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Numero do processo: 10880.690562/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Exercício: 2008
ÔNUS DE PROVA DA PARTE RECORRENTE. DESINCUMBÊNCIA. INEXISTENTE.
Para comprovação do direito de crédito, a contribuinte deve não apenas provar o que efetivamente pagou, como também o que deveria ter pagado, para que possa tornar o crédito líquido e certo. Do contrário, o fisco fica impossibilitado de homologar compensação em que restam dúvidas sobre os fatos que teriam supostamente originado o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3401-007.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
João Paulo Mendes Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Mara Cristina Sifuentes (presidente em exercício), Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto. Ausente justificadamente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: JOAO PAULO MENDES NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2008 ÔNUS DE PROVA DA PARTE RECORRENTE. DESINCUMBÊNCIA. INEXISTENTE. Para comprovação do direito de crédito, a contribuinte deve não apenas provar o que efetivamente pagou, como também o que deveria ter pagado, para que possa tornar o crédito líquido e certo. Do contrário, o fisco fica impossibilitado de homologar compensação em que restam dúvidas sobre os fatos que teriam supostamente originado o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido.
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PAULO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2008 ÔNUS DE PROVA DA PARTE RECORRENTE. DESINCUMBÊNCIA. INEXISTENTE. Para comprovação do direito de crédito, a contribuinte deve não apenas provar o que efetivamente pagou, como também o que deveria ter pagado, para que possa tornar o crédito líquido e certo. Do contrário, o fisco fica impossibilitado de homologar compensação em que restam dúvidas sobre os fatos que teriam supostamente originado o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros, Mara Cristina Sifuentes (presidente em exercício), Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto. Ausente justificadamente o conselheiro Rosaldo Trevisan. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida unanimemente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF em que se julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade para reconhecer o direito de crédito da contribuinte recorrente no valor de R$734,43 e não no valor integral do débito que ainda deseja pleitear a pessoa jurídica em tela. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 05 62 /2 00 9- 73 Fl. 161DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690562/2009-73 Para fins de relato fiel ao que ocorreu até então nesses autos, reproduz-se a integralidade do relatório elaborado pela DRJ de origem: 29127.17566.150508.1.3.04-9855, transmiti Financiamento da Seguridade Social - Cofins. decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF ap Assim, em 2 Cient Em suma, a contribuinte enfatiza a Ao final requer que se Em momento procedimental imediatamente posterior a DRJ de origem julgou parcialmente procedente o pedido, com fundamento no fato de junto da Manifestação de Inconformidade não ter sido anexado nenhum conjunto probatório capaz de levar à conclusão que desejava a contribuinte. Diante disso, compensou-se o que foi possível constatar nos sistemas da Receita Federal de valores pagos à maior. Contrariada com a decisão, a contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário com os seguintes fundamentos, de forma resumida: ¨(...) 8. A insuficiência do crédito, apregoada pelo v. Acórdão nº 03-66.181, derivou da consideração equivocada do débito de COFINS do mês de março/2008 confessado na DCTF original, no montante de Fl. 162DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690562/2009-73 R$1.614.964,60, ao invés de se pautar corretamente no valor de R$1.550.697,59 informado na DCTF Retificadora (Docs. 04 e 05). (...)¨ É o relatório. Voto Conselheiro João Paulo Mendes Neto, Relator. A interposição do recurso voluntário se mostra tempestivo e segue os requisitos legais de sua admissibilidade, razão pela qual ele merece ser conhecido por este Conselho. Da inexistência de desincumbência probatória O Recurso Voluntário analisado não preenche a lacuna probatória identificada e que deu origem à conclusão que se chegou na DRJ de Brasília/DF no momento do julgamento da Manifestação de Inconformidade. Inicialmente é necessário levantar a premissa central deste voto: o direito de crédito advém de pagamento à maior ou indevido. Na primeira hipótese (a qual é importante para este caso), pagamento à maior, pela próprio sentido gramatical, têm de ser maior em relação a algo. ¨Maior¨, como adjetivo comparativo, deve ser avaliado a partir de algum critério para que haja pelo menos a possibilidade de se comparar. Como será visto, os documentos colacionados pela recorrente até então nos autos não permite à autoridade fiscal ter certeza sobre os fatos que seriam necessários para que fosse realizada a comparação e constatado, se fosse o caso, o pagamento à maior. Por essa razão, o direito de crédito não foi deferido ao final do voto em virtude da falta de certeza sobre os fatos que pudessem levar ao valor que era devido para poder compará-lo com o que foi pago. Tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, a pessoa jurídica recorrente deixa de apresentar documentos idôneos e hábeis a amparar a existência no mundo dos fatos de real recolhimento a maior que supostamente ocorreu no período em tela. Conforme já fora decidido pela DRJ de Brasília, a existência de ato declaratório retificador (DCTF Retificadora) não possui o condão de provar, por si só, que houve de fato recolhimento maior do que o devido. Isso se dá pois para apurar o que realmente era devido e, a partir disso fazer, se fosse o caso, a diferença entre o valor devido e recolhido, torna-se indispensável que a autoridade administrativa fiscal se valha de documentos que levem a convicção desses valores. Nesses autos, entretanto, não é possível assegurar a liquidez, tampouco a certeza da existência do crédito supostamente advindo de pagamento a maior. Tal ônus probatório recai sobre a parte recorrente, pois sob ela a legislação incumbiu o dever de resguardo das escrituras contábeis, senão vejamos: Decreto 7.574/2011 faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados Fl. 163DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690562/2009-73 definidos em preceitos legais (Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o) Na mesma direção aponta a Lei que rege os procedimentos administrativos federais (Lei 9.784/99): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Cabe mencionar que a lógica que o legislador optou por inserir nos processos administrativos federais foi a mesma que a já existente no Código Processual Civil à época (Lei 5.869/73) e reproduzida no atual Código de Processo Civil, exposto abaixo: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; - extintivo do direito do autor. Por esses motivos, inexiste por parte da pessoa jurídica recorrente a desincumbência do seu dever de provar os fatos que dão origem ao direito de crédito que argumenta. A lógica argumentativa do ponto de vista jurídico-processual de nada vale se não estiver amparada em um conjunto probatório robusto capaz de pelo menos possibilitar a autoridade julgadora a adentrar nas minúcias jurídicas. No presente caso, ao contrário, a inexistência de conjunto probatório capaz de provar que o pagamento supostamente a maior efetivamente ocorreu gera neste julgamento a impossibilidade de se comparar o que foi pago com o que deveria ser pago, pois os documentos anexados amparam a certeza quanto ao primeiro (o que foi pago) mas não ao segundo (o que deveria ter sido pago). Essas razões já seriam suficientes para indeferir o pleito acima. Por outro lado, inova a parte contribuinte em levantar a hipótese de ter ocorrido ¨aquiescência tácita da Autoridade Fazendária em relação ao débito confessado na DCTF Retificadora (R$1.550.697,59), visto que decorrido o prazo de 5 anos sem que tenha ocorrido o lançamento complementar de eventuais diferenças ou o ajuizamento de execução fiscal, relativamente ao débito de COFIINS do mês de março/2008.¨. Tal argumentação não guarda sustentação jurídica na medida em que as Declarações Retificadoras, como a do caso em discussão, não produzem efeitos enquanto pendentes de análise ou quando não homologadas, conforme artigo 10, §4º, I e II da Instrução Normativa RFB n. 1599, de 11 de dezembro de 2015. Como foi exposto acima, em suma, o argumento que originou a interpretação e consequente decisão parcialmente procedente da Manifestação de Inconformidade pela DRJ, qual seja o da inexistência de documentos hábeis e idôneos a provar fato constitutivo do direito pleiteado, permanece o mesmo, pois a recorrente não supriu a referida falta. Desse ponto de vista, torna-se impossível que a autoridade fiscal homologue declaração de compensação de crédito que não foi devidamente provado no mundo dos fatos. Fl. 164DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.690562/2009-73 Conclusão Com base em todas as razões anteriormente expostas, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e, no mérito, pela sua TOTAL IMPROCEDÊNCIA. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720517/2017-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 1997, 1998
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula Vinculante CARF nº 108.
Numero da decisão: 9202-008.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula Vinculante CARF nº 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102-002.362, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. O presente processo de auto de infração foi lavrado, às fls. 189/195, para formalização de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Física, relativa aos anos-calendário 1996 e 1997, exercícios 1997 e 1998, no valor total de R$ 2.318.931,35, incluindo multa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 05 17 /2 01 7- 07 Fl. 713DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.449 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10437.720517/2017-07 ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 23/02/2001, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, conforme Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização, conforme fls. 181/188. O auto de infração foi impugnado, às fls. 198/243. A DRJ, no acórdão nº 17-32.954, às fls. 308/330, considerou parcialmente procedente o lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 340/361. Em 20/11/2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 537 e ss., exarou o Acórdão nº 2102-002.362, de relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, DANDO PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para reduzir a infração de acréscimo patrimonial a descoberto para R$ 15.224,74 e R$ 30.118,30, nos anos calendário 1996 e 1997, respectivamente, e determinar que sobre a multa de ofício proporcional deve incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1997, 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, de sorte que suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO FATO CARACTERIZADOR DO ACRÉSCIMO. ÔNUS DA PROVA. Na infração de omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto compete à autoridade fiscal comprovar, de forma inequívoca, a existência dos fatos que deram origem ao acréscimo patrimonial a descoberto, sendo inadmissível a aplicação de presunção. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Fl. 714DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.449 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10437.720517/2017-07 Recurso Voluntário Provido em Parte Em 04/04/2013, às fls. 553 e ss., a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Juros de mora sobre multa de ofício. Segundo a União, enquanto o Colegiado a quo entendeu ser aplicável a taxa de 1% de juros de mora incidente sobre a multa de ofício, os acórdãos paradigmas defenderam que deve ser empregada a taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre a multa. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 576 e ss., a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação às seguintes matérias: Juros de mora sobre multa de ofício. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, às fls. 639 e 651, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 654 e ss., reiterando, no mérito, os argumentos realizados anteriormente. Os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO O presente processo de auto de infração foi lavrado, às fls. 189/195, para formalização de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Física, relativa aos anos-calendário 1996 e 1997, exercícios 1997 e 1998, no valor total de R$ 2.318.931,35, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 23/02/2001, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, conforme Termo de Verificação em Procedimento de Fiscalização, conforme fls. 181/188. O Acórdão recorrido deu parcial provimento Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Juros de mora sobre multa de ofício. Fl. 715DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.449 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10437.720517/2017-07 Com relação à incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, de se esclarecer que trata-se de exigência decorrente de disposição legal expressa, sendo vedado seu afastamento por decisão administrativa. Além disso, conforme destacado nas Contrarrazões da Fazenda Nacional, a questão encontra-se pacificada no âmbito deste Conselho, tendo sido inclusive editada a respeito do tema a Súmula CARF nº 108, com efeito vinculante por força da Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, o que torna obrigatória sua observância pelos julgadores de 2ª instância administrativas e por todos os órgãos da Administração Tributária Federal: Súmula CARF nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, tendo em vista o entendimento pacífico e vinculante, não há outro apontamento a ser esposado. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito dar-lhe provimento, nos termos da súmula Carf N.108. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 716DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.000475/2009-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM IDENTIFICADA, MAS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada, o que inclui não apenas o ônus da efetiva comprovação da origem do recursos depositados, mas também o da comprovação do adequado oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável.
Numero da decisão: 9101-004.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Andréa Duek Simantob Presidente em Exercício e Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM IDENTIFICADA, MAS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada, o que inclui não apenas o ônus da efetiva comprovação da origem do recursos depositados, mas também o da comprovação do adequado oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Andréa Duek Simantob – Presidente em Exercício e Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 04 75 /2 00 9- 96 Fl. 1343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto por MARIA VALDELÚCIA RAMOS BATISTA SILVA - ME (fls. 1200 e seguintes) em face do acórdão nº 1301-001.155 (fls. 1147 e seguintes), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por meio do qual, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário. Opostos embargos ao acórdão recorrido, estes restaram não acolhidos pelo despacho do presidente daquele colegiado (fls. 1189 e seguintes), ante a inexistência dos apontados vícios. Interposto o recurso especial, este foi admitido apenas parcialmente, conforme o despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial da presidente da 3ª Câmara (fls. 1322 e seguintes), decisão esta que foi posteriormente confirmada pelo despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1326 e seguintes). No presente processo discute-se, em síntese, o lançamento de ofício efetuado na modalidade do Simples, formalizado a partir da imputação de omissão de receitas apuradas com espeque no art. 42 da Lei nº 9.430/96, constituído contra a empresa MARIA VALDELÚCIA RAMOS BATISTA SILVA – ME em face da movimentação financeira identificada pelo fisco em contas bancárias da pessoa física de MARIA VALDELUCIA RAMOS BATISTA. A questão discutida no recurso especial da contribuinte, na parte em que admitido, diz respeito à alegação recursal de que, tendo a própria fiscalizada esclarecido que a movimentação financeira em questão teria origem em “compra e venda de sucata em nome de uma pessoa jurídica não formalizada”, não caberia a imputação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, já que a origem dos depósitos, afinal, estaria comprovada. A recorrente apresentou como paradigmas de divergência os acórdãos nº 2801- 002.623 e nº 101-96.738, nos quais, em síntese, decidiu-se que “havendo indicação pelo sujeito passivo de elementos suficientes, que permitiriam a identificação da origem dos recursos, cabe ao Fisco sua persecução, com a re-inversão do ônus probatório”. O acórdão recorrido, por sua vez, sustentou o entendimento de que “o art. 42 da Lei nº 9.430/96, não obstante tratar precipuamente de caracterização de omissão de receita por presunção, alcança tanto os créditos bancários de origem não comprovada como aqueles que, apesar de comprovada a origem do recurso empregado, não foram computados na base de cálculo dos impostos e contribuições”. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 1329), requerendo, em síntese, a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 Voto Conselheira Andréa Duek Simantob, Relatora. 1. Conhecimento O recurso é tempestivo e interposto por parte legítima. Quanto à demonstração da divergência jurisprudencial, o contribuinte logrou êxito apenas quanto ao segundo ponto questionado - havendo a identificação da origem do depósito bancário não pode ser imputada a responsabilidade por omissão de receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada -, trazendo, para tanto os paradigmas de nºs. 2801-002.623 e 101- 96.738). Neste sentido, como o acórdão recorrido traz o entendimento de que a simples identificação da origem dos créditos bancários não invalida a aplicação da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez constatado que os valores não foram computados na base de cálculo dos tributos e contribuições, os paradigmas trazem o entendimento de que, uma vez identificada a origem dos créditos bancários pelo sujeito passivo, não pode ser imputada a infração com base na mesma presunção. Formada, portanto, a divergência jurisprudencial, na parte em que admitido o recurso, destacando, também, que esta foi a análise empreendida no despacho de fls. 1.322 e seguintes. Portanto, conheço do recurso especial interposto. 2. Mérito No que toca ao mérito da divergência, a questão que se coloca é decidir se o art. 42 da Lei nº 9.430/96 abriga (ou não) a possibilidade de autuação por omissão de receitas, quando a origem dos depósitos é identificada pela pessoa física ou jurídica fiscalizada. Para perfeita compreensão e desenvolvimento do tema, é mister, portanto, desde já, transcrever-se o citado dispositivo legal, nas suas partes relevantes ao propósito: “Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Fl. 1345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.” (destaques acrescidos) Conforme visto, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não trata apenas dos depósitos bancários de origem não comprovada (caput). Trata também, conforme visto, dos depósitos bancários de origem comprovada (§ 2º), neste caso, observando que os mesmos devem ser tributados (ou não) conforme a sua própria natureza. É possível, portanto, dividir-se o dispositivo legal em duas partes: a primeira tratando da não comprovação da origem (caput), e a segunda tratando da tributação dos depósitos de origem comprovada. Com relação à primeira parte, é importante destacar que a lei não fala em depósitos bancários de origem não identificada, e sim em depósitos bancários de origem não comprovada. “Identificar” não é a mesma coisa que comprovar. Para se desincumbir do ônus probatório que lhe cabe, portanto, não basta à pessoa física ou jurídica simplesmente “identificar”, ou meramente “apontar”, “indicar”, a origem dos depósitos. Cabe a ela comprovar a origem do depósito, ou seja, cabe-lhe o ônus de demonstrar que aquele específico depósito encontra-se, por exemplo, vinculado ao documento “X”, e encontra-se devidamente contabilizado no Livro “Y”, na data “Z”. Este é o sentido de comprovar a origem, que é algo muito maior do que simplesmente indicar uma suposta origem. No específico caso dos autos, para que não haja dúvidas, é importante observar que foi a própria fiscalizada quem afirmou que a movimentação financeira nas contas correntes da pessoa física teria origem em “compra e venda de sucata em nome de uma pessoa jurídica não formalizada”. É verdade que, ainda na fase investigativa, a fiscalizada apresentou cópia de diversas notas fiscais avulsas, de emissão da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, que identificavam como vendedor das sucatas a pessoa física MARIA VALDELUCIA RAMOS BATISTA. Contudo, em momento algum foi feita pela recorrente qualquer vinculação dessas notas fiscais aos depósitos bancários ocorridos nas contas correntes da pessoa física, nem tampouco a sua vinculação a qualquer forma de contabilização dessas receitas em algum livro contábil ou fiscal. Pelo contrário, a própria fiscalizada reconhece que “essas receitas nunca transitaram por contas bancárias, livros contábeis e livros fiscais da impugnante, até porque o comércio da mesma nunca se reportou a vendas de sucatas no atacado”, consoante o relatório da decisão recorrida, na parte em que sintetiza as razões de defesa da recorrente. Fl. 1346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 Além disto, uma perfunctória análise das referidas notas fiscais (e-fls. 393 a 469), vis-à-vis os depósitos bancários listados pela fiscalização como aqueles cuja origem deveria ser comprovada pela fiscalizada (fls. 519 a 534), evidencia que não há, em absoluto, identidade alguma, ou mesmo semelhança, de valores entre eles. Diante deste cenário, como falar-se em comprovação da origem dos depósitos? Ora, não há um único depósito bancário que tenha sido vinculado a qualquer documento fiscal e/ou operação específica, nem tampouco a qualquer forma de contabilização e/ou de tributação das correspondentes receitas. Pelo contrário, a fiscalizada expressamente reconheceu que não houve qualquer forma de contabilização, quer das notas fiscais, quer da movimentação bancária. Nenhum reparo a fazer, portanto, ao lançamento fiscal constituído com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, porque, em primeiro lugar, de fato em momento algum houve a comprovação da origem dos depósitos. Este é o primeiro ponto. Daí porque, de pronto, refuta-se expressamente a aplicação da tese defendida pelos paradigmas de divergência acostados pela recorrente, que sugerem que “havendo indicação pelo sujeito passivo de elementos suficientes, que permitiriam a identificação da origem dos recursos, cabe ao Fisco sua persecução, com a re-inversão do ônus probatório”. Ora, “indicar elementos que permitiriam identificar a origem”, com todas as vênias, não é o mesmo que “comprovar a origem”, que é o que a lei exige. Prosseguindo, e tratando-se agora da “segunda parte” do dispositivo legal (o § 2º), a qual determina a tributação também dos depósitos com origem efetivamente comprovada, concordo com a tese esposada no acórdão recorrido, no sentido de que também é ônus do contribuinte demonstrar que foi dado o correto tratamento tributário às receitas representadas por aqueles depósitos. Ou seja, além da necessidade de efetiva comprovação da origem dos depósitos (sem o que permanece hígida a presunção legal de omissão de receitas), o art. 42 também impõe ao fiscalizado o ônus de comprovar a sua correta tributação (se o caso de se tratar de receita tributável), sem o que também permanece hígida a imputação de omissão de receitas feita com base no referido dispositivo. Em outras palavras, para não sofrer a tributação sobre o referido depósito como omissão de receitas, cabe ao fiscalizado demonstrar que aquele depósito bancário, por hipótese: (i) não corresponde a uma receita; ou (ii) corresponde a uma receita que, por qualquer razão, seja isenta ou não tributável; ou (iii) corresponde a uma receita devidamente contabilizada e já oferecida à tributação. E a situação da recorrente, conforme visto, não se enquadra em nenhum desses casos. Pelo contrário, a recorrente expressamente reconheceu que se tratava, no caso, de receitas tributáveis, assim como também expressamente reconheceu que não as contabilizou e nem tampouco as submeteu à tributação pelos impostos e contribuições exigidos nos presentes autos. Nenhum reparo a fazer, portanto, ao lançamento fiscal, também sob esta ótica, pois restou perfeitamente configurada a omissão de receitas. O CARF também já se manifestou em sentido semelhante, não apenas no próprio acórdão recorrido, como também em diversos outros casos envolvendo a tributação por omissão Fl. 1347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, sempre transferindo ao contribuinte o ônus de demonstrar que as receitas consideradas omitidas pelo fisco, com base nos depósitos bancários, haviam sido por ele oferecidas à tributação. Neste sentido, os seguintes precedentes, a título exemplificativo: “OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazê-lo.” (Acórdão nº 1102- 001.017, sessão de 12/02/2014, relator José Evande Carvalho Araujo) “IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de crédito tributário com base em depósitos bancários quando o sujeito passivo não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem do rendimento, seja isento, não tributável ou exclusivo de fonte ou já objeto de tributação na DIRPF.” (Acórdão CSRF nº 04-00.654, sessão de 19/09/2007, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) “IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de crédito tributário com base em depósitos bancários que o sujeito passivo não comprova originar-se de rendimentos tributados, isentos ou não tributáveis.” (Acórdão CSRF nº 04-00.444, sessão de 12/12/2006, relator José Ribamar Barros Penha) Ainda no mesmo sentido do presente voto, transcreve-se ainda o seguinte excerto do voto condutor proferido pelo conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho no acórdão nº 1102- 001.321, também tratando desta matéria, verbis: “A par da ausência de efetiva comprovação acerca da origem dos valores depositados, mediante apresentação de documentação hábil e idônea em que haja coincidência de datas e valores, o afastamento da tributação dos montantes em referência apenas se justificaria se a Contribuinte tivesse comprovado à Fiscalização o oferecimento à tributação dos montantes respectivos ou a não incidência/isenção tributária na hipótese. Mesmo diante dos esclarecimentos apresentados pela Contribuinte, os quais, reitere-se, estão desacompanhados de adequada comprovação, ainda assim a exigência dos tributos deveria ser mantida, ante a ausência de tributação respectiva pela Contribuinte.” (destaques acrescidos) Em síntese e conclusão, tem-se que o art. 42 da Lei 9.430/1996 constitui uma presunção legal cujo efeito é o de transferir ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, o que somente pode ser feito mediante a comprovação da origem dos recursos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável. Por todo o exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. É o meu voto. Fl. 1348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.693 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10435.000475/2009-96 (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Fl. 1349DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.911418/2009-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVA MENSAIS.
A não demonstração cabal da certeza e da liquidez do crédito, caracterizada por argumentos inadequados e por ausência de apresentação de escrituração contábil condizente com as obrigações tributárias acessórias, inviabiliza o reconhecimento da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1002-000.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva, Rafael - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ESTIMATIVA MENSAIS. A não demonstração cabal da certeza e da liquidez do crédito, caracterizada por argumentos inadequados e por ausência de apresentação de escrituração contábil condizente com as obrigações tributárias acessórias, inviabiliza o reconhecimento da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva, Rafael - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão nº 12-077.745 da 15ª Turma da DRJ/RJ1, de 16/07/2015 (fls. 64 a 67): O presente processo trata das Declarações de Compensação DCOMP de n os 37883.07198.280105.1.3.03-6240 e 27898.23414.280307.1.7.03-5935, lastreadas no aproveitamento do Saldo Negativo de CSLL apurado pelo contribuinte no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 14 18 /2 00 9- 28 Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Exercício 2001 – Ano-calendário 2000, no valor de R$23.367,51. Submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – SC, a DCOMP não foi homologada — cfr. Despacho Decisório nº 845351295, emitido em 24/08/2009 (fl.18): O motivo do indeferimento do pleito foi a não-confirmação de parte do pagamento de estimativas mensais. Cientificada do despacho decisório em 03/09/2009 – fl.56, a Interessada apresentou, em 05/10/2009, a manifestação de inconformidade de fls.02-05, instruída com os documentos de fls.07-55, na qual explica que os créditos seriam originários da DIPJ2001, ano- calendário 2000, devidamente demonstrados na Ficha 17, cujos recolhimentos de estimativas mensais teriam se dado em parte por meio de recolhimento em DARF no valor de R$6.935,95 e parte por compensação com créditos próprios no valor de R$17.867,83. Explica que do montante do crédito pleiteado houve a confirmação do pagamento de R$6.935,95 e do valor de R$12.571,43 relativos à compensação de estimativas com saldo negativo de período anterior. Deixou de ser homologado no total o valor de R$6.031,53. No seu entendimento, a análise realizada deixou de considerar alguns recolhimentos de estimativas mensais, liquidadas por compensação com saldo negativo do ano- calendário de 1999, devidamente registradas em DIPJ e DCTF. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a homologação das compensações realizadas. Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 A Decisão da DRJ/RJ1, datada de 16/07/2015, indeferiu referida manifestação de inconformidade do contribuinte, com fundamento no art. 170 do CTN, diante da comprovação de ausência de certeza e liquidez do crédito requerido, decorrente das seguintes análises: O indeferimento do pleito recaiu sobre DARFs que não foram utilizados para quitar o débito de estimativa nos meses de agosto, setembro e parte de junho de 2000. Na DCTF do mês de junho, constam R$275,09 como valor a pagar de CSLL. Este foi exatamente o valor alocado, pelo sistema, do DARF de referida competência. Restaram R$3.365,92 que foram objeto de PER- DCOMP, por pagamento indevido ou a maior, de nº 00176.32240.270804.1.3.04-3095, para a qual já houve Despacho Decisório emitido com reconhecimento parcial do crédito no valor de R$3.090,83. Observou-se que não há débitos de CSLL declarados na DCTF de agosto e setembro. Em agosto, o valor pago a maior de R$2.444,86 também foi objeto de PER-DCOMP de nº 18257.84445.270804.1.3.04-3792, a qual foi totalmente homologada. Em setembro, o DARF de R$78,60 não está alocado para nenhum débito, nem existe PER-DCOMP para este valor. Nas três situações, houve pagamento a maior do que os declarados em DCTF. Estes valores de fato não compuseram o saldo negativo do período. Sendo que, tanto em junho como em agosto, eles foram objeto de pedido de compensação por pagamento indevido ou a maior. Estaria correto, portanto, o Despacho Decisório. A recorrente, por sua vez, apresentou Recurso Voluntário, em 02/10/2015 (fls. 78 a 82), alegando o seguinte: Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Que a DRJ somente se manifestou sobre junho, agosto e setembro de 2000, e que estes meses não haviam diferenças a serem questionadas (fl. 81); Que não teria sido confirmado o valor de R$ 6.031,53, conforme o seguinte quadro: Que a DRJ teria deixado de considerar alguns recolhimentos por estimativas mensais, liquidadas por compensação com saldo negativo do ano-calendário 1999 (fls. 80 e 81): a) maio de 2000: não levado em consideração o valor de R$ 91,52; b) julho de 2000, não teria sido levado em consideração o valor de R$ 2.149,94; c) novembro de 2000: não teria sido levado em consideração o valor de R$ 2.584,58; Que a DRJ não teria levado em consideração a DCTF e a DIPJ; Que o valor do saldo negativo do ano-calendário 1999 estaria pendente de julgamento no Carf, sob o nº 10983.900.242/2008-06 e que este deveria ser julgado Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 em conjunto com o objeto do presente processo, pois o resultado de um implicaria o resultado do outro; Por fim, requereu o contribuinte, em seu Recurso Voluntário o seguinte pedido: Que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, com o respectivo julgamento em conjunto com o processo 10.983.900.242/2008-06. Vale ressaltar que, em verificação ao sistema de acompanhamento de processos do Carf, de fato, o processo nº 10.983.900.242/2008-06, mencionado pelo contribuinte como essencial ao julgamento do presente processo 10.983.911.418/2009-28, encontra-se pendente de julgamento pelo Carf, cuja última movimentação (status atual) indica “RECEBER – ORIGEM CARF – TRIAGEM”, nos seguintes termos: É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, na medida em que o tributo objeto do pedido de compensação é relativo à CSLL. Assim, observo que o recurso é tempestivo (interposto em 02/10/2015, vide Carimbo, fl. 78, face à intimação com recebimento datado de 02/09/2015, fl. 76) e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar A Recorrente requer que o presente processo seja vinculado a outro processo que se encontra pendente de julgamento, sendo referido recebido como natureza de preliminar, devendo referido pedido ser analisado previamente ao mérito. A Recorrente indica, fl. 81, que o presente processo nº 10.983.911418.2009-28 haveria de ser julgado conjuntamente com o processo nº 10.983.900.242/2008-06, sob o seguinte argumento: [...], tendo as estimativas sido compensadas com saldo negativo da CSLL do ano- calendário 1999, e restando o valor deste saldo negativo pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sob o n° 10983.900.242/2008-06 faz- se necessário que ambos sejam julgados conjuntamente, pois o resultado de um, implicaria no ( s i c ) reconhecimento do crédito do outro. Naquele processo a recorrente comprova que para chegar ao resultado apontado na Ficha 30 recomposta, os nobres julgadores acabaram por não incluir valores efetivamente recolhidos pela recorrente e não localizados nos sistemas da Receita Federal, mas que se tem oportunidade de comprovar a sua origem, conforme documentação anexada ao citado processo; Assim, uma vez acatados os argumentos da recorrente expostos no processo n° 10983.900.242/2008-06, haverá alteração no saldo negativo a compensar de 1999, refletindo também neste processo, razão pela qual se faz necessário o julgamento conjunto dos dois processos, para ao final ver reconhecido o crédito e homologadas as compensações. [...] Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Em síntese, entende o contribuinte que os anexos contidos no processo nº 10983.900.242/2008-06, a ser julgado pelo CARF, demonstrariam o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999, o qual teria sido, segundo o Recorrente, utilizado para compor o saldo negativo do ano calendário 2000 (objeto do presente processo). Apesar disso, ao que alude o Recorrente a lide está restrita à não confirmação das estimativas de maio, agosto e setembro do ano-calendário 2000, meses estes sobre os quais alega o Recorrente que a DRJ teria deixado de considerar alguns recolhimentos por estimativas mensais, liquidadas por compensação com saldo negativo do ano-calendário 1999 (fls. 80 e 81): a) maio de 2000: não levado em consideração o valor de R$ 91,52; b) julho de 2000, não teria sido levado em consideração o valor de R$ 2.149,94; c) novembro de 2000: não teria sido levado em consideração o valor de R$ 2.584,58. No entanto, tal argumento da Recorrente resulta improcedente, na medida em que todos os saldos negativos pleiteados na PER/DCOMP objeto do presente processo foram devidamente aproveitados, conforme se depreende do Despacho Decisório (fl. 18), indicando que os valores decorrentes de saldos negativos que totalizavam R$ 12.571,43 e foram registrados na PER/DCOMP foram integralmente aproveitados/confirmados, nos seguintes termos: Ademais, o acórdão da DRJ afirmou que os débitos compensados com saldos negativos de períodos anteriores foram integralmente confirmadas (fl. 66), não havendo qualquer contestação da empresa Recorrente em relação a este ponto em seu Recurso Voluntário. Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Ainda assim, a Recorrente busca equivocadamente crer que as estimativas de maio, agosto e setembro de 2000 não teriam sido compensadas por desconsideração do saldo negativo do ano calendário de 1999. Assim, o presente processo nº 10.983.911418.2009-28 não depende do julgamento do conjuntamente com o processo nº 10.983.900.242/2008-06, na medida em que o julgamento deste último é indiferente para o julgamento do presente processo de nº 10.983.911418.2009-28. Não há que se estabelecer, portanto, a vinculação de referidos processos pretendida pelo Recorrente, já que inaplicável qualquer dos institutos previstos no art. 6º, §1º, da Portaria MF nº 343/2015, rejeitando-se, portanto, referida preliminar, após a qual se segue a análise de mérito. Mérito Acerca da análise de mérito, necessário reiterar o teor do Despacho Decisório, nos seguintes termos: Referido Despacho Decisório indica, na sexta coluna da tabela nele inserida, a quantia de R$ 12.571,43 registrada na PER/DCOMP, tendo sido confirmada a quantia de R$ 12.571,43; ou seja, todos os valores registrados na PER/DCOMP a título de saldo negativo de CSLL foram integralmente aproveitados para fins de crédito. O Acórdão da DRJ reitera que todos os valores de débitos relativos às estimativas do ano calendário 2000 que foram compensados com saldos negativos de anos anteriores foram integralmente compensados. Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 Não houve qualquer argumentação da Recorrente contrária ao entendimento da DRJ de que tais estimativas do ano calendário 2000 foram integralmente compensadas com os saldos negativos de ano anterior. Do exposto, demonstram-se inadequados e insubsistentes, na totalidade, os argumentos da Recorrente de que o valor não confirmado na PER/DCOMP teria decorrido da não consideração de valores decorrentes de saldos negativos de ano anterior. Em decorrência disso, não há qualquer demonstração, por parte da Recorrente, da certeza e liquidez dos créditos que alega possuir, motivo pelo qual restam não passíveis de compensação, conforme previsão legal constante no Código Tributário Nacional – CTN, que assim dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Ademais, não consta no presente processo a demonstração cabal necessária, por meio da apresentação da escrituração contábil respectiva condizente com as informações constantes nas obrigações tributárias acessórias, dos valores requeridos a título de compensação. Nesse sentido, a negação da compensação requerida é medida que se impõe, considerando-se que os créditos requeridos para compensação, via PER/DCOMP, não foram demonstrados no presente processo. Dispositivo Dessa forma, não havendo demonstração da certeza e da liquidez do alegado crédito objeto de compensação, torna-se inviável o reconhecimento do crédito pleiteado nos autos, não havendo motivos para a reforma do Acórdão da DRJ. Considerando-se, portanto, que a literalidade do artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, e diante da caracterizada incerteza e iliquidez do crédito informado na PER/DCOM objeto do presente processo, pelos Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7212.htm#art268 Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-000.970 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.911418/2009-28 motivos anteriormente expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13971.002774/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
NULIDADE. FALTA DE ESPECIFICIDADE DOS CÁLCULOS DOS CRÉDITOS GLOSADOS. INEXISTÊNCIA. PEDIDO DE PERI´CIA/DILIGE^NCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NA~O CONFIGURADO. NULIDADE DA DECISA~O RECORRIDA. PREJUÍZO. NÃO CONFIGURADO
Inexiste violação do direito de contraditório e ampla defesa com base na falta de especificidade dos cálculos de compensação quando os mesmos se fundam em demonstrativos analíticos sobre a glosa de créditos efetivada.
No a^mbito do processo administrativo fiscal, a produc¸a~o da prova pericial somente só se faz necessária nos casos a ana´lise da prova exige conhecimento te´cnico especializado. Por na~o atender tal condic¸a~o, a apreciac¸a~o de documentos conta´beis e fiscais prescinde de realizac¸a~o de peri´cia te´cnica.
Inexistente comprovação da necessidade da produção de prova pericial e de prejuízo decorrente de sua preterição, não há que se falar em nulidade do acórdão.
CRÉDITO PIS. CRÉDITO COFINS. INEXISTENTES.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-007.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
João Paulo Mendes Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Presidente em exercício), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto, Marcos Roberto da Silva (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: JOAO PAULO MENDES NETO
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FALTA DE ESPECIFICIDADE DOS CÁLCULOS DOS CRÉDITOS GLOSADOS. INEXISTÊNCI PREJUÍZO. NÃO CONFIGURADO Inexiste violação do direito de contraditório e ampla defesa com base na falta de especificidade dos cálculos de compensação quando os mesmos se fundam em demonstrativos analíticos sobre a glosa de créditos efetivada. Inexistente comprovação da necessidade da produção de prova pericial e de prejuízo decorrente de sua preterição, não há que se falar em nulidade do acórdão. CRÉDITO PIS. CRÉDITO COFINS. INEXISTENTES. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Presidente em exercício), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto, Marcos Roberto da Silva (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice- Presidente). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 27 74 /2 01 0- 10 Fl. 431DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Relatório Inicialmente, formalizaram-se Declarações de Compensação (DCOMPS) nº 08609.42995.080806.1.3.57-9410, 00502.73960.080806.1.3.57-2160, 40537.51831.110309.1.7.57-8179 e 32584.54993.110309.17.57-2343, visando compensar os débitos nelas declarados com crédito fundamentado no Mandado de Segurança nº 99.20.01140-1. compree A Delegacia da Receita Federal em Blumenau-SC proferiu Despacho Decisório em que deixa de reconhecer o direito de crédito da parte recorrente e não homologa as declarações mencionadas. Em face dessa decisão foi interposta Manifestação de Inconformidade (fls.161- 193 dos autos eletrônicos) alegando a existência de crédito de PIS e de COFINS, bem como indicando pagamentos efetuados via DARF e suposta configuração de nulidade do Despacho Decisório em razão da preterição do direito de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (MG), por meio da 2ª Turma, em Acórdão 09-57601, decidiu de forma unânime em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para que sejam efetuados novos cálculos. A DRJ de origem afastou a alegação de nulidade com o seguinte fundamento: - contribuinte o direito de apresentar sua m todos os seus argumentos e compro - - cerceamento do direito de defesa empresa. Para afastar o que fora alegado pelo contribuinte sobre a existência de créditos de PIS/PASEP, a DRJ argumentou que com relação aos pagamentos do referido tributo nos Fl. 432DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Períodos de Apuração (doravante PAs) 02 a 05/1999 a base de cálculo utilizada foi devida, conforme tabela de fl. 75, isto é, receitas diversas do faturamento informadas pela Pessoa Jurídica em Demonstrativo próprio foram excluídas. Com relação aos demais períodos (06/1999 a 10/2002), a sociedade empresária teria realizado compensação dos débitos respectivos com créditos oriundos da ação judicial nº 96.20.02685-3. A autoridade fiscal, diante disso, reviu os débitos compensados à luz da decisão transitada em julgado no mandado de segurança n. 99.20.01140-1 em que se reduziu o crédito usado nas citadas compensações e, o saldo de crédito remanescente passou a ser controlado no processo administrativo 19994.000076/97-60. Nesse sentido, destacou-se a Informação Fiscal DRF/BLU/EAC-1 n. 133/2010, a qual deu ensejo ao Despacho Decisório naquele processo administrativo: - - - - 12181.08325.270410.1.2.57-6089 C - PIS SEMESTRALIDADE (INCONST. DOS DL'S No 2.445/88 E 2 - - No 19994.000076/97- O citado PER n° 12181.08325.270410.1.2.57-6089 teve reconhecido - PERDCOMP abaixo Fl. 433DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 . Em suma, a DRJ entende que com relação aos períodos 02/99-05/99 a base de cálculo utilizada não foi indevida e com relação aos períodos 06/99-10/2002 os créditos que ali poderiam existir já teriam sido compensados e restituídos nos autos do processo administrativo 19994.000076/97-60. Com relação aos créditos de COFINS, destaca-se, na íntegra, o que foi decidido pela Delegacia de Julgamento: 11/2001, 05/2002, 06/2002 - - - Diversas ao Faturamento Informadas pela Pess (coluna e) e os pagamentos efetuados via Darfs (coluna f). parte dos valores pagos atrav Fl. 434DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 pagos em Darfs foram deduzidos dos mantidos no PAES. parcelar quitado (indepen - - - 90 - - - - - - Fl. 435DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Quanto ao prejudicada visto que o inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72 , que regula o Proc - 08/1999 a 11/1999, 01/2000, 03/2000, 04/2000 a 06/2000 (parcelamento processo no 13971.000698/00-29), 09/2000, 12/2001 a 04/2002, 07/2002, 10/200 – manifestante, sendo que os pagamentos referentes ao parcelamento do processo no 13971.000698/00-29 devem ser usados unicamente nos PAs 04/2000 a 06/2000. - ivo ao PA 12/2003. Sumariamente, o Acórdão atacado por este recurso reconhece o direito de obter novo cálculo, tendo em vista que os créditos reconhecidos teriam sido usados, indevidamente, para compensar débitos de outros períodos de apuração que não os desejados pelo contribuinte. Retornaram os autos a Receita Federal do Brasil em Blumenau para que fossem realizados novos cálculos. Naquela oportunidade foi proferido o Parecer Fiscal DRF/BLU/SACAT/EAC-1, em que merece destaque o seguinte trecho: Dessa - Fl. 436DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 art. 39 da Lei no 9.250/95, a - - c Resumidamente, restaram não compensados, a partir das balizas estabelecidas pela DRJ de origem, R$191.717,59 de COFINS (07/2006) e R$46.030,12 de PIS (07/2006). Dessa decisão, interpôs-se este Recurso Voluntário, ocasião em que a sociedade empresária argumentou: - Pela nulidade do Acórdão recorrido, em virtude de contradição entre os documentos apresentados à fl. 72, onde supostamente haveria o crédito de R$148.194,29 e o não reconhecimento do mesmo por parte do fisco. - Pela nulidade do Acórdão recorrido, em virtude de preterição do direito de defesa espelhado na ausência de apreciação do pedido de prova pericial. - Pela nulidade constatada no Acórdão ao passo que o mesmo não teria observado os princípios de ampla defesa, contraditório, legalidade, proporcionalidade ao não especificar suas razões de decidir. - Pela existência de crédito de PIS. - Pela existência de crédito de COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro João Paulo Mendes Neto, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e obedece os demais requisitos formais previstos no Decreto 70.235/92, razão pela qual merece conhecimento. A partir de então, dividir-se-ão em tópicos cada contra-argumento aos trazidos pelo Recurso Voluntário atacado. 1. Da inexistência de nulidade do Acórdão recorrido. Fl. 437DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 a. Da contradição do Acórdão Argumenta o Recurso Voluntário em análise que seria ¨necessário esclarecer quais são os valores referentes aos créditos de PIS e COFINS que foram glosados pelo Fisco¨. Em contraponto ao que foi apresentado pelo contribuinte como suposto argumento suficiente para atrair a nulidade do Acórdão atacado, basta trazermos à discussão o documento de fls. 367-376 em que consta o demonstrativo analítico da compensação realizada pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau-SC. O valor resultante e que o contribuinte alega ter sido fruto de cálculo impreciso com relação a especificação dos créditos de PIS e COFINS glosados pelo fisco na verdade é, como o próprio nome diz, analiticamente demonstrado, ou seja, há o apontamento pormenorizado sobre os valores recolhidos, o período correspondente, a data do vencimento, a atualização financeira adotada, o saldo do débito e o saldo remanescente para cada uma das compensações requeridas pelo contribuinte. À título de exemplo, a ¨compensação 002 de 029¨ constante na fl. 369 indica que o recolhimento realizado em 15.07.1999, de R$31.176,66, atualizado em 119,76% (SELIC), o que resulta no valor de crédito de R$68.513,83, compensado do débito de R$236.449,94. Sendo assim, chega-se ao saldo de débito de R$167.936,11. Por essa razão, inexiste causa suficiente para amparar a nulidade requerida pelo recurso voluntário, uma vez que não resta configurada a falta de especificidade alegada naquele. Além disso, assim como será feito nos tópicos seguintes, não é possível constatar que o Acórdão recorrido preteriu o direito de defesa da sociedade empresária recorrente, prevista no artigo 59, II do Decreto 70.235/72. b. Da prova pericial requerida No Recurso Voluntário analisado, argumenta-se que diante da inércia do fisco em se debruçar sobre o pedido de produção de prova pericial estaria configurada a nulidade do Acórdão atacado. A sociedade empresária indica que no momento da Manifestação de Inconformidade fez o referido pedido sem que o mesmo tivesse sido apreciado pela 2ª Turma da DRJ/JFA. Reproduz-se o trecho em que a recorrente requer a produção de prova pericial em sua Manifestação de Inconformidade: 165. Todavia, caso se entenda de modo div Inconformidade. Ocorre, entretanto, que a ausência de menção expressa no voto unanimemente acolhido pelo colegiado administrativo não gera, por si só, a nulidade do conteúdo decisório proferido. Duas são as razões para deixar de reconhecer a nulidade da decisão: a natureza subsidiário e não essencial do pedido (reconhecida expressamente pela recorrente) e a inexistência de prejuízo apto a atrair a necessária anulação da decisão atacada. Em primeiro plano, como se pôde observar no excerto trazido à este voto, a parte recorrente quando da manifestação de inconformidade atribuiu natureza subsidiária à necessidade de realização de prova pericial. Prova disso é que o faz expressamente ao dizer que a Fl. 438DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 razão para tal pedido repousa no ¨apego à argumentação¨ e o próprio fato de não mencionar os quesitos e indicação de perito para realização do que supostamente se desejava. A prova pericial no âmbito do processo administrativo se justifica ao passo que também o é identificada a deficiência do conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora. Nos autos, entretanto, tanto no momento do ataque ao Despacho Decisório quanto ao Acórdão o contribuinte deixou de se desincumbir de mostrar a necessidade de produção da referida prova. Tal necessidade é extraída do seguinte dispositivo legal: Decreto 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. O feixe normativo que se segue do artigo 16, IV do Decreto 70.235 não permite maiores dúvidas acerca do que o contribuinte deve (frisa-se que não se trata de mera faculdade, pois o fala ¨mencionará¨) fazer: a- expor motivos que justifiquem o alegado; b- formular quesitos referentes aos exames desejados; c- indicar o nome, endereço e qualificação profissional do perito. Em que pese a sociedade empresária cumprir com os itens ¨b¨ e ¨c¨ extraídos do texto legal (fls. 191 e 192 dos autos), a mesma deixou de apontar os motivos que justificavam a necessidade de produção de prova pericial, limitando-se a falar que seria necessária tal meio de prova para indicar a ¨existência, de fato, do crédito pleiteado que autorize a homologação das compensações realizadas e aqui discutidas, bem como a situação atual das compensações e dos parcelamentos que originaram o crédito aqui perseguido¨. (fl. 191) Inexiste, portanto, argumento capaz de ligar a adequação e razoabilidade entre a produção de prova pericial e as peculiaridades fáticas do caso em tela, permanecendo o contribuinte em meras afirmações genéricas acerca da pertinência da prova que desejava que fosse produzida. Além disso, não restou demonstrada a ineficiência da autoridade julgadora para analisar os documentos trazidos. Em segundo lugar, a nulidade requerida pelo Recurso Voluntário só pode ser reconhecida quando configurado também efetivo prejuízo para o decorrer processual. O argumento acerca da nulidade da ausência de manifestação expressa do Acórdão da DRJ precisava estar acompanhado da indicação a insuficiência da análise realizada nos autos pelos profissionais da Receita Federal para que o prejuízo restasse provado. A máxima que se deve utilizar como verdadeira régua definidora de configuração de nulidade é pas de nullité sans grief. A partir dela que se extrai a lógica processual de nulidades dos atos jurídicos. Se não houver prejuízo, também deixará haver o reconhecimento do ato. A lógica argumentativa deste Recurso parece repousar no elo supostamente necessário e imediato entre a ausência apreciação e, consequentemente, de realização da perícia da configuração de nulidade. Ao contrário disso, deveria ter o recorrente apresentado de que forma exatamente a ausência da produção de prova pericial acarretou resultado mais prejudicial a ele. Fl. 439DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Em suma, para que houvesse razão suficiente para o reconhecimento da nulidade do Acórdão teria que ter sido comprovada: a necessidade da produção da prova pericial e eventual decisão distinta e mais benéfica da que foi proferida caso tivesse sido realizada a perícia. c. Da suposta violação do dever de fundamentação específica O Recurso Voluntário que se julga argumenta que o ¨despacho decisório não fundamentou suas conclusões, não mencionando, por exemplo, qualquer norma que autorizasse a glosa realizada, o que resultou na preterição do direito de defesa da Recorrente¨. (fl. 394) A partir desta premissa, alega a sociedade empresária que o fisco teria desobedecido o princípio de motivação previsto no artigo 93, X da Constituição Federal. Além disso, requer que seja reconhecida a violação pelo Despacho Decisório dos princípios da legalidade, ampla defesa, moralidade, segurança jurídica entre outros. O conteúdo do que foi requerido não merece guarida pelos motivos que se seguem. Como se pôde observar, enquanto no tópico anterior afastou-se o argumento do contribuinte sobre a nulidade do Acórdão atacado, neste afastar-se-á o argumento do contribuinte no que pertine a suposta nulidade do Despacho Decisório proferido pela DRF Blumenau/SC. Desde o Despacho Decisório proferido pela respectiva Delegacia da Receita Federal são mencionadas as razões para não homologação dos créditos requeridos. Em que pese o Acórdão proferido pela DRJ de origem também ser extremamente analítico quanto as suas razões de decidir, o voto se debruçará a afastar a suposta ausência de especificidade no que tange a decisão pela DRF. Verticalizando a cognição acerca dos atos até então realizados nesses autos, é indubitável que o Despacho Decisório realizou esforço hercúleo para expor as razões para cada um dos períodos que se pleiteavam os respectivos créditos. À título de exemplo, ressalta-se trecho em que há a análise dos alegados créditos de PIS do Despacho que o contribuinte se insurge: - - 96.20.02685-3, demonstraram- - Fl. 440DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 -3. O mesmo ocorre em relação à exposição das razões de decidir por parte da Receita Federal sobre os alegados créditos de COFINS: - 02/1999 a 06/1999, 08/1999 a 11/1999, 01/2000, 03/2000 a 06/2000, 09/2000, 12/2001 a 04/2002, 07/2002, 10/2002 a 10/2003 e 01/2004. - - - DIRPJ, fls. 83/101. Para se afastar a nulidade que em tese guardaria relação com a falta de argumentação específica por parte da Receita Federal, basta-se trazer à baila os fatos até então ocorridos. Deles é possível concluir que a administração pública observou os princípios da motivação que geram obrigação de fundamentar suas decisões à exaustão. Nos trechos mencionados há indicação dos fundamentos legais e fáticos que levam à conclusão que se chegou naquela oportunidade, motivo pelo qual não há qualquer nulidade à ser reconhecida. 2. Do crédito de PIS A recorrente pretende impugnar o Acórdão da DRJ de origem no que versa sobre a inexistência de crédito de PIS. Para tanto, argumenta que houve confusão entre o pedido efetivamente realizado (em especial, confusão entre os processos judiciais 96.20.02685-3 e 99.20.01140-1). Além disso, que a partir do primeiro processo judicial foram reconhecidos créditos em processo administrativo de número 19994.000076/97-60 referentes a PIS Semestralidade de competências 07/1997 a 10/2002 e que não teriam sido reconhecidos nos autos em epígrafe. Esposando com outros termos o que anteriormente foi alegado pela sociedade empresária, pode-se resumir que o contribuinte alega que no momento que o acórdão reconhece a quitação dos créditos utilizados no processo administrativo citado no parágrafo anterior e, por isso, deixa de reconhecer o crédito existente naquele, o voto do relator que foi acompanhado pelos pares analisa àquele caso com lentes distintas das que o contribuinte fornece. Ocorre, entretanto, que não houve falta de interpretação por parte do acórdão recorrido, na medida em que ele faz menção expressamente (na fl. 287 dos autos) à Informação Fiscal DRF/BLU/EAC-1 nº 133/2010 onde informa que o exame do rédito pertinente a contribuição PIS, a partir da adequação da base de cálculo concedida segundo a decisão transitada em julgado no mandado de segurança n. 99.20.01140-1 foi objeto de revisão pleiteada pela própria sociedade empresária através do Processo Administrativo n. 19994.000076/97-60, Fl. 441DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 de acompanhamento a ação judicial n. 96.20.02685-3 e inclusive constatou depois a restituição vinculada via PER nº 12181.08325.270410.1.2.57-6089. O contribuinte, ao revés, alega: ¨o entendimento da r. decisão recorrida, baseando-se no crédito homologado no PER nº 12181.08325.270410.1.2.57-6089, mostra-se totalmente equivocado, pois no referido pedido de ressarcimento se buscou o reconhecimento do crédito decorrente do pagamento indevido de PIS Semestralidade ao invés do RECONHECIMENTO DO PAGAMENTO A MAIOR DE PIS, DECORRENTE DA INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DIVERSAS, QUE É O QUE SE BUSCA NO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.¨ (fl. 399-400). Alega ainda que as competências 02/1999 – 10/20002 foi integralmente quitado pela recorrente por meio do crédito reconhecido jucidialmente na ação judicial 96.2002685-3 e que, ao realizar a compensação dos referidos débitos com o crédito advindo da ação judicial, teriam sido inseridos valores indevidos na base de cálculo e que, por isso, possui crédito a ser compensado. Entretanto, e aí repousa a chave de interpretação do imbróglio jurídico em tela, o contribuinte deixa de ponderar que no Acórdão recorrido há o detalhamento das razões pelas quais inexiste o crédito alegado. A sociedade empresária argumenta que a compensação dos débitos (02/99-10/02 PIS) com os créditos advindos da ação judicial (96.2002685-3) teria incluído na base de cálculo dos débitos valores para além dos que deveriam ter efetivamente inclusos. Porém, não assiste razão a recorrente, ao passo que houve adequação da base de cálculo depois do trânsito em julgado do mandado de segurança n. 99.2001140-1 e, com isso, houve revisão do débito que estava se compensando, por meio do Processo Administrativo 19994.000076/97-60, o que deu origem ao PER nº 12181.08325.270410.1.2.57-6089. Ora, se nesses autos (especificamente na fl. 288) há comprovação que, mesmo depois da revisão da base de cálculo dos débitos que estavam sendo compensados (adequação esta que o contribuinte parece ignorar), os créditos reconhecidos foram devidamente restituídos. Por isso, inexistente confusão entre os processos judiciais mencionados anteriormente e, também, inexistentes os créditos pleiteados à título de PIS. 3. Da inexistência de crédito de COFINS a. Parcelamento Recorre a sociedade empresária da parte do Acórdão que não reconhece créditos dos valores de COFINS inseridos no PAES, em que a DRJ argumenta que já teriam sido inseridos com a base de cálculo devida. O que contesta a recorrente é que o pedido de restituição não se volta para os valores inseridos no PAES, pois apenas o saldo remanescente dos pagamentos de DARF que teriam sido incluídos naquele. Alega que os valores pagos à título de DARF que corresponderiam ao crédito pleiteado. Entretanto, a decisão atacada menciona expressamente que compreende que o contribuinte pleiteia tão somente o crédito referente aos pagamentos de DARF, sem contestar o saldo incluído no PAES. Porém, a mesma decisão indica que os valores pagos por DARF foram deduzidos dos mantidos no PAES (fl. 289), razão pela qual não merece prosperar qualquer crédito de COFINS nos períodos de apuração 07/1999, 02/2000, 07/2000, 08/2000, 10/2000 a 11/2001, 05/2002, 06/2002, 08/2002 e 09/2002. Além disso, o Recurso em análise aponta que os valores que o Acórdão aponta como pendentes de pagamento do PAES seriam objeto de análise judicial. Entretanto, em Fl. 442DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 discussão judicial ou não, os valores pagos à maior pelo DARF e que os saldos resultaram no PAES já foram deduzidos no valor do parcelamento, o que gera a necessária conclusão de que não constam créditos referentes aos períodos mencionados. b. Compensação – Competência 12/1999 A recorrente argumenta que o Acórdão atacado parte de premissa errônea (de que a competência 12/1999 já teria sido inscrita em dívida ativa e, por isso, incapaz de gerar maiores discussões), uma vez que supostamente apenas parte dos créditos foi reconhecido e a parte não reconhecida foi inserida em parcelamento especial, cujos pagamentos estariam sendo devidamente realizados. Para tanto, junta decisão proferida no PAF nº 13971.000124/00-60. Em que pese o contribuinte ter apresentado documento hábil a provar que seus embargos de declaração foram conhecidos, eles não tiveram os efeitos infringentes que desejava a sociedade empresária. Além disso, a decisão anexada pelo contribuinte junto ao recurso não é suficiente para mostrar o que ele alega sobre a competência de COFINS de 12/1999, bem como é insuficiente para provar que realizou parcelamento especial dos valores que não foram reconhecidos naquele PAF e que os mesmos vem sendo pagos. Nesse sentido, os documentos acostados pelo recurso não desincumbem a sociedade empresária recorrente do ônus que lhe é próprio de provar os fatos constitutivos de seu direito, nos termos do artigo 363 do Código de Processo Civil e artigo 16, III do Decreto 70.235/72. c. Compensação – Competência 11/2003 O Acórdão de origem, sobre o PA 11/2003 de COFINS decidiu: ¨p - - - - ¨ (fl. 290) Em contrapartida, a sociedade empresária argumenta: Conforme demonstrado na Manifestação de Inconformidade, era devido na competência 11/2003 o total de R$445.030,00 (incluídas receitas financeiras diversas), sendo o referido valor pago R$39.440,16 em DARF e restante através de compensações R$118.922,84 (DCOMP n. 25219.50048.121203.1301-9043), R$162.280,50 (DCOMP 25167.73123.151203.1701-0966). Desta forma, na competência 11/2003, como o caso em questão está em discussão administrativa, o correto seria aguardar o desfecho final naquele processo. Ou, quando menos, a r. decisão recorrida deve ser reformada para que seja considerado o crédito decorrente do pagamento em DARF, e compensação homologada, conforme comprovado na Manifestação de Inconformidade. (fl. 404) O último parágrafo mencionado, o qual foi reproduzido na íntegra do que trouxe o Recurso Voluntário, deixa clara a acrobacia argumentativa empreendida pelo recorrente, uma vez que deseja reconhecer o crédito advindo de suposto DARF pago a maior no valor de R$39.440,16 referente a competência 11/2003 de COFINS e, ao invés de fazê-lo nos autos do processo nº 13971.903152/2008-96. Fl. 443DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Nesse sentido, assiste razão o Acórdão proferido na DRJ de origem ao passo que ainda encontra-se pendente de discussão o débito que se deseja compensar naqueles autos e, eventual crédito referente ao período discutido deve ser levado àquele procedimento, sob pena de existirem decisões contraditórias entre si. Situação distinta seria aquela em que o processo administrativo 13971.903152/2008-96 já tivesse se encerrado, com as compensações apreciadas pelo órgão competente e, caso ficassem provados os recolhimentos à maior pelo DARF recolhido, poderia ser reconhecido o crédito nestes autos. d. Decadência/Prescrição Por fim, o Recurso Voluntário em análise levanta a hipótese de os valores compensados de ofício pelo fisco terem sido referentes à débitos já decaídos, valendo-se do artigo 150 do CTN para amparar o pedido de reconhecimento da decadência dos fatos geradores das competências 02/1999, 03/1999, 04/1999, 5/1999, 09/2000, 02/2002, 10/2002, 11/2002, 12/2002 e 03/2003. (fl. 406). Entretanto, mais uma vez, assim como nos tópicos anteriores, há imprecisão argumentativa de ordem fática e não jurídica. Ao contrário do que parece pressupor a sociedade empresária, a Receita Federal de Blumenau, quando da realização do cálculo depois da decisão da DRJ que ordenou a elaboração de novos cálculos, realizou a compensação dos débitos que o próprio contribuinte requereu nas fls. 6 e seguintes destes autos. Como se pode observar no ¨Demonstrativo Analítico de Compensação¨ (fls. 367 e seguintes), os débitos que foram compensados e que deram origem ao saldo devedor ainda pendente, voltam-se tão somente aos períodos de apuração de COFINS e PIS dos períodos de apuração de junho e julho de 2006. Por esse motivo, não há razão para se verticalizar a argumentação sobre questões de direito, uma vez que a argumentação de plano parte de premissa equivocada, o que impede a própria discussão sobre a prescrição/decadência dos períodos mencionados no recurso (02/1999, 03/1999...). Conclusão Com base em todas as razões anteriormente expostas, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e, no mérito, pela sua TOTAL IMPROCEDÊNCIA. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto Fl. 444DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-007.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.002774/2010-10 Fl. 445DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.923975/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-007.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinícius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinícius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 39 75 /2 00 9- 83 Fl. 195DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.952 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.923975/2009-83 Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, no qual o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS, período de apuração 01/2005, informado em outro PER/DCOMP, para compensação de débito próprio. Em análise do PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório, o qual não homologou a compensação declarada, pois o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo contestou o despacho decisório, sustentando, em síntese, que teria ocorrido erro no valor declarado da COFINS do período de apuração 01/2005. Com a retificação da DCTF, com apuração a menor da COFINS, adviria o direito creditório postulado. Afirmou, ainda, que houve erro na informação do crédito na DCOMP, solicitando, então, sua retificação pela autoridade administrativa. A 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I negou provimento à manifestação de inconformidade, assinalando, em síntese, que a impugnante não logrou comprovar o direito creditório alegado, sobretudo por não ter apresentado documentos e livros contábeis e fiscais. O colegiado de primeira instância também asseverou que a retificação da declaração de compensação não pode ser feita através do contencioso administrativo. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma as alegações trazidas em sede de manifestação de inconformidade, juntando, ainda, páginas do Livro Diário e Razão a fim de comprovar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu PER/DCOMP, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, período de apuração de janeiro de 2005. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuição declarada. Foi, então, emitido Despacho Decisório (fl. 69) 1 cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que houve erro no valor devido de COFINS informado na DCTF original e que a DCTF retificadora teria trazido o valor correto. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 196DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.952 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.923975/2009-83 Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, sustentando, em síntese, que a manifestante não havia apresentado documentos hábeis para comprovar o novo valor de débito de COFINS informado na DCTF retificadora. Os fundamentos da decisão recorrida são precisos. Analisando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado, restringindo-se a tecer alegações e apresentar declarações, sem qualquer suporte documental. Como se sabe, a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da comprovação de sua certeza e liquidez do crédito. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, no caso dos autos, já em manifestação de inconformidade, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Apesar de não ter ocorrido nenhuma das exceções acima enunciadas, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a manifestação de inconformidade, tendo constatado que não há provas suficientes para a comprovação do direito alegado. Explico. Compulsando os autos, observa-se que foram juntadas, por ocasião do recurso voluntário, cópias de páginas dos livros Razão e Diário. Tais registros não demonstram, todavia, que (i) que a apuração do débito de COFINS na DCTF original esteja errado, ou, em outras palavras, que o valor de COFINS na DCTF retificadora, deve infirmar o débito regularmente constituído na DCTF original; (ii) a escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. Fl. 197DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.952 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.923975/2009-83 No tocante ao valor da COFINS devida, esclareça-se, antes de tudo, que a recorrente não tece qualquer consideração sobre os motivos da apuração errônea, assim como não traz qualquer explicação analítica do material juntado, qualquer elucidação de como os diversos elementos de prova se integram para a demonstração e comprovação do direito alegado. A recorrente se restringe a afirmar, de forma genérica, que os documentos acostados aos autos provam o direito creditório pleiteado. Analisando as páginas do Razão juntadas, observa-se que a COFINS devida no mês de janeiro de 2005 é de R$ 144.440,53, precisamente o valor que a recorrente aponta que estaria errado. Observe-se que o valor que a recorrente afirma estar correto, R$ 101.251,93, em nenhum momento é evidenciado pela documentação apresentada. Assinale-se, ademais, que nenhum registro contábil-fiscal é apresentado a fim de demonstrar a apuração da COFINS controvertida. Além disso, não consta dos autos qualquer comparação analítica, com explicitação de cada conta contábil considerada na apuração original e retificadora da COFINS, com os registros contábeis de cada conta envolvida e documentos de suporte. Sem tais elementos, não se mostra possível aferir a correção do valor de COFINS alegado pela recorrente. Pode-se asseverar, em síntese, que a documentação apresentada pela recorrente não se presta à comprovação suficiente e cabal da apuração da COFINS devida no mês de janeiro de 2005. Sublinhe-se, ademais, que a documentação apresentada não serve para demonstrar se houve escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação litigiosa. A escrituração dessas operações se mostra fundamental para a própria aferição e controle da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente poderia ter apresentado o Razão da conta Cofins a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à COFINS e lançamento a débito na conta do ativo Cofins a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de Cofins a compensar e lançamento a débito na conta do passivo relativa ao tributo compensado. Sublinhe-se que, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Há que se ressaltar, mais uma vez, que toda a prova documental deveria ter sido apresentada com a manifestação de inconformidade, como bem estabelece a legislação que regula o processo administrativo fiscal. Nesse contexto, lembre-se que a compensação tributária pressupõe a necessidade de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus de produzir provas suficientes e necessárias para a demonstração do direito invocado. Neste ponto, o ônus da prova pressupõe que aquele que reclama por determinado direito é também responsável por saber como prová-lo Nessa linha, em casos como o presente, em que se discute a incorreção do valor devido de tributo, é incontroverso que declarações (DCTF, DACON, etc.) e alegações devem ser comprovadas por escrituração contábil-fiscal e documentos que lhe dão suporte. Não há que se falar, portanto, em afronta ao princípios da verdade material, quando a decisão recorrida, ancorada na correta premissa de que sobre o sujeito passivo recai o ônus de demonstrar o crédito pleiteado e, diante da ausência ou insuficiência de provas do direito alegado, conclui pelo indeferimento da compensação declarada. Fl. 198DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.952 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.923975/2009-83 Recorde-se, nesse contexto, que a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Naturalmente, o órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Isso não significa, entretanto, que a verdade material deverá levar a uma desregrada busca, pelos órgãos julgadores, por elementos de provas que deveriam ser trazidos pela parte interessada. Nesse prisma, deve-se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. A aplicação de princípios, como aqueles do formalismo moderado, da verdade material, razoabilidade, entre outros, não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, a razoável duração do processo e a segurança jurídica. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721628/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Não ocorrendo os casos dos dispositivos citados, inexiste nulidade do lançamento.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientificados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa e nem em nulidade do lançamento.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
EXCLUSÃO SIMPLES. ANÁLISE DE PROCESSO PRÓPRIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 77.
A constituição de auto de infração para apurar a exigência de tributo devido em razão de exclusão da empresa do regime do SIMPLES nacional, não implica em suspensão de processo administrativo fiscal, uma vez que o crédito ainda está sendo formalmente constituído, para aí sim se for o caso ser suspenso conforme análise da autoridade lançadora e das normas tributárias vigentes.
O respectivo ato tem o condão de prevenir o lançamento, evitando-se a decadência. Ademais nos termos da Súmula CARF n° 77 a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
APROVEITAMENTO DE VALORES PAGOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. SÚMULA CARF N.º 76.
Conforme dispõe a Súmula CARF nº 76, na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF n.º 28.
Nos termos Súmula CARF nº 28, O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010).
Recurso Voluntário Parcialmente Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-006.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para deduzir da contribuição previdenciária os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula Carf nº 76).
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, André Luís Ulrich Pinto (Suplente Convocado para eventuais substituições), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Não ocorrendo os casos dos dispositivos citados, inexiste nulidade do lançamento. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientificados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa e nem em nulidade do lançamento. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. EXCLUSÃO SIMPLES. ANÁLISE DE PROCESSO PRÓPRIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 77. A constituição de auto de infração para apurar a exigência de tributo devido em razão de exclusão da empresa do regime do SIMPLES nacional, não implica em suspensão de processo administrativo fiscal, uma vez que o crédito ainda está sendo formalmente constituído, para aí sim se for o caso ser suspenso conforme análise da autoridade lançadora e das normas tributárias vigentes. O respectivo ato tem o condão de prevenir o lançamento, evitando-se a decadência. Ademais nos termos da Súmula CARF n° 77 “a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 16 28 /2 01 4- 65 Fl. 562DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 APROVEITAMENTO DE VALORES PAGOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. SÚMULA CARF N.º 76. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 76, na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF n.º 28. Nos termos Súmula CARF nº 28, O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Recurso Voluntário Parcialmente Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para deduzir da contribuição previdenciária os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula Carf nº 76). (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, André Luís Ulrich Pinto (Suplente Convocado para eventuais substituições), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de crédito lançado em desfavor de COMERCIAL ALPHA AMBIENTAL E SERVIÇOS LTDA ME, relativo às contribuições devidas para a Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau Fl. 563DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, conforme (AI DEBCAD 51.057.423-8, consolidado em 27/05/2014), no valor de R$ 3.774.288,84. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 106/122), refere-se à glosa de dedução de salário-família e de salário maternidade, bem como às contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2011 a 13/2012. A impugnação julgou parcialmente procedente para: “a) DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação interposta pela empresa COMERCIAL ALPHA AMBIENTAL E SERVIÇOS LTDA ME, MANTENDO PARCIALMENTE o crédito tributário exigido, no valor de R$ 3.746.182,51, acrescidos de juros e multa, a serem calculados no ato do pagamento, nos termos do item 31 deste decisório; b) DAR PROVIMENTO às impugnações interpostas pelas empresas HOME BREAD E GPX PARTICIPAÇÕES, excluindo-as do pólo passivo do presente lançamento”. Com a exclusão de duas empresas do polo passivo houve a interposição de Recurso de Ofício. O Acórdão recorrido assim descreve: 2. Informa a Auditoria-Fiscal foram apuradas as contribuições patronais (EMPRESA e SAT) incidentes sobre as bases de cálculo declaradas em GFIP, as quais não foram recolhidas, tendo em vista que nas GFIPs, a empresa encontrava-se indevidamente declarada como “empresa inscrita no Simples Nacional”. .1. Conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 12, de 02/04/2014, com vigência retroativa a partir de janeiro de 2011 (processo administrativo nº 10.730.721214/2014- 36), a empresa foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional). 2.2. Também foi verificado que os valores informados em GFIP, a título de Salário- Família e Salário-Maternidade eram superiores aos valores registrados nas folhas de pagamento, sem que a empresa demonstrasse a existência dos respectivos créditos; 2.3. Ainda, para as competências 03/2012 e 06/2012, a empresa declarou em GFIP compensações de valores retidos referentes a serviços prestados, porém não apresentou ou contratos e notas fiscais referentes às citadas retenções, para comprovar os créditos compensados, pelo que tais valores foram glosados. 3. Durante o procedimentos, a fiscalização constatou que as empresas COMERCIAL ALPHA AMBIENTAL E SERVIÇOS LTDA., HOME BREAD INDUSTRIA E COMERCIO LTDA e GPX PARTICIPAÇÕES LTDA constituem Grupo Econômico de Fato, atribuindo então a responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/1991, c/c art. 124, I e 125, do CTN, em razão do que se segue: a) a contabilidade das três empresas estar centralizada no mesmo contador; b) as empresas encontram-se sob a direção, controle ou administração de uma mesma pessoa física, o Senhor Antônio Carlos de Oliveira Monteiro; Fl. 564DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 c) as empresas estabelecem uma relação cujo intuito principal é a otimização dos resultados de cada empresa, possuindo assim, interesse comum nos fatos geradores que ensejaram a lavratura dos autos de infração do presente processo. 3.1. Ressalta ainda que a constatação da formação de grupo econômico tem fulcro na união de seus esforços na busca de seus objetivos, caracterizada pelo fato de o Senhor Antônio Carlos Oliveira Monteiro ser sócio-administrador das 3 empresas, possuindo 99% das quotas da Comercial Alpha Ambiental, 99% das quotas Home Bread e 51% das quotas da GPX Participações. 3.2. Foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária e cientificados os solidários (fls. 156/203) em 09/06/2014”. Nas e-fls. 494 e seguintes, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando em síntese o seguinte: i) Que a empresa ainda não foi excluída do SIMPLES Nacional, uma vez que interpôs Manifestação de Inconformidade contra ato de exclusão, e que determinado recurso suspenderia o ato administrativo; ii) Equívoco na constatação da base cálculo. Aduz a recorrente erro absoluto na base de cálculo, uma vez que a planilha utilizada pela fiscalização estaria duplicada; iii) Tributação indevida na folha de pagamento. Alega que foram lançados valores referentes à verbas indenizatórias, em relação a diversas rúbricas. iv) Incidência de contribuições sobre verbas de natureza não salarial. Pede o afastamento dessa exigência; v) Ausência de abatimento de valores dos tributos já pagos no SIMPLES Nacional. Por fim pede: a procedência do recurso voluntário, declarando-se nulo o auto de infração, bem como, subsidiariamente, pede a revisão da base de cálculo, e o afastamento da multa e juros diante do direito da contribuinte compensar os valores informados. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. DO RECURSO DE OFÍCIO Apresentando recurso de ofício nos seguintes termos: Fl. 565DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 “b) DAR PROVIMENTO às impugnações interpostas pelas empresas HOME BREAD E GPX PARTICIPAÇÕES, excluindo-as do pólo passivo do presente lançamento. Deste ato a Presidente da Turma recorre de ofício ao Egrégio Segundo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, face à exoneração do crédito, em relação a um ou mais sujeitos passivos, em valor superior ao limite de alçada, previsto no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicado no DOU de 07/01/2008”. Nesse sentido, a DRJ de origem assim decidiu: “10. Quanto ao pleito de exclusão das interessadas do pólo passivo do presente lançamento, com base na ausência de demonstração da existência de grupo econômico de fato, entendo que o mesmo deve ser acatado, senão vejamos: 11. Consoante Relatório Fiscal e Termos de Sujeição Passiva Solidária, entendeu a autoridade lançadora que o fato de as empresas terem o mesmo sócio-administrador, além de mesmo contador, configuraria a existência de grupo econômico de fato, cujo objetivo comum era a otimização dos resultados de cada empresa. 12. Com efeito, a existência de sócio comum e mesmo contador não são elementos suficientes à caracterização da existência de um grupo econômico. O material indiciário/probatório que enseja tal conclusão depende ainda da demonstração da existência de reunião de recursos e ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas relacionadas, tais como: estreitas relações comerciais, compartilhamento de instalações e/ou funcionários, de despesas operacionais, finalidade convergente, objetivo social comum ou complementar. (...) 14. Não constam nos autos quais as atividades desenvolvidas pelas empresas arroladas como integrantes do grupo econômico, nem a informação se houve diligência nessas empresas, com a juntada de material probatório que confirmasse as suspeitas do Auditor-Fiscal. A caracterização de grupo econômico de fato não pode ser presumida, deve ser demonstrada por quaisquer meios de prova, inclusive indiciários. Porém o que se viu é que as premissas elencadas no Relatório Fiscal não são suficientes para se concluir que as empresas atualmente administradas pela mesma pessoa física se constituem em um grupo econômico de fato, a ensejar a responsabilidade solidária pelos tributos lançados contra uma delas, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/1991”. Assim, diante dos elementos dos autos, correta o decisum de primeira instância. Sempre que restar caracterizado que duas ou mais empresas agiram, de modo fraudulento, doloso ou simulado, e realizaram ato ou negócio que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal com o intuito de evitar, reduzir ou postergar indevidamente o pagamento de tributo, o instituto da responsabilidade solidária poderá ser invocado pelas autoridades fiscais, o que não foi o caso dos autos. Faltam mais elementos para que pudesse ser mantido a solidariedade por grupo econômico. Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício Fl. 566DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA ALEGAÇÃO DE NÃO EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Em seu recurso a recorrente alega o seguinte: Ocorre que o parágrafo 11º, do art. 74, da Lei 9.430/96, se aplica para os seguintes casos de Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições, conforme se verifica abaixo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. Assim, os dispositivos invocados pela recorrente se aplicam a processos de restituição e compensação, sendo que o objeto do presente processo diz respeito a lançamento de crédito tributário, e que o houve a interposição de manifestação de inconformidade diz respeito a processo de exclusão do simples. Por outro lado, a recorrente cita a Solução de Consulta n.º 18 de 2014, (provavelmente do comitê gestor do Simples Nacional), que assim dispõe: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Com base no art. 39 da Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a manifestação de inconformidade interposta em âmbito federal contra a exclusão do Simples Nacional se enquadra no conceito de recurso administrativo admissível pelas Fl. 567DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 leis reguladoras do processo tributário administrativo a que se refere o inciso III do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Nos termos do § 3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, razão pela qual o lançamento de ofício que teve tal ato de exclusão como premissa necessária terá caráter preventivo, e, portanto, estará com a exigibilidade suspensa. Dispositivos Legais: art. 151, inciso III, do CTN; art. 39 da LC nº123, de 2006; art. 75, § 3º do da RCGSN nº 94, de 2011”. Como bem analisado pela indicação do dispositivo em questão, verifica-se, em sua parte final, que o lançamento tem caráter preventivo, ao passo que posterior ao julgamento a presente demanda é que poderá deixar a exigibilidade suspensa, que deverá ser analisado pela autoridade lançadora e pela Fazenda Nacional. Assim, nesse período está sendo analisado os termos do crédito fiscal, em que o efeito de exclusão do simples tem em relação ao débito apurado pela autoridade fiscal. Caso a recorrente tenha decisão favorável em processo de exclusão do Simples, essa poderá no segundo momento protestar a nulidade do ato que determinou o lançamento fiscal dos créditos. Tal medida vale por uma única razão: evitar a decadência do crédito fiscal. Tanto é que o dispositivo acima cita em “exigibilidade suspensa”. Nesse sentido, não se pode exigir algo que ainda nem foi integralmente constituído. Logo, o segundo momento diz respeito a suspensão da prescrição e não da decadência (direito da fazenda constituir o crédito). A medida portanto, visa prevenir a decadência, e não pode ser aplicada ao presente caso, por faltar disposição legal. Nesse sentido, a decisão de primeira instância teve interpretação correta, pois o art. 151, inciso III, do CTN, determina a suspensão do crédito fiscal e não menciona a suspensão do processo administrativo fiscal que apura o débito. Portanto, objetos diferentes. Ademais, a Súmula CARF n° 77 assim dispõe: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. Nesse sentido, registra-se que é pelo processo administrativo fiscal que a Fazenda Pública se utiliza para cobrar legalmente seus créditos, sendo eles de natureza tributária ou não. A legislação obriga o agente fiscal a realizar o ato administrativo, verificando assim o fato gerador e o montante devido, determinar a exigência da obrigação tributária e sua matéria tributável, confeccionar a notificação de lançamento, lavrando-se o auto de infração, e checar todas essas ocorrências necessárias para as fiscalizações de cobrança, quando da identificação da ocorrência do fato gerador, independente da ação judicial manejada, sendo legítima a lavratura do auto de infração em conformidade com o art. 142, do CTN e com o art. 10 do Decreto n.º70.235/72, conforme dispositivos in verbis: CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Fl. 568DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". DECRETO n.º 70.235/72. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula". Verifica-se dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). O PAF – Processo Administrativo Fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, que realiza as atividades necessárias para obter as informações necessárias na constituição do crédito devido, conforme determina o artigo 196, do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Assim, a autoridade administrativa tem o poder-dever de realizar diligências que entender devidas para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Apesar das ações de fiscalização possuírem caráter investigatório e inquisitório, realizando procedimentos unilaterais, de obediência obrigatória, que não é absoluta, o desfecho do PAF alberga os princípios da ampla defesa e contraditório, pois existe nele a possibilidade do contribuinte se manifestar, impugnar, apresentar provas, e contestar todo o apontamento realizado. O PAF, como em diversos procedimentos, é constituído de fases, e nesse sentido existe uma espécie de fase não contenciosa. Para melhor explicar é de se transcrever a lição de Hugo de Brito Machado, do qual explica: Fl. 569DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 "A determinação do crédito tributário começa com a fase não contenciosa, que é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. tem início com o primeiro ato da autoridade competente para fazer o lançamento, com o objetivo de constituir o crédito tributário. Tal ato há de ser necessariamente escrito, e deve ser levado ao conhecimento do sujeito passivo da obrigação tributária correspondente, posto que só assim pode ser considerado completo. Em outras palavras: o ato inicial da fase não contenciosa da constituição do crédito tributário completa-se quando é levado ao conhecimento do sujeito passivo da obrigação tributária, aquele contra quem o ato é praticado e tem, portanto, interesse em se manifestar contra ele". MACHADO, Hugo de Brito. Teoria Geral do direito tributário. Editora Malheiros, São Paulo, 2015, pág 411). Assim, não assiste razão a recorrente. DA ALEGAÇÃO DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que não houve fundamentação do auto de infração. Alega também que em decorrência a recorrente que é nulo o auto de infração, uma vez que não teria respeitado os princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, e que não teria sido determinado a matéria tributável, havendo macula no lançamento fiscal consoante o fato gerador, por descumprimento do devido processo legal e por utilizar prova emprestada. Nesse sentido, em processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993". Já o art. 60 da referida Lei menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Nesse sentido, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de pas nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verifica-se que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento, não Fl. 570DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 ocorrendo o cerceamento de defesa, pois o AI possui o indicativos dos critérios adotados, quantum autuado, bem como dos elementos que constituíram a infração e que foram inclusive objeto de questionamentos por parte do recorrente. Nesses termos, estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre oque determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada ou anulação do crédito fiscal. DA ALEGAÇÃO DO EQUÍVOCO NA CONSTATAÇÃO DA BASE CÁLCULO. No que diz respeito à exclusão de valores da base de cálculo a decisão de primeira instância identificou 2 erros no lançamento, acatando pedido da defesa, e que nesse contexto excluiu dos valores lançados, verbas referente à glosa de deduções indevidas de Salário-Família e Salário-Maternidade, cuja motivação fática e legal é diversa. Assim, a retirada da base de cálculo em verdade não alterou o critério jurídico adotado no lançamento. Por outro lado, aduz a recorrente que estaria a base de cálculo errada, uma vez que a fiscalização teria lançado valores em planilhas duplicadas, conforme suas irresignações: Ocorre que os valores acima citados na tabela do anexo I foram informados pela própria recorrente. Na análise da planilha verificou-se apenas a descrição da quantia informada pela própria recorrente, não havendo duplicidade, ou se houvesse entendo que a duplicidade seria de competência ou de valores, nos quais não identifiquei na planilha nem valores idênticos e, tampouco, competências similares. Com isso, as informações prestadas na GFIP são consideradas instrumento de confissão de dívida, nos termos do artigo 32, § 2º, da Lei 8.212/1991, bem como do artigo 225, § Fl. 571DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 1º, do Regulamento de Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, conforme transcrição abaixo: Lei nº 8.212/1991: “Artigo. 32 (...) §2 A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários”. Decreto nº 3.048/1999 Art. 225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não-recolhimento. Assim, não verifiquei outro erro na base de cálculo além do que já foi retirado pela decisão de primeira instância, e não há alteração do critério jurídico adotado. Portanto, sem razão a recorrente. DA AUTUAÇÃO SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS No que diz respeito às verbas de terço de férias, adicional de férias e horas extras, apesar de entender não ser devida a verba da contribuição previdenciária, em razão dos precedente apontados no poder judiciário e no próprio CARF, elas não foram objetos de exigência no Auto de Infração. Em que pese as irresignação da recorrente, essa deixou de indicar onde estaria de forma discriminada onde estaria sido exigida as verbas indenizatórias. Em que pese a decisão de primeira instância ter abordado a matéria e ter se manifestado, observa-se que no relatório fiscal de e-fls. 106 e seguintes não há nenhuma menção sobre as verbas em que a recorrente aborda tanto em sede de impugnação quanto de recurso voluntário. Assim, deixo de apreciar tais alegações, por inexistirem no lançamento fiscal. DO APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS JÁ REALIZADOS Pede a recorrente o aproveitamento dos valores já pagos enquanto estava no regime do SIMPLES. Em caso semelhante esse turma já decidiu ser possível o "abatimento" de valores pagos a empresas que estariam em situação de mesmo grupo econômico, ou que promoveram a divisão de estrutura e complexo empresarial com intuito de beneficiar-se da legislação tributária. Fl. 572DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 Trata-se do processo n.º 10920.004410/2009-48, Acórdão de Recurso Voluntário n.º 2301-005.615, de 13 de setembro de 2018, de relatoria desse Conselheiro, que assim restou decidido: "DO APROVEITAMENTO DOS RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS DECLARADAS INAPTAS/INEXISTENTES Nesse quesito, a recorrente alega o seguinte: "(...) Já aqui, cuidando-se da contribuição do empregado, como sabido, incidente de forma progressiva, conforme a remuneração percebida, não ha, com Ia, de se fazer cálculos objetivos. Seria necessário constatar remuneração por remuneração. 'Mas, ainda assim, adotando-se os valores totais encartados no DAD, é possível demonstrar que houve sim a retenção das contribuições e que foram repassadas ã então Receita Previdenciária, ocorrendo a extinção do crédito tributário pelo pagamento ou, se for o caso, pela própria compensação, neste último caso providência que deveria ter tomado o Auditor Fiscal quando do lançamento. A questão que se põe, é que as empresas tidas por inaptas (KP e MJ) reterem e repassaram à então Receita Previdenciária, tais valores, declarando-os, inclusive, em GFIP. “ Sucede que, as pessoas jurídicas tidas por inaptas (KP e MJ) estavam, até serem declaradas inaptas, inseridas no SIMPLES FEDERAL, de modo que não eram contribuinte da seguridade social no tocante a incidência sobre a folha de salarios ou pró-labore'. Diante da constatação do fato gerador das contribuições previdenciárias sociais, em razão das desconsiderações das pessoas jurídicas envolvidas na possível simulação verificada pela autoridade fiscal, o auto de infração deve ser mantido no que diz respeito à quota patronal (inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Iaborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social- GFIP e não recolhidas integralmente. Por outro lado, conforme se constada dos autos, existem valores recolhidos por empresas terceiras, e que se correlacionam aos fatos geradores da presente autuação, uma vez que no procedimento fiscal inclusive há informação de que esses recolhimentos poderiam ser recuperados por meio de restituição, conforme item 9 do REFISC, transcrito: "9. Não foram deduzidos do montante apurado os recolhimentos efetuados, indevidamente, sob as razões sociais das “empresas inexistentes de fato", cujos valores poderão ser objeto de pedido de restituição". Nesse sentido entendo que assiste razão a recorrente. A DRJ de origem se posicionou no sentido de não haver previsão legal para abater os créditos já pagos por essas empresas. Entretanto, na busca da verdade material no processo administrativo e para se evitar enriquecimento sem causa da administração pública, entendo ser possível realizar o "encontro de contas" das contribuições pagas pelas empresas inexistentes de fato. Ainda, tendo em vista que as empresas tiveram parciais recolhimentos e foram baixados seus CNPJs, entendo que essa possibilidade de retorno dos valores pagos por meio de Fl. 573DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 restituição poderia causar problemas de procedimentos, pois como uma empresa "baixada" poderá realizar atos de empresa "ativa"? Entendo que nesse caso, a situação é peculiar e remonta uma interpretação específica para o pleito da recorrente, que guarda razão lógica de procedimento administrativo. Cumpre destacar a declaração de voto proferida nesse processo, o qual também teve o mesmo entendimento de utilização dos valores pagos por empresas envolvidas nas operações descaracterizadas: (...) Uma vez que o Fisco, previamente à lavratura do presente AI, declarou a inaptidão das inscrições no CNPJ das razões sociais Ind. de Artefatos de Borracha KP Ltda. e Ind. de Artefatos de Borracha MJ Ltda., por inexistência de fato, através dos ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS/DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOINVILLE N°s. 03 e 04, respectivamente, ambosde 27/02/2007, publicados no Diário Oficial da União em 28/02/2007 e, com efeitos a partir de OI/OI/2002, o que foi motivado pela inexistência, de fato, das referidas empresas e a condição de que as mesmas são, na realidade, a INDÚSTRIA DE BORRACI-IAS NSO LTDA. é forçoso concluir que eventuais recolhimentos, ainda que efetivados pelas empresas Ind. de Artefatos de Borracha KP Ltda. e Ind. de Artefatos de Borracha MJ Ltda Morlon Têxtil Ltda., descontadas dos segurados empregados/contribuintes individuais, devem ser considerados no presente lançamento. Como é cediço, a contribuição a cargo do segurado empregado é descontada deste e repassada pela empresa à Previdência Social, por força da legislação em vigor (arts. 20 e 30, inciso I, alinea “a”, da Lei n° 8.212, de 1991). Do mesmo modo, por força da Lei n° 10.666, de 2003, em relação à contribuição devida pelo segurado contribuinte individual. Portanto, verificado o desconto e recolhimento das contribuições devidas em relação aos segurados empregados/contribuintes individuais, esses pagamentos devem ser considerados para abater 0 crédito apurado no presente lançamento, uma vez que se referem ao mesmo fato gerador lançado". Assim, pelo princípio da verdade material, e do enriquecimento indevido da administração pública, acato o pedido da recorrente, devendo a autoridade administrativa abater os valores que já foram pagos, excluindo os que foram já utilizados para abater débitos para com a previdência social, referente aos meses de janeiro, setembro e outubro de 2007, das sociedades MJ e KP, indicados no processo 10920.004416/2009-15, e-fls. 135 a 576, desde que estejam disponíveis e que tais valores não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizando-se o referido aproveitamento dos pagamentos". Com isso, tem-se atualmente a súmula CARF 76, in fine, onde permite a dedução de eventual recolhimento de tributos de mesma natureza. Assim, aquilo que foi pago e que tratem de contribuição previdenciária, pode ser deduzido no momento da execução do Acórdão pela Unidade preparada, conforme dispõe: “Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. Fl. 574DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.697 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721628/2014-65 Assim, com o intuito de evitar recolhimento a maior, ou recebimento a mais pela Administração Pública, defiro o "abatimento" dos valores pagos por uma das empresas fiscalizadas, desde que recorrente realize a correção/alteração das GFPIs em questão. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Nesse tópico aplico a súmula CARF n.º 28: Nos termos Súmula CARF nº 28, O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de apreciar matérias que não constam do lançamento fiscal (verbas indenizatórias, exceto as já excluídas pela fiscalização), para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para aproveitar os valores já pagos pelo sistema do SIMPLES, mantendo-se as demais disposições fiscais do auto de infração, bem como CONHEÇO e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 575DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911711/2008-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Data do fato gerador: 28/04/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AFASTAMENTO DO ART. 10 DA IN Nº 600/2005. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado direito líquido e certo.
INOVAÇÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL
Não é permitido à autoridade julgadora alterar o enquadramento legal que negou a homologação da compensação sob pena de cerceamento do direito de defesa
Numero da decisão: 1003-001.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 84 e reconhecer a possibilidade de formação de indébito, bem como da necessidade de ser analisada e considerada as declarações retificadoras e documentos apresentados no processo, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/RJO1 para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AFASTAMENTO DO ART. 10 DA IN Nº 600/2005. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data do seu recolhimento, havendo a possibilidade de restituição ou compensação, uma vez que esteja caracterizado direito líquido e certo. INOVAÇÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL Não é permitido à autoridade julgadora alterar o enquadramento legal que negou a homologação da compensação sob pena de cerceamento do direito de defesa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 84 e reconhecer a possibilidade de formação de indébito, bem como da necessidade de ser analisada e considerada as declarações retificadoras e documentos apresentados no processo, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/RJO1 para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 17 11 /2 00 8- 04 Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-25.018, de 09 de julho de 2009, da 1ª Turma da DRJ/RJO1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 11/19) apresentada pela interessada em 23/09/2008, em face do Despacho Decisório n° 781166293, de 12/08/2008 (fl. 09). A empresa enviou à RFB, em 29/06/2004, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição — Declaração de Compensação — PER/DCOMP (fls. 02/06), objetivando compensar um débito de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, código 2484, no valor total, incluindo multa e juros, de R$ 52.090,79, período de apuração mês de abril de 2003, com crédito oriundo de pagamento a maior da mesma CSLL, realizado em 28/04/2000, no valor original de R$ 30.185,31. A pretensão da Interessada foi negada pelo Despacho Decisório de fl. 09, sob a justificativa de que o DARF discriminado no PER/DCOMP tinha sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada da decisão em 22/08/2008(f1.07), a interessada apresentou, em 23/09/2008 (fls. 11/19), Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: - No ano de 2000, a Interessada estava sujeita à apuração do Lucro Real e, por equivoco, recolheu as estimativas de CSLL para os períodos de março, abril e julho de 2000, nos seguintes valores: R$ 30.456,16, em 28/04/2000, referente ao período de apuração — PA —03/2000; R$ 219.934,40, em 31/05/2000, referente ao PA 04/2000; e R$ 227.172,99, em 31/08/2000, referente ao PA 07/2000. - Constatou, antes mesmo da entrega da DIPJ do período, que havia apurado as estimativas erroneamente, sendo que, ao promover as declarações necessárias no referido documento, apontou as estimativas mensais corretas, sendo elas: R$ 196.154,24, para o PA 04/2000; R$ 107.316,04, para o PA 07/2000; R$ 18.044,49, para o PA 08/2000; e R$ 125.863,47, para o PA 09/2000. - Apesar dos cálculos errados, os valores recolhidos foram superiores em R$ 30.185,31. - Para quitar as estimativas mensais de CSLL corretamente, utilizou os DARF anteriormente recolhidos, da seguinte forma: i) para o mês de setembro de 2000, no valor de R$ 125.863,47, foi utilizado R$ 119.856,95 do DARF de 07/2000 (R$ 227.172,99), mais R$ 270,85 do DARF de 03/2000 (R$ 30.456,16), e R$ 5.735,67 do DARF de 04/2000 (R$ 219.934,40; ii) após a composição do mês de setembro, restou ainda R$ 107.316,04 do DARF de 07/2000, saldo este utilizado para quitar o débito de julho de 2000, no mesmo valor; e iii) quanto à competência agosto de 2000, no valor de R$ 18.044,49, e abril de 2000, de R$ 196.154,24, foi utilizado o DARF de 219.934,40, que, após a composição do mês de setembro de 2000, estava em R$ 214.198,73. - Assim sendo, denota-se que do DARF de R$ 30.456,16 foi utilizado apenas R$ R$ 270,85, restando um pagamento a maior no montante de R$ 30.185,31. - Ciente do pagamento a maior que havia realizado, em 29/06/2004 enviou eletronicamente a Declaração de Compensação (cita o número) a fim de compensar o Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 citado crédito - atualizado a R$ 52.090,79 — com débito de igual montante da própria CSLL, referente ao período de apuração de abril de 2003. - Demonstrou no PER/DCOMP objeto da Manifestação que se tratava de pagamento a maior de tributos efetuado via DARF de R$ 30.456,16. Informou, ainda, que o valor original do crédito inicial correspondia a R$ 30.185,31, ou seja, descontou a parcela de R$ 270,85 que fora utilizada para compor a estimativa mensal da CSLL do PA setembro de 2000. - Por equívoco, ao apresentar uma DCTF retificadora em 15/03/2004 (fl.321), acabou por incluir como devido o pagamento de R$ 30.456,16, no código 2484— CSLL. Em 22 de agosto de 2008 foi excluído o débito em questão, através de nova DCTF retificadora (fl. 407), ficando consignado que o valor de R$ 30.185,31 não está mais vinculado a nenhum outro débito, exceto o constante do PER/DCOMP objeto da Manifestação. - Com o objetivo de corrigir o equivoco cometido, a requerente apresentou DCTF retificadora, "que como bem sabido", tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, como no presente caso. - Caso o julgador entenda necessário, que seja efetuada diligência a fim de se verificar as originais dos respectivos documentos acostados aos autos. - Protesta pela juntada posterior de documentos comprobatórios. É o relatório. A 1ª Turma da DRJ/RJO1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO — CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO Provado que a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte foi motivada pela inexistência de crédito liquido e certo, não há por que retificar o Despacho Decisório correspondente. Solicitação Indeferida A contribuinte foi cientificada do acórdão da DRJ/SP1 no dia 06/11/2009 (sexta- feira) e apresentou recurso voluntário no dia 07/12/2009 (segunda-feira), destacando em síntese o que segue: (i) A Recorrente apresentou Per/Dcomp requerendo a compensação de débitos de CSLL, período de apuração de março de 2000, com créditos também de CSLL provenientes do pagamento indevido realizado em decorrência da estimativa mensal da citada contribuição recolhidas a maior no ano de 2000. Defende que o julgador de primeira instância partiu de premissa equivocada para o julgamento da manifestação de inconformidade, visto não ter considerado a DIPJ retificadora e explica: Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 (i) "(...) a Interessada diz ser de R$ 196.154,24, o valor da estimativa do período de apuração (PA) de abril de 2000, mas o que consta na DIPJ, ficha 26, fls. 413, 6 o valor de R$ 280.220,34; (...)". De fato a Recorrente aponta na sua DIPJ Originária, quanto ao PA de abril de 2000, o valor de CSLL A PAGAR de R$ 280.220,34. Contudo, o valor que deve prevalecer é aquele apontado na DIPJ Retificadora, posteriormente apresentada e que reflete o montante correto de CSLL A PAGAR, qual seja o de R$ 196.154,24. Portanto, partiu de premissa equivocada o julgador. (ii) "relativamente ao PA de julho de 2000, na Manifestação está registrado o valor de R$ 107.316,04, mas na DIPJ esta R$ 413.045,14 (fl. 416)". Quanto ao PA de julho de 2000, o mesmo raciocínio deve ser respeitado, ou seja, o valor correto de CSLL A PAGAR do PA de julho de 2000 é aquele constante na DIPJ Retificadora, R$ 107.316,04. Todavia, no tocante a este ponto, o ilustre julgador, quando apontou o valor de CSLL constante na DIPJ Originária, registrou o valor da CSLL APURADA (R$ 413.045,14), sem levar em conta os descontos, e não o valor da CSLL A PAGAR (R$ 132.824,80), por isso, mais uma vez, a autoridade administrativa deixou-se levar pelo erro. (iii) "em agosto de 2000, na primeira consta o valor de R$ 18.044,49, enquanto que na DIPJ o valor 6 de R$ 431.089,63". Da mesma forma que no item anterior (ii), o julgador registrou o valor constante da DIPJ Originária referente à CSLL APURADA do PA de agosto de 2000 (R$ 431.089,63) e não o valor da CSLL A PAGAR, no valor de R$ 18.044,49. Lembrando que é o valor apontado na Declaração Retificadora que prevalece para o fim de se aferir o valor de CSLL A PAGAR referente ao período de apuração em referência, o qual no caso do mês de agosto não houve alteração, permanecendo correto o valor de R$ 18.044,49. (iv) “já em setembro do mesmo ano, o montante passa de R$ 125.863,47 para R$ 665.020,18". No período de apuração de setembro de 2000, o julgador permaneceu viciado aos erros cometidos nos itens anteriores. Noutras palavras, informou o valor de CSLL APURADA (R$ 665.020,18) e não o valor da CSLL A PAGAR (R$ 233.930,55) mencionado na Declaração Originária, quando deveria considerar o valor da CSLL A PAGAR apontado na Declaração Retificadora (R$ 125.863,47), montante este que deve ser considerado para efeitos fiscais. Portanto, diante das imprecisões do ilustre julgador, não se pode jamais chegar A conclusão de que "diante de valores tão dispares, não se pode admitir como comprovado a existência do direito creditório alegado pela contribuinte, no valor original de R$ 30.185,31”. (ii) A Recorrente repete a manifestação de inconformidade em relação à origem do crédito e do procedimento de compensação; (iii) Por fim, requer a reforma do Acórdão recorrido, para que seja homologada a compensação apresentada. A Recorrente juntou ao recurso voluntário a DIPJ 2000 não retificada. Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 É o Relatório Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente alega possuir crédito de pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, código 2484, no valor de R$ 30.185,31. Tal crédito foi recolhido através de DARF, período de apuração 31/03/2000, recolhido no valor total de R$ 30.456,16. O despacho decisório negou a homologação da compensação sob o fundamento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizando integralmente o pagamento e não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na declaração de compensação. Tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, a Recorrente reconhece ter havido um equívoco no cálculo da CSLL e foram apresentadas declarações retificadoras para espelhar o crédito. Segundo afirma, em 30/11/2000, foi apresentada DIPJ retificadora suprimindo os equívocos praticados nas declarações anteriores, apresentando como corretos os valores de CSLL estimados conforme abaixo (Documento 09 da manifestação de inconformidade): Em 22 de agosto de 2008, a Requerente afirma ter excluído o débito de R$ 30.456,16 de suas declarações através da DCTF retificadora n° 35.83.46.24.80, ficando consignado que o valor de R$ 30.185,31 não está mais vinculado a nenhum outro débito, exceto o constante no PER/DCOMP em análise. Explica que, no mesmo dia em que apresentou a DCTF retificadora supracitada, recebeu o Despacho Decisório proferido pela Receita Federal do Brasil não homologando a Declaração de Compensação. A Recorrente alega que o acórdão da DRJ se utilizou de premissas equivocadas quando considerou apenas a DIPJ original. Ocorre, contudo, que conforme informado pela própria Recorrente, vários equívocos ocorreram na DIPJ original e na retificadora e só a partir da retificadora nº 2950860203 (documento 09 da manifestação de inconformidade), as divergências foram sanadas. O documento 09 tem como data do recepção o dia 29/06/2001, anterior, portanto, Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 ao Despacho Decisório emitido em 12/08/2008. A DCTF foi alterada em 22/08/2008, mesma data do recebimento do despacho decisório. O acórdão recorrido negou provimento à manifestação de inconformidade em razão de dois fundamentos principais, quais sejam: (i) valores díspares entre a DIPJ original (fls. 409 a 424 do volume III, acostado pela receita Federal) e as declarações da Recorrente e (ii) em razão do art. 6º, inciso II da Lei nº 9.430/96 e no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, os valores pagos indevidamente ou a maior a título de estimativa somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração correspondente. Verifica-se, pelas informações acima, que assiste razão à Recorrente. Os fundamentos utilizados pelo Julgador de primeira instância para negar em razão de disparidade entre os valores de DIPJ e das declarações da Recorrente estão fundamentados em DIPJ cuja retificação ocorreu anos antes do despacho decisório e da qual a autoridade julgadora deveria ter conhecido desde a data do julgamento da manifestação de inconformidade. A própria Recorrente colacionou à manifestação de inconformidade a DIPJ retificada (documento 9), explicando ser essa a DIPJ final após os devidos ajustes na contabilidade da empresa. Em que pese a DCTF ter sido retificada no dia do recebimento da intimação do despacho decisório, a decisão recorrida não levou em consideração esse documento. No que tange ao argumento referente à inaplicabilidade do disposto no art. 10 da IN SRF 460/2004, assiste razão a Recorrente. O art. 10º da Instrução Normativa n° 600/05, foi revogado a partir da edição da IN SRF nº 900/2008 que suprimiu a vedação quanto à repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo do imposto. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). Assim, uma vez constatado o recolhimento indevido ou a maior, como nos caso dos autos, no qual, pelas alegações da Recorrente e das provas carreadas aos autos, houve erro no recolhimento, caberia a repetição imediata, não sendo necessário aguardar o final do período de apuração ou a apuração de saldo negativo. Neste sentido é a jurisprudência do CARF, conforme acórdãos abaixo: Acórdão: 1301-002.414 Número do Processo: 10880.684723/2009-90 Data de Publicação: 19/06/2017 Contribuinte: CIA DE SANEAMENTO BASICO DO ESTADO DE SAO PAULO SABESP Relator(a): JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/2007 ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores Fl. 574DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.294 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.911711/2008-04 restringiram-se a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. Acórdão: 1301-003.061 Número do Processo: 10983.912503/2009-11 Data de Publicação: 18/07/2018 Contribuinte: COMPANHIA ENERGETICA MERIDIONAL - CEM Relator(a): FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Ano-calendário: 2006. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ/RJO1 para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, bem como das retificações às declarações que foram apresentadas pela Recorrente, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/RJO1. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, considerando a inovação do enquadramento legal por parte da DRJ, como também devido à aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, bem como da necessidade de ser analisada e considerada as declarações retificadoras apresentadas no processo, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/RJO1 para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 575DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13054.000805/2001-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO CONTRIBUINTE. SIMPLES REVENDA. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador.
Fórmula não aplicada no presente processo em face da impossibilidade de reforma do acórdão em prejuízo da recorrente.
Numero da decisão: 9303-009.899
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente para excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos serviços de industrialização por encomenda, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO CONTRIBUINTE. SIMPLES REVENDA. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador. Fórmula não aplicada no presente processo em face da impossibilidade de reforma do acórdão em prejuízo da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente para excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos serviços de industrialização por encomenda, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 08 05 /2 00 1- 69 Fl. 400DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.899 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13054.000805/2001-69 (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com fundamento no art. 1º da Lei nº 9363/96 e Portaria MF nº 38/97, referente ao 2º trimestre/2001 no valor de R$ 27.353,51, protocolado em 23/10/2001. O pedido foi deferido parcialmente pela unidade de origem que reconheceu crédito no montante de R$ 22.341,49. Sua manifestação de inconformidade foi totalmente indeferida pela DRJ/Santa Maria, e-fls. 208 e seg. O recurso voluntário foi julgado por meio do acórdão nº 3401-00915, de 25/08/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INCLUSÃO. Por compor o custo dos insumos, o valor da industrialização por encomenda é computado na base de cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, desde que seja realizada por pessoa jurídica contribuinte do PIS e COFINS e o produto beneficiado seja novamente industrializado pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS. SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. ENERGIA ELÉTRICA. EXCLUSÃO NO CALCULO DO INCENTIVO. SÚMULA CARF N° 19, DE 2009. Nos termos da Súmula CARP n° 19, de 2009, e em consonância com o Parecer Normativo CST n° 65/79, não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, vez que não são consumidos em contato direto com o produto e por isto não se enquadram nos conceitos e matéria-prima ou produto intermediário para fins do IPI. Fl. 401DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.899 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13054.000805/2001-69 DEVOLUÇÃO DE COMPRAS. EXCLUSÃO. Em obediência A. legislação do IPI, os valores das devoluções de insumos adquiridos são excluídos da base de calculo do incentivo. Recurso provido em parte. Como pode se observar da parte destacada da ementa, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para incluir os serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido e por excluir do cômputo da receita operacional bruta o valor referente aos produtos adquiridos e exportados pelo contribuinte em operação de revenda e não de industrialização pelo próprio. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência insurgindo quanto às duas matérias destacadas no parágrafo anterior e na ementa. Referido recurso foi admitido por despacho do então presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF. O contribuinte também apresentou recurso especial nas matérias em que restou vencido, porém este não foi admitido por despacho do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF e confirmado por despacho de reexame do então presidente da 3ª Turma da CSRF do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria Fl. 402DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.899 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13054.000805/2001-69 desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia e de concessão de incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/interpretacao-e-integracao- da-legislacao-tributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material Fl. 403DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.899 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13054.000805/2001-69 de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matéria-prima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II - correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5 o Aplicam-se ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei n o 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, em relação a esta matéria. Produtos exportados sem industrialização por parte do exportador – simples revenda. Inclusão no coeficiente de exportação. Fl. 404DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.899 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13054.000805/2001-69 A Fazenda Nacional, em seu recurso, pede que os produtos adquiridos pelo contribuinte e exportados, sem que tenham sofrido qualquer processo de industrialização, devem compor a receita operacional bruta para fins do cálculo do coeficiente de exportação de que trata a Portaria MF nº 38/97, nos exatos termos em que foi calculado pela fiscalização tributária. Ocorre que essa matéria já está pacificada no âmbito do CARF em face da edição da Súmula CARF nº 128, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 128 No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996 e a Portaria MF nº 38, de 1997, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação - RE, quanto da Receita Operacional Bruta - ROB, refletindo nos dois lados do coeficiente de exportação - numerador e denominador. Referida súmula decidiu que essas receitas compõem tanto a Receita de Exportação, numerador, quanto a Receita Operacional Bruta, denominador. A Fazenda Nacional defende sua inclusão somente na ROB – denominador, situação que diminui o coeficiente de exportação reduzindo o montante do crédito presumido de IPI a que faz jus o contribuinte. Este pedido não pode ser deferido, sem que se confrontasse as disposições da referida súmula. Incluir esses valores, tanto na RE quanto na ROB, como dispõe a súmula também não é possível pois significaria a reforma do acórdão em prejuízo da recorrente. Diante do exposto, em face da impossibilidade do reformacio in pejus, nego provimento do recurso especial fazendário nesta matéria. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional somente para excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos serviços de industrialização por encomenda. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720677/2011-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO.
As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram- se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária.
Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindo-se os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO.
As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram- se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88.
Numero da decisão: 3201-001.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram- se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindo-se os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram- se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88.
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SUSPENSÃO. Recorrente SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindose os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições sem fins lucrativos dedicadas à área educacional enquadram se como entidades beneficentes de assistência social para fins da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF/88. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 77 /2 01 1- 37 Fl. 3931DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.932 2 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As entidades beneficentes de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta deve ser suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, exigindose os tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 28/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, justificadamente, o conselheiro Daniel Mariz Gudino. Relatório Tratase o processo de auto de infração referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, decorrente de suspensão da imunidade determinada pelo não atendimento dos requisitos definidos na legislação como necessários para o seu gozo. A autoridade fiscal informa diversos fatos que contrariariam o disposto na legislação, quais sejam: a) pagamento de cirurgia e tratamento do exchanceler e pai da atual chanceler, ARAPUAN MEDEIROS DA MOTTA; b) pagamentos à empresa VIDA ESTÉTICA INTERNACIONAL sem apresentação de notas fiscais, apenas recibos; c) pagamentos a clubes de futebol, sendo R$ 240.000,00 em 2006 para o BOTAFOGO FUTEBOL E REGATAS e R$ 140.000,00 para o FLUMINENSE FOOTBALL CLUB em 2007; Fl. 3932DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.933 3 d) pagamentos de planos de previdência prIvada à Sra. Ana Cristina Monteiro da Motta Cruz, chanceller da instituição; e) pagamento de remunerações a diretores e conselheiros de forma régia, em valores superiores aos pagos a outros funcionários. f) pagamentos feitos à empresa GARRIDO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E NEGÓCIOS EMP. LTDA, do então Reitor da SUAM (até 03/2008), José Remizio Moreira Garrido. Tendo em vista a correta descrição das matérias presentes neste processo, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: Trata o presente processo de Autos de Infração, lavrados em nome do contribuinte SOCIEDADE UNIFICADA DE ENSINO AUGUSTO MOTTA (SUAM), pertinentes à falta de recolhimento da Cofins, no valor de R$ 27.449.506,39, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/07/2011 e à falta de recolhimento de do PIS, no valor de R$ 8.407.503,22, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/07/2011. No “relatório fiscal”, a autoridade fiscal autuante esclarece que em virtude do não atendimento dos prérequisitos dispostos no art. 55, IV da Lei 8.212/91 e posteriormente no art. 29 da Lei 12.101/2009, lavrou o Auto de Infração da COFINS para os anos de 2006 e 2007. Informa, ainda, que a base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, o qual é entendido como o valor da receita bruta da pessoa jurídica, que vem a ser a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes a classificação contábil ou a denominação adotada para as receitas e que permaneceram sujeitas, exclusivamente, à sistemática da incidência cumulativa, a totalidade das receitas auferidas as pessoas jurídicas imunes de imposto (os templos de qualquer culto; os partidos políticos; as entidades sindicais dos trabalhadores; e as instituições de educação e de assistência social). (Medida Provisória nº 135/2003, art. 10, inciso IV e Lei nº 10.833/2003, art. 10, inciso IV, e art. 93, inciso I.). Quanto ao PIS, aduz que do mesmo modo, em virtude do não atendimento dos requisitos para pagamento do PIS na modalidade de PISFolha, lavrou o Auto de Infração da PIS faturamento para os anoscalendário de 2006 e 2007. Em relação à multa, assevera estar prevista na Lei 9.430/96 artigo 44 inciso II que foi posteriormente modificado pelo artigo 44 inciso I e § 1º, com redação dada pela Lei 11.488/2007, uma vez que a SOCIEDADE UNIFICADA AUGUSTO MOTTA além de ter descumprido os prérequisitos para fruição do benefício, usou de artifícios para distribuir disfarçadamente os lucros auferidos, através de pagamentos de altos salários e outros benefícios a membros da família que controla a instituição, omitindose assim de pagar as contribuições devidas e que este Fl. 3933DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.934 4 comportamento enquadrase no disposto no art. 71 da Lei 4.502/64. Irresignado com o lançamento, o interessado apresentou impugnação, alegando em síntese que: Os lançamentos fiscais em questão não merecem prosperar, visto que (i) não deve subsistir a cassação do direito constitucional da instituição para o período em exame; porquanto, (ii) deve ser restabelecida a isenção tributária legalmente garantida à impugnante, eis que a violação ao direito da entidade pela fiscalização se deu sob a égide de premissas falsas, partindo de inferições das autoridades de cobrança, desprovido do aspecto de legalidade que é imperativo ao Sistema Tributário Nacional e à Administração Publica por subsunção, não havendo por parte da impugnante o descumprimento dos requisitos para fruição dos benefícios fiscais, repitase, sendo indevidos os lançamentos de créditos tributários e arbitrária a suspensão do benefício assegurado à impugnante pela norma isencional. Mantém a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, sendo prova inconteste o próprio Relatório Fiscal, na medida em que relata expressamente a auditoria fiscal ter tomado por base os livros e documentos do sujeito passivo, além de dados da escrituração apresentados em meio digital. As situações postas pela fiscalização possuem origem e causa comprovada quanto aos pagamentos realizados, tendo efetivamente ocorrido no período do fato gerador em exame, para o desenvolvimento de suas atividades institucionais. A autoridade fiscalizadora inicia as fundamentações com flagrante equívoco ao mencionar as receitas auferidas pela impugnante nos exercícios de 2006 e 2007, conforme valores expostos às fls. 9 do referido documento suporte das lavraturas dos autos de infração, em descompasso com as informações prestadas pela impugnante, seja em balanço ou em obrigações acessórias. A autoridade fiscalizadora aponta no item 5.1. do Relatório Fiscal a característica familiar de criação da impugnante, colacionando os artigos do Estatuto Social da Sociedade Unificada de Ensino Augusto Motta que ratificam a afirmação e comprovam a quem cabe os seus poderes de gestão máxima, com o objetivo de justificar eventual descumprimento dos requisitos para manutenção do direito constitucional à imunidade/isenção. Ocorre que não foram trazidos pelo Órgão Fiscalizador quaisquer argumentos decorrentes da constituição de uma sociedade tida como familiar capaz de infringir o disposto no artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991. Não há impedimento legal para um grupo de familiares constituírem uma sociedade educacional, filantrópica, sem fins lucrativos, entidade beneficente de assistência social, sendo Fl. 3934DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.935 5 objetivo precípuo da impugnante, desde a sua constituição, a consecução de seus serviços em favorecimento da comunidade assistida por seus projetos educacionais, culturais e sociais. Conforme expressamente transcrito no artigo 1° do seu estatuto social, posteriormente ratificado por disposição expressa contida nos títulos assistenciais conferidos pelos órgãos competentes da Federação, tais como Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) e Atestado de Registro no Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), entre outros, é associação civil, sem fins lucrativos, de caráter educacional, filantrópico, assistencial. A impugnante tem como objetivo a realização de função social constitucionalmente consagrada, pois, na qualidade de entidade educacional filantrópica tem como finalidade a promoção da educação e da cultura à população em geral. Portanto, como constante em seu estatuto, a impugnante é entidade que pratica assistência social à população assistida, possuindo o devido registro de seu normativo estatutário no Cartório competente, e por lógica, referido documento constitui instrumento hábil e suficiente para estabelecer esses fins, desde sua geração, conforme expressa previsão dos artigos 45 e 46 do Código Civil Brasileiro. Inexiste qualquer vedação no ordenamento brasileiro acerca de ser ou não sociedade regida por entes de uma mesma família, muito menos de outorga de cargos de direção por meio hereditário, isso porque a legislação não faz qualquer distinção quanto aos membros que formam uma sociedade, para esta ser classificada, ou legalmente constituída, sendo indiferente quem a constitua. Diante da situação exposta pela fiscalização, não há legalidade no ato administrativo que visa cassar o direito à imunidade/isenção que faz jus uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, entidade beneficente de assistência social, pelo genérico e infundado argumento da constituição da sociedade através da reunião de familiares que visam o único objetivo de atingir diariamente os objetivos e as finalidades da impugnante, todas dispostas em seu Estatuto Social, restando configurada a ausência de vantagem financeira decorrente das receitas auferidas pela IES, repitase, valores aplicados integralmente para consecução de seus objetivos. Por fim, o próprio órgão responsável pela regulamentação das entidades que atuam na área da educação, ou seja, o Ministério da Educação (MEC) credenciou a entidade mantida pela impugnante, o Centro Universitário Augusto Motta, através do Decreto publicado em 27 de outubro de 1997 (doc. 4), reconhecendo, assim, sua regular atuação no âmbito da educação de ensino superior, ratificando a possibilidade de criação da sociedade educacional através da reunião formal de familiares que visam um objetivo comum a ser exercido na estrita boafé. Fl. 3935DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.936 6 Desde 1980, a impugnante vem desenvolvendo atividades de extensão na área de prestação de serviços à comunidade, tais como, atividades prestadas na Clínica Escola Amarina Motta (CLESAM) e no Núcleo de Prática Jurídica (NPJ). A partir de 2002, ampliouse o espectro de atuação, quando foi criada a Assessoria de Pesquisa, Extensão e Assuntos Comunitários, passando a extensão a ser responsável pela implantação da iniciação científica e de projetos variados nas comunidades. Além disso, passou a promover também a integração da instituição com a comunidade regional, mediante a implantação de um maior número de projetos, conjugando o atendimento às comunidades e o aprimoramento acadêmico do corpo discente. Isto se deu mediante a criação de novos núcleos dentro da instituição, tais como: (i) o Núcleo de Apoio Empresarial (NAE); (ii) Academia Escola; (iii) Clínica Escola (que presta serviços nas áreas de fisioterapia, enfermagem, nutrição e serviço social); (iv) Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAPP), entre outros. Além disso, fora realizada uma série de ações sociais nos últimos anos, para atender a comunidade carente da região, envolvendo profissionais de várias áreas, como se verifica de forma inconteste no sítio da Consulente (www.unisuam.edu.br). Alega a fiscalização aplicação indevida de recursos pela entidade em vista do custeio de despesas médicas hospitalares em favor do antigo dirigente da impugnante, inferindo tal fato a partir de uma análise fria e objetiva de registros de lançamentos e de documentação suporte. Cabe ressaltar que os valores despendidos à época se deram em vista da dificuldade financeira em que se apresentava o antigo Dirigente da SUAM, tendo a administração atual deliberado pela assistência médica, uma vez que sensibilizados com a impossibilidade do beneficiário custear tratamento de alto risco, somado ao fato deste ter prestado, ao longo dos seus anos e de sua vida profissional, relevantes serviços e de boa administração em favor da entidade impugnante, tendo se dedicado a maior parte de sua vida laboral gratuitamente à entidade, nos termos do que dispõe a legislação que a regula. Não obstante o dever moral da entidade frente ao seu colaborador, temse que os associados presentes, mediante realização de Ata de Assembleia Geral Extraordinária, deliberaram, a partir do presente Relatório Fiscal, ora combatido, dar ciência ao antigo mantenedor acerca da prejudicialidade causada a instituição diante da subjetividade da fiscalização em inferir situação ilegal diante de fato anteriormente ocorrido relacionado a si, e ainda, solicitar, na medida de suas condições, a devolução integral dos valores dependidos, devidamente corrigidos, sob o propósito comum de preservar o direito da impugnante e a continuidade de suas Fl. 3936DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.937 7 atividades assistenciais, afastar, sem qualquer limite ou margem de discricionariedade, a alegação infundada da autoridade fiscal, eliminando, assim, qualquer margem de risco de sua sobrevivência, já que a suspensão dos benefício fiscais afetam diretamente as atividades assistenciais desenvolvidas ao longo dos anos pela impugnante, na medida em que os esforços despendidos na consecução dos objetivos institucionais restará comprometido com a tributação indevida dos tributos apontados no Relatório Fiscal. De qualquer sorte, em vista das justificativas apresentadas ao antigo dirigente, houve por bem anuir com a devolução dos valores despendidos, imbuído no propósito comum e de absoluto comprometimento com a impugnante, mesmo anos após a sua renúncia do cargo de Direção, portanto, tendo manifestado formalmente em favor dos interesses da impugnante, mediante a concordância de devolução das importâncias apontadas no relatório fiscal, cujos pagamentos serão devidamente registrados e a documentação comprobatória acostadas oportunamente nos presentes autos. Portanto, a situação apontada pela fiscalização, diante do desencadeamento posterior ao relatório fiscal, demonstra ser insubsistente a alegação posta neste particular, sendo o fato em questão superado, inexistindo qualquer descumprimento dos requisitos legais para manutenção do direito à imunidade/isenção tributária, temse como insubsistência o relatório fiscal no que tange ao item em questão. Os contratos objetos de questionamento pela autoridade fiscal por intermédio do relatório fiscal que embasou a lavratura dos autos de infração ora impugnados regulamentam a relação de locador e locatário firmada entre a empresa Vida Estética Internacional e a impugnante, com o objetivo de alugar máquinas essenciais para a realização das aulas práticas do curso de Estética e Cosmetologia oferecido pelo Centro Universitário Augusto Motta, além do atendimento à comunidade em geral realizada pela clínica implantada pela impugnante (Clesan). Os valores despendidos, devidamente registrados na contabilidade da impugnante e suportados pelos recibos apresentados durante a auditoria fiscal, refletem exatamente as obrigações contidas nos contratos firmados entre as partes, especificamente com locação de equipamentos e contraprestação do custo de implantação da clínica/laboratório do curso de Estética e Cosmetologia ministrado pela instituição mantida pela SUAM. Entretanto, cumpre ressaltar que a necessidade e legalidade na celebração de tal contrato estão vinculadas ao fato de ser o Curso de Estética e Cosmetologia de caráter Tecnológico Experimental. Nesse sentido, cumpre ressaltar que os cursos tecnológicos devem seguir a Resolução nº 3, de 18 de dezembro de 2002, Fl. 3937DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.938 8 expedida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de tecnologia. Portanto, resta demonstrado que os cursos técnicos devem seguir em seus projetos pedagógicos todas as diretrizes acima elencadas e estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação, diante do descumprimento ensejar a não aprovação nos órgãos competentes, destacandose, in casu, a necessidade de instalação e disponibilização dos equipamentos para a devida utilização nas aulas práticas a serem ministradas no Curso de Estética e Cosmetologia. Tendo em vista a natureza jurídica da impugnante, a clínica implantada, vinculada aos cursos ministrados pela instituição mantida, visa também o atendimento gratuito à população carente (público alvo da norma assistencial) e a comunidade em geral. Portanto, os valores despendidos com locação e implantação não apenas contemplam a norma da Pasta de educação em processo de reconhecimento/autorização de curso, mas, também, a complementação de suas atividades institucionais e assistenciais. Assim, inexiste qualquer norma que impeça a locação de referidos equipamentos, sendo esta a estratégia utilizada pela impugnante, tendo em vista o caráter experimental do curso de tecnologia e o não interesse no investimento inicial de maquinário. Ou seja, diante do iminente caráter experimental do mencionado curso, a impugnante optou em realizar a locação das máquinas e equipamentos necessários para a realização das aulas práticas do curso técnico, além do custo de implantação e instalações do laboratório clínico, tendo em vista o custo dos equipamentos e o número mínimo de alunos matriculados. Evidenciase, portanto, que a organização de cursos experimentais, com currículos, métodos e períodos escolares próprios é a expressão da autonomia da escola e tal autonomia não pode ser usurpada por mera discricionariedade do fiscal, ao fundamentar a quebra da imunidade/isenção da impugnante pelo fundamento de não comprovação da finalidade do aluguel de equipamentos realizado com a empresa mencionada no relatório fiscal. Portanto, não se pode afirmar como o fez a autoridade fiscal, que o patrimônio da impugnante, nos debatidos contratos de locação, se encontra relacionado com o patrimônio particular de seus sócios, já que conforme demonstrado, no caso a locadora e a locatária são pessoas distintas e sem qualquer vínculo patrimonial nem concomitância de sócios, sendo devidamente comprovada a utilização dos equipamentos locados nas aulas ministradas no Curso de Estética e Cosmetologia. Fl. 3938DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.939 9 A fiscalização cometeu outro equívoco na lavratura dos autos de infração decorrentes do relatório fiscal objeto desta impugnação. De fato, a fiscalização no item 5.2.2, ao tratar dos pagamentos realizados em favor da empresa Vida Estética Internacional, alega que a impugnante teria aplicado recursos em operação ou causa não comprovada, tendo em vista o cadastro inativo da empresa contratada. A impugnante não pode ser penalizada com a suspensão e até mesmo a perda do seu direito à imunidade relativamente aos impostos e contribuições sociais devido a erro/irregularidade cometido por uma empresa com a qual manteve uma relação comercial. O fato de a empresa estar inativa no momento da prestação de serviços com a impugnante não enseja a solidariedade ou, quiçá, a suspensão da imunidade no período apontado pela fiscalização. A SUAM, por ser terceiro de boafé, não pode ser responsabilizada por eventual irregularidade perante o Fisco de empresas prestadoras de serviços. Não é cabível obrigar o contribuinte examinar o sistema da Receita Federal do Brasil e dos estados a cada negócio jurídico que realizar, para pesquisar qual a situação cadastral do fornecedor de mercadorias ou prestador de serviços. Demais disso, inviável também a pesquisa diretamente no órgão fazendário para obtenção de informações dessa natureza. Diante de todo o exposto, resta cristalina a impossibilidade de responsabilização solidária da impugnante, ante a verificação posterior às transações comerciais realizadas da inaptidão cadastral da empresa perante a Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal aponta no item 5.2.3. do relatório argumentos que, em tese, suportariam a infringência ao artigo 55, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 1991, em decorrência da realização de termos de convênio com dois clubes de futebol. Ocorre que a relação firmada entre a impugnante e os mencionados times de futebol devese ao fato da necessidade de divulgação da marca da SUAM, com a finalidade de angariar alunos no mercado educacional, tendo em vista ser esse o meio de sobrevivência financeira da instituição, comprovandose, desde já, a relação dos gastos despendidos com as finalidades essenciais da impugnante. Estabelece nossa Carta Magna, como fundamento de nosso Estado Democrático de Direito a livre iniciativa (artigo 1°, inciso IV), que é reafirmado no capítulo referente aos princípios gerais da atividade econômica, observado, dentre outros, o princípio da livre concorrência (artigo 170, inciso IV). Fl. 3939DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.940 10 Analisandose que a todos os indivíduos é assegurado o livre exercício da atividade econômica, e que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal), podese afirmar que ao celebrar um contrato, ou melhor, a liberdade contratual, se exerce o princípio da livre iniciativa, desde que respeitados o direito adquirido e os atos jurídicos perfeitos. Além da liberdade contratual estabelecida para todas as pessoas físicas e jurídicas, possuem os Centros Universitários autonomia para criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior. Autonomia esta alcançada através do oferecimento de um serviço com qualidade com base na própria com base em avaliação realizada pelo próprio Poder Público. Destacase que, especificamente no que diz respeito às instituições privadas de ensino superior sem fins lucrativos o marketing, por elas utilizado, deve ser semelhante aquele utilizado pelas demais empresas, uma vez que, em ambos os casos, todos estão sujeitos ao convívio em um espaço competitivo por público que demanda cada vez mais investimentos na busca da divulgação de suas marcas e serviços. Na busca por seu público alvo, quais sejam alunos universitários, com a utilização desses mecanismos de marketing é que se alcançará o aumento no número de discentes, que consequentemente trará mais lucro para a instituição e será revertido em maior capital para reinvestimento na organização e instalações da IES, podendo assim ser atendidas as demandas de interesse da sociedade. Portanto, a função do investimento em marketing nestas instituições, não pode ser considerado como uma atividade fim da alocação de recursos, mas sim uma atividade meio para atração e retenção de recursos financeiros, materiais e humanos. In casu, atendidas as normas gerais, nenhuma infração pode ser atribuída à instituição de ensino que, visando apenas arrecadar mais alunos através da divulgação de sua marca, celebra contrato de marketing com clubes de futebol. Nesse sentido, os mencionados Instrumentos Particulares de Contrato de Patrocínio firmados pela impugnante com o Clube Botafogo de Futebol e Regatas e o Fluminense Footbal Club se revestem de flagrante validade, uma vez que são meras ferramentas utilizadas para a divulgação da marca da impugnante, na realização dos seus objetivo e finalidades estatutárias, o que se passará a ser mais detalhadamente analisado. Resta demonstrado através do contrato firmado, o objeto de propaganda e marketing buscado pela instituição em um momento que precisava trazer mais alunos para o seu corpo de discentes, em especial, no curso de Educação Física. Fl. 3940DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.941 11 Somase a isto o fato de que com o presente instrumento particular de contrato de convênio além de divulgar a marca da IES, buscouse o desenvolvimento de vários cursos de graduação e pósgraduação da instituição. Portanto, devidamente demonstrada a pertinência dos gastos mencionados no item 5.2.3. do Relatório Fiscal objeto de impugnação, demonstrando a importância do contrato realizado com o clube Botafogo, no sentido em que auxiliaria à impugnante na concretização e realização de seus objetivos e finalidades estatutárias. De outro lado, temse a mesma modalidade de contrato firmado com o Fluminense Futbal Club. O mencionado contrato possui o mesmo objetivo daquele anteriormente analisado, ou seja, expor a marca da UniSuam, com a finalidade precípua de obter alunos no mercado através da divulgação pelo clube contratado de determinados itens: Além disso, demonstrando novamente a devida aplicação dos gastos decorrente do contrato firmado nas finalidades essenciais da impugnante, o referido instrumento prevê a possibilidade de cessão de vagas de estágio nas mais diversas áreas, permitindo, assim, o desenvolvimento tanto da SUAM quanto do clube. Destacase que nesse período, além da divulgação usual em estampar sua marca em clubes de futebol com tamanho reconhecimento em todo o território nacional, tanto o Botafogo, quanto o Fluminense obtiveram resultados bastante expressivos. Tal retorno, caso fosse contratada empresa exclusiva de marketing, jamais seria alcançado com tamanha importância e abrangência, nem mesmo que se alocasse uma soma muita maior de capital para tal finalidade. Podese concluir desta forma que, além da discricionariedade do fiscal, ao não analisar os referidos instrumentos particulares dos contratos de convênios, inexiste a comprovação do mencionado desvio de finalidade na contratação de clubes que possibilitam a divulgação da marca da SUAM em nível nacional, uma vez que a alocação dos recursos teve como objetivo a realização de campanha para aumentar a captação de alunos. Através dos argumentos dispostos no item 5.2.4., a autoridade fiscal relata a recusa das explicações e documentos apresentados pela impugnante quando das intimações realizadas no Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem aos autos de infração ora impugnados, afirmando eventual vantagem indireta de seus Diretores. Entretanto, cumpre esclarecer que no ano de 2006, em decorrência da necessidade de obtenção de linha de crédito para fomento de suas atividades institucionais e implantação de novos projetos, houve a necessidade de obtenção de crédito junto à instituição bancária, situação em que ensejou a contratação do Fl. 3941DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.942 12 produto Flexprev VGBL Empresarial RF, como forma de estreitar a relação comercial entre a SUAM e o Banco Itaú, a fim de viabilizar a aprovação da operação de crédito, conforme apresentado à época pela Gerência Pessoa Jurídica. A venda de referido produto se deu de forma vinculada à operação de crédito pretendida, tendo sido contratado por indicação da própria instituição credora, por meio de sua Gerência de Relacionamento, visando melhor análise de perfil da entidade na qualidade de cliente correntista junto à instituição financeira, tudo isso, objetivando, por parte da entidade, a autorização/liberação do contrato de financiamento (operação de empréstimo). O contrato de aquisição do produto VGBL figurando como parte a SUAM (doc. 6), representada por sua representante legal à época, previa o resgate da totalidade do valor despendido, sem qualquer ônus para a instituição, o que pesou na decisão tomada pela diretoria administrativa e financeira da entidade, cujo resgate se deu efetivamente após o período de carência. Sendo assim, não merecem prosperar as alegações expostas no relatório fiscal, em virtude não restar comprovada qualquer vantagem ilícita obtida pela Chanceler da impugnante, restando demonstrado o devido regaste da totalidade dos valores dependidos, inexistindo, sim, um equívoco no momento do lançamento do histórico contábil, situação que está sendo retificada pela impugnante, protestandose, desde já, pela juntada do balancete que comprova referida alteração. Contudo, cabendo destacar que o lapso apontado quanto à contabilização da receita, não possui o condão de invalidar ou afastar as formalidades intrínsecas quanto aos registros contábeis realizados pela impugnante. Nos termos do que estabelece o relatório fiscal ora em debate, afere a fiscalização suposta ocorrência de remuneração indireta dos dirigentes da impugnante, no período dos fatos geradores ventilados, quais sejam, anos calendários de 2006 e 2007, advindas dos valores pagos relativamente a tomada de serviços da empresa Garrido Serviços de Intermediação e Negócios Empresarias LTDA., pelo fato da identidade no quadro social da contratada com diretor da contratante, suscitando inadvertidamente que pelo fato de que o antigo Reitor da impugnante figura como sócio da empresa contratada, os pagamentos realizados supostamente teriam o condão de promover vantagem indevida a dirigente da entidade, o que implicaria em infringência ao artigo 55, inciso IV, da Lei n.2 8.212, de 1991. Cumpre demonstrar a total insubsistência das supostas aferições lançadas, vez não haver qualquer margem a impedimento legal da contratação da citada prestação de serviço, pela compatibilidade do quadro social da empresa contratada com a Diretoria da impugnante. Fl. 3942DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.943 13 O inciso II, do artigo 5º, da Constituição Federal, estabelece que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Nesse sentido, o legislador constituinte previu a existência dos poderes estatais independentes e harmônicos entre si, atribuindo funções a cada um destes, as quais devem ser exercidas com exclusividade, impedindo a arbitrariedade e o desrespeito às garantias fundamentais. Não se pode permitir ao Poder Judiciário ou ao Poder Executivo a edição de normas infralegais, usurpando a competência do Poder Legislativo, com o intuito de aplicar sanção aos administrados, bem como contrariar as garantias fundamentais e, principalmente, o princípio da legalidade. In casu, não há qualquer violação legal na contratação de empresa prestadora de serviços, constituídas com finalidade lucrativa, a qual possui em seu quadro societário dirigente da SUAM, ora impugnante. Temse como competência exclusiva do Poder Legislativo Federal a edição de normas jurídicas capazes de criarem deveres e obrigações, restringindo ou condicionando a liberdade das pessoas, devendo ser respeitado pela Administração Pública o princípio da legalidade previsto no artigo 5°, incisos II, da Constituição Federal. A norma esculpida no artigo 5°, inciso II, da Carta Magna, a qual trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro o princípio da legalidade, prevê de forma expressa a formalidade exigida para a aplicação de penas, sendo competência da lei a disciplina de punição a determinada atitude ou ação. Portanto, não merece prosperar a alegação do Fisco no sentido de constituir favorecimento e/ou remuneração indireta do dirigente da impugnante, pois inexiste penalidade ou ilegalidade na contratação da empresa mencionada no relatório fiscal, a uma pela observância na fixação de preços compatíveis com aquele praticado no mercado, bem como na realização da devida cotação aos serviços praticados por empresas diversas. A Administração Pública na realização de seus atos deve submeterse ao Direito Constitucional, em decorrência da supremacia da Constituição na hierarquia das leis, ou seja, as normas de conduta da Administração Pública, quando da realização de fiscalização tributária, consistente, in casu, na lavratura dos autos de infração objetos do relatório fiscal ora combatido, não atentou às normas existentes na esfera constitucional, sendo violados os princípios traçados pela Carta Magna, em especial o princípio da legalidade, previsto no inciso II, do artigo 5º. Ademais, a Carta Magna deixa explícito em seu artigo 37 os princípios que regem a Administração Pública, dentre eles o da legalidade. Fl. 3943DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.944 14 Portanto, não há como conceber a ideia de permitir à Administração Pública, no caso em espeque, a aferição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em aplicar sanções graves à instituição contribuinte, aferindo ocorrência de hipótese de causa suspensiva da imunidade tributária aplicada à aplicação de base de cálculo diferenciada no caso do PIS e suspensão do gozo da isenção da COFINS, pela singela fundamentação na contratação de empresa prestadora de serviços que possui sócio que figura como dirigente da instituição ora impugnante, configurando hipótese de remuneração indireta. Vejase que não houve por parte da análise fiscal lançada no relatório qualquer comprovação ou argumento que aferisse a inexistência de documentação suporte que respaldasse a efetivação ou não da referida prestação de serviços, pelo contrário, traz em seu relatório fiscal alegações genéricas e infundadas sobre a contratação da empresa Garrido, inexistindo qualquer fato capaz de comprovar a infringência ao artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991. Dessa forma, afirmar que dirigente da impugnante recebeu remuneração indireta sob a frágil alegação de ser sócio de empresa prestadora de serviços, contratada pela SUAM, após a devida análise dos preços praticados no mercado, bem como a comprovação da essencialidade dos serviços prestados na consecução dos objetivos institucionais, constitui aplicação de penalidade e restrição dos direitos do contribuinte, sem o devido respaldo legal, fato este não permitido no ordenamento jurídico brasileiro, conforme previsão constitucional. Estabelecendo a legislação em debate o direito pleno e irrevogável a liberdade contratual, incluindo a escolha das partes contratantes, não há parâmetro para que se imponha a vedação da referida contratação, ou mesmo, a aplicação de sanção em desfavor da impugnante, apenas pela suposição de que os valores pagos em relação às prestações de serviços foram efetuados supostamente para angariar a remuneração indireta de dirigentes da SUAM, vez que tal aferição sequer restou comprovada pela fiscalização. Em virtude do princípio da entidade, o patrimônio da pessoa jurídica (entidade) não se confunde com o dos seus sócios ou proprietários. Assim, verificase que independentemente do fato de que na composição dos quadros sociais da empresa contratada ter representante legal da instituição mantida pela SUAM, isto não leva a conclusão de que tal contratação ocorrera como forma de remuneração indireta deste, pois efetivada a prestação dos serviços, a remuneração pactuada e realizada em razão desta, pertencerá ao patrimônio da empresa. De fato, previa a época, o artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, como condição para o gozo da imunidade a não remuneração Fl. 3944DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.945 15 dos seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores. Porém, necessário delimitar quem se tratam os diretores para os quais a norma proíbe a sua remuneração, tendo em vista que não houve menção específica na legislação ordinária. Podese afirmar que a proibição limitase aos diretores estatutários (da entidade mantenedora), constituídos nos termos do estatuto social da entidade. As funções desses diretores consistem na representação da instituição consubstanciada nos atos de administração que implicam contrair obrigação para a pessoa jurídica representada ou tomar decisões em nome daquela. Diferenciase, portanto, daquele tipo de diretor constituído mediante contrato de natureza empregatícia, ou que preste um serviço específico para a instituição educacional, também denominada entidade mantida, conforme o caso em epígrafe, onde referida empresa prestadora de serviços possui em seu quadro social o antigo Reitor do Centro Universitário Augusto Motta, entidade mantida pela impugnante. Este inclusive, é o entendimento no âmbito da Secretaria da Receita Federal, destaquese o acórdão n.° 10194610, da 1ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, de 17 de junho de 2004. Desta forma, havendo distinção entre as funções desempenhadas, em especial, na entidade mantida, sendo a atividade efetivamente comprovada e compatível com a formação técnica/profissional do dirigente, não há qualquer ilicitude acerca da remuneração pelo serviço prestado, como contraprestação do vínculo laboral, sendo a vedação legal apenas quando se tratar de situação relacionada com as competências estatutárias, pois há evidente diferenciação do que é a pessoa jurídica (sociedade civil, sem fins lucrativos, e mantenedora) e da instituição educacional que presta o serviços para os quais foi constituída (mantida). O que se pretende demonstrar no presente caso, é que mesmo diante do que prevê o inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, se em relação a entidade mantida, não há violação aos requisitos para o gozo da imunidade constitucionalmente consagrada a existência de remuneração na entidade mantida, desde que (i) a atividade efetivamente comprovada e (ii) seja compatível com a formação técnica/profissional do dirigente, quiçá haveria que se falar em vedação a contratação de empresa prestadora de serviços cujos quadros sociais sejam compatíveis com os da instituição sem fins lucrativos, pois a contratação foi da pessoa jurídica e não dos respectivos representantes. A bem da verdade a única obrigação decorrente da referida contratação da empresa descrita no item 5.2.5 do relatório fiscal, reportase a verificação de (i) atendimento dos parâmetros do artigo 104 do Código Civil, (ii) a efetiva Fl. 3945DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.946 16 prestação do serviços, (iii)qualidade do serviços prestados; (iii) prazo da execução/prestação dos serviços e principalmente (iv) valor de mercado e compatibilidade com o valor cobrado, não podendo serem levantados outros critérios que impossibilitem a prestação de serviços e a contratação da empresa citada, por critérios totalmente alheios ao que prevê a legislação. Como se vê no teor do relatório fiscal, afere por diversas vezes a autoridade fiscalizadora, suposta infringência a legislação aplicada, implicando a suspensão da imunidade e benefício fiscal do qual a SUAM faz jus no período ventilado, por ter realizado atos de gestão, no intuito de angariar recursos visando a melhoria contínua de suas atividades, aferindo não ser objetivo institucional a prática de atos e negócios com intuito lucrativo, a exemplo do que temse das aferições invocadas nos itens 5.2.2, 5.2.3 e 5.2.5. A fiscalização cometeu diversos equívocos, todavia, dois dos mais evidentes dizem respeito à aferição da impossibilidade de prática de atos que vise a otimização de recursos (atividade econômica) à confusão entre a pessoa de dirigente da impugnante e à empresa na qual, eventualmente, figura como sócio (item 5.2.5). Salientese que, o fato de a impugnante ter contratado com pessoas jurídicas de direito privado, com finalidades lucrativas, não desnatura, em momento algum, a sua condição de sociedade civil, sem finalidade lucrativa, imune aos impostos e contribuições sociais. Ademais, não há na legislação vigente qualquer óbice à contratação por uma sociedade civil, sem finalidade lucrativa, de empresas cujo sócio também seja dirigente daquela, tendo em vista o princípio da autonomia que rege os contratos entre particulares. A fiscalização entendeu por bem suspender os benefícios fiscais que faz jus a impugnante, por existirem registros de remuneração aos seus Conselheiros, olvidandose de adentrar às respectivas funções dos mesmos no tocante as suas atividades exercidas na entidade mantida, qual seja, o Centro Universitário Augusto Motta. Porém, necessário delimitar quem se tratam os diretores para os quais a norma proíbe a sua remuneração, tendo em vista que não houve menção específica na legislação ordinária. Podese afirmar que a proibição limitase aos diretores estatutários (da entidade mantenedora), constituídos nos termos do estatuto social da entidade. As funções desses diretores consistem na representação da instituição consubstanciada nos atos de administração que implicam contrair obrigação para a pessoa jurídica representada ou tomar decisões em nome daquela. Fl. 3946DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.947 17 Diferenciase, portanto, daquele tipo de diretor constituído mediante contrato de natureza empregatícia, ou que preste um serviço específico para a instituição educacional, também denominada entidade mantida. Na hipótese do referido diretor da entidade mantenedora cumular função na entidade mantida, desde que relacionado com a sua formação profissional, também não há que se falar de vedação de remuneração capaz de ensejar o descumprimento dos requisitos legais. Com efeito, o que a lei de custeio veda é a percepção de benefício econômico ou vantagem em função do exercício de atividade de direção, diretamente relacionada com a entidade mantenedora, não havendo qualquer óbice que os componentes da direção e/ou conselho desta, exerçam atividades nas entidades mantidas e, em face desta atividade laboral, recebam remuneração ou vantagens econômicas que atinjam de forma isonômica todos os que prestam serviços nas entidades mantidas, desde que estejam qualificados para tanto. Desta forma, havendo distinção entre as funções desempenhadas, em especial, na entidade mantida, sendo a atividade efetivamente comprovada e compatível com a formação técnica/profissional do dirigente, não há qualquer ilicitude acerca da remuneração pelo serviço prestado, como contraprestação do vínculo laboral, sendo a vedação legal apenas quando se tratar de situação relacionada com as competências estatutárias. Assim, pode se notar que, podem ser pagos aos dirigentes de uma entidade beneficente salários devidos pelo serviço prestado de acordo com sua função e responsabilidade desta. No caso da impugnante, por ser esta entidade de educação, a Diretoria de sua entidade mantida é formada por seu Reitor, ViceReitor Acadêmico, ViceReitor Administrativo, PróReitor de Graduação, PróReitor de Pesquisa e PósGraduação e Pró Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, os quais recebem seus salários de acordo com o serviço desenvolvido e claro, a hierarquia desses no sentido funcional, desconsiderando o fator hereditário, como tenta fazer crer a autoridade fiscal. De fato, a legislação não impõe qualquer vedação à remuneração dos trabalhadores de uma sociedade sem fins lucrativos, entidade beneficente de assistência social, visto que de forma contrária inexistiriam integrantes interessados nos trabalhos decorrentes das atividades fins da IES, devendo estes se manter com os próprios salários advindos de suas especializações profissionais que os qualificam para exercerem os respectivos cargos. Assim, resta cristalina a certeza de que, os Conselheiros dirigentes da impugnante podem e devem ser remunerados através de salários pelos serviços prestados, com a única Fl. 3947DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.948 18 exigência da compatibilidade com os cargos que exercem, em vista da formação exigida e a responsabilidade da sua função. Vejase no presente caso que o questionamento realizado pela autoridade fiscal no tocante aos salários pagos aos Diretores da entidade mantida pela impugnante, em virtude de eventual ferimento ao princípio da razoabilidade, não foram embasados com aspectos fáticos apropriados ao caso em análise. Ou seja, para a caracterização da exorbitância dos valores despendidos e título de salário aos dirigentes, incumbe à autoridade fiscal a demonstração dos elementos obtidos durante a fiscalização, capazes de respaldar o excesso nos pagamentos realizados, justificando eventual descumprimento da legislação que regulamenta o direito à imunidade/isenção tributária no tocante às contribuições sociais. O pagamento de salários aos dirigentes, quer sejam entes de uma mesma família ou não, pelo serviço prestado na entidade mantida pela impugnante, não fere qualquer preceito legal, nem mesmo como entidade beneficente, devendo meras suposições acerca disso serem desbancadas pela clareza da legalidade do procedimento, sendo conforme o que é estipulado no mercado e para a função exercida, não cabendo ser alterada em prejuízo destes ou da impugnante, por total falta de provas e fundamentação legal lançados no relatório fiscal, situação que mais uma vez demonstra a discricionariedade da autoridade fiscal em relatar os fatos que ensejaram a suspensão da imunidade/isenção em favor da impugnante. Diante das considerações acima realizadas, as quais demonstram a total insubsistência dos argumentos trazidos no relatório fiscal que embasou a suspensão da imunidade/isenção da impugnante nos exercícios de 2006 e 2007, resta caracterizada a nulidade absoluta dos lançamentos que constituíram os autos de infração lavrados nos autos do processo administrativo em epígrafe. Não obstante a limitação por parte do órgão fazendário acerca do direito conferido constitucionalmente à impugnante, cumpre destacar que diferentemente do contido no relatório fiscal, no caso da SUAM, não há que se falar em existência de fato gerador para as contribuições sociais apontadas, nem mesmo a tributação do PIS sobre a modalidade de um por cento sobre folha, já que este tributo, de igual forma, possui a natureza de contribuição social. Vale lembrar que no caso da impugnante existe o reconhecimento válido e formal da sua natureza de entidade de assistência social, a partir da existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com validade no período do fato gerador em questão, o qual foi devidamente expedido pelo Órgão competente para tratar de política assistencial no âmbito nacional. Importante novamente frisar que a impugnante, desde a sua fundação, possui natureza jurídica de associação civil, sem fins Fl. 3948DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.949 19 lucrativos, de caráter educacional, filantrópico, assistencial, nos termos do seu estatuto social, natureza esta devidamente reconhecida por disposição expressa contida nos títulos assistenciais conferidos pelos órgãos competentes da Federação, tais como Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) e Atestado de Registro no Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), entre outros, especialmente no período objeto dos fatos geradores em debate. A impugnante proporciona até os dias atuais além da educação à população em geral, por meio da distribuição de bolsas de estudos e do desenvolvimento de atividades culturais e de ensino, diversos projetos assistenciais voltados à população de baixa renda, com o objetivo de atingir sua integração à sociedade e ao mercado de trabalho, além de ter atuado na promoção do bem estar social. O estatuto social da impugnante, devidamente registrado no Cartório competente, à época do fato gerador em exame, não apenas comprova o desenvolvimento de atividades sociais, como evidencia, por si só, o atendimento aos condicionantes estabelecidos pelo artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991. De outra parte, diante do empenho nas atividades desenvolvidas, a impugnante é portadora de diversos títulos reconhecedores da importância do seu papel na sociedade, fazendo prova incontroversa da sua natureza de associação civil, sem fins lucrativos, e de assistência social, na área de educação (doc. 3). Exatamente pela disponibilização de serviços na seara educacional, cultural e, principalmente, social, bem como pela manutenção, no período abrangido pelas autuações em espeque, de todos os títulos acima transcritos, a impugnante não apenas se enquadra na categoria de entidade de educação, associação civil, sem finalidade lucrativa, mas possui prerrogativa de maior magnitude, dado seu status de entidade beneficente de assistência social, de educação, condição comprovada a partir do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), concedido pelo órgão máximo para tratar da política social no país, o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), antes do advento da Lei nº 12.101, de 2009, com validade dentro do período do fato gerador em exame. Assim, resta demonstrado que a impugnante há muito tempo é fiscalizada pelos órgãos competentes para tratar de matéria assistencial, no âmbito federal, estadual e municipal, atestando o cumprimento de seu papel junto à sociedade e, principalmente, por via reflexa, no tocante aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991, sendo realizada, periodicamente, a análise da documentação pertinente por todos os órgãos sediados nos entes da Federação. A obtenção desses títulos ao longo dos anos, e no período do fato gerador em exame, consoante legislação específica de cada órgão, somente ocorre mediante o reconhecimento do caráter beneficente da entidade, na sua área de atuação (educação), Fl. 3949DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.950 20 somado, ainda, ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei percorridos em cada um daqueles órgãos, os quais, em suma, são mero espelhamento da legislação previdenciária (artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991) que regulamenta o dispositivo constitucional imunizante, o qual, por sua vez, reflete a norma contida no artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN). Destarte, totalmente incabíveis as alegações da fiscalização em sentido contrário, ou seja, ao relatar argumentos frágeis não suficientes para respaldar eventual descumprimento dos requisitos legais a serem observados. Ressaltase que, anualmente, a impugnante cumpre o prazo para apresentar ao Ministério da Justiça o Relatório de Atividades desenvolvidas no ano anterior, com a finalidade de renovação do Título de Utilidade Pública Federal, comprovando, assim, quando deferida a sua manutenção, a aplicação do resultado operacional na manutenção dos objetivos institucionais. Ademais, temse que para uma entidade ser declarada como de assistência social pelo CNAS, com o consequente deferimento do CEAS, como é o caso da impugnante no período do fato gerador em exame, necessita, obrigatoriamente, cumprir com todas as exigências por ele determinadas. Assim, declarada formalmente como entidade beneficente de assistência social, de educação, por cumprir os requisitos exigidos pelo artigo 3° do Decreto nº 2.536, de 1998, resta patente tratarse de assistência social, consoante prevê o artigo 195, parágrafo 7° da Carta Política, haja vista os efeitos declaratórios do título, ou seja, sendo nato o seu caráter assistencial, à época, resultante de suas atividades institucionais praticadas desde a sua fundação. Concluise, portanto, que o CEAS renovado periodicamente em favor da SUAM, é prova evidente da ratificação do reconhecimento de sua natureza jurídica de entidade de assistência social, de educação, como prescreve o seu estatuto social, colaborado, ainda, com os demais títulos expedidos em seu nome pelos demais órgãos de assistência social em nível municipal, estadual e federal, os quais constituem verdadeiros elementos probatórios do cumprimento efetivo dos requisitos estabelecidos na norma imunizatória, na medida em que para cada título percorrido a impugnante apresentou seus relatórios de atividades desenvolvidas nos anos anteriores, tendo comprovado não haver remuneração de seus cargos de diretoria no desempenho das funções estatutárias; aplicados os seus recursos na consecução de suas atividades fins, assistenciais; tudo isso, mediante apresentação regular e revestida das formalizadas legais acerca de suas escriturações contábeis. Exatamente pela característica de entidade beneficente de assistência social reconhecida pelos títulos conferidos pelos órgãos competentes, dentre eles o órgão máximo, ou seja, o CNAS, é que a impugnante avoca a imunidade constitucional das contribuições sociais, especialmente no que concerne a Fl. 3950DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.951 21 Contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS, no período do fato gerador em exame, porquanto, tal ditame a dispensa do recolhimento destas contribuições sociais, com vistas a estimular a realização de mais atividades assistenciais, que por muitas vezes o Estado não consegue realizar. Verificandose a natureza jurídica da contribuição para o PIS/Pasep, como espécie de contribuição destinada ao financiamento da Seguridade Social, temse que, as entidades beneficentes de assistência social, natureza da impugnante na época dos fatos geradores, são constitucionalmente imunes à este tributo, nos exatos termos do que prevê o artigo 195, parágrafo 7º , da Constituição da República, posto que tal benesse é aplicada a todas as contribuições sociais. Devese esclarecer que, ante a determinação da natureza tributária da contribuição para o PIS, em 17 de dezembro de 2002, fora publicado o Decreto n.° 4.524, que manteve como base de cálculo da referida exação as folhas de salário dos empregados das pessoas jurídicas, reiterando, assim, a obrigação de recolhimento pelas entidades beneficentes de assistência social, conforme se vê respectivamente dos artigos 2º e 9º do referido comando legal, a despeito da imunidade garantida a essas entidades pela norma constitucional. Ocorre, entretanto, que tal determinação por norma infraconstitucional não tem o condão de inovar os ditames constitucionais da imunidade, uma vez que tal beneficio tem como objetivo o incentivo destas entidades à dedicação de promoção e desenvolvimento de toda a sociedade, sendo aplicada conforme dito alhures para todas as contribuições sociais. Desta forma, em vista da natureza de contribuição social da exação instituída pela Lei Complementar n.° 7, de 1970, a incidência do PIS, inclusive no que pertine à folha de pagamento, às entidades beneficentes de assistência social, resulta na flagrante violação da garantia constitucional da imunidade as contribuições sociais a que estas instituições fazem jus, como ocorre no caso da impugnante que, ao contrário do que foi autuado, por ter sido imune a época dos fatos geradores, não pode ser atingida pela incidência do PIS, quer seja sobre a folha de salários, quer seja sobre o total do faturamento, como foi lançado, indevidamente. Portanto, não havia e não há que se falar na incidência de PIS no faturamento da impugnante, que era a época discutida, reprisese, comprovadamente entidade beneficente de assistência social, sem finalidade de lucro, em observância ao artigo 195, parágrafo 7º da Constituição da República, que prevê a imunidade das contribuições sociais, nos termos estabelecidos em lei, o que implica a inviabilidade de se exigir o recolhimento dos valores lavrados, visto serem indevidos, por total respaldo no que reza a Lei Maior, a própria Constituição Federal. Fl. 3951DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.952 22 No que tange à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, não restam dúvidas de que se trata de contribuição social, e que está abarcada pelo preconizado no parágrafo 7°, do artigo 195, da Carta Magna, que dispõe, expressamente, sobre a incompetência absoluta da União para tributar, por meio de contribuições sociais, as entidades beneficentes de assistência social, pois, protegidas pelo fenômeno da imunidade tributária. Assim, diante da clara previsão legal e ainda, da inconteste posição dos Tribunais acerca da imunidade da COFINS às entidades beneficentes de assistência social, certo que, não se pode exigir tal contribuição desta entidade, como se pretende fazer por intermédio do lançamento ora impugnado, pois carente este de fundamentos que sejam capazes de coibir a aplicação da benesse constitucional que acobertou a impugnante na data dos fatos geradores (1/2006 a 12/2007). Cabe relevarse, ainda, acerca da impossibilidade de se cobrar da impugnante a referida contribuição social, nos termos da Lei Complementar nº 70, de 1991, que dispõe por meio de seu artigo 6º, inciso III, que às entidades beneficentes de assistência social, além do benefício constitucional, quando a COFINS, ainda está garantida sob a proteção da isenção desta. Portanto, ao se entender, como o é, que a regulamentação do parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição da República, é a norma ordinária aplicável à espécie, no tocante à COFINS, aplicarseá, também, o inciso III, do artigo 6° da Lei Complementar nº 70, de 1991, o que automaticamente incluiria a impugnante na imunidade e na isenção, por ser, sem sombra de dúvida, entidade beneficente de assistência social, assim reconhecida e ressaltese, cumpridora dos requisitos obrigatórios para utilizarse desses benefícios, como já comprovado, posto que, inclusive, era, na época discutida, possuidora do CEAS, que mantém a regularidade até os dias atuais. Se isso não bastasse, além das duas coberturas que estão sobre a entidade impugnante, que a protegem do presente lançamento, necessário que se ressalte, ainda, que, por ser a impugnante instituição de educação, está sobre si um novo manto de proteção, que assegura a não incidência do tributo em exame sobre as receitas de suas atividades próprias. Quanto a essa contribuição relevese que, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, foi ampliada a base de cálculo anteriormente prevista, passando o recolhimento a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, a partir da qual se tornou irrelevante o tipo de atividade por ela exercida (com ou sem fins lucrativos), bem como a classificação contábil adotada para as receitas (operacionais ou não operacionais), o que já fora devidamente declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ressalvandose que a base de cálculo da referida Fl. 3952DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.953 23 exação permanece sendo aquela disciplinada pela Lei Complementar n.° 70/91. Entretanto, contrariando a norma de incidência estabelecida na Lei n.° 9.718/98, foi editada a Medida Provisória nº 1.858, de 1999, atualmente reeditada pela Medida Provisória n.° 2.15835, de 14 de agosto de 2001, excepcionando a regra geral acima, para dispor no seu artigo 14 que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13 da mesma medida provisória. Analisando a legislação acima, constatase que a Medida Provisória acabou por ratificar que as atividades próprias das instituições de caráter cultural, científico e as associações civis entre outras, além das instituições de educação estão legalmente isentas do recolhimento da COFINS, sendo necessária apenas a comprovação de seu enquadramento nas naturezas jurídicas então estabelecidas no caput dos artigos 12 e 15 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o que resta evidente conforme já explanado acima. Em outros termos, atendose à literalidade dos dispositivos acima citados, vez se tratar de norma isencional, na qual não é possível aplicar qualquer caráter interpretativo, nos termos do que estabelece o artigo 111 do CTN, é suficiente demonstrar se tratar de entidade de educação ou instituições de caráter cultural, científico e as associações civis, que as receitas de sua atividade própria estarão sujeitas a isenção do tributo. Neste contexto, verificase que tal norma isencional rememorou as disposições que até então estavam previstas na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, a qual havia estabelecido por meio do seu artigo 15 a possibilidade de reconhecimento de isenção às instituições filantrópicas, recreativas e culturais, inclusive associações civis. Notese que analisando de forma literal o inciso X, do artigo 14 da MP, fica patente que não é exigido qualquer requisito para gozar do direito à isenção da COFINS, bastando ser a receita relativa à atividade própria de instituição de educação e de associação civil, sem fins lucrativos, para estar abarcada pelo benefício fiscal, uma vez que a MP apenas remete a aplicação do conceito estabelecido no artigo 12 e 15 da lei ordinária. Porém, entendendo pela aplicabilidade do inteiro teor dos artigos 12 e 15 da Lei n.° 9.532, de 1997, para o reconhecimento de tal direito isencional, é possível aferir que a entidade estaria sujeita ao cumprimento dos requisitos do artigo 12, diretrizes estas que na verdade haviam sido impostas, à época, não só para o reconhecimento de direito isencional puramente dito, mas, na verdade, para a devida aplicabilidade das garantias de imunidade já previstas na Constituição, estas aplicadas às entidades de educação e de assistência social. Fl. 3953DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.954 24 Relevese nesse ponto, que, os requisitos acima transcritos, em similitude impar, condizem aos requisitos constantes no artigo 55 da Lei n.° 8.212/91 bem como àqueles descritos no artigo 14 do CTN, que, como já restou efetivamente demonstrado, foram, rigorosamente cumpridos pela impugnante na época dos fatos geradores. Dessa forma, resta clarividente a aplicabilidade da norma isencional a entidade constituída na forma de associação civil, sem finalidade lucrativa, atuante na educação. Por qualquer ângulo que se analise, não prospera qualquer base para que seja mantido o presente lançamento, visto ser a impugnante protegida deste auto de infração, posto que, suportada pela imunidade constitucional e, ainda pelas isenções legais, o que impede de prosperar o presente, devendo, também, contra essa contribuição, ser esse julgado insubsistente. Como é cediço apesar de inúmeros conceitos e várias divergências doutrinárias, resumidamente, a multa tem caráter de pena, é uma sanção imposta em ocorrência de um ato ilícito, seja por omissão ou ação. Na esfera tributária, esse ilícito é praticado a algo sob a tutela do Estado, que pode ser a simples mora até uma conduta fraudulenta. Porém, convém rememorar e relevar que, a Constituição da República, no inciso IV de seu artigo 150, trás um princípio de aplicação essencial na esfera tributária, o princípio do não confisco, e de acordo com o qual, os tributos não podem ter caráter de confisco, ou seja, a cobrança não pode ser tal que o contribuinte seja privado de seu patrimônio. A definição de tributo, contida no artigo 3º do CTN, não abarca as multas fiscais, já que essas são, por sua natureza, sanções, o que é vedado pela própria definição do que sejam os tributos. Porém, em que se pese a distinção entre tributo e multa fiscal, certo que essa tem o objetivo de que aqueles sejam adimplidos, assim, a sanção não pode ofender outros princípios existentes, como, por exemplo, e, principalmente, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, acrescendo o princípio de que não se tenha, em nenhuma hipótese, o efeito confiscatório na aplicação de multas fiscais, restando assim claro que a aplicação das multas não pode ultrapassar o limite do razoável. Dessa feita, cumpre ressaltar a total e incondicionada aplicação do princípio constitucional do não confisco às multas fiscais, não só pela consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, mas também, porque o confisco não resulta em nenhuma previsão legal, muito menos se tratando de aplicação de multa que tem por fim levar o contribuinte a concretizar suas obrigações tributárias. Dessa forma, visto o nítido caráter confiscatório da multa aplicada, sem nenhuma razoabilidade nem proporção, ou seja, multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada pelo Fl. 3954DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.955 25 Fisco, com fundamento no que prevê o inciso II do artigo 44 da Lei n. 9.430, de 1996, deve ser diminuída por defesa dos princípios basilares do ordenamento jurídico. Assim, face ao exposto, certo que, por lógica e total aplicação dos preceitos legais, a multa a ser aplicada ao caso, é, obrigatoriamente, menor do que o percentual aplicado, se, após todo o exposto e comprovado ainda se entender pela manutenção da responsabilização da impugnante, apesar de tudo o que foi exposto até o presente momento no bojo da presente impugnação, sendo certo que não resta a esta qualquer razão para que se mantenha as presentes autuações. Por fim, requer a nulidade da lavratura dos autos de infração relativos à Contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS, em vista da insubsistência do relatório fiscal que os fundamenta, haja vista a comprovação efetiva do pleno cumprimento das normas tributárias atinentes à espécie, fazendo jus aos benefícios de imunidade a ela conferidos no período dos fatos geradores em questão (1/2006 a 12/2007), rechaçando de plano qualquer alegação de suspensão da imunidade/isenção que faz jus a impugnante. A impugnação foi julgada procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II em 24/02/2012, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃOAPLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. MULTA QUALIFICADA A impossibilidade de se escamotear a ocorrência do fato gerador, ainda que eventualmente tenham sido utilizados subterfúgios por parte da impugnante, impede a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃOAPLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as Fl. 3955DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.956 26 entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. MULTA QUALIFICADA A impossibilidade de se escamotear a ocorrência do fato gerador, ainda que eventualmente tenham sido utilizados subterfúgios por parte da impugnante, impede a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 21/06/2012, tendo protocolado seu recurso voluntário em 5/7/2012, no qual reitera os argumentos expostos na peça impugnatória, anexando ainda pareceres jurídicos e estudos técnicos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Do Recurso Voluntário O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Constituição Federal de 1988 estabelece em seu artigo 195, §7º que as entidades de assistência social são imunes em relação às contribuições para a seguridade social, neste termos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 3956DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.957 27 [...] Entre as contribuições sociais abarcadas pela imunidade encontramse a Cofins e a Contribuição ao PIS/Pasep, exigidas no presente lançamento. Esclarecese que, em que pese o texto referirse a isenção, já se encontra pacificado o entendimento que se trata de hipótese de imunidade, posto ter sede constitucional. A Constituição Federal, com esta norma, privilegia à assistência social, concedendo imunidade de contribuições sociais as entidades beneficentes que se dediquem a prestação de serviços aos necessitados. Miguel Horvath Júnior esclarece que: A imunidade das contribuições sociais afeta o princípio da equidade, posto que todos os integrantes da sociedade brasileira, de acordo com suas circunstâncias e capacidade contributiva, deverão participar do financiamento da seguridade social. Assim, só se justifica a imunidade caso as entidades atuem de alguma maneira de forma supletiva à atividade estatal.(Direito Previdenciário, 9ª Edição, 2012, ed. Quartier Latin, fls. 446,) As instituições de assistência social são aquelas que auxiliam o Estado no atendimento aos direitos sociais, como a saúde e a assistência aos desamparado. São entidades privadas da sociedade civil que prestam atividades de interesse público e voltadas aos hipossuficientes, àqueles impossibilitados de usufruírem de serviços prestados por particulares que atuam com objetivo de obter lucro. Em sendo colaboradores do Estado nestas atividades, afastase destes a exigência de contribuições sociais. A CF/88 estabelece, contudo, que a fruição desta imunidade exige o preenchimento de requisitos previstos em lei. Tratase, portanto, de uma imunidade condicionada, dependendo de regulamento a ser procedido por meio de leis infraconstitucionais. Tendo em vista a omissão do Congresso Nacional em editar a norma exigida pela Constituição, adotouse o previsto pelo Código Tributário Nacional, recepcionado pela CF/88 com status de lei complementar. Esta diploma estabelece os requisitos de legitimação que as entidades de assistência social devem obedecer para que sejam consideradas imunes em seu artigo 14, neste termos: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Fl. 3957DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.958 28 § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Estas normas disciplinam a fruição ou forma do gozo do benefício, sendo que o não preenchimento desses requisitos pela entidade concretiza a não realização da hipótese de imunidade com a consequente submissão da entidade ao tributo. Tratamse de normas de conduta, dirigidas aos beneficiários da imunidade, visando a regular as obrigações dos interessados em usufruir as benesses da imunidade. O legislador ordinário, em conformidade com o previsto no CTN, explicitou os requisitos necessários para a definição de entidades como sendo de assistência social, para fins de reconhecimento da imunidade. Esses requisitos encontravamse consignados, à época dos fatos tratados neste processo, pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, Fl. 3958DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.959 29 relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Tais dispositivos foram revogados pela Lei nº 12.101/2009, que trata da certificação das entidades beneficentes de assistência social e dos procedimentos para o reconhecimento da imunidade estabelecida pelo artigo 195, §7º, da CF/88. Em que pese a revogação do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, os requisitos por ele estabelecidos devem ser aplicados ao presente processo, dado o princípio da irretroatividade da lei tributária, que impede a adoção dos novos requisitos estabelecidos pela Lei nº 12.101/2009 para períodos anteriores a sua vigência. O texto do artigo 55, modificado pela Lei nº 9.732/98, foi objeto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2.0285 e 2.0366, ainda não definitivamente julgadas. No curso destas ações, o STF, em voto relatado pelo Ministro Moreira Alves, decidiu pela concessão da medida liminar para suspender a eficácia do art. 1º da Lei nº 9.732/98, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os §§ 3º , 4° e 5°, determinando que sejam mantidos, até a decisão final, os parâmetros da Lei n° 8.212/91, na redação primitiva. O STF, nesta decisão, manifestouse pela manutenção da legislação anterior com seguintes argumentos: Fl. 3959DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.960 30 [...] A Lei n° 9.732/98 veio a dar nova redação ao artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91, acrescentandolhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dispondo sobre a matéria também nos artigos 4°, 5° e 7º. Apanhou quadro que, até então, era havido como harmônico com a Carta e que se mostrava em sintonia como o Código Tributário Nacional. A cláusula inserta na parte final do § 7º do artigo 195 "....que atendam às exigências estabelecidas em lei." era revelada, sob o ângulo próprio, pelos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, no que estabelecem: [...] Este último artigo (14 do CTN) veio a definir, para os efeitos alusivos à imunidade, as entidades detentoras do benefício. O legislador, ao editar a Lei n° 8.212/91, teria observado, em si, a regência complementar, e, aí, quanto às entidades beneficentes de assistência social, inserira nos incisos I, II, III, IV e V do artigo 55 disposições próprias, considerado o sentido maior do Texto Constitucional: [...] (grifo nosso) A doutrina pátria, contudo, resiste em aceitar a imposição de requisitos por meio de leis ordinárias, sob o fundamento de que a própria Constituição reservaria tal tarefa apenas à Lei Complementar, no caso, o CTN. Em que pese as fortes contestações doutrinárias, tais requisitos vem sendo admitidos pela jurisprudência, sob a justificativa de envolverem meras normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune. Tal entendimento foi esclarecido pelo STF no julgamento do Agravo Regimental no RE 428.815, de relatoria do Min. Sepúlveda Pertence, do qual extraise o texto abaixo: Certo, em se tratando de limitação constitucional ao poder de tributar, esta Corte tem entendido tratarse de imunidade. O que se discute é se a imunidade só pode ser regulada por lei complementar, ainda que o dispositivo constitucional refirase simplesmente a lei. No julgamento da ADIn 1.802MC, j. 27.08.1998, de que fui relator, explicitei, baseado na jurisprudência da Corte, a delimitação do âmbito normativo reservado à lei complementar e à lei ordinária, em se tratando de imunidades tributárias: "Concedo que a regra de imunidade discutida efetivamente se refira à lei ordinária, como é de entender, na linguagem da Constituição, sempre que não haja menção explícita à lei complementar. Essa foi, sob a regra idêntica do art. 19, III, c, da Carta de 69, a autorizada conclusão de Baleeiro (Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, 7a ed. , 1997, p. 313). E notese que já então Fl. 3960DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.961 31 regular as limitações constitucionais ao poder de tributar era matéria reservada à lei complementar (art 18, § 1º). Estou, a um primeiro exame, em que a conciliação entre os dois preceitos constitucionais , aparentemente antinômicos, já fora estabelecida na jurisprudência do Tribunal, e prestigiada na melhor doutrina. Está, no RE 93770, de 17.3.81, da lavra do notável e saudoso Ministro Soares Muñoz RTJ 102/304, 307: 'Nenhuma dúvida foi suscitada quanto a ser o recorrente instituição de assistência social e fazer jus, nessa qualidade e em principio, à imunidade prevista no art. 19, III, c, da Constituição Federal. O mandado de segurança foi indeferido pelo acórdão recorrido em razão de o art. 17 do DecretoLei n° 37/66 só autorizar a isenção do imposto de importação se a mercadoria tiver sido considerada, pelo Conselho de Política Aduaneira, sem similar nacional, prova que o impetrante não produziu. Esse DecretoLei, anterior à Constituição Federal em vigor, não pode, no particular, ser aplicado, porque ele impõe à imunidade, a qual não se confunde com isenção, uma restrição que não está no texto constitucional. Os requisitos da lei que o art. 19, III, c, da Constituição manda observar não dizem respeito à configuração da imunidade, mas àquelas normas reguladoras da constituição e funcionamento da entidade imune, tal como salientou a sentença de primeiro grau. Cumpre evitarse que falsas instituições de assistência e educação sejam favorecidas pela imunidade. É para evitar fraude que a Constituição determina sejam observados os requisitos da lei. Condiz com esse entendimento a interpretação dada por Manoel Gonçalves Ferreira Filho ao preceito constitucional. Escreve ele: ‘As instituições educativas e assistenciais são meras pessoas de direito privado, criadas pela iniciativa particular e ao sabor desta. Seria plausível, por isso, que servissem de capa, cobrindo interesses egoísticos que, assim, se beneficiariam da imunidade no tocante a impostos’ (in Comentários à Constituição Brasileira, vol. 1º, pág. 150). Ao acórdão e ao comentário de Ferreira Filho, nele referido, prestou seu aval o lúcido e saudoso Ulhoa Canto (apud Mizabel Derzi, nota a Baleeiro, ob. ed., cits., p. 318) . Em síntese, o precedente reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito 'aos lindes da imunidade' , à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar o patrimônio, a renda e os serviços das instituições por ela beneficiados, o que inclui, por força do § 3º, do mesmo art. 150, CF, a sua relação 'com as finalidades essenciais das entidades nele mencionadas'; mas remete à lei ordinária 'as normas reguladoras da constituição e Fl. 3961DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.962 32 funcionamento da entidade imune', votadas a obviar que 'falsas instituições de assistência e educação sejam favorecidas pela imunidade', em fraude à Constituição." Apesar de, naquela oportunidade, se ter examinado o art. 150, VI, c, os fundamentos são igualmente pertinentes ao disposto no art. 195, § 7º , da Constituição. Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o beneficio constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º , da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Nego provimento ao agravo regimental: é o meu voto. (STF, 1ª Turma, RE 428.815 AgR, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 6/2005) O STF, nesta decisão, estabeleceu uma distinção entre os limites objetivos (que dizem respeito ao objeto material da imunidade) e os requisitos subjetivos da imunidade (quais sejam as normas reguladoras da constituição e do funcionamento da entidade imune), reduzindo a reserva da lei complementar aos limites objetivos. Assim, de acordo com a decisão supratranscrita, a exigência de lei complementar restringese a definição dos limites materiais da imunidade, como o patrimônio, a renda e os serviços das entidades imunes. Por outro lado, são passíveis de definição por lei ordinária os requisitos formais para a constituição e funcionamento das entidades, como a necessidade de obtenção e renovação dos certificados de entidade de fins filantrópicos. Diante do explanado, em síntese, temos que as entidades de assistência social, para gozarem da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, devem atender aos requisitos definidos no artigo 14 do CTN, bem como, em relação à época de ocorrência dos fatos que ensejaram no presente lançamento, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/92 em sua redação originária. Ressaltase que os requisitos necessitam ser cumpridos de forma integral sob pena de não ensejarem no direito à imunidade. Neste sentido, colecionase decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. CONDICIONAMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. RECURSO ESPECIAL. 1. Se o contribuinte não deu cumprimento ao comando do artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91 em relação aos exercícios de 1997/1998 não reveste a qualidade de "isento" devendo, pois, pagar as contribuições sociais inadimplidas. Fl. 3962DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.963 33 2. Às entidades cabe o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada. É do conhecimento médio de quem trilha a seara do direito tributário que, relativamente às regras de isenção, a interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN. Salientese, outrossim, a precariedade da "isenção" sob comento, ou seja, a entidade encontrase sujeita à verificação pelo INSS, do cumprimento de todas as condições legais necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção. 3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe foram cobradas, não se encontrava amparada pela isenção em face do nãocumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. 4. Recurso especial provido. (Resp nº 463.335, DJ 17.12.2004, Rel.p/ acórdão Min. José Salgado) Mostrase necessário ainda fundamentar a suspensão do direito a imunidade, estabelecida pelo artigo 32 da Lei nº12.101, de 27/11/09: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Segundo este dispositivo, quando descumpridos os requisitos para o gozo da imunidade, esta será suspensa durante o período em que se constatar o descumprimento, devendo se lavrado o auto de infração referente aos tributos não recolhidos em decorrência da imunidade. Tal dispositivo mostrase em harmonia com o parágrafo 1º do artigo 14 do CTN, que determina a suspensão da imunidade quando descumpridos os seus requisitos de concessão. Observase que, em que pese a norma prevista pelo artigo 32 da Lei nº 12.101/09 não ser contemporânea dos fatos que ensejaram o lançamento, ela se aplica ao presente processo dado não se tratar de direito material, mas sim possuir caráter processual. A recorrente sustenta ainda a aplicação dos artigos 12 e 15 da Lei n.° 9.532/97 a sua imunidade, todavia os mesmos referemse expressamente a regulamentação da Fl. 3963DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.964 34 imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88, que trata da imunidade em relação a impostos, e não a contribuições sociais, esta definida, como já visto, pelo art. 195, 7º. No tocante à análise da possibilidade de fruição da imunidade por entidades de educação, a controvérsia reside no fato de que o artigo 150, VI, c, da CF/88 confere expressamente imunidade em relação a impostos às instituições de assistência social e de educação, ao passo que ao artigo 195, 7º, faz referência exclusivamente às entidades de assistência social. As diferentes redações levam ao entendimento de que as instituições de educação não estariam albergadas pela imunidade em relação a contribuições sociais estabelecida pelo artigo 195, §7º da CF. Em que pese a falta de univocidade de sentido dos termos empregados pela CF, temos que o conceito abrange todas as entidades de assistência social, entre elas as dedicadas a área educacional. Afinal, a própria CF estabelece em seu artigo 6º que a educação é um direito social de grande relevância, como a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. Ademais, a legislação que rege a imunidade – notadamente o inciso III do artigo 55 da Lei nº 8212/91 (redação original) – estabelece a concessão de imunidade para entidade que “promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes”. Este, inclusive, é o entendimento firmado pelo STF, como se verifica neste excerto do voto do Ministro Moreira Alves no julgamento conjunto das já citadas ADIs nº 2.0285 e 2.0366: Com efeito, as próprias informações do Exmo. Sr. Presidente da República, com relação ao conceito de assistência social, invocam lição de CESARINO JÚNIOR, segundo a qual "a forma típica de assistência social é aquela destinada a assegurar os meios de vida aos indigentes", e por isso, para oporse a assistência social à previdência, "podemos definir o direito Assistencial como a parte do Direito Social relativa à concessão aos hipossuficientes dos meios de satisfação de suas necessidades vitais, sem qualquer contraprestação de sua parte". E entre essas necessidades se encontram as relativas à saúde e também à educação, esta como meio para atender a objetivos visados pelo artigo 203, como o amparo às crianças e adolescentes carentes e à promoção da integração no mercado de trabalho. [...] Por isso mesmo, em sua redação originária, o artigo 55 da Lei 8.212/91, que regulamentou as exigências que deveriam ser atendidas pelas entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade isenção prevista na Constituição imunidade é, conforme entendimento já firmado por esta Corte adotou conceito mais amplo de assistência social do que o decorrente do artigo 203 da Carta Magna, ao estabelecer, em seu inciso III, que uma dessas exigências para a isenção (entendase imunidade) em favor das entidades beneficentes de Fl. 3964DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.965 35 assistência social seria a de ela promover "a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes". Notese, ademais, que, regulamentando as exigências necessárias para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da Constituição, não teria sentido pretendesse essa lei, no mesmo dispositivo regulamentador da imunidade, fazer a distinção entre entidades beneficentes de assistência social e entidades beneficentes educacionais ou de saúde, para estabelecer, sem declarálo expressamente, que aquelas teriam direito à imunidade, ao passo que a estas se concedia apenas isenção. [...] Esse conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização dessa assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social de nossa Constituição. Aliás, esta Corte tem entendido que a entidade beneficente de assistência social, a que alude o § 7º do artigo 195 da Constituição, abarca a entidade beneficente de assistência educacional. Quanto a manifestação da interessada de que a legislação não veda que um grupo de familiares constitua uma sociedade educacional, filantrópica, sem fins lucrativos, entidade beneficente de assistência social, de fato, tal característica, por si só, não infringe o disposto no artigo 14 do CTN ou no artigo 55 da Lei n.° 8.212/91. A fiscalização, contudo, embasou seu ato em diversos fatos que entendeu passíveis de ensejar a suspensão da imunidade da requerente, não sendo a mera característica de entidade familiar a responsável pela suspensão de sua imunidade. Os fatos trazidos tem por objetivo demonstrar o desrespeito da requerente quanto ao requisito previsto no artigo 14, incisos I, II e III, do CTN e no artigo 55, incisos IV e V, da Lei nº 8.212/91, abaixo transcritos: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Lei 8.212/91 Fl. 3965DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.966 36 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:. [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. O inciso I do artigo 14 do CTN estabelece que as entidades não poderão distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título. Neste conceito está presente a idéia de impedir a apropriação pelo particular do lucro da entidade, a intenção de distribuir este lucro. O que se quer é que todo o resultado seja revertido em investimento para que a entidade cumpra com seu papel de assistência social. Esta norma foi detalhada pela Lei nº 8.212/91 em seu artigo 55, inciso IV, que proíbe as entidades de remunerarem ou concederem vantagens ou benefícios a qualquer título a seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores. Esclarecese que o dispositivo veda a remuneração daquele que exerce atividades de diretor ou conselheiro de uma entidade imune, em relação a atribuições inerentes a esses cargos de estrutura diretiva. Não se confunde, entretanto, com a remuneração de diretores e administradores da entidade imune como contraprestação pela execução de trabalhos diferentes daqueles previstos na estrutura diretiva. O pagamento de salários razoáveis a estes diretores não configura desrespeito as normas supracitadas. A remuneração destes cargos, contudo, deve representar com fidelidade e coerência a contraprestação dos serviços profissionais executados, de forma a não configurar uma distribuição disfarçada de lucros. Desta forma, é lícito o pagamento de salário a preço de mercado, e sem benefícios indiretos. Já o inciso II do artigo 14 do CTN impõe que os recursos financeiros adquiridos pela entidade sejam integralmente aplicados na manutenção de seus objetivos institucionais, bem como veda a remessa de valores ao exterior. O inciso V do artigo 55 da Lei 8.212/91 exige ainda a confecção de um relatório anual das atividades da entidade. O inciso III do artigo 14 do CTN, por sua vez, impõe que as entidades imunes devem manter a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. A manutenção de uma contabilidade formal é imprescindível para a verificação dos demais requisitos, em especial em relação à aplicação de seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, o que justifica a exigência. Fl. 3966DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.967 37 Desta forma, mesmo desonerado das obrigações tributárias principais em decorrência da imunidade, as entidades beneficentes não podem se furtar do cumprimento das obrigações tributárias acessórias. Ultrapassadas as questões de direito e definidos os critérios adotados nesta decisão, iniciase a análise dos fatos trazidos pela fiscalização como passíveis de ensejar a suspensão da imunidade da requerente. O primeiro fato aventado diz respeito aos pagamentos efetuados pela requerente entre 24/01/2007 e 28/02/2007, que totalizaram o valor de R$ 59.230,00, referentes à cirurgia e tratamento feito pelo sócio ARAPUAN MEDEIROS DA MOTTA, Chanceler da entidade até 25/10/2002. A requerente informa que os pagamentos foram efetuados em decorrência de dificuldades financeiras pelas quais passava seu antigo dirigente, somado ao fato deste ter prestado, ao longo dos seus anos e de sua vida profissional, relevantes serviços e de boa administração em favor da entidade impugnante. Afirma, contudo, que posteriormente ao lançamento solicitou a devolução integral dos valores despendidos, devidamente corrigidos, que anuiu com a devolução destes valores, já tendo sido trazido aos autos documentos que comprovam a devolução de parte destes valores. Analisandose o fato, temos que o pagamento de despesas médicas ao ex chanceller, que é pai da atual chanceller da instituição, configura a prática da hipótese vedada, de forma que a recorrente neste período deixou de atender aos requisitos estabelecidos pela legislação para a fruição da imunidade. O fato de os valores estarem sendo devolvidos a entidade não auxilia a recorrente, dado que os depósitos foram efetuados apenas após o lançamento, e em decorrência deste. Extraise da própria manifestação da recorrente que as despesas médicas foram custeadas pela entidade com a intenção de não serem cobrados, tendo os mesmos adotado tal postura exclusivamente para evitar o pagamento dos tributos, fato que não pode ser admitido. Não se trata, portanto, de contrato de mútuo, mas sim do pagamento de vantagens ao antigo patrono da instituição, e que só foi devolvido a instituição em decorrência da ação direta do Fisco. As entidades assistenciais, para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º, devem caracterizarse como tal, atendendo aos hipossuficientes, e não utilizando seu patrimônio para cobrir despesas de seus exdirigentes. O segundo fato trazido aos autos referese a 87 pagamentos feitos à empresa "VIDA ESTÉTICA INTERNACIONAL", CNPJ 40.258.386/000150, entre 3/2/06 e 18/12/07, que totalizaram mais de R$ 570.000,00 em 2006 e mais de R$ 537.000,00 em 2007. A recorrente, para comprovar as despesas, apresentou apenas recibos de pagamentos e dois contratos de locação de equipamentos. Não houve a emissão de notas fiscais. Fl. 3967DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.968 38 A fiscalização buscou realizar diligência à sede desta empresa, todavia o procedimento em vão, pois ela não se localizava no endereço constante do cadastro e tampouco era conhecida no local. Os sistemas da RFB informam ainda que a empresa desde o ano calendário de 2005 entrega Declaração de Pessoa Jurídica (DIPJ) como INATIVA, bem como sua atividade seria de "Consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica", tendo como atividade anterior " Cabeleireiro ou tratamentos de beleza". A recorrente se defende afirmando que os valores pagos refeririamse a contratos de locação de equipamentos que foram utilizados no curso de Estética e Cosmetologia oferecido pelo Centro Universitário Augusto Motta, bem como na implantação da clínica/laboratório deste curso. Argumenta ter locado os equipamentos devido ao fato de o Curso de Estética e Cosmetologia ter caráter Tecnológico Experimental, e de não se ter certeza quanto à manutenção do curso. Afirma ainda que inexiste qualquer norma que impeça a locação de referidos equipamentos. Aduz que não pode ser penalizada com a suspensão do seu direito à imunidade relativamente aos impostos e contribuições sociais devido a erro/irregularidade cometido por uma empresa com a qual manteve uma relação comercial. Entende não ser cabível obrigar o contribuinte examinar o sistema da Receita Federal do Brasil e dos estados a cada negócio jurídico que realizar, para pesquisar qual a situação cadastral do fornecedor de mercadorias ou prestador de serviços. Anexa ainda aos autos diversas apostilas utilizadas no curso, sua grade curricular e um laudo afirmando que, na data de 26 e 27 de janeiro de 2012, existiam, de fato, as instalações do curso de Estética e Cosmetologia, bem como os equipamentos necessários para a aplicação do curso. Ingressandose na análise destes fatos, constatase que a recorrente não trouxe aos autos os elementos tidos pela legislação tributária como hábeis e suficientes para comprovar as despesas, quais sejam as notas fiscais de venda de mercadorias ou de prestação de serviços, com a discriminação dos bens e/ou serviços, seu valor e sua natureza. Entre os documentos anexados aos autos encontramse recibos vinculados as contratos de locação de equipamentos apresentados pela recorrente. Observase, contudo, que tais recibos correspondem a uma pequena parcela dos valores pagos, aproximadamente 10% do valor total. Os recibos que representam a maior parte dos valores pagos pela recorrente a empresa referemse a um “contrato de transferência de tecnologia”, a pagamento de funcionários ou simplesmente relatam a prestação de serviços, sem maiores especificações. A recorrente não juntou aos autos o citado contrato de transferência de tecnologia, ou mesmo qualquer outro documento capaz de esclarecer a natureza dos valores pagos. Fl. 3968DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.969 39 Constatase, neste ponto, que a recorrente, além de não trazer as notas fiscais que comprovariam suas expressivas despesas, não carreou os elementos que poderiam suportar as informações incluídas nos recibos apresentados, quais sejam os contratos que explicitariam a natureza dos pagamentos ou outros documentos. E foi verificado ainda que a empresa declaravase à RFB como inativa, e que não se localizava no endereço constante do cadastro. Os documentos apresentados informam ainda que Luiz Fernando Lomba seria ao mesmo tempo diretor do ISBF – Unisuam e sócioadministrador da empresa Vida Estética Internacional. Desta forma, diante dos elementos constantes dos autos, entendo que os documentos trazidos não são suficientes para comprovar a natureza dos pagamentos efetuados à empresa Vida Estética Internacional, que totalizaram R$ 1.107.000,00 no período de dois anos. O fato de ter sido realizado o curso não significa que os valores em discussão foram efetivamente pagos com esta finalidade. Em não tendo comprovada a natureza destes pagamentos, a recorrente acaba por incidir na hipótese do inciso III do artigo 14 do CTN, impedindo ainda que seja verificada se os recursos financeiros da entidade foram efetivamente aplicados na manutenção de seu objetivo institucional, qual seja o de promover a educação e a cultura. E esta constatação não significa que se estaria exigindo que da recorrente qualquer pesquisa sobre a situação da empresa com a qual manteve uma relação comercial, ou que se estaria exigindo da recorrente os tributos devidos por outra empresa. Na verdade, o que ensejou no enquadramento da recorrente à hipótese vedada foi a total falta de confiabilidade dos documentos trazidos pela recorrente para comprovar a natureza destes pagamentos, sendo que a situação desta empresa prejudica ainda mais a analise da idoneidade dos documentos. Desta forma, concluo que a recorrente não atendeu aos requisitos necessário à manutenção da imunidade em relação a contribuições sociais durante o período em que efetuou os citados pagamentos, compreendidos entre 3/2/06 e 18/12/07. A fiscalização alude que diversos pagamentos a clubes de futebol, sendo R$ 240.000,00 em 2006 para o BOTAFOGO FUTEBOL E REGATAS e mais de R$140.000,00 para o FLUMINENSE FOOTBALL CLUB em 2007, não teriam sido utilizados na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A recorrente alega que a relação firmada com os mencionados times de futebol tiveram pro objetivo a divulgação da marca da SUAM, com a finalidade de angariar alunos no mercado educacional, tendo em vista ser esse o meio de sobrevivência financeira da instituição. Em analise aos contratos anexados aos autos, confirmase que os mesmos tem por objetivo a divulgação da marca da entidade por meio do patrocínio destas equipes de Fl. 3969DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.970 40 futebol. Tratase, portanto, de ações de marketing da recorrente, com vistas a obtenção de trazer mais alunos a seus cursos. Desta forma, em que pese as equipes de futebol profissional não atuarem no desenvolvimento das finalidades essenciais da entidade, em sendo o objetivo de recorrente com estes gastos a divulgação de sua marca, eles atenderam ao disposto no inciso II do artigo 14 do CTN, não configurando a alegada hipótese de suspensão da imunidade. A fiscalização afirma ainda que cinco pagamentos de planos de previdência privada feitos pela fiscalizada entre 24/2/2006 e 29/6/2006, totalizando R$ 25.000,00, e tendo como beneficiária a Sra. Ana Cristina Monteiro da Motta Cruz, Chanceler da instituição, corresponderiam a remuneração indireta. Esclarecese que, de acordo com os documentos constitutivos de entidade, Chanceler é a denominação dada ao seu dirigente máximo, possuindo poderes totais sobre a gestão da mesma. A recorrente alega que os pagamentos tiveram por objetivo a obtenção de linha de crédito para fomento de suas atividades institucionais e implantação de novos projetos, sendo a contratação do produto Flexprev VGBL Empresarial RF uma exigência do banco financiador. Afirma que os valores despendidos retornaram a entidade, trazendo aos autos para comprovar o alegado o contrato assinado junto ao Itaú Vida e Previdência S.A., cópia da ordem de pagamento do valor resgatado no montante de R$ 78.477,36 e cópias de folhas do Diário e Razão. Em sendo estes os fatos em julgamento, de pronto afirmase que o pagamento de planos de previdência privada à diretores de entidade de assistência social configura remuneração indireta, configurando a hipótese do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91. A recorrente alega que os valores teriam retornado a entidade, todavia os elementos trazidos aos autos não corroboram sua tese. O documento emitido pelo Banco (fls. 390 deste processo) informa que o valor do resgate foi creditado na contacorrente de Ana Cristina Monteiro da Motta Cruz, chanceler da instituição. Já os livros contábeis da recorrente informam um recebimento de mesmo valor em dinheiro, todavia referemse ao pagamento de mensalidades. A recorrente, em relação a sua escrituração contábil, afirma que teria ocorrido apenas um equívoco no momento do lançamento do histórico contábil. Tal equívoco, contudo, deixa dúvidas quanto ao efetivo retorno dos valores a instituição. A dúvida é agravada diante da sua escrituração contábil registrar um valor recebido em dinheiro, impedindo a verificação da origem destes valores. Desta forma, os citados pagamentos de planos de previdência privada à chanceler da instituição configura remuneração indireta, incidindo na hipótese do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91, mostrandose correta a suspensão da imunidade em relação ao período de 24/2/2006 e 29/6/2006. Fl. 3970DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.971 41 A fiscalização afirma que a SUAM remunera de forma régia alguns de seus funcionários, em valores só pagos por empresas privadas a executivos. Traz aos autos os valores percebidos por José Remizio Moreira Garrido, Reitor até 03/2008, Arapuan Medeiros da Motta Neto, vicereitor e Benny de Almeida, professor titular. Informa que Arapuan Medeiros da Motta Neto, nascido em 30/09/1982, foi admitido na SUAM em 01/06/2000, então com 17 anos de idade. À época do período fiscalizado tinha 24/25 anos. Tornouse Vicereitor em 09/2004 e Reitor em 03/2008. Coleciona os salários dos outros dirigentes, para fins de comparação. Argumenta ainda que o Conselho da entidade é formado em grande parte por filhos (idades entre 20 e 24 anos em 2006) e parentes da Chanceller e que os salários para estes membros é superior aos pagos a pessoas não familiares, trazendo os valores percebidos pelos conselheiros a título de remuneração de serviços prestados. A recorrente alega que não foram verificadas às respectivas funções dos membros no tocante as suas atividades exercidas na entidade mantida, qual seja, o Centro Universitário Augusto Motta. Argumenta que a legislação proíbe a remuneração de diretores estatutários (da entidade mantenedora), constituídos nos termos do estatuto social da entidade, não sendo vadada a remuneração de diretores constituídos mediante contrato de natureza empregatícia, ou que preste um serviço específico para a instituição educacional, também denominada entidade mantida. Entende que mesmo na hipótese do referido diretor da entidade mantenedora cumular função na entidade mantida, desde que relacionado com a sua formação profissional, também não haveria vedação de remuneração capaz de ensejar o descumprimento dos requisitos legais. Afirma que podem ser pagos aos dirigentes de uma entidade beneficente salários devidos pelo serviço prestado de acordo com sua função e responsabilidade desta. No caso da impugnante, por ser esta entidade de educação, a Diretoria de sua entidade mantida é formada por seu Reitor, ViceReitor Acadêmico, ViceReitor Administrativo, PróReitor de Graduação, PróReitor de Pesquisa e PósGraduação e Pró Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, os quais recebem seus salários de acordo com o serviço desenvolvido e claro, a hierarquia desses no sentido funcional, desconsiderando o fator hereditário, como tenta fazer crer a autoridade fiscal. Ingressandose na análise dos fatos, constatase que os valores pagos pela recorrente ao seu corpo diretor são elevados. Tal fato, contudo, não é suficiente para demonstrar a distribuição disfarçada de lucros. A fiscalização informa diversos valores percebidos por diretores e funcionários, todavia olvidouse de verificar se os valores foram pagos em conformidade com o Plano de Cargos e Salários da instituição, bem como se a carga horária dos funcionários é adequada aos valores percebidos. Tais dados poderiam demonstrar a alegação de que os Fl. 3971DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.972 42 familiares da chanceler e demais conselheiros percebem remuneração superior aos demais funcionários. Os dados trazidos comprovam apenas os valores pagos, mas as diferenças podem decorrer diferentes atribuições, da titulação ou mesmo da carga horária, e não necessariamente em decorrência do parentesco ou da função no Conselho da entidade. Desta forma, os fatos trazidos não configuram desrespeito aos requisitos para a manutenção da imunidade. A fiscalização afirma ainda que os pagamentos feitos à empresa GARRIDO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO E NEGÓCIOS EMP. LTDA, do então Reitor da SUAM (até 03/2008), José Remizio Moreira Garrido, que totalizaram mais de R$ 760.000,00 em 2007, corresponderiam à vantagem indevida a dirigente da entidade. A recorrente alega que não há qualquer violação legal na contratação de empresa prestadora de serviços, constituídas com finalidade lucrativa, mesmo esta possuindo em seu quadro societário um dirigente da entidade. Argumenta que, em virtude do princípio da entidade, o patrimônio da pessoa jurídica (entidade) não se confunde com o dos seus sócios ou proprietários. Afirma ainda que a contratação da empresa observou a fixação de preços compatíveis com aquele praticado no mercado, comprovado pela cotação de serviços praticados por empresas diversas, bem como pela comprovação da essencialidade dos serviços prestados na consecução dos objetivos institucionais. Salienta que não houve por parte da análise fiscal lançada no relatório qualquer comprovação ou argumento que aferisse a inexistência de documentação suporte que respaldasse a efetivação ou não da referida prestação de serviços. Em atenção ao alegado, constatase que a fiscalização não trouxe nenhuma prova de que os serviços não teriam sido prestados ou de que teria havido fraude no pagamento, o que configuraria uma distribuição disfarçada de lucros. O único fato trazido aos autos é o pagamento de valores a empresa contratada que tem por proprietário um dirigente da entidade. Ora, as pessoas jurídicas distinguemse de seus sócios, assim como o seu patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Desta forma, a contratação de uma empresa por parte da instituição não significa que esta esteja remunerando o proprietário da empresa. Observase ainda que, mesmo que fosse contratado o próprio dirigente para a prestação de serviços, tal fato não configura em hipótese vedada, pois, como já esclarecido, o artigo 55, inciso IV, veda a remuneração daquele que exerce atividades de diretor ou conselheiro de uma entidade imune, em relação a atribuições inerentes a esses cargos de estrutura diretiva, não impedindo o pagamento de remuneração de diretores e administradores da entidade imune como contraprestação pela execução de trabalhos diferentes daqueles previstos na estrutura diretiva. Fl. 3972DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.973 43 Desta forma, a situação em comento não representa violação aos requisitos para a manutenção da imunidade pela recorrente. Diante do exposto, concluise as condutas praticadas pela recorrente violam os requisitos impostos pelo artigo 14 do CTN e pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91, mostrandose correta a suspensão da imunidade e a consequente exigência dos tributos não recolhidos pela recorrente. Da Multa de Ofício A recorrente sustenta o cancelamento total da exigência em decorrência da aplicação do princípio constitucional do não confisco às multas fiscais Em atenção ao argumento exposto pela recorrente, esclarecese, inicialmente, que ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Entre as limitações encontrase a impossibilidade de negar validade a lei em decorrência de sua inconstitucionalidade. Tal entendimento, inclusive, encontrase previsto Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, estando a contestada multa prevista em lei tributária, a mesma deve ser aplicada quando incorridas as hipótese previstas para a sua exigência. Correta, portanto, a exigência da multa de ofício. Do Reexame Necessário A autoridade fiscal exigiu neste auto de infração a multa de 150% prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso II, tendo em vista que a SOCIEDADE UNIFICADA AUGUSTO MOTTA, além de ter descumprido os prérequisitos para fruição do benefício, usou de artifícios para distribuir disfarçadamente os lucros auferidos, através de pagamentos de altos salários e outros benefícios a membros da família que controla a instituição, omitindose assim de pagar as contribuições devidas. A decisão recorrida cancelou a exigência da multa de ofício aplicada em sua forma majorada a alíquota de 150% sobre o tributo não pago, mantendo apenas a exigência de multa no percentual de 75%, e interpondo recurso de ofício desta decisão. A imposição da multa de ofício de 150% incidente sobre o valor do tributo devido aplicase quando configurada as situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Fl. 3973DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.974 44 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da redação desses dispositivos percebese que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Necessário, portanto, verificar se essa conduta foi dolosa (justificando a qualificação) ou culposa (afastando a qualificação), eis que o dolo é elemento subjetivo, na maioria das vezes não é simples identificar a situação que justifica a qualificação. No caso em comento, em que pese as situações expostas pela fiscalização, não entendo como passíveis de configurar as hipóteses previstas acima os pagamentos destinados ao tratamento de saúde do antigo dirigente ou o pagamento de plano de previdência privada para a atual chanceler. No tocante ao pagamento de expressivos valores à empresa Vida Estética Internacional, que totalizaram R$ 1.107.000,00 no período de dois anos, a falta de comprovação da natureza destes pagamentos, em que pese resultarem na conduta vedada pela legislação referente a imunidade das contribuições sociais, não configura fraude ou sonegação, na acepção disposta nos artigos supracitados. Assim sendo, mantenho a decisão recorrida, negando provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 3974DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16682.720677/201137 Acórdão n.º 3201001.394 S3C2T1 Fl. 3.975 45 Fl. 3975DF CARF MF Documento de 45 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.15078.2FWY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO em 28/08/2013 09:03:02. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO em 28/08/2013. Documento assinado digitalmente por: JOEL MIYAZAKI em 10/09/2013 e CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO em 28/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1119.15078.2FWY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2100B1D9164D05F76B5F0861362783A15DA551E4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16682.720677/2011-37. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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