixo das médias mensal das demais; 9)nestas GFIP não estão contemplados o Prefeito e o vice; 10) em diligência à empresa para verificar o valor de suas folhas de pagamento (conforme tese da defesa), o auditor obteve como resposta (fls. 294 a 308), o Doc 4 – Cálculos e Folhas de Fl. 1128DF CARF MF 4 pagamento Sintéticas, demonstrando que os valores parcelados correspondem aos da folha sintética resumida (quadro no item 22 de resumo à f. 371), que divergem das GFIP então declaradas; 11) ao investigar as informações trazidas pelo contribuinte por mídia digital (CD com folha de pagamento analítica à f. 292), o autuante encontrou nova diferença de valores : folha sintética x folha analítica (quadro no item 25 de f. 371) ; 12) assim, não se pode considerar a existência de crédito em favor do contribuinte uma vez que as folhas de pagamento analíticas trazidas são superiores aos valores confessados em parcelamento, não restando demonstrada a inclusão das remunerações de mandato eletivo. O contribuinte foi cientificado deste pronunciamento em 24/08/2011 (f. 376). Não se manifestou adicionalmente. A impugnação foi julgada improcedente e o sujeito passivo cientificado do Acórdão da DRJ em 11/09/2013, conforme A.R. de fls. 1068. Inconformado, apresentou recurso voluntário em 10/10/2013, trazendo como argumentos preliminares: (a) que o recurso deve ser conhecido, mesmo havendo adesão ao parcelamento da Lei nº 12.810/2013, por força do Mandado de Segurança nº 0004838 91.2013.4.05.8200, cuja liminar lhe garantiu o direito à discussão administrativa e judicial, de contribuições incluídas em parcelamento; (b) nulidade do acórdão da DRJ por não tratar de todos os pedidos da impugnação; (c) nulidade do processo por violação ao contraditório e ampla defesa devido à nulidade da ciência do acórdão porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. No mérito requer, em resumo: 1) Que seja revista e aceita a comprovação dos créditos compensados, pois o Município teria sim atendido as intimações durante o procedimento fiscal, através dos ofícios 338/SEFIN/09 e 356/2009/SEFIN (fls. 190 a 193); 2) Que seja revisto o lançamento pois incluiu as competências 01 a 09/2004 no parcelamento especial da Lei nº 11.196/2005, cujos Forceds anexados às fls. 194/196, comprovam a inclusão do "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Alega que o débito incluído no parcelamento contemplou toda a folha de pagamento do município, inclusive segurados que na época não foram declarados em GFIP, como o caso do Prefeito e vice; 3) Que obedeceu à determinação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006, procedendo à retificação das GFIPs para excluir os exercentes de mandato eletivo informados; 4) Que seja aceita a compensação de valores recolhidos anteriormente à vigência da LC 118/2005, aplicandose a sistemática dos "5 + 5" anos, em observância ao entendimento do STJ pois a DRJ considerou quinquenal o prazo para compensação alegando haverem normas expressas nesse sentido. Refere ementa do REsp 1.002.932SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009, com o entendimento de que a LC nº 118/2005 deve ser aplicada aos pagamentos Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.113 5 indevidos realizados após sua vigência e não à ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, de modo que para os pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos cinco mais cinco anos (limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova Lei). Reproduz outros julgados do STJ com o mesmo entendimento; 5) Que seja reconhecido o crédito relativo às cotas patronais indevidamente recolhidas sobre os subsídios dos agentes políticos, durante o período de 02/1998 a 09/2004 (declaradas inconstitucionais conforme Resolução do Senado Federal nº 26/2005), cujos valores demonstrou nas planilhas de fls. 232 a 236; 6) Que seja reconhecido o crédito decorrente do recolhimento indevido sobre parcelas indenizatórias, não integrantes da base de cálculo do INSS, como auxíliodoença e terço constitucional de férias. Reporta o inciso XIII, do art. 58 da IN/RFB nº 971/2009, que diz não integrar a base de cálculo para fins de incidência de contribuições, a importância paga ao segurado empregado, inclusive quando em gozo de licença remunerada, a título de complementação do valor do auxílio doença, desde que o direito seja extensivo à totalidade dos empregados. Com relação à não incidência de INSS sobre o terço constitucional de férias, alega ser matéria já pacificada nos Tribunais Superiores. Afirma demonstrar os créditos a que tem direito nas planilhas de fls. 237/244 dos autos; 7) Que seja declarada a legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta, isto porque as Câmaras Municipais não possuem personalidade jurídica mas apenas personalidade judiciária, só podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. Assim, como a relação jurídica se estabelece entre os ocupantes de cargos eletivos e o Município, é do Município a legitimidade para realizar as compensações previdenciárias no que toca às remunerações do Prefeito, do VicePrefeito e dos Vereadores. 8) Que seja revista a decisão da DRJ no tocante à compensação dos valores indevidamente recolhidos pela administração indireta, pois, embora a EMLUR e FUNJOPE possuam personalidade jurídica própria, os débitos previdenciários por estas contraídos são de responsabilidade subsidiária do Município. Afirma que a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba já decidiu neste sentido em ação onde litigam o Município de João Pessoa e a Fazenda Nacional, entendendo que o Município é parte legítima para formular pedido de suspensão da exigibilidade de créditos tributários constituídos contra suas autarquias, visto que o Município, em última análise, apresentase como coresponsável pelos débitos tributários de suas autarquias, em face de haver figurado nos termos de parcelamento. Requer o reconhecimento da legitimidade da Prefeitura Municipal para utilização de créditos previdenciários dos entes que compõem a administração pública indireta. 9) Que sejam refeitos os cálculos dos valores passíveis de compensação, com a consequente homologação do valor de R$ 11.349.683,87, compensado nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009, excluindose a multa e juros aplicados. É o relatório. Fl. 1130DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Das Preliminares a) Mandado de Segurança nº 000483891.2013.4.05.8200 Em sede recursal o interessado veio informar da existência da ação mandamental com pedido de liminar objetivando que o Delegado da Receita Federal do Brasil no Estado da Paraíba se abstenha de exigir do Município de João Pessoa, quando do pedido de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.810/2013, a desistência ou renúncia à discussão dos débitos envolvidos, quer administrativa quer judicialmente. A liminar foi deferida em 29/08/2013, determinando que o impetrado dê prosseguimento aos processos administrativos nº 14751.002740/200949, 14751.002738/2009 70, 14751.720223/201170, 14751.720225/201169 e 14751.720224/201114. Em consulta ao sítio do TRF da 5ª Região, constase que a liminar foi confirmada por sentença que concedeu a segurança e os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional não foram providos pela Terceira Turma daquele Tribunal (Acórdão de 16/08/2016). Assim, a discussão administrativa do presente processo (de nº 14751.002738/200970), deve ter prosseguimento. b) Nulidade do acórdão da DRJ Contrariamente ao alegado pelo recorrente, o acórdão nº 1142.238 expedido pela DRJ de Recife (PE) tratou sim de todos os pedidos da impugnação. Da leitura daquele julgado em confronto com os argumentos da impugnação, podese pontuar, para cada alegação do impugnante, o que foi decidido pela DRJ: I) teria atendido, na íntegra às solicitações de informações acerca da compensação declarada; · Acórdão DRJ: Da Omissão do contribuinte Ao contrário do que alega, o interessado não atendeu integralmente as intimações fiscais, não obtendo êxito em demonstrar seu direito compensatório, uma vez que não conseguiu identificar os excedentes de pagamento que julgava possuir. Conforme já relatado, não trouxe a identificação dos valores e dos segurados relativos a tais excedentes. O contribuinte limitouse a apresentar o Ofício nº338/SEFIN/09 a o contrato de prestação de serviços nº 43/2009, sequer detalhando as rubricas sobre as quais teria recolhido valores indevidos. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.114 7 Ademais, não conseguiu apresentar folhas de pagamento analítica e sintética correspondentes entre si, não demonstrando os indébitos relativos aos exercentes de mandato eletivo. Em conclusão, não procede a alegação de atendimento adequado à fiscalização (Termos de Intimação de fls. 50 e 51, 153). II) o Município incluiu todas as contribuições sobre remunerações do período de 01 a 09/2004 no Parcelamento da Lei nº 11.196/2005 (documentos de fls. 195 e 196) com protocolo de nº 36100.000734/200610. Fizeram parte deste parcelamento todas as remunerações informadas nas folhas de pagamento, ainda que não declaradas nas respectivas GFIP; III) o contribuinte afirma haver retificado as GFIP do período de forma a contemplar os segurados cujas remunerações foram objeto do referido parcelamento; · Acórdão DRJ: Dos parcelamentos Como já dito, a Lei no. 8.212/91 somente permite a repetição do indébito na hipótese de comprovação de recolhimento indevido de contribuições. Assim, a suposta inclusão de contribuições indébitas em parcelamento administrativo não integralmente quitado é insuficiente para dar amparo à compensação. Antes, é necessário que haja demanda do contribuinte, no processo específico, para fazer a revisão do parcelamento para expurgar as supostas contribuições indevidas, efetuar nova consolidação de débitos e créditos e apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos. Com isso, razão não assiste ao sujeito passivo ao compensar contribuições incluídas em parcelamento não integralmente quitado, porque os supostos créditos a seu favor não são líquidos e certos. Cabe, ainda, realçar que, no caso sob exame, apenas se discute o direito, visto que o Impugnante sequer comprovou a inclusão de quaisquer contribuições indevidas em parcelamento. Por esta conclusão resta sem interesse a discussão acerca de eventual correção de GFIP, uma vez afastados o alegado indébito e a compensação intentada. IV) prescrição decenal do direito compensatório; · Acórdão DRJ: Das restrições ao direito compensatório: Prescrição Quanto à prescrição, cabe esclarecer que o CTN estabelece em seu artigo 168, inciso I, que o direito de promover a Fl. 1132DF CARF MF 8 compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A LC no. 118/2005, por sua vez, deixou claro que a extinção do crédito se dá com o pagamento antecipado. Assim, havendo normas vigentes e expressas nesse sentido, deve se considerar como qüinqüenal o prazo para compensar pagamentos indevidos. Na planilha de f. 12 trazida pelo Fisco, observase que a primeira GFIP entregue com declarações de compensação data de 25/09/2009. Desta feita, pelo prazo acima estabelecido, estão prescritos quaisquer créditos decorrentes de pagamentos efetuados até 24/09/2004. Para as compensações intentadas relativas aos pagamentos feitos a partir desta data, seguiremos a análise da glosa promovida. V) inconstitucionalidade dos recolhimentos patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 · Acórdão DRJ: Da inconstitucionalidade das contribuições patronais relativos a exercentes de mandato eletivo no período entre 02/98 a 09/2004 Tratase de matéria já apreciada pelo STF e acatada pelo Fisco. Incontroversa, portanto. Salientese que o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito ressarcitório do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. VI) o caráter indenizatório das rubricas: 1/3 de férias e auxílio doença, não passíveis de integrar o salário de contribuição; · Acórdão DRJ: Do direito à Compensação De início destacar que o cerne do direito de se compensar pleiteado pelo contribuinte é a existência de recolhimentos indevidamente realizados. Nos termos do antes resumido relatório fiscal, não houve comprovação inequívoca de recolhimento previdenciário sobre remuneração de agentes eletivos, mesmo após diligência suplementar. Como já referido, o mero reconhecimento da inconstitucionalidade de determinada exigência tributária, não acarreta obrigatório direito do contribuinte, a menos que este demonstre ter suportado a exigência descabida. Quanto à suposta contribuição sobre verbas indenizatórias, esta também não restou demonstrada nos autos. Acertada, portanto, a autuação fiscal em tela, que glosou a compensação de recolhimentos não comprovados. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.115 9 VII) da legitimidade para promover compensações em nome da Câmara e em nome da administração indireta. · Acórdão DRJ: Da Legitimidade para pleitear a Compensação A Prefeitura Municipal pretendeu incorretamente se compensar de eventuais contribuições incidentes sobre a remuneração dos Vereadores e de prestadores de serviços de Autarquias. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal/ Autarquias são consideradas empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social, e estão sujeitas, individualmente, ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. Assim, não cabe o aproveitamento, pela Edilidade, das contribuições sociais de responsabilidade destes outros entes, já que todas possuem CNPJ e obrigações próprias. Destaque, por fim e mais uma vez, que a autuada não demonstrou o indébito em nome de quaisquer destes outros entes. O recorrente pode não concordar com a decisão da DRJ, mas não lhe socorre a afirmativa de que aquela decisão teria deixado de apreciar seus argumentos de impugnação. Portanto, não se vislumbra a nulidade alegada. c) Violação ao contraditório e ampla defesa O recorrente alega nulidade da ciência do acórdão, porque endereçado à Secretaria de Finanças do Município e não à Procuradoria do Município. Examinando os autos, constatase que o auto de Infração foi lavrado em nome do Município de João Pessoa Prefeitura Municipal, no CNPJ nº 08.806.721/000103, cadastrado para João Pessoa Secretaria de Finanças SEFIN. As GFIPs que geraram as glosas foram declaradas no CNPJ nº 08.806.721/000103. O Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 41/42) foi cientificado à Sra. Livânia Maria da Silva Farias, Secretária de Finanças. Os Termos da Intimação Fiscal nº 01 (fls. 43), 02 (fls. 45/46) e 03 (fls. 153), contém o endereço da Prefeitura Municipal Praça Pedro Américo nº 70 e foram recepcionados pela Sra. Josélia Guedes Alves. Nas respostas às intimações (Ofícios da Prefeitura Municipal de João Pessoa Secretaria de Finanças) consta o CNPJ nº 08.806.721/000103 e o endereço da av. Diógenes Chianca nº 1777. O endereço cadastrado para o CNPJ nº 08.806.721/000103 é da av. Diógenes Chianca nº 1777 e a pessoa que atendeu a fiscalização foi a Sra. Josélia Guedes Alves, que representou o sujeito passivo mediante procuração constante às fls. 346. O Acórdão da DRJ foi encaminhado por via postal ao endereço onde se realizou a ação fiscal, devidamente cadastrado no CNPJ. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1134DF CARF MF 10 (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) A súmula CRF nº 09 trata da validade da intimação realizada no domicílio eleito pelo contribuinte: Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Assim, é válida a intimação encaminhada ao endereço da Secretaria de Finanças do Município, a qual acompanhou os trabalhos da fiscalização e tinha conhecimento da autuação lavrada. Os trâmites internos (encaminhamento para a Procuradoria do Município) são de responsabilidade do Sujeito Passivo. Ademais, não houve prejuízo a ampla defesa do contribuinte pois o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e acompanhado dos documentos que entendeu pertinentes. Do mérito 1) Atendimento às intimações Através dos ofícios 338/SEFIN/09 (fls. 150) e 356/2009/SEFIN (fls. 135) (fls. 190 a 193 da impugnação), verificase que durante o procedimento fiscal, o Município respondeu às intimações, informando no primeiro Ofício que as compensações dos meses de julho, agosto e setembro são decorrentes de parcelas de natureza indenizatória que constam na IN MPS/SRF nº 03/2005 e o segundo Ofício trata do encaminhamento da memória de cálculo dos valores compensados (fls. 136/149). Ocorre que as respostas não foram satisfatórias. O primeiro Ofício não identificou os valores das remunerações, valores das contribuições, épocas dos recolhimentos indevidos, nomes dos segurados nem quais seriam as parcelas indenizatórias indevidamente tributadas. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.116 11 Já as planilhas que acompanharam o segundo Ofício (identificando os detentores de mandato eletivo e suas remunerações) não trazem qualquer comprovação com relação ao efetivo recolhimento dos valores que o contribuinte pretendeu compensarse. Portanto, as intimações foram atendidas mas as informações não foram suficientes para identificar de forma inequívoca os créditos que o contribuinte teria em seu favor. 2) Do Parcelamento Os documentos anexados às fls. 194/196 apenas comprovam que a Edilidade solicitou a inclusão em parcelamento, de "Débitos declarados espontaneamente no período de 06/2001 a 08/2005 (parte patronal)". Não há prova nos autos de que as contribuições incluídas no parcelamento contemplem as remunerações dos detentores de mandato eletivo, por vários motivos: não foram apresentadas as folhas de pagamento em que constem o Prefeito e o VicePrefeito e suas respectivas remunerações; as remunerações do Prefeito e do vice não foram declaradas em GFIP pelo Município; os valores incluídos em parcelamento não correspondem aos débitos declarados em GFIP nem às folhas de pagamento examinadas pela fiscalização; não foram apresentadas as memórias de cálculo dos valores parcelados, apenas os FORCED com os valores finais. Assim, caberia à recorrente comprovar através de documentos hábeis e idôneos, que efetivou o parcelamento do valor correspondente à integralidade das contribuições devidas e também das contribuições indevidas incidentes sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo, para que pudesse pleitear a compensação destas últimas. Tenho como não comprovada a alegação, não podendo ser acolhido o pedido do Município. 3) Da retificação das GFIPs Conforme se depreende do processo, o contribuinte não declarou em suas GFIPs o Prefeito e o VicePrefeito, portanto não ofereceu à tributação da Seguridade Social suas respectivas remunerações. A fiscalização informa no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 17) que "no Relatório Demonstrativo de Normalizações e Agregações, extraídos do sistema CNISA, contendo as bases de cálculo informadas à época dos recolhimentos não há valores informados na categoria 19AGENTES POLÍTICOS". O recorrente alega ter cumprido com determinação contida na Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006 (D.O.U. de 18/09/2006), que assim dispunha: 1.4 (...) NOTAS: a) A compensação deve ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência 09/2004. b) Os mandatos eletivos, desde a versão 5.0 do Sefip (aprovada pela Resolução INSS/DC nº 063, de 17/09/2001), são informados em GFIP na categoria “19”. Nas versões anteriores eram Fl. 1136DF CARF MF 12 informados na categoria 12, que incluía todos os servidores públicos federais, estaduais e municipais vinculados ao RGPS. Ao pretender compensarse de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos (cuja exigibilidade restou suspensa por força da Resolução do Senado Federal nº 26, de 21/06/2005, em face da declaração inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da letra “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescida pela Lei nº 9.506/1997, nos autos Recurso Extraordinário nº 351.7171 – PR), o contribuinte afirma que teria retificado suas GFIPs para excluir tais remunerações. Isto não faz sentido! Se os detentores de mandado eletivo não estavam declarados em GFIP, não poderiam ser dela excluídos. Assim, tenho que as retificações de GFIP alegadas, não fizeram exsurgir recolhimentos de contribuições a maior, pois os fatos geradores referentes aos detentores de mandado eletivo não foram sequer declarados em GFIP nem oferecidos à tributação. 4) Do prazo prescrional para realização da compensação A Municipalidade requer que seja aplicado à situação em apreço, o entendimento de algumas decisões do STJ no sentido de que para os pagamentos indevidos realizados antes da entrada em vigor da LC nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, continua observando a tese vigente à época dos pagamentos, dos cinco mais cinco anos. Primeiro cabe observar que o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC nº 118/2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos. Já em relação às ações ajuizadas até 08/06/2005, a Corte entendeu pela aplicação do entendimento até então predominante na jurisprudência, permitindose, assim, a devolução dos tributos indevidamente recolhidos até os últimos 10 (dez) anos. O STF permitiu a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após o início da vigência da LC nº 118/2005, considerando que o prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias possibilitara aos contribuintes não apenas tomar ciência do novo prazo, como também ajuizar as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Conforme se extrai da própria ementa do julgado supra referido, para a aplicação do prazo prescricional na forma prevista na LC nº 118/2005, levase em conta a data da propositura da demanda e não o período em que realizados os recolhimentos dos tributos impugnados. Percebese, pois, que a eficácia vinculativa da decisão diz respeito à aplicação do prazo prescricional de dez anos apenas às ações ajuizadas anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose o novo prazo previsto naquela lei complementar às ações ajuizadas após o início de sua vigência. A questão específica do pedido administrativo, que é o caso dos autos, e o prazo prescricional da LC 118/2005 não foi objeto de apreciação por aquela Corte. Cabe referir, também, a súmula CARF nº 91, que entende ser a data do pedido de restituição o marco do prazo prescricional, assim disciplinando: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 14751.002738/200970 Acórdão n.º 2202003.614 S2C2T2 Fl. 1.117 13 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mesmo que se pudesse aplicar tal súmula, por analogia, à declaração de compensação, apenas para as declarações transmitidas antes de 09/06/2005 se aplicaria o prazo o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De qualquer sorte, há inúmeros julgados dos Tribunais Superiores no sentido que "A lei que regula a compensação tributária é a vigente na data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda Nacional com o contribuinte." No caso em questão as GFIPs onde o contribuinte pretendeu compensarse foram transmitidas em 09/2009 e mesmo que se fosse considerar o pedido administrativo como termo final de contagem do prazo prescricional, uma vez ocorrido após o prazo de vacatio legis da LC 118/2005, apenas seriam passíveis de compensação os indébitos recolhidos a partir de 09/2004. Contudo, todas estas ponderações se mostram inócuas ao reconhecimento do direito do interessado pois, conforme já explicitado, o contribuinte não comprova ter realizado recolhimentos indevidos ou a maior que os devidos no período que identificou como origem dos seus créditos. Assim, não havendo créditos comprovados a seu favor, não há que se falar em prazo para efetivar compensações. 5) Reconhecimento de créditos Para fazer jus à compensação efetuada com base nos recolhimentos dos agentes políticos o sujeito passivo deveria comprovar que efetuou o recolhimento sobre tais valores. Além disso, deveria também comprovar a devida correção das GFIPs do período, nas quais, no momento anterior à compensação deveriam constar os fatos geradores daqueles agentes e, para fins de compensação, procedida a exclusão de suas declarações, dos valores das remunerações informadas para eles. É que o referido documento declaratório tem a dupla função de calcular o valor devido à Seguridade Social e servir de basedecálculo para os benefícios previdenciários, de sorte que a declaração dos fatos geradores e depois sua retificação prévia, conforme disposto na norma específica, é condição para o exercício da compensação. Nas planilhas da fls. 233 a 236 o recorrente informa tão somente a remuneração dos agentes políticos para o período de 02/1998 a 09/2004, não comprovando em momento algum o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais remunerações, não havendo crédito a ser reconhecido. Da mesma forma, para fazer jus à compensação de valores que alega ter recolhido indevidamente sobre parcelas indenizatórias. As planilhas de fls. 237/244 indicam valores a título de Adicional de 1/3 de férias, do período de 01/2001 a 06/2009 e de Auxílio Doença, do período de 01/2005 a 08/2009, sem comprovar o efetivo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais rubricas. Observase que em nenhum momento o sujeito passivo explicou ou demonstrou de forma específica e pontual, mês a mês, os valores devidos, os valores compensados e sua origem (rubrica recolhida a maior, competência e data do recolhimento a maior), o saldo a compensar e como procedeu para a atualização destes valores, limitandose a trazer os mesmos argumentos e documentos apresentados na ação fiscal. Para a correção e conferência dos valores compensados é imprescindível a informação do valor recolhido a maior e da data do recolhimento, a partir da qual se operam os cálculos de atualização monetária. Fl. 1138DF CARF MF 14 O recorrente não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar a regularidade das compensações efetuadas. Neste caso, correta a glosa de compensação. 6) Legitimidade da Prefeitura Municipal para compensar créditos apurados pela Câmara de Vereadores e pelos entes integrantes da administração pública indireta A Câmara Municipal assim como os entes que compõem a administração pública indireta não possuem personalidade jurídica, mas possuem CNPJ próprio, o que por si só vincula as contribuições declaradas em GFIP no CNPJ, aos recolhimentos realizados para o mesmo CNPJ. Na ocorrência de recolhimentos a maior, a compensação do indébito devese operar no âmbito do mesmo CNPJ. Havendo irregularidade na compensação assim realizada, a constituição de eventual crédito tributário será efetuada em nome do Ente Público que possui personalidade jurídica, no caso a Prefeitura Municipal, com a identificação (no Relatório do Procedimento Fiscal), da origem da divergência (no caso a Câmara de Vereadores e/ou outros entes da Administração pública). O procedimento de compensação foi equivocado, uma vez que as declarações e recolhimentos foram realizados no CNPJ da Câmara e dos entes que o contribuinte nominou como EMLUR e FUNJOPE, e a compensação pretendida foi efetuada no CNPJ da Prefeitura. Portanto, a Prefeitura não tem legitimidade para compensarse de créditos apurados na Câmara ou em Fundações Municipais, respondendo sim pelas obrigações destes Entes. 7) Dos valores indevidamente compensados Uma vez não homologadas as compensações realizadas nas competências 02 a 04/2009 e 07 a 09/2009 e não reconhecidos os créditos utilizados para a compensação, mantémse a multa e juros aplicados ao lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721501/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO.
Evidenciando-se que o voto condutor acórdão embargado efetivamente tratou do tema para o qual se aponta objetivamente ter havido omissão, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO. Evidenciando-se que o voto condutor acórdão embargado efetivamente tratou do tema para o qual se aponta objetivamente ter havido omissão, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.721501/2014-43
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5690104
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.418
nome_arquivo_s : Decisao_11516721501201443.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11516721501201443_5690104.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6666428
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947363151872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5.720 1 5.719 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721501/201443 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.418 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria AIPIS E COFINS (INSUMOS) Embargante BRF S.A. (sucessora de SADIA S.A.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO. Evidenciandose que o voto condutor acórdão embargado efetivamente tratou do tema para o qual se aponta objetivamente ter havido omissão, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 15 01 /2 01 4- 43 Fl. 5720DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 5486 a 5499)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3401003.096 (fls. 5315 a 5379), de minha relatoria, tendo sido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira designado como redator do voto vencedor nos tópicos referentes a indumentária e itens de uso obrigatório (4.1.1) e despesas de energia elétrica (item 4.9). Em 18/04/2016 foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, tendo sido tais embargos rejeitados pelo exame de admissibilidade de fls. 5401 a 5404. A Fazenda apresentou ainda o recurso especial de fls. 5406 a 5438, ao qual foi dado seguimento pelo despacho de fls. 5440 a 5446, havendo contrarrazões da empresa às fls. 5601 a 5631. Os embargos de declaração apresentados pela empresa serão aqui analisados apenas em relação ao tópico para o qual foram admitidos, no despacho de fls. 5712 a 5719, referente à omissão apontada no que se refere ao item “antioxidantes”. Sobre tal item, alegou a embargante que a decisão considerou, na análise do tópico referente a “antioxidantes”, a planilha "NICTB", quando o correto seria ter considerado a planilha "CFOP", mencionada pela defesa no parágrafo 196 de seu recurso voluntário. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no exame de fls. 5712 a 5719, passase diretamente à análise da omissão reconhecida como objetivamente apontada, no referido exame. Recordese, preliminarmente, que o exame de admissibilidade não estava a decidir sobre a existência de omissão, matéria reservada, regimentalmente, ao colegiado, mas apenas sobre a omissão estar objetivamente apontada. Alega a empresa que a decisão embargada incidiu em omissão, por ter sido a glosa referente a “antioxidantes” analisada à luz da planilha “NICTB” (Documentos cuja contabilização não indica se tratar de insumos), pois, conforme consta do parágrafo 196 do recurso voluntário, os valores glosados com antioxidante constam da planilha “CFOP”. Necessário, para analisar os embargos, retomar, preliminarmente, algumas considerações sobre o roteiro utilizado no julgamento do processo, que se referia a glosas de diversos itens. No voto condutor, os temas a analisar foram sintetizados em seis tópicos: (1) demanda pela apreciação conjunta dos cinco processos correlatos; (2) preliminares (sobre o Fl. 5721DF CARF MF Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.418 S3C4T1 Fl. 5.721 3 trabalho fiscal, o ônus probatório e a verdade material); (3) conceito de "insumos na legislação que rege as contribuições"; (4) glosas em espécie; (5) créditos presumidos de ICMS; e (6) penalidades. Dentro do item 4, referido acima (glosas em espécie), foi ainda efetuado um segundo desdobramento, em 14 itens: (1) aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo; (2) aquisições de bens e serviços que não geram crédito por não representarem a aquisição de insumos; (3) aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; (4) serviço de fretes de transferência de produtos; (5) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; (6) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito; (7) notas fiscais que representam aquisições de insumos que deveriam ter ocorrido com suspensão; (8) valores não comprovados na memória de cálculo; (9) despesas de energia elétrica; (10) despesas de aluguéis de prédios; (11) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; (12) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; (13) bens do Ativo Imobilizado; e (14) crédito presumido da agroindústria. O item 4.1 (aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo) é ainda desmembrado em 6 subitens (4.1.1 a 4.1.6), para melhor visualização das glosas, agrupadas por tema e motivação, de acordo com o resumido no relatório que antecede o voto: 4.1.1 (indumentária e itens de uso obrigatório), 4.1.2 (pallets e caixas), 4.1.3 (materiais e equipamentos), 4.1.4 (serviços realizados por “operador logístico”, 4.1.5 (materiais e serviços de limpeza) e 4.1.6 (outros itens). No relatório fiscal, os “antioxidantes” não são glosados por nenhum desses motivos. Tanto que não constam na planilha “NICTB”, mas sim na planilha “CFOP”, o que é bem explicado quando a defesa tenta justificar que os “antioxidantes” seriam enquadrados no conceito de insumos, buscando justificar sua utilização no processo produtivo. Em relação a tal justificativa, assim se manifesta o voto (fl. 5392): (...) Vejase que o voto não confunde ou se omite em relação à alegação da empresa, e demonstra plena ciência de que a argumentação referente a “antioxidantes” Fl. 5722DF CARF MF 4 invocava a planilha “CFOP”, e não a planilha “NICTB”. Ou seja, nenhuma análise do item foi feita à luz da planilha “NICTB”, simplesmente porque o motivo da glosa não era ausência de enquadramento como insumo, mas estar operação com “antioxidante” inserida em CFOP que não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito. Tal tema foi expressamente tratado no item 4.6 do voto condutor (notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos nem operação com direito a crédito), isso porque os “antioxidantes” foram glosados pela fiscalização exatamente por esse motivo (fl. 5348): Assim, o citado parágrafo 196 do recurso voluntário (recordese, inserido no subtópico do recurso intitulado de “outros itens”, dentro do tópico “dos bens e serviços utilizados como insumos”) se presta a argumentar que os itens ali constantes constituiriam efetivamente insumos. Mas não foi essa a razão da glosa dos antioxidantes. Assim, tal parágrafo revela má compreensão das razões da autuação, que não se devem à exclusão do conceito de insumo, mas ao CFOP utilizado para a operação. E as glosas de CFOP foram analisadas no tópico 4.6 do voto condutor, aqui transcrito, que faz expressa referência aos “antioxidantes”, e ao fato de a empresa sustentar que Fl. 5723DF CARF MF Processo nº 11516.721501/201443 Acórdão n.º 3401003.418 S3C4T1 Fl. 5.722 5 constituiriam insumos, sem trazer qualquer elemento que refute a imputação fiscal referente ao código CFOP adotado para a operação (matéria seguramente distinta da referente ao enquadramento como insumo). Assim, aquilo que a embargante denomina de omissão (análise dos “antioxidantes” à luz da planilha “NICTB”) resulta tãosomente de má compreensão da defesa, não só em relação às razões da autuação, mas também em relação ao julgamento do processo. Os “antioxidantes” são glosados pela fiscalização e analisados, no julgamento, com base na planilha “CFOP”, no item 4.6 do voto condutor, com resultado unânime, na turma. O excerto constante do tópico 4.1.6 do voto, e referente à planilha “NICTB” devese não à análise do tema à luz de planilha equivocada, mas, simplesmente, a apontar que a empresa defendeuse, em relação aos “antioxidantes”, como se a glosa fosse motivada por tal material não ser enquadrado no conceito de insumo, no subtópico de sua defesa intitulado de “outros itens”, dentro do tópico “dos bens e serviços utilizados como insumos”, quando, na verdade, deveria ter atacado as efetivas razões da glosa, apresentando elementos que justificassem que o CFOP utilizado se referia a uma operação que ensejasse o crédito. A simples leitura de ambos os tópicos do voto, aqui transcritos, esclarece a questão, não havendo vestígios de ocorrência da omissão apontada. Diante do exposto, devem ser rejeitados os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 5724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720094/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.548
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10730.720094/2008-10
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700226
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-000.548
nome_arquivo_s : Decisao_10730720094200810.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10730720094200810_5700226.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6688485
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947366297600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.720094/200810 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3302000.548 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO ADUANA Recorrentes RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA E OUTRA FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração às fls. 0220, 2135, 3646 e 4760, lavrados em face do importador, a empresa RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 07.567.851/000160, a qual doravante denominarei apenas RIO LAGOS, e da empresa considerada real adquirente das mercadoria importadas, a POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 00.436.042/000170, a qual denominarei, a partir de agora, simplesmente POLIMPORT, esta na condição de responsável solidária, por meio RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 09 4/ 20 08 -1 0 Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 3 2 dos quais foram formalizadas as seguintes exigências, decorrentes do subfaturamento de preços, e de entrega a consumo, de mercadorias importadas, por meio de declarações de importação registradas no período de 01/02/2006 a 10/08/2006: a) auto de infração às fls. 0220: a.1) Imposto de Importação no valor de R$ 41.021,86, acrescido de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) do imposto exigido, prevista no art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 61.532,79, em função da declaração inexata do valor das mercadorias submetidas a despacho de importação através das DI's 06/01271992, 0601275688, 06/01275696, 06/01351767, 06/01522790, 06/01687749, 06/01831254, 06/02497501, 06/02847375, 06/03118563, 06/03186429, 06/06234653, 06/06238047, 06/06238900, 06/06484153, 06/07462722, 06/07480976 e 06/09456088, sendo que na DI 06/06234653 houve infração somente na adição 002; na DI 06/07462722 houve infração nas adições 001 e 002; enquanto que, nas demais, houve infração apenas nas adições 001. a.2) Multa do Controle Administrativo no valor de R$ 234.866,64, conforme disposto no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, face a diferença apurada entre o preço declarado pelo importador nestas DI's e o preço efetivamente praticado; b) auto de infração às fls. 2135: b.1) Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à Importação no valor de R$ 22.478,22, acrescido de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) do imposto exigido, prevista no art. 80, e seu § 6°, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da mesma Lei, no valor de R$ 33.717,33, em razão da declaração inexata do valor das mercadorias submetidas a despacho de importação através das mesmas DI's citadas acima, no subitem a.1; b.2) Multa Regulamentar do IPI no valor de R$ 1.442.296,52, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/1968 c/c o art. 81, inciso V, da Lei n° 10.833, de 2003, em função da autuada ter entregue a consumo produtos de procedência estrangeira importados com subfaturamento. c) auto de infração às fls. 3646: c.1) COFINS na Importação no valor de R$ 24.429,63, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) da contribuição exigida, conforme previsto no artigo 19 da Lei n° 10.865/2004 combinado com o art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, e com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 36.644,45; d) auto de infração às fls. 4760: d.1) PIS/PASEP na importação no valor de R$ 5.303,54, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) da contribuição exigida, conforme previsto no artigo 19 da Lei n° 10.865/2004 combinado com o art. 44, inciso I, e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, e com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, no valor de R$ 14.577,08; Objetivo da ação fiscal Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme a descrição dos fatos constante do Relatório de Auditoria Fiscal (doc. às fls. 61184), que é parte integrante dos autos de infração relacionados neste processo, a ação fiscal desenvolvida em desfavor das empresas RIO LAGOS e da POLIMPORT, teve como objetivo a verificação do cumprimento de suas obrigações fiscais, especialmente a apuração de indícios de subfaturamento na importação e utilização de faturas ideologicamente falsas (fl. 64). Os citados indícios foram obtidos de documentos arrecadados no bojo da chamada OPERAÇÃO DILÚVIO, realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal. Segundo o mesmo Relatório, à fl. 64, vol. I do processo: "(...) Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em ParanaguáPR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, dedicada à prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO iniciaramse em 2005 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais em diversos Estados (...) ". Do grupo MAM Consta no Relatório, às fls. 6465, referindose às empresas e pessoas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob o controle de MARCO ANTÔNIO MANSUR (Grupo MAM), investigadas na OPERAÇÃO DILÚVIO, que: "(...) Tratase de um conjunto de empresas, constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros (...)". À fl. 05 do Relatório de Auditoria (fl. 65, vol. I), consta que os elementos apreendidos na citada OPERAÇÃO DILÚVIO foram, em atendimento ao Ofício n°. 1.033/2006DPF/PGA/PR (fl. 195, vol. II), disponibilizados pela Justiça Federal para fins de procedimentos fiscais da Secretaria da Receita Federal, conforme Decisão Judicial nos Autos n°. 2006.70.00.0224356, de 14/09/2006 (fls. 197, vol. II ). Modus operandi do grupo MAM Conforme o Relatório de Auditoria, à fl. 70, vol. I do processo: "O GRUPO MAM especializouse na prestação de serviços de importação a diversos clientes, viabilizando significativa e ilícita redução dos tributos devidos, seja na fase de nacionalização, seja nas etapas subseqüentes de comercialização dos produtos no mercado interno. Para tal, foram praticadas inúmeras irregularidades, a saber: falsificação de documentos, subfaturamento dos valores declarados nas operações de importação, ocultação dos reais intervenientes, simulação de operações Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 5 4 comerciais, remessa de divisas à margem do controle legal, geração de créditos tributários fraudulentos e utilização de benefícios fiscais relativos ao ICMS..." De acordo com a fiscalização, o esquema do grupo pode ser representado pelo seguinte gráfico, apresentado à fl. 98, vol. I do processo, e também à fl. 71, sendo: A: Exportador verdadeiro e fornecedor efetivo; B: Exportador de fachada, controlado pelo GRUPO MAM. Eventualmente este pólo é ocupado por um Exportador de fachada controlado pelo cliente. C: Importador de fachada: via de regra uma trading com benefício do ICMS constituída em nome de laranjas. D: Adquirente/distribuidor de fachada. Empresa constituída em nome de E: Importador/adquirente verdadeiro: cliente do GRUPO MAM, por vezes empresa vinculada ao real exportador "A". E: Importador/adquirente verdadeiro: cliente do GRUPO MAM, por vezes empresa vinculada ao real exportador "A". O GRUPO MAM, segundo a fiscalização, fls. 71/73, vol. I do processo: "... era responsável pelo controle dos elementos B, C, e D. O esquema permitia ocultar o real adquirente das mercadorias importadas (elemento E), transacionadas junto ao seu real fornecedor no exterior (elemento A). Ou seja, a negociação ocorria, de fato, entre A e E, os quais definiam preços, condições de pagamento, tipos de mercadorias e quantidades. Porém, a operação visível de comércio exterior a declarada ao Fisco se processava de forma simulada entre um exportador de fachada (elemento B) e uma 'trading' com benefício de ICMS (elemento C), muitas vezes constituída em nome de laranjas, ambos controlados pelo GRUPO MAM. Esta operação não representava os elementos da verdadeira transação comercial. Quanto ao fluxo financeiro, as declarações de importação registradas em nome do importador (elemento C) serviam para formalizar a saída de divisas do país, via Banco Central, tendo como destinatário o exportador fictício (elemento D), sob a égide de pagamento das importações realizadas. Já quando da ocorrência de subfaturamento, a parte restante do pagamento ao verdadeiro exportador (elemento A) era processada por outros meios, à margem do sistema legal, ou pela via legal, mas em operações não relacionadas com a importação. Considerando as variáveis empregadas pela organização no esquema fraudulento, as importações eram processadas em alguma das seguintes formas: [1] registradas como se fossem por conta e ordem de um adquirente de fachada (elemento D); ou, [2] registradas como importação direta da própria 'trading' (elemento C), a qual simulava uma venda a um distribuidor de fachada (elemento D) após a liberação alfandegária (desembaraço aduaneiro); ou, [3] numa modelagem menos complexa, eram registradas com importação direta da própria 'trading' (C ), a qual simulava uma venda ao cliente final (E) imediatamente após o desembaraço. Em todas as situações, os artifícios empregados pelo GRUPO MAM davam, geralmente, várias vantagens ilícitas aos seus clientes, a saber: Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 6 5 Ilusão dos tributos federais diretamente relacionados à importação, mediante a prática do subfaturamento dos preços declarados ao Fisco. Para tal, empregavam faturas comerciais fabricadas ou refaturavam as mercadorias a preços menores através do elemento B do esquema o exportador de fachada; Não figurar como contribuinte equiparado a industrial e evitar a incidência do IPI nas operações subseqüentes à importação, de comercialização no mercado interno; Geração de créditos tributários fraudulentos, por meio de empresas fantasmas, adquirentes e distribuidores de fachada o elemento D. Estas importavam os produtos a preços subfaturados (seja como operação direta ou por sua conta e ordem) ou, ainda, compravam os produtos junto às 'tradings " do GRUPO MAM após a nacionalização na mesma condição subfaturada. Após, revendiam a valores bem mais elevados, gerando grandes créditos de tributos de incidência não cumulativa. As dívidas junto ao Fisco acabavam não sendo honradas, beneficiando os clientes da organização que recebiam as mercadorias com valores esquentados; Repasse de benefícios relativos ao ICMS incidente nas operações de importação (tributo de competência dos Estados), através das importadoras ('tradings') do GRUPO MAM elemento C; Não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; Interferir na avaliação do risco da operação (parametrização das DIs), mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos. " Modus operandi específico para operações destinadas à POLIMPORT O modus operandi das importações do GRUPO MAM, destinadas à POLIMPORT, conforme destacado na fl. 86, vol. I do processo, é descrito com base em INFORMAÇÃO FISCAL (ANEXO III do presente processo, onde constam cópia dos volumes I e II do processo 10980.001184/200716, nos quais está reproduzida a citada INFORMAÇÃO FISCAL). A referida INFORMAÇÃO FISCAL foi elaborada com base em amostra de documentação fotocopiada de originais, apreendidos pela Polícia Federal quando da deflagração da Operação DILÚVIO, que revelam a ocorrência de fatos e circunstâncias em que se pode evidenciar fraudes em importações, bem como na circulação interna de mercadorias destinadas à POLIMPORT. As fraudes praticadas, envolvendo a POLIMPORT e o GRUPO MAM, conforme fl. 87, vol. I do presente processo, são descritas a partir de uma série de casos concretos, exemplificativos, desvendados a partir da documentação apreendida pela Polícia Federal, e a partir dos quais, segundo a fiscalização, se pode comprovar as irregularidades. À fl. 87 do processo, no Relatório de Auditoria, é informado que as operações simuladas, relativas à POLIMPORT, tinham como importadora registrada, na maioria dos casos, a empresa RIO LAGOS, e, esporadicamente, a MERCOTEX DO BRASIL LTDA, a OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., e a GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA.. E como adquirentes registrados nas DIs constavam a DELTA COMEX, a SUPPORT IMPORTAÇÃO E EXPORT. LTDA., a CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., a GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., a ZEKTOR THECNOLOGIES, a SP CABLES e a OPUS TRADING. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 7 6 Conforme a fiscalização, nesse emaranhado de empresas, estava no centro, gerenciando as operações, a empresa INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., que repassava os recursos dos clientes finais para as empresas acima citadas, operacionalizando o esquema de importações para a POLIMPORT. De acordo com o Relatório de Auditoria, fl. 88, dentro da estrutura organizacional, havia inscrições nos processos, para fins de controle interno, vinculandoos aos clientes de fato, tendo como referência as três primeiras letras, que indicavam as iniciais dos clientes finais, seguidos de numeração sequencial e do ano. O primeiro caso analisado é o POL 22/05, que se refere à DI no 05/03752490, registrada no dia 13/04/2005. De acordo com a fiscalização, nessa DI (fls. 88 e 89, vol. I do processo): "(...) Figurava como importador a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA e adquirente das mercadorias a empresa GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. O processo era instruído com a fatura comercial no 05000113 da empresa exportadora de fachada FECA INTERNACIONAL (empresa com endereço em MIAMI FLÓRIDA E.U.A, cujo dossiê da ESPEI aponta como exportador de fachada), datada de 04/02/2005, consignada à empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA, com valor total das mercadorias de US$ 9.986,00, referente à mercadoria discriminada como APARELHO DE GINÁSTICA ORBITEK COM MONITOR 68 UNIDADES, E APARELHO DE GINÁSTICA ORBITEK SEMM MONITOR 129 UNIDADES.Acontece que no mesmo processo consta fatura comercial de no 9972200 da empresa THANE DIRECT COMPANY, sediada no Canadá, datada de 04/02/2005, e consignada à empresa SANTA FÉ TRADING IMP. E EXP. LTDA, no valor de US$ 13.675,00. Foram emitidas duas faturas para o mesmo processo, contendo mesma data de emissão, mesmas mercadorias e quantidades descritas acima, porém com valores diferentes, US$ 9.986,00 e US$ 13.675,0, respectivamente. Apesar de estarem consignadas para empresas diferentes, tinham como objetivo o mesmo destinatário final, ou seja, a empresa POLIMPORT. Neste processo, constatase um subfaturamento em torno de 30%. Na documentação que embasa o processo POL 22/05, aparece um demonstrativo de despesas relatando todos os custos da referida declaração de importação no 05/03752490, informando ao cliente final POLIMPORT tais despesas. Este demonstrativo fora confeccionado pela empresa BWI ASSESSORIA DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, empresa que prestava serviços para as empresas acima citadas. Em razão da constatação de que a POLIMPORT acompanhava cada passo da operação de importação, não resta dúvida de que ela era o real adquirente, oculta em todas as fases do processo de importação, com o objetivo de descaracterizar a cadeia de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na saída para o consumidor final". Ilustrando o mecanismo utilizado para livrar a POLIMPORT da sujeição passiva quanto ao recolhimento do IPI na saída da mercadoria de seu estabelecimento, caso fosse equiparada a industrial, a fiscalização afirma, à fl. 88, em relação à DI acima, que: "(...) O mecanismo consistia em, desembaraçada a mercadoria, logo era emitida uma nota fiscal de entrada (nota no000176, data de emissão 13/04/2005) pela empresa MERCOTEX no valor de R$ 48.464,24, com os valores próximos aos que foram declarados na respectiva DI. Após isso, a mesma emitia nota fiscal de saída (nota no 00177, data de emissão 13/04/2005) para a empresa adquirente GHATS no valor de R$ Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 8 7 53.588,94. Por sua vez, a GHATS emitiu uma nova nota fiscal de saída (nota no 1588, data de emissão 14/04/2005) para uma empresa de fachada que não se encontra no rol de empresas acima mencionadas, empresa esta que é a QUALITY HARD INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 06.232.266/000143, no valor de R$ 66.146,20, majorando aproximadamente em 20% os valores de sua saída. A empresa QUALITY HARD INFORMÁTICA, por sua vez, superfaturava a sua nota fiscal de saída para uma outra empresa, provavelmente, neste caso, para a empresa CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, e esta emitiu a nota fiscal de saída no 0266, datada de 14/04/2005, para a empresa POLIMPORT no valor de R$ 147.971,24, isto é, valor acrescido de aproximadamente 300% do seu valor de origem". A fiscalização, ainda sobre a DI no 05/03752490 (POL 22/05), explica, à fl. 89: "(...) Dos fatos acima, depreendese claramente que a finalidade das mercadorias ingressarem no Brasil por um valor subfaturado, é para eximirse da exação fiscal, recolhendo menos tributos quando da sua nacionalização, com este artifício, recolhe menos I.I e I.P.I, bem como PIS/COFINS. O superfaturamento na sua circulação interna, até chegar ao cliente interessado, dáse pelo seguinte motivo: a empresa de fachada obtém um lucro fictício muito grande e obrigase a recolher tributo estadual (ICMS), bem como os tributos federais (IRPJ , CSLL) e, geralmente, não possui patrimônio suficiente para, numa eventual fiscalização, liquidar os tributos não recolhidos e multas, blindando, assim, o cliente final POLIMPORT. Além disso, a empresa POLIMPORT tem dos valores das mercadorias contabilizados na sua entrada aproximados dos valores reais, não resultando em grande diferença, quando confrontados com os valores de saída ". Em seguida, a fiscalização apresenta outros casos concretos semelhantes ao POL 22/05, descrito acima: DI no 05/06138440 (fls. 9091), DI no 05/04510970 (fls. 9192), POL 119/05 e POL 124/05 (fls. 9293), POL 130/05 (fls. 9394). O sexto caso apresentado pela fiscalização, chamado THA 02/2006 (fls. 9698), referese, segundo os Auditores, a documentos encontrados na empresa POLIMPORT. Estes estavam sob a forma de processos de importação, sendo que a folha inicial continha o timbre POLIMPORT e o seu respectivo email. A numeração desses processos seguia o mesmo formato que o utilizado pela INTERLOGISTIC, com a diferença de que as três primeiras letras referiamse às iniciais do exportador, seguidas de numeração sequencial e terminando com o ano da importação. No caso, a expressão THA referese ao exportador THANE DIRECT COMPANY. A fiscalização, sob a denominação THA 02/2006, apresenta no Relatório, às fls. 94 a 96 do processo, exemplos, alguns dos quais abaixo transcritos, de atuação irregular da empresa, principalmente emails trocados entre representantes da POLIMPORT e seus intervenientes, utilizados nos procedimentos de importação de mercadorias estrangeiras. "Exemplo 01: correspondência enviada pela empresa OPUS TRADING LTDA, na qual solicita à POLIMPORT numerário referente ao pagamento de despesa de nacionalização de mercadorias, requisitando que tal numerário fosse depositado na sua conta do Banco Bradesco Ag. 35092, conta corrente 1534238. Em seguida, a funcionária da POLIMPORT Adriana Mingroni, enviou email para o senhor Carlos Neto e Rubens Cilone, com cópia para Angela Mei, no qual pede autorização para pagamento de R$ 12.397,63, requisitado pela empresa OPUS TRADING LTDA, referente a impostos e outras despesas que diz já ser de conhecimento dela, ainda Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 9 8 solicitando que esse pagamento fosse efetuado rapidamente, a fim de que a Declaração de Importação fosse registrada. Neste mesmo email, a senhora Adriana Mingroni solicita aprovação ao senhor Carlos Neto para que fosse enviado numerário do processo TEL 04/2005 no valor de R$ 34.438,13, também relativo a impostos e outras despesas de importação. Ato contínuo, o senhor Carlos Neto autorizou, também via e mail, o pagamento de tal quantia na mesma data. (DOC.09). Exemplo 02: Foi encontrada, juntamente com a documentação apreendida, uma correspondência enviada pela empresa THANE DIRECT COMPANY (exportadora, com sede no exterior, de mercadorias para as empresas já mencionadas no início) à Empresa POLIMPORT, para o senhor Carlos Neto, correspondência em idioma em inglês, a qual diz respeito a uma auditoria que teria sido feita na empresa THANE em março de 2006, e a mesma requisita que a empresa POLIMPORT confirme débito no valor de US$ 348.417,00, o qual pressupõese seja resultante das transações comerciais entre ambas. O Senhor Carlos M. de Oliveira Neto (POLIMPORT) confirma o débito, em documento assinado, datado de 30/05/2006 (DOC. 10). Exemplo 03: correspondência de Thiago Haouila (INTERLOGISTIC) para Rubens Cilone (POLIMPORT Financeiro), datada de 08/12/2005, onde Thiago solicita a Rubens valores a serem depositados na conta corrente 10054861 da empresa CONTROL, Ag. 0937, Banco Real, para fechamento de câmbios dos processos de importação POL 127/05 e POL 128/05, também denominados de INT 09/2005 e INT 10/2005 respectivamente. Acontece que estes valores solicitados por Thiago Hauila (INTERLOGISTIC), somados, totalizam US$ 36,165.00 (US$ 17,655.00+ US$ 18,510.00, valor que figura na CONTA CORRENTE mencionada no quarto caso acima, ou seja, objeto de transferência internacional de fundos, datada de 16/12/2005, tendo como histórico POLIMPORT INTERGLOBAL. Os processos POL 127/05 e POL 128/05 referemse, respectivamente, às declarações de importação de números 06/03118563 e 06/06234653, sendo que, os valores referemse a adiantamentos parciais para fechamento dos câmbios dos processos deste exemplo. Por fim, observese que os processos POL 125/05 e POL 127/05 foram encontrados na empresa RIO LAGOS TRADING, enquanto que os processos INT 09/2005 e INT 10/2005 e o email impresso de Thiago Haouila para Rubens Cilone foram encontrados na empresa POLIMPORT (DOC. 11). (...)". Das empresas Nas DIs incluídas nos autos de infração que compõem o presente processo, constam, como importador, a empresa RIO LAGOS, e, como adquirente, a empresa DELTA COMEX, que seria a distribuidora de fachada. Porém, de acordo com a fiscalização, em todas as operações o real adquirente era a empresa POLIMPORT. A empresa INTERLOGISTIC prestaria assessoria para esta última. A empresa RIO LAGOS, conforme fls. 100103, foi constituída em 27/07/2005, com capital social de R$ 1.500.000,00. Declarou receita bruta de R$ 6.741,01 no ano calendário de 2005, e efetuou movimentação financeira de R$ 424.960,49, de julho a dezembro de 2005. A empresa teria efetuado diversas importações por conta e ordem de algumas sociedades, clientes contumazes do GRUPO MAM (fl. 101). Tem como presidente a Sra. Idalina Martins de Almeida Junqueira, funcionária pública, a qual não teria capacidade econômica e financeira compatível com a condição de presidente de uma trading desse porte. Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 10 9 A empresa DELTA COMEX, que figurou como adquirente nas declarações de importação incluídas nos autos de infração, conforme fl. 103, tem um capital social de R$ 100.000,00 e possui sócios com baixos rendimentos. Segundo o Relatório de Auditoria, fls. 103104, a empresa INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., CNPJ 06.974.682/000110, funcionava como uma assessoria especializada nos procedimentos de desembaraço aduaneiro e na prestação de serviços de logística e controle das operações. Seus principais clientes, segundo a fiscalização, seriam empresas do GRUPO MAM, como a HITECH, MERCOTEX e GHATS. A empresa POLIMPORT, que seria a real adquirente das mercadorias, conforme fl. 104, está atualmente sediada no Município de Varginha/MG. A alteração de endereço ocorreu em 10/11/2006, logo em seguida à deflagração da Operação Dilúvio. Do procedimento fiscal Às fls. 105125, vol. I do processo, constam as informações acerca do procedimento fiscal, destacando que, tendo em vista que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo, de fato, operações por conta e ordem de terceiros (reais adquirentes), este foi focado no adquirente, restringindose às importações registradas pela RIO LAGOS, nas operações identificadas como realizadas, de fato, por conta e ordem da empresa POLIMPORT. Segundo os autuantes, foram utilizados no procedimento fiscal: Documentação fotocopiada de originais, apreendidos pela Polícia Federal na Operação Dilúvio, referentes às importações específicas destinadas à POLIMPORT; Documentação apresentadas pela empresa RIO LAGOS, em atendimento a intimação Documentação apresentada pela empresa Delta Comex, em resposta a intimação Documentação apresentada pela empresa POLIMPORT, em resposta a termos de intimação. Cabe destacar, no presente item, a seguinte afirmação da fiscalização: "(...) Da análise dos documentos apresentados, uma vez mais, as respostas não foram satisfatórias para confirmar a regular importação das mercadorias, ou mesmo sua regular aquisição no mercado interno, objetivando a verificação do cumprimento das obrigações de natureza contábil fiscal relacionadas às mercadorias de origem estrangeira, apreendidas conforme TERMO DE APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS no 01POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL no 05 0615100.2007.002809, decidimos proceder diligências nos principais estabelecimentos fornecedores, para confirmar com documentação hábil a efetividade das operações. Sendo assim, concluímos pela proposição da aplicação da pena de perdimento das mercadorias de origem estrangeira apreendidas conforme TERMO DE Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 11 10 APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS no 01POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme PAF 10611.000767200860 Dos fatos apurados Conforme fls. 126146, a fiscalização expõe os fatos apurados, afirmando ter identificado elementos que comprovam, de forma inequívoca, que as operações citadas em relação contida na fl. 126 do processo foram realizadas por conta e ordem da empresa POLIMPORT. Na citada relação constam os números das DI, nota fiscal de entrada do importador, nota fiscal de saída do importador, nota fiscal de saída do distribuidor, ordem de compra, e número de controle. A partir da fl. 129 em diante, são detalhados os elementos de prova, por declaração de importação, vinculando a importação efetuada pela RIO LAGOS com o real adquirente, a POLIMPORT, citandose os anexos em que estão as citadas provas. Do valor aduaneiro Às fls. 146161, a fiscalização detalha a forma utilizada para proceder à determinação do valor aduaneiro utilizado nos autos de infração. Verificase que em relação a produtos importados através das DIs 06/01271992, adição 001; 06/0127568 8, adição 001; 06/01275696, adição 001 e 06/01371767, adição 001 , às fls. 148149, a fiscalização aceitou os valores encontrados em documentos que revelavam as cifras reais das operações. Assim, segundo os Auditores, embora os valores declarados tenham sido desconsiderados, por não representarem os preços efetivamente pagos ou a pagar pelas importações, o método do valor de transação, para as citadas DIs, pôde ser preservado. Em relação às mercadorias importadas contidas na adição 001 da DI 06/0623804 7, a fiscalização adotou como critério para o arbitramento de seu valor, os preços efetivamente praticados em outras operações com mercadorias idênticas ou similares, (inciso I do artigo 88 da MP no. 2.15835/2001) fls. 152154. Quanto aos produtos importados através da DI 06/02847375, adição 001; DI 06/03186429, adição 001; 06/01522790, adição 001; 06/01687749, adição 001; 06/01831254, adição 001; 06/02497501, adição 001; 06/03118563, adição 001; 06/06234653, adições 001 e 002; 06/06238900, adição 001; 06/07462722, adições 001 e 002; 06/07480976, adição 001; e 06/09456088, adição 001, a fiscalização utilizou, como critério para arbitramento, o previsto na alínea 'b' do inciso II do artigo 88 da MP no. 2.15835/2001. Este, segundo os Auditores, não se diferencia da aplicação do sexto método de valoração previsto nos artigos 2 e 3 do AVA/GATT, com uma maior flexibilização, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade (fls. 154 158 do processo). No que se refere às mercadorias importadas através da DI 06/06484153, a fiscalização adotou, como critério para arbitramento do valor das mesmas, o valor das citadas mercadorias, constante da nota fiscal de entrada na POLIMPORT, subtraído dos valores dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos (art. 88, II, "b' da MP 2.158 35/2001). Neste caso, notase que não foram subtraídos valores relativos ao ICMS (fls. 158159). Da sujeição passiva A determinação do contribuinte e do responsável solidário, para cada tributo exigido nos autos de infração, é discriminada às fls. 161171. Após analisar os fatos, a Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 12 11 fiscalização conclui pela responsabilidade solidária da empresa POLIMPORT, sendo contribuinte dos tributos a empresa RIO LAGOS. Das Infrações apuradas A fiscalização discrimina, às fls. 171182, as infrações apuradas no decorrer do procedimento fiscal, que foram: declaração inexata e ocultação do real adquirente. Esta última prática, segundo a fiscalização, faz com que fique perfeitamente tipificada a infração, configurada como dano ao erário, prevista no inciso V do art. 23 do Decreto lei no. 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei no. 10.637/2002. Quanto às penalidades, na fl. 174, argumentase que: "(...) a efetiva aplicação da pena de perdimento traria por conseqüência o afastamento destas mercadorias estrangeiras do campo de incidência tributária, conforme dispõe o inciso III do §4o. do art. 1o. do Decretolei n o. 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n o. 10.833/2003". Em seguida, a fiscalização afirma, na mesma fl. 174, que: "(...) No entanto, a não aplicação da pena de perdimento por absoluta impossibilidade, haja vista que as mercadorias importadas nestas condições não foram encontradas, foram todas entregues a consumo ou consumidas, não sendo mais possível, portanto, sua apreensão, não há que se falar de não incidência tributária". Desse modo, foram cobrados, nos autos de infração, as diferenças de tributos, com os acréscimos legais. Foi aplicada, ainda (fl. 177), multa de ofício, de 150%, sobre os tributos devidos, em virtude da constatação de intuito de fraude. Isso, por força do art. 44 da Lei n o 9.430/96, c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502/1964. Em virtude do subfaturamento, foi aplicada a multa do art. 633 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n o 4.543/2002), com base no § único do art. 88 da MP 2.158 35/2001, de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (fl. 177178). Às fls. 178181, a fiscalização discrimina a aplicação, também, da penalidade prevista no art. 631 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n o 4.543/2002), baseada no artigo 83, inciso I, da Lei n o 4.502/1964, que submete, os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta, à multa equivalente ao valor da mercadoria. Quanto a essa multa, a fiscalização aduz, à fl. 179 do processo, que adotou como valor comercial das mercadorias, o próprio valor aduaneiro apurado. Representação Fiscal para fins penais A fiscalização, nesse item do Relatório de Auditoria, transcreve o § 7o. da Portaria SRF 326, de 15/03/2005, segundo o qual, quando a ação fiscal for motivada por informações oriundas do Ministério Público ou da Polícia Federal ou quando tais órgãos já tiverem conhecimento prévio dos fatos que configurem crime, em tese, a representação para fins penais se limitará à comunicação ao órgão interessado dos fatos apurados pelos Auditores Fiscais. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 13 12 Das Conclusões Em decorrência do procedimento de fiscalização, foram lavrados os autos de infração já descritos no início do presente Relatório, no montante de R$ 1.933.900,04. Da impugnação da responsável solidária POLIMPORT Cientificada, a empresa POLIMPORT, dos lançamentos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 08/07/2008 (fls. 03, 22, 37, 48 e 60), esta apresentou impugnação (fls. 1.2541.301) em 07/08/2008, através de seu representante (cópia autenticada da procuração às fls. 1.334). Alegando que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente improcedente e que deve ser declarado nulo de pleno direito, apresenta seus argumentos nos seguintes termos: referindose à sujeição passiva, argumenta que não é responsável solidária; aduz, referindose à fiscalização de zona primária, que, uma vez liberadas as mercadorias, resta comprovado que não existe nenhum indício de subfaturamento ou mesmo fraude nas declarações; e, após analisar os comprovantes de importação, informa que as mercadorias contidas nas DIs objetos dos autos de infração passaram pelo canal vermelho, não tendo sido apurados quaisquer indícios de irregularidades; referindose a nulidades relacionadas ao processo para aplicação da pena de perdimento, a impugnante afirma que, anteriormente ao lançamento constante do presente processo administrativo foi lavrado o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0615100/00280/07, relativo ao processo administrativo n° 10611.000.767/200860, referente a pena de perdimento de mercadorias estrangeiras de propriedade da impugnante, o qual não teria preenchido os requisitos básicos para o seu prosseguimento; afirma que, nos autos de infração objeto da presente impugnação, a fiscalização exige crédito tributário referente às mesmas mercadorias de origem estrangeira objeto da pena de perdimento, sendo que, tanto a investigação que deu origem à pena de perdimento, quanto a que originou os créditos tributários têm origem na "Operação Dilúvio". Citando o artigo 77, § 4o., inciso III, da Lei n° 10.833/2003, afirma que a efetiva aplicação da pena de perdimento traria por consequência o afastamento das respectivas mercadorias do campo da incidência tributária, conforme citado no próprio Relatório de Auditoria Fiscal que embasa os autos de infração, à fl. 114 (fl. 173 do processo), o que resultaria na prejudicialidade dos autos de infração impugnados, em relação às mercadorias objeto da pena de perdimento, referentes a cinco declarações de importação, citadas em tabela: 06/06238047, 06/07480976, 06/01275700, 06/01555230 e 06/01609322. Afirma, ainda, que, nas três últimas dessas declarações, a fiscalização não encontrou elementos de prova que indiquem subfaturamento, conforme páginas 99100 do Relatório de Auditoria que embasa os autos de infração (fls. 159160 do processo), devendose anular, quanto a tais mercadorias, quaisquer pretensões tributárias ou sancionatórias; alega que não foram seguidos os procedimentos legais previstos para o controle da valoração aduaneira; afirma que não há base para se concluir que a impugnante participou de importações por conta e ordem; alega ausência de interesse nas supostas fraudes apontadas na "Operação Dilúvio", já que não tem ingerência nenhuma nos negócios de seus fornecedores; Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 14 13 diz que a fiscalização, ao aplicar os métodos de valoração aduaneira, não obedeceu ao disposto na legislação porque não seguiu a ordem sucessiva dos métodos; não fundamentou porque foi descartada a aplicação do segundo ao quinto método; tomou por base documento que ela mesma alega ser fraudulento. Assim, conclui que há cerceamento de defesa, já que não é possível saber os critérios que efetivamente orientaram a fiscalização; sustenta que a fiscalização, na apuração das diferenças entre os preços declarados e os preços arbitrados, desconsiderou o disposto no artigo 633, § 5o., I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002 base legal : art. 169, § 7o., do DL 37/66), que permite uma variação, para mais ou para menos, de 10% no preço das mercadorias, e de 5% na quantidade ou peso, devendo eventuais tributos e penalidades ser aplicados apenas ao que exceder referidos limites; analisando cada uma das DIs objeto dos autos de infração, a impugnante, em relação ao produto AB KING (NCM 9506.91.00), fls. 148149 do processo, referente às adições 001 das DIs 06/01271992, 06/1275688, 06/01275696, 06/01351767, sustenta que o Fisco desconsiderou as faturas comerciais que embasaram essas DIs, para arbitrar o preço com base em "Planilha de controle interno" e "Relatório de fechamento" (fls. 88 e 89 do Relatório de Auditoria Fiscal), documentos estes obtidos no âmbito da Operação Dilúvio, requerendo perícia para apurar sua veracidade e a verossimilhança dos dados nele constantes; aduz também que é totalmente arbitrária a conduta da fiscalização ao considerar como inidônea as faturas emitidas pela empresa International Edge, empresa que deteria o registro para comercialização do produto AB KING, não tendo nenhuma ligação com a impugnante; no que se refere ao produto MANHATTAN DUSTER (NCM 9603.90.00), referente à DI's 06/06484153, adição 001, tratada às fls. 9899 do Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 157158 do processo), a impugnante alega que, como o Fisco afirma, à fl. 98 do Relatório, que o principal objetivo da interposição fraudulenta de empresas era a quebra da cadeia do IPI, e o produto acima estava, na época do registro da DI, sujeito à alíquota zero, não pode a impugnante ter se beneficiado de qualquer esquema fraudulento, já que não teria interesse na negociação, devendo ser declaradas nulas as exigências referentes à DI acima; sustenta a impugnante que as supostas diferenças que levariam à caracterização do alegado subfaturamento são ínfimas, e somente poderiam ser constatadas se houvesse a importação por preço vil, em detrimento do valor de mercado efetivamente praticado, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuinte, que transcreve; a impugnante expressa que os autos de infração são improcedentes ao considerarem a exigência das contribuições para o Pisimportação e a Cofins importação em sua integralidade, já que esses tributos geram créditos a serem utilizados no momento do pagamento das contribuições para o Pis e da Cofinsfaturamento, para as empresas submetidas à sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003; assim, aduz que, se não houve a utilização de créditos (valores relativos ao Pis e Cofins importação), que deveriam ser descontados nesse sistema, não há que falar na exigência dessas contribuições no presente processo, sob pena de exigência em duplicidade das mesmas; alega que, por ter seguido os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, em conformidade com o artigo 100, inciso I, do CTN, e ADI 07/2002, não deve responder por juros de mora, e atualização do valor monetário da base de cálculo dos tributos; Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 15 14 sustenta não haver base legal para a imposição da multa do artigo 633, inciso I, do RA/2002, assim como a majoração de 75% para 150% da multa de ofício; afirma também não ser cabível, contra a impugnante, a multa prevista no artigo 631 do RA/2002, devida aos que entregarem a consumo mercadoria estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada de forma irregular ou fraudulentamente, já que resta provado que não houve qualquer fraude de sua parte; e, mesmo que fosse aceitável a valoração aduaneira, as diferenças estão dentro do limite de 10% aceito pela legislação, ou muito próximas a este valor, inferindose que não houve introdução irregular ou fraudulenta; sustenta que, mesmo que se aceite a existência de subfaturamento, não há base legal para afirmar que as importações foram por conta e ordem da impugnante, devendose responsabilizar ou a trading ou a distribuidora; argumenta que, mesmo que se admita que a impugnante possa ser responsabilizada por destinar a consumo mercadorias importadas fraudulentamente, a verdade é que muitas das mercadorias objeto dos autos de infração foram comercializadas em virtude de expressa determinação judicial, apresentadas às fls. 1.421 a 1.428 do processo, não podendo ser punida por ter cumprido essa decisão judicial que analisa questões penais afetas aos fatos em discussão; citando o § único do art. 631 do RA/2002, que determina que a multa prevista no caput não será exigida quando tenha sido aplicada a pena de perdimento, afirma a prejudicialidade, já citada, das exigências do presente processo, com o relativo à aplicação da pena de perdimento; aduz que, nos casos em que as mercadorias foram levadas a consumo, isso foi feito com autorização judicial, com o recolhimento dos tributos devidos, tendo a empresa realizado o depósito judicial sobre as citadas mercadorias, e, nesses casos, conforme o § único do art. 631 do RA/2002, não se pode aplicar a multa do caput; até porque, caso reconhecida a suposta infração, os depósitos judiciais serão convertidos ao Fisco. afirma que, conforme jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, que transcreve, a exigência dos tributos devidos na importação torna legítima a entrada dos produtos no território nacional, devendo ser afastada a multa do caput do art. 631 do RA/2002; sustenta que, apesar de constar nas fls. 100101 do Relatório de Auditoria que não foram encontrados elementos de prova de valor que indiquem subfaturamento nas DIs 06/01275700, 06/01555230 e 06/01609322, os valores das mesmas são indevidamente objeto da base de cálculo da multa do art. 631 do RA/2002, tendo sido incluídas as adições 001, 002 e 003, muitas das quais não foram objeto de análise para fins de apuração de subfaturamento; sustenta que a multa de 150% sobre o valor do tributo não deve prevalecer concomitantemente com a multa de "controle administrativo", no percentual de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, porque isso significaria a dupla penalização do contribuinte sobre a mesma infração; a impugnante alega que a taxa Selic é totalmente inaplicável ao caso em questão, sendo inadmissível a aplicação de tal índice para a atualização de créditos tributários; Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 16 15 por fim, pede que sejam julgados improcedentes os autos de infração e, caso assim não seja, que haja o reconhecimento da relação de prejudicialidade entre o presente processo e o de n° 10611000.767/200860, que trata de perdimento, com o sobrestamento da presente demanda, até que venha a ser proferida decisão final nos autos daquele processo administrativo; e, ainda, protesta por todas as provas admitidas em direito, sobretudo a realização de diligências e perícias documentais. Da impugnação da contribuinte RIO LAGOS Cientificada, pelos Correios, dos lançamentos e do Relatório de Auditoria Fiscal, em 21/08/2008, conforme Aviso de Recebimento anexado à fl. 1.248, vol. V do processo, a empresa RIO LAGOS protocolou sua impugnação, em 18/09/2008, na Agência da Receita Federal do Brasil de Cabo FrioRJ, conforme carimbo na primeira folha da referida defesa, à fl. 1.462, vol. VI do processo, enviada pela citada ARF para a DRJFortaleza através do Memorando 1025/2008 (fl. 1.460). Nessa impugnação, às fls. 1.4621.469, o contribuinte apresenta os argumentos que, segundo ele entende, demonstrariam a insubsistência dos lançamentos e infrações que lhe foram imputados, nestes termos: citando a infração "ocultação do real adquirente", tratada na página 112113 do Relatório de Auditoria (fls. 172173 do processo), afirma que, ainda que fossem completamente verdadeiras as acusações contra a impugnante, o que esta não admite, a fiscalização cometeu um erro ao cobrar os tributos devidos sobre a diferença correspondente à declaração inexata do valor, já que, segundo o artigo 23 e parágrafos 1o. e 3o. do DecretoLei n° 1.455/76, a penalidade cabível para a ocultação seria a pena de perdimento, convertendose em multa de 100% no caso de não localização das mercadorias; deixando de assim proceder, a fiscalização teria penalizado mais o contribuinte, já que, sendo o caso de perdimento, haveria a nãoincidência dos tributos; sustenta que, ainda que a fiscalização tivesse agido corretamente e efetuado a conversão da pena de perdimento em multa equivalente a 100% do valor da mercadoria, a multa cabível para a impugnante seria de 10%, conforme o disposto no art. 33 da Lei n° 11.488/2007, dispositivo que, por força do art. 106, II, "c", do CTN, deve retroagir; aduz que sempre atuou por conta e ordem de terceiros, sendo responsabilidade da empresa adquirente, no caso a Delta Comex, a negociação de valores, forma e prazo de entrega e pagamento, bem como todos os fatos relativos à negociação; afirma, também, que nenhuma das observações contidas no Relatório de Auditoria desqualifica a sua condição de importadora por conta e ordem, nem confirma qualquer tipo de atuação irregular, não tendo havido nenhuma denúncia contra os sócios da empresa, nem estando em vigor qualquer restrição ao patrimônio ou atividade destes ou da RIO LAGOS; diz também que nunca teve nenhuma relação com a empresa POLIMPORT e desconhece que a adquirente Delta Comex o tivesse, inexistindo comprovação nos autos da affectio entre a impugnante e a POLIMPORT; alega que, após serem fiscalizadas, as cargas referentes às operações entre a RIO LAGOS e a Delta Comex foram liberadas pela Receita Federal e pelo Juízo responsável, sem haverem sido encontrados indícios de irregularidade de preço em nenhuma delas; assim, não pode aceitar a imputação não comprovada de inidoneidade documental ou erro no preço; referindose à valoração aduaneira, afirma que não houve observância do disposto no art. 633, §5o., II do RA/2002, que não considera infração a diferença de até 10% no preço das mercadorias importadas; Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 17 16 por fim, pede a total improcedência dos autos de infração e a sua intimação sobre a data do julgamento para que possa indicar advogado constituído para proceder à sustentação oral. Através da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma deste órgão julgador (fl. 1.486), decidiuse converter o julgamento em diligência para o órgão de origem, nos seguintes termos: "a) avaliar a possibilidade de inclusão, como responsável solidária pelo crédito tributário, da empresa que constava como adquirente nas DI's objeto dos autos de infração que compõem o presente processo; b) informar se chegou a ser aplicada a pena de perdimento de alguma das mercadorias a que se referem os autos de infração de que trata este processo, informando, em caso positivo, o crédito correspondente, e apresentar a relação das mercadorias objeto da proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860; c) manifestarse sobre a afirmação da POLIMPORT, às fls. 1210/1211, vol. VI do processo, com suporte nos documentos apresentados às fls. 1338 a 1445, vol VI do processo, esclarecendo se essas mercadorias comercializadas por determinação judicial são as mesmas objeto dos autos de infração, informando as DI e respectiva adição; d) reexaminar o critério de arbitramento para determinação do valor do produto incluído na adição 001 da DI 06/06484153 (fl. 157/158), no que pertine à não dedução quanto ao ICMS, conforme aventado na impugnação da empresa POLIMPORT (fl. 1.204, vol. VI); e) averiguar a possibilidade de lavratura de multa por conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro, em razão do consumo/não localização das mercadorias importadas, tendo em vista a noticiada constatação, pela fiscalização, da ocorrência de fatos que seriam enquadráveis como ocultação do real adquirente (fls. 171/172), à luz do que dispõem o artigo 23, inciso V, e seu § 3o., do Decretolei no 1.455/76; f) manifestarse sobre a adoção, à fl. 178, do valor aduaneiro apurado, como base de cálculo da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n ° 4.502/1964; g) caso a documentação e/ou as informações trazidas ocasionem algum reflexo na apuração do crédito tributário, apresentar o respectivo demonstrativo de cálculo e apensar aos autos, demais documentos, demonstrativos de cálculo ou esclarecimentos que entenda necessários à instrução e julgamento do feito. Cabe destacar, nesse ponto, o disposto na Portaria SRFn° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m ", item 1, subitem 1.2, em especial quanto à necessidade de ciência do objeto da presente Resolução e dos seus resultados às impugnantes (para a contribuinte e para a responsável solidária), com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua eventual manifestação, objetivando, dessa maneira, atender o contraditório e o amplo direito de defesa. Igualmente, merece menção o fato de que, caso ocorra, durante a realização da diligência, a constatação de incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal do lançamento, devese observar o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, concernente à lavratura de auto de infração complementar ou termo de responsabilidade solidária, nos termos da legislação de Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 18 17 regência, para consubstanciar eventuais alterações, concedendose ao sujeito passivo prazo para impugnação relacionada à matéria modificada ou inaugurada, com vista a garantirlhe o exercício do contraditório e da ampla defesa" Em decorrência, foi juntado aos autos o Despacho Secat n° 52/2009 (fls. 1.5071.528) relativo ao processo administrativo de perdimento n° 10611.000767/200860, no qual se extingue o referido processo e abrese novo procedimento, agora para aplicação do previsto no § 3°, art. 23, do Decretolei n° 1.455/1976 (conversão do perdimento em multa). Também foi anexada, às fls. 1.5311.535, a Informação Fiscal elaborada pela fiscalização, a qual apresentou as seguintes considerações quanto às providências requeridas: Em relação ao item "a" acima: "A autoridade lançadora avaliou e concluiu pela não inclusão, como responsável solidária pelo crédito tributário, da empresa que constava como adquirente nas Dis objeto dos autos de infração que compõem o presente processo, por entender que o interesse comum na operação de fato é da empresa RIO LAGOS, na qualidade de importador, e da empresa POLIMPORT, na qualidade de real adquirente. A empresa que constava como adquirente na operação declarada foi caracterizada como interposta pessoa da operação". Quanto ao item "b": "Informamos que não chegou a ser aplicada a pena de perdimento das mercadorias a que se referem os autos de infração de que trata este processo. Originalmente, no processo n° 10611.000767/200860 foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias estrangeiras de propriedade da empresa POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, apreendidas em seus estabelecimentos. Contudo, as mercadorias apreendidas foram liberadas, por Decisão Judicial, para comercialização. Conseqüentemente, o Auto de Infração com a proposta de Perdimento de Mercadorias Importadas constante do processo n° 10611.000767/200860 foi extinto mediante Despacho Secat n° 52/2009 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls.1417 a 1440). Deixamos de apresentar a relação das mercadorias objeto do Auto de Infração com proposta de pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860 devido a sua extinção. Informamos ainda que posteriormente foi lavrado Auto de Infração objeto do processo n° 10611.003438/200951 na empresa POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA, com base no disposto no artigo 73 da Lei n° 10.833/2003, pela caracterização de dano ao erário, com base no § 3° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 ". Quanto ao item "c": "Informamos que as mercadorias abaixo relacionadas foram objeto do Auto de Infração com proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860, e também foram objeto do lançamento da multa prevista no artigo 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, em Auto de Infração do presente processo administrativo fiscal: ADC DESCRIÇÃO DI QTDE NF DATA 06/01275700 001 JOGO DE FERRAMENTAS E ACESSÓRIOS DYI BUDDY 4.077,0 0 1S 06/02/2006 06/01555230 001 ASPIRADOR DE PÓ SUPER VAC 110 V 1.641,0 0 24 14/02/2006 06/01555230 001 ASPIRADOR DE PÓ SUPER VAC 220V 563,00 24 14/02/2006 06/01609322 001 ASPIRADOR DE PÓ BLAST VAC 220V 53,00 25 15/02/2006 Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 19 18 06/0623S047 001 COFRE SAFETY BOX 1.305,0 0 251 07/06/2006 06/074S0976 003 JOGO DE PARAFUSOS SUPER LADDER 352,00 260 29/06/2006 Informamos que as mercadorias abaixo relacionadas foram objeto do Auto de Infração com proposta da pena de perdimento referente ao processo 10611.000767/200860, e também foram objeto do lançamento da diferença dos tributos aduaneiros incidentes e da multa da diferença de preço, em Auto de Infração do presente processo administrativo fiscal: DI ADC DESCRIÇÃO QTDE NF DATA 06/0623S047 001 COFRE SAFETY BOX 1.305,0 0 251 07/06/2006 Entretanto, conforme já informado, o Auto de Infração com a proposta de Perdimento de Mercadorias Importadas constante do processo n° 10611.000767/2008 60 foi extinto mediante Despacho Secat n° 52/2009 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte ". Quanto ao item "d": "Em relação a DI 06/06484153, a autoridade lançadora adotou o critério de arbitramento no qual foi considerado o valor constante da nota fiscal de entrada das mercadorias subtraído dos valores dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos, a seguir relacionados: N F ENTRADA POLIMPORT 001570 VALOR TOTAL DO PRODUTO NF ENTRADA 120.164,16 TRIBUTOS ADUANEIROS PAGOS: II 4.516,95 IPI PIS 558,80 COFINS 2.573,90 ICMS TOTAL TRIBUTOS ADUANEIROS 7.649,65 VR. ENTRADA LIOUIDA R$ 112.514,51 VR. ENTRADA LIQUIDA USS 49.537,49 VR. FRETE US$ 1.236,00 VR. ENTRADA LIO.FOB USS 48.301,49 QUANTIDADE 15.096,00 VR. UNITÁRIO APURADO USS 3,20 Informamos que não foram apresentados documentos que comprovasse o recolhimento do ICMS pela empresa emitente da Nota Fiscal n° 001570, JVC INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 02.174.675/000182, I.E.492.325.002.119, que se encontra inabilitada no Fisco Estadual. Quanto ao item "e": "A autoridade lançadora entendeu pela aplicação do artigo 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, visto que ficou caracterizado, no procedimento fiscal em análise, o consumo ou entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, conforme descrito pormenorizadamente ao longo do Relatório de Auditoria Fiscal". Quanto ao item "f": "O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, estabelecia, em seu art. 631, com base no artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.152/1964, que incorreriam na Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 20 19 multa igual ao valor da mercadoria/valor comercial os que derem causa a infração ali descrita. Para tanto, a autoridade lançadora estabeleceu como valor comercial das mercadorias, o próprio valor aduaneiro apurado, ou seja, aquele valor conhecido através do arbitramento exposto ao longo do relatório ". Quanto ao item "g": "A autoridade lançadora entende que as informações trazidas na presente Informação Fiscal não ocasionaram reflexos na apuração do crédito tributário". Cientificada, em 01/11/2010 (Aviso de Recebimento de fl. 1.536), da Informação Fiscal de fls. 1.5311.535, a Polimport se manifestou nos autos, às fls. 1.5421.552. Após apresentar uma síntese da Diligência, essa empresa aduz: Em relação à primeira providência requerida (item "a") e a respectiva resposta da fiscalização: "Ora, a não inclusão da empresa que constava como adquirente nas DIs representa cerceamento de defesa da ora Impugnante. Fossem a DELTA COMEX e a JVC chamadas a se manifestar nos presentes autos, poderiam trazer maiores informações e documentos, provando a completa improcedência da inclusão da Impugnante no pólo passivo e das alegações de ocultação do sujeito passivo e de subfaturamento. A recusa do Fisco em fazer constar dos presentes autos o suposto "verdadeiro adquirente" é mais um demonstrativo do cerceamento de defesa da Impugnante. Em casos como este a jurisprudência é clara em decidir pela nulidade do processo: (...) " Em relação à providência seguinte (item "b"): "(...), os fatos que levaram à aplicação da pena de perdimento (discutidos no processo 10611.000767/200860) continuam sendo investigados no âmbito do processo no. 10611.003438/200951, o qual pretende, se confirmadas as premissas para a aplicação de tal pena, convertêla em "multa equivalente ao valor de custo das mercadorias apreendidas durante a Operação Dilúvio " (fls. 3 do Relatório de Auditoria Fiscal nos autos do processo no. 10611.003438/200951 Doc. 1). A ora Impugnante apresentou defesa nos autos do processo no. 10611.003438/200951 e desde então aguarda o julgamento. Ressaltese, ademais, que a alienação das mercadorias apreendidas foi deferida principalmente em razão das dificuldades para o seu armazenamento, sendo que o valor obtido com a venda vem sendo depositado em Juízo, nos termos do que foi determinado pela Justiça Federal nos autos da Alienação Judicial no. 2007.70.00.0167201 (PR). Neste sentido, o fato de o processo 10611.000767/200860 (perdimento) ter sido extinto não significa que a discussão em torno das mercadorias ali referidas tenha acabado, nem exime a d. autoridade lançadora de fornecer a lista das mercadorias solicitada por esta C. Turma Julgadora. Resta patente, portanto, o cerceamento de defesa por parte da d. autoridade lançadora, que reiteradamente deixa de trazer aos autos informações que lhe são Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 21 20 solicitadas e que seriam demonstrativos da procedência dos argumentos de defesa apresentados pela ora Impugnante. Vale observar que a multa de 100% do valor das mercadorias foi cobrada nos presentes autos com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro (Decreto n ° 4.543, de 26.12.2002), matéria atualmente regulada no artigo 704 do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 05.02.2009): (...) Ocorre que, conforme atestam o parágrafo único desses dispositivos, a multa de 100% é medida excepcional, que não se aplica quando houver penalidade mais específica. No caso, vemos que não só existe penalidade mais específica como que a Impugnante vem se defendendo da aplicação de tal penalidade nos autos do processo 10611.003438/200951 (conversão do perdimento em multa). Assim, a despeito da extinção do processo n° 10611.000767/200860 (perdimento), os fatos ali narrados continuam sendo investigados no âmbito do processo no. 10611.003438/200951, que visa à conversão do perdimento em multa. Neste sentido, para além de configurar afronta à legislação, na medida em que existe penalidade mais específica, a cobrança de multa com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro configura, no presente caso, condenável bis in idem (efetiva aplicação de dupla penalidade para a mesma suposta infração) ". Em relação à providência constante do item "c"): "(...) a d. autoridade afirmou que as mercadorias são as mesmas, confirmando o quanto alegado pela Impugnante em sua defesa. Neste sentido vejase em especial a p. 5 da 'Relação das Mercadorias Apreendidas e Sujeitas a Perdimento " constante dos autos do processo no. 10611.003438/200951, bem como a fl. 124 do Relatório de Auditoria preparado nos autos do processo no 10611.003438/200951 (doc. 1), que descrevem a investigação das seguintes DIs: Processo no. 10611.003438/200951 "Relação das Mercadorias Apreendidas e Sujeitas a Perdimento" — p. 5___ _ DI ADC Descrição Qtde NF Data da NF 06/01275700 001 DYI Buddy 4.077 18 06/02/2006 06/01555230 001 Super Vac 110V 1.641 24 14/02/2006 06/01555230 001 Super Vac 220V 563 24 14/02/2006 06/01609322 001 Blast Vac 220V 53 25 15/02/2005 06/06238047 001 Safety Box 1.305 251 7/06/2006 06/07480976 003 Super Ladder 352 260 29/06/2006 Processo no. 10611.003438/200951 DIs listadas no Anexo II dos autos processo fls. 124 do Relatório de Auditoria DI ADC Descrição Qtde NF Data da NF 06/01271992 001 AB King 20 7/02/2006 06/01275688 001 ABKing 21 7/02/2006 06/01275696 001 AB King 19 7/02/2006 06/01351767 001 AB King 22 8/02/2006 Confirmadas estão, portanto, as razões de defesa da Impugnante". No que se refere à providência do item "d": Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 22 21 "Em suas considerações a d. autoridade lançadora esclarece que adotou como critério de arbitramento "o valor constante da nota fiscal de entrada das mercadorias subtraído dos tributos aduaneiros efetivamente recolhidos", confirmando em sua planilha que, para fins de tal subtração, não foi considerado o valor do ICMS. Informa ainda que isso se deu porque não foram apresentados documentos que comprovassem o recolhimento de ICMS pela JVC e que esta empresa estaria inabilitada perante o Fisco Estadual. (...) Ora, mesmo que se admitisse tal arbitramento o que se aduz apenas para argumentar, já que não foram observados os procedimentos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira a fiscalização fala em subtrair os "tributos aduaneiros efetivamente recolhidos", ao mesmo tempo em que afirma que a JVC não foi a importadora. Se isso é assim, qual o sentido de se especular se a JVC (distribuidora) recolheu ou não o ICMS? Fato é que o ICMS da importação foi recolhido. Do contrário o produto não teria sido desembaraçado. Além disso, esquecese a d. autoridade lançadora que a JVC não foi chamada a apresentar algum documento nos presentes autos. Deste modo, como poderia ser provado o recolhimento do ICMS? Vêse que novamente a Fiscalização incorre em arbitrariedades, cerceando a defesa da Impugnante. Vale notar que o simples fato de a JVC estar inabilitada perante o Fisco estadual não permite a conclusão à qual chegou a autoridade lançadora, de que o ICMS não teria sido recolhido. E ainda que assim não fosse, a emissão da nota fiscal pela JVC para a Impugnante ocorreu em junho de 2006 e a inabilitação da JVC perante o Fisco Estadual ocorreu mais de um ano depois, em setembro de 2007 (doc. 2), de maneira que nada nos presentes autos autoriza a conclusão a que chegou a autoridade lançadora. O disposto acima reforça, assim, a completa improcedência da presente autuação, eis que baseada em argumentos fracos, sem qualquer base fática minimamente sustentável a uma análise mais cuidadosa das alegações apresentadas ". Em relação à providência contida no item "e": "Conforme visto no item 22 acima, a multa do artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro é medida excepcional, que não pode ser aplicada quando há penalidade mais específica. Assim, por terem os fatos supostamente narrados nos presentes autos uma tipificação específica eles não podem dar ensejo à aplicação da multa de 100% com base no antigo artigo 631 do antigo Regulamento do IPI. A d. autoridade lançadora admite portanto o erro de capitulação legal ao afirmar, na informação fiscal, que a multa aplicada não foi a do art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76. Além disso, esquecese a d. autoridade que a entrega a consumo foi realizada em razão de determinação judicial e pretende aplicar penalidade a quem cumpriu um tal mandamento, como se fosse uma opção da Impugnante não fazêlo. Ora, nos termos do Código de Processo Civil é dever das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final, sendo que a violação de tal dever constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 23 22 criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa (artigo 14, V, e parágrafo único da Lei 5.869, de 11.01.1973). Vêse portanto que as mercadorias foram apreendidas e a aplicação da pena de perdimento não foi possível por fato alheio à Impugnante, mas preferiu a d. autoridade, à despeito da existência de penalidade específica, punir a Impugnante por esta ter cumprido uma determinação judicial". No que pertine à providência do item "f": A d. autoridade reitera que impôs a multa com base no artigo 631 do Regulamento Aduaneiro (...) bem como que tais dispositivos estabeleceriam "multa igual ao valor da mercadoria/valor comercial ". Em seguida argumenta que, para fins do lançamento, foi adotado "o próprio valor aduaneiro apurado", como se este fosse o valor comercial das mercadorias. Confessa, assim, o erro de capitulação legal, ao afirmar categoricamente que considera os fatos subsumidos na hipótese do artigo 83,1, da Lei 4.502/64 (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) mas aplicar a multa prevista no art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76. (...) Resta clara, assim, a incompatibilidade entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal adotado e reiterado pela d. autoridade lançadora. Tendo a d. autoridade pretendido aplicar a penalidade que não condiz com a hipótese descrita e afirmada como base legal para a autuação fiscal, resta inequívoco o erro de capitulação legal, passível de gerar a nulidade do presente processo, consoante fartamente reconhecido pela jurisprudência administrativa (...) Vale notar que mesmo que os fatos narrados nos presentes autos tivessem sido capitulados como hipótese do art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76 o presente auto de infração merece ser cancelado, uma vez que nem o artigo 83,I, da Lei 4.502/64 (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) nem o art. 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76 são aplicáveis à trading. De fato, não se pode esquecer que o presente auto de infração foi lavrado contra a tradine e que a Impugnante foi incluída no pólo passivo pela via do termo de sujeição passiva solidária. Ou seja, a ora Impugnante foi considerada devedora solidária de tributos e multas supostamente devidos em fatos praticados pela trading, em razão de suposto "interesse comum" com a situação que ensejou o fato gerador (art. 124,I, CTN). Acontece que a multa aplicável à trading em situações como a supostamente descrita nos presentes autos não é nem a do artigo 83, I, da Lei 4.502/64 (art. 631 do antigo Regulamento Aduaneiro/art. 704 do Regulamento Aduaneiro atualmente vigente), nem a do artigo 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76, mas aquela do artigo 33 da Lein° 11.488, de 15.07.2007: (...) Ora, se a trading não poderia ser penalizada com base no artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro, como considerar a ora Impugnante sujeito passivo solidário de tais débitos? De fato, se o débito não é exigível da trading também não pode ser exigido de seu suposto devedor solidário! Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 24 23 A pena do artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, por ser menos severa, é de ser aplicável a fatos ocorridos em 2006, com base no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional: (...) As Delegacias de Julgamento têm reconhecido que esta é a única penalidade aplicada à importadora: (...) A conclusão a que se chega é de que, qualquer que seja a linha adotada, os fatos narrados nos presentes autos não podem dar ensejo à aplicação da multa de 100% com base no antigo artigo 631 do Regulamento do Aduaneiro. Restam inequívocos, portanto, o cerceamento de defesa da impugnante, pela não inclusão no pólo passivo da empresa que constava como adquirente na operação e pelo reiterado comportamento da d. autoridade lançadora que, sempre que lhe é oportuno, deixa de trazer aos autos informações que lhe são solicitadas e que seriam demonstrativos da procedência dos argumentos de defesa apresentados pela ora Impugnante. Como se não bastasse a nulidade acima apontada, resta confirmado o erro de capitulação legal quanto à multa aplicada, por patente discrepância entre a base legal adotada (artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro) e a base de cálculo utilizada (valor aduaneiro). Não se pode ignorar, ainda, que (i) a multa do artigo 631 do antigo Regulamento Aduaneiro é medida excepcional, não aplicável quando haja penalidade específica, a exemplo da penalidade por dano ao Erário constante do artigo 23, V e §3°, do DecretoLei 1.455/76; bem como que (ii) nenhuma dessas penas pode ser aplicada à trading, já que a esta se aplica exclusivamente a multa específica do artigo 33 da Lei n° 11.488/07, sendo que, se o débito não é exigível do devedor principal, ele também não pode ser cobrado de seu suposto devedor solidário via termo de sujeição passiva solidária. Diante de todo exposto, espera a Impugnante que o Auto de Infração ora combatido seja julgado improcedente e sem efeito, resultando daí o seu cancelamento para os devidos fins de direito ". Tendo os autos retornado a esta DRJ, decidiuse, através da Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.8791.882), novamente converter o julgamento em diligência para que fosse cientificada a empresa RIO LAGOS a respeito da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, assim como da Informação Fiscal de fls. 15311535, anexando ao processo prova do referido ato, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias para eventual manifestação da citada empresa. Tendo em vista o disposto na Portaria SRF n° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m", item 1, subitem 1.2, destacouse a necessidade de dar ciência também do objeto da Resolução n° 2.183 e dos seus resultados às impugnantes (para a contribuinte e para a responsável solidária), procedendo à reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua eventual manifestação, objetivando, dessa maneira, atender o contraditório e o amplo direito de defesa. Em relação à POLIMPORT, observouse que esta deveria ser somente cientificada desta última resolução e do pronunciamento da autoridade lançadora dela decorrente. Cientificada da Resolução n° 1.899, de 07/04/2010, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.4861.505), da Informação Fiscal de fls. 15311535, e da Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 1.8791.882), Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 25 24 conforme Termos de Ciência de fls. 1.883, 1.884 e 1.885, respectivamente, e correspondências com avisos de recebimento (fls. 1.9011.912), que retornaram, tendo sido elaborados os editais de fls. 1.9131.915, a Rio Lagos não se manifestou nos autos. Cientificada da Resolução n° Resolução n° 2.183, de 26/09/2011, da Sétima Turma deste órgão julgador, conforme Termo de Ciência de fls. 1.883 e correspondência com aviso de recebimento (fls. 1.8961.897), a Polimport também não apresentou manifestação quanto a isso. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador. É o relatório. A Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, conheceram das impugnações, para darlhes provimentos parcial, nos seguintes termos: I Preliminarmente a) por unanimidade de votos: a.1) REJEITAR as arguições de nulidade, fundadas em cerceamento do direito de defesa, ilegitimidade passiva, violação ao devido processo legal por aventado descumprimento dos procedimentos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira e na impossibilidade de reexame do despacho de importação, suscitadas pelas impugnantes RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; a.2) REJEITAR o pedido de sobrestamento do processo, assim como de exclusão do crédito relativo às DI´s objeto do extinto processo de perdimento, suscitado pela impugnante POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; a.3) REJEITAR o protesto genérico de produção de provas, suscitado pela impugnante POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., bem como o pedido de sustentação oral feito pela impugnante RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; b) por maioria de votos: b.1) REJEITAR a arguição de nulidade, por vício material, fundada no descumprimento dos procedimentos relativos à valoração aduaneira, previstos no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, suscitado pelo julgador Ricardo Serra Rocha; b.2) REJEITAR a arguição de nulidade, por vício formal, fundada no descumprimento dos procedimentos relativos à valoração aduaneira, previstos no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, suscitado pelo julgador Carlos Alberto Santana Viana; b.3) DECLARAR A NULIDADE, POR VÍCIO FORMAL, do lançamento relativo à multa prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, exonerando os sujeitos passivos do valor de R$ 1.442.296,52, vencido o julgador Ricardo Serra Rocha, que votou no sentido de declarar a nulidade por vício material do citado lançamento; II No mérito, por maioria de votos, a) EXONERAR o sujeito passivo do valor de R$ 11.973,70, relativo à multa por subfaturamento, prevista no parágrafo único do arigo 88 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, referente às DI´s nº s06/06238047/001; 06/06234653/002, 06/0746272 Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 26 25 2/002, 06/01522790/001; 006/01687749/001, 06/01831254/001 e 06/02497501/001, conforme demonstrativo ao final do voto relator; b) CONSIDERAR DEVIDOS os demais valores lançados, a título de tributos, contribuições, multa e juros de mora. No mérito, foi vencido o julgador José Fernando Costa d´Almeida, que votou no sentido de manter integralmente a multa prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como todos os demais valores lançados. A devedora principal, Rio Lagos Importação e Exportação Ltda., foi intimada da decisão de piso através do Edital nº 080/2012 (fls.2.075), contudo, não interpôs Recurso Voluntário. Por sua vez, a devedora solidária, Polimport Comércio e Exportação Ltda., foi intimada em 26/11/2013 (AR de fls.2.085) e, interpôs Recurso Voluntário em 21/12/2013 (fls.2.0882.145), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de impugnação. Adicionalmente, nos termos do §6º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, informa a devedora principal que o Ministério Público reconheceu que as provas colhidas durante o procedimento de investigação da Polícia Federal estão eivadas de nulidade por serem, inquestionavelmente, ilícitas, sendo que, houve a extinção da ação criminal nº 2006.70.00.030389 por ausência de materialidade nos delitos julgados na referida ação. Juntou cópia da sentença, do trânsito em julgado e do parecer do MP. Por fim, considerando que a decisão piso tenha exonerado o crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, previsto na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega que todos os documentos que deram suporte ao lançamento fiscal foram declarados ilegais nos autos processo 2006.70.00.03003839, sendo que o MM. Juiz da lide aplicou a decisão proferida pela Corte Superior nos autos do Habeas Corpus 142.045/PR que decidiu quais provas seriam consideradas válidas. Neste ponto, resta claro que as decisões proferidas nos processos judiciais possuem relevância no resultado do processo aqui em análise, considerando que o lançamento fiscal está totalmente fundamentado em provas, no caso em notas fiscais, declarações de importação e transferência de numerário, sendo que a nulidade destas provas e consequentemente a impossibilidade de utilizálas é absolutamente imprescindível para o caso sob análise. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 27 26 Todavia, não constam nos autos elementos suficientes, tais como: inicial, decisões, sentença, acórdão e transito em julgado dos referidos processos (exceção apenas a sentença e trânsito em julgado do processo 2006.70.00.03003839); para se aferir a veracidade das alegações apresentadas pela Recorrente, bem como para verificar corretamente a aplicabilidade das referidas decisões ao presente processo administrativo. Deste modo, entendo ser imprescindível para o deslinde da questão a juntada de cópias das principais peças dos processos anteriormente citados, para se perquirir sobre o efeito das decisões judiciais que declaram ilícitas as provas colhidas na denominada "Operação Dilúvio". Por outro lado, tratandose de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em mente o que determina o artigo 157, caput e §§ do Código de Processo Penal: Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2º Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Como a Recorrente alega que todas as provas que instruíram o lançamento fiscal foram declaradas inválidas pelo judiciário, entendo prudente que seja conferida oportunidade à autoridade fiscal para que analisem as provas colacionadas aos autos e segreguem os elementos que na sua opinião não possuam nexo de causalidade com as interceptações telefônicas ou, ainda que possuam, poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula pela Corte Superior, ou que poderiam ter sido obtidas nos termos do parágrafo 2, do artigo 157, do Código de Processo Civil. Até porque, a própria fiscalização afirma (vide TVF) que "Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Busca e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranguá PR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal de uma organização controlada por Marco Antônio Mansur, dedicada à prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras." Por tais razões, compartilho o entendimento adotado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo administrativo nº 12466.002006/200970 que, naquela oportunidade, decidiu converte o julgamento em diligência, por entender imprescindível identificarse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ (HC 142.045/PR), separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiro sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que: Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10730.720094/200810 Resolução nº 3302000.548 S3C3T2 Fl. 28 27 a) o contribuinte: traga aos autos cópia das principais peças (inicial, decisões, sentença, acórdão e transito em julgado) dos processos judiciais HC 142.045/PR e 2006.70.00.00224370; b) a fiscalização: b.1) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; b.2) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; b.3) Identificação da provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); b.4) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo a respeito das provas nestes autos e demais verificações efetuadas. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 2485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000813/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA.
Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins de extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins de extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 36624.000813/2007-94
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5691180
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.603
nome_arquivo_s : Decisao_36624000813200794.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 36624000813200794_5691180.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6668688
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947390414848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.267 1 2.266 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.000813/200794 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.603 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhemse os embargos declaratórios, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agregase ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins de extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 13 /2 00 7- 94 Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.268 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.269 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 2.184/2.194, contra o Acórdão nº 2401003.875, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 2.169/2.182. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.014.2357, concernente ao período de 09/2000 a 09/2003, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 2/38). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) em relação às competências lançadas até 11/2001, consideradas extintas devido ao reconhecimento da decadência, o acordão recorrido deixou de pronunciarse sobre a existência de pagamento parcial para cada competência excluída do lançamento; (ii) houve falta de exame e pronunciamento do julgado acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, emitido em virtude do não cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (iii) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004; e (iv) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 207). Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.270 4 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 15/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 9/6/2015 (fls. 2.183 e 2.195). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 2.256/2.257). 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 2.197/2.202 e 2.222/2.236). É o relatório. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.271 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 230103.875, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de análise por competência com relação aos pagamentos antecipados do período decadente; b) ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007; e c) omissão do colegiado no exame do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005; e d) previamente ao julgamento do recurso voluntário, havia pedido de parcelamento do crédito tributário. a) Decadência 11. No que tange ao reconhecimento da decadência, até a competência 11/2001, a Fazenda Nacional alega omissão no acórdão recorrido, dada a inexistência nos autos de qualquer comprovação acerca das competências em que os recolhimentos antecipados ocorreram. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.272 6 11.1 Em outras palavras, tornase insuficiente apenas a indicação de forma genérica pelo acórdão embargado que a fiscalização, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), examinou os comprovantes de recolhimentos, na medida em que o documento de encerramento não lista as competências em que teria havido a antecipação parcial do pagamento. 12. Passo a análise do vício. Por ocasião da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 1624.770, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, conforme fls. 1.974/1.996, foi reconhecida a decadência parcial do lançamento fiscal, excluindose definitivamente os valores referentes às competências 09 a 11/2000, com base no inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 13. Por sua vez, em face do pedido no recurso voluntário, o acórdão recorrido ampliou o período do lançamento alcançado pela decadência, considerando extintas as competências lançadas até 11/2001, agora com aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, tendo em conta a ciência do lançamento em 28/12/2006 (fls. 2.176/2.178). 14. Tanto o Relatório Fiscal da NFLD nº 37.014.2357, às fls. 67/70, quanto o TEAF, acostado às fls. 65/66, revelam que a autoridade lançadora, no curso da mesma ação fiscal, identificou a ocorrência de diversos fatos geradores, cujas contribuições não foram recolhidas à época própria, o que resultou na lavratura de autos de infração e formalização de processos administrativos em separado. 15. Os processos administrativos relacionados aos créditos tributários foram distribuídos em conjunto, por sorteio, ao Conselheiro Igor Araújo Soares, de maneira que as autuações fiscais foram apreciadas simultaneamente pelo colegiado, em grau recursal ordinário, quando das sessões de janeiro e fevereiro de 2015. 16. Quer dizer que o relator originário do processo, Conselheiro Igor Araújo Soares, na época do julgamento possuía uma visão integral da ação fiscal efetuada no contribuinte, inclusive quanto aos documentos instrutórios que acompanhavam os demais processos administrativos. 17. A título exemplificativo, faço alusão ao Processo nº 36624.000802/200712, relativo à NFLD nº 37.065.6270, cujo acórdão proferido em segunda instância, por sinal, é também alvo de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional. 17.1 É possível identificar, naquele processo, a anexação por parte da fiscalização do Relatório de Documentos Apresentados na Ação Fiscal, denominado de RDA, em que aparece a relação individual de Guias da Previdência Social (GPS) pagas pelo contribuinte antes do início do procedimento de auditoria fiscal, inclusive os pagamentos vinculados ao período considerado decadente, no julgamento do recurso voluntário, de 12/2000 a 11/2001. 17.2 Nesse sentido, copio abaixo uma parte do RDA, especificamente os dados disponíveis às fls. 83 do supracitado Processo nº 36624.000802/200712: Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.273 7 18. Como se observa, é patente a existência de recolhimentos de contribuições em GPS, sob o código 2100, utilizado para o pagamento de valores relacionados a folha de pagamento de salários, vinculados às competências consideradas decadentes no acórdão recorrido. 19. A despeito do relator originário fundamentar, inicialmente, suas conclusões a partir do que foi assinalado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, não significa que deixou de avaliar a existência dos recolhimentos antecipados por competência, dado o conjunto probatório carreado pela fiscalização aos vários processos originados da mesma ação fiscal levado a cabo no contribuinte. 20. Nesse passo, é de se reconhecer a existência de omissão do ato decisório, devido à sua incompletude no tocante à explicitação da análise por competência do período considerado decadente, caracterizando vício de forma, de maneira que se agrega novos fundamentos à decisão embargada consoante razões acima expostas, mantidas, todavia, as conclusões do julgado na parte dispositiva. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.274 8 21. Ressalto, por sua vez, que o votocondutor destacou que, para fins de aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o exame do pagamento parcial antecipado das contribuições previdenciárias deve ser considerado com um todo, em que o pagamento da parcela dos segurados implica aceitar a existência de recolhimento antecipado parcial também relativamente à parte da empresa. 21.1 Para melhor compreensão do decidido pelo Acórdão nº 240103.875, reproduzo excerto do voto do conselheiro Igor Araújo Soares (fls. 2.178): (...) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4º do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. (destaques do original) 22. Dessa feita, uma vez constatada omissão no acórdão recorrido, cumpre o acolhimento dos declaratórios para correção do vício apontado pela Fazenda Nacional, na forma alhures explicitada, porém sem atribuirlhes efeito modificativo, mantendose, por conseguinte, a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em virtude da decadência. b) Ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007 23. Prossegue a Fazenda Nacional alegando que o acórdão embargado foi omisso acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, retroativos a 1º de janeiro de 1998. 23.1 Para o órgão da União, o supracitado Ato Cancelatório havia deixado bastante claro que a entidade não cumprira todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, independentemente da discussão se a entidade era possuidora ou não do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 23.2 Segundo ainda a embargante, a motivação do lançamento, conforme bem registrou a decisão de primeira instância, não se encontrava atrelada a determinado e específico Ato Cancelatório. Vale dizer, há necessidade de análise da isenção não só sob o prisma do requisito do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (Ato Cancelatório nº 01/2005), mas Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.275 9 também quanto ao atendimento das exigências enumeradas nos incisos III e V do citado artigo (Ato Cancelatório nº 02/2007). 24. Pois bem. Como se sabe, a oposição dos declaratórios tem cabimento limitado, somente para atacar vícios formais previamente tipificados na legislação. 25. A petição de embargos tem como pretensão um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão de fundo decidida, por unanimidade, pelo colegiado. A toda a evidência, o inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento no concernente à delimitação da acusação fiscal não significa a existência de omissão no acórdão. 26. O acórdão embargado é incisivo e unívoco quanto à matéria suscitada pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar em omissão de pronúncia sobre questões que deveriam ser apreciadas pelo julgado. 26.1 Com efeito, o votocondutor do julgado manifestase de forma ostensiva que o lançamento fiscal decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório nº 01/2005, tendo descumprido o contribuinte exclusivamente o disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 26.2 Nesse sentido, reproduzo o correspondente trecho do Acórdão nº 240103.875, ora combatido (fls. 2.178/2.179): MÉRITO Logo, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.276 10 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) 27. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. c) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 28. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 28.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.277 11 novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.278 12 § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 29. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 30. Outra vez pretende a Fazenda Nacional a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 31. Como já afirmado alhures, na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 31.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, consoante entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 32. Trago excertos do Acórdão nº 240103.875 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 2.180/2.181): (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.279 13 partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. (...) 33. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 34. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 35. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.280 14 d) Parcelamento 36. Por derradeiro, assinala a Fazenda Nacional uma outra omissão identificada no Acórdão nº 240103.875, relacionada à falta de pronunciamento sobre a adesão do contribuinte ao parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009. A inclusão do débito em parcelamento, conforme noticiada às fls. 207, caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 37. Verifico que às fls. 207 não há qualquer informação sobre parcelamento. Todavia, na Intimação nº 577/2010, datada de 12/7/2010, referente ao encaminhamento da decisão de piso para ciência do fiscalizado, a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 1.998): 1. Pela presente dáse ciência do acórdão n° 1624.770 da Delegacia da . Receita Federal de Julgamento (143 Turma DRJ/SPOI) e do respectivo anexo DADR, cujas cópias seguem anexas. 2. É facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do `AR') . 3. Na hipótese de apresentação de recurso ao Conselho, o mesmo deverá ser protocolado no CAC. 4. Transcorrido o prazo acima, sem as devidas providências do contribuinte, o processo ficará sobrestado, aguardando consolidação da Lei de Parcelamento 11.941/2009, para que sejam adotadas as devidas providências. (GRIFEI) 38. Acontece que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 39. O recurso voluntário foi protocolado em 11/8/2010, juntado às fls. 2.002/2.070, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 18/8/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 2.072). 39.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.014.2357. 40. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 36624.000813/200794 Acórdão n.º 2401004.603 S2C4T1 Fl. 2.281 15 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão existente no Acórdão nº 240103.875. Acolhemse os aclaratórios, sem efeitos modificativos, tão somente para explicitar que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias foi realizada por competência, para fins da extinção do lançamento até 11/2001 devido à decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 2281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720414/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologando-se a compensação.
Numero da decisão: 3201-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologando-se a compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10384.720414/2008-19
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5705967
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.522
nome_arquivo_s : Decisao_10384720414200819.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10384720414200819_5705967.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6698235
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947395657728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 36 1 35 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.720414/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.522 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA SUCESSO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas e seu direito creditório, deve ser observado o princípio da verdade material,homologandose a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 04 14 /2 00 8- 19 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 37 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Apresentado o processo a esse Conselho, o colegiado houve por bem baixar o processo em diligência, para a análise de provas não apreciadas, que confirmariam o direito creditório, pois a retificação da DCTF apenas teria ocorrido após a apresentação de manifestação de inconformidade. Por economia processual, transcrevo voto da Resolução nº 3201000.498: O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme se depreende do relatório, o núcleo do presente contencioso cingese aos efeitos do procedimento adotado pela Recorrente no sentido de retificar a sua DCTF para legitimar o crédito informado em DCOMP pretérita. A instância a quo, sem entrar no mérito da existência do crédito, entendeu que a compensação é indevida, pois o crédito utilizado pela Recorrente somente passou a existir formalmente após a retificação da DCTF, o que sucedeuse após a manifestação de inconformidade. Por outro lado, a Recorrente alega que o direito creditório sempre existiu, tendo havido apenas um erro formal na DCTF original, o que pode ser verificado pela fiscalização, pois não foram informados os valores dos tributos retidos por suas fontes pagadoras. É certo que o contencioso administrativo fiscal deve ser guiado pelo princípio da verdade material, segundo o qual os formalismos exacerbados devem ser afastados para que prevaleça a realidade dos fatos. A decisão da instância a quo no sentido de que a vedação à juntada de novos documentos após a manifestação de inconformidade é medida que se impõe, segundo o cânone de processo administrativo fiscal, é verdadeira, porém, não absoluta. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 38 3 apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Ao que tudo indica nos autos, a Recorrente fez prova de que o crédito alegado existe. Logo, em homenagem ao princípio da verdade material, as provas devem ser admitidas no julgamento deste CARF. Nesse particular, transcrevese a ementa de um interessante julgado, a saber: ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.212, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011) Superado, então, o entendimento de que a Recorrente não poderia juntar provas em fase recursal nem retificar a sua DCTF em momento posterior ao despacho decisório, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Teresina/PI para que confirme, ou não, se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 39 4 Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado. Assim, retornada a diligência, o relatório da fiscalização apresentou o seguinte teor: No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e no uso da competência de que trata o art. 37 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), realizamos diligência para atender a Resolução nº 3201000.498, de 17 de setembro de 2014, da 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2. Os créditos utilizados nas DCOMP nº 15751.75929.090908.1.7.04 6515, 14269.35019.090908.1.7.048749 e 09085.69892.090908.1.7.04 6050 referemse a pagamentos a maior de COFINS relativos aos períodos de apuração dezembro/2005, março/2006 e novembro/2006, respectivamente. 3. Tais créditos têm origem nas parcelas de COFINS retidas na fonte e não utilizadas como dedução pela contribuinte nos respectivos períodos de apuração. 4. Considerando que a interessada não demonstrou a existência dos créditos (com a retificação das DCTF) antes da emissão do despacho decisório, o CARF converteu o julgamento em diligência para que a DRF/TSA confirme se as alegações da contribuinte estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal. 5. Os valores referentes a COFINS dos anos de 2005 e 2006 foram objeto de ação fiscal da Safis/DRF/TSA, resultando no Auto de Infração constante no processo 10384.005827/200861. 6. No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora verificou a existência de valores decorrentes de retenções na fonte por órgãos públicos, fls. 164/170, e, deduzindose da COFINS apurada, além dos recolhimentos efetuados, constatouse que, para os períodos de apuração abaixo discriminados, houve pagamentos a maior a título de COFINS. 7. Tendo em vista que os valores utilizados pela contribuinte nas DCOMP do presente processo coincidem com aqueles apurados pela autoridade fiscal, conforme exposto no item anterior, concluímos pela procedência dos direitos creditórios. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 40 5 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora. O recurso voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o direito à compensação foi denegado, não sob o fundamento de inexistência de direito creditório, mas pela retificação extemporânea da DCTF, documento hábil a constituir o crédito tributário. Não obstante, no âmbito da remansosa jurisprudência desse Conselho e como já acenara o relator original do feito, Conselheiro Daniel Mariz Gudiño, a verdade material sobrepõese aos formalismos estritos, pois a questão que se impõe, é a legalidade da tributação. E nesse sentido, a diligência deixou assente de quaisquer dúvidas, que há o direito aos créditos pleiteados. Assim sendo, deve ser julgado procedente o recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10384.720414/200819 Acórdão n.º 3201002.522 S3C2T1 Fl. 41 6 Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001564/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA.
CABIMENTO.
Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança.
Numero da decisão: 1803-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA. CABIMENTO. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10675.001564/2008-46
conteudo_id_s : 5704744
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.908
nome_arquivo_s : Decisao_10675001564200846.pdf
nome_relator_s : Selene Ferreira de Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 10675001564200846_5704744.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 6696358
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947397754880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1502; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 114 1 113 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001564/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180300.908 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente COMERCIAL BARROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. COBRANÇA. CABIMENTO. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, não há necessidade de se proceder ao lançamento do débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado, e, portanto, efetivamente constituído, é passível de cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 115 2 Relatório Tratase de declaração de compensação de saldos negativos de IRPJ e CSLL, relativos ao ano de 2001, nos montantes de R$ 62.343,63 e R$ 45.793,29, respectivamente, com débitos de estimativas de outubro a dezembro de 2002. A autoridade administrativa reconheceu integralmente os saldos negativos de IRPJ e CSLL, mas constatou a insuficiência do direito creditório para compensar as estimativas de novembro de dezembro de 2002 (fls. 56/57 e 58/59). Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou em síntese que: a) O valor cobrado de estimativa deve se limitar ao valor máximo do ajuste DIPJ, sendo que os valores estimados e estornados do saldo de IRPJ e CSLL do ano de 2001, não podem interferir no saldo inicial do ano de 2002, sendo assim não haveria saldo a recolher. b) Como o fato gerador da obrigação tributária cobrada ocorreu em 31/12/2002, e o lançamento se deu em 19/05/2008, entende o contribuinte que decaiu o direito da Fazenda Nacional. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO. Despacho Decisório que analisa PER/DCOMP transmitida pela empresa, não efetua lançamento de oficio. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada , pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) O caso em tela do qual se defende relacionase com cobrança proveniente de DCOMP's com valores não homologados no Despacho Decisório 529/2008. b) A cobrança deveria limitarse apenas à diferença entre o devido no Ajuste Anual x efetivamente recolhido por estimativa. c) Deve ser extinto o presente Processo Administrativo por ofensa ao princípio da ampla defesa na constituição do crédito tributário e pela existência de decadência do crédito. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 116 3 d) Há um considerável erro praticado pela autoridade fiscal, que é desconsiderar saldos negativos de exercícios anteriores a maior e basearse em estimativas (informadas nas DCTF's) para cobrar o IRPJ e a CSLL nos períodos de apuração já mencionados. e) A fiscalização, ao entender que os valores informados nas DCTF's relativas ao lapso temporal de 11/2002 (parcial) e 12/2002 para o IRPJ e de 12/2002 para a CSLL não estavam cobertos pelo saldo negativo da Recorrente do ano calendário de 2001, cobrou as estimativas apuradas por estimativas feitas em DCTF's, e por isso só poderia cobra los até o último átimo temporal do exercício financeiro ao qual se relacionou as estimativas, ou seja, até 31 de dezembro de 2002. Após isto, só poderia ser cobrado o tributo proveniente do ajuste anual, se a diferença fosse positiva. f) É entendimento do Conselho de Contribuintes, 2ª instância julgadora de processos administrativos tributários em âmbito federal, que encerrado o exercício financeiro, a exigência tributária restringese a diferença entre o tributo devido e o recolhido por estimativa, se positiva. g) Sem a real apuração se houve lucro real em 2002, e se este houve, se não foi absorvido pelo prejuízo de competências anteriores, não há como se determinar que os valores apresentados em DCTF's, e que representam estimativas, estão corretos, e que há realmente diferenças a recolher por supostamente não serem cobertas em DCOMP's analisadas no Despacho Decisório 535 aqui já mencionado. h) Não há previsão legal de se exigir Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre estimativas de tributos, simplesmente porque a legislação de regência do IRPJ e da CSLL não trazem tal hipótese como fato imponível de tributos. i) Em nenhum momento até agora a autoridade fiscal buscou a verdade real, já que adotou estimativas informadas em DCTF's como lucro real, e entendeu que tais estimativas, quando confrontadas com as DCOMP's dos mesmos períodos geraram uma diferença de IRPJ e CSLL a pagar, no período de outubro e novembro de 2002 para o IRPJ e de novembro para a CSLL. Deveria a fiscalização buscar o lucro real apurado ao final do exercício para averiguar se houve realmente diferenças geradoras de obrigação tributária de pagar IRPJ e CSSL dos períodos de 11/2002 (parcial) e 12/2002 para o primeiro tributo e 12/2002 para o segundo. j) Requer seja julgado procedente o presente Recurso reformando a decisão recorrida, para cancelar a Intimação 43/2008/ARF/IUA/MG de 19/12/2008, por vícios formais e materiais na constituição do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 170DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 117 4 A contribuinte foi cientificada por edital afixado em 31/12/2008 (fls. 109). O recurso foi protocolado em 13/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o saldo negativo de IRPJ, por ter verificado que o saldo negativo apurado em 31/12/2001, utilizado para compensar as estimativas relativas ao ano de 2002, foi insuficiente para compensar parte da estimativa de novembro, e a estimativa de dezembro de 2002 (fls. 79/80). Em nenhum momento a recorrente pronunciase sobre a questão da insuficiência do direito creditório apurado em 31/12/2001, apurada pela autoridade administrativa. Notese que foi reconhecido integralmente o saldo negativo relativo ao ano de 2001, tal como declarado pela contribuinte. Do mesmo modo, o saldo de CSLL apurado em 31/12/2001 foi integralmente reconhecido, tendo a autoridade administrativa demonstrado sua insuficiência para compensar os débitos objeto das presentes declarações de compensação. A argumentação da recorrente limitase à alegação de que após o encerramento do exercício financeiro, não é mais possível cobrarse as estimativas, mas tão somente a diferença entre o IRPJ e a CSLL devidas ao final do ano calendário, e os valores pagos. Primeiramente cumpre observar que a jurisprudência citada pela recorrente aplicase aos casos de lançamento de ofício, ou seja, aquele efetuado nos termos do art. 149 do CTN. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, determina o seguinte: “Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II – o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” No entanto, no presente caso não houve lançamento de ofício, mas declaração de débitos por meio de DCTF e declaração de compensação prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Hugo de Brito Machado assim descreve a compensação, tal como regulada pelo art. 74: "A compensação de que se trata será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados e, uma vez declarada à Secretaria da Receita Federal, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." Fl. 171DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 118 5 (Curso de Direito Tributário, 27ª ed., São Paulo: Malheiros, 2006, págs. 226/227) A compensação de créditos tributários é um instituto jurídico autônomo, ou seja, um conjunto de normas específicas, que tem como regra geral o art. 170 do CTN, que assim dispõe: "Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". (negritamos) No procedimento de compensação não se materializa nenhuma das hipóteses previstas no art. 149, podendo haver apenas as seguintes situações, homologação expressa ou tácita ou não homologação da compensação declarada, sendo que neste último caso, a autoridade administrativa não só pode, como deve proceder à cobrança dos débitos com base na declaração efetuada. Na hipótese de débito que foi declarado em DCTF e objeto de compensação, devidamente informada ao Fisco, a necessidade de se proceder ao lançamento atinge apenas eventual débito remanescente (EREsp 576.661/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 16.10.2006), e não o débito declarado pelo contribuinte. Desse modo, indeferida a compensação, o débito declarado (e, portanto, efetivamente constituído) não se sujeita mais ao prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, e sim ao prazo prescricional de cinco anos para "a ação de cobrança" (art. 174 do CTN). É certo que no caso de estimativas declaradas em DCTF como pagas, cabe à autoridade administrativa fazer uma auditoria interna e confrontar as informações com aquelas constantes da DIPJ, efetuando lançamento de ofício, se cabível. Na hipótese de estimativas compensadas por meio de declaração de compensação, ocorre extinção dos débitos no momento de sua entrega, nos termos do § 2°, do art. 74 da Lei n° 9.430/1996: “§ 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” O débito de estimativa, além de confessado, também já havia sido extinto, até o momento em que a autoridade administrativa apurou a insuficiência do direito creditório. Por conseguinte, como a compensação não foi homologada em virtude da insuficiência do direito creditório, os débitos declarados devem ser cobrados. Salientese mais uma vez que a recorrente não se manifestou sobre a insuficiência do direito creditório apontada pela autoridade administrativa. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10675.001564/200846 Acórdão n.º 180300.908 S1TE03 Fl. 119 6 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 173DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000069/2009-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, acordam, quanto à ilegalidade da IN 243/2002 para o cálculo do método do PRL-60, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16643.000069/2009-54
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5682747
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.513
nome_arquivo_s : Decisao_16643000069200954.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16643000069200954_5682747.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, acordam, quanto à ilegalidade da IN 243/2002 para o cálculo do método do PRL-60, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6655527
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947400900608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.782 1 2.781 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16643.000069/200954 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.513 – 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria IRPJ ILEGALIDADE DE IN SRF 243/02 Recorrente SIEMENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, acordam, quanto à ilegalidade da IN 243/2002 para o cálculo do método do PRL60, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 69 /2 00 9- 54 Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.783 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Tratase, em brevíssima síntese, de recurso especial interposto pela empresa SIEMENS LTDA. (doravante chamada de “SIEMENS”, “Contribuinte” ou “Recorrente”), contra o acórdão nº 1402001.028 (doravante chamado de “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (doravante “Turma a quo”), o qual julgou improcedente o recurso voluntário apresentado pela Contribuinte, processo nº 16643.000069/200954, em que a outra parte era a PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN”). O presente recurso tem como objeto ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSL, exigidos pela fiscalização especialmente quanto à legalidade da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo do Método do Preço de Revenda menos Lucro com a margem de lucro de 60% (doravante “PRL60”), utilizado para o controle dos preços de transferência, sob a regência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. A decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, acórdão n. 1625.786 (fls. 2047 e seg. do eprocesso), foi ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens e não a totalidade constante da DIPJ apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.784 3 Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. MÉTODO PRL20. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Constatado erro na apuração da matéria tributável relativo ao método PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), exonerase parcialmente a exigência. MÉTODO PRL60. PREÇOPARÂMETRO. ILEGALIDADE/ INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente recurso voluntário (fls. 2073 e seg. do eprocesso) contra a referida decisão. Intimada, a Recorrida apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 2119 e seg. do eprocesso). A Turma a quo, acórdão nº 1402001.028 (fls. 2.156 e seg. do e processo), por maioria dos votos, negou provimento ao recurso voluntário em decisão ora recorrida, que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens e não a totalidade constante da DIPJ apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃ O PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Recurso Voluntário Negado. A Contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 2231 e seg. do e processo), os quais foram considerados tempestivos, mas não foram providos (fls. 2311 e seg. do eprocesso). Cientificado do acórdão dos embargos de declaração, o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 2487 e seg. do eprocesso), o qual foi admitido parcialmente, por despacho. Apenas em relação à alegação de ilegalidade da IN 243/2002 foi admitida, não sendo Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.785 4 conhecido o tema “desconsideração do método PIC para o cálculo do preço parâmetro na importaçaõ do item 1500001052637” (fls. 2668 e seg. do eprocesso). Sobre esse tema conhecido, em apertada síntese, sustenta a recorrente que: A sistemática adotada pela Lei 9430/96 seria diversa da utilizada pela IN 243/2002; A MP 478/09 buscaria incluir a sistemática de cálculo da IN na Lei, logo, seria possível aferir que essa sistemática não encontraria fundamento legal anteriormente. A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 2700 e seg. do e processo) arguindo, preliminarmente, que o recurso especial interposto pelo contribuinte seria intempestivo: “Compulsando os autos, verificase que o contribuinte autuado, ora recorrente, foi intimado do acórdão recorrido em 19/02/2013. Contudo, apenas apresentou embargos de declaração em 11/03/2013, ou seja, de modo intempestivo. Com efeito, constatase que o contribuinte foi intimado do acórdão n. 1402 001.028 em 19/02/2013 (terçafeira), conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 2.229 – numeração digital). (...) Contudo, o contribuinte somente apresentou embargos de declaração em 11/03/2013 (segundafeira). Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, ou seja, em 20/02/2013 (quartafeira), podese concluir que o prazo de cinco dias ultimouse em 24/02/2013 (domingo), postergandose o seu encerramento para o primeiro dia útil seguinte, 25/02/2013 (segundafeira), uma vez que os prazos processuais não se suspendem ou interrompem pela superveniência nesse intervalo de finais de semana, férias ou feriados.” Quanto ao mérito do recurso, a PFN argumenta que a IN 243/02 estaria em estrita conformidade com a intenção da Lei 9.430/96, refutando as alegações de ilegalidade levantadas pelo contribuinte. Concluise, com isso, o relatório. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.786 5 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Em seu recurso especial, o contribuinte apresentou analiticamente argumentos para a demonstração da referida divergência jurisprudencial, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade (fls. 1.885 e seg. do e processo) bem analisou os requisitos de admissibilidade do recurso especial, concluindo corretamente quanto à legitimidade de seu integral conhecimento. Com relação à arguição de intempestividade do recurso especial arguida, não assiste razão à PFN. Ocorre que a conte devem ser consideradas as regras estabelecidas pelo art. 23, § 2º, III, do Decreto n. 70.235/72, antes das alterações introduzidas pela Lei n. 12.844, de 19.07.2013, segundo as quais o prazo para a interposição de recursos apenas se iniciaria, "se, por meio eletrônico, 15 dias contados da data registrada (...) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo". Considerandose a contagem estabelecida pela referida norma, são tempestivos os embargos de declaração e o recurso especial manejados pelo contribuinte. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço parâmetro àqueles praticados por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas, que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. A título ilustrativo, se, em uma operação de importação entre partes vinculadas, o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Deverá ser adicionada a parcela excedente ao preço parâmetro($15,00), considerada indedutível pela legislação de preços de transferência, a fim de acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.787 6 A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.788 7 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.789 8 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora nenhuma reforma tenha sido implementada pelo legislador, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Devem ser destacados os seguintes dispositivos da IN 243/2002, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.790 9 I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.791 10 introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Notese que, em 2012, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações ao art. 18 da Lei n. 9.430/96, tornandoo mais apto a justificar a adoção da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.792 11 d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É importante observar que, por se tratar de alteração das fórmulas até então vigentes para o cálculo do método PRL, com incremento do ônus tributário, o art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a sua vigência para o dia 01.01.2013, em respeito ao princípio da anterioridade. Conhecidos esses marcos normativos, é preciso compreender com clareza quais as diferentes fórmulas estão em discussão para o cálculo do PRL60, aplicável às operações praticadas pelo contribuinte. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o valor líquido da operação de revenda (PR), conhecido pelo contribuinte, e a margem de lucro (L), apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP). É relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.793 12 para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (vinculada) sem a interferências das regras de preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcela dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passa a ser indedutível. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001. A sua adoção como política tributária encontrava justificativa por diferentes perspectivas, por exemplo: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil; Indução positiva. Para o incentivo à produção nacional, o legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento, de forma que, quanto maior fosse a agregação de valor no Brasil, maior seria o preçoparâmetro e, consequentemente, menor seria o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Convencida que esse fator deveria ter sido considerado pelo legislador, editouse, em 2002, a IN 243, com a adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia como a correta aplicação da Lei n. 9.959/2000 (IN 113/2000 e na IN 32/2001). Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.794 13 A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula: PP = PR − L − VA L = 60% PR Como se pode observar, de qualquer forma, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Na fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente encontra fundamento na IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% incidiria apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.795 14 Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 Como se sabe, a função dessas fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, o que, por si, atenta conta o princípio da segurança e da previsibilidade que norteiam o Direito tributário. No caso, operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”. No entanto, aplicandose a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência acadêmica sobre o tema: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD2, in verbis: 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.796 15 “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge uma questão crucial para o julgamento deste recurso especial: a administração fiscal possui competência para “melhorar” a fórmula prescrita pelo legislador? Foi legítimo o pretenso exercício de criatividade evolutiva intentado pela IN 243/2002? A resposta a tais questões, com respeito à estrutura normativa das fontes do Direito tributário adotada pela Constituição, é categoricamente negativa. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística3, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias4 e fontes secundárias5 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. 2 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. 3 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 4 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 5 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.797 16 Notese que não parece haver discordância quanto à função limitada e secundária das Instruções Normativas. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e, portanto, restando despida de validade jurídica. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, uma segunda, atinente à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente e tem o potencial de conduzir a resultados muito díspares. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 4. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que o conteúdo semântico de todos os elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária esteja expressa e exaustivamente previsto em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori ao princípio da legalidade, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos6. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. 6 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.798 17 No entanto, é comezinho que o Poder Legislativo não pode delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). Tratase de vedação que decorre do princípio da legalidade, prescrito pelos arts. 5o e 150 da Constituição Federal, bem como pelo art. 97 do CTN. A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA7, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser solucionada indubitavelmente com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre a matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF8 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de delegar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60). No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. 7 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 8 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.799 18 A Lei n. 9.430/96 veicula normas autoaplicáveis para a composição de cálculo do PRL60, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever de observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 4.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferisse à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase, ao que tudo indica, de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.800 19 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese fazendária não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não se chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. Nesse seguir, a IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresentava como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduziria a um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal e a adoção de novos fatores nas fórmulas traduzidas pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Contudo, a análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. O expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”9. No caso, não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.801 20 se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção normativa. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI10 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Nesse mesmo sentido, GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.11, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Colocodos os argumentos das partes na balança, concluise que a tese da pluralidade semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, tal como colocada, não socorre a PFN para a procedência de suas alegações quanto à validade da IN 243/01. 10 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2006, p. 169. 11 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo: Dialética, 2009, p. 105. Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.802 21 É possível observar que a tese da pluralidade semântica do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 parte de uma construção argumentativa complexa para incluir nessa fluída moldura a fórmula da IN 243/2002. Essa excessiva complexidade, por si só, coloca em dúvida a correção dessa tese. Em sua essência, a tese da pluralidade semântica, sustenta pela PFN, adota a premissa que o intérprete possuiria discricionariedade para escolher um entre os diversos sentidos possíveis de uma lei e, no caso, a IN 243/2002 teria escolhido entre uma das fórmulas matemáticas possíveis prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Além disso, não me parece que a indeterminação semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, presente em quaisquer signos linguísticos, seja tão elevada a ponto de permitir tamanha incerteza, fluidez e poder de escolha da à administração fiscal para a adoção de fórmulas matemáticas tão diferentes e capazes de conduzir a resultados tão díspares. Se outra fórmula poderia ser construída a partir dos enunciados prescritivos da lei, não me parece ser aquela indicada pela IN 243/2002. Tais constatações evidenciam que aceitar a fórmula para o cálculo do PRL60 estabelecida pela IN 243/2002 exige, no mínimo, que nos coloquemos em uma linha extremamente tênue entre a “execução da lei” (função típica da administração fiscal) e a alteração do seu conteúdo (função privativa do Poder Legislativo). Em meu entendimento, contudo, esse limite foi ultrapassado, com ofensa ao princípio da legalidade. Os tópicos seguintes apresentam abundantes evidências de que a instrução normativa extravasou os limites semânticos da lei e, assim, incorreu em ilegalidade. É possível concluir com clareza que a administração fiscal não possuiria discricionariedade para adotar a fórmula indicada pela IN 243/2001. Há, na verdade, vedação legal à sua adoção. 5. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Mas ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 5.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.803 22 Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é diferente daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a IN 243/2002 deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar a intelecção dos agentes fiscais mais simples e dotar a norma legal de maior eficácia. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR 60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano. Como se pôde observar acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Contudo, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também interferiu em qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.804 23 normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe decidir privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.805 24 NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.806 25 método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 5.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante dessas características, a fórmula para o cálculo do PRL60, que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012, submetese a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: anterioridade e irretroatividade. A fim de cumprir o princípio da anterioridade, o art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR, introduzida em seu art. 48, para o dia 01.01.2013: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.807 26 Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente, sem incremento do ônus tributário, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” (grifouse) Se o art. 48 da Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse aclarasse uma interpretação que já seria possível a partir da Lei n. 9.959/2000, referida norma poderia ser considerada meramente interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: justamente por se tratar de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida alteração legal sujeitouse expressamente à anterioridade e não pode, por certo, ser aplicada retroativamente. No caso concreto, o período de apuração relevante é 2004, de forma que aplicação da Lei n. 12.715/2012, atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 5.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.808 27 Embora evidências matemáticas e demais constatações expostas nos subtópicos anteriores sejam suficientes para afastar a validade da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que corroboram para essa conclusão. Há incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, pertinentes à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI12, que toca alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.809 28 É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seria aplicável, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste no preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. A legislação tem eficácia, portanto, para garantir que situações semelhantes sejam tributadas de maneira equivalente. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 adotasse critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados, que possibilitassem à administração fiscal escolher ajustes a partir de preços parâmetros compreendidos em intervalos tão amplos e incertos, com variações, por exemplo, entre “ R$10,00” e “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade, vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização, conduzindo à sua antítese (desigualdade, incerteza, insegurança). Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que, como se viu, é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei houvesse permitido a adoção de fórmulas tão dispares, possivelmente a sua constitucionalidade não resistiria à criteriosa análise do Poder Judiciário. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, elegeu expressamente critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica aos critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. 5.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Ou seja: as normas da IN 243/2002 realmente seriam “melhores”? Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.810 29 Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. 6. Dispositivo do voto. Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.811 30 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso especial e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto. Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 13. 13 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.812 31 No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.813 32 Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 14, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 15 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 16 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) 14 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 15 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 16 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.814 33 Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 17. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. 17 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.815 34 Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total18. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: 18 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.816 35 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: PPart = CII Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.817 36 CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.818 37 No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 19, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. 19 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.819 38 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.820 39 Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.821 40 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.822 41 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 16643.000069/200954 Acórdão n.º 9101002.513 CSRFT1 Fl. 2.823 42 Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 2823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720248/2011-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO.
São isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado.
Considera-se rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da Cofins, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza - desde que não mantenham estrutura empresarial.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. GRATUIDADE. MEDIDA LIMINAR PROFERIDA EM ADIN. EFEITOS ERGA OMNES. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Cabe trazer que Medida Liminar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do art. 27, da Lei 9.868/99, possui efeitos erga omnes, salvo se o colendo STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da decisão, o que no caso da Adin 2.028-2 não ocorreu. O que, por conseguinte, é de se elucidar que a restrição prevista no art. 55, III, da Lei 8.212/91 (e art. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732/98), que condicionavam a concessão do benefício - imunidade à gratuidade na prestação de serviços, não pode ser exigida das entidades beneficentes de assistência social.
Numero da decisão: 9303-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Considera-se rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da Cofins, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza - desde que não mantenham estrutura empresarial. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. GRATUIDADE. MEDIDA LIMINAR PROFERIDA EM ADIN. EFEITOS ERGA OMNES. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Cabe trazer que Medida Liminar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do art. 27, da Lei 9.868/99, possui efeitos erga omnes, salvo se o colendo STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da decisão, o que no caso da Adin 2.028-2 não ocorreu. O que, por conseguinte, é de se elucidar que a restrição prevista no art. 55, III, da Lei 8.212/91 (e art. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732/98), que condicionavam a concessão do benefício - imunidade à gratuidade na prestação de serviços, não pode ser exigida das entidades beneficentes de assistência social.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16004.720248/2011-51
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5681953
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.607
nome_arquivo_s : Decisao_16004720248201151.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16004720248201151_5681953.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6653580
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947415580672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.876 1 1.875 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16004.720248/201151 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.607 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria COFINS ISENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO PADRE ALBINO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Considerase rendas relacionadas à finalidade essencial da Entidade Beneficente de Assistência Social, não sujeitas a cobrança da Cofins, quando estas forem destinadas ao atendimento da finalidade essencial da entidade, independentemente de sua natureza desde que não mantenham estrutura empresarial. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. GRATUIDADE. MEDIDA LIMINAR PROFERIDA EM ADIN. EFEITOS ERGA OMNES. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Cabe trazer que Medida Liminar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do art. 27, da Lei 9.868/99, possui efeitos erga omnes, salvo se o colendo STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da decisão, o que no caso da Adin 2.0282 não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 48 /2 01 1- 51 Fl. 1876DF CARF MF 2 ocorreu. O que, por conseguinte, é de se elucidar que a restrição prevista no art. 55, III, da Lei 8.212/91 (e art. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732/98), que condicionavam a concessão do benefício imunidade à gratuidade na prestação de serviços, não pode ser exigida das entidades beneficentes de assistência social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301001.867, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração/lançamento. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.877 3 O Colegiado, assim, decidiu – sendo publicado acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. GRATUIDADE. MEDIDA LIMINAR PROFERIDA EM ADIN. EFEITOS ERGA OMNES. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Medida Liminar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do art. 27, da Lei nº 9.868/99, possui efeitos erga omnes, salvo se o colendo STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da decisão, o que no caso da Adin nº 2.0282 não ocorreu, assim sendo, a restrição prevista no art. 55, III, da Lei nº 8.212/91 (e art. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732/98), que condicionavam a concessão do benefício (imunidade) à gratuidade na prestação de serviços, não pode ser exigida das entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, da CF/88). Recurso Provido. Auto de Infração Anulado. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, alegando, em síntese, que, com a decisão da DRJ que deu provimento parcial à impugnação do sujeito passivo foi cancelada a multa de ofício e suspensa a exigibilidade da Cofins lançada para os meses de janeiro de 1997 a outubro de 2008 e fevereiro a outubro de 2009, enquanto perdurarem os efeitos da medida concedida pelo STF na Adin 2.028, nos termos estabelecidos no referido artigo 63 da Lei 9.430/96, sendo certo que a sua cobrança só ocorrerá no caso de a decisão final na ADIn ser favorável ao Fisco. O que, por conseguinte, requer a Fazenda Nacional o conhecimento e o provimento do recurso especial, com o consequente reconhecimento de que é válido o lançamento para prevenir a decadência quando a norma de incidência tributária art. 1º, da Fl. 1878DF CARF MF 4 Lei 9.732/98, que alterou o art. 55, III, da Lei 8.212/91, encontrase com eficácia suspensa por força de liminar deferida na ADIn 20282 pelo Supremo Tribunal Federal. O apelo fazendário foi admitido nos termos do Despacho às fls. 1864/1867. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos requisitos de admissibilidade, eis que a divergência apontada foi descrita adequadamente no Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Recordando, a controvérsia trazida em Recurso pela Fazenda Nacional se refere à possibilidade de efetuar lançamento de crédito tributário para prevenir a decadência de tributo objeto de deferimento de medida cautelar em ADI para fins de suspensão da eficácia de dispositivo legal em que se questiona a constitucionalidade – ADI 2.0285. Para comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou os Acórdãos CSRF nº 0400.794 e nº 10616.399, como paradigmas. O que, depreendendose da leitura das ementas e votos dos acórdãos, é de se atestar a divergência dos entendimentos, eis que a decisão recorrida considerou que a liminar em ADIn equivale ao próprio julgamento e inviabiliza o lançamento para prevenir decadência e o acórdão paradigma decidiu que a liminar, por ter caráter precário, poderia ser alterada com julgamento definitivo da ADIn, não obstando o lançamento para prevenir a decadência. Ventiladas tais considerações e passando a discorrer sobre o cerne da lide, importante trazer o voto constante do acórdão recorrido (Grifos meus), o qual reflete também o meu entendimento: “Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso: Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.878 5 Os recursos de ofício e voluntário foram interpostos tempestivamente e de acordo com as disposições legais pertinentes. O recurso de ofício se refere à exoneração da multa de ofício (75%), tendo em vista tratarse de lançamento destinado a prevenir a decadência, em face da Medida Cautelar deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos da ADin nº 2.0282, declarando a inconstitucionalidade da Lei nº 9.732, de 1998, que alterou o art. 55, da Lei nº 8.212/91. A decisão liminar proferida pelo STF, que suspendeu os dispositivos inconstitucionais (art. 1º, da Lei nº 9.732/98, que alterou o art. 55, III, da Lei nº 8.212/91, e os arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98), que condiciona a concessão do benefício à gratuidade na prestação de serviços, ocorreu nos seguintes termos: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhes §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para Fl. 1880DF CARF MF 6 estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a “lei” sem qualificala como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna, essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a serem observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em consequência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao não conhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a serem observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral, não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.879 7 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao não conhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu não conhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorar seia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. De acordo com o andamento da mencionada ADin, a mesma se encontra conclusa ao Relator, Min. Joaquim Barbosa, em 23/08/2010. Como a Medida Liminar proferida em ADin possui efeitos erga omnes, nos termos do art. 27, da Lei nº 9.868/99, salvo se o colendo STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da decisão, o que no caso não ocorreu, Fl. 1882DF CARF MF 8 conforme depreendese da decisão acima transcrita, reputandose correta a decisão que afastou a multa de ofício. Em relação aos efeitos da medida liminar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, confiramse os seguintes julgados da Suprema Corte: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Julgamento. Sentença de mérito. Oponibilidade erga omnes e força vinculante. Efeito ex tunc. Ofensa à sua autoridade. Caracterização. Acórdão em sentido contrário, em ação rescisória. Prolação durante a vigência e nos termos de liminar expedida na ação direta de inconstitucionalidade. Irrelevância. Eficácia retroativa da decisão de mérito da ADI. Aplicação do princípio da máxima efetividade das normas constitucionais. Liminar concedida em reclamação, para suspender os efeitos do acórdão impugnado. Agravo improvido. Voto vencido. Reputase ofensivo à autoridade de sentença de mérito proferida em ação direta de inconstitucionalidade, com efeito ex tunc, o acórdão que, julgando improcedente ação rescisória, adotou entendimento contrário, ainda que na vigência e nos termos de liminar concedida na mesma ação direta de inconstitucionalidade. (Rcl 2600 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 14/09/2006, DJe072 DIVULG 02082007 PUBLIC 03082007 DJ 03082007 PP00031 EMENT VOL0228302 PP00349 RTJ VOL0020601 PP00123) EMENTA: Reclamação. 2. Garantia da autoridade de decisão cautelar na ADI 1.898, que suspendeu ato normativo do Ministro Presidente do Conselho da Justiça Federal. 3. Ato normativo que, sem autorização legislativa, determinou pagamento aos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aos Juízes dos Tribunais Regionais Federais e aos Juizes Federais de 1ª Instância, da diferença mensal resultante de Tabela de Vencimentos considerado o teto de R$ 10.800,00. Vício de iniciativa e usurpação de competência constitucional do Congresso Nacional. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.880 9 4. Os efeitos da decisão concessiva de cautelar, no processo de controle abstrato de normas, operamse nos planos de eficácia e vigência da norma. A concessão de liminar acarreta necessidade de suspensão dos julgamentos que envolvam aplicação da lei cuja vigência restou suspensa. 5. Natureza objetiva dos processos de controle abstrato de normas. Eficácia erga omnes e efeito vinculante das decisões proferidas em processo de controle abstrato. 6. Aplicação de norma suspensa por órgão ordinário de jurisdição implica afronta à decisão desta Corte. 7. Reclamação julgada procedente (Rcl 935, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 28/04/2003, DJ 17102003 PP00014 EMENT VOL0212801 PP00020) Logo, estando os dispositivos legais que condicionavam o benefício da imunidade à integralidade da gratuidade dos serviços prestados pela Recorrente, suspensos por determinação em medida liminar proferida da ADin 2.0282, enseja o cancelamento do Auto de Infração. Em relação ao recurso voluntário será necessário discorrer um pouco mais sobre a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, da qual goza a Recorrente, comparandoa com a isenção a que alude o art. 14, X, da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentada pela IN SRF nº 247/2002. Ficou claro nos autos que a Recorrente faz jus à imunidade constitucional, mesmo não disponibilizando a gratuidade de seus serviços, de forma integral, mas que não compromete o benefício por força da medica cautelar concedida pelo STF, nos autos da Adin nº 2.0282. Esse entendimento pode ser confirmado pela própria decisão recorrida, que manteve o lançamento com exigibilidade suspensa, exatamente nas competências atingidas pela liminar, excluindo do AI as competências não abrangidas pela decisão do STF. Em relação à decisão do STF, vale ressaltar que a medida cautelar proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, por Fl. 1884DF CARF MF 10 força do art. 11, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, nos seguintes termos: Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observandose, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo. § 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa. § 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário. (grifado). Desta forma, a liminar proferida em ADin equivale ao julgamento da própria ação, não havendo que se falar em possibilidade de lançamento para prevenir a decadência, pois, tratase de decisão do próprio Estado, que não é dirigido somente pelo Poder Executivo, mas também pelo legislativo e Judiciário. Em face do exposto, voto no sentido de acolher as argumentações constantes do recurso voluntário, anulando o processo ab initio. [...]” Cabe enfatizar que, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei 9.868/99 transcrito no voto do acórdão recorrido, a concessão de liminar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, exceto se houver manifestação ao contrário. O que não ocorreu. Ademais, proveitoso trazer que tal lei ainda confere a qualidade de eficácia “erga omnes” à medida cautelar na ADI, o que significa dizer que todos estarão sujeitos à lei, igualmente. Sendo assim, é de se entender que a suspensão cautelar da norma afeta sua vigência, o que impede que os tribunais, a Administração e Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.881 11 outros órgãos estatais apliquem a disposição que restou suspensa – o que sempre enfatizou o ilustre Ministro Gilmar Mendes. No que tange à eficácia da medida concedida, temse que a sua concessão força a aplicação da legislação anterior acaso existente, ocasionando um efeito repristinatório na lei anterior que foi revogada pela lei que está com a eficácia suspensa. Frisese tal entendimento o art. 144 do CTN, in verbis: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. ” Sendo assim, as relações jurídicas oriundas no período compreendido entre a concessão de medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade e sua posterior e eventual revogação são regidas pela lei tributária “anterior”, que naquele interregno temporal estará em plena vigência e eficácia. Passadas tais considerações, importante recordar que: · O Auto de Infração foi lavrado contra o sujeito passivo para se imputar a cobrança da Cofins Fl. 1886DF CARF MF 12 incidente, segundo a autoridade fazendária, sobre as receitas de suas atividades não próprias auferidas no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009; · O sujeito passivo era possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – tendo pedido renovação em dezembro de 2009; · A Medida Cautelar deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos da ADin nº 2.0282, declarando a inconstitucionalidade da Lei 9.732, de 1998, que alterou o art. 55, da Lei 8.212/91, suspendeu os dispositivos inconstitucionais (art. 1º, da Lei nº 9.732/98, que alterou o art. 55, III, da Lei 8.212/91, e os arts. 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/98). Considerando que a medida cautelar possui efeito “erga omnis”, alcançando o sujeito passivo, deve, assim, desconsiderar a observância do disposto no art. 55, inciso III, da Lei 8.212/91 e os arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98 no período em que estiverem suspensos pela concessão da medida cautelar e de forma definitiva. Dessa forma, o entendimento do acórdão recorrido encontrase irretocável. Tanto é assim que, por conta da ADIN 2.0285, o art. 55 da Lei 8.212/91 foi integralmente revogado pela Lei 12.101/09: “[...] Art. 44. Revogamse: I o art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; [...]” Restando claro que o dispositivo em questão nunca produziu efeitos, eis ter sido invocado em confronto com a competência conferida pela Carta Magna. Ou seja, considerando a inconstitucionalidade do dispositivo, coube o legislador, retirálo do ordenamento jurídico. Nunca produziu, portanto, efeitos no mundo jurídico – nem se cogitando em ressuscitálo. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.882 13 Dessa forma, não resta dúvida de que a liminar proferida em ADin equivale ao julgamento da própria ação, devendose afastar qualquer possibilidade de lançamento para se prevenir a decadência. Frisese que em 2014, em julgamento de um conjunto de processos que tratam de regras de imunidade das entidades beneficentes de assistência social (RE 566622, ADIs 2028, 2036, 2228 e 2621 – que, por sua vez, foi suspenso por pedido de vista, a própria AdvocaciaGeral da União AGU levantou na sessão uma preliminar no sentido do não conhecimento do recurso por perda de objeto, já que o artigo 55 da Lei 8.212 foi revogado pela Lei 12.101/2009. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. Independentemente de assim entender, considerando as caraterísticas da entidade e dos autos do processo, cabe trazer ainda que, ao meu sentir, entendo que a referida entidade já observa os requisitos da lei para que seja destinatária da imunidade tributária constitucional. Ou seja, que já observa as exigências para o gozo da imunidade tributária conferida pela Constituição Federal em seu art. 150, inciso VI, alínea "c" e nos requisitos enumerados no art. 14 do Código Tributário Nacional – dispositivos transcritos abaixo (Grifos Meus): Constituição Federal “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...)” Código Tributário Nacional Fl. 1888DF CARF MF 14 “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” A MP 2.15835/01, prevê a mencionada isenção para a Cofins em seu art. 13, inciso III c/c art. 14, inciso X (Grifos meus): "Art. 13. A contribuição para o PIS/Pasep será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [..] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; [..]” “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art 13. [...]” É de se considerar que, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, ficam isentas da Cofins as receitas “relativas” às atividades próprias das entidades de educação e assistência social. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.883 15 Cabe discorrer sobre o significado e alcance do termo “relativas” contemplado no referido dispositivo, pois, não obstante eu entender de forma extensiva para fins de aplicação da isenção da Cofins às receitas auferidas pelas entidades, a Fazenda Nacional entende que se deve observar – para fins de isenção da referida contribuição, o disposto no art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02, in verbis (Grifos Meus): “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: [...] II São isentas da COFINS em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. [...] §2º. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” Notase que, de acordo com a norma infralegal, somente se caracterizam como receitas de atividades próprias para fins de fruição da isenção da Cofins as receitas auferidas pela entidade em caráter gratuito, isto é, receitas cujo recebimento não se dá por contraprestação diretamente oferecida pela associação. Vê se, assim, que se trata de interpretação bastante restritiva. Não obstante à interpretação restritiva dada pela autoridade fazendária desse termo “relativas” constante do mencionado dispositivo, entendo que o referido termo deve ser interpretado de forma harmônica com a finalidade da entidade, com o intuito de não obstaculizar ou interferir na finalidade dessa entidade junto à sociedade. Fl. 1890DF CARF MF 16 Eis que tais entidades de educação e assistência social possuem um propósito social importante, capaz de empreender e motivar a sociedade para um bem comum, suportando o Estado no cumprimento de sua responsabilidade social. O que se torna importante não restringir a interpretação do termo “relativas” que, por sua vez, poderá direcionar a um entendimento mais condizente à sociedade – qual seja, de que haverá isenção da Cofins sobre todas as receitas auferidas pelas entidades, desde que os recursos registrados como receitas venham a ser aplicadas em suas atividades próprias para as quais foram constituídas. Sendo assim, é de se notar que há duas vertentes interpretativas: · A interpretação excessivamente restritiva trazida pelo art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02; e · A interpretação extensiva que traz que toda e qualquer receita da entidade, desde que os recursos tenham sidos aplicados na consecução de seus objetivos estatutários, são isentas da Cofins. A meu sentir, considerando o fim social da entidade ora em debate, direcionome à interpretação mais extensiva, pois independentemente de a entidade exercer as atividades já descritas, não vejo aí nenhuma óbice de se aplicar a isenção da Cofins sobre as receitas auferidas por ela, independentemente de serem provenientes de doações ou de contraprestações de serviços, desde que os recursos provenientes dessas atividades não sejam aplicadas em finalidade destoante da que foi instituída para essa entidade e desde que ainda a entidade observe os requisitos descritos no art. 14 do CTN – quais sejam: · Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; · Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; · Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Sendo assim, importante constar que o sujeito passivo não é sociedade empresária, pois não explora, tampouco presta serviço de caráter Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.884 17 empresarial, isto é, com objetivo de auferir lucros para serem distribuídos a seus associados ou administradores – não interferindo de per si na concorrência de mercado. O que entendo que seria nesse sentido que deveríamos ainda interpretar o art. 14, inciso I, do CTN. Eis que tal enunciado deixa claro que tais entidades não devem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a seus associados – devendo aplicar inteiramente no cumprimento de suas atividades sociais – diferentemente de uma sociedade empresária que, por sua vez, tem intuito lucrativo e concorrencial de mercado. A atual legislação concorrencial dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações de ordem econômica, sendo orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa aos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico, com o objetivo de preservar os mecanismos do mercado. De acordo com o Dicionário Michaelis, concorrência é a “pretensão de mais de uma pessoa à mesma coisa”, é a “competição”, é a “rivalidade entre os produtores ou entre negociantes, fabricantes ou empresários”. Portanto, a expressão contém a ideia de disputa entre agentes econômicos num espaço ou lugar – esse seria o mercado. Ensina Isabel Vaz (Apud: PEREIRA, Marco Antônio Marcondes. Concorrência desleal por meio da publicidade. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2001.p. 5): “A concorrência é um fenômeno complexo e um dos seus pressupostos essenciais é a liberdade, para que os agentes econômicos façam o melhor uso de sua capacidade intelectual e organizem da melhor maneira possível os fatores de produção de bens ou de prestação de serviços, de modo a obter produtos de boa qualidade e a oferecêlos no mercado a preços atraentes”. Fl. 1892DF CARF MF 18 Sendo assim, para que haja concorrência é preciso que empreendedores disputem uma mesma clientela de um mercado. Por isso, há trâmites regulamentares que devem ser observados quando há pretensão de alterações societárias entre empresas que atuam na mesma atipicidade e já possuem clientelas preferenciais e segmentadas no mercado. Proveitoso, assim, trazer que há várias regras a serem observadas na constituição de sociedades, para fins de se reprimir a concorrência desleal, por exemplo: · Proteção ao fundo de comércio; · Aviamento; · Proteção da atividade empresarial; · Tutela da clientela; · Defesa do patrimônio alheio; · Tutela do direito de da personalidade, respeito à moral profissional, usos e costumes do comércio. O legislador, por conseguinte, delimitou que o fundamento da repressão à concorrência desleal é o respeito ao uso honesto na atividade empresária, ou seja, a observância das regras aceitas no mercado como próprias da concorrência, sujeitas ao conceito aberto de correção profissional, isto é, de boafé que deve nortear os competidores entre si, e frente aos consumidores. Concorrência desleal, portanto, é aquele em que são usados meios ou métodos desleais, que mesmo não sendo delituosos, possibilitam aos prejudicados por seu emprego a reparação civil. Ressurgindome às instituições de assistência social e entidades de educação, constatase que tais entidades não podem desviar suas rendas para distribuir aos seus associados e ser um participante do mercado – com o intuito de concorrer com outras sociedades, pois não interfere na concorrência do mercado ao prestar serviços e aplicar as rendas dessa contraprestação em sua atividade própria. É de se considerar ainda que a instituição de assistência social e entidade de educação não está proibida de obter rendimentos que, por sua vez, podem Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.885 19 ser aplicados, e são, normalmente, para a realização dos seus fins sociais o que elas não podem é distribuir os seus lucros e rendimentos aos associados e ser concorrente com sociedades do mercado que efetivamente prestam serviços equivalente com o intuito de se auferir lucro e distribuílos a seus sócios. A entidade não deve ter como intuito a busca de lucro, mas o cumprimento de sua finalidade a qual foi instituída; para tanto, devese gerir de forma responsável, buscando resultados positivos superávit. Assegurando a aplicação desse superávit em suas finalidades, dado sua ausência de capacidade contributiva, em função do múnus público assumido. Frisese que a realização de atividade remunerada voltada para a manutenção das finalidades estatutárias da entidade beneficente de assistência social não se confunde com a hipótese de incidência definida para o fato imponível da Cofins. Para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo o voto vista do Ministro Dr. Moreira Alves emitido no âmbito do julgamento do RE 636.941/RS: “Do exame dos autos verifico que, entre os objetivos institucionais do recorrente, se encontram o da execução de medidas que contribuam para o aperfeiçoamento moral e cívico da coletividade através de uma ação educativa, bem como o de realizações educativas e culturais que visem à valorização do homem. Nesses objetivos, enquadrase, a meu ver, a atividade em causa, que não se limita aos comerciários e às suas famílias. Por outro, lado, observo que essa atividade não tem intuito lucrativo, uma vez que se destina à manutenção da entidade, e não à sua distribuição para os diretores dela. Ademais, no regulamento dessa entidade figura, entre as rendas que constituem seus recursos, as oriundas de prestação de serviços. Tenho, assim, que estão preenchidos os requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para que a imunidade de que goza o recorrente abarque a atividade em causa. ” Nesse sentido, também, importante lembrar o Acórdão do STF referente ao julgamento do RE 237718/SP, assim ementado: Fl. 1894DF CARF MF 20 “Imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade de modo a preexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais. ” O Ministrorelator, Dr. Sepúlveda Pertence, em seu voto, assim delimita o conflito: “Tudo está em saber se a circunstância de o terreno estar locado a terceiro, que o explora como estacionamento de automóveis, elide a imunidade tributária do patrimônio da entidade de benemerência social (no caso, Província dos Capuchinhos de São Paulo). “ Depreendeu o nobre Ministro que renda relacionada às finalidades essenciais da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, qualquer que fosse a sua origem, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. Continuando, é de citar também o art. 12, §3º, da própria Lei nº 9.532/97 (Grifos Meus): “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Refletese a interpretação teleológica das normas, de modo a maximizarlhes o potencial de efetividade, como garantia ou estimulo à concretização dos valores sociais que inspiram limitações ao poder de tributar. O que me resta entender que o termo “relativas” do enunciado em questão atémse à destinação das rendas da entidade, e não à natureza destas Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.886 21 independentemente da natureza da renda, sendo esta destinada ao atendimento da finalidade essencial da entidade. Nessa senda, cabe trazer ainda que o STJ, recentemente, na apreciação do REsp 1.353.111 – RS, em sede de repetitivo, apreciou e definiu o conceito de receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos para fins de gozo da isenção prevista no art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01 – sendo publicada a a seguinte ementa (Grifos Meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam Fl. 1896DF CARF MF 22 aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. [...] 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." As Sras. Ministras Assusete Magalhães (votovista) e Regina Helena Costa e os Srs. Ministros Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Herman Benjamin, Napoleão Nunes Maia Filho e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Brasília (DF), 23 de setembro de 2015. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES , Relator” Portanto, nos termos da referida decisão, temse que as receitas das atividades próprias são todas as receitas que têm como titular (recebedor) a entidade e que se destinem à manutenção de suas atividades. Assim, desinteressa discutir a denominação ou a classificação contábil das receitas, mas sim considerar que todos os recursos recebidos propiciariam ao custeio das suas atividades essenciais. Ante todo o exposto, conheço os motivos do sujeito passivo, uma vez entender que tais atividades encontram respaldo em suas finalidades essenciais – ora, não vejo necessidade que o sujeito passivo exaurisse, de forma clausulada, todas as formas pelas quais devesse o ente desenvolver suas atividades de forma a atender Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 16004.720248/201151 Acórdão n.º 9303004.607 CSRFT3 Fl. 1.887 23 seus fins gerais, desde que não atuem diretamente no mercado com conotação específica no direito econômico, desta forma, finalisticamente, buscando o lucro. Pode até resultar em lucro determinada operação, mas este não é seu fim, e, caso haja lucro, este não pode ser distribuído. Em vista de todo o exposto, reforço o meu voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002241/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES AQUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a decadência da competência 12/2000. A conselheira Ana Paula Fernandes votou por estender o provimento à competência 13/2000.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES AQUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.002241/2007-21
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5679676
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.150
nome_arquivo_s : Decisao_13603002241200721.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13603002241200721_5679676.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a decadência da competência 12/2000. A conselheira Ana Paula Fernandes votou por estender o provimento à competência 13/2000. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6648022
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947437600768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 243 1 242 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.002241/200721 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.150 – 2ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL DO ART. 173, I , DO CTN. SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAGNESITA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES AQUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para afastar a decadência da competência 12/2000. A conselheira Ana Paula Fernandes votou por estender o provimento à competência 13/2000. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 22 41 /2 00 7- 21 Fl. 1993DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 230101.912, proferido em 16/03/2011 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa e decisum encontramse a seguir reproduzidos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. ACORDOS COLETIVOS. OBEDIÊNCIA Á LEI. Os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. ABONO DE FÉRIAS. ART. 144 DA CLT. REQUISITOS. O abono de férias pode ser excluído do conceito de remuneração e, portanto, da base de cálculo da contribuição previdenciária nos moldes do art. 144 da CLT, desde que fique demonstrado o preenchimento dos requisitos da norma trabalhista: previsão em cláusula de contrato de trabalho, regulamento da empresa ou acordo coletivo, e limite de até vinte dias de salário. SALÁRIO UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 13603.002241/200721 Acórdão n.º 9202005.150 CSRFT2 Fl. 244 3 contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Ausente a prova da dispensabilidade, o lançamento que inclui tal utilidade na base de cálculo da multa não deve prosperar. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. As despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, não empregados, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros compõem a remuneração destes e devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme art. 22, inciso III da Lei 8.212/91. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja Fl. 1995DF CARF MF 4 mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao fornecimento de segurança, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Leôncio Nobre de Medeiros, que votaram em negar provimento ao recurso na questão do fornecimento de segurança; c) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao fornecimento de veículos, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros, que votou em negar provimento ao recurso, na questão do fornecimento de veículos; II) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN para os fatos ocorridos até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais questões apresentadas pelo Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação Oral: Geraldo Mascarenhas: OAB 68.816/MG. Nos termos da decisão acima, o colegiado, apreciando recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a Auto de Infração de multa por descumprimento da obrigação acessória de incluir em GFIP todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre remuneração paga, decidiu dar provimento em parte ao recurso para, entre outros pontos, reconhecer a decadência de alguns dos períodos lançados, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender ser impossível, no caso, recolhimento antecipado da multa por descumprimento de obrigação acessória lançada, nos seguintes termos: Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. Assim, considerando que o lançamento foi cientificado em 16/10/2006, foram atingidos pela decadência os fatos geradores até 31/12/2000. o que inclui as competências 12 e 13/2000. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 13603.002241/200721 Acórdão n.º 9202005.150 CSRFT2 Fl. 245 5 Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Salientese que, no Relatório Fiscal da Infração (fl. 005) são referidas NFLD relativas ao presente Auto de Infração: NFLD DEBCAD N° 35.724.1347 E NFLD DEBCAD N° 35.724.1355. Ocorre que não são referidos, no Relatório Fiscal, números de processo administrativo fiscal para as NFLD no Relatório Fiscal. Verificase também a inexistência de processos apensos ou vinculados ao presente processo. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, então, que seja afastada a decadência para a competência 12/2000. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Intimado da decisão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade em 10/07/2012 (fls. 1859/1860), o sujeito passivo apresentou em 26/07/2012 (a) contrarrazões ao Recurso da Fazenda e (b) Recurso Especial contra a parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Em sua peça de contrarrazões, apresentou o requerimento de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, sob a alegação de que a Fazenda não teria logrado demonstrar analiticamente, por meio do cotejo entre o acórdão recorrido e o paradigma, o dissenso jurisprudencial. Argumentou que no recurso especial a recorrente simplesmente colaciona a ementa e um fragmento do voto condutor do acórdão paradigma, seguidos de um breve trecho do recorrido, sem apontar as divergências supostamente existente entre eles. Em seguida, ainda em suas contrarrazões, pediu que fosse negado provimento ao recurso, por entender estar correta a interpretação dada ao caso pelo colegiado recorrido. No Recurso Especial, pediu que fosse (a) reconhecida a decadência das competências até outubro/2001, nos termos do art. 150, § 4o do CTN e (b) afastado do cálculo da multa o valor do Abono de Férias pago pela Recorrente a seus empregados. Entretanto, em despacho de análise de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente da Câmara não conheceu do Recurso Especial por intempestividade, esclarecendo que, com a ciência em 10/07/2012, o prazo fatal seria 25/07/2012, sendo que a apresentação do Recurso Especial somente se deu em 26/07/2012. Assim, somente foi devolvida a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais a competência para apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 1997DF CARF MF 6 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Deixo de me manifestar acerca das alegações constantes das contrarrazões, pelo fato de a peça ser intempestiva, portanto não conheço da peça de contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assim, a discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, por se tratar de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Embora entenda que a competência 13/2000, no caso de obrigação acessória (GFIP) também poderia ser objeto do recurso com base nos mesmos argumentos, saliento que não me manifestarei sobre esse ponto, por não constar do pedido no recurso especial da Fazenda Nacional. Por outro lado, caso seja reconhecida a decadência da obrigação principal no período em litígio, a multa aqui lançada, por aplicação da retroatividade benigna, deve ser reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento para afastar a decadência da competência 12/2000, devendo, porém, ser reduzindo o valor da multa ao estabelecido no art. 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, caso nessa competência as correspondentes obrigação principais (NFLD DEBCAD N° 35.724.1347 E NFLD DEBCAD N° 35.724.1355) tiverem sido consideradas alcançadas pela decadência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 13603.002241/200721 Acórdão n.º 9202005.150 CSRFT2 Fl. 246 7 Fl. 1999DF CARF MF
score : 1.0
