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Numero do processo: 10768.901855/2006-35
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 55 /2 00 6- 35 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 89/93 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901855/200635 Acórdão n.º 3802003.361 S3TE02 Fl. 128 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 125). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 95/115, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901855/200635 Acórdão n.º 3802003.361 S3TE02 Fl. 129 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010922/2002-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 3403-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rascickle Sousa Medeiros, OAB/SP no 340.301, advogado da recorrente.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Incorporada por FERTILIZANTES SERRANA LTDA, por sua vez incorporada por BUNGE FERTILIZANTES S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rascickle Sousa Medeiros, OAB/SP no 340.301, advogado da recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 09 22 /2 00 2- 91 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração Eletrônico lavrado em 09/05/2002 (fls. 32 a 37)1, para exigência de COFINS, no valor de R$ 461.580,95 (aí já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%), em decorrência de auditoria interna em DCTF referente ao quarto trimestre de 1997, na qual se apurou “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. Nos Demonstrativos, percebese que a imputação é a seguinte: “Comp. s/DARF OutrosPAF / Proc. inexiast. no Profisc” de R$ 177.647,29 (referente ao PA 12/1997 fl. 34), indicandose o processo administrativo no 13808.003458/9728. Na impugnação de fls. 2 a 16, a empresa sustenta que: (a) o lançamento é nulo, pois os montantes exigidos já foram objeto de compensação conforme decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. no 20174.045 / RD/2010.337/ Ac.CSRF/01 03239), e decisão do STJ no RESp no 144.708/RS; (b) a recorrente utilizou créditos decorrentes de pagamentos a maior da Contribuição para o PIS/PASEP para saldar débitos de tributos de mesma espécie e destinação constitucional; (c) são incabíveis penalidades e acréscimos legais sobre tributos declarados em DCTF e compensados; e (d) a Taxa SELIC é inconstitucional. Às fls. 99 a 115, juntase cópia da decisão da DRJ no processo administrativo no 13808.003458/9728, indeferindo o pleito, com indicação de que tal processo se encontrava à época pendente de julgamento no CARF (fl. 116). Às fls. 124 a 126, anexase cópia de decisão do então Conselho de Contribuintes dando provimento parcial ao recurso voluntário apresentado. A DRJ então efetua, em 03/09/2008, o julgamento de piso (fls. 135 a 145), acordando que: (a) os julgamentos na instância final administrativa não afirmam a existência de direito creditório, mas apenas a possibilidade de serem apurados segundo a tese da semestralidade; (b) há vedação de compensação nos moldes da IN SRF no 21/1997, que regulamenta o art. 66 da Lei no 8.383/1991, que exige que as contribuições sejam de mesma espécie e destinação constitucional (e a COFINS e a Contribuição para o PIS/PASEP são contribuições distintas, devendo ser aplicado o disposto no art. 74 da Lei no 9.430/1996); (c) a empresa não exibe nenhuma prova documental da compensação em apreço; (d) deve ser mantida a Taxa SELIC para fixação dos juros de mora; e (e) deve ser afastada a multa de ofício, em função da retroatividade benigna do art. 18 da Lei no 10.833/2003, com alterações posteriores. Cientificada da decisão de piso em 20/10/2008 (fl. 149), a empresa apresenta recurso voluntário em 24/11/2008 (fls. 150 a 166), no qual defende que: (a) o acórdão é nulo, porque altera os fundamentos do lançamento; (b) o acórdão não determinou a exigência de multa de mora, multa esta que passou a ser exigida da recorrente; (c) a empresa apurou crédito no processo administrativo no 13808.003458/9728, e requereu sua compensação com débitos de COFINS (peças do processo no 13808.003458/9728, de fls. 189 a 243); (d) à época da lavratura da autuação, o crédito referido no processo no 13808.003458/9728 ainda estava pendente de julgamento administrativo (ou seja, com exigibilidade suspensa); (e) a situação descrita na autuação (falta de recolhimento) jamais ocorreu, tendo sido desconsiderada a compensação efetuada pela recorrente, ainda em trâmite; e (f) a compensação foi legítima, e, caso se entenda de forma diversa, deve o processo ser baixado em diligência para que se apure a efetividade da compensação com créditos do processo no 13808.003458/9728. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10880.010922/200291 Acórdão n.º 3403002.988 S3C4T3 Fl. 248 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator A unidade local encaminha o recurso a este CARF, reforçando a data da ciência da decisão de piso (20/10/2008) e a data de protocolo do recurso (24/11/2008), afirmando que segue o disposto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972 e alterações posteriores. Pela amplitude do tema, cabe aqui reproduzir as disposições do referido decreto que permitem a análise da tempestividade do recurso apresentado (arts. 5o, 23, 33 e 35): “Art. 5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2o Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” No presente processo, a decisão de primeira instância foi encaminhada para o endereço correspondente ao domicílio do sujeito passivo que constava no cadastro da RFB (Maria Coelho Aguiar, 215, bloco D 5o andar, CEP 05805000 Santo Amaro São Paulo/SP”, endereço esse confirmado pela cópia de tela do sistema CNPJ de fl. 146. Assim, intimado o sujeito passivo em 20/10/2008 (uma segundafeira), iniciase a contagem do prazo recursal na terçafeira (21/10/2011), devendo a empresa interpor o recurso até 19/11/2008 (uma quartafeira). Como o recurso voluntário apresentado tem protocolo de recebimento na unidade da RFB em 24/11/2008 (segundafeira seguinte), inquestionável a perempção, que sequer é contestada no recurso. Considerando o exposto, e configurada a perempção, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720986/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Assunto Sobrestamento Recorrente MARY ANGELICA SANTOS COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29 de junho de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.02 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor R$62.389,10, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720986/200954 Resolução n.º 2802000.035 S2TE02 Fl. 2 2 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 16 a 69), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº. 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720986/200954 Resolução n.º 2802000.035 S2TE02 Fl. 3 3 autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV. 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 79 a 84, julgou impugnação improcedente, mantendo o lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 18/04/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fls.126. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/04/2011 (fls. 88/125), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ressaltando os seguintes pontos:a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência dos arts. art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº. 8.730, de 2003, que possuem a seguinte redação: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720986/200954 Resolução n.º 2802000.035 S2TE02 Fl. 4 4 Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Assim, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador(BA), baixou o processo em diligência (fls. 76 a 77), determinando o ajuste do lançamento fiscal para, ao invés de lançar os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes nos anos de recebimento, o fizesse levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, de acordo com o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009. Referida orientação, conflitante com o texto legal do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Observese que essa decisão foi tomada na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Devido à repercussão geral do tema, o Parecer PGFN/CRJ/Nº. 287/2009 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN n.º 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema. Destarte, em função do Parecer PGFN n.º 2.331/10, a diligência fiscal ficou prejudicada (Despacho SEFISDRFSALVADORBA, fls. 78). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720986/200954 Resolução n.º 2802000.035 S2TE02 Fl. 5 5 Assim, a Turma Julgadora considerou que, especialmente em razão do caráter vinculado no lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, seria necessário suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Brasília/DF, Sala de Sessões, 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905863/2011-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 63 /2 01 1- 16 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905863/201116 Acórdão n.º 3803006.025 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 14.181,84. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905863/201116 Acórdão n.º 3803006.025 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905863/201116 Acórdão n.º 3803006.025 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905863/201116 Acórdão n.º 3803006.025 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904369/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 86 1 85 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904369/201202 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.183 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 69 /2 01 2- 02 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/09/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904369/201202 Acórdão n.º 3801003.183 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10730.911195/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Restando comprovada pela escrituração contábil e fiscal a inocorrência de base tributável para o período de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e de declaração de compensação para proceder à compensação do valor recolhido indevidamente a título do imposto e contribuição desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo e da contribuição, pois decorreu de erro de fato, consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. ANÁLISE DA PROCEDÊNCIA PELA UNIDADE DE ORIGEM.
O ato da homologação da compensação do crédito tributário solicitado, uma vez superada a questão do direito, se restringe a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito tributário pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade da compensação de valor de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos a unidade de origem para a análise da procedência do crédito pleiteado, retomando-se o rito processual a partir daí.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Restando comprovada pela escrituração contábil e fiscal a inocorrência de base tributável para o período de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e de declaração de compensação para proceder à compensação do valor recolhido indevidamente a título do imposto e contribuição desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo e da contribuição, pois decorreu de erro de fato, consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. ANÁLISE DA PROCEDÊNCIA PELA UNIDADE DE ORIGEM. O ato da homologação da compensação do crédito tributário solicitado, uma vez superada a questão do direito, se restringe a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito tributário pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Restando comprovada pela escrituração contábil e fiscal a inocorrência de base tributável para o período de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e de declaração de compensação para proceder à compensação do valor recolhido indevidamente a título do imposto e contribuição desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo e da contribuição, pois decorreu de erro de fato, consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. ANÁLISE DA PROCEDÊNCIA PELA UNIDADE DE ORIGEM. O ato da homologação da compensação do crédito tributário solicitado, uma vez superada a questão do direito, se restringe a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito tributário pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 95 /2 00 9- 71 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade da compensação de valor de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos a unidade de origem para a análise da procedência do crédito pleiteado, retomandose o rito processual a partir daí. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.911195/200971 Acórdão n.º 1402001.711 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS S.A., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 33.050.071/000158, com domicílio fiscal na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na Rua Praça Leoni Ramos, nº 1, Bairro São Domingos, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 98/102), prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 105/117. A requerente transmitiu, em 12/01/2007, a Declaração de Compensação – DCOMP nº 42862.76080.120107.1.3.04 1115, cujo crédito referese a pagamento a maior ou indevido de CSLL realizado, 31/07/2006, referente à estimativa mensal de junho de 2006 (período de apuração 30/06/2006), no valor de R$ 2.843.267,85. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Niterói RJ, através do Despacho Decisório (fls. 85/94), apreciou e concluiu, em 07/10/2009, que o presente pedido de compensação é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 2.843.267,85. que analisadas as informações prestadas, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 20/10/2009, conforme Termo constante à fl. 96 e com ela não se conformando a contribuinte interpôs em tempo hábil (19/11/2009) a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 01/09, instruído pelos documentos de fls. 11/78, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que o despacho decisório ora impugnado teve como fundamento a impossibilidade de utilização de estimativa mensal para fins de compensação antes de encerrado o anocalendário; que o referido despacho decisório não merece prosperar, devendo ser reformado pelo órgão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento pelos fundamentos adiante expostos, nos itens III e IV da presente manifestação de inconformidade; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que a origem do credito utilizado no PER/DCOMP no valor original de R$ 2.843.267,85, ou seja, o crédito informado no PER/DCOMP não homologado pelo Órgão da Delegacia a Receita Federal em Niterói tem origem no pagamento que a Companhia efetuou em 31/07/2006 a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484 (Comprovante de Arrecadação anexo – doc. 2, referente à estimativa mensal de Junho do ano 2006 (período de apuração 30/06/2006); que fundamentada a origem do crédito utilizado na PER/DCOMP não homologada pelo órgão da Delegacia da Receita Federal em Niterói, a Companhia passa a demonstrar que a utilização de tal crédito é totalmente procedente, sendo ilegal qualquer impedimento por ato da autoridade tributária para a não homologação dessa compensação; que do direito ao crédito utilizado no PER/DCOMP, portanto, o recolhimento de estimativa recolhida maior caracteriza pagamento a maior que o devido para fins do art. 165 do código Tributário Nacional, a companhia sustenta que o valor recolhido em 31/07/2006 a titulo de CSLL (demonstrado nos itens 8 e 9 da presente) caracteriza pagamento de tributo a maior para fins do art.165 do Código Tributário Nacional (CTN) porque efetuado em valor excedente à estimativa de CSLL apurada conforme a legislação aplicável (art.2° da Lei n° 9.430/96), inclusive considerando as limitações previstas pelos artigos 42 é 58, "caput", da Lei n° 8.981/95 e pelos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95. De acordo com o art. 165 do CTN; que a companhia passa a demonstrar que na legislação ordinária não há qualquer objeção à utilização de crédito decorrente de valor recolhido a maior que a estimativa apurada, havendo que ser homologada a compensação demonstrada no item 15 da presente posto que totalmente procedente; que a Lei n° 9.430/96 não impede nem restringe a compensação de pagamento de estimativa a maior, e ilegalidade da não homologação por falta de previsão na lei n° 9.430/96; que, portanto, a Lei n° 9.430/96 não impõe qualquer restrição à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior titulo de estimativa mensal. Segundo o art.74 da Lei n° 9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002 e Lei n° 10.833/2003; que, assim, é de se concluir que a companhia estava devidamente autorizada por lei a efetuar a compensação da estimativa de CSLL que recolheu a maior (itens 9 e 10), porque a restrição à compensação pretendida pela Instrução Normativa n° 600/2005 não estava prevista na Lei n° 9.430/96 a que se dispôs regulamentar; que flagrante ausência de previsão legal impedindo a compensação da estimativa paga a maior é não conversão do art. 29, da medida provisória n° 449/2008 em lei, portanto, oportuno mencionar que o art. 29 da Medida Provisória n° 449/2008 pretendeu acrescentar um novo item à lista das hipóteses de compensação vedadas por lei (§3° do art. 74 da Lei n° 9.430/96); que a companhia sustenta que nem mesmo a Medida Provisória n ° 449/2008 impediria a utilização do valor da estimativa paga a maior para restituição/compensação por meio de PER/DCOMP haja vista que o inciso IX que tal Medida Provisória pretendeu incluir ao art.74, 3§ da Lei n ° 9.430/96 não tratava do valor excedente à estimativa efetivamente devida. A supressão do art.29 da referida Medida Provisória torna ainda mais flagrante a ausência de previsão legal impedindo a compensação do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.911195/200971 Acórdão n.º 1402001.711 S1C4T2 Fl. 4 5 que, portanto, a possibilidade de compensação de estimativa paga a maior na jurisprudência. Ou seja, a jurisprudência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento já reconheceu a possibilidade de se compensar estimativas mensais dentro do mesmo ano calendário; que cabe ressaltar que a legislação não estabeleceu que quaisquer recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da estimativa seriam considerados antecipação daquele a ser apurado no final do ano. Logo não cabe a interprete restringir o que o legislador não o fez, lembrando que não estamos tratando de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 111 do CTN; que as informações prestadas em DCTF e DIPJ configuram o pagamento indevido, portanto, o valor recolhido indevidamente a titulo de CSLL relativo à estimativa do mês de junho do ano 2006 não foi declarado em DCTF nem em DIPJ, tendo a Companhia informado em tais Declarações o valor correspondente ao IRPJ efetivamente devido; que todas as alegações contidas na presente manifestação de inconformidade restam devidamente comprovadas, razão pela qual não há fundamento para a não homologação da compensação declarada pela Companhia (já detalhada nos itens 9 e 10) tampouco para a cobrança de quaisquer débitos compensados com crédito decorrente do pagamento a maior efetuado pela Companhia por meio do DARF de 31/07/2006, inclusive pelo fato de a Companhia ter se amparado na melhor jurisprudência para não ter constituído saldo negativo no anocalendário 2006. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 18/08/2010, a 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente a impugnação e decidir pela não homologação da compensação, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 98/102): que a controvérsia, em última análise, reside em saber se a Interessada poderia ter utilizado, para fins de compensação, o crédito decorrente do pagamento a maior da estimativa de CSLL do mês de junho de 2006; que na época em que o contribuinte apresentou o PER/DCOMP n° 42862.76080.120107.1.3.041115, o aproveitamento direto das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior era expressamente vedado por força do disposto no art. 10 da Instrução Normativa nº SRF n° 600, de 28/12/2005; que a Interessada contesta a legalidade do referido dispositivo, argumentando que a instrução normativa introduziu uma hipótese de vedação não prevista no art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; que, portanto, a alegação da impugnante, a meu juízo, não procede. Em primeiro lugar, porque o rol de vedações que consta do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, é simplesmente enumerativo. Em segundo lugar, porque o próprio legislador conferiu poderes à Receita Federal para disciplinar o procedimento de compensação dos tributos por ela administrados; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, neste sentido, ainda que fossem pertinentes as alegações da impugnante, não poderia, de qualquer forma, o julgador administrativo de primeira instância negar aplicação a um ato normativo da Receita Federal, em face do dever de observância imposto pela Portaria MF n° 058, de 17/03/2006, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; que, alega, a Interessada que a vedação constante do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, referente à utilização das estimativas recolhidas in. devidamente ou a maior, foi suprimida no texto da Instrução Normativa n° 900, de 30/12/2008, que disciplina atualmente a matéria; que a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior não legitima a pretensão da Interessada de fazer retroagir a referida norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já expressou, em diversas ocasiões, o entendimento de que o processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual Pedido ou Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente (cfr. EREsp 977083/RJ, AgRg nos EREsp 546128/RJ, REsp 1100483/AL, entre outros). A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTANCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.911195/200971 Acórdão n.º 1402001.711 S1C4T2 Fl. 5 7 O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 22/09/2010, conforme Termo constante à fl. 104, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (22/10/2010), o recurso voluntário de fls. 105/117, instruído pelos documentos de fls. 118/123, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a compensação efetuada pela recorrente, neste sentido, o crédito utilizado na compensação efetuada pela recorrente consiste na diferença decorrente do recálculo Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apurada para o período de Junho do ano 2006, efetuado em virtude dos efeitos das seguintes decisões judiciais proferidas nos autos do mandado de segurança impetrado pela ora recorrente (à época, CERJ — Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro) contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro (processo n° 98.02071293); que em decorrência do recálculo efetuado pela ora recorrente, gerouse um recolhimento a maior de tributo no valor de R$ 2.843.267,85 que foi utilizado para compensação através do PER/DCOMP n° 42862.76080.120107.1.3.041115, entregue em 12/01/2007; que o indeferimento da compensação pelo r. despacho decisório e pelo v. acórdão recorrido, ou seja, ao apreciar o citado PER/DCOMP, o Ilmo. Delegado da DRF em Niterói decidiu pela improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, aplicando o art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005, vigente à época da compensação efetuada pela ora recorrente; que por divergir do v. acórdão ora recorrido, cabe à recorrente invocar o pronunciamento dessa Egrégia Corte Administrativa, na certeza de que seus eminentes Membros reformarão o veredicto recorrido, pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas; que o valor do crédito pleiteado na declaração de compensação não homologada pelo v. acórdão recorrido resta devidamente comprovado, a recorrente pugna pelo reconhecimento da comprovação do crédito decorrente da diferença demonstrada no item 2.2, referente ao valor recolhido a maior do que o apurado a título de estimativa mensal de CSLL; que, assim, a recorrente requer à autoridade administrativa ad quem que reconheça (i) a aplicação, pela recorrente, dos efeitos da liminar e da sentença no momento da primeira apuração do CSLL, com o recolhimento do valor de R$ 9.477.593.98 e (ii) como válida a segunda apuração do CSLL no valor de RI 6.634.324.13, em cumprimento ao acórdão do Tribunal Regional Federal, a qual restou declarada em DCTF e em DIPJ; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que, na DIPJ e na DCTF, a ora recorrente declarou o valor correspondente à CSLL efetivamente devida, conforme os documentos anexos à Manifestação de Inconformidade; que, nesse sentido, o v. acórdão recorrido não merece prosperar, uma vez que não se pronunciou sobre a validade das informações prestadas em DIPJ e em DCTF, o que, no entender da recorrente, limitou o alcance do julgamento administrativo de 1° instância; que o crédito pleiteado na declaração de compensação (referente ao valor recolhido a maior do que o apurado a titulo de estimativa mensal) caracteriza pagamento indevido para fins do art. 165 do Código Tributário Nacional e do art. 74 da Lei n° 9.430/96; que a limitação à compensação no presente caso não se coaduna com o sistema jurídico pátrio, uma vez que, se o recolhimento foi comprovadamente feito indevidamente, isto é, a maior do que o devido, deve ser assegurado à recorrente o seu direito à restituição via compensação, sob pena de enriquecimento indevido da Unido Federal e de inarredável comprometimento do patrimônio da empresa contribuinte; que, ao contrário do manifestado pela autoridade administrativa a quo, a jurisprudência administrativa do CARF já reconheceu a possibilidade de se compensar estimativas mensais dentro do mesmo anocalendário, com base no art. 165 do CTN, a recorrente sustenta que não há fundamento para a não homologação da compensação pelo v. acórdão recorrido, tampouco para a cobrança de quaisquer débitos compensados com crédito decorrente do pagamento a maior efetuado pela recorrente por meio do DARF de 31/07/2006, pelo fato de ter se amparado na melhor jurisprudência para não ter constituído saldo negativo no anocalendário 2006, e sim, utilizado o crédito em PER/DCOMP; que o art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005 introduziu – sem amparo legal restrição à compensação declarada pela recorrente, em violação ao art. 165 do CTN e ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, portanto, como já sustentado no item 5 do presente, o direito à restituição via compensação está assegurado de forma ampla no art. 165 do CTN. As normas aplicáveis à utilização de créditos na compensação de débitos próprios estão previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/96; que, em conclusão, a recorrente reitera que estava devidamente autorizada por lei a efetuar a compensação do valor que recolheu a maior (art. 165 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430/96) e que a restrição à compensação prevista no art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005 exorbitou o poder da Receita Federal do Brasil (previsto no §12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96) de disciplinar as normas aplicáveis à utilização de créditos na compensação; que a recorrente reafirma também que a não conversão da Medida Provisória n°449/2009 em lei torna ainda mais flagrante a ausência de previsão legal impedindo a compensação do recolhimento de valor maior que o apurado de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL; que como se sabe, o art.29 da Medida Provisória n° 449/2008 pretendeu acrescentar um novo item (inciso IX) à lista das hipóteses de compensação vedadas por lei (§3° do art. 74 da Lei n° 9.430/96); que, desse modo, resta devidamente demonstrada a ilegal restrição pretendida pelas autoridades administrativas, devendo ser reformado o v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.911195/200971 Acórdão n.º 1402001.711 S1C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. A presente discussão prendese ao fato de que, em 12/01/2007, a recorrente apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 42862.76080.120107.1.3.041115 (fls. 90/94), por meio do qual pretende compensar débitos de CSLLESTIMATIVA referentes ao ano calendário 2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de R$ 2.843.267,85, decorrente do pagamento a maior da estimativa de CSLL do mês de junho de 2006. O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói – RJ, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, tendo em vista "tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Inconformada com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ1 a qual decide julgar improcedente a manifestação de inconformidade sob os argumentos de que na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão, bem como o fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em apertada síntese, que o crédito utilizado na compensação efetuada pela recorrente consiste na diferença decorrente do recálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado para o período de junho do ano 2006. Em decorrência do recálculo efetuado, gerouse um recolhimento a maior de tributo no valor de R$ 2.843.267,85 que foi utilizado para compensação através do PER/DCOMP n° 42862.76080.120107.1.3.041115, entregue em 12/01/2007. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Observase na Ficha de Débito Apurado e Créditos Vinculados da DCTF, no código 248401, relativa ao mês de junho de 2006 (doc.7 da Manifestação de Inconformidade) consta que o valor do débito apurado da CSLL foi de R$ 6.634.326,13, com as informações que evidenciam o pagamento a maior no valor de R$ 2.843.267,85. Observase, ainda, que na Ficha 16 da DIPJ no mês de junho de 2006 (doc. 8 da Manifestação de Inconformidade), na qual consta que o valor da CSLL apurado foi de R$ 6.634.326,13. Assim, resta claro, que, no caso em discussão, o pagamento da CSLL mensal por estimativa do mês de junho de 2006 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse recolhimento mensal base imponível estava equivocada distorcendo a realidade dos fatos. Ora, é de se admitir o erro de fato como causa de revisão do pagamento indevido, eis que, se este há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, tem de conformarse à realidade fática. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato no recolhimento de tributo efetuado em virtude de erro na base imponível, acarretando, por conseqüência, um pagamento maior que o devido, cabível a retificação deste erro gerando por via de conseqüência a restituição/compensação do valor pago a maior, já que a prova do erro cometido pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive à presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto de estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Ora, restando comprovada pela escrituração contábil e fiscal a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e de declaração de compensação para proceder à compensação do valor recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato. Assim sendo, não há nenhuma dúvida de que recolhimentos feitos acima dos valores apurados seguindo as regras de estimativa mensal previstas na legislação são recolhimentos indevidos, indevidos porque se há uma dúvida em relação ao devido no final do ano a favor do sujeito ativo, a mesma dúvida há em relação ao sujeito passivo. Indevidos porque ultrapassam o valor que a legislação obrigou o contribuinte a recolher. Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.911195/200971 Acórdão n.º 1402001.711 S1C4T2 Fl. 7 11 Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001764/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
FALTA OU RETENÇÃO A MENOR DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. DEVE SER APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MATÉRIA SUMULADA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12)
PAGAMENTO DE JUROS DE MORA E PARCELAS NÃO IMPUGNADAS OBJETO DE ALOCAÇÃO PELA RFB. NÃO COMPENSÁVEL COM O IMPOSTO APURADO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Os juros de mora por atraso no pagamento, ou àquelas decorrentes do lançamento de ofício, não são compensáveis com o imposto devido nem integram o litígio, portanto, não estão sujeitos a apreciação deste colegiado. Os eventuais pagamentos efetuados na declaração de ajuste ou aqueles decorrentes da parte não impugnada são objeto de alocação por ocasião da cobrança final pela unidade da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2201-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente Convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. DEVE SER APURADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MATÉRIA SUMULADA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12) PAGAMENTO DE JUROS DE MORA E PARCELAS NÃO IMPUGNADAS OBJETO DE ALOCAÇÃO PELA RFB. NÃO COMPENSÁVEL COM O IMPOSTO APURADO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Os juros de mora por atraso no pagamento, ou àquelas decorrentes do lançamento de ofício, não são compensáveis com o imposto devido nem integram o litígio, portanto, não estão sujeitos a apreciação deste colegiado. Os eventuais pagamentos efetuados na declaração de ajuste ou aqueles decorrentes da parte não impugnada são objeto de alocação por ocasião da cobrança final pela unidade da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 17 64 /2 00 8- 45 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente Convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.001764/200845 Acórdão n.º 2201002.359 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase o presente processo de lançamento do imposto de renda pessoa física, exercícios 2004 e 2005, no qual foi apurado R$ 20.234,63, e os devidos acréscimos de juros e multa de mora, decorrente da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no exercício de 2004 e 2005 e ajustamento do valor tributável no exercício de 2005. Na impugnação o contribuinte alega que o IRRF se encontra comprovado em DARF juntado aos autos e solicita que sejam verificados os cálculos efetuados na apuração do Imposto de Renda, conforme resumido no acórdão recorrido: Pede que se observe, no Demonstrativo de Liberação de Valores (fl. 131), o valor devido ao exeqüente, R$ 58.173,60, em 07/05/2004. Esse valor seria o resultado do total apurado (fls. 124, item 4), R$ 176.530,14 (calculo homologado, R$ 100.966,30, fls. 107 a 116), menos o valor retirado em 12/05/2003, R$ 123.913,85 (item 05, fl. 124), igual a R$ 52.616,29, que, atualizado conforme item 9, fl. 125, resultou em R$ 58.173,60. Do valor apurado, teria sido deduzido o IRRF de RS 21.347,22, em 02/06/2003, que, atualizado até 07/05/2004, fl. 130, resultou em R$ 21.967,22, recolhidos em 2003, incluídos no comprovante de rendimentos do Banco do Brasil e declarados no exercício 2004, somente não havia, ainda, sido descontado do saldo a ser pago pelo executado, razão pela qual constou como reembolsar a executada (fl. 131). Teriam, então, restado R$ 36.206,38 (R$ 58.173,60 R$ 21.967,22). Desse valor, retirouse R$ 11.029,39 (fl. 132) e efetuouse o recolhimento de IRRF de R$ 25.300,69 (fls. 134 e 135), totalizando R$ 36.330,08. Aduz que o montante de R$ 25.300,69 foi obtido do calculo homologado, atualizado para 07/05/2004, R$ 47.160,67 (fls. 107 e 129) R$ 21.967,22 (DARF de 02/06/2003, fl. 130) = R$ 25.193,45 + atualização (fl. 135). Assevera que não teria havido, assim, reembolso à executada, nem novos cálculos, conforme concluiu o Termo de Verificação Fiscal, item 01 (fl. 92), mas, somente, apuração do saldo devedor da execução (total homologado, menos a retirada de R$ 123.913,85, igual a R$ 58.173,60), que, após dedução do IRRF, em 02/06/2003, resultou no imposto de renda remanescente, a ser recolhido pela executada, bem assim, no valor a ser pago ao exequente, de acordo com decisão judicial, fl. 122. A 4ª Turma de julgamento da DRJ em Curitiba (PR), por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte (fls. 149 a 153), resultando: (a) para o exercício 2004, anocalendário 2003, cancelar R$ 2.415,25 de imposto, R$ 483,05 de multa de mora e encargos legais, e reconhecer R$ 2.006,45 de saldo de imposto a restituir; e (b) para o exercício 2005, anocalendário 2004, manter R$ 10.155,78 imposto com multa e juros de mora. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 13 de julho de 2011 (fl. 157) e interpôs recurso voluntário no dia 10 do mês seguinte (fls. 159 a 166) alegando que: a) os valores resgatados teriam sido de R$ 138.345,83 em 2003 e 63.781,89 em 2004, com retenção de imposto de renda em 21.347,22 no primeiro ano e R$ 25.300,69 no ano seguinte, porém teriam restado ausentes na apuração do imposto de renda os valores já pagos referentes exercício 2004, por ocasião da declaração de ajuste, no valor de R$ 4.392,19, e da parte não impugnada e recolhida em 7 de março de 2008, cujo valor total importou em R$ 5.068,68 (R$ 2.620,83 de imposto, 982,82 de multa e 1.465,04 de juros de mora), e Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 que dos R$ 2.620,83 de imposto pago, R$ 2.271,30 se referia ao FGTS declarado como isento e apurado com tributáveis pela Receita Federal. Portanto, deveria ser considerado o imposto pago de R$ 2.620,83 e R$ 4.392,19; b) os valores a restituir, conforme se observa nas folhas 9/10, o valor a restituir é de R$ 15.987,10 e não de R$ 17.819,38, devendo ser retificada a informação neste ponto; c) não há qualquer imposto a recolher, pois se forem considerados os valores retidos haveria R$ 160,50 de imposto de renda a restituir no exercício de 2004 e R$ 2.947,42 no exercício 2005, e que, por outro lado, se for considerada a distribuição proporcional do IRRF realizada pela Fiscalização, teria R$ 9.521,63 de imposto a restituir no exercício de 2005 e R$ 8.323,50 a recolher no exercício de 2005, resultando, após compensação, de R$ 1.198,13 a restituir. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.001764/200845 Acórdão n.º 2201002.359 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A auditoria detectou erro na classificação dos rendimentos recebidos acumuladamente, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e deduções indevidas, entretanto, o contribuinte impugnou auto de infração apenas em relação às compensações indevidas. A Delegacia de Julgamento considerou que, em relação ao objeto do litígio, “o recolhimento restou comprovado (fl. 119) e se encontra nos registros da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na situação original”, e que por isso caberia ‘apropriálo nos cálculos do imposto’. Diante disso, a relatora refez os cálculos do imposto de renda, apropriando as verbas quanto à natureza tributária, chegando ao seguinte resultado: a) Exercício 2004, saldo a restituir de R$ 2.006,45. b) Exercício 2005, imposto a pagar de R$ 10.155,78. Cabe esclarecer que, conforme dispõe a Súmula CARF nº 12, constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção O contribuinte, ao refazer seus cálculos, inclui os pagamentos efetuados na declaração de ajuste e aquele referente à parte não impugnada do lançamento, incluindo a multa (fl. 163). Entretanto, as multas e os juros de mora por atraso no pagamento, bem como os acréscimos decorrentes do lançamento de ofício, não são compensáveis com o imposto devido, nem objeto do litígio, portanto, não estão sujeitos a apreciação deste colegiado. Os eventuais pagamentos efetuados na declaração de ajuste e os pagamentos relacionados ao crédito tributário não impugnado serão objeto de alocação por ocasião da cobrança final pela unidade da Receita Federal do Brasil da respectiva jurisdição do contribuinte. Isso posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10280.904904/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral.
ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621.
Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial.
APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005.
A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN.
SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES.
As antecipações convertem-se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação.
INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES.
A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo.
DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA.
A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limita-se à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados.
Numero da decisão: 1101-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertem-se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo. DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limita-se à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
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PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 49 04 /2 00 9- 15 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo. DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Na origem, cuidase de DCOMP n. 21905.16703.010908.1.7.028750 (fl. 63/76) apresentado pela ora Recorrente – retificando a DCOMP original n. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 3 3 09416.14542.070405.1.3.023339 (fls. 2/11) –, em que aponta crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2004 no valor de R$30.572.380,61, que seria constituído (i) por IRPJ Retido na Fonte (R$963.743,76), (ii) por pagamentos de estimativa IRPJ (R$8.268.510,23), (iii) estimativas parceladas (R$17.026.397,81) e (iv) demais estimativas compensadas (R$4.313.728,81). Nessa ocasião, foram apresentados débitos que consumiram R$5.129.304,65 dos créditos originais pleiteados. Parte do saldo remanescente do alegado crédito de saldo negativo, não consumido na sua integralidade na citada DCOMP, foi utilizado na DCOMP n. 06552.92770.260209.1.7.020795 (fls. 90/93) – em que se consumiu R$1.755.168,04 dos créditos originais – e no DCOMP n. 06907.02111.251010.1.3.028378 (fls. 94/97) – em que se buscava quitar débitos no montante de R$9.159.925,09, o que consumiria R$5.323.062,00 dos créditos originais. No Despacho Decisório n. 932677225 exarado em 06/06/2011 (fls. 98/103), o direito creditório foi parcialmente reconhecido e, consequentemente, houve homologação parcial das compensações pleiteadas, deixandose de homologar a DCOMP: 06907.02111. 251010.1.3.028378, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$30.572.380,61 Valor na DIPJ: R$30.572.380,61 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$30.572.380,61 IRPJ devido: R$0,00. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$8.692.808,17 Valor não utilizado no prazo legal: R$1.619.567,67 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 06907.02111. 251010.1.3.028378 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2011. PRINCIPAL MULTA JUROS 9.159.925,09 1.831.985,01 658.598,61 Após o despacho decisório, a situação pode ser resumida da seguinte forma: Natureza Pagamentos IRRF Est. Parceladas Demais Est. Compensadas PER/DCOMP 8.268.510,23 963.743,76 17.026.397,81 4.313.728,81 CONFIRMADA 8.268.510,23 424.297,94 0,00 0,00 No dia 14/07/2011 (fls. 106/121), a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade defendendo, em síntese, a nulidade do despacho decisório em razão de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 cerceamento de defesa e a plena comprovação da existência de seu direito creditório, de modo que a homologação da compensação conforme efetuada seria medida inafastável. Em julgamento realizado pela 1ª Turma da DRJ/BEL (fls. 161/169), a manifestação foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que a decisão e seus anexos apresentaram a motivação quanto à não homologação das compensações, bem como demonstrativo dos saldos devedores consolidados, não há que se falar em nulidade. SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. USO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Tendo sido não homologadas as compensações de estimativa IRPJ, estas devem ser desconsideradas no ajuste anual. SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS PARCELADAS. FALTA DE PAGAMENTO. USO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As estimativas parceladas somente podem compor o saldo negativo do período, nos termos da legislação tributária, após o respectivo pagamento. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO VINCULAÇÃO. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo por não constituírem normas complementares do Direito Tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na ocasião, a douta DRJ assentou que: (i) Não houve cerceamento de defesa, na medida em que “o documento demonstra com clareza solar o motivo do reconhecimento apenas parcial do direito creditório: o reconhecimento também parcial das retenções na fonte e o não reconhecimento das estimativas parceladas e não homologação das demais estimativas compensadas. Além disso, parte do crédito não foi reconhecida por ter ocorrido a prescrição do direito de sua utilização” (fl. 165); (ii) “Ao contrário do que diz o contribuinte, a concessão do parcelamento de estimativa mensal IRPJ não tem o condão de permitir ao mesmo a utilização dessa estimativa no ajuste anual para fins de apuração de saldo negativo IRPJ e posterior restituição ou utilização em compensação. (...) O que as instruções de preenchimento da DIPJ/2005 anocalendário 2004 e a legislação tributária estabelecem é que o contribuinte somente pode se aproveitar de valor de estimativa IRPJ parcelada no ajuste anual após o pagamento dessa estimativa no parcelamento. Tal regramento não traz qualquer prejuízo ao contribuinte haja vista que, ao contrário do alegado, não haverá decadência do direito de se utilizar do crédito em função da limitação imposta pela legislação tributária. Nessa situação, o contribuinte pode pleitear a restituição das estimativas quitadas via parcelamento à medida que estas forem pagas, observandose que o prazo para pleitear a restituição certamente será contado a partir da quitação do parcelamento de cada estimativa.” (fl. 166/167); (iii) Deveria haver a exclusão das compensações de estimativa mensal de Jan/2004 (DCOMP n. 37392.39957.270204.1.3.044604) e Set/2004 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 4 5 (DCOMP n. 37423.21371.120405.1.7.030800) porquanto "a análise procedida nesses autos somente poderia ser questionada caso houvesse compensação com pendência de decisão administrativa da DRF, Derat, Deinf, IRF ou Alfândega competente para o ato, o que não é o caso uma vez que foram juntadas cópias dos Despachos Decisórios referentes às estimativas IRPJ compensadas" (fl. 167); (iv) Em relação (iii.1) ao reconhecimento parcial das retenções na fonte e (iii.2) ao crédito não reconhecimento em razão do decurso de prazo para sua utilização (prescrição), a DRJ deixou “de apreciar essa questão em função de ausência de impugnação sobre tal matéria” (fl. 168); Cientificada do r. decisum por meio de carta com AR no dia 25/01/2013 (fl. 171), houve a interposição de Recurso Voluntário no dia 26/02/2013 (fls. 184/206), recurso no qual se asseverou, em suma, que: (i) O entendimento no sentido de que “o parcelamento das estimativas de IRPJ impede a compensação do saldo negativo por ele composto antes do efetivo recolhimento das estimativas aos cofres públicos (...) não encontra respaldo na sistemática de apuração do IRPJ em bases anuais, a qual autoriza a integração do valor da estimativa, ainda que parcelada, na composição do saldo negativo apurado no período” (fl. 188), porquanto “as estimativas confessadas pelo contribuinte configuram crédito tributário líquido e certo da União para todos os fins, inclusive para fins de cobrança (execução) sumária em caso de não pagamento pelo sujeito passivo” (fl. 193); (ii) Ainda que assim não fosse, “os efeitos jurídicos da inclusão de débitos fiscais em regime especial de parcelamento, tendo em vista sua natureza transacional, garantem, nos termos da legislação tributária, a geração dos créditos reconhecidos nas Dcomp entregues pela Recorrente” (fl. 195), na medida em que, quando ocorre transação mediante adesão a regime de parcelamento, “extinguese a relação jurídico tributária originária entre as partes, nos termos do artigo 156, inciso III do próprio CTN. E, uma vez que a extinção dessa relação jurídico tributária originária importe em recolhimento indevido ou a maior de tributo, (...) gerase (...) direito líquido e certo do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, compensável com outros créditos tributários” (fl. 197); (iii) A questão da prescrição, “por se tratar de matéria de ordem pública, é passível de conhecimento pelo órgão de julgamento a qualquer momento e grau de jurisdição, não se sujeitando à preclusão” (fl. 198) e, por conta disso, pede o conhecimento das matérias relativas a (iii.1) pretenso crédito não utilizado no prazo legal no montante de R$1.619.567,67, e (ii.2) pretenso crédito prescrito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31.12.2004 e compensado por meio da DCOMP n. 06907.02111.251010.1.3.028378, transmitida em 25.10.2010; (iv) Superada a questão do conhecimento das questões acima, entende deva ser aplicado ao caso o entendimento da CSRF no sentido de que “o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro conta corrente, a Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados” (fl. 199), o que, em seu entendimento, afasta tanto a prescrição do crédito no valor de R$1.619.567,67 quanto a parcela do saldo negativo de IRPJ de 2004 compensada por meio da DCOMP n. 06907.02111.251010.1.3.028378; (v) Quando menos, a partir do entendimento presente no o acórdão recorrido no sentido de que “o contribuinte pode pleitear a restituição das estimativas quitadas via parcelamento à medida que estas forem pagas, observandose que o prazo para pleitear a restituição certamente será contado a partir da quitação do parcelamento de cada estimativa” (fl. 201), e considerando que possui “a RFB pleno controle dos pagamentos realizados pela Recorrente no âmbito do parcelamento de suas estimativas, impunhase ao v. acórdão recorrido reconhecer, quando menos, o direito à compensação do seu saldo negativo na proporção das estimativas já recolhidas no parcelamento” (fl. 202); (vi) Em relação às não confirmadas compensações de estimativas de janeiro e setembro de 2004, afirmou que (vi.1) o fato de encontrarse pendente de julgamento a compensação de estimativa (não confirmada) de Janeiro/2004 nos autos do P.A. 10280.013060/9914 perante a 3ª Turma da CSRF “em nada afeta o direito da Recorrente em considerar a referida estimativa no cômputo do seu saldo negativo (...), conforme orientação expressa” (fl. 204) da Solução de Consulta Interna n. 18/2006; e (vi.2) a compensação de estimativa relativa ao mês de Setembro/2004 foi analisada equivocadamente (tanto no acórdão recorrido quanto no despacho decisório), de modo que deve ser corrigido “por esse órgão de julgamento, uma vez que a estimativa de setembro de 2004 não tem vinculação com a PER/DCOMP nº 15447.58301.290906.1.7.030308, mas sim com a PER/DCOMP 37423.21371.120405.1.7.030800, conforme fls. 74 dos autos (página 12 da PER/DCOMP n. 21905.16703.010908.1.7.0208750)” (fl. 205); (vii) Em relação à falta de comprovação dos recolhimentos de IRRF no curso do anocalendário, entende que, a despeito de ser despicienda qualquer prova nesse sentido, eis que tais informações estariam sob controle da RFB, “apresentará os respectivos comprovantes por meio dos informes de rendimentos recebidos e demais documentos no curso do presente processo, de modo a evidenciar a legitimidade do valor integral do saldo negativo apurado e requerido pela Recorrente” (fl. 206). É o relatório. Voto Vencido Contra a r. decisão de 1ª Instância, da qual houve ciência por meio de carta com AR no dia 25/01/2013 (fl. 171), houve a tempestiva interposição de Recurso Voluntário no dia 26/02/2013 (fls. 184/206), razão por que dele conheço. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 5 7 Da possibilidade de conhecimento de matéria pretensamente prescrita em razão da natureza da questão em debate (saldo negativo de IRPJ) e a respectiva análise específica dos créditos Primeiramente, devemos nos debruçar sobre a possibilidade de análise (i) do pretenso crédito não utilizado no prazo legal no montante de R$1.619.567,67, e (ii) do pretenso crédito prescrito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31.12.2004 e compensado por meio da DCOMP n. 06907.02111.251010.1.3.028378, transmitida em 25.10.2010; que, no despacho decisório, foram tidos como “valor não utilizado no prazo legal” (fl. 101), porquanto “embora o PER/DCOMP com demonstrativo do crédito tenha sido transmitido dentro do prazo de cinco anos, contado da data de apuração do saldo negativo, houve transmissão de outros PER/DCOMP relativos ao mesmo crédito para os quais, na data de sua transmissão, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em função do decurso do prazo legal.” (fl. 102). Lembrese que a data de apuração primeira do saldo negativo foi o fim do anocalendário de 2004 (31/12/2004), enquanto que a DCOMP que, de acordo com o despacho decisório, estava “com direito de utilização do crédito extinto pelo decurso do prazo legal” (fl. 102), foi transmitido originalmente em 25/10/2010 (06907.02111.251010.1.3.028378). Pois bem! Inicialmente, esclareçase a possibilidade de análise da questão independente de questionamentos na manifestação de inconformidade, na medida em que "reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública" (CARF P.A. 16045.000365/200732 Acórdão n. 2301002.274 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção Sessão de 24/08/2011). É dizer, por se tratar de matéria de ordem pública – fulminação de créditos de saldo negativo por conta de alegada prescrição –, a questão deve ser analisada nesta instância recursal a partir do entendimento que há muito prevalece no seio desse Col. CARF. Superada a questão do conhecimento da questão, aplico entendimento – inúmeras vezes chancelado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – no sentido de que “o aproveitamento dos saldos negativos dos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados” (fls. 08/09 do acórdão n. 910100.411 – P.A. 11080.006480/0004 – 1ª Turma da CSRF – Sessão de 01/11/2009 – Cons. Rel. Karem Jureidini Dias. No mesmo sentido, fls. 10/11 do acórdão n. 910100347 – P.A. 13839.000190/200143 – 1ª Turma da CSRF – Sessão de 26/08/2009 – Cons. Rel. Antônio Praga). Assim, “a cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur” (fl. 09 do acórdão n. 910100.411 – P.A. 11080.006480/0004 – 1ª Turma da CSRF – Sessão de 01/11/2009). Por conta disso, não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que a Recorrente exerça seu direito à restituição no caso de saldo negativo de IRPJ quando Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 mantido o regime de apuração do lucro real, uma vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período. Nesse sentido, vejamos alguns precedentes da CSRF, in verbis: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricrional de 5 (cinco) anos para que contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de CSLL, uma vez que, mantido no regime de apuração do lucro real, poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento, renovados a cada período de apuração. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Reconhecida a tempestividade do pedido da Contribuinte, devem os autos retornarem à autoridade jurisdicionante, para exame do mérito.” (CARF – P.A. 10880.015970/0013 – Acórdão n. 910100.510 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Sessão de 26/01/2010) “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que o contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de IRPJ e CSLL, quando mantido o regime de apuração do lucro real, uma vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período” (CARF – P.A. 11080.006480/0004 – Acórdão n. 910100.411 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Sessão de 03/11/2009) Esse entendimento – diversas vezes externados no seio da Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais – já permite dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a alegada prescrição de parte de seus créditos. Nada obstante, tendo em vista a existência de precedente desta Col. 1ª Turma (prolatado com antiga composição) no sentido de que “a demonstração de direito creditório em DCOMP não pode ser admitida como manifestação de vontade hábil a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pleito da restituição de indébito” (fl. 16 do acórdão n. 1101 00672, P.A. 11610.003142/200318, Sessão de 14/03/2012, Cons. Rel. Edeli Pereira Bessa) – ocasião em que fiquei vencido –, pareceme o caso de me prologar neste ponto para esclarecer meu entendimento divergente daquele externado pela Cons. Edeli Pereira Bessa naquela assentada. A IN SRF n. 600/2005 previa, em seu art. 26, § 10, que “o sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no §5º”. As Instruções Normativas subsequentes reproduziram a mesma disposição normativa acima visitada: (i) art. 34, §10, da IN SRF 900/2008 e (ii) art. 41, §10, da IN SRF 1.300/2012. Para os fins aqui colimados – interrupção da prescrição –, entendo que o entendimento externado nas referidas Instruções Normativas devem valer tanto em caso de Pedidos de Restituição como de Declarações de Compensação, na medida em que a Contribuinte informa o valor total do crédito na Declaração de Compensação, não sendo permitido que mera formalidade possa prejudicar o direito do contribuinte. Com efeito, a Lei n. 10.637/2002 deu nova redação ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, dispositivo esse que passou a ter o seguinte teor, in verbis: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 6 9 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Nesse cenário, ao apresentar uma Declaração de Compensação, o contribuinte leva ao conhecimento do Fisco a informação do crédito que pretende aproveitar, sendo que o objeto precípuo dos processos administrativos fiscais que encerram controvérsias sobre compensações gravita justamente em torno do respectivo crédito: tanto é assim que a própria competência das Seções desse Egrégio Tribunal Administrativo, em se tratando de feitos que envolvem compensações, definese pela natureza do crédito em testilha, pouco importando o débito discutido. Ou seja, se o contribuinte ostensivamente informa um crédito ao Fisco ao apresentar uma Declaração de Compensação e tendo o Fisco o deverpoder de se debruçar sobre esse crédito – analisando a sua existência e o seu montante – pareceme óbvio que, para os fins das IN SRF ns. 600/2005, 900/2008 e 1.300/2012, não deve haver diferenciação entre Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação. Uma vez que, na esteira do supracitado art. 74 da Lei n. 9.430/96, apenas podem ser compensados os créditos passíveis de restituição, fica claro que a homologação de uma Declaração de Compensação envolve intrinsecamente um juízo prévio acerca da possibilidade de restituição do respectivo crédito. Esse juízo prévio sobre a possibilidade de restituição do crédito pode ter lugar em termos expressos – nas hipóteses em que o sujeito passivo transmite expresso Pedido de Restituição antes da apresentação de uma Declaração de Compensação, ocasião em que se lança mão do crédito cuja restituição se pleiteou para o encontro de contas –, ou então de modo tácito – nas hipóteses em que o crédito a ser compensado já vem inicialmente informado em Declaração de Compensação –, tendo em vista que a apresentação de formal Pedido de Restituição não é condição para o regular processamento de Declaração de Compensação. A propósito, esse Col. CARF já perfilhou entendimento análogo, no sentido de que, uma vez decorrido o lapso temporal necessário para a homologação tácita, homologa se não apenas a extinção do débito indicado, mas também o crédito declinado na respectiva Declaração de Compensação. Com efeito, é exatamente isso que se depreende da leitura da seguinte ementa, litteris: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PERDCOMP. INDÉBITO RECONHECIDO. UTILIZAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. INAPLICABILIDADE. O prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional se aplica ao direito do contribuinte de pleitear a restituição ou ressarcimento. Se o contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, PERDCOMP e o indébito nele indicado foi reconhecido pelo Fisco, não cabe aplicar novo prazo prescricional aos PERDCOMP posteriormente apresentados para utilização do saldo do direito creditório já reconhecido anteriormente. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo (IN SRF nº. 1.300, de 2012, art. 41, § 10). (CARF Acórdão unânime n. 1801001.450, 1ª Turma Especial, P.A. n. 10680.902786/201023, Sessão de 08/05/2013) Do voto condutor do aresto em destaque, são extraídas as seguintes esclarecedoras passagens, litteris: "A partir de outubro de 2002, com as alterações na legislação tributária federal, passouse a exigir que o contribuinte que desejasse se utilizar de indébitos tributários na compensação de tributos apresentasse tal solicitação ao Fisco. Como, nos termos da legislação, somente indébitos passíveis de restituição podem ser utilizados em compensações, havia a necessidade de o interessado apresentar, primeiro, um pedido de restituição para, só então, apresentar um pedido de compensação e, posteriormente, a declaração de compensação. Atualmente, o PERDCOMP é o instrumento eletrônico por meio do qual o contribuinte interessado pleiteia a restituição de determinados indébitos tributários e a sua utilização em compensações com créditos tributários. A sigla do documento significa PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Assim, todo PERDCOMP encerra, primeiramente, um pedido de restituição. Encontrase anexada aos autos cópia do PERDCOMP RETIFICADOR de n 34121.30504.041007.1.7.027706 (fls. 22 e ss. do processo digital) que a interessada apresentou em 04/10/2007 (o PERDCOMP retificado data de 22/12/2004). Nesse PERDCOMP retificador a recorrente já havia consignado o valor do direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 76.910,73, apesar de terse utilizado, nesse documento, da parcela de R$1.229,66 do saldo negativo. Em outras palavras, com o PERDCOMP de n 34121.30504.041007.1.7.027706, a recorrente já havia apresentado ao Fisco o seu pedido de restituição do indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$76.910,73. Esse documento foi apresentado dentro do prazo prescricional previsto no artigo 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No caso dos autos, uma vez reconhecido o indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor integral de R$76.910,73, como de fato o foi tanto pelo despacho decisório, como pela Turma Julgadora de 1ª instância, a interessada dele pode se aproveitar enquanto houver saldo disponível. Esse, inclusive, é o entendimento da própria administração tributária, como e verifica do teor da IN SRF nº. 1.300, de 2012: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 7 11 do Anexo VII a esta Instrução Normativa ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. §5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. ... §10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5° (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no §5º." Também por conta desse motivo, mostrase inadmissível a pretensão de afastar crédito – já reconhecido pela DRF/Belém – por conta de eventual prescrição, na medida em que a Contribuinte informara o valor total do crédito na Declaração de Compensação, não sendo permitido que mera formalidade possa prejudicar o direito do contribuinte. Por assim ser, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto, para afastar a alegação de prescrição (i) do crédito – já reconhecido pela DRF/Belém – no importe de R$1.619.567,67 e (ii) chancelar a possibilidade de utilização do saldo negativo de IRPJ a que faz jus a Recorrente para pagamentos dos débitos apontados no DCOMP n. 06907.02111.251010.1.3.028378. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, cuidase aqui de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004, utilizado em compensações declaradas em 07/04/2005 (retificada em 01/09/2008), 26/02/2009 e 25/10/2010. Esta última DCOMP, além de se valer de crédito superior ao apurado pela autoridade fiscal, foi apresentada depois do prazo legal estipulado no art. 168 do CTN. No despacho decisório de fls. 98/103 consta que embora o PER/DCOMP com demonstrativo do crédito tenha sido transmitido dentro do prazo de cinco anos, contado da data de apuração do saldo negativo, houve transmissão de outros PER/DCOMP relativos ao mesmo crédito para os quais, na data de sua transmissão, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em função do decurso do prazo legal. Esta a razão, portanto, para não homologação da compensação declarada por meio da DCOMP nº 06907.02111.251010.1.3.028378, única apontada no demonstrativo de saldos devedores resultantes daquela decisão (fl. 103). Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 A recorrente discute a formação do indébito porém, diante do contexto acima, a abordagem de mérito somente tem lugar depois de superada a preliminar de prescrição. E, neste sentido, a contribuinte invoca entendimento da CSRF no sentido de que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro conta corrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados. Esta Conselheira, porém, já se manifestou contrariamente a esta tese no voto condutor do Acórdão nº 110100.672, consoante excerto a seguir transcrito: Inicialmente cabe rejeitar o argumento apresentado, pela recorrente, em sustentação oral, no sentido de que o indébito relativo a saldo negativo não prescreveria. Tal entendimento, como indicado em memoriais, estaria sendo reafirmando na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita de caso apreciado pela Conselheira Karem Jureidini Dias, aplicando os fundamentos expressos, dentre outros, no Acórdão no 910100.347, de relatoria do Conselheiro Antonio Praga, de cujo voto se extrai: Este colegiado nos últimos 2 anos, sedimentou o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão n° 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL dos anos calendário de 1993 a 1997, esta turma da CSRF vem decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão n° 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Compus o colegiado em ambos os julgamentos e acompanhei os relatores, sendo que os debates centraramse na contagem do prazo para interposição do pleito, a mesma questão ora enfrentada. Todavia, tendo agora a oportunidade de atuar como relator, resolvi analisar outros aspectos que envolvem a matéria. Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos — retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 8 13 dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6° O imposto devido, apurado na forma do art. 2°, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2°; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2° O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir de 7 1 0 de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3 0 O prazo a que se refere o inciso I do § 1° não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 10 a 30, 5 0 a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2° fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 § 1° A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação,.da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7o O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF n° 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6° do art. 2° será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3° do art. 2°. §1° A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2° Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda. §3° Observado o disposto no §4° do art. 2°, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma. dos arts. 3° a 6° e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3° a 6° e 10. §4° Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (..) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 9 15 Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na. Lei n° 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF n°210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2° Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3° A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de oficio, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6° Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social — Lucro Real a partir do ano calendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Enquanto o contribuinte se manter no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear essa restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Bastaria dizer que as normas que dão fundamento a este entendimento foram editadas em um contexto no qual era desnecessária a apresentação de requerimento/declaração para compensação de tributos de mesma espécie, ao passo que, no presente caso, tratase da compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000, utilizado apenas em 2006, e para quitação de tributos de diferentes espécies (Contribuição ao PIS, COFINS, CSLL, além do próprio IRPJ). Logo, a argumentação da recorrente poderia lhe aproveitar, no máximo, relativamente às compensações de saldo negativo de IRPJ com débitos também de IRPJ. Ocorre que desde a edição da Medida Provisória no 66/2002, as compensações, mesmo entre tributos de mesma espécie, somente se efetiva mediante a apresentação de declaração de compensação – DCOMP. Vejase: Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Instrução Normativa SRF no 210/2002, na redação dada pela Instrução Normativa SRF no 323/2003: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". [...] § 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo sujeito passivo ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição. Logo, o art. 6o, § 1o, inciso II da mesma Lei no 9.430/96 passou, a partir de então, a ser lido em conformidade com as novas disposições legais: a compensação é possível a partir da apuração do saldo negativo, mas deve ser formalizada mediante a apresentação de DCOMP. De toda sorte, mesmo antes da criação da DCOMP, quando era possível a compensação entre tributos de mesma espécie escrituralmente, não se admite que o saldo negativo não se sujeitaria a prescrição. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 10 17 O saldo negativo nada mais é do que o resultado credor obtido na apuração do IRPJ ou da CSLL incidentes sobre o lucro tributável, o qual tem por referência o lucro contábil e este, por sua vez, observa a autonomia dos exercícios. Ou seja, o lucro contábil é um fato cuja existência está circunscrita a um período de apuração. Portanto, suas decorrências mantêm esta mesma natureza, apurandose lucro real, IRPJ/CSLL devidos ou saldo negativo em razão do que verificado em um determinado período de apuração. Contabilmente, as antecipações são registradas como direito ao longo do período de apuração e, apurado o tributo devido ao final deste período, ele é confrontado com aquelas antecipações, resultando em um montante que, se devedor, subsistirá como direito na contabilidade, individualizado sob a natureza de saldo negativo daquele período. Este valor podia ser objeto de compensação com débitos de IRPJ apurados em períodos subseqüentes, mas desde que ainda não transcorridos 5 (cinco) anos de sua determinação. É certo que em algumas declarações de rendimento da pessoa jurídica (DIPJ) a Receita Federal do Brasil exigiu a indicação, na apuração do IRPJ do período, de créditos de períodos anteriores, e, nos casos em que o sujeito passivo já apresentava créditos do período superiores aos débitos, o resultado final era um saldo negativo acumulado de mais de um período. Mas isto, antes de confundir o saldo negativo do período com o de períodos anteriores, mais se prestava a recordar ao sujeito passivo a possibilidade de existir créditos de mesma natureza, apurados em períodos anteriores, e hábeis a reduzir o saldo devedor eventualmente apurado naquele período. Assim, não se admite, aqui, que esta demonstração se preste a alterar a natureza do crédito, determinada em razão de seus componentes, os quais são definidos a partir de operações circunscritas a um período autônomo. Confrontandoos, apurase IRPJ/CSLL a pagar ou saldo negativo destes tributos, e, neste segundo caso, a partir dali começa a contar o prazo para que o sujeito passivo dele faça uso em compensação ou restituição. A recorrente assevera que desde a apresentação da primeira DCOMP, em 2003, interrompeu o prazo decadencial para pedido de restituição/compensação do saldo negativo apurado no anocalendário 2000, inexistindo inércia na medida em que o crédito utilizado nas DCOMP posteriores já tinha tido sua restituição/compensação requerida às autoridades fiscais. O Código Tributário Nacional não trata especificamente da interrupção da fluência deste prazo, apenas dispondo sobre o prazo prescricional da ação anulatória de decisão administrativa que denegar restituição e da ação de cobrança do débito tributário: Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. A Lei nº 6.830/80, por sua vez, apenas trata da hipótese de interrupção da prescrição da ação de cobrança do débito tributário: Art. 8º O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a execução, observadas as seguintes normas: [...] § 2º O despacho do Juiz, que ordenar a citação, interrompe a prescrição. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 Já a lei civil, assim dispõe sobre a interrupção da prescrição: Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, darseá: I por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual; II por protesto, nas condições do inciso antecedente; III por protesto cambial; IV pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; V por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; VI por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. Ausente disposição específica sobre a matéria, é possível interpretar, a partir das determinações legais correlatas antes descritas, que a interrupção da prescrição somente ocorre quando o titular do crédito manifesta seu direito em face do credor pela via adequada. O prazo em curso, por sua vez, referese ao pleito de restituição de indébito, de forma que só a manifestação de vontade neste sentido seria hábil a produzir os efeitos interruptivos pretendidos pela recorrente. A DCOMP, porém, não veicula pedido de restituição do indébito total apurado, mas apenas, e implicitamente, da parcela utilizada em compensação. Isto porque compensação, nos termos do art. 156, II, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário, a qual se materializa mediante a oposição de um direito do sujeito passivo, tido por líquido e certo e de natureza tributária, contra um débito tributário por ele reconhecido perante a Fazenda Nacional. Logo, o direito creditório apresentado à Fazenda Nacional, nesta operação, é o valor utilizado para liquidação do débito, ainda que demonstrado em sua integralidade. A alteração promovida pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) no art. 74 da Lei nº 9.430/96 deixa claro que a manifestação de vontade contida na DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] (negrejouse) Esta interpretação também está exteriorizada em atos normativos da Receita Federal desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. É certo que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002 cogitava da possibilidade de restituição de indébito de ofício, nos seguintes termos: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 11 19 II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. § 1º A representação a que se refere o inciso III deverá ser encaminhada à autoridade da SRF competente para decidir sobre o direito creditório do sujeito passivo, acompanhada de comprovante do recolhimento e de demonstrativo no qual fique evidenciado o valor do indébito. § 2º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá encaminhar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida ou, quando for o caso, decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 3º A restituição do imposto de renda apurado na DIRPF regerseá pelos atos normativos da SRF que tratam especificamente da matéria, ressalvado o disposto nos arts. 9º e 10 desta Instrução Normativa. Todavia, adequandose às disposições legais antes transcritas, a Instrução Normativa SRF nº 460/2004 firmou corretamente o posicionamento no sentido de que o sujeito passivo deve manifestar seu interesse em restituir a integralidade do indébito até o término do prazo previsto para tanto, sob pena de prescrição de seu direito à devolução da parcela até então não utilizada em compensação. Admitir que o crédito veiculado na DCOMP corresponde ao valor ali integralmente demonstrado poderia ter outras conseqüências desfavoráveis ao sujeito passivo, tendo em conta que desde a Lei nº 12.249/2010 há penalidade que toma este valor como referência: Art. 62. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. ....................................................................... ............................................................................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) Crédito objeto de declaração de compensação, na hipótese do §17 acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, é o valor utilizado para liquidação dos débitos, sendo inadmissível cogitar da aplicação de penalidade sobre a parcela demonstrada na DCOMP, acerca da qual não houve manifestação de vontade do sujeito passivo quanto à sua utilização. Assim, por todo o exposto, a demonstração de direito creditório em DCOMP não pode ser admitida como manifestação de vontade hábil a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pleito da restituição de indébito. Necessário, portanto, definir a forma de contagem do prazo para que a contribuinte fizesse uso do indébito formado com a apuração do saldo negativo no ano calendário 2000. Dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do anocalendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, que novamente se transcreve: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 12 21 § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (negrejouse) Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento (in casu, 01/01/2001) [e neste caso 01/01/2005] é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Neste sentido, também, é o art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Ainda, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, atualmente vigente, apenas acresce a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. Importante observar ainda o que dispõe o art. 150 do CTN: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 22 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [grifos acrescidos]. Nos termos da lei, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirma a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Observese que esta interpretação está corroborada pelo art. 3º Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por sua vez, aos órgãos administrativos de julgamento cumpre, apenas, apreciar a validade dos atos administrativos, mas não das normas gerais e abstratas, que lhes conferem fundamento de validade, editadas pelo Poder Legislativo, no exercício de sua competência precípua. Apenas o Poder Judiciário tem a competência de apreciação da validade formal e material dos preceitos normativos veiculados em normas jurídicas editadas pelo Poder Legislativo. E, embora o Superior Tribunal de Justiça tenha se manifestado favoravelmente à tese da interessada – inclusive reafirmando tal entendimento sob a sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito do REsp nº 1.002.936/SP –, o Decreto nº 70.235/72 não permite que os órgãos de julgamento administrativo afastem a aplicação de lei com fundamento em decisões proferidas por aquele Tribunal Superior. Vejase: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 13 23 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) É certo que o Regimento Interno do CARF determina a observância de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Todavia, a tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621. E tal debate evidencia que a matéria não é infraconstitucional, afastando a aplicação da disposição regimental acima reproduzida, que cogita da necessária observância das decisões do Superior Tribunal de Justiça quando cabe a este decidir, em última instância, o tema em questão. De fato, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 24 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em 27/02/2012, no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, foi declarado o trânsito em julgado desta decisão, ocorrido em 17/11/2011, o que impõe a sua reprodução no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispõe o art. 62A do RICARF, antes citado. Esclareçase que este entendimento é aplicável à interessada pois, embora a decisão reportese a prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. E, por esta mesma razão, não prospera a alegação, veiculada em sustentação oral, no sentido de que o Supremo Tribunal Federal estaria apreciando o prazo para pleito judicial de restituição, enquanto o Superior Tribunal de Justiça já teria definido, no rito dos recursos repetitivos, o prazo para pedido administrativo de restituição. Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado, de 13/01/2006 a 31/07/2007, direito creditório apurado em 31/12/2000. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte posterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do prazo nela previsto. Assim, mesmo observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, concluise que em 13/01/2006 já havia expirado o prazo de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2001, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/2000. Correta, portanto, a nãohomologação das DCOMP apresentadas depois de transcorridos 5 (cinco) anos da apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000. Aqui tratase de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, cuja utilização era possível de 01/01/2005 a 31/12/2009, no caso de pedidos de restituição ou declarações de compensações apresentadas a partir de 09/06/2005. A DCOMP em debate, porém, foi apresentada em 25/10/2010, evidenciando a prescrição do crédito informado como apurado em 31/12/2004. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.904904/200915 Acórdão n.º 1101001.127 S1C1T1 Fl. 14 25 De outro lado, se novas parcelas do direito creditório formaramse a partir da quitação das estimativas parceladas, cumpriria à contribuinte demonstrar este crédito separadamente, e não vincular as compensações àquele que informou constituído em 31/12/2004. Assim, evidenciada a prescrição do crédito utilizado em 25/10/2010 na forma aqui exposta, desnecessário se mostra apreciar os demais argumentos da recorrente acerca da regularidade das demais estimativas e das retenções questionadas no despacho decisório. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10325.001363/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
O direito de crédito pelas aquisições de insumos, na apuração não cumulativa da Cofins, nos termos da Lei nº 10.637/02, legitima-se por meio dos documentos comprobatórios do recebimento e do efetivo pagamento pelos bens, incumbindo a prova dessa situação jurídica ao contribuinte, a teor do art. 373, I do Código de Processo Civil (2015), e art. 36 da Lei nº 9.784/99, de modo que, não se desvencilhando o interessado de produzir essa prova, não há como reconhecer-lhe o direito (de crédito) vindicado.
Numero da decisão: 3401-005.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. O direito de crédito pelas aquisições de insumos, na apuração não cumulativa da Cofins, nos termos da Lei nº 10.637/02, legitimase por meio dos documentos comprobatórios do recebimento e do efetivo pagamento pelos bens, incumbindo a prova dessa situação jurídica ao contribuinte, a teor do art. 373, I do Código de Processo Civil (2015), e art. 36 da Lei nº 9.784/99, de modo que, não se desvencilhando o interessado de produzir essa prova, não há como reconhecerlhe o direito (de crédito) vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 13 63 /2 00 3- 12 Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.189 2 Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da Resolução CARF nº 3401000.846, abaixo transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 2o trimestre de 2003. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência, consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. 2. Extraise do relatório de diligência fiscal, situado a partir da fl. 1175, relação de processos da mesma contribuinte com a discriminação do tributo e do período de apuração em debate: Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.190 3 3. Concluiu a diligência nos seguintes termos: A diligenciada apresentou planilha de notas fiscais complementares, emitidas no 2º trimestre de 2003, no montante de R$1.467.344,70 (um milhão, quatrocentos e sessenta e sete mil, trezentos e quarenta e quatro reais e setenta centavos), pela entrada do insumo carvão, adquirido de fornecedores sediados no país, que, conforme seus esclarecimentos, são decorrentes das diferenças de pesagem realizada no momento do recebimento. Daquele montante, os fornecedores pessoas jurídicas somam R$1.467.261,99 (um milhão, quatrocentos e sessenta e sete mil, duzentos e sessenta e um reais, noventa e nove centavos), sediadas nos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins. O valor de R$82,71 (oitenta e dois reais, setenta e um centavos) referese a um fornecedor pessoa física, domiciliado no Estado do Tocantins, conforme demonstrado, a seguir. (...) O contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamentos. Alegou, em sua resposta, que todos os documentos físicos do período foram perdidos, em razão do tempo. Indicou que há os registros escriturados nos livros de entrada, apuração do ICMS, Livro Diário e Livro Razão, constantes do processo. Esclareceu, ainda, que as impugnações apresentadas contêm amostras suficientes de demonstrativos, notas fiscais, notas fiscais complementares e seus comprovantes de pagamento que comprovam a idoneidade da operação. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.191 4 No processo, constatase que o contribuinte escriturou adiantamentos a fornecedores de carvão, relacionados nas notas fiscais complementares, e, de forma consolidada, o estoque de carvão vegetal e o montante do insumo carvão aplicado na produção, conforme o Balancete Contábil Analítico, que é parte do Livro Diário nº 41 (vol. 1, fls. 734 e seguintes). Escriturou, no Razão Analítico, a aquisição de carvão vegetal e o frete decorrente do transporte (vol. 4, continuação, fls. 354 e seguintes). Constam cópias de cheques e boletins de pagamento, que comprovam pagamentos do insumo carvão, referentes a parte do valor das notas fiscais nº88115, nº 88573 e nº88805, emitidas pela diligenciada, em favor de N. A. Ribeiro Serviços, CNPJ.:01.489.082/000142; e notas fiscais de nº88907, nº88908, nº89423 e nº89430, emitidas em favor de José Alves da Silva Serviços, CNPJ.:41.374.117/000112 (vol. 4, fls. 298 e seguintes; e vol. 4, continuação, fls. 328 e seguintes). Porém, essas notas fiscais não foram objeto de glosa na ação fiscal inicial, conforme podese constatar confrontandose a planilha de notas fiscais complementares, apresentadas a esta diligência, e aquela analisada pela fiscalização (vol. 2, fls. 803 e seguintes). Observese, ainda, que o montante R$1.467.344,70 (um milhão, quatrocentos e sessenta e sete mil, trezentos e quarenta e quatro reais e setenta centavos), glosado em decorrência de notas fiscais complementares, emitidas pela diligenciada, identificado no Termo de Verificação Fiscal (vol. 2, fls. 895 e seguintes) é igual ao montante das notas fiscais complementares apresentadas a essa diligência fiscal. Constatouse, por fim, que, no processo, ao contrário do alegado pela diligenciada, não há comprovantes do efetivo pagamento do insumo carvão, identificado na relação de notas fiscais complementares, objeto de glosa no pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo, do 2º trimestre de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.192 5 4. A questão, trazida pela mesma contribuinte, foi tratada por esta turma em diversas oportunidade, como, e.g., ambos publicados em 04/04/2018, no Acórdão CARF nº 3401004.452, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, e no Acórdão CARF nº 3401 004.433, de relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, de cujas razões extraímos os seguintes trechos, com os quais comungamos: "O debate, nessa assentada, repousa na possibilidade de reconhecer direito de crédito em relação a pretensas aquisições de carvão vegetal, em grande parte (98%), de pessoas jurídicas, pela emissão de notas fiscais complementares pelo próprio adquirente, in casu, o recorrente. A Resolução nº 3401000.227, de 03/02/2011, já havia fixado que esse procedimento, reprovado pela fiscalização, de fato, não contava com respaldo do Decreto nº 4.544/02, que, dentre as várias hipóteses para emissão de nota fiscal, não relacionava a “autorização para que o adquirente emita nota fiscal complementar para si mesmo”, entretanto, reconheceu que esse não era o único documento hábil a referendar o direito de crédito da não cumulatividade para o PIS/Pasep, oportunidade que, em nome do princípio da verdade material, determinou a aferição das quantidades de carvão adquiridas e registradas. Em retorno de diligência, a mesma turma julgadora, à vista da ausência de entrega dos arquivos digitais o que, segundo o recorrente, deveuse à perda da base de dados e à mingua de outras informações, entendeu que as aquisições não estavam devidamente demonstradas, porquanto fundadas simplesmente na escrituração das sobreditas notas fiscais complementares, e determinou nova diligência para que fossem apresentados, dentre outros documentos, os comprovantes de pagamento dessas diferenças. Esse novel procedimento não trouxe qualquer novo elemento comprobatório das vindicadas aquisições, mas apenas registros contábeis das notas complementares e o registro consolidado de adiantamentos a fornecedores de carvão. Consoante art. 3º, II, § 1º, I da Lei nº 10.637/02, o contribuinte poderá descontar créditos relativos aos bens, utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos no mês. A espécie de “aquisição” tratada nesses autos é a operação de compra e venda de carvão vegetal, que se qualifica como tal pelo compromisso do vendedor de transferir o domínio da coisa (carvão vegetal) e do vendedor de pagarlhe o valor ajustado (preço), nos termos do art. 481 do Código Civil – Lei nº 10.406/02. Na mesma linha intelectiva da Resolução nº 3401000.227, o Decreto nº 4.544/02 dispõe que os créditos (aquisições) são escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes conferem legitimidade (art. 190, caput reprodução do art. 171 do Decreto nº 2.637, de 1998). Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.193 6 Como decidido naquela ocasião, as notas fiscais complementares emitidas pelo próprio contribuinte, ora recorrente, não contam com aval da legislação tributária para sua admissibilidade, o que, por via transversa, prejudica os lançamentos respectivos, razão pela qual o mero registro dessas notas fiscais, por não legitimarem o direito de crédito, não são suficientes à garantia desse mesmo direito. Então, afastada essa possibilidade probatória, cabia ao recorrente, por analogia ao art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, cumulativamente, comprovar o recebimento da mercadoria e a comprovação do efetivo pagamento. A Resolução nº 3401000.227 aparentemente teria admitido as fichas de controle do IBAMA como prova do recebimento da mercadoria, todavia, a realização do pagamento não foi demonstrada, sendo de pouca valia a alegação descritiva do caráter informal, por assim dizer, do mercado local de carvão vegetal. Notese que o direito de crédito, à luz do art. 3º da Lei nº 10.637/02, se perfaz pela aquisição do insumo, não bastando a esse desiderato a simples prova do seu recebimento, mas principalmente a sua contrapartida: o pagamento. Nesse passo, segundo o art. 373, I do Código de Processo Civil (2015) e art. 36 da Lei nº 9.784/99, utilizados subsidiariamente no processo administrativo contencioso, a prova dos fatos constitutivos do direito que invoca é incumbência do autor do pedido, no caso de restituição e ressarcimento de créditos, o contribuinte, que, não se desvencilhando desse encargo, vê o seu direito perecer pela ausência de prova de sua existência. Nesse ponto, também não socorre o recorrente a alegação de perda desses documentos pela ação do tempo, haja vista que o art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional prevê que “os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”, de maneira que, pendente de julgamento os recursos administrativos interpostos, e, por conseqüência, suspensa a exigibilidade do crédito tributário, ainda não ocorreu a sua prescrição, de sorte que era obrigatório ao contribuinte a manutenção em boa guarda de toda a documentação relativa aos lançamentos que contesta. Em síntese, não comprovado o pagamento das diferenças de carvão vegetal, objeto das notas fiscais complementares, não há como reconhecerlhes o qualificativo de aquisição de insumo, para a finalidade de creditamento da apuração não cumulativa do PIS/Pasep (Lei nº 10.637/02). Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário manobrado" (seleção e grifos nossos). Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10325.001363/200312 Acórdão n.º 3401005.053 S3C4T1 Fl. 1.194 7 5. Coerente com a posição anteriormente adotada por este relator nas diversas vezes em que a matéria foi apreciada por este colegiado, sempre referentes à contribuinte ora recorrente, entendo que recalcitrância da autuada não merece, portanto, acolhida, sobrevindo carência probatória a seu pleito, nos termos das razões acima transcritas. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1194DF CARF MF
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Numero do processo: 17734.721196/2016-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 73 4. 72 11 96 /2 01 6- 63 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2015, anocalendário de 2014. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 14.118,90, em razão da falta de apresentação de sentença, acordo homologado ou escritura pública relativa . Após a revisão, foi apurado o saldo de IRPF suplementar no valor de R$ 2.495,46, considerando juros e acréscimos legais. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não logrou o contribuinte em comprovar o seu direito eis que não tinha sido ainda apresentada a sentença para a pensão de ambas (Mariana Rique Paiva e Renata Campos Rodrigues). Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e apresenta a documentação restante para comprovar seu direito à dedução. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 17734.721196/201663 Acórdão n.º 2001000.486 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário foram apresentados cópia da sentença, e comprovantes de pagamento da pensão, entendo que foram cumpridos os requisitos legais exigidos para a aceitação da dedução de despesas desta natureza. Apenas a título de esclarecimento, o contribuinte tem sentenças para pagamentos de pensões distintas, quais sejam, para Renata Campos Rodrigues, CPF 723.837.80278, com quem tem um filho , Rian Acácio Rodrigues Paiva (pensão paga no valor de R$14.118,00), e para Marinalva Rique, CPF 537.151.60772, com quem tem a filha Mariana Rique Paiva(pensão paga no valor de R$35.819,92). CONCLUSÃO: Fl. 102DF CARF MF 4 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
