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Numero do processo: 11020.002030/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO FRAUDULENTA X APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN PELAS MESMAS RAZÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação se subsumem ao disposto no § 4º do art. 150 do CTN. Excepcionalmente, o prazo decadencial é deslocado para o inciso I do art. 173 do CTN quando não há pagamento antecipado do tributo sujeito à homologação ou quando há constatação de dolo, fraude ou simulação. Da configuração das três condutas descritas, infere-se que deve ser considerada para tanto somente a conduta intencional e ilícita de causar dano, o que não abarca a simulação sem fraude.
ALEGAÇÃO NÃO ENFRENTADA. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVER DE FUNDAMENTAÇÃO. A regra é de que o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes nem responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Apenas haverá cerceamento de defesa caso o argumento não analisado pelo julgador possa, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável.
CONFUSÃO PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO. ATIVIDADE QUE REVELA A EXISTÊNCIA DE UMA ÚNICA EMPRESA. A ausência de efetiva segregação entre as entidades e a consequente constatação de que as pessoas jurídicas realizam uma única atividade permite a reunião e a tributação conjunta, como uma única empresa.
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Constatado que a escrituração não se presta à apuração do lucro real, em razão da localização de pagamentos não identificados ou escriturados e de documentos fiscais não contabilizados, deve o lucro ser arbitrado nos termos do artigo 530, II, do RIR/99.
MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio -- respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher de ofício a decadência do 1º Trimestre de 2004 (IRPJ e CSLL) e, quanto ao PIS e Cofins, acolher no período de janeiro a maio de 2004. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Relatora) que aplicava o art. 173, I do CTN. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial apenas para desqualificar a multa de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes votou pelas conclusões na desqualificação da multa. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa,para redigir o voto vencedor em relação à decadência.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO FRAUDULENTA X APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN PELAS MESMAS RAZÕES. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação se subsumem ao disposto no § 4º do art. 150 do CTN. Excepcionalmente, o prazo decadencial é deslocado para o inciso I do art. 173 do CTN quando não há pagamento antecipado do tributo sujeito à homologação ou quando há constatação de dolo, fraude ou simulação. Da configuração das três condutas descritas, inferese que deve ser considerada para tanto somente a conduta intencional e ilícita de causar dano, o que não abarca a simulação sem fraude. ALEGAÇÃO NÃO ENFRENTADA. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVER DE FUNDAMENTAÇÃO. A regra é de que o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes nem responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Apenas haverá cerceamento de defesa caso o argumento não analisado pelo julgador possa, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 30 /2 00 9- 85 Fl. 1588DF CARF MF 2 CONFUSÃO PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO. ATIVIDADE QUE REVELA A EXISTÊNCIA DE UMA ÚNICA EMPRESA. A ausência de efetiva segregação entre as entidades e a consequente constatação de que as pessoas jurídicas realizam uma única atividade permite a reunião e a tributação conjunta, como uma única empresa. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Constatado que a escrituração não se presta à apuração do lucro real, em razão da localização de pagamentos não identificados ou escriturados e de documentos fiscais não contabilizados, deve o lucro ser arbitrado nos termos do artigo 530, II, do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher de ofício a decadência do 1º Trimestre de 2004 (IRPJ e CSLL) e, quanto ao PIS e Cofins, acolher no período de janeiro a maio de 2004. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Relatora) que aplicava o art. 173, I do CTN. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial apenas para desqualificar a multa de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes votou pelas conclusões na desqualificação da multa. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa,para redigir o voto vencedor em relação à decadência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.589 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao período de 01/2004 a 12/2008, realizada por meio de arbitramento do lucro com base no artigo 530, II, do RIR/99. Segundo o auto de infração "A escrituração mantida pelo contribuinte (Livro Diário), é imprestável para determinação do Lucro Real, em decorrência de diversas 'inconsistências, erros, falhas, vícios, omissões, relatadas no RELATÓRIO FISCAL que é parte integrante do presente Auto de Infração." O arbitramento teve como base de cálculo a receita declarada pela autuada mais a receita declarada da MG Mecânica Suport Ltda. EPP (MG Mecânica), CNPJ n° 04.727.743/0001419, na modalidade Simples. A inclusão na base de cálculo das receitas auferidas pela MG Mecânica se deu em virtude de ter sido desconsiderada da condição de pessoa jurídica independente, para fins de incidência dos tributos lançados. Sobre a fiscalização, reproduzo em parte o relatório da decisão recorrida: Segundo a fiscalização, a MG Mecânica é, na realidade, apenas um setor industrial do contribuinte fiscalizado, em face dos fatos apurados a seguir, em síntese: as duas PJ estavam instaladas no mesmo local e são comuns, a caixa postal, o logo, os telefones, o fax, o sítio na internet e o endereço eletrônico; os administradores eram os mesmos para as duas empresas e as sócias da MG eram cônjuges dos sócios da Rodotécnica; as duas PJ foram constituídas em época próxima (agosto e outubro de 2001) e que a transferência de Caxias do Sul para Bento Gonçalves ocorreu simultaneamente em meados de 06/2004, tendo atividades relacionadas ("fabricação de equipamentos de transporte" e "serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores"); a MG Mecânica não possui qualquer despesa ou custo industrial (exceção dos gastos de salário e encargos), bem como não registra despesas em relação aos veículos que possui; as informações declaradas através das Guias de informações e Apuração do ICMS (GIA) mensal demonstram haver no período de julho/2005 a julho/2007 o mesmo consumo de energia elétrica nas duas PJ; há utilização do mesmo quadro de pessoal para as duas PJ, bem como os veículos constantes do ativo imobilizado são utilizados por ambas; há centenas de documentos fiscais da Rodotécnica que são registrados nos livros fiscais e no caixa da MG e viceversa. E não se trata de engano, mas sim de sociedades que se confundem. Não há qualquer separação de custos, despesas e gastos. A confusão é permanente. É comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma pessoa jurídica com o endereço de outra e viceversa. Fl. 1590DF CARF MF 4 Tais situações estão evidenciadas nos elementos apresentados às folhas 86/105 dos autos; Diante de tais fatos, a autoridade fiscal conclui que a criação da MG Mecânica é uma mera simulação, objetivando vantagem tributária, já que com a divisão em duas, a receita bruta de uma delas possibilitava a inclusão no SIMPLES e o consequente benefício da redução dos tributos e contribuições lançados, bem como redução dos encargos previdenciários sobre a mão de obra empregada. Quanto à escrituração mantida pela autuada para determinação do lucro real, diz o autuante que, além dos fatos acima mencionados, que por si só, já são suficientes para a sua não aceitação, constatou, ainda, que muitos documentos de pagamentos dos gastos e despesas são contabilizados na conta caixa de forma indevida, uma vez que transferências bancárias e cheques compensados são contabilizados como suprimento de caixa (débito da conta), sem as correspondentes contrapartidas da saída dos recursos (crédito da conta). Informa que esse procedimento é constante durante todo o período fiscalizado e que são centenas de operações. Cita vários exemplos desses registros (fls. 106/111). Diz, ainda, que a imprestabilidade da contabilidade também é originada pelo uso contumaz do famigerado "caixa 2". Cita exemplos de ocorrências de saldo credor de caixa na escrituração das duas PJ (fls. 111/112). Nas planilhas de fls. 124 a 131 encontramse resumidamente demonstrados os valores tributáveis mensais e trimestrais que serviram de bases de cálculo do IRPJ e das Contribuições (CSLL, PIS e COFINS). A fiscalização utilizou o percentual de 9,6% para determinação do lucro arbitrado para IRPJ e de 12% para CSLL. A alíquota do PIS foi de 0,65% e da COFINS foi de 3%. Os valores recolhidos pela autuada e pela MG Mecânica, nas modalidades do lucro real e do Simples, respectivamente, foram deduzidos dos montantes do IRPJ e contribuições apurados. A multa aplicada sobre o imposto/contribuição foi no percentual de 150%. A justificativa para o agravamento da penalidade foi em virtude de haver simulação (criação de duas PJ com intuito de obter vantagem tributária), ficando caracterizado o dolo na prática da infração cometida, cujas circunstâncias (a sonegação e a fraude) autorizam a imposição da multa qualificada bem como a aplicação da regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa como termo inicial para contagem dos cinco anos decadenciais, "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado". Também foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, §3o, da Lei n° 9.430, de 1996. Apresentada impugnação, o processo retornou em diligência à DRF de origem para confirmar a alegação contida na peça impugnatória, de que a MG Mecânica tem também como cliente ora recorrente, de forma que os valores das notas fiscais de prestação de serviços constantes do Doc. 10 da impugação deveriam ser excluídos das receitas arbitradas. A diligência confirmou que os valores das referidas notas fiscais estavam contidos nos montantes das receitas de serviços da MG Mecânica, compondo as bases de cálculo do arbitramento do lucro, bem como as bases de cálculo do PIS e da COFINS nos períodos de apuração correspondentes. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.590 5 Realizando então o julgamento, a impugnação foi considerada parcialmente procedente, tendo sido excluídos os montantes de IRPJ R$ 16.095,72; CSLL R$ 4.163,40; COFINS R$ 20.527,05 e PIS R$ 3.783,48, bem como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado próprio de perito e. também, porque a prova requerida devia ter sido apresentada pelo sujeito passivo juntamente com a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado ou de as operações comerciais estarem sujeitas a outras normas legais. VERDADE MATERIAL. PESSOA JURÍDICA DISFARÇADA EM DUAS. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO. Demonstrado que os negócios desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal (pessoa jurídica disfarçada em duas), as receitas indevidamente declaradas na modalidade do Simples devem ser adicionadas às bases de cálculo do arbitramento do lucro adotado pela fiscalização. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigada a pessoa jurídica contiver vícios, erros, deficiências e omissões que a tornem imprestável para fins de apuração do lucro real. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Na consolidação dos valores da receita bruta, devem ser excluídas as importâncias decorrentes de vendas da pessoa jurídica simulada para a autuada. MULTA QUALIFICADA. EXIGIBILIDADE. Estando configurada a ação dolosa na simulação, para evitar o pagamento do tributo, mantémse a multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA. SELIC. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP, COFINS e CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada em 8 de julho de 2011, a empresa apresentou recurso voluntário em 5 de agosto de 2011 alegando, e síntese: Fl. 1592DF CARF MF 6 (i) nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, eis que esta deixou de analisar os seguintes 2 pontos: (a) quanto à legislação trazida no auto de infração: alega que esta é incompatível com o perfil da empresa autuada eis que a Rodotécnica não se enquadra no SIMPLES NACIONAL, sendo contribuinte pelo sistema de cálculo do Imposto de Renda pelo Lucro Real; além disso, aduz que a legislação trazida no auto de infração é incongruente, pois menciona genericamente que o lançamento foi realizado de acordo com as disposições do art. 10 do Decreto 70.235/72; e (b) quanto ao saldo credor em caixa: alega que, conforme impugnado, isso não restou comprovado no auto de infração. (ii) necessidade de realização da perícia solicitada em sede de impugnação, a qual demonstraria o não cabimento da desqualificação das contabilidades, eis que inexistentes as alegadas "centenas de documentos fiscais de uma pessoa registrados nos livros fiscais de outra, e viceversa" (prova negativa impossível de ser realizada pela ora recorrente): Alega que a autoridade fiscal não utilizou adequadamente a técnica da amostragem, eis que não existiu a alegada "estatística por amostragem" e sim um "pinçamento" exaustivo dos lapsos; afirma que somente a quantidade de lapsos (erros) encontrados 19 lapsos escriturais em 5 anos de registros contábeis não pode justificar tamanha cobrança tributária. Afirma que a autuação acusa a empresa MG Mecânica de não possuir qualquer despesa ou custo industrial no ano de 2008, o que é inverídico e, conforme reconhecido pela decisão recorrida, a empresa MG Mecânica teve, em 2008, custos com materiais, os quais são contas componentes do Custo dos Serviços Prestados (CSP). Para efetuar essa acusação infundada, observa que o fisco trouxe à baila somente o DRE de 2008, não tendo propositalmente apresentado os DREs de 2004 a 2007. Aduz, ademais, que mesmo que tivesse havido algum equívoco contábil no ano de 2008 (o que não ocorreu, pois o erro foi do fiscal), isso não seria motivo suficiente para tentar agregar justificativas para desmoralização da contabilidade da MG Mecânica em relação aos cinco anos autuados (2004 a 2008). (iii) no mérito: No item relativo à atividade operacional: Como pode ser lido a fls. 1.033, os julgadores administrativos reconhecem a denúncia feita na impugnação de que o fisco teria se equivocado ao acusar que a empresa não teria custos com materiais. Neste mesmo item eles também reconhecem que a mão de obra na empresa prestadora de serviços (MG Mecânica) teria que ser maior do que na Rodotécnica. Neste quesito, há que se denunciar o que segue: 1. O próprio julgamento, nesta análise da contabilidade, acaba, ao fim e ao cabo, reconhecendo que há dificuldades técnicas do senhor fiscal no tocante aos conceitos contábeis e de custos em empresas industriais e de prestação de serviços. 2. Embora reconhecendo esta limitação técnica, os julgadores fizeram ouvidos moucos para o fato de a impugnante ter alertado que, quanto ao DRE, o fisco somente detectou este problema em 2008 (que na verdade foi erro do fiscal), Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.591 7 não se debruçando para o fato de que foi denunciado que o autuante omitiu qualquer informação e mesmo documentação a respeito dos demais anos (de 2004 a 2007). 3. De forma simplória, os julgadores, para tentar justificar o erro crasso feito pelo autuante, defendem (em vez de julgarem) que há outros documentos acostados que denotariam haver empregados de uma trabalhando em outra e vice versa. 4. Em suma, a sintética e fugidia posição dos julgadores neste item revela o seu caráter preconceituoso em relação à empresa, quando deixou de examinar a contradição técnica apresentada no auto de infração. Mesmo assim, manteve a autuação. No item relativo à "ciranda na escrituração dos livros contábeis": alega que a decisão recorrida reafirma a autuação na parte que considera que existem centenas de documentos fiscais de uma pessoa jurídica registrados nos livros fiscais e caixa de outra e vice versa (fls. 1.33), todavia os elementos trazidos nos autos de infração e no relatório fiscal não são suficientes para demonstrar tais centenas de documentos fiscais irregulares. No item relativo à "Da Base de Cálculo. Exclusão": alega que não é verdade que em sede de impugnação a empresa solicitou a exclusão dos valores de faturamento da MG Mecânica contra a ora Recorrente. Sobre esse ponto, afirma que "O que ocorreu é que na impugnação, uma das maneiras documentais de se demonstrar que não poderia ter havido a desqualificação das contabilidades, foi trazendo e provando que o senhor fiscal nem sequer analisou as documentações de venda das empresas. A intenção dessa denúncia foi tão somente para trazer a lume a insanidade perpetrada pelo fisco em considerar desqualificadas as contabilidades." Com isso, afirma que essa afirmação do julgamento revela, por si só, o caráter de descompromisso com a verdade do relator do processo de julgamento de primeira instância. "Quanto às Questões de Mérito em Si" (conforme palavras da própria Recorrente), afirma: (i) é infundada a desconsideração da MG Mecânica Suport Ltda., por falta de comando legal autorizativo, eis que o parágrafo único do art. 116 do CTN não foi regulamentado; (ii) a autoridade julgadora de primeira instância adotou o execrável adágio "in dúbio pro fisco" ao entender que a administração parcialmente comum e os objetos sociais complementares são elementos suficientes para caracterizar a desconsideração da pessoa jurídica da MG Mecânica, quando na verdade cada empresa tinha atuação específica e especializada no mercado. Nesse ponto, observa que, como ambos os cônjuges são conhecedores do ramo, um ficou com a empresa de produção de tanques e a outra ficou responsável pela empresa de consertos de implementos rodoviários, não sendo crime tal orquestração societária e de atividade empresarial, em que cada empresa tem o seu perfil de tributação federal. Aduz que, se isso for crime, cobra imediata ação fiscal contra o Grupo Randon, que, por meio de engenharia societária, possui quatro empresas no mesmo local e sob a mesma direção. Defende que a existência de duas empresas com objetivos sociais complementares, com atuação vertical, sistema indiscutivelmente utilizado por inúmeros grupos econômicos no Brasil, não pode justificar a pena extremada da desconsideração da personalidade jurídica de uma das empresas. Fl. 1594DF CARF MF 8 Afirma, ademais, que por questão de racionalidade em função do alto grau de especialização do senhor Valeri determinadas atividades administrativas (não todas) foramlhe transferidas mediante procuração específica. Busca amparo nos princípios constitucionais da liberdade de associação e da livre iniciativa para defender que não há proibição, no ordenamento jurídicotributário brasileiro, que o cônjuge possa ser procurador da empresa do outro cônjuge. Da mesma forma, observa que, como a administração de uma das empresas é de cada um dos cônjuges, é natural que ambas as sociedades apresentaram os mesmos fiadores junto a banco e isso não pode ser elemento indicativo de fraude fiscal. Defende, assim, que "além da inexistência de simulação ou de dissimulação, pois não se pretendeu alcançar objetivo diferente ao que consta nos contratos sociais das empresas, a fiscalização está proibida de alterar institutos, conceitos e forma de direito privado". Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de fevereiro de 2017. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente inicia sua defesa argumentando pela nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, eis que esta deixou de analisar dois dos argumentos trazidos em sua impugnação. Sobre essa questão, ressaltese que o Decreto nº 70.235/72 orientase pelo princípio do livre convencimento motivado, como se verifica nos artigos abaixo reproduzidos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Significa dizer que, ao identificar motivo suficiente para fundamentar sua decisão, o julgador administrativo está dispensado de responder a todos os argumentos apresentados na defesa. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.592 9 Também nessa linha, o artigo 489, §1o, IV, do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) estabelece que não se considera fundamentada a decisão que “não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador”. Sobre esse dispositivo, a Enfam (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados) divulgou o Enunciado n. 42, de seguinte teor: “Não será declarada a nulidade sem que tenha sido demonstrado o efetivo prejuízo por ausência de análise de argumento deduzido pela parte”. Esse entendimento está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (...) (EDcl no MANDADO DE SEGURANÇA Nº 21.315 – DF, RELATORA MIN. DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), publicado em 29/03/2016). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. EMBARGOS IMPROCEDENTES. ENTREGA DE MERCADORIAS. INÍCIO DE PROVA ESCRITA SUFICIENTE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 458 E 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte proclama que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte, dependendo a nulidade do julgamento por omissão da necessidade de o órgão jurisdicional manifestarse sobre as questões que lhe são devolvidas. (...) (AgInt no REsp 1120451/MT, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/12/2016 e publicado no DJe em 06/02/2017). Disso se depreende que, como regra, o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes nem responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Apenas haverá cerceamento de defesa caso o argumento não analisado pelo julgador possa, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, o que de fato não ocorreu. No caso, os argumentos que a Recorrente alega estarem omissos na decisão recorrida são, na verdade, absorvidos pela fundamentação nesta contida, de que o arbitramento foi realizado com base no artigo 530, II, do RIR/99, que trata da hipótese de escrituração imprestável, nos seguintes termos (fls. 14961497): Efetivamente, restou evidenciado nos autos (relatório fiscal fls. 86 a 117) que a escrituração mantida pelo contribuinte (Livro Diário) contém diversas inconsistências, erros, falhas, vícios e omissões, tais como: situações de confusão documental, patrimonial e de pessoal nas pessoas jurídicas Fl. 1596DF CARF MF 10 envolvidas (amostra juntada: fls. 175 a 369 e 386 a 479); ocorrências de despesas/gastos de uma pessoa jurídica escriturados nos livros fiscais e de caixa da outra e viceversa (amostra juntada: fls. 370 a 385); ocorrências de pagamentos de despesas/gastos que não estão escriturados, bem como transferências e cheques compensados contabilizados como suprimento de caixa, estando omitida a contrapartida correspondente à saída dos recursos (amostra juntada: fls. 480 a 666); existência de saldos credores de caixa situações evidenciadas no item VII. 2 do relatório fiscal (fls. 111 /112). Diante dos fatos acima apontados, por amostragem, bem como de todas as evidências relatadas no tópico anterior (3.3) de que a MG Mecânica não é, de fato, uma pessoa jurídica independente, e sim um estabelecimento industrial da impugnante, dissimulada como outra pessoa jurídica, temse que a contabilidade mantida pela autuada não engloba todas as operações que lhe são próprias e não cabe ao fisco reconstituíla, agregando a ela, todas as operações efetuadas em nome da MG Mecânica, como quer a defesa, para fins de apuração do lucro real. Com isso, querse dizer que a legislação constante do auto de infração é sim compatível com o perfil da empresa autuada – pois empresas optantes pelo regime de lucro real que tenham escrituração imprestável ficam sujeitas ao arbitramento nos termos do artigo 530, II, do RIR/99. Da mesma forma, conforme se depreende da leitura do trecho acima transcrito da decisão recorrida, a escrituração foi considerada imprestável com base em todo um conjunto de provas e não simplesmente em razão de ter sido constatado saldo credor em caixa. Assim, mesmo que por hipótese tal saldo credor não tivesse sido comprovado (o que no caso foi, digase de passagem), isso não acarretaria a nulidade da decisão recorrida, eis que esta não se baseou apenas neste indício para considerar a escrituração imprestável. Quanto à alegação acerca da necessidade de perícia, novamente não assiste razão à Recorrente. A Recorrente afirma que a perícia seria necessária para demonstrar que é um equívoco a desqualificação das contabilidades das empresas, em especial porque inexistentes as alegadas "centenas de documentos fiscais de uma pessoa registrados nos livros fiscais de outra, e viceversa". Todavia, tal alegação não resiste a uma análise mesmo que superficial do Termo de Verificação Fiscal. Conforme se mencionará em detalhes a seguir, o auto e infração ora atacado foi lavrado em razão de a escrituração da Recorrente ter sido considerada imprestável, tendo sido colacionado aos autos um grande conjunto de fatos que comprovam cabalmente a confusão patrimonial entre a Recorrente e a empresa MG Mecanica, os quais levam inequivocamente à conclusão de que de fato esta não merece ser tida por confiável. Há, de fato, provas robustas de confusão patrimonial. Conforme reconheceu a decisão recorrida, as duas pessoas jurídicas estavam instaladas no mesmo local e são comuns, a caixa postal, o logo, os telefones, o fax, o sítio na internet e o endereço eletrônico, sendo que sequer estão separadas fisicamente uma de outra. Sobre tal constatação, é válido transcrever o trecho de fls. 9697 do TVF: 72. A empresa MG Mecânica estava com endereço na Rua Antonio Ribeiro Mendes, 3016 em Caxias do Sul. 73. Embora em números diferentes, constatase que as atividades eram no mesmo local. Tanto é que a MG Mecânica não apresenta qualquer gasto de aluguel em todo o período. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.593 11 74. O imóvel acima não é de propriedade de qualquer das empresas. A Rodotécnica apresenta contrato de sublocação com a sublocadora Balbinotti Implementos Rodoviários Ltda, com data inicial de 10/09/2001 até 31/07/2004, cujo aluguel mensal é de R$ 7.000,00 (fls. 341 a 344). O pagamento do aluguel é contabilizado nos livros da Rodotécnica. 75. Em 07/2004 a Rodotécnica encerra suas atividades operacionais no imóvel supra, devolvendoo conforme Instrumento Particular de Entrega de Chaves (fl. 345). 76. Já a MG Mecânica não apresenta qualquer contrato de locação, comprovando que a MG Mecânica foi criada somente no papel. Corroborase o fato que em seus registros contábeis inexiste pagamento de aluguel. (...) "87. A realidade é que a empresa fiscalizada Rodotécnica transferiuse em fins do 1o semestre de 2004 para o imóvel que, pelo Registro de Imóveis, é de propriedade da MG Mecânica. 88. Os fatos são únicos e não mentem. Relembrando, a empresa fiscalizada rescindiu o contrato de locação em 06/2004 devolvendo o imóvel onde estava desenvolvendo suas atividades operacionais em Caxias do Sul. 89. Fato subseqüente, a Rodotécnica iniciou a operar no prédio cuja posse e propriedade é da MG Mecânica, sem qualquer contrato, sem pagar absolutamente nada," pelo simples motivo de que tudo é uma única coisa. 90. Por ocasião do pedido de importação a Rodotécnica apresenta Contrato de Locação (fl. 352 e 353), onde figura como locatária e a MG Mecânica como locadora do imóvel acima. Entretanto, o contrato iniciase somente em 01/07/2005, sendo o aluguel estipulado de R$ 1.000,00 mensais. 91. Mais uma vez aqui provase o subterfúgio utilizado pela fiscalizada. A realidade vem a tona, desmontando a farsa montada para pagar menos tributos. E as provas são várias. 92. Primeiramente é verificado que o contrato de locação é a partir de 01/07/2005. Mas a verdade éque a Rodotécnica já estava no local há mais de 1 (um) ano da data acima. Faz provas centenas de notas fiscais dirigidas a Rodotécnica por seus fornecedores. A Rodotécnica já estava estabelecida em Bento Gonçalves em 07/2004. Tanto é que o Alvará de Licença para Localização ou Exercício de Atividades é datado de 16/09/2004 (fl. 354). (...)" A decisão recorrida constata, ademais, que os administradores eram os mesmos para as duas empresas e as sócias da MG eram cônjuges dos sócios da Rodotécnica. De fato, embora formalmente os administradores sejam diferentes, a fiscalização extrai a conclusão de que a administração é comum com base: (i) na procuração da MG outorgando a Valeri Antônio Pertile (sócio administrador da Rodotécnica) poderes somente para representação perante o Banco do Brasil S/A, Agência 32204, a fim de movimentar especificamente a conta corrente n° 95257, afirmando que "Notese aqui que o sócio da Rodotécnica, Valeri Antônio Pertile passa a ter competência para, por procuração, tratar dos assuntos da MG Mecânica junto à instituição financeira, fato que, somado aos demais indícios comprovará a unicidade dos estabelecimentos." (ii) na constatação de que a realidade demonstra que movimenta outras contas bancárias, tanto no Banco do Brasil quanto em demais instituições financeiras. Além disso, exerce a função gerencial sem poderes formais para tal, como comprovam os documentos: Fl. 1598DF CARF MF 12 Recibo de 21/10/2003 no valor de R$ 5.000,00 correspondente a retirada de lucros da empresa MG Mecânica, por parte de Gladis Carmem Milani Stringhini (fl. 242). Todavia quem recebe o dinheiro é Valeri Antônio Pertile: Recibo de 21/10/2003 no valor de R$ 8.000,00 correspondente a retirada de lucros da empresa MG Mecânica, por parte de Maria Glória Pertile (fl. 243). Quem recebe o dinheiro é Valeri Antonio Pertile: Valeri Antônio Pertile contrata, altera salários e demite os empregados da MG. Documento denominado "Planilha para Informações Gerais" datada de 17/07/2006 da MG Mecânica possuía anotação de que "aumentos salariais para Raquel, Lucimar e Anderson — empregados da MG deve ser falado com Valeri" (fl. 244); Já em relação a sócia da MG Mecânica, Maria da Glória Coghetto Pertile, os documentos que originam os valores contabilizados a título de prólabore não se coadunam com a rubrica contabilizada. As cópias de cheque abaixo relacionadas relatam que esses pagamentos referemse a "salário" e não a prólabore: Cópia de cheque 130814 do Banco do Brasil de 27/10/2005 (fl. 245): Cópia de cheque 130821 de 06/12/2005 (fl.246); Cópia de cheque 850094 de 06/06/2006 (fl. 247); Cópia de cheque 130851 de 06/12/2006 (fl. 248). Outro forte indício de confusão patrimonial reside no fato de que as duas pessoas jurídicas foram constituídas em época próxima (agosto e outubro de 2001) e a transferência de Caxias do Sul para Bento Gonçalves ocorreu simultaneamente em meados de 06/2004, tendo atividades relacionadas ("fabricação de equipamentos de transporte" e "serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores"). Isso não foi mera suposição da fiscalização, tendo esta colacionado provas neste sentido, em especial cópia de notas fiscais emitidas para a Rodotecnica e para a MG Mecanica constando o mesmo endereço. O TVF também constatou que (i) a MG Mecânica não possui qualquer despesa ou custo industrial (exceção dos gastos de salário e encargos), bem como não registra despesas em relação aos veículos que possui; (ii) as informações declaradas através das Guias de informações e Apuração do ICMS (GIA) mensal demonstram haver no período de julho/2005 a julho/2007 o mesmo consumo de energia elétrica nas duas PJ; (iii) há utilização do mesmo quadro de pessoal para as duas PJ, bem como os veículos constantes do ativo imobilizado são utilizados por ambas. Tais fatos estão devidamente comprovados no auto de infração e a Recorrente não traz qualquer justificativa ou informação que possa dar a tais fatos interpretação diversa da conferida pelo fiscal autuante. Transcrevese aqui trechos do TVF que não deixam dúvidas quanto a tais provas: "54. Constatase "in loco" (item VI. 16) que o departamento administrativo, recepção, departamento de vendas inexiste no pavilhão dito da MG. Todas estas atividades reportamse ao estabelecimento Rodotécnica. Visita efetuada em 29/04/2009 não deixou dúvidas sobre a farsa montada pela fiscalizada. Termo de Constatação (fl. 464) mostra a realidade fática: no endereço atual em Bento Gonçalves há apenas uma empresa operando, com vários centros de custos. O resto é puramente maquiagem. 55. O entendimento acima é reforçado por várias situações. O departamento de pessoal é único para as "duas" empresas. Tal fato é provado pela titular do departamento de pessoal da empresa fiscalizada, Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.594 13 sra. Raquel Bortoncello, que é registrada como empregada na MG Mecânica (fl. 250). Citase como exemplo as fichas pontos onde ela assina como responsável pela MG Mecânica (fls. 251 e 252) e pela Rodotécnica (fls. 253 e 254). 56. Raquel Bortoncello assina como representante das "duas" empresas nos documentos intitulados Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP (fls. 255 a 258) e assim sucessivamente. 57. Da mesma forma em relação ao setor fiscal. Tal fato é provado pelas correspondências dirigidas a Rodotécnica (fls. 259 e 260), objetivando a correção de irregularidades fiscais, cuja ciência é assinada por Raquel Bortoncello, já dita empregada registrada na MG. 58. Mas há mais. Muito mais. Raquel Bortoncello. registrada na MG Mecânica, exerce atividade normal na empresa Rodotécnica. Em data de 23/01/2006 envia e mail (rh@rodotecnica.com.br) do setor de recursos humanos da empresa Rodotécnica, informando dados da rescisão de contrato do Osmar Antonio Girelli, empregado da MG Mecânica (fl. 261). 59. Já em 13/10/2006 novamente Raquel Bortoncello, envia email (financeiro@rodotecnica.com.br'), desta feita do setor financeiro da empresa Rodotécnica (fl. 262), informando dados para rescisão de contrato de trabalho do empregado Alex. (Alex Madeira Batista, empregado da Rodotécnica entre 18/09/06 a 17/10/06). 60. O óbvio não se demonstra. Mais um exemplo. "Na documentação apresentada pela MG Mecânica, há email (fl. 263) enviado para a Orteca (escritório contábil), por Raquel Bortoncello (empregada registrada na MG Mecânica). Entretanto o e mail é originado da Rodotécnica (financeiro@rodotecnica.com.br), e utiliza a seguinte frase: "Segue abaixo os dados para a rescisão do Jurandir Moraes de Oliveira da Mg Mecânica Suport Lida". Desnecessário relatar que em um envio normal de email entre a empresa e o seu escritório contábil não há necessidade de mencionar qual a empresa do empregado. 61. E uma avalanche de fatos que demonstram a unicidade das empresas. Zuleima Rech, empregada registrada na Rodotécnica com o cargo de analista financeira (fl. 264). assina correspondência cm nome das "duas" empresas. Exemplificase pela correspondência emitida em 21/01/2003 pela MG (fl. 265) e em 08/05/2003 pela Rodotécnica (fl. 266). Nas duas correspondências é determinado a alteração de salários de diversos empregados registrados tanto na MG Mecânica como na Rodotécnica; 62. Em 06/05/2003, novamente Zuleima Rech, empregada da Rodotécnica, assina Contrato de Prestação de Serviços de Administração e Fornecimento de Cartões Visa Vale, assinando todas as folhas (fls. 267 a 275), como responsável péla MG Mecânica. Procedimento idêntico é efetuado em relação ao Contrato de Prestação de Serviços de Administração e Fornecimento de Cartões Visa Vale, pela Rodotécnica (fls. 276 a 283). 63. Os exemplos se sucedem. Os empregados da Rodotécnica efetuam compras, emitindo ordens de compra. Entretanto as notas fiscais são emitidas para a MG Mecânica. Exemplificase por amostragem: Fl. 1600DF CARF MF 14 Nota fiscal 31188 de 02/04/2004 emitida por Valentini & Cia. Ltda. e destinada a MG Mecânica (fl. 284). A ordem de compra foi efetuada pelo empregado da Rodotécnica, Idiomar (fl. 285); Nota fiscal 101242 de 01/02/2005 emitida por Acre Caxias Comércio e Representações Ltda., destinada a MG Mecânica (fl. 286). A ordem de compra foi efetuada pelo empregado da Rodotécnica, cuja função é de Comprador, Silvio Pereira dos Santos (fl. 323). , 64. As provas não deixam margem à dúvida. E são centenas. Os empregados trabalham na Rodotécnica mas são registrados na MG Mecânica. Exemplificase na recepção de mercadorias destinadas a Rodotécnica, mas recebidas e assinadas pelos empregados "registrados" na MG. Por amostragem: Conhecimento 035474 de 07/01/2003 da TransCaxias (fl. 287), comprova o recebimento de material por Daniel José Costa, auxiliar geral, registrado na MG Mecânica (fl. 290); Conhecimento 121994 de 15/01/2003 da Bento Encomendas (fl. 287), comprova o recebimento de material por Daniel José Costa; Conhecimento 629568 de 21/01/2003 da Transportadora Rodoviária de Cargas (fl. 288), comprova o recebimento de material por Daniel José Costa; Conhecimento 753214 de 09/11/2004 da Transportadora Plimor Ltda. (fl. 289), comprova o recebimento de material por Daniel José Costa, agora já registrado na Rodotécnica (a partir de 01/11/2004fl. 291); Conhecimentos 156933 de 10/06/03 e 158656 de 17/06/03 da Bento Encomendas (fl. 292), comprovam o recebimento de material por Rodrigo de Oliveira, auxiliar de almoxarifado, registrado na MG Mecânica (fl. 293); Conhecimento 024543 de 06/06/2003 do Expresso São Miguel (fl. 294), comprova o recebimento de material por Jucelaine Pertile, registrada na MG Mecânica (fl. 296); Conhecimento 260766 de 08/06/2005 da Transportadora Trcvisan (fl. 295), comprova o recebimento de material por Jucelaine Pertile; Notas fiscais 868082 de 16/11/2005 e 870255 de 17/11/2005 emitidas por Ferramentas Gerais (fls. 297 e 298), comprovam que o recebimento do material é executado por Anderson Roman, auxiliar de almoxarifado, registrado na MG Mecânica (fl. 299); Nota fiscal 035064 de 05/01/2006 emitida por Zegla (fl. 300), comprova que o recebimento do material é efetuado por Paulo Góis, soldador 11, registrado na MG Mecânica (fl. 301); Mercadorias destinadas a Rodotécnica, através dos conhecimentos n° de controle 062987 e 064352 emitidos por Transportes Dadel (fl. 302), foram recebidas por Anderson Roman, registrado na MG; Nota fiscal 000930 de 30/05/2006 emitida por Rodasul (fl. 303), comprova que o recebimento do material é feito porCheres Baretti Machado, auxiliar de almoxarifado, registrado na MG (fl. 304); Nota fiscal 0178809 de 17/11/2006 emitida por Sumig Indústria de Tochas Ltda. (fl. 305), comprova que o recebimento do material é feito por Cheres Baretti Machado; Mercadoria enviada para a Rodotécnica através do conhecimento emitido por Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas, datado de 10/07/2006 (fl. 306) é recebida por Cheres Baretti Machado; Nota fiscal 035573 de 03/11/2006 emitida por Mercado de Alimentos Grepar Ltda. (fl. 307), comprova que o recebimento das mercadorias foi feita por Jucelaine Pertile, registrada na MG; Notas fiscais 001171 e 001172 de 06/11/2006 emitidas por Rodasul (fls. 308 e 309), comprovam que o recebimento do material é executado por Anderson (Anderson Roman) registrado na MG; Nota fiscal 015656 de 24/01/2007 emitida por CristoRei Materiais Elétricos Ltda. (fl. 310), comprova o recebimento do material por parte de Anderson Roman, registrado na MG; Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.595 15 Cheres Baretti Machado, registrado na MG, recebe em 03/12/2007 mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento 525064 emitido pela Transportadora Bento Gonçalves (fl. 311); Marcos Spazzin, registrado na MG Mecânica, recebe em 11/12/2007 mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento n° 527056 emitido pela Transp.Bto. Gonçalves (fl. 311); Jeferson Roman, registrado na MG Mecânica, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento n° 850828 emitido em 27/12/2007 por Rodoviário.Bedin (fl. 312); Nilton Gindri (Nilson Antonio Mirosso Gindri), registrado na MG Mecânica, recebe os equipamentos de segurança pela Rodotécnica (fls. 393 e 394); Jeferson Roman, registrado na MG Mecânica, recebe em 10/01/2008 mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento n° 294244 emitido p/ Reunidas Transportadora (fl. 313); Cheres Baretti Machado, registrado na MG, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento n° 860863 emitido em 24/01/2008 pela Rodoviário Bedin (fl. 314); Marcos Spazzin. registrado na MG, recebe regularmente botijões de gás para a Rodotécnica conforme diversas notas fiscais emitidas pela Comercial de Gás Cainelli Ltda. (fl. 315); Luimar Vescovi, registrado na MG, autoriza a compra de material de consumo para a Rodotécnica, conforme nota fiscal 403 de 17/03/2008 emitida pela Roferch Peças e Manutenção Industrial (fl. 316): Marcos Spazzin, registrado na MG, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica conforme conhecimento 044853 emitido por Dicas Encomendas Ltda., em 09/05/2008 (fl. 317); Cheres Baretti Machado, registrado na MG, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento 558176 de 12/05/2008 emitido pela Transportadora Bento Gonçalves Ltda. (fl. 318); Anderson Roman, registrado na MG, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica, conforme conhecimento 974577 de 02/10/2008 emitido pela Rodoviário Bedin Ltda. (fl. 319); Marcos Spazzin, registrado na MG, recebe mercadorias destinada a Rodotécnica conforme conhecimento 610059 de 10/12/2008 emitido pela Transportadora Bento Gonçalves (fl. 320); 65. Os fatos são contínuos e duradouros. Da mesma forma empregados da Rodotécnica interferem, confundindose na MG Mecânica: Idiornar Pereira, empregado da Rodotécnica assina em 19/12/2003, pela empresa MG Mecânica, Termo Responsabilidade perante o fornecedor Comércio de Tintas do Vale (fl. 321); Idiomar Pereira, empregado da Rodotécnica emite ordem de compra para a MG Mecânica conforme verificase pela nota fiscal 31323 emitida pela Valentini & Cia. Ltda. (fl. 322); Silvio Pereira dos Santos, empregado da Rodotécnica, na função de comprador (fl. 323), efetua compras para a MG Mecânica conforme constatase pela nota fiscal n° 000808 emitida pela Ferramentas Gerais cm 02/02/2005 (fl.324); A nota fiscal 6189 emitida por Mecânica e Acessórios Real (fl. 325), destinada a MG Mecânica, é enviado aos cuidados de Rudimar Cavallin, empregado da Rodotécnica (fl. 326); 66. A Rodotécnica paga serviços funerários para Maria Barbosa Kovaleski, conforme nota fiscal 2862 de 09/09/2005 (fl. 327). Ocorre que Maria Barbosa Fl. 1602DF CARF MF 16 Kovaleski é mãe do empregado Alfredo Kowaleski. Esse é registrado na MG Mecânica (fl.328). 67. Outro fato relevante. A Rodotécnica contrata empresas de consultoria e de recursos humanos para o recrutamento e seleção de seus empregados. Porém, ao invés de registrálos na Rodotécnica, os registra rotineiramente na MG Mecânica. É provado pelas notas fiscais emitidas contra a Rodotécnica, onde no corpo da nota fiscal, campo "descrição de serviços", é mencionado o nome dos empregados contratados. Como exemplo: pelas notas fiscais 5838, 5845 e 5891 (fls. 329 a 331) emitidos pela Asterh Assessoria Técnica em Recursos Humanos Ltda. é cobrado da Rodotécnica os serviços de recrutamento e seleção dos empregados Luciano dos Santos, Ezequiel Miorelli e Adriana Wetter. Pela nota fiscal 0041 (fl. 332) emitida pela Alpha Consultoria Organizacional Ltda. (Grupo Cursor), é cobrado o serviço de recrutamento e seleção pela contratação do candidato Pedro Paulo Gurkevics. Todavia, todos os candidatos/empregados são registrados na MG Mecânica (fls. 333 e 334). 68. As provas são fartas, variadas e encontradas em todos os setores da empresa. Por tudo acima exposto fica mais uma vez evidenciado, provado, que a "empresa" MG Mecânica Suport não passa de um apêndice da Rodotécnica." (fl. 9295) há centenas de documentos fiscais da Rodotécnica que são registrados nos livros fiscais e no caixa da MG e viceversa. E não se trata de engano, mas sim de sociedades que se confundem. Não há qualquer separação de custos, despesas e gastos. A confusão é permanente. É comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma pessoa jurídica com o endereço de outra e viceversa. fl. 99106 104. O compartilhamento de despesas é recorrente. Não há qualquer separação de custos, despesas e gastos. (...) 106. A confusão é permanente. É comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra e viceversa. 107. Por amostragem, relacionase alguns documentos destinados a MG Mecânica, com o endereço da Pvodotécnica , ou seja, Rua Antonio Ribeiro Mendes, 2890: Nota fiscal 5175 de 03/02/2003, emitida por Círculo Operário Caxiense (fl. 361): Nota fiscal 012 de 06/02/2003, emitida por Renomar Transportes e Turismo Ltda. (fl. 362); Nota fiscal 883 de 20/05/2003, emitida por Tornearia M. Cavalün Ltda. (fl. 363); Nota fiscal 553 de 09/06/2004, emitida por Terraplanagem Êkiterra Ltda. (fl. 364); 108. Da mesma forma, relacionase alguns documentos destinados a Rodotécnica, com o endereço da MG Mecânica, ou seja, Rua Antonio Ribeiro Mendes, 3016: Nota fiscal 6792 de 02/07/2004 emitida por Serrana Comércio de Tintas Ltda.; 109. Sintomática é a nota fiscal 000026 de 21/05/2003 emitida por MB Maqband Inc. Com. Imp. Exportação, Manutenção de Equipamentos Ltda. (fl. 365) e contabilizada na MG Mecânica conforme folha 0101 do Livro Diário .(fl. 366). Na razão social consta MG Mecânica, porém está identificada também como Rodotécnica. O endereço aposto é da MG Mecânica, porém está riscado e anotado ao seu lado o número da Rodotécnica. 110. Igualmente a nota fiscal 71470 de 24/12/2003 emitida por Gedoz Comércio de Ferros Ltda., destinada a MG Mecânica identifica no endereço do remetente as duas numerações: o n° 2890 c o n° 3016(11.367). 111. Da mesma forma o boleto bancário emitido em 13/05/2004 por Gedoz Comércio de Ferros Ltda., destinada a MG Mecânica identifica no endereço as duas numerações: n°s 2890 e 3016 (fl. 368). 112. Escancarase mais uma vez a farsa. O cupom fiscal de 29/01/2004 emitido pelo Posto de Serviços Onzi Ltda. (fl. 369), documento de despesa contabilizado na MG Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.596 17 Mecânica é originado por uma Ordem de Compra n° 1178 emitida pela Rodotécnica (fl. 369). A Rodotécnica compra diesel e querosene, entretanto o documento fiscal é emitido contra a MG Mecânica. 113. As provas são fartas e contundentes. Mais um exemplo: A Rodotécnica contrata o Serviço de Guincho Menoncin Ltda. para descarregar bobinas, tudo conforme a Ordem de Serviço 16315 de 09/02/05 (fl. 370), cujo responsável pela contratação é Wilson João Nicoline, empregado da Rodotécnica (fl. 371). Todavia, o serviço é cobrado da MG Mecânica, conforme nota fiscal 20793 (fl. 370). A MG contabiliza (fl. 372) a nota fiscal e paga o serviço executado para a Rodotécnica. 114. A confusão contábil é de toda espécie. Despesas, gastos de uma empresa são contabilizadas em outra e viceversa. Notas fiscais, comprovantes emitidos para a Rodotécnica são registrados na contabilidade da MG Mecânica. Por outro lado, documentos fiscais emitidos para a MG Mecânica são registrados na contabilidade da Rodotécnica. Contas de água e esgotos 115. Até 06/2004 os gastos decorrentes do consumo de água das "duas" empresas eram contabilizadas aleatoriamente ora por uma ora por outra empresa. 116. Como amostragem, citamos no ano de 2003: Recibos pagos em 14/01/2003, 04/03/2003, 15/04/2003 e 15/07/2003 foram contabilizados na MG Mecânica; Recibos pagos em 14/02/2003, 14/08/2003, 15/09/2003, 15/10/2003 e 22/12/2003 foram contabilizadas na Rodotécnica. 117. Já em 2004 verificase que a "empresa" MG somente teve consumo de água em único mês, ficando evidenciado a farsa, pois não há empresa com processo produtivo que não consome água. É lembrado que nesse período os estabelecimentos localizavamse em Caxias do Sul e não possuíam poço artesiano. Contas de energia elétrica (luz) 118. A análise do consumo e lançamentos contábeis da energia elétrica ratificam a confusão dos registros contábeis. E provado pelas informações declaradas nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (Gia) mensal, constante do item 52. 119. É provado pela contabilização do gasto ora em uma ora em outra empresa. É provado pela total omissão do gasto de consumo ou em uma ou em outra empresa. Citamos alguns exemplos: a) Na contabilidade da MG Mecânica: No ano de 2004: Omissão completa do consumo, gasto e pagamento de energia elétrica. Somente ocorre a contabilização de gastos a partir de 07/2004, época em que o endereço foi alterado de Caxias do Sul para Bento Gonçalves: No ano de 2006: Novamente não existe qualquer contabilização de custo, gasto ou despesa de luz e energia elétrica; No ano de 2007: Novamente não existe qualquer contabilização de custo, gasto ou despesa de luz e energia elétrica. b) Na contabilidade da Rodotécnica: No ano de 2005: Omissão completa do consumo e pagamento de gastos com energia elétrica. 120. Apesar de não contabilizar qualquer gasto de luz e energia nos anos acima, ambas as empresas declaram nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (gia) mensal o consumo em KWA, consumo esse declarado de forma igualitária, conforme item 52. Contas de telefone 121. A empresa fiscalizada Rodotécnica não contabiliza qualquer gasto pelo uso do telefone nos anos de 2005 e 2006, apesar de sua utilização normal. Fl. 1604DF CARF MF 18 b) Dos gastos e despesas da Rodotécnica contabilizados na MG Mecânica 122. E recorrente a emissão de documentos em nome de "uma" empresa e contabilizadas em outra 123. Exemplificase, por amostragem, pela planilha elaborada do mês de abril/2004 pela Rodotécnica (fl. 373), que relaciona despesas, tais como correio, água, gás, bem como recebimentos de duplicatas, mas que são contabilizadas na MG. 124. Os documentos fiscais acima, pagos em vários dias do mês de abril/2004, emitidos para a Rodotécnica. como por exemplo, despesas de correio (fls. 374 e 375), são contabilizados na MG Mecânica conforme contas contábeis caixa (fl. 376), despesas postais (fl. 377), água, luz e telefone (fl. 378) e assim por diante. c) Dos gastos e despesas da MG Mecânica contabilizados na Rodotécnica 125. As trocas contábeis são recorrentes. Exemplificase, por amostragem, o pagamento de despesa de correio pela MG Mecânica (fl. 379), porém contabiliza na conta "despesas postais" da Rodotécnica conforme folha 0355 do livro razão (fl. 380). 126. A confusão contábil permanece. Despesa da empresa MG Mecânica é contabilizada na Rodotécnica. Em 30/01/2006 a empresa Imap Ind. de Máq. Pneumáticas Ltda. emite a nota fiscal n° 2770 para a MG Mecânica (fl. 381), porém é contabilizada na Rodotécnica conforme lançamento na folha 0034 do livro diário 006 (fl. 382). d) Das notas fiscais de entrada de mercadorias na MG Mecânica escrituradas nos Livros Fiscais da Rodotécnica 127. A miscelânea vai além da contabilidade. Imiscuise na escrituração dos livros fiscais do ICMS (livros de entrada, saída e apuração). As notas fiscais 391195 (fl. 383) e 391334 (fl. 384), emitidas em 24/02/2003 e 25/02/2003 pela Randon S.A. Implementos e Sistemas Automotivos para a MG Mecânica são escrituradas no Livro Registro de Entradas da Rodotécnica (fl. 385). e) Das notas fiscais de entrada de mercadorias na Rodotécnica escrituradas nos Livros 128. O inverso também é feito. Notas fiscais da Rodotécnica são escrituradas nos livros registros da MG Mecânica. 129. Tal procedimento, adotado pelas "empresas" aqui citadas, onde uma escritura e paga despesas que não são só suas, mas de outra "empresa" é uma clara afronta ao princípio contábil da Entidade. É mais uma prova de que não existe independência entre as "empresas". Firma a convicção de que estas "duas empresas", formalmente constituídas, são, materialmente, uma só. 130. A confusão contábil é de toda espécie. Despesas, gastos de uma empresa são contabilizadas em outra e viceversa. Notas fiscais, comprovantes emitidos para a Rodotécnica são registrados na contabilidade da MG Mecânica. Por outro lado, documentos fiscais emitidos para a MG Mecânica são registrados na contabilidade da Rodotécnica. VI. 13 Das Reclamatórias Trabalhistas 131. As reclamatórias trabalhistas também sustentam o fato de que há apenas uma única empresa. (...) É que o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. Os fatos acima transcritos são indícios que, reunidos, comprovam a confusão patrimonial havida entre as empresas. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.597 19 Mas até aí poderia ser o caso de simplesmente lavrar auto de infração considerando a reunião das receitas em uma única empresa, considerando que o arbitramento é medida extrema, que só deve ser utilizada pela fiscalização nas hipóteses expressamente constantes da legislação. Ocorre que o arbitramento não teve por base apenas a confusão patrimonial, mas a imprestabilidade da contabilidade, pela constatação de que havia pagamentos não identificados ou escriturados e documentos fiscais não contabilizados. De fato, assim concluiu o TVF: 217. Em decorrência da desclassificação da ESCRITA contábil, pressupõe a prova de que os vícios, erros e falhas que afetam a escrituração tornem absolutamente inviável ao Fisco reconstituir, com base nela, o efetivo lucro real, verdadeira base de cálculo do imposto. (...) a) Na empresa Rodotécnica Em 30/12/2003 é emitido o cheque n° 191293 do Banco do Brasil no valor de R$ 530,64, cujo destino é o pagamento do IP VA (fl. 638). Não é emitido como reforço de caixa, conforme provase também pelo extrato bancário do dia 02/01/2004 onde consta a compensação do cheque (fl. 639). Entretanto, a empresa omite este pagamento, escriturando tal valor como se fosse reforço de caixa, conforme lançamento na folha 0002 do livro diário 004 (fl. 640); Em 21/10/2004 é emitido o cheque n° 191466 do Banco do Brasil no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), destinado ao pagamento de devolução de um empréstimo efetuado pela empresa (11. 144). Entretanto, o lançamento inerente a esse cheque, é efetuado como ingresso na conta "Caixa", conforme folha 0332 do livro diário (fl. 644), distorcendo a realidade. Além da cópia do cheque, cujo documento original é apreendido através de Termo de Retenção de (fl. 143) é fato que o cheque não é sacado no guiché do banco, pela prova feita pelo extrato bancário onde consta que o cheque foi compensado (fl. 665). Nos itens 181 e 182 adiante complementase esse fato, cujo objetivo da empresa fiscalizada c de mascarar o saldo credor de caixa (caixa 2); Em 03/06/2005 é pago a Orteca o valor de R$ 2.105,36 conforme doe eletrônico do Banco do Brasil (fl. 645) e extrato (fl. 646). Entretanto, o contribuinte escritura tal valor como cheque avulso, dando entrada como suprimento de caixa, conforme folha 0166 do livro diário (fl. 480); Em 20/06/2005 é efetuado o pagamento de títulos dos dias 18, 19 e 20 de junho conforme o cheque 00002 do Bradesco, no valor de R$ 16.000,00 (fl. 481). Todavia a empresa omite esses pagamentos e contabiliza o valor como saque, conforme folha 0172 do livro diário (fl. 482); Em 28/06/2005 é transferido o valor de RS 12.375,05 conforme extrato do Banco do Brasil (fl. 483). A empresa escritura tal valor como suprimento de caixa designandoõ como cheque avulso (fl. 484); Em 30/06/2005 é transferido o valor de R$ 17.000,00, conforme extrato do Banco do Brasil (fl. 483), omitindose para quem é feita à transferência. Contabilmente o valor é escriturado como suprimento de caixa, conforme folhas do livro diário n° 0189 e 0190 (fls. 485 e486); Em 07/07/2005 é emitido o cheque de n° 191527 no valor de R$ 33.000,00 (fl. 487). Contabilmente c escriturado na folha 0201 do livro diário como ingresso de caixa (fl. 488). Porém, a realidade é outra. O cheque écompensado, isto é, é emitido para efetuar um pagamento e destinado â alguém; Fl. 1606DF CARF MF 20 Em 10/08/2005 é emitido doe no valor de R$ 4.500,00 conforme extrato bancário (fl. 489). Mais uma vez, erroneamente, a empresa o contabiliza como suprimento de caixa (fl. 490); Em 23/08/2005 efetua pagamentos de títulos nos valores de RS 162,60 e 29,00 conforme extrato bancário (fl. 492). Além de não os escriturar, contabiliza indevidamente os valores como suprimento de caixa, conforme é observado pelas folhas 0249 c 0250 dolivro diário 005 (flsv 493 e 494); Em 15/05/2006 é emitido o cheque 850148 do Banco do Brasil no valor de RS 23.283,21 (fl. 495), para o pagamento de duplicata. A empresa omite este pagamento e além disso contabiliza indevidamente o cheque como suprimento de caixa, conforme é provado pela escrituração, folhas 0170 e 0171 do livro diário 006 (Ps. 496 e 497); Em 13/07/2006 é pago a Antonio Tavares Silveira o valor de R$ 2.274,00 através de uma emissão de DOC (fl. 499) c extrato do Banco do Brasil (fl. 501). A empresa omite o pagamento e mais do que isso, contabiliza tal valor como suprimento de caixa (fl. 502); No mesmo dia, conforme extrato bancário (fl. 500), há uma saída da conta bancária no valor de R$ 2.200,00 referente a "folha de pagamento". Contumaz como sempre, omite o gasto com "folha de pagamento"' e escritura o valor na folha 0241 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 502); Em 06/02/2007 efetua transferência "on line" pelo Banco do Brasil no valor de R$ 5.579,60 (fl. 504), omitindo o gasto e registra esta quantia como suprimento dc caixa como fosse um cheque avulso, conforme folha 0004 do livro razão de 2007 (fl. 505); Na mesma data emite doe no valor de R$ 751,00 (fl. 506), omite o gasto e o contabiliza como suprimento de caixa através de cheque avulso (fl. 505); Em 12/02/2007 emite doe no valor de RS 1.224,34 conforme extrato bancário do Banco do Brasil (fl. 507), omite o gasto e o contabiliza erroneamente como reforço de caixa, designandoo de cheque avulso folha 0004 do livro razão de 2007 (fl. 505); Em 27/02/2007 emite o cheque 191615 do Banco do Brasil no valor de R$ 2.930,00. Esse, embora compensado (fl. 508) é contabilizado como suprimento de caixa conforme folha 0006 do livro razão de 2007 (fl. 509); Em 28/05/2007 emite o cheque 191707 do Banco do Brasil no valor de R$ 5.079,00. Esse, embora compensado (fl. 510) é contabilizado como suprimento de caixa, conforme folha 0010 do livro razão dc 2007 (fl. 511); Em 03/08/2007 transfere para seu fornecedor Tremox Ind Metal Ltda. o valor de R$ 5.969.49, conforme comprovante do Banco do Brasil (fl. 513) e respectivo extrato bancário (fl. 514). Entretanto omite este pagamento da sua contabilidade e, mais do que isso, escriturao como suprimento de caixa, conforme folhas 0438 e 0439 do livro diário 007 (fls. 515 e 516); No mesmo dia repete a operação pagando R$ 4.698,53 ao fornecedor Tig Inox conforme extrato bancário (fl. 514), porém escritura como suprimento de caixa conforme folha 0013 do livro razão de 2007 (fl. 519); Para reforçar o fato é examinado a ficha razão das contas dos fornecedores acima, onde é confirmado a inexistência de qualquer pagamento dos valores acima. Conta contábil 2.1.01.01.01.01 Tig Inox Ind. Metalúrgica Ltda. (fl. 517)." Conta contábil 2.1.01.01.01.01 Tremox Indústria Metalúrgica Ltda. (fl. 518). E examinado a conta contábil 5.1.1.01.01.01.01 Caixa (fl. 519) onde fica provado com clareza que os pagamentos não foram contabilizados, entretanto os cheques foram contabilizados como reforço de caixa. Tal fato mencionado adiante nos itens 185 e 186 refletiu a vontade da empresa mascarar novamente o saldo credor de caixa (utilização do caixa 2); Em 23/01/2008 emite cheque 191778 no valor de R$ 1.780,00 para o pagamento da nf 26 de NAP Instalações Elétricas Ltda., conforme cópia de cheque (fl. 520) e extrato bancário (fl. 521). Todavia, omite o pagamento desta nota fiscal, ajém de contabilizar o cheque como suprimento de caixa, conforme registro contábil na folha 0062 do livro diário (11 522); Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.598 21 Em 25/01/2008 transfere o valor de R$ 5.283,33 do Banco do Brasil conforme extrato bancário (fl. 523), todavia omite o destino dessa transferência e além disso contabiliza o valor como "cheque avulso" para suprimento de caixa, conforme folha 0002 do livro razão (fl. 524); Em 28/01/2008 efetua pagamento através do cheque compensado 191779 no valor de RS 5.328.29 conforme extrato bancário do Banco do Brasil (fl. 523). mas contabilizao como reforço de caixa (fl. 524); Em 22/08/2008 efetua pagamento da duplicata 0254/2008/A no valor de R$ 4.000,00 conforme boleto de cobrança emitido por Marajoa Gestão Mercantil de Ativos Ltda. (fl. 525), debitado em conta bancária do Banco do Brasil conforme extrato bancário (fl. 526). Todavia, diferentemente dos demais efetuados naquele dia, a empresa omite o pagamento e o contabiliza como suprimento de cheque lançandoo como "cheque avulso" (fl. 527). 172. As omissões são constantes. A nota fiscal 55602 no valor de R$ 5.400,00 emitida pela Ziemann Lies Máquinas e Equipamentos Ltda. em 19/12/2005 (fl. 528) e lançada no Livro Registro de Entradas da Rodotécnica não está contabilizada. A conta razão contábil dos anos de 2005 e 2006 acusa a não contabilização da nota fiscal (fls. 529 e 530). 173. O pagamento efetuado em 16/01/2006 no valor de R$ 5.400,00 da duplicata 55602 (fls. 531 e 532) emitida pela empresa Ziemann Lies não está contabilizado. Mais grave, além de omitir o pagamento, o contabiliza como reforço de caixa conforme folha 0019 do livro diário 006 (fl. 533). 174. A duplicata 55443 no valor de R$ 3.600,00 emitida pela Ziemann Lies Máquinas e Equipamentos Ltda. foi paga em 03/01/2006 (fl. 534). Todavia a empresa nessa data não registrou tal fato. Além de não registrar o pagamento efetuou o lançamento do cheque como entrada de caixa no dia 03/01/2006. Contabilizou o pagamento somente no dia 16/01/2006 conforme folha 0019 do livro diário 006 (fl. 535). 175. Mais um exemplo. A duplicata 0382 emitida pelo TRR Barracão Combustíveis Ltda. com vencimento em 31/12/2005, no valor de R$ 1.790,00 foi paga em 02/01/2006 (fl. 536) conforme extrato bancário (fl. 537). Todavia a contabilização de tal pagamento foi efetuado um mês antes, isto é, em 01/12/2005 (fl. 538). No dia 02/01/2006 a empresa contabiliza o cheque destinado a esse pagamento como reforço de caixa. 176. Os documentos fiscais que são contabilizados não dão consistência à contabilidade, já que muitos são inidôneos (irregulares). Exemplificase pela nota fiscal 0183 emitida em 04/03/2008 no valor de R$ 18.554,50 pelo Restaurante do Sol Ltda. Não há qualquer discriminação no corpo da nota fiscal (fl. 647)." (fls. 107108) b) Na empresa MG Mecânica 177. A contabilidade da empresa MG apresenta as mesmas irregularidades, os mesmos vícios. Exemplificase: Cheque 31690 (compensado em 08/04/2004), do Banco do Brasil, no valor de RS 40.000,00 utilizado para a construção do pavilhão em Bento Gonçalves (fl. 648), é contabilizado como reforço de caixa, conforme registro folha 0049 do livro diário (fl. 649); Cheque 31736 (compensado em 06/05/2004), do Banco do Brasil, ho valor de RS 13.219,50 destinado a pagamento de material de construção (fl. 655). E escriturado na folha 0069 do livro diário 0004 como suprimento de caixa cm 06/05/2004 (fl. 656); Cheque 31705 (compensado em 20/05/2004), do Banco do Brasil, no valor de RS 4.750,00 (fl. 539) destinado ao pagamento da nota fiscal 322 da empresa C. do Serralheiro. E escriturado na folha 0076 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 20/05/2004 (fl. 659); Fl. 1608DF CARF MF 22 Transferência pelo Banco do Brasil no valor de RS 8.000,00 (fl. 540). Escriturado na folha 0082 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 01/06/2004 (fl. 541) e folha 0005 do livro razão (fl. 542); Cheque 31753 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de R$ 8.200,00 destinado ao pagamento para a Construsul (fl. 543). Escriturado na folha 0099 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 25/06/2004 (fl. 544). Confirmase ao examinar a conta contábil 2.1.10.100.1 Construsul Cobalchini Com. de Mat. Const. Ltda. do ano de 2004 (fls. 545 e 546), onde verificase a inexistência desse pagamento; Cheque 31758 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de RS 15.000.00 (fl. 548). Escriturado na folha 0101 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 30/06/2004 (fl. 549); Cheque 31701 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de RS 61,34 destinado ao pagamento da Padaria Giacomin (fl. 550). Escriturado na folha 0102 do livro diário 0004 como suprimento de caixa (11551); Cheque 31808 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de R$ 5.111.00, destinado para pagamento ao fornecedor Trevisol Ltda. (fl. 553). Escriturado na folha 0112 do livro diário 0004 como suprimento dc caixa em 23/07/2004 (fl. 554); Cheque 850042 (compensado), do Banco dc Brasil, no valor dc RS 664,54, destinado para pagamento da Corretora Seguros (fl. 555). Escriturado na folha 0116 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 02/08/2004 (fl. 556); Cheque 850043 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de R$ 4.195,29, destinado para pagamento a Orteca (fl. 555). Escriturado ria folha 0116 do livro diário 0004 como suprimento de caixa em 02/08/2004 (fl. 556); Cheque 31828 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de R$ 215,00. destinado para pagamento a Ótica Virtual (fl. 557). Escriturado em na folha 0117 do livro diário 0004 como suprimento de caixa (fl. 558); Cheque 850041 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de RS 90,95, destinado para pagamento a Corretora Seguros (fl. 557;. Escriturado na folha 0117 do livro diário 0004 como suprimento de caixa (fl. 558); Cheque 850080 (compensado), do Banco do Brasil, no valor de RS 3.042,88, destinado para pagamento a Orteca (fls. 559 a 560). Escriturado em 07/01/2005 na folha 0005 do livro diário 0005 como suprimento de caixa (fl. 561) e folha 0001 do livro razão (fl. 562); Documento emitido pelo Banco do Brasil em 05/01/2006 no valor de RS 2.848,21 conforme extrato bancário (fl. 572). Escriturado na folha 0003 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 573); Cheque 130828 emitido pelo Banco do Brasil em 06/01/2006 no valor de R$ 1.065,00 destinado ao pagamento de salário Marcelo (fl. 574). É escriturado na folha 0003 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 576); Cheque 130830 emitido pelo Banco do Brasil em 09/01/2006 no valor de RS 2.242,00 destinado ao pagamento de férias Nilson (fl. 575). E escriturado na folha 0003 do livro diário 0006 como suprimento de caixa (fl. 576); Valor de RS 850,00 retirado 13/01/2006 da conta corrente do Banco do Brasil para adiantamento salarial (fl. 577). Escriturado erroneamente como cheque avulso, reforço de caixa, conforme folha 0004 do livro diário (fl. 579); . . ." Cheque 130829 (compensado cm 13/01/2006), emitido pelo Banco do Brasil no valor de RS 267,00 (fl. 577), destinado ao pagamento de salário Glória'. Escriturado erroneamente como reforço de caixa, conforme folha 0004 do livro diário (fl 579); ' Saída do valor de RS 1.000,00 da conta bancária do Banco do Brasil, em 20/01/2006 (fl. 578), para pagamento de honorários a Orteca. Escriturado na folha 0004 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 579); Transferência para outra conta corrente em 24/01/2006 no valor de R$ 1.032,79 conforme comprovante bancário (fl. 582) e extrato do Banco do Brasil (fl. 580). Escriturado irregularmente na folha 0005 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 581); Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.599 23 Transferência da conta bancária do Banco do Brasil em 06/02/2006 no valor de R$ 2.825,30 para a Orteca (fl. 583). Escriturada na folha 0007 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 584); Na análise da conta caixa conforme folha 0001 do livro razão (fl. 661), considerado os lançamentos acima, verificase que o saldo da conta caixa fica credor. Para evitar o saldo de caixa negativo na contabilidade, utiliza um subterfúgior efetuando os lançamentos dos cheques como suprimento de caixa. * Transferência em 28/02/2006 da conta bancária do Banco do Brasil no valor de RS 1.345,25 para outra conta corrente (fl. 585). Escriturada na folha 0011 do livro diário 006 como suprimento de caixa em 01/03/2006(11 586); Transferência da conta bancária do Banco do Brasil em 05/06/2006 no valor de RS 1.300,00 para a Orteca a título de pagamento de honorários (fl. 587). Escriturado na folha 0025 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 589); Cheque 860096 (compensado) do Banco do Brasil, no valor de R$ 1.837,40 destinado ao pagamento de IPVA (fl. 588). Escriturado em 09/06/2006 na folha 0025 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 589); Cheque 860097 (compensado) do Banco do Brasil, no valor de R$ 1.238,12. Escriturado em 09/06/2006 na folha 0025 do livro diário 006 como suprimento de caixa (fl. 592); Omite na contabilidade pagamentos diversos em 15/02/2007 no valor total de R$ 2.120,00 efetuados conforme extrato bancário do Banco do Brasil (fl. 591). Como prova é anexada a folha 0015 do livro diário 007 onde estão registrados os lançamentos do dia 15/02/2007. inexistindo os pagamentos (fl. 596); Cheques 130869 e 130872 (compensados) do dia 21/02/2007 nos valores de R$ 4.238,81 c R$.400,00 (fl. 591). Escriturados na folha 0015 do livro diário 007 como suprimento de caixa (tis. 596 e 597); Transferência on line em 22/02/2007 pelo Banco do Brasil, nos valores de R$ 375.00 e R$ 2.134,43 (fl. 593). Escriturados na folha 0016 do livro diário 007 como cheques avulso suprimento dc caixa (fl. 597); Emissão de "doe" em 10/05/2007 no valor de R$ 1.380.00 conforme extrato do Banco do Brasil (fl. 602). Escritura o "doe" como cheque avulso, suprimento de caixa, conforme folha 0037 do livro diário 007 (fl. 603); Efetua pagamentos através dos cheques 130893 e 130896 compensados em 10/05/2007 nos valores de R$ 1.286,54 e RS 200,00, conforme extrato bancário (fl. 602). Escritura os cheques como suprimento de caixa conforme folha 0037 do livro diário 007 (fl. 603); Paga custas cm processo no valor de R$ 417,71 conforme cheque 130922 do Banco do Brasil (fl. 607). Entretanto, escritura tal valor como suprimento de caixa cm data de 22/05/2007 conforme folha do livro diário 007 (fl. 608), omitindo o lançamento de despesa; Transfere on line em data de 17/12/2007 o valor de RS 941,98 conforme extrato do Banco do Brasil (fl. 610). Escritura tal valor como cheque avulso conforme folha 0091 do livro diário 007 (fl. 609); Efetua pagamentos diversos em data de 17/12/2007 no valor total de RS 17.687,00 conforme extrato do Banco do Brasil (fl. 610). Omite a totalidade desses pagamentos conforme folha 0091 do livro diário 007 e escritura o valor como cheque avulso (fl. 609); Efetua pagamento em 17/12/2007, pelo cheque compensado 130916, no valor de RS 1.310,26 conforme extrato do Banco do Brasil (11. 610). Escritura o cheque compensado como suprimento de caixa conforme folha 0091 do livro diário 007 (fl. 609); Emite DOC conforme extrato do Banco do Brasil em 08/02/2008 no valor de R$ 1.608,00 (fl. 498), todavia contabiliza este lançamento como cheque avulso, conforme é provado pelas folha 0013 e 0014 do livro diário 008 (fls. 598 e 599); Fl. 1610DF CARF MF 24 Em 06/03/2008 emite os cheques 130983 e 130984 nos valores de RS 190,00 e RS 311,00 para o pagamento de salários (fls. 611 e 612), todavia os contabiliza como cheque avulso para reforço de caixa, conforme é provado pelo registro contábil a folha 0023 do livro diário 008 (fl. 613) e folh1» 0002 do livro razão de 2008 (fi. 614); Em 10/09/2008 efetua transferência on line nos valores de RS 787,59 e RS 584.08. emite doe no valor de RS 2.904,00, conforme extrato bancário doBanco do Brasil (fl. 615), mas omite estas transferências contabilmente, registrandoas como "cheque avulso", conforme é provado pelos lançamentos contábeis registrados na folha 0006 do livro razão (fl. 617); Em 26/09/2008 efetua nova transferência on line no valor de R$ 1.185,45, conforme extrato bancário do Banco do Brasil (fl. 616), mas omite este registro, contabilizando o como "cheque avulso", conforme registro contábil na folha 0006 do livro razão (fl. 617) e folha 0097 do livro diário (fl. 618); Em 30/09/2008 efetua pagamento de título no valor de R$ 7.267,74 confonne extrato bancário (fl. 616). Todavia, omite este pagamento e contabilizao como "cheque avulso", confonne registro contábil na folha 0006 do livro razão de 2008 (fl. 617) e folhas 0097/8 do livro diário 008 (fls. 618 e 619); Em 13/10/2008 é debitado no Banco do Brasil o valor de R$jf.601,96 conforme extrato bancário (fl. 620). Tal valor é contabilizado como "cheque avulso" conforme registro contábil na folha 0007 do livro razão (fl. 621) e folha 0105 do livro diário 008 (fl. 622); Em 16/10/2008 é efetuado transferência on line no valor de R$ 2.152,91 da conta do Banco do Brasil conforme extrato bancário (11. 620). Todavia o destino da transferência é omitida da contabilidade, tendo a empresa registradoa como "cheque avulso" conforme registro contábil na folha 0007 do livro razão (fl. 621); Em 24/10/2008 é debitado no Banco do Brasil o valor de R$ 1.366,86 conforme extrato bancário (fl. 620). Tal valor é contabilizado como "cheque avulso" conforme registro contábil na folha 0007 do livro razão (fl. 621) e da folha 0111 do livro diário 008 (fl. 623). 178. Uma coisa é certa. A empresa contabiliza de forma indevida, pois os elementos de prova apurados demonstram que se trata de cheques emitidos em benefício de terceiros, de pagamentos a terceiros (avisos de débitos, transferências, doc eletrônicos). 179. Do acima exposto, resta inequívoco que o contribuinte não escritura grande parcela de seus gastos/despesas. A Recorrente não traz qualquer fundamentação que possa levar a outra conclusão que não a de que, de fato, a escrituração das empresas é imprestável, não sendo viável assim apurar o lucro real. No caso, restou comprovada a impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da atividade, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Em situações como esta o arbitramento é medida de salvaguarda do crédito tributário. Sem razão a Recorrente quando esta afirma que os julgadores agiram de maneira preconceituosa em relação à empresa, já que todas as provas constantes dos autos – que são, de fato, centenas de documentos levam à conclusão pela confusão patrimonial e pela imprestabilidade da contabilidade. Não se tratou, como quer fazer crer a Recorrente, de irregularidades pontuais, meros equívocos, mas de todo um conjunto de indícios que apontam para um mesmo sentido e cujas explicações fornecidas pela Recorrente não o infirmam. A autuação não tomou por base o artigo 116 do CTN – e nem poderia, já que tal dispositivo legal de fato não foi regulamentado e carece de eficácia. Ocorre que o Código Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.600 25 Tributário Nacional estabelece que a autoridade fiscal pode rever o lançamento quando constatada a prática de dolo, fraude ou simulação: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (grifamos) A argumentação da Recorrente de que cada empresa tinha atuação específica contradiz as provas constantes dos autos, e a Recorrente não traz qualquer documento adicional que possa infirmar tais provas. Não passa, assim, de mera alegação. De fato, não é ilegal segregar atividades entre pessoas jurídicas e estas podem de fato ser optantes por regimes de tributação diferentes – desde que, de fato, ambas efetivamente existam, como entidades separadas, respeitando o basilar princípio contábil da entidade. Ou seja, cada pessoa deve ter seu próprio patrimônio, composto por um conjunto de ativos e passivos, receitas próprias e despesas compatíveis com as atividades que exerce. Note que, quando dizemos "efetiva existência da pessoa jurídica" estamos nos referindo à existência da pessoa jurídica como "sociedade" ou "empresa", e não como um mero registro formal – um CNPJ. O contrato de sociedade é assim conceituado pelo artigo 981 do Código Civil (Lei 10.406/2002): Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se sabe, o Direito Brasileiro atual simpatiza com a teoria dos perfis da empresa de Asquini, a qual trata a empresa como "fenômeno poliédrico que assume, sob o aspecto jurídico, em relação ao diferentes elementos nele concorrentes, não um mas diversos perfis: subjetivo, como empresário; funcional, como atividade; objetivo, como patrimônio; corporativo, como instituição” (Exposição de Motivos Complementar apresentada pelo Prof. Sylvio Marcondes responsável pela elaboração do Livro II — “Direito da Empresa” no anteprojeto do Código Civil/2002). Assim, só há que se falar em "sociedade" ou "empresa" na presença de "atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida pelo empresário, em caráter profissional, através de um complexo de bens" (BULGARELLI, Waldírio. Tratado de Direito Empresarial, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1995, p.100). No caso, constatase a presença de apenas uma “empresa”, eis que a confusão patrimonial revela a presença de uma única “atividade”, que portanto deve ter tributação única. Ademais, em razão da impossibilidade de apuração do lucro real diante da imprestabilidade da contabilidade, tal tributação, além de unificada, é a do lucro arbitrado. Multa qualificada Fl. 1612DF CARF MF 26 Quanto à multa, esta foi duplicada exclusivamente em razão da constatação da simulação. Vejase: A fl. 120: 221. As provas são irrefutáveis.O exame detalhado de todos estes fatos revela, que embora constituída, a empresa MG Mecânica Suport Ltda. EPP não é, de fato, uma pessoa jurídica independente e sim um estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulada como outra pessoa jurídica. 222. O objetivo visa a supressão ou redução da carga tributária. A fl. 123, grifos no original: 230. Portanto, o sujeito passivo, ao manipular as informações que prestou à Administração Tributária, pretendeu modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal e as condições pessoais do contribuinte, evitando o pagamento do imposto. 231. Por todo o exposto, concluímos que o presente relatório e anexos revelam elementos que comprovam que o contribuinte agia com dolo na prática da infração, cujas circunstâncias (a sonegação e a fraude) autorizam a imposição da multa qualificada bem como a aplicação da regra geral do art 173, inciso I do CTN, que fixa como termo inicial para contagem dos cinco anos decadenciais, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado*'. Percebese que a qualificação da multa não ocorreu em virtude da constatação da existência de documentos não escriturados (o que foi motivo para a consideração da escrituração como imprestável), mas tão somente em virtude da simulação (o que foi motivo para a conclusão pela confusão patrimonial e a consequente reunião das receitas em uma única empresa). Em respeito ao princípio do contraditório, não se pode alterar a fundamentação constante do TVF, sob pena de se cercear a defesa do contribuinte. Dito isso, constato que não estamos a discutir sobre a prática de conduta expressamente vedada pelo ordenamento (i.e., um ilícito), mas conflito entre interpretações conferidas a um mesmo fato isto é: para a Recorrente, a constituição de uma pessoa jurídica no âmbito meramente formal é suficiente para permitir a produção dos respectivos efeitos tributários e, para a autoridade autuante, tal negócio é artificial (porque simulado) e deve ser desconsiderado, tributandose as atividades como uma única empresa. Conforme já expus em voto no acórdão CSRF 9101002.189, sessão de 21.01.2016, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional, já citado. Por sua vez, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", assim como da Súmula Vinculante CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.601 27 ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Como ensina BRANDÃO MACHADO, na noção de dolo se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito ("Um caso de elusão de imposto de renda". In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). Da mesma forma, MARCO AURÉLIO GRECO observa: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. (...) Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc." (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2004, grifos nossos) É que, para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Na verdade, o que vemos é a prática de condutas expressamente permitidas, tanto é que a própria fiscalização pauta a qualificação da multa na artificialidade das operações, afirmando textualmente que estas, por si sós, não violavam nenhuma norma legal. Simular é diferente de sonegar. Repitase: a acusação aqui é de simular a existência de duas pessoas jurídicas segregadas e, por consequência, adotar todas as condutas como se tais sociedades efetivamente existissem, assinando contratos, enviando declarações fiscais e preenchendo livros contábeis. Todas essas atitudes são ínsitas à simulação de fato, não se espera que alguém simule a existência de uma sociedade e entregue declarações fiscais como se ela não existisse, pois isso não seria simular. Fl. 1614DF CARF MF 28 Quem simula acredita na "situação simulada" e adota condutas condizentes com tal circunstância, mas isso não significa dizer que quem simula tem "dolo" no sentido de intenção de praticar um ilícito (dolo normativo). A intenção de quem simula é criar uma situação que na prática não existe e isso não é, no ordenamento jurídico brasileiro, um ilícito. De fato, não há norma que proíba simular uma situação nem norma que obrigue não simular, o que há são apenas consequências para o ato simulado: no âmbito civil, a nulidade do ato simulado nos termos do art. 167 do Código Civil, no âmbito tributário, a possibilidade de o fisco rever o lançamento nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. Dizer que um ato será nulo ou que ele autorizará a revisão do lançamento de tributos é algo muito menor do que dizer que esse ato é ilícito. Assim, no caso, não há a imputação da prática de qualquer ilícito, é dizer, não se verifica qualquer conduta contrária ao direito que possa levar ao agravamento da penalidade. De fato, a depender da linha que se adote e não cabe aqui discorrer sobre todas possíveis acepções a simulação é, no máximo, um ilícito atípico, o qual, por tal natureza, não pode ensejar o agravamento da multa (GERMANO, Livia De Carli. Planejamento tributário e limites para a desconsideração dos negócios jurídicos. São Paulo: Saraiva, 2013, pgs. 83 e 127). Em vista disso, entendo como não aplicável ao caso a hipótese de qualificação da multa de ofício para 150%, devendo esta ser reduzida para 75%. Conhecimento de oficio da matéria relativa à decadência Na sessão de julgamento, votada a questão da inocorrência de hipótese de qualificação da multa, foi levantada a discussão sobre a ocorrência de decadência quanto aos períodos anteriores à intimação do auto de infração, ocorrida em junho de 2009 (cf. fl. 4). Embora o argumento não tenha sido levantado pela Recorrente, tratase de matéria que pode ser conhecida de ofício, sendo a clássica hipótese de matéria de ordem pública, na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “(…) quanto à prescrição e à decadência, o tribunal de origem concluiu que a questão não foi objeto de pedido, não merecendo ser reconhecida nenhuma nulidade, nesta sede recursal. Todavia este posicionamento é contrário à orientação desta Corte segundo a qual matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão.” (AgRg no RESP 1.287.754/MS, grifamos) Sobre o assunto, entendo que, uma vez que constatada a ocorrência de simulação, o prazo decadencial no caso em questão não se rege pelo artigo 150, § 4º, do CTN, que transcrevo grifando: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.602 29 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, entendo que, no caso, o prazo decadencial se rege pelo artigo 173, I, do CTN (5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Neste sentido, embora conheça do argumento quanto à decadência, por concordar que se trata de matéria que pode ser conhecida de ofício, voto pela sua improcedência. Restei vencida nesse ponto, conforme esclarecerá o voto vencedor infra. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer de ofício do argumento da decadência quanto aos períodos anteriores à intimação do auto de infração, decidindo por sua inocorrência, bem como por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar parcial provimento apenas para reduzir a multa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado Em que pese o voto da Ilustre Relatora Livia De Carli Germano, peço venia para divergir quanto à sua proposta de aplicação do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial quanto ao lançamento tributário. Como visto no voto da I. Relatora, foi vencedora sua proposta de afastamento da multa qualificada de 150%, por não restar configurada uma das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 sonegação, fraude ou conluio, respectivamente que é a base legal de sustentação de aplicação da multa punitiva (qualificada) do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996. Fl. 1616DF CARF MF 30 Apesar de entender que a conduta perpetrada pela recorrente configurouse como simulatória, a I. Relatora conclui que a simulação presente no caso em comento não se afigurou como dolosa, contrária ao direito normativo, pelo que propôs o afastamento da multa qualificada. Faz ainda digressões sobre os conceitos de simulação e sonegação, e conclui que os nichos se diferem pela ilicitude do ato. Reproduzo, para facilitar a compreensão, trechos do voto da Relatora: Dito isso, constato que não estamos a discutir sobre a prática de conduta expressamente vedada pelo ordenamento (i.e., um ilícito), mas conflito entre interpretações conferidas a um mesmo fato isto é: para a Recorrente, a constituição de uma pessoa jurídica no âmbito meramente formal é suficiente para permitir a produção dos respectivos efeitos tributários e, para a autoridade autuante, tal negócio é artificial (porque simulado) e deve ser desconsiderado, tributandose as atividades como uma única empresa. Conforme já expus em voto no acórdão CSRF 9101002.189, sessão de 21.01.2016, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional, já citado. Por sua vez, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 foram praticadas, sendo assim indispensável, ainda, a comprovação do dolo. (...) É que, para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. (...) No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Na verdade, o que vemos é a prática de condutas expressamente permitidas, tanto é que a própria fiscalização pauta a qualificação da multa na artificialidade das operações, afirmando textualmente que estas, por si sós, não violavam nenhuma norma legal. Simular é diferente de sonegar. Repitase: a acusação aqui é de simular a existência de duas pessoas jurídicas segregadas e, por consequência, adotar todas as condutas como se tais sociedades efetivamente existissem, assinando contratos, enviando declarações fiscais e preenchendo livros contábeis. Todas essas atitudes são ínsitas à simulação de fato, não se espera que alguém simule a existência de uma sociedade e entregue declarações fiscais como se ela não existisse, pois isso não seria simular. Não obstante a configuração da conduta de simulação (sem fraude) reconhecida pela maioria deste colegiado fui vencido, pois entendia que a fraude estava comprovada no processo , a Relatora entendeu que a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN estaria prejudicada pela subsunção da conduta praticada pela recorrente com a parte final do referido dispositivo, abaixo transcrito, o que faria com que o prazo decadencial fosse contado de acordo com o inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 11020.002030/200985 Acórdão n.º 1401001.819 S1C4T1 Fl. 1.603 31 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destaquei) Pois bem. A redação do § 4º do art. 150 do CTN dita as regras para aplicação do prazo decadencial aos tributos lançados por homologação, dentre os quais se encaixam o IRPJ, a CSLL, a Contribuição para o Pis e a Cofins. Como exposto, a Conselheira entende que a simulação descrita na parte final do dispositivo legal acima pode ser interpretada também como simulação sem dolo ou fraude; embora não se trate de dolo ou fraude, entendeu que tal conduta simulatória permitiria, mesmo assim, o deslocamento do prazo decadencial para aquele contemplado no art. 173, I, do CTN. Com a devida venia, não entendo que o signo "simulação" contemplado na parte final do § 4º do art. 150 do CTN possa representar o ato de praticar conduta causadora de redução de tributo sem o intuito de fraudar. A meu ver, a parte final do referido dispositivo legal trata de norma de exceção, que tem como propósito "punir1" contribuintes que cometem condutas contaminadas de ilicitude. Tanto é assim que as demais condutas ali dispostas trazem consigo a ideia de máfé e ilicitude (dolo e fraude), o que inevitavelmente me convence de que o intento do legislador era de apenar os contribuintes que praticam condutas contrárias ao ordenamento jurídico. Situar em um mesmo relevo contribuintes que praticam fraudes para deixar de recolher tributos e aqueles que se utilizaram de lacuna legal para reduzirem a carga tributária, mesmo que afastada (a conduta) corretamente pela fiscalização, como entendeu a maioria da turma, parece não ter sido o propósito da elaboração da regra decadencial em comento. Se a intenção da norma fiscal fosse aquela abraçada pela I. Relatora, é de ponderar o seguinte: por que a regra do § 4º do art. 150 do CTN também não se aplicaria aos contribuintes que deixassem de declarar e recolher tributos cujos fatos geradores estão nitidamente dispostos nas normas fiscais? Qual diferença há entre tais contribuintes e aqueles, como a recorrente, que praticam condutas, por vezes, não proibidas pelas normas tributárias, mas que são infirmadas pela fiscalização? No meu sentir, talvez seria mais justo aplicar o inciso I do art. 173 do CTN àqueles que deveriam declarar e recolher tributos que se sabia devidos ao fisco. Como exemplo, posso citar as provisões não dedutíveis, definidas por lei, que deixam de ser adicionadas ao lucro real pelo sujeito passivo e, por conseguinte, deixam de ser 1 Digo "punir" pois se sabe que a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, I, do CTN permite ao fisco efetuar o lançamento tributário em prazo mais dilatado. Fl. 1618DF CARF MF 32 tributadas. Sabese que, neste caso, em regra, a autoridade fiscal realizará o lançamento tributário sem empregar a multa qualificada de 150% e o prazo decadencial será contado com base o § 4º do art. 150 do CTN2. Pergunto: por que tal conduta não ensejaria a aplicação do art. 173, I, do CTN em razão da adequação da conduta da empresa com a parte final § 4º do art. 150 do CTN (dolo, fraude ou simulação), já que o contribuinte tem o dever de conhecer suas obrigações tributárias? No caso dos autos, é nítida a conduta simulatória da recorrente. Entretanto, como a maioria da turma entendeu que a conduta não seria dolosa ou fraudulenta, não consigo vislumbrar a configuração de umas das hipóteses da parte final do § 4º do art. 150 do CTN, que possibilite a aplicação do art. 173, I, do CTN, pelo que proponho que seja aplicado o prazo decadencial contido no § 4º do art. 150 do CTN. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER de ofício a decadência do 1º Trimestre de 2004 (IRPJ e CSLL) e, quanto ao PIS e Cofins, acolher no período de janeiro a maio de 2004. Em relação aos demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto da I. Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa 2 Parto da premissa de que houve recolhimento antecipado de parte do IRPJ. Fl. 1619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000744/2006-56
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72) Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1801-000.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72) Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 477DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSA: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 05/29, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário discriminado, relativo ao ano calendário de 2002, incluindo juros de mora calculados até 31/10/2006 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 848.101,16: Imposto sobre a Renda dc Pessoa Jurídica IRPJ 622.619,69 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL 224.142,97 Contribuição para o Programa de Integração Social— PIS 238,35 Contribuição para o Financiamento. da Seguridade Social — Cofins 1.100,15 Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Termo de Encerramento de Fiscalização . lavrado . as fls. 272/278, os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que aponta o cometimento das seguintes infrações: a) OMISSÃO DE RECEITAS — Falta de escrituração de nota fiscal no valor de R$ 15.343,60; c b) DESPESAS INDEDUTÍVEIS Contabilização corno custos/despesas operacionais de gastos não necessários à manutenção da atividade da empresa, compreendendo despesas com atividade agropecuária, inclusive mão de obra (para as quais não há receita declarada), despesas particulares dos sócios, publicidade, juros de lançamento de oficio e multas fiscais. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente das exigências em 08/11/2006 (fls. 05 e outras), a contribuinte em 07/12/2006 a petição acostada as fls. 282/297, cm cujo texto, após abordar os fatos que deram origem à autuação, impugna parcialmente o feito fiscal, com os argumentos a seguir sumariados: . a) Despesas da Atividade Rural Inicialmente, ressalta que no decurso dos seus trabalhos de auditoria o agente fiscal não se aprofundou no exame das questões relacionadas a determinação da natureza das despesas, a fim de classificálas como operacionais ou não, bem como fundamentou sua exação fiscal .cm simples presunções. A autoridade fiscal justificou as glosas das referidas despesas aos fatos de que não constava do contrato social a atividade rural, e que, cm razão disso, não seriam operacionais c dedutíveis, e que também, durante o período fiscalizado, não havia sido realizada nenhuma venda de produtos originados da referida atividade, • Porém, o poder outorgado ao fisco para realizar o lançamento não .o investe de arbítrios, para sem Fl. 478DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000744/200656 Acórdão n.º 1801000.686 S1TE01 Fl. 460 3 observância do principio da legalidade, realizar lançamentos embasados em meras presunções, desconsiderando registros contábeis, demonstrações financeiras e fiscais, bem como toda documentação reconhecida como idônea. Os valores relativos aos custos ou despesas, sobre os quais incidiram as glosas aqui impugnadas, • guardam unia perfeita conexão do gasto com a atividade explorada pela contribuinte, e também se revestem de caráter usual, normal e necessária à manutenção da atividade rural. Todos os fatos contábeis/fiscais correspondentes à atividade rural, constam das respectivas demonstrações contábeis e fiscais, em contas cujos títulos demonstram com objetividade c clareza a sua natureza, devidamente lastreados em documentos fiscais revestidos de todos os requisitos legais pertinentes (Doc. II). Todas as despesas incorridas guardam relação direta com a atividade rural e foram necessárias à atividade em questão, sem as quais a mesma teria sucumbido. A atividade em comento consta de maneira clara das demonstrações financeiras da autuada c a repercussão de todos os fatos contábeis/fiscais ocorridos durante o períodobase de 2002 tiveram os seus registros correspondentes efetuados de acordo com a sua efetividade e origem. O procedimento adotado pela empresa tem fundamento na IN SRF n" 39, de 1996, que esclarece no §2º de seu art. 2": O prejuízo fiscal da atividade rural apurado no períodobase poderá ser compensado com o lucro real das demais atividades apurado no mesmo período base, sem limite. Ressalta que, se as despesas/custos glosadas estão relacionadas com a atividade rural e se os bens relacionados a essa atividade constam do patrimônio da pessoa jurídica, é descabido imputar se a esses gastos a presunção de indedutíveis , como fez a autoridade tributária, que optou cm agir de maneira contrária A jurisprudência relacionada aos fatos (ACS. 10193382 e 101.94559). A alegação apontada pela autoridade fiscal, de que a referida atividade não consta do contrato social, não tem o condão de desnaturála: afinal, em sede de . direito tributário, as situações fáticas, isto e, as devidamente comprovadas, prevalecem sobre quaisquer presunções indistintamente, como destacam vários julgados administrativos e judiciais. Quanto à questão da falta de receitas da atividade rural no período examinado, arguida pela autoridade fiscal ao final do seu relatório, revestese esta afirmação de um caráter in6cuo,• urna vez que é plenamente razoável e compreensível que, da atividade em tela, não resulte qualquer venda durante o período citado. Como é bem sabido, inclusive pelos leigos em atividade rural, a atividade em questão pode demandar um período bem superior a um ano para a produção de receita, não podendo a Fl. 479DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 mesma ser exigida obrigatoriamente no próprio anobase em que os gastos se realizaram, como supôs o agente fiscalizador na sua argumentação.. Se a autoridade fiscal investigou c verificou que não houve venda de gado durante o período, há dc contentarse. Afinal, sua função vinculada é verificar a ocorrência, ou • não, dc fato gerador que implique no surgimento do tributo, o que na espécie não ocorreu. b) Despesas de Juros de Lançamento de Oficio A Lei n° 8.981, de 1995, entre outras alterações, impôs novos critérios para determinação da base de cálculo do lucro real. A base de cálculo do IRPJ é elemento ad substantia do tributo, por isso que a instituição deste, em obediência ao principio da legalidade, depende de lei no seu sentido . estrito. A fonte primária do Direito Tributário é a lei, levandose em conta que esse ramo do direito é norteado pelo principio da legalidade, segundo o qual não há tributo sem lei que o estabeleça; corno conseqüência de que ninguém deve ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Neste sentido, reproduz a lição do Prof. Hugo de Brito Machado, in CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, 27' edição, 2006, Ed. Malheiros, p. 100) A Vedação expressa constante do art. 41, § 5 0, da Lei 8.981, de 1995, referese apenas as multas por infrações fiscais e não aos juros, que têm a natureza jurídica de despesas financeiras e como tais são despesas operacionais. Assim, o Parecer Normativo CST n° 61/79 (espécie do gênero norma complementar) em que a autoridade fiscal se amparou, veda a dedução dos juros e;com isso amplia ilegalmente a base de cálculo do imposto de renda, haja vista, que impede a dedução daqueles do lucro operacional, em flagrante violação ao princípio. da estrita legalidade. A majoração do tributo não pode ser determinada por normas complementares. Há de .se levar cm conta ainda o momento em que ocorreu o fato, sob pena de prestarse interpretação adversa, com fulcro em princípios ou legislação desatualizada. Em conseqüência inexistente previsão legal ao disposto no parecer normativo citado, ferindo pois o principio da estrita legalidade regedor das normas do direito tributário; pelo que se conclui que a impugnante agiu cm conformidade com o ordenamento jurídico vigente, quando deduziu da base de calculo do lucro real os referidos juros, com reflexos na apuração do IRPJ e da CSLL. c) Despesas de Publicidade Ao fisco, cabe fundamentar a sua pretensão, ou seja, dizer o porquê do seu convencimento para glosar uma despesa, entendendoa como indedutivel. Tão somente alegar que a fiscalizada não justificou a necessidade da despesa de publicidade, carece de mais consistência, até porque, o serviço de divulgação de propaganda é imaterial. Fl. 480DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000744/200656 Acórdão n.º 1801000.686 S1TE01 Fl. 461 5 A autuada é uma empresa de amplitude nacional, • como deixa claro seu Contrato Social, e .como tal, tem liberdade para realizar propagandas em qualquer parte do pais, a fim de promover seus serviços. Neste sentido deveuse a veiculação de publicidade no Estado do Ceará, onde a empresa desejava integrarse. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes manifestase pela aceitação de despesas desta natureza, conforme se vê nas ementas dos Acórdãos 207.204 e 105.7238. d) Do Pedido Requer o acolhimento da defesa, para cancelamento em parte dos autos de infração, retificando o valor dos lançamentos de oficio de IRPJ e CSLL, compensando o valor correspondente às bases de cálculo, no limite percentual de 30%, com os saldos de Prejuízo Fiscal e Base de Calculo Negativa da CSLL constantes dos controles internos da SRF (SAPLI).• DA MATÉRIA NAO IMPUGNADA Na petição impugnativa, a interessada, após suas argumentações, solicita retificação dos cálculos do IRPJ e da CSLL, o que torna incontroversos os lançamentos de PIS e Cofins sobre a receita omitida, porque não expressamente contestados, na forma do Dec.n°. 70.235, de 1972, com a redação da Lei re'. 9.532, de 1997, razão pela qual as referidas exigências foram apartadas para cobrança (fls. 392/394).. Em sessão de julgamento de 22 de setembro de 2008, a 2ª Turma da DR/BSA, manteve parcialmente o lançamento de acordo com o Acórdão nº 0327.004. Intimada em 22 de outubro de 2008 (fls. 410) do Acórdão 0327.004, de 22/09/2008, interpôs recurso voluntário em 24/11/2008 (fls. 411) onde , em síntese, repete as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido em 22 de outubro de 2008, quartafeira (fls. 410) e apresentou Recurso Voluntário em 24 de novembro de 2008, segunda feira (fls. 411). O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. Considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 21 de novembro de 2008 , sextafeira. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, em decorrência da sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 482DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 01/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.008073/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à contribuinte, por ocasião do recurso voluntário, apresentar os elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
No caso, diante da ausência de apresentação pela recorrente de fundamentos de fato e de direito respaldados em provas relativamente à discordância da classificação fiscal adotada no lançamento, a decisão recorrida há de ser mantida nessa parte pelos seus próprios fundamentos.
MULTAS. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Embora, no caso concreto, a multa de ofício, a multa ao controle administrativo e a multa por NCM incorreta tenham sua origem na reclassificação fiscal, todas elas estão legalmente previstas e subsumem-se à situação relatada nos autos, não havendo qualquer restrição na legislação à cumulação dessas penalidades, pelo contrário, há expressa autorização no art. 84, §2º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e no art. 169, §5º do Decreto-lei nº 37/66.
MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO.
A teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, cabe a exclusão da multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
In casu, entende-se como suficiente, para fins de identificação e classificação fiscal, a descrição do produto na Declaração de Importação que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boa-fé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade.
A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa sobre o controle administrativo das importações; e por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos, neste último tópico, os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à contribuinte, por ocasião do recurso voluntário, apresentar os elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No caso, diante da ausência de apresentação pela recorrente de fundamentos de fato e de direito respaldados em provas relativamente à discordância da classificação fiscal adotada no lançamento, a decisão recorrida há de ser mantida nessa parte pelos seus próprios fundamentos. MULTAS. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Embora, no caso concreto, a multa de ofício, a multa ao controle administrativo e a multa por NCM incorreta tenham sua origem na reclassificação fiscal, todas elas estão legalmente previstas e subsumem-se à situação relatada nos autos, não havendo qualquer restrição na legislação à cumulação dessas penalidades, pelo contrário, há expressa autorização no art. 84, §2º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e no art. 169, §5º do Decreto-lei nº 37/66. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. A teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, cabe a exclusão da multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. In casu, entende-se como suficiente, para fins de identificação e classificação fiscal, a descrição do produto na Declaração de Importação que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo. MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boa-fé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte
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AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à contribuinte, por ocasião do recurso voluntário, apresentar os elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No caso, diante da ausência de apresentação pela recorrente de fundamentos de fato e de direito respaldados em provas relativamente à discordância da classificação fiscal adotada no lançamento, a decisão recorrida há de ser mantida nessa parte pelos seus próprios fundamentos. MULTAS. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Embora, no caso concreto, a multa de ofício, a multa ao controle administrativo e a multa por NCM incorreta tenham sua origem na reclassificação fiscal, todas elas estão legalmente previstas e subsumemse à situação relatada nos autos, não havendo qualquer restrição na legislação à cumulação dessas penalidades, pelo contrário, há expressa autorização no art. 84, §2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 169, §5º do Decreto lei nº 37/66. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. A teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, cabe a exclusão da multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 80 73 /2 00 8- 95 Fl. 222DF CARF MF 2 constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. In casu, entendese como suficiente, para fins de identificação e classificação fiscal, a descrição do produto na Declaração de Importação que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo. MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa sobre o controle administrativo das importações; e por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos, neste último tópico, os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 223 3 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/12/2003 Fluodioxonil. O produto 4(2,2Difluoro1,3Benzodioxol4il) 1HPirrol3 Carbonitrila (Fluodioxonil), cuja estrutura contém exclusivamente três heteroátomos de nitrogênio e oxigênio em conjunto, outro composto heterocíclico, classificase no código NCM/TEC 2934.99.29, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre autos de infração para exigências de Imposto sobre a Importação (II), multa de ofício (multa proporcional), multa ao controle administrativo por falta de Licenciamento de Importação, multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001) e juros de mora, decorrentes de reclassificação fiscal da mercadoria importada, conforme demonstrativo abaixo: A fiscalização assim sustentou a reclassificação fiscal: (...) Fl. 224DF CARF MF 4 O importador, por meio da DI de n° 03/10757341, registrada em 08/12/2003, submeteu a despacho pela adição 001, 2.520,000Kg da mercadoria descrita como: "FLUDIOXONIL MARCA COMERCIAL: MAXIM TÉCNICO, PRODUTO TÉCNICO REGISTRADO NO MAPA SOB NR. 05897 ESTADO FÍSICO: SOLIDO", classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2934.99.99 Outros Compostos heterocíclicos, "Destaque NCM 001 Para uso na agropecuária, insumos agrícolas e pecuário"; não tendo sido pago os impostos, II e IPI, haja vista às alíquotas serem, há época, de 0% (zero) para ambos. Em face do pedido de exame laboratorial nº LAB 3166/03Gcof; foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° 0249.01 de 30/01/2004, que concluiu tratarse de "4(2,2Difluoro1, 3Benzodioxol4il) 1HPirrol3Carbonitrila; (Fluodioxonil)", e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: "1. Não se trata de Qualquer Outro Composto Heterocíclico. Tratase de 4(2,2Difluoro1,3Benzodioxol4il)lHPirrol3 Carbonitrila; (Fluodioxonil), Outro Composto cuja estrutura contem exclusivamente 3 Heteroátomos de Nitrogênio e Oxigênio em conjunto, Outro Composto Heterocíclico". "2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolada". "3.Segundo Referência Bibliográfica, Fluoxioxonil é utilizado como ingrediente ativo em Preparações Fungicidas". "4.Prejudicada". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI n° 1 e 6, com a Regra Geral Complementar RGC n° 1, texto da posição 2934 "... outros compostos heterocíclicos" e texto da subposição 2934.99.2 "Cuja estrutura contém exclusivamente 3 heteroátomos de nitrogênio e oxigênio em conjunto, . . . "; a mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001, divergente da apurada no exame laboratorial, classificase na posição tarifária da NCM 2934.99.29 "OUTS.COMP.C/3 HET.N.O.EXC.AC.NUCL.,SAIS 2934991", "Destaque NCM 001 Para uso na Agropecuária, insumos agrícolas e pecuários"; sujeita à incidência de alíquota de 2% para o imposto de importação e de 0% para o imposto sobre produtos industrializados. (...) Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que: a) recolheu a multa regulamentar; b) a classificação 2934.99.99 é correta; c) é incabível a multa do controle administrativo das importações porque descreveu correta e suficientemente o produto Maxim Técnico, que se encontra registrado no MAPA; d) a empresa para a qual foi concedido o registro de produto técnico foi sendo incorporada e reincoraporada até que virou a própria impugnante; d) o ADN/COSIT 12/97 diz ser incabível a multa ao controle administrativo das importações quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação; e) é imprópria a exigência de multa do controle administrativo das importações cumulada com a multa de ofício; f) é vedado o confisco; g) em razão de a mercadoria ter sido descrita corretamente, também é incabível a penalidade de ofício em razão do disposto no ADN/COSIT 10/97; e h) não são cabíveis sobre as multas de ofício e de controle administrativo e os juros de mora à taxa SELIC. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 224 5 O julgador de primeira instância não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos: O laudo identificou o produto como outro composto heterocíclico, cuja estrutura contém exclusivamente três heteroátomos de nitrogênio e oxigênio, o que condiz exatamente com a classificação 2934.99.29. Exatamente como determina a classificação utilizada pelo Fisco foi proferido o laudo técnico oficial. Portanto, correta a reclassificação fiscal procedida, sendo cabível a diferença de tributo em decorrência da reclassificação das mercadorias importadas, no código TEC/TIPI, em virtude de a alíquota do II ser de dois por cento e não zero. O contribuinte beneficiouse da redução tarifária para zero por cento da alíquota do II, valendose da classificação incorreta da mercadoria, o que lhe possibilitou o não recolhimento desse imposto. Por essa razão, a empresa está sujeita à multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A descrição da mercadoria foi sucinta, deixando de apresentar todos os elementos necessários à sua identificação. O ADN/COSIT 12/97 prevê a exclusão da multa apenas se a mercadoria for descrita com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. A descrição da mercadoria foi sucinta, deixando de apresentar todos os elementos necessários à sua identificação, não se aplicando o ADN/COSIT 12/97. Portanto, cabível a multa aplicada em relação aos controles administrativos de importação. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/06/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/06/2014, alegando, em síntese: (...) II.2.1 DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELA IMPORTADORA NO REGISTRO DA DI A classificação tarifária deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. No presente caso, a Recorrente adotou a classificação fiscal a seguir descrita: Código NCM Descrição 2934 Ácidos nucleicos e seus sais, de constituição química definida ou não; Outro Componentes Heterocíclicos 2934.9 Outros 2934.99.99 Outros Ora, não há dúvidas, no caso dos autos, I. Julgadores, que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, classificação esta que deveria ter sido respeitada pela Autoridade Fazendária, inexistindo fundamento para o lançamento realizado. Diante disso, deve prevalecer a classificação NCM 2934.99.99 adotada pela Impugnante e, consequentemente, cancelada a exigência lançada. II.2.2 MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES (...) Verificase, conforme declarado na Dl acima, que o produto importado pela Impugnante é o MAXIM TÉCNICO, registrado no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária (MAPA) sob o nº 05897, consoante se verificado "Certificado de Registro de Agrotóxicos e Afins" (Doc. 05 da Fl. 226DF CARF MF 6 impugnação) e do "Relatório do Produto Técnico" (Doc. 06 da impugnação), emitido pela ANVISA. Portanto, não resta dúvida que o produto MAXIM TÉCNICO encontrase registrado no MAPA exatamente sob o nº 05897. (...) As informações do registro do produto são apresentadas ao SISCOMEX previamente ao pedido de importação, principalmente no caso dos agrotóxicos, requisito necessário para a importação e, portanto, condição sine qua non para que haja a importação do produto. Deste modo, todas as informações especificadas acima são de conhecimento prévio das autoridades governamentais de comércio exterior. (...) Assim, em momento algum houve dúvida da Recorrente quanto ao produto realmente importado, nem mesmo verificouse qualquer insuficiência na descrição dos elementos essenciais à identificação da mercadoria (MAXIM TÉCNICO) que implicasse obtenção de licenciamento para produto diverso da que foi importada. (...) Em resumo, podese afirmar que a Recorrente apresentou na DI as seguintes características do produto importado: descrição do produto, nome comercial, estado físico, quantidade e o número de registro no Ministério da Agricultura. Ora, tais características, ao contrário do alegado pelo Sr. AFRFB, são, sim, elementos suficientes para constar da DI, não implicando, de forma alguma, Licença de Importação para mercadoria diversa da importada, pois demonstram com exatidão o produto efetivamente importado, qual seja, MAXIM TÉCNICO, registrado no MAPA sob o nº 05897. (...) Com efeito, dispõe o Ato Declaratório COSIT (Normativo) nº 12, de 21/01/1997 (D.O.U. de 22/01/1997), que é incabível a multa ao controle administrativo das importações quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação, nos seguintes termos: (...) Diante da correta descrição do produto importado "MAXIN TÉCNICO", é totalmente indevida a exigência da Multa do Controle Administrativo das Importações, razão pela qual o Auto de Infração, também nesse aspecto, deve ser cancelado. II2.2.2 INAPLICABILIDADE DE MULTA ÀQUELES QUE TENHAM AGIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA ADMINISTRAÇÃO (...) Nesse sentido, já se posicionou o CARF, que cancelou a multa de ofício aplicada, em razão de o contribuinte ter agido em conformidade com o entendimento firmado pela instância administrativa de julgamento. Assim, exatamente pelas mesmas razões, deve ser reformada a decisão ora recorrida e canceladas as multas aplicadas no caso dos presentes autos, tendo em vista que a Recorrente agiu em conformidade com ato normativo e com a orientação jurisprudencial firmada anteriormente, razão pela qual não pode sofrer qualquer punição, nos termos, inclusive, do que dispõe o art. 100, parágrafo único do CTN. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 225 7 II2.2.3 IMPROPRIEDADE DA EXIGÊNCIA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO (...) No entanto, mesmo que se considere válida a exigência da Multa do Controle Administrativo, a mesma não poderia ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, haja vista que tal exigência implica dupla imposição de pena ao mesmo fato, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. (...) II2.2.4VEDAÇÃO AO CONFISCO Considerando que a exigência de Multa do Controle Administrativo representa 30% sobre a mercadoria, ou seja, R$ 813.394,50 e o valor exigido a titulo de II (principal) é de R$ 52.477,06, resta patente a ofensa ao princípio da Vedação ao confisco (artigo 150, IV) e da garantia à propriedade privada (artigo 59, XXII), ambos expressamente consagrados na Constituição Federal. (...) II.2.3 MULTA DE OFÍCIO A exigência da multa de ofício também não deve prevalecer, pois, conforme amplamente demonstrado no item 11.2.2.1 acima transcrito, há, no presente caso, descrição correta do produto (MAXIM TÉCNICO) na Declaração de Importação, ocorrendo, apenas e tão somente, suposto equívoco quanto à classificação fiscal do mesmo. Sendo assim, aplicase o disposto no ADN Cosit nº 10, de 16/01/1997, acima transcrito (item 46 retro), que afasta a penalidade em relação a produtos corretamente descritos. (...) II.2.4 SELIC SOBRE AS MULTAS DE OFÍCIO E DE CONTROLE ADMINISTRATIVO A RFB está exigindo as multas aplicadas acrescidas da Taxa Selic, com fundamento legal na MP nº 1.62131/98, controvertida na Lei nº 10.522/02 (artigo 29 e 30). No entanto, essa exigência deve ser afastada, visto que afronta: a) o artigo 161, do CTN, o qual dispõe que somente "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis", ou seja, apenas e tão somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito do Fisco exigir a multa correspondente, sem que a mesma seja atualizada; b) o princípio da legalidade, assegurado pela CF/88 (artigo 59, II) e pelo CTN (art. 97). Está condicionada à prévia existência de lei toda e qualquer oneração que se pretenda introduzir no regramento das obrigações às quais se submete o sujeito passivo e tal regra não está sendo observada pelo Fisco ao adotar os artigos 29 e 30, da Lei nº 10.522/02, na apuração do crédito em discussão; c) por conseguinte, também há ofensa ao artigo 2º, I, da Lei nº 9.784/99, tendo em vista que os atos da Autoridade Administrativa estão totalmente vinculados à lei, e d) por fim, os artigos 142, do CTN e 10, do Decreto 70.235/72, e, em decorrência, ofensa ao contraditório e a ampla defesa (artigo 5º, LV, da CF). De fato, tal penalidade (juros sobre multa) não foi Fl. 228DF CARF MF 8 objeto de regular lançamento, razão pela qual não pode ser exigida. 23. Vale salientar que a 2ª Turma da CSRF, diante desses argumentos, afastou a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa aplicada, conforme ementa a seguir reproduzida: "JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente." (Acórdão 9202002.600 de 07 de março de 2013)(g.n.) 24. E, ad argumentandum e apenas ad argumentandum, caso esse CARF decida pela procedência da cobrança de juros sobre a multa de ofício, a respectiva cobrança deve se limitar a juros de 1% ao mês, conforme decisão abaixo transcrita, in verbis: (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. A contribuinte efetuou o recolhimento da multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001), tendo sido tal parcela do crédito tributário excluída pela autoridade preparadora, conforme extrato abaixo do sistema SIEF (fl. 219), razão pela qual tal questão não mais integra a presente lide. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Embora a recorrente discorde da classificação fiscal adotada no lançamento e mantida pela decisão de primeira instância (NCM 2934.99.29), não apresentou um argumento sequer para sustentar a sua posição de que o código NCM adequado para o produto seria aquele informado por ela na Declaração de Importação (NCM 2934.99.99), conforme descrições abaixo: 29.34 Ácidos nucléicos e seus sais, de constituição química definida ou não; outros compostos heterocíclicos. (...) 2934.99 Outros (...) 2934.99.2 Cuja estrutura contém exclusivamente 3 heteroátomos de nitrogênio e oxigênio em conjunto, exceto os ácidos nucléicos e seus sais e os produtos compreendidos no item 2934.99.1 (...) 2934.99.29 Outros (...) Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 226 9 2934.99.9 Outros 2934.99.91 Timolol 2934.99.92 Maleato ácido de timolol 2934.99.93 Lamivudina 2934.99.99 Outros Como se sabe, caberia à contribuinte, por ocasião do recurso voluntário, apresentar os elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Assim, diante da ausência de fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, relativamente à discordância da recorrente da classificação fiscal, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: (...) A identificação de laudo oficial obtido a partir de amostra do produto é essencial para que passemos à classificação fiscal. O laudo constante dos autos identificou o produto como 4(2,2 Difluoro1,3Benzodioxol4il)1HPirrol3Carbonitrila (Fluodioxonil), cuja estrutura contém exclusivamente três heteroátomos de nitrogênio e oxigênio em conjunto, outro composto heterocíclico. A classificação utilizada pela interessada foi o destaque NCM 001, para uso na agropecuária, insumos agrícolas e pecuário, da TEC/NCM 2934.99.99, relativa a outros compostos heterocíclicos. A fiscalização utilizou a classificação 2934.99.29, como Outros compostos contendo três heteroátomos de nitrogênio e oxigênio, destaque NCM 001, para uso na agropecuária. Diz a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI(SH)1), que “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas outras regras gerais”. Fato é que o laudo identificou o produto, conforme já visto, como outro composto heterocíclico, cuja estrutura contém exclusivamente três heteroátomos de nitrogênio e oxigênio, o que condiz exatamente com a classificação 2934.99.29. Exatamente como determina a classificação utilizada pelo Fisco foi proferido o laudo técnico oficial. Portanto, correta a reclassificação fiscal procedida, sendo cabível a diferença de tributo em decorrência da reclassificação das mercadorias importadas, no código TEC/TIPI, em virtude de a alíquota do II ser de dois por cento e não zero. (...) MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO (MAXIM TÉCNICO) Sustenta a fiscalização autuante que o produto não teria sido suficientemente descrito pela contribuinte na Declaração de Importação, sendo que ela teria dúvida de qual Fl. 230DF CARF MF 10 produto estaria importando se o Maxim, de registro nº 05397, ou o Maxim Técnico, de registro nº 05897, concedido à Novartis Biociências S.A. Na Declaração de Importação (DI) a contribuinte assim descreveu o produto importado: Em atendimento à intimação da fiscalização, a contribuinte apresentou o Certificado registrado no MAPA sob o n° 05897 (fl. 33), do produto Maxim Técnico, bem como extrato do registro do ingrediente ativo deste produto (Fludioxonil), de nº 05397, com as seguintes informações, respectivamente: De outra parte, o Laudo Técnico oficial, embora tenha manifestado discordância em relação à descrição do enquadramento da NCM informado pela contribuinte na DI, em nada desabona a descrição do produto da DI complementada pelos certificados acima, conforma se vê abaixo: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 227 11 Dessa forma, entendo que a importadora apresentou descrição suficiente na Declaração de Importação para a sua perfeita identificação e classificação pela fiscalização no curso do despacho, eis que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo. Assim, deve ser exonerada a multa ao controle administrativo das importações, com fundamento do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, que assim dispõe: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997 (Publicado(a) no DOU de 22/01/1997, seção 1, pág. 1301) "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. [negritei] INAPLICABILIDADE DE MULTA ÀQUELES QUE TENHAM AGIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA ADMINISTRAÇÃO Sustenta a recorrente, neste tópico, que deveriam ser canceladas as multas aplicadas no caso dos presentes autos, tendo em vista que a recorrente agiu em conformidade com ato normativo e com a orientação jurisprudencial firmada anteriormente, razão pela qual não pode sofrer qualquer punição, nos termos, inclusive, do que dispõe o art. 100, parágrafo único do CTN. Ocorre, no entanto, que o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997, acima transcrito, referese tão somente à possibilidade da exclusão da "infração administrativa ao controle das importações", o que foi efetuado neste Voto, não podendo ser estendido a outras penalidades à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido. Fl. 232DF CARF MF 12 IMPROPRIEDADE DA EXIGÊNCIA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO Embora as multas aplicadas no presente processo (multa de ofício, multa ao controle administrativo e multa por classificação incorreta) tenham sua origem na incorreção da classificação fiscal declarada pela contribuinte na Declaração de Importação, todas elas estão legalmente previstas e subsumemse ao presente caso concreto, não havendo qualquer restrição na legislação à cumulação dessas multas. Pelo contrário, o art. 84, §2º da Medida Provisória nº 2.15835/2001 dispõe expressamente sobre a possibilidade de exigência da multa por NCM incorreta com a multa de ofício ou outras penalidades, bem como o art. 169, §5º do Decretolei nº 37/66 autoriza a aplicação da multa por falta de guia ou licença de importação (multa ao controle administrativo) concomitantemente a outras penalidades, como abaixo se observa: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...) §2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. § 5º A aplicação das penas previstas neste artigo: (Incluído pela Lei nº 6.562, de 1978) I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; (Incluído pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) VEDAÇÃO AO CONFISCO Quanto à alegação de ofensa ao princípio da vedação ao confisco e da garantia à propriedade privada, dela não se pode tomar conhecimento, eis que tal verificação seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade das normas legais que preveem as multas, o que é vedado a este Conselho, a teor da Súmula CARF nº 2 e por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011. MULTA DE OFÍCIO Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 228 13 A multa de ofício foi exigida pela fiscalização em face da falta de pagamento pela contribuinte do Imposto sobre a Importação (II), conforme previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Como se vê, a multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação no caso presente, que haja a falta de pagamento do Imposto sobre a Importação, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a descrição correta do produto na Declaração de Importação não lhe socorre neste caso. Não obstante isso, há que se esclarecer que, à época do fato gerador sob análise (08/12/2003), já não mais vigia na Receita Federal o entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/19971, o qual foi expressamente revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 13, de 10 de setembro de 2002, que assim dispõe: ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF Nº 13, DE 10 92002(DOU DE 1192002) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do artigo 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no artigo 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, DECLARA: Art. 1º – Não constitui infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja 1 ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 10, DE 16 /01 /1997 [REVOGADO] COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO COSIT PUBLICADO NA PAG. 01081 EM 20 /01 /1997 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (...) Fl. 234DF CARF MF 14 corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Art. 2º – Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997. [grifos da Relatora] Dessa forma, à época da importação da recorrente, não mais era cabível a exclusão da multa de ofício para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas acima, eis que o Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, vigente à época do fato gerador, não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário). Nessa esteira, não obstante os acórdãos favoráveis à tese da recorrente mencionados no recurso voluntário não tenham efeito vinculante para este Colegiado, cabe também salientar que o Acórdão CSRF/0304.449 (processo nº 11128.002799/9718) referese a fato gerador anterior à publicação do Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, e o Acórdão nº 3301001.8782, que embora se refira a fato gerador ocorrido em 09/06/2004, não trata da "classificação tarifária errônea", mas da "indicação indevida de destaque ex", hipótese que continua contemplada no último Ato Declaratório para a desoneração da multa de ofício. Assim, diante da ausência de norma infralegal ou legal desonerativa vigente que beneficiasse a recorrente ao tempo do fato gerador, é de se aplicar o disposto expressamente na norma legal veiculada pelo art. 44, I da Lei nº 9.430/96, que determina a incidência da multa de ofício diante da apuração pela fiscalização autuante do não pagamento espontâneo do imposto à época do seu lançamento de ofício. SELIC SOBRE AS MULTAS DE OFÍCIO E DE CONTROLE ADMINISTRATIVO Por fim, quanto à insurgência relativa a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: 2 Ementa do Acórdão nº 3301001.878: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO. Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas. DESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Excluise a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque “ex”, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 229 15 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/793, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral4: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for 3 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 4 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 236DF CARF MF 16 efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)5, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". Ao contrário do alegado pela recorrente, a fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido 5 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/SC RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.008073/200895 Acórdão n.º 3402004.617 S3C4T2 Fl. 230 17 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 6 Também inexiste a alegada ofensa ao princípio da legalidade, eis que a incidência da taxa Selic é legalmente prevista no art. 61, caput e §3° e no art. 5º, §3º da Lei nº 9.430/967. Nem tampouco há ofensa ao artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72, pois a fluência dos juros de mora, seja em face da exigência do próprio tributo ou da multa de ofício, é decorrente, obviamente da lei, e da fluência do tempo após os seus vencimentos sem o devido adimplemento por parte da contribuinte. Não se olvide que inexiste auto de infração que possa prever o momento futuro em que a contribuinte irá extinguir o crédito tributário nele veiculado. Melhor sorte não assiste à recorrente no pleito de incidência de juros a 1% ao mês, conforme bem esclarece Leandro Paulsen8, "Não vislumbramos nenhuma inconstitucionalidade na taxa SELIC. Tem ela base legal e pode ser exigida pelo Fisco. O CTN, 6 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. 7 Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §4º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, o imposto devido deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, não se lhes aplicando a opção prevista no §1º. 8 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, p. 1072. Fl. 238DF CARF MF 18 embora, em seu art. 161, §1º, refira a taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando, expressamente à lei a possibilidade de dispor de modo diverso. Não estabelece a taxa de 1% como limite, mas como taxa supletiva. A Lei nº 9.065/96 determinou a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios e inexiste inconstitucionalidade nisso. (...)". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa ao controle administrativo das importações. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901216/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 12 16 /2 01 3- 81 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10875.901216/201381 Acórdão n.º 1201001.785 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10875.901216/201381 Acórdão n.º 1201001.785 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10875.901216/201381 Acórdão n.º 1201001.785 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 425DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.720922/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS INOMINADOS. ACÓRDÃO QUE INCORREU EM ERRO RELATIVAMENTE AOS VALORES PASSÍVEIS DE EXCLUSÃO DA EXIGÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR O VÍCIO
Deve haver a correção do julgado para cancelar o restabelecimento da compensação do imposto pago a título de Carnê-leão, uma vez que a mesma verba foi reconhecido pela fiscalização como imposto de renda sobre rendimentos omitidos. Portanto, mantém-se incólume a glosa da compensação do carnê leão efetivada pela autoridade lançadora, sob pena de considerar esse valor de imposto recolhido em dobro.
Numero da decisão: 2201-003.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para, sanando a decisão recorrida, manter incólume a glosa de compensação do carnê-leão no valor de R$ 74.517,10.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 EMBARGOS INOMINADOS. ACÓRDÃO QUE INCORREU EM ERRO RELATIVAMENTE AOS VALORES PASSÍVEIS DE EXCLUSÃO DA EXIGÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR O VÍCIO Deve haver a correção do julgado para cancelar o restabelecimento da compensação do imposto pago a título de Carnê-leão, uma vez que a mesma verba foi reconhecido pela fiscalização como imposto de renda sobre rendimentos omitidos. Portanto, mantém-se incólume a glosa da compensação do carnê leão efetivada pela autoridade lançadora, sob pena de considerar esse valor de imposto recolhido em dobro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para, sanando a decisão recorrida, manter incólume a glosa de compensação do carnê-leão no valor de R$ 74.517,10. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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ACÓRDÃO QUE INCORREU EM ERRO RELATIVAMENTE AOS VALORES PASSÍVEIS DE EXCLUSÃO DA EXIGÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR O VÍCIO Deve haver a correção do julgado para cancelar o restabelecimento da compensação do imposto pago a título de Carnêleão, uma vez que a mesma verba foi reconhecido pela fiscalização como imposto de renda sobre rendimentos omitidos. Portanto, mantémse incólume a glosa da compensação do carnê leão efetivada pela autoridade lançadora, sob pena de considerar esse valor de imposto recolhido em dobro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para, sanando a decisão recorrida, manter incólume a glosa de compensação do carnêleão no valor de R$ 74.517,10. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 09 22 /2 01 4- 32 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19985.720922/201432 Acórdão n.º 2201003.686 S2C2T1 Fl. 220 2 EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela DRF em Curitiba/SP à fl. 214, com base no § 1º do art. 66 do RICARF, em face do acórdão de fls. 201/207, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para “afastar a omissão de rendimentos no valor de R$ 199,738,00, e para restabelecer a compensação do carnê leão no valor de R$ 74.517,10”. No entanto, a DRF em Curitiba/PR alegou em seus Embargos que o Acórdão nº 2201003.214, de 14/06/2016, incorreu em erro, relativamente aos valores passíveis de exclusão da exigência. Em apertada síntese, alegou a autoridade responsável pela execução dos Embargos que: "De acordo com o citado acórdão, no dispositivo do voto do relator está consignado que foi dado parcial provimento ao recurso "para afastar a omissão de rendimentos no valor de R$ 199.738,00 e para restabelecer a compensação do carneleão no valor de R$ 74.517,10". Entretanto, conforme se pode verificar na notificação de lançamento, o valor de R$ 74.517,10, embora glosado como compensação de carnêleão, já havia sido reconhecido pela fiscalização como imposto de renda sobre rendimentos omitidos, incluído no valor de R$ 74.847,23 (que abrange, inclusive, o valor de R$ 330,13, não declarado). Os rendimentos omitidos, assim como o imposto glosado, referemse a ação trabalhista, conforme descrição dos fatos. Restabelecer a compensação de imposto no valor de R$ 74.517,10 implicaria em considerar esse valor de imposto recolhido em dobro, uma vez que já tinha sido reconhecido pela fiscalização sob outra rubrica e, portanto, significaria o reconhecimento de imposto recolhido superior ao existente. Além disso o acórdão apresenta valor dissonante do voto em relação à compensação do imposto pago a título de carnêleão, ao considerar o valor de R$ 74.847,23 e não o valor reconhecido no voto, R$ 74.517,10. Diante do exposto, Digníssimo Senhor Presidente, a autoridade encarregada da execução do referido acórdão requer que seja sanada a questão apontada." Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19985.720922/201432 Acórdão n.º 2201003.686 S2C2T1 Fl. 221 3 Quando do julgamento do recurso, em 14/06/2016, esta Turma julgadora proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TRIBUTAÇÃO NAS PESSOAS DOS BENEFICIÁRIOS PRESTADORES DO SERVIÇO. Apurandose que o trabalho desenvolvido para o êxito em ações judiciais foi prestado por sujeitos passivos na condição de advogados, os honorários contratuais decorrentes devem ser tributados nos beneficiários na proporção dos rendimentos de cada um. IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO. COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a compensação do imposto pago a título de carnêleão quando ficar comprovada a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a compensação do imposto pago a título de Carnêleão no valor de R$74.847,23, bem como excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos pessoa jurídica o valor de R$ 199.738,00. Em Despacho de Admissibilidade de fls. 217/218, foram acolhidos os Embargos Inominados, com vistas a sanar o vício apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso preenche aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Na iminência de dar cumprimento ao acórdão nº 2201003.085, a DRF de origem observou que, caso fosse dado cumprimento ao acórdão embargado, para restabelecer a compensação de imposto à título de carnêleão no valor de R$ 74.517,10, isso implicaria em Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19985.720922/201432 Acórdão n.º 2201003.686 S2C2T1 Fl. 222 4 considerar esse valor de imposto recolhido em dobro, uma vez que este mesmo valor já tinha sido reconhecido quando do lançamento sob outra rubrica e, portanto, significaria o reconhecimento de imposto recolhido superior ao existente. Ao analisar a Notificação de Lançamento de fls. 07/12, verifiquei que a autoridade fiscal de fato glosou a compensação indevida de carnêleão no valor de R$ 74.517,10 (fl. 10), por falta de apresentação do comprovante: No entanto, quando da apuração da omissão de rendimentos, compensou o valor de IR retido na fonte sobre a verba omitida, no valor total de R$ 74.847,23, representado pelo IR retido em duas operações, uma de R$ 330,13 e outra de R$ 74.517,10 (exatamente o valor declarado pelo contribuinte como recolhido à título de carnêleão (fl. 09): Ou seja, resta claro que o valor glosado de IR Carnêleão (R$ 74.517,10) está contido no valor de IRRF reconhecido pela autoridade fiscal quando da apuração da omissão de rendimentos. Sendo assim, de fato, está correta a constatação da DRF de origem, objeto dos embargos, de que se houver o restabelecimento da dedução do IR carnêleão no valor de R$ 74.517,10, conforme originalmente declarado pelo contribuinte, haverá o reconhecimento Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19985.720922/201432 Acórdão n.º 2201003.686 S2C2T1 Fl. 223 5 de imposto recolhido superior ao existente, haja vista que tal valor já está no IRRF contemplado pela autoridade lançadora. É como se a fiscalização tivesse apenas trocado a linha correspondente ao IR já recolhido pelo contribuinte: passou de “carnêLeão do titular” para “Imposto retido na fonte de titular”. Assim, entendo que não houve prejuízo ao contribuinte. No demonstrativo de apuração do imposto devido é evidente essa constatação: Portanto, entendo que deve haver a correção do julgado para cancelar o restabelecimento da compensação do imposto pago a título de Carnêleão no valor de R$74.847,23, não realizando qualquer alteração a respeito do mérito da infração de omissão de rendimentos. Assim, a conclusão do julgado deve ser no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a omissão de rendimentos no valor de R$ 199,738,00, mantendo incólume a glosa da compensação do carnê leão no valor de R$74.517,10, pois tal quantia está contida no valor do IRRF sobre a infração a apurada. Isto posto, voto no sentido de conhecer e ACOLHER os embargos inominados apresentados, reformando a decisão embargada tãosomente para manter incólume a glosa da compensação do carnê leão no valor de R$ 74.517,10. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19985.720922/201432 Acórdão n.º 2201003.686 S2C2T1 Fl. 224 6 Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725178/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial para lançamento de obrigação tributária decorrente do descumprimento de obrigação acessória tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para lançamento de obrigação tributária decorrente do descumprimento de obrigação acessória tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para lançamento de obrigação tributária decorrente do descumprimento de obrigação acessória tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 78 /2 01 0- 99 Fl. 214DF CARF MF 2 Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 196/208) apresentado em face do Acórdão nº 0255.422, da 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 160), que negou provimento à impugnação (fls. 118/129) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige dele a multa por descumprimento de obrigação acessória de que trata o art. 32, IV, § 6º da Lei nº 8.212, de 1991. Pelo AI Debcad nº 37.296.5652, exigese da contribuinte multa no valor de R$ 5.584,02, por ter a empresa apresentado o documento previsto no art. 32, IV, § 3º da Lei nº 8.212, de 1991, com informações inexatas ou omissões em relação a dados não relacionados a fatos geradores. Na conclusão do procedimento fiscal que deu origem a este auto de infração, a fiscalização realizou a comparação entre o que seria mais benéfico ao sujeito passivo para fins de aplicação de penalidade: o que previa a legislação em vigor à época da ocorrência do fato gerador ou a posterior às alterações introduzidas pela MP 449/Lei nº 11.941, de 2009 (fls. 95/118). Em consequência, neste processo está sendo cobrada a multa prevista no art. 32, IV, § 6º da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação anterior às alterações da MP 449/Lei nº 11.941, de 2009, apenas nas competências em que as regras que estavam em vigor no momento da ocorrência do fato gerador dessa penalidade se mostraram mais benéficas à empresa, ou seja: 01/2005, 03 a 06/2005, 08 a 12/2005 e 01 a 12/2006. A impugnação apresentada ao auto de infração foi julgada pela DRJ/BHE que proferiu decisão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, a regra para a contagem do prazo de decadência é encontrada no I do art. 173 do CTN, ficando o seu termo inicial protraído para um momento posterior àquele em que o lançamento é possível, ou seja, para 1º de janeiro do ano seguinte àquele que ocorreu o fato gerador. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10680.725178/201099 Acórdão n.º 2201003.798 S2C2T1 Fl. 215 3 GFIP. ERRO DE PREENCHIMENTO NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento em campos não relacionados aos fatos geradores, caracteriza infração à legislação previdenciária. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. No Contencioso Administrativo Fiscal, é ociosa a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação vigente, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72. COMPARATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA. FALTA DE RECOLHIMENTO CUMULADA COM DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Na hipótese de lançamento de ofício decorrente da ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a omissão/inexatidão das declarações em GFIP, como é o caso sob análise, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte deve ser feita cotejandose a soma das multas previstas nos revogados artigo 32, IV e parágrafos com o art. 35, II da Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, eis que esta se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e que, agora, por força do art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Inconformada com essa decisão, a empresa autuada apresentou recurso voluntário (fls. 196/208), cuja tempestividade foi atestada pelo documento de fl. 213, da DRF/Belo Horizonte. Em suas razões de recorrer, o sujeito passivo alega, em síntese, que: Como a notificação foi efetuada em 22/12/2010 estaria decaído parte do crédito tributário; Houve erro na aplicação da multa mais benéfica, porque o confronto direto entre o resultado da aplicação do art. 32, IV, § 6º da Lei nº 8.212, de 1991, com o novo art. 32 A, este é mais benéfico ao sujeito passivo; A penalidade aplicada não foi estabelecida por lei, mas por ato de hierarquia inferior, o que a torna ilegal e inconstitucional. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 216DF CARF MF 4 O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de mérito Decadência O primeiro argumento apresentado pela recorrente diz respeito à decadência. Segundo defende, pela aplicação da regra constante do art. 150, § 4º do CTN, tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 22 de dezembro de 2010, estariam fulminados pela decadências parte dos fatos geradores lançados. Não lhe assiste razão, entretanto. Neste processo estão sendo exigidos créditos tributários decorrentes da aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Esta modalidade de obrigação é constituída através de auto de infração, atividade privativa da autoridade fiscal, não havendo que se falar em lançamento por homologação. Em razão disso, não há espaço para aplicação das regras insculpidas no art. 150 do CTN, de forma que o prazo decadencial é regido pela regra geral, constante do art. 173, I desse mesmo código. Portanto, a contagem do prazo decadencial tem por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que significa, em confronto com o caso concreto em análise, 1º de janeiro de 2006. Como decorrência disso, não há que se falar em decadência de qualquer dos créditos aqui lançados. Mérito Segundo alega a recorrente, o auto de infração é nulo por erro na aplicação da multa mais benéfica, uma vez que a multa prevista no novel art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, seria mais benéfica àquela que estava prevista no revogado art. 32, IV, § 6º dessa mesma lei. Ocorre que a sistemática sugerida pela recorrente é contrária à jurisprudência deste colegiado, onde a análise da penalidade mais benéfica não é feita de forma isolada como ela pretende, mas pelo conjunto de penalidades que seria aplicável no caso concreto. É o que será descrito com mais detalhes adiante. Antes disso, vêse pelo Anexo de fls. 95/108 que a fiscalização adotou o seguinte procedimento no cálculo da multa: 1. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 68); 2. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §6º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 69); 3. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 78); 4. Ao valor obtido pela somatória do CFL 68 e CFL 69 acrescentou a multa de 24% anteriormente prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e assim obteve a penalidade que seria aplicável antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10680.725178/201099 Acórdão n.º 2201003.798 S2C2T1 Fl. 216 5 5. Ao valor da contribuição omitida, aplicou a multa de ofício de 75% e, à importância resultante deste cálculo, somou a multa CFL 78, obtendo assim a penalidade que seria aplicável após as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449. 6. Comparou o valor obtido no item 5 com o item 4 e aplicou o que seria mais benéfico ao contribuinte. Em razão disso, neste processo está sendo cobrada a multa prevista no art. 32, IV, § 6º da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação anterior às alterações da MP 449/Lei nº 11.941, de 2009, apenas nas competências em que a aplicação dessa regra se mostrou mais benéfica ao contribuinte. Vejamos agora se esse procedimento está de acordo com o entendimento deste Conselho. Para tanto, transcrevo trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.499, cujos argumentos servem também para mostrar a impropriedade das alegações da recorrente quanto à comparação individualizada das multas: Para que possamos definir a interpretação mais adequada no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos. Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 218DF CARF MF 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação,a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10680.725178/201099 Acórdão n.º 2201003.798 S2C2T1 Fl. 217 7 Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação Fl. 220DF CARF MF 8 do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, por sua vez, prevê o que segue: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) Deve ser considerado ainda o que determina a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, pela qual o cálculo da multa mais benéfica deverá ser refeito no momento do pagamento ou parcelamento. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.725178/201099 Acórdão n.º 2201003.798 S2C2T1 Fl. 218 9 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Superada essa questão, é necessário que se faça uma ressalva considerando a realidade desse processo, em que o cálculo levou em consideração exigências em relação às quais houve o reconhecimento da decadência no âmbito do processo nº 10680.725170/201022. Nesse caso, devese adotar as providências que são discriminadas no seguinte voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no Acórdão nº 9202005.373: Para os períodos em que a obrigação principal estiver alcançada pela decadência (o que já foi reconhecido nas exações dos lançamentos de obrigação principal DEBCADs nº: 37.329.5472, 37.329.5480 e 37.329.5499), não havendo contribuição previdenciária exigível em algum período, não há se falar em somatório de multas e sua limitação a 75% nesses mesmos períodos, mas tão somente à multa por falta de informação em GFIP de valores que não ensejam a exigência de contribuições. Nesse sentido, cabe reproduzir a declaração de voto da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que didaticamente enfrenta o tema: Frente a evidente diferença entre as contagens dos prazos, temos, como regra geral o maior alcance de exclusão de fatos geradores nos AI de obrigação principal do que nos de acessória. É nesse ponto que a tese quanto ao somatório das multas para verificação do dispositivo legal mostrase frágil, devendo ser ajustada, de forma a refletir de forma mais acertada o alcance da legislação. Ou seja, para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício, o que leva a sua inexistência (pelo alcance da decadência a luz § 4º, do artigo 150, do CTN). Dessa forma, entendo mais acertado, que para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calcula com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, da lei 8212/91, com redação dada pela MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, face o principio da retroatividade Fl. 222DF CARF MF 10 benigna. No caso, inaplicável o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. Portanto, cabe a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN ao cálculo dos períodos alcançados pela decadência do lançamento da multa, para o lançamento de obrigação acessória do DEBCAD nº 37.303.1270, porém, para os períodos em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, essa multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, nos períodos em que não houver valor de obrigação principal a ser exigido, a multa por descumprimento de obrigação acessória deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. Como se percebe pelo acima explanado, a análise que se faz é quanto à interpretação e aplicação de regras extraídas de texto legal, e não de atos de inferior hierarquia como pretende a recorrente. Sob esse aspecto, não são acatados seus argumentos de que a penalidade aplicável não tem previsão em lei. Dessa forma, vêse que, no momento do pagamento ou parcelamento, o cálculo da penalidade mais benéfica deverá ser refeita pela fiscalização nos termos acima discriminados, ressaltandose que, para fins de cálculo, quando houver a aplicação da multa de 75%, não deve ser somada a ela qualquer outra penalidade por descumprimento de obrigação acessória, tanto para fins de comparação, quanto para fins de exigência. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de decadência, no mérito lhe negar provimento, mas reconhecer a necessidade de que seja realizada análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica à contribuinte no momento do pagamento ou do parcelamento. Se mais benéfico ao sujeito passivo, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916810/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.552
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 68 10 /2 01 1- 16 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.436. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.916810/201116 Acórdão n.º 3302004.552 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 46DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000429/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 29 /2 00 4- 10 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13016.000429/200410 Acórdão n.º 9303005.386 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.851. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13016.000429/200410 Acórdão n.º 9303005.386 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13016.000429/200410 Acórdão n.º 9303005.386 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13016.000429/200410 Acórdão n.º 9303005.386 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720047/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 17/09/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PARCELAMENTO.
A desistência do recurso interposto é faculdade do interessado, configura animo da não continuidade da discussão processual, causa efeito jurídico do não conhecimento.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, não foi conhecido o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/09/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. PARCELAMENTO. A desistência do recurso interposto é faculdade do interessado, configura animo da não continuidade da discussão processual, causa efeito jurídico do não conhecimento. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, não foi conhecido o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 47 /2 01 2- 18 Fl. 1894DF CARF MF 2 Foime designado formalizar o presente voto como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 1083 eprocesso, Acórdão nº 3302004.298, proferido na sessão de 24 de maio de 2017, com as correções previstas no despacho de fls. 1892 eprocesso, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF: Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento por não ser a real adquirente das mercadorias importadas, segundo acusação da fiscalização operava como interposta pessoa em comércio exterior. Transcrevo o relatório da decisão recorrida por bem espelhar a situação dos autos. “Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/12/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), no valor de R$ 64.961,52, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. A empresa ENCOMEX registrou Declarações de Importação de mercadorias destinadas a terceiro, mediante adiantado recursos financeiros para a realização destas operações. Foi informando em campo próprio que a empresa ENCOMEX seria importadora e adquirente da mercadoria, quando na verdade o adquirente das mercadorias seria a empresa JM FOTOS. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Foram também autuados: · Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; · Empresa TACT ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA; Eric Moneda Kafer, sócio da ENCOMEX. · Vera Lúcia Moneda Kafer, sócia da ENCOMEX. · Sheila Tatiana Tomaz Marazzatto, empregada de fato da ENCOMEX. Apesar de não ter sido registrada regularmente pela ENCOMEX, apesar de ERIC ter alegado que SHEILA seria sua secretária particular, encontraramse diversos documentos Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 3 3 que indicam que SHEILA efetivamente trabalhava para a ENCOMEX, incluindo procuração para movimentar a conta bancária da empresa junto ao Banco do Brasil. · Juliana Ferramola Garcia, sócia da J.M FOTOS; · Maria Amélia de Marco Garcia, sócio da J.M FOTOS a partir de 07/05/2009; · Giseli Dellanegra Schwartz, sócia da TACT ASSESSORIA; · Tiago Dellanegra, sócio da TACT ASSESSORIA. A empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi cientificada, via Aviso de Recebimento, em 04/12/2015 (folhas 1.162). A empresa J.M FOTOS E FILMES – ME foi cientificada, por via eletrônica, em 01/12/2015 (folhas 1.154). A empresa TACT ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA foi cientificada, via Aviso de Recebimento, em 08/12/2015 (folhas 1.159). O Sr. Eric Moneda Kafer foi cientificada, via Aviso de Recebimento, em 09/12/2015 (folhas 1.156). A Sra. Giseli Dellanegra Schwartz foi cientificada, via Aviso de Recebimento, em 09/12/2015 (folhas 1.157). A Sra. Sheila Tatiana Tomaz Marazzatto foi cientificada, via Edital, em 15/01/2016 (folhas 1.171). O Sr. Eric Moneda Kafer alegou que: Com efeito, compulsando os autos do processo administrativo em questão, verificase a AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO PRECISA DA SUPOSTA CONDUTA FRAUDULENTA, para apresentação de defesa (impugnação), direito que não pode ser suprimido. Isto porque, a descrição dos fatos e enquadramento não possibilita identificar a relação entre a apreensão das mercadorias e a SUPOSTA IRREGULARIDADE NA IMPORTAÇÃO. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o dever de assegurar ao sujeito passivo da obrigação tributária o direito ao contraditório e a ampla defesa, através da criação de um processo administrativo no qual seja garantido se extrair a real infração/irregularidade que o contribuinte deverá se manifestar. A impugnação na esfera administrativa é, pois, concebida, não como ato de hostilidade contra o poder público, nem, ao revés, como favor gracioso do soberano (como sucedeu no passado), mas como um verdadeiro direito de recorrer, que se traduz numa Fl. 1896DF CARF MF 4 facultas agendi (licitude do ato de recorrer) e numa facultas exigendi (o direito a que seja proferida uma decisão). Destarte, ausente a oportunidade de impugnação no processo administrativo antes referido, ou discussão do suposto lançamento, surge à falta de pressuposto para a execução, CUJA EXTINÇÃO É MERECIDA. De tal modo, tornase impossível a Representação de ilícito penal ao Ministério Público antes do trânsito em julgado da decisão administrativa por previsão expressa do art. 83 da Lei n° 9.430/96. Nesse sentido, a Representação Fiscal Para Fins Penais não poderá ser encaminhada ao Ministério Público Federal até que haja a decisão final na esfera administrativa. Com a devida permissão, o ônus da prova não é do Impugnante. É absolutamente anacrônico e superado tal entendimento. Se o contribuinte não realizou o pagamento de algum tributo compete exclusivamente ao fisco demonstrar que o fato jurídico tributário ocorreu. E demonstração há de ser inequívoca já que se constitui no fato básico para autorizar o reconhecimento da fenomenologia da incidência. Do mesmo modo, as absurdas acusações que lhe foram impostas. No que tange a infração administrativa milita em favor do fiscalizado a presunção constitucional de inocência, o que nos leva inelutavelmente à conclusão de que o ÔNUS da prova é da ADMINISTRAÇÃO FISCAL. Junta textos da doutrina de Paulo Celso Bergstrim Bonilha. Sendo assim, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida “pro réu”, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no art. 33 da Lei 11488/2007, em tese, se os argumentos expostos pela empresa Autuada (Encomex) não forem acolhidas em suas razões de Impugnação. Do mesmo modo, todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer tipo de simulação, logo, não ocorreu o dano ao Erário, que todos os tributos foram pagos, que o lançamento foi feito com base apenas em indícios, que a empresa de sua propriedade e exclusiva gerência tem capacidade econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades exercidas. Ora, em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo. Somase a isso a autuação em outro Processo Administrativo Fiscal n° 11829.720049/201215 como responsável solidário negligencia o princípio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta, ou seja, a aplicação Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 4 5 de duas penalidades para a mesma ocorrência, decorrentes da mesma natureza. Portanto, o ora Impugnante não poderá ser apenado em duplicidade, em razão do princípio Bis In Idem, ou seja, multa da mesma natureza (fato gerador/importação de mercadorias) o que caracteriza a simultaneidade das penalidades impostas em razão da solidariedade passiva decorrente. Destarte, deverá ser suspensa a exigibilidade da multa objeto do PAF em questão até que haja decisão fundamentada conquanto a simultaneidade da penalidade imposta. Com efeito, conforme EXPRESSA previsão legal contida na legislação vigente, na questão posta aos autos, ainda que infração houvesse, o que o Impugnante admite apenas para argumentar, caberíaquando muito, apenas a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007. DOS PEDIDOS: 1. Que seja acolhida a Preliminar de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, pois há CERCEAMENTO DE DEFESA na medida em que sua conclusão é genérica, e não possibilita a empresa Impugnante, detidamente impugnálo, ou seja, esta eivado de incorreção formal passível de nulidade por CERCEAR O DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE, garantia constitucional resguardada; 2. Que seja acolhida a preliminar de observância do art. 83 da lei n° 9.430/96 e que a Representação Fiscal para Fins Penais seja emitida após o trânsito em julgado da decisão administrativa do presente Processo Administrativo Fiscal 11829.720047/201218; 3. Seja o ora Processo Administrativo Fiscal 11829.720047/201218, Impugnado julgado totalmente Improcedente e insubsistente, promovendo se a imediata exclusão da responsabilidade solidária do sóciogerente ERIC MONEDA KAFER; 4. Posterior cancelamento/retificação para exclusão do CPF do ora Impugnante como “sujeito passivo solidário”. A Sra. Sheila Tatiana Tomaz Marazzatto apresentou impugnação nos mesmos termos do Sr. Eric Moneda Kafer. A Sra. Vera Lúcia Moneda Kafer apresentou impugnação nos mesmos termos do Sr. Eric Moneda Kafer. A empresa TACT ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA alegou que: PRELIMINARMENTE. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INFRAÇÃO À AMPLA DEFESA E AO CONTRÁRIO Primeiramente, informa os Impugnantes na Nulidade do Auto de Infração lavrado contra Fl. 1898DF CARF MF 6 eles em razão da inobservância aos princípios que regulamentam o processo administrativo. Isto porque, os ora Impugnantes são terceiros da fiscalização efetuada pelo Sr. Agente fiscal e jamais vieram a receber qualquer intimação sobre o andamento do procedimento fiscal a fim de tomar ciência, bem como poder se manifestar sobre todas as diligências e questionamentos ocorridos. Pois bem, no presente caso , o Sr. Agente fiscal teve acesso a uma vasto número de documentos da empresa ENCOMEX que vão desde livros fiscais e contábeis, a emails, documentos pessoais e outros tipos de correspondências. Em razão da vasta relação de documentos a que teve acesso, foi necessário realizar o encaixotamento e posterior lacramento das caixas para posterior abertura junta com um representante da empresa ENCOMEX a fim de analisar a pertinência deles para o trabalho desenvolvimento. Ocorre, todavia, que os impugnantes jamais tivera ciência de todos os procedimentos adotados pelo Sr. Agente Fiscal. E, quando da lavratura do Auto de Infração, os documentos utilizados pelo Sr. Agente fiscal foram somente e tão somente aqueles que embasariam as suas alegações a fim de concluir pela suposta ocorrência de ocultação do sujeito passivo. Desta forma, impossibilitado os Impugnantes de ter amplo acesso a todos os documentos visados pelo Sr. Agente fiscal, mostrase nítido a nulidade do auto de infração por inobservância à ampla defesa e ao contraditório. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INFRAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIOS INADMISSIBILIDADE DA QUEBRA DE SIGILO SEM A EXISTÊNCIA DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Conforme se depreende do relatório apresentado em inúmeras passagens, o Sr. Agente fiscal afirma que responsabilidade dos ora Impugnantes teve por fundamento a ocorrência de supostas transferências de dinheiro entre a conta corrente da Impugnante TACT para a ENCOMEX, e, segundo o entender do Sr. Agente Fiscal, tais valores foram utilizados para pagamento dos contratos de cambio em favor das JM FOTO e GUSTAVO FERRAMOLA. Em que pese tais alegações, fundadas únicas e exclusivamente em “achismos”, constatase que os atos realizados pela Receita Federal, acabaram por ofender os mais comezinhos princípios republicanos. Isto porque, para embasar os seus supostos argumentos, se valeu o Sr. Agente Fiscal da quebra do sigilo fiscal da ENCOMEX, sem ter autorização judicial para tanto. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 5 7 Como de conhecimento notório, o sigilo fiscal e bancário são distintos, sendo que aquele que detém a informação de um, não pode solicitar ao outro tal informação. Assim, o Fisco tem direito apenas e tão somente acesso ao sigilo fiscal, sendo que o bancário, por ser completamente distinto, não pode ser disponibilizado francamente, sob pena de infração à dignidade da pessoa humana e à intimidade e privacidade, erigidos à princípios constitucionais sob à égide da Carta Cidadã de 1988. Neste diapasão, sendo certo que todos os extratos bancários analisados pelo Fisco (e do qual não estão sequer acostados ao processo administrativo, fato este que, por si só, nulifica o Auto de Infração por impossibilitar a ampla defesa e contraditório) foram obtidos sem a obrigatória autorização judicial, é nítido que com relação a tais documentos, os mesmos são imprestáveis para fazer prova, uma vez que foram obtidos de maneira ilícita. Desta forma, demonstrado que a obtenção dos dados bancários diretamente pelo Sr. Agente Fiscal está em desconformidade com o nosso ordenamento jurídico, mostrase nítido que todos eles deverão ser sumariamente desconsiderados por este órgão Julgador, ante o fato de estarem eivados de ilicitudes, atraindo a aplicação do art. 5o, LVI da Magna Carta que veda a obtenção de provas assim obtidas. Desta forma, comprovado que os extratos bancários foram obtidos ilicitamente, não sendo admissível em nosso ordenamento jurídico, mostra nítida a nulidade da inclusão dos ora Impugnantes como corresponsáveis pelos suposto débito, razão pela qual, há de ser definitivamente cancelado tal AIIM por medida de justiça que se impõe. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE JUNTADA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS PELO SR. AGENTE FISCAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO INFRAÇÃO AO ART. 9O DO DECRETO N°. 70.235/72 Não obstante o quanto alegado, na remota hipótese deste órgão de Primeira instância entender que os extratos bancários obtidos sem autorizam judicial seriam lícitos (o que é admitido por amor ao direito), ainda sim verificase que o AIIM é igualmente nulo pelo fato de tais extratos NÃO terem sido acostados no Processo Administrativo. Como acima exposto, os ora Impugnantes foram incluídos como corresponsáveis pelo suposto débito, ante o fato de, no entender do Sr. Agente Fiscal, teriam supostamente concorrido para a ocultação do real importador, no entendimento do fisco: JM FOTOS e GUSTAVO FERRAMOLA. Destarte, em vista deste fato, os Impugnantes em nenhum momento tiveram ciência da existência de referido procedimento fiscal, do qual somente foram apenas intimados, quando do recebimento do Auto de Infração. Fl. 1900DF CARF MF 8 Sendo certo que os Impugnantes possuem apenas uma relação comercial com a ENCOMEX, os mesmos não tem acesso livre a todos os documentos de referida empresa, como por exemplo, extratos bancários de referidas empresas. 8 Transcreve o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72. Como se infere, o Auto de infração, para ter validade, haverá de ser acompanhado com todos os termos, laudos e demais elementos indispensáveis à comprovação do ilícito praticado pelo Contribuinte. No caso presente, o Sr. Agente fiscal aduziu que houve transferência de valores pela TACT para a conta corrente da ECONQMEX para o fim de realizar o contrato de cambio da importância da mercadoria, sendo que, no entender do Fisco, tais valores seriam advindos da JM FOTOS e GUSTAVO FERRAMOLA. Como se vê, todo o trabalho do Sr. Fiscal esteve calcado, única e exclusivamente na análise dos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, que, no entender do Fisco, comprovariam a suposta participação dos Impugnantes na suposta ocultação do real importador. Pois bem, não obstante a imposição normativa, o Sr. Agente Fiscal se olvidou de juntar referidos documentos ao processo administrativo, fato este que macula o Auto de Infração em face dos Impugnantes. Desta forma, considerando que os extratos bancários foram o motivo preponderante para a inclusão dos Impugnantes como corresponsáveis, a falta de juntada deles no Auto de Infração, ocasiona a nulidade do referido auto, por infringência ao art. 9o do Decreto 70.235/72, uma vez que não está instruído com referido documento. Portanto, o cancelamento do Auto de Infração é medida de justiça que se impõe ao presente caso. DO DIREITO. DA DELIMITAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS IMPUGNANTES INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE EM SUA ATUAÇÃO. Primeiramente, fazse imperioso esclarecer a função desempenhada por um Despachante Aduaneiro e a atuação dos Impugnantes no presente caso. Destarte, a função do Despachante aduaneiro é dar todo o suporte necessário para bem importar/exportar mercadoria de seus clientes, providenciando o pagamento dos tributos incidentes, além de providenciar toda a documentação necessário junto aos diversos órgãos governamentais. No presente caso, a atuação dos impugnantes cumpriu estritamente todas as obrigações legais estabelecidas, já que identificou as mercadorias a serem importadas, realizou a Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 6 9 correta classificação das mercadorias para fins de incidência dos tributos e, realizou o pagamento dos tributos incidentes. Notem Doutos Julgadores de 1a Instância que a própria fiscalização reconhece que todos os pedidos de adiantamento de numerários feitos pela Impugnante TACT foram feitos à Empresa ENCOMEX, e da qual foi prontamente atendida por referida empresa. SP SAO PAULO DRJ Fl. 1182 Documento de 142 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0517.13452.TQH5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 11829.720047/201218 Acórdão n.º 16071.551 DRJ/SPO Fls. 9 9 Neste diapasão, considerando as funções a serem desempenhadas pelos Impugnantes, tais agiram dentro da legalidade, não tendo participação nas supostas ocultações do real importador das mercadorias, uma vez que todas agiu dentro da legalidade, tendo exercitado suas funções como tal se espera de um despachante Aduaneiro. Observem que da vasta documentação a que o Sr. Agente Fiscal teve acesso, não há demonstração de que os Impugnantes tenham participação na suposta ocultação do importador das mercadorias, já que todos os documentos analisados comprovam que a relação comercial se deu entre TACT e ENCOMEX. Observem Doutos Julgadores que não há um único documento que demonstre a TACT solicitando valores paras as Empresas JM FOTO e GUSTAVO FERRAMOLA, ou mesmo tenha combinado ou informado sobre as supostas ilicitudades praticadas por referidas empresas. Pelo contrário, a sua atuação comercial fora sempre realizada e pautada pela legalidade e pela ética que rege o trabalho de Despachante Aduaneiro. Frisese que não há prova no sentido de incluir a TACT e seus sócios como participes do suposto ato simulado ocorrido. E, ausente tais provas, é nítida a abusividade da inclusão dos Impugnantes como corresponsáveis dos suposto débito, sendo de rigor o acolhimento da impugnação apresentada para afastar sua responsabilidade. É o que se requer. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESVIO DE ATUAÇÃO DOS IMPUGNANTES NO MISTER DE SEU TRABALHO. Os extratos bancários não fazem prova contra os impugnantes, uma vez que não estão acostados aos autos e não são documentos comum aos Impugnantes. Fl. 1902DF CARF MF 10 No mais, os demais “indícios” utilizados pelo Sr. Agente Fiscal para caracterizar o suposto conluio dos Impugnantes foram os seguintes documentos: a) Livros Contábeis da empresa Encomex; b) 1 (um) Comprovante de pagamento de prestação de Serviços da TACT pela Sra. Carmen Silvia Ferramola Garcia; c) 1 (uma) nota fiscal emitida pela TACT, da qual constaria e mail: csfgarcia@hotmail.com Deveras, através do longo arrazoado apresentado pelo Sr. Agente Fiscal, o mesmo, com base apenas nestes 3 (três) documentos, achou que os Impugnantes teriam maciçamente participado do suposto ato simulado. Pois bem, com relação aos livros contábeis da empresa ENCOMEX, nenhuma prova pode ser feita contra os ora Impugnantes. Isto porque, tais documentos foram unilateralmente elaborados pelos contadores da ENCOMEX, do qual os Impugnantes não tiveram qualquer participação. 10 Portanto, tais documentos não servem para comprovar participação direta ou indireta na suposta ocultação do real importador. NÃO há um único documento que demonstre que a TACT tenha solicitado diretamente das Empresas JM FOTO e GUSTAVO FERRAMOLA o adiantamento de numerário para o pagamento de despesas de importação feitas pela ENCOMEX. Por fim, a alegação de que a nota fiscal emitida pela Impugnante TACT conteria o email quem conteria as iniciais de Carmen Silvia Ferramola Garcia, mãe dos Irmão Gustavo Ferramola Garcia e Juliana Ferramola Garcia, tal fato não pode ser imputado aos impugnantes. Isto porque, tratase de nota fiscal eletrônica, do qual para sua emissão, haverá de ser feita obrigatoriamente pelo site da Prefeitura do Município de Campinas (www.nfse.campinas.sp.qov.br). Assim, sendo certo que a emissão é online, o contribuinte que emite uma nota fiscal eletrônica deve apenas e tão somente informar o número do CNPJ para que todas as informações sejam automaticamente carregadas pelo site da prefeitura de Campinas. Nesta diapasão, diferentemente do quanto aduzido pelo Sr. Agente fiscal às fls. 103, não foram os Impugnantes que imputaram o email na nota fiscal emitida. Pelo contrário. tal informação foi automaticamente preenchida pelo sistema da Prefeitura de Campinas, que iá possuía referido dado em seu sistema, não sendo possível sua alteração. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 7 11 Assim, o fato de um email supostamente pertencente a outra pessoa que não a ENCOMEX não pode ser considerado meio de prova a autorizar a inclusão dos Impugnantes como corresponsáveis pelos supostos débitos. Portanto, mais do que nunca constatase a obrigatoriedade do cancelamento do Auto de Infração por medida de direito que se impõe. DA AUSÊNCIA DE ATO OMISSIVO/COMISSIVO PELOS IMPUGNANTES TENDENTES A OCULTAR O REAL IMPORTADOR DAS MERCADORIAS. Pois bem, no caso concreto, em que pese a tentativa do Sr. Agente Fiscal em aduzir que teria incorrido a ocultação do real importador das mercadorias, tal procedimento não pode ser imputado aos Impugnantes. Isto porque, em todas as Dl’s realizadas pela Impugnante Giselli foi devidamente observado a legislação incidente, com o pagamento dos tributos e regular prestação de informações à Receita Federal. De fato, pela análise de todos os documentos de importação, não há informação errônea, equivocada tendente a dificultar ou impossibilitar a efetiva fiscalização da Receita Federal sobre os bens importados. 11 Tais atos vem apenas a ressaltar que em nenhum momento os Impugnantes tiveram a intenção de esconder ou camuflar o real importador das mercadorias, como puerilmente aduzido pelo Sr. Agente Fiscal. DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO DOS IMPUGNANTES PELO DÉBITO LANÇADO LIMITAÇÃO DA PENALIDADE A PERDA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO IMPORTADOR. No presente caso, o Sr. Agente fiscal entendeu que teria sido caracterizado referida hipótese acima aduzida. Ocorre que, na forma amplamente exposta alhures, os Impugnantes não tiveram relação com os supostos fatos aduzidos. Outrossim, não foram maneira alguma, beneficiados pelos suposta ocultação da importação da Mercadoria. Toda a documentação analisada comprova que os Impugnantes efetivamente prestaram um serviço de despacho aduaneiro, uma vez que lançaram todas as informações nas DI’s realizadas. Não há razão para a inclusão do despachante, uma vez que a vontade da norma é exatamente impedir que o importador se vale de pessoa interposta para a realização de importação de mercadorias. Fl. 1904DF CARF MF 12 No presente caso, referidas mercadorias foram posteriormente vendidas para terceiros, do qual os beneficiário foi a ENCOMEX, que trouxe tais produtos do exterior e com isto auferiu lucro. ⊙ DA ILEGALIDADE DA INCLUSÃO DOS SÓCIOS DA IMPUGNANTE TACT PARA O PAGAMENTO DOS DÉBITO EM DISCUSSÃO. Primeiramente, informa os Impugnantes que não há ao longo do arrazoado apresentado pelo Sr. Agente Fiscal, os motivos que levariam a inclusão dos Sócioslmpugnantes a responder pelo suposto débito. Como se vê, o simples fato de determinada pessoa ser sócia de uma empresa, não autoriza, per si, a automática responsabilidade de seus sócios, já que o próprio CTN define que a responsabilidade haverá de ser feita em atos praticados com excesso de poderes, infração a lei, ou contrato social. Com efeito, a única previsão legal que admite a responsabilidade dos sócios ou diretores de empresas por débitos fiscais destas, encontrase inscrita no artigo 135 do Código Tributário Nacional, o qual estipula que são pessoalmente responsáveis pelo pagamento de tributos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, que praticarem e só nesse caso atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 12 Entretanto, o simples fato de ser sócio de uma pessoa jurídica não se traduz em infração à Lei, na forma estabelecida pelo citado artigo, já que há a necessidade de se comprovar, por parte do Sr. Agente Fiscal, a atitude dolosa de seus Administradores e/ou Sócios. Portanto, depreendese que, em consonância com o disposto no artigo 135, do Código Tributário Nacional, apenas e tão somente em relação àquelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei e estatutos sociais, é que respondem pessoalmente os sócios das pessoas jurídicas de direito privado. Resta claro que a jurisprudência não admite, de modo algum, a responsabilização solidários dos sócios e administradores de pessoas jurídicas de direito privado pelo simples fato de fazer parte como sócio da empresa. Acima de qualquer coisa, é necessária a efetiva comprovação da prática de uma das condutas previstas no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Assim, é clarividente que a posição adotada pelo Sr. Agente Fiscal, longe de se basear na legislação em regência, comprova que o mesmo incluiu os sóciosimpugnantes apenas pelo fato de possuírem tal característica. Desta forma, a cabal ausência de demonstração por parte do Sr. Agente Fiscal sobre as hipóteses do art. 135 do CTN vem apenas a ressaltar a inadmissibilidade da responsabilização dos sócios pelo débito ora combatido, motivo pelo qual, a total Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201218 Acórdão n.º 3302004.298 S3C3T2 Fl. 8 13 cancelamento do Auto de Infração em face dos Sócios impugnantes é medida de justiça que se impõe. DOS PEDIDOS Em razão de todo o exposto, requer a este e órgão julgador de primeira instância em analisar os argumentos apresentados para acolhelos para o fim de cancelar em definitivo o Auto de Infração, haja vista as máculas e nulidades que o acompanham. Caso entenda de maneira contrária, no mérito, requer o cancelamento do Auto de Infração, pelo fato de não haver sido caracterizado a suposta atitude ilícita dos Impugnantes no presente caso. Igualmente, não há nenhuma comprovação da realização de atos praticados pelos Sóciosimpugnantes contrários à lei, contrato social ou com excesso de poderes, fato este que comprova a inadmissibilidade de sua inclusão como corresponsáveis. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Consta nestes autos pedidos de desistência do recurso interposto em razão do Interessado aderir parcelamento especial. Constatado, portanto, a perda do objeto do recurso. Como se sabe, a desistência e renúncia de direito é ato facultado ao Interessado. O parcelamento, por si só, configura extinção da discussão travada, impõe desse modo o não conhecimento do Recurso Voluntário. Apurado no caso concreto pedido de desistência, assim sendo, cabe não conhecer do recurso interposto. Diante do exposto, não se conhece do recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 1906DF CARF MF 14 Fl. 1907DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000033/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007
PROVA PERICIAL. NECESSIDADE.
A realização de prova pericial fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção necessária ao julgamento.
PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL. INÍCIO DA CONTAGEM. RECOLHIMENTO PARCIAL.
As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificando-se o pagamento parcial da obrigação, este prazo é contado a partir da ocorrência do fato gerador.
AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
Constatada a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou ainda quando verificado que a escrituração contábil da empresa não registra a real remuneração dos segurados a seu serviço, o real faturamento ou o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições reputadas devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. ABONO ANUAL.
Dos valores pagos ao segurado a serviço da empresa, excluem-se do salário-de-contribuição aqueles discriminados no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, reconhecendo-se aqueles de natureza indenizatória.
AÇÃO TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÕES. COMPETÊNCIA.
A competência da Justiça do Trabalho para execução das contribuições sociais previdenciárias limita-se às contribuições relacionadas às sentenças que proferir.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZOS ACUMULADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é lícita a distribuição de lucros quando os prejuízos advindos de exercícios anteriores não tiverem sido integralmente absorvido, cabendo, nesse caso, o enquadramento de tais valores como pro labore.
Numero da decisão: 2402-005.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos e negar provimento ao recurso de ofício; e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as verbas pagas a título de abono único. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild (Relatora) que votaram por converter o julgamento em diligência e, em relação ao mérito, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Mauricio Nogueira Righetti, que negavam provimento ao recurso e os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild (Relatora) que davam provimento em maior extensão. Votou pelas conclusões em relação ao abono anual o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Não participaram da sessão de julgamento realizada em 05/07/2017, por motivo justificado e votaram somente em relação ao conhecimento, ao recurso de ofício e à regularidade na metodologia de arbitramento, na sessão de 06/06/2017, os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Waltir de Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild Relatora
Participaram do presente julgamento:
- na sessão de 06 de junho de 2017 presentes os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho;
- na sessão de 05 de julho de 2017 os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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NECESSIDADE. A realização de prova pericial fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção necessária ao julgamento. PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL. INÍCIO DA CONTAGEM. RECOLHIMENTO PARCIAL. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificandose o pagamento parcial da obrigação, este prazo é contado a partir da ocorrência do fato gerador. AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Constatada a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou ainda quando verificado que a escrituração contábil da empresa não registra a real remuneração dos segurados a seu serviço, o real faturamento ou o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições reputadas devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. ABONO ANUAL. Dos valores pagos ao segurado a serviço da empresa, excluemse do salário decontribuição aqueles discriminados no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, reconhecendose aqueles de natureza indenizatória. AÇÃO TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÕES. COMPETÊNCIA. A competência da Justiça do Trabalho para execução das contribuições sociais previdenciárias limitase às contribuições relacionadas às sentenças que proferir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 33 /2 00 8- 68 Fl. 11384DF CARF MF 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZOS ACUMULADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é lícita a distribuição de lucros quando os prejuízos advindos de exercícios anteriores não tiverem sido integralmente absorvido, cabendo, nesse caso, o enquadramento de tais valores como pro labore. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos e negar provimento ao recurso de ofício; e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as verbas pagas a título de abono único. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild (Relatora) que votaram por converter o julgamento em diligência e, em relação ao mérito, os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Mauricio Nogueira Righetti, que negavam provimento ao recurso e os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild (Relatora) que davam provimento em maior extensão. Votou pelas conclusões em relação ao abono anual o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Não participaram da sessão de julgamento realizada em 05/07/2017, por motivo justificado e votaram somente em relação ao conhecimento, ao recurso de ofício e à regularidade na metodologia de arbitramento, na sessão de 06/06/2017, os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Waltir de Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild – Relatora Participaram do presente julgamento: na sessão de 06 de junho de 2017 presentes os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho; na sessão de 05 de julho de 2017 os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 11385DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida: Da NFLD: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em 06/12/2007 e levada à ciência do sujeito passivo via postal em 02/01/2008, composta pelo DEBCAD 37.132.1395, decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente a: (a) contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (Lei 8.212/91, artigo 22, I); (b) inclusive a alíquota adicional do SAT/RAT (Lei 8.212/91, artigo 22, II); (c) contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (Lei 8.212/91, artigo 22, III); (d) contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, não descontadas, cujo recolhimento é de responsabilidade da empresa; (e) contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, não descontadas, cujo recolhimento é de responsabilidade da empresa; (f) contribuições devidas pela tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada (Lei 8.212/91, artigo 31); (g) contribuições devidas pela empresa decorrentes de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Lei 8.212/91, artigo 22, IV); e (h) contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (Salário educação, INCRA, SESC e SEBRAE) totalizando R$ 41.303.950,38 (quarenta e um milhões, trezentos e três mil, novecentos e cinqüenta reais e trinta e oito centavos), incluindo o valor atualizado, multa e juros. Conforme o Relatório Fiscal, as contribuições lançadas decorrem de: (a) recolhimentos em atraso sem os devidos acréscimos legais; (b) remunerações de segurados empregados, referentes a rubricas que integram o saláriodecontribuição, como o adicional de “Semestralidade” e “Abono Especial”; (c) serviços prestados à notificada na modalidade cessão de mão deobra ou empreitada, não tendo sido apresentado o contrato de prestação de serviços; (d) fornecimento de cesta básica e vale ticket alimentação sem a inscrição da empresa no PAT; (e) pagamento à Unimed São Carlos, considerandose como base de cálculo 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura; (f) remunerações de segurados contribuintes individuais apuradas na contabilidade ou notas fiscais faturas analisadas durante a fiscalização; (g) lucros distribuídos irregularmente, pois não havia valores a esse título a distribuir; (h) remunerações de segurados empregados do corpo técnico administrativo não incluídos em folhas de pagamento ou incluídos com valores a menor; (i) remunerações de segurados Fl. 11386DF CARF MF 4 empregados do corpo docente não incluídos em folhas de pagamento ou incluídos com valores a menor, sendo a base de cálculo das contribuições lançadas apurada por aferição indireta, considerando a quantidade de horasaulas necessárias para os cursos oferecidos conforme grades curriculares dos Projetos Pedagógicos e o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI e o valor dessas horasaulas, considerando se também, o piso salarial da categoria para lançar as diferenças em caso de remuneração contida em folha de pagamento inferior a esse limite mínimo. A fiscalização confeccionou planilhas para demonstrar os valores apurados e informou que os valores recolhidos pela empresa, inclusive em parcelamentos, foram aproveitados e deduzidos do crédito tributário lançado. Inconformada, a autuada apresentou impugnação. Da Impugnação: Irresignada, a notificada apresentou impugnação com os seguintes argumentos: Verificase a decadência parcial. O prazo decadencial decenal previsto na Lei 8.212/91 é inconstitucional, devendo ser aplicada a regra do artigo 150, § 4o do CTN, portanto, o lançamento só poderia abranger o período a partir de 01/2003. Havendo como realizar o levantamento das contribuições devidas,incabível a realização do arbitramento. No caso presente, a apuração do valor devido era possível, tanto que a fiscalização relacionou os segurados com problemas na contabilidade. Além disso, são inadequados os critérios utilizados na aferição indireta das remunerações dos segurados, que em determinadas competências importam em uma folha de pagamento superior ao próprio faturamento da empresa. Os valores apurados na aferição indireta chegam a 6 (seis) vezes os valores efetivamente devidos. A fiscalização utilizou o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI para aferir a quantidade de horasaulas necessárias, mas esse elemento – o PDI – não retrata a realidade, representa sim uma carta de intenções que corresponde ao trabalho ideal que a instituição pretende realizar no futuro. Segundo o Ministério da Educação: O PDI consiste num documento em que se definem a missão da instituição de ensino superior e as estratégias para atingir suas metas e objetivos. A fiscalização também utilizou na aferição a quantidade de vagas autorizadas pelo Ministério da Educação, desconsiderando que parte dos cursos não foi aberta ou foi encerrada e muitos deles atingiram taxa de preenchimento das vagas inferior a 50%. Fl. 11387DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 4 5 Portanto, não se observou a disparidade entre o número de vagas oferecidas e número de vagas efetivamente preenchidas. Não foi observada na aferição indireta a junção de classes. Nessa situação, apenas um professor ministrava aulas para duas ou mais turmas, tendo a fiscalização considerado um professor para cada turma. Não foram levadas em conta pela fiscalização as faltas dos professores que refletem nos valores das folhas de pagamento. A fiscalização considerou que todos os professores desenvolviam atividades extraordinárias, situação que não corresponde à realidade, aumentando assim, indevidamente, o valor de suas remunerações. A legislação permite que 4/5 dos professores trabalhem sob o regime parcial ou horista, nos quais não existe a obrigatoriedade das atividades extraordinárias. A exigência legal é de que a instituição tenha em seu corpo docente no mínimo 1/3 de mestre e doutores e não 1/3 de mestres e 1/3 de doutores, conforme considerou a fiscalização. A impugnante localizou parte dos documentos faltantes e retificou as GFIP, o que afasta a possibilidade de arbitramento (cita o artigo 33, § 6o da Lei 8.212/91, destacando sua parte final que se refere ao ônus da empresa de apresentar provas contrárias à aferição indireta). Requer a realização de diligência para comprovar as retificações realizadas. Além das retificações efetuadas, a impugnante discorre acerca de casos específicos em que não procedeu a retificação por entender incorreto a aferição indireta e o conseqüente arbitramento. Neste tópico referese aos seguintes segurados: Érika Cristina Pepe, Gilberto Oliveira Parada Júnior, Karina Vargues Martins, Marise Blanco Cornachioni, Valdemir Martins Dovigo Filho, Alexandre Panosso Vieira, Carlos Donizete Ferreira da Silva, Cláudia Andressa Cruz, Daniela Barsotti Santos, Ivana Ribeiro de Nardi, Paulo Leal, Renata de Cássia Nunes, Paulo Inácio da Costa, Carla Klein Neto, Manuel Otelino, Dirceu Costa, Edson Bergamaschi Filho, Eduardo do Valle Simões, José Francisco Rodrigues, Fabiano Bolta Tonassi, Andréa Vanessa Pinto, Mara Morassuti, Fredy João Valente, Luiz Giovani Lopes Rodrigues. Os segurados que têm ações na Justiça Trabalhista não podem integrar a presente NFLD, pois, a opção pelo processo judicial afasta a discussão administrativa. A contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual, prevista no artigo 22, III da Lei 8.212/91, não gera qualquer benefício à empresa tomadora dos serviços prestados pelo trabalhador. Este, por sua vez, tem direito aos benefícios previdenciários estipulados na legislação independente dos serviços que presta à empresa. Fl. 11388DF CARF MF 6 Tratase assim referida contribuição, de outra espécie tributária, tratase de verdadeiro imposto, já que não há contrapartida em favor do contribuinte (a empresa) e, por ser imposto, não poderia estar sua destinação vinculada ao financiamento da seguridade Social. Caracterizase, assim, a inconstitucionalidade da contribuição em questão. As contribuições lançadas não incidem sobre o adicional “Semestralidade”, de natureza indenizatória conforme convenção coletiva, e devida quando da demissão sem justa causa, em valor correspondente ao semestre e sobre o “Abono Anual”, também de natureza indenizatória conforme convenção coletiva, e devido ao trabalhador que não teve a recomposição integral das perdas do período. Não é devida pela tomadora de serviços a contribuição referente aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Lei 8.212/91, artigo 22, IV). Essa contribuição não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas na Constituição Federal. Por se tratar de nova fonte de custeio, só poderia ser instituída por lei complementar. Referida exação também altera o conceito de cooperativismo, violando os artigos 109 e 110 do CTN. As contribuições decorrentes de serviços prestados nas modalidades cessão de mãodeobra ou empreitada foram atingidas pela decadência. Além disso, são indevidas, pois, a prestadora quitou seus débitos previdenciários e a fiscalização não comprovou que os serviços foram prestados nas modalidades previstas na legislação. Quanto à contribuição dos contribuintes individuais não retida, não pode ser cobrada da impugnante ante a ausência por parte da fiscalização de comprovação de que tal contribuição não fora recolhida por outra empresa ou mesmo pelo segurado. São indevidas as contribuições incidentes sobre a parcela in natura relativa à alimentação paga aos segurados, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT. Além disso, foram incluídas no levantamento notas fiscais que não se referem ao fornecimento de alimentação. Não incidem contribuições sobre lucros distribuídos, havendo ilegal alteração de conceitos e violação do princípio da livre iniciativa, não se admitindo que atos administrativos estabeleçam limites e condições que inviabilizem a atuação do setor privado. Reforça sua tese afirmando que ao fisco não cabe escolher a natureza jurídica da distribuição de lucros realizada na forma da lei. Além disso, houve efetivamente a apuração de lucros, chegandose a tal conclusão caso se considere o exercício de 2005 todo e não apenas o período informado pela fiscalização, que inclui as competências 01 a 10/2005. Fl. 11389DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 5 7 São indevidos juros calculados pela Taxa Selic, a qual não encontra respaldo jurídico, sendo ilegal e inconstitucional. Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos; a realização de diligência fiscal para exame dos documentos relativos às retificações efetuadas, bem como, das incorreções do relatório fiscal apontadas; a produção de prova pericial, com a formulação de quesitos e indicação de peritos. Promove, ainda, a juntada de documentos. Da Desistência Parcial e Do Parcelamento: Retornou aos autos a impugnante para informar sua pretensão de parcelar parte do débito, nos moldes da Lei 10260/2001. Para isso, desistiu parcialmente da impugnação. A desistência parcial abrange as contribuições reconhecidas pela empresa mediante retificações promovidas nas GFIP. Informa, ainda, que parte das contribuições reconhecidas nas retificações efetuadas já foram recolhidas. Da Diligência: Encaminhados os autos a este colegiado, foi proferido o despacho 089, de 19/09/2008, solicitando a realização de diligência pela fiscalização para esclarecimentos quanto aos questionamentos da impugnante relativos à aferição indireta realizada, das retificações de valores promovidas pela empresa, das supostas irregularidades apontadas no Relatório Fiscal, bem como, para as providências cabíveis quanto à desistência parcial e ao pedido de parcelamento. Das Intimações e Informações Prestadas pela Notificada: A fiscalização intimou a notificada a apresentar os elementos necessários à discriminação dos valores parcelados e, após a juntada aos autos de extensas planilhas detalhando os valores em questão, a empresa manifestouse às fls. 8.498/8.502, prestando os seguintes esclarecimentos: Recolhimentos em atraso de contribuições previdenciárias: Todas as competências não atingidas pela decadência foram incluídas no parcelamento; Remunerações pagas aos segurados empregados: retificação e inclusão em GFIP das competências não alcançadas pela decadência; argumento de que se tratam de verbas indenizatórias; Retenção 11% serviços prestados sob empreitada ou cessão de mãodeobra: prejudicado em virtude da decadência, além de existir certidão negativa de débitos da prestadora; Alimentação: retificação da contabilidade e GFIP do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Cooperativa de Trabalho Médico: retificação da contabilidade e GFIP do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Fl. 11390DF CARF MF 8 Trabalhador Autônomo: retificação da contabilidade e GFIP do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento, exceto divergências ínfimas nas quais não foi possível identificar o trabalhador; Pro labore: mantém a impugnação sob o argumento de que se trata de distribuição de lucros; Remuneração – empregados corpo técnico administrativo: retificação do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Remuneração – corpo docente: retificação do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Professores sem registro: retificação do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Empregados sem registro: retificação do período não atingido pela decadência e inclusão no parcelamento; Esclareceu, ainda, que as retificações correspondem ao número real de profissionais e aulas atribuídas, afastando os descompassos do arbitramento. Às fls. 8.813/8.814 a notificada esclarece que o valor confessado, para inclusão no parcelamento, soma R$ 3.340.116,49 (três milhões, trezentos e quarenta mil, cento e dezesseis reais e quarenta e nove centavos). Às fls. 9.888 a notificada solicita a juntada de documentos (diários de classe e quadros de horário) para corroborar as retificações promovidas, e afirma que o PDI não poderia ser utilizado no arbitramento. Da Informação Fiscal: A fiscalização então, emitiu a Informação Fiscal de fls. 9.973/9.990, tecendo o histórico dos fatos ocorridos, esclarecendo que, por força de decisão judicial, a empresa aderiu ao parcelamento da Lei 11.941/2009. A seguir, passou a analisar as informações prestadas pela empresa: Da Informação Fiscal: A fiscalização então, emitiu a Informação Fiscal de fls. 9.973/9.990, tecendo o histórico dos fatos ocorridos, esclarecendo que, por força de decisão judicial, a empresa aderiu ao parcelamento da Lei 11.941/2009. A seguir, passou a analisar as informações prestadas pela empresa: Apresenta quadro com o número de segurados informados em GFIP durante a fiscalização, nas retificações promovidas à época da apresentação da impugnação e nas novas retificações promovidas quando do parcelamento, demonstrando que houve um acréscimo no número de segurados informados a cada etapa; Fl. 11391DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 6 9 Esclarece que com as retificações efetuadas, permanecem algumas inconsistências em relação a determinados segurados. Dentre estas inconsistências, são alguns exemplos: diferenças nas horasaulas com a manutenção da remuneração, adicional noturno de 20% para alguns professores e 25% para outros, aumento das horasaulas em relação às folhas de pagamento, aumento ou diminuição do valor da hora aula, e outros (vide fls. 9.981). Sustenta a correção da utilização do PDI na aferição indireta. Informa que existe no PDI quadro com a proporção das horas contratadas em relação às atividades a serem desenvolvidas pelo corpo docente, fundamentando a aferição do total de horas necessárias à execução das atividades da notificada. Acrescenta que o PDI de 2001/2005 traz também números de 2000, (relativos a proporção das horas utilizadas em cada atividade), não se referindo quanto a este período a intenções futuras, mas a compromissos cumpridos naquela ocasião. Apresenta os passos da metodologia utilizada na aferição indireta: (1) apuração do total de horasaulas dos cursos de graduação; (2) como não foram fornecidos os Quadros de Formação de Turmas e Censos Educacionais e quando não especificados nos documentos entregues à fiscalização, a quantidade de turmas foi aferida com base nas vagas autorizadas pelo MEC; (3) como não foram fornecidos os calendários escolares, a carga horária do semestre foi dividida por 5, que representa o número de meses do semestre letivo; (4) o número de horasaulas semanal foi multiplicado por 4,5, já que a legislação (artigo 320, § 1o da CLT) leva em conta esse número para a fixação da jornada mensal do professor; (5) foram somadas as horasaulas de cada curso de graduação, obtendose o total referente aos cursos de graduação; (6) observandose a proporção de horas utilizadas em cada atividade, constante no PDI e, com o número das horas dos cursos de graduação, obtevese o total de horas utilizadas pela instituição; (7) foram subtraídas as horasaulas já remuneradas em folhas de pagamento; (8) o valor dessas horasaulas foi utilizado no cálculo do valor médio da horaaula; (9) foi multiplicado o número de horasaulas pelo valor médio aferido e acrescentado o adicional noturno e descanso semanal remunerado. Não houve alteração significativa de 2000 para os anos seguintes, do percentual de horas utilizado nos cursos de graduação. O MEC reconheceu cursos ministrados e autorizou novos cursos, denotando que os compromissos assumidos pela instituição continuaram sendo cumpridos. A aferição indireta pautouse nos documentos fornecidos pelo contribuinte e motivada pela não apresentação de outros documentos, insistentemente solicitados nos TIAD de 01/08/2007, 03/08/2007, 20/09/2007 e 23/11/2007. Na impugnação também não foram apresentados os documentos faltantes, mas apenas páginas avulsas (não seqüenciais) do Fl. 11392DF CARF MF 10 Diário de Classe. Dentre os documentos faltantes, destaca o Censo Anual Educacional que condensa as informações relativas ás remunerações pagas aos segurados (transcreve às fls. 9.984, informações acerca do documento encontradas no sítio do IBGE). Na seqüência, a fiscalização discorre acerca dos casos específicos de segurados questionados na impugnação, apresentando, um a um, os documentos que embasam a aferição realizada, pugnando pela manutenção do lançamento quanto à integralidade deste tópico. Quanto aos processos trabalhistas, afirma que não foram trazidos aos autos elementos que permitam analisar se as verbas lançadas nesta NFLD integram as demandas judiciais. Quanto ao parcelamento, informa que os fatos geradores incluídos nas retificações das GFIP promovidas integrarão novo Debcad, decorrente do desmembramento a ser realizado. Remete neste ponto aos anexos elaborados para a discriminação destes fatos (fls. 8.959/9.519 e 9.520/9.887). Os recolhimentos efetuados e aumentos nas deduções foram abatidos pela empresa na apuração das contribuições parceladas, assim, tais quantias serão deduzidas do crédito desmembrado a ser parcelado. Ao final, sustenta a manutenção das condições que embasaram a aferição indireta realizada. Do Desmembramento: Conforme Termo de Transferência – TETRA de fls. 9.999, o valor do crédito transferido para o novo Debcad (37.132.1395) é de R$ 5.124.287,88, remanescendo no presente o montante de R$ 34.990.769,11. Da Manifestação da Notificada: A notificada foi regularmente cientificada em 26/06/2012, e, após promover a juntada de inúmeros documentos, manifestou se em 06/07/2012 (fls. 10.638/10.641) repetindo que a aferição indireta foi realizada incorretamente, pois, grande parte dos cursos oferecidos no PDI não foram abertos e em muitos casos alunos de turmas diferentes assistem aulas juntos, em uma mesma sala. Ressalta que, de acordo com a aferição indireta, haveria quase um professor/colaborador para cada aluno da instituição. Reafirma que, utilizandose da prerrogativa concedida pela parte final do § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91, retificou sua contabilidade e apresentou todos os documentos necessários ao cálculo dos tributos, retificando inclusive suas declarações fiscais. Aduz que a fiscalização comparou os documentos apresentados e os valores retificados com os valores lançados apontando pequenas inconsistências, ora reconhecidas pela impugnante e que serão devidamente parceladas. Assim, a integralidade dos fatos geradores foi lançada na contabilidade e as respectivas Fl. 11393DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 7 11 contribuições confessadas e parceladas, tendo o arbitramento perdido seu objeto. Assim, além da confissão das pequenas diferenças apontadas, requer a ratificação do parcelamento e o cancelamento do arbitramento. Em sessão de 27 de março de 2013, a decisão da autoridade de primeira instância (fl. 10.891) julgou procedente em parte a impugnação da Recorrente, recorrendo de ofício. A ementa da decisão da DRJ/RPO encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007 PROVA PERICIAL. NECESSIDADE. A realização de prova pericial fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção necessária ao julgamento. PRAZO DECADENCIAL QÜINQÜENAL. INÍCIO DA CONTAGEM. RECOLHIMENTO PARCIAL. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional. Verificandose o pagamento parcial da obrigação, este prazo é contado a partir da ocorrência do fato gerador. AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização efetuará o lançamento de ofício, apurando por aferição indireta as contribuições devidas quando, no exame da escrituração contábil ou outro documento, seja constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, da receita ou do faturamento e do lucro ou ainda, quando a empresa recusarse a apresentar qualquer documento, apresentálo deficientemente, ou sonegar informação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. Dos valores pagos ao segurado a serviço da empresa, excluemse do saláriode contribuição apenas aqueles discriminados no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, não bastando para que ocorra a exclusão, a mera previsão em convenção coletiva de que determinada verba possui natureza indenizatória. AÇÃO TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÕES. COMPETÊNCIA. A competência da Justiça do Trabalho para execução das contribuições sociais previdenciárias limitase às contribuições relacionadas às sentenças que proferir. Fl. 11394DF CARF MF 12 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES. OBRIGAÇÃO DE RETENÇÃO E ARRECADAÇÃO DA EMPRESA. PRESUNÇÃO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado, presumindose realizado oportuna e regularmente o desconto, não sendo lícito à empresa alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. ANTECIPAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PREJUÍZOS ACUMULADOS SUPERIORES AOS LUCROS AFERIDOS ATÉ O MOMENTO DA DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA. IRREGULARIDADE. PRO LABORE.Caracterizase como irregular a antecipação da distribuição de lucros realizada quando o lucro do exercício em curso é inferior aos prejuízos acumulados dos exercícios anteriores, ainda que posteriormente, ao final do exercício, o lucro apurado supere os prejuízos anteriores acumulados. Nesse caso, para fins de apuração das contribuições devidas e lançamento do crédito tributário, os valores relativos à antecipação da distribuição de lucros devem ser considerados como pro labore pagos aos sócios, sobre os quais incidem as contribuições atinentes à remuneração do segurado contribuinte individual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instancia em 27/05/2013, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 10915 e segs., em 25/06/2013, o recurso voluntário acrescendo pedido de nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de diligência e perícia por defender ter ocorrido o cerceamento de defesa. No mais, apenas repisou os argumentos abordados na impugnação, conforme abaixo pontuado: 1. O arbitramento realizado através de aferição indireta não foi adequado para apuração dos valores devidos. 2. Professores e funcionários que se encontram discutindo ou já tem sentença na esfera trabalhista não podem integrar NFLD. 3. Os valores pagos a título de semestralidade e abono anual são verbas indenizatórias. 4. A distribuição de lucros foi legítima. Há Recurso de Ofício em relação ao crédito tributário exonerado (decadência parcial). É o relatório. Fl. 11395DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso de Ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de determinada parcela do crédito tributário originalmente lançado (fl 10.892). Embora não explicitado nos autos o valor exato da exoneração promovida pela decisão da DRJ, extraise a conclusão que foi valor superior a R$ 2.500.000,00 (limite mínimo estabelecido pela Portaria MF nº 63/17), tendo em vista que o valor original do lançamento foi de R$ 41.303.950; o valor confessado, incluído no parcelamento do contribuinte e desmembrado mediante Termo de Transferência foi de R$ 5.124.287,88 (fl. 10899) e, subiu para o CARF com valor de R$ 18.363.776,42 após a exoneração pela decadência parcial do lançamento pela DRJ. Baseado em tal conclusão, entendo que deve ser CONHECIDO o recurso de ofício, nos termos da Portaria MF nº 63/17, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Decadência É sabido que a Súmula Vinculante STF 08 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91 publicada em 20/06/2008, determinou que aplicamse aos créditos previdenciários, em relação à decadência, o prazo qüinqüenal previsto no CTN. Quanto ao termo inicial do qüinqüênio legal, consolidouse o entendimento – em se tratando de NFLD decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal pela incidência da regra trazida pelo artigo 173, I do CTN caso não se verifique qualquer pagamento relativo à obrigação ou do artigo 150, § 4o do citado código, quando verificado o pagamento parcial da obrigação. No primeiro caso, contase o prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e na segunda hipótese, são contados 05 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador. Conforme acima relatado, vêse nos autos que o lançamento consumouse com a ciência do sujeito passivo em 02/01/2008. Desta forma, para as competências até 11/2002, operouse a decadência, qualquer que seja a regra adotada relativa ao início do prazo decadencial (art. 173 I ou art. 150 §4, ambos do CTN). Para a competência 12/2002, a decadência também se verificou, visto que efetuados recolhimentos parciais pela notificada, dando ensejo à aplicação do artigo 150, § 4o do CTN. Fl. 11396DF CARF MF 14 Para o período a partir de 01/2003 não há que se falar em decadência, seja qual for a regra assumida quanto ao termo inicial do prazo decadencial. Desta forma, a conclusão obtida pela DRJ está em perfeita consonância com as disposições legais vigentes e, portanto, não merece qualquer reparo. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, mantendo o reconhecimento da decadência e, conseqüentemente, a exclusão da presente NFLD os lançamentos até a competência 12/2002, e também aqueles referentes ao décimo terceiro salário de 2002, mantendose apenas os valores lançados para a competência 01/2003 e seguintes. Recurso Voluntário O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 27/05/2013, interpôs recurso voluntário no dia 25/06/2013, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Dos Valores Excluídos e da Delimitação da Matéria Controvertida: Em razão dos valores excluídos pela decadência e pela desistência parcial da impugnação para fins do parcelamento, a autoridade de primeira instancia assim se posicionou: Considerando a decadência parcial operada, e a desistência parcial da impugnação para fins de parcelamento, necessário identificar os valores remanescentes para que se possa estabelecer os parâmetros da análise que o presente Voto terá adiante. Assim, foram totalmente atingidos pela decadência ou objeto de desistência em sua integralidade, os levantamentos constantes do quadro a seguir: DECADÊNCIA CI1 PG CONT INDIV NÃO LOC CONTABI CT REMUN C TECNICO ARB P ANT GFIP PAA PGTO AUTONOMO ANTES GFIP PAT ALIMENTACAO TRABALHADOR SEM PAT RP REMUN PROF ARBITRADA ANTES GFIP FP FOPAG EMPREGADO PERIODO ANTERIOR FPS FP SEMESTRALIDADE PERIODO ANTERIOR REF REMUN EMPREGADO FORA FOPAG RJN RETENCAO NÃO DESCONTADA JOB CI REMUN CONTRIB INDIVIDUAL GFIP RD REMUN DIRETOR ENS ARBIT ANT GFIP Fl. 11397DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 9 15 RAA REMUN AUXILIARES ARBITR SEM GFIP RA1 REMUN AUXILIARES ARBIT DISP GFIP PARCELAMENTO AT ALIMENTAÇÃO TRAB S PAT S GFIP CTS COOP TRABALHO SAUDE UNIMED Dessa maneira, embora a notificada tenha questionado os levantamentos referentes às contribuições decorrentes da prestação de serviços por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (Lei 8.212/91, artigo 22, IV) e a cobrança de contribuições sobre valores fornecidos aos segurados a título de alimentação, houve a desistência integral relativa a estas rubricas, que integraram, respectivamente, os levantamentos AT e CTS. Portanto, restou prejudicada a análise concernente a estes tópicos. Além disso, perdeu o objeto o questionamento direcionado ao levantamento RJN (contribuição decorrente de serviços prestados por cessão de mãodeobra ou empreitada), e relativas ao levantamento FPS (prêmio “Semestralidade”) visto que estes levantamentos foram integralmente alcançados pela decadência. Também merece registro que inúmeros outros levantamentos foram alcançados em parte pela decadência ou pela confissão para fins de parcelamento. Nesses casos, permanece a necessidade de apreciar no presente Voto a controvérsia instaurada em relação aos fatos geradores que compõem tais levantamentos. Observase também que alguns levantamentos foram totalmente parcelados ou alcançados pela decadência. No entanto, os fatos geradores que compõem estes levantamentos possuem a mesma natureza daqueles que integraram outros levantamentos que não foram inteiramente alcançados pela decadência ou pela desistência da impugnação para fins de parcelamento. Em conclusão a matéria controvertida, conforme argumentos recursais, cingese aos argumentos abaixo: 1. Nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de diligência e perícia por ter ocorrido o cerceamento de defesa; 2. O arbitramento realizado através de metodologia de aferição indireta não foi adequado para apuração dos valores devidos. 3. Professores e funcionários que se encontram discutindo ou já tem sentença na esfera trabalhista não podem integrar NFLD. 4. Os valores pagos a título de abono anual são verbas indenizatórias. Fl. 11398DF CARF MF 16 5. A distribuição de lucros foi legítima. Passo a análise dos tópicos acima. *** Preliminar Nulidade da decisão por cerceamento da produção de provas Defende a recorrente que requereu expressamente perícia em relação aos novos documentos apresentados na impugnação e após esta, para fins de comprovar que todas as divergência apontadas haviam sido expurgadas e não seria mais necessário o arbitramento por aferição indireta como foi realizado pela fiscalização. Apesar de aduzir de que tais documentos seriam, então, prova fundamental e que o indeferimento da perícia solicitada imputaria em nulidade da decisão de primeira instancia por cerceamento de defesa, verificase da análise da referida decisão, que, diversamente do alegado pelo contribuinte, tais documentos foram analisados, mas não se mostraram, no convencimento da DRJ, suficientes para alterar as conclusões obtidas pela fiscalização. Transcrevese abaixo o trecho da decisão de primeira instancia que tratou desta questão (fl. 10.903): "Postos os necessários esclarecimentos, as questões controvertidas residem: primeiro, na análise da existência de motivos que justificaram a aferição indireta; segundo, na adequação dos meios utilizados nesse procedimento e, terceiro, na verificação da apresentação posterior pelo sujeito passivo de elementos aptos a atender o ônus da prova em contrário previsto na legislação com vistas a afastar o lançamento efetuado por aferição indireta. (...) E deve ser considerado, ainda, que a notificada apresentou novos documentos após a Informação Fiscal. Porém, estes documentos (fls. 10.220 e seguintes), bem como aqueles eu instruíram a impugnação, nem ao menos vieram acompanhados dos devidos esclarecimentos da empresa quanto à sua relação com os lançamentos efetuados. Nesse sentido, a impugnante limitouse a afirmar ter demonstrado que o total dos fatos geradores havia sido declarado e as respectivas contribuições confessadas e parceladas, sem que se fizesse, no entanto, qualquer associação entre esses novos elementos e as irregularidades que motivaram a aferição indireta. Não foram apresentados, portanto, elementos bastantes para atender à faculdade concedida pela legislação ao sujeito passivo de produzir prova apta a desconstituir a aferição indireta realizada."(grifei) Fl. 11399DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 10 17 Sabese que o pedido de perícia é permitido ao contribuinte em sede de impugnação, mas será deferido de acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instancia caso julguea necessária, conforme prevê o art. 18 do Decreto 70235/72. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Tendo em vista que a negativa da perícia foi devidamente fundamentada pela decisão da DRJ, que a julgou desnecessária, conforme extrato acima transcrito e com base no dispositivo legal mencionado, não se está diante aqui de caso de nulidade por cerceamento de defesa. Os argumentos da recorrente foram detidamente analisados pela DRJ, mas decidiuse pelo indeferimento da impugnação em relação ao poder reformador dos respectivos documentos suporte. O não acatamento dos argumentos de defesa, neste caso, não podem ser entendidos como cerceamento de defesa, tendo em vista que se trata de resolução que está em perfeita consonância com a competência de tal órgão. Revisão da decisão da DRJ Cabe analisarmos, no entanto, se tratase de caso revisão da decisão da primeira instância, tendo em vista os argumentos insistentemente apresentados pela recorrente, de que tais documentos possibilitam a aferição direta da base de calculo das contribuições. O que se percebe pela fundamentação da decisão da DRJ, é que o documento considerado essencial para aferição direta da base de cálculo não foi apresentado, sendo ele o Censo Anual Educacional, pois alega que tal documento traria informações necessárias para definição do lançamento. Vejamos (fl. 10.905): "Porém, os elementos que instruíram a impugnação não foram suficientes para viabilizar a pretensão da impugnante. Como bem ressaltou a fiscalização em sua manifestação subseqüente, a documentação trazida pela empresa limitouse a páginas avulsas do Diário de Classe, não tendo sido apresentado o Censo Anual Educacional, essencial à fiscalização pois, conforme o IBGE, contém tal documento informações relativas a: “Pessoal técnicoadministrativo: servidores técnico administrativos por grau de formação, tipo de contrato, no 1o semestre (IES Públicas e Privadas); servidores técnico administrativos afastados, por tipo de afastamento, por grau de formação, no 1o semestre; outros tipos de prestadores de serviço técnico administrativo de natureza contínua, no 1o. semestre. Pessoal docente: número de docentes por grau de formação, regime de trabalho e por sexo, no 1o semestre; distribuição dos docentes por categoria funcional e regime jurídico, no 1o semestres (IES Públicas e Privadas); número de docentes por sexo e faixa etária, no 1o semestre; número de docentes afastados com ou sem vencimento, por motivo de afastamento, no 1o Fl. 11400DF CARF MF 18 semestre; número de docentes afastados por motivo de afastamento, titulação e sexo, no 1o semestre. Dados financeiros: receitas auferidas por tido de receita (receitas próprias, transferências e outras receitas) e despesas efetuadas por tido de despesa (pessoal, custeio e capital), no ano anterior." (grifei) Tendo em vista a ausência na entrega de tal documento pelo contribuinte, foi utilizado como base o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI, que conforme página eletrônica do Ministério da Educação, consiste em: O Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI – consiste num documento em que se definem a missão da instituição de ensino superior e as estratégias para atingir suas metas e objetivos. Abrangendo um período de cinco anos, deverá contemplar o cronograma e a metodologia de implementação dos objetivos, metas e ações do Plano da IES, observando a coerência e a articulação entre as diversas ações, a manutenção de padrões de qualidade e, quando pertinente, o orçamento. Deverá apresentar, ainda, um quadroresumo contendo a relação dos principais indicadores de desempenho, que possibilite comparar, para cada um, a situação atual e futura (após a vigência do PDI). http://www2.mec.gov.br/sapiens/Form_PDI.htm Baseado no PDI, então, a fiscalização adotou a metodologia de aferição indireta a seguir detalhada (fl. 10.898): (1) apuração do total de horasaulas dos cursos de graduação oferecidos; (2) a quantidade de turmas foi aferida com base nas vagas autorizadas pelo MEC; (3) a carga horária do semestre foi dividida por 5, que representa o número de meses do semestre letivo; (4) o número de horasaulas semanal foi multiplicado por 4,5, já que a legislação (artigo 320, § 1o da CLT) leva em conta esse número para a fixação da jornada mensal do professor; (5) foram somadas as horasaulas de cada curso de graduação, obtendose o total referente aos cursos de graduação; (6) observandose a proporção de horas utilizadas em cada atividade, constante no PDI e, com o número das horas dos cursos de graduação, obtevese o total de horas utilizadas pela instituição; (7) foram subtraídas as horasaulas já remuneradas em folhas de pagamento; (8) o valor dessas horasaulas foi utilizado no cálculo do valor médio da horaaula; Fl. 11401DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 11 19 (9) foi multiplicado o número de horasaulas pelo valor médio aferido e acrescentado o adicional noturno e descanso semanal remunerado. A fiscalização sustenta que existe no PDI quadro com a proporção das horas contratadas em relação às atividades a serem desenvolvidas pelo corpo docente, fundamentando a aferição do total de horas necessárias à execução das atividades da notificada. Acrescenta que o PDI de 2001/2005 traz também números do ano de 2000, (relativos a proporção das horas utilizadas em cada atividade), não se referindo quanto a este período a intenções futuras, mas a compromissos cumpridos naquela ocasião. Aduz, por fim, que não houve alteração significativa do ano de 2000 para os anos seguintes, do percentual de horas utilizado nos cursos de graduação. O MEC reconheceu cursos ministrados e autorizou novos cursos, denotando que os compromissos assumidos pela instituição continuaram sendo cumpridos. Para confrontar o método utilizado pela fiscalização, o contribuinte, além de retificar as suas obrigações acessórias de acordo com as inconsistências apontadas pela legislação, buscou, principalmente, resgatar a credibilidade do conteúdo das declarações fiscais e contabilidade, para isso apresentando uma série de documentos. Segue abaixo lista não exaustiva dos documentos apresentados em sede de impugnação: 1. Histórico ano a ano sobre os cursos implantados explicitando o numero de vagas de cada curso vis a vis o numero de alunos matriculados;(fl. 1252) *Explica que para algumas disciplinas, os alunos de diferentes cursos são reunidos na mesma sala de aula visando reduzir o custo do numero de aulas. 2. Quadro comparativo entre o numero de vagas previstas e o numero de matriculados (fl. 1278): *Observa que, ao longo dos anos, há redução do numero de alunos devido a trancamento, abandono e reprovações. Em relação ao corpo docente, esclarece que a redução do numero de alunos gera uma redução do corpo docente, conforme, refletido no próprio PDI. 3. Quadro de vagas oferecidas e alunos matriculados por curso (fl. 1280), demonstrando que apenas 64% das vagas são preenchidas (5747 de 9000). 4 . Quadro demonstrativo dos alunos que colaram grau entre 2002 a 2006. Fl. 11402DF CARF MF 20 5. Ofícios com listagem de diplomas de formandos para registro oficial no MEC (fls. 1285 e segs.) há carimbos de protocolo no MEC (fls. 1307, 1316, 1319). 6. Cópias de carteiras de trabalho e registro de empregados (fls. 1425 e segs). 7. Contratos de pesquisadores bolsa de estudo (fls. 1451 e segs); 8. Contratos de estágio (fls. 1457 e segs) 9. Diários de Classe (fls. 1481 a 1577) 10. Regularização das GFIPs (fls. 2578 a 2423) 11. Recibos de pagamento a funcionários (fls. 2425 a 3488) 12. Razão Analítico, Diário e Balanço Patrimonial do período fiscalizado (fls. 2890 a 4310) 13. Folhas de Pagamento do período fiscalizado (fls. 4313 e 4633) 14. Declarações previdenciárias (fls. 4634 a 4955) 14. Listagem dos professores com mestrado e doutorado conforme página eletrônica do INEP (fls. 4959 a 4979) A partir da página 4980 não se observa uma seqüência coerente de documentos por natureza, havendo apresentação de informações variadas. Observase, ainda, erro na paginação que impede uma análise seqüencial dos documentos juntados na impugnação. Notase, por exemplo, que a peça de impugnação iniciase na fl. 10.839 a 10.844 e depois reinicia na fl. 1.204 a 1.229, demonstrando a incorreção na paginação do processo. De qualquer forma, se verifica que foram apresentados mais de 5 mil páginas de documentos de natureza acadêmica, financeira e contábil visando justificar a credibilidade das informações informadas nas declarações de contribuições previdenciárias e contabilidade nos anos fiscalizados e, desta forma, permitir a aferição direta. *** Em vista de todo o acima, entendo que, conforme mencionado pelas autoridades fiscais, os documentos apresentados pelo contribuinte vieram desacompanhados dos devidos esclarecimentos em relação aos lançamentos efetuados. Neste sentido, vale mencionar trecho do voto condutor da decisão da DRJ (fl.10.905): Porém, estes documentos (fls. 10.220 e seguintes), bem como aqueles que instruíram a impugnação, nem ao menos vieram acompanhados dos devidos esclarecimentos da empresa quanto à sua relação com os lançamentos efetuados. Nesse sentido, a impugnante limitouse a afirmar ter demonstrado que o total dos fatos geradores havia sido declarado e as respectivas contribuições confessadas e parceladas, sem que se fizesse, no entanto, qualquer associação entre esses novos elementos e as irregularidades que motivaram a aferição indireta. Fl. 11403DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 12 21 No entanto, tampouco podese confirmar, conforme o mesmo voto que "a documentação trazida pela empresa limitouse a páginas avulsas do Diário de Classe" (fl. 10.904). O que se infere é que uma vez detectadas irregularidades nas declarações previdenciárias apresentadas pela recorrente conforme confessado pela própria, gerando, inclusive, retificação em montante milionário as autoridades fiscalizadoras entenderam que a tais declarações, mesmo retificadas, e demais documentos apresentados não eram suficientes a desincumbir o contribuinte do ônus probatório em contrário para fins de aferição direta nos moldes do parágrafo 6o do art. 33 da Lei 8.212/91, que à época do lançamento assim dispunha: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita Federal (DRF) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A recorrente alega, em contrapartida, que uma vez supridas as divergências apontadas, não há razão para a manutenção do arbitramento por aferição indireta. Sabese que a aferição indireta de base de cálculo é medida extrema a ser adotada pela fiscalização quando for constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração as segurados. No entanto, entendo que uma vez que foi possível à fiscalização apontar quais foram as inconsistências e, inclusive, indicar em relação a quais funcionários se referiam (fl. 760 e segs), a contabilidade não deveria ser totalmente descredibilizada, mormente quando o sujeito passivo procedeu a todas as retificações, confessando e buscando a forma de parcelamento para a suspensão da exigibilidade do respectivo crédito tributário (art. 151 do CTN). Ressaltase que após realizadas as retificações, o processo foi baixado em diligencia, oportunidade em que a fiscalização confirmou que esta foi devida, exceto por divergências pontuais em duas competências (12/2003 e 01/2004). Verificase pela documentação acostada aos autos que o sujeito passivo possui contabilidade, em linhas gerais, regular, documentação acadêmica e financeira aparentemente completa. Sendo possível, inclusive, notar que o lançamento, com base na metodologia de aferição indireta, resultou em valor inegavelmente irreal frente ao faturamento da empresa. Fl. 11404DF CARF MF 22 Em relação ao excesso de cobrança, transcrevese trecho do recurso voluntário (fl. 10933 e segs): "O valor do principal cobrado no Auto de Infração somados aos juros até janeiro de 2007 e descontada a multa é de aproximadamente R$ 35 milhões. Como o auto de infração abrangeu 120 competências, podemos afirmar que o montante supostamente omitido seria de R$ 291 mil por mês aproximadamente. Como as contribuições previdenciárias totalizam em média 28,8% do montante da folha de salários, podese supor que o montante do principal arbitrado seria de aproximadamente R$ 1 milhão por mês. Considerando que o valor médio da aula no periodo é de R$ 18,32 teríamos um excedente de 54.585 horas mensais.Ou seja, pelo resultado calculo do arbitramento teríamos omitido 1.819 horas por dia. Com uma turma tem cerca de 4 aulas haveria a omissão de quase 454 salas de aulas e ao menos um professor por cada sala por dia. Em um Centro Universitário que possuía uma media no periodo de 43 colaboradores, 91 professores e 2108 alunos é fora da realidade acreditar que poderiam existir mais 454 professores." Sabese que a disparidade do valor encontrado em relação ao que alegadamente teriase chegado pela aferição direta não é motivo para desconsideração da metodologia utilizada pela fiscalização, mas tendo em vista, que foi solicitado pelo contribuinte, com base em documentação, oportunizar seu contraditório, entendo que esta oportunidade deva ser analisada com maior zelo. De fato, não foi apresentado o documento tido como essencial para a fiscalização, o Celso Anual Educacional, mas uma vez que este é preenchido com os dados encontrados na documentação apresentada, não se pode aplicar a medida extrema pretendida pela fiscalização, mormente quando tal documento não está listado na legislação previdenciária como de apresentação obrigatória. Este documento é de apresentação obrigatório ao Ministério da Educação. Não é possível afirmar que será possível realizar a aferição direta com a documentação apresentada, tendo em vista que se trata de milhares de documentos, mas entendo que deve ser dado ao recorrente, em busca da obediência ao principio da verdade material, a oportunidade de apresentação de perícia dos documentos apresentados vis a vis as bases do lançamento. Vale ressaltar, inclusive, que a perícia não necessariamente faz prova a favor do contribuinte, pois pode, contrariamente, agravar a exigência inicial gerando notificação complementar nos moldes do art. 19 do Decreto 70.235/72. O que se pretende aqui, portanto, é apenas oportunizar uma analise detida a ser realizada pela autoridade fiscal e pelo recorrente em busca de ser verificado, em detalhes, a possibilidade de aferição direta do total do lançamento ou pelo menos, de parte dele. Fl. 11405DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 13 23 Desta forma, voto pela reforma da primeira instancia a fim de que seja procedida diligencia, por ambas as partes, nos moldes do art. 18 do Decreto 70.235/72. Para o caso de meus colegas votarem de forma diversa, prossigo na analise dos demais argumentos de defesa. Arbitramento Metodologia inadequada Entende a recorrente que os critérios utilizados foram inválidos. Afirma que prova disto seria o valor excessivo do lançamento obtido através de tal metodologia. Afirma que o principal erro consiste na utilização do Plano de Desenvolvimento Institucional PDI como ponto de partida para os cálculos do lançamento, pois alega que o PDI é uma catra de intenções, ou seja, reflete o resultado de um trabalho em bases ideais, o que não ocorre na realidade. Aponta, ainda que o cálculo considerou o máximo em todos os quesitos, como se todos os cursos fossem ministrados em sua capacidade máxima de alunos, o que não condiz com a realidade. Aduz que a taxa de ocupação é inferior a 50% do montante de vagas oferecido em muito cursos. Alega que a numero de vagas ocupadas está registrado no Ministério da Educação e se mostra irresignada pelo fato das autoridades não terem se utilizado de tal informação. Alega que a fiscalização ignorou outro fato registrado, a falta dos professores que teria reflexo direto na folha de pagamento. Ademais, ressalta que houve falta de referencia a professores que não participam de atividades extraordinárias constantes da NFLD (AP, AA, AE, CA e AD). Neste sentido, afirma que o corpo docente, conforme legislação, deve ser formado por 1/5 em regime integral e o restante em regime parcial ou horista. Outro ponto ressaltado é que houve erro da fiscalização a afirmar que deveria haver 1/3 de corpo docente de mestres e mais 1/3 de doutores, quando a legislação exige apenas que 1/3 seja de mestre e doutores. *** Em relação a inadequação dos critérios, conforme acima mencionado, entendo que a fiscalização, diante da ausência de contabilidade confiável, deve utilizar de todos os meios disponíveis para que haja o menor desvirtuamento possível do valor que seria alcançado caso fosse crível a utilização da aferição direta. Desta forma, entendo que somente devem ser reformados aqueles passos cuja premissa não se baseou em informação oficial disponível ou legislação aplicável. Assim, havendo informação oficial em relação ao numero de vagas preenchidas, conforme registro no MEC, deve este parâmetro ser utilizado pela fiscalização como ponto de partida e não aquele mencionado no PDI, que conforme a própria pagina eletrônica do Ministério da Educação é um documento que traça estratégias futuras da instituição e não retrata da verdade dos fatos. Fl. 11406DF CARF MF 24 Outros dados conhecidos se relacionam às exigências em relação a corpo docente em tempo integral e corpo docente com titulação acadêmica (mestres e doutores), vejamos a legislação de regência a partir de meio de 2006 (previamente estava em vigor os critérios do Decreto 4.914/03 e Decreto 3.861/01) : Decreto 5.786/06 Art. 1o Os centros universitários são instituições de ensino superior pluricurriculares, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar. Parágrafo único. Classificamse como centros universitários as instituições de ensino superior que atendam aos seguintes requisitos: I um quinto do corpo docente em regime de tempo integral; e II um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado. Tendo em vista o acima, encaminho o processo para diligencia para que a fiscalização reviste a metodologia utilizada e justifique, para cada passo/critério de aferição indireta utilizado, a ausência de base oficial e/ou legal em relação aos dados utilizados. Entendo que a utilização do PDI deve ser o ultimo recurso utilizado pela fiscalização e não o primeiro, sendo justificável, apenas, quando não houver outra base de dados mais fidedigna a ser utilizada. Processos Trabalhistas Parte dos valores lançados relativos à remuneração dos segurados não contabilizados pela notificada nem declarados em GFIP foram apurados após o exame de documentos atinentes à reclamações trabalhistas movidas por estes empregados. A notificada opõese afirmando que a opção pelo processo judicial concretizada com as ações trabalhistas afasta a possibilidade de discutirse tais fatos na esfera administrativa. Posteriormente, a fiscalização afirmou que os documentos trazidos pela notificada não permitem analisar se as verbas lançadas na NFLD integram a discussão judicial. A respeito do tema, é preciso esclarecer de início que não existe um levantamento específico para valores lançados em decorrência de ações trabalhistas e, consultando os autos, podese verificar que as remunerações relativas a esses empregados foram parcialmente declaradas em GFIP e parceladas. Em relação a este ponto, entendo que andou bem a decisão de primeira instancia, que fundamenta sua conclusão conforme extratos abaixo: A respeito, a partir de 16/12/1998 e, nos termos do artigo 114, VIII da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, pertence à Justiça do Trabalho a competência para execução das contribuições sociais Fl. 11407DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 14 25 previdenciárias devidas pelo empregador e pelo segurado inscritas, exclusivamente, nas sentenças que proferir. Nessa perspectiva, sempre que a sentença proferida em reclamatória trabalhista contemplar condenação ou homologação de acordo que impliquem o recolhimento de contribuições sociais previdenciárias, a execução desses valores em favor da Fazenda Pública será da competência da Justiça do Trabalho. Porém, não se pode olvidar que o artigo 142 do CTN estabelece competir, de forma privativa, à autoridade administrativa a constituição do credito tributário mediante procedimento administrativo. Assim, a regra geral referente à constituição e execução do crédito tributário consiste na atribuição dessa competência às autoridades administrativas. Excepcionalmente, no caso de reclamatória trabalhista, a execução se fará ex officio, na própria Justiça Trabalhista. Portanto, ressalvada a exceção constitucional, a competência para a apuração e constituição do crédito previdenciário deverá seguir a regra geral, qual seja, ser atribuída à autoridade administrativa, o auditorfiscal da RFB, devendo tal procedimento ser observado inclusive na hipótese de contribuições previdenciárias relativas a causas trabalhistas, não incluídas nas sentenças/acórdãos. No caso ora analisado é isso que se observa pois, conforme bem ressaltado pela autoridade fiscal, não existe nos autos inclusive considerandose os documentos que integram o Anexo VI da impugnação (fls. 1.481/1.489) elementos suficientes para que se possa estabelecer o vínculo entre as contribuições lançadas e as ações trabalhistas em pauta. Assim, não merece reparo o lançamento efetuado quanto a este particular. Abono Anual verba indenizatória A recorrente alegou que os abonos incluídos pela fiscalização na base de cálculo das contribuições lançadas possuem natureza indenizatória. Como sabido, a Lei 8.212/91, artigo 28, I, define saláriodecontribuição para o empregado da seguinte forma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 11408DF CARF MF 26 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Por sua vez, o § 9º do citado dispositivo legal, relaciona as parcelas que não integram o salário de contribuição, entre elas estão os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do trabalho, também especificando inúmeras verbas de natureza indenizatória. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...)7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Não obstante o acima, a decisão de primeira instancia decidiu por bem incluir os abonos na base de calculo, pois entendeu que os valores pagos pela recorrente não estavam listados no dispositivo legal acima mencionado. Data vênia, entendo, assim como a recorrente que uma vez que não há contraprestação de trabalho, está expressamente previsto na convenção de trabalho e visa indenizar o trabalhador que no dissídio não recebeu o valor integral das perdas no período, não devem tais parcelas serem incluídas na base de calculo do lançamento. Distribuição de lucros A fiscalização verificou que a notificada distribuiu lucros de maneira irregular, por isso, considerou os respectivos valores como pro labore e lançou as contribuições incidentes sobre os mesmos. A notificada, por sua vez, defende que houve a efetiva distribuição de lucros e que é vedado à Administração Pública estabelecer limites e condições que inviabilizem as atividades privadas ou alterem conceitos. A respeito, não se trata de permitir que a fiscalização altere a natureza de conceitos, dos registros contábeis da empresa ou interfira nas atividades privadas desenvolvidas pelo contribuinte, mas sim de reconhecer que a fiscalização possui a prerrogativa de verificar a real natureza das operações realizadas pelo sujeito passivo e conferirlhes o devido enquadramento para fins tributários. Assim, se a autoridade fiscal constatar o pagamento de valores denominados pela empresa como distribuição de lucros, sem que efetivamente haja lucros a distribuir no momento em que ocorreram tais pagamentos, deve considerálos como de natureza remuneratória, enquadrandoos como pro labore, procedendo com amparo no já citado artigo 142 do CTN, que atribui à autoridade administrativa a competência para verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável. Quanto à discutida existência efetiva de lucros, a fiscalização constatou que os montantes distribuídos de 01/2005 a 10/2005 foram absorvidos pelos prejuízos acumulados anteriores. Portanto, não haveria lucro quando realizada a distribuição. Por sua vez, a notificada não contesta a existência de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores, mas argumenta que ao final do exercício de 2005 houve a apuração de lucros, sendo este fato relevante e determinante para embasar a distribuição efetuada, que assim entende regular. Fl. 11409DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 15 27 Compulsando os autos é possível confirmar o contexto descrito no parágrafo anterior. Verificase que os prejuízos acumulados até 2004, no importe de R$ 3.829.376,45, só foram integralmente absorvidos pelo lucro do exercício de 2005 no mês de outubro, que registrou um saldo de R$ 4.010.885,90 (fls. 4.256). Até mês 09/2005, o lucro do exercício era de apenas R$ 3.644.158,45 (fls. 4.245), inferior ao prejuízo acumulado dos exercícios anteriores. Portanto, a controvérsia repousa em apreciar a licitude da antecipação na distribuição de lucros realizada em momento em que ainda não existia o lucro, que só se verificou posteriormente, ao final do exercício. Verificase de fato que ao final de 2005 o lucro do exercício foi superior aos prejuízos acumulados dos exercícios anteriores. Tendo em vista que o exercício social encerrase em 31 de dezembro de cada ano, somente ao final do ano se pode apurar o lucro. Tendo em vista que ao fim de 2005 havia lucro suficiente para fazer frente ao montante distribuído a titulo de adiantamento de distribuição de lucros, não vejo maiores problemas no ocorrido, mormente quando o contrato social permite tal adiantamento. Conclusão Por todo o exposto anteriormente, voto por CONHECER, AFASTAR a preliminar de nulidade, mas DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 11410DF CARF MF 28 Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante os fundamentos apresentados no voto da r. Relatora, entendo que os encaminhamentos apresentados no voto vencido em relação ao recurso voluntário não representam a melhor solução para a presente lide pelas razões que passo a expor. Conversão do julgamento em diligência Com relação a esse assunto, os elementos contidos nos autos dão conta que o Colegiado recorrido converteu o julgamento de primeira instância em diligência em face de alegações e documentos apresentados pela recorrente quando da impugnação. Senão vejamos o que consta de referida decisão: Da Diligência: Encaminhados os autos a este colegiado, foi proferido o despacho 089, de 19/09/2008, solicitando a realização de diligência pela fiscalização para esclarecimentos quanto aos questionamentos da impugnante relativos à aferição indireta realizada, das retificações de valores promovidas pela empresa, das supostas irregularidades apontadas no Relatório Fiscal, bem como, para as providências cabíveis quanto à desistência parcial e ao pedido de parcelamento. Em razão disso, a Fiscalização, por meio da Informação Fiscal de fls. 9.973/9.990, intimou a empresa a prestar esclarecimentos quanto às retificações efetuadas em suas declarações e analisou pormenorizadamente os fundamentos e razões de prova trazidos na peça impugnatória. Apresentou ainda a autoridade autuante, de forma detalhada, a metodologia adotada para realização da aferição das contribuições objeto de lançamento, esclarecendo que o arbitramento pautouse nos documentos fornecidos pela contribuinte e foi motivado pela não apresentação de outros documentos, “insistentemente solicitados nos TIAD de 01/08/2007, 03/08/2007, 20/09/2007 e 23/11/2007”. Cientificada da Informação Fiscal a recorrente juntou outros documentos e repisou suas manifestações de inconformismo com o procedimento adotado para a aferição indireta das contribuições, requerendo o cancelamento do arbitramento. Ocorre que, a exemplo do que se sucedeu quando da impugnação, os novos documentos, apresentados somente após a ciência da Informação Fiscal, não se fizeram acompanhar ao menos de esclarecimentos quanto a sua vinculação com os lançamentos efetuado. Asseverese que a simples apresentação de documentos sem a necessária indicação de sua correlação com as contribuições arbitradas não supre o dever estabelecido no § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 de o sujeito passivo comprovar a ocorrência de distorções no lançamento efetuado pela via da aferição indireta. Por outro lado, não vejo que aqui se esteja diante da necessidade de efetuar nova diligência para que a Fiscalização venha a analisar esses novos documentos, mesmo porque, não se encontram entre eles elementos tidos como essenciais para a análise do caso e reiteradamente solicitados ainda quando da realização da fiscalização, como, por exemplo, o Fl. 11411DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 16 29 Censo Anual Educacional, que condensa as informações relativas às remunerações pagas aos segurados. Não se pode deslembrar, repisese, que o arbitramento foi regularmente realizado e a recorrente teve inúmeras oportunidades para comprovar o efetivo valor das contribuições devidas à Previdência Social e não o fez. Não cabe agora, já na análise do recurso voluntário, converter novamente o julgamento em diligência para que a autoridade autuante analise documentos apresentados, reitrese, somente após a ciência de Informação Fiscal, e sem os esclarecimentos necessários a conectálos aos fatos geradores objeto da autuação. Agir dessa forma equivaleria impor à autoridade autuante incumbência deferida pelo § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 ao sujeito passivo, motivo pelo qual divirjo da r. Relatora e entendo pela desnecessidade de realização de diligência. Regularidade na metodologia de arbitramento Quanto ao entendimento contido no voto vencido, de que o julgamento deve ser convertido em diligência também “para que a fiscalização revisite a metodologia utilizada e justifique, para cada passo/critério de aferição indireta utilizado, a ausência de base oficial e/ou legal em relação aos dados utilizados” e de que “a utilização do PDI deve ser o ultimo recurso utilizado pela fiscalização e não o primeiro, sendo justificável, apenas, quando não houver outra base de dados mais fidedigna a ser utilizada”, não vejo como concordar com tais encaminhamentos. Como bem resumido na decisão recorrida: Quanto à aferição indireta realizada, a empresa notificada aduz não ter sido correto o procedimento adotado pela fiscalização, pois, lhes foram disponibilizados os elementos necessários à apuração das contribuições. Afirma também que aferição indireta baseouse em elementos inadequados, resultando em valor lançado excessivo e desproporcional. Além disso, após a realização de diligência solicitada por este colegiado (DRJ/RPO), afirma ter apresentado os elementos faltantes e retificado sua contabilidade e declarações, confessando, para fins de parcelamento, todas as contribuições devidas, motivos pelos quais com fulcro na parte final do artigo 33, § 6º da Lei 8.212/91 entende deva ser afastada a aferição indireta. Os dispositivos que regulam a aferição indireta são os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 que, à época da autuação, contavam com a seguinte redação: “Art. 33. [...] (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de Fl. 11412DF CARF MF 30 ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” À luz dos §§ 3º e 6º do art. 33, reproduzidos acima, não restam dúvidas de que a aferição indireta é instrumento colocado à disposição da Fiscalização quando há recusa, por parte do contribuinte, em apresentar documentos ou informações necessários à apuração da base de cálculo das contribuições sociais ou ainda quando a escrituração contábil e os documentos apresentados não registrarem o movimento real da remuneração dos segurados a serviço da empresa, do faturamento ou do lucro. Ocorrendo essas hipóteses, a contribuição será lançada por arbitramento, invertendose o ônus probandi em desfavor do sujeito passivo. É incontroverso que, por ocasião do procedimento fiscal, a autoridade autuante, com base em comprovantes de pagamento de remuneração apresentados pela recorrente, constatou a inexistência da escrituração contábil de verbas salariais pagas pela empresa e a ausência de registro de segurados da Previdência Social em folhas de salários, bem assim de sua informação em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Por outro lado, a recorrente recusouse a apresentar à autoridade fiscal, tampouco exibiu na impugnação ou após a realização da diligência determinada pela DRJ/POR os Quadros de Formação de Turmas, Censos Educacionais e Calendários Escolares, documentos necessários à verificação do número de segurados a serviço da notificada e suas respectivas remunerações. Desse modo, o lançamento por aferição indireta encontrase perfeitamente respaldado nas disposições legais que lhe dão suporte. No que respeita a metodologia utilizada para o arbitramento, extraise do relatório da decisão fustigada que a Informação Fiscal (fls. 9973/9990), emitida em razão da diligência demandada pelo Colegiado de primeira instância administrativa, traz o seguinte detalhamento: Apresenta os passos da metodologia utilizada na aferição indireta: (1) apuração do total de horasaulas dos cursos de graduação; (2) como não foram fornecidos os Quadros de Formação de Turmas e Censos Educacionais e quando não especificados nos documentos entregues à fiscalização, a quantidade de turmas foi aferida com base nas vagas autorizadas pelo MEC; (3) como não foram fornecidos os calendários escolares, a carga horária do semestre foi dividida por 5, que representa o número de meses do semestre letivo; (4) o número de horasaulas semanal foi multiplicado por 4,5, já que a legislação (artigo 320, § 1º da CLT) leva em conta esse número para a fixação da jornada mensal do professor; (5) foram somadas as horasaulas de cada curso de graduação, obtendose o total referente aos cursos de graduação; (6) observandose a proporção de horas utilizadas em cada atividade, constante no PDI e, com o número das horas dos cursos de graduação, obtevese o total de horas utilizadas pela instituição; (7) foram subtraídas as horas aulas já remuneradas em folhas de pagamento; (8) o valor dessas horasaulas foi utilizado no cálculo do valor médio da horaaula; (9) foi multiplicado o número de horasaulas pelo valor médio aferido e acrescentado o adicional noturno e descanso semanal remunerado. Fl. 11413DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 17 31 Ao revês do que consta do recurso voluntário, notase que o arbitramento foi realizado a partir dos documentos disponibilizados pela própria empresa. Quanto ao Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI, entendo que a alegada inadequação dos dados constantes desse documento para aferir a remuneração de trabalhadores a serviço da empresa deveria vir acompanhada de elementos de prova aptos a justificar os argumentos da recorrente, o que não se verificou no caso em tela. Não se trata aqui de utilizar esse documento (PDI) como primeiro recurso para a efetivação do lançamento como equivocadamente afirma a r. Relatora, pois ele somente foi utilizado ante a não apresentação outros elementos que pudessem a substituílo adequadamente. Repisese que, mesmo após ser notificada da citada Informação Fiscal, a empresa recusouse a apresentar os Quadros de Formação de Turmas, Censos Educacionais e Calendários Escolares (documentos que veiculam o número de segurados a serviço da notificada e suas respectivas remunerações). Além disso, conforme restou consubstanciado acima, os “elementos de prova” acostados aos autos após a ciência da Informação Fiscal não trouxeram qualquer justificativa quanto a sua correlação com os valores objeto do lançamento, razão pela qual entendo irretocável o entendimento exarado na decisão recorrida, o qual fazse mister reproduzir: Após discorrer a respeito, afirma ainda na impugnação, que em virtude da oportunidade que lhe confere a parte final do artigo 33, § 6º da Lei 8.212/91, trazia aos autos naquela ocasião, os documentos necessários à verificação dessas incorreções e da apuração do tributo efetivamente devido, impondose assim, o afastamento da aferição indireta. Porém, os elementos que instruíram a impugnação não foram suficientes para viabilizar a pretensão da impugnante. Como bem ressaltou a fiscalização em sua manifestação subseqüente, a documentação trazida pela empresa limitouse a páginas avulsas do Diário de Classe, não tendo sido apresentado o Censo Anual Educacional, essencial à fiscalização pois, conforme o IBGE, contém tal documento informações relativas a: “Pessoal técnicoadministrativo: servidores técnico administrativos por grau de formação, tipo de contrato, no 1º semestre (IES Públicas e Privadas); servidores técnico administrativos afastados, por tipo de afastamento, por grau de formação, no 1º semestre; outros tipos de prestadores de serviço técnicoadministrativo de natureza contínua, no 1º semestre. Pessoal docente: número de docentes por grau de formação, regime de trabalho e por sexo, no 1o semestre; distribuição dos docentes por categoria funcional e regime jurídico, no 1º semestres (IES Públicas e Privadas); número de docentes por sexo e faixa etária, no 1o semestre; número de docentes afastados com ou sem vencimento, por motivo de afastamento, no 1o semestre; número de docentes afastados por motivo de afastamento, titulação e sexo, no 1º semestre. Dados financeiros: receitas auferidas por tido de receita (receitas próprias, transferências e outras receitas) e despesas efetuadas por tido de despesa (pessoal, custeio e capital), no ano anterior. Fl. 11414DF CARF MF 32 Época da coleta: Inicialmente as informações eram coletadas de Novembro a Março. Em 2008, as informações foram coletadas de Fevereiro a Julho.” Assim, o que se vê no caso em questão é que a notificada, além de ter praticado inúmeras irregularidades quanto ao registro, declaração e escrituração das remunerações dos segurados, também deixou de apresentar todos os documentos necessários para que fossem apurados os fatos geradores e as contribuições devidas e, diante de tal quadro, a fiscalização realizou a apuração a partir dos elementos disponibilizados. Portanto, entendese que a fiscalização agiu corretamente na aferição indireta. E deve ser considerado, ainda, que a notificada apresentou novos documentos após a Informação Fiscal. Porém, estes documentos (fls. 10.220 e seguintes), bem como aqueles eu instruíram a impugnação, nem ao menos vieram acompanhados dos devidos esclarecimentos da empresa quanto à sua relação com os lançamentos efetuados. Nesse sentido, a impugnante limitouse a afirmar ter demonstrado que o total dos fatos geradores havia sido declarado e as respectivas contribuições confessadas e parceladas, sem que se fizesse, no entanto, qualquer associação entre esses novos elementos e as irregularidades que motivaram a aferição indireta. Não foram apresentados, portanto, elementos bastantes para atender à faculdade concedida pela legislação ao sujeito passivo de produzir prova apta a desconstituir a aferição indireta realizada. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário com relação à presente matéria. Distribuição de lucros Fato não contestado pela recorrente é que a empresa registrou, até 2004, prejuízos acumulados no importe de R$ 3.829.376,45. Referidos prejuízos somente foram absorvidos em sua totalidade no mês de outubro de 2005 (o lucro do exercício de 2005 totalizou R$ 4.010.885,90). Até o mês 09/2005, o lucro do exercício era de apenas R$ 3.644.158,45, portanto, inferior aos prejuízos acumulados nos exercícios anteriores. Não obstante, mesmo diante desse quadro, constatouse a distribuição aos sócios de valores classificados como lucros entre nas competências 01/2005 a 09/2005. Ora, não poderia a recorrente disponibilizar aos membros de seu quadro societário valores sob a denominação de lucro quando esse ainda não havia absorvido a totalidade dos prejuízos incorridos em exercícios anteriores, verificandose correto o procedimento da autoridade autuante em enquadrar tais valores como pro labore, ou seja, como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Do mesmo modo, considero acertada a decisão consubstanciada no acórdão recorrido que entendeu pela manutenção do lançamento. Conclusão Por fim, conquanto entenda que também não se deveria excluir do lançamento os valores pagos pela empresas a título de abono único, fato é que esse entendimento restou superado pela maioria do Colegiado de segunda instância administrativa não cabendo aqui mais nenhuma consideração a esse respeito. Fl. 11415DF CARF MF Processo nº 18088.000033/200868 Acórdão n.º 2402005.908 S2C4T2 Fl. 18 33 Desse modo, o presente o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento as parcelas pagas a título de abono único. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 11416DF CARF MF
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