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Numero do processo: 11040.721003/2012-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir a perícia solicitada pelo sujeito passivo, quando entender que tal medida é prescindível, bem como quando a defesa vier desacompanhada de quesitos.
RELATÓRIO DE VÍNCULO
O relatório de vínculo é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do lançamento, relacionando as pessoas físicas e jurídicas que legalmente representam o sujeito passivo, indicando suas qualificações e período de atuação. Referido relatório integra o processo de lançamento e se destina também ao subsídio de futuras ações judiciais, não tendo o citado documento o condão de atribuir responsabilidade pessoal.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. DESCABIMENTO.
São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir a perícia solicitada pelo sujeito passivo, quando entender que tal medida é prescindível, bem como quando a defesa vier desacompanhada de quesitos. RELATÓRIO DE VÍNCULO O relatório de vínculo é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do lançamento, relacionando as pessoas físicas e jurídicas que legalmente representam o sujeito passivo, indicando suas qualificações e período de atuação. Referido relatório integra o processo de lançamento e se destina também ao subsídio de futuras ações judiciais, não tendo o citado documento o condão de atribuir responsabilidade pessoal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. DESCABIMENTO. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. Recurso Voluntário Negado.
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INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir a perícia solicitada pelo sujeito passivo, quando entender que tal medida é prescindível, bem como quando a defesa vier desacompanhada de quesitos. RELATÓRIO DE VÍNCULO O relatório de vínculo é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do lançamento, relacionando as pessoas físicas e jurídicas que legalmente representam o sujeito passivo, indicando suas qualificações e período de atuação. Referido relatório integra o processo de lançamento e se destina também ao subsídio de futuras ações judiciais, não tendo o citado documento o condão de atribuir responsabilidade pessoal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. DESCABIMENTO. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 10 03 /2 01 2- 72 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 255 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 256 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MARCONDES JESUS LEIRIA DE OLIVEIRA ME em face da decisão que julgou improcedente a impugnação (fls. 166/193) apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010 AI n.° DEBCAD 51.013.0194, no valor de R$ 595.136,97 (quinhentos e noventa e cinco mil, cento e trinta e seis reais e noventa e sete centavos). 2. De acordo com o relatório fiscal (fl.16), o presente lançamento referese às contribuições sociais, devidas pela empresa (contribuição patronal), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, transportadores autônomos, exigíveis conforme previstas no inciso III do art. 22 da Lei n° 8.212/91. 3. No referido relatório fiscal, na fl. 18, consta que, em razão do não recolhimento das contribuições devidas, sobre as mesmas foi aplicada a multa de ofício de 75%, conforme previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 4. Os valores que compõem o lançamento estão identificados nos autos (fl.18) pelos levantamentos efetuados pela autoridade fiscal, a saber: “17.1 FL1 PGTO TRANSP AUTÔNOMO LEASING que corresponde às bases de cálculo incidentes sobre as remunerações pagas a transportadores autônomos,adquirentes de veículos através de leasing, período de 01/2008 a 10/2008. 17.2 FL2 PGTO TRANSP AUTÔNOMO LEASING que corresponde às bases de cálculo incidentes sobre ás remunerações pagas a transportadores autônomos, adquirentes de veículos através de leasing, período de 12/2008. 17.3 TA1 TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS que corresponde às bases de cálculo incidentes sobre as remunerações pagas a transportadores autônomos, período de 01/2008 a 11/2008. 17.4 TA2 TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS que corresponde às bases de cálculo incidentes sobre as remunerações pagas a transportadores autônomos, período, de 12/2008”. 5. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 20/02/1013. 6. Opondose ao lançamento, em 14/03/2013, o autuado apresentou tempestivamente impugnação (fls. 166/193), a qual, em decisão a quo foi tida como improcedente. 7. Examinada a peça impugnatória, o acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: “RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 257 4 O Relatório de Vínculos destinase a listar todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, com indicação do tipo de vínculo e do período correspondente, não se prestando para “impingir” responsabilidade tributária, nem, por via de conseqüência, dando ensejo à apresentação de impugnação por parte das pessoas nele elencadas. Nulidade não configurada. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genérico pela produção de provas. PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de realização de perícia, quando não indicados os quesitos referentes aos exames desejados, nem o nome, endereço e qualificação profissional do perito da impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INSCRIÇÃO. A empresa é obrigada a efetuar a inscrição, no Instituto Nacional do Seguro Social, dos contribuintes individuais por ela contratados, se ainda não inscritos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência da multa de ofício de 75%, sobre o valor das contribuições apuradas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (fls. 201/202). 8. Cientificada do acórdão de primeira instância (fls. 213/214) e trazendo basicamente os mesmos argumentos utilizados em sede impugnação, o recorrente com vistas a reverter a decisão a quo interpôs Recurso Voluntário (fls. 215/246), onde, em síntese, alega que: a) é necessária perícia e a requer para que sejam identificados os valores de seu faturamento, a sua não concessão representa cerceamento de defesa. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 258 5 b) o auto de infração padece de vícios material e formal, o que implica em sua nulidade, ao impingir aos sócios e ao contador responsabilidade tributária, conforme foram apontados no Relatório de Vínculos. c) embora não devido, era impossível recolher o INSS, em razão de diversos transportadores autônomos não terem o Número de Inscrição do Trabalhador – NIT, e, mesmo que devida a contribuição previdenciária, haveria motivo para retenção e nem o recolhimento, pois, em diversos casos, os valores pertinentes já haviam sido recolhidos pelos transportadores autônomos contratados. d) os valores relativos a um terço constitucional de férias, auxílio doença, por não terem natureza remuneratória devem ser excluídos da contribuição previdenciária e terceiros. e) a multa aplicada se mostra inconstitucional, por não observar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. f) por fim pugna pela procedência do presente recurso e pelo o acolhimento do pedido de perícia, com a conseqüente revogação da decisão de primeira instância, a fim de anular o auto de infração ora atacado. 9. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 259 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS PRELIMINARES DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA 2. No que tange a alegação de que é necessária perícia, com vistas à identificação de valores do faturamento da recorrente e que a sua não concessão representa cerceamento de defesa, cabe destacar a desnecessidade de tal documento probatório, pois os elementos necessários à convicção do julgador estão presentes nos autos, além do que não se detecta relação de pertinência entre faturamento da autuada com o fato gerador das contribuições – pagamentos a autônomos – objeto dos autos em análise. 3. Isto visto de outra maneira, significa que nas hipóteses em que se tenha os elementos probatórios e suficientes dos fatos que ensejaram o lançamento tributário, o julgador a seu juízo poderá entender a perícia como dispensável quando tais fatos estiverem suficientemente esclarecidos nos autos – é o caso. 4. Corroborando o entendimento exposto, o art. 18 do Decreto 70.235/72 dispõe da seguinte forma: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” 5. Portanto, não prospera a alegação do contribuinte, pois o julgador pode analisar as provas necessárias à formação de sua convicção, não estando vinculado à análise de provas que não sejam pertinentes ou sejam desnecessárias ao esclarecimento dos fatos. 6. Cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. 7. Quanto à perícia ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova pericial extraída tem como destinatária a autoridade julgadora Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 260 7 que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. 8. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. 9. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização de diligência ou perícia, aventada de imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, c/c com o art. 18, ambos do Dec. 70.235/72, in verbis: “IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (...). Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” 10. Dos dispositivos acima inferese que, além de ser obrigada a cumprir requisitos legais para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. 11. De sorte que, não basta o desejo do contribuinte para que se realize a perícia, esta tem que ser considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, conforme a legislação pertinente. 12. Assim, tendo em conta que a Recorrente, em seu recurso voluntário apenas aponta a necessidade de perícia sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feito tal pedido, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” 13. Importante registrar que a perícia ora requerida pela recorrente é sobre o pretexto de esclarecer os valores que constitui o faturamento da recorrente, o que não guarda relação de pertinência com os autos, pois o que é base para a contribuição objeto do auto de infração é 20% dos valores pagos aos transportadores autônomos, pessoas físicas e registrados na contabilidade da autuada na rubrica identificada sob o nº 3.2.1.04.001 – Fretes e Carretos. 14. Pelo fato da recorrente utilizarse da mencionada rubrica contábil, sem individualizar os pagamentos feitos as pessoas físicas da jurídica, foi oportunamente intimado a apresentar planilha identificando os fretes pagos a pessoa jurídica, tendo, também, apresentado conhecimento de transportes. Nas planilhas e nos conhecimentos de transporte, identificouse Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 261 8 pagamento feitos a instituições financeiras que, posteriormente, a recorrente justificou que, todos os “proprietários” declarados como instituições financeira, em realidade, tratamse de transportadores autônomos pessoas físicas. Tudo consta do relatório fiscal, na fl. 17, nos seguintes termos: “(...). 8. O contribuinte registrou contabilmente os pagamentos, de fretes na conta contábil 3.2.1.04.001FRETES E CARRETOS, sem individualizar as pessoas físicas das jurídicas. 9. Através do Termo de Intimação Fiscal, n° 01, foi intimado a apresentar planilha identificando os fretes pagos a pessoas jurídicas, por não ter identificado os mesmos nos lançamentos contábeis. O contribuinte atendeu a intimação. 10. A empresa apresentou conhecimentos de transporte identificando os prestadores dos serviços de fretes contratados. Nas planilhas apresentadas e nos respectivos conhecimentos de transporte, foram identificados pagamentos a diversas instituições financeiras. O contribuinte justificou em 14 de junho de 2012, que todos os "proprietários" declarados como instituições financeiras, são transportadores pessoa física.” 15. Vejase que, a composição e comprovação dos fatos geradores estão normalmente identificados, não só na contabilidade da recorrente, mas também em documentos elaborados e fornecidos a fiscalização pela própria autuada. 16. Em face do acima arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência ou perícia nos termos requerido pela recorrente. Ou seja, a exemplo do decidido em primeira instância rejeito as argumentações quanto à necessidade da perícia pleiteada. DO RELATÓRIO DE VÍNCULOS 17. A recorrente aduz que a autuação impinge aos sócios e ao contador responsabilidade tributária, sem que esses sejam, formalmente, chamados a apresentar suas razões de defesa, o que torna o lançamento nulo por vício material e formal. 18. Notese que o relatório de vínculo (fl. 21), não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal. 19. Assim, tratase de discussão inoportuna na esfera administrativa, pois, a eventual responsabilização dos representantes legais da pessoa jurídica só ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses estabelecidas na lei, com respeito ao devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. 20. Ademais, o referido relatório também é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 262 9 lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. 21. Em consonância com o acima exposto, observese que o art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, determina a inclusão do relatório de vínculo nos processos administrativos fiscais, in verbis: “Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...). X – Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI – Relação de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; (...).” 22. Do dispositivo acima transcrito inferese a identificação dos representantes das pessoas jurídicas no relatório de vínculos não atribuem nenhuma responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, por conseguinte não cabe tal discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, posicionamento este, inclusive, já sumulado por meio da Súmula nº 8 do CARF, nos termos em que seguem: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. 23. Notese que em igual sentido, ao exarar o acórdão ora atacado, manifestouse o julgador de primeira instância no sentido de que (fl. 206): “na medida em que o presente lançamento foi efetuado em nome da impugnante, na condição de contribuinte que remunera segurados contribuintes individuais, fato gerador das exações previdenciárias lançadas, e tendo sido a ela, empresa, oportunizada a apresentação de impugnação relativamente às exigências lançadas, não há que se falar em nulidade material ou formal da peça de autuação.” 24. Pelo exposto, nesta parte, não assiste razão a recorrente, razão pela qual rechaço suas alegações de que a presente atuação impinge aos sócios e ao contador responsabilidade tributária. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 263 10 DO MÉRITO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 25. Como se depreende do relatório fiscal, a recorrente foi autuada em razão das contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa (contribuição patronal), incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados autônomos/contribuintes individuais que lhe prestaram serviços de transportes de carga, e, cuja exação encontrase prevista no inciso III do art. 22 da Lei n° 8.212/91, como segue:. “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...). III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).” 26. Em seu recurso voluntário, insurgese o contribuinte relativamente à exigência da obrigação, alegando, basicamente, para tanto que não pode ser responsabilizada pela exação porque todas as subcontratações foram consideradas pela fiscalização como pessoas físicas, quando em muitos casos tratamse de pessoas jurídicas, onde não há incidência da contribuição social previdenciária. Além disso, informa ter ficado impossibilitada do recolhimento porque parte desse prestadores não possuíam inscrição no NIT e em muitos casos eles já haviam recolhido a contribuição. 27. Considerado o apontado nos itens, 8 a 11 do relatório fiscal (fl.17), verificase que a fiscalização constatou que a recorrente registrava contabilmente os pagamentos de fretes na conta contábil 3.2.1.04.001FRETES E CARRETOS, sem individualizar as pessoas físicas das jurídicas, sendo uma dessas razões que motivou a fiscalização, por meio de regular intimação, solicitar a autuada para que apresentasse planilha identificando os fretes pagos a pessoas jurídicas. Tal solicitação foi atendida e no documento fornecido, se identificou pagamentos a instituições financeiras, tendo nesse caso a contribuinte justificado que todos os “proprietários” declarados como instituição financiaras, tratavamse de pessoa física. 28. Extraídas as informações da contabilidade da recorrente e planilha fornecida pela autuada, individualizados todos os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, apurouse a base de cálculo da contribuição previdenciária que corresponde a 20% (vinte por cento) sobre tais valores, os quais estão perfeitamente demonstrados no Discriminativo de Débito – DD, anexo aos autos (fls. 04/11). 29. No que se refere a impossibilidade do recolhimento da contribuição devida, em razão de ausência de NIT do contribuinte individual e que em muitos casos o prestador já havia recolhido a contribuição, tal alegação não procede, uma vez que os valores relativos ao presente auto infração tratamse de encargo da recorrente o recolhimento ocorre com a utilização de seu CNPJ, independendo, assim, do número de inscrição do autônomo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 264 11 30. É evidente que referida inscrição não deixa de ser importante e necessária, haja vista que o tomador dos serviço pessoa jurídica, como é o caso da recorrente, além de obrigações acessórias pertinentes, poderá ter que reter contribuição social, a cargo do prestador, e, nesta hipótese, quando depararse com contribuinte não inscrito fica o tomador dos serviços obrigado a efetuála, e em relação a essa questão concordo com o apontado na decisão de primeira instância, da qual transcrevo, parcialmente, o contido na fl. 207, nos seguintes termos: “Não procede, portanto, a alegação da empresa, acerca da inclusão, no lançamento, de valores concernentes a pagamentos a transportadores pessoas jurídicas. Quanto à impossibilidade de recolhimento dos valores devidos à Previdência Social, há que se ver, em primeiro lugar, que, consoante o disposto no parágrafo 2.º do artigo 4.º da Lei n.º 10.666, de 08 de maio de 2003, “A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos.” A inscrição dos trabalhadores contratados como contribuintes individuais, se ainda não inscritos, é, portanto, obrigação da própria impugnante – a quem não cabe alegar irregularidade a que ela própria deu ensejo. Em segundo lugar, devese observar, no que interessa ao caso em apreço, que desde pelo menos o Manual da GFIP/SEFIP Para Usuários do SEFIP 8, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n.º 09/2005 e pela Circular Caixa n.º 370/2005, Capítulo II, subitem 4.1, além da inscrição do contribuinte individual, pode também ser utilizado o número do PIS/PASEP. Logo, não há que se falar em impossibilidade de recolhimento do tributo devido à falta de inscrição do trabalhador. Quanto aos valores alegadamente recolhidos pelos segurados contribuintes individuais, cumpre observar que o presente auto de infração não se refere às contribuições previdenciárias devidas por esses segurados, mas sim ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, cujo recolhimento constitui obrigação da empresa, forte no artigo 22, inciso III, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999.” 31. Ao que parece, em que pesem os argumentos da recorrente, observase que a mesma confunde, a contribuição previdenciária a cargo da empresa com aquela que eventualmente tenha ela a obrigação de reter do contribuinte individual, e, quando isto ocorre fica a tomadora dos serviços obrigada a repassar o devido desconto ao INSS, nos termos da Lei nº 10.666/2003, sendo essa contribuição recolhida juntamente com a contribuição devida pela contratante dos serviços prestado pelo contribuinte individual. 32. Quanto à alegação para que se exclua do lançamento os valores relativos a um terço constitucional de férias e, auxílio doença, por não terem natureza remuneratória, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 265 12 não cabe quaisquer apreciação nesse sentido, tampouco contribuições devidas a terceiros (SEBRAE, SESI/SENAI, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, etc), uma vez que não foram objeto do auto de infração em análise. 33. Do acima exposto, em relação aos argumentos com vistas à modificação da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias devidas, sejam no sentido de que tenha a exação já sido recolhida ou de que se tratase de hipótese de não incidência, verifico que nesta parte, não assiste razão a recorrente, devendo o auto de infração ser mantido. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO 34. A recorrente alega que a multa aplicada se mostra inconstitucional por afigurarse confiscatória, pois não observa os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco, como esculpido no inciso IV, art. 150, da Constituição Federal. 35. Ocorre que a instância a quo, fl. 208, já se manifestou quanto ao alegado, nos seguintes termos: “Em relação à multa aplicada no lançamento, há que se observar, inicialmente, que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.° do artigo 26A do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Medida Provisória n.° 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.° 11.941, de 27 de maio de 2009. Em assim sendo, restam prejudicadas todas as questões que, postas pela impugnante, impliquem exame da constitucionalidade de dispositivos legais que tenham embasado o lançamento, mormente aquelas concernentes à multa aplicada.” 36. Vejase que foi aplicada, sobre os valores das contribuições não recolhidas, a multa de ofício de 75%, estabelecida no artigo 35A da Lei n.º 8.212/91, incluído pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007. 37. Cumpre salientar que, com fulcro nos dispositivos acima inferese pela regularidade da imposição da multa, e reconhecêla como confiscatória e a consequente infringência ao que estabelece o inciso IV, art. 150, da Constituição Federal é o mesmo que reconhecer os fundamentos mencionados no parágrafo anterior como sendo inconstitucionais, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: “I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 266 13 II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 38. No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 39. Desse modo, permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a inconstitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva do Poder Judiciário. 40. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 41. Por essa razão é que, por meio de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se auto impuseram com regra proibitiva nesse sentido: “Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): (...). Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A Súmula do nº 2 do CARF também é nesse mesmo sentido: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 42. Assim, afasto a alegação de que a multa de ofício imposta é confiscatóra, e, para esse ponto, assim como para as demais questões atacadas pela recorrente, não vislumbro a procedência do recurso, devendo ser mantida a decisão de primeira instância em sua totalidade. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11040.721003/201272 Acórdão n.º 2803002.810 S2TE03 Fl. 267 14 CONCLUSÃO 43. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10850.906249/2011-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA MATÉRIA CONTROVERTIDA.
É nula a decisão administrativa alheia à matéria controvertida nos autos, por configurar preterição do direito de defesa do administrado.
Numero da decisão: 3803-004.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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NULIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA MATÉRIA CONTROVERTIDA. É nula a decisão administrativa alheia à matéria controvertida nos autos, por configurar preterição do direito de defesa do administrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 62 49 /2 01 1- 34 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 347 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que reconhecera a procedência do crédito original informado no Pedido Eletrônico de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), mas homologara apenas parcialmente a compensação declarada, pelo fato de que o crédito reconhecido revelarase insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa homologara parcialmente a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 348 3 revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 27 de junho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26 de julho do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 349 4 em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; l) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 350 5 Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2001 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, reconhecera a procedência da totalidade do crédito original informado no Pedido Eletrônico de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), mas homologara apenas parcialmente a compensação declarada, pelo fato de que o crédito reconhecido revelarase insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Considerando que o valor do crédito original declarado no PER/DCOMP é coincidente com o crédito reconhecido no despacho decisório e que os débitos informados como extintos por compensação, todos eles, venceram na mesma data da transmissão do PER/DCOMP, a conclusão a que se chega é que a divergência do valor do crédito ocorrida entre a declaração do Recorrente e o despacho decisório decorrera da adoção de índices de atualização do crédito em percentuais diversos. No entanto, analisandose as peças recursais que sucederam o despacho decisório, assim como o acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, constatase acentuada incongruência entre a realidade fática dos autos e os argumentos aduzidos pelo ora Recorrente e pela autoridade julgadora de primeira instância. Em sua Manifestação de Inconformidade, não obstante ter se referido en passant à homologação apenas parcial da compensação declarada, o contribuinte conduziu sua defesa partindo do pressuposto equivocado de que a repartição de origem considerara inexistente a totalidade do crédito pleiteado. Já neste ponto se percebe total alheamento da defesa em relação aos fatos controvertidos nos autos, pois, se houvera parcial homologação da compensação, algum crédito deveria ter sido reconhecido, pois, não tendo havido o reconhecimento de qualquer parcela do crédito, conforme alegara o então Manifestante, como fora possível a decisão de homologação parcial da compensação? É possível verificar que, com exceção da ligeira referência feita à homologação parcial da compensação, o restante da Manifestação de Inconformidade é cópia fiel de outras manifestações de inconformidade interpostas pelo mesmo contribuinte em outros processos versando sobre Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), pedidos esses que foram denegados pela repartição de origem em razão do fato de que os pagamentos neles declarados Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 351 6 já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos da titularidade do sujeito passivo. Na sequência, toda a defesa do contribuinte, inclusive em sede de recurso voluntário, se pauta em um suposto não reconhecimento total do crédito pleiteado, o que, conforme já apontado, não guarda qualquer correspondência com os fatos controvertidos nos autos. Induzida pela defesa errática do contribuinte, a Delegacia de Julgamento conduz sua decisão partindo do mesmo fundamento equivocado, reproduzindo, ipsis litteris, o teor de outros acórdãos por ela lavrados nos outros processos acima referenciados, cujos fatos não guardam correspondência com a matéria destes autos. A DRJ Ribeirão Preto/SP ignorou por completo, além da referência feita pelo então Manifestante quanto à homologação apenas parcial da compensação, o teor do PER/DCOMP e do despacho decisório. Eis alguns trechos do despacho decisório e do acórdão recorrido que demonstram a ausência de conexão lógica entre a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP e os fatos controvertidos nos autos: Despacho decisório (...) Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. (...) Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição (fls. 2/7) de crédito da Cofins de Fevereiro de 2001, no valor de R$ 6.330,60. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório de fl(s). 8/9, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte. (...) Voto (...) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 352 7 Analisando a controvérsia do direito creditório, verificase de plano que a autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada. Isso porque, conforme está claro no despacho decisório, existe um débito, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. (sublinhei) Os trechos sublinhados acima apontam a total desconformidade do acórdão em relação ao despacho decisório, merecendo destacar as seguintes incongruências: a) no despacho decisório, há referência ao Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), sendo que o relatório do acórdão recorrido se inicia referindose a um suposto Pedido Eletrônico de Restituição (PER); b) enquanto que, no despacho decisório, o crédito original declarado fora totalmente reconhecido, no acórdão, o julgador de piso afirmou, categoricamente, que a repartição de origem havia indeferido o pedido em razão de o recolhimento ter sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte; c) a despeito do reconhecimento integral do crédito por parte da repartição de origem, a DRJ afirmou que inexistia saldo passível de restituição; d) a DRJ aponta a falta de retificação da DCTF como motivo do suposto não reconhecimento do crédito, enquanto que, considerando o despacho decisório, essa questão se mostra totalmente desconforme com o seu conteúdo. Além das incongruências supra apontadas, a leitura do acórdão recorrido aponta, insofismavelmente, que a autoridade julgadora de primeira instância se equivocou ao reproduzir, neste processo, a mesma decisão que vinha adotando nos outros acima referenciados, estes últimos, repisese, relativos a despachos decisórios que não haviam reconhecido o direito creditório pleiteado para fins de restituição, não abarcando declarações de compensação. A par do encaminhamento dado pela Delegacia de Julgamento, o contribuinte reproduziu, neste processo, o teor dos recursos voluntários interpostos nos referidos processos versando sobre PERs, casos esses em que se exigia a discussão do mérito do direito creditório denegado, o que não ocorre nestes autos, dado o total reconhecimento do direito creditório. O art. 31 da Seção IV (Do Julgamento em Primeira Instância) do Decreto nº 70.235, de 1972, assim estipula: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 353 8 notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Verificase do excerto supra, aplicável aos processos de compensação por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 19961, que a decisão de primeira instância violou frontalmente o comando ali contido por conter um relatório e um voto em total desconformidade com os fatos e o direito inerentes ao despacho decisório objeto deste processo, bem como por não enfrentar todas as razões suscitadas pelo impugnante. O contribuinte, não obstante ter se equivocado quanto ao inteiro teor do despacho decisório, fizera expressa referência, na Manifestação de Inconformidade, à homologação apenas parcial da compensação declarada, situação essa não abordada nem de longe pela DRJ Ribeirão Preto/SP. O art. 131 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF), estatui que “[o] juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento.” Extraise do excerto supra o entendimento de que o julgador deverá apreciar livremente a prova, mas em conformidade com os fatos e as circunstâncias constantes dos autos, mesmo que tais fatos e circunstâncias não tenham sido suscitados pela parte interessada. Nesse sentido, temse por configurado, neste processo, flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual deveria a Delegacia de Julgamento se manifestar, o que torna o acórdão recorrido nulo, pois, assim agindo, a autoridade julgadora preteriu o direito de defesa do Recorrente, o que viola o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 19722. Neste ponto, registrese que a declaração de nulidade do acórdão de primeira instância não significa que o contribuinte tenha se defendido de forma eficaz em relação à decisão contida no despacho decisório, particularidade essa que deveria ter sido enfrentada pelo julgador administrativo a quo, caso não tivesse se equivocado quanto à matéria controvertida nos autos. Não bastassem tais constatações, uma outra questão vem conturbar por definitivo o trâmite do presente processo. Tratase da inobservância por parte da autoridade administrativa de origem do prazo de 5 anos previsto no art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) 3, para se pleitear a restituição de pagamento indevido. O Recorrente transmitira o PER/DCOMP original em 28 de novembro de 2008, referindose a pagamento indevido efetuado em 14 de dezembro de 2001, após, portanto, ao prazo de 5 anos do CTN, o que configura a perda do direito de repetir. 1 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 2 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 3 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 354 9 Sobre essa matéria, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral (art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil), decidiu que, no que tange aos pedidos de repetição ou compensação de indébitos formalizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicarse lhesia o prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A data de 9 de junho de 2005 corresponde ao dia seguinte ao termo final da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que definiu, nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado para a extinção do crédito tributário respectivo. No mesmo julgamento, a aplicação retroativa do referido prazo (art. 3º da LC nº 118/2005) foi considerada inconstitucional, por ferir o princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Referida decisão do STF transitou em julgado em 27 de fevereiro de 2012. De acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, encontramonos obrigados regimentalmente a reproduzir a referida decisão do STF, ainda que nenhuma das partes a tenha invocado, dado tratarse de matéria de ordem pública. Contudo, considerando que o Recorrente, não obstante o imbróglio por ele criado, já obtivera decisão favorável de reconhecimento do direito creditório pleiteado e de homologação parcial da compensação declarada, há que verificar possível violação do princípio da non reformatio in pejus. A meu ver, em casos da espécie, em regra, não se deve invocar o princípio da vedação à reformatio in pejus, pois, por se tratar a decadência de matéria de ordem pública, ela pode e deve ser reconhecida de ofício pelo julgador administrativo em qualquer tempo e grau de jurisdição. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido pela inocorrência de reformatio in pejus nos casos de julgamento envolvendo matéria de ordem pública, nos seguintes termos: “Os juros de mora constituem matéria de ordem pública, de modo que aplicar, alterar ou modificar seu termo inicial, de ofício, não configura julgamento extra petita nem reformatio in pejus quando já inaugurada a competência desta Corte Superior.” 4 O Supremo Tribunal Federal (STF) 5 já decidiu que “[em] processo administrativo não se observa o princípio da "non reformatio in pejus" como corolário do poder de auto tutela da administração, traduzido no princípio de que a administração pode anular os seus próprios atos. As exceções devem vir expressas em lei.” 4 EDcl no AgRg no Ag 1160335 / MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2009/00363026 Relator(a) Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (1147). Órgão Julgador T3 TERCEIRA TURMA. Data do Julgamento 27/11/2012. Data da Publicação/Fonte DJe 06/12/2012. 5 RE 641054 AgR / RJ RIO DE JANEIRO. AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. Relator(a): Min. LUIZ FUX. Julgamento: 22/05/2012. Órgão Julgador: Primeira Turma do STF. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906249/201134 Acórdão n.º 3803004.730 S3TE03 Fl. 355 10 No entanto, na mesma decisão, a Primeira Turma do STF deixou registrado que “[a] possibilidade da administração pública, em fase de recurso administrativo, anular, modificar ou extinguir os atos administrativos em razão de legalidade, conveniência e oportunidade, é corolário dos princípios da hierarquia e da finalidade, não havendo se falar em reformatio in pejus no âmbito administrativo, desde que seja dada a oportunidade de ampla defesa e o contraditório ao administrado e sejam observados os prazos prescricionais.” (grifei e sublinhei). No presente caso, dada a preterição do direito de defesa do contribuinte, em razão da decisão de primeira instância se encontrar totalmente descolada dos fatos controvertidos nos autos, não se tem por atendida a ressalva do STF acima destacada, para se declarar a nulidade do despacho decisório por inobservância do prazo para repetição do indébito. Essa conclusão, contudo, não impede a declaração de nulidade da decisão recorrida, que, conforme já ressaltado neste voto, operouse em flagrante omissão quanto à matéria controvertida nos autos. Diante do exposto, voto por declarar a NULIDADE da decisão recorrida, para que outra seja proferida, observandose a efetiva matéria controvertida nos autos, os fatos e o direito envolvidos, assim como os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721329/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Conforme previsto no art. 32, II da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.784
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Conforme previsto no art. 32, II da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 13 29 /2 01 2- 89 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 18470.721329/201289 Acórdão n.º 2402003.784 S2C4T2 Fl. 289 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/02/2012 (fl. 03), por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/01/2008 a 31/12/2010. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 165/171) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 174/178), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) não compete à autoridade administrativa analisar a constitucionalidade de lei; (ii) o contribuinte teve a sua isenção cancelada a partir de 01/08/2002, através do Ato Cancelatório nº 17.002/0001/2003; (iii) deve ser observada a decisão proferida pelo Conselho de Recursos da Previdência Social confirmando o cancelamento da isenção; (iv) a exclusão do crédito tributário relativo à obrigação principal, no caso de entidades que gozem de isenção, não dispensa o sujeito passivo do cumprimento das obrigações acessórias; e (v) as provas devem ser produzidas juntamente com as impugnações. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 180/255) argumentando que (i) há violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da legalidade, uma vez que a autuação não foi corretamente fundamentada; (ii) há violação ao princípio do nãoconfisco; e (iii) por ser imune e isento, não cabe a aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, violando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O Recorrente alega que a presente autuação violou diversos princípios constitucionais, tais como a ampla defesa, a legalidade, o nãoconfisco, a razoabilidade e a proporcionalidade. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Assim, considerando que a exigência da obrigação acessória em tela se deu com observância às normas legais pertinentes, deixo de apreciar as alegações do Recorrente quanto à suposta inconstitucionalidade. Por sua vez, o Recorrente sustenta que a autuação que exige a penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória segue a sorte da que discute a obrigação principal. Neste contexto, cumpre ressaltar que analisando o PAF nº 18470.721328/201234, decorrente do descumprimento de obrigações principais no mesmo período abrangido na presente demanda, verificase que houve trânsito em julgado de decisão desfavorável ao Recorrente, uma vez que este deixou de lançar e recolher diversas contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, tais como as devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, que apesar de descontadas, não foram corretamente escrituradas e recolhidas. Ademais, analisando o art. 283, II, “a”, do Decreto nº 3.048/99 e o art. 8º, V, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 2/2012, verificase que a penalidade foi lançada em seu montante mínimo, não havendo que se falar, portanto, em qualquer reenquadramento do valor da multa caso eventualmente algumas das irregularidades venham a ser julgadas improcedentes, pois basta o cometimento de uma infração para que a sanção seja exigível. Diante disso, vale destacar que este E. Conselho possui o entendimento uníssono de que constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, in verbis: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DATA DO FATO GERADOR: 30/03/2005. INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A EMPRESA É OBRIGADA A LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES, O Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 18470.721329/201289 Acórdão n.º 2402003.784 S2C4T2 Fl. 290 5 MONTANTE DAS QUANTIAS DESCONTADAS, AS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E OS TOTAIS RECOLHIDOS.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR”. (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Segunda Turma. Acórdão nº 240201050 do Processo 10935007619200732. Julgado em 16/08/2010) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000293/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECOLHIMENTO DO IR-FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS.
Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RECOLHIMENTO DO IR-FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a glosa do IRRF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 02 93 /2 00 7- 38 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13746.000293/200738 Acórdão n.º 2102002.007 S2C1T2 Fl. 46 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 33 a 39: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao(s) exercício(s) 2005, ano(s) calendário de 2004, por AFRFB da DRF/Nova Iguaçu. A ciência do lançamento ocorreu em 26/03/2007, conforme Aviso de Recebimento de fl. 28. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto 5.674,76 Juros de Mora (cálculo até 03/2007) 1.651,35 Multa Proporcional (passível de redução) 4.256,07 Total do Crédito Tributário 11.582,18 O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(ões): a) Omissão de rendimentos recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, no valor de R$ 21.440,95; b) Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 878,70, referente à fonte pagadora Prefeitura Municipal de Duque de Caxias. A base legal do lançamento encontrase descrita nos autos. Em 12/04/2007, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 01/02, na qual se alega, resumidamente, o que segue. Inicialmente, afirma o interessado que elaborou sua declaração de ajuste anual com a ajuda de um profissional, para quem entregou todos os documentos que possuía e que não conferiu os documentos que lhe foram devolvidos pelo profissional contratado, tendo se limitado a pagar imposto indicado na declaração. Alega cerceamento do seu direito de defesa por não ter recebido qualquer aviso de cobrança da RFB entre a entrega da declaração e a apresentação da impugnação ao lançamento, o que lhe propiciaria corrigir seus equívocos por intermédio da apresentação de uma declaração retificadora. Diante de suas alegações, requer a anulação das cobranças da multa de oficio, juros de mora e demais encargos incidentes sobre o lançamento; o direito de apresentar declaração retificadora em modelo diverso do originalmente apresentado, já que o modelo simplificado não é o mais favorável; e o parcelamento do saldo devedor remanescente. São os termos em que pede deferimento. E o relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13746.000293/200738 Acórdão n.º 2102002.007 S2C1T2 Fl. 47 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares argüidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento,resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, previsto para a fase do contencioso administrativo, quando a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade, ficando sujeito à aplicação da multa de oficio, sendo vedada a apresentação de declaração retificadora. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MUDANÇA DE MODELO. É vedada a troca de modelo da Declaração após o prazo previsto para a entrega da Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fl. 43, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Ao tomar ciência do processo, percebi que o problema deuse por erro de digitação ao informar o valor recebido da fonte pagadora GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que ao invés de constar R$ 21.440,95 foi digitado R$11.440,95 (os demais valores são exatamente iguais). Também houve erro na informação do CNPJ, que deveria constar 42.498.634/000164 e, no entanto repetiu se o da outra fonte pagadora. Vide fls 11, do presente processo onde se constata a verdadeira nomenclatura da referida fonte. Deixo claro que não houve negligência da minha parte, tanto na entrega quanto na demora de buscar solução para o problema. Apenas deixei à cargo do profissional da área. Informo também que o que relaciono aqui, informei ao mesmo e, para surpresa minha a impugnação não foi baseada nesta linha de raciocínio. Certa que serei penalizada pela informação incompleta dos valores recebidos, embora aleatoriamente, creio que haverá justiça para mim, visto que NÃO HOUVE OMISSÃO DE RENDIMENTO DA FONTE PAGADORA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13746.000293/200738 Acórdão n.º 2102002.007 S2C1T2 Fl. 48 4 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O presente processo trata de uma omissão de rendimentos e de uma glosa de fonte pagadora. GLOSA DE FONTE PAGADORA Do batimento entre a Descrição dos Fatos da autuação, fls. 09/10, Informe de Rendimentos fls. 08/09 e DIRPF fl. 11, está evidente que ocorreu o seguinte: No preenchimento da declaração foi repetido para as duas fontes pagadoras o mesmo CNPJ da Prefeitura de Caxias. Assim, malha confrontou o total de IRRF da Declaração, fl. 11, como sendo da prefeitura com a DIRF apresentada pela prefeitura, resultando na glosa. Contudo, essa diferença lançada é exatamente o valor retido pela outra fonte pagadora cujo CNPJ restou ausente da declaração mas que foi perfeitamente declarado. Ou seja, o valor total de Imposto na Fonte declarado e recolhido conforme os Informes de Rendimentos são os mesmos e não há que se cobrar o valor de R$ 878,70 já que este valor foi devidamente retido pela fonte pagadora Governo do Estado do Rio de Janeiro, como prova o Comprovante de Rendimentos de fl. 09. Assim, voto pelo cancelamento da glosa e restabelecimento desse valor de imposto retido na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Alega a contribuinte que houve erro de digitação ao informar o valor recebido da fonte pagadora GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que ao invés de constar R$ 21.440,95 foi digitado R$11.440,95 (os demais valores são exatamente iguais). Da análise conjunta dos Informes de Rendimentos e DIRPF, fls. 08;09 e 11, respectivamente, inclusive pelo erro supra analisado, resto convencido que se tratou realmente de um erro de preenchimento da DIRPF, conforme narrado no recurso. Não obstante, verificada pela autoridade fiscal que o contribuinte apresentou declaração inexata (considerandose como tal a que contém ou omite qualquer elemento que Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13746.000293/200738 Acórdão n.º 2102002.007 S2C1T2 Fl. 49 5 implique redução do imposto a pagar). Logo, incorreu o contribuinte nas hipóteses previstas na legislação para cobrança da diferença do imposto com aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Por outro lado, insta frisar que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3 e parágrafo único do art. 142 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, deve prevalecer a cobrança do imposto relativo a omissão de rendimentos e da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, cancelando as exigência referente a glosa de fonte pagadora e mantendo a exigência decorrente da omissão de rendimentos. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10940.903134/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 34 /2 00 9- 64 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 31304.51324.230806.1.7.041673, devido à inexistência de crédito de R$ 394,99 para efetuar a compensação pretendida de R$ 561,79, uma vez que o pagamento COFINS (código 2172) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903134/200964 Acórdão n.º 3801002.564 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902177/2012-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 77 /2 01 2- 53 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902177/201253 Acórdão n.º 3803005.272 S3TE03 Fl. 71 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em outubro de 2003, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 4.014,49. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902177/201253 Acórdão n.º 3803005.272 S3TE03 Fl. 72 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902177/201253 Acórdão n.º 3803005.272 S3TE03 Fl. 73 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902177/201253 Acórdão n.º 3803005.272 S3TE03 Fl. 74 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900894/2008-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2001
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2001 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Joel Miyazaki - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 11 1 10 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.900894/200871 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.519 – 3ª Turma Sessão de 09 de outubro de 2013 Matéria PIS Cofins Compensação Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2001 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 94 /2 00 8- 71 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 12 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 13 3 à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o decreto lei 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar n 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” O colegiado recorrido, decidindo o feito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº288/67. O contribuinte apresentou recurso especial em que, basicamente, repete as alegações expendidas no recurso voluntário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 14 4 Foi dado seguimento a esse recurso especial pelo presidente da câmara recorrida Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. O processo foi distribuído a este conselheiro em despacho de 21 de agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte insurgese contra a não homologação de seu pedido de compensação alegando supostos créditos por pagamentos indevidos de PIS e COFINS que, alega a recorrente, não incidiriam sobre vendas por ela feitas a contribuintes situados na Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, por se equipararem a exportações, para fins fiscais. Consultando os autos, verificase que a contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, junta planilhas em que constam apenas meras listagens de notas fiscais, sendo certo que tais planilhas sequer são mencionadas na referida peça recursal. Quanto ao recurso voluntário e ao especial, depreendese da leitura dessas peças que o contribuinte confunde as atividades administrativas de fiscalização e (eventual) lançamento com o procedimento de restituição/compensação. Abaixo transcrevo excertos das peças recursais a título ilustrativo: 6. Como se repara, o v. acórdão inova completamente do lançamento inicial, visto que o r. despacho decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade à Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Fica evidente que tal prática cerceou o direito de defesa da Recorrente. 7. É fato que para a comprovação do seu direito creditório (que sequer tinha sido investigado em primeira t instância, tendo sido rejeitado de plano, sem análise prévia de nenhum documento fiscal ou contábil),... (sublinhados nossos) Conforme vimos acima, a contribuinte menciona “lançamento” e “investigação”. Ora, a atividade administrativa de fiscalização é que busca investigar condutas. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 15 5 Nesse procedimento, de iniciativa do Fisco, diversos passos são necessários para garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, sendo que ao final, pode (ou não) o processo resultar em lançamento de crédito tributário. No procedimento de restituição/compensação, de iniciativa da contribuinte, o ônus da prova cabe a esta, por dever legal, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Ressaltese que a apresentação da PER/DCOMP extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória de (eventual) posterior homologação pelo Fisco, que se dará mediante comprovação pela contribuinte do direito creditório alegado. Eventual porque a grande maioria das PER/DCOMP são “homologadas” eletronicamente pelos sistemas informatizados desde que as informações necessárias constem dos bancos de dados da Receita Federal, dispensando a apresentação de provas pela contribuinte. Assim, uma vez que a PER/DCOMP é de iniciativa da contribuinte, tem o poder de extinguir crédito tributário e que a grande maioria deles é “eletronicamente homologada”, é perfeitamente razoável que o procedimento de glosa de compensação seja um procedimento simplificado, devendo o contribuinte trazer a prova da liquidez e certeza de seus créditos assim que notificado da glosa desses. Nesta Terceira Seção de Julgamento, diversas turmas de julgamento, por unanimidade (ressaltese), tem reafirmado este entendimento conforme acórdãos abaixo transcritos para maior clareza: Acórdão nº 3301001.932– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão nº 3102001.898 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 16 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Tal entendimento é pacífico também na 1a. Seção de Julgamento, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos em que, por unanimidade (ressaltese), decidiuse que cabe ao demandante do crédito o ônus da prova de sua liquidez e certeza: Acórdão nº 1802001.818 – 2ª Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO CONTRA O FISCO. ATRIBUTOS. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação tributária autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento do alegado crédito é desprovida de fundamento. Na declaração retificadora, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova da escrituração contábil que pudesse evidenciar outro tipo de erro material nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Acórdão nº 1801001.626 – 1ª Turma Especial Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900894/200871 Acórdão n.º 9303002.519 CSRFT3 Fl. 17 7 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10945.902155/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 55 /2 01 2- 18 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902155/201218 Acórdão n.º 3803004.989 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902155/201218 Acórdão n.º 3803004.989 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902155/201218 Acórdão n.º 3803004.989 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902155/201218 Acórdão n.º 3803004.989 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902155/201218 Acórdão n.º 3803004.989 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.914169/2011-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 41 69 /2 01 1- 51 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914169/201151 Acórdão n.º 3801002.814 S3TE01 Fl. 34 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 941316565 emitido eletronicamente em 05/07/11, fls. 8, referente ao PER/DCOMP nº 41057.73450.021007.1.3.047232 (doc. de fls. 912). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.481,52, representado por Darf recolhido em 14/01/05 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/12/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 14/02/2005; que o mesmo foi recolhido em 14/01/2005 no valor de R$ 4632,77; que posteriormente apurouse o valor correto de R$1151,25, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914169/201151 Acórdão n.º 3801002.814 S3TE01 Fl. 35 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914169/201151 Acórdão n.º 3801002.814 S3TE01 Fl. 36 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/12/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.914169/201151 Acórdão n.º 3801002.814 S3TE01 Fl. 37 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10805.722754/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual.
ALIMENTAÇÃO - FORNECIMENTO IN NATURA
Embora entenda que a decisão de 1 instância encontra-se em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da verba alimentação fornecida in natura, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011 afastando a incidência de contribuições previdenciárias.
REMUNERAÇÃO NÃO LANÇADO EM GFIP - FOPAG - NÃO COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES
Tendo os argumentos trazidos pelo recorrente sido afastados pela decisão de primeira instância, deve ser mantida essa decisão quando o recorrente não traz qualquer fato novo capaz de demonstrar suas alegações.
Numero da decisão: 2401-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir dos AIOP as contribuições incidentes sobre despesas com alimentação in natura (cestas básicas) e sobre o valor transporte.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. Recurso Voluntário Provido em Parte. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. ALIMENTAÇÃO - FORNECIMENTO IN NATURA Embora entenda que a decisão de 1 instância encontra-se em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da verba alimentação fornecida in natura, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011 afastando a incidência de contribuições previdenciárias. REMUNERAÇÃO NÃO LANÇADO EM GFIP - FOPAG - NÃO COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES Tendo os argumentos trazidos pelo recorrente sido afastados pela decisão de primeira instância, deve ser mantida essa decisão quando o recorrente não traz qualquer fato novo capaz de demonstrar suas alegações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir dos AIOP as contribuições incidentes sobre despesas com alimentação in natura (cestas básicas) e sobre o valor transporte. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. ALIMENTAÇÃO FORNECIMENTO IN NATURA Embora entenda que a decisão de 1 instância encontrase em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da verba alimentação fornecida in natura, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011 afastando a incidência de contribuições previdenciárias. REMUNERAÇÃO NÃO LANÇADO EM GFIP FOPAG NÃO COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 27 54 /2 01 2- 54 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Tendo os argumentos trazidos pelo recorrente sido afastados pela decisão de primeira instância, deve ser mantida essa decisão quando o recorrente não traz qualquer fato novo capaz de demonstrar suas alegações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir dos AIOP as contribuições incidentes sobre despesas com alimentação in natura (cestas básicas) e sobre o valor transporte. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes autos de infração de obrigação principal, lavrados em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, parcela da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, a destinada a terceiros, bem como as contribuições descontadas dos segurados empregados e não recolhidas em sua totalidade, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados e contribuintes individuas, no período de 01/2008 a 12/2008. Os AIOP foram assim divididos: 37.373.7149 (PATRONAL)Contribuições previdenciárias devidas da parte da empresa sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuas, não declarados em GFIP. 37.373.7157 Contribuições previdenciárias devidas da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, efetivamente descontadas, consignadas em FOPAG e não declaradas em GFIP. Nas competências de 01 a 11/2008 e 13/2008 (13º salário), a empresa arrecadou as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios), consignadas nas folhas de pagamento, todavia efetuou parcialmente o seu recolhimento. A situação acima descrita, em tese, constitui indício de Crime de Apropriação Indébita Previdenciária, de acordo com o artigo 168A, I, do Código Penal Decretolei n° 2 .848, de 07/12/1940 – na redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000 (deixar de repassar à Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para ciência dos fatos. 37.373.7165 Contribuições previdenciárias devidas da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, presumidamente descontadas e não declaradas em GFIP. Em virtude de que não foi procedido o desconto obrigatório da contribuição dos segurados sobre as bases de cálculo não consideradas pela empresa, efetuamos o lançamento de tais contribuições, por presunção legal nos termos do § 5º do artigo 33, da Lei nº 8.212/91. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Em virtude de que não foi procedido o desconto obrigatório da contribuição dos segurados sobre as bases de cálculo não consideradas pela empresa, efetuamos o lançamento de tais contribuições, por presunção legal nos termos do § 5º do artigo 33, da Lei nº 8.212/91. 37.383.3512 Contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos sobre os valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP. Sobre as bases de cálculo de segurados empregados ou suas diferenças apuradas, por meio do AI DEBCAD nº 37.383.3512, foi constituído crédito tributário relativo às contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, incidentes numa alíquota total de 5,8 % (cinco inteiros e oito décimos por cento). Como já explanado no Capítulo XV, na condição de tomador de serviços de transportadores autônomos, o contribuinte sujeitase ainda a descontar e recolher as contribuições sociais destes segurados, destinadas ao SEST e ao SENAT, instituídas pela Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993, com as seguintes alíquotas: Conforme relatório fiscal, fl. 48 a 75, assim, detalhou o auditor o lançamento: Pelo exposto, lançamos as diferenças de base de cálculo das contribuições previdenciárias, devidas e não recolhidas, resultante do comparativo entre os valores constantes das folhas de pagamento e aqueles declarados em GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008, no estabelecimento Matriz e no período de 01 a 03/2008 e 05/2008, na Filial. 93. Além das diferenças mencionadas no item anterior, lançamos também os créditos relativos às contribuições previdenciárias devidas sobre os valores de “cestas básicas”; “valerefeição”; “valetransporte”; “PróLabore” e sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício, relativos a prestação de serviços diversos, inclusive “fretes”, todos devidamente fundamentados nos Capítulos anteriores. 94. As bases de cálculo relativas ás contribuições previdenciárias devidas sobre o 13º (décimo terceiro) salário, não declaradas em GFIP e nem recolhidas, da Matriz e Filial, foram lançadas integralmente na competência 13/2008. Os recolhimentos efetuados, antes do início do Procedimento Fiscal, através das Guias da Previdência Social – GPS, assim como os valores constantes dos documentos de cobrança DCG– Débito Confessado em GFIP, e ainda os valores pagos a título de Salário Família e Salário Maternidade, foram devidamente deduzidos na apuração do crédito tributário ora lançado. Com vista a esclarecer todos os fatos geradores descritos no presente processo, foram assim indicados os levantamentos: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 4 5 Para a apuração dos valores devidos, e o consequente lançamento tributário, foram criados os seguintes levantamentos: · GF – REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP: para lançamento de todas as bases de cálculo declaradas em GFIP pela empresa, de forma a aproveitar os recolhimentos efetuados por meio de GPS, bem como os valores objeto de IP/DCG. · FP – REMUNERAÇÃO EMPREGADO FPGTO: para lançamento de todas as bases de cálculo referentes às remunerações de empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em FP2, paras as competências 12/2008 e 13/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VF – VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Transporte”, em desacordo com a legislação, constantes das folhas de pagamento e não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VF2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VC – VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Vale Transporte”, em desacordo com a legislação, constantes da contabilidade, não incluídos em folhas de pagamento e não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VC2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · CB – CESTA BÁSICA (FOPAG e CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de Cestas Básicas, em espécie e em pecúnia, não declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em CB2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · VR – VALEREFEIÇÃO (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos de “Vale Refeição”, em desacordo com a legislação, constante das folhas de pagamento e não declarado em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em VR2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · PA – PRÓLABORE SÓCIOS (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo, reconhecidas pela empresa, referentes às remunerações relativos a prólabore constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 · PB – PRÓLABORE SÓCIOS (FOPAG); para lançamento de todas as bases de cálculo, não reconhecidas pela empresa, referentes às diferenças de remunerações relativas a prólabore constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente PB2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. PC PRÓLABORE SÓCIOS (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos efetuados aos sócios, a título de prólabore, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. · PD – PRÓLABORE DIRETOR NÃOEMPREGADO (CONTABILIDADE); para lançamento de todas as bases de cálculo referentes aos pagamentos efetuados ao diretor não empregado CALISTO LATIF FAKOURI, a título de prólabore, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. Este levantamento desmembrouse automaticamente em PD2, para a competência 12/2008, já na vigência da Medida Provisória – MP nº 449/2008. · SP – SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS; para lançamento de todas as bases de cálculo, referentes aos pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício por diversos serviços prestados, contabilizados e não consignados em folhas de pagamento nem declarados em GFIP. Quanto a multa aplicada no presente lançamento observouse a prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, a partir de 12/2008 ou quando mais benéficas no caso de infrações correlatas. Nas competências de 01 a 11/2008, foi aplicada a legislação anterior, com multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento), e separadamente as multas previstas para o caso de descumprimento das obrigações acessórias vinculadas à declaração, pois, embora tenham fato gerador antecedente à MP Nº 449/08, as declarações em GFIP foram retificadas, em infração à legislação, já em sua vigência. Na competência 12/2008 e 13/2008, os fatos já se deram em plena vigência das alterações supra referidas, aplicandose diretamente a multa de ofício de 75%, igualmente nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Ainda com relação a multa, conforme descrito nos itens 11, 12 e 15, os livros contábeis empresariais e as folhas de pagamento, solicitados através do TIPF, de 27/02/2012, não foram apresentados em meio digital, descumprindo a obrigação legal prevista nos artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, da qual somente estão exclusas as empresas optantes pelo SIMPLES. Esta falta implica o agravamento da multa de ofício, conforme o disposto no inciso II do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual remete o art. 35A da Lei nº 8.212/91. Por conseguinte, foi agravada a multa de ofício aplicada no lançamento das Contribuições Previdenciárias apuradas para as competências 12 e 13/2008, estando apenas estas sujeitas diretamente à nova legislação. Importante, destacar que a lavratura dos AIOP deuse em 16/08/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 30/08/2012. Inconformado com os AIOP lavrados, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 573 a 697. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 5 7 Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 727 a 750. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. CONTRADITORIO. NÃO APLICAÇÃO. Durante o procedimento fiscalizatório que antecede o lançamento não há que se falar em aplicação dos princípios do contraditório e ampla defesa uma vez que o processo administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo. LANÇAMENTO FISCAL. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições previdenciárias sobre a parcela paga pelo contribuinte empregador, em pecúnia, ao segurado, relativamente ao valetransporte. LANÇAMENTO FISCAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. PARECER VINCULANTE. Cabe revisão de ofício de lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamento de alimentação “in natura”, em observância ao Parecer PGFN/CRJ/nº 2.117/2011. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. INCRA. A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural. SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE é exigível independente do porte da empresa. PROVAS. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 882DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 278 a 297, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente a Impossibilidade de Incidência da Contribuição Social Patronal sobre Verbas com Natureza Indenizatória Conforme delimitação da regra matriz de incidência constante do artigo 195 da Constituição Federal, a incidência das contribuições previdenciárias se dá sobre a folha de salários e a expressão “demais rendimentos do trabalho” introduzida pela Emenda Constitucional nº 20 de 1998, deve ser interpretada como sendo inerente ao conceito legal de salários, o que não abrange as verbas indenizatórias que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias a teor da Súmula nº 60 de 08/12/2011 da Advocacia Geral da União, que diz respeito ao vale transporte, mas que pode ser aplicada também para abranger outras verbas indenizatórias como o auxílio alimentação e o seguro de vida. 2. O pagamento de vale refeição em pecúnia, não corresponde a uma contraprestação ao trabalho prestado pelo empregado, sendo uma indenização, conforme entendimento do STF, devendo ser excluído da presente autuação. A simples ausência do PAT não justifica o lançamento. 3. Da cesta básica Quanto ao fornecimento de cestas básicas sem a devida inscrição no PAT, sustenta que não deve persistir o lançamento de acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, objeto de Ato Declaratório, devendo se observar o disposto no art.26A, §6° , inciso II, alínea "a" do Decreto nº 70.235 de 1972. 4. Do Ato Jurídico Perfeito e da Ilegalidade – Nulidade da CDA por Extravasar a Base de Calculo Legalmente Imposta para Contribuições Previdenciárias Após tecer considerações sobre os princípios da legalidade, ato jurídico perfeito e cosia julgada, afirma que diante da utilização de base de cálculo indevida para o cálculo do montante devido, tornase imperioso a desconstituição do título executivo pela ausência de seus atributos básicos. 5. Considerada a utilização de base de cálculo indevida, para o cálculo do montante devido, mostrase imperiosa a desconstituição do título executivo, pela ausência de seus atributos básicos. 6. No caso do SEBRAE, concluise que não possuindo a mesma finalidade, não há que se falar em adicional de contribuição, mas de nova contribuição, da mesma espécie, mas devida a outra entidade, que dá destinação diversa ao produto de sua arrecadação. Não há duvida, portanto que a contribuição ao SEBRAE é ilegal, posto não ter sido instituída na conformidade do texto constitucional. 7. Indubitável, também que o objeto social da recorrente não integra os sujeitos passivos da relação jurídica descrita no art. 15, II da lei Complementar n. 11/71. 8. Da mesma forma há de se depreender que o salário educação é devido na alíquota aventada e incide sobre a remuneração paga ou creditada ao segurado. Todavia essa incidência não se dará sobre verbas de caráter indenizatório, mas somente sobre aquelas que tem escopo a remuneração e o acréscimo salarial. 9. O elemento constante desse item, ou seja, uma correlação lógica entre a contribuição exigida e algum benefício por parte de quem contribui (no caso a recorrente), indubitavelmente, não está presente em nenhuma das contribuições de terceiros. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 6 9 10. Da Aplicação do Principio da Verdade Real e Material ao Presente Caso Concreto e da Necessidade do Exercício do Poder Dever de Fiscalização pela Autoridade Competente Considera que houve arbitrariedade da fiscalização ao ignorar direitos e garantias do contribuinte, fazendo prevalecer sua vontade sobre a lei, como no caso de ter lançado contribuições sobre cestas básicas unicamente pela ausência de inscrição no PAT, sendo nítido que foi autuada com base em presunções, afastandose da verdade real e da tipicidade cerrada. 11. A autuação não pode levar em conta meras suposições ou aparências, mas deve ter como fundamento prova inconteste de que a infração efetivamente se deu. No presente caso, o AI não revela a verdade real da relação jurídica tributável. 12. A autoridade administrativa julgadora deverá julgar conforme os princípios e regras da CF/88.Assim, ao detectar a presença de qualquer inconstitucionalidade na lei que serviu de embasamento a autuação, seja porque há contrariedade a dispositivo da constituição ou porque há discrepância com algum princípio por ela consagrado, é seu dever absterse da aplicação da referida lei, porquanto sua autuação deve necessariamente estar atrelada aos ditames de nossa Carta Magna. 13. Dos Excessivos Patamares à Título de Multa Sustenta que sendo a base de cálculo do tributo exigido ilegal, a multa aplicada não pode subsistir ainda porque em patamares excessivos com efeito de confisco, devendo ser observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e se afastar o excesso na multa imposta. 14. Do Dever da Autoridade Julgadora em Eximirse da Aplicação de Dispositivo Legal Inconstitucional Reforça que as alegações de inconstitucionalidade de lei devem ser apreciadas pela autoridade administrativa e, sendo o caso, o julgador deve se eximir da aplicação da Lei dissonante da Lei Maior. 15. Requer em preliminar, a nulidade da autuação em relação a todos os AI que constituem o presente processo, ou em não sendo acolhida seja decretada a ilegalidade das autuações ; no mérito, a desconstituição do auto de infração por incorreção do valor do débito com a declaração da improcedência do lançamento, e caso não seja este o entendimento, a revisão da multa aplicada, pleiteando ainda a produção de provas, em especial a juntada posterior de documentos. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 872. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Inicialmente convém apreciar a nulidade apontada pelo recorrente, seja em relação ao lançamento encontrarse presumido, seja pela não apreciação da inconstitucionalidade. Quanto ao argumento preliminar de nulidade, entendo que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ausência de motivação, ou mesmo presunção. A nulidade deve ser declarada, quando viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destacase ter o auditor cumprido todos os passos necessários a realização do procedimento: tendo intimado o recorrente para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária e recolhimento realizados, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Tanto o relatório fiscal é claro, que o recorrente, tentou demonstrar que sobre determinadas verbas não haveria incidência de contribuições, posto não estarem dentro das exclusões previstas em lei. O relatório fiscal e demais documentos inclusos no presente AI se prestam a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. As bases de cálculo foram obtidas por meio do confronto entre o documento GFIP, folhas de pagamento e contabilidade, dessa forma, incabível qualquer arguição de incompetência do recorrente para figurar no polo passivo. Outra nulidade avençada pelo recorrente diz respeito a impossibilidade de indicar verbas indenizatórias como base de cálculo de contribuição, o que extrapola aos limes da CDA. Embora, sem apreciar a mérito não entendo que a indicação por parte da autoridade fiscal, importe qualquer nulidade. Desde que o auditor tenha se desincumbido de demonstrar os Fl. 885DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 7 11 fatos geradores apurados, as base de cálculo e a fundamentação legal, não há argumentos para decretar a nulidade do auto de infração. O fato de discordar da interpretação dada pelo auditor quanto a benefícios constituírem salário de contribuição não importa qualquer nulidade, devendo o recorrente demonstrar a impossibilidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADES Outra questão que deve ser afastada, diz respeito a apreciação de inconstitucionalidade requerida pelo recorrente, inclusive enfatizando a os motivos pelos quais entende ser incorreto o posicionamento do julgador de primeira instância que abstevese de apreciar a multa e a constitucionalidade das contribuições para terceiros. No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência, bem como a contribuição destinada a terceiros (seja para o SEBRAE ou INCRA) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO Inicialmente, convém já afastar os argumentos de que indevida a contribuição para o SEBRAE e INCRA, tendo em vista a incompetência deste colegiado para apreciar lei cuja constitucionalidade vem sendo arguida. Simplesmente alegar, ou mesmo repetir os argumentos já afastados pela autoridade julgadora não desconstituem o lançamento. O que de pronto se destaca, como já trazido nas preliminares é que o recorrente traz vasta argumentação, mas sem trazer registros contábeis ou quaisquer outras provas de seus argumentos para demostrar ter efetuado o recolhimento das contribuições. Aliás, conveniente mencionar que não serão apreciados todos os levantamentos e fato geradores apurados, considerando que parte deles não foi objeto de impugnação pelo recorrente. Vejamos trecho da referida decisão: Matéria Não Impugnada O impugnante não contesta a ocorrência dos fatos geradores relativos aos seguintes levantamentos: • Levantamento FP – pagamento de remunerações de empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP; • Levantamentos PA a PC pagamentos de pro labore aos sócios, constantes das folhas de pagamento/ ou contabilidade e diferenças de pro labore; • Levantamento PD e PD2pagamentos efetuados ao diretor nãoempregado Calisto Latif Fakouri; • Levantamento SP pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício por diversos serviços prestados; • Levantamento FR pagamentos a pessoas físicas por serviços de fretes (transportadores autônomos), contabilizados e não consignados em folhas de pagamento e nem declarados em GFIP; SP CAMPINAS DRJ Fl. 737 Matéria Não Impugnada O impugnante não contesta a ocorrência dos fatos geradores relativos aos seguintes levantamentos: • Levantamento FP – pagamento de remunerações de empregados, constantes das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP; • Levantamentos PA a PC pagamentos de pro labore aos sócios, constantes das folhas de pagamento/ ou contabilidade e diferenças de pro labore; • Levantamento PD e PD2pagamentos efetuados ao diretor nãoempregado Calisto Latif Fakouri; • Levantamento SP pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício por diversos serviços prestados; • Levantamento FR pagamentos a pessoas físicas por serviços de fretes (transportadores autônomos), Fl. 887DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 8 13 contabilizados e não consignados em folhas de pagamento e nem declarados em GFIP; SP CAMPINAS DRJ Fl. 737 DA DEFINIÇÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar o que constitui salário de contribuição para efeitos previdenciários. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário decontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Fl. 888DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 889DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 9 15 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 890DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, para que as verbas transporte e alimentação não constituírem base de cálculo, devem ser fornecidas, na estrita observância da lei, o que passamos a apreciar individualmente: TRANSPORTE Após essa breve definição de salário, convémnos mencionar que a base do lançamento diz respeito aos empregados que recebem vale transporte EM PECÚNIA. Ressaltese que a concessão de vale transporte possui legislação própria. Inicialmente, o benefício intitulado valetransporte foi instituído pela Lei n.º 7.418, de 16/12/1985, que, em seu artigos 4º e 5º, prescreve: “Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) Art. 5º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (artigo alterado pela Lei 7.619/97) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico.” Contudo, embora sempre tenha encaminhado meus votos acerca do tema “vale transporte”, no sentido da estrita observância dos preceitos da lei 8.212/91 e da legislação específica sobre vale transporte, entendo que a apreciação do tema, merece ultrapassar o Fl. 891DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 10 17 simples texto legal, inclusive, posto ter a Advocacia Geral da União editado súmula específica sobre o tema. A advocacia Geral da União, editou em dezembro de 2011, súmula que trata da matéria. SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 (*)Publicada no DOU Seção I, de 09/12/2011"Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba".REFERÊNCIAS:Legislação Pertinente: CF, artigos 5º, II, 7º, IV, XXVI, 150, I, 195, I, "a", 201, § 11; Lei nº 7.418/85, artigo 2º; Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e 9º, "f"; Decreto nº 95.247/87, artigos 5º e 6º; Decreto nº 3.048/99, artigo 214, § 10. Não fosse apenas esse o evento a levarmos em consideração para determinar a natureza salarial da verba, transcrevo voto do ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de forma profícua aborda o tema, da maneira como os tribunais, vem se pronunciando sobre a natureza da verba (Acordão 240102092 de 26 de outubro de 2011): DO VALE TRANSPORTE – NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a autoridade lançadora ao lavrar a presente autuação admitiu como fato gerador das contribuições exigidas os valores pagos pela empresa aos funcionários a título de ValeTransporte, consubstanciados nos seguintes levantamentos: Em suas razões recursais, precipuamente, aduz a contribuinte que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ValeTransporte possuem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada Fl. 892DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” É bem verdade que a decisão com sua ementa acima transcrita não transitou em julgado, ou seja, não se tornou definitiva, de maneira a fazer incidir o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Destarte, extraise do andamento processual no site do Supremo Tribunal Federal que o Acórdão em comento fora objeto de Embargos de Declaração por parte da Procuradoria, estando, desde 13/06/2011, concluso para o Relator. Assim, em tese, não seria viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da não definitividade de tal decisão. Entrementes, é de bom alvitre destacar que o Superior Tribunal de Justiça, que já vinha reconhecendo a natureza indenizatória da verba em questão, salvo quando concedida em pecúnia, vem reiterando sua conclusão, adotando, inclusive, o entendimento do STF, quando o pagamento se der em espécie, o que não seria capaz de desnaturar seu caráter indenizatório, como se observa dos recentes julgados com as seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (Resp 1.066.682/SP). VALETRANSPORTE. VALOR PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção, em recurso especial representativo de controvérsia, processado e julgado sob o regime do art. 543C do CPC, proclamou o entendimento no sentido de ser legítimo o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a partir do início da vigência da Lei 8.620/93 (REsp 1.066.682/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 1º/2/10) Fl. 893DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 11 19 2. O Superior Tribunal de Justiça reviu seu entendimento para, alinhandose ao adotado pelo Supremo Tribunal Federal, firmar compreensão segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte devido ao trabalhador, ainda que pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. 3. Agravo regimental parcialmente provido.” (Primeira Turma do STJ, AgRg no REsp 898932 / PR, Rel.: Ministro Arnaldo Esteves Lima – Dje 14/09/2011 – Unânime) (grifamos) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR 1. Com a decisão tomada pela Excelsa Corte, no RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, em que se concluiu ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, houve revisão da jurisprudência deste Tribunal Superior, a fim de se adequar ao precedente citado. Assim, não merece acolhida a pretensão da recorrente, de reconhecimento de que, "se pago em dinheiro o benefício do valetransporte ao empregado, deve este valor ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias". 2. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 25.3.2011; e AR 3.394/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.9.2010. 3. Recurso especial não provido.” (Segunda Turma do STJ REsp 1257192 / SC, Rel.: Ministro Mauro Campbell Marques – Dje de 15/08/2001 Unânime) (grifamos) Partindo dessas premissas, inobstante ainda não ter ocorrido a definitividade da decisão do STF a propósito do tema, em face de oposição de Embargos de Declaração, além da remotíssima possibilidade de reforma do julgado, com acolhimento de efeitos infringentes ao recurso da Procuradoria, não podemos olvidar que o próprio Superior Tribunal de Justiça já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, não fazendo sentido a esta Corte Administrativa aguardar um simples formalismo processual, em detrimento ao entendimento dos dois Órgãos máximos do Poder Judiciário, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. Mais a mais, a jurisprudência deste Colegiado é firme e mansa no sentido de acolher entendimentos já sedimentados no âmbito dos Tribunais Superiores, senão vejamos: “NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é competente para apreciar matéria constitucional. No entanto, a constitucionalidade das leis deve ser presumida e apenas quando pacífica a jurisprudência, consolidada pelo STF, será merecida consideração da esfera administrativa. Preliminar rejeitada. COFINS. Em Sessão plenária de 01.12.93, no julgamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em decisão unânime, declarou constitucional a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, criada pela Lei Complementar nº 70/91. Recurso negado.” (3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Processo n° 10880.041416/9373, Acórdão n° 20308023 – Rel.: Lina Maria Vieira) Encampando o entendimento acima, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF já se manifestou a respeito do tema, adotando Fl. 894DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 posicionamento consolidado na esfera Judicial, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de ValeTransporte, como segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2006 VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDEN1ZATÓRIA. NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO, DECRETO 95,247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85, O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto n. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n, 7.418/85. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.” (1a TO da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 14041.001392/200818 – Acórdão n° 230101.476, Sessão de 08/06/2010) (grifamos) Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida à natureza indenizatória do Vale Transporte, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, impondo seja excluído do crédito tributário referida rubrica. Assim, considerando a súmula da AGU, entendo que não se faz necessário apreciar o mérito se o valor constituiria ou não remuneração, posto o entendimento de a própria verba encontrarse, em sua totalidade excluída do conceito de salário de contribuição. QUANTO AO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA Para decidir a questão em relação observase que existe o lançamento tanto da parcela paga em dinheiro, como da alimentação fornecida em cestas, mas ambas sem a devida inscrição no PAT. O fato de manter o lançamento de despesas com alimentação fornecidas aos empregados in natura, pela simples ausência de inscrição no PAT, tem sido relevado ultimamente considerando os termos do Ato 03/2011 da PGFN. Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Assim, prevê a legislação: A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Fl. 895DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 12 21 Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, enquanto a empresa não efetuar a apresentação do documento hábil, ao qual se refere o decreto encimado, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Ao não apresentar a devida inscrição no PAT, deixou o recorrente de cumprir o disposto na legislação para excluir a verba da base de cálculo, razão pela qual a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da contribuição devida. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes de apreciar o mérito da procedência da base de cálculo. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto desse lançamento descrito pelo julgador a quo, ou seja é “in natura”. Tanto no relatório fiscal, como no julgamento de primeira instância, observamos que a empresa fornece, ou alimentação in natura, por meio da contabilização de refeições. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrase em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo deve ser aplicado para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº Fl. 896DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Já para o valor de alimentação pago em dinheiro não há como afastar o lançamento realizado, muito menos aplicar o referido parecer, vez que demonstrado pagamento em dinheiro. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. QUANTO A TAXA SELIC E MULTA IMPOSTA Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 897DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 13 23 Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MULTA APLICADA Quanto a multa aplicada no presente lançamento observouse a prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, a partir de 12/2008 ou quando mais benéficas no caso de infrações correlatas. Nas competências de 01 a 11/2008, foi aplicada a legislação anterior, com multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento), e separadamente as multas previstas para o caso de descumprimento das obrigações acessórias vinculadas à declaração, pois, embora tenham fato Fl. 898DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 gerador antecedente à MP Nº 449/08, as declarações em GFIP foram retificadas, em infração à legislação, já em sua vigência. Na competência 12/2008 e 13/2008, os fatos já se deram em plena vigência das alterações supra referidas, aplicandose diretamente a multa de ofício de 75%, igualmente nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Ainda com relação a multa, conforme descrito nos itens 11, 12 e 15, os livros contábeis empresariais e as folhas de pagamento, solicitados através do TIPF, de 27/02/2012, não foram apresentados em meio digital, descumprindo a obrigação legal prevista nos artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, da qual somente estão exclusas as empresas optantes pelo SIMPLES. Esta falta implica o agravamento da multa de ofício, conforme o disposto no inciso II do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual remete o art. 35A da Lei nº 8.212/91. Por conseguinte, foi agravada a multa de ofício aplicada no lançamento das Contribuições Previdenciárias apuradas para as competências 12 e 13/2008, estando apenas estas sujeitas diretamente à nova legislação. Quanto ao agravamento da multa, o dispositivo legal que devemos apreciar, para identificar a correta aplicação é o art. 44, § 2o da lei 9430. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Observemos, que não procedeu a autoridade fiscal a aplicação de outro auto de infração relacionado a mesma conduta, qual seja, omitir documentos durante o procedimento fiscal. O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Destaco, aqui trecho do acordão n. 9202002768 de relatoria da Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, onde fica demonstrada a função do agravamento em questão: a) com efeito, pode, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte apresente extratos bancários, como pode buscar tais informações diretamente junto às instituições financeiras; b) caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscalas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expede as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; Fl. 899DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722754/201254 Acórdão n.º 2401003.193 S2C4T1 Fl. 14 25 c) no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; d) neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma. e) como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias, já para o período posterior prevê a nova legislação a multa de ofício nos molde como aplicada.. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos do voto proferido. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento; e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir dos AIOP as contribuições incidentes sobre despesas com alimentação in natura (cestas básicas), bem como o valor transporte, nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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