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Numero do processo: 19647.008371/2004-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
Numero da decisão: 9101-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, com retorno dos autos ao colegiado de origem.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo -Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
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ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 83 71 /2 00 4- 02 Fl. 98DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Federal, por meio de Ato Declaratório Executivo DRF / REC nº 521.432, de 02 de agosto de 2004 (fls. 6 – pdf 5), no qual se identifica como causas de exclusão: Art. 1º Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo (...) Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2000 ultrapassou o limite legal. CPF 274.151.20434. CNPJ 02.344.375/00102, 10.922.375/000162 35.601.061/000199 03.885.338/000166 Data da ocorrência: 31/12/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, IX; art.12: art.14, I; art.15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001;art.73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003; art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24, II. c/c parágrafo único. O contribuinte apresentou pedido de revisão da exclusão do Simples, que foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife: No ano calendário de 2000, além de ser sócio da empresa requerente (fls. 10), o titular do CPF Nº 274.151.20434 também era sócio das empresas identificadas as fls. 11 a 14, com participação superior a 10% e a receita bruta global superou o limite legal para permanência no Simples (fls. 15 a 17). Desta forma, a requerente incorreu na vedação descrita pelo artigo 9º, inciso IX, da Lei N° 9. 317/96. A data do efeito da exclusão está de acordo com o artigo 24, inciso II, § único, da IN SRF nº 355/2003, em vigor na época. Diante do exposto, em vista a consistência do Ato Declaratório, proponho o indeferimento do requerimento do interessado (...) Tendo sido apresentada Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife manteve a exclusão do Simples (fls. 51): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 EXCLUSÃO SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 99 3 Dáse ensejo A situação excludente do sistema simplificado quando o sócio de empresa optante pelo SIMPLES participa com mais de 10% no capital da outra empresa e ocorre de o faturamento global superar, em todo o Anocalendário, o limite máximo legalmente estabelecido para optar/permanecer. Solicitação Indeferida Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 57), alegando, em síntese: (i)“se o contribuinte alega na fase preliminar que alterou seus estatutos sociais arquivandoos na Junta Comercial como sendo a expressão da verdade dos fatos cometidos e comedidos, se ao Órgão fiscalizador ou Julgador achar dúvida, é de acionar o seu Sistema de Informação do qual é detentor para confirmar ou não a verdade destes fatos”. (ii) a alteração do contrato social tem validade desde o momento em que assinada, não do arquivamento perante a Junta Comercial; (iii) A Receita Federal teria, tacitamente, admitido a continuidade da empresa no Simples, na medida em que recepcionou as declarações apresentadas após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Nesse contexto, a Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 68): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Simples. Não exclusão. Participação superior a 10% de sócio desta no capital de outra sociedade empresária beneficiada pelo simples. Limite ultrapassado quando considerado o somatório da receita bruta. LC 123/06. Aplicação retroativa benéfica. A Lei Complementar n° 123/06 comporta aplicação retroativa ao disciplinar que a outra empresa da qual o sócio ou titular participe com mais de 10% a ser considerada no cálculo da receita bruta global não seja beneficiada pelo regime simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Os autos foram remetidos à Procuradoria em 27/04/2010 (fls.73), que interpôs recurso especial em 10/06/2010 (fls. 74), com fundamento no artigo 7º, I, da Portaria MF nº 147/2007, sustentando contrariedade ao artigo 9º, IX, da Lei nº 9.317/1996 e a inaplicabilidade do artigo 3º, §12, da Lei Complementar nº 123/06. O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 81/83): Fl. 100DF CARF MF 4 Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida da vigência da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, será processado de acordo com o rito previsto no artigo 4° do RICARF, Regimento Interno da CSRF em vigor à época da interposição do recurso. Visto que a decisão recorrida não foi unânime, que a sessão de julgamento é anterior a 1º de julho de2009 e que houve a demonstração de à lei; considero que foram preenchidos os requisitos necessários ao recebimento do recurso interposto com fulcro no inc. I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, vigente até 21 de junho de 2009 DOU SEGUIMENTO ao recurso. O contribuinte foi intimado em 17/05/2016 (fls. 95), sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, na forma autorizada pelo artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo a enfrentar o mérito. A Turma a quo julgou recurso voluntário, decidindo por provêlo com a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. As razões do voto condutor são a seguir reproduzidas (fls. 68): 0 objeto da lide referese à exclusão de empresa do Simples, em razão de um de seus sócios participar com capital superior a 10% do capital de outra empresa (fls.10) e por ter a receita bruta global ultrapassado o limite legal para permanência no regime simplificado. Por ter o Ato Declaratório de Exclusão do Simples sido expedido nos exatos termos da legislação (Lei n° 9.317/96), merece retoques se considerarmos o que dispõe a Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006: "Art 3° § 4° inciso IV que não se inclui no regime difèrenciado e favorecido previsto nesta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido caput deste artigo". Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 100 5 "Art. 3° § 12 A exclusão do regime desta Lei Complementar de que tratam os §§ 10 e 11 deste artigo não retroagirá ao início das atividades se o excesso verificado em relação a receita bruta não for for superior a 20% (vinte por cento) dos respectivos limites referidos naqueles parágrafos, hipótese em que os efeitos da exclusão darseão no ano calendário subseqüente." Por todo o exposto, CONCEDO PROVIMENTO AO RECURSO. A exclusão do Simples Federal foi motivada pela infração ao artigo 9º, XI, da Lei nº 9.317/1996, que previa: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Assim, bastava que o sócio do optante pelo Simples Federal fosse também sócio de outra pessoa jurídica, com receita bruta global ultrapassando o limite previsto em lei, para que fosse efetuada a exclusão do Simples. A Lei Complementar nº 123/2006 efetivamente ampliou a possibilidade de empresas aderirem ao Simples Nacional, na forma mencionada pelo acórdão recorrido, como se observa do seu artigo 3º, §4º, IV: Art. 3º (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Não obstante isso, equivocada a decisão recorrida por vislumbrar a possibilidade de retroatividade dos efeitos da Lei Complementar nº 123, afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 102DF CARF MF 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Dentre os acórdãos que originaram a Súmula 81, alguns tratam exatamente da irretroatividade da Lei Complementar 123/2006, quais sejam: 9101000.809, 910100980 e 380300.045. Ademais, dentre os acórdãos que originaram a Súmula CARF 81, o de nº 30335326, trata exatamente da irretroatividade da alteração do limite de receita bruta, por norma posterior, para legitimar a permanência no Simples Fderal. Extraise do acórdão nº 303 35326: O ADE foi expedido com base na Declaração Anual Simplificada (fls.44), cuja receita bruta teria ultrapassado o permissivo legal, qual seja, à época dos fatos, R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Cumpre assinalar que a redação do texto legal supramencionado poderia ser aquela dada pela Lei n° 9.732/98, tendo em vista sua vigência à época dos fatos, o que nos levaria à conclusão de que a receita global não poderia ultrapassar R$ 1.200.000,00. Ocorre que, referido limite foi modificado, tendo em vista alterações na Lei n° 9.317/96, advindas da Lei n°11.196/2005. (trecho do voto vencido) Efetivamente, a alteração da legislação que trata das vedações à opção ao Simples, em verdade, institui um novo regime que, ainda que mais benéfico, somente produz efeitos a partir da sua vigência. Nesse aspecto, peço licença para transcrever trecho do voto condutor do acórdão que inaugurou tal exegese, hoje pacífica no Superior Tribunal de Justiça, que ilustra os fundamentos que reforçaram a necessidade de rever o posicionamento antes defendido. (trecho do voto vencedor) Diante disso, voto pelo provimento parcial ao recurso especial, reconhecendo a irretroatividade da Lei Complementar nº 123, na forma estabelecida pela Súmula CARF 81. Esclareço que o provimento é parcial pois a Procuradoria pede que seja “mantida a decisão de primeira instância”. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento havia mantido a exclusão da empresa do Simples (a conclusão do voto condutor é nesse sentido: “voto no sentido de INDEFERIR A SOLICITAÇÃO da empresa Rangel Comércio e Varejo Ltda, mantendo a exclusão da em presa do SIMPLES” – fls. 54) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 101 7 Ocorre que nem todos os argumentos do contribuinte, veiculados em recurso voluntário, foram apreciados pelo Colegiado a quo. Com efeito, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 57), alegando, em síntese: (i)“se o contribuinte alega na fase preliminar que alterou seus estatutos sociais arquivandoos na Junta Comercial como sendo a expressão da verdade dos fatos cometidos e comedidos, se ao Órgão fiscalizador ou Julgador achar dúvida, é de acionar o seu Sistema de Informação do qual é detentor para confirmar ou não a verdade destes fatos”. (ii) a alteração do contrato social teria validade desde o momento em que assinada, não do arquivamento perante a Junta Comercial; (iii) A Receita Federal teria, tacitamente, admitido a continuidade da empresa no Simples, na medida em que recepcionou as declarações apresentadas após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Os temas não foram apreciados pelo Colegiado a quo, razão pela qual voto pela baixa dos autos para apreciação das razões de recurso voluntário. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, determinando a baixa dos autos à Turma a quo para julgamento dos demais temas de recurso voluntário. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06. Voto, ainda, pela baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto às razões de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000235/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.368
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 35 /2 00 7- 05 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 464 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/RPO, que considerou insubsistentes as razões da Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI pleiteado pela contribuinte, referente ao período compreendido entre 2001 e 2004. Do Despacho Decisório e da Manifestação de Inconformidade No caso, o Despacho Decisório glosou do cálculo de crédito presumido de IPI, previsto na Lei Federal 9.363/1996, sobre aquisições de pessoas que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Por sua vez, a manifestante alegou, em síntese, que seriam ilegais as restrições feitas por meio de Instruções Normativas, relativas a direitos previstos em lei ordinárias exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes. Além disso, requereu pela aplicação da Taxa SELIC para a atualização dos créditos pleiteados. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 465 3 Da Decisão de Primeira Instância Por sua vez, foi exarado o Acórdão 1435.075, pela 2 Turma da DRJ/RPO, que considerou a Manifestação de Inconformidade apresentada improcedente, nos seguintes termos ementados: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001,, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. 'Os valores referentes as aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do F'IS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento , de crédito do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões de sua Manisfestação. É o Relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 466 4 Tratase de ressarcimento de crédito presumido pleiteado pela Recorrente em razão do disposto na Lei Federal 9.363/1996., que assim dispõe: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Art.6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Por sua vez, à época, em razão do que pressupõe o artigo 6º, da referida Lei, foi editada a Instrução Normativa SRF 23/1997, que assim dispôs: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 467 5 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Assim, o objeto em litigio reside na discussão se é válida a restrição imposta na referida Instrução Normativa para que o crédito presumido somente seja derivado de aquisições provenientes de pessoas jurídicas. Nesse interregno, o Superior Tribunal de Justiça veio a discutir a matéria, já em sede de repetitivo, (REsp 993164 MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010); que posteriormente, veio a ser objeto da Súmula 494, abaixo transcrita: Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Diante da existência do julgado sob efeito vinculante a que se refere a previsão do artigo 62, do RICARF, é de se aplicar o seu conteúdo, de modo que é descabida a motivação da glosa elencada no despacho decisório, devendo ser reformada a decisão ora recorrida, nesse particular. Quanto à possibilidade de atualização do crédito a ser ressarcido pela Taxa SELIC, a questão já foi aclara pelo Superior Tribunal de Justiça, da seguinte forma: Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225),decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 468 6 Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): (...) Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. (...) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Por todo o exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento parcial, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000600/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Relatório
Trata-se de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução no 3301000.506 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária. Adoto o relatório constante dessa Resolução, constante das fls. 1702 e seguintes.
Cumpre acrescentar que o presente processo foi objeto dos despachos às fls. 290/293 e retornou a este CARF sem a realização da necessária diligência.
É o relatório.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Trata-se de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução no 3301000.506 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária. Adoto o relatório constante dessa Resolução, constante das fls. 1702 e seguintes. Cumpre acrescentar que o presente processo foi objeto dos despachos às fls. 290/293 e retornou a este CARF sem a realização da necessária diligência. É o relatório.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.014110/2010-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.374
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 162 1 161 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014110/201010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.374 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO Recorrente IWSP EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 41 10 /2 01 0- 10 Fl. 162DF CARF MF 2 Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples Nacional, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/CPS: Tratase de manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES NACIONAL por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS nº 440856, de 01/09/2010, com efeitos a partir de 01/01/2011 (fl. 18). Em sua defesa a interessada alega que teria parcelado os débitos que ocasionaram a edição do citado ADE, nos termos da Lei nº 10.522, de 2002, anexando cópia do pedido às fls. 12/13. Dessa forma, para análise da procedência da exclusão da sistemática simplificada, faziase necessário antes conhecer o resultado do pleito de parcelamento da contribuinte. Por essa razão o processo foi encaminhado à DRF em Campinas, para que fosse informado se o pedido de parcelamento cuja cópia encontrase às fls. 12/13 teria ou não sido deferido à solicitante. Em resposta, a DRF em Campinas assim se manifestou (fl. 23): 'Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra exclusão do SIMPLES NACIONAL, encaminhado a este SECAT para verificação da informação sobre um eventual parcelamento de débitos formalizado pelo contribuinte. Em consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme fls. 21/verso, verificase que o contribuinte não possui parcelamento deferido, relativo aos débitos listados à folha 18 do presente processo, que ocasionaram a sua exclusão do Simples Nacional. Ressaltese que o contribuinte tem registrado um parcelamento de débitos relativos aos períodos de apuração 01 a 05/2007 e que o mesmo encontrase encerrado (fl. 22/verso).' O fato de que a contribuinte não possuía parcelamento deferido em relação aos débitos que haviam ocasionado a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, não implicava que o pedido de fls. 12/13 tivesse sido indeferido, uma vez que ele podia simplesmente estar pendente de análise. Por isso, e levandose em conta que a apreciação do pleito de parcelamento de fls. 12/13 é condição sine qua non para a análise da procedência da exclusão da sistemática simplificada, o presente processo foi novamente encaminhado à DRF em Campinas, para que fosse verificado se o pedido de parcelamento cuja cópia encontrase às fls. 12/13 já havia sido apreciado. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10830.014110/201010 Acórdão n.º 1002000.374 S1C0T2 Fl. 163 3 Em resposta, a DRF em Campinas juntou às fls. 25/26 cópia do indeferimento do pleito de parcelamento e cópia do AR comprovando a ciência da contribuinte. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/CPS no acórdão de impugnação nº 0533.938, de 14 de junho de 2011, o qual foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2011 DÉBITO. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VEDAÇÃO. É vedada a permanência no SIMPLES NACIONAL de microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta suas razões de defesa no requerimento de efl. 151, postulando, ato contínuo, sua conversão em Recurso Voluntário, eis que foi aquele, originária e concomitantemente, utilizado como pedido de desarquivamento deste processo, que encontravase encerrado por término do trâmite processual na forma da legislação aplicável. O Recorrente diz que a revisão da intimação DRF/SOR/SEORT nº 1587/2012 extrapolou a decisão da DRJ/CPS , desenquadrando o contribuinte do Simples Nacional nos anos seguintes (2011 e 2012), que, no seu entendimento, não foram objeto deste processo. Afirma existir cobrança de débitos já devidamente pagos no Simples Nacional pelo método do lucro presumido e exigência de declaração para este regime do qual a empresa não era optante. Reitera que os débitos em aberto, referente aos anosbase de 2008, 2009 e 2010 foram parcelados na forma da IN RFB nº 1.229/2011, e que os pagamentos vem sendo honrados mensalmente, não havendo qualquer inadimplência. Registra que só foi notificada da decisão da DRJ/CPS em 29/06/2012, data em que, segundo afirma, já havia realizado o parcelamento dos débitos nos autos deste processo. Requer, ao final a revisão da intimação DRF/SOR/SEORT nº 1587/2012, para o fim de desconsideração dos débitos constantes da mesma em razão do parcelamento do Simples Nacional em 29/03/2012. É o Relatório em apertada síntese. Fl. 164DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72 (PAF), o Recorrente dispunha de 30 dias de prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ/RJ1, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ/CPS no mês 09/2012 (efl. 53) por edital e apresentou seu Recurso Voluntário somente no dia 13/01/2014 (efl. 151), constatase que o recurso é manifestamente intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Ressalto, que a própria Unidade de Origem lavrou o Termo de Perempção reconhecendo a intempestividade do Recurso Voluntário (efls. 56), sendo os autos remetidos a este colegiado, por força do artigo 35 do já citado PAF: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo perempto. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.014110/201010 Acórdão n.º 1002000.374 S1C0T2 Fl. 164 5 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.004871/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/05/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005
01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 31/12/2006
BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. COMPOSIÇÃO. LEI Nº 9.715/1998, ART. 2º, III.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas.
DCTF. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A DCTF constitui a exigência de crédito tributário, por ter a natureza de confissão de dívida. É instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício.
COMPENSAÇÃO DCOMP. OBRIGATORIEDADE
A compensação deve ser formalizada obrigatoriamente pela apresentação da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/05/2005, 01/05/2005 a 31/05/2005 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. COMPOSIÇÃO. LEI Nº 9.715/1998, ART. 2º, III. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. DCTF. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A DCTF constitui a exigência de crédito tributário, por ter a natureza de confissão de dívida. É instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO DCOMP. OBRIGATORIEDADE A compensação deve ser formalizada obrigatoriamente pela apresentação da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. COMPOSIÇÃO. LEI Nº 9.715/1998, ART. 2º, III. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. DCTF. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A DCTF constitui a exigência de crédito tributário, por ter a natureza de confissão de dívida. É instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO DCOMP. OBRIGATORIEDADE A compensação deve ser formalizada obrigatoriamente pela apresentação da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 48 71 /2 00 9- 75 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10380.004871/200975 Acórdão n.º 3301004.732 S3C3T1 Fl. 568 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração (efls. 3/12) por falta de recolhimento de PASEP dos períodos de 03/2005, 05/2005, 08/2005, 10/2005 a 03/2006, 05/2006 a 12/2006, no valor total de R$ 362.087,41. Os valores lançados foram apurados conforme levantamento efetuado através de balancetes e planilha de cálculo acostados pela fiscalização na efl. 13. Em impugnação, o Município juntou novos documentos e alegou erro na composição da base de cálculo do auto de infração: I. Os valores cobrados nos autos divergem das quantias encontradas com base nos balancetes mensais, guias de recolhimentos e memórias de cálculos anexadas à impugnação. II. No período fiscalizado, recolheu valores superiores aos que estaria obrigado a recolher, gerando um crédito a seu favor no valor de R$ 102.700,09. Após a compensação, constatase que deixou de recolher apenas R$ 17.282,17. III. Em 2005, recolheu R$ 15.908,86 a maior e em 2006 recolheu a menor R$ 21.587,70, o que resultaria em uma diferença a menor de R$ 5.678,84, que acrescidos de juros e multa somariam R$ 17.282,71. IV. A apuração dos valores devidos a título de PASEP deve observar as quantias classificadas contabilmente como receitas e transferências de capital recebidos mensalmente. V. A legislação tributária vigente permite a compensação de créditos tributários. A 16ª Turma da DRJ/RJ1, acórdão nº 1261.922, deu provimento parcial à impugnação, com decisão assim ementada: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS CORRENTES E DE CAPITAL RECEBIDAS. INCLUSÃO. TOTALIDADE. RECURSOS DESTINADOS AO FUNDEB. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10380.004871/200975 Acórdão n.º 3301004.732 S3C3T1 Fl. 569 3 A contribuição para o PIS/PASEP incide sobre a totalidade das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, vedada a dedução dos valores destinados ao FUNDEF, por falta e amparo legal. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A compensação deve ser formalizada obrigatoriamente pela apresentação da Declaração de Compensação. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera os exatos termos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, o Município insurgese contra a composição da base de cálculo do PASEP, com três principais argumentos: · Os valores cobrados nos autos divergem das quantias encontradas com base nos balancetes mensais, guias de recolhimentos e memórias de cálculos anexadas à impugnação. · No período fiscalizado, recolheu valores superiores aos que estaria obrigado a recolher, gerando um crédito a seu favor no valor de R$ 102.700,09. Após a compensação, constatase que deixou de recolher apenas R$ 17.282,17. · Em 2005, recolheu R$ 15.908,86 a maior e em 2006 recolheu a menor R$ 21.587,70, o que resultaria em uma diferença a menor de R$ 5.678,84, que acrescidos de juros e multa somariam R$ 17.282,71. Ocorre que sua peça recursal é idêntica à impugnação, bem como não foram juntados novos documentos. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10380.004871/200975 Acórdão n.º 3301004.732 S3C3T1 Fl. 570 4 Todavia, ao contrário do que aponta no recurso voluntário, a decisão de piso não negou provimento ao apelo, mas sim deulhe provimento parcial para exclusão da base de cálculo do PASEP das receitas canceladas e dos valores confessados em DCTF. Diante da análise pormenorizada da planilha da autuação em cotejo com os demonstrativos de receitas e planilhas juntadas em impugnação, a decisão de piso chegou às seguintes conclusões: Receitas Correntes Analisando o Demonstrativo da Receita apresentado pela Recorrente em sede de impugnação, é possível constatar que os valores das Receitas Correntes divergem daqueles que constam do Demonstrativo da Receita apresentado durante a fiscalização, em todos os períodos dos anos de 2005 e 2006. A diferença referese à Dedução de Receita para a formação do FUNDEF e Dedução de Receita para a formação do FUNDEF – ICMS, código contábil nº 97.21.01.02.00.00, 97.21.09.01.00.00, 97.22.01.01.00.00 e 97.22.01.04.00.00. Aduz que os valores da fiscalização estão corretos, porquanto o FUNDEB e FUNDEF não podem ser deduzidos da base de cálculo do PASEP. Concordo com a assertiva, pois o art. 2°, III, da Lei nº 9.715/1998, prescreve que a base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. Transferências de Capital – Aponta que houve divergência entre a planilha elaborada pela fiscalização e a do Município, nos meses de maio de 2005 (efl. 164), dezembro de 2005 (efl. 227) e janeiro de 2006 (efl. 237). Aponta que a Recorrente informou a soma das transferências de capital e das receitas de capital. Concluiu que a planilha da fiscalização está correta, pois a base de cálculo do PASEP é composta do valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, na qual não estão incluídas as receitas de capital. Receita Cancelada – Verificou a decisão de piso que a fiscalização não excluiu a receita cancelada da base de cálculo do PASEP, logo devem ser excluídas as receitas canceladas informadas na escrituração do Município. Foi o que a DRJ fez na reelaboração dos cálculos. Diferença de valores recolhidos e declarados Comparando a planilha apresentada pela Recorrente e planilha da fiscalização, a DRJ constatou divergência de valores recolhido nos períodos de janeiro de 2006 a março de 2006, maio de 2006 a outubro de 2006 e dezembro de 2006, analisando um a um. *** Janeiro de 2006 a março de 2006; maio de 2006 e junho de 2006 a DRJ apontou que o Município incluiu em sua planilha o valor total dos DARFs sem considerar os juros e a multa, restando correto portanto os valores lançados pela fiscalização, os quais levaram em consideração esses acréscimos legais. *** Julho de 2006: a fiscalização considerou o valor de principal de R$ 24.992,44 pago, quando o correto seria considerar o valor confessado por meio da DCTF de R$ 45.060,32. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10380.004871/200975 Acórdão n.º 3301004.732 S3C3T1 Fl. 571 5 *** Agosto de 2006: fiscalização deveria ter lançado a diferença entre o valor apurado e o confessado em DCTF, contudo, considerou o valor pago de R$ 37.424,63, mas deve ser considerado o valor declarado em DCTF de R$ 38.412,64. *** Setembro de 2006: como valor correto a ser considerado, o valor da DCTF de R$ 35.859,17. *** Outubro de 2006: como valor correto a ser considerado, o valor da DCTF de R$ 40.702,15. *** Novembro de 2006: como valor correto a ser considerado, o valor da DCTF de R$ 133.904,89. *** Dezembro de 2006: como valor correto a ser considerado, o valor da DCTF de R$ 73.690,62 Na construção da planilha de novos valores, a DRJ considerou que não podem ser consideradas as alterações efetuadas nas DCTF retificadoras apresentadas após o final do procedimento fiscal, por isso foram considerados os valores confessados na DCTF ativa quando ocorreu o lançamento, que foi juntada às efls. 366/378. Isso porque, a DCTF constitui a exigência de crédito tributário, por ter a natureza de confissão de dívida. É instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. Quanto à alegação de compensação, tal pleito foi afastado em virtude da apresentação das DCOMPs após a ciência do auto de infração compensando débitos de PASEP relativos ao período autuado. E ainda, o Município apontou que em 2005 teria recolhido R$ 15.908,86 a maior e em 2006 recolheu a menor R$ 21.587,70, o que resultaria em uma diferença a menor de R$ 5.678,84, que acrescidos de juros e multa somariam R$ 17.282,71. Em seguida, efetuou esse recolhimento, alocando o valor pago ao lançamento relativo a 03/2005. Por fim, da reapuração feita pela DRJ, foram mantidos os seguintes valores de PIS a recolher: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10380.004871/200975 Acórdão n.º 3301004.732 S3C3T1 Fl. 572 6 Diante do exposto, entendo que o recurso voluntário não atacou a validade da decisão recorrida, motivo pela qual deve ser mantida sem qualquer reparo. Ratificase todos os seus termos, com fundamento no art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017. Em suma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 569DF CARF MF
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Numero do processo: 13401.000965/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DEDUÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA.
Em conformidade com as instruções de preenchimento da DIPJ, o crédito tributário extinto por meio de dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo é considerado estimativa efetivamente paga, devendo compor a apuração do saldo de imposto a pagar no encerramento do período de apuração, juntamente com o imposto retido ou pago que não tenha sido deduzido dos referidos recolhimentos mensais.
Numero da decisão: 1302-000.842
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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DEDUÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. Em conformidade com as instruções de preenchimento da DIPJ, o crédito tributário extinto por meio de dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo é considerado estimativa efetivamente paga, devendo compor a apuração do saldo de imposto a pagar no encerramento do período de apuração, juntamente com o imposto retido ou pago que não tenha sido deduzido dos referidos recolhimentos mensais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 270 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 271 3 Relatório MCM CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2000, formalizada a partir da constatação de compensação indevida de antecipações obrigatórias (estimativas). De acordo com os autos, a contribuinte informou a título de IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA o valor de R$ 96.721,67, enquanto o apurado totalizou R$ 74.166,30 (soma dos montantes declarados para os meses de julho, setembro e outubro de 2000 – R$ 6.182,26; R$ 46.810,02; e R$ 21.174,02, respectivamente). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 120/127), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que o agente fiscal teria deduzido apenas parte do imposto de renda retido na fonte, que totalizou R$ 33.368,90 ao invés de R$ 10.814,13; que o agente fiscal teria presumido a ocorrência do fato gerador, vez que não ocorrera a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, bem como qualquer compensação indevida ou mesmo falta de recolhimento de IRPJ; que a diferença de R$ 22.555,37 não foi recolhida, haja vista a existência de retenções de imposto de renda. A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1121.193, de 14 de dezembro de 2007, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÕES. ESTIMATIVAS MENSAIS. APURAÇÃO ANUAL. No caso de apuração anual do imposto, não deverão ser incluídos os valores do imposto retido ou pago durante o anocalendário e que tenham sido deduzidos nos recolhimentos mensais do imposto. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que o sujeito passivo possuir (artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72). Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 272 4 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 193/209, por meio do qual sustenta: que a decisão recorrida, ao manter o lançamento, entendendo que os valores de imposto de renda na fonte deduzidos dos recolhimentos mensais já estariam contemplados nos recolhimentos mensais, não analisou corretamente os argumentos deduzidos na impugnação e os documentos juntados, desprezando assim o principio da verdade material; que o IRPJ devido no período foi de R$ 96.721,67, tendo sido pago o total de R$ 107.535,80 (a título de imposto renda mensal pago por Estimativa), remanescendo R$ 10.814,14 de crédito a seu favor, de acordo com a seguinte demonstração e que pode ser aferida da Declaração de Imposto de Renda juntada aos autos: Descrição Valor IRPJ devido no ano (Linhas 01 3 03 da Ficha 12A) 96.721,67 () IRF compensado em abril/2000 (Linha 07 da Ficha 11) (4.748,03) ()IRF compensado em julho/2000 (Linha 07 da Ficha 11) (9.383,94) () IRF compensado em setembro/2000 (Linha 07 da Ficha 11) (4.959,28) () IRE compensado em outubro/2000 (Linha 07 da Ficha 11) (2.724,90) ()IRF compensado em dezembro/2000 (Linha 07 da Ficha 11) (11.553,35) () Pagto. de estimativa de julho/2000 (fls. 14/15) (6.182,26) () Pagto. de estimativa de setembro/2000 (fls. 14/15) (46.810,02) () Pagto. de estimativa de outubro/2000 (fls. 14/15) (21.174,02) Saldo a compensar em períodos futuros (10.814,14) que o Agente Fiscal desprezou em seu raciocínio o montante total de R$ 33.368,90, compensado nos meses de abril (R$ 4.748,03), julho (R$ 9.383,94), setembro (R$ 4.959,28), outubro (R$ 2.724,90) e dezembro (R$ 11.553,35); que o referido montante de R$ 33.368,90 integrou a base de cálculo do imposto e foi efetivamente retido pelas fontes pagadoras, conforme restou comprovado através dos informes de rendimentos juntados à impugnação, que podem ser resumidos da seguinte forma: Retido pelo Banco Itaú: R$ 22.275,10 Retido pelo Banco Bradesco: R$ 3.055,85 Retido pelo Banco Bandeirante: R$ 7.874,69; Retido por clientes: R$ 163,26 que no entendimento expressado na decisão recorrida faltou considerar a instrução para preenchimento da Linha 16 da Ficha 12A constante do programa gerador da DIPJ 2001; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 273 5 que o valor a constar como "Imposto Mensal Efetivamente Pago por Estimativa" na Linha 16 da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Anual) deveria corresponder, no caso dos autos, à soma dos valores pagos por meio de: a) dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo; e b) compensação solicitada por meio de processo administrativo; que não foi considerado o valor de R$ 33.369,50 na Linha 16 da Ficha 12A correspondente à soma dos valores pagos por meio de dedução do imposto de renda retido (Ficha 11 — fls. 141/144 dos autos); que não existiu a alegada compensação indevida a titulo de recolhimentos anteriores efetuados a maior, tendo ocorrido, no máximo, erro formal no preenchimento da Declaração, devendo prevalecer o princípio da verdade material, consoante os argumentos já colocados e os documentos juntados à impugnação; que, relativamente à condição para dedução do imposto de renda retido de que as receitas sobre as quais incidiu integrem a base de cálculo do IRPJ, tal condição foi comprovada na medida em que a DIPJ juntada aos autos apresenta na Demonstração do Resultado Ficha 6A valor correspondente a receitas financeiras sobre as quais incidiu o IR Fonte; que, caso houvesse dúvida por parte do julgador de primeiro grau, o mínimo a se esperar seria a instauração de diligência ou perícia, com o objetivo de ver sanada tais dúvidas; que não constam dos autos quaisquer dúvidas ou questionamentos quanto à regularidade da sua escrita fiscal e contábil, valendo destacar que a contabilidade regular faz prova a seu favor, cabendo à autoridade administrativa o ônus da prova da inveracidade dos fatos nela registrados. É o Relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 274 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao ano calendário de 2000, formalizada a partir do reajustamento dos valores considerados a título de recolhimentos antecipados (estimativas). Conforme descrito no auto de infração de fls. 05/09, a contribuinte informou ter recolhido estimativas no montante de R$ 96.721,67, porém, só restou comprovado o valor de R$ 74.166,30. Da diferença apurada (R$ 22.555,37), foi compensada a quantia de R$ 10.814,13, relativa a imposto de renda retido na fonte considerado comprovado. O montante de R$ 74.166,30 representa a soma dos valores declarados para os meses de julho, setembro e outubro de 2000 (R$ 6.182,26; R$ 46.810,02; e R$ 21.174,02, respectivamente). O lançamento foi integralmente mantido pela autoridade julgadora de primeira instância. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumenta que pagou efetivamente R$ 107.535,80. Diz que a diferença entre o que pagou (R$ 107.535,80) e o que foi considerado pelo Fisco (R$ 74.166,30) referese a valores compensados nos meses de abril (R$ 4.748,03), julho (R$ 9.383,94), setembro (R$ 4.959,28), outubro (R$ 2.724,90) e dezembro (R$ 11.553,35). Alega que não ocorreu compensação indevida, tendo ocorrido, no máximo, erro formal no preenchimento da Declaração. Afirma que as receitas submetidas à incidência do imposto na fonte integraram a base de cálculo do imposto, conforme Demonstração do Resultado (Ficha 6A) constante da declaração de informações (DIPJ). Na Ficha 12A da declaração apresentada à Receita Federal a contribuinte assinalou (fls. 145): Imposto R$ 72.433,00 Adicional R$ 24.288,67 Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 10.814,13 Estimativa R$ 96.721,67 Imposto de Renda a Pagar (R$ 10.814,13) Na Ficha 11 da referida declaração (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – fls. 141/144), apurou as seguintes estimativas (determinadas, segundo o que foi registrado na referida declaração, com base em balanço/balancete de suspensão ou redução): Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 275 7 ABRIL R$ 4.748,03 JULHO R$ 15.566,20 SETEMBRO R$ 51.769,30 OUTUBRO R$ 23.898,92 DEZEMBRO R$ 739,22 TOTAL R$ 96.721,67 De acordo ainda com a citada declaração, as referidas estimativas foram extintas da seguinte forma: ABRIL: dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 4.748,03; JULHO: dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 9.383,94 e compensação de R$ 6.182,26; SETEMBRO: dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 4.959,28 e compensação de R$ 46.810,02; OUTUBRO: dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 2.724,90 e compensação de R$ 21.174,02; DEZEMBRO: dedução de imposto de renda retido na fonte de R$ 11.553,35, o que resultou na apuração de saldo negativo de R$ 10.814,13 (R$ 11.553,35 – R$ 739,22). Relativamente aos valores tidos como compensados (R$ 6.182,26, R$ 46.810,02 e R$ 21.174,02), não existe controvérsia, eis que aceitos pela Fiscalização. Desconsideradas eventuais impropriedades no preenchimento da declaração, o que se constata é que a lide reside na desconsideração do montante de R$ 33.369,50 (R$ 4.748,03 + R$ 9.383,94 + R$ 4.959,28 + 2.724,90 + R$ 11.553,35), deduzidos no cálculo das antecipações obrigatórias a título de imposto de renda retido na fonte. Para considerar improcedentes as alegações trazidas pela contribuinte por meio de peça impugnatória, a decisão de primeira instância assinala: Ao verificar a DIPJ/01, os demonstrativos acerca do "Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa" (Ficha 11 fls. 141/144) indicam que aquelas retenções já foram utilizadas, a titulo de dedução, no decorrer do ano de 2000, razão pela qual não podem ser novamente aproveitadas na apuração anual do imposto. Vejamos: Mês Imposto de Renda Retido na Fonte (R$) Abril 4.748,03 Julho 9.383,94 Setembro 4.959,28 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 276 8 Outubro 2.724,90 Dezembro 11.553,35 Total 33.369,50 Tal entendimento, inclusive, foi bem evidenciado nas instruções de preenchimento constantes do programa gerador da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), para o exercício de 2001, aprovadas pela Instrução Normativa SRF n° 22, de 22/02/01, que com relação à Linha 13 da Ficha 12A tratou: ... Penso que a argumentação acima transcrita seja merecedora de reparo, vez que, considerados os registros feitos na Ficha 11 referenciada (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – fls. 141/144), não identifico o alegado aproveitamento em duplicidade das retenções de imposto. Com efeito, como antes demonstrado, a contribuinte apurou estimativas nos meses de abril, julho, setembro, outubro e dezembro, e as extinguiu por meio de dedução do imposto retido na fonte e de compensação. Inadvertidamente, ao apurar a estimativa do mês de dezembro de 2000, em vez de registrar dedução de imposto de renda retido na fonte até o limite do valor da estimativa apurada (R$ 739,22), indicou o montante de R$ 11.553,35, sobressaindo daí saldo negativo de R$ 10.814,13. Contudo, na Ficha 12A da declaração indicou corretamente o total de estimativas recolhidas (R$ 96.721,67, resultado da soma de R$ 4.748,03, R$ 15.566,20, R$ 51.769,30, R$ 23.898,92 e R$ 739,22) e o imposto de renda na fonte não deduzido na apuração da estimativa de dezembro (R$ 10.814,13, resultado da diferença de R$ 11.553,35 – imposto retido na fonte – e R$ 739,22, correspondente à estimativa de dezembro). Cabe destacar que de acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Noto que o fundamento utilizado pela decisão recorrida para manter o lançamento repousou, única e exclusivamente, no entendimento de que, no caso, a contribuinte pretendeu utilizar imposto de renda retido na fonte já deduzido, não havendo, pois, qualquer questionamento quanto à comprovação dos respectivos montantes e quanto à inclusão, na base de cálculo do imposto, das receitas correspondentes. Observo, ainda, que a conclusão expendida no voto condutor da decisão de primeiro grau (dupla utilização do imposto retido na fonte) revela contradição em relação à autuação, eis que ali, ao apurarse o montante do imposto devido, subtraiuse o valor de R$ 10.814,13. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13401.000965/200544 Acórdão n.º 130200.842 S1C3T2 Fl. 277 9 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10410.008790/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
Numero da decisão: 1302-000.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Daniel Salgueiro da Silva
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
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SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Melo Presidente. (Assinado digitalmente) Daniel Salgueiro da Silva Relator. Fl. 349DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Melo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu de Bianchi Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração lavrado no valor de R$ 1.352.344,88 contra a firma individual Maria das Graças Mendonça Bonfim — ME, com o nome fantasia de Menezão Bebidas, que tem como atividade econômica principal o comércio varejista de bebidas, sendo optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) desde o ano calendário 2000. A autuação decorreu do fato de ter ela apresentado Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI do exercício 2006, relativa ao anocalendário 2005, com os campos de receitas relativas aos períodosbase de janeiro a julho zerados indicando, desse modo, que esteve com as atividades paralisadas, não obstante existirem pagamentos de Simples relativos a esses mesmos meses. Por outro lado, de agosto a dezembro teria o oferecido à tributação receitas totais de R$ 132.252,97, as quais são incompatíveis, todavia, com as informações oriundas de Declarações de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — DCPMFs • apresentadas pelos bancos onde a fiscalizada mantinha contas correntes, que foram identificadas como sendo no total de R$ 5.341.971,45 naquele ano. Além do mais, informou em sua Declaração que o total de compras em 2005 fora de R$ 233.042,00, ao passo que os valores indicados pelos principais fornecedores, por meio de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, montam a quantia de R$ 4.102.815,34, correspondentes a mercadorias adquiridas pelo sujeito passivo. Intimada através do seu Gerente, José Eládio dos Santos Silva, a exibir a documentação contábil e fiscal de 2005, o Contador da Menezão Bebidas e também responsável pelo preenchimento da PJSI 2006, Antônio Vieira da Silva compareceu à Seção de Fiscalização conduzindo alguns documentos do sujeito passivo, tendo declarado na ocasião, que deixava de entregar Livro Caixa, em virtude de a "Compra ser maior que a Venda, não havendo superávit de caixa (sic)". Posteriormente, o contribuinte solicitou os documentos em nosso poder, para que pudesse escriturar o referido livro, o que o fez, apresentandoo com lançamentos das entradas e saídas, incluindo depósitos constantes das contascorrentes mantidas no Banco do Brasil, Banco Real, Unibanco e Caixa Econômica Federal, onde se verificou a existência de diversos saldos credores de caixa, facilmente detectáveis ao simples exame. A propósito do resultado das circularizações, ficou constatado que, de fato, o contribuinte efetuou compras em 2005 no total de R$ 5.215.656,60 registrando, porém, apenas uma pequena parte delas no livro Registro de Entradas R$ 292.157,90. Por tudo quanto o acima exposto, contra a Menezão Bebidas foram lavrados autos de infração respeitantes ao recolhimento de impostos e contribuições pertinentes ao Simples com fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a dezembro de 2005, e em Fl. 350DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10410.008790/200869 Acórdão n.º 130200.528 S1C3T2 Fl. 343 3 virtude das irregularidades apontadas, foram aplicadas multas de 150%, de acordo com o previsto no art. 44, inciso II, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porquanto comprovado o propósito deliberado dos envolvidos sonegarem tributos federais. Inconformado com os Auto de Infração sofridos o contribuinte apresentou impugnação aos mesmos sustentando em síntese, as seguintes razões de fato e de direito: a. Que o Auditor Fiscal não comprovou efetivamente a omissão de receita alegada em seu relatório, posto que não observou o disposto no art. 41 da Lei 9.430/96, que prevê um procedimento completo de auditoria de produção/estoques de mercadorias e que além do mais, apenas a omissão de compras alegada pelo Auditor Fiscal, por si só, não caracteriza a omissão de receita. b. O Auditor Fiscal equivocouse ao afirmar que há contradição entre os valores informados a título de compras em 2005 e o valor indicado pelos principais fornecedores por meio de DIPJ, uma vez que nesta declaração não constam informações individualizadas de fornecedores, mas sim de forma generalizada, não sendo possível auferir tais diferenças por este modo. c. Que houve ilegalidade da constituição de crédito tributário exclusivamente com base em depósitos bancários, afirmando que a autuação foi fundamentada, exclusivamente, no confronto entre depósitos bancários e a DIRPF do exercício de 1998, considerando apenas como comprovado o rendimento obtido através de empréstimo obtido no anocalendário de 1996, no valor de R$ 241.000,00, constante na DIRPF de 1998, citando acórdãos e afirmando que o lançamento a crédito constante de extrato bancário relativo a pessoa física, que não está obrigada a manter contabilidade, não é suficiente para ensejar tributação. d. Que houve ilegalidade na aplicação da multa qualificada, afirmando que não houve comprovação de fraude no presente caso e que por isso mesmo não pode ser imposta multa qualificada sem que seja tipificada a hipótese de incidência do art. 1° da lei 8.137/90, eis que o art. 44, II, da Lei 9.430/96 deve ser interpretado restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado exaustivamente demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente e que no presente caso, a fiscalização não instruiu o processo com documentos hábeis a comprovarem tal acusação. e. Requereu, por fim, que .o auto de infração fosse anulado, procedendose outro que afaste as irregularidades acima descritas, e seja reduzida a multa de oficio para 75% e determine a aferição real do recolhimento a ser feito pela defendente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, por sua 4a. Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu por manter integralmente o Auto de Infração guerreado, sustentando em síntese que : a. Os lançamentos foram comprovadamente decorrentes de omissão de receitas, em face de apuração de saldo credor de caixa, em diversos períodos do ano calendário, albergado na escrituração da movimentação bancária no segundo Livro Caixa apresentado pela própria contribuinte. b. A autuada, regularmente intimada, não logrou comprovar as respectivas origens, permanecendo sem justificativa por parte da contribuinte, conforme relatado no Fl. 351DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Termo de Verificação Fiscal e que a existência de saldo credor de caixa na contabilidade da empresa constitui presunção legal de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a apresentação da prova em contrário, como dispõe o art. 12, § 2°, do DecretoLei n° 1.598, de 26/12/1977, o que no caso em tela não ocorreu, já que na sua impugnação, a contribuinte não apresentou nenhum documento hábil e idôneo que pudesse subsidiar a sua defesa, que dessa forma a documentação probante do feito continuou sendo aquela constante dos autos e anexada pela autoridade lançadora. c. A Impugnante, embora tenha alegado que o Auditor Fiscal não comprovou a omissão de receita alegada em seu relatório, ao não observar o disposto no art. 41 da Lei 9.430/96, devese destacar, no entanto, que a infração identificada pela Autoridade Fiscal, da omissão de receitas por saldo credor de caixa, não teve por fundamento a apuração de compras não escrituradas, mas sim a escrituração no último Livro Caixa apresentado da movimentação das contascorrentes mantidas no Banco do Brasil, banco Real, Unibanco e Caixa Econômica Federal, realizada pela própria contribuinte. d. A autoridade fiscal circularizou os principais fornecedores da fiscalizada , com vistas a obter os comprovantes de pagamentos e as notas fiscais de compras e como como resultado desse trabalho, constatou que a contribuinte efetuou compras substanciais em 2005, registrando apenas uma pequena parte no Livro Registro de Entradas como também não escriturou no Livro Caixa a maior parte dos respectivos pagamentos; e. Verificase, portanto, que não houve violação ao art. 41 da Lei 9.430/96, tendo sido a autuação procedida conforme as formalidades legais exigidas, com ênfase no cumprimento do disposto no Decreto n° 70.235/72 e suas alterações posteriores, norteadores do Processo Administrativo Fiscal, revestindose das condições de legalidade, agindo pois a autoridade autuante no seu dever de oficio, segundo o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. f. Quando ao enquadramento das infrações tributárias verificase a correção de procedimento na aplicação da multa qualificada pois o contribuinte omitiu na declaração de rendimentos destinada à RFB as receitas auferidas pela empresa, tanto quanto a maior parte das vultosas compras efetuadas no anocalendário 2005,as que também não foram escrituradas, de forma premeditada e contínua, no Registro de Entradas; assim como os pagamentos a elas correspondentes não compuseram o livro Caixa, ficando, portanto evidenciado o intuito de fraude, procedendo a multa de oficio de 150%, exigida nos lançamentos dos referidos Autos de Infração, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva Contra fatos não há argumentos. O que se vê no presente processo é a prova inequívoca de que a Autuada, promoveu sucessivas compras de mercadorias e a revendeu sem o registro fiscal ou contábil da maioria dessas operações. Fl. 352DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10410.008790/200869 Acórdão n.º 130200.528 S1C3T2 Fl. 344 5 Instada a elaborar e fornecer a fiscalização o seu Livro Caixa, o apresentou indicando sucessivos saldos credores de caixa, indicadores que são de pagamentos efetuados com recursos estranhos à sua contabilidade, o que constitui presunção legal de omissão de receitas. A fiscalização agiu acertadamente ao identificar a insuficiência de valores recolhidos, apurada com base na aplicação dos percentuais estabelecidos na legislação do Simples sobre a receita bruta de vendas de mercadorias escriturada no livro Caixa, em face dos percentuais calculados conforme a Receita Bruta Acumulada dentro do anocalendário levandose em conta os saldos credores verificados, consoante descritos na infração mencionada sendo os valores devidos confrontados com os valores declarados. Observese em relação aos saldos credores de caixa, que a Autuada em sua fase impugnatória sequer tenta demonstrar o contrário, não justificando em momento algum o fato apontado ou juntando qualquer documento probante a seu favor ou que pudesse se contrapor aos valores das infrações capituladas nos Autos de Infração, resultando, portanto, em matéria não contestada. Quanto à multa qualificada aplicada, há de se ter que se trata de uma penalidade administrativa prevista no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/1997, base legal do art. 957 do RIR/1999 (Decreto n°3.000/1999), que assim prescreve : "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Há de ser ver ainda, que para aplicação do inciso segundo do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 é imprescindível que o fato praticado pela contribuinte e descrito pela autoridade autuante como evidente intuito de fraude esteja inserido nos definidos pelos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, que assim estabelece: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 353DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Verificase assim que no caso em análise, ficou evidenciado, o intuito de fraude, procedendo a multa de oficio de 150%, exigida nos lançamentos dos referidos Autos de Infração, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por tudo quanto acima exposto, consubstanciado nos Autos, sou pelo acolhimento do recurso voluntário interposto, para no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo em sua inteireza a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife. Sala das Sessões, 24 de fevereiro de 2011. (Assinado digitalmente) Daniel Salgueiro da Silva Fl. 354DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.14107.93OY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA em 04/01/2012 18:24:58. Documento autenticado digitalmente por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA em 04/01/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 17/01/2012 e DANIEL SALGUEIRO DA SILVA em 04/01/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.14107.93OY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 16FA93A41DBB722E524668DFE1FC880ED6837122 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10410.008790/2008-69. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13056.000357/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃO CUMULATIVIDADE COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF.º 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF.º 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 03 57 /2 00 5- 15 Fl. 265DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS relacionado às receitas de exportação, apurado no 3º trimestre de 2005, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. Conforme identificado no relatório da ação fiscal das efls. 128/132, o crédito pleiteado não foi reconhecido em parte em razão da glosa de créditos de insumos tomados indevidamente nas aquisições de pessoas físicas e de despesas comerciais e administrativas. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão n.º 1010.079 da 2ª Turma da DRJ/POA, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam ser descontados do cálculo da Cofins e/ou do PIS/PASEP devidos. Solicitação Indeferida" (efl. 217) Intimada desta decisão em 09/11/2005 (efl. 227), foi apresentado Recurso Voluntário em 07/12/2005 (efls. 228/235) alegando, em síntese: (i) o cabimento dos créditos de insumos adquiridos de pessoas físicas sob pena de violação ao princípio da não cumulatividade, afirmando que as alterações realizadas pela Lei n.º 10.865/2004 somente poderiam viger após julho/2004; (ii) o cabimento dos créditos sobre despesas financeiras, industriais, administrativas e comerciais vez que a tomada de crédito do PIS e da COFINS deve ser disciplinado por lei complementar e não ordinária. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e cabe ser conhecido. Atentandose para os argumentos de defesa aventados pela Recorrente, possível confirmar que sua inconformidade se refere à própria sistemática da não Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13056.000357/200515 Acórdão n.º 3402005.578 S3C4T2 Fl. 266 3 cumulatividade do PIS e da COFINS, que estaria em desconformidade com a Constituição Federal (princípio da não cumulatividade e necessidade de disciplina por lei complementar), sem trazer qualquer consideração fática pertinente ao presente processo. Da forma como sustentados pela Recorrente, os argumentos trazidos se restringem à inconstitucionalidade dos diplomas legais que disciplinam a não cumulatividade do PIS e da COFINS ao trazer restrições ao aproveitamento do crédito, cuja análise por este Conselho é obstada pela Súmula CARF n.º 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Com efeito, a fiscalização se respaldou nos dispositivos legais pertinentes para negar o crédito: (i) quanto às aquisições de pessoas físicas, vez que a tomada de crédito somente se aplica a bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas (artigo 3°, §§ 2° e 3°, incisos I e II, da Lei 10.637/2002, e artigo 3°, §§ 2° e 3°, incisos I e II, da Lei n° 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei 10.865/2004, artigos 21 e 37); e (ii) quanto às despesas administrativas e comerciais, por ausência de previsão legal (artigo 3° da Lei 10.637/02, e artigo 3°, da Lei 10.833/03, com as alterações introduzidas pela Lei 10.865/04). Em sua defesa, a Recorrente se restringe a sustentar que esses créditos seriam válidos à luz do princípio da não cumulatividade, sendo que quaisquer restrições creditícias deveriam ser estabelecidas por lei complementar, argumentos esses que perpassam pela análise de inconstitucionalidade dos diplomas legais mencionadas. Não foram identificadas, portanto, quaisquer peculiaridades fáticas que possam justificar a validade do crédito, em especial quanto às despesas comerciais, caso pudesse ser enquadradas como insumos à luz da jurisprudência desse Conselho1. Nesse sentido, cabe ser negado provimento ao Recurso Voluntário face a incompetência deste Conselho para o pronunciamento de inconstitucionalidade de leis tributárias. 1 A título de exemplo, vejase manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas, em entendimento ainda passível de extensão à luz do julgamento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.221.170: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos." (Número do Processo 10983.721444/201181 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303006.108 grifei) Fl. 267DF CARF MF 4 Por oportuno, importante mencionar que os argumentos da Recorrente já foram afastados por este Conselho quanto da análise do Recurso Voluntário interposto no processo de ressarcimento de PIS correspondente ao mesmo período (processo n.º 13056.000025/200611 Acórdão 330200.885 de 01/03/20112). Contudo, naquela oportunidade, entenderam os julgadores por analisar os argumentos de mérito aventados, afirmando que não haveria na hipótese violação ao princípio da não cumulatividade, análise não feita nesta oportunidade à luz do súmula já mencionada. Por fim, cumpre ainda mencionar que a Recorrente sustenta ainda, ao tratar dos créditos de aquisições de pessoas físicas, que deveria ser reconhecida a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal para as alterações legislativas realizadas pela Lei n.º 10.865/2004, que somente poderiam ser aplicáveis para o período posterior a julho/2004. Contudo, esse argumento não possui qualquer reflexo sobre o presente processo, que envolve o 3º trimestre de 2005, razão pela qual deixo de analisálo. Diante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 2 "Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. EXPORTAÇÕES. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica. Recurso Voluntário Negado." Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.005327/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO.
A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.
PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.
O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento.
VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.
A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF.
A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 53 27 /2 00 7- 40 Fl. 4355DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 3 2 elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Fl. 4356DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10120.005592/200728, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo administrativo fiscal, em face do acórdão julgado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tratase de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe, por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relacionado às contribuições destinadas à Seguridade Social referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída em obra. Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e 6°. Assim, o critério adotado pela Fiscalização para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra objeto da fiscalização. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, sendo julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos: Fl. 4357DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 5 4 (i) Requer a nulidade do Acórdão Argumenta que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n.8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo Entende a contribuinte que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Aduz a contribuinte que uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram, no entender da contribuinte, rebatidas em impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente, já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. (iv) Princípio da imparcialidade Para a contribuinte resistiram, sob a complacência da DRJ de origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras NFLDs utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Questiona ela por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado Fl. 4358DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 6 5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador não observa, o princípio da imparcialidade. Sustenta que a junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: no relatório fiscal afirmam que evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação Sustenta a recorrente que o item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório. Argui a contribuinte que esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. Entende que a não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova Trata a contribuinte a previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito Fl. 4359DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 7 6 lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) Bis in idem A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". Para a contribuinte, a leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima e outros trechos do acórdão reocrrido, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF). Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas em NFLD's. A segunda Fl. 4360DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 8 7 questão seria a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Sustenta que em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação". A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Destaca, ainda, que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos. Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada em NFLD's (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Aduz a contribuinte que a DRJ também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. Defende que as notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação. Argumenta ser absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requer a recorrente seja dado às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 Fl. 4361DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 9 8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Defende que não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em duplicidade. (xiii) Bitributação Argumenta a contribuinte que afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)". Para ela repetese o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Aduz que, ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Finaliza este tópico, argumentando que os levantamentos representados pelas NFLD somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem. (xiv) Perícia Fl. 4362DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 10 9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Argumenta a contribuinte o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. A recorrente sustenta que o reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável Traz a contribuinte a alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra e está é a realidade dos fatos. Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório." Fl. 4363DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10120.005592/200728, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Decadência das competências até junho/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado. Nesse sentido, a simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Rejeito a preliminar, portanto. 1.2 Perícia Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do processo administrativo tributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. Fl. 4364DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 12 11 1.3 Das inconstitucionalidades Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. 1.4 Nulidade do lançamento O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Arezzo, matricula CET é 39.380.00370/70, correspondendo a 8.712,49 m². Registrouse que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela execução da obra da empresa notificada é de 84%, correspondendo a 7.318,49 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° Fl. 4365DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 13 12 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005. Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 4366DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 14 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD – Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS – Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 4367DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 15 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. 1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. 2. Mérito 2.1 Contabilização por centro de custo A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os auditoresfiscais a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Fl. 4368DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 16 15 Alega que, uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente foram rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Argumenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis". Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, razão pela qual mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. 2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais Insurgese, sob a complacência da DRJ, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em Fl. 4369DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 17 16 NFLD's utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem teria ocorrida, segundo a contribuinte, porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD's. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi consta nos autos planilha contendo detalhamento das notas fiscais os valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. 2.3 Ausência de motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto, teria sido somente citado no relatório. Fl. 4370DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 18 17 Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicandose de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a análise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços, bem como dos arquivos digitais. Não é difícil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. 2.4 Inversão do ônus da prova Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 4371DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 19 18 Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, , muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. 2.5 Aplicação retroativa da legislação Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Inicialmente, a Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; Fl. 4372DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 20 19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecêlos. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. 2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é numerus clausus. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: Fl. 4373DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 21 20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD que se referem a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante. 2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 03/2005, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 4374DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 22 21 2.8 Excesso de exação A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Diz que A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mãodeobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ de origem. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e Fl. 4375DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 23 22 precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. 2.9 Retificações Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a informação prestada aos autos. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas aos autos, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais Fl. 4376DF CARF MF Processo nº 10120.005327/200740 Acórdão n.º 2202004.461 S2C2T2 Fl. 24 23 sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados em planilha elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002444/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.OMISSÃO.OBSCURIDADE.
Tendo sido caracterizada omissão ou obscuridade no acórdão embargado, elas devem ser supridas pelos embargos de declaração.
COMPENSAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. ENCONTRO DE CONTAS.
O instituto da compensação tributária é regido pelas normas vigentes à data do encontro de contas. No caso, aplica-se a legislação vigente à época da apresentação da DCTF que autorizava a compensação em períodos subsequentes do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido somente entre tributos da mesma espécie, em conformidade com o disposto no art. 170 do CTN e no art. 66 da Lei nº 8.383/91.
Embargos acolhidos
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para suprir a omissão e a obscuridade apontadas, negando provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Tendo sido caracterizada omissão ou obscuridade no acórdão embargado, elas devem ser supridas pelos embargos de declaração. COMPENSAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. ENCONTRO DE CONTAS. O instituto da compensação tributária é regido pelas normas vigentes à data do encontro de contas. No caso, aplicase a legislação vigente à época da apresentação da DCTF que autorizava a compensação em períodos subsequentes do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido somente entre tributos da mesma espécie, em conformidade com o disposto no art. 170 do CTN e no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Embargos acolhidos Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para suprir a omissão e a obscuridade apontadas, negando provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 24 44 /2 00 2- 64 Fl. 233DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte em 12/08/2016 em face do Acórdão nº 3802004.108 – 2ª Turma Especial, de 25 de fevereiro de 2015, do qual foi cientificada em 09/09/2016, proferido na seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO EM DCTF. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de existir processo judicial discutindo a inconstitucionalidade dos não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (...) O presente auto de infração, assim, foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da Cofins nos períodos de apuração do terceiro e quarto trimestres de 1997. O sujeito passivo recorrente alegou, inicialmente, que os créditos tributários de PIS/Pasep, decorrentes de decisão judicial na ação ordinária n° 97.00403203, poderiam ser compensados com as contribuições vincendas de Cofins, em decorrência da autorização inserta na Lei n° 9.430/1996, alterada pela Medida Provisória n° 66/2002. Alude que a compensação foi realizada em Dctf, entre 1997 e 1998, razão pela qual era incabível o lançamento. A DRJ, por sua vez, entendeu que o lançamento para prevenção de decadência não viola direito subjetivo do contribuinte, aduzindo que, de toda forma, o crédito tributário estaria com exigibilidade suspensa, sujeito à execução após o desfecho do processo judicial. Por fim, excluiu a multa de ofício, por entender que a mesma é incabível nos casos em que há lançamento apenas para a prevenção de decadência. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 147 e ss., repisa os argumentos elencados na Impugnação, requerendo o conhecimento e provimento do recurso voluntário. VOTO (...) Inicialmente, em relação à alegada impossibilidade de constituição do crédito tributário, deve ser mantida a decisão recorrido. Isso porque, como se sabe, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, é perfeitamente lícita a lavratura de auto de infração visando à prevenção de decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13896.002444/200264 Acórdão n.º 3402005.296 S3C4T2 Fl. 234 3 Tratase de entendimento pacificado no CARF (Súmula nº 17) e no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199). Votase, portanto, pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. (...) Sustenta a embargante que teria ocorrido omissões/obscuridades, vez que, "porquanto o decisium colegiado aduz sobre a legitimidade de lançamento para prevenir decadência, a medida processual apresentada pelo contribuinte aborda questões relacionadas: (a) a possibilidade de compensações de tributos de diferentes naturezas e a (b) legítima correlação entre o feito e o mandamento judicial". Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, sob o seguinte fundamento: "Analisando o acórdão vergastado constatase a omissão e a obscuridade apontada, vez que não consta da decisão embargada qualquer manifestação acerca da possibilidade de compensação da contribuição ao PIS alegadamente recolhida de forma indevida com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nem qualquer manifestação acerca da decisão judicial que alegadamente autorizaria a compensação. A decisão embargada apenas manifestouse acerca da possibilidade de lançamento de ofício para prevenir a decadência, silenciandose sobre os demais pontos que constavam do Recurso Voluntário". Tendo sido intimada a Fazenda Nacional para manifestação em face dos embargos opostos pela contribuinte, informou que nada tem a requerer. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Fl. 235DF CARF MF 4 Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. A obscuridade verificase quando há evidente dificuldade na compreensão do julgado. Ocorre quando há a falta de clareza do decisum, daí resultando a ininteligibilidade da questão decidida pelo órgão judicial. Em última análise, ocorre a obscuridade quando a decisão, no tocante a alguma questão importante, solucionaa de modo incompreensível.1 A omissão ocorre quando o julgado não se pronuncia sobre argumento relevante deduzido pela parte ou sobre matéria de ofício, capazes de infirmar ou prejudicar a conclusão adotado pelo julgador. No caso concreto, é evidente a omissão no Acórdão embargado diante da ausência de análise pelo julgador dos dois únicos argumentos apresentados no recurso voluntário. Também tendo o julgador se pronunciado de ofício apenas sobre questão preliminar acerca da legitimidade do lançamento de ofício para prevenir a decadência, sem qualquer análise das alegações de mérito da recorrente, restou caracterizada a obscuridade em face da solução incompreensível adotada no julgado. Com efeito, a omissão/obscuridade apontada há de ser suprida com a análise das alegações contidas nos seguintes itens do recurso voluntário: II.1 – DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS INDEVIDAMENTE RECOLHIDA COM OS DEMAIS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL II.2 – DECISÃO JUDICIAL AUTORIZANDO A COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de auto de infração para a exigência de Cofins relativa ao 4º Trimestre de 1997, multa de ofício (excluída pela DRJ) e juros de mora, decorrente de auditoria interna de DCTF, em função da não comprovação da suspensão da exigibilidade informada pela contribuinte em relação à ação ordinária n° 97.00403203, mediante a qual visou compensar créditos oriundos do pagamento a maior do PIS nos termos dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 com débitos vincendos de PIS e Cofins. O TRF da 3ª Região restringiu a compensação aos débitos vincendos do próprio PIS, corrigidos monetariamente pelos índices oficiais, sem incidência de juros e taxa Selic. Alega a recorrente que seria aplicável ao caso concreto a legislação superveniente, que lhe é mais favorável, permitindo a compensação entre quaisquer tributos administrados pela SRF (sem restrição quando à identidade de espécie ou de destinação constitucional) vencidos ou vincendos. O Superior Tribunal de Justiça posicionouse na sistemática dos recursos repetitivos, ao julgar o Recurso Especial nº 1164452/MG (Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010), no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 1 EDcl no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 275.887 SP (2012/02714122) RELATORA : MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13896.002444/200264 Acórdão n.º 3402005.296 S3C4T2 Fl. 235 5 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ REsp: 1164452 MG 2009/02107136, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de Julgamento: 25/08/2010, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/09/2010) No caso, a contribuinte obteve decisão, proferida em 15/10/97, concedendo a antecipação de tutela para a compensação de PIS com débitos de PIS e Cofins, que foi confirmada em sentença, ainda não definitiva, proferida 31/05/2001. A DCTF na qual a contribuinte informou a compensação no âmbito judicial foi apresentada em 03/02/1998, sendolhe, então, aplicável a legislação vigente à época, que autorizava a compensação, em períodos subsequentes, do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido somente entre tributos da mesma espécie, nos termos do art. 170 do CTN e do art. 66 da Lei nº 8.383/91, abaixo transcritos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso a atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Art. 66 – Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Não se desconhece a manifestação de Órgão Central da Receita Federal, mediante a Solução de Consulta nº 279 Cosit, de 7 de outubro de 2014 e a Solução de Consulta nº 29 Cosit, de 30 de março de 2016, cujas ementas abaixo se transcreve: Solução de Consulta nº 279 Cosit, de 7 de outubro de 2014: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. Dispositivos Legais: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 237DF CARF MF 6 Solução de Consulta nº 29 Cosit, de 30 de março de 2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. No entanto, a possibilidade de estender o alcance do título judicial para abranger a compensação também com outros tributos vencidos e vincendos, se aplicaria somente às declarações de compensação, com base em decisão judicial transitada em julgado, apresentadas pela contribuinte sob a égide da nova legislação mais benéfica (MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96), o que não é a hipótese dos presentes autos. Como se viu, aqui a compensação autorizada judicialmente, em decisão não definitiva, foi informada na DCTF sob a vigência da norma anterior (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Na Solução de Divergência (SD) nº 23 – Cosit, de 17 de agosto de 2011, citada na Solução de Consulta nº 279/2014, esse ponto restou bem evidenciado, como se vê abaixo: (...) 25. Para o deslinde da questão é necessário separar duas situações a serem analisadas: 1ª) há norma superveniente (editada posteriormente ao trânsito em julgado da decisão judicial e antes da efetivação da compensação pela entrega da declaração respectiva) que trata a compensação de forma mais benéfica ao contribuinte do que a sentença judicial; 2ª) não há norma superveniente mais benéfica. 26. Em relação à primeira situação, em que a implementação da compensação se dá após a vigência de norma superveniente, ou seja, em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta a sua execução não é mais aplicável, a decisão judicial deve ser executada em conformidade com a legislação superveniente. Trata se de uma integração necessária entre a decisão judicial e a norma superveniente. 27. Para fins de integração entre as normas não se exige que a norma superveniente tenha dado mais abrangência ao direito do contribuinte do que a norma em que se baseou a decisão judicial. Basta que modifique a forma de exercer o direito ou que o reafirme, será necessária a integração. 28. É o que ocorreu com a edição da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96. Neste caso, o direito a compensar um crédito com débito de qualquer tributo administrado pela RFB já existia na redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A nova redação simplesmente alterou a forma de exercer tal direito, pois antes era necessário requerimento junto à RFB para efetuar a compensação, passando esta a ser efetuada pelo próprio contribuinte mediante a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp). Somente a forma de exercer o direito é que se tornou mais favorável ao Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13896.002444/200264 Acórdão n.º 3402005.296 S3C4T2 Fl. 236 7 contribuinte. Na realidade, o legislador reafirmou o direito já existente na redação anterior da lei, havendo, pois, nova ordem legislativa nesse sentido. 29. Nessa hipótese, se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da MP nº 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. 30. Aplicase esse entendimento às hipóteses em que a compensação do crédito na forma prevista (ou reafirmada) na legislação superveniente à decisão judicial tenha sido pretendida pelo sujeito passivo e denegada pelo Poder Judiciário ante a falta de norma autorizadora. A nova norma, além de permitir a compensação na forma pretendida pelo contribuinte, passou a orientar a Administração Tributária na homologação de compensação de tributos sob sua administração. (...) [grifei e negritei] Conforme ressalvado ao final da ementa da Solução de Consulta nº 279/2014, "As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas", dentre as quais, a necessidade de apresentação de declaração de compensação, após o trânsito em julgado da decisão judicial, em conformidade com as prescrições legais e infralegais atinentes à espécie vigentes na data do encontro de contas no âmbito administrativo. Nessa linha também restou ressalvado no REsp 1.137.738/SP, Relator: Min. Luiz Fux, j. em 09.12.2009, exarado sob o rito do art. 543C do CPC/73, que o direito de a contribuinte efetuar a compensação segundo as normas posteriores na via administrativa estaria condicionado ao atendimento aos requisitos próprios, conforme trecho da ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02.REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇAO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART.170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇAO. MAJORAÇAO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇAO DO ART.535 DO CPC NAO CONFIGURADA. [...] 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3.Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. [...] 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em conseqüência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na Fl. 239DF CARF MF 8 qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp488992/MG). [...] [grifei] Dessa forma, diante da impossibilidade da compensação informada pela contribuinte na DCTF apresentada em 03/02/1998, em face da ausência de título judicial que autorizasse a compensação dos créditos da ação ordinária com débitos vincendos da Cofins e em conformidade com as restrições da legislação vigente à época do encontro de contas, o lançamento é de ser mantido. É de se salientar também que, à época do lançamento, em 2002, a contribuinte já não possuía qualquer provimento judicial eficaz que amparasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como já havia sido esclarecido na decisão de primeira instância, nestes termos: (...) De todo modo, no momento do lançamento (em 2002), a antecipação de tutela, no tocante à compensação de PIS com Cofins, já havia sido revertida. Posteriormente o mesmo ocorreu com a sentença de primeiro grau na Ação Ordinária, que era favorável ao contribuinte mas foi reformada em grau de recurso pelo TRF. De fato, como se vê no sítio da Justiça Federal na Internet, contra a decisão concessiva de antecipação de tutela, a União interpôs Agravo de Instrumento, ao qual foi dado provimento por meio de Acórdão proferido em 23/03/1998, publicado em 19/06/2001 e transitado em julgado em 31/08/2001, admitindo a compensação de PIS apenas com débitos de PIS (fls. 75/83), nos seguintes termos da ementa: "3. Admissibilidade da compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS com parcelas vincendas do próprio PIS, excluídas as parcelas relativas à COFINS, por ostentarem características e destinação diversas, nos termos do art. 66, da Lei 8383/91, afastadas as restrições impostas pela IN 67/92, e sempre sujeita à inarredável verificação pela autoridade administrativa (art. 195 do CT1V). Também em face da sentença de primeiro grau, a União interpôs recurso de apelação (fls. 84), o qual foi apreciado por meio de Acórdão proferido em 20/10/2004 e publicado em 07/01/2005, que deu parcial provimento à apelação e à remessa oficial, restringindo à compensação de PIS com parcelas vincendas da mesma exação (fls. 85/89). Embargos de Declaração opostos pela União foram acolhidos por acórdão de 02/08/2006, publicado em 18/09/2006, para o fim de restringir o v. acórdão aos limites do pedido e suprimir a parte da fundamentação que trata da base de cálculo (fls. ), mantendo no mais o acórdão embargado (fls. 90/91). A União interpôs recurso especial, acerca do qual não há notícia do seu seguimento. A pesquisa de fls. 84 indica a baixa dos autos à Seção Judiciária de Origem, onde há registro de arquivamento dos autos (fls. 73). Assim, no momento do lançamento, em 2002, o contribuinte não detinha amparo em decisão judicial eficaz para proceder à compensação de PIS com Cofins. Como visto, a antecipação de tutela para compensar PIS com Cofins fora revertida pelo TRF em sede de Agravo de Instrumento e a sentença de primeiro grau, em Ação Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13896.002444/200264 Acórdão n.º 3402005.296 S3C4T2 Fl. 237 9 Ordinária, que lhe era favorável, ainda estava pendente de apreciação de Recurso de Ofício e Recurso de Apelação, vindo, inclusive, a ser também revertida quanto à admissibilidade da compensação pretendida entre tributos de espécies diferentes. [grifei] (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir a omissão/obscuridade apontada pela embargante com a apreciação das alegações do recurso voluntário, mas negando provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 241DF CARF MF 10 Fl. 242DF CARF MF
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