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Numero do processo: 13896.901020/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912854 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 24770.88653.280110.1.3.046800. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 251.138,67, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 02 0/ 20 13 -3 7 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 02065.700 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 5 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 6 5 período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 7 6 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: "Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.541, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.901005/201399. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.541): Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 8 7 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 9 8 Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Barueri/SP), para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, elaborar relatório de diligência, contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13896.901020/201337 Resolução nº 1302000.547 S1C3T2 Fl. 10 9 e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724748/2016-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 76 1 75 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724748/201638 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.074 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ELMAR PEREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 48 /2 01 6- 38 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 77 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2015, ano calendário 2014, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/8), indicando a juntada de documentação comprobatória da despesa glosada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Impugnação (fls. 31/34), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. Admitida a dedução apenas quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade. Cientificado dessa decisão em 1/9/2016 (fl.40), o contribuinte formalizou, em 26/9/2016 (fl.50), Recurso Voluntário (fls. 50/57, anexado novamente às fls. 61/68), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicia seu recurso elaborando um resumo dos fatos. Explica que, no curso da ação fiscal, atendeu a solicitação da autoridade tributária e apresentou os recibos que comprovam as despesas médicas com fisioterapia, e, ainda assim, essas despesas foram glosadas. Argumenta que o entendimento da autoridade fiscal é contrário ao previsto no ordenamento jurídico brasileiro. Destaca que o direito tributário se utiliza de outros institutos existentes nos demais ramos do Direito para se efetivar a exigência tributária. Assentada tal premissa, afirma que o recibo devidamente lavrado pelo credor libera o devedor, sendo bastante para comprovar o pagamento efetuado. Reproduz os artigos 315, 320 e 324 do Código Civil Brasileiro. Em seguida, analisa o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda, para concluir que, no tocante às despesas médicas, prevalece a regra de apresentação do recibo. Acrescenta que, inexistindo este, pode ser apresentado o cheque nominativo, constituindo esta, na sua visão, uma mera exceção à regra. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 78 3 Defende que as despesas são comprovadas mediante apresentação do comprovante de pagamento, sendo este o recibo passado pelo credor. Reproduz orientação da Receita Federal do Brasil contida no Manual de Perguntas e Respostas 2016. Apregoa que, em que pesem os poderes atribuídos à Administração Tributária na fiscalização dos contribuintes, não se pode derrogar institutos já consagrados em outros ramos do Direito, bem como afrontar direitos e garantias individuais. Defende que o contribuinte tem assegurado seu direito de deduzir as despesas médicas devidamente comprovadas por recibos passados pelos profissionais da saúde. Além desse entendimento, extraído do Código Civil e da legislação tributária, aponta que é preciso verificar que a boafé se presume, enquanto a má fé precisa ser comprovada, não ao contrário, como pretende a autoridade tributária. Diz ser inegável que as deduções estão sujeitas à comprovação e justificação, mas argumenta que o limite do Fisco está no próprio Regulamento, que imporia a comprovação por outros meios em caráter excepcional. Entende que apenas na falta dos recibos, ou quando estes não preencherem os requisitos legais, é que a comprovação poderia ser exigida mediante apresentação de outros documentos complementares. Pontua que as Delegacias de Julgamento e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem acatando as despesas ratificadas por declarações dos profissionais emissores dos recibos, enaltecendo a boafé dos contribuintes. Indica que existem decisões no sentido de que, em sendo apresentadas provas que permitam identificar a prestação dos serviços e o pagamento, inclusive com documentos passados pelos profissionais, atestando a autenticidade dos recibos, o ônus da prova caberá ao Fisco, já que a ele aproveita a contra prova do fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário refletido no lançamento. Reproduz ementa de julgado do CARF (acórdão nº 2802003.318). Menciona que os Tribunais Federais Regionais vem entendendo no sentido de acatar os recibos apresentados pelo contribuinte, presumindose a sua boafé. Reproduz ementas de dois julgamentos e aduz que o entendimento esposado é pacífico no ordenamento jurídico brasileiro e nas decisões dos Tribunais Federais. Explica que não acostou declaração do profissional aos autos porque o profissional se encontra em viagem para fora do País. Solicita desde já prazo para apresentar declaração com o objetivo de serem sanadas quaisquer dúvidas sobre os recibos apresentados. Afirma que os recibos anexados aos autos são idôneos e atendem as exigências da legislação civilista e tributária, devendo ser acatados pela autoridade tributária. Ao final, requer o acolhimento de seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fls.73/74). É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 79 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 80 5 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 81 6 No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas com Marcio Rubem Salgado de Castro, não tendo havido resposta a essa intimação (fl. 19). Em sua impugnação, o contribuinte juntou os recibos emitidos pelo profissional. A DRJ manteve a autuação. Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, citando dispositivos do Código Civil e decisões administrativas e judiciais sobre a matéria. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.724748/201638 Acórdão n.º 2002000.074 S2C0T2 Fl. 82 7 ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil, citado pela contribuinte em seu recurso, também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906812/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS.
No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/2012-17 e n° 10830.726826/2013-14.
AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO.
Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratando-se, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS. No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/2012-17 e n° 10830.726826/2013-14. AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratando-se, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. AUTOS DE INFRAÇÃO CONEXOS. No julgamento dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI, deve ser aplicado o resultado do julgamento do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI. Aplicação dos resultados dos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratandose, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 68 12 /2 01 4- 48 Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.317 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, o qual segue transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 3783 a 3813 – demais documentos até a efl. 4288) apresentada em 22 de março de 2016 contra despacho decisório de 17 de fevereiro de 2016 (efls. 3764 e 3765), cientificado em 19 de fevereiro de 2016 (efl. 3781), que não homologou as compensações com créditos de IPI do 3º trimestre de 2011, contidas em declarações de compensação apresentadas a partir de 20 de março de 2014. De acordo com a informação fiscal (efls. 3759 a 3762), foi lavrado auto de infração em relação aos períodos de julho de 2011 a outubro de 2014 (processo administrativo n° 10830.723689/201510). A redução a zero do saldo de créditos resultou dos procedimentos da devolução à escrita fiscal dos estornos de crédito efetuados pela Interessada, da inclusão dos valores lançados de ofício no auto de infração, do estorno de créditos não ressarcíveis (consumo dos saldos pelos PER apresentados em períodos anteriores e pelos autos de infração dos processos 10830.725456/201217 e 10830.726826/201314) e da anulação do saldo credor inicial. Na manifestação de inconformidade, a Interessada aponta erro na informação fiscal, nos seguintes termos: No entanto, o que se verifica é que os ajustes da Informação Fiscal apresentam erros que influenciaram na análise do saldo credor de IPI em favor da Manifestante. Em caráter preliminar de análise, temos que o ajuste da Coluna K3, de anulação do crédito inicial de R$ 208.765.190,19, mostrase indevido, uma vez que tem amparo na suposta glosa de créditos de IPI havida em decorrência dos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No entanto, ambos os processos ainda estão sendo discutidos na esfera administrativa e, assim, as glosas lá havidas não podem ser consideradas definitivas para fins de apuração do crédito existente para a Manifestante. Já com relação ao ajuste da Coluna E1, de inclusão dos valores do crédito indevido de IPI lançados no Auto de Infração n° 10830.723689/201510 como débito apurado, há novo equívoco, visto que a Manifestante pagou o IPI e os créditos indevidos lançados naquela autuação, fazendo jus aos créditos correspondentes a estes pagamentos (ou seja, o alegado "débito" que diminuiria o valor do saldo credor a ressarcir foi, efetivamente, pago pela Manifestante antes mesmo da análise do PER). E por fim, temos que, considerados os necessários ajustes acima descritos, quais sejam, a (i) devolução dos lançamentos do Auto de Infração n° 10830.723689/201510 e (ii) da devolução do valor inicial de R$ 208.765.190,19, haveria saldo credor de IPI em favor da manifestante à época da transmissão do PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. E mesmo se considerados os indevidos ajustes propostos pela Manifestante no parágrafo acima (Colunas E1 e E3), ainda assim, a Manifestante apresentaria um saldo credor de R$ 8.722.758,99 à época da transmissão do pedido de ressarcimento, como demonstra a Coluna L para o 3° trimestre de 2011, não havendo que se falar em indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação das compensações declaradas. Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.318 3 Na sequência, apresentou alegações preliminares quanto à necessidade de julgamento conjunto da manifestação de inconformidade com os autos de infração contidos nos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, que teria fundamento na Portaria RFB n. 354, de 2016, art. 3º, e nas disposições do novo Código de Processo Civil. Também citou ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Ainda preliminarmente, alegou que o auto de infração que lastreou o despacho decisório seria precário, "em razão da violação e não observância, por parte do Auditor Fiscal, do artigo 142 do Código Tributário Nacional ('CTN') [...]". A seguir, afirmou haver efetivamente saldo credor de IPI para ressarcimento, iniciando sua análise pelas seguintes afirmações: Nos anos de 2012 e 2013, a Manifestante foi alvo de fiscalizações e autuações por parte do Fisco em razão de supostas irregularidades no aproveitamento do benefício fiscal previsto na Lei n° 8.248/91, alterada pelas Leis n° 10.176/2001 e 11.077/2004 ("Lei da Informática" e "Processo Produtivo Básico"). Contra a Manifestante foram lavrados os Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No primeiro processo, parte do IPI entendido como devido foi lançada, e parte foi coberta por saldo credor de IPI, que acabou sendo glosado da escrita fiscal da Manifestante na monta de R$ 23.360.431,26. Já no segundo processo, todo o IPI supostamente devido foi coberto com saldo credor, também glosado da escrita, no total de R$ 20.424.126,57. Em razão das glosas acima expostas, o Despacho Decisório entendeu que deveria desconsiderar os valores de R$ 23.360.431,26 e R$ 20.424.126,57 do crédito passível de ressarcimento para Manifestante, visto que eles teriam sido utilizados para o pagamento do IPI devido naqueles processos: Asseverou, a seguir, que os estornos propostos pela Fiscalização não seriam definitivos, "porque a Manifestante ainda discute administrativamente os Autos de Infração [...]". No mérito, alegou a "necessidade de devolução à escrita fiscal dos lançamentos havidos no auto de infração n. 10830.723689/201510". Acrescentou o seguinte: Como se vê do próprio relatório, tendo a Manifestante utilizado crédito indevido, o Fisco lançou estes valores no Auto de Infração, cobrando da Manifestante pelo uso do crédito que era indevido. E, concordando com tal conclusão do Fisco, a Manifestante providenciou o pagamento do Auto de Infração por meio do Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELTT). [...] Ocorre que o art. 6° da Lei n° 13.202/15 e o art. 7° da Portaria PGFN/RFB n° 1.037/15, criada para regulamentação do PRORELIT, previam que a adesão ao programa e a consequente quitação do crédito tributário pelo pagamento com créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa implicavam a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua posterior homologação: "Art. 6° A quitação na forma disciplinada nos arts. 1° ao 5e extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifamos) "Art. 7° A quitação na forma disciplinada nesta Portaria Conjunta extingue o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifamos) [...] Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.319 4 Ou seja, para fins de apuração do valor de IPI passível de ressarcimento, no mínimo o Despacho Decisório deveria ter considerado o crédito no valor de R$ 21.966.578,45, face ao pagamento integral do Auto de Infração n° 10830.723689/2015 10 via PRORELIT. Ou seja. equivocadas são as conclusões do Despacho Decisório e da planilha do processo que indevidamente estornam da escrita da Manifestante o montante de R$ 21.432.966,32 de crédito de IPI. 6 O valor de R$ 21.966.578,45 abrange no Auto de Infração n° 10830.723689/201510, a glosa de julho de 2011 a abril de 2014 (período discutido neste Despacho Decisório), mais os meses de maio, junho, julho, agosto e outubro de 2014. [...] Vejase que o procedimento correto seria o Fisco ter unicamente glosado estes créditos indevidos na escrita da Manifestante, na oportunidade do Auto de Infração n° 10830.723689/201510, o que atualmente impactaria no PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283. Mas não houve a glosa, houve lançamento dos valores creditados para cobrança, os quais foram devidamente quitados pela Manifestante e agora estão habilitados a gerar o crédito pleiteado no pedido de ressarcimento! Passou a tratar da forma de apuração dos saldos, alegando que teria ocorrido erro. Tomando o mês de julho de 2011 como exemplo, a Interessada chegou a um valor positivo de créditos, nos seguintes termos: Assim, em julho de 2011, havia saldo credor no valor de R$ 8.722.758,99, exatamente o valor de saldo credor representado na Coluna L da planilha "Demonstrativo" para o mês de julho de 2011. Pois bem. Assumamos esta mesma sistemática, agora na hipótese de a Manifestante fazer jus aos créditos indevidamente estornados porque glosados nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, créditos os quais seriam devolvidos à sua escrita fiscal e manteriam o saldo inicial de RS 208.765.190,19, bem como aos créditos indevidamente estornados porque lançados como débito do Auto de Infração n° 10830.723689/201510, já quitado. Neste cenário, por não haver anulação do saldo inicial não seriam computados nenhum dos estornos feitos pela planilha "Demonstrativos" na Coluna D, e, portanto, não seriam devolvidos os pedidos de ressarcimento processados antes do período analisado (Coluna C). Bastaria, assim, o confronto entre créditos e débitos (Colunas A e B). [...] O que se comprova com esta demonstração é que, caso a Manifestante vença a discussão nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, haverá evidente saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Por esta razão, estando a discussão ainda pendente e não havendo definição sobre a manutenção da glosa, impossível aceitarse a conclusão da Informação Fiscal pela inexistência de saldo credor de IPI para processamento no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. Impossível que se mantenha, portanto, um Despacho Decisório que conclui pela inexistência de saldo credor de IPI quando se revela que ainda está em discussão a existência de saldo credor mais do que suficiente (R$ 39.356.084,29) para processar o pedido de ressarcimento no valor efetivamente estornado da escrita da Manifestante (R$ 14.272.349,03). E ainda nesta última hipótese sobrariam R$ 8.949,13 Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.320 5 de diferença entre o valor baixado da escrita e o valor processado nas quatro DCOMP ora em apreço! E vejase que, mesmo na hipótese de não serem devolvidos à escrita fiscal da Manifestante os créditos de IPI glosados nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, ainda assim haveria saldo credor se considerados os créditos lançados e já quitados no Auto de Infração n° 10830.723689/201510. [...] Pelo que se vê, também nesta hipótese, no momento da transmissão do PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257, em março de 2014, havia crédito em favor da Manifestante no montante de R$ 40.665.333.20. E depois do processamento do PER, com a baixa na escrita fiscal, continuou a Manifestante tendo crédito no montante de R$ 24.024.312,19. Neste segundo cenário, fica evidente a existência de saldo credor passível de ressarcimento no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257 mesmo antes de definida a glosa nos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314, ou seja, apenas com o reconhecimento evidente de que a Manifestante faz jus aos créditos dos lançamentos do Auto de Infração n° 10830.723689/201510. E por fim, mas não menos evidente, temse que as conclusões da própria planilha "Demonstrativo" e, portanto, da Informação Fiscal que acompanha o Despacho Decisório evidenciam a existência de saldo credor a ser integralmente ressarcido no PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257. A seguir, alegou ser necessária a produção de prova pericial, apresentando os quesitos e indicando o perito: Por esta razão, a Manifestante requer expressamente a realização de prova pericial contábil no processo, para que os peritos do Fisco e da Manifestante respondam aos quesitos que seguem: 1) Qual o saldo inicial de crédito básico de IPI da Manifestante para o período analisado no Despacho Decisório (junho de 2011)? 2) A partir do saldo inicial, favor apresentar a planilha de créditos e débitos apurados durante todo o período analisado pelo Despacho Decisório (junho de 2011 a abril de 2014) e sem os lançamentos a débito referentes ao Auto de Infração n° 10830.723689/201510. 3) Quantos e quais foram os pedidos de ressarcimento transmitidos pela Manifestante no período analisado pelo Despacho Decisório (Junho de 2011 a abril de 2014)? 4) Dos pedidos de ressarcimento listados na resposta ao item 3, favor elaborar planilha com a relação entre o valor solicitado ao ressarcimento e o valor efetivamente baixado da escrita fiscal da Manifestante. 5) Quais pedidos de ressarcimento transmitidos pela Manifestante no período mencionado no quesito 3 ainda não foram analisados pela Receita Federal e não são objeto de Despacho Decisório? 6) Considerando todos os pedidos de ressarcimento listados na resposta ao quesito 3, favor apresentálos pela ordem cronológica dos trimestrescalendário solicitados para ressarcimento dentro da planilha de resposta ao quesito 2, baixandose do saldo credor da Manifestante os valores efetivamente baixados na sua escrita fiscal, listados na resposta ao quesito 4. 7) Considerandose os valores efetivamente baixados na escrita fiscal da Manifestante para os pedidos de ressarcimento transmitidos no período, é possível Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.321 6 afirmar que havia saldo credor para reconhecimento de cada pedido de ressarcimento no montante em que efetivamente baixado pela Manifestante? 8) Quantas e quais foram as declarações de compensação transmitidas especificamente para os pedidos de ressarcimento de PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283 e PER n° 06423.90318.200314.1.1.01 0257? 9) Com base na resposta ao quesito 7 e considerandose as declarações de compensação da resposta ao quesito 8, há saldo credor para serem deferidos os pedidos de ressarcimento de PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283 e PER n° 06423.90318.200314.1.1.010257 e consequentemente totalmente homologadas as declarações de compensação deles decorrentes? Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 14.61711, com a seguinte ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VALOR REDUZIDO EM FUNÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DECORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deixou de reconhecer parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência exclusiva de infrações apuradas em autos de infração já julgados em primeira instância administrativa, devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nos respectivos processos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratandose, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. OUTROS CRÉDITOS ESCRITURAIS. O pedido de ressarcimento de IPI referese àqueles créditos escriturados no trimestrecalendário, que não tenham sido absorvidos pelos débitos do mesmo período. Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.322 7 Não é possível, dessa forma, substituir os créditos que foram objeto do pedido por créditos que permaneceram na escrituração, especialmente quando tais créditos sofram os efeitos de autos de infração lavrados em relação a períodos anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente. A Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de sua manifestação de inconformidade e combate ponto a ponto a decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme esclarecido no relatório, a redução do saldo inicial do mês de abril de 2010 deveuse às infrações apuradas em autos de infração dos processos administrativos n° 10830.726826/201314 (que tratou dos períodos de janeiro de 2009 a junho de 2011) e n° 10830.725456/201217 (períodos de março de 2007 a dezembro de 2008). Por conseguinte, diante da vinculação deste julgamento aos autos de infração, há que se aplicar as decisões proferidas nesses processos. Já, quanto ao processo n° 10830.723689/201510 e seus reflexos no presente processo, concordo e adoto os fundamentos da DRJ, no sentido de que o auto de infração pago não acarreta o restabelecimento de créditos: No tocante ao processo 10830.723689/201510, enganase a Interessada em seu raciocínio de que "o alegado 'débito' que diminuiria o valor do saldo credor a ressarcir foi, efetivamente, pago pela Manifestante antes mesmo da análise do PER". Além disso, enfatizou a Interessada que "o procedimento correto seria o Fisco ter unicamente glosado estes créditos indevidos na escrita da Manifestante [...]". Tais assertivas baseiamse em dois equívocos. O primeiro deles é considerar que a apuração de débitos pela Fiscalização implica duas consequências, quais sejam a lavratura de auto de infração exigindo os débitos e o aproveitamento de créditos na dedução dos débitos no livro de apuração do imposto. O que ocorre com os valores de débitos apurados pela Fiscalização é um desses resultados isoladamente. Assim é que, se o contribuinte tiver crédito legítimo (que não é passível de glosa) em sua escrituração, esse valor de crédito será deduzido do IPI apurado pela Fiscalização (que não foi lançado pelo contribuinte no livro de apuração do IPI). Nessa hipótese, o auto de infração terá três consequências: constituir o crédito tributário (débito do contribuinte) que não foi lançado em nota fiscal, reduzir o saldo escritural de créditos (pela dedução dos débitos lançados) e aplicar a multa (de forma isolada) por falta de lançamento do imposto em nota. Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.323 8 Por outro lado, se não houver créditos legítimos em sua escrituração, que permitam cobrir o montante dos débitos apurados pela Fiscalização, será lançado o imposto (débitos apurados pela Fiscalização) e a multa proporcional. Caso o montante de créditos escriturais legítimos seja inferior ao dos débitos apurados, uma parte do débito sofrerá o primeiro tratamento e a outra o segundo. Por exemplo, suponhase que, em determinado período de apuração, um contribuinte tenha apurado créditos escriturais de 300 e débitos de 100. O saldo credor apurado ao final do período será de 200. Desses 200, ao final do trimestre, suponhase ainda que ele tenha requerido, meses depois, 100 de ressarcimento e deixado os 100 restantes na escrituração. Portanto, ao final do período, haveria um saldo credor de 200, pois o pedido de ressarcimento seria apresentado futuramente. Diante desse quadro, suponhase que a Fiscalização tenha apurado 200 de IPI não lançado em notas fiscais. Refazendo a escrituração da Interessada, a Fiscalização iria apurar saldo nulo. Consequentemente, seria lavrado auto de infração para reduzir o saldo do período a zero e para aplicar a multa isolada sobre os 200 de débitos não lançados, que foram acobertados com os créditos escriturados. Além disso, o ressarcimento do contribuinte seria indeferido, uma vez que aquele valor de 100 foi utilizado para cobrir parte do débito de IPI lançado. A alternativa que a Interessada pode ter imaginado, ao apresentar a alegação de que teria o direito de que os créditos retornassem à escrituração, seria a de, no lançamento, a Fiscalização não considerar os 100 do pedido de ressarcimento e, portanto, em vez de apurar saldo nulo no período, apurar um saldo devedor de 100. Mas, como está claro pelos exemplos acima, ou haveria aproveitamento escritural dos créditos (o que não se confunde com glosa de créditos), implicando anulação do saldo a ressarcir, ou a diferença de IPI não absorvida por créditos teria que ser exigida. Entretanto, somente a primeira hipótese acima aventada é permitida pela legislação, pois a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, somente permite o ressarcimento do saldo credor que não for utilizado na compensação com os débitos do período. O segundo grande equívoco nas alegações da Interessada é a desconsideração de que a maior parte do auto de infração do processo 10830.723689/201510 resultou da glosa de créditos ilegítimos e que não poderiam ter sido escriturados. Ao glosar os créditos, o que ocorre é que surge saldo de débitos na escrituração fiscal (RAIPI). Vale dizer, os débitos escriturados pelo próprio contribuinte (e não os apurados pela Fiscalização) que, anteriormente, estavam acobertados por créditos, geram o saldo de débitos. Portanto, não é o débito que diminui o saldo credor, mas a glosa de créditos, que é definitiva, é que faz surgir o saldo devedor. Vejase que o auto de infração não cobra "crédito indevido", mas, sim, débitos já escriturados pelo contribuinte, que tenham ficado a descoberto pela glosa de créditos, e débitos apurados pela Fiscalização. Dessa forma, os débitos que são cobrados no auto de infração são aqueles líquidos dos créditos legítimos e seu pagamento não implica o restabelecimento de crédito ilegítimo algum. Embora se trate de conceitos elementares da legislação do IPI, demonstrase a seguir o que foi apurado no auto de infração do processo 10830.723689/201510. Naquele auto de infração, foram apuradas as seguintes infrações: 1Saída de produto sem lançamento de IPI (equiparação a estabelecimento industrial): apuração de débitos nos períodos de outubro de 2011 a outubro de 2014, no valor total (base de cálculo dos débitos apurados) de R$ 9.249.683,08, com imposto não lançado de R$ 924.968,30; 2 Saída de produto sem lançamento de IPI (classificação fiscal ou alíquota incorretas): setembro de 2011 a junho de 2013, no valor total (base de cálculo dos débitos apurados) de R$ 5.232.697,21, com imposto total devido de R$ 523.269,72 e imposto não lançado no valor de R$ 262.780,08 (descontados os valores de IPI escriturados pelo próprio contribuinte, conforme demonstrativo "débitos apurados de IPI não lançado"); Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.324 9 3 Créditos básicos indevidos: setembro de 2011 a julho de 2014, no valor total (de créditos glosados) de R$ 8.048.546,10; 4 Créditos indevidos (demais modalidades): dezembro de 2012 e fevereiro de 2014, no valor total (de créditos glosados) de R$ 12.730.283,93. O total dos débitos apurados pela Fiscalização foi de R$ 1.187.748,42 (infrações 1 e 2) e o total dos créditos glosados foi de R$ 20.778.830,03 (infrações 3 e 4). Os valores acima mencionados totalizam o montante do IPI lançado de R$ 21.966.578,44. Nesse contexto, a razão por que se reconstitui a escrita fiscal, conforme descrito no auto de infração, é exatamente apurar os valores dos novos saldos devedores, após a glosa de créditos e a inclusão dos débitos apurados. Dessa forma, observase, por exemplo, que no período de janeiro de 2014, o total dos débitos apurados e de créditos glosados foram os seguintes: Entretanto, o valor do IPI lançado correspondente ao período de janeiro de 2014 foi de R$ 16.058.868,75 (demonstrativo "diferenças a cobrar"). Esse fato decorreu de terem sido glosados créditos nos períodos anteriores que não implicaram, naqueles períodos, o desacobertamento de débitos escriturados (todos os períodos até dezembro de 2013). Basta que se analise o "demonstrativo dos saldos da escrita fiscal", que constou do auto de infração, abaixo reproduzido: Assim, as glosas de créditos somente tiveram efeito sobre o desacobertamento de débitos escriturados, mais precisamente, conforme o demonstrativo "diferenças a cobrar" a partir de fevereiro de 2014: Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.325 10 Portanto, os valores lançados são os relativos aos débitos já escriturados pela Interessada, e desacobertados pelos créditos glosados, e aos débitos apurados pela Fiscalização. O pagamento do auto de infração, portanto, no que se refere às glosas de créditos (ressalvese ainda o IPI não lançado), representa apenas o pagamento do IPI apurado pelo próprio contribuinte e que ficou desacobertado de créditos. Não há, assim, que se falar em "créditos" diminuídos por débitos, mas de débitos indevidamente acobertados por créditos indevidos. Feitos esses esclarecimentos básicos sobre a forma de apuração do IPI lançado no auto de infração, podese concluir que não existe mais litígio a respeito das glosas de créditos implementadas por meio daquele auto de infração. Conforme anteriormente esclarecido, o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 9º, caput, determina que o auto de infração (ou a notificação de lançamento) é o ato administrativo primário para a exigência de crédito tributário e aplicação de multa isolada. Portanto, a discussão administrativa sobre a legitimidade dos créditos glosados somente seria possível no âmbito daquele processo, pois todas as glosas de créditos efetuadas implicaram a apuração de saldo devedor e não houve créditos para acobertar sequer parte do IPI não lançamento em nota fiscal (apurado pela Fiscalização). Em relação ao erro de apuração alegado pela Interessada, também não lhe cabe razão alguma. Primeiramente, porque os créditos escriturais de IPI, conforme já esclarecido, somente podem ser objeto de pedidos de ressarcimento (com ou sem compensação) quando não aproveitados na compensação com débitos escriturados. Assim, a glosa de créditos em auto de infração implicará a redução do saldo disponível para ressarcimento. Não é possível adotar o entendimento de que as glosas não poderiam atingir os pedidos de ressarcimento enquanto não julgados definitivamente os outros dois autos de infração. Se fosse esse o caso, as compensações declaradas seriam homologadas tacitamente e os valores de ressarcimento seriam pagos ao contribuinte, sendo que o valor dos créditos ressarcidos, ao mesmo tempo, seriam utilizados para reduzir o imposto lançado nos autos de infração. Ademais, a lavratura de autos de infração, por si só, retira a presunção de liquidez e certeza dos créditos requeridos, razão suficiente para que não sejam ressarcidos. Por outro lado, caso os autos de infração sejam, ao final, julgados improcedentes, e na medida de sua improcedência, os créditos de que tratam os processos de ressarcimento serão reconhecidos. Ainda em relação ao alegado erro, a Interessada não tem razão ao afirmar que haveria saldo de créditos ainda que não fossem devolvidos os créditos à escrituração. A hipótese que a Interessada aventou na manifestação de inconformidade decorre de dois equívocos. O primeiro diz respeito a desconsiderar que os saldos de créditos ressarcíveis em cada trimestrecalendário correspondem à parcela dos créditos escriturados nesse trimestrecalendário que não tenham sido utilizados no abatimento de débitos. É o que dispõe o já citado art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, ao referirse ao "saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário". O segundo equívoco é que os saldos de créditos de outros períodos de apuração foram absorvidos pelos três autos de infração. Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.326 11 Portanto, em relação ao auto de infração pago pela Interessada, inexiste possibilidade de aproveitamento de créditos (pelos vários motivos já expostos até aqui). Os dois autos de infração que ainda são objeto de discussão administrativa somente terão o efeito pretendido pela Interessada se, eventualmente, forem considerados improcedentes. Conforme já esclarecido, tratase de créditos considerados ilegítimos (auto de infração pago) ou desprovidos de liquidez e certeza (autos de infração ainda em discussão). Como dito acima, no julgamento do presente processo, diante do não reconhecimento de parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência de infrações apuradas nos autos de infração dos processos n° 10830.725456/201217 e 10830.726826/2013 14 devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nesses processos. Quanto ao processo n° 10830.725456/201217, o acórdão n° 3301004.179, prescreveu o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. Se após a reconstituição da escrita fiscal no RAIPI, houver créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrando que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. Recurso voluntário provido. Por sua vez, no processo n° 10830.726826/201314, o acórdão n° 3301004.180, determinou: Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.327 12 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido. Diante disso, como todo pedido de ressarcimento depende da existência de um crédito, o qual deve ser reconhecido na exata medida de sua comprovação, a Recorrente deve ter seu direito creditório analisado e apurado pela unidade de origem, dentro dos limites da decisão proferida nos dois autos de infração acima citados, já julgados pelo CARF. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, aplicandose os resultados dos processos n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 11080.906812/201448 Acórdão n.º 3301004.389 S3C3T1 Fl. 4.328 13 Fl. 4328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720359/2014-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 03 59 /2 01 4- 11 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, gerando , assim, um saldo de imposto de renda a recolher de R$6.753,17, com juros de mora e multa de ofício calculados até março de 2014. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave, e que é portador da moléstia desde 2012, conforme devidamente comprovado através de laudo médico emitido por serviço médico oficial. No que se refere ao valor de R$5.016,26, foi equivocadamente lançado como dedução à previdência oficial, quando deveria ter sido lançado como dedução de despesas médicas. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o impugnante não logrou êxito em comprovar a sua situação de isento para fins fiscais e nem comprovou as despesas médicas alegadas.. A infração lavrada deveria subsistir, integralmente, portanto. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, cita base legal para corroborar suas alegações e traz todos os documentos necessários para respaldar plenamente as suas alegações. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ que o contribuinte não logrou teria direito a isenção por ser caso de Reserva Remunerada. Vejamos: A teor dos dispositivos transcritos, percebese que para fazer jus à isenção do imposto de renda, o contribuinte deve satisfazer, ao mesmo tempo, duas condições: ser portador de moléstia grave, prevista em lei, e receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão (inclusive complementações). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10315.720359/201411 Acórdão n.º 2001000.439 S2C0T1 Fl. 3 3 Inferese da Descrição dos Fatos, à fl. 20, que a autoridade fiscal já reconheceu que o contribuinte era portador de moléstia grave no anocalendário de 2011, tendo contestado o fato de ele não ser militar reformado, mas, sim, pertencente à reserva remunerada, e, como tal, não faz jus à isenção por ele pretendida. Com todo o respeito à interpretação feita pelo impugnante ao texto do dispositivo legal que trata da isenção em comento, com ela (a interpretação) não se pode concordar. Olvidouse o requerente do art. 111, inciso II, do art. do Código Tribunal Nacional – CTN, segundo o qual “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Ou seja, na espécie, não há que se fazer elucubrações. E nesse ponto agiu acertadamente a autoridade fiscal, haja vista que o militar integrante da reserva remunerada efetivamente não faz jus ao benefício da isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do RIR/1999, em que pesem os reclamos passivos. Desta feita, no anocalendário em discussão, ou seja, 2011, há que se considerar que o contribuinte não satisfazia as condições exigidas para fazer jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do Comando da Aeronáutica, porquanto era integrante da reserva remunerada, já que não houve a comprovação de sua transferência para a reforma. Em relação à isenção dos proventos de aposentadoria auferidos por portadores de moléstia grave, a matéria sob análise está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a Fl. 71DF CARF MF 4 doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis d controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei . Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10315.720359/201411 Acórdão n.º 2001000.439 S2C0T1 Fl. 4 5 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na total comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave , nos termos da lei, bem como a comprovação de que o valor de R$5.016,26 se refere a despesa médicas, conforme documento acostado aos autos, emitido pela Petros, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário considerados os rendimentos como isentos para fins fiscais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a situação de isenção fiscal do Contribuinte por ser portador de moléstia grave e, por conseqüência, considerar os seus rendimentos como isentos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF 6 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722956/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituir-se em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
Numero da decisão: 9202-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituir-se em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, inclusive no que tange à demonstração da divergência interpretativa, a matéria suscitada deve ser conhecida. Por outro lado, não se conhece de matéria que, embora suscitada em sede recursal, não foi tratada no acórdão recorrido. Tampouco deve ser conhecido Recurso Especial cujo pedido não logra alterar o resultado do julgamento do apelo da parte contrária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituirse em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 29 56 /2 01 1- 15 Fl. 1801DF CARF MF 2 conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que conheceu do recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata do Debcad 51.005.3270 (AI78), lavrado em razão de a empresa ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a autuada deixou de informar em GFIP a remuneração paga aos segurados empregados, proveniente de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Em sessão plenária de 18/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.550 (fls. 1.546 a 1.562), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2007 DIREITO DOS TRABALHADORES EM TEREM PLR CF/ 88 A Carta Maior de 1988 contempla o direito dos trabalhadores em participarem ativamente do PLR da empresa empregadora. Entretanto, este deve ser moldado à Lei 10.101/2000, mormente quando ao cumprimento das regras e metas claras com a participação ativa dos sindicatos das categorias envolvidas dentro de sua base territorial. METAS E REGRAS CLARAS DO PLR. INADMISSIBILIDADE DE DIFERENCIAÇÃO NA CONTEMPLAÇÃO. Qualquer categoria de trabalhador poderá participar do PLR, desde que se tenha metas e regras claras, não podendo haver diferenciação na contemplação. No presente caso foi apresentado aditivo ao PLR, no final do ano letivo, para os empregados que ocupavam o cargo de supervisão, sendo que havia contemplação diferenciada. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO AS DEMAIS LOCALIDADES DA Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.802 3 EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical e ao da territorialidade, não pode um sindicato abranger o PLR dos demais empregados que são abrangidos por outro sindicato, em face de incompetência dele. No caso em tela o sindicato dos empregados da região de São Caetano do Sul/SP, participou e homologou PLR extensivo as demais localidades do empregador, atingindo todos os empregados, independente da região." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade, excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.074 do processo principal) e, em 27/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.563 a 1.576 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.089 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: a) aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR; Fl. 1803DF CARF MF 4 b) periodicidade mínima para pagamento de PLR; e c) aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 873/2013, de 16/12/2013 (fls. 1.577 a 1.582). Relativamente à matéria PLR, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: inicialmente, verificase a necessidade de cumulatividade dos requisitos para a aquisição do benefício, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício e existência de regras previamente ajustadas; tais requisitos são decorrentes da interpretação teleológica do art. 2° da Lei 10.101, de 2000, encontrandose epistemologicamente ligados, eis que para adquirir o benefício, o trabalhador precisa alcançar metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, mediante fixação de regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, nos termos de acordo ou convenção coletiva, obviamente, fixados em caráter prévio ao período em que vão ser apurados os lucros e resultados; diante dos elementos sob exame, é indiscutível que houve vulneração do art. 2.º da Lei nº 10.101, de 2000, face à patente invalidade da convenção firmada entre empregador e empregados; no caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição, haja vista a ausência de acordo prévio ao exercício, a inexistência de regras previamente ajustadas e a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil (janeiro e maio de 2007); o próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212, de 1991, é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos; logo, o pagamento de PLR em desacordo com os dispositivos da Lei nº 10.101, de 2000, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212, de 1991, o que se verificou nos autos. No que tange à retroatividade benigna, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa do art. 35, II, da norma revogada, ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da MP nº 449, de 2008. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 19/05/2014 (Termo de Ciência de fls. 1.583), a Contribuinte, em 26/05/2014, ofereceu as Contrarrazões de fls. 1.633 a 1.647 e opôs os Embargos de Declaração Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.803 5 de fls. 1.623 a 1.632, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2301004.773, de 13/07/2016 (fls. 1.651 a 1.663) assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OBSCURIDADE OMISSÃO CONTRADIÇÃO De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, contradição acolhida. No entanto, a via recursal adotada não é adequada, na parte em que pretende, a renovação de julgamento que ocorreu regularmente. Embargos Acolhidos em Parte." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos embargos no seguinte sentido: (a) não conhecer dos embargos em relação incidência da multa sobre os créditos tributários referentes à apontada omissão relativa ao item da territorialidade; vencido o relator, que conhecia dos embargos nessa questão e dava provimento parcial aos embargos e, e (b) conhecer dos embargos quanto à contradição entre a ementa e dispositivo do acórdão relativamente à contemplação dos supervisores, gerentes e diretores no acordo de PLR, para, neste item, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Acompanhou o julgamento o Dr. Mario Salles Pereira de Lucena, OAB/RJ 137.630." Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Da ausência de divergência jurisprudencial da análise do Recurso Especial em apreço, resta evidenciado que a Fazenda Nacional não logrou êxito em demonstrar qualquer similitude entre os fundamentos do acórdão recorrido e dos acórdãos supostamente divergentes, nºs 20601.344 e 240100.545; isso porque o Acórdão recorrido aborda a PLR definitivamente formalizada e celebrada antes da aferição das metas, ao passo que os acórdãos "paradigmas" tratam exclusivamente da PLR formalizada após a aferição das metas e seu respectivo período de apuração; a partir dessas premissas, constatase ser inequívoca a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas colacionados, na medida em que a PLR não foi celebrada após o período de aferição das metas; Fl. 1805DF CARF MF 6 com efeito, ainda que assim não se entenda, cumpre ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já teve, inclusive, a oportunidade de pacificar a questão, ao fixar o entendimento de que "A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido." (Acórdão nº 9202002.485, 2a Turma); em sendo assim, à luz do disposto no Regimento Interno do CARF artigo 67, §10 a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, também por esse motivo, não merece prosperar: "O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado." Da prévia deliberação das metas pactuadas ainda que seja apreciada a suposta divergência acerca da previsibilidade das metas, o frágil argumento trazido pela Fazenda Nacional arvorase unicamente na necessidade de "(...) existência de acordo prévio ao exercido e existência de regras previamente ajustadas" (fl. 2085); além de não encontrar ressonância na legislação, tal argumento sucumbe diante da robusta matéria probatória dos autos; isso porque os acordos coletivos que oficializaram a PLR pactuada pela Contribuinte com seus funcionários, em conjunto com os sindicatos, foram fruto de incessante negociação desde o princípio de cada ano; a jurisprudência do CARF também tem reiterado o entendimento de que a data de celebração formal do acordo da PLR sequer possui o condão de desqualificar sua natureza (cita jurisprudência do CARF): a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já teve, inclusive, a oportunidade de pacificar a questão ao fixar o entendimento de que "A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido" (Acórdão 9202002.485, 2a Turma); diante desse quadro, levandose em consideração que a negociação da PLR sob análise precedeu inequivocamente o pagamento, não há que se falar em qualquer descumprimento à Lei nº 10.101, de 2000, pelo fato dos acordos coletivos terem sido definitivamente formalizados durante o período de aferição das metas. Da aplicação da multa mais benéfica em que pese o entendimento sustentado pela Fazenda Nacional, cumpre observar que a penalidade de 75% (multa de ofício), prevista na Lei nº 9.430, 1996, artigo 44, não encontrava ressonância na legislação previdenciária anteriormente à Lei nº 11.9141, de 2009; Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.804 7 isso porque a penalidade aplicada no lançamento fiscal sob análise trata exclusivamente da multa de mora, anteriormente prevista no artigo 35, caput da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.876, de 1999; ou seja, o instituto da multa de ofício não existia à época dos supostos fatos geradores objeto do lançamento fiscal; nesse sentido, a multa de mora anteriormente prevista na legislação previdenciária veio a ser modificada pela atual redação do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, dada pela Lei 11.941, de 2009; assim, a multa de mora prevista no artigo 35, caput, da Lei 8.212, de 1991, teve o seu limitador alterado de 100% do valor devido a título de obrigação principal para 20%, sendo inequívoca a atenuação da penalidade; ao revés, a multa de ofício, também introduzida pela Lei 11.941, de 2009, trouxe uma profunda inovação para a legislação previdenciária que, tal qual a legislação dos demais tributos federais, passou a incidir quanto ao fatos geradores ocorridos a partir de seu advento; ocorre que o princípio da retroatividade benéfica do Contribuinte, positivado no CTN, artigo 106, é peremptório em admitir a retroatividade da legislação tributária tão somente nos casos em que a penalidade lhe seja mais favorável; assim, ainda que se mantenha a exigibilidade da obrigação principal indevidamente constituída pelo lançamento fiscal impugnado, deve ser mantida a decisão recorrida a fim de que o cotejo entre as penalidades mais benéficas ocorra exclusivamente entre a redação anterior e a atual do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, inteligência do CTN, artigo 106, inciso II, alíneas "a" e "c". Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Cientificada do Acórdão de Embargos nº 2301004.773, a Fazenda Nacional ratificou o Recurso Especial interposto em face do Acórdão nº 2301003.550 e pleiteou o saneamento de possível equívoco na admissibilidade do seu Recurso Especial (fls. 1.664). Entretanto, o Despacho de Saneamento de 30/12/2016 (fls. 1.665/1.666) quedouse silente sobre a questão. Cientificada do Acórdão de Embargos em 11/04/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.669), a Contribuinte, em 26/04/2017, interpôs o Recurso Especial de fls. 1.673 a 1687 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.671). Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 09/06/2017 (fls. 1.765 a 1.776), admitindose a rediscussão das matérias: a) extensão dos efeitos da PLR da matriz aos empregados não abrangidos pela base territorial do sindicato signatário do acordo; e Fl. 1807DF CARF MF 8 b) inexigibilidade de comprovação do acompanhamento das metas pactuadas na PLR. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: Da extensão do acordo coletivo da matriz entendeu o acórdão recorrido pela validade do lançamento fiscal pelo simples fato de que deve “(...) respeitar os princípios da unicidade sindical e da territorialidade é proteção do trabalhador para que ele seja ´defendido´ por um sindicato que esteja perto dos seus problemas.”; entretanto, conforme muito bem pontuado pelos acórdãos divergentes, “Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato.”; ou seja, a limitação territorial da abrangência do sindicato não possui um caráter absoluto na medida em que comporta exceções, mormente quando para proteger e tutelar interesses do trabalhador; isso porque essa premissa de limitação territorial da abrangência do Sindicato não possui um caráter absoluto, posto que o próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no exercício de sua competência, já relativizou a aludida regra quando em confronto com preceitos constitucionais do trabalhador; por mais forte razão, em sendo a PLR parte integrante do contrato de trabalho, a sua interpretação deve, inexoravelmente, se dar de forma mais favorável ao trabalhador, nos termos da CLT, artigo 620; ou seja, essa regra fica ainda mais relativizada no caso concreto, visto que o sindicato signatário do acordo coletivo estendido a esses funcionários da Recorrente possui notória credibilidade perante o território nacional; e foi justamente em função dessa credibilidade que a PLR pactuada foi estendida às demais unidades da Contribuinte, a fim de contemplar o maior número possível de funcionários, conforme orgulhosamente noticiado pelo Sindicato no sentido de que “Os acordos firmados (...) têm servido como referência para outras categorias profissionais pelo Brasil afora"; além do mais, os funcionários beneficiados com a extensão da PLR firmada pela matriz encontramse lotados em pequenos escritórios regionais da Contribuinte, o que, por si só, justificaria esse “empréstimo” em razão dos altos custos inerentes à prescindível mobilização de outros sindicatos ; para corroborar esse entendimento, vale transcrever acórdão deste CARF em caso da própria Contribuinte (PLR de 2009) traduzida no paradigma trazido no presente recurso especial de divergência: PLR. ACORDO FIRMADO NA MATRIZ. EXTENSÃO PARA EMPREGADOS QUE PRESTAM SERVIÇO FORA DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO SINDICATO. POSSIBILIDADE. Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.805 9 para empregados que prestam serviços em localidade fora da abrangência do sindicato. (Acórdão nº. 2401003.895, de 12/02/2015 Cons. Rel. Kleber Ferreira de Araújo 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara da 2ª Seção/CARF) dessa forma, as divergências comprovadas pela Recorrente demonstram que o Acórdão recorrido não emprestou a melhor interpretação à legislação tributária na medida em que a extensão do acordo coletivo da PLR da matriz não tem o condão de atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias e de terceiros sobre esses pagamentos; pelo princípio da eventualidade, caso o argumento acima suscitado reste por ultrapassado, necessária se faz, ao menos, a exclusão da exigência fiscal sobre a PLR auferida pelos funcionários abrangidos pelos acordos homologados pelos sindicatos de São José dos Campos e Região; Gravataí; Sorocaba; e São Paulo/Mogi das Cruzes ao restringir a exoneração ao Município de São Caetano do Sul; isso porque a autuação fiscal, tal qual a PLR de São Caetano do Sul, também incluiu a PLR dos funcionários abrangidos pela jurisdição desses sindicatos nos levantamentos relativos à PLR pagas aos funcionários de estabelecimentos com acordo coletivo, o que tornaria ilegal a exigência fiscal nessas condições. Da ausência de previsão legal apta a exigir a comprovação do efetivo acompanhamento das metas da PLR conforme já asseverado pelos acórdãos divergentes, não existe comando legal que obrigue que o contribuinte a comprovar o efetivo acompanhamento das metas da PLR regular e legitimamente pactuadas com seus funcionários, sendo ônus da fiscalização a comprovação e eventual prejuízo ao trabalhador; tal como nos anos posteriores, a PLR objeto de autuação atendeu a todos os requisitos materiais disciplinados pela Lei nº. 10.101, de 2000, ante a inteligibilidade das metas estabelecidas com expressa previsão dos seus mecanismos de acompanhamento, tanto o é que prontamente atendidas e refletidas em recordes de produção no ano de 2007; entretanto, desconsiderando o fato do atingimento das metas pactuadas, o acórdão recorrido julgou ilegítima a PLR para os estabelecimentos em que não teria havido efetiva comprovação do seu acompanhamento sob o, data venia, subjetivo ponto de vista adotado pela Fiscalização; entretanto, conforme consta da Lei nº. 10.101, de 2000, artigos 1º e 2º, apenas há a determinação de que os “... instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período da vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerado, entre outros, os seguintes critérios: I – índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programa de metas, resultado e prazos, pactuados previamente”; em outras palavras, a lei não faz qualquer exigência dos padrões de conduta a serem exercidos “acompanhamento mensal das metas” muito pelo contrário, apenas faz menção de que as os acordos apresentados deverão constar as regras para o pagamento da PLR Fl. 1809DF CARF MF 10 com a discriminação das metas a serem atingidas, o que de fato foi realizado nos presentes autos; a toda evidência, a motivação adotada para o lançamento fiscal afigurase como demasiadamente subjetiva e não encontra respaldo na legislação, o que vulnera os limites legais do ato administrativo disciplinados pela CRFB em seu artigo 37, caput; ademais, a autoridade fiscal não se desincumbiu de seu inafastável ônus de comprovação de eventual prejuízo ao trabalhador apto a desnaturar a natureza imune da PLR paga pelo simples fato do contribuinte não haver comprovado o efetivo acompanhamento das metas previamente estabelecidas; para corroborar esse entendimento, vale transcrever os Acórdãos deste CARF em casos da própria Recorrente (PLR’s de 2008/2009) traduzido nos paradigmas trazidos no presente Recurso Especial de divergência: "O levantamento traz como uma das razões para o PLR integrar a remuneração, o não acompanhamento mensal das metas propostas. Todavia, entendo que pelos documentos juntados e análise da legislação vigente, não existe a obrigatoriedade da demonstração por parte do contribuinte, do acompanhamento mensal das metas." (Acórdão nº. 2302003.138, de 13/05/2014, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara da 2ª Seção/CARF) "(...) A meu ver também inexiste uma demonstração cabal do fisco de que as metas não eram acompanhadas. Não há, por exemplo, um documento emitido por um dos sindicatos envolvidos de que a empresa sonegava informações acerca do acompanhamento das metas. (...)Mesmo que a empresa não tenha comprovado que fez esses comunicados mensalmente, não se pode inferir que houve prejuízo aos trabalhadores em razão deste fato, além de que na Lei da PLR inexiste dispositivo que obrigue a empresa a divulgar mês a mês os dados relativos às metas/índices negociados entre patrões e empregados." (Acórdão nº. 2401003.895, de 12/02/2015 Cons. Rel. Kleber Ferreira de Araújo 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara da 2ª Seção/CARF) (grifos da Contribuinte) enfim, em sendo inequívoca a regularidade e legitimidade das metas da PLR previa e democraticamente pactuadas pela Recorrente com seus funcionários ao ditames da Lei nº 10.101, de 2000, há de prevalecer a jurisprudência desse Conselho, concretizada nos paradigmas trazidos pela Recorrente, no sentido de que a legislação não obriga o contribuinte a comprovar o efetivo acompanhamento das metas inequivocamente atingidas, sendo ônus da fiscalização demonstrar eventual prejuízo ao trabalhador; ademais, ainda que assim não se entenda, necessária ao menos a exclusão da PLR paga aos funcionários abrangidos pelos acordos de PLR homologados pelos sindicatos de São José dos Campos e Região e São Paulo, ante a inequívoca comprovação do efetivo acompanhamento das metas estabelecidas destacadas no voto vencido de fls. 2.193/2.199. Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a improcedência do lançamento fiscal. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.806 11 Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 20/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.326 do processo principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 22/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.333 do processo principal), as Contrarrazões de fls. 1.777 a 1.782, com os seguintes argumentos: Do juízo de admissibilidade inicialmente, convém registrar que o Recurso Especial não deve ser conhecido, pois não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1º do novo RICARF; § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016). (Destaque da Procuradoria) pela análise do Recurso interposto, não se verifica a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. Do pagamento de PLR empregados/base territorial do sindicato a condição imposta na norma transcrita no art. 2º da Lei n.º 10.101, de 2000, restou vulnerada na medida em que não há qualquer comprovação de que o sindicato dos empregados da respectiva base territorial tenha participado efetivamente das negociações; nesse sentido, ainda que se tratem de pequenos escritórios regionais nas unidades de Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro, Indaiatuba, Curitiba, Salvador o que já causaria estranheza de não haver entidades sindicais constituídas, devido ao porte das referidas cidades, é de ausência de representação, de negociação e de assistência em razão da impugnante não envolver um representante sindical na negociação das PRLs, mesmo que através de federações, que também poderiam celebrar os acordos em nome dos trabalhadores, conforme o § 2º do artigo 611 da CLT; isso porque, conforme destacado no acórdão nº 2301003.550, há necessidade de respeito ao princípio da territorialidade quando se trata da “competência” de sindicatos para negociar e celebrar acordos; ora, a sobredita extensão de um acordo celebrado em outra base territorial retira a legitimidade do sindicato signatário, desrespeita os procedimentos previstos para a celebração de convenções e acordos coletivos, fere a “competência” do sindicato verdadeiramente legítimo para firmar o acordo porque vinculado à respectiva base territorial e, desse modo, não contribui para a pacificação entre capital e trabalho; a manifestação a posteriori do sindicato ou o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical não têm o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas, isso porque o sindicato “legítimo” não participou das negociações e não teve oportunidade de, afinado com as pretensões da categoria daquela respectiva região, propor e aceitar cláusulas e condições mais harmônicas com sua realidade social, econômica e local. Do pagamento de PLR empregados/acompanhamento de metas Fl. 1811DF CARF MF 12 cumpre lembrar que, em diversos estabelecimentos, não obstante houvesse a assinatura do acordo coletivo prevendo a Participação nos Lucros ou Resultados, não foi demonstrado o acompanhamento das metas celebradas, ou seja, deixouse de comprovar que a PLR foi instrumento de integração do trabalho com o capital, assim, nestes casos a isenção tributária estaria descartada; a celebração do acordo coletivo e o pagamento de PLR sem que os trabalhadores tenham se envolvido no esforço para atingimento das metas não atendem a Lei nº 10.101, de 2000, posto que tal documento, tamanha a sua artificialidade, apenas simula a participação dos empregados nos resultados da empresa. Nesta situação, o acordo coletivo tornase mero instrumento formal garantidor, no máximo, de prêmios; cumpre trazer à baila, decisão do TRF da 4ª Região tratando dos requisitos necessários à fruição da isenção fiscal, segundo a ementa do acórdão referente ao Recurso Especial nº 865.489: Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. se deve haver mecanismos de aferição dos resultados é porque estes resultados devem ser aferidos; os acordos em questão, portanto, nada mais são que tentativas de transformar um prêmio, com natureza remuneratória, em PLR, isenta de contribuições sociais. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado conhecimento ao Recurso Especial da Contribuinte e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. A despeito do seguimento total do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no Despacho de Admissibilidade de 16/12/2013 não foi examinada a matéria "b" periodicidade mínima para pagamento de PLR, para a qual foi indicado como paradigma o Acórdão nº 240101.619. Distribuído o processo na Instância Especial, o lapso foi identificado e, por meio do Despacho de Saneamento de fls. 1.783 a 1.786, foi solicitada a elaboração do Despacho Complementar de Admissibilidade de 26/02/2018 (fls. 1.787 a 1.799), em que se negou seguimento a esta matéria. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou Agravo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Em julgamento Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Tratase do Debcad 51.005.3270 (AI78), lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.807 13 Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. O mesmo procedimento fiscal gerou os Debcads 37.347.7384, 37.347.7392, 37.347.7406, 37.347.741 4, 37.347.7422 e 37.347.7430 (processo nº. 10805.722955/201171), que tratam das obrigações principais, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 79 a 102. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o apelo das seguintes matérias que obtiveram seguimento: aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando, em relação à primeira matéria, que a situação fática do acórdão recorrido não guardaria similitude com a dos paradigmas. Ademais, assevera que os paradigmas indicados não poderiam ser aceitos, conforme art. 67, § 10, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Quanto à alegação de falta de similitude entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. No caso do acórdão recorrido, conforme o próprio voto condutor do julgado, assim é descrito o contexto da autuação: "Diz a Fiscalização que recebeu primeiramente apenas o Acordo Coletivo sobre a Participação nos Resultados firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico, Siderúrgicas, Veículos e de Autopeças de São Caetano do Sul/SP, datado de 25 de maio de 2007, com vigência para todo o ano civil de 2007. E, na cláusula segunda do mencionado acordo, estabeleceram–se quais os valores que seriam pagos a título de PLR para os empregados, mensalistas/horistas, e para os menores aprendizes. Na cláusula quarta criouse um adicional no caso de cumprimento da meta GDS. E, no parágrafo primeiro da citada cláusula, condicionouse o pagamento da verba ao cumprimento das metas estabelecidas. No parágrafo segundo, foram excluídos os empregados com “nível de líderes de grupo e acima”, facultandose à empresa estabelecer condições especiais que serão integradas ao acordo celebrado. Na cláusula Terceira foi fixado um adiantamento mediante depósito bancário a ser realizado em 18 de maio de 2007. Neste ponto, a Fiscalização após chamar a atenção para que o pagamento previsto para o dia 18 constou na folha de Fl. 1813DF CARF MF 14 pagamento como efetivados em 11 de maio, lembrando que o acordo foi assinado apenas no dia 25. Na cláusula quarta estão fixadas as metas e as regras de pagamento proporcional conforme o cumprimento ou não destas metas bem como valores adicionais pagos em caso de superação. Diz ainda a Fiscalização que a cláusula quinta, depois de apurados os resultados, o pagamento da participação é realizado em 15 de janeiro de 2008." (grifouse) Em face de tal contexto, o Ilustre Relator em momento algum infirmou os fatos descritos na autuação, mas sim relativizou as infrações apontadas ao dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: "Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, i) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade; excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul; ii) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul; iii) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente; iv) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos; v) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta, mantendo na íntegra as exigências dos lançamentos dos AI's nas demais regiões". (grifouse) Visando demonstrar a alegada divergência em relação à questão do aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR, a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 240100.545 e 20601.344, colacionando os seguintes trechos: Acórdão 240100.545 “O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91” Acórdão n° 20601.344 “Quando se fala em mecanismos de aferição do cumprimento do acordado fica evidente que o acordo de participação nos lucros deve estabelecer as regras a serem observadas pelos empregados, bem como a forma de verificação do cumprimento das mesmas, de tal sorte a restar devidamente caracterizado o Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.808 15 implementado do direito ao recebimento do beneficio pelo empregado. Evidente que um acordo firmado para distribuição de lucros de período pretérito não observou o disposto na lei. Não se pode perder de vista que a participação nos lucros é um instrumento de integração entre capital e trabalho, bem como uma forma de associar a iniciativa do empregado aos seus rendimentos. Relativamente a tal iniciativa é que a lei exige regas claras e objetivas e que existam mecanismos de aferição do cumprimento do acordado. A meu ver, o pagamento a título de PLR, cujo acordo é firmado posteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado se transforma em um simples bônus, cujo pagamento se dá de forma incondicionada, uma vez que não houve qualquer estímulo ao trabalhador em buscar melhores resultados. A Lei n° 10.101/2000 e as medidas provisórias que a antecederam vieram justamente condicionar o recebimento do lucro ou resultado, de tal sorte que, o empregado quando recebe a participação merecida e préacordada, sabe que a mesma ocorreu em face da observância do implemento da condição negociada com o empregador. Tal entendimento pode ser observado no julgado da r Câmara de Julgamentos do CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social, do qual transcrevo trecho: "Acórdão 2.259/2004, de 15/12/2004 — 2ª Câmara de Julgamentos NFLD 35.231.0324 In casu, a Autarquia afirma que: o acordo que prevê a PPR foi levado a termo, após o inicio do pagamento das parcelas a seus trabalhadores; o acordo não contém regras claras e objetivas, vez que não estão definidas metas a serem cumpridas pelos trabalhadores; e, a parcela paga a título de PPR, a bem da verdade, caracterizase como "gratificação de produtividade". Em que pesem as irregularidades apontadas pela Autarquia, a verificação de apenas uma delas é assaz à invalidação do PPR do recorrente, razão pela qual detenhome às regras do art. 2.° da Lei n.° 10.101/2.000, que converteu a MP n.° 794/94 e suas reedições: (...) É de fácil compreensão o dispositivo legal. Devem ser claras e objetivas as regras que definam os direitos de participação dos trabalhadores nos lucros e/ou resultados (direitos substantivos) e os procedimentos de apuração do cumprimento de metas/objetivos pelos trabalhadores, a periodicidade da distribuição, o período de vigência do PPR e o prazo para sua revisão (regras adjetivas)." Fl. 1815DF CARF MF 16 Pelas razões expostas, concluo que o pagamento a título de participação nos lucros efetuado pela recorrente não obedeceu às disposições da Lei n° 10.101/2000.” (destaques da Fazenda Nacional) Conforme os trechos colacionados, nos paradigmas identificouse como irregularidade a inexistência de acordo prévio ao período de apuração e de regras previamente ajustadas. Assim, comparandose as situações retratadas nos julgados em confronto, constata se que, no caso do acórdão recorrido, foi aceito acordo firmado em maio de 2017 com vigência para todo o exercício. Por outro lado, os paradigmas concluíram que acordos firmados para distribuição de lucros de período pretérito não observam o disposto na lei. Especificamente quanto ao paradigma nº 240100.545, este registra expressamente que "a existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas" é requisito para a não incidência de contribuições previdenciárias, revelando claramente a divergência suscitada. Quanto à segunda razão aventada pela Contribuinte para o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, tratase de suposta aplicabilidade do § 10, do art. 67, do Anexos II do RICARF vigente à época de interposição do Recurso Especial, que assim estabelecia: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado." De plano, esclareçase que a interpretação da expressão "tese superada", no contexto do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, correspondia a teses que não mais podiam ser aplicadas pelos Conselheiros, por força de impedimento regimental, a saber: teses que contrariavam Súmulas do CARF ou as decisões vinculantes, nos termos do antigo art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Como exemplo citase a matéria relativa a retroatividade benigna das multas previdenciárias que, apesar de milhares de pronunciamentos da CSRF no sentido da tese que ficou conhecida como "cesta de multas", ainda comporta seguimento de Recurso Especial do Contribuinte defendendo tese. Tal como essa matéria, poderiam ser citadas muitas outras que, apesar de decisões reiteradas da CSRF em um determinado sentido, a ausência de Súmula CARF ou de outra espécie de decisão que vincule os Conselheiros do CARF resguarda o direito ao seguimento do apelo. Com estas considerações, logo se conclui que a matéria em questão, longe de comportar a conclusão no sentido de que estarseia tratando de tese superada, ainda é objeto de grandes discussões, de sorte que não há que se falar em aplicação do § 10, do art. 67, do Anexo II, do RICARF vigente à época da interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Resta esclarecer que o atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, não deixa dúvidas quanto à possibilidade de descarte de paradigma por defender tese superada, conforme o § 12, do art. 67, do Anexo II: Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.809 17 "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; e IV decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)" Quanto à segunda matéria a que se deu seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 dela não conheço, uma vez que no acórdão recorrido nada consta sobre o tema. Com efeito, no presente processo não se trata de AI68 e sim de AI78, que não comporta a discussão acerca da aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assim, demonstrada a divergência jurisprudencial em relação à primeira matéria, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, no caso de pagamento de PLR e passo a analisarlhe o mérito. A Constituição Federal assim estabelece: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" (grifei) Fl. 1817DF CARF MF 18 Destarte, não há dúvida de que a Carta Magna delegou à lei a atribuição de definir as regras acerca da participação nos lucros ou resultados, o que foi feito por meio da Lei nº 10.101, de 2001, que assim determina: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Do conjunto de regras acima estabelecidas, deduzse que o cumprimento do §1º, do art. 2º, ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere o acordo, do contrário os empregados sequer saberiam o quanto teriam de se esforçar, e qual seria a compensação por esse esforço. A expressão "pactuados previamente" comporta diversas interpretações, inclusive aquela adotada pela Contribuinte e aplicada no acórdão recorrido. Entretanto, no entender desta Conselheira, não há como validar um pacto ou acordo, senão por meio da assinatura das partes, portanto não há que se falar em acordo válido, quando ele sequer foi assinado. Ademais, a interpretação no sentido de que a assinatura do acordo tem de ser anterior ao exercício ao qual ele se refere, guarda lógica com todas os demais dispositivos da Lei nº 10.101, de 2001, já que permite ao empregado saber exatamente qual o nível de esforço suficiente a atingir as metas prefixadas. Assim, a despeito das alegações oferecidas em sede de Contrarrazões, no sentido de que os empregados já conheceriam as metas, entende esta Conselheira que os pagamentos referentes às PLR não foram objeto de negociação prévia, assim entendida como a negociação que resulta em acordos efetivamente assinados previamente, sendo que no presente caso os acordos somente foram assinados após decorridos 5 meses do períodobase (fls. 1.651 a 1.659 do processo principal). Destarte, obviamente que no momento em que o pagamento de PLR foi efetuado, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de aferição acerca do alcance de eventuais metas pelos Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.810 19 empregados. E não se pode perder de vista que se trata de exclusão de base de cálculo de tributo, portanto a interpretação tem de ser restritiva, a teor do art. 111, do CTN. Quanto aos julgados colacionados pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, tratase de jurisprudência que vem sendo revista no CARF, mormente no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que foi conhecido, restabelecendo a incidência das Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de PLR. Em tendo sido dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional relativamente ao descumprimento de pressuposto referente a PLR, resta prejudicado o Recurso Especial da Contribuinte. Isso porque, no presente caso, o descumprimento dos requisitos de formalização do acordo antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados, acarretou a tributação de todos os pagamentos a título de PLR. Nesse passo, ainda que fosse dado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto aos requisitos da abrangência territorial do sindicato e da comprovação do acompanhamento de metas o que se admite apenas para argumentar a verba continuaria sendo tributável, visto que o atendimento aos requisitos da PLR deve ser cumulativo. Por oportuno, esclareçase que os posicionamentos aqui esposados já foram adotados quando da prolação do Acórdão nº 9202005.978, de 26/09/2017, de interesse da mesma Contribuinte. O julgado foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. PLR. PERIODICIDADE. OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL. Nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando o pedido não logra alterar a decisão recorrida." Fl. 1819DF CARF MF 20 Acrescentese que, relativamente à segunda matéria suscitada inexigibilidade de comprovação do acompanhamento das metas pactuadas na PLR há um fundamento adicional que impede o seu conhecimento, conforme será explicitado na sequência. Resta claro que, nesta segunda matéria, a Contribuinte visa rever a questão da territorialidade, estendendo à Região de São José dos Campos, Campo de Provas de Cruz Alta e São Paulo o mesmo tratamento dado à Região de São Caetano do Sul, no que tange à exclusão, da tributação, dos pagamentos efetuados a título de PLR. Entretanto, de plano se verifica que, no que tange ao acompanhamento de metas, no acórdão recorrido deuse provimento ao Recurso Voluntário, conforme consta ao final da parte dispositiva do julgado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com relação a territorialidade; excluindo do lançamento somente os valores referentes a acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao Município de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento integral ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes ao pagamento de PLR aos supervisores, aos gerentes e aos diretores, para os segurados abrangidos pelo acordo de São Caetano do Sul, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão das datas da assinatura do acordo coletivo em relação a todos os segurados a serviço da recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão, e Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso em relação aos segurados supervisores, gerentes e aos diretores; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de parcelas pagas dos acordos, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento ao recurso, na questão do acompanhamento das metas nas localidades de São Caetano do Sul, São José dos Campos e do Campo de Provas da Cruz Alta. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Mario Lucena. OAB: 131.630/RJ..)" (grifei) Com efeito, a questão da abrangência da territorialidade almejada pela Contribuinte foi negada com base em outros fundamentos, que não a questão do acompanhamento de metas. Confirase o acórdão recorrido (de Recurso Voluntário): "iii) DA LEGITIMA EXTENSÃO DO ACORDO COLETIVO PARA AS DEMAIS UNIDADES DA RECORRENTE E DO EFETIVO ATENDIMENTO DAS METAS É de conhecimento geral que os sindicatos são referendados pelo principio da unicidade sindical, cujo qual está no caput do artigo 8° da Constituição Federal de 1988, sendo sua base territorial mínima o município conforme deliberação da assembléia geral, no qual todos os afiliados são convocados ao voto para referendar o estatuto. Sendo assim, caso seja eleito o município como base territorial mínima de uma categoria à Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.811 21 atividade econômica não poderá ser criado outro sindicado nesta mesma base, mas somente em outro município. No mesmo diapasão temos o princípio da territorialidade onde, para a legislação tributária vale, em princípio, nos limites do território da pessoa jurídica que edita a norma ou a regra, e, no caso as regras e metas de um PLR. Sendo assim para o princípio da territorialidade no direito tributário implica dizer que, se a competência é de âmbito federal, a norma vale apenas dentro do território brasileiro; no âmbito municipal, dentro do município e, assim, sucessivamente. Entretanto, pode excepcionalmente a norma atingir sujeitos passivos fora do Estado Federal, do Município ou Estado, conforme reza o artigo 102 do Código Tributário Nacional. ‘In verbis’: (...) Mas, esta excepcionalidade do Código Tributário Nacional só é válida se houver convênio entre as pessoas jurídicas de Direito Público interno interessadas (Distrito Federal, Estados e Municípios), ou desde que existam tratados ou convenções firmados pela União. Desta forma, como no caso não se está tratando diretamente de pessoas jurídicas de direito público interno, mas sim de sindicatos de bases territoriais diferenciadas, onde, não olvidemos a sua natureza jurídica é pertencente ao terceiro gênero, pois não é nem ente público e tão pouco privado, sendo, portanto, pessoa jurídica de direito social, e como tal exerce em determinados momentos o múnus público e por isto admite a aplicação do supramencionado artigo. Até admitirseia a valia do PLR homologado pelo sindicado de São Caetano do Sul /SP se houvesse nos autos um convênio entre ele e os demais sindicatos envolvidos, o que não tem. Razão pela qual, não considero extensiva as regras e metas do PLR de São Caetano do Sul / SP nas demais localidades envolvidas. De mais a mais, temos que o objeto de se respeitar os princípios da unicidade sindical e da territorialidade é proteção ao trabalhador para que ele seja ‘defendido’ por um sindicato que esteja perto de seus problemas e conhecendo as possíveis soluções, trazendo para si a segurança que necessita para valer se diante do poder empregante. Mas, não é só, eis que a criação de bases territoriais também tem como fim a proteção de enfrentamento de diferentes problemas e soluções existentes num país continente como é o caso do Brasil, haja vista que, muitas vezes, o que se enfrenta em Porto Alegre / RS não é a mesma coisa que se enfrenta em Belém / PA, como costumes, tradições, climas e outros quejandos. Fl. 1821DF CARF MF 22 Pode até a Recorrente alegar que não está na legislação dispositivo que assim determine, mas, de qualquer forma está consubstanciada a agressão a regra insculpida pela Lei 10.101/2000, pois, se um sindicato negociou todo o PLR de todas as unidades da Recorrente no Brasil, claro ficou que não houve a participação do sindicato da base de outras localidades e tão pouco dos trabalhadores que não fossem de São Caetano do Sul /SP. Por isto, tenho que ilegítimo o acordo coletivo celebrado no sindicato de São Caetano do Sul, extensivo às demais unidades da Recorrente, servindo tão somente para aquela localidade. Sendo assim, mesmo havendo no PLR contemplação diferenciada para os que ocupam o cargo de supervisor, admiti se a valia do PLR para os funcionários que são abrangidos pelo sindicato de São Caetano do Sul / SP." Em face de tal constatação, é de se perguntar de onde teriam sido extraídos os trechos atribuídos ao acórdão recorrido, no cotejo elaborado pela Contribuinte, já que de forma alguma constam do voto vencedor do Acórdão de Recurso Voluntário. Pois bem na verdade esses trechos foram extraídos da Declaração de Voto do Acórdão de Recurso Voluntário e do Voto Vencido do Acórdão de Embargos, sendo que essa matéria sequer foi conhecida quando do julgamento dos aclaratórios. Com efeito, o primeiro trecho cotejado com os paradigmas consta do terceiro parágrafo de fls. 16 da Declaração de Voto do Acórdão de Recurso Voluntário recorrido: "Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo." Quanto ao segundo trecho atribuído ao acórdão recorrido e cotejado com os paradigmas, este consta às fls. 06/07 do Acórdão de Embargos e corresponde ao Voto Vencido, reiterandose que essa matéria sequer foi conhecida: "Todavia, nem todos esses acordos cumpriram com as especificações estabelecidas pelo acórdão embargado. Embora esses acordos tenham sido assinados pelo sindicato local da categoria, a Embargante somente conseguiu comprovar o acompanhamento de metas para alguns deles, mais especificamente para os estabelecimentos de São José dos Campos (abrangendo o Campo de Provas da Cruz Alta) e de São Paulo, conforme segue: (...) Já com relação aos estabelecimentos de Mogi das Cruzes, Gravataí e Sorocaba, com metas locais de desempenho, a Embargante não conseguiu comprovar nos presentes autos o acompanhamento de metas previsto no acordo e exigido pela decisão embargada:" (destaques da Contribuinte) Destarte, uma vez que no acórdão recorrido nada consta sobre eventual falta de comprovação do acompanhamento de metas, esta segunda matéria suscitada no Recurso Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10805.722956/201115 Acórdão n.º 9202006.675 CSRFT2 Fl. 1.812 23 Especial da Contribuinte tem um fundamento adicional para não ser conhecida, além da prejudicialidade já tratada no presente voto. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, dele conheço parcialmente, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, doulhe provimento, restabelecendo a tributação dos pagamentos a título de PLR. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1823DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.002249/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI (NT). CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL.
Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições - ser produtora e ser exportadora.
Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]".
Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinicius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI (NT). CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL. Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições ser produtora e ser exportadora. Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 22 49 /2 00 8- 31 Fl. 469DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinicius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, correspondente às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos exportados, referente ao ano de 2003, no montante de R$554.161,22 (quinhentos e cinquenta e quatro mil, cento e sessenta e um reais e vinte e dois centavos). Foram apresentadas declarações de compensação para utilização do crédito em questão (fls. 10/154). O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas pela autoridade administrativa porque o crédito presumido apresentado como direito creditório foi calculado sobre a exportação de produto (mel) classificado na TIPI como NT, ou seja, produtos não industrializados e, portanto, sem direito ao benefício. A contribuinte apresentou sua defesa, alegando, conforme consta na decisão recorrida, "basicamente, que, sendo empresa produtora e exportadora (beneficiadora e acondicionadora, portanto, industrial), seriam ilegais e inconstitucionais os atos administrativos Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 470 3 que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação serviriam de base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais que cita". O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, em resumo, sob os seguintes fundamentos: Considerandose que o artigo 1º da Lei n° 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições – ser produtora e ser exportadora –, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está submetido o benefício em análise, qual seja, o de ser produtora. Com relação à taxa SELIC, registrese que não existe, efetivamente, fundamento legal para qualquer atualização no ressarcimento de créditos do IPI. Além disso, cumpre ressaltar a vedação do § 2º do art. 38 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002 (§ 5º do art. 52 da IN SRF nº 600/2005), no sentido de que não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, o que sepulta a pretensão do requerente nesta primeira instância administrativa. O art. 66 da Lei nº 8.383/91 e o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, preveem a atualização, mas se referem apenas aos casos de pagamento indevido de tributos e contribuições federais. Cientificada dessa decisão em 07/11/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/11/2014, sustentando, em síntese: A lei não condiciona o benefício fiscal ao produto exportado tributado, ou não tributado "NT", ou que esteja ou não sujeito a incidência de IPI. As leis determinam que a beneficiária seja simplesmente a "empresa produtora e exportadora de mercadorias". Este é o real pressuposto da concessão. Nada mais. A lei instituidora do benefício não há nenhuma disposição referente a "estabelecimento industrial", como requisito para fruição do crédito presumido de IPI. Com efeito, a Lei faz referência à "empresa produtora e exportadora", e não a "estabelecimento industrial". Não se pode confundir "estabelecimento industrial" com "empresa produtora"como fizeram os julgadores administrativos, pois são conceitos diferentes, para aplicações diferentes. Ao realizar as operações industriais para "modificar, aperfeiçoar e alterar o acabamento ou aparência do mel", a recorrente efetua processo de industrialização, na modalidade de beneficiamento (artigo 4°, II do RIPI). Além disso, ao receber a matériaprima em tambores, que são utilizados apenas para transporte e realizar os processos de industrialização a impugnante o acondiciona em embalagem própria, antes da comercialização, o que, por si só já comprova a industrialização conforme previsto no Regulamento do IPI. A recorrente impetrou mandado de segurança n° 2003.72.06.0021416/SC em face do ato do Delegado da RFB em Lages, requerendo que "o direito ao benefício fiscal denominado 'Crédito Presumido IPI' sob o total de suas aquisições, sem a vedação disposto no art. 2º, §2º das Instruções Normativas/SRF n. 23/97 e 313/03, ou seja, incluindose as aquisições efetuadas de pessoas físicas não contribuintes de PIS/COFINS, no cômputo do valor do crédito a ser compensado ou restituído". O Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região deu provimento ao apelo da empresa recorrente, tendo o acórdão transitado em julgado. Logo, o crédito presumido de IPI é devido mesmo Fl. 471DF CARF MF 4 que as aquisições sejam de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS, eis que anexa está a ordem emanada do Poder Judiciário com tal determinação. Utilizar os créditos que tem direito a Recorrente apenas pelo seu valor nominal tipifica um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, pois, a correção monetária nada acrescenta ao valor a ser utilizado, apenas mantém a equivalência monetária. Não obstante, o direito à correção monetária dos montantes tributários a serem utilizados é direito consectário do direito de propriedade (CF, arts. 5º, XXII e 170, II). É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula , Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições de insumos, é assegurado pela Lei nº 9.363/96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. [negritei] Para entender a amplitude do benefício, importa determinar o conteúdo e alcance do termo "empresa produtora". Deixemos de lado a questão da necessidade de a empresa ser também "exportadora", que não é objeto de controvérsia nos presentes autos. O parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que se deve utilizar subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de "produção", e como a Lei nº 9.363/96 não apresenta qualquer definição ou noção nesse sentido, o intérprete deve se Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 471 5 socorrer integralmente das normas do IPI. A utilidade desse conceito está justamente na determinação de quem é o sujeito (pessoa jurídica) responsável pela "produção", qual seja, a "empresa produtora". Mesmo porque a Lei nº 9.363/96 não menciona o vocábulo "produção" em qualquer outro dispositivo além do art. 3º, parágrafo único. Com efeito, a Lei nº 4.502/64 traz a definição de "estabelecimento produtor" no seu art. 3º, abaixo transcrito: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Il o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III O preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. (Incluído pelo DecretoLei nº 1.199, de 1971) IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. (Incluído pela Lei nº 9.493, de 1997) [negritei] Dessa forma, para fins da legislação do IPI, o "estabelecimento produtor" deve atender a dois requisitos concomitantemente: industrializar produtos + dar saída a produtos sujeitos ao IPI. Na sequência, conforme mandamento do próprio art. 3º, parágrafo único da Lei nº 4.502/64, o conceito de "industrializar" deve ser entendido como o verbo relativo a "qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto", salvo as exceções especificadas, matéria regulamentada nos arts. 3º ao 7º do Regulamento do IPI/2002. Voltando a Lei nº 9.363/96 vemos que o direito ao crédito presumido é assegurado à "empresa" (pessoa jurídica) como um todo, sendo a sua apuração é esclarecida no seu art. 2º na seguinte forma: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. Fl. 473DF CARF MF 6 § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) [negritei] Mais tarde, de forma razoável, no art. 15 da Lei nº 9.779/991 determinouse que a apuração do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deveria se dar, obrigatoriamente, de forma centralizada2, seguindo o mesmo procedimento das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins que o incentivo pretende ressarcir. Assim, em conformidade estrita com a interpretação determinada na própria Lei nº 9.363/96, "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Dessa forma, a Lei nº 9.363/96, embora não tenha determinação expressa nesse sentido, contém dispositivos que conduzem à interpretação precisa de que o direito ao crédito presumido tem como pressuposto que o produto exportado tenha sido industrializado na forma estabelecida pela legislação do IPI, bem como que esse produto esteja dentro do campo de incidência desse imposto. Conforme determinação expressa do art. 6º da Lei nº 10.451/2002, consolidado no art. 2º do RIPI/2002, abaixo transcritos, os produtos com notação "NT" estão excluídos do campo de incidência do IPI: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Art. 2º [RIPI/2002] O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação 1 Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; 2 Matéria consolidada no art. 183 Regulamento do IPI/2002: Art. 183. A apuração do crédito presumido do imposto será efetuada, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 15, inciso II). Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 472 7 "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). Nessa esteira nada há a reformar na decisão recorrida que concluiu acertadamente que a então impugnante não fazia jus ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96, nestes termos: (...) estabelecimento industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização, da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Por outro lado, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como NT, bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. (...) (...) Assim, os produtos exportados (mel) embora sofram algum tipo de tratamento respectivamente continuam sendo classificados na TIPI como NT, portanto, permanecem fora do campo de incidência do IPI, e dessa forma não pode o requerente ser considerado, nos termos da legislação fiscal, como estabelecimento produtor, e, conseqüentemente, não pode pleitear o ressarcimento do crédito presumido referente às exportações de produtos NT. (...) Considerandose, então, que o artigo 1º da Lei n° 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições – ser produtora e ser exportadora –, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está submetido o benefício em análise, qual seja, o de ser produtora. (...) O entendimento acima também foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em excelente Voto do Conselheiro Relator Rodrigo da Costa Pôssas, transcrito parcialmente abaixo: Processo nº 10665.000728/200322 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.170 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2017 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NACIONAL DE GRAFITE LTDA. (...) VOTO (...) Considerandose, então, que o artigo 1º da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas Fl. 475DF CARF MF 8 que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora—, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estímulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi avocação do pais ao longo de toda a sua história. (...) Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão "produtora e exportadora". Bastaria o uso da palavra "exportadora". Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. É da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. (...) Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 473 9 não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. (...) Diante da ausência de direito ao ressarcimento de crédito presumido pleiteado, resta prejudicada análise do outro argumento da recorrente, acerca da necessidade de atualização monetária do respectivo valor. Por fim, não socorre a recorrente eventual provimento judicial no mandado de segurança n° 2003.72.06.0021416/SC, impetrado em face do ato do Delegado da RFB em Lages, relativo ao direito ao crédito presumido nas aquisições efetuadas de pessoas físicas não contribuintes de PIS/Cofins, eis que não consta no presente processo qualquer glosa sob o referido fundamento. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 477DF CARF MF 10 Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como tive a oportunidade de apontar na sessão de julgamento, não concordei com o raciocínio traçado pela I. Conselheira Relatora por considerar correta a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Inclusive, essa turma já havia externado esse posicionamento, por maioria de votos, no Acórdão 3402.003.840, de 20/02/2017, de minha relatoria. Com efeito, o crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a lei conseguiu englobar todas as mercadorias produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI. A condição de incidência sobre as aquisições foi feita, apenas, para o PIS e a COFINS, contribuições de que tratam as Leis Complementares 7 e 8/703. De fato, o crédito presumido é para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que 3 Cumpre mencionar que como sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial Repetitivo n.º 993.164/MG (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010), "sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS". Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 474 11 regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." Contudo, e ao contrário do que entendeu o Despacho Decisório no presente caso, a lei não faz qualquer exigência de tributação pelo IPI para o gozo do crédito, sendo certo que basta que sejam adquiridos matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (nos termos da legislação do IPI, sejam eles tributados ou não por este imposto) para a produção de mercadorias nacionais (tributadas ou não pelo IPI). Com efeito, não há qualquer exigência legal no sentido de que o produto exportado pela beneficiária do crédito presumido seja um produto tributado pelo IPI. Esse raciocínio vem sendo traçado, há muito, por este Conselho, como se depreende do julgamento do Conselho Superior exarado em 2003: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a “mercadorias” foi dado o benefício fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos “produtos industrializados”, que são espécie do gênero “mercadorias”. (...) Recurso ao qual se dá parcial provimento. (...) VOTO DO CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA RELATORDESIGNADO (...) Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI , (Decreto n° 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada (produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, utilizados na preparação de produtos farmacêuticos — fl. 143) sobre os quais houve incidência de PIS e COFINS , são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito": "(..) Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultadáfinal deste ato — o produto. . Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: Fl. 479DF CARF MF 12 "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso."8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o beneficio do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Daí, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o crédito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final" (CSRF, Processo 13005.000689/9861, Data da Sessão 13/08/2003 Relator Henrique Pinheiro Torres Nº Acórdão 20215016 grifei) Em consonância com o entendimento do voto acima transcrito, entendo que não importa para fins de aferição do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 a tributação pelo IPI seja na entrada para a produção, seja na saída para exportação. Ainda que existam posições mais recentes da CSRF em sentido contrário ao aqui proposto, entendo que o entendimento pela desnecessidade de tributação pelo IPI para o gozo do crédito presumido, anteriormente veiculado por aquela Câmara Superior, que deveria prevalecer. Vejamos alguns julgados anteriores: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Decisão Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. (...) Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. " (CSRF, Número do Processo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 475 13 11077.000253/200367 Data da Sessão 30/05/2011 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303001.438 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento parcial quanto à exportação de produtos NT. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama." (CSRF, Processo 11610.021746/200265 Data da Sessão 31/05/2011. Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Nº Acórdão 9303001.469 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. ART. 62A do RI do CARF. REPETITIVO DO STJ. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais e Recurso Repetitivo do STJ. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em Fl. 481DF CARF MF 14 violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. REP Negado e REC Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (...) No entanto, no tocante ao mérito, o mesmo, a meu ver, não merece provimento, e para tanto peça vênia para reproduzir as razões do voto do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres, acórdão no. 930301.606, da sessão de 30 de agosto de 2011, que adoto como razão de decidir: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: (...) Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao impost o de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem (...) Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”." (CSRF, Processo n.º 13811.005178/200214 Data da Sessão 20/02/2014 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303002.889) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13984.002249/200831 Acórdão n.º 3402005.208 S3C4T2 Fl. 476 15 Nesse sentido, por entender que Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como declaro meu voto. Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 483DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000157/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
Ementa:
DA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária.
DILIGÊNCIA E PERÍCIA
Rejeita-se o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada.
DEPOSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configura-se omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações.
EXCLUSÃO DO SIMPLES
O contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples quando é apurada a prática reiterada de infração à legislação tributária.
CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1302-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: DA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Rejeita-se o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DEPOSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configura-se omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações. EXCLUSÃO DO SIMPLES O contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples quando é apurada a prática reiterada de infração à legislação tributária. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 Ementa: DA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Rejeitase o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DEPOSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações. EXCLUSÃO DO SIMPLES O contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples quando é apurada a prática reiterada de infração à legislação tributária. CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 57 /2 00 9- 41 Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.015 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/RJ1, a seguir transcrito, litteris: “Em decorrência da ação fiscal, no qual houve exclusão do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005, foram lavrados autos de infração do Simples, para exigir da interessada o IRPJ, o PIS, a CSLL, a COFINS E o INSS, sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, nos montantes abaixo descritos, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. DA AUTUAÇÃO Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.016 3 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl.13 a 70 e 284 348 e Termo de Verificação Fiscal (fl. 18 e 19) foram apurados os fatos abaixo descritos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOSOMISSÃO DE RECEITAS E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Foi verificado que os valores referentes às receitas brutas mensais, bases de cálculo do SIMPLES, são os abaixo relacionados. Foi constatado que a fiscalizada apurou, no anocalendário de 2004, uma receita bruta anual de R$ 9.813.948,26, tendo apresentado a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) uma Declaração Anual Simplificada Pessoa Jurídica 2.005 SIMPLES com a receita bruta anual no montante de RS 489.803,10. Os valores referentes à receita bruta anual, bem como os valores relativos ao SIMPLES, foram apurados, mês a mês, após exame dos documentos insertos nas fls. 01/02, e constam no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 09/FEV/2.009. Na fl.279 e na fl.09 do Anexo I, consta o ADE n° 29 de 06/05/2009 excluindo o contribuinte do Simples, a partir de 01/01/2005, em virtude de ter excedido, no ano de 2004, o limite de Receita Bruta. Na fl. 164, há uma intimação para que fossem apresentados os extratos bancários do anocalendário de 2004. Os extratos do Banco 'tail (agência0094; conta 468907) encontramse nas fls. 172 a 217. Os extratos do Banco Bradesco (agência 19488; conta 17.435 —1) estão nas fl. 214 a 240. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.017 4 Na fl. 260 e nas fl. 261 a 268, constam demonstrativos com depósitos bancários. Estes demonstrativos foram apresentados ao contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 09/02/2009. Nas fl. 270 e 271, consta um Termo de Ocorrência e Reintimação Fiscal, solicitando a comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias mantidas junto aos Bancos Rail e Bradesco no total de R$ 9.813.948,26. Também foi apurada a insuficiência no recolhimento dos tributos declarados. A interessada se insurgiu, em 16/06/2009, contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 19/05/2009 (fl.349), através de impugnação (fl. 362 a 391) apresentando os argumentos que se seguem: • Os depósitos não correspondem a acréscimo patrimonial. • Quase a totalidade dos depósitos de terceiros foram para a compra de sucatas. Entretanto, para cada operação de crédito, existem débitos que se referem ao pagamento das sucatas. A receita advém da diferença entre as saídas e entradas nas contas correntes. • O auto não verificou a capacidade contributiva. Tratase de inversão do ônus da prova que não encontra respaldo no ordenamento constitucional tributário. • Assim é flagrante a nulidade e a improcedência do auto. • DECADÊNCIA: IRPJ APURADO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser reconhecida a decadência do lançamento tributário do IRPJ e seus reflexos (PIS, COFINS, CSLL, INSS) em relação aos meses de Janeiro e Abril de 2004. • Para fins de aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, o mês relativo aos depósitos corresponde ao mês de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda. • O impugnante realizou o pagamento dos tributos na forma simplificada, nos termos do art. 150, § 1 0 do CTN. O crédito tributário lançado refere se a uma diferença encontrada no período, tornandose inaplicável o art. 173, I, do CTN. • Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a fiscalização tem o dever de homologar a atividade exercida pelo contribuinte dentro de cinco anos da ocorrência do fato jurídico (art. 150§4° do CTN). • DO DIREITO. A autuação está baseada em presunção legal de omissão de rendimentos extraída de depósitos bancários. Ainda que autorizado pela legislação, o Fisco violou a Constituição Federal de 1988 e o CTN ao Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.018 5 modificar o fato gerador do Imposto de Renda e subverter o dever probatório. • O lançamento de oficio com base exclusiva em depósitos bancários, presumidamente caracterizados como renda não está autorizado. • De acordo com o CTN, a autoridade fiscal tem o dever de investigar e provar a ocorrência do fato jurídico. O fato meramente alegado, ou cuja ocorrência não é demonstrada, não obriga o contribuinte. • A fiscalização tributou todos os depósitos, olvidandose de analisar ao menos a origem dos depósitos apresentada ou a existência de saques, compensação de cheques, transferências, enfim fatos que denotem a existência de despesas. • 0 art. 42 da Lei n° 9.430/96 permite ao Fisco lançar o Imposto de Renda, caso configurada a omissão de receita, utilizandose de depósitos bancários de origem não identificada para alcançar acréscimos patrimoniais do contribuinte. Entretanto, é necessário que o fisco indique os acréscimos patrimoniais referentes aos depósitos. O dispositivo legal em análise não tem o condão de inverter o ônus da prova. • A comprovação do fato gerador é realizada mediante atividade vinculada da administração pública, baseada no princípio da legalidade motivada, não é um ônus, mas um dever constitucional. 0 ônus da prova admite inversão entre os litigantes. O dever de prova constitui uma imposição constitucional derivada dos princípios da legalidade e da motivação, confirmada pelo art. 142 do CTN, e é insuscetível de inversões. • Os extratos bancários se prestam a uma investigação profunda. Fazse necessário estabelecer o vínculo que liga os valores depositados riqueza omitida. • A verdade material é objeto de prova que deve ser realizada pela autoridade administrativa. • Os depósitos são meros indícios de renda e não podem ser vinculados a meras presunções legais. • O lançamento também é inválido por atribuir a depósitos bancários o conceito de renda. • Não havendo acréscimo patrimonial não existe renda 0 fiscal considerou "renda" o que é mero "ingresso" ou, quando muito, "receita". Indícios de renda como depósitos bancários não podem ser transformados, nem pela lei tributária, em acréscimos patrimoniais tributáveis. • A Lei n° 9.430/96 não alterou o fato gerador do imposto de renda, pois não descaracteriza disponibilidade econômica de renda e proventos, tendo que se comprovar o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.019 6 • O que se objetiva é a correta aplicação do art.42 da lei, em harmonia com o art. 150, I, da CF e nos termos do art. 43 c/c 142 do CTN. • De acordo com o § 40 do artigo 5 ° da LC n° 105/2001, a autoridade administrativa só pode quebrar o sigilo bancário do contribuinte em virtude de vislumbrar a existência de "indícios de omissão de receitas, movimentação financeira expressiva, e não a apresentação dos extratos bancários solicitados". • Se o Fisco pode requisitar os documentos necessários à apuração adequada dos fatos, o conseqüente sera a tributação real e efetiva da omissão de rendimentos ou receitas encontrada e provada pelo fisco, não podendo a administração tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96. Caso contrario, não há como pretender serem compatíveis tais dispositivos legais, o que levaria a conclusão de que a lei posterior revogou o dispositivo legal anterior. • Na hipótese de o lançamento não ser anulado em razão do cerceamento do direito A ampla defesa ou julgado improcedente em função da violação ao art. 142 do CTN e em razão da utilização exclusiva de depósitos bancários, o impugnante passa a demonstrar a origem dos depósitos realizados. • O impugnante recebia um valor adiantado para comprar a sucata reciclável, realizava a compra com esse valor e, após a reciclagem, vendia esse material, auferindo lucro. Foi considerada a totalidade dos valores depositados em decorrência da atividade empresária, sem se verificar as saídas/pagamentos referentes a tais depósitos, ensejando um valor tributável teratológico. • A forma como se apurou o valor tributável ensejou um valor incompatível com a capacidade econômica. A única alternativa para seria promover uma equiparação com a atividade de comércio de veículos. • As pessoas jurídicas dedicadas à compra e revenda de veículos pagam os tributos no regime de lucro presumido, com base na diferença entre o valor de compra e venda dos bens. 0 contribuinte requer o mesmo tratamento destinado a essa atividade. • PEDIDO DE DILIGENCIA OU PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. Na fl.386 são apresentados quesitos para diligência e perícia. • REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa de oficio, ainda que reduzida para o percentual de 75%, é ilegítima, em razão do caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, IV da Constituição Federal. • A multa tem caráter confiscatório, na medida em que, acrescido de juros e correção, pode ultrapassar o valor do principal. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.020 7 • Nossa jurisprudência, em seu trato pretoriano, emerge fortemente inclinada a admitir a tese acima exposta. • Nesta moldura, tornase indene de quaisquer dúvidas a total confiscatoriedade da multa de oficio aplicada no auto de infração em referência, impondose a exclusão da mesma ou adequação ao percentual de 30%, sob pena de ofensa ao artigo 150, IV, da Constituição Federal. Encontrase apensado a este feito o processo de n° 15540.000158/200996 (arrolamento)”. Após análise da impugnação, os membros da 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deram provimento parcial à impugnação reconhecendo a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre 01/2004 e 04/2004, por não ter sido constatada a existência de dolo por parte do contribuinte, bem como por ter verificado a existência de recolhimentos feitos no período mencionado. De outro lado, manteve a autuação quando aos demais valores lançados, acrescidos de multa de 75% e juros de mora; além de manter a exclusão do SIMPLES NACIONAL para o ano de 2005, por ter verificado que a receita bruta acumulada da contribuinte no anocalendário de 2004 ultrapassou o limite máximo para opção pelo referido sistema simplificado de tributação. Segue a ementa Acórdão n.º 1239.213: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Rejeitase o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DEPOSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nestas operações. EXCLUSÃO DO SIMPLES Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.021 8 O contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples quando é apurada a prática reiterada de infração à legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CSLL, PIS, COFINS, INSS, DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições especificadas ou elementos de prova novos. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada da decisão acima, a contribuinte interpôs razões de Recurso Voluntário para a apreciação deste Conselho. Cabe frisar que a Recorrente, não mais questionou a parcela que fora excluída do lançamento tributário em razão da decadência, conforme decidido pela 1ª instância administrativa, como também não integrou o Recurso Voluntário, a discussão quanto à aplicação da multa de ofício de 75%. No mais, a requerente reiterou os argumentos e pedidos pela produção de prova pericial, sob pena de nulidade do acórdão recorrido, bem como pela improcedência do lançamento por aplicar o art. 42 da Lei 9.430/96 sem demonstração do efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte no período fiscalizado. Não houve recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.022 9 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. As razões recursais não merecem provimento. Relativamente ao pedido de perícia e diligência, entendo não ser necessário no presente caso. A presunção relativa outorgada pelo art. 42, da Lei 9.430/96, permitiu que os depósitos feitos nas contas bancárias da recorrente fossem considerados omissão de receita, tendo em vista que, após intimada, a fiscalizada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Sustentando a argumentação do pedido de improcedência do lançamento pela não comprovação de que os depósitos bancários representaram efetivo acréscimo patrimonial, a recorrente reitera que (i) a fiscalização teria transferido seu ofício de lançar para o contribuinte; (ii) os depósitos creditados na conta da recorrente não são renda, e sim meros ingressos; (iii) a cobrança transborda a capacidade contributiva da contribuinte, de modo que, o único jeito de adequála seria promover a tributação com base no lucro presumido. No entanto, o mesmo raciocínio aplicado para a dispensa do pedido de perícia e diligência deve ser aplicado aos argumentos de mérito, tendo em vista a adequação do procedimento e lançamento à previsão normativa constante do art. 42, da Lei 9.430/96, configurando os depósitos bancários de origem não comprovada, após intimação do contribuinte, como omissão de receita. Portanto, lançando mão do disposto no art. 57, § 3º, do RICARF, por reputá las corretas, adoto as razões da decisão de primeira instância, nos limites da lide colocada à apreciação deste Conselho, as quais passo a transcrever, verbis: “A ação fiscal versa sobre omissão de receitas relativas ao ano de 2005, devido a não comprovação da origem de depósitos bancários junto aos bancos Bradesco e Itaú. Em face de constatação de omissão de receitas e de que no ano de 2004 a receita bruta acumulada ultrapassou o limite de R$ 1.200.000,00, o que levou a exclusão do contribuinte da sistemática do Simples. DA NULIDADE Na impugnação o contribuinte alega nulidade. A autuação foi lavrada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. A descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa central da autuação, bem como toda sistemática aplicável à constituição do crédito tributário. Por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada nas peças Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.023 10 impugnatórias, permite concluir que a razão da autuação e a metodologia de apuração dos tributos foram compreendidas, tanto que exaustivamente contestadas. Como se vê, foram respeitados os itens do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não havendo vícios insanáveis possam acarretar nulidade do lançamento. Os Autos de Infração só seriam considerados nulos na hipótese de conterem elementos que implicassem preterição do direito de defesa do sujeito passivo, ou, ainda, se ausentes os requisitos mínimos necessários à sua feitura em boa forma, de modo à, igualmente, impedir o exercício desse direito, em sua amplitude, o que não se afigura no caso em tela. Do exposto concluise que a fiscalização agiu em perfeita consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, CTN, e ainda com as normas contidas no Decreto 70.235/72, não podendo se acatar a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Deste modo, VOTO pela rejeição da preliminar argüida. DO PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA A impugnante requereu diligências da escrita fiscal e contábil e aponta quesitos. A matéria que é regida no se refere ao processo administrativo fiscal pelo art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de maw() de 1972, com a redação dada pelo art. 1 ° da Lei n ° 8.748, de 1993, transcrito a seguir: Art 16 A impugnação mencionará: IV as diligencias, ou pendas que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Quanto a alegação, seja de diligência ou perícia, há que se ressaltar que, os documentos que constam do processo são suficientes para fazer a análise do processo. As diligências ou pericias só devem ser feitas se não houver no processo documentação suficiente para formar a convicção de quem analisa o processo. Se o contribuinte quisesse trazer aos autos outros elementos probatórios, deveria apresentálos no momento da manifestação de inconformidade, conforme dispõe o § 40 do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Ademais, a interessada aponta quesitos mas não indica um assistente técnico para a perícia. Ressaltese que nos processos de compensação/ restituição cabe ao contribuinte comprovar o crédito adicionando os documentos necessários. Face o exposto, rejeito o pedido da interessada. DA DECADÊNCIA (...) DA OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITO BANCÁRIO E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.024 11 Foi apurada a insuficiência no recolhimento dos tributos declarados e autuados depósitos bancários cujas origens do foram comprovadas. Na fl. 260 e nas fl. 261 a 268, constam demonstrativos com depósitos bancários. Estes demonstrativos foram apresentados ao contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 09/02/2009. O caput art. 42 da Lei 9430/97, dispõe que são considerados como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos: Art 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetersedo as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente a época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A fiscalização analisou os extratos bancários do contribuinte relativos as seguintes contas: Banco MI (agência0094; conta 468907, fl. 172 a 217) e Banco Bradesco (agência 19488; conta 17.435 —1, fl. 214 a 240). Como se vê, tratase de uma presunção prevista em lei que inverte o ônus da prova. Portanto, se faz necessário que o contribuinte comprove, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de onde se originaram os recursos que ingressaram na conta corrente para que se possa verificar se as receitas estão tributadas na DIPJ. Tal comprovação se faz com a apresentação da nota fiscal. No caso em comento, o contribuinte não acostou ao feito nenhuma qualquer nota fiscal, somente apresentando a escrituração contábil, que não serve como prova por se constituir em documento de confecção própria. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.025 12 Ademais, o art. 90 § 1 0, do Decretolei n. ° 1.598/77 informa que a escrituração somente faz prova a favor do contribuinte se os fatos registrados forem comprovados por documentos: Art. 9° A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração, mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (...). A interessada alega que os valores depositados não correspondem a acréscimo patrimonial tributável e que a quase a totalidade dos depósitos são depósitos de terceiros para a compra de sucatas. Afirma que para cada operação de crédito, existem débitos que se referem ao pagamento das sucatas. A receita advém da diferença entre as saídas e entradas nas contascorrentes. O contribuinte alega, mas não comprova, tratase de uma afirmação genérica sem qualquer comprovação. Não foi nem indicado quais os depósitos de terceiros que seriam para a compra de sucata, não apresenta qualquer documento que confirme tal afirmação. Atentese que na cláusula terceira da Alteração do Contrato Social (fl. 110) informa que o objeto principal da sociedade é o comércio atacadista de resíduo e fragmentos de metais não ferrosos, de plásticos, etc., ou seja, a empresa se dedica a comprar e vender tais resíduos, o que pressupõe que grande parte dos valores debitada da conta corrente se relacione com a compra de resíduos, ou seja, são custos, e que os valores creditados, a princípio, se relacionam com as vendas desses materiais, compondo as receitas da empresa. A sistemática alegada pela interessada de que recebia um valor adiantado para comprar a sucata reciclável e após a reciclagem vendia esse material, auferindo lucro não é usual, nem normal, além de não haver qualquer comprovação de que tal pratica foi adotada. Na realidade, a comprovação da origem dos depósitos bancários visa a apurar a verdade material, posto que, através desta comprovação é que será possível se conhecer para quem a empresa vendeu seus produtos e os valores das vendas, de modo a se saber se as receitas declaradas coincidem com as receitas realmente auferidas pelo contribuinte. Atentese que havia fortes indícios de omissão de receitas, posto que, foi constatada a grande diferença entre os depósitos bancários (RS 9.324.145,16) e a receita declarada (R$ 489.803,10). Para apurar a verdade dos fatos, a fiscalização solicitou a comprovação dos depósitos bancários, contudo, a interessada não apresentou tal documentação nem durante a autuação, nem no momento da impugnação. Portanto, o fiscal teve que lançar baseado na presunção legal. Esclareçase a interessada que a lei considera os depósitos bancários não comprovados como receita/renda do contribuinte e estas se constituem aquisição de disponibilidade econômica que geram acréscimos patrimoniais, havendo total consonância com o art.43 do CTN. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.026 13 Quanto a inversão do ônus da prova, ha que se esclarecer que tal inversão está prevista no art.42 da Lei 9430/96, que prevê que cabe ao contribuinte a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas corrente. O único dever do Fisco, no caso, é a apresentação de demonstrativo com os depósitos a serem comprovados, o que foi feito na fl. 260 e nas fls. 261 a 268. Ressaltese que com a apresentação dos documentos relativos aos depósitos bancários é que o Fisco pode verificar se houve ou não acréscimo patrimonial. Quando o contribuinte não os apresenta, a lei considera que tais depósitos se constituem na receita da interessada. Na impugnação, a interessada faz alegações contestando a constitucionalidade e a legalidade do art.42 da Lei 9430/96. Ocorre que, como o próprio contribuinte reconhece, a via administrativa não é apropriada para se argüir a inconstitucionalidade de ato legislativo formalmente editado. No âmbito desse julgamento, não há como se emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato, conforme consta Parecer Normativo CST n° 329/70, que ainda permanece valido. 0 dispositivo legal, até o momento, não foi considerado ilegal ou inconstitucional pelo Poder Judiciário. Na há como se considerar a solicitação do contribuinte de que sejam consideradas as despesas com a compra de sucatas, pois, a própria interessada optou pela sistemática do Simples, que considera somente as receitas. Observese que a empresa somente foi excluída da referida sistemática a partir de 2005, no ano de 2004, período da autuação, ela continua no Simples. Não tem sentido a afirmação da interessada de que não possui capacidade contributiva relativa a receita considerada pela fiscalização, posto que , não é possível que a empresa possua depósitos bancários de RS 9.324.145,16 e somente tenha capacidade para pagar tributos relativos a receita declarada de R$ 489.803,10, ou seja, cerca de 5% dos depósitos. Esclareçase ao contribuinte que não há a menor possibilidade de dar o mesmo tratamento das empresas de compra e venda de veículos automotores no regime de lucro presumido, posto que, há uma lei especifica para o caso, a Lei n° 9.716/98 não permite a inclusão de empresas que não possuam tal atividade. Ademais o contribuinte não optou pelo lucro presumido na época, não podendo alterar a sistemática na impugnação. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO E DA REDUÇÃO DA MULTA. (...) DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A autuação de omissão de receitas teve como conseqüência A exclusão da interessada da sistemática do Simples, por ter sido ultrapassado o limite da receita bruta anual. Tendo em vista que foi julgada procedente a autuação, confirmando uma receita bruta muito superior ao limite de R$ 1.200.000,00, previsto no art.9°, II da Lei 9317/96, deve ser mantida a exclusão do Simples. Face o exposto, voto pela exclusão da interessada da sistemática do Simples. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 15540.000157/200941 Acórdão n.º 1302002.686 S1C3T2 Fl. 1.027 14 DA CSLL, PIS, COFINS e INSSLANÇAMENTOS DECORRENTES: Tendo em vista serem lançamentos reflexos ao do imposto de renda, sendo a impugnação a mesma do IRPJ e ante a intima relação de causa e efeito, consideramse procedentes os lançamentos de CSLL, PIS, COFINS e INSS”. CONCLUSÃO Face ao exposto, rejeito as preliminares aventadas, para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendose a exclusão do simples nos termos do Acórdão da DRJ n.º 1239.213. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Fl. 1027DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000103/2008-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/09/2008
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-006.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente LUFTHANSA CARGO A G Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 03 /2 00 8- 41 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 9303006.489 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802000.806, de 22/11/2011, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, mas sem efeitos infringentes. Também apresentou recurso especial alegando a necessidade da exclusão da penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea, bem como a violação ao princípio da verdade material. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3101000.997 e 3402002.224 (primeiro tema) e 302 39.947 e 30334.671 (segundo tema). O recurso foi admitido mediante despacho do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.482, de 14/03/2018, proferido no julgamento do processo 11850.000098/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.482): Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 9303006.489 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com relação à primeira matéria – a denúncia espontânea em penalidades por descumprimento de obrigações acessórias –, entendeu o acórdão recorrido que, para tais infrações, descaberia a sua aplicação, entendimento divergente dos paradigmas, que sustentaram que, no âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplica se para a exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa. No mérito, entendemos não assistir razão à Recorrente. O fundamento em que se escora a alegação da denúncia espontânea é, como se sabe, o art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Medida Provisória nº 497, de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, que passou a prever que a denúncia espontânea excluiria a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, de modo que, no caso tratado nos autos, a penalidade seria inexigível. Confira se: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (g.n.) Todavia, é entendimento consolidado que os efeitos da denúncia espontânea não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Portanto, o dispositivo acima só alcançaria as obrigações tributária principal e administrativa, motivo por que, a propósito, editado o Verbete de jurisprudência CARF nº 49, segundo o qual “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” O Poder Judiciário nunca discrepou desse entendimento. Para ilustrar: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1.A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas.Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, RESP nº 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). No caso em análise, ademais, a penalidade aplicada não tem, a nosso juízo, natureza “aduaneira”, como entendem alguns, no sentido de constituirse uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas. O que se quer dizer com isso é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja ela qual for, apresentase, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 9303006.489 CSRFT3 Fl. 5 4 Assim, a multa por falta de licenciamento não automático, quando o produto importado o requer, é administrativa, porque não tem por objeto prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), senão que ao controle administrativo das importações. Diversa, contudo, é a penalidade aplicada nos autos, pois a finalidade de sua instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, não pelos órgãos intervenientes, como o caso antes referido. O interesse, desnecessário até enfatizar, é da arrecadação e da fiscalização tributária. É cediço, aliás, que as normais gerais em Direito Tributário são matéria reservada alei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea), tanto que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, pacificou o entendimento de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/1977e os arts. 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A matéria, como se sabe, já foi apreciada nesta mesma Turma, em decisão que restou assim ementada: PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303003.648, de 26/04/2016). Com relação à segunda matéria, ela está umbilicalmente imbricada com a primeira. Os seguintes parágrafos dos embargos interpostos pela Recorrente bem o comprovam: Ora, a referência ao princípio da verdade material teve o claro desiderato de reconhecer o fato de que foi a Recorrente que procurou corrigir o seu erro. Entretanto, ainda que assim tenha ocorrido, esse fato, pela razões antes expostas, não tem o menor relevo para os fins de reconhecimento da denúncia espontânea, simplesmente porque, como visto, ela não alcança as obrigações tributárias acessórias. Ante o exposto, conheço do recurso especial, e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 9303006.489 CSRFT3 Fl. 6 5 Deixouse de transcrever a declaração de voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama por representar entendimento que restou vencido, não se aplicando à solução do litígio neste processo. A íntegra da mencionada declaração encontrase no acórdão 9303 006.482 (paradigma). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901684/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 68 4/ 20 14 -9 3 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10675.901684/201493 Resolução nº 1201000.465 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10675.901684/201493 Resolução nº 1201000.465 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.918867/2016-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/01/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 67 /2 01 6- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918867/201631 Acórdão n.º 3201003.545 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.686, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918867/201631 Acórdão n.º 3201003.545 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
