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Numero do processo: 13005.000586/2006-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2006
ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não basta, para caracterizar erro por parte do Fisco, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não basta, para caracterizar erro por parte do Fisco, a simples alegação do contribuinte. Há necessidade de apresentação de robusto conjunto de provas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 2ª Turma da DRJ/Santa Maria (efl. 1122 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 05 86 /2 00 6- 16 Fl. 1152DF CARF MF 2 O presente processo foi inicialmente formalizado para verificação de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, tendo sido instruído com demonstrativos de valores de PIS e COFINS e documentos. Percorridos os trâmites, a sociedade transmitiu os PER/DCOMPs que estão relacionados na Tabela I de fl. 889/v, que foram objeto de análise e acompanhamento pelo Órgão de origem. Este emitiu o Despacho Decisório_ DRF/SCS/ n° 136, de 29/03/2010 (fls. 889/893), onde: 1 1, a) homologou as compensações declaradas por iniciativa da contribuinte mediante DCOMPs, de débitos de PIS e COFINS relacionados na Tabela IV (fl. 893) com crédito daquelas contribuições oriundo do Mandado de Segurança n° 1999.71.11.0023456; • b) homologou parcialmente a compensação declarada por iniciativa da contribuinte mediante DCOMP, de débito de COFINS relacionado na Tabela V (fl. 893) com crédito daquelas contribuições oriundo do Mandado de Segurança n° 1999.71.11.0023456, até o limite do crédito disponível; c) não homologou as compensações declaradas por iniciativa da contribuinte mediante DCOMPs, de débitos de PIS e COFINS relacionados na Tabela VI (fl.893), ante a insuficiência de crédito daquelas contribuições oriundo do Mandado de Segurança n° 1999.71.11.0023456. Foi determinada a ciência à interessada, bem como a emissão de intimação¡para pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, nos termos da legislação de regência. A seguir foram anexados documentos relativos ao processamento das compensações homologadas e emitidas a Carta Cobrança de fl. 907 e o documento de cientificação de fl. 909, do qual a sociedade tomou ciência em 08/04/2010 (AR de fl. 910). Não conformada com a decisão administrativa, apresentou ela em 13/04/2010 — fls. 911/917 — sua manifestação contrária, onde argumenta: 1. OBJETO DA DISCUSSÃO • após o transito em julgado do Mandado de Segurança n° 1999.71.11.0024928 que ocorreu em 24/02/2006, a sociedade apurou um saldo a compensar (em 08/2006) de R$ 2.146,42 (PIS) e R$ 9.908,47 (COFINS), num montante total de R$ 12.054,47. Tal valor constou de atos administrativos (Parecer, Despacho Decisório e Pedido de Habilitação); • as compensações foram operadas através de DCOMPs, com os respectivos registros contábeis que as comprovam; • a sociedade, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, apresentou • comprovantes de retenção de PIS, COFINS e CSLL Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 13005.000586/200616 Acórdão n.º 3001000.059 S3C0T1 Fl. 3 3 sobre os pagamentos recebidos de pessoas jurídicas no período entre fevereiro de 2004 a junho de 2006; • o Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas, ao entendimento de que não serviriam para comprovação das retenções e pagamentos que lhe foram feitas por tomadores de serviços, os DARFs correspondentes aos pagamentos devidos por substitutos tributários. Registra parte do Despacho Decisório; • a sociedade discorda dá glosa procedida pelas razões a seguir. II. PRELIMINARMENTE A) SOMENTE COMPENSOU AQUILO QUE LHE FOI ESTABELECIDO PELO PARECER/SCS/RS/SACAT No .14812006, PELO DESPACHO DECISÓRIO DRF/SCS/RS N ° 03312006 E RESPECTIVA HABILITAÇÃO DE CRÉDITO • a sociedade, com o trânsito em julgado do processo judicial que deu • origem ao crédito, o habilitou previamente junto à RFB. O Parecer/SCS/RS/SACAT n° 148/2006, o Despacho Decisório DRI ,/SCS/RS n° 033/2006 e a respectiva Habilitação de Crédito constituíram integralmente o crédito posteriormente compensado. Assim, ao analisar a compensação, somente estes contornos poderiam servir de parâmetro de avaliação, donde a RFB somente poderia apurar se o crédito constante daqueles atos administrativos foram compensados regularmente; • nenhuma finalidade teria a prévia habilitação do crédito auferido por decisão judicial à compensação. Por isto, qualquer análise fora dos contornos da habilitação é nula. 11) AS GLOSAS DE RETENÇÕES POR SEUS TOMADORES REMETEM A PERÍODOS SUPERIORES A 5 ANOS, O QUE REPRESENTA A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE APURAR TAIS EXAÇÕES • as glosas de retenções supostamente não comprovadas remontam ao ano de 2004, devendo ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, carecendo ao Fisco o direito de constituir aqueles créditos tributários. C) PELO FATO DE QUE COM SEDE NESTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NÃO PODERIA A RFB GERAR LANÇAMENTO • trata o presente procedimento de compensação originada de prévia habilitação de crédito decorrente de ação judicial, onde a autoridade fiscal glosou créditos da sociedade. Na prática a Administração se excedeu ao reconvir sem que houvesse previsão nas regras do PAT (sic), ferindo os arts. 142 do CTN e 44 da Lei n° 9.430 (de 1996). E mais, mediante procedimento semelhante a uma compensação de ofício, com créditos que jamais foram constituídos ou confessados pela sociedade. Ademais, o valor glosado foi recolhido pelo substituto tributário, Fl. 1154DF CARF MF 4 ou seja, sequer era do encargo da sociedade o seu recolhimento. Registra parte de decisão do Conselho de Contribuintes; • por ter inocorrido o lançamento nos moldes dos arts. 142 do CTN e 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a cobrança decorrente do Despacho atacado deve ser afastada. o III . MÉRITO A) O DESPACHO DECISÓRIO ATRIBUI À MANIFESTANTE, CONDUTA PRÓPRIA DO SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO, A QUAL A MANIFESTANTE NÃO TEM QUALQUER DOMÍNIO. ADEMAIS, A TÉCNICA DE ARRECADAÇÃO DENOMINADA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA É PRATICADA COM O INTUITO DE CENTRALIZAR NO SUBSTITUTO (E NÃO NO SUBSTITUÍDO) E PAGADOR DOS IMPOSTOS A FISCALIZAÇÃO • uma técnica muito difundida pela legislação é a substituição tributária. Na prestação de serviços, o tomador fica com o encargo de reter e pagar o PIS e a COFINS e o prestador de serviços pode compensálo. Assim, o tomador dos serviços ao ser fiscalizado, se não efetivar o pagamento, terá o crédito lançado; • o que ocorreu no presente caso foi o lançamento diretamente no prestador de serviços, pela ausência de apresentação pelo tomador dos serviços da declaração denominada DIRF, onde são ` informadas as retenções e beneficiários. Notese que esta obrigação é exclusivamente atribuível ao tomador dos serviços; o • a sociedade, instada a provar a retenção, apresentou à RFB o que lhe era possível, ou seja, cópia dos documentos fiscais que provam o destaque e a retenção e, ainda, os DARFs correspondentes àqueles pagamentos exigidos pelo Fisco; • se faltante a apresentação de DIRF (e comprovação das respectivas exações) a que estão obrigados os tomadores de serviços, incumbia ao Fisco lançar os tributos e obrigações acessórias contra estes. Logo, a pretensão fiscal contra a sociedade é indevida. 11) PELA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS PELO TOMADOR DOS SERVIÇOS DA MANIFESTANTE • para provar que houve a retenção e os pagamentos respectivos, a sociedade acosta os documentos fiscais que dão conta da retenção e documento de arrecadação que prova o pagamento, demonstrando seguramente o bis in idem pretendido pelo Fisco, que deverá ser censurado em decorrência desta manifestação. Então, a DRJ/Santa Maria apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não se estendendo a questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 13005.000586/200616 Acórdão n.º 3001000.059 S3C0T1 Fl. 4 5 RETENÇÃO NA FONTE. PRESTADORAS DE SERVIÇOS. PESSOAS JURÍDICAS TOMADORAS DOS SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que as receitas forem tributadas. O fato de as. pessoas jurídicas tomadoras dos serviços estarem obrigados a efetuar a retenção, não é suficiente para garantir o direito à compensação. A prestadora do serviço precisa comprovar que houve, de fato, a retenção, apresentando os comprovantes de pagamento em que conste os valores retidos, o Comprovante Anual de Rendimentos ou por meio da Declaração de Informações (DIRF) prestada à RFB pela fonte pagadora. Inexistente a comprovação, deve ser mantida a glosa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente, em síntese, repetiu as argumentações anteriormente trazidas ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O valor em litígio é de R$ R$ 12.054,89 (efl. 4), dentro do limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF, de sessenta salários mínimos, atualmente R$ 56.220,00, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Procedamos à analise das alegações trazidas pela Recorrente ao p.p. no Recurso Voluntário: a) "somente compensou somente aquilo que lhe foi estabelecido pelos Parecer DRF/SCS/RS/SACAT 14812006, Despacho Decisório DRF/SCS/RS 03312006 e respectiva Habilitação de Crédito" Quando o crédito for oriundo de decisão judicial transitada em julgado, fazse necessária sua prévia habilitação nos termos do art. 51 da IN SRF n° 600, de 2005 (em Fl. 1156DF CARF MF 6 vigência à época dos fatos) para que este crédito possa ser utilizado em Declaração de Compensação ou pedidos de restituição ou ressarcimento. É um procedimento no qual apenas são filtrados os vícios evidentes, de forma objetiva. Assim, o processo de habilitação resta caracterizado por um juízo apenas sobre os requisitos mínimos para recepção, pela RFB, do PER/DCOMP, sem qualquer comprometimento com o mérito da futura decisão sobre sua homologação. São analisados, tão somente, se estão presentes os requisitos mínimos para a recepção do Pedido de Habilitação. O § 6° do artigo citado prescreveu que o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação. Assim, não assiste razão à Recorrente. b) "as glosas de retenções realizadas por seus tomadores remetem a períodos superiores a 5 anos, o que representa a decadência do direto do FISCO de apurar tais exações". Aqui a Recorrente faz uma inversão da interpretação do instituto da decadência. O Fisco tem 5 anos para analisar o pedido de compensação feito pelo contribuinte a partir da apresentação do Perdcomp. O contribuinte é que tem até 5 anos da ocorrência do fato (pagamento de tributo a maior, por exemplo) para apresentar seu pedido de compensação. O direito de o Fisco não homologar o pedido é de 5 anos após a sua apresentação. Não poderia ser diferente. Imaginemos uma situação na qual haja o pagamento do tributo em 01/09/xx05. O contribuinte apresenta um PERDComp solicitando a compensação desse tributo em 30/08/xx10. Se seguíssemos a interpretação da Recorrente, no dia seguinte, 01/09/xx10, o Fisco veria decair seu direito de não homologar o pedido do contribuinte. Tal situação caracterizaria, por óbvio, um absurdo. Assim, não assiste razão à Recorrente. c) "pelo fato de que com sede neste processo administrativo não poderia a RFB gerar lançamento decorrente de fatos geradores diversos" Em relação a esse tema, a Recorrente não trouxe ao p.p. nenhum elemento que pudesse demonstrar essa alegação, de que a RFB teria gerado " lançamento decorrente de fatos geradores diversos". Não assim, elementos mínimos para que o julgador pudesse analisar a pretensão da Recorrente. d) "O r. Despacho Decisório atribui à recorrente , conduta própria do substituto tributário , a qual esta não tem qualquer domínio. Ademais, a técnica de arrecadação denominada substituição tributária é praticada com o intuito de centralizar no substituto (e não no substituído) e pagador dos impostos a fiscalização pela comprovação do pagamento dos tributos pelo tomador dos serviços da recorrente " Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13005.000586/200616 Acórdão n.º 3001000.059 S3C0T1 Fl. 5 7 O instituto da substituição tributária decorre do art. 128 do CTN. Lá há a demarcação do universo de pessoas que poderão figurar como substitutos, havendo restrição de escolha do legislador apenas dentre aquelas vinculadas ao evento que serve de substrato à descrição fática contida na hipótese tributária, com exceção do contribuinte. A a substituição tributária caracterizase como uma técnica de arrecadação de tributos que consiste na atribuição a determinado sujeito da condição de responsável pelo cumprimento da obrigação tributária que normalmente seria de outro. Assim, o o responsável tributário fica com o encargo de tomar as providências necessárias à realização do recolhimento. É também sujeito passivo da obrigação tributária. O fato de as pessoas jurídicas tomadoras dos serviços estarem obrigados a efetuar a retenção, conforme art. 30 e seguintes da Lei n° 10.833, de 2003, não é suficiente para garantir o direito à compensação. Seria necessário que a pessoa jurídica prestadora dos serviços comprovasse, através de documentação hábil e idônea, que houve, de fato, a retenção, mormente quando não constam nos arquivos da RFB, as informações, pelas pessoas jurídicas tomadoras dos serviços, das retenções referenciadas. Assim já julgou o CARF em várias oportunidades, das quais escolhi duas, a título de exemplo: RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE. Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. (Acórdão nº 9101 002876 Câmara Superior de Recursos Fiscais1ªTurmaSessão de 6 de junho de2017) RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Para fins de aproveitamento de valores retidos a título de antecipação na determinação do saldo a pagar do tributo ou contribuição, é essencial que o contribuinte comprove a citada retenção, seja por meio dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, seja na forma autorizada pelas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal (cópia do DARF, contendo a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços parágrafo 1º do art. 31 da IN SRF nº 480, de 2004, vigente à época da ocorrência dos fatos tratados nos autos, ou, parágrafo 1º do art. 37 da IN SRF nº 1.234, de 2012, atualmente em vigor). À Fl. 1158DF CARF MF 8 evidência, os valores passíveis de aproveitamento são aqueles incidentes sobre rendimentos que integraram a base de cálculo do imposto ou contribuição cujo saldo é objeto de determinação. 1301001.711 26/11/2014 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária. A Recorrente não conseguiu trazer aos autos provas de que o tomador dos serviços tenha retido e recolhido os valores devidos de COFINS. Assim, não há como acatar o seu pedido. Com base no exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 1159DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.905182/2010-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.699
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 82 /2 01 0- 95 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10480.905182/201095 Acórdão n.º 9303005.699 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.359, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10480.905182/201095 Acórdão n.º 9303005.699 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10480.905182/201095 Acórdão n.º 9303005.699 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35220.000301/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/05/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/05/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 0. 00 03 01 /2 00 6- 27 Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 35220.000301/200627 Acórdão n.º 2202004.290 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13133.000380/95-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Retifica-se o Acórdão nº303-29.469, cuja ementa passa a ter a Seguinte redação: "ITR/94. VTN.
Apresentado laudo não convincente para a revisão do VTNm.
adotado no lançamento, mas que serve como mais um indício de que
o valor da. terra nua foi declarado em montante muito superior ao
real, existindo erro de fato na declaração. Dado provimento ao
recurso para acatar o VTN dele constante tão somente por retratar o pedido da recorrente e por se tratar de valor de terra nua superior ao minimo estabelecido pela Receita Federal.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 303-29.469
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira câmara ao Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios ao.Acórdão nº303-29.469, de 18/10/00, com efeitos infringentes e alterar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário,nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Retifica-se o Acórdão nº303-29.469, cuja ementa passa a ter a Seguinte redação: "ITR/94. VTN. Apresentado laudo não convincente para a revisão do VTNm. adotado no lançamento, mas que serve como mais um indício de que o valor da. terra nua foi declarado em montante muito superior ao real, existindo erro de fato na declaração. Dado provimento ao recurso para acatar o VTN dele constante tão somente por retratar o pedido da recorrente e por se tratar de valor de terra nua superior ao minimo estabelecido pela Receita Federal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
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decisao_txt : DECIDEM os Membros da Terceira câmara ao Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios ao.Acórdão nº303-29.469, de 18/10/00, com efeitos infringentes e alterar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário,nos termos do voto da Relatora.
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TERCEIRO Cç>NSELHO D:ECONTRIBUINTES.TERCEIRA CAMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓJIDÃO N° 303-29.469 Processo N° . 13133.Q00380/95-81 Recurso N° . 120.935 EÓlbarganteF AZENDA NACIONAL Embargada Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Retifica-se o Acórdão nO..303. 29.469, cuja ementa passa a ter a Seguinte redação: "ITR/94. VTN. Apresentado laudo não convincente para a revisão do VTNm. adotado no lançamento, mas que serve como mais um indício de que .o valor da. terra nua foi declarado em montante muito superior ao real, existindo erro de fato na declaração. Dado provimento ao recurso .para acatar o VTN dele constante tão somente por retratar o pedido da recorrente e por se tratar de valor de terra nua superior ao minimo estabelecido pela Receita Federal." . / EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interPostos por: FAZENDA NACIONAL., DECIDEM os Membros da Terceira Câníara ao Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios ao. Acórdão nO 303-29.469, de 18/10/00, com efeitos infringentes e alterar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário,' nos termos do voto da .Relatora. ~~~~E~DAUDTPID~r.O Presidente e Relatora Formalizado em: 19 JUL 20lE Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zénaldo' Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, MarcielEder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges .. b1Iç •• • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-29.469 Processo N" . 13133.000380/95-8\ Recurso N" \20.935 . Embargante fAZENDA NACIONAL RELATÓRIO . , O Acórdão nO303-29.469, de \8/10/2000, foi objeto de embargos por parte da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Analisando os embargos, o então PresideI1te desta Câmara, Ilustre Conselheiro João Holanda Costa, houve por bemacolhêeJos e designou esta Conselheira para relatar novamente na Câmara. Entretanto, para evitar cerceamento do direito de defesa, o processo foi retirado de pauta e foi dada ciência ao contribuinte do inteiro teor do acórdão, dos embargos e.do despacho de admissão .. 0 processo retomou com contra-razões apresentadas pelo sujeito passivo., A embargante alega que no acórdão em pauta existe contradição, pois o relator, ao mesmo tempo em que reconhece que não podem ser considerados os laudos das prefeituras como documentos idôneos para alterar a base de cãlculo, ,deu provimento parcial ao recurso para alterar o VTN declarado, com base nas informações prestadas pela Prefeitura de Rio Verde. " Nas contra-razões, o contribuinte defende ser o laudo apresentado tecnicamente apto para embasar e sustentar a decisão do acórdão. Pede que, caso não seja assim entendido, que seja aBerto prazo para o oferecimento de novo laudo .. . A meu ver, o acórdão embargado deve ser reformulado, tendo em vista a existência de contradição no mesmo; Transcrevo, do voto, o seguinte excerto: "Não tendo sido apresentado o' Laudo de Avaliação pelo recorrente , e diante da inexistência, nos autos,' de elementos que permitam a apuração do real valor da terra nua do imóvel em comento, não resta outra alternativa a este Colegiado que não. seja a utilização do VTNm do exercício de \994, fixado pela Prefeitura do Município de Rio Verde/GO." ' Não restam dúvidas quanto à contradição existente, ainda mais quando considetado que: 1-) prefeituras não estabelecem valores de terras nuas mínimos; 2-) se foi acatado o VTN constante do laudo da Prefeitura de Rio Verde, não há que se falar em prõvimento parcial ao recurso. . Portanto, acolho os embargos para emitir meu voto a respeito. Éo relatório. ~ 2 '. ". / <. ,, ~MBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° ~03-29.469 Processo N° 13133.00038,0/95-81 . Rec~o N° 120.935 " VOTO , Conselheira Anelise Daudt Prieto, Relatora O contribuinte, reconh~cendo que cometera erro ao preencher a Declaração do Imposto Territorial Rural, exercício de 1994, apresentou impugnação ao lançamento acompanhaçlo de Laudo emitido pela, Prefeitura do Município. A " autoridade monocrática não apreciou a matéria, sob a alegação de que a retificação da declaração após ier sido notificado o lançamento iria de encontro ao disposto no parágrafo 1° do artigo 147 do Código Tribútário Nacional. , Entretanto, tratava-se de impugnação e não de solicitação de retificação <ie,declaração e, de acprdo com o disposto no artigo 145, inciso I, do mesmo diploma legal, o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo 'pode ser alterado em virtude de impugnação por ele apresentada. Conforme a Notificação de Lançamento de fi. 02, o Valor da Terra Nua (VTN) declarado é de 2.965.729,34 Unidades Fiscais de Referênciá (UFIR). Tal valor foi considerado para0 lançamento, em obediçncia ao disposto na Lei 8.847/94, pois era superior ao Valor da Terra Nua mínimo por hectare, fixado pela Secretaria da ' Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF n.O 16, de 27/03/95: com ele não conflitando. . . . Com efeito, considerando que a área do imóvel é de 392,2 hectares, a relação VTN declarado por hectare é de 7.56Í,78, enquanto que o VTNm de Rio Verde é de 287,55 UFIRlHiL Entretanto, tal diferença, que faz 'com que o declarado chegue a mais de 26 vezes o mímmo, evidencia claramente a existência de erro de ,fato, no que conceme ao valor real da terra nUa. ' , Com base ,no Laudo de fi. 05, emitido pela Prefeitura Municipal de Rio Verde, o contribuinte alega que o valor correto seria de 194.197,83 UFIR. Neste caso, o VTN por hectare chegaria a 495,15 UI;IR, superior ao VlN mínimo para o municlpio, acima citado., Reza o artigo 29 do Decreto n.° 7Q.235/72 que "na apreciação da , prova, a àutoridade julgadora firmará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Entendo que 'laudo apto para a comprQvação do VTN da. propriedade deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais e Engenharia, Arquitetura e Agronomia e, ,de acordo com o disposto no artigo 1Ó da Lei n°,6.496177, está sujeito à Anotação de Responsabilidade; Técnica -: ART; ~ 3 ' EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-29.469 Processo N° 13133.000380/95-8L Recurso N" : 120.935 (~ . .Dele deve constar a metodologia aplicada para a avaliação, bem' como os níveis de precisão adotados. O imóvel tem que estar caracterizado e . individualizado, inclusive com o estado da propriedade objeto da avaliação. 'Como . decorrência da vistoria, há necessidade de que fique caracterizada, também, a região em que está localizada a propriedade. Quanto à pesquisa de valores, pre.cisam estar identificadas as fontes das informações adotadas. Obviamente, deverá referir-se à data da ocorrênci~ do fato gerador do tributo. . In' casu, o laudo apresentado não me convence. Não demonstra os métodos de avaliação e as fontes de informação, dos valores paI1ldigmas utilizados para o cãIculo do valor da terra nua do imóvel em questão, entre outros requisitos. Entretanto, serve como mais um elemento pÍlra a constatação de que ocorreu o erro de fáto alegado pela Recorrente. E reflete exatamente o pedido realizado, que é o da consideração de um valor de terra nua de 495, I5 UFIRJha, superior inclusive ao do VTN mínimo para o município, de 287,55 UFIRlha. ' Portanto, em que pese entender qUe o laudo apresentado não está revestido dos requisitos necessários para a revisão do valor da terra )nua para um montante inferior ao do VTN mínimo, entendo que deve $er dado provimento ao recurso para acatar o VTN dele constante tão somente por retratar o pedido da recorrente e por' se tratar de valor de terra nua superior ao mínimo estabelecido pela Receita Federal" Decisão no sentido de acatar o VTNm seria ultra petita, o que é ipaceitável no âmbito do direito processual. Pelo exposto, acolho os embargos com efeitos infringentes e altero o resultado' do julgado de' "dar provimento parcial ao recurso voluntário" para "dar provimento ao recurso voluntário". O,bservo que, apesar de constar do acórdão embargado que estava sendo dado provimento parciaI ao recurso voluntário, 'na verdade o ITR que decorreria da àdoção do VTNm, conforme lá constava, seria inferiorao que resultará. da presente decisão. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2005 ) ) I I. , 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910696/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 96 /2 01 1- 01 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.306, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910696/201101 Acórdão n.º 3402004.562 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908255/2011-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 55 /2 01 1- 26 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.740, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.908255/201126 Acórdão n.º 9303006.186 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000065/2009-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14120.000065/200940 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.879 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORIFICO PERI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 65 /2 00 9- 40 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 253DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 254DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 255DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 257DF CARF MF Processo nº 14120.000065/200940 Acórdão n.º 9202005.879 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902708/2015-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea.
Numero da decisão: 1402-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Ailton Neves da Silva, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 08 /2 01 5- 49 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1672.950, julgado em 19 de maio de 2016, pela 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, complementandoo com as pertinentes atualizações processuais. A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de pagamento indevido de IRPJ, referente ao anocalendário de 2011 (PA de 30/05), no montante de R$ 21.286.091,31 para a compensação de débitos. A DEINF/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.90) não homologando as compensações informadas em DCOMP. A não homologação das compensações deuse pelo motivo exposto a seguir: A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 14/07/2015 (fl. 89) e dela recorreu a esta DRJ em 13/08/2015 (fls. 02/20). As alegações da interessada são resumidas a seguir: A presente decisão administrativa é nula em razão de não estar devidamente infirmadas as explicações deduzidas pela requerente; A requerente incluiu, por equívoco, alguns resultados positivos referente aos contratos de “SWAP – SCC” na apuração das estimativas mensais mesmo não ocorrendo a liquidação das respectivas operações; A tributação das operações de SWAP somente ocorrem quando da liquidação dos contratos; A contribuinte excluiu os valores referentes aos contratos de SWAP não liquidados da base de cálculo do lucro real do PA de 05/2011; Todos os processos, os quais tratam do prejuízo fiscal e utilização de ágio, os quais foram mencionados pela Fiscalização, estão ativos, pendentes de apreciação, portanto, não podem ser glosados; A glosa de do prejuízo fiscal e utilização de ágio ocasiona a oneração dupla da requerente por apenas uma suposta infração tributária; Os processos pendentes relacionados a presente demanda devem ser sobrestados até a decisão definitiva das lides. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 187 3 A Manifestação de Inconformidade do contribuinte foi julgada totalmente improcedente, não tendo sido reconhecido o direito creditório do fiscalizado. O argumento de nulidade trazido por ele, foi afastado pela autoridade julgadora de primeira instância com base no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. No mérito, a autoridade julgadora, com base nos requisitos de liquidez e certeza dos créditos para compensação, previstos no artigo 170 do CTN, determinou a necessidade de comprovação por meio de documentação hábil e idõnea quanto às informações de dados declarados. Concordando com a fiscalização, a autoridade julgadora administrativa entendeu que, frente ao equívoco do contribuinte, a retificação da DCTF não seria suficiente para comprovar a liquidez e certeza do crédito alegado por ele; fundamentou seu argumento no artigo 147, §1º do CTN. Ainda, na matéria de mérito, a decisão de 1ª instância afastou o argumento sobre a bitributação, sob a seguinte fundamentação (efl. 108): "Referido argumento não merece prosperar, uma vez que a glosa dos mencionados valores interfere na apuração do lucro real e, consequentemente, na quantificação da estimativa mensal. A liquidez e certeza do direito creditório deve ser aferida não se admitindo em sua composição parcelas pendentes de decisão." O pleito de sobrestamento também foi indeferido com base no Decreto nº 70.235/72 e no argumento de que a análise de concessão do direito creditório pleiteado no presente processo só será reconhecível no caso de haver decisão favorável dos processos pendentes. Em referência a cobrança de estimativas e a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativas e não recolhidos, acompanhando novamente o alegado pela Fiscalização, a 2ª Turma da DRJ/SPO compreendeu como correta a glosa, sob o argumento de que após o encerramento do anocalendário a exigência das estimativas que não foram recolhidas durante o transcorrer do anocalendário poderá ser feita pelo Fisco, por expressa previsão legal. Cita, ainda, a IN SRF nº 93/97, artigo s 15 e16. As alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade foram rejeitadas, ao passo que como fez constar em seu voto a autoridade julgadora apenas o Poder Judiciário é competente para avaliálas. Analisando os efeitos das jurisprudências judiciais e administrativas, a decisão "a quo" ressaltou que, com base no artigo 100, inciso II, do CTN, que tais fontes não constituem normas complementares do Direito Tributário e que por este motivo, não devem ser ampliadas genericamente ao caso concreto. Complementou seu raciocínio da seguinte maneira: Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: “3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de Fl. 188DF CARF MF 4 seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinteparte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado.” Quanto à extensão dos efeitos das decisões judiciais, relembrou que, na esfera da SRFB, a existência de decisão definitiva do STF acerca da inconstitucionalidade da lei que está em litígio é um pressuposto, e que ainda assim, deve haver um ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil a ser editado neste sentido. Concluiu, nos termos do artigo 472 do CPC, que as sentenças judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. Como o fiscalizado não é parte interessada nos julgados que mencionou na sua defesa, eles não foram conhecidos. Por fim, diligência pleiteada não foi deferida, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2011 PAGAMENTO A MAIOR. Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de inconsistências é feita por meio da apresentação de prova hábil e idônea. Inconformado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual requer a nulidade do acórdão recorrido em face da rejeição do pedido de diligência e da falta de análise do direito creditório pleiteado. O contribuinte pauta sua alegação no artigo 53 da Lei nº 9.784/99 que trata do dever da Administração de anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, além de alegar ofensa ao direito de ampla defesa e contraditório. Em seguida, passa a alegar a) a nulidade do Despacho Decisório por conta da insuficiência de justificativa da fiscalização na apreciação do PER/DCOMP nº 17197.38040.170413.1.3.047000; b) a impossibilidade de bitributação por meio da glosa de ágio e prejuízos fiscais; c) a correta contabilização das operações de derivativos para apuração de estimativa de IRPJ (Maio/2011); e d) o direito ao reconhecimento do pagamento indevido ou a maior. É o relatório Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 188 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator É importante ressaltar, inicialmente, que a questão controvertida neste feito não é a existência de pagamento, via DARF, de valor devido a título de IRPJ por estimativa no PA 31/05/2011, no importe de R$ 88.737.130,21, confirmado pela fiscalização como pago. O ponto controvertido cingese à retificação de DCTF’s em relação ao valor devido, a título de estimativa de IRPJ no referido período de apuração diversas vezes (Relatório Fiscal p. 42/46), sendo que entre a mudança de R$ 88.737.130,21 (DCTF original transmitida em 20.07.2011) para R$ 67.451.038,90 (4ª DCTF retificadora, transmitida em 16.04.2013), transcorreuse praticamente 21 meses, situação que permitiu ao contribuinte “formar” o crédito pleiteado de R$ 21.286.091,31. A redução de tributo devido, por retificação em declaração prestada pelo contribuinte, sempre deve vir subsidiada em documentos que evidenciem o equívoco inicial e a correção da nova declaração prestada. Por essa razão, a Fiscalização, através do Termo de Intimação 128/2015, requereu ao contribuinte (p. 35 / 36): A intimação foi cumprida nos termos do documento de p. 38/39, sendo relevante o esclarecimento prestado pelo contribuinte ao item 1: Fl. 190DF CARF MF 6 À vista dessas informações, a Fiscalização firmou um Relatório de p. 42/46, no qual conclui: Às p. 90/93 encontrase o Despacho Decisório, cuja conclusão adiante segue: Ou seja, para a Fiscalização o contribuinte não fez prova de seu direito creditório, o qual decorre, como dito acima, de uma retificação em DCTF, na qual se alterou o valor declarado como devido, a título de IRPJ por estimativa, para o PA 31.05.2011. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, de forma a comprovar seu direito creditório, planilhas de apuração do IR e CS, antes de depois dos ajustes mais acima indicados, conforme p. 47/53, 54/54 e 55/62, cópia do LALUR (p. 63/68), contudo, sem outros documentos a embasarem os números apresentados. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 189 7 Assim, no Acórdão 1672.950, da 2ª Turma da DRJ/SPO, de p. 101/109, asseverou o i. Julgador às p. 104/105: E reforça: Como se denota, tanto no Relatório que embasou o Despacho Decisório, quanto no Acórdão da DRJ, ao analisar os documentos adicionados pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, a conclusão é a mesma: as operações de derivativos, que ensejaram a retificação do valor originalmente declarado em DCTF como devido a título de estimativa de IRPJ no PA 31.05.2011 não foram devidamente comprovadas e, desta forma, afastada a retificação, inexiste crédito que permita a compensação pleiteada. Assim, quando a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de p. 121/168, além de repisar os argumentos já apresentados anteriormente, reforçou a necessidade de diligência para verificar a documentação coligida em comparação com as informações e registros contábeis e fiscais da Recorrente. Argui nulidade do Despacho Decisório por conta da insuficiência de justificativa da fiscalização na apreciação do PER/DCOMP nº 17197.38040.170413.1.3.04 7000, argumento que, salvo melhor juizo, confundese com o mérito, pelo que será tratado juntamente com ele, adiante. Fl. 192DF CARF MF 8 Aqui registro um fato, no mínimo curioso, desses dignos de registro histórico: o mesmo contribuinte foi autuado, pelos mesmos motivos, contudo em outra competência (do mês imediatamente anterior, ou seja, abril/2004), noutro processo administrativo (nº 16327.902707/201502). Este processo, por absoluta coincidência, foi distribuído para este mesmo relator, no mesmo lote de distribuição eletrônica. Digo coincidência pois tais processos apesar de sua identidade não estavam por nenhuma razão vinculados (por conexão, dependência etc). Mesmo assim, pautei ambos para o mesmo dia de julgamento, na seqüência cronológica dos períodos de apuração (PA). Mas o mais curioso está por vir. O contribuinte, ao contratar advogados para defendêlo administrativamente, contratou profissionais diferentes, mesmo considerando todos os fatos narrados acima. Não me cabe questionar os critérios de contratação da recorrente, mas tal atitude fez com que os patronos agissem com estratégias diversas, obviamente. Explico: No outro processo mencionado (nº 16327.902707/201502), além de inscreverse para sustentação oral, o patrono providenciou a juntada de documentos e esclarecimentos adicionais na fase recursal, o que proporcionou, em respeito ao principio da busca da Verdade Material, a conversão em diligência daquele processo (acórdão 1402 000.465). Isto se deu pois, assim como no presente caso, aquele estava carente de provas e sua respectiva contextualização, o que, aparentemente, foi suprido no âmbito naquele processo por meio da juntada de documentos da BM&F BOVESPA, esclarecendo a liquidação dos instrumentos financeiros que são o cerne da controvérsia. Ora, a situação tornouse sui generis pois, diante de tais provas este julgador tomou conhecimento de que ambos os casos têm condições de ser resolvidos de forma justa. Contudo apenas um deles tem os documentos que viabilizam uma adequada diligência. Minha proposta de voto para a turma foi, diante de tudo isso, "aproveitar" neste feito os novos documentos anexados ao processo administrativo nº 16327.902707/2015 02, que lhe é correlato e principal (ou melhor: anterior), conforme extratos emitidos pela BM&F (p. 157/170 e 171/184 daquele processo), nos quais estão indicados, em código, contratos de Swap mantidos pela Recorrente no PA 31.05.2011, os números a eles referentes no último dia do mês de apuração (tributação), bem como a informação que não teriam se encerrado no referido período, razão pela qual não deveriam ter sido oferecidos, na ocasião, à tributação. Os extratos, por si só, não fazem uma prova cabal da informação prestada pela Recorrente. No entanto, para demonstrar o impacto dessa comprovação em sua contabilidade, a Recorrente anexou, também, p. 185, arquivo não paginável contendo diversas planilhas com a demonstração de seus diversos ativos financeiros, razão contábil e conciliação. E, nas p. 186/188, posição, informações sobre “termo de swap cambial com ajuste mark to market”. (Obs.: páginas citadas do processo administrativo nº 16327.902707/201502) Porém, tal proposta de voto, após exaustivamente discutida no âmbito da turma, não foi aceita, devido ao fato de importar em usar provas de outra competência (abril/2017) e de outro processo, como base da diligencia nos presentes autos. Tão pouco foi aceita proposta alternativa de circularização junto à BM&F BOVESPA para que Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.902708/201549 Acórdão n.º 1402002.787 S1C4T2 Fl. 190 9 providenciasse tais demonstrativos, visto que tal prova, em ultima análise, caberia ao contribuinte, que não o fez nos presentes autos. Assim, diante dos fortes argumentos dos colegas conselheiros, curveime ao entendimento de que no presente processo não há provas suficientes para acolher o pleito recursal. Por fim, em relação à utilização de prejuízos fiscais pelo contribuinte, entendo que o Recurso não trouxe novos elementos que pudessem mudar a posição adotada pela DRJ, os quais estou de acordo, em sua integralidade. À vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720289/2008-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008.
BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230.
A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorá-la.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorá-la. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 345 1 344 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.720289/200826 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.029 – 1ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 89 /2 00 8- 26 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 346 2 vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) à necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ; e (2) à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Apenas a segunda divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência, conforme o despacho decisório exarado em 24/07/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E a negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 28/07/2015. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301001.730, 26/11/2014, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, manter a negativa em relação à compensação pretendida pela contribuinte. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 347 3 O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: BREVE HISTÓRICO DOS FATOS a Recorrente apresentou Declaração de Compensação eletrônica (programa PER/DCOMP), informando como origem de crédito valores mensais pagos a maior durante o anocalendário de 2003, no caso pagamento em excesso a título de estimativa do Imposto de Renda (IRPJ) do mês de março de 2003 que foi recolhida em 30/04/2003, conforme DARF com o código de receita 2362. Esse valor excedente no montante de R$ 5.764.173,16 foi utilizado na questionada PER/DCOMP para a compensação de IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário; naquele mês, a Recorrente recolheu um DARF no valor de R$ 8.126.509,32, referente à estimativa de março/2003. No entanto, revendo a apuração da estimativa, identificou que havia recolhido R$ 5.764.173,16 a mais do que o efetivamente devido, conforme DIPJ tempestivamente apresentada. Identificado o indébito, a DCTF do período foi retificada para demonstrar o valor correto do débito apurado, assim como a existência de valor indevido (recolhido a maior); a DRF/Limeira, ao proceder à análise das declarações de compensação entregues pela Recorrente, entendeu por bem não homologálas; a negativa em relação à compensação foi mantida na primeira e na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido); contudo, o r. Acórdão ora recorrido deve ser reformado, pois confronta persuasiva jurisprudência deste E. Tribunal e, até mesmo, pronunciamentos da Secretaria da Receita Federal do Brasil favoráveis aos interesses da Recorrente, o que será demonstrado em sequência; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL QUANTO À POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 348 4 logo de início, cumpre ressaltar que o acórdão recorrido marcha contra matéria já sumulada, pois a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. Tribunal já pacificou a controvérsia tratada no atual processo, de tal forma que o entendimento foi consolidado na recente Súmula n° 84, cujo enunciado tem o seguinte teor: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. importa destacar que o Acórdão n° 120100.404, indicado como uma das decisões que serviram de fundamento para o enunciado da Súmula n° 84 do CARF, foi proferido nos autos de outro processo desta mesma empresa, contendo idêntica matéria referente a outro período de apuração, com decisão em favor da contribuinte ora Recorrente, conforme se vê da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004. COMPENSAÇÃO. O pagamento da estimativa mensal do IRPJ realizado em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos traduz se em pagamento maior que o devido e, portanto, é passível de restituição/compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Anocalendário: 2004. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO. Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a compensação da estimativa de IRPJ paga a maior antes de encerrado o período de apuração anual, não há razão para exigirse que o indébito integre o saldo do imposto a pagar ou a restituir calculado ao final do ano. tal acórdão foi mantido por esta C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na ocasião do julgamento de recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional (Acórdão n° 9101002.063); nesse mesmo sentido entendeu o Acórdão n° 1202000.458, proferido por este C. Conselho Administrativo, com o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 349 5 contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. na linha da citada jurisprudência administrativa, os valores a titulo de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subsequente ao do pagamento; contudo, mesmo diante da existência da Súmula CARF n° 84 em favor do contribuinte e de todos os acórdãos paradigmas que fundamentaram a sua criação, o r. Acórdão recorrido decidiu negar provimento ao recurso voluntário e afastar matéria já decida definitivamente no âmbito administrativo; ora, existindo Súmula contrária ao entendimento acima transcrito, proferido pelo r. Acórdão recorrido, é de se considerar que estão superados todos os argumentos ali esgrimidos, notadamente o seu principal fundamento, no sentido de que não é possível postular créditos derivados do pagamento por estimativa mensal, para fins de compensação, uma vez que, como se tratam de meras antecipações, devem ser levadas ao ajuste anual do imposto, cabendo a restituição unicamente de eventual saldo negativo (fls. 07 do acórdão); como é sabido, as Súmulas aprovadas pelo CARF são de adoção e aplicação obrigatória por seus membros, conforme reza o §4º, do art. 72 do RICARF, sob pena de perda de mandato (inciso VI, do art. 45 do RICARF); dessa forma, versando a discussão exclusivamente sobre questão de direito, qual seja: "a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido", demonstrada a divergência jurisprudencial entre acórdãos proferidos em casos idênticos, e, principalmente, em razão da existência de Súmula, o presente Recurso Especial deve ser conhecido e provido para que seja aplicado ao caso o entendimento sumulado por este E. Tribunal Administrativo no Enunciado n° 84, de 10/12/2012. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 24/07/2015, deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à segunda divergência, que trata da possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior, nos seguintes termos: [...] Como primeiro aspecto de recurso a recorrente alega divergência jurisprudencial quanto à necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ. A recorrente alega que a decisão diverge dos acórdãos indicados como paradigmas que trazem entendimento de que é imperativa a realização do lançamento de apuração constante da DIPJ do sujeito passivo, ainda que dessa alteração não resulte a exigência de crédito tributário. Os acórdãos trazidos como paradigmas têm as seguintes ementas sobre a matéria: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 350 6 [...] Examinando os acórdãos trazidos como paradigmas verificase que os mesmos tratam da exigência, por parte do Fisco, de diferenças entre os valores informados em DIPJ e DCTF por meio de lançamento de ofício e apontam para a necessidade de constituição do crédito pela autoridade lançadora sempre que detectada a diferença entre os valores informados na DIPJ e os confessados em DCTF para que o Fisco possa exigilo, uma vez que a DIPJ não tem o condão de constituir o crédito tributário. Distinta é a situação apresentada no acórdão recorrido, que trata do reconhecimento de direito creditório pleiteado pela recorrente, ao argumento de que os valores pagos são superiores ao informados na DCTF a título de estimativa mensal. Neste caso, o acórdão recorrido entendeu correto o procedimento da autoridade administrativa, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, uma vez que o imposto recolhido correspondia à base de cálculo efetivamente apurada e, ainda, que seria prescindível a realização de lançamento por se tratar de reconhecimento de direito creditório, para o qual se exige liquidez e certeza do crédito pleiteado, e não de exigência de crédito; este sim carente de lançamento. Ou seja, os acórdãos paradigmas tratam de exigência, pelo Fisco, de crédito tributário não constituído por declaração hábil (DCTF), enquanto que o acórdão recorrido trata de reconhecimento de direito creditório, pleiteado pelo sujeito passivo, a quem incumbiria provar o crédito alegado. Desta feita, sendo distintas as situação analisadas nos acórdãos cotejados, não se configura a divergência jurisprudencial suscitada, motivo pelo qual o recurso não pode ter seguimento quanto ao seu primeiro ponto. Passo a examinar o segundo ponto do recurso. No segundo ponto recursal a recorrente alega que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência administrativa, inclusive já estabelecida em súmula do CARF, ao negar a possibilidade de restituição/compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Indica como paradigmas da divergência os acórdãos cujas ementas estão reproduzidas abaixo: [...] Analisando a questão apresentada e destacada nos acórdãos paradigmas e recorrido, entendo que restou caracterizada a divergência alegada. Os acórdãos paradigmas, entendem que o pagamento a maior ou indevido de estimativas caracteriza indébito na data de seu recolhimento, podendo ser compensado mediante apresentação de DComp. O acórdão recorrido, por outro lado, traz entendimento de que os recolhimentos mensais a título de estimativas não caracterizam pagamento do imposto, a ser apurado com o balanço patrimonial levantado ao final do anocalendário, mas sim meras antecipações. Embora não disponha textualmente sobre a impossibilidade de reconhecimento de indébito de estimativas mensais, o acórdão recorrido aponta nesse sentido ao tratála como meras antecipações e ao fixar a Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 351 7 apuração anual do imposto como marco inicial do prazo prescricional para que o contribuinte possa exercitar seu direito à repetição de indébito, conforme se extrai da conclusão do voto, verbis: [...] Por todo o exposto, opino no sentido de negar seguimento ao recurso com relação à matéria argüida no primeiro ponto, cuja divergência não restou caracterizada, e dar seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face da matéria discutida no segundo ponto do recurso. Em 27/08/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 10/09/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, alegando que o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos, que estão transcritos nas contrarrazões. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 352 8 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) em que utilizou crédito a título de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ referente ao mês de março/2003, para quitar débito do próprio IRPJ, referente ao ajuste anual desse mesmo ano de 2003. A Delegacia de origem não homologou a compensação pleiteada, e essa negativa foi mantida tanto pela decisão de primeira instância administrativa, quanto pela decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido). A controvérsia que chega a essa fase de julgamento do recurso especial diz respeito à possibilidade de compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Essa matéria realmente foi pacificada pelo CARF, inclusive com a edição da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O problema é que a referida súmula não é suficiente para reverter as decisões anteriores. Chamo a atenção para o fato de que a Súmula CARF nº 84 foi aprovada pela 1ª Turma da CSRF na sessão de 10/12/2012, muito antes portanto da sessão em que foi proferido o acórdão recorrido (26/11/2014), e que, mesmo assim, o acórdão recorrido manteve, por unanimidade de votos, a negativa em relação à compensação pleiteada. Esse aspecto já é indicativo de que a controvérsia estabelecida nos presentes autos envolve outras questões, além daquela tratada pela referida súmula. O despacho decisório da Delegacia de origem apresenta de forma bastante detalhada as razões que justificaram a negativa da compensação: RELATÓRIO Trata o presente processo da declaração de compensação eletrônica n.° 14069.37496.120304.1.3.047013, em que houve a utilização do crédito no montante de R$5.764.173,16 (cinco milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, cento e setenta e três reais e dezesseis centavos), referente ao recolhimento de IRPJ do mês de março de 2003 (fls. 1 a 5). O contribuinte foi intimado a esclarecer o que motivou o recolhimento da estimativa de IRPJ a maior, a apresentar demonstrativo de apuração do valor recolhido a maior e do que considerava correto e o Livro Diário (fls. 6 e 7). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 353 9 Em atendimento apresentou os demonstrativos, informou que o valor que considerava recolhido a maior havia sido utilizado para liquidação do saldo de ajuste anual e que o novo cálculo foi decorrente de erro na apuração das estimativas mensais calculadas por meio de sistema informatizado, mas que havia efetuado as correções devidas e preenchido a DIPJ com valores recalculados (fls. 8 a 44). Posteriormente, encaminhou o livro Diário do qual foi extraída cópia (fls. 45 a 69). O pagamento foi confirmado (fl. 87). FUNDAMENTAÇÃO O contribuinte considera que ao pagar R$ 8.126.509,32 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2003, R$ 5.764.173,16 seriam indevidos (fl. 2) e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário (fl. 4) Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de março era R$ 8.126.509,32 (fl. 71), mas após o encerramento do período a retificou (fl. 70) a fim de reduzilo para R$ 2.362.336,16 (fl. 72), mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 83). De acordo com os demonstrativos encaminhados pelo contribuinte, a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento de balancete, devidamente registrado no Livro Diário (fls. 47 a 69), com apuração do lucro real do período (fls. 30 a 33) e depois com base na receita bruta (fls. 34 e 35): [...] Observase que com a mudança de metodologia o valor do IRPJ apurado foi significativamente reduzido. A legislação permite que o contribuinte obrigado à apuração pelo lucro real o apure somente no dia 31 de dezembro de cada ano, mas deve efetuar recolhimentos mensais com base em estimativas, conforme art. 2° da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: [...] Por sua vez o art. 35 da Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 permite a suspensão ou a redução do pagamento devido em cada mês, desde que fique demonstrado que o valor acumulado já pago excedia o valor do imposto calculado com base no lucro real do período, inclusive o adicional: [...] Comparandose os pagamentos de IRPJ efetuados pelo contribuinte durante o anocalendário de 2003 (fl. 87) com o IRPJ a recolher informado nos demonstrativos (fl. 32/v), verificase que haveria recolhimento a maior somente para os meses de novembro e dezembro de 2003: [...] Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 354 10 De acordo com a anotação feita pelo contribuinte, seriam maiores que o devido R$417.275,10 do mês de novembro e R$ 30.998,23 do mês de dezembro (fl. 32/v). Não por mera coincidência o IRPJ total apurado no demonstrativo, no valor de R$68.118.545,89 é exatamente o valor do IRPJ antes da dedução dos recolhimentos por estimativa (fls. 81 e 82): [...] Ao levantar os balanços para apurar o lucro real do período, o contribuinte foi obtendo o valor correto do IRPJ que deveria ter sido recolhido, motivo pelo qual até os centavos batem, após a exclusão da diferença dos valores de novembro e dezembro. Durante o anocalendário, esses recolhimentos poderiam ser considerados maiores que o devido já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2° da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele que recolheu, não se pode mais falar em recolhimentos a maior. A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente, e o faz de forma correta, fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: [...] Tanto que o total do crédito indicado nas declarações de compensação, excluídos os R$ 448.273,33 relativos à diferença de recolhimentos dos meses de novembro e dezembro resulta em R$ 42.395.501,08, mesmo valor do IRPJ a pagar apurado na Ficha 12A da DIPJ/2004: [...] Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2003 foi maior que o devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele (o IRPJ) não poderia mais ser exigido. Ocorre que, após o encerramento do perÍodo, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 355 11 Esse tipo de procedimento não é inócuo, pois permite a correção do valor que teria sido “recolhido a maior” pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos, numa forma de planejamento tributário. Acrescentese que como o contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. CONCLUSÃO Isso posto, submeto à apreciação da Sra. Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária a proposta de que não seja homologada a compensação declarada por ausência de crédito em favor do contribuinte e de crédito tributário em favor da União Federal, condições indispensáveis à compensação. Vêse que a negativa da compensação não foi motivada pelo superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. A negativa foi motivada pelo não reconhecimento do alegado excedente no mês de março/2003, o que é bem diferente. O alegado excedente ficou vinculado ao ajuste anual por uma série de razões que sintetizo a seguir: a contribuinte recolheu durante todo o anocalendário de 2003 exatamente os valores de estimativa que apurou nos balancetes cumulativos, e não houve erro nessa apuração; os balancetes foram registrados no livro Diário, e o valor das estimativas foram declarados em DCTF; no encerramento do período de apuração, os recolhimentos de estimativa deixaram de ser meras antecipações, e passaram a configurar pagamento do IRPJ anual; as estimativas recolhidas foram suficientes para a quitação do IRPJ anual, e ainda geraram um pequeno excedente (saldo negativo); Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 356 12 após o encerramento do período, a contribuinte percebeu que os valores das estimativas seriam menores se elas tivessem sido calculadas com base na receita bruta mensal, em vez de terem sido apuradas com base nos balancetes cumulativos; na DIPJ, a contribuinte registrou estimativas apuradas com base na receita bruta, e retificou as DCTF anteriormente apresentadas, para que essa declaração também indicasse valores de estimativas calculadas com base na receita bruta (que eram menores que os valores das estimativas apuradas com base nos balancetes); é com base nos valores constantes dessas declarações que a contribuinte alega a ocorrência de recolhimento indevido ou a maior de estimativa; por outro lado, ficaram constando na DIPJ valores menores a título de estimativas (estimativas apuradas com base na receita bruta), o que resultou na apuração de saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; o que se tinha em 31/12/2003 era o IRPJ anual quitado, com a formação de um pequeno saldo negativo. Com o procedimento adotado pela contribuinte, passouse a ter excessos mensais nas estimativas, com saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; a contribuinte, então, apresentou declarações de compensação dos alegados excessos mensais de estimativas de 2003 para quitar o IRPJ desse mesmo período apuração; com tal procedimento, a contribuinte pretendeu levar não só as estimativas para o ajuste anual (no seu valor nominal), mas as estimativas acrescidas da Selic, o que não foi admitido. É importante registrar que a Delegacia de origem não concluiu apenas pela inexistência do direito creditório em favor da contribuinte (pagamento indevido ou a maior de estimativa). Ela também apontou a inexistência do débito objeto da compensação (IRPJ/ajuste anual), consignando que esse débito já estava definitivamente quitado pelas estimativas recolhidas ao longo de 2003, com base nos balancetes. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. No curso do processo, a contribuinte procurou demonstrar que ela poderia modificar o valor das estimativas que inicialmente havia apurado e recolhido, que poderia retificar a DCTF para reduzir o valor das estimativas inicialmente declaradas, que o Fisco tinha que realizar um procedimento específico para não aceitar os valores das estimativas informadas na DIPJ e na DCTFretificadora, etc., mas não logrou êxito nesse intento. Nem mesmo conseguiu apresentar um paradigma para que essas questões pudessem ser examinadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 357 13 Isso demandaria a apresentação de um paradigma que não só tratasse da possibilidade de modificação no regime de apuração de estimativas após o encerramento do período de apuração, para fins de caracterização de excedentes mensais num contexto fático semelhante ao que foi acima retratado, mas que também tratasse da possibilidade de computar juros Selic no aproveitamento de estimativa para a quitação de IRPJ do próprio período a que ela se refere, o que não foi feito. Por outro lado, a parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. A parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre recorrido e paradigma, para fins de caracterização de divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Uma vez vencido no conhecimento, no mérito o recurso especial não deve ser provido. A contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 358 14 de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. Ademais, adoto, como razões de decidir, os demais fundamentos do despacho decisório da Delegacia de origem anteriormente transcrito. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 359 15 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada Com a devida vênia ao ilustre Relator, ouso divergir no que concerne ao conhecimento e mérito do recurso especial. Para o conhecimento, adoto as razões da Presidente de Câmara, além das razões de mérito a seguir tratadas. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Nestes autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PERDCOMP), identificando recolhimentos a maior de estimativas mensais do ano de 2003. A compensação foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Limeira, em decisão proferida em 08/12/2008 (fls. 94): A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente e o faz de forma correta fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: (...) Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa de fevereiro de 2003 foi maior que a devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele não poderia mais ser exigido. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 360 16 Ocorre que, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Notase que a DRF aplicou o entendimento da IN SRF 600/2005 então vigente. Diante disso, entendeu que inexistiria crédito (a compensar) considerando o saldo ao final do período, mas não analisou as estimativas individualmente – cujo recolhimento indevido foi apontado pelo contribuinte. Ressaltese que a opção pelo pagamento de estimativas mensais é manifestada com o pagamento correspondente ao mês de janeiro, nos termos do parágrafo único artigo 222, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo da estimativa mensal é um percentual da receita bruta, nos termos do artigo 223, do RIR/99 e alíquota é definida pelo artigo 228, do mesmo regulamento. O contribuinte pode suspender ou reduzir o pagamento da estimativa, desde que demonstre que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido, por balanços e balancetes mensais, na forma do artigo 230, do RIR/99: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Como o artigo 230 menciona a suspensão ou redução do pagamento do imposto, o balancete mensal não legitima o aumento do valor da estimativa, considerando a base de cálculo e alíquota definidas por demais dispositivos anteriormente citados. Sobreleva considerar, ainda, que a estimativa mensal não é obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação, pela qual se antecipam pagamentos de IRPJ e da CSLL. A relação entre a estimativa e o fato gerador ao final do ano é confirmada pelo artigo 231, do RIR/99, que estabelece a compensação destas no saldo a pagar ao final do período. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 361 17 Não obstante a relação umbilical entre a obrigação à estimativa e a obrigação de pagamento do saldo ao final do ano, tal fato não altera a base de cálculo da estimativa, como tampouco a possibilidade de retificação de declarações que contenham informações equivocadas. Ressalto que a legislação autoriza a retificação de declarações em caso de erro, como expressamente prescreve o artigo 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Em sentido similar, é o artigo 832, do RIR/99 ao tratar da possibilidade de retificação de declaração de rendimentos na hipótese de erro: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Sobreleva considerar, outrossim, que não há norma impedindo a retificação de estimativas mensais, em hipótese de erro. A único impedimento, por força da legislação vigente, é para retificação da opção pelo pagamento de estimativas mensais: Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º). Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 362 18 § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 2º). Nesse panorama, o recolhimento em valor superior ao devido, de acordo com as normas acima citadas, constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Acrescento que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal – coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais impedida a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O caso destes autos, no entendimento da maioria deste Colegiado é de aplicação da Súmula CARF 84, assegurandose a análise dos créditos do contribuinte pleiteados nestes autos. Por fim, acrescento como razão de decidir o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto proferido no acórdão nº 120100.413 (processo administrativo nº 10865.720311/200838), originado também por compensação do contribuinte International Paper do Brasil Ltda: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 363 19 O art. 2º da Lei nº 9.430/96, a seguir transcrito, estabelece que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual ficam obrigadas a realizar pagamentos mensais por estimativa, calculados a partir da receita bruta e acréscimos, a título de antecipação do imposto devido ao final do período. (...) Ocorre que o art. 35 da Lei nº 8.981/95, adiante transcrito, facultou àqueles contribuintes reduzirem ou suspenderem os referidos pagamentos mensais de IRPJ calculados com base na receita bruta e acréscimos, desde que demonstrem, através de balancetes mensais, que o somatório daqueles pagamentos excede o imposto devido com base no lucro real do período em curso: (...) De ver que em relação à CSLL valem as mesmas regras de apuração ora mencionadas, desde que o contribuinte, como no caso sob exame, tenha optado pela apuração anual do IRPJ. Pois bem, pela análise das normas acima transcritas é possível concluir o seguinte: a) o contribuinte que optar pelo lucro real anual tem a obrigação de realizar pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, cujo montante é calculado com base na receita bruta e acréscimos; b) tal obrigação, entretanto, pode ter seu montante reduzido, ou mesmo ser suspensa, caso o contribuinte demonstre que o somatório das estimativas pagas com base na receita bruta e acréscimos, até determinado mês, excede o valor do IRPJ ou da CSLL devidos com base no lucro real ajustado, calculado até aquele mês. Em outras palavras, a obrigação de pagar a estimativa mensal de IRPJ ou CSLL tem como montante máximo um valor calculado a partir da receita bruta e acréscimos. A apuração do lucro real do período em curso, mediante o levantamento de balancete, tem o condão de reduzir o montante daquela obrigação, ou mesmo suspendêla, mas nunca o de atribuir ao contribuinte obrigação de pagar estimativa de IRPJ ou CSLL em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos. Assim sendo, o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado em montante superior ao legalmente exigido à extinção da obrigação é considerado pagamento maior que o devido, ainda que apurado através de balancetes. No caso sob exame a ora recorrente, optante pelo lucro real anual, levantou balancete mensal e pagou a CSLL devida com base no lucro líquido do período em curso, ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação da contribuição. Posteriormente, percebeu que o montante da CSLL assim calculado e pago era superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos. Assim, em face de tudo o que foi visto acima, e por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10865.720289/200826 Acórdão n.º 9101003.029 CSRFT1 Fl. 364 20 Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, concluise que a contribuinte tem direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Quanto à possibilidade dessa compensação ser realizada antes de encerrado o período base anual, é de se dizer que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente em 12/03/2004, data da transmissão da DCOMP sob exame, não o proibia, razão pela qual devese ter por permitida. Por fim, como não estavam em vigor à época da transmissão da referida DCOMP, desnecessário adentrar ao exame da legalidade do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, e do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que passaram a proibir a compensação da estimativa de IRPJ e CSLL paga a maior antes de encerrado o período base anual. Ressaltese ainda que o art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, atualmente em vigor, aboliu tal proibição. Por tais razões, voto por conhecer o recurso especial do contribuinte e darlhe provimento para reformar o acórdão recorrido e, assim, determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito de estimativa mensal pleiteado nestes autos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.005008/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/01/2007
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO.
Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado.
Numero da decisão: 3401-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/2002 a 31/01/2007 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 98 1 97 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.005008/200727 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3401004.010 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria AI IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PHIHONG PWM BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/12/2002 a 31/01/2007 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. PAGAMENTO DE VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 50 08 /2 00 7- 27 Fl. 98DF CARF MF 2 André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 101, lavrado em 10/12/2007, para exigência de IPI, no valor original de R$ 2.766.063,12, acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%), totalizando R$ 5.258.093,51, por divergência entre valores declarados e escriturados, de 31/12/2002 a 31/01/2007 (datas específicas e valores individualizados às fls. 6, 30 e 31). No Termo de Verificação Fiscal, anexo à autuação (fls. 12 e 13), narrase que: (a) em 2003 e 2004, foram verificados débitos registrados não declarados, em cotejo de DCTF com livros fiscais; e (b) em 2002 (terceiro decêndio de dezembro), 2006 (agosto e dezembro) e 2007 (janeiro), foram verificados valores lançados no Livro de Apuração do IPI mas não oferecidos a tributação em DCTF. Ciente da autuação em 14/02/2007 (fls. 5 e 41), a empresa apresenta Impugnação em 14/01/2008 (fls. 47 a 49), alegando, em síntese, que: (a) ocorreu decadência para o fato gerador de 30/06/2002 (sequer autuado); e (b) o tributo referente aos fatos geradores 31/08/2006 e 31/12/2006 foi recolhido, como se comprova com DARF anexo à peça de defesa (fl. 54). Em 29/08/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 79 a 83), no qual se decide, unanimemente, pela parcial procedência dos lançamentos, unicamente para acolher os pagamentos realizados e comprovados, referentes a fatos geradores de 31/08/2006 e 31/12/2006. Em função do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. Frustrada a tentativa de ciência da decisão de piso por AR (fl. 89), foi afixado Edital (fls. 90/91) em 07/11/2013 (com desafixação em 22/11/2013), não havendo apresentação de recurso voluntário, tendo sido apartada do presente processo a parte referente aos valores mantidos pela DRJ (R$ 594.158,57, mais juros de mora e multa de ofício), conforme Informação Fiscal de fl. 96. Resta ao CARF, assim, somente a apreciação do recurso de ofício interposto, referente aos valores de R$ 1.799.663,55 e R$ 372.241,00, comprovadamente pagos, também acrescidos de juros de mora e multa de ofício. O processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta desde julho de 2017, mas não incluído em pauta pelo excesso de número de processos a julgar. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10660.005008/200727 Acórdão n.º 3401004.010 S3C4T1 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Não havendo recurso voluntário, em função de revelia, apreciase nestes autos o recurso de ofício, preliminarmente, quanto aos requisitos de admissibilidade. O valor originário exonerado pela DRJ é de R$ 2.171.904,55 (R$ 1.799.663,55 + R$ 372.241,00), a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%). Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) À época em que foi proferida a decisão de piso (29/08/2013), o Ministro da Fazenda fixava, para efeitos do disposto no artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972, o valor de R$ 1.000.000,00, na Portaria MF no 3/2008. Legítima, assim, em primeira análise, a interposição de recurso de ofício. No entanto, dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, já vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00. No entanto, somandose o valor exonerado a título de principal (R$ 2.171.904,55), com a multa de ofício, de 75%, certamente se extrapola a alçada de R$ 2.500.000,00, pelo que, mesmo em face da Súmula CARF no 103, deve ser conhecido e analisado o recurso de ofício. Fl. 100DF CARF MF 4 A análise, no entanto, é pouco controversa, visto que a exoneração decorre tão somente de pagamentos comprovados pela instância de piso, sequer havendo discussão jurídica remanescente. Comprovado na instância de piso o pagamento de determinados valores que são exigidos na autuação, deve o lançamento em relação a eles ser afastado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. Rosaldo Trevisan Fl. 101DF CARF MF
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