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Numero do processo: 10240.721683/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. PRESSUPOSTOS.
Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS.
A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria preventivamente.
IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
Correta a apuração do IRPJ e da CSLL se considerado o Lucro Real efetivamente encontrado na DIPJ.
IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. DESPESAS.
Correta a glosa de despesas apropriadas relativamente a arrendamento de bens e prestação de serviços, quando a arrendadora e prestadora de serviços foram constituídas somente para fins de economia tributária, sem propósito negocial, portanto.
IRPJ E CSLL. DOAÇÕES A PARTIDOS POLÍTICOS. DESPESA. ADIÇÃO.
Glosam-se as despesas relativas a doações a partidos políticos, se não demonstrada corretamente a sua adição ao lucro líquido para determinação do lucro real.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MULTA QUALIFICADA.
Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. Contudo, na falta da caracterização da conduta individualizada, cabe exonerar sua responsabilidade.
Numero da decisão: 1402-003.265
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar e afastar as preliminares suscitadas; ii) no mérito, ii.i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos lançamentos de glosa de custos/despesas - item 0002 do auto de infração -, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; ii.ii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao tema despesas não necessárias - item 0001 do auto de infração -; ii.iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário e manter a qualificação da multa em 150%, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votavam por afastá-la; ii.iv) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a sujeição passiva da pessoa jurídica AZP Participações S/A com base no artigo 124, I, do CTN; ii.v) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para, ii.v.i) afastar a responsabilização imputada a Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi e, ii.v.ii) reconhecer o direito da recorrente de se aproveitar do imposto pago pela AZP no que concerne às despesas glosadas, conforme vier a ser apurado pela unidade de origem quando da execução deste acórdão.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria preventivamente. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Correta a apuração do IRPJ e da CSLL se considerado o Lucro Real efetivamente encontrado na DIPJ. IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. DESPESAS. Correta a glosa de despesas apropriadas relativamente a arrendamento de bens e prestação de serviços, quando a arrendadora e prestadora de serviços foram constituídas somente para fins de economia tributária, sem propósito negocial, portanto. IRPJ E CSLL. DOAÇÕES A PARTIDOS POLÍTICOS. DESPESA. ADIÇÃO. Glosam-se as despesas relativas a doações a partidos políticos, se não demonstrada corretamente a sua adição ao lucro líquido para determinação do lucro real. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. Contudo, na falta da caracterização da conduta individualizada, cabe exonerar sua responsabilidade.
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PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria preventivamente. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Correta a apuração do IRPJ e da CSLL se considerado o Lucro Real efetivamente encontrado na DIPJ. IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. DESPESAS. Correta a glosa de despesas apropriadas relativamente a arrendamento de bens e prestação de serviços, quando a arrendadora e prestadora de serviços foram constituídas somente para fins de economia tributária, sem propósito negocial, portanto. IRPJ E CSLL. DOAÇÕES A PARTIDOS POLÍTICOS. DESPESA. ADIÇÃO. Glosamse as despesas relativas a doações a partidos políticos, se não demonstrada corretamente a sua adição ao lucro líquido para determinação do lucro real. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 16 83 /2 01 4- 77 Fl. 2933DF CARF MF 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. Contudo, na falta da caracterização da conduta individualizada, cabe exonerar sua responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar e afastar as preliminares suscitadas; ii) no mérito, ii.i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no que se refere aos lançamentos de glosa de custos/despesas item 0002 do auto de infração , vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; ii.ii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao tema despesas não necessárias item 0001 do auto de infração ; ii.iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário e manter a qualificação da multa em 150%, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votavam por afastála; ii.iv) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a sujeição passiva da pessoa jurídica AZP Participações S/A com base no artigo 124, I, do CTN; ii.v) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para, ii.v.i) afastar a responsabilização imputada a Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi e, ii.v.ii) reconhecer o direito da recorrente de se aproveitar do imposto pago pela AZP no que concerne às despesas glosadas, conforme vier a ser apurado pela unidade de origem quando da execução deste acórdão. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.934 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte em epígrafe. O presente processo esteve pautado em sessão de 15/08/2017, em que foi convertido em diligência, para desentranhamento de matérias inerentes ao PIS e Cofins, que não são decorrentes e nem conexos ao lançamento de IRPJ e da CSLL. Após o feito, retorna para julgamento. Destarte, as matérias inerentes ao PIS e Cofins não decorrentes e nem conexos ao lançamento de IRPJ e da CSLL não serão apreciadas no presente voto, devendo ser tratadas pela 3ª Seção deste CARF (processo desentranhado nº 10240720170/201872). Da autuação: Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: A contribuinte acima identificada teve contra si lavrado o auto de infração relativo ao IRPJ (AI e demonstrativos às fls. 3 a 11) em decorrência de apropriação de despesas: a) referentes à doação para partido político, não necessárias à fonte produtora; b) com base em documentos inidôneos. Houve também o lançamento de CSLL baseado nos mesmos fatos, conforme AI e demonstrativos de fls. 42 a 50. (...) c) créditos descontados indevidamente: (...) c.2) em face de “despesas consideradas inidôneas”, referente ao arrendamento de bens e à gestão de ativos; (...) O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ (...) [R$ 1.956.562,76 em valores principais de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, a ser acrescidos de juros de mora e multa qualificada]. Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. Fl. 2935DF CARF MF 4 O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 52 a 185), parte integrante dos autos de infração, descreve minudentemente o procedimento realizado. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu, por via postal, em 16 de dezembro de 2014 (AR à fl. 1.053). Foram arrolados como responsáveis solidários: a) Alcides Zirondi Primo; b) Carlos Cezar Zirondi e c) A.Z.P. Participações S/A. Todos os arrolados tomaram ciência quanto aos lançamentos no dia 16 de dezembro de 2014 (AR às fls. 1.054 a 1.056). Da Impugnação: Inconformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, em que argumentou e apresentou os seguintes elementos: solicitou nulidade da autuação no que concerne à glosa de despesas com arrendamento de bens, por erro de fundamento legal, no que tange ao arrendamento de bens, por se tratar de um arrendamento comum, e não um arrendamento mercantil, nos ditames da Lei 6.099/74. Neste caso, haveria impossibilidade jurídica de tal fundamento jurídico, pos a lei 6.099/74 é para situações de arrendamentos que são controlados e fiscalizados pelo Bacen, e nem a impugnante (então atual recorrente) e nem a prestadora de serviços (AZP) atendem tal requisito; solicitou nulidade por falha no cálculo do IRPJ e da CSLL, por não terem refeito a apuração do exercício; inexistência dos fatos jurídicos simulados, tanto no que tange às suas consequências tributárias, no que se refere à glosa de despesas com arrendamento de bens e serviços, invocando questões de fundamentação fática da fiscalização como falhas; que a glosa de despesas a título de doação para partidos políticos para apuração do IRPJ e da CSLL foi errada, pois houve a adição desta despesa no Livro de Apuração do Lucro Real Parte A, incluído com outros valores, em que aparece o total das adições de R$ 418.515,93; que se não houver consideração dos argumentos apresentados, deve ocorrer o aproveitamento dos tributos realizado pela prestadora de serviços; que os créditos glosados de Pis e Cofins sobre os bens arrendados são indevidos pelos elementos expostos anteriormente; a multa qualificada foi indevida, pois o procedimento seria supostamente equivocado, (...) o que não caracterizaria sonegação fiscal; Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.935 5 questiona a ilegalidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; os solidários apresentaram impugnação, praticamente idêntica. Do Acórdão da DRJ: Em julgamento na DRJ, foi mantido integralmente a autuação, conforme transcrição da ementa infra: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria preventivamente. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedada aos órgãos julgadores administrativos a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas, cabendo o fiel cumprimento daquelas em vigor. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Correta a apuração do IRPJ e da CSLL se considerado o Lucro Real efetivamente encontrado na DIPJ. IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. DESPESAS. Correta a glosa de despesas apropriadas relativamente a arrendamento de bens e prestação de serviços, quando a arrendadora e prestadora de serviços foram constituídas somente para fins de economia tributária, sem propósito negocial, portanto. IRPJ E CSLL. DOAÇÕES A PARTIDOS POLÍTICOS. DESPESA.ADIÇÃO. Glosamse as despesas relativas a doações a partidos políticos, se não demonstrada corretamente a sua adição ao lucro líquido para determinação do lucro real. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 Fl. 2937DF CARF MF 6 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário: O contribuinte irresignase com a decisão da DRJ, e invoca os seguintes aspectos, em muito similares ao apresentados na impugnação: nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de fundamentação; nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de análise dos documentos apresentados pelo contribuinte; nulidade do lançamento: a) erro de fundamentação legal b) equívoco no cálculo do IRPJ e da CSLL c) erro material no trabalho realizado pela fiscalização e na base de cálculo utilizada para atribuição de "responsabilidade" da Recorrente inexistência de fatos jurídicos simulados irregularidades das glosas de despesas com arrendamento de bens e serviços para apurado do IRPJ e da CSLL: a) não existência de simulação, dissimulação ou ainda abusa de forma nos atos praticados; b) localização da empresa A.Z.P. Participações S/A; c) existência de funcionários; d) similitude do quadro societário; e) realização de diversos outros negócios jurídicos f) data da celebração dos contratos g) arrendamento de bens que seriam anteriormente da recorrente aproveitamento dos tributos recolhidos pela AZP Participações S/A nos valores cobrados no presente lançamento dedução de doações destinadas a partidos políticos qualificação da multa conversão do presente julgamento em diligência Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.936 7 É o relatório. Fl. 2939DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço Cabe destacar que no presente voto estarei me restringindo apenas aos pontos do recurso voluntário inerentes ao IRPJ e CSLL e eventuais decorrências destes no PIS e Cofins. Matérias suscitadas inerentes ao PIS e Cofins, que não são decorrentes ou conexas aos fatos que ensejaram a autuação fiscal de IRPJ não serão analisadas, cabendo à Seção competente deste CARF, conforme já apontado no início do relatório que precede o presente voto. Síntese dos fatos A autuação fiscal versa IRPJ e CSLL, decorrente da apropriação das despesas de arrendamento para com outra empresa (AZP), que a autoridade entendeu ter sido criada pela recorrente para o fim exclusivo de diminuir a base de cálculo do lucro. Referemse ao anocalendário de 2010. A AZP não teria propósito negocial, funcionando com a estrutura da recorrente, e se valendo de bens que inicialmente estavam no seu imobilizado. Há uma pequena parcela de despesas glosadas como não necessárias referente a doação para partido político. Na sua impugnação suscita nulidade da autuação, pois o arrendamento era o comum, e não o estabelecido pela lei 6.099/74, que seria fiscalizado pelo Bacen, o que não seria o caso. Evoca que não houve simulação da criação da AZP. A doação para partidos políticos já tinha sido adicionada no Lalur. Deveria ocorrer o aproveitamento dos tributos recolhidos realizado pela AZP. A multa qualificada foi indevida, pois não houve sonegação fiscal, e ao cabo questiona a ilegalidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, e os solidários apresentaram impugnação. A DRJ rebateu os pontos alegados na impugnados, mantendo integralmente a autuação fiscal. Na sua peça recursal mantém os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, reforçado com alegações contra a posição de primeira instância administrativa. Das preliminares Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.937 9 Alega a recorrente as seguintes nulidades: a) nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de fundamentação Na sua peça recursal, alega que o v. acórdão recorrido limitase a descrever alguns pontos apresentados pela autoridade fiscal, sem tecer qualquer comentário a respeito dos seus argumentos em contestação. No seu entender, haveria uma ausência de fundamentação da decisão de piso. Contudo, analisandose o v. acórdão recorrido, no seu conjunto argumentativo, resta claro que houve manifestação a respeito dos itens necessários para fundamentar o decidido. Os próprios trechos transcritos na peça recursal, em que a recorrente tenta corroborar este posicionamento demonstra que houve embasamento, até porque remete ao auto de infração em litígio, e neste consta toda o enquadramento legal e descrição dos fatos necessários. Não seria necessário ao julgador a quo ficar repetindo tudo ou ampliando o que já estava posto nos autos. Não se pode querer imputar nulidade por não reescrever todo o pensamento já exposto anteriormente na autuação fiscal e todas as alegações apresentadas, item por item. Cabe ao julgador decidir com base nos elementos disponíveis e fundamentálos não existe regra de quanto extenso seja esta fundamentação o importante é que ocorra um arrazoado entre o fundamentado e decidido, desde que aprecie o fundamental alegado. As próprias ementas trazidas à peça recursal para exemplificar este posicionamento do CARF demonstram que se tratam de situação mais lacônicas e próprias ocorridas nas autuações fiscais. Não é o caso presente. A autoridade a quo especificou cada argumento, e os rebateu, alguns de forma singela, mas direta, outros com maiores aprofundamentos. Mas todos válidos, que não caracterizam a alegada falta de fundamentação. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente b) nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de análise dos documentos apresentados pelo contribuinte Na sua peça recursal, insurgese a recorrente por completa ausência de análise de importantes documentos apresentados pela recorrente em sua impugnação, os quais, na sua totalidade, são adequados para refutar toda a construção realizada pela autoridade fiscal. Contudo, nesta linha argumentativa a recorrente foi genérica, e não demonstrou o alegado. Ficou discorrendo sobre o tema, mas em nenhum momento contextualiza quais os documentos não foram analisados. Fl. 2941DF CARF MF 10 Suas alegações estão sem embasamento necessário, um tanto vagas e genéricas, para análise desta segunda instância administrativa, não havendo condições de se verificar o alegado. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente c) erro de fundamentação legal Alega a recorrente que há a falta de requisitos essenciais que deveriam constar nos autos de infração do presente processo, em ofensa ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. No seu entender, as despesas com arrendamento, que foram glosadas da base de cálculo do IRPJ e CSLL não caracterizam arrendamento mercantil, pois estas devem atender os preceitos da lei específica e são controladas e fiscalizadas pelo BACEN, só gerando efeitos após sua liberação. Entendo que tal matéria envolve questão de mérito, como também já apontado no v. acórdão recorrido, e vão ser tratadas a seguir. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. d) equívoco no cálculo do IRPJ e da CSLL Alega a recorrente que houve falha no cálculo dos valores de IRPJ e da CSLL, não tendo sido considerados os tributos pagos. Tal situação também envolve questão de mérito, ou seja, da possibilidade de compensação ou não do já pago anteriormente, se comprovado. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. Por conseguinte, NEGO TODAS AS PRELIMINARES SUSCITADAS PELA RECORRENTE. Do mérito: quanto à alegação da inexistência de fatos jurídicos simulados Alega a recorrente que o v. acórdão afirma que a recorrente se utilizou de simulação ao realizar os negócios jurídicos, com pessoa jurídica constituída com o único objeto de obter economia tributária, sem qualquer propósito negocial. Para tanto, procura rebater os vários pontos trazidos como premissas para a autuação fiscal, e confirmados em julgamento de piso. Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.938 11 Para tanto, ao final, discorre que não houve simulação dos negócios jurídicos praticados pela recorrente com a empresa A.Z.P. Participações S/A, e houve realmente a celebração de negócios jurídicos válidos e perfeitos. Contudo, analisandose todo o aporte probatório trazido aos autos, verificase que realmente houve uma simulação, com a constituição de pessoa jurídica com o propósito exclusivo de economia tributária. Compulsando os autos, verificase que no anocalendário de 2010 a recorrente registrou como despesa de Gestão de Ativos Financeiros o montante de R$ 1.268.541,37 e como despesa de Arrendamento (Mercantil) de Bens o montante de R$ 3.168.829,19, ambas na conta 320 DESPESA COM ARRENDAMENTO DE BENS/GESTÃO DE ATIVO, pagamentos estes efetuados a AZP. Ou seja, há a uma constituição de empresa que acaba absorvendo muitas despesas da recorrente, o que lhe diminui a tributação a recolher, já que é optante do lucro real. Conforme detalhado no termo de verificação fiscal, há uma série de indícios levantados pela autoridade fiscal autuante que levam a crer que tais despesas são inidôneas, pois foram criadas artificialmente. O fato alegado que houve pagamentos de tributos pela empresa simulada AZP não retira este caráter, pois a formalidade precisa ser realizada adequadamente, mesmo com o desvirtuamento do seu propósito negocial e sem o substrato material necessário. Ou seja, os impostos pagos pela AZP estavam dentro da necessidade de dar ares formais necessários, e mesmo os pagando, haveria economia tributária em relação à situação se tivesse feito sem a simulação. Ademais, a caracterização não se dá apenas um indício, e sim pelo conjunto dos mesmos. Individualmente, cada indício poderia até ser circunstancial, e não demonstrar muito a simulação evocada na autuação fiscal, mas os analisando em conjunto, há uma percepção de que há muitos fatos concorrendo conjuntamente, e beneficiando tributariamente a recorrente, ao gerar despesas que deduzia da apuração do seu lucro. Contudo, tais despesas foram geradas através da criação e uso da empresa AZP, com várias ligações muito próximas à recorrente, conforme demonstrado no termo de verificação e constatação fiscal. No caso concreto, há a demonstração de vários elementos que dão o contexto da operação, que foram especificados pela própria recorrente na sua peça recursal, os quais procurou rebater individualmente. Discriminoos abaixo para analisar com maior acuidade cada um logo a seguir: 1) a empresa A.Z.P. era, inicialmente, no endereço residencial pertencente ao sócio da recorrente e, posteriormente, no estabelecimento da própria recorrente; 2) a AZP não tinha funcionários; 3) quadro societário entre as duas empresas similares; Fl. 2943DF CARF MF 12 4) o arrendamento de bens móveis pela A.Z.P. à recorrente, ocorridos anteriormente à propriedade da recorrente; 5) pactuação de contrato de administração de ativos financeiros entre as empresas, antes mesmo da constituição da empresa administradora; 6) ausência de clientes da empresa A.Z.P., a não ser a própria Recorrente a mais uma empresa do mesmo grupo econômico. Na sua peça recursal tenta rebater cada um dos pontos acima, mas se apegando a elementos genéricos, como o fato de que a abertura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF teria verificado a sua inequívoca existência e efetiva realização de negócios jurídicos. Contudo, é consabido que o fato que a instauração do MPF não prova isso, e sim o que foi coletado de provas na execução do mesmo. Quanto ao endereço da AZP, alega a recorrente que o endereço inicial e de sua constituição não era o do então sócio, Alcides Zirondi Primo, como apontado pela autoridade fiscal. E alega que o endereço posterior seria também endereço diferente do apontado pela autoridade fiscal. Nas suas palavras, a autoridade fiscal apontou que seu endereço posterior seria o da própria recorrente, e ela diz que não, alegando seria que em imóvel próprio da AZP, na Rua Piraíba, 1655, Ariquemes/RO. Para tanto anexa certidão da matrícula do imóvel. Nos termos do apontado no termo de verificação e constatação fiscal, sobre o endereço da AZP, esposa o seguinte: 29. De acordo com o ato constitutivo da empresa A.Z.P. Participações S.A datado de 03/09/2007, seu estabelecimento localizavase inicialmente à Alameda das Andorinhas, 1259, Terceira Rua, Setor 2, Ariquemes/RO (Rua Jandaias, n° 1259, Ariquemes/RO), no imóvel residencial pertencente ao sócio da BRASIL, Sr. Alcides Zirondi Primo, CPF 259.034.89915. 30. Em 26/02/2010 a empresa promoveu a alteração do endereço para a Rua Piraíba, n° 1665, Setor Áreas Especiais, Ariquemes/RO, CEP n° 76.870248, mesmo endereço da filial 00.735.882/000729 da BRASIL Distribuidora em Ariquemes/RO, conforme ATA da 1a Assembléia Geral Ordinária da AZP e alterações contratuais da empresa BRASIL. Sobre o endereço de constituição da empresa AZP, o imóvel em questão era integrante do patrimônio do sócio e foi incorporado ao capital social da mesma. Quanto ao endereço posterior, a autoridade fiscal destaca que o endereço é o mesmo alegado pela recorrente, contudo, sendo também neste endereço uma filial (0007) da recorrente. Para a inexistência de funcionários, alega que a atividade exercida não necessita de grande estrutura. Para tanto, bastaria a atividade de gestão de ativos financeiros através de contrato efetuado pela recorrente. Mas é justamente isso que se insurge a autoridade fiscal autuadora todas as atividades da AZP eram realizadas pela recorrente, pois a mesma nunca contratou empregados para desenvolver suas atividades. Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.939 13 Para a similitude do quadro societário, alega que isso não bastaria para considerar a simulação. Naturalmente que a mera similitude do quadro societário não bastaria, mas é um indício a mais, que analisado no contexto, dá azo ao alegado de simulação. O fato de terem sócios em comum, tanto a AZP quanto a recorrente, demonstra que há uma possibilidade de confusão patrimonial. Isoladamente, é relativamente comum empresas atuarem tendo o mesmo quadro societário, e só isto não bastaria para desqualificar se apenas fosse isso. No presente caso, temos uma empresa constituída, a AZP, que passa a ser a sócia majoritária da recorrente, com 99,96% do capital social, em outubro de 2007. E a AZP passou a ser controlada pelas mesmas pessoas físicas que antes controlavam a recorrente. Ou seja, os sócios pessoas físicas continuam controlando a recorrente indiretamente. Vislumbrase com isso muitos contratos de arrendamento ocorrido, motivadores da glosa de despesa em questão, assinados pelo mesmo sócio, tanto pelo arrendador quanto arrendatário. Friso, isoladamente, pode e acontece, mas no contexto, conjugado com outros indícios, gera suspeição da motivação negocial subjacente. Quanto ao alegado pela recorrente que a AZP realizava diversos outros negócios jurídicos, notase que os negócios trazidos como exemplos fogem ao foco da fiscalização, que é de arrendamento comercial. Na sua peça recursal exemplifica alguns contratos de intermediação, locação e administração de imóvel, pertencentes à AZP, mas seriam poucos. Realmente a AZP fez negócios outras pessoas jurídicas, locando imóveis seus para eles. Entendo que isso não desfiguraria a situação, pois os imóveis foram incorporados ao capital social quando da sua constituição, sendo eles, já na maioria, de uso da recorrente, e serem se sua propriedade ou dos sócios. Quanto às demais alegações, envolvendo as datas da celebração dos contratos, analisandose dentro do contexto, há razão a autoridade fiscal autuadora, pois houve uma confusão patrimonial entre a recorrente e a AZP dos veículos envolvidos no arrendamento. Na sua peça recursal cita que apenas 11 veículos foram originalmente a recorrente e posteriormente transferidos à AZP. Isso por si só, não é o bastante, mas inserido no contexto envolvido, demonstra o articulado de transferir bens do seu patrimônio para arrendálos e com isso ter despesas a deduzir. Claro que após o surgimento da AZP, todos os demais veículos seriam adquiridos pela mesma. Todo o exposto acima, apontado como demonstração da simulação na autuação fiscal, da qual a recorrente tenta rebater, demonstra um conjunto de indícios que inevitavelmente levam a conclusão que a AZP foi constituída para ocorrer uma economia tributária na recorrente, e apenas para isso. Após sua constituição, e até para dar ares de formalidade necessária, passou a exercer alguns atos negociais a sua atividade. E, igualmente, não procede a alegação que o contrato de arrendamento firmado entre a recorrente e a AZP não ter ocorrido sob as normas da Lei Fl. 2945DF CARF MF 14 nº 6.099/1974, já que é este contrato de arrendamento que está sendo combatido e desconsiderado pela autuação fiscal, por falta de propósito negocial. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. da alegação do aproveitamento dos tributos recolhidos pela AZP Participações S/A nos valores cobrados no presente lançamento Alega a recorrente que devem ser reconhecidos os valores recolhidos anteriormente, ou seja, que o presente lançamento tenha como objeto apenas a diferença entre o recolhido pelo contribuinte e o que o Fisco entende como devido. Afinal, tratase da mesma renda e do mesmo fato tributável. Para tanto requer a reforma do v. acórdão recorrido para seja abatido dos valores lançados, os tributos recolhidos pela administradora, consoante demonstram os inclusos comprovantes de recolhimento (doc. 12 da sua peça impugnatória). Entendo que a operação desconsiderada de arrendamento envolve atividades inerentes a bens ativados no patrimônio da recorrente, e em circunstâncias normais tem procedência o seu pleito de compensar os valores da operação com o autuado. Assim, apesar de não haver previsão legal, o que acontece com o presente voto é a desconsideração dos atos jurídicos identificados na operação da AZP perante a recorrente, no que concerne às despesas que foram glosadas. E na AZP, a princípio, ofertadas como receitas, cujo tributação foi paga. Destarte, DOU PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer o direito da recorrente de se aproveitar do imposto pago pela AZP no que concerne às despesas glosadas, conforme vier a ser apurado pela unidade de origem quando da execução deste acórdão. da dedução de doações destinadas a partidos políticos Alega a recorrente que os valores doados a partidos políticos foram adicionados ao lucro real do referido anocalendário de 2010, no montante de R$ 110.000,00. O v. acórdão rebate este ponto, nos seguintes termos: Ocorre que tanto o LALUR quanto a planilha são documentos produzidos unilateralmente pelo contribuinte e não têm, por si sós, valor probante. Para tanto, devem vir acompanhados de outros documentos que corroborem o quanto ali contido. Informou a autuada que a composição de despesas operacionais não dedutíveis era: R$ 110.000,00 a título de “doações e patrocínio”. Contudo, doações a partidos políticos não se consubstanciam em despesas operacionais e, portanto, não poderiam fazer parte do Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.940 15 “quantum” das despesas lançadas na linha 09 da ficha 04A da DIPJ. Quanto à adição, o referido valor deveria ter sido lançado na linha 44 da ficha 09A da referida declaração. Consultandose a declaração, vêse que nenhum valor foi lançado nessa linha. Analisando o contexto probatório apresentado pela recorrente, não vislumbro de forma contundente que houve a adição dos R$ 110.000,00 na apuração do lucro real. Consta ali um valor de adição ao lucro de R$ 418.515,93, apresentando uma planilha na sua peça recursal com o desmembramento deste valor. E anexa um razão analítico gerado pelo SPED Contábil, das contas que compõem as parcelas indedutíveis. Porém, tal situação gera insegurança no presente momento, pois são elementos produzidos de forma unilateral pela recorrente. Terseia que analisar no momento da declaração entregue, tanto do SPED Contábil quando da produção do Lalur, antes do início do procedimento fiscal, para verificar a situação de então. Não há isso provado nos autos. O que há, como já apontado pelo v. acórdão recorrido, na DIPJ entregue pela recorrente, a ausência de informações de adição efetuada no campo devido desta declaração. Destarte, não havendo elementos probatórios adequados, produzidos no momento anterior ao presente litígio, não há condições de se aceitar o alegado. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. da qualificação da multa Alega a recorrente que não houve conduta dolosa da sua parte, e os negócios efetuados pela AZP realmente ocorreram, bem como a criação da referida empresa se deu com objetivos comerciais e com substancias econômicas, não haveria que se falar em qualquer penalidade aplicada. Contudo, o apresentado até o presente vai no sentido contrário. No relatório fiscal, aponta o seguinte: 138. Sobre a aplicação da multa qualificada, verificouse que o Contribuinte, por meio de ações intencionais, via negócios jurídicos simulados, fartamente demonstrados neste termo, envidou esforços para reduzir tributos e contribuições (IRPJ e CSLL), mediante dedução, para determinação do lucro real, despesas fictícias. Contextualizando, a multa de ofício qualificada estipula a duplicação da multa de mora (de 75%), nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que envolve as figuras da sonegação, fraude e conluio. A autoridade fiscal Fl. 2947DF CARF MF 16 entendeu que houve a conduta dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/19641, ou seja, sonegação e fraude. Preliminarmente, cabe destacar que a multa de ofício simples (75%) tem o seu contexto de aplicação nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (com alteração dada pela Lei nº 11.488/2007). Notese que não há condições de enquadramento direto em nenhuma destas hipóteses, para os atos da recorrente que objetivaram criar, artificialmente, despesas para diminuir a apuração do seu lucro real. Não haveria, aqui, em se falar em falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e no de declaração inexata. Há uma conduta da recorrente, nitidamente dolosa, que objetivou o impedimento da real ocorrência do fato gerador, modificandoo. O elemento dolo, um tanto subjetivo, não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados. No caso concreto, pelo todo o quanto aqui exposto, resta claro que a recorrente conscientemente agiu para distorcer os fatos, com a precípua finalidade de modificar as características do fato gerador, o que levou à redução da base tributável lucro real apurado. O fato de não ter ocorrido nenhuma ilegalidade nos seus atos, e estarem todos registrados não exclui a modificação pretendida. Os atos formais, individualmente, até podem ser juridicamente válidos, mas não há substrato material, pois não refletem a realidade ocorrida. Os atos formais deveriam espelhar a realidade, o mundo real. Inevitavelmente, haverá a intenção de dar ares de validade aos atos e contratos ocorridos, escriturando e documentando toda a operação adulterada. Acontece que todo o preparo documental da situação, não tendo amparo material, foi colocado para evitar a fiscalização e tentar demonstrar uma situação válida da modificação pretendida das circunstâncias do fato gerador. Apenas com uma fiscalização, e um aprofundamento da análise documental é que se poderia ver os vícios contidos neste aporte documental. Ou seja, não há condições de se alegar a transparência e licitude dos seus atos, pois estão eivados 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.941 17 de vício material, que procuraram demonstrar outra realidade às obrigações para com o erário, só identificáveis após certa investigação. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. do pedido de conversão do presente julgamento em diligência Alega a recorrente que há a necessidade de diligência para comprovar situações, que entende, incongruentes entre o narrado pela autoridade fiscal e o apresentado e documentado pela recorrente. Contudo, entendo que os elementos necessários para o presente julgamento de IRPJ e reflexos estão disponíveis nos autos para formar a convicção necessária. Os pedidos de diligência só devem ser comandado quando não houver condições de formar convicção o a ser decidido pelo relator. E isto não acontece no presente. Ademais, a recorrente elenca uma série de situações que deveriam ser dirimidas pela diligência, algo que poderia ter trazido já na sua peça recursal, e não o fez. Alguns, já foram trabalhados pela autoridade fiscal autuante, e já há seu posicionamento nos autos, com os elementos colhidos junto à própria recorrente no transcorrer do procedimento fiscal. Destarte, Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. Dos solidários: No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a autoridade fiscal arrola como responsável solidário as seguintes pessoas: Srs. Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi, com base no art. 124, I do CTN. Eram sócios e administradores da recorrente no transcorrer do ano calendário de 2010. Nos fundamentos, diz que deveriam observar as normas pertinentes da legislação comercial e tributária, mas agiram de forma contrária, mediante a utilização de artifícios para reduzir os impostos e contribuições devidas apurados no auto de infração. a pessoa jurídica AZP Participações S/A, com base no art. 124, I do CTN, pelo seu interesse direto na situação que constituiu o fato gerador dos impostos lançados. As pessoas físicas e pessoa jurídica acima identificadas se insurgem contra a sua sujeição passiva solidária, por conta de não ter sido demonstrado o interesse comum necessário para aplicação do 124, I do CTN. Fl. 2949DF CARF MF 18 A jurisprudência dessa C. Turma é no sentido de que o art. 124, inciso I, do CTN não contém norma adequada para possibilitar a responsabilização dos sócios administradores das pessoas jurídicas, devidamente constantes dos contratos e estatutos sociais que lhes constituem. É cediço que, para ocorrer a responsabilização solidária lá prevista é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas, como referido na sua redação, quando da ocorrência do fato gerador, devendo ser estas coparticipes das infrações percebidas pelo Fisco. O interesse comum que se refere o inciso I do art. 124 do CTN não é aquele econômico, consequencial, que os titulares, naturalmente, têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica, como apontado pela Fiscalização. A utilização de tal dispositivo para atribuir responsabilidade aos sócios administradores, sob a simples conjectura de haver interesse dos sócios gestores, acaba por desconsiderar, indevida e ilegalmente, a personalidade jurídica. Ainda que tenhase considerado como simulação a postura da recorrente para fins de qualificação da multa, como se observa, não houve qualquer apontamento, demonstração ou prova da conduta individualizada dos Srs. Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi. Assim, existe deficiência técnica no lançamento de ofício na fundamentação legalmente exigida para responsabilização dos sócios, de modo que a responsabilidade solidária operada pela Autoridade Fiscal no lançamento de ofício não pode prevalecer. Já em relação à pessoa jurídica AZP Participações S/A, sua conduta fica descrita no transcorrer de todo o Termo de Verificação Fiscal, mostrando que houve uma simulação na sua constituição, o que fragmentou atividades da recorrente com o fim de pagar menos impostos. No caso da AZP, aplicável o interesse comum previsto no art. 124, I do CTN. Destarte, dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário neste aspecto, exonerando a responsabilidade dos Srs. Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi. Conclusão: Em face do exposto, REJEITO as preliminares, e VOTO no sentido de ACOLHER EM PARTE as razões de mérito dos recursos voluntários apresentados para: · EXCLUSÃO da responsabilidade solidária os Srs. Alcides Zirondi Primo e Carlos Cezar Zirondi; · RECONHECER o direito da recorrente de se aproveitar do imposto pago pela AZP, no que concerne às despesas glosadas; e Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Acórdão n.º 1402003.265 S1C4T2 Fl. 2.942 19 · NEGAR todas as demais alegações apresentados no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2951DF CARF MF
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Numero do processo: 13708.004085/2008-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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score : 1.0
Numero do processo: 10875.906793/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/10/2010
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/10/2010 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 67 93 /2 01 2- 89 Fl. 55DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.373 fls. 42/44), o que faço nos seguintes termos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material e que seu direito creditório estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/10/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 50/52, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria em cerceamento de defesa por parte do recorrente. 4. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10875.906793/201289 Acórdão n.º 3402005.488 S3C4T2 Fl. 56 3 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 5187976482, com código n. 5123, referente a processo administrativo apresentado em 25/10/2010. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em justifica em concreto a recusa da compensação perpetrada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: Fl. 57DF CARF MF 4 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10875.906793/201289 Acórdão n.º 3402005.488 S3C4T2 Fl. 57 5 Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201 002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 12. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 13. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. 14. É como voto. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 59DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.905279/2009-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2008 a 10/03/2008
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar e provar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
Numero da decisão: 3001-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2008 a 10/03/2008 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar e provar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2008 a 10/03/2008 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar e provar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 72 a 122) interposto contra o Acórdão 1139.736, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife /PE DRJ/REC que, na sessão de julgamento realizada em 25.02.2013 (efls. 63 a 66), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 52 79 /2 00 9- 97 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 128 2 Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 30/10/2009, através do qual foi efetivada a compensação de débito do contribuinte acima identificado com suposto crédito de IPI indicado como sendo correspondente a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$ 15.133,22. A DRF/Araraquara, através de despacho decisório eletrônico (fl. 071), emitido em 10/12/2009, negou o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em virtude de o pagamento apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fl. 11/12) na qual, em síntese, aduz haver cometido erro atinente ao valor do débito declarado e providenciado (após ciência do despacho decisório) a apresentação de DCTF retificadora. É o que importa relatar. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 2ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2008 a 10/03/2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 129 3 dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e colaciona, para além dos documentos já coligidos aos autos Despacho Decisório; DCTF referente ao 1º Semestre 2008 Original; PER/DCOMP Indeferido; Darf referente ao 1º Decêndio de 03/2008; DCTF referente ao 1º Semestre 2008 Retificadora; PER/DCOMP Atual; DCTF referente ao 2º Semestre 2008; DCTF referente ao 2º Semestre 2008 Retificadora; e última Alteração do Contrato Social Consolidado, o quadro demonstrativo descrito como "LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI (Período 01/02/2008 A 29/02/2008)" e a "Ficha 20 Apuração do Saldo do IPI" da DIPJ 2009, anocalendário 2008, referentes aos meses de janeiro a abril. Para, ao final, reafirmar que "ante todos os fatos narrados e documentação existente, que a compensação promovida pelo contribuinte é regular, motivo pelo qual, requer (...) que acolham as razões do presente recurso voluntário, tornando assim nulo de pleno direito o lançamento promovido (...)." Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 28.05.2013 para ser analisado por este Carf (efl. 126), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado em 22.05.2013, conforme depreendese da "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 125), após ciência no dia 23.04.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efl. 70), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 130 4 Do mérito Do despacho decisório O Despacho Decisório Rastreamento 854524348, emitido em 10.12.2009, está assim fundamentado, verbis: 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 15.133,22 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/12/2009. (...) Da ausência de prova do direito creditório O cerne do litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em determinar se os elementos de prova coligidos aos autos são hábeis e suficientes para infirmar a decisão exarada pela autoridade competente do órgão fiscal de origem, que não homologou a compensação declarada através do Per/DComp, posto que não reconheceu o direito creditório declarado pelo contribuinte. Esclareçase que o princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente pelo julgador. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Em síntese, o recorrente assevera que do "encadeamento dos fatos acima narrados se faz necessário a fim de tornar evidente que o contribuinte promoveu a compensação com base em indébito efetivamente ocorrido. O demonstrativo (livro de apuração de IPI do mês de fevereiro/2008 doc. anexo), torna patente que o saldo efetivo a ser Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 131 5 transportado para o mês de março/2008, era o montante de R$ 29.094,82 e não o valor de R$ 44.227,82". Ao ser julgada sua manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que o recorrente não havia trazido aos autos a documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação de seu crédito, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal. No caso, segundo as informações constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do Per/DComp e até a ciência do Despacho Decisório eletrônico, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Frisese que o processo trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declarações efetuada espontaneamente pelo próprio contribuinte DCTF; DIPJ; Per/DComp. A apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF, cuja declaração que constitui confissão de dívida nos termos do parágrafo 1º do artigo 5º do Decretolei 2.124 de 13.06.1984, que dispõe que "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Além de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitálo via pagamento do montante integral Darf pago dia 24.03.2008. É inconteste que, segundo informações constantes da DCTF, apresentada até a data entrega do Per/DCcomp e a ciência do Despacho Decisório, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabialhe contribuinte a prova de que cometeu erro de preenchimento de suas declarações e que o valor efetivamente devido no período de apuração do IPI sob exame não é aquele declarado na DCTF original. Ressaltese, afora o quadro demonstrativo descrito como "LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI (Período 01/02/2008 A 29/02/2008)" e a "Ficha 20 Apuração do Saldo do IPI" da DIPJ 2009, anocalendário 2008, referentes aos meses de janeiro a abril, alem da documentação já apresentada em sede de Manifestação de Inconformidade, nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do aludido direito creditório. Salientese que é com a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal do contribuinte que efetivamente poderia comprovar o real montante do tributo devido no PA 10.03.2008, e que, desta forma, o pagamento indevido efetuado em Darf darialhe direito de compensar respectivo crédito. Pois, são os livros fiscais e contábeis mantidos sob a guarda do contribuinte que constituemse em elementos de prova capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancialmente válido para a busca da verdade material dos fatos. Em suma, constatase que neste caso o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 132 6 Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Da jurisprudência administrativa É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, antigo Conselho de Contribuintes, é vestuta e solidificada nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. A compensação de créditos tributários autorizada pela legislação fica condicionada à liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Ausência de prova cabal por parte do contribuinte da existência dos créditos compensados acarreta o indeferimento. Recurso provido em parte. (2º CC, 2ª Câmara, Rec. Voluntário nº 239449, Proc. nº 10580.012408/200436, Rel. Domingos de Sá Filho, Acórdão nº 20219119, Sessão de 02/07/2008") COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Da conclusão Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13851.905279/200997 Acórdão n.º 3001000.413 S3C0T1 Fl. 133 7 Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.725491/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 54 91 /2 01 2- 44 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13811.725491/201244 Acórdão n.º 3201003.966 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.437, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13811.725491/201244 Acórdão n.º 3201003.966 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13811.725491/201244 Acórdão n.º 3201003.966 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13811.725491/201244 Acórdão n.º 3201003.966 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915405/2009-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 05 /2 00 9- 48 Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.693, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 5 4 Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 6 5 autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 9303006.818 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1581DF CARF MF
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Numero do processo: 13805.002754/96-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis os embargos de declaração para sanar vícios de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou ainda, for omitido ponto sobre o qual a turma deveria se pronunciar.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. AÇÃO JUDICIAL.
De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial.
Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis os embargos de declaração para sanar vícios de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou ainda, for omitido ponto sobre o qual a turma deveria se pronunciar. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. AÇÃO JUDICIAL. De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial. Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para não conhecer do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 27 54 /9 6- 60 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 299 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 276 e 277) interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 17 de julho de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301003.855 (fls. 270 a 274), de 27 de junho de 2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. Adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado com o intuito de elucidar a matéria e também por economia processual: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 191 a 199) interposto pelo Contribuinte, em 16 de abril de 2004, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 04.467 (fls. 173 a 178), de 18 de dezembro de 2003, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR – que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Neste processo a contribuinte impugna o Auto de Infração (AI) lavrado para exigência do crédito tributário de 36.027,84 UFTR, relativo A. Contribuição para o FINSOCIAL do período de 30/07/1991 a 30/03/1992 (fls. 107 a 114). 2. A base legal utilizada foi o art. 1º, § 1º, do DecretoLei n° 1.940, de 1982, arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 1986, e art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989. O autuante aplicou a alíquota de 2,0% (dois por cento) e multa de oficio de 100%. 3. Consta na descrição dos fatos, anexo ao AI, que a contribuinte foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição para o FINSOCIAL sobre o faturamento, relativamente ao período de jul/1991 a mar/1992. Noticia o Termo de fl. 115 que o crédito tributário encontrase suspenso, por força da Medida Cautelar n° 91.06822738, com correspondente Ação Ordinária n° 91.07287879. 4. Ciente do feito em 19/03/1996, a autuada interpôs impugnação em 18/04/1996 (fls. 116/120), requerendo o cancelamento do AI, porque seria incabível a sua lavratura pela existência de pendência judicial, com exigibilidade suspensa; e que a autuação pretende a cobrança A. alíquota de 2%, quando a determinação judicial valida se somente feita a 0,5%. Questiona a incidência da TRD, de juros e multa de 100%. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 300 3 5. Em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27/08/2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Tendo em vista a negativa parcial do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/SDR, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de abril de 2004, visando reformar a referida decisão. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 3011.904 (fls. 232 a 243), de 18 de outubro de 2007, resolveu converter o julgamento em diligência para verificar se a conversão de depósitos da recorrente em renda da União foi suficiente para liquidação dos débitos remanescentes. Em 25 de março de 2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, por intermédio do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice prestou as informações requeridas (fls. 250). Os embargos ora analisados visam sanar alegadas contradições presentes no Acórdão nº 3301003.855 que foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. Confirmado em decisão judicial transitada em julgado a conversão de depósitos em renda da União e sendo suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes, não há que subsistir o auto de infração concernente. Recurso Voluntário provido. Em relação a esta decisão a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração visando sanar alegada contradição no referido acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face ao Acórdão nº 3301003.855 de forma tempestiva e com o atendimento dos requisitos legais. O art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, prevê a possibilidade de interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 301 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega em seus embargos que a Turma de Julgamento não se pronunciou sobre o afastamento da Súmula CARF nº 1 e assim expõe (fls. 276 e 277): A e. Turma não se pronunciou sobre o afastamento da Súmula CARF no 1, que assim dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. O Ato Declaratório Normativo Cosit – ADN no 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996) é cristalino ao dispor que, litteris: “(...) a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” (Grifos nossos). O ato normativo acima citado veio consolidar, administrativamente, uma interpretação já consagrada na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo conteúdo básico ora se extrai do voto do Ilmo. Relator, Vilson Biadola, no acórdão 10318.617, verbis: “(...) Desta forma, não sendo nulo o lançamento, mas apenas passível de exclusão de valores indevidos nele constantes, resta examinar o fato do sujeito passivo estar discutindo a mesma matéria na esfera judicial. Neste aspecto, é importante tecer alguns comentários sobre os julgamentos administrativos. Estes se revestem como um autocontrole da legalidade dos atos administrativos, que gozam de uma presunção relativa de legalidade e, em princípio, se reputam válidos. Assim, esta presunção de legalidade admite prova em contrário e, a administrativa jurisdicional, exercendo o controle da legalidade de seus atos ao decidir se a pretensão do Fisco está ou não de acordo com a lei. No entanto, tal autocontrole não impede o controle do Poder Judiciário, quando este for impulsionado pelo sujeito passivo à apreciação do ato administrativo. Mas o controle do judiciário se sobrepõe ao controle administrativo, ou autocontrole, porquanto não se pode excluir do Poder Judiciário ameaça ou lesão a direito individual, conforme previsto no artigo 5o, XXXV, da Constituição Federal. Desta forma, sujeitandose os atos administrativos às discrições do Poder Judiciário, por princípio, se o contribuinte ingressar na via judicial, estará renunciando às instâncias administrativas, uma vez que qualquer decisão administrativa que for prolatada não terá eficácia frente à decisão judicial, que a ela se sobrepõe. Destarte, tornase ilógico continuar os procedimentos administrativos judicantes, quando judicialmente se discute idêntica matéria e com a mesma finalidade. Existindo controvérsia já estabelecida previamente no judiciário, sobre uma determinada hipótese jurídica – (...) – não é possível admitirse uma discussão Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 302 5 sobre a mesma questão através de ato administrativo de revisão, pois a solução desta jamais poderá sobreporse àquela.” (Grifos nossos) A leitura acima citada não deixa qualquer dúvida no sentido de que propositura – por qualquer que seja a modalidade processual – de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte do interessado, renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto. Ora, se a pessoa jurídica está amparada por decisão judicial, então não há discussão administrativa a ser travada. Tratase de simples cumprimento da decisão pelos órgãos de execução. Na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode “ordenar” os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário. Dessa forma, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a contradição exposta, pois se a Turma reconheceu a concomitância entre as esferas, administrativa e judicial, a consequência seria o não conhecimento do recurso voluntário, e não, o seu provimento. Diante do alegado verificase que a admissibilidade dos embargos se deu por intermédio do Despacho em Embargos nº 3301S/Nº em 14 de setembro de 2017 pelo il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. A seguir trechos para bem contextualizar o entendimento acerca da admissibilidade (fls. 289): (...) Relendo o relatório e o voto condutor, constatase que a contribuinte alegava já em 2004 a existência de decisão judicial que a isentava do pagamento de alíquota majorada sobre o Finsocial. Mais adiante, em 2007, efetuou a juntada de documentos que levaram a converter o julgamento em diligência, com o propósito de aferir se a transformação dos depósitos judiciais em renda da União teria sido bastante para liquidar os débitos remanescentes, com base na alíquota confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, cuja decisão já teria transitado em julgado no dia 08/05/1997 (fls. 272 e 273). Em resposta à demanda do Conselho, a DRF Belo Horizonte informou em 2009 a suficiência dos depósitos em causa, o que deu ensejo ao voto pelo provimento do Recurso Voluntário, com vistas a anular o auto de infração. Com a leitura desse contexto, argumenta a Fazenda Nacional que, ao discernir a coexistência entre os processos administrativo e judicial, a e. Turma não deveria conhecer o recurso. Por outro lado, ao se decidir pelo provimento, o Colegiado deveria então pronunciar se sobre o afastamento da Súmula CARF no 1, que assim dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em acréscimo, a embargante comenta que, se a pessoa jurídica está amparada por determinação judicial, não há discussão administrativa a ser travada, tratandose de simples cumprimento da sentença pelos órgãos de execução. Em outras palavras, o Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 303 6 Conselho “[...] não pode ‘ordenar’ os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial [...]”, posto que essa competência seria do próprio Poder Judiciário. De fato, objetivamente, os argumentos trazidos pela PGFN são consistentes e merecem atenção, mormente porque outros julgados recentes do CARF, via de regra, vêm aplicando sistematicamente a Súmula no 1 (e.g., acórdãos nos 1201 001.863, 2401004.994, 3302004.719 e 3201003.131). Com efeito, a descrição do vício está lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos embargos, cujo mérito, no entanto, deve ser oportunamente apreciado pela Turma Julgadora. Convém notar que o presente despacho não determina se, efetivamente, ocorreu a contradição alegada. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. (...) De fato, a contradição alegada pela Fazenda Nacional procede, visto que se no voto, por um lado, se constata a existência da concomitância, por outro lado, votase em conhecer e dar provimento ao recurso do Contribuinte. Assim o relator se expressou em alguns trechos do voto (fls. 272): (...) O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, alega que há, na esfera judicial, decisão que isenta o mesmo do pagamento da alíquota majorada em 2% anterior, inclusive, ao ora analisado Auto de Infração. Nesse mesmo sentido, aduz que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, uma vez que houve o depósito judicial e isso impossibilita, também, a cobrança dos juros moratórios exigidos no Auto de Infração. Tendo isso em vista, requer o Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, que seja anulado o referido Auto de Infração. O Contribuinte, por meio de Requerimento (fls. 225 e 226), em 6 de setembro de 2007, efetuou a juntada de documentos que visam comprovar sua versão dos fatos. (...) Isto posto, diante da decisão de converter o julgamento em diligência para se apurar a conversão de depósitos em renda da União, e, da comprovação pela Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice quanto a suficiência dos depósitos judiciais efetuados na ação no. 91.06822738, constatase que os débitos estão devidamente lastreados pelos depósitos judiciais. Diante dos autos do processo, da legislação aplicável e, principalmente, da resposta ao pedido de diligência supra citada, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, anulando o referido auto de infração. Percebese que na decisão ora embargada há a contradição por se entender pela concomitância entre as instâncias administrativa e judicial e, ao mesmo tempo, fazer o julgamento na esfera administrativa em que se dá provimento ao Recurso Voluntário. O correto neste caso, devido a concomitância existente, é decidir pelo não conhecimento do recurso. A Súmula CARF nº 1 assim estabelece quanto a concomitância: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301004.745 S3C3T1 Fl. 304 7 depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com isso considerado, em específico a Súmula CARF nº 1, voto por acolher os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional com efeitos infringentes, com o não conhecimento do recurso voluntário devido a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722223/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
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nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 1.519 1 1.518 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.722223/201504 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.234 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria Simples Nacional Oissão de Receitas Recorrente MARIO HENRIQUE BENASSI LAZARO EIRELI ME (atual BENASSI & EVENTOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 22 23 /2 01 5- 04 Fl. 1519DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.1473/1490) que transcrevo a seguir: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os autos de infração, às fls. 03/110, para exigência de crédito tributário decorrente do SIMPLES NACIONAL, relativo aos anos calendário 2010 e 2011, nos seguintes montantes, aí incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 11/2015: IRPJ de R$ 16.531,62, PIS/PASEP de R$ 11.841,49, CSLL de R$ 16.137,64, COFINS de R$ 47.062,45, CPP de R$ 137.422,09 e ISS de R$ 117.016,87. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 118/125), que é parte integrante do Auto de Infração, a contribuinte foi autuada por omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, aplicável às pessoas jurídicas optantes do Simples Nacional (conforme art. 34 da LC nº 123/2006), em razão de não ter comprovado a origem de créditos bancários em contas de sua titularidade, após regular intimação. A fiscalização informa que a seleção da contribuinte foi oriunda da investigação deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a prefeituras da região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário, que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal (“Operação Metástase”). Destaca o autuante que a descrição dos fatos no Termo de Verificação e em toda documentação apresentada durante os procedimentos fiscais, bem como as planilhas demonstrativas de apuração dos tributos devidos reportamse aos anoscalendário 2010 a 2012. Entretanto para atender o disposto na legislação de apuração do crédito tributário, o auto de infração e processo da ação referida Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.520 3 reportamse somente às informações prestadas na Declaração Anual do Simples Nacional – DASN dos anos de 2010 e 2011, sendo que o auto de infração e processo relativos às informações prestadas no PGDASD do anocalendário 2012 estão consolidados sob a ação fiscal nº 01706106000000000010942/201528. Tal procedimento visa atender a regulamentação do Manual do Simples Nacional ocorrida somente a partir de agosto de 2015 devido às restrições na emissão de autos incluindo esses períodos até a data do lançamento. A ação fiscal teve início com a ciência da contribuinte do Termo de Início da Ação Fiscal em 19/02/2014, às fls. 158/162, por meio do qual a empresa foi intimada a apresentar Livros Diário e Razão, arquivos digitais da contabilidade, notas fiscais de entradas e saídas e ainda o Livro Caixa, se optou pela escrituração simplificada, entre outros esclarecimentos, relativos aos anoscalendário de 2010 a 2012, tendo a contribuinte apresentado arquivos em meio magnético e notas fiscais em 11/03/2014. Posteriormente foi intimada a apresentar cópias dos extratos bancários do período fiscalizado e a apresentar demonstrativo de apuração do Simples Nacional, discriminando a composição das receitas mensais, por nota fiscal, data, CNPJ do cliente, nome do cliente e valor, o que foi atendido, e após análise dos extratos bancários, foi intimada a comprovar de forma individual a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias, acompanhada de documentação hábil e idônea (planilha anexa ao Termo de Intimação nº 03, às fls. 574/593). A fiscalização fez diversas exclusões amparadas na legislação sobre a matéria, tais como devolução de pagamento, estornos, operações de crédito, resgates etc., cientificando a interessada no citado Termo de Intimação nº 03, tendo a contribuinte apresentado esclarecimentos em 23/12/2014, que após análise fiscal, resultaram no Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 4, cientificando a contribuinte dos créditos remanescentes a comprovar a origem. A contribuinte apresentou em 09/06/2015 resposta ao Termo de Constatação e Intimação 4 retificado (28/04/2015, fls.668/672), às fls. 675/806, tendo sido verificado pela fiscalização que as notas fiscais apresentadas já haviam sido relacionadas nas respostas de 11/03/2014 e discriminadas nas planilhas apresentadas em 21/10/2014 e os valores indicados nas planilhas de apuração do Simples Nacional e informados nas DASN dos anos de 2010 e 2011 e nos PGDASD de 2012, e que as notas nº 123, 124 e 125 se referem ao ano de 2013, que não é objeto da fiscalização, deixando de apresentar documentação ou prestar informações em relação aos créditos a comprovar que estava sendo intimada. Fl. 1521DF CARF MF 4 No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 118/125, a auditoria esclarece sobre os demonstrativos de apuração elaborados, nos seguintes termos: a) planilha 1 – da apuração dos créditos e receitas apuradas nos anoscalendário 2010 a 2012 que resultou do cotejamento das receitas escrituradas e declaradas em confronto com os créditos recebidos e registrados na movimentação financeira da empresa, discriminados mensalmente, originados ainda do confronto dos esclarecimentos apresentados pela interessada (fls. 126/128) b) a apuração dos créditos não comprovados e receitas apuradas é resultado do levantamento extraído da documentação, das planilhas das receitas em CD, arquivos fiscais e contábeis e esclarecimentos dos créditos movimentados em suas contas bancárias, especialmente as respostas de 23/12/2014 e 02/02/2015, por meio das planilhas esclarecimentos e origens dos créditos, apresentadas pela empresa e em anexo aos trabalhos. c) a coluna 2 da planilha 1 da apuração dos créditos e receitas apuradas discrimina diversos créditos que a empresa apenas indicou ser oriundos de recebimentos de outros serviços prestados, como exemplo: “patrocínio”, “patrocínio e venda de ingressos”, “locação rodeio”, “venda de ingressos”, “recebimento referente a praça de alimentação”, entre outros, mas que na realidade a mesma não apresentou nenhum documento que justifica a origem dos créditos e, portanto, não foram comprovados . Estão discriminados individualizadamente na planilha 2, dos créditos indicados nos esclarecimentos e não comprovados (fls. 129/134) d) na coluna 3 da mesma planilha 1 estão discriminados os créditos mensais sem nenhuma indicação e comprovação por parte da interessada, também extraídos da mesma planilha resposta referida acima. Estão discriminados individualizadamente na planilha 3, dos créditos não comprovados sem nenhum esclarecimento (fls. 135/142). e) ainda na planilha 1, coluna 5, estão discriminadas mensalmente as escrituradas e receitas informadas nas DASN e DEFIS dos anoscalendário de 2010 a 2012. Estão discriminadas também na planilha 4, dos créditos comprovados de receitas escrituradas declaradas e informadas pela interessada (fls. 143/157). f) todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada, foram comprovados e excluídos dos trabalhos. Ainda foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. O levantamento referido, basicamente, teve por base o cotejamento dos créditos registrados nas contas bancárias e os esclarecimentos apresentados pela mesma e dos registros das notas fiscais dos serviços prestados discriminadas nas planilhas, Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.521 5 confrontando mensalmente com os valores informados nas declarações com objetivo de verificar valores devidos a título de SIMPLES NACIONAL. g) as diferenças mensais serão transferidas para o auto de infração do Simples Nacional e a devida apuração dos valores devidos e acréscimos legais conforme disposto na legislação em destaque no próprio auto de infração. h) diligência efetuada junto à Prefeitura Municipal de Três Corações certificamos que as notas fiscais emitidas por serviços prestados pela fiscalizada foram declaradas e recebidas. i) no procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. j) nos trabalhos ficou claro que a empresa informou receita mensal em todos os períodos dos anoscalendário de 2010 a 2012, após as vinculações dos créditos e valores declarados nas DASN e DEFISC ou PGDASD, apuramos receitas oriundas de créditos não comprovados, no valor total de R$1.607.638,69, conforme demonstramos nas planilhas 1 das diferenças apuradas e planilhas 2 e 3 dos créditos não comprovados. l) essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não apurar e não informar e não pagar valores devidos aos cofres públicos, e ainda de forma sistemática e reiterada em todos os períodos fiscalizados. Cientificada do lançamento em 17/11/2015, conforme AR, às fls. 954, a empresa apresentou impugnação ao lançamento em 15/12/2015, às fls. 959/968, acompanhada dos documentos, às fls. 969/1462, alegando, em síntese: a autuação foi feita, segundo o agente fiscalizador, baseada em dados de conta corrente do autuado, onde teriam sido detectadas receitas ou faturamentos não declarados nas DASN (Declaração Anual do Simples Nacional) feita pelo empreendedor. com base nos supostos rendimentos conseguidos através da conta corrente exigiu o agente autuador demonstração de todas as origens de débitos e créditos formalmente, constantes da conta corrente, entretanto como a empresa não teria conseguido demonstrar documentalmente as receitas e despesas foi presumido pelo agente público que houve sonegação de receita nas declarações DASN. diante de sua presunção, o agente autuou a empresa tendo por base os depósitos efetuados em sua conta corrente, excluídos os Fl. 1523DF CARF MF 6 empréstimos bancários e operações de desconto depositados em sua conta corrente. com base em suas presunções, autuou a empresa em valores astronômicos para sua capacidade de pagamento e seus rendimentos, conforme todas as declarações feitas nas DASN e no imposto de renda da pessoa jurídica e mesmo física, conforme pode ser comprovado, restando como única alternativa para trazer de volta o agente autuador à realidade, o sucesso no presente recurso, sob pena de absoluta falência e insolvência. a empresa autuada sempre cumpriu com suas obrigações tributárias fez suas declarações nos exatos termos de seu faturamento na forma prevista para o micro empreendedor, no caso, nos anos anteriores a 2012, dispensado de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria. a partir de 2012 a empresa passou a fazer a contribuição através do DEFIS Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais, também dentro da exclusiva realidade de faturamento da empresa. ocorre que nos anos de 2012 e 2013 alguns municípios foram fiscalizados em razão de superfaturamento de festas, shows e eventos de exposições agropecuárias e a empresa autuada, por ter tido contratos com alguns Municípios também foi fiscalizada. a empresa abriu suas contas para demonstrar que jamais havia participado de quaisquer eventos de forma desonesta ou com superfaturamento, o que de fato restou demonstrado, contudo, veio a tona um defeito da empresa que foi a informalidade da movimentação de sua conta corrente. como a legislação aplicada à empresa autuada não exigia maiores formalidades, senão as declarações anuais, a empresa não cuidou de movimentar as contas nos exatos termos das declarações, permitindo e recebendo valores em sua conta corrente pertencentes a terceiros com débitos e créditos que não eram de fato faturamento na movimentação das mesmas, ou seja, recebeu valores de barraqueiros de exposição, de donos de bares também das exposições, patrocinadores de cantores, repasses para pagamentos de Prefeituras, entre outros. desta forma a conta corrente da empresa autuada jamais espelhou a realidade de seu faturamento, mas sim as declarações anuais, conforme previa a legislação aplicada e por óbvio não poderia servir de base para demonstrar faturamento, porque de fato não era a realidade da empresa. a única forma de demonstrar que a conta corrente da empresa não refletia a realidade de seu faturamento era o rastreamento de todos os pagamentos feitos e depósitos recebidos, o que não foi feito pela fiscalização, que ao contrário simplesmente presumiu que todos os depósitos da empresa eram faturamento, o que não é verdade. assim, com as devidas vênias, o procedimento restou incompleto não traduziu a realidade dos fatos e foi concluído Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.522 7 com uma situação mais que catastrófica para a empresa, por ser totalmente descabido. o simples bom senso demonstra o absurdo da conclusão do procedimento, basta analisar a evolução do patrimônio da empresa e dos sócios, que estavam e estão à disposição de informações do Fisco para se conscientizar que seria totalmente impossível tal faturamento e muito mais os lucros presumidos. se periciados todos os documentos já apresentados e os depósitos feitos na conta corrente da empresa, com origem das contas e os depósitos feitos da empresa para outras contas, certamente todos serão identificados e todos deverão prestar contas de seus rendimentos, não somente a empresa autuada, conforme ocorreu e que não traduziu a realidade. na análise das declarações apresentadas facilmente se verifica que não houve lucro da forma apresentada pelo Fisco, tornando indevidos o arbitramenteo e as multas aplicadas. também se equivocou o fiscal ao relatar que não identificou qualquer valor no sistema nas DASN no ano de 2012, enquanto que a partir daquele período já se apresentava a DEFIS. na verdade, descaracterizado, como de fato deve ser, o lançamento por presunção, todos os lançamentos ficaram comprometidos, uma vez que não traduziram a realidade, para piorar ainda mais a situação, o agente público aplicou a multa de 150% sobre o suposto valor devido por caracterizar má fé na suposta supressão da receita. desde que foi instaurado o procedimento relativo ao superfaturamento de shows e eventos promocionais que o impugnante abriu suas contas espontaneamente aos fiscais da receita, mesmo porque precisa terminantemente demonstrar que jamais obteve qualquer rendimento ilícito, contudo foi imensamente prejudicado pela movimentação existente em sua conta corrente que efetivamente não foi sua receita ou arrecadação. não tem como a empresa alegar que não houve o movimento e que foi um erro, contudo tem como provar através de prova pericial de onde vieram os valores e para onde foram, cabendo à Receita, cobrar dos reais proprietários a movimentação de suas contas e se está de acordo com os rendimentos físico e jurídico de quem movimentou e descobrir de quem eram os valores, situação impossível para o autuado, uma vez que de fato não teve comprovante da movimentação. a partir do anocalendário 2012, as informações socioeconômicas e fiscais, que antes eram prestadas na DASN, passam a ser declaradas, anualmente, por meio da Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS e todas foram entregues com os respectivos faturamentos, porém não consideradas. Fl. 1525DF CARF MF 8 em hipótese alguma, o impugnante aceita a movimentação bancária como receita bruta, ou faturamento, uma vez que possui documentos suficientes a demonstrar que a empresa não obteve lucro nos anos calendários 2010 até 2013, conforme ocorreu com a maioria das empresas mundiais, que, entretanto, o fiscal da receita não aceitou, ou não deu a devida importância. requer seja determinada e feita análise pericial contábil dos documentos acostados e dos extratos bancários da empresa no ano de 2010/2013, que desde já coloca à disposição do Fisco para levantamento do faturamento real da empresa, com base no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. alega o caráter confiscatório da multa aplicada de 150% e juros e atualização que totalizam mais de 250% sobre o total dos impostos supostamente devidos, situação caracterizadora de confisco, vedada pelo direito brasileiro, posições doutrinárias e jurisprudenciais, requerendo que se mantida a autuação seja reduzido o valor da multa por não haver comprovação de má fé na movimentação de valores de terceiros em conta própria. requer a improcedência da autuação ou sua adequação à forma de aplicação da multa e correções. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (2ª Turma da DRJ/BEL) julgou parcialmente procedente a Impugnação para acolher a decadência em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de janeiro a outubro de 2010, mantendo os tributos apenas em relação aos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011, e, para afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%, em decisão proferida no Acórdão nº 0133.005, de 06 de junho de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação observa o disposto pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquele em que ocorre pagamento antecipado do tributo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. OMISSÃO DE RECEITAS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO REGIME ESPECIAL. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.523 9 impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional, nos termos do art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É cabível a multa qualificada quando a autoridade fiscal comprova de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. O contribuinte tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.1498, em 13/07/2016 e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.1500/1510, em 08/08/2016 A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, exceto no que se refere à multa de ofício, o que torna desnecessário repetilos. Finalmente requer: A improcedência de todos os lançamentos anteriores à 2012 quando a empresa fazia declarações dispensada de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria; Caso persistam na existência de lucros, que seja determinada a perícia contábil nos períodos autuados através dos documentos acostados e conta corrente bancária do recorrente para que sejam apurados a origem e destino de todos os valores depositados e sacados e os beneficiários; Que ao final sejam da declarados indevidos todos os valores cobrados, até o momento considerado válido pelo julgado da segunda turma da DRJ/BEL, que originou o acórdão 01 33.005. Fl. 1527DF CARF MF 10 É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Importa lembrar que a decisão proferida no predito Acórdão nº 0133.005, de 06 de junho de 2016, da qual não cabe recurso de ofício, foi no sentido de: acolher a decadência em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de janeiro a outubro de 2010, mantendo os tributos apenas em relação aos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011, e, afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%. Assim, a lide cingese à omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento, em relação aos impostos e contribuições reflexos, apurados na sistemática do Simples Nacional, nos meses de novembro e dezembro/2010 e todo o anocalendário 2011. O Recorrente alega que "nos anos anteriores a 2012, estaria dispensado de contabilidade e, portanto, sem precisar escriturar nenhum livro, conforme legislação própria, razão da informalidade dos dados de sua conta corrente". Sobre a documentação exigida pela autoridade fiscal, as alegações feitas pela Recorrente não possuem qualquer consistência, haja vista que a determinação legal é no sentido de que a movimentação financeira e bancária, das empresas optantes pelo Simples Nacional, esteja escriturada no Livro Caixa, portanto, documento este que o contribuinte está obrigado a manter e apresentar à autoridade fiscal, a teor do disposto na LC nº 123/06, vejamos: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. [...] § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.524 11 Quanto a omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente insiste nos mesmos argumentos aduzidos na impugnação em sede de 1ª instância, argüindo, em síntese, que: A única forma de demonstrar que a conta corrente da empresa não refletia a realidade de seu faturamento era o rastreamento de todos os pagamentos feitos e depósitos recebidos, o que não foi feito pela fiscalização, que ao contrário simplesmente presumiu que todos os depósitos da empresa eram faturamento, o que não é verdade; Em razão desses fatos solicitou perícia e identificação de todos os lançamentos, uma vez que o simples bom senso demonstrava o absurdo da conclusão do procedimento, bastando analisar a evolução do patrimônio da empresa e dos sócios, que estavam, e estão à disposição de informações do fisco para se conscientizar que seria totalmente impossível tal faturamento e muito mais os lucros presumidos, de fato uma lástima, já que não houve a mínima razoabilidade nos atos praticados pelo agente autuador; Se periciados todos os documentos já apresentados e os depósitos feitos na conta corrente da empresa, com origem das contas e os depósitos feitos da empresa para outras contas, certamente todos serão identificados e todos deverão prestar contas de seus rendimentos, não somente a empresa autuada, conforme ocorreu e que não traduziu a realidade. Através da declaração anual da empresa, feita rigorosamente dentro da legislação aplicada, se conheceria, como de fato aconteceu o real faturamento da empresa, todas as retenções feitas, inclusive de impostos e despesas que com certeza praticamente demonstrariam a inexistência do suposto lucro arbitrado, que com simples análise dos pagamentos feitos confirmariam a situação, que infelizmente o fiscal não quis ver ou apurar, optando por um lançamento, com as devidas vénias, absurdo de um faturamento e de um lucro que a empresa não teve por toda a sua existência; Em hipótese alguma, o recorrente aceita a movimentação bancária como receita bruta, ou faturamento, uma vez que possui documentos suficientes a demonstrar que a empresa não obteve lucro nos anos calendários 2010 até 2013, conforme ocorreu com a maioria das empresas mundiais, que, entretanto, o fiscal da receita não aceitou, ou não deu a devida importância. O requerimento do Recorrente para realização de perícia contábil nos períodos autuados através dos documentos acostados e conta corrente bancária do recorrente para que sejam apurados a origem e destino de todos os valores depositados e sacados e os beneficiários pressupõe a transferência para o Julgador do seu ônus de produção da prova exigida por lei, o que não pode ser admitido. Ademais, o pedido de perícia não veio acompanhado de indicação de perito e de quesitos, requisito previsto no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972. Rejeito, portanto, o requerimento para realização de diligência/perícia. Fl. 1529DF CARF MF 12 A análise dos argumentos trazidos pela Recorrente encontrase bem explicitada na decisão recorrida, inclusive sobre a perícia requerida, e mostra fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.1487/1489) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: No presente caso, a impugnante fundamentou sua defesa na alegação de que seria necessário o Fisco buscar provas periciais para constatar a verdade material, visto que reconhece que sua movimentação financeira não retrata a realidade dos fatos, por terem transitado recursos que não são de sua titularidade e somente com a prova pericial se apuraria o verdadeiro detentor das receitas. Prossegue alegando que não existe obrigatoriedade das empresas optantes do Simples Nacional possuírem escrituração, razão pela qual somente os dados constantes de suas declarações poderiam confirmar o valor dos rendimentos auferidos nos anos examinados. Sobre tais argumentos, embora exista a possibilidade aventada pela requerente de que nem todos os depósitos/créditos em suas contas representem fontes de receitas, caberia somente à contribuinte fazer a comprovação da origem desses ingressos em suas contas, a fim de afastar a presunção legal de que depósitos sem origem comprovada caracterizam omissão de receitas. Cabia à impugnante demonstrar por meio de seu Livro Caixa, conciliados com os documentos comprobatórios da origem dos recursos, que todos os créditos bancários em suas contas bancárias eram oriundos de vendas declaradas, que estavam devidamente escrituradas e que já foram tributadas pela empresa ou trazer elementos de convencimento, indicando cada recurso por data e valor que apenas transitou por sua conta, entretanto eram receitas de terceiros (créditos planilha fls. 129/133 e 135/142). Vale lembrar que as empresas optantes do regime especial são obrigadas a escriturar o Livro Caixa, onde deve constar toda sua movimentação financeira, emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviços e manter em boa ordem e guarda todos os documentos que fundamentaram a apuração do imposto e que serviram de base para a escrituração do Livro Caixa (art. 26, I e II e § 2º da Lei Complementar 123/2006). Deste modo, os valores creditados em favor da empresa Mario Henrique Benassi Lázaro Eireli ME deveriam ter sido contabilizados em seu Livro Caixa, bem como os depósitos relativos à movimentação comercial e financeira dos anos de 2010 a 2012, o que serviria para identificar a relação entre os depósitos e as vendas do período ou decorrentes de operações de empréstimo, cobrança, ou qualquer outro crédito de natureza não tributável ou já tributado pela empresa. Não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar a origem de todos os recursos creditados em suas contas, de forma individualizada, a fiscalização procedeu ao lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que trata da presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos de Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.525 13 origem não comprovada, aplicável também às empresas optantes do Simples Nacional, nos termos regulados pelo art. 34 da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrativo de apuração, às fls. 126/128. A fiscalização analisou os documentos apresentados pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais, excluindo todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada. Também foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. Após as sucessivas intimações sem que a contribuinte trouxesse elementos comprobatórios da origem de seus créditos bancários, foi encerrada a fiscalização com a lavratura dos autos de infração, às fls. 129/142, considerandose omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, caracterizado por valores creditados em contas mantidas em seu nome, em relação aos quais o contribuinte foi regularmente intimado, e não apresentou esclarecimentos ou indicou origem sem amparo em documentação hábil e idônea, fato que ensejou o lançamento conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ressaltese que deve o contribuinte manter a documentação necessária e coincidente em data e valor para comprovar a origem dos recursos ingressados em suas contas, nos termos do § 3° do art. 42, que expressamente determina, para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, que os créditos devem ser “analisados individualizadamente”, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que a demonstrem, com indicação de datas e valores coincidentes. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de receitas à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Como se vê, não é lícito obrigar a Fazenda a substituir a ora impugnante no fornecimento de prova que a este competia em decorrência da apuração de omissão de receita por presunção legal, pois, como já exposto anteriormente, esta presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. Dessa forma, como cabia exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem dos recursos e não tendo logrado êxito em cumprir o que manda a Lei, correto foi o procedimento fiscal para lavratura do auto de infração com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. IV Do pedido de perícia Fl. 1531DF CARF MF 14 Quanto ao pedido para produção de provas e juntada de documentos, cabe registrar que à impugnante foi dada ampla oportunidade de produção de provas e de defesa ainda na fase de fiscalização. Além disso, quanto à juntada de documentação comprobatória, sabese que o momento oportuno para sua apresentação é por ocasião da impugnação, sob pena dos argumentos de defesa se tornarem meras alegações e da ocorrência da preclusão deste direito a posteriori, conforme dispõe o art. 15, do Decreto n° 70.235, de 1972, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamenta, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(g.n). Vale trazer à colação, também, o enunciado no art. 16, § 4°, do mesmo diploma legal, segundo o qual a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Extraise dos artigos supra citados, que a prova documental deve ser apresentada sempre na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. É de salientar que cabia à contribuinte o ônus da comprovação de incidir em algumas destas hipóteses, não logrando êxito em demonstrar a ocorrência de quaisquer destes fatos previstos no Decreto 70.235/72. Assim, tendo em vista que a realização de diligências/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória, sendo necessária somente quando o fato a ser provado requer esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo, indeferese o pedido, em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, por considerálas prescindíveis no julgamento da presente lide. No caso em exame, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas em instituições financeiras, após análise procedida pela autoridade fiscal segundo os critérios legais e regulamentares apontados. Ordinariamente, a justificativa de origem farseia com a indicação de correspondência entre os valores e a atividade da empresa, por exemplo, o recebimento por vendas ou prestação de serviços devidamente escrituradas e declaradas ao Fisco. Nesse caso, como o depósito corresponde a uma transação submetida à incidência tributária, nada mais haveria a se exigir de seu titular. No caso concreto, que inexiste uma justificativa para os depósitos em que não comprovada a origem, ocorre subsunção à hipótese legal do artigo 42 da Lei 9.430/96, e a conseqüente tributação deve ser mantida, já que com a impugnação não foram apresentados documentos e/ou esclarecimentos hábeis para afastar a presunção legal. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10660.722223/201504 Acórdão n.º 1201002.234 S1C2T1 Fl. 1.526 15 Com efeito, as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, os devidos esclarecimentos com provas por parte do contribuinte. Como ressaltado na decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 118/125, a auditoria esclarece sobre os demonstrativos de apuração elaborados, e deixa claro que analisou os documentos apresentados pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais, excluindo todos os créditos recebidos oriundos de notas fiscais das receitas escrituradas, Fl. 1533DF CARF MF 16 informadas na DASN e DEFISC relativos aos períodos 01/2010 a 12/2012 e indicados na planilha resposta de 23/12/2014 pela interessada. E que, foram excluídos dos trabalhos os créditos relativos a liberação desconto, adiantamento operações de desconto, liberação operação, cessão de crédito, entre outros. E finalmente, após as sucessivas intimações sem que a contribuinte trouxesse elementos comprobatórios da origem de seus créditos bancários, foi encerrada a fiscalização com a lavratura dos autos de infração, às fls. 129/142, considerandose omissão de receitas os depósitos de origem não comprovada, caracterizado por valores creditados em contas mantidas em seu nome, em relação aos quais o contribuinte foi regularmente intimado, e não apresentou esclarecimentos ou indicou origem sem amparo em documentação hábil e idônea, fato que ensejou o lançamento conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas. Quanto à insuficiência de recolhimento, apesar de o Recorrente não se pronunciar topicamente sobre o assunto, ressaltase que, a insuficiência de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu do incremento das alíquotas do Simples Nacional pela inclusão na base de cálculo das receitas omitidas apuradas na auditoria fiscal. Como explicitado no tópico anterior, a autuação restou mantida em virtude da caracterizada omissão de receitas por não haver a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Desse modo, razão não há para ser afastada a autuação por insuficiência de recolhimento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720334/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007
Numero da decisão: 9202-006.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 34 /2 01 1- 15 Fl. 1264DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2401004.052, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2007, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão); da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 1.398.938,68, sendo R$ 593.485,95 referentes ao imposto, R$ 531.186,74 à multa proporcional, R$ 68.504,42 à multa exigida isoladamente e R$ 205.761,57 aos juros de mora (calculados até 31/08/2011). O Contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 920 e ss. A DRJ, às fls 1127 e ss., julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo o imposto apurado de R$ 593.485,95, a multa isolada de R$ 68.504,42 e reduzindo o valor da multa proporcional de R$ 531.186,74 para R$ 445.114,46. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para exonerar dos rendimentos tributáveis lançados o valor de R$ 427.424,47 por se referir a valores repassados a beneficiários da ação trabalhista 663/87, e também a multa isolada em decorrência do não pagamento do carnê leão. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Exonerase do lançamento tributário baseado em depósitos bancários, os valores para os quais o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea comprobatória de que seriam de terceiros em decorrência de ação trabalhista. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 9202006.906 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA ISOLADA. São incompatíveis o lançamento de multa de ofício concomitante com o de multa isolada, pois ambas as penalidades referemse ao mesmo fato gerador e são calculados sobre a mesma base de cálculo. SIGILO BANCÁRIO. Com base no art. 6o. da LC 105/2001, a autoridade fiscal pode requisitar, justificadamente, informações de movimentação bancária de contribuinte sob procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1214/1232, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, incidindo a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, incabível é a aplicação da denominada multa de ofício isolada, nos acórdãos paradigmas mantiveram a exigência da multa isolada aplicada pelo não recolhimento do carnêleão em relação ao ano calendário 2007, em face da mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1235/1239, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Cientificado, conforme fls. 1246, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 1248/1256, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2007, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas físicas (sujeitos a carnêleão); da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, apurando um crédito tributário no valor de R$ 1.398.938,68, sendo R$ 593.485,95 referentes ao imposto, R$ 531.186,74 à multa proporcional, R$ 68.504,42 à multa exigida isoladamente e R$ 205.761,57 aos juros de mora (calculados até 31/08/2011). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. Fl. 1266DF CARF MF 4 O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. A discussão da cumulação das multas ofício e isolada possuem diferentes conseqüências no mundo jurídico, as quais variam de acordo com a data do fato gerador. Isso por que a norma anterior a 22.01. 2007 não trazia previsão legal para esta exigência cumulativa, mas este cenário sofreu drástica aliterarão na nova redação, ocorrida por meio da MP 351, na data anteriormente citada. Deste modo, observase que há um alinhamento neste Tribunal sobre o encaminhamento dado a estas questões, cito aqui voto elucidativo da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão N. 9202004.022– 2ª Turma: Tratase de divergência interpretativa suscitada em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No caso do acórdão recorrido, que trata de fatos geradores ocorridos à luz da nova redação do dispositivo ora tratado, a multa isolada do carnêleão foi exonerada, sob o fundamento de impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata da matéria: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊLEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido" De plano, constatase que tal fundamento era o mesmo aplicado no julgamento de casos cujo fato gerador ocorrera à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega divergência interpretativa, no que tange à possibilidade de exigência concomitante de duas multas, o que estaria consignado no art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Nesse passo, indica como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000.761 e 2201001.994. Quanto ao primeiro deles, a Fazenda Nacional registra que o fato de dito julgado tratar de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e o acórdão recorrido abordar o Imposto de Renda de Pessoa Física, não constituiria óbice à demonstração do dissídio jurisprudencial. Assim, instaurandose a divergência quanto à possibilidade de cobrança concomitante de duas multas, sendo uma de ofício genérica, no percentual de 75% sobre o rendimento omitido no Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 15983.720334/201115 Acórdão n.º 9202006.906 CSRFT2 Fl. 11 5 ajuste (inciso I do art. 44), e outra no percentual de 50% sobre o valor da antecipação mensal (inciso II do art. 44), sem que se verifique qualquer diferenciação em razão da incidência específica de carnêleão ou estimativa, constatase efetivamente a inexistência de óbice à aceitação do paradigma como apto a demonstrar eventual divergência. Esclareçase desde logo que tal situação paradigmática nunca foi aceita à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que eram tipificadas três multas diferentes, em três incisos independentes (de ofício pela omissão em geral, por falta de recolhimento de carnêleão e por falta de recolhimento de estimativa), sem qualquer liame entre as duas últimas, o que foi feito na nova redação do dispositivo, que agora tipifica claramente duas penalidades, uma pela omissão do rendimento no ajuste e outra pela falta de recolhimento da antecipação, igualando assim as situações de IRPF e IRPJ em um mesmo inciso, já que o sistema de antecipação é uma característica do Imposto de Renda, em geral. No caso dos autos tratase de anocalendário anterior a mudança legislativa, mais especificamente 2007. Assim, a interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 – CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, “efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente”. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1268DF CARF MF 6 Fl. 1269DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679903/2009-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 03 /2 00 9- 50 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.424, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.679903/200950 Acórdão n.º 9303006.943 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 221DF CARF MF
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