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    <str name="ementa_s">Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/02/2010
AGENTE MARÍTIMO.  INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA.  ILEGITIMIDADE PASSIVA.  INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante  do transportador  estrangeiro,  comete  a infração  por  atraso  na  informação  sobre  carga  transportada  responde  pela multa sancionadora da referida infração.

Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/02/2010
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.
É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação  sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  LEGITIMIDADE PASSIVA.  O recorrente na condição de agente de  carga  possui  legitimidade  passiva  nos  termos previstos na lei.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ E DO CARF.
Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 126, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.


Assinado Digitalmente
GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator

Assinado Digitalmente
Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente

Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Keli Campos de Lima, Luiz Carlos de Barros Pereira, Neiva Aparecida Baylon, Renan Gomes Rego (substituto integral) e Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente)
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 

PROCESSO  11128.000995/2010-79  

ACÓRDÃO 3002-003.508 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA    

SESSÃO DE 20 de fevereiro de 2025 

RECURSO VOLUNTÁRIO 

RECORRENTE MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA. 

INTERESSADO FAZENDA NACIONAL 

Assunto: Obrigações Acessórias 

Data do fato gerador: 10/02/2010 

AGENTE MARÍTIMO.  INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA 

INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA.  ILEGITIMIDADE PASSIVA.  

INOCORRÊNCIA.   

O agente marítimo que, na condição de representante  do transportador  

estrangeiro,  comete  a infração  por  atraso  na  informação  sobre  carga  

transportada  responde  pela multa sancionadora da referida infração.  

 

Assunto: Processo Administrativo Fiscal 

Data do fato gerador: 10/02/2010 

PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.    

É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação  

sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no 

prazo  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  

LEGITIMIDADE PASSIVA.  O recorrente na condição de agente de  carga  

possui  legitimidade  passiva  nos  termos previstos na lei.  

MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA 

ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ 

E DO CARF.  

Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 126, aprovada pela 3ª Turma da 

CSRF em 03/09/2018, a denúncia espontânea não alcança as penalidades 

infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da 

inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do 

Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo 

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 2 

após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66, dada 

pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. 

ACÓRDÃO 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as 

preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. 

 

 

 

Assinado Digitalmente 

GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator 

  

Assinado Digitalmente 

Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente 

 

Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gisela Pimenta Gadelha 

Dantas, Keli Campos de Lima, Luiz Carlos de Barros Pereira, Neiva Aparecida Baylon, Renan Gomes 

Rego (substituto integral) e Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente) 

 
 

RELATÓRIO 

Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão que julgou 

improcedente a Impugnação apresentada contra o auto de infração lavrado para cobrança de 

multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por não prestar informações sobre carga transportada 

dentro do prazo estabelecido em norma, nestes termos: 

 

“Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias 

pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos 

dispositivos legais mencionados. 

 

001 - NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA 

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ACÓRDÃO  3002-003.508 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA  PROCESSO  11128.000995/2010-79 

 3 

TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR 

INTRODUÇÃO 

0 autuado deixou de cumprir o prazo estabelecido para prestação de informações 

relativas à chegada de veículo procedente do exterior, o que ensejou a aplicação de 

penalidade prevista na legislação em vigor, como ficará demonstrado no decorrer 

do presente auto de infração.” 

 

Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação alegando em 

síntese que: 1) ilegitimidade passiva; 2) vício formal no auto de infração; 3) o transportador não 

deixou de prestar informações inserindo as informações necessárias ao Sistema, sempre com a 

antecedência exigida; 3) Ainda que, eventual informação tenha sido adicionada posteriormente, 

ou mesmo retificada, o registro no SISCOMEX de dados relativos a um transporte marítimo, 

mesmo que seja fora do prazo, mas ANTES da lavratura de um auto de infração, equivale, para 

todos os efeitos, a uma denúncia espontânea, o que afasta a aplicação de penalidade. 

 

Em julgamento, acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por 

unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 

 

“ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 

Data do fato gerador: 10/02/2010 

Obrigação acessória. 

Informação sobre carga transportada. Prestação efetuada a destempo. Multa 

prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei no 37/66. Norma de conduta. Tipificação. 

Inaplicabilidade da denúncia espontânea. 

Impugnação Improcedente 

Crédito Tributário Mantido” 

 

Irresignada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, ora em análise, para 

reformar integralmente o acórdão recorrido, reiterando todos os argumentos anteriormente 

apresentados em sede de Impugnação. 

 

 

É o relatório. 

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 4 

 

 
 

VOTO 

Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Conselheira Relatora 

 

Preliminar 

 

- Da alegação de ilegitimidade passiva: 

A Recorrente aduz que a obrigação de prestar informações é do transportador e 

que como ela que não é transportadora, mas, tão somente, atuou como agente de transportador 

marítimo ao emitir os conhecimentos de embarque a que se refere o auto de infração. Por 

conseguinte, defende que não poderia ter sido responsabilizada pelo cometimento da infração.  

O caput do art. 37 do Decreto-lei nº 37/1966, dispõe sobre a obrigação do 

transportador de prestar as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a 

chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado, deixando para a RFB a definição da 

forma e do prazo como isso deve ser feito:  

Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no 

prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem 

como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado.  

 

O caput e o § 2º, do art. 4º da IN RFB nº 800, de 2007, expressamente disciplinam a 

obrigatoriedade de representação do transportador estrangeiro por uma agência marítima 

nacional. Essa medida tem por objetivo nomear um responsável no Brasil, pelos atos cometidos 

por um estrangeiro, tendo em vista as dificuldades legislativas de obrigá-lo, especialmente quando 

ele não mais se encontrar no País.  

 

Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, 

também denominada agência marítima. 

[...] 

§ 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. 

 

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 5 

O art. 5º desta mesma IN RFB nº 800, de 2007, ao dispor que as referências feitas a 

transportador abrangem a sua representação por agência de navegação, acabam por obrigar o 

agente marítimo no que diz respeito à prestação de informações sobre o veículo e sobre as cargas 

nele transportadas, da mesma forma que está obrigado o transportador por ele representado. 

 

Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho:   

 

Assunto:  Obrigações  Acessórias   

Data  do  fato  gerador:  16/05/2008   

AGENTE  MARÍTIMO.  INFRAÇÃO  POR  ATRASO  NA  PRESTAÇÃO  DA  INFORMAÇÃO  

SOBRE  CARGA  TRANSPORTADA.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  INOCORRÊNCIA.   

O  agente  marítimo  que,  na  condição  de  representante  do transportador  

estrangeiro,  comete  a infração  por  atraso  na  informação  sobre  carga  

transportada  responde  pela multa sancionadora da referida infração. (…)." 

(Processo  11128.007671/2008-47  Data  da  Sessão  25/05/2017  Relatora  Maria  

do  Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão  3302-004.311  -grifei)   

 

Assunto:  Obrigações Acessórias   

Data do fato gerador:  06/02/2011   

INFRAÇÃO.  LEGITIMIDADE PASSIVA.  AGENTE MARÍTIMO.   

O agente marítimo que, na condição  de  representante  do  transportador  

estrangeiro,  comete  a  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação  de  

embarque  responde  pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da 

Turma.  Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado.  Crédito 

Tributário Mantido."  (Processo 11684.720091/2011-39  Data  da  Sessão  

27/11/2013  Relator  Solon  Sehn  Nº  Acórdão  3802-002.315)   

 

Cabível destacar a Súmula CARF nº 185, aprovada pela 3ª Turma da CSRF, em sessão 

de 06/08/2021, vejamos: 

Súmula CARF nº 185 - O Agente Marítimo, enquanto representante do 

transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 

inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 

12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). 

 

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 6 

Destarte, resta claro que a recorrente, na condição de representante do 

transportador estrangeiro, estava obrigada a prestar as informações sobre o veículo e sobre as 

cargas nele transportadas, na forma e no prazo estabelecidos na IN SRF nº 28, de 1994, 

respondendo por eventuais infrações ocorridas.  

 

- Da alegação de nulidade do auto de infração: 

 

Ainda em sede de preliminar, argui a recorrente que o Auto de Infração padece de 

vício formal, por ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Contesta que, “da narrativa não 

se extrai qual foi o prazo descumprido e muito menos em que momento isto ocorreu. A descrição 

dos fatos é vaga e não permite identificar com clareza os elementos que ensejaram a aplicação da 

multa”. 

Avaliando as possíveis afrontas ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, apontadas 

pela recorrente, verifica-se que o Auto de Infração preenche todos os requisitos de forma, 

contando com uma fundamentação adequada e tendo identificado as razões de fato e de direito 

que ensejaram a aplicação da multa contra o sujeito passivo identificado.  

Ao contrário do que afirma a recorrente, o relatório fiscal é bastante claro quando 

demonstra com clareza os fatos, nestes termos: “Em 07/10/2009 foi protocolado o PCI nº 

009/801.785 solicitando o desbloqueio, no sistema CARGA, do manifesto n° 150.9B0.173.901-0, 

pois este foi registrado fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio 

automático gerado pelo sistema (doc.01). Pesquisando no Siscomex Carga, verifica-se que figura 

como transportador responsável, portanto obrigado a prestar as informações à RFB, a empresa 

MAERSK BRASIL (BRASMAR) LTDA, CNPJ no 30.259.220/0003-67. ” 

Além disso, não foi possível perceber qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla 

defesa, tanto que a recorrente produziu extensas e densas peças impugnatórias e recursais, 

atacando todos os fundamentos da autuação.  

 

Pelo exposto, rejeito também a preliminar de vício formal no Auto de Infração. 

 

Mérito 

 

- Da alegação pelo não cometimento da infração: 

 

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 7 

A IN RFB n° 800/2007, que especifica a forma e o prazo em que os transportadores 

deverão prestar as informações sobre carga e veículo procedente do exterior ou a ele destinado e, 

no que tange ao prazo para prestação da informação, dispõe, em seu artigo 22 o que segue: 

 

" Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à 

RFB: 

(...) 

II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de 

CE a manifesto e de manifesto a escala: 

(...) 

d)quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e 

respectivo CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (...)" 

 

O prazo estabelecido pela Receita Federal no artigo 22  da  IN/SRF  800  de  2007,  é  

de  48  horas antes  da chegada  da  embarcação  a  descarregar em porto nacional.  

Consta no histórico de bloqueio anexado a estes autos que a sua causa foi a 

vinculação/alteração de manifesto após o prazo de atracação, vejamos: 

 

 

No próprio pedido de desbloqueio no sistema CARGA, a autuada apresenta como 

motivo da solicitação “omissão quando da atracação do navio Leda Maersk no porto de Rio 

Grande”, portanto, quanto ao fato inexiste qualquer dúvida. 

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 8 

Desta forma,  comprovado  que  a  empresa  transportadora  prestou  as  

informações  a  destempo,  após  mais  de  48  horas  da  chegada  da  embarcação,  deve  ser  

efetivamente aplicada a penalidade.    

Depreende-se pela leitura do art. 107, IV, "e", do Decreto Lei n.º 37/1966, que a 

penalidade é aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, 

ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da  Receita Federal 

na forma e prazo por ela prevista:  

 

"Art. 107. Aplicam- se ainda as seguintes multas:   

(...)   

IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  

(...)   

 

e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou 

sobre as operações que execute, na forma e no  prazo  estabelecidos  pela  

Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  

inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  

porta­a­porta, ou ao agente de carga; e"  

 

Assim vem entendo este Egrégio Tribunal Administrativo, vejamos abaixo: 

 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  

Data do fato gerador: 26/03/2011   

PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.    

É  devida a multa  pelo  descumprimento  da  obrigação  de  prestar informação 

sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo  

estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.   

 

- Denúncia espontânea: 

 

Alega a Recorrente que teria procedido ao registro de dados do embarque fora do 

prazo previsto na legislação, porém, antes de qualquer medida de fiscalização das autoridades 

administrativas e, por esta razão, aduz que estaria afastada a aplicação da multa objeto da 

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ACÓRDÃO  3002-003.508 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA  PROCESSO  11128.000995/2010-79 

 9 

autuação, em razão da espontaneidade do procedimento, nos termos do artigo 102 do Decreto-

Lei n°. 37/66 e 138, do Código Tributário Nacional, os quais rezam, respectivamente: 

 

Art. 102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do 

pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente 

penalidade. (Redação dada pelo Decreto-Lei n°. 2.472, de 01.09.1988).” 

 

Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, 

acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, 

ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o 

montante do tributo dependa de apuração. 

 

No entanto, esta matéria já se encontra pacificada na instância administrativa, nos 

termos da Súmula Vinculante CARF nº 126, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018:  

 

A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento 

dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela 

Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à 

administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do 

Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, 

conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos 

Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-

001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 

27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-

001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 

26/04/2016; 9303- 004.909, de 23/03/2017.  

 

A matéria também se encontra consolidada no âmbito do Poder Judiciário, 

conforme jurisprudência pacífica do STJ. Trago como precedente o AgInt no AREsp 2.031.251/SP, 

Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 02/08/2022:  

 

EMENTA  

 

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. 

PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÕES. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA 

Fl. 144DF  CARF  MF

Original



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ACÓRDÃO  3002-003.508 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA  PROCESSO  11128.000995/2010-79 

 10 

AUTORA NÃO AFASTADA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. MULTA POR DESCUMPRIMENTO 

DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 

INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.  

 

1. O Tribunal de origem, no enfrentamento da matéria, asseverou: "A multa 

aplicada é motivada pelo descumprimento de prazo para a apresentação de 

informações/documentos eletrônicos por parte do responsável, estimulando o ente 

privado a observar um tempo mínimo para inserir dados em sistema de controle da 

Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, pois estes são essenciais para o 

controle e a fiscalização preventiva das informações de cargas oriundas ou 

destinadas ao exterior. (...) No caso, a autora, ora apelante, não comprovou a 

exclusão de sua responsabilidade no fornecimento e alimentação das informações 

devidas, no prazo estabelecido pela SRFB. (...) Ao contrário do que entende a autora, 

ora apelante, não cumpridos os prazos regularmente estabelecidos para a prestação 

das informações sobre as cargas transportadas, legítima se mostra a imposição de 

multa pela autoridade fiscal" (fls. 410-417, e-STJ).  

2. A instância de origem decidiu a questão com base no suporte fático-probatório 

dos autos, cujo reexame é inviável no Superior Tribunal de Justiça.  

3. Ademais, verifica-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o 

entendimento do STJ de que "a denúncia espontânea não tem o efeito de impedir a 

imposição da multa por descumprimento de obrigações acessórias autônomas" 

(AgInt no AREsp 1.706.512/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, 

julgado em 24/2/2021, DJe 26/2/2021).  

4. Agravo Interno não provido. Nesse contexto, voto por negar provimento a este 

pedido.  

 

Conclusão 

Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao 

Recurso Voluntário. 

 

É como voto. 

 

Assinado Digitalmente 

GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS 
 

 

 

Fl. 145DF  CARF  MF

Original


	Acórdão
	Relatório
	Voto

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