Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.001571/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18471.001571/2008-46
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430556
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.487
nome_arquivo_s : Decisao_18471001571200846.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001571200846_5430556.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5826472
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702655205376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.018 1 1.017 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001571/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.487 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 71 /2 00 8- 46 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001571/200846 Acórdão n.º 2402004.487 S2C4T2 Fl. 1.019 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve parcialmente a NFLD n. 35.463.8750, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa AVELAR CONSTRUTORA E TERRAPLANAGEM LTDA. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa AVELAR CONSTRUTORA, a execução de “Manutenção de pistas de dutos, compreendendo os serviços de roçagem de vegetação rala feita a estrovenga, foice ou facão, roçagem em capoeira efetuada a lâmina de trator, escavação mecanizada, escavação manual para execução de valetas de proteção, alvenaria de pedra argamassada, transportes de materiais e construção, dentre outros serviços” Também fora informado pelo auditor que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada, de modo que a responsabilização da recorrente deuse com base no art. 30, IV, da Lei 8.212/91. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. O lançamento compreende as competências de 01/1999 e 03/1999 a 12/1999, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/09/2003 (fls. 01) Às fls. 339 fora determinada a retificação do débito em razão da documentação acostada à impugnação ofertada pela recorrente e empresa prestadora, tendo sido os autos enviados para julgamento. A decisão Notificação manteve a integralidade da NFLD combatida e diante da interposição de recurso voluntário os Autos foram enviados ao CRPS para julgamento, oportunidade na qual, sua 2a CAJ anulou a Decisão Notificação, em razão de que a imputação da responsabilidade solidária à recorrente prescindia da anterior necessidade de fiscalização da empresa prestadora dos serviços. Em face de referido julgamento fora interposto o extinto pedido de revisão de acórdão pelo INSS, que também fora analisado e não conhecido. As partes interessadas foram intimadas de referida decisão, por meio de ofício no qual restou consignado que (fls. 804): “Pelo exposto, estamos cientificandoo desta decisão, fornecendolhe cópia do acórdão e encaminhando o processo ao Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Serviço de Fiscalização, para que seja providenciada a diligência determinada pelo CRPS, adotandose todos os demais procedimentos para o reinicio do contencioso administrativo em relação ao mesmo.” Fato é que quando referido ofício se refere à diligência, em verdade, se quer se referir a anulação do acórdão, pois, diante de informações constantes nos autos, este era, à época, o procedimento a ser adotado em sistema para a formalização da anulação da NFLD e continuidade do contencioso administrativo. Feito isso, às fls. 814, fora consignado o resultado da diligência, conforme determinado pelo acórdão n. 0000520/2004, esclarecendo o seguinte: “2 No desenrolar de tal procedimento fiscal, foi verificado que essa empresa contratou com a PETROBRAS, a prestação de serviços a serem executados de acordo com o estabelecido no contrato de n.e : 110.2.080.982. Ocorre que a empresa contratante não apresentou documentos que comprovassem o devido recolhimento da contribuição previdenciária, de forma a elidir totalmente a responsabilidade solidária quanto às mencionadas contribuições, existente entre a contratante e contratada, prevista na Lei no. 8.212/91. 3 Como resultado desta constatação foi lavrada a seguinte NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD 35.463.8750, entregue à empresa contratante em 27 de março de 2002. 4 Pela presente estamos entregandolhes cópia de todos os documentos que compõe a NFLD acima citada, e, nos termos do art.33 da Lei 8212 de 24 de julho de 1991 e do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 29 de novembro de 1999, e de acordo com a fundamentação legal mencionada em anexo, fica esta empresa notificada do lançamento efetuado contra a empresa contratante, através da citada NFLD, em virtude da não elisão da responsabilidade solidária existente, no caso, entre a empresa contratada e contratante. 5 Apesar da PETROBRAS ter apresentado defesa, os documentos anexados aos autos não foram suficientes para que o devido lançamento fosse considerado inteiramente improcedente, havendo somente uma retificação parcial do débito, conforme consta na Reforma da DecisãoNotificação n°. 17.401.4/0769/2003 e no DADR, cópias seguem em anexo. 6 Deixam de ser anexados elementos citados na NFLD, como: Termo de Início de Ação Fiscal TIAF; Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD's; Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF; relação de outras NFLD's lavradas; cópia do mandado citado no item 1 desta, posto que a segunda via de tais documentos encontramse em poder da empresa contratante, bem como cópias de contratos e outros documentos, citados no corpo da NFLD, cujos originais encontramse, também, na própria empresa. 7 Portanto, fica essa empresa ciente de que tem o prazo de 15 (quinze) dias da data de recebimento desta, para a apresentação Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001571/200846 Acórdão n.º 2402004.487 S2C4T2 Fl. 1.020 5 da documentação solicitada e que o prazo fluirá a partir do 1 dia útil após a data de recebimento, observandose que se exclui o dia da ciência e se inclui o dia do vencimento na contagem.” Foram então a ora recorrente e empresa prestadora de serviços novamente cientificadas do resultado da diligência, sendo que nenhuma delas apresentou manifestação. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a NFLD ora atacada não faz qualquer menção, seja no seu relatório; seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da ora Recorrente, pois não aponta onde estaria a cessão de mãodeobra que justificaria o lançamento; 2. que a fiscalização deixou de elaborar uma argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram 3. a ilegalidade do reconhecimento da retroatividade da aplicação do enunciado 30 do CRPS processo administrativo fiscal art. 2°, XIII, da lei n° 9.784/99 4. que a reabertura do contencioso administrativo sem a realização da diligência que lhe fora determinada pelo CRPS não tem qualquer cabimento, pois o fisco descumpriu expressa decisão administrativa válida, infringindo o disposto no art. 57, caput e no §1o do Regimento Interno do CRPS. 5. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 6. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 7. que o disposto no art. 33, §3o não permite à fiscalização a conclusão da presunção de acordo com a conveniência fiscal, tendo em vista que os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas podem ocorrer por vários motivos, tais como pagamento de insumos, mútuos, Também recorreu a empresa AVELAR, defendendo: 8. a ilegalidade da aplicação do enunciado n. 30 do CRPS, o que enseja a nulidade da NFLD; 9. de acordo com o art. 54 da Lei 9.784/99 deve ser reconhecida a prescrição da administração para reiniciar o processo administrativo fiscal a partir do julgamento levado a efeito pelo CRPS Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001571/200846 Acórdão n.º 2402004.487 S2C4T2 Fl. 1.021 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, vejo que a recorrente atravessou petição requerendo a desistência do recurso informando ter incluído o débito no programa de parcelamento da Lei 12.966/14. Em virtude da informada adesão ao parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, a meu ver não havendo matérias de ordem pública que pudessem ser tratadas na presente assentada, tenho não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Ante todo o exposto, homologo a desistência e NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008746/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3201-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgamento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki, que negavam provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente temporariamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.008746/2009-13
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454732
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.805
nome_arquivo_s : Decisao_10715008746200913.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 10715008746200913_5454732.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgamento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki, que negavam provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente temporariamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5892824
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702669885440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 75 1 74 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.008746/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.805 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2015 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgamento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki, que negavam provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 87 46 /2 00 9- 13 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 76 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente temporariamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TAM Linhas Aéreas S/A, doravante simplesmente Recorrente, contra o Acórdão nº 0723.068, de 11/02/2011, proferido pela 2ª Turma da DRJ/FNS, que julgou parcialmente procedente a sua impugnação. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 70.000,00 consubstanciada no auto de infração juntado às fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em novembro de 2005 iniciados nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00532/09”, descumprindo, por conseguinte, com a obrigação acessória estatuída no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência, na qual foi regularmente intimada (fls. 11/12), a autuada apresenta, às fls. 14 a 22, impugnação para aduzir que na autuação em tela “não houve subsunção do evento ocorrido (registro “intempestivo” dos dados de embarque) com a hipótese normativa prevista no art. 107, IV da Lei 10.833/03 (deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada). (...), como demanda o princípio da tipicidade cerrada, que deve nortear todas e qualquer imposição tributária”, não obstante confirmar que “registrou de forma tardia os dados de embarque das Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 77 3 mercadorias relacionadas no bojo desde auto de infração, o que, obviamente, não se confunde com a falta de prestação de informações”, não podendo, nesse sentido, subsistir a presente ação fiscal. Noutra vertente, sustenta “que a própria instrução normativa nº 28/94 estabelece a aplicação de penalidade distinta daquela fixada pelo agente fazendário, nos casos de descumprimento do disposto no citado artigo 37”, conforme se observa do teor do artigo 44 da referenciada norma regulamentar; portanto, é inaplicável ao caso sob apreço a multa prevista no art. 107, IV, alínea “e”, da Lei 10.833/03. Prosseguindo em suas argumentações, aduz ainda “ausência de simetria entre a infração cometida e a penalidade imposta”, em contraposição aos “princípios constitucionais que orientam o ordenamento jurídico como um todo, além daqueles destinados ao âmbito do direito tributário”, dentre eles, o da proporcionalidade e/ou razoabilidade, “o qual preceitua que o instrumento deve ser adequado ao fim pretendido, deve guardar referibilidade com falta cometida”; logo, a “exigência feita pelas autoridades aduaneiras para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave para o exterior mostrase exacerbada, pois, em razão do exercício da atividade própria desenvolvida pela empresa autuada, é humanamente impossível realizar de imediato a inserção de todos os dados de embarque relacionados a cada um dos vôos internacionais operados pela Impugnante”, o que, por si só, revela o “excesso de punição, inconstitucionalmente vedado, por não ser razoável à infração cometida”, ainda mais “que (…), não causou qualquer prejuízo ao Fisco”. Por conseguinte, “a penalidade pecuniária prevista na Lei 10.833/03 deveria ser relevada de plano, nos termos do citado artigo 736, §1º do atual Regulamento Aduaneiro, ou, excepcionalmente, ser aplicada uma única vez e não sobre cada um dos vôos em que foi constatado o registro tardio de informações relacionadas a mercadorias destinadas ao exterior”. Pelo exposto, requer a insubsistência do auto de infração, a fim de que seja declarada integralmente cancelada a penalidade imposta, ou, subsidiariamente, seja determinada a retificação do lançamento, a fim de que a penalidade pecuniária aplicada incida sobre um único evento infracional. Eis a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 78 4 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA EXAME. A relevação de penalidade somente poderá ser exercida dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade para tanto competente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 79 5 das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em suma, o colegiado a quo aplicou a retroatividade benigna para dilatar o prazo para a prestação de informações no SISCOMEX, que era “imediatamente” na dicção do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, e passou a ser de dois dias a partir da edição da Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa original no tocante à parcela do lançamento que foi mantida. Em seguida, processo foi remetido ao CARF, distribuído a este colegiado e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da lide consiste em saber se a Recorrente poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em função do descumprimento do prazo previsto na Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, para prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada. Com efeito, a penalidade aplicada à Recorrente está fundamentada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 80 6 [...] A Recorrente não contesta o atraso na informação, logo, dado o caráter objetivo da infração, entendo que não há dúvidas quanto ao cabimento da penalidade. Quanto ao argumento da denúncia espontânea, é interessante notar que o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira. Confirase: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Interessante notar também que a atual redação do dispositivo em comento excepciona a regra da denúncia espontânea somente para casos em que pena aplicável é o perdimento de mercadorias. Há inclusive jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicando o referido dispositivo, a saber: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) No caso concreto, o auto de infração foi lavrado em 28/05/2009 (efl. 2) e a Recorrente informou os dados de embarque no Siscomex pouco depois das datas de embarque (efl. 6). Logo, assiste razão à Recorrente no tocante ao não cabimento da multa apesar do caráter objetivo da conduta prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 e da hipótese de aplicação da penalidade prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 81 7 Por oportuno, fazse necessário observar o disposto no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e aplicar a retroatividade benigna para contemplar a situação vivenciada pela Recorrente. Sobre o assunto, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou. Confirase: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Declaração de Voto Em que pese a consistência do voto condutor deste acórdão, minha discordância em relação à posição externada pelo eminente relator concentrase na aplicabilidade do instituto de denúncia espontânea a infrações consubstanciadas no descumprimento de prazo para atender a obrigações acessórias. Neste sentido, adoto entendimento externado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no acórdão nº 3102002.187, transcrito abaixo: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 82 8 Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente. tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 83 9 por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 84 10 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas. sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/ MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201001.805 S3C2T1 Fl. 85 11 Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Em sendo esta a situação ora em julgamento, concluise que a prática da infração não permite a aplicação do instituto de denúncia espontânea, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalment e em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 10707.000940/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Tendo havido omissão nos fundamentos da decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sua retificação, com ratificação da decisão proferida.
Numero da decisão: 1401-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, para somente integrar novos fundamentos à decisão embargada, sem emprestar-lhes efeitos infringentes. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos votaram pelas conclusões. nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado .
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Tendo havido omissão nos fundamentos da decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sua retificação, com ratificação da decisão proferida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10707.000940/2009-41
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436454
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.345
nome_arquivo_s : Decisao_10707000940200941.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10707000940200941_5436454.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, para somente integrar novos fundamentos à decisão embargada, sem emprestar-lhes efeitos infringentes. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos votaram pelas conclusões. nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado . (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5842999
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702675128320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10707.000940/200941 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.345 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria Multa de Ofício. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SUPER MERCADO ZONA SUL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Tendo havido omissão nos fundamentos da decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sua retificação, com ratificação da decisão proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, para somente integrar novos fundamentos à decisão embargada, sem emprestarlhes efeitos infringentes. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos votaram pelas conclusões. nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado . (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 09 40 /2 00 9- 41 Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401001.345 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio dos quais questiona o fundamento da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deste CARF, por meio da qual acusa omissão e contradição na decisão embargada. Segundo a PFN: "Tratase do v. acórdão nº 1401000.698, prolatado por esse e. Colegiado, o qual, dentre outras providências, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) com relação ao IRRF. Ao mesmo tempo, contudo, também por maioria, mantevese a qualificação da multa de ofício (150%) com relação às infrações em matéria de IRPJ e CSLL. Ocorre, contudo, que nem o voto vencedor nem o vencido trazem qualquer fundamentação para a desqualificação da multa do IRRF, incorrendo, data venia, em omissão." É o relatório, no necessário. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401001.345 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os Embargos de declaração são tempestivos, e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. O nobre Conselheiro Maurício Pereira Faro era o relator do processo em referência, tendo votado pela desqualificação da multa de ofício do IRPJ, CSLL e IRRF. No entanto, a maioria da Turma Julgadora entendeu pela redução da multa apenas com relação ao IRRF, tendo este Conselheiro sido designado para a redação do voto vencedor. Ocorre que, na conjugação das razões de voto vencido com as razões de voto vencedor, surgiu uma contradição no julgamento que merece ser sanada. Isso porque, ao tempo que se afastou as razões de julgamento do voto do Conselheiro Relator, que tratou conjuntamente do IRPJ, CSLL e IRRF, a desqualificação da multa de ofício aplicada ao IRRF não foi tratada nas razões de voto vencedor, posto que a decisão, neste particular, era concordante com o resultado do posicionamento do Eminente Relator. A questão, em verdade, referese à própria natureza do IRRF. Isso porque, quando do julgamento do recurso voluntário, a desqualificação da multa de ofício do IRRF levou em consideração a sua natureza. A divergência se deu com relação aos fundamentos da desqualificação da multa de ofício no caso do IRRF, não estando, neste sentido, os fundamentos do voto vencedor, de acordo com o que deliberado em sessão. Isso porque, apesar dos argumentos adotados pelo Conselheiro Relator, o entendimento prevalecente que levou à desqualificação da multa do IRRF foi o de que essa tributação dáse por presunção, sem que um tributo tenha deixado de ser pago pelo contribuinte. De fato, o IRRF de 35%, lançado com força no art. 674, §1º do RIR/99 não trata de um tributo que deixou de ser recolhido pelo contribuinte, mas sim uma conseqüência legal decorrente do pagamento sem causa. Vejase o dispositivo: "Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º)." Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401001.345 S1C4T1 Fl. 5 4 Pelo exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, integrando o julgamento proferido por meio do acórdão. É como voto. (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000537/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002
INDENIZAÇÃO EVENTUAL DE SINISTRO. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE TRIBUTAÇÃO.
A indenização de sinistro que não constitui resultado de suas atividades empresariais, mas é apenas um ingresso eventual, não está no campo de incidência da contribuição.
NÃO TRIBUTAÇÃO DOS ROYALTIES DE BEM EXPORTADO.
Exportar tecnologia é exportar produto-serviço. A receita de exportação de tecnologia obtida através de royalties não pode ser incluída na base de tributação da contribuição
Numero da decisão: 3401-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor pelo fundamentos.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002 INDENIZAÇÃO EVENTUAL DE SINISTRO. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE TRIBUTAÇÃO. A indenização de sinistro que não constitui resultado de suas atividades empresariais, mas é apenas um ingresso eventual, não está no campo de incidência da contribuição. NÃO TRIBUTAÇÃO DOS ROYALTIES DE BEM EXPORTADO. Exportar tecnologia é exportar produto-serviço. A receita de exportação de tecnologia obtida através de royalties não pode ser incluída na base de tributação da contribuição
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10670.000537/2003-91
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438570
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-002.835
nome_arquivo_s : Decisao_10670000537200391.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10670000537200391_5438570.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor pelo fundamentos. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5849972
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702676176896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.000537/200391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.835 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente NOVO NORDISK PRODUÇÃO FARMACÊUTICA DO BRASIL LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO I / RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002 INDENIZAÇÃO EVENTUAL DE SINISTRO. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE TRIBUTAÇÃO. A indenização de sinistro que não constitui resultado de suas atividades empresariais, mas é apenas um ingresso eventual, não está no campo de incidência da contribuição. NÃO TRIBUTAÇÃO DOS ROYALTIES DE BEM EXPORTADO. Exportar tecnologia é exportar produtoserviço. A receita de exportação de tecnologia obtida através de royalties não pode ser incluída na base de tributação da contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor pelo fundamentos. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 05 37 /2 00 3- 91 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 24/04/2003, em razão de diferenças encontradas entre os valores da COFINS declarados em DCTF e pagos e os valores constantes nos arquivos contábeis de fatos geradores ocorridos nos anos de 2001 e 2002 (fls.13/18). Segundo o auditorfiscal, a Contribuinte foi intimada a justificar as diferenças, mas não respondeu às intimações. Por essa razão, foi lançada a COFINS supostamente não recolhida. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.167/170), mas a DRJ I no Rio de Janeiro/RJ manteve o lançamento ao prolatar acórdão (fls. 215/222) com as alegações resumidas abaixo: “SEGUROS. RECEITA. INCIDÊNCIA. No caso de seguros em decorrência de sinistro, tributação deve ocorrer sobre o total do valor recebido do segurado, sem quaisquer exclusões, por inexistir previsão legal no sentido contrário, ainda que seja para que se excluir do total recebido o valor do bem sinistrado. ROYALTIES. RECEITA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA PARA O EXTERIOR. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A autorização legal para a isenção de PIS e Cofins, contida no art. 14, II e II e § 1 0 da MP n° 2.15835 2001, só se aplica para a receita de venda (exportação) de mercadorias e de prestação de serviços para o exterior, e não para a receita relativa remuneração por uso de tecnologia (royalties). Lançamento Procedente”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 16/07/2007 (fl.228) e interpôs recurso voluntário em 10/08/2007 (fls.229/236) com as alegações resumidas abaixo: 1 Uma das razões do lançamento foi um contrato de licenciamento para transferência de tecnologia de software para o exterior. Essa transferência se deu em forma de prestação de serviço, pois no contrato de cessão existe a obrigatoriedade de assistência dos equipamentos, bem como de treinamento de pessoal. Como a prestação de serviço para exterior é isenta, a COFINS não incide no presente caso; 2 Outra parte do lançamento foi em relação ao valor recebido a título de indenização de sinistro. Contudo, o valor foi estornado no mesmo período. Além disso, a indenização sobre sinistro não compõe a base de cálculo da COFINS, pois o §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, foi julgado inconstitucional pelo STF. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10670.000537/200391 Acórdão n.º 3401002.835 S3C4T1 Fl. 3 3 Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que o lançamento seja julgado improcedente. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente combate o lançamento de ofício da COFINS sob a alegação de que a diferença encontrada tem origem na prestação de serviço a empresas estabelecidas no exterior, através de cessão de software e de indenização por sinistro, concluindo que no primeiro caso a receita é isenta e que no segundo não sofre a incidência da COFINS. Ambas as matérias devolvidas serão analisadas a seguir. 1. Da cessão de software ao exterior A cessão do software já foi reconhecida pela DRJ em razão do contrato com tradução juramentada presente nas fls. 200/206. Todavia, aquela instância entendeu que a receita oriunda desse contrato não se classifica como receita de prestação de serviço, mas sim como receita de royalties em razão do disposto no art. 22, alínea “c”, da Lei nº 4.506, de 1964, in verbis: “Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio”. O contrato apresentado pela própria Contribuinte comprova que o valor recebido tratava de royalties e não de pagamento pela prestação de serviço. O item 8 do contrato assim dispõe: “8. ROYALTIES 8.1 A CP pagará royalties à Biobrás pelo uso da Tecnologia, com base na quantidade de cristais de insulina bovina fornecidos Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 pela Biobrás à CP, ou fornecidos por terceiros à CP, sujeitos à prévia provação da Biobrás, que serão usados pela CP na produção de preparações de insulina “Lenta”. Os royalties serão US$692,00/Mega IU, sendo a quantidade mínima anual igual a US$ 69.200,00. O pagamento dos royalties será efetuado trimestralmente com base na informação de uso para a Produção fornecida pela CP, que pode ser auditada pela Biobrás”. Apesar de se tratar de receita de royalties, não há incidência da COFINS no presente caso, pois o lançamento é referente à COFINS faturamento, regulada pela Lei nº 9.718/98. O STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10670.000537/200391 Acórdão n.º 3401002.835 S3C4T1 Fl. 4 5 receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço, não estando incluídas, dessa forma, as receitas de royalties em exportação. Portanto, deve ser cancelado o lançamento sobre os recebimentos dos royalties. 2. Das receitas de indenização por sinistro Como já explanado no tópico anterior, por força da decisão do STF no nº 585.235, o PIS e a COFINS tributados na forma da Lei nº 9.718/98 incidem somente sobre a receita oriunda venda de mercadoria, da prestação de serviço ou da venda de mercadoria e prestação de serviço. No presente caso, a indenização por sinistro não se qualifica em nenhuma das receitas tributadas pela COFINS faturamento, o que torna o lançamento sobre essa receita insubsistente. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para cancelar os lançamentos sobre as receitas oriundas de royalties e de indenização por sinistro. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Ouso divergir das razões expressas pelo Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça em seu bem fundamentado voto, embora conclua também por idêntico resultado final, qual seja: provimento ao recurso. Este processo cuida do auto de infração que exige COFINS para os períodos de apuração dos anos de 2001 e 2002. A autoridade lançadora constatou que a contribuinte recolheu e pagou menos do que o devido, considerando as divergências entre os valores declarados em DCTF ou recolhidos e os valores apurados a partir dos arquivos contábeis e demonstrativos apresentados pela interessada. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 A contribuinte impugnou apenas as exigências referentes aos meses de maio, agosto e dezembro de 2001 e novembro de 2002. Através dela, ela apresenta as razões por que entende que o auto de infração não pode prosperar: 1. "conforme disposto na Lei n° 9.718/1998, são permitidas as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas dos serviços prestados a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e sobre as quais recolheu ISS de 5%; nesse sentido, discrimina as referidas receitas relativas a royalties no quadro de fls. 160;" 2. "no débito apurado no auto de infração relativo ao mês 12/2001 incluise a Cofins de R$ 382,11 sobre a receita de "indenização de sinistros", de R$ 12.737,77 a débito e R$ 12.736,97 a crédito no mesmo período (fls. 180), razão pela qual considera indevida a exigência" Os julgadores a quo decidiram pela procedência do lançamento. Em seu entendimento: (i) A autorização legal para a isenção de PIS e Cofins, contida no art. 14, II e II e § Io da MP n° 2.158 352001, só se aplica para a receita de venda (exportação) de mercadorias e de prestação de serviços para o exterior, e não para a receita relativa à remuneração por uso de tecnologia (royalties). (ii) No caso de seguros em decorrência de sinistro, tributação deve ocorrer sobre o total do valor recebido do segurado, sem quaisquer exclusões, por inexistir previsão legal no sentido contrário, ainda que seja para que se excluir do total recebido o valor do bem sinistrado. Sobre a receita por indenização de sinistro Entendo que o STF declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de tributação do PIS e da Cofins previsto no §1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.°s 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, assim como que ele, nesses atos, e nas discussões das ações judiciais que se seguiram para se determinar qual o conceito ou a definição para se estabelecer a base de tributação das contribuições sociais para diferentes setores e tipos de atividades dos contribuintes veio a assentar que a receita a ser tributada pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, com fulcro nesta lei, deveria ser entendida como a receita resultante da atividade da empresa. O texto representativo que afastou o alargamento da base de tributação assim ficou redigido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § Io, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A matéria foi abençoada com o instituto da "Repercussão Geral" e decidida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 585.235, nos seguintes termos: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10670.000537/200391 Acórdão n.º 3401002.835 S3C4T1 Fl. 5 7 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. A autoridade lançadora e os julgadores a quo entenderam que a indenização de sinistro deve ser incluída na base de tributação por que não existe previsão legal de isentála e as deduções da receita bruta permitidas são as expressas no artigo 3º, § 2º das leis que criaram essa contribuição. E entre as deduções permitidas não estaria a indenização de sinistro. A meu sentir, esse argumento inverte o sentido resultante da legislação e da jurisprudência qualificada como de repercussão geral. S.m.j., pareceme que os julgadores a quo propõem que a receita a ser tributada seria todo e qualquer ingresso, e as indenizações de sinistro estariam abrangidas por esta ampla definição; e ela não poderia ser excluída por não constar da lista trazida na lei para esse fim. Penso o contrário: para compor a base de tributação se deve considerar as receitas resultantes das atividades da contribuinte (ex.: receitas de venda de mercadorias e receitas de prestação de serviços). Não está no § 2º do artigo 3º o conjunto de critérios que delimitam a extensão da base de tributação. Não, ali estão as passíveis de deduzirem essa base. No caso desta contribuinte cuja atividade está no desenvolvimento de tecnologia e venda de serviços e produtos , a indenização de sinistro não constitui resultado de suas atividades empresariais, mas um ingresso eventual. A indenização de sinistro, nessa situação, não está no campo de incidência da contribuição. Logo, em meu ponto de vista, não se trata de isenção. Por isso proponho dar provimento ao recurso neste aspecto. Sobre a Receita de royalties pagas por pessoas domiciliadas no exterior: Partindo do mesmo critério e da mesma base de interpretação exposta no item anterior, chego à conclusão que razão assiste à recorrente. Senão, vejamos: A autoridade lançadora e os julgadores a quo entenderam que a receita de royalties não pode ser excluída da base de tributação da contribuição em questão. Assim justificaram sua posição: "Nessa linha, o art. 14 da MP n° 2.15835/2001, ainda em tramitação e incidente sobre fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/1999, assim dispõe:" Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: .... I I da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; .. § 1° São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos 1 a IX do caput. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 "Do dispositivo, se observa que a isenção de PIS e Cofins se aplica às receitas relativas à exportação de mercadorias e de serviços prestados para o exterior. Entretanto, a natureza jurídica de royalties é a de remuneração por arrendamento, por cessão de bens ou direitos, e não por fornecimento de mercadorias ou serviços, como se depreende dos art. 21, 22 e 23 da lei n° 4.506/1964, que trazem a definição de aluguéis e royalties:" Ora, como expus anteriormente, entendo que a base de tributação dessas contribuições são as receitas obtidas pelas atividades da contribuinte. Elas abrangem as vendas de mercadorias e de serviços, mas, certamente, elas não se restringem às receitas de vendas, como também não se restringem às receitas obtidas com mercadorias. Convido os E. Conselheiros a refletirmos um pouco sobre o alcance desses vocábulos, e encontrarmos o sentido que possa conferir uma base razoável de sua interpretação. Nessa perspectiva, não é um contrasenso reconhecermos que há receitas obtidas por outras formas de transação que não venda, como, por exemplo, as receitas de aluguel ou de arrendamento. E que há vendas de outros objetos que não sejam somente as mercadorias, como, por exemplo, produtos que fogem ao sentido tradicional e estrito de mercadoria. Pois bem, com a objetividade que o momento exige, prossigo: primeiramente, creio que os I. Legisladores e Ministros não desejaram restringir o sentido da isenção da receita de exportação somente ao que pudesse se enquadrar perfeita e inequivocamente na definição estrita de mercadoria. Por isso, tenho a convicção que a isenção prevista nos incisos II do artigo 14 da MP 2.15835/2001 tem para o vocábulo 'mercadoria' o mais amplo sentido, abarcando produtos ou coisas dos mais diferentes tipos, tangíveis ou intangíveis, objeto de comércio, mercancia, transação com interesse econômico e jurídico. Também me é evidente que essa isenção alcança as receitas de exportação advindas das mais diferentes modalidades de negócio, e não somente de vendas. Nas Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, no § 1º do artigo 5º e no § 1º do artigo 6º respectivos, os I. Legisladores foram mais explícitos: as receitas de exportação de mercadorias não estão no campo de incidência das contribuições. Naturalmente que o vocábulo 'mercadoria', pelos motivos aqui argumentados, é amplo, abrangendo os produtos e coisas que, à primeira vista, pareceria não corresponder á tradicional visão do que é uma mercadoria. Do mesmo modo, creio que os Exc. Ministros das Mais Altas Cortes, ao proferirem o seu entendimento com força vinculante e nas decisões das ações que se seguiram, não pretenderam restringir o sentido da receita a ser tributada por essas contribuições somente às resultantes de operações de venda e, cumulativamente, somente vendas de mercadorias ou de serviços. Prosseguindo nessa direção, e sendo assim, devem ser incluídas, na base de tributação em discussão, as receitas das atividades da contribuinte que não são realizadas pela modalidade de negócio denominada "venda de mercadorias e serviços" (ex.: alugueis, participações, remunerações, etc). Sendo os royalties receitas resultantes das atividades da contribuinte, logo elas ingressam na base de tributação dessas contribuições. Ocorre, contudo, que quando elas são receitas de exportação, deixam de estar no campo de incidência, como indicamos nos parágrafos anteriores, tendo em vista o que dispõe a legislação. Ademais, a tecnologia é um produto passível de ser objeto de comércio, de ser objeto de transação. A tecnologia pode ser vendida, mas ela também pode ser alugada, ou pode ser cedida mediante pagamento de royalties, ou pode ser incorporada e integrar o patrimônio para justificar remuneração por participação no resultado de seu uso; e assim por diante. A tecnologia e o know how são bens, geralmente intangíveis, altamente valorados no contemporâneo mundo econômico, e o evolver de suas criações e transações põem grandes desafios para que o mundo jurídico possa acompanhálo. Exportar tecnologia, em meu sentir, tem pelo menos a mesma dignidade que exportar qualquer outro tipo tradicional de produto e serviço, como, por exemplo, os produtos agrícolas, os produtos de extração mineral, os produtos industrializados, os produtos artesanais, os produtos culturais, os serviços de transporte, os serviços de consultoria, etc. Reconhecer a isenção para a exportação de um produto agrícola, mas não reconhecer a isenção para a exportação de uma tecnologia me parece um contrasenso. Mas, Senhores Conselheiros, para tentar fortalecer um pouco mais essa minha argumentação, fragilizada pela falta de conhecimento do redator, acrescento a essa análise, o meu entendimento de que há um Princípio Constitucional que estabelece a desoneração tributária das exportações e das receitas decorrentes das operações de exportação. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10670.000537/200391 Acórdão n.º 3401002.835 S3C4T1 Fl. 6 9 Em meu sentir, esse Princípio tem tanto natureza de comando a estabelecer condição imunitária, como natureza de orientação interpretativa a estabelecer recurso para esclarecer e justificar decisões. O inciso I do § 2º do artigo 149 da CF/1988 estabelece imunidade às receitas de exportação com relação às contribuições sociais. O STF esclareceu que sua finalidade, ao definir a não incidência tributária sobre determinado fato ou bem, é proteger a exportação e a receita decorrente da exportação da incidência tributária. O Excelso Supremo Tribunal vem reiterando que a interpretação da imunidade deve ser a mais abrangente e consoante o objetivo pretendido pelo dispositivo constitucional. A título de exemplificar, trago, aqui, excerto de julgado a que se reconheceu os efeitos da repercussão geral, que põe em relevo a largueza e a força do Princípio que imuniza as exportações. Notem, Senhores Conselheiros, que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de recurso extraordinário (RE n.º 627.815) com repercussão geral reconhecida pelo Plenário, por unanimidade, entendeu que as receitas de exportação não devem ser tributadas pela Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). E aplicaram esse raciocínio, com base nesse principio constitucional, ao caso das variações cambiais das operações de exportação: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2°, I, da Lei Maior as "receitas decorrentes de exportação" conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando conseqüências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2°, I, e 150, § 6°, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3°, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) (GRIFOS NOSSOS) Esta decisão, a meu ver, afirma a desoneração tributária de qualquer receita, cujas divisas ingressem no Brasil, decorrente de operação de exportação. Assim, considerandose o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.° 256, de 22 de junho de 2009, deveríamos afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas sobre as receitas decorrentes de exportações e que ingressem no Brasil em termos de divisas. Por todas essas considerações e razões é que proponho a este Colegiado que a receitas de royalties decorrentes da exportação de tecnologia não sejam incluídas na base de tributação da contribuição aqui em discussão e seja dado provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003939/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
A irresignação contra o julgado não justifica a oposição de embargos declaratórios.
A rediscussão da matéria de mérito deve ser manejada pelo recurso adequado.
Inexistência de omissão/contradição/obscuridade que justifique o acolhimento dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 1401-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR dos embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 A irresignação contra o julgado não justifica a oposição de embargos declaratórios. A rediscussão da matéria de mérito deve ser manejada pelo recurso adequado. Inexistência de omissão/contradição/obscuridade que justifique o acolhimento dos embargos de declaração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13855.003939/2010-05
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450451
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.379
nome_arquivo_s : Decisao_13855003939201005.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 13855003939201005_5450451.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR dos embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto - Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5886598
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702681419776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.003939/201005 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.379 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria embargos Embargante MOZAIR FERREIRA MOLINA EIRELI ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 A irresignação contra o julgado não justifica a oposição de embargos declaratórios. A rediscussão da matéria de mérito deve ser manejada pelo recurso adequado. Inexistência de omissão/contradição/obscuridade que justifique o acolhimento dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR dos embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 39 39 /2 01 0- 05 Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração contra acórdão que negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anteriormente elaborado pelo órgão julgador a quo: Preliminarmente, registre se que as referências feitas neste relatório e no voto que integram este acórdão aos números de folhas dizem respeito ao processo após a sua digitalização. A pessoa jurídica MOZAIR FERREIRA MOLINA FRANCA ME, doravante identificada apenas por MOZAIR ME, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, por meio do Ato Declaratório Executivo Nº 54, de 23/11/2010 (fls. 2.767), do Delegado da Receita Federal do Brasil em Franca (SP). Em razão desse ato, contra a contribuinte MOZAIR ME, também foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 3.655.793,78, para exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS, relativos ao anos calendário de 2006, 2007 e 2008. I. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL. PROPOSTA DE EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL De acordo com a representação fiscal de fls. 01/03, lavrada em 23/11/2010, o agente fiscal, nos trabalhos de fiscalização da empresa MOZAIR ME, se deparou com fatos que configuram impedimento na opção pelo regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, no período de 01 de janeiro de 2006 a 30 de junho de 2007, e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, no período de 01 de julho de 2007 a 31 de dezembro de 2008. Informa a autoridade fiscal que, no curso dos procedimentos fiscais instaurados em face dos contribuintes Mozair Ferreira Molina, CPF nº 082.494.59806, empresário, doravante identificado apenas por MOZAIR, titular individual da empresa representada, e na MOZAIR ME, constatou que esta empresa sonegou receitas auferidas por três anos consecutivos, cometendo reiterada infração à legislação tributária, conforme descrito no Relatório de Exclusão do Simples. A prática reiterada de infração à legislação tributária sujeita o contribuinte à exclusão do Simples e do Simples Nacional, conforme dispõe o art. 14, inciso V da Lei n° 9.317, de 1996 e o art. 29, inciso V da Lei Complementar n° 123, de 2006. De acordo com o agente fiscal, (1) o contribuinte omitiu receitas, o que implicou na falta de recolhimentos de tributos na sistemática do SIMPLES e Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 4 3 SIMPLES NACIONAL; (2) a exclusão nas condições de que tratam o art. 14 da Lei 9.317, de 1996 e o art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006 surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência que no presente caso é o mês de início da fiscalização, janeiro de 2006; e (3) as documentações aprendidas pela Policia Federal permitiram identificar que o contribuinte praticava atos de comércio ilícito de pedras preciosas pelo menos desde 2005, conforme relato do Relatório de Exclusão do Simples. II. DO RELATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL No Relatório a que faz referência a Representação Fiscal supra, anexado às fls. 04/53, a autoridade fiscal discorre sobre (1) o objeto da auditoria, (2) os trabalhos de fiscalização, detalhando todos os termos de intimação e de diligência, as respostas e declarações colhidas, bem como os documentos juntados, (3) a ação judicial em face do contribuinte MOZAIR, detalhando as escutas telefônicas, as apreensões efetuadas pela Polícia Federal, o organograma da organização criminosa, a denúncia do Ministério Público e (4) os terceiros relacionados. Ao final, apresenta as conclusões dos trabalhos no sentido de que MOZAIR ME cometeu reiteradas infrações à legislação tributária, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, motivo pelo qual justifica se a sua exclusão do Simples e do Simples Nacional. III. DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL O Ato Declaratório Executivo N° 54, de 23 de novembro de 2010, fl. 54, excluiu a pessoa jurídica MOZAIR ME do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL. IV. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL O Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.011/3.070, lavrado em 07/02/2011, apresenta os fatos como narrados no referido Relatório de Exclusão do Simples, acrescentando também informações sobre os autos de infração lavrados, suas bases de cálculo, a multa de ofício imposta, entre outras. Por essa razão, por se tratar de peça que resume os trabalhos da fiscalização, reportome ao Termo de Verificação Fiscal para apresentar uma síntese dos seus pontos mais relevantes. Segundo o referido Termo, o trabalho decorreu de MPF, em nome de MOZAIR, titular individual da empresa acima identificada, a partir de demanda fundamentada pelo Ministério Público Federal. A demanda tem origem na denominada "Operação Quilates", de flagrada em 12/08/2009 concomitantemente em várias cidades, a qual resultou na apreensão de vários bens (joias, pedras preciosas, automóveis, dinheiro real e dólar e Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 5 4 cheques), bem como a prisão de diversas pessoas suspeitas da prática do comércio ilegal de pedras preciosas. A Polícia Federal constatou a existência de associação estável e permanente de uma quadrilha (artigo 288 do Código Penal), com características de organização criminosa, composta por mais de 30 (trinta) pessoas, com a finalidade da prática contumaz do comércio ilícito de diamantes e pedras preciosas no mercado interno e internacional, o que, em tese, configura os crimes previstos no artigo 2° da Lei n° 8.176/91 (usurpação de bens minerais pertencentes à União); artigo 180, parágrafo 1°,do Código Penal (receptação qualificada de bens do patrimônio da União); artigo 334 do Código Penal (contrabando ou descaminho). A Polícia Federal apontou, ainda, a realização de operações de câmbio não autorizadas (dólar cabo e manual) e possível manutenção de depósitos não declarados que configuram, em tese, crime contra o Sistema Financeiro Nacional previsto no art. 22, caput e parágrafo único da Lei n° 7.492/86 e ainda a movimentação de altos montantes de dinheiro em contas de titularidade de terceiras pessoas, apontando, pois, indícios de crime de sonegação fiscal previsto no artigo 1° da Lei n° 8.137/90. No decorrer da auditoria da movimentação financeira do referido contribuinte, a autoridade fiscal concluiu que os créditos em suas contas correntes não comprovados com documentação hábil e idônea eram decorrentes da atividade de comercialização de pedras preciosas e mantidas à margem da contabilidade da pessoa jurídica. Na auditoria de MOZAIR, o agente fiscal verificou que o contribuinte utilizou a sua conta corrente mantida no Banco Bradesco e a sua conta corrente mantida na Caixa Econômica Federal para movimentar valores da sua pessoa física e da jurídica. Intimado a justificar os depósitos/créditos na referida conta, o contribuinte informou que os depósitos referentes a operações da empresa, venda de imóveis, corretagens, empréstimos e venda de veículos. A fiscalização considerou como comprovados os recebimentos de pessoas físicas declarados nas Declarações de Imposto de Renda e os valores das vendas de veículos e de imóveis. Quanto aos empréstimos informados por MOZAIR, o mesmo não apresentou prova documental de tais empréstimos. empréstimos junto ao referido contribuinte, mas não houve a comprovação inequívoca que tal operação tenha realmente ocorrido, ou seja, não há prova do retomo do dinheiro emprestado a MOZAIR e nem que tenha sido creditado nas contas correntes de MOZAIR, mas somente, a saída de recursos via transferência bancária ou emissão de cheque da conta de MOZAIR. Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 6 5 Também não há informações de tais empréstimos, nem nas Declarações de Imposto de Renda de MOZAIR e nem nas dos demais contribuintes. Além do mais, conforme consta do inquérito policial, integrantes da quadrilha já tinham combinado a simulação de empréstimos para justificar depósitos em conta corrente referentes à comercialização de pedras preciosas. Somente os créditos referentes às operações de recebimentos de pessoas físicas, vendas de veículos e imóveis, bem como às vendas contabilizadas do fiscalizado foram considerados justificados. Os demais créditos nas contas correntes de MOZAIR, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, não foram comprovados com documentação hábil e idônea, ou seja, não foram apresentados comprovantes dos depósitos, contratos, notas fiscais, ou outros documentos que justifiquem a totalidade dos créditos em suas contas. A documentação apresentada pelo contribuinte, Declarações de Imposto de Renda, Relatório de Evolução Patrimonial, Livros Contábeis/Fiscais, cópias de escrituras, comprovam apenas parte dos créditos nas contas. Os Livros Caixa da pessoa física apresentados carecem de documentação comprobatória. Na contabilidade de 2008, o contribuinte lançou vendas totais no valor de R$ 441.004,00, mas por outro lado os créditos nas suas contas correntes totalizam R$ 4.264.972,16. Considerando os demais créditos justificados (vendas de imóveis e veículos), ainda, há uma diferença não comprovada de R$ 2.357.628,16, que presume se ser a venda de pedras preciosas não contabilizadas. Nos lançamentos contábeis, as pedras são compradas por R$ 30,00 e R$ 37,00 o quilate e vendidas, após lapidação, ao preço de R$ 210,00 a 250,00 o quilate. Estas pedras contabilizadas são de menores valores e não condizem com os valores das pedras negociadas nas escutas telefônicas da Policia Federal ou anotações apreendidas na empresa. Da documentação obtida na Justiça Federal verificase que, em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidos, na residência de MOZAIR e no endereço de sua empresa, pedras preciosas e diversos documentos que comprovam que MOZAIR era um dos grandes receptadores e distribuidores de diamantes da cidade de Franca. Ainda consta no processo, gravações de conversas telefônicas entre o MOZAIR, compradores e integrantes da quadrilha, demonstrando o envolvimento do contribuinte com o comércio ilícito de pedras preciosas, mantidas à margem da contabilidade. Apesar de as escutas telefônicas que permitiram a identificação da quadrilha terem sido realizadas no ano de 2009, foram apreendidos documentos que Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 7 6 permitiram identificar que o grupo realizava este tipo de operação, pelo menos, desde 2005, tais como: (1) caderno de capa preta referente à contabilidade e controle das negociações de pedra do Sr. Isalto Donizete Pereira que revelam a sua ligação com outros envolvidos, como o Jorge Khabbaz, Mozair Ferreira Molina, Gadi Hoffman, Alcione Máximo Queiroz, Helio Salvo Borém e André Luis Cintra Alves; (2) depósitos de 2007, em nome da esposa do MOZAIR, para o Sr. André Luis Cintra Alves; (3) comprovante de depósito do Banco Bradesco datado de 24/09/2008, no valor de R$ 16.000,00 tendo como favorecido MOZAIR apreendido em poder de Jorge Kabbhaz; (4) fatura no valor de R$ 4.533,28 em nome de Gadi Hoffman relativa ao pagamento de passagens aéreas de ida e volta de Israel para o Brasil em março de 2007 apreendida no escritório de MOZAIR; (5) cheque emitido por Adnan Khalil Jebailey em 26 de junho de 2005 no valor de quatorze mil dólares, do Bank of America da Flórida e apreendido em poder de MOZAIR; (6) manuscrito de lançamentos de transferências de André para Mozair e sua esposa Denise no valor total de R$ 150.002,72 datado de abril de 2007 e apreendido em poder de André Luis Cintra Alves. Na auditoria das contas correntes de MOZAIR, dos anos de 2006, 2007 e 2008, o agente fiscal verificou transações financeiras que vão ao encontro dos fatos apurados pela Polícia Federal durante a "Operação Quilate" em 2009, tais como: (1) pagamentos para garimpeiros como João de Deus Braga e Alcione Máximo Queiroz; (2) depósitos e recebimentos de Jorge Khabbaz e sua empresa Umas, Isalto Donizete Pereira, Nabil EliasGebarah e André Luis Cintra; (3) créditos bancários referentes a operações com moedas estrangeiras, entre outros. O conjunto de elementos apurados pela Polícia Federal na "Operação Quilates" e aqueles identificados na movimentação financeira de MOZAIR, dos anos de 2006, 2007 e 2008, levaram a autoridade fiscal a concluir que estas contas, também, eram utilizadas para o movimento do comércio de pedras preciosas no mesmo esquema apresentado pela Policia Federal no ano de 2009. Após a exclusão de todos os créditos referentes a vendas contabilizadas e atividades da pessoa física (vendas de imóveis, veículos, recebimentos de pessoas físicas), ainda assim, restaram créditos nas contas correntes não comprovados com documentação hábil e idônea nos valores de R$ 966.421,46, R$ 524.957,44 e R$ 2.357.628,16, nos anos de 2006, 2007 e 2008 respectivamente, configurando assim o ilícito tributário. Em face desse contexto, concluiu o agente fiscal que todos os créditos financeiros não comprovados presentes nas contas em nome de MOZAIR são resultantes das operações de comércio de pedras preciosas praticadas de forma reiterada e habitual nos três anos fiscalizados. Por outro lado, assevera a autoridade fiscal que, em face da existência de sociedade jurídica em nome do MOZAIR, constituída exatamente para tais fins, é possível afirmar se que toda essa movimentação deve ser imputada à empresa MOZAIR ME, que não tinha conta corrente bancária constituída em seu nome, e sobre ela recair todo o ônus tributário pela sua omissão. Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 8 7 A movimentação de valores na conta corrente da pessoa física, mantida à margem da escrituração da pessoa jurídica, com a finalidade de ocultar as operações da empresa, caracteriza "caixa dois". O fiscalizado, pessoa jurídica, utilizava as contas correntes de MOZAIR, pessoa física, mas não fez as devidas escriturações da movimentação financeira bancária nos Livros Caixa que estava obrigado de acordo com o art. 7°, § 1° , alínea “a” da Lei 9.713, de 1996 e art. 26, § 2° da Lei Complementar n° 123, de 2006. A pessoa física serviu de interposta pessoa da pessoa jurídica. A reiterada irregularidade tributária praticada pela empresa fiscalizada, tendo, por 3 (três) anos seguidos, declarado informações falsas ao Fisco, demonstra a intenção dolosa do sócio administrador, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes, preocupado o tempo todo em ocultar a realidade dos fatos com o intuito único de eximir se de pagamento de tributo. Não fosse a ação da fiscalização, prevaleceriam as informações incorretas prestadas pelo contribuinte. O responsável não contabilizou todas as operações de vendas e utilizou se da sua conta corrente como "caixa dois" da empresa. O agente fiscal promoveu a responsabilização pessoal do sócio administrador MOZAIR, nos termos do Art. 135, III, do CTN, conforme Termo de Responsabilidade Tributária de fls. 2905 à 2906. O fisco promoveu o lançamento do IRPJ, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1º da Lei n° 9.887, de 1999; art. 1° da MP n" 22, de 2002 convertida na Lei n" 10.451, de 2002 e art. 849 do RIR/1999, que estabelecem que os depósitos bancários cujo titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, sujeitam se à tributação, por presunção legal de omissão de receitas. As bases de cálculos dos depósitos bancários não contabilizados são os depósitos em conta corrente não comprovados com documentação hábil e idônea e demonstradas nas planilhas "Depósitos/Créditos em Conta Corrente Não Comprovados”. Nesse item, a autoridade fiscal autuante aplicou a multa de 150% (cento e Cinquenta por cento), com fulcro no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Segundo o agente fiscal, MOZAIR ME omitiu receitas tributáveis relativas ao comércio de pedras preciosas por três anos consecutivos, com o propósito exclusivo de usufruir vantagem traduzida pela dedução do montante do imposto devido, caracterizando evidente intuito de fraude e justificando a aplicação da multa qualificada. Fl. 3546DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 9 8 Ademais, MOZAIR ME não contabilizou movimentação financeira bancária nos Livros Caixa, utilizou se de interposta pessoa, a pessoa física de MOZAIR para ocultar movimentação financeira da pessoa jurídica, caracterizando assim o "caixa dois" da empresa Por outro lado, devido à exclusão do contribuinte do Simples e Simples Nacional, e a sua opção pelo regime tributário do Lucro Real, a forma de apuração dos tributos ficou incorreta. Assim, a autoridade fiscal também procedeu o devido lançamento do IRPJ apurado pelo regime tributário do Lucro Real. As bases de cálculos das receitas operacionais após a exclusão do Simples, são os valores constantes dos Livros Caixa do contribuinte (receitas, despesas e custos) apurados no regime tributário do Lucro Real, conforme apuração do contribuinte nos Livros Diários e Livro de Apuração do Lucro Real, totalizando R$ 63.665,02, R$ 48.244,82 e 258.524,37, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. Os tributos pagos no Simples e Simples Nacional, à título de IRPJ e CSLL, foram compensados. Tendo em vista as infrações à legislação tributária, com o consequente lançamento do IRPJ, o agente fiscal também promoveu os lançamentos dos tributos reflexos: CSLL, PIS e Cofins. As bases de cálculos da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas são os faturamentos, assim entendido o total das receitas auferidas deduzido dos créditos constituído pelos custos e despesas previstas no art. 3º da Lei 10.637, de 2002 e art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. No presente caso, as bases de cálculo são as vendas deduzidas das compras, compensados os tributos pagos no Simples e Simples Nacional, à título de PIS e Cofins. Tendo em vista que os fatos relatados, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, definidos pelos art. 1°, inciso I e art. 2°, inciso I, da Lei n" 8.137/90, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, conforme determina a Portaria SRF nº 2.439, de 2010. V. DA IMPUGNAÇÃO AO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL O contribuinte deu entrada em 27/12/2010 com a sua peça de contestação à exclusão do Simples e Simples Nacional, fls. 3.262/ 3.295. Fl. 3547DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 10 9 Do seu extenso arrazoado, no qual o contribuinte repete em diversas passagens as mesmas alegações, extraem se, em síntese, as seguintes razões de impugnação: 1) Não houve a abertura do processo de exclusão do simples, conforme determina as resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional, em especial a Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, sem que a empresa pudesse exercer o seu direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. 2) A empresa foi penalizada com a exclusão do regime de tributação, sem o processo de exclusão específico, para somente depois ser oportunizado à mesma, o direito de oferecer impugnação administrativa. 3) A ausência do contraditório e da ampla defesa combinado com a insegurança jurídica traduz a nulidade do processo ou atos subsequentes. 4) Para o exercício de defesa fazes necessária a ciência dos atos, ou seja, da acusação que lhe é imputada ou formulada, bem como dos seus fundamentos, além, é claro, do conhecimento das provas juntadas ao processo. 5) A fiscalização se reportava ao MPF da pessoa física, e em momento nenhum informou da existência de processo de exclusão do simples. 6) A autoridade administrativa, ao decidir através do ato declaratório executivo, apenas enumerou os artigos, sem no entanto citar quais foram os descumprimentos da Lei Complementar 123, de 2006, para dar embasamento ao seu ato. 7) O auditor fiscal utilizou prova emprestada de processo penal em andamento, ou seja, ainda não transitado em julgado (onde prevalece o princípio da inocência presumida), na tentativa de efetuar a exclusão do simples e posteriormente autuar a empresa. 8) Ninguém pode ser privado de alguns desses direitos só pelo fato de ser indiciado ou de estar sendo processado, sem que a sentença proferida nesse processo tenha transitado em julgado. 9) O auditor utilizou se de escutas telefônicas ocorridas no ano de 2009 para tentar justificar imposição de pena administrativa nos anos de 2006, 2007 e 2008. 10) Na introdução do relatório de exclusão do Simples, o auditor diz que houve sonegação de receitas auferidas, o que não é a expressão da verdade, pois toda a movimentação encontra se nos extratos bancários, que foram entregues voluntariamente e autorizados sua abertura, o que comprova a boa fé do fiscalizado Fl. 3548DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 11 10 11) A utilização das palavras "possível" e "em tese", por si só demonstram que a fiscalização não tem certeza de nada, tampouco apresenta a documentação que comprovaria suas conclusões. 12) O suscitado crime de sonegação de cobertura cambial só se configuraria para valores superiores ao estipulado pelo próprio Banco Central. 13) O processo penal ainda não transitou em julgado, assim a alegação de que houve crime de sonegação fiscal é um abuso de poder da autoridade administrativa federal. 14) O auditor colocou em dúvida as informações de valores emprestados e a necessidade de empréstimos, sem considerar que transações que envolvem quantias razoáveis envolvem atrasos de pagamento, e que, nas aquisições, os valores de transmissão por vezes são os considerados pelo valor venal declarado pela prefeitura municipal no momento da transação. 15) Com relação ao Princípio da Entidade, citado pelo auditor, é importante ressaltar que não existe nenhuma lei que proíba o uso de uma mesma conta bancária pelo sócio e empresa. 16) O único erro de fato cometido pela empresa foi que em algumas transações imobiliárias a prazo o lançamento e o recolhimento do imposto se deu somente ao final dos pagamentos, e com a escritura definitiva de compra e venda, porém já devidamente autuado e corrigido. 17) O auditor desconsiderou as respostas às suas intimações que traficaram tratar se de empréstimos pessoais, sob o argumento de que o contribuinte pode estar simulando. “Ora fica muito fácil se aproveitar somente das respostas que lhe interessa, descartando as demais sem nenhuma comprovação, pois o ônus da prova para desconsiderar é do fiscal!” 18) Quanto à alegação fiscal de existência de "caixa dois”, é um absurdo, pois se a empresa utilizava a mesma conta, como é que a finalidade poderia ser a de ocultar? Requer, ao final, a imediata suspensão dos efeitos do ato declaratório. VI. DA IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO O contribuinte deu entrada em 11/03/2011 com a sua extensa peça de impugnação (107 laudas), fls. 3.080/ 3.186. Em boa parte do seu longo arrazoado, o contribuinte reitera as mesmas alegações deduzidas na peça de impugnação ao mencionado ato declaratório de exclusão do Simples. Para evitar repetições desnecessárias, deixo de apresentála nesse tópico. Fl. 3549DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 12 11 No que tange às demais razões de impugnação, em que o contribuinte se reporta ora à jurisprudência administrativa, ora à judicial, bem como a citações doutrinárias, apresento a seguinte síntese: 1) Em 15/10/2009, MOZAIR, mesmo encontrando se preso e psicologicamente abatido e sem condições de efetuar esclarecimentos, pois não se encontrava em poder dos mesmos em sua cela, recebeu termo de intimação fiscal. 2) Em 14/12/2009, o auditor apresentou novo termo de intimação fiscal, intimando MOZAIR a, entre outras, justificar a origem dos recursos depositados ou creditados em suas contas bancárias, e cópias de todos os cheques emitidos maiores ou iguais a R$ 2.000,00. 3) Tais valores contrariam o enunciado da Súmula n° 61, publicada pela Portaria CARF n° 49, de 1° de dezembro de 2010. 4) A partir de então surgiram controvérsias, pois o fiscalizado (pessoa física) passou a sofrer fiscalização na pessoa jurídica, o que trouxe várias dúvidas em relação a o que estava sendo questionado, ou seja, fiscalizado, induzindo o contribuinte a erro, dando ensejo a nulidade do processo. 5) em 28/12/2010, o fiscalizado foi informado do termo de intimação n° 03 (da pessoa jurídica), cujo MPF ficou paralisado por mais de trezentos dias, desrespeitando toda a legislação pertinente, surgindo de repente uma substituição do MPF, somente com o intuito de penalizar. 6) O fiscalizado foi orientado verbalmente, erroneamente, a apresentar livros, inclusive de apuração de lucro real, mas não efetuou nenhuma opção, conforme diz o fiscal, pois se tivesse optado não teria apresentado impugnação à exclusão do Simples. 7) Ademais, não há que se falar em opção do fiscalizado se o mesmo efetuou a resposta um dia antes de saber do que realmente se tratava. 8) Por outro lado, em consulta ao sistema correspondente, observa se que a empresa ainda continua optante pelo Simples. 9) Em 09/02/2011, recebeu, via correios, autos de infração em duas vias; uma em sua residência como MOZAIR, pessoa física, e outra como MOZAIR ME, em endereço comercial, ambos com o mesmo teor. 10) O auditor se utilizou do instituto da responsabilidade por substituição tributária previsto no art. 135 do CTN de forma ilegal. Ademais, a correspondência foi deixada na portaria do prédio (com o porteiro) no dia Fl. 3550DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 13 12 09/02/2011 e, como MOZAIR estava em viagem, somente lhe foi entregue pelo porteiro no dia 13/02/2011. 11) A descrição dos fatos nos autos de infração é genérica, não discrimina as infrações. 12) O auditor não abateu os valores já pagos e principalmente aqueles já aceitos e lançados no procedimento contra a pessoa física MOZAIR. 13) A recorrente questiona algumas afirmações da autoridade fiscal constantes do mencionado Termo de Verificação Fiscal, referentes às respostas da autuada e de terceiros às intimações para a comprovação dos depósitos bancários. 14) A recorrente apresenta esclarecimentos e justificativas para certos depósitos bancários não acolhidos pela fiscalização sob o argumento de que se referem a transações com imóveis. 15) Em certa passagem a recorrente assevera: Notas se que os valores de deposito em conta corrente até 20.03.2008 é igual ao valor que a empresa ARCFRAN estava devendo, exceto por R$ 10,00 que foi informado a maior conforme ganhos de capital declarado em imposto de renda 2009/2008; quanto aos TEDs recebidos em 18.03.2008 no valor de R$ 14.000,00 e R$ 15.982,80, respectivamente, foram referentes à venda de imóvel para a ARCFRAN, conforme planilha acima, e de maneira alguma me preocupei em saber a origem dos valores, uma vez que minha conta corrente estava aberta e apta a receber quaisquer espécie de créditos.(negritei) 16) A única irregularidade identificada pela autoridade fazendária resume se no fato de que MOZAIR efetuou depósitos de sua atividade de maior rentabilidade correção (sic) de imóveis, na mesma conta da sua empresa, cuja conduta acabou gerando dúvidas ao auditor. 17) Não houve omissão de receitas, mas mera irregularidade de ordem formal, e não material como quis demonstrar a autoridade fiscal. 18) “Esta checagem poderia ter sido realizada pelo agente fiscalizador, apenas levaria um tempo significativo e foi por isso que preferiu o arbitramento”. 19) Os questionados depósitos bancários não podem ser considerados receitas omitidas, pois os mesmos são lastreados em inúmeras operações de compra e venda de imóveis, devidamente comprovadas. 20) Os valores de tais depósitos são as próprias receitas declaradas e já devidamente tributadas, inclusive com recolhimentos de ganhos na alienação de imóveis, não constituindo receita nova. Fl. 3551DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 14 13 21) Essas vendas eram realizadas através de acordos com os demais corretores que participaram da venda de suas propriedades e de terceiros, conforme relatório apresentado no caderno Evolução Patrimonial e outros documentos apresentados ao agente fiscal. 22) Em outra passagem, afirma a recorrente: Seria possível elaborar mensalmente o relatório acima se tivesse todos os microfilmes de cheques, que infelizmente dado ao tempo, não foi possível, muito embora foi (sic) relacionado alguns no processo e outros dos quais prova a entrada de dinheiro no caixa, justificando os depósitos efetuados não estão anexos, a recorrente está providenciando junto ao Banco Bradesco os mesmos, motivo pelo qual solicita se pela juntada posterior de tais documentos ao relatório.(negritei). 23) A auditoria fiscal resolveu desconsiderar toda a contabilidade tornando a imprestável, bem como adicionou os depósitos bancários como não contabilizados, considerando estes como omissão de receita. 24) Solicita, então, o cancelamento integral de todos os autos de infração lavrados. 25) É entendimento doutrinário que esta inversão da prova ofende o art. 142 do CTN e o art. 146. III. "b" da Constituição Federal. Da interpretação do art. 142 do CTN é possível concluir com segurança que o ônus da prova da ocorrência do fato gerador, e consequentemente do nascimento da obrigação tributária, é sempre do fisco, não sendo válida a sua transferência para o contribuinte, ainda que após a intimação para prestar esclarecimentos. 26) O art. 42 da Lei 9.430/96 autoriza a presunção de que ocorreu o fato gerador do imposto de renda apenas porque o contribuinte não conseguiu comprovar que os recursos depositados em sua conta são de terceiros. No caso das pessoas físicas, por não serem obrigadas a uma escrituração contábil completa, normalmente há uma enorme dificuldade em demonstrar com precisão a origem dos créditos bancários, especialmente porque a fiscalização faz tal exigência em relação aos últimos cinco anos. 27) Não houve tempo suficiente para a recorrente fazer prova pericial e promover a juntada de novos documentos, pois o prazo de impugnação coincidiu com o período do carnaval. 28) Requer o julgamento conjunto das duas peças de impugnação. Por força da Portaria Sutri nº 3.066, de 1º/07/2011 (despacho de fl. 3.331), foi feita a transferência para o julgamento deste processo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP), para a DRJ em Brasília (DF). É o relatório. Fl. 3552DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 15 14 Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/DFBrasília, por unanimidade de votos, (1) julgar improcedente a impugnação ao ato declaratório de exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL; e (2) julgar improcedente a impugnação aos autos de infração, mantendo o crédito tributário exigido.” Diante dos argumentos expostos, o órgão julgador a quo entendeu por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. De acordo com o art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 2007, o termo de exclusão do Simples Nacional inicia o processo de exclusão de ofício (§ 1°) e se torna efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte (§ 3°), sem prejuízo do lançamento dos tributos e contribuições (§ 3° do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS Ano calendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica aplica se, no que couber, na decisão do lançamento decorrente relativo ao Pis e Cofins. Crédito Tributário Mantido” Outrossim, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese que o acórdão a quo teria se omitido de analisar argumentos relativos á opção judicial pela discussão judicial e não teria analisado outros argumentos expostos pela Recorrente. Fl. 3553DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 16 15 Em face destes argumentos, a 4º Câmara/ 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferiu acórdão, assim emendado: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL – CSLL Ano calendário:2006, 2007, 2008 De acordo com o art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 2007, o termo de exclusão do Simples Nacional inicia o processo de exclusão de ofício (§ 1º) e se torna efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte (§ 3º), sem prejuízo do lançamento dos tributos e contribuições (§ 3º do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. É regular o procedimento de fiscalização instaurado para verificar a compatibilidade entre a movimentação financeira e os valores escriturados e declarados ao fisco. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, é lícito e um dever proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS Inconformado o contribuinte opôs Embargos de Declaração, colacionando os autos nova documentação, a fim de comprovar a origem do crédito. Ano calendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica aplica se, no que couber, na decisão do lançamento decorrente relativo ao Pis e Cofins. Crédito Tributário Mantido.” Inconformado, o contribuinte opôs Embargos de Declaração, requerendo há análise de sua preliminar que evidencia a opção do Estado pela via judicial, abrindo mão da esfera administrativa, asseverando, ao final, que o vício apontado poderia ser regularmente sanado, motivo pelo qual, requereu a procedência dos Embargos de Declaração e, consequentemente, a anulação da decisão.É o relatório. Fl. 3554DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Primeiramente, os embargos são tempestivos e recebidos nos termos da lei. O Embargante sustenta haver omissão no acórdão embargado, argumentando que pelo fato das preliminares não terem sido apreciadas, razão pela qual, o r. acórdão seria nulo: “Ratificamos que as alegações como PRELIMINARES encontramse muito bem distinguidas das de mérito. Assim deveria apreciar as preliminares e arguição de omissão da Primeira Instancia, para somente após adentrar ao mérito (...) Por fim, importa ter em conta que vícios como a falta de apreciação de argumentos por parte da autoridade julgadora pode ser regularmente saneado, pela anulação da decisão e prolação de uma nova.” No mais, a Embargante já parte do pressuposto que o posicionamento desta turma deveria ser diferente. Todavia, não merece amparo o pleito da ora Embargante. Da análise dos declaratórios, percebese que a ora Embargante vislumbra a rediscussão da matéria deduzida nestes autos. No entanto, como se sabe, esta não é a via eleita. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE NÃO VERIFICADOS. LANÇAMENTO FISCAL. CONSTITUIÇÃO. FATOS EXISTENTES À ÉPOCA. Não se conhece dos embargos de declaração opostos quando não constatados omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado e se verifica que o lançamento fiscal foi efetuado com base nos fatos existentes à época da sua constituição, sendo que fatos posteriores não podem interferir em lançamentos corretamente formalizados. (Acórdão nº 1202 001.1702ª Câmara2ª Turma ordinária Rel. Carlos Alberto Donassolo Sessão de 19.07.2014 ). ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embarga do. (Acórdão nº 1802002.067 2ª Turma Especial Rel. Ester Marques Lins de Sousa Sessão de 08.04.2014). No mais, pela leitura do voto condutor, percebese que a ora Embargante, encontrase equivocada na medida em que as preliminares levantadas foram devidamente analisadas, como se observa: Fl. 3555DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.003939/201005 Acórdão n.º 1401001.379 S1C4T1 Fl. 18 17 “Sustenta o Recorrente que o acórdão a quo teria se omitido de analisar argumentos relativos á opção judicial pela discussão judicial e não teria analisado outros argumentos expostos pela Recorrente. Com relação a suposta opção pela via judicial, entendo que não merece prosperar a alegação da Recorrente se refere a uma ação penal incondicionada ajuizada pelo Ministério Público Federal para apurar crime de sonegação fiscal. Com relação à falta de análise de argumentos expostos pela Recorrente, considero que também não merecer reparo nesse aspecto, na medida em que o acórdão a quo analisou a contento a questão posta, sendo pacífico na jurisprudência que o julgador não é obrigado a analisar todas as questões postas pelas partes. Ante o exposto, afasto as preliminares.” Deste modo, verificase que inexiste omissão/contradição/obscuridade no voto condutor do acórdão embargado, uma vez que o voto contém clara e completa fundamentação que levou à solução do litígio, de modo que descabe reapreciar novamente a matéria, como pretende o embargante, não sendo o caso de se proceder a revisão da decisão. Por não haver omissão, voto por conhecer dos embargos, mas no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 3556DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720151/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados.
DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
MULTA. RETROATIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MP 449/08.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator.
EDITADO EM: 15/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. MULTA. RETROATIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MP 449/08. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10932.720151/2012-62
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428221
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.240
nome_arquivo_s : Decisao_10932720151201262.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10932720151201262_5428221.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator. EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5821956
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702687711232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.027 1 1.026 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720151/201262 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.240 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria Prêmio de produtividade Recorrente MERCEDESBENZ DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. MULTA. RETROATIVIDADE. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MP 449/08. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 51 /2 01 2- 62 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATORRelator. EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Relatório Adoto o relatório constante do decisum recorrido [fls. 967 e ss]: Depreendese do Termo de Constatação Fiscal que o processo administrativo de nº 10932.720151/201262, compreende os seguintes Autos de Infração : * Nº 51.031.3124: referese a contribuições correspondentes à parte da empresa, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, no valor total de R$ 5.823.833,18(cinco milhões oitocentos e vinte e três mil oitocentos e trinta e três reais e dezoito centavos) consolidado em 13/12/2012 para o período de 01/2009 a 12/2011 e, * Nº 51.035.7717: referese a contribuições correspondentes à parte dos segurados, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, no valor total de R$ 2.297.238,91( dois milhões duzentos e noventa e sete mil duzentos e trinta e oito reais e noventa e um centavos) consolidado em 13/12/2012 para o período de 01/2009 a 12/2011. A autoridade fiscal esclarece inicialmente que de acordo com as informações prestadas pela Mercedes – Bens em DIRF dos anos Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.028 3 calendário de 2008 a 2011 elaborou uma relação de beneficiários declarados no código 0588 – Rendimentos do Trabalho sem Vinculo Empregatício e constatou diferenças entre esses valores e os declarados na GFIP Desse modo solicitou esclarecimentos à empresa que se pronunciou nos seguintes termos:A autoridade fiscal esclarece, inicialmente, que de acordo com as informações prestadas pela Mercedes – Benz em DIRF dos anos calendário de 2008 a 2011 elaborou uma relação de beneficiários declarados no código 0588 – Rendimentos do Trabalho sem Vinculo Empregatício e constatou diferenças entre esses valores e os declarados na GFIP. Desse modo solicitou esclarecimentos à empresa que se pronunciou nos seguintes termos: Em 02/04/2012 e em 27/04/2012, a empresa prestou esclarecimentos quanto às diferenças apontadas entre a DIRF e a GFIP. Justificou com base em 3 fundamentos distintos, sendo um deles referente ao descasamento entre o regime de reconhecimento do crédito das remunerações para fins do Imposto sobre a Renda retido na Fonte daquele previsto para as Contribuições Sociais (fatos geradores do ano anterior declarados em GFIP nesse ano e pago no ano seguinte e, conseqüentemente, declarados em DIRF nesse ano seguinte), gerando a divergência. Outro fato diz respeito a pagamentos efetuados por meio de opção de ações (stock options), que originou lançamento por meio dos processos n° 10932.720149/201293 e n° 10932.720152/201215. O terceiro fato diz respeito a pagamento a beneficiários por meio de premiação, objeto do presente auto de infração e do auto de infração cujo processo é o de n° 10932.720148/201249. O contribuinte esclarece, ainda, que esta situação (pagamento de premiação não declarado em GFIP) engloba todos os casos constantes nas listas anexas aos termos lavrados em 08/02/2012 e em 04/04/2012 que não os justificados como descasamento entre o regime de reconhecimento do crédito das remunerações, e pagamentos efetuados por meio de opção de ações stock options. Sendo assim, fazse a indicação dos valores por exclusão dos expressamente mencionados. Esta fiscalização, portanto, já possui esta relação de beneficiários, mostrada na Tabela 1 em anexo intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias anoscalendário de 2008". Da análise dessas explicações a autoridade fiscal destaca o seguinte: Na resposta da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012, destacamos os seguintes tópicos: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 "visando estimular as vendas dos veículos de sua marca, a Notificada instituiu programa de premiação dos vendedores que trabalham na rede de concessionárias." Estes programas consistem no pagamento de prêmios aos vendedores, conforme a performance de vendas atingidas. ... Vale destacar também que todas essas campanhas de marketing são criadas e administradas por uma empresa do setor, especialmente contratada para desenvolver estas atividades. ...para viabilizar estes pagamentos, as concessionárias reportam à empresa de marketing contratada para administrar o pagamento de tais benefícios, quem e quais foram os volumes negociados por determinados vendedores. Esta empresa realiza os pagamentos, sendo posteriormente reembolsada pela Notificada." O contribuinte, em 02/04/2012, apresentou os Programas de Premiação dos Vendedores da rede de concessionárias, contendo as regras dos referidos programas: Campanha PROCAMINHONEIRO período de 2006; Campanha Multiplique Prêmios com Rodobens Consórcio período de 2007; Ação Cooperada Sprinter 2008 Setembro e Outubro; Ação Sprinter 2008 Novembro; Ação Sprinter 2008 Dezembro; Ação Relâmpago Caminhões 2008 Dezembro; Ação Especial de Vendas Sprinter 2009 Novembro e; h)Ação Especial de Vendas Sprinter 2009 Dezembro. O contribuinte deixou de apresentar, portanto, os Programas relativos aos anos de 2010 e 2011. (...) Do exame dos Programas de Premiação dos Vendedores e das explicações solicitadas à empresa a autoridade fiscal resume a motivação do lançamento: (...) Conforme alega o contribuinte, visando estimular as vendas dos veículos de sua marca, foram instituídos programas de premiação dos vendedores que trabalham na rede de concessionárias. Este programa consiste no pagamento de prêmios aos vendedores, conforme a performance das vendas atingida. O programa é administrado pela empresa terceirizada Mark Up Participações e Promoções Ltda, que faz os Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.029 5 repasses dos prêmios aos vendedores da rede concessionária. Esta empresa, sendo a responsável pela administração dos programas de premiação, efetua os pagamentos aos vendedores e é reembolsada por isso. O contribuinte alega que os pagamentos não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme respostas da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012: "E é justamente a esta figura, marketing de incentivo com não funcionários, que estamos lidando no presente caso. Por esta razão a premiação paga não foi incluída em GFIP. Não se trata de remuneração, mas sim de uma premiação que não decorre de qualquer relação contratual ou trabalhista direta entre a Notificada e os premiados. Não há relação direta entre referidos vendedores e a Notificada. Eles não lhe prestam qualquer serviço e não se estabelece qualquer relação contratual ou de emprego. Estamos diante de uma promessa de recompensa que não se confunde com uma relação de trabalho (empregado ou autônomo)." "O fato de se ter optado pela rubrica 0588 decorre da inexistência de uma específica para o pagamento da hipótese sob análise." Desse ponto em diante a fiscalização passa a descrever pormenorizadamente em que base se deram os pagamentos tirando inclusive informações no site da empresa intermediária MARK UP, das Notas Fiscais emitidas e dos Contratos de Prestação de Serviços e Outras Avenças Programa de Relacionamento Mercedes – Benz –Multiclube e a MARK UP Participações e Promoções Ltda. Acrescenta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram os pagamentos de valores, por meio de programa de premiação, valores esses declarados nas DIRF dos anos calendário 2008 a 2011 como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Os beneficiários foram indicados pela empresa, conforme resposta da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012, e declarados no código 0588 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 E quanto à relação considerada existente (e caracterizada) entre o contribuinte e aqueles que, no final das contas, foram os prestadores de serviços e beneficiários dos créditos recebidos, como se trata de pagamentos realizados “a equipe de vendas dos concessionários” e como os pagamentos foram feitos às pessoas físicas destas “equipes” tais pessoas físicas (contratados, empregados ou administradores de terceiros – as concessionárias) foram considerados como prestadores de serviço do tipo “contribuintes individuais”. Quanto a constituição do crédito tributário a autoridade fiscal discrimina a forma e critérios a adotadas no que concerne às multas aplicadas, aponta os documentos onde consta as alíquotas aplicadas e relaciona os respectivos levantamentos Regularmente cientificado o sujeito passivo apresenta impugnação para as duas autuações (37.391.5985 e 37.391.6000) relatando em primeiro, o motivo e os termos em que foi lançada a exigência fiscal, entendendo que a imposição decorre de equivocada interpretação dos fatos e da legislação que rege a matéria.interpretação dos fatos e da legislação que rege a matéria. A seguir argumenta preliminarmente que quanto as divergências constatadas (entre a DIRF e a GFIP ) as mesmas tem origem em premiações pagas pela impugnante aos vendedores da rede de concessionárias da marca Mercedes – Benz e que os mesmos mantêm relação de emprego exclusiva com as concessionárias de veículos da marca ( meras lojas revendedoras), razão pela qual as premiações não foram incluídas na GFIP. No mérito, delineia os aspectos constitucionais das contribuições sociais sobre a Folha de Salários afirmando que estariam ausentes na interpretação da autoridade fiscal quaisquer dos elementos que fixariam a incidência da contribuição previdenciária: relação de emprego e trabalho e remuneração de trabalho prestado. Transcreve os artigos 12, 22 e 28 da Lei 8.212/91, a fundamentar o caráter normativo da contribuição previdenciária do contribuinte individual para perguntar ao fim da explanação se, à relação existente entre a impugnante e os vendedores das concessionárias, podese aplicar esses conceitos. Traça as linhas gerais em que se realizaram os programas de premiação, explicando que firmou contratos de prestação de serviços com empresas interpostas e especializadas em campanhas de relacionamento promocionais e de incentivo objetivando estimular o alcance de metas mediante a premiação dos participantes, podendo destinarse tanto ao publico interno, como para funcionários e equipes de outras empresas, como na hipótese em estudo. Esclarece que os valores dos prêmios eram pagos pela MARK UP aos beneficiários e reembolsados pela Impugnante, que identificava tais premiações individualizadamente em DIRF e submetia tais valores ao Imposto sobre a Renda Retida na Fonte. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.030 7 Vê como impossível a exigência de contribuições previdenciárias, tanto as patronais como as dos segurados em relação aos valores recebidos no âmbito do programa de premiação, por inexistir, em suas palavras, caráter contraprestativo, vez que se está diante de uma promessa de pagamento futuro de um prêmio às pessoas que atingirem um resultado previamente estipulado no programa durante o período de campanha especifica, nos termos exatos do que determina o artigo 854 do Código Civil. Entende que as duas das características de trabalho autônomo: onerosidade e pessoalidade não estão presentes nas campanhas de incentivo de vendas, razão pela qual, é inviável o enquadramento desses pagamentos como sendo de trabalho autônomo. Inexiste ainda a ratificar esse entendimento o “risco da atividade”, uma vez que compete às concessionárias o pagamento de salário pela relação de trabalho, entre eles, existente. Complementa as razões de defesa, explicando que não existe outro código de receita que melhor se ajuste aos pagamentos decorrentes de premiação no âmbito de programas de incentivos de vendas, do que aquele 0588 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício . Ademais pelas razões já expostas, tais valores não teriam necessidade de ser declarados em GFIP, afinal não se constituem em rendimento de trabalho. Informa que em decisão, ainda não definitiva, proferida pela Terceira Vara Federal de São Bernardo, em Ação Anulatória movida pela Impugnante em face da União para discutir crédito de idêntica natureza, foi reconhecida a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de premiação. Por derradeiro e pelas razões expostas, requer seja julgada procedente a Impugnação e cancelados os lançamentos representados pelos Autos de Infração nº 37.391.5985 e nº 37.391.6000. Em 23 de maio 2013, a 9ª Turma da DRJ/CPS julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição o pagamento de prêmios a contribuintes individuais vendedores da rede de concessionárias por intermédio de empresa interposta , vez que visam retribuir o trabalho conforme o art. 28, III, da Lei nº 8.212/91 Impugnação Improcedente Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Crédito Tributário Mantido O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum em 18/06/2013, tendo interposto tempestivamente o Recurso Voluntário em 02/07/2013. Em resumo, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, passo ao exame das questões preliminares e, posteriormente, ao mérito. I INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS PREMIAÇÕES DE INCENTIVO A Recorrente argumenta basicamente que as divergências constatadas pela fiscalização foram originadas em premiações estabelecidas em programas administrados por uma empresa terceirizada de publicidade e marketing, denominada Mark UP Participações e Promoções Ltda., e pagas a pessoas físicas não vinculadas à MercedesBenz, por serem funcionários de sua rede de concessionárias, não lhe prestando qualquer serviço, não se estabelecendo, portanto, qualquer relação contratual, de emprego ou de serviço e sequer fática. Por isso a premiação não foi incluída em GFIP, o que deu origem às diferenças apontadas pela fiscalização. Salienta que a eventualidade característica desses prêmios faz com se subordinem ao figurino legal descrito na Lei nº 8.212/91 como “ganhos eventuais”, excluídos das imposições previdenciárias por previsão expressa do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, o que imporia o reconhecimento da improcedência dos lançamentos formalizados a esse título. O inconformismo da Recorrente centrase, portanto, nos predicativos habitualidade e liberalidade, que, a seu ver, adjetivariam as premiações pagas por intermédio dos cartões de incentivo, retirandolhes qualquer vocação remuneratória. Além disso, assevera a Recorrente que “estes vendedores mantêm relação de emprego com as concessionárias da marca MercedesBenz e que tais concessionárias não possuem relação patrimonial/societária com a Recorrente”[fls. 550]. Tais alegativas, no entanto, não possuem o condão de infirmar a regularidade do lançamento posto em exame. Para justificar essa conclusão permitome uma breve digressão sobre o tema dos prêmios pagos por ocasião de campanhas de “marketing de incentivo”. Valhome, para esse mister, das preleções de certa doutrina ainda incipiente, mas em defesa da qual se têm associados nomes com alguma proeminência no cenário do direito previdenciário, dentre os quais o de Wagner Balera1, que se aventura a reconhecer nas 1 Balera, Wagner; Kerbauy, Luis Rodrigues. Marketing de incentivo e contribuição ao INSS. Artigo Publicado na edição de 09.02.2007 do Valor Econômico, Legislação e Tributos, p. E2. Disponível em: <http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/77668/1/noticia.htm>. Acesso em: 23. 05. 2008. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.031 9 premiações de incentivo a categoria civilista da promessa de recompensa, preconizada nos arts. 854 e seguintes do Código Civil. Essa doutrina apregoa que o “marketing de incentivo”, como método de exortação de produtividade, é hoje uma exigência mercadológica inarredável, utilizada “para estimular e/ou motivar equipes internas, distribuidores e revendedores a atingirem objetivos e metas estabelecidas, oferecendo premiação e reconhecimento para as melhores performances2”. Na instituição desses programas motivacionais e de suas premiações não haveria, segundo essa tese, um acordo entre as vontades da empresa e do empregado ou do colaborador, mas tão somente uma promessa de pagamento futuro, condicionada ao cumprimento de certas condições regulamentares. Essa promessa não se integraria ao contrato de trabalho, mas se sustentaria como uma figura obrigacional autônoma, oriunda de um ato unilateral da empresa, cujo adimplemento seria garantido pelo art. 854 do Código Civil, que tem o seguinte teor: “Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido.” O enquadramento da campanha de motivação no conceito de promessa de recompensa, contudo, estaria subordinado ao atendimento de certas exigências de forma, sem o que não seria possível retirar da premiação sua carga salarial. Dentre as condições a serem observadas, estariam a elaboração de um regulamento com a descrição detalhada do plano de incentivo, a ser publicado e colocado à disposição de todos os participantes da campanha. Wagner Balera e Luis Rodrigues Kerbauy identificam quatro elementos mínimos à caracterização das campanhas motivacionais como promessa de recompensa: “Somente com a fixação de parâmetros claramente definidos e do mais amplo acesso de todos os possíveis participantes às regras adrede estipuladas será possível a caracterização da verdadeira natureza, desvinculada do conceito de remuneração. São, portanto, elementos mínimos comuns às diversas campanhas: a) públicoalvo; b) condicão; c) termo; d) premiação. A seleção do grupo deve estar baseada exclusivamente em critérios objetivos, relevantes para o funcionamento da campanha, que prestigiem as finalidades pretendidas com a implantação do programa. A condição, critério a ser nitidamente especificado na campanha, lhe confere caráter condicional, somente aperfeiçoandose o negócio jurídico quando preenchidos os parâmetros específicos, divulgados previamente na campanha. Temse, ainda, que a proposta de atuação encontrase demarcada pela sua natureza excepcional, de sorte que o programa de incentivo deve ter duração limitada e periodicidade eventual. Tratase, deste modo, 2 Fregonesi Júnior, Moacir. Aspectos FiscaisPrevidenciários do Marketing de Incentivo. Disponível em: <http://www.cbsg.com.br/resultado_publicacoes.php?action=2&tipo=3>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 de sazonal situação com fixação de prazos para que os interessados manifestem sua intenção de participar da disputa bem como mediante estipulação do momento em que será considerada implementada a condição.” Moacir Fregonesi Júnior3 sublinha ainda um outro aspecto fundamental, referente aos efetivos beneficiários das campanhas motivacionais. Para ele, o pagamento de recompensa não pode ser estendido indiscriminadamente a todos os funcionários e colaboradores da empresa promovedora da campanha de marketing, devendo ser reservado somente àqueles participantes que obtiverem os desempenhos mais destacados. A propósito, convém transcrever algumas de suas ponderações: “Por fim, entre as características apontadas acima, dissemos que, no marketing de incentivo, premiase o desempenho alcançado pelo participante (alínea iv). Na realidade, em geral, premiase o melhor ou melhores desempenho(s) alcançado(s) pelo(s) participante(s) entre todos os envolvidos, segundo as metas estipuladas. Em outras palavras, não se trata de premiar distintamente todos os participantes, segundo o desempenho que cada um teve. Em regra, somente os participantes de melhor desempenho são premiados, o que financeiramente justifica, aliás, a utilização desse tipo de campanha de marketing (custo de campanha x resultados obtidos). Daí porque campanhas de marketing de incentivo serem muitas vezes chamadas de concurso gincana ou promoção.” Ao discorrer sobre a natureza jurídica da premiação de incentivo, distinguindoa das gorjetas, das gratificações e das comissões, o mencionado articulista reitera a advertência antes feita sobre o número de participantes a serem efetivamente contemplados, obtemperando o seguinte: “Além disso, a premiação dessas campanhas normalmente não se vincula apenas à consecução de uma meta préestabelecida (a concretização de um determinado volume de vendas ou faturamento, por exemplo) pelos participantes. Tratase, na verdade, de uma promessa de pagamento futura àquele que, de acordo com seu desempenho, obtiver melhor colocação entre todos os participantes em um dado período, de acordo com os critérios de classificação previamente estabelecidos. Assim, os pagamentos em questão, antes de representar retribuição direta pelas metas alcançadas, são de fato uma recompensa pelo implemento de duas condições conjuntas: (i) a classificação do participante segundo os critérios de desempenho previstos; e (ii) sua colocação entre os primeiros de todos os participantes da campanha.” A limitação do pagamento da premiação de incentivo apenas aos primeiros colocados da campanha/concurso é traço característico que irá individualizar as premiações 3 Fregonesi Júnior, Moacir. Aspectos FiscaisPrevidenciários do Marketing de Incentivo. Disponível em: <http://www.cbsg.com.br/resultado_publicacoes.php?action=2&tipo=3>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.032 11 como verdadeiras promessas de recompensa, desvinculandoas, definitivamente, do brio remuneratório geralmente atribuído pela doutrina aos prêmios. As anotações de Maucir Fregonesi Júnior são, mais uma vez, de grande valor elucidativo: “Do mesmo modo, tais promessas de pagamento também não se enquadram perfeitamente no conceito de comissão, pois inexiste retribuição automática do participante pelo desempenho que alcançou no decorrer da campanha. O desempenho é sim fundamental, mas para classificálo em um ranking que abrange todos os participantes, de acordo com critérios de apuração estabelecidos, para que apenas os primeiros colocados sejam elegíveis à premiação. Assim, na hipótese sob análise, seria comissão se todos os participantes que tivessem tido algum desempenho de venda do produto incentivado, por exemplo, recebessem um tipo de retribuição ao final da campanha, ainda que de forma escalonada, segundo faixas distintas de vendas.” Como se vê, mesmo para essa doutrina as premiações de incentivo somente se afastaram da fisionomia salarial quando administradas de acordo com um regulamento detalhado, de publicação obrigatória, segundo o qual apenas um seleto grupo de funcionários ou colaboradores fará jus a uma bonificação excepcional após o atingimento de uma determinada meta de produtividade. Deveras, esse modelo de premiação é bem diverso daquele que está retratado nos autos. Isso porque os anexos acostados ao Relatório Fiscal de revelam que os prêmios pagos pela Recorrente totalizavam somas significativas, distribuídas a um número também expressivo de contribuintes individuais vinculados à empresa. Não há, portanto, como reconhecerlhes a natureza de promessa de recompensa, que poderia colocálos a salvo da exigência dos recolhimentos previdenciários. Evidente, portanto, que não se trata de distribuição de premiação eventual, mas de pagamento de caráter remuneratório, que se formalizou impropriamente, por intermédio de “prêmio”, escriturados sob a rubrica contábil de pagamento a terceiros ou de despesa com campanhas de publicidade, a dificultar sobremaneira a fiscalização dos valores transferidos como premiação. Para além dessas observações, para as quais tomei de subsídio a doutrina antes sintetizada, convém retificar certa distorção interpretativa que tem sido invocada por contribuintes que pretendem, à luz do critério da habitualidade, desconstituir lançamentos previdenciários efetuados sobre essas premiações de incentivo. Isso porque, de acordo com as alegações da Recorrente, a base de cálculo para a exação previdenciária seria integrada apenas por verbas remuneratórias concedidas com habitualidade, eximindose dela, por correspondência, os ganhos não habituais. Nesse diapasão, para incidir contribuição previdenciária o pagamento feito pelas empresas deveria reunir, a um só tempo, o qualificativo remuneratório e o habitual. Advirtase, contudo, que essa não é a exegese correta a ser extraída da legislação previdenciária. Com efeito, os arts. 22, I e 28, I, da Lei nº 8.212/91 preconizam o seguinte: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I – 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Depreendese da leitura dos dispositivos que o texto legal não cuidou de instituir a habitualidade como uma condicionante indispensável à caracterização das parcelas de natureza salarial sobre as quais incidirá a contribuição a cargo da empresa. Pelo contrário. A mensagem legal é muito mais abrangente. Quis o legislador dizer que mesmo os ganhos auferidos sob a forma de utilidades, desde que habituais, integram o conceito de remuneração. Não se objetivou, com essa especificação, excluir do conceito de remuneração as parcelas pecuniárias não habituais. A variação linguística assumida pelo enunciado tem o propósito de ampliar a hipótese de incidência da exação – abarcando também os ganhos consubstanciados em utilidades –, e não de restringíla às remunerações pagas com habitualidade. Por isso empregouse o advérbio “inclusive” na fórmula legal. A norma se antecipou a uma possível controvérsia sobre a natureza remuneratória de determinados pagamentos e lhes reconheceu esse caráter de forma explícita e bastante clara. Não é diferente a leitura que se deve fazer do inciso III do art. 22 e do inciso III do art. 28 da Lei de Custeio, quando disciplinam que: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.033 13 III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o ;” As restrições à incidência da contribuição previdenciária devida pelas empressas em ambos os casos são unicamente aquelas elencadas na norma do art. 28, § 9º, alínea “e”, da Lei nº 8.212/91, dentre às quais a do item 7, que assim dispôe: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... e) as importâncias: ... 7 – recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” Todavia, os ganhos eventuais enunciados na regra isentiva detalhada acima devem ser interpretados de forma estrita, por imposição do art. 111 do CTN, segundo o qual: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessória.” Isso quer dizer que mesmo os ganhos eventuais devem ser considerados na base de cálculo das contribuições previdenciárias, salvo quando evidentemente esporádicos – Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 recebido uma única vez no ano ou semestralmente, em épocas variáveis – ou quando expressamente desvinculados da remuneração dos empregados/contribuintes individuais, é dizer, quando alijados do saláriodecontribuição por explícita disposição legal, o que não ocorre na espécie, em que a natureza remuneratória dos prêmios de incentivo é bastante manifesta, tendo em vista a freqüência com que foram pagos. Na verdade, as premiações motivacionais, notadamente quando pagas mediante cartões de incentivo, somente poderiam ser excluídas do âmbito de incidência das contribuições previdenciárias se houvesse regramento legal a fixar limites e exigências formais para seu pagamento, de forma a permitir a sua fiscalização pelas autoridades previdenciárias e fiscais, inibindose com isso uma via convidativa para práticas sonegatórias. É o que se sucede, por exemplo, com as bonificações recebidas pelos segurados empregados a título de participação nos lucros das empresas. Somente os pagamentos que se façam nos moldes preconizados na Lei n 10.101/00, que resultou da conversão da MP n 1.98277/00, é que estarão isentos da incidência das imposições previdenciárias, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “e”, item “j”, da Lei nº 8.212/91. Descumpridas as exigências enunciadas em lei, deverão ser constituídos os créditos sobre as verbas de premiação como se fossem parcelas remuneratórias comuns. Verifico que sobre o tema das premiações de incentivo há, inclusive, projeto de lei (PL nº 6746/20064 de autoria do falecido deputado Júlio Redecker) em processamento na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. A finalidade do projeto é justamente a criação de um regime legal diferenciado apto a desonerar o pagamento de premiações concedidas por empresas públicas ou privadas numa tríplice perspectiva (fiscal previdenciáriatrabalhista). O texto original do Projeto de Lei nº 6746/2006 cuidou justamente de alinhavar formalidades e limites para permitir a desoneração dessas parcelas sem prejudicar a arrecadação fiscal e previdenciária. Avultam, por exemplo, as disposições contidas nos artigos 1º, 2º e 5º do PL 6746/2006, que peço vênia para transcrever: “Art. 1º Os valores espontaneamente pagos pelas pessoas jurídicas a título de prêmio por desempenho pessoal em projetos e metas préestabelecidos, não serão considerados salário para qualquer efeito e não integrarão a base de cálculo de encargos trabalhistas ou sociais, para incidência de contribuições previdenciárias ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Art. 2º Considerase prêmio por desempenho os valores não pecuniários concedidos ao beneficiário individual ou em grupo que se destine a proporcionar aumento de produtividade, eficiência, qualidade ou quantidade de bens e serviços produzidos, vendidos ou prestados pela pessoa jurídica concedente de acordo com metas ou projetos previamente definidos, observadas as demais exigência contidas na presente Lei. ... 4 Projeto de Lei nº 6746/2006. Disponível em: <http://www.abdir.com.br/pj_lei/pl_abdir_4_1_07_1.pdf>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.034 15 Art. 5º Os valores referentes à premiação de que trata esta lei apenas gozarão do respectivo regime se não excederem 20% (vinte por cento) do valor total da remuneração anual ou vencimentos anuais percebidos pelos seus beneficiários pessoas físicas empregados do setor público ou privado, limitado a 100 (cem) salários mínimos anuais.” O teor deste Projeto de Lei é um exemplo de que a desoneração dos pagamentos de premiações, ainda fora da realidade jurídicopositiva brasileira, deverá ser implementada com temperança (apenas sobre valores não pecuniários, desde que não excedam a 100 salários mínimos anuais), após amplo debate políticolegislativo. Evidenciase, portanto, que a controvérsia sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos de premiações motivacionais derivadas da prática do “marketing de incentivo”, conquanto instigante, envolve questões de renúncia fiscal cuja apreciação refoge aos limites da quadratura institucional cometida a este Conselho. Acertada, portanto, a NFLD que reconheceu o brio remuneratório das premiações recebidas pelos segurados empregados “prêmios”, fazendo incidir sobre elas as exações previdenciárias de estilo. Como bem apontou o decisum recorrido, somente aumenta sua produtividade a pessoa que já produz, e no caso essa produção relacionase ao serviço prestado à impugnante em razão do contrato avençado. Assim, o próprio contrato visando ao aumento da produtividade em questão, com relação à venda dos produtos e/ou serviços fabricados e/ou distribuídos pela impugnante, pelos gerentes, vendedores, supervisores ou assistentes demonstra a relação fática e contratual da prestação dos serviços. Como bem mencionou a fiscalização em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal a respeito das obrigações em relação à contratação feita pela impugnante, é obrigação da empresa contratada Mark Up “utilizarse das quantias que lhe forem disponibilizadas pela MBBRAS, para pagamento das premiações aos respectivos beneficiários, única e exclusivamente para a mencionada finalidade, observando ela, MARK UP, rigorosamente os prazos e condições estabelecidas pela MBBRAS,..."(não negritado originalmente). Como se vê, a Recorrente ao disponibilizar o pagamento das premiações aos beneficiários, impõe prazos e condições por ela estabelecidos, enquanto tomadora dos serviços prestados pelos vendedores, a fim de remunerálos. Foi perfeitamente demonstrada pela fiscalização a existência da prestação de serviço em questão, conforme descrição feita no Termo de Verificação, e documentos juntados, como contratos, notas fiscais de serviço, e valores declarados em DIRF. Enfim, independentemente da existência de declaração em DIRF, houve, conforme constatado, o pagamento de valores a contribuintes individuais pela retribuição de serviços prestados à Recorrente, o que caracteriza fato gerador de contribuições previdenciárias, sendo correto, portanto, o lançamento feito pela fiscalização. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 Diante da regularidade do lançamento que constituí referidos créditos previdenciários, vislumbrase a ocorrência de comportamento a ser sancionado com as cominações do art. 34 da Lei nº 8.212/91, não havendo que se falar em nulidade da imposição de multa. Afastadas, portanto, as alegações que pretendiam ver excluídas do lançamento presentemente examinado as contribuições previdenciárias do art. 22, I e III e do art. 34, todos da Lei nº 8.212/91. II – DEBCAD n. 51.031.3124: Conforme descrito no Relatório, referese a contribuições correspondentes à parte da empresa, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, no valor total de R$ 5.823.833,18(cinco milhões oitocentos e vinte e três mil oitocentos e trinta e três reais e dezoito centavos) consolidado em 13/12/2012 para o período de 01/2009 a 12/2011 e, Em atenção à fundamentação apresentada, não há qualquer eiva na autuação. III – DEBCAD n. 51.035.7717 Referese a contribuições correspondentes à parte dos segurados, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, no valor total de R$ 2.297.238,91( dois milhões duzentos e noventa e sete mil duzentos e trinta e oito reais e noventa e um centavos) consolidado em 13/12/2012 para o período de 01/2009 a 12/2011. Tendo a fiscalização apurado que foram pagas verbas remuneratórias, estas deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias na parte da empresa. A parte do empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, diferentemente da parte da empresa, está submetida ao teto do salário de contribuição. Assim, não é possível concluirmos, genericamente, que houve omissão da empresa na obrigação de arrecadar a contribuição, pois os beneficiários dos prêmios poderiam já estar contribuindo pelo teto. Não havendo nos autos um demonstrativo das remunerações individuais, o lançamento carece de motivação fática, remanescendo a incerteza sobre o descumprimento da obrigação acessória. Em caso de dúvida em relação às circunstâncias materiais do fato, em conformidade com o art. 112 do CTN, a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Tal entendimento já foi manifestado por esta Turma, conforme se observa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/03/2005 DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.035 17 interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Recurso Voluntário Provido. [Ac. 2301002.066. Conselheiro Relator: Mauro José Silva] Portanto, a presente autuação não deve prevalecer. IV – MULTA Para o período anterior à vigência da MP 449/08 deve ser aplicada tão somente a multa moratória limita a 20%. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) excluir AI DEBCAD n. 51.035.7717 contribuições correspondentes à parte dos segurados; (ii) nas competências anteriores à vigência da MP nº 449/08 seja a plicada a multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.036 19 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720151/201262 Acórdão n.º 2301004.240 S2C3T1 Fl. 1.037 21 relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13899.900222/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.139
Decisão: Resolução
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13899.900222/2006-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5444748
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-000.139
nome_arquivo_s : Decisao_13899900222200611.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 13899900222200611_5444748.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5870545
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702695051264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13899.900222/200611 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.139 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de julho de 2014 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente HENKEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 99 .9 00 22 2/ 20 06 -1 1 Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratamse de Pedidos de Compensação, transmitidos em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, no valor total de R$ 1.192.420,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda, CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Conforme Parecer SEORT/DRF/OSA n° 358/2008 de fls. 145/158, foi indeferido o direito creditório, em razão das seguintes alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em IRPJ a Pagar: • glosa de despesas com brindes (R$ 708.474,19); • majoração da receita de prestação de serviços (R$ 430.371,30), dos rendimentos auferidos em operações de SWAP (R$ 487.429,91) e da receita de juros sobre capital próprio (R$ 2.140.602,06), de acordo com as informações da DIRF; • glosa das estimativas de IRPJ, cujo recolhimento/compensação não restou devidamente comprovado (R$ 249.399,75); • utilização de parte do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001 para compensação de débito sem processo (R$ 91.248,00). Cientificada em 26/05/2008 (AR de fls. 161), a contribuinte interpôs, em 25/06/2008, manifestação de inconformidade de fls. 162/177, acompanhada dos documentos de fls. 178/313. Após breve resumo dos fatos, contrapõese às alterações efetuadas na DIPJ/Ex. 2002, que resultaram no indeferimento do direito creditório. Quanto à glosa das despesas com brindes, diz que informou o valor de R$ 708.474,19 na conta contábil 460180, sob a imprecisa denominação de "brindes com relações comerciais", compondo as despesas operacionais apontadas na linha 30, Ficha 05 A da DIPJ/2002. Acusa que, ao contrário da alegação sustentada pela fiscalização, apenas a parcela de R$ 1.521,35 se refere a despesas com brindes, sendo que os R$ 706.952,84 restantes referemse a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda, por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados pela Manifestante para o mercado automobilístico, conforme pode ser visto pela planilha anexa (doc. 09). E para comprovar o alegado, anexa ao processo, por amostragem, cópia de alguns dos recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda (doc. 11). Esclarece que a conta contábil 460180 é facilmente identificável no balancete anexo (doc. 10A — pág. 62), na petição que entregou para a fiscalização (doc. 08) e nos recibos de comissões ora anexados (docs. 9 e 11), protestando pela dedutibilidade das despesas de R$ 706.952,84 da base de cálculo do IRPJ. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 4 3 Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, aduz, em suas palavras: "15._(...), a d. fiscalização adotou um procedimento extremamente simplista e equivocado, qual seja, baseouse supostamente em todas as DIRFs de terceiros em que a Manifestante aparece como beneficiária no ano calendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 (...). 16. (...), verificando que a Manifestante informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços (doc. 12), a d. fiscalização considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas, (...). 17. Ora, esse total por si só não se sustenta, uma vez que com uma rápida análise do balancete de 2001 da Manifestante, particularmente quanto à conta contábil na qual consta a "alegada diferença de receita omitida" (conta contábil 409650 — doc. 10A —pág. 64), demonstra que o total de receitas efetivamente auferido pela Manifestante em 2001 (R$ 783.852,91) foi muito superior ao levantado pela d. fiscalização em sua análise nas DIRFs de terceiros (R$ 433.576,96). Em outras palavras, análise da d. fiscalização não pode ser tida como exaustiva para a conclusão desse assunto contida no Parecer ora questionado. 17.1. Tais receitas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas pela Manifestante em conta redutora de despesas com serviços prestados para Liofol e Scharzko, no valor de R$ 783.852,91 ("409650 — Desp. Serv. Prestados p/ Liofol/Scharzko”), como se pode verificar da página anexa, extraída de seu balanço contábil relativo ao ano calendário de 2001 (doc. 10A —pág. 64). 17.2. Além disso, informa ainda que o valor dessa conta contábil foi devidamente informado na linha 04 da Ficha 05A da DIPJ relativa ao ano calendário de 2001. 17.3. Apesar de todo o exposto, a Manifestante ressalta que o seu "Lucro Líquido do Período de Apuração "devidamente informado na DIPJ — Ficha 06A — Demonstração do Resultado (contábil)" é de R$ 1.627.792,34 (doc. 12), o qual nos termos da lei coincide com aquele resultado escriturado em seu balancete (doc.10A — pág. 65). Ora, diante disso, somente resta reforçar a conclusão de que a receita contida na conta redutora de despesa de serviços (conta 409650) compõe o resultado que foi devidamente oferecido à tributação do CSLL, apesar de não ter sido na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ analisada de forma simplista pela d. fiscalização.” Quanto aos rendimentos auferidos em operações de SWAP, diz ter incorrido em erro de preenchimento da linha da DIPJ em que os referidos valores foram alocados. Que ao invés de incluir na linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, incluiu na linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$3.018.135,73 (doc. 14). Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 5 4 Esclarece que na própria escrituração contábil tratou suas operações de SWAP conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doc. 10A — págs. 64 e 65), conforme demonstrado às fls. 170. Aponta que é de fácil verificação que o total das receitas de variações cambiais compõe o lucro líquido devidamente contabilizado de R$ 1.627.792,34 (doc. 10A — pág. 65), o qual coincide com aquele resultado informado na Ficha 06A da DIPJ (doc. 14), pelo que protesta pela glosa do acréscimo feito pela fiscalização. No que versa sobre os rendimentos relativos a juros sobre o capital próprio, alega: "26. (.) a d. fiscalização verificou que ela teria recebido "dela mesma", no anocalendário de 2001, um total de R$ 2.140.602,06 relativo à juros sobre capital próprio (código de receita 5706). 27. (.). Realmente, (.), a Manifestante aparece como declarante e beneficiária dos juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o que torna claro o equívoco cometido por ela no preenchimento de sua DIRF. (...) 28. Neste ponto, perguntase: qual seria a lógica de a Manifestante pagar juros sobre capital próprio para ela mesma? Ora, é impossível a Manifestante ser quotista dela mesmo, o que torna claro o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, na qual ela informou o seu próprio CNPJ como se fosse a beneficiária dos juros sobre capital próprio, que de fato, foram pagos a sua quotista Henkel Kommanditgesellschafi Auf Aktien. 29. Sendo assim, é evidente que a Recorrente não recebeu qualquer valor relativo a juros sobre capital próprio, o que foi corretamente informado na Linha 23, da Ficha 06 A, de sua DIPJ. Na verdade, os juros sobre capital próprio efetivamente existiram, mas não como receita da Manifestante, e sim como despesa sua. Tais juros foram creditados pela Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. (incorporada pela ora Manifestante) em favor de sua quotista Henkel Kommanditgesellschafi Auf Aktien, tendo sido efetivamente utilizados por esta empresa para realização de aumento de capital social na Henkel Surface (incorporada pela ora Manifestante). 30. Observese que o referido valor sofreu a retenção de IRRF à alíquota de 15% como determina a legislação tributária, sendo que apenas o valor líquido foi utilizado para fins de aumento de capital. 30.1. Assim, no anocalendário de 2001, a Henkel Surface deliberou pelo pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o qual, após exclusão do IRRF à alíquota de 15% (i.e. R$321.093,31), foi utilizado para aumento de capital social da Manifestante no valor remanescente de R$ 1.819.511,75, conforme se pode verificar do "Instrumento Particular de 9° Alteração do Contrato Social da Henkel Surface Technologies Brasil Ltda", para aumento de capital de R$ 34.684.703,00 para R$ 36.504.214,00 (doc. 17). 31. Em vista disso, resta claro que não merece prosperar o acréscimo de R$ 2.140.602,06 ao lucro da Manifestante, (...)."Por fim, quanto às Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 6 5 estimativas glosadas, passa a justificar os saldos negativos de IRPJ utilizados sucessivamente, em cada anocalendário, para a extinção da antecipação do imposto. Inicia pelo saldo negativo do anocalendário de 1998, dizendo: "32. (...), a d. fiscalização aponta divergência entre o valor de IRRF informado nas DIRFs das fontes pagadoras e o utilizado pela Manifestante em sua DIPJ. 33. (...), a d. fiscalização alega que a Manifestante teria utilizado indevidamente, para fins de cálculo do lucro real, o IRRF no valor de R$ 283.807,21, conforme Linha 13, Ficha 13, da DIPJ relativa ao ano calendário de 1998 (doc. 08). 33.1. Adicionalmente, referido Parecer duplica equivocadamente tal efeito, ao "concluir" que a Manifestante também teria utilizado esse valor de R$ 283.807,21, na quitação das estimativas dos meses de maio, junho e agosto de 1998, em razão da DIPJ (relativa ao anobase de 1998) demonstrar a compensação de IRRF, para os respectivos períodos, a compensação de R$ 201.670,00, R$ 48.567,57 e R$33.569,34 (doc. 19). 33.2. Em outras palavras, a "glosa" de R$ 283.807,21 foi, assim, duplicada, de forma que a d. fiscalização desconsiderou um total de R$ 567.614,42 diminuído do valor verificado nas DIRFs, relativas ao ano calendário de 1998, apresentadas pelas fontes pagadoras (terceiros). Como a d. fiscalização apenas constatou um IRRF no valor de R$ 5.349,57 em tais DIRFs, glosou uma diferença de R$ 562.264,85. 34.A Manifestante reconhece, porém, que tal duplicação do valor pode ter sido induzida por um equívoco seu quanto ao preenchimento da linha 13 da Ficha 13 da DIPJ ("Imposto de Renda Retido na Fonte"), pois como o valor de R$ 283.807,21 já havia sido utilizado na Ficha 12 da ("Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa" — nos meses de maio, junho e agosto), ele deveria ter sido somado ao montante demonstrado na linha 16 da Ficha 13. Todavia, por erro, a Manifestante não informou a somatória dos valores mensais da Ficha 12 nesta linha 16 da Ficha 13, acabando por "abrir" essa soma em duas linhas da Ficha 13, qual seja, a linha 13 ("Imposto de Renda Retido na Fonte" — R$ 283.807,21) e na linha 16 ("Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa" — R$ 1.645.060,19). Situação esta devidamente demonstrada um pouco mais adiante através de um quadro resumo dos valores quitados mensalmente e devidamente suportados por DARFs e Dcomps. 35.Contudo, não merece prosperar o entendimento manifestado pelas autoridades fiscais no Parecer SEORT n° 358/2008, como se passa a demonstrar. 36. Com relação à divergência entre o valor do IRRF utilizado pela Manifestante e aquele supostamente informado nas DIRFs — relativas a 1998 — apresentadas pelas fontes pagadoras, é preciso esclarecer ainda que a Manifestante compensou nos meses de maio, junho e agosto de 1998 a sua estimativa devida com valores de IRRF retidos e Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 7 6 não utilizados no anocalendário de 1997, e não como IRRF retido no próprio anocalendário de 1998. 37. Para que fique claro, a Manifestante reproduz a tabela abaixo (doc. 20), na qual consta a discriminação dos valores de estimativas, relativas ao anocalendário de 1998, que foram recolhidos mediante DARFs e/ou foram objeto de compensação: (...) 38. Por fim, observese que os valores apontados na planilha acima estão rigorosamente de acordo com aqueles apontados na Ficha 13 da DIPJ apresentada pela Manifestante, na qual foi feita a apuração do Lucro Real do anocalendário de 1998 (doc. 18), bem como devidamente comprovados por documentos fiscais adequados (DARFs e Dcomps). 38.1. Acrescentese que a compensação de R$ 283.807,21 já foi objeto de análise de outro processo administrativo, a qual já foi inclusive homologada tacitamente. Dessa forma, não cabendo sua revisão neste presente processo. (...) 38.3. (...), percebese que no ano calendário 1998 a Manifestante realmente apurou saldo credor de IRPJ no valor de R$ 505.748,83, o qual foi devidamente informado na Linha 19 desta Ficha 13. 39. Por todo o exposto, resta claro que não há qualquer divergência entre o valor de IRRF informado nas DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras e aquele utilizado pela Manifestante em sua DIPJ". Passando para o saldo negativo do anocalendário de 1999, continua: "40. Na primeira parte do item 2.b. do Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização glosou as estimativas relativas aos meses de abril, agosto, setembro e outubro do ano calendário de 1999, pelo fato de anocalendário de 1998 (acima tratado). (...) 40.1. Quanto a este primeiro ponto, resta claro que se trata de inevitável conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização no item anterior 2.A (as quais, como visto, são completamente improcedentes), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 358/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores. 41. Na segunda parte do item 2.b. do Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização aponta que as fontes pagadoras informaram em suas DIRFs que foi retido a título de IRRF, no anocalendário de 1999, da Manifestante um valor total de R$ 451.341,48, ao passo que a Manifestante utilizouse, nos meses de março, julho e novembro, de R$ 654.474,00 a título de IRRF, sendo que a diferença de R$ 203.132,52 foi glosada pelas autoridades fiscais. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 8 7 41.1. Quanto a essa parte do item 2.b., a Manifestante esclarece que tais valores referemse a IRRF retido sobre juros em operações de mútuo realizadas na Argentina (doc. 19), podendo, portanto, ser utilizados para compensação aqui no Brasil, em razão do Tratado para evitar a dupla tributação celebrado pelos dois países. De todo modo, caso seja necessário, a Manifestante protesta pela posterior juntada de documentos relativos a este item. E quanto ao saldo negativo do anocalendário de 2000, alega: "42. De forma idêntica ao que ocorreu no item anterior, na primeira parte do item 2.c. do Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização também glosou as estimativas relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e parte de maio do anocalendário de 2000, pelo fato de tais estimativas terem sido extintas com saldos negativos de IRPJ dos períodos anteriores (particularmente do anocalendário de 1999). (...) 43. Mais uma vez, percebese que se trata de mera conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização nos itens anteriores (2.A e 2.B), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 358/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores. 44. Já na segunda parte do item 2.b. do Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização aponta que as fontes pagadoras informaram em suas DIRFs que foi retido a título de IRRF da Manifestante um valor total de R$ 18.335,04, ao passo que a Manifestante utilizouse, no mês de novembro, de R$ 80.395,04 a título de IRRF, bem como de R$27.469,45 na apuração do ajuste anual, sendo que a diferença de R$89.529,41 foi glosada pela d. fiscalização. 44.1. Quanto a essa parte do item 2.b., a Manifestante protesta por juntada posterior da devida comprovação de seu IRRF compensado, que por ora não conseguiu localizar." Encerra protestando pela reforma do Parecer recorrido, homologandose as compensações pleiteadas. O v. acórdão da DRJ homologou em parte a compensação, cuja ementa segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A restituição de saldo negativo da IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo do imposto, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 9 8 de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Na composição do saldo negativo de períodos anteriores, utilizado em compensação do IR mensal pago por estimativa no anocalendário, somente é passível de dedução o imposto retido incidente sobre receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido, inclusive no que se refere a rendimentos e imposto pago no exterior e, ainda, desde que apresentados os correspondentes Informes de Rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras ou documento de retenção. Excepcionalmente, admitese a dedução do imposto retido sob o regime de caixa, como no caso de aplicações financeiras, o que deve ser devidamente comprovado, por meio de documentação hábil e idônea. No que concerne às estimativas levada à dedução, quitadas por meio de compensação não homologada, havendo a cobrança dos débitos com base em declaração de compensação formulada, não cabe a glosa dessas antecipações na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte O recurso voluntário sustenta, em resumo, o seguinte: (i) que a glosa de parte das despesas havidas pela recorrente supostamente relativas a brindes consistiria em verdade em despesas de comissões por prestação de serviços de marketing; (ii) omissão de receitas relativas à serviços prestados a pessoas jurídicas (Linha 08 ficha 06 A); omissão de rendimentos auferidos em operações de swap (Linha 21 06 A); saldo negativo relativo ao anocalendário de 1998; saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999; saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000. Em julgamento do Recurso Voluntário por essa Colenda Turma, entenderam por bem baixar os autos em Diligência, por meio de Resolução, nos seguintes termos: 2. Da decadência do direito de a fiscalização analisar a apuração do IRPJ de períodos anteriores à cinco anos, para fins de recompor o saldo negativo indicado como crédito para compensação. Para verificar a existência de saldo negativo de IRPJ apontado como crédito em processo de pedido de compensação a fiscalização por vezes é obrigada a retroceder mais de cinco anos para analisar DIPJs antigas onde deuse a formação do crédito. Muitas vezes, ao analisar a formação do saldo negativo em anos anteriores, a fiscalização acaba encontrando erros nas DIPJs e ou nas DIRFs e, com base nesses erros, glosa o crédito. Ao fazêlo, surge a dúvida sobre ser possível retroagir para analisar a formação dos crédito. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 10 9 A questão foi discutida, se haveria ou não decadência do direito de o fisco retroagir. Foram citados os art. 37 da Lei 9.430/96, combinado com o art. 195, § único do CTN. Afastada a preliminar, passo ao voto a fim de propor resolução de baixa dos autos do processo em diligencia. Como a resolução não se configura decisão terminativa do processo (posto que não decide a lide) senão decisão interlocutória da qual não cabe recurso, a matéria preliminar relativa à decadência não foi julgada, devendo ser apreciada e julgada quando do julgamento do recurso voluntário, após a diligencia, na forma do RI do CARF. 3. Da glosa de despesas com brindes. Aduz a recorrente haver demonstrado em sua Manifestação de Inconformidade que do total glosado de R$ 708.474,19 nesta rubrica, apenas R$1.521,35 podem ser considerados como despesas com brindes, sendo os restantes R$ 706.952,84 referentes a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda., por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados para o mercado automobilístico. Sustenta que juntou por amostragem cópias de recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol que comprovariam a verdadeira natureza jurídica destas despesas, contra pagamento de serviços, produzindo planilha com composição das comissões, na qual indica o número do recibo, a data e o valor pago àquela empresa contra prestação de serviço. Trouxe aos autos cópia do Livro Razão para comprovar, vez que a r. decisão a quo expressamente invocou a ausência deste elemento de prova como fator para negar provimento, nesta parte, à sua manifestação de inconformidade. Em relação a este item, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade originária verifique a documentação pertinente aos serviços invocados na planilha de fls. 365, item 13, do recurso, se realmente referemse a prestação de serviços conforme invocado pela recorrente e se estão devidamente lançadas no Livro Razão, por amostragem conforme critério da autoridade diligenciante, de tudo preparando um relatório circunstanciado. 4. Da omissão de receitas declaradas em DIRF. Em seu recurso voluntário, o recorrente alega que quando a autoridade julgadora considerou haver omissão de receitas de prestação de serviços no valor de R$430.371,30 (tomando como base a existência de receitas de prestação de serviços declaradas, pelas tomadoras, em DIRF), a autoridade deixou de indicar quais DIRFs conteriam as receitas que supostamente teria omitido e, ao indicar apenas o valor constante da DIRF sem mencionar quais seriam as fontes pagadoras, a autoridade prejudicou o direito de defesa da ora recorrente. No entanto, em seu recurso, a interessada aduz que identificou as receitas em questão e apurou a forma como se deu a sua Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 11 10 contabilização e o respectivo oferecimento à tributação, afirmando o seguinte, in verbis: 35. Com efeito, após longa procura em seus arquivos (e tentando "adivinhar" a que fontes pagadoras a d. fiscalização se referia), a Recorrente conseguiu identificar que os lançamentos efetuados a crédito na conta contábil 409650, como redutores das despesas, referemse, na verdade, a certos serviços de gerenciamento químico prestados pela Recorrente às empresas Peugeot Citroën do Brasil S/A, General Motors do Brasil Ltda., entre outras. Com base em critérios internos de alocação de receitas aos seus respectivos centros de custos, a Recorrente contabilizou tais serviços mediante lançamento a crédito em conta de despesa (a conta contábil 409650), ao invés de realizar o lançamento a crédito em conta de receita, como seria o mais usual. 36. Ocorre, porém, que esta forma de contabilização em nada alterou a apuração do seu lucro tributável. Isso porque, seja registrando um crédito em conta de receita ou seja registrando um crédito em conta de despesa, o efeito em relação ao lucro contábil (base a partir da qual é calculado o lucro real) é exatamente o mesmo. De fato, como se sabe, para fins contábeis qualquer lançamento a crédito em conta de que o fato de reconhecer uma receita sem reduzir as despesas ou deixar de reconhecer contabilmente uma receita mas, por outro lado, reduzir em montante equivalente as despesas produz exatamente o mesmo efeito esta conclusão é matemática). 37. Notese que a abertura da conta contábil 409650 do Livro Razão (doc. 02) uma conta de despesas permite identificar claramente que as referidas receitas de prestação de serviços foram devidamente reconhecidas pela Recorrente mediante lançamento a crédito na referida conta de despesas, como uma redutora de despesas. 38. Ora, o valor da referida conta contábil foi devidamente incluído na Linha 04, Ficha 05 A, da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, tendo composto tanto o resultado contábil como o resultado tributável da Recorrente em relação àquele período. Vejase, na tabela abaixo, a composição da Linha 04, Ficha 05 A, da DIPJ: (...) 39. Caso a Recorrente tivesse de fato efetuado o registro da receita de R$ 783.852,91 diretamente em uma conta de receitas, teria, por outro lado, um valor de despesas maior em montante exatamente igual. Isso porque o valor de R$ 783.852,91 deixaria de reduzir as despesas lançadas na conta 409650. (...) 43. Ocorre que, embora contabilmente o procedimento mais acertado realmente seja a receita sofrer redução das despesas, é sabido que este simples equívoco na escrituração contábil não trouxe qualquer impacto no resultado da Recorrente e muito menos fiscal, nem tampouco qualquer redução na IRPJ apurada pela Recorrente, conforme já demonstrado acima. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 12 11 Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se as receitas de prestação de serviços declaradas em DIRF e consideradas omitidas pela autoridade que não homologou a compensação teriam sido realmente oferecidas à tributação na forma alegada em recurso, mediante abatimento na conta de despesa dedutível, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. 5. Da omissão de rendimentos em operações de swap. Mais uma vez a recorrente traz em sua defesa a alegação de que o método de contabilização que adota é não usual e acaba gerando dúvidas e má compreensão, que justificaram a consideração de omissão de receitas. Aduziu que: (...) ao invés de incluir os rendimentos auferidos nas operações de swap na Linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, a Recorrente incluiu tais rendimentos na Linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta em R$ 3.018.135,73. 53. Isso porque, na própria escrituração contábil, a Recorrente tratou suas operações de swap, as quais visaram a troca de variações de moedas (i.e., variações cambiais), conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doc. 10A da Impugnação págs. 64 e 65), conforme demonstrado quadro abaixo, cujo total monta os referidos R$ 3.018.135,73 constates da Linha 20 da Ficha 06A: 54. De fato, a Recorrente reconhece que, à época, não tinha conhecimento a respeito da instrução contida no MAJUR para que os rendimentos auferidos em operações de swap fossem incluídos na Linha 21, Ficha 06 A, cuja descrição referese a "ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade". De todo modo, é evidente que a Recorrente não pode ser penalizada por este simples erro de preenchimento, tendo em vista que os valores relativos às operações de swap foram devidamente incluídos em sua DIPJ e submetidos à tributação independentemente da linha de preenchimento, de forma que não houve qualquer prejuízo para o Fisco Federal. (...) 57. Ocorre, porém, que independentemente da linha em que foi incluído o rendimento, se na linha de swap, ou se na linha de variação cambial, o importante é que houve a inclusão do rendimento como uma receita tributável, tanto na apuração do lucro contábil como na apuração do lucro real, como já amplamente demonstrado pela Recorrente. O mero equívoco formal no preenchimento da DIPJ não é fato gerador de impostos, e não pode ser tomado pela d. fiscalização como ensejador de tributação. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 13 12 Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se os ganhos com swap foram efetivamente oferecidos à tributação na forma alegada em recurso, preparando relatório circunstanciado a respeito onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. 6. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1998. Em relação a esta glosa, aduziu o recurso voluntário o seguinte: 59. Em relação ao anocalendário de 1998, a d. fiscalização aponta divergência entre o valor de IRRF informado nas DIRFs das fontes pagadoras e o utilizado pela Recorrente em sua DIPJ. 60. De fato, no Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização alega que a Recorrente teria utilizado indevidamente, para fins de cálculo do lucro real, o IRRF no valor de R$ 283.80T,21 a soma das estimativas dos meses de maio, junho e agosto de 1998, nos valores de R$ 201.670,00, R$ 48.567,57 e R$ 33.569,34, respectivamente. 61. Com relação às estimativas de maio e junho de 1998, as quais foram compensadas em DCTF com saldo negativo de período anterior, a DRJ/CPS acertadamente cancelou a glosa procedida pela d. fiscalização, pelo fato de os referidos valores já estarem sendo cobrados através do processo administrativo n° 13805.008034/9815. 62. Contudo, com relação à estimativa de agosto de 1998, no valor de R$ 33.569,34, a DRJ/CPS manteve a glosa procedida pela d. fiscalização, sob a alegação de que o valor de IRRF informado pelas fontes pagadoras em suas DIRFs seria insuficiente para quitar a referida estimativa. Isso porque as fontes pagadoras teriam informado apenas R$ 5.349,57 em suas DIRFs, de forma que a diferença de R$ 28.219,77 teria restado sem comprovação. Vejase: "Continuando, somente em agosto/98 a extinção parcial da estimativa (R$ 33.569,34) se deu realmente por meio de dedução do IRRF, conforme Ficha 12 da DIPJ/99 e DCTF (fls. 33 e 46). Como bem observado pela fiscalização, no anocalendário de 1998, a DIRF acusa a retenção na fonte no total de R$ 5.349,57 (fls. 38), de sorte que a parcela do 1RRF de R$ 28.219,77 (R$ 33.569,34 R$ 5.349,57) restou sem comprovação." 63. Em seguida, a DRJ/CPS alega que a Recorrente não apresentou "os respectivos comprovantes de rendimentos pagos do anocalendário de 1997, a demonstrar a efetividade da retenção e a natureza dos rendimentos tributáveis, a justificar a tributação diferenciada, nem comprova escrituralmente a efetiva disponibilidade do valor do IRRF do anocalendário de 1997 que teria sido utilizado no anocalendário de 1998, de forma que se impõe a glosa da estimativa de agosto/98, no valor parcial de R$ 28.219,77." 64. Com relação à divergência entre o valor do IRRF utilizado pela Recorrente e aquele supostamente informado nas DIRFs, é preciso esclarecer ainda que os referidos documentos referemse ao anocalendário de 1997, de modo que a Recorrente não conseguiu Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 14 13 localizarem seus arquivos cópia dos respectivos Informes de Rendimentos. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto aos lançamentos da recorrente, que lhe dará todo o suporte necessário oferecendo as provas que a auditoria fiscal entender pertinentes, a fim de verificar se a diferença de IRRF apontada diz respeito ao ano de 1997, independentemente dos comprovantes que a recorrente informa não ter encontrado. 7. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999. Nesta parte a r. decisão recorrida aduz que as fontes pagadoras do IRRF informaram em suas DIRFs que teriam sido retidos, da Recorrente, a título de IRRF no anocalendário de 1999, um valor total de R$ 451.341,48 quando esta teria se utilizado, nos meses de março, julho e novembro, de um valor de R$654.474,00 a título de IRRF. Por isso a diferença de R$ 203.132,52 foi glosada. O recurso nesta parte aduz que: (...) tais valores referemse a IRRF retido sobre juros em operações de mútuo realizadas na Argentina (doc. 19 da Impugnação), podendo, portanto, ser utilizados para compensação aqui no Brasil, em razão do Tratado para evitar a dupla tributação celebrado pelos dois países. 71. Em sua decisão de primeira instância, a DRJ/CPS alega que "os documentos apresentados em comprovação do imposto pago no exterior, constantes de fls. 291/292, não atendem às disposições do § 2° do art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, não tendo sido feita a prova, pela contribuinte, que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio documento de arrecadação apresentado, para fins da dispensa da obrigação de ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto". 72. Assim, visando atender as disposições do artigo 26, § 2°, da Lei 9.249/95, a Recorrente anexa ao presente Recurso Voluntário cópia dos respectivos comprovantes de retenção ("Certificado de Retencion Impuesto a Las Ganancias a Beneficiarios Del Exterior'), os quais comprovam o IRRF retido sobre juros em operações de mútuo realizadas na Argentina (doc. 39). Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se a receita auferida no exterior foi devidamente levada ao resultado e regularmente oferecida a tributação no Brasil, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme a contabilização da receita e a autenticidade dos comprovantes de recolhimento dos tributos na Argentina, ora apresentados pelo recorrente, de tudo lavrando circunstanciado relatório. 8. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000. Nesta parte do recurso voluntário, a recorrente aduz: Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 15 14 75. Já na segunda parte do item 2.b do Parecer SEORT n° 358/2008, a d. fiscalização aponta que as fontes pagadoras informaram em suas DIRFs que foi retido a título de IRRF da Recorrente um valor total de R$ 18.335,04, ao passo que a Recorrente utilizouse, no mês de novembro, de R$ 80.395,04 a titulo de IRRF, bem como de R$ 27.469,45 na apuração do ajuste anual, sendo que a diferença de R$ 89.529,41 foi glosada pela d. fiscalização. 75.1. Quanto a essa parte do item 2.b, a Recorrente protesta por juntada posterior da devida comprovação de seu IRRF compensado, que por ora não conseguiu localizar. Assim, em atenção à busca da verdade real, e considerando que se está realizando esta diligência, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente e esta deverá apresentarlhe a documentação que comprova haver IRRF suficiente para a compensação que realizou no ano de 2000, na forma como explicitado nos itens 75 e 75.1 de seu recurso acima reproduzidos, preparando relatório circunstanciado a respeito. 9. Dispositivo. Isso posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade esclareça os pontos indicados em cada um dos capítulos desta resolução. Ao final, do relatório circunstanciado com explicitação de cada item será dada vista ao recorrente por 30 dias e após à Fazenda Nacional, pelo mesmo prazo. A contribuinte foi intimada em 16 de julho de 2013, para apresentar documentos / cópia autenticada dos documentos referidos no item 13 do recurso voluntário (impugnação) a comprovar/justificar a dedução da base de cálculo do IRPJ, anocalendário 2001, pois, conforme alegado, tais valores não são relativos a brindes, mas sim à remuneração de serviços; e cópia da parte do livro razão/balancete que comprove os valores indicados na planilha do item anterior. Manifestouse tempestivamente, apresentando argumentos, recibos e planilhas da empresa que guardava documentos da Recorrente informando a existência de caixas, boletim de ocorrência para registrar o incêndio e o Livro Razão de janeiro de 2002, buscando atender a solicitação dessa Colenda Turma na diligência. No relatório fiscal, manifestouse a autoridade nos seguintes termos: Primeiramente, requer manifestação sobre a decadência do direito de a fiscalização analisar a apuração do IRPJ de períodos anteriores à cinco anos, para fins de recompor o saldo negativo indicado como crédito para compensação. A esse respeito respondese com fundamento na Nota Técnica nº 9 de 2012 da COSIT que, com base no Parecer PGFN/CAT nº 2093/2011, orienta que se a análise do crédito do contribuinte ocorrer dentro do prazo decadencial, eventual apuração de crédito tributário deverá ser formalizada por meio de lançamento de ofício. No entanto, se já estiver decaído o direito de a Fazenda efetuar o lançamento, é possível negar Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 16 15 a restituição ou não homologar a compensação mediante despacho decisório. Assim a análise de crédito feita em períodos já atingidos pela decadência é pratica adotada pela RFB que, obviamente, não pode resultar em lançamento de crédito tributário, mas sim servir de fundamento para denegar reconhecimento de direito creditório que seja afetado pelo resultado dessa análise. No tocante à glosa de despesas com brindes foi expedida intimação, e o contribuinte em sua resposta apresentou novamente a planilha com informações dos recebidos dos serviços prestados à empresa Bueno Cuzziol para divulgação e intermediação de negócios relacionados aos produtos da linha “Teroson”, tendo apresentado novamente alguns recibos indicados na planilha, os quais foram apresentados em sede da Manifestação de Inconformidade interposta. Assim, nenhum fato novo foi apresentado, mantendose a decisão da DRJ nesse item. Quanto à omissão de receitas de serviços declaradas em DIRF nenhuma dúvida há, pois a empresa intimada a se manifestar a respeito das despesas operacionais permaneceu silente. Não há comprovação nas alegações de que não houve prejuízo ao Fisco. O procedimento de contabilizar receita de serviços com crédito em conta de despesa não encontra amparo na legislação nem em normas do Conselho Federal de Contabilidade, e sem dúvida, consiste em procedimento que causa prejuízo ao Fisco, o que pode ser claramente verificado no caso da tributação de PIS e COFINS que incide sobre receita de vendas de bens e prestação de serviços. Se essas receitas são lançadas com crédito em conta de despesas, fatalmente não haverá incidência de tributação. Por isso, tal prática é condenada, não podendo ser aceita de forma alguma. No que se refere à omissão de rendimentos em operações de swap as alegações do contribuinte não procede. Em consulta à DIPJ, ano calendário 2001, verificase que o total da linha 20 da ficha 06A totaliza R$ 409.533,86 e não R$ 3.018.135,73, como afirma o contribuinte. Fica muito fácil esquivarse das conseqüências da infração fiscal praticada, se bastasse a alegação de erro de lançamento contábil, não amparado pela legislação nem por qualquer prática aceita pelo Conselho de Contabilidade. O contribuinte teve inúmeras oportunidades para comprovar o alegado e não o fez, de maneira que entendemos que referida glosa deve ser mantida. A respeito do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1.998, mormente no que se refere à estimativa de agosto de 1998, no valor de R$ 33.569,34, que resultou na glosa de R$ 28.219,77, mantida pela DRJ/Campinas, pois o contribuinte teve a oportunidade de comprovar referida extinção dessa estimativa em sede de apreciação do saldo negativo pela DRF/Osasco, na apresentação da manifestação de inconformidade e na apresentação do recurso voluntário. Considerando essas diversas oportunidades de comprovação da extinção da referida estimativa, considerando os dados da DIRF que Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 17 16 acusam a inexistência da referida retenção de IRRF, a glosa deve ser mantida. Quanto ao saldo negativo relativo ao anocalendário de 1.999, em que foi glosada a quantia de R$ 203.132,52 decorrente da diferença do valor informado pelas fontes pagadoras em suas DIRFs a título de IRRF no anocalendário de 1.999, um valor total de R$ 451.341,48, e o utilizado pelo contribuinte, nos meses de março, julho e novembro, de um valor de R$ 654.474,00 a título de IRRF, a contribuinte apresenta cópia dos respectivos comprovantes de retenção (“Certificado de Retencion – impuesto a Lãs Ganancias a Beneficiarios Del Exterior”) para comprovar o IRRF retido sobre juros em operações de mútuo realizadas na Argentina (doc. 39). Os requisitos estabelecidos pelo § 2º do art. 26 da Lei 9.249/1995 são dois: que o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deve ser reconhecido: a) pelo respectivo órgão arrecadador; e b) pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Verificase desde já que os documentos apresentados em questão não atendem a esses requisitos, razão pela qual a glosa deve ser mantida. No que se refere ao saldo negativo relativo ao anocalendário de 2.000, em que foi glosado o valor de R$ 89.529,41 decorrente da diferença entre o valor informado pelas fontes pagadoras em suas DIRFs, um valor de R$ 18.335,04, e o valor utilizado no mês de novembro de 2000, de R$ 80.395,04 a título de IRRF, bem como de R$ 27.469,45 na apuração do ajuste anual, o contribuinte nada comprovou em todas as oportunidades a ele disponibilizadas, seja na apreciação do saldo negativo na DRF/Osasco, seja na apresentação da manifestação de inconformidade, seja na apresentação do recurso voluntário. Portanto, considerando a documentação apresentada em sede de Recurso Voluntário, bem como a documentação apresentada em resposta à INTIMAÇÃO SEORT/DRF/OSA Nº 080/2013, PROPONHO não efetuar nenhuma alteração ao que foi decidido pela DRJ competente. Devidamente intimada do relatório conclusivo da diligência, a Recorrente apresentou longo arrazoado, nos seguintes termos: Decadência do direito da fiscalização rever a base de cálculo do IRPJ apurado em períodos anteriores a cinco, bem como a composição dos saldos negativos de IRPJ utilizados em compensações também de períodos anteriores a cinco anos. Vejamos os argumentos trazidos pela Recorrente: Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 18 17 Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 19 18 Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 20 19 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 21 20 Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 22 21 Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 23 22 Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 24 23 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 25 24 Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 26 25 Este Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 27 26 Ao final, tratou ainda da questão de suposta nulidade do despacho decisório quanto aos itens relativos à omissão de receita. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, quanto à questão da decadência, entendo que a fiscalização, ao responder a diligência, sem mesmo ser indagada, apresentou argumentos absurdos, que ferem o Código Tributário Nacional em seus artigos que tratam da decadência. Destaca a fiscalização que mesmo tendo conhecimento de que já teria ocorrido a decadência nos casos de compensação, a orientação é denegar reconhecimento de direito crédito, conforme enunciados abaixo transcritos: Primeiramente, requer manifestação sobre a decadência do direito de a fiscalização analisar a apuração do IRPJ de períodos anteriores à cinco anos, para fins de recompor o saldo negativo indicado como crédito para compensação. A esse respeito respondese com fundamento na Nota Técnica nº 9 de 2012 da COSIT que, com base no Parecer PGFN/CAT nº 2093/2011, orienta que se a análise do crédito do contribuinte ocorrer dentro do prazo decadencial, eventual apuração de crédito tributário deverá ser formalizada por meio de lançamento de ofício. No entanto, se já estiver decaído o direito de a Fazenda efetuar o lançamento, é possível negar a restituição ou não homologar a compensação mediante despacho Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 28 27 decisório. Assim a análise de crédito feita em períodos já atingidos pela decadência é pratica adotada pela RFB que, obviamente, não pode resultar em lançamento de crédito tributário, mas sim servir de fundamento para denegar reconhecimento de direito creditório que seja afetado pelo resultado dessa análise. Já em relação à diligência, vejamos o que essa Colenda Turma requereu em cada item: 3. Da glosa de despesas com brindes. Em relação a este item, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade originária verifique a documentação pertinente aos serviços invocados na planilha de fls. 365, item 13, do recurso, se realmente referemse a prestação de serviços conforme invocado pela recorrente e se estão devidamente lançadas no Livro Razão, por amostragem conforme critério da autoridade diligenciante, de tudo preparando um relatório circunstanciado. 4. Da omissão de receitas declaradas em DIRF. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se as receitas de prestação de serviços declaradas em DIRF e consideradas omitidas pela autoridade que não homologou a compensação teriam sido realmente oferecidas à tributação na forma alegada em recurso, mediante abatimento na conta de despesa dedutível, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. 5. Da omissão de rendimentos em operações de swap. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se os ganhos com swap foram efetivamente oferecidos à tributação na forma alegada em recurso, preparando relatório circunstanciado a respeito onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. 6. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1998. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto aos lançamentos da recorrente, que lhe dará todo o suporte necessário oferecendo as provas que a auditoria fiscal entender pertinentes, a fim de verificar se a diferença de IRRF apontada diz respeito ao ano de 1997, independentemente dos comprovantes que a recorrente informa não ter encontrado. 7. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se a receita auferida no exterior foi devidamente levada ao resultado e regularmente oferecida a tributação no Brasil, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme a contabilização da receita e a autenticidade dos comprovantes de Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 29 28 recolhimento dos tributos na Argentina, ora apresentados pelo recorrente, de tudo lavrando circunstanciado relatório. 8. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000. Assim, em atenção à busca da verdade real, e considerando que se está realizando esta diligência, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente e esta deverá apresentarlhe a documentação que comprova haver IRRF suficiente para a compensação que realizou no ano de 2000, na forma como explicitado nos itens 75 e 75.1 de seu recurso acima reproduzidos, preparando relatório circunstanciado a respeito. Na intimação feita pela autoridade fiscal à Recorrente, com o intuito de cumprir com a diligência solicitada, constou os seguintes enunciados: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e com base nos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), intimamos o contribuinte em epígrafe a, no prazo de 30 dias, a contar da data de ciência, apresentar esclarecimentos e documentação conforme os itens a seguir: Considerando a resolução exarada pela 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que converteu o julgamento em diligência para que a DRF jurisdicionante se manifeste, conclusivamente, a respeito das alegações do contribuinte em sede de Recurso Voluntário. Em razão disso, fazse necessária esta intimação para instrução adequada do processo, bem como a correta análise do pleito. INTIMAÇÃO Fica a pessoa jurídica em epígrafe, na pessoa de seu representante legal, intimada a apresentar os seguintes documentos: 1 – apresentação dos documentos / cópia autenticada dos documentos referidos no item 13 do recurso voluntário (impugnação) a comprovar/justificar a dedução da base de cálculo do IRPJ, ano calendário 2001, pois, conforme alegado, tais valores não são relativos a brindes, mas sim à remuneração de serviços; 2 – cópia da parte do livro razão/balancete que comprove os valores indicados na planilha do item anterior. Observe que a diligência fiscal intimou a contribuinte a apresentar e atender apenas o item que trata das despesas com brindes, nada solicitando ou investigando em termos documentais os outros questionamentos feitos pela Turma. A despeito de não solicitar nenhum outro documento ou informação em relação aos demais itens que precisam ser analisados, dando o direito à contribuinte de fazer as provas que entenderem necessárias para buscar o reconhecimento do seu crédito tributário utilizado em compensação, fato é que a fiscalização seguiu com a diligência, emitindo relatório conclusivo nos seguintes termos: No tocante à glosa de despesas com brindes foi expedida intimação, e o contribuinte em sua resposta apresentou novamente a planilha com informações dos recebidos dos serviços prestados à empresa Bueno Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 30 29 Cuzziol para divulgação e intermediação de negócios relacionados aos produtos da linha “Teroson”, tendo apresentado novamente alguns recibos indicados na planilha, os quais foram apresentados em sede da Manifestação de Inconformidade interposta. Assim, nenhum fato novo foi apresentado, mantendose a decisão da DRJ nesse item. Quanto à omissão de receitas de serviços declaradas em DIRF nenhuma dúvida há, pois a empresa intimada a se manifestar a respeito das despesas operacionais permaneceu silente. Não há comprovação nas alegações de que não houve prejuízo ao Fisco. O procedimento de contabilizar receita de serviços com crédito em conta de despesa não encontra amparo na legislação nem em normas do Conselho Federal de Contabilidade, e sem dúvida, consiste em procedimento que causa prejuízo ao Fisco, o que pode ser claramente verificado no caso da tributação de PIS e COFINS que incide sobre receita de vendas de bens e prestação de serviços. Se essas receitas são lançadas com crédito em conta de despesas, fatalmente não haverá incidência de tributação. Por isso, tal prática é condenada, não podendo ser aceita de forma alguma. No que se refere à omissão de rendimentos em operações de swap as alegações do contribuinte não procede. Em consulta à DIPJ, ano calendário 2001, verificase que o total da linha 20 da ficha 06A totaliza R$ 409.533,86 e não R$ 3.018.135,73, como afirma o contribuinte. Fica muito fácil esquivarse das conseqüências da infração fiscal praticada, se bastasse a alegação de erro de lançamento contábil, não amparado pela legislação nem por qualquer prática aceita pelo Conselho de Contabilidade. O contribuinte teve inúmeras oportunidades para comprovar o alegado e não o fez, de maneira que entendemos que referida glosa deve ser mantida. A respeito do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1.998, mormente no que se refere à estimativa de agosto de 1998, no valor de R$ 33.569,34, que resultou na glosa de R$ 28.219,77, mantida pela DRJ/Campinas, pois o contribuinte teve a oportunidade de comprovar referida extinção dessa estimativa em sede de apreciação do saldo negativo pela DRF/Osasco, na apresentação da manifestação de inconformidade e na apresentação do recurso voluntário. Considerando essas diversas oportunidades de comprovação da extinção da referida estimativa, considerando os dados da DIRF que acusam a inexistência da referida retenção de IRRF, a glosa deve ser mantida. Quanto ao saldo negativo relativo ao anocalendário de 1.999, em que foi glosada a quantia de R$ 203.132,52 decorrente da diferença do valor informado pelas fontes pagadoras em suas DIRFs a título de IRRF no anocalendário de 1.999, um valor total de R$ 451.341,48, e o utilizado pelo contribuinte, nos meses de março, julho e novembro, de um valor de R$ 654.474,00 a título de IRRF, a contribuinte apresenta cópia dos respectivos comprovantes de retenção (“Certificado de Retencion – impuesto a Lãs Ganancias a Beneficiarios Del Exterior”) Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 31 30 para comprovar o IRRF retido sobre juros em operações de mútuo realizadas na Argentina (doc. 39). Os requisitos estabelecidos pelo § 2º do art. 26 da Lei 9.249/1995 são dois: que o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deve ser reconhecido: a) pelo respectivo órgão arrecadador; e b) pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Verificase desde já que os documentos apresentados em questão não atendem a esses requisitos, razão pela qual a glosa deve ser mantida. No que se refere ao saldo negativo relativo ao anocalendário de 2.000, em que foi glosado o valor de R$ 89.529,41 decorrente da diferença entre o valor informado pelas fontes pagadoras em suas DIRFs, um valor de R$ 18.335,04, e o valor utilizado no mês de novembro de 2000, de R$ 80.395,04 a título de IRRF, bem como de R$ 27.469,45 na apuração do ajuste anual, o contribuinte nada comprovou em todas as oportunidades a ele disponibilizadas, seja na apreciação do saldo negativo na DRF/Osasco, seja na apresentação da manifestação de inconformidade, seja na apresentação do recurso voluntário. Portanto, considerando a documentação apresentada em sede de Recurso Voluntário, bem como a documentação apresentada em resposta à INTIMAÇÃO SEORT/DRF/OSA Nº 080/2013, PROPONHO não efetuar nenhuma alteração ao que foi decidido pela DRJ competente. Diante do exposto, entendo que a diligência não cumpriu com as solicitações feitas por essa Colenda Turma, devendo baixar os autos novamente em diligência, para que sejam cumpridas as seguintes determinações, intimando expressamente a Recorrente a apresentar os documentos pertinentes para o atendimento à diligência. Nestes termos, deverá a fiscalização investigar o seguinte: 3. Da glosa de despesas com brindes. Em relação a este item, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade originária verifique a documentação pertinente aos serviços invocados na planilha de fls. 365, item 13, do recurso, se realmente referemse a prestação de serviços conforme invocado pela recorrente e se estão devidamente lançadas no Livro Razão, por amostragem conforme critério da autoridade diligenciante, de tudo preparando um relatório circunstanciado. 4. Da omissão de receitas declaradas em DIRF. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se as receitas de prestação de serviços declaradas em DIRF e consideradas omitidas pela autoridade que não homologou a compensação teriam sido realmente oferecidas à tributação na forma alegada em recurso, mediante abatimento na conta de despesa dedutível, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.139 S1C2T1 Fl. 32 31 5. Da omissão de rendimentos em operações de swap. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se os ganhos com swap foram efetivamente oferecidos à tributação na forma alegada em recurso, preparando relatório circunstanciado a respeito onde confirme ou não a neutralidade do critério de lançamento e a inexistência de prejuízo de IRPJ e CSLL ao Fisco. 6. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1998. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto aos lançamentos da recorrente, que lhe dará todo o suporte necessário oferecendo as provas que a auditoria fiscal entender pertinentes, a fim de verificar se a diferença de IRRF apontada diz respeito ao ano de 1997, independentemente dos comprovantes que a recorrente informa não ter encontrado. 7. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999. Assim, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente no sentido de verificar se a receita auferida no exterior foi devidamente levada ao resultado e regularmente oferecida a tributação no Brasil, preparando relatório circunstanciado a respeito, onde confirme a contabilização da receita e a autenticidade dos comprovantes de recolhimento dos tributos na Argentina, ora apresentados pelo recorrente, de tudo lavrando circunstanciado relatório. 8. Do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000. Assim, em atenção à busca da verdade real, e considerando que se está realizando esta diligência, deve a autoridade oficiante diligenciar junto à recorrente e esta deverá apresentarlhe a documentação que comprova haver IRRF suficiente para a compensação que realizou no ano de 2000, na forma como explicitado nos itens 75 e 75.1 de seu recurso acima reproduzidos, preparando relatório circunstanciado a respeito. Para tanto, deverá exigir a apresentação de documentos no prazo máximo de 30 (trinta dias), e não apenas analisar informações existentes em Declarações e realizar relatório conclusivo, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Após a edição do relatório pela fiscalização, deverão os autos retornarem a julgamento. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003053/2004-39
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MWROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO.
É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.023
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE FATIMA OLIVEIRA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MWROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial
numero_processo_s : 10950.003053/2004-39
conteudo_id_s : 5453864
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 08 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3802-000.023
nome_arquivo_s : Decisao_10950003053200439.pdf
nome_relator_s : MARIA DE FATIMA OLIVEIRA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10950003053200439_5453864.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
id : 5891136
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702703439872
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:59:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:59:24Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:59:24Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:59:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:59:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:59:24Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:59:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:59:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:59:24Z; created: 2010-06-16T11:59:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-06-16T11:59:24Z; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:59:24Z | Conteúdo => " S3-TE02 Fl. 49 "CA1F "4, "---44/2-9/:----$ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10950.003053/2004-39 Recurso n° 142.880 Voluntário Acórdão n° 3802-00.023 — r Turma Especial Sessão de 16 de março de 2009 Matéria SIMPLES-EXCLUSÃO . Recorrente INDÚSTRIA REUNIDAS MARINGÁ LTDA Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MWROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. "Ci i ILIC(CLILA 1-1 LIENA tr'NO DAMORIM - Presidente MARIA DE FÁTIMA OLIV1 SILVA - Relatora , EDITADO EM: 22/09/2009 --- Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Maria de Fátima Oliveira Silva e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. 11,,-- 47' 1 Relatório A empresa já devidamente identificada nos autos, recorre a este Conselho de Contribuintes, de Acórdão prolatado pela r Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR., face sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), a partir de 01/08/2002, por exercício de atividade econômica vedada (CNAE: 3511- 4/02 — Construção de embarcações para uso comercial e para usos especiais, exceto de grande porte, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n° 528.672, de 02 de agosto de 2004 (fl. 18). A fundamentação legal da exclusão da empresa em questão consiste na justificativa de ocorrência da situação excludente nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei 9.317/96, de 05 de dezembro de 1996, que dispõe: Art. 9°- Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: 'XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" Em 22/09/2004, a empresa apresentou Impugnação Administrativa (fls. 01/11), alegando, em síntese: - que não presta qualquer espécie de serviço profissional previsto no supratranscrito artigo, sendo sua atividade industrial, e está voltada para a construção de embarcações, serviços de reforma em embarcações, comércio varejista de 'ferragens, dentre outras; - que apesar da necessidade da assinatura de um engenheiro nos projetos das embarcações, não possui qualquer vínculo com o Conselho de Engenharia e Arquitetura - CREA, o que evidencia que a sua atividade fim não é a prestação de serviços profissionais e sim, a construção de embarcações; - que a impugnante já existe há 40 (quarenta) anos, consoante demonstra o seu Contrato Social e jamais recebeu qualquer autuação do Conselho Profissional para que fizesse a inscrição; que a impugnante não exerce qualquer tipo de atividade profissional, mas sim industrial, não podendo ser inserida no art. 9°, incisão XIII, da Lei n° 9.317/96,devendo ser decretada a nulidade do ato declaratório n° 528.672, de 02 de agosto de 2004; io Ato Declaratóril desrespeitou o princípio da publicidade e da irretroatividade; 2 Processo n° 10950.00305312004-39 83-TE02 Acórdão A° 3802-00.023 FI. 50 alega que não pode ser responsabilizada pela inércia do impugnado, que não se manifestou à época da ocorrência da eventual situação que a exclui do SIMPLES; - cita doutrina e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; por fim, pede que seja decretada a nulidade do Ato Declamatório em pauta, tendo em vista não se enquadrar nas hipóteses do art. 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317/96; A r Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada, mantendo a exclusão da sistemática de tributação do SIMPLES, confirmando, portanto, o ADE no 528.672 (fl. 04), cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade de lei em vigor. FABRICAÇÃO DE EMBARCAÇÕES PARA ESPORTE E LAZER. VEDAÇÃO A OPÇÃO AO SIMPLES. A empresa que tem por atividade a fabricação de embarcações para esporte e lazer esta impedida de optar ao Simples, nos termos da legislação pertinente. EFEITO RETROATIVO DO ATO. A data em que o ato de exclusão gera seus efeitos é determinada pela legislação que rege a matéria. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de P Instância, a interessada apresentou tempestivo Recurso Voluntário a este Colegiado, reiterando os argumentos anteriormente aduzidos (fls. 43/50). É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA SILVA, Relatora A matéria em comento versa sobre a exclusão da ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micfpempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeitos a partir de 01/08/200247 ./1 3 , Compulsando os autos e confrontando os argumentos expendidos pela decisão a quo e pela recorrente, conclui-se que a essência para o desenredo da questão consiste na constatação ou não, se as atividades desenvolvidas pela recorrente, constantes da Décima Sétima Alteração de Contrato Social, Consolidação Social — Cláusula Segunda, como sejam "... a exploração do ramo de Indústria de Caldeiras, implementos agrícolas e industrias, mecânica, transporte de mercadorias próprias ou de terceiros, exportação de produtos de fabricação próprio, comércio de madeiras, matérias para construção, agropecuária e fabricação de embarcações", estão elencados no referido inciso XIII, do art. 9° da Lei n°9.317/1996, e em assim sendo, vedadas à opção pelo SIMPLES. A par da querela ora em análise, importa registrar que o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA, que regula as atividades profissionais das modalidades de Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e médio, através do art. 12, da Resolução n°218, de 29 de junho de 1973, litteris: "Art. 12. Compete ao ENGENHEIRO MECÂNICO UI ou ao ENGENHEIRO IIVDUSTRIAL MODALIDADE MECÂNICA: 1 — o desempenho das atividades de 01 a 18 do art. I° desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral: instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletromecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização de calor; sistemas de . refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatas". E o artigo 15, da mesma Resolução n°218, assim se manifesta: "Art. 15— Compete ao ENGENHEIRO NAVAL: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo I° desta Resolução, referentes a embarcações e seus componentes; máquinas, motores e equipamentos; instalações industriais e mecânicas relacionadas à modalidade; diques e portas batéis; . operação, tráfego e serviços de comunicação de transporte hidroviário; seus serviços afins e correlatas". Anote-se que a Decisão Normativa n°43, de 21 de agosto de 1992, decidiu, no item I que: "Toda pessoa jurídica que exercer atividade no ramo da Indústria Naval fica obrigado ao registro nos CREAs, conforme os critérios estabelecidos nesta decisão". Observe-se que, não obstante a existência da recorrente há mais de 20 (vinte) anos, sem jamais ter recebido qualquer autuação do Conselho Profissional para que fizesse a inscrição não o desnatura da obrigatoriedade da providência. Desta feita, no momento em que a Administração Tributária detectou a irregularidade, procedeu a devida exclusão através do ADE DRF/MGA N° 528.672 (fi.04), retro referenciado. No que respeita a alegada nulidade do Ato Declaratório em apreço, a par de ofensa ao Principio da Irretroatividade e da Confiança, o Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972, que trata "Das Nulidades" somente admite a nulidade nos casos especificados termos dos incisos I e H do artigo 59, e artigo 60 daquela norma legal, que sobre a matéria dispõe: r_ ) "Art. 59. São nulos:, 4 • • Processo rf 10950.00305312004-39 S3-TE02 Acórdão n.° 3802-00.023 Fl. 51 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas nos artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Quanto aos efeitos da exclusão decorrem de expressa previsão legal ( art. 73 da MP n° 2.158-34, de 27 de julho de 2001 convalidada pela MP n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, vigente por força da EC n° 32, de 11 de setembro de 2001) em face da ocorrência da situação excludente descrita neste processo. Como visto, a insurgência que ora se aprecia não encontra guarida na legislação regência, logo, configurada a causa excludente, há que se manter o julgamento de primeiro grau, que, conforme entendimento desta Conselheira, não merece reparo. Ante o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. 4/4 MARIA DE FÁTIMA O 4 'IPA-S-1-LVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722463/2012-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO - CARTÃO ALIMENTAÇÃO ou IN NATURA - SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação paga aos empregados através de cartão alimentação ou in natura, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme ato declaratório 03/2011.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.094
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO - CARTÃO ALIMENTAÇÃO ou IN NATURA - SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação paga aos empregados através de cartão alimentação ou in natura, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme ato declaratório 03/2011. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.722463/2012-04
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437691
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.094
nome_arquivo_s : Decisao_19515722463201204.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515722463201204_5437691.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5844924
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702704488448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722463/201204 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.094 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente D&P PRIME TECNOLOGIA EM SERVICOS DE MAO DE OBRA EMPRESARIAL LTDA M Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO CARTÃO ALIMENTAÇÃO ou IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação paga aos empregados através de cartão alimentação ou in natura, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme ato declaratório 03/2011. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 63 /2 01 2- 04 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.722463/201204 Acórdão n.º 2803004.094 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.722463/201204 Acórdão n.º 2803004.094 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de vale transporte em dinheiro e fornecimento de cestas básicas e cartão alimentação. O r. acórdão – fls 237 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Irregularidade na base de cálculo apurada · Não incidência de contribuição sobre vale alimentação, cestas básicas e vale transporte. · Requer o provimento do recurso, com a nulidade da autuação. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.722463/201204 Acórdão n.º 2803004.094 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, sendo interposto em 20.12.13 – fls 262 ante intimação de 26.11.2013 e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, NÃO ADESÃO AO PAT Acerca da matéria – pagamento de alimentação in natura sem a regular adesão ao PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, reproduzo ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, de seguimento obrigatório por parte dos membros do CARF, consoante art. 62,II, ”a” do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Do relatório fiscal temos que a recorrente disponibilizava a seus empregados, cartão alimentação e cestas básicas, sem adesão ao PAT. O retrocitado Ato Declaratório estatui que não há incidência de contribuição previdenciária quando fornecido auxílioalimentação in natura. Resta então definir se o fornecimento de cartão alimentação pode ser equiparado a alimentação in natura para a desoneração pretendida. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.722463/201204 Acórdão n.º 2803004.094 S2TE03 Fl. 6 5 Os referidos cartões são utilizados para a compra de alimentação, aceitos exclusivamente em estabelecimentos comerciais que revendem tais produtos, como supermercados e armazéns. O fornecimento de tal instrumento facilita a logística empresarial, evitandose manuseio de cestas básicas, além de dar maior liberdade de escolha ao empregado, que pode adquirir o alimento de sua escolha e na quantidade que desejar. Sendo oferecido um ou outro – cesta básica ou cartão alimentação – o fim almejado será o mesmo, prover o empregado de víveres, não havendo que haver discriminação somente pela forma de seu fornecimento. Dessa feita, tenho que o fornecimento de cartão alimentação atende ao que disposto no Ato Declaratório 03/2011, não se configurando em fato gerador de contribuição previdenciária. DO VALE TRANSPORTE A matéria, pagamento de vale transporte em pecúnia, encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, dispensando assim maiores considerações, senão vejamos: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Destarte, reconheço a improcedência da autuação fiscal em razão da impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002494/2010-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 29/12/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2006 a 29/12/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.002494/2010-44
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429267
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.889
nome_arquivo_s : Decisao_10715002494201044.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10715002494201044_5429267.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5824562
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702706585600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.002494/201044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.889 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CONTINENTAL AIRLINES INC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 29/12/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 94 /2 01 0- 44 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.002494/201044, contra o acórdão nº 0728.217, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 50.000,00 para R$45.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/12/2006 a 29/12/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 4/12/2006,devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$ 45.000,00, para R$5.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002494/201044 Acórdão n.º 3801004.889 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
