Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.008004/2008-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003,2004
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003,2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.008004/2008-20
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818947
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.183
nome_arquivo_s : Decisao_19515008004200820.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 19515008004200820_5818947.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7085785
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735706705920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.008004/200820 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.183 – 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Recorrente TERESA C.DA S.LIMA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003,2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 04 /2 00 8- 20 Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial pretendendo o reconhecimento da inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, em que se compreendeu que a análise dos paradigmas evidenciou que a recorrente logrou demonstrar o dissídio jurisprudencial, apresentando julgados nos quais, ao contrário do acórdão recorrido, afastouse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Por meio do acórdão 9101002.349, de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 5 4 Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 6 5 obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 7 6 CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, como se vê, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 9101003.183 CSRFT1 Fl. 8 7 incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1010DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.001073/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Recurso Voluntário parcialmente conhecido
Numero da decisão: 3301-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Recurso Voluntário parcialmente conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11131.001073/2006-43
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801462
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.104
nome_arquivo_s : Decisao_11131001073200643.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 11131001073200643_5801462.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7026364
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735741308928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 314 1 313 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.001073/200643 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.194 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria PIS/COFINS Importação Recorrente FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Recurso Voluntário parcialmente conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, negar provimento na parte conhecida, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 10 73 /2 00 6- 43 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 315 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 202 a 228) interposto pelo Contribuinte, em 30 de julho de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0824.462 (fls. 126 a 132), de 19 de dezembro de 2012, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou, por unanimidade de votos, parcialmente procedente a Impugnação (fls. 92 a 99) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de impugnação ao Auto de Infração lavrado face o contribuinte em epígrafe, para cobrança de CofinsImportação e PIS/PASEPImportação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo, no momento da atuação, o montante de R$ 223.387,93 (duzentos e vinte e três mil, trezentos e oitenta e sete reais e noventa e três centavos). Reproduzse a seguir os termos em que foram descritos no Relatório Fiscal os fatos que ensejaram o lançamento: A autuada registrou, entre o período de dezembro de 2004 a abril de 2005, as Declarações de Importação (DI) n. 04/12620981, 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044. Desembaraçou as respectivas mercadorias sem o recolhimento dos impostos e contribuições, com base no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. Nr. 2004.81.00.0264843, da 2a. Vara do Ceara). Pretendeu, a interessada, imunidade para o Imposto de Importação e o IPI com base no art. 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional e não incidência do PIS/PASEP e da COFINS com base no art. 2o., inciso VII da Lei 10.865/04. Ora vejamos: é incabível a pretensão da autuada de não incidência das contribuições, com base no art. 2o, inciso VII, da Lei 10.865/04, uma vez que a empresa perdeu, em dezembro de 2004, a condição de entidade beneficente de assistência social. A Resolução n° 178 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de 8.12.2004 (publicada no DOU de 14.12.2004 seção 1), indeferiu à autuada pedido de renovação do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social", informando que a entidade distribuiu parcela de seu patrimônio a outra entidade, o que contraria o requisito previsto no art. 14, inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei n ° 5.172/66). Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 316 3 Com relação à não aceitação da imunidade pretendida, esta está justificada e formalizada nos autos de infração lavrados para cobrança dos impostos sobre o comercio exterior (II e IPI). A autuada, inicialmente, não obteve sucesso em seu pleito perante a Justiça, uma vez que a liminar concedida, em parte, condicionou a pretensão dos benefícios requeridos ao atendimento do disposto no art. 14 do CTN e no art. 55 da Lei 8.212/91. Desembaraçou, entretanto, as mercadorias, sem os devidos recolhimentos, por meio do Agravo de Instrumento Nr. 60081CE, que determinou o desembaraço aduaneiro sem o prévio pagamento dos tributos, mas sem prejuízo de seu lançamento posterior. Cientificada do Auto de Infração em 09/10/2006, o contribuinte interpôs impugnação em 07/11/2006, na qual alega em síntese que: é destinatária da regra da imunidade contida no Art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. as condições para o usufruto da imunidade estabelecida pela Constituição Federal deveria advir de lei complementar e não de uma lei ordinária, nos termos do art. 146, II da CF/88. Pelo que não se pode admitir qualquer limitação normativa infraconstitucional que possa comprometer a finalidade dos mandamentos constitucionais. Devendo a entidade submeterse, somente, às condições elencadas no art. 14 do Código Tributário Nacional. a alegação de que a entidade não poderia gozar da referida imunidade, em virtude de ter seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferido por meio da Resolução 178/2004, não pode prosperar, pois a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social não se tornou definitiva, em razão de recurso administrativo apresentado contra o mencionado ato. possui direito adquirido face a sua constituição ter se dado anteriormente ao DecretoLei 1.577/77, o que desampara os fundamentos do Auto de Infração. Requer ao fim que sejam acolhidos seus argumentos e que seja declarado improcedente o lançamento. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, para que seja reformada a referida decisão afastando a multa de ofício aplicada e reconhecer o direito a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", art. 195, §7º da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional. Houve ainda, a juntada de dois Requerimentos do Contribuinte (fls 268 a 271 e 304 a 306), em 22 de setembro de 2014 e 22 de outubro de 2015, visando a suspensão da exigibilidade do Processo nº 11131001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, uma vez que considera que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos já realizados. É o relatório. Voto Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 317 4 Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0824.462, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2004 a 30/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em, por unanimidade de votos, conhecer PARCIALMENTE A IMPUGNAÇÃO para: I – DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 (cento e dez mil, quinhentos e quarenta e um reais e quatro centavos) e os respectivos juros de mora, montante que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial nº 2005.05.00.000.4911; II – considerar PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO referente à multa de 75%, prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, matéria não apreciada pelo Judiciário, para MANTER R$ 35.203,52 (trinta e cinco mil, duzentos e três reais e cinquenta e dois centavos), referente às DI nº 04/12620981 e 05/00345435 e EXONERAR R$ 47.702,28 (quarenta e sete mil, setecentos e dois reais e vinte e oito centavos) referente às DI nº 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 318 5 O ora analisado Recurso Voluntário visa a reforma do referido Acórdão para exonerar o valor mantido referente as declarações de importação números 04/12620981 e 05/00345435, afastando a multa de ofício e reconhecendo o direito alegado à imunidade tributária de acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "c", art. 195, §7º da Constituição Federal, c/c o art. 14 do Código Tributário Nacional. O Contribuinte, ao juntar o primeiro dos Requerimentos, em 22 de setembro de 2014, traz o seguinte (fl. 271): Vale salientar que o presente requerimento tem por finalidade levar ao conhecimento da Receita Federal que os créditos tributários oriundos das exações incidentes nas Declarações de Importação discutidas no Mandado de Segurança em questão, encontramse suspensos por força dos depósitos judiciais realizados não sendo devida a imposição de óbice de qualquer natureza à emissão de Certidão Conjunta da Fundação Edson Queiroz, ora requerente. Diante de todo o exposto, a Fundação Edson Queiroz requer que V. Sa. se digne em suspender a exigibilidade do Processo nº 11131.001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, considerando que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos judiciais realizados, aqui comprovados, de modo a não representarem mais qualquer óbice à emissão de sua Certidão. Já o segundo Requerimento juntado, de 22 de outubro de 2015, o Contribuinte conclui da seguinte forma (fl. 306): Diante de todo o exposto, a Fundação Edson Queiroz requer que V. Sa. se digne em suspender a exigibilidade do Processo de nº 11131.001.073/200643 na consulta fiscal da empresa, considerando que os débitos estão integralmente garantidos pelos depósitos judiciais realizados, bem como considerando a existência de discussão administrativa ainda em andamento, o que configura a suspensão da exigibilidade dos débitos por força da aplicação do art. 151, inciso II e III do Código Tributário Nacional, de modo a não haver óbice à emissão de sua certidão. O Acórdão ora recorrido utilizou, como fundamento de seu voto, o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 0824.299 da 5ª Turma da DRJ/FOR, do processo nº 11131.001074/200698, de 28 de novembro de 2012. Conforme se verifica, o Acórdão ora recorrido entendeu por conhecer da Impugnação de forma parcial, que, a princípio, declarou definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 e os respectivos juros de mora, sendo esses valores subordinados ao que for decidido no processo judicial nº 2005.05.00.000.4911; e considerou procedente em parte o lançamento referente à multa de 75% (matéria não apreciada pelo judiciário), para manter os R$ 35.203,52 referente às DI nº 04/12620981 e nº 05/00345435 e exonerar os R$ 47.702,28 referente às DI nº 05/00395742, nº 05/02288803 e nº 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial supra citado. Sendo assim, o Contribuinte visa que seja cancelada a aplicação da multa de ofício referente as duas DIs já citadas, afastando a cobrança que foi confirmada pelo ora recorrido Acórdão com os seguintes fundamentos (fls. 131 e 132): Assim, no presente caso, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos, submetida à apreciação do Poder Judiciário, incumbe à autoridade julgadora a observância do disposto na alínea “c”, do referenciado ADN Cosit nº 3/96, para, em não conhecendo da Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 319 6 impugnação, declarar a definitividade das exigências formalizadas por meio dos autos de infração integrantes deste processo. No entanto, nos termos do parágrafo único, do art. 87, do Decreto nº 7.574/11, a análise deve ter continuidade no que se refere ao lançamento da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96. Estabelece o art. 63, da mesma Lei nº 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 19662, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. [...] No plano infralegal, a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nº 17, que, de acordo com a Portaria MF nº 383, de 12/07/10, possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, estabelece: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Verificase que a juíza federal deferiu o pedido de liminar relacionado ao Mandado de Segurança nº 2004.81.00.264843 no dia 12/01/05, conforme fls. 73/74, após, portanto, o registro das DI nº 04/12620981 e 05/00345435 que ocorreram, respectivamente nos dias 09/12/04 e 11/01/05, de modo que, quanto a estas DI, o lançamento da multa de ofício é procedente, com base no art. 7º, inc. III, do Decreto nº 70.235/723 c/c o art. 63, da Lei nº 9.430/96 e, ainda, de acordo com a Súmula CARF nº 17, acima copiados. No entanto, em relação às DI nº 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando a fundação já se encontrava amparada por medida judicial, não se pode afirmar o mesmo, devendo, pois, ser exonerada a parcela da multa de 75% relacionada a estas últimas DI, com base nos mesmos dispositivos citados. A questão primeira que se coloca é referente a existência ou não da concomitância entre a esfera judicial e administrativa. A decisão ora recorrida entendeu que há concomitância parcial. Cito o voto do ora recorrido acórdão para bem ilustrar a questão (fls. 128 e seguintes): Voto Da admissibilidade A impugnação é tempestiva, atende aos requisitos de admissibilidade e dela tomo conhecimento parcial para analisar as razões trazidas pelo impugnante. Da renúncia parcial às instâncias administrativas Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 320 7 De acordo com o Relatório Fiscal, a autuada ajuizou ação com o propósito de obter a dispensa da obrigação de recolhimentos dos tributos relativos às operações de importação abrangidas pelas DI de números 04/12620981, 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, quando liminarmente logrou êxito em desembaraçar as mercadorias sem o recolhimentos dos tributos com amparo no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. Nr. 2004.81.00.0264843, da 2a. Vara do Ceará. Além da constituição do CofinsImportação e do PIS/PASEPImportação, incidiu também sobre as operações em análise o lançamento do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação (IPIv) que, em situação análoga, originou o processo administrativo fiscal de número 11131.001074/200698, recentemente apreciado por este turma, no qual restou vencedor o voto apresentado pela julgadora Marli Gomes Barbosa que reproduzse a seguir, pela pertinência em relação à presente lide: Conforme relatado, antes mesmo da constituição dos presentes autos de infração, o interessado solicitou junto ao Poder Judiciário, no Agravo Instrumental AGTR 60081CE 2005.05.00.000.4911 5a. Região (M.S. no 2004.81.00.0264843,da 2a. Vara do Ceará), o desembaraço das mercadorias relacionadas à DI no 04/12620981 e às faturas comerciais: 002001SP, 7928Q1, B001004,FS0344 e 130504P, defendendo que as mesmas não poderiam ser objeto de nenhuma tributação face à alegada imunidade que lhe seria outorgada pelo art. 150, inc. VI, alínea “c” da Constituição Federal. Diante da dúvida se as referidas faturas comerciais guardariam alguma relação com as demais DI objeto do auto de infração, o processo foi submetido para manifestação da unidade preparadora. Na Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Fortaleza, conforme despacho de fls. 141/142, foram desarquivados os envelopes com os documentos que instruíram as DI no 05/00345435, 05/00395742,05/02288803 e 05/03551044, constatando, a autoridade aduaneira responsável pela análise, que a decisão judicial em questão também amparava estas DI: “Concluindo, observase que a decisão judicial em questão autorizou o desembaraço das DI ́s n.o 05/00345435, 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, fazendo referência as faturas proformas e não pela numeração das faturas comerciais.” Retomando à análise das peças judiciais verificase que, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos (II e IPIv), há identidade entre o objeto tratado na via judicial e o que é discutido no presente processo administrativo, como demonstram, a título de exemplo, os excertos abaixo das decisões: Fls. 65/66 e 68: No caso, alegando ser entidade educacional e de assistência social, a impetrante impugna a exigência à sua pessoa de pagamento de IPI, II, PIS e COFINS relativamente às importações que efetua de bens destinados ao cumprimento de suas finalidades estatutárias sob alegação da imunidade descrita no art. 150 e 195 da Constituição Federal de 1988. Por sua vez, a autoridade impetrada nega o pedido de liberação das mercadorias importadas pela impetrante sob alegativa de que a imunidade de que trata o art. 150, inciso VI, da referida Carta, “não abrange os impostos do comércio exterior” e, em relação ao PIS e à COFINS, de que devem ser atendidos os requisitos dos arts. 139 e 210 do regulamento vigente, Ato Declaratório Normativo Cosit no 3, de 14 de fevereiro daquele Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 321 8 ano (DOU 15/02/96), que assim dispõe: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto. b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.). c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN. d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando sede fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN. e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). [Destaquei]. Assim, no presente caso, no que concerne ao lançamento da parcela principal do crédito tributário constituído, equivalente aos tributos, submetida à apreciação do Poder Judiciário, incumbe à autoridade julgadora a observância do disposto na alínea “c”, do referenciado ADN Cosit no 3/96, para, em não conhecendo da impugnação, declarar a definitividade das exigências formalizadas por meio dos autos de infração integrantes deste processo. No entanto, nos termos do parágrafo único, do art. 87, do Decreto no 7.574/11, a análise deve ter continuidade no que se refere ao lançamento da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei no 9.430/96. Estabelece o art. 63, da mesma Lei no 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 19662, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. [...] No plano infralegal, a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) no 17, que, de acordo com a Portaria MF no 383, de 12/07/10, possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, estabelece: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 322 9 prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Verificase que a juíza federal deferiu o pedido de liminar relacionado ao Mandado de Segurança no 2004.81.00.264843 no dia 12/01/05, conforme fls. 73/74, após, portanto, o registro das DI no 04/12620981 e 05/00345435 que ocorreram, respectivamente nos dias 09/12/04 e 11/01/05, de modo que, quanto a estas DI, o lançamento da multa de ofício é procedente, com base no art. 7o, inc. III, do Decreto no 70.235/723 c/c o art. 63, da Lei no 9.430/96 e, ainda, de acordo com a Súmula CARF no 17, acima copiados. No entanto, em relação às DI no 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando a fundação já se encontrava amparada por medida judicial, não se pode afirmar o mesmo, devendo, pois, ser exonerada a parcela da multa de 75% relacionada a estas últimas DI, com base nos mesmos dispositivos citados. Verificada a similaridade de circunstâncias, sem ocorrência de qualquer fator superveniente que justifique a proposição de solução divergente do que foi decidido de acordo com o voto transcrito, proponho: I DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito tributário referente ao valor principal de R$ 110.541,04 (cento e dez mil, quinhentos e quarenta e um reais e quatro centavos) e os respectivos juros de mora, montante que fica subordinado ao que for decidido no processo judicial no 2005.05.00.000.4911; II considerar PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO referente à multa de 75%, prevista no art. 44, inc. I, da Lei no 9.430, de 27/12/96, matéria não apreciada pelo Judiciário, para MANTER R$ 35.203,52 (trinta e cinco mil, duzentos e três reais e cinquenta e dois centavos), referente às DI no 04/12620981 e 05/00345435 e EXONERAR R$ 47.702,28 (quarenta e sete mil, setecentos e dois reais e vinte e oito centavos) referente às DI no 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044, ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão. Conclusão Ante o exposto, voto julgar procedente em parte a impugnação, não conhecer do que dela verificouse renúncia às instâncias administrativas, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido Desta forma, de acordo com a decisão ora recorrida entendeuse pela concomitância parcial exonerando a parcela da multa de 75% referentes às DI 05/00395742, 05/02288803 e 05/03551044 registradas, respectivamente, em 12/01/05, 07/03/05 e 07/04/05, quando o Contribuinte já se encontrava amparado por medida judicial. Na decisão ora recorrida entendeuse que é procedente o lançamento de multa de ofício referente às DI 04/12620981 e 05/00345435, respectivamente de 09/12/04 e 11/01/05, pois não foram alcançadas pelo Mandado de Segurança n º 2004.81.00.264843, visto que este é de 12/01/05, após, portanto, o registro das DI. Assim, entendese correta a posição da DRJ pela concomitância parcial quanto às multas de ofício. Assim, de acordo com a exoneração das três DI e mantendo a multa de ofício para prevenir a decadência referente às DI 04/12620981 e 05/00345435, visto que as mesmas não foram alcançadas pelo Mandado de Segurança interposto posteriormente ao registro das referidas DI. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11131.001073/200643 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 323 10 No que tange a matéria principal envolvendo a questão da alegada imunidade do Contribuinte com base no art. 150, VI, c, da Constituição Federal e os requisitos previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional, sustentada tanto no Recurso Voluntário, quanto nas medidas judiciais, entendese que há concomitância total. Corrobora com essa constatação a própria decisão ora recorrida quando afirma: " (...) ressaltando que a parcela mantida neste tópico também fica subordinada à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial, perdendo automaticamente a validade e eficácia, acaso se torne incompatível com aquela decisão". Portanto, de acordo com os autos do processo e a legislação vigente, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Da parte conhecida nego provimento quanto à multa de ofício, mantendo integralmente a decisão ora recorrida, da parte não conhecida voto pela concomitância total da matéria entre a esfera judicial e administrativa no que tange a alegada imunidade. Valcir Gassen Relator Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900675/2008-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL.
Vislumbrando-se erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório.
Numero da decisão: 9101-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negar-lhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. Vislumbrando-se erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.900675/2008-87
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818933
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.186
nome_arquivo_s : Decisao_10166900675200887.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 10166900675200887_5818933.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negar-lhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7085756
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735746551808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.900675/200887 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.186 – 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEB LAJEADO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. Vislumbrandose erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negarlhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 06 75 /2 00 8- 87 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, indeferido porque “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O recurso voluntário foi julgado pela Turma a quo, que o acolheu em parte, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Os autos foram encaminhados à Procuradoria, que interpôs recurso especial, por divergência na interpretação da lei tributária a respeito de dois temas: (i) A possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Indica como paradigmas os acórdãos nº 10708.989, no qual se decidiu que “Os pagamentos de estimativa não são, por si só, passíveis de restituição” e 110200.291, do qual se extrai: “Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida”. (ii) A possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório, constando como paradigma o acórdão nº 180200.153, no qual se decidiu: “a rigor, a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005”. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, conforme despacho do qual se extrai: (...) Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 4 3 estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. O contribuinte foi intimado, apresentando contrarrazões, nas quais requer (i) o não conhecimento do recurso especial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas; (ii) no mérito a manutenção do acórdão recorrido pelos seus fundamentos. Diante da omissão no primeiro despacho de admissibilidade do recurso especial quanto à segunda matéria, foi proferido despacho complementar, admitindo o recurso especial também quanto ao tema, com fundamento nas seguintes razões: (...) Em resumo temos que: a) a contribuinte apresentou PER/DCOMP apontando como direito creditório PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA; b) na DIPJ, não informou qualquer valor correspondente a saldo negativo; e c) em sede de defesa, promovendo a retificação da DIPJ anteriormente apresentada, pretendeu alterar a natureza do direito creditório antes indicado, de PAGAMENTO INDEVIDO para SALDO NEGATIVO, alterando com isso as informações registradas na DCOMP. O acórdão recorrido, embora não tenha homologado a compensação pleiteada, acolheu o pedido da contribuinte, determinando que a unidade de origem aprecie a liquidez e certeza do saldo negativo indicado na DIPJ retificadora. O acórdão paradigma, por sua vez, apesar de enfrentar circunstâncias fáticas distintas da apreciada pela decisão recorrida, no contexto estritamente jurídico, cuidou de analisar a possibilidade, ou não, de se retificar uma declaração de compensação após ter sido proferida decisão quanto à que foi retificada, e, neste particular, colide com o entendimento esposado no acórdão nº 1.80100.899, eis que, diferentemente desse, além de apontar óbice normativo à pretensão da contribuinte de retificar declaração após a emissão de despacho decisório, entendeu que não encontravamse reunidos nos autos elementos capazes de comprovar a liquidez e certeza do crédito indicado na peça de defesa. O acórdão recorrido, além de não levar em conta a retificação da declaração promovida após a emissão do despacho decisório, determinou que a unidade de jurisdição promovesse Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 5 4 averiguações necessárias à comprovação da liquidez e certeza do crédito apontado em sede de defesa. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado quanto ao despacho complementar de admissibilidade do recurso especial, apresentando contrarrazões, pleiteando o não conhecimento do recurso, por falta de similitude fática e, no mérito, sejalhe negado provimento. Nesta oportunidade, o contribuinte apresenta laudo pericial contábil para corroborar suas razões. É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.184, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900733/200872. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.184): O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão do Presidente de Câmara que adoto. Não obstante isso, não conheço do recurso especial quanto ao primeiro tema (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais), conforme razões a seguir. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PER/DCOMP), informando recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal no ano de 2002 (código 2362: IRPJ – PJ obrigadas ao lucro real entidades não financeiras – estimativa mensal). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirmou o indeferimento da compensação por duas razões: (a) a pessoa jurídica somente poderia utilizar o pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para dedução do IRPJ ao final do ano calendário e (b) seria vedada a retificação da DCOMP após a decisão da DRF. Em sentido contrário, entendeu a Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admitindo a restituição do recolhimento indevido ou a maior de estimativa, diante da IN RFB 900/2008, afastando a restrição da IN SRF 600/2005. Ademais, admitiu a retificação de declarações, concluindo por determinar à unidade de origem que analise o crédito tributário. Destaquese trechos do voto condutor nesse sentido: Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. (...) A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. (...) Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 7 6 Com efeito, o recolhimento de estimativa mensal em valor superior ao devido constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Tanto assim que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais vedada a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) prescreve que não é cabível recurso especial contra decisão que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que aprovada posteriormente à data da interposição do recurso: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da q que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Turma a quo aplicou o entendimento da atual Súmula CARF 84, razão pela qual voto pelo não conhecimento do primeiro tema do recurso especial (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais). Passo à análise do segundo tema (possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório da DRF). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 8 7 O contribuinte sustenta a ausência de similitude fática com o acórdão paradigma (nº 180200.153, processo administrativo nº 10280.001604/200541). O acórdão paradigma trata do seguinte quadro fático, descrito em seu relatório: Versam o autos sobre pedido de compensação efetivado pela recorrente por meio da PER/DCOMP encartada às folhas 2 a 6, na qual a recorrente indicou crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ respeitante ao ano calendário 1999 e a imposto de renda retido na fonte — IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, e débito a ser compensado atinente à COFINS não cumulativa (5856) de janeiro de 2004. (...) Referida PER/DCOMP não foi homologada nos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n°. 240/2005 e consequente Despacho Decisório de folhas 25 e 26 respectivamente, assentandose, que conforme documento de folha 14, a recorrente optara, no ano calendário de 1999 pelo lucro real, com apuração anual do IRPJ, e tal sistemática impunha recolhimentos mensais com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, ocorrendo, que o documento de folha 16 demonstrava que a recorrente não efetuou recolhimentos mensais de IRPJ, de modo que, saldo negativo do mencionado imposto, se houvesse, poderia ser decorrente de imposto de renda retido na fonte não utilizado para dedução na DIPJ. Com maior razão, na DCOMP a recorrente teria informado que o saldo negativo foi originado por retenções da fonte pagadora de CNPJ n°. 35.592.510/000154 (Companhia Vale do Rio Doce) sobre aplicações de renda fixa, e, em pesquisa efetuada na DIRF de folhas 21 a 23, com doze declarações, não se constatou nenhuma entregue pela referida fonte pagadora, não homologandose, por conseguinte a compensação Notificada do Despacho Decisório mencionado, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 30 32), alegando em resumo, que o Despacho Decisório levou em consideração informações prestadas equivocadamente na DCOMP quanto ao período de apuração das retenções do imposto de renda, e, verificado o equívoco teria protocolado via internet, em 13/07/2005, PER/DCOMP retificadora (fls. 52 57 e 75 80), constando como período de apuração o exercício de 2001 (AC 2000) e não mais o exercício de 2000 (AC 1999), o que no entender da recorrente permitiria a constatação das retenções do imposto de renda sobre aplicações de renda fixa, requerendo fosse homologada a compensação. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma Julgadora do acórdão paradigma (nº 180200.153) pela impossibilidade de retificação da DCOMP: A discussão ventilada nos autos circunscrevese, inicialmente, à possibilidade de se retificar uma declaração de compensação após proferida decisão administrativa quanto à declaração retificada. (...) Como se pode extrair do teor da Instrução Normativa acima referenciada, conteúdo que ainda vigora no seio da IN SRF Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 9 8 900/08, a rigor a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005. Tal fato, por si só, ao meu sentir já inviabiliza o provimento do Recurso Voluntário já que mérito das alegações da recorrente é no sentido de demonstrar que indicou equivocadamente o ano calendário 1999 (EX 2000) como sendo aquele em se apurou o Imposto de Renda Retido pela fonte pagadora de CNPJ n°. 33.592.510/000154 passível de restituição/compensação, sendo certo que a DCOMP Retificadora apresentada corrigiu o erro material ao indicar como correto o ano calendário 2000. A despeito de algumas particularidades em cada um dos casos, entendo que há similitude fática, na medida em que ambos os acórdãos apreciaram a possibilidade jurídica de retificação de DCOMP, como também entendeu a Presidente de Câmara. Assim, voto pelo conhecimento do recurso especial quanto ao segundo tema, rejeitando o pedido de não conhecimento formulado pelo contribuinte. Passo à análise do mérito deste segundo tema. O contribuinte sustentou ao longo do processo que cometeu equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ, pela ausência de identificação das estimativas mensais pagas, a despeito de constarem na Ficha 11A. Ademais, houve equívoco na identificação da DCOMP como estimativas mensais, quando deveria pleitear o saldo negativo do mesmo ano. Os erros foram reconhecidos pela Turma a quo, como acima referido. Ao dispor sobre lançamento tributário, o Código Tributário Nacional menciona a possibilidade de retificação de declarações na hipótese de erro, verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. A ressalva do § 1º é de que só poderá ser retificada a declaração, por iniciativa do contribuinte para reduzir ou excluir tributo, com a comprovação do erro e antes da notificação de lançamento. Possivelmente inspirado por tal disposição legal, a IN RFB 900 vigente ao tempo do despacho decisório previa a possibilidade de retificação da PER/DCOMP na hipótese de inexatidões materiais: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 10 9 Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. A mesma IN RFB 900/2008, em seu artigo 95, definia limite temporal para a retificação: Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A IN 460, portanto, limitava a retificação da DCOMP até o momento da decisão da DRF. Esse foi um dos fundamentos da DRJ para negar a compensação pleiteada nos autos, pois entendeu que não seria possível a retificação da DCOMP depois da decisão da DRF. A atual IN RFB 1717/2017 tem dispositivos em sentido semelhante, verbis: Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 108. A retificação da declaração de compensação gerada por meio do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do documento. A IN RFB 1717/2017 reproduz a limitação temporal para retificação da DCOMP: Art. 115. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.900675/200887 Acórdão n.º 9101003.186 CSRFT1 Fl. 11 10 Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. De toda forma, alinhome à interpretação menos restritiva a respeito da possibilidade de retificação da DCOMP. Até porque não há lei limitando temporalmente a retificação de DCOMP na qual se verifique erro material evidente, sendo, portanto, admissível a sua correção na forma do artigo 147, do CTN. Diante dos erros materiais evidentes, voto pela manutenção do acórdão recorrido, negando provimento ao recurso especial quanto ao segundo tema. Conclusão Por tais razões, não conheço o recurso especial quanto ao primeiro tema e nego provimento ao recurso quanto ao segundo tema, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Ainda conheço do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negolhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007009/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1202-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento.
documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
RELATÓRIO
Como se pode constatar no relatório resumido da autoridade julgadora de primeira instância, foi solicitada a RMF (fls. 21 a 42), a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte.
Trata-se de processo administrativo fiscal relativo a auto de infração e imposição de multa levado a efeito em decorrência da ação fiscal deflagrada contra a Recorrente.
O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anos-calendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador).
Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL.
A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento.
A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004, 2005
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, - tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE.
É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
SIGILO BANCÁRIO
Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei.
PERÍCIA.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações.
Lançamento Procedente.
Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.007009/2008-13
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805447
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1202-000.169
nome_arquivo_s : Decisao_11516007009200813.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11516007009200813_5805447.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 7047657
ano_sessao_s : 2013
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento. documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Como se pode constatar no relatório resumido da autoridade julgadora de primeira instância, foi solicitada a RMF (fls. 21 a 42), a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte. Trata-se de processo administrativo fiscal relativo a auto de infração e imposição de multa levado a efeito em decorrência da ação fiscal deflagrada contra a Recorrente. O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anos-calendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador). Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL. A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento. A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, - tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações. Lançamento Procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735765426176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 8 1 7 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.007009/200813 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.169 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 06 de março de 2013 Assunto IRPJ E OUTROS Recorrente ESSENDI TECNOLOGIA DA INFORMAÇAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento. documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Como se pode constatar no relatório resumido da autoridade julgadora de primeira instância, foi solicitada a RMF (fls. 21 a 42), a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte. Tratase de processo administrativo fiscal relativo a auto de infração e imposição de multa levado a efeito em decorrência da ação fiscal deflagrada contra a Recorrente. O referido lançamento contemplas exigências relativas a (i) IRPJ; (ii) CSLL; (iii) PIS; e (iv) COFINS, supostamente devidos nos anoscalendários de 2004 e 2005, relativos a supostas receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 00 9/ 20 08 -1 3 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 9 2 receita obtida pela prestação de serviços que correspondem a atividade econômica da empresa (desenvolvimento de programas de computador). Referido lançamento foi apurado de acordo com o lucro arbitrado uma vez que “os esforços empreendidos não possibilitaram a verificação dos fatos contábeis/operações com a segurança necessária, inviabilizando a determinação dos resultados na forma das normas insculpidas na legislação tributária federal concernente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro – CSLL”. A Recorrente apresentou impugnação tempestivamente, pleiteando o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que (i) a autoridade lançadora violou os termos da Constituição Federal, quebrando o seu sigilo bancário sem autorização judicial; (ii) erro na apuração da base de calculo, “porquanto a base de calculo não corresponde a faturamento, e muito menos a lucro”; (iii) desqualificação da multa de ofício, pois não foi comprovada a pratica de conduta dolosa; e (iv) produção de prova pericial, a fim de comprovar a inaplicabilidade do arbitramento. A autoridade julgadora de origem manteve o lançamento tributário, refutando os argumentos dispensados pela Recorrente conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 10 3 SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco .podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem i conhecimentos especializados pára o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Lançamento Procedente. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual pleiteia a reforma da decisão acima ementada, alegando a (i) competência dos órgãos administrativos para apreciar arguições de inconstitucionalidade; (ii) cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da produção de prova pericial; (iii) da quebra ilegal do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; (iv) erro na apuração da base de calculo em razão da aplicação do arbitramento; e (v) desqualificação da multa de ofício ante a não comprovação da prática de conduta dolosa. VOTO À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 11 4 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme relato seguinte. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 12 5 Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 13 6 O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 14 7 uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela verificação de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 11516.007009/200813 Resolução nº 1202000.169 S1C2T2 Fl. 15 8 Diante de todo o exposto, propõese o sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. (assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1054DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004628/2007-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-005.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo.
.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.004628/2007-39
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5795977
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.997
nome_arquivo_s : Decisao_10580004628200739.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580004628200739_5795977.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. . (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6998494
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735769620480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 453 1 452 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.004628/200739 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.997 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria Contribuições Previdencárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CM MACHADO ENGENHARIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. . (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 46 28 /2 00 7- 39 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 454 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.112, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de março de 2012 (efls. 409 a 420). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Decisão: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Enviados os autos à Fazenda Nacional em 29/03/2012 (efl. 421) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 11/04/2012 (efl. 431), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 422 a 430). Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 455 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 456 4 Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menosdois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multaque, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 457 5 obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito (fl. 13). Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 433/434. Antes da ciência da autuada, a preparadora verificou a existência de termo de desistência de efl. 438. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 458 6 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Previamente à análise de mérito, entendo que deva ser considerado o expediente de efl. 438 e seus anexos, onde se verifica que o contribuinte incluiu os débitos objeto do presente lançamento no parcelamento instituído pela Lei no. 11.941, de 2009. Destarte, com fulcro no art. 13, da Portaria PGFN/RFB no. 06, de 2009 e no art. 13, da Portaria PGFN/RFB no. 02, de 2011, que regulamentou o parcelamento em questão e, ainda, consoante o disposto no art. 78, § 3o. do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015, resta caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão administrativa e a renúncia a qualquer direito sobre o qual se fundou o provimento parcial a quo, inclusive quanto à parcela que permanece em litígio, verbis: Portaria PGFN/RFB no. 06, de 2009 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) Portaria PGFN/RFB no. 02, de 2011 Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. RICARF Art. 78. (...) (...) Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10580.004628/200739 Acórdão n.º 9202005.997 CSRFT2 Fl. 459 7 § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, com base no acima disposto, de se declarar a definitividade do crédito tributário relativo à parcela que permanece em litígio, especificamente no que tange à aplicação da multa aos débitos remanescentes, na forma demandada pelo pleito fazendário, devendose, assim, verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002454/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS REFLEXOS À COBRANÇA DE IRPJ. MATÉRIA DA COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Por força do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a competência para julgar recursos que versem sobre a exigência do PIS e da COFINS, quando reflexos do IRPJ e formalizados com base nos mesmos elementos de prova, é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso, declinando da competência em favor da Primeira Seção do CARF, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS REFLEXOS À COBRANÇA DE IRPJ. MATÉRIA DA COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. RECURSO NÃO CONHECIDO. Por força do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a competência para julgar recursos que versem sobre a exigência do PIS e da COFINS, quando reflexos do IRPJ e formalizados com base nos mesmos elementos de prova, é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.002454/2009-90
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5792000
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-002.997
nome_arquivo_s : Decisao_19515002454200990.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Francisco José Barroso Rios
nome_arquivo_pdf_s : 19515002454200990_5792000.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso, declinando da competência em favor da Primeira Seção do CARF, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6991692
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735771717632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 979 1 978 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002454/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.997 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria Auto de Infração PIS/COFINS Recorrente AEM PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS REFLEXOS À COBRANÇA DE IRPJ. MATÉRIA DA COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. RECURSO NÃO CONHECIDO. Por força do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a competência para julgar recursos que versem sobre a exigência do PIS e da COFINS, quando reflexos do IRPJ e formalizados com base nos mesmos elementos de prova, é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso, declinando da competência em favor da Primeira Seção do CARF, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 54 /2 00 9- 90 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (efls. 228/254), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra a recorrente, nos termos do Acórdão nº 1622.987, proferido em 28 de dezembro de 2009. Contra o sujeito passivo foi constituído crédito tributário relativo ao PIS nãocumulativo, no valor de R$ 1.373.631,34, bem como concernente à COFINS não cumulativa no montante de R$ 6.325.785,60, acrescidos de juros de mora e de multa de mora, inerentes aos fatos geradores de junho, julho e dezembro de 2004. O lançamento foi motivado pela contabilização de receitas financeiras provenientes de juros sobre o capital próprio, cuja escrituração ocorreu na conta contábil 3.6.1.03.20.0000 Juros Sobre o Capital Próprio, sem que referidas importâncias, no entanto, fossem consideradas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/01/2010 (conf. AR de e fls. 256), a interessada apresentou, em 02/02/2010 (v. efls. 353), o recurso voluntário de efls. 353/393, onde apresenta os argumentos em defesa do provimento de seu recurso. Posteriormente, em 08/12/2014, o sujeito passivo protocolizou a petição de efls. 967/969 onde ressalta o seguinte: Conforme informado às fls., por petição protocolada em 01/03/2010, a Recorrente aderiu ao programa de parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09 e desistiu parcialmente do presente processo administrativo, ou seja, desistiu apenas quanto ao tributo incidente sobre a receita de junho/2004 (R$ 24.473.007,06) e dezembro/2004 (R$ 41.011.014,13), que foram calculados sobre base de cálculo correta, como demonstram os documentos anexos aos autos. Permaneceu, pois, em discussão, a diferença a maior, correspondente a suposto tributo relativo a julho/2004, de vez que, nesse período, nada foi recebido a título de JCP, conforme DIPJ retificadora e lançamentos efetuados nos livros Diário e Razão, não tendo ocorrido fato gerador que justifique a incidência do tributo. Assim, a matéria que permanece em discussão no caso presente é somente o reconhecimento da existência de erro material no cálculo da apuração dos valores recebidos a título de JCP, na apuração do crédito tributário que fora objeto do auto de infração. A fim de dirimir eventuais dúvidas, cabe ressaltar que, no exercício de 2004, foi apurado que a Recorrente teria recebido, a título de JCP, na conta 3.6.1.03.20.0000, a importância de R$ 83.234.021,18. Tal valor, colhido pela fiscalização nos documentos fiscais do contribuinte, é fruto de manifesto ERRO MATERIAL da Recorrente. É que os JCP foram pagos pela empresa Votorantim Participações à empresa Fl. 980DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 3 Hejoassu Adm. S.A. no montante de R$ 332.936.084,72, tendo esta distribuído às demais holdings do grupo, o valor total de R$ 261.936.084,72, do qual coube à Recorrente R$ 65.484.021,18, como provam os documentos constantes dos autos, nos meses de junho/2004 e dezembro/2004. Assim, na apuração do crédito tributário, objeto do auto de infração, foi considerada a maior a importância de R$ 17.750.000,00 como base de cálculo da exigência fiscal, na medida em que considerou, como valor de JCP recebido em 2004, o valor de R$ 83.234.021,18 quando, na verdade, esse valor foi de R$ 65.484.021,18, em duas parcelas (junho/2004 e dezembro/2004) nada tendo sido recebido a esse título em julho/2004. O mesmo equívoco ocorreu com relação à empresa Erman Participações S.A., tendo a matéria sido apreciada por este Eg. Conselho, em processo da relatoria de V. Exa, tendo esta Quarta Câmara concluído pelo cancelamento do lançamento do PIS e da COFINS referente ao mês de julho de 2004, conforme se verifica do julgado em anexo. Do exposto, a Peticionária requer a juntada deste precedente aos autos, bem como seja dada preferência no julgamento do presente feito, renovando o pedido de provimento do Recurso Voluntário apresentado, a fim de que possa este Órgão restaurar a legalidade e declarar o cancelamento da ilegítima exigência. (grifos e destaques do original) Em razão das alegações de desistência parcial e de suposto erro material na constituição do auto de infração, a 2ª Turma Ordinária desta 3º Seção do CARF, mediante resolução nº 3202000.055, de 25/01/2012 (efls. 195/200 do processo apenso 19515.721831/201370), baixou o processo em diligência para que a unidade de origem se pronunciasse sobre as novas questões aduzidas pela suplicante, quais sejam, se houve deferimento do parcelamento pleiteado, bem como se o erro material alegado encontra alicerce na escrituração contábilfiscal do contribuinte. Em resposta à diligência referenciada, a Delegacia de Fiscalização em São Paulo apresentou a Informação Fiscal de efls 201/206 (processo apenso 19515.721831/2013 70), cujo teor será abordado adiante. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 09/01/2010 (v. AR de efls. 256). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 02/02/2010 (v. efls. 353), tempestivamente, portanto. Todavia, conforme relatado a lide se restringe à análise de suposto erro material ocorrido em relação à parte do lançamento relativa ao mês de julho de 2004, em vista Fl. 981DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 4 da desistência parcial por conta de parcelamento pleiteado pelo sujeito passivo. Assim, como este mesmo alega em sua petição de efls. 967/969, a matéria que permanece em discussão no caso presente é somente o reconhecimento da existência de erro material no cálculo da apuração dos valores recebidos a título de JCP, na apuração do crédito tributário que fora objeto do auto de infração. Não obstante, mesmo concernente ao alegado erro material aduzido pelo sujeito passivo, não há como se conhecer do recurso em vista da falta de competência desta Terceira Seção do CARF para se pronunciar sobre a matéria, já que o lançamento do PIS e da COFINS é reflexo do IRPJ, dado o não recolhimento das contribuições referenciadas "incidentes sobre receitas financeiras devidas, consubstanciadas em Juros sobre o Capital Próprio, recebidas de empresas nas quais detém participações". Nesse sentido, os seguintes trechos da Informação Fiscal elaborada pela Delegacia de Fiscalização em São Paulo, acostada às efls 201/206 do processo apenso nº 19515.721831/201370: Conforme Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 18/12/2012, recebido pela via postal conforme AR n° RA 38340660 5 BR em 27/12/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar os originais dos livros Diário e Razão do anocalendário de 2004, para subsidiar o julgamento do Processo que transita com o n° 19.515.002454/200990, Mencionado processo foi formalizado pelo lançamento de ofício, veiculado através de Autos de Infração para a cobrança da contribuição para o PIS e para a COFINS no montante total de R$ 15.121,446,09, relativos ao período de apuração de JUNHO, JULHO e DEZEMBRO de 2004, uma vez que o contribuinte deixou de recolher referidas contribuições incidentes sobre receitas financeiras devidas, consubstanciadas em Juros sobre o Capital Próprio, recebidas de empresas nas quais detém participações. [...] Em suas alegações manifestadas no Processo e detalhadas na Resolução n° 3202000.055 da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento, objeto desta Diligência Fiscal, a empresa questiona sobre existência de erro material no auto de infração explicitando que: "Conforme consta no auto de fls., no exercício de 2004 a requerente teria recebido, a título de juros de capital próprio, na conta 3.6.1.03.20.000, a importância de R$ 83.234.021,18. Tal número, colhido pela fiscalização nos documentos fiscais da contribuinte, é fruto de manifesto erro material da recorrente. Com efeito, os JCP foram pagos pela empresa Votoranfim Participações à empresa Hejoassu Adm. S/A no montante de R$ 332.936.084,72, tendo esta distribuído às demais holdings do grupo, o valor total de R$ 261.484.021,18, do qual coube à recorrente R$ 65.484.021,18, como provam os documentos anexos. Assim, na apuração do crédito tributário objeto do auto, foi considerado a maior a importância de R$ 17.750.000,00 como base de cálculo da exigência fiscal. Tratandose de mero erro material, é a presente para requerer a retificação do auto, a fim de que Fl. 982DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 5 possa ser concedido o parcelamento ao qual a empresa aderiu, levando em conta os valores corretos." [...] Do Direito À época do lançamento, os exames foram concentrados nas contas de Receitas Financeiras referentes aos Juros sobre o Capital Próprio, contabilizadas na conta contábil 3.6,1.03,20,0000, conforme valores extraídos do Livro Razão nº 01, contendo a escrituração do anocalendário de 2004. [...] Convém lembrar que os pagamentos de Juros sobre o Capital Próprio aos acionistas detentores de ações de emissão da Companhia, via de regra, devem ser pagos na respectiva conta corrente e domicílio bancário do acionista, caso em que nada foi mencionado ou informado a este respeito. O contribuinte não apresenta os comprovantes dos pagamentos dos JCP efetuados a ele como acionista, alegando que por tratarse de empresas do mesmo grupo econômico, esses documentos não são emitidos, e nada apresenta para sustentar a alegação da ocorrência de erro material. [...] O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) elenca as hipóteses em que compete à Primeira Seção processar e julgar, dentre outros, os casos que versam sobre PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova (inciso IV). Vale ressaltar que a recente Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, excluiu da redação anterior do referido inciso IV a passagem "em um mesmo processo administrativo". É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com Fl. 983DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 6 base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é pertinente atentar para o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6 do Regimento Interno deste Conselho: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Sendo assim, há que se declinar da competência para o julgamento do feito, uma vez que é da competência da Primeira Seção deste Conselho o julgamento de processos relativos à cobrança do PIS e da COFINS "quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova", ainda que não integrem um mesmo Processo Administrativo Fiscal. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não se conhecer do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, visto que, por força do disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, há que se declinar da competência para o julgamento da demanda em favor da Primeira Seção deste Conselho. Sala de Sessões, em 21 de junho de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 984DF CARF MF Processo nº 19515.002454/200990 Acórdão n.º 3301002.997 S3C3T1 Fl. 0 7 Fl. 985DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720101/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei.
O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Numero da decisão: 1401-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720101/2011-46
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5817893
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.122
nome_arquivo_s : Decisao_16561720101201146.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16561720101201146_5817893.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Daniel Ribeiro Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7082365
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735805272064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 5.181 1 5.180 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720101/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.122 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 01 /2 01 1- 46 Fl. 5181DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Daniel Ribeiro Silva. Fl. 5182DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.182 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 1646.177 5 ª Turma da DRJ/SP1 que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação (crédito totalmente exonerado, em face da compensação da matéria tributável mantida como resultado negativo do período). O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 3404/3414, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao ano calendário de 2006, no tocante à legislação dos preços de transferência, constatouse o seguinte: DAS INFORMAÇÕES GERAIS E DAS INTIMAÇÕES FISCAIS A empresa fiscalizada é montadora de veículos automotivos no Brasil. Para comercializar e industrializar seus produtos, importa e exporta de/para suas vinculadas no exterior bens para revenda e para industrialização, operações estas sujeitas à aplicação da metodologia do preço de transferência. Na DIPJ/2007 (ano calendário de 2006), Ficha 09A, a contribuinte fez adição de R$ 1.746.047,95 ao lucro liquido, a título de preço de transferência, sendo R$ 1.656.875,18 para a exportação e R$ 89.172,77 para a importação. Em 16/12/2010, foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização solicitando demonstrativo das pessoas vinculadas, indicação dos métodos de preço de transferência adotados e memórias de cálculo. Em atendimento às solicitações fiscais, a contribuinte apresentou um CD gravado com as planilhas de apuração. Todavia, não enviou a memória de cálculo de apuração de preço parâmetro e preço praticado de vários produtos. A fiscalização também verificou inconsistências nas diversas planilhas fornecidas pela empresa. Intimada a conferir os dados e apresentar nova informação sobre as operações sujeitas ao preço de transferência, a empresa entregou outro CD gravado com novas planilhas que teriam sido revisadas. Saneadas as informações prestadas pela empresa foram, então, analisados os cálculos apresentados para apuração do preço de transferência, segundo a metodologia adotada pela empresa. DA METODOLOGIA USADA PARA CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Para cálculo do preço de transferência nas exportações, a empresa usou o método CAP (Custo de Aquisição ou Produção mais Tributos e Lucro). Para as importações a empresa apurou o preço de transferência com base no método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), com margem de 20% (PRL20) para produtos que foram revendidos tal como foram importados, sem agregação de valor; e com Fl. 5183DF CARF MF 4 margem de 60% (PRL60) para os produtosque foram importados e utilizados como matéria prima na produção. A empresa ainda usou o método PIC (Preços Independentes Comparados) para alguns produtos. EXPORTAÇÃO MÉTODO CAP A empresa informou na DIPJ do ano calendário de 2006 e reiterou nas planilhas apresentadas, ajustes a serem feitos em relação a diversos produtos exportados, apurados pelo método CAP, no valor total de R$ 1.656.875,16, mantidos pela fiscalização (ANEXO I DEMONSTRATIVO DE AJUSTES NAS EXPORTAÇÕES). IMPORTAÇÃO – MÉTODO PIC A empresa usa o método PIC para calcular o preço de transferência de alguns produtos importados de vinculadas sem apurar nenhum ajuste exigível. Nos casos em que toda a quantidade consumida foi comprovada exclusivamente pelo método PIC a comprovação foi aceita pela fiscalização. Para alguns produtos a empresa usou dois métodos, simultaneamente, o PIC e o PRL. A IN SRF nº 243/2002 é clara ao dispor que a empresa deverá optar por um único método. Nesses casos, o método PIC sempre se mostrou mais favorável à contribuinte, não resultando em nenhum ajuste. O método PIC foi aceito pela fiscalização apenas quando a quantidade comparada representava mais do que 2% do total consumido do produto importado. Para os demais casos (cálculo pelo PIC representando um percentual ínfimo em relação à totalidade consumida do produto), a fiscalização reconheceu apenas os cálculos pelo método PRL. Como exemplo, a fiscalização cita o caso do produto Código 011250029U – Parafuso: o PIC referese a 2 unidades saídas, enquanto a quantidade consumida total foi de 15.803 unidades. Destaca a fiscalização que o artigo 31 da IN 243/2002 veda o uso, como parâmetro, de preço de bens em operações atípicas de compra e venda. Abaixo estão relacionados os produtos cujos cálculos foram admitidos pelo método PIC (fl. 3407), uma vez que a comprovação por esse método alcançou quantidades consumidas significativas (os demais foram calculados pelo método PRL). Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.183 5 IMPORTAÇÃO MÉTODO PRL Do preço praticado O preço praticado utilizado pela empresa para fins de apuração do método PRL (tanto para os casos de revenda, como nos casos de produção, ou ambos revenda e produção), levou em consideração o valor FOB, sem considerar valores relativos a frete, seguro e Imposto de Importação. Tal procedimento contraria o que expressamente determina o artigo 4o, § 4o, da IN SRF nº 234/2002. A fiscalização procedeu, então, a um recálculo (ANEXO II Demonstrativo de Apuração do Preço Praticado PRL), porém usando como base os dados informados pela empresa e constantes de sua planilha Composição do Consumo. Ou seja, todas as informações da empresa foram mantidas, apenas somandose os valores de frete, seguro e Imposto de Importação respectivos, constantes também da própria planilha da empresa e excluindose as aquisições de não vinculadas. Do método PRL20 Com relação ao preço parâmetro segundo o método PRL20, foram mantidos pela fiscalização os cálculos da contribuinte (ANEXO III Demonstrativo de Apuração do Preço Parâmetro PRL 20%). Utilizando o preço praticado recalculado e o preço parâmetro mantido, a fiscalização apurou ajuste de R$ 6.731.633,46 (ANEXO IV Demonstrativo do Ajuste PRL 20%) com relação aos produtos importados destinados exclusivamente à revenda (PRL20). Do método PRL60 Para apurar o preço parâmetro dos produtos importados destinados à produção, a empresa optou pelo método PRL60. Analisando os cálculos da contribuinte, a fiscalização verificou que estavam em desacordo com a legislação de regência da matéria (artigo 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002). Dessa forma a fiscalização refez os cálculos do PRL60 (ANEXO V Demonstrativo de Apuração do Preço Parâmetro PRL 60%). Fl. 5185DF CARF MF 6 Utilizando o preço praticado e o preço parâmetro recalculados, a fiscalização apurou ajuste de R$ 30.350.743,56 (ANEXO VI Demonstrativo do Ajuste PRL 60%) com relação aos produtos importados destinados exclusivamente à produção (PRL60). Da utilização simultânea do PRL20 e PRL60 (PRL20/60) Para apurar os ajustes dos preços dos produtos importados destinados a revenda e usados como insumo na produção, portanto, calculados pelo método PRL com margem de 20% e 60%, respectivamente, a fiscalização procedeu da seguinte forma: a) Somou os valores e as quantidades do preço parâmetro PRL com margens de 20% e 60%; b) Dividiu o preço parâmetro total (apurado da forma acima) pela quantidade total de produto consumido, encontrando o preço parâmetro unitário médio; c) Confrontou o preço parâmetro unitário médio com o preço praticado unitário; d) A diferença a maior entre o preço praticado unitário e o preço parâmetro unitário médio, multiplicada pela quantidade consumida do produto importado, corresponde ao ajuste total para essa situação. A fiscalização elaborou, então, o ANEXO VII Demonstrativo do Ajuste PRL 20% e 60%, onde consta o ajuste total de R$ 76.685.622,49. Em resumo, a fiscalização apurou um ajuste adicional de preços de transferência na importação (na exportação foram totalmente aceitos os cálculos da contribuinte) no total de R$ 113.678.826,74. Foram efetuados lançamentos relativos a IRPJ e CSLL referentes ao Ano Calendário de 2006, acrescidos de multa e juros de mora e multa de ofício de 75%. Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4729/4768, após a qual o julgamento foi convertido em diligência para elucidação de inconsistências no cálculo dos métodos PLR 20 e 60, com base na aplicação da própria IN 243/02 e que fossem prestados esclarecimentos sobre os critérios utilizados pela fiscalização para desconsideração do método PIC, a diligência resultou em redução parcial dos ajustes tributáveis, reconhecendose os equívocos incorridos pela autoridade fiscal, que decorreram na procedência parcial da impugnação, sendo diante da exoneração de parte do lançamento, interposto recurso de ofício. Conforme decisão recorrida, a procedência parcial se deu pela razão abaixo transcrita: Analisandose as peças juntadas aos autos, constatouse que, no cálculo dos ajustes de produtos revendidos e também utilizados na produção (média ponderada PRL20 e PRL60), houve erro no transporte das informações relativas às quantidades consumidas na revenda (PRL20) e na produção (PRL60) para o ANEXO VII (Demonstrativo de ajustes PRL 20% e 60%). Dessa forma, o presente processo foi encaminhado à DEMAC/SÃO PAULO, para a fiscalização manifestarse acerca desse erro, refazendo, se fosse o caso, a apuração dos ajustes PRL20/60. Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.184 7 Em atendimento ao solicitado, a fiscalização reconheceu o equívoco, refazendo o ANEXO VII ((fls. 4902/4953). Em conseqüência, o valor tributável relativo aos produtos calculados pela média ponderada PRL20 e PRL60 (PRL20/60) foi reduzido para R$ 32.291.297,46 (fl. 4953). Além desse equivoco, restou demonstrado pela DRJ que: E, conforme Demonstrativo de Documentação do PIC (fls. 4897/4898) a contribuinte fez, até prova em contrário (novamente, ônus da fiscalização) os ajustes cambiais, nos termos do caput do supra transcrito artigo 11 da IN SRF nº 243/2002. Quanto aos §§ 1º e 2º, esses são inaplicáveis ao caso. Assim, por todo o exposto, há que se considerar improcedente a desconsideração do método PIC, em relação aos produtos relacionados no Demonstrativo Comparativo PIC x PRL, para os quais a fiscalização, utilizando os métodos PRL60 e PRL20/60, apurou ajustes no total de R$ 3.614.858,35 (fl. 4899) – que devem ser excluídos da tributação , conforme a seguir sintetizado (valores em reais): Método PRL 60 6.754,12 Método PRL 20/60 ponderado 3.608.104,23 =ajuste total desconsideração PIC 3.614.858,35 Portanto, na decisão de piso, o lançamento foi julgado procedente em parte, para determinar a matéria tributável (ajuste de preços de transferência) e os tributos mantidos: Autuação Corrigindo PLR20/60 Exclusão PIC Decisão Método PRL20 6.731.633,46 6.731.633,46 0,00 6.731.633,46 Método PRL60 30.350.743,56 30.350.743,56 6.754,12 30.343.989,44 Método PRL20/60 76.685.622,49 32.291.297,46 3.608.104,23 28.683.193,23 = Ajuste Total na Importação 113.767.999,51 69.373.674,48 3.614.858,35 65.758.816,13 () Ajuste na DIPJ (importação) 89.172,77 89.172,77 89.172,77 = Ajuste Adicional Tributável 113.678.826,74 69.284.501,71 65.669.643,38 IRPJ R$ matéria tributável mantida 65.669.643,38 () prejuízo do período (83.496.400,36) =resultado ajustado (17.826.757,00) IRPJ 0,00 Fl. 5187DF CARF MF 8 Multa de Ofício (75%) 0,00 CSLL R$ matéria tributável mantida 65.669.643,36 () prejuízo do período (88.528.415,56) =resultado ajustado (22.858.772,20) IRPJ 0,00 Multa de Ofício (75%) 0,00 Em face das compensações acima, o acórdão recorrido considerou a necessidade de se alterar, com base nos formulários FAPLI e FACS (em anexo), o sistema SAPLI da RFB (que controla as compensações de resultados negativos), tendo ao final concluído no sentido de se considerar procedente em parte a impugnação. Crédito tributário totalmente exonerado, em face da compensação da matéria tributável mantida com o resultado negativo do período. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas à reforma do julgado para cancelamento integral das autuações de IRPJ e CSLL, argumentando pela i) ilegalidade da IN 243/02 frente à Lei 9.430/96, pois não cabe a uma Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentar a lei ou na tentativa de explicitar ou concretizar o objetivo da lei, majorar a carga tributária, conforme devidamente provado no processo; ii) ilegalidade das autuações, importações FOB realizadas pela recorrente pelo critério CIF + imposto de importação; iii) imputação mais gravosa à recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002 Em suma a Recorrente foi autuada por não aplicar o critério de cálculo do preço parâmetro previsto na IN nº 243/2002 para operações de importação realizadas com empresas vinculadas. Ela sustenta, na Impugnação e no Recurso Voluntário, a ilegalidade da IN e a correta aplicação, por sua parte, do critério previsto na Lei nº 9.430/1996. Esta matéria já é bastante discutida no CARF, tendo sido recentemente julgada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sentido contrário ao pretendido pela Recorrente, porém com definição do resultado por maioria de votos Acórdão 9101002.514 – 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016. Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.185 9 Esta turma, também já discutiu a questão em outras também recentes oportunidades. Quando do mais recente julgamento em 06 de abril de 2016, Acórdão 1401001.594, acompanhei o voto vencido, de relatoria do então conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas, do qual reproduzo o seguinte trecho, especialmente em razão da digressão histórica a respeito do instituto e do raciocínio estabelecido até a conclusão da ilegalidade do critério de formação do preço parâmetro estabelecido na IN 243/2001: "Há que se aprofundar, no entanto, nas diferenças dos critérios da Lei nº 9.430/1996 (com sua redação alterada pela Medida Provisória nº 1.924/1999, convertida na Lei nº 9.959/2000), da IN nº 32/2001 e da IN nº 243/2001. Por fim, é preciso aprofundar na discussão sobre a (i)legalidade do critério de formação do preço parâmetro estabelecido na IN nº 243/2001. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 18, inc. II, determina que o preço parâmetro, no caso do método chamado de PRL60, seja calculado a partir da média ponderada dos preços de venda no país, ou seja, dos Preços de Revenda (PR) dos bens ou direitos, devendo ser diminuída tal média dos descontos incondicionais, impostos e contribuições, e subtraídos da margem de lucro presumida de 60% do valor líquido da venda, ou seja, do Preço de Revenda (PR) menos o Valor Agregado (VA) aos produtos vendidos dentro do Brasil. A rigor, não deveria se falar em Preço de Revenda, pois não há tecnicamente uma revenda nos casos concretos sujeitos à aplicação do PRL60. Esse método era utilizado apenas "na hipótese de bens importados aplicados à produção", conforme redação do item 1, da alínea "d", do inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430/1996. Houve um problema na técnica legislativa, pois se entendeu possível criar um gênero, chamado de PRL, que teria duas espécies: item 1 o PRL60, aplicável à importação de bens para produção, e item 2 o PRL20, aplicável à importação de bens ou direitos para mera revenda. Esses detalhes históricos fazem muita diferença na compreensão da matéria, pois ajudam a perceber que o critério de cálculo previsto da IN 243/2002 não é uma interpretação da lei, mas um novo cálculo, diferente do que era aceito pela própria Receita Federal quando da vigência da IN 32/2001, de modo que apenas uma nova lei poderia realizar a alteração pretendida, como, afinal, foi feito por meio da Medida Provisória (MP) nº 563/2012, convertida depois na Lei nº 12.715/2012. Em notação matemática, segundo o entendimento deste Relator, o cálculo previsto na Lei nº 9.430/1996 não pode ser outro, senão o de Preço Parâmetro = PR 60% x (PRVA). O cálculo supostamente interpretável a partir da lei segundo alguns, que é, inclusive, mencionado pelo Recurso Voluntário, seria o de Preço Parâmetro = PR 60% x PR VA. Não entendo ser possível essa interpretação, pois, apesar do erro gramatical do legislador, a única interpretação que mantém coerência com o texto total e com os fins econômicofinanceiros da norma termina sendo aquela primeira. O erro está no momento em que há referência ao Valor Agregado. Dizse que a margem de lucro será de "sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados na produção". Fl. 5189DF CARF MF 10 Não deveria haver essa preposição "de" (negritada acima) no texto, pois a única interpretação possível parece ser a de que o Valor Agregado (VA) é mais um valor a ser deduzido do Preço final de Revenda (PR). O PR é deduzido dos valores que estão nas alíneas anteriores e que o transformam em um Preço de Revenda líquido, quais seja, os descontos incondicionais (alínea "a"), impostos e contribuições incidentes sobre as vendas (alínea "b"), comissões e corretagens pagas (alínea "c"). Com a preposição "de", linguisticamente, gerase dúvida se o Preço de Revenda não seria subtraído do Valor Agregado (VA), e não o contrário. No entanto, essa interpretação não faz sentido do ponto de vista econômicofinanceiro, pois o VA será sempre menor do que o PR, então o resultado seria um valor negativo de margem de lucro. Outra interpretação possível, esta analisada pelo Acórdão da DRJ e pelo Recurso Voluntário, seria a de que "do valor agregado no País" não concorda com "deduzidos", de modo que não estaria dentro do cálculo do lucro, mas como uma variável a mais na equação, que concordaria com "diminuídos", expressão que sempre constou do inciso II e sequer se refere especificamente ao critério do PRL60. Essa interpretação não faz sentido pela distribuição textual, que coloca o Valor Agregado dentro do item 1, que trata do cálculo do lucro para efeitos de PRL60 sem qualquer sinal de pausa que pudesse indicar uma falta de relação direta da expressão Valor Agregado com o Preço de Revenda que aparece como partida para o cálculo da base à qual serão aplicados os 60% de percentual presumido de margem de lucro. Essa interpretação também não faz sentido pela lógica do cálculo, que é Preço de Revenda menos Lucro, não havendo menção expressa ao Valor Agregado como uma variável autônoma da equação, além de que o Valor Agregado funciona razoavelmente bem na lógica de se chegar ao Lucro da empresa por meio de subtração dele do Preço de Revenda líquido para obter um custo presumido e aplicar a margem presumida bastante questionável e, de fato, questionada por muitos de 60%. Por isso, entendo que nem caiba aprofundar na questão sobre o aumento do Valor Agregado levar a um aumento ou diminuição do preço parâmetro. O fato é que, como acontece com frequência no Brasil, se criou normas ruins, preços de transferência com critérios fracos, muito diferentes daqueles utilizados no exterior e, por isso, também como de costume no Brasil, gerouse muito mais confusão e, então, muito mais contencioso do que era necessário. Não se pode refazer o cálculo interpretativamente ou por meio de IN se ele está descrito em lei com certa clareza, ainda que houvesse nele o mencionado erro da preposição "de". Em caso de grande dúvida, até se poderia optar por uma das interpretações possíveis, mas nunca para prejudicar o contribuinte. É esse o sentido do princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, que se manifesta por meio do óbice legal criado no inc. II, do art. 97, do CTN: o contribuinte apenas pode ter seus tributos majorados quando houver clareza, quando todos os elementos estiverem evidentes no texto de lei, permitindo, assim, que se retire parte da sua propriedade, direito considerado fundamental, previsto no rol dos direitos fundamentais do art. 5º da Constituição Federal, considerados, inclusive, cláusulas pétreas. Essa noção de que apenas é possível tributar quando houver certeza, quando os elementos para tanto estiverem muito claros na lei, já havia sido construída pelo gênio Adam Smith no século XVIII, no seu clássico A Riqueza das Nações, e depois foi lembrada por outros célebres pensadores, sejam economistas, sejam juristas. Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.186 11 Essa construção teórica, de fato, se refletiu no ordenamento jurídico de múltiplos países, inclusive do Brasil. Voltando ao critério de cálculo em específico, é verdade que a agregação de valor é um fim a ser buscado cada vez mais no Brasil. Ele combate a desindustrialização do país, uma das principais causas do seu atraso socioeconômico, então não estaria em desacordo com os fins constitucionais brasileiros um cálculo que valorizasse o aumento da agregação de valor no Brasil. O fato é que, bom ou ruim, o cálculo do PRL60 estava previsto na Lei nº 9.430/1996 e foi confirmado pela IN nº 32/2001. Outras interpretações são alterações da lei. Deste modo, entendo que o cálculo não pode ser: Preço Parâmetro = PR 60% x PR VA. Ele deve ser: Preço Parâmetro = Preço de Revenda (PR) Lucro (L), este igual a 60% x (PR VA). A IN 32/2001, ato normativo publicado pela Receita Federal pouco tempo após a criação do PRL60 pela Lei nº 9.959/2000, manteve a redação da lei. A IN 113/2000 foi publicada antes, com redação semelhante à da lei, mas não especificava no detalhe como calcular a margem de lucro. Com a publicação da IN 32, em 03 de abril de 2001, não se tinha mais grandes dúvidas sobre o cálculo do PRL60, que era aplicado pelas empresas conforme a fórmula apresentada de Preço Parâmetro = PR 60% (PR VA), sendo que PR é o preço de venda, inadequadamente chamado de preço de revenda, líquido dos valores previstos na lei e na IN, dos produtos industrializados no Brasil com o uso de insumos importados. A IN nº 243/2002, por sua vez, traz um cálculo bastante diferente, ainda que se possa tecer considerações diversas sobre a sua maior adequação à finalidade do preço de transferência, aos aspectos econômicofinanceiros em jogo etc. Caso se tratasse realmente de mera opção interpretativa, estaria tudo bem e a IN nº 243/2002 sequer precisaria ter previsto expressamente a interpretação em questão. No entanto, tanto não é uma mera questão de interpretação, que veio uma IN para modificar o cálculo previsto na IN nº 32/2001, que, esse sim, refletia a Lei nº 9.430/1996. O indivíduo favorável à interpretação de que a IN nº 243/2002 pode, então, se questionar: "Ora, mas qual o problema de aceitála se ela faz mais sentido do ponto de vista econômicofinanceiro e está próxima do que impõe a Lei nº 9.430/1996?". O problema é exatamente que ela está apenas "próxima" da lei, mas não é uma mera concretização dela, uma regulamentação que não altera o resultado tributário. Provavelmente, percebeuse que o resultado do cálculo previsto na lei e na IN nº 32/2001 levava a um preço parâmetro que refletia o custo total da importação, e não o custo daquele bem específico importado. No caso de importação de diferentes insumos, por exemplo, o preço parâmetro terminaria refletindo o custo total desses insumos, e não de cada um deles, levando a um preço parâmetro maior do que o adequado para melhor servir de limite aos valores empregados em operações entre partes vinculadas. O cálculo da IN 243/2002 veio, então, para determinar que o Preço de Revenda (PR) fosse transformado, como bem explica a Recorrente, em PBI no PR, ou seja, em vez se utilizar o Preço de Revenda, passouse a empregar uma proporcionalização da participação do Preço do Bem Importado (PBI) no Preço de Revenda (PR). Fl. 5191DF CARF MF 12 Deve ter ficado compreendido que, dessa forma, o preço parâmetro seria mais adequado a servir de limite de preço para cada bem importado, pois o novo cálculo estaria considerando uma espécie de preço de revenda do bem importado específico. Deixouse de lado o cálculo genérico de custo de importação para buscar chegar a um cálculo específico de cada bem importado. Muito dizem, então, que essa é uma mera interpretação da lei, que, ao mencionar Preço de Revenda, estaria mencionando o preço de revenda relativo a cada bem importado. Mas entendo que não é bem por aí. Primeiro, como dito, não se trata de revenda, pois revenda está sujeita ao PRL20. Tratase de venda de um novo produto industrializado, resultado de uma produção na qual os bens importados foram aplicados. Como dito, a mistura dos métodos PRL60 e PRL20 causou uma grande confusão e deu ensejo, apesar de não permitila juridicamente, a essa interpretação ilegal da IN nº 243/2002. Só há revenda de bens ou direitos no caso de efetiva compra e revenda e, portanto, é aplicável o PRL20. No caso do PRL60, há venda de produtos industrializados. Se há algo revendido, é o produto final, resultado do processo de produção no qual se utilizou os bens importados. O trecho que tem sido utilizado para justificar uma suposta interpretação conforme a lei da IN 243/2002 se refere ao PRL20, é trecho que já existia desde redação original da Lei nº 9.430/1996. Ele diz que "o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos". Não se pode interpretar "preço de revenda dos bens ou direitos" como a justificativa da proporcionalização criada pela IN 243/2002, pois sequer há revenda dos bens ou direitos importados no caso de aplicação do PRL60. Se interpretado dessa forma, afrontase a própria função do PRL60, que era regular o preço praticado em operações de importação de bens aplicados em produção, processo que iria resultar na venda de um produto industrializado. A linha de argumentação do Acórdão da DRJ para defender a IN nº 243/2002 também é falha. Observese que o problema não está na segunda variável da equação, mas na primeira. A DRJ tenta usar uma suposta confusão sobre como seria utilizado o Valor Agregado na equação para concluir que isso justificaria o esclarecimento pela IN. Esse argumento não parece ter sentido. O problema da IN nº 243/2002 para o contribuinte está na redução da primeira variável, aquela positiva, que leva diretamente à redução do preço parâmetro. No momento em que se substitui a variável Preço de Revenda por um valor que corresponda à Participação do Bem Importado no Preço de Revenda, alterase o cálculo previsto na lei, reduzse o preço parâmetro e aumentase os tributos. Como dito, o cálculo do PRL60 não pode ser outro, senão Preço de Revenda, leiase: Preço de Venda do Produto Final (PVPF) líquido 60% (PVPF VA). A IN 243/2002 modificou o critério chamado PRL60 para criar um diferente, um critério de preço de transferência até mais adequado do ponto de vista econômico financeiro, porém, ainda assim, diferente daquilo que estava previsto em lei e que majora a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para analisar essa questão, é imprescindível retomar o histórico legislativo, por meio do qual se nota claramente que a IN não surgiu apenas para interpretar a lei e lhe dar um maior detalhamento, pois havia um método em plena aplicação, reconhecido pela Receita Federal por meio da Instrução Normativa nº 32/2001, mas ela decidiu mudar o seu posicionamento quanto ao cálculo e estabelecer um novo Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.187 13 critério por meio da IN nº 243/2002, publicada apenas em 13 de novembro de 2002. A IN nº 243/2002 surgiu, portanto, um ano e meio após a IN nº 32/2001! Com o advento da IN nº 243/2002, não se pode dizer simplesmente que ela veio regular a lei e que apenas trouxe maiores detalhes para o seu cálculo. O cálculo é outro. Não há mais PRL (PR L) propriamente na IN nº 243/2002, mas, como dito, (PBI no PR L), sendo que "L" também passou a ser calculado de outra forma, porém o que prejudica mesmo o contribuinte, como dito, é a alteração da primeira variável da equação, a variável positiva, que faz o seu resultado final diminuir. Notese que o critério de cálculo, ainda que tenha uma lógica econômico financeira, é, como todo critério para se estabelecer um parâmetro, arbitrário em alguma medida. A própria eleição do percentual de 60% é questionada por muitos empresários, até porque a margem de lucro é algo que pode variar bastante de um negócio para o outro. Deste modo, o critério precisa estar claro na lei. Os atos normativos infralegais não têm competência, de acordo com o art. 97 do CTN, como se verá, para modificar o critério quando ele afetar o quantum de tributo a ser pago. Na época, a Receita Federal deveria ter, em diálogo dentro do Ministério da Fazenda, providenciado uma Medida Provisória que alterasse a Lei nº 9.430/1996, na sua redação criada pela Lei nº 9.959/2000, como, de fato, se fez mais tarde. Em vez disso, preferiuse o caminho mais fácil de publicar um ato normativo da própria Receita Federal para modificar um critério que estava previsto em lei. O que se viu, depois disso, e este processo administrativo é um exemplo, foi uma enxurrada de contencioso tributário, que prejudica tanto a Receita Federal, quanto os contribuintes, a menos que a primeira entenda ser lucrativo o contencioso, pois lhe dá mais receitas, mesmo apesar de todo o custo de tempo e dinheiro empregado nas centenas ou milhares de processos administrativos e judiciais gerados para discutir se a IN nº 243/2002 é legal ou ilegal. Ao fim e ao cabo, quando o STF vier a definir essa matéria, o que ainda deve levar alguns anos, o grave prejuízo ao país estará causado e, a depender da decisão final, apenas se estabelecerá o maior perdedor: a Receita Federal ou as empresas que importaram bens de vinculadas e aplicaram em suas produções. Esse Relator entende, portanto, que o critério prescrito pela IN era ilegal. Não adianta escapar do argumento da ilegalidade pela saída de que a IN apenas interpreta a lei ou de que apenas a concretiza, pois, havendo mais de uma interpretação supostamente possível, a Receita Federal não poderia ter publicado uma norma que optasse pela interpretação menos favorável ao cidadão, interpretação essa que majora triutos. Não se trata ainda de aplicação do in dubio pro contribuinte, pois essa virá mais à frente. Tratase aqui de respeito à legalidade. E nem se diga que ela não pode ser aplicado por conta da Súmula nº 2 do CARF, que veda a declaração de inconstitucionalidade em concreto pelo órgão. Tal súmula, segundo o entendimento deste Relator, é, com o devido respeito, um equívoco, tendo em vista que possibilita e até incentiva a aplicação de normas inconstitucionais como é essa da IN. Contudo, não se deixa de aplicar a Súmula nº 2 aqui, pois o princípio da legalidade tributária também está previsto no Código Fl. 5193DF CARF MF 14 Tributário Nacional, que é o veículo introdutor de normas gerais do Direito Tributário no sistema brasileiro. Deste modo, a IN afronta o inc. II, do art. 97, do CTN, que confere apenas à lei a competência para majorar tributos. A IN termina majorando o IRPJ e a CSLL dos contribuintes quando reduz o preço parâmetro, de modo que age usurpando competência exclusiva da lei. Se interpretado o inc. II, do art. 97, do CTN, em comunhão com o art. 100 do próprio CTN, notase que as normas infralegais são complementares da lei, mas não podem lhe complementar para majorar tributos. Se não fosse assim, permitirseia que o próprio órgão fiscalizador emitisse normas para aumentar a sua arrecadação sob o argumento de estar meramente interpretando e concretizando leis. No momento em que se abra a oportunidade de um órgão arrecadador de tributos emitir normas para aumentar tributos que não estejam claras, expressas, delineadas na lei, o caminho para arbítrios estará muito bem traçado. Existem diferentes modelos de adoção do princípio da legalidade. Sabese que o sistema brasileiro optou, conforme lembra a Recorrente, pelo princípio da legalidade estrita, também conhecido como tipicidade cerrada, o que impede qualquer excesso do Executivo, mesmo quando ele pareça não afrontar diretamente a lei. É muito interessante trazer aqui à baila os acórdão do Supremo Tribunal Federal, órgão mais alto do Poder Judiciário brasileiro, que analisou se os Decretos nº 612/1992, 2.173/1997 e 3.048/1999 não estariam inovando o sistema jurídico e assumindo a competência da lei no momento em que definia a expressão "atividade preponderante" e o que seria graus de risco "leve", "médio" e "grave". Nos inúmeros julgamentos sobre o tema, o STF deixou clara a importância de se respeitar a legalidade estrita e a tipicidade cerrada, mas entendeu que, naquela discussão específica, a norma infralegal estaria apenas regulamentando expressões já previstas na lei e que não haviam sido definidas por ela. Entendeuse, então, que a própria lei estaria delegando sua competência para a regulamentação infralegal. O STF concluiu que não haveria, portanto, ofensa à estrita legalidade e à tipicidade cerrada, pois o caso seria de ilegalidade de normas infralegais supostamente ferindo a lei e, assim, não era de competência do tribunal constitucional: "Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional" (STF, RE 332.604AgR/PR, Rel. Min. Carlos Veloso). No caso da IN 243 especificamente, fica claro que ela veio para configurar um cálculo que restringe o preço parâmetro e aumentar os tributos, pois havia um cálculo previsto numa IN da própria Receita Federal e que deixou de ser aplicado um ano e meio depois. A Receita Federal notou que poderia melhorar o critério econômico financeiro do preço de transferência, comprimindo o preço parâmetro, o que daria menos margem ao contribuinte e, portanto, aumentaria o IRPJ e a CSLL. Era o cenário ideal para ela. Apenas se esqueceu que não poderia fazer isso sem lei nova que prescrevesse o novo critério". Nesse sentido, bem argumenta a Recorrente, que não cabe a uma Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentar a lei ou na tentativa de explicitar ou concretizar o Fl. 5194DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.188 15 objetivo da lei, majorar a carga tributária, conforme devidamente provado no processo. Da mesma forma, não se aplica ao presente caso os precedentes recentes da C. CSRF, que, em análise teórica da tese, consideram que os ajustes da IN 243 podem ser mais benéficos que os decorrentes da aplicação da Lei. Conforme prova o estudo da Deloitte, é inaplicável ao presente caso a afirmação do Acordão de que “a ponderação não é o fato que faz aumentar os ajustes, ao contrário, é sempre mais favorável aos contribuintes”. Nos estudos da Deloitte, há a comprovação do aumento de base de cálculo pelas fórmulas inovadoras da instrução normativa. Assim a IN 243/02 viola a legalidade estrita e o artigo 97 do CTN, já que uma norma secundária (IN) não pode ensejar a majoração de tributo. A este respeito, vale ressaltar que, na tentativa de dar fundamento legal a IN 243/02, foi aprovada a Iei 12.715/12, incorporando em texto legal o conceito de proporcionalidade. A exposição de motivos da nova Lei reconhece a ausência de fundamento legal para a proporcionalidade até sua vigência, e que a nova legislação foi aprovada para dirimir os litígios tributários: “C.) 56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à contribuição social sobre o Lucro Liquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edicão da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual (.j. 58. como medida de combate a essas práticas, que aviltam a base de tributação no Brasil transferindoa para outros países, impõese ao contribuinte o dever de comprovar que os valores dessas operações não sofreram manipulações ou ajustes indevidos, o que é feito mediante o cálculo dos chamados preços parâmetros (,,j. 63. Como algumas das alteracões introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao principio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013 (..j”, (destaques nossos) Ressaltese, por fim, que por ser matéria de Ordem Pública, prevalece o Tratado firmado entre Brasil e Japão para evitar a Dupla Tributação (artigo IX). Em seus termos, presumemse como válidos os preços praticados entre Recorrente e sua parte vinculada no Japão, devendo a autoridade fiscal fazer prova de eventual prática abusiva que justifique os ajustes de preços de transferência. No caso concreto, não se cogita a abusividade e nem houve prova em contrário pela autoridade Recorrida. Ao contrário, a prova produzida por entidade independente (Deloitte) faz prova a favor da Recorrente. Portanto, resta clara a necessidade de se reconhecer a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002 e prover o pleito do contribuinte. Frete, seguro soma ao preço praticado FOB Ilegalidade. Além da discussão acerca da ilegalidade da IN 243/02, discutese ainda a correção do procedimento adotado pela fiscalização que utilizou o Custo CIF (com frete e Fl. 5195DF CARF MF 16 seguro e Imposto de Importação) no cálculo dos ajustes para todos os itens sujeitos ao PRL na autuação. A aplicação do preço CIF resultou em ajuste de preço de transferência superior ao verificado pela Recorrente com base no preço FOB (desconsiderando os custos em questão). O §6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/1996 determina que os valores dos fretes e seguros sejam acrescidos ao preço praticado para efeito dedutibilidade, o que significa que eles podem não estar inclusos no preço praticado. Como bem considera o Conselheiro Luiz Flavio Neto no Acórdão 9101002.524 de sua relatoria, o legislador prescreveu expressamente que frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação e suportados pelo importador brasileiro, ainda que os produtos importados tenham sido adquiridos de partes dependentes, devem ser consideradas custos dedutíveis pelo importador. Significa dizer que os dispêndios com frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, não integram o preço parâmetro para fins de preços de transferência, devendo ser considerados dedutíveis independentemente de ajustes. Ao justificar o argumento discorre: " 4.2.2. A incompatibilidade da inclusão de fretes, seguro e tributos no cálculo do preço parâmetro para fins de preços de transferência. É conhecida a máxima jurídica de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo. Compreendo que ser ela aplicável ao caso ora sob julgamento. O art. 18 inaugura a “Seção V” da Lei n. 9.430/96, que tem como Título “Preços de Transferência” e subtítulo “Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior”. O referido dispositivo tutela de forma geral todos os métodos para a apuração do preço parâmetro, os quais, como já exposto, determinam se ajustes devem ou não ser realizados na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Por conseguinte, a conclusão alcançada no julgamento do presente caso – no se discute se frete, seguro e tributos devem ser incluídos na composição do preçoparâmetro do método PRL – devem ser igualmente coerente com os métodos PIC e CPL, igualmente tutelados pela regra geral do art. 18 da Lei n. 9.430/96. A máxima de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo emerge quando se analisa os efeitos da inclusão de frete, seguro e tributos incidentes na importação na composição do preço parâmetro do método CPL, que apura o preçoparâmetro a partir do custo do exportador, acrescido de uma margem de 20%. Como se ressaltou acima (tópico “1”), o objetivo da legislação de preços de transferência é “converter” os valores expressos em “reais de grupo” para valores “reais de mercado”, de tal forma que haja uma efetiva comparação entre contribuintes com capacidade contributiva equivalente. Nesse seguir, a legislação prevê que, para a composição do preçoparâmetro pelo método CPL, deverá ser considerado o custo do exportador, acrescido da margem de 20%. Em outras palavras, a margem de lucro bruta adotada no método CPL, limitada ao máximo de 20%, deveria incluir, além do lucro líquido e de todas as despesas do exportador que não estejam incluídas em seu custo, também o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Permissa vênia, a incongruência dessa interpretação salta aos olhos diante do fato de que os tributos brasileiros incidentes na importação facilmente podem, Fl. 5196DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.189 17 sozinhos, ultrapassar a margem de lucro bruto de 20% estabelecida pelo método CPL". Dadas essas considerações evidente que ao impor à Recorrente o acréscimo do frete ao preço praticado, não estava realizando uma equalização necessária, mas ferindo diretamente a lei, de modo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário quanto a este item. Até porque, vale destacar, também, que o custo médio de aquisição apurado pela Fiscalização foi o preço CIF + II, que inclui despesas com frete e seguro; ou seja, custos incorridos com terceiro não vinculado e que, portanto, não deveriam estar compreendidas no ajuste de preço de transferência. Ainda que os argumentos relacionados à ilegalidade da IN 243/02 sejam desconsiderados (o que se admite somente para argumentar), deveria ser considerado o preço FOB para fins de ajustes de preços de transferência. Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso de Ofício, nego provimento, pois os erros de cálculo no PRL e indevida desconsideração do PIC, conforme relatado, foram confirmados através de diligência fiscal, a qual derivou no consequente cancelamento da exigência fiscal de IRPJ e CSL, bem como da multa e dos juros decorrentes, recompondose acertadamente os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSL da Nissan. Restando prejudicada a apreciação das questões relativas a juros de mora calculados a taxa Selic e confiscatoriedade da multa de ofício. Conclusão. Nesse seguir, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para no mérito reconhecer a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002 e excluir o frete e o seguro do computo do preço praticado e afastar a obrigatoriedade por parte da autoridade fiscal no que diz respeito a escolha do método mais benéfico ao contribuinte. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Redator Designado. Apesar do bem fundamentado voto redigido pela Ilustre Relatora, ouso discordar de suas digressões a respeito da pretensa ilegalidade que se quer emprestar à Instrução Normativa SRF nº 243/2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Referida discussão já vem de longa data perante este Tribunal Administrativo, tendo recebido soluções diversas e antagônicas entre si. Fl. 5197DF CARF MF 18 Filiome, entretanto, ao entendimento majoritário, que corresponde à inexistência da alegada ilegalidade da referida Instrução Normativa, editada que foi para dar contornos mais efetivos ao disposto na Lei nº 9.430/96, que introduziu na legislação brasileira as ferramentas necessárias ao correto tratamento tributário a ser dado às transações entre empresas vinculadas, realizadas entre diversos países no atual cenário econômico globalizado. Para tanto, adoto como minhas as razões expendidas no brilhante voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no julgamento em que proferido o Acórdão nº 9101 002.950 – 1ª Turma da CSRF, de 03 de julho de 2017, recentíssimo, portanto. Diz o Conselheiro em seu voto: Tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Fl. 5198DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.190 19 Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri: 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? Fl. 5199DF CARF MF 20 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Fl. 5200DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.191 21 Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que Fl. 5201DF CARF MF 22 agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: Fl. 5202DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.192 23 onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: Fl. 5203DF CARF MF 24 TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales.Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida.Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como Fl. 5204DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.193 25 parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/ SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/ SP, da Sexta Turma do TRF3: Fl. 5205DF CARF MF 26 TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. Fl. 5206DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.194 27 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurar se o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/ SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. E não há que falar que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese teria o condão de "confirmar" a ilegalidade da instrução normativa. Tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; Fl. 5207DF CARF MF 28 b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Portanto, entendo não haver reparos ao procedimento da Fiscalização na utilização da IN SRF nº 243, de 2002. Conforme bem arrematado no voto acima transcrito, não há reparos a se fazer em relação à Instrução Normativa nº 243, de 2002. Igualmente, não há nenhum reparo a ser feito em relação ao próprio voto transcrito, que abordou com extrema competência a matéria, inserindo os modelos matemáticos e comprovando através deles que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. Como dito, o voto foi minucioso, fazendo referência à doutrina, e às jurisprudências administrativa e judicial mais recentes. Para complementar as referências Fl. 5208DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.195 29 acima, colaciono abaixo outros julgados administrativos, igualmente recentes, a corroborar a tese por mim defendida: Acórdão nº 9101002.951 1ª Turma CSRF Sessão de 03 de julho de 2017 Redatora Designada: Cons. Adriana Gomes Rêgo ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa apenas interpretou o comando da lei, sem extrapolar seus limites. A expressão matemática dela extraída, ao adotar a proporção do bem ou direito importado no custo total, é a que melhor alcança os objetivos da legislação dos preços de transferência. Acórdão nº 9101003.024 1ª Turma CSRF Sessão de 09 de agosto de 2017 Redator Designado: Cons. Rafael Vidal de Araújo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Por todo o exposto, não há que se falar em ilegalidade da IN 243/2002, devendo o recurso voluntário ser rechaçado neste ponto. Da mesma forma, discordo da conclusão a que chegou o voto da Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin no que diz respeito à exclusão das despesas com fretes, Fl. 5209DF CARF MF 30 seguros e impostos incidentes na importação no cálculo dos ajustes de itens sujeitos ao PRL. Em seu voto, a Conselheira Luciana Zanin considerou que a aplicação, por parte da Fiscalização, do preço CIF nos cálculos do ajuste a preços de transferência, teria sido feita de forma irregular, contrariando o disposto na lei nº 9.430/96. Para demonstrar que não houve inconsistência por parte da Fiscalização ao incluir as despesas com fretes, seguros e impostos devidos na importação no cálculo do preço parâmetro me socorro do voto do Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto proferido no Acórdão nº 1402002760 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em processo de interesse justamente da Recorrente NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS. Vejamos como foi tratado o tema no referido voto: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 243/2002. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: (...) A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Preço de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de preço de transferência estaria prejudicada. Fl. 5210DF CARF MF Processo nº 16561.720101/201146 Acórdão n.º 1401002.122 S1C4T1 Fl. 5.196 31 (...) Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a questão já está consolidada em todas as turmas ordinárias bem como na CSRF como são exemplos os Acórdãos 9101002.514 e 9101002.317, em julgamentos recentes. Portanto, sem mais nada a acrescentar em relação ao voto acima transcrito, voto por negar o recurso voluntário também em relação a este ponto. Em relação aos demais pontos objeto do Recurso Voluntário (multa de ofício e confisco, taxa SELIC sobre juros de mora), me alinho às conclusões já constantes do voto da Ilustre Relatora. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 5211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903941/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.903941/2012-71
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5807993
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.673
nome_arquivo_s : Decisao_10925903941201271.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10925903941201271_5807993.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7058517
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735816806400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.903941/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.673 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 41 /2 01 2- 71 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10925.903941/201271 Acórdão n.º 3302004.673 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.317. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.903941/201271 Acórdão n.º 3302004.673 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.903941/201271 Acórdão n.º 3302004.673 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000616/97-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: TRIBUTÁRIO - INFRAÇÃO - MULTA PUNITIVA -
DECLARAÇÃO INEXATA - ART. 44, I, LEI N° 9.430/96 - AD(N)
COSIT N° 010/97 - Caracterizada, no caso, a declaração inexata
da mercadoria, em virtude da sua incorreta descrição nos
documentos de importação. A máquina despachada não executa
a função de "etiquetagem" declarada pela importadora, estando,
inclusive, desprovida do respectivo aparelho etiquetador.
Aplicável a penalidade prevista
Recurso Especial provido
Numero da decisão: CSRF/03-03.229
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior
de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200108
ementa_s : TRIBUTÁRIO - INFRAÇÃO - MULTA PUNITIVA - DECLARAÇÃO INEXATA - ART. 44, I, LEI N° 9.430/96 - AD(N) COSIT N° 010/97 - Caracterizada, no caso, a declaração inexata da mercadoria, em virtude da sua incorreta descrição nos documentos de importação. A máquina despachada não executa a função de "etiquetagem" declarada pela importadora, estando, inclusive, desprovida do respectivo aparelho etiquetador. Aplicável a penalidade prevista Recurso Especial provido
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 11128.000616/97-67
conteudo_id_s : 5812294
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/03-03.229
nome_arquivo_s : Decisao_111280006169767.pdf
nome_relator_s : Paulo Roberto Cuco Antunes
nome_arquivo_pdf_s : 111280006169767_5812294.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
id : 7074726
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735818903552
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:41:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:41:22Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:41:22Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:41:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:41:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:41:22Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:41:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:41:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:41:22Z; created: 2009-07-08T14:41:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-08T14:41:22Z; pdf:charsPerPage: 1193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:41:22Z | Conteúdo => 4.14- MINISTÉRIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ° 7 TERCEIRA TURMA PROCESSO N° 11128.000616/97-67 RECURSO N° RP1303-0 264 MATÉRIA : CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA RECORRENTE . FAZENDA NACIONAL RECORRIDA 3' CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA FIBAM COMPANHIA INDUSTRIAL SESSÃO DE : 20 DE AGOSTO DE 2001 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03 229 TRIBUTÁRIO - INFRAÇÃO - MULTA PUNITIVA - DECLARAÇÃO INEXATA - ART. 44, I, LEI N° 9.430/96 - AD(N) COSIT N° 010/97 - Caracterizada, no caso, a declaração inexata da mercadoria, em virtude da sua incorreta descrição nos documentos de importação. A máquina despachada não executa a função de "etiquetagem" declarada pela importadora, estando, inclusive, desprovida do respectivo aparelho etiquetador. Aplicável a penalidade prevista Recurso Especial provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SONir-DEI:~9~JES PRESIDENTE 7 •, e, 5 - PAULO ROBE V - 0 CO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM 28 SET 200f PROCESSO N° . 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.229 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI 2 PROCESSO N° 11128,000616197-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.229 RECURSO N° RP1303-0264 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA :: 3' CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA :: FIBAM COMPANHIA INDUSTRIAL RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por sua Douta Procuradoria, interpôs Recurso Especial com fulcro no art. 5°, inciso I, do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 303-29.270, de 22/03/2000, prolatado pela Colenda Terceira Câmara do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por: maioria de votos, foi provido o Recurso Voluntário do sujeito passivo, para fins de excluir do crédito tributário a penalidade capitulada no art„ 44, inciso I, da Lei n° 9..430.96. A Ementa do Acórdão recorrido diz textualmente o seguinte: "REDUÇÃO — EX TARIFÁRIO. O enquadramento em ex tarifário procede somente se a mercadoria for aquela descrita na portaria que concedeu o benefício. A multa prevista no art 44, inciso 1, da Lei n° 9.430/96, deve ser excluída, face o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COS1T n°10/97. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO". Os fatos que envolvem a ação fiscal resumem-se no seguinte: A empresa autuada, FIBAM COMPANHIA INDUSTRIAL, importou duas máquinas, que descreveu como sendo: "MÁQUINAS INTEGRADAS AUTOMÁTICAS PARA ACONDICIONAMENTO DE PRODUTOS EM CAIXAS DE PAPELÃO COM SISTEMA DE TRANSPORTE, SEPARAÇÃO, ALIMENTAÇÃO, ET1QUETAGEM E CONTROLE DE PESO, MODELOS MCMS 1 E MCMS 7, COMPLETAS COM BALANÇA PADRÃO, DISPOSITIVO ELETRÔNICO DE 3 PROCESSO N° 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° . CSRF/03-03.229 CONTROLE PARA ELIMINAÇÃO DE PESAGEM ERRADA, ESTRUTURA DE SUSTENTAÇÃO", A Classificação Fiscal foi feita no código NCM 8422.40.90, que abrange: OUTRAS MÁQUINAS E APARELHOS PARA EMPACOTAR OU EMBALAR MERCADORIAS". Solicitou a importadora o enquadramento do produto no "Ex" tarifário concedido pela Portaria MF n° 279/96, com alíquota de 0% para o 11, como também requerida a isenção para o IPI, prevista na Medida Provisória n° 1.508-12, DOU de 13/12/96. Conforme informado às fls. 40 (Decisão), o texto do "Ex" mencionado diz o seguinte: "Ex 046 — Máquina integrada automática para acondicionamento de produtos em caixas de papelão com sistema de transporte, separação, alimentação, etiquetagem e controle de peso", Baseada em Laudo Técnico produzido por Engenheiro credenciado, a fiscalização promoveu a autuação da importadora, conforme descrição dos fatos no verso do A.I. de fls. 01, por haver concluído que. "(. .) as mercadorias examinadas diferenciam da descrita na DI, por não serem maquinas automáticas, não etiquetarem e terem como função principal a pesagem do produto" Pelo que se infere da mesma Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do campo 10, verso do Auto de Infração de fls. 01, na realidade não houve a "desclassificação" tarifária, ou seja, mudança do código tarifário adotado pela Importadora. A fiscalização simplesmente considerou que a mercadoria não estava abrangida pelo mencionado "Ex" tarifário criado no mesmo código, não podendo beneficiar-se da alíquota reduzida correspondente. O Laudo Técnico que embasou a autuação encontra-se acostado às fls. 13/15, tendo sido emitido pelo Engenheiro Mecânico, Dr, Sérgio Luiz Guedes, o qual afirmou que: As máquinas são "semi-automáticas" e não automáticas; 4 1 PROCESSO N° 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 229 São específicas (função principal) para pesagem de produtos, Não correspondem àquelas descritas nos documentos de importação O perito nada falou sobre o sistema de etiquetagem, presumindo-se a sua inexistência. A Autuada contestou a conclusão alcançada pela fiscalização e as informações contidas no Laudo Técnico que embasou a autuação, apresentando também um Laudo Técnico contraditório, elaborado pelo perito, Engenheiro Mecânico, Dr Gerson Carlos Augusto (fls.. 29/31). No referido Laudo o Perito nomeado pela importadora informa, conclusivamente, que: "-O equipamento em questão é máquina integrada automática para acondicionamento de produtos em caixas de papelão, pois foi projetado e construído para realizar a operação de acondicionar produtos em caixas de papelão sem a necessidade de intervenção externa ou, automaticamente em diversos módulos perfeitamente integrados; -Não se pode admitir que essas máquinas sejam "semi- automáticas", pois uma vez atribuído o peso-padrão para a peça tipo e o tamanho do lote, todas as operações restantes para o acondicionamento do produto em caixas de papelão são realizadas AUTOMATICAMENTE, sem qualquer intervenção externa; -O equipamento não pode ser destinado apenas e tão somente para a pesagem de mercadorias, por dois motivos. 1) em sendo um equipamento destinado apenas à pesagem, dispensaria todos os outros módulos e, consequentemente, teria um custo bastante inferior; 2) a existência dos separadores, dos acondicionadores e dos transportadores, caracterizam perfeitamente um equipamento para trabalhar integradamente". 5 416 PROCESSO N° 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 229 Em função da divergência entre os Laudos apresentados, a Autuada requereu a realização de nova perícia, por um terceiro perito desempatador. Admitiu, entretanto, a ausência do "aparelho etiquetador", argumentando que tal fato não poderá fazer com que o equipamento seja excluído do referido "Ex" tarifário, Em suas razões de decidir o I, Julgador "a quo" assevera que: "De fato, a ausência do etiquetador não modifica sua finalidade principal ou classificação tributária„ Todavia, não é este o cerne da questão, que é o enquadramento em um "EX", A tarifa de exceção ou "EX" pode ser concedida desde que a mercadoria corresponda exatamente àquela que foi descrita na portaria, já que, combinando-se o art. 111 do CTN com o Art. 129 do RA, temos que a legislação tributária que disponha sobre redução tarifária deve ser interpretada literalmente. Apenas e tão somente o produto que funcione como o descrito na norma concessória do benefício pode ser enquadrado no "EX", já que sob um idêntico código tarifário podem residir produtos assemelhados que discrepem daquele que é objeto do benefício" Com base em tais fundamentos e mencionando que o E. Terceiro Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, manteve a exigência tributária pelo não enquadramento do produto no questionado "EX". Com relação à penalidade aplicada, também impugnada pela importadora, manteve a sua exigência, sob fundamento de que: "Quanto à multa aplicada, capitulada no art.. 44, I, da Lei n° 9,430/96 por configurar-se declaração inexata, ela será mantida nos termos do ADN n° 10/97, que é de locução que a indicação indevida de destaque (EX) só não é infração punível por tal dispositivo, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e 6 PROCESSO N° :11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03 229 desde que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante A mercadoria importada não está corretamente descrita na Dl, visto que foi declarada como "Máquina integrada automática para acondicionamento de produtos em caixas de papelão com sistema de transporte, separação, alimentação, etiquetagem e controle de peso, modelo MCMS 7, completa com balança padrão, dispositivo eletrônico de controle para eliminação de pesagem errada, estrutura de sustentação", e é incontestável que não existe o sistema de etiquetagem Conseqüentemente é devida a multa " Outras exigências formuladas no Auto de Infração foram excluídas pelo Julgador singular, nada mais sendo questionado a respeito Como se depreende do Acórdão recorrido, foi unânime o entendimento da Colenda Câmara "a quo" em manter a exigência do tributo, considerando como não aproveitável a redução estabelecida no "Ex" tarifário em comento, para a mercadoria importada. Com relação à penalidade aplicada, a Decisão que excluiu tal exigência do lançamento fiscal foi adotada por maioria de votos, sendo vencida somente a I. Relatora, que sobre a questão assim se manifestou. "(, )Considero que também esteve bem a decisão singular quando manteve a multa prevista no artigo 44 da Lei 9,430/96 A mercadoria não foi descrita corretamente na Declaração de Importação, pois constava de tal descrição o sistema de etiquetagem que, na verdade, não a acompanhava" O Voto Vencedor que integra o citado Acórdão, entretanto, caminhou em outra direção Segundo o seu autor, duas condições são imprescindíveis para a aplicação do AD(N) n° 10/97, a saber 7 PROCESSO N° : 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.229 a)a descrição da mercadoria apresentada pelo importador na Dl deverá conter os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e b)o intuito doloso ou a má-fé, por parte do declarante, não estejam presentes. Concluiu-se, então, que essas duas condições estavam devidamente atendidas, primeiramente pelo fato de que a autoridade fiscal utilizou o mesmo código tarifário que a declarante informou na DI, o que, por si só, é elemento suficiente para confirmar a primeira condição. Por outro lado, a inexistência nos autos de prova demonstrando o evidente intuito doloso ou a má-fé da Recorrente, confirma a segunda condição, Inconformada com tal sentença a D. Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o competente Recurso Especial, pleiteando a reforma do Acórdão, para restabelecimento da penalidade excluída. Em extensa fundamentação procura demonstrar que o AD(N) Cosit n° 10/97, não privilegia o sujeito passivo que não descreveu, corretamente, a mercadoria nos documentos de importação, mas tão somente aquele que, tendo descrito o produto com exatidão, tenha incorrido em erro de classificação tarifária. Argumenta que, no presente caso, não restou dúvida de que o importador descreveu, incorretamente, a sua mercadoria nos documentos de importação, tanto assim que a própria Câmara "a quo" confirmou a Decisão monocrática, ao concluir que tal mercadoria não se enquadrava, efetivamente, no texto do "Ex" tarifário cujo beneficio pleiteou. Isto caracteriza declaração inexata. Afirma que a interpretação do AD(N) COSIT n° 10/97 pela qual se pautou o R. Acórdão recorrido, está em descompasso não só com os próprios termos do ato normativo, mas também com o art. 44, I da Lei n° 9430/96, vez inexistir dúvida de que o contribuinte apresentou declaração inexata, Reporta-se e transcreve textos dos Pareceres: CST n° 54/77 e CST/DANSELAB n° 3513, bem como do AD(N) CST n° 29/80, cujas cópias apresenta em anexo Regularmente intimado o sujeito passivo não apresentou contra-razões ao Recurso Especial É o Relatório. 8 PROCESSO N° : 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03„229 VOTO CONSELHEIRO RELATOR: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES O Recurso ora em exame é tempestivo. A Procuradoria foi intimada a tomar ciência do Acórdão em 28/08/2000, como atesta o Termo de Intimação acostado às fls. 107. Embora não exista a data de recepção pelo órgão receptor competente, o Despacho de admissibilidade constante às fls. 108 data de 11/09/2000. Estando devidamente fundamentado reúne, em meu entender, os requisitos necessários à sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Quanto ao mérito, a questão única a ser decidida por este Colegiado é se o sujeito passivo incorreu na infração capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n° 9,430/96, pela prática de declaração inexata e, neste caso, se estaria ou não beneficiado pelo disposto no Ato Declaratório (Normativo) n° 10, de 16/01/97, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação (Cosit). Tornou-se inquestionável nestes autos que a empresa incorreu, efetivamente, na prática de "declaração inexata", uma vez que declarou nos documentos de importação que a máquina importada realiza, dentre outras coisas, também o trabalho de "etiouetaqem", o que na realidade não ocorre„ É a própria autuada quem confirma tal fato, pelo texto dos tópicos 2.6 e 2.7, da sua Impugnação de Lançamento (fls. 21) o que conduziu, inclusive, à inaceitação da aplicação do "Ex" tarifário no qual a mercadoria foi enquadrada. Resta definirmos, entretanto, se a referida declaração inexata configura infração, pelo enfoque dado pela Cosit, em seu AD(N) n° 10, de 1997, Vejamos o que estabelece o texto do Ato Normativo em discussão: "1 — Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no artigo 4° da Lei n. 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no artigo 44 da Lei n. 9,430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto sobre a Importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteia corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao 9 1l° PROCESSO N° 11128.000616/97-67 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.229 enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante." (grifos meus) De pronto afastamos as hipóteses de intuito doloso ou má-fé por parte do declarante, situações que não foram abordadas nestes autos. Pelo que se infere do texto da norma legal transcrita, a infração poderia estar descaracterizada ainda que houvesse mudança no "enquadramento tarifário pleiteado", ou seja, mudança no código tarifário enquadrado pela importadora, desde que a mercadoria estivesse corretamente descrita nos documentos de importação e com todos os elementos necessários à sua identificação. Entendo, todavia, que tal situação não ocorre no presente caso. Tornou-se evidente que ao descrever a mercadoria a interessada declarou que a mesma possuída, também, a função de "etiquetagem" o que seria realizado, segundo afirma em sua Impugnação, por um "aparelho etiouetador, o qual não se encontrava presente, em razão de "falha do fabricante em não fornece-lo". É fora de dúvida, portanto, que a mercadoria não foi, neste caso, descrita corretamente nos documentos de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação. Não seria possível identificar uma mercadoria com a função de "etiquetamento", se o respectivo "aparelho etiquetador" não se fazia presente O Enquadramento Tarifário correto mencionado no texto da norma questionada não é condição alternativa, mas sim aditiva. Para que a declaração inexata não seja considerada infração, segundo a referida norma legal, é indispensável que a mercadoria esteja "corretamente descrita", com todos os elementos necessários não só ao seu "enquadramento tarifário", como também à sua identificação. E, nesse caso, não estando presente o "aparelho etiquetador" não era possível identificar a máquina como apropriada para o "etiquetamento" declarado pela importadora. Assim sendo, reconhecendo assistir razão à Recorrente, no presente caso, voto por dar provimento ao Recurso Especial aqui em exame. Sala das Sessões-DF, 20 de agosto de 2001. — PAULO ROBE Wo ' CO ANTUNES. 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000392/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.
Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Normas Gerais de Direito Tributário
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Como decorrência lógica da possibilidade de cobrança concomitante das multas tem-se a regularidade do lançamento da multa isolada mesmo após o encerramento do ano-calendário em que deveriam ter sido recolhidas as antecipações por estimativa.
Processo Administrativo Fiscal
QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA ORDINÁRIA. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM.
A Turma Ordinária, ao julgar favoravelmente ao contribuinte a questão principal da dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, deixou de analisar questões acessórias como a qualificação da multa de ofício, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, devem os autos retornar à Turma a quo para a análise das questões outrora prejudicadas, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 9101-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto (i) a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Leonardo de Andrade Couto (Suplente Convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que na~o conheceram do recurso, quanto a` esta mate´ria. No me´rito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; quanto (ii) a` qualificac¸a~o de multa de ofi´cio, por unanimidade de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciac¸a~o dessas e das demais questo~es constantes do recurso volunta´rio, que restaram prejudicadas pela decisa~o recorrida e quanto (iii) a` exige^ncia de multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em na~o conhecer do Recurso Especial quanto aos anos calenda´rios de 2005 a 2006 e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, quanto aos anos calenda´rios de 2007 a 2010, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso, quanto a` esta mate´ria. No me´rito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votaram pelas concluso~es, quanto a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Votou pelas concluso~es, quanto a` qualificac¸a~o de multa de ofi´cio, o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo. Designado para redigir o voto vencedor no conhecimento e no me´rito, quanto a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e quanto a` exige^ncia de multa isolada, o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinatura digital)
Rafael Vidal de Araújo Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Normas Gerais de Direito Tributário MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. Como decorrência lógica da possibilidade de cobrança concomitante das multas tem-se a regularidade do lançamento da multa isolada mesmo após o encerramento do ano-calendário em que deveriam ter sido recolhidas as antecipações por estimativa. Processo Administrativo Fiscal QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA ORDINÁRIA. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma Ordinária, ao julgar favoravelmente ao contribuinte a questão principal da dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, deixou de analisar questões acessórias como a qualificação da multa de ofício, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, devem os autos retornar à Turma a quo para a análise das questões outrora prejudicadas, sob pena de supressão de instância.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16643.000392/2010-61
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800386
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.077
nome_arquivo_s : Decisao_16643000392201061.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16643000392201061_5800386.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto (i) a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Leonardo de Andrade Couto (Suplente Convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que na~o conheceram do recurso, quanto a` esta mate´ria. No me´rito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; quanto (ii) a` qualificac¸a~o de multa de ofi´cio, por unanimidade de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciac¸a~o dessas e das demais questo~es constantes do recurso volunta´rio, que restaram prejudicadas pela decisa~o recorrida e quanto (iii) a` exige^ncia de multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em na~o conhecer do Recurso Especial quanto aos anos calenda´rios de 2005 a 2006 e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, quanto aos anos calenda´rios de 2007 a 2010, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso, quanto a` esta mate´ria. No me´rito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votaram pelas concluso~es, quanto a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Votou pelas concluso~es, quanto a` qualificac¸a~o de multa de ofi´cio, o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo. Designado para redigir o voto vencedor no conhecimento e no me´rito, quanto a` amortizac¸a~o fiscal das despesas de a´gio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e quanto a` exige^ncia de multa isolada, o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo. (assinatura digital) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator (assinatura digital) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7018409
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735848263680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 73; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2031; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.262 1 2.261 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16643.000392/201061 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.077 – 1ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado EMS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 92 /2 01 0- 61 Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.263 2 Como decorrência lógica da possibilidade de cobrança concomitante das multas temse a regularidade do lançamento da multa isolada mesmo após o encerramento do anocalendário em que deveriam ter sido recolhidas as antecipações por estimativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA ORDINÁRIA. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma Ordinária, ao julgar favoravelmente ao contribuinte a questão principal da dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, deixou de analisar questões acessórias como a qualificação da multa de ofício, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, devem os autos retornar à Turma a quo para a análise das questões outrora prejudicadas, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto (i) à amortizacã̧o fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Leonardo de Andrade Couto (Suplente Convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso, quanto à esta matéria. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; quanto (ii) à qualificação de multa de ofício, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciacã̧o dessas e das demais questões constantes do recurso voluntário, que restaram prejudicadas pela decisão recorrida e quanto (iii) à exigência de multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial quanto aos anos calendários de 2005 a 2006 e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, quanto aos anos calendários de 2007 a 2010, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso, quanto à esta matéria. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto à amortizaçaõ fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Votou pelas conclusões, quanto à qualificaçaõ de multa de ofício, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor no conhecimento e no mérito, quanto à amortizacã̧o fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e quanto à exigência de multa isolada, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinatura digital) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.264 3 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator (assinatura digital) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN, “recorrente”), em face do acórdão nº 1301001.299 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O presente processo administrativo tem como objeto a glosa de despesas com amortização de ágio, acrescida da multa de 150%, bem como da exigência de multa isolada pela não apuração de estimativas entre os anos de 2005 e 2010. O acórdão recorrido traz a seguinte narrativa quanto aos fatos, in verbis: “1 A autoridade fiscal inicia por discorrer sobre estruturação das empresas EMS S/A. e EMS Investimentos S/A., como a seguir sintetizo para conhecimento dos meus pares: 1.1A empresa EMS S/A. (“EMS”), sociedade por ações de capital fechado, iniciou suas atividades em 17/12/2002, tendo por sócios Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez. 1.2 Em 04/05/2004 foi constituída a empresa Sol Collection Assessoria Empresarial Ltda. Em 15/12/2004 essa empresa foi adquirida pelas empresas Salmont Empreendimentos e Participacõ̧es Ltda., através de seu sócio Carlos Eduardo Sanchez e Saltriver Empreendimentos e Participações Ltda., através de sua sócia Nanci Sanchez, tendo sido alterado sua razão social para EMS Investimentos S/A. (EMS Investimentos), e seu objeto para holdings de instituicõ̧es não financeiras. Suas atividades foram encerradas em 13 de setembro de 2005, por ter sido incorporada pela EMS S/A. (durou aproximadamente oito meses). Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.265 4 1.4 As fichas cadastrais da JUCESP informam que Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez figuraram como diretores nas duas empresas, EMS S/A. e EMS Investimentos, nos períodos de 2004 e 2005. 1.5 A EMS Investimentos S/A. aprovou, em assembléia geral extraordinária realizada em 29 de dezembro de 2004 (fls. 233/236), a incorporacã̧o da totalidade das ações da EMS S/A. pelo valor de R$ 926.642.000,00, fixado com base num potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), segundo valores de mercado em 30 de novembro de 2004, conforme laudo elaborado por empresa de consultoria (fls. 168/228); 1.6 Incorporadas as ações da EMS S/A., a EMS Investimentos S/A teve seu patrimônio aumentado em R$ 926.642.000,00, mediante a emissão de 140.000.000 novas acõ̧es ordinárias, nominativas, sem valor nominal, ao preço de emissão total de R$ 926.642.000,00, sendo R$ 140.000.000,00 o valor do aumento do capital e R$ 786.642.000,00 o valor da Reserva de Capital — Ágio na emissão de acõ̧es decorrente da incorporacã̧o das ações da EMS pelo valor de mercado, conferindose aos acionistas novas acõ̧es ordinárias nominativas e sem valor nominal, sendo que uma acã̧o da EMS passou a corresponder a sete ações da EMS Investimentos, ficando assim distribuídas: Carlos Eduardo Sanchez — recebeu sete novas ações, Nanci Sanchez — recebeu sete novas ações e EMS Sigma Pharma Participacõ̧es S/A. – recebeu 139.999.986 ações; 1.7 A contribuinte apresentou o Razão de novembro/2004 e o Livro Diário n° 2 de 2005 da EMS Investimentos S/A., constando naquele os registros nas contas de investimento na EMS S/A. (R$ 145.281.215,03) e, do ágio correspondente (R$ 781.360.784,97), embora o investimento na EMS tenha sido efetuado apenas em dezembro/2004, como atestam a Ata da Assembléia Geral, de 15 de dezembro de 2004, em que ocorreu a compra da empresa Sol Collection e a sua transformação na EMS Investimentos S/A. (fl. 93), e a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da EMS Investimentos S/A., de 29 de dezembro de 2004 (fls. 233 a 236); 1.8 A empresa não apresentou quaisquer motivos ou benefícios sobre a constituicã̧o da EMS Investimentos S/A., apresentando praticamente zerados todos os campos das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ da EMS Investimentos S/A., de 2004 e 2005 (fls. 529 a 571), registrando apenas as movimentações relativas à participação societária da EMS S/A., demonstrando a ausência de operações e empregados; 1.9 O ágio registrado quando da incorporação de ações da EMS não foi pago, conforme se observa da contabilizacã̧o desse ágio na EMS Investimentos S/A: (...) Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.266 5 1.10 Em julho de 2005, com a incorporação da controladora EMS Investimentos S/A. pela então controlada EMS S/A., o referido ágio passou a ser amortizado por esta; 1.11 A EMS S/A. informou, na linha 47 — Demais Aplicações em Despesas Amortizáveis, no Ativo (ficha 36A) da DIPJ 2006, ano calendário 2005, o valor de R$ 788.477.711,19 (superior ao ágio surgido na incorporação, de R$ 781.360.784,97), tendo explicado que esse valor se tratava de ágio na incorporação da EMS Investimentos e que essa contabilizacã̧o se dera de acordo com o inc. II, do art. 385 do RIR/99 (fls. 13 e 14); 1.12. Pelos registros dos Razões apresentados e juntados às fls. 122 a 126, as seguintes contas do ativo diferido compuseram o valor informado na DIPJ/2006: (...) 1.13 Depois de analisar as respostas dadas a intimações para explicar inconsistência nos valores informados em suas DIPJ’s, concluiuse que os reais valores referentes à amortização do ágio foram os seguintes: (...) 1.14 Quanto à incorporação da EMS Investimentos S/A. pela EMS S/A., foram observados os seguintes aspectos O valor total do Patrimônio Líquido da sociedade é de R$ 1.143.389.474,00; Em razão de ser a EMS Investimentos detentora da totalidade das ações da EMS, a incorporação acarretou aumento de capital da EMS, sem emissão de novas ações, no valor de R$ 3.360,61; O valor do Patrimônio Líquido da EMS Investimentos a ser vertido para EMS representou R$ 781.364.145,58, tendo sido deliberada a constituicã̧o de Reserva de Capital de Ágio na incorporacã̧o pelo valor de R$ 781.360.784,97; Acionistas: EMS Sigma Pharma Participações S/A. (19.999.284 ações), Saltmont Empreendimentos e Participacõ̧es Ltda. (500 acõ̧es), Saltriver Empreendimentos e Participações Ltda. (214 ações), Carlos Eduardo Sanchez (01 ação), Nanci Sanchez (01 ação). 1.15 Embora a possibilidade de amortização do ágio antes de ocorrida a alienacã̧o ou liquidacã̧o do investimento caracterize beneficio fiscal outorgado pela Lei n° 9.532/97, ele se aplica às hipóteses reais de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporacã̧o, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis; Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.267 6 1.16 A incorporação às avessas demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fática, sendo que a contribuinte não apresentou razões para as operações societárias que não fossem a evidente finalidade de reduzir o montante de tributos devidos; 1.17 A EMS Investimentos S/A. foi introduzida ao grupo econômico para servir de veículo para "adquirir" a EMS S/A. — empresa operacional — pela incorporação da totalidade de suas ações, gerando um ágio de R$ 781.360.784,97, para, na seqüência, ser incorporada pela sua subsidiária (EMS S/A.), transmitindolhe o ágio e as suas próprias quotas, sendo que não houve qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio; 1.19 O surgimento de ágio com fundamento em potencial lucratividade futura, numa operação "não caixa", entre empresas do mesmo grupo, é rejeitado pela jurisprudência, pelo Conselho Federal de Contabilidade (Resolucã̧o nº 1.157/2009), pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – Ibracon, não podendo sua amortização, a luz da legislação contábil e tributária, reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 2 Em seguida, a autoridade fiscal aponta que o contribuinte também omitiu a obtencã̧o de receita pela cessão do direito de processamento da sua folha de pagamentos de salários, com exclusividade, ao Banco Santander por um período de 5 anos, no valor de R$ 6.830.585,38, sendo que, ao ser intimada em 02/09/2010 a apresentar o correspondente contrato (fls. 392 e 393) apresentou "Termo de Parceria Comercial" (fls. 409 a 417), lavrado em 21 de setembro de 2010, configurando contrato pósdatado e em plena vigen̂cia da fiscalização, para justificar o mencionado valor incluso na linha 22, ficha 37A, Passivo, da DIPJ/2009AC 2008 "outras contas"; 3 A autoridade fiscal aponta que, em conseqüência das infracõ̧es apuradas, o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL apurados originalmente para o ano calendário 2008, converteramse em valores positivos (R$ 103.874.696,75), restando indevidas as compensacõ̧es, com sua utilização, dos resultados positivos apurados pelo sujeito passivo no ano calendário de 2009 e em maio de 2010; 4 O autuante apontou os seguintes procedimentos como enquadrados na hipótese de fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964: o registro de ágio gerado internamente, sem propósito negocial, sem pagamento, utilizacã̧o de empresa veículo, com o exclusivo propósito de reduzir os tributos devidos, e o contrato com o Banco Santander, pósdatado, lavrado quando já se encontrava sob acã̧o fiscal, e qualificou a multa, nos termos do § 1o do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996; 5 Em razão da adição da receita omitida oriunda do contrato com o Banco Santander às bases de cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, verificouse um recolhimento a Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.268 7 menor dessas antecipações no período, fundamentando a aplicacã̧o da multa isolada de 50% sobre os valores das diferenças apuradas”. O contribuinte apresentou impugnação administrativa. Em face da decisão proferida pela DRJ houve recurso de ofício e voluntário. Ao julgálos, a Turma a quo proferiu o acórdão recorrido (efls. 1.165 e seg.), que decidiu negar provimento ao recurso de ofício, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigen̂cia a título de omissão de receitas do ano calendário de 2010 (R$ 569.215,45), bem como a glosa de ágio e a multa isolada exigida. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EMPRESAS DO MESMO GRUPO O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei no 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusarlhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. EFEITOS DO ART. 36 DA LEI Nº 10.637/2002 O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 autorizou o diferimento da tributação do ganho de capital, representado pela reavaliação de participacã̧o societária para fins de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, para o períodobase em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participacã̧o, por alienação, liquidacã̧o, conferen̂cia de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. A incorporacã̧o, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferen̂cia da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extincã̧o por confusão patrimonial entre investidora e investida. OMISSÃO DE RECEITA RECEITA RECEBIDA ANTECIPADAMENTE Se o contribuinte é tributado pelo lucro real anual, o fato de não haver apropriado as parcelas mensais de receita correspondentes aos meses de janeiro a maio não pode dar ensejo a lançamento por omissão receitas se comprovado que nos meses seguintes a receita apropriada excedeu o montante apropriável no ano. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS Descabe exigir multa por falta ou insuficien̂cia das estimativas mensais após o encerramento do ano calendário. Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.269 8 LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL, PIS e COFINS O decidido quanto as infracã̧o à legislacã̧o do IRPJ aplicamse aos litígios relativos aos demais tributos em cujas bases de cálculo influenciaram. A PFN interpôs recurso especial (efls. 1.792 e seg.), arguindo a divergência em relação às seguintes decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF, especialmente quanto às seguintes matérias: (1) impossibilidade de deducã̧o, da base de cálculo do IRPJ e da csll, de despesas com amortização de ágio criado internamente; (2) qualificação da multa de ofício para 150% e; (3) incidência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Vale observar que não foi interposto recurso quanto ao tema da omissão de receitas. O recurso especial foi admitido por despacho (efls. 1.749 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 1.885 e seg.), pugnando pelo não conhecimento do recurso especial e, no mérito, sustentando a legitimidade do ágio amortizado, bem como, caso restabelecida a glosa, a impossibilidade de qualificação da multa em 150% e a exigência cumulada da multa isolada de estimativas com a multa de ofício. O contribuinte também interpôs recurso especial (efls. 1.838 e seg.), o qual, contudo, não foi admitido por despacho (efls. 2.054 e seg.; efls. 2.059 e seg.). Foram juntados aos autos pareceres jurídicos, emitidos por variados juristas, anteriores e posteriores às operações, que corroborariam à validade dos atos praticados pelo contribuinte. Concluise, com isso, o relatório. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.270 9 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Conhecimento do recurso especial. O recurso especial interposto pela PFN versa sobre três matérias: amortização fiscal do ágio, multa de ofício qualificada em 150% e exigência de multa isolada cumulativamente com a referida multa de ofício em razão da não apuração de estimativas mensais. Em sede de contrarrazões, o contribuinte pugna pelo não conhecimento do recurso especial, arguindo que, quanto à matéria da amortização fiscal do ágio, (i) haveria insuficiência recursal, bem como (ii) os acórdãos apresentados como paradigmas seriam convergentes e não divergentes, servindose o recurso especial para a revisão probatória, de forma que o recurso especial interposto pela PFN não deveria ser conhecido. Ademais, a PFN não teria demonstrado o prequestionamento da matéria guerreada. Para justificar o não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN quanto à questão da amortização fiscal do ágio, o contribuinte sustenta que o acórdão recorrido teria se baseado em três fundamentos autônomos para afastar a glosa em questão, mas que a PFN apenas teria contestado um deles em seu recurso. Haveria, então, insuficiência recursal quanto à matéria da amortização fiscal do ágio. Corroborando com esse entendimento, o contribuinte apresentou pareceres jurídicos, emitidos pelos renomados processualistas, como Eduardo Arruda Alvim, Cândido Rangel Dinamarco. Os três fundamentos autônomos adotados pela decisão recorrida seriam: a alegação de que as operações não envolveriam terceiros, a ausência de pagamento e a referência aos fundamentos contábeis apresentados não seriam suficientes para invalidar o ágio; as operações teriam sido realizadas por razões extra tributárias, com a evidenciação de propósitos negociais; haveria explicito fundamento legal no período compreendido para a amortização fiscal do ágio em questão (Lei n. 10.637/2002, art. 36). A questão é saber se os referidos fundamentos adotados pela decisão recorrida estão inseridos em um mesmo núcleo e todo ele foi objeto de irresignação e demonstração de divergência pelo recurso especial da PFN ou, ainda, se tratarseiam de argumentos autônomos. Caso se verifique essa segunda hipótese, caberia à PFN manejar o seu recurso para a devolução de cada um dos temas à CSRF para a solução das divergências de interpretação. Destacamse os seguintes trechos da decisão recorrida: Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.271 10 “Ademais, como leciona o Professor Eliseu Martins no parecer complementar apresentado nos memoriais, que tem sido incansavelmente citado e adotado pelas autoridades fiscais como o orientador dessa nova interpretação, para fins contábeis, leciona que somente a partir do CPC 18 – 2010 é que surgiu a vedação do registro de ágio decorrente de operações envolvendo um mesmo grupo econômico. (...) E mais, ainda que se pudesse admitir tal possibilidade, ainda assim, por se tratarem de normas editadas nos ano de 2010, pelo princípio da irretroatividade das leis somente poderiam ser aplicáveis a partir do ano de 2010. (...) Noutro prisma, o fundamento apontado pela autoridade fiscal para não aceitar o ágio gerado entre empresas do mesmo grupo é que por serem partes relacionadas estaria maculada a independência de avaliação, e por isso, a mensuração dos valores da transação não seria confiável. Mais uma vez, aqui se valeu de regras contábeis posteriores aos fatos (Resolucã̧o CFC nº 1303/2010 que aprovou o NBC TG 04). Nesse passo, entendo que não há na legislação fiscal qualquer vedação ao ágio gerado internamente dentro de um mesmo grupo econômico. Ao contrário, foi autorizado pelo art. 36 da Lei n. 10.637/02 (que revogou a postergação do ganho), art. 21 da Lei n. 9.249/95 (único fundamento p/ágio – expectativa de rentabilidade futura) e art. 8º. da Lei n. 9.532/97 (admitiu sua dedutibilidade na incorporação reversa). (...) Outro fundamento adotado pela autoridade lanca̧dora para glosar o ágio foi no sentido de que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. (...) Ocorre que, ainda que as normas contábeis pudessem ser aplicadas no presente caso, superandose questões insuperáveis como a legalidade fiscal e a irretroatividade, mesmo assim, do exame das robustas provas do processo podese concluir que aqui não se aplicam tão somente os argumentos da “teoria contábil” para a não aceitação do chamado ágio interno, mas também o propósito negocial da operacã̧o, tendo em vista que na operação está presente uma empresa estrangeira que é um terceiro independente, a qual teria o maior interesse em ser rigorosa com a concretude da operação e, o mais importante, Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.272 11 toda operacã̧o foi acompanhada por laudos de empresas idôneas e não impugnados pela autoridade fiscal, ou seja, quer contabilmente quer pela lei fiscal, todas as operacõ̧es realizadas pela empresa foram e são consideradas verdadeiras, eis que foram públicas, registradas e efetivas. Como se não bastasse, o propósito negocial da operacã̧o em questão é claro. A empresa pretendia se associar a uma empresa estrangeira, e dela se associou; adentrar ao mercado externo, fato que se realizou; aumentar os seus lucros com base nos laudos de rentabilidade futura procedido, o que de fato ocorreu; os laudos e documentos da empresa em nenhum momento foram questionados pela autoridade fiscal, e sendo assim, patente que o propósito negocial também ocorreu. (...) Portanto, nem mesmo podese afirmar que a operação se deu apenas entre empresas de um mesmo grupo, pois, no propósito negocial objetivado pelo plano de negócios, existia a necessidade de que houvesse uma nova avaliação das empresas, brasileira e estrangeira para que se pudesse realizar a permuta de ações negociada entre elas. (...) Mas não é só isso. Ainda que se parta da premissa adotada pela fiscalizacã̧o, de que o reconhecimento contábil do “ágio interno” não encontra respaldo nos princípios da cien̂cia contábil, só sendo verdadeiros os ágios gerados em aquisicõ̧es de participações societárias em negócios entre partes independentes, ainda assim o lançamento não se sustentaria. É que, com ou sem respaldo na Ciência Contábil, o fato é que no período de 1o de janeiro de 2003 a 31/12/2005, esse ágio pôde ser registrado para retratar situação prevista em norma tributária específica, in casu, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, e que dispunha: (...) Assim, o ágio “interno” registrado no período em que vigorou a Lei nº 10.637, de 2002, não obstante em desacordo com os princípios contábeis, não pode ser impugnado pelo Fisco, por estar amparado em norma legal expressa. O ágio registrado com base nesse comando da legislação tributária tem como único efeito fiscal aquele previsto na própria norma que justificou sua contabilizacã̧o. Ou seja, o diferimento da tributação do valor correspondente à reavaliação da participação societária conferida na integralização de capital subscrito.” (grifouse) Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.273 12 A leitura da decisão recorrida evidencia que de fato há três núcleos de razões que levaram a Turma a quo a afastar a glosa do ágio, com o esclarecimento do voto contudor que se tratariam de matérias autônomas, isto é, ainda que superada primeira causa para o cancelamento, ainda assim restariam as demais. Nesse sentido, explicitou acórdão recorrido que, ainda que operações realizadas dentro de um mesmo grupo não fossem capazes de gerar ágio aferível pelos padrões contábeis (o que foi refutado pela decisão recorrida, como primeiro núcleo da decisão), ainda assim deveria ser cancelado o auto de infração quanto ao ágio, pois a análise do caso evidenciaria a presença de efetivos propósitos negociais e a presença de terceiros. Por fim, ainda que superadas essas questões, o acórdão compreendeu que o art. 36 da Lei 10.637/2002 por sí só legitimaria a amortização fiscal em questão. Analisando o recurso especial interposto pela PFN, é possível observar que esta apresentou irresignação apenas contra os dois primeiros núcleos em questão, mas nada arguindo em relação ao terceiro, pertinente aos efeitos da Lei n. 10.637/2002. De fato, ao trazer o primeiro acórdão paradigma (1202000.890), a recorrente dá ênfase no primeiro núcleo, bem como sublinha trecho segundo o qual operações realizadas entre partes relacionadas seriam insusceptíveis de apresentar propósito negocial. Ao desenvolver as razões para a alteração do julgado, a recorrente também explora esses dois núcleos. No entanto, não há uma linha no recurso especial interposto quanto aos efeitos da Lei n. 10.637/2002, adotado como fundamento autônomo pela decisão recorrida. Nenhuma utilidade haveria em decisão proferida por este Colegiado em face do recurso especial interposto, pois este não teria o condão de alterar um fundamento autônomo adotados pela decisão recorrida para o cancelamento do auto de infração atinente ao ágio. Nesse seguir, não há como admitir o recurso especial, tendo em vista a preclusão processual para a revisão de matéria autônomas, distintas entre si e adotadas pelo acórdão recorrido como individualmente suficientes para afastar o lançamento tributário. Tratase da hipótese equivalente à da Súmula n. 283 do e. STF, bem como da Súmula n. 126 do e. STJ: STF, Súmula 283 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. STJ, Súmula 126 É inadimissível recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e na parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Ademais, o contribuinte também aponta que os acórdãos indicados como paradigmas (ac. 1202000.890 e 1402001.338) seriam convergentes e não divergentes, servindose o recurso especial para a revisão probatória, de forma que o recurso especial interposto pela PFN não deveria ser conhecido. Sustenta que, enquanto os paradigmas exigiriam a presença de propósito negocial e substrato econômico pertinente à participação de terceiros na operação, o acórdão recorrido teria adotado o mesmo entendimento, mas Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.274 13 concluído, a partir dos elementos fáticos do caso, que tais fatores teriam sido preenchidos. Se apenas essa questão estivesse presente, compreendo que o recurso deveria ser conhecido, pois o reconhecimento da empresa GERMED como “terceiro” na operação que gerou o ágio não consistiria revisão de provas, mas qualificação das provas avaliadas, para compreender se a presença desse “terceiro” na operação como um todo, reconhecida pela Turma a quo, influenciaria a operação específica de aquisição de investimento com ágio, realizada no âmbito do grupo empresarial da EMS. O não conhecimento do recurso quanto à glosa de ágio, sob a minha perspectiva, decorre da insuficiência recursal acima analisada. Quanto à qualificação da multa, compreendo não se tratar de matéria que possa ser objeto de recurso especial neste momento processual, sob pena de supressão de instância. Como se pode observar, a Turma a quo considerou válida a amortização do ágio, restanto prejudicada, portanto, a análise de questões como a qualificação da multa imposta, tendo em vista o caráter acessório desta. O recurso especial da PFN, portanto, apenas pode se referir à questão principal, com a pretensão recursal de ver confirmada a legalidade da glosa realizada pela fiscalização. Caso não seja conhecido ou mesmo seja negado provimento a este recurso especial quanto ao ágio, a decisão da Turma a quo será confirmada, afastandose em definitivo a cobrança do principal e da multa de ofício. Por sua vez, caso seja dado provimento ao recurso especial da PFN quanto à glosa das despesas de ágio, os autos devem retornar à Turma Ordinária para a análise da qualificação da multa imposta, bem como de outras questão que tenham restado prejudicadas. Por fim, quanto à exigência de multa isolada, sustenta a contribuinte que o recurso também não deveria ser conhecido, pois (i) o acórdão recorrido teria analisado tão somente a questão se, após o término no ano calendário, seria possível a exigência de multa isolada por estimativa, não adentrando no tema da possibilidade ou não de concomitância com a multa de ofício; por sua vez, os dois acórdãos paradigmas analisaram justamente a questão pertinente à referida concomitância; (ii) a incidência da Súmula 105 do CARF impediria o conhecimento de recurso especial sobre a matéria. Quanto à primeira questão, é possível verificar que o acórdão n. 1302 001.080, indicado como paradigma, trata tanto da concomitância da multa como do fato de a autuação fiscal ter sido realizada após o término do exercício fiscal. No entanto, compreendo que assiste razão ao contribuinte quanto à incidência da Súmula 105 do CARF, a qual impede o conhecimento de recurso especial sobre a matéria. No presente caso, o período em discussão compreende os anos de 2005 a 2010. Nos períodos anteriores à vigência da Lei n. 11.488/2007 (no caso, 2005 e 2006), não há dúvidas que a questão já foi pacificada no âmbito deste Tribunal, não cabendo sequer o conhecimento de recurso especial para a sua discussão (RICARF, art. 67, § 3º), por força da Súmula n. 105 do CARF, aprovada em 08.12.2014: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.275 14 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” No presente caso, fazse necessário decidir se este Colegiado possui competência para conhecer o mérito do recurso interposto pela PFN quanto aos períodos posteriores à edição da Lei n. 11.488/2007 (no caso, 2007 a 2010). Para tanto, é preciso analisar os efeitos trazidos pela Lei nº 11.488/2007 sobre o 44 da Lei nº 9.430/96, de forma a verificar se a Súmula n. 105 é igualmente aplicável aos períodos posteriores a 2007. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Com a redação que lhe foi atribuída pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.276 15 Notese que, tanto nos termos do RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, para a enunciação de súmulas, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal determinado número de julgados sobre a matéria, considerados capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 1. Os casos selecionados devem propiciar a ventilação dos mais relevantes argumentos quanto à interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribuise à súmula do CARF a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”2. Por essa sistemática, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a edição da súmula passam a ser aplicáveis, de forma obrigatória, a todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas não se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicada a hipóteses que não estariam abrangidas pelos aludidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta3 que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdãos individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e às normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que, pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deve ser absorvida pela multa de ofício. É o que se observa dos seguintes acórdãos que serviram de inspiração à Súmula n. 105: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução 1 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. 2 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 3 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.277 16 da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.307, de 24/04/2012) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803001.263, de 10/04/2012) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.261, de 22/11/2011) Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.278 17 Neste último acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF, que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. (CSRF/0105.838, de 15.04.2008) A segunda ratio decidendi, que se abstrai dos paradigmas que inspiraram a Súmula n. 105 do CARF, consiste no não cabimento de lançamento de multa isolada cuja base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (CSRF, 9101001.203, de 17/10/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.279 18 IRFONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. (CSRF, 9101001.238, de 21/11/2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) (CARF, 1ªC/2ªTO, 110200.748, de 09/05/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.280 19 INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) (CARF, 4ªC/2ªTO, 1402001.217, de 04/10/2012) Em todos esses julgados, portanto, compreendeuse não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício. a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja inserida na base de cálculo das multas de ofício; Compreendo que os referidos fundamentos permanecem aplicáveis mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, o que nos obriga à aplicação da Súmula n. 105. Em primeiro lugar, não há dúvidas que a referida súmula consagrou o princípio da consunção, que servira de fundamento aos acórdãos que a inspiraram. É o que se observa dos fundamentos do acórdão 0105.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.281 20 pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” No caso, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 ao art. 44 da Lei n. 9.430/96, a teoria da consunção permanece plenamente aplicável. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”), como se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.282 21 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.283 22 Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada, em período posterior à Lei n. 11.488/2007. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental, então, constatar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta daquela adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96 e que motivaram a edição da Súmula n. 105. Além disso, também a segunda ratio decidendi da Súmula n. 105 permanece aplicável mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, atinente à impossibilidade da base de cálculo da multa isolada estar inserida na base de cálculo das multas de ofício. Notese que, no acórdão 110200.748, também citado acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.284 23 Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido.” (grifos acrescidos) Como se pode observar, a ratio decidendi adotada nesse julgado, proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, também é perfeitamente aplicável às normas sancionatórios veiculadas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto a redação original previa que as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício seriam idênticas, com a redação vigente a partir de 2007, não há mais necessária coincidência, embora seja certo que o valor da base de cálculo da multa isolada permanece inserido na base de cálculo da multa de ofício. Nesse seguir, por compreender que nenhuma das três matéria ventiladas no recurso especial preencheram os requisitos de admissibilidade, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. Mérito do recurso especial 1. A amortização fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. A palavra “ágio” conduz à ideia de um sobrepreço que se paga por algo, um valor superior a determinado parâmetro.4 Um exemplo simplificado é útil para situar essa ideia geral. Na década de 90, em plena transformação da indústria automobilística brasileira, era comum que as concessionárias levassem meses para receber da fábrica os automóveis adquiridos por seus clientes. O cliente comum, ansioso para receber o automóvel em que empenhava as suas economias, era submetido a uma longa e angustiante espera mesmo após já ter concretizado a compra. As concessionárias, então, vislumbraram nisso uma oportunidade: adquiriam antecipadamente alguns automóveis novos, assumindo o risco (baixo, devido à elevada procura) de não os vender. Assim, aos clientes eram apresentadas duas possibilidades: (i) a aquisição do veículo pelo preço de tabela, com a espera de alguns meses até a entrega pela fábrica ou; (ii) a aquisição do veículo em estoque (entrega imediata), com o acréscimo um determinado valor sobre o preço da tabela, a título de “ágio”. Notese que, ao optar pelo veículo em estoque e o pagamento do “ágio” referido, o adquirente realizaria o pagamento de um sobrepreço com o objetivo de desfrutar da posse do veículo antecipadamente, ao que estaria destituído dessa fruição imediata caso optasse por desembolsar apenas o preço de tabela do bem. Já o vendedor, por sua vez, seria recompensado pelo risco assumido e pelo adiantamento à fábrica do custo do automóvel. O “ágio”, nesse simplório exemplo outrora corriqueiro no mercado automobilístico brasileiro do varejo, ilustra bem quão normal é o pagamento de sobrepreços, bem como que este pode ser 4 Vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 13 e seg. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.285 24 justificado por motivos distintos sob as perspectivas dos dois polos do negócio jurídico (adquirente e alienante). O ágio analisado no presente processo administrativo se refere à aquisição de participação societária relevante em empresas (investidas) por outras empresas (investidoras). No período atinente ao caso ora sob julgamento, como se verá a seguir, o legislador reconhecia como justificativa negocial para o pagamento de ágio (ou deságio) a expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, o valor de mercado de bens do ativo da empresa investida superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 1.1. A identificação do ágio pelo Método de Equivalência Patrimonial (“MEP) Quando uma pessoa jurídica possui participação societária relevante em outra (controlada ou coligada), deve refletir em sua contabilidade tal investimento, avaliandoo conforme o método da equivalência patrimonial (doravante “MEP”). “Ágios” e “deságios” são itens evidenciados nas demonstrações contábeis pelo MEP: à época dos fatos presentes nestes autos, era exigido de companhias investidoras que evidenciassem o fato de que que parte do investimento mantido em empresa controlada ou coligada não se justificaria pelo valor patrimonial desta, mas sim por um ágio despendido quando de sua aquisição, considerando o fundamento pelo qual se incorreu neste.5 Nos idos de 1976, a Lei n. 6.404 (“Lei das SAs”) regulou a adoção do MEP, especialmente em seu art. 248: “Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: (…)” A legislação brasileira passou a prever que as pessoas jurídicas que detivessem investimentos em controladas ou coligadas, ao realizar escrituração pelo MEP, deveriam desdobrar o custo destas em: (i) valor do patrimônio líquido existente no momento da aquisição da respectiva empresa investida e; (ii) ágio ou deságio eventualmente presente na aludida aquisição: Decretolei n. 1.598/77 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e 5 Após a Lei 12.943/2014, que se aplica a período posterior ao dos presentes autos, o ágio por expectativa de rentabilidade futura se tornou residual ao valor justo dos ativos da investida. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.286 25 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Avaliação do Investimento no Balanço Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de 2 meses de que trata o item I aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades, de que trata o § 4º do artigo 20, de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente. V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.287 26 da participação do contribuinte na coligada ou controlada. O ágio (ou deságio) lançado no ativo permanente da empresa investidora, na conta de investimento (ativo diferido), seria amortizado mediante débito ou crédito em seu lucro líquido. A referida amortização, no entanto, seria meramente contábil, não podendo (ainda) gerar efeitos fiscais. Ainda do ponto de vista da contabilidade, vale observar que o desdobramento do referido ágio também pode ser observado sob a perspectiva da pessoa jurídica investida, embora tais registros contábeis não apresentem qualquer importância para a questão em análise. Notese que a apuração ou mesmo amortização contábil do aludido ágio por expectativa de rentabilidade futura, escriturada pela empresa investidora em função do MEP, sempre se manteve neutra para fins tributários nas diversas alterações legislativas atinentes à matéria. Essa foi a regra estabelecida pelo Decretolei 1.598/77: Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. Contudo, como será analisado no subtópico seguinte, a amortização fiscal do do ágio, à fração 1/60 ao mês, passou a ser possível a partir da edição da Lei n. 9.532/97, que previu uma fórmula operacional básica a ser seguida pelo contribuinte para a dedutibilidade da referida despesa. 1.2. A norma de dedutibilidade fiscal das despesas de amortização de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. Com a edição da Lei n. 9.532/97, o legislador ordinário alterou sensivelmente as consequências tributárias do ágio por expectativa de rentabilidade futura. A partir de então, passou a ser possível o aproveitamento do ágio à fração 1/60 ao mês, desde o momento em que o ágio escriturado pela investidora viesse a ser confrontado, em um mesmo acervo patrimonial, com os lucros advindos da empresa investida que justificaram o pagamento desse sobrepreço por expectativa de rentabilidade futura. A possibilidade de amortização das despesas de ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma prescrita pela Lei n. 9.532/97, depende do cumprimento de uma fórmula operacional básica, que pressupõe o fenômeno societário da absorção patrimonial, com a reunião (por incorporação, fusão ou cisão) do patrimônio da pessoa jurídica investidora com a pessoa jurídica investida, a fim de que o aludido ágio registrado naquela seja emparelhado com os lucros gerados por esta. Concretizada a absorção patrimonial exigida pelo legislador, o ágio apurado em aquisição precedente pode ser amortizado, com a redução da base de cálculo do tributo, no mínimo em 60 meses, nos balanços levantados após a ocorrência de um desses eventos, ainda que a incorporada ou cindida seja a investidora (incorporação reversa). É o que se observa dos arts. 7o e 8o da Lei n. 9.532/97: Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.288 27 segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração6; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior 6 Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.289 28 utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º. O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Analiticamente, nos termos da Lei n. 9.532/97, a hipótese de incidência da norma que atribui consequências tributárias ao ágio incorrido por expectativa de rentabilidade futura requer que seja executada uma fórmula operacional básica, a saber: Aquisição de investimento, por quaisquer das formas em Direito admitidas, com contraprestação de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; Fluxo financeiro ou sacrifícios econômicos envolvidos na operação de aquisição; Desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido pelo MEP; A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição); Absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa); Exclusão de até 1/60 do ágio ao mês na apuração da base de cálculo do tributo. Os arts. 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 prescreveram que, na hipótese de aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, com a correta adoção do MEP para apuração pela investidora do patrimônio líquido da investida e do correspondente ágio, acompanhada da fórmula operacional básica estipulada em lei para a absorção, pela pessoa jurídica investidora, do acervo patrimonial da controlada ou coligada que justificou o ágio incorrido em sua aquisição (ou vice versa), então a consequência jurídico tributária deve ser a amortização da fração de 1/60 por mês do ágio por expectativa de rentabilidade futura contra as receitas da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição). Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.290 29 No ambiente jurídico em questão, para que o contribuinte fizesse jus à dedutibilidade do ágio, deveria preencher os referidos critérios. No presente caso, então, para que a fiscalização tributária logre êxito na glosa de despesas de ágio excluídas da base de cálculo do tributo, deverá demonstrar a simulação ou outras formas de não cumprimento de algum desses requisitos. 1.3. Aquisição de investimento de partes relacionadas mediante a integralização de ações avaliadas a valor de mercado e com apuração de ganho de capital diferido. A Lei n. 12.973/2014 prescreveu a regra de que operações de aquisição de participação acionária entre partes dependentes não devem ter efeitos fiscais para fins amortização de agío. Conforme já se advertiu acima, contudo, o presente caso não é regido por essa Lei, tendo em vista que os fatos se reportam a período muito anterior à sua edição. Essa distinção quanto às normas aplicáveis ao caso é relevante. Ocorre que, até a edição da Lei n. 12.973/2014, não havia na legislação brasileira vedação expressa ou mesmo qualquer referência a essa figura que, no jargão, tornouse popular chamar “ágio interno”. Por se tratar de um rótulo, que surgiu da experiência diante de situações concretas e não da Lei n. 9.532/97, é preciso compreender a sua extensão e as consequência jurídicas que emanam da qualificação de uma operação como “ágio interno”, sem perder de vista as peculiaridades da situação concreta ora trazida a esta CSRF. Em termos muito gerais, o chamado “ágio interno” consiste em situações nas quais não se encontram presentes partes estranhas entre si, não ligadas, não relacionadas, não dependentes. Em geral, há a transmissão do investimento em uma pessoa jurídica para outra, pertencente ao mesmo grupo empresarial. Dizse, então, que o ágio foi constituído “internamente”, sem a participação de agentes externo. Assim como operações realizadas entre partes independentes societariamente podem se revelar artificiais (com conluio, por exemplo), quando se está diante de operações rotuladas de “ágio interno”, é necessário investigar as suas peculiaridades, a fim de atribuir lhes a qualificante “válido” ou “inválido”. Enquanto o primeiro, ágio interno válido, mantém incólume a possibilidade de amortização fiscal, o ágio interno inválido não gera qualquer direito à dedutibilidade dessas despesas. Nas ponderadas palavras de MARCOS SHIGUEO TAKATA7, “há ágios internos e ‘ágios internos’ ”. A pedra de toque deste julgamento, portanto, consiste em qualificar o caso concreto como ágio interno válido (operações juridicamente existentes) ou ágio interno inválido (operações simuladas). 1.4. O “ágio interno válido”, cujos efeitos jurídicos devem ser reconhecidos pela administração tributária. É compreensível que operações realizadas entre partes relacionadas permaneçam no radar da fiscalização tributária, tendo em vista a maior facilidade para a manipulação de atos cometidos intramuros. No entanto, no presente caso, a presença de partes 7 TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou “Artificial” e Ágio Interno com Causa ou Real – Distinções necessárias, in Controvérsias jurídicocontábeis (aproximações e distanciamentos), vol. 3 (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2012, p. 194. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.291 30 relacionadas não é determinante ou mesmo relevante para a amortização fiscal do ágio por expectativa de rentabilidade futura. Essa assertiva encontra fundamento ao menos em duas evidências jurídicas, com as quais é convergente uma evidência de natureza contábil. Sob a perspectiva da contabilidade, ELISEU MARTINS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS8 suscitam que a máxima contábil, de que “só se ativa o ágio por rentabilidade futura quando fruto de uma transação, jamais quando ele é criado pela própria entidade”, demanda a questão do que seja “entidade”. Esclarecem os professores que, enquanto países como EUA adotam a tradição da elaboração de balanços consolidados, no Brasil e em uma série de outros países o balanço consolidado é exceção, sendo a regra o balanço individual. Como conclusão, então, seria possível o reconhecimento de ágio gerado em operação entre entidades distintas, ainda que pertencentes ao mesmo grupo empresarial. O argumento contábil, então, restringe substancialmente a extensão de situações abrangidas pelo rótulo “ágio interno”. A partir de tal constatação, LUÍS EDUARDO SCHOUERI e ROBERTO CODORNIZ LEITE PEREIRA9 acertadamente suscitam que “o substantivo ‘ágio’, para receber o adjetivo ‘interno’, teria que ser necessariamente gerado nas estritas fronteiras de uma entidade contábil o que, no Brasil, só ocorreria nas hipóteses de ágio interno artificial, desde que, evidentemente, resta caracterizada a simulação da operação, pois, neste caso, não mais haverá duas pessoas distintas participando da operação, mas, tão somente, uma”. Em boa medida, essa tradição contábil brasileira reflete o contexto jurídico vigente no Brasil ao tempo dos fatos deste processo administrativo. Por essa razão, há convergência com duas evidências jurídicas quanto à irrelevância de ligação entre as partes da operação de aquisição de investimento com ágio, tal como aquela que está sob julgamento: (i) o princípio da legalidade e o completo silêncio do legislador (período anterior à Lei n. 12.973/2014) e; (ii) todos os requisitos exigidos pelo legislador para a apuração e amortização fiscal do ágio podem potencialmente ser cumpridos em operações realizadas entre entre partes ligadas. A primeira evidência jurídica referidas, atinente ao princípio da legalidade, decorre da inexistência de qualquer reação do legislador competente à hipótese de realização de operações entre partes ligadas, especialmente no que pertine à amortização de eventual ágio por expectativa de rentabilidade futura apurado. O reclamo por uma lei para a restrição à liberdade de empresa do contribuinte não necessita de maiores justificativas. As restrições às liberdades fundamentais, quando permitidas, devem ser veículas por lei que expresse com clareza a decisão do legislador competente. A exigência de clareza decorre também dos princípios da segurança jurídica, certeza do direito e confiança, pelos quais se requer que o legislador estabeleça os critérios para que a sua decisão restritiva seja executada pela administração fiscal. Tais critérios devem fornecer caracteres que possibilitem ao executor da lei, sem arbítrios, segregar situações qualificáveis como legítimas de outras, consideradas vedadas, não toleradas. 8 MARTINS, Eliseu; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Ágio interno é um mito?, in Controvérsias jurídicocontábeis: aproximações e distanciamentos (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2013. 9 SCHOUERI, Luís Eduardo; PEREIRA, Roberto Codorniz Leite. O ágio interno na jurisprudência do CARF e a (des)proporcionalidade do art. 22 da Lei n. 12.973/2014, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL à luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Maurício Pereira). São Paulo : MP, 2016, p. 363. Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.292 31 Nas situações em que partes ligadas, relacionadas, dependentes sejam critérios para segregar situações legitimamente geradoras de direitos de outras, nas quais o Direito tributário não reconhece as mesmas consequências, esses conceitos devem ser claramente delimitados pelo legislador. Por não se tratar de conceito vulgar, mas sim técnico, é imprescindível a delimitação legal. Um bom exemplo pode ser colhido da sistemática dos preços de transferência prevista pela Lei n. 9.430/96, aplicável exclusivamente na hipóteses “operações efetuadas com pessoa vinculada” (art. 18). Como não poderia ser diferente, em seu art. 23, a da Lei n. 9.430/96 expressamente prescreve os critérios para que os contribuintes e a administração fiscal identifiquem quando há e quando não há vinculação entre as partes envolvidas na operação. O mesmo se dá em relação à matéria objeto deste recurso especial. A Lei n. 12.973/2014, em seu art. 22, passou a prescrever que, em operações ocorridas a partir de sua edição, a apuração de ágio (good will) apenas poderá se dar na hipótese de “aquisição de participação societária entre partes não dependentes”. Por não se tratar de conceito vulgar, mas técnico, o legislador necessariamente deveria definir critérios para identificar a referida dependência, o que o fez no art. 25 da aludida lei, como segue: “Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Parágrafo único. No caso de participação societária adquirida em estágios, a relação de dependência entre o(s) alienante(s) e o(s) adquirente(s) de que trata este artigo deve ser verificada no ato da primeira aquisição, desde que as condições do negócio estejam previstas no instrumento negocial.” Sobre esse ponto, a Lei n. 12.973/2014 contrasta e torna o silêncio da Lei n. 9.532/97 ainda mais eloquente: apenas a partir da edição dessa nova lei passou a ser vedada a apuração fiscal de ágio na aquisição de participação societária entre partes dependentes. Inovouse o sistema jurídico, com o estabelecimento de critérios para identificação de operações alcançadas pela referida restrição legal. Como até o 2014 o legislador não vedava a apuração de ágio em restruturações societárias realizadas entre partes relacionadas, considerando tal fator como a priori irrelevante, a Lei n. 9.532/97 não prescreveu quaisquer critérios para distinguir situações Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.293 32 em que as partes fossem ligadas ou independentes. A ausência de critérios prescritos pelo legislador, por exemplo quanto ao grau de dependência admitido (ou, o grau de independência exigido), impossibilita que o intérprete adote arbitrariamente requisitos subjetivos e apriorísticos. Nesse seguir, nos casos ocorridos antes da edição da Lei n. 12.973/2014, sob pena de ofensa à legalidade, não pode haver discriminação de operações pelo fato exclusivo de não haver a participação de terceiros independentes na operação, inclusive por não haver parâmetros legais para a delimitação de conceito de dependência no bojo da Lei n. 9.532/97. A segunda evidência jurídica, que deve ser considerada no julgamento deste recurso especial, consiste na constatação de que todos os requisitos exigidos pela Lei n. 9.532/97, para a apuração e amortização fiscal do ágio, podem potencialmente ser cumpridos em operações em que partes ligadas estejam presentes ou não. Como é sabido, no período dos fatos geradores atinentes ao presente caso, vigia norma segundo a qual “apenas” seriam relevante os seguintes critérios para se aferir a possibilidade ou não da amortização fiscal do ágio: (i) aquisição de investimento em pessoa jurídica com contraprestação de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; (ii) fluxo financeiro ou sacrifícios econômicos envolvidos na operação de aquisição; (iii) desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido; (iv) absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa), de forma que a amortização do ágio se processe contra os lucros da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição) e, ainda, (v) deve ser respeitado o limite quantitativo de 1/60 ao mês para a amortização do ágio. O requisito (i) deve ser aferido a partir das regras de aquisição de participação societária prescritas no âmbito do Direito privado. Dessa forma, a aquisição de participação societária, referida pelo art. 7o da Lei n. 9.532/97, poderá se dar por quaisquer das formas em Direito admitidas. Nesse universo de possibilidades para aquisição de participação societária, em caráter não exaustivo, podem ser citados exemplos como doação, permuta ou alienação realizadas pelo proprietário das ações de uma pessoa jurídica, bem como a integralização de dinheiro, de bens imóveis, de bens móveis ou mesmo direitos relacionados a bens intangíveis (marcas, patentes, direitos de imagem etc), entre outas, realizadas como contribuição ao capital social da pessoa jurídica. No caso ora sob julgamento, houve a prática de negócio jurídico típico e tradicional no ordenamento brasileiro, caracterizado pela aquisição de participação societária em uma pessoa jurídica mediante a composição do capital social desta com participação societária detida em outra pessoa jurídica. A referida operação de integralização de ações ocasiona, indiscutivelmente, aquisição de participação societária na empresa investida. O requisito (ii), requerido pela Lei n. 9.532/97, consiste, como se viu, em sacrifícios econômicos ou financeiros para a aquisição da particição societária com sobrepreço (ágio). Não requereu o legislador que houvesse fluxo de moeda na operação, o que restringiria a apuração de ágio para fins fiscais apenas às hipóteses de integralização de dinheiro ao capital social de pessoa jurídica ou, ainda, à alienação de partipação societária em troca de dinheiro. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.294 33 Na verdade, o legislador não distinguiu sacrifícios financeiros ou econômicos inerentes a quaisquer das formas em Direito admitidos para a aquisição de partipações societárias. Quando uma empresa (A) integraliza ações de uma determinada empresa (B) no capital de outra (C), o ordenamento jurídico brasileiro outorga a possibilidade dessas ações serem vertidas a valor histórico ou a valor de mercado. Tratase de uma opção fiscal. Se a referida integralização ocasionar a aquisição de participação societária equivalente ao valor de mercado das ações integralizadas, então deverá ser apurado o correspondente ganho de capital, nos termos da legislação tributária aplicável. Se, por outro lado, a contribuição ao capital social da empresa investida se limitar ao valor histórico da partipação societária integralizada, então não haverá, naturalmente, ganho de capital a ser apurado. Em relação a esse requisito, o que distingue o ágio interno válido do ágio interno inválido é a artificialidade das operações realizadas. O ágio interno válido pressupõe que a avaliação das ações, pois se mentirosa fosse, estaria simulando o sacrifício econômico que corresponde ao requisito (ii) para a amortização fiscal do ágio. Diante da simulação da transmissão desses direitos que, na verdade, inexistem, não há como admitirse a apurado e amortizado fiscal do ágio. O requisito (iii), atinente ao desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio incorrido, pode igualmente ser cumprido. Na apuração do MEP, se for o caso, o custo de aquisição do investimento deve ser desdobrado no valor patrimônio líquido da empresa investida e no sobrepreço incorrido, justificado por expectativa de rentabilidade futura. Não é demais repetir que, como o ágio interno válido tem como condição a verdade dos atos praticados, a expectativa de rentabilidade futura deve ser real. Dito de outro modo, as avaliação, os laudos ou outros meios de prova utilizados pelo contribuinte para justificar o sobrepreço incorrido não podem ser inconsistentes, artificiais. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n. 01/2007 não representa óbice para o cumprimento desse requisito no presente caso. Conforme esse pronunciamento, para o registro, mensuração e evidenciação do ágio pela contabilidade, seria necessário independência entre as partes da operação. A recomendação em questão, contudo, seria aplicável exclusivamente às companhias de capital aberto, de forma a sequer influenciar o caso ora em análise, em que está em cena empresa de capital fechado. Por sua vez, para o cumprimento do requisito (iv), que consiste na absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa), naturalmente seria totalmente indiferente anterior operação de aquisição entre partes ligadas. Portanto, também não há óbice potencial ao cumprimento desse requisito. Para encerrar, o requisito (v) exige o respeito ao limite quantitativo de 1/60 do ágio ao mês na apuração da base de cálculo do tributo, cujo cumprimento, naturalmente, independe da questão ora sob análise. Nesse cenário, como até a edição da Lei n. 12.973/2014 seria possível a existência de ágio interno válido, oponível ao fisco, é ilegal reputar como ilegítima operação de aquisição de investimento exclusivamente por esta ter sido realizada entre partes ligadas, à revelia da demonstração da prática de atos simulados pelo contribuinte. Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.295 34 A análise dos precedentes do CARF traz exemplos de casos envolvendo ágio interno reputado de válido, nos quais verificouse inexistir simulação, como se observa das ementas a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. O fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.296 35 carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. (Acórdão n. 1101000.708 Processo n. 10680.724392/201028) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. Verificado que o lançamento tributário versou nãohomologação às declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutível, verificase que a insurgência fiscal não se dá no tocante à contabilização da despesa, mas, quanto à sua utilização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo à Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verificase a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. (Acórdão n. 1301001.224. Processo n. 16327.001482/201052) Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.297 36 Nesse cenário, como norma prescrita pelo legislador competente (até a edição da Lei n. 12.973/2014), deve ser reconhecido o ágio gerado por operação real, não simulada, independentemente de haver sido conduzida entre partes relacionadas, ligadas, dependentes. 1.5. O “ágio interno inválido”: definição de “simulação” e critérios legais para a qualificação do caso concreto. Os casos rotulados de “ágio interno inválido” são operações societárias realizadas exclusivamente dentro dos muros do grupo empresarial, consideradas sem causa legítima, fictícias, artificiais, simuladas. O que os torna ilegítimos não é a realização de operações entre partes ligadas, mas a simulação que contamina tais operações, com o dolo de evadir tributos. Ao julgar o presente caso, a análise criteriosa esperada deste Tribunal requer esta consideração. Nesse labor, é preciso rejeitar silogismos circulares, capazes de comprometer a correta aplicação das normas tributárias pertinentes, como este: Premissa 01: Operações com partes relacionadas, quando simuladas, não dão direito à amortização do ágio. Premissa 02: Operações realizadas sem a participação de terceiros são, por si, simuladas. Conclusão: Operações com partes relacionadas nunca dão direito à amortização do ágio. O vício desse silogismo decorre da “premissa 02”, que não é verdadeira. Não se pode assumir que operações realizadas entre partes dependentes sejam, apenas por essa razão, viciadas. Nos presentes autos, compreendo ser juridicamente mandatório que o lançamento tributário apenas se mantenha caso se logre demonstrar que a amortização fiscal do ágio, tal como levada a termo, seja parte de um processo engrendrado por meio de atos simulados, com o dolo específico de deduzir indevidamente despesas para a evasão de tributos. Como a pedra de toque para a solução da matéria ora sob julgamento está centrada no reconhecimento da simulação, fazse necessário compreender adequadamente esse instituto. As decisões do CARF até o fim do século XX apresentavam duas características fundamentais quanto à simulação: (i) a simulação seria um vício de consentimento, cuja mácula consistiria na divergência entre a vontade interna, subjetiva, e a vontade declarada; (ii) seria exigida a demonstração dos atos realizados às escuras, divergentes daqueles levados ao público.10 Assim, no acórdão n. 0101857, de 15.05.95, julgado pela CSRF11, foram refutadas as alegações de simulação formuladas pela fiscalização, tendo em 10 Nesse sentido, vide: BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo : IBDT/Quartier Latin, 2015, p. 214. 11 CARF, CSRF, acórdão n. 0101857, de 15.05.95. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.298 37 vista a inexistência de provas de que a vontade das partes, levada a cabo nos documentos formulados para uma incorporação, seria contraditória com a vontade intima efetivamente presente. Contudo, FABIO PIOVESAN BOZZA12 sugere que, desde meados de 2005, a concepção de simulação no âmbito do CARF teria se tornado preponderantemente causalista, com contraposição à postura voluntarista até então. O elemento fundamental para a caracterização da simulação não seria mais a divergência subjetiva, entre a vontade interna das partes e a manifestada nos negócios realizados. O foco, a partir de então, passaria a ser a incompatibilidade objetiva entre o modelo adotado nas operações realizadas para o negócio supostamente pretendido pelas partes. A partir daí, embora não se possa dizer que seja estanque a referida divisão, em muitos julgamentos passaram a ser despiciendas as provas quanto à verdadeira vontade das partes ou da prática de atos às escondidas (modelo subjetivo). Em vez disso, pelo modelo objetivo, passaram a ter lugar deduções lógicas decorrentes de indícios dos mais variados, vocacionados a demonstrar a divergência do negócio realizado com a sua causa típica. Paradoxalmente, observa FABIO PIOVESAN BOZZA13, “o conceito objetivo de simulação tornou se de aplicação subjetiva”. Do Direito positivo, é necessário observar que o art. 149, VII, do CTN, atribui ao agente fiscal a competência e o dever de realizar o lançamento tributado “quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação”. O legislador tributário não edificou um institito distinto de “simulação fiscal”, mas laborou com remissão normativa, acolhendo o conceito normativo de “simulação” prescrito pelo Direito privado. No Código Civil, a tutela da simulação se dá com o art. 167: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2. Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Desse modo, no âmbito do Direito civil e, por remissão do legislador complementar, também do Direito tributário, são reais e existentes atos de transmissão de 12 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo : IBDT/Quartier Latin, 2015, p. 218224. 13 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo : IBDT/Quartier Latin, 2015, p. 228. Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.299 38 direitos que efetivamente façam com que seja alterado o titular de direitos e obrigações de um determinado acerto patrimonial. Operações que apenas simulam essa transmissão devem ser transparentes aos olhos da fiscalização tributária. Já operações que ocultam a prática de outro negócio jurídico devem ser desmascaradas: inoponível, a operação dissimulada, por transparente aos olhos do fisco, conduz a que se desvende a operação verdadeira que se procurou ocultar, à qual devem ser aplicadas as consequências tributárias correspondentes à espécie. Assim, por exemplo, não há direito à amortização fiscal de ágio apurado em operação de integralização de ações, em que se tenha simulado uma supervalorização da participação societária objeto de contribuição. A utilização de laudos de avaliação forjados, sem lastro em critérios técnicos e aleatórios, evidencia a simulação e macula de forma insanável um dos critérios necessários para a amortização fiscal do ágio, qual seja, sacrifício econômico ou financeiro incorrido para aquisição de participação societária com sobrepreço. Da mesma forma, se o valor atribuído às ações oferecidas como contribuição à aquisição da participação societária é artificial, não se cumpre o sacrifício correspondente ao sobrepreço que se alega incorrer. São conhecidas decisões deste Tribunal quanto ao ágio interno inválido, em que restou caracterizada a simulação e, por consequência, foram negados os efeitos fiscais de aquisições realizadas entre partes relacionadas, com a atração, por dever funcional do agente fiscal (ato vinculado e não discricionário), da aplicação de multa de 150%. Como exemplo, vale observar o seguinte precedente: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anos calendário: 2001 e 2002 Ementas: NULIDADE REEXAME DE FATOS JÁ VALIDADOS EM FISCALIZAÇÃO ANTERIOR A Secretaria da Receita Federal não valida ou invalida fatos, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige o tributo porventura deles decorrentes. No caso, a repercussão tributária dos fatos só surgiu com a amortização do suposto ágio. ATOS SIMULADOS. PRESCRIÇÃO PARA SUA DESCONSTITUIÇÃO. No campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade (que opera no plano da validade), a simulação nocente tem outro efeito, que se dá plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente sua anulação. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada. COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS DEDUTIBILIDADE. Para que sejam dedutíveis as despesas com comprovante em nome de uma outra empresa do mesmo grupo, por terem sido as mesmas rateadas, é imprescindível que, além de atenderem os requisitos previstos no Regulamento do Imposto de Renda, fique justificado e comprovado o critério de rateio. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDO COMO DESPESA. Não Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.300 39 caracterizada a infração pelo fisco, não prospera a glosa das despesas contabilizadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Se nenhuma razão específica justificar o contrário, aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz. Recurso voluntário e de ofício negados. (LIBRA TERMINAL 35 S/A. Acórdão n. 159.490. Processo n. 18471.000947/200633) Vale também observar que o nosso Colegiado (1a Turma da CSRF), por unanimidade, recentemente julgou caso de ágio interno inválido (acórdão n. 9101002.427). Naquele caso, restou evidenciada a simulação do sacrifício econômico alegadamente incorrido pelo contribuinte e a artificialidade do laudo de expectativa de rentabilidade futura. Fezse necessário, portanto, descontinar a real situação jurídica, de forma a evidenciar a ausência de fundamento para a amortização fiscal do ágio. Tendo em vista a estrutura engendrada com o intuito doloso de evadir tributos, mantevese, naquele caso, a qualificação da multa para o percentual de 150%. 1.6. Aplicação das normas jurídicas ao caso concreto. Quanto à legitimidade das operações praticadas, compreendo assistir razão ao contribuinte: há, no caso, aquisição de investimento em pessoa jurídica, com sacrifícios econômicos suportados, correspondentes às ações integralizadas, bem como sobrepreço (ágio) incorrido, fundado em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida, devidamente demonstrada por laudo de avaliação. Os pareceres jurídicos juntados aos autos corroboram esse entendimento. No caso do parecer emitido pelo Prof. Heleno Taveira Torres, ao tratar do “contexto da reestruturação societária”, este observa que os atos praticados pela contribuinte respeitariam “as regras de direito privado, as normas contábeis e tributárias. Todos estão imbuídos de boafé e foram declarados de forma transparente e fidedigna pelas partes envolvidas”. Após descrever as operações realizadas, inseridas em um plano de expansão do grupo para o mercado europeu, com a presença de dois grupos empresariais distintos (joint venture), bem como com a evidência de propósitos extratributários nos principais atos praticados, conclui pela legitimidade e oponibilidade fiscal do ágio apurado e amortizado. Como distinguish, suscita ser necessário considerar que “a ausência de fraude ou simulação”. Notese que, mesmo àqueles que exigem que se observe o “filme” de todas as operações (e não a “foto” de cada uma delas isoladamente) para a aferição de “propósitos negociais”, será possível constatar a presença de justificativas não tributárias para as reestruturações realizadas. Por sua vez, foi cumprida a exigência do efetivo desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Foi cumprido o requisito da demonstração a expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Embora a recorrente alegue que o efetivo propósito das operações realizadas tenha sido a mera reavaliação de ativos, não se verifica impugnação aos critérios adotados ou mesmo à efetiva expectativa de rentabilidade futura presente no caso. Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.301 40 Igualmente foi cumprida a exigência do art. 8o, “b”, da Lei 9.532/97, com a absorção patrimonial da pessoa jurídica que detinha o investimento adquirido com ágio. Também foi cumprida a exigência de que a amortização do ágio apurado pela investidora se processe contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição: a absorção da “EMS Investimentos S/A” pela “EMS S/A” pela recorrente possibilitou o emparelhamento de receitas e despesas tecnicamente requerido pelo legislador. É fundamental repisar que, até a edição da Lei n. 12.973/2014, o legislador passou a vedar a apuração de ágio na aquisição de investimento relevante realizada entre partes dependentes. Contudo, tal vedação não existia anteriormente, período em que o legislador apenas combatia operações artificiais, simuladas. Ademais, embora as específicas operações que deram origem ao ágio e à sua amortização tenham sido realizadas dentro do grupo empresarial a que pertence a EMS, é relevante observar que, considerandose as operações descritas e demonstradas pelo contribuinte como um todo, há também um terceiro independente, a GERMED, empresa portuguesa que posteriormente se tornou acionista da contribuinte e foi parceira de seu projeto de expansão internacional. Compreendo que a presença de GERMED não seja por si só determinante, inclusive porque, até antes da Lei n. 12.973/2014 não exigia a participação de terceiros. Contudo, todo o contexto apresentado e os planos efetivamente concretizados de expansão internacional, com efetiva parceria com a GERMED parecem assentar a presença de importantes fatores extra tributários reestruturação societária implementada. Também é importante observar que as operações em questão ocorreram sob a égide da Lei n. 10.637/2002. Essa foi, inclusive, uma das causas de decidir do acórdão recorrido, que compreendeu que a referida norma legitimou a amortização fiscal do ágio no período em que permaneceu em vigor. Particularmente não compreendo que o art. 36 da Lei n. 10.637/2002 possuía a carga normativa apontada pelo acórdão recorrido. No entanto, não se pode negar que, com a edição do referido dispositivo legal, havia inclusive indução para que houvesse a integralização de ações como a ocorrida no caso dos autos, em ambiente normativo no qual a legitimidade da amortização do ágio entre empresas do mesmo grupo ainda era compreendida como legítima por relevante parte da sociedade. Assim, se o art. 36 da Lei n. 10.637/2002 não é considerado um fundamento de validade imediato à apuração do ágio em operações envolvendo empresas do mesmo grupo, sem dúvida esse é um fator relevante que reforça a legitimidade dos atos praticados. 2. A exigência de multa isolada. A exigência de multa isolada pela não apuração de estimativas mensais tela diz respeito ao período de 2005 a 2010. O Colegiado desta 1a Turma da CSRF, contudo, decidiu admitir o recurso especial da PFN apenas em relação ao período de 2007 a 2010, pela indubitável incidência da Súmula CARF n. 105 em relação a 2005 e 2006. Em relação à parcela do recurso especial admitida (período de 2007 a 2010), o cerne da contenda consiste em saber se a multa isolada pelo não recolhimento das Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.302 41 estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. Compreendo que, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 no art. 44 da Lei n. 9.430/96, a questão deve ser analisada com vistas à teoria da consunção, conforme exposto neste voto, no exame de admissibilidade do recurso especial sob julgamento. Dessa forma, no mérito, a conclusão não pode ser outra: não deve haver incidência cumulativa da multa isolada e da multa de ofício. Esse é, ainda, o mesmo entendimento que vem sendo adotado pelo STJ na aplicação da legislação tributária, a exemplo do REsp 1.499.389/PB e do REsp nº 1.496.354/PR. Nesse cenário, adoto como fundamento a mesma ratio decidendi presente nos acórdãos que inspiraram a Súmula n. 105 do CARF. É, ainda, importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também deixa ser justificável e exigida pelo legislador. Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. 3. Dispositivo do voto. Nos termos do quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.303 42 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Inicialmente registro minha concordância com o nobre Conselheiro Relator a respeito da impossibilidade de conhecimento do recurso especial manejado pela PGFN no que diz respeito à matéria "qualificação da multa de ofício". O Acórdão n° 1301001.299, ora recorrido, foi explícito ao afirmar que, diante do cancelamento, ali determinado, das glosas das despesas de amortização do ágio discutido nos autos, perdeu o sentido a discussão acerca do cabimento da qualificação da multa de ofício imposta pela Fiscalização: "improcedente a glosa, perde o objeto a discussão sobre a qualificação da multa de ofício". Não havendo pronunciamento da decisão recorrida acerca da matéria, torna se logicamente impossível a caracterização da divergência jurisprudencial exigida pelo art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), para fins de admissibilidade do recurso especial. Além disso, não poderia esta Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciar a respeito de um tema antes que o faça a Turma a quo, sob o risco de supressão de instância que pode vir a prejudicar alguma das partes. Em recente julgado de minha relatoria prevaleceu por unanimidade o entendimento de que, em situações como a presente, caso a Turma da CSRF restabeleça a glosa cancelada no julgamento do recurso voluntário, a melhor prática consiste em devolver o processo à Turma recorrida para apreciação das matérias acessórias não apreciadas no primeiro julgamento. Traz a emenda do Acórdão nº 9101002.188, no trecho que interessa à discussão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO EXAMINADA NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa qualificada, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essa matéria no recurso voluntário. Portanto, compartilho do entendimento do Conselheiro Relator pelo não conhecimento do recurso especial da PGFN em relação à matéria "qualificação da multa de ofício", registrando que cabe à Turma a quo se manifestar originariamente a respeito de qualquer tema que tenha sido objeto dos recursos voluntário ou de ofício. Dito isso, passo a tratar de pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos tão bem expostos pelo i. Conselheiro Relator, sempre com a devida vênia. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.304 43 O nobre Relator restou vencido quanto ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional no que toca às matérias "impossibilidade de dedução, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de despesas com amortização de ágio criado internamente" e "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas" e também no julgamento do mérito destas mesmas matérias. Assim, inicio meu voto pela apreciação do conhecimento das matérias objeto do recurso especial, passando em seguida à análise de seu mérito. I) Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional em relação à matéria "dedutibilidade de despesas com amortização de ágio criado internamente" A PGFN, em seu recurso especial, narra que o acórdão recorrido concluiu que a dedução das despesas com a amortização do ágio, promovida pela contribuinte entre os anoscalendário de 2005 a 2010, teria obedecido a todos os requisitos impostos pela legislação tributária. O aludido ágio decorreria de um efetivo dispêndio financeiro e de operações com inegável propósito negocial e teria sido absorvido por meio de operações societárias válidas. Assim, diante do cumprimento de todas as condições necessárias, a dedução das despesas sob discussão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Prossegue a Fazenda Nacional defendendo que, ao assim se posicionar, o acórdão recorrido teria divergido frontalmente da posição adotada pelos Acórdãos nº 1202 000.890 e 1402001.338, indicados como paradigmas. O primeiro acórdão paradigma, segundo a recorrente, analisou caso bastante semelhante ao abordado nos presentes autos: o contribuinte promoveu reorganização societária envolvendo empresas vinculadas ao mesmo grupo econômico, caracterizada por uma sequência de operações de integralização de capital, incorporação e cisão parcial, gerando ágio que foi posteriormente aproveitado pelo grupo. Contudo, ao contrário do que foi decidido no acórdão recorrido, a decisão paradigma teria concluído pela artificialidade de tal ágio e pela consequente impossibilidade de seu aproveitamento tributário. Já o segundo acórdão paradigma divergiria da decisão recorrida por ter defendido a impossibilidade de formalização de ágio em operação societária realizada entre empresas de um mesmo grupo econômico, em razão da inexistência de contrapartida de terceiro que gere o efetivo dispêndio. Assim, seria impossível também o aproveitamento tributário de tal ágio por meio da dedução das despesas decorrentes de sua amortização. Pois bem. Ao analisar o conhecimento do recurso especial no que tange ao tema, o i. Conselheiro Relator votou por não conhecêlo por entender que um dos fundamentos autônomos apontados pelo voto condutor do Acórdão nº 1301001.299 para dar provimento ao recurso voluntário não teria sido objeto do recurso da Fazenda Nacional. O nobre Conselheiro Relator afirma que o voto condutor do acórdão recorrido teria defendido que, mesmo que superadas as demais questões debatidas em relação à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio interno, o disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, por si só, legitimaria a amortização fiscal em questão. Como o mencionado dispositivo legal não foi objeto de questionamento no recurso especial, defende o i. Conselheiro Relator que qualquer decisão construída por este Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.305 44 Colegiado seria inútil para fins de reforma da decisão recorrida. Com base, portanto, em uma suposta insuficiência recursal, foi proposto o não conhecimento do recurso no que atine à matéria "impossibilidade de dedução, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de despesas com amortização de ágio criado internamente". Entendo que tal tese carece de fundamento. Examinando o voto condutor do acórdão recorrido, identifico as seguintes passagens de interesse para a discussão em curso: "Mas não é só isso. Ainda que se parta da premissa adotada pela fiscalização, de que o reconhecimento contábil do “ágio interno” não encontra respaldo nos princípios da ciência contábil, só sendo verdadeiros os ágios gerados em aquisições de participações societárias em negócios entre partes independentes, ainda assim o lançamento não se sustentaria. É que, com ou sem respaldo na Ciência Contábil, o fato é que no período de 1º de janeiro de 2003 a 31/12/2005, esse ágio pôde ser registrado para retratar situação prevista em norma tributária específica, in casu, o art. 36 da Lei nº 10.637/20024, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, e que dispunha: (...) O ágio registrado com base nesse comando da legislação tributária tem como único efeito fiscal aquele previsto na própria norma que justificou sua contabilização. Ou seja, o diferimento da tributação do valor correspondente à reavaliação da participação societária conferida na integralização de capital subscrito. (...) O fato concreto é que, o registro do ágio (gerado internamente) decorre de disposição expressa e específica da legislação tributária, com o efeito tributário previsto no dispositivo legal, qual seja, o diferimento da tributação da reavaliação da participação conferida." (grifouse) Nos trechos transcritos, o i. Relator do acórdão recorrido defende a possibilidade de registro, de contabilização do ágio gerado internamente entre 01/01/2003 e 31/12/2005, em razão de vigência, naquele período, de norma tributária consubstanciada no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Observese que o voto condutor da decisão é expresso ao citar, mais de uma vez, que o único efeito fiscal do aludido dispositivo é o diferimento da tributação sobre o ganho de capital decorrente do processo de reavaliação de participação societária conferida em procedimento de integralização de capital social. Assim, verificase que a decisão recorrida não aponta o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 como autorizador da dedução, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.306 45 despesas de amortização do ágio interno. Se nem isso o faz, muito menos poderia têlo apontado como fundamento autônomo para tal. Afastado tal argumento, creio que a análise quanto ao conhecimento do recurso especial fazendário, no que atine à matéria "dedutibilidade de despesas com amortização de ágio criado internamente", deve ser feita à luz do que estabelece o art. 67 do Anexo II do RICARF/2015: verificação da existência de divergência entre interpretações dadas à legislação tributária. Tendo isso em vista, considero não ser de difícil percepção que o acórdão recorrido e as decisões paradigmas efetivamente adotam interpretações divergentes a respeito da aplicação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (base legal do art. 386 do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda). Do cotejo entre o acórdão recorrido e o primeiro paradigma trazido pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 1202000.890), verificase que as situações fáticas são muito semelhantes no que interessa à discussão em foco. Assim como a decisão recorrida, o acórdão paradigma também analisa glosas relativas a despesas de amortização de ágio, promovidas pela Fiscalização com base no entendimento de que tal ágio teria sido gerado em operações societárias realizadas apenas entre empresas relacionadas; em período exíguo; sem propósito negocial; sem efetivo sacrifício patrimonial; com utilização de empresaveículo. Diante deste contexto fático, o acórdão recorrido defende que a legislação tributária aplicável ao caso (art. 7º e 8º da lei nº 9.532/1997) em momento algum exige que o ágio, para que seja passível de aproveitamento tributário mediante a dedução das despesas decorrentes de sua amortização, seja oriundo de operações realizadas entre partes independentes. Ademais, argumenta que a aquisição de participação societária requerida pela legislação pode se dar de muitas formas, algumas das quais não envolvem a contrapartida por meio de pagamento em dinheiro. De forma contrastante, o acórdão paradigma nº 1202000.890 entende que é artificial o ágio que surge a partir de operações realizadas entre partes dependentes e sem o dispêndio de recursos, hipótese em que não seria permitida a aplicação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Sendo assim, considero perfeitamente configurada a divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o Acórdão nº 1202000.890. Por terem sido cumpridos este e os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos no art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional em relação à matéria "dedutibilidade de despesas com amortização de ágio criado internamente". II) Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional em relação à matéria "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas" O recurso especial da PGFN narra que o acórdão recorrido teria adotado o entendimento de que não é devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa se tiver sido aplicada após o encerramento do anocalendário. Assim teria se inaugurado dissenso jurisprudencial entre a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas nº 1302001.080 e nº 1202000.964, que defenderiam a validade da cobrança de multa isolada independentemente do encerramento do anocalendário, uma vez Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.307 46 que tal penalidade visa a sancionar o contribuinte que descumpre a sistemática de recolhimento mensal dos tributos com base no regime de estimativa. O i. Conselheiro Relator deste julgamento votou pelo não conhecimento do recurso especial fazendário em relação à matéria "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas" sob o argumento de que o Acórdão nº 1301001.299 teria aplicado entendimento já sumulado no âmbito do CARF. Como a Súmula CARF nº 105 já teria estabelecido a impossibilidade de lançamento concomitante das multas isolada e de ofício, a regra insculpida no §3º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (equivalente ao §2º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2009, vigente à época da apresentação do recurso) impediria o conhecimento do recurso especial na parte que pretende a rediscussão deste tema. O voto apresentado pelo nobre Conselheiro Relator defende que a vedação citada aplicarseia tanto aos anoscalendário anteriores quanto aos posteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007 (resultado da conversão da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007) e é explica que tal conclusão se baseia no entendimento de que, mesmo após a revogação, pela aludida lei, do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, textualmente citado na Súmula CARF nº 105, a ratio decidendi aplicada no julgamento dos acórdãos utilizados como paradigmas para a edição da Súmula permaneciam perfeitamente válidos. Divirjo de tal entendimento. A Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Observese que o dispositivo legal que fundamenta a cobrança da multa de ofício não é mencionado. Sendo assim, é bastante provável que a intenção da 1ª Turma da CSRF tenha sido exatamente a de delimitar a vedação de aplicação concomitante à multa isolada fundamentada especificamente no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Caso a menção ao dispositivo legal tivesse sido feito de forma despretensiosa, apenas com a intenção de identificar de que multa isolada a Súmula estaria tratando, provavelmente a referência à multa de ofício também viria acompanhada da identificação do dispositivo legal que a fundamenta. Além disso, tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/2007, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. A previsão legal da multa aplicada isoladamente foi significativamente alterada em janeiro de 2007. Na redação anterior, contida no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.308 47 Já com a redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996 a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Verificase, portanto, que houve alterações expressas e significativas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis à multa isolada. Desta forma, não é possível afirmar, em sede de análise do conhecimento do recurso e sem adentrarmos no mérito da discussão, que a Súmula CARF nº 105 abrangeria também períodos posteriores a 2007. Diante do exposto, entendo inaplicável ao caso sob análise a restrição tipificada no art. 67, §3º, do Anexo II do RICARF/2015 (art. 67, §2º, do Anexo II do RICARF/2009), razão pela qual CONHEÇO do recurso especial da PGFN em relação às multas isoladas relacionadas aos anoscalendário 2007 a 2010. Registro, por fim, que não houve nos presentes autos lançamento de multas isoladas relativas aos anoscalendário 2005 e 2006, razão pela qual se torna inócua a discussão acerca do não conhecimento do recurso especial quanto à matéria "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas" para estes períodos. III) Mérito Dedutibilidade de despesas com amortização de ágio criado internamente O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos presentes autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela contribuinte EMS S.A. (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, ao longo dos anoscalendário de 2005 a 2010, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas relacionadas à amortização de ágio registrado em sua contabilidade. Tal ágio decorreu de operações societárias celebradas entre a contribuinte e a empresa EMS INVESTIMENTOS S.A.. As duas empresas tinham as mesmas controladoras: SALTMONT EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES (doravante identificada apenas como SALTMONT) e SALTRIVER EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (de agora em diante citada como SALTRIVER). O controle destas empresas sobre a EMS INVESTIMENTOS era direto; já sobre a EMS S.A., indireto e exercido por meio da EMS SIGMA PHARMA PARTICIPAÇÕES. A SALTMONT era controlada pelo sócio Carlos Eduardo Sanchez e a SALTRIVER, pela sócia Nanci Sanchez. Estas duas pessoas físicas constavam, entre 2004 e 2005, como únicos diretores tanto da EMS S.A. quanto da EMS INVESTIMENTOS. Portanto, à época das operações societárias que geraram o ágio objeto da discussão, tanto a contribuinte quanto a EMS INVESTIMENTOS eram controladas e administradas pelas mesmas duas pessoas físicas. Em 29/12/2004, a EMS INVESTIMENTOS incorporou a totalidade das ações da EMS S.A., atribuindolhe o valor de R$ 926.642.000,00, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura daquela pessoa jurídica, segundo laudo elaborado por empresa especializada. Na sua contabilidade, tal valor foi desdobrado em duas contas distintas: R$ 145.281.215,03 foram registrados a título de investimento na EMS S.A. (associado ao valor Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.309 48 patrimonial das ações incorporadas) e R$ 781.360.784,97 foram registrados como ágio relacionado a tal investimento. Já em julho de 2005, a contribuinte EMS S.A. incorporou sua controladora direta EMS INVESTIMENTOS e trouxe o ágio de R$ 781.360.784,97 para sua contabilidade. Passou então a deduzir, entre 2005 e 2010, as despesas decorrentes da amortização deste ágio de seus resultados tributáveis, considerando que tal prática estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. Muito bem. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do Decreto Lei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.310 49 registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.311 50 Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.312 51 A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese a transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.313 52 b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 199714, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que 14 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.314 53 possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI15 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista16 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 199717: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da 15 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. 16 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 17 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.315 54 fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegou se a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.316 55 § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.317 56 §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.318 57 O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 18. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. 18 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.319 58 Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.320 59 (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI19, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha 19 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.321 60 participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.322 61 Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa em que investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que o ágio cujas despesas de amortização a contribuinte EMS S.A. pretende dedutíveis teve origem no momento em que a totalidade de suas ações foi incorporada pela EMS INVESTIMENTOS, empresa submetida ao controle dos mesmos sócios indiretos da contribuinte. O valor pelo qual as ações foram recebidas contemplou uma parte relacionada ao valor original do investimento (R$ 145.281.215,03) e o ágio quantificado com base em laudo que avaliou o valor de mercado da participação societária incorporada com fundamento na expectativa de sua rentabilidade futura (R$ 781.360.784,97). Alguns meses depois, a EMS INVESTIMENTOS foi incorporada pela contribuinte, em um processo de incorporação reversa, o que fez com que o ágio antes contabilizado na primeira empresa ingressasse no patrimônio da segunda. De posse de tal ágio, a contribuinte EMS S.A. passou a deduzir de seu lucro líquido, entre os anos de 2005 e 2010, as despesas decorrentes da sua amortização, sob o argumento de que sua situação amoldavase à previsão legal abrigada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Ocorre que o entendimento defendido pela contribuinte não tem amparo nos mencionados dispositivos legais ou em quaisquer outros. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A configuração do aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 requer, como foi visto, que a pessoa jurídica que vier a absorver o patrimônio da outra em que detenha participação societária (ou a ser absorvida por ela, no caso da incorporação "às avessas") tenha acreditado na "mais valia", feito estudos de rentabilidade futura e efetivamente desembolsado os recursos para a aquisição do investimento. Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.323 62 No caso dos autos, é incontroverso que não houve desembolso algum, por qualquer das partes envolvidas, nas operações que originaram o ágio de R$ 781.360.784,97. Este número adveio simplesmente da diferença entre a reavaliação encomendada pelos controladores da contribuinte e o valor nominal de suas ações que foram incorporadas pela EMS INVESTIMENTOS. Sendo assim, não há que se falar na existência de uma investidora real, que faria jus à possibilidade de aproveitamento tributário do ágio nos moldes delineados no art. 386 do RIR/1999. Além disso, também o aspecto material da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 não restou caracterizado no caso concreto. Para que o ágio possa ser objeto de aproveitamento fiscal, é necessária a ocorrência de "confusão patrimonial" entre investidora e investida porque assim passam a coexistir dentro da mesma pessoa jurídica a "mais valia" paga com base na expectativa de rentabilidade futura e o próprio investimento de que se espera tal rentabilidade. É justamente por conta deste encontro que a legislação permite que os contribuintes dêem por perdido o capital investido na "mais valia" e passem a utilizar as despesas de sua amortização como deduções da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se não existiu o efetivo dispêndio da investidora por tal "mais valia", não há valor pago a maior que possa ser considerado perdido por ocasião de seu encontro, na contabilidade da mesma pessoa jurídica, com o investimento de que se esperava a produção futura de resultados positivos. Logo, perde o sentido a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio. Assim, a amortização operada pela contribuinte não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, não existiu a figura da investidora originária porque não houve dispêndio apto a amparar a criação do ágio que se pretendeu amortizável. O ágio contabilizado decorreu de reavaliação do valor de mercado das ações da contribuinte EMS S.A., posteriormente incorporadas pela EMS INVESTIMENTOS, não tendo sido verificado nenhum dispêndio que viesse a satisfazer os aspectos pessoal e material da hipótese de incidência da benesse estabelecida no art. 386 do RIR/1999. É indiferente para tal conclusão o fato de, ao final das operações societárias promovidas pelo grupo econômico, estarem reunidos no patrimônio da contribuinte EMS S.A. o ágio de R$ 781.360.784,97 (que, no fim das contas, fundamentouse na expectativa de sua rentabilidade futura, uma vez que o ativo da EMS INVESTIMENTOS resumiase a ações da contribuinte) e o investimento que lhe serviu de fundamento. Sem a realização de investimento efetivo que justifique o nascimento do ágio, não há que se falar na ocorrência de confusão patrimonial que possibilite a dedutibilidade prevista no art. 386 do RIR/1999. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a investidora arque com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio a que se refere diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.324 63 O ágio inicialmente contabilizado pela EMS INVESTIMENTOS e posteriormente incorporado pela contribuinte EMS S.A. foi criado sem esta troca de riquezas entre adquirente e alienante. A criação de tal ágio foi um fenômeno puramente contábil. Ninguém sacrificou valores ou direitos que justificassem sua criação. Isso só foi possível porque a contribuinte EMS S.A. e a empresa EMS INVESTIMENTOS pertenciam ao mesmo grupo econômico, estando submetidas ao controle dos mesmos acionistas. Conforme já foi mencionado, as duas empresas eram controladas indiretamente e administradas pelas mesmas duas pessoas físicas: Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez. Assim, o negócio celebrado entre estas empresas não aconteceu em um ambiente de livre concorrência, em que os atos negociais visam a atender aos interesses de ambos os contratantes, que assumem direitos e deveres proporcionais. O fato de as empresas integrarem o mesmo grupo econômico adiciona novos elementos e interesses maiores ao negócio. Não necessariamente os atos celebrados têm como objetivo beneficiar ambas as partes. A contribuinte defende, nas manifestações feitas ao longo do contencioso administrativo, que teria havido, no caso concreto, a participação de um terceiro independente (sem relação societária com as empresas controladas por Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez) no conjunto de operações que provocaram o surgimento do ágio de R$ 781.360.784,97, o que contradiria a teoria do Fisco de que tratase de ágio interno imprestável para fins fiscais. Ela se refere à empresa GERMED, de nacionalidade portuguesa, com quem teria firmado, em 05/07/2004, um contrato para formação de uma jointventure que possibilitaria o ingresso do grupo EMS no mercado europeu de medicamentos. Como a aludida jointventure foi operacionalizada por meio da permuta de 9% das ações da GERMED por 1% das ações da EMS S.A. (finalidade de estabelecimento de participação recíproca), seria necessária a reavaliação a valor de mercado de ambas as empresas e a concordância da outra parte em relação ao valor reavaliado. Assim, a operação responsável pela geração do ágio teria tido o aval de terceiro independente a lhe garantir a isenção necessária no tocante aos valores praticados. A tese da contribuinte não prospera. De início, já se identifica uma inconsistência temporal nos fatos apontados. A citada permuta de ações entre as empresas EMS S.A e GERMED teria sido selada em julho de 2004. Já a reavaliação do valor das ações da contribuinte foi realizada somente em novembro daquele ano, conforme atesta o laudo elaborado pela empresa PROINVEST CONSULTORES ASSOCIADOS, presente a partir da fl. 171 deste processo (numeração referente ao processo digital). Sendo assim, não se pode afirmar que o valor alcançado na reavaliação tenha sido examinado e aprovado pela empresa portuguesa como uma condição para a celebração do contrato de jointventure. Além disso, existe um claro descompasso quantitativo na justificativa apresentada. A permuta de ações acordada entre a EMS S.A. e a GERMED envolveu apenas 1% das ações da contribuinte. Se tais ações antes valiam R$ 1.400.000,00 e passaram, com a Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.325 64 reavaliação, a valer R$ 9.266.420,00, verificamos um sobrepreço, sobre a parcela envolvida na permuta, de R$ 7.826.420,00. Já o ágio total registrado inicialmente na EMS INVESTIMENTOS com a incorporação da totalidade das ações reavaliadas da EMS S.A. foi de R$ 781.360.784,97. Não se pode admitir, portanto, que o argumento de que era necessária a reavaliação de 1% das ações da empresa (sobrepreço de R$ 7.826.420,00) justifique a criação de ágio quase cem vezes (!) maior. Por fim, o valor "pago" a maior pela empresa GERMED somente poderia repercutir em sua própria contabilidade, caso esta fosse uma pessoa jurídica que se submetesse à legislação tributária brasileira. O montante que ultrapassasse o valor nominal das ações que recebeu na operação de permuta poderia ser, nesta situação hipotética, contabilizado como ágio e posteriormente aproveitado tributariamente, caso se verificasse a confusão patrimonial exigida pelo art. 386 do RIR/1999. Portanto, quanto ao aproveitamento tributário do ágio de R$ 781.360.784,97, pretendido pela contribuinte EMS S.A., considero que andou bem a Fiscalização ao não permitilo e ao determinar as respectivas glosas. Conforme se verificou, tratase de ágio interno, criado de forma artificial em operações meramente contábeis realizadas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, imprestável, portanto, para fins de utilização tributária. O entendimento aqui exposto é corroborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já se pronunciou de forma contrária à possibilidade de geração de ágio em operações societárias envolvendo apenas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de onde se transcreve o seguinte trecho: "Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.326 65 não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade." (grifouse) Assim, verificase que a CVM não chancela a existência contábil do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, sem dispêndio algum. Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) já se manifestou de maneira semelhante, por meio da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação." Por fim, relevante ainda mencionar que o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tampouco reconhece a legitimidade do ágio gerado intragrupo, como foi expresso nas seguintes Resoluções: Resolução CFC nº 1.110/2007 “O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” Resolução CFC nº 1.303/2010 "48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo." Os atos administrativos mencionados e parcialmente transcritos foram todos exarados de 2007 em diante, posteriormente, portanto, aos períodos em que o grupo econômico a que pertence a contribuinte praticou operações societárias que pretensamente originaram ágio passível de aproveitamento tributário (2004 e 2005). Isto não significa, entretanto, que o entendimento exposto nos atos administrativos daqueles órgãos fosse novo. A este respeito, observese a manifestação da Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.327 66 própria CVM por ocasião do julgamento de recurso constante do Processo Administrativo CVM RJ 2007/3480: "RELATÓRIO No caso concreto, as demonstrações financeiras da Companhia do exercício de 2006 continham uma informação que a SEP e a SNC consideraram errada: o valor de um ativo (a participação acionária na CPM USA) foi contabilizado por um valor apurado em laudo de avaliação, mas esse bem estava, antes, contabilizado em companhia do mesmo grupo por valor mais baixo, e o aumento de seu valor se deu por incorporação entre partes relacionadas. A Companhia não recorreu quanto ao mérito desse entendimento, mas entende que ele somente foi manifestado pela CVM ao mercado através do Oficio Circular de 2007, divulgado em 14.02.2007,(...) SEP e SNC confirmam que essa dicção somente constou a partir do OficioCircular 01/2007, mas sustentam que o entendimento já era este desde sempre, porque ele decorre dos princípios contábeis geralmente são aplicáveis à escrituração contábil das companhias brasileiras por força do art. 177 da Lei 6.404/76 (...) O recurso apresentado pela Companhia sustenta que a introdução desse entendimento pela CVM constituiria mudança de critério contábil de que trata o art. 186, §1º da Lei 6.404/76, e, por isso, a determinação de baixa do ágio poderia ser feita mediante ajuste de exercícios anteriores, na primeira ITR, como já teria sido aceito pela CVM em outros precedentes. Quanto ao primeiro ponto, entendo ter razão a área técnica. Não se pode afirmar que seja novo o entendimento da CVM quanto à impossibilidade contábil de aproveitamento do ágio interno (assim entendido como aquele gerado em operações entre partes relacionadas). Como lembra a SNC, essa impossibilidade está ligada ao Principio do Custo como Base de Valor — segundo os especialistas "o mais antigo e discutido principio de contabilidade" — que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo, ressalvada a hipótese restrita (e mesmo inexistente em alguns países, como nos Estados Unidos) de reavaliação e, ainda, observandose o valor de recuperação, sempre que menor. Como destacam as áreas técnicas, esse principio foi expressamente reconhecido na "Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade" desde a Deliberação 29/86, além de estar à base da Deliberação 183/95. Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.328 67 Portanto, ainda que o OficioCircular 01/2007 tenha vindo a dar maior destaque à questão especifica do ágio interno, o entendimento da CVM sempre existiu, com fundamento do Principio do Custo como Base de Valor, e era público. Assim, não vejo como sustentar, portanto, que se possa falar em "mudança de critério contábil" (grifouse). Diante de todo o exposto, concluise que as próprias Ciências Contábeis têm restrições em relação à existência do ágio gerado internamente, por meio de operações societárias realizadas no interior de um grupo econômico e sem o lastro de efetiva circulação de riquezas. Com base nisso e na inexistência de lei que estabeleça tratamento tributário diferenciado para este instituto, forçoso se faz concluir pela inutilidade do denominado "ágio interno" para os fins tributários pretendidos pela contribuinte. Ainda que não bastassem todos os argumentos já apresentados no sentido da indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado nas operações societárias celebradas no interior do grupo econômico de que fazia parte a contribuinte, a análise do caso realizada sob outro enfoque leva à mesma conclusão. O aproveitamento tributário do ágio discutido nos presentes autos consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.329 68 § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.330 69 completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Acrescentese à análise reproduzida que os pronunciamentos da CVM, CPC e CFC, transcritos alhures, deixam claro que as Ciências Contábeis não reconhecem o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Assim, do ponto de vista contábil, são inexistentes tanto este ágio quanto as despesas decorrentes de sua amortização. Sendo inexistentes as despesas de amortização do "ágio interno", não podem afetar a apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL (que decorrem do lucro líquido calculado nos termos da legislação comercial). Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como as analisadas nos presentes autos, internas, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente às matérias relacionadas à legitimidade do aproveitamento tributário do ágio gerado internamente, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. IV) Mérito Multa isolada por falta de recolhimento de estimativas A Fazenda Nacional contesta também o entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que é incabível o lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais após o encerramento do anocalendário. Conforme já foi descrito, a contribuinte apresentou arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN, argumentando que a Súmula CARF nº 105 não teria sua aplicabilidade restrita ao período de vigência do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Assim, o recurso da PGFN, ao pedir o restabelecimento da multa isolada Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.331 70 aplicada em relação aos anoscalendário de 2007 a 2010, estaria em conflito com entendimento sumulado no âmbito do CARF, o que impediria a admissão da peça recursal por afronta ao art. 67, §3º do Anexo II do RICARF/2015 (art. 67, §2º, do Anexo II do RICARF/2009). O i. Conselheiro Relator concordou com a tese apresentada pela contribuinte recorrida, mas foi vencido quanto ao tema. Por isso, foi conhecido o recurso fazendário e o assunto passa a ter seu mérito analisado. O acórdão recorrido considerou ser impossível a cobrança simultânea da multa de ofício estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, independentemente de esta última ter sua previsão retirada do revogado inciso IV do §1º do art. 44 ou da alínea "b" do inciso II do art. 44, ambos da mesma Lei nº 9.430/1996. A mudança do dispositivo legal que prevê a multa isolada foi operado, como já citado, pela MP nº 351/2007, que veio a ser convertida na Lei nº 11.488/2007. A conclusão do acórdão recorrido foi fundamentada no argumento de que, encerrado o anocalendário, a exigência dos recolhimentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL perde sua eficácia, prevalecendo a exigência apurada com base no balanço encerrado ao final do anocalendário. Passado tal marco temporal, desapareceria o bem jurídico tutelado pela norma sancionadora consubstanciada na cobrança da multa isolada (seja antes ou depois da alteração promovida em 2007), desaparecendo o fundamento para exigência das antecipações que deveriam ter sido recolhidas. Divirjo de tal entendimento pelas razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.332 71 para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.333 72 Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Conforme expus na rejeição da arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN, apresentada pela contribuinte, não considero razoável se considerar que tenha sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 16643.000392/201061 Acórdão n.º 9101003.077 CSRFT1 Fl. 2.334 73 Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Obviamente, tal conclusão tem como decorrência lógica a possibilidade de lançamento das multas isoladas após o encerramento do anocalendário, uma vez que somente a partir deste momento é possível a quantificação e a constituição da multa de ofício, cuja cobrança poderá ser realizada concomitantemente com a multa isolada. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo dos anoscalendário 2007 a 2010, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Desse modo, sumariando os entendimentos expostos, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação às matérias "dedutibilidade, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de despesas com amortização de ágio criado internamente" e "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas"; DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários nos anoscalendário de 2005 a 2010; DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a cobrança de multa cobrada isoladamente em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais nos anoscalendário de 2007 a 2010; DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto à multa qualificada aplicada sobre as glosas das despesas de amortização do ágio, em virtude do restabelecimento da cobrança de tais créditos tributários principais, após ser dada ciência às partes desta decisão. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 2334DF CARF MF
score : 1.0
