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Numero do processo: 12457.735122/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/12/2009 a 04/05/2012
Ementa:
OCULTAÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração.
Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decreto-lei n° 1.455/76.
Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.
Aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso da empresa PONTUAL COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso da MULTIFORT. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(Assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 11/12/2009 a 04/05/2012 Ementa: OCULTAÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decreto-lei n° 1.455/76. Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário. Recurso voluntário negado
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SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decretolei n° 1.455/76. Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 73 51 22 /2 01 3- 64 Fl. 879DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso da empresa PONTUAL COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso da MULTIFORT. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (Assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança pena de perdimento comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 10 – 42), no valor de R$ 471.380,87 Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: As Declarações de Importação n°s 09/17598215, 10/08897894, 10/14822060, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/1265612 1, 11/16580650, 11/24274865 e 12/0815941 constituem o objeto do presente trabalho, sendo que, ao final, restou caracterizada a ocultação do real sujeito passivo. A parte que pretendia se manter recôndita é a encomendante e provedora dos recursos necessários à importação das mercadorias, é a empresa MULTIFORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 09.190.084/000148, e outra empresa dos mesmos sócios. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 880 3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 26/10/2013 (fls. 158), o contribuinte PONTUAL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PECAS AUTOMOTIVAS LTDA protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 347 à 375, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 04/10/2013 (fls. 141), o contribuinte PONTUAL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PECAS AUTOMOTIVAS LTDA protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 150 à 168, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: A autoridade lançadora constituiu contra a impugnante crédito tributário referente à multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, por entender que houve ocultação do real sujeito passivo, mediante interposição fraudulenta, tendo como fundamento os artigos 23, do Decreto Lei 1.455/76 e 81, da Lei 10.833/2003. O lucro de uma empresa depende de diversos fatores, entre eles a oferta e demanda, lei de mercado. A impugnante prefere ganhar na quantidade, vendendo sua mercadoria com preço mais competitivo. Ademais, não há nenhuma lei que estabeleça o percentual de lucro que determinada empresa deverá ter com cada um dos produtos que vende. Mesmo assim a autoridade fiscal considerou pouco 10% (dez por cento) de lucro em operações que totalizaram R$ 3,1 milhões em 2007, R$ 4,6 milhões em 2008, R$ 7 milhões em 2010, R$ 13 milhões em 2011 e R$ 25 milhões em 2012. Junta textos da jurisprudência do STJ: (AgRg no REsp 1327809 / PR). O segundo argumento “de que a autuada possui poucos mp sgados (sic) registrados” também não tem maior relevância pois, na maioria das vezes, o que de fato acontece é que, assim que as mercadorias chegam ao Brasil e, naturalmente, após o desembaraço aduaneiro, são de imediato enviadas ao depósito em São Paulo ou aos depósitos da transportadora até que seja efetivada a venda e, então, encaminhadas, também imediatamente, aos compradores. Não há, portanto, necessidade de muitos empregados registrados para fazer a retirada e depois a entrega das mercadorias, pois esta tarefa é desempenhada pelos empregados da transportadora. No seu estabelecimento, a impugnante precisa apenas do número suficiente para tratar da compra com o Fl. 881DF CARF MF 4 vendedor/exportador estrangeiro e encontrar compradores no mercado interno. Em terceiro lugar, quanto à proximidade das datas de chegada e saída das mercadorias importadas, cabe ressaltar que, após serem negociadas com o vendedor/exportador estrangeiro, estas demoram mais de 30 dias para chegar ao Brasil, tempo suficiente, na maioria das vezes, para se encontrar compradores no território nacional. Em quarto lugar, as declarações prestadas pela Sócia Janice devem ser avaliadas levando em consideração que foram prestadas por pessoa leiga em relação aos exatos conceitos jurídicos das expressões utilizadas pelo (s) interrogante (s). Quando a representante da importadora falou que “60% ou 70% das vendas são casadas”, quis na realidade dizer que em 60% ou 70% das vendas encontra o cliente/comprador antes da nacionalização das mercadorias, ou seja, antes da emissão da Dl, mas sempre após a compra do fornecedor estrangeiro e que, no restante (40% ou 30% das vezes), encontra o cliente/comprador posteriormente à nacionalização. Ademais, quando a sócia se referiu à forma de pagamento e disse que “alguns pagamentos (eram) antecipados e outros a prazo”, quis dizer que alguns clientes/adquirentes das mercadorias importadas faziam o pagamento antes da entrega das mesmas (pois, naturalmente, a transportadora precisa de um certo tempo para entregálas), enquanto que outros compradores faziam o pagamento a prazo, ou seja, após a data de entrega, pois as mercadorias saíam de Foz do Iguaçu/PR ou São Paulo/SP e demoravam alguns dias para chegar ao destinatário. A declaração de que atuou por conta e ordem de terceiros (fl. 19), também deve ser devidamente contextualizada, pois a própria auditora fiscal consignou que isso “foi feito apenas no início para alavancar o negócio”, ou seja, no ano de 2006 quando a empresa iniciou suas atividades. Divergências de informações entre a data de pagamento indicada pelo comprador e a data de recebimento indicada pela autuada divergem por causa do sistema bancário de compensação que leva de dois a três dias úteis para creditar na conta da impugnante os valores pagos. Também, quanto a data de escrituração, não há nada de ilícito. Vejamos na fl. 20 que foi escriturado o recebimento na data da emissão da nota fiscal (15/06/2013) enquanto que o comprador/adquirente indicou a data de 25/06/2013 como efetivo pagamento. A diferença de 10 dias não se reveste em ilicitude. Diante da infundada citação do fisco, a impugnante se dispõe a provar em juízo ou fora dele, por todos os meios de provas admitidas em direito, inclusiva a pericial, que a sua escrituração contábil e fiscal dos exercícios fiscalizados em questão, atende plenamente aos princípios contábeis geralmente aceitos, a rigor o princípio da competência dos exercícios, aplicado regularmente em seus registros contábeis, pelo qual, as citadas Fl. 882DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 881 5 vendas à vistas (denominadas de receitas), recebidas e contabilizadas a prazo, por acordos com seus clientes, em nada alterou o resultado o, Balanço Patrimonial nos exercícios em questão. É importante observar nas citações do próprio auto de infração, o curtíssimo espaço de tempo entre as datas das referidas vendas (venda á vista) e os seus recebimentos (venda à prazo), evidenciando a irrelevância deste fato no contesto geral da escrituração contábil da impugnante, deixando claro que nenhum dano pôde ser observado por essas ocorrências a entidade fiscalizada nem ao erário público, circunstâncias que por si só dão plena validade as peças contábeis apresentada ao fisco, diante da irrelevância dos fatos alegados e pela inalterabilidade dos resultados dos exercícios em questão, motivo pelo qual, não houve por parte da impugnante a necessidade de inserir nos Balanços Contábeis apresentado ao fisco, as costumeiras “notas explicativas”. Com relação ao item VII. do referido auto, onde o fisco cita: DA AUDITORIA DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO, oras, se a impugnante de fato tivesse importado seus produtos por encomendas ou por conta e ordem de terceiros, como quer forçosamente enquadrála o fisco, em regra não teria ocorrido em seus registros contábeis, dois fatores de inegável reconhecimento prático, relacionados a seguir: ∙ A manutenção de relevantes valores em “estoques” dos seus produtos importados, em cada exercício contábil social (apresentado); ∙ Endividamentos financeiro originados pelos inúmeros empréstimos realizados junto ás instituições financeiras, para suportar partes relevantes de suas importações. Se a impugnante houvesse atuado em suas relações comerciais por “interveniências de terceiros”, adquirindo produtos por encomendas ou por conta e ordem, como alega o fisco, não haveria a necessidade de manter os níveis de “estoques” de seus produtos, que manteve no período fiscalizado, pois quem opera nessa prática as entregas seriam realizadas diretamente dos fornecedores estrangeiros aos seus clientes sem haver estocagens, nem mesmo teria suportado partes de suas importações através de empréstimos bancários, como o fez, pois as vendas realizadas por encomendas, em regra são pagas de forma antecipadas? Diante dessas ocorrências fáticas, não se pode negar que está mais que evidenciado que a impugnante sempre atuou por “conta e risco próprio” e não por quaisquer interveniências de terceiros como alega o fisco. Como podem observar através das planilhas demonstrativas dos “estoques” mantidos e dos empréstimos financeiros realizados a seguir apresentados, que demonstra a transparência e regularidades de seus atos e fatos operacionais, não restando dúvidas quanto à legalidade de suas operações. Fl. 883DF CARF MF 6 Diante de todo exposto, é importante ainda citar com relação v s \ 3ndas (sic) repetidas aos mesmos clientes, alegadas pelo fisco como se fosse sinônimo de atos ilícitos ou ilegais, quando na prática esses atos são regras normais e licitas de qualquer empresa comercial que pretenda se manter no mercado, aliás, a fidelização de clientes (vendas repetidas) é uma das práticas mais almejadas de todo comercio nacional e internacional pelo mundo globalizado, representando a satisfação plena dos clientes, pela qualidades dos produtos adquiridos complementado pelo bom atendimento, e, portanto, não havendo qualquer vedação pelos Códigos civil e Comercial, logo, não podendo o fisco contradizer essa prática prevista em lei, sem o devido fundamento legal, ou tentar alterar o alcance da legislação que rege os fatos e atos realizado pela impugnante, invadindo competências que são exclusivas do poder Legislativo, conforme prevê os artigos 110 e 112, do Código Tributário Nacional. Junta textos da jurisprudência do STJ. Diante do exposto, a impugnante requer seja acolhida a presente e tornada insubsistente a multa proposta na peça básica. ∙ por não ter ocorrido importação por conta e ordem; ∙ por ser a multa inconstitucional em conformidade com o Principio do não confisco. Na eventualidade, que seja aplicada apenas a multa de 10% por ser mais benéfica. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 10/10/2013 (fls. 323), o contribuinte empresa MULTIFORT protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 327 à 340. O impugnante alegou que: DA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM A Requerente tem relação jurídica de cliente com a empresa Pontual, desde o início de sua atividade empresarial, e devido a este tempo de relação comercial, motivo pelo qual o pagamento relativo aos pedidos por várias vezes foi efetivado no momento da solicitação do pedido, o que é o caso das DI's aqui arroladas, bem como, foi feito posteriormente ao desembaraço aduaneiro, operações estas que foram excluídas do presente procedimento. É certo que há uma linha bem tênue entre a operação de simples comércio e a simulação de negócio jurídico que tende utilizar terceiros como laranja na importação de mercadorias. Contudo, não é o que se trata o caso em tela como pretendemos demonstrar. Conforme se extrai dos documentos acostados ao procedimento fiscal, verificase que nem toda farinha importadas pelas DIs foram destinadas à Requerente. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 882 7 A exemplo, temos a Dl 09/17598215, onde foi declarado a importação de 85.680 kg de farinha de trigo, na forma de 1710 sacos, transportados por carretas com as seguintes placas ADG 5756/NBC6561, ABX 1760/AFL7636, ABO6084/IGH9883. Desta importação, foram vendidas para a Requerente a quantia de 50.600 kg de farinha de trigo, pelas notas fiscais N° 102. Fica demonstrado que a Requerente, embora seja futura destinatária do trigo objeto da importação, não tem relação direta nem interesse comum a situação de importação. As operações efetuadas pela empresa Pontual, mantém uma regularidade de quantidade e na periodicidade das importações, não se mantendo esta mesa regularidade por parte da Requerente, veja pois, que é de se perceber a diferença nos intervalos das notas fiscais de venda à Requerente. A relação comercial entre as empresas, não pode ser equiparada, ou gerar "fortes indícios” de ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação direta promovida única e exclusivamente pela empresa Pontual. A Requerente, de acordo com suas necessidades efetuou pedido a seu fornecedor, a empresa Pontual, que pratica valores comerciais mais abaixo de mercado, com o pagamento à vista , ou com uma entrada na época do pedido e o restante em prazos ajustados. O produto entra no estado de Mato Grosso de forma regular, honrando a Requerente com todas as exações fiscais inerentes a entrada interestadual de mercadoria (ICMS), procedendo com exatidão em sua escrituração fiscal, encerrandose assim suas obrigações acessórias e principais quanto a operação de comércio regular e legal entre os entes da federação. Na relação jurídica entre a Requerente, a empresa importadora e ao Fisco, poderia ainda limitarse neste caso, ao acompanhamento da quitação dos impostos devidos, uma vez que este poderiam compor a base de cálculo do ICMS devido na operação, atendose ao princípio da nãocumulatividade, contudo é expresso nas DI's, bem como nas notas fiscais, que o produto importado, qual seja a Farinha de TRIGO tem o benefício da redução de alíquota a 0%, não havendo valores a ser recolhido a título Imposto Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP, Cofins, e de Direitos Antidumping. DA ILEGITIMIDADE DE PARTE: Por óbvio, no processo administrativo tributário para que o Devedor seja considerado como parte legítima, este deve ser o sujeito passivo da obrigação tributário. Em contrapartida, da mesma forma, por forca da ordem jurídica material, o devedor deve ser aquele adequadamente incumbido de suportar as conseqüências da demanda, o que não ocorre no caso em tela. Fl. 885DF CARF MF 8 Antes aos inegáveis fatos, não pode a Requerente ser compungido a responder por pelas indevidas obrigações acessórias. Junta textos da doutrina de Vicente Greco Filho. Com efeito, não há sujeição passiva da Requerente no que tange ao adimplemento das obrigações acessórias, em razão de não ter envolvimento com o fato gerador conforme delinearemos em linhas abaixo. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO Transcreve os artigos 124,1 e II do CTN e art. 95, I e V do Decreto Lei n° 37/1966. A responsabilidade solidária imputada no caso em tela referese ao enquadramento legal que comina multa, não passível de redução, imposta pelo art. 23, §3° do DecretoLei N° l .455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei N° 10.637/024. A responsabilidade solidária na importação visa atribuir à terceiro, que tenha interesse comum com o fato gerador ou que por força de infração, seja designada por lei sua sujeição passiva, o dever de responder pelo dano ou tributo originado. Ocorre que a Reclamante não tem interesse algum em ocultarse nas operações de importações efetuadas, uma vez que não há como se beneficiar de qualquer modo nesta infundada infração. Ainda que o termo da lei disponha que a mera ocultação do sujeito passivo, causa por si só dano ao erário público, não devemos interpretar a legislação tão somente de forma restritiva, posto que é necessário para o caso a analogia de todos elementos inerentes às operações de importações, não somente a legislação crua. Em nenhum momento, os respeitáveis auditores fiscais discorreram sobre a alíquota zero pelo qual o produto importado é beneficiado. Como se extrai das próprias declarações de importações, há a redução das alíquotas do PIS/PASEP E Cofins (art. 1, inciso XIV da Lei 10.925/2004, MP 433/2008), Imposto Importação (Decreto Exec. 550/1992), IPI (Decreto 6006/2006). Veja pois, que o benefício de redução a 0% da alíquota, é um beneficio fiscal objetivo e recai sobre o produto em sim e não sobre o sujeito passivo, motivo pelo qual a Requerente, não tem interesse algum ocultase nesta operação, motivo pelo qual é infundada essa evidenciada ocultação do sujeito passivo", e desta forma não tem relação direta com a importação do produto em si. Quanto ao a questão do pagamento antecipado, eis que este ocorre única e exclusivamente para garantir melhores condições na compra da farinha do trigo, contudo, a Requerente não tem acesso às informações profissionais e comerciais de seu fornecedor, se este adquire produtos antes ou depois dos pagamentos efetuados, ou qual a forma de aquisição destes. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 883 9 A relação jurídica com a empresa pontual é exclusivamente de aquisição direta de farinha de trigo nacionalizada, não adquirindo outro produto junto a esta, e como se apresenta pela documentação fiscal apresentada. Não há e nunca houve indícios de irregularidades fiscais, ou comerciais, nas aquisições durante todos os anos de relação de fornecedor/cliente entre as empresas. Insta destacar, que o perdimento da mercadoria, substituído pela multa, quando presente o dano ao erário público, infração impossível no aso em tela, não havendo nexo de causalidade a ocultação da sujeição passiva se não há benefícios que possam ser pretendidos pela requerente. Junta textos da jurisprudência: (TRF1a R., REO 89.01.17103 1/DF. rei. Juiz Fernando Gonçalvez, j. 06.08.1990, DOU 27.08.1990). O artigo 124, I e II do CTN, decorre primeiro do interesse comum na situação que constitui o fato gerador e é chamada de solidariedade de fato, e posteriormente do previsão legal da lei que institua o tributo, a chamada solidariedade de direito. Contudo há limites as esta previsão legal. O legislador não pode contrariar o CTN, tão pouco estabelecer solidariedade para quem não guarde relação com o fato gerador. O contribuinte é quem deve suportar o ônus pelo pagamento do tributo, já que este alguém revela capacidade contributiva ao prativar o respectivo "fato gerador". O terceiro apenas pode ser responsabilidade quanto tenha alguma relação com o fato gerador, ou porque, de algum modo, participou, da sua realização, ou para que seja juridicamente possível o ressarcimento pelo ônus do tributo que teve de suportar no lugar do contribuinte. Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Paulo de Barros Carvalho. Junta textos da jurisprudência do STJ: (STJ , Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data de Julgamento: 15/03/2012, T1 PRIMEIRA TURMA) Desta feita, devemos buscar a primazia do Princípio da Verdade Material na relação jurídica tributária em comento, verificando que não há irregularidades nas operações realizadas entre a empresa Pontual e Multifort, não sendo ilícita, ilegal ou irregular, o ajuste comercial de pagamento antecipado, ou à vista, na aquisição de mercadoria, mesmo que oriunda do exterior. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer que, sejam acolhidos os argumento da presente Impugnação, de que não há qualquer modalidade de fraude nas relações jurídicas entre as empresas e o Fisco Federal, para que seja julgada improcedente a Autuação objeto no processo administrativo em epígrafe, anulando Fl. 887DF CARF MF 10 consequentemente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e cancelamento da Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro em R$ 471.380.87 (quatrocentos e setenta e um mil trezentos e oito reais e oitenta e sete centavos). Devese frisar, que não há absolutamente nenhum interesse comum com a empresa Multifort na ocorrência do fato gerador da obrigação. Em julgamento datado de 29 de outubro de 2014, a DRJ São Paulo/SP negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1662.745), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/12/2009 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados os contribuintes Pontual Comércio, Importação e Exportação de Peças Automotivas (doravante designado simplesmente como “Pontual”) e Multifort Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios (doravante denominada como “Multifort”), recorrem a este Conselho (fls. 832 a 875 e 802 a 815, respectivamente), repisando os argumentos trazidos em suas impugnações ao auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Multifort tomou ciência do Acórdão da DRJ em 17/11/2014, conforme AR de fls 798, tendo apresentado seu recurso voluntário em 10/12/2014. Por sua vez, a Pontual Fl. 888DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 884 11 teve ciência da decisão da DRJ em 27/11/2014 (fls 799) e protocolou seu recurso voluntário somente em 05/01/2015. Assim, tão somente o recurso voluntário da Multifort é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, tomo conhecimento tão somente das razões recursais da sociedade Multifort. Passo então à análise do caso. Sobre o mérito, em síntese, o presente litígio se resume à aferição da existência ou não ocultação do real importador, inclusive por interposição fraudulenta, nas operações de comércio exterior, apta a culminar na multa equivalente ao valor aduaneiro em razão da pena de perdimento da mercadoria, com fundamento no artigo 23, inciso V e parágrafo 2º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, in verbis: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1 O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2 Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3 As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (grifei) Pois bem. Nas fls 39 e 40 do TVF encontramos as conclusões da Fiscalização a respeito da infração aduaneira, constatada pela auditoria das DI’s sob análise no presente processo: Com fulcro na análise técnica supra, nas provas coligidas e na legislação vigente, constatase a ocorrência da infração tipificada como ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pelas operações de importação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, em virtude da não comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos que foram utilizados para amparar as DIs nos 09/17598215, 10/08897894, 10/1482206 0, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/12656121, 11/16580650, 11/24274865 e 12/08159412, registradas pela PONTUAL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E Fl. 889DF CARF MF 12 EXPORTAÇÃO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA, infração considerada dano ao Erário, conforme expresso no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976. Já o parágrafo 1º do mesmo artigo determina que essa infração deverá ser punida com a pena de perdimento das mercadorias (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/2002, regulamentado pelos artigos 675, inciso IV, e 689, parágrafo 1º, ambos do Decreto nº 6.759/2009. (grifei) Não há dúvidas de que nas acusações de ocultação do real sujeito passivo da operação de importação, com fulcro no artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/75, incumbe à Autoridade lançadora o ônus da prova da ocorrência da citada infração, diferentemente do que ocorre no caso de presunção de interposição fraudulenta por nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (§2º do mesmo dispositivo legal). Sobre tal ônus probatório, ressalto desde já que os cinco fundamentos elencados pela Fiscalização para a instauração de procedimento especial para a auditoria da Pontual (1. baixa margem de lucro com as operações; 2. poucos empregados registrados na empresa; 3. datas de saída muito próximas das datas de chegada das mercadorias; 4. as declarações prestadas pela sócia; 1 5. aparentes incongruências da contabilidade), 2 são meros indícios (fatos conhecidos e demonstrados diferentes daquele se quer provar, mas que se conectam a ele, podendo gerar uma probabilidade ou suspeita de sua ocorrência), e não provas diretas do ilícito aduaneiro em questão, pois nenhum deles permite uma conclusão direta e objetiva sobre a existência de ocultação do real importador. Justamente por esse motivo é que a Fiscalização motivou o ato administrativo de imposição de penalidade não somente na prova de ocultação do real importador (primeira parte do inciso V do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/75), mas também na presunção de importação por conta e ordem, calcada no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. É o que se constata do Tópico VII.12 do Termo de Verificação Fiscal (fls 38 e seguintes), nomeado como DAS CONCLUSÕES SOBRE A AUDITORIA DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO 09/17598215, 10/08897894, 10/14822060, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/12656121, 11/16580650, 11/24274865 E 12/08159412, do qual destaco os seguintes excertos, que trazem todas as informações importantes para o convencimento da autoridade fiscal: A empresa adquirente de parte das mercadorias importadas através das DIs auditadas (sendo o restante, como citado, adquirido por outra empresa pertencente aos mesmos sócios) pagara por tais mercadorias antes das quitações dos respectivos contratos de câmbio (no caso de todas as importações auditadas 1 Segundo a Pontual, “quando a representante da importadora falou que “60% ou 70% das vendas são casadas”, quis na realidade dizer que em 60% ou 70% das vendas encontra o cliente/comprador antes da nacionalização das mercadorias, ou seja, antes da emissão da Dl, mas sempre após a compra do fornecedor estrangeiro e que, no restante (40% ou 30% das vezes), encontra o cliente/comprador posteriormente à nacionalização. “ Ademais, verifico pelas declarações constantes no autos que a sócia Janice foi indagada de maneira geral sobre os procedimentos adotados pela Pontual nas operações de importação. Com relação às específicas DIs e as transações com a MULTIFORT não há informações, o que dificulta enormemente a valoração desta prova para o específico e concreto auto de infração sob análise. 2 Ressalto que, segundo o FIPECAFI (2010), a contabilização das vendas pode ser efetuada pelas notas fiscais de vendas, pois a entrega dos produtos é praticamente efetuada junto com a emissão das notas fiscais. Quando este processo não ocorrer, ou seja, a data da emissão da nota fiscal for diferente a da entrega dos produtos, e a entrega se fará na empresa do comprador, o registro deverá ser feito somente na entrega dos produtos, quando a empresa já estiver de posse das mercadorias compradas. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 885 13 no presente relatório). Comprovantes das transferências bancárias atestam a provisão dos recursos para a realização de tais pagamentos. A adquirente MULTIFORT inclusive admitiu, como citado, que antecipara recursos, e que sabia que se tratava de mercadoria a ser importada. A Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 27, define que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. A PONTUAL registrou as Declarações de Importação como importações “diretas”, ou “por conta própria”, quando deveria têlas consignado como “por conta e ordem de terceiros”, identificando a MULTIFORT como adquirente junto ao SISCOMEX (bem como a outra empresa “compradora”, cada uma na proporção adquirida do que foi importado). Todavia, a fiscalizada optou por omitir tais informações, mantendo as intervenientes e provedoras dos recursos indevidamente afastadas de eventual responsabilização tributária. Daí já confirmamos que a fiscalização se utilizou, para reforçar a tipificação do evento da ocultação do real importador pelas provas colacionadas aos autos (artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/76), da norma que estabelece a importação por conta e ordem presumida, for força da verificação da utilização de recursos de terceiros para a operação de comércio exterior. Transcrevo abaixo o dispositivo que fundamenta tal presunção: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Diante desta situação, passa ao contribuinte à necessidade de comprovar que havia recursos suficientes e que estes foram utilizados para promover a importação em questão, para que faça cair por terra a presunção criada pelo dispositivo supratranscrito. Nos presentes autos, entendo que foi tranquilamente demonstrado nos autos que as importações, lembrese, foram efetuadas com recursos próprios, decorrente de vendas de mercadorias já de sua propriedade3 (facturas invoice, doc. 5 e 9 da impugnação, 434), havendo saldo suficiente para tanto em sua conta corrente (doc. 8 da impugnação, fls 438. 443, 470, 471, 489, 492), inclusive a empresa operando mediante empréstimos contratados com instituições financeiras (balanços patrimonaiais de fls 527 e seguintes) e estando seu capital social devidamente integralizado. Com relação à “antecipação” de parcela dos pagamentos único dado apresentado pela fiscalização capaz de, potencialmente, sustentar a autuação fiscal , a qual supostamente seria utilizada para o fechamento do câmbio, entendo tratarse de prova incapaz de qualificar o evento como “operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro”. A própria fiscalização assume que tal antecipação o somente seria capaz de cobrir contrato de câmbio firmado pela Pontual. Fl. 891DF CARF MF 14 Ora, temos então auto de infração constituído com base em elemento absolutamente frágil, uma vez que a venda parcelada de mercadorias, para as quais o importador comprovou haver capacidade financeira para efetuar a operação internacional, não traz em si e logicamente, a aptidão de demonstrar a que recursos de terceiros foram utilizados para tanto. É certo que, uma vez demonstrado pela fiscalização que determinada importação ocorreu por meio de subsídio de terceiros, acarretando na necessidade de procedimento de nacionalização mediante a declaração “por conta e ordem de terceiro” (regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20015), e não por “importação direta”, o ônus da prova sobre sua capacidade financeira passa a ser do importador, nos termos do já citado artigo 27 da Lei n. 10.637/2002. Contudo, não se pode perder de vista que tal presunção não faz com que desapareça o quantum mínimo probatório que é atribuído à Fiscalização para tais situações: trazer provas contundentes, convergentes e conclusivas sobre a efetiva utilização de recursos de terceiro na operação de comércio exterior. Poderia haver, quando muito, a caracterização das importações como “por encomenda”, o que tornaria igualmente insubsistente o auto de infração, que qualificou como “por conta e ordem” as operações.3 Afinal, impossível a alteração de critério jurídico para manter o trabalho fiscal. Em outras palavras, o indício apresentado pela fiscalização (antecipação de valores referentes à compra e venda das mercadorias importadas, para fechamento do contrato de câmbio) não é capaz de, na convicção dessa relatora, culminar na conclusão de existência de “operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro”, a qual, por sua vez, constitui presunção de importação por conta e ordem de terceiro. 3 � Em matéria de comércio exterior, há três modalidades de importação: direta, por encomenda, e por conta e ordem. “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendelas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)” (SARTORI, Ângela, DOMINGO, Luiz Roberto. Div. Autores. Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2013, pgs. 53 e ss). Fl. 892DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 886 15 Nesse sentido, é válido reavivar a lição de Paulo Celso B. Bonilha4 sobre o tema: lndício é o fato conhecido (factum probatum do qual se parte para o desconhecido (factum probadum) e que assim é definido por Moacyr Amaral Santos: ‘Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido que, por via do raciocínio, sugere o fato probando, do qual é causa ou efeito '. Evidenciase, portanto, que o indício é a base objetiva do raciocínio ou atividade mental por via do qual poderseá chegar ao fato conhecido. Se positivo o resultado, tratase de uma presunção. A presunção é, assim, o resultado do raciocínio do julgador, que se guia nos conhecimentos gerais universalmente aceitos e por aquilo que ordinariamente acontece para chegar ao conhecimento do fato probando. É inegável, portanto, que a estrutura desse raciocínio é a do silogismo, no qual o fato conhecido situase na premissa menor e o conhecimento mais geral da expectativa constitui a premissa maior. A conseqüência positiva do resultado do raciocínio do julgador ' é a presunção. " Em um exercício de comparação de casos a respeito do mesmo tema, vejase por exemplo as constatações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no Acórdão n. 3403002.593, no qual diversos elementos foram trazidos pela Fiscalização, formando conjunto probatório que claramente demonstrava a existência de financiamento das importações por terceiro: “Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela recorrente à Plásticos Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava “adquirindo” da Itajaí ainda não estavam no estoque da vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação “prévia” de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria “vender”. Amostra inconteste do financiamento das importações pela Cajovil colhesse dos documentos trazidos pela própria recorrente (fls. 517 e ss.). A cada importação, o despachante aduaneiro da Itajaí (“Comissária Paulista S.C. Ltda.”) emitialhe uma “Solicitação de Numerário Importação”, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Ou seja, é evidente que a Gabiplast sabia – e pretendia – que seus recursos financiassem as importações. São, ainda, inúmeras as faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast. 4 Da Prova no Processo Administrativo Tributário, São Paulo: Dialética, 1997, p. 92. Fl. 893DF CARF MF 16 Tudo isso a revelar que as importações eram financiadas pela Gabiplast. E, a teor do art. 27 da Lei nº 10.637/02, essa constatação faz presumir que as importações foram realizadas por conta e ordem da Gabiplast. Percebese a diferença entre o caso supracitado para o presente. Neste primeiro foram elencados diversos indícios que de forma contundente e conclusiva demonstram o financiamento da operação de importação: pela participação do despachante aduaneiro, a sistematicidade que ocorriam as operações, as datas das transações em contas bancárias, o conhecimento da fraude pelo ocultado, a solicitação de montantes para o recolhimento de tributos, e até mesmo o timbre dos papéis utilizados pelas empresas. Já no presente, a Fiscalização se limitou na auditoria das DIs a afirmar que a antecipação de montantes seria capaz de cobrir o contrato de câmbio firmado pela Pontual. Dessa forma, pela análise dos autos, entendo que a que a Fiscalização não comprovou o financiamento das importações em questão, não existindo prova cabal da infração apontada (operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro). Os demais indícios, genéricos por não se debruçarem especificamente sobre as importações objeto dessa autuação , tampouco são suficientes para concluir pela ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação. Sobre esse último ponto, cumpre recordar o que exatamente é necessário ser objeto de prova pela fiscalização em processos desse jaez. O artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/76 fala em “ocultação (...) mediante fraude ou simulação”. As definições de “fraude” e “simulação” encontramse, respectivamente, no artigo 72 da Lei nº 4.502/64 e no § 1o, do artigo 167, do Código Civil, a seguir transcritos: Art..72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 167. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Com efeito, a existência de fraude ou simulação é condição para a ocorrência da interposição fraudulenta.5 Nas palavras do Desembargador federal Antonio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, “O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do 5 Gilberto de Castro Moreira Junior. Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exterior. Disponível em: www.iuscomex.com.br/site/files.php?id=546. Acesso em 09/06/2016. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 887 17 real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, ‘inclusive a interposição fraudulenta de terceiros’. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal” (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2005.04.01.0462051/PR). Lembrese que o próprio 673 do Decreto n. 6.759/2009, em seu parágrafo único, determina que “salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente...”. Desse modo, a própria legislação aduaneira coloca que a responsabilidade pelas infrações é objetiva, a não ser que a própria lei trouxer regra em sentido diverso. Tendo sido qualificada pelo artigo 23, inciso V a conduta como dolosa, através da configuração de fraude ou simulação, para a tipificação da ocultação de terceiros e consequente pena de perdimento, estas não podem ser afastadas do tipo infracional em questão. No que tange à fraude, apesar do fato de, como já destacado alhures, o (não) pagamento de tributos na operação de importação não ser o único fator determinante para a ocorrência de dano ao erário, ele, pela própria redação do artigo 23, é um dos elementos a ser avaliado para, conjuntamente com eventuais outras demais provas de abuso por parte do sujeito passivo (como omissão de informações relevantes dos importadores para acobertar irregularidades nas operações de comércio internacional), caracterizar a ocultação do real importador da mercadoria. In casu, os produtos importados (farinha de trigo) são contemplados com alíquota zero do PIS/PASEP e Cofins (art. 1, inciso XIV da Lei 10.925/2004, MP 433/2008), Imposto Importação (Decreto Exec. 550/1992) e do IPI (Decreto 6006/2006). Não existiu, nem mesmo era possível existir eventual “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Com relação à simulação, lembrese que se trata de é um dos motivos de invalidade dos negócios jurídicos, em que há a conluio de ambas as partes visando desviar de obrigações legais e enganar terceiros ao criar uma aparência de negócio que não se coaduna com a vontade real dos sujeitos. No caso da controvérsia aduaneira em questão, “ocultador” e “ocultado” devem conjuntamente trabalhar na prestação de informações falsas às autoridades aduaneiras. Como já foi sobejamente demonstrado por Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em artigo inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”: 6 Percebese que tanto a fraude como a simulação dependem da existência da intenção deliberada do agente de praticar o ato criminoso, pois não comporta a figura culposa (negligência, imprudência, imperícia). A demonstração de que a produção do ato criminoso (fraude ou simulação) era desejada é o indicativo do dolo. 6 DOMINGO, Luiz Roberto e SARTORI, Ângela. Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude – a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior. in “A tributação Aduaneira à luz do CARF”, Ed. MP, 2013, p. 61 e53 a 68) Fl. 895DF CARF MF 18 Portanto, a peça acusatória do dano ao Erário depende de três elementos de fato, aos quais a fiscalização aduaneira não pode negligenciar: i) a prova da ocultação; ii) a prova da fraude ou da simulação; iii) a prova do dolo, cuja demonstração de que a operação foi assim intentada com o propósito de ‘lesa pátria’, é indicativa. Não foi apontada pela fiscalização a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Insisto que a lei descreve uma conduta cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”, como ressaltou a antiga composição desse Colegiado: “não basta a ‘ocultação pura e simples’, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76” (cf. Acórdão nº 3402002.2275, da 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF no Proc. nº 10983.721008/201292, em sessão de 28/01/2014, Rel. Cons. Des. João Carlos Cassuli Jr). Nesse mesmo sentido, destaco a ementa do seguinte julgado: MERCADORIA NACIONAL OU IMPORTADA CONSUMIDA OU DADA A CONSUMO, COM IRREGULARIDADE, FRAUDE OU FALSIFICAÇÃO. Inexistindo demonstração dessas ocorrências dolosas no procedimento do contribuinte, descabe a aplicação de qualquer penalidade. RECURSO PROVIDO.(Acórdão n° 30332.025 da 3ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 130.041, Proc. nº 10921.000045/200216, em sessão de 18/05/05, Rel. Cons. SÉRGIO DE CASTRO NEVES). Portanto, no presente caso a Fiscalização não demonstrou a ocorrência do dolo na conduta das partes, apta a acarretar na perda de perdimento das mercadorias. Não se caracteriza, portanto, a ocultação do real importador das mercadorias, com todos os elementos necessários para tanto, a ensejar a pena de perdimento convertida em multa, nos moldes do artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76, o que impõe a necessidade de cancelamento do auto de infração. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário da Pontual e por dar provimento ao recurso voluntário da Multifort, para cancelar a multa do artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76 aplicada pelo presente auto de infração. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 896DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 888 19 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento deste processo ousei divergir do Voto da Ilustre Conselheira Relatora quanto à análise do mérito do recurso voluntário conhecido. A prova indireta é aquela que não tem por objeto o fato probando, mas outros a ele relacionados, de modo que, pelo raciocínio, chegase ao fato que se quer provar, in casu, a "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. A presunção simples é o resultado do processo lógico, mediante o qual, da existência de um fato reconhecido como certo (provas indiciárias), inferese outro fato cuja existência é provável. Com efeito, em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização, no presente caso, apurou todo um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §§1º e 3º do Decretolei n° 1.455/76. Conforme se verifica no relatório fiscal, inicialmente a fiscalização apurou um quadro indiciário convergente no sentido de que a importadora PONTUAL realizava importações terceirizadas, declarandoas como se fossem importações diretas, e depois, concentrandose especificamente nas importações ora autuadas, concluiu que a PONTUAL importou por conta e ordem da empresa MULTIFORT, sem cumprir nenhum dos requisitos previstos na legislação para a importação nessa modalidade, ocultando, mediante simulação, a identificação dessa empresa na importação. Com relação ao contexto geral das operações realizadas pela PONTUAL no período fiscalizado, constatou a fiscalização que: a) A fiscalizada declarou receitas brutas de vendas decorrentes da comercialização das mercadorias importadas no mercado interno que pouco superam os dispêndios na importação, menores que 10% (com exceção de 2009, quando chegou perto de 20%), indicando uma margem de lucro pequena para uma empresa que comercializa produtos importados por conta própria. A ínfima margem de lucro é incompatível com o objeto social de uma empresa que pretenda importar mercadorias em seu nome e comercializálas posteriormente no mercado interno. b) A PONTUAL possui poucos empregados registrados desde a sua constituição, o que tornaria difícil a operacionalização e logística de uma empresa que importa toneladas de mercadorias como grãos e peças de carros, entre outros, por conta própria, para depois revendêlas no mercado interno. Fl. 897DF CARF MF 20 c) Nas sua operações, a PONTUAL emitia notas fiscais de saída de mercadorias importadas em numerações em datas próximas ou idênticas às notas fiscais de entrada destas mercadorias, com mesmas quantidades e várias vezes mesmos transportadores em ambas as notas. d) A sócia da autuada, Sra. JANICE ELAINE GRINGS, prestou informação à fiscalização no sentido de que: a) a PONTUAL opera com "vendas casadas", negociando primeiro com clientes nacionais para depois contatar os fornecedores, em aproximadamente 60 a 70% das vendas; b) Houve casos em que realmente prestou serviços, atuando como importadora por conta e ordem de terceiros, mas apenas no início para conseguir uma alavancagem financeira; c) Era ela que negociava com o exportador chinês, mas eventualmente já possuía algum produto encomendado antes da importação. e) A contabilidade da PONTUAL está eivada de vícios. Várias vendas no mercado interno escrituradas na contabilidade como “à vista” (com débito da conta “Caixa” ou “Bancos”), na verdade foram pagas a prazo, segundo informações prestadas pela própria PONTUAL em atendimento às intimações feitas pelo Fisco para demonstrar alguns recebimentos de operações específicas. Essa inconsistência repetiuse nas respostas enviadas pelos adquirentes quando circularizados pela equipe de fiscalização, muitas vezes com formas e datas de pagamentos divergentes tanto em relação à escrituração contábil quanto às respostas enviadas ao Fisco pela fiscalizada. Com relação às importações autuadas no presente processo, apurou a fiscalização que: i) Houve o provimento de recursos por parte do adquirente para o pagamento (ainda que parcial) das importações em questão, antecipadamente à quitação do contrato de câmbio, e antes também do próprio registro da DI, tendo a PONTUAL tentado ocultar essa informação relevante do Fisco. ii) Além disso, verificouse inconsistência na escrituração contábil nas vendas das mercadorias objeto da DI nº 09/17598215, na qual elas foram escrituradas contabilmente como “à vista” (nota fiscal 102, emitida em 11/12/2009 – Anexo 41), mas a própria fiscalizada, em resposta ao Fisco, disse ter recebido tal pagamento a prazo, em 05/01/2010 (R$ 18.774,41), 13/01/2010 (R$ 29.000,00) e 27/01/2010 (R$ 5.092,19). iii) As respostas às intimações da importadora PONTUAL e do adquirente MULTIFORT, foram divergentes relativamente a várias operações, sendo que a planilha da PONTUAL trazia informações de que todos os pagamentos foram posteriores às quitações dos contratos de câmbio e aos registros das respectivas DIs. Além disso, a MULTIFORT admitiu que “a maioria das quitações são realizadas através de adiantamento efetuado no ato do pedido, sendo este feito com antecedência por se tratar de um produto importado", demonstrando seu pleno conhecimento de que aconteceriam as importações e que estava antecipando recursos para a realização das mesmas. iv) Ocorre que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, de acordo com o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, de forma que a operação não poderia ter sido registrada na modalidade “direta”. Dessa forma entendo que os elementos que constam nos autos, acima enumerados, tanto relativos ao contexto geral das importações da PONTUAL em determinado período, como às importações específicas objeto de autuação, são suficientes para a conclusão da fiscalização de que: (...) A empresa adquirente de parte das mercadorias importadas através das DIs auditadas (sendo o restante, como citado, adquirido por outra empresa pertencente aos mesmos sócios) pagara por tais mercadorias antes das quitações dos respectivos contratos de câmbio (no caso de todas as importações auditadas Fl. 898DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 889 21 no presente relatório). Comprovantes das transferências bancárias atestam a provisão dos recursos para a realização de tais pagamentos. A adquirente MULTIFORT inclusive admitiu, como citado, que antecipara recursos, e que sabia que se tratava de mercadoria a ser importada. A Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 27, define que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presume se por conta e ordem deste. (...) A empresa MULTIFORT concorreu para a efetivação das importações ao prover os recursos antecipadamente à quitação dos contratos de câmbio vinculados às importações auditadas – e em alguns casos antecipadamente às próprias emissões das faturas comerciais que acobertaram as respectivas transações internacionais. (...) As hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Dessa forma, como a subtração de tributos não integra o tipo infracional sob análise, a eventual não incidência, alíquota zero ou a isenção de tributos nas importações não é relevante ao caso. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação, mediante fraude ou simulação, do comprador ou adquirente na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". Nessa esteira, a fraude a que se refere o dispositivo deve ser entendida no sentido amplo, e não na acepção restrita do art. 72 da Lei nº 4.502/64, associada ao não pagamento ou diferimento do tributo. Também há de se esclarecer que as questões relativas à "quebra da cadeia do IPI" ou à "lavagem de dinheiro" dizem respeito às justificativas originais do legislador ordinário para coibir a interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, entretanto, esses temas, in concreto, não integram o tipo infracional. Dessa forma, mesmo que, no presente caso, não ocorra a quebra da cadeia do IPI ou não seja o caso de lavagem de dinheiro, esse fato, por si só, não tem o condão de afastar a infração cometida em conformidade com o disposto no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76. Também o fato de eventualmente a empresa importadora ter recursos suficientes para realizar as operações, não a exime da presente infração, vez que não se trata de situação de presunção legal de interposição fraudulenta na importação a que se refere o §2° do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, mas o seu inciso V. Embora a falta de recursos próprios para realizar as importações possa conduzir à conclusão de que as operações foram realizadas no interesse de outrem, pode acontecer, em tese, de a importadora ter recursos próprios para efetuar as importações, mas as realize para outros, acobertandoos por qualquer motivo, situação que também caracterizaria o cometimento da infração prevista no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. Fl. 899DF CARF MF 22 Embora a MULTIFORT tenha até colaborado com o procedimento fiscal, os documentos apresentados só vieram aos autos por solicitação da fiscalização, após a perda da espontaneidade, nos termos do art. 102 do Decretolei nº 37/66. A MULTIFORT contribuiu para a realização da importação com a sua ocultação, solicitando previamente os produtos a serem importados e adiantando os valores para as importações, mas sem atender ao disposto na legislação para a realização de uma operação terceirizada, que determina, dentre outras exigências, a necessidade de habilitação da empresa adquirente/encomendante para operar no comércio exterior e de apresentação à Aduana do contrato com a importadora. Dessa forma, ela responde pela infração seja porque concorreu para a sua prática, nos termos do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37/66, seja porque é considerada a adquirente numa operação por conta e ordem, nos termos do inciso V desse artigo. Houve a realização de operações por conta e ordem pela importadora PONTUAL com a ocultação, mediante simulação, da identificação da adquirente MULTIFORT nas declarações de importação, em desacordo com o disposto na legislação. Também na escrituração contábil da PONTUAL, os adiantamentos para a importação não foram contabilizados corretamente, no intuito de ocultar do Fisco o fato de que se tratavam de operações terceirizadas. Em outra situação semelhante ao presente caso neste CARF, bem consignou, em seu Voto, o Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, no Acórdão nº 3101001.789 – 3ª Seção do CARF/ 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (vide trecho abaixo), de 11 de dezembro de 2014, que a "simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda": (...) Já a simulação, dentro da definição de Alberto Xavier como “um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros”, está claramente caracterizada na ocultação do sujeito passivo. Recorro também ao conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): (...) A simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. A natureza da operação declarada é uma (importação por conta própria) e na realidade é outra (importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda). Também é encontrado no direito aduaneiro a previsão de simulação, dada pela IN SRF Nº 228/2002 (grifo nosso): Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. (...) Da mesma forma, a omissão da informação do real importador ou responsável pela operação na Declaração de Importação, Fl. 900DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 890 23 evadindose do devido controle aduaneiro na importação, caracterizase como simulação, visto que ocorre a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Na ocultação fraudulenta ou simulatória, o sujeito passivo fica a margem da relações obrigacional tributária e do devido controle aduaneiro. (...) Por fim, entendo que não há qualquer irregularidade na exigência da multa veiculada pelo artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76 da importadora ostensiva. Quem primeiro responde por uma infração é o seu próprio agente, assim considerado a pessoa física ou jurídica que incorre na omissão ou ação, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de norma legal estabelecida, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37/66. Além desse agente direto podem responder pela infração aduaneira as demais pessoas referidas no art. 95 do Decretolei nº 37/66 na condição de "responsáveis pela infração". Com efeito, na infração por ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, o agente direto da infração deve ser deduzido da própria conduta coibida pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, qual seja, a ocultação fraudulenta do sujeito passivo, daí se concluindo que ele é o importador ostensivo, que é quem efetivamente pratica a ação de "ocultar fraudulentamente" o verdadeiro sujeito passivo na importação, sem prejuízo de outras pessoas também responderem por essa infração com fundamento do art. 95 do Decretolei nº 37/66, em especial, o adquirente da mercadoria na importação por conta e ordem (inciso V) e o encomendante predeterminado (inciso VI), conforme seja o caso. Assim, in casu, configurada a materialidade da infração aduaneira veiculada pelo art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, não há como se afastar a aplicação da penalidade respectiva ao "responsável pela infração" (MULTIFORT), nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66, muito menos ao seu agente direto, qual seja, a importadora ostensiva (PONTUAL). De outra parte, não se configura a retroatividade benigna em favor da importadora ostensiva, vez que a multa por cessão de nome foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Quando não havia previsão da multa de cessão de nome no ordenamento, ocorria que, na hipótese da aplicação (física) da pena de perdimento às mercadorias, não obstante o agente direto da infração prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76 fosse mesmo o importador ostensivo, como se disse acima, sendo a ele aplicada a penalidade respectiva, quem poderia acabar suportando o efeito dessa penalidade era o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que seria efetivamente privado do seu uso e gozo. Nessa esteira, é que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 com intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias. Fl. 901DF CARF MF 24 Esse entendimento se confirma com a interpretação veiculada posteriormente pelo art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). No que concerne à multa por cessão de nome, o seu agente direto está definido expressamente no tipo como "a pessoa jurídica que ceder seu nome (...) para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus intevenientes ou beneficiários", qual seja, a importadora ostensiva, sem prejuízo também da eventual responsabilização de outra pessoa física ou jurídica com base no art. 95 do Decretolei nº 37/66. Nesse ponto cabe salientar que o fato de o agente direto da infração estar expresso no tipo dessa infração não é suficiente para afastar a responsabilização de outras pessoas em face da determinação contida em outro dispositivo de lei (art. 95 do Decretolei nº 37/66). Dessa forma, entendo não ser aplicável a retroatividade benigna à importadora ostensiva ou a penalidade mais benéfica. No Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado já decidiu por unanimidade, no Acórdão nº 3402 003.008 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa substitutiva. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 902DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 891 25 Fl. 903DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722145/2009-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 21 45 /2 00 9- 72 Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000915/99-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
período de Apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos declaratórios para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal período de Apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos declaratórios para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos declaratórios para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 15 /9 9- 21 Fl. 253DF CARF MF 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório A Fazenda Nacional opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº, 3201001.909, de 18/03/2015 que foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. Excepcionalmente, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, a qual foi submetida ao regime da repercussão geral, esse prazo é de dez anos para pedidos de restituição e compensação relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Alega a embargante que teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão (ata do julgamento) e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão. Isso porque o dispositivo do acórdão restou assim consignado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.” De outro lado, a conclusão do voto condutor do acórdão assim expressou: “DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, reconhecer integralmente o direito creditório da Recorrente e homologar o seu pedido de compensação.” Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração, posto que teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10865.000915/9921 Acórdão n.º 3201002.604 S3C2T1 Fl. 250 3 Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A Fazenda Nacional, como relatado, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão Cumpre relembrar que versa sobre solicitação de restituição de indébitos de Finsocial recolhidos acima da alíquota de 0,5%, no valor de R$ 12.404,94, conforme pedido de fl. 02 e demonstrativo de fl.07, referente ao período de apuração de 01/01/1991 a 31/03/1992, cumulado com pedidos de compensação de débitos de Cofins, IRPJ, CSLL e PIS às fls. 01, 23 e 29. O processo está instruído com as guias de recolhimento de fls. 08/22. Uma parte dos recolhimentos foram efetuados em 28/02/1994 e 24/03/1995. O restante, durante o ano de 1991. A DRF/Limeira, no Despacho Decisório de fls. 39/40, deferiu em parte a solicitação da contribuinte, autorizando o aproveitamento dos créditos relativos aos pagamentos realizados em 24/03/1995, referentes aos períodos 08/91, 09/91, 11/91, 12/91, 01/92 e 02/92. Como o pedido foi protocolado em 10/06/1999, conseqüentemente não alcança os pagamentos efetuados entre 15/02/1991 e 28/02/1994 em razão da decadência do direito de restituição/compensação. Transcrevese trecho do voto, nessa parte, para deixar bem evidente, que a matéria foi devidamente abordada: Considerando que o único fundamento utilizado pela DRF/Limeira, e mantido pela DRJ/Ribeirão Preto, para não reconhecer a íntegra do crédito pleiteado pela Recorrente é a decadência parcial; que o STF decidiu, em sede de repercussão geral, que, para os pedidos formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, deve ser observado o prazo de 10 (dez) anos para repetir ou compensar indébitos relativos a tributo sujeito a lançamento por homologação (Recurso Extraordinário nº 566.621); que o pedido de compensação ora analisado referese a tributos sujeitos a lançamento por homologação e foi protocolado em 1999, ou seja, antes do início da vigência da referida lei complementar; que os membros do CARF devem reproduzir as decisões do STF proferidas em sede de repercussão geral (art. 62A do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF), DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, reconhecer integralmente o direito creditório da Recorrente e homologar o seu pedido de compensação. Fl. 255DF CARF MF 4 De fato, verificase a contradição apontada pela embargante: enquanto que o dispositivo do acórdão consigna dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à origem para apreciação do mérito, a conclusão do voto condutor do acórdão manifesta se no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Logo, a PGFN tem razão, pois há contradição no referido acórdão, dispositivo do acórdão consigna dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à origem para apreciação do mérito, a conclusão do voto condutor do acórdão manifesta se no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Portanto, a conclusão do voto condutor do acórdão deve expressar da seguinte forma: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.” Ou seja, corrigir o voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento, pois assim, fica condizente com o que foi decidido pela turma de julgamento. A motivação de se decidir desta forma acima (acórdão de acordo com o dispositivo da ata), é que no acórdão em discussão, reconheceuse o direito, afastando a decadência, no entanto, para efeito de levantamento do direito de crédito, resta a análise que deve ser feita, à vista da documentação probante. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja acolhido o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721217/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
DESPESAS COM FRETE. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis as despesas com fretes efetivamente incorridas e comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro José Roberto, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar os juros sobre a multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 DESPESAS COM FRETE. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas com fretes efetivamente incorridas e comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas com fretes efetivamente incorridas e comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro José Roberto, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar os juros sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 17 /2 01 2- 15 Fl. 4378DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Autos de Infração relativos ao IRPJ (fls. 3.264 a 3.278) e à CSLL (fls. 3.279 a 3.290), lavrados pela DEMAC/RJ em 19/12/2012, com ciência da Interessada em 27/12/2012 (fls. 3.265 e 3.280), nos quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL, nos valores, respectivamente, de R$ 16.277.843,16 e de R$ 5.860.023,54, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, em face da apuração das seguintes infrações (descrição extraída do Auto de Infração do IRPJ, observandose que para a CSLL as infrações são idênticas, uma vez que se trata de lançamento decorrente, mudando apenas o enquadramento legal): Fl. 4379DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 4 3 A descrição detalhada dos fatos que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.168 a 3.262, o qual faz parte deles. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 24/01/2013 (carimbo de fl. 3.302), a Impugnação de fls. 3.304 a 3.349, com anexos de fls. 3.350 a 4.190, por meio da qual alega que são dedutíveis as despesas consideradas indedutíveis com (i) as empresas que prestam serviços de frete; (ii) as operadoras de cartões de crédito; (iii) os vales compra; e (iv) as mercadorias entregues aos clientes, mas não pagas em virtude de fraude (créditos de difícil recuperação). Por outro lado, em relação às despesas incorridas em razão da variação cambial em seus empréstimos, concorda com o Autuante que estas foram lançadas em período equivocado, qual seja o anocalendário de 2009, motivo pelo qual reconhece que são devidos os valores de IRPJ e CSLL relacionados a essa despesa, e afirmou que promoveria o recolhimento do respectivo débito. Fl. 4380DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 5 4 O relator da decisão de piso optou por apresentar os fatos e os detalhes da autuação ao longo do voto, que é bastante extenso e será apreciado mais adiante. Assim, em sessão de 21 de novembro de 2013, a 9a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto, os membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Dar Provimento em Parte à Impugnação, para do crédito tributário em litígio, no valor de R$ 16.208.128,54 de IRPJ, R$ 5.834.926,28 de CSLL, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, Manter o crédito de R$ 1.397.269,18 de IRPJ e R$ 503.016,91 de CSLL, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. Com a decisão foi apresentado Recurso de Ofício, em razão do limite de alçada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, com ênfase na dedutibilidade das despesas incorridas pela interessada e na inaplicabilidade da SELIC ao presente caso, bem assim como a impossibilidade de se aplicar juros sobre a multa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Destacase, de plano, que a decisão de piso exonerou mais de 90% do crédito originalmente autuado, por considerar comprovada grande parte das despesas glosadas. Contra o valor remanescente insurgese a Recorrente, enquanto que a parcela exonerada é objeto do Recurso de Ofício. O valor mantido pela DRJ diz respeito a parte das despesas com frete e aos custos com administradoras de cartões de crédito. Fl. 4381DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 6 5 Defende a Recorrente que não há dúvidas sobre a natureza ou necessidade das despesas e que a parte mantida pela decisão de piso, por falta de comprovação documental, deve ser afastada. Os argumentos trazidos pela Recorrente são os seguintes: apresentou farta documentação comprovando que incorreu em despesas operacionais relacionadas aos serviços de postagem necessários ao envio dos produtos vendidos para seus clientes, conforme docs. n°s 9 a 63 de sua impugnação. apesar disso, a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa de algumas das despesas de frete incorridas no período pela Recorrente, por entender que parte dos documentos acostados aos presentes autos não serviria de evidência do efetivo pagamento da despesa. No entendimento da 9a Turma da DRJ/RJ, as seguintes despesas de frete não foram comprovadas e, por isso, devem ser glosadas: (i) R$ 1.210.433,45, referente à Fatura n° 7301500007 emitida pela ECT; (ii) R$ 269.912,05, referente à Fatura n° 203 emitida pela empresa Tex Courier Ltda.; e (iii) R$ 505.107,97, referente às Faturas n°s 591, 593, 594, 595, 596 e 598 emitidas pela empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. No que se refere ao valor de R$ 1.210.433,45 pago à ECT, a Recorrente juntou aos autos a fatura emitida pela empresa de frete, bem como o extrato bancário que comprova o pagamento desse valor (vide docs. n°s 19 e 20 de sua impugnação), a fim de demonstrar o pagamento dessa despesa. Contudo, a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa dessa despesa por, supostamente, não ter sido localizado o seu comprovante de pagamento, conforme indicado às fls. 4.251. Ocorre que esse entendimento da 9a Turma da DRJ/RJ se deve ao fato de estar escrito a frase "não localizado", a lápis, no extrato trazido aos autos pela Recorrente como comprovante de pagamento (vide doc. n° 20 da impugnação). Entretanto, esse extrato emitido pelo banco da Recorrente é prova mais do que suficiente para comprovar que houve o efetivo pagamento da Fatura n° 7301500007. Além disso, a Recorrente trouxe aos autos a Carta 00021/2013 GEVEC/DR/RJ emitida pela ECT, que relaciona todos os valores quitados no período de 2008 a 2009 (vide doc. n° 65 da impugnação), inclusive o valor glosado de R$ 1.210.433,45 (vide linha 15 da planilha contida no doc. n° 65 da impugnação). Fl. 4382DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 7 6 Ou seja, além do comprovante de pagamento, existe uma carta emitida pela própria ECT, empresa não vinculada à Recorrente, informando que as faturas de frete do período de 2008 a 2009 foram integralmente quitadas. Portanto, resta mais do que comprovado que a Recorrente efetuou o pagamento do valor de R$ 1.210.433,45 em favor da ECT, razão pela qual a glosa desse montante como despesa operacional merece ser cancelada por V.Sas. (grifamos) Acerca deste ponto, entendo ter razão a Recorrente. A análise dos documentos citados, que reproduzo a seguir, demonstra que o valor de R$ 1.210.433,45 consta da fatura emitida pela ECT, relativa a janeiro de 2009, assim como consta do extrato bancário apresentado pela interessada. A anotação de "não localizado na data" provavelmente se refere ao fato de que a liquidação não ocorreu em na data pesquisada pelo banco. Vejamos a seguir os documentos, a começar pela fatura (doc. 19): Extrato bancário: Fl. 4383DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 8 7 Carta enviada pela ECT à Recorrente: Fl. 4384DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 9 8 Anexo em que consta a relação de faturas liquidadas: De se notar que de acordo com a ECT, a emissão da fatura em questão ocorreu em 23 de janeiro de 2009, com vencimento em 05 de fevereiro de 2009 como consta Fl. 4385DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 10 9 do documento acima, o que provavelmente explica a não localização do título na pesquisa efetuada pelo banco, que se restringiu à data de 19 de janeiro. Assim, tendo em vista a informação prestada pela ECT, que é empresa pública e, portanto, desvinculada da Recorrente, entendo que deve ser admitida como verdadeira a sua declaração, de sorte que me parece comprovada a existência e a liquidação da despesa de R$ 1.210.433,45, o que enseja afastar a sua glosa e considerála como dedutível. Em relação ao valor de R$ 269.912,05, cuja glosa foi mantida pela decisão de piso ante a não apresentação na nota fiscal de n. 203, assim se manifesta a Recorrente: Ora, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração, o valor de R$ 269.912,05 referese à despesa com frete, não tendo sido questionada em momento algum a sua natureza, mas apenas o seu efetivo pagamento. Assim, não pode ser mantido o entendimento da 9a Turma da DPJ/FU de que a Recorrente não comprovou nos autos a despesa de R$ 269.912,05 paga em favor da Tex Courier Ltda. Afinal, o comprovante de pagamento foi devidamente juntado aos autos (vide doc. n° 69 da impugnação), razão pela qual deve ser cancelada a glosa dessa despesa. De toda forma, a Recorrente traz à colação a Fatura referentes a esse serviço, como forma indubitável de demonstrar as despesas incorridas pela Recorrente com os serviços de frete prestados pela Tex Courier Ltda (doc. n° 3). O documento n. 69 da impugnação apresenta o extrato do banco, a movimentação de pagamentos e a ficha de compensação do pagamento, conforme segue: Fl. 4386DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 11 10 Com o Recurso Voluntário, a interessada anexou o doc. 3, que compreende a fatura e a duplicata relativas à prestação do serviço (fls. 4.358). Como não está em discussão a natureza das despesas, mas o seu efetivo pagamento, para fins de dedutibilidade, entendo que resta comprovado o pagamento pelos serviços pela Tex Courier Ltda., mas apenas quanto ao valor de R$ 242.920,84, conforme consta dos documentos ao norte. Tendo em vista que o valor glosado foi de R$ 269.912,05, remanesce sem comprovação a diferença de R$ 26.991,21. Assim, voto por afastar parcialmente a glosa relativa à Tex Courier no montante de R$ 242.920,84. No que se refere aos serviços que teriam sido prestados pela empresa Sete Serviços de Entrega e Títulos, aduz a Recorrente que: Fl. 4387DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 12 11 Assim como ocorreu com a despesa de frete incorrida com a empresa Tex Courier Ltda., a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa das despesas de frete incorridas pela Recorrente com a empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. em razão da não apresentação das Notas Fiscais n°s 591, 593, 594, 595, 596 e 598. Com a devida vênia, novamente não possui razão a manutenção da glosa das despesas incorridas com a empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. devido à não apresentação das mencionadas notas fiscais. Contudo, neste caso, não foram apresentadas as notas fiscais ou faturas pelos serviços prestados, de sorte que entendo não merecer reparos a decisão de piso, que manteve a glosa das respectivas despesas com os seguintes fundamentos: Para o item nº 6, a Interessada alegou no item nº 75 da Impugnação que se referem a serviços prestados pela empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomendas Ltda., consubstanciados nas Notas Fiscais nºs 591, 593, 594, 595, 596 e 598, que teriam sido quitadas em 05/12/2008 e 08/12/2008 (doc. nº 68). Examinando o doc.nº 68, verifiquei que se trata de 6 (seis) documentos de crédito nºs 013552 (05/12/2008), 006116 (08/12/2008), 006108 (08/12/2008), 006117 (08/12/2008), 006109 (08/12/2008) e 006110 (08/12/2008), nos valores, respectivamente, de R$ 274.051,23, R$ 1.639,61, R$ 15.890,03, R$ 1.534,16, R$ 189.060,55 e R$ 22.932,39, num total de R$ 505.107,97, em que o remetente é a Interessada e o destinatário é a Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. Quanto às Notas Fiscais nº 591, 593, 594, 595, 596 e 598, elas não foram apresentadas, de modo que considero não comprovada a despesa de R$ 447.433,65. (grifamos) Acolho e ratifico, neste ponto, o entendimento da decisão de primeira instância, no sentido de que não foi comprovada a despesa de R$ 447.433,65. No que tange às despesas com remuneração da taxa de administração das operadoras de cartões de crédito, a Recorrente reproduz as alegações apresentadas na impugnação, que podem ser assim resumidas: Vale notar que em todos os contratos firmados pela Recorrente com as operadoras de cartão de crédito há, ao menos, uma cláusula regulamentando a retenção da taxa de administração dos cartões pela operadora (vide docs. 70 a 77 da impugnação), sendo esta a prática atualmente adotada pelo mercado. Dessa forma, essas retenções feitas pelas operadoras dos cartões de crédito são verdadeiras despesas operacionais incorridas pela Recorrente, na medida em que sem essa retenção seus clientes não poderiam comprar seus produtos usando cartões de crédito. Assim, a Recorrente deduz da sua base de cálculo do Fl. 4388DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 13 12 IRPJ e da CSLL o montante retido pelas operadoras de cartões de crédito a título de taxa de administração. (...) Diante disso, a Recorrente apresentou seu controle mensal dos valores retidos pelas operadoras de cartão de crédito para quitação das taxas de administração dos cartões utilizados pelos seus clientes, bem como do montante que foi efetivamente depositado em sua conta corrente (vide docs. n. 78 a 80 da impugnação). A Delegacia de Julgamento entendeu que somente os controles internos da interessada sobre as retenções efetuadas pelas operadoras, aliados aos extratos bancários que compõem a documentação acima mencionada não eram suficientes para a comprovação da efetiva ocorrência das despesas. Com o Recurso Voluntário, a interessada anexou novos documentos e aduziu que: Dessa forma, ao comparar esses extratos com a movimentação bancária da Recorrente, fica mais do que evidente que os depósitos efetuados na conta bancária da Recorrente, cujo histórico seja CRED TED, são, na verdade, depósitos realizados pela REDECARD, já deduzidos da taxa de administração de cartão de crédito. Assim, esses montantes também devem ser levados em consideração para fins de cálculo da despesa incorrida pela Recorrente com as taxas de administração das operadoras de cartões de crédito, conforme feito pelo Ilustre Relator do acórdão proferido pela 9a Turma da DRJ/RJ. Já no tocante às despesas com as taxas de administração das operadoras de cartão de crédito incorridas em janeiro e dezembro de 2008, bem como os depósitos cujo histórico seja, "CR MASTER" ou "TRANSF. VALOR ENTRE CONTA", a Recorrente informa que já solicitou informações sobre essas operações à instituição financeira responsável pela administração de suas contas bancárias e irá apresentar os extratos bancários que comprovam os depósitos realizados pela REDECARD no período e sobre os quais também foram cobradas taxas de administração. Portanto, também deve ser parcialmente reformado o v. acórdão proferido pela 9a Turma da DRJ/RJ, a fim de que seja integralmente cancelada a glosa dessas despesas com taxas de administração das operadoras de cartão de crédito, o que desde já se requer. Entendo que a análise dos novos documentos colacionados, que são apenas parciais, como admite a Recorrente, não comprova, para além de qualquer dúvida, as alegações da interessada. Fl. 4389DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 14 13 Pareceme que empresa do porte das administradoras de cartões de crédito não teriam dificuldade em apresentar documentos cabais sobre a retenção ou pagamento das taxas de administração, notadamente em relação a um cliente, como a Recorrente, que se autodenomina como a maior empresa varejista de produtos via catálogo e websites. Ademais, como prestadoras de serviços, as administradoras de cartões de crédito estão obrigadas à emissão de notas fiscais, documentos que não constam dos autos. Nesse contexto, não há como acolher a pretensão da interessada, sendo de rigor manter o correto (e sobretudo justo) entendimento esposado pela decisão de piso, que assim se manifestou: Como relatado, a Interessada alega que as despesas em questão são decorrentes dos serviços a ela prestados pela Redecard, nos termos do contrato anexado à Impugnação (Doc. Nº 76, Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, fls. 3.838 a 3.841, Anexo IV ao Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, de 23/10/2000, fls. 3.842 a 3.843, Correspondência da Redecard de 28/02/1997, fl. 3.844, e Correspondência da Redecard para a Hermes, de 07/10/2005, fl. 3.845). Como é sabido, o prestador de serviços, sempre que executar serviços, é obrigado a emitir Nota Fiscal de Serviços. É o que determina o art. 191 do Decreto nº 10.514, de 8 outubro de 1991: (...) Assim sendo, era de se esperar que a Interessada apresentasse ao Fisco as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Redecard relativamente aos serviços prestados, sendo que os somatórios dos seus valores, por períodos, deveriam ser idênticos aos dos valores das despesas em questão. A Interessada não apresentou qualquer Nota Fiscal de Serviço da Redecard, o que parece indicar que elas não foram emitidas. Apesar de que a obrigação de emissão da Nota Fiscal de Serviço era da Redecard, também era de se esperar que a Interessada exigisse de sua prestadora de serviço a emissão da Nota Fiscal de Serviço, por muitos motivos, dentre eles, evidentemente, o de fazer prova da prestação do serviço. Para comprovar as despesas em questão de janeiro, julho e novembro de 2009, nos valores, respectivamente, de R$ 1.354.316,66, R$ 1.210.761,49 e R$ 1.510.024,21, a Interessada anexou à Impugnação extratos bancários de contas correntes suas no Banco Bradesco, agência 2373, conta 375918, e na Caixa Econômica Federal, conta 0232/003/000004002, nas quais teriam sido efetuados depósitos pela Redecard, em decorrência de obrigação contratual (Doc nº 78 a Doc nº 80, fls. 3.925 a 3.977). Para as despesas em questão de janeiro e dezembro de 2008, nos valores, respectivamente, de R$ Fl. 4390DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 15 14 862.058,88 e R$ 724.362,09, a Interessada não trouxe qualquer comprovação. Os depósitos identificados pela Interessada nos extratos bancários do Bradesco têm como histórico “TEDTRANSF ELET DISPON REMET.REDECARD AS” ou “RECEBIMENTO FORNECEDOR REDECARD S A” OU “TRANSF. VALOR ENTRE CONTA”, de modo que considero que só os dois primeiros históricos comprovam que se trata de depósito efetuado pela Redecard. Os depósitos identificados pela Interessada nos extratos bancários da Caixa têm como histórico “CRED TED” ou “CR MASTER”, de modo que considero que nenhum destes históricos comprova que se trata de depósito efetuado pela Redecard. Compulsando os documentos apresentados pela Interessada que regulam a relação entre ela e a Redecard (Doc. Nº 76, Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, fls. 3.838 a 3.841, Anexo IV ao Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, de 23/10/2000, fls. 3.842 a 3.843, Correspondência da Redecard de 28/02/1997, fl. 3.844, e Correspondência da Redecard para a Hermes, de 07/10/2005, fl. 3.845), estou convencido de que se tomarmos os valores depositados pela Redecard nas contas bancárias da Interessada e os dividirmos por 97 (depósito de 97% do valor bruto de venda) e multiplicálos por 3 (3% de taxa de administração cobrada pela Redecard), obteremos valores que podem ser considerados como despesas comprovadas da Interessada. Estes valores são menores do que os contabilizados pela Interessada, sendo que as diferenças considero como despesas não comprovadas. Preparei as tabelas abaixo para os meses de janeiro, julho e novembro de 2009, com base nos depósitos da Redecard na conta da Interessada no Bradesco e no critério explicado no item anterior para apurar a despesa comprovada, concluindo que das despesas em questão de janeiro, julho e novembro de 2009, nos valores, respectivamente, de R$ 1.354.316,66, R$ 1.210.761,49 e R$ 1.510.024,21, ficaram comprovadas, respectivamente, R$ 1.167.976,89, R$ 923.512,75 e R$ 1.334.880,42: (...) (grifamos) Verificase, portanto, que a Delegacia de Julgamento aceitou como despesas de taxa de administração o limite de 3% das vendas, conforme previsto no contrato celebrado entre as partes. A medida, sobre ser jurídica, pareceme justa e adequada ao caso em tela, razão pela qual não merece reparos a decisão recorrida, inclusive no que tange à ausência de comprovação para os demais valores supostamente pagos a título de taxa de administração. Em relação aos valores autuados e mantidos, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 16 15 Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 17 16 Por fim, no que respeita à utilização da SELIC como taxa de juros, a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que não podem prosperar os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange ao Recurso de Ofício, constatase que foram aceitas como devidamente comprovadas grande parte das despesas glosadas, cujos documentos foram minuciosamente analisados pelo relator do voto condutor na DRJ. Compulsando os documentos que integram o processo, relativos às despesas com promoções (valecompras) e títulos incobráveis, entendo que não merece reparos à decisão proferida, que acolheu a pretensão da interessada. Quanto às despesas com fretes, conduzo meu voto no sentido de reconhecer como dedutíveis os valores de R$ 1.210.433,45, relativo a serviços prestados pela ECT e de R$ 242.920,84, que foi o valor efetivamente pago e comprovado pelos serviços da empresa Tex Courier. Ante o exposto conheço do Recurso de Ofício, para NEGARLHE provimento, assim como conheço do Recurso Voluntário, para DARLHE parcial provimento, para reconhecer a dedutibilidade das despesas de R$ 1.210.433,45 e R$ 242.920,84, nos termos deste voto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 4393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723622/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório.
AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.
PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão-somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão-somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 36 22 /2 01 3- 73 Fl. 15162DF CARF MF 2 a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tãosomente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários. Fl. 15163DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.164 3 ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 14.408 a 14.430) lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2008, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora. De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal, os lançamentos se devem à apuração da omissão de receitas da atividade de revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada, embora regularmente notificada, deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração (art. 530, III, do RIR/99). O Relatório de Atividade Fiscal descreve o procedimento ao longo de suas 375 páginas, sendo importante destacar os seguintes trechos: 10. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO 818. Como se pode perceber pelo tópico anterior, a receita anual da PRS no ano calendário de 2008 foi de R$ 45.329.043,90, tendo declarado à RFB uma receita de apenas R$ 30.453.407,87. A empresa, no AC 2008, era optante pelo LUCRO PRESUMIDO. 819. Intimada e Reintimada (fls 13.784 a 13.801) a apresentar seus livros contábeis (Diário e Razão, ou Livro Caixa), Livro Registro de Inventário e Livros Registro de Entradas e de Saídas, nada apresentou. Também os verdadeiros sócios (família Tolardo) foram intimados (fls 13.624 a 13.652). Igualmente nada apresentaram. Deste modo frente à não apresentação dos livros obrigatórios, não resta outra alternativa a não ser a tributação pelo LUCRO ARBITRADO. É o que se denota do art 530 do decreto 3.000 de 26 de Março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Fl. 15164DF CARF MF 4 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; 820. De se destacar que, muito embora a empresa não tenha apresentado seus livros contábeis, ainda que os tivesse porventura apresentado, podese antecipar que certamente não seriam aptos à identificação da efetiva movimentação financeira e bancária, ou mesmo para a determinação do Lucro Real, de modo que, por força do inciso II do art 530 do RIR (acima transcrito), igualmente imporseia a tributação pelo Lucro Arbitrado. E podese afirmar que a contabilidade seria imprestável por vários aspectos, senão vejamos: (...) 835. O que se demonstrou neste breve relato é que dentro deste panorama de atuação da REDE PRESIDENTE não há como se considerar apta à aferição do Lucro Real ou à identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, a escrituração contábil apresentada por quaisquer das filiais do esquema REDE PRESIDENTE, posto que essas contabilidades não registram nem de perto as reais operações da respectiva “filial” (empresa), sejam de receitas, custos ou despesas. Eram escriturações confeccionadas apenas “pro forma” com o único intuito de fictamente cumprir uma obrigação legal afastando (ou tentando afastar) a possibilidade de autuações fiscais. Restam completamente imprestáveis à apuração do Lucro Real. 836. A constituição da empresa em nome de laranjas (gerando registros contábeis fictos); os bens (veículos) utilizados pelas empresas porém, registrados em nome de laranjas e cujas despesas, obviamente, não são contabilizadas; funcionários não registrados ou registrados com salários inferiores aos efetivamente pagos (vide MGA233.9 – fls 8.873 a 8.893); todo o esquema de administração clandestina (em “bunkers”) e centralizada, cujas despesas não são contabilizadas; o esquema montado para as compras da REDE, onde algumas empresas são utilizadas para fazer as compras junto aos fornecedores, enquanto outras empresas são utilizadas para fazer o pagamento dessas compras; receitas oriundas de vendas sem notas fiscais de uma empresa, sendo depositadas em contas de outras empresas; enfim, são elementos que denotam a completa imprestabilidade da contabilidade escriturada pelas “filiais”, e mais que isso, a imprestabilidade se dá por vícios que pela sua própria natureza se mostram completamente insanáveis, ou seja, o esquema todo foi engendrado em uma plataforma operacional que impede a regular aferição contábil individualizada de cada empresa. 837. A aferição contábil do resultado do esquema, como vimos, não era feita por meio da contabilidade oficial de cada “filial”, mas sim de forma centralizada, Fl. 15165DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.165 5 por métodos não contábeis, por meio dos controles constantes das planilhas “BALA”. 838. De todo modo, reiterase que a fiscalizada, regularmente intimada e reintimada, NÃO apresentou sua contabilidade ou livro Caixa. Tampouco os verdadeiros sócios da fiscalizada apresentaram qualquer documentação, optando por negar sua participação na empresa (fls 13.784; e 13.821 a 13.824). 839. Assim sendo, efetuase no presente processo o lançamento tributário relativo ao IRPJ e CSSL reflexa, dos 2º, 3º e 4º Trimestre do AC 2008, na modalidade de tributação denominada LUCRO ARBITRADO, tendose por base a efetiva receita bruta obtida pela empresa, conforme amplamente discorrido nos tópicos. Vale destacar também o seguinte trecho do relatório da decisão recorrida: Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, tratase, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada no anocalendário de 2008 foi de R$ 45.329.043,90, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e abatido os tributos já declarados pela autuada em DIPJ e em DCTF, na modalidade lucro presumido. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, Fl. 15166DF CARF MF 6 segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: • Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; • Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; • Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.53915; • Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.83814; • Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 28/12/2013, conforme Edital de fl. 14.451, a interessada não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 07/12/2013, conforme AR de fls. 14.456, 14.457, 14.453 e 14.455, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 06/01/2014 as impugnações de fls. 14.468 a 14.507, 14.547 a 14.585, 14.600 a 14.639 e 14.644 a 14.683, respectivamente, (...). Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 28/12/2013, conforme Edital de fls. 14.463, Robson Marcelo Tolardo apresentou em 06/01/2014 a impugnação de fls. 14.687 a 14.726, (...). Em 11 de dezembro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários, por meio do acórdão 1271.204 (fls. 14.754 a 14.771), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a Fl. 15167DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.166 7 omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As intimações do acórdão 1271.204 e as apresentações de recurso voluntário ocorreram nas seguintes datas: Sujeito Passivo Situação do AR Recurso Voluntário Íris da Silva Tolardo Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.788) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.91714.972) Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Devolvido em 24/11/2015 motivo: outros (fl. 14.791) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.85514.912) Róbson Marcelo Tolardo Devolvido em 24/11/2015 motivo: desconhecido (fl. 14.789) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 15.03715.095 e 15.100 15.158) Rogério Marcio Tolardo Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.786) Apresentado em 22/12/2015 (fls. 14.97515.032) Samuel Tolardo Junior Recebido em 24/11/2015 (fl. 14.787) Apresentado em 21/12/2015 (fls. 14.79414.851) Em seus recursos voluntários os recorrentes alegam: (i) nulidade da decisão de primeiro grau, por ausência de análise das alegações de defesa, (ii) nulidade da intimação, eis que realizada em endereço diverso do indicado na impugnação, (iii) julgamento proferido por autoridade incompetente, pois a autoridade relatora era AuditorFiscal da Receita Federal e não Delegado da Receita Federal conforme determina o art. 25, "a" do decreto 70.235/1972. Ademais, reiteraram ipsis litteris os argumentos expostos na impugnação, quais sejam: 1) nulidade por inexistência de garantia do contraditório e da ampla defesa, pois, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 2) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal em nome dos responsáveis solidários; Fl. 15168DF CARF MF 8 3) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada pelos Correios; 4) a ilegitimidade passiva dos recorrentes, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) ausência de responsabilidade dos recorrentes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, não teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica, e não há prova de benefício por parte dos recorrentes; 10) decadência ou prescrição dos créditos tributários lançados; 11) exclusão ou redução da multa, uma vez que o recorrente não respondia pela empresa, não restou caracterizado o evidente intuito de fraude, o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Requereram também a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos. Anoto ainda o teor do despacho de encaminhamento de fl. 15.161, de 19/02/2016: "A empresa não entrou com recurso voluntário. Todos os sócios solidários entraram com recurso voluntário. Jeanne e robson, apesar de terem o ars devolvidos, tomaram ciência, pois providênciaram o recurso voluntário. Por isso envio a CARF para a análise." É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Fl. 15169DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.167 9 Inicialmente, cumpre notar que a contribuinte não apresentou impugnação nem recurso voluntário, tendo precluído o direito de fazêlo. Os recursos voluntários apresentados pelas pessoas físicas indicadas como responsáveis preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Haja vista que os recursos apresentados são iguais, seja no que concerne às questões suscitadas, seja quanto à fundamentação e aos argumentos alinhados, serão eles objeto de apreciação conjunta. Quanto às nulidades apontadas, não assiste razão aos recorrentes. Nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas hipóteses resta configurada no caso em questão. Os recorrentes alegam genericamente que a decisão de primeiro grau seria nula por ausência de análise das alegações de defesa. Todavia, um exame da decisão recorrida revela que esta, ao longo das 12 páginas do voto, endereça cada uma das razões de defesa apontadas. Tanto é que os recorrentes não foram sequer capazes de apontar a razão de defesa que deixou de ser tratada. Também não procede a alegação de que a intimação seria nula por ter sido realizada em endereço diverso do indicado na impugnação. Isso porque a legislação determina que o contribuinte será notificado no local onde tiver o seu domicílio fiscal (art. 838 do RIR/99, art. 23, II , do Decreto 70.235/1972). Sobre o fato de o julgamento ter sido proferido por AuditorFiscal da Receita Federal e não Delegado da Receita Federal conforme determina o art. 25, "a" do decreto 70.235/1972, este não tem o condão de resultar em nulidade, eis que se trata de autoridade competente, nos termos da Lei 10.593/2002: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) I em caráter privativo: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) b) elaborar e proferir decisões em processo administrativofiscal, ou delas participar, bem como em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência). Fl. 15170DF CARF MF 10 Neste sentido, a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), assim dispõe: Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (...) Quanto às demais razões expostas nos recursos voluntários, os recorrentes se contentam em repetir as mesmas justificativas que foram reportadas para o fiscal e para a DRJ, sem fazer menção específica ao conteúdo da decisão de primeira instância alegando razões para que esta seja reformada. Conforme discorreu o Conselheiro Antonio Bezerra Neto, em seu voto no acórdão 1401001.640, julgado em 07.06.2016, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar de tais princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, neles estão implícitos também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo continua ilustre Conselheiro é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso que, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda porventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem tome conhecimento e, se for o caso, corrijaos e supereos em sua atividade de órgão revisor. Assim, em vista dos argumentos da decisão da DRJ e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, que reproduzo ao final deste voto. Antes, porém, considero importante tecer observações sobre a responsabilidade atribuída aos recorrentes e as razões adicionais pelas quais deve ser mantida. O Relatório de Atividade Fiscal responsabiliza os recorrentes com base nos artigos 124, inciso I, e art 135, inciso III, do CTN, por concluir que eles são os reais proprietários e administradores das empresas integrantes do "esquema REDE PRESIDENTE". Segundo o Relatório de Atividade Fiscal, tal "esquema" consiste em um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”(*), tratase, em verdade, de uma única empresa, originariamente iniciada por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitida aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Fl. 15171DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.168 11 (*) alguns dos “laranjas” eram funcionários da REDE PRESIDENTE, outros terceiros sem qualquer vínculo efetivo com tais empresas e que apenas recebiam algum valor pela utilização de seu nome, e outros ainda sequer sabiam que tiveram seus nomes utilizados. O Relatório de Atividade Fiscal menciona a participação de cada uma das pessoas físicas no esquema, demonstrando não apenas seus poderes de administração como o interesse comum na situação que gerou o fato gerador qual seja: omitir da autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, dando ensejo ao lançamento com base no artigo 530, III, do RIR/99. Apontamos abaixo os principais fatos apontados pelo Relatório de Atividade Fiscal que levam a tal conclusão. Importa observar que tais fatos, embora isoladamente não levem à responsabilização tributária, juntos servem de indícios suficientes de que se tratava de reais proprietários e administradores das empresas integrantes do esquema REDE PRESIDENTE, portanto responsáveis pelos tributos ora lançados. ROBSON MARCELO TOLARDO (filho mais velho de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo, e a pessoa que, segundo o Relatório de Atividade Fiscal, com o falecimento do pai em 2007, tornase o principal comandante da REDE PRESIDENTE) mencionado em planilha que controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE, desde 30/11/2007 até 31/05/2011. tinha despesas pagas pela REDE PRESIDENTE, como fatura de cartão de crédito, contas de luz, condomínio, net, além de ativos e despesas de suas fazendas. possui, juntamente com seu irmão Samuel Tolardo Júnior, procurações com poderes amplos, gerais e ilimitados para representar os administradores de empresas da REDE PRESIDENTE. depoimentos pessoais colhidos em diligência e emails apreendidos reportamno como proprietário de empresas integrantes do esquema REDE PRESIDENTE, seja mencionandoo seja tratandoo como tal (o material revela que ele é consultado e quem decide sobre diversos assuntos desde moradias para funcionários, passando por salários, localização de equipamentos como servidor de rede informatizada, compra de bens como gado e até avião, nomes de empresas a serem constituídas, bem como sobre reuniões com gerentes de bancos, decisões sobre contas bancárias, etc). conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram ser ele o principal administrador das atividades do esquema REDE PRESIDENTE. documentos apreendidos demonstram que ele negociou a compra de empresas do grupo EMBREPAR (as quais passaram a ser administradas de fato por sua irmã Jeane, como se verá a seguir) proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE (alguns registrados em nome de seus filhos ou empresas) garantidor de imóveis de terceiros locados pela REDE PRESIDENTE segundo o Relatório de Atividade Fiscal, as lojas da REDE PRESIDENTE, constituídas em nome Fl. 15172DF CARF MF 12 de laranjas, em regra, não possuíam patrimônio, o que dificultava a locação pois normalmente o locador exigia alguma garantia por parte do locatário. garantidor dívidas de empresas da REDE PRESIDENTE. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (filha mais nova de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram que ela tinha participação ativa na REDE PRESIDENTE, sobretudo na posição de administradora do novo grupo adquirido (EMBREPAR), em Curitiba/PR. detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. fiadora de contrato de locação de imóvel onde foi localizado um dos "bunkers" da REDE PRESIDENTE (onde foram localizados documentos comprobatórios do esquema), e de imóvel utilizado por filial (barracão comercial) de tais empresas. proprietária de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE ROGÉRIO MARCIO TOLARDO (segundo filho de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal revelam que ele era tratado como coproprietário de empresas da REDE PRESIDENTE. SAMUEL TOLARDO JUNIOR (filho caçula de Samuel Tolardo e Iris Da Silva Tolardo) da mesma forma que seus irmãos, recebia um crédito, que se equiparava a um “pró labore” mensal da REDE PRESIDENTE, e que, no período abrangido pela planilha (30/11/2007 até 31/05/2011), superava os R$ 200.000,00 mensais. em seu apartamento em Curitiba foram encontrados diversos documentos relacionados a empresas da REDE PRESIDENTE, tais como planilhas com informações (Passivo, Despesas, Impostos, Venda, Rentabilidade), anotações de rotina referentes a filiais, planilha de controle de juros referente a mutuo da empresa EMBREPAR, escrituras públicas e documentos relativos ao IPTU de imóveis onde funcionam filiais da REDE PRESIDENTE, planilha de controle dos imóveis da REDE PRESIDENTE em nome dos integrantes da família Tolardo, etc. Fl. 15173DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.169 13 ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram sua participação no esquema, na análise de questões operacionais como transferências entre filiais e estoque negativo. detém procuração (também outorgada a Iris da Silva Tolardo e Robson Marcelo Tolardo) com poderes para “vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem” o imóvel onde se localizava um dos “bunkers” do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR (residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, em que foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE). seu endereço domiciliar indciado na DIRPF é o de uma filial da REDE PRESIDENTE detém procurações para representar algumas empresas da REDE PRESIDENTE e/ou alguns de seus administradores formalmente nomeados. proprietário de imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE. garantidor de imóveis locados de terceiros pela REDE PRESIDENTE. ÍRIS DA SILVA TOLARDO (matriarca da família, viúva de Samuel Tolardo, apontado como inaugurador do esquema) detém procuração (também outorgada a Robson Marcelo Tolardo e Samuel Tolardo Junior) com poderes para “vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem” o imóvel onde se localizava um dos “bunkers” do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR (residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, em que foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE). garantidora solidária de imóveis locados pela REDE PRESIDENTE. injetou recursos na REDE PRESIDENTE em condições tão absurdamente benéficas que o Relatório de Atividade Fiscal conclui que se trata de negócio próprio ("empréstimo" de R$900.000 com cinco anos para pagamento, com juros de poupança e sem quaisquer garantias). tinha despesas pagas pela REDE PRESIDENTE, como fatura de cartão de crédito e vencimentos de funcionário pessoal (caseiro). conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal demonstram que ela tinha conhecimento das atividades operacionais do esquema REDE PRESIDENTE. Sobre as demais alegações aventadas nos recursos voluntários e que não passam de reiteração do quanto já alegado nas impugnações, sem qualquer dialeticidade com a decisão recorrida, adoto, como fundamentado acima, as razões de decidir do acórdão recorrido, que transcrevo: 2.3. DA NULIDADE Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não Fl. 15174DF CARF MF 14 obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal nº 03.2.01.00 2013001576, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fls. 13.800 e 13.801, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 25/09/2013, conforme edital de fl.13.820, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de coresponsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do que afirmam os impugnantes, a autuação esta devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Afasto, também, a alegada incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa fiscalizada e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, pois, de fato, no presente caso não se cogita a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, nem se atribuiu a responsabilidade objetiva dos impugnantes. A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a coresponsabilidade tributária, na forma da lei. Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar Fl. 15175DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.170 15 competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Ante todo o exposto, afasto a alegada nulidade dos termos de sujeição passiva solidária. 2.4. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirmam os impugnantes a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontrase com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Portanto, indefiro o pedido de suspensão do presente processo. 2.5. DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO O lançamento consubstanciado no auto de infração foi efetuado com arbitramento do lucro e apuração trimestral do IRPJ e CSLL, referente aos fatos geradores do anocalendário de 2008, e com aplicação multa qualificada, em virtude da atribuição à fiscalizada da prática de sonegação e fraude. É mister para o deslinde dessa controvérsia verificar a procedência ou não do lançamento no que tange a atribuição da prática de sonegação e fraude à autuada, de modo a possibilitar a incidência da contagem de prazo decadência na forma estabelecida pelo § 4º do art. 150 ou na prevista no inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). A aplicação da multa qualificada está sendo mantida no presente voto, nos exatos termos em que foi lançada, diante da constatação da sonegação e fraude. Desse modo, não incidiria a regra decadencial prevista no §4º do art. 150, do CTN, que trata de homologação do lançamento, por expressa disposição da parte final do referido parágrafo, mas a prevista no inciso I, do art. 173, do mesmo diploma legal, a qual prevê como início da contagem do prazo Fl. 15176DF CARF MF 16 decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, os créditos tributários relativos aos fatos geradores do 2º e 3º trimestres de 2008, cuja data de ocorrência são respectivamente 30/06 e 30/09/2008, poderiam ter sido constituídos até 31/12/2013, prazo estendido para 31/12/2014, em relação ao fato gerador do 4º trimestre de 2008, cuja data de ocorrência é 31/12/2008. Tendo em vista que a autuada foi cientificada do lançamento em 28/12/2013, afasto a alegada decadência. Em que pese os impugnantes tenham sido devidamente cientificados da autuação bem como dos termos de sujeição passiva solidária antes dos prazos mencionados no parágrafo anterior, o que não deixa dúvidas quanto a inocorrência da alegada decadência, a atribuição da coresponsabilidade em matéria tributária não se confunde com a constituição do crédito tributário mediante ao lançamento, não se sujeitando, portanto, ao regramento e prazos decadenciais previstos no art. 173, ou art. 150, do Código Tributário Nacional. Tanto é assim que o lançamento é no âmbito da União Federal atribuição privativa do detentor do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, ao passo que a coresponsabilidade pode ser atribuída até mesmo após o fim do contencioso administrativo e efetuada em sede de execução fiscal, mesmo após a inscrição em dívida ativa, conforme faculdade contida no inciso I, do art. 202, e art. 203, do CTN. Tendo o lançamento sido devidamente cientificado pela autuada em 28/12/2013, começa a contar dessa data o prazo prescricional, o qual foi interrompido com a apresentação das impugnações dos interessados, não havendo, por isso, que se falar em prescrição dos créditos tributários lançados. Desse modo, afasto as alegadas decadência e prescrição em relação a todos coobrigados. 2.6. DA OMISSÃO DE RECEITAS A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limitamse os impugnantes a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Fl. 15177DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.171 17 Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurouse que “TAB1” referiase a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.184 a 1.220, e reproduzida à fl. 14.107 a 14.110 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 14.110, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos arquivos com extensão SPL, obtidos no disco= rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, constante das fls. 10.278 a 10.299, em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levandose em conta que a autuada e suas filiais eram consideradas as filiais 50, 54 e 56 a 58, 60 e 61 da Rede Presidente, e que os valores controlados representam 10 % do valor real das operações de vendas, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 14.163 a 14.187. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento. 2.7. DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Mantido o crédito tributário no tocante ao IRPJ, devem ser mantidos os créditos referentes a CSLL, uma vez que efetuado o lançamento pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, os quais foram considerados, neste voto, procedentes. 2.8. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, pela sonegação em razão da suposta utilização de interpostas pessoas, componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais sócios, integrantes da família Tolardo, eximindoos da responsabilidade pela infração apurada. Tal interposição teria sido perpetrada mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica, e com falsificação de assinaturas. A autoridade administrativa constatou ainda que a autuada omitiu parte considerável de suas receitas de vendas, obtidas sem a devida emissão de notas fiscais, aos quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em computadores de empresas da denominada Rede Presidente ou em pendrives dos seus administradores de fato ou de seus empregados e que foram apreendidos em operação conjunta da Polícia, Ministério Público e Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela justiça federal do Paraná. Fl. 15178DF CARF MF 18 A autuada teria se eximido do pagamento de parcela considerável de seus tributos, tendo em vista que declarou de valor de receita bruta para exercício de 2008 de R$ 30.453.407,87, tendo sido apurada no lançamento a obtenção de receita com vendas de mercadorias no mesmo período no valor de R$ 45.329.043,90. Assim, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de sonegação e fraude prevista nos incisos I e II, do art. 71, a art. 72 da Lei nº 4.502/64. Os impugnantes afirmam genericamente que não praticaram nenhum ato doloso ou mesmo culposo que desse azo a aplicação da penalidade, e que a fiscalização desincumbiuse de demonstrar a existência de dolo ou culpa na prática de seus atos, uma vez que a autuação encontrou suporte apenas na interpretação subjetiva desses mesmos atos realizada pelos fiscais. Entendo que assiste razão a autoridade administrativa, na medida que a conduta praticada pela impugnante se enquadra perfeitamente na hipótese de qualificação da multa de ofício. A aplicação da multa de ofício no percentual de 150 % está assim prevista no § 1º e inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os dispositivos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, utilizados como fundamento da qualificação da multa, estão a seguir transcritos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Francisca Dias Alvarenga, atual sócia da autuada em conjunto com a Suncay Financial Corp teve sua DIRPF/2010 transmitida pelos mesmos Fl. 15179DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.172 19 computadores utilizados na transmissão das DIRPFs de pessoas vinculadas à Rede Presidente. Nascida em 1956, não tem nenhum vínculo trabalhista formal registrado nos sistema da RFB. Igual padrão de DIRPF dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006, com rendimentos recebidos de pessoa física, dentro do limite de isenção, bens declarados tais como “valores em caixa”. Suncay Financial Corp, NCPJ n° 05.715.713/000155, atual proprietária formal da PRS, em conjunto com a Sra Francisca, é empresa estrangeira, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, que tem como responsável legal, na condição de procurador o Sr Ananias José de Souza, CPF n° 822.687.46968, pessoa que não possui qualquer registro de vinculo trabalhista, e com declarações entregues a RFB, dos anoscalendário de 2004 a 2007 com o mesmo padrão das demais pessoas interpostas utilizada no esquema: Rendimentos dentro do limite de isenção, recebidos de pessoa física, bens tais como veículos sem identificação da placa,dinheiro em espécie, e quotas de empresas. A PRS foi citada pelos fornecedores de autopeças Rayton e NGK, como um dos estabelecimentos que estariam ligadas ao Grupo Presidente. Igualmente, no procedimento realizado pela DRF Caxias do Sul/RS, os fornecedores Cinpal e Tenneco citaram a PRS como empresa relacionada à Rede Presidente, tanto como compradora, como pagadora de compras feitas em nome de outras empresas do esquema. Nas buscas e apreensões efetuadas foram encontrados nos diversos locais documentos ligados à PRS, dentre outros: a) alteração societária e consolidação (MGA1913.90 – fls 6.777 a 6.788; e MGA 085.43 – fls 2374 a 2379), b) diversas procurações (MGA1919.124 fls 8.158 a 8.159; MGA19 19.156 – fls 8.200; MGA1919.157 – fls 8.201; MGA1919.159 – fls 8.203 a 8.204; MGA19 19.160 – fls 8.205 a 8.206; MGA1919.163 – fls 8.211; MGA19 19.24 – fls 8.446 a 8.447). c) Relatório de programação de férias de funcionários da PRS, de 08/2012 (CTB 33.14 – fls 1231 a 1238); d) Cotações de preços de peças, e respectivos recibos, do fornecedor “Industria Olimpic”, dirigidos à PRS (GRU38.2 – fls 1602 a 1618); e) Contrato de Cessão de Direitos por meio do qual a PRS cede seus direitos relativos a faturas de vendas, à Trajecto Gestão Empresarial Ltda (GRU38.5 – fls 1619 a 1631); f) Cotações de peças em nome da PRS (GRU3813.6 – fls 1538 a 1546); g) Notas fiscais emitidas pela PRS no ano 2009 (MGA181.26 e MGA18 1.27 – fls 3.816 a 4.409); h) Depósito feito pela PRS, em favor de Jumbo Materiais de Construção (MGA1836.4 – fls 4.838 a 4.839); i) Carimbos diversos de filiais da PRS (MGA18137.13 – fls 4.517). Destacase também a presença de vários CNPJs da PRS (filiais) nos documentos de controle das filiais (MGA1919.214 e MGA1919.215 – fls 8.321 a 8.372), encontrado no “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, que Fl. 15180DF CARF MF 20 identifica as diversas empresas (filiais) da Rede Presidente. O controle MGA19 19214 (fls 8.344 a 8.355), por exemplo, tem 11 páginas, e relaciona 56 filiais. Abaixo imagem de um desses registros da PRS: Assim, resta evidente a utilização de interpostas pessoas no quadro societário da autuada e de seu vínculo à Rede Presidente, sendo considerada por seus administradores de fato como mais uma das filiais do mesmo gupo empresarial. Além disso, a autuada apresentou declaração informando receitas auferidas de sua atividade em valores muito inferiores à receita efetiva, deixando de contabilizar parte considerável das receitas às quais foram auferidas sem a devida emissão de notas fiscais de venda, mantendo controle dessas operações não contabilizadas; além disso, utilizouse de pessoas interpostas em seu quadro societário, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos demonstram a prática de sonegação e fraude conforme as definições dos incisos I e II, do art. 71, e art. 72 da Lei nº 4502/64. Assim, restou configurada a hipótese de qualificação da multa de ofício sendo correta a sua aplicação. 2.9. DA LEGITIMIDADE PASSIVA Alegam os impugnantes a ilegitimidade, ante a suposta ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa. Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de emails, arquivos e documentos aprendidos. Há toda evidência de que a autuada faz parte do mesmo grupo empresarial denominado Rede Presidente, pois várias das filiais da mesma possuem como nome fantasia Distribuidora Presidente. A fiscalizada antes da atual denominação foi constituída com a razão social de Retífica Presidente Ltda, Fl. 15181DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.173 21 passou em 2004 a denominação de Retífica Presidente Peças para Veículos Ltda e em 2006 para Retífica Presidente Prudente Peças para Veículos Ltda. Chama a atenção o fato que Samuel Tolardo, patriarca da família Tolardo já falecido, integrou o quadro societário da fiscalizada a partir de 1999e permanecendo no mesmo até julho de 2000, momento em que ingressaram interpostas pessoas, sem capacidade econômica, na sociedade de modo a ocultar os verdeiros proprietários. A administração do grupo empresarial e conhecimento de suas ações, por parte de Robson Marcelo Tolardo pode ser ilustrada pela resposta dada a seu funcionário Daniel de Oliveira Júnior em email do dia 08/2/2010, constante de fls 13.579 a 13.582, mencionado no relatório fiscal à fl. 14.115, a seguir transcrito: “Adeus Daniel Preciso verificar mas acho que é complicado vender tab 01 porque não tem muita entrada e custa para nós os impostos que nós ganhariamos na inadiplicência e perderia pagando mais imposto, então o certo é cortar os limites de quem não está pagando e tentar falar com o cliente que não está pagando que vamos ter que emitir a nota fiscal do pedido que ele comprou e não pagou e dar mais prazos para ele pagar e depois se eles não pagar executar eles.” Para não restar dúvidas, quanto à propriedade da sujeição passiva solidária de Robson Marcelo Tolardo transcrevese a pergunta de Daniel de Oliveira Júnior, contida no email encontrado no computador de Daniel de Oliveira Junior (MGA08.23 – fl. 9.650): Diretório: DANIEL\daniel2\atualizacoes\mailnet\CENTRAL03EMAILS. Arquivo: 98 MARCELO TOLARDO.dbx: “Marcelo adeus ? Algumas regiões como Pernambuco, Maranhao e até Distrito Federal em determinados ramos são classificadas como regiões de maior indice de PRINAD (Probabilidade de Inadimplência ) . Maranhao esta com uma inadimplencia alta porem sao clientes da própria capital. Ja pedi para a supervisora Rose e seu gerente reanalisar os clientes . Brasilia é um caso sério, lá se nao mudarmos para vendas 100% T1 agente sempre vai ficar como ultima opção para receber dividas. Como a gente vende tabela especial eles alem de aproveitar este beneficio, eles acabam agindo de má fé quando estao com dificuldades financeira. Vai fazer uns 5 anos que esta filial so fica em ultimo lugar na inadimplencia. Vc pretende continuar com esta loja aberta? Se sim , tem como agente mudar o perfil de vendas para 100% T1 na opção duplicatas? Resp.: Recife esta com uma inadimplencia alta e o maior motivo foi a venda especial para fora de Recife . tem determinadas cidades que o ideal seria vender somente t1 !! a cidade de Carpina/PE deu inadimplencia de acima de 10% , a cidade de Igarassu/PE deu inadimplencia acima de 11% , outras cidades deu acima de 1% no maximo 2% . os pernambucanos e paraibanos Fl. 15182DF CARF MF 22 tambem aproveitam muito a situação das vendas tabela especial, sempre deixam nós como ultima opçao de acertos de dívidas!! Estas cidades posso bloquear para vender somente Tabela 01 com duplicatas ? Resp.: Paz de Deus Daniel Jr ®” Samuel Tolardo Junior teve pendrives apreendidos, CTB29, item 5 – fls 933 e 934, que continham arquivos excel, com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, e com o controle de “saldos”, referente aos pagamentos de prólabore aos sócios de fato da autuada. Dentre as provas coletadas ainda se destaca o fato de despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de prólabore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Isto caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e e mails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da coresponsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. 2.10. DA RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS Defendem os impugnantes que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Na presente autuação não foi aplicada multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação para que seja excluída tal penalidade não procede. Pelo mesmo motivo também não procede a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro. Não cabe a autoridade julgadora administrativa deixar de aplicar disposição expressa de lei, em razão de suposta inconstitucionalidade, em que pese na opinião deste julgador não há vedação constitucional à aplicação de penalidade pecuniária com caráter confiscatório, vedação que alcança tão somente os tributos. Tendo os responsáveis solidários comprovadamente praticado atos com infração a lei na gestão dos negócios da autuada, omitindo receitas de suas vendas, mas mantendo o controle paralelo dessas mesmas receitas à margem da escrituração contábil e fiscal, utilizandose interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas, devem ser responsabilizados não só pelos tributos devidos, mas Fl. 15183DF CARF MF Processo nº 10320.723622/201373 Acórdão n.º 1401001.787 S1C4T1 Fl. 15.174 23 também pelas multas aplicadas, inclusive qualificada, conforme determinação contida no art. 137, do CTN. 2.11 DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Insurgese a impugnante quanto à cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, sob a alegação de que só haveria previsão legal para incidência dos juros de mora sobre tributos e contribuições. O art. 161 do CTN dispõe que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Primeiro é de se observar que o dispositivo prevê a imposição de juros sobre o crédito vencido e não pago, sem qualquer distinção de sua natureza. Segundo, o termo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” deve ser interpretado que a imposição dos juros não impede a aplicação da multa. A interpretação conjunta do dispositivo acima, com o art. 142 do CTN, leva à conclusão que sendo a multa de ofício integrante do crédito tributário, se não paga no vencimento, está também sujeita aos juros de mora. A previsão legal da aplicação da taxa Selic e de 1% sobre o mês do pagamento estão no art. 30, da Lei nº 10.522/2002, ao se referir aos demais créditos da Fazenda Nacional. Portanto, incidem juros sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Por fim, quanto ao protesto pela produção de provas e realização de perícia, cumpre esclarecer que, em regra, a prova documental no processo administrativo fiscal deve ser apresentada juntamente com a impugnação, consoante determinação prescrita no art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, a seguir transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo.”(grifei) Destaquese, por outro lado, que o § 4º do artigo 16 do mesmo diploma legal, permite, por seu turno, ao impugnante apresentar provas documentais noutro momento processual, mas somente quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivos taxativamente nele referidos, conforme se segue: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 15184DF CARF MF 24 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos” Os presentes autos não reclamam tal providência, e sequer há demanda específica dos recorrentes demonstrando a ocorrência de alguma das hipóteses legais. Também não há a indicação de quesitos para eventual diligência ou perícia. Vale notar que, mesmo que houvesse tal indicação, tratase de procedimento desnecessário no caso em questão. Isso porque a diligencia ou perícia se destina a levar conhecimento técnico e especializado ao julgador, a fim de comprovar a veracidade de certo fato ou circunstância, de modo a auxiliálo em seu livre convencimento. No presente caso, não há motivos que justifiquem a realização deste procedimento, pois estão presentes nos autos os elementos necessários ao deslinde das questões de fato e de direito, naquilo que se refere aos itens impugnados. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito negar provimento aos recursos voluntários, mantendo a responsabilidade das pessoas físicas pelos tributos então lançados. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 15185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722888/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS A RFB. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ - REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF - RICARF.
A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva.
O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos.
Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO.
Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utiliza-se de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS.
Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, quanto às preliminares: a) por unanimidade de votos, rejeitar a nulidade pela utilização dos dados de extratos bancários e a nulidade do Auto de infração por inconsistências e obscuridades; e b) por maioria de votos, rejeitar o pedido de realização de perícia, vencida a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Antes do julgamento do mérito, foi proposto a conversão do julgamento em diligência pelo Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Colocado em votação, por voto de qualidade, foi negada tal proposição, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade, dar-lhe provimento parcial, para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do sujeito passivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS A RFB. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ - REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF - RICARF. A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos. Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utiliza-se de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS. Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. ART. 145, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. REPETITIVO STJ REsp 1134665/SP. PROCEDIMENTO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. A Constituição Federal facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. O § 3°, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos. Conforme disposto no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 88 /2 01 3- 96 Fl. 11235DF CARF MF 2 O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O deferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 LEI 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Quando resta demonstrado que há valores que representam transferência entre contas correntes do mesmo titular, sobretudo quando o Contribuinte utilizase de contas correntes para administrar separadamente seus negócios, esses valores devem ser excluídos do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE VALORES JÁ DECLARADOS. Os rendimentos recebidos de pessoas físicas e devidamente declarados pelo Contribuinte em sua declaração de ajuste tempestiva, devem ser excluídos do montante lançado a título de omissão de rendimentos pela não comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Fl. 11236DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.224 3 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, quanto às preliminares: a) por unanimidade de votos, rejeitar a nulidade pela utilização dos dados de extratos bancários e a nulidade do Auto de infração por inconsistências e obscuridades; e b) por maioria de votos, rejeitar o pedido de realização de perícia, vencida a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Antes do julgamento do mérito, foi proposto a conversão do julgamento em diligência pelo Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Colocado em votação, por voto de qualidade, foi negada tal proposição, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade, darlhe provimento parcial, para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do sujeito passivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 11237DF CARF MF 4 Relatório Da auditoria fiscal: O Contribuinte foi intimado a justificar, com documentação hábil e idônea, a movimentação financeira apurada no anocalendário de 2008 que, a princípio, seria incompatível com os rendimentos informados na declaração de ajuste anual, efls. 5 a 15, conforme mostra o quadro comparativo I "Rendimentos declarados X Movimentação financeira". Quadro I "Rendimentos declarados X Movimentação financeira" Rendimentos declarados (Valores em Reais) ANO Tributáveis Isentos e não tributáveis Tributação exclusiva Total Movimentação Financeira (em Reais) 2008 5.879.383,68 3.101.105,35 1.609,04 8.982.098,07 412.105.336,41 De acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, efls. 1.600 e 1.601, o Contribuinte apresentou extratos das contas correntes nº 165.0009, mantida na agência 0596 do Bradesco e 31.0226, mantida na agência 0183 do Banco Itaú. Os valores movimentados nas contas apresentadas pelo Contribuinte não foram suficientes para justificar a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras. A fiscalização demandou a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF para as instituições bancárias: Banco do Brasil, Safra, Itaú, Bradesco e Santander, com base no art. 3º, XI, do Decreto nº 3.724, de 2001. De posse dos extratos bancários, a fiscalização extraiu os valores lançados a crédito e intimou o contribuinte a justificar e/ou comprovar a origem desses depósitos, conforme relação anexada à intimação, efls. 1.602 a 1.933. Às efls. 1.934 a 3.067, consta a relação dos depósitos, por data e valor, das contas bancárias identificadas como "Bradesco Dutra, Bradesco Dutra 2, Bradesco Reembolso, Bradesco Reembolso 2, Itaú, banco do Brasil, etc" com descrição sumária dos lançamentos e totalização dos depósitos para os meses de janeiro a dezembro de 2008. Do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração: (efls. 4.757 a 5.136) A fiscalização relacionou os depósitos que considerou não comprovados pelo Contribuinte das contas correntes dos bancos do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú e Safra, que têm como titulares o Contribuinte e o Sr. José Eduardo de Abreu Sodré Santoro. Foram imputados 50% desses valores ao Contribuinte, conforme mostram os quadros efls. 4.760 a 4.762, que totalizaram os seguintes valores mensais para o ano de 2008, base do lançamento. Fl. 11238DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.225 5 Valores mensais dos depósitos não comprovados ano 2008 Janeiro R$ 27.840.972,08 Julho R$ 41.210.949,86 Fevereiro R$ 28.872.140,69 Agosto R$ 37.310.233,30 Março R$ 32.476.443,31 Setembro R$ 37.659.890,11 Abril R$ 41.275.674,17 Outubro R$ 34.592.936,20 Maio R$ 34.746.213,80 Novembro R$ 29.513.325,74 Junho R$ 40.681.198,12 Dezembro R$ 35.280.069,35 O lançamento foi descrito da seguinte forma no Auto de Infração: "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo." Resumo do Crédito Tributário lançado Imposto R$ 115.901.512,85 Juros de Mora (calculados até 29/11/2013) R$ 48.087.537,68 Multa proporcional (75%) R$ 86.926.134,63 Crédito Tributário apurado R$ 250.915.185,16 Da Impugnação: (efls. 5.142 a 5.167) O Contribuinte informa que exerce a atividade de leiloeiro oficial, atividade regulamentada pelo Decreto nº 21.981, de 1932, prestando serviços, na sua maioria, a instituições financeiras e explica como são realizados os leilões, a saber: (efl. 5.142 os destaques são do Contribuinte) "Todas as transações que realiza são precedidas de autorização de venda dos bens (doc. 06), publicação de editais (doc. 07), catálogos de leilões (doc. 08), relatório de recebimentos dos lotes (doc. 09) sendo as transações devidamente documentadas pela emissão de notas fiscais de venda (docs. 10 a 12), registradas em livros próprios Diário de Leilões e Fl. 11239DF CARF MF 6 Livro Caixa com indicação do lote, valor da arrematação e arrematante (docs. 13 a 18). Realizado o pregão, o impugnante é obrigado por lei a proceder à prestação de contas das transações celebradas, junto ao comitente (docs. 19 a 22), repassandolhe o respectivo valor dentro de 5 (cinco) dias, bem como a comprovar, dentro de 15 dias após a cobrança, perante a Junta Comercial, o pagamento dos impostos federais e estaduais, relativos a sua profissão (doc. 23). Para bem explicitar a forma como se realiza e documenta a sua atividade, o Impugnante junta em anexo um procedimento completo de uma operação (docs. 06 a 33)." I Em preliminar: Nulidade do Auto de Infração porque fundamentado em dados bancários protegidos pelo sigilo e obtidos pelo Fisco sem a autorização judicial, tornandose prova ilegal. II Das Inconsistências e obscuridades do Auto de Infração: 1. Por força de disposições de lei, em especial o art. 27 do Decreto nº 21.981, de 1932, as contas são vinculadas a leilões realizados em São Paulo ou em outros pontos do País, singularmente ou em parceria com outros leiloeiros e os saldos eram transferidos para a conta principal, movimentada para efetuar os pagamentos a seus comitentes. O Fisco não considerou esse procedimento tributando duas vezes os mesmos valores; 2. Foram considerados como receita omitida valores que não são seus e que apenas transitam por sua conta para serem entregues aos comitentes; 3. Não foi levado em conta a efetiva remuneração do Impugnante fixado em cinco por cento a título de comissão, paga pelo arrematante, fixada no art. 24 do Decreto nº 21.981, de 1932; 4. A autoridade administrativa não apurou corretamente a base de cálculo e o montante do imposto devido como exige o art. 142 do CTN. III Da Improcedência do Auto de Infração: 1. A doutrina e jurisprudência são convergentes no sentido de reconhecer que depósitos bancários, por si só, não podem ser considerados renda sem os demais elementos configuradores do conceito efetivo de renda, como por exemplo, sinais exteriores de riqueza. O Fisco é obrigado a investigar e estabelecer a base real do lançamento, qual seja, a aquisição de renda. Cita acórdão 10417.494 da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (DOU de 13/09/2000); 2. O procedimento fiscal violou o princípio da legalidade, na medida em que desconsiderou o art. 153, III, da Constituição Federal e o art. 43 do CTN, segundo o qual o fato gerador do imposto é a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica de renda, caracterizando acréscimo patrimonial; 3. O Fisco ignorou os elementos fornecidos pelo Impugnante e os documentos que atestam as peculiaridades das atividades exercidas pelo impugnante como leiloeiro oficial; IV Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios: Fl. 11240DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.226 7 1. As obrigações principais ou acessórias não podem ter efeito confiscatório, vedação expressa no inciso IV do art. 150 da CF, entendimento presente em diversos acórdãos do STF; 2. A aplicação da multa em percentual de 75% caracteriza situação de desproporção entre o pretenso desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica. V Do descabimento da aplicação da taxa Selic como juros moratórios. VI Requer a realização de prova pericial, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Indica auditor contábil e formula quesitos. Acórdão de Impugnação: (efls. 11.170 a 11.174) A 3ª Turma da DRJ de Salvador, por meio do Acórdão nº 1539.125, julgou procedente em parte a impugnação para excluir o imposto correspondente ao depósito do valor recebido do Banco Ourinvest, conforme consta da DIRF desse banco no valor líquido de R$ 1.232.806,72. O imposto foi reduzido para R$ 115.562.491,00, conforme demonstrativo apresentado ao final do acórdão de impugnação à efl. 11.174, a saber: A Depósito de origem comprovada na impugnação 1.232.806,72 B Imposto a excluir (A x 27,5%) 339.021,85 C Imposto lançado 115.901.512,85 D Imposto mantido ( C B ) 115.562.491,00 O voto condutor do Acórdão de Impugnação rebate os pontos do lançamento que são impugnados pelo Contribuinte, da seguinte forma: 1. A Lei Complementar nº 105, de 2001, reforça a disposição contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; na medida em que fornece à autoridade administrativa novos instrumentos para a sua eficaz aplicação. 2. O lançamento foi realizado com suporte no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza considerar como rendimentos omitidos os créditos em conta bancária, em relação aos quais o(s) titular(es), , regularmente intimado(s), não comprove(m), mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao(s) titular(es) das contas o ônus da prova em contrário. 3. Contrariamente ao alegado pelo impugnante, o lançamento não faz a equiparação dos depósitos bancários em fato gerador do imposto, mas sim utilizase da presunção legal da existência de renda tributável omitida quando o(s) titular(es) dessas contas não comprovam a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se trata, portanto, do procedimento a que se refere a súmula 182 do extinto TFR, mas sim de presunção legal estabelecida em norma posterior aqui em comento. Fl. 11241DF CARF MF 8 4. As notas de venda em leilão (efls. 5.325 a 6.467), livro Caixa (efls. 6.475 a 7.373), relatórios de prestação de contas e os documentos bancários de transferências para os comitentes (efls. 7.373 a 8.490) são juntados pelo Impugnante sem a identificação dos depósitos a que se referem. O impugnante não realiza a correlação individualizada entre estes documentos e os depósitos a serem comprovados, como exige o § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 5. O impugnante propõe a realização de diligência com o objetivo de provar as suas alegações quanto à origem dos depósitos e sua destinação. Sendo seu, porém, o ônus da prova, o pedido deve ser indeferido. 6. O impugnante não demonstrou que os depósitos em sua conta Bradesco Ag. 5932, c/c nº 212800/4 provêm de transferências de outras contas suas, e que os valores transferidos para esta conta já foram repassados para os comitentes. O autuante já havia excluído as transferências entre contas do próprio titular na forma como determina o artigo 42, §3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996. 7. Sustenta que já informara em sua declaração os rendimentos a que se referem os depósitos, que seriam comissão de 5% sobre os valores recebidos em leilões. Os rendimentos e recursos declarados, porém, não são suficientes em si mesmos para comprovar a origem dos depósitos, uma vez que a presunção legal é de que os depósitos de origem não comprovada correspondem a rendimentos omitidos. O que foi declarado não foi omitido. Logo, mesmo para os rendimentos e recursos declarados é indispensável que o responsável comprove individualizadamente, com documentação hábil e idônea, como teriam dado origem aos depósitos em sua conta bancária. 8. Comprovada a origem do depósito no valor de R$ 1.232.806,72. Tratase de rendimentos declarados pelo contribuinte, recebidos do Banco Ouroinvest, no valor de R$ 1.700.000,00 (IRFonte 466.859,00, previdência R$ 334,28). Este depósito deve ser excluído do lançamento, pois os rendimentos já foram declarados pelo contribuinte. 9. A multa de ofício e os juros de mora foram aplicados de acordo com legislação vigente. Não compete às autoridades administrativas manifestarse sobre a validade ou a inconstitucionalidade de leis, atividade de competência exclusiva do Poder Judiciário. Do Recurso Voluntário: (efls. 11.180 a 11.207) Cientificado em 16/12/2015, AR efl. 11.178, o Contribuinte interpôs, em 13/01/2016, o recurso voluntário de efls. 11.180 a 11.220 requerendo, em síntese: I Preliminares: A Nulidade da autuação por restar fundamentada em prova ilegal. O Recorrente alega que a autoridade fiscal contrariou dispositivos da Constituição Federal que protegem os dados bancários das pessoas, permitindo acesso somente quando há expressa autorização judicial, o que não ocorreu neste caso. Alega também que o procedimento fiscal contrariou decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 389.808/PR que não permite acesso direto do Fisco aos dados bancários sem a prévia autorização judicial. Assim, considera nulo o lançamento baseado em prova, extratos bancários, obtida de forma ilegal. B Cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia sem motivação e C Inconsistências e obscuridades do Auto. Fl. 11242DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.227 9 Alega cerceamento do seu direito à ampla defesa quando teve seu pedido de perícia negado sem qualquer justificativa acerca de sua inutilidade, prescindibilidade, violando garantias previstas para o processo administrativo, em desrespeito à verdade material, atestada pela documentação juntada aos autos. Requer que o julgamento seja convertido em diligência para a produção de prova pericial, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. II Da improcedência do Auto Aduz que o auto de infração exige uma importância a título de tributo sem a efetiva ocorrência de fato gerador, devendo o trabalho fiscal ser desconstituído, por falta de sustentação legal e manifesta iliquidez e incerteza, contrariando o disposto no art. 142 do CTN. Afirma que os depósitos em contas de sua titularidade são provenientes de sua atividade de leiloeiro oficial mas que não podem ser considerados em sua totalidade como receita própria porque são devolvidos aos comitentes, permanecendo com o Recorrente apenas uma comissão de aproximadamente 5%. A atividade de leiloeiro demanda a movimentação de valores pertencentes a terceiros em diversas contas correntes. Contesta a apuração da base de cálculo com base unicamente na somatória dos depósitos. Aponta inconsistências na apuração da base de cálculo com duplicidade de valores em depósitos transferidos de contas correntes com mesma titularidade. II. 1. Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios Multa de mora aplicada em percentual que contraria a Constituição Federal, art. 150, IV, segundo o qual é vedado à União, aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios "utilizar tributo com efeito de confisco." II. 2. Do descabimento da aplicação da taxa Selic Ilegalidade da aplicação da taxa Selic sobre o suposto crédito tributário a título de Juros de Mora. É o relatório. Fl. 11243DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. TEMPESTIVIDADE O Recurso foi apresentado com observância do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cabendo a apreciação do seu mérito. 2 PRELIMINARES 2.1. Nulidade da autuação por restar fundamentada em prova ilegal. Em preliminar, o Recorrente alega nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5º, XII, da Constituição Federal. Considera que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. Aduz que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada pelo ora Recorrente acerca da inconsistência da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial para fins de constituição de crédito tributário, nos termos do RE 389.808/PR. Sobre esse argumento de defesa pela impossibilidade da RFB requisitar dados bancários e a própria movimentação financeira do Recorrente sem prévia autorização judicial, cabem as considerações apresentadas em sequência. Embora a possibilidade de requisição às instituições bancárias já estivesse prevista no art. 197, II da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), somente com edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, foi autorizado à Receita Federal do Brasil acessar as informações protegidas pelo sigilo bancário no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial. Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;[...]" Lei Complementar nº 105, de 2001: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, Fl. 11244DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.228 11 livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." O teor do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 autoriza a busca de informações junto às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, sempre que houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Conforme destacado acima, na hipótese dos autos, a Autoridade Lançadora, diante da demora do Contribuinte em justificar a expressiva movimentação financeira e de fornecer os dados relacionados, solicitou diretamente às instituições bancárias os extratos bancários do Contribuinte visando a checar a titularidade das contas e apurar a responsabilidade sobre os valores movimentados. Assim, não constato qualquer irregularidade no presente procedimento administrativo fiscal uma vez que o Auditor Fiscal estava se valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico. Dessa forma, o procedimento fiscal de requisitar as informações sobre a movimentação bancária às instituições financeiras tem respaldo legal expresso no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, com regulamentação do Decreto nº 3.724, de 2001, conforme evidenciam os docs. efls. 275 a 287. Noutro giro, o Recorrente destaca decisão do STF no RE 389.808/PR que considera inconstitucional o afastamento do sigilo bancário por parte da Receita Federal, sem prévia autorização judicial. Neste ponto, há que se admitir que o sigilo sobre os dados bancários é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e agora, em sede de recurso voluntário. Na Corte Suprema, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, e foi julgada por meio do “leading case” RE nº 601.314, no qual se definiu que: (grifos acrescentados) “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. [..]”) Fl. 11245DF CARF MF 12 A decisão deste tema foi noticiada no sítio do STF1 no dia 25/02/2016, nos seguintes termos: (grifos acrescentados) "O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. [...]" Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente pela impossibilidade do acesso das Autoridades Fiscais às informações protegidas pelo sigilo bancário. Portanto, não há que falar em quebra de sigilo bancário em procedimento que obedeceu rigorosamente as regras estampadas no Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. Vale lembrar que há no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 2015, dispositivos aplicáveis à matéria e de cumprimento obrigatório por seus conselheiros, a conferir: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) 1 disponível no sítio do STF no endereço: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verJulgamentoDetalhe.asp?idConteudo=310708 Fl. 11246DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.229 13 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" 2.2. Do indeferimento do pedido de perícia cerceamento da defesa nulidade; Inconsistências e obscuridades do Auto. Segundo o Recorrente, o pedido de perícia foi indeferido sem fundamentação adequada pelos julgadores da DRJ e que é de rigor a nulidade do procedimento com a negativa de produção de tal prova, prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho da defesa ou do Fisco. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas especializadas ou fáticas quando necessárias e imprescindíveis ao julgador no exame do litígio. A esse respeito escreveram Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, em obra de destaque no meio jurídico, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado2: "Como já dissemos, a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendêla desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico. Verificase que, dificilmente, as autoridades de primeira instância têm se curvado aos pedidos formulados pelos contribuintes sob a alegação de ser desnecessária. Já nos Conselhos de Contribuintes, com certa freqüência, admite se a descida dos autos para a realização de diligências, como meio de melhor apuração da verdade material. De qualquer forma, o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadora/julgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade." No presente caso, verificase, com facilidade, que o Colegiado da instância de piso apreciou o pedido de perícia e decidiu pelo seu indeferimento ao afirmar que: (efl. 11.173) "O impugnante apresenta notas de venda em leilão (fls. 5325/6467), livro Caixa (fls. 6475/7373), relatórios de prestação de contas e documentos bancários de transferências para os comitentes (fls. 7373/8490). Não demonstra, porém, nem se verifica uma correlação individualizada entre estes documentos e os depósitos a serem comprovados. Propõe a realização de diligência com o objetivo de provar as suas alegações quanto à origem dos depósitos e sua destinação. Sendo seu, porém, o ônus da prova, o pedido deve ser indeferido." 2 Neder, Marcos Vinicius et López, Teresa Martínez Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, 3ª ed. 2010, pág 210. Fl. 11247DF CARF MF 14 Acrescento, por considerar pertinente, o que dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária." No presente caso, a decisão emanada da autoridade de primeira instância está suprida de motivação. O indeferimento motivado de realização de perícia não acarretou cerceamento do direito de defesa da parte, ainda mais tendo sido dado ao contribuinte no decurso da ação fiscal todos os meios de defesa aplicáveis ao caso e, é fácil constatar que em momento algum ficou o contribuinte impedido de apresentar as provas, que entendia necessárias à sua defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, suscitada com base na alegação de que o acórdão recorrido não atendeu à solicitação de perícia formulada. O instituto da perícia é instrumento que deve servir ao julgador, e não só à parte, na busca de sedimentar a sua convicção sobre os fatos em litígio, devendo ser utilizado quando há dúvida, contradição ou inicio de prova que a justifique. II Da improcedência do Auto Aduz que o auto de infração exige uma importância a título de tributo sem a efetiva ocorrência de fato gerador, devendo o trabalho fiscal ser desconstituído, por falta de sustentação legal e manifesta iliquidez e incerteza, contrariando o disposto no art. 142 do CTN. Afirma que os depósitos em contas de sua titularidade são provenientes de sua atividade de leiloeiro oficial mas que não podem ser considerados em sua totalidade como receita própria porque são devolvidos aos comitentes, permanecendo com o Recorrente apenas uma comissão de aproximadamente 5%. A atividade de leiloeiro demanda a movimentação de valores pertencentes a terceiros em diversas contas correntes. Contesta a apuração da base de cálculo com base unicamente na somatória dos depósitos. O Recorrente não comprova a vinculação dos depósitos relacionados pela fiscalização às receitas advindas da atividade de leiloeiro. Apesar de existirem nos autos livros de leilões e outros documentos afins, constato que o Contribuinte não logrou efetuar a comprovação das receitas e a apuração dos resultados que indica. O Recorrente não apura o resultado da atividade que deseja vincular aos depósitos como origem desses créditos e, na falta de livro caixa que faça a vinculação das receitas com os depósitos/créditos e de outros demonstrativos que permita a conciliação bancária separando as atividades exercidas e sua receitas, tornou imprecisas e vagas as alegações feitas no recurso. Por outro lado, tentar suprir essa carência de comprovação com a realização de perícia não é viável neste momento nem mesmo justificável à luz da legislação pertinente. A partir do lançamento fiscal, com a lista dos depósitos a serem comprovados e vinculados aos eventos que justificassem a sua origem, o Contribuinte deveria oferecer elementos de prova que permitissem à autoridade fiscal e, posteriormente às autoridades julgadoras, verificarem se esses valores já haviam sido submetidos à tributação do IR. Isso não foi realizado. O Recorrente alega que compete a Autoridade Tributária o ônus de comprovar a existência da renda, afirmando que não existe o ônus ao contribuinte de provar se dado depósito é ou não renda. Assim, os depósitos em conta bancária deveriam ser apenas um marco, mesmo inicial, de investigação do Fisco, para se aferir ter ocorrido, ou não, renda, não podendo ela se desincumbir desse dever jurídico de perseguição da verdade material dos aspectos fáticos a autorizarem a incidência Fl. 11248DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.230 15 tributária. Assim, conclui que o fato elegível pela fiscalização, depósito em conta bancária não é elegível como fato gerador do imposto de renda, pois não representa obtenção econômica ou jurídica da renda. A argumentação levantada pelo Recorrente não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." É importante salientar que, quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN. Nessa linha de raciocínio, verificase que os depósitos bancários são apenas o sinais de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o (s) titular(es) das contas bancárias, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. A existência do fato jurídico (depósito bancário) foi comprovada pela Fiscalização por meio dos dados bancários do contribuinte fornecidos pelas instituições bancárias. Portanto, os depósitos (entradas, créditos) existem não foram presumidos. O que a Autoridade Fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus, é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi comprovada) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerado, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem desses valores depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos) e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. A fiscalização relacionou todos os depósitos expurgando as transferências entre contas do mesmo titular e outros registros sem interesse fiscal e intimou o titular da conta e o cotitular, quando Fl. 11249DF CARF MF 16 constatou conta conjunta, a comprovar a origem dos valores por meio de documentos hábeis e idôneos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Portanto, a Lei nº 9.430, de 1996, tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem), espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Por outro lado, constato que o Recorrente centraliza sua argumentação de defesa partindo do pressuposto que exerce exclusivamente a atividade de leiloeiro, sem demonstrar com clareza as receitas e despesas desta atividade e, principalmente, sem vincular as receitas obtidas aos depósitos creditados em diversas contas correntes. Tornase mais confusa a organização das receitas do Contribuinte quando podem ser provenientes de outras atividades, como a de empresário com participação significativa nas empresas ADM. Cosmos Ltda., ADM. Aliança Ltda., ADM. Augusta Ltda.; conforme informado na declaração de ajuste e reproduzido à efl. 14. Entretanto, a partir de comprovações do Recorrente é possível extrair do lançamento depósitos que têm origem em transferências ente contas do mesmo titular. O Recorrente descreve à efl. 11.190 como administrava essas contas correntes utilizandose de transferências bancárias para suprir determinadas contas como se fossem centros de receitas. É o caso das transferências entre as contas nº 212.800/4 e 165.000/9 da agência 593/2 do Bradesco, seja com o histórico descrito nos extratos como "Transf saldo caixa cent* Filial ag.=00593 cta=016500" ou outra descrição que permite concluir tratar se de transferência de recurso proveniente de conta de mesma titularidade. Assim, fazse necessário a exclusão de valores que são comprovadamente transferências entre contas de mesma titularidade, conforme os quadros I, e II, anexos a este voto. Quadros I Levantamento diário/mensal das transferências de valores entre contas correntes de mesma titularidade, com a identificação do número de folha deste processo onde encontramse citados os depósitos no lançamento. Quadro II Tabela com os valores dos depósitos efetivamente não comprovados após a exclusão das transferências comprovadas no Recurso Voluntário. Compõemse das colunas "Dep. ñ comprovados no AI", "Dep comprovados no RV" e "Dep. ñ comprovados após RV". A base de cálculo do lançamento deverá ser recalculada tendo como base nos dados do Quadro II, descontando os rendimentos declarados pelo Recorrente conforme consta de sua declaração de ajuste, exercício 2009, conforme espelho da declaração de ajuste processada, efls. 5 a 15. Valor declarado R$4.140.463,30, conforme mostrado no Quadro III na sequência. Vale lembrar que as transferências bancárias, cujos depósitos foram comprovados em recurso, devem ser referenciados aos relacionados pela fiscalização e que há o depósito comprovado pelo contribuinte e acatado pela DRJ de R$1.700.000,00 pagos pelo Banco Ourinvest com imposto retido de R$466.859,00 (vide efl. 11.219). Fl. 11250DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.231 17 Dia Valor Histórico efl. 2 1.189.397,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 3 1.419.018,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 4 357.258,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 7 1.116.353,37 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 8 540.552,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 9 1.001.968,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 10 1.104.252,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 11 1.316.880,36 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 14 2.115.488,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 15 843.226,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 16 807.694,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5009 17 1.133.896,56 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 18 1.417.814,14 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 21 1.608.175,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 22 1.125.471,74 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 23 836.874,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 24 945.050,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 25 1.080.257,44 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 28 2.643.194,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 29 1.305.547,04 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5010 30 699.855,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 31 776.810,12 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 Total 25.385.038,55 Dia Valor Histórico 7 21.462,64 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 8 111.100,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH MESMA TITULARIDADE 5009 9 90.333,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 10 21.765,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 15 14.953,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 16 63.789,36 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 17 29.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5009 18 19.910,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 22 34.913,49 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 23 13.045,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 24 16.068,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 28 27.792,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 29 90.725,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5010 Total 554.916,99 Soma 25.939.955,54 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Janeiro de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11251DF CARF MF 18 Dia Valor Histórico efl. 1 1.086.222,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 6 1.188.034,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 7 1.056.871,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 8 826.561,03 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 11 1.873.770,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 12 493.069,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 13 892.967,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5011 14 558.781,51 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 15 793.528,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 18 2.612.119,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 19 911.538,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 20 1.154.069,34 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 21 1.223.409,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 22 1.422.281,22 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 25 1.664.364,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 26 1.632.910,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 27 1.086.424,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5012 28 1.267.458,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 29 798.560,15 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 Total 22.542.944,62 Dia Valor Histórico 1 39.190,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 7 80.386,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 11 31.441,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 11 5.150,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 12 90.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ F A SODRE SANTORO 5011 12 8.865,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 13 19.200,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH MESMA TITULARIDADE 5011 13 50.160,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5011 13 110.178,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5011 15 490.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5012 15 18.990,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 18 33.700,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSM TITULARIDADE 5012 19 12.160,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 22 59.750,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSM TITULARIDADE 5012 22 40.042,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 25 16.145,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 25 7.700,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 26 54.151,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 27 34.050,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5012 28 44.100,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSMA TITULARIDADE 5012 29 43.853,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 Total 1.289.211,00 Soma 23.832.155,62 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Fevereiro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11252DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.232 19 Dia Valor Histórico efl. 3 1.188.697,15 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 4 790.553,41 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 5 1.013.125,19 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 6 1.082.804,55 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 7 985.814,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 10 2.103.467,11 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 11 875.913,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 12 743.562,32 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5013 13 1.300.512,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 14 1.171.376,86 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 17 1.086.199,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 18 1.837.779,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 19 1.188.461,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 20 1.390.422,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 24 1.105.644,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 25 943.886,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 26 901.045,56 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5014 27 1.507.667,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 28 782.119,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 31 681.392,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 Total 22.680.444,89 Dia Valor Histórico 3 99.891,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 5 12.723,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 7 15.105,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 10 87.120,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 11 34.522,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 12 14.295,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5013 13 81.725,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 14 7.920,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 17 114.850,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 18 24.116,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 14.520,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 44.935,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 19 32.945,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 24 57.836,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 25 33.510,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 26 11.765,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5014 27 7.100,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 27 18.300,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH TRANSF MSMA TITULARIDADE 5015 27 6.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 28 16.015,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 31 65.080,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 Total 800.273,50 Soma 23.480.718,39 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Março de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11253DF CARF MF 20 Dia Valor Histórico efl. 1 878.230,39 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 2 1.027.718,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 3 1.267.265,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 4 1.162.485,09 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 7 3.343.095,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 8 1.322.243,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 9 1.144.581,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5015 10 1.118.179,99 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 11 2.350.654,33 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 14 2.083.813,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 15 1.303.576,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 16 858.605,05 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 17 1.424.748,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 18 1.432.464,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 22 1.687.542,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 23 1.374.363,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5016 24 1.384.677,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 25 1.978.534,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 28 3.434.190,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 29 1.250.081,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 30 1.640.770,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 Total 33.467.823,04 Dia Valor Histórico efl. 1 24.458,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 2 47.564,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 3 28.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 4 1.260.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5015 4 12.821,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 8 77.132,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 9 21.567,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5015 9 24.950,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5015 11 35.380,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 14 11.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 15 46.506,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 16 15.580,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 18 300.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 18 17.825,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 22 28.380,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 50.685,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 12.230,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5016 23 80.400,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5016 23 3.300,00 DOC CREDITO AUTOMATICO* LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5016 23 3.400,00 DOC CREDITO AUTOMATICO* LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5016 24 33.231,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 28 162.031,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 29 117.928,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5017 29 12.435,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 29 75.322,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 Total 2.503.001,00 Soma 35.970.824,04 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Abril de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11254DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.233 21 Dia Valor Histórico efl. 2 1.057.547,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 5 478.881,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 6 563.196,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 7 2.489.011,31 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 8 1.247.976,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5017 9 1.520.688,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 12 1.266.065,93 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 13 694.720,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 14 950.025,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 15 1.362.245,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 16 1.660.218,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 19 1.682.346,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 20 1.696.862,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 21 1.443.115,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 23 2.757.418,14 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 26 2.984.095,43 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5018 27 1.812.467,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 28 1.431.612,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 29 1.578.256,28 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 30 1.121.877,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 Total 29.798.628,54 Dia Valor Histórico 2 62.576,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5017 2 36.670,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5017 5 598.000,00 TRANSF.MMA.TITULARIDADE* 5017 8 20.775,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 9 12.750,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 12 59.440,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 13 55.450,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 14 14.155,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 15 19.866,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 16 18.076,41 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 20 14.465,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 23 16.512,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 26 38.040,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5018 27 179.961,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 28 38.355,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 29 29.273,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 30 95.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 Total 1.309.854,41 Soma 31.108.482,95 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Maio de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11255DF CARF MF 22 Dia Valor Histórico efl. 2 2.880.941,83 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 3 1.850.222,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 4 1.157.625,79 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 5 959.888,61 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 6 959.215,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 9 850.748,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 10 1.004.862,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 11 1.084.876,65 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5019 12 1.523.366,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 13 3.172.066,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 16 2.930.462,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 17 1.277.547,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 18 1.206.800,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5020 19 1.529.615,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 20 1.453.050,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 23 3.296.275,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 24 1.323.333,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 25 1.168.052,28 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 26 1.484.512,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 27 695.352,70 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 30 2.697.745,62 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 Total 34.506.562,83 Dia Valor Histórico 2 93.186,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 3 57.363,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 3 273.175,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5019 4 32.692,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 5 17.566,35 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 9 13.941,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 10 16.995,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 11 24.175,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5019 13 42.490,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 16 199.590,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 16 10.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 17 11.480,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 18 37.425,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5020 19 9.994,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 23 49.442,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 24 7.155,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 24 26.630,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 25 52.953,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 26 443.488,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 26 10.552,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 27 5.200,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 27 19.200,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 30 33.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5021 30 86.970,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 Total 1.574.723,85 Soma 36.081.286,68 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Junho de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11256DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.234 23 Dia Valor Histórico efl. 1 925.012,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 2 974.408,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 3 1.327.682,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5021 4 763.483,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 7 1.436.941,93 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 8 987.528,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 10 1.112.383,44 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 10 51.745,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 11 1.293.677,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 14 2.638.695,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 15 1.549.545,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 16 3.402.254,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 17 1.565.080,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 18 1.149.671,03 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5022 21 2.559.986,97 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 22 1.703.045,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 23 815.780,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 24 1.994.073,06 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 25 2.194.590,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 28 3.174.000,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 29 1.277.928,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 30 1.141.064,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 31 2.456.387,85 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 Total 36.494.970,75 Dia Valor Histórico 1 15.270,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 2 14.430,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5021 4 7.800,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 7 177.693,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5022 7 67.562,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 8 50.355,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 8 24.335,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 11 13.767,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 14 16.045,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 15 155.852,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 16 19.368,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 17 11.750,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 18 38.700,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5022 21 12.550,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 22 71.375,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 23 15.950,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 24 148.280,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5023 28 31.120,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 29 103.955,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 30 9.580,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 31 11.115,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 Total 1.016.853,00 Soma 37.511.823,75 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Julho de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11257DF CARF MF 24 Dia Valor Histórico efl. 1 2.486.572,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5023 4 2.121.845,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 5 1.162.552,24 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 6 1.277.125,02 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 7 1.298.411,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 8 1.814.632,26 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 11 1.984.252,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 12 1.473.418,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 13 575.905,83 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 14 1.245.651,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 15 1.620.361,40 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 18 1.800.036,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 19 1.378.060,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 20 1.136.248,52 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5024 21 1.919.449,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 22 1.932.550,11 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 25 3.227.491,07 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 26 1.224.200,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 27 926.059,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 28 1.273.747,85 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 29 2.068.048,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 Total 33.946.620,31 Dia Valor Histórico 1 5.450,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5023 4 37.300,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 4 58.760,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 7 20.800,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 8 90.267,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 11 52.900,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 11 14.270,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 12 38.710,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 13 18.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 15 26.773,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5024 20 24.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5024 Total 387.230,00 Soma 34.333.850,31 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Agosto de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11258DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.235 25 Dia Valor Histórico efl. 1 2.198.380,49 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 2 1.481.709,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 3 1.068.536,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 4 1.113.028,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5025 5 799.180,16 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 8 1.285.875,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 9 968.760,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 10 1.386.566,80 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 11 1.071.384,90 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 12 1.617.462,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 15 2.788.527,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 16 988.363,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 17 1.068.881,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 18 1.715.987,62 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 19 2.245.503,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 22 3.478.490,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5026 23 1.479.201,63 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 24 1.274.659,84 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 25 2.256.514,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 26 1.531.584,41 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 29 1.471.075,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 30 960.850,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 Total 34.250.524,41 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Setembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11259DF CARF MF 26 Dia Valor Histórico 1 11.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 1 65.501,42 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 2 53.400,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 2 50.772,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 3 32.057,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5025 4 52.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5025 4 10.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 8 65.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5026 8 46.485,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 9 32.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 11 65.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 12 41.315,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 16 15.100,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 17 179.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 17 18.345,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 18 19.510,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 19 20.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 19 13.430,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 22 34.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5026 22 72.112,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5026 23 97.995,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 24 9.650,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 25 13.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 25 18.553,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 25 25.180,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 26 2.661,35 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 29 8.600,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 29 2.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 29 29.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 30 17.735,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 Total 1.120.543,27 Soma 35.371.067,68 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Setembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11260DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.236 27 Dia Valor Histórico efl. 1 1.362.630,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 2 1.018.706,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 3 872.936,48 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5027 6 1.907.512,95 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 7 2.209.864,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 8 866.099,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 9 1.418.072,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 10 1.330.923,02 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 13 1.577.470,60 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 14 718.313,30 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 15 1.415.368,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 16 1.079.915,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 17 1.978.129,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5028 20 2.396.809,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 21 1.200.490,20 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 22 820.320,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 23 1.088.730,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 24 1.462.055,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 27 1.721.501,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 28 1.369.867,78 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 29 663.794,53 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 30 1.103.684,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 31 1.038.549,91 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 Total 30.621.745,22 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 QUADRO I Outubro de 2008 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 Fl. 11261DF CARF MF 28 Dia Valor Histórico 1 72.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 2 16.300,00 TRANSF ENTRE AGENC CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5027 2 46.500,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5027 2 16.780,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5027 3 26.400,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5027 3 2.878,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 6 37.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 7 29.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 13 24.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 13 46.028,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 14 53.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 14 14.575,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 15 23.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 15 20.090,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 16 34.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5028 17 16.800,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 17 18.710,60 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5028 20 3.465,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5028 20 6.000,00 TEDTRANSF ELET DISPON REMET.LUIZ F DE ABREU S. SANTORO 5028 20 15.310,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 20 14.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 20 97.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 22 150.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 22 110.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 22 150.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 23 87.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 24 30.955,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 27 2.000,00 TRANSF ENTRE AGENC CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5029 27 75.460,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A S. SANTORO 5029 28 30.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 29 19.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 30 300.000,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 31 9.860,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5029 1.249,97 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5029 Total 1.598.361,57 Soma 32.220.106,79 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Outubro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11262DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.237 29 Dia Valor Histórico efl. 3 1.485.252,74 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5029 4 790.033,21 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 5 785.717,57 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 6 776.032,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 7 1.335.190,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 10 2.512.778,42 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 11 971.037,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 12 658.678,88 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 13 1.152.417,75 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 14 1.361.048,19 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 17 1.610.923,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 18 987.215,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 19 1.455.892,82 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5030 21 483.693,76 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 21 1.506.895,59 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 24 2.686.394,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 25 1.292.510,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 26 1.030.852,72 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 27 1.240.407,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 28 1.670.037,33 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 Total 25.793.009,86 Dia Valor Histórico 4 2.385,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 5 81.802,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5030 5 39.660,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 6 720,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5030 6 25.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 10 160.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 10 26.340,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANTORO 5030 11 26.130,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 12 51.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 12 8.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 17 18.365,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 19 33.000,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5030 19 30.650,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5030 21 31.060,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 24 100,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 24 25.810,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 25 106.908,30 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 25 106.908,31 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 26 54.535,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 27 9.915,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 Total 838.743,61 Soma 26.631.753,47 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Novembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11263DF CARF MF 30 Dia Valor Histórico efl. 1 2.085.251,35 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 2 1.348.289,98 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 3 966.697,94 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 4 1.146.104,89 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5031 5 656.013,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 9 1.648.129,25 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 9 2.459.399,18 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 10 1.199.406,09 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 11 1.730.976,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 12 1.665.883,10 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 15 848.228,55 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 16 1.837.766,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 17 1.073.684,24 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 18 2.501.416,54 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 19 1.600.259,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 22 2.348.265,00 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5032 23 1.386.551,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 24 740.035,67 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 26 559.628,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 29 1.797.096,63 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 30 1.287.728,50 TRANSF SALDO CAIXA CENT* FILIAL AG.=00593 CTA.=0165000 5033 Total 30.886.811,91 Dia Valor Histórico 1 13.690,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 2 1.320,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 2 12.015,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SANT 5031 3 20,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5031 3 43.070,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5031 5 585,00 DEPOSITO EM CHEQUE O PROPRIO FAVORECIDO 5032 5 15.945,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 9 61.072,50 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 11 44.285,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 12 17.260,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 16 70.345,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5032 22 62.436,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 23 10.800,00 TRANSF ENTRE AGENC DINH O PROPRIO FAVORECIDO 5033 26 21.385,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 30 19.940,00 TED TRANSF ELET DISP* REMET.LUIZ FERNANDO A. S. SAN 5033 Total 394.168,50 Soma 31.280.980,41 LUIZ FERNANDO DE ABREU SODRÉ SANTORO Processo nº 19515.722888/201396 Bradesco ag. 593/2 conta: 212.800/4 QUADRO I Dezembro de 2008 Depósitos já considerados na conta 165.000/9 Bradesco ag. 593/2 Fl. 11264DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.238 31 Dos rendimentos recebidos de PF declarados: O Contribuinte informou na declaração de ajuste os rendimentos mensais oriundos de pagamentos de pessoas físicas e esses valores provavelmente transitaram pelas contas correntes. Como o lançamento foi realizado considerando todos os depósitos creditados nas contas corrente do Contribuinte considero pertinente deduzir os valores confessados do montante apurado. Vale ressaltar que, apesar do Recorrente não ter se manifestado quanto a esta dedução por ter se insurgido contra o lançamento Assim, dos saldos mensais de depósitos que restaram não comprovados (vide Quadro II) devem ser deduzidos os valores declarados como recebidos de pessoas físicas, a saber: QUARO III 2008 Depósitos ñ comprovados Valores declarados recebidos de PF Saldo de depósitos ñ comprovados Janeiro 1.901.016,54 100.310,00 1.800.706,54 Fevereiro 5.039.985,06 92.402,50 4.947.582,56 Março 8.995.724,92 92.572,50 8.903.152,42 Abril 5.304.850,13 94.228,00 5.210.622,13 Maio 3.637.730,84 7.192,50 3.630.538,34 Junho 4.599.911,43 592.781,00 4.007.130,43 2008 Dep ñ comprov no AI Dep comprov no RV Saldo de dep ñ comprovados Janeiro 27.840.972,08 25.939.955,54 1.901.016,54 Fevereiro 28.872.140,69 23.832.155,62 5.039.985,06 Março 32.476.443,31 23.480.718,39 8.995.724,92 Abril 41.275.674,17 35.970.824,04 5.304.850,13 Maio 34.746.213,80 31.108.482,95 3.637.730,84 Junho 40.681.198,12 36.081.286,68 4.599.911,43 Julho 41.210.949,86 37.511.823,75 3.699.126,11 Agosto 37.310.233,30 34.333.850,31 2.976.382,99 Setembro 37.659.890,11 35.371.067,68 2.288.822,43 Outubro 34.592.936,20 32.220.106,79 2.372.829,41 Novembro 29.514.325,74 26.631.753,47 2.882.572,27 Dezembro 35.280.069,35 31.280.980,41 3.999.088,93 QUADRO II Fl. 11265DF CARF MF 32 Julho 3.699.126,11 517.664,50 3.181.461,61 Agosto 2.976.382,99 570.540,00 2.405.842,99 Setembro 2.288.822,43 57.750,00 2.231.072,43 Outubro 2.372.829,41 652.282,50 1.720.546,91 Novembro 2.882.572,27 699.121,50 2.183.450,77 Dezembro 3.999.088,93 663.618,30 3.335.470,63 Total anual 47.698.041,06 4.140.463,30 43.557.577,76 Com o novo cálculo do valor resultante da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem comprovada, a base de cálculo do imposto devido, antes dos acréscimos legais, do imposto pago e da dedução acatada pela DRJ, com base no que consta à efl. 5.130, será: Base de cálculo declarada ..............R$ 1.949.970,08 Infrações Quadro III .....................R$43.557.577,76 Base de cálculo após este recurso....R$45.507.547,84 II. 1. Da falta de razoabilidade na imposição e fixação da multa, aplicada em níveis confiscatórios Multa de mora aplicada em percentual que contraria a Constituição Federal, art. 150, IV, segundo o qual é vedado à União, aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios "utilizar tributo com efeito de confisco." Incabível enfrentar aqui questionamentos referentes à constitucionalidade de leis e decretos. A Súmula CARF nº 2 assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." II. 2. Do descabimento da aplicação da taxa Selic A aplicação da taxa Selic é matéria já sumulada por este Conselho, sendo de observância obrigatória neste julgamento, conforme disposição regimental e, portanto, desnecessário alongar a discussão. Súmula CARF nº 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Além disso, a jurisprudência do STJ também já consolidou entendimento, no sentido de sua aplicação: "Está firmado no âmbito da 1° Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos Fl. 11266DF CARF MF Processo nº 19515.722888/201396 Acórdão n.º 2401004.565 S2C4T1 Fl. 11.239 33 tributários para com a Fazenda Nacional", foi o que afirmou o STJ, 1aT, Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08 e também no Resp 879844/MG, Min LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/11/2009. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação tributária, destaco, por fim, que: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Conclusão: Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reduzir da base de cálculo os valores comprovados como oriundos de transferências entre contas do mesmo titular, conforme Quadro II, e o valor declarado como recebido de pessoas físicas, conforme consta na declaração de ajuste do Recorrente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 11267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725253/2011-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 52 53 /2 01 1- 24 Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403003.607, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 11080.725253/201124 Acórdão n.º 9303004.468 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2511DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000325/00-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF
REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO.
A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Credito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerá-lo parcialmente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF REFIS. ADESÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A opção ao REFIS instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, após o início do procedimento de fiscalização não afasta o lançamento da multa de ofício, devendo, porém, ser exonerada a parcela do lançamento que integra o montante confessado, sob pena de dupla e indevida exigência. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Credito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 03 25 /0 0- 00 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 394 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado, afastando a decadência do crédito tributário correspondente a dezembro de 1995 e, no mérito, exonerálo parcialmente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins, relativo ao anocalendário de 1995, decorrente de divergência entre valores escriturados no livros fiscais e valores declarados em DCTF e DIRPJ. Em impugnação, a recorrente alegou preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por ter sido lavrado sem o devido Mandado de Procedimento Fiscal. No mérito, que a autuação é improcedente, uma vez que os tributos estavam constituídos antes da lavratura, mediante a entrega de Termo de Opção pelo Refis; que esta opção configura denúncia espontânea; que o Decreto nº 3.712/2000 ao permitir a complementação da Declaração Refis até 12/02/2001, permitiu a regularização de todos os débitos; que a taxa Selic deve ser excluídas como juros de mora. A DRJ, por sua vez, proferiu o Acórdão nº 1.595, julgando improcedente a impugnação, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1995, 01/07/1995 a 31/12/1995 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). 0 Mandado de Procedimento Fiscal integral o rol dos atos discricionários vinculados à autorização e controle da execução dos procedimentos de fiscalização e a eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 395 3 Constatada pela fiscalização a falta ou insuficiência de recolhimentos de Cofins, deve a exigência tributária ser constituída de oficio. OPÇÃO PELO REFIS. A opção pelo Refis após o inicio do procedimento fiscal não sustenta a alegação de denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de oficio e juros de mora decorre de observância da legislação de regência e está ligada ao preceito do art. 142 o Código Tributário Nacional (CTN) acerca da atividade vinculada do lançamento. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente repisou as alegações efetuadas na impugnação, acrescentando a necessidade de declaração de nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos da defesa. Por seu turno, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento proferiu o Acórdão nº 3803.00.419, dando provimento ao recurso voluntário, declarando a decadência de todo o lançamento. Cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, por contradição na contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 173, inciso I, do CTN, ao ter declarado a decadência de todo o ano de 1995, quando deveria ter excluído o período de dezembro de 1995 da referida decadência. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos de declaração foram admitidos para sanar a contradição quanto à contagem do prazo decadencial estabelecido no artigo 173, inciso I do CTN, efetuada no Acórdão nº 3803.00.419, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995, 31/12/1995 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COFINS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 396 4 Em razão do transcurso do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), encontrase extinto o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nas datas acima identificadas. 0 prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Recurso Voluntário Provido. Constatase que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/02/2001 (efls. 81), sendo o lançamento relativo aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1995. Destarte, uma vez que a Cofins do mês de dezembro de 1995 venceu em meados de janeiro de 1996, apenas após esta data seria possível o lançamento, o que leva o termo inicial do prazo para 1º/01/1997 e o termo final para 31/12/2001, após a ciência do Auto de Infração. Concluise, portanto, que o fato gerador de dezembro de 1995 não está decaído. Ultrapassada a prejudicial de decadência em relação a este período, necessário se faz apreciar as demais alegações de recurso voluntário. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da autuação pelo fato de que a recorrente não obteve ciência do MPF 0210300/00071/000, e, portanto, não houve ciência do procedimento fiscal, e que esta suposta ausência causaria a preterição do direito de defesa. Em relação a eventuais irregularidades no MPF, salientase que é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativo funcionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º1 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, instituidora do MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.935/1972. 1 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 397 5 Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto a este ponto, cujos fundamentos adoto de forme complementar como razão de decidir, nos termos do §1º2 do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A segunda preliminar arguida diz respeito à nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação de argumentos defesa, especificamente quanto à alegação de duplicidade de cobrança dos débitos de Cofins relativos ao anocalendário de 1995, uma vez que aderiu e confessou no REFIS, de acordo com a Lei nº 10.002/2000 e Decreto nº 3.712/2000. A recorrente alegou em impugnação que os débitos lançados foram devidamente pagos no parcelamento de que tratou a Lei nº 10.002/2000, declarados antes da lavratura do Auto de Infração, e que a manutenção do lançamento implicaria em duplicidade de cobrança. Sustentou que não são cabíveis o principal, juros de mora e multa de 75% aplicados, bem como houve denúncia espontânea da infração, mediante a declaração ao REFIS. A decisão da DRJ caminhou no sentido da necessidade do lançamento, em razão de ter a adesão ao REFIS ocorrida após o início da ação fiscal, por estar excluída a espontaneidade. Assim, entendo que a decisão não abordou ponto relevante alegado em impugnação quanto à questão da duplicidade de cobrança, via REFIS e Auto de Infração, em inobservância do artigo 31 do Decreto nº 70.235/19723, o que causaria sua nulidade, a teor do artigo 59, inciso II do referido diploma. Ocorre que tal declaração não será necessária, nos termos do §3º do referido artigo 59, em vista do que se decidirá adiante. No mérito, a recorrente alegou, em suma, que a adesão e declaração ao REFIS teria o condão de impedir o lançamento de ofício, uma vez que os débitos estariam confessados antes da constituição do lançamento e que a existência das duas constituições de crédito tributário implicaria em duplicidade de cobrança. Passo à análise. O REFIS foi instituído pela Lei nº 9.964, de 2000, cujo prazo foi reaberto pela Lei nº 10.002, de 14 de setembro de 2000, tendo sido regulamentado pelos Decretos nº 2 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 3 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 398 6 3.431 e 3.712, ambos de 2000. Abrangeu os débitos vencidos até 29/02/2000, conforme artigos 1º da Lei nº 9.964, de 2000 e do Decreto nº 3.431, de 2000, contemplando os períodos lançados neste processo. Por sua vez, o artigo 3º da referida lei dispôs que a opção pelo REFIS implica confissão irretratável e irrevogável dos débitos informados, bem como o artigo 2º menciona em seu §3º, que a consolidação abrangeria todos os débitos, constituídos ou não, inclusive acréscimos legais relativos a multa, de mora ou ofício, juros e demais encargos, determinados de acordo com legislação vigente à época, conforme transcrito abaixo: Art. 2o O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. § 1o A opção poderá ser formalizada até o último dia útil do mês de abril de 2000. § 2o Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis. § 3o A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. O Decreto nº 3.431/2000, regulamentando a Lei nº 9.964/2000, dispôs, ainda, no §9º do artigo 5º que as multas de ofício incluídas no REFIS seriam reduzidas em 40%, nos termos do artigo 60 da Lei nº 8.383/1991. Após a edição da Lei nº 10.002, de 2000, o Decreto nº 3.712, de 2000, em seu artigo 2º, §1º, determinou que os débitos não constituídos pela pessoa jurídica deveriam ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 12/02/2001. Da análise dos documentos acostados aos autos, constatase que a recorrente efetuou a opção em 27/11/2000 (efls. 303), efetuou a entrega de declaração de débitos em 12/02/2001 (efls. 312/321), onde constam os débitos de Cofins em valores originais correspondentes aos lançados neste Auto de Infração. O demonstrativo de débitos consolidados (efls. 337/355) mostra que a consolidação ocorreu com a multa moratória de 20%, estando o parcelamento sendo controlado no processo nº 10218.450055/200164, de acordo com a informação prestada pela recorrente em recurso voluntário. Neste ponto, frisese que a recorrente recebeu intimações em 11/07/2000 e 11/08/2000, tendo, inclusive respondido à fiscalização em 14/08/2000, ao passo que efetuou a opção pelo Refis apenas em 27/11/2000, caracterizando, assim, estar sob procedimento de fiscalização quando do exercício da opção. Destarte, de acordo com o §1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 e parágrafo único do artigo 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea ou existência de espontaneidade, após o início do procedimento fiscal. No caso, a opção pelo REFIS e a entrega da declaração, ainda que anterior à lavratura do Auto de Infração, não têm o condão de afastar a multa de 75% lançada neste Auto de Infração, em vista de que a consolidação efetuada no REFIS ocorreu com multa moratória de 20% e a ausência de espontaneidade para a prática do ato. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10218.000325/0000 Acórdão n.º 3302003.738 S3C3T2 Fl. 399 7 Porém, os débitos informados no REFIS consistiram em confissão irretratável e irrevogável de dívida, o que implica a impossibilidade de exigência em duplicidade dos referidos créditos tributários. Assim, entendo que deve ser exonerado do lançamento, a parcela do débito do mês de dezembro de 1995 (recordandose que os demais períodos foram julgados extintos por decadência) correspondente ao valor declarado no REFIS, considerando a redução da multa de ofício em quarenta por cento, de acordo com o §9º do artigo 5º do Decreto nº 3.431/2000. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3401002.998: LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. Ressaltase que sobre o crédito original remanescente, restabelecese a multa de ofício de 75%. Diante do exposto, voto para acolher os embargos de declaração e retificar o acórdão embargado, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose totalmente os créditos tributários correspondentes aos períodos de janeiro a novembro de 1995 e exonerandose, parcialmente, o crédito tributário correspondente a dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907848/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.935058/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 58 /2 00 9- 96 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.966, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935058/200996 Acórdão n.º 3201000.502 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 373DF CARF MF
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