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Numero do processo: 11080.730002/2011-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. OMISSÃO SUPRIDA PELO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA AO CONHECIMENTO.
O ônus da demonstração da similitude fática é daquele que interpõe Recurso Especial. A omissão do recorrente, ao deixar de demonstrar a similitude fática, não pode ser suprida pelo julgador, no Despacho de Admissibilidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer do Recurso Especial.
Numero da decisão: 9101-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Rafael Vidal de Araújo
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. OMISSÃO SUPRIDA PELO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA AO CONHECIMENTO. O ônus da demonstração da similitude fática é daquele que interpõe Recurso Especial. A omissão do recorrente, ao deixar de demonstrar a similitude fática, não pode ser suprida pelo julgador, no Despacho de Admissibilidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer do Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Rafael Vidal de Araújo (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 02 /2 01 1- 61 Fl. 4165DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.166 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão nº 1302001.330, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado na participação ativa e direta nos atos simulados que conduziram à alienação da participação societária e no interesse econômico e jurídico direto, com o benefício financeiro da supressão do ganho de capital na alienação de ativos dos quais era titular. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASASEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pelos interessados nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o caso em julgamento se refere à operação "casasepara". Tal é o contexto das situações em que o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com a entrada de novo sócio com recursos financeiros e a posterior retirada do sócio proprietário do ativo, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. Desse modo, o ativo muda de mãos, assim como os recursos financeiros, tal e qual ocorreria em operação de compra e venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. Ressalta o voto condutor do acórdão recorrido que o apelido “casasepara” "vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo Fl. 4166DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.167 3 certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro." Para o voto condutor do acórdão recorrido, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 219/263) evidencia exatamente isso: a intenção de admitir novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, pois a real intenção, desde o início, era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. Revelouse, em tais circunstâncias, que inexistia a pretensão admitir novo sócio ou investidor, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de dono. Portanto, visível seria o descasamento entre a vontade aparente, aquela manifestada nos atos formais e exteriores, e a vontade real, aquela que exsurge da comparação entre a situação inicial e a final obtida. Ou seja, toda a sequência de atos praticados entre uma e outra nada mais seriam do que simulação, com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário, a ensejar a aplicação da multa qualificada, uma vez comprovadas as práticas de sonegação e conluio de que trata os artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1064. O sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida no dia 07/10/2O14, à efl. 3.671, por abertura de documento expedido para o domicílio eletrônico. Conforme efl. 3.745, em 14/10/2014, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos sem efeitos infringentes. Em 12/05/2016, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, conforme efl. 3.790. Nessa oportunidade, aduziu o seguinte: A) quanto à reorganização societária: 1) o caso julgado não guarda qualquer semelhança com os casos de operação "casasepara" julgados no CARF; 2) as operações refletidas nos julgados anteriores são extremamente características, utilizandose de uma estrutura praticamente idêntica, na maioria dos casos, que pode ser assim resumida: a compradora adquire participação societária, integralizando capital com ágio, e a vendedora devolve sua participação, recebendo os valores integralizados e o ágio; 3) em todos os casos analisados, as partes tinham a possibilidade direta de realizar a operação de compra e venda, ou seja, nenhum dos casos tinha a peculiaridade da concessão administrativa, que impedia, sem todos os trâmites burocráticos prévios, cujo tempo era imprevisível, a concretização da operação do modo imaginado pela Fiscalização, quando reputou os atos praticados como simulação; 4) emissão dos bônus de subscrição foi a alternativa jurídica mais segura e eficaz encontrada pelo investidor e os demais participantes, face às peculiaridade do caso, para efetuar o negócio jurídico pretendido, sem a perda da concessão do serviço público; 5) a operação realizada pelo recorrente tratouse de uma necessária e útil reorganização societária, revestida de motivação extrafiscal relevante, objeto de orientação concedida por renomadas empresas de assessoria financeira e jurídica Banco Pactual S/A e Barbosa Müssnich & Aragão Advogados e, por isso, não se insere no conceito legal de simulação; Fl. 4167DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.168 4 6) como sócia em consórcio de prestação de serviço público (Univias), incumbialhe manter seu índice econômicofinanceiro adequado, como exigido pelo poder concedente, sob pena de caducidade do contrato de concessão, razão pela qual contraiu o citado empréstimo, logo que aportado o capital pela nova sócia no consórcio; 7) assim, tratou de obter o empréstimo com a única finalidade de manterse hábil a continuar no negócio. Além disso, já tinha realizado tantos aportes e investimentos que, de fato, diante do público e notório desequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão, necessitava de fôlego" para continuar na atividade, o que, por outro lado, não lhe exclui o direito de posteriormente (mais de ano depois) retirarse do negócio; 8) o Acordo de Investimentos foi o instrumento elaborado pelos assessores financeiro e jurídico das partes para dar segurança a todos os envolvidos, pois nele foram estabelecidos os passos da reestruturação, prevendose a emissão do bônus de subscrição e as demais diretrizes a serem seguidas. Tudo isso com a existência de condições suspensivas, ou seja, cláusulas que condicionavam os efeitos dos negócios a eventos futuros e incertos, nos termos dos artigos 121 e 125 do Código Civil; 9) não se pode afirmar que há simulação quando há dúvida e ambiguidade na lei e esta dúvida levou a recorrente a consultar empresas renomadas no mercado a fim de orientarse sobre qual seria a forma mais célere e prática para realizar os investimentos necessários no negócio, sem que se perdesse a concessão das rodovias; 10) ainda que se admitisse que não possuía motivos para realizar a operação da forma que a concretizou, é notório que se utilizou de medida lícita bônus de subscrição para obter investimentos em seu negócio e amparada por parecer emitido por renomado escritório de consultoria, que concluiu ser o bônus de subscrição o meio mais eficaz para a entrada de um novo investidor, com o imediato ingresso de recursos, para fazer frente a investimentos de longo prazo e concorrer a novas concessões. Da mesma forma, o bônus de subscrição se fez útil e necessário para (i) a manutenção da participação societária com os adequados índices econômicofinanceiros; e (ii) a não alienação das ações, antes da anuência do BNDES e do poder concedente (DAER). Do contrário, a caducidade do contrato de licitação seria declarada; 11) assim, não se nega a intenção de ingresso de novo investidor, mas o que não estava claro, na época, era se este novo participante iria assumir a integralidade da operação ou apenas uma parte dela. Isso, no entanto, não retira a licitude dos atos praticados, como bem destacado no acórdão paradigma n° 1401001.536; B) quanto à multa qualificada: 12) é preciso ter em conta que o negócio lícito e feito às claras não pode dar ensejo à multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos; 13) não há como se cogitar de fraude na operação: Fl. 4168DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.169 5 • a uma, pois, de fato, todas as operações das quais a recorrente tomou parte eram lícitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção de ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco, nas Declarações pertinentes; • a duas, pois, além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado foi publicado em jornais de grande circulação à época e está disponível no site da BOVESPA (cf. doc. 16 acostado à Impugnação); • a três, pois, além de ter se tornado público por meio do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos foi registrado no CADE; • a quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS), que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena de desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como prova da legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação, como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legítima e válida; • a cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela recorrente, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela Fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas Fl. 4169DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.170 6 signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, devidamente apresentados à Fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à Fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado pela mais autorizada doutrina; • a seis, pois não houve qualquer prejuízo à Fiscalização, que teve acesso ao Acordo de Investimentos por meio de Metrovias, conforme o mencionado em seu próprio Relatório Fiscal; 14) não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela Fiscalização, porquanto a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação; 15) ademais, no ano de 2006, operações com esses mesmos aspectos eram comuns no mercado e indicadas por empresas de assessoria, como no caso presente, em que a recorrente, como dito, fora orientada tanto pelo Banco Pactual S/A quanto pelo escritório Barbosa Müssnich & Aragão Advogados, conforme parecer já anexado aos autos; 16) nos acórdãos paradigmas nº 1401001.536 e 10195.537, as conclusões foram no sentido de que, embora o cumprimento das leis não seja, por si só, suficiente para afastar a lavratura do auto de infração, é medida eficaz, por outro lado, para afastar a multa qualificada; 17) em caso de dúvida, a decisão deve ser favorável ao réu, ou, no caso, ao contribuinte, não podendo serlhe imputada qualquer penalidade, ainda que o tributo seja considerado devido. Por último, requer seja este recurso conhecido e provido, a fim de que: a) uma vez uniformizada a jurisprudência desta Câmara Superior com o acórdão paradigma n° 110100.708, seja reformada a decisão recorrida para, ao final, julgar improcedente os lançamentos, cancelando o auto de infração lavrado pela autoridade fazendária, uma vez que não houve simulação na reestruturação societária da qual participou a Recorrente; ou, b) caso assim não se entenda, que, ao menos, seja este recurso conhecido e provido, a fim de que, uma vez uniformizada a jurisprudência desta Câmara Superior com os acórdãos paradigmas n° 1401001.536 e 10195.537, seja afastada a multa qualificada de 150%, pois não restou configurada qualquer das hipóteses do §1° do art. 44 da Lei n° Fl. 4170DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.171 7 9.430/1996, sabendose que houve incerteza quando do julgamento do recurso voluntário, nos termos do inciso IV do art. 112 do CTN, já que ele foi decido pelo voto de qualidade. Em Despacho de Admissibilidade, negouse seguimento ao Recurso Especial, às efls. 4.009/4.018. O sujeito passivo interpôs Agravo, que foi acolhido parcialmente, dando se seguimento somente para o tema "multa qualificada interpretação divergente do art. 44, § 1º, da lei nº 9430, de 1996", mas apenas em face do paradigma nº 10195.537. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 30/08/2017, à efl. 4.124. Contrarrazões apresentadas no dia 01/09/2017, à efl. 4.154. Nessa oportunidade, a PGFN alegou o seguinte: 1) o julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, substituiuse à parte, realizando a providência que cabia tão somente ao recorrente, de cotejar os casos confrontados de forma a evidenciar que, diante de contextos fáticos análogos, foram adotadas conclusões jurídicas distintas; 2) o recorrente limitouse a demonstrar uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos, providência, como adiantado, que foi suprida pelo julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, que se incumbiu, ele próprio, de efetuar o cotejo que o recorrente deixou de fazer; 3) também a semelhança de contexto fáticos não foi demonstrada pelo decorrente. Convém considerar que a manutenção da multa qualificada foi fundamentada pela decisão recorrida em aspectos peculiares ao contexto fático e probatório contido nestes autos. Não se trata de mera aplicação de lei ou de questão de direito, apenas; 4) o planejamento tributário analisado pelo acórdão indicado como paradigma apresentase totalmente distinto, em aspectos relevantes, do que foi julgado pela decisão recorrida; 5) na decisão recorrida, há várias provas do dolo do recorrente, voltado para o fim de evitar a devida tributação, e que não estão presentes no acórdão indicado como paradigma; 6) nesse sentido, o recurso especial manejado pelo contribuinte não merece sequer ser conhecido, razão pela qual a Fazenda Nacional pugna para que lhe seja negado seguimento; 7) no Relatório da Ação Fiscal, percebese que o trabalho da autoridade responsável pelo lançamento foi minucioso, apresentando detalhadamente todos os passos da alienação da participação societária na UNIVIAS PARTICIPAÇÕES S.A; 8) conforme provam os documentos coligidos na ação fiscal e os relatos do Relatório da Ação Fiscal, as partes praticaram diversos atos simulados, todos com o fim único de ludibriar o Fisco para pagar menos tributo. A realização de atos em sequência demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da recorrente dos demais participantes, com notório propósito de burlar o cumprimento da obrigação fiscal; 9) no que diz respeito especificamente ao conluio, cumpre registrar que o “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” é prova mais do que suficiente para constatar a Fl. 4171DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.172 8 união de vontades direcionada para o planejamento tributário abusivo, qual seja: alienação da participação societária na METROVIAS, CONVIAS e SULVIAS com redução indevida do IRPJ e da CSLL incidente sobre ganho de capital auferido na operação; 10) diante disso, concluise que a autuada e os sujeitos passivos: a) praticaram atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no Relatório da Ação Fiscal, observada a partir da realização de diversos atos simulados, tudo visando a reduzir o ganho de capital tributável, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada a multa de 150%; b) como resultado da conduta dolosa, houve a diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o consequente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta sistemática demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Por todos os motivos expostos, requer a manutenção da qualificação da multa, porquanto amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator O presente Recurso Especial é tempestivo. Todavia, o juízo de admissibilidade requer que se verifique se o recorrente efetivamente demonstrou a divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 10195.537, ofertado como paradigma. Desde já, cabe salientar que o Despacho de Admissibilidade do Agravo interposto pelo sujeito passivo rejeitou o acórdão nº 1401001.536, também ofertado como paradigma para demonstração de dissídio interpretativo em relação à aplicação da multa qualificada. Dessa forma, apenas o acórdão nº 10195.537 foi acolhido, no juízo prelibatório de admissibilidade do Agravo. Com efeito, a PGFN, em contrarrazões, destacou os pontos abaixo resumidos, que lhe parecem determinantes ao não conhecimento do apelo do sujeito passivo a esta instância especial: 1) o julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, substituiuse à parte, realizando a providência que cabia tão somente ao recorrente, de cotejar Fl. 4172DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.173 9 os casos confrontados de forma a evidenciar que, diante de contextos fáticos análogos, foram adotadas conclusões jurídicas distintas; 2) o recorrente limitouse a demonstrar uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos, providência, como adiantado, que foi suprida pelo julgador, no Despacho nº s/nº – 4ª Câmara de 24 de janeiro de 2017, que se incumbiu, ele próprio, de efetuar o cotejo que o recorrente deixou de fazer; 3) também a semelhança de contexto fáticos não foi demonstrada pelo decorrente. Convém considerar que a manutenção da multa qualificada foi fundamentada pela decisão recorrida em aspectos peculiares ao contexto fático e probatório contido nestes autos. Não se trata de mera aplicação de lei ou de questão de direito, apenas; 4) o planejamento tributário analisado pelo acórdão indicado como paradigma apresentase totalmente distinto, em aspectos relevantes, do que foi julgado pela decisão recorrida. Diante das supostas falhas do Recurso Especial do sujeito passivo, impõese examinar os termos em que o apelo foi formulado, ao expor o acórdão nº 10195.537 como comparativo. Seguem as palavras do recorrente: "4.19. Já nos acórdãos paradigmas a conclusão foi no sentido de que apesar do fato do contribuinte ter seguido as leis e de, por consequência lógica, não ter cometido nenhum ilícito no tocante às operações que praticou, não ser válido para afastar a lavratura do auto de infração, é capaz, por outro lado, de afastar a multa qualificada. Vejamos. "Por outro lado, entendo que vale para afastar a caracterização de fraude ou má fé. A operação em análise foi realizada em 2006 e, até este ano de 2016, ainda há discussões sobre aspectos de operações envolvendo ágio. Aliás, no ano de 2006, operações com gerações de ágio artificial eram corriqueiras no mercado e incentivadas por empresas de assessoria fiscal e/ou contábil renomadas. Concluo, assim, que a Recorrente apenas tentou se valer de um planejamento tributário que julgava à época ser válido. Todas as operações foram devidamente registradas e em nenhum momento houve qualquer recusa de informação ao Agente Fiscal, demonstrando sua boafé do início ao fim. O que há aqui é uma diferença de interpretação entre a posição da Recorrente e aquela que vem sendo consolidada no CARF nos últimos anos. Desqualifico, portanto, a multa de ofício de 150% para 75%." (Acórdão n° 1401001.536) (grifei) "Por todos esses aspectos é que considero não oponível ao fisco a forma de apresentação adotada pela contribuinte, devendo ser cobrado o tributo correspondente ao ganho de capital efetivamente existente, que traduz a verdadeira capacidade contributiva existente nos fatos apresentados. Fl. 4173DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.174 10 Cabe ressaltar que não se está a utilizar analogias ou interpretações de cunho econômico. Para que essas formas de interpretações sejam aplicadas é necessário que os fatos cotejados possuam substrato econômico efetivo, com efeitos semelhantes ou idênticos. No caso. O que se está a fazer é perquirir qual o verdadeiro fato, já que não há conteúdo material pela forma apresentada, pois, como visto acima, todos os efeitos derivados da associação e do ágio conferido nunca puderam ser produzidos, seja por força contratual ou pelo mecanismo adotado na realização do negócio. Mas concluirse pela manutenção do lançamento não me parece suficiente para a qualificação da penalidade, matéria que reconheço, sujeita a sinceras controvérsias. [...] [...] não há dificuldades a um contribuinte em ancorar seu procedimento em precedentes jurisprudenciais, nem tampouco de obter pareceres de juristas de escol a fundamentar sua pretensão. [...] De fato, em circunstância envolvendo o planejamento tributário, na qual o contribuinte registra todos os seus atos, cumpre todas as obrigações acessórias, dando pleno conhecimento ao fisco de sua atividade, impertinente a aplicação da pena qualificada, pois a regra de interpretação da imposição da multa há de se amoldar ao inciso IV do artigo 112 do CTN, mormente quando existam conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias e precedentes jurisprudenciais." (Acórdão n° 10195.537) (grifei) 4.20. Verificase que o caso presente e aquele objeto do primeiro acórdão paradigma referemse à reestruturações societárias realizadas no mesmo ano 2006 o outro é mais antigo, de 1993. Em todos os casos (acórdão recorrido e paradigmas) a reestruturação societária foi consumada na forma e conforme a lei, baseados em pareceres de especialistas externos, como, inclusive, reconhecido no Relatório do acórdão dos embargos de declaração (fl. 2.449), onde os contribuintes, tal e qual a Recorrente, registraram todos os atos, cumpriu todas as obrigações acessórias, cientificando o poder público e órgãos reguladores, inclusive o Fisco. No entanto, eles tiveram soluções divergentes no que diz respeito a não incidência da multa qualificada, razão pela qual impõese o conhecimento e provimento deste Recurso Especial, a fim de que prevaleça a solução posta nos paradigmas." Reiterese que o acórdão nº 1401001.536 foi rejeitado, em sede de Agravo. Sua ementa foi reproduzida, acima, apenas para não se perder todo o sentido do recurso. Agora, reparese o Despacho de Admissibilidade do Agravo, no que importa à verificação da regularidade do juízo proferido: "O acórdão paradigma nº 1401001.536, nos termos em que foi registrado em seu relatório, enfrentou a situação em que, pela ótica da Fiscalização, foram realizadas operações societárias intragrupo com o objetivo de gerar um ágio, possibilitando, assim, o aumento do custo do investimento e, por decorrência, a redução do ganho de capital tributável. Registro, desde já, a notória distinção entre os fatos enfrentados pelos acórdãos comparados, recorrido e paradigma. Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.175 11 Tratandose de qualificação de penalidade, em que a intenção do agente na adoção da conduta constitui elemento indissociável, a semelhança entre os fatos apreciados pelas decisões confrontadas representa, via de regra, condição indispensável à comprovação de divergências jurisprudenciais. Ressalvase, contudo, a circunstância em que, embora distintos os fatos analisados, os acórdãos comparados esposam interpretação genérica, isto é, dissociada dos fatos retratados nos autos, acerca de determinada norma tributária. No campo tributário penal poder seia citar, a título de exemplo, a situação em que a decisão recorrida mantém a penalidade qualificada por entender que houve simulação, e o ato decisório paradigma proclama que, em qualquer que seja a situação, a simulação não constitui ocorrência suficiente à aplicação da multa qualificada. Nessa linha, importa verificar se o acórdão paradigma sob análise (1401 001.536) trouxe pronunciamento genérico acerca da qualificação da penalidade, e mais: se esse pronunciamento colide com a interpretação emprestada pelo acórdão recorrido à norma que comina a penalidade aplicada. (grifei) O paradigma em questão, relativamente à multa qualificada, assinalou: Multa qualificada Toda a argumentação da Recorrente no tocante ao fato de ter seguido as leis e de, por consequência lógica, não ter cometido nenhum ilícito no tocante às operações que praticou, não vale, como explicado anteriormente, para afastar a glosa do ágio e o recálculo do custo do investimento que reduziu o ganho de capital da Recorrente. Por outro lado, entendo que vale para afastar a caracterização de fraude ou má fé. A operação em análise foi realizada em 2006 e, até este ano de 2016, ainda há discussões sobre aspectos de operações envolvendo ágio. Aliás, no ano de 2006, operações com geração de ágio artificial eram corriqueiras no mercado e incentivadas por empresas de assessoria fiscal e/ou contábil renomadas. Concluo, assim, que a Recorrente apenas tentou se valer de um planejamento tributário que julgava à época ser válido. Todas as operações foram devidamente registradas e em nenhum momento houve qualquer recusa de informação ao Agente Fiscal, demonstrando a sua boa fé do início ao fim. O que há aqui é uma diferença de interpretação entre a posição da Recorrente e aquela que vem sendo consolidada no CARF nos últimos anos. Desqualifico, portanto, a multa de ofício de 150% para 75%. Irrefutável a constatação de que o entendimento declinado no paradigma indicado está associado aos fatos por ele apreciados, que, como já dito, em nada se assemelham aos analisados pelo acórdão recorrido. No que diz respeito ao acórdão nº 10195.537, os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do seu relatório, possibilita também conhecer os fatos retratados nos correspondentes autos. (grifei) Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.176 12 Contra a empresa Nacional Administração e Participações S.A. foram lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referentes ao anocalendário de 1999. A interessada era detentora da totalidade do capital da Nacional Supermercados S/A ( R$ 33.176.000,00). A empresa Sonae Distribuição Brasil S/A integralizou capital da Nacional Supermercados, aportando, pelas ações adquiridas, R$ 300 milhões, sendo R$ 296.331.177,00 a título de ágio. Conseqüentemente, em razão da equivalência patrimonial, restou aumentado o custo da participação da Nacional Administração e Participações S/A em Nacional Supermercados S/A. Imediatamente após a integralização, a reserva de ágio foi incorporada ao capital de Nacional Supermercados S/A, que foi cindida no dia seguinte. Na cisão, a autuada recebeu os R$ 300 milhões da integralização de capital, ficando Sonae Distribuição S/A como única acionista de Nacional Supermercados S/A. Essas operações, realizadas nos dias 30 de março e 01 de abril de 1999, foram precedidas de um "contrato de associação" firmado 2 meses antes (29 de janeiro de 1999) que disciplinava como seriam elas realizadas. A fiscalização entendeu que a real intenção da autuada era ceder sua participação em Nacional Supermercados S/A à Sonae Distribuição Brasil S/A, caracterizando como simulados os atos de integralização de capital e cisão. Em conseqüência, desconsiderouos, bem como o aumento de custo de participação societária que a autuada contabilizara em função deles. Dessa forma, apurou que, no negócio, a autuada obteve um ganho de capital de R$ 266.765.815,25. Em que pese a forma sintética com que os fatos foram retratados no acórdão paradigma, identifico elevada semelhança entre estes e os apreciados pela decisão recorrida. Aqui, desconsidero o argumento contido no exame de admissibilidade agravado no sentido de que "a identidade fática não é demonstrada pela Recorrente" (GRIFEI), uma vez que isso, por si só, não constitui elemento necessário e suficiente à negativa de seguimento do recurso. (grifei) Ausente a citada demonstração, cabe, em sede de juízo de admissibilidade, verificar se existe ou não a similitude fática tida como essencial à comprovação da divergência. (grifei) Embora possase até admitir que o planejamento tributário enfrentado pelo acórdão paradigma apresente nuances que o distinguem do analisado pela decisão recorrida, não me parece restar dúvida que, em essência, estamos diante de fatos de elevado grau de similitude. Quanto a isso, inclusive, o voto (vencedor) condutor da referida decisão paradigma, em determinadas passagens, promove análise mais ampla acerca das variantes de planejamentos de tributários cujo objetivo, a exemplo do enfrentado pelo acórdão recorrido, é evitar a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de ativos, senão vejamos: (grifei) Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.177 13 dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. No caso dos autos isso é patente. Tratase de conhecido planejamento de venda de participação societária, visando afastar tributação sobre ganho de capital. Ao invés de alienação direta, recebese um novo sócio, com investimento acima do valor patrimonial, ou seja, com ágio, retirandose da sociedade incontinente o sócio mais antigo, levando consigo os valores monetários, enquanto o novo sócio permanece com as ações que originalmente pretendia adquirir. Pode ser o total da participação ou apenas parte dela, mas sempre visando escapar do ganho de capital que seda gerado na parte das ações que se pretendia alienar. Há várias formas de se implementar tal objetivo. Quando, por exemplo, as ações pertencem a pessoas físicas, normalmente conferemse as cotas em empresa de passagem (conduit company), a fim de que o ágio possa repercutir em equivalência patrimonial no novo patrimônio dos sócios. A empresa que recebe investimento com ágio, se anteriormente de responsabilidade limitada, é transformada em companhia, para que a reserva não seja tributada. Existem casos também nos quais se procede a uma "cisão branca", conferindose ativos em uma outra empresa (drop down), sendo esta última a receptora do ágio, com subseqüente cisão. Há ainda as "cash companies", nas quais o adquirente constitui uma empresa cujo único ativo é dinheiro em caixa, permutando ações com os antigos sócios, normalmente após uma operação de separação de ativos em empresa específica, conforme antes destacado. Em todos esses exemplos, inclusive o caso dos autos, o interesse é exclusivamente de escapar à manifestação patente de capacidade contributiva, excluindo a necessária imposição da norma tributária. Não há qualquer desejo de associação verdadeira. Ou se existir, pela remanescente participação, de fato o que se quer é conferir participação maior ao adquirente daquela que ele mesmo conferiu inicialmente, em percentual sempre ínfimo, pois o restante de sua inversão se faz através de ágio, não tributável, cuja contabilização no patrimônio líquido, em conta diversa da do capital, beneficia a todos os antigos proprietários da empresa. (...) Outro aspecto sempre presente nessas operações são as cláusulas de segurança, que evitam acabem quaisquer das partes em situação não desejada. Um primeiro sintoma dessas disposições é o fator tempo. A integralização de capital e o ágio são executados em espaço de tempo curtíssimo, senão instantaneamente, com a retirada dos antigos sócios, por cisão, permuta ou outra forma qualquer. É claro que o adquirente da companhia não quer permitir que os alienantes mantenham controle da companhia com os valores já entregues. Fl. 4177DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.178 14 Muitas das vezes, como no presente caso, há contratos prévios, determinando a cada uma das partes o que se irá fazer, impondolhe restrições incontornáveis à manutenção de uma verdadeira associação. Por todos esses aspectos é que considero não oponível ao fisco a forma de apresentação adotada pela contribuinte, devendo ser cobrado o tributo correspondente ao ganho de capital efetivamente existente, que traduz a verdadeira capacidade contributiva existente nos fatos apresentados. Supero, pois, com base nos argumentos antes expendidos, a questão associada à semelhança dos fatos entre os que foram apreciados pelo acórdão recorrido e os enfrentados pelo acórdão nº 10195.537. No que tange à qualificação da penalidade, o acórdão paradigma nº 101 95.537, após tecer considerações acerca de vícios capazes de macular o negócio jurídico (simulação absoluta; simulação relativa; e fraude à lei) e sustentar que referida exasperação de penalidade só seria aplicável em casos de simulação absoluta, conclui no sentido de que "em circunstância envolvendo planejamento tributário, na qual o contribuinte registra todos os seus atos, cumpre todas as obrigações acessórias, dando pleno conhecimento ao fisco de sua atividade, impertinente a aplicação da pena qualificada, pois a regra de interpretação da imposição da multa há de se amoldar ao inciso IV do artigo 112 do CTN, mormente quando existam conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias e precedentes jurisprudenciais". Em sentido oposto ao decidido no acórdão nº 10195.537, o ato decisório recorrido, sem promover maiores incursões, classifica os atos praticados como simulados e pronunciase pela manutenção da penalidade qualificada. Em relação à matéria em destaque, portanto, tenho por comprovado o dissídio jurisprudencial, exclusivamente em relação ao acórdão nº 10195.537, ressaltando, contudo, que a questão relacionada à aplicação das disposições do inciso IV do art. 112 do CTN em virtude de a decisão recorrida ter sido sufragada pelo voto de qualidade, não deve ser conhecida, vez que ela não integra o ato decisório recorrido e, além disso, não foi sequer tangenciada pelo paradigma em referência. O argumento estampado no acórdão nº 10195.537 acerca da aplicação das disposições em comento (inciso IV do art. 112 do CTN), diz respeito às dúvidas decorrentes de posicionamentos conflitantes da doutrina e da jurisprudência acerca da procedência da qualificação da penalidade em casos como o que foi enfrentado pela decisão recorrida." (grifei) Como se pode ver, desconsiderouse, em sede de admissibilidade do Agravo, de forma desautorizada pelo Regimento Interno, a ausência de demonstração de similitude fática, de grande magnitude para fins de comprovação do dissídio exegético. Nesse sentido, reza o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial1 (versão 3.0) que "a divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária." Isso porque não se pode afirmar a existência de divergência de interpretação sobre a legislação tributária, se forem distintos os fatos colocados sobre a incidência da mesma legislação. Assim, para evitar o julgamento de recursos que não atendem a todos os requisitos regimentais, a análise da admissibilidade de Recurso Especial é um filtro por meio do qual impedese a subida de apelos que não poderão ser julgados. Para cumprir essa função, é necessário que o julgador da 1 Versão 3.0, página 50. Fl. 4178DF CARF MF Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 9101003.621 CSRFT1 Fl. 4.179 15 admissibilidade confira, entre outros requisitos, se o recorrente expôs a situação fática do acórdão paradigma, cotejandoa com aquela que está retratada no acórdão recorrido, de modo a permitir a identificação da desconcordância entre os julgados. Conforme argumenta a PGFN, o recorrente demonstrou uma suposta divergência de teses, mas não comprovou a semelhança dos quadros fáticos. Tratandose de debate sobre a aplicação de multa qualificada, mostrase imprescindível o contexto fático, com todas as nuances, em cujo cerne constatouse o dolo, vis àvis contexto fático similar, no qual o dolo restou afastado. Todavia, no presente Recurso Especial, o julgador da admissibilidade deuse ao trabalho de substituir a atuação do recorrente, tracejando os fatos submetidos ao acórdão ofertado como paradigma, a partir da omissão do apelante. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 4179DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000311/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas. As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep dos municípios
PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF. FUNDEB. RETENÇÃO.
Os valores destinados pelo município ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), bem assim ao seu precursor Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério(Fundef) não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep, ainda que repassados, pelo remetente, diretamente àquele fundo. Os valores eventualmente retidos na fonte, por parte do órgão originário dos repasses, poderão ser deduzidos do Pasep devido pelo ente público recebedor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.722
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques Doliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017. O Conselheiro Salvador Candido Brandão Júnior apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas. As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep dos municípios PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF. FUNDEB. RETENÇÃO. Os valores destinados pelo município ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), bem assim ao seu precursor Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério(Fundef) não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep, ainda que repassados, pelo remetente, diretamente àquele fundo. Os valores eventualmente retidos na fonte, por parte do órgão originário dos repasses, poderão ser deduzidos do Pasep devido pelo ente público recebedor. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques Doliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017. O Conselheiro Salvador Candido Brandão Júnior apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas. As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep dos municípios PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEF. FUNDEB. RETENÇÃO. Os valores destinados pelo município ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), bem assim ao seu precursor Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério(Fundef) não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep, ainda que repassados, pelo remetente, diretamente àquele fundo. Os valores eventualmente retidos na fonte, por parte do órgão originário dos repasses, poderão ser deduzidos do Pasep devido pelo ente público recebedor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 11 /2 00 8- 35 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 105 2 Acordam os membros do Colegiado em, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques Doliveira, Salvador Candido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que davam provimento ao recurso voluntário, aplicando a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017. O Conselheiro Salvador Candido Brandão Júnior apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório Adotase o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 09 29708 28 Turma da DRJ/JFA (fls. 79/81): Contra o interessado foi lavrado auto de infração de Pasep no valor total de R$ 132.488,33 (fls. 42 e seguintes), em função das irregularidades descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 27/31; A entidade apresenta impugnação (fls. 52 e seguintes), na qual após discorrer sobre o Fundo de Manutenção e desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF) e a contabilização de suas deduções, alega, em síntese, que: a) "o valor retido em favor do FUNDEF não tem como destinatário final o fundo de natureza contábil, mas sim o Estado e os respectivos Municípios, os quais são pessoas jurídicas de direito público interno, conforme previsto no art. 41 do Código Civil brasileiro (Lei n° 10.406/2002)"; b) "assim, devem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições para o PISPASEP as retenções em favor do antigo FUNDEF e do atual FUNDEB, pois caberá ao Estado e aos Municípios que receberem a cota do Fundo em função do número de seus alunos o recolhimento da contribuição ao PISPASEP sobre a referida receita recebida"; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 106 3 Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, com a seguinte ementa (fl. 78): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário : 2003, 2004, 2005, 2006 PASEP.BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do Pasep é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, como consta da legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso voluntário, (fls. 88 e seguintes), sobre as seguintes questões: 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO JULGAMENTO 3. DO FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO (FUNDEF). 4. CONTABILIZAÇÃO DAS DEDUÇÕES DO FUNDEF. 5. DA BASE DE CÁLCULO DO PASEP DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO 6. DAS DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO PIS PASEP DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora Sendo tempestivo e preenchidos os demais requisitos para admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração para exigência de contribuição para o Pasep, relativas aos anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006, contra Pessoa Jurídica de Direito Público Interno por falta/insuficiência de recolhimento da contribuição ao Pasep. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 107 4 A Recorrente apresentou preliminar de nulidade do julgamento alegando que na decisão de piso foi apenas analisada a questão da dedução da base de cálculo, sem contudo apreciar questão prévia imprescindível sobre as "receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas". No entanto tratouse dessa questão na decisão recorrida, de forma sucinta e direta, nos seguintes termos (fls 80/81): Como se vê, a base de cálculo da contribuição é "o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas". A instituição recebe transferência corrente relacionada ao FUNDEF, e essa transferência deve ser incluída na base de cálculo do Pasep, como determina o inciso III, acima transcrito. O que pode ser deduzido da citada base de cálculo, são as "transferências efetuadas a outras entidades públicas". Como a Prefeitura Municipal de Monte Santo de Minas não transfere essa receita a outra entidade, obviamente não pode fazer a dedução que almeja (grifos no original). Considerando que a decisão recorrida tratou expressamente das "receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas", resta afastada preliminar de nulidade. Em relação ao mérito, a questão posta está centrada no fato de o ente político municipal pretender que o recolhimento da contribuição para o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), relativamente às suas receitas e às transferências recebidas e destinadas obrigatoriamente à constituição do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), não incida em relação ao quantum vertido para o referido Fundo. Essa pretensa base de cálculo do Pasep está fundamentada em tese defendida por alguns entes públicos que, de maneira generalizada, buscam redução da base de cálculo da contribuição para, conseqüentemente, reduzir o montante do tributo a ser recolhido. Contudo, a base de cálculo1 apontada pelos municípios não guardam consonância com as normas aplicáveis à matéria, à época dos fatos, conforme veremos na seqüência. Cumpre mencionar que adotamos nesta decisão entendimento constante do Acórdão no 3301004.141 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária , de relatoria do Conselheiro José Henrique Mauri. 1 A Lei nº 12.810, de 2013, alterou a Lei nº 9.715, de 1998, para incluir no art. 2º, o § 7º, alterando a base de cálculo do Pasep, permitindo, em sua apuração, a exclusão de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Porém, o novo dispositivo somente se aplica após 15 de maio de 2013, data da vigência da Lei, não alcançando assim os fatos geradores do presente processo, 2010 e 2011. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 108 5 Introdução: Contexto Normativo do Fundef e do Fundeb Antes de adentrarmos no mérito do caso concreto, considerando os recorrentes questionamentos dos Entes Públicos Municipais acerca de eventual bitributação e de erro na apuração da base de cálculo do Pasep, bem assim a coexistência de outros processos, de teor semelhante, de interesse de outros Municípios, também distribuídos ao Conselheiro que subscreve o presente voto, fazse relevante, nessa oportunidade, apreciarmos a matéria em um contexto mais abrangente, de forma a possibilitar a compreensão do conjunto normativo em que se situa o caso concreto. Assim, de início, traçase o histórico do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), desde seu precursor Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), sua natureza jurídica e tributária e a incidência da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) sobre esses fundos. Histórico do Fundef e Fundeb A Carta Magna de 1988 fez nascer a obrigatoriedade de se priorizar o sistema educacional brasileiro, razão pela qual foi criado o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), posteriormente substituído pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). A criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) em 1996 foi, sem dúvida, uma das mais importantes mudanças ocorridas na política de financiamento da educação no Brasil nas últimas décadas. Seu principal mérito talvez tenha sido o de proporcionar uma melhor redistribuição dos recursos financeiros educacionais, mediante o critério do número de alunos matriculados, com o objetivo de atenuar a enorme desigualdade regional existente no Brasil. Vale ressaltar, também, a contribuição do Fundef quanto ao aperfeiçoamento do processo de gerenciamento orçamentário e financeiro no setor educacional, bem como permitindo uma maior visibilidade na aplicação dos recursos recebidos à conta do Fundo. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 109 6 [Excerto de artigo extraído da web em 1/7/2017: Texto Fundeb_PROGED.doc autor não identificado] O Fundef teve como precursor a Emenda Constitucional nº 14, de 1996, que alterou o art. 60, do ADCT, nos termos abaixo transcritos, com os destaques adicionados: Art. 60. Nos dez primeiros anos da promulgação desta Emenda, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios destinarão não menos de sessenta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização de seu atendimento e a remuneração condigna do magistério. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 1º A distribuição de responsabilidades e recursos entre os Estados e seus Municípios a ser concretizada com parte dos recursos definidos neste artigo, na forma do disposto no art. 211 da Constituição Federal, é assegurada mediante a criação, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, de natureza contábil. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º O Fundo referido no parágrafo anterior será constituído por, pelo menos, quinze por cento dos recursos a que se referem os arts. 155, inciso II; 158, inciso IV; e 159, inciso I, alíneas "a" e "b"; e inciso II, da Constituição Federal, e será distribuído entre cada Estado e seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos nas respectivas redes de ensino fundamental. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º A União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o § 1º, sempre que, em cada Estado e no Distrito Federal, seu valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ajustarão progressivamente, em um prazo de cinco anos, suas contribuições ao Fundo, de forma a garantir um valor por aluno correspondente a um padrão mínimo de qualidade de ensino, definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 5º Uma proporção não inferior a sessenta por cento dos recursos de cada Fundo referido no § 1º será destinada ao pagamento dos professores do ensino Fl. 109DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 110 7 fundamental em efetivo exercício no magistério. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 6º A União aplicará na erradicação do analfabetismo e na manutenção e no desenvolvimento do ensino fundamental, inclusive na complementação a que se refere o § 3º, nunca menos que o equivalente a trinta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 7º A lei disporá sobre a organização dos Fundos, a distribuição proporcional de seus recursos, sua fiscalização e controle, bem como sobre a forma de cálculo do valor mínimo nacional por aluno. [Destaquei] Cumprindo o disposto no §7º, suso transcrito, foi editada a Lei nº 9.424, de 1996, instituindo o Fundef Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (posteriormente substituído pelo Fundeb criado pela Lei nº 11.494, de 2007), no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, com natureza meramente contábil. O Fundef era formado por 15% dos recursos dos Estados e Municípios decorrentes da arrecadação do ICMS (incluindo as compensações por perdas decorrentes da desoneração de exportações – LC 87, de 1996), do FPE e FPM, do IPI proporcionalmente às exportações, na forma do art. 1º, §§1º e 2º da Lei nº 9.424, de 19962: 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o qual terá natureza contábil e será implantado, automaticamente, a partir de 1º de janeiro de 1998. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) § 1º O Fundo referido neste artigo será composto por 15% (quinze por cento) dos recursos: (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) I da parcela do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ICMS, devida ao Distrito Federal, aos Estados e aos Municípios, conforme dispõe o art. 155, inciso II, combinado com o art. 158, inciso IV, da Constituição Federal; (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) II do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal FPE e dos Municípios FPM, previstos no art. 159, inciso I, alíneas a e b, da Constituição Federal, e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; e (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) III da parcela do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devida aos Estados e ao Distrito Federal, na forma do art. 159, inciso II, da Constituição Federal e da Lei Complementar nº 61, de 26 de dezembro de 1989. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) § 2º Incluise na base de cálculo do valor a que se refere o inciso I do parágrafo anterior o montante de recursos financeiros transferidos, em moeda, pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios a título de compensação financeira pela perda de receitas decorrentes da desoneração das exportações, nos termos da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996, bem como de outras Fl. 110DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 111 8 A União contribuia, por sua vez, complementarmente, na forma do art. 6º da referida lei3, de modo a atingir o valor mínimo por aluno definido nacionalmente. Com o fim do prazo de vigência do Fundef [o fundo vigorou por dez anos: 1997 a 2006], foi editado a Lei n. 11.494/07, conversão da MP nº 339, de 2006, que, para substituir o Fundef, instituiu o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que se estenderá até o ano de 2020. O novo fundo representou um aprimoramento do antigo Fundef, especialmente quando ao volume de recursos a ele aportados (a alíquota passou de 15% para 20%, bem assim alargouse a base de cálculo) e à abrangência do sistema de ensino a ser contemplado, passando a alcançar também o ensino infantil e médio (o Fundef beneficiava unicamente o ensino fundamental). Todavia, foram preservadas, no Fundeb, as naturezas jurídica e tributária inerentes ao extinto Fundef, razão pela qual os contenciosos tributários constituídos fundamse em idênticas controvérsias, seja inaugurado sob a égide de um ou de outro fundo, v.r., questionase a incidência do Pasep sobre o repasse de recursos ao Fundo, pela União. Portanto, no presente voto farseá referência indistintamente ao Fundef ou Fundeb, independentemente de trataremse de fatos ocorridos na vigência temporal ou espacial de um ou de outro. Da natureza jurídica e tributária A Secretaria do Tesouro Nacional – STN – assim dispôs em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público – Parte III – Procedimentos Contábeis Específicos4, ao tratar do Fundeb: “03.01.02.02 NATUREZA DO FUNDEB O Fundeb não é considerado federal, estadual, nem municipal, por se tratar de um fundo de natureza contábil, formado com recursos provenientes das três esferas de governo e pelo fato de a arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados, com a participação do Banco do Brasil, como agente compensações da mesma natureza que vierem a ser instituídas. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) 3 Art. 6º A União complementará os recursos do Fundo a que se refere o art. 1º sempre que, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, seu valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) 4 https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/artigos/Parte_III__PCE.pdf Fl. 111DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 112 9 financeiro do fundo. Além disso, os créditos dos seus recursos são realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios, de forma igualitária, com base no número de alunos. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal, Estadual ou Municipal. Assim, dependendo do ponto de vista, o fundo tem seu vínculo com a esfera federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos), a estadual (os Estados participam da composição, da distribuição, do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a municipal (os Municípios participam da composição, do recebimento e da aplicação final dos recursos). É importante destacar, no entanto, que a sua instituição é estadual, conforme prevê a Emenda Constitucional nº 53, de 19/12/2006, art. 1º. [Destaquei] Ressaltese que, embora as considerações feitas pela STN refirase ao Fundeb, elas são igualmente aplicáveis ao extinto Fundef, pois ambos possuem a mesma natureza, conforme explicitado em tópico precedente. Ainda quanto à natureza jurídica, o artigo publicado na revista da PGFN5 Ano I – Número 1 – 2011 pondera: “3 A natureza do Fundeb e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal A classificação dos fundos tem sido recorrentemente um problema para a Administração Pública, especialmente no que se refere aos efeitos práticos de qualquer iniciativa definitiva de taxonomia. Em âmbito federal a questão preocupa, principalmente, o Tesouro Nacional, a quem incumbe, efetivamente, o controle dos fluxos dos altíssimos valores envolvidos. Neste sentido, há previsão de fundos de gestão orçamentária, de gestão especial e de natureza contábil. O Fundeb se encontra no último grupo. Ao que consta, os fundos de gestão orçamentária realizam a execução orçamentária e financeira das despesas orçamentárias financiadas por receitas orçamentárias vinculadas a essa finalidade. De acordo com o Tesouro Nacional entre os fundos de gestão orçamentária se classificam o Fundo Nacional da Saúde, o Fundo da Criança e Adolescente e o Fundo da Imprensa Nacional, entre outros. Os fundos de gestão especial subsistem para a execução de programas específicos, mediante 5 http://www.pgfn.fazenda.gov.br/revistapgfn/revistapgfn/anoinumeroi/arnaldo.pdf Fl. 112DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 113 10 capitalização, empréstimos, financiamentos, garantias e avais. Exemplificase com o Fundo Constitucional do CentroOeste, com o Fundo de Investimento do Nordeste, com o Fundo de Investimento da Amazônia. Os fundos de natureza contábil instrumentalizam transferências, redefinem fontes orçamentárias, instrumentalizam a repartição de receitas, recolhem, movimentam e controlam receitas orçamentárias (bem como a necessária distribuição) para o atendimento de necessidades específicas. É o caso do Fundo de Participação dos Estados, do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundeb, especialmente. O fundo é uma mera rubrica contábil. Não detém patrimônio. Não é órgão. Não é entidade jurídica. Não detém personalidade própria. É instrumento. Não é fim. Propicia meios. Eventual inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (no caso de alguns fundos) é determinação que decorre da necessidade da administração tributária deter informações cadastrais. [Destaquei] O Fundeb, de modo semelhante ao Fundef, não deve ser considerado, portanto, um fundo específico de determinada esfera governamental, mas um fundo multigovernamental, que não possui personalidade jurídica própria, e que é composto por recursos primordialmente dos Estados e Municípios, complementarmente pela União, distribuído pelos Estados e, em carater complementar, pela União, sendo seus recursos aplicados por Estados e Municípios e fiscalizados de forma concorrente pelas três esferas de governo. Relativamente a sua contabilização, a STN publicou a Portaria nº 328, de 2001, na qual explicita os lançamentos contábeis e assim dispôs: Art. 1º Estabelecer, para os estados, Distrito Federal e municípios, os procedimentos contábeis para os recursos destinados e oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF. Art. 2º As receitas provenientes do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e dos Municípios – FPM, do Imposto sobre a circulação de mercadorias e de prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicação – ICMS, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre as exportações, na forma da Lei Complementar nº 61 e da Desoneração do ICMS, nos termos da Lei Complementar nº 87, deverão Fl. 113DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 114 11 ser registradas contabilmente pelos seus valores brutos, em seus respectivos códigos de receitas. Art. 3º Os quinze por cento retidos automaticamente das transferências citadas no artigo anterior, serão registradas na conta contábil retificadora da receita orçamentária, criada especificamente para este fim, cuja conta será o mesmo código da classificação orçamentária, com o primeiro dígito substituído pelo número 9. Neste caso, as classificações de receita 1721.01.00 e 1722.01.00 terão como contas retificadoras as contas contábeis números 9721.01.00 e 9722.01.00 – Dedução de Receita para Formação do FUNDEF. Parágrafo 1º A Proposta Orçamentária conterá a classificação própria da receita com a apresentação da previsão bruta e as deduções para a formação do FUNDEF, ficando a despesa fixada com base no valor líquido da receita prevista. Parágrafo 2º A contabilidade manterá os registros distintos da receita arrecadada em contas abertas em cada ente da federação que representarão, respectivamente a classificação da receita e a dedução correspondente, na forma definida no caput do artigo. Art. 4º Os quinze por cento deduzidos ou transferidos pelos Estados e DF do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação para o FUNDEF serão registrados na conta contábil retificadora da receita orçamentária, código 9113.02.00 – Dedução para o FUNDEF, devendo aplicar esta regra de criação de contas retificadoras para as demais receitas. Art. 5º Os valores do FUNDEF repassados ao Estado, Distrito Federal e Municípios deverão ser registrados no código de receita 1724.01.00 Transferência do FUNDEF. Parágrafo único – Quando constar do montante creditado na conta do FUNDEF, parcela de complementação de seu valor o mesmo deverá ser registrado destacadamente na conta 1724.02.00 – Transferência de Complementação do FUNDEF. Art. 6º Os procedimentos de registros contábeis, estabelecidos nesta Portaria, das transferências e as respectivas deduções estão evidenciadas no Anexo I. Art. 7° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose seus efeitos a partir do Fl. 114DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 115 12 exercício financeiro de 2002, inclusive no que se refere à elaboração da respectiva lei orçamentária. [Destaquei] O Anexo I da referida portaria descreve os lançamentos contábeis atinentes ao fundo. Depreende se que há três lançamentos distintos: (i) o recebimento das transferências correntes dos outros entes públicos, (ii) a dedução para formação do fundo e (iii) o recebimento dos recursos do fundo. Relativamente aos Municípios, que é o caso dos presentes autos, devese contabilizar, pelo seu valor bruto, os valores das transferências constitucionais recebidas da União e dos Estados e, em conta retificadora de receita, o valor relativo aos 15% destinados ao Fundef [20% na vigência do Fundeb]. Já o recebimento dos recursos oriundos do Fundef é contabilizado como transferência corrente recebida, de forma separada, entre os recursos provenientes do fundo, distribuídos pelos Estados, e os distribuídos pela União, como complementação para o valor mínimo nacional, referida no §3º do art. 60 do ADCT e no art. 6º da Lei nº 9.424, de1996. A contabilização segue os ditames da Lei nº 4.320, de 1964, a qual conceitua as receitas correntes, transferências correntes recebidas e efetuadas: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) ... Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (Vide DecretoLei nº 1.805, de 1980) § 1º Classificamse como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender Fl. 115DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 116 13 à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. Do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) O Pasep constitui contribuição à seguridade social destinada à formação do patrimônio do servidor público, instituída pela Lei Complementar nº 8/70 e, a partir da Constituição Federal de 1988, art. 239, fixou se que os recursos advindos de tal tributo iriam financiar o programa do segurodesemprego e o abono salarial. Constituição Federal de 1988 Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. Lei Complementar nº 8/70 Art. 1º É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes. II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 117 14 Parágrafo único Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Relativamente à questão tributária, a contribuição para o Pasep sobre as receitas governamentais encontrase disposta na Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, que assim dispõe: “Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” [Destaquei] Portanto, a contribuição para o Pasep sobre as receitas governamentais incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 118 15 Da incidência do PASEP sobre o FUNDEB 6 Conforme já explicitado em tópico precedente, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno, será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas(art. 7º). A Lei nº 12.810, de 2013, alterou a Lei nº 9.715, de 1998, para incluir no art. 2º, o § 7º, alterando a base de cálculo do Pasep, permitindo, em sua apuração, a exclusão de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Porém, o novo dispositivo somente se aplica a partir de 15 de maio de 2013, início da vigência da Lei, não alcançando assim os fatos geradores do presente processo, 2006. A receita do ente municipal é alimentada não só pelas denominadas receitas tributárias próprias, mas também pelas transferidas pelos demais entes federados. Argumentam os municípios que, ao lhes creditar tais valores, a União já faria a dedução para alocação dos recursos ao Fundef/Fundeb,7 bem como a correlata retenção na fonte da contribuição para o PASEP. Ocorre que, no entender dos entes municipais, haveria dúvida na base de cálculo do PASEP em relação a tais receitas, na medida em que os valores vertidos aos entes federados, pela União, não guardariam consonância com os valores efetivamente recebidos pelos mesmos, em decorrência dos critérios de distribuição estabelecidos pela Lei n. 11.494/2007. Advogam os Municípios que os valores do Fundeb que compõem a base de cálculo da contribuição ao Pasep devem ser aqueles efetivamente recebidos e não a quantia alocada quando do repasse de verbas pela União. O ente municipal calca todo seu raciocínio na premissa de que o PASEP deve incidir sobre o valor que recebe do fundo e não sobre o valor alocado, o que levaria a uma retenção indevida pela União do 6 Para a elaboração do presente tópico utilizouse de fundamentos buscados no artigo "O FUNDEB como base de cálculo da contribuição ao PASEP", de autoria de Ana Cristina Leão Nave Lamberti, pesquisado na web em 1/8/2017: http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9743 7 O mesmo raciocínio aplicase ao Fundef, nos termos da Lei nº 9.424/96, que vigorou até 2006 e a seu sucessor, o Fundeb, nos termos da Lei nº 11.494/2007, com vigor até 2020. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 119 16 tributo, que teria que ter sua base de cálculo reajustada. Ocorre que o fundamento acima não é sustentável em razão da sistemática do Fundeb, que não obedece à simples equação matemática pretendida pelos municípios. É fato que o valor vertido ao fundo guarda relação com o montante repassado pela União, de forma a compor a base de cálculo do Pasep, alimentada pelos recursos auferidos pelo ente público, seja via arrecadação, seja por transferência. Porém, não há correspondência, por obviedade matemática, entre o valor alocado, que o é genericamente por todos os municípios, e o valor recebido por cada ente municipal, proporcional ao número de alunos. Há de se esclarecer que o Fundeb tem como escopo o fomento da educação, guardando relação com índices que refletem justamente a situação educacional do município. Foi esse o critério utilizado pelo legislador no momento de distribuir os recursos do fundo em questão, entre os entes municipais. Nos ditames da Lei nº 11.494/07, em seu art. 8º, o valor que o Município recebe do fundo, que será destinado à educação, depende diretamente do número de alunos que possui em sua rede de educação básica. É esta grandeza que irá mensurar a fatia do Fundeb que cada município irá receber. Art. 8º: A distribuição de recursos que compõem os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, darseá, entre o governo estadual e os de seus Municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, na forma do Anexo desta Lei. Assim, irá contribuir mais com o Pasep o ente que receber maiores recursos da União, alargando a base de cálculo da indigitada contribuição. De outra banda, o município que recebe poucos recursos da UNIÃO, terá baixa retenção ao Pasep. Contudo, isso não irá refletir necessariamente o quantum o ente efetivamente receberá da parcela dos recursos do Fundeb. Verificase a situação posta porque o parâmetro utilizado para o rateio do Fundeb a cada Município é diverso de mero cálculo aritmético encontrado pela quantificação do valor repassado pela União aos entes municipais e que é destinado à constituição do fundo. Referido valor é encontrado com base em grandeza trazida pelo texto legal, compondose do proporcional número de alunos que dado município possui Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 120 17 matriculado nas redes de educação básica pública presencial. Portanto, um Município que recebe grande quantidade de recursos da União irá contribuir sobremaneira para o Fundeb, deduzindo a União tal fatia dos recursos que transfere ao ente municipal, e já retendo o percentual ao Pasep, mas, por possuir, p.ex., poucos alunos em sua rede de ensino, receberá uma pequena parcela dos recursos existentes no Fundeb. Ao contrário, podese vislumbrar o seguinte quadro: um município que recebe menor quantidade de recursos da União irá contribuir menos com o Pasep, mas poderá receber uma quantia maior dos recursos do Fundeb por ter maior número de alunos em sua rede de ensino. Eis o parâmetro eleito pela lei para a distribuição do Fundeb a cada município. Podese verificar na situação descrita uma eficiente forma de distribuição de renda, de maneira que municípios que recebem mais recursos federais, detendo potencialmente melhor situação educacional, contribuem mais para o Fundeb, sendo tal Fundo, por sua vez, objeto de distribuição em maiores proporções aos entes municipais com deficiência em recursos para verter em educação. O intuito da norma que cuida do critério de distribuição do Fundeb a cada Município é justamente amparar a educação básica, de forma a socorrer aqueles entes municipais com potencial deficiência educacional. De qualquer forma, a base de cálculo do PASEP há de ser o valor da receita transferida ao Município pela União e destinada ao Fundeb, por imediata dedução, por compor a definição legal da base de cálculo do referido tributo, e não o valor que efetivamente recebe o ente municipal, quando do rateio do Fundo, que guarda relação com outra grandeza, conforme delineado. Os destaques relativos aos valores repassados ao Fundeb ou Fundef, nas transferências constitucionais, efetuadas pela União ou pelo Estado, possuem a mesma natureza das próprias transferências, ou seja, devem ser oferecidas à tributação da contribuição, pelo Município, sem prejuízo, do aproveitamento, se for o caso, da retenção pela STN, no caso das transferências recebidas da União. Assim, quanto ao recebimento pelo Município das transferências da União e dos Estados, devem ser incluídas na base de cálculo do Pasep, inclusive quanto aos valores destacados para o Fundef/Fundeb. Feitas essas considerações normativas, voltemos ao caso concreto. A lide cingese na incidência de Pasep sobre os valores repassados pelo município, ou em nome desse, ao Fundef/Fundeb. As demais questões tratadas na Impugnação, ou foram lá resolvidas ou não foram contempladas no Recurso Voluntário, ora apreciado, estando portanto preclusas. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 121 18 A sustenta que os valores da contribuição já teriam sido retidos nos repasses recebidos, ou seja, os valores que já incidiram a retenção do Pasep na fonte deverão ser excluídos da base de cálculo para que não ocorra a bitributação. Conforme verificouse nos tópicos precedentes, a base de cálculo da contribuição ao Pasep é o montante das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. No caso concreto, a fiscalização aplicou o dispositivo legal, considerandose, na apuração da contribuição, as receitas legalmente previstas, deduzindose daquelas já recolhidas, inclusive das retidas na fonte. Portanto, a eventual exclusão, da base de cálculo do Pasep, da receita oriunda do repasse para formação do Fundef/Fundep, pretendida pela recorrente, não somente é vedada mas, se efetivada, geraria dupla dedução da contribuição retida, caracterizando portanto apropriação indébita, por parte do município. Com o exposto, temse que a base de cálculo considerada na autuação encontrase legalmente apurada, bem assim que do valor apurada da contribuição foram deduzidos os valores retidos na fonte, nos termos da Lei nº 9.715, de 1998, descaracterizandose a a bitributação alegada pela Recorrente. Dessa forma, a decisão de primeira instância não merece retoques, pelo que faço dela minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) e, desta forma, proponho manter a decisão por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Declaração de voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Em que pese a concordância com o voto da ilustre Relatora acerca da essência do mérito, isto é, sobre a incidência da contribuição em análise, penso que uma observação deve ser feita tendo em vista o entendimento manifestado pela própria Receita Federal na Solução de Consulta Cosit nº 278/2017 Tratase de Auto de Infração para exigência de contribuição para o Pasep, relativas aos anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006, contra Pessoa Jurídica de Direito Público Interno por insuficiência de recolhimento da contribuição ao Pasep. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 122 19 Na época dos fatos, vigorava a interpretação manifestada no voto da ilustre relatora, na qual entendo, particularmente, ser a interpretação mais correta, no sentido de que a base de cálculo da contribuição ao Pasep é o montante das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Neste sentido, da base de cálculo para a contribuição já foram deduzidos os valores retidos na fonte, nos termos da Lei nº 9.715, de 1998, descaracterizandose a bitributação. Ocorre que, recentemente, a Receita Federal manifestou o entendimento abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 278/2017 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: ENTES PÚBLICOS. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUINTES. OPERAÇÕES INTRAGOVERNAMENTAIS E INTERGOVERNAMENTAIS. REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES PÚBLICAS. CONSÓRCIOS PÚBLICOS. As transferências intergovernamentais podem se constituir em transferências constitucionais ou legais ou em transferências voluntárias: a)As transferências intergovernamentais constitucionais ou legais estão abrangidas pela regra do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor excluir os valores transferidos de sua base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário dos recursos deve incluir tais montantes na base de cálculo da sua contribuição; b)As transferências intergovernamentais voluntárias estão abrangidas pelo § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, devendo o ente transferidor manter os valores transferidos voluntariamente na base de cálculo de sua Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais e o ente beneficiário deve excluir tais montantes de sua base de cálculo. A transferência ou repasse de recursos no âmbito do mesmo ente federativo pode se dar por meio de transferências intragovernamentais ou operações intraorçamentárias. Em relação às transferências intragovernamentais: c)Quando as transferências intragovernamentais ocorrerem entre órgãos ou fundos sem personalidade jurídica da mesma pessoa jurídica, os valores não Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 123 20 terão impacto na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais devida pela entidade pública que aglomera os órgãos ou fundos envolvidos; d)Diferentemente, quando as transferências intragovernamentais envolvem diferentes entidades dotadas de personalidade jurídica de direito público, o tratamento a ser dispensado dependerá da espécie de transferência que esteja sendo efetivada, se constitucional ou legal ou se voluntária (as regras são idênticas às das transferências intergovernamentais). Nas operações intraorçamentárias, o ente transferidor não pode excluir de sua base de cálculo os valores transferidos, por não se sujeitarem à parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. O ente recebedor dos recursos também não pode excluir as Receitas Intraorçamentárias Correntes de sua base de cálculo, pois os valores recebidos não se enquadram como transferências para fins da Lei nº 4.320, de 1964, e do art. 7º retromencionado. Os recursos do FUNDEB e do SUS consistem em transferências intergovernamentais constitucionais ou legais operacionalizadas de modo indireto. Em casos específicos, os recursos do SUS podem ser descentralizados via transferências voluntárias. O § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, ordena que a União retenha, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, os valores a serem transferidos a outros entes, podendo esses valores ser excluídos da contribuição devida desses últimos. A contribuição dos servidores e a contribuição patronal devem compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). As receitas do Tesouro Nacional não devem ser incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das autarquias (§ 3º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998), devendo tais valores ser tributados no ente transferidor, no caso, na União. As Fundações Públicas e os Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas devem recolher a contribuição para o PIS/Pasep com base no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15813, de 2001. Os recursos transferidos aos Consórcios Públicos de Direito Público por meio do contrato de rateio estão abrangidos pela regra inserida no § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 124 21 DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição da República Federativa do Brasil , de 5 de outubro de 1988; Lei nº 9.715, 25 de setembro de 1998, art. 2º, III, § 3º, § 6º e § 7º e art. 7 º; Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, art. 67, art. 68, parágrafo único e art. 69; Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, art. 11, § 1º e art. 12, § 2º e § 6º; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 41; Lei Complementar nº 08, de 3 de dezembro de 1970, art. 2º; Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007; Decreto nº 6.253, de 13 de novembro de 2007; Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990; Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, art. 25 e art. 50, IV; Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012; Medida Provisória nº 215835, de 24 de agosto de 2001, art. 13; Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, art. 6º, I e II, § 1º e art. 8º, § 1º. (grifei) Percebese que, a depender de diversas peculiaridades do caso concreto, esta nova interpretação pode gerar uma majoração ou, ao contrário, uma redução da contribuição devida pelo Município. Estamos diante de uma típica modificação de critério jurídico. A mudança do critério jurídico, conforme ensinamentos do prof. Luís Eduardo Schoueri, consiste em uma mudança de opinião por parte da autoridade, ou uma nova valoração jurídica dos fatos já conhecidos8. Neste contexto, em nome da Segurança Jurídica para conferir uma maior estabilidade nas relações entre Fisco e contribuinte, com vistas a estabelecer uma maior confiança que este deve depositar nas interpretações e comportamentos da Autoridade Administrativa, o Código Tributário Nacional, no capítulo da constituição do crédito tributário, prevê a impossibilidade de aplicação da nova interpretação jurídica para fatos geradores praticados antes da modificação, verbis: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O dispositivo supra transcrito foi incluído no Código Tributário Nacional como um escudo de proteção contra as alterações interpretativas do próprio Fisco, em nome da segurança jurídica e da proteção da boafé do contribuinte, já que nenhum contribuinte pode ser surpreendido, negativamente, se agiu conforme a própria orientação fazendária. Rubens Gomes de Sousa9, um dos autores do Código Tributário Nacional, sustentava que nos casos em que a Administração tributária, por uma 8 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6ª Edição. Saraiva: São Paulo, 2016. p. 643 9 SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de legislação tributária. Ed. póstuma. São Paulo: Resenha Tributária, 1975. p. 1089. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 125 22 questão de interpretação jurídica, tenha adotado uma conceituação jurídica certa, mas depois a substitui por outra interpretação igualmente certa, porém mais favorável ao fisco, imprimindo uma maior tributação, este entendimento não poderia ser aplicado para fatos antes da alteração da interpretação. E conclui: "se admitirmos que o fisco possa variar de critério jurídico na apreciação do fato gerador, estaremos admitindo que possa adotar o critério que prefira por motivos de simples oportunidade, o que equivale a admitir que a atividade de lançamento seja discricionária." Neste diapasão, Leandro Paulsen10 assim discorre: O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. Perceba que é o princípio da segurança jurídica quem inspira o art. 146 do CTN, com vistas a, exclusivamente, proteger o contribuinte, a confiança, a previsibilidade na relação Fisco/Contribuinte. Com isso, a manifestação da autoridade fiscal acerca de seu entendimento sobre como uma regra deve ser interpretada a vincula e eventual mudança deste critério jurídico antes manifestado terá aplicação apenas para fatos que ocorrerão após a alteração do critério jurídico. Assim, Ricardo Lodi Ribeiro11 afirma que esta manifestação da autoridade administrativa pode ser por pareceres normativos e decisões administrativas como era o caso na época dos fatos geradores aqui discutidos, ou mesmo em casos de solução de consulta, como o é agora: A tutela da segurança do contribuinte não depende de ter havido a constituição do crédito tributário, se aplicando a qualquer posicionamento da Administração que promova a nova interpretação da norma fiscal em relação a fatos geradores já praticados (...). Assim, a proteção aplicase também aos processos de consulta, aos pareceres normativos, aos atos declaratórios ou a qualquer outra manifestação administrativa que adote determinado critério de interpretação da norma, seja em relação ao sujeito passivo, seja em relação a outro contribuinte que esteja em situação legal e fática idêntica. Percebese que o CTN imprimiu, com tintas fortes, uma proteção ao contribuinte, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, para que, diante de uma nova interpretação jurídica manifestada pela Administração, ele, o contribuinte, 10 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à lus da doutrina e da jurisprudência. 15ª Edição. Livraria do Advogado: Porto Alegre, 2013. p. 1049 11 RIBEIRO, Ricardo Lodi. A Proteção da Confiança Legítima do Contribuinte. in: Revista Dialética de Direito Tributário nº 145. Dialética: São Paulo, out/2007. p. 99 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 126 23 não seja tributado de uma forma mais gravosa por fato gerador praticado antes da modificação do critério jurídico. No entanto, indagase: e se a modificação do critério jurídico for benéfica ao contribuinte? Em outras palavras, se a finalidade da norma é a proteção do contribuinte, evitando surpresas que lhe prejudiquem, caso a mudança de critério jurídico lhe seja mais benéfica, trazendo uma tributação mais branda, deve esta modificação de interpretação ter efeitos retroativos? Entendo que sim, a mudança de critério jurídico que favorece o contribuinte deve ter efeitos retroativos, obrigando a Administração Pública a aplicar este novo entendimento para fatos geradores já praticados e mais, se já houver lançamento, a rever seus lançamentos já efetuados para conferir a nova interpretação. Isso, é claro, repito, se for benéfico ao contribuinte. Neste sentido, não é outro o entendimento do prof. Luciano Amaro: Parece evidente que o dispositivo procura traduzir norma de proteção do sujeito passivo. Quem aplica critério jurídico de lançamento é a autoridade (já que se trata de atividade que é dela privativa). A autoridade, portanto, é que está impedida de aplicar o novo critério em lançamentos relativos a fatos geradores já ocorridos antes de sua introdução. Nessa ordem de ideias, o preceito só cabe nos casos em que o novo critério jurídico beneficia o Fisco, restando proibida, nessa hipótese, sua aplicação em relação ao passado. A vedação se reporta “a um mesmo sujeito passivo” (e, portanto, a cada sujeito passivo que estiver na mesma situação), e atémse a fatos geradores ocorridos antes da introdução do novo critério, o que significa que todas as obrigações tributárias já nascidas (em face da ocorrência do seu pressuposto de fato) terão de ser lançadas de acordo com o critério jurídico (mais favorável) que o Fisco já tiver adotado em lançamento anteriormente realizado, em relação a cada sujeito passivo, o que implica reconhecer no preceito um direito subjetivo invocável contra o Fisco por quem, figurando como sujeito passivo em certo lançamento, efetuado de acordo com determinado critério jurídico, tem o direito de não ver inovado esse critério (em futuros lançamentos), a não ser em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério. (grifei) Isto posto, é imprescindível a análise caso a caso. Entendo que a modificação de critério jurídico estampada na Solução de Consulta Cosit nº 278/2017, se trouxer uma tributação mais onerosa, deve ter uma aplicação pro futuro, apenas para aplicar este entendimento para fatos geradores praticados após sua publicação, em nome da proteção da confiança e por aplicação do art. 146, CTN. Por outro lado, se em algum caso em particular este novo entendimento trouxer uma tributação mais favorável, é direito do contribuinte ver aplicado este novo entendimento, inclusive para fatos geradores já ocorridos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12963.000311/200835 Acórdão n.º 3301004.722 S3C3T1 Fl. 127 24 Portanto, como no caso em análise a Solução de Consulta Cosit nº 278/2017 lhe traz uma tributação mais branda, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.721482/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 82 /2 00 9- 14 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 301 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1426, com a exigência do crédito tributário no valor de R$463,49, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, referente ao anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 2733 com a exigência do crédito tributário no valor de R$327,85 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 302 3 Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. [...] 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 3443 com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.921,75 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 4451 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.742,80 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 5259 com a exigência do crédito tributário no valor de R$18.684,10 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS [...] Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 303 4 Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0119.810, de 08.11.2010, fls. 265269: Assunto: Simples Nacional Exercício: 2007 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancaria, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 24.02.2011, fl. 270, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.03.2011, fls. 281282, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Pertinente ao lançamento aduz que: A empresa recorrente alega em sua defesa que o fato gerador da obrigação tributária se dá pela obtenção de resultados positivos (lucros) em suas operações industriais, mercantis ou de prestação de serviços, além dos acréscimos patrimoniais decorrentes de ganho/s de capital (receitas nãooperacionais). O imposto será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Assim, o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, conforme previsto no artigo 43 do Código Tributário Nacional Lei 5172/66. Portanto, a expressão aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda significa a obtenção de um conjunto de bens, valores e/ou títulos por uma pessoa física ou jurídica, passíveis de serem transformados ou convertidos em numerário o que não ocorreu, conforme a autoridade tributária pretende ao lavrar o presente auto de infração. Para ser tributada pelo Imposto de Renda, a disponibilidade deve ser efetivamente adquirida. Não se cogita a sua incidência de tributação, á luz do CTN, se houver, apenas, indícios, presunção por depósitos bancários efetuados em contacorrente ou potencialidade de se adquirir estas disponibilidades. Fazse necessário apurar o Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 304 5 resultado positivo obtido ou o acréscimo patrimonial para que seja imputado ao sujeito passivo o ônus tributário. No que concerne ao pedido conclui que: À vista de todo exposto, a recorrente solicita que seja realizada uma verificação de suas operações mercantis onde ficará demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhido o presente recurso para o fim assim ser decidido cancelandose o débito fiscal que ora lhe é imputado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida na peça recursal, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 305 6 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração2. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 306 7 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, conformidade com as Súmulas CARF, cujos enunciados devem ser observados pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos 3 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 307 8 nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes e a titularidade pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada4. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo5. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade6, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6013147 com trânsito em julgado em 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 6 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 7 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 601314/SP. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Edson Fachin. Julgado em 24 fev. 2016. Publicado no DJe em 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+601314%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a97p879>. Acesso em 27 mai. 2018. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 308 9 11.10.2016, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter 8 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 309 10 instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Descrição do Fatos, fls. 1622, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano nesta segunda instância de julgamento: O sujeito passivo apresentou à fiscalização o Livro Caixa e os extratos bancários (Banco do Brasil S/A, Ag. 07749, c/c n° 1.0545), relativos ao ano calendário de 2006. [...] Em 28/09/2009 o sujeito passivo foi intimado com vista ao disposto no artigo 42, caput, da Lei n° 9.430, de 27.12.96, a apresentar documentação hábil e idônea que justificasse a origem dos recursos creditados na conta bancária de titularidade do sujeito passivo, mantida no Banco do Brasil S/A, Agência 07749, c/c 1.0545, no anocalendário de 2006, bem como apresentar demonstrativo de quais créditos poderiam ser decorrentes de transferências de outras contas bancárias do próprio sujeito passivo, e demonstrativo de quais valores, cuja origem fosse comprovada, haviam sido computados na base de calculo dos impostos e contribuições federais, a que estavam sujeitos. Esgotouse o prazo concedido e o sujeito passivo não se manifestou quanto aos créditos bancários, relacionados no demonstrativo anexo ao Termo de Intimação lavrado em 28/09/2009. Com base nos extratos bancários, demais documentação e informações disponibilizados pelo sujeito passivo, e as informações extraídas do Sistema Informatizado RFB, a fiscalização elaborou o demonstrativo a seguir, no qual se verifica a existência de créditos bancários não escriturados no Livro Caixa do sujeito passivo, portanto, sem origem comprovada, caracterizandose omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 310 11 idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coadunandose o fato constatado com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 [...]: A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, da conta para movimentação mantida junto ao Banco do Brasil S/A, agência n° 07749, contacorrente n° 1.0545 de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ no anocalendário de 2006, fl. 03, conforme Tabela 1. Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a dezembro de 2006 AnoCalendário 2006 Mês (A) Receita Bruta Declarada R$ (B) Diferença s Apuradas R$ (C) Janeiro 2.100,00 18.186,00 Fevereiro 2.050,00 19.530,00 Março 1.950,00 127.424,00 Abril 2.050,00 0,00 Maio 2.600,00 31.866,00 Junho 2.100,00 22.951,00 Julho 2.200,00 2.243,00 Agosto 2.600,00 11.890,00 Setembro 2.300,00 0,00 Outubro 2.500,00 6.986,00 Novembro 2.400,00 0,00 Dezembro 2.300,00 31.292,00 Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, é acertada em parte. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10283.721482/200914 Acórdão n.º 1003000.069 S1C0T3 Fl. 311 12 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.911514/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/08/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 14 /2 00 9- 28 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 183 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 2.070,39, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/07/2006) veiculado na PER/DCOMP 25528.42129.291106.1.3.04.9557, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 184 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 185 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 186 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 187 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 188 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13839.911514/200928 Acórdão n.º 2401005.644 S2C4T1 Fl. 189 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/07/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914265/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 65 /2 01 2- 04 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.420, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.914265/201204 Acórdão n.º 3201003.895 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000888/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
DECISÃO ADMINISTRATIVA. NÃO ENFRENTAMENTO DE MATÉRIA SUSCITADA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Configura-se a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, a decisão administrativa que deixa de analisar matéria suscitada na peça de defesa.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3302-005.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 01-27.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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NÃO ENFRENTAMENTO DE MATÉRIA SUSCITADA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Configurase a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, a decisão administrativa que deixa de analisar matéria suscitada na peça de defesa. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 08 88 /2 00 3- 44 Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.942 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Cuida o presente de pedido de ressarcimento a título de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363, de 1996, no montante de R$ 930.187,72, relativo ao primeiro trimestre de 1999 (fl. 3). Fulcrado no procedimento fiscal levado a efeito para o fim de subsidiar a apreciação do aludido pedido, restou editado o Despacho Decisório n. 26/2007 (fls. 1540/1547), ocasião em que fora o ressarcimento parcialmente deferido, nos termos seguintes: Reconheço PARCIALMENTE o pedido formulado pela requerente, no montante de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), referente ao Crédito de IPI apurado em conformidade ao disposto na Lei n.° 9.363, de 13/12/96, regulamentada pela Portaria MF n°. 93 de 27/04/2004 — DOU 30/04/2004 e Instruções Normativas SRF n° 419 de 10/05/2004 —DOU 21/05/2004, sem atualização monetária, devendo este montante ser RESTITUÍDO e/ou COMPENSADO VOLUNTARIAMENTE, ou ainda COMPENSADO DE OFICIO, de conformidade com IN/SRF n° 600/2005. Com fundamento nos artigos 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2.002 e 17 da Lei 10.833 de 20 de dezembro de 2003, que deram nova redação ao art. 74 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, e ainda no uso das atribuições do art. 41 da IN/SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 – DOU de 30 de dezembro de 2005, homologo PARCIALMENTE a compensação declarada por Agrícola Sperafico Ltda, excluindo PARCIALMENTE os débitos da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de 05/97 a 07/97, 09/2001 e de 08/2002 a 10/2002 e da CSLL relativa aos fatos geradores ocorridos no mês de 01/2005 até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, em 7 de agosto de 2007, apresenta a contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 1567/1599), por meio da qual, em síntese, requer: a) Que seja deferido a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, nos termos do artigo 2° da lei Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.943 3 9363/96, as compra de matéria prima de pessoas físicas (agricultores) e cooperativas, crédito este no montante de R$ 406.891,18 (quatrocentos e seis mil, oitocentos e noventa e um reais e dezoito centavos), no caso de exportação de Óleo Degomado e Farelo de Soja, por serem produtos industrializados; b) Que seja deferido o crédito pleiteado no montante de R$ 320,57 (trezentos e vinte reais e cinqüenta e sete centavos) referente à diferença calculada sobre o valor pleiteado e o valor concedido, proveniente da exportação de soja beneficiada (limpeza e secagem) em virtude deste produto ser beneficiado e se enquadrar no dispositivo do artigo 1º da lei 9363/96; b.1) Que seja deferido o crédito pleiteado em mais o montante de R$ 103.137,63 (cento e três mil, cento e trinta e sete reais e sessenta e três centavos) referente a exportação de soja beneficiada e porém com a inclusão na base de cálculo deste crédito das matérias primas adquiridas de Pessoa Física (agricultor) e Cooperativas; c) Que seja deferido a atualização dos créditos, objeto do presente recurso, bem como dos deferidos pela autoridade julgadora desde a data de sua origem, ou seja, quando a recorrente passou a ter o direito de pleitear tal beneficio que foi o primeiro trimestre de 1999, até a data da compensação e que o saldo restante seja atualizado até a efetiva fruição do beneficio, ou, subsidiariamente, que sejam atualizados os créditos a contar da data do protocolo administrativo do pedido de restituição de Crédito Presumido de IPI até a data do final julgamento do feito. Em cumprimento à ordem emanada no âmbito do Agravo de Instrumento n. 2008.04.00.0010727/ PR (fls. 1627/1632) – cuja origem remonta ao Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/ PR –, quando restou determinado o reexame do presente pedido de ressarcimento, inclusive, abstendose a autoridade coatora de promover a glosa da parcela do crédito presumido de IPI proveniente dos insumos adquiridos de nãocontribuintes, fora o Despacho Decisório n. 26/2007 alvo de reforma pelo Despacho Decisório n. 96/2008 (fls. 1644/1649), assim decidido: a) Reformar o Despacho Decisório n° 26 de 18/06/2007 (fls. 1151/1158), relativo ao crédito presumido do IPI, admitindo em seu cálculo, por determinação judicial, a inclusão da parcela representada por aquisições de nãocontribuintes (pessoas físicas e cooperativas),no 1o trimestre de 1.999; b) Manter o reconhecimento PARCIAL do direito creditório já homologado através do referido Despacho Decisório n° 026/2007 (fls. 1151/1158), a favor da requerente SPERAFICO AGOINDUSTRIAL LTDA, no Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.944 4 VALOR de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), sem atualização monetária, relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes, utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Apontar o crédito suplementar no valor de R$ 572.737,71 (quinhentos e setenta e dois mil, setecentos e trinta e sete reais e setenta e um centavos), sem atualização monetária, evidenciado no procedimento de reexame, em atendimento aos critérios da determinação judicial, por não ter sido postulada na via judicial a realização efetiva do ressarcimento do crédito de tal origem (aquisições de insumos junto a nãocontribuintes para utilização no processo produtivo destinado a exportação), sendo que a presente decisão não implica em determinação de ressarcimento ou compensação, frente a possibilidade de existirem outros óbices relacionados à situação em tela, como a própria vedação administrativa para o aproveitamento de tais créditos decorrentes da aquisição de nãocontribuintes (IN 419, de 10/05/04, art. 2°, §2°); d) Quanto a presente Reforma do Despacho Decisório n° 026/2007, seus respectivos cálculos para determinação do valor apontado no item "C" acima e valor glosado do crédito pretendido, para a definição do crédito suplementar, nas condições e parâmetros estabelecidos, o contribuinte poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste Despacho Decisório, manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos do art. 74, § 9°, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Na data de 8 de julho de 2008, a contribuinte, incontinenti, carreia aos autos razões suplementares à manifestação de inconformidade anteriormente interposta (fls. 1672/1676), onde, em suma, pleiteia: a) Seja excluída da apreciação desta DRJ, a matéria correspondente à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI, referente às compras de matériaprima de pessoas físicas (agricultores) e cooperativas, uma vez que, embora apresentada em sede recursal, já restou deferida pela autoridade administrativa de primeira instância (DRF de Cascavel — Paraná), mediante Despacho Decisório n°. 94/2008; b) Seja deferido o direito à atualização dos créditos pela taxa SELIC, créditos estes deferidos pela autoridade julgadora desde a data de sua origem, ou seja, quando a recorrente passou a ter o direito de pleitear tal beneficio, que foi o primeiro trimestre de 1999, até a data da Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.945 5 compensação; e que o saldo restante seja atualizado até a efetiva fruição do beneficio. Ao final, reitera os demais argumentos aduzidos por ocasião da manifestação de inconformidade apresentada anteriormente, ao que protesta pelo deferimento da totalidade do crédito pleiteado. Posteriormente, em 9 de junho de 2009, a contribuinte apresenta a petição de fls. 1733/1743, através da qual requer a remessa, dentre outros, do presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, para que sejam, apreciados os argumentos lançados nas manifestações anteriores, reputados parcialmente pendentes de apreciação. Nesta esteira, restou proferido o Despacho Decisório n. 198/2013 (fls. 1784/1789), decidindose: a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 026/2007, no VALOR de R$ 6.111,54 (seis mil, cento e onze reais e cinqüenta e quatro centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 096/2008, no VALOR de R$ 572.737,71 (quinhentos e setenta e dois mil, setecentos e trinta e sete reais e setenta e um centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 315/2008 (cópia as fls. 1714/1715), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, caso restar crédito remanescente, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o cálculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 13/05/03 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95). Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.946 6 Renitente, na data de 6 de junho de 2013, apresenta a contribuinte nova manifestação de inconformidade (fls. 1849/1859), por intermédio da qual pugna seja determinada: [...] a correção monetária pela Selic do crédito da Manifestante que foi inicialmente homologado pelo AFRFB, à semelhança do que apenas foi reconhecido via judicialmente até a data em que se encerrar a análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos [...] É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. Incabível, face à ausência de previsão legal, atualização monetária de crédito correspondente a ressarcimento a título de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repisa seus argumentos da peça impugnatória e ataca a decisão recorrida, com destaque ao tópico preliminar sobre nulidade da decisão de primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR Alegase cerceamento do direito de defesa e, conseqüente, nulidade da decisão recorrida, por não ter a mesma, nem mesmo, apreciado a matéria referente a possibilidade de usufruir do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada. Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.947 7 Crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada No tópico "III.1. DA NÃO APRECIAÇÃO DE TODA A MATÉRIA IMPUGNADA PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO" (fls. 1897/1900) a Recorrente traz à lume que a decisão recorrida não enfrentou a matéria referente a possibilidade de usufruir do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, suscitando que: Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.948 8 Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.949 9 Embora a Recorrente se confunda e descreva a existência de diversos pronunciamentos da DRJ, o Órgão julgador de primeira instância emitiu apenas a decisão ora recorrida: Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, sendo todos os demais atos decisórios emanados via, sucessivos e complementares, Despachos Decisórios, impulsionados por ordens judiciais no Mandado de Segurança n° 2007.70.05.0037088PR, as quais optaram por determinar reexames dos pedidos de ressarcimento, sem expressa declaração de nulidade dos exames precedentes. Tendo em vista não ter havido declaração expressa de nulidade dos Despachos Decisórios precedentes e tendo a autoridade competente assumindo seus atos decisórios subseqüentes como complementares, entendo que também as respectivas Manifestações de Inconformidade devem ser entendidas como complementares, assistindo razão à Recorrente, quando afirma que, no conjunto da defesa apresentada, embora tenha devidamente manifestado inconformidade quanto a matéria referente ao indeferimento ao direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, a DRJ não se pronunciou a respeito. No voto condutor da decisão ora combatida, o Relator, talvez, atendose apenas à última peça de manifestação de inconformidade, enfrenta exclusivamente a questão da correção dos créditos pela taxa Selic, não havendo o enfrentamento da indigitada matéria trazida à lide nas duas primeiras peças de defesa. Pela peculiaridade do caso, no qual determinações judiciais provocaram sucessivos e complementares Despachos Decisórios, há de se constatar que a matéria foi suscitada nas manifestações de inconformidade, ainda que não tenha sido reiterada na última peça complementar da defesa apresentada. A ausência de manifestação da primeira instância em matéria devidamente questionada em sede de manifestação de inconformidade caracteriza o cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios inalienáveis ao processo, caracterizada como fundamento para a nulidade da decisão que os preteriu, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72: Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10935.000888/200344 Acórdão n.º 3302005.587 S3C3T2 Fl. 1.950 10 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Isto posto, voto por ANULAR o Acórdão nº 0127.150, de 17/09/2013, da 3ª Turma da DRJ/BEL, para que outro seja proferido com o enfrentamento de todas as matéria suscitadas no conjunto da defesa apresentada, por meio das sucessivas e complementares Manifestações de Inconformidade, inclusive sobre a matéria de que trata do crédito presumido de IPI nas exportações de soja beneficiada, dandose, após, o devido prosseguimento ao contencioso. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1950DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720062/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade.
MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO.
Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado.
Numero da decisão: 2202-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindo-se o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OBSCURIDADE. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou a decisão contiver obscuridade. MULTA QUALIFICADA E PUNITIVA. PROVIMENTO DO RECURSO. Diante do provimento do recurso voluntário devem ser excluídas da fundamentação da decisão embargada a parte relativa as multas que não foram objeto de deliberação por parte do colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que sejam excluídos da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva, nos termos do voto da relatora, e para que seja corrigido o erro material da ementa da decisão, substituindose o assunto intitulado "imposto de renda pessoa física", por "contribuições sociais previdenciárias", matéria discutida nos autos. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 62 /2 01 2- 26 Fl. 253DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202004.019 (fls. 224/240), da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 04 de julho de 2017, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99. LANÇAMENTO. PROVAS INDICIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Cientificada da decisão em 21/08/2017 (despacho de encaminhamento de fls. 241), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em 04/09/2017 (fls. 242/246), alegando obscuridade. De acordo com a embargante já que o colegiado apreciou o mérito da discussão e concluiu pela improcedência do lançamento, a turma não discutiu e votou a Fl. 254DF CARF MF Processo nº 18088.720062/201226 Acórdão n.º 2202004.656 S2C2T2 Fl. 254 3 desqualificação da multa e a redução do patamar da multa punitiva. Todavia, do voto da relatora consta a fundamentação dessas duas questões. Diante desses fatos, conclui a embargante que: Entretanto, inobstante a clara desnecessidade, a Relatora fez constar na fundamentação os motivos pelos quais afastava também a multa qualificada e a retroatividade benigna aplicada para a multa punitiva. Dessa forma, para que a União possa exercer plenamente o seu direito de defesa, assim como para afastar eventual supressão de instância para o contribuinte, caso a CSRF julgue procedente recurso especial da União, necessário que seja aclarado o acórdão, para excluir da fundamentação as matérias que não foram objeto de votação pela Turma, quais sejam, qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva, conforme se depreende da ementa do acórdão. Entretanto, remotamente, acaso tenham sido objeto de votação, tendo em vista a inutilidade da discussão que permeia tais pontos (qualificação da multa e a aplicação da multa punitiva), que reste expressamente consignado na ementa do julgado o entendimento adotado, para espancar qualquer dúvida acerca do que foi realmente votado. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de que seja afastada a obscuridade apontada, para que não restem dúvidas acerca do que foi realmente votado pela Turma, propiciando a recorribilidade da União de forma plena.(grifos originais) Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise dos erros materiais e da obscuridade apontados no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas as alegações do embargante. Como já reconhecido no despacho de admissibilidade: A PFN suscita a exclusão da decisão embargada da parte que não foi objeto de discussão e votação pelo colegiado, qual seja, qualificação da multa e redução da multa de ofício. De fato, observase que na ementa do julgado não constam tais matérias, o que nos conduz à conclusão de que, ou a matéria não Fl. 255DF CARF MF 4 foi de fato objeto de discussão e votação pela turma, ou a ementa contém omissão quanto a essas questões. Por outro lado, verificase a ocorrência de erro material relativo ao assunto constante na ementa, onde ao invés de CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS constou IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Assim, considerando o erro material agora detectado e que os embargos revelaram a ocorrência de mácula saneável pela via dos embargos, estes devem ser admitidos. Com efeito, as matérias relativas a redução da multa qualificada no percentual de 150% , bem como a redução do percentual da multa punitiva não foram objeto de apreciação pela turma julgadora, uma vez que esta concluiu pelo integral provimento do recurso voluntário. Sendo assim, para que se evite supressão de instância caso seja dado provimento à eventual Recurso Especial da Fazenda Nacional devem ser exclúidos da decisão embargada os seguintes pontos: 2.4) Da aplicação da multa agravada no percentual de 150% O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que não teria utilizado de qualquer artifício para ocultar o que teria ocorrido, como falsificação de notas e adulteração de comprovantes. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Por mais que se reconheça a prática de planejamento fiscal não oponível ao fisco, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 18088.720062/201226 Acórdão n.º 2202004.656 S2C2T2 Fl. 255 5 Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Em face do exposto, entendo que a multa agravada deverá ser reduzida para o percentual de 75%; 2.5) Da correta aplicação da multa punitiva Por fim, alega a Recorrente que, se alguma multa de mora fosse aplicada esta deveria ser a multa de 20% previta no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Fl. 257DF CARF MF 6 Em face do exposto, dou provimento ao recurso para reduzir a multa para 0,33%, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96); Em face do exposto, dou provimento aos embargos para que sejam excluídas da fundamentação do Acórdão embargado os itens que tratam da aplicação da multa agravada no percentual de 150% e da redução da multa punitiva. Da mesma forma, deve ser corrigido o erro material da ementa da decisão quando menciona como assunto o "imposto de renda pessoa física", quando a matéria em discussão referese às contribuições sociais previdenciárias. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901062/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 62 /2 01 1- 41 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.371 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 35023.93042.301007.1.3.042367. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 35023.93042.301007.1.3.042367, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901062/201141 Acórdão n.º 3302005.444 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001204/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.001229/200737, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., apresenta recurso a este Conselho da DecisãoNotificação proferida pela antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 20 4/ 20 07 -3 3 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mão de obra base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1 0 e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.001229/200737, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, digna Relatora da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II, do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13502.001204/200733 Resolução nº 2401000.647 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia na íntegra da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto." Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003160/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 60 /2 00 5- 53 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.762, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao primeiro trimestre de 2004. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 068/2008, às folhas 147 a 151, e Despacho Decisório, à folha 152), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 155 a 177, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 4 3 internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também ofato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofms (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. Por fim, traz a contribuinte relatórios de "Serviços de Conferência de Capatazia", emitidos pelo "Sindicato de Conferentes de Itajaí", referentes à atracação de navio estrangeiro, com fins de evidenciar, por tais documentos, a efetiva prestação dos serviços de descarga, embarque e remoção de conteineres vazios e cheios, a pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no exterior, por meio de representantes residentes e domiciliados no Brasil. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO A D M I N I S T R A T I V O F I S C AL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 5 4 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.081, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 1025 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 6 5 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Cofins vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 43/44 (R$ 55.072,05 protocolada em 06/06/2005) e 05/07 (R$ 14.642,53 protocolada em 19/10/2005) que utilizam crédito de dezembro. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 7 6 comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 9 8 operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 10 9 A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 11 10 E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10909.003160/200553 Acórdão n.º 3302005.567 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 1145DF CARF MF
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