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Numero do processo: 10882.002170/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005
RESPONSALIDADE POR INFRAÇÕES. EXCLUSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO.
Nos termos do art. 138 do CTN c/c art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores, afastando a possibilidade de exclusão da responsabilidade por infração tributária e, por conseqüência, impossibilitando a aplicação da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo cabível a multa de ofício do art. 44 do mesmo diploma.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 RESPONSALIDADE POR INFRAÇÕES. EXCLUSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138 do CTN c/c art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores, afastando a possibilidade de exclusão da responsabilidade por infração tributária e, por conseqüência, impossibilitando a aplicação da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo cabível a multa de ofício do art. 44 do mesmo diploma. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 RESPONSALIDADE POR INFRAÇÕES. EXCLUSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138 do CTN c/c art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores, afastando a possibilidade de exclusão da responsabilidade por infração tributária e, por conseqüência, impossibilitando a aplicação da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo cabível a multa de ofício do art. 44 do mesmo diploma. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 70 /2 00 9- 41Fl. 1742DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase, na origem, de auto de infração para exigência do IPI, período julho/2005 a dezembro/2005, em razão da indevida apropriação de crédito pelas aquisições de MP, PI e ME sujeitas à alíquota zero. Em impugnação o contribuinte aduziu que o lançamento se baseara em presunções; que houve desconsideração de determinados pagamentos na apuração do quantum debeatur; que a multa seria exorbitante; que a taxa selic seria inaplicável para fins tributários; e que haveria possibilidade jurídica de se reconhecer ilegalidades em sede administrativa. A DRJ Ribeirão/SP deu parcial provimento ao recurso, em decisão assim ementada: “APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO DO IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. Verificado que, na apuração do saldo devedor do IPI pela Fiscalização, não foram considerados créditos legítimos aptos a reduzir o montante final do crédito tributário, impõese a correção do lançamento para ajuste dos valores devidos. NULIDADE. PROVA DOS FATOS. Estando patente que os fatos geradores dos débitos de IPI considerados pela Fiscalização foram unicamente aqueles registrados pelo sujeito passivo em seus livros contábeis e fiscais, constituemse estes em provas suficientes para o lançamento do crédito tributário, não havendo que se falar em lançamento efetuado com base em ‘infração presumida’. No que diz respeito aos créditos glosados, cabe à impugnante comprovar a existência dos créditos que poderão ser utilizados para abater os débitos de IPI, reduzindo o saldo devedor em cada período de apuração. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado deve ser aplicada utilizando o percentual determinado expressamente em lei. É dever da autoridade fiscal, bem como do julgador administrativo, a aplicação da norma legal sem qualquer juízo dos aspectos de sua validade. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Previstos na lei, os juros de mora decorrentes da aplicação do percentual equivalente à taxa SELIC são devidos no lançamento efetuado.” Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10882.002170/200941 Acórdão n.º 3401005.010 S3C4T1 Fl. 1.743 3 Referida decisão manteve a exigência dos períodos de apuração setembro/2005 (R$ 183.326,77) e dezembro/2005 (R$ 69.876,88), acrescidas de multa de ofício e juros de mora, calculados até aquela data. O recurso voluntário, sem contestar o mérito do lançamento, registrou que houve adesão a parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941/2009, para ambos os valores, e sustentou duplicidade da cobrança referente a setembro/2005, uma vez que, por equívoco, também o incluira no PA 10882.501708/201039, com consolidação no programa de parcelamento em 11/11/2009, de maneira que seria indevida a constituição do crédito pelo auto de infração e, por arrastamento, a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Ao final, pediu o cancelamento integral do lançamento. Em 20/04/2014 o contribuinte renovou o pedido de cancelamento da autuação. Em 10/07/2017 houve encaminhamento dos autos à unidade de origem para confirmação do parcelamento. À efl. 1.719 consta despacho do Presidente do CARF declarando a desistência do recurso e renúncia ao direito em que se fundaria a defesa. Ciente do despacho o contribuinte atravessou petição esclarecendo que não havia formalizado desistência do recurso, mas sim pedido de análise de débito cobrado em duplicidade. À efl. 1.736 consta despacho informando que o débito relativo a dezembro/2005 fora transferido para o PA 18208.134173/201121, não sendo mais parte do PA 10882.002170/200941. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido, com as observações necessárias. Preambularmente, quanto à petição de efls. 1.723/1.724, onde o contribuinte esclarece que não desistiu do recurso, mas apenas requereu a análise do débito cobrado, cumpre acentuar que não se encarta dentre as atribuições deste Conselho Administrativo a revisão de cobrança de débitos, seja qual for o seu motivo determinante, ainda que duplicidade ou mesmo que envolva lançamento objeto de contestação, sendo competência da RFB a adoção das providências necessárias aos acertos cabíveis. Concernente à desistência do recurso e renúncia ao direito sobre a qual se fundaria o direito veiculado em recurso, é inconteste que o recorrente não questionou o mérito dos valores mantidos pela decisão de piso, o que configura incontrovérsia da matéria, todavia, argüiu a incidência da multa de ofício sobre o período de apuração setembro/2005, enquanto Fl. 1744DF CARF MF 4 que, para o mês de dezembro/2005, houve parcelamento integral do débito, inclusive acessórios, não havendo qualquer altercação a respeito. Nesse passo, por pertinente, o parcelamento dos créditos tributários formalizados em lançamento não implica a sua improcedência, como parece defender o recorrente, mas sim a sua manutenção, aí incluídos os respectivos consectários, isso porque, ao optar pelo parcelamento, tácita ou expressamente (se houver declaração nesse sentido) o sujeito passivo reconhece a legitimidade do montante que lhe é exigido, ainda que possa contestar algum acessório (multa ou juros) ou erro de cálculo, ao passo que no direito tributário pátrio inexiste a figura do “pagamento sob protesto” ou do solve et repete. Não é por outra razão lógicojurídica que o art. 78 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15) prevê que o parcelamento ou pagamento acarreta a desistência do recurso e a renúncia ao direito. Portanto, atinente à exigência do principal (IPI) e dos juros de mora remanescentes, quanto a setembro/2005, e a totalidade do crédito tributário relativo a dezembro/2005, tal como mantido pela DRJ, não há mais litígio, concordando o recorrente com a sua procedência. Na seqüência, tocante ao descabimento da multa de ofício, não assiste razão ao contribuinte. A ação fiscal foi iniciada em 07/05/2009, com a ciência do termo de início de fiscalização, por via postal (efl. 11), cujo prosseguimento regular se desenvolveu até 11/09/2009, com a notificação pessoal do auto de infração (efl. 1.223). Consoante art. 138 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações é elidida pela sua denúncia espontânea, acompanhada, se for o caso, do recolhimento do tributo e dos demais valores devidos: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Já o art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72 dispõe o seguinte “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10882.002170/200941 Acórdão n.º 3401005.010 S3C4T1 Fl. 1.744 5 Por sua vez, nos casos de lançamento de ofício, as multas aplicáveis são aquelas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...)” (destacado) No caso vertente, o parcelamento a que alude o recorrente somente ocorreu após a decisão de primeira instância administrativa, uma vez que os valores incluídos no REFIS IV (Lei n 11.941/2009), segundo o contribuinte, coincidem com os valores definidos no voto condutor do aresto correspondente. Assim, uma vez ausente a espontaneidade exigida para exclusão da responsabilidade por infração, a multa aplicável é aquela prevista para o lançamento de ofício e não a multa moratória, como defende o recorrente. Outrossim, o fato do contribuinte, por lapso, haver incluído indevidamente o valor referente a setembro/2005 no PA 10882.501078/201039 eis que já exigido no presente processo , com sua consolidação em 11/11/2009 e acréscimo dos juros de mora, ou mesmo a circunstância da Administração Tributária não haver notado esta inconsistência, jamais poderia configurar a consideração do débito como “declarado e não pago”, de modo a garantir a substituição da multa de ofício pela multa de mora, pelos seguintes motivos: i) o contribuinte não gozava do benefício da espontaneidade, como já explicitado; ii) não há respaldo legal para pretendida substituição da penalidade; iii) o sujeito passivo não pode se valer do próprio erro para angariar vantagens; e, iv) o parcelamento de débitos é faculdade do contribuinte, não cabendo à Administração Tributária aferir a correção ou procedência dos valores declarados, mas tãosomente velar pela satisfação integral do crédito tributário, inclusive mediante a constituição de valores não declarados/pagos/parcelados. Então, se por equívoco do sujeito passivo, houve indicação indevida do processo administrativo em que deveria ser parcelado o débito de IPI de setembro/2005, com cobrança indevida da multa de mora, deve o interessado reportar essa situação à unidade de jurisdição e requerer a promoção dos ajustes necessários à correta liquidação do débito, com a cobrança da multa de ofício, conforme fixado pela decisão a quo. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 1746DF CARF MF 6 Fl. 1747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720898/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL - CONHECIMENTO
Não provada a similitude fática entre o aresto recorrido e o acórdão paradigma, não pode o especial ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL - CONHECIMENTO Não provada a similitude fática entre o aresto recorrido e o acórdão paradigma, não pode o especial ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 98 /2 00 8- 82 Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte (fls. 1042/1050), admitido pelo despacho de fls. 1117/119, que se insurge contra o Acórdão 3301002.760 (fls. 931/942), de 26/01/2016, que negou provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa, quanto à parte admitida, foi vazada com a seguinte dicção: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será efetuada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI deve ser creditado primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI da matriz para, que, em seguida, seja emitida nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte articula em seu recurso como Acórdão paradigma o de nº 3401001.666, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/01/2002 a 20/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI APURADO POR ESTABELECIMENTO MATRIZ E UTILIZADO PELO ESTABELECIMENTO FILIAL AUTUADO MEDIANTE A RECOMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR DE IPI. DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADES E NÃO QUESTIONAMENTO QUANTO AO MONTANTE DO CRÉDITO. CANCELAMENTO. A indicação no DCP constante da DCTF de que houve a apuração pelo estabelecimento matriz do crédito presumido de IPI utilizado pela filial para diminuir o saldo a pagar de IPI e na compensação de débitos, bem como a ausência de qualquer questionamento quanto ao montante do crédito, suprem o descumprimento de formalidades que envolvem o referido benefício, devendo prevalecer a verdade material. Quanto ao processamento do recurso, alega que a divergência reside na interpretação distinta dos colegiados face a situações que considera similares, qual seja, apuração de crédito presumido de IPI na matriz, transferido para a filial sem a observação de todos os formalismos exigidos pelas normas de regência. Acresce que o recorrido se apegou excessivamente ao formalismo e manteve a glosa parcial desses créditos, enquanto que o paradigma teria acatado pleito similar. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 4 3 No mérito, em resumo, alega que houve excesso de formalismo, violando os princípios da verdade material e formalismo moderado, devendo ser mitigada "as regras insertas no artigo 15 da Lei nº 9.799/99 e artigos 18 e 19 da IN/SRF nº 313/2003", vez que "em momento algum o montante do crédito pleiteado foi objeto de discussão pela d. Fiscalização". A Fazenda Nacional contraarrazoou (fls. 1121/1123) o recurso do contribuinte, aduzindo que as regras estipuladas na legislação tributária possibilitam o controle da apuração do crédito presumido do IPI, não se prestando os princípios do formalismo moderado e da verdade material para legitimar "o grave descumprimento e desatendimento dos requisitos exigidos pela legislação de regência". Ademais, assevera que a glosa em questão não está suprimindo nenhum direito do contribuinte, pois o aproveitamento do crédito presumido não é uma obrigatoriedade, mas faculdade. Pede, alfim, a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE O Acórdão recorrido nestes autos, de nº 3301002.760, foi julgado em 26/01/2016. O aresto julgado imediatamente antes no mesmo dia pela mesma Turma, o de nº 3301002.759, referese à mesma empresa (no processo 10830.720261/200713), HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA, e idêntico assunto, porém referente a período gerador subsequente, e teve sua decisão exarada de forma idêntica ao recorrido. Naqueles autos, manejado o Especial, que em nada dissente do ventilado neste processo, o mesmo não foi admitido. Em ambos, só foi apresentado um mesmo aresto paradigmático, o de nº 340101.666. O despacho de admissibilidade no processo 10830.720261/200713 (fls. 1301/1305), de 08/06/2016, entendeu que a divergência jurisprudencial não foi comprovada, sob seguinte fundamento: Acórdão recorrido Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de tributos federais, cujo crédito utilizado é de ressarcimento de IPI atinente ao 3º trimestre/2003(...)Em síntese, o motivo exposto para a glosa foi a escrituração indevida, no 3º decêndio de agosto/2003, no campo “Outros Créditos” do livro Registro de Apuração de IPI, a título de Crédito Presumido de IPI – Lei nº 9.363/96, o valor de R$ 6.114.192,12. Conforme documentação apresentada, verificase que o crédito presumido de IPI, referente ao período de janeiro/2000 a abril/2003, abrange a movimentação da matriz e da filial. No entanto, o contribuinte se creditou do valor em análise diretamente no Livro Registro de Apuração do IPI da Filial 0002, quando o correto seria ter se creditado no Livro Registro de Apuração do IPI da Matriz e, em seguida, emitir uma nota fiscal de transferência para a Filial, com as devidas anotações no Livro Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 5 4 Registro de apuração do IPI da Matriz e da Filial 0002, conforme legislação em regência. ... Além do que está previsto nas normas, constatase que o procedimento usado por contribuintes em situações semelhantes e todas as orientações emanadas por consultorias contábeis, ao interpretarem as normas sobre o tema, indicam que quando o crédito presumido de IPI decorra de operações realizadas tanto pelo estabelecimento matriz quanto pelo estabelecimento filial, a contribuinte deve creditar tal valor primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI do estabelecimento matriz para, em seguida, emitir nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. ... A recorrente contestou a glosa do crédito alegando que argumentos exclusivos de não observância de aspectos formais, referentes a utilização do crédito presumido, contraria os princípios do formalismo moderado e da verdade material da tributação. Também não concordo que, in casu, haja excesso de formalismo. Entendo que as regras estipuladas possibilitam o adequado controle da apuração do crédito presumido de IPI. Acórdão paradigma Trata o presente processo de auto de infração de IPI,(...). De acordo com o autor do procedimento, a infração caracterizouse em face de o estabelecimento, uma filial, ter apurado o Crédito Presumido de IPI na própria filial e aproveitado esse crédito por meio da compensação de débitos do IPI e de outros tributos, quando, ao ver da autoridade fiscal, os dispositivos legais que regulam a concessão daquele benefício determinavam que, primeiro, a apuração deveria ter se dado no estabelecimento matriz e, segundo, que esta deveria, mediante a emissão de uma nota fiscal com essa exclusiva finalidade, ter transferido o crédito para a filial para fins da compensação pretendida. Assim, reconstituiu a escrita fiscal da autuada desconsiderando os valores do Crédito Presumido de IPI apurado naquelas circunstâncias e procedeu ao lançamento das diferenças de IPI que entendeu não recolhidas ao Erário; ... Ou seja, estamos diante de um lançamento de oficio motivado exclusivamente pelo descumprimento de formalidades, as quais, a meu ver, restaram de forma indireta supridas pelas informações constantes do DCP nas DCTF, contra as quais, aliás, não se insurgiu nem a autoridade fiscal e nem a DRJ. E, na sequência, concluiu o despacho de admissibilidade naqueles autos nos seguintes termos: Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 6 5 Em que pese a aparente divergência constante nos arestos confrontados, análise mais acurada impõe não reconhecer o alegado dissenso jurisprudencial em razão da dessemelhança fática das situações apreciadas. Primeiro, porque o acórdão recorrido cuida de apreciação de declaração de compensação, onde o ônus probatório do direito requerido é integralmente do recorrente. O paradigma, por sua vez, trata de auto de infração de IPI, lançamento de ofício, portanto, onde o ônus da prova é da autoridade fiscal. E neste mister a atuação do Fisco não foi suficientemente satisfatória, consoante afirmação de que "...os mapas de reconstituição do saldo de IPI elaborados pelo Fisco ... também não permitem a compreensão exata acerca de quais valores a título de crédito presumido efetivamente foram desconsiderados." Segundo, porque no paradigma restou assentado que o crédito pleiteado efetivamente foi apurado pelo estabelecimento matriz. Neste sentido, assenta o conselheiro relator que "... se depreende dos documentos constantes dos autos e do que relatei acima é que o crédito presumido de IPI foi apurado pelo estabelecimento matriz (com isso também a DRJ parece admitir)...". No recorrido, contudo, há apenas manifestação genérica que a documentação "abrange a movimentação da matriz e filial". Não há qualquer debate específico quanto este ponto. O recorrente, apenas agora, em sede de recurso especial, assevera que houve a devida apuração do crédito em DCP e DCTF da matriz, referindose a informação fiscal da unidade de origem. Não há, contudo, apreciação específica deste fato no recorrido, não podendo servir como ponto de eventual divergência face a ausência de seu prequestionamento. Entendesse o sujeito passivo ser tal fato relevante, deveria haver se manifestado em sede de embargos de declaração, instrumento próprio para suprir eventual omissão no julgado. Já o despacho de admissibilidade nestes autos, datado de 11/07/2016, fez, com a devida vênia, uma análise bem mais perfunctória quando do cotejo dos arestos, concluindo: O acórdão recorrido nega o aproveitamento de crédito presumido pelo estabelecimento filial, fundamentando no fato de que o contribuinte não procedeu às formalidades de apuração centralizada pela matriz em livro de apuração de IPI, e transferência do crédito à filial por meio de nota fiscal. Por sua vez, o acórdão paradigma, em circunstâncias semelhantes, admite o aproveitamento do crédito presumido pelo estabelecimento filial, ainda que faltando os mesmos requisitos exigidos pelo acórdão recorrido, por princípio de razoabilidade. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Entendo que a admissibilidade feita neste processo não foi a mais adequada, pois não adentrou em específico na similitude fática entre o aresto recorrido e o paradigma. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 7 6 Assim, com fundamento no despacho de admissibilidade feito nos autos do processo 10830.720261/200713, que acima transcrevi, que ora adoto como razões de decidir, não conheço do recurso especial, pois não comprovada a divergência jurisprudencial. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 1131DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000271/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES DE MERCADORIAS/PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes na transferência de mercadorias/produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade e relevância à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-006.632
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FRETES DE MERCADORIAS/PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes na transferência de mercadorias/produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade e relevância à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 71 /2 00 9- 19 Fl. 2364DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de Cofins oriundos da incidência não cumulativa na exportação no montante de R$ 5.884.193,05, referente ao primeiro trimestre do ano de 2006. O despacho decisório de efls. 243 e 244, em 03/02/2011, com base no Parecer SARAT/DRF/ITJ nº 016/2011, às efls. 206 a 242, não reconheceu a existência do crédito e denegou as compensações a ele associadas, em razão de o crédito a que a contribuinte Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.365 3 teria direito ter sido integralmente utilizado para quitar, por meio de desconto, as contribuições devidas no período. Foram efetuadas glosas de valores declarados em DACON, as quais a seguir apresento de forma resumida. · Com relação aos bens adquiridos no mercado interno para revenda, foram excluídos os valores de aquisição de produtos com alíquota zero; · Quanto a aquisições realizadas como insumos junto a pessoas jurídicas, inicialmente foram excluídos CFOP incompatíveis com a Linha 02 da Ficha 16A na DACON e, na sequência, glosadas as aquisições de: itens que não correspondem a insumos, insumos com alíquota zero; serviços de fretes para transferência de produtos acabados dos estabelecimentos produtores para os distribuidores; materiais de embalagens para transporte do produto acabado (palets). · Dedução dos valores de devoluções de insumos para industrialização fornecidos por pessoas jurídicas apenas quando não sujeitas à alíquota zero. Além disso, foram excluídos da base de cálculo dos créditos da Cofins os valores de IPI passíveis de recuperação. · Houve exclusão de percentual utilizado para apuração dos créditos de aquisições de insumos agrícolas de pessoas jurídicas calculados com alíquota de 4,56%, em face da suspensão da exigibilidade da Cofins até 04/04/2006. Já em relação à aquisição dos mesmos tipos de insumos fornecidos por pessoas jurídicas, houve recálculo dos créditos correspondentes, com base em alíquotas reduzidas. · Foram glosados ainda créditos correspondentes a bens importados sob regime de draw back ou para incorporação ao ativo permanente. Em face das alterações acima, foi realizado novo rateio de custos proporcional à receita bruta de exportação e receita bruta total para apuração final dos créditos de cada mês do primeiro trimestre de 2006. A conclusão foi de que o total de créditos era inferior às contribuições devidas em face das receitas. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 310 a 346, em 10/03/2011, para que fossem reformado o despacho decisório e reconhecido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do presente Fl. 2366DF CARF MF 4 processo, para que se homologue as compensações a ele vinculadas. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0723.583, prolatado em 28/02/2012, às efls. 1900 a 1934, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ em 25/05/2012 (efl. 1936), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 26/06/2012, às efls. 1943 a 1983. Em apertado resumo, esgrimiu os seguintes argumentos: 1. Preliminarmente, quanto ao cerceamento ao direito de defesa e distribuição do ônus da prova, alega que: a) não foi intimada a apresentar as inúmeras notas fiscais que permitiria a correta análise da situação fática; b) a legislação restringe o crédito da não cumulatividade e pede o afastamento do conceito de insumo do IPI. 2. Defende a possibilidade de crédito, sendo que a legislação não pode limitar esse direito. 3. Alega que a fiscalização se equivocou quanto ao batimento de suas planilhas e das respectivas notas fiscais. 4. Alega que as glosas foram exageradas, pois: a) foram glosados valores de linhas da DACON que não correspondiam aos informados em memória de cálculo; mas b) foram reputados como corretos valores que, na DACON, estavam inferiores aos da memória de cálculo. 5. Alega que não pode apresentar a comprovação das operações cuja natureza não foi originalmente comprovada. 6. Alega haver direito constitucional a créditos relativos a vendas efetuadas com o fim específico de exportação. 7. Quanto ao crédito sobre aquisição para entrega futura, alega que: a) o crédito foi apropriado pelo registro da NF mãe, mas que as filhas também foram registradas no mesmo período; e b) o ônus da prova em sentido contrário não seria do contribuinte. 8. Quanto ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos, entende serem valores necessários à produção. 9. Quanto a insumos com alíquota zero, alega equivocada interpretação da lei, para defender a possibilidade do creditamento. 10. Quanto a materiais de embalagem, alega que não retornam à origem e, portanto, se incorporam ao produto. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.366 5 11. Quanto ao IPI na aquisição de insumos, alega que nem todas as NF tiveram aprorpiação de IPI. 12. Quanto à devolução de insumos, afirma que já estão deduzidos no item 02 da DACON. 13. Quanto ao crédito presumido de atividades agroindustriais insurgese quanto aos percentuais considerados, defende que os percentuais são relativos ao produto e não ao insumo. 14. Alega não ter se apropriado de crédito sobre aquisição no mercado externo. 15. Entende que deva ser cancelada a multa, por conta de sucessão empresarial. Em face do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciando os autos, na Resolução nº 3402000.478 (às efls. 2001 a 2008), de 25/10/2012, resolveu por converter o processo em diligência, em razão de entender que em processo administrativo que trate de créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deva ser analisado cada item relacionado como insumos e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Em atendimento à Resolução nº 3402000.478, a DRF em Florianópolis intimou a contribuinte (efl. 2011 e 2012) a apresentar documentos e prestar esclarecimentos, em 20/11/2014. Em face das informações e documentos apresentados pela contribuinte, foi elaborada informação fiscal, às efls. 2239 a 2244, em 19/12/2014, com os esclarecimentos relevantes ao atendimento da diligência e deles foi dada ciência à contribuinte em 22/12/2014. O recurso voluntário e a informação resultante da diligência foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 20/07/2016, resultando no acórdão nº 3402003.152, às efls. 2263 a 2313, que tem as seguintes ementas: CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO O procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não restou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o Fl. 2368DF CARF MF 6 ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.367 7 incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. GARANTIA DO CRÉDITO NA VENDA PARA ENTREGA FUTURA A compra de insumos na sistemática de "entrega futura" não desnatura a validade do crédito tomado pela Recorrente. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, DAR PARCIAL provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, reverter as glosas do crédito presumido da agroindústria; (b) por maioria de votos, para reverter as glosas sobre os seguintes itens (i) créditos tomados sobre fretes entre estabelecimentos (item 8.7 do voto). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Freire. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) créditos tomados sobre aquisições para entrega futura CFOP 1922 (item 8.6 do voto). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. Do acórdão decorreu a reversão de três glosas de créditos, sobre: (a) da agroindústria; (b) fretes entre estabelecimentos e (c) aquisições para entrega futura. Dos votos, em resumo, se extraem as seguintes razões para essas reversões: (a) o crédito presumido de atividade agroindustrial tem percentual atrelado ao produto (não ao insumo); (b) dadas as características dos produtos, o processo produtivo, para atender exigências sanitárias tem tratamento diferenciado que não termina no frigorífico, mas quando da entrega ao destinatário, assim, o frete de produto acabado, nesse caso, é necessário para que o produto chegue íntegro ao comprador; e (c) a compra de insumos para "entrega futura" não desnatura a validade do crédito, pois quando das aquisições de soja e milho a granel, para entrega futura, a contribuinte tomou crédito sobre a nota fiscal "mãe" e não aproveitou crédito sobre as notas fiscais "filhas", mas, pelo regime de competência, a aquisição já teria ocorrido, mesmo com os insumos ainda na posse do fornecedor. Fl. 2370DF CARF MF 8 Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3402003.152 em 01/08/2016 (efl.. 2314), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 12/09/2016, às efls. 2315 a 2345. O Procurador vê divergência quanto a duas matérias: (a) conceito de insumos para o aproveitamento dos créditos da Cofins não cumulativa e (b) acatar o frete de produto acabado entre estabelecimentos como insumo. No tocante a primeira matéria, afirma que o acórdão paradigma nº 203 12.448 exige, para caracterização de um bem como insumo, que ele sofra, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas (conceito próprio da legislação do IPI), enquanto o recorrido estende o conceito de insumo às despesas necessárias à percepção da receita. Finaliza sua argumentação quanto a esta matéria, pedindo que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Com relação a segunda matéria, especificamente afirma que o acórdão a quo compara frete de produtos simplesmente refrigerados ao frete de produtos de alta periculosidade, para concluir pela sua essencialidade ao processo produtivo, enquanto os acórdão nº 3302002.025 e nº 3402002.361, que tratam de industria alimentícia, concluem que tal frete de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não caracterizam insumos. Finaliza sua argumentação quanto a esta matéria, pedindo que seja restabelecida a glosa sobre o frete. Ao final, o Procurador requereu que fosse admitido e provido o recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, nos seguintes termos: ... para que seja restabelecida a decisão da DRJ quanto ao conceito de insumo e, em especial, no tocante ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos. (Grifos na transcrição) O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 24/01/2017, no despacho de e fls. 2347 a 2351, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 2354) do acórdão nº 3402003.152 e do despacho de admissibilidade de efls. 2347 a 2351, em 15/03/2017 (efl. 2355) e não Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.368 9 apresentou recurso especial de divergência quanto à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, ou mesmo contrarrazões, dentro dos prazos regimentais. Há nos autos requerimento da contribuinte para juntada de laudo técnico sobre seu processo produtivo, em 25/07/2017 (efl. 2358). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. De início, há que se limitar o litígio decorrente do recurso especial de divergência da Fazenda. Em que pese, com relação à primeira matéria objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ter sido requerido, de forma genérica, o restabelecimento da decisão de primeira instância, é importante frisar que esse pedido se restringe ao restabelecimento da decisão da DRJ quanto ao conceito de insumo. Somente é realizado pedido específico no tocante ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Assim, entendo que não houve divergência alegada, muito menos comprovada, quanto às seguintes matérias: (I) a determinação do percentual aplicável ao crédito presumido de atividade agroindustrial (se dependente do produto ou do insumo); e (II) a desnaturação ou não da validade do crédito, no caso de compra de insumos para "entrega futura". Reparase que, além de inexistir pedido específico quanto às duas matérias acima, o argumento da Fazenda Nacional é o de que o critério para reconhecimento do crédito seria o de consumo do insumo, por contato, no processo de produção. Ora, isso é irrelevante para sequer iniciar a discussão das matérias (I) e (II) acima, vejamos: a decisão recorrida não discutiu a questão da classificação das aquisições de atividade agroindustrial, como insumo ou não, mas tãosomente a questão da determinação do percentual a ela aplicável; e de forma semelhante, a decisão recorrida não enfrentou a questão da classificação dos bens adquiridos para entrega futura como insumo ou não, mas tãosomente discutiu a validade dessa aquisição para fins de creditamento. Fl. 2372DF CARF MF 10 Para que essas duas matérias pudessem ser devolvidas à competência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para discussão, seria necessário que a Fazenda Nacional se insurgisse especificamente quanto a elas e trouxesse paradigmas que as enfrentasse, o que contudo não ocorreu no caso. Discutese, portanto, aqui, no Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas o restabelecimento da glosa sobre o valor do frete dos produtos acabados, entre estabelecimentos do contribuinte, por determinação dos órgãos de vigilância sanitária, para manutenção das características do produto e garantia de sua chegada ao usuário final com essas características, sob dois aspectos: um aspecto geral, a partir da aplicação subsidiária da legislação do IPI ao caso; e um aspecto específico, baseado na prescindibilidade do frete para a elaboração do produto final. Feita a delimitação do litígio, passo à análise do mérito. Quanto ao mérito, penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo, não necessariamente vinculado ao conceito de insumo da legislação do IPI, mas não tão amplo quanto o que se utiliza no conceito de custo para fins de IRPJ. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Na questão de direito, a recorrente alega que os fretes entre estabelecimentos da recorrente compõe o processo de industrialização e econômico da atividade que exerce, inclusive em decorrência de legislações de órgãos públicos. Com isso, a controvérsia cingese ao conceito de insumo, isto é, se a despesa de frete de produto acabado entre as unidades da empresa estaria abrangido no conceito de insumo previsto no inciso II, do artigo 3º da Lei n° 10.833 de 29/12/2003. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes , Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.369 11 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485. de 3 de julho de 2002. devido pelo fabricante ou imjwrtador. ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei n° 10.865. de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (Negritei.) Da análise do comando legal acima, constatamos que apenas as despesas com fretes nas operações de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito. Com relação a esta empresa, como se trata de estabelecimento industrial, são considerados insumos apenas as aquisições de bens e serviços utilizados no processo de produção ou fabricação de bens ou produtos de venda da recorrente. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor de frete de produto acabado, pronto para a venda. Uma vez pronto o produto, sua armazenagem e eventual frete entre estabelecimentos, ainda que necessários para a manutenção das características do produto, não configuram custo necessário a sua produção. Salientese que a produção está completa e acabada no momento em que o produto sai do frigorífico, pois, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto já na saída do frigorífico, com frete por sua própria conta. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Reforça esse entendimento, a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que abaixo: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com Fl. 2374DF CARF MF 12 incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. (Negritei.) Portanto, inclusive por falta de previsão legal, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com frete relativos ao transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor, operação que não se enquadra no conceito de operação de vendas. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e restabelecer a glosa do crédito sobre o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada A priori, peço vênia ao ilustre relator conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que tanto nos prestigia com suas ponderações, para manifestar o entendimento da maioria desse colegiado acerca da lide posta e admitida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja – cabimento ou não do direito de se constituir crédito de Cofins não cumulativo sobre as despesas de frete por transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa – estabelecimento industrial e estabelecimento distribuidor. Recordo que a maioria desse Colegiado manifestou entendimento pela possibilidade de constituição de crédito de Cofins sobre tais despesas. O que, para melhor elucidar tal entendimento, importante, primeiramente, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.370 13 trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 2376DF CARF MF 14 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.371 15 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 2378DF CARF MF 16 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vêse que a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.372 17 Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Fl. 2380DF CARF MF 18 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.373 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 2382DF CARF MF 20 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.374 21 · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, Fl. 2384DF CARF MF 22 respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.375 23 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Fl. 2386DF CARF MF 24 Ressurgindo aos autos do processo, considerando a atividade/objeto social do sujeito passivo, entendo que que não assiste razão à Fazenda Nacional. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização e distribuição de alimentos, são essenciais por razões logísticas. Tem basicamente o intuito de facilitar a distribuição e destinação das r. mercadorias com observância de toda a regulamentação que trata de higiene e recomendações sanitárias ao produto. Sendo assim, considerando a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer ainda que, tendo em vista que as mercadorias efetivamente são destinadas à venda, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera e traz o termo frete na “operação” de venda. O que cabe concluir que a venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos – cadeia de eventos para a venda. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, a maioria desse colegiado votou por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2387DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.735470/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. INCORPORAÇÃO. LIMITE DE 30%.
A legislação que permite a compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL até o limite de 30% não prevê tratamento diferenciado às empresas que se sujeitaram a processo de reorganização societária. Lançamento fiscal que se mantém.
OMISSÃO DE RECEITAS DE GANHO DECORRENTES DE PARCELAMENTO DA MP 470/2009. TRIBUTAÇÃO.
Se a adesão ao parcelamento da MP 470/2009 permitiu à empresa reduzir as multas e os juros incidentes sobre a dívida com a União, correta é a tributação do ganho. Se a empresa justifica a não tributação do ganho por não ter deduzido os juros de mora no momento de sua constituição, ela é quem fazer prova da não dedução. Lançamento fiscal que se mantém.
EXCLUSÃO DE GANHO DECORRENTE DE PARCELAMENTO DA MP 470/2009. GLOSA.
O ganho decorrente de redução de juros e multa por adesão a parcelamento corresponde a uma receita tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Assim, caso não haja previsão legal de exclusão fiscal em relação àquele determinado parcelamento, não há que se requerer aplicação de regra de outro parcelamento, pois tal não foi a intenção do legislador. Lançamento fiscal que se mantém.
Numero da decisão: 1401-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação às infrações de glosa de exclusões e de omissão de receitas. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa de compensação de prejuízos. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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INCORPORAÇÃO. LIMITE DE 30%. A legislação que permite a compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL até o limite de 30% não prevê tratamento diferenciado às empresas que se sujeitaram a processo de reorganização societária. Lançamento fiscal que se mantém. OMISSÃO DE RECEITAS DE GANHO DECORRENTES DE PARCELAMENTO DA MP 470/2009. TRIBUTAÇÃO. Se a adesão ao parcelamento da MP 470/2009 permitiu à empresa reduzir as multas e os juros incidentes sobre a dívida com a União, correta é a tributação do ganho. Se a empresa justifica a não tributação do ganho por não ter deduzido os juros de mora no momento de sua constituição, ela é quem fazer prova da não dedução. Lançamento fiscal que se mantém. EXCLUSÃO DE GANHO DECORRENTE DE PARCELAMENTO DA MP 470/2009. GLOSA. O ganho decorrente de redução de juros e multa por adesão a parcelamento corresponde a uma receita tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Assim, caso não haja previsão legal de exclusão fiscal em relação àquele determinado parcelamento, não há que se requerer aplicação de regra de outro parcelamento, pois tal não foi a intenção do legislador. Lançamento fiscal que se mantém. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação às infrações de glosa de exclusões e de omissão de receitas. Vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 54 70 /2 01 3- 19 Fl. 232DF CARF MF 2 Conselheiros Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa de compensação de prejuízos. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário 2009 em virtude de a contribuinte ter efetuado compensação de prejuízo apurado pela pessoa jurídica incorporada (em agosto daquele anocalendário) sem observar o limite de 30%, estabelecido pelo art. 42, da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995 c/c art. 15, da Lei n° 9.065, de 20 julho de 1995. A autoridade fiscal a quo informa que ALCOOLQUÍMICA NACIONAL incorporou, em 31/08/2009, JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA, CNPJ N° 11.427.572/000178, a qual apresentara Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica Final – DIPJ Final – por incorporação, referente ao período de 1º de janeiro a 31 de agosto de 2009, adotando como forma de tributação o Lucro Real Anual. Ademais, houve redução do prejuízo fiscal da incorporadora, ALCOOLQUÍMICA NACIONAL, em virtude da ocorrência das seguintes infrações, no mesmo anocalendário: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 233 3 i) omissão de receitas de venda e serviços não contabilizadas, nos termos do art. 3º da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, regulado pelos arts. 247, 249, inciso II, 251 e 288 do RIR de 1999 – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, e c/c art. 3º, §1º, da MP 470, de 13 de outubro de 2009; ii) exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, nos termos do art. 3º da Lei n° 9.249, de 1995, regulado pelos arts. 247 e 250 do RIR, de 1999 e c/c art. 3º, da MP 470, de 2009. O relatório da decisão recorrida assim resume o lançamento efetuado e os argumentos da impugnação: Glosa de compensação e exclusões sem observância do limite legal de 30% 5. Segundo a Fiscalização, cf. fls. 4044, no momento da incorporação de JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA por ALCOOLQUÍMICA NACIONAL, esta: (..) compensou totalmente (cem por cento) o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões no montante de R$ 5.093.384,11. Compensação idêntica pode ser encontrada na Demonstração do Lucro Real no LALUR Nº de ordem 9 da empresa incorporada. 6. Salienta, em seguida, que o art. 42 da lei n° 8.981, de 1995 c/c o art. 15 da lei n° 9.065, de 1995, estipulam que o lucro líquido ajustado por adições e exclusões permitidas pela legislação do imposto de renda só pode ser compensado com prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores até o limite máximo de 30%. 7. No caso concreto – aduz a Autoridade Fiscal –, dado que o lucro líquido antes do IRPJ, somava R$. 5.093.384,11, o limite permitido para a compensação seria de tãosomente R$. 1.528.015,23 (30% daquele total), desse modo houve uma compensação em excesso de R$ 3.565.368,88. 8. Por esse motivo, nos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional – CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – foi constituído crédito tributário de IRPJ calculado sobre o valor equivalente ao remanescente do lucro líquido ajustado e, pelas mesmas razões, agora com base no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995 c/c art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995, foi constituído crédito tributário de CSLL. Glosa de exclusões indevidas 9. Aduz a Autoridade Fiscal que a composição do montante de R$ 29.655.229,23, informado na Linha 69 – Outras Exclusões da Ficha 09A, da DIPJ 2010 A/C 2009 (repetido no LALUR) é o que consta da tabela à fl. 25, reproduzida abaixo: 53201007 Recup. Por Red. De Multas e Juros – Parcelamentos 10. Não há previsão na MP nº 470, de 13 de outubro de 2009, porém, para que se exclua, na apuração do lucro real, o montante decorrente do benefício fiscal da redução do valor de multas e juros de mora de débitos tributários, logo, face à opção da fiscalizada pelo parcelamento facultado pelo art. 3º, §1º, da referida Fl. 234DF CARF MF 4 Medida Provisória, não lhe seria permitido, segundo a Autoridade Fiscal a quo, excluir do lucro líquido apurado as receitas correspondentes às reduções de multa e juros de mora contabilizadas em 30/11/2009, que totalizavam R$ 19.299.576,09 (R$ 14.965.666,49 + R$ 4.333.909,60). 11. Por esse motivo, a Fiscalização glosou o valor de R$. 19.299.576,09 da Soma das Exclusões computadas originalmente na apuração do lucro real relativo ao anocalendário de 2009. 12. No caso concreto, dado que o sujeito passivo havia apurado, prejuízo fiscal de R$ 56.255.443,21, naquele período, esse prejuízo foi reduzido para R$ 36.955.867,12 (R$ 56.255.443,21 R$ 19.299.576,09). 13. Os mesmos argumentos legais antes referidos foram aplicados igualmente à base de cálculo negativo da CSLL. Omissão de Receitas 14. Acrescenta a Autoridade Fiscal que, em decorrência de a autuada, como visto, haver aderido às opções de parcelamento previstas no art. 3°, §1º, da MP nº 470, de 2009, e assim haver gozado dos benefícios de redução de multa e de juros de mora, há um Processo Administrativo nº 13401.000462/200901, no qual são controladas as benesses concedidas, no qual consta um extrato comparando os juros de mora da dívida, com e sem o gozo dos benefícios da redução, cf. tabela abaixo, retirada da fl. 25 dos autos. 15. A diferença entre os dois montantes (R$ 17.789.430,47), continua a Autoridade Fiscal, não foi inteiramente contabilizada pela interessada. Com efeito, apenas R$ 14.965.666,49 foram escriturados em 30/11/2009, por isso a diferença (R$ 2.823.763,98) foi compreendida como omissão de receita, e, por esse motivo, o prejuízo fiscal foi reduzido de R$ 36.955.867,12 (cf. visto acima) para R$ 34.132.103,14. 16. Procedimento semelhante foi adotado em relação à CSLL. IOF 17. A autoridade fiscal comunica ainda que verificou nos Sistema Informatizados da RFB a ausência de declaração do IOF nas DCTF do anocalendário de 2009, também na há registro de recolhimentos do tributo. Foi lavrado, então, auto de infração que é tratado no Processo Administrativo Fiscal nº 10480.735471/201352. Ciência do auto de infração 18. Cientificada pessoalmente em 27/12/2013, vide TEAF à fl. 28 e procuração à fl. 36, a contribuinte apresentou, em 28/01/2014, impugnação, coligida às fls. 85 95, subscrita pelo diretor Carlos Beltrão, cf. consta dos documentos societários às fls. 98100. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 234 5 Impugnação 19. Em breve resumo alega que é sociedade empresária dedicada ao setor agroindustrial canavieiro há quatro gerações e que, não por mérito, mas por dever, desempenha suas atividades com lisura e retidão. 20. Foi autuada pela suposta prática de três infrações: i) aproveitamento de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL da sociedade incorporada JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA em porcentual superior ao limite de 30% estatuído pela legislação tributária; ii) exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das parcelas de multa e de juros remidos no âmbito do parcelamento denominado REFIS da crise; e iii) omissão de receitas pela não contabilização integral da quantia decorrente da reversão dos juros e das multas obtidos em função do benefício fiscal concedido pela MP nº 470 de 2009. 21. Argumenta a impugnante que não há limite para a compensação de prejuízos fiscais na hipótese de incorporação de sociedade empresária. Em primeiro lugar, porque não há dúvida de que, no curso de uma incorporação societária, a entidade incorporadora absorve “direitos (patrimônio) e obrigações” da incorporada que deixa de existir no mundo jurídico. 22. Em segundo lugar, porque o prejuízo fiscal representa a perda patrimonial sofrida por uma entidade que somente pode vir a ser recuperada quando a pessoa jurídica voltar a auferir ganhos, o que não ocorrerá no caso da uma incorporação. 23. Com base nessas premissas, conclui: o Imposto de Renda somente deveria ser exigido depois que os prejuízos fossem compensados, do contrário haverá incidência sobre o patrimônio e não sobre a renda. O limite de 30% para compensações, na verdade, impede que perdas patrimoniais já ocorridas sejam repostas, em especial, em casos de incorporação, nos quais uma das entidades será extinta. 24. Afirma que não pretende questionar a constitucionalidade da lei, mas entende que a tal limitação não alcança a hipótese de incorporação, porque, como o prejuízo fiscal da sucedida não pode ser aproveitado pela incorporadora. O limite legal de 30% visaria então: (...) difundir e não proibir o aproveitamento do prejuízo no tempo futuro, [logo] aplicase tão somente às empresas em funcionamento, porquanto, não se concebendo que a limitação possa resultar no desaparecimento do crédito apurado pela empresa incorporada, ainda que se reconheça que a compensação seja benefício fiscal como decidido pelo egrégio Supremo Tribunal Federal. Todo e qualquer princípio de direito, mesmo o da legalidade, esbarra em silogismo (lógica) e não pode ter aplicação sofismática. Não se dilui nada no tempo futuro, quando não se tem tempo! Portanto a lei não se presta a último exercício de empresa extinta por incorporação. 25. Acosta à peça impugnatória cópia do voto condutor do julgado CSRF/0104.258 da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos: Fiscais, PAF nº 13502.000497/0011 26. A impugnante advoga que o objetivo da Lei foi o de distender no tempo o aproveitamento de prejuízos fiscais para as entidades em funcionamento, garantindolhes a recuperação do prejuízo apurado no período desfavorável, sem, contudo, eliminá lo, pois, do contrário, restaria maculada a disposição do art. 44 do CTN, pela tributação de um "não acréscimo patrimonial". Fl. 236DF CARF MF 6 27. Acrescenta que a sociedade incorporada atuava também na agroindústria canavieira, aplicandose a ela o disposto no art. 2º, VIII, e art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 257, de 11 de dezembro de 2002, c/c art. 27 da IN SRF nº 51, de 31 de outubro de 1995 e Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Remição de multa e juros 28. Alega que a Medida Provisória n° 470, de 13 de outubro de 2009, publicada no DOU de 14/10/2009, deixou de vigorar em momento posterior ao aproveitamento de seus efeitos legais, entretanto a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, continuou vigente fazendo perdurar o benefício do parcelamento do IPI. 29. Nos termos do art. 106 do CTN, por ser mais benéfica para a contribuinte, deveria, então, ser aplicada aos parcelamentos decorrentes de débitos advindos da utilização de crédito de IPI cf. previsão legal do art. 2º da Lei nº 11.941, de 2009, segundo a qual não há tributação sobre a receita decorrente do perdão da dívida. Inexistência de omissão de receita 30. A impugnante contesta a imputação de omissão de receitas de R$2.823.763,98, decorrentes da reversão dos juros e multas em função do benefício fiscal concedido pela MP 470, de 2009, como segue: (...) Tal acusação não procede, pois o valor acima identificado não foi objeto de contabilização em período algum, como despesa de juros e multas, e por isso a defendente jamais teve vantagem fiscal, ou seja, não deduziu tal quantia para a apuração da base de cálculo de IR e CSLL, assim sendo, não tem por que se alegar sua reversão como receita tributável. Não há qualquer ajuste a ser feito nos prejuízos fiscais da defendente porque nenhum efeito tributário ocorrerá. Em 16 de maio de 2016 a DRJ em Curitiba julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação dos valores compensados a título de prejuízos fiscais, apurados em anoscalendário encerrados, até o limite de 30% do valor do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões respectivas, somente se aplica a entidades que exerçam atividade rural, nas formas estabelecidas pelos art. 27, § 3º, da IN SRF nº 51, de 31 de outubro de 1995 c/c arts. 2º e 3º da IN SRF nº 257, de 11 de dezembro de 1995, o que não é o caso da interessada no caso concreto. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS DE RECEITAS ADVINDAS DE BENEFÍCIOS FISCAIS. Os benefícios auferidos pela contribuinte em razão da aplicação das disposições o art. 3º, §1º, da MP nº 470, de 2009, configuram receitas que não contam, contudo, com previsão legal para a sua exclusão conforme foi efetuado pela interessada, logo a glosa está correta. OMISSÃO DE RECEITA Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 235 7 A contribuinte não comprovou a não utilização de parte dos encargos que relativos aos juros de mora com e sem a redução do benefício concedido pela MP nº 470, de 2009, correto o entendimento da Autoridade Fiscal a quo de considerar que, no caso, houve omissão de receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 8 de julho de 2016 (fl. 172), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 9 de agosto de 2016 (fl. 228), alegando, em síntese: (i) tempestividade do recurso (ii) sobre a não observância do limite de 30% para a compensação de prejuízos, observa que: a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu no sentido de que tal limite não é aplicável no caso de encerramento de atividades da empresa (acórdão 01 04.258), sendo este o órgão uniformizador da jurisprudência administrativa. não obstante a decisão recorrida tenha expressado o entendimento de que não existe exceção expressa e que a legislação deve ser interpretada restritivamente, os prejuízos fiscais representam perda patrimonial, sendo que a limitação a 30% impede que tal perda seja reposta, mormente quando a empresa é extinta. A lei que limitou a compensação a 30% aplicase apenas às empresas em funcionamento, não se concebendo que a limitação possa resultar no desaparecimento do crédito, já que "não se dilui nada no futuro quando não se tem tempo". não há limitação de prejuízo fiscal para quem exerce atividade rural, sendo que a JB Açúcar e Álcool Ltda exercia tal atividade "eis que, por ser agroindústria, tem verticalizada a sua atividade desde o plantio da canadeaçúcar, sua colheita e transformação". Em "Lei" não há qualquer exigência ou distinção quanto ao produto final e a industrialização de açúcar ou álcool, estando tal discriminação presente apenas em atos infralegais que não podem contrariar, apenas complementar a lei. (iii) sobre a remição de multa e juros no contexto do "REFIS da Crise" (MP 470), afirma que a decisão recorrida contém interpretação equivocada de seu pedido, esclarecendo que a defesa não quer restaurar o efeito da MP 470, mas sim aplicar a lei nova (Lei 11.941/2009) que trata da mesma hipótese fática, nos termos do art. 106, II, b, do CTN. Fl. 238DF CARF MF 8 (iv) acerca da acusação de omissão de receitas, afirma que a decisão recorrida está equivocada, pois o valor da reversão dos juros e multas em função do benefício fiscal concedido pela MP 470/09 não foi objeto de contabilização em período algum como despesa de juros e multas, e por isso a Recorrente jamais obteve vantagem fiscal já que não deduziu tal quantia da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não havendo por que se alegar sua reversão como receita tributável. Recebi o processo em distribuição realizada em 23 de fevereiro de 2018. Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Compensação de prejuízos acima do limite de 30% A JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. consumiu 100% do resultado positivo apurado no período anterior à incorporação pela Recorrente. Em sua defesa, a Recorrente sustenta que o limite de 30% previsto nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/1995 não se lhe aplica, basicamente por 3 razões. Uma das razões seria porque o limite de 30% não se aplica à atividade rural, sendo que a empresa se encaixaria em tal hipótese. Não obstante, tal argumento contradiz as declarações apresentadas pela própria contribuinte nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, nos anos calendário de 2008 e referente à incorporação ocorrida em agosto de 2009, ela declarou que não desempenhava atividades rurais, vejase: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 236 9 Além disso, conforme observou a decisão recorrida, a legislação é clara quando classifica a atividade rural conforme o produto final comercializado, sendo que a JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA., segundo ela própria admite, era produtora de álcool e este produto não habilita o produtor a ser considerado rural. Os dois outros argumentos da Recorrente pela não aplicação da trava de 30% têm por base o fato de que este limite não seria de observação obrigatória no caso de sociedade que venha a ser extinta. Neste sentido, a Recorrente primeiramente se respalda na jurisprudência administrativa sobre o tema, a qual já estaria pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Fl. 240DF CARF MF 10 Realmente, a jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (atual CARF) veio formando sua jurisprudência acerca da não aplicação da trava de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica ao longo de um espaço temporal relativamente longo, tendo a decisão pioneira sido proferida em setembro de 2001 e ratificada por contínuas decisões até pelo menos o ano de 20091. Isso demonstra que a matéria passou por um processo de maturação e de confirmação de entendimento, inclusive em sede da CSRF, cuja finalidade é exatamente a uniformização da jurisprudência administrativa, conforme previsto tanto no regimento interno do antigo Conselho de Contribuintes quanto do atual CARF. Ocorre que, não obstante a legislação estabeleça o papel uniformizador da CSRF, não há nenhuma norma que determine a vinculação da Administração aos entendimentos ali consolidados, e nem mesmo que limite a mudança de entendimento no âmbito da própria CSRF. Assim, acerta a decisão recorrida quando observa que decisões proferidas pelo CARF, de maneira geral, não constituem normas complementares de Direito Tributário, nos termos do art. 100, II, do CTN, aplicandose apenas aos limites dos casos concretos em que foram proferidas, já que para vincular a Administração seria necessária lei específica atribuindo a essas decisões eficácia normativa. Da mesma forma, não havendo decisão judicial com efeito vinculante sobre o tema, os órgãos administrativos não estão obrigados a seguir tal entendimento. Por fim, vale observar que em 2009 a CSRF alterou sua jurisprudência sobre o tema do limite de 30% à compensação de prejuízos fiscais por empresa extinta, passando a entender que este é aplicável (acórdão 910100.401, de 2.10.2009). Neste sentido, sem reparos à decisão recorrida quando, pelas razões acima, não se vincula aos precedentes administrativos e judiciais mencionados pela contribuinte. Por fim, a Recorrente sustenta a não aplicação da trava de 30% no caso de empresa extinta com base na interpretação de que o limite tem por pressuposto a continuidade da pessoa jurídica. Neste argumento entendo que assiste razão à Recorrente. De acordo com o art. 510 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto 3.000, de 26.03.1999 – “RIR/99”), o valor do prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 pode ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei, observado o limite máximo, para compensação, de 30% do referido lucro líquido ajustado. Ocorre que, por força do art. 514 do RIR/99, a pessoa jurídica que se tornar sucessora de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, fica proibida de compensar prejuízos fiscais da sucedida. A observância do limite de compensação do artigo 510 do RIR/99, quando combinada com a proibição de transferência de prejuízos fiscais constante do artigo 514 desse 1 Acórdãos 10806682, de 20.09.2001, confirmado pela CSRF no acórdão CSRF/0104.258, de 02.12.2002.Após isso as turmas passaram a decidir no mesmo sentido, por exemplo no acórdão 10807.456, de 2.07.2003; acórdão 10194.515, de 17.03.2004; acórdão CSRF/0105.100, de 19.10.2004; acórdão 10195.872, de 9.11.2006; acórdão 130200.098, de 3.11.2009, dentre outros. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 237 11 mesmo diploma, acarreta a situação limite de a pessoa jurídica incorporada, caso apure lucro na DIPJ de incorporação, se veja obrigada a recolher IRPJ e CSLL mesmo tendo prejuízos fiscais acumulados que, em razão da incorporação, serão perdidos. Daí porque se entende que a compensação integral, em tais condições, está autorizada, pois o limite de 30% teria como premissa a situação normal em que a empresa continua existindo e pode compensar o saldo de prejuízos fiscais acumulados com lucros futuros. Ou seja, a “trava dos 30%” não pode ser aplicada de forma a cercear o direito a compensação, na medida em que seu intuito é meramente arrecadatório e visa a estabelecer uma base de cálculo mínima, para efeito da determinação do IRPJ e da CSLL devidos, através da fixação de um limite máximo de redução, por compensação de prejuízos fiscais, do lucro tributável apurado em cada anocalendário. Isso é confirmado pela exposição de motivos2 da Medida Provisória 998/1995, reedição das Medidas Provisórias 947/1995 e 972/1995 e convertida na Lei 9.065/1995, que dá base ao artigo 514 do RIR/99. Vale destacar o seguinte trecho: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.” A posição dos tribunais superiores sobre o tema não contradiz o entendimento acima. O tema da trava de 30% foi levado à discussão no Supremo Tribunal Federal, no entanto este entendeu que não é competente para analisálo, por ausência de ofensa à Constituição Federal: 1. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que, quanto à controvérsia referente à possibilidade de compensação de prejuízos, para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro, eventual ofensa à Constituição Federal se houvesse seria indireta, a depender de análise da legislação infraconstitucional, sem margem para o acesso à via extraordinária. 2. Agravo regimental improvido. (STF, trecho da ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 215.442, julgado em 14.02.2004 e publicado em 18.02.2005, grifamos). Assim, a matéria foi reconhecida como sendo de competência do Superior Tribunal de Justiça. O STJ vem decidindo pela legalidade da limitação, mas tem observado em seus julgados o fato de que não se trata de vedação de dedução de prejuízos mas apenas um diferimento com vistas a manter a arrecadação. Neste sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSTO 2 Diário Oficial do Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, fl. 3270. Fl. 242DF CARF MF 12 SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DA LEI Nº 8.981/95. LEGALIDADE. A limitação de compensação de prejuízos resultantes do balanço das empresas, em face da Lei nº 8.981/95, não é ilegal, porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal. (STJ, Embargos de Divergência no Recurso Especial 429.730, julgado pela Primeira em 9.03.05 e publicado em 11.04.05) (...) “não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal” (STJ, Agravo Regimental no Recurso Especial 644.527, Primeira Turma, julgado em 7.02.04 e publicado em 14.03.05). “A jurisprudência deste eg. Tribunal é pacífica quanto à eficácia da Lei nº 8.921/95, no que concerne à limitação imposta à compensação de prejuízos fiscais acumulados nos períodos anteriores à sua edição. A referida norma não alterou o conceito de lucro ou de renda, mantendo a possibilidade de que o lucro líquido ajustado seja compensado com a base de cálculo negativa, apurada em anoscalendários anteriores, quanto à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro e do imposto de renda. Apenas vedou o direito à compensação de prejuízos fiscais de uma só vez, consentindo, contudo, que as parcelas compensáveis a este título e que excederem a 30%, possam ser compensadas, em exercícios futuros, e de forma sucessiva” (grifamos). (STJ, Agravo Regimental no Recurso Especial nº 265.053, julgado pela Segunda Turma em 6.11.01 e publicado em 30.06.03). Assim, a limitação da compensação de prejuízos a 30% do lucro líquido ajustado apenas não constitui afronta à legalidade uma vez que continua assegurado ao contribuinte o direito à compensação integral nos anos seguintes. Ora, sendo esta a premissa, e estando a sucessora (sociedade incorporadora) proibida por lei de compensar o saldo de prejuízos fiscais da incorporada, resta implícita a condição de não aplicação desse dispositivo legal no caso de extinção da pessoa jurídica por ocasião de uma incorporação. Assim, o limite de compensação não poderá alcançar a última apuração de resultado por parte da sociedade incorporada, sob pena de se configurar uma tributação de patrimônio e não de renda. Decidir assim não é decidir contra a lei, mas interpretála em conjunto com outras normas do sistema para entender que em determinada circunstância o limite deixa de ser aplicável pois, do contrário, aí sim, restaria prejudicada a harmonia do ordenamento. Assim, neste item oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, considerando não aplicável o limite de 30% na extinção da sociedade incorporada, seja para fins de IRPJ seja para CSLL. Glosa da exclusão efetuada indevidamente Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 238 13 Sobre a tributação da receita correspondente à baixa de juros e multas em virtude da aplicação das disposições do art. 3º, §1º, da MP 470/2009, de fato não há permissivo legal expresso determinando a sua exclusão na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não obstante, sustenta a Recorrente que a Lei 11.941/2009 trata da mesma hipótese fática da MP 470/2009, de maneira que deveria ser a esta aplicável, nos termos do art. 106, II, b, do CTN3. A MP 409/2009 permitiu o parcelamento de débitos decorrentes do aproveitamento indevido do créditoprêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da aquisição de mercadorias não tributadas ou com alíquota zero do tributo, com redução do valor dos juros, multas e encargo legal, nos seguintes termos: Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. §1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. Referida norma vigorou entre 13 de outubro de 2009 e 23 de março de 2010, quando perdeu eficácia, mas seus efeitos continuaram válidos nos termos do art. 62, §11, da Constituição. A Lei 11.941, que é de 27 de maio de 2009 (portanto anterior à MP 470) já havia trazido a possibilidade de parcelamento em até 180 meses dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do IPI oriundos da aquisição de mercadorias não tributadas ou com alíquota zero do tributo, com parcela mínima de prestação de R$2.000,00 e redução da totalidade ou parte dos juros, multa e encargos legais. A posterior edição da MP 470/2009 está relacionada ao julgamento do créditoprêmio do IPI pelo STF, que ocorreu em agosto daquele ano. Para não perder a oportunidade do parcelamento da Lei 11.941/2009, em outubro foi publicada a MP 470, prevendo a possibilidade de inclusão do aproveitamento indevido do créditoprêmio do IPI no parcelamento da Lei 11.941/2009 ou então o parcelamento do aproveitamento indevido tanto do créditoprêmio do IPI quanto do IPI alíquota zero e do IPI nãotributado, em 12 meses, com redução da totalidade ou parte dos juros, multa e encargos legais. 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 244DF CARF MF 14 Assim, embora as normas tratem de condições de parcelamento diferentes para um mesmo tipo de débito, o contexto e que foram editadas não leva à conclusão de que o governo pretendia dar tratamento diverso à tributação dos valores perdoados. Não obstante, é fato que apenas a Lei 11.941/2009 trouxe dispositivo sobre o tema, nos seguintes termos: Art. 4o (...) Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2o e 3o desta Lei. É importante, outrossim, entender o alcance de tal dispositivo legal. Na verdade, conforme esclareceu a Solução de Consulta COSIT 21/20134, o parágrafo único do artigo 4º da Lei 11.941/2009 serve para evitar que se tribute a recuperação de custo duas vezes, ou seja, ele evita a tributação da receita relativa ao perdão de dívida do REFIS tendo em vista que, por se tratar de recuperação de um custo que foi deduzido, o valor deve ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL por força dos dispositivos que mandam tributar as recuperações de custo anteriormente deduzidas. Tanto é assim que tal Solução de Consulta afirma que o parágrafo único do artigo 4º da Lei 11.941/2009 é inócuo com relação às multas de ofício exatamente porque estas, por terem caráter punitivo, não são dedutíveis do lucro real e base de cálculo da CSLL. Explicando em detalhe: a materialização de uma obrigação tributária (ocorrência do fato gerador) é evento jurídico distinto e independente daquele relativo à sua posterior liquidação pelo contribuinte. Sendo assim, depreendese que existem três passos em relação aos efeitos decorrentes da adesão a programas como o REFIS: (i) o primeiro é o reconhecimento da dívida; (ii) o segundo é a aplicação das reduções sobre a dívida confessada; e (iii) o terceiro é o reconhecimento de eventual receita decorrente das reduções concedidas. Como regra geral, os juros, atualizações monetárias e multas de caráter moratório que incidem sobre tributos são dedutíveis na determinação do lucro real, no regime de competência (art. 344 do RIR/99) apenas as multas punitivas, como as lavradas em autos de infração, não são dedutíveis (art. 344, par. 5o, do RIR/99). Assim, o passo 1, de reconhecimento da dívida pelo contribuinte, dá lugar à dedução dos respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No segundo passo, de a aplicação das reduções sobre a dívida confessada, a legislação tributária determina que os valores que antes foram deduzidos devem ser adicionados nos livros fiscais, vejase: RIR/99 (IRPJ) Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: (...) 4 http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsultaCosit/2013/SCCosit212013.pdf, acesso em 26 de março de 2018 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 239 15 II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); IN 390/04 (CSLL) Art. 88. A base de cálculo da CSLL em cada trimestre, apurada com base no resultado presumido ou arbitrado, corresponderá à soma dos seguintes valores: (...) III os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I, auferidos no mesmo período de apuração, inclusive: (...) g) os valores recuperados correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado ajustado, ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de incidência da CSLL com base no resultado presumido ou arbitrado; Desse modo, a parcela dos juros e da multa de mora (deduzidos) que posteriormente não deva ser paga em razão da adesão a programas como o REFIS deve ser adicionada no LALUR/LACS, nos termos dos artigos 392, II, do RIR/99, acima transcrito, exatamente para reverter os efeitos daquela dedução. Com isso, o efeito fiscal do reconhecimento da dívida que é posteriormente perdoada resta neutralizado. Ocorre que o perdão também dá ensejo ao terceiro passo, que é o de reconhecimento da receita decorrente das reduções concedidas. Neste âmbito, o parágrafo único do artigo 4º da Lei 11.941/2009 estabelece que a respectiva receita não deverá ser tratada como tributável. Assim, é importante ter em mente que o parágrafo único do artigo 4º da Lei 11.941/2009 não traz uma exceção às regras de adição/exclusão do RIR/99. Ele apenas estabelece que a respectiva receita não deverá ser tratada como tributável. Referido dispositivo, embora em sua literalidade seja isentivo, decorre de princípios como a moralidade administrativa e o nemo potest venire contra factum proprium (ninguém pode comportarse contra seus próprios atos). Isso porque não seria razoável o governo pretender recuperar via tributação parte dos valores que pretende perdoar, "dando com uma mão e pedindo de volta com a outra". Estamos dizendo, com isso, que não é razoável a interpretação de que o governo concede um benefício ao contribuinte sob a forma de redução de juros, multa e encargo legal e, por ouro lado, reduz o efetivo proveito econômico desse benefício em 34% pela impossibilidade de dedução da parcela dos juros e multa reduzidos. Assim, em se tratando de remição de dívidas fiscais federais, muito embora a previsão apenas conste expressamente do parágrafo único do artigo 4º da Lei 11.941/2009 tratase de regra basicamente interpretativa, de integração do sistema. Fl. 246DF CARF MF 16 Portanto, entendo que nesse item também assiste razão à Recorrente. Omissão de Receitas Por fim, sobre a acusação de que a Recorrente teria omitido receitas no montante correspondente à diferença entre o valor constante do controle administrativo efetuado no processo 13401.000462/200901 (R$ 17.789.430,47) e o valor registrado como receita na conta 53201007 Recup por Red de Multas e Juros – Parcelamento, é de se notar que tal valor, caso não tivesse sido omitido, teria efeito fiscal neutro, nos termos já expostos acima. Assim, também neste item o recurso da Recorrente merece provimento. Ante o exposto, oriento meu voto para dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado Em que pese o voto da I. Conselheira Livia de Carli Germano, peço licença para dela divergir quanto à sua proposta de exoneração do lançamento fiscal quanto às infrações desvendadas pela fiscalização. Compensação de 30% do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL Inicialmente, convém ressaltar que concordo com a relatora quanto ao afastamento dos pedidos da compensação ilimitada em razão de exercício de atividade rural e da aplicação de precedentes administrativos e judiciais pela contribuinte. Pois bem. A regra de limitar a compensação de 30% do prejuízo fiscal nasceu com o propósito de permitir à Fazenda Nacional angariar recursos mínimos para fazer frente aos dispêndios da União Federal. Isto porque, anteriormente a essa inovação, a compensação de prejuízos fiscais não esbarrava em limite valorativo, o que causava uma incerteza/insegurança quanto ao ingresso de recursos à União. Ou seja, o desígnio do Governo Federal com a alteração legislativa era de não ser surpreendido em razão das intempéries econômicas a que se sujeita a atividade mercantil. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 240 17 Como contrapartida dessa limitação, permitiuse às empresas controlarem seus déficits fiscais, representados neste caso pelos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL, sem a obrigatoriedade de utilizálos em determinado lapso temporal, resultando na impossibilidade do alcance da prescrição do direito de reaver créditos tributários. Quer dizer, apesar da limitação quantitativa do prejuízo fiscal, abriuse a possibilidade de se manter eternamente em seus controles o prejuízo que não foi compensado. E tal regra de limitação de 30% atualmente é prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, transcritos abaixo com destaques meus: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. É de se reparar que certo regramento não comporta exceção, pelo que se depreende se estender a todos, indistintamente, incluindo a situação verificada no episódio que aqui se julga. No caso concreto, a JB AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA consumiu 100% do seu resultado positivo, apurado no período anterior à incorporação pela ora recorrente, sem observância do limite de 30%, e justifica tal medida em razão do desaparecimento do direito de utilizar o prejuízo fiscal por conta do processo de reorganização societária que suportou. Entretanto, como já dito, a normatização trazida acima é muito clara sobre sua aplicação às empresas sujeitas à tributação do IRPJ, dentro das quais a incorporada da recorrente está inserida. Uma reflexão que trago aqui em relação à justificativa na impossibilidade de utilização do prejuízo fiscal posteriormente à incorporação é a seguinte: e se o prejuízo fiscal tivesse sido apurado em período maior que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para compensação, que era o prazo da regra anterior à vigência da Lei nº 9.065/1995? Se a resposta fosse positiva, a recorrente pugnaria pela possibilidade de compensação sem limite quantitativo, mas gostaria de que a regra temporal não fosse a ela aplicada, o que causaria completa desconexão com o propósito da criação da norma de limitação. Fl. 248DF CARF MF 18 Desta feita, nego provimento quanto a este ponto. Exclusão no Lalur A empresa optou pelo parcelamento constante MP nº 470 de 2009 que teve como benefício redução de juros de mora e multa de mora e de ofício. A fiscalização entendeu que a redução desses valores deveria ter como contrapartida uma receita tributável. Como a empresa excluiu do Lalur de 2009 o valor contabilizado como receita em 30/11/2009, no valor de R$ 19.299.576,09, resultado do somatório da multa e juros, nos montantes de R$ 4.333.909,60 e R$ 14.965.666,49, respectivamente, a fiscalização glosou a exclusão de R$ 19.299.576,09 e sobre ela tributou o IRPJ e a CSLL. Entendo correto o procedimento da fiscalização. A redução de multa e juros deve ter como contrapartida uma receita tributável, pois representa um ganho que a pessoa jurídica obteve. Isto porque o acréscimo dos juros sobre o valor da dívida acarreta uma redução no resultado contábil (despesa) e, em tese, no resultado fiscal. Assim, se tais juros são anistiados em um parcelamento, obrigatória é a tributação desse ganho. Além disso, a redação vigente à época, que estabeleceu o parcelamento nos termos da MP nº 470, de 2009, não comportou exceção à regra de tributação: Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10480.735470/201319 Acórdão n.º 1401002.368 S1C4T1 Fl. 241 19 fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de vinte e cinco por cento e nove por cento, respectivamente. § 4º A opção pela extinção do crédito tributário na forma deste artigo não exclui a possibilidade de adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. E não entendo que se deva aplicar o benefício, de não tributação do IRPJ e DA CSLL, trazido pela Lei nº 11.941/2009 ao caso do parcelamento decorrente da MP nº 470/2009. A Lei nº 11.941/2009 é muito clara ao resumir tal benefício somente às dívidas incluídas em seu próprio parcelamento, nos termos dos arts. 1º, 2º e 3º da referida Lei: Art. 4º Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no §2º do art. 14A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no §10 do art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei. Como o parcelamento que se sujeitou a recorrente estava previsto em outra norma legal, correto o procedimento da fiscalização de tributar a respectivo ganho. Desta feita, nego provimento quanto a este ponto. Omissão de Receitas Como visto, ao optar pelo parcelamento da MP nº 470, de 2009, a empresa reconheceu um ganho no montante de R$ 14.965.666,49 referente à redução dos juros de mora que devia à Fazenda Nacional e o registrou na conta de receita (resultado contábil) nº 53201007 Recup por Red de Multas e Juros – Parcelamento. A autoridade fiscal, por sua vez, constatou que, no processo administrativo (nº 13401.000462/200901) que controla os valores do parcelamento desses valores, consta que os juros da dívida era de R$ 19.766.033,86 e passou a ser de R$ 1.976.603,39, em razão da redução dos juros de mora. Assim, a diferença a ser oferecida à tributação deveria ser de R$ 17.789.430,47 (R$ 19.766.033,86 R$ 1.976.603,39), e não de R$ 14.965.666,49 como fez a empresa. A recorrente alega que a receita tributada (R$ 2.823.763,98) referese a juros de mora cujas despesas não foram contabilizadas. Desta forma, não seria obrigada a contabilizar a correspondente receita pelo ganho decorrente de sua redução. Entretanto, a recorrente não traz demais elementos que possa corroborar sua argumentação. E tal prova deveria ser produzida pela própria empresa autuada, pois a Fl. 250DF CARF MF 20 fiscalização indicou corretamente o fato gerador do IRPJ e da CSLL em razão da omissão de receita, seguindo os mandamentos do art. 142 do CTN. Além disso, a dedução fiscal de uma despesa é uma faculdade das empresas; já a contabilização e tributação de uma receita é uma obrigação das entidades sujeitas às leis comerciais e fiscais. Desta feita, nego provimento quanto a este ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000144/2001-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. MERA REMISSÃO AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE.
A mera remissão à impugnação não configura recurso em seu sentido próprio, na medida em que o Recurso Voluntário, a teor do artigo 33 do Decreto 70.235/72, é voltado contra a Impugnação, caso em que os fundamentos do inconformismo do recorrente devem, obviamente, ser manifestados em relação ao decisum e não a qualquer outro ato.
Numero da decisão: 2402-006.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
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MERA REMISSÃO AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. A mera remissão à impugnação não configura recurso em seu sentido próprio, na medida em que o Recurso Voluntário, a teor do artigo 33 do Decreto 70.235/72, é voltado contra a Impugnação, caso em que os fundamentos do inconformismo do recorrente devem, obviamente, ser manifestados em relação ao decisum e não a qualquer outro ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 01 44 /2 00 1- 70 Fl. 345DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10950.000144/200170 Acórdão n.º 2402006.132 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que entendeu por considerar parcialmente procedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 29.01.2001 para constituição i) de IRPF no valor principal de R$ 17.250,00, acrescido da multa de ofício agravada (112,50%) e dos juros legais Selic, bem com ii) da multa regulamentar pela não entrega da DIRPF, no valor de R$ 165,74. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de um veículo, marca Mercedes Benz exercício 2000; e 2 Falta de apresentação da DIRPF. Do acórdão da DRJ de fls. 255/261, extraemse os seguintes fatos de relevo para o caso: A ação fiscal iniciouse em decorrência de demanda judicial impetrada pela Igreja Evangélica Missionária Só o Senhor é Deus contra os cidadãos Alécio Miranda Leal e Saline Atie Ramos, imputandolhes a apropriação indevida de vultosos recursos, que resultou na quebra de seus sigilos bancários; Foram infrutíferas as tentativas de contatar pessoalmente a contribuinte. A intimação somente foi possível por meio de procurador. Todavia, a contribuinte omitiu a apresentação de documentos indispensáveis; A fiscalização teve como objeto os anoscalendários de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999. Entretanto, foram encontrados elementos para lançamento e cobrança de imposto apenas no anobase de 1999; A contribuinte adquiriu o veiculo marca Mercedes Benz modelo E320, ano lIP 1998, placa AIG 1999, o qual foi posteriormente alienado por R$ 115.000,00 a JABUR Car Importação e Comércio de Veículos Ltda., no negócio pelo qual o Sr. Alécio Miranda Leal adquiriu outro veiculo de maior preço da mesma marca; Intimada a apresentar a documentação alusiva ao negócio, a fiscalizada abstevese de fazêlo. Por tal razão, a fiscalização não teve como considerar algum valor a titulo Fl. 347DF CARF MF 4 de custo.Logo, todo o valor da venda será considerado como ganho de capital; As multas aplicadas foram agravadas em razão da falta de declaração de rendimentos do anocalendário de 1999 e também pela falta de atendimento As intimações para apresentação de documentos; Aplicouse, também, a multa prevista no artigo 964 do RIR199 em razão da ausência de apresentação da declaração de rendimentos do anocalendário de 1999; Os fundamentos legais da autuação estão consignados no auto de infração, no campo denominado "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", constante As fls. 85. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 255/261, para exonerar a multa pela falta de apresentação da DIRPF, assim com a agravante de 50% sobre a multa isolada, retornandose ao patamar primário de 75%. Em seu Recurso Voluntário às fls. 283/289, limitouse a ratificar a impugnação apresentada em todos os seus termos. Por sua vez, naquilo que não se relaciona à parcela exonerada pelo acórdão de piso, passo a transcrevêla, tal como sintetizada em seu relatório, na medida em que o contribuinte não se insurgiu quanto a eventual ponto não analisado no julgamento em primeira instância. 1 Existência de medida judicial obstativa ao prosseguimento do auto de infração O motivo da ação fiscal foi o suposto desvio de valores que pertenceriam à Igreja Evangélica Missionária Só o Senhor é Deus, e que está sendo discutido em litígio judicial. Causa perplexidade o fato de a instituição religiosa alegar que os valores e o patrimônio da impugnante pertencem a ela e formular denúncia contra a impugnante pela prática de crime contra a ordem tributária. Isso porque, ao mesmo tempo que alega que a impugnante possui rendimentos, alega que os bens por ela possuídos pertencem à instituição Em resumo: ou o dinheiro é da Igreja, hipótese em que a impugnante teria apenas cometido apropriação indébita; ou o dinheiro pertence a impugnante. Jamais as duas coisas simultaneamente. Estando o auto de infração constituído sobre a pretensão da instituição religiosa de reaver valores supostamente apropriados pela impugnante, questão que se encontra sob apreciação judicial, o processo alusivo à autuação haverá de ser suspenso até o transito em julgado da decisão judicial pertinente. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10950.000144/200170 Acórdão n.º 2402006.132 S2C4T2 Fl. 4 5 2 Impossibilidade de exigir Imposto de Renda. A exigência do imposto de renda decorre do fato de estar em nome da impugnante um veiculo Mercedes Benz modelo E320, placa AIG 1999. Todavia tal veiculo jamais foi da impugnante, tanto que foi dado por Alécio Miranda Leal como parte de pagamento de outro veiculo. O fato de estar registrado em nome da impugnante não configura propriedade, a fim de ensejar a exigência fiscal. A impugnante somente teve o veiculo registrado em seu nome, mas nunca foi sua proprietária ou deteve sua posse. O registro no DETRAN é presunção juris tantum. 5 Natureza confiscatória da exigência fiscal O montante lançado configura confisco porque extrapola a capacidade contributiva da impugnante. Contraria, portanto, o disposto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. 7 Inaplicabilidade da SELIC Os juros foram calculados com base na taxa SELIC. Todavia, esta possui caráter estritamente remuneratório, ferindo diretamente o § 3.° do artigo 192 da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 16.05.2001 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 08.06.2001. Inicialmente, cumpre destacar que o recurso apresentado teve negado seu seguimento pela unidade preparadora, em função da não comprovação do depósito recursal à época exigido. Todavia, tal exigência foi judicialmente afastada, com posterior determinação a que o recurso subisse a este colegiado. Como já relatado, o recurso apresentado, subscrito pelo patrono da autuada, não se prestou a atacar, direta e especificamente, o acórdão de primeira instância, mas, tão somente e de forma bastante concisa, a ratificar os termos da impugnação. Não há registro nestes autos de matéria de ordem pública que deva ser, de oficio, enfrentada por este colegiado. Da mesma forma, referido recurso, frisese, subscrito por profissional do Direito, não traz documentos, fatos ou argumentos outros que não os que já foram apreciados neste contencioso. Vejamos o que dispõem os artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Malgrado os dispositivos acima disponham acerca da Impugnação, podese extrair, como regra, que a expressão do inconformismo do recorrente ao longo de todo o contencioso administrativo deva se dar de forma clara, contundente e precisa em relação ao ato atacado, seja ele o lançamento, acórdão da DRJ ou mesmo acórdão deste colegiado, forma a propiciar que o julgador desempenhe seu mister à satisfação dos anseios da sociedade. Em outras palavras, não é dado ao contribuinte a possibilidade de transferir ao julgador, ônus que seria seu, sob pena de transmudar o contencioso administrativo, confundindoo, desnecessária e indevidamente, com o procedimento de revisão de ofício a que alude o artigo 145, III c/c 149, ambos do CTN. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10950.000144/200170 Acórdão n.º 2402006.132 S2C4T2 Fl. 5 7 Nesse sentido, a mera remissão à impugnação não configura recurso em seu sentido próprio, na medida em que o Recurso Voluntário, a teor do artigo 331 do Decreto 70.235/72, é voltado contra a Impugnação, caso em que os fundamentos do inconformismo do recorrente devem, obviamente, ser manifestados em relação ao decisum e não a qualquer outro ato, como por exemplo, em relação ao lançamento. Posto isto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso apresentado. Mauricio Nogueira Righetti Relator 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 351DF CARF MF 8 Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721809/2011-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CONHECIMENTO.
Não é possível o conhecimento do recurso pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, diante da ausência de similitude fáctica e convergência de posicionamentos.
Numero da decisão: 9101-003.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASTRA ZENECA DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CONHECIMENTO. Não é possível o conhecimento do recurso pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, diante da ausência de similitude fáctica e convergência de posicionamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 18 09 /2 01 1- 13 Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 1587 ss.) formalizados para a exigência de IRPJ e CSLL relativamente ao ano calendário de 2006, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, decorrente da acusação fiscal de não adição relativa a ajustes de preços de transferência, destacandose o entendimento de que deveria ser autilizado o PRL 60 no lugar do PLR 20, em função de a embalagem e rotulagem no país de produtos importados acabados representarem agregação de valor para tais fins, conforme relatado pela decisão de primeira instância, a partir do Termo de Constatação e Encerramento (E fls. 1569 ss.): "DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação e Encerramento de fls. 1569/1575, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa à verificação das obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no ano de 2006, constatouse o seguinte: Em atendimento ao Termo de Intimação n° 01/2010, a empresa forneceu as memórias de cálculo, sintéticas e analíticas, demonstrando ter adotado o método PRL Preço de Revenda menos Lucro, com margens de 20% (PRL20) e 60% (PRL60) Foi solicitado à empresa (Termo de Intimação n° 02/2010) que esclarecesse se os itens avaliados pelo método PRL com margem de 20% teriam sido submetidos a algum processo de industrialização no Brasil. Em resposta, consignouse que tais produtos chegam acabados, passando, no entanto, por testes de qualidade, colocação de lacres e bulas, em cumprimento às determinações da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Questionouse, ainda, o desconto, em todos os casos, de taxa de juros e spread, proporcionais ao prazo de pagamento, requerendose a devida comprovação documental da existência do mencionado encargo. A empresa limitouse a acrescentar, às memórias de cálculo anteriormente apresentadas, a demonstração da fórmula do cálculo dos mencionados valores redutores do custo de importação. Analisandose o conjunto das informações prestadas pela empresa, exsurgem alguns pontos principais que, segundo a fiscalização, estão em desacordo com o que estipula a legislação de regência. Com relação à dedução de juros e spread, que abrangeu a totalidade dos produtos importados, não foi comprovado, em documentação hábil e idônea, e nem sequer demonstrado, que o prazo de pagamento teve o condão de diferenciar os preços à vista e a prazo. Provavelmente, a mencionada redução do custo de importação tem como fundamento o artigo 9o da IN 32/2001. Ocorre que a possibilidade de tal exclusão cingese à verificação da efetiva ocorrência de juros nas operações realizadas a prazo. Sobre o tema, a Coordenação Geral de Tributação expediu a Solução de Consulta de n° 17, em 30/05/2008. Tendo em vista que, embora intimada a comprovar ter incorrido em tais despesas financeiras, a contribuinte não trouxe nada além da revelação das taxas e da respectiva fórmula de apuração, a fiscalização efetuou os cálculos sem levar em consideração os mencionados valores. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 4 3 O próximo ponto a se observar é que, na lista contida no anexo da resposta mencionada no item anterior, há 2 tipos distintos de itens importados. Os primeiros bens relacionados, cujos códigos são compostos por 3 algarismos, são produtos finais, prontos para serem revendidos. Neste caso, utilizouse corretamente o PRL com margem de 20%. O segundo grupo de produto, com códigos compostos de 5 dígitos, são submetidos, no país, a processo produtivo, de forma a tornálos aptos a serem colocados no mercado. Nesta situação, a agregação de valor resultante da operação industrial de acondicionamento torna impossível a utilização do método PRL com margem de 20%, dada a vedação expressa contida no § 9o do artigo 12 da IN SRF 243/2002, obrigando o desconto da margem de lucro de 60%, conforme se lê nesta norma. Outra questão que se nota é quanto à sistemática de cálculo que a contribuinte utilizou na avaliação dos produtos submetidos ao método PRL com margem de 60%. Como se percebe nas memórias de cálculo relativas aos princípios ativos importados, os preçosparâmetro foram alcançados mediante fórmula que se assemelha à estatuída na IN SRF n° 32/2001. Tendo em vista que na época dos fatos vigiam os procedimentos ditados na IN SRF nº 243/2002, a fiscalização refez os cálculos dos preços de transferência, adequandoos aos ditames desse ato legal. A fiscalização notou, ainda, que a empresa não considerou os valores relativos à quantidade e ao valor do estoque inicial na apuração do preço praticado, contrariando o disposto no artigo 12, § 3º, da IN SRF n° 243/2002. Assim, nas planilhas em anexo estão demonstrados os cálculos dos preços de transferência com a utilização do método PRL com margem de 60%. No Anexo I encontramse os itens importados que foram originalmente avaliados pela empresa pelo PRL com margem de 20%, e no Anexo II estão listados os artigos adquiridos no exterior, arbitrados com a utilização do PRL com margem de 60%, porém avaliados de forma não condizente com a legislação em vigor. No quadro à fl. 1574, a fiscalização sintetizase os ajustes encontrados (total de R$ 12.519.216,83): Por fim, destaquese que a contribuinte levou a ajuste do lucro líquido do anocalendário o valor de R$ 94.691,73. Questionada acerca do mencionado ajuste, informou tratarse de valores levantados em apuração anterior, que não se confirmou em reanálise. Isto posto, descontandose a quantia já oferecida à tributação pela empresa, a fiscalização efetuou a adição do montante de R$ 12.424.525,10 (R$ 12.519.216,83 R$ 94.691,73) à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2006: (...)". Insurgindose contra o lançamento, a Recorrida apresentou Impugnação (Efls. 1638 ss.), com os argumentos novamente resumidos pela decisão de primeira instância: "DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 21/06/2011 (fls. 1588 e 1593), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 1708/1712), apresentou, em 21/07/2011, a impugnação de fls. 1638/1677, alegando, em síntese, o seguinte: DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 5 4 Atividade de embalagem – ilegitimidade da desqualificação do método PRL20 pela fiscalização a) Da base da acusação fiscal A impugnante importa e revende medicamentos de empresas vinculadas. Para essas situações (exceto no caso dos medicamentos Sodium Saccaharine, Lidocaina Base, Prilocaina e Cloridrato de Propranolol), opta, conforme dispõe o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, pela aplicação do método PRL20, para atender às regras de controle de preços de transferência. No entanto, de acordo com a interpretação da fiscalização, qualquer agregação de valor, mesmo que não importe em processo de produção (grifo da impugnante), transformação ou alteração do produto, constituiria espécie de industrialização, sendo o contribuinte obrigado a adotar o método PRL60. O entendimento da fiscalização, entretanto, é descabido, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os produtos são revendidos sem qualquer processo de fabricação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação (já que a fiscalização considerou que qualquer agregação de valor seria suficiente para aplicação do método PRL60). b) Da inocorrência de qualquer processo de fabricação Os medicamentos importados pela impugnante (exceto os acima referidos) já se encontram prontos e acabados e são revendidos sem qualquer processo de alteração de sua natureza. No Brasil, esses medicamentos são submetidos a novo processo de embalagem, para se adequarem à legislação brasileira (em especial da Lei nº 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, a qual está inserida a comercialização de medicamentos), sendo realizados testes de qualidade e colocados selos de segurança. A tabela de fl. 1648 resume o processo de embalagem de cada medicamento. Estão anexados aos autos os documentos que comprovam as informações refletidas nessa tabela. Notese que a impugnante não efetua qualquer combinação dos elementos que compõem o medicamento em seu estado final ou, ainda, acrescenta qualquer excipiente para a formação do produto; ele é vendido tal como importado. Como prova de sua alegação, a impugnante traz declaração de sua farmacêutica responsável (documentos anexos). c) Da impossibilidade de se interpretar que a mera agregação de valor corresponde a uma espécie de industrialização A fiscalização se pautou no conceito de industrialização apresentado pelo artigo 4º do Regulamento do IPI para definir pela aplicação do método PRL60. No entanto, o conceito de industrialização previsto na legislação do IPI é aplicável tão somente a esse imposto, não podendo ser utilizado para fins de interpretar qualquer outra legislação, inclusive as regras de controle de preços de transferência, que refletem em tributos distintos (IRPJ e CSLL). Destaquese, ainda, o fato de existir uma pluralidade de conceitos de industrialização, todos diversos no âmbito da legislação fiscal. Citese, como exemplo, o conceito de industrialização para as contribuições previdenciárias (artigo 22A da Lei nº 8.212/91 e artigo 240 da IN SRF nº 03/2005). Independentemente desses conceitos de industrialização, o fato é que essa discussão é irrelevante para fins de aplicação das regras de preços de transferência, explicamos. Isso porque, da análise da legislação de preços de transferência (artigo 18 da Lei nº 9.430/96, artigo 4º, § 1º, artigo 12, inciso IV e § 9º, da IN SRF nº 243/2002), constatase que o legislador e a Administração, quando da Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 6 5 regulamentação da lei, utilizaram essencialmente a expressão “produção” como termo para aplicação do PRL60. No caso em exame, os bens importados pela impugnante não são aplicados na produção de outros bens, isto é, não são empregados em qualquer processo que resulte em criação de outro produto, conforme dispõe a supracitada legislação. Portanto, comprovada está a legitimidade do método PRL20 aplicado pela impugnante para a apuração dos preços de transferência dos citados medicamentos. d) Da interpretação equivocada do § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 Nem se argumente, como pretendeu a fiscalização, que a mera agregação no país de valor ao produto importado seria suficiente para determinar a aplicação do método PRL60 e, conseqüentemente, a desconsideração do método PRL20. Esse entendimento da fiscalização decorre de uma leitura isolada do § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Ocorre que a agregação de valor a que se refere o § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 deve ser interpretada dentro do termo “produção” previsto no artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 4º, § 1º, artigo 12, inciso IV e § 9º, da referido instrução normativa. Ademais, na hipótese de o raciocínio fiscal prosperar, inexistiria hipótese de revenda no Brasil submetida ao método PRL20, uma vez que qualquer agregação de valor desqualificaria a aplicação desse método. Importante esclarecer que toda a atividade exercida sobre um bem importado resulta em agregação de valor, requerendo a aplicação de capital e trabalho. No caso em tela, há agregação de valor da revenda materializada pelo processo de embalagem, não havendo, porém, qualquer operação de produção, o que legitima a aplicação do método PRL20. Caso esse entendimento não prevaleça, e se considere que a agregação de valor como fator determinante para a aplicação do método PRL60, então se concluí que a IN SRF nº 243/2002 criou, indevidamente, uma restrição não contida em lei. e) Do reconhecimento do método PRL20 pela própria Receita Federal Ressaltese, ademais, que o procedimento da impugnante de adotar o método PRL20 para o cálculo dos medicamentos importados e revendidos sem qualquer aplicação em processo de produção (apenas embalados) está totalmente amparado no Guia de Perguntas e Respostas da DIPJ/2007 (Capítulo XX, pergunta/resposta nº 41), que esclarece que nos casos de acondicionamento ereacondicionamento (gênero do qual embalagem é espécie), não há produção de outro bem, concluindo pela possibilidade de adoção do método PRL20. Ainda que tal resposta estivesse em desacordo com a lei que instituiu o tributo, não seriam devidos a multa de ofício e os consectários legais, nos termos do artigo 100 do CTN. Nem se diga que o entendimento da Administração seria outro, em razão da Solução de Consulta nº 5, de 01/09/2006. Isso porque, além de vincular tão somente o contribuinte que a formulou, a situação examinada (em que há a aposição de marca) não se coaduna ao caso em tela (em que há somente o processo de embalagem dos produtos). f) Do posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais É importante destacar que no Acórdão nº 10517.210, a 5a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) entendeu, em caso análogo ao presente, que o fato de haver agregação de valor ao produto importado não resultaria na descaracterização do método PRL20. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 7 6 Em consonância com o que vem afirmando a contribuinte ao longo desta defesa, os Conselheiros, quando do supracitado julgamento, afirmaram que o critério utilizado pela Lei nº 9.430/96 que impossibilita a utilização do método PRL20 referese à aplicação do produto importado na produção de outro bem, e não simplesmente na agregação de valor ao produto importado, como nos casos em que a empresa apenas fraciona e embala o produto importado. Quando inexiste produção de outro bem, independentemente de existir a agregação de valor resultante de procedimento de reembalagem, reacondionamento, a operação continua sendo uma operação de simples revenda, sujeitandose, portanto, à aplicação do método PRL20. Portanto, à luz da jurisprudência do CARF, forçoso concluir pela legitimidade da aplicação do método PRL20 nas situações em que houver acondicionamento da mercadoria importada, exatamente como no caso dos autos. g) Da conclusão Assim, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os medicamentos objeto do questionamento fiscal são revendidos sem qualquer processo de transformação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação de preço de transferência (já que a fiscalização considerou que qualquer agregação de valor corresponderia a uma industrialização), os lançamentos merecem cancelamento integral. Ainda que se mantenha a autuação fiscal, é de rigor o reconhecimento da necessidade de cancelamento da multa de ofício e dos consectários legais, em razão da existência de orientação da Receita Federal em sentido diverso, nos termos do inciso III do artigo 100 do CTN. Apuração do PRL60 de acordo com a fórmula prevista na Lei nº 9.430/96 para o cálculo dos medicamentos importados e revendidos e também para o Sodium Saccaharine, Lidocaina Base, Prilocaina e Cloridrato de Propranolol – ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 A fórmula adotada pela fiscalização para aferição do preçoparâmetro procura apoio no artigo 12, §11, da IN SRF nº 243/2002, o qual carece de base legal. Na Lei nº 9.430/96, o legislador estabeleceu que a margem de 60% deveria ser calculada sobre o preço de revenda, “deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. A Secretaria da Receita Federal editou, então, a IN SRF nº 32/2001, repetindo, como não poderia deixar de ser, o texto da Lei nº 9.430/96. Ocorre que em 11/11/2002 a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 243/2002, alterando significativamente o cálculo para a apuração do preçoparâmetro segundo o método PRL60. A diferença da forma de apuração do PRL60 prevista na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF nº 32/2001, e a forma prevista na IN SRF nº 243/2002 está fincada essencialmente na margem de cálculo a ser deduzida do preço líquido de revenda. Enquanto a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 32/2001 previam que o percentual de 60% incidiria sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no País, a IN SRF nº 243/2002 prevê que o percentual de 60% deve incidir sobre parcela do preço líquido de venda do produto, referente à participação dos bens, serviços ou direito importados. Ou seja, a IN SRF nº 243/2002 criou obrigação nova, não prevista em lei, violando o princípio constitucional da legalidade. Diante disso, há que se cancelar do presente Auto de Infração, tendo em vista o fato de a impugnante ter se utilizado da mecânica de cálculo do PRL60 conforme regulado pela Lei nº 9.430/96 e pela IN SRF nº 32/2001. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 8 7 Reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 pela RFB Caso analisemos a legislação de preços de transferência com cuidado, chegaremos à conclusão que a própria RFB vem reconhecendo a incompatibilidade entre a sistemática da IN SRF nº 243/2002 e da Lei nº 9.430/96. Isso porque, de acordo com a RFB, a nova fórmula de cálculo prevista pela IN SRF nº 243/2002 só seria válida a partir do anocalendário de 2002 (artigo 45 da IN SRF nº 243/2002). Se a RFB entendesse que a fórmula prevista pela IN SRF nº 243/2002 apenas reproduziria os termos da Lei nº 9.430/96, certamente que teria declarado seu caráter interpretativo e a aplicado para fatos pretéritos, o que não ocorreu. Além disso, em 29/12/2009, foi editada a Medida Provisória n° 478, a qual não foi convertida em lei no prazo estipulado. No entanto, a sua Exposição de Motivos (item 20) torna ainda mais claro o cenário estabelecido entre Fisco e contribuintes, notadamente nos casos em que dispositivos aplicados pela fiscalização (como no presente caso) careciam de base legal. O próprio legislador reconhece que grande parte das disposições em matéria de preços de transferência estão baseadas em Instrução Normativa e careciam de base legal, o que seria supostamente sanado pela MP 478/2009 e com sua posterior conversão em lei. Resta claro que o legislador procurou modificar a Lei nº 9.430/96, a fim de suportar em termos jurídicos a sistemática de cálculo da IN SRF nº 243/2002. Assim, tendo em vista que a MP 478/2009 não foi convertida em lei, resta forçado concluir que até os dias de hoje a IN SRF nº 243/2002 não possui base legal. Por tudo exposto, resta forçado concluir que a IN SRF nº 243/2002 é incompatível com a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 32/2001, no que tange ao cálculo do PRL60. Precedentes sobre a incompatibilidade entre a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 243/2002 A incompatibilidade entre a IN SRF nº 243/2002 e a Lei nº 9.430/96 já vem sendo discutida também na esfera judicial. O Juízo da 9ª Vara Federal Cível da Justiça Federal de São Paulo decidiu, na sentença relativa ao Processo n° 2003.61.00.0061258, que ambas as sistemáticas são incompatíveis. O mesmo entendimento foi apresentado em acórdão emitido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, a qual inclui São Paulo. Taxa Libor Com relação à dedução de juros e spread, não há que se falar em sua desconsideração, uma vez que o impugnante utilizou como base o disposto nos §§ 2° e 3o do artigo 9o da IN SRF nº 243/2002,que dispõe que o valor dos bens importados poderá ser ajustado de modo a excluir as diferenças resultantes do prazo para pagamento. Essa dedução pode se dar através de uma taxa praticada pela própria empresa ou pela taxa Libor, caso não haja uma taxa aplicada consistentemente pela empresa. Como a impugnante não possuía uma taxa própria aplicada reiteradamente, utilizou a Taxa Libor, nos termos do inciso II do § 3o do artigo 9o da IN SRF 243/2002. Vale ressaltar que a IN SRF 243/2002 não determina qualquer necessidade de comprovação de que os encargos foram cobrados, mesmo porque esse instrumento é uma ficção criada pela legislação para trazer a valor presente os valores pagos a prazo, de modo a tornar uma operação paga a prazo com uma operação à vista. Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 9 8 Ademais, a sua comprovação se dá através da análise dos fatos da operação, ou seja, se o pagamento ocorreu após determinado período (p.ex. 30 dias), naturalmente existiriam encargos financeiros embutidos na operação com pagamento a prazo. Assim, com base na estrita interpretação dos §§ 2° e 3o do artigo 9o da IN SRF nº 243/2002, há que se considerar a dedução da taxa Libor nas compras efetuadas a prazo pela impugnante no cálculo dos preços praticados do anocalendário de 2006. DO PEDIDO Em vista de todo o exposto, requer a impugnante que sejam julgados improcedentes os Autos de Infração, cancelandose, assim, os créditos tributários constituídos." A autuação, no entanto, foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (Efls. 1741 ss.), sintetizada pela seguinte ementa: "PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de 20% (PRL20) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇO PRATICADO. JUROS NAS COMPRAS A PRAZO. Inexistindo na legislação vigente tratamento específico quanto ao ajustamento de preços praticados na importação direta da empresa vinculada em compras a prazo, e não comprovando a contribuinte a cobrança de juros nas operações, indevida a redução do preço praticado. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente" Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efls. 1758 ss.), basicamente no mesmo sentido de sua impugnação administrativa. A turma a quo então julgou o recurso voluntário e, por unanimidade de votos, deulhe provimento, como restou consignado na ementa do Acórdão n. 1402 001.238 (Efls. 1828 ss.): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 10 9 simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto." A Fazenda Nacional interpôs, assim, Recurso Especial (Efls. 1845 ss.), sustentando que "seja em face do valor agregado pelo processo de embalagem e aposição de marca comercial, seja pela evidência de que os bens importados foram submetidos a uma última etapa do processo produtivo dentro do país, é impossível, na hipótese, o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo PRL20", posicionamento este representado pelo acórdão n. 1301000.451, indicado como paradigma da divergência, deduzindose ainda as razões abaixo transcritas: "Tal compreensão pode ser extraída do próprio texto legal, que associa a aplicação à produção à existência de algum valor agregado decorrente (art. 18, II, d, 1., da Lei 9.430/96): quando o bem for aplicado há produção, há que se deduzir, no cálculo do preçoparâmetro, o valor agregado por essa aplicação. Por outro lado, a lei não faz qualquer associação entre aplicação à produção e transformação do bem. Daí porque se engana a recorrida quando diz que o conceito de produção implica necessariamente na transformação de um bem em outro. Nada há que justifique a redução do ato de “aplicar um bem à produção” a intervenções que acarretem a transformação de sua essência, ou o seu consumo durante o processo produtivo. Um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade. Ainda que os bens importados tenham permanecido inalterados, a eles foram adicionados, de forma perene e indissolúvel, elementos essenciais e imprescindíveis, sem os quais não se tornariam próprios à destinação que a eles se pretende conferir, qual seja, a venda ao consumidor final. Os bens importados, portanto, foram, de fato, submetidos a processo produtivo que lhes acrescentou características antes não presentes. Qualquer intervenção realizada pelo importador que não caracterize a mera revenda, acarretando agregação de valor, implica na submissão do item à produção local, sendo inafastável a incidência do PRL60 como método de determinação do preço parâmetro. É mister ressaltar, outrossim, que não se pode confundir o processo aqui descrito com o mero acondicionamento ou reacondicionamento, definido no artigo 4º, inciso IV, do RIPI/98. Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 11 10 Isto porque, o procedimento de troca de embalagens com fracionamento do produto e aposição de marca representa etapa do processo produtivo/industrial, já que a embalagem, no caso, tem por objetivo adequar o produto para alcançar o consumidor final, enquanto o acondicionamento/reacondicionamento significa que a embalagem se destina apenas ao transporte da mercadoria e apresentase, em geral, sem o acabamento elaborado ou a rotulagem, que agregam valor ao produto." O despacho de admissibilidade (Efls. 1881 ss.) deulhe seguimento com relação à única matéria recorrida, não oferecendo a contribuinte contrarrazões, conforme despacho às Efls. 1889. Passase, então, à apreciação do recurso da Fazenda Nacional Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 12 11 Voltandose então ao caso sob exame, recordase que o acórdão recorrido partiu do pressuposto de que "é incontroverso nos autos que o único processo industrial sofrido pelos produtos no Brasil foi o de acondicionamento para revenda, observada a legislação brasileira pertinente a tais produtos (medicamentos)". E assim, por compreender que "o método PRL 20% somente deve ser utilizado quando não houver agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, ou seja, no caso de simples revenda." e que nisso não se esnquadraria o processo de colocação de selos e certificação de qualidade por norma regulatória na embalagem, isto é, que isso não representaria a agregação de valor que indica a norma que desloca para o PRL 60, seria aplicável ao caso concreto o PRL 20, desconstituindose o crédito tribuário. Nesse contexto, entendese que o recurso não pode ser conhecido, uma vez que o acórdão n. 1301000.451 não se presta como paradigma suficiente a demonstrar a divergência sustentada pela recorrente, no sentido de que o procedimento realizado pela autuada implicaria agregação de valor, independentemente de configurar efetiva produção, o que levaria à aplicação do método do PLR 20. Vejase tudo que há no seu texto com relação ao que interessa ao presente recurso, tanto com relação à definição da matéria autuada no relatório sobre a fiscalização, quanto às razões do relator para fundamentar o seu voto: "5DOS PREÇOSPARÂMETRO 5.1 Da não utilização do método PRL com margem de 20% Para efeito de determinação do preço de transferência, é vedada a aplicação do método PRL com margem de 20% (PRL20) às operações que se enquadram no conceito de produção de outro bem, assim entendidas aquelas em que haja alteração de bem importado, que envolva transformação ou agregação de valor, para posterior comercialização no mercado nacional, consoante o disposto no § 9o., do artigo 12, IN SRF n° 243/2002. O processo de industrialização é definido no artigo 4° do Decreto n° 2.637/98 (RIPI). Nos casos em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, a legislação é clara ao vedar o uso da margem de 20% no método PRL. Nesse sentido orienta a CoordenaçãoGeral de Tributação — COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através, por exemplo, da Solução de Consulta n° 5, de 01/09/2006, que dispõe que "A pessoa jurídica, sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e procede, previamente a sua comercialização no País, à aposição da marca, bem assim ao acondicionamento e rotulagem, voltados ao atendimento de determinações legais brasileiras, deve, acaso opte por calcular o preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), utilizar a metodologia atinente a margem de sessenta por cento, uma vez que as atividades por ela empreendidas representam agregação de valor aos bens". Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 13 12 No caso sob análise, cotejando os dados constantes dos arquivos "7d saídas efetivas PH e CV.xls" e "7d saídas efetivas NCH.xls" com o arquivo das importações de vinculadas, verificouse que alguns itens importados, de acordo com a codificação informada, não tiveram saída direta. Ademais, verificouse que houve agregação de valor aos bens importados, de acordo com as informações sobre o custo de produção constantes da planilha "8 Relação dos Itens PH CV e NCH.xls" (tendo sido alguns dados posteriormente retificados a planilha Intimação Receita Federal TP2003.xls. A partir dessas informações a fiscalização efetuou a comparação do custo proporcional do item importado, apurado de acordo com a relação quantitativa entre os itens apresentada pela fiscalizada, como custo do produto final, conforme consta do "DEMONSTRATIVO DE ITENS IMPORTADOS COM AGREGAÇÃO DE VALOR — ITENS NÃO REVENDIDOS DIRETAMENTE (em anexo). Sendo assim, a fiscalização adotou, no cálculo dos preçosparâmetro dos itens constantes daquele demonstrativo, o método PRL com margem de 60% (PRL60), apurado conforme o item seguinte." (...) Ressaltese, que a discussão no presente processo, igualmente da impugnação, encontrase relacionada a dois tópicos: (I) aplicação do método PRL com margem de 20% ou com margem de 60% e, (II) se as despesas de serviços contratados foram necessárias, usuais e normais. Afirma a própria recorrente que “a alinea "d" do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, o método PRL com margem de 60% deverá ser aplicado "na hipótese de bens importados aplicados a produção de outro bem, podendose aplicar o mesmo método com margem de 20% "nas demais hipóteses". Ou seja, a aplicação do método PRL com margem de 20% só é vedada na hipótese de bens importados aplicados à produção de outro bem.” Por pertinente transcrevo a legislação citada: Preços de Transferência. Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior “Art. 18. (...) A recorrente alega que aplicou o método PRL20 pois os produtos por ela importados não são aplicados à produção de outros bens, mas permanecem sendo os mesmos bens importados. Cita vasta doutrina a respeito da matéria. Pois bem, a recorrente contesta o fato de a fiscalização ter desconsiderado com relação a alguns produtos, o método PRL20, por ela adotado, e ter recalculado os correspondentes ajustes segundo o método PRL60. A autoridade fiscal constata que, “esses produtos não tiveram saída direta, tendo havido agregação de valor aos "itens importados em relação ao produto final comercializado, portanto, não é possível a utilização do método PRL20 (sendo, no entanto, possível a utilização do método PRL60), na interpretação a contrário senso do § 9°, do artigo 12, IN SRF n° 243/2002,” in verbis: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (...) Aduz mais, a autoridade autuante: “a contribuinte alega, sem trazer aos autos qualquer comprovação, que os produtos por ela importados não são produtos aplicados à produção de outro bem. Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 14 13 No entanto, conforme se observa do "DEMONSTRATIVO DE AGREGAÇÃO DE VALOR AOS ITENS IMPORTADOS — ITENS NÃO REVENDIDOS DIRETAMENTE" (fls. 1291/1297), nenhum dos produtos objeto de autuação foi revendido diretamente; todos integraram produtos finais diferentes, conforme se observa dos códigos relacionados (de itens e de produtos). Inclusive, alguns itens importados fazem parte de inúmeros produtos finais, com diferentes proporções, conforme o citado demonstrativo.” Dessa forma, não procedem as alegações da recorrente contrárias á desconsideração, no caso, do método PRL20 e a adoção do método PRL60, haja vista que à época dos fatos geradores foi aplicada a legislação pertinente, conforme citada acima. (...)" (sublinhouse) Como se pode observar, além de no acórdão paradigma não restar demonstrado suficientemente que a situação subjacente se assemelha àquela objeto da presente autuação, vê que o seu critério de decidir pela aplicação do PRL 60 foi precisamente a não revenda direta dos produtos importados e sua utilização na produção, confirmada pela ausência de comprovação pela contribuinte de que os bens importados não teriam sido utilizados em seu processo produtivo, carecendo, assim, de similitude fáctica. Isso representa, então, adicionalmente, que os entendimento consignados nos acórdãos comparados são, ao final, convergentes, uma vez que diante de situações em que há emprego do produto no processo produtivo, determinase a aplicação do PRL 60, impedindo, também por essa razão, o estabelecimento da divergência necessária ao conhecimento do recurso. Somente restaria a esse colegiado, assim, eventual possibilidade de apreciação do recurso, caso a divergência tivesse sido apresentada no sentido de que diante de duas situações fácticas semelhantes os julgados às tivessem subsumido a mesma legislação de forma distinta, mas também não foi o caso e, ainda assim, teria que se superar a questão de isso não representar tentativa de se rever matéria fáctica. Afinal, penso que no acórdão paradigma nao há a demonstração de que um procedimento tal qual realizado pela autuada no presente caso seria considerado de agregação de valor, para fins de aplicação do PRL 20, porque é sobre essa questão que demarcou a Fazenda Nacional o objeto do seu recurso especial. Por todas essas razões, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 9101003.504 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 1911DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007571/2003-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1999, 31/05/1998, 30/06/1998
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS - STJ.
O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN).
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato.
Numero da decisão: 9303-007.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS STJ. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 75 71 /2 00 3- 93 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 9303007.023 CSRFT3 Fl. 156 2 dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380301.204 proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1999, 31/05/1998, 30/06/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos lançamentos por homologação, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado quanto ao pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, ainda que via compensação, extinguese o crédito tributário após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que não haja outro prazo fixado em lei, nos termos do art. 150, §4, do Código Tributário Nacional (CTN). Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à equiparação da compensação ao pagamento antecipado para aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Para comprovar a divergência, aponta paradigma o acórdão CSRF/0203.577. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls.133/134. A Contribuinte apresentou petição, ás fls. 141/151. No essencial é o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 9303007.023 CSRFT3 Fl. 157 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, contra a Contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração lavrado em decorrência de auditoria interna da DCTF relativa ao ano calendário de 1998, a fiscalização constatou a falta de recolhimento da COFINS, uma vez que não ficou confirmado o credito vinculado ao processo judicial informado. Por sua vez, a 3º Turma Especial da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento, com fundamento no artigo 150, § 4° do CTN. Alega a Fazenda Nacional, que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (omissão), ou não sendo escorreito esse recolhimento (inexatidão), o prazo decadencial para a constituição do respectivo credito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN. Prima facie, auto de infração foi emitido em 18/06/2003 (fl. 4), com a Contribuinte tendo ciência do lançamento em 23 de julho de 2003, conforme AR à fl. 22, e os fatos geradores objeto do lançamento se referirem ao período de 01/03/1998 a 30/06/1998. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173,I do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 9303007.023 CSRFT3 Fl. 158 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 9303007.023 CSRFT3 Fl. 159 5 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Assim, de um exame meticuloso junto aos autos, não localizei antecipação de pagamento, portanto aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, afasto a decadência declarada no acórdão recorrido, mantenho o lançamento referente aos fatos geradores ocorridos no ano de 1998, com retorno dos autos à turma julgadora a quo para análise das demais questões de mérito. É como voto. Demes Brito Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001309/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, a contagem do prazo decadencial se subsume à hipótese do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos para corrigir os equívocos da decisão anterior, com efeitos infringentes, para declarar a decadência do PIS e da Cofins para os períodos de apuração de 05/2000 a 11/2001, do IRRF para os períodos de 19/05/2000 a 09/12/2001 e do IRPJ e da CSLL para o ano-calendário de 2000. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, a contagem do prazo decadencial se subsume à hipótese do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos para corrigir os equívocos da decisão anterior, com efeitos infringentes, para declarar a decadência do PIS e da Cofins para os períodos de apuração de 05/2000 a 11/2001, do IRRF para os períodos de 19/05/2000 a 09/12/2001 e do IRPJ e da CSLL para o ano-calendário de 2000. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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DECORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DOS ARTS. 72 A 74, DA LEI Nº 4.502/64. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Constatado que a realização das fraudes contra o sistema financeiro concorreram para a omissão de receitas apurada em fiscalização, a contagem do prazo decadencial se subsume à hipótese do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos para corrigir os equívocos da decisão anterior, com efeitos infringentes, para declarar a decadência do PIS e da Cofins para os períodos de apuração de 05/2000 a 11/2001, do IRRF para os períodos de 19/05/2000 a 09/12/2001 e do IRPJ e da CSLL para o anocalendário de 2000. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 09 /2 00 7- 20 Fl. 12884DF CARF MF 2 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Trata o presente processo de embargos apresentados pela autoridade preparadora. Aproveito para transcrever o relatado no despacho de admissibilidade dos embargos. 1. Os Embargos Inominados foram recebidos nos termos do art. 66, caput, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF/2015). 2. O Embargante alega inexatidão material devida a lapso manifesto, em face do Acórdão em Embargos nº 1401001.928, de 22 de junho de 2017, proferido por esta Primeira Turma Ordinária desta Quarta Câmara, sob o seguinte fundamento: pela leitura do Voto do mencionado acórdão, constatase que a extensão do reconhecimento da decadência até novembro de 2002 foi o resultado da aplicação do art. 173, I, do CTN, tendo como referência 30/04/2008 (data considerada como ciência dos lançamentos): [...]. Contudo, conforme consta dos autos de infração, fls. 534/563, inclusive com expressa menção do interessado em seus argumentos sobre a matéria, a ciência dos lançamentos se deu em 30/05/2007. 3. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. 4. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (grifei): De início verificase que o lançamento foi cientificado ao contribuinte apenas em 30/04/2008. A regra do art. 173, I, do CTN define que a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 5. Contudo, do próprio relatório do Acórdão nº 1401001.550, de 1º de março de 2016, constou o seguinte (destaquei): Da impugnação: Essencialmente, a empresa autuada apresentou, em sua impugnação (fls. 530 a 549), os argumentos que assim foram relatados pela decisão recorrida: 1 a impugnação é tempestiva; 2 ocorreu a decadência de todos os tributos em tela, cujos fatos geradores ocorreram antes de 30/05/2002, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, pois os autos de infração foram lavrados em 30/05/2007, conforme argumentos de praxe; [...]; 6. Por fim, do auto de infração de IRPJ (fls. 565), entre outros, se vê: Fl. 12885DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401002.297 S1C4T1 Fl. 12.884 3 Assim relatados, foram admitidos os embargos para análise pela turma. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Passemos a realizar a análise dos pontos requeridos pela embargante e admitidos em despacho de admissibilidade. Entretanto, para efeitos práticos, efetivamente o acórdão do recurso voluntário não decidiu a este respeito. Portanto é necessário sanar a omissão e decidir acerca da ocorrência da decadência em relação aos débitos objeto de lançamento. Neste sentido, com relação à aplicação da regra do art. 173, do CTN, não restam dúvidas quanto à sua possibilidade de aplicação. Até mesmo o embargante a admite, apenas considerando que o prazo seja contado do fato imponível. Por isso, cabe a esta câmara fixar o período de decadência para cada tipo de tributo, posto que diferentes são as contagens. De início verificase que o lançamento foi cientificado ao contribuinte apenas em 30/05/2007. A regra do art. 173, I, do CTN define que a contagem do prazo decadencial Fl. 12886DF CARF MF 4 iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na decisão de Piso, objeto do Recurso Voluntário, àquela delegacia entendeu que, como no presente caso os recursos estavam no exterior, impedindo o conhecimento e ação do fisco, como, mais ainda, o juízo competente para a apuração dos ilícitos somente disponibilizou a documentação relativa às infrações cometidas em 29/04/2004, então considerou que somente no em 2004 os lançamentos poderiam ter sido realizados. Assim, considerou que o marco inicial do prazo de decadência somente ocorreu em 01/01/2005 e, assim, somente se encerraria em 31/12/2009. Efetivamente verificamos, por meio do despacho judicial de fls. 74/78, onde em seu item 26, consta a expressa autorização de compartilhamento das informações com a Receita Federal e Banco Central e COAF. Neste ponto, restanos produzir a seguinte análise: A norma do art. 173, I do CTN que autoriza a postergação do início da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, permite que este marco inicial seja considerado como o marco do conhecimento, por parte da Receita Federal, dos atos e documentos que configuram o ilícito tributário ou que este seria, em todos os casos, o genérico primeiro exercício após o encerramento do período de apuração do fato gerador do tributo. Ocorre que, infelizmente, não se pode interpretar a regra de decadência a partir da ocorrência de cada detalhe de cada processo. O prazo decadencial estabelece um marco a partir do qual a Fazenda Nacional não mais pode realizar lançamentos. Por óbvio a Lei não poderia prever todas as hipóteses futuras de irregularidades puníveis com o lançamento, entretanto, não pode o intérprete suprir esta impossibilidade da formação legislativa com a extensão da contagem do prazo decadencial desprovida de embasamento normativo. Até mesmo porque no caso da contagem da decadência já existe uma regra de extensão nos casos de dolo, fraude e simulação, regra esta já aplicável neste mesmo processo. Por tal razão, entendo neste processo ser cabível apenas aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Neste ponto, corrigindo o equívoco ocorrido na decisão de embargos anteriormente proferida, a data de ciência do lançamento ocorreu, efetivamente, em 30/05/2007, conforme transcrito do próprio auto de infração, cujo excerto consta no relatório do presente voto. Assim, o início da contagem do prazo decadencial postergandose para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado e listandose os débitos objeto de lançamento, assim teríamos os débitos atingidos pela decadência. Tributo PA Período Decaído Período Mantido PIS De: 05/2000 até 03/2004 De 05/2000 até 11/2001 De 12/2001 até 03/2004 COFINS De: 05/2000 até 03/2004 De 05/2000 até 11/2001 De 12/2001 até 03/2004 IRRF De: 19/05/2000 a 08/03/2004 De 19/05/2000 até 09/12/2001 De 02/01/2002 até 08/03/2004 IRPJ De: ac2000 até ac2004 Somente anocalendário 2000 De ac/2001 a ac/2004 CSLL De: ac2000 até ac2004 Somente anocalendário 2000 De ac/2001 a ac/2004 Fl. 12887DF CARF MF Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401002.297 S1C4T1 Fl. 12.885 5 A aplicação da decadência conforme acima indicado decorre do fato de que para os fatos geradores com data de encerramento ocorrida em 31/12/2001, o lançamento somente poderia ocorrer a partir de 01/01/2002 e, assim, conforme a regra do art. 173, I, do CTN, a decadência somente poderia iniciar sua contagem em 01/01/2003 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o débito poderia ter sido lançado) e se encerraria em 31/12/2007. Para os períodos de apuração com data de encerramento até 30/12/2001, o lançamento poderia se realizar a partir de 31/12/2001, desta forma a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2002 e encerrouse em 31/12/2006. Por isso, meu voto é no sentido de conhecer dos embargos para corrigir os equívocos da decisão anterior e declarar a ocorrência da decadência em relação aos débitos abaixo relacionados, pela aplicação do art. 173, I, do CTN e considerando o lançamento realizado em 30/05/2007: PIS e COFINS – Decaídos os débitos do PA de 05/2000 até 11/2001. IRRF – Decaídos os débitos do PA 19/05/2000 até 09/12/2001. IRPJ e CSLL – Decaídos os débitos apenas do anocalendário 2000. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 12888DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000007/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, acompanhado de Declaração de Compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, no valor de RS 135.807,87, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do terceiro trimestre de 2006, após as deduções dos valores das contribuições a recolher. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 00 7/ 20 10 -3 3 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.520 2 Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento, na apuração dos créditos, dos valores que seguem : a) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo I) dos seguintes bens, assim classificados pelo auditor fiscal em função de sua natureza: a. material para embalamento e etiquetas; b. material para montagem de embalagem de transporte (bins); c. material de preparação para transporte da mercadoria; d.produtos para movimentação de cargas: pallet, recarga de gás, gás a granel GLP, entre outros. Relata o auditor fiscal que em diligência à empresa, verificou que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e. material de construção; f. partes e peças de automóvel e lubrificantes: pneu, pneu radial, pneu para trator, câmara de ar, lubrificante toco, óleo hidráulico, entre outros g.combustíveis: gasolina comum e óleo diesel; h. outros itens. b) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo II) dos serviços de fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa; c) as despesas declaradas como de contraprestação de arrendamento mercantil (listadas no Anexo III), por não ser possível atestar ser esta a real natureza jurídica do negócio; esclarece o auditor fiscal que, pelo contratos apresentados, verificase que as despesas decorrem, de fato, de contratos de financiamento de equipamentos, haja vista o fato de os Valores Residuais Garantidos serem parcelados pelo mesmo período do contrato, o que denota que a empresa já estava efetivamente comprando, e não arrendando, o bem correspondente; d) os encargos com a depreciação com recursos florestais, que não estariam a sujeitos a depreciação, mas a exaustão tais como “implantação de maçã”, “maçã” (galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 IIA, 65 HA etc) e “pomar” (Gala e macieira) em razão da falta de previsão legal de crédito (Anexo IV); e) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (listados no Anexo IV) que a autoridade fiscal considerou que não são utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda.(grifei). Manifestação de Inconformidade Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua Manifestação de Inconformidade, por Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.521 3 meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Em relação às embalagens alega, Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (na caso especifico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (vejase os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 3). Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessária a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.522 4 utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário a utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. J á em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo (Doc. 4), o mesmo é contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo.” Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.523 5 Bens do ativo imobilizados A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo 1 V do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito.(grifos do original). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. Assunto: PROCESSO ADMININISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS Do CONTRIBUINTE Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.524 6 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento no regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos, somente dão direito a crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES.CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. REGIME DA NAOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, geram direito a crédito, os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que tais bens estejam diretamente associados à prestação de serviços ou ao processo produtivo de bem destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.525 7 Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 21/05/2012, conforme AR de fl. 198, apresenta em 15/06/2012, fl. 199/241, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, repisando os argumento já aduzidos, requerendo ao final o deferimento total dos créditos pleiteados, com correspondente atualização dos referidos créditos, pela taxa selic, de acordo com o disposto na Lei nº 9.250/95, bem como, caso se faça necessário reapresentar as provas apresentadas quando da Intimação fiscal pela DRF/JOA. Em síntese são as seguinte as razões recursais: a) Das embalagens utilizadas como insumos: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela recorrente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. b) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo 0 direito do contribuinte. ` c) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos da COFINS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da recorrente / contribuinte, z cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. d) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.526 8 de COFINS. Conforme consta no anexo I do Despacho Decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. e) Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil (item 3.1.2 da manifestação de inconformidade): Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram subtraídos os créditos referente despesas de contraprestação de arrendamento mercantil, pois foram considerados que mencionados contratos de arrendamento mercantil são contratos de financiamentos. Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo é contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo. Mesmo porquê, a legislação prevê os créditos, não se operando quaisquer restrições. Toda a base legal está citada nessa manifestação. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. d) Requer o deferimento total dos créditos pleiteados, com correspondente atualização dos créditos pleiteados, pela taxa selic, de acordo com o disposto na Lei nº 9.250/95: É o relatório. Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Despacho Decisório foi precedido do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 29/45, do qual se extrai, em síntese, quanto aos itens que compõem o litígio: O inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 autoriza o creditamento sobre bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos no mês. Segue o texto legal: Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. I) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo I) dos seguintes bens, assim classificados pelo auditor fiscal em função de sua natureza a) Das embalagens utilizadas como insumos:(listadas no Anexo I) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.527 9 Em diligência ã empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens e os materiais apresentados como tampa festiva mark IV colada, fundo mark, fundo papelão a granel, tampa flesta mark IV parda, lamina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, fita adesiva, ribbon eltron zebra, saco plástico liso, entre outros são utilizados exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). (...) As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 88, 89, 96 e 97 do processo flscal n° 10925.000022/201081 ExportaçãoCOFINS). (...) Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 kg de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características citadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Além disso, ripa de madeira de pinus, prego, cantoneira de papelão. entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. g) Combustíveis: gasolina comum e Óleo diesel. II) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo II) dos serviços de fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa; Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II,verificamos que foram computados valores referentes aos fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 101 e 103 do processo fiscal n° 10925000022/201081 Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.528 10 A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. III) as despesas declaradas como de contraprestação de arrendamento mercantil (listadas no Anexo III), por não ser possível atestar ser esta a real natureza jurídica do negócio; esclarece o auditor fiscal que, pelo contratos apresentados, verificase que as despesas decorrem, de fato, de contratos de financiamento de equipamentos, haja vista o fato de os Valores Residuais Garantidos serem parcelados pelo mesmo período do contrato, o que denota que a empresa já estava efetivamente comprando, e não arrendando, o bem correspondente; Conforme Intimação SAORT n° 15.973, a empresa Agricola Fraiburgo apresentou cópias de contra/tos de arrendamento mercantil (fls. 109, 110, 111, 113, 114 e 115 do processo fiscal n° 10925.000\02}2ƒ)1081 ExportaçãoCOFINS). Os valores desses contratos foram lançados como base de cálculo do*PIS/COFINS não cumulativo. Entretanto, em análise apurada, os contratos mostram forma de arrendamento mercantil, mas apresentamse, na sua essência, como contratos de financiamento. Assim, ao invés de arrendar (alugar), a empresa está, na verdade, comprando os equipamentos. Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados.Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. Portanto, como não é possível atestar a natureza jurídica de arrendamento mercantil dos contratos listados para crédito do PIS/COFINS não cumulativo, os valores foram glosados por falta de expressa previsão legal. IV) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (listados no Anexo IV) colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, nebulizador, pinus reflorestamento, refeitório, retifica motor, revisão caixa/câmbio, switch e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. Em face das glosas relatadas, traz a recorrente extenso arrazoado em suas razões de defesa, com citação dos vários dispositivos legais que entende aplicáveis ao caso e segundo sua interpretação amparam seu pleito creditório, bem como deixa consignado que o Despacho Decisório, não denegou as glosas diversas por não estarem comprovadas as operações Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.529 11 respectivas, mas sim por interpretação da legislação, entendendo assim não haver amparo legal ao direito pleiteado. Nesse ponto tem razão a recorrente, ocorre que após a manifestação de inconformidade que deflagrou o litígio, a DRJ em análise técnica minuciosa, tanto da legislação aplicável ao caso como das provas acostadas com relação a cada item glosado, entendeu que havia insuficiência probatória para alguns itens. Em face das glosas relatadas e das considerações trazidas na peça recursal que remetem ao conceito de insumo, fazse mister verificar o marco normativo sobre a matéria conforme a seguir transcrito: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.530 12 VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.531 13 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Assim, conforme dispõem os artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, poderá a pessoa jurídica submetida ao regime da nãocumulatividade descontar créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, observando que até a entrada em vigor da Lei n° 10.685/2004, em 01/05/2004, esse direito ao crédito somente alcançava os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país. A matéria em tela é por demais debatida nesta colenda turma de julgamento, e para evitar longas digressões sobre o conceito de insumo, pontuase em breve síntese que a exegese que se extrai das prescrições dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 quanto à possibilidade de crédito (...em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda) corresponde à terceira posição interpretativa, ou seja, nem tão restritiva como o conceito utilizado pela legislação do IPI, nem tão ampla como o conceito utilizado pela legislação do Imposto de Renda, correspondendo portanto à identificação dos seguintes critérios, na análise do caso concreto: a) bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, ou seja, bens ou serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto; b) bens ou serviços que não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. Por oportuno, cabe registrar que é posição desta relatora que o ônus probatório, que tem sua matriz legal no 1artigo 333 do Código de Processo Civil CPC, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, e na via administrativa submetese ao seguinte regramento do Decreto nº 70.235, de 1972, que no caso em espécie, tratandose de direito creditório, a regra se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou seja cabe ao interessado a prova quanto aos créditos pleiteados. 1 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.532 14 No entanto, essa questão comporta temperamentos, dadas as circunstâncias processuais do caso concreto, submetido à segunda instância de julgamento, assim em face da posição interpretativa acima declinada quanto aos insumos admitidos, considerando a especificidade da atividade desenvolvida pela empresa, que é o cultivo de maçã, a análise do termo de verificação fiscal em cotejo dos anexos I, II, III e V, para essa relatora é insuficiente para à luz da legislação de regência inferir sobre a pertinência ou não de referido insumo no cultivo de maçã, primeiro porque alguns insumos são exemplificativamente citados na segregação dos subitens do referido TVF; segundo, cita o TVF o processo fiscal n° 10925000022/201081 Exportação COFINS, referenciando folhas quanto às embalagens e aos dispêndios com fretes, no entanto as citadas folhas não se encontram acostadas aos autos; e terceiro, uma visita aos autos permite a constatação de que houve duas intimações ao contribuinte, fls.23/24 e 27/28, com solicitação de vários documentos, os quais embasaram o já citado termo de verificação, no entanto, em face da posição interpretativa adotada pela fiscalização deixaram de ser acostadas ao autos. Assim, para essa relatora o processo não está pronto para julgamento, de modo que com fundamento no art. 18, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, voto pela devolução do presente processo ao órgão de origem para a adoção das seguintes providências pela fiscalização, a qual, a seu critério poderá intimar a interessada a complementar as informações, se for o caso: I) Descrever, tal como solicitado no item 7 da INTIMAÇÃO SAORT Nº 15.973, o processo produtivo da empresa, informando os principais insumos utilizados em cada etapa do cultivo de maças; II) Com relação aos seguintes itens: a) Das embalagens utilizadas como insumos: (listadas no Anexo I): demonstrar qual tipo de embalagem utilizada, de forma exaustiva e não apenas exemplificativa utilizada nas etapas do referido processo de cultivo de maças; acostar as folhas do processo fiscal n° 10925000022/201081 Exportação COFINS, citadas no TVF que demonstram o tipo de embalagem utilizada; b) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: demonstrar em qual etapa do processo há a utilização do referido dispêndio; c) Dos valores referentes às aquisições (listadas no Anexo II) dos serviços de fretes: especificar quais fretes estão computados na linha 03 (Serviços utilizados como insumos), e em que etapa do processo produtivo de cultivo de maças ocorre o serviço de tais fretes; acostar aos autos as folhas 101 e 103 do processo fiscal n° 10925000022/2010 81 Exportação COFINS, citadas no TVF: Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referentes aos fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000007/201033 Resolução nº 3302000.734 S3C3T2 Fl. 1.533 15 bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 101 e 103 do processo fiscal n° 10925000022/201081 Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais.(grifei). d) Da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (listados no Anexo IV): demonstrar, de forma exaustiva e não exemplificativa, quais bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para manifestação, devolver o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000912/2003-92
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
PRELIMINAR DA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. FALTA DE JUNTADA AO PROCESSO DO ATO DE EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE CIRCUNSTANCIAL DE CONTROLE DE LEGALIDADE DO ATO.
A falta de juntada ao processo do ato de exclusão do Simples é matéria de ordem pública que prejudica a caracterização inequívoca do fato que motivou a exclusão em consonância com a norma legal. A RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo e não o fez como provado cabalmente por impossibilidade circunstancial de controle da legalidade ato administrativo em sede de instauração de litígio. Sendo uma preliminar de vício insanável fica prejudicado o julgamento do mérito devida a incompatibilidade entre ambos.
Numero da decisão: 1003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 PRELIMINAR DA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. FALTA DE JUNTADA AO PROCESSO DO ATO DE EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE CIRCUNSTANCIAL DE CONTROLE DE LEGALIDADE DO ATO. A falta de juntada ao processo do ato de exclusão do Simples é matéria de ordem pública que prejudica a caracterização inequívoca do fato que motivou a exclusão em consonância com a norma legal. A RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo e não o fez como provado cabalmente por impossibilidade circunstancial de controle da legalidade ato administrativo em sede de instauração de litígio. Sendo uma preliminar de vício insanável fica prejudicado o julgamento do mérito devida a incompatibilidade entre ambos.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 PRELIMINAR DA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. FALTA DE JUNTADA AO PROCESSO DO ATO DE EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE CIRCUNSTANCIAL DE CONTROLE DE LEGALIDADE DO ATO. A falta de juntada ao processo do ato de exclusão do Simples é matéria de ordem pública que prejudica a caracterização inequívoca do fato que motivou a exclusão em consonância com a norma legal. A RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo e não o fez como provado cabalmente por impossibilidade circunstancial de controle da legalidade ato administrativo em sede de instauração de litígio. Sendo uma preliminar de vício insanável fica prejudicado o julgamento do mérito devida a incompatibilidade entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 09 12 /2 00 3- 92 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 258 2 Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000, a partir de 01.11.2000 com fundamento na "existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União perante a PGFN”, de acordo com os arts. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, fls. 167169 e 173175. A empresa manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando em 17.10.2003 a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, fls. 0102, com pedido de revisão do ato em rito sumário. Argumenta em síntese que a sua situação fiscal está regular dado que os sistemas internos da RFB não computou o pagamento de tributo no código 3657 efetuado em 30.09.1997 no valor total de R$105,88, conforme DARF autenticado, fl. 24. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF Limeira/SP, fls. 177 178, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que: A pessoa jurídica acima identificada foi excluída do SIMPLES, a partir de 01/11/2000, pela existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União perante a PGFN, da empresa, com base no art. 9º, inciso XV da Lei n° 9.317/1996, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000 (fl. 167). Conforme registro constante do sistema SUCOP, a notificação foi entregue ao destinatário (fl. 165), porém não foi localizado o respectivo AR. O processo que deu causa à exclusão, no âmbito da PGFN, foi o de número 10830.257212/9735, correspondente à inscrição em Dívida Ativa da União n° 80 6 97 126507 00. Pesquisandose os sistemas da PGFN, verificouse que a inscrição relativa ao processo acima mencionada somente foi extinta por pagamento em 29/11/2006. O interessado junta, para a devida análise, cópia do Contrato Social da pessoa jurídica, cuja atividade econômica assim está descrita: "comércio de materiais médicocirúrgicohospitalares " (vide fls. 30 a 65). É o relatório. Passo a informar e decidir. A pretensão da pessoa jurídica, consistente no fato de procurar optar pela sistemática instituída pelo SIMPLES, conforme restou amplamente demonstrado, reúne condições de prosperar, a partir de 01/01/2007, anocalendário seguinte à regularização das suas pendências com a PGFN. CONSIDERANDO que esta decisão não elide o direito que tem a Fazenda Pública de realizar futuras verificações quanto à situação tributária declarada. Isso posto, DECIDO deferir a reinclusão da empresa no SIMPLES a partir de 01/01/2007. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/Ribeirão Presto/SP nº 1433.146, de 19.05.2011, fls. 213215: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 259 3 DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. EXCLUSÃO. Comprovado nos autos que a pendência perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que motivou a exclusão da contribuinte somente foi regularizada em 24/11/2006, somente cabe sua inclusão a partir de 01/01/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 19.05.2011, fl. 217, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.06.2011, fls. 220229, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge esclarecendo: 2 O débito que originou esta inscrição, fora uma contribuição social referente ao mês 11/1992, que foi recolhida a menor [...]. 3 Essa diferença foi recolhida em 30/09/1997, sob o código 3657, no valor de R$ 105,88 sendo R$ 58,15 o valor principal, R$ 11,63 o valor da multa e 36,10 o valor dos juros [...]. 4 Convém ressaltar que o representante legal da empresa nunca foi notificado acerca da dívida, nem mesmo de sua inscrição em dívida ativa, tomando conhecimento dos fatos apenas em 2003, quando efetivamente excluída do simples, vez que a partir daí a entrega da declaração do SIMPLES deixou de ser aceita pela internet, sendo aceita apenas na unidade da SRF Mogi Guaçu (SP). 5 Em 01/10/2003, a empresa realizou uma consulta junto à Procuradoria da Fazenda Nacional e soube que havia sido inscrita na dívida ativa em 02/09/1997; 6 Apresentados os esclarecimentos à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Campinas, na data de 03/10/2003, [...] prestando as informações necessárias, mencionando que o débito que gerou a inscrição em dívida ativa em 02/09/1997 foi quitado em, 30/09/1997, ou seja, 27 dias depois de inscrita a dívida juntando os documentos comprobatórios; [...]. 8 Em 02/03/2006 a empresa recebeu o Ofício Apoio n° 209/2006 da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Campinas, referente ao Processo n° 10830.257212/9735, que diz respeito à inscrição do débito em dívida ativa, [a] PSFN de Campinas informou o seguinte [...]: "Tendo em vista requerimento protocolado nesta Procuradoria, referente DARF de pagamento relativo ao processo supra, informo que a empresa deverá entrar com pedido de Redarf junto à Receita Federal, para retificação dos campos, a fim de alocar o respectivo pagamento no sistema da dívida ativa." 9 Assim sendo, em 17/03/2006 a empresa apresentou junto à SRF pedido de retificação de DARF Redarf [...] informado o ocorrido e juntando toda documentação necessária, recebendo apenas em fevereiro de 2009 o comunicado [...]: 11 O indeferimento do pedido de Redarf foi incoerente, visto que independente do débito estar quitado a retificação solicitada NÃO TRARIA QUALQUER PREJUÍZO AOS COFRES PÚBLICOS, e corrigiria um recolhimento feito sob o código errado, pois além disso, há um processo administrativo em trâmite que depende desta retificação. A meu ver, esse indeferimento do REDARF quer dizer: "já que débito foi pago não há porque corrigilo". [...]. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 260 4 15 De fato a empresa nunca deveria ter sido excluída do SIMPLES, pois o débito que gerou toda essa peregrinação burocrática sem fim, foi recolhido em 30/09/1997, no valor de R$ 105,88, sendo R$ 58^,15 o valor principal, R$ 11,63 valor da multa e R$ 36,10 o valor dos juros, sendo o mesmo não computado falhamente por esse órgão. Conclui: Por todo exposto, respeitosamente requerse a V. S.a, que reconsidere a decisão proferida e reconheça o pagamento do débito, que foi objeto de redarf e que gerou a inscrição da dívida ativa, pagamento esse realizado em 30/09/1997, no valor de R$ 105,88, sendo R$58,15 o valor principal, R$ 11,63 valor da multa e R$ 36,10 o valor dos juros, e assim sendo deferida a reinclusão da empresa no SIMPLES da data em que foi excluída, ou seja, em 2000, por motivo de JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Antes de analisar o mérito, cabe examinar a preliminar de matéria de ordem pública de falta de juntada do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 261 5 o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. Em relação ao ato administrativo vinculado o qual consubstancia a exclusão do Simples, a Lei nº 9.317, de 1996, determina: Art. 15 [...] § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Nesse sentido, a falta da juntada da cópia do ato administrativo litigioso é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida de ofício a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Vale observar que tratandose de ato vinculado temse que a lei define todos os seus aspectos e a Administração exige procedimentos especiais e forma legal para que se expresse como requisito de validade2. Conforme Despacho Agência da Receita Federal do Brasil em Mogi Guaçu/SP de 31.10.2008, restou esclarecido, fls. 173175: Não obtivemos êxito na localização do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL, bem como seu respectivo AR, em que pese todos os esforços, conforme se observa às fls. 173 e 174. No sistema SIVEX não há segunda via do ato declaratório, fls. 169. O contribuinte também não o apresentou, apesar da intimação de fls. 20. Juntei ao processo cópia das telas dos sistemas SIVEX, SUCOP e o extrato do sistema TRATAM, fls. 165 a 172, conforme solicitado no despacho de fls. 164, verso. Ademais, está registrado na tela do Sistema de Vedação e Exclusão do Simples Sivex, fl. 169, para a Recorrente: Consulta Segunda Via de ADE Nenhum Ato Declaratório encontrado para o CNPJ 67.191.916/00 Está registrado no voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/Ribeirão Presto/SP nº 1433.146, de 19.05.2011, fls. 213215, cujos fundamentos de fato e de direito devem ser aplicados nesta segunda instância de julgamento: Da análise dos documentos acostados ao processo, verificase que de fato a contribuinte quitou a dívida inscrita na PGFN em 24/11/2006, relativa à CSLL, no valor originário de R$58,14, constantes do processo n° 10830.257212/9735, correspondente à inscrição n° 80 6 97 12650700, motivo pelo qual lhe foi deferido manterse no Simples somente a partir de 01/01/2007. 1 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 MEIRELLES, Hely Lopes, Direito administrativo brasileiro. 23ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998. p. 130137. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 262 6 Consta dos autos que a contribuinte, recolhera a tal diferença de CSLL no valor originário de R$ 58,15 em 30/09/1997, sob o código 3567 "CSLL cobrança", diferença que lhe havia sido cobrada pela notificação de fl. 11 e que a contribuinte em 30/09/1997, recolheu em Darf (fls. 12 e 198/199). No entanto, tal pagamento não teve o condão de extinguir a dívida regularmente inscrita na PGFN, situação que perdurou até o pagamento efetuado pela contribuinte sob o código correto. Assim sendo, reputo que somente foi afastada a ocorrência do fato que deu motivo à exclusão, em 24/11/2006, estando correta sua inclusão a partir de 01/01/2007, conforme o despacho decisório recorrido, que não merece reparo. De acordo com o que está registrado no referido Comunicado, o Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000, não consta nos autos nem foi localizada cópia nos sistemas internos da RFB, o que torna inócua uma possível realização de diligência com esse escopo. Assim não se pode comprovar o literal enunciado ali expresso como fundamento da exclusão, inclusive para que se possa examinar as circunstâncias factuais para aplicação do enunciado da Súmula CARF n° 22. Em relação a esta matéria, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 22, que é de adoção obrigatória (arts. 72 do Anexo II da Portaria n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Sobre a matéria a Lei nº 9.317, de 1996, determina: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XV – que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] De acordo com a tela do Sistema de Vedação e Exclusão do Simples Sivex, fl. 168, consta que no CNPJ 67.191.916/000147 da Recorrente: Lote Situação Irregularidade 002 Excluída Pendência da Empresa junto a PGFN Atinente a tela do Sistema de Vedação e Exclusão do Simples Sivex, fl. 167, está registrado: CNPJ : 67.191.916/000147 Nome Empresarial : MEDITAL DESCARTÁVEIS HIGIENE E LIMPEZA LTDA ME Histórico das Atualizações Data [...] Atualização Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 263 7 29/09/2000 [...] EMITIDO ATO DECLARATÓRIO NR 0358316 NO LOTE 2 CICLO 1 03/11/2000 [...] GERADA CORRESPONDÊNCIA PARA A EMPRESA, JUNTAMENTE COM EXTRATO DOS DÉBITOS INSCRITOS NA PGFN. 24/02/2001 [...] EXCLUÍDO DA BASE CNPJ COM DATA EFEITO 01/11/2000 E CÓDIGO DE EVENTO 303 Assim, não se pode comprovar que o Demonstrativo de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da PFN relativamente à Recorrente, fls. 0708, acompanhou a ato de exclusão. Ainda, tão somente este demonstrativo não é o ato formal, hábil e idôneo indicado na legislação suficiente para produzir os mesmos efeitos do ato declaratório de exclusão emitido pela autoridade fiscal da RFB que jurisdiciona a Recorrente, tampouco pode suprirlhe a falta. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fica excetuada da restrição partir de 14.10.2005 a pessoa jurídica optante que comprova, na unidade da RFB com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, a quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa3. Sobre a matéria, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim determina: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. [...] Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. É fato incontroverso que nos autos constam apenas menção a respeito do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000 e não sua cópia extraída dos sistemas internos da RFB. Assim, dispondo a lei assegurou expressamente à pessoa jurídica excluída o direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios originariamente previstos no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, e colocou a exclusão de ofício do Simples ao amparo da legislação de regência do processo administrativo com a finalidade de implementar o exercício funcional de controle de legalidade do ato administrativo. Em conseqüência, a juntada aos autos do ato declaratório é imprescindível para a caracterização inequívoca do fato que o motivou a exclusão em consonância com a norma legal, já que a RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo por ela emitidos. 3 Fundamentação legal: inciso XV do art. 9º e § 5º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e Súmula CARF nº 22. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.013 S1C0T3 Fl. 264 8 Em relação ao julgamento da preliminar, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. [...] Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase que a ausência comprovada de forma cabal do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000, nos presentes autos pressupõe vício processual insanável, já que tratase de vício de saneamento não possível, embora as autoridades preparadoras tenham envidado todos os esforços possíveis com a finalidade de juntar o ato administrativo. Assim, como se trata de questão preliminar de matéria de ordem pública que é incompatível com o mérito, o julgamento das alegações da Recorrente sobre sua regularidade fiscal ficam prejudicadas. Por conseguinte, a falta de juntada ao processo do ato de exclusão do Simples é matéria de ordem pública que prejudica a caracterização inequívoca do fato que motivou a exclusão em consonância com a norma legal. A RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo e não o fez como provado cabalmente por impossibilidade circunstancial de controle da legalidade ato administrativo em sede de instauração de litígio. Sendo uma preliminar de vício insanável fica prejudicado o julgamento do mérito devida a incompatibilidade entre ambos. Em assim sucedendo, voto dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 264DF CARF MF
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