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Numero do processo: 13884.901896/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 96 /2 00 8- 55 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.628, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.901896/200855 Acórdão n.º 3401004.954 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904181/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.042 1 1.041 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904181/201227 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.331 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COFINS Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 81 /2 01 2- 27 Fl. 1042DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0352.830, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.555. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante dessa Resolução, em parte: Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso (sic) foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.830, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.043 3 Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Fl. 1044DF CARF MF 4 Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº (sic), por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215). Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri (sic) Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.044 5 Complemento o relato, com trechos do voto da Resolução, na qual se decidiu pela diligência, apoiandose na busca pela verdade material: A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9.784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, [...] Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendolhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Fl. 1046DF CARF MF 6 Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Por fim, reproduzo trecho da informação emanada da dita diligência: 1. [...]No Quadro 01, estão as informações relativas ao PER transmitido pela interessada. [...] 8. Conforme legislação explanada no item 7 (sobretudo, art. 58B da Lei 10.833, de 2003, combinado com os arts. 58A e 58V, do mesmo diploma legal) e considerando a vigência dos atos nela inserida, os comerciantes varejistas e atacadistas dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03 da Tabela de Impostos sobre Produtos Industrializados TIPI (Quadro 02) podem aplicar a alíquota reduzida a zero sobre a receita de tais vendas. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.045 7 9. Consoante documentos fiscais (notas fiscais de saída e levantamento digital de dados) acostados ao processo administrativo fiscal em comento, a interessada planilhou as suas mercadorias vendidas em cada período de apuração, identificandoas no tocante à descrição da NCM/TIPI. Para explicitar o batimento entre as informações constantes no DACON e as decorrentes dos documentos fiscais supracitados, ambas vinculadas ao PER constante no Quadro 01, optouse por expor tais informações nos Quadros 03, 04 e 05. Fl. 1048DF CARF MF 8 CONCLUSÃO 10. Diante dos fatos expostos e dos autos constantes no processo epigrafado, considerando QUE a contribuinte está sujeita às penas da Lei n' 4.729, de 14 de julho de 1965, e da Lei n' 8.137, de 27 de dezembro de 1990, caso as informações prestadas em seu PER e na resposta à Intimação Fiscal não correspondam à expressão da verdade, QUE foi observado o prazo prescricional de extinção do direito creditório (inciso I do artigo 168 do CTN), QUE foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), a autoridade fiscal, in fine subscrita, propõe, perante o CARF, o indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025. (Grifos do original). Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.046 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A Fl. 1050DF CARF MF 10 recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.04 9025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10746.904181/201227 Acórdão n.º 3301004.331 S3C3T1 Fl. 1.047 11 Fl. 1052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002458/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2006, 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É suficiente para manutenção do lançamento de ofício, a utilização de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o PASEP que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência.
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.
FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição
Numero da decisão: 3401-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É suficiente para manutenção do lançamento de ofício, a utilização de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o PASEP que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência. BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 24 58 /2 01 0- 28 Fl. 682DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 649 e seguintes), contra decisão da DRJ/DF, referente a lançamento de ofício da Contribuição Social para o PASEP devida pela Recorrente entre 2006 e 2008. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, foi lavrado auto de infração (fls. 2/16) para a exigência da contribuição para o Pasep referente aos períodos mensais de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, em face da constatação fiscal de falta/insuficiência de recolhimento da referida contribuição, com fundamento nos arts. 1º, 2º, 3º e 4º da Lei Complementar nº 08, de 1970, Portaria MF nº 142, de 1982, e arts. 67, 70, 73 e 93 do Decreto Federal nº 4.524, de 2002. Naquela oportunidade, foram as seguintes razões que levaram ao lançamento de ofício: 1) Intimada, a Recorrente não atendeu à solicitação para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, razão pela qual a D. Fiscalização extraiu os dados diretamente do website do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás – TCMGO (fls. 29/53), e do sítio do Banco do Brasil – referente às retenções efetuadas a título de PASEP. 2) A autoridade fiscal constatou divergências entre os valores recolhidos/declarados e os efetivamente devidos e efetuou o lançamento compensando os valores efetivamente pagos/retidos, conforme planilha de fls. 27. 3) Por outro lado, a Recorrente apresentou as DCTF dos referidos períodos sem informar débitos de Pasep. Porém, como a contribuinte efetuara recolhimentos mensais de Pasep referentes aos citados períodos de apuração (fls. 213/247), a autoridade a intimou a entregar as competentes DCTF com inclusão desses recolhimentos, nos termos do art. 10 da IN RFB nº 974, de 2009. 4) Não vindo a ser atendida a citada intimação, o agente fiscal promoveu o lançamento com multa de ofício. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 682 3 Da Impugnação O Contribuinte interpôs Impugnação (fls 261 e seguintes), alegando, em síntese, a nulidade do lançamento efetuado pelas seguintes motivações: 1) Não houve indicação do fato gerador objeto do lançamento de ofício, que “descreveu de forma sucinta a base de cálculo dos valores lançados.” 2) A Lei Complementar nº 8, de 1970 teria sido revogada pela Constituição Federal de 1988, de modo que o lançamento não teria fundamentação; da mesma forma, alega que a Portaria MF nº 142, de 1982 não constava no sítio da Receita Federal. 3) O Recorrente tem a obrigação de recolher contribuições ao PASEP apenas sobre as receitas correntes próprias e as transferências correntes e de capital recebidas do Estado, pois as transferências correntes e de capital recebidas da União são creditadas pelo seu valor líquido, já descontada a contribuição ao Pasep, conforme estabelece o art. 2º, § 6º, da Lei Federal nº 9.715, de 1998. 4) Alega que elaborava balancetes parciais de cada unidade vinculada, consolidandoos no balancete do Município, o que fez com que as transferências da administração aos órgãos vinculados figurassem contabilmente como receitas, gerando assim duplicidade. 5) Como o Município contribui para o Fundo de Previdência dos seus servidores (RPPS), o valor contabilizado em balancete específico da Instituição Previdenciária é também contabilizado como receita do Município, integrando indevidamente a base de cálculo do Pasep. 6) Sobre os repasses recebidos do Estado de Goiás, provenientes da participação no ICMS, é feita a dedução de 15% para ser destinada à formação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), cujo valor, ao ser distribuído ao Recorrente, constitui receita com finalidade específica, não podendo compor a base de cálculo do Pasep. 7) O valor da participação do Município nos tributos federais é transferido pela União ao Estado de Goiás, que, por sua vez, repassao ao Recorrente. Nessa transferência, já é feita a dedução do valor do Pasep, não cabendo sua inclusão na base de cálculo do Pasep devido pelo Município. 8) O Recorrente recebeu valores decorrentes de restituição de despesas pagas anteriormente, tendo contabilizado tais valores a título de Outras Restituições, não se constituindo como receita do Município e somente figurando no balancete para fins de controle contábil. Ao fim, anexou planilha denominada “Demonstrativo da Receita Mensal Realizada” (fls. 274/283), referente apenas aos meses de maio/2008 a dezembro de 2008, além da planilha denominada de “Resumo de Valores devidos Mensalmente” (fls. 284/285), Fl. 684DF CARF MF 4 referente aos meses de janeiro/2006 a dezembro de 2008, sem, no entanto, anexar qualquer documentação comprobatória do alegado na Impugnação. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acordão 0343.972 (fls. 580 e seguintes), exarado pela DRJ/DF, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE DADOS EXTRAÍDOS DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. VALIDADE. É válido o lançamento, a partir de dados extraídos do sítio do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás, para exigir contribuições para o Pasep que deixaram de ser recolhidas, mormente quando o contribuinte não apresenta os balancetes solicitados pela fiscalização nem apresenta, na fase de impugnação, provas cabais de sua inconsistência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: (a) Sobre a preliminar de nulidade pela ausência de informação quanto ao fato gerador: A uma porque o Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal da União, não determina que a autoridade fiscal indique o fato gerador, conforme se depreende da leitura do seu art. 10, verbis: (...) A duas porque o relatório fiscal de fls. 24 é parte integrante do auto de infração e esclarece com detalhes todo o procedimento fiscal realizado. (b) Sobre a preliminar de nulidade por ausência de capitulação legal válida A despeito das muitas alterações sofridas ao longo de mais de quarenta anos, inclusive pela própria Constituição Federal, a Lei Complementar nº 8, de 1970, subsiste, na medida em que se constitui no ato que instituiu a contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, ainda que sua atual destinação seja diversa. Também não macula de nulidade o lançamento pelo fato de o teor de determinada portaria ministerial não ser encontrada no sítio da Receita Federal, pois outros repositórios poderiam ser consultados. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 683 5 (c) Sobre a alegação de que as bases de valores utilizadas pela Fiscalização eram equivocadas (...) a contribuinte sustenta ainda que o Município tem a obrigação de recolher contribuições ao Pasep apenas sobre as receitas correntes próprias e as transferências correntes e de capital recebidas do Estado, pois as transferências correntes e de capital recebidas da União são creditadas pelo seu valor líquido, já descontada a contribuição ao Pasep, conforme estabelece o art. 2º, § 6º, da Lei nº 9.715, de 1998. Não obstante assistir razão à impugnante nesse ponto, cabe lembrar que a contribuinte não atendeu à intimação da fiscalização para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008. Ao assim proceder o sujeito passivo, não restou à fiscalização alternativa senão a de utilizarse de dados extraídos do sítio do TCMGO (Portal do Cidadão), bem como de dados extraídos do sítio do Banco do Brasil, estes no que concerne às retenções efetuadas a título de Pasep. Vale dizer, o lançamento teve como pressuposto, além das receitas correntes, todas as transferências correntes e de capital recebidas da União e do Estado, descontandose a contribuição ao PASEP já retida. Alega também a impugnante que elaborava balancetes parciais de cada unidade vinculada, consolidandoos no balancete do Município, o que fez com que as transferências da administração aos órgãos vinculados figurassem contabilmente como receitas, gerando assim duplicidade, e ainda que o valor contabilizado em balancete específico da Instituição Previdenciária era também contabilizado como receita do Município, integrando indevidamente a base de cálculo do PASEP. Ora, repitase, a contribuinte teve a oportunidade durante a fiscalização de esclarecer esses aspectos de sua contabilidade, mas preferiu não atender à intimação fiscal. De todo modo, mesmo agora, na fase de impugnação, o sujeito passivo limitouse a elaborar uma planilha, que ele mesmo denomina “resumo”, na qual apenas informa para cada um dos trinta e seis períodos de apuração qual seria o valor da contribuição para o PASEP ainda devida. O somatório totaliza R$ 114.861,69, contra R$ 688.221,95 apurado pelo Fisco. (d) Sobre a alegação de que a Fiscalização deveriam efetuar descontos e exclusões da base de cálculo apurada É certo que a contribuinte também elaborou, para oito períodos de apuração, apenas para os meses de maio/2008 a dezembro de 2008, demonstrativos do que seria a sua receita mensal realizada. Ocorre que os referidos demonstrativos, além de não permitirem confirmar o alegado, padecem de vício grave na medida em consideram como parcela redutora os valores de Pasep retidos pelo Banco do Brasil, mas não incluem os valores das transferências correntes e de capital feitas pela União. Fl. 686DF CARF MF 6 Pelos mesmos motivos acima, não podem ser acolhidas as alegações de que o valor da participação do Município nos tributos federais IPI/Importação e CIDE já teriam sofrido anterior incidência da contribuição para o Pasep, bem como de que esta contribuição estaria incidindo sobre valores decorrentes de restituição de despesas pagas anteriormente. Por fim, também não assiste razão à impugnante quando sustenta que os repasses recebidos do Estado, provenientes da participação no ICMS, destinados à formação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), não poderiam compor a base de cálculo do Pasep por constituírem receitas com finalidade específica. Ora, referidos repasses se caracterizam indubitavelmente como recursos financeiros recebidos de pessoa jurídica de direito público destinados ao atendimento de despesas correntes ou de capital, razão pela qual estão sob o campo de incidência da contribuição para o Pasep, consoante estabelece o art. 67 do Decreto nº 4.524, de 2002 Por fim, a decisão reconheceu ter havidos recolhimentos não incluídos no cálculo do lançamento, decidindo pela imputação dos pagamentos ao valor total do auto de infração: Não obstante todo exposto, considerando que cabe à repartição de origem, promover a alocação dos pagamentos realizados pelo contribuinte, consoante extratos de fls. 213/247, voto no sentido de deferir parcialmente a impugnação apresentada, mantendose em parte o crédito tributário lançado, observada a não incidência da multa de ofício sobre os aludidos valores da contribuição pagos. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 507 e seguintes) em 24.12.2016, reprisando os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Das Preliminares Diante dos fatos narrados no Relatório, não entendo haver vício capaz de ser enquadrado no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 684 7 Conforme aduzido na decisão ora recorrida, o relatório fiscal faz parte da instrução do lançamento efetuado e havia clareza quantos aos fatos geradores ensejadores do crédito impugnado. Da mesma forma, não há como aceitar o argumento de que a Lei Complementar 8, de 1970, não fora recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, não merecendo prosperar a tese levantada pelo Recorrente, nego provimento às preliminares de nulidade suscitadas. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se resume, à definição da extensão da base de cálculo do PASEP e à possibilidade de o agente público se utilizar de outros documentos licitamente obtidos para efetuar o lançamento de ofício. Assim, irei examinálos a seguir. Sobre a base de dados utilizados pelo auditor fiscal A decisão recorrida foi muito clara e acertada em lembrar que “a contribuinte não atendeu à intimação da fiscalização para apresentar os balancetes com valores mensais das receitas, relativos aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2008”. De tal modo quem não poderia o contribuinte ser beneficiado com a inércia no cumprimento da intimação exarada pela autoridade fazendária, causandolhe embaraço – que, inclusive, poderia ser objeto de penalidade específica. Por outro lado, o Recorrente não se esforçou suficientemente em demonstrar qual seria a base de cálculo impugnada em nenhum do presente processo. Diante desse cenário, a Receita Federal pode lançar mão de outros meios para obter as informações necessárias para efetuar o lançamento de ofício, desde que obedecidos os preceitos do devido processo legal, inclusive aqueles previstos no Código Tributário Nacional, especialmente nos artigos 197 e 199: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; Fl. 688DF CARF MF 8 V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (...) Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Sobre a base de cálculo da Contribuição Social ao PASEP Embora instituída pela Lei Complementar 8, a base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original (a inserção data de 2013), de modo que não havia previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Frisese que, com relação à inteligência do artigo supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13116.002458/201028 Acórdão n.º 3401004.017 S3C4T1 Fl. 685 9 de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Ainda, a Recorrente deseja ter os recursos destinados ao Fundo de Previdência Municipal e ao FUNDEB excluídos da base de cálculo. Em ambos os casos, não estamos falando de destinação a pessoa jurídica diversa. Em especial, lembramos que o FUNDEB foi instituído pela Lei Federal 11.494/20072, para alcançar a efetividade da obrigação prevista no artigo 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Portanto, o FUNDEB, é um fundo especial composto por recursos da União, dos Estados e dos municípios, tendo natureza meramente contábil, Não é, portanto, uma entidade dotada de personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Por fim, restando claro pelos autos que a fiscalização veio a deduzir da base de cálculo todas as retenções, não há o que se falar de exclusão adicional nesse ínterim. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo pretendidas pela Recorrente. 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. (...) I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. Art. 2º Os Fundos destinamse à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado o disposto nesta Lei. Fl. 690DF CARF MF 10 Tiago Guerra Machado Relator Fl. 691DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000202/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida.
CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO.
As pessoas físicas listadas na Relação de Co-Responsáveis - CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal - PAF.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO.
Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN.
À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicam-se as regras previstas no Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento deve-se observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário.
REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo.
Numero da decisão: 2402-006.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de Co-Responsáveis - CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal - PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicam-se as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento deve-se observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e que não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante registrado na contabilidade da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 02 /2 00 8- 26 Fl. 403DF CARF MF 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta dos autos todos os elementos necessários à exteriorização das irresignações do sujeito passivo. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicamse as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Para os casos em que não houver antecipação de pagamento devese observar a disciplina do art. 173, I do Codex Tributário. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VALORES ESCRITURADOS NA CONTABILIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatada a partir das demonstrações contábeis da empresa a existência de valores pagos a contribuintes individuais em relação aos quais não foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, é lícito que a autoridade autuante proceda o lançamento respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e darlhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1672.768, da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO (fls. 318/359), que julgou procedente em parte impugnação relacionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada sob o Debcad nº 37.010.1952, para a apuração de diferenças de contribuições sociais previdenciárias relativas a remunerações pagas a contribuintes individuais, no período de 02/1998 a 05/2002. Impugnação Em sede impugnatória, alegase, em síntese, que: a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF e suas prorrogações; Não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte; o MPF teve seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 16/01/2007 foram postadas parte das Notificações fiscais, 5 (cinco) para um total de 18 (dezoito) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007; as notificações fiscais não foram devidamente formalizadas até a data final do MPF, passaramse mais de 30 dias do vencimento do MPF e o contribuinte não as recebeu; a ação fiscal está viciada e é nula, posto que preterido o disposto na Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005 (arts. 12, 13 e 15); no período de fevereiro de 1998 a maio de 2002 a Impugnante remunerou prestadores de serviço pessoa jurídica e pessoas físicas contribuintes individuais; aos pagamentos dos contribuintes individuais correspondeu o pagamento de contribuições previdenciárias, de acordo com a Lei Complementar 84/96 até 02/2000, alíquota de 15%, e com alíquota de 20% a partir de 03/2000, conforme estabeleceu a Lei 9.876/1999; o relatório fiscal não se presta como documento para validar a presente notificação fiscal; lançamento fala de diferença de autônomos, mas não especifica quem seriam esses autônomos; é evidente o cerceamento da defesa, porquanto o, lançamento é totalmente omisso; os Auditores Fiscais não procederam à emissão de Auto de Infração, mas formalizaram lançamento como não declarado em GFIP; a partir de 01/1999 a todo lançamento de salário de contribuição não declarado em GFIP deve corresponder um auto de infração, nos termos do art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991; Fl. 405DF CARF MF 4 a NFLD e o Auto de Infração devem ser julgados em conjunto e a Impugnação também deve ser efetuada no mesmo ato; no Auto de Infração e para a emissão da NFLD necessário se faz a nomeação dos autônomos ou contribuintes individuais, mês e mês e que não foram relacionados no RL – Relatório de Lançamentos; todos os pagamentos a autônomos e contribuintes individuais foram objeto de recolhimento; os valores constantes do DAD – Discriminativo Analítico de Débito, na coluna com ‘Créditos Considerados” estão incorretos; é necessário que a Fiscalização demonstre todos os fatos geradores das competências, os valores recolhidos e os valores não cobertos; no ano de 1998 não foi considerado nenhum crédito e no período seguinte os créditos considerados não estão corretos. Apresenta quadro com valores que diz ter declarado em GFIP e recolhido por meio de GRPS e GPS. Reproduz excertos doutrinários; a Lei n° 8.212/199, art. 28 § 9°, alínea “q”, não exigiu o cumprimento de dever instrumental para que a Impugnante pudesse ser beneficiada com o incentivo fiscal ali estatuído e nem estabeleceu a penalidade no descumprimento deste dever instrumental; em nenhum momento a auditoria fiscal demonstrou que os pagamentos de assistência médica são exclusivos dos dirigentes, não se anexando qualquer nota fiscal de prestador de serviços. Reproduz doutrina e jurisprudência; o lançamento é inadequado, porquanto não discrimina o salário de contribuição devido, o salário de contribuição reconhecido pelo contribuinte, a contribuição efetivamente recolhida e a diferença de recolhimento; a titulo de amostragem, na competência 01/1999 foi considerado crédito de R$ 6.831,88 quando o contribuinte impugnante recolheu R$ 271.983,05 e na competência 04/1999 foi considerado crédito de R$ 5.256,84 quando o contribuinte recolheu R$ 278.457,97; o ônus da demonstração da diferença a recolher é do Fisco, posto que o impugnante entende inclusive que recolheu valor a maior, tendo direito a restituição ou compensação; a cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários da Impugnante, que foi acrescida, com diferença de autônomos é absurda, não demonstrada de maneira alguma, e os créditos não foram considerados ou lançados apenas em parte; não é possível o arbitramento, considerandose que sequer foi emitido auto de infração por falta de apresentação de folha de pagamento com discriminativo dos segurados e a composição do salário de contribuição; não existe memória de cálculo, necessária a demonstração do salário de contribuição anterior, do novo salário de contribuição, com o limite de contribuição do segurado e os novos valores que foram lançados; não foram considerados os limites do salário de contribuição para os segurados com outros vínculos e salário base; não consta TIAD solicitando documentos específicos para as contas lançadas; o lançamento é nulo, tendo em vista tratarse de exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 4 5 não existem as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento de seus resumos, bem como escrituração contábil, apresentada inclusive em meio magnético; os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais; não se verificou a ocorrência da materialização do fato jurídico tributável no caso concreto; os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional contribuição do art. 21 da Lei número 8.212/91 não estão presentes nesta notificação fiscal de lançamento de débito. não ficou comprovada a materialidade da exação, com a nominação dos respectivos contribuintes, mês a mês, com a remuneração individual; é descabida a aplicação da multa de mora; é ilegal e inconstitucional a utilização da Taxa Selic para o cômputo dos juros de mora; no caso concreto, a Fazenda Nacional perdeu o direito ao lançamento de créditos relativo a períodos a anteriores a 01/2002. Reproduz decisões administrativas; outro viício verificado na NFLD é quanto à imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, o que não se pode aceitar, conforme estabelecido na Relação de Co Responsáveis que compõe a NFLD; o procedimento fiscal é nulo tendo em vista, conforme relatório fiscal, a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no art. 8º da Lei 10.666/2003 e é obrigação da fiscalização também apresentar ao contribuinte os arquivos digitais dos relatórios fiscal, conforme disposto no art. 663 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005. Reproduz decisões administrativas que diz fundamentar as razão trazidas na impugnação. Requer seja cancelada a NFLD lavrada e homologada a extinção do respectivo crédito tributário, excluídos da condição de coresponsável pelo pagamento do crédito tributário os sócios e procuradores arrolados na relação de coresponsáveis e deferidas as diligências que se fizerem necessárias, para fins de comprovação do exposto na impugnação. Protesta pela juntada de outros documentos fiscais que foram considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. Diligência O julgamento foi convertido em diligência (fl. 150) para esclarecimentos do Auditor Fiscal notificante quanto ao seguinte: o motivo do lançamento: se a folha de pagamento dos contribuintes individuais não foi apresentada ou se foi, se estava incompleta e, se julgar pertinente, a razão da diferença entre os créditos considerados; e Fl. 407DF CARF MF 6 o motivo de conta contábil 310106020030 Serviços Prestados Pessoa Jurídica ter sido considerada como remuneração de contribuintes individuais. Em atendimento à diligência demandada pela DRJ/SPO, foi emitida a Informação Fiscal de fls 204/226 segundo a qual: os pagamentos efetuados aos trabalhadores indicados no anexo Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo foram apurados através do exame da escrituração contábil do contribuinte, por ele apresentada em meio digital; do confronto entre os totais mensais destes pagamentos e os valores recolhidos (GPS) apurouse a diferença de recolhimento; o contribuinte, solicitado a apresentar as folhas de pagamento de seus colaboradores autônomos, deixou de apresentálas, razão pela qual, em 22/12/2006, foi lavrado o auto de infração Debcad nº 37.066.6054 sobre os valores das remunerações, apuradas no exame da escrituração contábil, foram aplicadas as alíquotas de 15% , até o mês de fevereiro de 2000, de acordo com o inciso I do artigo 1 ° da Lei Complementar 84/1996, e de 20% a partir de março de 2000, conforme inciso III do artigo 22 da Lei n° 8.212/1991, com as alterações introduzidas pela Lei N° 9.876/99; no anexo “Guias de Recolhimento Apropriadas” estão indicados todos os recolhimentos efetuados pela empresa, relativos à unidade São Severo, CNPJ 62.461.140/000548; os documentos de números 2,7,13,17,22,27 e 28, por se referirem exclusivamente a importâncias recolhidas sobre folhas de pagamento, e o de número 32 por tratarse de recolhimento de importância devida em reclamação trabalhista, não foram abatidos das contribuições apuradas. Foram emitidos em conjunto com a Informação Fiscal os relatórios Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo, Demonstrativo de Apropriação de Créditos, Guias de Recolhimento Apropriadas. Procedeuse à retificação do lançamento em razão de diferença verificada na contabilidade em relação à competência 05/2005 e de decadência em razão da aplicação da Súmula Vinculante do STF nº 08/2008. Cientificado da Informação Fiscal decorrente da diligência demandada pela DRJ/SPO, a contribuinte apresentou a manifestação quanto: a preclusão temporal do processo administrativo; prescrição e decadência; anulação do lançamento pela não demonstração de que os contribuintes individuais atuaram como segurados empregados Além disso, fezse considerações sobre questões trazidas na manifestação do Fisco. A DRJ/SPO considerou a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/05/2002 Ementa: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 5 7 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA. PRORROGAÇÕES. Inexiste previsão legal para ciência do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementação do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A cientificação do lançamento ao sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA PARCIAL. Declarada pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de prescrição contase a partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita a Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. PRAZO PARA JULGAMENTO DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. INOCORRÊNCIA. O prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 tem natureza de prazo impróprio, não ensejando preclusão temporal a não emissão de decisão administrativa no referido prazo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. Fl. 409DF CARF MF 8 O anexo CORESP Relação de CoResponsáveis não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por ocasião do Recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação, além de outras alegações que serão reproduzidas e analisadas em conjunto com o voto que ora se apresenta. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conhecimento O recurso é tempestivo, mas deve ser conhecido apenas parcialmente, eis que há matérias alheias à lide, além de alegações que não foram objeto de impugnação ou da decisão recorrida. De saída há que se esclarecer que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD não faz qualquer referência à isenção prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que trata de isenção tributária em relação a valores despendidos em benefício dos segurados para assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado. Do mesmo modo, não consta da NFLD nenhum lançamento de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nominada na peça recursal como SAT. Também não foram objeto de lançamento contribuições destinadas a outras entidade ou fundos, os denominados Terceiros, sendo absolutamente inoportunas as alegações da apelante a esse respeito. Referidas matérias também no foram suscitadas de impugnação ou na decisão recorrida. Ademais, com relação às alegações apresentada pelo contribuinte, dispõem o inciso III do art. 16 e o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da leitura dos dispositivos acima, vêse que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o recurso e os pontos de discordância que possuir o autuado deverão ser apresentados, via de regra na impugnação, admitindose que novas razões sejam trazidas no recurso voluntário somente quando essas se prestam a contrapor a decisão de primeira instância administrativa. Dessa forma, os argumentos insertos no recurso voluntário a respeito da isenção prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 e de contribuições para o SAT e Terceiros não serão objeto de análise por trataremse de matérias que não têm qualquer relação com o lançamento e, nesse último caso (contribuições para o SAT e Terceiros), de questões não suscitadas na impugnação ou na decisão recorrida. Fl. 411DF CARF MF 10 Coresponsáveis Sobre relação de coresponsáveis que integra o auto de infração, cabe esclarecer que esta tem por finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional CTN e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5° art. 2° da Lei n° 6.830/1980, in verbis: Art. 2° Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal [...] § 5° O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I – o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros. [...] Esclareçase que as pessoas físicas listadas na Relação de Coresponsáveis – CORESP não integram o pólo passivos da lide tributária. O auto de infração fora lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, tendo o CORESP finalidade exclusivamente informativa, não atribuindo responsabilidade a que quer que seja, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Em razão disso, não conheço do pedido. Diligência Constam dos autos todos elementos necessários ao julgamento do feito fiscal, por essa razão indefiro a diligência requerida. Nulidades MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Infere a recorrente que o lançamento seria nulo, pois a emissão e remessa da NFLD teriam ocorrido em período não coberto por Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Outra questão aventada na peça recursal é que a ação fiscal não poderia ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação ao contribuinte. O MPF é documento emitido pela Administração para que o sujeito passivo, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 7 11 O que se verifica no caso concreto é que o prazo previsto no MPF inicial não foi suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPF Complementares no sentido de prorrogar o período de fiscalização. O procedimento de prorrogação dos MPF é previsto na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente, ao término de cada MPF imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. No entanto, os MPF existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a reclamante tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado o que permitiu que o Fisco continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez que a finalidade de existência do mandado já teria sido efetivamente cumprida. De resto, estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, não há que se falar em irregularidades no lançamento se foram seguidas as disposições legais pertinentes à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 660 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, vigente à época do lançamento. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o entendimento que tem prevalecido no âmbito deste Conselho é no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão n° 9202003.956, de 22/04/2016, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Fl. 413DF CARF MF 12 Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades no procedimento fiscal, cabendo afastar a preliminar visto não se vislumbrar a nulidade alegada. ARBITRAMENTO Outra nulidade apontada na peça recursal diz respeito ao que a recorrente chama de “exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais”. Segundo infere: i) não existem as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento e seus resumos, bem como pela não entrega de escrituração contábil, apresentada inclusive em meio magnético; ii) a autoridade autuante não teria especificado o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais. Sobre o arbitramento, o dispositivo a lhe dava respaldo era o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época lançamento: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] Notese que para que o Fisco se utilize do permissivo legal que respalda o lançamento por referida modalidade (arbitramento), é necessário que haja recusa ou sonegação de documento ou ainda sua apresentação deficiente. Acontece que o indigitado dispositivo não foi suscitado pela autoridade lançadora porque o lançamento não foi feito por arbitramento, mas sim com base nas diferenças de remunerações pagas a contribuintes individuais, devidamente registradas na contabilidade da empresa e sobre os quais não foram recolhidas as contribuições devidas. O Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.010.1952 (fls. 208/2009) identifica os códigos das contas contábeis de onde foram extraídos tais valores. Sem razão mais uma vez a reclamante. CERCEAMENTO DE DEFESA Reclama o sujeito passivo do conteúdo do Relatórios Fiscal, visto se tratar o lançamento de diferenças de contribuições de autônomos sem contudo relacionar esses autônomos. Queixase de informação contida no relato fiscal sobre levantamento extraído de Fl. 414DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 8 13 conta contábil que registra “Serviços Prestados Pessoa Jurídica”. Reputa lastimável a conduta da autoridade autuante de não efetuar lançamento em razão da não declaração de fatos geradores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, “nos termos do artigo 32, IV da Lei de Custeio”, o que teria cerceado seu direito de defesa. De início, é preciso esclarecer que os fatos geradores extraídos da conta contábil “Serviços Prestados Pessoa Jurídica” são referentes ao ano de 1999 e, por conseguinte, os lançamentos advindos desses registros contábeis foram excluídos da NFLD por virtude da decadência, não cabendo qualquer outra digressão a esse respeito. Os registros contábeis cujos valores remanesceram na autuação referemse, dentre outros, a valores pagos a título de honorários advocatícios e serviços prestados por autônomos, como se pode conferir no Discriminativo de fls. 208/209. Sobre a relação, mês a mês, dos contribuintes individuais, convém registrar que os documentos necessários para tal não foram apresentados pela recorrente que, ao que parece, imaginava que, ao não apresentálos, sairia ileso do lançamento da obrigação principal, sujeitandose apenas a auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Senão vejamos as asserções extraídas do apelo recursal nesse sentido: A não apresentação de folha de pagamento de contribuintes individuais, mesmo quando estes inexistem, propiciaria apenas o lançamento de auto de infração de obrigação acessória, não de obrigação principal, devendo no caso, a auditoria fiscal comprovar o pagamento e o trabalho de contribuintes individuais, que não poderiam ser deduzidos a partir das contas contábeis que deram suporte ao lançamento fiscal. Aliás, contrariando a legislação vigente, sequer foi emitido o auto de infração de obrigação acessória pela não apresentação da folha de pagamento da filial 05, conforme artigo 32, I da Lei 8.212/91. De se admirar o denodo da recorrente, de não somente imaginar, mas de sugerir no recurso voluntário que não apresentou folha de pagamento para prevenir o lançamento das contribuições empresariais incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais. É certo que uma vez não apresentada a folha de pagamento e nem elementos probatórios que pudessem infirmar os registros contábeis, as informações contidas nessas demonstrações são suficientemente hábeis à constituição do crédito tributário, diferentemente do que imagina o sujeito passivo. O que se tem aqui não é cerceamento de direito de defesa e sim uma ineficaz construção argumentativa da recorrente no intuito de se beneficiar de sua própria torpeza, o que não é admissível. Sobre a afirmação de que não foi emitido auto de infração por não apresentação de folha de pagamento. Não sei se por descuido ou se por pura aleivosia, a recorrente traz “informação” no recurso voluntário não condiz com a realidade. No procedimento fiscal em que foi lavrada a NFLD em análise, foi também emitido auto de infração por não apresentação de folha de pagamento e isso pode ser facilmente constatado a partir do Acórdão 2402001.714, de 11/05/2011, proferido por esta mesma Turma de Julgamento, nos autos do Processo nº 19515.000573/200827, o qual já inclusive transitou em julgado na esfera administrativa, e em desfavor da recorrente. A seguir, trecho do relatório de referido acórdão: Fl. 415DF CARF MF 14 Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a empresa, embora intimada, deixou de apresentar a folha de pagamento dos trabalhadores autônomos. (Grifei) Sobre o cerceamento de defesa decorrente da hipotética omissão da autoridade autuante em não emitir auto de infração pela falta de informação acerca da remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, seria importante que a recorrente explicasse em que medida a conjecturada omissão do Fisco poderia ter lhe causado prejuízo se do processo ora analisado constam todas as informações e documentos necessários à exteriorização de suas irresignações. Sem essas explicações, as alegações recursais mostramse desprovidas de qualquer traço de lógica, o que impossibilita o seu adequado exame. E mais, a recorrente novamente desvirtua a verdade dos fatos quanto afirma não ter sido lavrado contra si auto de infração por não informação de fatos geradores em GFIP. De se asseverar que a “técnica” adotada pelo representante do sujeito passivo, de trazer aos autos informações que não encontram amparo na verdade dos fatos, em tudo reprovável no contexto da discussão jurídica, labora em desfavor de quem a utiliza por lançar em descrédito todos os demais argumentos de defesa. O auto de infração por não inclusão em GFIP, de parte dos valores pagos segurados a serviço da empresa, foi lavrado no mesmo procedimentos fiscal em que se constituiu o crédito tributário que aqui se discute e será também analisado na presente sessão de julgamento. Tratase do Processo nº 35366.000566/200751, de cujo o Anexo IV ao Auto de Infração (fl. 33 daquele processo) constam as informações que abaixo se reproduz: 3 AUTÔNOMOS As folhas de pagamento dos trabalhadores autônomos não foram apresentadas pela empresa, razão pela qual contra a empresa foi lavrado o auto de infração 37.066.6054. A apuração dos valores baseouse no exame da escrituração contábil, disponibilizada pela em empresa em meio digital, conforme disposto no artigo 8 da Lei 10.666, de 08/05/2003. Dos totais mensais apurados — especificamente no exame das contas abaixo discriminadas foram deduzidos os valores declarados em GFIP e os valores identificados na D1RF ( salários tipo 1 e tipo 2 ). Sobre a diferenças apuradas aplicadas as alíquotas de contribuição de 15% ( até fev/2000 ) c de 20% ( meses posteriores a fev/2000). Segue anexo "consolidação mensal dos salários não incluídos em GFIP". Sobre a suscitada nulidade em razão de o sujeito passivo não ter recebido os arquivos da fiscalização em meio digital, também não vejo no que essa suposta ocorrência possa ter ocasionado qualquer um tipo de prejuízo, eis que todos os documentos relacionados Fl. 416DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 9 15 ao lançamento foram disponibilizados à recorrente, possibilitandolhe o pleno exercício à ampla de defesa e o contraditório. Por todas essas razões, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. Decadência Com relação à decadência, verificase que, no caso em apreço, o lançamento foi realizado com fundamento no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, segundo o qual prazo decadencial das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08, estendo os efeitos da decisão aos contribuintes em geral. A seguir, transcrevese a parte final do voto que decretou a inconstitucionalidade das mencionadas disposições legais e o intero teor da Súmula Vinculante: Parte final do voto condutor da decisão do STF Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Os efeitos da Súmula Vinculante encontramse previstos no artigo 103A da Constituição Federal: Art. 103A O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, Fl. 417DF CARF MF 16 após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei n° 11.417/2006 que estabelece os contornos a respeito da edição, revisão e do cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal. Em face do texto constitucional e da Lei nº 11.417/2006, temse que a partir da publicação na imprensa oficial do enunciado da Súmula Vinculante nº, 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados à sua aplicação. Em razão disso e, uma vez afastado por inconstitucionalidade o art. 45 da Lei n° 8.212/1991, cabenos então verificar a regra inscrita no Código Tributário Nacional CTN aplicável ao caso concreto, se seu art. 150, § 4º ou art. 173, I. Abaixo reproduzidos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Sobre a regra de decadência aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, proferida no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, e portanto de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em virtude do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, é no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 418DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 10 17 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 419DF CARF MF 18 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifos do original) O REsp 766.050/PR encontrase entre os precedentes da decisão consubstanciada no REsp 973.733/SC e tem seu entendimento transcrito no repetitivo do STJ. Segundo esse entendimento, (...) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador” (...) Assim, com base nos nas disposições contidas no CTN, o STJ esclareceu que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo das contribuições previdenciárias, o art. 173, I aplicase nas seguintes situações: a) caso não tenha havido antecipação de pagamento; b) nas situações em que se verificar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e c) na ausência de declaração prévia do débito. De modo distinto, ocorrendo pagamento antecipado, ainda que em montante inferior ao devido, a regra decadencial a ser considerada é o § 4º do art. 150 do CTN, a menos se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação ou, caso o pagamento tenha sido efetuado após a adoção, pelo Fisco, de regras preparatórias ao lançamento. Sobre a ocorrência de pagamento antecipado, a Súmula CARF nº 99, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, esclarece: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vejase que a Súmula CARF nº 99 é clara no sentido de que, para as contribuições previdenciárias, o pagamento antecipado restará caracterizado no caso de recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado devido na competência do fato gerador a que se referir a autuação, “mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. No caso concreto, o sujeito passivo foi cientificado da NFLD em 27/01/2007 (vide Aviso de Recebimento – AR da NFLD de fl. 366). Desse modo, a depender do dispositivo do CTN em que se enquadrar o lançamento, ou parte dele, considerandose que o Fl. 420DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 11 19 fato imponível das contribuições previdenciárias, via de regra, considerase perfectibilizado no último dia de cada mês, teremos uma das seguintes situações: art. 150, § 4º (com base no qual o lançamento pode ser efetuado em até 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador): o lançamento pode abranger fatos geradores ocorridos a partir do 01/2002; e art. 173, I (prazo decadencial contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado): a NFLD alcança fatos relativos às competências a partir de 12/2001, tendo em vista que o prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12/2001 somente vence no mês 01/2000, ou seja, a decadência de opera em relação às competências até 11/2001. O quadro constante do Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Relatório Complementar da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fl. 204/207) demonstra as competências e os levantamentos que permaneceram no lançamento após a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF pelo Fisco: Mês lançamento Principal Juros Multa Total 12/2001 AU2 8.016,50 6.824,45 2.404,95 17.245,90 01/2002 AU2 161,35 135,34 48,41 345,10 01/2002 AU3 6.706,28 5.625,23 1.005,94 13.337,45 02/2002 AU3 4.913,46 4.954,10 737,02 10.604,58 03/2002 AU3 4.711,83 3.818,00 706,77 9.236,60 04/2002 AU3 2.136,69 1.701,23 320,50 4.158,42 05/2002 AU3 2.420,27 1.894,83 363,04 4.678,14 Total 29.066,38 24.953,18 5.586,63 59.606,19 Dessarte, considerandose que para os levantamentos que remanescem na NFLD (AU2 e AU3) houve o recolhimento de contribuições patronais relativas a contribuintes individuais, conforme se verifica dos relatório “DAD Discriminativo Analítico de Débito” (fls. 9/15), RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 28/33) e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apropriados (fls. 34/43), o dispositivo aplicável ao caso é o art. 150, § 4º do CTN, o que nos impõe reconhecer que também a competência 12/2001 restou fulminada pela decadência. Neste ponto, dou provimento ao recurso voluntário Mérito Antes iniciar a análise das questões de mérito, convém prestar alguns esclarecimento acerca de alegações contidas no apelo da recorrente. Não serão feitas considerações sobre fatos geradores já declarados decadentes, visto se tratar de matéria fora do contexto do litígio. Primeiramente, compete noticiar que o Processo nº 14485.000203/200871, NFLD lavrada sob o Debcad nº 37.010.1960, não tem qualquer relação com o presente feito fiscal, posto tratarse de situação em que houve caracterização do vínculo empregatício dos segurados considerados pela recorrente como contribuintes individuais. Assim, embora aquele PAF também integre a pauta de julgamento desta sessão, não há conexão entre este processo e aquele, não havendo necessidade de julgamento conjunto. Fl. 421DF CARF MF 20 De outra parte, o relatório de fls. 208/209 (que detalha os registros contábeis de onde foram extraídos os valores objeto de autuação) mostra a impertinência das alegações recursais de que as contas contábeis que deram respaldo ao lançamento tratamse de registros que se referem a pagamentos de pessoas jurídicas: Ainda sobre esse assunto, o fato de tais valores não terem sido incluídos em DIRF, como sugere o recurso, somente evidencia o cometimento de mais uma infração à lei tributária. A respeito da propalada inobservância do limite sobre o qual podem incidir as contribuições previdenciárias, os lançamentos aqui discutidos referemse a contribuição devida pela empresa e, nesse caso, a base de cálculo da contribuição não está sujeita ao limite máximo do saláriodecontribuição dos contribuintes individuais, pois o tributo incide sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a esses segurados (Lei nº 8.212/1991, art. 22, inciso III). Inexiste, pois, a necessidade de qualquer comprovação no sentido de que tais limites teriam ou não sido considerados, tampouco que os segurados teriam outros vínculos além daquele estabelecido com a empresa autuada. No que concerne à obrigação do Fisco em relacionar, mês a mês, os contribuintes individuais em relação aos quais foram efetuados os lançamentos, esclareceuse alhures que essa tarefa mostrouse impossibilitada pela recusa da contribuinte em apresentar os documentos necessários para tal. De todo modo, restou evidenciado que os lançamentos foram regularmente efetuados com base na escrita contábil da empresa a qual não foi desconstituída no decorrer do processo administrativo fiscal. Ressaltese, por necessário, que se não houve questionamento quanto a escrituração dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em títulos próprios porque a autoridade fiscal considerou que os lançamentos contábeis estavam corretos, tanto assim que utilizou os valores contabilizados para a determinação da base de cálculo do tributo. De mais a mais, o art. 12 da Lei nº 8.212/1991 estabelece serem contribuintes individuais quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. O inciso III do art. 22 da mesma lei define a forma de cálculo da contribuição das empresas que contratam esse tipo de segurado: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Vejase que, com base em referidos dispositivos legais a autoridade autuante, ao se deparar com valores registrados na escrita contábil da empresa, sobre os quais não haviam sido recolhidas as contribuições devidas, efetuou o lançamento nos estritos termos da lei. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 14485.000202/200826 Acórdão n.º 2402006.122 S2C4T2 Fl. 12 21 Registrese que as contribuições lançadas à luz da Lei Complementar nº 84/1996 foram excluídas do lançamento por terem sido fulminadas pela decadência. Quanto aos erros que a recorrente diz existir no DAD – Discriminativo Analítico de Débito, não vislumbro sua ocorrência. O Discriminativo Mensal das Bases de Cálculo (fls. 208/209) evidencia o total devido a título de contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, o quantum efetivamente recolhido (devidamente apropriado no DAD) e a diferença apurada (contribuição não recolhida). Observese que os valores destacados no recurso voluntário são exatamente os mesmos apresentados pelo Fisco por meio do “conta corrente” da empresa (fl. 210) e detalhados a partir das Guias de Previdência Social GPS de fls. 210/225. É evidente que de referidas GPS consta tudo aquilo que fora pago pela empresa a título contribuições previdenciárias, tendo sido apropriado no lançamento somente as quantias referentes a contribuições empresarias incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais. Há ainda a afirmação recursal de que o “Acórdão de Impugnação, mormente no item 3 fls. 14 é claro no sentido de que não foram apropriadas guias de recolhimento que referiamse à folha de pagamento”. Cabe mencionar que, nessa parte, a decisão fustigada somente reproduz em seu relatório elementos trazidos na Informação Fiscal decorrente de diligência demandada pelo colegiado a quo. Não há no citado item 3 qualquer juízo de valor a respeito de apropriação de GPS no lançamento. Além do que, a informação prestada pelo Fisco é de que as GPS nº 2,7,13,17,22,27 e 28 (constantes do anexo “Guias de Recolhimento Apropriadas”) não foram abatidas do lançamento por se referirem exclusivamente a folha de salários de empregados (o que pode ser facilmente constatado na comparação entre os valores declarados em GFIP e recolhidos por meio de GPS). Do mesmo modo, o documento de nº 32 também não foi apropriado por se tratar de recolhimento relativo a reclamatória trabalhista, cujo código de recolhimento é inclusive diverso daquele alusivo das contribuições em geral. Sem razão a recorrente quanto ao mérito. Decisões Administrativas e Doutrina Relativamente às decisões administrativas exaustivamente transcrita no apelos da contribuinte, há que se dizer que essas se aplicam às partes envolvidas nas lide a que se referem e que, por terem sido adotadas em contextos fáticos diversos, não acodem à recorrente. O mesmo se aplica à doutrina suscitada. Fl. 423DF CARF MF 22 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a ocorrência de decadência até a competência 12/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.904383/2012-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 3002-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 43 83 /2 01 2- 81 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 12.111,34, relativos ao período de apuração setembro/2011, com débitos de CSLL. O Per/Dcomp foi transmitido em janeiro/2012 (fls. 2 a 6). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a DRF/São José do Rio Preto decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, preliminarmente, nulidade do despacho decisório por falta de motivação e cerceamento de defesa e, em relação ao mérito, que teria direito à compensação por ter recolhido a contribuição sobre base de cálculo alargada, cuja inconstitucionalidade já havia sido reconhecida pelo STF. Por fim, requereu o direito à apresentação oportuna de provas, por motivo de força maior (fls. 10 a 23). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração, peças de identificação dos procuradores e contrato social (fls. 24 a 50). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 54.620 (fls. 55 a 63), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista a inocorrência das nulidades alegadas e, também, a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/10/2011 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 4 3 Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.§ 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo plenário do STF, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543B do CPC, e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº 1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir em suas decisões o entendimento adotado pelo STF, ou seja, que o PIS/Pasep e a Cofins devem incidir somente sobre o faturamento, escapando da incidência dessas contribuições as demais receitas. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 5 4 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 05/12/2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 69, e protocolizou seu recurso voluntário em 05/01/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 70. O recurso voluntário é cópia da manifestação de inconformidade, apenas com alguns endereçamentos atualizados, ao qual se juntou os mesmos documentos contratuais e de representação (fls. 71 a 93). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Alega a recorrente nulidade da decisão da DRJ/RPO por ausência de análise do direito da recorrente ao crédito e de motivação da decisão, o que acarreta a preterição do seu direito de defesa e a consequente nulidade do ato, nos termos do art. 59 do PAF. Ainda, o cerceamento de defesa também se manifestou pela ausência de intimação para que a empresa esclarecesse os motivos de seu pedido de compensação. A mera leitura da ementa do Acórdão DRJ já demonstra, sem sombra de dúvida, que todas as alegações da recorrente foram consideradas e que a decisão encontrase claramente fundamentada. Nela são abordadas oito matérias, todas extensamente desenvolvidas no voto, entre preliminares de nulidade à preclusão para a produção de provas, diligência, força probatória da DCTF, inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ônus probatório nos pedidos de compensação e liquidez e certeza na compensação de tributos. A alegação de falta de análise e de motivação da decisão da DRJ está totalmente desconectada da realidade. Em tendo a referida decisão sido lavrada por autoridade competente e tendo considerado todos os argumentos arguidos pelo contribuinte, não cabe falar em nulidade da decisão por descumprimento do art. 59 do PAF, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 6 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao eventual cerceamento de defesa por ausência de intimação para que a empresa esclareça suas razões de pedir, tenta a recorrente inverter o ônus da prova que lhe cabe. Tratase de matéria pacífica que a demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) O contribuinte teve duas oportunidades para apresentar suas razões e provas, mas nada fez, sendo completamente descabido falarse em cerceamento de defesa quando o que se constata é apenas inércia de sua parte. Assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Mérito O contribuinte alega que teria direito à compensação por ter se utilizado de uma base de cálculo alargada na apuração da Cofins, na qual foram incluídas receitas que não a deveriam ter integrado, como se tal fato tivesse sido fundamento de decidir no Acórdão de primeira instância. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins é decisão definitiva do STF, em julgamento afetado pela repercussão geral, o que a torna vinculante para este Colegiado por força de Regimento Interno do CARF. Quanto a esse ponto, é de se ressaltar que não houve qualquer divergência ao longo deste processo, pois essa questão jamais foi trazida pela Administração Fazendária como fundamento para a não homologação do crédito. Ao contrário, na ementa do Acórdão da DRJ consta o reconhecimento de vinculação da Receita Federal à decisão do STF. Assim, tratase de alegação descabida. Dessa forma, temse que o ponto central desta lide reside na ausência de demonstração, pelo contribuinte, do seu alegado direito creditório. Não está a Fazenda autorizada a restituir ou a compensar um crédito pleiteado pelo contribuinte que esteja em contradição com sua própria declaração de débitos perante a Receita Federal e que não esteja amparado por nenhuma documentação que demonstre a ocorrência de erro. No caso em tela, a DCTF jamais foi retificada, permanecendo em desacordo com a declaração de compensação, e nenhum documento foi juntado com o intuito de demonstrar que haveria algum erro a ser corrigido. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 7 6 A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, e sua eventual retificação deve vir acompanhada por suporte probatório, como dispõe o CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) A isso se some, com igual importância, que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Dessa forma, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo, regra geral, é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 8 7 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Não obstante a clareza do dispositivo, nenhum preceito foi atendido. Ao longo deste processo, o contribuinte se limita a repisar os mesmos argumentos, ao mesmo tempo em que alega cerceamento de defesa. Nos §§ 4º e 5º do art. 16 do PAF, acima transcritos, estão explicitadas as hipóteses em que, mediante petição fundamentada, podese aceitar a apresentação de prova documental após a manifestação de inconformidade: quando impossível a sua apresentação oportuna, por força maior; quando se refira a fato ou direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. O contribuinte não realizou o mínimo esforço para produzir provas do seu direito, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, apenas repetindo o pedido para vir a produzilas em momento posterior, por motivo de força maior, sem explicar que força maior o haveria impedido de desempenhar o papel que lhe cabia na contenda. A alínea “a” do § 4º dispõe de forma clara que a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando ficar demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior. A mera alegação, sem quaisquer esclarecimentos ou evidências, não se presta a demonstrar nada. Em não se configurando que a recorrente foi impossibilitada de apresentar provas por motivo de força maior, está precluso do direito de produzilas. Da mesma forma, Tendo em vista a omissão do contribuinte em todas as fases processuais e a ausência de justificativa sobre essa omissão, determinar diligência neste momento, como requerido, estendendo por tempo indefinido este julgamento, significaria prolongar esta lide sem motivação legal. Concluise que a recorrente não demonstrou o seu direito ao crédito e que está configurada a preclusão para a produção de provas, uma vez não demonstrada a ocorrência da exceção prevista na alínea “a” do § 4º do art. 16 do PAF. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10850.904383/201281 Acórdão n.º 3002000.089 S3C0T2 Fl. 9 8 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004385/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 20/12/2002
IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO OU SALDO CREDOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 150, § 4ª, CTN
O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é sujeito ao denominado lançamento por homologação, sendo que, nos termos da legislação de regência, a apuração de saldo credor pelo confronto entre débitos e créditos em determinado período de apuração equivale a pagamento, atraindo a incidência do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo o termo inicial de contagem decadencial a data de ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente-Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 20/12/2002 IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO OU SALDO CREDOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 150, § 4ª, CTN O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é sujeito ao denominado lançamento por homologação, sendo que, nos termos da legislação de regência, a apuração de saldo credor pelo confronto entre débitos e créditos em determinado período de apuração equivale a pagamento, atraindo a incidência do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo o termo inicial de contagem decadencial a data de ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente-Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO OU SALDO CREDOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 150, § 4ª, CTN O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é sujeito ao denominado lançamento por homologação, sendo que, nos termos da legislação de regência, a apuração de saldo credor pelo confronto entre débitos e créditos em determinado período de apuração equivale a pagamento, atraindo a incidência do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo o termo inicial de contagem decadencial a data de ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira PresidenteSubstituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 85 /2 00 7- 97 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 333/343, lavrado em 28/12/2007, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 5.748.544,40. Segundo a descrição dos fatos de fls. 335/343 e o termo de verificação fiscal de fls. 316/322, no período de janeiro a dezembro de 2002, houve falta de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota menor do imposto. Foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso tiveram sua alíquota de IPI alterada de 5% para 10% pelo Decreto nº 4.070 de 28/12/2001, porém, a empresa efetuou a mudança de alíquota nas saídas dos produtos somente a partir de 01/02/2002, o que gerou falta de lançamento de IPI durante o mês de janeiro de 2002; 2. A contribuinte, no período de janeiro a dezembro de 2002, adota classificação fiscal incorreta para os produtos Proderm Emulsão, Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, classificados no código 3004.90.99 da TIPI, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos, e para os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, classificados no código 3004.90.26, alíquota de 0%, destinada a outros medicamentos contendo ácido láctico, seus sais ou seus ésteres, ácido diiodofenilocético, ácido fumárico, seus sais ou seus ésteres, ou fenofibrato; tais produtos caracterizamse como preparações cosméticas/cremes hidratantes, destinados aos cuidados da pele, e classificamse no código 3304.99.10, alíquota de 20%, com base da Nota 1 d) do Capítulo 30 e Nota 3 do Capítulo 33 da TIPI. Considerandose que houve insuficiência de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com alíquotas inferiores devido a erros de classificação fiscal, foi lavrado o competente auto de infração. Por já haver consulta sobre a classificação fiscal de outro produto semelhante fabricado pela própria autuada, o produto Nutraderm, que concluiu pela classificação no código 3304.99.10, a fiscalização entendeu que houve erro deliberado com o intuito de redução do tributo, o que resultou na aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 346/423, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. O auto de infração é nulo for falta de motivação, já que o autuante não esclareceu o que o levou a concluir pela ausência de finalidades profilática, terapêutica ou paliativa dos produtos, que levaria a classificação fiscal para a posição 3004; tal fato impediu a impugnante de exercer plenamente o seu direito de defesa; 2. O auto de infração é nulo por vício de motivação pela inconsistência da fundamentação; 3. Os produtos Proderm, Lactrex e Nutraplus possuem as propriedades profiláticas e curativas que atendem a definição de medicamento estabelecida pelo art. 4º, inciso II, da Lei nº 5.991/73; 4. A ANVISA reconheceu que o produto Proderm Emulsão possui finalidades profiláticas ou terapêuticas, certificando, em 24/04/1985, que deve ser considerado um medicamento e não um cosmético; além disso, de forma rotineira, a ANVISA tem classificado como medicamento produtos que possuam o triclosano, como é o caso do Proderm; 5. Apresenta Parecer de fls. 475/481 sobre o Proderm, elaborado pela Profa. Dra Maria Valéria Robles Velasco, membro da Câmara Técnica de Cosméticos da ANVISA que conclui que o produto é um medicamento a ser classificado no Capítulo 3004 (sic) da TIPI; 6. O mesmo entendimento deve ser aplicado aos produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção conforme Resolução da ANVISA e Parecer de fls. 482/495 elaborado pela mesma Profa. Dra. Maria Valéria Robles Velasco; 7. A mesma conclusão serve para os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção de acordo com o Relatório Técnico de fls. 496/507, que considerou os produtos como medicamentos classificáveis na posição 3003.90.99; 8. Caso os produtos possam ser classificados em duas ou mais posições, deve prevalecer a posição mais específica, com prescreve a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 3 a); 9. Classificar os produtos na posição 3304.99.90 da TIPI implica em violar o princípio da seletividade aplicável ao IPI, tributando produtos de inegável importância à alíquota de 20%; 10. Não tendo a autuada agido com dolo, operouse a decadência, com a conseqüente extinção dos créditos tributários, em conformidade com a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional; Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 5 4 11. Em relação à diferença de alíquota para os produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso no mês de janeiro de 2002, o lançamento também foi atingido pela decadência, e para esta parte do lançamento não há qualquer alegação de prática de fraude ou dolo pela autuada; 12. Não fica comprovado o dolo por parte da impugnante para fraudar o fisco, uma vez que a própria contribuinte forneceu todos os dados que foram utilizados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; não havendo dolo, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador, e a multa aplicada deve ser reduzida para 75%; 13. O fisco vem acolhendo de forma tácita e expressa a classificação fiscal adotada pela impugnante há mais de cinco anos, e a mudança de critério jurídico tem que respeitar o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; 14. É vedado ao fisco exigir a multa e os juros de mora em razão do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, 15. Falece competência à Delegacia de Julgamento para alterar os fundamentos fáticos ou de direito constantes do auto de infração, sendo necessário reconhecer os vícios e anular o auto de infração. Por fim, requer que as publicações sejam realizadas em nome do advogado. O pleito foi parcialmente deferido no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1419.707 de 02/07/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 20/12/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte impugnar todas razões de fato e de direito elencadas no auto de infração. DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODERM EMULSÃO. O Proderm Emulsão, produto hidratante para evitar a irritação da pele do bebê, caracterizase como preparação para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificando se no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 6 5 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NUTRAPLUS CREME E NUTRAPLUS LOÇÃO. Os produtos Nutraplus Creme e Nutraplus Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LACTREX CREME E LACTREX LOÇÃO. Os produtos Lactrex Creme e Lactrex Loção, hidratantes indicados para peles ásperas e secas, caracterizamse como preparações para os cuidados da pele, com propriedades profiláticas, classificandose no código 3304.99.10 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, combinada com a Nota 1 d) do Capítulo 30 da TIPI. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE 150%. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação expressa para a multa por infração qualificada, infligese a multa de 75% pela mera falta de lançamento ou recolhimento. Lançamento Procedente em Parte Referida decisão afastou a aplicação da multa qualificada e apresenta recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Submetido à julgamento neste Colegiado, no enfrentamento de preliminar de decadência suscitada pela recorrente, o processo foi convertido EM DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.681, de 28/04/2016 (fls. 1.03/1.035), nos termos abaixo: A Recorrente alega extinto, pela decadência, o direito do Fisco. No caso em exame, os períodos de apuração do imposto vão de janeiro a dezembro de 2002. Tratase de IPI lançado em face da saída, do estabelecimento industrial, de produtos fabricados e comercializados pela Recorrente com alíquota inferior às devidas. Segundo a própria fiscalização consignou no Termo de Verificação Fiscal, houve lançamento do IPI quanto aos produtos Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso, mas não se atestou se houve recolhimentos do imposto nos períodos de apuração mencionados. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 7 6 Esse dado, como se sabe, é fundamental para o deslinde da questão. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem ateste se houve recolhimentos de IPI nos períodos de apuração a que se referem os autos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Realizada a diligência, a Unidade de Origem emitiu o Relatório (fls. 1.109/1.111) inserindo o resultado da consulta nos sistemas informatizados da RFB, com a identificação dos recolhimentos de IPI, no período de apuração relativo ao ano de 2002, com os extratos de pagamento individualizados (fls. 1.037/1.108). Cientificada da diligência, a contribuinte veio aos autos e aduziu restar comprovado a existência de pagamentos integrais relativos ao IPI nos períodos de apuração objeto de autuação fiscal. Por oportuno, ratificou seu pedido de reconhecimento de decadência do crédito tributário relativo ao período de 10/01/2002 a 20/12/2002, com fundamento no art.150, § 4º, do CTN. O processo foi redistribuído a este Relator em razão do conselheiro Relator original encontrarse, justificadamente, ausente deste Colegiado. Análise do resultado de diligência indicou ausência de pagamento no 2º decênio de abril/2002, apuração em 20/04/2002, que apresentou saldo devedor no valor de R$ 23.121,75. Tal se deve em razão do Relatório de diligência não indicar pagamento no período, corroborado pela ausência do "extrato de pagamento" extraídos dos sistemas informatizados da RFB. Contudo, a recorrente apresentou cópias dos DARFs de pagamento do IPI nos períodos decendiais de 2002 (fls. 977/1.002) juntamente com seu recurso voluntário em 18/09/2009 (fl. 837) e, dentre eles, se encontra o referente ao 2º decênio de abril de 2002, no valor de R$ 23.121,75, recolhido em 30/04/2002 (fl. 981). Destarte, na sessão de 29/03/2017, resolução nº 3201000.843 converteuse o julgamento em nova diligência para confirmação do efetivo recolhimento do valor lançado no DARF apresentado. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 8 7 Cumprida essa nova diligência, a Unidade de Origem colacionou aos autos "extrato de pagamento" (fl. 1.146) com coincidência de valor R$ 23.121,75 e data de arrecadação e de vencimento 30/04/2002 ao decênio a que se pretende a comprovação o 2º de abril/2002 (20/04/2002). Contudo, como se constata desse novo extrato juntado, e no "Comprovante de Arrecadação" (fl. 1.147), o pagamento referese ao período de apuração de 31/12/2001, conforme imagens: Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 9 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Os recursos de ofício e voluntário atenderam a todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual este Colegiado deles tomou conhecimento na sessão de 28/04/2016. Recurso de Ofício Multa Qualificada O conhecimento do recurso de ofício que exonera crédito lançado sujeitase ao limite de alçada, como previsto na Portaria MF nº 63, publicada no D.O.U. de 10 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 10 9 A turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP certificouse que restara demonstrado nos autos de forma inconteste e cabal a evidência de intenção dolosa exigida na lei para qualificação da penalidade aplicada, considero improcedente a multa de 150% exigida, devendo, pois, ser aplicada a multa de ofício de 75%. Assim, reduziua no patamar de R$ 1.284.037,04 (R$2.568.074,08 menos R$ 1.284.037,04) Assim, com supedâneo na Súmula CARF nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.", o recurso de ofício não deve ser conhecido. Preliminar: exaurimento da diligência Entendo que, a rigor, persistira a dúvida quanto ao pagamento relativo ao IPI devido no 2º decênio de abril de 2002, com data de apuração em 20/04/2002 e vencimento em 30/04/2002. Compulsando os autos não há cópia do Livro de Apuração do IPI relativo ao período de dezembro de 2001, também ausente a DIPJ 2002, ano base 2001 para comparações entre os valores de IPI apurado em 31/12/2001 (3º decênio de dez/2001) e em 20/04/2002 (2º decênio de abr/2002). Por outro lado, verificandose os documentos colacionados em diligências constatamse duas inconsistências: (i) o valor original apurado em 31/12/2002, devido em 09/01/2002, foi pago em 30/04/2002 sem acréscimos legais (multa e juros de mora) e "aceito" pela rede bancária e sistemas informatizados da Receita Federal; (ii) a data de vencimento informada (extrato e comprovante fls. 1.146/1.147) é 30/04/2002, incompatível com o Imposto apurado no mês de dezembro de 2001. Dessa forma, entendo comprovado pelo contribuinte o regular recolhimento do IPI apurado em sua escrita no 2º decênio de abril/2002 e recolhido na exata quantia que se achava consignada no Livro de Apuração do IPI. Recurso Voluntário Decadência Evidenciado no julgamento em que se converteu em diligência a imprescindibilidade da constatação de existência de pagamento do IPI no Livro de Apuração para o deslinde da questão no tocante à decadência, para assentar a regra de contagem de seu termo inicial art. 150, §4º ou o art. 173, I do CTN. A recorrente defende que na data da ciência do auto de infração (28/12/2007) já teria decaído o direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 28/12/2002. O lançamento referese ao período de apuração entre 01/01/2002 e 20/12/2002. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 11 10 Fundamenta seus argumentos na inexistência de ação com dolo, fraude ou simulação, como reconheceu o julgamento de 1ª instância, o que acarretaria a aplicação do § 4º, do art. 150 do CTN para a contagem do prazo de decadência, para todos os valores lançados. Com razão a recorrente, como se verá adiante. Regra geral, a decadência do direito do fisco lançar, nos casos de lançamento por homologação, é contado a partir da data do pagamento, ainda que parcial, ao qual o contribuinte está obrigado nesta modalidade segundo o preceito do art. 150, § 4º do CTN. A exceção, que implica a aplicação da regra estabelecida no art. 173, I, faz deslocar o prazo inicial de decadência para o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que se poderia lançar. Operase diante de duas situações fáticas: (i) a inexistência absoluta da antecipação do pagamento (nada fora pago), e (ii) a prática pelo contribuinte de dolo, fraude ou simulação da qual resulte o desconhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. As duas situações são independentes, porém, passíveis de ocorrerem simultaneamente. A eventual prática de dolo, fraude ou simulação, que acarretaria a aplicação da regra estabelecido no art. 173, I, foi afastada no julgamento a quo. Resta, portanto, a verificação da outra condição, qual seja, a existência de pagamento, ainda que parcial, relativamente aos fatos que ensejaram lançamento de ofício. Tal verificação motivou o Colegiado, nas sessões de 28/04/2016 e 29/03/2017, converter o julgamento em diligência para a Unidade da RFB atestar a existência de recolhimento do IPI nos períodos de apuração a que se referem os autos. A sistemática de apuração do IPI permite que seja considerado pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". É o que prescreve o art 111, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 1998 (Decreto nº 2.637/1998), vigente à época, in verbis: Art. 111. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 190 e 191 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 966, art. 150 e § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 12 11 No relatório elaborado pela Delegacia da RFB constam informações (fls. 1.109/1.111), e extratos de DARF (1.037/1.108 e 1.146/1.14), que foram identificados recolhimentos de IPI, relativos a alguns períodos decendiais de apuração no ano de 2002, sob os códigos de receita 1097 (que à época correspondia ao IPI de todos os produtos, exceto automóveis, bebidas e alguns tipos de cigarro) e 1038 (correspondente à importação de bens e produtos). Somente o código 1097 referese ao imposto sobre produtos industrializados no estabelecimento da contribuinte; este, portanto, será objeto de análise. A Ficha 22 Apuração do Saldo do IPI da DIPJ/2003 (fls. 87/88) traz consignado a apuração do IPI, em cada um dos três decênios, nos meses do ano de 2002. A verificação quanto à existência ou não de pagamento (efetivo) fazse por meio do confronto do saldo do IPI (Ficha 22 da DIPJ), apurado por período (decênio), com o respectivo recolhimento que consta do Relatório de diligência e extratos, quanto ao 2º decênio de abr/2002, no código 1097, na hipótese de saldo devedor. De outro modo, a apuração de saldo credor em algum período será considerada pagamento, por aplicação do art. 111, parágrafo único, inciso III do RIPI/98. A tabela construída apresenta em suas colunas o saldo decendial apurado (devedor ou credor), pagamento no código 1097, se houver, na hipótese de saldo devedor apurado e os valores lançados de ofício. Decênio Período apuração Saldo apurado devedor credor Pagamento Data arrecadação Lançamento produtos A Lançamentos produtos B 1º /Jan_2002 10/01/2002 11.997,23 credor sd credor 336,46 2º /Jan_2002 20/01/2002 13.707,09 credor sd credor 730,72 3.431,90 3º /Jan_2002 31/01/2002 71.078,47 devedor 71.078,47 08/02/2002 3.301,68 44.302,38 1º /Fev_2002 10/02/2002 9.040,47 credor sd credor 4.552,97 2º /Fev_2002 20/02/2002 26.751,15 devedor 26.751,15 28/02/2002 17.516,32 3º /Fev_2002 28/02/2002 76.150,52 devedor 76.150,52 08/03/2002 66.914,37 1º /Mar_2002 10/03/2002 8.694,74 devedor 8.694,74 20/03/2002 6.618,72 2.821,30 2º /Mar_2002 20/03/2002 42.633,81 devedor 39.812,51 28/03/2002 40.879,58 3º /Mar_2002 31/03/2002 97.711,73 devedor 97.711,73 10/04/2002 69.663,37 1º /Abr_2002 10/04/2002 7.496,22 credor sd credor 20.114,76 2º /Abr_2002 20/04/2002 23.121,75 devedor 23.121,75 43.362,97 3º /Abr_2002 30/04/2002 80.394,88 devedor 80.394,88 10/05/2002 80.419,96 1º /Maio_2002 10/05/2002 28.083,24 devedor 28.083,24 20/05/2002 34.013,77 2º /Maio_2002 20/05/2002 35.055,25 devedor 35.055,25 31/05/2002 44.446,23 3º /Maio_2002 31/05/2001 102.931,19 devedor 102.931,19 10/06/2002 93.377,25 1º /Jun_2002 10/06/2002 29.467,64 devedor 29.467,64 20/06/2002 55.350,45 2º /Jun_2002 20/06/2002 52.798,68 devedor 52.798,68 28/06/2002 57.191,20 3º /Jun_2002 30/06/2002 135.148,50 devedor 135.148,50 10/07/2002 110.108,58 1º /Jul_2002 10/07/2002 192,25 devedor 192,25 19/07/2002 18.111,96 2º /Jul_2002 20/07/2002 124.141,67 devedor 124.141,67 31/07/2002 70.185,71 3º /Jul_2002 31/07/2002 166.205,91 devedor 166.205,91 09/08/2002 70.626,29 1º /Ago_2002 10/08/2002 44.221,33 devedor 44.221,33 20/08/2002 33.682,09 2º /Ago_2002 20/08/2002 80.681,43 devedor 80.681,43 30/08/2002 37.227,31 3º /Ago_2002 31/08/2002 164.554,82 devedor 164.554,82 10/09/2002 76.087,44 1º /Set_2002 10/09/2002 44.029,97 devedor 44.029,97 20/09/2002 37.765,00 2º /Set_2002 20/09/2002 91.996,54 devedor 91.996,54 30/09/2002 72.559,01 Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 13 12 Decênio Período apuração Saldo apurado devedor credor Pagamento Data arrecadação Lançamento produtos A Lançamentos produtos B 3º /Set_2002 30/09/2002 118.852,52 devedor 118.852,52 10/10/2002 53.707,54 1º /Out_2002 10/10/2002 51.672,37 devedor 51.672,37 18/10/2002 34.966,91 2º /Out_2002 20/10/2002 86.124,65 devedor 86.124,55 31/10/2002 37.923,07 3º /Out_2002 31/10/2002 145.287,34 devedor 145.287,34 08/11/2002 69.050,23 1º /Nov_2002 10/11/2002 113.674,55 devedor 113.674,55 20/11/2002 58.954,63 2º /Nov_2002 20/11/2002 225.669,00 devedor 225.669,00 29/11/2002 50.168,96 3º /Nov_2002 30/11/2002 51.756,48 devedor 51.756,48 10/12/2002 83.396,96 1º /Dez_2002 10/12/2002 102.243,76 devedor 102.243,76 20/12/2002 61.442,30 2º /Dez_2002 20/12/2002 152.718,00 devedor 152.718,00 30/12/2002 49.560,89 3º /Dez_2002 31/12/2002 433,43 devedor 433,43 10/01/2003 1.708.017,89 Produtos A Cetaphil Sabonete Líquido e Soapex Cremoso Produtos B Proderm Emulsão, Nutraplus Creme, Nutraplus ou Mutraplus Loção, Lactex Loção e Lactex Creme Portanto, como houve antecipação de pagamentos, efetivos e representados pela existência de créditos escriturais admitidos, e suplantada a acusação de dolo, fraude ou simulação, há que se reconhecer que para o presente caso, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir da data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Destacase que as Turmas deste Conselho tem decidido assentandose neste entendimento, como se vê nos Acórdãos nºs. 3301002.971, de 18/05/2016 (Relatoria do Cons. Andrada Márcio Canuto Natal), 3301003.008, de 22/06/2016 (relatoria Cons. Fransciso José Barroso Rios) e 340301.622, de 22/05/2012 (relatoria do Cons. Robson José Bayerl). Também a CSRF julgou no mesmo sentido no Acórdão nº 9303003.299 (Voto vencedor Cons. Júlio César Alves Ramos). Transcrevo suas ementas: DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos termos do art. 124, III do Decreto 4.544/2002, a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher considerase pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial para lançamento tributário. (Acórdão 9303003.299) DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. EQUIPARAÇÃO. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. A legislação do IPI reconhece expressamente que os créditos escriturais do imposto equiparamse a pagamento antecipado. (Acórdão nº 3301 002.971) IPI. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO OU CRÉDITO EQUIVALENTE.. CONTAGEM DO PRAZO Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 14 13 DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. DECADÊNCIA. O IPI, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa se à atuação da autoridade administrativa. No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Considerando que a ciência do auto de infração se deu em 30/12/2008, temse que na data da formalização do lançamento alusivo aos fatos geradores dos meses de outubro e novembro de 2003 (terceiros decêndios correspondentes, com datas de vencimento respectivas de 10/11/2003 e 10/12/2003) referido direito já se encontrava definitivamente extinto pela decadência. IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO. SALDO CREDOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é sujeito ao denominado lançamento por homologação, sendo que, nos termos da legislação de regência, a apuração de saldo credor pelo confronto entre débitos e créditos em determinado período de apuração equivale a pagamento, atraindo a incidência dos ditames do art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo o termo inicial de contagem decadencial a data de ocorrência do fato gerador. (Acórdão nº 340301.622) In casu, como a ciência do auto de infração se deu em 28/12/2007, concluise que não mais subsistia o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 27/12/2002, inclusive. Assim, há que se reconhecer o transcurso do prazo decadencial relativo a todos fatos geradores lançados, eis que ocorreram no período de apuração do IPI entre 01/01/2002 e 20/12/2002. Conclusão Por tudo acima exposto, é de se exonerar o valor total do IPI lançado no montante de R$ 1.712.049,94, relativos aos decênios do ano de 2002, provendo o recurso voluntário quanto à matéria. E, exonerado integralmente o crédito tributário em decorrência do reconhecimento da decadência, deixo de apreciar as demais matérias, de nulidade e de mérito, aduzidas no recurso voluntário. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 19515.004385/200797 Acórdão n.º 3201003.577 S3C2T1 Fl. 15 14 Assim, voto para NÃO CONHECER do recurso de ofício e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em razão da decadência para o Fisco lançar no período fiscalizado. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 1169DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000450/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." (Súmula CARF nº 46)
AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
INTERPOSTA PESSOA. SUJEITO PASSIVO. Comprovada nos autos a utilização de interposta pessoa, o lançamento deve ser dirigido contra o terceiro, na condição de efetivo titular das operações que resultaram em receitas omitidas.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. INTERPOSTA PESSOA. A conduta de se valer de interposta pessoa para fins de ocultar receitas tributáveis tipifica-se como fraude fiscal, o que determina a aplicação da multa de oficio de 150%.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
LUCRO ARBITRADO. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. SUBSIDIARIEDADE.
Uma vez verificado pelo Fisco que foram omitidas da escrituração do contribuinte operações de venda de mercadorias e bancárias, ambas feitas em nome de interposta pessoa, bem ainda, uma vez verificada a impossibilidade de a fiscalização apurar, mediante os elementos de que dispõe, o lucro real tributável, ficam caracterizados os requisitos da subsidiariedade e excepcionalidade a autorizar o arbitramento do lucro.
Numero da decisão: 1201-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." (Súmula CARF nº 46) AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 INTERPOSTA PESSOA. SUJEITO PASSIVO. Comprovada nos autos a utilização de interposta pessoa, o lançamento deve ser dirigido contra o terceiro, na condição de efetivo titular das operações que resultaram em receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. INTERPOSTA PESSOA. A conduta de se valer de interposta pessoa para fins de ocultar receitas tributáveis tipifica-se como fraude fiscal, o que determina a aplicação da multa de oficio de 150%. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. SUBSIDIARIEDADE. Uma vez verificado pelo Fisco que foram omitidas da escrituração do contribuinte operações de venda de mercadorias e bancárias, ambas feitas em nome de interposta pessoa, bem ainda, uma vez verificada a impossibilidade de a fiscalização apurar, mediante os elementos de que dispõe, o lucro real tributável, ficam caracterizados os requisitos da subsidiariedade e excepcionalidade a autorizar o arbitramento do lucro.
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." (Súmula CARF nº 46) AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 INTERPOSTA PESSOA. SUJEITO PASSIVO. Comprovada nos autos a utilização de interposta pessoa, o lançamento deve ser dirigido contra o terceiro, na condição de efetivo titular das operações que resultaram em receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. INTERPOSTA PESSOA. A conduta de se valer de interposta pessoa para fins de ocultar receitas tributáveis tipificase como fraude fiscal, o que determina a aplicação da multa de oficio de 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. SUBSIDIARIEDADE. Uma vez verificado pelo Fisco que foram omitidas da escrituração do contribuinte operações de venda de mercadorias e bancárias, ambas feitas em nome de interposta pessoa, bem ainda, uma vez verificada a impossibilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 50 /2 00 7- 11 Fl. 1882DF CARF MF 2 de a fiscalização apurar, mediante os elementos de que dispõe, o lucro real tributável, ficam caracterizados os requisitos da subsidiariedade e excepcionalidade a autorizar o arbitramento do lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório COMERCIAL DE CAFÉ STOCKL LTDA, na condição de contribuinte, recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1221.176, lavrado pela 9ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que julgou procedente em parte o lançamento, de modo a : a) cancelar o valor de R$ 173.664,38 de IRPJ, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; b) manter como lançado o valor de R$ 204.651,36 de IRPJ, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; c) cancelar o valor de R$ 64.679,18 de CSLL, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; d) manter como lançado o valor de R$ 110.962,90 de CSLL, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; e e) manter na sua integralidade como lançados os autos de infração de Cofins, no valor de R$ 223.410,89, e de PIS/Pasep, no valor de R$ 48.405,66, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora. O acórdão da Nona Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), de 29/08/2008, acolhendo entendimento do relator, determinou que RIOCOFFE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ nº 04.714.987/000167, Otávio Luiz Lopes Pereira, CPF nº Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.883 3 430.136.19600 e Kátia Regina Ribeiro Coelho, CPF nº 764.469.64749 deveriam ser arrolados como responsáveis tributários. Assim, somente em 28/11/08 foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.1.834/1.836) e, em 18/12/08, providenciadas as respectivas intimações, conforme Comunicações nº 566/2008, 567/2008 e 568/2008 (fls.1.837/1.839), para os sujeitos passivos apresentarem o recurso voluntário, cujas ciências ocorreram em 20/12/2008, no caso de Otávio e Kátia (AR de fls. 1.840/1.841) e 09/02/2009, no caso da RIOCOFFE (edital de fls. 1.846). Na sessão de 11 de fevereiro de 2014, por meio da Resolução nº 1103 000.129, da extinta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 1.848/1.853), entendeu que a decisão adotada pela DRF – Vitória (ES), decorrente de entendimento da Nona Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), fez com que, na prática, considerando todo o rito processual administrativo tributário federal, houvesse sido negado aos responsáveis tributários o direito de serem ouvidos por uma instância de julgamento e resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB: a) cientifique os responsáveis tributários sobre os autos de infração e Termos de Sujeição Passiva Solidária, facultandolhes a apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Em caso de revelia, os autos devem ser devolvidos ao CARF para continuidade do julgamento; b) caso sejam interpostas impugnações, encaminhe os autos à DRJ competente para se pronunciar unicamente sobre a nova controvérsia instaurada, referente à responsabilidade tributária. Posteriormente, devem ser intimados os responsáveis tributários sobre o novo acórdão, concedendolhes, em caso de manutenção das sujeições passivas, prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de recurso voluntário, findo o qual deve o processo ser encaminhado ao CARF para continuidade do julgamento. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos entre 31/10/04 e 31/03/05, no valor total de R$ 850.085,61 (oitocentos e cinquenta mil, oitenta e cinco reais e sessenta e um centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.1.500/1.535). No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” do lançamento de IRPJ as infrações foram assim descritas: 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). RECEITA DE REVENDA DE CAFÉ MANTIDA À MARGEM DA CONTABILIDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE EMPRESA DE FACHADA. Receita de Revenda de Mercadorias (CAFÉ) auferida e não declarada, em face da movimentação de recursos financeiros à margem da contabilidade, mediante abertura da conta corrente n°106682, SICOOB MARECHAL FLORIANO, em nome de EMPRESA DE FACHADA denominada RIOCOFEE IMPORTAÇÃO E Fl. 1884DF CARF MF 4 EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 04.714.987/000167, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls.1453 a 1509, que faz parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). ARBITRAMENTO DA RECEITA DECLARADA NA DIPJ PELA COMERCIAL DE CAFÉ STOCKL LTDA. Diferenças apuradas em razão das consequências tributáveis advindas da mantença de conta bancária à margem da tributação, tornando impossível a quantificação de resultado do exercício com relação ao 4° trimestre de 2004 e 1° trimestre de 2005 conforme termo de encerramento de ação fiscal de fls.1453 a 1509, que faz parte integrante e indissociável deste auto de infração. O contribuinte foi cientificado em 9/8/07 (fls.1.511, 1.518, 1.524 e 1.530). Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Nona Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.1.708/1.742): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LAVRATURA SEM PRÉVIA NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. O procedimento fiscal é inquisitório e, por isso, não se lhe aplica a ampla defesa e o contraditório, nem há necessidade de notificação prévia ao contribuinte, antes de lavratura de auto de infração. INTERPOSTA PESSOA. SUJEITO PASSIVO. Comprovada nos autos a utilização de interposta pessoa, o lançamento deve ser dirigido contra o terceiro, na condição de efetivo titular das operações que resultaram em receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. INTERPOSTA PESSOA. A conduta de se valer de interposta pessoa para fins de ocultar receitas tributáveis tipificase como fraude fiscal, o que determina a aplicação da multa de oficio de 150%. LUCRO ARBITRADO. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. SUBSIDIARIEDADE. Uma vez verificado pelo Fisco que foram omitidas da escrituração do contribuinte operações de venda de mercadorias e bancárias, ambas feitas em nome de interposta pessoa, bem ainda, uma vez verificada a impossibilidade de a fiscalização apurar, mediante os elementos de que dispõe, o lucro real tributável, ficam caracterizados os requisitos da subsidiariedade e excepcionalidade a autorizar o arbitramento do lucro. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF DCOMP. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Os débitos informados como ‘a pagar’ em DCTF ou informados em Dcomp apresentada após outubro de 2002, cuja declaração tenha sido entregue anteriormente ao início da ação fiscal, têm o efeito de confissão de dívida e torna prescindível a realização do lançamento. Conforme decisão de primeira instância, excluíramse os valores de IRPJ e CSLL que haviam sido confessados em DCTF e Dcomp anteriormente ao início da fiscalização. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.884 5 Devidamente cientificado em 29/10/08 (fl.1.750), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 28/11/08 (fls.1.752/1.789), alegando, em síntese: Preliminares de nulidade Da ausência de inclusão de sujeito passivo no auto de infração a pessoa jurídica RIOCOFFE Importação e Exportação Ltda e seus sócios, Sra. Kátia Regina Ribeiro Coelho e Otávio Luiz Lopes Pereira deveriam figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, cuja ausência seria causa de nulidade do auto de infração nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional (CTN) e de decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes; Da ausência do direito de defesa no curso do procedimento fiscal em desacordo com o art.5º, LV, da Constituição Federal, teria sido cerceado o seu direito de defesa, “...por não ter sido notificada do procedimento fiscal inaugurado à sua revelia, não conferindolhe oportunidade para produzir prova documental, testemunhal e pericial, necessários até para auxiliar os trabalhos da fiscalização na busca da verdade real para justificar a autuação”; a autoridade julgadora desconsiderara o disposto no art.7º, I, do Decreto nº 70.235/72, que exige a ciência do sujeito passivo da obrigação tributária; Da ilegitimidade passiva as declarações dos sócios da RIOCOFFE não poderiam ser consideradas como verdade, “...visto claramente que os mesmos se utilizam desse subterfúgio para se eximirem de suas obrigações”; a autoridade julgadora reconheceria não haver associação do contribuinte com as operações da RIOCOFFE, não podendo ser responsabilizada pelo fato desta pessoa jurídica não ter empregados, estrutura física ou eventualmente ser considerada “artificiosa”; jamais firmara contrato com a RIOCOFFE; o art.42 da Lei nº 9.430/96 disporia sobre a responsabilidade do titular da conta corrente perante o Fisco federal, no caso a RIOCOFFE; decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes teriam concluído pela necessidade do titular da conta corrente ser incluído no pólo passivo; o acórdão da DRJ sentenciara “...pelo envolvimento da Recorrente por mera suposição, com viés nitidamente íntimo de Fl. 1886DF CARF MF 6 subjetivo, sem escoro em provas documentais robustas que pudessem apontar pelo favorecimento da Recorrente”; Mérito a RIOCOFFE jamais consistiu em empresa de fachada do contribuinte, possuindo seus próprios negócios, independência administrativa, financeira e comercial; caberia à fiscalização confirmar as declarações dos sócios da RIOCOFFE com outras provas; deveria a KAFFEE Exportadora e Importadora Ltda responder por suas ligações escusas com a RIOCOFFE; o fato de a KAFFFEE assumir o cometimento de fraude fiscal através da interposta pessoa RIOCOFFE, não autorizaria o entendimento de que o mesmo ocorreu em relação ao contribuinte; “... Outra grande confusão envolvendo o nome da Recorrente, que merece ser debelada, diz respeito aos contatos de Admilson da Silva Tibúrcio e Jaime Miranda. Essas pessoas trabalham no Grupo Stockl, que engloba a COMERCIAL DE CAFÉ STOCKL LTDA, ARMAZÉNS GERAIS STOCKL LTDA e STOCKL CAFÉ INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, razão pela qual se justificam as confusões das únicas provas da fiscalização, qual sejam os depoimentos frágeis e insubsistentes de José Antônio Dalvi e Lourenço Fornazier Bozzetti”; seria praxe no setor cafeeiro a intermediação de corretoras para a compra e venda de produtos, sendo que “...Na maioria das vezes, o produtor somente tem conhecimento da destinação do produto à determinada empresa, não conhecendo, contudo, a razão social, sócios ou detalhes da empresa, valendose para tanto, da confiabilidade que possui em seu corretor, e na garantia de que a empresa irá cumprir seus pagamentos”; as notas fiscais apontadas pela fiscalização diriam respeito a relações comerciais entre a RIOCOFFE e os Armazéns Gerais Stockl Ltda, para os serviços de armazenagem entre a RIOCOFFE e a STOCKL Café Industrial e Comercial Ltda; o fato de o Sr. Gabriel Stockl, sócio do contribuinte, ter subscrito laudos de avaliação da qualidade de café da RIOCOFFE não comprovaria a existência de relação comercial, pois aquela pessoa física estava habilitada para a prestação de tais serviços para diversas empresas; o fato de o Sr. Christian Silva Rupf ter sido o responsável pela contabilidade do contribuinte e da RIOCOFFE também não comprovaria elo entre as sociedades; “... a RIOCOFFE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA tinha uma relação contratual com a ARMAZÉNS GERAIS STOCKL LTDA para serviços de armazenagem e outra relação contratual com STOCKL CAFÉ INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA para a prestação de serviços de corretagem. Como as razoes sociais das empresas Stockl são semelhantes, a Sra. Kátia Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.885 7 Regina Ribeiro Coelho certamente incorreu em equívoco ao confundir as empresas que realmente mantinham relação comercial com a RIOCOFFE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. a decisão de primeira instância não considerou inúmeros depoimentos que desmentiriam completamente a fiscalização, a exemplo das informações prestadas pela FEMAR Café Comércio Ltda e pelos produtores rurais Carlos Alberto Prest, Evaldo de Assis Bissoli, Maria Lucinda Modolo Mayer, Sebastião Gonçalves de Souza; a fiscalização distorcera as declarações dos produtores rurais Délcio Salvador Cipriano e Jodimar Sebastião Vimercati; os intermediários José Antônio Dalvi e Lourenço Fornazier Bozzetti teriam incorrido em crasso equívoco aos confundir as empresas Comercial de Café Stockl Ltda, Stockl Café Industrial e Comercial Ltda e Armazéns Gerais Stockl Ltda; as declarações do gerente do SICOOB, Sr. Ângelo Roberto Sperini, não indicariam qualquer participação do contribuinte nos negócios da RIOCOFFE; inexistiria documento assinado por sócio do contribuinte ou de pessoas ligadas, bem como procuração outorgando poderes para movimentação da conta corrente no SICOOB, não tendo a fiscalização demonstrado que o contribuinte era responsável pela movimentação bancária; “... nunca ocultou ou buscou fraudar o fisco federal, suprimindo suas receitas do alvo fiscalizador. Sua contabilidade sempre foi registrada atendendo às legislações tributária federal, estadual e municipal, e ainda com todas declarações tempestivas e impostos devidamente apurados e recolhidos.”; o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes apontaria pela improcedência do arbitramento quando não há prova suficiente carreada pela fiscalização, que não poderia concluir por tal forma de tributação sem antes notificála para prestar esclarecimentos. Consta dos autos informação da DRF – Vitória (ES) de que foram lavrados e encaminhados à ARF – Cariacica (ES) Termos de Sujeição Passiva da RIOCOFFE e de seus sócios (fl.1.785/1.788), tendo tais pessoas sido cientificadas conforme Comunicações de fls.1.789/1.791, Avisos de Recebimento (AR) de fls.1.792/1.795 e Edital de fl.1.798. Os responsáveis tributários, RIOCOFFE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ nº 04.714.987/000167, Otávio Luiz Lopes Pereira, CPF nº 430.136.19600, e Kátia Regina Ribeiro Coelho, CPF nº 764.469.64749, não interpuseram recurso voluntário. É o que importa relatar. Fl. 1888DF CARF MF 8 Retornando os autos á unidade de Origem, os responsáveis solidários foram cientificados da Resolução deste Colegiado e não apresentaram impugnação. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminares de nulidade A recorrente pede a nulidade do lançamento, essencialmente com base em três argumentos: a) da ausência de inclusão de sujeito passivo no auto de infração; b) da ausência do direito de defesa no curso do procedimento fiscal; e c) da ilegitimidade passiva. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, in verbis: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Adiante o mesmo diploma legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas pelo servidor responsável pelo ato processual. Confirase: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.886 9 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos, ocasionada pela inobservância do disposto no artigo 10. Também não se faz presente, a meu ver, nenhuma das hipóteses de nulidade prevista no artigo 59 acima transcrito. A ciência dos autos de infração aos responsáveis solidários, com reabertura do prazo para impugnação foi efetuada por determinação do CARF, como consta do relatório deste Acórdão, corrigindo essa irregularidade, a luz do artigo 60 do PAF. Resta, portanto, verificar se os Autos de Infração ora em debate foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado em tal dispositivo, os lançamentos de IRPJ e reflexos têm como motivação o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.487/1.543), o qual, em conjunto com os próprios Autos de Infração (fls. 1.544/1.569), contêm a descrição dos fatos, a infração imputada, a base legal e demonstrativo dos valores utilizados como parâmetro. A autoridade fiscal motivou as razões que a levaram a caracterizar a conduta da Recorrente como infração à legislação tributária, não gerando quaisquer dúvidas acerca do conteúdo e forma da exigência constituída. Não vislumbro nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu o fundamento da imputação que lhe foi imposta, demonstrou total conhecimento dos detalhes da infração e conseguiu exercer seu direito ao contraditório de forma plena. Com relação a alegação de ausência do direito de defesa no curso do procedimento fiscal cumpre observar que, como bem esclarecido pela DRJ, não há que se falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa Fl. 1890DF CARF MF 10 preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) (grifamos A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014). Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.887 11 Ressaltese ainda que a possibilidade de constituir o crédito tributário sem prévia intimação do contribuinte é matéria que já se encontra sumulada no âmbito desse conselho, conforme se verifica pelo teor da Súmula nº 46 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Em face do exposto rejeito a preliminar suscitada. O Recorrente aduz a nulidade do Auto de Infração por entender que ele é parte ilegítima para figurar no pólo passivo deste processo, decorrente de lançamento que exige imposto cujo recolhimento caberia à pessoa jurídica RIOCOFFE Importação e Exportação Ltda. Sobre o tema, assim se manifestou a DRJ (fls. 1.767/1.770): Da preliminar de erro de sujeição passiva Em verdade, essa é a questão central a ser analisada neste julgamento. Pelo que se viu no relatório, diante da avaliação de que a empresa Riocoffe Importação e Exportação Ltda, existia tãosomente para encobrir operações de compra e venda de café que seriam em realidade de titularidade da impugnante, a fiscalização concluiu que o verdadeiro sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes dessas operações seria a impugnante, a Comercial de Café Stockl Ltda, e não a Riocoffe Importação e Exportação Ltda. Vimos que, resumidamente, a impugnante apóia a sua defesa nos seguintes pontos: que somente empresa do Grupo Stockl, e não ela, se relacionaram com a empresa Riocoffe por meio da Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, para prestação de serviços de corretagem, e dos Armazéns Gerais Stockl Ltda., para serviços de armazenamento de café; que somente com base em depoimentos sem provas é que a fiscalização concluiu que a empresa Riocoffe seria uma empresa de fachada da impugnante; que os depoentes (sócios, produtores rurais, intermediários e gerente do Sicoob) nitidamente confundem a impugnante com aquelas outras empresas do grupo; que muitos desses depoentes afirmaram que a intermediação de vendas de café para Riocoffe era realizada pela corretora e não pela Comercial de Café Stockl Ltda.; que não há documento financeiro que ligue a impugnante à Riocoffe. Pois bem, vimos no relatório que a questão da sujeição passiva praticamente se inicia com os depoimentos tomados a termo (fls. 308/311, vol. 2) de Kátia Regina Ribeiro Coelho e Otávio Luiz Lopes Pereira, pessoas que figuram no contrato social da Riocoffe como seus sóciosproprietários. Disseram essas pessoas à fiscalização que a Riocoffe foi constituída para ocultar as reais atividades realizadas tanto pela empresa Kaffee Exportadora e Importadora Ltda, quanto pela impugnante, Comercial de Café Stockl Ltda. Essa declaração, a meu pensar, embora sem ganhar Fl. 1892DF CARF MF 12 fórum de verdade numa primeira leitura, impressiona dada a sua riqueza de detalhes e dado se constituir em confissão livre e desimpedida desses depoentes, pois afirmam que ajudaram abertamente a perpetrar algo que seria uma gravíssima fraude fiscal' Se de um lado não guindo essa declaração ao patamar de elemento probante suficiente para atestar a verdade dos fatos, de outro, pela simples força de seu conteúdo, que envolve pessoas e empresas na referida conduta delitiva, essa declaração jamais pode ser descartada de plano como documento a figurar no acervo probatório dos fatos em análise. Ademais, em procedimentos de acareação, a Sra. Kátia Regina Ribeiro Coelho, voltou a repetir que as operações da Riocoffe eram em realidade da Comercial de Café Stockl Ltda. Nesse caminho, posicionarei esquematicamente os elementos e circunstâncias que entendo comprovarem o teor da declaração dos sócios da Riocoffe. a) A Riocoffe admitidamente foi utilizada para perpetrar uma outra fraude fiscal com relação a operações da empresa Kaffee Exportadora e Importadora Ltda. Fato inconteste nos autos, haja vista a declaração de fls. 377/389. Embora devo concordar que esse fato não pode ser diretamente associado às operações mercantis ocorridas em relação à Comercial de Café Stockl Ltda., pois seriam de período distinto, e foram comprovadas mediante conta bancária em instituição distinta (Banco do Brasil) daquela alegadamente operada pela impugnante (Sicoob), tal circunstância serve para comprovar a natureza artificial da Riocoffe Importação e Exportação Ltda, a qual foi utilizada para fazer operações comerciais e financeiras ao largo das incidências tributárias de praxe. Vale dizer, é manifesto que a Riocoffe, por esse aspecto, não pode ser tida como empresa idônea. b) Agora quanto aos aspectos físicos da Riocoffe, ressalta aos olhos os fatos de ela ocupar diminuta dependência, bem como funcionar sem empregados, embora tenha supostamente efetuado operações que alcançaram grande monta. Essas constatações unicamente consideradas não teriam relevo algum; todavia, somadas às demais circunstâncias do caso, assomamse como elemento probante da natureza artificiosa da Riocoffe Importação e Exportação Ltda. c) Destacamse ainda, como elementos que causam estranhamento, as declarações prestadas tanto pelos produtores rurais, quanto pelo próprio gerente do Sicoob, os quais em momento algum dão conta de que tenham feito qualquer contato com pessoa da Riocoffe, notadamente seus sócios. As operações com café são constantes, mas esses produtores operaram sempre por terceiros (Sr. Miguel Stockl, na maioria das vezes), desconhecendo a existência de funcionário ou proprietário da empresa que deles comprava café. d) Destaco agora o ponto que, a meu pensar, realmente faz a associação dessas operações com café à impugnante, a Comercial de Café Stockl Ltda. Vimos que os sócios da Riocoffe (Kátia Regina Ribeiro Coelho e Otávio Luiz Lopes Pereira) declararam que as pessoas que eram seus contatos com a impugnante seriam Admilson da Silva Tibúrcio e Jaime Miranda. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.888 13 De sua vez, o Sr. José Antonio Dalvi e o Sr. Lourenço Fornazier Bozzetti, ambos intermediários de compra de café de produtores para a Riocoffe, afirmam que essas operações eram na verdade de titularidade da Comercial de Café Stockl Ltda., bem ainda, ambos afirmam que os contatos com essa empresa acerca de tais operações eram feitos pelos mencionados Admilson da Silva Tibúrcio e Jaime Miranda, sendo que o primeiro é reconhecido formalmente como sendo empregado da impugnante à época dos fatos. Esse fato, ou seja, essa coincidência entre os depoimentos da sócia da Riocoffe e o dessas pessoas, que por sinal desconhecem a existência de qualquer pessoa ligada à Riocoffe, é elemento que a meu ver mais fortemente faz a associação entre essas operações sonegadas de tributação e a impugnante. e) De resto, depoimentos seguros dos produtores rurais informando que desconheciam a empresa para quem vendiam seu café, ao mesmo tempo que só se relacionavam com pessoas ligadas ao grupo Stockl, auxiliam no entendimento de que a Riocoffe praticamente inexistia para essas operações. f) Também foge aos quadrantes da normalidade financeira o fato de os cheques emitidos em nome da empresa Riocoffe (fls. 1100/1144), em sua quase totalidade, terem sido emitidos com ausência de identificação do destinatário, ou seja, com a designação de ao emitente. Ao passo que no verso dos cheques é que o valor expressivo de face era fracionado e direcionado para pagamento de intermediários, produtores e empresas, todos ligados ao ramo cafeeiro. Mesmo que se admita ser isso possível, esse estranho procedimento adequouse perfeitamente ao esquema fraudulento, haja vista que permite que se distribua o dinheiro originado de conta bancária sem que se saiba quem foram seus beneficiários. Foi esse mesmo esquema de que se valeu a já mencionada empresa Kaffe Importadora e Exportadora Ltda. em fraude perpetrada juntamente com a Riocoffe. Em suma, o que se vê, com efeito, é que foi realizada uma fraude fiscal em que a impugnante e seus sócios, mediante o uso de empresa que figurou como fornecedora de elementos formais (titulação da conta bancária, emissão das notas fiscais), os quais funcionariam como um véu encobridor de operações comerciais com café que passaram ao largo das incidências fiscais de estilo. Nesse contexto simulatório, não há como dar provimento à impugnante, quando afirma que só se relacionou com a empresa Riocoffe por meio da Stockl Café Industrial e Comercial Ltda, para prestação de serviços de corretagem, e dos Armazéns Gerais Stockl Ltda., para serviços de armazenamento de café. Diante das circunstâncias descritas, Mesmo esses supostos contratos funcionam também como elementos formais que buscam dar um ar de correção e de verdade a algo que, como vimos, se revelou mero artifício direcionado a suprimir as exigências fiscais cabíveis de quem efetivamente a elas se vincula. Dessa forma, não entendo que os depoentes (sócios, produtores rurais, intermediários e gerente do Sicoob) confundem a impugnante com aquelas outras empresas do Fl. 1894DF CARF MF 14 grupo. Eles mencionam apenas quem efetivamente existe no campo fático, visto que, para essas operações, a Riocoffe serviu como mero mecanismo de fraude fiscal. Quando observadas essas circunstâncias conjuntamente — forma apropriada de se avaliar o ato ilícito , vêse que elas revelam de forma muito clara para este julgador o intuito fraudador sentido nas operações aqui analisadas. Isto tudo expõe a criação de interposta pessoa para agir em nome de outrem e assim ocultar o principal sujeito passivo dessas operações comerciais com café. Desse modo, entendo como correto se guindar a impugnante, Comercial de Café Stockl Ltda., como sujeito passivo das obrigações fiscais analisadas no presente processo. Pela leitura das razões recursais da recorrente, percebese que elas não são capazes de afastar o caráter simulatório da criação de uma interposta pessoa para agir em seu nome. Ademais, não logrou o Recorrente apresentar qualquer fato ou documentação capazes de demonstrar irregularidades no lançamento efetuado contra si. Outrossim, considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem conexão com a Recorrente, é impossível reconhecer que não há relação pessoal e direta deste com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade fiscal. Assim, comungo com o entendimento da fiscalização e da DRJ e entendo que a Recorrente deve figurar no pólo passivo deste processo. Mérito Como a recorrente não apresentou novas razões de defesa perante a segunda instância sobre a matéria tributável lançada, omissão de receitas, transcrevo a decisão de primeira instância sobre essa matéria, com base no § 3º do artigo 57 do RICARF. Do mérito Em realidade, afora a questão da sujeição passiva antes tratada neste voto, não há uma impugnação direta voltada contra a principal matéria tributável aqui lançada: a omissão de receitas. Essa foi obtida, como vimos, das notas fiscais de saída vendas (fls. 1005/1008) emitida pela Riocoffe nos meses de outubro de 2004 a março de 2005, conforme se pode ver na planilha de fls. 1462/1464. É inconteste que essas receitas de venda não foram tributadas seja pela Riocoffe Importação e Exportação Ltda seja pela impugnante. Do tratamento tributário dessas receitas: arbitramento. Inicialmente, como bem definiu a doutrina sobre o tema, o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, nos moldes determinados no art. 530, II, "a" e "b", do RIR, de 1999, deve ser feito somente quando preenchidos os critérios da excepcionalidade e da subsidiariedade. Esses critérios determinam que só se dará o arbitramento do lucro caso os Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.889 15 erros, as omissões e as imprecisões da escrita sejam tais que impeçam que a autoridade fiscal supra esses eventos e apure por si o lucro real da pessoa jurídica. A adoção do arbitramento só se dá, então, em situações extremas, pois deve ser o último recurso disponibilizado à autoridade no momento de auditar a contabilidade da entidade fiscalizada quando da apuração da matéria fática a ser lançada. 'Quando satisfeitos esses requisitos, ou seja, quando se verifique impossível, mediante os dados apresentados pelo contribuinte, que se afira, pelos meios convencionais, o lucro tributável do contribuinte, o uso do arbitramento, desde de que devidamente fundamentado, impõe se, como dever legal. É, nessas condições, ato vinculado da autoridade fiscal. (...) Pois bem, em nosso caso, entendo que foram satisfeitos esses requisitos. Primeiramente, esclareçase que as receitas omitidas, diferentemente do que acredita a impugnante, não se originam de depósitos bancários, mas sim de receitas de vendas de mercadoria, como se pode ver nas planilhas de fls. 1462/1464. Como já salientamos neste voto, num primeiro momento, foi dado à fiscalizada, mediante Termo de Constatação e Início da Ação Fiscal de fls. 04/05, ciência de todos os fatos e circunstâncias antes levantados pela fiscalização. Ou seja, foi dada ciência ao fiscalizado a chance de esclarecer, confirmando ou não, as informações e declarações obtidas em outra ação fiscal, cujo conteúdo levaram a atribuir como de titularidade da fiscalizada toda a receita de que aqui tratamos. A fiscalizada, em resposta de fls. 15/16, com efeito, apresentou à fiscalização diversos livros e documentos pedidos pelo fiscal autuante, mas silenciou acerca do fato de que se lhe estavam atribuindo a responsabilidade pelas referidas receitas. Num segundo momento, o fiscal autuante verifica que essas receitas documentadas mediante notas fiscais de saída da Riocoffe Importação e Exportação Ltda não foram levadas a resultado nem pela fiscalizada nem pela Riocoffe. Ressalvo que ficou nítida nos autos que o fiscal autuante (fls. 1500/1504) buscou verificar se seria possível reconstruir a escrita contábil da fiscalizada. Todavia, diante do volume das receitas omitidas em relação às declaradas, notadamente quanto ao 4° trimestre de 2004, mais ainda, diante da inexistência de meios suficientes para apuração do custo das mercadorias vendidas, mesmo partindose de notas fiscais de entrada apreendidas pela fiscalização, bem como diante da falta de registro em seus livros fiscais das operações comerciais e bancárias praticadas em nome da Riocoffe, vejo como suficientemente fundamentado o arbitramento no presente caso. Ademais, vale ressaltar que a alternativa nesse caso seria levar a resultado toda a receita omitida, o que se resultaria em um lucro real sabidamente distanciado de uma tributação média e normal. Ao se promover o arbitramento do lucro, nesse caso, em especial quando a receita conhecida originase de venda de mercadoria, e no Fl. 1896DF CARF MF 16 intuito de mais se aproximar do que seria o lucro real efetivo do contribuinte, estáse arbitrando também custos e despesas. Ou seja, o arbitramento, nesse caso, promoveu uma apuração dos tributos devidos, ao menos idealmente, mais próxima de uma verdade material que se deve sempre buscar. Ressalva dizer que a fiscalização, quando do arbitramento, não deduziu as despesas operacionais e as despesas financeiras para a formação da base de cálculo do tributo, pois não é o que determina a legislação aplicável. Vejamos como se apura a base de cálculo do IRPJ mediante o lucro arbitrado: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 [Lucro Presumido] e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° , 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n°9.430, de 1996, art. 27, inciso 1). (.) Art. 536. Serão acrescidos à base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 (Lei n°9.430, de 1996, art. 27, inciso II). Vêse ali que não há previsão legal de se promover dedução alguma de despesas operacionais ou financeiras como requer a impugnante. Dessa forma, é de refutar essa hipótese. Em suma, a meu ver, o caso é imperiosamente de arbitramento, dado esse rol de fatos que levam a essa medida extrema. Logo, não vejo reparo à medida. Da fraude e da multa qualificada. Pois bem, no embasamento temse que o fiscal entendeu que o autuado agiu com o evidente intuito de fraudar, por isso impôs a multa qualificada para os casos de fraude mencionados no agrti o 44, II, da Lei n° 9.430/96, que remete aos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Estes últimos dispositivos são transcritos abaixo: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — Ida ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua' natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 15586.000450/200711 Acórdão n.º 1201002.164 S1C2T1 Fl. 1.890 17 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." (grifei) A conduta observada no artigo 72 citado (fraude "estrito senso", o que nos interessa), ocorre quando o sujeito, naquela hipótese, impede ou retarda a ocorrência do fato gerador da obrigação. Referese antes a situações em que, por simulação, a ocorrência do fato gerador é ocultada mediante ato artificioso, simulado. Valendome do ministério de Alberto Xavier, "A fraude a que se refere o citado preceito só pode, pois ser a simulação, que como vimos, se designa tradicionalmente na doutrina como simulação fraudulenta ou maliciosa, quando tem por escopo — como é o caso — causar prejuízo a outrem" (in "Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva", Dialética, 2002). Esse conceito (simulação) no Código Civil antigo (aplicável ao nosso caso) vem assim disposto: "Art. 102 Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: 1 quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem; II quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados." (grifei) Pois bem, a doutrina que realmente esmiúça de forma científica o fenômeno é consente em entender que na simulação há um caso de desacordo entre a vontade dos envolvidos e a declaração dessa vontade, i. e., uma incompatibilidade entre a forma e o conteúdo. Isto ocorre quando os sujeitos desses atos ilícitos encobrem um negócio real (vontade) mediante outra forma (declaração de vontade) que não a usual, direta. Constroem um cenário de aparência verdadeira, mas que se revela mera simulação. Exemplo típico é o da ocultação do real valor tributável de urna operação, ou o uso de interpostas pessoas de modo a ludibriar os controles fiscais. A simulação, podese dizer então, é o núcleo da conduta fraudulenta em matéria fiscal. Quase sempre ilícita, ela se distingue da prática elisiva, onde os meios são lícitos, o negócio, é real, verdadeiro, não havendo qualquer ocultação do fato gerador, nem qualquer incompatibilidade entre a forma e o conteúdo. Em nosso caso, conforme tudo já dito nestes autos, foi comprovado que a impugnante, valendose de interposta pessoa, Fl. 1898DF CARF MF 18 ocultou da tributação receitas de vendas de café, fato que Ié exemplo clássico da simulação estampada no do artigo 102 do Código civil e citado anteriormente nesta decisão. Logo, esse fato se subsume à hipótese legal para fraude (art. 72, Lei n° 4.702/64), pois a autuada se valeu de interposta pessoa jurídica de forma a fugir da incidência tributária mais onerosa. Dessa forma, entendo como correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos aqui apurados Conclusão Em vista do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 1899DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.915047/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.255
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o Impugnante alegou que não era contribuinte da Cofins, tratandose de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, que somente praticava atos com cooperados. Argumentou que sua atividade era a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos eram cooperativos, isentos da Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 04 7/ 20 12 -0 1 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.915047/201201 Resolução nº 3201001.255 S3C2T1 Fl. 128 2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na constatação de que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858 6, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas. Destacou o órgão julgador de primeira instância que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente eram passíveis de restituição/compensação se os indébitos reunissem as características de liquidez e certeza. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; b) o acórdão recorrido é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado, não se limitando unicamente à alegação de ausência de crédito; c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório é que somente com a decisão recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla defesa, extrapolandose os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; e) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; g) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.915047/201201 Resolução nº 3201001.255 S3C2T1 Fl. 129 3 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.249, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.914988/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.249): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.915047/201201 Resolução nº 3201001.255 S3C2T1 Fl. 130 4 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720365/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO.
A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluí-la do pólo passivo da responsabilidade solidária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluí-la do pólo passivo da responsabilidade solidária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
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CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusandose de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluíla do pólo passivo da responsabilidade solidária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 65 /2 01 4- 82 Fl. 2964DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplicase também à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.964 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1458.569, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 3.141.671,28, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 1.421.852,07, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 3.949.589,09 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 855.744,31, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 25.184.590,72 (fl. 02), em razão de omissão de receita de revenda de mercadorias, tendo sido arbitrado o lucro com fulcro no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: EMPRESA CNPJ/CPF TOPREADY COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA 01.921.290/000179 SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA 02.067.055/000144 PLANETGIRLS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 04.740.881/000138 TRADE SPORT COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 05.096.118/000189 HOTMAXI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.515.378/000141 HOTONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.524.336/000177 COMPANYFASHION CONFECÇÕES LTDA – EPP 07.251.783/000125 HOT BARÃO COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP 08.691.953/000155 PORT COMPANY PARTIC. E EMPREENDIMENTOS LTDA ME 10.528.300/000100 J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA 10.692.696/000118 PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA 11.769.712/000196 POLO WEAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 11.774.839/000101 FASHIONROUPAS COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.154.102/000140 PLANETBARUERI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.234.601/000148 HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇOES LTDA 12.484.212/000170 PLANETOUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.506/000164 BARÃOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 ROBERTO RESTUM 043.261.15840 ADRIANA RESTUM 120.853.19807 VANESSA RESTUM 215.012.64869 FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.76875 DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.73850 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 PLANETJUNDI MAX COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 Fl. 2966DF CARF MF 4 Foram ainda lavrados autos de infração contra as empresas abaixo relacionadas, integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 525/571), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. EMPRESA CNPJ Processo nº INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 19311.720395/201499 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 19311.720365/201482 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 19311.720362/201449 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 19311.720363/201493 BARAOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 19311.720364/201438 FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 19311.720361/201402 POLO WEAR OUTLET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 19311.720368/201416 PLANETOUT LET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 19311.720366/201427 HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 19311.720397/201488 PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 19311.720398/201422 1 – SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 128/174), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” (fls. 128/174) o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam nos ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. No cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.965 5 dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. Fl. 2968DF CARF MF 6 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1 Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, naquele ano a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.966 7 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas do grupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 e para a ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra, vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem de produtos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com Fl. 2970DF CARF MF 8 um custo de R$ 317.000.000,00 (trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/0001 44 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.967 9 A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsecamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária, ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Fl. 2972DF CARF MF 10 Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa Planet Girls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/0001 38 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.088 97 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sócia da empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a 21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore, seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP (Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi. Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2 Dos Procedimentos Fiscais Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.968 11 foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. DIMOF Valores a crédito Pessoa 2010 2011 2012 2013 ANTONIO MARIANO R$ 15.470,81 R$ 133.869,43 ISABELA LIMA FAGUNDES JOÃO SILVA DE MORAES R$ 30.387,00 R$ 0,00 JOELITON ALVES DOS SANTOS R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 LEILA MARIA BISPO R$ 8.377,00 R$ 60.584,93 R$ 31.386,95 ROGERIO DA SILVA R$ 7.120,03 R$ 18.240,90 R$ 65.085,45 R$ 2.300,00 Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB 170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às demandas fiscais. Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os Fl. 2974DF CARF MF 12 AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse o Sr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos – CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas, nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Rua do Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr. Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr. Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam do Grupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do núcleo, como se vê na Tabela 7 abaixo. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.969 13 CNPJ Razão Social Situação Mov. Fin. 2010 Mov. Fin. 2011 Mov. Fin. 2012 Mov. Fin. 2013 12.165.435/000256 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 0,00 114.117,66 6.426.538,89 5.768.716,97 12.165.435/000175 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 277.058,96 6.136.221,13 4.220.867,82 4.298.960,53 12.595.364/000140 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 17.755.478/000100 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.674/000120 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.673/000185 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.374.212/000118 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 13.385.771/000196 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000306 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000225 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000144 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 52.365.830,18 30.239.404,58 25.758.022,85 31.519.478,07 Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3 Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. 1.3.1 Invictus Importação e Exportação Ltda / Telesa Importação e Exportação Ltda CNPJ: 07.693.822/000144 ; Período fiscalizado: 2011, 2012 Endereço: Rua Professor João Brito, 105, 2º andar, sala 02, Vila Nova Conceição, São PauloSP, CEP: 04535080 Constam no quadro societário o Sr. Roberto Restum e Felipe Roberto Restum. O AFRFB responsável pelo procedimento compareceu ao endereço acima e foi informado pelos funcionários da loja Pólo Wear, localizada nesse endereço, que a Invictus ficava no nº 150, para onde se dirigiu e foi atendido pela advogada Giselle Ap. Fl. 2976DF CARF MF 14 Gennari Palumbo, que representa as marcas Planet Girls, Pólo Wear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e AR Adriana Restum. No citado nº 150, situase a loja da Planet Girls Comércio de Roupas Ltda., CNPJ 12.154.102/000140. Apresentou DIPJ do anocalendário 2011 pelo Lucro Presumido com informações nulas. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos (Receita Bruta de R$ 317.664,67), esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. A DCTF de 2011 consta com informações nulas. Quanto à DCTF de 2012, foi enviada retificadora após início do procedimento fiscal informando pagamentos mediante DARF, os quais não constam dos sistemas da RFB. No curso do procedimento apresentou Livros Registro de Entradas (LRE), de Saídas (LRS) e de Apuração do ICMS, relativos ao anocalendário 2012, de uma das filiais (CNPJ 07.693.822/000225). Nenhum outro livro da escrituração contábil e fiscal foi apresentada até a presente data. Destes livros, das informações prestadas pelo sujeito passivo à SEFAZ/SP, no preenchimento da GIAICMS, e dos dados constantes nos sistemas internos da RFB, extraíramse os seguintes valores: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 23.341.988,76 6.212.097,70 10.560.793,90 24.003.343,18 2012 24.369.199,08 4.948.653,23 6.140.092,40 633.173,27 20.827.654,65 26.173.799,52 Analisandose as NFe percebese que as vendas para PJ do grupo correspondem a 85% do total de vendas (Jos Comércio de Confecções – CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Água Mista Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.595.364/000140, Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100). Os 15% restantes foram para o Grupo Walmart. O Grupo Walmart (Walmart, Lojas Leader, WMS Supermercados, Bom Preço Supermercados) comprou anualmente em torno de R$ 3.500.000,00 em mercadorias (calças jeans, bermudas, camisetas) da Invictus/Telesa em 2011 e 2012, tendo sido intimada a prestar esclarecimentos quanto a essas compras. Em resposta, informou que não tem informações sobre as marcas constantes na etiqueta, pois as compras foram para revenda, que os pagamentos eram efetuados mediante transferências bancárias (TED) na conta da Invictus (Banco Itaú, Ag. 0350, CC 797825 – Rua Joaquim Floriano, 736, Itaim Bibi, São Paulo/SP) e que as mercadorias eram transportadas pelo fornecedor. Apresentou cópia de acordo comercial assinado em 22/02/2011. Neste documento, aparecem como contatos financeiro e comercial da Invictus a Sra. Paula Serra – Av. Benedita Quina da Silva, 586, Jundiaí/SP, CEP 13.212141 (ana.serra@hotpoint.com.br) e o Sr. Valter Pereira – Rua Mendes Junior, 474, São Paulo/SP, CEP 03013011 (phs@venom.com.br), respectivamente. Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.970 15 Importante notar que o endereço da Sra. Paula é o mesmo de uma das filias da SPR Import (empresa em nome de “laranjas”) e o do Sr. Valter é o mesmo de uma das filiais da Import Dalamari (outra empresa em nome de “laranjas”). Atentar também para os emails (Hot Point e Venom). No mesmo endereço cadastral da Invictus, foi aberta na JUCESP a empresa Planet Girls Itaim Comércio de Roupas Ltda. (Constituição 07/11/2012; Ativa; NIRE 35225056142), no entanto, a mesma não foi cadastrada no CNPJ. Também se diligenciou à empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas Eireli – ME, CNPJ: 01.054.356/000170, já que houve remessas para industrialização em 2011 de aproximadamente R$ 1.200.000,00. Em resposta à intimação, informou que beneficiou e industrializou peças jeans, que tais as peças retornavam ao encomendante sem finalização de acabamento, portanto, sem etiquetas, que os tecidos eram enviados pela Invictus e retornavam para Av. Gerônimo Monteiro, 1000, Centro, Vitória/ES, que o transporte era por conta do remetente. Alegou não ser possível informar nomes de pessoas com os quais tratava na Invictus pois contatavam muitas do departamento comercial. Afirmou não possuir contrato de prestação de serviço. Reintimada a prestar informações quanto à etiqueta dos produtos industrializados, com fulcro no que estabelece o art. 213 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002), respondeu ter cometido erro na resposta anterior e anexou cópia de modelo de etiqueta onde consta o CNPJ 07.693.822/000144 da Invictus. Como em outras diligências realizadas nas empresas terceirizadas, notase que suas respostas foram extremamente cuidadosas no sentido de não implicar seu cliente, indicando inclusive que o Grupo Restum teve conhecimento de tais diligências e orquestrou as respostas. Contudo, registrese que, segundo o portador que trouxe a documentação, Sr. Célio Fernandes Santos, a empresa localizavase inicialmente em Jundiaí e atualmente está em Indaiatuba e presta serviços exclusivamente para o Grupo Planet Girl e Hot Point. Afirmou que como é motorista da diligenciada, ele próprio retira os tecidos em Jundiaí, em São Paulo e municípios vizinhos, os leva a Indaiatuba para industrialização e posteriormente entrega os produtos acabados na Planet Girl que se localiza no Distrito Industrial de Jundiaí. Diligências efetuadas pelos AFRFB comprovam que o centro de distribuição do Grupo localizase no Distrito Industrial de Jundiaí, situado à Av. Benedita Quina da Silva, 586, endereço este que aparece em várias empresas do Grupo, sejam próprias, sejam de “laranjas”, o que nos leva a dar crédito às afirmações do Sr. Célio Fernandes Santos. Fl. 2978DF CARF MF 16 1.3.2 Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196; Período Fiscalizado: Anoscalendários 2011 e 2012. Endereço: Av. Benedito Quina da Silva, 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, Jundiaí – SP. Quadro societário composto por Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, sócia administradora com 50% das cotas de capital, endereço cadastral junto à RFB à Alameda Dino Bueno, Apto. 4, Campos Elísios, CEP 01217 000 São PauloSP, e Leila Maria Bispo, CPF 406.612.67822, sócia com 50% das cotas de capital, endereço cadastral à Rua Madalena de Madureira, nº 306, Sítio do Morro, CEP 02551040, São Paulo SP. Consta como ATIVA no CNPJ, porém na JUCESP está conforme distrato social registro nº 176.771/128, de 07/05/2012. Com o distrato social, a sócia administradora Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890 ficou responsável pela guarda dos documentos da empresa. No SINTEGRA tem o status de Inapta. No mesmo local funciona a empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.31568. Veja que a Net Planet é a loja virtual do Grupo (www.planetgirlsstore.com.br). Para o período fiscalizado, anoscalendário 2011 e 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 118.000.000,00, sendo R$ 88.000.000,00 em 2011 e R$ 30.000.000,00 em 2012 tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum, segundo suas NFe. Não apresentou DIPJ e DCTF para os anoscalendários 2011 e 2012, não tendo efetuado nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período fiscalizado. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212 141, JundiaíSP, não se encontrou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda., porém constatouse que se trata de um galpão industrial, localizado em condomínio comercial fechado, com intenso movimento de pessoas e mercadorias. No local funciona a expedição de produtos comercializados pela Água Mista para as demais empresas do grupo Restum. Na ocasião da diligência, o AFRFB fora recebido pela Sra. Adriana Restum – CPF 120.853.19807, a qual informou à Fiscalização que trabalha como “designer” do Grupo, desenvolvendo os modelos das coleções lançadas periodicamente. Disse também que o seu escritório funciona naquele local, tendo recebido a fiscalização diretamente em sua sala de trabalho. Disse ainda não ter informações sobre a empresa JOS Confecções, colocando o AFRFB em contato com o advogado, Sr. Gelson, que ficou de retornar a ligação com informações sobre a empresa, fato que não ocorreu. Como a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, os termos e intimações do procedimento fiscal foram Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.971 17 enviados para o endereço da sócia administradora, responsável pela guarda de documentos, Sra. Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, com domicílio à Alameda Dino Bueno, nº 568, Apto. 4, Campos Elíseos, CEP 01217000 – São PauloSP, sendo que tais correspondências foram devidamente entregues pelos Correios, mas as intimações não foram atendidas, bem como não houve nenhum contato da Sra. Alyne com a Fiscalização. As sócias Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo não possuem capacidade patrimonial para figurarem no quadro societário de empresa com o movimento da JOS Comércio, tampouco receberam dividendos e/ou tiveram movimentação financeira compatível. 1.3.3 JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/0001 18; Período Fiscalizado: Anocalendário 2011. Endereço: Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo – SP. Empresa constituída em 11/08/2010 e dissolvida na JUCESP em 13/05/2011. Baixa do CNPJ na RFB datada de 26/05/2011. Todavia, o contribuinte se encontra como Não Habilitado no cadastro Sintegra/ICMS desde sua inscrição em 13/08/2010. Expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$65,8 milhões, com entradas de R$29,5 milhões; não entregou declarações (DIPJ, DACON e DCTF) para o ano fiscalizado. O Sócio Administrador da empresa à época e atual Responsável pela guarda de seus livros e documentos, João Silva de Moraes CPF 733.595.21820, não pôde ser encontrado pelos Correios em seu endereço cadastral, na Rua Maria de Paula, nº 122 Apto. 609, na Bela Vista São Paulo SP. Este responsável foi então cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimação mediante edital, porém não atendeu à fiscalização até agora. Os indícios apurados quanto a sua falta de capacidade econômica, inatividade profissional e múltiplos endereços configuram hipótese de interposição de pessoa, isto é, mero “laranja” para ocultar os reais beneficiários. O outro Sócio Administrador à época, Rogério da Silva CPF 093.656.18827, foi alternativamente intimado em seu respectivo domicílio tributário, na Av. São João, nº. 1740 Apto. 33, em Santa Cecília São Paulo SP, porém também não foi localizado, restando ainda indícios similares de se tratar de interposta pessoa. Em pesquisa ao banco de dados creditício da Serasa Experian, esta pessoa física já assumiu 7 (sete) outros endereços posteriores àquele informado à Receita Federal do Brasil. Diligenciamos ainda até o último endereço oficial da pessoa jurídica, localizado na Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo SP, onde se encontra o prédio da Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104, Fl. 2980DF CARF MF 18 cujos funcionários afirmaram desconhecer a procurada Jos Conf, ressaltando que aquele ponto é reconhecido há muito tempo como uma das sedes do Grupo Hot Point (o piso térreo de nº 57 ora comporta a loja Venom e uma porta contígua de nº 55 dá acesso aos escritórios operacionais do grupo nos dois andares superiores). Vale frisar que um folder promocional ali coletado indica dois locais de showroom da marca Venom: um neste próprio endereço visitado e o outro na Rua Mendes Júnior, nº 472 (logradouro também tido como showroom da marca Hot Point no supracitado site www.hotpoint.com.br). Quando questionado por esta fiscalização, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse não representar a JosConf, recomendandonos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, que seria o efetivo contador das seguintes empresas: Import Dalamari Lojística e Comércio Ltda., Jos Comércio de Confecções Ltda., JosConf Comércio de Confecções Ltda., SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. O Sr. Nelson foi diligenciado e suas alegações já constam deste relatório. No intuito de se obter adicionais informações, diligenciouse às empresas Lantana Comércio, Confecções e Presentes Ltda. CNPJ 08.251.691/000108, identificada mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901, emitidas pela JosConf. Através deste procedimento verificouse que os Romaneios para Saída de Tecido emitidos pela JosConf com destino à Lantana eram registrados em formulário com cabeçalho em nome de “Planet Girls A grife das estrelas”, sendo ainda a maioria deles carimbados e assinados por “William Hoffman Gerente Planet Girls RG 32.534.8546”. As notas fiscais de Retorno de Mercadoria CFOP 5902 emitidas pela Lantana tendo como destinatário a JosConf, supostamente sediada na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, muitas vezes trazem a seguinte especificação no campo Informações Complementares: “Endereço de Entrega: Av. Benedita Quina da Silva, 586 Jd. Ermida Jundiaí” (local do supracitado centro de distribuição do grupo). Bem assim, detectamos vários canhotos de recebimento dessas mercadorias pela JosConf sendo de fato assinados por Letícia Cristina de Souza Pinto (funcionária registrada à época na Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. CNPJ 12.772.739/000109), Dircélio Timoteo dos Santos (também da Planet Controle) e ainda Maria Cristina da Silva (vinculada à J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118. Quando questionado sobre as pessoas habitualmente contatadas na JosConf, o prestador de serviços declarou que: “Não havia uma pessoa específica. Na época, os contatos eram feitos com o departamento de estilo/comercial, pelo telefone +55 (11) 4525 6800.” (central telefônica também apontada pelas empresas Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda., Havan Lojas de Departamentos Ltda. e Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. como pertencente à HotBrás, empresas estas diligenciadas no Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.972 19 curso do procedimento fiscal na própria HotBrás,conforme relatado no item 2.8 deste relatório). Importante informar que, durante busca à JosConf, caminhando pela Rua do Consórcio e também no lado oposto dessa quadra pela Rua João Brito, encontrouse estabelecimentos de várias marcas adotadas pelo Grupo Restum, a saber: Planet Girls, Venom, Polo Wear e AR Adriana Restum, verificandose ainda os logotipos de todas essas marcas e ainda da SMK, Glamour Rock e HotPoint estampados na fachada da Invictus Importação e Exportação Ltda. (principal importadora do grupo). O endereço de abertura da JosConf na JUCESP, situado na Avenida Professor Alcebíades Delamare, nº 301, em São Paulo SP, é o mesmo adotado por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225056797, em nome de Roberto e Adriana Restum; • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35224611151, em nome de Isabella Lima Fagundes, João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • ImportDalamari Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.673/000185, em nome de Antonio Mariano, Joeliton Alves dos Santos, Rogério da Silva, João Silva de Moraes e Maria do Socorro Bispo; • SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, em nome de Isabella Lima Fagundes, Rogério da Silva e João Silva de Moraes (destacase que, além do endereço idêntico, o CNPJ da SPR tem número imediatamente sucessor ao da ImportDalamari, indicando que ambas foram abertas simultaneamente); • R. Preto Comércio e Confecções Ltda. NIRE 35213165014, em nome de Márcia Estela Freitas da Costa, Sidnei Piva de Jesus e Alves Roque da Silva. Outro endereço adotado pela JosConf foi na Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, em Jundiaí, onde também são encontradas as seguintes pessoas jurídicas: • NetPlanet Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, em nome de Milson César da Silva, Paulo José Pinto, Roberto Restum e Adriana Restum; • NetPlanet Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35225231661, em nome de Letícia Cristina de Souza Pinto e Paulo José Pinto; • J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, em nome de Daniele Restum e Jacques Nehme Rostom; • ÁguaAzul Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113810, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum; Fl. 2982DF CARF MF 20 • JOS Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, em nome de Aline Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo; • Balfa Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35226553735, em nome de João Guilherme Balota e Ronaldo José Faga. No último endereço da JosConf, na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, encontramse também as seguintes empresas: • Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. CNPJ 12.696.628/000132, em nome de João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224809660, em nome de Cleusson Faria da Silva, Rodrigo Lourençon, Pierre Nehmi Rostom e Nivaldo Sancana Rocha; • Planet RH Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224913637, em nome de Cilene Regina Grossi Teixeira e Milson César da Silva; • Consorte Importação e Exportação Ltda. NIRE 35225143592, em nome de Adilson Bernardo Dias, Mariane de Souza Gomes e Roberto Restum; • Telesa Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (registrada inicialmente no nº 54), em nome de Fábio Pontes, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum; • Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum; • Venom Itaim Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113755 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum. Nota: Na Rua do Consórcio, encontramos ainda no nº 86 a Planet Girls Comércio de Confecções CNPJ 04.740.881/0001 38 (em nome de Adriana Restum, Ataíde Quaresma dos Santos Júnior e Eduardo Bueno) e a Planet Shoes Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.154.257/000187 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum), e no nº 169 outras 3 empresas: Station Sports Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 09.124.696/000132 (em nome de Adriana Restum, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum), VNPS Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225057203 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum) e Glamour Rock. • Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35227113828 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum). Além dos mesmos endereços compartilhados entre diversas empresas estreitamente ligadas ao Grupo Restum, detectamos ainda que os sócios “laranjas” da JosConf também figuram no quadro societário de diversas outras empresas, conforme resumo abaixo: • Antonio Mariano: consta também da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 (detalhada mais Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.973 21 abaixo), da HOP Jabaquara Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.862.039/000105 e da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Joeliton Alves dos Santos: consta também da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Rogério da Silva: consta também da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185; • João Silva de Moraes: consta também da Caparão Lojística e Distribuição Ltda. CNPJ 12.431.686/000154, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132, da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/0001 00, da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. – CNPJ 12.431.674/000120 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185. O Contador Responsável (Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834) e o correio eletrônico (rubenscontdata@hotmail.com) cadastrados no CNPJ da Jos Conf são os mesmos indicados pelas já citadas empresas Hot Brás, PlanetBarueri e Silva & Silva Lojística. Tal contador também aparece no cadastro da Polo Wear Net, porém neste caso o correio eletrônico indicado é o de nivaldo.rocha@planetgirls.com.br. Assim, percebese mais uma vez a confusão entre empresas representadas por Roberto Restum, Adriana Restum e o preposto Nivaldo Sancana Rocha e aquelas outras em nome de “laranjas”. 1.3.4 ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.431.673/000185; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, nº 301, Conjunto 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: Situase no mesmo endereço da SPR Import e de diversas outras empresas associadas ao Grupo Restum, conforme relatado acima. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 19/12/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de Maria do Socorro Bispo CPF 257.482.34866, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase ainda Ativa no cadastro CNPJ. Não entregou DIPJ, DACON e DCTF e não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. No intuito de dar início ao procedimento fiscal, enviouse primeiramente o TIPF à Maria do Socorro (Rua Madalena Madureira, 306, casa, Sítio do Morro, São Paulo/SP), porém correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Fl. 2984DF CARF MF 22 Intentouse então a ciência no endereço do outro sócio, Sr. João Silva de Moraes (Rua Maria Paula, 122, cj. 609, Bela Vista, São Paulo/SP), havendo a correspondência retornado com a informação “Desconhecido”. Finalmente encaminhouse correspondência ao sócio Rogério da Silva (Av. São João, 1740, ap. 33, Santa Cecília, São Paulo/SP), sendo que esta retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, foi dada a ciência do início do procedimento fiscal à Maria do Socorro Bispo mediante edital. Vêse que os sócios da referida empresa são pessoas recorrentemente utilizadas pelo Grupo, já que atualmente, apesar da dissolução na JUCESP, constam como sócios no CNPJ o Srs. Rogério da Silva CPF 093.656.18827, João Silva de Moraes CPF 733.595.2182 e Maria do Socorro Bispo, CPF 257.482.34866. Já à época da constituição da PJ constavam Joeliton Alves dos Santos CPF 456.307.04591 e Antonio Mariano CPF 766.489.82853, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001 (notar que este endereço é utilizado por vários “laranjas”). Verificouse que não apresentou declarações e tampouco teve movimentação financeira, porém emitiu notas fiscais no montante de R$ 115.514.947,47, como se vê na tabela abaixo. AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 115.514.947,47 Curial informar que as NFe apontam vendas somente para PJ´s do Grupo (lojas varejistas). No mesmo endereço constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto tais empresas não constam do CNPJ: • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/08/2010 (Ativa); NIRE: 35224611151; no endereço foi informado como cj.18; Sócios: Rogério da Silva, CPF 093.656.18827 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001. Em 25/02/2011 houve a inclusão de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 (Residente na Rua Maria Paula, 122, apto. 609, Bela Vista, São Paulo/SP) e a exclusão da sócia Isabella Lima Fagundes; • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056797; no endereço foi informado como cj.18; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Em diligência ao endereço, verificouse tratar de imóvel residencial. O vigia da rua ao lado, Sr. Antonio, que há 30 anos trabalha no local, informou que há aproximadamente 1 (um) ano o imóvel está fechado e que a empresa que ali estava permaneceu por um período aproximado de 8 meses. Não soube Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.974 23 dizer ao certo qual era a atividade da empresa. Informou que a proprietária do imóvel, Sra. Cecília não recebia os aluguéis em dia e que o fornecimento de água e luz já foi cortado. A vizinha do imóvel, que reside no local há 40 anos também confirmou que a empresa ficara por 7/8 meses, mas não soube dizer a sua atividade. Outra empresa fictícia do Grupo, a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda, também está cadastrada neste endereço. Há diversas PJ do grupo cadastradas neste endereço, mas supostamente em conjuntos diferentes, contudo o endereço referese a um único imóvel aparentemente residencial. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Prof. João Brito, 85, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as empresas abaixo, no entanto estas não foram cadastradas no CNPJ: • SMK Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056207; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • SMK Itaim Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113836; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta constante do CNPJ: • SMK Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.154.256/0001 32; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204814; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. No mesmo endereço da filial que fica na Rua dos Italianos, 55, Bom Retiro, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto não há cadastro no CNPJ: • Bom Retiro Planet Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 12/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057181; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Planet Girls Bom Retiro Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113852; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta cadastrada no CNPJ: • Planet Bom Retiro Confecções Ltda. CNPJ: 12.167.004/0001 48; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204881; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Fl. 2986DF CARF MF 24 Finalmente, constam no mesmo endereço da filial que fica na Rua Mendes Junior, 474, Brás, São Paulo/SP as seguintes empresas sem cadastro no CNPJ: • Brás Hot Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 13/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057882; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113887; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.5 SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda CNPJ: 12.431.674/000120; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, 301, cj. 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: situase no mesmo endereço da Import Dalamari. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 22/08/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase Ativa no cadastro CNPJ. Não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. Na tentativa de se iniciar o procedimento de fiscalização, encaminhouse o TIPF ao Sr. Rogério da Silva (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP), porém a correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, o Sr. Rogério da Silva foi cientificado do início do procedimento fiscal através de edital. Atualmente constam como sócios no CNPJ os Srs. Rogério da Silva, CPF 093.656.188 27, João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, entretanto, à época da constituição da pessoa jurídica constavam somente Rogério da Silva e Isabella Lima Fagundes, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01317001. Importante informar que em 07/10/2010 foram abertas filiais na Rua Benedita Quina da Silva, 586 A, Jd. Ermida, Jundiaí/SP (não tem CNPJ) e na Rua Barão de Jundiaí, 844 A, Centro, Jundiaí/SP (não tem CNPJ), ambos endereços utilizados fisicamente pelo Grupo. Não apresentou declarações (DIPJ, DACON, DCTF) e tampouco teve movimentação financeira, entretanto expediu notas fiscais no valor de R$ 55.120.419,56, conforme tabela abaixo: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 55.120.419,56 Curial informar que as NFe de vendas foram emitidas exclusivamente para as lojas varejistas do Grupo, havendo Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.975 25 também simples remessas para tais lojas no montante total de R$ 14.035.160,34. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Barão de Jundiaí, 844, Centro, Jundiaí/SP, consta aberta na JUCESP a PJ abaixo, com CNPJ: • BarãoPlanet Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: 12.523.522/000157; JUCESP: Constituição 09/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224205241; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.6 Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100; Período fiscalizado: 2011 e 2012 Endereço: Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) CEP 04.080012. Empresa constituída na JUCESP em 07/07/2010, em nome de Antonio Mariano e José Balbo Júnior, sendo este último substituído em 18/10/2010 por João Silva de Moraes. Omissão na apresentação de declarações, expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$48 milhões em 2011 e R$40 milhões em 2012, com entradas correspondentes de zero e R$1 milhão, respectivamente. Efetuouse diligência ao endereço da empresa oficialmente cadastrado na RFB, qual seja, Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) – CEP 04.080 012, porém a mesma não foi localizada naquele local, ora completamente ocupado por um prédio residencial em construção identificado como Cyrela Essenza Moema, e não obtivemos quaisquer informações quanto a seu atual paradeiro em consulta à vizinhança. Em buscas pela Internet, encontramos apenas que o número 667 daquela rua anteriormente pertenceu a uma lavanderia da rede DryClean USA International. Nessas circunstâncias, as ciências do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do posterior Termo de Reintimação Fiscal foram concretizadas mediante Edital, sem qualquer manifestação do sujeito passivo até o momento. Alternativamente, emitimos um Termo de Ciência e de Reintimação Fiscal e outro Termo de Reintimação, com ciência postal do seu sócio administrador Antonio Mariano – CPF 766.489.82853 em seu domicílio tributário, na Rua Wetecindo Garcia de Freitas, nº 300, em Franco da Rocha, porém também não fomos atendidos dessa forma. Todos os administradores encontrados nos quadros societários da Jurecê apresentam indícios de interpostas pessoas sem efetiva capacidade econômica nem profissional, conforme análises anteriores, configurando hipótese de meros “laranjas” para ocultar os reais beneficiários das operações. Fl. 2988DF CARF MF 26 Corroborando com a tese de empresa inexistente de fato, constatamos que a Jurecê não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados nos cadastros do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social nem tampouco da Receita Federal do Brasil, segundo consulta aos bancos de dados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). De modo análogo ao caso da JosConf, quando questionado, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse também não representar a Jurecê, recomendando nos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, valendo aqui todas aquelas considerações e declarações anteriores. O endereço cadastral da pessoa jurídica Jurecê Comércio, situado na Avenida Jurecê, nº 667, em Indianópolis São Paulo, é o mesmo adotado na JUCESP por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.066.160/000150, citada inicialmente pelo fato de ter incorporado a Box Fashion e dezenas de outras empresas do mesmo grupo econômico em diferentes Estados e ser então subitamente dissolvida, não antes de substituir seus sócios originais, Roberto e Adriana Restum, pelos supostos “laranjas” César Augusto Costa, Célio Martins de Oliveira, Allan Borges de Melo e Rodrigo Vieira Rezende, além da indicação do endereço fictício em tela para a guarda dos documentos de seu Distrato Social; • Planet Plaza Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 10.766.191/000150, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, substituídos pelos pretensos “laranjas” Célio Martins de Oliveira e César Augusto da Costa antes de formalizar evento de incorporação (sem as devidas justificativas e competente laudo de avaliação) e transferir seu domicílio para o aludido endereço fictício; • Ibirá Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.650/0001 70, em nome de Isabella Lima Fagundes e João Batista de Araújo Brito, tendo ainda três filiais na conhecida Rua do Consórcio, nos números 57A, 86A e 169ª. Destacase que o suposto “laranja” Célio Martins de Oliveira CPF 218.260.75879 figura ainda como responsável na JUCESP pelos livros e documentos de duas empresas com significativas transações dentro do Grupo Restum: a Hot Bob Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 69.149.862/000187 e a Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 08.691.953/000155, ambas abruptamente dissolvidas para abrigar novas pessoas jurídicas do grupo em seus respectivos endereços. Por sua vez, o supracitado Milson César da Silva CPF 247.107.34844 é mero empregado da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, admitido com Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.976 27 vínculo de CLT desde 01/10/2012 até hoje, ao mesmo tempo em que passou a figurar como sócio administrador de dezenas de empresas do Grupo Restum. 1.3.7 AGR Importação e Comércio De Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140; Período fiscalizado: Anocalendário 2012 Endereço: Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Empresa constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Antes do início do procedimento fiscal, a referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP. Neste mesmo endereço funciona a empresa Água Mista Serviços de Confecções Ltda., com objeto social de confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, com capital social integralizado de R$ 30.000,00, e quadro societário composto por Roberto Restum CPF 043.261.15840 – Sócio Administrador (participação: 50% capital) e Adriana Restum CPF 120.853.19807 (participação: 50% capital), registrada na JUCESP em 11/01/2011 NIRE: 35225056789, porém não cadastrada no CNPJ. Para o período fiscalizado, anocalendário 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, conforme se apura da análise de suas NFe. Vendeu somente para empresas do Grupo Restum, tendo entradas de mercadorias no valor aproximado de R$ 21.000.000,00. Apresentou DIPJ com valores zerados, optando pelo Regime do Lucro Presumido, não havendo apresentado DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período. Para a Fiscalização, apresentou tão somente os Livros Fiscais de Entrada, Saída e Apuração do ICMS. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado à época (Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3 A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP) constatouse que se tratava de um galpão industrial, com pouco movimento de pessoas e mercadorias. No local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. Obtevese a informação que apenas a emissão das notas era feita naquele local, visto que os produtos eram expedidos/distribuídos através do depósito localizado em condomínio comercial Fl. 2990DF CARF MF 28 fechado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Informações prestadas pelo funcionário, Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893 dão conta de que no local funciona “apenas a logística do papel”, e que os produtos são efetivamente distribuídos pelo outro depósito. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social, ratificando, assim, à informação acima colhida. Consulta aos sistemas de informação da RFB demonstram que, no anocalendário 2013 o Sr. Wallace Wantuel Garcia recebeu pagamentos através da empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, com domicílio tributário à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.315 68. Observese que o endereço de localização da NETPLANET é o mesmo onde funcionava a empresa JOS Comércio de Confecções, e onde funciona hoje a Transportadora do grupo, e de onde são distribuídos os produtos com notas fiscais emitidas pela Água Mista. 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 sala 11 em Jundiaí e o advogado Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções de R$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.977 29 Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços, identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ 07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dos serviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” e ainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG 41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e email: ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOT POINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801” (telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ 07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo, rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio de Confecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Fl. 2992DF CARF MF 30 Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br, ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br, monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br, evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição, os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí (sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5 (cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Empresa NIRE CNPJ Constituição Encerramento Sócios HotWorld Comércio de Confecções Ltda 35217728463 05.277.729/000123 10/09/2002 30/06/2010 Roberto e Adriana Restum HotBrás Comércio de Confecções Ltda 35224204920 12.165.435/000175 07/04/2010 Roberto e Adriana Restum Brás Hot Serviços de Confecções Ltda 35225057882 não aberto 13/01/2011 Roberto e Adriana Restum Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda 35227113887 não aberto 07/11/2011 Roberto e Adriana Restum Venom Brás Comércio de Confecções Ltda 35227737317 18.785.616/000180 30/08/2013 Felipe e Vanessa Restum Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.128 27, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (principal importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.978 31 Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a Jos Conf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua Antonio Perutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind e Com de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME CNPJ 07.729.721/000186. 1.3.9 Lojas Varejistas Além das empresas do núcleo, o SEFIS/DRF/JUN também fiscalizou as lojas varejistas circunscricionadas, a saber: Hot Maxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.484.212/000170, PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.372.145/000100, HotNumberOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.506/000164, Barão Planet Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.523.522/000157, Planet Out Let Comércio de Confecções Ltda., Polo Wear Outlet Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.484/000132 e FashionRoupas Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.113.554/000184. Nos mesmos endereços das sociedades acima havia empresas baixadas pertencentes ao Grupo, motivo pelo qual foram abertas, simultaneamente, diligências nas seguintes: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.515.378/000141, PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.325.725/000161, HotOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.524.336/000177, Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.691.953/000155, Planet Outlet Comércio de Confecções Ltda. – ME – CNPJ 10.666.719/0001 10 e Venom Outlet Comércio de Confecções Ltda. Em todos os procedimentos, o sócio administrador Roberto Restum nomeou como seu preposto o contador Nivaldo Sancana Rocha para atender as demandas fiscais. De um modo geral, o que se apurou nesses procedimentos é que os contribuintes não entregaram DIPJ ou as entregaram “zeradas”, entretanto apresentaram GIA à SEFAZ/SP indicando receitas de vendas. No curso do procedimento entregaram DCTF´s retificadores não espontâneas, consignando valores de tributos e indicando que os mesmos foram recolhidos através de DARF, entretanto não constam registro dos referidos pagamentos nos sistemas internos da RFB. Apresentaram Livros Registro de Saída cujos valores estão idênticos ou muito próximo das GIA´s. Não apresentaram escrituração contábil (Livro Caixa e/ou Diário e Razão). Fl. 2994DF CARF MF 32 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa (“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes (“testas de ferro”). Neste relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.979 33 mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo, estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda a mais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. Fl. 2996DF CARF MF 34 No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto, houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/000196 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de meros avatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Esta é a síntese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. 2 Do Procedimento Fiscal junto à Empresa AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” a empresa AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA CNPJ 12.595.364/000140 foi constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ, e antes do início do procedimento fiscal referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP, em cujo endereço funciona a empresa Água Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.980 35 Mista Serviços de Confecções Ltda., tendo em seu quadro societário Roberto Restum e Adriana Restum, registrada na JUCESP porém não cadastrada no CNPJ. Segundo o Termo de Verificação 0001 (fls. 2381/2409), o sujeito passivo foi constituído na forma de sociedade limitada (Ltda) tendo como atividade principal o comércio atacadista de artigos de vestiários e acessórios, tendo sido registrada na JUCESP em 06/04/2010 com capital social de R$ 100.000,00, sendo o quadro societário composto pelo Sr. Roberto Restum com 80% do capital social e a Sra. Adriana Restum com 20%, tendo como endereço cadastral junto à RFB à Avenida Nove de Julho, nº 1.869, CA 124, Ponte Campinas, CEP 13.208056, JundiaíSP. Ainda, segundo o mesmo Termo, recentemente a Água Mista Comércio de Roupas Ltda alterou a razão social junto ao cadastro CNPJ e ao CADESP, passando para AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda, e o endereço foi alterado para Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, endereço este no qual funcionou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda CNPJ 13.385.771/000196, cujo quadro societário era composto por Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo, cada sócia com 50% das cotas de capital. O procedimento fiscal junto á empresa AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA teve início com a ciência do Termo de Início pelo Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893, em 03/10/2013, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar 1 Livros Contábeis: Diário e Razão, ou LivroCaixa, se for o caso; 2 Livros Registro de Entradas; 3 Livros Registro de Saídas; 4 Livros Registro de Apuração do ICMS; 5 Livro Registro de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrências; 6 Contrato Social e alterações; 7 Indicação do Representante/Preposto que irá atender à Fiscalização no decorrer dos procedimentos de Auditoria (nome, cargo, endereço, telefone e email para contato, instrumento de procuração). Em 30/10/2013 foi cientificado o Procurador do sujeito passivo, Sr. Nivaldo Sançana, de que os Livros Registro de Entrada, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS e Registro Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências citados acima foram apresentados sem a assinatura do Sócio Representante Sr. Roberto Restum, CPF 043.261.15840, razão pela qual foi intimado o sujeito passivo a apresentar os Livros Contábeis Diário e Razão, ou LivroCaixa, se for o caso. Em 04/12/2013 a empresa foi novamente intimada para o mesmo fim e alertada de que a não apresentação dos livros Diário e Razão, ou Livro Caixa, contendo a escrituração contábil referente ao anocalendário 2012), no prazo da Intimação, acarretaria a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime de tributação LUCRO ARBITRADO. Em 09/12/2013 a empresa solicitou prorrogação de prazo, cujo pedido foi deferido, e a empresa foi intimada em 20/12/2013 a apresentar, até a data improrrogável de 08/01/2014 os documentos anteriormente solicitados. Não tendo a empresa atendido as intimações, outras intimações foram expedidas com ciência em 06/02/2014 e 10/04/2014 pelo Procurador do Sujeito Passivo, Sr. Nivaldo Sançana, e também com ciência em 09/06/2014 pessoal ao Sr. Marcelo Watanabe, através de Diligência Fiscal efetuada na mesma data ao domicílio tributário do Sujeito Passivo, cadastrado à época nos sistemas da RFB, bem assim pelo sujeito passivo via postal, em 12/06/2014. Outras intimações foram expedidas ao sujeito passivo em 31/07/2014, 17/09/2014 e 05/11/2014. Fl. 2998DF CARF MF 36 Em diligência ao referido domicílio fiscal constatouse que no local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social. Ao constatar que a empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas EIRELI, CNPJ 01.054.356/000170, havia no anocalendário de 2012 emitido diversas notas fiscais para remessa de produtos para industrialização, CFOP 5.901, destinadas à Empresa TERRA DO SOL MANUFATURA E CONFECÇÃO DE ROUPAS EIRELI ME, a fiscalização solicitou alguns esclarecimentos da Terra do Sol tendo esta encaminhado expediente ao SEFIS da DRF Jundiaí/SP em 10/04/2014 informando que “A Empresa Água Mista Comércio de Roupas Ltda envia o tecido para Terra do Sol, para serem beneficiados através de processos e são retornados como peças prontas para a comercialização, tendo como marca Planet Girls. Informou ainda que o contato comercial na Empresa Água Mista era com a Sra. Vania Bezerra da Silva; que entregava os produtos acabados na Rua Luiz Pelizzari, nº 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, JundiaíSP; que não prestava serviços para outras empresas do Grupo da Água Mista; que não possuía contrato de prestação de serviços mantido com a empresa Água Mista Comércio de Roupas (ou outra empresa do mesmo grupo); que não emitia fatura pois o pagamento foi realizado através de cheques prédatados. Segundo consta do Termo de Verificação 0001 (fl. 2396), os Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências relativos aos períodos fiscalizados foram entregues. Contudo, a escrituração contábil, Livros Diário e Razão ou Livro Caixa não foram apresentados, apesar de inúmeras intimações e reintimações enviadas ao Sujeito Passivo. Com base nas informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, a fiscalização apurou que o Sujeito Passivo, no anocalendário 2012, obteve um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum. A empresa apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2012 contendo a opção de apuração do IRPJ pelo lucro, mas não foi efetuado nenhum cálculo do imposto, visto que informou apenas os dados cadastrais, omitindo todo o valor do faturamento e das demais informações econômicofinanceiras, constando o Sr. Roberto Restum como representante da Pessoa Jurídica e o Sr. Nivaldo Sançana Rocha como responsável pelo preenchimento. Em 25/07/2014, durante o Procedimento Fiscal, apresentou DIPJ retificadora informando valores de faturamento para o 2º, 3º e 4º trimestres, entretanto, no coeficiente de apuração errado, tendo informado 1,6 %, quando o correto para a atividade comercial é de 8% (oito por cento). A empresa não apresentou DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. No entanto, durante o Procedimento Fiscal, apesar de não estar espontâneo, o Sujeito Passivo apresentou, em 25/07/2014, DCTFs originais para os meses de abril a dezembro de 2012. Não tendo o sujeito passivo atendido às intimações ou apresentado justificativas, em 27/11/2014 foi encerrado o procedimento fiscal, utilizado como base os dados e informações disponíveis nos sistemas da RFB. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.981 37 2.1 Da Constituição do Crédito Tributário Omissão de Receitas de Vendas. A fiscalização constatou que o sujeito passivo omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ( IRPJ ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ( CSLL ), à Contribuição para o Programa de Integração Social ( PIS/Pasep ) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ( COFINS ), referente ao anocalendário 2012. As receitas brutas omitidas, que serviram de base para apuração dos tributos federais foram extraídas do Livro Fiscal de Saídas apresentado pelo sujeito, sendo que os valores foram confirmados junto ao sistema de notas fiscais eletrônicas do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, do qual foi extraída a relação das notas fiscais emitidas, anexa ao Termo de Verificação 0001 (fls. 2410/2461). Assim, com base nas informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, a fiscalização apurou que o Sujeito Passivo apresentou os seguintes valores de faturamento: Meses Valores Valores Totais CFOPs 5102 6102 abr/12 10.384.692,55 2.903.491,47 13.288.184,02 mai/12 12.884.667,57 3.797.275,63 16.681.943,20 jun/12 7.303.312,79 3.001.176,58 10.304.489,37 jul/12 5.539.775,88 4.945.970,49 10.485.746,37 ago/12 10.525.658,61 5.936.159,08 16.461.817,69 set/12 8.401.326,42 3.583.631,54 11.984.957,96 out/12 12.484.778,26 3.086.116,75 15.570.895,01 nov/12 12.175.361,48 4.095.713,55 16.271.075,03 dez/12 13.174.675,78 7.429.185,14 20.603.860,92 Total 92.874.249,34 38.778.720,23 131.652.969,57 Referidos valores foram levados à tributação como omissão de receita da atividade para fins de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Intimado por diversas vezes para apresentação da escrituração contábil, o sujeito passivo não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial, ou o livro Caixa, o que levou a fiscalização a arbitrar o lucro, com fulcro no art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, tendo em vista o não cumprimento das determinações legais exigidas para o lucro presumido e a impossibilidade de apuração do lucro real. Na apuração do IRPJ, sobre a receita omitida foi aplicado o coeficiente de 9,6% para determinação do lucro arbitrado, sobre o qual foi aplicada a alíquota básica do Imposto de 15% e adicional de 10% sobre a parcela do lucro arbitrado que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração. Fl. 3000DF CARF MF 38 Na apuração da infração reflexa da CSLL, sobre a receita omitida foi aplicado o percentual do lucro arbitrado de 12% na determinação da base de cálculo da Contribuição, sobre a qual será aplicada a alíquota de 9%. Na apuração das infrações reflexas da Contribuição para o PIS e da COFINS, sobre a receita omitida forma aplicadas as alíquotas do regime cumulativo de 0,65% e de 3%, respectivamente. Sobre os tributos e contribuições devidos foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por entender a fiscalização que, conforme circunstanciadamente relatado no Relatório Fiscal Grupo Restum anexo, teria restado caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990, o que exigiu a Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. Com fundamento no art. 124, I, e 135, III, do CTN e considerando os fatos apurados e minuciosamente detalhados no Relatório Fiscal Grupo Restum foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado ROBERTO RESTUM, ADRIANA RESTUM, VANESSA RESTUM, FELIPE ROBERTO RESTUM, DANIELE RESTUM TRALDI e ISABELLE RESTUM e ainda às empresas relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários de fls. 2494/2501. Inconformados, tanto o sujeito passivo AGR IMPORTACAO E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA quanto os responsáveis, todos intermediados por seu procurador (doc. 01), apresentaram a impugnação aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Imputações Alegou que a fiscalização partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações fundadas apenas nos dispositivos legais, sem que tenha havido a necessária descrição da conduta de cada contribuinte solidarizado, simplesmente ignorando as disposições legais aplicáveis à espécie e as autônomas personalidades jurídicas. Acrescentou que a Fiscalização não demonstrou, ao menos concretamente em cada auto de infração, quer a viabilidade do arbitramento, quer a possibilidade de solidarização das demais Impugnantes. II – Impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento do lucro Alegou que não havia motivo para o arbitramento do lucro, pois não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração e a fiscalização teve inegável acesso a parte da documentação fiscal e contábil, de sorte que nada há que justifique a excepcional medida de arbitramento do lucro, pois era plenamente possível aferir a correta base tributável. Ademais, a desconsideração da opção pela forma de apuração adotada pelo contribuinte esbarrou na legislação de regência e nos precedentes administrativos, que condicionam a adoção do lucro arbitrado quando, devidamente comprovado pela Fiscalização, a impossibilidade de apuração pelo regime indicado pelo contribuinte. Acrescentou que: Observese assim, qualquer qualquer que seja o caso que queira analisar, ainda que se esteja diante de indícios de eventual omissão de receitas, é que: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.982 39 Solicitou “que seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado.” III Solidarização e responsabilização Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. IV Inaplicabilidade da multa qualificada. Alegou que a multa de 150% revelase confiscatória e desproporcional, visto que não apresenta característica de razoabilidade e Justiça e revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica e viola expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal V Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais (art. 84 da Lei nº 8.981/1995) Argumentou que deve se ter clara a distinção entre multa e tributo, eis que a primeira é sinônimo de sanção imposta por descumprimento da obrigação tributária, enquanto o segundo se refere a toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (artigo 3º do Código Tributário Nacional). A Fl. 3002DF CARF MF 40 multa, assim, é a sanção que decorre, por exemplo, do não pagamento do tributo, com este não se confundindo. Este é o motivo de os juros incidirem apenas sobre o principal, pois a previsão legal estende a sua aplicação somente aos tributos e contribuições sociais, excluindo de sua abrangência a multa. Por derradeiro, alegou que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos, evidenciado, portanto, não haver base legal para a aplicação de juros sobre a multa, tal como lançados nos autos de infração, sendo forçoso o seu cancelamento. VI – Julgamento conjunto Requereu a reunião dos 10 (dez) processos cujos autos foram lavrados sob o amparo do mencionado “Relatório Fiscal Grupo Restum”, tratandose, portanto, dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos, a fim de que tramitem conjuntamente e sejam conjuntamente julgados, homenageandose, desta forma, o princípio constitucional da razoável duração do processo e evitandose a prolação de decisões conflitantes VII – Dos pedidos Requereu que seja conhecida a impugnação para os fins de julgar insubsistente o Auto de Infração reconhecendo a inaplicabilidade do arbitramento do lucro e, ainda, em pleito alternativo e em caso de prevalência das imputações lançadas acima, que sejam os contribuintes solidarizados devidamente excluídos do polo passivo da obrigação tributária aqui constituída e, de forma igualmente alternativa, requereu a redução da multa aplicada ao patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada; É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1458.569, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. Comprovado a omissão de receita mediante o confronto entre a DIPJ e as informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED Sistema Público de Escrituração Digital , e não havendo qualquer contestação quanto à omissão apurada, mantémse o lançamento. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nem mesmo o livro Caixa contendo sua movimentação financeira e bancária, cabível o arbitramento do lucro. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.983 41 Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 15/06/2015, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 29/06/2015, juntamente com os responsáveis solidários, todos em uma só peça recursal, os quais repetiram basicamente os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Delimitação da Lide Fl. 3004DF CARF MF 42 Analisando as razões de recurso voluntário, percebo que a recorrente não "gastou muitas tintas" para combater os fundamentos da DRJ, limitandose apenas em reproduzir os argumentos já apresentados em sede de impugnação, quais sejam: 1) o arbitramento do lucro; 2) a responsabilidade solidária; 3) a multa qualificada de 150%; e 4) a cobrança de juros sobre a multa. MÉRITO Preliminarmente, convém rebater os argumentos iniciais da recorrente de que "os fatos, descritos de forma tendenciosa e complexa pela fiscalização, terminam por impressionar e podem redundar em uma conclusão equivocada". Ora, o método dialético tem como desígnio estabelecer a verdade por meios de argumentos fundamentados, atestados de lógica e razão. Assim, devemse apartar os argumentos apenas emocionais, que somente servem para hesitar o avaliador. A partir dessa premissa, deve o julgador formar sua convicção por meio dos elementos de fato e de direito constantes no processo, corroborados por prova inequívoca de suas ocorrências. Não obstante, o espectro que se extrai de um lado e de outro da dialética inevitavelmente é imbuído do emocional: no debate tributárioprocessual, por exemplo, o fisco afirma que o sujeito passivo deve pagar tributo e tenta convencer o avaliador disso; o sujeito passivo, em antítese, entende que a forma escolhida para pagar menos tributo, ou não pagar, é legal e também se serve de seu domínio de convencimento. Deste preceito de cada um entender que está na razão é que surge a dialética processual. Assim, cabe ao avaliador extrair dos argumentos de ambas as partes aquilo que mais se encaixa como verdade, cuja avaliação principia, mesmo que involuntariamente, alicerçada neste trecho musical1: "Há tantos quadros na parede Há tantas formas de se ver o mesmo quadro" E, para se alcançar a verdade, impõese interpretarmos a dialética como aferiu Aristóteles, ao afirmar que ela é a lógica do provável, daquilo que parece ser aceitável a todos ou à maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. Desta forma, independentemente das acusações impostas pela fiscalização, o que deve prevalecer no caso é um julgamento baseado nas provas acostadas ao processo, que 1 Música de Humberto Gessinger: NinguéM = NinguéM Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.984 43 dão suporte à descrição das razões de fato e de direito que induziram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e ao sujeito passivo a contraargumentar as acusações lhe impostas. II.1 IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente alega que o arbitramento é medida excepcional e de que é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Não entendo ter razão a recorrente. O arbitramento é uma das formas de apuração do IRPJ e da CSLL, e não se trata de punição ao sujeito passivo; é apenas uma forma de apuração do lucro fiscal quando não há elementos suficientes para apurar o lucro de acordo com a configuração escolhida pela empresa. E foi o que ocorreu no caso concreto. A recorrente optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. A lei do presumido obriga a manutenção, pelo sujeito passivo, dos livros comerciais, ou, opcionalmente, do livro caixa (Lei 8.981/1995): “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Conforme divulgado no Termo de Verificação Fiscal, embora regularmente intimada pela fiscalização, a empresa autuada não apresentou livro diário e/ou razão nem no meio papel, tampouco no formato do SPED nem livro caixa. Assim, não há como verificar a apuração correta da movimentação contábil e fiscal da recorrente. Fl. 3006DF CARF MF 44 Como não apresentou os livros, restou aplicar o arbitramento do lucro conforme Lei nº 8.981/1995, que é a base legal do art. 530, III, do RIR/99: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; A base de presunção do IRPJ de 9,6% (20% sobre a base de 8%) foi aplicada corretamente pela fiscalização, conforme teor dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. A base de presunção da CSLL (12%) foi efetuada corretamente com fundamento no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 c/c art. 27 da Lei nº 9.430/1996, in verbis, respectivamente: Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (...) Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: A imputação da contribuição para o PIS e da COFINS seguiu rigorosamente o mandamento legal que dispõe sobre a tributação pelo regime cumulativo, nos termos dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 (Pis) e 10 da Lei 10.833/2003 (Cofins), reproduzidos abaixo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (VideMedida Provisória nº 497, de 2010).” Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.985 45 ____ Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010). Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins, por conseguinte, pelo regime cumulativo. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Os recorrentes alegam que ".... as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação ...."; que "a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu os artigos 124 e 135 do CTN". Aduz que não foi realizada uma única imputação e/ou descrição das condutas e que a fiscalização ignorou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Nessa linha, constrói raciocínio de que o que interessa é analisar a sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte. Invocando o art. 121 do CTN, argumenta que há necessidade de demonstração de que a pessoa tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, conforme regra do art. 124, I, do CTN. Antes de adentrar no ponto central aqui ventilado a individualização das condutas , mister observar que a recorrente preparou um única peça recursal para todos os lançamentos tributários lavrados em desfavor de todas as empresas do grupo, alterando apenas o nome das recorrentes. Essa constatação é percebida quando se lê a peça recursal. Ou seja, a recorrente replica seus argumentos para todos os fatos imputados em relação a todos os lançamentos tributários aplicados em relação ao Grupo Restum. Pois bem. Como se viu, a fiscalização apurou a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do CTN. Veja a redação legal de ambos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 3008DF CARF MF 46 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, pressupõe a comprovação do interesse comum em praticar a conduta tipificada com crime. Há muito se discute sobre a interpretação da terminologia "interesse comum", pois sua exegese pode desencadear a atribuição de responsabilidade solidária a determinada personalidade. Muitos entendem que o interesse ali descrito é o interesse jurídico, daquele que tenha participado da ocorrência do fato gerador, o que muitos interpretam como aqueles que estejam em um mesmo lado da cadeia da prática do fato gerador. Dessa interpretação, mesmo que determinado sujeito passivo tenha se beneficiado economicamente, este fato, por si só, não é capaz de concretizar o interesse comum tratado no art. 124, I, do CTN, e a ele ser imputada a responsabilidade solidária. O tributarista Marcos Vinicius Neder de Lima, em obra que versa sobre o critério de aplicação do art. 124, I, do CTN, interpretou o interesse comum inerente à solidariedade de fato: “Solidariedade de Fato (...) 6.2. Conceito de interesse comum O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.986 47 Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). (sublinhei) Na mesma linha aqui trazida, o STJ, no julgamento do REsp 884.845SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, entendeu que há necessidade de que as pessoas solidariamente responsabilizadas devem ter dado ensejo à ocorrência do fato imponível: Fl. 3010DF CARF MF 48 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. E assim firmou sua posição ao concluir o seguinte: 9. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." Aplicando tais interpretações ao caso concreto, vêse que o interesse comum jurídico entre as empresas do Grupo Restum, as pessoas físicas e a ora recorrente restou caracterizado, com exceção da responsável solidária Isabelle Restum, sobre a qual tratarei mais adiante. Como amplamente tratado no relatório fiscal preparado pela fiscalização, ficou comprovada a participação de todos os envolvidos, tanto nos fatos geradores dos tributos aqui discutidos, como no deslocamento de faturamento e do lucro a serem tributados, com o nítido intento de transferir para empresas de terceiros ("laranjas) nomeados pelos tutores do Grupo Restum, para que o patrimônio dos solidários pessoas físicas (Família Restum) não fosse alcançado. A confusão patrimonial entre todas as empresas também serve como prova do interesse comum jurídico passível de responsabilização solidária. Outro ponto, é que muitas empresas estavam localizadas em um mesmo endereço perante a Junta Comercial e à Receita Federal. Este fato, por si só, não é capaz de formular prova contundente da caracterização de grupo econômico. Mas, quando converge com outros indícios trazidos ao processo, tornase prova relevante da modelagem de grupo econômico. A recorrente alega falta de demonstração, na espécie, dos motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim na legalidade. Não entendo que tal raciocínio se deve aplicar ao caso concreto. Como bem trazido pela DRJ em seu voto, a delegacia de piso apresentou a conduta dos responsáveis tributários, servindose corretamente do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, que, digase, está rico de provas contundentes da conduta praticada pelas pessoas físicas e jurídicas do Grupo Econômico nominado "Grupo Restum". Como se vê do teor do recurso voluntário, a recorrente replicou todos os argumentos já ventilados em sede de impugnação. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.987 49 Desta forma, não restando configurada a dialética processual, proponho também reproduzir a decisão constante no acórdão da DRJ no que se refere à imputação da responsabilidade solidária, exceto quanto a Isabelle Restum, por bem elaborado e por concordar com seus fundamentos, tudo isso suportado pelo dispositivo legal constante no Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzido abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (negritei) Em relação ao interesse comum, cuja base legal é o art. 124, I, do CTN, assim consignou a delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Em síntese, o que a fiscalização apurou foi que o Grupo denominado Restum (composto por Roberto Restum, Adriana Restum e família) é constituído por centenas de empresas autônomas, algumas tendo membros da família Restum no quadro social (empresas próprias) e outras constituídas por pessoas interpostas (empresas fictas) as quais são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. As empresas próprias, entre elas a INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, revendem as mercadorias a empresas fictas por valores que praticamente correspondem aos custos de importação e/ou produção e, assim, as empresas próprias não apuram lucro e apuram o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas, entre elas a JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA, compram tanto de terceiros no mercado interno como da “Invictus” e revendem diretamente para lojas do grupo (lojas que pertencem ao Grupo Restum) ou para a SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA e para a IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, as quais por sua vez vendem seus produtos para as lojas varejistas do grupo por valores que se aproximam muito do Fl. 3012DF CARF MF 50 preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaem sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas (próprias) possam se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente o ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaem sobre as empresas próprias do Grupo, mas sim sobre as empresas fictas. Mas estas, além de mudarem constantemente de “laranjas” e/ou “testa de ferro”, também não cumprem com suas obrigações tributárias, nem mesmo acessórias, não tem movimentação financeira e algumas sequer possuem espaço físico. Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais não praticam fatos geradores tributários. Os imóveis utilizados como sede das diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade são, em parte, registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144. Diante do que foi apurado, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas próprias do grupo, relacionadas no Auto de Infração, além dos dirigentes Roberto Restum, esposa e filhos, pelo crédito tributário apurado em cada uma das empresas do grupo. Os impugnantes não contestaram objetivamente qualquer dos fatos acima mencionados, limitandose a alegar, com relação à solidarização atribuída às pessoas físicas e jurídicas, que o argumento da fiscalização de que todas participaram de um “grupo econômico” não é suficiente para atribuir a solidarização, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação, e que deveria a fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e que todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação. Ao analisar o processo de interesse INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA este Relator chegou à seguinte conclusão em relação às empresas fictas: Da análise dos autos e especial dos documentos arquivados na JUCESP (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre as empresas do núcleo (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari), desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios que se alternam, nunca recolheram os tributos devidos, sequer possuíam espaço físico, não possuíam qualquer patrimônio, não contrataram funcionários, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo Restum, omitiram suas operações do conhecimento da RFB, não tiveram movimentação financeira (Anexo VII) embora emitiram milhões em notas fiscais, os sócios das empresas fictas do núcleo são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a convicção de que são interpostas pessoas. As empresas fictas adquiriam quase que a integralidade das vendas da INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo, de modo que o ônus tributário recaíam sobre as fictas e que nada recolhiam, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Tal modo de proceder, não deixa dúvida de que essas empresas fictas serviram para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelas empresas próprias do Grupo, ou seja, as empresas próprias do Grupo são as reais operadoras Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.988 51 comerciais. Não há dúvida de que todas as empresas do Grupo se beneficiavam do artifício doloso na medida não recolhiam os tributos devidos. Do conjunto de provas trazidas aos autos chego à conclusão de que, de fato, tratase de um grupo empresarial, comandado por Roberto Restum e Adriana Restum, porém composto por toda a família Restum, e todas as empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária foram formalmente constituídas pelo Grupo mas, na verdade, é uma só, e os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circularam indistintamente entre elas, e todas elas se beneficiaram do esquema montado com o objetivo de não pagar tributo, ou seja, todas têm ou tiveram interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por essa razão, elas devem ser igualmente responsáveis solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 124, I, do CTN, inclusive as pessoas físicas relacionadas (Roberto Restum; Adriana Restum; Vanessa Restum; Felipe Roberto Restum; Daniele Restum Traldi e Isabelle Restum), pois estas tinham interesse comum nos negócios e deles se beneficiaram. As empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144, também participantes do mesmo Grupo empresarial, praticamente não executaram atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), no entanto, foi em nome destas registrado o patrimônio do Grupo (bens necessários à percepção das receitas das empresas operacionais, bem assim os imóveis e veículos), ficando as empresas operacionais sem nenhum ou o mínimo de patrimônio. Esse modo de proceder é, sem dúvida, uma tentativa de manter essas empresas distante dos fatos geradores tributários. No entanto, pela mesma razão que as demais, devem responder solidariamente pelo crédito tributário. Da análise de todos os elementos constantes dos autos chego à conclusão que de fato ficou caracterizado o grupo empresarial e também ficou evidenciado a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com o fim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio. Chego à essa conclusão independentemente da declaração prestada por Nelson Oliveira dos Santos, o qual atuou como contabilista na abertura de várias empresas, tais como JOS Comércio De Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, e também no enceramento de várias outras, o qual confirmou, em declaração tomada a termo (fl. 1067), que as empresas JOS Comércio de Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, Jurece Comércio de Confecções Ltda, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda são do Grupo Restum e que estas são distribuidoras do grupo, responsáveis por aquisições de mercadorias para revenda para lojas do grupo, e que o escritório em Itaim tinha o total controle sobre estas empresas e confirmou que parte do quadro societário destas empresas era composta por laranjas que freqüentavam, esporadicamente, o escritório do Itaim. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, proponho manter a responsabilidade solidária, que teve como base o 124, I, do CTN, de todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas, exceto de Isabelle Restum. Isto porque não há prova material da participação de Isabelle Restum na prática dos fatos geradores que decorreram de fraude perpetrada pelo Grupo Restum. No Fl. 3014DF CARF MF 52 relatório fiscal do Grupo Restum, ela somente é citada por ser filha de Roberto Restum, mas não há indicativo algum de que tenha participado do esquema ou tenha se beneficiado dele. E isto tem uma razão de ser: Isabelle Restum é menor de idade data de nascimento de 29/04/2005. Como a responsabilidade solidária depende de atos intencionais de fraudar o fisco, tornase complexa/impossível a prova de que ela tenha praticado algum ato fraudulento. No Acórdão 1302001.962, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, de 11 de agosto de 2016, que julgou o processo lavrado em desfavor da empresa HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES, também pertencente ao grupo econômico Restum, convém reproduzir os motivos que levaram também à exoneração da responsabilidade Isabelle Restum, os quais passo a adotar como razões de decidir: Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. Desta feita, proponho dar provimento quanto ao recurso de Isabelle Restum (CPF 417.896.25823). Quanto à responsabilidade solidária com relação ao art. 135, III, do CTN, convém destacar a participação das pessoas físicas na prática das condutas apresentadas pela fiscalização: Como visto, tratase de pessoas ligadas a Roberto Restum, que, pela descrição dos fatos apontados pela fiscalização, juntamente com Adriana Restum, é o mentor de toda a fraude cometida aos cofres públicos. Não obstante sua liderança, seus familiares também participaram do arquétipo perpetrado pelo Grupo Restum, mesmo não pertencendo aos quadros societários de algumas empresas, não cabendo a eles alegarem negligência ou imperícia na condução dos Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.989 53 negócios, mormente por se tratarem de pessoas entendedoras do ramo de confecções e do empresariado, o que denota que eram sabedores de suas obrigações. O art. 135, III, do CTN, trata da responsabilidade solidária decorrente da prática de conduta excessiva: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A DRJ também manteve a responsabilidade solidária com base no art. 135, III, em relação a todas as pessoas físicas. Como já dito alhures, permitome apenas não concordar com a responsabilidade tributária atribuída a Isabelle Restum, pelos motivos acima já expostos. Entretanto, com relação aos demais, adoto também o que foi deliberado pela delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, não há dúvidas de que as pessoas físicas Roberto Restum (CPF 043.261.15840), Adriana Restum (CPF 120.853.19807), Vanessa Restum (CPF 215.012.648 69), Felipe Roberto Restum (CPF 215.012.76875) e Daniele Restum Traldi (CPF 215.012.73850) praticaram condutas com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, devendo ser mantidas as responsabilidades solidárias a elas imputadas. Assim, proponho dar provimento ao recurso de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente e de todos os demais responsáveis solidários pessoas físicas e jurídicas, as quais estão relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. Fl. 3016DF CARF MF 54 IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que a multa se aplica somente quando se comprova fraude. Assim, como a fiscalização imputou genericamente a conduta à recorrente, a multa é desproporcional e confiscatória, violando expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Convém destacar, de plano, que a Súmula nº 2 do CARF decreta que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, não entendo que toda falta de pagamento de tributo deve ser avaliada como fraude. Ao contrário, há que se diferenciar, nesse emaranhado de interpretações, o inadimplente do sonegador. Prefiro devanear que o inadimplente compõe a regra. É aquele sujeito passivo que cumpre suas obrigações fiscais, mesmo que somente as obrigações acessórias de apresentar livros e de declarar tributos. Penso que o contribuinte se torna inadimplente por carecer de maiores recursos para manter "de pé" sua atividade. Sabese que as obrigações de um empresário são tamanhas (funcionários, estoques, liquidez) que por vezes se vê obrigado a deixar de recolher os tributos que lhe seriam devidos para deslocar os recursos para a manutenção da sua atividade empresarial. Todavia, como se trata de pessoas de boa índole e cumpridoras de suas obrigações, declaram seus tributos mesmo que não tenham condições momentâneas de recolhêlos. Já o sonegador não se importa com os malefícios que traz para a sociedade. Este, em sua visão deturpada do capitalismo, apenas e tão somente busca pelo bem que mais lhe traz prazer, o dinheiro. Para tanto, cria todo tipo de ardil capaz de gerar riqueza, mesmo que sua conduta esteja inserida na legislação penal tributária. Este sonegador, em uma das acepções do verbete romano de "dar a César o que é de César", deve ser punido veementemente com todos os rigores da Lei. E a lei tributária, ciente deste imperativo, demarcou que a multa qualificada deve ser imputada em decorrência da prática das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme ditado pelo inciso § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.990 55 Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sempre digo em meus votos que é difícil adentrar à mente do praticante da conduta para saber efetivamente se restou caracterizado o elemento subjetivo do núcleo do crime de sonegação fiscal (em sentido amplo), que é o dolo. Isto se deve principalmente porque estamos sempre a avaliar as condutas praticadas no passado; às vezes, um passado bem remoto. Maria Rita Ferragut muito bem define o poderdever de investigar da administração e de angariar provas da veracidade dos fatos: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível2. Assim, há que se investigar, com as ferramentas que instrumentalizam o processo administrativo fiscal, se os atos praticados e os resultados auferidos subsumem à prática delituosa de crime contra a ordem tributária. 2 Presunções no Direito Tributário, 2ª Edição, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005, página 193. Fl. 3018DF CARF MF 56 Como se vê do Relatório Fiscal Grupo Restum, anexado a este processo, o grupo econômico planejou e executou formas de ludibiriar o fisco e recolher menos tributos em relação aos que deveria recolher caso suas declarações condizessem com o que ocorrera no mundo fenomênico. A maneira pela qual foi arquitetado todo o arquétipo empresarial com criação de inúmeras empresas em nome de "laranjas", algumas com endereços diversos, com fornecedores e clientes pertencentes, direta ou indiretamente, aos mesmos donos evidencia a máfé patente no caso aqui a ser julgado. No caso concreto, vêse que a empresa, e todo o Grupo Restum, apresentavam declarações com valores zerados ou valores reduzidos, digase, bem inferiores aos efetivamente praticados (como o valor do faturamento, por exemplo). A quantidade de empresas, com intuito de repartição das receitas auferidas pelo Grupo Restum denota a intenção dolosa em se omitir a grandeza do Grupo, a fim de não chamar a atenção do fisco. Tanto é que, somente após o início dos procedimentos fiscais imputados às empresas do grupo, é que algumas empresas entregaram DIPJ retificadora e, mesmo assim, os valores estavam bem aquém daqueles apurados efetivamente por elas, conforme se depreende do cotejo entre a informação contida nas notas fiscais eletrônicas extraídas do SPED e os valores informados nas DIPJs retificadoras. Outro ponto a se destacar é que as empresas do grupo Restum eram constituídas e encerradas com o intuito de obstar o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores praticados, ou, também, a impedir que fossem responsabilizados os verdadeiros arquitetos da fraude fiscal, quais sejam, seus sócios de fato, quando delegavam a "laranjas" a atribuição de figurarem como sócios de direito nas empresas de "fachada". Vejase nos trechos do Relatório Fiscal que a empresa praticou várias condutas que se subsumem ao conceito de sonegação, fraude e conluio (efl. 129): Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. Em conclusão, no caso dos autos, todas as provas acostadas ao processo, seguidas de descrição detalhada sobre o modus operandi desenvolvido e praticado por todo o grupo econômico Restum, em relevo por seus sócios de fato, levamnos a concluir pela procedência da imputação perpetrada pela autoridade fiscal.. Dessa forma, mister se faz necessária a manutenção da multa qualificada. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 19311.720365/201482 Acórdão n.º 1401002.313 S1C4T1 Fl. 2.991 57 Alega que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, mas tão somente em relação a tributos e contribuições sociais. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. VI – JULGAMENTO CONJUNTO A recorrente pede pelo julgamento em conjunto de dez processos lavrados em desfavor do "Grupo Restum", por tratarem dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos. Fl. 3020DF CARF MF 58 Com relação a este pedido, convém ressaltar que a recorrente não logrou comprovar que os processos em questão tratam da exigência de mesmo crédito tributário, ou que seja o seu pedido fundamentado em fato idênticos, razão pela qual o pedido da recorrente tornase insubsistente. Não obstante, informo que 9 (nove), dos 10 (dez) processos do Grupo Restum, serão julgados em conjunto, já que 1 (um) deles já havia sido julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão de 11/08/2016 processo nº 19311.720362/201449, empresa HotBrás Comércio de Confecções Ltda. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum, e NEGAR provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas), relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3021DF CARF MF
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Numero do processo: 12709.000002/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/12/2010
LAUDO TÉCNICO POR PERITO CREDENCIADO. CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO IMPORTADO COMPROVADAS. EX-TARIFÁRIO.
Deve ser cancelado o lançamento por meio do qual exigidos os tributos aduaneiros quando restar comprovado, mediante laudo técnico elaborado por perito credenciado, que o produto importado atende às especificações técnicas necessárias ao seu enquadramento em "ex" tarifário.
Numero da decisão: 3201-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/12/2010 LAUDO TÉCNICO POR PERITO CREDENCIADO. CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO IMPORTADO COMPROVADAS. EXTARIFÁRIO. Deve ser cancelado o lançamento por meio do qual exigidos os tributos aduaneiros quando restar comprovado, mediante laudo técnico elaborado por perito credenciado, que o produto importado atende às especificações técnicas necessárias ao seu enquadramento em "ex" tarifário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 00 02 /2 01 1- 71 Fl. 267DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação, PIS/Pasep importação, Cofinsimportação e multas de ofício, acrescidos de juros e de multas. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 807.747,17 referente a Imposto de Importação, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e multas de ofício, decorrentes do não enquadramento de equipamento importado em “extarifário”. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada submeteu a despacho de importação máquina tipo offset para decorar copos de latas metálicas modelo Rutherford 8CD62200CT, amparada pela Declaração de Importação nº 10/21408389, registrada em 01/12/2010, enquadrandoa em “extarifário” que estabelece redução do imposto de importação. Referido benefício é concedido a máquinas com capacidade máxima de impressão de 2.200 latas/minuto. No ato de conferência física da mercadoria verificouse que o modelo da máquina importada não conferia com o declarado, sendo a máquina importada de modelo Rutherford 8CD62000 CT. Solicitado a apresentar catálogo técnico da máquina importada, o importador apresentou catálogo do modelo declarado (2200) e, posteriormente, o do modelo importado (2000). Foi solicitada a elaboração de laudo técnico para comprovar a capacidade de produção da máquina. Segundo informações do técnico signatário do laudo, este foi elaborado com base no próprio catálogo, sendo que a real capacidade de produção da máquina somente seria possível atestar após a montagem e início de sua produção. Considerando que não houve comprovação de que a máquina possui a capacidade máxima de produção declarada e necessária para enquadramento no benefício de redução do imposto de importação, e que em Declaração de Importação anteriormente registrada (DI nº 10/20419220), de máquina idêntica, a interessada declinou da redução do imposto, foi lavrado auto de infração para exigência do imposto de importação e diferenças de contribuições reflexas e multas devidas. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: A máquina importada se enquadra nos requisitos previstos no “ex22” estabelecido pela Resolução Camex nº 18/2010 que determina a redução da alíquota de imposto de importação de 14% para 2%, especialmente em relação a sua capacidade máxima de produção de 2200 latas por minuto. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12709.000002/201171 Acórdão n.º 3201003.747 S3C2T1 Fl. 268 3 O que ocorreu foi um equívoco na indústria que produziu a máquina ao apor plaqueta na qual indica o modelo como “8CD6–2000CT”, quando, em verdade, a máquina é de modelo “8CD62200CT”. Esse fato foi registrado pela engenheiro que produziu o laudo técnico no momento da importação, bem como por laudo técnico complementar produzido pelo mesmo engenheiro, que atestou que a capacidade de produção da máquina é de 2200 latas por minuto (laudo anexo). Requer, assim, que o auto de infração seja declarado improcedente. Em 24 de novembro de 2016 o processo foi encaminhado a esta DRJ Florianópolis para julgamento prioritário, considerando a determinação judicial acostado aos autos às folhas 169/170. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0738.970, de 19/12/2016 (fls. 205 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/11/2010, 01/12/2010 EXTARIFÁRIO. CARACTERÍSTICAS. Para o enquadramento de mercadoria em “extarifário” todas as características nele determinadas devem estar presentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 223 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, suscita, em síntese, os seguintes argumentos: No despacho aduaneiro, informou à fiscalização que a plaqueta de identificação do bem importado estava equivocada. Apresentou laudo técnico apontando a capacidade operacional de 2.200 latas por minuto, laudo que foi considerado insuficiente, daí o auto de infração. A DRJ, contudo, não considerou este último laudo, porque não constava a assinatura do perito. Para espancar qualquer dúvida, traz aos autos laudo técnico assinado pelo mesmo perito. Durante as medições, a capacidade de produção de 2.200 latas por minuto foi atingida várias vezes e de maneira consistente. Fl. 269DF CARF MF 4 A admissibilidade do laudo técnico ora apresentado deve ser admitida e atende ao disposto no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Tratase de mera complementação de prova entregue junto com a impugnação (reproduz ementa de decisão do CARF admitindo a juntada de provas no recurso voluntário). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em síntese, a Recorrente promoveu a importação de uma máquina offset e a enquadrou em “extarifário” para o qual se previa uma redução da alíquota de imposto de importação. Não se discute a sua classificação fiscal, mas apenas se estava correto o enquadramento no "ex". Na conferência física, constatou a fiscalização que o modelo importado (8CD6 2000CT) não conferia com o informado na Declaração de Importação DI (8CD62200CT), sendo que o benefício era conferido apenas para as máquinas com capacidade máxima de impressão de 2.200 latas/minuto – o caso da declarada. A fiscalização, então, solicitou e obteve um primeiro laudo técnico oficial, atestando que a máquina importada era uma impressora offsete modelo 8CD62000CT, com número de série 14785, específica para imprimir latas de alumínio destinadas a envasar bebidas. Para outro quesito que lhe foi formulado, informou o perito: "...tendo como fonte de referência o catálogo fornecido a SRF pelo importador e reproduzido ao final deste Laudo Técnico a impressora importada possui uma capacidade máxima de 2200 latas por minuto. Portanto, para estimar a capacidade de produção, o perito baseouse nas informações constantes de manual técnico do modelo informado na DI, mas esse modelo, como ele próprio afirma, era diverso do identificado na placa de identificação aposta na máquina importada. No processo administrativo de nº 12709.000057/201181, em que figura a mesma interessada e com a mesma controvérsia, além de sustentar ter havido um mero erro do fabricante da máquina quando da aposição da placa de identificação (o fabricante informou que o modelo identificado na placa não era mais fabricado, tendo sido substituído pelo informado na DI; ver de fl. 44 do processo nº 12709.000057/201181, ora também em julgamento), a Recorrente alega que laudo técnico complementar, da lavra do mesmo técnico signatário do laudo inicial, atesta que, “Como resultado das medições realizadas posso afirmar que a impressora importada atende à especificação de capacidade de produção máxima de 2200 latas por minuto” (fl. 211 do processo nº 12709.000057/201181). Todavia, como destacado no acórdão recorrido, o referido laudo complementar não se encontrava assinado, fato que, no entender do seu relator, impossibilitaria a sua utilização para comprovar as características da máquina. O relator do acórdão recorrido afirma que esse laudo técnico complementar foi apresentado junto com a impugnação. Todavia, ele já estava anexado aos autos quando esta foi apresentada. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12709.000002/201171 Acórdão n.º 3201003.747 S3C2T1 Fl. 269 5 Resumindo: temos um laudo técnico inicial feito com base em manual técnico, porque a máquina ainda não estava operante; um segundo laudo técnico, desta feita chamado complementar, feito por engenheiro credenciado, mas não assinado; e, finalmente, um terceiro, idêntico em forma e conteúdo ao anterior (o complementar), mas agora assinado pelo mesmo engenheiro. Neles, este informa que fez a medição na mesma máquina vistoriada no EADI e que "Durante as medições a capacidade de produção de 2.200 latas por minuto foi atingida diversas vezes, e de maneira consistente. Como resultado das medições realizadas, posso afirmar que a impressora importada atende à especificação de capacidade de produção máxima de 2.200 latas por minuto." (fls. 259 do presente processo). Parecenos, portanto, que o derradeiro laudo finalmente comprova a capacidade de produção da máquina de impressão de 2.200 latas/minuto, o que autoriza o enquadramento no "ex tarifário". Cabe ressaltar, porém, que, a nosso juízo, a fiscalização agiu corretamente ao desconsiderar o primeiro laudo técnico. O fato de que a indicação na placa de identificação indicava modelo diverso do declarado, conjugado à inviabilidade da aferição de sua capacidade "na produção" – eis que a máquina ainda se encontrava em recinto alfandegado – não levaria a uma outra solução, senão a de promoverse o lançamento. As dúvidas, todavia, como se viu, restaram dirimidas. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 271DF CARF MF
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